A autoridade, a firmeza suave, é indispensável na condução dos veículos humanos por nós, o Ego. Afinal aprendemos que o nosso Tríplice Espírito (nossos veículos espirituais) são contrapartes do nosso Tríplice Corpo.
As antigas tendências muitas vezes buscam levar a falsos caminhos, à fraude; procuram habilmente justificar certos atos errôneos. Mas o “Eu superior” – o que somos: Individualidade – atento, vigilante, cheio de discernimento, imparcial, não pode consentir que a Personalidade transforme o Templo do Corpo num “covil de salteadores” (“Não sabeis que sois templos do Altíssimo que habita em vós? O Reino de Deus está dentro de vós” (ICor 3:16)).
Não devemos permitir que em nosso íntimo se aceitem vícios e enganos, hipocrisia e “venda” de coisas que devem servir para o sacrifício ao Cristo interno; não podemos vender nosso Cristo por favores, prestígios e confortos.
Há muitas formas de cobrar. . . E quantas vezes permitimos que nossos veículos se tornem vendilhões e exploradores de coisas sagradas, comprando prazeres, vendendo emoções animalescas, em detrimento de nossas potencialidades sacrossantas? Por isso não devemos permitir que a Personalidade nos atravesse o Templo de leste a oeste (percorra a coluna de baixo para a cabeça) conduzindo os “animais dos instintos” à cabeça, como imaginações eróticas, sensuais ou egoístas. Só os Sacerdotes devem entrar (que nada mais são do que a sublimação de forças que se elevam para servir a Deus).
Em certas ordens religiosas usavam chicotes de cordéis para martirizar o Corpo Denso quando apareciam os impulsos instintivos. Mas o Corpo Denso não tem culpa!
Ao contrário, ele deve ser preservado como instrumento útil, sadio, saudável a serviço de nós, o Ego, que foi quem o construiu. O azorrague deve descer sobre os instintos do Corpo de Desejos. Não sugerimos violência geradora de recalques, ainda mais prejudiciais que os atos cometidos. Repetimos: firmeza suave, autoridade, disciplinando a pouco e pouco os maus hábitos passados e construindo, paciente e firmemente, novos e melhores hábitos. Daí a importância que o Cristo nos ensinou sobre a intenção, a ideia inicial. Nessa causa primeira é que deve estar nossa vigilância, nosso azorrague.
Reconhecer o que é errado é o primeiro passo. Desejar corrigir é o segundo; decidir expulsar os “vendilhões” é o terceiro e grande passo para a realização interna.
Condescendência própria é ignorância, quando não sabemos discernir; é fraqueza, quando desejamos permanecer no vício. Mas para assumirmos a direção de nossa vida, como Melquisedeque (Rei e Sacerdote de nosso Templo corporal) em Jerusalém (Paz Interna), é indispensável o discernimento, a decisão e a firmeza.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
Natura
O globo terráqueo, é fácil distinguir,
Está envolto no mistério de nove capas.
Ainda que os videntes incapacitados não possam
Desvendar o segredo do seu coração,
Deus palpita no peito vibrante
Da Natureza e, desde o leste ao poente
Tudo é claridade e beleza.
O Espírito que ronda em cada forma
Atrai os espíritos de sua classe;
Os átomos brilham na sua luz
E lhe sugerem o prescrito futuro.
Ralph Waldo Emerson
Da prolífica pena e do iluminado coração do grande vidente Max Heindel saíram volumosos escritos, cheios de inspiração, relativos a Deus, à nós e ao mundo.
A Ciência, e bem assim a Religião, pouco a pouco, estão confirmando muitos dos sublimes trabalhos dessa pessoa excepcional. O Estudante Rosacruz que procura se manter a par dos acontecimentos do mundo pelos meios de comunicação, revistas científicas e outros meios ficarão maravilhado ao verificar, em cada momento que passa, que as revelações ou descobertas científicas eram por ele conhecidas e até descritas muito tempo atrás.
Para quem escreveu sobre tão diversos tópicos, que abarcam virtualmente todas as fases da vida, há um ponto interessante: em nenhum escrito de Max Heindel encontramos nada de apocalíptico, sombrio ou dramático. Todavia, quanto às poucas predições de importância que ele fez, poderia se demonstrar quanto têm sido exatas e como se têm cumprido no transcurso dos últimos tempos.
O presente artigo reporta-se unicamente a uma das suas muitas observações de importância mundial.
Como Iniciado, Max Heindel tinha a mística faculdade de funcionar conscientemente nos Mundos internos e a capacidade de trazer ao plano físico as suas observações daqueles Mundos.
Um dos fatos que mais chamou a sua atenção e durante muito tempo lhe despertou o maior interesse foi a forma de moldar, no Mundo do Pensamento, a substância mental do Arquétipo ou matriz de uma Nova Terra; nós, tal como é dito no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, no post-mortem, trabalhamos sobre a flora e a fauna e ajudamos a construir um desenho ou molde espiritual, de matéria mental, para a Nova Terra, aquela que substituirá a presente. Então, esgotado o Arquétipo da Terra atual, o Grande Arquiteto infundirá Sua vida naquela matriz e a Nova Terra irá surgindo na forma correspondente ao novo Arquétipo.
Há muitos séculos que se está processando a construção dessa forma mental. Tal como nós, afirma a Filosofia Rosacruz, a Terra é um Ser evolucionante. Seu Corpo Denso está destinado a perder densidade, tornando-se mais leve, cada vez mais etérico. A nova conformação da Terra, por outro lado, facilitará a nós, no nosso Ciclo de Nascimentos e Mortes aqui, maior variedade de experiências, quando voltarmos de novo a esta Escola de Vida.
Tudo que existe no mundo, incluindo a própria Terra, tem um Arquétipo exato, espiritual, que moldou esse Mundo Físico átomo por átomo, molécula por molécula. Esses Arquétipos ou moldes são, todavia, coisas vivas; são a causa invisível de tudo que vive e tem forma na Terra. Tais Arquétipos recebem certa natureza de Vida e são destinados a necessárias etapas dela. Quando um Arquétipo particular deixa de emitir o seu canto de Vida, a Forma morre. No caso particular da Terra, seu Arquétipo deve ser alterado antes da Terra ser modificada. O que Max Heindel viu foi o Arquétipo da futura Terra.
