Resposta: O efeito “final” é aquele que executamos — aprendendo ou recusando a aprender a lição que nos vem por meio da experiência. O material formador do nosso Corpo Denso será mais refinado ou mais precário, conforme nossas ações e reações, portanto, temos possibilidades de melhorá-lo em vidas futuras.
Quando o Ego em uma de suas existências terrenas empregou o sentido da visão com finalidades egoístas, na sua próxima vinda ao mundo físico, inevitavelmente retornará com deficiência visual denominada miopia. Muitos estão fazendo o mesmo hoje em dia. São leitores insaciáveis. Devoram com os olhos, jornais, revistas e livros, porém, com finalidade de divertirem-se ou pura e simplesmente para adquirirem conhecimento, conhecimento esse que não utilizam para o bem dos demais, numa vida de serviço. Nesse caso, o Ego retorna com restrições visuais, a fim de que aprenda a usar tal sentido altruisticamente.
No caso de deficiências auditivas, essas resultam do fato de a pessoa conservar-se surda aos ensinamentos espirituais e aos brados de sofrimento de outrem, permanecendo indiferente aos problemas alheios. Essas condições nem sempre aparecem ao nascimento, mas aguardam uma condição planetária para surgirem. Se as aflições estão em Signos Fixos, a pessoa terá de lutar duramente para sobrepujá-las. Se for bem-sucedida, erradicará o “pecado” e na vida seguinte o Ego voltará sem esse entrave, porque pagou o seu débito para com a Lei de Deus.
Se atualmente somos portadores de uma dessas deficiências, porém, se nos dispusermos a liquidar nossas dívidas para com a Lei de Deus, na próxima existência voltaremos com as faculdades correspondentes despertas, aptas a serem usadas no Serviço de Cristo.
A Lei de Deus diz que nossos pecados poderão ser perdoados, contudo, apesar disso deveremos pagar as dívidas resultantes. Isso poderá ser ilustrado da seguinte maneira: se o menino rouba maçãs verdes e as come, sua mãe poderá perdoar-lhe, mas não o seu estômago. Assim acontece ou aconteceu durante toda a nossa cadeia de existências. Quando alguém tem restrições de visão, audição ou vocal durante a existência terrestre, isso representa limitações que dizem respeito ao seu veículo físico, mesmo porque quando o Ego o deixa para trás, tais restrições não serão mais sentidas.
Na verdade, muitos dos que são cegos e surdos enquanto em corpo físico, têm por outro lado visão e audição espiritual ou Clarividência e Clariaudiência, provando assim que as faculdades do Corpo Denso não se encontram duplicadas nos veículos superiores. Quando dormimos, nossos Corpos Densos não ascendem aos Mundos celestiais, mas apenas os veículos mais sutis, não havendo, portanto, restrições visuais ou auditivas nessas ocasiões.
Esse é um tema de grande interesse para muitos, e nunca será demais repetir que tais restrições não são consequências do rigor e dureza do Pai Celeste, mas sim oportunidades que surgem para o resgate de nossas dívidas para com a Natureza.
(Publicado na revista Serviço Rosacruz de agosto/1967-Fraternidade Rosacruz-SP)
Agosto de 1915
Você já parou para pensar na razão pela qual Cristo determinou que devíamos curar os doentes ou enfermos? Certamente uma das razões era que, ao demonstrarmos nossa capacidade de curar o corpo, aqueles que forem ajudados terão mais fé em nossa habilidade de também ajudar a alma. Quando alcançarmos a elevada estatura de Cristo, de modo que possamos ver, de um só relance, o passado e o presente; quando formos capazes de determinar, também em um só relance, as causas, as crises e as condições atuais de uma doença ou enfermidade, não precisaremos de nenhum outro auxílio para diagnosticar e aconselhar. Mas, até esse dia chegar, precisamos usar as muletas que temos, e uma delas é a Astrologia Rosacruz.
Muitas pessoas que se recusaram a trabalhar para obter resultados vem a um Centro Rosacruz e inclusive em Mount Ecclesia esperando alcançar iluminação espiritual, achando que lhes nasça asas com o objetivo de voltar ao mundo como fazedoras de milagres após alguns dias de estada. E, claro, ficaram desapontadas. Mas, sempre que alguém se dedicou honesta e sinceramente ao trabalho verdadeiro, e não somente aos cursos, seminários, palestras e leitura, por um período razoável, os resultados sempre foram alcançados. Recebemos uma carta de um amigo que esteve em Mount Ecclesia e que se dedicou profundamente aos seus estudos. Compartilhamos aqui a sua experiência como incentivo para que outros façam o mesmo:
“Queridos amigos: a proposta de trabalho que eu esperar assumir depois da minha estada em Mount Ecclesia se revelou corrupta uma exploração de pessoas e totalmente incompatível com nossos ideais, e por isso apresentei a minha demissão. Entretanto, tão depressa o fiz, recebi um convite de um eminente médico de Kansas City para trabalharmos juntos. Ele me pareceu uma pessoa confiável. Fomos literalmente assediados por pessoas doentes e enfermas. Cara Senhora Augusta Foss Heindel, é maravilhoso constatar como as pessoas anseiam por algo dessa natureza; elas buscam alguém que lhes revelem o sentido da vida e tentam receber estímulo de fontes que sejam mais fortes e dignas de confiança, do que as árduas fontes do materialismo que destroem a vida.
A Astrologia Rosacruz foi uma ajuda maravilhosa para que eu conquistasse a confiança deles e, com a ajuda de Deus, que aqui me enviou, pude diagnosticar as suas doenças e enfermidades corretamente. E, o mais surpreendente, é que nenhum deles me revelou qualquer dos seus sintomas. Localizei tanto a doença ou enfermidade como os sintomas, e quase todos concordaram que eu estava certo, e resolveram viver de acordo com os elevados princípios de humanidade que lhes indiquei.
