Nenhum edifício se constrói sem base. E essa base não pode ser falsa (Mt 7:24-27[1] e Lc 6:46-49[2]). O ser humano sensato que edifica o templo interno sobre a rocha dos princípios Cristãos e não sobre a areia da transitoriedade, constituem-se num tijolo do templo de Deus, num esteio da sociedade e na pedra angular de sua família. E como a Fraternidade Rosacruz, em essência e realidade, não é constituída de edifícios, nem de “Sedes” nem de “Grupos”, mas, sim de indivíduos, de almas afinadas na mesma elevada aspiração, no mesmo edificante serviço, deduz-se que ela se edifica e se fortalece na medida em que seus Estudantes Rosacruzes se tornam mais cônscios da responsabilidade de cada um e crescem em virtude e entendimento. Os Evangelhos, igualmente, falam de Cristo como da Pedra Angular. E Cristo falou da transitoriedade das coisas externas, símbolo das verdades internas que aprenderemos a reverenciar dentro de nós e no Todo (Mt 24:1-2[3], Jo 4:19-24[4]).
Importa que os Estudantes Rosacruzes, após o estágio inicial necessário, em que, dentro da maior liberdade, podem examinar, ponderar e concluir se realmente essa Filosofia Rosacruz corresponde as necessidades de seu grau evolutivo, que eles empreendam um estudo sério. Para isso há os diversos Cursos (por correspondência ou por e-mail), há diversas reuniões públicas, há os sites e as redes sociais de Centros Rosacruzes e, principalmente, a possibilidade de se formar “Grupos de Estudos” (Informais e Formais, reconhecido, inclusive, pela The Rosicrucian Fellowship e núcleo de um futuro Centro Rosacruz), todos eles gratuitos e amplos. Ali poderá o Estudante Rosacruz participar das questões, apresentar seus estudos e preparar-se para ser um membro consciente, capaz de prestar um esclarecimento correto, sucinto, das questões que lhes forem propostas por amigos, conhecidos, desconhecidos e familiares interessados.
Esse é um trabalho de base. A tarefa não é de expandir sem firmeza. A expansão deve corresponder ao número de Estudantes Rosacruzes preparados para uma disseminação segura e fiel. Sabemos que há muitas pessoas sequiosas de esclarecimento, que muitas almas sofredoras necessitam das lógicas explicações da Filosofia Rosacruz sobre os mistérios da vida e da morte, do Mundo terreno e dos superiores, das leis que regem nossos destinos. Mas também, se não estamos preparados, suficientemente, para um esclarecimento seguro, somos “um cego dirigindo outro cego[5] para o buraco da confusão e desilusão”. Além disso, é necessário que esse trabalho de difusão, na esfera individual ou na direção de Grupos de Estudos, baseie-se num perfeito desinteresse, quer no ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista da vaidade, do personalismo, que sacrifica o espírito de equipe. Ambas são formas de cobrar.
De toda maneira, pressupõe-se um preparo seguro, quer do lado moral, quer do filosófico, ou melhor, dizendo, da Mente e do Coração.
Há dias um simpatizante pelos Ensinamentos Rosacruzes nos interpelou com uma pergunta difícil. Pudemos responder-lhe de pronto e seguramente porque estudamos sempre as obras de Max Heindel. Foi esta: “Como se explica logicamente o renascimento, sabendo-se que a população do globo vai aumentando cada vez mais? Se os espíritos levam determinado tempo nos mundos superiores e renascem, deveria ser sempre igual à população…”.
Esta pergunta é frequente e pode confundir o Estudante Rosacruz abordado. Por isso, para esclarecimento, aqui vai a resposta: “A Onda de Vida inicial de Espíritos Virginais, da humanidade, evoluiu junta até o Período Terrestre no Globo que mais tarde se tornou o Sol, o centro de nosso Sistema Solar. Mas devida a evolução variada de diversos grupos de Espíritos, foi necessário que tais grupos saíssem do Sol, arrojados com os Planetas que foram aos poucos se diferenciando, entre eles a nossa Terra. Mas não tínhamos impressão de morte, de separação, da perda dos corpos, até inicios da Época Atlante, quando nos “foram abertos os olhos” e tivemos a ilusão de que somos seres separados. Desde então fomos perdendo a visão dos planos internos e temendo a morte, porque não sabemos o que nos espera. Mas os Iniciados da Ordem Rosacruz, que sabem, não por suposição ou por teoria, mas porque veem, inclusive na Memória da Natureza, onde estão os registros de todos os fatos passados, nos explicam que os Espíritos renascem, normalmente, uma vez em cada mil anos, sendo uma vez como mulher e outra como homem, alternadamente, no espaço em que Sol transita, pelo movimento de Precessão dos Equinócios, por cada Signo no Zodíaco (por volta de 2.160 anos). Esta é uma regra geral, com exceções. Particularizando a questão, quanto mais atrasado é um ser humano, tanto mais tempo leva para reencarnar aqui e, contrariamente, quanto mais evoluído, tanto menos tempo. À medida que os seres vão se elevando, os intervalos vão encurtando até que estejam livre da roda de renascimentos sucessivos, que são atualmente uma necessidade evolutiva, para conquista das experiências na escola do mundo. Daí se infere que, ao início de cada Época, os períodos entre renascimentos são mais longos para que se dê tempo ao Ego, de assimilar as experiências novas. Com o tempo, vão se encurtando. Agora, que estamos chegando ao final da Época, os Egos vão renascendo todos mais amiúde, neste cadinho de ensinamentos, que é a Terra. No entanto, os Adeptos e Irmãos Maiores estão além da necessidade de renascimento. Estão aqui para ajudar-nos, por amor”.
Aqui termina a explicação, a resposta que poderia ser muito mais longa e pormenorizada. Citamo-la como ilustração de que, em apenas saberem que pertencemos a Fraternidade Rosacruz, as pessoas, algumas por curiosidade, outras por real interesse, outras por desafio, nos põem a prova. Devemos estar preparados para responder com firmeza ou então, honestamente dizer: “a pergunta é interessante. Vou estudá-la para lhe dar a resposta, segundo nossa Filosofia Rosacruz”. Além disso, como dissemos e repetimos, a preparação do Estudante Rosacruz o torna um membro consciente e atuante, para enriquecimento da própria alma e da alma da Fraternidade, de que fazemos parte.
(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – Maio/1964 – Fraternidade Rosacruz–SP)
[1] N.R.: Assim, todo aquele que ouve essas minhas palavras e as pôr em prática será comparado a um homem sensato que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha. Por outro lado, todo aquele que ouve essas minhas palavras, mas não as pratica, será comparado a um homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande sua ruína!”
[2] N.R.: Por que me chamais ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que eu digo? Vou mostrar-vos a quem é comparável todo o que vem a mim, escuta as minhas palavras e as põe em prática. Assemelha-se a um homem que, ao construir uma casa, cavou, aprofundou e lançou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a torrente deu contra essa casa, mas não a pôde abalar, porque estava bem construída. Aquele, porém, que escutou e não pôs em prática é semelhante a um homem que construiu sua casa ao rés do chão, sem alicerce. A torrente deu contra ela, e imediatamente desabou; e foi grande a sua ruína!”.
[3] N.R.: Saindo do Templo, Jesus caminhava e os discípulos se aproximaram dele para mostrar-lhe as construções do Templo. Ele disse-lhes: “Estais vendo tudo isto? Em verdade vos digo: não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja demolida”.
[4] N.R.: Disse-lhe a mulher: “Senhor, vejo que és um profeta…Nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis: é em Jerusalém que está o lugar onde é preciso adorar”. Jesus lhe disse: “Crê, mulher, vem a hora em que nem sobre esta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora — e é agora — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”
[5] N.R.: Lc 6:39
Definimos como unidade o estado de formar uma coisa só, de estar em completa concordância e harmonia. A unidade pode ser mais bem definida como total integração.
Por causa de sua proficiência em três Exercícios Esotéricos Rosacruzes, ou três estados da Mente, Max Heindel obteve conhecimentos extraordinários e de primeira mão sobre o que realmente é a unidade. Os três estados da Mente são: a Concentração – sendo a Mente focalizada num só objeto, como através de uma lente, até que, em certo tempo, o objeto chega a ser um pensamento-forma vivo; a Meditação – precedida pela Concentração, permite a retrocessão até a origem do pensamento-forma; e a Imaginação que trabalha, dessa forma, sobre o resultado da Meditação.
A Concentração e a Meditação têm a ver, geralmente, com objetos, ou coisas externas. Após bastante prática, se atinge um grau de proficiência e estaremos então prontos a partir para o Exercício Esotérico da Contemplação, no qual a “alma vivente” do objeto nos fala. Na contemplação não há nosso esforço para “conseguir” como o caso dos dois Exercícios Esotéricos acima mencionados, e sim, a vida compreendida no objeto se nos manifesta.
Estudamos no livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” que o investigador bastante hábil no Exercício Esotérico da Contemplação fica consciente “do fato supremo de que só há uma Vida – a Vida Universal de Deus – em quem de fato e mui realmente, vivemos e temos o nosso ser”; o mineral, a planta, o animal e o ser humano, sem exceção, são manifestações de Deus.
A afirmação “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser (existimos)” aparece na Bíblia, no Livro Atos dos Apóstolos 17:28 onde o Apóstolo São Paulo argumentava com os “homens” de Atenas que gostavam demais de discutir filosofia.
Acharam a doutrina de São Paulo estranha e o chamaram de “pregador de deuses estranhos”, “homem de muitas palavras”, escarnecendo aquele que os queria ajudar “E enquanto São Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue a idolatria” (At 17:16).
São Paulo defendeu sua posição sem vacilar, proferindo esse maravilhoso discurso sobre a unidade: “Deus, que fez o mundo, sendo Senhor do Céu e da Terra, não habita em templos feitos por mãos de homens, dando ao homem de Sua vida, já que n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser.” (At 17:24-31).
A ideia da unidade com Deus não era tão estranha aos “homens de Atenas”, pois no século VI A.C. o profeta de Creta, Epimenides já havia dito: “n’Ele vivemos, nos movemos e existimos”. Vemos por aqui que a ideia era comum na doutrina dos Cristãos Primitivos, na antiga filosofia grega, cretense, etc.
A Filosofia Rosacruz nos propicia, porém, uma interpretação científica e clara dessa unidade. Sabemos do grande Ser que conhecemos como Cristo, que vem até nós provindo do Mundo do Espírito de Vida, e nos traz essa maravilhosa influência unificadora de planos extremamente elevados.
