O Ecos de um Centro Rosacruz tem como objetivo informar as ATIVIDADES PÚBLICAS realizadas pelos Estudantes Rosacruzes, bem como fornecer material de estudo sobre os assuntos que foram objetos de exposições, publicações e em Reuniões públicas de Estudos durante o mês anterior.
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1.Para acessar a Edição digital (com a formatação e as figuras em melhor qualidade)
clique aqui: Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Maio de 2026
2. Para acessar somente os textos (sem a formatação e as figuras) é só ler aqui:


Nossas Reuniões de Estudos Semanal 7
Atividades gerais que executamos em nosso Centro da Fraternidade Rosacruz, no mês de MAIO/2026: 11
Publicações de Textos DIÁRIOS e SEMANAIS: 12
Correção de Lições dos Cursos de Capacitação dos Ensinamentos Rosacruzes: 12
Respostas às dúvidas dos leitores, Estudantes Rosacruzes ou não: 12
Oficiação dos Rituais do Serviço Devocional do dia: Templo, Cura e Específicos: 12
Departamento de Cura, recebendo novas Solicitações ou continuando o Tratamento: 12
Trânsito do Sol: Transitando pelo Signo de Gêmeos (MAIO-JUNHO) 13
Conteúdo Rico para os Estudos Rosacruzes gerado nas Reuniões de Estudos. 16
O próximo trecho que vamos buscar a Significância Esotérica é: “Filho do Homem”: 19
Termo Rosacruz: Imaginação. 41
Termo Rosacruz: Deus de Raça. 55
Alguns Artigos Publicados nas nossas redes sociais no mês de ABRIL: 57
Perigos em Praticar a Clarividência Involuntária ou Negativa. 57
A Continuação da Vida quando, mais uma vez, Morremos Aqui! 59
A Origem da Ordem Rosacruz e a Fundação da Fraternidade Rosacruz aqui 61
O Altruísmo trazido por Cristo para Nós aplicarmos aqui 66
Quer ver mais postagens diárias de lindos e práticos textos nas nossas Redes Sociais?. 67
O CÍRCULO DE CURA ROSACRUZ. 72
Reuniões de “Cura Rosacruz”. 72
Ritual do Serviço Devocional de Cura. 74
Se você está doente e entende que precisa de ajuda. 75
As Reuniões de Estudos abertas ao público ocorrem na nossa Sede própria situada na Avenida Francisco Glicério, 1326 – Centro – Conj. 82 – Campinas – SP – Brasil, aos domingos às 16 h e/ou às 17 h até às 18h30.
Em seguida temos a oficiação do Ritual do Serviço Devocional do dia.
Se você quiser participar presencialmente é só nos avisar antecipadamente pelo WhatsApp: 55 19 99185-4932 ou pelo e-mail: fraternidade@fraternidaderosacruz.com
É uma oportunidade ímpar de você estar estudando com pessoas que têm o mesmo ideal Rosacruz!
Para esse mês de JUNHO de 2026, aqui estão as Reuniões que teremos:
Nesse Calendário você encontra:
1- Os DIAS de Ofícios de cada Ritual do Serviço Devocional que qualquer um pode oficiar
2- Os melhores Períodos para Tratamentos de Saúde usando a Astroterapia e Astrodiagnose Rosacruz
3- Os melhores Períodos que ajudam você a assimilar melhor os resultados dos seus Estudos Espirituais
4- Os melhores Períodos que ajudam você a executar as Atividades Materiais
5- Os assuntos que nós estudaremos nas nossas Reuniões Públicas Dominicais de Estudos (tanto com participação local como remota) no Centro Rosacruz em Campinas-SP-Brasil
6- As datas que ocorrerão as Reuniões reservadas Dominicais de Estudos também no Centro Rosacruz em Campinas-SP-Brasil
7- Os assuntos que você poderá utilizar para a sua reflexão e para os Exercícios Esotéricos Rosacruzes (seja pelo Trabalho do Cristo nesse Período, seja pelo Trânsito do Sol pelas Hierarquias Criadoras)
**** Informações adicionais sobre esse Calendário você encontra no nosso site:
Reuniões de Estudos:
DOMINGO, 3
DOMINGO, 10
DOMINGO, 17
DOMINGO, 24
DOMINGO, 31
Publicações de Textos DIÁRIOS e SEMANAIS:
Correção de Lições dos Cursos de Capacitação dos Ensinamentos Rosacruzes:
Filosofia, Estudos Bíblicos e Astrologia Rosacruzes que estão sendo feitos pelos Estudantes Rosacruzes por esse Centro Rosacruz
Respostas às dúvidas dos leitores, Estudantes Rosacruzes ou não:
via e-mail, no site, nas redes sociais
Oficiação dos Rituais do Serviço Devocional do dia: Templo, Cura e Específicos:
incluindo Hino de Abertura, do Signo solar do mês e Hino de Encerramento
Departamento de Cura, recebendo novas Solicitações ou continuando o Tratamento:
Para os irmãos e as irmãs inscritos (Estudantes Rosacruzes ou não) no Departamento de Cura desse Centro Rosacruz.
Aproveitemos o mês e unamos os Ensinamentos Rosacruzes de Filosofia, Bíblia e Astrologia Rosacruz para praticarmos durante TODOS OS DIAS DE MAIO. Esse mês solar de JUNHO, nesse ano, que vai de 20 de MAIO a 21 de JUNHO, corresponde à Hierarquia Zodiacal de Gêmeos.
O modelo cósmico para a Terra, projetado por essa Hierarquia, é o de uma grande paz, uma paz que sobre passa toda a compreensão e que será a herança da vindoura Humanidade Crística.
As características que devem ser cultivadas durante o Período de Gêmeos são a mesma paz e o mesmo equilíbrio que se refere S. Paulo e que lhe permitiram dizer: “Nenhuma dessas coisas (do mundo externo) me comovem”.
Quando o Sol transita pelo Signo de Gêmeos, a constelação imprime no Corpo-templo humano uma dupla influência. Governa todas as dualidades do Corpo: Pulmões, ombros, braços e mãos, em particular.
Contém, também, o Arquétipo cósmico do perfeito andrógino, onde as potencialidades masculinas e femininas estão em equilíbrio. Essa é a consecução dos Iniciados nos Grandes Mistérios de Cristo.
Essa aquisição produz a imunidade ante a enfermidade e a passagem do tempo. E como sua consciência não se interrompe, esteja ou não na carne, nunca experimentam a morte, tal como nós a concebemos, já que sua consciência está centrada na imortalidade ininterruptamente.
Hierarquia Criadora – A Hierarquia Zodiacal de Gêmeos é a Hierarquia Criadora dos Serafins.
Os Serafins despertaram o germe do terceiro aspecto do Espírito – o Espírito Humano, durante a quinta Revolução do Período Lunar.
Uma das palavras-chave de Gêmeos é a atividade; essa é, também, a palavra-chave do Espírito Santo. Por meio da sua atividade, os Serafins transpassam os mistérios do Espírito Santo ao Signo oposto, Sagitário, os Senhores da Mente. Ali esperam que o ser humano desenvolva sua iluminação até ser capaz de compreender e aplicar o imenso poder do Espírito Santo em sua vida diária. Ainda assim a Humanidade só é capaz de perceber debilmente os mistérios relacionados com o princípio e os poderes do Terceiro Aspecto da Trindade.
Atividades do Cristo – Enquanto o Sol transita pelo Signo de Gêmeos, a luz de Cristo se difunde em uma aura esférica ao redor da Terra, o que capacita os Iniciados na Trilha da Santidade a alcançar a presença de poderosos seres, conhecidos como Serafins, cuja grandeza e poder sobrepassam qualquer descrição. Sob seu sublime ministério, os ensinamentos relativos ao mistério da polaridade são transmitidos, com que se aprende a interação entre as energias masculinas e femininas (os elementos positivos e negativos da natureza), e constituem a força motriz de tudo, desde o átomo até o Planeta.
Atividades do Aspirante à vida superior – Durante o Período de trânsito do Sol pelo Signo de Gêmeos, o Discípulo fará bem ao dedicar o maior tempo possível a meditar sobre o princípio da polaridade, pois é o mês mais apropriado do ano para receber as revelações esotéricas sobre essa matéria profundíssima. Se for possível, o Zohar, “o Livro da Luz”, como foi inicialmente conhecido, é recomendável para os estudos sobre esse tema.
No Corpo Denso – O Signo de Gêmeos rege as mãos. Essas são visualizadas como centros florais, fragrantes, luminosos e adornados com preciosos dons de cura e concedendo bênçãos.
Recomenda-se ao Estudante visualizar as mãos com seus órgãos espirituais despertos e iluminados, e com todas as suas faculdades e funções totalmente desenvolvidas.
Dentre os 12 Apóstolos – O Discípulo correlacionado com Gêmeos é S. Tomé. Tão intimamente se identificou com Cristo que suas dúvidas, próprias em uma Mente mortal, foram transcendidas por meio de uma dinâmica realização dos poderes crísticos latentes dentro dele. Realizou muitos e maravilhosos milagres logo depois de ter havido essa transformação.
Passagem da Bíblica correlacionada – enquanto os ritmos vibratórios de Gêmeos impregnam a Terra, e durante o mês solar de JUNHO, se tem o seguinte pensamento-núcleo bíblico: “Tranquilizai-vos e reconhecei: Eu sou Deus” (Sl 46:11). Faça isso em cada um dos dias em que Gêmeos enfoca seu ritmo sobre a Terra, e os significados ocultos dessa passagem lhe aclarará a Mente e o Coração sobre sua significância esotérica.
O texto da Bíblia sob estudo está aqui:
Vendo Jesus que estava cercado de grandes multidões, ordenou que partissem para a outra margem do lago. Então chegou-se a ele um escriba e disse: “Mestre, eu te seguirei para onde quer que vás”. Ao que Cristo Jesus respondeu: “As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Outro dos discípulos lhe disse: “Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai”. Mas Cristo Jesus lhe respondeu: “Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos”.
Estudemos alguns Termos Rosacruzes que aparecem no texto sob estudo:
Reparem que esse trecho vem depois do que Cristo ordenou (como ordena até hoje): “Segue-me”. No trecho Ele diz para um discípulo (ou seja, que já adotou o Cristianismo e já está trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação naquele tempo).
Ou seja: para uma pessoa que despertou em si a espiritualidade Cristã.
Exemplo?
Um Estudante Rosacruz – o que muitos de nós respondemos?
•”permite-me ir primeiro enterrar meu pai”
•O que simboliza ou significa essa desculpa ou justificativa?
Simplesmente TUDO que nos impede de progredir espiritualmente na construção e na utilização do Corpo-Alma para vivermos nos Mundos espirituais (como Cristo ensinou).
Exemplos?
•Subordinação à lei dos homens
•Prisão aos costumes
•Apegos materiais
•Perigosa e ilusória zona de conforto
E o que o próprio Cristo nos ensina como solução para conseguirmos progredir espiritualmente pelo método Cristão?
(…) “Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos”.
E será que somos também “mortos” que nos ocupamos em enterrar os “nossos mortos”?
Aqui alguns exemplos para ver se somos, ainda que parcialmente:
•Os que estão “mortos” para espiritualidade
•Os que estão acham que “morreu, acabou”
•Os que estão acham que temos só essa vida
•Os que vivem a base de dogmas
•Os que vivem dependentes de outros, senão Cristo
•Os que acham que conseguem enganar a Deus!
E a lista continua, não?
A raposa aqui simboliza a astúcia que aprendemos a aplicar na Época Atlante e que até hoje usamos e abusamos! Já as aves aqui simbolizam os pensamentos que, contaminados pelo Corpo de Desejos, vão de um lado para outro.
E completando a frase: “…, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”.
Ou seja: os Ensinamentos d’Ele não estavam nos Corações e nas Mentes humanas…e ainda não estão!
Reparem bem: o próprio Cristo Jesus se intitula “Filho do Homem”: o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
Resumindo: Referência oculta ao Signo de Aquário. Para compreendermos essa fortíssima correlação: “Filho do Homem” e o Signo Astrológico de Aquário temos que explicar um pouco o que é um dos Movimentos da Terra chamado “Precessão dos Equinócios”.
•Para isso desenhemos uma linha que chamaremos de Linha do Equador da Terra e coloquemos o Planeta Terra no meio dessa linha, assim como está nessa figura.
•Agora coloquemos o Sol alinhado à Terra.
•Só que devido ao eixo da Terra em relação ao Sol não estar, hoje, perpendicular, ou seja, estar inclinado, então o Sol não pode estar alinhado ao Equador da Terra, ou seja há um ângulo entre o Equador da Terra e o Equador do Sol (uns 23 graus). Mais ou menos assim nessa figura:
Agora se ao invés de trabalharmos em duas dimensões, onde usamos linhas, vamos trabalhar em 3 dimensões e usar planos.
Ficaria mais ou menos assim:
Plano do Equador da Terra e Plano do Equador do Sol em ângulo de separação de em torno de 23 graus. Vamos marcar 4 pontos que são de extrema importância para quem estuda a Filosofia Rosacruz.
Primeiro, o do Equinócio de Março que é bem aqui. Ou seja, quando, estando nós na Terra, parece que o Sol – que se move no seu Plano – cruza o Equador terrestre em março.
Segundo o do Equinócio de Setembro que é bem aqui. Ou seja, quando, estando nós na Terra, parece que o Sol – que se move no seu Plano – cruza o Equador terrestre em setembro.
Terceiro o do Solstício de Junho que é bem aqui. Ou seja, quando, estando nós na Terra, parece que o Sol – que se move no seu Plano – atinge um ponto mais longe da Terra em junho.
Quarto o do Solstício de Dezembro que é bem aqui. Ou seja, quando, estando nós na Terra, parece que o Sol – que se move no seu Plano – atinge um ponto mais longe da Terra em dezembro.
Sabemos que a nossa volta, em volta de todo o nosso Sistema Solar temos os 12 Signos do Zodíaco.
Pois quando falamos, p. exe. que o Sol está em Peixes, é porque se olharmos para o Sol, atrás dele está o Signo de Peixes, como nos ensina a Astrologia Rosacruz.
Então, coloquemos os 12 Signos do Zodíaco na sua sequência. Fica mais ou menos assim:
Note um ponto muito importante que servirá para a nossa explicação: HOJE o Sol cruza o Equador terrestre em março, no Equinócio de Março, no Signo de Peixes.
Vamos pegar justamente essa parte da figura e escrevê-la de outra forma.
•Aqui está uma escala de 60 graus, 30 mais 30.
•Aqui está o Signo de Áries nos seus 30 graus.
•E aqui o Signo de Peixes nos seus 30 graus.
Agora vem a constatação de como o movimento de Precessão dos Equinócios ocorre.
Todos os anos, em março, quando o Sol cruza o Equador terrestre, ele sempre cruza em um valor que é anterior ao ano passado.
Exemplo: se ele cruzou esse ano em 7 graus, 22 minutos e 9 segundos de Peixes, no ano passado ele cruzou em 7 graus, 22 minutos e 59 segundos.
Alguns exemplos no passado:
•no ano 1 d.C. o Sol estava cruzando em torno de 7 graus de Áries:
•já no ano 498 d.C. o Sol estava cruzando em torno de 2 graus de Áries:
•e hoje o Sol estava cruzando em torno de 7 graus de Peixes:
Estendamos a escala para mais 30 graus. Note: temos 3 conjuntos e assim podemos projetar 3 Signos: Peixes, Áries e Touro.
Quando o Sol cruzava o Equador terrestre no Signo de Touro estávamos na Era de Touro.
No Signo de Áries, estávamos na Era de Áries.
E, hoje, cruzando no Signo de Peixes, estamos na Era de Peixes.
Na Era de Touro estávamos na 3ª parte da Época Atlante.
Na Era de Áries estávamos na 1ª parte da Época Ária.
Na Era de Peixes estamos na 2ª parte da Época Ária.
Agora notem bem: o Antigo Testamento cobre os 23 graus enquanto estávamos na Era de Áries.
Já o Novo Testamento cobre os 7 graus enquanto estávamos na Era de Áries e, assim, já na Órbita de Influência da Era de Peixes.
Na Era de Touro tínhamos uma Religião onde adorávamos o Touro ou o “bezerro de ouro”. Foco era na conquista da Região Química do Mundo Físico e conquistas materiais sob as Religiões de Raça.
Na Era de Áries, até os 23 graus, estávamos em uma transição que tínhamos que adorar o Cordeiro e o sangue do Cordeiro nos protegia, ainda sob as Religiões de Raça. Alusões aos Pastores do Antigo Testamento de carneiros e cordeiros.
Após os 8 graus, começamos a adorar o Cordeiro de Deus que ia vir e veio! Daí Cristo ser chamado de Cordeiro de Deus que tirou os pecados do mundo. Apresentação da Religião Cristã a quem quisesse.
Como estávamos já na Órbita de Influência da Era de Peixes, o peixe, conhecido como Ichthys se torna um dos símbolos mais antigos do Cristianismo. Cristo faz dos Discípulos “pescadores de homens”. Alusões a rede de pesca e peixes.
Continuemos estendendo a nossa escala para mais um Signo além de Peixes. Lembrando: estamos hoje na 2ª parte da Época Ária ou na Era de Peixes, pois o Sol, quando no Equinócio de Março cruza o Equador, atrás dele está o Signo de Peixes. E estamos em direção à 3ª parte da Época Ária ou Era de Aquário:
Reparem que o Signo de Aquário é o único que tem como símbolo um homem inteiro.
Em referência à Aquário Cristo se intitulou “Filho do Homem”, pois ele trouxe a Religião da Era de Aquário, onde a Fraternidade e o altruísmo reinarão no nosso cotidiano.
Ou seja; Ele nos disponibilizou a verdadeira Religião Cristã (bem diferente do que vemos hoje propagandeadas pelas Religiões exotéricas, católicas e protestantes).
E ao disponibilizar para quem quisesse, muitos de nós já a vivencia na prática do seu dia a dia.
Na Fraternidade Rosacruz temos, por exemplo, os irmãos e as irmãs que já alcançaram os níveis de Adepto e Irmão Maior, na sua plenitude; os Irmãos e as Irmãs Leigas na maior parte do tempo; os Discípulos que sabem o que é e se esforçam para vivenciá-la; e os Probacionistas ativos e sinceros que a praticam por meio das lições não escritas que lhe são fornecidas.
Aqui são somente algumas significâncias esotéricas desse trecho. Como visitaremos novamente esses trechos em outros Evangelhos teremos a oportunidade de nos aprofundar mais.
Para saber mais, assista o vídeo da 29ª Reunião Mensal de Estudos Bíblicos Rosacruzes da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil no nosso Canal do YouTube:
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Estudemos dois Termos Rosacruzes importantíssimos que aparecem no texto sob estudo:
A Mente é o meio pelo qual nós (Tríplice Espírito, a Individualidade) conseguimos trabalhar com o nosso Tríplice Corpo, a Personalidade). Antes para contextualizarmos precisamos entender, quando passamos a possuir a Mente e o marco que ela trouxe, o que mudou a partir dela, e para isso vamos dar uma rápida passada pelo Esquema de Evolução:
•É um grande Dia de Manifestação que compreende 7 Períodos. Cada Período é composto por 49 voltas.
•São 7 Globos que completam 7 Revoluções cada, seguido de 49 Repousos e 1 Noite Cósmica.
•O “Fio de Ariadne” que nos guiará através desse labirinto de Globos, Mundos, Revoluções e Períodos.
•Um Globo é um Campo de Evolução, ou seja, um local com um ambiente completo e condições perfeitas para a EVOLUÇÃO de inúmeras Ondas de Vida.
•Repouso ocorre todas as vezes em que migramos de um Globo para outro, essa não é uma fase de inércia e sim de assimilação e preparação do novo ambiente.
•Revolução, passando pelos sete Globos que a compõe, depois de completar essa primeira Revolução, vamos para uma Recapitulação dessa Revolução e depois vamos para a segunda Revolução, passando pelos sete Globos que a compõe.
•Noite Cósmica que ocorre entre dois Períodos também não é um Período de inércia, e sim de assimilação e preparação. Quando isso ocorre o cosmo converte-se em ‘Caos’ novamente e partimos para um novo Período.
-Quais são as ajudas que tivemos das Hierarquias?
No trajeto da nossa Evolução tivemos muitas ajudas das Hierarquias Criadoras, algumas pertencentes a nossa Evolução e outras voluntariamente nos ajudaram. No primeiro capítulo do Gênesis essas Hierarquias são chamadas Elohim. Esse nome significa uma hoste de Seres duplos ou bissexuais. Vamos falar do primeiro lá no Período de Saturno.
Senhores da Chama; essa Hierarquia prestou grande auxílio à nossa Onda de Vida nos dando um germe de um Corpo e despertando em nós o Espírito Divino. Vale ressaltar que tal Hierarquia não tinha compromisso ou obrigação nenhuma, que os levasse a nos auxiliar, nem nos em nada poríamos acrescentar à evolução dos mesmos, nenhum novo conhecimento, nenhuma nova habilidade, aprendizado ou experiência, nada poderíamos acrescentar à essa elevada Hierarquia, seu auxílio foi desinteressado (aquilo que não se tem ganho, necessidade ou obrigação), sendo assim, seu auxílio foi essencial para nossa evolução.
Durante a 1° Revolução do Período de Saturno, os Senhores da Chama conseguiram implantar na vida evolucionante o germe do nosso atual Corpo Denso.
Esse germe foi se expandindo durante as próximas 6 Revoluções, onde obteve a capacidade de desenvolver os órgãos do sentido, especialmente o ouvido. Desde quando nos proporcionou o germe do Corpo Denso os Senhores da Chama se fizeram inativos em nossa evolução retomando somente no final do Período para, mais uma vez, nos ajudar. Na metade da 7° Revolução do Período de Saturno os Senhores da Chama se fizeram ativos novamente, nos proporcionado dessa vez o princípio espiritual mais elevado, despertando o Espírito Divino no ser humano.
No Período de Solar, a Hierarquia que atuou diretamente com o ser humano foi a dos Senhores da Sabedoria. Os Senhores da Sabedoria, foram responsáveis por proporcionar o germe da Corpo Vital, estabelecendo a base para a futura evolução do ser humano. Durante o Período Solar, tivemos outra grande realização que foi a contraparte do Corpo Vital, foi o despertar do Espírito de Vida, isso foi feito por uma Hierarquia chamada Querubins. Neste Período o ser humano era análogo aos vegetais, a consciência dos seres humanos no Período Solar era semelhante a um estado de sono profundo. Nesse estado, não havia autoconsciência nem a capacidade de perceber o mundo externo de maneira consciente, como fazemos hoje. – Nesse estágio, a consciência humana estava em grande parte fundida com o ambiente ao seu redor. Não havia uma distinção clara entre o “eu” e o “não-eu”. Essa fusão com o ambiente é comparável ao estado de consciência das plantas, que vivem e crescem de acordo com os ritmos naturais, mas sem consciência própria ou Individualidade.
O foco principal no Período Solar era o desenvolvimento do Corpo Vital. Esse Corpo é responsável pelos processos vitais e pelo crescimento, e durante este Período, a Humanidade estava fortemente influenciada por essas forças vitais. – A consciência era, portanto, principalmente ligada às funções vitais e de crescimento, semelhante à vida das plantas, que são guiadas pelas forças do Corpo Vital. – Embora não houvesse autoconsciência, havia uma sensação básica de vida, um sentimento de vitalidade. Isso se manifestava como um tipo de percepção interna, uma sensação de estar vivo, mas sem a complexidade das emoções ou do pensamento consciente.
No Período Lunar, a Hierarquia que atuou diretamente com o ser humano foi a dos Senhores da Individualidade.
Os Senhores da Individualidade foram responsáveis por proporcionar as “sementes” do germe de Corpo Desejos. Já outra Hierarquia chamada de Serafins nos proporcionou o despertar do Espírito Humano, a contraparte do Corpo de Desejos. Neste Período o ser humano era análogo aos animais pois possuía uma consciência e estava em um estado de sono com sonhos, onde havia uma percepção rudimentar de imagens e formas. No entanto, essa consciência era instável e fragmentada.
Os seres neste estágio podiam perceber imagens e formas, mas essas percepções eram vagas e fluidas, sem a clareza e a definição da percepção consciente atual.
Neste Período o foco principal do desenvolvimento era o desenvolvimento do Corpo de Desejos. Este Corpo é responsável pelas emoções e sentimentos. Os seres começaram a experimentar emoções primitivas e sensações, mas sem uma compreensão clara ou controle sobre elas.
A reconstrução do Corpo Denso, na Revolução de Saturno do Período Terrestre, teve a finalidade de torná-lo apto para ser interpenetrado pela Mente. Recebeu o primeiro impulso para a construção do Sistema Nervoso, onde começaram a se objetivar o Sistema Nervoso Voluntário e o Simpático. O Sistema Nervoso Simpático já havia sido obtido no Período Lunar, mas o Sistema Nervoso Voluntário foi exatamente no atual Período Terrestre. E por intermédio do Sistema Nervoso Voluntário, o Corpo Denso, que era um mero autônomo agindo somente em função de estímulos exteriores, como uma marionete, se transformou num instrumento extraordinariamente adaptável podendo ser guiado e governado pelo Ego, de dentro. Assumimos o controle.
O trabalho principal de tal reconstrução foi executado pelos Senhores da Forma. Esta Hierarquia é a mais ativa no atual Período Terrestre, assim como as mais ativas do Período de Saturno foram os Senhores da Chama; no Período Solar os Senhores da Sabedoria e no Período Lunar os Senhores da Individualidade. O Período Terrestre é, sem sombra de dúvida, o Período da Forma. Aqui, a parte material da evolução está em seu grau máximo o mais elevado, ou mais pronunciado. Em contrapartida, o Espírito está mais abandonado, mais distante e coibido. A Forma é o fator mais dominante, daí o predomínio dos Senhores da Forma. Se os Senhores da Forma é a Hierarquia predominante do Período, sugere-se que ela tenha despertado algo, dado alguma parte do nosso Corpo Denso ou nos proporcionado algum germe, sim ou não?
A grande pergunta é o que foi, e qual foi o germe que Senhores da Forma nos proporcionou? Além é claro de a finalidade de torná-lo apto para ser interpenetrado pela Mente.
Os Senhores da Forma não nos “deram” nada; nem germe e nem partes do nosso Corpo Denso. Eles nos dão (e a todas as Ondas de Vida que precisam) os ensinamentos para construirmos formas, sejam químicas, etéricas, de desejo e/ou de pensamento, e por isso são os responsáveis por todas as atividades no Período Terrestre.
Mas então se os Senhores da Forma não nos deram nenhum germe, nem parte alguma do nosso Corpo Denso? Isso quer dizer que no Período Terrestre não recebemos nenhum tipo de germe, o que além dos Senhores da Forma outra ou outras Hierarquias, também nos ajudaram com o despertar de algum germe, se sim qual foi esse germe e qual foi a Hierarquia?
Os Senhores da Mente, especialistas em matéria mental, nos deram o germe do veículo Mente aqui na 4ª Revolução do Período Terrestre.
Com esse acréscimo completamos a reconstrução final do Corpo Denso, ou ainda teremos a frente mais aperfeiçoamento, do e no, Corpo Denso?
Após recebermos o germe da Mente completamos a reconstrução final do Corpo Denso, capacitando-o a alcançar o mais alto grau de eficiência possível a tal veículo.
E quando fazemos uma Recapitulação podemos enxergar como fomos sendo preparados. Para tornamo-nos autoconscientes, sabemos que no Período de Saturno éramos inconscientes estando no nível de consciência correspondendo ao transe profundo No Período Solar éramos inconscientes correspondendo ao sono sem sonhos. No Período Lunar possuíamos a consciência pictórica correspondendo ao sono com sonhos. Somente no Período Terrestre obtivemos a consciência de vigília. Até aqui, aprendemos sobre as ajudas que recebemos e quando as recebemos. Porém precisamos ter um pouco mais de clareza em saberemos que parte do Período Terrestre essa consciência foi adquirida, logo que entramos no Período Terrestre ou no meio.
Quando chegamos exatamente aqui no Globo D do Período Terrestre, deu início as chamadas Épocas. Aqui é o ponto mais baixo da Involução e o início da Evolução. E foi exatamente aqui em uma das Épocas que os Senhores da Mente nos deram o germe do veículo Mente, na 4ª Revolução do Período Terrestre.
As Épocas se fizeram necessárias por um motivo, e qual foi esse motivo? Para uma recapitulação dos Períodos anteriores.
Qual o grande objetivo das Épocas? Devido a lei de espirais dentro de espirais, um novo passo nunca é dado antes que seja recapitulado todos os passos anteriores.
Em qual Época recebemos o Germe da Mente? O Germe da Mente começou a ser dado aos mais avançados da Humanidade no final da Época Lemúrica, mas o desenvolvimento e a manifestação de forma mais ampla da Mente ocorreram na Época Atlante. Antes disso, o ser humano era mais instintivo, funcionando sem razão desenvolvida, sem intelecto completo e sem consciência individual como conhecemos hoje. O cérebro estaria em formação há muito tempo, mas ainda não plenamente conectado à Mente racional.
• Na Época Polar → o ser humano tinha apenas algo equivalente ao Corpo Denso.
• Na Época Hiperbórea → desenvolveu o Corpo Vital.
• Na Época Lemúrica → desenvolveu o Corpo de Desejos (emoções e impulsos).
• Na Época Atlante → recebeu a Mente. Os “Senhores da Mente” teriam dado ao ser humano o “germe da Mente”, permitindo o surgimento da Individualidade e da autoconsciência. O grande marco foi que a partir daí:
– o ser humano passou a desenvolver razão;
– começou a pensar de forma individual;
– adquiriu consciência do “eu”;
– passou a escolher entre o certo e o errado;
– e iniciou o desenvolvimento intelectual.
“A Mente é o foco em que o Tríplice Espírito […] reflete-se no Tríplice Corpo.”. “O intelecto do ser humano teve sua origem durante o quarto Dia da Criação, o Período Terrestre em que vivemos agora, porque antes dele a vida do ser humano atual não tinha nem cérebro e nem Mente”.
Quem veio primeiro o cérebro ou a Mente? O cérebro físico surgiu antes da Mente racional completa. O cérebro seria preparado ao longo da evolução para depois receber o germe da Mente. Tudo, antes, existe uma preparação, uma construção.
No atual Período Terrestre o veículo mais Denso é o Corpo Denso. No Período de Jupiter será o Corpo Vital. No Período de Vênus será o Corpo de Desejos, e no Período de Vulcano será um Corpo Mental. E agora vamos dar uma olhada nas formas que hoje temos de alimentar e cultivar o atual e futuros Veículos.
•Mente Concreta → ligada aos desejos, emoções, sentimentos, interesse pessoal e pensamento voltado ao mundo material. A Mente Concreta está contaminada pelos desejos.
•Mente Abstrata → ligada às ideias puras, princípios universais, pensamento elevado, impessoal e espiritual. A Mente Abstrata trabalha acima da contaminação emocional que está a Mente Concreta.
•As atividades e disciplinas que ajudam no desenvolvimento da Mente Abstrata são: estudo da matemática, música elevada em harmonia, melodia e ritmo, meditação em assuntos elevados, Astrologia Rosacruz, estudo do Esquema de Evolução, pensamento ordenado e consecutivo, esforço mental contínuo, reflexão filosófica e espiritual.
O Pensamento Abstrato […] não está contaminado pelas emoções. A maioria da Humanidade é incapaz de se abstrair porque não formou a Mente Abstrata.
A imaginação surgiu como parte necessária do processo evolutivo do ser humano. Ela não apareceu por acaso, mas porque o ser humano precisava deixar de ser apenas um ser guiado automaticamente, para se tornar um criador consciente. No início da evolução, nos Períodos e Épocas já apresentados, o ser humano ainda não possuía pensamento consciente do Mundo Físico. Éramos autômatos, guiados em tudo. Sem a Mente, vocês acreditam que nós tínhamos a capacidade para criar algo, ‘sim ou não? Se sim, o que criávamos?
Nessa fase antiga, o ser humano criava inconscientemente apenas seus Corpos, mas ainda não conseguia pensar, experimentar ideias ou criar conscientemente no Mundo Físico.
Então surgiu uma necessidade evolutiva, acabou a involução e já tínhamos tudo o que precisávamos, agora era hora de começar a subir; desenvolver consciência, experimentar pensamentos, aprender a criar, desenvolver a Individualidade e crescer espiritualmente.
E para tudo isso acontecer, ocorreram mudanças profundas durante a Época Lemúrica e depois na Época Atlante. A principal delas foi a construção do cérebro e da laringe.
“A necessidade de se ter um instrumento, formou o cérebro.” O cérebro seria o instrumento da Mente para pensar no Mundo Físico, enquanto a laringe permitiria expressar os pensamentos. E para que isso fosse possível, parte de uma força precisou ser desviada. Qual foi essa força?
A força sexual criadora, da reprodução, direcionada para cima, onde formou o cérebro e a laringe. Foi nesse contexto que apareceram as duas grandes forças criadoras humanas.
– A imaginação passou a ser uma faculdade criadora do Ego, responsável por formar imagens mentais e permitir ao ser humano criar conscientemente. O ser humano deveria desenvolver a criatividade, invenção e a capacidade de transformação.
O gênio é a expressão de uma Mente divina e, em conexão com a imaginação, faz do ser humano um criador dentro de si mesmo.
Ou seja; a imaginação surgiu para tornar o ser humano um criador consciente, ela nasceu junto ao desenvolvimento da Mente, do cérebro e da Individualidade, foi necessária para o crescimento anímico e espiritual e, permitiu que o ser humano deixasse de agir apenas por instinto e começasse a criar novas possibilidades.
•Sem imaginação não existiria civilização humana
•Sem a Imaginação seríamos ainda selvagens
•E tudo aquilo que a Humanidade construiu primeiro foi imaginado mentalmente, antes de se tornar realidade concreta.
Resumidamente:
A Mente é o instrumento de pensamento do Ego, funcionando como elo entre o espírito e os Corpos do ser humano. Ela permite raciocinar, formar ideias, adquirir consciência e direcionar a Vontade e a Imaginação para a criação e evolução do ser humano.
Imaginação é o poder do sexo feminino, e é ligada às forças lunares. É a força criadora da Mente, responsável por formar imagens, ideias e possibilidades que podem se manifestar na realidade. Ela foi desenvolvida para transformar o ser humano em um criador consciente, auxiliando sua evolução material, mental e espiritual.
Para saber mais, assista ao vídeo da 265ª Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Alquimia e Crescimento da Alma – Termo Rosacruz: Alma, em nosso canal do YouTube aqui:
265ª Reunião Dominical-FRC em Campinas-SP-10mai26-C.XVI-Desenvolvimento Futuro: Mente-Imaginação
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Estudemos um Termo Rosacruz importantíssimo que aparece no texto sob estudo:
Vamos começar de baixo para cima, para melhor compreender o Termo Rosacruz: “Ego”.
Somos um ser composto que, quando estamos aqui renascidos somos um microcosmo composto dos seguintes instrumentos: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente. Esses instrumentos se interpenetram, assim como no macrocosmo os Mundos se interpenetram.
•Assim, nós também somos um pequeno mundo, um microcosmo
•Nosso “Mundo Físico” é composto do Corpo Denso e Corpo Vital
•Nosso “Mundo do Desejo” é composto do Corpo de Desejos
•Nossa “Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento” é composto da Mente
•Cada um de nós somos um Mundo diferente e devemos ser respeitados como tal
Trabalharmos sobre os nossos Corpos através da nossa Mente para retirarmos dos nossos Corpos as lições que aprendemos.
Para isso nos alimentamos da Alma Consciente por meio da quintessência de todo trabalho executado por nosso Espírito Divino no Corpo Denso.
Nos alimentamos da Alma Intelectual por meio da quintessência de todo trabalho executado no nosso Espírito de Vida no Corpo Vital.
E nos alimentamos da Alma Emocional por meio da quintessência de todo trabalho executado no nosso Espírito Humano no Corpo de Desejos.
•do Corpo Denso: todas as nossas ações corretas, honestas e sinceras
•do Corpo Vital: toda a memória das ações retas praticadas e todos os bons hábitos formados
•do Corpo de Desejos: todos os desejos, sentimentos e emoções de fé, altruísmo, filantropia, serviço, amor
Damos o nome de Personalidade ao conjunto: Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos
Damos o nome de Ego ao conjunto: Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino
•E é através da Mente que podemos atuar nos nossos Corpos
•Ela é que transmite a nossa vontade para colocar em ação os nossos Corpos
•E é por ela que pedimos na Oração do Pai Nosso: livrai-nos do mal
Percebam nas figuras, que o Ego humano separado é segregado definitivamente dentro do Espírito Universal, na Região do Pensamento Abstrato.
E vejam que unicamente nós possuímos a cadeia completa de veículos que nos correlaciona com todas as divisões dos três Mundos, ou seja, nos fornece a capacidade de funcionar em todas as Regiões desses três Mundos que compõe atualmente, o nosso campo de aprendizagem no “Ciclo de Nascimentos e Mortes”.
A figura acima deixa claro também que é o Ego que, por exemplo, move o Corpo Denso à vontade e não o Corpo Denso que governa os movimentos do Ego. Quanto mais estreitamente o Ego pode se pôr em contato com o seu veículo, mais pode dominá-lo e se expressar por seu intermédio, e vice-versa. Essa é a chave do nosso nível de Consciência de Vigília atualmente!
Para saber mais, assista ao vídeo da 266ª Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Os Primeiros Passos – Termo Rosacruz: Ego – Parte 1 em nosso canal do YouTube aqui:
266ª Reunião Dominical-FRC em Campinas-SP-17mai26-C.17-Método para o Conhecimento Direto_Ego-P.1
Continuemos o estudo de um Termo Rosacruz importantíssimo que aparece no texto sob estudo:
Ao contrário da ideia geralmente aceita, nós, Egos, somos bissexuais. Se fôssemos assexuais, o Corpo Denso seria necessariamente assexual também, por ser o símbolo externo de nós, um Espírito interno.
Isto explica o predomínio da Imaginação quando renascemos aqui como mulher e o poder especial que a Lua exerce sobre o organismo feminino.
E, também, explica o predomínio da Vontade quando renascemos aqui como homem e o poder especial que o Sol exerce sobre o organismo masculino.
Assim, aprendemos que fomos criados bissexuais, como um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui como Ego, e que, até a Época Hiperbórea deste Período Terrestre, quando renascíamos aqui na Região Química do Mundo Físico, cada um de nós era capaz de propagar a nossa espécie humana sem a cooperação de outro, como hoje é o caso de algumas plantas.
Cada um de nós é um Espírito Virginal, criado “à imagem e semelhança de Deus”, como estudamos na Bíblia. Quando, em um Esquema de Evolução, nos manifestamos, somos um Ego. Assim, um Ego é um Espírito Virginal Manifestado durante um Esquema de Evolução.
Antes do início de sua peregrinação através da matéria, nós, o Espírito Virginal, nos encontramos no Mundo dos Espíritos Virginais, o mais próximo ao mais elevado dos sete Mundos. Possuíamos a Consciência Divina, mas não consciência de nós mesmos. A Consciência Divina, o Poder Anímico e a Mente Criadora são faculdades que se adquirem pela evolução.
Vamos ver a Composição do Ego em cada Período na parte da Involução desse Esquema de Evolução:
– Na 7ª Revolução nós, o Ego, éramos compostos somente do Espírito Divino
– A partir da 6ª Revolução nós, o Ego, éramos compostos do Espírito Divino e do Espírito de Vida
– A partir da 5ª Revolução nós, o Ego, éramos compostos do Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano
– Daqui para frente, nossa manifestação se completou como um Tríplice Espírito
Durante a Involução, as Hierarquias Criadoras nos ajudaram a despertar a atividade do Tríplice Espírito, que é o que somos; um Ego, para construirmos o nosso Tríplice Corpo e adquirirmos a ligação por meio da nossa Mente, que também nos foi dada.
Empregando a linguagem bíblica, no “sétimo dia Deus descansa”. O que isso significa?
Que agora, durante a parte “Evolução” desse Esquema de Evolução, devemos trabalhar por nossa “própria salvação”. Nós, o Tríplice Espírito, devemos completar a Obra do Plano iniciado por Deus.
Os nossos três aspectos Divinos, ou seja, nossos três veículos divinos: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, estão em atividade durante toda a parte “Evolução”, mas a atividade principal de cada aspecto é desenvolvida em cada Período particular.
A Obra que ali executará será seu trabalho especial. Vamos ver com detalhes o nosso trabalho, o trabalho do Ego nos Períodos de Júpiter, Vênus e Vulcano:
– Trabalharemos mais afincamente usando nosso Espírito Humano no Período de Júpiter.
Por quê? Porque o Espírito Humano, despertado durante a Involução no Período Lunar, é o Período correspondente ao Lunar no arco ascendente da espiral. Reparem que os Globos são compostos dos mesmos materiais. Ou seja, os Campos de Evolução são similares. Lá trabalhamos inconscientemente, no Período de Júpiter trabalharemos conscientemente.
Trabalharemos mais afincamente usando nosso Espírito de Vida no Período de Vênus.
Por quê? Porque o Espírito de Vida, despertado durante a Involução no Período Solar, é o Período correspondente ao Solar no arco ascendente da espiral. Reparem que os Globos são compostos dos mesmos materiais. Ou seja; os Campos de Evolução são similares. Lá trabalhamos inconscientemente, no Período de Vênus trabalharemos conscientemente.
E trabalharemos mais afincamente usando nosso Espírito Divino no Período de Vulcano.
Por quê? Porque o Espírito Divino, despertado durante a Involução no Período de Saturno, é o Período correspondente ao de Saturno no arco ascendente da espiral. Reparem que os Globos são compostos dos mesmos materiais. Ou seja, os Campos de Evolução são similares. Lá trabalhamos inconscientemente, no Período de Vulcano trabalharemos conscientemente.
Deus se manifestou e se tornou três em um único Ser, os três aspectos de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
Como fomos feitos a sua imagem, também nos manifestamos em três aspectos: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.
Deus se manifesta quando está criando, como agora, um Sistema Solar (e torna-se três aspectos).
Nós nos manifestamos quando estamos aprendendo no que Ele está criando, como agora nesse Esquema de Evolução (nos tornamos em três aspectos). Assim: “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que não existe contradição alguma em atribuir multiplicidade a Deus. Não pecamos contra a “unidade” da luz por distinguirmos as três cores primárias em que se divide.
Reparem que Deus, o Arquiteto do nosso Sistema Solar, Fonte e Meta da nossa existência, se manifestou e se tornou três em um único Ser, os três aspectos de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
Não são três Seres, senão três Atributos de um só Ser. Quando este Ser, em Sua permanente atividade, põe em Manifestação mais densa, com o propósito de criar e crescer, eles se manifestam em: Vontade, Sabedoria e Atividade.
À semelhança de Deus, nosso Criador, nós fomos criados a Sua imagem e semelhança temos três atributos, ou emanações de Deus, que são: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, respectivamente; três aspectos de Uma mesma divindade interna, nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui). Assim, nos manifestamos de forma tríplice, isto é, Consciência (Pai), Vida (Filho) e Forma (Espírito Santo). Não são três “pessoas”, senão três manifestações de uma só “pessoa”. Se faltasse uma destas três manifestações não poderíamos evoluir, mostrando assim que depende de uma cadeia completa de veículos correspondentes aos atributos superiores.
Resumindo então:
Deus se manifesta de forma tríplice:
Juntos formam a Santíssima Trindade
Nós Espíritos Virginais também nos manifestamos de forma Tríplice:
Vamos resumir o nosso trabalho, como Espírito Virginal que somos, desde a nossa manifestação como Ego, o despertar de cada um dos nossos veículos divinos, a aquisição e desenvolvimento de cada Corpo, a produção do alimento que desenvolve cada um dos nossos veículos divinos que são as respectivas Almas e o objetivo final de tudo isso.
Durante a vida o Tríplice Espírito, o Ego, trabalha sobre e no Tríplice Corpo, ao qual está ligado pelo elo da Mente. Este trabalho traz à existência a Tríplice Alma. A Alma é, pois, o produto espiritualizado do Corpo.
