Arquivo mensal julho 2026

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Missão de Dash: uma História de Vivissecção

Anita Long estava parada, olhando pela janela com olhos pensativos e sombrios. Era uma jovem frágil e sensível sobre quem as vibrações do Mundo material pesavam intensamente. Durante toda a noite ela havia viajado, como mais gostava de fazer, entre as, assim chamadas, coisas vagas, intangíveis ou transcendentes. Sempre que refletia muito sobre esses assuntos, a aparente lentidão do progresso humano na Terra a assustava e a desanimava.

Afastando-se da janela com um suspiro perplexo, seu olhar caiu sobre o editorial de um jornal vespertino: “A cruzada contra a vivissecção”. Ela nunca havia pensado muito sobre o assunto, apenas sabia que a ideia talvez fosse horrível, repulsiva. Naquele mesmo dia, várias de suas amigas haviam insistido para que ela as ajudasse a trabalhar nas ruas, despertando o interesse do público pela causa; no entanto, sempre avessa às multidões apressadas das ruas da cidade, ela recusara.

Sentia-se muito solitária desde a morte do seu companheiro, um belo cão, da raça bull terrier, chamado Dash, ocorrida poucas semanas antes. Sua coleira ainda estava pendurada ao lado da cama, pois ele costumava acordá-la de manhã colocando-a sobre o travesseiro; então ficava ansiosamente esperando o passeio matinal enquanto ela se vestia. Rapidamente ela conteve as lágrimas enquanto acariciava a coleira.

— Querido Dash, como sinto sua falta! — murmurou, deixando-se afundar sonolenta entre os travesseiros. De repente, ergueu-se parcialmente. Estava acordada ou sonhando?

Dash estava novamente em seu lugar habitual, ao lado da cama, e seus olhos suplicavam ansiosamente como costumavam fazer. Mas desta vez ele não prestava atenção à coleira. Parecia apenas impaciente para que ela o acompanhasse. Já não havia brincadeira em seu comportamento, apenas um apelo sério. Agora, ele deveria conduzir e ela deveria seguir.

Incapaz de resistir ao olhar suplicante, Anita colocou a mão sobre sua cabeça e, meio adormecida, meio desperta, viu-se muito longe, na cidade, diante das paredes de um grande edifício de pedra.

Assim que entrou no prédio, seu coração pareceu parar ao ouvir os terríveis gemidos de agonia vindos de uma sala adjacente. Dash, com o mesmo olhar mudo e implorante, conduziu-a até uma porta, onde ela ficou paralisada de espanto. Sua respiração quase cessou de terror.

Em uma grande jaula estavam cães de todos os tipos e tamanhos, gemendo e arfando em dolorosa agonia. Alguns tinham enormes feridas na garganta, das quais o sangue escorria em pequenos filetes enquanto respiravam; outros tinham aberturas cortadas em seus flancos, que, em seu sofrimento, mordiam e rasgavam, deixando pedaços de carne dilacerada espalhados pelo chão da jaula. Um enorme mastim, com os olhos lacrimejantes e os lábios cobertos de espuma, agarrava as barras de ferro da jaula com os dentes e, em um frenesi de dor, tentava arrancá-las.

Incapaz de suportar por mais tempo aquela visão abominável, Anita se afastou estremecida. Mas Dash, erguendo-se, segurou sua mão com a boca e a conduziu mais adiante pela sala. Ela viu gaiolas cheias de coelhos, todos mutilados e manchados de sangue com olhos suaves, mas repletos de medo diante da sua aproximação. Havia inúmeros ratos brancos e encolhidos, juntos; alguns haviam morrido por crueldade ou negligência; outros aguardavam, indefesos, sem proteção, os horrores que o dia seguinte poderia trazer.

Soluçando de puro terror e compaixão, Anita continuou. Dash, com seus grandes olhos escuros e cheios de lágrimas, observava cada um de seus movimentos de forma suplicante.

Em um canto da sala ela viu um pequeno bezerro olhando para ela com seus belos olhos marcados pela agonia. Perguntando-se qual seria a causa, aproximou-se e descobriu um grande corte em seu flanco, através do qual podia ver o movimento dos intestinos enquanto ele respirava. O animal recuou, tremendo, quando ela se aproximou e estendeu uma mão trêmula para acariciá-lo.

