Como alcançamos “a realização de Deus por meio do reconhecimento da unidade fundamental de cada um de nós com todos”, como repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo?
Por meio da “Comunhão Espiritual”. Mas, como compreender e aplicar a Comunhão Espiritual?
Comecemos com a tomada de consciência de que todos somos irmãos, filhos de um mesmo Deus, que nos criou, todos como Espíritos Virginais.
Depois, compreendamos que todos, juntos, retornaremos a Deus e assim quando prejudicamos alguém, seja por pensamentos, sentimentos, emoções, palavras, obras, ações ou atos, seja por omissão ou por co-omissão, estamos prejudicando o nosso próprio desenvolvimento, a nossa própria evolução!
A Comunhão Espiritual começa no nosso lar, entre os nossos familiares. Não precisamos ficar como censores ou conselheiros, prontos para retrucar ou falar sempre que vemos um familiar agindo erradamente. Sejamos como uma fonte no deserto que jorra água por séculos sem ninguém dela necessitar, mas quando alguém passar e estiver com sede, lá está ela à disposição.
Mostremos a nossa disposição de termos a Comunhão Espiritual por meio do nosso exemplo e da nossa vivência dos Ensinamentos Rosacruzes.
Lembremos que como Aspirantes a vida superior estamos sempre sendo observados. Mesmo durante o nosso cotidiano não nos deixemos ser manipulados pelas circunstâncias externas. São elas que nos atormentam os nossos corações com angústias.
E é por falta de vontade de reconhecermos a nossa unidade com todos que nos carregamos de pecados, nos molestamos de tentações, nos embaraçamos e nos oprimimos com muitas paixões. E aí não há ninguém que nos ajude, nos livre ou nos salve senão o Cristo a quem devemos nos entregar. Pois Ele nos deu o exemplo da Comunhão Espiritual maior que se pode fazer por um irmão e uma irmã ao entregar o Seu corpo e o Seu sangue para nos salvar: “prova de amor maior não há que doar sua vida ao irmão” (Jo 15:13).
E é através desse maravilhoso exemplo que devemos nos manter em Comunhão Espiritual.
Observe que nos quatro Evangelhos há as atitudes que devemos ter em todas as circunstâncias que existem e possam existir. Quando se diz que esses quatro Evangelhos são fórmulas de Iniciação, quer se dizer que eles contêm o modo do Cristão agir em todas as circunstâncias que, porventura, ele passar. Ensina-nos como e porque agir fraternalmente e se tomarmos as palavras de Cristo: “a Palavra que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6; 64), então teremos a chave de como viver fraternalmente, pois como dois diapasões ressoam em sintonia quando um deles é golpeado, o nosso “Eu superior” vibra quando, pela nossa vontade, resolvemos nos sintonizar com os ensinamentos do Cristo. Assim, Suas palavras nos alimentam e ditam as nossas atitudes, desejos, sentimentos, palavras e pensamentos. Então, estaremos vivendo a vida no verdadeiro sentido da palavra.
Enquanto não tomamos essa consciência e essa resolução, temos apenas vislumbres do viver a vida. E na maioria das vezes estamos nos deixando levar pelos impactos exteriores! É “o corpo governando o espírito”.
O segredo aqui é lembrar em servir a “divina essência” oculta em cada um de nós, o Cristo interno, essa luz presente no ser humano menos evoluído. Com isso nos pomos acima de qualquer limitação imposta pelo “eu inferior”: orgulho, medo, vergonha, vanglória, ambição, egoísmo.
E não há outro meio, pois, “quem não renunciar a tudo não poderá ser Meu discípulo” (Lc 14:33). E esse é o motivo de haver tão poucos esclarecidos e livres: não saber abnegar-se de todo e de si mesmo. Deixar ser levado por esses sentimentos criados pelo “eu inferior”, por essa separatividade ilusória.
Para qualquer Onda de Vida e em qualquer grande Dia de Manifestação é muito difícil se desvencilhar dessa separatividade ilusória, após um mergulho em Mundos mais densos. A ideia de que somos separados um do outro está arraigada em nossa Personalidade (o “eu inferior”), cultivada por nós em muitas vidas.
A dificuldade em tomar consciência da Comunhão Espiritual, “da unidade fundamental de cada um com todos” é acrescida por estarmos no Mundo Físico e suas baixas vibrações. Mas essa separatividade e essa limitação de vida foram importantes para a nossa manifestação ativa. Manifestação essa que é a conscientização de que somos um ser criador, individual, com os mesmos poderes do Ser que nos criou, Deus. Mas, uma vez aprendido e passado o pináculo da separatividade, estamos voltando para Ele, para Deus.
Libertaremo-nos de toda a existência concreta e nos transformaremos num “pilar do templo de Deus e dele não sairemos mais” (Apo 3:12).
Sempre que vamos entrar em um novo estágio evolutivo, os Seres Superiores lançam sombras desse estágio que virá a fim de tornar mais suave a mudança e de dar oportunidades para os vanguardeiros da nossa Onda de Vida, aqueles que sentem a necessidade de dar mais um passo e que anseiam progredir na evolução.
Na Nova Galileia, a próxima Época, a sexta, o amor se fará altruísta e a razão aprovará os seus ditames. A Fraternidade Universal se realizará plenamente e cada um trabalhará para o bem de todos. O egoísmo será coisa do passado.
Aos poucos estamos sentindo que a razão está deixando de nos dominar e o amor está começando a ditar as nossas atitudes.
Vemos que, aos poucos, essa consciência estritamente individual, limitada ao Mundo material, está desfazendo as nações em indivíduos e assim a fraternidade humana está se estabelecendo sem ter em conta as circunstâncias exteriores.
Vivamos uma vida de fraternidade e de amor apressando a segunda vinda de Cristo.