A Tríplice Alma, por sua vez, amplia a consciência do Tríplice Espírito.
Ou em outras palavras: o Tríplice Espírito através da Mente, governa um Tríplice Corpo, que é emanado de si mesmo para obter experiências. Este Tríplice Corpo, o Espírito transmuta para uma Tríplice Alma, sobre a qual nós nos nutrimos da impotência para a Onipotência.
“Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e fará obras ainda maiores, porque eu vou para o Pai.” (Jo 14:12). Entre os poderes que Cristo Jesus possui, como temos conhecimento através de Sua obra, estavam a clarividência, profecia, ensino, cura, expulsão de demônios e o controle dos elementos.
Por fim, lembremo-nos que durante a fase de Involução, nesse Esquema de Evolução, progredimos através da formação e aperfeiçoamento dos nossos Corpos, mas a partir da fase de Evolução dependemos do crescimento da Alma, isto é, da transformação dos nossos Corpos em Alma. A Alma é, por assim dizer, a quintessência, o poder ou força dos nossos Corpos.
Esse é o caminho que todos nós seguimos da Impotência para a Onipotência.
Para saber mais, assista ao vídeo da 267ª Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Os Primeiros Passos – Termo Rosacruz: Ego – Parte 2 em nosso canal do YouTube aqui:
267ª Reunião Dominical FRC em Campinas SP 24mai26 C 17 Conhecimento Direto Ego P 2
Estudemos um Termo Rosacruz que aparece no texto sob estudo e que deve ser muito bem compreendido por nós, a fim de distinguirmos bem a que “Deus” realmente estamos adorando e buscando seguir.
Como definimos o Deus de Raça? É uma das funções de Jeová, o mais elevado iniciado do Período Lunar.
Jeová pertence a Onda de Vida dos Anjos. Alcançou o mérito de ser o atributo Espírito Santo de Deus.
Ele é o criador e Regente das Religiões de Raça. E nos guiou, no passado, por meio de Religiões Separatistas. Jeová dividiu a Humanidade em diferentes povos, colocando cada um sob a direção de um grande Arcanjo, com a função de Espírito de Raça (um Arcanjo). Nós ainda não tínhamos desenvolvido Consciência Espiritual suficiente para agir de acordo com a vontade do Pai, e não conseguíamos controlar nossos desejos. Por isso surgiu a primeira ajuda para a Humanidade se voltar para Deus, cultivando a espiritualidade: as Religiões de Raça!
O que são Religiões Separatistas? São aquelas focadas em regras e divisões baseadas em raças, nações ou dogmas exclusivos – também chamadas de Religiões de Raça.
O que são Religiões de Raça? Religiões criadas por Jeová e praticada pela Humanidade. É baseada nas Leis Jeovísticas, por exemplo: “Olho por olho, dente por dente”. Os Dez Mandamentos resumem essas Leis.
Como as Religiões nos educavam? De “fora para dentro”. Por meio das Leis, do temor a Deus e da punição, nos ensinando a controlar nossos desejos. As Leis nos ajudavam a perceber quando pecávamos, ou seja, quando fazíamos algo errado — algo contra as Leis de Deus. Esse processo nos ajudou a desenvolver o controle sobre os nossos desejos e na evolução da nossa Consciência.
Já nos libertamos dos Espíritos de Raça? Não – até agora, a maioria de nós está sob a influência do dominante Espírito de Raça e das reminiscências que muitos criaram a partir deles: Espírito de Tribo e Espírito de Família.
E quando nos libertaremos? A Bíblia diz que a Lei nos foi dada até que o amor de Cristo viva em nós e direcione nossas ações, ou seja, até que o Cristo Interno nasça e se desenvolva em nós, tornando assim a Lei externa desnecessária, pois a Lei estará dentro de nós!
As Religiões de Raça foram etapas necessárias de preparação para a vinda de Cristo. Todas elas apontavam para a vinda de um grande Ser que traria uma nova forma de Evolução. Cristo veio com a missão de superar a separação entre os povos e promover a Fraternidade Universal.
268ª Reunião Dominical-FRC em Campinas-SP-31mai26-C.17-Conhecimento Direto_Deus de Raça
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que há sim um grande perigo de praticarmos a Clarividência involuntária ou negativa, seja para conhecer os Mundos invisíveis (Mundos espirituais), seja para trabalhar diretamente neles.
Afinal, quando estudamos o assunto sobre desenvolvimento da visão espiritual não há nada de simbólico, nem se refere a algo vago – como um estado de êxtase ou coisa semelhante.
O que há, de fato, é o desenvolvimento de uma faculdade real, tal como temos a visão física, pois a visão espiritual é tão necessária à percepção dos Mundos espirituais e à verdadeira compreensão das condições suprafísicas, como o é a visão física indispensável a uma mais ampla compreensão das condições materiais (ou seja, aqui na Região Química do Mundo Físico).
Agora, somos alertados nos Ensinamentos Rosacruzes, para que não confundamos a visão espiritual (ensinada aqui) com a Clarividência desenvolvida de uma maneira involuntária ou negativa, pois nessa há a dependência de um estado negativo da nossa Mente (ou seja, a nossa disposição em nos deixar levar, seja pela possessão do nosso Corpo Denso, seja por seguir as “orientações” de um irmão ou uma irmã desencarnada).
Nesse caso tais irmãos e irmãs “clarividentes” podem ser comparados às pessoas presas “em seus cavalos sem selas e com as rédeas soltas, ou seja, são levadas de um lado para outro, à vontade dos cavalos”. Nesse caso é um grande perigo!
Esse grande perigo também ocorre em certas fases de Clarividência negativa que são desenvolvidas com o uso de drogas, instrumentos materiais, assim como por meios de exercícios respiratórios
E por quê? Porque em todos esses casos de Clarividência negativa ou involuntária, não está sob controle do Ego (o dono do Corpo Denso e todos os veículos que ele usa aqui, renascido)!
Aprendemos que um Clarividente voluntário, devidamente desenvolvido, nunca está preso!
Ele pode ver ou deixar de ver à sua vontade, com segurança, diretamente (sem intermediários). Ele é dono das suas faculdades espirituais. Ele não é escravo de nada nem de ninguém.
Na Fraternidade Rosacruz aprendemos a usar apropriadamente os poderes espirituais que possuímos.
É por isso que aqui podemos realizar atividades espirituais ainda maiores.
Para isso contamos com o auxílio diretos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Usando o método deles tornamos a nossa visão espiritual latente em dinâmica.
Só assim, como uma grande compreensão espiritual, é o que tornamos valiosa a aplicação da Clarividência voluntária como um fator da nossa evolução, e muito segura!
O método começa trilhando um Caminho de Preparação, que nada mais é do que Treinamento Esotérico preparatório.
Essa parte antecede o Caminho da Iniciação Rosacruz, onde aplicamos o que aprendemos antes e continuamos a aprender para seguir adiante em outros patamares.
Para isso precisamos aplicar muito da nossa força de vontade, persistência, perseverança, devoção, observação, nosso discernimento e muito, mas muito, na prática do que aprendemos aqui, por meio do “serviço amoroso e desinteressado”.
Seguindo esses passos o Estudante Rosacruz, capacitado e treinado, trabalha nos Mundos espirituais e traz todo o conhecimento adquirido para aplicar aqui no seu cotidiano, aumentando sua eficiência no “servir”, na colaboração com o Plano de Salvação do Cristo e, assim se tornando um Auxiliar Invisível Consciente.
Façamos do modo correto, sem queimar etapas, sem querer pular níveis (claro, aqui não se consegue!), “tudo tem o seu tempo e a sua hora”.
Façamos tudo conscientemente!
Pois há uma máxima oculta Rosacruz que diz: “não há pecado maior que a privação, ainda que momentaneamente, da livre vontade de um Ego, sua mais inestimável herança.”
A Fraternidade Rosacruz nos ensina tudo sobre a continuação da nossa vida, quando mais uma vez morremos aqui, na Região Química do Mundo Físico!
Depois que morremos (e isso só ocorre após o rompimento do Cordão Prateado) passamos para o Purgatório (situado nas 3 Regiões inferiores do Mundo do Desejo), depois Primeiro Céu (nas 3 Regiões superiores), depois Segundo Céu (nas 3 Regiões inferiores do Mundo do Pensamento – Região Concreta) e, finalmente, no Terceiro Céu (nas 3 Regiões superiores do Mundo do Pensamento – Região Abstrata).
No Purgatório permanecemos cerca de 1/3 da vida que vivemos aqui em nossa vida recém-finda (depende, claro, da quantidade de mal que fizemos aqui “por querer ou sem querer”). Lá iremos ver e viver tudo o que fizemos de mal para os outros aqui na Terra, com uma intensidade de sofrimento e de dores triplicada em relação ao que provocamos aqui. Por quê? Porque isso confere a qualidade da retidão que atuará para o bem e a repulsão para o mal em nossas vidas futuras. Assim, cria a consciência para nas próximas vidas termos a chance de não repetir o erro e sublimar, criando a virtude que se opõe ao vício.
O Primeiro Céu é onde a quintessência do que produzimos como consciência no Purgatório se incorpora no Átomo-semente do Corpo de Desejos. Aqui o bem que fizemos na vida recém-finda, é à base dos sentimentos que revivemos.
O Segundo Céu se encontra na Região do Pensamento Concreto.
A vida no Segundo Céu é extraordinariamente ativa e variada em numerosos sentidos. O Ego assimila os frutos de sua última vida terrena e prepara o ambiente para uma nova existência física.
É o nosso verdadeiro e lindo lar. Temos lá uma intensa e importante atividade, nos preparando para o nosso próximo Renascimento aqui no Mundo Físico. Preparamos as condições terrestres mais apropriadas para o nosso próximo passo de progresso, o retorno à Terra. Trabalhamos aqui junto aos Espíritos da Natureza para alterar a aparência, a fauna e, também, a flora da Terra, de maneira a proporcionar um ambiente ao redor, requerido para o próximo passo em direção à perfeição, e até para ajudar na construção de novos Corpos.
O Terceiro Céu está localizado na mais elevada Região do Mundo do Pensamento, ou seja, a Região Abstrata do Mundo do Pensamento. Aqui por meio da harmonia inefável desse Mundo superior, se fortalece para sua próxima imersão na matéria.
Depois de estar lá por algum tempo, temos o desejo de novas experiências, com a contemplação de um novo nascimento, feito com a ajuda dos Anjos do Destino. Estes evocam uma série de quadros ante a nossa visão, ou seja, um Panorama da próxima vida que nos espera. Este Panorama, claro, contém somente os acontecimentos principais, temos a plena liberdade quanto aos detalhes.
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A origem da Ordem Rosacruz, conforme Max Heindel, se inicia no passado distante, no início do Período Terrestre, mas seu arquétipo já se manifesta 3 Períodos antes do nosso Período Terrestre.
A Ordem Rosacruz é uma antiga Fraternidade Mística fundada em 1313 por um elevado ser espiritual com o nome simbólico de “Christian Rosenkreuz”; Cristão Rosacruz.
Sua missão é preparar uma nova fase da Religião Cristã Esotérica para ser utilizada na próxima Era, a Era de Aquário, que se aproxima, pois, à medida que o Mundo e o ser humano evoluem, a Religião também deve evoluir.
Existem 7 Escolas de Mistérios (ou Iniciações) Menores, no qual a Ordem Rosacruz faz parte, e 5 de Mistérios (ou Iniciações) Maiores. Todas fazem parte de um líder central que é chamado “O Libertador”.
A Ordem Rosacruz é destinada para os ocidentais, enquanto as outras 6 escolas são destinadas para os povos do oriente e do sul do oriente. As 5 Escolas de Mistérios Maiores são constituídas pelos graduados nas Escolas Menores.
O Templo da Ordem Rosacruz fica na Região Etérica do Mundo Físico. O Estudante Rosacruz tem acesso a ele a partir do nível de Irmão Leigo ou Irmã Leiga, que se alcança a partir da Primeira Iniciação Menor.
A Fraternidade Rosacruz, que promulga os Ensinamentos Rosacruzes aqui na Região Química do Mundo Físico, foi fundada em 1911 por Max Heindel.
Ele foi incumbido, por um dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, de tornar público parte dos Ensinamentos Rosacruzes, que antes eram conhecidos e divulgados apenas num círculo fechado e de forma simbólica.
Os Ensinamentos Rosacruzes são inteiramente Cristãos, buscando tornar a Religião Cristã Esotérica um elemento vivo na sociedade, e conduzir a Cristo aqueles que não conseguem encontrá-Lo somente pela fé dogmática, mas que, como ensina S. Paulo, constrói e pratica a fé racional, a fé alimentada por obras, atos e ações bons de serviço ao próximo.
A Fraternidade Rosacruz é ‘Uma Associação Internacional de Cristãos Místicos’.
Existe uma diferença enorme em uma associação, que é totalmente voluntária, e uma organização que prende seus sócios por juramentos, promessas e coisas do tipo.
Os Estudantes Rosacruzes que alcançaram o nível de Probacionistas sabem que a promessa que fazem é uma promessa a eles mesmos e não à Ordem Rosacruz.
Na Fraternidade Rosacruz, o Estudante Rosacruz não tem mestre, guru, instrutor ou quaisquer outras pessoas que diria ser responsável pelo desenvolvimento espiritual dele.
E qual é a relação dos Irmãos Maiores com os Estudantes Rosacruzes? Eles são nossos amigos e professores e nunca exigem – sob nenhuma condição – obediência a qualquer regra que seja. A partir do nível de Probacionistas, no máximo eles nos advertem, nos deixando livres para seguir ou não tal sugestão lançada no nosso campo egóico.
Cura Definitiva das Nossas Doenças e Enfermidades: Atacando a Causa e não os Efeitos
Todos nós um dia ficamos doentes ou enfermos.
Muitas vezes temos que enfrentar duras provas, dores fortes, muitas limitações, incertezas, enfim, fases difíceis, mas temos que enfrentar.
Ter um desejo sincero de passar essa fase sabendo os porquês, das transgressões nas Leis de Deus que fizemos, e buscar ajuda, muito nos ajuda!
Pedir ajuda para que alcancemos a Cura definitiva – atacando a causa e não os efeitos – (a Fraternidade Rosacruz conta com um Departamento de Cura) é, efetivamente, contatar com o que há de mais elevado em nós, é se sintonizar com a Luz Divina e a vibração de harmonia que rege a vida interior de cada um de nós.
O nosso Corpo Denso é o Templo de Deus, mas sabemos que é bem limitado (devido as nossas imperfeições). Precisa ser bem cuidado tanto no físico quanto no espiritual.
Nesses momentos devemos recordar que as provas, as doenças e as dúvidas que nos atormentam, têm a finalidade espiritual de nos tornar mais fortes, mais conscientes da verdadeira razão do nosso ser.
E, também, mais firmes na resolução de seguir a via da libertação do “Eu Superior”, e viver na Luz com autenticidade, verdade e abnegação (a famosa auto-renúncia).
Ao estudarmos e entendermos a Lei de Causa e Efeito, já damos um passo largo para sabermos passar essas provas.
As nossas provas, as nossas doenças (que nós mesmos ativamos!) sempre nos ajudam a compreender melhor a razão profunda delas e aceitá-las, porque sabemos que elas são o resultado, doloroso muitas vezes, de erros e hábitos negativos que cometemos no passado.
A chave de toda evolução é a experiência, e todos nós somos livres para escolher a maneira como as assimilamos, como as tornamos partes integrantes da nossa consciência.
É possível originar grandes e boas transformações em nossas vidas e no nosso meio.
Precisamos viver na Luz e “Deus é Luz”, tenhamo-lO como nosso aliado, façamos sempre muitas orações, falemos sempre com Ele, sejamos humildes.
Tenhamos a compreensão dos fatos que nos levaram a adoecer, a passar por duras provas, pois tivemos sim a ausência da Luz, da harmonia, da simplicidade, da falta de servir, e, claro, porque transgredimos as Leis da Natureza, ou seja, as Leis de Deus.
Lembremos também que fomos corajosos (lá no Terceiro Céu) ao escolher nossas provas, nossas doenças, nossas dificuldades, nosso Espírito teve coragem e fé suficientes para aceitar enfrentar os problemas que agora parecem terríveis.
Temos em nosso interior o Poder de Deus que está focado e canalizado para nós, somente aguardando que o reconheçamos e o utilizemos. Tudo o que desejamos ardentemente atingir é possível e requer apenas esforço e persistência da nossa parte.
Tudo tem uma causa e um efeito, nada é gratuito no Universo.
O aperfeiçoamento, a saúde, a regeneração, a paz, requerem esforço e persistência.
Mantenhamos firmes de que estamos sob a proteção divina.
Sigamos sem receio as linhas que nós mesmos traçamos, certos de que todas as nossas dificuldades passam, são momentâneas, tudo no tempo de Deus, então façamos bem a nossa parte.
Mantenhamos firmes e confiantes no auxílio espiritual que invocamos, e que nos é concedido sempre que fizermos um esforço para vivermos com simplicidade, na verdade, com muita tolerância e sem egoísmo, mas também com muita fé.
Quando estudamos o tempo anterior à primeira vinda de Cristo até aqui, entre nós, verificamos que o altruísmo em qualquer sentido da palavra era desconhecido. Havia sim um materialismo muito grande e uma cristalização enorme em muitos que viviam Religiões que foram moldadas para privilegiar uns e excluir outros.
As pessoas só pensavam em si mesmas, eram gananciosas, indiferentes e egoístas.
E o que é realmente ser altruísta, como o Cristianismo Esotérico nos ensina?
Primeiramente é priorizar o bem-estar dos outros, está associado à generosidade e à solidariedade. É agir com empatia, é “ver” o outro, ou seja, é ajudar nossos irmãos e nossas irmãs, sem distinção, servindo a Divina Essência oculta em cada um de nós, que nada mais é do que a base da Fraternidade.
É sempre fazer ao irmão ou a irmã exatamente o que gostaríamos que fizesse com a gente, independentemente de como eles realmente fazem!
É a disposição ou comportamento de agir em benefício de outras pessoas, de uma forma totalmente amorosa e desinteressada, ou seja, sem esperar recompensas, retribuições ou qualquer benefício pessoal e muito menos material.
É compartilhar recursos com pessoas do seu convívio, quer sejam eles em termos financeiros, materiais, de habilidades ou até mesmo um pouco do seu tempo, sempre priorizando o bem-estar dos outros, jamais colocando seus interesses em primeiro lugar.
Há tantas maneiras de ser altruísta; podem ser em pequenos gestos cotidianos, trabalhos voluntários, doações filantrópicas, até cumprimentar colegas de trabalho com um sorriso, cumprimentar vizinhos, pessoas na rua, na caminhada, ouvir as pessoas.
Ser altruísta é sentir amor Crístico pelo próximo, é amar a todos como irmãos e irmãs, mesmo tendo recursos financeiros, jamais se sentir melhor que as outras pessoas, praticando, aqui, o que Cristo nos ensinou: “Aquele que quiser ser o maior dentre vós, seja este o servo de todos”.
Com a presença do Cristo, hoje nosso único Ideal, aqui na Terra, os raios benéficos foram atraídos, e lentamente, mas com segurança, as boas vibrações começaram a se manifestar, o amor e a generosidade começaram se fazer mais presentes, mesmo que muitos de nós teimam em não perceber (“tem olhos, mas não veem; tem ouvidos, mas não escutam”). À medida que crescemos espiritualmente, que fazemos o bem pelo simples prazer de fazer o bem, de ajudar, de servir, damos mais um passo no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, absorvemos uma quantidade cada vez maior da Luz de Cristo, e, em troca, consequentemente aumentamos nossa Luz, nossa Aura.
Não deixemos passar nenhuma oportunidade de ser altruísta, estejamos sempre atentos! Todos temos algo de bom dentro de nós, então podemos e devemos ser altruístas.
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1. Pergunta: Quem nasce no Ocidente já nasceu inúmeras vezes no Oriente e não vai nascer lá de novo? Por que alguns ocidentais se sentem tão atraídos pelo Hinduísmo ou Budismo?
Resposta: Ou já renasceu inúmeras vezes no Oriente e, depois de aprender todas as lições inerentes à Corpos e veículos feitos para viver naquelas vibrações, alcançou o processo de renascer no Ocidente, construindo Corpos e veículos feitos para viver nessas vibrações mais elétricas e próximas à Era de Aquário. Ou quando todo o Campo de Evolução, a Terra, estava naquele momento da evolução que hoje encontramos somente na parte Oriental (Época Lemúrica e Atlante) aprendeu todas as lições dessas 2 Épocas. Nesse último caso não precisou renascer atualmente no Oriente e segue par e passo na Época Ária.
A atração de muitos irmãos e irmãs para com movimentos e Religiões orientais são explicados pela Fraternidade Rosacruz, por vários motivos. Os principais são: reminiscências das vidas passadas que tentam a pessoa e, caindo na tentação, renunciam a aprendizagem das lições que ela mesma escolheu no Terceiro Céu, e buscam reviver o que já aprendeu (é mais cômodo, confortável e dá uma ilusão de “progresso espiritual”). A segunda é a mesma que levam irmãos e irmãs no Ocidente buscarem o desenvolvimento negativo espiritual, a mediunidade, os búzios, o tarô, o reiki, a bola de cristal, a borra de café, as entranhas de animais, os rituais de sacrifícios (animal ou humano), os vudus, as bruxarias, a magia negra. Todos esses meios nós já passamos em nossos momentos evolutivos passados na Época Atlante. Sabemos fazer, e sabemos o quanto mal isso provoca (pois já fizemos o mal e já sentimos o mal), mas é muito mais fácil fazer do que buscar o conhecimento direto Cristão e caminhar somente no bem. Assim, muitos caem no caminho “mais fácil” e iludidos, utilizando a astúcia até para dizer que “fazem o bem”, gastam sua vida aplicando o que já aprendeu e o que, agora, é prejudicial para quem pratica e para quem participa.
2.Pergunta: É verdade que os infelizes que têm a Cauda do Dragão em Escorpião (indicando vidas anteriores nas trevas do abuso sexual, da magia negra, do homicídio e suicídio) são confrontados com as lições cármicas mais difíceis do Zodíaco?
Resposta: Primeiro de tudo, não existem “infelizes que têm a Cauda do Dragão em Escorpião”! Aprendemos na Astrologia Rosacruz que determinar o estado de uma pessoa somente por uma configuração ou posição de Astro ou de Signo é cometer um erro gigante, ou demonstra que não conhece a Astrologia Rosacruz. A questão de ter vivido em vidas passadas condições de “trevas do abuso sexual, da magia negra, do homicídio e suicídio”, é determinada por várias configurações e posições de Astros e Signos, e somente o levantamento de todo o horóscopo é que conseguimos determinar isso e qualquer outro tipo de comportamento.
Tomemos cuidado quando utilizamos o conceito “cármico” em uma Escola de Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, por ser Cristã, advoga a doutrina do Perdão dos Pecados, oposta à Escolas Orientais que advoga o karma (sem a opção de exercer essa doutrina nos trazida por Cristo na sua primeira vinda).
3.Pergunta: O ser humano sente sono e dorme por causa da cansativa luta entre o seu Corpo de Desejos e o seu Corpo Vital, um tentando destruir e o outro tentando restaurar o seu Corpo Denso. Os animais dormem pelo mesmo motivo?
Resposta: A questão aqui é o nível de consciência. O nosso é de Consciência de Vigília que, por deficiência nossa no seu uso, causa o desgaste do nosso Corpo Denso e, consequentemente, a necessidade de revitalizá-lo todas as noites.
Na Fraternidade Rosacruz é nos ensinado a buscar o domínio próprio que nada mais é do que utilizar o Corpo de Desejos de modo a populá-lo somente com material das três Regiões superiores do Mundo do Desejo. Ao conseguir isso não há mais “desgaste do nosso Corpo Denso”. Por exemplo, um Irmão ou Irmã Leiga dorme, em média, de 1 a 2 horas por noite e se sente tão restabelecido ou restabelecida quanto uma pessoa adulta que dorme 8 horas de um sono tranquilo!
Já os nossos irmãos menores, os animais, possuem um nível de consciência chamada de Consciência de Sono com Sonhos e que não resulta nesse desgaste.
4.Pergunta: Em algumas respostas sobre a Terra, vocês disseram que antes do Cristo se tornar o seu Espírito Planetário, ela não tinha um. Mas em uma resposta recente foi dito que todos os planetas, quando criados, têm um Espírito. Afinal, antes do Cristo se tornar o Espírito Planetário do nosso Planeta, a Terra tinha ou não um Espírito? Se tinha, onde Ele está?
Resposta: Antes do Cristo se tornar o Espírito Planetário da Terra, essa não tinha um Espírito Planetário que teria que fazer o trabalho de elevado sacrifício que Cristo fez, e se mantém fazendo todos os anos: limpar o Mundo do Desejo, descristalizar a matéria física que estava rapidamente atingindo níveis de cristalização de baixíssima vibração (o suficiente para se continuasse, deixar de ser um Campo de Evolução para muitos seres que necessitam desse tipo). O Espírito Planetário que a Terra tinha antes da vinda de Cristo era do tipo do Espírito Planetário (um dos 7 Espíritos diante do Trono de Deus) que mantém o Campo de Evolução (o Planeta) em funcionamento perfeito até que os seres que estão evoluindo em seu “estágio de Humanidade” sejam em número suficiente desenvolvidos para manter o Campo de Evolução, quando então o Espírito Planetário se retira, mas mantém o cuidado de longe (como os pais fazem com os filhos quando crescem). Lembrando: os 7 Espíritos diante do Trono ou os 7 Espíritos Planetários é uma classe de seres que também estão em evolução nesse Esquema de Evolução criados por Deus. São tão elevados (em relação a nós) que são chamados “ministros de Deus”.
5.Pergunta: Avatares do Oriente como Ramana Maharshi ou Nisargadatta Maharaj defendem que o único Deus seja o Eu Sou. Não é exatamente isso que a Bíblia ensina? Não foi esse o Nome que o próprio Cristo usou para Se revelar a Moisés? Oriente e Ocidente não ensinam, portanto, a mesma Verdade usando terminologias diferentes? O que a Sabedoria Ocidental chama de Libertação não é justamente o Nirvana oriental?
Resposta: nossos irmãos e nossas irmãs do Oriente ainda estão na fase de evolução que aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes chamado de Involução. A direção aqui é “para baixo e para frente” com o objetivo de conquistar a Região Química do Mundo Físico (dê uma pesquisada na internet em vários povos daquela parte e veja a enorme dificuldade que eles têm em lidar com esses materiais sem ter que ter vidas miseráveis, cristalizadas, confusas em termos de espiritualidade, improdutivas e muitas vezes escravizantes).
Já nossos irmãos e nossas irmãs do Ocidente – na qual estamos incluídos, pois escolhemos renascer nessa porção do Campo de Evolução que chamamos de Terra – estão na fase de evolução que aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes chamado de Evolução. A direção aqui é “para cima e para frente” com o objetivo de conquistar a Região Etérica do Mundo Físico.
Note: é impossível “comparar” os dois tipos de ensinamentos espirituais. Some-se a isso que a Religião que um irmão ou uma irmã da porção ocidental desse Campo de Evolução deve aprender, praticar, desenvolver e se realizar espiritualmente é a mais elevada, a disposição que é a Religião do Filho, a Religião Cristã.
Já nossos irmãos e nossas irmãs da porção oriental desse Campo de Evolução ainda estão aprendendo as lições da Religião do Espírito Santo, as Religiões de Raças Jeovísticas. Quanto a comparação que você tenta fazer é mera especulação, perda de tempo ou reminiscência de nossos renascimentos anteriores que pode levar somente a alguma satisfação momentânea intelectual, mas que não acrescentará nada na busca do nosso desenvolvimento espiritual.
As Reuniões de “Cura Rosacruz” são realizadas na Pro-Ecclesia (Chapel) da The Rosicrucian Fellowship quando a Lua está em torno dos 15 graus de um dos quatro Signos Cardeais ou Cardinais do Zodíaco (Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio) o que ocorre, normalmente, uma vez por semana.
A Capela Pro-Ecclesia é o edifício original e mais antigo da Sede internacional da Fraternidade Rosacruz, em Mount Ecclesia, em Oceanside, Califórnia. Construído em 1913, este pequeno edifício térreo de estuque foi dedicado ao fundador da Fraternidade, Max Heindel, na véspera de Natal daquele ano. Desde então, são oficiados os Rituais do Serviço Devocional diários, incluindo ofícios matinais e vespertinos, e o Ritual do Serviço Devocional de Cura. Ou seja, o Templo principal (Ecclesia), maior, é uma estrutura dodecagonal usada principalmente para as Reuniões de Cura exclusivas para os Probacionistas e Discípulos, a Pro-Ecclesia serve como capela diária e é uma parte essencial das estruturas devocionais Cristãs e de Cura Rosacruz.
A Pro-Ecclesia possui um telhado de quatro águas feito de telhas e apresenta um campanário em estilo Missão com três sinos acima da porta da frente.
O nome “Pro-Ecclesia” significa “Para a Igreja” ou “Antes da Igreja”, indicando seu papel como o primeiro local dos Ofícios, Palestras, Seminários e Serviços.

O horário do ofício dos Rituais do Serviço Devocional (diários e semanais de Cura) é 18h30, horário local.
Por que fazer as Reuniões de Cura Rosacruz, com o ofício do Ritual do Serviço Devocional de Cura quando a Lua transita pelos Signos Cardeais ou Cardinais?
Porque a virtude dos Signos Cardeais ou Cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) é a energia dinâmica que eles infundem em cada coisa ou empreendimento iniciado sob sua influência e, portanto, os pensamentos de cura dos Auxiliares Visíveis e Invisíveis em todo o Mundo são dotados de poder adicional quando lançados em suas missões de misericórdia sob essa influência cardinal.
Se você gostaria de participar deste trabalho então, nas Datas de Cura (vide tabela ao lado) sente-se em silêncio quando o relógio no local onde você se encontra apontar para o horário: 18h30 (excepcionalmente pode ser em qualquer horário que melhor seja para você, desde que seja todos os dias no mesmo horário).

E por que excepcionalmente pode ser qualquer horário? Porque a “coleta” é feita 24 horas por dia em todos os lugares do mundo – e a todo momento sempre é 18h30 em algum lugar da Terra.
O efeito não tem o grau de eficiência maximizado como quando é oficiado às 18h30 local, mas é sempre melhor contribuir, pois “a messe é grande e os operários são poucos”), e oficie o 𝗥𝗶𝘁𝘂𝗮𝗹 𝗱𝗼 𝗦𝗲𝗿𝘃𝗶ç𝗼 𝗗𝗲𝘃𝗼𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗖𝘂𝗿𝗮.
Esse Ritual é dividido em três partes bem distintas:
1ª –Preparação – composto por músicas e textos que visam preparar o ambiente, separando o ambiente externo (de onde vem o Estudante) do interno (para o interior do Estudante);
2ª – Concentração – é o clímax do Ritual, onde o Estudante se dedica a se concentrar com toda a sua dedicação, foco, disposição e vontade na Cura, como é feita pela Fraternidade Rosacruz: o Poder Curador de Deus Pai – abundante e sempre presente, pois n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser; o Curador – um ser humano, selecionado utilizando as Leis Divinas de Semelhança e da Receptividade Sistemática, que será o ponto focal de transmissão do excesso do seu fluído vital, à noite, para o paciente; e o Paciente (que NÃO tem que ser nominado em hipótese alguma, pois a Cura será feita por quem deve ser curado, por quem já aprendeu a lição que a doença e o sofrimento está apontando), colaborativo, participativo, que tenha muita fé e que também está disposto a ajudar aos outros que também estão sofrendo tanto quanto ou até mais que ele;
3ª – Saída – composto de música e admoestação de saída que visam preparar o Estudante para internalizar tudo o que aqui falou, ouviu, participou e se concentrou, recebendo toda a força espiritual gerada durante a oficiação do Ritual, a fim de aplicá-la no seu dia a dia, se esforçando para o cumprir no tema concentrado: a sua participação no processo de Cura Rosacruz.

“Se podes?”, disse Cristo-Jesus. “Tudo é possível àquele que crê.” (Mc 9:23)
…recorra ao Método de Cura Rosacruz, já utilizado por milhares de pessoas.
O processo começa com o preenchimento de um Formulário que deve ser preenchido com caneta à base de tinta nanquim LÍQUIDA.
As instruções detalhadas se encontram aqui: https://fraternidaderosacruz.com/category/cura/formulario-para-solicitacao-de-auxilio-de-cura-fraternidade-rosacruz/
**Se você conhece alguém que esteja doente e quer ajudá-lo (a), comece por oficiar o Ritual do Serviço Devocional de Cura nas Datas de Cura. As instruções detalhadas se encontram aqui:

Muitas pessoas que têm meditado seriamente sobre os problemas da vida superior enveredaram, infelizmente, para a prática de métodos primitivos, abandonando a crença nos Ensinamentos Cristãos (até mesmo do Cristianismo Popular ou Exotérico) com respeito ao Perdão dos Pecados, ao poder salvador da fé e à eficácia da oração. Se bem que o ponto de vista de tais pessoas, que honesta e sinceramente procuram a verdade, possa fazer-lhes ver essas ideias como destituídas de valor real.
Trataremos, entretanto, de examiná-las sob outros pontos de vista, para que, então, possam julgar. Vistas sob outras formas, essas ideias religiosas aparecerão iluminadas por uma luz que provavelmente não se havia percebido antes, oferecendo assim um significado novo, maior e mais satisfatório para o coração, e perfeitamente aceitável pelo intelecto.
Muitos de nós nos vimos obrigados a nos afastar do Cristianismo Popular por razões de raciocínio, ainda que sentíssemos o coração a sangrar. As concepções intelectuais de Deus e dos objetivos da vida não podiam nos satisfazer e vimos, assim, a nossa vida limitada por esse lado. Que essa nova luz torne possível que os que sentem esse desejo em seu coração voltem ao Cristianismo Popular e ocupem de novo o seu posto com redobrado zelo de uma compreensão mais profunda das verdades cósmicas e dos Ensinamentos Cristãos, cujos motivos apresentaremos nas instruções seguintes.
Um fato evidente para todas as pessoas que estudam Religião comparada, é que quanto mais retrocedemos no tempo tanto mais primitiva é a Raça humana e tanto mais inferior é a sua Religião. Conforme progredimos, desenvolvemos os nossos ideais religiosos.
Os investigadores materialistas deduzem desse fato que todas as Religiões foram “obras do ser humano”, e que toda a concepção de Deus tem suas raízes na imaginação humana. O engano de tal ideia se perceberá facilmente se considerarmos a tendência que tem toda a vida de se preservar a si mesma. Quando a lei da sobrevivência dos mais aptos é a que domina, como sucede entre os animais, quando o poder é um direito, então não há Religião. E até que um poder superior “estranho” se faça sentir, não se pode revogar essa lei, para que venha então ocupar seu lugar a lei da própria abnegação, que venha agir como fator da vida, lei que em maior ou menor grau se encontra até nas Religiões mais inferiores. Huxley[1] reconhece esse fato, quando declarou que enquanto a lei da sobrevivência dos mais aptos marcava a linha animal do progresso, a lei do sacrifício era a base do desenvolvimento humano, impulsionando o forte a cuidar do fraco.
A razão dessa anomalia não pode o materialista encontrar, pois, desde o seu ponto de vista há de enfrentar sempre um enigma insolúvel. Porém, uma vez que entendamos que nós somos um ser composto de Espírito, Alma e Corpo; que nós, um Espírito, nos manifestamos em pensamentos, construímos a nossa Alma como resultado do nosso trabalho sobre os Corpos, e que esse tríplice indivíduo é uma imagem do Deus Trino compreenderemos facilmente a aparente anomalia, posto que dada a nossa constituição, encontramo-nos, especialmente, preparados para responder tanto às vibrações espirituais como aos impactos físicos.
Quando reparamos quão pouco se ocupa a maioria das pessoas com a espiritualidade da vida em nossos dias, podemos deduzir que houve um tempo em que éramos quase incapazes de sermos afetados pelas vibrações espirituais do universo. Sentíamos vagamente um poder superior na Natureza, e como éramos parcialmente dotados de Clarividência, reconhecíamos a existência de poderes que agora, não percebemos, se bem que estejam agindo tão poderosamente como antes.
Era necessário nos orientar e nos guiar para o nosso bem futuro, nos dirigir pelo bom caminho e ajudar a nossa natureza superior (um Ego, Individualidade, o que realmente somos) a adquirir domínio sobre a inferior, a Personalidade, e esta última foi, então, subjugada pelo medo. Se nos fossem fornecidas aqui uma Religião de amor, ou fossem experimentadas orientações morais, teria sido absolutamente inútil, quando nós, o Ego, nos encontrávamos ainda em nossa infância evolutiva, enquanto a natureza animal da nossa Personalidade predominava. O Deus que poderia nos ajudar deveria ser “um Deus forte”, um Deus que pudesse dominar o raio e o trovão, e fulminar com eles.
Quando alcançamos um pouco mais de progresso, nos foi ensinado a considerar a Deus como o dador de todas as coisas, sendo inculcada em nós a ideia de que se obedecêssemos às Leis desse Deus “obteríamos prosperidade material”. A desobediência a essas Leis produziria, pelo contrário, toda a espécie de doenças, calamidades, fomes, guerras e pestes. Com objetivo de fazermos progredir um pouco mais, nos foi ensinado logo a “lei do sacrifício”, porém, como neste estado estimávamos muito nossas posses materiais, nos foi prometido que se sacrificássemos nossas melhores ovelhas e nossos melhores bois, “com fé”, o Senhor nos devolveria centuplicados; que aquilo que déssemos aos pobres “emprestaríamos a Deus”, que nos pagaria com superabundância. Todavia não nos prometeram céu algum, porque isso estava ainda longe da nossa capacidade apreciativa. Foi nos dito enfaticamente que “os Céus eram do Senhor, porém a Terra havia sido dada por Ele aos filhos dos homens.” (Sl 115:16).
Depois fomos ensinados a “nos sacrificar a nós mesmo, por uma recompensa que obteríamos no céu”. Em vez de efetuar o sacrifício ocasional de ovelhas, bois e afins, que o Senhor logo recompensava, nos pediam agora que sacrificássemos os nossos maus desejos e emoções, que se agíssemos continuamente bem nos seriam dados tesouros no céu, que não nos preocupassem com posses materiais que os ladrões podiam roubar ou que poderíamos perder.
Sabemos que qualquer pessoa pode, durante pouco tempo, pôr-se num estado de exaltação em que lhe seja fácil fazer um supremo ato de renúncia, pois é comparativamente fácil “morrer pela própria fé”, como os mártires, porém isso não é suficiente, e a Religião Cristã nos pede o valor de viver nossa fé dia após dia, durante toda a vida, tendo confiança numa recompensa futura, em um céu explicado ainda mui confusamente. Em realidade, os trabalhos de Hércules pareceriam, em comparação, menores do que o esforço que se pede ao Cristão, e não devemos nos admirar de que as dúvidas nos assaltem, como a Atlas, roubando-nos a fé que tenhamos no beneficente e sustentador poder de Deus.
Mas, em verdade, saibamo-lo ou não, vivemos pela fé todos os minutos da nossa vida e em proporção a como vivamos seremos felizes ou desgraçados. À noite nos deitamos com fé que nada perturbará nosso sono e que nos despertaremos no dia seguinte e poderemos prosseguir nossas tarefas. Se não fosse por essa fé, se nos assaltassem dúvidas sobre esses pontos, poderíamos descansar tranquilamente nossa cabeça no travesseiro e dormir? Seguramente não; e em pouco tempo estaríamos prostrados mental e fisicamente, assaltados pelo demônio da dúvida. Quando vamos ao armazém comprar provisões, vamos com fé na probidade dos comerciantes, esperando que nos forneçam bons alimentos e não venenos. Se não tivéssemos essa fé, quão miseráveis seriam as nossas vidas! Em lugar de comer com gosto os nossos alimentos, a dúvida nos tiraria o apetite, de maneira que nos seria impossível preparar a nossa alimentação, porque até os bons alimentos seriam envenenados com o nosso estado mental de dúvida e medo, estado que conhecem muito bem os fisiólogos.
É com fé que saímos de casa pela manhã esperando que a lei de gravidade a conserve no mesmo lugar, certos de que a encontraremos no mesmo lugar quando voltarmos à noite. Muito poucos de nós têm observado a sombra que a Terra projeta sobre a Lua nos eclipses lunares e tem compreendido que essa sombra arredondada é a única prova de que a Terra é redonda. Aceitamos isso pela fé que temos nas afirmações de outras pessoas. Assim acontece com o fato de que estamos girando no espaço a uma velocidade de, aproximadamente, mil e seiscentos quilômetros por hora em virtude do movimento da Terra em redor do seu eixo e o mesmo acontece com outro fato, maravilhoso fato científico, de que ainda que a Terra pareça imóvel, está realmente viajando em sua órbita em redor do Sol a uma velocidade de, aproximadamente, dois milhões e seiscentos mil quilômetros, cada vinte e quatro horas. Esses e outros muitos fatos semelhantes que não podemos investigar por nós mesmos aceitamo-los, vivendo todos os dias chamando-os “conhecimentos” e baseamos nosso bem estar neles, em virtude da fé.
Já dissemos que a fé é a força que nos põe em comunicação com Deus, que nos relaciona com a Sua Vida e Seu Poder. A dúvida, pelo contrário, produz um efeito de confusão e perturbação que impossibilita a percepção das vibrações espirituais. Esses são os efeitos da fé e da dúvida que pode-se ver facilmente examinando suas influências na vida diária. Sabemos que as expressões de fé e de esperança nos animam, ao passo que as manifestações de dúvida dos outros sobre a nossa pessoa nos deprimem. Acontece a mesma coisa quando tratamos das coisas superiores e espirituais.
Vemos, pois, que a dúvida e o ceticismo têm efeito prejudicial sobre o objeto a que se dirigem, enquanto a fé abre e expande nossa capacidade mental, assim como a luz solar desenvolve a formosura da flor. Podemos, agora, compreender a necessidade a fé, quando queremos nos aproximar dos Ensinamentos Cristãos. Considerados dessa forma podemos perceber neles a sua verdadeira luz, enquanto a dúvida, a crítica ou a descrença destroem a beleza da concepção espiritual, assim como os ventos gelados destroem as flores.
Cristo nos ensinou: “Todo aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele” (Mc 10:15). Nesta sentença se oculta à chave da atitude mental necessária. As pessoas com mais idade aqui nessa vida, quando recebem novos ensinos ou novas ideias os repelem desde logo, quando encontram algo que não haviam pensado ainda também repelem, ou os aceitam sem exame nem discussão, se estão de acordo com as suas teorias. Convertem seus próprios conhecimentos e pontos de vista em medida absoluta da verdade, com que medem todas as ideias que se apresentam e, por mais ampla que possa ser sua visão ela será sempre curta, desde o ponto de vista cósmico.
Uma criança não levanta obstáculos, não se limita a conhecimentos anteriores; sua Mente está aberta a toda a verdade, e recebe qualquer ensino com fé e sem vacilação. O tempo lhe demonstrará se esses fatos são certos ou não, e essa é a única prova concludente. Um Estudante Rosacruz ativo e sincero desenvolve essa atitude mental infantil, pondo de lado tudo quanto já conhece, quando examina um Ensinamento Rosacruz novo ou investiga um fenômenoque antes não havia percebido, a fim de desembaraçar a sua Mente de todo obstáculo. Lógico que não aceita simplesmente que o branco seja preto; porém está sempre pronto a admitir, quando se lhe faz a proposição, que pode existir um ponto de vista do qual não tinha conhecimento, desde o qual o objeto branco possa se apresentar realmente negro ou vice-versa. Essa é uma atitude mental sumamente vantajosa porque a pessoa que a cultiva é capaz de aprender e de aumentar os seus conhecimentos, da mesma forma como a criança que escuta mais do que argumenta.
Assim, a atitude mental da criança conduz realmente à obtenção do conhecimento, do qual se fala simbolicamente como o “Reino de Deus” em oposição ao reino da ignorância do atual estado humano. Compreenda-se que a fé requerida não é uma fé “cega”, nem uma fé irracional que se adere a uma crença ou dogma contrários à razão, mas sim a um estado mental aberto e tranquilo, sem prejuízos ou preconceitos, disposto a examinar qualquer proposição até que a investigação completa tenha demonstrado que é insustentável.
