Resposta: O significado das palavras de Cristo depende, obviamente, da interpretação da palavra “mundo”. Se por essa palavra entendemos toda a Terra, pode ser correto enviar missionários para países estrangeiros; mas, a Bíblia nos diz que os Discípulos, aos quais essa ordem foi dada, retornaram após terem cumprido sua missão, mostrando que a palavra empregada nessa ordem não poderia se referir a toda a Terra. Nesse contexto, a palavra “mundo” deveria ter recebido a interpretação “de um grupo de pessoas com uma identidade coletiva, que são organizados de alguma forma com relações sociais e políticas institucionalizadas”, que também pode ser encontrada em alguns dos nossos dicionários com outros ignificados. Na época de Cristo, as pessoas não conheciam o mundo todo. Ainda hoje encontramos o cabo mais ocidental da Espanha, chamado Cabo Finisterra – o fim da Terra. Portanto, esse termo, na época em que Cristo pronunciou a sua ordem, não poderia ter incluído toda a Terra tal como a conhecemos hoje. Assim, a declaração não é contrária aos ensinamentos bíblicos. É errado enviar missionários para as pessoas que chamamos de “pagãos”, pois, o desenvolvimento delas ainda é tal que elas não conseguem entender uma Religião que prega o amor ao próximo, uma Religião que nem nós ainda não aprendemos a colocar em prática. Além disso, se os grandes Anjos do Destino[2], que são responsáveis pela nossa evolução, são capazes de avaliar as nossas necessidades e colocar cada um no ambiente onde possa encontrar as influências mais proveitosas ao seu progresso, devemos acreditar, também, que eles deram a cada povo a Religião mais apropriada para o desenvolvimento dele. Portanto, quando uma pessoa é colocada num país onde a Religião Cristã é ensinada, essa Religião possui o ideal pelo qual ela deve lutar, mas tentar impô-la a outras pessoas que foram colocadas numa esfera diferente é estabelecer o nosso julgamento acima do julgamento de Deus e de Seus ministros, os Anjos do Destino. Entretanto, como foi dito, os missionários Cristãos causaram pouco prejuízo às pessoas que eles visitaram, mas poderiam ter feito melhor se permanecessem em casa. Não precisamos nos afastar de casa para encontrar pagãos que necessitam dos ensinamentos bíblicos. O professor Wilbur L. Cross[3] de Yale menciona, por exemplo, que numa classe de quarenta alunos ninguém pode identificar Judas Iscariotes; que ele tinha um aluno judeu que jamais ouvira falar de Moisés e que, em resposta a uma pergunta relativa à natureza da obra “O Peregrino – A Viagem do Cristão à Cidade Celestial”[4], a melhor resposta conseguida é que isso foi a base da história da Nova Inglaterra. Se os missionários tivessem entrado em contato com esses pagãos, talvez pudesse fazer algo de bom.
No entanto, mais danos são causados quando o oriente envia seus missionários para cá a fim de nos converter ao hinduísmo e Religiões afins, pois frequentemente esses hindus ensinam exercícios respiratórios que podem causar insanidades ou tuberculose, pois nossos Corpos Densos ocidentais não estão preparados para tais práticas. É mais seguro permanecer na Religião do nosso lugar ocidental, estudá-la e praticá-la, deixando os outros povos o privilégio de fazer o mesmo com relação as suas próprias Religiões.
(Pergunta nº 118 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Mc 16:15
[2] N.T.: também chamados de Senhores do Destino, Anjos Relatores, Anjos Registradores, Anjos Arquivadores
[3] N.T.: Wilbur Lucius Cross (1862–1948) foi um crítico literário americano e professor da Universidade de Yale que serviu como o 71º governador de Connecticut de 1931 a 1939.
[4] N.T.: Ou “The Pilgrim’s Progress” é um livro alegórico cristão de 1678 escrito pelo inglês John Bunyan. É considerado uma das obras mais significativas relacionadas às práticas teológicas e religiosas na literatura inglesa. O jovem peregrino chamado simplesmente Cristão, atormentado pelo desejo de se ver livre do fardo pesado que carrega nas costas, segue sua jornada por um caminho estreito, indicado por um homem chamado Evangelista, pelo qual se pode alcançar a Cidade Celestial. Na narrativa, todas as personagens e lugares que o peregrino depara levam nomes de estereótipos (como: Hipocrisia, Boa-Vontade, Sr. Intérprete, gigante Desespero, A Cidade da Destruição, O Castelo das Dúvidas, etc.) consoante os seus estilos, características e personalidades. No ínterim, surgem-lhe várias adversidades, nas quais ele padece sofrimentos, chegando a perder-se, ser torturado e quase afogar-se. Apesar de tudo, o protagonista mantém-se sempre sóbrio, encontrando auxílio no companheiro de viagem Fiel, um concidadão seu. Mais adiante na trama, Fiel é executado pelos infiéis da Feira das Vaidades que se opõem à busca dos dois peregrinos. Contudo, Cristão acha um outro companheiro, chamado Esperança, que mais tarde lhe salvará a vida, e eles seguem a dura jornada até chegarem ao destino almejado. A obra é uma alegoria contada como se fosse um sonho, voltando-se sempre a extrair dos eventos narrados alguns ensinamentos bíblicos, nos moldes das parábolas bíblicas.
Há mais de dois mil anos, uma mulher enlutada chorou na porta de um sepulcro vazio, e seu lamento foi este: “Eles levaram o meu Senhor e eu não sei onde O colocaram” (Jo 20:13). Angústia de coração e alma, perplexidade e até mesmo rebelião ecoaram na frase simples; e essas palavras são ecoadas por muitos corações sinceros e amorosos na Cristandade de hoje.
Onde está o Cristo? Qual é a importância da figura central na história do Evangelho? A Bíblia está sendo desacreditada e desaprovada pelos, assim chamados, críticos e estudiosos que, em sua cegueira total, chegaram à conclusão de que a história de Cristo Jesus é um mito adequado apenas para aqueles cujo intelecto permanece comparativamente subdesenvolvido. Não podemos culpá-los totalmente por superestimarem, como fazem, as reivindicações da vida mental. Eles ainda têm alguma justificativa para suas decisões, quando consideramos a teologia irracional que, desde a infância, aprenderam a aceitar como “Religião”.
Nós, Estudantes Rosacruzes ativos, que sentimos que escapamos dessa escuridão, conhecemos bem a natureza irreconciliável de muitos dos princípios da ortodoxia. Deus, nosso criador, a quem devemos orar, aparentemente é um “Pai irado” que, em outra época, teria destruído a Humanidade, não fosse pela intervenção do Seu Filho – Cristo – a quem Ele permitiu que sofresse em nosso lugar. Não é de se admirar que a Mente racional do ser humano se revolte contra essa e outras concepções semelhantes!
