Seja otimista! Está aí um exemplo de você construir e manter formas do Mundo do Desejo colhida de materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo. Não deixe se perturbar pelos obstáculos quotidianos. Encara-os com coragem e os contorne serenamente. A calma e o bom senso são os meios eficientes para afastar as nuvens negras que toldam o seu semblante. Se algo atormenta a você, procure averiguar de onde provém. Por certo será criação sua, através do uso negativo que você fez da palavra ou do pensamento. Procura a causa dos seus males e tenta eliminá-los racionalmente.
Ninguém pode viver bem sem equilíbrio, portanto, se você cair ante as provas, não se desespere. Você é parcela de Deus e forças novas lhe reerguerão novamente. Enquanto você permanecer convicto de que é um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, nada poderá lhe derrubar, porém se você limitar ao sentido efêmero desta vida material, será sempre presa fácil da tristeza, do desânimo, do ódio e de uma infinidade de sentimentos mesquinhos.
Não maldiga as duras lutas que a vida impõe a você. Elas constituem meios de sua elevação espiritual, sacudindo o pó da sua consciência embotada, lhe arrancando da inércia que o acorrenta, lhe despertando para a vida espiritual, criando dentro de você mesmo novos anseios, ideais elevados, culminando pelo desabrochar do Cristo Interno. Assim, procura enxergar a vida através de um prisma diferente, que imprima em seu ser a coragem de lutar e a esperança, sempre a esperança, mesmo ante os maiores revezes.
Os problemas que surgem diariamente não devem ser encarados como dificuldades a superar, mas sim como oportunidade de agir. A ação bem dirigida, o trabalho executado com finalidade construtiva e o labor altruísta formam um poderoso dínamo que, inevitavelmente, preserva o equilíbrio em sua vida. Nunca estejas ocioso, pois assim permanecendo, as preocupações logo lhe assaltariam advindo o pessimismo, o medo, a angústia; estas tenebrosas paixões que lhe intoxicam espiritual e fisicamente. Não se deixe dominar por elas, mas as subjugue. Nós, seres humanos, nos dividimos em duas grandes classes: as dos ocupados e a dos extremamente preocupados. Enquadre-se na primeira dessas duas grandes classes, sempre!
Não se esqueça que cada momento é precioso no sentido de criar novas causas que determinem um porvir mais elevado. Por conseguinte, semeia o bem a cada instante, através do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta nos irmãos, nas irmãs e em nós – que é a base da Fraternidade. Esta é a magna chave do crescimento anímico, do crescimento da sua Alma. Utilize-a sempre.
Não desperdice seu tempo com futilidades. Empregue-o inteligente e altruisticamente em benefício daqueles que carecem de ajuda. Cada minuto aproveitado em obra de tal envergadura representa um grande passo no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Já imaginou o que poderia ser realizado em apenas um minuto? Num ínfimo espaço de tempo como este, se poderia realizar algo cuja grandiosidade se estenderia até por muito tempo. Uma simples, porém, sincera e calorosa, palavra de estímulo pronunciada em alguns poucos segundos, pode até evitar uma tragédia. São múltiplas as maneiras de servir, importando apenas o sentimento que dinamiza tal ação.
Assim, alimentando ideais elevados, se dedicando ao sublime mister de servir a Humanidade, indicando-lhes um meio de elevação espiritual, você se colocará numa posição em que as coisas passageiras deste mundo material não mais o afetarão, pois se harmonizará com as Leis de Deus. Então, poderá afirmar como o apóstolo S. Paulo: “Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Como estudamos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “os Símbolos Divinos que foram dados a nós, de tempos em tempos, falam àquele fórum da verdade que está dentro de nossos corações, e despertam nossa consciência para ideias divinas inteiramente além das palavras. Portanto, o simbolismo, que desempenhou um papel importantíssimo em nossa evolução passada, ainda é uma necessidade primordial em nosso desenvolvimento espiritual; daí a conveniência de estudá-lo com nossos intelectos e nossos corações.”
Contemplando as rosas na cruz do Símbolo Rosacruz primeiro notamos que elas são da cor vermelho-sangue, cuja cor representa as atividades de Deus na natureza se manifestando como o Espírito Santo. O paralelo humano aponta para o mistério do Sangue Purificado.
O sangue é o veículo através do qual nós, o Ego, mantemos o controle do nosso Corpo Denso, e em particular através do ferro mediado por Marte, tornando possível o calor necessário no sangue. Por meio dos processos de viver retamente, as vibrações do Corpo Denso são harmoniosamente elevadas e o sangue é purificado e transformado no Sangue de Cristo. Este é um dos processos regeneradores do Cristo em nós, o nosso Cristo Interno. Alguns dos frutos desta condição são que o Corpo Denso se torna um instrumento nosso mais sensível e responsivo. Os poderes dele de imunidade são fortalecidos. Se alguém sofrer a picada de uma cobra venenosa, o veneno é neutralizado e eliminado, como afirma a Bíblia.
Quando Cristo-Jesus ressuscitou dos mortos, Ele veio aos Seus apóstolos e os imbuiu com o Poder do Espírito Santo em cumprimento à Sua promessa. Este foi o Batismo de Fogo. Ele só pode ser invocado com segurança, quando estamos estabelecidos nos Princípios de Cristo, os Princípios Crísticos. Nos Mistérios ou Iniciações, este Batismo é a realização do Casamento Místico, ou a união da Personalidade (o “eu inferior”) com a Individualidade (o “Eu superior”). As barreiras na Mente concreta são queimadas e grandes obras seguem.
Assim como as sete Rosas Vermelho-sangue no Símbolo Rosacruz se referem, macrocosmicamente, às sete Hierarquias Criadoras atualmente ativas na evolução humana, no nível microcósmico elas se referem aos sete dons pentecostais que cada Aspirante à semelhança de Cristo alcançará.
A Primeira Rosa é um penhor da bela promessa de Clarividência e Clariaudiência, ou visão clara e audição clara dos Mundos invisíveis. Quando, no progresso espiritual científico no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, os canais dos sentidos forem limpos de obstruções e harmoniosamente sintonizados com vibrações supranormais, essas habilidades serão adquiridas. Eles estão sob o controle da vontade iluminada e são usadas no amor para justamente o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada irmão e em cada irmã no nosso entorno. Esta primeira Flor do Espírito tem sua raiz, folha e seu broto na vida diária simples. A observação é o começo de toda a realização espiritual. Você veria claramente? Então deseje de todo o coração ver “de maneira direta” – sem instrumentos físicos ou por meio de outra pessoa – e compreensivamente. Livre a Mente do preconceito e das opiniões preconcebidas. Absorva a verdade do que você contempla, deixando de lado todas as ilusões do “eu inferior” que distorcem a sua visão. Somente os olhos do amor podem ver a verdade. A audição clara, a Clariaudiência, também depende das qualidades acima e do cultivo de um foco pronto e completo da atenção. Você chegará a entender outras pessoas muito melhor pelo cultivo e persistência em fazer o Exercício Esotérico de Observação, focando a sua atenção em uma atitude gentil e, assim, as revelações seguirão.
A Segunda Rosa é o símbolo da profecia. Este poder do Espírito Santo fornece o discernimento das causas de eventos passados e presentes e confere a inspiração para prever o futuro. É essencialmente um poder intelectual de discernimento aguçado. E isso se obtém com a prática constante do Exercício Esotérico de Discernimento. O Caminho da Preparação e Iniciação Rosacruz exige o cultivo da capacidade de identificar o essencial entre o não essencial na experiência e evolução humanas. Cego para o futuro que estão criando por atividade não iluminada, uma Humanidade sofredora clama por líderes de visão verdadeira. Esta condição escurecida é um resultado da Mente concreta estar em seu estágio de evolução de Saturno ou mineral; ela ainda não despertou na consciência espiritual. Estamos construindo formas de pensamento e desenvolvendo faculdades, mas não dotamos a Mente com a sabedoria do Coração. Devemos aprender a correlacionar adequadamente Causa e Efeito. Sem essa habilidade, não estamos nem preparados para receber e seguir um profeta, porque não desenvolvemos os meios infalíveis para provar sua verdade. Então, tateamos até que, em conformidade com as Leis Divinas, escrevemos nas “tábuas de carne de nossos corações”[1]. “Ainda que eu tenha o dom de profecia e não tenha amor, nada sou.”[2] Então, no amor, estudamos causa e efeito e aprendemos a profetizar.
A Terceira Rosa designa o poder de ensinar a Verdade e o conhecimento que a Verdade gera. Aprendemos por meio dos sentidos, das emoções e do pensamento, mas todas essas faculdades estão sujeitas a erros. Todo entendimento verdadeiro se origina no “Eu superior”; ele vem de cima. Embora primeiro tome forma na Mente abstrata, ele deriva sua sabedoria e seu poder do Mundo do Espírito da Vida.