Somente através da prática da Comunhão Espiritual em nossas vidas é que alcançaremos a conscientização da Fraternidade Universal, capacitando-nos, assim, a ajudar os nossos irmãos e as nossas irmãs a seguirem o mesmo caminho.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
“Somente uma coisa é necessária”[1], disse Cristo a Marta. Nessas palavras encontramos uma das grandes verdades fundamentais da vida e, embora a grande maioria não admita que haja apenas uma coisa necessária e que muitas pessoas concordarão que nossos desejos são numerosos, mas de fato nossas necessidades são muito poucas.
Não obstante esse grande fato, a complexidade de nossa atual vida civilizada, assim chamada, é tal que a maior parte da Humanidade está se desgastando para multiplicar o que chamamos de confortos e luxos, que são apenas para o Corpo Denso, enquanto a alma está faminta. Tampouco esses chamados confortos e luxos satisfazem quando realmente estão em nossa posse. Os seres humanos abastados que conseguiram alcançar tal posição, se pudessem ser interrogados de forma confidencial, nos diriam que seu desfrute com a riqueza estava muito mais na expectativa, na busca pela conquista, do que na posse propriamente dita e, esse dinheiro é um remédio amargo na boca de quem o possui, isso se ele é um ser pensante. Da mesma forma ocorre com o prestígio social, o ser humano, dito “socialite” que conquistou seu caminho para a liderança nesse ambiente deslumbrante, assim chamado, e uma vez lá dentro, descobre que isso é um lugar-comum, um tédio e não vale o esforço. Mesmo assim, existem sempre aqueles que clamam por riquezas, por posição social, que buscam essas coisas tão avidamente e não se importam com o custo para o espírito, como as mariposas buscam a luz de uma lâmpada. Embora existam muitos lugares perigosos na vida social e civilizada para seduzir a mariposa descuidada, também existem iscas mais fatais no caminho do progresso espiritual.
A Parábola do Semeador[2], como todas as outras parábolas das quais o Cristo fez uso, era fácil de ser aprendida e aplicada em cada momento; alguns grãos caíram à beira do caminho, outros sobre o solo rochoso, entre espinhos e abrolhos etc., mas, apenas uma pequena parte caiu em solo fértil, onde deu frutos abundantes. Hoje em dia, as pessoas correm de um lado para o outro, e no mundo todo são movidas por esse desejo interior, um anseio por algo que não sabem definir. Contudo, embora procurem, são surdos e cegos, eles não podem ver a luz interior, não ouvem o chamado silencioso interior; a luxúria dos olhos e o orgulho da vida no mundo exterior são atrações muito fortes. Como toupeiras, refugiamo-nos nas trevas, numa existência que ficou órfã, longe da luz, longe do Pai da Luz, e mesmo assim Ele está presente em toda parte. É verdade, verdade literal, poeticamente expressa quando o salmista diz:
“Para onde ir, longe do teu sopro?
Para onde fugir, longe da tua presença?
Se subo aos céus, tu lá estás;
se me deito no Xeol, aí te encontro.
Se tomo as asas da alvorada para habitar nos limites do mar,
mesmo lá é tua mão que me conduz,
e tua mão direita me sustenta”. [3]
“Deus é Luz”[4], como disse o Apóstolo S. João, com uma percepção mística, e a luz está em toda parte, só que não a vemos em nossa cegueira de coração.
Porém, em algum momento no curso de nossas vidas, a luz latente no interior de cada um será despertada, a centelha divina do nosso invisível Fogo do Pai começará a brilhar e lentamente despertamos para a percepção de que somos filhos da luz.
Essa é a grande crise, o ponto de inflexão na peregrinação do pródigo; quando percebe sua condição, quando vê claramente que toda a riqueza mundana, a condição social, o poder na sociedade são apenas “cascas”; que há apenas uma coisa necessária, apenas uma que vale a pena em todo o mundo que é encontrar, novamente, o seio do Pai.
Nesse momento de conversão, o Espírito expressa o intenso desejo que permeia cada fibra do seu ser naquela expressão concisa, forte e marcante do Espírito: “Eu me levantarei e irei para meu Pai”[5]. Essa é a senha para “O Caminho”; no outro extremo está a Cruz, onde a libertação o aguarda, e o Espírito santificado paira sobre as esferas mais sutis com o grito comovente do triunfo “Consummatum est”, foi concluído! Estou livre do grilhão da carne, um espírito livre, em união com meu Pai.
Contudo, ninguém imagina que possa estar seguro, quando entra no portal da aspiração; muitos se espreitam pelo caminho, procurando desviar a atenção do buscador da verdadeira luz, e nenhuma armadilha é mais sedutora nessa hora do que aquela que brinca com o ardente desejo da alma por uma conquista rápida.
S. Paulo expressa esse grande anseio no quinto capítulo da sua Segunda Epístola aos Coríntios (1-9):
“Sabemos, com efeito, que, se a nossa morada terrestre, esta tenda, for destruída, teremos no céu um edifício, obra de Deus, morada eterna, não feita por mãos humanas. Tanto assim que gememos pelo desejo ardente de revestir por cima da nossa morada terrestre a nossa habitação celeste — o que será possível se formos encontrados vestidos, e não nus. Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos acabrunhados, porque não queremos ser despojados da nossa veste, mas revestir a outra por cima desta, a fim de que o que é mortal seja absorvido pela vida. E quem nos dispôs a isto foi Deus, que nos deu o penhor do Espírito. Por conseguinte, estamos sempre confiantes, sabendo que, enquanto habitamos neste corpo, estamos fora da nossa mansão, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão… Sim, estamos cheios de confiança, e preferimos deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor. Por isto também nos esforçamos por agradar-lhe, quer permaneçamos em nossa mansão, quer a deixemos.”.