Antes de Cristo, não estávamos bastante adiantados para seguir a Sua voz interna, necessitando da orientação dos Espíritos de Raça, que nos conduzia a partir do nosso exterior.
Tínhamos, naqueles longínquos tempos, pouquíssimo controle sobre os nossos desejos. Assim, devemos, sem dúvida alguma, muita gratidão aos Espíritos de Raça pelo seu trabalho dedicado. Porém, tal influência é separatista, resultando em conflitos, guerras e contendas infinitas e pouco “humanas” entre nações, tribos e indivíduos. Pelo visto, muitos de nós nos encontramos, ainda hoje, de baixo da direção dos Espíritos de Raça.
Antes do advento de Cristo, as influências espirituais, que nos vinham do Sol, só nos atingiam indiretamente, via a Lua, através de Jeová e dos seus Espíritos de Raça.
O mais avançado membro da família humana, Jesus de Nazaré, preparou seus veículos inferiores (Corpo Denso e Corpo Vital) para ficar à disposição do Cristo, na Sua missão terrestre, ensejando-se um primeiro impulso espiritual direto à Onda de Vida humana. O Cristo tomou posse dos Corpos Denso e Vital de Jesus no Batismo (com total consentimento de Jesus) e, durante poucos anos ensinou, curou e, pela sua própria presença literalmente, elevou a humanidade.
Na Páscoa, morrendo na Cruz, o sangue de Cristo-Jesus conduziu o próprio Espírito de Cristo para o interior da Terra. Durante o evento, como todos sabem, a luz era tão intensa que, temporariamente, cegou a humanidade, como cegou São Paulo no caminho de Damasco, promovendo uma grande purificação do Corpo de Desejos do Planeta Terra (o Mundo do Desejo). Como resultado desse grande sacrifício, na Páscoa, o Cristo passou a ser o Espírito Planetário da Terra, trabalhando diretamente com os seres humanos. Esse trabalho de dentro para fora, cujo propósito é a unificação, liberta o ser humano, a tribo e a nação da influência separatista e ainda egoísta dos Espíritos de Raça, que até agora tanto nos ajudaram para lograrmos o desenvolvimento material de hoje.
O trabalho do Cristo, porém, realiza-se em ciclos contínuos de descida ao centro da Terra, do Natal até a Páscoa, e Ascensão para os Mundos superiores nos quais Ele renova Sua força, com a qual deverá rejuvenescer e descristalizar a Terra e todas as Ondas de Vida que aqui habitam. Esse sacrifício continuará ano após ano, até a humanidade ficar liberta das forças tendentes a dividi-las. Quando isto acontecer, seremos guiados pelo Cristo Interno e estaremos formando, através de vidas de serviço e pureza, os nossos Dourados Mantos Nupciais, compostos dos dois Éteres Superiores, o Corpo-Alma
Quando, finalmente, um suficiente número de membros da Onda de Vida humana tenha se purificado ao ponto de poder levitar a Terra, nós O encontraremos nos Éteres. Ali habitaremos conscientes da unidade com o Espírito Divino, que interpenetra não somente o nosso Sistema Solar, mas também o espaço interestelar e muitos outros Sistemas Solares.
O museu astronômico de Mount Wilson, em Los Angeles, California, EUA parece-se com uma igreja. E é isso mesmo que poderia ser. As reproduções do Sol, das estrelas e as galáxias mais distantes, inspiram reverência. Há a possibilidade de se sentir a presença do Espírito Divino, quando admirando e meditando sobre a beleza magnífica dos corpos estelares.
Considerando esses pensamentos ocorre-nos a real grandeza do macrocosmo, Deus, no qual “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”.
Somos expressões em miniatura desse Ser Divino! “Como é em cima, assim é em baixo”. “Como em baixo, assim em cima”. Não é o microcosmo, ser humano, um tipo, em miniatura do macrocosmo Deus? Não há a mesma qualidade divina tanto em Deus como no ser humano? Consideremos a relação entre a semente que temos em nossa mão e uma árvore. Seguramente, nós temos uma árvore em potencial. Essa é a mesma relação entre o ser humano e Deus: o potencial está latente. Que unidade maravilhosa temos, realmente com Ele, no qual “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz Março/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
1ª) “E disse-lhes muitas coisas em parábolas: ‘Eis que o semeador saiu para semear. E ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, uma cem, outra sessenta e outra trinta.‘” (Mt13:3-8).
2ª) “Propôs-lhes outra parábola: ‘O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a granar, apareceu também o joio. Os servos do proprietário foram procurá-lo e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Como então está cheio de joio?’ Ao que ele respondeu: ‘Um inimigo é que fez isso’. Os servos perguntaram-lhe: ‘Queres, então, que vamos arrancá-lo?’ Ele respondeu: ‘Não, para não acontecer que, ao arrancar o joio, com ele arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ‘Arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; quanto ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’.” (Mt 13:24-30).
3ª) “Propôs-lhes outra parábola, dizendo: ‘O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce é a maior das hortaliças e torna-se árvore, a tal ponto que as aves do céu se abrigam nos seus ramos.‘” (Mt 13:31-32).
4ª) “Contou-lhes outra parábola: ‘O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e pôs em três medidas de farinha, até que tudo ficasse fermentado.‘” (Mt 13:33).
5ª) “O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo; um homem o acha e torna a esconder e, na sua alegria, vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo.” (Mt 13:44).
6ª) “O Reino dos Céus é ainda semelhante a um negociante que anda em busca de pérolas finas. Ao achar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra. O Reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede lançada ao mar, que apanha de tudo. Quando está cheia, puxam-na para a praia e, sentados, juntam o que é bom em vasilhas, mas o que não presta, deitam fora. Assim será no fim do mundo: virão os anjos e separarão os maus dentre os justos e os lançarão na fornalha ardente. Ali haverá choro e ranger de dentes. Entendestes todas essas coisas?” Responderam-lhe: ‘Sim’.” (Mt 13:45-51.).
7ª) “Então lhes disse: “Por isso, todo escriba que se tornou discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que do seu tesouro tira coisas, novas e velhas.” (Mt 13:52).
Há sete interpretações igualmente válidas e verdadeiras para cada parábola. Algumas dessas interpretações são mais profundas em seu significado do que as outras. A maior parte das pessoas está familiarizada com as interpretações exotéricas ou ao pé da letra. Agora, com o “Conceito Rosacruz do Cosmos” foi levantado o primeiro véu e podemos deixar em segundo plano essa forma de interpretação literal. A chave para entendimento das parábolas transcritas está no último versículo; algumas coisas são velhas e outras são novas; algumas são do passado, ao passo que outras virão ainda. Os outros Evangelhos fazem apenas menção das quatro primeiras parábolas. Por isso consideramos esse capítulo como a apresentação completa do símbolo.
A primeira parábola refere-se ao semeador – Deus – lançando a semente de uma nova Onda de Vida, os Espíritos Virginais (a presente humanidade) foram diferenciados pela primeira vez, dentro de Deus ou “plantados”.
A segunda parábola narra o fato de o semeador encontrar joio em seu campo, preferindo deixá-lo crescer juntamente com o trigo, a fim de não haver o perigo de destruir a boa semente. Alude ao Período Solar, onde surgiram pela primeira vez a luz e as trevas. Segundo uma tradição de origem oculta, alguns componentes dessa onda de vida recusaram-se a emergir na matéria, retardando, dessa forma, a nossa evolução. Deram margem a um primeiro esboço de egoísmo ou joio, em nossa onda de vida.
A terceira parábola, do grão de mostarda, refere-se ao Período Lunar, quando o ser humano recebeu o germe do Corpo de Desejos. A semente da mostarda, embora pequenina, desenvolve-se até transformar-se numa árvore de grandes dimensões. A mostarda é um condimento excitante do Corpo de Desejos. Seu uso desmedido pode afetar negativamente nossa natureza emocional.
A quarta parábola, a da pequena quantidade de fermento, corresponde ao Período Terrestre. No Velho Testamento todo o pão sacramentado deveria ser levedado, porque desse modo Jeová poderia manter o povo sob seu jugo. Mas Cristo iniciou a Nova Era – a Era de Aquário, ainda como anunciador – em que, lenta, mas seguramente, o amor altruísta vem sendo difundido. “No peito de cada indivíduo a força do altruísmo trabalha como se fora um fermento. Desse modo transforma-se o selvagem numa pessoa civilizada e com o tempo, esse, num Deus.” (“Conceito Rosacruz do Cosmos”).
A quinta parábola, do tesouro escondido, sugere o Período de Júpiter. Naquele longínquo período futuro, os seres componentes do atual reino mineral passarão por um estado de consciência análogo ao das plantas e nós trabalharemos com eles com a mesma desenvoltura com que os Anjos operam atualmente com o Reino Vegetal.
O desenvolvimento de nossas faculdades imaginativas habilitar-nos-á também a vitalizá-las. Dessa maneira, os “tesouros do reino dos céus no Período de Júpiter, não permanecerão escondidos no campo de nossos corpos nem na Terra. Contudo, deve desde já despender os melhores esforços a fim de desenvolver estas faculdades futuras”.
A sexta parábola, a da pérola de alto preço, assinala as condições do Período de Vênus, quando os minerais atuais alcançarão um estado de consciência semelhante ao dos nossos animais. A pérola é a única gema originária da ação de uma criatura viva: a ostra.
Segundo Max Heindel, no final do Período em questão, o ser humano estará em condições de revestir de cores e tons as formas por ele engendradas e vitalizadas. Assim, tal como o comprador de pérolas, o ser humano tudo fará para adquirir essa faculdade.
A sétima parábola, a da semelhança do escriba instruído com o pai de família, refere-se ao período derradeiro – o Período de Vulcano – quando as influências particulares do Espírito Divino serão as mais fortes, porquanto foi vivificado no correspondente Período de Saturno. Nesse período o joio será removido do trigo e estaremos prontos para o repouso cósmico.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O “Serviço do Templo” – o Ritual Devocional do Serviço do Templo – da Fraternidade Rosacruz, isto é, o Ritual oficiado nos Centros Rosacruzes e por cada Estudante Rosacruz – todos os dias, excetuando os dias em que se oficia o Ritual Devocional do Serviço de Cura, ou o “Serviço de Cura” – e também os Rituais Devocionais dos Serviços de Equinócios, Solstícios e Véspera de Natal – nas datas específicas – são sempre iniciados cantando todos ou declamado por um Estudante Rosacruz o Hino Rosacruz de Abertura.