Deus tenha piedade da Humanidade! — lamentou ela. — Quando nossos irmãos mais jovens, que deveriam buscar em nós orientação e auxílio em sua evolução, são levados pela crueldade humana a recuar com medo diante de um rosto humano. Não é de admirar que a evolução da Humanidade esteja retardada. Somente quando esses crimes atrozes forem esgotados e o ser humano se tornar o protetor e defensor dos seus irmãos mais jovens na evolução, somente então poderá encontrar seu próprio lugar no Plano de Deus.

— Ah, Dash! — exclamou ela, abraçando pelo pescoço. — Como sou grata a você por me ter ensinado essa lição! Agora compreendo que sua pequena vida na Terra terminou para que você pudesse prestar esse auxílio aos da sua própria espécie. Farei a minha parte, querido Dash, para que todos saibam e compreendam.

Dash, em um esforço frenético para demonstrar sua alegria diante dessas palavras, latiu e saltou ao redor dela, lambendo suas mãos com entusiasmo. Então, de repente, Anita despertou completamente em sua cama.

No início estava atordoada. Tudo parecera tão real! Ainda conseguia sentir o calor da língua de Dash em suas mãos. Ficou imóvel por muito tempo, refletindo… De vez em quando, um arrepio de terror percorria seu corpo ao recordar a experiência da noite.

Logo pela manhã Anita já estava vestida, a caminho da cidade. Desde então, todos os dias o seu rosto alegre e luminoso pode ser visto na esquina mais movimentada, enquanto sua voz suave ecoa a cada transeunte: — Você não gostaria de assinar minha petição para abolir a horrível tortura contra os animais?

Muitas pessoas assinam por causa do seu rosto gentil e da emoção em sua voz; outras ficam tão tocadas por sua sinceridade que resolvem investigar o assunto imediatamente. Dia após dia sua petição cresce e, ao ver o número de assinaturas aumentar rapidamente, lágrimas frequentemente enchem seus olhos. — Querido, querido Dash — murmura ela —, nós vamos vencer, vamos vencer!

Que Deus abençoe nossos esforços e apresse o dia em que a vivissecção seja contada entre os horrores das eras de trevas. Por vezes, ela ouve um latido distante atravessando o silêncio e sente uma língua quente encostando suavemente em suas mãos.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Parece-me que Cristo Jesus enfatiza demais a importância e o valor da dor como fator da evolução humana. O sofrimento individual pode ser o único meio pelo qual o Ego pode adquirir o poder de sentir compaixão, porém, o verdadeiro propósito da compaixão deve ser eliminar a dor. Por conseguinte, por que não seria melhor enfatizar a valor do regozijo e da felicidade em vez da dor?

Resposta: A última parte da pergunta indica nossa exata posição. Enfatizamos o valor e a importância do regozijo e da felicidade, não, sem dúvida, como um supremo fim em si mesmo, senão como um produto da evolução, através da qual avançamos a estados sempre superiores de poder e de glória.

O objetivo da evolução não é simplesmente obter felicidade para nós, Egos, que tomamos parte nela, embora a vida em todos os planos esteja designada a ser feliz e satisfatória. Nosso real propósito aqui é ajudar a execução do grande plano de Deus, que conhecemos como Obra, Caminho e Esquema de Evolução. Se trabalharmos de acordo com esse plano, o regozijo e a felicidade serão em abundante medida.

O problema aqui é que a maioria de nós percorreu apenas uma distância comparativamente curta no Caminho de Evolução e, por isso, está ainda ignorante das Leis de Deus e das forças cósmicas e está constantemente violando essas Leis de Deus de tal forma que atrai dor sobre si mesma.

Existem dois métodos de aprendizagem nesse Esquema de Evolução. Um é pela experiência e o outro é pela observação. A Filosofia Rosacruz tem por objetivo induzir aos Estudantes Rosacruzes a aprender por meio da observação. Com este propósito fornece informação com relação às Leis de Deus e, também, sobre a dor que resulta quando são violadas. É assim que nós, Egos, prudentes modificaremos nossos caminhos de acordo com as Leis de Deus e evitaremos violentá-las, pois isso produzirá sofrimento (“O caminho do transgressor é duro.”). A Filosofia Rosacruz menciona a dor e o sofrimento apenas em conexão com isso.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Alerta aos Amigos Estudantes

No Caminho da Espiritualidade os Ensinamentos Rosacruzes são como um farol, uma luz que ilumina os nossos passos, dando-nos segurança, firmeza e coragem para enfrentar as tentações que nos impedem de se desenvolver espiritualmente fornecidas pelo Mundo material em que nascemos e vivemos aqui.