A fé na oração é a força que abre a possibilidade de fluir a corrente da Vida e Luz Divinas, dentro de nós mesmos. Sem força muscular não se poderia mover um interruptor para se obter a luz física, e sem fé não se poderá orar, devidamente, para obter a iluminação espiritual.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Aldous Huxley (1894–1963) foi um renomado escritor e filósofo inglês, amplamente famoso por ser o autor da clássica obra distópica Admirável Mundo Novo (1932). Sua escrita visionária abordou críticas ao materialismo, controle estatal e avanços científicos.
Em qualquer plano, à medida que ampliamos nossa capacidade, também se amplia nossa utilidade.
Se esta é uma verdade indiscutível para a vida terrena, o é mais ainda para a vida espiritual. Assim, podemos dizer que, se a cultura religiosa não torna alguém mais Cristão, também não é somente a vivência que sustenta o Cristianismo. A fé que reside apenas na vontade e no sentimento corre um grande risco. Em momentos de crise faltará sustentação do intelecto para dizer: não estou entendendo nem sentindo como gostaria, mas conheço o suficiente para tirar uma conclusão. Dificilmente uma fé sobreviverá sem a base sólida ou suficientemente sólida da doutrina.
A tônica dos Ensinamentos Rosacruzes é servir. Mas será que não corremos o risco de nos acomodarmos ao serviço amoroso e desinteressado que procuramos executar e muitas vezes realmente o executamos, esquecendo-nos de que se aumentássemos nosso conhecimento, por meio do estudo, dos Ensinamentos Rosacruzes poderíamos servir mais e melhor, reconhecendo realmente todas as oportunidades que se nos apresentam sem deixar passar alguma que, às vezes, nem percebemos serem oportunidades de serviço?
E se, aumentando nossa capacidade de servir nesse plano material aumentamos proporcionalmente nossa capacidade de servir nos planos internos, será que temos plena consciência da nossa responsabilidade ao nos contentarmos em permanecer na situação espiritual que julgamos ter, sem melhorar ou melhorando muito aquém do que poderíamos e deveríamos, já que temos o privilégio enorme de sermos chamados pelos Irmãos Maiores para colaborar com eles na redenção da Humanidade?
Temos a tendência em achar que, se fazemos o máximo pelos outros está tudo certo. Mas será que esse máximo que fazemos é realmente do que seríamos capazes se ampliássemos nossas capacidades, se estudássemos mais, se procurássemos colocar em nossos atos um embasamento maior de conhecimentos da Filosofia Rosacruz?
Tudo na natureza está na divina ordem: se não somos Auxiliares Visíveis, jamais chegaremos a Auxiliares Invisíveis. Se não trabalhamos pelos nossos irmãos e pelas nossas irmãs, aqui e agora, aqueles que, com palavras e gestos muitas vezes imploram nosso auxílio, que credenciais teríamos para trabalhar como Auxiliares Invisíveis? Se o Mundo Físico é o “baluarte da evolução”, temos de trabalhar nele, antes de trabalhar em outros Mundos. Deus respeita tanto nosso livre arbítrio que, se não servimos aqui e agora por nossa livre e espontânea vontade, onde praticamente tudo depende de nós, Ele não nos levará a servir no outro lado. Se não queremos servir aqui, quem garante que o queiramos do outro lado?
À medida que servimos, nos tornamos aptos a receber maiores e melhores oportunidades de serviço. Precisamos estar atentos a essas oportunidades e aproveitá-las todas, para formarmos o nosso Corpo-Alma, nosso dourado manto nupcial, pois não sabemos quando Cristo virá nos chamar para as bodas místicas.
No nosso Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção examinemos mais cuidadosamente o que deixamos de fazer e, se o que fizemos foi tão bem-feito como o deveria, por falta de capacidade nossa. E assim poderemos nos conhecer melhor e ampliar nossa capacidade para cada dia podermos ser de maior utilidade na “Vinha do Senhor”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Pouco antes de me ter sentado para estudar numa dessas tardes, premi o botão elétrico e imediatamente a luz inundou o quarto. Apanhei o livro e abrindo-o deparei com um trecho que tratava do trabalho executado pelos Adeptos – seres humanos que alcançaram as nove Iniciações Menores e, pelo menos, a primeira Iniciação Maior – que podem pronunciar a Palavra Criadora.
Veio-me então à Mente o desejo de tornar-me idêntico a eles, servir como fazem os Irmãos Maiores, levando a luz à consciência da Humanidade.
O que deveria fazer para tornar-me igual a eles?
Pensativamente contemplei a lâmpada próxima a mim: a pressão sobre o botão não a criou; ele meramente pôs o dispositivo (a lâmpada) apta a transmitir a luz, contatando-o com certos dispositivos (arames, ligações, cabos) os quais transportam a energia elétrica gerada pela fonte central (dínamo). O que seria se a lâmpada fosse feita de madeira? Quando eu premisse o botão poderia inundar de luz o meu quarto? Poderá o meu ser físico, tal como agora é, transmitir a luz de Deus?
Se as linhas elétricas fossem defeituosas, a minha pressão sobre o botão poderia proporcionar luz perfeita em meu quarto? Terei eu uma conexão apropriada com a fonte de energia espiritual para torná-la usável? Ou o que daria se o dínamo funcionasse imperfeitamente? Para que serviriam os arames, os cabos, as ligações, as lâmpadas ou outros quaisquer dispositivos para a produção da luz, se o dínamo não produzisse energia? Estarei em uma célula no grande Corpo de Deus, produzindo e libertando a energia para as mais altas funções de meus veículos?
Essa autopesquisa conduziu-me a uma revisão sobre o procedimento oculto ensinado pela Filosofia Rosacruz para o aperfeiçoamento de si mesmo no sentido de se tornar um “canal consciente” para o trabalho daqueles Elevadíssimos Seres, de modo a poder aplicar-me com renovado zelo no trabalho indispensável ao crescimento da alma. O moto “Serviço amoroso, altruísta e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade” me veio à Mente como linha de conduta para ser sempre observada e lembrada. Ao mesmo tempo recordei-me de certas instruções específicas para a espiritualização de nossos veículos e, consequentemente, do crescimento da alma. O que me ocorreu vai a seguir:
A Filosofia Rosacruz ensina que nós, o Ego, somos um Tríplice Espírito que possuímos uma Mente através da qual governamos o nosso Tríplice Corpo, os quais emanou de si mesmo para obtermos experiências. Esse Tríplice Corpo transmutamos na Tríplice Alma, da qual nos nutrimos a fim de sair da impotência para a onipotência: o Espírito Divino emana de si mesmo o Corpo Denso, extraindo como pábulo a Alma Consciente; o Espírito de Vida emana o Corpo Vital, extraindo a Alma Intelectual; o Espírito Humano emana o Corpo de Desejos, extraindo a Alma Emocional.
Nosso problema como Aspirantes à vida superior é então planejar e controlar nossas atividades diárias de modo que, por meio delas, possamos extrair maior quantidade de poderes conscientes, intelectuais e emocionais, de nossos Corpos. Uma vez que nossos veículos estão intimamente interrelacionados, a melhora de um, automaticamente gera a melhora dos demais. Porém, certas atividades afetam determinado Corpo mais definidamente do que os outros.
O Corpo Denso é um maravilhoso instrumento mecanizado para a ação no plano material; é por meio das experiências que obtemos por seu intermédio, pelas nossas retas ações em relação aos impactos externos e pela observação acurada que o transmutamos em Alma Consciente. Quanto mais ativos formos e mais retas forem nossas ações, maior crescimento de Alma Consciente alcançaremos. Basicamente, para a reta ação tornam-se necessários a higiene, o exercício, o ar fresco, uma dieta simples constante de alimento integral, bem como o altruísmo, o desejo de ajudar e a boa vontade. Em relação à observação correta ensina-nos a Filosofia Rosacruz: é da mais alta importância ao nosso desenvolvimento que observemos os fatos e as cenas em nosso redor acuradamente. Do contrário as impressões em nossa memória consciente não coincidirão com os registros automáticos subconscientes. O ritmo do Corpo Denso perturba-se na proporção da falta de acuidade de nossa observação durante o dia. Na proporção em que aprendemos a observar acuradamente, ganharemos em saúde e longevidade e necessitaremos menos de descanso e de sono. O Aspirante à vida superior, sistematicamente, deve tudo observar, tirar guia mais seguro e certo em qualquer mundo. Ao praticarmos esse método de observação, devemos sempre ter em Mente que ele deve ser usado apenas para reunir fatos e não com o propósito de criticismo, pelo menos o acre criticismo. A crítica construtiva que assinala defeitos e dá os meios de remediá-los é a base do progresso.
O Corpo Vital, o veículo do hábito, é o armazém da Memória Consciente e Subconsciente, é composto de quatro Éteres: o Éter Químico, o Éter de Vida, o Éter de Luz e o Éter Refletor.
Os dois primeiros constituem a matriz na qual o Corpo Denso é construído. A repetição é a Nota chave desse Corpo Vital. Daí o valor da repetição dos impactos espirituais do estudo, dos sermões, da conferência e leituras. Também a Arte e a Religião são de primeira importância no refinamento do Corpo Vital, bem como o cultivo da memória, da discriminação particularmente efetivos na geração da Alma Intelectual.
A memória liga as experiências passadas às as experiências presentes e os sentimentos por elas engendradas, criando “simpatia” e a “antipatia” que de outro modo não poderiam existir.
O Discernimento é a faculdade por meio da qual distinguimos aquilo que não é importante, não essencial, separando o real da ilusão, o duradouro do evanescente.
Na vida comum pensamos de nós mesmos como se fôssemos o Corpo. O Discernimento orienta-nos no sentido de que somos Espíritos e que os nossos Corpos são temporariamente lugares residenciais, instrumentos de uso. Pelo Discernimento aprendemos a considerar o Corpo como um servo na medida em que se torna dócil às nossas ordens. Assim considerando, veremos ser possível fazermos muitas coisas que de outro modo pareciam impossíveis.
Os dois Éteres superiores do Corpo Vital, o Luminoso e o Refletor, são os que compõem o nosso Corpo-Alma e em cada vida são renovados por meio do “serviço amoroso, altruísta e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade”. A quinta essência desses atos, do bem, deles extraídos, determina a qualidade dos átomos estacionários prismáticos de que são compostos os dois Éteres inferiores na vida seguinte. Esse Corpo-Alma é a parte do Corpo Vital que o Aspirante imortaliza como Alma Intelectual.
O Corpo de Desejos é nosso veículo dos desejos, das emoções e dos sentimentos. Durante o estado de vigília ele se encontra constantemente em luta com o Corpo Vital. O Corpo Vital constrói e suaviza, ao passo que o Corpo de Desejos cristaliza e destrói. Por meio da devoção persistente aos suaves ideais da vida superior, dominamos nossos instintos animais, eliminando os traços indesejáveis do hábito e do caráter resultantes da geração e do desenvolvimento da alma emocional. A importância do cultivo da faculdade da devoção, dificilmente enfatizada por muitas pessoas, deve ser considerada, assim é que um dos melhores sistemas de desenvolvimento desse poder é a retrospecção, o exercício noturno ensinado pela Fraternidade Rosacruz, por meio do qual nos lembramos em ordem inversa dos acontecimentos do dia, cuidadosamente louvando e reprovando quando é devido.
Uma explosão temperamental é detrimento para o crescimento da alma; é a dissipação em larga escala da energia que pode ser proveitosamente usada. Tal fato envenena o Corpo, deixa-o alquebrado, e impede enormemente o seu desenvolvimento. O Aspirante à vida superior deve sistematicamente controlar todas as tentativas do Corpo de Desejos, o que poderá ser feito pela concentração em altos ideais, que fortalece o Corpo Vital e é muito mais eficiente do que as orações comuns usadas nas igrejas. Quando ditada pela devoção pura e altruísta a altos ideais, a oração é muito mais superior do que a fria concentração.
Em nossos esforços para transmutar o Corpo de Desejos em poder de Alma, devemos também nos lembrar de que o nosso veículo Espírito Humano, que está correlacionado com o Corpo de Desejos, é contraparte do Espírito Santo – a força criadora na Natureza, a qual o Aspirante à vida superior deve aprender a usar nos processos superiores mentais e emocionais para regeneração. Ao vivermos castamente, a força sexual criadora sobe, pelo trabalho mental e espiritual, refinamos e eterizamos nossos Corpos Densos, e ao mesmo tempo fortalecemos nossos veículos superiores. Dessa maneira alargamos materialmente nossa vida e aumentamos nossas oportunidades de crescimento de alma, avançando em graus definidos.
É-nos ensinado que a Mente é o elo entre nós, Ego, e os nossos Corpos, sendo também real que a Mente é o instrumento mais importante que possuímos. Um dos principais alvos da nossa evolução durante este período é aprender a controlar o pensamento, o que será conseguido por meio do exercício do princípio da nossa força de vontade. Possuindo a prerrogativa divina da livre volição, podemos treinar habitualmente a pensar como quisermos. Dessa forma, se persistentemente continuarmos em nossos esforços de espiritualização de nossos Corpos pela reta ação, de sentimento e de pensamento, tempo virá no qual seremos auxiliares altruístas de nosso próximo e guardiães do poder do pensamento. Tendo-nos, então, adaptado ao uso desse tremendo poder para o bem de todos, indiferentes ao interesse próprio, estaremos aptos a formar ideias acuradas que se cristalizarão em coisas úteis. Por meio da laringe perfeita falaremos a Palavra Criadora e assim atingiremos ambicionado lugar na escada evolucionária.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1967-Fraternidade Rosacruz-SP)
Lendo atentamente o Evangelho Segundo São João, o Evangelista, que foi Discípulo de S. João, o Batista, somos gradativamente absorvidos pela admiração da desenvoltura e sublimidade do seu trabalho. Ao iniciá-lo, coloca como primeiro título a grande boa nova, já na expressiva frase: “A Encarnação do Verbo”. Essa Encarnação representa o ponto de intercessão entre duas Eras (a de Áries e a de Peixes). A primeira delas, em que vigorava a lei — “o olho por olho e dente por dente” –, representada por Moisés. A segunda é representada por Cristo-Jesus, o “Cordeiro que tirou o pecado do mundo” e purificou o Corpo de Desejos da Terra. Ademais, pôs ao alcance da Humanidade todos os meios de que ela necessitava para sua salvação; vejam, então, a extraordinária importância que tem esse glorioso Ser para todos nós. É de tal autoridade, como bem salienta S. João, o Evangelista, que se sentirmos por Ele uma profunda gratidão durante as 24 horas do dia, ainda será pouco. Aliás, a melhor maneira de manifestarmos nossa gratidão é servirmos diligentemente, colaborando de coração no formoso trabalho iniciado pelos Irmãos Maiores.
Durante a primeira dessas Eras, consubstanciada no Antigo Testamento, sobretudo no último livro do Pentateuco, quem errasse seria punido, pois não havia perdão e tudo se acertava com a espada da justiça. O Cristo, ao contrário, embora cumprindo a Lei, é a tônica do amor através do qual une tudo o que existe ou venha a existir, e não só aqui no Planeta Terra, mas também nos demais do nosso Sistema Solar, sem excetuar outros Sistemas Solares no Universo. Ele é o Amor que tudo liga, transforma e vivifica.
Lá, no primeiro capítulo, no primeiro versículo, diz-nos S. João: “No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. Notem bem como ele mostra, entre outras coisas, de maneira concisa, cujo vigor ultrapassa toda expectativa, a nossa origem Divina. Ele transformou o Verbo na Causa primeira de tudo. D’Ele é que saiu tudo aquilo que veio ou vem à existência e, para Ele, tudo volta, como disse bem S. Agostinho, que assim se expressou: “De Deus viemos, para Deus voltaremos”.
Prosseguindo, afirma S. João, o Evangelista, no versículo 2°: “Ele estava, no princípio, com Deus”. S. João, para facilitar nosso entendimento, reforça aqui o que disse no versículo anterior. Vindo de Deus, Cristo-Jesus é, evidentemente, Deus feito ser humano.
Referindo-se ao Verbo, comenta S. João, no 3° versículo: “Tudo foi feito por Ele e nada do que foi feito se fez sem Ele”. Vemos aqui, mais uma vez, S. João, o Evangelista, mostrar, com extraordinária exuberância, nossa origem divina. Insiste ele e com toda a razão ser o Verbo a gênese de tudo aquilo que existe. Vivendo o amor permanentemente e conhecendo bem a natureza humana é que S. João supunha conveniente insistir nesse e em outros pontos.
Continuando a leitura, vamos para o 4° versículo que, reportando-se ao Verbo, esclarece: “A vida estava Nele e a vida era a Luz dos homens”. De fato, aquela vida que estava n’E é a nossa Luz, o Cristo Interno que habita em cada um de nós. É a Centelha divina que nos impulsiona constantemente às coisas superiores, os eventos do Espírito. Com isso realizamos também uma sutilização de nossos veículos, as ferramentas do Ego, ampliando o seu campo de atividade.
Dando continuidade à leitura do Evangelho Segundo S. João, encontramos no versículo 5°, ainda no capítulo l°, que se tornou nosso, o seguinte: “A Luz resplandeceu nas trevas e as trevas não prevaleceram”. Realmente, porque essa Luz infinita espanca as trevas.
Trevas da ignorância e más qualidades que são desfeitas pelo amor, sabedoria e atividade nas boas coisas.
É por ela, na verdade, que surgem os desentendimentos, malquerenças e inimizades. Conforme aprendemos nos nossos Estudos de Filosofia Rosacruz, utilizando o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “Se Buda, grande e sublime, foi a Luz da Ásia, pode-se afirmar que Cristo é a Luz do Mundo”.
(Pulicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Nesse livro há as informações necessárias e suficientes para se compreender o que é a doença ou enfermidade, porque ela ocorre e o que fazer para ser curado, por meio da Cura Rosacruz.
Há 2 meios de você acessar esse Livro:
1.Em formato PDF (para download):
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P2
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P3
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P4
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P5
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P6
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.2-Corpo Vital-P1
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.2-Corpo Vital-P2
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.3-Corpo Vital e a Mente
2.Para ler no próprio site:
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Para ler e estudar no próprio site:
PREFÁCIO
Esta compilação de material sobre a saúde e a cura do organismo humano, considerada do ponto de vista oculto, oferece aos interessados em alcançar e manter a saúde um verdadeiro tesouro de informações valiosas. Max Heindel, um Clarividente treinado e investigador dos Mundos suprafísicos, dedicou muito tempo e esforço para apurar a causas reais dos distúrbios físicos e mentais, conforme reveladas no reino da causa, os planos superiores ou suprafísicos, e este volume contém os frutos de seu trabalho. Ele incorpora algumas das verdades mais preciosas a respeito da origem, das funções e dos cuidados adequados dos veículos do ser humano, encontradas em publicações impressas, e aqueles que que se dedicam à verdadeira arte da cura acharão esse livro uma adição indispensável as suas bibliotecas.
Cristo admoestou aos Seus discípulos: “Pregai o Evangelho e curai os enfermos”[1]. Manter a saúde, uma vez conquistada ou recuperada, requer o conhecimento do “Evangelho” ou das Leis de Deus e é, portanto, à Luz de ambas as partes do Mandamento do Grande Mestre, que este livro é dedicado aos aflitos da Humanidade. Que o conteúdo de suas páginas – permeado pelo amor e pela compreensão compassiva do Coração místico do autor – seja o meio de trazer novo consolo e alívio a inúmeros corações aflitos e Corpos em sofrimento, bem como acelerar o dia para a geração de veículos humanos cada vez mais pertos da perfeição.
PARTE I – O SER HUMANO E SEUS VEÍCULOS
CAPÍTULO I – O CORPO DENSO
Introdução
A ciência oculta ensina que o ser humano é um ser complexo que possui:
(1) Um Corpo Denso, que é o instrumento visível que ele usa aqui neste Mundo Físico para buscar e carregar; o Corpo que normalmente consideramos como o ser humano completo.
(2) Um Corpo Vital, que é feito de Éter e permeia o Corpo Denso visível, assim como o Éter permeia todas as outras formas, exceto que os seres humanos especializam uma quantidade maior do Éter universal do que outras formas. Esse Corpo Vital é o nosso instrumento para especializar a energia vital do Sol.
(3) Um Corpo de Desejos, que é a nossa natureza emocional. Este veículo mais sutil permeia tanto o Corpo Vital quanto o Corpo Denso. É visto, pela visão do Clarividente, como se estendendo cerca de quarenta centímetros para fora do nosso Corpo Denso visível, que está localizado no centro desta nuvem ovoide, assim como a gema está no centro do ovo.
(4) A Mente, que é um espelho, refletindo o Mundo exterior e permitindo que o Ego transmita seus comandos como pensamentos e palavras e, também, para compelir à ação.
O Ego é o Tríplice Espírito que utiliza esses veículos para adquirir experiência na Escola da Vida.
O Corpo Denso foi o primeiro veículo construído e, portanto, possui um enorme período de evolução anterior. Encontra-se em seu quarto estágio de desenvolvimento e alcançou um grau de eficiência grandioso e maravilhoso. Com o tempo, alcançará a perfeição, mas mesmo atualmente é o veículo mais bem organizado do ser humano. É um instrumento maravilhosamente construído e deve ser reconhecido como tal por todos que pretendem ter algum conhecimento da constituição humana.
O germe do Corpo Denso foi dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno, o primeiro dos Sete Grandes Dias de Manifestação, de acordo com os Ensinamentos Rosacruzes. Esse germe foi desenvolvido durante o restante das seis primeiras Revoluções, recebendo a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos, particularmente o ouvido. Portanto, o ouvido é o órgão mais desenvolvido que possuímos.
Na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar, ou seja, o segundo dos Sete Grandes Dias de Manifestação, os Senhores da Chama se ocuparam em realizar certos aprimoramentos a serem feitos no germe do Corpo físico. Tornou-se necessário alterar o germe, de forma a permitir a interpenetração por um Corpo Vital, bem como a capacidade de desenvolver as glândulas e um canal alimentar. Isso foi feito pela ação conjunta dos Senhores da Chama e dos Senhores da Sabedoria.
Na primeira Revolução de Saturno do Período Lunar[2], o terceiro dos Sete Grandes Dias de Manifestações, os Senhores da Sabedoria cooperaram com os Senhores da Individualidade para reconstruir o germe do Corpo Denso. Este germe já desenvolvera órgãos sensoriais embrionários, órgãos digestivos, glândulas, etc., e era interpenetrado por um Corpo Vital em início de desenvolvimento. Claro, não era visível nem sólido como o é atualmente, mas, de uma forma rudimentar era de certa forma organizado. No Período Lunar foi necessário reconstruí-lo e torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos, bem como desenvolver um Sistema Nervoso, músculos, cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi a obra da Revolução de Saturno do Período Lunar. Esses seres lunares não eram tão puramente germinais quanto nos Períodos anteriores. Para o Clarividente treinado, eles aparecem suspensos por cordões na atmosfera de névoa ígnea, como o embrião pendurado na placenta pelo cordão umbilical. Correntes, que forneciam certa espécie de nutrição, fluíam para dentro e para fora da atmosfera por meio desses cordões.
Quando a Terra surgiu do Caos, no início do Período Terrestre, ela estava inicialmente no estágio vermelho-escuro, que conhecemos como a Época Polar. Nessa ocasião a Humanidade desenvolveu, pela primeira vez, um Corpo Denso, cujo germe havia sido dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno. Não era, então, nada parecido com o nosso veículo atual, é claro. Quando a condição da Terra se tornou ígnea, como na Época Hiperbórea, o Corpo Vital foi adicionado e o ser humano se tornou semelhante a uma planta, isto é, ele tinha os mesmos veículos que as nossas plantas têm hoje e, também, possuía uma consciência semelhante, ou melhor inconsciência, aquela que temos no “Sono sem Sonhos”, quando o Corpo Denso e o Corpo Vital permanecem na cama.
Naquele tempo, na Época Hiperbórea, o Corpo do ser humano era como um enorme saco de gás, flutuando fora da Terra incandescente, e expelindo esporos semelhantes às plantas, que cresciam e eram usados por outros Espíritos humanos que vinham ao Mundo. O ser humano era bissexual, um hermafrodita.
Na Época Lemúrica, quando a Terra havia esfriado um pouco e algumas ilhas ou crostas começavam a se formar em meio a mares ferventes, o Corpo Denso humano também havia se solidificado um pouco e se tornado mais parecido com o que é atualmente. Era semelhante a um macaco, com um tronco curto, braços e pernas enormes, os calcanhares projetados para trás e quase nenhuma cabeça, pois a parte superior da cabeça estava quase totalmente ausente. O ser humano vivia em uma atmosfera de vapor que os ocultistas chamam de névoa-ígnea e não tinha pulmões, mas respirava por meio de “tubos”. Ele possuía um aparelho branquial que ainda se observa no embrião humano, enquanto passa pela fase pré-natal, que corresponde àquela Época. Ele não tinha sangue quente e vermelho, pois naquela fase não tinha um Espírito individualizado. Ele tinha um órgão semelhante a uma bexiga em seu interior, que ele inflava com o ar quente para ajudá-lo a saltar sobre os enormes abismos que se abriam quando as erupções vulcânicas destruíam a terra em que ele vivia. Da parte de trás da cabeça se projetava um órgão que agora se retraiu para dentro da cabeça e é chamado pelos profissionais que trabalham com anatomia de Glândula Pineal, ou impropriamente o terceiro olho, embora jamais fosse realmente um olho, mas um órgão localizador de sensação. O Corpo Denso era então desprovido de sensibilidade, mas quando o ser humano se aproximava demasiado de uma cratera vulcânica, aquele órgão registrava o calor e o impelia a fugir antes que seu Corpo fosse destruído.
[1] N.T.: Mt 10:7-8
[2] N.T.: Toda primeira Revolução de um Período chamamos de Revolução de Saturno daquele Período, pois ela sempre será uma recapitulação, em um estado superior, das atividades feitas no Período de Saturno.
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CORPO DENSO – EVOLUÇÃO DA ÉPOCA LEMÚRICA À ÉPOCA ÁRIA
Naquela Época, o Corpo Denso já estava tão solidificado que era impossível para o ser humano continuar a se propagar por esporos, sendo necessário que ele desenvolvesse um órgão para manifestar o pensamento, um cérebro. A força sexual criadora que agora usamos para construir ferrovias, navios a vapor, etc., no Mundo exterior, era então usada internamente para a construção de órgãos. Como todas as forças, era positiva e negativa. Um polo era voltado para cima para construir o cérebro, deixando o outro polo disponível para a criação de outro Corpo Denso. Assim, o ser humano não era mais uma unidade criadora completa. Cada um possuía apenas metade da força sexual criadora e, portanto, era necessário que buscasse seu complemento fora de si mesmo.
Na última parte da Época Lemúrica, a forma do ser humano ainda era bastante plástica. O esqueleto estava formado, mas o próprio ser humano tinha grande poder para moldar a carne de seu próprio Corpo Denso e a dos animais ao seu redor.
Nessa Época, quando nascia aqui, o ser humano podia ouvir e sentir, mas sua percepção da luz veio mais tarde. O Lemuriano ou a Lemuriana não tinha olhos. Possuía dois pontos sensíveis que eram afetados pela luz do Sol, que brilhava fracamente através da atmosfera ígnea da antiga Lemúrica, mas foi somente perto do fim da Época Atlante que ele adquiriu a visão como a temos hoje.
Sua linguagem consistia em sons semelhantes aos da Natureza. O suspiro do vento nas imensas florestas que cresciam em grande exuberância naquele clima super tropical, o murmúrio do riacho, o uivo da tempestade, o estrondo da cachoeira, o rugido do vulcão — tudo isso eram para ele vozes dos Deuses dos quais ele sabia descender.
Nada sabia sobre o nascimento de seu Corpo Denso. Não podia vê-lo nem ele nem qualquer outra coisa, mas percebia seus semelhantes. Era, no entanto, uma percepção interna, como a nossa percepção de pessoas e coisas em sonhos, mas com esta importantíssima diferença: sua percepção onírica era clara e racional.
Mas quando “seus olhos se abriram” (como conta a história da “Queda do Homem”) e sua consciência se voltou para os fatos do Mundo Físico, as condições se alteraram. A propagação era dirigida, não por Anjos, mas pelo próprio ser humano, que desconhecia o funcionamento das forças do Sol e da Lua. Sua consciência se concentrou no Mundo Físico, embora as coisas não lhe aparecessem com contornos claramente definidos até a última parte da Época Atlante. Ainda assim, ele gradualmente conheceu a morte devido à ruptura ocorrida em sua consciência quando esta foi transferida para os Mundos superiores na morte e retornou ao Mundo Físico no renascimento.
No entanto, o que foi dito sobre a iluminação dos Lemurianos e Lemurianas se aplica apenas a uma pequena parcela daqueles que viveram na última parte daquela Época e que se tornaram a semente para as sete Raças Atlantes. A maior parte dos Lemurianos e das Lemurianas era animalesca e as Formas por eles habitadas degeneraram nos selvagens e antropoides superiores dos dias atuais.
Na Época Atlante, que se seguiu à Época Atlante, o ser humano era muito diferente de tudo o que existe na Terra atualmente. Ele tinha uma cabeça, mas quase nenhuma testa; seu cérebro não possuía desenvolvimento frontal; a cabeça se inclinava quase abruptamente para trás a partir de um ponto logo acima dos olhos. Comparado com a nossa Humanidade atual, ele era um gigante; seus braços e pernas eram muito mais longos em proporção ao seu Corpo do que os nossos. Em vez de andar, ele se movia por meio de uma série de saltos rápidos, não muito diferentes dos do canguru. Tinha olhos pequenos que piscavam e seu cabelo era de seção redonda. Esta última peculiaridade, se nenhuma outra, distingue os descendentes das Raças Atlantes que permanecem conosco até os dias atuais. Seus cabelos eram lisos, brilhantes, pretos e de seção redonda. O cabelo de um ser humano da Época Ária, embora possa diferir na cor, é sempre de seção oval. As orelhas do ser humano da Época Atlante ficavam muito mais para trás na cabeça do que as do ser humano da Época Ária.
Os veículos superiores dos primeiros seres humanos atlantes não eram dispostos em uma posição concêntrica em relação ao Corpo Denso, como são os nossos atualmente. O Espírito não era exatamente um Espírito residente interiormente; estava parcialmente fora, portanto, não podia controlar seus veículos com tanta facilidade como se habitasse inteiramente dentro. A cabeça do Corpo Vital ficava fora e ocupava uma posição muito acima da cabeça física. Há um ponto entre as sobrancelhas e cerca de um centímetro e meio abaixo da superfície da pele, que tem um ponto correspondente no Corpo Vital. Quando esses dois pontos se alinham, como acontece no ser humano hoje, eles formam a sede do Espírito que nele reside interiormente.
Devido à distância entre esses dois pontos, os poderes de percepção ou visão de um ser humano atlante eram muito mais aguçados nos Mundos internos do que no denso Mundo Físico, obscurecido por sua atmosfera de névoa espessa e densa.
Com o passar do tempo, porém, a atmosfera foi se tornando mais clara; ao mesmo tempo, o ponto mencionado no Corpo Vital se aproximou cada vez mais do ponto correspondente no Corpo Denso, unindo-se a ele no último terço da Época Atlante.
Os Rmoahals foram a primeira das Raças Atlantes. Eles tinham pouca memória, e essa pouca memória estava relacionada com as sensações. Eles se lembravam de cores e tons e, assim, até certo ponto, desenvolveram o Sentimento. Com a memória, vieram aos atlantes os rudimentos de uma linguagem. Eles desenvolveram palavras e deixaram de usar meros sons, como os Lemurianos, dando nomes às coisas.
Os Tlavatlis foram a segunda Raça Atlante. Já começavam a sentir seu valor como seres humanos distintos. Tornaram-se ambiciosos; exigiam que suas obras fossem lembradas. A memória tornou-se um fator na vida da comunidade. Assim começou o culto aos ancestrais.
Os Toltecas foram a terceira Raça Atlante. Inauguraram a monarquia e a sucessão hereditária, originando o costume de honrar os homens pelos feitos de seus ancestrais. A experiência passou a ser altamente valorizada e a memória foi desenvolvida em grande escala.
No terço médio da Atlântida, encontramos o início de nações separadas. Com o tempo, os Reis se embriagaram com o poder e começaram a usá-lo de forma corrupta, para fins egoístas e engrandecimento pessoal, em vez de para o bem comum.
Os Turânios Originais foram a quarta Raça Atlante. Eles eram especialmente vis em seu egoísmo abominável, erguendo templos onde os Reis eram adorados como deuses.
Os Semitas Originais foram a quinta e mais importante das sete Raças Atlantes, porque neles encontramos o primeiro germe da qualidade corretiva do pensamento. Portanto, a Raça Semita Original tornou-se a “Raça-semente” para as sete Raças da Época Ária. Eles foram os primeiros a descobrir que o “cérebro” é superior aos “músculos”. Durante a existência dessa Raça, a atmosfera da Atlântida começou a se clarear definitivamente, e o ponto mencionado anteriormente no Corpo Vital entrou em correspondência com seu ponto correspondente no Corpo Denso. A combinação de eventos forneceu ao ser humano a capacidade de ver objetos claramente, com contornos nítidos e bem definidos; mas também resultou na perda da visão referente aos Mundos internos.
Os Acádios foram a sexta e os Mongóis a sétima das Raças Atlantes. Eles desenvolveram ainda mais a faculdade do pensamento, mas seguiram linhas de raciocínio que se desviavam cada vez mais da tendência principal da vida em desenvolvimento. À medida que as densas neblinas da Atlântida se condensavam cada vez mais, a quantidade crescente de água inundou gradualmente o continente, destruindo a maior parte da população e as evidências de sua civilização.
A Ásia Central foi o berço das Raças Arianas, que descendem dos Semitas Originais. De lá surgiram as diferentes Raças. É desnecessário descrevê-las aqui, pois as pesquisas históricas já revelaram suficientemente suas principais características.
CORPO DENSO – O CÉREBRO E O SISTEMA NERVOSO
Durante a Revolução de Saturno do Período Terrestre, o Corpo Denso recebeu a capacidade de formar um cérebro e se tornar um veículo para o germe da Mente, que seria adicionado posteriormente. O impulso foi dado à construção da parte frontal do cérebro. O cérebro e o sistema nervoso são a expressão mais elevada do Corpo de Desejos. Eles evocam imagens do Mundo exterior, mas na formação de imagens mentais, o sangue traz o material para as imagens; portanto, quando o pensamento está ativo, o sangue flui para a cabeça.
No ser humano, o cérebro é a ligação entre o Espírito e o Mundo exterior. Ele não pode conhecer nada do Mundo exterior, exceto por meio do cérebro. Os órgãos dos sentidos são meros portadores de impactos externos para o cérebro, e o cérebro é o instrumento que interpreta e coordena esses impactos. O Ego, auxiliado pelos Anjos, construiu o cérebro para reunir conhecimento do Mundo Físico. Quando o Ego assumiu a posse de seus veículos, tornou-se necessário usar parte da força sexual criadora para a construção de um cérebro e uma laringe. Os Espíritos Lucíferos são os instigadores de toda a atividade mental, por meio da parte da força sexual criadora que é conduzida para cima para atuar no cérebro. Assim, a entidade em evolução obteve a consciência cerebral do Mundo exterior ao custo de metade de seu poder criador.
Os fisiologistas observam que certas áreas do cérebro são dedicadas a atividades mentais específicas, e os frenologistas levaram esse ramo da ciência ainda mais longe. Ora, sabe-se que o pensamento degrada e destrói os tecidos nervosos. Isso e todos os outros resíduos do Corpo são substituídos pelo sangue. Quando, através do desenvolvimento do Coração em um músculo voluntário, a circulação do sangue finalmente passar para o controle absoluto do Espírito de Vida unificador, então estará dentro do poder desse Espírito reter o sangue das áreas da Mente dedicadas a propósitos egoístas. Como resultado, esses centros de pensamento específicos irão se atrofiar gradualmente.
O conhecimento cerebral, com seu egoísmo concomitante, foi adquirido pelo ser humano ao custo do poder de criar a partir de si mesmo. Ele comprou seu livre-arbítrio ao custo da dor e da morte; mas quando o ser humano aprender a usar seu intelecto para o bem da Humanidade, ganhará poder espiritual sobre a vida e, além disso, será guiado por um conhecimento inato tão superior à consciência cerebral atual quanto esta é superior à consciência animal mais inferior. O cérebro é, na melhor das hipóteses, apenas uma forma indireta de obter conhecimento e será substituído pelo contato direto com a Sabedoria da Natureza, que o ser humano, sem qualquer cooperação, poderá então usar para a criação de novos Corpos.
No Período Lunar, foi necessário reconstruir o Corpo Denso para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, capaz de desenvolver um sistema nervoso, os músculos, as cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi obra da Revolução de Saturno do Período Lunar.
A reconstrução do Corpo Denso na Revolução de Saturno do Período Terrestre deu o primeiro impulso à divisão incipiente do sistema nervoso, que desde então se tornou aparente em suas subdivisões: o voluntário[1] e o simpático[2]. Este último foi o único previsto no Período Lunar. O sistema nervoso voluntário (que transformou o Corpo Denso de um mero organismo reagindo a estímulos externos em um instrumento extraordinariamente adaptável, capaz de ser guiado e controlado por um Ego interno) só foi adicionado no atual Período Terrestre.
Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, no início da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e uma inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão no início da Época Atlante. Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a ligação com a Mente fosse estabelecida.
Parte do sistema muscular involuntário[3] é controlada pelo sistema nervoso simpático.
O assento do Espírito Humano está primeiramente na Glândula Pineal e, secundariamente, no cérebro e no sistema nervoso cérebro-espinhal[4], que controla os músculos voluntários.
[1] N.T.: também conhecido como sistema nervoso somático, faz parte do sistema nervoso periférico e controla conscientemente as ações do corpo, como mover músculos esqueléticos (braços, pernas, tronco) e o rosto. Ele transmite informações sensoriais ao cérebro e envia comandos motores para realizar movimentos intencionais, além de gerenciar reflexos rápidos.
[2] N.T.: é uma divisão do sistema nervoso autônomo (O SNA é uma rede neural periférica que regula processos fisiológicos involuntários e automáticos, garantindo a homeostase (equilíbrio interno). Ele controla órgãos internos, músculos lisos e glândulas, agindo sem controle consciente em funções como frequência cardíaca, digestão, respiração e temperatura.) que prepara o corpo para situações de estresse, emergência ou esforço físico, conhecida como resposta de “luta ou fuga”. Ele aumenta a frequência cardíaca, dilata pupilas e vias aéreas, e libera energia armazenada, enquanto inibe funções digestivas.
[3] N.T.: é composto por músculos que funcionam autonomamente, sem controle consciente, sendo controlados pelo sistema nervoso autônomo. Inclui o músculo liso (órgãos internos, vasos sanguíneos) e o músculo estriado cardíaco (coração). Essencial para funções vitais como digestão, circulação sanguínea e batimentos cardíacos.
[4] N.T.: É a parte central do sistema nervoso, compreende o encéfalo e a medula espinhal, protegidos por ossos (crânio e coluna) e meninges. Funciona como o centro de controle do corpo, processando informações, coordenando reflexos e transmitindo sinais motores e sensoriais através de 31 pares de nervos espinhais.
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O SANGUE
O estudo do sangue é muito profundo, abrangente e de suprema importância, seja qual for o ponto de vista que o analisemos. Lúcifer estava decididamente certo quando disse que “o sangue é uma essência muito peculiar”. Ele constrói o Corpo Denso desde o momento em que o Átomo-semente é depositado no óvulo até a ruptura do Cordão Prateado, que encerra a existência material, sendo um dos produtos mais elevados do Corpo Vital e a principal fonte de nutrição para todas as partes do Corpo Denso. É o veículo direto do Ego, tendo injetado nele cada pensamento, sentimento ou emoção transmitido aos pulmões.
Na infância e até os quatorze anos a medula óssea vermelha não produz todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é suprida pela Glândula Timo, que é o maior no feto e diminui gradualmente à medida que a faculdade individual de produção de sangue se desenvolve na criança em crescimento. A Glândula Timo contém, por assim dizer, um suprimento de corpúsculos sanguíneos fornecido pelos pais e, consequentemente, a criança, que extrai seu sangue dessa fonte, não percebe sua individualidade. Somente quando o sangue é produzido pela criança é que ela se reconhece como “Eu”, e quando a Glândula Timo se reduz quase desaparecendo, aos quatorze anos, o sentimento do “Eu” atinge sua plena expressão, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego. O que se segue esclarecerá a ideia e sua lógica:
Deve-se lembrar que a assimilação e o crescimento dependem do trabalho dos fatores que atuam ao longo do polo positivo do Éter Químico do Corpo Vital. Este é liberado em torno dos sete anos, juntamente com o equilíbrio do Corpo Vital. Somente o Éter Químico está totalmente maduro nessa época; as outras partes precisam de mais amadurecimento. Aos quatorze anos, o Éter de Vida do Corpo Vital, que tem a ver com a propagação, está totalmente maduro. No período dos sete aos quatorze anos de idade, a assimilação excessiva armazenou uma quantidade de força que se dirige aos órgãos sexuais e está pronta quando o Corpo de Desejos é liberado.
Essa força sexual é armazenada no sangue durante o terceiro dos sete períodos de idade e, nesse tempo, o Éter Luminoso, que é a via para o calor do sangue, é desenvolvido e controla o coração. O Corpo Denso não está nem muito quente nem muito frio. Na primeira infância, o sangue frequentemente atinge uma temperatura anormal. Durante o período de crescimento excessivo, ocorre frequentemente o inverso, mas na juventude impetuosa e desenfreada, a paixão e o temperamento muitas vezes expulsam o Ego, superaquecendo o sangue. Chamamos isso, muito apropriadamente, de ebulição ou transbordamento de temperamento e descrevemos o efeito como fazendo com que a pessoa “perca a cabeça” ou se torne incapaz de pensar. É exatamente isso que acontece quando a paixão, a raiva ou o temperamento superaquecem o sangue, levando o Ego para fora do Corpo. O Ego está fora de seus veículos, e estes estão funcionando como se estivessem em movimento, desprovidos da influência orientadora do pensamento, cuja função é, em parte, frear os impulsos. Somente o ser humano que se mantém calmo e não permite que o excesso de calor o expulse pode pensar corretamente.
Como prova da afirmação de que o Ego não pode funcionar no Corpo Denso quando o sangue está muito quente ou muito frio, chamaremos a atenção para o fato bem conhecido de que o calor excessivo causa sonolência e, se levado além de certo ponto, expulsa o Ego, deixando a pessoa inconsciente. É somente quando o sangue está na temperatura normal ou próxima dela que o Ego pode usá-lo como veículo de consciência.
O rubor intenso da vergonha é uma evidência da maneira como o sangue é impulsionado para a cabeça, superaquecendo o cérebro e paralisando os processos de expressão do pensamento. O medo é um estado em que o Ego quer se proteger de algum perigo externo. Ele então impulsiona o sangue para o centro e empalidece, porque o sangue saiu da periferia do Corpo Denso e perdeu calor, paralisando assim a expressão do pensamento. Na febre, o excesso de calor causa delírio.
A pessoa com sangue em plena forma, embora o sangue não esteja muito quente, é ativa no Corpo e na Mente, enquanto a pessoa anêmica é sonolenta. Em uma, o Ego tem melhor controle; na outra, o Ego tem menos controle. Quando o Ego quer expressar o pensamento, ele impulsiona o sangue na temperatura adequada. O calor afeta o cérebro. Quando uma refeição pesada concentra a atividade do Ego no trato digestivo, o ser humano não consegue expressar o pensamento; ele fica sonolento.
Os antigos nórdicos e os escoceses reconheciam que o Ego está no sangue. Nenhum estranho podia se associar a eles como parente até que tivesse “misturado sangue” com eles e, assim, se tornado um deles.