A propósito das profecias de Mother Shipton[1], feitas cinquenta anos antes da descoberta da América e agora recolhidas no livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Max Heindel, a respeito de uma pergunta sobre as possibilidades de concretização dessas profecias, disse que ocorreriam cataclismos na crosta terrestre e que terremotos e crateras vulcânicas surgiram durante largos períodos de tempo.
Recentemente, as pessoas que se dedicam à Ciência, no campo da geologia, têm feito espantosas predições relativas a terremotos que podem irromper ao longo das grandes linhas de fratura da Terra. Também têm sido reportados como muito abundantes a atividade vulcânica e os terremotos.
Contudo, a mais alarmante revelação jamais ouvida no mundo proveio de uma tese cientifica, que afirma que a Terra está se fendendo gradualmente. Há cinco anos, uma jovem cartógrafa, Maria Tharp, notou que se estava formando uma série de terremotos perto de grandes fendas submarinas. Explorações feitas durante a maré alta localizaram essas trincheiras e uma grande linha de enormes fendas se descobriu por todo o globo. Tais fendas ou trincheiras submarinas têm uma profundidade de cerca de 3.500 metros e a largura de 46 quilômetros, ladeadas por montanhas de 2.000 metros de altura. Esses dados foram reportados pelos geólogos na Universidade americana de Columbia.
Segundo os Ensinamentos Rosacruzes, a Terra tem nove Estratos e um coração ou Núcleo Central.
Sob o Estrato Mineral, aquele sobre o qual vivemos, encontra-se o Estrato Fluídico, menos sólido que a crosta terrestre, não líquido, antes, uma pasta compacta. Tal Estrato tem grande poder de expansão, tal como um gás altamente explosivo. É mantido no seu lugar pela enorme pressão e solidez da camada externa. Se esta camada externa se quebrasse, o Estrato Fluídico se lançaria no espaço, produzindo uma catastrófica explosão. Ora, se as fendas da Terra se aprofundarem, é lógico supor que se produzam violentas reações pela libertação do Estrato Fluídico. Aliás, sabemos que, no passado, a Terra suportou muitos cataclismos e modificações e terá que sofrer muitos outros no futuro.
Tudo isto nos revela que nada mais somos que hóspedes temporários na superfície da Mãe Terra e que devemos ter regozijo em que o Espírito da Terra se esteja aliviando, pouco a pouco das suas cadeias físicas. É o mesmo que está sucedendo conosco, ao subirmos progressivamente, de condições materiais para estados mais espirituais. Temos, portanto, o dever de nos mantermos ao nível dos tempos que passam e nos preparar, em todos os sentidos, para qualquer eventualidade da vida.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1971- Fraternidade Rosacruz– SP)
[1] N.R.: Ursula Southeil (c. 1488 – 1561) (também grafada como Ursula Southill, Ursula Soothtell ou Ursula Sontheil), popularmente conhecida como Mother Shipton, é considerada uma adivinha e profetisa inglesa.
Nós somos um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, nesse Esquema de Evolução. Nossa manifestação nesse Esquema de Evolução é tríplice – do mesmo modo que Deus, que nos criou. Assim, nos manifestamos por meio dos seguintes veículos espirituais: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.
Pode-se comparar o Ego a uma pedra preciosa, a um diamante bruto. Quando este é retirado da terra está muito longe de ser formoso. Uma crosta grosseira oculta o esplendor que ela encerra, e antes que o diamante possa converter-se em uma gema, deve ser polido sobre uma pedra duríssima de esmeril. Cada aplicação contra o esmeril arranca uma parte da crosta e modela uma faceta através da qual entra a luz, refratando-se em ângulo diferente pela luz que as outras facetas refletem.
O mesmo acontece com o Ego. Como diamante bruto, entra na escola da experiência, sua peregrinação através da matéria. Cada vida terrestre é como uma aplicação da gema à pedra de esmeril. Cada vida na escola da experiência arranca uma parte da crosta do Ego e permite a entrada da luz da inteligência sob um ângulo novo, dando uma experiência diferente. Assim como os ângulos da luz variam nas muitas facetas do diamante, assim também, o temperamento, o caráter do Ego difere em cada vida.
Desde a infância até aos 14 anos a medula dos ossos não forma todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é subministrada pela Glândula Timo, que é maior no feto, e gradualmente vai diminuindo conforme vai-se desenvolvendo a faculdade individual de produzir sangue, ao crescer a criança. A Glândula Timo contém, por assim dizer, certa existência de corpúsculos proporcionados pelos pais. A criança que haure o sangue dessa fonte não compreende sua individualidade. Até que a própria criança elabore seu sangue, não pensará em si mesmo como um “eu”, mas como “filho da mamãe”, “filha do papai”.
Quando a Glândula Timo quase que desaparece aos 14 anos, o sentimento do “eu” expressa-se plenamente, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego.
Contrariamente à ideia geralmente aceita, o Ego é bissexual. Se o Ego fosse assexual o Corpo Denso seria também necessariamente assexual, porque não é mais que o símbolo externo do Espírito interno.
O Ego tem vários instrumentos: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente. Estes são seus instrumentos, e de sua qualidade e seu estado depende a obra que poderá realizar para adquirir experiências.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1972 – Fraternidade Rosacruz– SP)
Aquele que deseja servir como Auxiliar Invisível deve, durante o dia, cultivar uma atitude benevolente e, à noite, ao se deitar, depois de feito o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, rogar ao Adorável Espírito de Cristo, que enquanto o seu Corpo Denso repousar dormindo, lhe seja concedida a graça de cooperar na seara espiritual em benefício dos seus semelhantes.