À medida que nos afastamos da vida pessoal e nos esforçamos para viver a vida espiritual, gradualmente, estabelecemos linhas de força ou canais de comunicação entre a Mente concreta e a Mente abstrata. Finalmente, com a ajuda do Espírito Santo, o Casamento Místico é consumado. A partir desse momento, a Verdade é discernida em medida cada vez maior. Não precisamos mais confiar inteiramente nos registros dos outros. Lemos no livro Memória da Natureza, que é o pergaminho de Deus. O julgamento justo é alcançado, e podemos então distinguir, infalivelmente, entre profetas verdadeiros e falsos. Ensinar no conhecimento da Verdade nos ajuda a ser todas as coisas para todos os seres humanos e fornecer a eles o que é realmente necessário, de acordo com suas necessidades. É então que nos tornamos canais verdadeiros e autoconscientes para os Irmãos Maiores em seu trabalho pela Humanidade. Então “nascerá o Sol da Justiça, com cura em Suas asas” (Mal 4:2).
A Quarta Rosa convida à meditação sobre a natureza do Poder de Cura, os métodos de adquiri-lo e os frutos de sua operação. Da Divindade em nós emanam três fluxos especializados de energia radiante: Força de Vontade, Sabedoria e Atividade, correlacionados aos raios azul, amarelo e vermelho, respectivamente. O Poder de Cura é essencialmente do raio dourado, tendo sua fonte no Espírito da Vida, operando através da Alma Intelectual sobre a Mente. A natureza desta vibração é harmonizadora e vitalizante. Deus é Amor, Sabedoria e Luz; portanto, todo o sofrimento e toda a discórdia na experiência humana são o resultado de expressar nossas energias fora de harmonia com as Leis Divinas, que é sempre imutável. Durante a metade marciana do presente Período Terrestre ou, mais especificamente, até a metade da quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre, a tônica principal da atividade humana foi caracterizada pela diferenciação, repulsão e força centrífuga. Durante a metade mercuriana (da metade da quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre em diante), estamos lentamente aprendendo a verdadeira relatividade e as Leis da Natureza. O Discípulo da Cura deve seguir as sequências indicadas na analogia divina. Ele deve endireitar os caminhos do Senhor[3] em si mesmo. Paz, purificação, compreensão e amor devem se tornar seu estado de ser. Entre os frutos da Cura Espiritual Rosacruz, a recuperação de doenças físicas é o último fator a ser considerado, pois é o efeito da saúde, força e regeneração primeiramente transmitido aos veículos superiores. Devemos lidar com as causas da discórdia. Todos os métodos de cura que não consideram esse processo de regeneração como primordial apenas frustram a Natureza em suas medidas corretivas, que estão lenta, mas seguramente nos levando à conformidade com as Leis Divinas.
A Quinta Rosa simboliza o poder de expulsar demônios. “Fará coisas ainda maiores do que estas”[4]. Este poder da Mente Divina, a Mente Crística, inclui a capacidade de nos libertar de todas as formas de obsessão em inimizade com Deus e o ser humano. Residências para os psiquicamente perturbados estão lotadas de infelizes que são vítimas de vários tipos de obsessão, desde a de um pensamento ou emoção até a de entidades desencarnadas. Vamos esperar libertá-los pela promessa fiel de nosso Salvador. Aprendemos a natureza dos demônios por uma longa lista de qualidades descritas em qualquer enciclopédia bíblica. Violência, luxúria, engano, sutileza, orgulho, mentira, crueldade e medo são algumas das enumeradas. Aqui temos um esboço claro da obra que cada Discípulo de Cristo deve primeiro realizar dentro de si mesmo. Como podemos esperar expulsar demônios dos outros sem primeiro expulsá-los de nós mesmos! Vamos “vigiar e orar, para que não entremos em tentação”[5].
A Sexta Rosa relembra à nossa aspiração o poder glorioso da Palavra manifestado por nosso Senhor quando Ele acalmou a tempestade no mar da Galileia[6] e liberou a vida da figueira estéril[7]. Existem grandes Inteligências que comandam as atividades dos Elementais do Fogo, Ar, da Água e Terra. A Mente Crística pode comungar com esses seres espirituais e modificar as atividades de seus encargos. O cultivo do poder da Palavra tem seu humilde começo na condução de nossas atividades diárias. Quando consagramos o privilégio sagrado da fala à verdade e ao amor, um poder gradualmente impregna a palavra, e nossos ouvintes sentem algo dentro de si concedendo consentimento. Confiança e compreensão brilham de alma para alma: “Que as palavras da minha boca e as meditações do meu coração sejam agradáveis a Tua presença, ó Senhor, minha força e meu Redentor.”
A Sétima Rosa é emblemática do poder glorioso de ressuscitar os mortos. Como todos os outros dons espirituais, ela tem muitas aplicações. De uma forma geral, significa a sobrevivência do verdadeiro Eu após a morte da Personalidade ou do “eu inferior”. Elias ressuscitou o filho da viúva como uma testemunha do poder de Deus. Cristo Jesus ressuscitou Lázaro como uma testemunha do poder de Deus, naqueles a quem Ele envia como mensageiros para uma Humanidade espiritualmente adormecida.
A ressurreição de Lázaro é o símbolo da Iniciação espiritual. Quando o tempo de preparação é cumprido, a alma na consciência desperta se separa do Corpo Denso e entra nos Mundos invisíveis onde o propósito divino é revelado e os registros das fases passadas da evolução humana são mostrados na Memória da Natureza.
Sabedoria e maestria das forças da Alma e do Espírito dotam o Iniciado com poder glorioso para guiar e auxiliar a Humanidade. O medo da morte é conquistado e a morte física é reconhecida como um evento misericordioso na Vida Eterna.
Mas podemos ressuscitar os mortos no poder da revelação que nos chegou nos ensinamentos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Por nossa compreensão e pelas experiências que nos chegaram como Probacionistas e Discípulos, estamos equipados com conhecimento que pode convencer as pessoas que acreditam ser apenas entidades físicas condenadas à extinção na morte, que são essencialmente divinas e eternas em ser. Então nós os ressuscitamos dos mortos. “Ó Morte, onde está teu aguilhão, ó Sepultura, onde está tua vitória”[8], quando conhecemos o propósito da vida e nosso parentesco com nosso Criador?
A Rosa Branca que a Fraternidade Rosacruz utiliza: no Ritual do Serviço Devocional do Templo, no Ritual do Serviço Devocional de Cura e outros Rituais do Serviço Devocional é o início e o fim dos seus Símbolos de aspiração espiritual. No Caminho da Preparação e Iniciação Rosacruz, simboliza a paz e purificação, duas condições que devem ser estabelecidas como estados de ser antes que as obras superiores sejam alcançadas. Na analogia sublime, a Rosa Branca indica a transmutação de todos os poderes na Luz Branca de Deus. Na luta diária para conformar nossas vidas ao Plano Divino, estamos construindo o Corpo-Alma, o corpo celestial de luz, no qual funcionamos como Auxiliares Invisíveis.
“São as pequenas sementes de pensamentos gentis que são espalhadas aqui e ali, Que produzem uma colheita abundante, para que todo o mundo possa compartilhar.”
(Publicado na Revista Rays from The Rose Cross de novembro-dezembro/1997 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: Começaremos de novo a nos recomendar? Ou será que, como alguns, precisamos de cartas de recomendação para vós ou da vossa parte? Nossa carta sois vós, carta escrita em nossos corações, reconhecida e lida por todos os homens. Evidentemente, sois uma carta de Cristo, entregue ao nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações!”. Tal é a certeza que temos, graças a Cristo, diante de Deus. (IICor 3:1-5)
[2] N.T.: ICor 13:2
[3] N.T.: Is 40:3-4 e Is 45:2-3, e em Pb 3:6-10
[4] N.T. Jo 14:12
[5] N.T.: Mt 26:41
[6] N.T.: Depois disso, entrou no barco e os seus discípulos o seguiram. E, nisso, houve no mar uma grande agitação, de modo que o barco era varrido pelas ondas. Ele, entretanto, dormia. Os discípulos então chegaram-se a ele e o despertaram, dizendo: “Senhor, salva nos, estamos perecendo!”. Disse-lhes ele: “Por que tendes medo, homens fracos na fé?”. Depois, pondo-se de pé, conjurou severamente os ventos e o mar. E houve uma grande bonança. Os homens ficaram espantados e diziam: “Quem é este a quem até os ventos e o mar obedecem?”. (Mt 8:23-27)
[7] N.T.: Contou ainda essa parábola: “Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Veio a ela procurar frutos, mas não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho buscar frutos nesta figueira e não encontro. Corta-a; por que há de tornar a terra infrutífera?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda este ano para que eu cave ao redor e coloque adubo. Depois, talvez, dê frutos… Caso contrário, tu a cortarás’”. (Lc 13:6-9)
[8] N.T. ICor 15:55
Resposta: Para chegar à compreensão exata do Mundo do Desejo – que contém sete Regiões, como qualquer outro dos sete Mundos em que se divide o Universo – é preciso compreender que é esse o Mundo dos sentimentos, desejos e das emoções. Esses estão sob o domínio de duas grandes forças: a Força de Repulsão e a Força de Atração.