Nos descendentes das famílias patriarcais – Adão, Matusalém, etc. – o sangue que corria em suas veias continha as imagens de tudo o que havia acontecido com seus diferentes ancestrais, e essas imagens estavam constantemente diante da visão interior de cada um, pois eles não tinham visão externa naquela Época. Atualmente, o sangue de cada indivíduo contém apenas imagens de suas próprias experiências individuais, e a Mente Subconsciente tem acesso a elas. Até o início do casamento fora da família, os indivíduos eram governados por um Espírito de Família (um Anjo), que entrava no sangue por meio do ar inspirado e ajudava cada Ego a controlar seus veículos. Quando o casamento fora da família começou, os Egos haviam chegado a um ponto na evolução da autoconsciência em que podiam depender de si mesmos e deixaram de ser autômatos guiados por Deus e se tornarem indivíduos autogovernados. Quanto maior a mistura de sangue, menos o Ego residente no interior dos seus Corpos pode ser influenciado pelos Espíritos da Raça ou de Família. O sangue puro nos deu assistência ancestral quando precisávamos. O sangue misto proporciona independência de ajuda externa. Um Deus (criador) deve ser independente.
O calor do sangue é a base de partida do Ego, e os Espíritos de Lúcifer de Marte auxiliam na manutenção desse calor dissolvendo o ferro, um metal marciano, em nosso sangue para atrair oxigênio, um elemento solar.
O calor adequado para a verdadeira expressão do Ego não está presente até que a Mente nasça da Mente Concreta macrocósmica, quando o indivíduo tem cerca de 21 anos de idade. A lei estatutária também reconhece essa como a idade mínima em que o ser humano é considerado apto a exercer o direito de voto.
Na Onda de Vida animal o sangue é fluido e nucleado. Os núcleos, centros da vida, são a base estratégica de um Espírito-Grupo. Regula seus processos vitais e os guiam através dos núcleos. Durante a primeira parte do período gestacional, o sangue do feto também é nucleado pela vida da mãe, e ela regula o processo de construção do Corpo Denso, mas assim que o Ego entra no Corpo da mãe, ele começa a afirmar sua Individualidade e resiste à formação de células sanguíneas nucleadas. As células antigas desaparecem gradualmente, de modo que, quando o Cordão Prateado é conectado no momento da vivificação e o Ego é atraído para dentro de seu Corpo Denso, todos os núcleos desaparecem, e ele é o autocrata absoluto de seu novo veículo, uma herança mais preciosa do que qualquer outra posse terrena; e, quando usado corretamente, é nosso meio de gerar poder da alma e acumular tesouros no céu. Quando abandonamos este veículo aos controles do Espírito, prejudicamos seriamente nossa evolução superior e cometemos um grande pecado.
Assim, o sangue é o veículo particular do Ego, e assim como nos éons passados de desenvolvimento cristalizamos a matéria para formar nosso Corpo Denso, também está destinado que agora devemos eterizar nossos veículos para que possamos elevar a nós mesmos e ao mundo dos reinos da materialidade para o espiritual. Naturalmente, portanto, o Ego visa primeiro tornar o sangue gasoso, e para a visão espiritual, esse sangue vermelho e sem núcleo não é um fluido, mas um gás. Não é argumento contra essa afirmação o fato de que, quando furamos a pele, o sangue sai como um líquido. Quando abrimos a válvula de escape de uma caldeira a vapor, o gás também se condensa em líquido, mas se construirmos um modelo de máquina a vapor de vidro e observarmos como o vapor funciona ali, veremos apenas o pistão se mover para frente e para trás, impulsionado por um agente invisível, o vapor vivo. Da mesma forma, assim como o vapor vivo diretamente da caldeira é invisível e gasoso, também o sangue vivo no corpo humano é um gás, e quanto mais elevado o estado de desenvolvimento de qualquer Ego, mais etérico ele consegue tornar o sangue.
Quando, pelos processos vitais, o alimento atinge o estado alquímico mais elevado, o processo de condensação começa e o gás sanguíneo é transformado em tecido nos vários órgãos para substituir o que foi desperdiçado ou destruído pelas atividades do Corpo. O baço é a porta de entrada do Corpo Vital; ali a força solar que abunda na atmosfera circundante entra em um fluxo constante para nos auxiliar nos processos vitais, e ali também a guerra entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital é travada com mais ferocidade. Pensamentos de preocupação, medo e raiva interferem no processo de evaporação no baço, resultando em uma partícula de plasma, que é imediatamente capturada por um elemental do pensamento que forma um núcleo e se incorpora nele. Então, começa então a viver uma vida de destruição, coalescendo com outros resíduos e elementos em decomposição onde quer que se formem, transformando o Corpo Denso em um ossuário em vez do Templo de um Espírito vivo que habita nele. Podemos, portanto, dizer que cada glóbulo branco que foi tomado por uma entidade externa é para o Ego uma oportunidade perdida. Quanto mais dessas oportunidades perdidas houver no Corpo, menos o Corpo estará sob o controle do Ego; portanto, encontramos essas oportunidades em maior número em todas as doenças do que quando a pessoa está saudável. Pode-se dizer também que a pessoa de natureza jovial e alegre, ou aqueça que é devotamente religiosa e tem fé e confiança absolutas na providência e no amor divinos, registrará muito menos oportunidades perdidas ou glóbulos brancos do que aqueles que estão sempre preocupados e aflitos.
Assim, o sangue é a única parte do Corpo que realmente pertence a nós. A medida em que controlamos todo o sangue depende da capacidade do Ego de se expressar através do Corpo. É somente através dos glóbulos vermelhos que o Ego consegue atuar. Sempre que nos permitimos ser negativos, produzimos glóbulos brancos, que não são, como vimos, “os policiais do organismo”, como a ciência pensa agora, mas sim destruidores.
Quando o sangue circula pelas artérias que estão profundas no Corpo, ele é um gás, como foi demonstrado; mas a perda de calor perto da superfície do Corpo faz com que ele se condense parcialmente, e nessa substância o Ego está aprendendo a formar cristais minerais. A ciência descobriu recentemente que o sangue de diferentes pessoas possui cristais diferentes, de modo que agora é possível distinguir o sangue de um negro ou uma negra do sangue de um branco ou uma branca; mas chegará o dia em que se perceberá uma diferença ainda maior; pois assim como há uma diferença nos cristais formados pelas diferentes raças, também há uma diferença nos cristais formados por cada pessoa individualmente.
Analisando a questão de outro ângulo, podemos observar que, quando o sangue é batido com um bastão, ele se separa em três substâncias distintas: o soro ou substância aquosa que está sob o Signo de Câncer, regido pela Lua (Hierarquia Lunar); a matéria corante vermelha que é a substância marciana gerada sob Escorpião; e, mais importante de todas, a fibrina, ou matéria fibrosa que se encontra sob o terceiro Signo de Água, Peixes. Quando o esqueleto estava fora da nossa carne, a consciência era embotada, como a de um crustáceo. Ao sairmos da estrutura óssea, alcançamos um grau muito mais elevado de consciência e, ao espiritualizarmos esse esqueleto interno por meio do sangue, extraímos a essência de tudo o que aprendemos em Épocas passadas e a transformamos em poder anímico utilizável no Período de Júpiter. Interferir nesse trabalho é um crime contra a alma.
Como a mulher possui o Corpo Vital positivo, ela amadurece mais cedo que o homem, e as partes que permanecem semelhantes às plantas, como o cabelo, crescem mais e ficam mais exuberantes. Naturalmente, o Corpo Vital positivo gerará mais sangue do que o Corpo Vital negativo, possuído pelo homem; portanto, temos na mulher uma pressão sanguínea maior, que é necessário aliviar pelo fluxo periódico, e quando essa pressão diminui no período do climatério, há um segundo crescimento na mulher, particularmente bem expresso nas características de desaceleração natural do metabolismo, à perda de massa muscular e ao aumento de gordura abdominal que geralmente começam por volta dos 40 anos devido a alterações hormonais, particularmente à redução do estrogênio.
Os impulsos do Corpo de Desejos impulsionam o sangue pelo organismo em velocidades variáveis, de acordo com a intensidade das emoções. A mulher, tendo excesso de sangue, trabalha sob uma pressão muito maior do que o homem e, embora essa pressão seja aliviada pelo fluxo periódico, há momentos em que é necessário ter uma saída extra; então, as lágrimas da mulher, que são sangramento branco, atuam como uma válvula de segurança para remover o excesso de fluido. Os homens, embora possam ter emoções tão fortes quanto as mulheres, não são propensos às lágrimas porque não têm mais sangue do que podem usar confortavelmente.
O sangue agora tem uma constituição diferente do que era nas Eras anteriores da evolução humana. O Espírito de Cristo foi visto descendo sobre o Corpo Denso e Corpo Vital de Jesus no Batismo. O próprio Jesus, o Espírito, deixou aqueles dois Corpos e recebeu a missão de servir às igrejas, enquanto seus dois Corpos eram usados para o ensino direto do Cristo, e seu sangue era preparado como uma chave para o Reino de Deus.
Quando alguém morre, o sangue venoso, com suas impurezas, adere fortemente à carne e, portanto, o sangue arterial que flui é distintamente mais puro do que seria em outras circunstâncias. Sendo eterizado pelo grande Espírito Crístico, o sangue purificado de Jesus transbordou pelo mundo, purificou a Região Etérica do egoísmo em grande medida e deu ao ser humano uma melhor oportunidade de atrair para si materiais que lhe permitirão formar propósitos e desejos altruístas.
AS GLÂNDULAS DE SECREÇÃO INTERNA
É bem sabido pelo Astrólogo Rosacruz que o Corpo Denso tem atrás de si um imenso período de evolução e que esse esplêndido organismo é o resultado de um lento processo de desenvolvimento gradual que ainda continua e tornará cada geração melhor que a anterior, até que, em um futuro longínquo, alcance um estágio de perfeição que hoje não nos é dado sequer imaginar. Os Estudantes de ocultismo também sabem que, além do Corpo Denso, o ser humano possui outros veículos sutis, ainda não percebidos pela grande maioria, embora todos possuam em si um sexto sentido latente, pelo qual, com o tempo, reconhecerão essas camadas mais sutis da alma.
O Cientista Ocultista se refere a esses veículos mais sutis como: o Corpo Vital – formado de Éteres –, o Corpo de Desejos – formado por matéria de desejos, a matéria da qual elaboramos nossos desejos, sentimentos e nossas emoções – e com a adição da “capa” da Mente e do Corpo Denso, estes completam o que podemos denominar de Personalidade, a qual é a parte evanescente distinta do Espírito imortal[1] que usa esses veículos para sua expressão. Esses veículos mais sutis interpenetram o Corpo Denso, da mesma forma que o ar interpenetra a água, e têm domínio particular sobre certas partes dele, porque o próprio Corpo Denso é como uma cristalização desses veículos mais sutis, da mesma maneira e segundo o mesmo princípio as substâncias fluídicas do corpo de um caracol se cristalizam gradualmente na concha dura e pedregosa que ele carrega nas costas. Para os propósitos desta dissertação, podemos dizer, de forma geral, que as partes mais moles de nossos Corpos, que comumente chamamos “carne”, podem ser divididas em duas classes: as Glândulas e os músculos.
O Corpo Vital teve sua origem no Período Solar. A partir desse momento, cristalização nesse veículo desenvolveu o que hoje chamamos de Glândulas, e até hoje elas, juntamente com o sangue, são as manifestações especiais do Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Portanto, pode-se dizer que as Glândulas, como um todo, estão sob a regência do Sol, que é o doador de Vida, e do grande benéfico Júpiter. São funções do Corpo Vital construir e restaurar o tônus muscular, quando os músculos estão tensos e cansados pelo trabalho imposto pelo inquieto Corpo de Desejos que, por sua vez, teve a sua origem no Período Lunar. Os músculos são, portanto, regidos pela errante Lua, que é o ponto de apoio dos Anjos, ou seja, a Humanidade do Período Lunar e, também, pelo impulsivo e turbulento Marte, onde habitam os chamados “Anjos Caídos”, os Espíritos de Lúcifer[2]. Ou seja, como um todo, pois o Estudante Rosacruz deve observar cuidadosamente que as Glândulas, individualmente, e certos grupos musculares também estão sob a regência de outros Astros. É como quando dizemos que todos os que vivem nos Estados Unidos são cidadãos daquele país, mas alguns estão sujeitos particularmente às leis da Califórnia, outros às do Maine, etc.
Conhecemos o aforismo hermético que diz “Assim como é em cima, é embaixo”, que é a chave mestra de todos os mistérios, e assim como existem na Terra – o macrocosmo – inúmeros lugares ainda não descobertos, também no microcosmo do Corpo encontramos muitas coisas desconhecidas que são como um livro selado para os exploradores Científicos. Entre essas coisas, destaca-se um pequeno grupo das chamadas Glândulas “sem ducto”[3], sete no total, a saber:
Estas Glândulas despertam grande e particular interesse para os Cientistas Ocultistas, e podem ser chamadas, em certo sentido, de as “Sete Rosas” sobre a Cruz do Corpo Denso, pois estão intimamente ligadas ao desenvolvimento oculto da Humanidade. Quatro delas – a Glândula Timo, a Glândula Baço e as Glândulas Suprarrenais – estão relacionadas à Personalidade. A Hipófise e a Glândula Pineal estão particularmente correlacionadas com o lado espiritual da nossa natureza e a Glândula Tiroide forma o elo entre elas. A regência astrológica de cada uma é a seguinte:
A Glândula Baço é a porta de entrada das forças solares especializadas em cada ser humano e circula pelo Corpo como o fluido vital, sem o qual nenhum ser pode viver. Esta Glândula é, portanto, regida pelo Sol. As duas Glândulas Suprarrenais estão sob a regência de Júpiter, o grande benéfico, e exercem um efeito calmante, tranquilizante e suavizante, quando as atividades emocionais da Lua, de Marte ou Saturno destroem o equilíbrio. Quando a mão obstrutiva de Saturno desperta as emoções de melancolia, oprimindo o coração, as secreções das Glândulas Suprarrenais são levadas pelo sangue até o coração e atuam como um poderoso estimulante em seu esforço de manter a circulação, enquanto o otimismo jovial luta contra as preocupações saturninas ou contra o impulso de Marte, que agita o Corpo de Desejos em emoções turbulentas de raiva, tornando os músculos tensos e trêmulos, dissipando todas as energias do organismo. Então as secreções das Glândulas Suprarrenais entram em ação, liberando o glicogênio do fígado em uma medida mais abundante do que o normal para lidar com a emergência até que o equilíbrio seja novamente alcançado, e da mesma forma durante qualquer outro estresse ou tensão. Foi o conhecimento deste fato oculto levou os antigos astrólogos a colocarem os rins sob a regência de Libra, a Balança, e para evitar confusão de ideias, podemos dizer que os próprios rins desempenham um papel importante na nutrição do Corpo Denso, estando sob a regência de Vênus, o Regente de Libra. No entanto, Júpiter rege as Glândulas Suprarrenais, com as quais estamos agora particularmente envolvidos.
Tanto Vênus como sua oitava superior, Urano, regem as funções de nutrição e crescimento, mas de maneiras diferentes e para propósitos distintos. Vênus rege a Glândula Timo, Glândula que serve de elo entre os pais e os filhos até que esses últimos atinjam a puberdade. Esta Glândula está localizada atrás do esterno[6], ou osso do peito. Ela atinge o seu maior tamanho durante a vida pré-natal e na infância, período em que o crescimento é intenso e rápido. Nessa fase o Corpo Vital da criança realiza um trabalho seu trabalho mais eficaz, pois ela não está sujeita às paixões nem às paixões e emoções geradas pelo Corpo de Desejos que nasce por volta dos quatorze anos de idade. Contudo, durante os anos de crescimento, a criança não consegue produzir glóbulos vermelhos sanguíneos, como o adulto, pois o Corpo de Desejos ainda não nascido nem organizado não serve como canal para as forças metabólicas que assimilam o ferro dos alimentos e os transmutam em hemoglobina. Para compensar essa falta, a Glândula Timo armazena uma essência espiritual extraída dos pais, e com essa essência, fornecida pelo amor dos pais, a criança é capaz de realizar a alquimia do sangue temporariamente, até que seu Corpo de Desejos se torne dinamicamente ativo. Então, a Glândula Timo se atrofia e a criança extrai de seu próprio Corpo de Desejos a força marciana necessária. A partir desse momento, em condições normais, Urano, que é a oitava superior de Vênus e regente da Glândula Hipófise, assume a função do crescimento e da assimilação, da seguinte maneira:
É sabido que todas as coisas, incluindo nossa alimentação, irradiam continuamente pequenas partículas que fornecem um índice da coisa de onde emanam, incluindo sua qualidade. Assim, quando levamos o alimento à boca, diversas dessas partículas invisíveis entram pelo nariz e, por meio da estimulação do trato olfativo, nos informam se o alimento que estamos prestes a ingerir é adequado ou não, alertando-nos para descartar alimentos com odor desagradável. Mas, além das partículas que nos atraem ou repelem o alimento por sua ação no trato olfativo através do olfato, há outras que penetram no osso esfenoidal[7], atingem a Glândula Hipófise e iniciam a alquimia uraniana, pela qual uma secreção é formada e injetada na corrente sanguínea. Isso favorece a assimilação através do Éter Químico, afetando, assim, o crescimento e o bem-estar normais do Corpo Denso humano durante a vida. Às vezes, essa influência uraniana sobre a Glândula Hipófise é excêntrica e, portanto, responsável por crescimentos estranhos e anormais, que produzem as infelizes anomalias da Natureza que ocasionalmente encontramos.
Mas, além de ser a causa dos impulsos espirituais que geram as manifestações físicas de crescimento mencionadas anteriormente, Urano, atuando através da Glândula Hipófise, também é responsável pelas fases espirituais de crescimento que auxiliam o ser humano desperto em seus esforços para penetrar através do véu dos Mundos invisíveis. Neste trabalho, contudo, ele é associado a Netuno, regente da Glândula Pineal e, portanto, será necessário, para elucidar adequadamente, que estudemos simultaneamente as funções da Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, e a da Glândula Pineal, que está sob regência de sua oitava superior, Netuno.
Que a Glândula Tiroide está sob a regência de Mercúrio, o Planeta da razão, se torna evidente quando compreendemos o efeito que a degeneração dessa Glândula tem sobre a Mente, como demonstrado nas doenças do cretinismo[8] e do mixedema[9]. As secreções dessa Glândula são tão necessárias para o bom funcionamento da Mente quanto o Éter o é para a transmissão da eletricidade, ou seja, no plano físico da existência, onde o cérebro transmuta o pensamento em ação. O contato com os Mundos invisíveis e a expressão neles dependem da capacidade funcional da Glândula Pineal, que é inteiramente espiritual e, portanto, regida pela oitava superior de Mercúrio, Netuno, o Planeta da espiritualidade, que opera conjuntamente com a Glândula Hipófise, regida por Urano.
Os Cientistas perderam muito tempo especulando sobre a natureza e a função destes dois pequenos corpos – a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal – sem nenhum resultado, principalmente porque, como Mefistófeles diz, sarcasticamente, ao jovem que queria estudar ciências com Fausto:
“Quem quiser conhecer as coisas vivas e as manusear,
Procura primeiro o Espírito vivente que as anima e o expulsa;
Fica, então com fragmentos sem Vida
Porque lhes falta o Espírito Vital que as unia”.
Ninguém pode, realmente, observar as funções fisiológicas de nenhum órgão nas condições existentes nos laboratórios ou nas mesas de operações, nem na sala de vivissecção ou dissecação. Para chegar a uma compreensão adequada, é necessário ver esses órgãos exercendo suas funções fisiológicas no Corpo vivo, e isso só pode ser feito por meio da visão espiritual. Há vários órgãos que estão se atrofiando ou se desenvolvendo. Os primeiros mostram o caminho que já percorremos durante nossa evolução passada, enquanto os últimos são os indicadores, apontando para o nosso desenvolvimento futuro. Mas ainda existe outra classe de órgãos que não estão nem se degenerando nem se desenvolvendo: eles estão simplesmente adormecidos (espiritualmente) no momento presente. Os fisiólogos[10] acreditam que a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal estão se atrofiando porque encontram esses órgãos mais desenvolvidos em algumas formas inferiores de vida, como nos vermes, mas, na verdade, estão completamente equivocados. Alguns deles suspeitam que a Glândula Pineal está, de alguma forma, conectada com a Mente, porque contém certos cristais após a morte, e a quantidade era muito menor nas pessoas mentalmente pouco desenvolvidas do que nas pessoas com mentalidade normal. Essa conclusão é correta, mas o Clarividente sabe queo canal espinhal[11] do ser vivo não está cheio de fluido; que o sangue não é líquido e que esses órgãos não têm cristais, enquanto o Corpo Denso está vivo.
Essas afirmações são feitas com pleno conhecimento de que o sangue e a essência espinhal são líquidos quando extraídos do Corpo Denso, vivo ou morto, e que o conteúdo da Glândula Hipófise e da Glândula Pineal apresenta aspecto cristalizado quando o cérebro é dissecado. No entanto, a razão é semelhante àquela que faz com que o vapor extraído de uma caldeira se condense imediatamente ao entrar em contato com a atmosfera, e que o metal derretido fundido extraído de um forno de fundição se cristalize imediatamente ao ser retirado dele.
Todas essas substâncias são essências puramente espirituais quando se encontram dentro do Corpo; elas são etéricas e a substância que se encontra na Glândula Pineal, quando vista por meio da visão espiritual, aparece como luz. Além disso, quando um Clarividente contempla a Glândula Pineal de outra pessoa que também está exercendo suas faculdades espirituais, esta luz apresenta um brilho intenso e uma iridescência semelhante, mas que transcende em beleza, o mais maravilhoso espetáculo das luzes da Aurora Boreal[12]. Pode-se também dizer que as funções desse órgão parecem ter mudado ao longo da evolução humana. Durante as Épocas anteriores à nossa estadia atual na Terra, quando o Corpo Denso era uma coisa grande e flácida na qual o Espírito ainda não havia penetrado, mas estava presente apenas como uma sombra, havia uma abertura no topo do Corpo e a Glândula Pineal estava dentro dela. Era então um órgão de orientação, dando um senso de direção. À medida que o Corpo Denso se condensava, tornava-se cada vez menos capaz de suportar o calor intenso que prevalecia naquela Época, e a Glândula Pineal alertava quando o Corpo Denso se aproximava demasiado de uma das muitas crateras de vulcões e de erupções ativas que então irrompiam a fina camada de Terra, permitindo assim que o Espírito o guiasse para longe desses lugares perigosos. Era um órgão de orientação que operava pelo tato, mas o tato, desde então se distribuiu por toda a pele do Corpo Denso. Isso indica ao Cientista Ocultista que um dia os sentidos da audição e da visão também serão distribuídos de forma semelhante, de modo que veremos e ouviremos com todo o nosso Corpo e, assim, nos tornaremos ainda mais sensíveis nesses aspectos do que somos agora.
Desde então, a Glândula Pineal e a Glândula Hipófise se tornaram temporariamente adormecidos (espiritualmente) para tornar o ser humano alheio aos Mundos invisíveis enquanto aprende as lições proporcionadas pelo Mundo material. A Glândula Hipófise tem manifestado a influência uraniana esporadicamente em crescimentos físicos anormais, produzindo aberrações e monstruosidades de vários tipos, enquanto Netuno, atuando também de forma anormal através da Glândula Pineal, tem sido responsável pelo crescimento espiritual anormal de curandeiros, feiticeiros e Clarividentes involuntários quando dominados por espíritos de controles, que sempre produzem prejuízo espiritual àqueles. Quando despertadas para atividades normais, essas duas Glândulas Endócrinas abrirão a porta dos Mundos internos de maneira sã e segura, mas, nesse ínterim, a Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, o Planeta da razão, contém as secreções necessárias para dar equilíbrio ao cérebro.
No futuro, as Glândulas Endócrinas estão destinadas a desempenhar um papel proeminente; seu desenvolvimento acelerará grandemente a evolução, pois seus efeitos são principalmente mentais e espirituais. Estamos nos aproximando da Era de Aquário; o Sol, portanto, está começando a transmitir as vibrações altamente intelectuais desse Signo, o de Aquário, o que explica as intuições, premonições e transmissões telepáticas agora tão prevalecentes. Em última análise, esses fenômenos se devem ao despertar da Glândula Hipófise, regido por Urano, que é o regente de Aquário, e isso se tornará mais manifesto com o decorrer dos anos.
[1] N.T.: o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui de forma tríplice, como Deus que nos criou.
[2] N.T.: Também chamados de Espíritos Lucíferos.
[3] N.T.: Também chamadas de Glândulas de secreção interna ou Glândulas endócrinas que secretam hormônios diretamente na corrente sanguínea.
[4] N.T.: Também chamada de Corpo Pituitário ou Glândula Pituitária.
[5] N.T.: também conhecida como Conarium, Epífise Cerebral ou simplesmente Pineal.
[6] N.T.: O esterno (com “s”) é um osso plano e vertical localizado na linha média anterior do tórax, crucial para proteger órgãos vitais como o coração e pulmões, além de fixar as costelas.
[7] N.T.: O osso esfenoidal (ou esfenoide) é um osso ímpar e central na base do crânio, com formato semelhante a um morcego ou borboleta de asas abertas. Considerado a “pedra angular” da base craniana, ele se articula com quase todos os ossos do crânio.
[8] N.T.: O cretinismo é uma condição grave resultante do hipotireoidismo congênito não tratado ou deficiência severa de iodo durante a gestação e primeira infância. Caracteriza-se por retardo mental irreversível, baixa estatura (nanismo), características faciais grosseiras e disfunção motora. O diagnóstico precoce via teste do pezinho é crucial para evitar danos permanentes.
[9] N.T.: O mixedema é um edema (inchaço) duro e elástico da pele e tecidos moles, causado por hipotireoidismo grave e prolongado. Caracteriza-se pelo acúmulo de substâncias (glicosaminoglicanos) na derme, resultando em inchaço na face, pálpebras, língua e, às vezes, pernas. O coma mixedematoso é a complicação extrema, sendo uma emergência médica com alta mortalidade.
[10] N.T.: ou fisiologistas são profissionais da saúde especializado no estudo das funções, mecanismos e processos biológicos do corpo humano, visando otimizar o desempenho físico, saúde e bem-estar. Eles analisam dados funcionais, como cardiovasculares e musculares, para criar programas de treinamento, prevenir lesões e auxiliar na recuperação de atletas e pacientes.
[11] N.T.: O canal espinhal (ou vertebral) é uma cavidade no centro da coluna vertebral que acomoda a medula espinhal e as raízes nervosas. Ele percorre da cervical à lombar, protegido pelas vértebras.
[12] N.T.: A aurora boreal é um fenômeno luminoso natural no céu noturno, formado por partículas solares que interagem com o campo magnético e os gases da alta atmosfera terrestre nos polos. Visível em altas latitudes (Ártico) entre setembro e abril, especialmente de novembro a março, exibe luzes dançantes, comumente verdes, mas também roxas e vermelhas.
O SISTEMA LINFÁTICO
O Sistema Linfático é tubular e está um tanto associado aos capilares que unem as circulações venosa e arterial, terminando nas grandes veias próximas do coração. A linfa que flui por seus canais vai numa direção: o centro da circulação – o coração. Podemos considerar este sistema como uma espécie de pequenos desaguadouros do Corpo Denso, porque na realidade, recolhe a água suja dos tecidos, depois de banhá-los na linfa que transporta. Se compararmos os canais a tubulações de drenagem que recolhem a água suja, podemos considerar os gânglios linfáticos, que se encontram ao longo desses canais, como comportas, nas quais a linfa tem que se deter e ser filtrada antes de passar à corrente sanguínea venosa.
Estes gânglios estão situados nos cotovelos, nas axilas, nos espaços poplíteos, nas virilhas e especialmente na parte anterior do pescoço (a parte que fica fronteira à vértebra cervical) no abdômen entre as pregas do mesentério que fixa o intestino delgado a coluna vertebral e no peito entre os pulmões, espaço este conhecido como mediastino.
Cada um dos vasos linfáticos passa por um ou mais destes gânglios no seu caminho para as veias. As células linfáticas, como as demais existentes no Corpo, não possuem paredes celulares, movendo-se como a medusa na água. Quando a inflamação, em qualquer de suas formas, ataca o Corpo Denso, todos os líquidos venenosos passam aos canais linfáticos.
Os gânglios podem adoecer devido à natureza venenosa da linfa que se filtra por eles. O Sistema Linfático é de ação tríplice: recolhe a linfa dos tecidos, o “quilo” dos intestinos (depois de elaborado pelo processo da digestão) e, por meio dos gânglios linfáticos, cria as células linfáticas que são semelhantes aos corpúsculos brancos do sangue.
CAPÍTULO II – CORPO VITAL
EVOLUÇÃO E PROPÓSITO GERAL
O Corpo Vital é o segundo dos mais antigos veículos que temos, tendo seu germe original nos fornecido pelos Senhores da Sabedoria no Período Solar. Na Revolução Solar do Período Lunar[1], ele foi modificado para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, para acomodar ao sistema nervoso, músculos, esqueleto, etc.
Durante a Revolução Solar do Período Terrestre, o Corpo Vital foi reconstruído para acomodar a Mente germinal. Ele foi moldado, nessa Revolução, mais à semelhança do Corpo Denso, sendo sua organização atual a mais eficiente, seguida a do Corpo Denso.
Uma reconstrução adicional foi efetuada na Época Hiperbórea do Período Terrestre, quando os Senhores da Forma apareceram, com os Anjos, e revestiram o Corpo Denso do ser humano, então um objeto em forma de saco, com um Corpo Vital.
O Corpo Denso é construído na matriz do Corpo Vital durante a vida antenatal e, com uma única exceção, é uma cópia exata, molécula por molécula, do Corpo Vital. Ao longo da vida, o Corpo Vital é o construtor e restaurador do Corpo Denso, tendo a tendência de abrandar e construir. Sua principal expressão é o sangue e as Glândulas, assim como no Sistema Nervoso Simpático[2], que ganhou acesso ao domínio do Corpo de Desejos quando esse começou a desenvolver o Coração em um músculo voluntário.
O Corpo Vital interpenetra o Corpo Denso e se estende além da sua periferia cerca de quatro centímetros. A sua contextura pode ser grosseiramente comparada aos quadros formados por centenas de pequenos pedaços de madeira encaixados uns nos outros, mostrando inúmeros pontos ao observador. Esses pontos do Corpo Vital penetram nos centros ocos dos átomos densos, os imbuindo de força vital, o que os faz vibrar a uma taxa superior à do mineral da Terra, que não estão assim animados nem acelerados.
[1] N.T.: Sempre a 2ª Revolução de um Período.
[2] N.T.: Também chamado por alguns especialistas de sistema ortossimpático ou sistema toracolombar, é uma das duas divisões do sistema nervoso autônomo (SNA), sendo a outra o sistema nervoso parassimpático. É parte do sistema nervoso autônomo, responsável pelas respostas de “luta ou fuga” em situações de estresse, perigo ou emergência. Ele prepara o corpo para atividade física intensa, aumentando a frequência cardíaca, a respiração e a pressão arterial, enquanto inibe funções digestivas.
CAPÍTULO II – CORPO VITAL – OS ÉTERES E SUAS FUNÇÕES
Ao analisamos o ser humano, descobrimos que nele os quatro Éteres (Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso – ou Éter de Luz – e Éter Refletor) atuam dinamicamente ativos no Corpo Vital altamente organizado. Por meio da atividade do Éter Químico, ele é capaz de assimilar alimentos e crescer; as forças atuantes no Éter de Vida permitem a propagação da espécie; as forças que atuantes no Éter Luminoso proporcionam calor ao Corpo Denso, atuam sobre o Sistema Nervoso e os músculos, fazendo com que possamos receber através dos sentidos as informações do Mundo exterior; e o Éter Refletor permite ao Espírito controlar seus veículos por meio do pensamento. Este Éter também armazena as experiências passadas, em forma de memória. Os Éteres Químico e de Vida formam a matriz para nossos Corpos Densos. Cada molécula do Corpo Denso está imersa em uma malha de Éter que a permeia e a infunde com Vida. Por meio destes Éteres se realizam as diversas funções corporais (como por exemplo, a respiração, etc.) e a densidade e a consistência dessas matrizes de Éter determinam o bom ou mau estado de saúde. Os átomos do Éter Químico e do Éter de Vida, reunidos em torno do Átomo-semente nuclear, localizado no Plexo Celíaco[1], têm forma prismática. Estão todos dispostos de tal maneira que, quando a energia solar permeia no Corpo pelo baço, o raio refratado é o vermelho. Esta é a cor do aspecto criador da Trindade, ou seja, Jeová, o Espírito Santo, que rege a Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluído vital do Sol que permeia no Corpo Denso pelo baço adquire uma tonalidade rosa pálida, ficam tintos de cor de rosa pálido, muitas vezes observada pelos Clarividentes, quando percorrem os nervos, como a eletricidade percorre os fios de uma instalação elétrica. Assim carregados, o Éter Químico e o Éter de Vida são as vias da assimilação que preservam o indivíduo e de fecundação, que perpetua a Onda de Vida humana.
Durante a vida, cada átomo prismático vital penetra um átomo físico e o faz vibrar. Para visualizar essa combinação, imagine uma cesta feita de arame enrolado em forma de pera com paredes de arame espiralado que se estendem obliquamente de um polo ao outro. Esse é o átomo físico; ele tem forma muito parecida com à da Terra, e o átomo prismático vital é inserido a partir do topo, que é a parte mais larga e corresponde ao Polo Norte da Terra. Assim, a ponta do prisma penetra o átomo físico no ponto mais estreito, que corresponde ao Polo Sul da Terra, e o conjunto se assemelha a um pião girando e bamboleando, vibrando intensamente. Dessa forma, nosso Corpo se enche de Vida e se torna capaz de movimento.
O Éter de Luz e o Éter Refletor são vias de consciência e de memória. No indivíduo comum eles estão um tanto atenuados e não tomaram ainda forma definida; elas interpenetram o átomo da mesma forma que o ar interpenetra uma esponja, e formam uma leve atmosfera áurica ao redor de cada átomo.
A ciência física já determinou que os átomos em nosso Corpo Denso estão em constante mudança, de modo que toda a matéria que atualmente compõem o nosso veículo terá desaparecido em poucos anos, mas é sabido que as cicatrizes e outras imperfeições se conservam da infância à velhice. A razão para isso é que os átomos prismáticos etéricos que compõem o nosso Corpo Vital permanecem inalterados desde que nascemos até morrermos. Eles estão sempre na mesma posição relativa – isto é, os átomos prismáticos etéricos que fazem vibrar os átomos físicos nos dedos dos pés ou das mãos não chegam às mãos, pernas ou qualquer lugar do Corpo, mas permanecem exatamente no mesmo lugar onde foram colocados no princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica em uma impressão semelhante nos átomos prismáticos etéricos. A nova matéria física que se modela sobre eles continua a assumir a forma e a textura semelhantes às originais.
As observações anteriores se aplicam apenas aos átomos prismáticos etéricos que correspondem aos sólidos e líquidos no Mundo Físico, pois assumem e conservam uma forma definida. Mas, além disso, cada ser humano, nesse estágio de evolução, possui uma certa quantidade de Éter de Luz e de Éter Refletor, que são os veículos da percepção sensorial e da memória, misturados em seu Corpo Vital. Podemos dizer que o Éter de Luz corresponde aos gases do Mundo Físico; talvez a melhor descrição que se possa dar ao Éter Refletor seja chamá-lo de hiper-etérico. É uma substância vácua de cor azulada, que lembra em aparência o núcleo azulado da chama de gás. Parece transparente e revela tudo que o contém, mas, no entanto, esconde todos os segredos da Natureza e da Humanidade. Nela se encontra um registro da Memória da Natureza. O Éter de Luz e o Éter Refletor são de natureza exatamente oposta à dos estacionários átomos prismáticos etéricos. São voláteis migratórios. Por menor que seja a quantidade que um indivíduo possua desse material, trata-se de um acréscimo, um fruto, derivado de suas experiências vitais. Dentro do Corpo estes dois Éteres se misturam com a corrente sanguínea e, quando aumentam de volume como consequência do serviço prestado e do sacrifício fraterno na Escola da Vida, de modo que não possa mais ser contido no Corpo Denso, se manifesta externamente como um Corpo-Alma de cores ouro e azul.
O azul representa o mais elevado tipo de espiritualidade, portanto, é o menor em volume e pode ser comparado ao núcleo azul da chama de gás, enquanto a cor dourada forma a maior parte e corresponde à luz amarela que circunda o núcleo azul da citada chama de gás. A cor azul não aparece fora do Corpo Denso, exceto nos maiores verdadeiros santos – geralmente, apenas o amarelo é observável ali. Na morte, esta parte do Corpo Vital é gravada no Corpo de Desejos com o Panorama da Vida que contém. A quintessência de toda a nossa experiência de vida é, então, finalmente impressa no Átomo-semente como consciência ou virtude que, nos induzirá a evitar o mal e a fazer o bem nas próximas vidas. Assim, a qualidade do Átomo-semente é alterada de vida para vida. A quintessência do bem extraída da parte migratória do Corpo Vital em uma vida determina a qualidade dos átomos de Éteres prismáticos estacionários da vida seguinte. O mais elevado em uma vida se converte no inferior da vida seguinte e assim, aos poucos, subimos a escada da Evolução em direção à divindade.
A partir do exposto, ficará evidente que o Corpo Vital é um veículo de hábitos; todos os pais sabem que durante os primeiros sete anos de vida, na infância, quando esse veículo está em gestação, as crianças formam um hábito após outro. A repetição é a tônica do Corpo Vital, e os hábitos dependem da repetição. É diferente com o Corpo de Desejos, o veículo dos sentimentos e das emoções, que estão sempre mudando a cada instante; embora se diga que o Éter que forma o nosso Corpo-Alma está em constante movimento e se mistura com a corrente sanguínea, esse movimento é relativamente lento em comparação com a rapidez das correntes do Corpo de Desejos; podemos dizer que o Éter se move com a velocidade de um caracol, comparada com a velocidade da luz.
Quando o Ego está a caminho do renascimento, passando pela Região do Pensamento Concreto, pelo Mundo do Desejo e pela Região Etérica, ele vai juntando uma certa quantidade de material de cada um deles. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, segundo o princípio de que “semelhante atrai o semelhante”. A quantidade de cada uma dessas matérias dependerá da necessidade do Arquétipo que tenhamos construído para nós mesmos no segundo Céu. Com o total dos átomos prismáticos etéricos que o Espírito tiver reunido para seu uso, os Anjos do Destino e seus agentes construirão uma forma etérica que será colocada no útero materno e que aos poucos se irá revestindo de matéria física até construir o Corpo Denso da criança nas vésperas do renascimento.
Apenas uma pequena porção do Éter apropriado por um determinado Ego é utilizada, e o restante constituirá uma reserva que permanecerá fora do Corpo Denso. Por essa razão o Corpo Vital da criança se sobressai muito mais além da periferia do Corpo Denso do que o de um adulto. Durante o período de crescimento, esse estoque de átomos etéricos vai sendo utilizado para vitalizar as secreções dentro do Corpo Denso até que, ao atingir a idade adulta, o Corpo Vital apenas sobressai de dois e meio a quatro centímetros do Corpo Denso.
A Escola de Sabedoria Ocidental ensina como máxima fundamental que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”. A parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres superiores, o Éter de Luz e o Éter Refletor, é o que poderemos chamar de Corpo-Alma, ou seja, está mais intimamente ligado ao Corpo de Desejos e a Mente e, também, é mais receptivo aos impulsos do Espírito do que os outros dois Éteres. É o veículo do intelecto e responsável por tudo o que faz do ser humano um ser da Onda de Vida humana. Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., se devem à obra do Espírito nestes dois Éteres superiores, que se tornam mais ou menos luminosos conforme a natureza do nosso caráter e dos nossos hábitos. Além disso, assim como o Corpo Denso assimila as partículas de alimento e, portanto, ganha em massa, os dois Éteres superiores assimilam nossas boas ações durante a vida e, assim, também aumentam de volume. De acordo com nossas ações nessa vida presente, aumentamos ou diminuímos aquilo que trouxemos conosco ao nascer. Esta é a razão pela qual os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmam que todo desenvolvimento místico começa com o Corpo Vital.
[1] N.T.: Também chamado de Plexo Solar (vulgarmente conhecido como “boca do estômago”), um dos principais plexos responsáveis pela inervação de órgãos da porção retrodiafragmática do sistema digestório, principalmente do estômago, intestinos, glândulas anexas (fígado e pâncreas) e ainda contribui para a inervação do baço.
CAPÍTULO III – O CORPO DE DESEJOS E A MENTE
Na terceira Revolução do Período Lunar, os Senhores da Individualidade irradiaram de si mesmos a substância que ajudou os seres humanos, que evoluíam inconscientemente, a apropriar e construir um Corpo de Desejos germinal. Eles também o ajudaram a incorporar esse Corpo de Desejos germinal ao Corpo Vital e ao Corpo Denso que já possuía. Esse trabalho foi se realizando durante toda a terceira e quarta Revoluções do Período Lunar.
A antagônica “vontade inferior”, ou vontade do Corpo, é uma expressão da parte superior do Corpo de Desejos. Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, na primeira parte da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e outra inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão na primeira parte da Época Atlante.
Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou em uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal[1] e os músculos Voluntários[2], controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a conexão da Mente fosse estabelecida. Então a Mente se fundiu com a alma animal e se tornou corregente do ser humano.
Durante a vida do ser humano, o Corpo de Desejos não tem a mesma forma que seus Corpos Denso e Vital. Essa forma só é assumida depois da morte. Durante a vida, o Corpo de Desejos tem a aparência de um ovoide luminoso que, durante as horas de estado de vigília, envolve completamente o Corpo Denso, como a clara envolve a gema de um ovo. Estende-se de 30 a 40 centímetros além da superfície do Corpo Denso, nos indivíduos comuns. A matéria do Corpo de Desejos humano é composta de material do Mundo do Desejo e está em movimento incessante de rapidez inconcebível. Não há nele um lugar fixo para nenhuma partícula, como no Corpo Denso. A matéria que se encontra em um dado momento na cabeça pode estar nos pés no momento seguinte e vice-versa. Não há órgãos no Corpo de Desejos, como os há no Corpo Denso e no Corpo Vital, mas existem centros de percepção que, quando ativos, se parecem como vórtices, permanecendo sempre na mesma posição relativa com respeito ao Corpo Denso. Na maioria das pessoas, são meros redemoinhos e não têm utilidade como centros de percepção. Podem ser despertados em todos, porém, os diversos métodos de despertamento produzem resultados diferentes. O Corpo de Desejos está radicado na posição referencial do fígado e nasce por volta dos quatorze anos de idade.
No Clarividente Involuntário, desenvolvido segundo padrões impróprios e negativos, esses vórtices giram da direita para a esquerda, ou no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio – no sentido anti-horário.
No Corpo de Desejos dos Clarividentes Voluntários, devidamente treinados, eles giram no mesmo sentido que os ponteiros do relógio – no sentido horário – brilhando com esplendor excepcional, que supera em muito a luminosidade do Corpo de Desejos comum. Esses centros fornecem aos Clarividentes Voluntários os meios para percepção das coisas do Mundo do Desejo, e ele vê e investiga o que quiser, enquanto nas outras pessoas Clarividentes Involuntários, cujos centros giram da direita para a esquerda, são como um espelho que reflete o que se passa diante dela.
Num futuro muito distante, o Corpo de Desejos do ser humano se tornará tão definitivamente organizado quanto os Corpos Denso e Vital. Quando esse estágio for alcançado, todos teremos o poder de funcionar no Corpo de Desejos como agora funcionamos no Corpo Denso.
A Mente
Na Época Atlante do Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmos para o nosso ser o núcleo da matéria a partir do qual agora buscamos construir uma Mente organizada. Foi fornecido ao ser humano a fim de lhe dar propósito à ação, mas como o Ego era extremamente débil e a natureza de desejos muito forte, a Mente nascente se juntou com o Corpo de Desejos; a faculdade da astúcia foi o resultado e foi causa de toda a maldade do terço intermediário da Época Atlante.
