Arquivo mensal julho 2026

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Epigênese e o Destino Futuro

Fevereiro de 1913

Ao estudarmos o livro “A Teia do Destino – Como se Tece e Destece – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz”, é conveniente – na verdade absolutamente necessário – mantermos diante dos nossos olhos e da nossa Mente o fato de que a vida não é apenas o desdobramento de causas desencadeadas em existências anteriores. Ao retornar para um novo nascimento nós, o Espírito, dispomos de um grau variável de livre-arbítrio – condicionado pela vida anteriormente vivida – para definir certos detalhes. Além disso, em vez de apenas desdobrar causas passadas em efeitos nós, o Espírito, geramos novas causas a cada passo, as quais atuam como sementes de experiências para as vidas futuras. Esse é um ponto fundamental. Trata-se de uma verdade evidente por si mesma; pois, se não fosse assim, as causas já desencadeadas teriam que se esgotar em algum momento, o que implicaria a cessação da existência. 

Assim, não somos absolutamente forçados a agir de determinada maneira, pelo fato de estarmos em um certo ambiente e de toda a nossa experiência passada ter criado em nós uma tendência para um certo fim. Com a prerrogativa divina do livre-arbítrio, o ser humano possui o poder da Epigênese – ou da iniciativa –, de modo que pode enveredar por um novo caminho a qualquer momento que deseje. Ele não consegue desvencilhar imediatamente da vida antiga – isso pode exigir muito tempo, talvez várias vidas –, mas, gradualmente, vai alcançando o ideal que outrora semeou.

Portanto, a vida progride não apenas pela Involução e Evolução[1], mas especialmente pela Epigênese. Esse ensinamento sublime da Religião da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes esclarece muitos mistérios que, de outra forma, não teriam solução lógica; entre eles, um que motivou o recebimento de muitas cartas em Mount Ecclesia. Aborda-se esse assunto com certa relutância, visto que o autor não aprecia falar sobre a guerra. A questão diz respeito à relação entre um soldado, uma mulher do lado inimigo violentada por ele e o Ego nascido de uma mãe que o odeia devido à maternidade indesejada.

A investigação de diversos casos revelou que se trata de uma nova experiência por parte dos Espíritos que retornam via renascimento aqui. Todos haviam sido incorrigíveis em seus renascimentos anteriores, e parecia que nada de bom resultaria em mantê-los ali, para o sofrimento e a angústia profunda daqueles com quem estavam ligados. As atuais condições de guerra[2], embora não tenham sido criadas com esse propósito, oferecem uma oportunidade de transferi-los para outro campo de ação, onde a nova mãe colhe, por meio dessa experiência, os frutos de erros que ela mesma semeou no passado.

Essa condição tampouco é exclusiva da guerra. Muitas vezes, meios semelhantes são utilizados em outras circunstâncias para que possamos colhamos o que semeamos, por intermédio de outros seres humanos que entram em nossas vidas para sofrer e nos causa sofrimento. Recordo-me de uma mãe que, anos atrás, me contou como se rebelara contra a maternidade; como, após atravessar a gravidez com ódio e raiva no coração, a criança nascera e ela se recusara até mesmo a olhá-la; mas, por fim, comoveu-se diante da fragilidade e desamparo do bebê, e a compaixão acabou se transformando em amor. O filho desfrutou de todas as vantagens que o dinheiro podia proporcionar, mas tais benefícios não foram suficientes para preservar seu equilíbrio mental; hoje, ele se encontra na cela de um hospital psiquiátrico, enquanto à mãe resta apenas a dor e a reflexão obre o que ela fez – ou deixou de fazer – durante o período em que aquele filho vinha ao mundo.

Por outro lado, há também ocasiões em que um Espírito, tendo encerrado um ciclo em um ambiente antigo, ingressa em uma nova esfera de atuação como um raio de luz e conforto para aqueles que, por suas ações passadas, estão aptos a receber tal bênção. Lembremo-nos, pois, de que, por mais degradado que uma pessoa possa estar, ele sempre possui o poder de semear o bem, devendo, contudo, aguardar o momento em que essa semente possa florescer em um ambiente propício. Cada um de nós, embora vinculado ao seu passado, é livre no que tange ao seu futuro.

(Do Livro: Carta nº 55 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: As duas partes do atual Esquema de Evolução

[2] N.T.: refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

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