Mas porque as pobres imaginações e interpretações de alguns seres humanos nos decepcionaram, estamos justificados em nos afastar da figura calma e serena de Cristo Jesus, que é “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13:8)? No entanto, é verdade que muitos, de coração partido e decepcionados, buscaram alimento espiritual e encorajamento nos ensinamentos de outras Religiões; as filosofias do Oriente os impressionaram com suas riquezas inesperadas e confirmaram a unidade fundamental de todos os modos de adoração; a sabedoria acumulada de eras foi saqueada para fornecer uma solução para os problemas atuais. No âmago do coração de todos esses buscadores, há um sentimento não confessado de solidão espiritual e incompletude e, ainda assim, algum poder maravilhoso e invisível parece mantê-los meio inconscientemente ligados à Religião da sua infância. Se eles não acreditam mais no Mestre, Cristo, que magnetismo estranho e imorredouro é esse que ainda permanece no próprio título, “o Cristo”?
Os críticos podem ter removido o Corpo de Jesus, mas ainda não descobriram o Cristo Jesus, Ele que “vive, esteve morto e está vivo para todo o sempre” (Apo 1:18). O mundo precisa de uma nova luz sobre as verdades fundamentais da verdadeira Religião Cristã que longe de ser uma fé do passado, nós, Estudantes Rosacruzes, temos certeza de que é a Religião do futuro.
Aproveitemos para mostrar que uma interpretação verdadeira e profunda, embora simples e satisfatória, do Cristianismo pode ser encontrada nos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz – os Ensinamentos Rosacruzes ou Ensinamentos da Sabedoria Ocidental –, uma abordagem que satisfaz não apenas o nosso intelecto, mas também o nosso coração. Aqui não é o lugar para falar da história desta Fraternidade Rosacruz, nem para apresentar suas credenciais. Apontemos um breve esboço de um grande assunto, sabendo que aqueles que são verdadeiramente sérios preencherão os espaços por si mesmos. Pois a Filosofia Rosacruz não consiste apenas de alguns fatos nem de uma mera plausibilidade superficial, mas de um sistema enorme e compacto de pensamento inspirado, um tesouro inesgotável de verdades que são as chaves mestras para a compreensão do mundo e da vida do ser humano que nesse mundo vive.
Será prontamente admitido que o enorme assunto que estamos considerando pode ser apenas tocado, mas antes mesmo que isso seja feito será necessário mencionar alguns dos mais importantes Ensinamentos Rosacruzes.
Aprendemos pelos Ensinamentos Rosacruzes que o Universo (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo) são ambos construídos sobre o princípio setenário. O Universo em si consiste em sete Planos – os Planos Cósmicos –, no mais elevado, que é o primeiro Plano Cósmico, dos quais habita o Ser Supremo, que surgiu da Raiz incognoscível da Existência.
Dos seguintes seis dos grandes Planos Cósmicos somos inteiramente ignorantes, mas no sétimo Plano Cósmico, o mais inferior dos sete, no quesito vibracional, nosso Sistema Solar evolui, criado por Deus, nosso Criador. Aqui novamente encontramos este Plano dividido em sete Mundos, pois o número sete permeia todas as coisas.
Vamos agora voltar nossa atenção para o Pano Cósmico em que estamos atualmente evoluindo, o sétimo Plano Cósmico. No Mundo mais elevado desse Plano, o Mundo de Deus, habita o poderoso Ser que criou tudo nesse Sistema Solar, inclusive nós, e que guia nossa evolução – em um Esquema, Obra e Caminho de Evolução, também criado por Ele – e com Ele estão sete Grandes Espíritos (também chamados de Ministros de Deus), cada um dos quais preside um dos sete Planetas desse Sistema Solar; eles também são chamados de Espíritos Planetários diante do Trono de Deus. Mas nem esses Planos e nem os Mundos do sétimo Plano Cósmico devem ser abordados como estando um acima do outro fisicamente, mas estão interpenetrados; isto é, este globo material e externo que conhecemos como Terra contém dentro de si seis contrapartes ou correspondentes cada vez mais sutis.
Quando Deus nos criou, dentro d’Ele, criou cada um de nós como um Espírito Virginal e consciente da nossa origem divina, mas não autoconsciente; o objetivo da nossa longuíssima peregrinação, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana, é atingir aquele Poder de autodireção perfeita que é o Plano de Deus. Em direção a esse estado, nós, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, involuímos e evoluímos, com a nossa consciência em constante desenvolvimento, em Globos de densidade variável, do mais puro ao material mais denso (ou de condições de vibração mais sutis a condições de vibrações muito densas), como entendemos o termo. A peregrinação atual é limitada a sete Períodos em um Esquema de Evolução, cada um com sete “subperíodos” dos quais agora atingimos o mais denso e, daqui, começamos a ascender a condições mais sutis. Nós, lá no início desse Esquema de Evolução, à medida que lentamente desenvolvíamos nossos poderes latentes, fomos guiados e protegidos por muitos Seres poderosos, que chamamos de Hierarquias Criadoras, Divinas ou Zodiacais, que estavam, também, aperfeiçoando a própria evolução delas.
Durante o Período Solar desse Esquema de Evolução, um Arcanjo, universalmente conhecido como Cristo, aperfeiçoou Sua evolução ao máximo que um Arcanjo pode alcançar nesse Esquema de Evolução; Sua Consciência foi suficientemente desenvolvida para moldar para Si mesmo dez veículos que, começando no Mundo de Deus, desciam até o Mundo do Desejo, Mundo mais denso após o Mundo Físico, e o Mundo onde os seres da Onda de Vida dos Arcanjos conseguem construir o Corpo mais denso deles, o Corpo de Desejos. No entanto, Ele não podia funcionar visivelmente no Mundo Físico, ou seja, construir um Corpo Vital e um Corpo Denso, sem o auxílio de um ser humano, ou seja, um ser da Onda de Vida humana atual, que fosse suficientemente puro para que Ele pudesse operar através dele. Esse ser humano ficou conhecido, no seu último renascimento aqui, como Jesus de Nazaré.
É durante o Período seguinte, o Terrestre – que é onde nós estamos – que notamos uma grande mudança nas nossas ideias religiosas cruas e infantis. Até então, considerávamos Deus com em uma relação de medo; sem compreender nada da verdadeira natureza de Deus, nós O concebíamos como um tirano severo e cruel, cuja única chance de agradá-Lo era por meio de propiciação e muitos sacrifícios; depois, tentávamos nos aproximar d’Ele para negociar ou barganhar. Cada nação ou povo se aproximava de Deus e Lhe oferecia sua adoração, se Ele lhes desse a Sua proteção especial. Assim, surgiu uma multiplicidade de “Deuses” tribais, “Deuses” dos quais, em troca de adoração e sacrifício, se esperava que se ocupassem exclusivamente com a prosperidade dos povos ou nações específicos sob os cuidados d’Ele. Isso representava um avanço em relação ao relacionamento anterior de nós com Deus, mas estava longe de ser uma condição ideal, pois tínhamos medo de dar algo a Ele, a menos que tivéssemos certeza de receber ampla recompensa em troca. Em resumo: passamos a ser dominado pela Religião de Raça, Religião que se baseava na exaltação de um povo ou nação especial sobre todos os outros povos e nações. Nenhum povo ou nação é mais típica dessa condição do que os judeus, que adoravam a Jeová, “um Deus zeloso”, capaz e disposto a destruir todos os inimigos de Seu “povo escolhido”. Até o nascimento do Cristianismo, essa Religião de Raça, baseada nas Lei Jeovísticas, era a mais elevada conhecida, e seus exemplos mais proeminentes sendo o: Judaísmo, Budismo e Hinduísmo.