No entanto, observemos especialmente que S. Paulo reconhece o perigo de ser encontrado nu, que insiste e não deseja ser despido, mas vestido, e que, portanto, trabalha para isso.
Impulsionados por esse desejo insano de desenvolvimento rápido, as almas são constantemente enlaçadas por constituídos pseudoinstrutores inescrupulosos que prometem resultados rápidos, geralmente exigindo uma taxa financeira (disfarçada de vários modos) inicial por seus serviços; contudo, o tolo rebanho se reúne em torno desse tal impostor como mariposas em torno de uma chama.
Na verdade, elas obtêm, muitas vezes, resultados sendo impelidas para os Mundos invisíveis. Contudo, tendo fracassado em “trabalhar na vinha”, como S. Paulo assim trabalhou para ganhar a “veste nupcial” [6] ou o “paraíso”, elas não têm o veículo vital da consciência necessário para funcionar nas esferas superiores, de maneira consciente e inteligente e, também, são incapazes de encontrar o caminho de volta ao Corpo Denso deixados por elas, e geralmente, se tem relatos nesses casos que a causa da morte foi “insuficiência cardíaca”.
Elas ficam, de fato, “nuas” e fadadas ao sofrimento até ficarem inconscientes no curso natural dos acontecimentos, porque na verdade cometeram suicídio e o arquétipo do Corpo Denso permanece intacto, constantemente, se esforçando por atrair para si substâncias físicas; porém, quando o Cordão Prateado é rompido, nada pode ser obtido, e a dor descrita pelos suicidas (seria como a dor da fome ou a dor de dente, na qual se parece com a dor muscular por todo o corpo) é experimentada, às vezes, por muitos anos. “Quem não entra pela porta é ladrão e assaltante.” (Jo 10:1). É possível entrar furtivamente na casa terrena e fugir, mas quem procura enganar a Deus descobrirá que o caminho do transgressor é difícil, quando suas asas são chamuscadas na chama.
Não é estranho que seres humanos que compreendem a necessidade de passar anos para aprender uma determinada ciência, ofício ou profissão, trabalhando dia após dia, ano após ano, com incansável paciência e aplicação assídua, a fim de obter o domínio de qualquer ciência material que estejam estudando, ao mesmo tempo podem ficar iludidos ao pensar que, em pouco tempo, alguns dias, algumas semanas ou meses, talvez no máximo um ano ou dois, possam dominar a ciência da alma, simplesmente pensando por dez minutos por dia ou menos. Eles iriam rir e desprezar qualquer um que se oferecesse para iniciá-los nos mistérios da cirurgia ou da relojoaria em poucos dias; agora, quando se trata da ciência da alma, eles abandonam toda consideração do senso comum; o desejo por poderes ocultos é tão forte que ofusca a razão e, como as mariposas voam para a chama, também voam para um falso instrutor que lhes promete fenômenos em pouco tempo.
E, quando alguém que está tentando desse modo é queimado, os outros percebem o aviso? Infelizmente não!
Para cada mariposa que cai, outra ou mais dez estão prontas para tomar o seu lugar. Espelhos mágicos, bola de cristal, pêndulo, astrologia “adivinhatória”, barras de access, reiki, tabuleiro ouija, cura eletrônica, auriculoterapia, constelação familiar e empresarial, radiestesia, mesa radiônica quântica, apometria quântica, radiação atlante, cristais magnetizados, pedras mágicas, runas, búzios, borra de café, quiromancia e tantos outros instrumentos ou métodos encontram um mercado receptivo, enquanto a verdade segue implorando para ser vista e buscada. A fraude e o engano por pessoas inescrupulosas, que depredam essa intensa alma faminta de seus semelhantes, são mais numerosos do que aqueles que não estão familiarizados com o desejo oculto de milhares de pessoas que possam compreender. Geralmente, os ingênuos aceitam suas perdas financeiras, mas, às vezes, os processos nos tribunais públicos mostram que pessoas inteligentes deixam para trás somas consideráveis a pedido de falsos instrutores e alguns intitulados de pseudoespíritos, e ocasionalmente o cerco se fecha sobre um “vidente” bem-sucedido, que vai para a cadeia, ou então, é internado em manicômio.
Todavia, se a “mariposa humana” fosse passível em raciocinar e pudesse ouvir a voz da advertência, perguntaria: “então, como posso saber distinguir a verdadeira luz da falsa?”. Aqui podemos recorrer, com total confiança, às Escrituras para obter nossa resposta. Não há nenhuma incerteza quanto a isso, pois o Cristo deu aos Discípulos os poderes necessários para ajudar a Humanidade, e Ele lhes disse: “dê de graça, aquilo que de graças recebestes” (Mt 10:8). S. Pedro também, quando foi abordado por Simão, o feiticeiro, que desejava comprar por dinheiro os poderes espirituais que o Apóstolo exercia, o amaldiçoou. Sempre que se doaram, o fizeram sem pedir valores financeiros (direta ou indiretamente). Da mesma forma, o verdadeiro instrutor não cobra por seus ensinamentos, mas procura imitar o exemplo da vida dos Apóstolos, recebendo contribuições voluntárias daqueles a quem eles ajudam. Tampouco é necessário para quem não busca o “ouro mundano” atrair outros com promessas de fenômenos ou poderes em pouquíssimo tempo. É fácil construir uma casa do tamanho desejado, desde que você tenha o material. E você pode aumentá-la acrescentando mais tijolos.
Contudo, nem a planta, nem o animal, nem o ser humano crescem dessa maneira; o crescimento deles é interior, e cada um deve fazer isso individualmente. Não podemos comer a comida de outra pessoa e dar a ele a devida força vinda do alimento; nem podemos passar pelas experiências de outrem, assimilá-las e dar a ele o crescimento anímico obtido dessa forma.