A Força de Repulsão atua predominantemente nas três Regiões mais densas ou inferiores do Mundo do Desejo; mas a Força de Atração também atua nessas três Regiões mais densas, embora com intensidade muito menor do que a Força de Repulsão. Agora, essa mesma Força de Atração atua supremamente nas três Regiões mais sutis ou superiores do Mundo do Desejo. E nessas três Regiões mais sutis ou superiores do Mundo do Desejo a Força de Repulsão não atua nunca.
A Região Central, ou seja, a quarta Região do Mundo do Desejo é um campo neutro. Essa Região é a Região do Sentimento. Nessa Região temos dois Sentimentos atuantes: o Interesse e a Indiferença em relação a um objeto ou uma ideia e que faz pender a balança do Sentimento a favor de uma das Regiões mencionadas, ou uma ou mais das inferiores ou uma ou mais das superiores, sendo tal Sentimento envolvido pela Força de Repulsão ou Força de Atração. A Força de Atração, em parte existente nas três Regiões Inferiores do Mundo do Desejo e reinando supremamente nas três Regiões Superiores do Mundo do Desejo, atrai o pensamento-forma, enquanto a Força de Repulsão, que reina supremamente nas três Regiões Inferiores, procura destruí-lo. Não fosse contrabalançada pela Força de Atração, a Força de Repulsão acabaria destruindo tudo o que surgisse nas três Regiões Inferiores. Contudo, não se trata de uma Força vandálica, pois nada é vandálico na Natureza.
Em última análise, tudo age para o bem. A natureza das formas que habitam a mais inferior das três Regiões são formas demoníacas, engendradas pelas paixões inferiores do ser humano e dos animais. A tendência de qualquer forma no Mundo do Desejo é a de atrair para si todas as formas de natureza semelhante. Se essa tendência para atrair predominasse nas Regiões Inferiores, o mal cresceria incomensuravelmente. Haveria anarquia do Cosmos. Isso é evitado através da Força de Repulsão, que impede o desenvolvimento de tendências maléficas. Quando uma forma produzida por um desejo, sentimento ou emoção inferior está sendo atraída para outra da mesma natureza, há uma desarmonia em suas vibrações e isso faz com que se produza um mútuo efeito desintegrante. Desse modo o mal existente no mundo é contrabalanceado.
Conhecendo o trabalho dessas duas Forças, estaremos em condições de compreender a máxima oculta: “a mentira, no Mundo do Desejo é, ao mesmo tempo, assassina e suicida. Quando alguém cria um pensamento-forma mentiroso, ou seja, desvirtuado, diferente do original e verdadeiro, as duas formas se atraem por afinidade, mas como estão dessintonizadas, em virtude desses desvirtuamentos, ambas se atacam e se destroem. Assim, as mentiras são prejudiciais à evolução e elevação do caráter, porque enfraquecem o bem e se repetidas podem até destruí-lo!”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1968 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Como já aprendemos através dos nossos estudos do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, o motor-mestre de todos os pensamentos, atos, todas as ações e obras, sejam bons ou maus, tem origem no desejo. O desejo de apaziguar a fome nos leva a comer; o desejo de companhia nos faz procurar os outros; e assim por diante. Antes de possuirmos um Corpo de Desejos (antes do Período Lunar), éramos imóveis e semelhantes a uma planta. A nossa forma tinha vida e capacidade de se mover, mas nenhum incentivo para fazer isso. Esse incentivo era fornecido pelas forças ativas no Mundo do Desejo que trabalhavam através do nosso Corpo de Desejos macrocósmico e nos impeliam a movimentar o nosso Corpo Denso nesta ou naquela direção.
Primeiro foi nos fornecido o germe do Corpo Denso; depois foi nos fornecido o germe do Corpo Vital, como meio de vitalizar o Corpo Denso. Depois foi acrescentado o germe do Corpo de Desejos, que pôs em ação o Corpo Denso e o Corpo Vital, resultando disso desejos, vontades, paixões, sentimentos e emoções. Em seguida, foi nos fornecido o germe da Mente, através do qual podemos ganhar experiências e, assim, aprender a controlar as atividades do nosso Tríplice Corpo. E agora nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), estamos devidamente equipados para começar o nosso aprendizado na grande Escola da Vida de Deus.
Depois de cumprida uma certa quantidade de trabalho renascido, mais uma vez, aqui, aprendemos como se encerra o dia quando atravessamos o portal do que se chama de mais uma morte aqui. O caminho para o nosso verdadeiro lar, que é o Segundo Céu, nos leva primeiro ao Purgatório – que se situa nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo –, onde é purgado de cada partícula de mal, por menor que seja, e a memória do sofrimento resultante dessa purgação é incorporada na consciência; depois vem o Primeiro Céu, que se situa nas três Regiões mais elevadas, ou superiores, do Mundo do Desejo.
Os nomes dessas três Regiões superiores do Mundo do Desejo são: Região da Vida Anímica, Região da Luz Anímica e Região do Poder Anímico. Nelas residem todas as atividades da vida da Alma. E aqui, mais uma vez, a realidade é trazida até nós: o nosso grau de felicidade nos Mundos celestiais depende de quanto crescimento de Alma nós praticamos durante a vida no Mundo material.
Aqui, no Primeiro Céu, nos encontramos purificados novamente do panorama da nossa vida passada, que se desenrola de novo para trás; mas dessa vez os bons atos da vida são a base do sentimento. E agora, note bem isto, — assim como foi na passagem pelo Purgatório, assim é nos Mundos celestes — exatamente na proporção dos atos, das ações, e obras praticados por meio do nosso Corpo Denso que baseou a nossa existência purgatorial, acontece o mesmo em relação à bem-aventurança celeste no Primeiro Céu. Poucos, se é que alguém, da Humanidade da nossa fase atual de evolução são inteiramente bons para escapar apenas um pouco do fogo refinador que separa a escória do ouro puro que há no Purgatório. E poucos são os que não têm suficiente bem armazenado no registo do seu passado para lhes dar alguma porção de alegria nos Mundo celestiais, que há no Primeiro Céu.
À medida que o panorama do passado se desenrola no Primeiro Céu, quando nos deparamos com as cenas em que ajudamos os outros irmãos, percebemos de novo toda a alegria de ajudar que era nossa no momento em que o ato, a ação ou a obra de bondade foi praticado e, além disso, sentimos toda a gratidão que nos foi derramada pelo destinatário da nossa ajuda. Quando chega às cenas em que fomos ajudados por outros, sentimos toda a gratidão que, então, sentiu o nosso benfeitor. Vemos assim a importância realmente grande de apreciar os favores que nos são feitos pelos outros, porque a gratidão é um meio de crescimento de Alma e tal crescimento é a grande obra da nossa época. Aqui também está a chave para a nossa felicidade nos Mundos celestes, pois ela depende da alegria e do regozijo que damos aos outros irmãos (Serviço) e da valorização que damos ao que os outros fizeram por nós. O livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz ensina isso.
É um grande erro pensar que a capacidade de prestar serviço, de dar esteja investida principalmente em pessoas de posses. A doação indiscriminada de quaisquer tipos de recursos financeiros pode causar mal! Mas não há alguém tão pobre em bens mundanos que não possa fornecer um olhar bondoso, um sorriso, uma expressão de confiança amorosa e simpática (um “bom dia”, uma “boa tarde”, “boa noite”, um “Olá”, um “como vai”, um “muito obrigado”, um “com licença”), palavras animadoras de coragem e fé, um pensamento útil ou uma ótima risada. O que importa é o ato, a obra, a ação de ajudar o irmão ou a irmã de um modo desinteressado (se possível, anonimamente) – sempre esquecendo os defeitos deles e, assim focando na divina essência oculta em cada um de nós), seja mental, moral ou fisicamente, a se ajudar e não a torná-lo dependente nem de nós e nem dos outros, pois a dependência gera fraqueza, enquanto todo esforço produz força. Não é isso que repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo quando rezamos no final da Oração Rosacruz: “… E, com todo o nosso poder, possamos elevar todas as Almas, a fim de que vivam em harmonia e na luz de uma perfeita Liberdade.”.