A Religião de Raça foi um passo à frente na concepção religiosa, mas seus frutos eram necessariamente práticos e mundanos. Se a nação ou o povo segue as ordenanças do seu Deus particular, ela seria abençoada, mas se não as seguisse, ela seria penalizada. A Humanidade certamente estava sendo ensinada a se sacrificar, mas se sacrificar em troca de recompensa. “Dê tanto e receba tanto” era a fórmula aceita; a ideia de dar e não receber nada, de amar todos os seres humanos, sendo amado ou não em troca disso, era uma ideia muito estúpida para ser contemplada.
E no meio de toda essa agitação, uma criança nasceu para uma nação que era, de todas as nações, talvez, a mais ferozmente racial: o povo judeu.
Ele nasceu “imaculadamente”; isto é, de uma mulher, Maria, pura de toda mácula da sexualidade animal, e de José, um carpinteiro. Ele nasceu na desprezada aldeia de Nazaré, na Palestina, “e lhe deram o nome de Jesus”. Até os trinta anos, pouco sabemos sobre Ele, mas Ele cresceu até a idade adulta, especialmente educado por uma Fraternidade avançada, a dos Essênios, que não pouparam esforços para prepará-Lo para o grande papel que Ele iria desempenhar. Aos trinta anos de idade, uma mudança veio a Ele. Puro, gentil e iluminado, como sempre fora, agora parecia como se um novo Espírito tivesse descido sobre Ele. Essa mudança é a característica mais significativa de Sua vida, pois, de acordo com a Filosofia Rosacruz, deveu-se ao fato de Ele ter sido animado pelo grande Espírito que iria inaugurar um novo ideal religioso, o do altruísmo e da fraternidade.
Foi o Cristo, de quem fizemos menção como o mais elevado Iniciado do Período Solar, um Raio do Espírito Crístico Universal, que agora, pela primeira vez, entrou em contato com a Humanidade que Ele tinha vindo para “buscar e salvar”. Devemos lembrar que o nível mais baixo no qual o Cristo podia funcionar era o Mundo do Desejo, ou o Mundo imediatamente acima do Mundo Físico e, assim, para concretizar Seu propósito de habitar como um ser humano, era necessário que Ele encontrasse um Corpo Denso adequado através do qual pudesse trabalhar. Os veículos mais puros e adequados para o Seu propósito eram aqueles pertencentes ao homem Jesus, e é por essa razão que o Espírito Santo desceu sobre o filho de José e habitou nele.
Durante os três anos de ministério que se seguiram, o Cristo pregou e ensinou o novo evangelho do amor, dizendo: “Ouvistes o que foi dito: olho por olho e dente por dente. Mas eu vos digo: não resistais ao mal” (Mt 5:38-39). Foi inevitável que Ele estivesse imediatamente em desacordo com as autoridades religiosas judaicas, os escribas e fariseus meticulosos e muitas vezes inescrupulosos, que defendiam zelosamente todas as reivindicações do seu Deus de Raça, Jeová, e que ficaram primeiro atônitos, depois enfurecidos, ao ouvir Cristo Se declarar o Filho de Deus. Não era o cúmulo da tolice, ou melhor, da própria blasfêmia, que eles ouvissem Seus ensinamentos, tão opostos àqueles dos quais se consideravam os guardiões? Para eles, Ele era um blasfemador insano, um fanático que buscava minar a Lei, suplicando a Seus ouvintes que amassem seus inimigos e orassem por aqueles que os usavam com desprezo.
A Religião de Raça seria de falto substituída pela Religião do Amor, mas não sem luta, uma luta que, de forma bem sutil, persiste até os dias atuais. A história da Transfiguração nos mostra esse grande evento em forma pictórica. No Monte, com Ele apareceram Moisés e Elias, o grande Legislador e o grande Profeta da antiga Dispensação, respectivamente; mas logo depois eles desapareceram de vista e os Discípulos “não viram qualquer homem senão Cristo Jesus somente” (Mt 17:8 e Mc 9:8). O Espírito de Cristo, por meio da cooperação consciente do homem Jesus, estava enviando um novo impulso de poder e crescimento para ajudar o ser humano em sua jornada rumo a Meta; Ele estava abrindo um novo caminho de progresso para todos seguirem.
A morte do Cristo Jesus é um evento com grande significado do um ponto de vista espiritual. Primeiramente, significou a liberação do Espírito do Sol do Corpo de Jesus; mas significou infinitamente mais do que isso, pois, quando o sangue físico caiu no chão, esse sangue físico trouxe consigo o Corpo de Desejos purificado do Cristo que, entrando na Terra, operou a salvação ao purificar o Planeta de todas as impurezas que se acumularam durante o reinado do Espírito da Raça. Jesus de Nazaré, liberto do seu Corpo Denso, tornou-se o guia invisível para todos aqueles que estão se esforçando para viver a vida ideal, conforme ensinada pelo Cristo.
É difícil para nós compreendermos a tremenda natureza do sacrifício no Calvário, ou discernir a virtude tão discutida do “sangue purificador”, pelo qual Cristo realmente purificou o mundo, entrando em contato íntimo e interior com sua Humanidade ao se tornar Regente da Terra. E o sacrifício não se limitou à hora final, mas se estendeu por todos aqueles três longos anos que o grande e glorioso Espírito do Sol se submeteu, para o nosso bem e por nossa causa, às vibrações tão lentas do Corpo Denso de Jesus.
Pela crucificação do veículo material do Espírito de Cristo na cruz (simbólico das correntes de vida dos três Reinos da Natureza animada) e pela disseminação do Seu Corpo de Desejos puro por toda a Terra, Cristo conquistou Sua morada em cada um de nós e nos abriu a porta do Progresso Eterno através da Comunhão com Ele mesmo. Pois o Cristo Interno não é um mito ou fantasia mística, mas um grande e tremendo fato gerado pelo Seu sacrifício. Um ser humano só pode ser regenerado ao se tornar consciente disso, e ao viver o nascimento e as boas-vindas ao Cristo que habita dentro de si. O caminho para Cristo é através da vida Crística do Sacrifício e não há outro caminho.
Dizem-nos que aos olhos de Deus mil anos são como ontem, e estamos bem cientes do crescimento lento, mas seguro, que caracteriza toda a evolução. Há mais de dois mil anos atrás, o Espírito de Cristo veio habitar conosco e nos salvar de nós mesmos. Sua missão é nos libertar dos limites estreitos impostos pelo Espírito de Raça, romper gradualmente as barreiras que o interesse próprio havia erguido entre as nações e os povos, mostrar a insensatez de um patriotismo meramente nacional e, finalmente, romper a barreira entre o nós, o Espírito, e o Espírito de Cristo.
A importância da Sua mensagem está se tornando conhecida apenas gradualmente, mas deve se tornar conhecimento comum na Era que está por vir, a Era de Aquário, a Era da Fraternidade. Já temos a ideia da Organização das Nações Unidas, que espera acabar com a guerra (referindo-se à Primeira Guerra Mundial), uma das armas mais mortais do Espírito de Raça; temos também a noção de uma Liga das Religiões, que visa a remover a amargura que há entre os credos.