A Mente, sendo o último dos veículos fornecido para o ser humano, ainda não é sequer um Corpo. É simplesmente uma ligação, um envoltório para o uso do Ego como ponto focal. É, no entanto, o instrumento mais importante possuído pelo Espírito, e é seu instrumento especial na obra da criação. Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que especializamos na periferia da nossa aura individual. De lá, observamos as impressões feitas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital por intermédio dos sentidos, juntamente com os sentimentos e emoções gerados por elas no Corpo de Desejos e refletidos na Mente.
A partir dessas imagens mentais formulamos nossas conclusões, na substância da Região do Pensamento Abstrato, acerca dos assuntos de elas abordam. Essas conclusões são as ideias. Mediante o poder da vontade, projetamos uma ideia através da Mente, onde a ideia toma forma concreta como pensamento-forma, atraindo para si matéria mental da Região do Pensamento Concreto. A imagem pode ser projetada em qualquer destas três direções:
Quando o trabalho concebido para tal pensamento-forma é concluído, ou sua energia é gasta em vãs tentativas de alcançar seu objetivo, gravita de volta para seu criador, trazendo consigo o registro indelével de sua jornada.
Em nosso estágio atual de evolução, dizemos que a Mente nasce aos vinte e um anos de idade, mas o auge da capacidade mental só é atingido por volta doa quarenta e nove anos.
A Mente é o meio focalizador pelo qual as ideias concebidas pela imaginação do Espírito são projetadas sobre o universo material. Inicialmente, são apenas pensamentos-formas, mas, quando o desejo de realizar as possibilidades imaginadas leva o ser humano a trabalhar no Mundo Físico, elas se tornam o que chamamos de “realidades” concretas.
Atualmente, porém, a Mente não está focada de forma a permitir ao ser humano produzir uma imagem clara e verdadeira daquilo que o Espírito imagina. Não é focada. Produz imagens nebulosas e turvas. Daí a necessidade de experimentação para demonstrar as inadequações da primeira concepção e gerar novas imaginações e ideias até que a imagem produzida pelo Espírito na substância mental seja reproduzida na substância física.
Na melhor das hipóteses, somos capazes de moldar, através da Mente, apenas imagens relacionadas à Forma, porque a Mente humana só surgiu no Período Terrestre e, portanto, está atualmente em seu estágio “mineral” de desenvolvimento. Consequentemente, em nossas operações, estamos confinados às Formas, com os minerais. Podemos imaginar maneiras de trabalhar com as Formas minerais dos três Reinos inferiores, mas pouco ou nada podemos fazer com os Corpos viventes. Podemos, de fato, enxertar um ramo vivo em uma árvore viva, ou uma parte viva de um animal em outro, ou de um ser humano em outro, mas não é com a Vida que estamos trabalhando: é apenas com a Forma. Estamos criando condições diferentes, mas a Vida que já animava a Forma é a mesma que continua subsistindo. Trabalhar com a Vida está além do poder humano, até que sua Mente tenha sido vivificada.
No Período de Júpiter, a Mente será vivificada até certo ponto e o ser humano poderá imaginar Formas que viverão e crescerão, como as plantas.
No Período de Vênus, quando sua Mente adquirir a capacidade de sentir, ele poderá criar coisas vivas que cresçam e tenham sentimentos, como os animais.
E, finalmente, quando alcançar a perfeição, no final do Período de Vulcano, ele será capaz de “imaginar” a existência de criaturas que viverão, crescerão, sentirão e pensarão.
[1] N.T.: O cérebro e a medula espinhal formam o sistema nervoso cérebro-espinhal ou Sistema Nervoso Central (SNC), o centro de comando do Corpo Denso. Eles processam informações, controlam funções vitais, movimentos e sensações.
[2] N.T.: Os músculos voluntários, ou músculos estriados esqueléticos, são aqueles que se contraem de acordo com a nossa vontade consciente. Eles estão conectados aos ossos por meio de tendões e são responsáveis por quase todos os movimentos do nosso Corpo Denso.
Segunda Parte – DOENÇA E ENFERMIDADE
CAPÍTULO IV – AS CAUSAS GERAIS DAS DOENÇAS E ENFERMIDADES
Introdução
A doença e enfermidade é realmente um fogo, o fogo invisível que é o Pai tentando dissolver e quebrar as condições cristalizadas que acumulamos em nossos Corpos. Reconhecemos a febre como um fogo, mas os tumores, como cânceres e todas as outras doenças são, na verdade, realmente os efeitos desse fogo invisível, que tenta purificar o organismo e libertá-lo das condições que criamos ao transgredir as Leis da Natureza.
Podemos dizer, ainda, que a doença e enfermidade é uma manifestação da ignorância, o único pecado, e que a cura[1] é uma demonstração do conhecimento aplicado, que é a única salvação. Cristo é a personificação do Princípio de Sabedoria e, na mesma proporção em que o Cristo se forme em nós, alcançaremos a saúde. Portanto, o Curador ou a Curadora deve ser uma pessoa espiritualizada e se esforçar para imbuir em seu (sua) paciente com elevados ideais espirituais, para que esse (essa) possa, finalmente, aprender a obedecer às Leis de Deus que governam o Universo e, assim, alcançar a saúde permanente tanto na vida atual, como nas vidas futuras.
O Antigo Testamento começa com o relato de como o ser humano foi desviado pela falsa Luz dos Espíritos Lucíferos, dando origem a todas as grandes tristezas e profundos sofrimentos no mundo; termina com a promessa de que o Sol da Retidão e da Justiça surgirá, trazendo a Cura em suas asas. E no Novo Testamento encontramos o Sol da Retidão e da Justiça, a verdadeira Luz, que veio para salvar o mundo, e o primeiro fato que é declarado a respeito d’Ele é que Ele é de Concepção Imaculada.
Agora, esse ponto deve ser compreendido completamente: é a mácula luciferiana da paixão que trouxe: o sentimento de grande tristeza e profunda angústia, o pecado e o sofrimento ao mundo. Quando o poder criador é empregado para gratificar os sentidos, seja por meio do vício solitário ou em conjunto com outra pessoa, com ou sem casamento legalizado, esse é o pecado que não pode ser perdoado; ele deve ser expiado. A Humanidade, como um todo, está sofrendo as consequências desse pecado. Os Corpos debilitados e com doenças e enfermidades que vemos ao nosso redor foram desgastados por séculos de abusos, e enquanto não aprendermos a subjugar nossas paixões, não poderá haver a verdadeira saúde entre a Onda de Vida humana.
Antes da impregnação do Corpo de Desejos com esse princípio demoníaco, a concepção era imaculada e um sacramento. Os seres humanos caminhavam na presença dos Anjos, puros e sem se envergonharem. O ato da fertilização era tão casto como o é da flor. Portanto, quando aconteceu o desvio dessa conduta, ou seja, quando o mal foi feito, imediatamente o mensageiro, ou o Anjo, cingiram os seres humanos com folhas para imprimir neles o ideal que teriam que aprender a viver, nomeadamente, como a planta. Sempre que somos capazes de realizar o ato da geração de maneira pura, casta e sem paixão, como a planta faz, ocorre uma concepção imaculada e nasce um Cristo, capaz de curar todos os sofrimentos da Humanidade, capaz de vencer a morte e de estabelecer a imortalidade, uma luz verdadeira para guiar a Humanidade para longe do fogo-fátuo da paixão; por meio do autossacrifício pela compaixão.
Este é, portanto, o grande ideal pelo qual nos esforçamos: purificarmo-nos da mácula do egoísmo e da busca por interesses pessoais. Por isso, consideramos o Emblema Rosacruz como um ideal. As sete rosas vermelhas simbolizam o sangue purificado; a rosa branca representa a pureza da vida; e a estrela dourada e radiante simboliza a influência inestimável para a saúde, o auxílio e a elevação espiritual que emana de cada servo da Humanidade.
Até que a fé em Cristo nos ilumine desde o nosso interior, não compreendemos e nem seguimos as Leis da Natureza e, consequentemente, contraímos doenças e enfermidades por nossa ignorância ao transgredi-las. Empregando as palavras de Emerson[2], podemos dizer que uma pessoa que está doente é um malandro no ato de ser apanhado em flagrante; ele violou as Leis da Natureza. Por essa razão é necessário que o Evangelho de Cristo seja pregado; que cada um de nós aprenda a amar a Deus com todo o nosso coração e toda a nossa alma, e ao nosso próximo como a nós mesmos, pois todos os problemas do mundo, quer reconheçamos isso ou não, provém de um só e único fato: nosso egoísmo. Se as funções digestivas estão comprometidas, qual é a causa? Não será que sobrecarregamos nosso organismo, por estamos com raiva e esgotamos as nossas forças nervosas tentando obrigar a outros a servir os nossos fins egoístas, e nos sentimos ressentidos por não o termos conseguido? Em todos os casos, o egoísmo é a principal causa da maioria das doenças e enfermidades; o egoísmo é o pecado supremo motivador da ignorância.
[1] N.T.: aqui, advindo do inglês “healing” (a cura definitiva) e não de “curing” (o remediar, a cura ilusória).
[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803- 1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense. O transcendentalismo é, para Emerson, um esforço de introspecção metódica para se chegar além do “eu” superficial ao “eu” profundo, o espírito universal comum a toda a espécie humana.
Causas das Deficiências Mentais
As deficiências que afetam a Humanidade podem ser divididas em duas grandes classes: mentais e físicas. Os problemas mentais são particularmente atribuíveis ao abuso da função criadora sexual, quando são congênitos, com uma exceção que observaremos mais tarde. A mesma condição se aplica em caso de comprometimento da faculdade da fala. Isso é razoável e fácil de entender. O cérebro e a laringe foram construídos com metade da força sexual criadora do ser humano pelos Anjos, de modo que o ser humano que, antes da aquisição destes órgãos, era bissexual e capaz de criar apenas a partir de si mesmo, perdeu essa faculdade quando estes órgãos foram criados e agora depende da cooperação de outro de polaridade ou sexo oposto, a fim de gerar um novo veículo físico para um Espírito que chega para renascer aqui.
Quando usamos a visão espiritual para observar o ser humano na Memória da Natureza, durante o tempo em que ele ainda estava em formação, descobrimos que onde quer que exista agora um nervo, houve primeiro uma corrente de desejo; que o cérebro em primeiro lugar, ele mesmo era feito de substância de desejo e, também, o era a laringe. Foi o desejo quem primeiro enviou um impulso motor através do cérebro e criou essas correntes nervosas, para que o Corpo Denso pudesse ser movido e obter para o Espírito qualquer gratificação indicada pelo desejo. A fala também é usada com o propósito de obter um objeto ou fim desejado. Através destas faculdades o ser humano obteve certo domínio sobre o mundo, e se ele pudesse simplesmente passar de um Corpo para outro, não haveria fim para o abuso do seu poder de satisfazer todos os caprichos e desejos. Mas, sob a Lei de Consequência, ele leva consigo ao novo Corpo, faculdades e órgãos semelhantes aos que deixou no anterior, na vida precedente aqui.
Quando a paixão destrói o Corpo Denso em uma vida, essa experiência fica estampada no Átomo-semente do Corpo Denso. Na próxima “descida” para um renascimento aqui será, portanto, impossível para o Espírito reunir material de melhor qualidade com o qual possa construir um cérebro de construção estável. Geralmente, ele nasce aqui sob um dos Signos Comuns e, também, os quatro Signos Comuns estão nos ângulos do horóscopo; pois através destes Signos o desejo apaixonado tem dificuldade em se expressar. Assim, o poderoso impulso que anteriormente governava seu cérebro e que poderia ser usado com o propósito de rejuvenescer está ausente; ele, assim renascido, não tem incentivo na vida e, portanto, se torna indefeso, desamparado ou incapaz – um pedaço de madeira no oceano da vida – muitas vezes insano ou demente.
Mas o Espírito não é insano ou demente; ele vê, conhece e tem um grande desejo de usar o Corpo, embora isso possa ser uma impossibilidade, pois muitas vezes não consegue nem mesmo enviar um impulso correto ao longo dos nervos. Os músculos do rosto e do corpo não estão, portanto, sob o controle da sua vontade. Isso explica a falta de coordenação que torna o insano ou demente, muitas vezes, uma visão tão lamentável. E assim o Espírito aprende uma das lições mais difíceis da vida, a saber, que é pior que a morte estar preso a um Corpo Denso vivo e ser incapaz de encontrar expressão através dele, porque a força do desejo necessária para realizar as funções do pensamento, da fala e do movimento foram gastas em uma vida iníqua, perversa, maligna ou ímpia em uma vida anterior e deixou o Espírito sem a energia necessária para operar seu atual instrumento corporal.
Embora as deficiências mentais, quando congênitas, sejam geralmente atribuíveis ao abuso da função sexual criadora numa vida passada, há pelo menos uma notável excepção a esta regra: quando um Espírito, que tem uma vida especialmente dura diante de si “desce” para renascer aqui e ao entrar na matriz do útero, sente ou percebe o Panorama de Vida – que contém os principais acontecimentos que passará – e considera essa existência como demasiada dura para ser suportada, às vezes, tenta fugir da Escola da Vida. Neste momento, os Anjos do Destino ou Relatores ou seus agentes já fizeram a conexão entre o Corpo Vital e os centros dos sentidos do cérebro do embrião em formação; portanto, o esforço do Espírito para escapar do ventre materno é frustrado, mas a ruptura dada pelo Ego perturba a conexão entre os centros dos sentidos etérico e físico, de modo que o Corpo Vital não fica concêntrico com o Corpo Denso, fazendo com que a cabeça etérica se estenda acima do crânio físico. Assim é impossível ao Espírito utilizar o Corpo Denso; está ligado a um Corpo Denso “irracional” que não pode usar, e a incorporação é praticamente desperdiçada.
Encontramos também casos em que um grande choque, mais tarde na vida, faz com que o Espírito se esforce para fugir com os veículos invisíveis. Como resultado, uma ruptura semelhante é aplicada aos centros dos sentidos etéricos no cérebro, e o choque perturba a expressão mental. Todo mundo, provavelmente, já sentiu uma sensação semelhante ao receber um susto; um impulso como se algo tentasse sair do Corpo Denso; esses são o Corpos Vital e o Corpo de Desejos, que são tão rápidos em sua ação que um trem expresso é como um caracol, em comparação. Eles veem e sentem o perigo e ficam assustados antes que o susto seja transmitido ao Corpo Denso inerte e lento no qual estão ancorados, e que impede sua fuga sob tensão normal.
Mas às vezes, como foi dito, o susto e o choque são suficientemente para dar-lhes tal impulso que os centros dos sentidos etéricos fiquem perturbados. Isso acontece com mais frequência com pessoas nascidas sob Signos Comuns, que são os mais frágeis do Zodíaco. Entretanto, assim como um ligamento que foi esticado e rompido pode gradualmente recuperar relativa elasticidade, também nestes casos é mais fácil restaurar as faculdades mentais do que naqueles casos em que a insanidade ou demência congênita, trazida de vidas passadas, causou conexão inadequada.
Causas de Deficiências Físicas:
Com relação a anormalidades e deformidades físicas, a regra parece ser que, assim como a indulgência física da paixão reage sobre o estado mental, o abuso das faculdades mentais em uma vida leva à deficiência física em existências posteriores. Uma máxima oculta diz: “uma mentira no Mundo do Desejo é tanto assassina quanto suicida”. Os Ensinamentos Rosacruzes dos Irmãos Maiores, apresentados no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, explicam que, sempre que um acontecimento ocorre, um certo pensamento-forma é na Região Concreta do Mundo do Pensamento registra o incidente e, também, uma forma de desejos é criada no Mundo do Desejo. Cada vez que o evento é mencionado ou comentado, um novo pensamento-forma é criado e uma nova forma de desejos é criada no Mundo do Desejo, que se funde com a original e a fortalece, desde que ambas estejam em sintonia com a mesma vibração. Mas se uma inverdade for dita sobre o que acontece, então as vibrações da original e as da reprodução não são idênticas: elas se chocam e se destroem mutuamente. Se o desejo (e, consequentemente, o pensamento) bom e verdadeiro for suficientemente forte, ele vencerá e destruirá as formas de desejos (e, também, o pensamento-forma) baseadas na mentira, e o bem vencerá o mal; mas onde os desejos (e o correspondente pensamento-forma) mentirosos e maliciosos forem mais fortes, eles poderão vencer a forma de desejo (e o correspondente pensamento-forma) verdadeiro da ocorrência e, assim, destruí-lo. Depois, entrarão em conflito entre si, e todos serão aniquilados mutuamente. Todas as coisas, em última análise, cooperam para o bem.
Assim, uma pessoa que vive uma vida pura, esforçando-se para obedecer às Leis de Deus e buscando sinceramente a verdade e a retidão, criará pensamento-formas ao seu redor de natureza correspondente; sua Mente seguirá caminhos que harmonizam com a verdade; e quando chegar a hora, no Segundo Céu, de criar o Arquétipo para sua vida vindoura, ela prontamente, intuitivamente, por força do hábito da vida passada, se alinhará com as forças do direito e da verdade. Essas linhas, sendo incorporadas ao seu Corpo, criarão harmonia nos veículos vindouros, e a saúde será, portanto, sua porção normal na vida vindoura. Aqueles que, por outro lado, tiveram, na vida passada, uma visão distorcida das coisas, demonstraram desrespeito pela verdade e exerceram astúcia, extremo egoísmo e descaso pelo bem-estar dos outros, estão fadados, no Segundo Céu, a ver as coisas de maneira oblíqua também, porque essa é sua linha de pensamento habitual. Portanto, o Arquétipo construído por eles incorporará linhas de erro e falsidade; Consequentemente, quando o Corpo nasce, apresentará fraqueza em vários órgãos, senão em toda o organismo corporal.
Mais uma vez, alertamos os Estudantes para que não tirem conclusões precipitadas dessas regras provisórias. Não é nossa intenção insinuar que todos aqueles que possuem um Corpo aparentemente saudável tenham sido exemplos de virtude em suas vidas passadas, e que aqueles que sofrem de uma deficiência ou outra tenham sido um vagabundo ou um inútil. Nenhum de nós é capaz de dizer, no momento presente, “toda a verdade e nada além da verdade”. Somos enganados porque nossos sentidos são ilusórios. Uma rua longa parece se estreitar à distância, quando, na verdade, ela é tão larga a um quilômetro de distância quanto o local onde estamos. O Sol e a Lua parecem muito maiores quando próximos ao horizonte do que quando estão no zênite; mas, na verdade, sabemos que eles não aumentam de tamanho ao descerem em direção ao horizonte, nem diminuem ao ascenderem ao meio do céu. Assim, estamos constantemente levando em consideração e corrigindo ilusões sensoriais; da mesma forma, com tudo o mais no mundo. O que parece ser verdade nem sempre o é, e o que é verdade hoje em relação às condições de vida pode mudar amanhã. Portanto, é impossível para nós conhecermos a verdade última sob as condições evanescentes e ilusórias da existência física.
É somente quando entramos nos Mundos espirituais e, particularmente, na Região Concreta do Mundo do Pensamento, que as verdades eternas podem ser percebidas; portanto, devemos necessariamente cometer erros repetidamente, mesmo apesar de nossos esforços mais sinceros para sempre conhecer e dizer a verdade. Por essa razão, é impossível para nós construirmos um veículo completamente harmonioso. Se isso fosse possível, tal Corpo seria realmente imortal, e sabemos que a imortalidade “na carne” não é o desígnio de Deus. S. Paulo nos ensina que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”[1].
Mas sabemos que, ainda hoje, apenas uma pequena porcentagem está disposta a viver tão próxima da verdade quanto a compreende, a confessá-la e proclamá-la diante dos outros por meio do serviço e de uma vida justa e íntegra. Podemos apenas imaginar que tais pessoas deviam ser raras nos tempos antigos, quando o ser humano ainda não havia desenvolvido o altruísmo que chegou a este Planeta com o advento de nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus.
Os padrões de moralidade eram muito mais baixos naquela época, e o amor pela verdade quase insignificante na maior parte da Humanidade, que estava absorta em seus esforços para acumular o máximo de riqueza, poder ou prestígio possível. Portanto, eram naturalmente inclinados a desconsiderar os interesses alheios, e mentir não parecia de forma alguma repreensível, às vezes até mesmo meritório. Os Arquétipos eram constantemente repletos de fraquezas, e as funções orgânicas do Corpo hoje são seriamente afetadas como resultado disso, particularmente porque os Corpos das pessoas que nascem no lado ocidental desse Planeta, estão se tornando mais tensos e mais sensíveis à dor devido à crescente consciência do Espírito.
[1] N.T.: ICor 15:50
CAPÍTULO V – CAUSAS ESPECÍFICAS DE DOENÇAS
Insanidade[1]:
Do ponto de vista do ocultista, existem quatro espécies de insanidade. A insanidade sempre é causada pela ruptura da cadeia de veículos entre o Ego e o Corpo Denso. Essa ruptura pode ocorrer entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, entre o Corpo de Desejos e a Mente, ou entre a Mente e o Ego. A ruptura pode ser completa ou apenas parcial.
Quando a ruptura ocorre entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, temos o caso de deficiência intelectual. Quando a ruptura ocorre entre o Corpo de Desejos e a Mente, o Corpo de Desejos violento e impulsivo domina e temos o maníaco delirante. Quando a ruptura é entre o Ego e a Mente, a Mente domina os demais veículos e temos o maníaco astuto[2], que podem enganar as pessoas que, porventura, estão vigiando-o, fazendo-as acreditar que é completamente inofensivo até que tenham arquitetado algum plano diabólico e astuto. Então ele pode subitamente manifestar sua mentalidade perturbada e causar uma catástrofe terrível.
Há uma causa de insanidade que talvez seja bom explicar, pois às vezes é possível evitá-la. Quando o Ego regressa dos Mundos invisíveis para o novo renascimento, são-lhe mostrados diversos renascimentos disponíveis. O Ego contempla sua próxima vida em seus grandes e gerais eventos, como um filme passando diante de seus olhos. Então, geralmente, lhe é dado a escolha entre diferentes vidas. Nesse momento, o Ego percebe as lições que precisa aprender, o destino que criou para si em vidas passadas e qual parte desse destino terá que liquidar em cada um dos renascimentos oferecidos. Então, faz sua escolha e, em seguida, é guiado pelos agentes dos Anjos do Destino até o país e a família onde viverá sua próxima existência aqui.
Esta visão panorâmica lhe é contemplada no Terceiro Céu, onde o Ego se encontra despido dos seus Corpos e da Mente e se sente espiritualmente acima de todas as sórdidas considerações materiais. É muito mais sábio, então, do que aparenta ser na Terra, onde está “cegado pela carne”, em um grau inconcebível. Mais tarde, quando a concepção ocorre e o Ego penetra no útero materno, ou seja, por volta do décimo oitavo dia depois da concepção, ele entra em contato com o molde etérico do seu novo Corpo Denso, formado pelos Anjos do Destino, para conferir ao cérebro a formação que imprimirá no Ego as tendências necessárias para cumprir seu destino.
Ali, o Ego vê novamente as imagens de sua próxima vida, como a pessoa que se afoga percebe as imagens de sua vida passada em um relâmpago. Nesse momento, o Ego já está parcialmente cego para sua natureza espiritual, de maneira que, se sua próxima vida lhe parecer difícil, muitas vezes ele se retrairá, evitando entrar no útero e estabelecer as conexões cerebrais adequadas com o futuro Corpo. Ele pode tentar se retirar rapidamente e, então, em vez do Corpo Denso e do Corpo Vital ficarem concêntricos, a cabeça do Corpo Vital pode ser parcialmente projetada acima da cabeça do Corpo Denso. Nesse caso, as conexões entre os centros sensoriais do Corpo Vital e o Corpo Denso ficam desajustadas ou simplesmente não se estabelecem e o resultado é a deficiência intelectual, a epilepsia, a dança de São Vito[3] ou outros distúrbios nervosos semelhantes.
As relações inarmônicas entre os pais, que às vezes existem, é frequentemente a gota d’água que leva o Ego a sentir que não pode entrar em tal ambiente. Portanto, é fundamental enfatizar aos futuros pais que, durante o período gestacional, é da maior importância que tudo seja feito para manter a mãe em um estado de contentamento e harmonia. Pois é uma tarefa muito árdua para o Ego passar pelo útero; exige o máximo de suas sensibilidades, e condições inarmônicas no lar em que está entrando são, naturalmente, uma fonte adicional de desconforto, que pode resultar no terrível estado de coisas mencionado acima.
A Magia Negra, em suas formas menores, tais como o hipnotismo, geralmente é causa de idiotismo congênito em uma vida futura. O hipnotizador priva sua vítima do livre uso do Corpo e sob a Lei de Consequência se verá vinculado a algum Corpo com um cérebro mal conformado que impedirá sua devida expressão. Mas nem por isso devemos concluir que todos os casos de idiotismo congênito sejam devidos a essas más práticas por parte de Ego em uma vida passada, porque existem outras causas que também podem provocar o idiotismo congênito.
As drogas e os exercícios respiratórios tais como os que são praticados pelos estudantes do Oriente, têm um efeito terrivelmente destruidor sobre o Corpo, pelo que o seu emprego é absolutamente indesejável. São muitas as pessoas que atualmente se encontram no manicômio ou afetadas de tuberculose, devido aos exercícios respiratórios. Nada diremos dos efeitos das drogas, pois são bem conhecidos. Os átomos dos Corpos dos ocidentais foram altamente sensibilizados durante o transcurso da evolução e os exercícios que um Oriental pode empregar impunemente porque o seu Corpo carece dessa alta sensibilidade, provocariam uma catástrofe no Corpo de um Ocidental, causando uma desusada movimentação dos seus átomos, os quais dificilmente poderão retornar à sua condição normal.
[1] N.T.: O termo insanidade utilizado aqui se refere à condição mental caracterizada pela perda da capacidade de raciocínio lógico, falta de sensatez ou comportamentos considerados anormais.
[2] N.T.: Exemplos: Psicopata calculista, Maníaco calculista, Manipulador lunático, Louco ardiloso.
[3] N.T.: um nome histórico e popular para a Coreia de Sydenham, uma doença neurológica que causa movimentos involuntários, espasmódicos e descontrolados.
Mediunidade[1]:
Quando uma pessoa se torna médium para um Espírito desencarnado entrar em seu Corpo Denso, como no caso do “médium em transe”, em que um Espírito toma posse do seu Corpo Denso e o utiliza como o próprio dono faria, há pouco ou nenhum dano causado, desde que o Espírito controlador não abuse de seu privilégio. De fato, existem casos em que os Espírito controladores tem uma melhor noção de como cuidar de um Corpo Denso do que o próprio dono, podendo até melhorar a saúde desse Corpo. Mas Espíritos de natureza ética elevada, geralmente, não controlam um médium; são mais os Espíritos apegados à Terra e os de natureza inferior, como, por exemplo, alguns indígenas e outros de natureza semelhante, que obtém controle sobre as pessoas mediúnicas e, quando em posse do Corpo Denso, podem usá-lo para satisfazer suas paixões mesquinhas por bebidas alcoólicas ou sexuais. Assim causam perturbações ao organismo e deterioração do instrumento físico.
No caso do médium materializador, podemos dizer que a influência é sempre prejudicial. O Espírito materializador entra em transe com a vítima e então extrai o Éter do Corpo Vital através do baço, pois a diferença entre o médium materializador e a pessoa comum reside no fato de que a conexão entre o Corpo Vital e o Corpo Denso é extremamente frouxa, de modo que é possível extrair esse Corpo Vital em grande medida. O Corpo Vital é o veículo pelo qual as correntes solares que nos infundem vitalidade são especializadas. Privado do princípio vitalizante, o Corpo materializado, durante o processo de materialização, por vezes encolhe para quase metade do seu tamanho habitual; a carne se torna flácida e a centelha vital enfraquece consideravelmente. Quando a sessão termina e o Corpo Vital é reintegrado, o médium desperta e retorna a consciência normal. Ele então experimenta uma sensação de exaustão extrema e, por vezes, infelizmente, recorre à bebida alcoólica para reavivar as forças vitais. Nesse caso, naturalmente, a saúde logo se deteriora e o médium acaba em ruína física e mental. De qualquer modo, a mediunidade deve ser evitada, pois, além desse perigo para o Corpo Denso, existem outras considerações muito mais graves relacionadas aos Corpos sutis e, particularmente, com ao estado “post-mortem”.
[1] N.T.: Um dos tipos mais comuns e perigosos da prática de Clarividência Involuntária, também chamada de Clarividência negativa, onde quem pratica só pode ver e/ou ouvir o que se lhe apresenta e que, no melhor dos casos, pouco mais tem além da mera faculdade negativa. Eles são incapazes de obter informações reais dos Mundos invisíveis. No Corpo de Desejos de um Clarividente involuntário, os vórtices do Corpo de Desejos giram da direita para a esquerda, ou seja, na direção oposta à dos ponteiros de um relógio. É um indivíduo que possui uma frouxidão entre o Corpo Vital e o Corpo Denso. Tal indivíduo não escolhe ter acesso a tais Mundos, mas simplesmente por conta dessa frouxidão ele entra em contato com a Região Etérica do Mudo Físico, onde as formas e informações são nebulosas, eles não visualizam claramente. Podemos dizer: “vê quando não quer ver e quando vê não sabe o que tem que fazer”.
A obsessão é um estado em que um Espírito desencarnado toma posse permanente do Corpo Denso de alguém, após desalojar o seu legítimo proprietário. Contudo, às vezes, pessoas que adquiriram o hábito de tomar bebidas alcoólicas até se embriagar ou outro vício pior, tentam se justificar alegando estarem obsidiadas[1]. Sempre que alguém faz tal afirmação a respeito de si mesmo pode-se ter quase certeza de que não passa de uma desculpa; pois um ladrão que roubou algo aqui no Mundo material não sai por aí contando às pessoas sobre o seu roubo, nem uma entidade obsessora sai por aí proclamando o fato. É certo que tal entidade não se importa com o que se pensa da pessoa cujo Corpo ela roubou; portanto, não há razão para que ela revele o ocorrido e corra o risco de ser exorcizada.
Existe um meio infalível de saber se uma pessoa está realmente obsidiada: o diagnóstico do olho. “Os olhos são a janela da alma”[2] , e apenas o verdadeiro dono do Corpo Denso é capaz de contrair e dilatar a íris – ou a pupila – do olho; assim, se levarmos uma pessoa que afirma estar obsidiada (ou que suspeitamos que o esteja) a um ambiente escurecido, veremos que a pupila não se dilatará se ela estiver sob obsessão. A pupila tampouco se contrairá ao ser exposta à luz solar, nem se dilatará ao se pedir que a pessoa olhe um objeto distante, nem se contrairá ao se solicitar a leitura de letras miúdas. Em suma, a pupila não reage nem à luz, nem à distância quando a pessoa está obsidiada; contudo, existe também uma doença chamada ataxia locomotora[3], na qual a pupila responde à luz, mas reage à distância.
Ninguém que mantenha uma atitude mental positiva pode jamais sofrer uma obsessão, pois, enquanto afirmamos a nossa Individualidade, ela é forte o suficiente para afastar quaisquer influências externas. No entanto, em qualquer tipo de reunião ou encontro de pessoas em que os participantes adotam uma postura passiva – como por exemplo em “sessões espíritas” ou “sessões de espiritismo”, a prática de observar bolas de cristal e outros métodos de evocação de espíritos afins – existe sempre um grande perigo. A melhor maneira de evitar a obsessão é manter essa atitude positiva; qualquer pessoa com tendência à passividade deve evitar tais tipos de reuniões ou encontros. De qualquer modo, essa é uma prática condenável, pois aqueles que já partiram têm o seu próprio trabalho a realizar nos planos espirituais, e não devem ser trazidos de volta para cá.
No momento da morte, quando o Átomo-semente que se encontra na posição referencial do coração – que contém todas as experiências da vida passada em um quadro panorâmico –, se liberta, o Espírito[4] abandona o Corpo Denso, levando consigo os Corpos mais sutis. Ele então paira sobre o Corpo Denso – agora morto, como o denominamos – por um período que varia de algumas horas até três dias e meio. O fator determinante para a duração desse tempo é a fortaleza, o vigor, a robustez e energia do Corpo Vital, o veículo que constitui o Corpo-Alma mencionado na Bíblia. Ocorre, então, uma reprodução pictórica da vida – um panorama em ordem inversa, da morte ao nascimento –, e as imagens são gravadas no Corpo de Desejos por meio do Éter Refletor desse Corpo Vital. Durante esse período, a consciência do Espírito está concentrada no Corpo Vital (ou, pelo menos, deveria estar) e, portanto, não há qualquer sensação a esse respeito. A imagem impressa no veículo do sentimento e da emoção – o Corpo de Desejos – constitui a base para o sofrimento subsequente no Purgatório, decorrente das más ações, e para o desfrute no Primeiro Céu, resultante do bem praticado na vida passada.
Investigações mais recentes revelaram o fato adicional de que ocorre outro processo durante esses dias importantes que se seguem à morte. Ocorre uma separação no Corpo Vital, semelhante àquela produzida pelo processo de Iniciação. A parte desse veículo que pode ser denominada “alma” se une com os veículos superiores e constitui a base da consciência nos Mundos invisíveis, depois da morte. A parte inferior, que é descartada, retorna ao Corpo Denso e paira sobre o túmulo, na grande maioria dos casos, conforme afirmado no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz. Essa separação do Corpo Vital não ocorre da mesma maneira em todas as pessoas, mas depende da natureza da vida vivida e do caráter da pessoa que está partindo. Em casos extremos, essa divisão difere consideravelmente do padrão normal. Esse ponto importante foi evidenciado em muitos casos de suposta obsessão espiritual investigado em Mount Ecclesia; de fato, foram esses casos que levaram às descobertas abrangentes e surpreendentes, resultantes de nossas pesquisas mais recentes sobre a natureza da obsessão que afligia as pessoas que nos procuraram. Como seria de esperar, naturalmente, a divisão nesses casos revelava uma preponderância do mal; buscou-se, então, verificar se não haveria também outra categoria de pessoas nas quais ocorresse uma divisão diferente, com preponderância do bem. É um prazer registrar que isso foi constatado e, após ponderar e comparar os fatos descobertos, a descrição a seguir parece retratar corretamente as condições e as razões para tal fenômeno:
O Corpo Vital tem por objetivo reconstruir o Corpo Denso, enquanto nossos desejos e nossas emoções o desgastam. É o conflito entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que gera a consciência no Mundo Físico e que endurece os tecidos, fazendo com que o Corpo tenro da criança se torne gradualmente rígido e contraído na pessoa idosa, culminando na morte. A moralidade ou imoralidade de nossos desejos e nossas emoções atua de maneira semelhante no Corpo Vital. Quando a devoção a ideais elevados é o motor da ação, quando se permitiu que a natureza devocional se expressasse livre e frequentemente ao longo dos anos – e, particularmente, quando isso foi acompanhado pelos Exercícios Científicos de Retrospecção e Concentração –, quantidade de Éter Químico e de Éter de Vida diminui gradualmente à medida em que os apetites animais desaparecem, sendo substituída por uma quantidade crescente de Éter de Luz e Éter Refletor. Consequentemente, a saúde física dessas pessoas não é tão robusta entre as pessoas que seguem o caminho superior, quanto aquelas cuja entrega à natureza inferior atraem o Éter Químico e o Éter de Vida – na proporção da extensão e da natureza de seu vício –, em detrimento, parcial ou total, dos dois Éteres superiores.
Desse fato decorrem várias consequências muito importantes relacionadas à morte. Visto que é o Éter Químico que mantém as moléculas do Corpo únicas em seus lugares e as conserva ali durante a vida, quando resta apenas uma quantidade mínima desse material, a desintegração do veículo físico após a morte deve ser muito rápida. O autor não pôde verificar isso pessoalmente, pois é difícil encontrar pessoas de elevada inclinação espiritual que tenham falecidas recentemente; no entanto, tal conclusão parece correta à luz do relato bíblico de que o Corpo Denso de Cristo Jesus não foi encontrado no sepulcro quando as pessoas foram procurá-lo. Como já mencionamos anteriormente a esse respeito, Cristo espiritualizou o Corpo Denso de Jesus a tal ponto – tornando-o tão vibrante – que era quase impossível manter as partículas coesas durante Seu ministério. Como também já foi dito, uma vida mundana aumenta a proporção dos Éteres inferiores no Corpo Vital em relação aos Éteres superiores. Por outro lado, quando se leva uma vida considerada “pura” e se evita excessos, a saúde física é mais robusta do que a do Aspirante à vida superior; isso ocorre porque a atitude deste último perante a vida constrói um Corpo Vital composto principalmente dos Éteres superiores. Ele ama o “pão da vida”[5] mais do que o sustento físico e, por isso, seu instrumento físico se torna cada vez mais tenso, sensível e delicado; uma condição de sensibilidade que favorece grandemente os propósitos do Espírito, mas que representa uma dificuldade do ponto de vista físico.
Na maioria da Humanidade há tal preponderância de egoísmo e de desejo de tirar o máximo proveito da vida física – segundo sua própria visão – que as pessoas vivem ocupadas ou lutando pela sobrevivência, ou acumulando posses e cuidando de bens materiais; consequentemente, dispõem de pouquíssimo tempo ou disposição para empreender com o cultivo da alma, tão necessário ao verdadeiro sucesso na vida.
Por isso, é tão pouco o que perdura na vida da maioria, e a evolução é tão assustadoramente lenta, que – até que se seja capaz de contemplar o ato da morte a partir das Regiões superiores da Região Concreta do Mundo do Pensamento e, por assim dizer, olhar para baixo – não parece restar nada do Corpo Vital. Este Corpo parece retornar intacto ao Corpo Denso e pairar sobre a sepultura, desintegrando-se simultaneamente com ele. Na realidade, porém, uma parte crescente adere aos veículos superiores e os acompanha ao Mundo do Desejo, servindo de base para a consciência e para a vivência no Purgatório e no Primeiro Céu; essa parte geralmente persiste até que o ser humano entre no Segundo Céu e se una às Forças da Natureza ali existentes, em seus esforços para criar para si um novo ambiente. Nessa altura, ela já terá sido absorvida pelo Espírito – ou quase totalmente –, e qualquer resquício de natureza material que ainda reste desaparecerá rapidamente.
No entanto, existem pessoas de natureza tão maligna que se comprazem em uma vida gasta de vícios e práticas degeneradas – uma vida brutal – e que sentem prazer em infligir dor às pessoas. Às vezes, chegam a cultivar artes ocultas com fins maléficos, visando obter maior poder sobre suas vítimas. Consequentemente, suas práticas diabólicas e imorais resultam no endurecimento do Corpo Vital delas.
Em casos extremos nos quais a natureza animal predominou – onde não houve expressão da alma na vida terrena anterior –, a divisão do Corpo Vital mencionada anteriormente não pode ocorrer no momento da morte, pois não existe uma linha divisória. Se, nessas circunstâncias, o Corpo Vital retornasse ao Corpo Denso para ali se desintegrar gradualmente, as consequências de uma vida tão perversa não seriam tão abrangentes; infelizmente, porém, ocorre um entrelaçamento tão forte entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que impede a separação. Vimos que, quando um ser humano vive predominantemente segundo sua natureza superior, seus veículos espirituais são nutridos em detrimento dos veículos inferiores. Inversamente, quando sua consciência está centrada nos seus veículos inferiores, estes se fortalecem imensamente. É preciso compreender que a vida do Corpo de Desejos não se encerra com a partida do Espírito; ele conserva uma vida e uma consciência residuais. O Corpo Vital também é capaz de perceber sensações, ainda que de forma tênue, durante alguns dias após a morte em casos comuns (e daí o sofrimento causado pelos embalsamentos, autópsias, etc. que se fazem logo após o falecimento da pessoa), contudo, quando uma vida de baixo teor moral o endureceu e lhe conferiu grande vigor, ele mantém uma tenaz ligação com a vida e a capacidade de se nutrir de odores de alimentos e bebidas alcoólicas. Por vezes, como um parasita, chega a vampirizar as pessoas com quem entra em contato.
Assim, um ser humano perverso pode viver por muitos e muitos anos, despercebido em nosso próprio meio e, no entanto, tão próximo a ponto de estar mais perto de nós do que as nossas mãos e os nossos pés. Ele é muito mais perigoso do que o criminoso comum, pois é capaz de incitar outros de índole semelhante a práticas criminosas ou degeneradas, sem receio de ser descoberto ou punido pela lei.
Tais seres são, portanto, uma das maiores ameaças imagináveis à sociedade. Eles enviaram inúmeras vítimas para as prisões; destruíram lares e causaram uma quantidade inacreditável de infelicidades. Eles sempre abandonam suas vítimas quando estas caem nas garras da lei. Deleitam-se com o profundo sofrimento e a grande angústia de suas vítimas, sendo isso parte de seu plano diabólico. É surpreendente, ao pesquisar a Memória da Natureza do passado, constatar quão prevalecente eram essas condições de entrelaçamento entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos em séculos e até nos milênios anteriores. Compreendemos, naturalmente – de maneira um tanto abstrata –, que quanto mais retrocedemos na história da Humanidade, mais selvagens encontramos o ser humano; contudo, o fato de que em nossa própria era histórica tal selvageria fosse tão comum e brutal, e de que a força fosse a medida absoluta e incontestável do direito, constituiu, no mínimo, um grande choque para o autor. Ensina-se que o egoísmo e o desejo foram deliberadamente estimulados sob o regime de Jeová para incentivar a ação. Com o passar do tempo, isso endureceu de tal maneira o Corpo de Desejos que, quando ocorreu o advento de Cristo, quase não havia vida celestial entre as pessoas que viviam naquela época.
Os Espíritos apegados à Terra, como mencionados anteriormente, gravitam em direção às Regiões inferiores do Mundo do Desejo – que interpenetra o Éter – e mantém contato constante e estreito com as pessoas na Terra que estão em condições mais favoráveis para auxiliá-los em seus propósitos malignos. Geralmente, eles permanecem nessa condição de ligação com a Terra por cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos, mas foram encontrados casos extremos em que tais indivíduos permaneceram assim por séculos.
Quando o Espírito deixa o Corpo de Pecado – como chamamos a esse Corpo, em contraste com o Corpo-Alma – para ascender ao Segundo Céu, ele não se desintegra tão rapidamente quanto ao invólucro comum deixado para trás pelas pessoas comuns; isso ocorre porque a consciência nele contida é intensificada por sua composição dual: sendo constituído tanto por um Corpo Vital quanto por um Corpo de Desejos, ele possui uma consciência individual ou pessoal notável. Embora incapaz de raciocinar, manifesta uma astúcia primitiva que cria a ilusão de possuir uma presença espiritual, como um Ego, permitindo-lhe levar uma existência separada por muitos séculos. Enquanto isso, o Espírito que partiu ingressa no Segundo Céu; contudo, como não realizou na Terra nenhum trabalho que gerasse o desejo ou o merecimento de uma permanência prolongada ali ou no Terceiro Céu, ele permanece apenas o tempo suficiente para criar um novo ambiente para si mesmo, renascendo então muito mais cedo do que o habitual – impelido a satisfazer os seus anseios por coisas materiais que o atraem tão fortemente.
Quando o Espírito retorna à Terra, esse Corpo de Pecado é naturalmente atraído por ele e, geralmente, permanece ao seu lado durante toda a vida na condição de um demônio. Investigações comprovaram que essa classe de criaturas desprovidas de alma era muito comum nos tempos bíblicos; foi a elas que o nosso Salvador se referiu como demônios, sendo elas as causas de diversas obsessões e enfermidades físicas, conforme registrados na Bíblia.
