Se nos limitamos a interpretar as Sagradas Escrituras simplesmente pela “letra que mata” e não pelo “Espírito que vivifica” (IICor 3:6), como nos aconselha o apóstolo S. Paulo, pouco dela poderemos aprender. O buscador da verdade, isto é, aquele que anseia superar-se para ser mais útil à Humanidade a que pertence, será, certamente, iluminado ajudando na interpretação das escrituras.
Acerca dos três Reis Magos, se nos detemos em meditação, podemos estabelecer formosa analogia entre eles e nós, seres humanos. Observe-se que não dizemos aqui Reis da Ásia, da Arábia e do Egito, nem de qualquer outro ponto determinado da Terra. São Magos do Oriente.
Se recordamos o que escreveu Max Heindel, no tocante da direção aparente do Sol em relação à Terra e do sentido da evolução espiritual; que o Sol vem do Leste para Oeste e por analogia os Reis Magos vieram do Oriente, assentamos a base de nossa meditação.
Os três Reis Magos eram: um de cor branca, outro de cor amarela e outro de cor negra. Conhecemos a interpretação segundo a qual os Magos representam as três raças predominantes ao tempo de Cristo Jesus. Este trazia a missão de unificação das raças, ou seja, da Humanidade inteira, isto é, a substituição do Espírito de Raça pelo Espírito Unificador de Cristo – a encarnação do Amor.
Porém, cada verdade pode ter, no mínimo, sete interpretações verdadeiras. Quando nos propomos interpretar a Deus, segundo os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, por intermédio de Max Heindel recebemos dos Irmãos Maiores, aprendemos que o Ser Supremo mencionado nos é apresentado com os atributos de: Poder, Verbo e Movimento. Não são três Seres, senão três Atributos de um só Ser. Quando este Ser, em Sua permanente atividade, põe em Manifestação mais densa, com o propósito de criar e crescer, eles se manifestam em: Vontade, Sabedoria e Atividade. À semelhança de Deus, nosso Criador, nós criado a Sua imagem e semelhança temos três atributos, emanações de Deus, que são: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, respectivamente; três aspectos de Uma mesma divindade interna, nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui). Assim, nos manifestamos de forma tríplice, isto é, Consciência (Pai), Vida (Filho) e Forma (Espírito Santo). Não são três “pessoas”, senão três manifestações de uma só “pessoa”. Se faltasse uma destas três manifestações não poderíamos evoluir, mostrando assim que depende de uma cadeia completa de veículos correspondentes aos atributos superiores.
Então, os três Reis Magos podem representar a nós, o Ego, em estado superior que reverencia o “Eu Superior” (justamente os nossos veículos superiores: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano). Melchior, da raça branca, símbolo da Unidade do Pai, representa a Consciência; Gaspar, da raça amarela, cor do Filho, é a segunda manifestação: Vida (Cristo Interno) e Baltazar da raça negra, é a terceira manifestação: a Forma (Espírito Santo). Meditemos que o movimento, terceiro atributo do Todo Poderoso, é que dá a ação, o evento. É consequência do Poder, primeiro Atributo. Nenhum, isoladamente, é superior ou inferior, senão que todos são manifestações do Todo, que é Uno.
Melchior, Gaspar e Baltazar (Consciência, Vida e Forma – três atributos em UM), ofereceram ao recém-nascido o melhor que tinham Ouro, Incenso e Mirra (Espírito, Corpo e Alma, respectivamente).
Seguindo o exemplo deles, devemos, não apenas oferecer, senão dar em pensamentos, sentimentos e atos ao Cristo Interno que nasce dentro de nós, a Consciência, a Vida e nosso Corpo, de modo a identificarmos como Filhos de Deus, um Templo do Deus vivente, seja no sentido material como no espiritual.
Aquele ouro não era material, pois o Reino de Cristo não é deste mundo e Ele não buscava riquezas materiais. Os Reis Magos, iluminados como eram, vislumbravam a Estrela como também nós a vislumbramos hoje pela interna iluminação. Eles sabiam o que estavam levando e para quem estavam levando aquelas oferendas.
De volta ao Oriente, os Magos foram por outros caminhos, evitando o Rei Herodes, cuja intenção conhecia. Assim também faz o Aspirante que deseja encurtar o caminho para a meta. Deixa atrás o caminho da Involução e volta pelo caminho da Evolução; deixa a senda dos vícios e erros e segue o caminho mais curto das virtudes. Depois que encontra o Salvador e dedica-se inteiramente a Seu Serviço, sem posteriores ligações com o egoísmo: simbolizado por Herodes.
Que este pequeno ponto do Evangelho suscite no Estudante Rosacruz uma firme resolução de se enquadrar, cada vez mais nas condições ideais de um verdadeiro servidor da “Vinha de Cristo” neste mundo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1966 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Na realidade somos todos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana e iniciamos o trilhar nesse Caminho, Obra e Esquema de Evolução no Período de Saturno, partindo do nosso Mundo, o Mundo dos Espíritos Virginais. Quando nos manifestamos, como agora nesse Grande Dia de Manifestação (composto desse Esquema de Evolução, pelo qual estamos caminhando), o fazemos de maneira Tríplice – exatamente como o nosso criador, Deus, o faz (Pai, Filho e Espírito Santo): então nos manifestamos, a partir do Mundo do Espírito Divino até a Região Abstrata do Mundo do Pensamento como um Tríplice Espírito, trabalhando por meio de três veículos espirituais: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.