Agora, para isso, é importantíssimo compreender os termos Rosacruzes: Alma e Corpo-Alma e como desenvolvê-los. Assim:
Vemos, pois, que a Alma se atrofia quando deixamos de alimentá-la, e que as ações bondosas, pensamentos de amor Crístico e serviço aos irmãos e às irmãs são o alimento para o crescimento dela. A ação tem três principais campos de operação, ainda que ela derivasse seu poder do que realmente somos, o Ego, por raios de energia. A ação no plano mental é o pensamento abstrato, a ação na natureza emocional é o sentimento, a emoção e o desejo, a ação na natureza física é movimento e a ação com o propósito de alcançar todas as relações da vida. O propósito de cada ato, seja mental, emocional ou físico, é induzido pelos pares de opostos como o amor e o ódio, altruísmo e egoísmo, generosidade e avareza, atividade e indolência etc., e seu fruto é incorporado na Alma, como consciência, que nos avisa em tempo de tentação ou nos provê do dinamismo para tudo quanta é Bom, Reto e Altruísta.
Há em todos nós duas naturezas inteligentes e distintas, chamadas o “Eu Superior” e o “eu inferior”, ou Individualidade e Personalidade, respectivamente. O “Eu Superior” ou Individualidade é o que realmente somos, um Ego que nos manifestamos de forma tríplice: um Tríplice Espírito – Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, alimentado pela Tríplice Alma – Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional, respectivamente. Enquanto a Personalidade, ou “eu inferior” é o que achamos que somos realmente – mas não somos –, é composta dos três Corpos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos. O Elo entre a Individualidade e a Personalidade é o veículo Mente. Quando respondemos ao impulso do “Eu Superior”, renunciamos ao que nos é cômodo e útil a favor do que é proveitoso a muitos. Antepomos o Serviço de Deus a todos os valores materiais. Buscamos em todas as coisas e em tudo os valores eternos. Porém, respondemos ao impulso do “eu inferior”, a renúncia nos é desagradável, preferimos mais receber ao que dar, cuidar mais dos bens materiais e transitórios do que dos espirituais, e o resultado é um grande obstáculo ao nosso desenvolvimento espiritual.
Sim, é algo bastante deplorável se encontrar com algum irmão ou alguma irmã, fracassado ou fracassada – que perdeu todos os seus Átomos-sementes – em um estado de inércia durante inconcebíveis milhões de anos, até que, em um novo Esquema, Obra e Caminho de Evolução chegue ao estado de se unir ao ciclo evolutivo e prosseguir em sua tarefa.
Conforme aprendemos na Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, unicamente três quintas partes do número total de Espíritos Virginais que começaram a evolução no Período de Saturno passarão o ponto crítico da próxima Revolução e continuarão até ao fim. Por fim, sempre nos lembremos: a finalidade da Fraternidade Rosacruz é nos mostrar o caminho da iluminação para nos ajudar a construirmos nosso Corpo-Alma e desenvolvermos as potências de nossa Alma que nos permitirão entrar conscientemente no Reino de Deus por meio do Conhecimento Direto. É uma longa tarefa, porém se continuarmos com fé e persistente perseverança alcançaremos o nosso Divino Objetivo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1983 – Fraternidade Rosacruz– SP)
A criação e a educação dos nossos filhos são a contribuição mais importante que podemos oferecer para o desenvolvimento humano. Pais sábios, que desejam conceder à criança todas as vantagens, começam antes mesmo do nascimento do filho — até mesmo antes da concepção — a voltar seus pensamentos, em oração, para a tarefa que assumirão em breve. Eles cuidam para que a união que dará origem à germinação ocorra sob as influências astrais adequadas, quando a Lua estiver passando por Signos apropriados à construção de um Corpo Denso forte e saudável. Naturalmente, eles próprios mantêm seus Corpos na melhor condição física, moral e mental que seja possível para eles.
Então, durante o período de gestação, eles mantêm constantemente diante dos olhos da Mente o ideal de uma vida forte e útil para o Ego que está chegando e, assim que possível, após o nascimento, traçam o horóscopo da criança, pois os pais ideais também são astrólogo que preconizam a Astrologia Espiritual – como a é a Astrologia Rosacruz. A partir do horóscopo natal da criança, as forças e fraquezas do seu caráter podem ser prontamente percebidas. Os pais estarão, então, na melhor posição para incentivar o que há de bom e adotar os meios adequados para transmutar as fraquezas antes que essas tendências se manifestem em fatos concretos. Dessa forma poderão, em grande medida, ajudar o Ego que chega a superar os seus defeitos, que nada mais são do que lições a aprender que o Ego escolheu lá no Terceiro Céu.
Quando consideramos o Espírito como eterno e cada vida terrena como um acontecimento no tempo, as diferentes fases da nossa existência ocupam o seu devido lugar. Refletir sobre as palavras de Sir Edwin Arnold — “Nunca o Espírito nasceu, nunca o Espírito deixará de ser; nunca houve tempo em que Ele não existisse” — nos proporciona uma percepção real da natureza fugaz do tempo, em contraste com a constância de Deus. Talvez essa compreensão possa nos ajudar a entender aqueles que se encontram na difícil fase do crescimento.
Tomemos o primeiro fôlego de uma criança: o registro da vida física de uma pessoa na Terra tem início quando o bebê dá sua primeira respiração e continua até que o último suspiro seja dado. “Quando a criança inspira pela primeira vez de forma completa, as condições fisiológicas do coração se modificam, o forame – abertura – oval se fecha e o sangue é forçado a circular pelo coração e pelos pulmões”. Pelo contato do sangue com o ar nos pulmões, ele começa a ser capaz de absorver uma imagem do seu ambiente. O sangue é o veículo do Ego; quando ele se precipita através do coração, deixa uma impressão no Átomo-semente do Corpo Denso, localizado na posição referencial do ápice do ventrículo esquerdo. Sobre essa superfície infinitesimal são impressas todas as imagens do Mundo exterior ao longo de toda a vida desse Ego aqui.