No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos que o Primeiro Céu é um lugar de alegria, sem uma única gota de amargura. Lá, nós estamos além da influência das condições materiais ou terrenas e assimilamos todo o bem contido na nossa vida passada, enquanto a vivemos de novo. Aqui se realizam, em toda a sua plenitude, todas as aspirações enobrecedoras a que aspiramos. É um lugar de repouso e, quanto mais dura tiver sido a nossa vida aqui, tanto mais intensamente será desfrutado o repouso e o regozijo lá.
A doença, a tristeza e a dor são desconhecidas aqui. É no Primeiro Céu que os pensamentos do Cristão devoto construíram a Nova Jerusalém, a partir do material de desejos sutil de que esta região é composta. Belas casas, árvores e flores, para citar alguns exemplos, são a porção daqueles que as desejaram e, embora construídas com material sutil, são tão reais e tangíveis para eles, quanto as nossas são para nós. Todos obtêm aqui a satisfação que lhes faltou na vida terrena.
Este Céu é também um lugar de progressão para todos os que foram estudiosos, artísticos ou altruístas. Aqui o estudante e o filósofo têm acesso a todas as bibliotecas do mundo. O artista tem um prazer infinito nas combinações de cores em constante mudança, pois aprende rapidamente que os seus próprios pensamentos misturam e moldam essas cores à sua vontade. Suas criações brilham e cintilam com uma vida impossível de alcançar para quem trabalha com os pigmentos baços do mundo terreno, pois aqui ele está, por assim dizer, pintando com materiais vivos e brilhantes; assim, é capaz de executar os seus projetos com uma facilidade que enche a sua alma de prazer.
Tal como o Mundo Físico é o mundo da forma e por isso a forma é aqui mais acentuada, também a cor é particularmente acentuada no Mundo do Desejo. O músico ainda não alcançou o lugar onde sua arte se expressará em toda a sua extensão, pois a música pertence ao Mundo do Pensamento, onde estão localizados o Segundo Céu e o Terceiro Céu. O Mundo do Pensamento é a esfera do tom e a música celestial é um fato, não uma simples figura de linguagem. Embora o tom seja mais acentuado no Mundo do Pensamento, os ecos dessa música celestial chegam até nós, aqui, no Mundo Físico, e são os nossos bens mais preciosos, embora sejam tão excessivamente elusivos que não possam ser criados permanentemente como podem outras obras de arte — a escultura, a pintura ou a literatura. No Mundo Físico o tom desaparece no momento em que nasce, mas no Primeiro Céu os ecos são, naturalmente, muito mais belos e têm mais permanência; por isso o músico ouve sons mais doces do que já ouviu durante a sua vida terrena.
No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz lemos sobre a bela vida celestial que as crianças têm no Primeiro Céu, e nos dizem que, se pudéssemos vê-las lá, a nossa dor cessaria rapidamente aqui. Quando uma criança morre antes do nascimento do Corpo de Desejos, que ocorre por volta do décimo quarto ano na vida aqui, ela não vai além do Primeiro Céu, porque não é responsável pelos seus atos, suas obras ou ações, assim como o recém-nascido não é responsável pela dor que causa à sua mãe, quando se movimenta no seu ventre. Portanto, a criança não tem existência purgatorial. O que não é vivificado não pode morrer e por isso o Corpo de Desejos de uma criança, junto da Mente, persistirá até um novo nascimento; por essa razão tais crianças são muito aptas a se lembrar da sua vida anterior, como no caso citado em outro lugar do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
Para essas crianças, o Primeiro Céu é um lugar de espera, onde permanecem de um a vinte anos até que uma oportunidade para um novo nascimento seja oferecida. No entanto, é mais do que um simples lugar de espera, porque há muito progresso feito durante esse tempo. Quando uma criança morre, há sempre um parente, um conhecido que a quer muito bem que a espera ou, na falta destes, há pessoas que amaram ser “mães” de crianças na vida terrena e que encontram prazer em cuidar de uma pequena solitária. A extrema plasticidade do material de desejo facilita a formação dos mais requintados brinquedos vivos para as crianças e a vida delas é um belo jogo; no entanto, a sua instrução não é negligenciada. São agrupadas em classes, de acordo com os seus temperamentos, mas independentemente da idade.
No Mundo do Desejo é fácil dar lições objetivas sobre a influência das paixões boas e más na conduta e na felicidade. Essas lições ficam indelevelmente impressas no sensível e emocional Corpo de Desejos da criança e permanecem com ela após o renascimento, de modo que muitos que vivem uma vida nobre devem muito disso ao fato de terem recebido esse treinamento. Muitas vezes, quando um Ego fraco nasce, os Seres Compassivos (os Líderes invisíveis que guiam a nossa evolução) fazem com que ele morra aqui no início da vida para que possa ter esse treinamento adicional lá, que o prepara para o que pode ser uma vida difícil. Este parece ser o caso, particularmente, quando a gravação no Átomo-semente do Corpo de Desejos foi fraca e prejudicada, em consequência de uma pessoa moribunda ter sido perturbada pelas lamentações dos seus parentes, ou porque encontrou a morte por acidente ou no campo de batalha ou seu Corpo Denso, depois que morreu, foi dissecado, cutucado, furado, cortado, embalsamado. Ela não experimentou, nessas circunstâncias, a intensidade apropriada de sentimento em sua existência post-mortem; logo, quando ela nasce e morre no início da vida, a perda é compensada.
Muitas vezes, o dever de cuidar dessa criança na vida celeste pertence àqueles que foram a causa da anomalia. Eles têm assim a possibilidade de compensar a sua falta e de aprender melhor. Ou talvez se tornem os pais da pessoa que prejudicaram e cuidem dela durante seus poucos anos de vida. Então não importa se lamentam histericamente a morte dessa criança, porque não haverá imagens de qualquer consequência no Éter Refletor do Corpo Vital da criança. E assim a “dívida é paga” e a “conta é liquidada” como sempre deve ser.
Nenhuma pessoa que passa por uma vida terrena egoísta, crítica, egocêntrica, censuradora e sem caridade, buscando seus principais prazeres nas coisas físicas, materiais — ou seja, no que pode ser obtido e desfrutado apenas por meio dos sentidos puramente físicos e, ainda assim, porque uma vez colocou seu nome em um registro de uma Igreja ou frequenta alguma “Religião exotérica” por motivo de dever ou como se fosse uma espécie de bálsamo para uma consciência ultrajada — deve esperar que lhe seja permitido ficar por muito tempo ou desfrutar muito a estada no Primeiro Céu. Porque o Primeiro Céu é, verdadeiramente, a Região da Alma e a Alma é a essência da simpatia e da ajuda feita e prestada aqui, que é a quintessência do serviço amoroso e desinteressado (se possível, anonimamente) – sempre esquecendo os defeitos deles e, assim focando na divina essência oculta em cada um de nós) – prestado durante a nossa vida terrestre, ou seja: aqui, especial e principalmente por meio de atos, obras e ações, usando o nosso Corpo Denso.
Ou seja, uma vida assim: egoísta, crítica, egocêntrica, censuradora e sem caridade, buscando seus principais prazeres nas coisas físicas, materiais – ou seja, no que pode ser obtido e desfrutado apenas por meio dos sentidos puramente físicos e, ainda assim, porque uma vez colocou seu nome em um registro de uma Igreja ou frequenta alguma “Religião exotérica” por motivo de dever ou como se fosse uma espécie de bálsamo para uma consciência ultrajada – não pode ser produtiva de grande quantidade de ambos. Porque nenhuma qualidade pode se tornar parte de nós até que a tenhamos incorporado na nossa natureza, vivendo-a no dia a dia. Podemos pensar em altruísmo, podemos falar sobre altruísmo e podemos acreditar em altruísmo, mas para realmente possuirmos o altruísmo temos que vivê-lo, colocá-lo em prática por meio de atos, obras e ações. Não há outro caminho! É exatamente assim que o crescimento anímico – o crescimento da Alma – funciona. A Alma não é um órgão físico nem um sentido físico, como a visão e o tato. Cada Alma é o resultado do nosso trabalho (o Ego) em cada um dos nossos três Corpos, a saber: a Alma Consciente, resultado do trabalho por meio de atos, obras e ações boas no nosso Corpo Denso; a Alma Emocional, resultado do trabalho por meio de desejos, emoções e sentimentos superiores no nosso Corpo de Desejos; a Alma Intelectual, resultado da memória dos atos, obras e ações boas, e desejos, emoções e sentimentos superiores gravados no nosso Corpo Vital. Assim, os nossos veículos devem se tornar o “servo” e não o “senhor”, porque são simplesmente os nossos instrumentos, nossas “ferramentas de trabalho”.