Então, fuja da chama dos falsos mestres; tenha paciência. Trabalhe, observe e aguarde. No devido tempo, a luz de Cristo brilhará dentro de sua própria alma, e você nunca precisará procurá-la em outro lugar.
(Publicado na: Rays From The Rose Cross – mar/1916 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Lc 10:42
[2] N.T.: Mt 13:1-9, Mc 4:3-9 e Lc 8:4-8: Eis que o semeador saiu para semear. E ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, uma cem, outra sessenta e outra trinta, Quem tem ouvidos, ouça!”.
[3] N.T.: Sl 139:7-10
[4] N.T.: IJo 1:5
[5] N.T.: Lc 15:18
[6] N.T.: o Corpo-Alma
Resposta: O efeito “final” é aquele que executamos — aprendendo ou recusando a aprender a lição que nos vem por meio da experiência. O material formador do nosso Corpo Denso será mais refinado ou mais precário, conforme nossas ações e reações, portanto, temos possibilidades de melhorá-lo em vidas futuras.
Quando o Ego em uma de suas existências terrenas empregou o sentido da visão com finalidades egoístas, na sua próxima vinda ao mundo físico, inevitavelmente retornará com deficiência visual denominada miopia. Muitos estão fazendo o mesmo hoje em dia. São leitores insaciáveis. Devoram com os olhos, jornais, revistas e livros, porém, com finalidade de divertirem-se ou pura e simplesmente para adquirirem conhecimento, conhecimento esse que não utilizam para o bem dos demais, numa vida de serviço. Nesse caso, o Ego retorna com restrições visuais, a fim de que aprenda a usar tal sentido altruisticamente.
No caso de deficiências auditivas, essas resultam do fato de a pessoa conservar-se surda aos ensinamentos espirituais e aos brados de sofrimento de outrem, permanecendo indiferente aos problemas alheios. Essas condições nem sempre aparecem ao nascimento, mas aguardam uma condição planetária para surgirem. Se as aflições estão em Signos Fixos, a pessoa terá de lutar duramente para sobrepujá-las. Se for bem-sucedida, erradicará o “pecado” e na vida seguinte o Ego voltará sem esse entrave, porque pagou o seu débito para com a Lei de Deus.
Se atualmente somos portadores de uma dessas deficiências, porém, se nos dispusermos a liquidar nossas dívidas para com a Lei de Deus, na próxima existência voltaremos com as faculdades correspondentes despertas, aptas a serem usadas no Serviço de Cristo.
A Lei de Deus diz que nossos pecados poderão ser perdoados, contudo, apesar disso deveremos pagar as dívidas resultantes. Isso poderá ser ilustrado da seguinte maneira: se o menino rouba maçãs verdes e as come, sua mãe poderá perdoar-lhe, mas não o seu estômago. Assim acontece ou aconteceu durante toda a nossa cadeia de existências. Quando alguém tem restrições de visão, audição ou vocal durante a existência terrestre, isso representa limitações que dizem respeito ao seu veículo físico, mesmo porque quando o Ego o deixa para trás, tais restrições não serão mais sentidas.
Na verdade, muitos dos que são cegos e surdos enquanto em corpo físico, têm por outro lado visão e audição espiritual ou Clarividência e Clariaudiência, provando assim que as faculdades do Corpo Denso não se encontram duplicadas nos veículos superiores. Quando dormimos, nossos Corpos Densos não ascendem aos Mundos celestiais, mas apenas os veículos mais sutis, não havendo, portanto, restrições visuais ou auditivas nessas ocasiões.
Esse é um tema de grande interesse para muitos, e nunca será demais repetir que tais restrições não são consequências do rigor e dureza do Pai Celeste, mas sim oportunidades que surgem para o resgate de nossas dívidas para com a Natureza.
(Publicado na revista Serviço Rosacruz de agosto/1967-Fraternidade Rosacruz-SP)
Agosto de 1915
Você já parou para pensar na razão pela qual Cristo determinou que devíamos curar os doentes ou enfermos? Certamente uma das razões era que, ao demonstrarmos nossa capacidade de curar o corpo, aqueles que forem ajudados terão mais fé em nossa habilidade de também ajudar a alma. Quando alcançarmos a elevada estatura de Cristo, de modo que possamos ver, de um só relance, o passado e o presente; quando formos capazes de determinar, também em um só relance, as causas, as crises e as condições atuais de uma doença ou enfermidade, não precisaremos de nenhum outro auxílio para diagnosticar e aconselhar. Mas, até esse dia chegar, precisamos usar as muletas que temos, e uma delas é a Astrologia Rosacruz.
Muitas pessoas que se recusaram a trabalhar para obter resultados vem a um Centro Rosacruz e inclusive em Mount Ecclesia esperando alcançar iluminação espiritual, achando que lhes nasça asas com o objetivo de voltar ao mundo como fazedoras de milagres após alguns dias de estada. E, claro, ficaram desapontadas. Mas, sempre que alguém se dedicou honesta e sinceramente ao trabalho verdadeiro, e não somente aos cursos, seminários, palestras e leitura, por um período razoável, os resultados sempre foram alcançados. Recebemos uma carta de um amigo que esteve em Mount Ecclesia e que se dedicou profundamente aos seus estudos. Compartilhamos aqui a sua experiência como incentivo para que outros façam o mesmo:
“Queridos amigos: a proposta de trabalho que eu esperar assumir depois da minha estada em Mount Ecclesia se revelou corrupta uma exploração de pessoas e totalmente incompatível com nossos ideais, e por isso apresentei a minha demissão. Entretanto, tão depressa o fiz, recebi um convite de um eminente médico de Kansas City para trabalharmos juntos. Ele me pareceu uma pessoa confiável. Fomos literalmente assediados por pessoas doentes e enfermas. Cara Senhora Augusta Foss Heindel, é maravilhoso constatar como as pessoas anseiam por algo dessa natureza; elas buscam alguém que lhes revelem o sentido da vida e tentam receber estímulo de fontes que sejam mais fortes e dignas de confiança, do que as árduas fontes do materialismo que destroem a vida.