A criança tem quatro “nascimentos”. Os pais precisam compreender que aquilo que chamamos de nascimento é apenas o nascimento do visível Corpo Denso, que nasce e atinge o seu atual alto grau de eficiência em menos tempo do que os veículos invisíveis do ser humano, pois teve a evolução mais longa. Assim como o feto é protegido dos impactos do Mundo visível ao permanecer envolto no útero materno durante o período de gestação, do mesmo modo os veículos mais sutis são envolvidos por invólucros de Éter e de substância do Mundo do Desejo, que os protegem até que tenham amadurecido suficientemente e estejam aptos a suportar as condições do Mundo exterior.
O Corpo Vital nasce por volta dos sete anos de idade, ou na época em que a criança troca os dentes de leite, e o Corpo de Desejos nasce por volta dos quatorze anos, ou no período da puberdade. A Mente nasce por volta dos vinte e um anos, quando se diz que a pessoa atingiu a maioridade.
Existem certos aspectos importantes que só podem ser adequadamente cuidados durante o período apropriado de crescimento e os pais devem saber quais são. Embora os órgãos já estejam formados quando a criança nasce, as linhas de crescimento são determinadas durante os primeiros sete anos de vida; se não forem corretamente estabelecidas nesse período, uma criança que, de outra forma, seria saudável pode tornar-se uma pessoa doentia.
Vejamos o primeiro período setenário de uma criança. Como Estudantes Rosacruzes, aprendemos que nos primeiros sete anos de vida da criança apenas os polos negativos de todos os Éteres do Corpo Vital estão ativos. Por isso as faculdades da visão e da audição, que dependem das forças negativas do Éter de Luz, fazem da criança alguém “que só tem olhos e ouvidos”. É extremamente benéfico para o crescimento do bebê que os pais prestem atenção às cores que o cercam e, ainda mais importante, que notem os sons e o ritmo que chegam ao alcance auditivo da criança. Isso é válido durante os primeiros sete anos da vida infantil.
No primeiro capítulo do Evangelho Segundo S. João, lemos: “No princípio era o Verbo; e sem Ele nada do que foi feito se fez; e o Verbo se fez carne”. O Verbo é um som rítmico e o som é o grande construtor cósmico. Portanto, durante o primeiro período setenário de sua vida, a criança deve ser cercada por música do tipo adequado, por uma linguagem musical: o balanço e o ritmo das cantigas infantis são particularmente valiosos. O sentido das palavras não importa; o importante é o ritmo — quanto mais a criança receber desse ritmo, mais saudável ela crescerá.
Duas grandes palavras-chave se aplicam a esse período da vida da criança: imitação, exemplo. Não há criatura no mundo tão imitativa quanto uma criança pequena; ela segue o exemplo nos mínimos detalhes, na medida da sua capacidade. Portanto, os pais que desejam educar seus filhos de modo positivo devem ser cuidadosos quando estiverem na presença deles. Não adianta tentar ensiná-los a “ter juízo”, porque a criança não tem Mente formada e não possui razão — ela apenas pode imitar e não consegue evitar a imitação, assim como a água não pode deixar de correr morro abaixo.
Se nós temos para nós mesmos um tipo de alimento talvez muito temperado e damos à criança outro prato, dizendo que aquilo que comemos não lhe faz bem, a criança pode até não conseguir nos imitar naquele momento, mas implantamos nela o apetite por esse tipo de comida. Quando crescer e puder satisfazer seu gosto, ela o fará. Portanto, pais cuidadosos devem se abster dos alimentos e das bebidas alcoólicas que não desejam que seus filhos ingira.
No que diz respeito ao vestuário, podemos dizer que, nessa fase, a criança deve estar inteiramente inconsciente de seus órgãos sexuais e, portanto, as roupas devem ser sempre e particularmente folgadas. Isso é especialmente necessário no caso dos meninos pequenos pois, muitas vezes, um hábito seriamente prejudicial na vida adulta pode resultar do atrito provocado por roupas excessivamente apertadas.
Há também a questão do castigo corporal a ser considerada; este é um fator importante em qualquer circunstância, pois o castigo físico desperta a natureza sexual e deve ser totalmente evitado. Não existe criança tão rebelde que não responda ao método da recompensa pelas boas ações e da retirada de privilégios como consequência da desobediência. Além disso, reconhecemos o fato de que as surras quebram o espírito de um cão e reclamamos que certas pessoas cultivaram a fala de força de vontade e de esperança, ao invés disso vivem para atender os seus desejos. Muito disso se deve às surras aplicadas de forma implacável na infância. Que qualquer pai ou mãe observe isso do ponto de vista da criança. Como algum de nós gostaria hoje de viver com alguém cuja autoridade não pudéssemos evitar, que fosse muito maior do que nós, e ter de nos submeter a castigos físicos dia após dia? Abandonem as surras e grande parte do mal social será eliminado em uma geração.
Vejamos como ocorre o nascimento do novo Corpo Vital. Aos sete anos de idade, ele vem à luz e então a percepção e a memória começam a desempenhar seus papéis fundamentais. Nesse período de sete anos (dos 7 aos 14), a criança é imparcial e não possui ideias preconcebidas. Por isso, ela é mais ensinável nessa fase do que em qualquer outra. Ela confia em seus pais e em seus professores e seguirá a autoridade deles.
Quando o Corpo Vital nasce no sétimo ano, as faculdades de percepção e memória devem ser educadas. As palavras-chave para esse período devem ser autoridade e discipulado. Não devemos, mesmo que tenhamos uma criança precoce, tentar incitá-la a um curso de estudos que exija um enorme dispêndio de pensamento. Crianças prodígios geralmente se tornam homens e mulheres com uma capacidade mental inferior à média.
A criança deve ser autorizada a seguir sua própria inclinação nesse aspecto. Suas faculdades de observação devem ser cultivadas; devemos mostrar para ela exemplos vivos. Permita que ela veja o bêbado e aonde o vício o levou; mostre também o ser humano de bem e coloque diante dela ideais elevados. Ensine a aceitar aquilo que você diz com base na autoridade e se esforce para ser alguém digno de tal forma que ela possa respeitar sua autoridade como pais ou professores.