Além das entidades já mencionadas – que habitam um Corpo de Pecado criado por elas mesmas e, assim, sofrem inteiramente as consequências de seus próprios atos durante o período de expiação –, foram identificadas duas outras classes, semelhantes em certos aspectos, porém diferentes em outros. Além das Hierarquias Divinas e das quatro Ondas de Vida de Espíritos, que atualmente evoluem no Mundo Físico por meio dos Reinos mineral, vegetal, animal e humano, existem também outras Ondas de Vida que se manifestam nos diversos Mundos invisíveis. Entre elas, há certas classes de Espíritos sub-humanos, chamados elementais. Ocorre, por vezes, de um desses elementais tomar posse do Corpo de Pecado de algum ser humano pertencente, por exemplo, a uma tribo selvagem, conferindo-lhe, assim, uma inteligência adicional. Quando o Espírito que gerou esse Corpo de Pecado renasce, a atração natural os reúne; contudo, devido à presença do elemental que anima o Corpo de Pecado, esse Espírito se diferencia dos demais membros; torna-se muito diferente dos demais membros da tribo, passando a atuar como curandeiro ou em função semelhante. Os Espíritos elementais, ao animarem os Corpos de Pecado desses tipos de seres humanos, também atuam sobre pessoas que participam de reuniões ou sessões onde se põem em condição passiva, como por exemplo, os médiuns, como espíritos controladores; tendo obtido domínio sobre tais pessoas durante a vida, quando essas morrem, tais espíritos controladores elementais as expulsam dos veículos que contém a experiência delas. Dessa forma, a evolução, por exemplo do médium pode sofrer um atraso de eras, pois não existe poder capaz de obrigar esses Espíritos a abrir mão do controle, uma vez que o tenham assumido sobre tal Corpo. Portanto, embora a mediunidade possa não produzir maus efeitos aparentemente nocivos durante uma vida, existe um perigo extremamente grave, após a morte, para a pessoa que permite que outro ser tome posse de seu Corpo.
[1] N.T.: Forma mais tradicional e etimológica, vinda do latim obsidere.
[2] N.T.: Essa frase é uma expressão popular atribuída ao polímata renascentista Leonardo da Vinci.
[3] N.T.: Hoje, a Ciência já descobriu que a ataxia locomotora (perda de coordenação motora/equilíbrio) e pupilas que não reagem à luz direta, mas se contraem ao focar em objetos próximos (conhecida como dissociação luz-perto) — formam um quadro altamente sugestivo do Sinal de Argyll Robertson. Ou seja, há uma perda do reflexo fotomotor, onde a pupila não diminui de tamanho quando um feixe de luz é direcionado diretamente aos olhos. Mas, há a manutenção do reflexo de acomodação, ou seja, a pupila se contrai adequadamente quando a pessoa muda o foco visual para um objeto próximo.
[4] N.T.: Aqui se refere ao que realmente somos: o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida manifestado aqui nesse Esquema de Evolução.
[5] N.T.: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome; quem crê em mim nunca mais terá sede.” (Jo 3:35)
A Histeria, Epilepsia, Tuberculose e o Câncer
Constatou-se que a histeria, a epilepsia, a tuberculose e o câncer resultam de tendências erráticas de uma vida passada. Observou-se que, embora muitos dos indivíduos tivessem sido — nas vidas passadas investigadas — quase maníacos na satisfação de sua lascívia, possuíam, ao mesmo tempo, uma natureza profundamente devota e religiosa. Nesses casos parece que o Corpo Denso gerado na vida atual parecia ser normalmente saudável, sendo a incapacidade de natureza puramente mental; por outro lado, quando a entrega à natureza passional vinha acompanhada de um caráter vil e de um cruel descaso pelo próximo, o resultado manifestado era a epilepsia[1], juntamente com o raquitismo[2], a histeria[3] e a deformidade corporal[4]. Frequentemente, surgia o câncer[5], especialmente no fígado ou nas mamas.
A esse respeito, contudo, desejamos alertar novamente os Estudantes Rosacruzes para que não tirem conclusões precipitadas, como se essas fossem regras rígidas e imutáveis. O número de investigações realizadas — embora muito grande e representando uma tarefa árdua para um único pesquisador — é insuficiente para ser realmente conclusivo em questões que envolvem milhões de seres humanos. Elas estão, no entanto, em consonância com os ensinamentos que encontramos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz transmitidos pelos Irmãos Maiores sobre os efeitos do materialismo no surgimento do raquitismo (o amolecimento de uma parte do Corpo Denso que deveria ser rígida) e da tuberculose[6] (que endurece tecidos do Corpo Denso que deveriam ser macios e flexíveis). O câncer produz um efeito essencialmente semelhante; e quando consideramos que o Signo de Câncer é regido pela Lua — o luminar da geração — e que a esfera lunar está sob a influência de Jeová (o Deus da geração, cujos Anjos anunciam e presidem o nascimento, como exemplificado nos casos de Isaac, Samuel, João Batista e Jesus), percebemos facilmente que o abuso da função sexual criadora pode causar tanto o câncer quanto a insanidade, nas suas formas mais variadas.
[1] N.T.: é um distúrbio neurológico crônico caracterizado por crises recorrentes, provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Os sintomas variam de lapsos de atenção a convulsões intensas.
[2] N.T.: é o amolecimento e enfraquecimento dos ossos. Isso leva a sintomas como atraso no crescimento, fraqueza muscular e deformidades ósseas, como pernas arqueadas.
[3] N.T.: condição psicopatológica marcada por explosões emocionais intensas, perda de autocontrole e sintomas físicos sem causa médica aparente (como paralisias ou cegueiras).
[4] N.T.: alterações físicas reais (congênitas ou adquiridas) ou ao Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), uma condição psiquiátrica em que a pessoa enxerga defeitos mínimos ou imaginários na própria aparência, causando sofrimento intenso, isolamento e busca obsessiva por procedimentos.
[5] N.T.: doença é caracterizada pelo crescimento desordenado de células anormais que podem invadir tecidos e se espalhar pelo corpo.
[6] N.T.: doença infecciosa e transmissível. Ela afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos, como ossos, rins e meninges.
Comprometimento da Visão
Quanto à falta da visão ou às deficiências visuais, sabe-se há muito tempo, entre os pesquisadores, que isso é consequência de extrema crueldade em vidas passadas.
Investigações recentes trouxeram a informação adicional de que grande parte dos problemas oculares atualmente prevalecentes entre as pessoas se deve ao fato de que nossos olhos estão mudando; eles estão, de fato, se tornando receptivos a uma oitava de visão mais elevada do que anteriormente, pois o Éter que envolve a Terra está se tornando mais denso e o ar mais rarefeito. Isto é particularmente verdadeiro em certas partes do mundo, como no sul da Califórnia, entre outras. É digno de nota, nesse contexto, que a Aurora Boreal[1] está se tornando mais frequente e mais poderosa em seus efeitos sobre a Terra. Nos primeiros anos da Era Cristã[2], esse fenômeno era quase desconhecido; porém, com o decorrer do tempo conforme a onda Crística, que penetra na Terra durante parte do ano, infunde cada vez mais a Sua própria vida ao globo terrestre inerte, e os Raios Vitais Etéricos se tornam visíveis em determinados intervalos. Mais tarde, eles se tornaram cada vez mais numerosos e agora começam a interferir nas atividades elétricas, particularmente, na telegrafia, cujos serviços ficam, por vezes, completamente prejudicados por causa dessas faixas radiantes.
Vale ressaltar também que as perturbações se restringem aos fios que correm de leste para oeste. As radiações ou linhas de força dos Espíritos-Grupo das plantas irradiam em todas as direções, do centro da Terra à periferia e daí para o exterior, passando pelas raízes das plantas e das árvores, subindo por elas até suas copas.
As correntes dos Espíritos-Grupo dos animais, por outro lado, circundam a Terra. As correntes comparativamente fracas e invisíveis geradas pelos Espíritos-Grupo das plantas e os raios de força extremamente poderosos gerados pelo Espírito de Cristo, que agora se tornam visíveis como Aurora Boreal, têm sido, até o momento, de natureza semelhante à da eletricidade estática; já as correntes geradas pelos Espíritos-Grupo dos animais, que circundam a Terra, podem ser comparadas à eletricidade dinâmica, que conferiu à Terra seu poder de movimento em épocas passadas. Agora, porém, as correntes de Cristo estão se tornando cada vez mais vigorosas, e sua eletricidade estática está sendo liberada. O impulso etérico que elas proporcionam inaugurará uma nova Era, e os órgãos sensoriais que a Humanidade possui atualmente deverão se adaptar a essa mudança. Em vez dos raios etéricos que emanam de um objeto trazerem uma imagem refletida para a retina dos nossos olhos, o chamado “ponto cego” será sensibilizado; assim, olharemos através do olho e veremos diretamente o próprio objeto, em vez da imagem projetada em nossa retina. Então, não veremos apenas a superfície do objeto observado, mas seremos capazes de ver também através delas, como fazem agora aqueles que desenvolveram a visão etérica.
Com o decorrer do tempo, à medida que Cristo, por meio de Sua atuação benéfica, atrai cada vez mais Éter interplanetário para a Terra, tornando o Corpo Vital dela mais luminoso, caminharemos em um mar de lua; e, quando aprendermos a abandonar nossos caminhos de egoísmo e egocentrismo por meio do contato constante com essas vibrações benéficas de Cristo, nós também nos tornaremos luminosos. Nesse estágio, o olho, tal como está constituído atualmente, não nos servirá mais; por isso, ele já começa a mudar, e estamos vivenciando o desconforto inerente a todo processo de reconstrução.
[1] N.T.: A aurora boreal é um fenômeno luminoso que ocorre no céu noturno próximo ao Ártico (Polo Norte). Exibe padrões dinâmicos de luzes brilhantes que aparecem como cortinas, raios, espirais ou cintilações que cobrem todo o céu.
[2] N.T.: A Era Cristã (ou Era Comum) é o sistema de datação que divide a história a partir do suposto nascimento de Jesus Cristo. Os anos são contados em ordem crescente com a sigla d.C. (depois de Cristo). O período anterior é contado em ordem decrescente como a.C. (antes de Cristo).
Neurose de Guerra ou Trauma de Guerra (Transtorno de Estresse Pós-traumático)
Descobriu-se, ao examinar várias pessoas com saúde normal, que cada um dos átomos prismáticos que compõem os Éteres inferiores irradiava de si mesmo as linhas de força que punham em rotação o átomo físico no qual estava inserido, conferindo vitalidade a todo o Corpo Denso. A tendência conjunta de todas essas unidades de força é em direção à periferia do Corpo Denso, onde constituem o que foi chamado de “Fluido Ódico”[1], também designado por outros nomes. Quando a pressão atmosférica exterior diminui devido à permanência em grandes altitudes, manifesta-se uma tendência ao nervosismo, pois a força etérica interna precipita-se para fora sem controle e, se o indivíduo não fosse capaz de interromper parcialmente esse fluxo de energia solar mediante um esforço de vontade para superar a dificuldade, ninguém poderia viver em tal lugar.
Ouvimos falar do Neurose de Guerra ou Trauma de Guerrae sabemos que muitas pessoas, sem apresentar sequer o menor ferimento, foram encontradas até mortas no campo de batalha. De fato, vimos e conversamos com pessoas que haviam perdido os sentidos dessa maneira, mas não sabiam explicar por que isso resultara em morte. Todas negavam ter sentido medo e afirmavam unanimemente que haviam perdido a consciência de repente e, um momento depois, encontrado em sua condição atual.
Diferenciavam-se de seus companheiros pelo fato de não apresentarem um único arranhão no Corpo. Nossa ideia preconcebida — de que teria sido um medo momentâneo diante de um perigo iminente que, embora não percebido conscientemente, causara o óbito — impediu uma investigação completa; contudo, os resultados observados das consequências de uma queda nos levaram a acreditar que algo semelhante poderia ocorrer nesse caso; essa suposição estava correta.
Certa noite, algum tempo atrás, enquanto viajava para um local em um país distante onde eu tinha uma missão a cumprir, ouvi um grito. Embora a voz humana só possa ser ouvida no ar, existem harmônicos que são percebidos nos reinos espirituais a distâncias superiores às percorridas por mensagens sem fio. O grito, porém, vinha de perto, e cheguei ao local num instante, mas não a tempo de prestar a ajuda necessária. Encontrei um homem deslizando por um barranco inclinado e desprovido de vegetação — com cerca de três metros e meio de largura e que, como se constatou posteriormente, era quase liso, sem qualquer fenda onde ele pudesse apoiar os dedos. Salvá-lo teria exigido a materialização de ambas as mãos e ombros, mas não havia tempo. Em um instante, ele havia deslizado pela borda do precipício saliente e estava caindo em direção ao fundo do cânion — uma queda de, provavelmente, uns 300 metros.
Impelido por um sentimento natural de solidariedade, segui-o e, durante o trajeto, observei o fenômeno que constitui a base deste artigo: quando o Corpo Denso atingiu uma velocidade considerável, os Éteres que compõem o Corpo Vital começaram a escapar; assim, quando o Corpo Denso se chocou contra as rochas lá embaixo, transformando-se em uma massa dilacerada, restava nele pouquíssimo Éter — se é que restava algum. Gradualmente, porém, os Éteres se reuniram, tomaram forma e pairaram, juntamente com os veículos mais sutis, sobre o cadáver mutilado; contudo, o homem se encontrava em estado de torpor, incapaz de perceber ou compreender sua nova condição.
Assim que vi que não havia mais como ajudá-lo, segui meu caminho; mas, ao refletir sobre o ocorrido, percebi que algo incomum havia acontecido e que era meu dever descobrir se os Éteres se desprendiam dessa maneira em todas as pessoas que sofriam quedas e, em caso afirmativo, porque isso ocorria. Em tempos passados, isso teria sido difícil de verificar, mas o advento das máquinas voadoras tem feito muitas vítimas. Foi, portanto, fácil constatar que, quando um Corpo Denso em queda atinge certa velocidade, os Éteres superiores se desprendem desse Corpo Denso, e a pessoa que cai perde a consciência. Ao atingir o solo, o Corpo Denso fica dilacerado, mas a vítima pode recuperar a consciência assim que o Éter se reorganiza. Ela então começa a sofrer as consequências físicas da queda. Se a queda prossegue após a saída dos Éteres superiores, o aumento da velocidade desloca os Éteres inferiores, restando apenas o Cordão Prateado ligado ao Corpo. Esse Cordão Prateado se rompe no momento do impacto com o solo, e o Átomo-semente segue para o ponto de ruptura, onde permanece retido da maneira habitual.
Com base nesses fatos, chegamos à conclusão de que é a pressão atmosférica normal que mantém o Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Quando nos deslocamos a uma velocidade anormal, a pressão é removida de algumas partes do Corpo e se forma um vácuo parcial, fazendo com que os Éteres deixem o Corpo Denso e fluam para esse vácuo. Os dois Éteres superiores, que estão mais frouxamente ligados, são os primeiros a se desprender e deixar a pessoa inconsciente, após terem projetado o Panorama da Vida num relance. Então, se a queda continua a aumentar a pressão do ar à frente do Corpo Denso e o vácuo atrás, os Éteres inferiores — mais firmemente ligados — também são forçados a sair, e o Corpo Denso já está morto antes de atingir o solo.
Quando um projétil de grande porte atravessa o ar, ele cria um vácuo atrás de si devido à enorme velocidade com que se desloca; se uma pessoa estiver dentro dessa zona de vácuo durante a passagem do projétil, ela sofrerá efeitos cuja intensidade dependerá de sua própria natureza e de sua proximidade com o centro de sucção. Sua situação é, na verdade, o inverso daquela de uma pessoa em queda livre: ela permanece imóvel enquanto um corpo em movimento remove a pressão atmosférica e permite que os Éteres se desprendam. Se a quantidade de Éter deslocada for comparativamente pequena — composta apenas pelo terceiro e quarto Éteres, que regem a percepção sensorial e a memória —, a pessoa provavelmente sofrerá apenas uma perda temporária de memória e a incapacidade de sentir ou de se mover. Essa incapacidade desaparecerá quando os Éteres extraídos forem novamente reintegrados ao Corpo Denso — um processo muito mais difícil do que aquele que ocorre quando o Corpo Denso sucumbe e a reorganização ocorre sem a participação desse veículo.
[1] N.T.: Ou força ódica, é uma energia vital universal proposta no século XIX. O barão Karl Ludwig von Reichenbach deu o nome de “Od” a essa suposta força, inspirado na palavra sânscrita que significaria “o que penetra tudo”. É associado a fenômenos do magnetismo animal e ao fluido vital espiritual. Manifesta-se em radiações luminosas visíveis a pessoas sensitivas.
Esclerose ou Endurecimento das Artérias
Nossos Corpos vão se enrijecendo gradualmente, desde a infância até a velhice, devido às substâncias calcárias existentes na maioria dos alimentos com os quais habitualmente nos nutrimos. Essa matéria calcária se deposita principalmente nas paredes das artérias e veias, causando o que a medicina denomina arteriosclerose ou endurecimento das artérias. As artérias de uma criança pequena são extremamente macias e elásticas, como um tubo de borracha; porém, à medida que avançamos pela infância e juventude em direção à velhice, as paredes das artérias se tornam mais rígidas em consequência dos depósitos calcários deixados pelo sangue em circulação. Com o tempo, podem se tornar tão rígidas e inelásticas quanto um cano. As artérias se tornam então quebradiças e podem se romper, causando hemorragia e até a morte. Por isso, diz-se com razão que uma pessoa é tão velha quanto suas artérias. Se conseguirmos limpar as artérias e os capilares dessa matéria terrosa, poderemos prolongar gradualmente a vida e a utilidade do nosso Corpo.
Do ponto de vista ocultista, naturalmente, pouco importa se vivemos ou morremos, pois para nós a morte não implica no aniquilamento, mas apenas a transferência da consciência para outras esferas. No entanto, quando conduzimos um veículo através dos anos improdutivos da infância e superamos os anos impetuosos da juventude, chegando à idade da maturidade – momento em que realmente começamos a adquirir experiência –, quanto mais prolongarmos esse tempo de vivência, mais poderemos aprender. Por esta razão, prolongar a vida do Corpo tem o seu valor.
Para alcançar esse resultado, devemos primeiramente selecionar alimentos que contenham a menor quantidade possível das substâncias calcárias responsáveis pelo endurecimento das artérias e dos capilares. Tais alimentos são, essencialmente, as hortaliças verdes e todas as frutas. Em seguida, é importante tentar eliminar a matéria calcária já absorvida — se isso for possível —, embora a ciência ainda não tenha descoberto nenhum alimento ou medicamento capaz de produzir tal efeito com certeza. Banhos elétricos[1] têm se mostrado extremamente benéficos, porém não totalmente satisfatórios. O leitelho[2] é o melhor agente para eliminar essa substância terrosa, seguido pelo suco de uva. Se consumidas continuamente e em quantidades generosas, essas substâncias podem melhorar consideravelmente a condição de endurecimento das artérias.
[1] N.T.: O banho elétrico era um tratamento médico do século XIX no qual se utilizavam aparelhos de alta tensão para eletrizar pacientes, fazendo com que uma carga elétrica se acumulasse em seus corpos. Nos Estados Unidos, esse processo ficou conhecido como “franklinização”, em homenagem a Benjamin Franklin. O método tornou-se amplamente conhecido depois que Franklin o descreveu em meados do século XVIII. O tratamento com banho elétrico era indolor, mas fazia com que o paciente se aquecesse e suasse, além de provocar um aumento na frequência cardíaca. Também fazia com que os pelos se arrepiassem. O banho elétrico podia constituir um tratamento por si só, ou servir como a primeira etapa de um tratamento mais amplo. Um procedimento comum consistia em extrair faíscas do paciente após a carga elétrica, especialmente da coluna vertebral. A intenção era, muitas vezes, gerar uma “brisa estática” — um vento de ar ionizado sobre a pele. Alternativamente, o objetivo podia ser inalar o ar ionizado como uma forma de ozonioterapia.
[2] N.T.: Também chamado de leite de manteiga ou buttermilk é um líquido levemente ácido que sobra do batimento da nata para fazer manteiga ou que é preparado pela fermentação do leite.
CAPÍTULO VI – HEREDITARIEDADE E A DOENÇA OU ENFERMIDADE
Infelizmente, as pessoas parecem atribuir seus traços negativos à hereditariedade, culpando os pais por suas falhas, ao mesmo tempo em que se creditam todo o mérito pelo que têm de bom. O próprio fato de distinguirmos entre o que é herdado e o que é intrinsecamente nosso demonstra que a natureza humana possui duas vertentes: a vertente da Forma e a vertente da Vida.
Somos atraídos por certas pessoas em virtude das leis de causalidade e de associação. A mesma lei que leva músicos a buscarem a companhia uns dos outros em salas de concerto, jogadores a se reunirem em hipódromos ou salões de bilhar, e pessoas de índole estudiosa a frequentarem bibliotecas, é a que faz com que indivíduos de tendências, características e gostos semelhantes nasçam na mesma família. Quando ouvimos alguém dizer: “Ah, sim, sei que sou extravagante, mas não consigo evitar; é algo de família”, trata-se da Lei de Associação em ação; e quanto mais cedo reconhecermos que — em vez de usar a hereditariedade como desculpa para nossos maus hábitos — devemos procurar superá-los e cultivar virtudes, tanto melhor será para nós.
O ser humano é essencialmente Espírito e chega a este mundo dotado de uma natureza mental e moral que lhe pertence exclusivamente, recebendo de seus pais apenas a matéria necessária para a constituição do Corpo Denso. Assim, embora a hereditariedade seja verdadeira, em primeiro lugar, apenas no que diz respeito à matéria do Corpo Denso e não às qualidades da alma, que são inteiramente individuais, o Ego que chega também realiza um certo trabalho sobre seu Corpo Denso, incorporando nele a quintessência de suas qualidades físicas passadas. Nenhum Corpo Denso é uma mistura exata das qualidades de seus pais, embora o Ego esteja restrito ao uso dos materiais retirados dos Corpos Densos do pai e da mãe. Portanto, um músico aprende onde pode obter o material para construir a mão esbelta e a orelha delicada, com suas Fibras de Corti[1] sensíveis e seu ajuste preciso dos três canais semicirculares[2]. A organização desses materiais, no entanto, está, na medida mencionada, sob o controle do Ego.
No feto, na parte inferior da garganta, logo acima do esterno ou osso do peito, existe uma Glândula chamada Timo, que atinge seu maior tamanho durante o período de gestação e que atrofia gradualmente à medida que a criança cresce, desaparecendo completamente por volta dos quatorze anos, muitas vezes quando os ossos já estão completamente formados. A Ciência tem se intrigado bastante com a função dessa glândula, e poucas teorias foram propostas para explicá-la. Entre essas teorias, uma delas é a de que ela fornece o material para a produção dos glóbulos vermelhos até que os ossos da criança estejam devidamente formados, para que ela possa produzir seus próprios glóbulos vermelhos. Essa teoria está correta.
Nos primeiros anos, o Ego que habita o Corpo infantil não detém o pleno domínio, e reconhecemos que a criança não é responsável por seus atos — pelo menos não antes dos sete anos, limite que posteriormente foi estendido até os quatorze anos. Durante esse período, não recai sobre a criança qualquer responsabilidade legal por suas ações; e isso é correto, pois o Ego, residindo no sangue, só pode funcionar adequadamente em um sangue produzido por si mesmo. Assim, quando — como ocorre no Corpo infantil — o suprimento sanguíneo é fornecido pelos pais por meio da Glândula Timo, a criança ainda não é senhora de si mesma. É por isso que, nos primeiros anos, as crianças não se referem a si mesmas tanto como “Eu”, mas se identificam com a família; são a “menina do papai” ou o “menino da mamãe”. A criança pequena dirá “Maria quer isto” ou “João quer aquilo”, mas, assim que atingem a puberdade e começam a produzir seus próprios glóbulos sanguíneos, ouvimos o menino ou a menina dizer: “’Eu’ farei isto” ou “’Eu’ farei aquilo”. A partir desse momento, começam a afirmar sua própria identidade e a se desvincular da família.
Visto que o sangue — assim como o Corpo Denso — é herdado dos pais ao longo da infância, as tendências a doenças também são transmitidas; não a doença em si, mas a tendência. Após os quatorze anos, quando o Ego residente já começou a produzir seus próprios glóbulos sanguíneos, depende em grande parte do próprio indivíduo se essas tendências se manifestarão ou não como realidades concretas em sua vida.
[1] N.T.: As fibras do órgão de Corti (ou fibras basilares) ficam na cóclea, dentro do ouvido interno. Elas formam a base estrutural que suporta as células ciliadas responsáveis por transformar vibrações de som em sinais elétricos para o cérebro. O órgão foi nomeado em homenagem ao anatomista italiano Marquês Alfonso Giacomo Gaspare Corti (1822–1876), que conduziu a pesquisa microscópica do sistema auditivo dos mamíferos e o descobriu em 1850.
[2] N.T.: Os canais semicirculares são três tubos ocos localizados no ouvido interno que formam parte do sistema vestibular. Eles detectam os movimentos de rotação e a aceleração angular da cabeça, enviando sinais ao cérebro para manter o equilíbrio e a postura do Corpo Denso.
CAPÍTULO VII – EFEITOS DAS BEBIDAS ALCOÓLICAS E DO USO DO TABACO
A carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) e as bebidas alcoólicas têm a tendência de tornar o ser humano feroz e de desviar sua visão espiritual dos Mundos superiores, concentrando-o no atual plano material. Por isso a Bíblia nos ensina que no princípio da era do arco-íris[1] – o momento em que começamos a viver em uma atmosfera de ar puro e límpido, tão diferente da atmosfera nebulosa da Atlântida de que se fala no segundo Capítulo do Gênesis – Noé produziu o vinho pela primeira vez. O desenvolvimento material ocorreu em consequência da atual concentração de nossas energias no mundo material, resultado do consumo de carne animal e das bebidas alcoólicas.
O primeiro milagre de Cristo foi converter a água em vinho. Ele havia recebido o Espírito Universal no Batismo e não necessitava de estimulantes artificiais. Cristo transformou a água em vinho para dá-lo às pessoas menos evoluídas que o rodeavam. Mas nenhuma pessoa, enquanto beber quaisquer bebidas alcoólicas poderá herdar o Reino de Deus. A razão esotérica é a seguinte: enquanto os éteres inferiores vibram em sintonia com os Átomos-sementes no Plexo Celíaco[2] e no Coração — mantendo assim vivo o Corpo Denso —, os Éteres superiores vibram em sintonia com a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal. Ao ingerir esse espírito falso e rebelde — fermentado fora do Corpo Denso e diferente do espírito fermentado internamente a partir do açúcar —, esses órgãos ficam temporariamente entorpecidos e incapazes de vibrar na frequência dos Mundos superiores; assim, devido a abusos seculares, o ser humano deixou de atuar nos Mundos superiores. Devido ao abuso cometido durante séculos, o ser humano deixou de atuar nos Mundos superiores. Se ele consome bebida alcoólica em excesso, os órgãos mencionados podem ser levemente despertados, fazendo com que ele veja as Regiões inferiores do Mundo do Desejo e todas as coisas malignas ali existentes; isso ocorre na doença conhecida como delirium tremens[3]. É isso que ocorre no chamado “delirium tremens”. Em suma, visto que a evolução da alma depende da aquisição dos dois Éteres superiores — dos quais se tece a bela veste nupcial — e como esses Éteres estão em sintonia com os órgãos mencionados (da mesma forma que os Éteres inferiores estão sintonizados com o Átomo-semente no Coração[4] e o Átomo-semente no Plexo Celíaco[5]), compreenderá facilmente os efeitos letais da bebida alcoólica e das drogas para o ser humano espiritualizado. Para esclarecer melhor, cito um episódio da vida real.
Há um velho ditado: “Uma vez maçom, sempre maçom”. Isso significa que, quando alguém recebe a iniciação da Ordem Maçônica e, em virtude disso, torna-se maçom, não pode renunciar a sua condição; pois não pode abrir mão do conhecimento e dos segredos que adquiriu, assim como alguém que frequenta uma universidade não pode devolver o aprendizado recebido naquela instituição. Portanto, “uma vez maçom, sempre maçom”; e da mesma forma, uma vez aluno ou Irmão Leigo ou Irmã Leiga de uma Escola de Mistérios, sempre aluno e ou Irmão Leigo ou Irmã Leiga dessa mesma Escola. Contudo, embora isso seja verdade — e retornemos, vida após vida, ligados à mesma Ordem a que estivemos filiados em existências anteriores —, podemos, em uma determinada vida, nos conduzir de tal maneira que nos seja impossível tomar consciência disso em nosso cérebro físico. Assim, conforme mencionei, citarei para o benefício de todos os Estudantes Rosacruzes um caso muito pertinente.
Quando fui admitido no Templo da Ordem Rosacruz, na Alemanha, me surpreendi ao ver um homem que eu conhecera na Costa do Oceano Pacífico; isto é, eu o vira algumas vezes, mas nunca havíamos conversado. Naquela época, ele parecia ocupar uma posição social muito superior à minha no meio em que ambos circulávamos, e eu jamais tivera contato pessoal com ele. No entanto, ele me cumprimentou calorosamente ali e parecia compreender perfeitamente sua ligação com a referida sociedade, o significado do nosso encontro naquele local, e assim por diante. Por isso, ao retornar aos Estados Unidos, eu esperava obter muitas informações desse irmão, caso tivesse a felicidade de encontrá-lo aqui, no Ocidente. Ao chegar à cidade onde ele residia, soube por amigos em comum que ele me aguardava e ansiava por nosso encontro. Assim, quando finalmente encontrei o cavalheiro, dirigi-me imediatamente a ele e apertei-lhe a mão. Ele também pareceu reconhecer-me e chamou-me pelo nome. Tudo indicava que ele sabia de tudo o que havia ocorrido enquanto ambos estávamos fora do Corpo Denso. Além disso, ele me dissera no Templo da Ordem Rosacruz que se lembrava de tudo o que lhe acontecia quando estava fora do Corpo Denso; é claro que acreditei nisso, pois ele pertencia a um grau muito superior ao primeiro, no qual eu acabara de ser admitido.
No dia do nosso encontro presencial, após alguns instantes de conversa, disse algo que o fez fitar-me com um olhar vazio. Eu havia mencionado um incidente ocorrido durante nossa reunião no Templo da Ordem Rosacruz, e ele demonstrou claramente não saber absolutamente nada a respeito. No entanto, eu já havia dito tanto que me vi forçado a continuar, sob pena de parecer tolo; então, disse-lhe que ele havia afirmado lembrar-se de tudo. Ele negou isso e, ao final da entrevista, me pediu encarecidamente que tentasse descobrir por que, sendo um Irmão Leigo da Ordem Rosacruz, ele não conseguia recordar o que acontecia durante sua ausência do Corpo Denso. Eu sabia que ele estivera presente em várias cerimônias do Templo da Ordem Rosacruz. Ele participava, mas, em seu cérebro físico, ele desconhecia totalmente o que havia ocorrido. O mistério foi elucidado pouco depois, quando soube por ele — já fora do Corpo Denso — que fumava cigarros[6] e usava drogas que entorpeciam seu cérebro a tal ponto que lhe tornavam impossível trazer consigo qualquer lembrança de suas experiências psíquicas. Quando lhe comuniquei isso enquanto ele estava no Corpo Denso, ele se esforçou bravamente para abandonar o hábito, o qual reconhecia possuir.
Este caso ilustra o cuidado que devemos ter em manter hábitos puros; em considerar, em tudo, este nosso Corpo Denso como o Templo de Deus e evitar profaná-lo, assim como evitaríamos profanar uma Casa de Deus feita de pedra e argamassa — a qual não é nem um milionésimo tão sagrada quanto o Corpo Denso com o qual fomos dotados.
O cérebro, em particular, é o instrumento grandioso e essencial por meio do qual realizamos nosso trabalho no Mundo Físico; portanto, obviamente não devemos utilizar substâncias tóxicas ou drogas que o perturbem e, assim, impeçam o progresso que almejamos.
[1] N.T.: Refere-se à Época Ária.
[2] N.T.: Também conhecido como Plexo Solar, por causa de suas fibras nervosas radiantes, é uma complexa rede de nervos localizada no abdômen, perto de onde o tronco celíaco, a artéria mesentérica superior e as artérias renais se ramificam da aorta abdominal. Está atrás do estômago e da bolsa omental, e na frente da crura do diafragma, ao nível da primeira vértebra lombar. O plexo é formado em parte pelos nervos esplâncnicos maior e menor de ambos os lados e por fibras dos troncos vagais anterior e posterior. O plexo celíaco propriamente dito consiste nos gânglios celíacos com uma rede de fibras interconectadas. Os gânglios aorticorrenais são frequentemente considerados parte dos gânglios celíacos e, portanto, parte do plexo.
[3] N.T.: É a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica. Trata-se de uma emergência médica com risco de morte, caracterizada por confusão mental severa, alucinações (geralmente visuais), tremores fortes e aceleração intensa das funções do Corpo Denso (como batimentos cardíacos rápidos e febre), ocorrendo dias após parar de consumir bebidas alcoólicas.
[4] N.T.: É o Átomo-semente do nosso Corpo Denso.
[5] N.T.: É o Átomo-semente do nosso Corpo Vital.
[6] N.T.: Cigarros é um dos usos que se faz do Tabaco, que por sua vez é o nome comum de várias plantas do gênero Nicotiana, da família Solanaceae, e o termo geral para qualquer produto preparado a partir das folhas curadas dessas plantas. Conhecem-se 79 espécies de tabaco, mas a principal cultura comercial é a N. tabacum. A variante mais potente, N. rustica, também é utilizada em alguns países. As folhas de tabaco secas são usadas principalmente para fumar em cigarros e charutos, bem como em cachimbos e narguilés. Também podem ser consumidas como rapé, tabaco de mascar, tabaco de imersão e snus. O tabaco contém o alcaloide estimulante altamente viciante nicotina, bem como alcaloides harmala. Devido à ampla disponibilidade e legalidade do tabaco, a nicotina é uma das drogas recreativas mais utilizadas. O uso do tabaco é causa ou fator de risco para muitas doenças mortais, especialmente aquelas que afetam o coração, o fígado e os pulmões, bem como muitos tipos de câncer. Em 2008, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o uso do tabaco como a maior causa isolada de morte evitável no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas todos os anos em todo o mundo, incluindo cerca de 1,3 milhão de não fumantes expostos ao fumo passivo.
Terceira Parte
CURA
CAPÍTULO VIII
ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DA CURA
É voz corrente que “A vida do ser humano é curta e cheia de sofrimento”[1]. Entre tantas vicissitudes da vida, nenhuma nos afeta tão profundamente quanto a perda da saúde. Podemos perder a nossa posição econômico-financeira ou os amigos com relativa serenidade, mas quando nos falta a saúde e a morte nos ameaça, até os mais fortes vacilam; aos reconhecermos a impotência humana, sentimo-nos mais inclinados a buscar socorro no Poder Divino, mais do que em qualquer outra ocasião. Por isso, a profissão de conselheiro espiritual sempre esteve intimamente ligada à cura. Entre os povos primitivos, os sacerdotes eram também os “curandeiros”. Na antiga Grécia, Esculápio[2] era procurado, particularmente, por aqueles que necessitavam curar as doenças deles. A Igreja seguiu seus passos. Certas ordens católicas deram continuidade ao esforço de aliviar a dor ao longo dos séculos que separaram aquela época da atualidade.
Em tempos de doença, o “bom padre” vinha como representante de nosso Pai Celestial; o que lhe faltava em habilidade técnica era compensado pelo amor e pela compaixão – caso fosse, de fato, um sacerdote verdadeiro e santo – e pela fé que o ofício sacerdotal despertava na pessoa doente ou enferma. Seus cuidados com tal pessoa não começavam no leito, nem terminavam com a recuperação dela. A gratidão da pessoa doente ou enferma para com aquele que a tratou somava-se à veneração sentida pelo conselheiro espiritual; consequentemente, a capacidade do sacerdote de ajudar e elevar a pessoa que ele tratou como paciente aumentava imensamente, criando-se um vínculo mais estreito do que seria possível, onde as funções de conselheiro espiritual e de profissional de saúde estivessem separadas.
É evidente que a medicina atingiu um grau de eficiência que não teria sido alcançado sem a dedicação a esse objetivo específico. As salvaguardas das leis sanitárias[3] e a eliminação de insetos transmissores de doenças são testemunhos monumentais do valor dos métodos científicos modernos. Assim, pode parecer que tudo vai bem e que não há necessidade de mais esforços. Mas, na realidade, enquanto a Humanidade como um todo não desfrutar de saúde perfeita, não haverá questão mais importante do que: como podemos alcançar e manter a saúde perfeita?
Além da medicina e cirurgia convencionais, que dependem exclusivamente de meios físicos para tratar doenças, surgiram outros sistemas baseados inteiramente na cura mental. É costume de organizações que defendem a “cura pela Mente”[4], a “cura natural”[5] e métodos semelhantes, realizar reuniões de relatos de experiências e publicar periódicos com depoimentos de adeptos gratos que se beneficiaram de seus tratamentos; se os profissionais da medicina convencional fizessem o mesmo, não faltariam depoimentos semelhantes sobre a eficácia de seus métodos.
A opinião de milhares de pessoas tem grande valor, mas não prova nada, pois outros milhares podem sustentar um ponto de vista oposto. Ocasionalmente, uma única pessoa pode estar certa enquanto o resto do mundo está errado, como quando Galileu[6] afirmou que a Terra se move. Hoje, o mundo inteiro aderiu à opinião pela qual ele foi perseguido como …um herege. Sustentamos que, sendo ser humano um ser composto, as curas são bem-sucedidas na medida em que remediam defeitos nos planos físico, moral e mental do ser.
[1] N.T.: Jó 14:1
[2] N.T.: Asclépio (conhecido na Roma Antiga como Esculápio) é o deus da medicina, da cura e do rejuvenescimento na mitologia grega. Filho de Apolo e da mortal Corônis, ele foi criado pelo centauro Quíron, que lhe ensinou a arte de curar. O seu culto disseminou-se por uma vasta região da Europa, pelo norte da África e pelo Oriente Próximo, sendo homenageado com inúmeros templos e santuários, que atuavam como hospitais.
[3] N.T.: As salvaguardas das leis sanitárias formam o conjunto de normas, princípios e restrições legais criado para proteger a saúde da população, prevenir riscos de doenças e garantir a segurança de produtos, serviços e ambientes. No Brasil, elas orientam as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
[4] N.T.: A “Cura pela Mente” considera que a Mente influencia de forma direta a saúde física por meio de respostas neurobiológicas, redução do estresse e ativação do sistema imunológico. É um processo gradual que exige apoio profissional, como a psicoterapia ou acompanhamento psiquiátrico, combinado com hábitos diários de autocuidado, como sono regular, atividade física, fortalecimento de laços sociais e autocompaixão.
[5] N.T.: A cura natural refere-se ao uso de recursos como plantas medicinais, mudanças na alimentação e hábitos de vida saudáveis para prevenir e tratar doenças. Embora tratamentos integrativos auxiliem no bem-estar, há que ter cautela contra falsas promessas de curas milagrosas.
[6] N.T.: Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei (1564–1642), mais conhecido como Galileu Galilei, foi um astrônomo, físico e engenheiro florentino, às vezes descrito como polímata.[3] Frequentemente é referenciado como “pai da astronomia observacional”, “pai da física moderna”, “pai do método científico” e “pai da ciência moderna”.
Remediar ou Curar Definitivamente
Como a grande maioria das pessoas não faz distinção entre a “cura física” (remediar) e a cura integral (cura definitiva), convém explicar a diferença, que reside principalmente na cooperação — ou na falta dela. Uma pessoa pode empreender a tarefa de “curar” outra por meio de massagens ou medicamentos; em ambos os casos, o paciente permanece passivo, como o barro sendo moldado pelo oleiro. Não há dúvida de que, com tal tratamento, o problema pode “desaparecer” e a pessoa recuperar a saúde, mas trata-se apenas de um alívio temporário: ela não compreendeu a causa subjacente de sua doença ou enfermidade nem entendeu que essa foi consequência da violação das Leis da Natureza ou Leis de Deus; por isso, é muito provável que volte a cometer os mesmos erros, fazendo com que a doença retorne. A “cura” (remediar) é um processo físico. A cura integral (cura definitiva) é radicalmente diferente; nela, exige-se sempre que o (a) doente coopere, tanto espiritual quanto fisicamente, com o curador.
Para esclarecer isso, nada melhor do que observar a vida e a obra de nosso Grande Líder, o Cristo. Quando as pessoas vinham a Ele para serem curadas, não esperavam um tratamento físico, mas sabiam que o alívio viria por meio do poder do Espírito. Elas depositavam n’Ele uma confiança ilimitada; e vemos que isso era essencial nos episódios registrados no décimo terceiro capítulo do Evangelho de S. Mateus, onde se relata que Ele esteve entre as pessoas com quem Jesus — o proprietário original do Corpo Denso e Corpo Vital — havia convivido em sua juventude. Eles viam apenas o homem exterior: “Não é este Jesus, o filho de José? Seus irmãos não estão conosco?”[1], etc. Eles acreditavam que nada de grandioso poderia vir de Nazaré e, segundo a fé deles, assim lhes aconteceu, pois lemos que “Ele não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.”[2].
Mas a “fé sem obras é morta”[3], e em todos os casos em que Cristo curava alguém, essa pessoa precisava fazer algo; ela tinha de cooperar ativamente com o Grande Curador antes que a cura pudesse se concretizar. Ele dizia: “Estende a mão”[4], e quando o homem o fazia, a mão era curada; a outro: “Levanta o teu leito e anda”[5], e ao fazê-lo, a enfermidade desaparecia; ao cego: “Vai e lava-te no tanque de Siloé”[6]; ao leproso: “Apresenta-te ao sacerdote, oferece as tuas dádivas”[7], etc. Em todos os casos, havia uma cooperação ativa por parte daquele que seria curado, o que auxiliava o Curador. Eram exigências simples, mas, tais como eram, precisavam ser cumpridas para que o espírito de obediência pudesse auxiliar a obra do Curador. Quando Naamã procurou Eliseu, imaginando que o profeta sairia com grande demonstração de magia e cerimônia para remover as manchas de lepra de seu corpo, acabou se decepcionando[8]. E quando o profeta lhe mandou dizer: “Vai e lava-te sete vezes no rio Jordão”[9], ele se enfureceu a ponto de exclamar: “Não temos nós grandes rios na Assíria? Por que deveria eu ir lavar-me no Jordão? Que absurdo!”[10]. Faltava-lhe o espírito de submissão, absolutamente necessário para que a obra se realizasse; pode-se afirmar com segurança que, se ele tivesse persistido nessa atitude, não teria recebido a cura de sua enfermidade. Da mesma forma, nenhum daqueles que foram curados pelo Cristo teria sido beneficiado se não tivesse obedecido e feito o que lhe foi ordenado. Esta é uma Lei da Natureza absolutamente certa. É a desobediência que traz a doença. A obediência — quer envolva banhar-se no Jordão ou estender a mão — demonstra uma mudança de mentalidade; assim, o indivíduo coloca-se em condições de receber o bálsamo curador que pode vir por meio do Cristo ou de um Curador, de um tipo ou de outro, conforme o caso. Fundamentalmente, em todos os casos, a Força Curadora provém de nosso Deus-Pai Celestial, que é o Grande Médico.
Estes são os três grandes fatores na cura: primeiro, o poder, vindo de nosso Deus-Pai nos Céus; em seguida, o Curador; e, terceiro, a Mente obediente do paciente, sobre a qual o Poder Curador do Pai pode atuar por intermédio do Durador, de modo a dissipar todas as doenças e enfermidades físicas.
Compreendamos, agora, que todo o universo está permeado pelo poder de Deus-Pai, sempre disponível para curar todos os males, de qualquer natureza — essa é a grande certeza.
O Curador é o foco, o veículo através do qual o poder é transmitido ao Corpo Vital do paciente. Se ele for um instrumento adequado — consagrado, harmonioso e verdadeira e profundamente em sintonia com o infinito —, não haverá limites para as obras maravilhosas de Deus-Pai que poderão ser realizadas por seu intermédio, sempre que a oportunidade apresentar um paciente com a Mente devidamente receptiva e obediente.