Espero ter muito trabalho aqui, e desejo expressar os meus agradecimentos pela ajuda que recebi sobre esta matéria durante o último ano que passei em Mount Ecclesia. Gostei imensamente da minha estada com vocês e estou ansioso por colher muitos frutos do meu trabalho aí; lamento apenas não ter podido permanecer mais tempo”.
O que um ser humano faz, outro ser humano pode fazer. A Senhora Augusta Foss Heindel e eu não adquirimos nosso conhecimento nessa área sem esforço. Tivemos que trabalhar arduamente por ele; e outros que trabalharam com a mesma dedicação, com os mesmos ideais espirituais, ou seja, ajudando na elevação da Humanidade, encontraram e encontram uma iluminação que não é concedida àqueles que só procuram as recompensas materiais da vida e seu próprio engrandecimento. Parece-me que já é hora da Fraternidade Rosacruz despertar e divulgar este estudo seriamente, com o fim de estabelecer Centros de Auxílio de Cura em todas as cidades do mundo.
Criamos na nossa Revista Rays from the Rose Cross uma seção em que delineamos os horóscopos das crianças para, assim, ajudar os pais ou responsáveis a conhecer as características latentes de seus filhos. Também oferecemos Cursos por correspondência para principiantes, além do Curso de Astrodiagnose e Astroterapia para Probacionistas e, aos que ainda não começaram, aconselhamos que o façam.
(Cartas aos Estudantes – nº 57 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: Há uma conexão esotérica entre Saturno, o Sol e a Lua, que regem o sábado, o domingo e a segunda-feira, respectivamente. O Sol e Saturno são ministros da vida e da morte – respectivamente –, e a Lua é, por assim dizer, a lançadeira com o qual a Humanidade se vê constantemente impelida de um polo a outro, enquanto a teia da experiência está sendo tecida. O nodo setentrional – ou nodo norte – da Lua, que chamamos de Cabeça do Dragão, compartilha da natureza do Sol, que nos fornece a vida, e conduz a Humanidade ao período de atividade física. O nodo meridional – ou nodo sul – nos conduz para o repouso da morte por meio das forças saturninas da Cauda do Dragão. Em outras palavras, tanto Saturno como a Lua são os portais de entrada e saída dos Mundos invisíveis, ou Caos – a Lua em termos de capacidade astral e Saturno em sentido cósmico.
Quando um grande Dia Criador de Manifestação se inicia, uma Época sempre começa com um Período de Saturno, então, as Ondas de Vida – nas quais o Espírito se manifesta –, que passaram pela fase subjetiva de evolução durante a Noite Cósmica precedente, são conduzidas à manifestação ativa, e isso ocorre durante a Revolução de Saturno de cada Período. Na pequena esfera terrestre da nossa atividade atual, quando um Ego está pronto para o renascimento na vida terrestre, a Lua marca o momento tanto da concepção quanto do nascimento, assumindo assim a função saturnina de conduzir os Egos em evolução da escura Noite Cósmica da morte para o universo solar da vida e da luz. Há, contudo, alguns Egos que não evoluem, mas permanecem estagnados no Caminho de Evolução. Para eles, chega um momento em que são, finalmente, expulsos para a Lua e lhe é negada a oportunidade e o privilégio de renascer dentro da atual classe evolucionária. Em consequência disso, eles permanecem na Lua até que os veículos, cristalizados por eles por falta de ação (ou inanição), sejam dissolvidos, e como não podem prosseguir com a corrente evolutiva, só lhes resta um caminho, isto é, gravitar de volta através do portão de Saturno para o Caos, ou para a Noite Cósmica, onde devem aguardar outra oportunidade de manifestação numa corrente de vida posterior.
Jeová não é o Regente dos Judeus, ao ponto de excluir todos os outros povos. Ele é o Legislador e o Senhor Cósmico da fecundação. Portanto, Ele tem uma missão especial a cumprir em relação a todos os povos pioneiros de qualquer Época ou Período, onde uma grande hoste de Espíritos que devam ser providos de veículos de um novo tipo. É Ele que multiplica abundantemente os povos pioneiros, lhes fornece as Leis apropriadas para a sua evolução e os prepara para um novo período de desenvolvimento. Se nos lembrarmos desse fato e, também, de que a primeira parte de uma Época é saturnina, então entenderemos que, embora os Semitas Originais fossem os ancestrais da Raça Ária, tenham sido multiplicados como as areias da praia, e tenham recebido suas Leis através de Jeová, eles também viviam no estágio saturnino da Época Ária e, portanto, logicamente, foram ensinados a guardar o dia de Saturno como um “dia de descanso”.
A Bíblia diz que a Lei era suprema até o advento do grande Espírito Solar. Cristo iniciou uma nova fase da evolução sob o princípio do amor e da regeneração. Isso pôs fim ao regime de Jeová e ao domínio de Saturno, não de uma forma abrupta, é claro, pois sempre há uma sobreposição que se procura entre um regime antigo e um novo. Mas, a partir desse momento, nós, o povo pioneiro Cristão, já entramos na segunda parte, ou seja, na parte Solar da Época Ária e, portanto, estamos substituindo agora o “dia de Saturno” pelo “dia do Sol” como dia de “dedicação ao Senhor”.
Como já mencionamos, a Lua e Saturno são os portões do Caos, e isso pode levar os Estudantes Rosacruzes a quererem saber o que acontecerá ao restante de nós e, portanto, podemos fornecer uma explicação resumida dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental sobre esse ponto: a Humanidade comum que segue o Caminho de Evolução é guiada em direção ao Reino de Cristo, o Espírito Solar.