Porém ao iniciar esse caminho é fundamental que o Estudante Rosacruz atenda ao chamado bíblico: “transformar o ‘velho homem’ em um ‘novo homem’”. O que representa essa transformação? Deixar de lado todos os hábitos mesquinhos, egoístas, ambiciosos, corrigir todos os grandes e pequenos defeitos de nossa Personalidade e cultivar sentimentos de bondade, tolerância e uma permanente disposição de servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) o irmão e a irmã ao nosso lado, focando esse serviço na Divina Essência oculta em cada um de nós (que é a base da Fraternidade).

Enfim, aprender a cultivar a autoanálise e o domínio próprio, interrogando a própria consciência. Tudo nessa vida é transitório, e só um caráter íntegro, uma consciência tranquila e um coração cheio de amor são a verdadeira felicidade.

Sem essa transformação, sem este cultivo maravilhoso do amor Crístico, os mais profundos conhecimentos filosóficos perdem o valor essencial da objetividade.

O grande chamado que, pessoalmente, sentimos para trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz foi precisamente esse objetivo na simples e profunda pergunta de Max Heindel: “de que servirá uma filosofia que não nos torne melhores homens e mulheres?”.

É de valor básico que nos tornemos melhores seres humanos, para bem assimilar e difundir fundamentalmente pelo exemplo de nossas vidas, os valiosos Ensinamentos Rosacruzes.

Não se iludam os Estudantes Rosacruzes pensando que se aprofundando no estudo da Filosofia Rosacruz, sem que ao mesmo tempo reformem seus sentimentos, emoções, desejos e hábitos negativos, alcancem aquela firmeza, segurança e coragem de pessoa iluminada pela luz dos Ensinamentos Rosacruzes — esse farol de valor inestimável.

Sem isso, de pouco ou nada lhes servirão os melhores conhecimentos filosóficos, nas primeiras provas que a vida lhes traga. Ao contrário, com esse cultivo do bem e do amor Crístico alicerçados nos Ensinamentos Rosacruzes prova alguma os abaterá.

Cultivemos em nós a sinceridade, a humildade, a bondade e o desejo de que nossas vidas sejam vidas úteis no meio em que vivamos. Como bem colocar Max Heindel: “O único remédio para os males do mundo são o amor e a compaixão”.

Ajudemos a melhorar os “males do mundo” melhorando a nós próprios, aprendendo a amar e a dar graças a Deus pelo Caminho encontrado.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Objetivos de um Verdadeiro Aspirante Rosacruz

Ninguém pode se sentir feliz vivendo somente para si. Quem assim encaminha sua existência mal pode prever os desditosos resultados de tão triste semeadura. Não nos espanta saber que a sociedade moderna é um imenso agrupamento de pessoas acometidas de diversas formas de neurose. A neurose é uma doença; é um mal provocado por uma vivência centrada no egoísmo. O neurótico, além de egoísta, tende a ser egocêntrico (eu+centro). Isto é, a se colocar no centro de todas as coisas, como se fosse a pessoa mais importante do mundo. Isso, obviamente, gera conflitos e lhe traz sérios aborrecimentos. O indivíduo acaba por se sentir isolado, solitário, incompreendido. Na verdade, ele se tornou incapaz de praticar o amor Crístico.

Os três grandes males ou pecados da nossa época: o egoísmo, a impaciência ante as restrições e o orgulho intelectual nada mais são que expressões neuróticas. A vida moderna, se a pessoa não orar e vigiar, tende a atirá-la na turbulenta correnteza da competição e do hedonismo. São muitas as ciladas e sutis suas aparências. Para quem se deixou envolver pelos condicionamentos sociais, ou se há muito se acomodou ao ritmo e embalo da nossa colorida civilização, tudo isso parece normal. A anomalia consiste em não agir conforme esses parâmetros.

Como proceder, então, diante desse quadro pouco edificante?