Aqui entram os importantes ensinamentos de educação sexual para a criança. Nessa fase, ela também deve ser preparada para administrar a força sexual criadora que agora está sendo despertada nela e que permitirá gerar sua espécie ao final do segundo período de sete anos. Não se deve permitir que ela adquira esse conhecimento a partir de fontes corrompidas, porque os pais se esquivam da responsabilidade de instruí-la por um falso senso de modéstia ou moralismo.
Uma flor pode ser tomada como uma lição objetiva da qual todas as crianças, desde as menores até as maiores, podem receber a mais bela instrução na forma de um conto de fadas. Podemos ensinar como as flores se assemelham às famílias, sem qualquer necessidade de recorrer a termos botânicos, desde que os pais tenham estudado, ainda que minimamente, um pouco de botânica elementar. Mostre algumas flores às crianças e lhes diga: “Aqui está uma flor que é um menino, uma flor estaminada, e aqui está outra que é menina, uma flor pistilada”.
Aqui está uma flor em que é tanto menino quanto menina: uma que possui estame e pistilo. Mostre o pólen nas anteras. Diga, como um exemplo, que o pequeno “menino-flor” é como o menino de uma família humana: aventureiro, desejoso de sair pelo mundo para enfrentar as batalhas da vida, enquanto a menina, o pistilo, permanece em casa. Mostre as abelhas com as cestinhas de pólen nas pernas e fale como os pequenos meninos-flor montam nesses corcéis alados, como os cavaleiros de antigamente, para zarpar pelo mundo em busca da princesa aprisionada no castelo mágico, o óvulo oculto no pistilo; explique como o pólen, esses cavaleiros-meninos-flor, abre caminho através do pistilo e entra no óvulo. Então diga que isso significa que o cavaleiro e a princesa se casam, vivem felizes para sempre e se tornam os pais de muitos pequenos meninos-flor e meninas-flor.
Quando tiverem compreendido plenamente isso, eles também entenderão a geração nos Reinos animal e humano, pois não há diferença: um é tão puro, casto e sagrado quanto o outro. E as crianças educadas dessa maneira sempre conservarão uma reverência pela função criadora, algo que não pode ser incutido de forma melhor. Quando a criança é assim preparada, ela fica bem fortalecida para o nascimento do Corpo de Desejos no período da puberdade.
Vejamos como ocorre o novo nascimento do Corpo de Desejos. As crianças com menos de quatorze anos são, de certo modo, ainda uma extensão de seus pais, pois na Glândula Timo fica armazenada uma essência do sangue parental que a criança utiliza para fabricar o seu próprio sangue durante os anos da infância. A Glândula Timo do bebê é maior antes do nascimento e diminui com o passar do tempo. Por volta do décimo quarto ano, o Ego está pronto para se afirmar e torna-se capaz de produzir o próprio sangue. Ele começa a ser uma “identidade do eu”.
Agora é o momento de pais e professores praticarem a tolerância e demonstrarem empatia pelo jovem em crescimento, que enfrenta muitos desafios. Se a criança aprendeu a confiar e amar seus parentes mais velhos, agora seguirá seus conselhos e os perigos do amadurecimento não serão grandes.
Nesse momento, quando o Corpo de Desejos do indivíduo nasce, sentimentos e paixões começam a se manifestar. A Mente individualizada ainda não está plenamente presente e nada mantém a natureza do desejo sob controle. Nessa fase, é fácil que a criança se deixe levar por hábitos indesejáveis que podem ter resultados desastrosos. É verdade que muitas lições são aprendidas dessa forma, mas pais e professores devem estar prontos para agir com interesse bondoso e compreensão amorosa.
Agora é o momento em que a criança deve ser ensinada a buscar por si mesma; ela deve aprender o valor da investigação cuidadosa de tudo aquilo que deseja julgar. Também deve aprender que quanto mais flexíveis forem as suas opiniões, melhor será capaz de examinar novos fatos e adquirir novos conhecimentos.
Quando os desejos e as emoções são liberados, o jovem ou a jovem entra no período mais perigoso de sua vida, dos quatorze aos vinte e um anos. Nessa fase, o Corpo de Desejos está em plena atividade e a Mente ainda não nasceu para atuar como freio. Por isso é um grande trunfo para a criança ter sido educada conforme aqui descrito, pois seus pais então se tornam para uma força e sua âncora, capazes de ajudá-la a atravessar esse período turbulento até o momento em que atinge sua plena maturidade — aos vinte e um anos, em torno de quando a Mente nasce.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1919 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
É interessante observar que a semente de um novo ser humano está começando a nascer entre nós. Olhem as crianças! Como são diferentes se nós a comparamos com nós próprios quando éramos jovens. Elas têm uma nova mentalidade, uma nova resistência nervosa e novas qualidades espirituais. Não os levemos para trás com nossas ideias fixas e antiquadas.
As crianças deste novo dia têm olhos mais brilhantes, um aspecto mais claro, a Mente mais perspicaz; elas não são absolutamente do tipo musculoso. São mais vivas e interpretam a vida sob um ponto de vista mais espiritual. Elas aplicam a inteligência nos seus trabalhos diários. Elas têm os mesmos problemas que nós tivemos, mas elas os veem sobre um plano mais elevado. Elas têm um entendimento intuitivo maior e mais profundo sobre a vida e nós devemos estar preocupados com o nosso próprio desenvolvimento se quisermos acompanhá-los. Devemos ainda dar-lhes instrução espiritual, conselhos e ensinar-lhes a pureza do coração.
Se entendermos que cada um de nós é uma parte componente da Onda de Vida humana, nossa visão da vida mudará completamente. Trazer crianças para este mundo é uma boa maneira de fazer-nos sentir ligados à Humanidade como um todo.