Sua música está composta em Ré Maior, cuja clave leva dois sustenidos; sua vibração põe em ação o poder da Onda de Vida de Libra, os Senhores da Individualidade. Consequentemente, ajuda cada ouvinte a equilibrar suas forças e vibrar em equilíbrio, justiça, cortesia e esperança. De todos os Planetas, Vênus é quem melhor traduz para nós o poder vibratório dessa Onda de Vida. Vênus infunde amor, harmonia e unidade, pela combinação das forças de atração e de coesão.
A clave de Ré Maior, governada pelo amor venusino, pode ser comparada a uma corrente confluente de tons. Quando vibra um tom, todos os demais (as pessoas reunidas), dentro do raio da onda de vibrações, respondem automaticamente e cantam em uníssono quando pertencem ao mesmo diapasão. Note-se que o poder-clave de Vênus é “amor” e rege a Onda de Vida de Libra. O amor está correlacionado com o segundo aspecto de Deus e do ser humano. Portanto, o ser humano responde a essa nota vibratória quando se toca a nota-chave de Libra. A princípio, a ressonância do tom em nós é deficiente. Porém, pouco a pouco a repetição, em cada oficiação do Ritual com o canto ou a declamação do Hino de Abertura, em Ré Maior, vem despertar o amor nos ouvintes, levando-os, com o tempo, à sua maior expressão, ao seu maior poder e ao sentido de unidade de cada um com todos. Sobre o princípio desse elevado ideal se apoiam todos os anelos da Fraternidade Rosacruz. Daí a repetição do Hino com sua maravilhosa letra, representativos de um ideal de amor-sabedoria.
A letra desse Hino foi escrita por Max Heindel. Suas palavras encerram um significado de enorme iluminação. Analisemos bem, a seguir, suas estrofes e busquemos penetrar algo do muito que elas contêm.
“Seguindo a órbita a girar” – cada estrela é o corpo de uma poderosa individualidade, tem seu próprio caminho nos céus, completamente independente das outras.
“Lei firme, o Astro vem mostrar” – a órbita de cada Astro é determinada por leis cósmicas, fixas e imutáveis.
“do eterno Deus ele é expressão” – cada Astro expressa não apenas um poder particular de Deus pelo qual foi criado, senão também revela que existiu um propósito definido em sua criação.
“Quais ciclos de alternação” – a trajetória de cada Astro é invariável. Tampouco muda o poder particular nele incorporado. Fixo e invariavelmente, expressa o poder divino nele subjacente, chegando a alcançar os resultados espirituais para qual foi criado.
“O astro dança em linha oval” – embora aparentemente estacionário, nos seus giros vai descrevendo quase círculos ao redor de um ponto central, que é o centro da consciência divina, o Criador.
“No espaço e tempo em espiral” – o caminho de cada Astro, embora elíptico, também forma espirais, pois ele avança através do espaço, jamais repetindo as mesmas condições, dentro de seu ciclo evolutivo.
“E as harmonias ao girar” – sua verdadeira forma é esférica e se movem ao redor de seus eixos. Cada Astro emite um tom harmônico perfeitamente concordante com os tons dos demais Astros.
“de esferas vão ressoar” – a música das esferas não se detém enquanto dura a manifestação e penetra todo o Sistema Solar. Ainda mais, se essa harmonia se detivesse por uns segundos, o Sistema Solar inteiro se desintegraria.
“Por não saber a lei geramos” – achamo-nos longe de conhecer todas as Leis regentes do cosmos. Mais que isso, vimos transgredindo quase todas as Leis que nos têm sido reveladas. Vejamos, por exemplo, os Dez Mandamentos:
“a dor, a morte e desarmonia” – a desobediência do ser humano aos Dez Mandamentos tem sido a principal fonte de toda a discórdia e tristeza humanas. Ainda mais, é a causa da morte, tal como a conhecemos hoje.
“sofrendo, agora, procuramos/ ter, de novo, paz e harmonia” – a harmonia não poderá prevalecer até que o ser humano incorpore em si mesmo os Dez Mandamentos e espontaneamente os viva. Deve também conhecer a Lei de Causa e Efeito, juntamente com a Lei de Renascimento.
“A Lei buscamos aprender” – ao nos dispormos a estudar as leis da natureza com real sinceridade e devoção, para conhecê-las e vivermos como Deus manda, podemos alcançar a completa felicidade, a paz e evolução.
“e a Verdade conhecer” – conhecendo as causas passadas e deduzindo as estreitas relações com os atos presentes, podemos evitar a inconveniência de sua repetição futura. As imutáveis e sempre operantes Leis da Natureza emanam de Deus. Jamais se detêm em seu trabalho para trazer a perfeição a tudo que foi criado em embrionária forma.
“e o que encontrarmos da verdade/ dar ao bem da humanidade” – quando tenhamos alcançado a verdadeira compreensão de Deus e de suas Leis, o que somos, o porquê estamos aqui, o processo da saúde física e mental, o desenvolvimento anímico, a eternidade do Espírito e a unidade de toda vida, então e só então, estaremos verdadeiramente qualificados para bem servir à humanidade e à Evolução. Então poderemos ser mestres completos, aptos para levar a mensagem a todos os que estejam amadurecidos para recebê-la, libertando-os de todos os laços de ilusões e de exterioridades.
“Cumpramos todos o dever/ do nobre e reto proceder/ sem ódio por amor agir/ e nunca ao nosso dever fugir” – esse conhecimento não pode ser alcançado sem esforços. Devemos nos consagrar diligentemente a esse entendimento que, por si só, uma vez alcançado, nos reclama vivê-lo, para que se converta em real valor na disseminação da Luz.
“Sabendo por amor obrar/ e o repetindo sem cessar/ o medo e o pecado, assim, / iremos dominar enfim” – é certo que não basta conhecer a Lei. É indispensável praticá-la, não apenas quando tenhamos vontade, senão quando convém ao bem dos outros, cada hora, cada dia e todos os anos. Quando tenhamos provado nossa diligência no serviço desinteressado, a recompensa será inteiramente nossa e nos tornará verdadeiramente livres. Viajaremos com inteira liberdade onde nos agrada, sem qualquer limitação, deixando em repouso nosso “corpo de carne”, sobre o leito. Porém, quando chegamos à Iniciação não ficamos dispensados de nosso dever sagrado de ajudar, em todos e de todos os planos em que funcionarmos. Ao contrário, impomo-nos a nós mesmos, mais definidamente, esse dever e nos tornamos mais capacitados a prestá-lo com mais eficiência.
“Com a tocha da razão por guia/ nós buscamos restaurar/ a juventude e a harmonia/ que só a verdade pode dar” – munidos da Luz de um verdadeiro conhecimento e da razão (atributo do Poder da Vontade), o Iniciado se guinda a novos poderes para mais eficazmente fomentar a harmonia no mundo carente. Transmitindo convictamente esse conhecimento de Deus e das Leis Cósmicas d’Ele, governantes de nosso e outros Sistemas Solares, podemos ajudar cada um a viver em harmonia consigo mesmo e com os demais, criando condições para estabelecimento de uma futura fraternidade, em que se restauram a saúde e a paz. O serviço altruísta, amoroso e desinteressado em favor dos demais é o caminho mais curto, o mais seguro e mais agradável que nos conduz a Deus.
“Falhando, embora, vamos ver/ a persistência há de vencer/ e num crescendo gradual/ o bem sublimará o mal.” – bendita afirmação! Se resistimos, embora fracassemos muitas vezes e nos levantemos sempre, aprenderemos nossas lições. Sem tréguas, sem descanso, mas também sem ansiosa pressa, nossos esforços prevalecerão finalmente. E todo o aparente mal, existente em nós e no mundo, no desvirtuamento das realidades divinas, irão desaparecendo pela gradativa afinação às Leis do Criador, mediante a aplicação ordenada desses princípios infalíveis e científicos que encerram amor para tudo vencer e purificar.
Quando analisamos cuidadosamente as palavras desse Hino, chegamos à conclusão de que encerram uma completa fórmula de Iniciação!
(traduzido do folheto da The Rosicrucian Fellowship e publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1968-Fraternidade Rosacruz-SP)
Há milhões de anos atrás, um grandioso Ser solar que havia cumprido as Leis da sua esfera de ação com a máxima perfeição, tornou-se o Iniciado mais elevado da Onda de Vida dos Arcanjos. Esse Ser, chamado o Cristo Cósmico, funciona, normalmente, num veículo feito de substância do Mundo do Espírito de Vida, Mundo esse onde cessa toda a separatividade. Seu trabalho também se harmoniza e se relaciona com outros dois Grandes Elevados Iniciados de outras Ondas de Vida que também colabora com Deus na evolução criadora do Sistema Solar no Mundo de Deus.
No início da nossa jornada no Período de Saturno (o primeiro Período de um total de sete, que compõe o nosso atual Esquema da Evolução) foi fornecido o Átomo-semente do Corpo Denso, a nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana. Nessa jornada ou Esquema de Evolução, depois desse Período, passamos pelos Períodos Solar e Lunar e chegando ao início do Período Terrestre (o quarto Período). Lembramos, aqui, que cada Período é composto de 7 Globos e de 7 Revoluções em torno desses Globos de densidades diferentes. Nesse momento, nosso Campo de Evolução ainda estava no Sol. Com o tempo, verificou-se que o desenvolvimento desses Espíritos Virginais da Onda de Vida humana não acompanhava, com a mesma rapidez, os demais, atrasando a evolução do conjunto todo. Assim, os Planetas: Urano, Saturno, Júpiter, Terra, Marte, Vênus e Mercúrio foram expelidos do Sol, um a um, de forma a servirem de campo de atividades e evolução dos Espíritos Virginais em seus diferentes estados de desenvolvimento; cada um a distância exata necessária e com o tamanho e composições ideais para ser o melhor Campo de Evolução para cada grupo de Espíritos Virginais. Assim é que se formou o nosso Planeta, a Terra, separada do Sol, Campo de Evolução da nossa Onda de Vida humana.
A um certo tempo de evolução, já aqui no Planeta Terra, passamos a ser guiados e orientados pela terceira manifestação da Divindade ou o terceiro aspecto de Deus, nosso criador – o Espírito Santo, Jeová, o Iniciado mais avançado da Onda de Vida Angélica. É dele a autoria de todas as Religiões de Raça que serviu (e ainda serve, em algumas circunstâncias específicas) para nos conduzir a humanidade do Período Terrestre. Esse auxílio, prestado a toda humanidade nesta fase de desenvolvimento, teve a participação ativa de hostes de Arcanjos (como Espíritos de Raça) e Anjos (como Mensageiros e Anjos da Guarda) e foi prestado a partir de fora da Terra. Ou seja, foi necessário que as orientações para as nossas atividades na Região Química do Mundo Físico nessa época fossem dirigidas através de fontes exteriores.