A Astrologia Rosacruz foi uma ajuda maravilhosa para que eu conquistasse a confiança deles e, com a ajuda de Deus, que aqui me enviou, pude diagnosticar as suas doenças e enfermidades corretamente. E, o mais surpreendente, é que nenhum deles me revelou qualquer dos seus sintomas. Localizei tanto a doença ou enfermidade como os sintomas, e quase todos concordaram que eu estava certo, e resolveram viver de acordo com os elevados princípios de humanidade que lhes indiquei.
Espero ter muito trabalho aqui, e desejo expressar os meus agradecimentos pela ajuda que recebi sobre esta matéria durante o último ano que passei em Mount Ecclesia. Gostei imensamente da minha estada com vocês e estou ansioso por colher muitos frutos do meu trabalho aí; lamento apenas não ter podido permanecer mais tempo”.
O que um ser humano faz, outro ser humano pode fazer. A Senhora Augusta Foss Heindel e eu não adquirimos nosso conhecimento nessa área sem esforço. Tivemos que trabalhar arduamente por ele; e outros que trabalharam com a mesma dedicação, com os mesmos ideais espirituais, ou seja, ajudando na elevação da Humanidade, encontraram e encontram uma iluminação que não é concedida àqueles que só procuram as recompensas materiais da vida e seu próprio engrandecimento. Parece-me que já é hora da Fraternidade Rosacruz despertar e divulgar este estudo seriamente, com o fim de estabelecer Centros de Auxílio de Cura em todas as cidades do mundo.
Criamos na nossa Revista Rays from the Rose Cross uma seção em que delineamos os horóscopos das crianças para, assim, ajudar os pais ou responsáveis a conhecer as características latentes de seus filhos. Também oferecemos Cursos por correspondência para principiantes, além do Curso de Astrodiagnose e Astroterapia para Probacionistas e, aos que ainda não começaram, aconselhamos que o façam.
(Cartas aos Estudantes – nº 57 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: Há uma conexão esotérica entre Saturno, o Sol e a Lua, que regem o sábado, o domingo e a segunda-feira, respectivamente. O Sol e Saturno são ministros da vida e da morte – respectivamente –, e a Lua é, por assim dizer, a lançadeira com o qual a Humanidade se vê constantemente impelida de um polo a outro, enquanto a teia da experiência está sendo tecida. O nodo setentrional – ou nodo norte – da Lua, que chamamos de Cabeça do Dragão, compartilha da natureza do Sol, que nos fornece a vida, e conduz a Humanidade ao período de atividade física. O nodo meridional – ou nodo sul – nos conduz para o repouso da morte por meio das forças saturninas da Cauda do Dragão. Em outras palavras, tanto Saturno como a Lua são os portais de entrada e saída dos Mundos invisíveis, ou Caos – a Lua em termos de capacidade astral e Saturno em sentido cósmico.
Quando um grande Dia Criador de Manifestação se inicia, uma Época sempre começa com um Período de Saturno, então, as Ondas de Vida – nas quais o Espírito se manifesta –, que passaram pela fase subjetiva de evolução durante a Noite Cósmica precedente, são conduzidas à manifestação ativa, e isso ocorre durante a Revolução de Saturno de cada Período. Na pequena esfera terrestre da nossa atividade atual, quando um Ego está pronto para o renascimento na vida terrestre, a Lua marca o momento tanto da concepção quanto do nascimento, assumindo assim a função saturnina de conduzir os Egos em evolução da escura Noite Cósmica da morte para o universo solar da vida e da luz. Há, contudo, alguns Egos que não evoluem, mas permanecem estagnados no Caminho de Evolução. Para eles, chega um momento em que são, finalmente, expulsos para a Lua e lhe é negada a oportunidade e o privilégio de renascer dentro da atual classe evolucionária. Em consequência disso, eles permanecem na Lua até que os veículos, cristalizados por eles por falta de ação (ou inanição), sejam dissolvidos, e como não podem prosseguir com a corrente evolutiva, só lhes resta um caminho, isto é, gravitar de volta através do portão de Saturno para o Caos, ou para a Noite Cósmica, onde devem aguardar outra oportunidade de manifestação numa corrente de vida posterior.
Jeová não é o Regente dos Judeus, ao ponto de excluir todos os outros povos. Ele é o Legislador e o Senhor Cósmico da fecundação. Portanto, Ele tem uma missão especial a cumprir em relação a todos os povos pioneiros de qualquer Época ou Período, onde uma grande hoste de Espíritos que devam ser providos de veículos de um novo tipo. É Ele que multiplica abundantemente os povos pioneiros, lhes fornece as Leis apropriadas para a sua evolução e os prepara para um novo período de desenvolvimento. Se nos lembrarmos desse fato e, também, de que a primeira parte de uma Época é saturnina, então entenderemos que, embora os Semitas Originais fossem os ancestrais da Raça Ária, tenham sido multiplicados como as areias da praia, e tenham recebido suas Leis através de Jeová, eles também viviam no estágio saturnino da Época Ária e, portanto, logicamente, foram ensinados a guardar o dia de Saturno como um “dia de descanso”.
A Bíblia diz que a Lei era suprema até o advento do grande Espírito Solar. Cristo iniciou uma nova fase da evolução sob o princípio do amor e da regeneração. Isso pôs fim ao regime de Jeová e ao domínio de Saturno, não de uma forma abrupta, é claro, pois sempre há uma sobreposição que se procura entre um regime antigo e um novo. Mas, a partir desse momento, nós, o povo pioneiro Cristão, já entramos na segunda parte, ou seja, na parte Solar da Época Ária e, portanto, estamos substituindo agora o “dia de Saturno” pelo “dia do Sol” como dia de “dedicação ao Senhor”.