Os atrasados, que não conseguem acompanhar o curso evolutivo, retrocedem para o Reino de Jeová, o Espírito Lunar.
Os avançados da Humanidade, os Iniciados que passaram tanto pelas Iniciações Menores quanto pelas Iniciações Maiores e seguem diante do Libertador (o grande Ser encarregado da evolução na Terra), têm a opção de permanecer aqui e ajudar seus irmãos e suas irmãs nesse mundo, ou ir para um satélite natural de Júpiter e preparar as condições sob as quais a Humanidade poderá evoluir no futuro Período de Júpiter.
As almas avançadas que malbarataram os seus poderes exercendo a magia negra retrocedem diretamente para Saturno e são forçadas a penetrar no Caos pela dissolução de seus veículos.
Saturno tem uma preponderância do quarto Éter, o Éter Refletor. Daí a sua pálida luminosidade, e os Egos que vão para lá deixam um registro de suas vidas e são em seguida lançados para fora em direção ao Caos, através das luas de Saturno.
Júpiter tem uma preponderância do terceiro Éter, o Éter Luminoso ou Éter de Luz. Daí o seu brilho, e os Egos avançados que vão para Júpiter, vindos do lado externo, dirigem-se para o interior através das luas e começam, então, como já dito, um trabalho construtivo para o Período de Júpiter.
(Pergunta nº 77 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
O vegetarianismo é, muitas vezes, adotado por questões de saúde, como um regime alimentar mais saudável, mais higiênico e muito mais substancioso. Porém, o aspecto mais importante do mesmo é ser ele um modo de pensar e de sentir, visto estar profundamente ligado à ideia da Fraternidade Universal. Todos os reinos da natureza são partes de um Todo. A ciência e algumas Religiões aceitam e explicam, de certo modo, a Lei da Evolução, a qual se processa através do desenvolvimento da consciência. Sendo nós um ser dotado de maior consciência, é por isso mesmo de maior responsabilidade no mundo.
Por nosso contínuo pensar, há de nos aproximarmos cada vez mais das verdades proclamadas em todos os tempos por sábios, filósofos, santos e profetas. A base dessas verdades é, invariavelmente, que a Lei do Amor é a única que nos conduzirá a um estágio de real grandeza espiritual. Sem o amor, poderemos conhecer grandes progressos materiais, mas somente com ele alcançaremos a verdadeira civilização, via o desenvolvimento espiritual. Ora, a Lei do Amor não pode admitir a cruel matança dos animais (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins), como a que se executa, cada vez em maior escala.
Dizemos cruel e sobretudo inútil, porque, se é com fins de alimentação, milhões de vegetarianos em todo mundo provam que vivem em iguais ou melhores condições físicas e intelectuais que os não-vegetarianos. Se é com fins esportivos, nada pode ser mais vexatório para nosso orgulho de civilizados, de que ver alguém se divertir matando friamente seres sensíveis. Se é com fins ornamentais, de produtos de beleza e de moda, como acontece com o uso de casacos de pele, artefatos de couro, enfeites de penas, cosméticos, xampus, etc., mais evidencia a inutilidade da matança, porque há atualmente outros tipos de produtos de beleza e higiene, vestuários, calçados, agasalhos e de enfeites, com certeza muito mais saudáveis, talvez mais duradouros e belos do que provenientes do sacrifício de animais.
Poucas pessoas comeriam carne animal se elas tivessem de matá-los, ou se assistissem aos processos clamorosamente cruéis de seu diário abate. Compreende-se que no passado o cultivo das terras era reduzido, difícil em muitas regiões, desconhecidos os grandes recursos agrícolas da atualidade, ignorado o valor alimentício de muitos produtos da terra.
Tenha-se em vista apenas os exemplos da soja e do amendoim, para ficarmos somente em dois. Hoje enriquecidos de tão grandes progressos, como explicar que ainda não tenhamos vencido essa superstição sobre o valor da carne animal como alimento?
Podemos cultivar o sentimento de Fraternidade Universal, aprovando, apoiando, participando da crueldade, indiferentes ao sacrifício diário de milhões desses seres?
Por outro lado, é uma incoerência comemorar datas dedicadas à seres que amaram a todos os seus irmãos e todas as suas irmãs, inclusive aos irracionais, como no NATAL, sacrificando em nossas mesas suas indefesas vidas. E como é compreendido pelo Estudante Rosacruz: justamente no dia do ano mais sagrado, quando Cristo, o Senhor do Amor, atinge o centro da Terra, e dali emana todo o Seu amor, Sua vida e Sua paz. Realmente, uma grande incoerência, especialmente para quem está ciente desse evento importantíssimo anual!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/abril/1988 – Fraternidade Rosacruz -SP)
“Vós sois meus amigos” (Jo 15:14-16). Frase simples, que se dilui no contexto grandioso dos Evangelhos. Não raro, passa despercebida a profundidade de seu significado.
O fato de o Cristo nos considerar amigos transcende qualquer possibilidade do conhecimento humano. Mas, a transcendentalidade do fato não nos impede de meditar e de lhe extrair lições.
O Cristo, quanto à evolução, encontra-se muito acima da nossa Onda de Vida. Não obstante a distância evolutiva que nos separa, Ele desceu ao nosso plano, isto é, Ele habitou entre nós e nos considera amigos. Se esse glorioso Ser pode assim nos considerar, seguramente não poderemos ser menos que amigos entre nós mesmos.
Na Bíblia, à frase “Vós sois meus amigos” segue-se: “se fizerdes as coisas que Eu mando”. O que Ele mandou fazer, por suposto, é praticar Seus Ensinamentos, os Ensinamentos Cristãos, na vida diária, para o despertamento do Cristo Interno. É a única maneira de chegarmos a ser como Ele, fazendo o que Ele fez e coisas maiores ainda. Se nos empenharmos em assim proceder, seremos Seus Discípulos e mais do que isso, Seus amigos.