O Cristianismo permaneceu e perdurará graças ao poderoso Espírito por trás dele, que jamais nos abandonará. O Cristianismo deve crescer, enquanto o ideal de separação deve diminuir. Isso acontecerá muito lentamente, pois a Religião de Raça é difícil de morrer e luta até o fim.
Não buscamos nenhuma conversão repentina, sabemos que dias sombrios ainda podem estar diante de nós, mas sabemos também que a Humanidade começou sua árdua jornada até o Trono de Deus.
O Cristianismo é a Religião do futuro, mas somente quando estivermos prontos para recebê-Lo é que pediremos ao Espírito do Amor Universal para ser o nosso Rei.
Todo aquele que ordena sua vida pelos Ensinamentos de Cristo está apressando a segunda vinda de Cristo, quando, por meio do poder onipresente do Seu Espírito, todas as guerras e invejas cessarão na Terra.
Esta é a mensagem da Filosofia Rosacruz para todos aqueles que a ouvirem. Ela remete à Maria, que chora no sepulcro, seu Senhor, ressuscitado, glorificado e vivo para sempre. Ela remete a uma Bíblia, à prova contra o materialismo e da crítica, e aberta a todos que a compreenderem. Ela traz de volta os cansados, os céticos e os de coração partido aos próprios pés do Cristo vivo.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
SIGNO: Libra, a balança

QUALIDADE: Cardinal ou consciência dirigida ativa e dinamicamente para o interesse em objetivos específicos.
ELEMENTO: Ar, ou a consciência relacionada com os assuntos sociais e intelectuais. Entre outras coisas, o elemento Ar corresponde aos gases, a Mente e ao Mundo do Pensamento.
NATUREZA ESSENCIAL: Integração
ANALOGIA FÍSICA: Vento
ASTRO REGENTE: Vênus, porque é capaz de expressar suas funções: fácil e livremente quando colocado nesse Signo. Vênus representa a urgência para expressar o amor e a apreciação, para experimentar a consciência da moral, da ética e dos valores estéticos e se esforçar para uma paz, harmonia e beleza maiores.
CASA CORRESPONDENTE: a 7ª Casa corresponde a Libra e representa o desejo para agir baseado nos relacionamentos e comunicações com os outros.
ANATOMIA ESOTÉRICA: representa a Mente Subconsciente.
ANATOMIA EXOTÉRICA: específica: rins, as glândulas suprarrenais, ovários, tubos de Falópio, a região lombar, a pele, os ureteres e o sistema vasomotor. Geral: órgãos reprodutivos internos, glândulas endócrinas.
FISIOLOGIA: Vênus, Regente de Libra, rege a fisiologia do paladar, do olfato, da digestão dos açúcares, amidos e celuloses no corpo, a filtração seletiva das substâncias nos rins, a circulação do sangue nas veias, e a produção de estrógeno e outros hormônios femininos. Vênus também rege o apetite e as funções da glândula timo.
TABERNÁCULO NO DESERTO: simboliza a consciência contida na parte externa do Tabernáculo. Libra é o Signo da balança e através desse Signo o ser humano aprende os trabalhos das Leis gêmeas de Renascimento e Consequência. Ele aprende como a Lei de Causa e Efeito guarda a medida cósmica da justiça e da harmonia em equilíbrio e como, por meio de ciclos de descanso e atividade, progresso e recapitulação, morte e renascimento, o ser humano evolui de um para outro nível.
CRISTANDADE CÓSMICA: A entrada do Sol em Libra marca o tempo quando Cristo toma contato novamente com a Terra física. Também indica Sua tarefa para a estação sagrada que se aproxima: Seu trabalho para restabelecer o equilíbrio das forças que o ser humano insiste em desequilibrar através das atividades discordantes nos seis meses que se passaram (de março até setembro).
MITOLOGIA GREGA: Afrodite, deusa do amor, Eros, Hera e Athena, embora as duas últimas são específicas de Vênus em Libra. Hera foi a deusa do casamento e a deusa da justiça para aqueles que foram vítimas da infidelidade ou da traição. Athena foi a deusa da sabedoria, do conhecimento temperado com amor, a patrona das artes e da guerra contra a injustiça, da iniquidade e de tudo aquilo que procurava escravizar a nobreza humana em direção a luxuria do poder e do engrandecimento.
LIÇÕES A APRENDER: a natureza mutável, algumas vezes, parece que se encontra no sétimo céu em seus entusiasmos e, de repente e sem causa visível, os pratos da balança pendem para o outro lado, e se encontram na mais profunda melancolia e tristeza, como se não tivesse nenhuma amizade no mundo.
Para neutralizar o desenvolvimento de tendências negativas e obter o bem maior a partir das positivas, deve-se cultivar a coragem e a determinação pessoais — a coragem e a determinação pessoais que dão a capacidade de escolher o próprio caminho e segui-lo independentemente da opinião dos outros, desde que esse caminho satisfaça as necessidades pessoais do progresso individual sem prejudicar ou atrapalhar os outros. Entusiasmo e maior espontaneidade nos assuntos da vida diária ajudarão a eliminar a tendência de considerar as tarefas e rotinas diárias como trabalho árduo e monótono, tornando a vida mais feliz e prazerosa.
REGENTE: Vênus é o Regente de Libra. A graciosidade, a sociabilidade, a pacificidade e o amor são permitidos pela liberdade de expressão em Libra.
EXALTAÇÃO: Saturno está em Exaltação em Libra. A demanda de Saturno por respeito, consideração, responsabilidade e consciência dos direitos e das necessidades dos outros é potencializada pelo esforço libriano por harmonizar e equilibrar. Saturno em Libra ajuda a equilibrar a consciência pessoal com a consciência dos outros. Esse é um equilíbrio necessário para se conseguir êxito nas parcerias, no casamento ou em outras relações interpessoais, que estão associadas com Libra por meio da 7ª Casa.
DETRIMENTO: Marte está em Detrimento em Libra e tende a ser contraditório na expressão de sua natureza inata. A iniciativa e a automotivação de Marte normalmente levam à ação necessária para realizar desejos pessoais e se aventura em novos campos sem hesitar, tudo isso visando ampliar os horizontes, as oportunidades e os recursos do indivíduo. Mas a energia de Marte em Libra é colocada sob controle, por assim dizer, e só consegue ir até certo ponto devido à relutância em se desvincular da tendência geral ou em perturbar qualquer harmonia ou equilíbrio previamente estabelecido. Isso pode resultar em certa tensão e estresse internos. Por outro lado, Marte em Libra tende a compensar excessivamente em situações em que não existe uma harmonia razoável, muitas vezes tentando restaurar o equilíbrio e a paz por meio de métodos pouco pacíficos e criando divisões onde a restauração da unidade era pretendida. Mas Marte em Libra também pode fornecer energia e iniciativa muito necessárias à causa da justiça e da igualdade, se canalizadas positivamente por meio do autocontrole.