Quando chegamos à metade quarta Revolução desse Período Terrestre, houve a necessidade de haver mais segmentações no nosso Campo de Evolução, a fim de facilitar a aprendizagem das lições que estavam reservadas para nós. Essas segmentações são chamadas de Épocas. Durante a Época Lemúrica e Atlante (a terceira e quarta das 7 Épocas, respectivamente) foi acrescentado um novo veículo em nossa evolução: a Mente. Também, foi na Época Atlante que surgiram, para nós, os seres atrasados da Onda de Vida dos Anjos, chamados Espíritos Lucíferos (ou Anjos Lucíferos ou, ainda, Anjos caídos). Eram atrasados porque não conseguiam evoluir no Esquema de Evolução dos Anjos sem a necessidade de um cérebro – tal como os Anjos que nunca precisaram de um – mas também não conseguiam construir um, já que, originalmente, os Anjos não necessitam. Naquela Época a nossa consciência ainda estava ligada aos planos superiores (ou seja: não estamos com a nossa consciência de vigília, focada na Região Química do Mundo Físico, como temos hoje). Os Espíritos Lucíferos sugeriram para nós que o cérebro era uma estrutura física, capaz de auxiliar-nos a entender como criar outros Corpos Densos, aqui nesse Mundo Físico, sem se sujeitar a direção de Jeová e dos Anjos (que era como era feito até então) e, assim, seríamos dono de nós mesmos e conheceríamos o bem e o mal.
Consequentemente, a grande maioria de nós (e não todos!) aceitou a sugestão e passou a viver dessa maneira: usando e abusando da força sexual criadora. Logo, derivando para ambições egoístas, aprendendo a mentir, a praticar a astúcia desenfreadamente, a desenvolver a vontade do “eu inferior”, a se revoltar contra os preceitos de Jeová. Sob a Lei de Consequência (ou Lei de Causa e Efeito) tivemos castigos severos por desobediência a essa Lei. Fomos divididos em Raças e essas em nações. A fim de entender que o “caminho do transgressor é sofrido” e nos dar a oportunidade da escolha, sempre que preciso, uma Raça era utilizada para guerrear contra outra: uma que obedecia aos preceitos do seu Senhor (Jeová) contra outra que insistia em não obedecer. E o objetivo aqui era que cada um controlasse o seu Corpo de Desejos.
Como quando o Átomo-semente da Mente foi dado a nós, estávamos acostumados a caminhar somente pelo desejo inferior (satisfazendo-o a qualquer custo e preço), então associamos a Mente juvenil um instrumento da natureza de desejos. Conclusão: facilmente a Mente se tornou um meio de justificar e arquitetar pensamentos que evidenciasse o nosso “eu inferior” (a Personalidade) e deixou de servir o “Eu Superior” (a Individualidade). Renascimentos e renascimentos aqui praticando o abuso da força sexual criadora, por meio de ondas de paixões, desejos inferiores, sensualidades, astúcias e mentiras nos assolou e criamos dívidas e mais dívidas de Destino Maduro (aquele que só há uma maneira de pagar: expiando). Até que a cristalização do nosso Corpo Denso (e a incapacidade do nosso Corpo Vital em vivificá-lo) se tornou de tal grau que quase não era possível evoluir nele; assim como a própria Terra – o nosso Campo de Evolução – foi-se cristalizando em grande intensidade até que surgiu o perigo de que toda a nossa evolução humana poderia chegar a um grau tão alto de cristalização que poderia surgir à segunda Lua da Terra!
Para evitar esta calamidade foi necessário um novo nível de ajuda espiritual que viesse até nós. Cristo, o Espírito do Sol, era o único que poderia nos ajudar, porque ele trabalha e domina totalmente a substância do Mundo do Espírito de Vida, o primeiro Mundo debaixo para cima onde cessa toda a separatividade, onde a fraternidade é um cotidiano, a partir do amor ágape – o amor verdadeiramente desinteressado e focado na divina essência do ser a que amamos. E isso foi feito por meio de um grande sacrifício cósmico. Ele, como qualquer outro Arcanjo, só conseguia construir, como veículo mais inferior, o Corpo de Desejos. Mas Ele precisava estar entre nós (viver o nosso dia a dia, para mostrar como a partir do nosso interior poderíamos sair dessa situação que nós mesmos nos colocamos), para sentir a dificuldade que estávamos sentindo e, assim, nos prescrever exatamente o que devíamos fazer para sair desse estágio perigoso. Assim, precisava se adaptar à existência material. Para isto teve que recorrer aos Corpos Vital e Denso de um ser humano. O mais indicado, pelo seu grau de evolução, foi o ser humano de Jesus. Ele cedeu, voluntariamente nesse renascimento, o seu Corpo Denso e o seu Corpo Vital à Cristo.
O Corpo Denso e o Corpo Vital de Jesus foram aperfeiçoados e sutilizados em sua juventude e até aos 30 anos de idade pelos Essênios, de forma a sintonizarem-se com as vibrações elevadíssimas para que mais tarde esses veículos pudessem ser cedidos por Jesus, no Batismo, a Cristo, quando as ligações entre o Corpo de Desejos de Cristo e os Corpos Denso e Vital de Jesus foram feitas. Esse foi o Seu primeiro passo do sacrifício cósmico: entrar nesses veículos (Vital e Denso). A dualidade deste maravilhoso “Ser” conhecido por Cristo-Jesus tornou-se única entre todos os Seres dos sete Mundos que compõe o universo. Só Ele possui os doze veículos que unem diretamente o ser humano no Corpo Denso a Deus. Ninguém melhor do que Ele podia compreender, com maior compaixão, a nossa posição e as nossas necessidades e nos trazer alívio total.
Nos três anos de seu ministério, Cristo-Jesus ensinou a verdadeira Religião Cristã Esotérica: a unificação futura de todos nós. O amor impessoal, focado na divina essência de um ser, e a Fraternidade Universal são os dois grandes mandamentos de Amor que constituem o alicerce imediatamente necessário à nossa evolução espiritual.
A Crucificação ocorreu no momento em que Cristo-Jesus deu o passo final e se tornou o Espírito Planetário da Terra. O sangue que jorrou da coroa de espinhos e dos ferimentos do seu Corpo Denso penetrou no Planeta Terra libertando Cristo dos veículos de Jesus e tornando-O o Espírito Interno da Terra. Nesse instante a Terra foi permeada com o Seu Corpo de Desejos que lavou os pecados do mundo, não do indivíduo. Assim, purificou o Corpo de Desejos que estava contaminado da Terra – o Mundo do Desejo –, libertando-a das influências negativas, inferiores e cristalizantes que se haviam acumulado e sendo tão nefastas para a humanidade. A partir deste momento, todos nós, com vontade e esforço, temos condições de purificar os nossos veículos e acelerar o nosso desenvolvimento espiritual – se quisermos –, pois foi possível o acesso a esta substância espiritual pura.
Devido a este extraordinário sacrifício, Cristo agora vive parte do ano limitado e oprimido na nossa Terra, aguardando o Dia de Sua Libertação. Esse tempo é marcado pelo Equinócio de Setembro quando Cristo toca a atmosfera da Terra e termina no Equinócio de Março, que marca o fim do trabalho na Terra voltando ao seio do Pai, para preparar o seu retorno no próximo ano.
Cristo sente todo ódio, raiva, egoísmo, astúcia, discórdia e todos os outros desejos, sentimentos e outras emoções, tomando os materiais das Regiões inferiores do Mundo do Desejo, que nós geramos todos os dias. Mas, Ele recebe também uma extraordinária ajuda dos Irmãos Maiores que trabalha, diariamente, para transmutar todo o mal em forma de pensamentos, sentimentos, palavras, atos, obras e ações em fatores positivos através de Sua força de vida. Mesmo sabendo que a maioria de nós não está ciente deste trabalho, nós como Estudantes Rosacruzes devemos procurar não expressar estes desejos, sentimentos e outras emoções, tomando os materiais das Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Se não o fizermos aliviaremos o sofrimento do nosso Salvador Cristo e apressaremos a Sua libertação.
A nossa dívida com o Cristo é imensa, e se quisermos começar a saldá-la, mesmo que muito modestamente, comecemos a praticar na nossa vida diária o serviço amoroso e desinteressado, servindo a divina essência do irmão e da irmã que vive ao nosso lado, no nosso cotidiano, seja quem for. Assim teceremos o Corpo-Alma, o veículo que encontraremos com Ele na Sua segunda vinda e nos possibilitará dar o próximo passo para frente e para cima nesse Esquema de Evolução. A decisão é nossa!
“Que as rosas floresçam em vossa cruz”
Dentre vários ensinamentos que lemos nas Epístolas de São Paulo há um muito interessante para entendermos a questão do título: “Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6:7). Estas palavras foram escritas pelo Iniciado o Apóstolo São Paulo em uma Epístola aos Gálatas, que eram um grupo de pessoas que habitava uma província da Ásia Menor. São Paulo leva a Religião Cristã aquela gente, a quem amou de maneira muito especial, congregando-os em uma Igreja. Estando deles ausente, apareceram certos “mestres”; dentre eles três judeus e trataram de persuadir aquela gente a desprezar a Religião Cristã, que lhes tinha sido ensinada por São Paulo, e voltaram à antiga forma de adoração.
São Paulo viu claramente que para os Gálatas o retroceder depois de terem visto a luz significava atraso, em lugar de progresso, e que suas consequências seriam o incorrer em uma pesada dívida com o destino, que requeria eternidades para eles a liquidarem.
Sendo São Paulo um Iniciado, conhecia perfeitamente as Leis do Renascimento e as de Causa e Efeito e, por isso, sabia muito bem que se este povo contraísse uma tal dívida, teria de pagá-la alguma vez e em alguma parte, ao preço de grande dor e de profunda angústia. Por esta razão, São Paulo proclamou a Lei de Causa e Efeito a essa gente, dando-lhe o conhecimento dela em termos inequívocos: “Não vos enganeis: Deus não pode ser iludido; tudo o que o homem semear, isso também colherá“.