O objetivo desse Esquema de Evolução, na parte que conhecemos como Involução, é conquistar e aprender a trabalhar nos Mundos: Físico, do Desejo e do Pensamento. Para isso: primeiro tivemos que ganhar (e não despertar!) os veículos para trabalhar em cada um desses Mundos. Quem nos deu o germe de cada Corpo e do veículo Mente foram as Hierarquias Criadoras que são especializadas em trabalhar com o material de cada respectivo Mundo. Concomitantemente a isso, cada um daqueles três veículos espirituais foi despertado em nós, com a ajuda de Hierarquias Criadoras especializadas nessa atividade. Junto a isso, conforme ganhávamos o germe e despertava o correspondente superior veículo espiritual, fomos aprendendo a trabalhar com cada um e a aprimorar os veículos desses três Mundos, a partir de Átomos-sementes (que nada mais é do que a evolução do germe de cada Corpo que nos foi dados pelas Hierarquias Criadoras).
Três desses Veículos são os que alcançaram o estágio de Corpos: Denso, Vital (para o Mundo Físico) e de Desejos (para o Mundo do Desejo) e um ainda está no seu estado de veículo (Mente), para trabalharmos na Região Concreta do Mundo do Pensamento. Por isso é que dizemos que de cada aspecto do Tríplice Espírito emanamos os três Corpos (o Tríplice Corpo) e que por meio da Mente, nós, o Tríplice Espírito, consegue trabalhar conscientemente nas “ferramentas” Tríplice Corpo. O conjunto do Espírito Virginal manifestado (Tríplice Espírito) é chamado de Ego, no nosso caso, da Onda de Vida humana).
Atualmente, como Espírito Virginal manifestado, funcionamos na Região Abstrata do Mundo do Pensamento. Utilizando o veículo Mente, trabalhamos na Região Concreta do Mundo do Pensamento. E assim consequentemente com os Corpos: Físico, Vital e de Desejos nos Mundos: Físico e do Desejo, respectivamente. A Mente é a ponte que nos liga (o Ego) aos nossos veículos (os Corpos e a Mente, citados acima).
Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz
Se estudarmos com atenção, não será difícil chegarmos à conclusão que só há quatro grandes motivos que nos leva a agir, a fazer, a atuar aqui na Região Química do Mundo Físico, enquanto estamos renascidos: amor, fortuna, poder e fama.
O desejo de alguma ou várias destas coisas objetos desses quatro motivos é a razão pela qual fazemos ou deixamos de fazer algo.
Se utilizamos os Ensinamentos Rosacruzes para compreender esses quatro motivos, concluímos que eles nada mais são do que incentivos para a agirmos para colocar ações, atos e fazer obras, a fim de obtermos experiências e aprender.
O Estudante Rosacruz deve continuar usando cada um dos quatro motivos de ação, firmemente, mas cabe a ele transmutá-los em algo superior e não focar no uso dele para aquisição ou manutenção das coisas materiais.
Assim, por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.
Portanto, o amor pelo qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.
Já a fortuna pela qual um Estudante Rosacruz deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.
No que tange ao poder, aquele que um Estudante Rosacruz deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.
E, por fim, a fama pela qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.
E se estudarmos a significância esotérica da Oração do Senhor (o Pai-Nosso) aprenderemos como essa Oração científica, nos fornecida diretamente por Cristo, é uma fórmula abstrata completa que nos ajuda a melhorarmos e a purificarmos todos os nossos sete veículos e, portanto, utilizar os quatro motivos para ação com o foco no nosso crescimento espiritual enquanto aqui renascidos.
Senão, vejamos cada um: nós, utilizando o nosso veículo Espírito Humano nos elevamos a nossa contraparte divina, o Espírito Santo, dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”.
Depois, utilizando o nosso veículo Espírito de Vida reverenciamos ante a nossa contraparte divina, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.
Continuando, utilizamos o nosso veículo Espírito Divino e nos ajoelhamos ante nossa contraparte divina, o Pai, e dizemos: “Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu…”.
Depois há a prece para que consigamos somente e tão somente o que precisamos para manter o nosso Corpo Denso aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Divino elevando a contraparte divina dele, o Pai, pedindo: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.
Seguindo na mesma linha, há a prece para que consigamos utilizar corretamente o nosso Corpo Vital aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito de Vida elevando a contraparte divina dele, o Filho, pedindo: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
E, completando para o Tríplice Corpo, há a prece para que consigamos controlar o nosso Corpo de Desejos aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Humano elevando a contraparte divina dele, o Espírito Santo, pedindo: “Não nos deixeis cair em tentação”. E isso o fazemos aqui, porque já compreendemos que o desejo é o nosso grande tentador, mas também é o nossos grande incentivo para a ação. E estamos conscientes de que os nossos desejos são bons quando eles cumprem os nossos (Ego) propósitos, mas quando nossos desejos se inclinam para algo degradante (mormente para o egoísmo ou para algo contra as Leis de Deus), certamente devemos rogar para não cair nessas tentações.
E, como a Mente é um veículo (não um Corpo) e que é nossa função trabalhar para transformá-la em um Corpo Mental (a fim de usá-las realmente para criar e não para copiar ou ser escrava do desejo), pedimos ao Pai, Filho e Espírito Santo por ela, por meio da súplica “Livrai-nos do mal”.
E por que para a Mente? Porque ela é o veículo que nos permite ligarmos os nossos três veículos superiores espirituais – pelos quais expressamos a nossa Individualidade – aos três Corpos – pelos quais expressamos a cada renascimento uma Personalidade diferente. É por meio da Mente que conseguimos não seguir os seus desejos sem nenhuma restrição. E só por meio dela é que conseguimos ter a faculdade de discernimento do bem e do mal.