QUEDA: O Sol está em queda em Libra, indicando que sua capacidade de se expressar tende a ser restrita. O Sol é o símbolo da identidade individual e da autodeterminação, enquanto Libra tende a ver as coisas em termos de relacionamentos com outras pessoas e circunstâncias externas. Assim, pessoas com o Sol em Libra frequentemente se sentem inseguras sobre quais são ou deveriam ser seus próprios objetivos individuais, pois sua sensibilidade aos acontecimentos externos tende a influenciar fortemente suas reações e pontos de vista internos. De forma positiva, o Sol em Libra é capaz de sacrificar interesses egocêntricos e trabalhar pela causa de um maior equilíbrio dentro de um grupo maior de indivíduos.
(Publicado na Revista: Rays from the Rose Cross – outubro/1975 e 1978 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Prosseguindo em nossas explanações por meio de estudos cosmológicos espirituais, voltemos ao Período de Saturno, quando principiávamos a nossa marcha. Nesse Período surgiram os Grandes Luminares, as Hierarquias Criadoras, que estavam acima desse Globo, e que nos auxiliaram por meio da Luz inferente a Seus Corpos, promovendo uma lenta densificação das partículas desse Globo nascente que, posteriormente, transformou-se em Luz. A nossa alimentação nessa época era constituída de calor e, posteriormente, passou a ser Luz. Se aceitarmos tal fato como verdade, teremos que convir, que essa mesma Luz, ainda hoje, nos serve de alimentação.
Não é possível haver vida sem essa Luz que se encontra tanto dentro, como fora de nosso organismo. Não somos mais tão ingênuos a ponto de acreditarmos que o mundo não seja uma expressão da Luz de Deus, pois “Deus é Luz” (IJo 1:5), da qual tudo foi feito, e que se propaga e tem sua eterna existência.
Assim, toda nossa alimentação é um produto da Luz que produz em nós o calor existente desde os primórdios do Período de Saturno. Esse calor se manifesta em nosso sangue sem o qual, nós, o Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), não teríamos possibilidade de manifestação. Lembremo-nos que o calor do sangue é a nossa posição vantajosa em nossos veículos. Os quatro Éteres que fazem parte da constituição do nosso Corpo Vital estão intimamente ligados à nossa existência física densa (ao Corpo Denso), bem como às funções puramente transcendentais.
Assim compreendemos claramente o seu valor cooperante, intrínseco, desde o Período de Saturno (calor sanguíneo), Período Solar (Luz, transformação de calor em Fogo, concordante com o Éter de Vida, Éter Luminoso e com a formação do sistema nervoso) e, finalmente, o Éter Refletor, que traz ao nosso cérebro físico a percepção do Universo fora de nós. Notamos haver, portanto, um alimento concordante com as quatro modalidades de Éteres que sustentam o organismo humano. Através de etapas, de uma aprendizagem pelos Períodos, Épocas e Revoluções, o ser humano, quando atinge o grau de Adepto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, consegue dispensar os alimentos desses Períodos, pois, as forças criadoras passam a atuar nele com todo seu potencial.
Por isso nos torna compreensível que o espiritualista tenha que se abster de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), procurando uma dieta mais natural, concordante com a finalidade que tem em vista. À nossa disposição estão os alimentos vegetais, as frutas, os legumes, verduras, mel, ovos, leites e afins; todos eles fontes excelentes de energias solares.
Podemos, ainda, juntar o seguinte: O Espírito Universal é um alimento perfeito, como bem o expressou Cristo, o Senhor: “Nem só de pão Vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4).
Isso significa que da boca de Deus sai o alento, a Vida que sustenta a todos nós que viemos a este mundo.
Este é o verdadeiro alimento; e outro não há, pois, mesmo apresentando-se sob várias formas e aspectos, o Espírito é “um” e sempre o mesmo. A todo aquele que desejar futuramente habitar nos Céus, ou seja, a Celeste Jerusalém, exorta-se a alimentar-se, desde já, do maná dos céus, isto é, do Espírito.
Deste mesmo Espírito testificam todas as Escrituras Sagradas. Não resta nenhuma dúvida de que aquele que não se alimentar desse “Pão de Vida”, futuramente não terá condições de habitar nas novas condições do próximo Período, pois não será encontrado vestido com suas Vestes Nupciais. Estará, segundo as Escrituras, desnudado.
Expliquemos, portanto, o desenrolar do processo que nos leva a atingir o estágio mencionado por Cristo, com as palavras: “Vós sois deuses” (Sl 82:6). Os deuses vivem no Paraíso, conforme descreve a Bíblia no Gênesis, ao se referir aos seres que constituíam a Humanidade nesta fase, com os nomes simbólicos de Adão e Eva, luzes que existiam antes que o mundo fosse feito, de acordo com as palavras de Cristo em Sua oração sacerdotal. Já mencionamos essa passagem. À Porta desse Paraíso se postam Querubins trazendo em Suas mãos alguns lírios. Isto significa que não podem franquear passagem para esse Reino Celestial àquele que não trouxer em si os lírios espirituais. Aqui não se trata de flores comuns, tampouco de “salvação”, pois já “está salvo” pela Luz Branca e transparente, o que significa que na Alma já não se encontra mácula alguma. Cristo é a Luz e a Porta do Paraíso, no que se vive em perfeita Unidade com o Absoluto. Humanamente não temos outra palavra à disposição para designar o Paraíso, mas temos, internamente, qualidades condizentes com esse estado paradisíaco, conhecido também como a Nova Jerusalém que desce dos Céus para dentro da Alma Humana, conforme as palavras do Apocalipse.
Nesta Nova Jerusalém, o Senhor, a Nova Alma, ceia conosco em uma Mesa, do mesmo manjar. Cristo é Quem nos dá manjar espiritual, na expressão mais exata d’Ele mesmo, quando na Santa Ceia fala aos Seus discípulos com as seguintes palavras: “‘Tomai, comei, este é o meu Corpo“. “E tomando o cálice, dando graças, disse: Bebei todos. Porque isto é o meu Sangue, o Sangue da Nova e Eterna Aliança, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados.” (Mt 26:26, Mc 14:22 e em ICor 11:24).
Se imaginarmos a Santa Ceia em que Cristo presidiu à mesa, e se tivermos um pouco de percepção espiritual, nos será possível encontrar uma ação impressionante, pois o Pão que entregou aos Discípulos não era um pão comum: era a própria Luz que o Senhor entregava. Ele mesmo disse: “Isto é o meu Corpo” – isto é – a Luz Solar, a Luz do Espírito de Vida, a Água da Vida ou Árvore da Vida que estava plantada no Centro do Paraíso, mencionada no Livro do Gênesis e no Livro do Apocalipse. Logo, deve-se compreender que a Luz de Cristo foi derramada abundantemente sobre o pão do qual todos eram transformados pela aliança do Novo Testamento, a Luz das Alturas em que Cristo tem Sua Morada. Aqueles que se dirigem ao Adeptado devem, por ordem espiritual, quando comem, sentir a Presença, a imensa Luz que se derrama sobre eles. Na essência do pão e no suco dos frutos maduros, tomamos como alimento, o próprio Corpo de Deus que é Luz.