Alguns nunca conceberiam crianças se dependesse meramente do instinto primitivo da multiplicação. Eles desejariam trazer uma criança para este mundo se por esse meio sentissem que estavam fazendo uma contribuição para a Onda de Vida humana, como uma coisa perfeita é mais refinada do que antes. A pessoa altamente desenvolvida tem sempre o desejo de levar adiante alguma coisa nova e sentir a responsabilidade de fazer o melhor para ajudar o aprimoramento e a perfeição da Onda de Vida humana.
Tudo o que fizermos sinceramente em serviços elevados – tanto no trabalho de um ideal como para um ser humano – se reflete sobre nós mesmos, não somente agora, como nas vidas que virão.
Se pudermos educar nossas crianças, despertando-as para o sentido da responsabilidade tanto individual como racial, estaremos inspirando-as a viver saudável, bela e inteligentemente para benefício das futuras gerações. Devemos trabalhar continuamente através dessas.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1985 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A Filosofia Rosacruz descreve surpreendentemente todo o processo pelo qual o ser humano, desde a condição de chispas divinas, abandonou sua pátria celeste e iniciou o processo de manifestação individual. O objetivo dessa manifestação era de transformar cada chispa, que cada um tem dentro de si, em um Deus dinâmico criador e desenvolvido.
Para essa aquisição grandiosa, o ser humano teve que receber veículos que permitisse esse processo. Assim como Deus É Tríplice (Pai, Filho e Espírito Santo) o ser humano, Sua imagem e semelhança, também se manifestou de modo Tríplice: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, o Ego.
Mas tal condição, apesar de necessária, não era suficiente. O Ego também deveria possuir uma ferramenta com material correspondente a cada corpo para que o Espírito se manifestasse. Somente assim poderia viabilizar o desenvolvimento do inato potencial divino que possui. A ferramenta do Espírito Divino é o Corpo Denso. O modo pelo qual o Espírito Divino pode desenvolver sua potencialidade depende daquilo que o Ego extrai de experiências produzidas pelo Corpo Denso. A essência dessa experiência é denominada Alma Consciente (ou quintessência do Corpo Denso). Aquilo que o Ego extrai das experiências produzidas pelo Corpo Vital, constitui o alimento do Espírito de Vida. Esse alimento é denominado Alma Intelectual (ou quintessência do Corpo Vital). Finalmente, o que o Ego extrai do Corpo de Desejos constitui o alimento do Espírito Humano. Tal produto é denominado Alma Emocional (ou quintessência do Corpo de Desejos). O verdadeiro poder espiritual é exatamente o quanto de alimento que a Tríplice Alma possa adquirir. Quanto mais crescimento anímico (essência das experiências), mas será o poder espiritual do Ego. Todo o restante sobre o significado do que é poder espiritual, é fantasia ou vaidade.
O objetivo da vida é empregar todo o esforço possível para amalgamar as experiências da Alma que, de modo prático, é feito pelo trabalho que realizamos no mundo. Não é raro encontrarmos pessoas sonhadoras, anelando por dons espirituais, conhecimento da verdade e luz espiritual. Acompanhado desse forte desejo também está a fraca compreensão e decisão de trabalho direcionado a renunciar as más intenções pessoais, que é condição necessária e suficiente para aquisição desse poder. Além disso, mesmo que um Mestre deseje iniciar um discípulo, este último deve possuir o poder para tal. Se faltar energia elétrica, jamais poderá acender uma lâmpada, mesmo que a pessoa tenha a lâmpada e os fios necessários para acendê-la.
Quando se diz que o trabalho de aquisição de poder espiritual se dá pelo trabalho no mundo, estamos referindo ao momento único pelo qual é possível realizar progressos espirituais: o momento em que o Ego está encarnado. Aqui, na Região Química do Mundo Físico, tão desprezada por alguns espiritualistas, o ser humano está em condições perfeitas e com a cadeia completa de Corpos (Físico, Vital, Desejos) e Mente para aproveitar as oportunidades de testar a vontade do Tríplice Espírito. Isso permite o desenvolvimento de seu poder até que atinja maturação espiritual.
É Lei de Polaridade a seguinte afirmação: O poder espiritual se adquire durante a encarnação na matéria. A Escola de Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes é uma escola “inversa”. Quando um discípulo Ocidental descobre o que significa o poder espiritual, e o que ele deve fazer para adquiri-lo, jamais permanece em condição alheia ao mundo e a seu ambiente. Pelo contrário, inicia um processo de trabalho incessante jamais ocorrido em sua vida.
Novamente, não é raro encontrarmos pessoas que anelam poder espiritual ou a tão almejada união com Deus. Deste modo, iniciam uma vida de muita meditação, muito estudo, muita especulação, muito discurso, muito egocentrismo, poucos relacionamentos, pouco movimento e nenhum serviço. Conforme o tempo vai passando, o aspecto material torna-se totalmente abandonado e em desordem. A encarnação, momento pelo qual é a única condição em que o Ego pode se desenvolver em plenitude, é desperdiçada com justificativas metafísicas.
Essa condição nos faz lembrar o poema A Lenda Formosa, de Henry H. Longfellow e, também, a história do asceta. Essa última é descrita abaixo:
Um asceta estava meditando em uma caverna. De repente, um rato entrou e deu uma mordida em sua sandália. Aborrecido, o asceta abriu os olhos.
– Por que você está perturbando a minha meditação?
– Estou com fome – guinchou o rato.
– Vai embora, rato louco – pregou o asceta. – estou procurando a união com Deus. Como se atreve a me perturbar?
– Como espera tornar-se um com Deus – perguntou o rato – se nem mesmo consegue tornar-se um comigo?
A ingenuidade é filha da ignorância. É bastante nobre o desejo de busca por poder espiritual, mas é muito mais nobre ser capaz de compreender a responsabilidade e o equilíbrio necessário que esse poder exige.
“Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houveram antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor” (Ecl 1: 16-18).