Como já mencionamos, a Lua e Saturno são os portões do Caos, e isso pode levar os Estudantes Rosacruzes a quererem saber o que acontecerá ao restante de nós e, portanto, podemos fornecer uma explicação resumida dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental sobre esse ponto: a Humanidade comum que segue o Caminho de Evolução é guiada em direção ao Reino de Cristo, o Espírito Solar.
Os atrasados, que não conseguem acompanhar o curso evolutivo, retrocedem para o Reino de Jeová, o Espírito Lunar.
Os avançados da Humanidade, os Iniciados que passaram tanto pelas Iniciações Menores quanto pelas Iniciações Maiores e seguem diante do Libertador (o grande Ser encarregado da evolução na Terra), têm a opção de permanecer aqui e ajudar seus irmãos e suas irmãs nesse mundo, ou ir para um satélite natural de Júpiter e preparar as condições sob as quais a Humanidade poderá evoluir no futuro Período de Júpiter.
As almas avançadas que malbarataram os seus poderes exercendo a magia negra retrocedem diretamente para Saturno e são forçadas a penetrar no Caos pela dissolução de seus veículos.
Saturno tem uma preponderância do quarto Éter, o Éter Refletor. Daí a sua pálida luminosidade, e os Egos que vão para lá deixam um registro de suas vidas e são em seguida lançados para fora em direção ao Caos, através das luas de Saturno.
Júpiter tem uma preponderância do terceiro Éter, o Éter Luminoso ou Éter de Luz. Daí o seu brilho, e os Egos avançados que vão para Júpiter, vindos do lado externo, dirigem-se para o interior através das luas e começam, então, como já dito, um trabalho construtivo para o Período de Júpiter.
(Pergunta nº 77 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
O vegetarianismo é, muitas vezes, adotado por questões de saúde, como um regime alimentar mais saudável, mais higiênico e muito mais substancioso. Porém, o aspecto mais importante do mesmo é ser ele um modo de pensar e de sentir, visto estar profundamente ligado à ideia da Fraternidade Universal. Todos os reinos da natureza são partes de um Todo. A ciência e algumas Religiões aceitam e explicam, de certo modo, a Lei da Evolução, a qual se processa através do desenvolvimento da consciência. Sendo nós um ser dotado de maior consciência, é por isso mesmo de maior responsabilidade no mundo.
Por nosso contínuo pensar, há de nos aproximarmos cada vez mais das verdades proclamadas em todos os tempos por sábios, filósofos, santos e profetas. A base dessas verdades é, invariavelmente, que a Lei do Amor é a única que nos conduzirá a um estágio de real grandeza espiritual. Sem o amor, poderemos conhecer grandes progressos materiais, mas somente com ele alcançaremos a verdadeira civilização, via o desenvolvimento espiritual. Ora, a Lei do Amor não pode admitir a cruel matança dos animais (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins), como a que se executa, cada vez em maior escala.
Dizemos cruel e sobretudo inútil, porque, se é com fins de alimentação, milhões de vegetarianos em todo mundo provam que vivem em iguais ou melhores condições físicas e intelectuais que os não-vegetarianos. Se é com fins esportivos, nada pode ser mais vexatório para nosso orgulho de civilizados, de que ver alguém se divertir matando friamente seres sensíveis. Se é com fins ornamentais, de produtos de beleza e de moda, como acontece com o uso de casacos de pele, artefatos de couro, enfeites de penas, cosméticos, xampus, etc., mais evidencia a inutilidade da matança, porque há atualmente outros tipos de produtos de beleza e higiene, vestuários, calçados, agasalhos e de enfeites, com certeza muito mais saudáveis, talvez mais duradouros e belos do que provenientes do sacrifício de animais.
Poucas pessoas comeriam carne animal se elas tivessem de matá-los, ou se assistissem aos processos clamorosamente cruéis de seu diário abate. Compreende-se que no passado o cultivo das terras era reduzido, difícil em muitas regiões, desconhecidos os grandes recursos agrícolas da atualidade, ignorado o valor alimentício de muitos produtos da terra.
Tenha-se em vista apenas os exemplos da soja e do amendoim, para ficarmos somente em dois. Hoje enriquecidos de tão grandes progressos, como explicar que ainda não tenhamos vencido essa superstição sobre o valor da carne animal como alimento?
Podemos cultivar o sentimento de Fraternidade Universal, aprovando, apoiando, participando da crueldade, indiferentes ao sacrifício diário de milhões desses seres?
Por outro lado, é uma incoerência comemorar datas dedicadas à seres que amaram a todos os seus irmãos e todas as suas irmãs, inclusive aos irracionais, como no NATAL, sacrificando em nossas mesas suas indefesas vidas. E como é compreendido pelo Estudante Rosacruz: justamente no dia do ano mais sagrado, quando Cristo, o Senhor do Amor, atinge o centro da Terra, e dali emana todo o Seu amor, Sua vida e Sua paz. Realmente, uma grande incoerência, especialmente para quem está ciente desse evento importantíssimo anual!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/abril/1988 – Fraternidade Rosacruz -SP)
“Vós sois meus amigos” (Jo 15:14-16). Frase simples, que se dilui no contexto grandioso dos Evangelhos. Não raro, passa despercebida a profundidade de seu significado.
O fato de o Cristo nos considerar amigos transcende qualquer possibilidade do conhecimento humano. Mas, a transcendentalidade do fato não nos impede de meditar e de lhe extrair lições.