No Apocalipse lemos: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” (Ap 22:13). Uma ligeira análise das palavras acima nos mostra a finalidade de Cristo e de todos que estão e estarão aptos a viverem na Nova Jerusalém, que desce do Infinito, e na qual Cristo habita juntamente com a Humanidade. Se configurarmos as palavras “Alfa e Ômega”, entrelaçadas, formando um círculo, isto é, se sobre a letra Alfa, “A”, colocarmos a última letra do alfabeto grego, Ômega (Ω), praticamente não saberemos onde começa nem onde terminam “A” ou “Ω”. Deus não tem começo e nem fim. O Alfa está no Ômega, e vice-versa. Partindo dessas explicações podemos, agora, estudando o capítulo 14, versículo 1 do Livro do Apocalipse, aprendemos que: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham o nome d’Ele e de seu Pai“. No versículo 2 aprendemos que: “Ouvi uma voz de muitas águas, como voz de trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem as harpas“. O que nos surpreende nesses versículos, e aliás em todo o Livro, é a sua construção e a clareza de seus dizeres místicos. Nos últimos dois versículos está explicado que o Pai, o Filho, a Humanidade e o Universo em seu movimento (Atividade), o Espírito Santo, formam, em conjunto, uma grande sonoridade. A Humanidade é representada pelo número 144.000 que, cabalisticamente, simboliza a Humanidade. O nome em hebraico é ADM ou ADAM: Aleph é o número 1; Daleth é número 4; Mem o número 40. ADAM, portanto, é igual ao número 144; adicionando-se os três algarismos, teremos o número nove. Os três zeros finais querem significar que a Humanidade já passou por três grandes Período de desenvolvimento: Saturno, Solar e Lunar, tendo entrado para o quarto grande Período denominado Terrestre. Nos versículos acima, representa-se uma Humanidade redimida, perfeita, pois todos trazem em suas testas o Sinal do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Nas três vezes em que se refere à voz, o Apocalipse queria significar a Harmonia Absoluta dentro de toda Criação, pois todos serão salvos por Cristo, o “Alfa e o Ômega”, o Princípio e o Fim, na Unidade Perfeita: o Absoluto. Ainda analisando o número 9 de ADAM, ou seja, daqueles que trarão em suas testas o Sinal do Pai, Filho e Espírito Santo, o Consolador prometido por Cristo em Sua despedida, encontramos três Trindades; no princípio das coisas como “Aleph”, do qual tudo foi feito, e que se desdobra para o nove. Se aceitamos que no Pai está o Filho e o Espírito Santo, deparamos com o número três. Se olharmos para o Filho, encontramos o Pai e o Espírito Santo, o número três, no UNO. Se olharmos para o Espírito Santo, encontramos o Pai e o Filho, que nos levam novamente para o número três, no UNO. Assim temos: 3 +3 + 3 = 9.
Voltemos, ainda, ao 14º capítulo, versículo 1 do Apocalipse, em que está escrito: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham escrito o nome d’Ele e de seu Pai“. Lembremo-nos, antes de mais nada que o Espírito Santo foi enviado por Cristo, que voltou ao Pai, depois de deixado o mundo, tendo sido imolado como um Cordeiro no Altar da Humanidade, a fim de salvar o gênero humano decaído, por meio de Seu Sangue, a Luz de Deus. Daí o Espírito Santo ter sido enviado a fim de continuar o trabalho de salvação, até que Cristo volte novamente para uma Humanidade gloriosa, aperfeiçoada. Por essa ocasião todos deverão trazer nas testas o Sinal do Pai e do Filho. Que configuração poderá ser este Sinal? Falemos antes da Trindade. Nessa Trindade manifesta-se o “Uno”. Haverá, então, uma estrela nas testas daqueles que se salvarem. Isso encontra-se descrito no capítulo 22, versículo 16: “Eu Jesus, enviei o meu Anjo, para vos testificar estas coisas às Igrejas. Eu sou a raiz da geração de Davi, a brilhante Estrela da Manhã“. Resta-nos somente, dizer o seguinte, juntamente com o versículo 17 que diz: “O Espírito (Ego Humano, a Centelha Divina) e a Noiva (Alma) dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a Água da Vida“.
Com essas palavras podemos compreender que uma Humanidade perfeita trará, como Sinal de Salvação, a brilhante Estrela da Manhã de nove pontas em sua testa. O Espírito uniu-se em matrimônio à sua noiva, a Alma, para receber a Água da Vida, para nunca mais sair do Corpo do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
(Publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/1973 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Que o mundo de hoje está trabalhando de maneira nova com a luz é inquestionável. Continuamos a aprender como a ciência física está tendo uma tremenda experiência com o desenvolvimento do poder da luz, inclusive para as maravilhas LASER (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation – amplificação da luz por emissão estimulada de radiação) que, embora capaz de projetar um feixe na Lua distante, também pode ser usado para realizar a cura delicada de um órgão interno do Corpo Denso como, antes, só era possível por meio de cirurgia via bisturi.
No entanto, embora não possamos questionar que o mundo está experimentando uma vasta liberação de luz, podemos e questionamos a maneira como respondemos a essa experiência, porque, ao enfrentarmos o grande poder da luz, devemos também enfrentar o fato de que qualquer poder, incluindo o da luz, se canalizado incorretamente ou mal direcionado, será um desastre em potencial. Mesmo a própria luz do conhecimento muitas vezes conduz apenas ao desespero e à destrutividade, enquanto a luz do amor, por si só, frequentemente contribui apenas com a soma total da instabilidade emocional e da loucura humana. É evidente que até mesmo o poder da luz requer um agente direcionador seguro, se for para servir à intenção divina.
Essa direção segura está disponível através do Cristo que, como mediador entre a Humanidade e o Mundo da Luz, libera a luz e dirige na extensão de onda da Sabedoria (o conhecimento temperado com amor) de tal maneira que ela pode ser verdadeiramente efetiva na vida espiritual da Humanidade. Todo o ensino de Cristo, durante Sua encarnação, aponta nessa direção. Ele ensinou, sempre, que os Ritos da Páscoa, marcando a conclusão de um ciclo de objetividade no plano físico, nunca eram o fim, mas o início de uma experiência nova, especial e mais profunda, bem como de um relacionamento aprofundado com Ele, por meio de uma liberação divina conhecida em termos da Trindade como o Aspecto de Luz de Deus: Deus-Espírito Santo.
Quando, por meio do uso correto do poderoso impulso do Amor Crístico, que é o poder transformador da vida humana, tivermos respondido a tudo que o Cristo trouxe à Terra e reconhecermos esse poder como o aspecto do Amor de Deus, então será possível entrarmos no estado exaltado prometido por Cristo, a Iluminação de Fogo. Nas palavras da Bíblia, “Todos os livros do mundo não poderiam conter o que poderia ser dito…” (Jo 21:25) sobre um verdadeiro contato da alma com a própria natureza de Deus como Luz. Para todos os que buscam essa iluminação divina com reverência e sinceridade, a Luz do Espírito Santo concede três grandes graças de consciência:
A primeira dessas três graças é o autoconhecimento. “Homem, conhece-te a ti mesmo” é um conselho antigo. Os Iniciados da antiguidade afirmavam que Deus, o Incognoscível, Se tornou conhecível na medida em que nós, uma criação à imagem e semelhança de Deus, nos tornamos realmente conhecido por nós mesmos. A Luz do Espírito Santo serve para aumentar esse conhecimento. Ela abre caminho para a Iluminação. Os Estudantes Rosacruzes que se dedicam aos Estudos Bíblicos Rosacruzes reconhecem essa Luz como o Espírito interior da Verdade, o Santo Consolador, o paráclito predito por Cristo. Seja qual for o nome, todos podem reconhecê-lo como um aspecto do Ser interior que atua como professor e orientador. Quando aquele orientador interior é fervoroso e reverentemente, chamado para iluminar o caminho e a resposta da “Voz do silêncio” é ouvida e amorosamente obedecida, a Luz do Espírito Santo Se torna potentemente operativa na experiência diária do nível humano. Com a elevação da consciência acompanhando a percepção que surge desse conhecimento de primeira mão da atividade do Espírito Santo, segue-se a espiritualização progressiva, ou o Cristianismo, da nossa Mente, que é a meta suprema para a realização da atual Humanidade.