Só a título de observação, a parte introdutória bem conhecida: “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. Também, a parte final que às vezes é proferida, qual seja: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi fornecida por Cristo. No entanto, pode ser bem considerada como apropriada como a nossa adoração final, como um Tríplice Espírito, por reafirmar a diretriz correta para a Divindade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A Filosofia Rosacruz descreve surpreendentemente todo o processo pelo qual o ser humano, desde a condição de chispas divinas, abandonou sua pátria celeste e iniciou o processo de manifestação individual. O objetivo dessa manifestação era de transformar cada chispa, que cada um tem dentro de si, em um Deus dinâmico criador e desenvolvido.
Para essa aquisição grandiosa, o ser humano teve que receber veículos que permitisse esse processo. Assim como Deus É Tríplice (Pai, Filho e Espírito Santo) o ser humano, Sua imagem e semelhança, também se manifestou de modo Tríplice: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, o Ego.
Mas tal condição, apesar de necessária, não era suficiente. O Ego também deveria possuir uma ferramenta com material correspondente a cada corpo para que o Espírito se manifestasse. Somente assim poderia viabilizar o desenvolvimento do inato potencial divino que possui. A ferramenta do Espírito Divino é o Corpo Denso. O modo pelo qual o Espírito Divino pode desenvolver sua potencialidade depende daquilo que o Ego extrai de experiências produzidas pelo Corpo Denso. A essência dessa experiência é denominada Alma Consciente (ou quintessência do Corpo Denso). Aquilo que o Ego extrai das experiências produzidas pelo Corpo Vital, constitui o alimento do Espírito de Vida. Esse alimento é denominado Alma Intelectual (ou quintessência do Corpo Vital). Finalmente, o que o Ego extrai do Corpo de Desejos constitui o alimento do Espírito Humano. Tal produto é denominado Alma Emocional (ou quintessência do Corpo de Desejos). O verdadeiro poder espiritual é exatamente o quanto de alimento que a Tríplice Alma possa adquirir. Quanto mais crescimento anímico (essência das experiências), mas será o poder espiritual do Ego. Todo o restante sobre o significado do que é poder espiritual, é fantasia ou vaidade.
O objetivo da vida é empregar todo o esforço possível para amalgamar as experiências da Alma que, de modo prático, é feito pelo trabalho que realizamos no mundo. Não é raro encontrarmos pessoas sonhadoras, anelando por dons espirituais, conhecimento da verdade e luz espiritual. Acompanhado desse forte desejo também está a fraca compreensão e decisão de trabalho direcionado a renunciar as más intenções pessoais, que é condição necessária e suficiente para aquisição desse poder. Além disso, mesmo que um Mestre deseje iniciar um discípulo, este último deve possuir o poder para tal. Se faltar energia elétrica, jamais poderá acender uma lâmpada, mesmo que a pessoa tenha a lâmpada e os fios necessários para acendê-la.
Quando se diz que o trabalho de aquisição de poder espiritual se dá pelo trabalho no mundo, estamos referindo ao momento único pelo qual é possível realizar progressos espirituais: o momento em que o Ego está encarnado. Aqui, na Região Química do Mundo Físico, tão desprezada por alguns espiritualistas, o ser humano está em condições perfeitas e com a cadeia completa de Corpos (Físico, Vital, Desejos) e Mente para aproveitar as oportunidades de testar a vontade do Tríplice Espírito. Isso permite o desenvolvimento de seu poder até que atinja maturação espiritual.
É Lei de Polaridade a seguinte afirmação: O poder espiritual se adquire durante a encarnação na matéria. A Escola de Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes é uma escola “inversa”. Quando um discípulo Ocidental descobre o que significa o poder espiritual, e o que ele deve fazer para adquiri-lo, jamais permanece em condição alheia ao mundo e a seu ambiente. Pelo contrário, inicia um processo de trabalho incessante jamais ocorrido em sua vida.
Novamente, não é raro encontrarmos pessoas que anelam poder espiritual ou a tão almejada união com Deus. Deste modo, iniciam uma vida de muita meditação, muito estudo, muita especulação, muito discurso, muito egocentrismo, poucos relacionamentos, pouco movimento e nenhum serviço. Conforme o tempo vai passando, o aspecto material torna-se totalmente abandonado e em desordem. A encarnação, momento pelo qual é a única condição em que o Ego pode se desenvolver em plenitude, é desperdiçada com justificativas metafísicas.
Essa condição nos faz lembrar o poema A Lenda Formosa, de Henry H. Longfellow e, também, a história do asceta. Essa última é descrita abaixo:
Um asceta estava meditando em uma caverna. De repente, um rato entrou e deu uma mordida em sua sandália. Aborrecido, o asceta abriu os olhos.
– Por que você está perturbando a minha meditação?
– Estou com fome – guinchou o rato.
– Vai embora, rato louco – pregou o asceta. – estou procurando a união com Deus. Como se atreve a me perturbar?
– Como espera tornar-se um com Deus – perguntou o rato – se nem mesmo consegue tornar-se um comigo?
A ingenuidade é filha da ignorância. É bastante nobre o desejo de busca por poder espiritual, mas é muito mais nobre ser capaz de compreender a responsabilidade e o equilíbrio necessário que esse poder exige.
“Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houveram antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor” (Ecl 1: 16-18).
Logo que ocorrem os primeiros vislumbres sobre como operam os mecanismos da Lei de Causa e Efeito, muitos aspirantes assumem uma postura de superioridade frente aos atos de seus familiares ou amigos errantes. Não economizam em advertências sobre as possíveis consequências que os atos errantes gerarão. Logo que esse irmão desafortunado sofre parte das consequências merecidas, esse conhecedor da verdade é o primeiro a relatar que havia advertido as possíveis consequências dos atos errantes e que tudo poderia ter sido evitado. Por isso, não fará sugestões a esse irmão, pelo contrário, o deixará por conta de sua própria sorte.