O Cristo, quanto à evolução, encontra-se muito acima da nossa Onda de Vida. Não obstante a distância evolutiva que nos separa, Ele desceu ao nosso plano, isto é, Ele habitou entre nós e nos considera amigos. Se esse glorioso Ser pode assim nos considerar, seguramente não poderemos ser menos que amigos entre nós mesmos.
Na Bíblia, à frase “Vós sois meus amigos” segue-se: “se fizerdes as coisas que Eu mando”. O que Ele mandou fazer, por suposto, é praticar Seus Ensinamentos, os Ensinamentos Cristãos, na vida diária, para o despertamento do Cristo Interno. É a única maneira de chegarmos a ser como Ele, fazendo o que Ele fez e coisas maiores ainda. Se nos empenharmos em assim proceder, seremos Seus Discípulos e mais do que isso, Seus amigos.
Nesse particular, o conceito de amizade transcende a ideia geralmente aceita de estima e afeto entre um grupo de indivíduos intimamente relacionados e ascende a um nível indiscutivelmente superior, ao plano da amizade universal, na qual todos se incluem.
Se fizermos o que Ele nos mandou seremos Seus amigos no sentido mais elevado do termo. Também alcançaremos o nível de amizade ideal com nossos semelhantes, não só com aqueles que estão buscando a iluminação espiritual ao longo do caminho que estamos trilhando, mas com todos os viajores de outras rotas.
Quando chegamos a ser amigos de Cristo, certamente inspiraremos amizade aos indivíduos por força de nossa conduta profundamente compassiva.
O melhor que pudermos fazer por cada um, seja individual seja coletivamente, como membros da Fraternidade Rosacruz, será realizado por meio da amizade. Podemos ajudar uma pessoa porque a consciência nos obriga a fazê-lo; ou porque nos apiedarmos dele; ou porque isso pode nos trazer alguma vantagem pessoal. Sob quaisquer dessas circunstâncias poderemos ser úteis. Porém, somente quando nos consideramos seus amigos, ligados por sentimentos de estima e compreensão, sobrepondo-nos aos nossos interesses pessoais, é que lhe seremos verdadeiramente úteis.
Quando trabalharem juntos, unidos e inspirados pelos laços de amizade, poderemos realizar algo realmente duradouro.
Lembremo-nos sempre que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, cujos belos ensinamentos nos uniram nesse Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, honram os seus Discípulos da mesma maneira que Cristo honrou os Seus Apóstolos chamando a cada Discípulo de Amigo!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/dezembro/1987 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Se estudarmos com atenção, não será difícil chegarmos à conclusão que só há quatro grandes motivos que nos leva a agir, a fazer, a atuar aqui na Região Química do Mundo Físico, enquanto estamos renascidos: amor, fortuna, poder e fama.
O desejo de alguma ou várias destas coisas objetos desses quatro motivos é a razão pela qual fazemos ou deixamos de fazer algo.
Se utilizamos os Ensinamentos Rosacruzes para compreender esses quatro motivos, concluímos que eles nada mais são do que incentivos para a agirmos para colocar ações, atos e fazer obras, a fim de obtermos experiências e aprender.
O Estudante Rosacruz deve continuar usando cada um dos quatro motivos de ação, firmemente, mas cabe a ele transmutá-los em algo superior e não focar no uso dele para aquisição ou manutenção das coisas materiais.
Assim, por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.
Portanto, o amor pelo qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.
Já a fortuna pela qual um Estudante Rosacruz deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.
No que tange ao poder, aquele que um Estudante Rosacruz deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.
E, por fim, a fama pela qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.
E se estudarmos a significância esotérica da Oração do Senhor (o Pai-Nosso) aprenderemos como essa Oração científica, nos fornecida diretamente por Cristo, é uma fórmula abstrata completa que nos ajuda a melhorarmos e a purificarmos todos os nossos sete veículos e, portanto, utilizar os quatro motivos para ação com o foco no nosso crescimento espiritual enquanto aqui renascidos.
Senão, vejamos cada um: nós, utilizando o nosso veículo Espírito Humano nos elevamos a nossa contraparte divina, o Espírito Santo, dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”.
Depois, utilizando o nosso veículo Espírito de Vida reverenciamos ante a nossa contraparte divina, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.
Continuando, utilizamos o nosso veículo Espírito Divino e nos ajoelhamos ante nossa contraparte divina, o Pai, e dizemos: “Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu…”.
Depois há a prece para que consigamos somente e tão somente o que precisamos para manter o nosso Corpo Denso aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Divino elevando a contraparte divina dele, o Pai, pedindo: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.
Seguindo na mesma linha, há a prece para que consigamos utilizar corretamente o nosso Corpo Vital aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito de Vida elevando a contraparte divina dele, o Filho, pedindo: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
E, completando para o Tríplice Corpo, há a prece para que consigamos controlar o nosso Corpo de Desejos aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Humano elevando a contraparte divina dele, o Espírito Santo, pedindo: “Não nos deixeis cair em tentação”. E isso o fazemos aqui, porque já compreendemos que o desejo é o nosso grande tentador, mas também é o nossos grande incentivo para a ação. E estamos conscientes de que os nossos desejos são bons quando eles cumprem os nossos (Ego) propósitos, mas quando nossos desejos se inclinam para algo degradante (mormente para o egoísmo ou para algo contra as Leis de Deus), certamente devemos rogar para não cair nessas tentações.
E, como a Mente é um veículo (não um Corpo) e que é nossa função trabalhar para transformá-la em um Corpo Mental (a fim de usá-las realmente para criar e não para copiar ou ser escrava do desejo), pedimos ao Pai, Filho e Espírito Santo por ela, por meio da súplica “Livrai-nos do mal”.
E por que para a Mente? Porque ela é o veículo que nos permite ligarmos os nossos três veículos superiores espirituais – pelos quais expressamos a nossa Individualidade – aos três Corpos – pelos quais expressamos a cada renascimento uma Personalidade diferente. É por meio da Mente que conseguimos não seguir os seus desejos sem nenhuma restrição. E só por meio dela é que conseguimos ter a faculdade de discernimento do bem e do mal.