A segunda grande graça da Luz do Espírito Santo é o entendimento. É a Luz que ilumina o caminho da experiência, revelando as leis que o governam e os propósitos por trás dele. É a Luz que nos mostra onde estamos, por que é o que devemos fazer a respeito. Esse ensino é a base da cena comovente do Novo Testamento na qual o Cristo chorou por Jerusalém. Sua tristeza não era só pela cidade que estava diante de Seus olhos físicos, mas pelo que Sua visão interior considerava o grande centro da Humanidade. Foi a esse centro inclusivo, que chamamos de Onda de Vida humana, que Ele disse tristemente: “Não Me vereis mais até que abençoes todas as coisas que vêm em Meu nome” (Mt 23:39 e Lc 13:35). Com efeito, Ele estava aqui dizendo: “A partir de agora, até que Eu volte, sua tarefa é usar a Luz para me encontrar nos fenômenos da existência do plano físico, para Me ver em cada experiência, para Me encontrar em todas essas coisas. Não posso voltar até que vocês façam isso, porque vocês não vão Me conhecer a menos que tenham aprendido a Me ver — na vida”. Sob a tutela do Espírito Santo, aprendemos a abençoar todas as experiências vividas, percebendo que elas vêm em nome do Cristo e para fins de desenvolvimento da alma. Então, ele não pede mais para ser aliviado da experiência, não importa o quanto ela seja dolorosa, mas aprende a dizer, como Jacó: “Não vou deixar você ir até que me abençoe com a sua bênção” (Gn 32:26). Então, também ele pode falar, igual a Jacó, no amanhecer do novo dia: “Eu vi Deus face a face nesta experiência e minha vida foi preservada” (Gn 32:30). Assim, poderemos falar quando da noite da alma.
A terceira graça do Espírito Santo a nós é o sentimento de totalidade. É a Luz que revela Deus, a Natureza e nós como o tecido perfeito da existência universal. É a Luz que abre visões para o Reino de Deus externado na Natureza e conscientemente cooperativo dentro do “Reino do Homem”. É a Luz na qual experimentamos a nossa divindade essencial: de fato e verdade, em Deus “nós vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28).
O Espírito Santo é Deus em manifestação, é Deus em forma. A Natureza constitui Seu Corpo cósmico. Na temporada de verão, que representa o meio-dia da Sua atividade Criativa, a evidência da Sua obra está em toda parte. Todos os Reinos da natureza estão soando Sua nota de criação e é especialmente nesse momento, quando a expansão da luz física tem sua maior potência que, pela beleza terrena assim revelada, também encontramos dentro de nós a capacidade de se expandir e entrar em uma unidade abrangente com o Cosmos.
Essas verdades foram provadas por grandes pessoas do passado. Foi assim com Moisés. Como o portador de luz para as Mentes dos seres humanos, o Espírito Santo falou a Moisés através da sarça ardente para revelar o Plano de Deus à Onda de Vida humana e dar a Lei que governaria o Plano. No entanto, havia mais na revelação. As palavras “Moisés, tira as sandálias, pois o lugar em que estás é solo sagrado” (Ex 3:5) foram usadas para indicar algum local sagrado; um antigo santuário, talvez. No entanto, tirar as sandálias, na linguagem dos Mistérios, significa remover as limitações do entendimento, feitas por nós, para que a Luz do Espírito revele a verdade. Aquele que experimentou a iluminação do Fogo espiritual obtém uma revelação sobre a vivência da Terra e tudo que nela vive, que lhe permite saber que todo terreno, em todos os lugares, é o Corpo de uma entidade espiritual, sendo, portanto, sagrado, um santuário, a morada de Deus.
Foi assim com o profeta Esdras [1]. Na época do Solstício de Junho o profeta jazia de bruços no Campo de Ardath, um deserto rochoso “onde não cresciam flores”, e chorava por causa da esterilidade da existência terrena. Então o Arcanjo Uriel veio a ele como Mestre e Emissário do Espírito Santo, revelando a ele o propósito da vida e o significado da experiência de tal modo que o campo antes tão estéril se tornou um campo de flores. Esdras foi capaz de “comer das flores onde nenhuma flor crescia”. Ele foi capaz de colher o florescimento do espírito no terreno pedregoso da experiência. Contudo, novamente havia mais, porque Uriel ensinou a Esdras a vastidão da Sabedoria Antiga, a magnitude do plano para o ser humano e sua própria parte nele; Esdras foi transformado. Ele enxugou as lágrimas e começou a trabalhar — seu trabalho era transcrever os livros do Antigo Testamento, dando a ele, em grande parte, sua forma atual.
As verdades com as quais estamos lidando também se tornaram impulsos vivos e criativos na vida dos Discípulos de Cristo. Reunidos em união com o Cristo Místico e Interno, Sua promessa foi cumprida. Em um Batismo de Fogo eles receberam do Espírito Santo. Então foram também transformados de mortais assustados em imortais que nada poderiam deter ou amedrontar. Também foram elevados acima da limitação humana para contemplar o passado, o presente e o futuro do plano. Eles viram, pela primeira vez, o propósito do Cristo e a parte que interiormente foram chamados a levar adiante.
Para alguém chegar a tal consciência, mesmo que em menor medida, é necessário olhar para a vida de maneira nova e diferente. A pessoa então fica entre todas as dualidades da experiência humana — noite e dia, dor e alegria… — mas, não escolhe qualquer uma, rejeita nenhuma, mas aprende, na Luz, a encontrar a base da realidade espiritual em ambas. E essa consciência da base espiritual da vida permite ao Espírito humano colher seu próprio florescimento do seu próprio deserto rochoso de Ardath.
Em tal consciência, também, a Luz do Espírito Santo torna-Se uma luz LASER individual, cortando todas as barreiras em todos os mundos: as barreiras da ignorância, crueldade e do medo, autocriadas entre os seres humanos, grupos, as nações e os outros reinos . Só pode haver um resultado de tal conhecimento: conhecer a unidade da vida só pode trazer a compreensão de que somos os “irmãos guardiões” e que não pode haver pensamento, desejo, emoção, sentimento, palavra, ato, obra ou ação que não afete, para o bem ou para o mal, todos os seres vivos.