Se o Renascimento não fosse um fato, numerosas afirmações da Bíblia, semelhantes à que acabamos de citar, seriam difíceis de aceitar. De fato, seria absolutamente impossível para um homem ou uma mulher inteligente aceitar muitos fatos da vida, nem sequer em mínima parte. Por todas as partes vemos no mundo pessoas semeando sem cessar, sementes de maldade, discórdia, ódio, desonestidade, decepções, etc. e, contudo, ostentam-se prósperos e florescentes, como o verde loureiro proverbial. Aqueles cujas vidas são piores, acham-se com frequência, ocupando os mais altos cargos; entretanto vemos oprimidos, homens e mulheres de vida santa e Cristã.
E qual a resposta a esses diversos e complexos problemas que, constantemente, a vida nos está apresentando? Não têm eles respostas alguma? E a morte? Ainda os resultados da morte são incertos. Aniquila a morte a consciência?
Como resposta a tais perguntas, a maioria das pessoas dirá: “Creio nisto ou naquilo, mas nada sei”.
Há uma resposta para cada problema que a vida nos apresenta; os precursores da grande escola da vida, que avançaram e progrediram, puderam nos dar estas respostas. Eles não dizem: “creio” ou “penso”, mas dizem: “sei” -“Eu sei”. E como sabem? Porque adquiriram conhecimento de primeira mão. E de que maneira o adquiriram? Por meio da perseverança, devoção, observação e discernimento.
Antes que um homem ou uma mulher possa entender a vida, há de achar-se disposto ou disposta a aceitar como uma hipótese eficaz a de que o Renascimento é um fato e que toda a manifestação se explica pela Lei de Causa e Efeito. Uma vez que uma pessoa permita que entrem na sua consciência estes dois grandes fatos, tem já um ponto de apoio ou de partida para seus raciocínios.
Se o Renascimento é um fato, então todos nós temos vivido várias vidas anteriores à atual, e temos passado por numerosas provas. Temos sido arrogantes, cruéis, opressores, tiranos, injustos? Tem havido ocasiões em que temos sido bondosos, tolerantes, sensíveis, serviçais etc.? Pois bem, na atualidade somos a soma de nossas experiências anteriores, ou melhor, a soma de nossas reações à todas as nossas experiências passadas.
Cada criatura humana de nossa Onda de Vida tem-se iniciado na grande escola da vida, na Grande Escola de Deus, com iguais oportunidades. Durante cada vida foram-nos dadas certas lições. Quando as tivermos aprendido perfeitamente, teremos ganho em conhecimento e inteligência e teremos avançado.
Quando recusamos fazer nosso trabalho, e dissipamos nosso tempo vivendo preguiçosa ou licenciosa e desordenadamente, não só debilitamos, então, nossa estrutura moral, deixando para o lado o trabalho, senão que ao deixar para mais tarde o que devíamos ter feito hoje mesmo, deixamos para o dia seguinte uma tarefa mais dura e mais difícil de executar; e já não estaremos tão preparados para ela como estávamos ao ser-nos dada a primeira lição.
Mas esse trabalho há de ser executado alguma vez, em alguma vida, porque estamos desenvolvendo nossos próprios deuses, que absoluta e necessariamente hão de alcançar seu desenvolvimento, mercê de nossos próprios esforços.
O desenvolvimento das potencialidades latentes, dentro de cada indivíduo, não pode comprar-se, não pode achar-se ou receber-se como se fosse um gracioso donativo.
Depende de nossos próprios esforços perseverantes e resolutos, o que este crescimento progressivo encerra, e só nós estamos em possibilidade de apressá-lo ou retardá-lo. O indivíduo que diz: “Não tive nunca uma oportunidade na minha vida”, está-se enganando. Cada incidente que ocorre, e sucedem-se dezenas deles diariamente, nos subministra a oportunidade de desenvolver em alguma extensão algum poder potencial latente, em nosso interior, e as provas que sofremos, vem precisamente com esse objetivo. Não são meros acidentes com que tropeçamos, mas oportunidades dadas por Deus mesmo, para nosso crescimento, às quais devemos estudar bem e aproveitar tudo o que pudermos. Uma vez que nos dermos conta disso, cada dia de nossa vida se converte em uma grande e gloriosa aventura. Os mais humildes acontecimentos tornam-se grandes e maravilhosas experiências. O gorjeio de uma ave fere nossos ouvidos, estimula nosso sentido da audição e desenvolve nossa apreciação da verdadeira harmonia expressa em sons. Um humilde gusano, uma humilde minhoca, arrasta-se pelo solo aos nossos pés; o sentido da vista entra em ação; a cor daquela criatura se nos revela; a sua forma, a sua maneira de locomoção. Nosso poder de observação se vigoriza; o nosso interesse se estimula; a nossa Mente entra em atividade.
Começamos a estudar a vida, a verificar a nossa mentalidade e acabamos por aprender que tudo aquilo que existe é uma parte de Deus, que lenta, mas seguramente desenvolve dentro de si próprio, a Divindade.
A vida não nos aparece já como um confuso labirinto. É uma escola onde toda a criatura vivente recebe um ensino alegre e intenso. Nada há nela de opaco ou privado de interesse. São a Lei e a Ordem, trabalhando unidos, harmoniosamente. É o Amor em manifestação; é a atividade que nos revela em miríades de demonstrações.
Por que vemos ocupar altos postos aqueles que, segundo todas as aparências, carecem de algum mérito? Suas lições por um dia na Escola da Vida exigirão esse ambiente particular? Mas ai daquele que abuse de seus altos privilégios! Esse está criando uma tremenda dívida de destino, que não lhe será fácil pagar. Por que vemos sofrer opressão a uma pessoa digna? É com o objetivo de que possa aprender valiosas lições que hão de ser usadas em proveito de seus semelhantes, em vidas futuras, nas quais ocupará postos de grande influência e poderio. Tal pessoa não cometerá nunca o erro que seu irmão ou sua irmã menos adiantado ou adiantada poderia cometer ao achar-se numa posição semelhante.
O homem ou mulher que semeia sementes de discórdia, ódio, desonestidade, engano, etc. não pode ter a esperança de escapar ao castigo da Lei.
“Qualquer coisa que um homem semear, isso mesmo colherá“, seja durante sua vida atual, seja durante alguma outra vindoura, a não ser que se arrependa do seu mau comportamento.
Reformem-se enquanto puderem, reparem o mal que tenham cometido. A razão de que não vemos o malfeitor pagar suas dívidas é porque não estamos capacitados, no atual estado do nosso desenvolvimento, para segui-lo vida após vida e saber quando se vencem essas dívidas.
Algumas vezes pagam-se durante a vida em que se contraíram; outras vezes levam-se através de um ou mais Renascimentos, mas nunca ficam por saldar.
A Lei de Causa e Efeito, é ensinada pela Bíblia, ainda que expressa com diferente terminologia: “Qualquer coisa que um homem semear isso também colherá“. Nem esta Lei nem a Lei do Renascimento são realmente novas, como poderia comprovar qualquer estudante da Bíblia, cuidadoso e dotado de espírito analítico. Na atualidade, contudo, está lhe dando uma importância muito particular, por parte das escolas avançadas de preparação espiritual, devido a que um número considerável de seres humanos completou já as lições ensinadas por meio da Religião Cristã ortodoxa, e se encontram já prontos para uma etapa mais adiantada na senda do progresso. Essa etapa mais avançada lhes abrirá os Mundos invisíveis onde reside o Espírito, ou verdadeiro “EU”, durante os intervalos entre a morte e o novo renascimento, e os capacitará para seguirem as pisadas do Espírito, ainda que esse faça suas diversas viagens, da morte ao nascimento e vice-versa.
Antes que um indivíduo possa chegar a essa etapa adiantada, há de construir um veículo que lhe permita funcionar nos Mundos invisíveis. Esse veículo se constrói determinando uma separação entre os dois Éteres inferiores (o Químico e o de Vida) dos Éteres superiores (Luminoso e Refletor), que são os veículos da percepção dos sentidos e da memória; podem então usar-se como tal, o veículo a que se chama o Corpo-Alma.
Em consequência, a “Senda da Preparação” precede a capacidade de adquirir conhecimento de primeira mão, o conhecimento direto.
O amoroso e abnegado serviço aos outros, a perseverança, a devoção, a observação e o discernimento são os meios de alcançá-lo. O serviço amoroso e abnegado aos outros atrai automaticamente ao indivíduo os dois Éteres superiores, a saber; o Luminoso e o Refletor, com os quais se constrói o “Corpo-Alma”.
O Éter Químico e o Éter de Vida são capazes de se encarregar das funções vitais do Corpo Denso, durante o sono. Mais tarde tem lugar uma separação entre estes dois Éteres inferiores e os dois Éteres superiores. Quando esses dois últimos Éteres que compõem o “Corpo-Alma” já se espiritualizaram o suficiente, por meio da observação, do discernimento e do serviço, uma simples fórmula, dada por um Mestre espiritual, capacita o Aspirante à vida superior a levar consigo o “Corpo-Alma” à vontade, junto com o seu Corpo de Desejos e a sua Mente. Fica assim equipado com seus veículos de percepção sensorial e de memória.
Qualquer conhecimento que possua no Mundo Físico está, então, à sua disposição para usá-lo nos Mundos invisíveis, e quando de novo entra em seu Corpo Denso, traz consigo, ao cérebro físico, memórias de suas experiências adquiridas durante seu funcionamento longe do próprio corpo e naqueles altos lugares.
Quando o indivíduo tenha construído esse veículo no qual funciona, pode visitar os Mundos invisíveis e fica com liberdade para explorá-los a seu gosto, e aprender neles as causas que produzem todos os efeitos que se manifestam no plano físico.
Pode, então, acompanhar uma criança, da morte ao renascimento e comprovar assim que a reencarnação é um fato.
Pode então compreender a vida e seu objetivo, e trabalhar em harmonia com todas as Leis da Natureza; e dessa maneira tem já em suas mãos não só o método de acelerar sua própria evolução, senão também o de ajudar os outros a fazerem outro tanto.
Todo o nosso progresso depende de que aprendamos as lições que se nos apresentam em nossa vida diária, sem ter em conta que sejam fáceis ou difíceis. Devemos agradecer cada lição e pôr-nos prontamente a aprendê-la. E devemos agradecer especialmente às difíceis e desagradáveis, pois indicam que fizemos consideráveis progressos no passado e que, por consequência, estamos já capacitados para aprendê-las. Às almas jovens e pouco experimentadas não são dadas tarefas difíceis para executar.