Essa mesma pessoa, no entanto, possui um filho que tem uma síndrome genética acompanhada de retardo mental. Por não ter habilidades espirituais, como a capacidade de realizar a leitura na Memória da Natureza, ele é incapaz de verificar que esse filho, em outras vidas, realizou atos bem piores, se comparadas com aqueles realizados pelo familiar ou amigo errante mencionado acima. No entanto, como esse nosso irmão (hoje pai desse Ego) desconhece tais atos, acolhe seu filho com muito amor e consegue a união com ele (união que o Asceta não conseguiu com o rato).
Será que o Aspirante está realmente preparado para ter poderes espirituais e conhecer a verdade? Em muitos casos, a ignorância é uma benção, pois o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor. Um dos principais motivos de ação do ser humano atual é a justiça aliada ao egoísmo e se ainda lhe fosse dado poderes espirituais, jamais o equilíbrio das desarmonias que geramos no passado seria atingido. Sábios são os Líderes da Humanidade que nos mostram pelo exemplo que somente pelo amor, desprendimento e muito trabalho, enquanto encarnados, é que o ser humano poderá se tornar UM COM TODOS, é lhe será possível despertar seus poderes espirituais.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Resposta: Para entendermos isso, vamos relembrar o significado da palavra Ego na Filosofia Rosacruz. No mesmo livro Conceito Rosacruz do Cosmos, citado acima, estudamos os seguintes trechos:
“Antes do princípio do Período de Saturno, os Espíritos Virginais, atualmente seres humanos, estavam no Mundo dos Espíritos Virginais. Eram ‘Todo-Conscientes’ como Deus, em Quem (não de Quem), se diferenciavam. Contudo não eram autoconscientes. A aquisição dessa faculdade é, em parte, o objetivo da evolução, que submerge os Espíritos Virginais num oceano de matéria de crescente densidade, o que os priva por fim da consciência do Todo.”.
“Dessa maneira, no Período de Saturno os Espíritos Virginais foram submersos no Mundo do Espírito Divino e encerrados em tênue envoltura da substância desse Mundo, no qual penetraram parcialmente por meio da ajuda dos Senhores da Chama. No Período Solar os Espíritos Virginais foram submersos no Mundo do Espírito de Vida, ainda mais denso, ficando assim mais cegos para a consciência do Todo, envolvidos, como estavam, por um segundo véu da substância desse Mundo. E nesse segundo véu penetraram parcialmente ainda com a ajuda dos Querubins. O sentimento de Unidade com o Todo também não foi perdido porque o Mundo do Espírito de Vida é um Mundo universal, interpenetrando e sendo comum a todos os Astros de um Sistema Solar. No Período Lunar, porém, os Espíritos Virginais se aprofundando mais em matéria ainda mais densa, entraram na Região do Pensamento Abstrato, onde se lhes agregou o mais opaco dos seus véus, o Espírito Humano. Daí em diante o Espírito Virginal perdeu a consciência do Todo.”.
“E assim o Espírito Virginal se viu encerrado num Tríplice véu, sendo o véu externo, o Espírito Humano, o que efetivamente o cegou a unidade da Vida, convertendo-o em um Ego e mantendo a ilusão de separatividade adquirida durante a Involução. A Evolução dissolverá gradualmente essa ilusão, trazendo de volta a consciência do todo, enriquecida pela consciência de si mesmo.”.
Ante o exposto, concluímos que o termo Ego designa certa fase do desenvolvimento do Espírito Virginal, indicando a fase de despertamento dos seus três aspectos e dos véus de substância dos Mundos do Espírito Divino, do Espírito de Vida e da Região do Pensamento Abstrato (veículos: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, respectivamente). A última substância mencionada é de natureza separatista, obscurecendo a visão do Espírito Virginal, embora isso não altere sua condição de imortalidade. Com o tempo essa ilusão de separatividade desaparecerá, e o Tríplice Espírito readquirirá a consciência global, acrescendo-se ainda a autoconsciência. Por conseguinte, o Ego é imortal. Não podemos adotar o termo Ego corretamente, sem incluir nele o Espírito Virginal como causa essencial interna. Usamos o mencionado termo para indicar o Tríplice Espírito mais o resultado da Involução.
Com referência à última pergunta, afirmamos ser o Espírito Virginal inerentemente Tríplice. Foi criado à imagem e semelhança de Deus, possuindo implicitamente os princípios da Vontade, Sabedoria e Atividade, para os quais correspondem as designações Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, respectivamente. Esses princípios ou aspectos do Espírito foram despertados em determinados Períodos durante a jornada involutiva (primeira parte desse Esquema de Evolução), dando origem aos respectivos veículos ou Corpos, por meio das experiências adquiridas através desses veículos, desenvolve-se a Tríplice Alma que será absorvida pelo Tríplice Espírito. Além disso, o Espírito Divino absorverá o Espírito Humano ao final do Período de Júpiter; o Espírito de Vida ao final do Período de Vênus e a Mente ao final do Período de Vulcano. Afirmar-se que o Espírito Virginal será absorvido pelos Espíritos Divino, de Vida e Humano não é de todo correto. O Espírito Divino, um dos aspectos do Tríplice Espírito, absorverá os outros dois aspectos, porém os três estarão em íntima relação, uns com os outros. Não poderíamos afirmar que o Espírito Virginal absorveria os Espíritos Divino, de Vida e Humano, porque nesse caso ele absorveria a si mesmo.