Logo que ocorrem os primeiros vislumbres sobre como operam os mecanismos da Lei de Causa e Efeito, muitos aspirantes assumem uma postura de superioridade frente aos atos de seus familiares ou amigos errantes. Não economizam em advertências sobre as possíveis consequências que os atos errantes gerarão. Logo que esse irmão desafortunado sofre parte das consequências merecidas, esse conhecedor da verdade é o primeiro a relatar que havia advertido as possíveis consequências dos atos errantes e que tudo poderia ter sido evitado. Por isso, não fará sugestões a esse irmão, pelo contrário, o deixará por conta de sua própria sorte.
Essa mesma pessoa, no entanto, possui um filho que tem uma síndrome genética acompanhada de retardo mental. Por não ter habilidades espirituais, como a capacidade de realizar a leitura na Memória da Natureza, ele é incapaz de verificar que esse filho, em outras vidas, realizou atos bem piores, se comparadas com aqueles realizados pelo familiar ou amigo errante mencionado acima. No entanto, como esse nosso irmão (hoje pai desse Ego) desconhece tais atos, acolhe seu filho com muito amor e consegue a união com ele (união que o Asceta não conseguiu com o rato).
Será que o Aspirante está realmente preparado para ter poderes espirituais e conhecer a verdade? Em muitos casos, a ignorância é uma benção, pois o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor. Um dos principais motivos de ação do ser humano atual é a justiça aliada ao egoísmo e se ainda lhe fosse dado poderes espirituais, jamais o equilíbrio das desarmonias que geramos no passado seria atingido. Sábios são os Líderes da Humanidade que nos mostram pelo exemplo que somente pelo amor, desprendimento e muito trabalho, enquanto encarnados, é que o ser humano poderá se tornar UM COM TODOS, é lhe será possível despertar seus poderes espirituais.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Três Períodos de evolução precederam o nosso atual Período Terrestre. Durante o Período de Saturno, éramos semelhantes aos minerais (na constituição de Corpo e de Consciência); no Período Solar, tínhamos uma constituição similar à das plantas (na constituição de Corpos e de Consciência); no Período Lunar, desenvolvemos veículos parecidos com o dos animais atuais (na constituição de Corpos e de Consciência). Dizemos parecidos, pois a constituição do mundo era tão diferente que uma construção idêntica teria sido impossível. Nesse Período Lunar, imagine agora um imenso globo circulando no espaço como um satélite ao redor do seu Sol. Esse é o corpo de um Grande Espírito, Javé ou Jeová. Assim como temos carne macia e ossos duros no nosso Corpo Denso, também a parte central do Corpo de Javé é mais densa que a externa, que é enevoada e semelhante a uma nuvem.
Embora Sua consciência permeie tudo, Javé aparece principalmente na nuvem e com Ele estão Seus Anjos e outras Hierarquias Criadoras. Dessa grande abóbada de nuvens pendem milhões e milhões de cordões, cada um com seu saco fetal, pairando próximo à parte central e densa; assim como o fluxo vital da mãe humana circula através do cordão umbilical até que o feto possa viver independentemente, quando o período de gestação se completa, assim também a vida divina de Javé flutuava sobre nós na nuvem e fluía por toda a família da Onda de Vida humana durante esse estágio embrionário da evolução dela — éramos tão incapazes de iniciativa como os fetos.
Desde então, o Maná (Manas, mens, Mensch ou “Homem”) caiu do céu, do seio de Deus-Pai, e agora, já na quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre está ligado pelo Cordão Prateado ao Corpo Denso durante as horas de vigília; e mesmo durante o sono, ele forma o elo de ligação que conecta os veículos superiores aos inferiores, sendo essa conexão rompida apenas pela morte.
O Cordão Prateado não é feito de um único tipo de material, mas é bastante complexo em sua constituição. Uma extremidade está enraizada no Átomo-semente do Corpo Denso que está na posição relativa do ápice no coração e é feita de Éter. Uma segunda parte, feita de substância de desejo, cresce na posição relativa do lóbulo superior do fígado, local onde está o Átomo-semente do Corpo de Desejos e, também, o grande vórtice do Corpo de Desejos. Quando essas duas seções do Cordão Prateado se unem no Átomo-semente do Corpo Vital, localizado no Plexo Celíaco ou Solar, essa junção dos três Átomos-semente marca o momento da animação, ou vivificação, do feto.
Mas há ainda outro segmento do Cordão Prateado, feito de substância mental, que cresce a partir do Átomo-semente da Mente e está localizado na posição relativa do que do seio frontal (na testa). Essa parte se estende entre as Glândulas pituitária e a Glândula pineal, descendo e se conectando às Glândulas Tiroide e Glândula Timo, além da Glândula Baço e das duas Glândulas Suprarrenais, para finalmente se unir à segunda parte do Cordão Prateado, no Átomo-semente do Corpo de Desejos.
O caminho ao longo do qual essa parte do Cordão Prateado crescerá é indicado no Arquétipo, mas requer aproximadamente 21 anos para completar a junção. A união da primeira com a segunda divisão do Cordão Prateado marca a vivificação física, que depende da destruição completa dos glóbulos sanguíneos nucleados que carregam a vida da mãe física e da emancipação da sua interferência por meio da gaseificação do sangue, que se torna então o veículo direto do Ego. A junção da segunda com a terceira parte do Cordão Prateado sinaliza uma vivificação mental e a consequente emancipação da mãe Natureza, que então completou o processo de gestação necessário para estabelecer os alicerces e a estrutura do templo do Espírito — que, a partir desse período, pode construir como quiser, limitado apenas por suas ações passadas.
Durante o período que estamos acordados no Mundo Físico, o Cordão Prateado é tríplice e fica enrolado em espiral dentro do Corpo Denso, principalmente ao redor do Plexo Celíaco. Mas à noite, quando o Ego se retira e deixa o Corpo Denso e o Corpo Vital dormindo em um leito, para que o Corpo Vital possa recuperar o Corpo Denso, esse Cordão se projeta para fora do crânio e o Corpo de Desejos, em forma oval, flutua acima da ou próximo à forma adormecida, assemelhando-se a um balão preso por um fio. Nessa condição, no caso das crianças e das pessoas pouco desenvolvidas, o Ego permanece ali, pensando sobre os acontecimentos do dia até que impactos do Mundo Físico, como o toque de um despertador, uma chamada ou algo semelhante, façam o Cordão Prateado vibrar, atraindo a atenção do Ego para seus veículos abandonados e fazendo com que ele retorne a eles.