Cada dia está cheio de oportunidades que, nos tornam os donos delas e se as aproveitarmos tanto quanto possível, nos permitirão avançar rapidamente pelo caminho do verdadeiro desenvolvimento.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1979 – Fraternidade Rosacruz-SP)
“Que é o ser humano mortal para que te lembres dele? E o filho do ser humano para que o visites? Contudo, pouco menor o fizeste do que os Anjos, e de glória e de honra o coroaste.” (Sl 8:4)
“A arte, conforme permite sua habilidade, segue a natureza como um aluno segue o seu Mestre. De modo que a arte deve ser, por assim dizer, algo que deriva de Deus.”[1] (Dante)
Todas as atividades do ser humano podem ser divididas em três categorias, a saber: Ciência, Religião e Arte. A mais alta consecução do ser humano é conseguir florescê-las. Na escala da evolução o ser humano está situado entre a Onda de Vida dos Anjos e a Onda de Vida dos animais. Deus fez o ser humano “um pouco menor que os Anjos” e lhe concedeu o domínio sobre o Reino animal. Considerando a existência desses três fatores, Ciência, Religião e Arte, podemos compreender a diferença principal existente entre o ser humano e o animal. Nem a Ciência nem a Arte são necessárias para os animais, na presente fase do desenvolvimento deles.
No presente, a Ciência, com suas descobertas, assumiu posição destacada. A Religião também está despertando. Porém, aqui desejamos considerar as Artes. Não nos é possível traçar linhas claras de demarcação ao classificar as atividades do ser humano dessa maneira, porque a Ciência ajuda a compreender a Arte. E a Arte segue de mãos dadas com a Religião, quando trata de revelar a divindade do nosso ser. Max Heindel chama a Ciência, a Arte e a Religião de “uma trindade na unidade”. Sabemos que a separação em classificações diferentes é temporária. Num estado posterior do nosso desenvolvimento, as três tornarão a ser “um”
A verdadeira Religião inclui tanto a Arte como a Ciência, pois ensina uma vida formosa em harmonia com as leis da natureza.
A verdadeira Ciência é artística e religiosa no sentido mais amplo, porque nos ensina a reverenciar as leis que governam nosso bem-estar e a nos conformar com essas leis, explicando, além disso, por que a vida religiosa conduz à saúde e à beleza.
A verdadeira Arte é tão educacional como a Ciência e tão edificante como a Religião. Na arquitetura temos uma sublime apresentação de linhas cósmicas de força no universo.
Para muitos a vida sem a Arte verdadeira seria intolerável, porque a imaginação do ser humano requer alimento assim como o corpo necessita de nutrição. E é “imaginando” que se nutrem as almas. Existem três elementos necessários, quando se considera a Arte real: a música, a pintura, a poesia e a arquitetura. Esses três elementos indispensáveis são: emoção, expressão e ritmo.
A Arte pode ter por objeto a apresentação da forma exterior ou pode mostrar o espírito interno de um objeto; porém sempre é possuída por um crescente impulso emocional.
Para o artista dedicado é possível interpretar as realidades profundamente ocultas da natureza interna do ser humano. Essa revelação do espírito do ser humano é a sua mais elevada missão. Cada época produz escultores, pintores e músicos capazes de produzir verdades criadoras ao contemplar as obras de Deus. Porém, sempre essas criações contêm a concepção própria e individual do ser humano e a sua própria interpretação, posto que conservam sua “maneira de refletir a natureza”. Essa concepção individual do universo de Deus é o que promove as diferenças existentes no mundo da arte criadora. Sem dúvida, há somente uns poucos em cada época que podem pretender expressar uma originalidade verdadeira. Em geral o artista copia e recopia, sem ser capaz de revelar sua própria concepção individual do tema ou objeto.
Quando um artista se torna verdadeiramente criador, é capaz de influenciar a vida de uma nação inteira. O rumo que um povo segue delineia-se, em primeiro lugar, no trabalho e na expressão daqueles que têm sentimentos fortes, internos, e que são sensíveis aos impulsos ocultos do ser humano. Eles devem refletir as impressões que são capazes de receber para que os demais também se beneficiem delas.
O domínio de qualquer Arte requer disciplina. E isso significa que o aspirante tem que aprender a dominar a forma, seja essa de linguagem, cor, tom, etc. Unicamente por meio da meditação e da concentração intensa é que se conquista a habilidade em uma Arte. Por conseguinte, é compreensível que em algumas Escolas de Mistérios da Grécia, o Mestre-Artista fosse admitido ao Templo sem que executasse os exercícios preliminares. A faculdade de dominar uma arte-forma era considerada suficiente para entrar diretamente nos mais internos ensinamentos.
A história se converte em uma realidade para nós através da Arte. Os arquitetos e escultores do Egito, Assíria, Grécia e Roma deram-nos uma demonstração gráfica da civilização desses países. Temos acesso aos restos sublimes das figuras de barro e mármore. Sem podermos examinar o que há nos muros e pirâmides nas margens do Nilo e sem o nosso presente conhecimento dos edifícios e estátuas da Grécia e de Roma nossas ideias sobre a vida desses povos seriam, em verdade, confusas e irreais.
A arte do ser humano dá testemunho do seu ser interno. Nada indicará o rumo dos tempos tão precocemente como a música, a pintura, a arquitetura ou a poesia de um povo. Até parece que o artista criador pressente as sombras arrojadas pelos acontecimentos futuros. Os anseios e temores, as elevadas aspirações, assim como os sentimentos de incerteza de um povo podem ser percebidos nas obras daqueles que dedicam suas vidas à expressão de suas próprias capacidades criativas. O artista mesmo, com poucas exceções, em geral não é consciente de que suas criações são uma parte necessária e valiosa do desenvolvimento de toda a humanidade. Vive e trabalha à ordem da sua fantasia. Está satisfeito enquanto pode seguir o impulso interno que o conduz à expressão.
Quando observamos o rumo ou tendência da arquitetura moderna, da pintura e da música moderna, das diferentes nações do nosso globo terrestre, ficaremos impressionados com a similaridade dessas tendências. Nós nos veremos obrigados a admitir que universalmente o harmônico e o grotesco se revelam a si mesmos. De um modo geral podemos dizer que todas essas tendências têm muito em comum. A Arte mais moderna demonstra que as fontes profundas, ocultas, estão perturbadas e que as imagens do bom, do verdadeiro e do belo não são claramente concebidas e transmitidas.
Temos que chegar à conclusão de que, no esforço de um ser humano para criar algo e sensacional, ele exibe sua própria imagem interna, estranha e pessoal, em vez de usar as verdades espirituais que estão à sua disposição, em seus esforços de criação.
Em nossas próprias atividades devemos ser capazes de seguir as tendências originais, próprias, sempre que isso seja possível. Em nossos jardins, na ordem das nossas casas, ao servir nossas refeições ou até na seleção dos nossos quadros, nas cores das nossas roupas; em todas essas coisas devemos seguir nosso gosto individual. Existem bons livros sobre a apreciação da Arte. Devemos dedicar tempo e meditação a estudá-los.
Ao tecer os fios confusos das nossas vidas temos não somente a Lei de Causa e Efeito à nossa disposição, mas podemos sempre, dentro de certos limites, usar a Epigênese para realizar alguma obra original, alguma expressão singular. A possibilidade de originalidade é a espinha dorsal da evolução do ser humano.
Nos Ensinamentos Rosacruzes aprendemos que existe uma força dentro do ser humano em evolução que é o que torna possível o desenvolvimento. Essa força subministra algum campo para nossa capacidade criadora.
Como o expressa tão bem o poeta: “O problema maior de toda arte é produzir, por meio das aparências, a ilusão de uma realidade mais sublime” (Goethe).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1974 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.T.: Inferno: notas Canto XIV – da obra A Divina Comédia de Dante Alighieri
Vejamos a tabela abaixo e note a relação entre: Elementos da Música, Triplicidade de Deus (Santíssima Trindade), Aspectos ou Atribuições de Deus e a principal Expressão de cada Atribuição:
| Elementos da Música | Triplicidade de Deus | Aspectos de Deus | Expressão |
| 1 – Melodia | Pai | Vontade | Inteligência |
| 2 – Harmonia | Cristo | Amor | Sentimento |
| 3 – Ritmo | Jeová | Atividade | Movimento |
A melodia, o mais elevado poder da música, inclui razão, intelecto e julgamento. Quando a harmonia e o ritmo se unem e se divorciam da melodia, temos uma sucessão de tons não dirigidos pela inteligência, que despertam os sentimentos (harmonia) e se expressam em uma série de movimentos (moções) giratórios, fora da realidade e sensuais. Isso pode levar à forma mais baixa de excessos emocionais (atividade), alguns dos quais o regente de banda de jazz, Benny Goodman[1], descrevia como o tipo de indivíduo que chuta o que encontra pela frente; o tipo valentão que arremessa garrafas, que grita, que parece ter a doença de São Vito[2]; quando os pés sapateiam fora do tempo e os braços se sacodem com o ritmo, girando como um moinho de vento em um furacão; e a histeria das massas, um tipo de pesadelo – e tudo como reação da música que está sendo tocada em algumas de nossas escolas, na maioria das vezes em lugares públicos e universalmente nos salões de dança.
Exatamente aqui se situa a forma de música enervante (que reduz o vigor da força mental ou moral) mencionada por Platão, como um perigo para o futuro de qualquer nação. O Sr. Goodman mencionava, particularmente, como quando Ziggy Elman[3], ao soprar em seu trompete “uma nota aguda e prolongada que penetrava na pessoa, lhe arrepiando a espinha”, fazia os dançarinos perderem o autocontrole, e quando Gene Krupa[4] produzia uma série de notas em sua bateria, semelhantes a uma metralhadora, eles agitavam seus olhos esbugalhados e começavam a sacudir freneticamente a cabeça e os braços.
Do ponto de vista físico, há um grande perigo em tocar uma nota prolongada e aguda em um instrumento.
Cada pessoa tem sua própria nota-chave localizada na parte inferior detrás da cabeça, na base do cérebro. Se essa nota for tocada lenta e calmamente, ela construirá e descansará o Corpo, tonificará os nervos e restaurará a saúde. Se, por outro lado, se esta nota-chave for tocada de uma maneira dominante, barulhenta e prolongada, ela matará, do mesmo modo que uma bala disparada de uma arma; portanto, em uma multidão, existe sempre o perigo de ser tocada uma nota aguda, dominante e prolongada em qualquer instrumento; e o contínuo ruído das explosões de jazz nos tímpanos das crianças, provavelmente, desenvolverá uma raça de neuróticos.