Os Ensinamentos Rosacruzes preconizam uma vivência equilibrada: “Viver no mundo, mas não ser do mundo.” (Jo 17:15-16), é uma boa filosofia de vida. O Estudante Rosacruz entende que não deve se isolar só porque as condições do meio onde vive são incompatíveis com seus princípios. Alienar-se é um erro grave. A reparação deverá ser feita no devido tempo. Fugir às responsabilidades é passar ao longo de experiências valiosíssimas. Evitar pessoas incapazes de falar a sua linguagem espiritual ou impotente para se libertar de uma mentalidade materialista não lhe trará benefício algum. Saber se relacionar sem perder sua identidade ou autenticidade é um indício de crescimento espiritual.

Ao Estudante Rosacruz cabe cultivar algumas habilidades. Deve ser flexível e tolerante para com os defeitos alheios, mas vigilante para consigo mesmo. Em suma, é bom aceitar as pessoas como elas são, sem, entretanto, se deixar abalar em suas convicções.

No convívio espiritual cabe-lhe fazer valer suas qualidades e competência isento, porém, de qualquer intenção de competir. Sem pretensões descabidas, trabalha honestamente, confiando na justiça de Deus (não na “justiça dos homens”) que fornece a cada um segundo seu merecimento. Se a ascensão profissional sobrevier como fruto de seus esforços, saberá entendê-la como um meio de fazer o bem e não um fim em si mesmo. Infelizmente as pessoas, em sua maioria, subverteram o sentido das coisas.

O Estudante Rosacruz se esforça por ser um exemplo no meio em que vive. Cuida, entretanto, de que isso não o torne vaidoso. À medida que avança no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz as armadilhas se revestem de sutilezas; as falhas de caráter assumem ares de virtude, e o tombo acaba por se tornar perigosíssimo.

O Estudante Rosacruz está sempre atento em viver no Mundo material, mas cultiva seu mundo interior, tendo sempre presente que o “Reino de Deus está dentro de si mesmo.” (Lc 17:21) governa todos os seus passos. Por falar em passos, ele evita viver apressadamente, como aqueles que correm desesperadamente atrás de algo que nem sabem definir o que seja. Trabalha para viver e não para morrer. A serenidade nunca está com pressa, jamais é impaciente e com falta de tempo. Segundo Goethe, “a felicidade não é um prazer transitório, mas a longevidade de um poder secreto”.

Se o mundo adora a sofisticação, o Estudante Rosacruz ruma em sentido contrário: prefere a simplicidade. É mister redescobrir a simplicidade – simplicidade no viver, simplicidade nas atitudes com relação ao mundo e a outras pessoas. Os prazeres simples trazem mais duradouros benefícios. As simples qualidades Cristãs de amor e bondade, embora nem sempre apreciadas em nossa avançada sociedade tecnológica, são ainda as melhores fontes de felicidade.

Tudo isso é muito importante, mas a suprema meta do Estudante Rosacruz é a consagração de sua vida a servir a Humanidade. Os elevados e compassivos seres, que regem nossa evolução, dentre os quais se destacam os Irmãos Maiores, necessitam, em sua missão benfeitora de obreiros, de Auxiliares Visíveis conscientes aqui na Região Química do Mundo Físico. Quanto mais o Estudante Rosacruz se conscientiza do alcance dessa necessidade, mais disposto estará a servir. Compreende que é um privilégio participar desse plano de redenção, mormente dedicando seus esforços a Obra Rosacruz. Os Irmãos Maiores se regozijam quando o Aspirante à vida superior, superando as limitações do egoísmo, expressa o Amor Crístico, cultivando um sentimento impessoal e universal de solidariedade.

O Estudante Rosacruz, assim, terá dado o primeiro passo ao assumir a condição de Auxiliar Visível e, posteriormente, Auxiliar Invisível inconsciente. Com o decorrer do tempo as faculdades internas dele florescerão a níveis sequer imagináveis, ensejando-lhe se converter em um Auxiliar Invisível consciente. Terá, então, o passo além do véu.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho de 1981 Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Epigênese e o Destino Futuro

Fevereiro de 1913

Ao estudarmos o livro “A Teia do Destino – Como se Tece e Destece – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz”, é conveniente – na verdade absolutamente necessário – mantermos diante dos nossos olhos e da nossa Mente o fato de que a vida não é apenas o desdobramento de causas desencadeadas em existências anteriores. Ao retornar para um novo nascimento nós, o Espírito, dispomos de um grau variável de livre-arbítrio – condicionado pela vida anteriormente vivida – para definir certos detalhes. Além disso, em vez de apenas desdobrar causas passadas em efeitos nós, o Espírito, geramos novas causas a cada passo, as quais atuam como sementes de experiências para as vidas futuras. Esse é um ponto fundamental. Trata-se de uma verdade evidente por si mesma; pois, se não fosse assim, as causas já desencadeadas teriam que se esgotar em algum momento, o que implicaria a cessação da existência. 

