A Alegria de Continuar

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Alegria de Continuar

A alegria de continuar é, de fato, a maior das alegrias para o homem ou a mulher ambiciosos e de Mente elevada, ansiosos por realizar, fazer, ser algo de valor para a Humanidade, como deve ser um Estudante Rosacruz ativo.

Você alguma vez viu uma pessoa que estivesse realmente trabalhando para o melhoramento da espécie, que estivesse cansada de viver ou, se cansada, que pudesse permanecer assim por muito tempo? E você alguma vez viu um retardatário, um preguiçoso sem objetivo, alguém que não estivesse cansado de viver? Olhe ao seu redor e procure entre os seus conhecidos. Você reconhecerá que a regra é quase infalível.

Mesmo aqueles cujos Corpos Densos são perfurados pela dor, enfraquecidos pela doença, debilitados pela idade ou enfermidade, mesmo estes se agarram tenazmente às atividades da vida, quando estão envolvidos em ocupações valiosas. Mesmo aqueles que sofreram incontáveis rejeições, perseguições ou derrotas puderam se recuperar da sua decepção e do seu desânimo para mergulhar ferozmente e de novo no tumulto, sem se intimidar ou ser conquistados, quando inflamados pelo ardor de um propósito nobre.

Algumas pessoas argumentam que tantos sonhos brilhantes desapareceram diante de nós, que muitas pessoas se tornaram materialistas e realmente querem que a morte termine tudo. Elas sentem que esta existência esteja tão cheia de cruéis decepções que preferem não apostar em futuros desconhecidos ou misteriosos.

Podemos compreender perfeitamente esse ponto de vista, mas não podemos compartilhar dessa opinião. Sim, somos conscientes, como qualquer pessoa, talvez, dos incontáveis crimes que avermelharam e ainda avermelham a Terra. Estamos inteiramente cientes das brutalidades indescritíveis do sistema no qual vivemos. Sabemos o que é crescer na juventude com afetuosas imaginações de oportunidades para os que aspiram, de honras para os corajosos ou de “corridas para os velozes e batalhas para os fortes”, mas experimentar o cinismo e a reação do rude despertar.

No entanto, se pudéssemos escolher entre o descanso eterno depois de uma vida abarrotada de agonias e horrores ou uma continuação da vida indefinidamente, sem qualquer garantia de que seríamos capazes de esmagar seus males e corrigir seus erros, tenhamos certeza de que escolheríamos a segunda opção!

Certamente, nunca vivemos uma vida aqui como essa que imaginamos. Com certeza nossas lutas e infortúnios não foram piores do que os de milhões de outros. Mas não conseguimos conceber quaisquer lutas e infortúnios, mesmo insuportáveis, que nos convencessem a querer entregar nossa existência individual! Isso é ter a consciência clara do que escolheu lá no Terceiro Céu, em seus principais eventos de aprendizagem, para realizá-los aqui, renascidos mais uma vez.

Poderíamos querer nos livrar do Corpo Denso que agora habitamos — ele poderia estar tão atormentado e dilacerado pela doença que ficaríamos felizes em abandoná-lo —, mas ainda estaríamos prontos para outra aventura. Ainda desejaríamos “continuar” a luta por melhores condições, seres melhores e um mundo melhor.

Se, como devemos continuar acreditando, há um propósito na vida, então devemos “continuar”, mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra… Sendo esse o caso, desejamos ter a nossa parte nessa dinâmica do progresso. Queremos fazer a nossa parte enquanto o caminho ainda é áspero e participar da consciência do triunfo que pertencerá àqueles que trabalharam e se sacrificaram para alcançar a meta. Se, por outro lado, não sabemos e ninguém sabe qual será o resultado, ainda somos “jogadores o bastante para apreciarmos a continuação do jogo”.

Nós, que apostamos tudo o que temos no bem de elevar os padrões de pensamento e ação, nós ainda podemos vencer! Se vencermos, ficaremos contentes por termos sido esportistas e permanecido à mesa de jogo. Se perdermos, se tudo isso for uma farsa ou uma piada sombria, mesmo assim o esforço terá seu valor.

Pensamos que estaremos tão alertas e prontos para o esforço nos dias invernais da idade quanto, muitos, estão agora, nos dias primaveris e vigorosos da juventude, quando outros estão agora. Conhecemos muitas pessoas para os quais isso é verdade. Se é verdade para elas, por que não para nós? Por que não poderia ser verdade para todos?

Não pensemos que a idade tenha muita relação com isso. É, antes, um assunto sobre o ser humano e o que ele faz.

Algumas pessoas que até estudam o assunto pensam que a aniquilação possa ser verdadeira para algumas almas sem espinha dorsal, que estão prontas, segundo seu pensamento intolerante, para se dissolver no nada a quase qualquer minuto. Talvez estejam certos e, se estiverem, a aniquilação é justamente o que alguns desses indivíduos-medusa merecem. Mas aqueles que, “fora da noite que os cobre, negra como o abismo de polo a polo”, não cedem, não se movem nem se curvam aos poderes da injustiça e da iniquidade, esses merecem a imortalidade e devemos ser otimistas o bastante para acreditar que a obterão.

Para eles, os espinhos e as sarças ao longo do caminho serão apenas estímulos para um esforço renovado. Para eles, o doce sono, o “sono sem sonhos nem suspiro”, não terá qualquer atrativo. Para esses as batalhas, as vitórias e as perdas da vida terrena ou de qualquer outra antes ou depois serão apenas incidentes no progresso do Aspirante à vida superior em direção àquele ápice de realização que não será a nostalgia, mas a consciência elétrica de “continuar” para sempre.

Não desejo o repouso da obliteração nem a facilidade narcótica de um céu sem nuvens. Enquanto existir um iota de erro em qualquer lugar, em todas as infinitudes do espaço, desejarei que minha vida individual dure para que eu possa empregar todas as minhas energias para remover esse erro.

Se, como seriamente duvido, algum dia chegar o tempo em que não haja males a obliterar nem obstáculos a superar, desejarei uma eternidade onde eu possa parar e contemplar o longo caminho pelo qual subi. Enquanto isso, não nos enganemos com sonhos de repouso na aniquilação, pois toda a Natureza e as nossas melhores e mais elevadas esperanças rejeitam isso como covarde e infantil!

Não voltaremos para o chão, para a sujeira, à umidade e à morte. Avançaremos para disputas mais ferozes, feitos maiores, vida mais abundante; talvez renascimentos inumeráveis, sempre “para frente e para cima”. Sim — nós continuaremos…

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

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