[1] N.T.: Mt 13:55
[2] N.T.: Mt 13:58
[3] N.T.: Tg 2:18
[4] N.T.: Mt 12:13
[5] N.T.: Jo 5:8
[6] N.T.: Jo 9:7
[7] N.T.: Mt 8:4 e Lc 5:14
[8] N.T.: IIReis 5
[9] N.T.: IIReis 5:10
[10] N.T.: IIReis 5:12
CAPÍTULO IX
O MÉTODO DE CURAR DEFINITIVAMENTE DA FRATERNIDADE ROSACRUZ
Porque os Rosacruzes Curam:
Entre todas as tolices e absurdos falaciosos que circularam a respeito dos Rosacruzes ao longo dos séculos passados, existe uma grande verdade: “Os membros da Ordem Rosacruz visam curar os enfermos e possuem meios superiores para realizar esse propósito benevolente”. Ordens religiosas anteriores buscaram o progresso espiritual através da mortificação e do abuso do Corpo Denso, mas os Rosacruzes demonstram o mais terno cuidado para com esse instrumento. Há duas razões para as suas atividades de cura. Como todos os outros seguidores sinceros de Cristo, eles aguardam ansiosamente pelo “Dia do Senhor”. Eles sabem que Lúcifer, a falsa Luz da Lemúria, implantou a paixão — inaugurando a procriação no pecado e causando sofrimento, dor e morte — e que Cristo, a verdadeira Luz da vindoura Época Nova Galileia, inaugurou a Imaculada Conceição e pregou o evangelho da redenção do pecado pelo Amor. O celibato é conveniente para os aspirantes no Oriente, visto que aquelas Raças inferiores estão destinadas a desaparecer em breve; contudo, é contrário ao plano de evolução para o Ocidente, pois aqui deve surgir uma nova Raça, sendo, portanto, a pureza na geração a palavra de ordem para o Discípulo nesta parte do mundo. Uma nova Raça deve ser trazida à existência pelo poder do amor; assim, cessarão os males que atualmente afligem a Humanidade devido a gerações de procriação impulsionada pela paixão. Até mesmo a morte será finalmente vencida na Nova Dispensação, pois a pureza etérica dos Corpos tornará desnecessária a renovação física.
Embora a Bíblia contenha muitas informações precisas sobre essa Época, um ponto permanece envolto em mistério insolúvel: “Quanto àquele dia, ninguém o conhece, nem mesmo os Anjos do céu, nem o Filho”[1]. Desde que o Evangelho foi pregado pela primeira vez, Cristãos de todas as épocas anseiam pelo dia em que os Filhos da Luz se manifestarão. Somente o Pai — o Iniciado Supremo entre os Senhores da Mente — é capaz de prever o momento em que a Mente separatista e egoísta cederá lugar ao espírito de amor, unificador e capaz de autonegação. Um ponto, porém, é muito claro: será tão impossível viver sob as condições do Novo Céu e da Nova Terra sem possuir o Corpo devidamente constituído — chamado na Bíblia de “Vestes Nupciais”[2] — quanto foi impossível para os atlantes degenerados, que careciam de pulmões para respirar, sobreviverem quando ocorreu a mudança atmosférica.
É um fato científico que o estado do sangue afeta a Mente, e vice-versa. Um Corpo são é, portanto, indispensável para uma Mente sã. Somente uma Mente sã pode transcender a paixão; somente um Corpo são pode gerar outro igualmente puro. Os Rosacruzes têm buscado curar o Corpo para que ele possa abrigar uma Mente sã e um amor puro, pois cada concepção realizada nessas condições representa um passo em direção ao “Dia do Senhor”, pelo qual todos nós ansiamos tão ardentemente. Essa é a razão das atividades de cura e o significado do nosso lema: “Uma Mente Sã, um Coração nobre, um Corpo São”.
Em diversas obras, consta que os membros da Ordem faziam um voto de curar os outros gratuitamente. Essa afirmação é um tanto confusa. Os Irmãos Leigos e as Irmãs Leigas faziam um voto de servir a todos, da melhor maneira possível e sem cobrar nada. Esse voto incluía a cura, é claro, no caso de pessoas como Paracelso, que tinha talento para isso; pelo método combinado de remédios físicos aplicados sob Aspectos astrológicos favoráveis e aconselhamento espiritual, ele obteve grande sucesso. Outros não eram destinados à cura, mas trabalhavam em outras áreas, porém todos tinham algo em comum: nunca cobravam por seus serviços e trabalhavam em segredo, sem alarde de trombetas ou tambores.
Cristo deu dois mandamentos aos seus mensageiros: “Preguem o Evangelho” (da Era vindoura) e “Curem os enfermos”[3]. Um é tão obrigatório quanto o outro e, pelas razões já expostas, tão necessário. Para cumprir o segundo mandamento, os Irmãos Maiores desenvolveram um sistema de cura que combina os melhores pontos das diversas escolas de hoje com um método de diagnóstico e tratamento tão preciso quanto simples, e assim um grande passo foi dado para elevar a arte da cura “das areias da experimentação à rocha do conhecimento exato”[4].
É uma razão verdadeira, boa e válida quando dizemos que queremos ajudar os outros por amor a Cristo. Ele agora está sepultado na Terra, gemendo, sofrendo e aguardando a libertação. A dor e a doença são causadas pela transgressão das leis da vida, portanto, cristalizam o Corpo Denso, exercem um domínio mais firme sobre o Corpo Vital e retardam o dia da nossa libertação, bem como o d’Ele. Ao ajudar os enfermos a alcançar a saúde e ao ensiná-los a viver em harmonia com as Leis da Vida[5] para que possam mantê-la, estamos apressando o dia de Sua vinda. Que Deus abençoe nossos esforços e fortaleça nossas mãos nesta Boa Obra.
[1] N.T. Mt 24:36 e Mc 13:32
[2] N.T.: o Corpo-Alma
[3] N.T.: Lc 9:2
[4] N.T.: uma metáfora poética e filosófica que descreve a jornada desse método de cura. Ilustra a transição de algo instável e em constante mudança para algo sólido, seguro e comprovado. Ou seja, transforma dúvidas e testes práticos em verdades científicas estabelecidas.
[5] N.T.: que são as Leis de Deus.
Nosso sistema de Cura não é assunto inteiramente espiritual. Utilizamos meios físicos sempre que é possível. Às vezes enviamos nossos pacientes a um profissional de saúde, para que obtenha alívio rápido, mediante certo tratamento que não poderíamos proporcionar por outros meios. Além disso, a dieta dos pacientes merece nossa maior atenção, porque como o Corpo Denso é formado de substâncias físicas, na realidade estamos lhe dando remédios quando empregamos os alimentos adequados. Mas, além disso, o trabalho de Curar definitivamente é efetuado pelos Irmãos Maiores, por intermédio de um grupo de Auxiliares Invisíveis a quem estão instruindo.
Estes Auxiliares Invisíveis são os Probacionistas que durante o dia se esforçam por viver uma vida de retidão e serviço sempre amoroso, desinteressado e se possível, anônimo, preparando-se para alcançar o privilégio de serem utilizados como instrumentos pelos Irmãos Maiores, durante a noite. Estes Probacionistas são reunidos em grupos, de acordo com os seus temperamentos e suas capacidades. Estão sob a orientação de outros Probacionistas que são profissionais de saúde, trabalhando todos sob a direção dos Irmãos Maiores que são naturalmente, os Espíritos que animam toda a obra.
A maneira de formar e selecionar um grupo de Auxiliares Invisíveis se baseia nos eflúvios dos seus Corpos Vitais. Os primeiros eflúvios são obtidos quando o Probacionista assina o seu formulário e é renovado diariamente, quando faz suas anotações no formulário correspondente. Enquanto se mantiver fiel e levar uma vida de pureza e serviço amoroso e desinteressado, constituirá um elo inquebrantável entre ele e os Irmãos Maiores. Cada grupo de curadores é composto, geralmente, de doze Probacionistas, além do seu instrutor e em geral, são escolhidos na mesma localidade, porque a noite chega ao mesmo tempo para todos eles. Não seria razoável agrupar um que viva na Austrália com outro que residisse no Alasca, porque enquanto um estava dedicado ao seu trabalho diário, o outro estaria dormindo. Mas as pessoas residentes na maioria das localidades da América do Norte ou do Sul têm as mesmas horas de repouso e estes Probacionistas podem ser agrupados de acordo com os seus Signos Ascendentes, de maneira que formem um círculo completo.
Emprega-se o mesmo método para encontrar aqueles que escreveram a um Centro Rosacruz que tenha Departamento de Cura pedindo ajuda para selecionar os Probacionistas que serão treinados para trabalharem como Auxiliares Invisíveis. Aos que solicitarem ajuda, pede-se que escrevam uma carta com “caneta tinteiro com tinta líquida a base de Nanquim ou por meio da pena mosquitinho que deve ser mergulhada em um recipiente com tinta líquida à base de Nanquim e não por meio de caneta esferográfica, hidrográfica, com Nanquim em tubetes esponjosos e muito menos à lápis”. Desta forma o papel fica impregnado por uma certa quantidade da substância do seu Corpo Vital que é extraída da carta pelos Irmãos Maiores. Isto proporciona um índice exato do estado do indivíduo de quem procede e que atua como verdadeiro “abre-te sésamo” para os Auxiliares Invisíveis que forem encarregados de determinado caso. Graças a esse processo feito cuidadosamente por quem solicita auxílio para a Cura, os Auxiliares Invisíveis têm acesso ao Corpo do doente, e um número considerável de pacientes que solicitaram o nosso auxílio escreveram dizendo que sentiam os Auxiliares Invisíveis trabalhando no interior e no exterior de seus Corpos. Conforme mude o estado do paciente, muda igualmente o registro. Por isso se pede que escrevam com “caneta tinteiro com tinta líquida a base de Nanquim ou por meio da pena mosquitinho que deve ser mergulhada em um recipiente com tinta líquida à base de Nanquim” algumas palavras todas as semanas, remetendo-as ao Centro Rosacruz que tenha Departamento de Cura. Desta maneira os Irmãos Maiores estão em contato contínuo com o seu estado e podem dirigir inteligentemente o trabalho de restauração de sua saúde.
Este trabalho jamais cessará. Continua ininterruptamente porque o Sol está sempre ausente de alguma parte do globo e os Probacionistas dessa parte estão em atividade em seu trabalho de cura definitiva e prestando auxílio durante as horas de repouso dos seus Corpos.
Anatomicamente o ser humano pertence aos mamíferos, cujos corpúsculos sanguíneos não são nucleados. Os núcleos que se encontram no sangue dos animais inferiores são o ponto de apoio dos Espíritos-Grupo, mas os animais superiores estão tão adiantados no caminho da individualização, que seu sangue está livre desta influência. No feto, onde a mãe atua como um “Espírito-Grupo” nas primeiras semanas, ela nucleia o sangue, mas logo que o Ego começa a atuar, a primeira coisa que faz é desintegrar esses corpúsculos sanguíneos nucleados, e quando ocorre o nascimento não resta nenhum corpúsculo nucleado. O Ego é dono do seu veículo; herança que ninguém pode disputar-lhe sob nenhum pretexto. Fazê-lo seria magia negra, saiba-o ou não a pessoa, e mesmo que uma intenção bondosa possa exercer certo efeito mitigante em outra direção, o fato subsiste, não obstante, de que a pessoa se coloca em terreno perigoso quando procura intrometer-se no sangue de alguém que não o deseje e cujo auxílio não tenha sido solicitado.
Há apenas uma exceção a esta regra. As crianças até a idade da puberdade são, por assim dizer, parte de seus pais, porque ainda têm armazenada na Glândula Timo uma essência sanguínea dos pais que ela emprega para produzir o seu próprio sangue durante a infância, enquanto o Corpo de Desejos vai sendo gerado. Conforme transcorra o tempo, o suprimento da Glândula Timo vai se tornando cada vez menor e a criança alcança a realização de sua própria Individualidade. Quando a Glândula Timo “desaparece”, o Corpo de Desejos já alcançou a maturidade suficiente para permitir-lhe tomar parte na alquimia da transmutação do esqueleto Saturnino no veículo Jupteriano, que assim incorpora a essência do atual Corpo Denso. Toda interferência no sangue paralisa este processo. Por isso os pais só podem agir em nome da criança até a puberdade, fornecendo-lhe o Éter que permite o trabalho do Auxiliar Invisível.
O maior inconveniente com que tropeçamos em nossa obra curativa procede da negligência dos pacientes. Nossos pedidos são muito simples. Só pedimos que nos escrevam uma vez por semana, com “caneta tinteiro com tinta líquida a base de Nanquim ou por meio da pena mosquitinho que deve ser mergulhada em um recipiente com tinta líquida à base de Nanquim”, de modo que os eflúvios que procedem da mão ao escrever, possam prover os Auxiliares Invisíveis com uma chave de admissão ao organismo do paciente. Mas por simples que seja esta regra, são muitos os que deixam de cumpri-la. Temos em mãos o caso de uma pessoa que durante muitos anos tivera uma vértebra deslocada que foi curada com o nosso tratamento, embora procurasse muitos osteopatas, quiropratas e outros que tentaram em vão colocá-la no devido lugar. Este pobre homem passava a maior parte do tempo deitado, com dores, completamente incapaz de trabalhar. O tratamento dos nossos Auxiliares Invisíveis ajustou sua vértebra que ainda está no lugar. O homem ficou maravilhado e pode voltar ao trabalho. Estava, porém, tão entusiasmado com a ideia de que já estava completamente curado, que descuidou de nos escrever semanalmente, de modo que nossos Auxiliares Invisíveis tivessem oportunidade de manter a vértebra em seu lugar um tempo suficientemente grande para não mais se deslocar. Mais tarde recebemos uma carta que demonstrava que tínhamos razão ao pedir-lhe que escrevesse regularmente. Nessa carta dizia: “Faz algum tempo escrevi que já me sentia curado e que deixaria de escrever-lhes semanalmente. Agora vejo que cometi um grande erro. Desde que suspendi as cartas, minhas costas têm doído e estou ficando novamente curvado, embora a vértebra esteja no seu lugar. Parece-me que estou pedindo demais ao rogar que novamente vos ocupeis de mim, mas não imaginava a influência dos Auxiliares Invisíveis e quanto dependia deles”.
A Panaceia Espiritual:
Na vinda de Cristo à Terra, encontramos uma analogia com a administração da Panaceia Espiritual, segundo a lei “Assim como em cima, é embaixo”. Em cada pequena célula do Corpo Denso humano existe uma vida celular separada, mas acima disso está o Ego, que dirige e controla todas as células para que atuem em harmonia. Durante certas doenças prolongadas, o Ego fica tão concentrado no sofrimento que deixa de vivificar plenamente as células; assim, a doença física gera inatividade mental e pode se tornar impossível se livrar da doença sem um impulso especial para dissipar a névoa mental e reiniciar as atividades celulares. É isso que a Panaceia Espiritual faz. Assim como a Vida Crística, ao irromper no Gólgota, começou a dissipar a couraça de medo gerada pela Lei[1] inexorável que pairava sobre a Terra como um manto fúnebre, e como conduziu milhões de seres humanos ao caminho da paz e da boa vontade, da mesma forma, quando a Panaceia é aplicada, a Vida Crística concentrada nela contida percorre o Corpo do paciente e infunde em cada célula um ritmo que desperta o Ego aprisionado de sua letargia, restituindo-lhe a vida e a saúde.
Para descrever a Panaceia Espiritual, será relatada uma experiência do autor: numa noite memorável, no Templo da Ordem Rosacruz, foi-lhe mostrada uma substância com a qual o Espírito Universal podia combinar-se tão prontamente quanto grandes quantidades de amônia se combinam com a água. Três esferas estavam suspensas, uma acima da outra, no centro do Templo; a esfera do meio situava-se aproximadamente a meia distância entre o piso e o teto. Ela era muito maior do que as outras duas, que pendiam uma acima e outra abaixo dela. Dentro da grande esfera central havia um recipiente menor, contendo vários pacotes preenchidos com aquela substância. Quando os Irmãos se posicionaram e a harmonia de determinada música preparou o ambiente, de repente os três globos começaram a brilhar com as três cores primárias: azul, amarelo e vermelho. O autor pôde ver claramente como, durante a entoação da fórmula, o recipiente que continha os pacotes mencionados passou a brilhar com uma essência espiritual que antes não estava presente. Alguns desses pacotes foram posteriormente utilizados pelos Irmãos com sucesso imediato. Diante deles, as partículas cristalizantes que envolviam os centros espirituais do paciente dispersavam-se como por encanto, e a pessoa enferma despertava para a consciência de saúde física e bem-estar.
[1] N.T.: Lei das Religiões de Raça
CAPÍTULO X
A CIÊNCIA DA NUTRIÇÃO
Princípios Gerais
Se começarmos pelo veículo denso, considerando os meios físicos de que dispomos para aperfeiçoá-lo e convertê-lo no melhor instrumento possível para o Espírito, além de considerarmos os meios espirituais que conduzem ao mesmo fim, teremos que incluir também os demais veículos; portanto seguiremos este método.
O primeiro estado visível do embrião humano é uma pequena substância globular, de consistência polposa ou gelatinosa, semelhante à albumina ou clara de ovo. Neste glóbulo polposo aparecem várias partículas de matéria mais sólida. Elas aumentam gradualmente de volume e densidade até se porem em contato umas com as outras. Os diferentes pontos de contato vão se modificando lentamente, em articulações ou juntas e, assim, se forma gradualmente uma estrutura de matéria sólida: um esqueleto.
Durante a formação dessa estrutura, a substância polposa que rodeia se acumula e muda de forma, até que por fim alcança o grau de organização que conhecemos como feto. Este cresce, se torna mais firme e mais plenamente organizado, até que chega o momento do nascimento, quando se inicia a fase da infância.
O mesmo processo de consolidação que começou com a primeira etapa visível da existência continua a seguir. O ser humano passa por diferentes fases: infância, adolescência, juventude, adulta, maturidade, velhice e, por fim, chega à transformação chamada morte.
Cada uma destas fases é caracterizada por um grau crescente de rigidez e solidez.
Há um aumento gradual na densidade e firmeza dos ossos, tendões, das cartilagens, dos ligamentos, tecidos, das membranas, e até mesmo da substância do estômago, do fígado, dos pulmões e outros órgãos. As articulações tornam-se rígidas e ressecadas. Começam a estalar e ranger ao serem movimentadas, porque o líquido sinovial, que as lubrifica e amacia, diminui em quantidade e se torna muito espesso e viscoso para desempenhar essa função.
O coração, o cérebro, todo o sistema muscular, a medula dorsal, os nervos, os olhos, etc., participam do mesmo processo de solidificação, tornando-se cada vez mais rígidos. Milhões e milhões de diminutos vasos capilares, que se ramificam e difundem como os ramos de uma árvore por todo o Corpo Denso, vão secando gradualmente se obstruem e se transformam em fibras sólidas, deixando de ser permeáveis ao sangue.
Os grandes vasos sanguíneos, tanto as artérias como as veias, endurecem, perdem a elasticidade, encolhem-se e tornam-se incapazes de conduzir a quantidade de sangue necessária. Os fluidos corporais ficam espessos e tornam-se pútridos, carregados de substâncias terrosas. A pele murcha, enruga e seca. O cabelo cai por falta de óleo. Os dentes cariam e caem, por falta de gelatina. Os nervos motores começam a secar e os movimentos do Corpo Denso tornam-se desajeitados e lentos.
Os sentidos falham; a circulação sanguínea é retardada, o sangue estagna e coagula nos vasos. O Corpo Denso vai perdendo suas capacidades cada vez mais. Antes era elástico, saudável, alerta, flexível, ativo e sensível; depois torna-se rígido, lento e insensível. Finalmente, morre de velhice.
Surge, naturalmente, a pergunta: qual é a causa desta ossificação gradual do Corpo Denso, que leva a rigidez, decrepitude e a morte?
Do ponto de vista puramente físico, os químicos parecem unânimes de que isso é devido ao aumento, principalmente, do fosfato de cálcio (matéria óssea), do carbonato de cálcio (giz comum) e do sulfato de cálcio (gesso), com um pouco de magnésio e uma quantidade insignificante de outras substâncias terrosas.
A única diferença entre o Corpo Denso de um idoso e o de uma criança é a maior densidade, resistência e rigidez do primeiro, causadas pela maior proporção de substâncias calcárias e terrosas que entram na sua composição. Os ossos de uma criança compõem-se de três partes de gelatina por uma de matéria terrosa. No de um idoso, essa proporção é inversa. Qual a fonte deste acúmulo mortal de substâncias sólidas?
Parece axiomático que todo o Corpo Denso é nutrido pelo sangue e que tudo o que está contido no Corpo Denso, qualquer que seja a sua natureza, esteve primeiro no sangue. Análises demonstram que o sangue tem substâncias terrosas da mesma espécie dos agentes solidificantes. E observem: o sangue arterial contém maior quantidade dessas substâncias terrosas do que o sangue venoso.
Isto é de suma importância. Mostra que, a cada ciclo, o sangue deposita substâncias terrosas. Portanto, é o veículo comum que obstrui o organismo. Mas seu suprimento de matéria terrosa precisa ser reabastecido, caso contrário não poderia continuar a fazer isso. De onde ele renova sua carga mortal? Só pode haver uma resposta para essa pergunta: dos alimentos e das bebidas; não há absolutamente nenhuma outra fonte.
Os alimentos e as bebidas que nutrem o Corpo Denso devem ser, ao mesmo tempo, a fonte primária das substâncias terrosas e calcárias que o sangue vai depositando em todo o organismo, causando decrepitude e, finalmente, a morte. Para sustentar a vida física é necessário que comamos e bebamos, mas como há muitas espécies de alimentos e bebidas, cabe a nós, à luz dos fatos acima, averiguar, se possível, quais tipos contêm a menor quantidade possível dessa substância destrutiva. Se pudermos encontrar tais alimentos, podemos prolongar nossas vidas e, do ponto de vista oculto, é desejável viver o maior tempo possível em cada Corpo Denso, particularmente depois que ter começado a trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. São necessários anos para educar cada Corpo Denso em que moramos, durante a infância e a juventude, até que nós, o Ego – o que realmente somos –, possamos ao menos obter algum controle sobre o Corpo Denso, que quanto mais tempo mantivermos um Corpo Denso que se tornou receptivo aos nossos – do Ego – impulsos, tanto melhor. Portanto, é de suma importância que o Aspirante à vida superior consuma alimentos e bebidas que depositem o mínimo de substâncias endurecedoras e, ao mesmo tempo, mantenham os órgãos excretores ativos.
A pele e o sistema urinário[1] são os salvadores do ser humano, evitando-lhe uma morte prematura. Se não fosse por esses eles que a maior parte da matéria terrosas proveniente dos alimentos é eliminada, ninguém viveria mais de dez anos.
Estima-se que a água de nascente comum, não destilada, contenha carbonato e outros compostos de cálcio em tal quantidade que o volume médio consumido diariamente por uma pessoa — sob a forma de chá, café, sopa, etc. — formaria, ao longo de quarenta anos, um bloco sólido de giz ou mármore do tamanho de um ser humano. É também, digno de nota que embora o fosfato de cálcio seja encontrado na urina dos adultos, ele não é encontrado na das crianças, porque nestas, a rápida formação óssea que esse sal seja retido. Durante o período da gestação, há muito pouca substância terrosa na urina da mãe, porque quase toda ela é empregada na formação do feto. Em circunstâncias normais, porém, a matéria terrosa é bastante evidente na urina dos adultos, e a isso que devemos o fato de a vida física alcançar a duração que tem atualmente.
A água não destilada, quando ingerida, é a pior inimiga do ser humano, mas usada externamente, se torna sua melhor amiga. Ela mantém os poros da pele abertos, facilita a circulação sanguínea e previne a estagnação que cria as condições ideais para a deposição do fosfato de cálcio — substância terrosa e letal.
Harvey[2], o descobridor da circulação sanguínea, afirmou que a saúde denota uma circulação livre, enquanto a doença de uma circulação sanguínea obstruída.
O banho de imersão é um grande aliado na manutenção da saúde do Corpo Denso e deve ser utilizado constantemente pelo Aspirante à vida superior. A transpiração – tanto a sensível quanto a insensível[3] – elimina mais substâncias terrosas do Corpo Denso do que qualquer outro processo.
Enquanto houver combustível e o fogo for mantido livre de cinzas, ele continuará queimando. Os rins desempenham um papel importante na eliminação das cinzas do Corpo Denso; no entanto, apesar da grande quantidade de matéria terrosa expelida pela urina, em muitos casos permanece o suficiente para formar areia e cálculos renais até na bexiga, causando terríveis sofrimentos e, muitas vezes, até a morte.
Que ninguém se iluda pensando que a água contém menos minerais formadores de cálculos por ter sido fervida. O depósito que se forma, por exemplo, no fundo de uma chaleira é deixado pela água que evaporou e escapou na forma de vapor. Se esse vapor fosse condensado, obteríamos água destilada, um importante aliado para manter o Corpo Denso de uma pessoa jovem.
Não há absolutamente nenhuma substância terrosa na água destilada[4], nem na água pura da chuva, da neve ou do granizo (exceto o que possa ser coletado em contato com telhados, poluídas, etc.); por outro lado, o café, o chá ou a sopa preparados com água comum — não importa por quanto tempo sejam fervidos — não ficam livres dessas partículas minerais. Pelo contrário: quanto mais tempo são fervidos, mais carregados de resíduos se tornam. Aqueles que sofrem de doenças do trato urinário não devem beber nada além de água destilada.
De modo geral, pode-se dizer, sobre os alimentos sólidos que ingerimos, que os vegetais frescos e as frutas maduras[5] contêm a maior proporção de nutrientes e a menor quantidade de substâncias terrosas.
Uma alimentação adequada, fornecida no momento certo e nas condições ideais, não apenas cura, mas também previne doenças.
Existe a crença popular de que o açúcar[6], ou qualquer substância sacarina, é prejudicial à saúde em geral — e aos dentes em particular —, causando cáries e a consequente dor de dente. Isso só é verdade em certas circunstâncias. O consumo é prejudicial em certos quadros, como a biliosidade[7] e a dispepsia[8], ou se mantido na boca por muito tempo como um doce; porém, se usado com moderação quando se goza de boa saúde — aumentando-se a quantidade gradualmente à medida que o estômago se habitua ao seu uso —, revela-se muito nutritivo. Um exemplo que a história registra era a saúde dos trabalhadores na lavoura de cana-de-açúcar que melhorava consideravelmente, durante a época da colheita, apesar do aumento do trabalho. Isso é atribuído unicamente à predileção deles pelo doce caldo da cana. Os mesmos resultados se podem dizer de cavalos, vacas e outros animais nessas localidades, que apreciavam muito o xarope residual que lhes é fornecido. Eles engordam na época da colheita, e sua pelagem se torna lisa e brilhante. Cavalos alimentados com cenouras cozidas por algumas semanas adquirem uma pelagem sedosa, graças aos sucos sacarinos desse vegetal. O açúcar é um item nutritivo e benéfico da dieta e não contém absolutamente nenhum resíduo mineral (cinzas).
As frutas constituem uma dieta ideal. De fato, elas foram desenvolvidas pela árvore para atrair animais e seres humanos, levando-os a consumi-las e, assim, disseminar as sementes — tal como as flores atraem as abelhas para um propósito semelhante.
As frutas frescas contêm água da mais pura e excelente qualidade, capaz de permear o organismo de maneira maravilhosa. O suco de uva é um solvente particularmente extraordinário. Ele fluidifica e estimula o sangue, abrindo caminho em capilares que já estavam ressecados e obstruídos — desde que o processo não tenha avançado demais. Por meio de um tratamento à base de suco de uva não fermentado, pessoas com olhos encovados, pele enrugada e tez abatida tornam-se mais robustas, coradas e cheias de vida. A maior permeabilidade permite que nós, o Ego, nos manifestemos mais livremente e com energia renovada.
Considerando o Corpo Denso sob um ponto de vista puramente físico, ele é o que poderíamos chamar de uma fornalha química, sendo o alimento o combustível. Quanto mais o Corpo Denso é exercitado, mais combustível ele requer. Seria insensatez alguém mudar uma dieta comum, que o nutriu adequadamente por anos, e adotar um novo método sem refletir devidamente sobre qual seria o mais adequado aos seus objetivos. Simplesmente eliminar carnes animais[9] da dieta habitual de quem as consome prejudicaria, sem dúvida, a saúde da maioria das pessoas.
O único caminho seguro é experimentar e estudar bem a questão, exercendo o devido discernimento. Não se podem estabelecer regras fixas, pois a alimentação é uma questão tão individual quanto qualquer outra característica. Tudo o que se pode fazer é descrever a influência geral de cada elemento químico, permitindo que o Aspirante à vida superior desenvolva seu próprio método.
Também não devemos permitir que a aparência de uma pessoa influencie nosso julgamento sobre o estado de sua saúde. Existem noções gerais aceitas sobre a aparência de uma pessoa saudável, mas não há razão válida para julgar com base nisso. Bochechas rosadas podem indicar saúde em um indivíduo e doença em outro. Não existe uma regra específica para identificar a boa saúde, exceto a sensação de conforto e bem-estar experimentada pelo próprio indivíduo, independentemente da aparência.
A água é o grande solvente.
O nitrogênio, ou proteína, é o elemento essencial para a formação dos tecidos corporais, mas contém certa quantidade de matéria terrosa.
Os carboidratos, ou açúcares, são as principais fontes de energia.
As gorduras geram calor e armazenam reservas de energia.
As cinzas são minerais, de natureza terrosa, e obstruem o organismo. Não precisamos temer não as obter em quantidade suficiente para a formação dos ossos; pelo contrário, todo cuidado é pouco para ingerir a menor quantidade possível.
A caloria é a unidade básica de calor. Em meio quilo de castanhas-do-brasil, por exemplo, quando compradas no mercado, 49,6 por cento do total é desperdício (cascas), mas os 50,4 por cento restantes contêm 1.485 calorias. Isso significa que cerca de metade do que é comprado é desperdício, mas a parte restante contém a quantidade de calorias mencionada. Para obtermos o máximo de energia possível dos nossos alimentos, devemos prestar atenção ao número de calorias que eles contêm, pois é delas que extraímos a energia necessária para realizar nossas atividades diárias.
O chocolate é o alimento mais nutritivo que possuímos; por outro lado, o cacau, em sua forma em pó, é o mais perigoso de todos os alimentos, contendo três vezes mais cinzas do que a maioria dos outros e dez vezes mais do que muitos deles. É um alimento poderoso e, ao mesmo tempo, um veneno potente, pois sobrecarrega o organismo mais rapidamente do que qualquer outra substância.
Naturalmente, será necessário algum estudo inicial para garantir a melhor nutrição, mas isso compensa em termos de saúde e longevidade, além de assegurar a liberdade de movimento do Corpo Denso, possibilitando o estudo e a dedicação a coisas mais elevadas. Com o tempo, a pessoa se familiarizará tanto com o assunto que não precisará mais dedicar-lhe atenção especial.
É importante lembrar que nem todas as substâncias químicas contidas em cada alimento estão disponíveis para utilização pelo organismo, pois existem certas partes que o corpo não assimila.
Quanto aos vegetais, digerimos apenas cerca de 83 por cento das proteínas, 90 por cento das gorduras e 95 por cento dos carboidratos.
Quanto às frutas, assimilamos cerca de 85 por cento das proteínas, 90 por cento das gorduras e 90 por cento dos carboidratos.
O fósforo é o elemento específico por meio do qual o Ego é capaz de expressar o pensamento e influenciar o Corpo Denso. É também um fato que a proporção e a variação dessa substância correspondem ao estado e ao estágio de inteligência do indivíduo. Indivíduos com deficiência intelectual profunda possuem muito pouco fósforo; pensadores perspicazes possuem muito; e, no reino animal, o grau de consciência e inteligência é proporcional à quantidade de fósforo contida no cérebro.
É, portanto, de grande importância que o Aspirante à vida superior, que pretende utilizar seu Corpo Denso para trabalhos mentais e espirituais, forneça ao seu cérebro a substância necessária para esse fim. A maioria dos vegetais e frutas contém certa quantidade de fósforo, mas é um fato curioso que a maior proporção esteja contida nas folhas, que geralmente são descartadas. Ele é encontrado em quantidades consideráveis em uvas, cebolas, sálvia, feijões, cravo-da-índia, abacaxis, nas folhas e talos de muitos vegetais e, também, no caldo de cana-de-açúcar, mas não no açúcar refinado.
A tabela a seguir mostra as proporções de ácido fosfórico em alguns alimentos:
Em 1.000 partes de:
| Cevada seca | 210 partes |
| Feijões, favas, ervilhas | 292 partes |
| Beterrabas | 167 partes |
| Folhas de beterraba | 690 partes |
| Trigo mourisco | 170 partes |
| Cenouras secas | 395 partes |
| Folhas de cenoura | 963 partes |
| Linhaça | 880 partes |
| Talos de linho | 118 partes |
| Chirívia (Pastinaga)[10] | 111 partes |
| Folhas de chirívia (Pastinaga) | 1784 partes |
| Ervilhas frescas | 190 partes |
Em conclusão, que o Aspirante à vida superior escolha alimentos de fácil digestão, pois quanto mais facilmente a energia do alimento for extraída, mais tempo o organismo terá para se recuperar antes que seja necessário repor as reservas. O leite nunca deve ser bebido da mesma forma que se bebe um copo de água. Ingerido assim, forma no estômago uma grande massa de coalho, bastante resistente à ação dos sucos gástricos. Deve ser bebido aos poucos, em pequenos goles, pois assim formará no estômago muitos glóbulos pequenos, que são facilmente assimilados. As frutas cítricas são antissépticos poderosos, e os cereais, particularmente o arroz, são antitóxicos de grande eficiência.
Tendo explicado, do ponto de vista puramente material, o que é necessário para o Corpo Denso, passaremos a considerar o assunto sob o aspecto oculto, levando em conta o efeito sobre os dois Corpos invisíveis que interpenetram o Corpo Denso.
A principal sede do Corpo de Desejos reside nos músculos e no Sistema Nervoso Cerebrospinal[11], como já foi demonstrado. A energia manifestada por uma pessoa sob forte excitação ou ira é um exemplo disso. Nesses momentos, todo o sistema muscular fica tenso, e nenhum trabalho árduo é tão exaustivo quanto um “ataque de raiva”. Isso pode deixar o Corpo Denso prostrado por semanas. Percebe-se, assim, a necessidade de aprimorar o Corpo de Desejos mediante o controle do temperamento, poupando o Corpo Denso do sofrimento decorrente da ação descontrolada do Corpo de Desejos.
Sob uma perspectiva oculta, toda a consciência no Mundo Físico resulta da luta constante entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital. Sua principal expressão manifesta-se no sangue e nas glândulas, bem como no Sistema Nervoso Simpático, tendo penetrado na fortaleza do Corpo de Desejos (os sistemas muscular e o Sistema Nervoso Voluntário) quando começou a transformar o Coração em um músculo voluntário.
A tendência do Corpo de Desejos é endurecer; por sua vez, ele invadiu o domínio do Corpo Vital, apoderando-se da Glândula Baço e produzindo os glóbulos brancos — que não são os “policiais do organismo”, como a Ciência acredita atualmente, mas sim destruidores. Ele utiliza o sangue para transportar esses minúsculos destruidores por todo o Corpo Denso. Eles atravessam as paredes das artérias e veias sempre que se sente irritação, e especialmente em momentos de grande ira. Então, o fluxo de forças no Corpo de Desejos faz com que as artérias e veias se dilatem, abrindo caminho para a passagem dos glóbulos brancos para os tecidos corporais, onde formam a base para a matéria terrena que mata o Corpo Denso.
Recebendo a mesma quantidade e o mesmo tipo de alimento, a pessoa de disposição serena e jovial viverá mais, desfrutará de melhor saúde e será mais ativa do que aquela que se preocupa ou perde a calma. Esta última produzirá e distribuirá pelo corpo mais glóbulos brancos destrutivos do que a primeira. Se um cientista analisasse os Corpos Densos dessas duas pessoas, constataria que havia consideravelmente menos matéria terrena no Corpo Denso da pessoa de índole bondosa do que no daquela propensa a irritações e reclamações.
Essa destruição ocorre constantemente; não é possível impedir a entrada de todos os destruidores, nem essa é a intenção. Se o Corpo Vital tivesse domínio irrestrito, ele construiria incessantemente, empregando toda a energia para esse fim. Não haveria consciência nem expressão do pensamento. É porque o Corpo de Desejos restringe e endurece as partes internas que a consciência se desenvolve.
Houve um tempo, num passado muito remoto, em que expelíamos as concreções — tal como fazem os moluscos —, deixando o Corpo Denso macio, flexível e sem ossos; mas, naquela época, possuíamos apenas a consciência embotada e tênue parecida com as os moluscos têm hoje. Antes que pudéssemos progredir, tornou-se necessário reter as concreções; verifica-se que o estágio de consciência de qualquer espécie é proporcional ao desenvolvimento de sua estrutura óssea interna. O Ego precisa de ossos sólidos com a medula vermelha semilíquida para poder produzir os glóbulos vermelhos necessários à sua expressão. Esse é o grau mais elevado de desenvolvimento do Corpo Denso.
[1] N.T.: é responsável por filtrar o sangue, produzir, transportar, armazenar e eliminar a urina, mantendo o equilíbrio interno do Corpo Denso.
[2] N.T.: O médico inglês William Harvey descobriu que o coração funciona como uma bomba que faz o sangue circular pelo Corpo Denso em um circuito fechado.
[3] N.T.: A perda de líquidos pelo Corpo Denso ocorre de duas formas principais: a perda insensível (que não percebemos e que é a evaporação contínua de água pelas vias respiratórias e difusão direta através da pele, e que é composta de água (vapor de água)) e a perda sensível (que é visível e regulada e que é a secreção ativa de líquido pelas glândulas sudoríparas, e que é composta de água combinada com eletrólitos (principalmente sódio e cloreto)). Ambas são fundamentais para a regulação da temperatura e o equilíbrio de fluidos do organismo.
[4] N.T.: Atualmente, a água purificada por osmose reversa ou destilada é a que tem menos substância terrosa ou minerais dissolvidos, pois o processo remove praticamente todos os sólidos da água.
[5] N.T.: Obviamente orgânicos, sem pesticidas ou outros elementos externos.
[6] N.T.: Trata-se do açúcar mascavo, o tipo mais natural extraído da cana, que é o que havia na época em que o livro foi escrito.
[7] N.T.: Quadro em que há excesso ou alteração da bílis (líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão), podendo causar náuseas, vômitos ou problemas no fígado.
[8] N.T.: popularmente conhecida como má digestão ou indigestão, é um conjunto de sintomas de desconforto ou dor na parte superior do abdômen (exemplos: gastrite, úlcera, refluxo ou infecção pela bactéria Helicobacter pylori, ou, ainda, estresse ou sensibilidade gástrica).
[9] N.T.: de mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins.
[10] N.T.: também chamado de Pastinaca ou Cherovia. Parece uma cenoura, mas é mais rústico e menos firme, tendo um formato cónico. Tom creme-esbranquiçado e um sabor a anis doce. É um legume de antigamente que está a ser recuperado pelas novas gerações.
[11] N.T.: é o conjunto de órgãos que formam o Sistema Nervoso Central (SNC), composto pelo encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e pela medula espinal.
Razões para uma dieta vegetariana:
A maioria das pessoas sente que uma refeição sem carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) é incompleta, pois, desde tempos imemoriais, considera-se um axioma que a carne animal é o alimento que mais fortalece o organismo. Todos os outros alimentos são vistos como meros acompanhamentos para um ou mais tipos de carne animal presentes no cardápio. Nada poderia ser mais equivocado; a ciência comprovou, por meio de experimentos, que a nutrição obtida de vegetais possui, invariavelmente, maior poder de sustentação — e a razão disso torna-se evidente quando analisamos a questão sob a perspectiva do ocultismo.
A Lei da Assimilação estabelece que “nenhuma partícula de alimento pode ser incorporada ao Corpo Denso pelas forças encarregadas dessa tarefa antes de ter sido dominada pelo Espírito que nele habita”, pois o Espírito deve ser o governante absoluto e incontestável do Corpo Denso, regendo a vida das células como um autocrata; caso contrário, cada uma delas seguiria seu próprio caminho, como ocorre na decomposição quando o Ego já se retirou.
É evidente que, quanto mais tênue for a consciência de uma célula, mais fácil será dominá-la e por mais tempo ela permanecerá em estado de submissão. Os diferentes Reinos de Vida possuem veículos distintos e, consequentemente, consciências diferentes. O mineral possui apenas o Corpo Denso e uma consciência semelhante à de um Transe Profundo. Portanto, seria mais fácil assimilar alimentos provenientes diretamente do Reino Mineral. O alimento mineral permaneceria em nosso organismo por mais tempo, dispensando a necessidade de comer com tanta frequência; contudo, constatamos que o organismo humano vibra tão rapidamente que é incapaz de assimilar diretamente o mineral inerte. O sal e substâncias semelhantes são imediatamente expelidos do organismo sem qualquer assimilação; o ar é rico em nitrogênio — elemento de que necessitamos para repor o desgaste orgânico — e, embora o respiremos, não conseguimos assimilá-lo (nem qualquer outro mineral) antes que ele seja transmutado no laboratório da Natureza e incorporado às plantas.
As plantas possuem Corpo Denso e Corpo Vital, o que lhes permite realizar esse trabalho; sua consciência assemelha-se a um Sono Profundo, sem Sonhos. Assim, é fácil para o Ego dominar as células vegetais e mantê-las submissas por longo período, o que explica o grande poder nutritivo dos vegetais.
Nos alimentos de origem animal, as células já se tornaram mais individualizadas; como o animal possui um Corpo de Desejos, que lhe confere uma natureza passional, compreende-se facilmente que, ao ingerirmos carne animal, é mais difícil subjugar essas células — que possuem uma consciência animal semelhante ao estado de Sono com Sonhos — e que tais partículas não permanecem submissas por muito tempo. Por isso, uma dieta à base de carne animal exige maiores quantidades e refeições mais frequentes do que uma dieta de vegetais ou frutas. Se déssemos um passo adiante e consumíssemos a carne de animais carnívoros, sentiríamos fome constantemente, pois, nesses casos, as células tornaram-se extremamente individualizadas e, consequentemente, buscariam sua liberdade — e a alcançariam — muito mais rapidamente. Isso fica bem ilustrado nos casos do lobo, do abutre e do canibal, que se tornaram símbolos da fome; e, como o fígado humano é pequeno demais para processar sequer uma dieta comum a base de carne animal, é evidente que, se o canibal vivesse exclusivamente de carne humana, em vez de consumi-la apenas como um “petisco” ocasional, logo sucumbiria. Isso ocorre porque, enquanto o excesso de carboidratos, açúcares, amidos e gorduras causa pouco ou nenhum dano ao organismo — sendo expelido pelos pulmões na forma de gás carbônico ou eliminado como água pelos rins e pela pele —, o excesso de carne animal, embora também seja metabolizado, deixa como resíduo o ácido úrico (uma substância tóxica), e reconhece-se cada vez mais que, quanto menos carne animal consumimos, melhor para o nosso bem-estar.
É natural desejarmos os melhores alimentos, mas todo Corpo Denso animal contém em si as toxinas da decomposição. O sangue venoso está repleto de dióxido de carbono e outros produtos nocivos a caminho dos rins ou dos poros da pele, para serem expelidos como urina ou suor. Essas substâncias repugnantes estão presentes em todas as partes da carne animal e, ao consumi-la, enchemos nossos próprios corpos de toxinas. Muitas doenças decorrem do consumo de carne animal.
Há inúmeras provas de que uma dieta carnívora estimula a ferocidade. Podemos citar, como bons exemplos, a conhecida agressividade dos animais de rapina e a crueldade dos indígenas americanos que se alimentavam de carne. Por outro lado, a força prodigiosa e a natureza dócil do boi, do elefante e do cavalo demonstram os efeitos de uma dieta à base de vegetais nos animais; da mesma forma, as nações vegetarianas e pacíficas do Oriente comprovam a validade do argumento contra o consumo de carne animal — um argumento irrefutável.