Assim, não somos absolutamente forçados a agir de determinada maneira, pelo fato de estarmos em um certo ambiente e de toda a nossa experiência passada ter criado em nós uma tendência para um certo fim. Com a prerrogativa divina do livre-arbítrio, o ser humano possui o poder da Epigênese – ou da iniciativa –, de modo que pode enveredar por um novo caminho a qualquer momento que deseje. Ele não consegue desvencilhar imediatamente da vida antiga – isso pode exigir muito tempo, talvez várias vidas –, mas, gradualmente, vai alcançando o ideal que outrora semeou.

Portanto, a vida progride não apenas pela Involução e Evolução[1], mas especialmente pela Epigênese. Esse ensinamento sublime da Religião da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes esclarece muitos mistérios que, de outra forma, não teriam solução lógica; entre eles, um que motivou o recebimento de muitas cartas em Mount Ecclesia. Aborda-se esse assunto com certa relutância, visto que o autor não aprecia falar sobre a guerra. A questão diz respeito à relação entre um soldado, uma mulher do lado inimigo violentada por ele e o Ego nascido de uma mãe que o odeia devido à maternidade indesejada.

A investigação de diversos casos revelou que se trata de uma nova experiência por parte dos Espíritos que retornam via renascimento aqui. Todos haviam sido incorrigíveis em seus renascimentos anteriores, e parecia que nada de bom resultaria em mantê-los ali, para o sofrimento e a angústia profunda daqueles com quem estavam ligados. As atuais condições de guerra[2], embora não tenham sido criadas com esse propósito, oferecem uma oportunidade de transferi-los para outro campo de ação, onde a nova mãe colhe, por meio dessa experiência, os frutos de erros que ela mesma semeou no passado.

Essa condição tampouco é exclusiva da guerra. Muitas vezes, meios semelhantes são utilizados em outras circunstâncias para que possamos colhamos o que semeamos, por intermédio de outros seres humanos que entram em nossas vidas para sofrer e nos causa sofrimento. Recordo-me de uma mãe que, anos atrás, me contou como se rebelara contra a maternidade; como, após atravessar a gravidez com ódio e raiva no coração, a criança nascera e ela se recusara até mesmo a olhá-la; mas, por fim, comoveu-se diante da fragilidade e desamparo do bebê, e a compaixão acabou se transformando em amor. O filho desfrutou de todas as vantagens que o dinheiro podia proporcionar, mas tais benefícios não foram suficientes para preservar seu equilíbrio mental; hoje, ele se encontra na cela de um hospital psiquiátrico, enquanto à mãe resta apenas a dor e a reflexão obre o que ela fez – ou deixou de fazer – durante o período em que aquele filho vinha ao mundo.

Por outro lado, há também ocasiões em que um Espírito, tendo encerrado um ciclo em um ambiente antigo, ingressa em uma nova esfera de atuação como um raio de luz e conforto para aqueles que, por suas ações passadas, estão aptos a receber tal bênção. Lembremo-nos, pois, de que, por mais degradado que uma pessoa possa estar, ele sempre possui o poder de semear o bem, devendo, contudo, aguardar o momento em que essa semente possa florescer em um ambiente propício. Cada um de nós, embora vinculado ao seu passado, é livre no que tange ao seu futuro.

(Do Livro: Carta nº 55 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: As duas partes do atual Esquema de Evolução

[2] N.T.: refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Folha com Aspectos Astrológicos Rosacruz – MÊS DE JULHO DE 2026

Folha-Astrologica-Rosacruz-Aspectos-e-Posicoes-Diarios-JULHO-de-2026-FRATERNIDADE-ROSACRUZ-Campinas-SP-Brasil-scaled Folha com Aspectos Astrológicos Rosacruz – MÊS DE JULHO DE 2026

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