Notemos que a chamada música “jazz” é uma profanação da força de Cristo (harmonia) e da egoística energia criadora (ritmo). A primeira profanação da força Jeovística ocorreu durante a Época Lemúrica e é designada como a “Queda do Homem”. Esse desvio do caminho da evolução, projetada e apresentada por Jeová foi causado pelos Espíritos Lucíferos (prestemos atenção) que se revelam e evoluem por meio da intensidade do sentimento. A natureza de uma emoção não lhes é tão essencial como a intensidade, de acordo com seu propósito. Portanto, eles excitam as paixões humanas de natureza inferior, que são mais intensas em nosso estágio atual de evolução do que os sentimentos de alegria e amor.
Consequentemente, esses seres não hesitam em profanar ambas as forças de Deus, do amor (Cristo) e as da vida (Jeová), para realizar seus propósitos. Eles são hábeis ao apresentarem, inteligentemente, discórdias dissimuladas em nossa música, e enfatizando-as com instrumentos de sons altos e barulhentos como corneta, trompete, trombone, saxofone, bateria e outros. Quando conseguem introduzi-las, vemos sua influência nefasta se manifestando em todos os lugares. Em nossa literatura, encontramos essas dissonâncias mostradas nas formas de sexo e em todos os tipos criminosos de histórias excitantes; na pintura, em figuras distorcidas e grotescas de todos os tipos; na escultura, a nudez desnecessária retratando toda sorte de incongruências. A beleza, habilidade artística e estética, em todos os lugares induzindo para o mau gosto e indo para o lado grosseiro – muitas vezes se aproximando da verdadeira vulgaridade, na forma mais baixa de indecência.
À medida que a visão espiritual do ser humano se torna mais clara e sua vontade individual mais forte, ele vai, gradualmente, se libertando da influência dos Espíritos Lucíferos e se alinhando com a força de Cristo, que é o Amor. Então, a Vontade (melodia) e o Amor (harmonia) desenvolverão a Atividade (ritmo), um novo poder (Epigênese), cuja força promoverá o progresso espiritual do ser humano com uma rapidez até agora desconhecida. Os Espíritos Lucíferos percebem que a humanidade, por meio do poder combinado da Vontade e do Amor, será capaz de se libertar de suas influências e do seu controle parcial.
Eles sabem, também, que o corpo do ser humano é construído e sustentado pelo poder da música. Agora, se os seres humanos podem perverter essa música até ao ponto em que desordene seu Corpo Denso por meio do sistema nervoso, não sendo mais capaz de obter a quantidade necessária da essência da Alma Consciente para desenvolver seu poder de vontade, esses seres podem continuar a retê-lo em parcial servidão e usá-lo para seu próprio benefício; e isso é, exatamente, o que eles têm feito. Esses seres não têm qualquer desejo de prejudicar a humanidade, mas como precisam dos corpos dos seres humanos para trabalhar, não pretendem liberá-los enquanto necessitarem desses veículos e tiverem o poder de dominá-los. Aqueles que aceitam a chamada nova “música” e permitem que ela penetre neles, são os que terão seu desenvolvimento espiritual atrasado.
Aqueles que se recusam a aceitá-la e permanecem fora de sua influência, o quanto for possível, terão seu progresso espiritual pouco ou nada prejudicado. Os que são responsáveis pela produção dessa chamada “música”, e aqueles cujos nervos se tornaram irremediavelmente alterados por ouvi-la, serão permitidos a irem para a guerra como soldados e enfermeiras a fim de serem afastados das atuais condições terrestres e lhes dar uma oportunidade futura para recomeçar a vida em um ambiente melhor. Os Espíritos Lucíferos, através da desobediência absoluta ao plano cósmico, malograram enormemente seu Esquema de Evolução, e agora estão aproveitando todos os meios possíveis para reaver seu estado perdido.
Toda essa informação foi dada à humanidade por meio dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, e uma libertação do domínio de Lúcifer é oferecida a todos por meio do desenvolvimento do poder de amor de Cristo e de sua união com a vontade do Pai, ambos encontrados, como réplica, em toda a humanidade. Relembremos que o “Conceito Rosacruz do Cosmos”, o livro dado à humanidade pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz que, dirigidos pelo Arcanjo Cristo, estão incumbidos da atual evolução da humanidade, e este livro foi miraculosamente espalhado pelo mundo, e que está disponível para todos que estejam prontos para receber as verdades reveladas nele.
A Vontade melódica do Pai, unindo-se com o Amor harmônico do Cristo tem o poder de produzir uma ativa vibração rítmica, cuja força não pode ser detida e nem seu objetivo desviado, pois é essa mesma energia manifestada pelo Deus de nosso Sistema Solar que trouxe tudo o que “É” como criação, e tem o poder de levar tudo ao Caos a qualquer momento que Ele o desejar. Portanto, é absolutamente impossível para qualquer das criações de Deus, das mais avançadas em Suas Ondas de Vida até as mais jovens em evolução, definitivamente frustrar o pleno desenvolvimento de Seus planos, pois eles são tão eternos e inabaláveis em Seus processos como o é Deus em Si mesmo.
É possível, no entanto, que membros de uma determinada Onda de Vida, ou mesmo indivíduos dela, se rebelem e, consequentemente, frustrem seu próprio progresso evolutivo, apesar de toda a assistência que lhes está sendo dispensada por aqueles que são mais sábios e mais avançados que essa Onda de Vida. Em tais casos, os responsáveis por essa evolução, às vezes, permitem que esses seres prossigam e destruam seus próprios corpos físicos por sua própria desobediência, causada pela própria ignorância dos resultados benéficos obtidos por meio da administração divina; tudo isso acontece para que possam retornar à Terra em uma data futura, sob uma influência melhor e um ambiente mais aperfeiçoado, isento de todo ódio e do desejo de destruir seus semelhantes. Essas mudanças são realizadas no Purgatório[5], por agentes benfeitores, purificadores e ativos.
Quando uma Onda de Vida, uma nação, uma comunidade ou mesmo um indivíduo se esforçam ao máximo para seguir o exemplo do Cristo, manifestando Seus preceitos em suas vidas diárias, todos podem ficar certos de que as coisas necessárias para ajudar no seu próprio desenvolvimento, sejam, aparentemente boas ou más, virão até eles. Se as lições são aprendidas e praticadas corretamente resultarão em um bem inestimável e num efeito benéfico, não só para si próprio como também para as pessoas que se relacionam nas suas vidas diárias.
Todas as condições no mundo de hoje estão sendo levadas a mudanças enormes, tão grandes em sua magnitude que quase não podem ser concebidas por nossa atual consciência limitada. Mais duas sub-Raças vão evoluir e cada uma irá trilhar seu próprio percurso, que será curto; os preparativos já começaram para o desenvolvimento dos precursores da sexta grande Raça, cujo aumento de consciência, desenvolvimento físico e mental, e surpreendentes realizações espirituais os colocarão na dianteira dos super-seres humanos da Terra. Então, um grande continente certamente emergirá do leito do Oceano Pacífico, cuja vastidão, beleza tropical e abundância material que não podem ser concebidas e nem imaginadas pelo atual ser humano mortal.
Como existe uma razão definida entre a quantidade de terra e de água a ser mantida para que a Terra preserve seu equilíbrio gravitacional, será necessário que certa quantidade de terra imerja no oceano para equilibrar o que emergiu dele. Essa terra levará consigo muitos de seus habitantes, que se envolveram na materialidade e tal método terá que ser aplicado para quebrar essa condição cristalizada e adaptar o ser humano para um crescimento futuro. No entanto, nada é perdido no Reino de Deus. Os atrasados e mesmo fracassados poderão retornar, pois tão generoso é o Criador que, na plenitude do tempo, Ele reúne até mesmo aqueles desafortunados e os ajuda a começar, novamente, em um ambiente apropriado sob a direção de grandes Seres que, com infinita paciência tomaram a seu cargo a tarefa hercúlea de redimir e reconstruir aquilo que parecia estar perdido.
Antes de prosseguirmos, é conveniente explicar algo do processo de criação em relação ao nosso Sistema Solar, como foi revelado pela Ordem Rosacruz, que diz o seguinte: o Deus do nosso Sistema Solar criou sete regiões distintas, nas quais Ele está conduzindo a evolução de todas as coisas criadas por Ele. Os nomes dessas regiões (dito Mundos), começando com os primeiros desenvolvidos são: o Mundo de Deus, o Mundo das Espíritos Virginais, o Mundo do Espírito Divino, o Mundo do Espírito de Vida, o Mundo do Pensamento, o Mundo do Desejo e o Mundo Físico. O Mundo do Pensamento é dividido em duas partes: Região do Pensamento Abstrato e Região do Pensamento Concreto. O Mundo Físico também tem duas divisões: Região Etérica e Região Química.
O Deus do nosso Sistema Solar cria Ondas de Vida que consistem em um incontável número de Espíritos Virginais e classificados por Ele de acordo com a época em que foram criadas. O nome da primeira Onda de Vida criada por Ele é Áries, a segunda Touro, a terceira Gêmeos, a quarta Câncer, a quinta Leão, a sexta Virgem, a sétima Libra, a oitava Escorpião, a nona Sagitário, a décima Capricórnio, a décima primeira Aquário, e a décima segunda Peixes. Esses mesmos nomes são, também, usados no Zodíaco, mas se referem a um esquema de criação totalmente diferente. As mencionadas Ondas de Vida dos seres estão espalhadas pelos sete Mundos. A décima segunda Onda de Vida, a Pisciana, é composta da nossa atual humanidade, e quando habitam os Corpos Densos se encontram no Região Química do Mundo Físico. O tempo necessário para prosseguir o trabalho de certas fases da evolução é dividido em Períodos: o Período de Saturno, seguido do Período Solar, Período Lunar, Período Terrestre, Período de Júpiter, Período de Vênus, e por último, o Período de Vulcano, que é seguido por uma Noite Cósmica de repouso.
[1] N.T.: Benjamin “Benny” David Goodman (1909-1986) foi um clarinetista e músico de jazz norte-americano.
[2] N.T.: Coreia reumática de Sydenham (do grego khorea, dança) ou a dança de São Vito é um distúrbio neurológico que afeta a coordenação motora de 20 a 40% dos portadores de febre reumática; mais frequente entre meninas e/ou crianças e adolescentes.
[3] N.T.: Harry Aaron Finkelman (1914-1968), mais conhecido pelo nome artístico Ziggy Elman, era um trompetista de jazz americano, associado a Benny Goodman, embora também liderasse seu próprio grupo conhecido como Ziggy Elman e Sua Orquestra.
[4] N.T.: Gene Krupa (1909-1973) foi um influente baterista de jazz e compositor estadunidense, famoso por seu estilo enérgico e extravagante.