Assim, o Espírito Virginal, que deverá absorver a Tríplice Alma e a Mente ao final do Período de Vulcano, é essencialmente o mesmo que iniciou a peregrinação no Período de Saturno, e adquirirá Poder Anímico e a Mente Criadora como fruto de sua peregrinação através da matéria. Avançará da impotência à onipotência, da inconsciência à omnisciência.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1968 – Fraternidade Rosacruz-SP)
“Portanto, orai deste modo:
‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o Vosso Nome.
Venha a nós o Vosso Reino.
Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como nos Céus.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre.
Amém.’”.
Mt 6:9-15
Esse modelo de oração fornecido à Humanidade por Cristo-Jesus é uma fórmula abstrata e algébrica para a elevação e purificação de todos os nossos veículos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos, Mente, Espírito Humano, Espírito de Vida, Espírito Divino).
Contém três partes de Oração e uma Súplica. Cada uma das três partes se refere às necessidades de um dos aspectos do Tríplice Espírito e sua contraparte no Tríplice Corpo.
Quando nós, que somos um Tríplice Espírito (um Ego humano que é um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) e possuímos, também, um veículo que é a Mente pela qual governamos o nosso Tríplice Corpo, trabalhamos sobre esse Tríplice Corpo e o transmutamos em Tríplice Alma (que é a maneira como aumentamos a consciência de cada um dos nossos veículos espirituais (Espírito Humano, Espírito de Vida, Espírito Divino).
O Espírito Humano ergue-Se nas asas da devoção até sua origem, o Deus-Espírito Santo, na Sagrada Trindade, e entoa o canto iniciai, “Santificado seja o Vosso nome”.
O Espírito de Vida eleva-Se nas asas do amor e dirige-se à origem de seu Ser, o Deus-Filho: “Venha a nós o Vosso Reino”.
O Espírito Divino sobe, junto do conhecimento superior, até o manancial onde nasceu, na aurora dos tempos, Deus-Pai, e manifesta Sua confiança naquela Inteligência total pelas palavras “Seja feita a Vossa vontade”.
Tendo assim alcançado o Trono da Graça, nosso Tríplice Espírito apresenta seus pedidos relativos à Personalidade, o Tríplice Corpo.
O Espírito Divino ora a Deus-Pai pela sua contraparte, o Corpo Denso: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”.
O Espírito de Vida ora a Deus-Filho pela sua contraparte, o Corpo Vital: “perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores”.
No Corpo Vital estão armazenados os registros subconscientes de todos os acontecimentos passados de nossa vida. Se, mediante a oração contínua, obtivermos o perdão (o arrependimento) pelos males causados aos outros; se fizermos todas as reparações possíveis e se eliminarmos todos os ressentimentos, livramo-nos de muito sofrimento após a morte, além de prepararmos o caminho para a Fraternidade Universal, que está particularmente sujeita à vitória do Corpo Vital sobre o Corpo de Desejos. Sob a forma de memória, o Corpo de Desejos imprime no Corpo Vital a ideia de vingança. Por isso o Aspirante à vida superior deve cultivar o controle emocional, porque assim estará agindo sobre os dois corpos.
O Espírito Humano ora a Deus-Espírito Santo pelo Corpo de Desejos com estas palavras: “E não nos deixeis cair em tentação”.
Então o Tríplice Espírito, em coro, fazem a súplica pela Mente: “Livrai-nos do mal”.
A introdução, “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção.
O acréscimo: “Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre” não foi dado por Cristo, mas é muito apropriada como adoração final do Tríplice Espírito, por encerrar a diretriz correta para a Divindade.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
A Filosofia Rosacruz nos ensina que quando estudamos a Bíblia podemos também ler o Primeiro Mandamento (que encabeça os Dez Mandamentos) da seguinte forma: “Não terás outros deuses (Personalidade) além do “Eu superior” (Individualidade)”.
A Personalidade – também conhecida como “Eu inferior” – é o conjunto composto do nosso Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e, devido à contaminação pelos desejos, sentimentos e pelas emoções inferiores, uma parte do nosso veículo Mente, que podemos chamar de “Mente inferior” ou “Mente concreta”.
Aqui está a raiz de todo nosso sofrimento e de todas as nossas dores, quando estamos renascidos aqui em mais uma vida terrestre: a nossa identificação com a Personalidade e, com isso, o ignorante modo de conduzir nossas faculdades.
Ativamos muito mais a nossa Personalidade, respondendo mais ao nosso Corpo de Desejos, o que nos faz agir pelo nosso próprio interesse, na grande maioria das vezes, ou seja: caminhamos muito, mas muito mais, pelo próprio interesse do que pelo dever.
Nós construímos a nossa Personalidade toda vez que renascemos nesse Mundo Físico. É ela que, por exemplo, nos faz “amar para sermos amados”, nos “faz amar quando somos amados”. É por ela que buscamos “a retribuição no amor”. É ela que nos impede de entender que “o amor é a própria recompensa”, pois distorce o conceito do que é “amor”, como Cristo nos ensinou. Ela não quer nem saber que “o dar gera o receber”; que “o dar não depende do receber” para viver no amor.
Todas as distorções dos nossos sentimentos, desejos e das nossas emoções, tais como: crueldade, opressão, injustiça, astúcia, raiva, ódio, ciúmes, inveja, cobiça e afins têm suas raízes no egoísmo, que é a expressão da Personalidade.