Nesse particular, o conceito de amizade transcende a ideia geralmente aceita de estima e afeto entre um grupo de indivíduos intimamente relacionados e ascende a um nível indiscutivelmente superior, ao plano da amizade universal, na qual todos se incluem.
Se fizermos o que Ele nos mandou seremos Seus amigos no sentido mais elevado do termo. Também alcançaremos o nível de amizade ideal com nossos semelhantes, não só com aqueles que estão buscando a iluminação espiritual ao longo do caminho que estamos trilhando, mas com todos os viajores de outras rotas.
Quando chegamos a ser amigos de Cristo, certamente inspiraremos amizade aos indivíduos por força de nossa conduta profundamente compassiva.
O melhor que pudermos fazer por cada um, seja individual seja coletivamente, como membros da Fraternidade Rosacruz, será realizado por meio da amizade. Podemos ajudar uma pessoa porque a consciência nos obriga a fazê-lo; ou porque nos apiedarmos dele; ou porque isso pode nos trazer alguma vantagem pessoal. Sob quaisquer dessas circunstâncias poderemos ser úteis. Porém, somente quando nos consideramos seus amigos, ligados por sentimentos de estima e compreensão, sobrepondo-nos aos nossos interesses pessoais, é que lhe seremos verdadeiramente úteis.
Quando trabalharem juntos, unidos e inspirados pelos laços de amizade, poderemos realizar algo realmente duradouro.
Lembremo-nos sempre que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, cujos belos ensinamentos nos uniram nesse Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, honram os seus Discípulos da mesma maneira que Cristo honrou os Seus Apóstolos chamando a cada Discípulo de Amigo!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/dezembro/1987 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Se estudarmos com atenção, não será difícil chegarmos à conclusão que só há quatro grandes motivos que nos leva a agir, a fazer, a atuar aqui na Região Química do Mundo Físico, enquanto estamos renascidos: amor, fortuna, poder e fama.
O desejo de alguma ou várias destas coisas objetos desses quatro motivos é a razão pela qual fazemos ou deixamos de fazer algo.
Se utilizamos os Ensinamentos Rosacruzes para compreender esses quatro motivos, concluímos que eles nada mais são do que incentivos para a agirmos para colocar ações, atos e fazer obras, a fim de obtermos experiências e aprender.
O Estudante Rosacruz deve continuar usando cada um dos quatro motivos de ação, firmemente, mas cabe a ele transmutá-los em algo superior e não focar no uso dele para aquisição ou manutenção das coisas materiais.
Assim, por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.
Portanto, o amor pelo qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.
Já a fortuna pela qual um Estudante Rosacruz deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.
No que tange ao poder, aquele que um Estudante Rosacruz deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.
E, por fim, a fama pela qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.
E se estudarmos a significância esotérica da Oração do Senhor (o Pai-Nosso) aprenderemos como essa Oração científica, nos fornecida diretamente por Cristo, é uma fórmula abstrata completa que nos ajuda a melhorarmos e a purificarmos todos os nossos sete veículos e, portanto, utilizar os quatro motivos para ação com o foco no nosso crescimento espiritual enquanto aqui renascidos.
Senão, vejamos cada um: nós, utilizando o nosso veículo Espírito Humano nos elevamos a nossa contraparte divina, o Espírito Santo, dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”.
Depois, utilizando o nosso veículo Espírito de Vida reverenciamos ante a nossa contraparte divina, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.
Continuando, utilizamos o nosso veículo Espírito Divino e nos ajoelhamos ante nossa contraparte divina, o Pai, e dizemos: “Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu…”.
Depois há a prece para que consigamos somente e tão somente o que precisamos para manter o nosso Corpo Denso aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Divino elevando a contraparte divina dele, o Pai, pedindo: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.
Seguindo na mesma linha, há a prece para que consigamos utilizar corretamente o nosso Corpo Vital aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito de Vida elevando a contraparte divina dele, o Filho, pedindo: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
E, completando para o Tríplice Corpo, há a prece para que consigamos controlar o nosso Corpo de Desejos aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Humano elevando a contraparte divina dele, o Espírito Santo, pedindo: “Não nos deixeis cair em tentação”. E isso o fazemos aqui, porque já compreendemos que o desejo é o nosso grande tentador, mas também é o nossos grande incentivo para a ação. E estamos conscientes de que os nossos desejos são bons quando eles cumprem os nossos (Ego) propósitos, mas quando nossos desejos se inclinam para algo degradante (mormente para o egoísmo ou para algo contra as Leis de Deus), certamente devemos rogar para não cair nessas tentações.
E, como a Mente é um veículo (não um Corpo) e que é nossa função trabalhar para transformá-la em um Corpo Mental (a fim de usá-las realmente para criar e não para copiar ou ser escrava do desejo), pedimos ao Pai, Filho e Espírito Santo por ela, por meio da súplica “Livrai-nos do mal”.
E por que para a Mente? Porque ela é o veículo que nos permite ligarmos os nossos três veículos superiores espirituais – pelos quais expressamos a nossa Individualidade – aos três Corpos – pelos quais expressamos a cada renascimento uma Personalidade diferente. É por meio da Mente que conseguimos não seguir os seus desejos sem nenhuma restrição. E só por meio dela é que conseguimos ter a faculdade de discernimento do bem e do mal.