Nenhum desenvolvimento oculto é possível até que a terceira parte do Cordão Prateado seja desenvolvida; contudo, após esse evento, o Ego pode deixar seu Corpo Denso e vagar pelos Mundos espirituais, seja conscientemente após o devido treinamento esotérico e/ou Iniciação, ou inconscientemente e, nesse caso, com a ajuda de outros ou acidentalmente como um sonâmbulo que deixa seu leito e retorna sem saber para onde foi ou o que fez. Em qualquer um desses contextos, a maleabilidade e elasticidade da terceira parte do Cordão Prateado, que é feita de substância mental, serve como ligação com os veículos inferiores.
A qualidade da consciência do Ego, quando está afastado do seu Corpo Denso, depende da formação, ou não, de um Corpo-Alma, que é feito de Éter de Luz e Éter Refletor e é o veículo da percepção sensorial e da memória, suficientemente estável para ser carregado. Se tiver formado, o processo de Iniciação terá sido ensinado como proceder e o Ego terá consciência plena enquanto estiver fora do Corpo Denso, além de memória confiável sobre o que ocorreu durante o “voo da alma”, ao retornar. Caso contrário, tanto a consciência quanto a memória estarão ausentes ou serão falhas em algum grau.
Depois de nos familiarizarmos com a construção e a função do Cordão Prateado como ligação entre o Ego e seus veículos para a Onda de Vida humana, iremos estudar sua constituição e uso em relação ao animal e seu Espírito-Grupo. Foi ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que os hábitos, gostos, as preferências e aversões de cada espécie derivam do Espírito-Grupo que atua através deles.
Todos os esquilos acumulam uma reserva de nozes para o uso no inverno; todos os ursos engordam em preparação para o período de hibernação; todos os leões desejam carne, enquanto os cavalos, sem exceção, comem feno, grama, mato — mas o que é alimento para uma pessoa pode ser veneno para outra. Se conhecemos os hábitos de um animal, conhecemos os hábitos de todos os que pertencem à mesma família, mas seria inútil investigar, por exemplo, a família Edison para descobrir a origem do gênio de Thomas A. Edison.
Um tratado sobre os hábitos de um cavalo se aplicará a todos os outros, mas a biografia de um ser humano difere completamente da de qualquer outro, porque cada um age sob as diretrizes de um Ego que trabalha com seus Corpos e veículo a partir do seu interior e individual, enquanto os animais de um determinado grupo são dirigidos por uma inteligência comum, o Espírito-Grupo, a partir de fora e por meio do Cordão Prateado.
Cada animal possui seu próprio e individual Cordão Prateado, em relação às duas partes que conectam o Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos; mas a terceira parte, que está ligada ao vórtice central do Corpo de Desejos, localizada na posição relativa do fígado, pertence ao Cordão Prateado do Espírito-Grupo. Por meio desse vínculo elástico, este Espírito-Grupo governa os animais da sua espécie, independentemente de onde estejam, com igual facilidade. A distância não existe nos Mundos internos e os animais não possuem Mente própria; assim, eles obedecem sem questionar às sugestões do Espírito-Grupo.
Nisso, as crianças são uma anomalia, pois elas também têm apenas as duas partes do Cordão Prateado desenvolvidas e possuem uma Mente na qual a terceira parte está em formação. Assim, o Ego não tem comunicação direta com seus veículos e, portanto, a prole humana, que possui o maior potencial, é, ao mesmo tempo, a mais indefesa de todas as criaturas da Terra, estando sujeita principalmente à autoridade dos seus guardiões físicos.
Embora o ser humano agora seja individualizado e emancipado da interferência direta em suas ações pelo “cordão de condução” com o qual o Espírito-Grupo força (não há outra palavra que transmita melhor o sentido) o animal a obedecer à sua vontade, ele ainda não está apto a governar a si mesmo, assim como a criança sobre a qual mantemos autoridade até atingir a maioridade não está pronta para cuidar de seus próprios assuntos; assim, os Espíritos de Raça ainda continuam a governar muitas nações. Cada uma tem seu próprio Espírito de Raça, que plana sobre a porção da Terra onde reside as pessoas daquela nação em forma de nuvem, e é nele que vivem, movem-se e têm o seu ser. Eles são o seu povo peculiar e Espírito de Raça é um deus ciumento. A cada respiração, eles inalam esse Espírito de Raça e, se forem levados para longe da porção da Terra onde reside as pessoas daquela nação vão desejar sua terra natal, porque em qualquer outro local o ar é diferente e carrega a vibração de outra Hierarquia Arcangélica que tem a função de Espírito de Raça.
Com o passar do tempo, à medida que avançamos, também as nações são emancipadas da influência do Espírito de Raça, que tem vivido por meio da respiração desde que Javé-Elohim soprou o nephesh, o ar vital, nas narinas das pessoas que compõe tais nações. Esses Espíritos de Raça atuam no Corpo de Desejos e no Espírito Humano, fomentando o egoísmo e o egocentrismo. Sua mais alta realização é o patriotismo.
Mas quando aprendermos a construir a gloriosa veste nupcial, o Corpo-Alma, que é tecido através do Serviço amoroso e desinteressado (o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada pessoa – que é a base da fraternidade – a cada irmão e irmã, e o matrimônio místico foi consumado, quando o Cristo nascer imaculadamente dentro de nós – o Cristo interno –, então o Amor Universal nos emancipará para sempre da Lei Universal e seremos perfeitos como nosso Pai nos Céus é perfeito.
De todo poder que mantém o mundo em correntes,
O homem se liberta quando domina a si mesmo.
Johann Wolfgang von Goethe
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)