Os sentimentos, desejos e as emoções de posse exclusiva, a luta pelo interesse próprio sem levar em consideração os demais, os preconceitos, são frutos de uma vida vivida a base do próprio interesse, a base de respostas ao Corpo de Desejos, onde o que importa é o nosso bem-estar a qualquer custo. Frases como “mas todo mundo faz assim”…“se eu não fizer, outro fará e levará a vantagem”… “fiz para poder cuidar do meu filho, minha filha, meu pai, minha mãe, meu/minha…” … “é apenas uma mentirinha que não fará mal a ninguém” e outras afins demonstraram o viver pela Personalidade, como ou se só existisse ela, ou se ela fosse eterna, imutável e suficiente!
Se vivemos e agimos assim, já esquecemos que a Individualidade – também conhecida como “Eu superior”, que é o conjunto: do Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino – é que nos impulsiona para viver uma vida de “reto pensar, reto sentir, reto agir”.
Ou seja: é por meio dela que conseguimos vivenciar aqui o correto modo de amar, honrar e obedecer às Leis de Deus. Por meio da nossa Individualidade experimentamos o mesmo amar, o mesmo honrar e o mesmos obedecer à divina essência oculta (que é a base da Fraternidade) em cada irmão e em cada irmã, cujos defeitos devemos esquecer – afinal também temos os nossos, senão não estaríamos renascidos mais uma vez aqui!
Uma das metas como Estudante Rosacruz ativo é tornar a nossa Personalidade passiva, serva da nossa Individualidade.
O “Eu inferior” – a Personalidade – deve comprometer a amar, honrar e obedecer ao “Eu superior” – a individualidade.
Se usarmos todos os valores externos e internos como meios evolutivos provisórios, a serviço do “Eu superior”, tornamos impossível qualquer interferência negativa em nossa harmonia básica aqui e agora mesmo.
Daqui vemos que a chave da nossa libertação está no conhecimento aplicado na vivência de que não existe nenhuma outra presença ou poder além da consciência universal que se expressa individualmente como consciência individual, ou seja: que se expressa pela nossa Individualidade.
Assim, se só existe um poder que é o poder de Deus, então temer o que? Afinal, como disse S. Paulo: “Se Deus é por nós, quem será contra nós.” (Rm 8:31)?
Assim, se só existe um poder que é o poder de Deus, então odiar por quê? Quem odeia é a Personalidade e não o “Eu superior”, a Individualidade.
Difícil praticar isso? Sim, difícil, mas não impossível. Veja aqui o que S. Paulo mesmo nos ensina: “Sabemos que a Lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. Realmente não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto. Ora, se faço o que não quero, eu reconheço que a Lei é boa. Na realidade, não sou mais eu que pratico a ação, mas o pecado que habita em mim. Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance, não, porém o praticá-lo. Com efeito, não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero. Ora, se eu faço o que não quero, já não sou eu que estou agindo, e sim o pecado que habita em mim. Verifico, pois, esta lei: quando eu quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. Eu me comprazo na lei de Deus segundo o homem interior; mas percebo outra lei em meus membros, que peleja contra a lei da minha razão e que me acorrenta à lei do pecado que existe em meus membros. Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo Senhor nosso. Assim, pois, sou eu mesmo que pela razão sirvo à lei de Deus e pela carne à lei do pecado.” (Rm 7:14-25).
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Qual parte do Espírito Tríplice constitui o “Eu Superior”? Será o Espírito Divino? Afirma-se no Livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” que o Espírito Humano é o Ego. O Espírito de Vida não é uma parte do Ego? O Ego inteiro fica no plano físico durante a vida terrena, ou somente parte dele, conforme o ensinamento hindu?
Resposta: O “Eu Superior” é o Espírito Tríplice, o Ego: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, mas não se deve conceber esses três como separados um do outro. O Espírito é indivisível, como a luz branca que vem do Sol através do espaço interplanetário, mas da mesma forma que a luz pode ser refratada em três cores primárias – azul, amarelo e vermelho – ao atravessar a atmosfera mais densa da Terra, o Espírito Virginal também aparece como sendo tríplice durante a manifestação, em virtude de estar rodeado por envoltórios de matéria de densidade variável.
Quando envolto apenas na substância do Mundo do Espírito Divino, é o Espírito Divino; quando o Espírito Divino recebe, em acréscimo, um envoltório de material oriundo do Mundo do Espírito de Vida, é um Ego manifestado de forma dupla; e quando, finalmente, é revestido na matéria da Região do Pensamento Abstrato, despertando o seu veículo Espírito Humano, é um Ego manifestado de forma tríplice: um Tríplice Espírito. É por isso que o Espírito Virginal, enredado nessas três camadas de matéria, está apartado de toda consciência de seu Pai Divino e, estando tão encoberto pela matéria que não consegue mais ver as coisas do ponto de vista cósmico, ao atingir o exterior, ele volta sua consciência para dentro e vê-se separado e isolado de todos os outros. Por isso, ele é um Ego – um indivíduo. Nesse ponto nasce o egoísmo, e começa a busca individual.
Quando o Espírito Humano atrai ao redor de si, para uma melhor expressão, os veículos inferiores e mais concretos – a Mente, o Corpo de Desejos, o Corpo Vital submergindo neles, e mesmo descendo até o Mundo Físico, ele adquire a consciência das coisas externas. A partir desse momento, tendo perdido o conhecimento do Mundo de Deus, de onde veio originalmente, ele começa a conquistar o Mundo Físico e a dominá-lo para atingir seus próprios fins.
Individualidade e Personalidade são iguais? Qual a diferença?
Não há outro inimigo, senão nós mesmos. Enquanto houver dentro de nós um resquício de Personalidade, haverá separação.