Só a título de observação, a parte introdutória bem conhecida: “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. Também, a parte final que às vezes é proferida, qual seja: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi fornecida por Cristo. No entanto, pode ser bem considerada como apropriada como a nossa adoração final, como um Tríplice Espírito, por reafirmar a diretriz correta para a Divindade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: O significado das palavras de Cristo depende, obviamente, da interpretação da palavra “mundo”. Se por essa palavra entendemos toda a Terra, pode ser correto enviar missionários para países estrangeiros; mas, a Bíblia nos diz que os Discípulos, aos quais essa ordem foi dada, retornaram após terem cumprido sua missão, mostrando que a palavra empregada nessa ordem não poderia se referir a toda a Terra. Nesse contexto, a palavra “mundo” deveria ter recebido a interpretação “de um grupo de pessoas com uma identidade coletiva, que são organizados de alguma forma com relações sociais e políticas institucionalizadas”, que também pode ser encontrada em alguns dos nossos dicionários com outros ignificados. Na época de Cristo, as pessoas não conheciam o mundo todo. Ainda hoje encontramos o cabo mais ocidental da Espanha, chamado Cabo Finisterra – o fim da Terra. Portanto, esse termo, na época em que Cristo pronunciou a sua ordem, não poderia ter incluído toda a Terra tal como a conhecemos hoje. Assim, a declaração não é contrária aos ensinamentos bíblicos. É errado enviar missionários para as pessoas que chamamos de “pagãos”, pois, o desenvolvimento delas ainda é tal que elas não conseguem entender uma Religião que prega o amor ao próximo, uma Religião que nem nós ainda não aprendemos a colocar em prática. Além disso, se os grandes Anjos do Destino[2], que são responsáveis pela nossa evolução, são capazes de avaliar as nossas necessidades e colocar cada um no ambiente onde possa encontrar as influências mais proveitosas ao seu progresso, devemos acreditar, também, que eles deram a cada povo a Religião mais apropriada para o desenvolvimento dele. Portanto, quando uma pessoa é colocada num país onde a Religião Cristã é ensinada, essa Religião possui o ideal pelo qual ela deve lutar, mas tentar impô-la a outras pessoas que foram colocadas numa esfera diferente é estabelecer o nosso julgamento acima do julgamento de Deus e de Seus ministros, os Anjos do Destino. Entretanto, como foi dito, os missionários Cristãos causaram pouco prejuízo às pessoas que eles visitaram, mas poderiam ter feito melhor se permanecessem em casa. Não precisamos nos afastar de casa para encontrar pagãos que necessitam dos ensinamentos bíblicos. O professor Wilbur L. Cross[3] de Yale menciona, por exemplo, que numa classe de quarenta alunos ninguém pode identificar Judas Iscariotes; que ele tinha um aluno judeu que jamais ouvira falar de Moisés e que, em resposta a uma pergunta relativa à natureza da obra “O Peregrino – A Viagem do Cristão à Cidade Celestial”[4], a melhor resposta conseguida é que isso foi a base da história da Nova Inglaterra. Se os missionários tivessem entrado em contato com esses pagãos, talvez pudesse fazer algo de bom.
No entanto, mais danos são causados quando o oriente envia seus missionários para cá a fim de nos converter ao hinduísmo e Religiões afins, pois frequentemente esses hindus ensinam exercícios respiratórios que podem causar insanidades ou tuberculose, pois nossos Corpos Densos ocidentais não estão preparados para tais práticas. É mais seguro permanecer na Religião do nosso lugar ocidental, estudá-la e praticá-la, deixando os outros povos o privilégio de fazer o mesmo com relação as suas próprias Religiões.
(Pergunta nº 118 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Mc 16:15
[2] N.T.: também chamados de Senhores do Destino, Anjos Relatores, Anjos Registradores, Anjos Arquivadores
[3] N.T.: Wilbur Lucius Cross (1862–1948) foi um crítico literário americano e professor da Universidade de Yale que serviu como o 71º governador de Connecticut de 1931 a 1939.
[4] N.T.: Ou “The Pilgrim’s Progress” é um livro alegórico cristão de 1678 escrito pelo inglês John Bunyan. É considerado uma das obras mais significativas relacionadas às práticas teológicas e religiosas na literatura inglesa. O jovem peregrino chamado simplesmente Cristão, atormentado pelo desejo de se ver livre do fardo pesado que carrega nas costas, segue sua jornada por um caminho estreito, indicado por um homem chamado Evangelista, pelo qual se pode alcançar a Cidade Celestial. Na narrativa, todas as personagens e lugares que o peregrino depara levam nomes de estereótipos (como: Hipocrisia, Boa-Vontade, Sr. Intérprete, gigante Desespero, A Cidade da Destruição, O Castelo das Dúvidas, etc.) consoante os seus estilos, características e personalidades. No ínterim, surgem-lhe várias adversidades, nas quais ele padece sofrimentos, chegando a perder-se, ser torturado e quase afogar-se. Apesar de tudo, o protagonista mantém-se sempre sóbrio, encontrando auxílio no companheiro de viagem Fiel, um concidadão seu. Mais adiante na trama, Fiel é executado pelos infiéis da Feira das Vaidades que se opõem à busca dos dois peregrinos. Contudo, Cristão acha um outro companheiro, chamado Esperança, que mais tarde lhe salvará a vida, e eles seguem a dura jornada até chegarem ao destino almejado. A obra é uma alegoria contada como se fosse um sonho, voltando-se sempre a extrair dos eventos narrados alguns ensinamentos bíblicos, nos moldes das parábolas bíblicas.
Há mais de dois mil anos, uma mulher enlutada chorou na porta de um sepulcro vazio, e seu lamento foi este: “Eles levaram o meu Senhor e eu não sei onde O colocaram” (Jo 20:13). Angústia de coração e alma, perplexidade e até mesmo rebelião ecoaram na frase simples; e essas palavras são ecoadas por muitos corações sinceros e amorosos na Cristandade de hoje.