[5] N.T.: Localizada nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo.
(leia mais no Livro A Escala Musical e o Esquema de Evolução – Fraternidade Rosacruz)
A relação do ser humano com Cristo e com o mundo é um tema abordado no Evangelho Segundo São João, capítulo 15: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim não der fruto ele corta. E tudo o que dá fruto, limpa para que produza mais frutos ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir frutos de si mesmo, se não permanecer na videira, assim nem vós o podeis dar se não permanecer em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora à semelhança do ramo e secará, e o apanham, lançam no fogo e queimam”.
Mas, como se dá essa relação? Consideremos, primeiramente, que o universo é como um todo harmônico. Se uma célula do nosso corpo tivesse consciência individual ela nos veria como um universo, isto é, como um conjunto regido por lei imutáveis, perpassado e vivificado por energias em fluxo constante.
No livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” Max Heindel se refere a Deus afirmando: “É uma verdade literal que n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, porque ninguém pode existir fora das grandes inteligências que, com sua vida, interpenetram e sustentam os Mundos”. Então, todos os seres da Criação, independentemente da Onda de Vida a que pertençam, indissoluvelmente ligados a esse processo cósmico, em que recebem e irradiam energia.
Nós, seres humanos, recebemos particularmente a energia que o Cristo difunde nesse Planeta e a irradiação nas mais variadas formas. Ora, o que mantém os ramos de uma videira vivos e capacitados a produzir frutos é o fato de a ela os ramos estarem ligados e dela receberem a seiva vivificadora. Sem esse fluxo vital os ramos não produzem frutos. Mas, com o tempo secam e acabam morrendo. Analogamente, podemos considerar o Cristo como sendo a videira e a humanidade são os ramos a ela ligados. A chave da questão chama-se consciência. Nosso grau de consciência indica em que grau estamos ligados à videira, ou seja, ao Cristo.
Mas não estamos ligados ao Cristo, sabendo-se que Ele assumiu a regência e a salvação do nosso Planeta? SIM, porém há uma diferença entre estar em Cristo e estar ligado ao Cristo. Estar ligado ao Cristo é estar consciente desse fato e viver de acordo com ele. É fazer-se sensível e receptivo aos desígnios divinos, tornando-se um canal por onde possam fluir as bênçãos Crísticas. Um cano d’água está ligado ao reservatório através de todo o sistema hidráulico. Quando a água flui pelo cano, é o primeiro a molhar-se, ou seja, a beneficiar-se. Agora, se o registro permanecer fechado a água não circulará. O destino da água é abastecer a população, irrigar o solo, dessedentar animais, levando vida a todas as paragens. Isso é produzir frutos. Se tal não ocorrer, o cano será um elemento inútil, podendo ser retirado e lançado ao lixo. Quando a vida de uma pessoa se harmoniza com o Divino Plano da Evolução, ela está ligada ao Cristo e produz frutos.
(de Gilberto A. V. Silos – Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Como todos os símbolos que temos, os significados da cruz são muitos. Um deles é que ela é o símbolo oculto da vida humana em sua relação com as correntes vitais.
Ou como disse Platão: “A Alma do Mundo está crucificada”. Ou seja, no Mundo Físico temos Quatro Reinos de vida ou Ondas de Vida que estão representados na cruz: Mineral, Vegetal, Animal e Humano.
O Reino Mineral constitui-se de todas as substâncias químicas, qualquer tipo que seja; assim, a cruz feita de qualquer material dessa Região Química é o símbolo desse Reino.
A parte inferior da cruz é o símbolo do Reino Vegetal, porque tem as suas raízes na Terra química e porque os Espíritos-Grupo que dirigem os seres do Reino Vegetal estão no centro da Terra de onde enviam as correntes espirituais em direção à periferia da Terra.
A parte horizontal da cruz é o símbolo do Reino Animal, porque sua espinha dorsal é horizontal e por ela passam as correntes espirituais dos Espíritos-Grupo que dirigem os animais, e que tem uma direção circundante à Terra.
A parte superior da cruz é o símbolo do Reino Humano, porque o ser humano é um ser vegetal invertido.
Senão vejamos:
Outro significado da cruz é a sua representação como o conflito entre as duas naturezas aludidas por São Pedro em sua Primeira Epístola (2:1): “Eu vos rogo que vos abstenhais dos desejos carnais que lutam contra a alma.”.
Nesse sentido, são muito significativas as palavras de Cristo que temos no Evangelho Segundo São Mateus (16:24): “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”.
Para muitos parecem dura essas palavras. Muito mais duro, porém, será de ouvir aquela sentença final: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno” (Mt 25:41).
Pois a orientação do Esquema de Evolução traçado pelo nosso Pai e Criador, Deus do nosso Sistema Solar, é clara: uma vez conquistado, dominado e aprendido a trabalhar conscientemente com o material químico da Região Química do Mundo Físico, devemos partir para a Região Etérica do Mundo Físico.
Já alcançamos o nadir da materialidade, o ponto mais denso da Região Química do Mundo Físico, e conquistamos a Região Química do Mundo Físico, ainda lá na segunda fase da Época Atlante (hoje já estamos na Época Ária).
Para isso, devemos nos desapegar de tudo que tenha a conotação de posse material, de egoísmo, de ignorância, de preguiça, de desperdício, de foco nessa Região Química do Mundo Físico.
Em outras palavras, saibamos ou não já cumprimos a nossa missão de descida dos Mundos suprafísicos para essa parte do Mundo Físico, qual seja:
Agora é tempo de voltar para o Pai. Esse tempo foi anunciado por Cristo, nosso único Mestre e Salvador há mais dois mil anos atrás.
E o que significa voltar?
Significa entrar numa nova etapa da evolução, agora na direção “para cima e para frente”.
Aprendendo, daqui:
Caso insistamos em nos manter voltados para esse Mundo material, perdendo totalmente o interesse em construir o Corpo-Alma (por meio da insistência de permanecemos em egoísmo maldade e desperdício), então ouviremos a sentença final expressa no Evangelho Segundo São Mateus (25:41): “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno”. Quando da volta do Cristo em seu Corpo Vital, Ele espera cada um de nós com o Corpo-Alma construído e nele funcionando conscientemente. Essa sentença que lemos acima no Evangelho, simplesmente, significa perder toda a chance de evolução nesse Esquema de Evolução atual e ter que esperar o próximo Dia de Manifestação num cone sombrio de uma Lua qualquer.
Sabendo das dificuldades que uma Onda de Vida tem de se desvencilhar dos costumes cristalizados, quando da sua imersão no Mundo mais denso que teve que ir, foi nos dada, e continua sendo, muita ajuda, exemplos de vida e motivação para podermos soltar as amarras que nos prendem nesse Mundo de ilusões.
Tomar a nossa Cruz é assumir a responsabilidade e a atitude de voltar à casa do Pai. É ser o Filho Pródigo, aquele da Parábola que podemos ler no Evangelho Segundo São Lucas (15:11-32), no seu retorno à casa do Pai:
“Disse ainda: “Um homem tinha dois filhos. O mais jovem disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando todos os seus haveres, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua e ali dissipou sua herança numa vida devassa. E gastou tudo. Sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região, que o mandou para seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E caindo em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda ao longe, quando seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos seus servos: ‘Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois, este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!’ E começaram a festejar. Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde’. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu a seu pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado!’ Mas o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois, esse teu irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!’”.
A dificuldade está em continuar vivendo nessa Região Química do Mundo Físico, estando aqui, aprendendo os milhões de lições que ainda temos a aprender, mas não ser mais desse Mundo (“estar no mundo, mas não ser do mundo”), não o ter como fim da nossa existência, como objetivo da nossa vida a busca da felicidade nesse mundo.
É comum falar de um sofrimento, de uma limitação física ou de uma dura experiência como uma “cruz que se carrega”. Em certo sentido a comparação é exata, principalmente se a aflição foi causada por outra pessoa.
Nesse sentido podemos citar o sofrimento do Cristo pela humanidade, que levou na Cruz todos os pecados, todas as maldades, todo o egoísmo do mundo de então.
Quando Cristo disse que: “tome sua cruz e siga-me” está nos chamando para assumirmos as nossas limitações, as nossas imperfeições. Não é um trabalho suave. Romper com as próprias fraquezas exige um esforço hercúleo. Os apelos do mundo são mais envolventes que o chamamento espiritual.
Está nos dizendo para pararmos de dissimularmos, de utilizar a nossa Personalidade como máscara, achando que estamos enganando a todos, escondendo, dentro de nós, toda a podridão que existe.
A hipocrisia, a avareza, o egoísmo, a mentira, a astúcia, a ignorância são as barreiras que os impedem de caminhar na direção correta.
Preferimos esconder tais vícios achando que ninguém está vendo e que podemos utilizar tais “ferramentas” a nosso bel prazer.
Tomando a nossa cruz estamos dizendo que aceitamos aprender aquilo que planejamos aprender nessa vida; que aceitamos nossas imperfeições – sabendo que tanto aquilo que aceitamos aprender como as nossas imperfeiçoes fomos nós mesmos que escolhemos no Terceiro Céu quando estávamos nos preparando para renascer aqui –; que estamos conscientes que aquilo que agora não temos podemos conseguir no futuro. Afinal, não é dito que: “aquele que compreende a própria ignorância deu o primeiro passo para o conhecimento”?
Outro significado é a indicação do caminho do verdadeiro Aspirante à Vida espiritual. Mostra-nos que, cada um de nós, como um Ego humano (um Espírito Virginal manifestado aqui), está crucificado na matéria, seja Física, Etérica, de Desejos ou Mental. Essa crucificação turva nossa consciência nesses Mundos e como sofremos por não podermos atuar nesses Mundos como queremos. A ilusão imposta por essa crucificação resulta em todos os sofrimentos pelos quais passamos.
Já a inscrição colocada na cruz de Cristo nos indica o Aspirante à vida superior crucificado. INRI, traduzida erroneamente como Iezus Nazarenus Rex Iudeoros, contém um simbolismo muito mais forte do que isso. Representa o ser humano composto, o Pensador, no momento de seu desenvolvimento espiritual, quando começa a se libertar da cruz de seu Corpo Denso.
Senão vejamos:
Assim, o ser humano, Aspirante a vida Superior, no momento que começa a se libertar da cruz desse seu Corpo Denso inicia esse processo:
Por que então tememos tomar a cruz pela qual se caminha ao Reino do Céus?
Que As Rosas Floresçam Em Vossa Cruz