Você quer encurtar a sua permanência no Purgatório? Então tente não incorporar em seu Panorama de Vida – quando morrer mais uma vez aqui – as coisas das quais será purgado para se tornar puro. Quer ter uma ajuda que acelera a redução desses registros que levam a estada no Purgatório? Pratique o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção.
Gostaria de saborear a sua estada no Primeiro Céu, essa região de alegria e regozijo, sem uma única gota de amargura, onde todas as suas aspirações mais elevadas se realizam em toda a sua extensão e você obtém a satisfação que a vida terrena não deu? Então procure ter uma vida que faça sua Alma crescer. Busque diligentemente os doze tipos de oportunidade que nos chegam todos os meses e, quando encontrar, seja atencioso no serviço amoroso e desinteressado (se possível, anonimamente) – sempre esquecendo os defeitos deles e, assim focando na divina essência oculta em cada um de nós) – prestado durante a nossa vida terrestre!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross junho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Pergunta: De onde o pintor tira sua inspiração?
Resposta: Principalmente do Mundo das cores – o Mundo do Desejo.
Pergunta: Por que a música é diferente e superior a todas as outras artes?
Resposta: Isso pode ser compreendido quando refletimos que uma estátua ou uma pintura, quando criada, é permanente, enquanto a música é mais elusiva e deve ser recriada cada vez que a ouvimos, se quisermos ter toda a fidelidade do criador.
Pergunta: A música pode ser aprisionada por dispositivos mecânicos?
Resposta: Sim, mas a música assim produzida perde muito da doçura comovente que possui quando vem fresca do seu próprio Mundo.
Pergunta: Qual é o órgão sensorial mais perto da perfeição do nosso Corpo Denso?
Resposta: O ouvido.
Pergunta: Por que o ouvido está mais perto da perfeição do que o olho?
Resposta: Porque o ouvido ouve todos os sons sem distorção, enquanto o olho frequentemente distorce o que vemos.
Pergunta: Além do ouvido musical, o que mais o músico deve aprender a construir?
Resposta: Uma mão longa e fina com dedos finos e nervos sensíveis.
Pergunta: Por que ninguém pode habitar um Corpo mais eficiente do que ele é capaz de construir?
Resposta: Porque primeiro aprendemos a construir um Corpo de certo nível e depois aprendemos a viver nele. Dessa forma, aprendemos a discernir seus defeitos e nos é ensinado a remediá-los.
Pergunta: Em que trabalhamos inconscientemente durante a nossa vida pré-natal?
Resposta: Na construção dos nossos Corpos.
Pergunta: Quando trabalhamos conscientemente na construção dos nossos próprios Corpos?
Resposta: Quando atingimos o nível onde a quintessência dos nossos Corpos anteriores já foi totalmente assimilada e não temos mais lições a aprender aqui; então trabalhamos conscientemente na construção dos nossos Corpos.
Pergunta: O que fornece poder a nós para construir Corpos para uma nova vida aqui?
Resposta: Quanto mais avançamos e quanto mais trabalhamos em nossos veículos, com o objetivo de torná-los imortais, mais poder temos para construir Corpos para uma nova vida aqui.
Pergunta: Quando um Estudante Rosacruz avançado no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz começa a construir conscientemente os seus próprios Corpos?
Resposta: Algumas vezes, assim que o trabalho durante as três primeiras semanas (que pertence exclusivamente à mãe) é concluído.
Pergunta: Quando a “Epigênese” começa?
Resposta: Quando o período de construção inconsciente termina, temos a chance de exercer nosso nascente poder criador. Então, o verdadeiro e original processo criador começa.
Pergunta: Onde aprendemos a construir nossos veículos?
Resposta: Nos Mundos celestes.
Pergunta: E onde aprendemos a usar nossos veículos?
Resposta: No Mundo Físico, renascidos aqui na Região Química do Mundo Físico.
Pergunta: O que a Natureza nos fornece e nos ensina?
Resposta: A Natureza fornece todas as fases da experiência, de maneira tão maravilhosa e com uma sabedoria tão consumada que, à medida que aprendemos a ver mais profundamente seus segredos, ficamos mais impressionados com nossa própria insignificância e ganhamos uma reverência cada vez maior por Deus.
Pergunta: O que pode ser deduzido da grande complexidade da natureza?
Resposta: A existência factual de um Autor Divino e inteligente do Universo.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Resposta: Depende. Geralmente o tempo estabelecido entre dois nascimentos é em torno de mil anos, para dar oportunidade às pessoas a renascerem uma vez como sexo masculino e outra como sexo feminino durante a passagem do Sol, por Precessão dos Equinócios, através de cada Signo do Zodíaco, o que leva aproximadamente 2.100 anos. Assim acontece porque as lições a serem aprendidas, durante esse período, são tantas e tão variadas que não podem ser totalmente assimiladas num Corpo pertencente a um único sexo. As experiências são bem diferentes sob o ponto de vista de um ser do sexo masculino e um ser do sexo feminino. Contudo, essa lei é semelhante a todas as outras Leis da Natureza, ou seja, ela não é cega. Ela está sob o controle de quatro grandes Seres chamados Anjos do Destino, que tratam de todos os pormenores da evolução humana. Eles garantem que todos tenham a oportunidade de obter o máximo de experiências possíveis. Se for necessário que uma pessoa permaneça nos Mundos invisíveis durante todo um período de mil anos, ela permanecerá. Senão, retornará aqui mais cedo. Algumas pessoas retornam depois de algumas centenas de anos, por terem evoluído bastante, aprendido rapidamente as lições necessárias. As pessoas que “vivem a vida” como Probacionistas, que assimilaram sua experiência de vida antes de patirem daqui, e já estão fazendo uma boa quantidade de atividades nos Mundos invisíveis não precisarão passar tanto tempo do outro lado. Eles se colocaram, definitivamente, ao lado das Leis de Deus e, portanto, recebem maiores oportunidades de evolução por meio do serviço.
(Pergunta nº 17 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Repostas” – Volume 2 – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Frequentemente ouvimos, entre os Estudantes Rosacruzes, falar da palavra “Arquétipo”, referindo-se ao modelo ou padrão original de alguma coisa, mas quantos de nós sabem da existência de um Arquétipo para cada indivíduo no mundo? Que a construção do Corpo Denso é exatamente uma cópia do referido Arquétipo?
Se nossos Corpos não são perfeitos, o erro deve se encontrar num Arquétipo defeituoso e, assim sendo, é bom saber a causa de imperfeição e como pode ser corrigida. Nós, o Ego, com o auxílio das Hierarquias Criadoras, particularmente os Senhores da Mente, formamos, na Região do Pensamento Concreto, o Arquétipo (que é um pensamento-forma) de um nosso futuro Corpo Denso, antes de cada renascimento aqui. Esse Arquétipo é um modelo que vibra harmoniosamente, formado pelo poder da Música das Esferas. Pomos em vibração o Arquétipo com certa quantidade de nossa própria energia de vida e tal quantidade de energia vital fornecerá a duração da nossa vida terrena, de acordo com seu impulso maior ou menor. Quando esse impulso cessa, o Arquétipo deixa de vibrar e o Corpo Denso morre, começando a se decompor, por lhe faltar a força vital e coesiva.
É a Lei de Causa e Efeito que rege a duração da nossa vida aqui. Em cada renascimento são dadas a nós várias oportunidades para o nosso avanço espiritual. Se as aproveitamos, a vida continua. Uma vida repleta de serviços amorosos e desinteressados (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada irmão e irmã – que é a base da Fraternidade – é, algumas vezes, prolongada por novo impulso vital no Arquétipo. Ordinariamente, a duração da vida é determinada no Terceiro Céu, ao nos prepararmos para um renascimento aqui. Todavia, sob certas circunstâncias adversas ou favoráveis pode ser ela prolongada ou encurtada.
Por exemplo, quando desdenhamos as oportunidades de crescimento e enveredamos por um caminho perigoso em que podemos nos tornar singularmente mau, nossa vida terrestre é encurtada. Mas, isso sucede apenas quando já nos encontramos num beco sem saída. Então, as Hierarquias Criadoras, agindo por misericórdia, destroem o Arquétipo, finalizando, assim, a nossa manifestação terrena, para que nos reforcemos moralmente num aprendizado no Primeiro Céu.
O movimento harmonioso da vibração do Arquétipo é que atrai para si o material do Mundo Físico e fixa os átomos todos do Corpo Denso, fazendo-os vibrar em sintonia com o Átomo-semente daquele Corpo. Nenhum Corpo Denso pode ser formado sem o padrão do Átomo-semente.