Onde está o Cristo? Qual é a importância da figura central na história do Evangelho? A Bíblia está sendo desacreditada e desaprovada pelos, assim chamados, críticos e estudiosos que, em sua cegueira total, chegaram à conclusão de que a história de Cristo Jesus é um mito adequado apenas para aqueles cujo intelecto permanece comparativamente subdesenvolvido. Não podemos culpá-los totalmente por superestimarem, como fazem, as reivindicações da vida mental. Eles ainda têm alguma justificativa para suas decisões, quando consideramos a teologia irracional que, desde a infância, aprenderam a aceitar como “Religião”.
Nós, Estudantes Rosacruzes ativos, que sentimos que escapamos dessa escuridão, conhecemos bem a natureza irreconciliável de muitos dos princípios da ortodoxia. Deus, nosso criador, a quem devemos orar, aparentemente é um “Pai irado” que, em outra época, teria destruído a Humanidade, não fosse pela intervenção do Seu Filho – Cristo – a quem Ele permitiu que sofresse em nosso lugar. Não é de se admirar que a Mente racional do ser humano se revolte contra essa e outras concepções semelhantes!
Mas porque as pobres imaginações e interpretações de alguns seres humanos nos decepcionaram, estamos justificados em nos afastar da figura calma e serena de Cristo Jesus, que é “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13:8)? No entanto, é verdade que muitos, de coração partido e decepcionados, buscaram alimento espiritual e encorajamento nos ensinamentos de outras Religiões; as filosofias do Oriente os impressionaram com suas riquezas inesperadas e confirmaram a unidade fundamental de todos os modos de adoração; a sabedoria acumulada de eras foi saqueada para fornecer uma solução para os problemas atuais. No âmago do coração de todos esses buscadores, há um sentimento não confessado de solidão espiritual e incompletude e, ainda assim, algum poder maravilhoso e invisível parece mantê-los meio inconscientemente ligados à Religião da sua infância. Se eles não acreditam mais no Mestre, Cristo, que magnetismo estranho e imorredouro é esse que ainda permanece no próprio título, “o Cristo”?
Os críticos podem ter removido o Corpo de Jesus, mas ainda não descobriram o Cristo Jesus, Ele que “vive, esteve morto e está vivo para todo o sempre” (Apo 1:18). O mundo precisa de uma nova luz sobre as verdades fundamentais da verdadeira Religião Cristã que longe de ser uma fé do passado, nós, Estudantes Rosacruzes, temos certeza de que é a Religião do futuro.
Aproveitemos para mostrar que uma interpretação verdadeira e profunda, embora simples e satisfatória, do Cristianismo pode ser encontrada nos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz – os Ensinamentos Rosacruzes ou Ensinamentos da Sabedoria Ocidental –, uma abordagem que satisfaz não apenas o nosso intelecto, mas também o nosso coração. Aqui não é o lugar para falar da história desta Fraternidade Rosacruz, nem para apresentar suas credenciais. Apontemos um breve esboço de um grande assunto, sabendo que aqueles que são verdadeiramente sérios preencherão os espaços por si mesmos. Pois a Filosofia Rosacruz não consiste apenas de alguns fatos nem de uma mera plausibilidade superficial, mas de um sistema enorme e compacto de pensamento inspirado, um tesouro inesgotável de verdades que são as chaves mestras para a compreensão do mundo e da vida do ser humano que nesse mundo vive.
Será prontamente admitido que o enorme assunto que estamos considerando pode ser apenas tocado, mas antes mesmo que isso seja feito será necessário mencionar alguns dos mais importantes Ensinamentos Rosacruzes.
Aprendemos pelos Ensinamentos Rosacruzes que o Universo (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo) são ambos construídos sobre o princípio setenário. O Universo em si consiste em sete Planos – os Planos Cósmicos –, no mais elevado, que é o primeiro Plano Cósmico, dos quais habita o Ser Supremo, que surgiu da Raiz incognoscível da Existência.
Dos seguintes seis dos grandes Planos Cósmicos somos inteiramente ignorantes, mas no sétimo Plano Cósmico, o mais inferior dos sete, no quesito vibracional, nosso Sistema Solar evolui, criado por Deus, nosso Criador. Aqui novamente encontramos este Plano dividido em sete Mundos, pois o número sete permeia todas as coisas.
Vamos agora voltar nossa atenção para o Pano Cósmico em que estamos atualmente evoluindo, o sétimo Plano Cósmico. No Mundo mais elevado desse Plano, o Mundo de Deus, habita o poderoso Ser que criou tudo nesse Sistema Solar, inclusive nós, e que guia nossa evolução – em um Esquema, Obra e Caminho de Evolução, também criado por Ele – e com Ele estão sete Grandes Espíritos (também chamados de Ministros de Deus), cada um dos quais preside um dos sete Planetas desse Sistema Solar; eles também são chamados de Espíritos Planetários diante do Trono de Deus. Mas nem esses Planos e nem os Mundos do sétimo Plano Cósmico devem ser abordados como estando um acima do outro fisicamente, mas estão interpenetrados; isto é, este globo material e externo que conhecemos como Terra contém dentro de si seis contrapartes ou correspondentes cada vez mais sutis.
Quando Deus nos criou, dentro d’Ele, criou cada um de nós como um Espírito Virginal e consciente da nossa origem divina, mas não autoconsciente; o objetivo da nossa longuíssima peregrinação, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana, é atingir aquele Poder de autodireção perfeita que é o Plano de Deus. Em direção a esse estado, nós, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, involuímos e evoluímos, com a nossa consciência em constante desenvolvimento, em Globos de densidade variável, do mais puro ao material mais denso (ou de condições de vibração mais sutis a condições de vibrações muito densas), como entendemos o termo. A peregrinação atual é limitada a sete Períodos em um Esquema de Evolução, cada um com sete “subperíodos” dos quais agora atingimos o mais denso e, daqui, começamos a ascender a condições mais sutis. Nós, lá no início desse Esquema de Evolução, à medida que lentamente desenvolvíamos nossos poderes latentes, fomos guiados e protegidos por muitos Seres poderosos, que chamamos de Hierarquias Criadoras, Divinas ou Zodiacais, que estavam, também, aperfeiçoando a própria evolução delas.