Só a título de observação, a parte introdutória bem conhecida: “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. Também, a parte final que às vezes é proferida, qual seja: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi fornecida por Cristo. No entanto, pode ser bem considerada como apropriada como a nossa adoração final, como um Tríplice Espírito, por reafirmar a diretriz correta para a Divindade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: O significado das palavras de Cristo depende, obviamente, da interpretação da palavra “mundo”. Se por essa palavra entendemos toda a Terra, pode ser correto enviar missionários para países estrangeiros; mas, a Bíblia nos diz que os Discípulos, aos quais essa ordem foi dada, retornaram após terem cumprido sua missão, mostrando que a palavra empregada nessa ordem não poderia se referir a toda a Terra. Nesse contexto, a palavra “mundo” deveria ter recebido a interpretação “de um grupo de pessoas com uma identidade coletiva, que são organizados de alguma forma com relações sociais e políticas institucionalizadas”, que também pode ser encontrada em alguns dos nossos dicionários com outros ignificados. Na época de Cristo, as pessoas não conheciam o mundo todo. Ainda hoje encontramos o cabo mais ocidental da Espanha, chamado Cabo Finisterra – o fim da Terra. Portanto, esse termo, na época em que Cristo pronunciou a sua ordem, não poderia ter incluído toda a Terra tal como a conhecemos hoje. Assim, a declaração não é contrária aos ensinamentos bíblicos. É errado enviar missionários para as pessoas que chamamos de “pagãos”, pois, o desenvolvimento delas ainda é tal que elas não conseguem entender uma Religião que prega o amor ao próximo, uma Religião que nem nós ainda não aprendemos a colocar em prática. Além disso, se os grandes Anjos do Destino[2], que são responsáveis pela nossa evolução, são capazes de avaliar as nossas necessidades e colocar cada um no ambiente onde possa encontrar as influências mais proveitosas ao seu progresso, devemos acreditar, também, que eles deram a cada povo a Religião mais apropriada para o desenvolvimento dele. Portanto, quando uma pessoa é colocada num país onde a Religião Cristã é ensinada, essa Religião possui o ideal pelo qual ela deve lutar, mas tentar impô-la a outras pessoas que foram colocadas numa esfera diferente é estabelecer o nosso julgamento acima do julgamento de Deus e de Seus ministros, os Anjos do Destino. Entretanto, como foi dito, os missionários Cristãos causaram pouco prejuízo às pessoas que eles visitaram, mas poderiam ter feito melhor se permanecessem em casa. Não precisamos nos afastar de casa para encontrar pagãos que necessitam dos ensinamentos bíblicos. O professor Wilbur L. Cross[3] de Yale menciona, por exemplo, que numa classe de quarenta alunos ninguém pode identificar Judas Iscariotes; que ele tinha um aluno judeu que jamais ouvira falar de Moisés e que, em resposta a uma pergunta relativa à natureza da obra “O Peregrino – A Viagem do Cristão à Cidade Celestial”[4], a melhor resposta conseguida é que isso foi a base da história da Nova Inglaterra. Se os missionários tivessem entrado em contato com esses pagãos, talvez pudesse fazer algo de bom.
No entanto, mais danos são causados quando o oriente envia seus missionários para cá a fim de nos converter ao hinduísmo e Religiões afins, pois frequentemente esses hindus ensinam exercícios respiratórios que podem causar insanidades ou tuberculose, pois nossos Corpos Densos ocidentais não estão preparados para tais práticas. É mais seguro permanecer na Religião do nosso lugar ocidental, estudá-la e praticá-la, deixando os outros povos o privilégio de fazer o mesmo com relação as suas próprias Religiões.
(Pergunta nº 118 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Mc 16:15
[2] N.T.: também chamados de Senhores do Destino, Anjos Relatores, Anjos Registradores, Anjos Arquivadores
[3] N.T.: Wilbur Lucius Cross (1862–1948) foi um crítico literário americano e professor da Universidade de Yale que serviu como o 71º governador de Connecticut de 1931 a 1939.
[4] N.T.: Ou “The Pilgrim’s Progress” é um livro alegórico cristão de 1678 escrito pelo inglês John Bunyan. É considerado uma das obras mais significativas relacionadas às práticas teológicas e religiosas na literatura inglesa. O jovem peregrino chamado simplesmente Cristão, atormentado pelo desejo de se ver livre do fardo pesado que carrega nas costas, segue sua jornada por um caminho estreito, indicado por um homem chamado Evangelista, pelo qual se pode alcançar a Cidade Celestial. Na narrativa, todas as personagens e lugares que o peregrino depara levam nomes de estereótipos (como: Hipocrisia, Boa-Vontade, Sr. Intérprete, gigante Desespero, A Cidade da Destruição, O Castelo das Dúvidas, etc.) consoante os seus estilos, características e personalidades. No ínterim, surgem-lhe várias adversidades, nas quais ele padece sofrimentos, chegando a perder-se, ser torturado e quase afogar-se. Apesar de tudo, o protagonista mantém-se sempre sóbrio, encontrando auxílio no companheiro de viagem Fiel, um concidadão seu. Mais adiante na trama, Fiel é executado pelos infiéis da Feira das Vaidades que se opõem à busca dos dois peregrinos. Contudo, Cristão acha um outro companheiro, chamado Esperança, que mais tarde lhe salvará a vida, e eles seguem a dura jornada até chegarem ao destino almejado. A obra é uma alegoria contada como se fosse um sonho, voltando-se sempre a extrair dos eventos narrados alguns ensinamentos bíblicos, nos moldes das parábolas bíblicas.