O suicida, quando morre o Corpo Denso, leva o Átomo-semente dele. Mas, como o Arquétipo continua vibrando e tende a atrair matéria física, estando carente do Átomo-semente, fica impossibilitado de assimilar o material e utilizá-lo no Corpo Denso. Devido ao fato de ser o Arquétipo oco, nesse caso o Ego experimenta um sentimento de vazio desesperador que não cessa até que pare de vibrar tal Arquétipo, o que ocorre quando está marcada a morte natural dessa pessoa aqui na Terra. Então o Arquétipo se desintegra. Nós construímos um Arquétipo para cada vida.
Na região da medula oblongada, na parte superior do cordão espinhal há uma chama que pulsa e vibra de um modo maravilhoso. Sua cor varia segundo a natureza do indivíduo no qual é observada. É nela que o Arquétipo toca a nota-chave do Átomo-semente do Corpo Denso. Esse som muda através da vida e conforme ele vai mudando, também o Corpo Denso vai experimentando transformações.
Algumas vezes, certo número de Forças Arquetípicas trabalha juntas para criar uma espécie individual de plantas ou animais, como ocorre com o ornitorrinco da Austrália. Em tais casos as notas-chaves de todas se combinam em um só acorde e este acorde é a nota-chave da forma assim criada. Na Região do Pensamento Concreto, quando se deseja conhecer determinada coisa, basta concentrar a atenção no Arquétipo dela. Ele, por assim dizer, emitindo um som, imediatamente fornece uma iluminada compreensão de cada uma das fases de sua natureza, dando uma visão de se haver vivido através das próprias experiências, juntamente com as coisas que se investiga. Não fora a enorme dificuldade que ela apresenta, essa informação poderia ser utilizada imediatamente. Contudo, essa informação, essa película da vida da coisa, chega-nos de modo global e com tal rapidez, num abrir e fechar de olhos, sem começo nem fim e, assim, para usar essa informação arquetípica, aqui no Mundo Físico, temos que ordená-la cronologicamente, com um princípio e um fim, de modo a torná-la inteligível aos seres humanos. Esta é uma tarefa assaz difícil, a grande dificuldade de que falamos atrás.
A qualidade do material que se reúne para a construção de um corpo depende do Átomo-semente; a quantidade depende da requerida pelo Arquétipo. O Arquétipo determina nossa forma, altura, nosso peso e nossa aparência física. De fato, é um modelo vivo do Corpo Denso. Todo ato nosso tem um efeito no Arquétipo do nosso Corpo Denso. Se o ato está em harmonia com as Leis da Vida – que são as Leis de Deus – e sintonizado com a Evolução, fortalece-o e prolonga a vida, na qual obterá o máximo de experiência, alimentando e fazendo crescer a nossa alma de forma extraordinária, mas sempre segundo sua posição relativa na vida e sua capacidade de assimilação. Contrariamente, se aplicamos nossas capacidades de modo destrutivo, contrariando as Leis de Deus, o Arquétipo se debilita e se destrói facilmente.
Moisés foi levado à montanha (um lugar elevado, Iniciação) e lhe foi ensinado ali certo modelo (Arquétipo) do Tabernáculo do Deserto. Esse Arquétipo foi construído pelas Hierarquias Criadoras, nos Mundos celestes.
O Arquétipo é influenciado pela natureza da vida passada. Quando nos esforçamos sinceramente, pela verdade e retidão, criamos ao nosso redor pensamentos-formas de natureza semelhante e, deste modo, nossa Mente atua num ambiente harmonizado com a verdade, centro de nossa Aura. Agindo assim, quando morremos mais uma vez aqui e chegamos ao Segundo Céu, nos encontramos dispostos a construir um novo Arquétipo que, intuitivamente, delineamos com as forças vibratórias da retidão e da verdade e tais linhas de força vibratória criarão harmonia no novo veículo, que manifestará saúde, felicidade, eficiência e amor. Ao contrário, se na nossa vida terrena malbaratamos os nossos talentos, descuidamos da verdade, exercitamos a astúcia, o extremo egoísmo indiferente à felicidade dos demais, seguramente, ao chegarmos no Segundo Céu, veremos as coisas de modo falso, deturpado, sem entender nada. Em consequência, construiremos um Arquétipo dentro de linhas que conterão o erro, ineficiência e a falsidade manifestados no Corpo, em detrimento dos vários órgãos físicos. Sob tais circunstâncias, as vibrações que deveriam resultar na construção de Trígonos e Sextis em nosso horóscopo natal se desviam das linhas construtoras exatas, até que as encontre novamente, quando, então, o Ego começa de novo a trabalhar no Arquétipo.
As formas que vemos a nosso redor são figuras de som cristalizadas, isto é, resultado das Formas Arquetípicas que trabalham por meio dos Arquétipos na Região do Pensamento Concreto.
É curioso que a ocorrência do suicídio na vida de uma pessoa e os consequentes sofrimentos, por nós referidos atrás, geram o medo mórbido da morte nos renascimentos seguintes.
Quando uma pessoa que se suicidou em vida anterior, morre aqui na vida seguinte, sente tal ânsia de voltar ao Mundo Físico que, frequentemente, comete o crime de obsessão, da maneira mais irrazoável e estúpida. E, como há sempre pessoas negativas, facilmente influenciáveis, procura oportunidade para se refugiar num Corpo Denso, expulsando o Ego residente. Outras vezes, não encontrando tal oportunidade, apesar dos negativos que existem por aí, sucede uma coisa horrível, absurda: com tal ânsia de retornar ao mundo, o Ego do antigo suicida retira a posse do Corpo de um animal de seu legítimo dono, para nele entrar. Encontra-se, então, sob a terrível necessidade de viver uma existência animal, pura e simplesmente. Se o animal está sujeito a crueldades, o Espírito humano obsessor sofre horrivelmente; se o animal é sacrificado para alimento, o ser humano, dentro dele, vê e compreende tudo o que se relaciona com o ato que se vai realizar e tem que passar pelas horripilantes experiências dessa morte. Esta é uma das explicações de casos curiosos de animais que se ajoelham diante da morte ou dão mostras de uma estranha consciência do ato, pois tais casos sucedem com relativa frequência, como pode verificar alguém que seja clarividente e visite nossos grandes matadouros.
Nenhum Espírito humano pode nascer no corpo de um animal, mas é-lhe possível neutralizar a relação do Espírito animal com sua forma e tomar posse dela por certo tempo.
Esses fatos determinaram a necessidade de educarmos o mundo sobre a grande verdade de que a morte aqui, assim como o nascimento aqui, são apenas acontecimentos correntes na vida imortal de nós, o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – agosto/1971 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta:Em primeiro lugar, deveríamos lembrar que há cerca de sessenta bilhões de Espíritos Virginais em nossa Onda de Vida, percorrendo o Ciclo de Vida e Morte, vivendo parte do tempo no Mundo visível[1] e parte nos Mundos invisíveis. Atualmente, só há uns 1,6 bilhões[2] de seres humanos na existência física, o que representa o fluxo mais baixo e isso geralmente ocorre no fim de uma Era[3]. Durante um milhão de anos ou mais, desde que saímos da Atlântida, a média tem sido de cinquenta a sessenta milhões de pessoas. Pode-se, também, afirmar que os povos ocidentais representam a melhor parte dessa evolução e, portanto, cabe a nós lidarmos com os grandes problemas que são sempre incidentais a uma fase de transição.
Nas civilizações passadas, quando renascíamos aqui como mulher, éramos o árbitro do destino do mundo, enquanto, como ocorre no caso presente, quando renascemos aqui como homem somos o árbitro do destino do mundo. Estamos, agora, às vésperas de uma transição para uma nova Era, onde quando renascermos como mulher, novamente, exerceremos o cetro do poder e quando renascermos como homem teremos que nos submeter às ordens dos que renascerão como mulher, mas antes que isso aconteça, haverá uma Era de igualdade. Essa é chamada de Era de Aquário pelos ocultistas, e estamos começando a sentir os seus efeitos desde meados do último século[4], quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrou na Órbita de Influência de Aquário. No entanto, no momento, o Sol ainda está a dez graus de Peixes[5]. Pela marcha lenta do movimento chamado de Precessão dos Equinócios, o Sol só atingirá o primeiro grau de Aquário daqui a seiscentos anos, aproximadamente. Todavia, durante o transcorrer desse tempo haverá, claramente, tantas mudanças maravilhosas em nossas condições física, moral e mental que não somos capazes, no momento, de conceber como seremos nesse futuro.