Viver com tal consciência é saber que, assim como o Fogo do Céu, emanando como o calor do verão, acelera o ventre da Natureza e libera a vida em fruição, assim também, quando esse mesmo Fogo divino toca o nosso coração, ele é retirado de suas limitações anteriores para viver uma nova vida e liberdade por meio de uma compreensão mais profunda da beleza essencial da existência humana, em uma reverência mais profunda pela vida e um parentesco alegre com cada criatura viva. É então que sente, como o poeta que “a Terra está abarrotada de Céu e cada feixe de luz está em chamas junto a Deus” [2].
(Publicado na Revista New Age Interpreter – do segundo trimestre de 1964 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
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[1] Esdras foi um escriba e sacerdote que liderou um grupo de judeus que retornou do exílio na Babilónia e restaurou a prática religiosa em Jerusalém, sendo considerado uma figura essencial na organização e restauração da lei de Deus entre o povo. O Livro de Esdras narra a história desse retorno e a reconstrução do Templo, e Esdras é a figura central do seu ministério.
[2] Da poetisa Elizabeth Barrett Browning
Vamos ver como, astronomicamente, compreendemos o que é um Equinócio de Setembro.
Astronomicamente falando é um fenômeno que ocorre em um determinado dia todo o ano. Nesse dia, o dia e a noite têm exatamente a mesma duração – ou seja: quando o Equinócio de Setembro acontece, o dia possui 12 horas de dia (luz) e 12 horas de noite (escuridão).
Importante saber que por mais que sejam completamente opostos, os hemisférios norte e sul recebem a mesma quantidade de luz visível solar e a mesma intensidade de força espiritual solar, pois ficam no mesmo ângulo em direção à luz do Sol. Assim, o Equinócio de Setembro se inicia quando o Sol reflete sua luz mais fortemente nas regiões próximas à linha do Equador.
O Equinócio de Setembro (que ocorre entre o dia 22 ou 23 de setembro, dependendo do ano) marca a chegada de um estação do ano: a primavera – para o hemisfério sul – e o outono – para o hemisfério norte.
O Equinócio de Setembro, para o hemisfério sul, ocorre no momento exato em que o Sol atravessa da parte sul do Planeta (hemisfério sul) para a parte norte do Planeta (hemisfério norte), tendo como essa divisão da linha do Equador terrestre.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é o momento em que Cristo inicia, novamente, o Seu sacrifício anual. Nesse momento a glória de Cristo toca a aura externa do Planeta Terra, e ocorre uma aceleração cósmica em todo o Planeta.
A data em que ocorre o Equinócio de Setembro é um tempo para o Estudante Rosacruz renovar sua dedicação para percorrer no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, a despeito de quaisquer vicissitudes e obstáculos que podem afetar seu caminhar.
É o melhor momento para estudar, meditar e aplicar o ensinamento Cristão fornecido por essa frase: “Então você entenderá o que é justo, direito e certo e aprenderá os caminhos do bem” (Pr 2:9).
A lição ensinada no Equinócio de Setembro é: distinguir, ou seja, separar aquilo que é real daquilo que é ilusão.
Aqui você encontra todo o material necessário para oficiar esse importantíssimo Ritual, HOJE:
Ritual do Serviço Devocional do Equinócio de Setembro – como oficiar e como participar
E aqui um livreto para você imprimir e ter na mão quando precisar:
Livreto: Ritual do Serviço Devocional do Equinócio de Setembro
Resposta: Tanto o Solstício de Junho e o Solstício de Dezembro, como o Equinócio de Março e o Equinócio de Setembro são pontos de alternância, de mudança, na vida do Grande Espírito Planetário da Terra, Cristo. Assim, também, a nossa concepção traduz o início de mais uma nossa descida ao Corpo Denso, culminando em mais um nosso nascimento aqui. Esse inaugura o período de crescimento, até alcançarmos a maturidade. Então, começa uma época de frutificação e de amadurecimento, a par do declínio das energias físicas, até terminar na morte, que nos livra matéria física. Depois, se manifesta uma época de metabolismo espiritual e colhemos as nossas experiências terrestres, transformando-as em poderes da Alma, em tendências e talentos. Tais poderes e talentos serão postos a juros em vidas futuras para prosperarmos e nos fazer mais ricos espiritualmente até sermos merecedores do título de “Fiéis Administradores” (Lc 12:42-48 e ICor 4:1-6) e de ocuparmos postos maiores e melhores entre os “servos da Casa do Senhor” (Sl 134:1-3 e Mt 24:25).
Observemos que as condições dominantes, nessa Época Ária, são tão temporárias, como as das Épocas precedentes. O processo de condensação que ainda continua, transformou a nevoa ígnea da Época Lemúrica na atmosfera densa e úmida da Época Atlante e, mais tarde, converteu esta umidade em água que inundou as cavidades da Terra – os Dilúvios – e nos impeliu para as terras altas, para as mesetas. Tanto a atmosfera, como as condições fisiológicas estão mudando. É um alerta para a Mente compreensiva, referente à aurora de uma Nova Era sobre o horizonte do tempo, a Era de unificação.
A Bíblia não deixa nenhuma dúvida a respeito das mudanças. Cristo disse que o acontecido nos “dias de Noé” aconteceria nos dias do porvir. A ciência e a imaginação descobrem condições desconhecidas anteriormente. É um fato científico que o consumo do oxigênio, na alimentação da indústria, está se tornando alarmante. Também os incêndios nos bosques consomem, consideravelmente, este importante elemento e contribuem para o processo de dissecação da atmosfera. Cientistas eminentes assinalaram que um dia nosso globo não poderá suster a vida dependente da água e do oxigênio, um dos componentes do ar. As ideias dos cientistas não provocaram muita ansiedade, por ser distante a data no futuro prevista. Contudo, por mais afastado que seja este dia, o nosso destino é tão inevitável, como o foi quando habitávamos em Corpos Atlantes.
A cada fase que surge, vemo-nos a frente com um novo Elemento, ao qual devemos nos adaptar. Vejamos como se manifesta esse Elemento nos dias atuais e quais suas implicações futuras: se quando habitávamos em Corpos Atlantes pudéssemos ser transferidos para a nossa atmosfera, morreríamos asfixiados, como o peixe que se arrebatasse do seu elemento nativo. As cenas conservadas na Memória da Natureza provam que os primeiros a subir as terras altas, desmaiaram instantaneamente, ao se encontrar com uma das correntes de ar que baixavam, gradualmente, sobre a Terra. Então, essas experiências provocaram vivos comentários e suposições. Atualmente, os aviadores encontram, também, um novo Elemento e experimentam asfixia idêntica à dos precursores Atlantes. Enfrentam um novo Elemento que vem de cima para substituir o oxigênio da nossa atmosfera.
Ao mesmo tempo, uma nova substância está se introduzindo no nosso Corpo Denso, em substituição a albumina. Os Atlantes, sem pulmões desenvolvidos para o Elemento Ar, pereceram nos Dilúvios. Assim, também, a Nova Era encontrará alguns sem o “Vestido de Bodas” – o Corpo-Alma –, incapacitados para nela entrar. Esperarão, até que se achem preparados, em tempos futuros. Consequentemente, é de máxima importância para todos saberem o máximo possível sobre o novo Elemento e a nova substância. Os Ensinamentos Rosacruzes facilitam o acesso a ampla informação sobre o assunto.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1974 – Fraternidade Rosacruz–SP)