Durante o Período Solar desse Esquema de Evolução, um Arcanjo, universalmente conhecido como Cristo, aperfeiçoou Sua evolução ao máximo que um Arcanjo pode alcançar nesse Esquema de Evolução; Sua Consciência foi suficientemente desenvolvida para moldar para Si mesmo dez veículos que, começando no Mundo de Deus, desciam até o Mundo do Desejo, Mundo mais denso após o Mundo Físico, e o Mundo onde os seres da Onda de Vida dos Arcanjos conseguem construir o Corpo mais denso deles, o Corpo de Desejos. No entanto, Ele não podia funcionar visivelmente no Mundo Físico, ou seja, construir um Corpo Vital e um Corpo Denso, sem o auxílio de um ser humano, ou seja, um ser da Onda de Vida humana atual, que fosse suficientemente puro para que Ele pudesse operar através dele. Esse ser humano ficou conhecido, no seu último renascimento aqui, como Jesus de Nazaré.
É durante o Período seguinte, o Terrestre – que é onde nós estamos – que notamos uma grande mudança nas nossas ideias religiosas cruas e infantis. Até então, considerávamos Deus com em uma relação de medo; sem compreender nada da verdadeira natureza de Deus, nós O concebíamos como um tirano severo e cruel, cuja única chance de agradá-Lo era por meio de propiciação e muitos sacrifícios; depois, tentávamos nos aproximar d’Ele para negociar ou barganhar. Cada nação ou povo se aproximava de Deus e Lhe oferecia sua adoração, se Ele lhes desse a Sua proteção especial. Assim, surgiu uma multiplicidade de “Deuses” tribais, “Deuses” dos quais, em troca de adoração e sacrifício, se esperava que se ocupassem exclusivamente com a prosperidade dos povos ou nações específicos sob os cuidados d’Ele. Isso representava um avanço em relação ao relacionamento anterior de nós com Deus, mas estava longe de ser uma condição ideal, pois tínhamos medo de dar algo a Ele, a menos que tivéssemos certeza de receber ampla recompensa em troca. Em resumo: passamos a ser dominado pela Religião de Raça, Religião que se baseava na exaltação de um povo ou nação especial sobre todos os outros povos e nações. Nenhum povo ou nação é mais típica dessa condição do que os judeus, que adoravam a Jeová, “um Deus zeloso”, capaz e disposto a destruir todos os inimigos de Seu “povo escolhido”. Até o nascimento do Cristianismo, essa Religião de Raça, baseada nas Lei Jeovísticas, era a mais elevada conhecida, e seus exemplos mais proeminentes sendo o: Judaísmo, Budismo e Hinduísmo.
A Religião de Raça foi um passo à frente na concepção religiosa, mas seus frutos eram necessariamente práticos e mundanos. Se a nação ou o povo segue as ordenanças do seu Deus particular, ela seria abençoada, mas se não as seguisse, ela seria penalizada. A Humanidade certamente estava sendo ensinada a se sacrificar, mas se sacrificar em troca de recompensa. “Dê tanto e receba tanto” era a fórmula aceita; a ideia de dar e não receber nada, de amar todos os seres humanos, sendo amado ou não em troca disso, era uma ideia muito estúpida para ser contemplada.
E no meio de toda essa agitação, uma criança nasceu para uma nação que era, de todas as nações, talvez, a mais ferozmente racial: o povo judeu.
Ele nasceu “imaculadamente”; isto é, de uma mulher, Maria, pura de toda mácula da sexualidade animal, e de José, um carpinteiro. Ele nasceu na desprezada aldeia de Nazaré, na Palestina, “e lhe deram o nome de Jesus”. Até os trinta anos, pouco sabemos sobre Ele, mas Ele cresceu até a idade adulta, especialmente educado por uma Fraternidade avançada, a dos Essênios, que não pouparam esforços para prepará-Lo para o grande papel que Ele iria desempenhar. Aos trinta anos de idade, uma mudança veio a Ele. Puro, gentil e iluminado, como sempre fora, agora parecia como se um novo Espírito tivesse descido sobre Ele. Essa mudança é a característica mais significativa de Sua vida, pois, de acordo com a Filosofia Rosacruz, deveu-se ao fato de Ele ter sido animado pelo grande Espírito que iria inaugurar um novo ideal religioso, o do altruísmo e da fraternidade.
Foi o Cristo, de quem fizemos menção como o mais elevado Iniciado do Período Solar, um Raio do Espírito Crístico Universal, que agora, pela primeira vez, entrou em contato com a Humanidade que Ele tinha vindo para “buscar e salvar”. Devemos lembrar que o nível mais baixo no qual o Cristo podia funcionar era o Mundo do Desejo, ou o Mundo imediatamente acima do Mundo Físico e, assim, para concretizar Seu propósito de habitar como um ser humano, era necessário que Ele encontrasse um Corpo Denso adequado através do qual pudesse trabalhar. Os veículos mais puros e adequados para o Seu propósito eram aqueles pertencentes ao homem Jesus, e é por essa razão que o Espírito Santo desceu sobre o filho de José e habitou nele.