Nós, que estamos renascidos agora em um Corpo Denso, seremos sucedidos por grupos de Espíritos Virginais da Onda de Vida humana que renascerão aqui, depois de nós, ainda mais evoluídos do que nós, que realizarão grandes reformas e, quando as pessoas, que se encontram atualmente renascidos aqui na Terra, renascerem novamente, cerca de quatrocentos anos da Era de Aquário já terão passado, de modo que o mundo terá avançado numa linha de desenvolvimento peculiar àquela Era. Os Espíritos atrasados que nascem numa atmosfera de grandes realizações intelectuais obterão, assim, uma imensa elevação, com base no mesmo princípio de um condutor elétrico que, quando colocado nas proximidades de um cabo de alta tensão, recebe automaticamente uma carga de menor voltagem. Assim, cada classe ou grupo que se eleva, ajuda também a elevar aqueles que estão abaixo dele na escala da evolução. A questão da população, então, não está inteiramente controlada pelos indivíduos ou por leis humanas. As Hierarquias Criadoras, que guiam a nossa evolução, encarregam-Se da questão conforme necessário para que se reverta em maior benefício de todos os envolvidos e o número da população concerne mais a Elas do que a nós.
Isso não significa que não podemos ou não devemos exercer o controle de natalidade, como sugerido por aqueles que são os responsáveis por esse movimento. Também é verdade que é preciso ajudar as pessoas no lugar onde elas estão e não onde deveriam estar. Os Ensinamentos Rosacruzes enfatizam o fato de que “semelhante atrai semelhante” e, portanto, é um dever dos que estão bem desenvolvidos física, moral e mentalmente prover um ambiente adequado para tantos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana que precisam, na medida que suas condições físicas e financeiras permitam. Esse dever incide ainda mais sobre aqueles que estão também espiritualmente desenvolvidos, pois um irmão ou uma irmã altamente espiritualizada não pode entrar na existência física por meio de pais impuros ou não desenvolvidos espiritualmente. Contudo, quando um casal conclui que a gravidez é prejudicial para a saúde da mãe, ou quando a carga financeira está acima das possibilidades do casal, então eles devem viver uma vida de continência, não favorecendo a natureza passional e nem procurar por meios artificiais impedir a vinda de Egos, tirando-lhes a oportunidade de renascimento proporcionada pela indulgência sexual de tal casal.
É evidente que isso requer um considerável desenvolvimento espiritual e autocontrole. São poucos os capazes de viver tal vida, e seria o mesmo que pregar a continência para um muro de pedra do que para um espécime comum da Humanidade. Ele não pode compreender a necessidade disso. Ele até acredita que essa abstinência interferiria na sua saúde, pois falsas declarações a respeito da necessidade de exercer a função natural levaram a muitos resultados deploráveis. Ainda que ele pudesse ser persuadido a se abster pelo bem do seu cônjuge e dos filhos que já trouxe ao mundo, provavelmente seria incapaz de se conter, particularmente porque as pessoas que vivem em modestas condições, geralmente, não têm possibilidades de ter dormitórios separados, por exemplo. Por essa razão, é necessário ensinar a essas pessoas o controle de natalidade por meios científicos. Contudo, reiteramos que, embora as pessoas sejam incapazes de entender a razão pela qual a continência deva ser praticada e são incapazes de praticá-la por falta de autocontrole, os ensinamentos espirituais devem ser fornecidos repetidamente para que, da mesma forma que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, com o tempo as gerações vindouras aprenderão a considerar sua própria força de vontade para conseguir dominar sua natureza inferior. Sem um programa educacional visando à emancipação espiritual, as informações a respeito dos métodos físicos para limitar a natalidade nos lares sobrecarregados são extremamente perigosas.
Há outro aspecto da questão que merece ser elucidado. Foi dito que “a atitude da Mente da mãe, precisamente antes de receber o Átomo-semente, é importantíssima, pois determinará o tipo de criança que ela trará ao mundo. Um acesso repentino e intenso de raiva ou de medo, ou ainda, de paixão violenta nesse momento sagrado deixa o portal desprotegido e convida uma entidade indevida a entrar”. Além dos seres que vemos neste Mundo material, toda a atmosfera que nos cerca está repleta de criaturas ou entidades que se sentem atraídas por seres de natureza semelhante à delas. Assim como os músicos se reúnem nas salas de música ou os esportistas, nos clubes ou pistas de corrida e afins, essas entidades se reúnem ao redor de pessoas de natureza semelhante à sua. Assim como alcoólatras e bandidos procuram os bares, botecos e antros, homens e mulheres imorais são encontrados nas zonas de meretrício, assim também espíritos imorais reúnem-se em torno de um lar onde dão vazão às suas paixões de natureza inferior, satisfazendo-as muitas vezes no decorrer de uma noite ou de um dia.
Há certa classe de seres, demônios masculinos e femininos que vivem no Éter e foram chamados pelos antigos alquimistas de incubi e succubi, que se nutrem das paixões dos outros. Que oportunidade tem uma mãe que vive em tal ambiente de atrair um Espírito Virginal da Onda de Vida humana elevado para que renasça através dela? E, embora a concepção quase nunca esteja sincronizada com a união dos pais, podendo ocorrer a qualquer momento dentro de duas semanas ou mais a partir daquele acontecimento, uma mãe cercada por tais influências no lar nunca está livre delas. Algumas Religiões de algumas pessoas que chamamos de “selvagens” exigem até hoje que o ato procriador seja realizado no templo, e é assim que deve ser. Não há ato mais importante na vida e, em vez de ser condenado como vergonhoso, deveria ser exaltado à dignidade de um Sacramento e realizado sob as circunstâncias mais sagradas e inspiradoras possíveis. Se isso fosse concebido hoje como o foi na chamada Idade do Ouro[6], teríamos uma verdadeira elevação e um aprimoramento nas condições do mundo como, provavelmente, e não conseguiríamos alcançar por séculos.
(Pergunta nº 37 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: ou seja: Região Química do Mundo Físico.
[2] N.T.: população mundial no início do século XX. Atualmente a população mundial é estimada em torno de 8 bilhões de pessoas.
[3] N.T.: no caso a Era de Peixes nessa Época Ária.
[4] N.T.: aqui se refere ao Século XIX.
[5] N.T.: isso se refere ao início do Século XX.
[6] N.T.: O termo Idade de Ouro vem da mitologia grega, particularmente dos Trabalhos e Dias de Hesíodo, e faz parte da descrição do declínio temporal do estado dos povos através de cinco Eras, sendo o Ouro a primeira e aquela durante a qual a Raça de Ouro da Humanidade viveu. Por extensão, “Idade de Ouro” denota um período de paz primordial, harmonia, estabilidade e prosperidade. Durante esta Idade, a paz e a harmonia prevaleceram, pois as pessoas não tinham que trabalhar para se alimentar, pois a terra fornecia alimentos em abundância. Eles viveram até uma idade muito avançada com uma aparência jovem, eventualmente morrendo pacificamente, com espíritos vivendo como “guardiões”. Platão em Crátilo (397 e) relata a raça dourada dos humanos que veio primeiro. Ele esclarece que Hesíodo não quis dizer literalmente feito de ouro, mas bom e nobre.
No princípio, Deus diferenciou dentro de Si uma hoste de Espíritos como faíscas de um fogo. Esses Espíritos não eram chama, embora dotados de consciência total – omnisciência –, não tinham autoconsciência. Eles tinham todas as possibilidades de ser, mas não eram realmente onipotentes como Deus, porque não tinham o poder dinâmico disponível para uso, a qualquer momento, de acordo com sua vontade. Para que pudessem desenvolver essas qualidades, começaram sua peregrinação pela matéria.
Aprendemos na Filosofia Rosacruz que o nome deles é Espírito Virginal e que nós, Espíritos Virginais da Onda de Vida humana estamos manifestados em um Tríplice Espírito — Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano — (como Deus, nosso criador, está manifestado também: de forma Tríplice), possuímos um veículo Mente, por meio da qual estamos aprendendo a governar um Tríplice Corpo — Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos — cujo germe ganhamos de Hierarquias Criadoras e por meio do nosso trabalho (Tríplice Espírito) sobre esse Tríplice Corpo fomos enriquecendo os Átomos-sementes de cada um desses três Corpos, com o propósito de coletar experiência. E, aos poucos, vamos transmutando esse Tríplice Corpo em uma Tríplice Alma por meio da qual iremos da impotência à onipotência.
Durante a Involução (a primeira das duas partes desse Esquema de Evolução), nós – o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana – progredimos construindo um Tríplice Corpo e vamos conquistando o controle sobre esses Corpo por meio do elo da Mente. A Mente é o ponto básico sobre o qual a Involução se transforma em Evolução e nós, que entramos em nossos veículos (o Tríplice Corpo), começamos a desenvolver a Tríplice Alma — Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional.