Na Fraternidade Rosacruz, distinguimos nitidamente entre Personalidade e Individualidade. Personalidade é a “persona”, o conjunto enganoso, provisório e em constante mudança formado pelas nossas sensações, emoções, nossos desejos, sentimentos e modo de expressar o pensamento. São os laços de sangue, as tradições, os elos do mundo, essas coisas mais fortes que algemas de aço, tudo a que o Cristo simbolicamente chamava de “o reino dos mortos”. O mundo, a família, os bens, tudo isso é meio de aprendizagem indispensável a nós – o Ego –, no presente estado evolutivo. Contudo, há o perigo de nos identificarmos com eles, de pensar que nos pertencem ou que lhes pertencemos, olvidando nossa origem celestial, nossa condição de espírito livre, em peregrinação e aprendizagem.
“Aquele que quiser ser meu discípulo, deve abandonar pai, mãe, irmãos, amigos, tudo” (Lc 14:26), nos ensinou o Cristo. Com isso não quis significar que devamos desleixar nossos deveres de pais, filhos, irmãos ou amigos Cristãos. Ao contrário, o verdadeiro Cristão é um excelente marido, pai, irmão, amigo, uma excelente esposa, mãe, porque oferece a sua afeição e trabalho o mais puro pensamento, sentimento, emoção, desejo e esforço. Oferece e não espera receber; ama e não espera ser amado; compreende e não espera ser compreendido. As ingratidões não lhe suscitam ressentimentos, mas o cuidado de verificar se não contribuiu para isso. O verdadeiro Cristão busca a amorosa tentativa de reconciliação; ora e espera pela pessoa que é teimosa e rancorosa.
Ser Cristão é exemplificar AMOR, em seu sentido lato. É deixar que o Cristo, em si, fale, viva, ame.
Individualidade é a expressão do “Eu” real (o que somos de fato, Espírito), verdadeiro e superior, comandando os pares físicos, morais e mentais como instrumentos de ação.
A Personalidade é a nossa expressão, de baixo para cima, o “homem invertido”, os valores instintivos, colorindo desordenadamente nosso modo de ser; é o nosso (Ego, Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado) amordaçamento e o nosso condicionamento às conveniências instintivas. Um pentagrama com a ponta superior para baixo…
A Individualidade não prescinde da bagagem de experiências anímicas; ao contrário, vale-se dela de um modo próprio, original, epigenético, criador. Porém, nós, o Espírito, é quem mandamos e orientamos. Como disse S. Paulo: “Não sou mais eu quem vive, mas o Cristo em mim” (Gl 2:20); e o próprio Cristo-Jesus: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10:30).
É certo que essa condição vamos atingindo gradativamente, em uma luta constante entre a natureza inferior e a superior, entre as trevas e a luz dentro de nós. Por isso, a lenda dos Maniqueus, referindo-se internamente ao ser humano e ao mundo, fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz. Esses acabam vencendo aqueles; entretanto, sendo bons, não podem exterminá-los. Incorporam, pois, o reino das trevas ao da Luz; ou seja, efetuam a transmutação dos valores inferiores em valores espirituais. Os alquimistas medievais faziam o mesmo, quando falavam sobre transformar os metais inferiores em ouro. Também entre os manuscritos encontrados no soterrado mosteiro dos Essênios, Qumran, às margens do Mar Morto, há um que fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz.
Goethe, o grande Iniciado e autor de “Fausto”, falou, pela boca de um de seus personagens: “Duas almas — ai! — lutam dentro do meu peito pela posse de um reino indivisível; uma buscando alçar-se aos Céus em ilibados anseios, enquanto a outra se agarra à Terra, em passionais desejos”. São Paulo, o apóstolo, igualmente dizia: “Pobre homem sou! O bem que desejaria fazer, não faço; o mal que não desejaria fazer, esse eu faço”.
Tudo isso mostra, de sobejo, o que todas as Escolas (como a Fraternidade Rosacruz) e Ordens ocultistas (como a Ordem Rosacruz) ensinam.
Todo Aspirante sincero à espiritualidade “ora e vigia”, sobretudo quando se acha à frente de um movimento espiritualista e deve viver o que ensina. Ao mesmo tempo, o claro entendimento dessa luta dentro de cada um de nós nos torna rigorosos conosco e tolerantes com os demais, de modo a unir e não desunir, a estimular e não censurar; enfim, “a buscar a divina essência que existe em cada um”, o que constitui a base da Fraternidade Universal que almejamos formar, como precursores da Era de Aquário.
Assim, a Individualidade é a expressão do “Eu” real, verdadeiro e “Eu Superior”, comandando os pares físicos, morais e mentais como instrumentos de ação. A Individualidade não prescinde da bagagem de experiências anímicas, ao contrário, vale-se dela de um modo próprio, original, epigenético, criador. Porém o Espírito é quem manda e orienta. Compõe-se dos veículos Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.
É o resultado da descida do Espírito dos Mundos superiores durante a Involução (neste Esquema de Evolução) e, por ação recíproca, no mesmo período os Corpos se elevaram. O encontro dessas duas correntes no foco, ou Mente, marca o momento em que nasce o indivíduo, o ser humano, o Ego, quando o Espírito toma posse dos seus veículos.
Consideremos, agora, a doutrina do Renascimento, que postula um processo de lento desenvolvimento, efetuado, persistentemente, por meio de repetidos renascimentos e em formas de crescente eficiência. Por intermédio dessas formas, tempo virá em que todos alcançarão o cume do esplendor espiritual, presentemente, a nós, inconcebível. Nada há nessa teoria que seja irrazoável ou difícil de aceitar. Olhando ao redor, vemos por toda a parte o esforço lento e perseverante, na natureza, para atingir a perfeição. Não vemos nenhum processo súbito de criação ou mesmo de destruição, mas nós vemos, isto sim, “Evolução”. Afinal, aprendemos que Evolução é “a história do progresso do Espírito no Tempo”.