Durante os três anos de ministério que se seguiram, o Cristo pregou e ensinou o novo evangelho do amor, dizendo: “Ouvistes o que foi dito: olho por olho e dente por dente. Mas eu vos digo: não resistais ao mal” (Mt 5:38-39). Foi inevitável que Ele estivesse imediatamente em desacordo com as autoridades religiosas judaicas, os escribas e fariseus meticulosos e muitas vezes inescrupulosos, que defendiam zelosamente todas as reivindicações do seu Deus de Raça, Jeová, e que ficaram primeiro atônitos, depois enfurecidos, ao ouvir Cristo Se declarar o Filho de Deus. Não era o cúmulo da tolice, ou melhor, da própria blasfêmia, que eles ouvissem Seus ensinamentos, tão opostos àqueles dos quais se consideravam os guardiões? Para eles, Ele era um blasfemador insano, um fanático que buscava minar a Lei, suplicando a Seus ouvintes que amassem seus inimigos e orassem por aqueles que os usavam com desprezo.
A Religião de Raça seria de falto substituída pela Religião do Amor, mas não sem luta, uma luta que, de forma bem sutil, persiste até os dias atuais. A história da Transfiguração nos mostra esse grande evento em forma pictórica. No Monte, com Ele apareceram Moisés e Elias, o grande Legislador e o grande Profeta da antiga Dispensação, respectivamente; mas logo depois eles desapareceram de vista e os Discípulos “não viram qualquer homem senão Cristo Jesus somente” (Mt 17:8 e Mc 9:8). O Espírito de Cristo, por meio da cooperação consciente do homem Jesus, estava enviando um novo impulso de poder e crescimento para ajudar o ser humano em sua jornada rumo a Meta; Ele estava abrindo um novo caminho de progresso para todos seguirem.
A morte do Cristo Jesus é um evento com grande significado do um ponto de vista espiritual. Primeiramente, significou a liberação do Espírito do Sol do Corpo de Jesus; mas significou infinitamente mais do que isso, pois, quando o sangue físico caiu no chão, esse sangue físico trouxe consigo o Corpo de Desejos purificado do Cristo que, entrando na Terra, operou a salvação ao purificar o Planeta de todas as impurezas que se acumularam durante o reinado do Espírito da Raça. Jesus de Nazaré, liberto do seu Corpo Denso, tornou-se o guia invisível para todos aqueles que estão se esforçando para viver a vida ideal, conforme ensinada pelo Cristo.
É difícil para nós compreendermos a tremenda natureza do sacrifício no Calvário, ou discernir a virtude tão discutida do “sangue purificador”, pelo qual Cristo realmente purificou o mundo, entrando em contato íntimo e interior com sua Humanidade ao se tornar Regente da Terra. E o sacrifício não se limitou à hora final, mas se estendeu por todos aqueles três longos anos que o grande e glorioso Espírito do Sol se submeteu, para o nosso bem e por nossa causa, às vibrações tão lentas do Corpo Denso de Jesus.
Pela crucificação do veículo material do Espírito de Cristo na cruz (simbólico das correntes de vida dos três Reinos da Natureza animada) e pela disseminação do Seu Corpo de Desejos puro por toda a Terra, Cristo conquistou Sua morada em cada um de nós e nos abriu a porta do Progresso Eterno através da Comunhão com Ele mesmo. Pois o Cristo Interno não é um mito ou fantasia mística, mas um grande e tremendo fato gerado pelo Seu sacrifício. Um ser humano só pode ser regenerado ao se tornar consciente disso, e ao viver o nascimento e as boas-vindas ao Cristo que habita dentro de si. O caminho para Cristo é através da vida Crística do Sacrifício e não há outro caminho.
Dizem-nos que aos olhos de Deus mil anos são como ontem, e estamos bem cientes do crescimento lento, mas seguro, que caracteriza toda a evolução. Há mais de dois mil anos atrás, o Espírito de Cristo veio habitar conosco e nos salvar de nós mesmos. Sua missão é nos libertar dos limites estreitos impostos pelo Espírito de Raça, romper gradualmente as barreiras que o interesse próprio havia erguido entre as nações e os povos, mostrar a insensatez de um patriotismo meramente nacional e, finalmente, romper a barreira entre o nós, o Espírito, e o Espírito de Cristo.
A importância da Sua mensagem está se tornando conhecida apenas gradualmente, mas deve se tornar conhecimento comum na Era que está por vir, a Era de Aquário, a Era da Fraternidade. Já temos a ideia da Organização das Nações Unidas, que espera acabar com a guerra (referindo-se à Primeira Guerra Mundial), uma das armas mais mortais do Espírito de Raça; temos também a noção de uma Liga das Religiões, que visa a remover a amargura que há entre os credos.
O Cristianismo permaneceu e perdurará graças ao poderoso Espírito por trás dele, que jamais nos abandonará. O Cristianismo deve crescer, enquanto o ideal de separação deve diminuir. Isso acontecerá muito lentamente, pois a Religião de Raça é difícil de morrer e luta até o fim.
Não buscamos nenhuma conversão repentina, sabemos que dias sombrios ainda podem estar diante de nós, mas sabemos também que a Humanidade começou sua árdua jornada até o Trono de Deus.
O Cristianismo é a Religião do futuro, mas somente quando estivermos prontos para recebê-Lo é que pediremos ao Espírito do Amor Universal para ser o nosso Rei.
Todo aquele que ordena sua vida pelos Ensinamentos de Cristo está apressando a segunda vinda de Cristo, quando, por meio do poder onipresente do Seu Espírito, todas as guerras e invejas cessarão na Terra.
Esta é a mensagem da Filosofia Rosacruz para todos aqueles que a ouvirem. Ela remete à Maria, que chora no sepulcro, seu Senhor, ressuscitado, glorificado e vivo para sempre. Ela remete a uma Bíblia, à prova contra o materialismo e da crítica, e aberta a todos que a compreenderem. Ela traz de volta os cansados, os céticos e os de coração partido aos próprios pés do Cristo vivo.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)