E o processo é o seguinte: toda atividade que executamos via nosso veículo Espírito Divino sobre o nosso Corpo Denso, que resulta em observação e ação retas, promove o crescimento da Alma Consciente, alimento para aumentar a consciência do veículo Espírito Divino, a fim de um dia termos um Corpo Espírito Divino.
O Corpo Denso é trabalhado pelo Espírito Divino porque ele é a oitava inferior desse Espírito Divino. A Alma Consciente cresce pela observação, ação, pelos impactos externos e experiência. Essas são as lições que nos são dadas na grande Escola de Deus, o ambiente diário que nos cerca e do qual frequentemente reclamamos amargamente; ainda assim, quando corretamente enfrentadas, na realidade elas se tornam nossas maiores bênçãos, pois são o alimento que nutre a Alma Consciente e ela aumenta a consciência do Espírito Divino porque ela é a quintessência do Corpo Denso, que é a contraparte inferior – ou oitava inferior – do Espírito Divino.
Toda atividade que executamos via nosso veículo Espírito de Vida sobre o nosso Corpo Vital, que resulta em memória da observação e ação retas e dos desejos, sentimentos e emoções superiores, promove o crescimento da Alma Intelectual, alimento para aumentar a consciência do veículo Espírito de Vida, a fim de um dia termos um Corpo Espírito de Vida.
Repare que a Alma Intelectual, como mediadora entre a Alma Consciente e a Alma Emocional, cresce pelo exercício do discernimento e da memória pela qual ela liga experiências passadas e presentes às ações feitas pelo Corpo Denso, pelos desejos, sentimentos, emoções do Corpo de Desejos, pensamentos e ideias, criando simpatia e antipatia; isso não poderia existir sem a memória, porque os sentimentos resultantes apenas da experiência seriam evanescentes.
O Corpo Vital é trabalhado pelo Espírito de Vida porque ele é a oitava inferior desse Espírito de Vida. A Alma Intelectual fornece poder adicional ao Espírito de Vida, porque ela é extraída do Corpo Vital, que é a contraparte inferior – ou oitava inferior – do Espírito de Vida.
Toda atividade que executamos via nosso veículo Espírito Humano sobre o nosso Corpo de Desejos, que resulta em desejos, sentimentos e pelas emoções superiores (ou seja: criados por nós usando somente materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo) promove o crescimento da Alma Emocional, alimento para aumentar a consciência do veículo Espírito Humano, a fim de um dia termos um Corpo Espírito Humano.
Ou seja: o Corpo de Desejos é trabalhado pelo Espírito Humano, porque ele é a oitava inferior desse Espírito Humano. Repare que os desejos, sentimentos e as emoções inferiores não fazem crescer a Alma Emocional. A Alma Emocional, que é o extrato do Corpo de Desejos, é acrescentada à eficiência do Espírito Humano, que é a contraparte espiritual – ou oitava superior – do Corpo de Desejos.
A Alma é, por assim dizer, a quintessência, o poder ou força do Tríplice Corpo; quando um Corpo é completamente construído e levado à perfeição através das Épocas e Períodos, como descrito previamente, a Alma é totalmente extraída dele para ser absorvida por um dos três aspectos do Espírito.
O Espírito Divino, que tem a sua contraparte o Corpo Denso, promove o crescimento da Alma Consciente; essa Alma será absorvida pelo Espírito Divino na sétima Revolução do Período de Júpiter. O Espírito de Vida, que tem a sua contraparte o Corpo Vital, promove crescimento da Alma Intelectual; essa Alma será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta Revolução do Período de Vênus. O Espírito Humano, que tem a sua contraparte o Corpo de Desejos, promove crescimento da Alma Emocional, que será absorvida pelo Espírito Humano na quinta Revolução do Período Vulcano.
Quanta ou quão pouca Alma um ser humano tem depende da quantidade de trabalho que ele realizou em seu Tríplice Corpo, pois a Alma é o produto espiritualizado do Corpo. É importante enfatizar demais a extrema importância desta parte do nosso trabalho, porque é a parte em que estamos realmente engajados hoje. Agora mesmo, cada um de nós está construindo, ou então negligenciando construir, esta Tríplice Alma.
E lembre-se de que os esforços necessários para que possamos promover o crescimento da Alma são os seguintes: observação, ações corretas, a memória dessas ações, desejos, sentimentos e emoções superiores, tais como: gratidão, olhares gentis, expressões de confiança, simpatia, ajuda amorosa, discernimento, esforço para ajudar os necessitados a se ajudarem, boas ações, firme contenção de tendências ao autoritarismo, o esforço para conter o apetite e as paixões animais, devoção, serviço prestado independentemente de conforto e prazer pessoal e coisas afins a essas. Nessas qualidades são encontrados todos os elementos necessários para o crescimento da Alma. Cada ato e cada pensamento são fatores determinantes na construção da Tríplice Alma
Não devemos prolongar a nossa estada no Purgatório – quando terminar mais uma vida terrestre –, pois não podemos deixar esta Região enquanto uma única propensão ao mal não for purgada. E assim nossa permanência no Purgatório depende não do desejo de Deus de nos punir pelos erros cometidos enquanto estamos vivendo aqui, mas inteiramente de cada um de nós e do tempo que usamos para nos apegar às práticas malignas que apreciávamos enquanto estávamos revestidos com nossa vestimenta de carne. Pois, sabemos que “a morte não tem poder de limpeza”. Se nos deleitávamos em fazer o mal ou em nada fazer de bom (“deixa a vida me levar”) enquanto levávamos nossa vida terrena, então temos exatamente os mesmos gostos e inclinações após a morte, pois sempre somos nós e não o nosso Corpo Denso quem sentia prazer em fazer o mal ou em se deleitar em nada fazer de bom. O Corpo Denso por si só não tem vontade para o certo nem para o errado; ele é simplesmente um veículo através do qual funcionamos na Região Química do Mundo Físico, e quando nos retiramos, ele rapidamente perde toda sua forma e retorna aos seus elementos originais na Natureza.
Há uma classe de pessoas que se esforçam para se esquivar, por assim dizer, da Lei de Causa e Efeito, tomando uma espécie de rota intermediária entre o bem e o mal. Essas pessoas não são malfeitoras, em sentido geral. Nem estão preocupadas com o trabalho de construir a Tríplice Alma. Elas são honestas, corretas e não são injustas com os outros; mas estão profundamente imersas nos negócios delas aqui e não pensam sobre a vida espiritual e, logicamente, nem sobre o que realmente estamos fazendo aqui e nem para onde vamos depois daqui. Este mundo é suficientemente bom para elas. Elas sentem que se deva ser decente para não desejar prejudicar outros e o principal negócio da sua vida é prover abundantemente para si e para a família; quiçá para alguns no seu entorno que, logicamente, interessa a ela. São os que tem estada garantida na Região Limítrofe. O Purgatório ocupa as três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. O Primeiro Céu está nas três Regiões superiores. A Região central – Região Limítrofe – é uma espécie de terra de fronteira — não é o Purgatório nem o Céu; aqui encontramos essas pessoas após a morte. Para elas o Mundo do Desejo é um estado de monotonia indescritível.
Não há “negócios” naquele lugar nem algo que seja parecido; então essas pessoas têm muita dificuldade para pensar em coisas mais elevadas do que resultados financeiros, contas no banco ou ganhos monetários. Aqueles que pensaram no problema da vida e chegaram à conclusão de que “a morte acaba com tudo”, que negaram a existência de coisas fora do mundo material-sensorial, esses também sentem essa terrível monotonia. Eles esperavam que a morte implicasse a aniquilação da consciência e do Corpo; mas em vez disso eles se percebem com uma percepção aumentada de pessoas e objetos ao seu redor. Estavam acostumados a negar a realidade espiritual tão veementemente na Terra que, muitas vezes, imaginam que o Mundo do Desejo é uma alucinação e podem ser ouvidos frequentemente exclamando no mais profundo desespero: “Quando isso vai acabar? Quando vai acabar?”.
Essas pessoas estão realmente em um estado lamentável. Geralmente, estão além do alcance de qualquer ajuda e sofrem muito mais do que qualquer outra pessoa. Além disso, elas têm pouca coisa a fazer nos Mundo celestes, onde a construção de Corpos para uso futuro é ensinada; logo, projetam todos os seus pensamentos cristalizantes no Corpo que será construído para sua vida futura; um Corpo assim moldado tem as tendências de endurecimento que vemos, por exemplo, em doenças consultivas, como por exemplo a tuberculose, pneumonia e afins. Às vezes, o sofrimento de tais Corpos decrépitos eleva os pensamentos das entidades que os animam para Deus e sua evolução pode prosseguir; mas na Mente materialista reside o maior perigo de perder o contato entre o Ego (o que realmente ele é) e os Corpos e se tornar um pária nessa vida.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de maio de 1916, e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)