Evolução é um processo de espirais dentro de espirais. Cada volta da espiral é um ciclo. Cada ciclo funde-se com o seguinte e, como as espirais são contínuas, cada ciclo é o produto melhorado do precedente e o criador de estados sucessivos de maior desenvolvimento.
Pela Lei de Consequência sabemos que “os Anjos do Destino estão acima de todo erro e dão a cada um e a todos exatamente o que necessitam para seu desenvolvimento.” Afinal, “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.” (IICor 5:10).
“Todas as Leis da Natureza, inclusive a Lei de Consequência, e suas aplicações na vida humana, encontram-se sob a direção de Grandes Seres de sublime espiritualidade e sabedoria superlativa. A Lei não opera às cegas, regendo-se pelo princípio do ‘olho por olho e dente por dente’. Os Grandes Seres e Seus colaboradores administram as coisas com sabedoria muito além da compreensão da nossa Mente finita. Alguns julgam não haver meio de escapar às dívidas do passado. Mas, há. Reiteradas vezes afirmamos: Deus, a Natureza ou os colaboradores da Grande Lei nunca a empregam com todo o seu rigor. Encontramo-nos aqui, neste grande Esquema de Evolução, resguardados por essas Leis, que foram instituídas para nos beneficiar e não para nos prejudicar, ainda que nos limitem de certo modo, de maneira idêntica como limitamos a liberdade concedida a nossos filhos menores visando a protegê-los contra os perigos de sua inexperiência”.
“Mediante nossas ações passadas deixamos dívidas em pendência (lições a serem aprendidas nessa Escola da Vida), sujeitas ao resgate, ou seja: a mostrar para nós mesmo que aprendemos a lição. No entanto, reconhecendo nossas falhas, procuramos escrever uma nova página de nossa vida, em harmonia com as Leis outrora infringidas. Essa transformação apaga as consequências dos erros passados e os agentes da Grande Lei, ao observarem isso, abstêm-se de nos infringir os sofrimentos dos quais fizemo-nos merecedores. Aí está a diferença entre os pontos de vista espiritual e fatalista. A mão de Deus, por intermédio de Seus agentes, encontra-se em toda parte, desde os acontecimentos mais importantes, como a passagem de um Planeta por sua órbita, até o mais simples como a queda de uma folha. Tudo está sob Seu cuidado amoroso e, por conseguinte, o que nos sucede harmoniza-se com o Grande Plano Divino. E tal Plano certamente não pode ser “fatalista”.
Vamos ver, agora, as fases da vida Terrestre e Celestial: em um ciclo de vida, temos a parte superior denominada “Celestial” e a parte inferior, “Terrestre”.
De cima para baixo, como Egos estamos no Terceiro Céu no Mundo do Pensamento Abstrato com uma vontade clara e intensa de adquirir mais experiências (por meio de aprendizagem de mais lições) e, assim, obter um Crescimento Anímico, somos atraídos para mais um renascimento ao qual escolhemos nosso Panorama de Vida (dentre alguns possíveis nos mostrados pelos Anjos do Destino) e partimos para o Segundo Céu, também no Mundo do Pensamento, mas na Região do Pensamento Concreto ao qual reunimos materiais para formar uma nova Mente. Partimos para o Primeiro Céu, que se situa no Mundo do Desejo, reunindo materiais para um novo Corpo de Desejos e, por fim, adentramos ao Mundo Físico na Região Etérica e, também, reunindo materiais para posterior construção do Corpo Vital e, auxiliados mais de perto pelos Anjos do Destino nos preparamos para mais um nascimento aqui (Nascimento do Corpo Denso).
Ao nascer, após o primeiro suspiro (primeira respiração) iniciamos nossa jornada na Vida Terrestre. A cada 7 anos, aproximadamente, temos o “nascimento” dos Corpos:
E a cada 7 anos temos uma mudança de fase na nossa vida (quer façamos ou não):
Após mais uma morte aqui, vemos o Panorama da nossa Vida recém-finda e, assim, se encerra mais uma jornada terrestre aqui, a qual é revista e gravada toda a experiência que acumulamos no Átomo-semente do Corpo Denso e é passada, via Átomo-semente do Corpo Vital, para o Átomo-semente do Corpo de Desejos. Essa gravação é a base da nossa nova vida celeste.
Na “subida”, inicia-se o retorno para mais uma vida celestial, nós aqui com o Corpo de Desejos (que assume o formato do Corpo Denso) e o veículo Mente, seguimos para o Purgatório, onde por meio do sofrimento purgamos o que de mal fizemos, e a Essência da Dor se incorpora em nós como consciência; de depois passamos para o Primeiro Céu, onde tudo que fizemos de bom se incorpora em nós como bons hábitos e/ou virtudes.
Ao entrar no Segundo Céu, vivemos com a Mente (que temos aqui) e se aqui nos esforçamos para viver uma vida cuidando mais da parte espiritual dela, temos a chance de trabalhar sobre novos ambientes, novos Corpos e veículos para os outros e para o nosso próximo renascimento.
Por fim retornamos para o Terceiro Céu e a essência da Mente do “reto pensar” e essência Anímica de “reto sentir” são incorporadas em nós como bases para futuros “atos de retidão”.
Encerra-se um ciclo de vida e aguardamos uma nova oportunidade de renascimento para aprendermos as lições que nos faltam, “pelo amor ou pela dor”.
Que as rosas floresçam em vossa cruz