Ao adotarmos uma dieta vegetariana, livramo-nos de uma das mais graves ameaças à saúde: a putrefação de partículas de carne animal presas entre os dentes; e esse é um argumento de grande peso a favor da adoção do vegetarianismo. Frutas, cereais e vegetais são, por sua própria natureza, de lenta decomposição; cada partícula contém uma enorme quantidade de Éter que a mantém viva e doce por muito tempo, ao passo que o Éter que interpenetra a carne animal e compõe o Corpo Vital de um animal é retirado juntamente com o seu Espírito no momento da morte. Assim, o risco de infecção por meio de alimentos vegetais é, primeiramente, muito pequeno; além disso, muitos deles, longe de serem venenosos, são na verdade antissépticos de altíssimo grau. Isso se aplica particularmente às frutas cítricas — laranjas, limões, toranjas, etc. —, sem falar no rei de todos os antissépticos: o abacaxi, que tem sido usado com frequência e sucesso total na cura da temível difteria — que nada mais é do que uma inflamação séptica da garganta. Portanto, em vez de intoxicar o trato digestivo com elementos de putrefação, como fazem as carnes animais, as frutas limpam e purificam o organismo; e o abacaxi é um dos melhores auxiliares da digestão que o ser humano já conheceu. Ele é muito superior à pepsina, e sua obtenção não envolve nenhuma crueldade atroz.
Há doze sais no Corpo Denso; eles são muito vitais e representam os doze Signos do Zodíaco. Esses sais são necessários para a construção do Corpo Denso. Não são sais minerais, como geralmente se supõe, mas sim de origem vegetal. O mineral não possui Corpo Vital, e é apenas por meio do Corpo Vital que a assimilação se realiza; portanto, devemos obter esses sais através do Reino Vegetal[1].
Os médicos afirmam fazer isso, mas não se dão conta de que o fogo utilizado no processo expulsa e destrói o Corpo Vital da planta — tal como a cremação trata o nosso Corpo Denso —, deixando apenas as partes minerais. Assim, se desejamos renovar o suprimento de qualquer sal em nosso organismo, devemos obtê-lo da planta crua. É dessa forma que ele deve ser administrado aos enfermos ou doentes.
No entanto, não devemos tirar a conclusão precipitada de que todos deveriam deixar de comer carne animal e viver apenas de alimentos vegetais crus. Em nosso atual estágio de evolução, são muito poucos os que conseguem fazê-lo. Devemos ter o cuidado de não elevar as vibrações de nossos Corpos Densos de maneira demasiado rápida, pois, para continuarmos nossa tarefa nas condições atuais, precisamos de um Corpo Denso adequado ao trabalho; mas mantenhamos sempre esse pensamento conosco.
Existe, no crânio, na base do cérebro, uma chama. Ela arde continuamente no bulbo raquidiano (medula oblonga), no topo da medula espinhal e, tal como o fogo no altar do Tabernáculo no Deserto, é de origem divina. Esse fogo emite um som cantante semelhante ao zumbido de uma abelha — a nota fundamental do Corpo Denso —, que é produzido pelo Arquétipo. Ele edifica e une a massa de células conhecida como “nosso Corpo Denso”.
O fogo arde com maior ou menor intensidade, de forma límpida ou tênue, conforme a maneira como o alimentamos. Há fogo em tudo na natureza, exceto no Reino Mineral. Este não possui Corpo Vital e, portanto, não tem via de acesso para a entrada do Espírito de Vida — o fogo. Reabastecemos esse fogo sagrado em parte com as forças do Sol que penetram no Corpo Vital através da contraparte etérica da Glândula Baço e, de lá, vão para o Plexo Celíaco[2], onde são coloridas e depois transportadas para cima pelo sangue. Também alimentamos esse fogo com o fogo vivo que absorvemos dos alimentos crus que ingerimos e assimilamos.
Ao considerar a questão do consumo de carne anilam sob o aspecto ético, matar para comer vai contra uma concepção mais elevada. Antigamente, o ser humano saía para a caça como qualquer animal de rapina, rude e insensível; hoje, ele realiza sua caçada no açougue, onde nenhuma das cenas nauseantes do matadouro o fará sentir enjoo. Se cada um tivesse de entrar num desses locais sangrentos, onde horrores são perpetrados dia após dia, para satisfazer um hábito anormal e nocivo — que causa mais doenças e sofrimento do que até mesmo o vício em álcool; se cada um tivesse de empunhar a faca ensanguentada e cravá-la na carne trêmula de sua vítima, quanta carne animal comeríamos? Muito pouca. Para evitar ter de realizar nós mesmos esse trabalho repugnante, forçamos um semelhante a permanecer naquele curral sangrento, dia após dia, matando milhares de animais todos os dias da semana; brutalizamo-lo a tal ponto que a lei não lhe permite integrar um júri em casos de crimes graves, pois ele perdeu qualquer respeito pela vida.
Os animais que matamos também clamam contra esse assassinato; paira uma nuvem de melancolia e ódio sobre as grandes cidades onde se concentram os matadouros. A lei protege cães e gatos contra a crueldade. Todos nos alegramos ao ver os esquilinhos nos parques da cidade vindo comer de nossas mãos; no entanto, assim que há valor comercial na carne ou na pele de um animal, o ser humano deixa de respeitar o seu direito à vida e torna-se o seu inimigo mais perigoso, alimentando-o e criando-o para obter lucro, impondo sofrimento e privações a um semelhante em nome do ouro. Temos uma grande dívida para com as criaturas inferiores, de quem deveríamos ser mentores, mas de quem somos assassinos; e a lei do bem, que atua incessantemente para corrigir abusos, também relegará, com o tempo, o hábito de consumir animais assassinados ao depósito de práticas obsoletas, tal como ocorreu com o canibalismo.
É da natureza da fera de rapina devorar qualquer animal que cruze o seu caminho, e sua constituição orgânica exige esse tipo de dieta para a sobrevivência; contudo, tudo está em um processo de se tornar, transformando-se continuamente em algo superior. O ser humano, em seus estágios iniciais de desenvolvimento, também se assemelhava às feras de rapina sob certos aspectos; no entanto, ele está destinado a tornar-se semelhante a Deus e, portanto, deve, em algum momento, cessar a destruição para que possa começar a criar. No passado, a alimentação à base de carne animal estimulou uma forma inferior de engenhosidade humana e cumpriu um papel em nossa evolução; mas agora estamos no limiar de uma nova Era[3], na qual o sacrifício pessoal e o serviço ao próximo proporcionarão crescimento espiritual à Humanidade. A evolução da Mente trará uma sabedoria que transcende nossa maior capacidade de compreensão; porém, antes que nos seja seguro confiar tal sabedoria, precisamos nos tornar inofensivos como as pombas, pois, do contrário, correríamos o risco de empregá-la para fins tão egoístas e destrutivos que ela se tornaria uma ameaça inconcebível para nossos semelhantes. Para evitar isso, é necessário adotar a dieta vegetariana.
Aprendemos que não existe vida no universo além da vida de Deus; que “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[4]; que Sua vida anima tudo o que existe e que, portanto, compreendemos naturalmente que, ao tirar uma Vida, estamos destruindo uma Forma criada por Deus para a Sua própria manifestação. Os animais são Espíritos em evolução e possuem sensibilidade. É o desejo de vivenciar experiências que os leva a construir suas diversas Formas; quando lhes tiramos essas Formas, privamo-los da oportunidade de adquirir experiência. Obstaculizamos a sua evolução em vez de ajudá-los, e chegará o dia em que sentiremos profunda aversão ao pensar em transformar nossos estômagos em cemitérios para as carcaças de animais assassinados. Todos os verdadeiros Cristãos abster-se-ão de alimentos de origem animal por pura compaixão; compreenderão que toda Vida é a vida de Deus e que causar sofrimento a qualquer ser senciente é errado.
Em muitos trechos onde a Bíblia menciona “alimento” (ou “carne”, na tradução literal de certas versões antigas), fica claro que não se refere à carne de animais. O capítulo de Gênesis, que descreve a determinação inicial do alimento do ser humano, diz que ele deveria comer de todas as árvores e ervas que dão semente, “e isso vos servirá de alimento”[5]. Em todas as épocas, as pessoas mais evoluídas abstiveram-se de comer carne animal. Vemos, por exemplo, Daniel — homem santo e sábio — suplicar para não ser forçado a comer carne animal, pedindo que, em vez disso, fossem servidos apenas legumes e grãos a ele e a seus companheiros[6]. Quanto aos filhos de Israel no deserto, se diz que “desejavam avidamente a carne”[7], e seu Deus irou-se com eles por causa disso.
Há um significado esotérico no episódio da alimentação da multidão, no qual peixes foram utilizados como alimento; contudo, analisando o aspecto puramente material, podemos resumir nossa resposta reiterando que, com o tempo, superaremos o consumo de carne de mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins, assim como já superamos o canibalismo. Qualquer permissão que possa ter sido concedida num passado de barbárie desaparecerá no futuro altruísta, quando sensibilidades mais refinadas nos despertarem para uma percepção mais plena dos horrores envolvidos na satisfação do paladar carnívoro.
[1] N.T.: Se quiser mais informações sobre isso acesse esse livreto: Os Sais Celulares.
[2] N.T.: Também conhecido como Plexo Solar, por causa de suas fibras nervosas radiantes, é uma complexa rede de nervos localizada no abdômen, perto de onde o tronco celíaco, a artéria mesentérica superior e as artérias renais se ramificam da aorta abdominal. Está atrás do estômago e da bolsa omental, e na frente da crura do diafragma, ao nível da primeira vértebra lombar. O plexo é formado em parte pelos nervos esplâncnicos maior e menor de ambos os lados e por fibras dos troncos vagais anterior e posterior. O plexo celíaco propriamente dito consiste nos gânglios celíacos com uma rede de fibras interconectadas. Os gânglios aorticorrenais são frequentemente considerados parte dos gânglios celíacos e, portanto, parte do plexo.
[3] N.T.: Refere-se à Era de Aquário.
[4] N.T.: At 17:28
[5] N.T.: Gn 1:29
[6] N.T.: Dn 1:12
[7] N.T.: Nm 11:4-6 e Sl 106:14
A necessidade de uma dieta atraente e equilibrada:
Na mais sublime de todas as orações, o Cristo nos ensina a pedir “o pão de cada dia”; contudo, nas condições modernas atuais, infelizmente, com que frequência recebemos, em vez disso, uma pedra.
Devido à nossa civilização complexa, aos métodos de refrigeração e a outras aberrações, a nossa alimentação é tal que, de modo geral, em vez de nutrir o corpo como deveria, ela nos esgota e nos torna suscetíveis a diversas doenças; dizer que a comida servida na maioria dos locais públicos é “indigesta” é uma crítica muito branda.
Mesmo no lar, aquilo que é posto à mesa para nutrir, sustentar e fortalecer a saúde do Corpo Denso é, muitas vezes, apenas uma caricatura de alimento, disfarçada por temperos e molhos variados para parecer saborosa, pois geralmente comemos para agradar ao paladar, e não para nutrir o Corpo Denso.
Por outro lado, é inegável que algumas pessoas — que afirmam cozinhar com base em critérios científicos e bom senso, que se dizem vegetarianas e são muito rigorosas quanto à forma como os alimentos devem ser preparados — parecem não compreender que a comida pode ser saborosa e, ao mesmo tempo, saudável e nutritiva; que não há incompatibilidade entre as exigências de um bom preparo culinário e o prazer proporcionado ao paladar. De fato, pode-se dizer que, a menos que o alimento seja preparado de modo a agradar ao paladar e seja, ao mesmo tempo, saudável e nutritivo, ele deixa muito a desejar quanto à sua finalidade plena. O paladar nos foi dado para que possamos desfrutar da comida — para que, por assim dizer, a recebamos com alegria e a acolhamos em nosso organismo —, pois isso favorece a assimilação e a nutrição; em contrapartida, alimentos de sabor desagradável são rejeitados pelo organismo e, portanto, não são assimilados com tanta facilidade. Devemos ter sempre em mente este fato: não é a quantidade que comemos que conta, mas sim a quantidade que assimilamos.
Algumas pessoas, instruídas de forma inadequada sobre esse tema tão importante da nutrição, podem ter ouvido dizer que as leguminosas — ervilhas, feijões, etc. — substituiriam a carne animal; assim, após abandonarem o consumo de carne animal, passaram a ingerir esses vegetais em grandes quantidades. É perfeitamente verdade que o feijão contém mais proteína do que um bife de carne bovina, mas a proteína nele contida não é assimilada com a mesma facilidade. Tais alimentos geram uma grande quantidade de resíduos e ácido úrico, fatores que devem ser levados em conta; se não forem neutralizados pelo consumo abundante de hortaliças verdes, consequências desastrosas certamente ocorrerão. É importante lembrar, contudo, que as hortaliças verdes não devem ser consumidas na mesma refeição que as leguminosas mais pesadas. Há também aqueles que, ao deixarem de comer carne animal, passam a se alimentar basicamente de pão, batatas e outros alimentos ricos em amido, acabando por sofrer de desnutrição e anemia. Uma dieta satisfatória deve ser devidamente equilibrada sob todos os aspectos; somente ao estudarmos o regime alimentar necessário para manter a saúde do Corpo Denso é que podemos esperar obter os resultados adequados.
A dieta, assim como a saúde, é determinada individualmente, não sendo possível estabelecer um padrão geral. Ao mesmo tempo, pode-se afirmar com segurança que, quanto menos carne animal consumirmos, melhor será nossa saúde geral. No entanto, se desejarmos prescindir totalmente dela, é absolutamente essencial estudar uma tabela de valores nutricionais para garantir a obtenção das proteínas necessárias a partir dos vegetais que ingerimos. Ninguém consegue obter nutrição suficiente em uma refeição comum se comer apenas os vegetais servidos como acompanhamento da carne animal; é preciso consumir feijões, ervilhas, nozes e alimentos semelhantes — ricos em proteínas — para substituir a carne animal dispensada; caso contrário, a pessoa sofrerá desnutrição.
Março de 1913
Este mês tenho várias comunicações importantes a fazer e usarei a carta mensal para isso. Vocês se lembram de que no ano passado, na série de lições intituladas “Nosso trabalho no Mundo”[1], falei do Processo de Constituição Legal da Fraternidade Rosacruz e da transferência da direção dos assuntos dela para um Conselho Diretor, para que o que pertence à obra possa ser preservado dentro de seus propósitos altruístas pelos séculos vindouros. Tal Processo de Constituição Legal foi realizado estritamente de acordo com as leis da Califórnia, e a Fraternidade possui agora uma posição legal no mundo. O terreno da Sede Mundial[2], com os edifícios que a constituem, e todo o material e utensílios necessários para a realização da Obra são agora de propriedade exclusiva da Fraternidade, protegidos da ganância individual.
Isso tirou um grande peso dos ombros da Augusta Foss Heindel e dos meus. Acumulamos as contribuições feitos à Fraternidade, que variam desde um simples selo de correio a quantias modestas em dinheiro (pois até agora não recebemos grandes quantias). Com esses pequenos recursos, cuidadosamente empregados, estabelecemos agora a base de algo tão imensuravelmente grandioso que está além da minha capacidade de descrever. Vocês, com suas ofertas voluntárias, ajudaram a criar Mount Ecclesia sob o ponto de vista material; ela é de todos, e de todos continuará sendo, pois nem a Augusta Foss Heindel nem eu temos o menor interesse em valores financeiros ou propriedades terrenas, mas nos gloriamos apenas no inestimável privilégio de servir. É claro que muito mais é necessário para que a Obra floresça plenamente, mas depositamos nossa fé na garantia dos Irmãos Maiores de que, quando estivermos prontos, as coisas que proporcionarão maior crescimento e maior utilidade da Fraternidade Rosacruz virão até nós. Entretanto, continuaremos trabalhando dia após dia com os meios que já temos a nossa disposição; pois assim, e somente assim, poderemos nos preparar para um serviço maior.
É com grande satisfação que anunciamos que, embora não tivéssemos de início grande ajuda, contamos agora com vários colegas legais aqui em Mount Ecclesia; mas, embora nossa equipe de escritório tenha dobrado nos últimos meses o volume de trabalho aumentou a uma taxa fenomenal, e a correria no escritório continua tão grande como sempre.
Como vocês devem se lembrar, a nossa literatura já mencionou o fato de que Ciência, Arte e Religião haviam se separado nos tempos modernos, pois essa separação foi necessária para o desenvolvimento pleno de cada uma delas. Também dissemos que, assim como a Ciência, a Arte e a Religião eram ensinadas juntas nos antigos Templos de Mistérios, essa união também deve ocorrer no futuro, pois é necessária para o nosso crescimento espiritual. Em junho[3], iniciaremos uma escola em Mount Ecclesia disseminar esse ensinamento abrangente, com ênfase especial na arte da Cura Rosacruz. Prospectos e detalhes complementares serão enviados aos Estudantes Rosacruzes interessados, mediante solicitação feita a esta Sede. As despesas serão cobertas pelos donativos que nos enviarem.
(Do Livro: Carta nº 28 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Eis os Capítulos sobre “Nosso trabalho no Mundo” publicados no Livro Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz:
Parte I
Observando o progresso dos trabalhos da Fraternidade Rosacruz concluímos que ele não resulta dos esforços exclusivos de alguns membros. Ele é produto do trabalho conjunto dos Irmãos Maiores e de todos os membros da Fraternidade Rosacruz. Na dedicação a essa missão encontramos uma excelente oportunidade para o desenvolvimento da alma.
Não temos o direito de uso exclusivo do alimento espiritual, como não temos o direito exclusivo do alimento material. Devemos dar a todos a oportunidade de colaborar neste trabalho, seja física, mental ou financeiramente. De acordo com o tempo, talento, aptidão e condições de cada um.
Por outro lado, compreendemos a importância da nossa participação, sem a qual a obra poderá ficar incompleta. Nesse caso seremos servos improdutivos dos Irmãos Maiores. A carga é superior à nossa capacidade de suportá-la. Portanto, para prosperarmos, a Grande Obra necessita de muitos colaboradores. Assim sendo, nesta lição vamos repassar o histórico do trabalho efetivado até hoje. Dessa forma os Estudantes podem vislumbrar uma real perspectiva das linhas do futuro trabalho. Será necessário abusar do pronome “Eu”. Peço aos Estudantes a bondade e a compreensão para serem pacientes comigo neste caso. Ninguém menos aprecia introduzir um elemento pessoal do que o autor, mas no caso presente parece ser inevitável.
Temos deixado claro em nossa literatura, como ensinamento axiomático, que cada objeto no universo visível é a corporificação de um pensamento invisível pré-existente. Fulton construiu um barco a vapor e Bell um telefone. O pensamento criador precedeu os primeiros modelos construídos em madeira e metal. Do mesmo modo, um escritor planeja e idealiza um livro antes de escrevê-lo.
Uma Ordem de Mistérios também deve idealizar e planejar sua filosofia espiritual para suprir as necessidades das pessoas que foi encarregada de servir. Esse trabalho pode levar séculos.
As investigações científicas são realizadas no isolamento dos laboratórios. As conclusões provenientes dos resultados experimentais não são divulgadas até estarem devidamente comprovadas. Esse rigor é necessário para assegurar e promover os avanços no âmbito da ciência. Analogamente os ensinamentos espirituais, destinados a incrementar o desenvolvimento de certo conjunto de almas afins, não são divulgados a todos enquanto não ficar bem demonstrada sua eficácia entre os estudiosos e pesquisadores.
Como as invenções, também as teorias ou projetos passam pelo estágio experimental. A menos que comprovem alguma utilidade, serão rejeitados. Também um ensinamento espiritual deve atingir um ponto de perfeição para ser divulgado e utilizado no trabalho do mundo. Se não for assim, sucumbe. Esse tem sido o método utilizado para divulgar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. Foram formulados pela Ordem Rosacruz com o objetivo de encontrar ressonância com a Mente extremamente intelectualizada dos irmãos da Europa e da América.
Há séculos, nosso venerado Fundador elegeu doze Irmãos Maiores para colaborarem com essa obra. Todos, provavelmente, empenharam-se no estudo retrospectivo da evolução histórica das linhas de pensamento do ser humano. Elaboraram um inventário abrangendo, talvez, vários milênios. Dessa forma, consolidaram, com fundamentos, uma concepção apurada da direção que provavelmente assumiriam as Mentes das gerações futuras. Puderam também antever suas inclinações e necessidades espirituais. Analisando o contexto dentro de diversos ângulos, procuravam identificar os pecados dominantes em nossos dias. Chegavam sempre na inequívoca conclusão: “Orgulho intelectual, intolerância e impaciência diante das limitações e restrições”.
Formularam uma filosofia capaz de satisfazer os apelos do coração e ao mesmo tempo capaz de corresponder aos clamores do intelecto. Enfatizaram a importância do domínio próprio como o melhor meio para vencer as limitações humanas.
Recebemos milhares de cartas de apreço de diferentes cantos do mundo, das altas esferas às camadas mais baixas. Atestam o desejo ardente da alma e a satisfação proporcionada pelos ensinamentos.
Mas, à medida que o tempo passa, daqui a cinquenta anos, talvez um século ou dois, quando as descobertas científicas confirmarem muitas das afirmações contidas no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, quando a inteligência da maioria se tornar ainda mais aberta, os Ensinamentos Rosacruzes darão satisfação espiritual a milhões de Espíritos que buscam esclarecimento.
Neste caso, percebemos como é indispensável o prudente e criterioso cuidado dos Irmãos Maiores, antes de confiarem tão importante missão a qualquer um. Os ensinamentos serão divulgados apenas em momentos decisivos para as futuras épocas. Como as sementes são plantadas no começo do ciclo anual, também uma semente filosófica, como os Ensinamentos da Rosacruz, deve ser plantada na primeira década do século quando se inicia um novo ciclo. As publicações devem respeitar esses períodos. Se passar o prazo, aguarda-se outro momento oportuno.
O mensageiro dos ensinamentos escolhido em 1905 foi considerado inapto. Então, os Irmãos Maiores se voltaram para mim. Fui testado e aprovado em 1908. Desde então venho recebendo seus ensinamentos. O livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos” foi publicado em novembro de 1909, pouco antes do fim da primeira década. Exatamente um ano e um mês antes.
Amigos organizaram o manuscrito original e fizeram um trabalho esplêndido. Entretanto, é claro, ainda era preciso revisá-lo antes de destiná-lo ao trabalho de impressão. Depois li as provas já impressas, corrigi e encaminhei para nova impressão. Tornei a lê-las e os erros foram corrigidos. Depois de paginadas, li novamente. Dei instruções ao pessoal da gráfica sobre os desenhos e a correta posição de cada um nas páginas no livro, etc.
Levantava-se às seis horas da manhã e trabalhava até o início da madrugada, normalmente entre meia-noite e três horas da madrugada. Assim foi durante semanas. Tudo em meio a confusões intermináveis envolvendo comerciantes e o ruído de Chicago agredindo meus ouvidos. Muitas vezes cheguei ao limite de minha resistência nervosa. Ainda assim consegui concentrar-me e redigi muitos temas novos para o “Conceito”.
Eu teria sucumbido não fosse o apoio dos Irmãos Maiores. Era obra deles e eles me forneceram todo suporte. Minha função era trabalhar até o limite de minhas forças e capacidade, deixando o resto aos cuidados deles. Contudo, eu era quase uma ruína quando essa tarefa se consumou.
Talvez agora todos entendam a minha atitude no que se refere ao “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Mais do que ninguém, permaneço extasiado diante de seus maravilhosos ensinamentos, e posso fazê-lo sem falsa modéstia porque o livro não é meu, ele pertence à Humanidade. Inclusive nem parece que fui eu que o escrevi. Sinto-me absolutamente impessoal no assunto. Minha tarefa é cuidar de sua correta publicação e dos direitos autorais com o intuito de protegê-lo contra deturpações.
Contudo, logo que seja possível encontrar depositários responsáveis e competentes, a Fraternidade Rosacruz será incorporada. Todos os meus direitos autorais passarão para a instituição, juntamente com tudo mais que me pertença, pois faz parte do acordo com os Irmãos que qualquer lucro resultante da obra, a ela deve reverter.
Aceitei essa condição voluntariamente. Nem eu nem a Sra. Heindel visamos ganhos materiais. A nós importa somente o suficiente para levar adiante esse trabalho. A abençoada missão é para nós a melhor recompensa. É mais preciosa do que qualquer dádiva material.
Entre algumas opiniões e tolices publicadas sobre a Ordem Rosacruz, destaquemos uma que afirma uma grande verdade: Ela anseia curar os doentes.
Antigas ordens Religiosas acreditavam no flagelo do corpo como meio para se alcançar o desenvolvimento espiritual. Os Rosacruzes, pelo contrário, demonstram o maior zelo por esse instrumento. Um corpo saudável é indispensável para a manifestação de uma Mente sã.
Curar os enfermos e pregar os evangelhos da Era de Aquário são as duas atividades fundamentais para os zelosos seguidores de Cristo, e todos esperam ansiosamente pelo “dia do Senhor”. Com esse Espírito norteamos a totalidade do nosso trabalho no mundo.
Os Irmãos Maiores sabem que o abuso da força sexual, estimulado pelos Espíritos Lucíferos, deixa sequelas no corpo. A perversão do amor (luxúria) é responsável por doenças e debilidades. Por isso, o Método Rosacruz de Cura ensina a manter saudável o Corpo Denso. Somente um Corpo são pode hospedar uma Mente sadia e um coração pleno de amor puro. A concepção sem mácula proporciona corpos cada vez mais puros e abrevia o advento do Reino de Cristo. Somente a pureza pode libertar o Espírito da carne. Lembremos: “A carne e o sangue não podem herdar o Reino dos Céus.”.
Pregar o Evangelho (da próxima Era) é tão necessário quanto Curar os Enfermos. O sistema de cura desenvolvido pelos Irmãos Maiores combina as melhores técnicas e métodos praticados por diversas escolas atuais. Conta com um método de diagnose e tratamento tão exato quanto simples. Assim foi dado um grande passo para elevar e promover o trabalho na área da cura. Como dizem: das areias da experiência às rochas do conhecimento exato.
Na noite de nove de abril de 1910, quando a Lua Nova transitava por Áries, o Mestre apareceu em meu quarto e disse que uma nova década (ciclo) havia começado naquela noite. Na noite anterior, minhas obrigações com o recém-inaugurado Centro da Fraternidade de Los Angeles haviam terminadas.
Viajei e proferi conferências seis noites por semana, além de algumas tardes. Depois da experiência em Chicago na época da edição, adoeci e afastei-me do trabalho em público para descansar e recuperar o vigor físico. Tinha ciência dos perigos envolvidos quando abandonava conscientemente meu corpo enfermo. O Éter está muito desvitalizado e o cordão prateado pode romper-se com facilidade. A morte, sob tais condições, causaria os mesmos sofrimentos que o suicídio. Por isso, previne-se sempre o Auxiliar Invisível para permanecer em seu corpo quando este está enfermo. Mas, por solicitação do Mestre, eu ficava de prontidão para os voos da alma até o Templo. Neste ínterim, alguém ficava incumbido de cuidar do meu corpo ainda debilitado.
Parte II
Como foi exposto anteriormente em nossa literatura, há nove graus dos Mistérios Menores – em qualquer escola – e a Ordem Rosacruz não é exceção. O primeiro deles corresponde ao Período de Saturno e os exercícios correspondentes são realizados no dia de Saturno, aos sábados, à meia-noite. O segundo grau corresponde ao Período Solar, e este rito específico é celebrado aos domingos. O terceiro grau corresponde ao Período Lunar, e é celebrado às segundas-feiras à meia noite; e assim sucessivamente com os restantes sete graus. Cada um corresponde a um Período e tem, por isso, o dia apropriado para a sua celebração. O oitavo grau é celebrado nas noites de Lua Nova e Lua Cheia. O nono grau nos Solstícios de Junho e Dezembro.
Quando um Discípulo se torna um Irmão ou Irmã Leiga, ele, ou ela, é introduzido ao ritual celebrado nas noites de Sábado. A Iniciação seguinte faculta-os assistir os Serviços do Templo, à meia noite dos domingos, e assim por diante.
Note-se que, embora todos os Irmãos e Irmãs Leigas, nos seus corpos espirituais, tenham livre acesso ao Templo durante todos os dias, eles são proibidos de entrar nos serviços da meia-noite nos graus superiores.
O Templo não está sob qualquer vigilância. Não há exigência de palavra-passe para quem desejar entrar. Entretanto, há um muro invisível ao redor do Templo. Impenetrável para aqueles que ainda não receberam o “Abre-te Sésamo”. Cada noite esta muralha é edificada de modo diferente. Por isso se alguém, por engano ou por esquecimento, quiser entrar no Templo quando o grau vibratório da reunião está acima de seu nível, aprenderá uma lição muito pouco agradável: é possível bater a cabeça contra uma muralha espiritual.
Como já foi dito, o oitavo grau oficia-se nas noites de Lua Nova e Lua Cheia. Quem não alcançou esse estágio não está, naturalmente, credenciado para o Serviço da meia-noite, é o caso do autor destas linhas. A elevação de grau depende de mérito, não pode ser comprada. Exigia um desenvolvimento espiritual muito além do que possuo atualmente. Não obstante o meu esforço e aspiração para atingir esse estágio, preciso ainda dedicar-me por muitas vidas.
Portanto, o leitor entenderá que na noite de Lua Nova em Áries em 1910, quando o Mestre veio me buscar, não foi para levar-me àquela exaltada reunião do oitavo grau, mas a outra, de diferente natureza. Além disso, aquela reunião ocorreu à noite, na Alemanha, e eu estava na Califórnia, com outro fuso horário. Portanto, os exercícios da Lua Nova foram celebrados algumas horas antes. Por isso, quando cheguei ao Templo com o Mestre, o Sol já estava alto nos céus.
Entramos no Templo. Depois passei algum tempo numa conversa a sós com o Mestre. Então, ele fez um esboço da missão da Fraternidade. Como porta-voz dos Irmãos, discorreu sobre as diretrizes do movimento.
A Nota chave da missão consistia em evitar a obstrução da liberdade pessoal. Hierarquia e regras são importantes e cheias de boas intenções, mas não devem ser castradoras e nem opressoras. As tentações do poder e da vaidade não podem ser subestimadas. Sistemas rígidos de organização caminham rapidamente para a cristalização e morte.
Portanto, a liberdade de pensar, discernir e escolher é prioritária e deve ser franqueada aos membros da Fraternidade. Todo membro deve ser encorajado a emancipar-se e conquistar autoconfiança. Se o livre-arbítrio sofrer violência e empalidecer, o objetivo da Ordem Rosacruz estará frustrado.
Leis e estatutos são limitações. Quando realmente houver necessidade, devem conter o menor número possível de regras. O Mestre até pensou na possibilidade de abster-se delas.
Baseados nesse Espírito de liberdade, imprimimos em nosso papel timbrado: “UMA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE CRISTÃOS MÍSTICOS”.
Notemos que há uma grande diferença entre uma associação, que é inteiramente composta por voluntários, e uma organização que vincula os membros a votos, cargos, promessas, etc.
Os que assumiram o compromisso como Probacionistas na Fraternidade Rosacruz sabem que esse Compromisso é uma promessa a eles próprios e não à Ordem Rosacruz. O mesmo cuidado para assegurar o máximo da liberdade individual evidencia-se em todas as etapas da Escola de Mistérios Ocidental.
Nós não temos Mestres. Quando, eventualmente, empregamos o termo Mestre é por consideração e respeito. Na verdade, Eles são nossos amigos e nossos Professores. Sob nenhuma condição exigem obediência a alguma ordem, nem nos impelem a fazer isto ou aquilo. Quando muito nos aconselham, deixando-nos livres para escolher e decidir.
Posso dizer que esta política de não organizar já está sendo adotada nos centros de estudos em Columbus, Ohio, Seattle, Washington e Los Angeles. Desde então, tenho ido mais além nessa diretriz, tentando divulgar os ensinamentos por meio de uma Sede Mundial, em vez de formar novos centros em diversas cidades.
Em alguns lugares, grupos de Estudantes desejam reunir-se para estudos e elevação espiritual. Para auxiliar nesse propósito, a Sede fornece-lhes toda assistência possível, mas como já foi dito, não tenho mais me empenhado na formação de centros de estudos. Agora deixo os Estudantes decidirem. Dessa maneira sentem-se mais estimulados e emancipam-se com mais rapidez.
Agora abordaremos outro tema fundamental: o inovador Serviço de Cura da Fraternidade. Como vivemos num mundo concreto, vinculados às condições materiais, necessitamos de uma Sede e de um Templo de Cura. A Sede deve ser estruturada em harmonia com as leis do país que a acolhe. Também deve ser coerente com a sociedade onde está inserida. Assim o produto da obra pode ficar disponível para o uso da Humanidade depois que os líderes atuais se tenham desprendido da vida física.
Até aqui não pudemos evitar situações severas onde firmes decisões foram tomadas para viabilizar a criação da Sede, mas a associação deve permanecer livre, sem restrições.
Insistimos na questão da liberdade. Mas, é somente com esse compromisso que poderemos alcançar maior crescimento espiritual e vida mais longa. No entanto, é triste considerar que, embora sejam essas as nossas intenções, chegará o dia em que a Fraternidade Rosacruz terá o mesmo destino de todos os outros movimentos: ficará atada por regras, e a usurpação de poder a conduzirá fatalmente à cristalização e consequente desintegração. Mas é um consolo saber que de suas ruínas surgirá algo maior e melhor. Assim como ela surgiu de outras importantes estruturas que já tiveram sua utilidade e agora estão em vias de extinção.
Depois do encontro com o Mestre, entramos no Templo onde os doze Irmãos estavam presentes. A configuração do ambiente era bem diferente do encontro anterior. Entretanto, não há necessidade de detalhar o local.
É importante descrever a presença de três esferas suspensas, uma sobre a outra, no centro do Templo. A esfera central situava-se exatamente entre o piso e o teto e era a maior delas. As outras duas estavam suspensas uma acima e a outra abaixo da esfera central.
Além da visão física, há outras formas de visão: a etérica ou raio-X; a visão da cor que nos abre o Mundo do Desejo; a visão tonal que revela a Região do Pensamento Concreto. Esse tema está plenamente explanado no livro “Os Mistérios Rosacruzes”.
Meu desenvolvimento da visão espiritual das Regiões do Pensamento Concreto era muito insuficiente até a sucessão de eventos já mencionados. De fato, quanto melhor for a nossa saúde, tanto mais apegados estamos ao Mundo Físico. Isso inibe a faculdade de entrar em contato com as regiões espirituais. Pessoas que dizem: “Não estive doente um único dia em minha vida”, revelam estar perfeitamente sintonizadas com o mundo material e, portanto, menos capacitadas para ingressar nos reinos espirituais.
Essa foi minha situação até o ano 1905. Sofri dores atrozes durante toda a vida, consequência de uma cirurgia na perna esquerda realizada na infância. A ferida não cicatrizava. Quando abandonei alimentos com carne então fiquei curado e a dor desapareceu.
Minha resistência e paciência foram grandes durante todos esses anos e nunca dei demonstrações de sofrimento. Mas, fora isso, gozava fisicamente de perfeita saúde. É interessante notar também que quando eu sofria qualquer acidente e me cortava, o sangue escorria e não coagulava. Em consequência muito sangue se perdia. No entanto, depois de dois anos adotando uma dieta pura e equilibrada, quando acidentalmente fiquei sem uma unha inteira, perdi só umas poucas gotas de sangue e pude escrever à máquina na mesma tarde sem qualquer infecção, e uma nova unha logo cresceu.
A edificação da parte espiritual da nossa natureza produz, muitas vezes, distúrbios em nosso Corpo Denso. Este fica muito mais sensível às condições do ambiente e, portanto, o resultado pode ser um esgotamento. A resistência física me conservou de pé por meses. Chegou o momento em que o descanso era necessário, porém isso não foi possível e ultrapassei o limite das minhas forças. Sobreveio o esgotamento total, fui conduzido às portas da morte.
A morte definitiva consiste na irreversível ruptura do laço entre o Corpo Físico e os Corpos sutis. Na aproximação desse estado especial de transição, na iminência de ocorrer o desligamento da matéria, podemos receber instruções sobre a ciência de retirar-se do corpo. Goethe, o grande poeta alemão, recebeu sua primeira Iniciação quando seu corpo se achava debilitado e à beira da morte.
Quando fui abatido pela enfermidade, ainda não havia progredido o suficiente no caminho espiritual. Mas a dedicação aos estudos, aspirações e um exercício praticado por muito tempo, e que naquela época acreditava tê-lo inventado, mas agora já sei, vem de tempos remotos, contribuíram para que pudesse abandonar o meu corpo por um curto espaço de tempo e regressar logo em seguida. Não sei como fazia isso, e nem podia fazê-lo voluntariamente. Contudo, isso não vem ao caso.
Um ponto relevante deve ser ressaltado. A saúde perfeita é necessária antes de conseguirmos equilíbrio nos Mundos Espirituais. Entretanto, quanto mais forte e vigoroso o instrumento, tanto mais drástico será o método para debilitá-lo. Em decorrência, as condições de saúde oscilam durante anos até atingirem o devido ajuste. Assim, aprendemos a conservar a saúde enquanto estamos ativos no Mundo Físico e, ao mesmo tempo, adquirimos a capacidade de atuar nos reinos superiores.
Assim aconteceu comigo. A sobrecarga de trabalho tanto físico como mental, sem trégua até hoje, tem deixado o meu instrumento físico longe de um estado saudável. Amigos alertam-me e tenho tentado considerar suas admoestações. Mas, o trabalho urge e deve ser executado. Enquanto não houver suficiente ajuda, sou obrigado a continuar, apesar da saúde. Em todos os aspectos a Sra. Heindel tem sido uma companheira inestimável.
No entanto, desenvolvi uma capacidade crescente de atuar nos Mundos espirituais, mesmo com a saúde precária. Como já afirmei, na ocasião dos principais acontecimentos aqui narrados, minha visão tonal era mediana e principalmente limitada às subdivisões inferiores da Região do Pensamento Concreto. Uma pequena ajuda dos Irmãos naquela noite permitiu-me entrar em contato com a quarta região, o lar dos Arquétipos. Lá compreendi as lições relativas ao mais alto elevado ideal da Fraternidade Rosacruz e, também, sobre sua missão na Terra.
Pude ver nossa Sede e uma multidão de pessoas vindas de todas as partes do mundo para receber seus ensinamentos. Pessoas também de lá saiam para levar lenitivo aos aflitos próximos e distantes.
Neste mundo é necessário dedicar um bom tempo investigando e estudando para se adquirir conhecimento sobre qualquer assunto. Mas, na Região Arquetípica do Mundo do Pensamento, a voz de cada arquétipo transporta consigo a rica emissão de conteúdos daquilo que ele representa. Ao mesmo tempo ele carrega de impressões a consciência espiritual. Portanto, nessa noite recebi um entendimento muito além do poder de expressão das palavras.
O mundo em que vivemos é regido pelo ritmo do tempo. Enquanto no reino superior dos Arquétipos tudo é um eterno agora. Os Arquétipos não revelam seu conteúdo numa sucessão de fatos ao longo do tempo, tal como uma história é narrada aqui. Eles imprimem sobre a consciência uma concepção instantânea e completa da ideia em questão. Com clareza e consistência muito superior a qualquer pormenorizada narrativa. Não ousei mencionar esses fatos na ocasião em que ocorreram. Dedicarei o próximo capítulo a essa tarefa.
Parte III
Relembremos importante tema dos Ensinamentos Rosacruzes: “A Região do Pensamento Concreto é o reino do som”. É o lar da música celestial, da harmonia das esferas. Esse oceano sonoro envolve e interpenetra tudo e todos, assim como a atmosfera da Terra circunda e envolve todas as coisas terrestres. Nessa região tudo que existe está banhado e impregnado de música, tudo vive e cresce pela música. A PALAVRA de Deus ressoa e modela os diversos protótipos de todas as coisas corporificadas na dimensão terrestre.
No piano, cinco teclas pretas e sete brancas formam a oitava. Além dos sete Globos nos quais evoluímos durante um Dia de Manifestação, existem cinco Globos escuros pelos quais atravessamos durante as Noites Cósmicas. Em cada ciclo de vida e por algum tempo, o Ego recolhe-se no mais denso destes cinco, o Caos, o mundo sem forma onde nada permanece. Apenas os centros de força conhecidos como Átomos-sementes prosseguem. No começo de um novo ciclo de vida, o Ego desce novamente até a Região do Pensamento Concreto, onde a “música das esferas” sincronicamente coloca em vibração os Átomos-sementes.
Há sete esferas. São os sete Planetas de nosso Sistema Solar. Cada Planeta tem sua Nota chave e emite um som particular, diferente de todos os demais. Os tons de todos os Planetas participam na construção de um organismo completo. Entretanto, um deles vibra em singular consonância com os Átomos-sementes do Ego durante o processo de renascimento. Então, esse Planeta corresponde à nota “tônica” da escala musical. É o Astro mais harmonioso para esse Ego. É o regente da nova vida em formação. É sua Estrela Guia. As vibrações sonoras dos demais Astros adaptam-se à frequência sonora dessa nota tônica ou Nota chave.
Como na música terrestre, na celestial há harmonias e dissonâncias. A música entoada pelos Astros reverbera nos Átomos-sementes e direciona a construção do arquétipo dos corpos em vias de encarnar. Assim se formam as linhas vibratórias de força. Essas linhas atraem e organizam as partículas físicas durante a vida. Acontece algo semelhante quando um arco de violino coloca em vibração partículas minúsculas espalhadas sobre um prato de latão. Podemos ver a formação de figuras geométricas.
O Corpo Denso é gradualmente formado segundo as linhas arquetípicas definidas por um conjunto de vibrações. O Corpo Denso é a fiel expressão da harmonia das esferas, modelado conforme as melodias entoadas durante o período de sua construção.
Este período, contudo, é muito mais longo do que o período real da gestação, e varia de acordo com a complexidade da estrutura requerida pela vida em busca de manifestação física.
Tampouco o processo de construção do arquétipo é contínuo. Existem acordes inacessíveis aos diapasões vibratórios dos Átomos-sementes, sons que eles ainda “não sabem ouvir” e, portanto, não podem entrar em ressonância com eles. Quando os Aspectos Astrais entoam esses acordes “incompreensíveis”, o arquétipo simplesmente permanece em compasso de espera e “sussurra” os acordes que já foram incorporados na sua estrutura. Conforma-se em aguardar os sons dos acordes coerentes com o projeto de construção dos órgãos necessários à sua própria expressão.
Concluindo, os organismos terrestres são formados segundo linhas vibratórias produzidas pela música das esferas. Habitamos um corpo composto por órgãos. Cada órgão está associado a um Astro ou vibração sonora.
Estamos em condições de bem compreender que as enfermidades são, na verdade, manifestações de dissonâncias ou desarmonias sonoras, cuja causa, provém primeiramente de uma desarmonia espiritual interna.
Há um fator notável para nós. Se conhecermos com exatidão a causa direta da desarmonia, podemos saná-la. Fica evidente que a manifestação física da doença em breve desaparecerá.
Todavia, é justamente esta a preciosa informação dada pelo horóscopo de uma pessoa. Cada Astro, ocupando uma Casa terrestre e Signo celeste, expressa harmonia ou discórdia, saúde ou doença. Portanto, todos os métodos de cura são eficazes apenas na proporção em que levam em consideração as harmonias e discordâncias estelares manifestadas na roda da vida, o horóscopo.
Em circunstâncias normais as Leis da Natureza governam os reinos inferiores com pleno poder. Não obstante, há leis superiores relativas aos reinos espirituais. Em determinadas circunstâncias as leis superiores podem suplantar as inferiores. Por exemplo, a lei superior do perdão dos pecados. O reconhecimento dos erros, acompanhado de sincero arrependimento, pode suplantar a inferior e severa lei: olho por olho e dente por dente.
Quando Cristo veio em missão ao nosso Planeta, curava os enfermos. Sendo Ele o Senhor do Sol, incorporou em Si mesmo a síntese das vibrações estelares, como a oitava incorpora todos os tons da escala. Ele pôde, portanto, emitir de Si a correta influência planetária corretiva requerida em cada caso. Sentia a desarmonia e imediatamente sabia como equilibrá-la graças ao Seu elevado desenvolvimento. Não necessitava de preparação adicional e obtinha resultados instantâneos. Substituía a dissonância planetária, a causa da doença, pela harmonia correspondente. Apenas num único caso Ele recorreu às leis superiores e disse: “Levanta-te, teus pecados estão perdoados.”.
Do mesmo modo, o Serviço de Auxílio de Cura da Fraternidade Rosacruz emprega métodos baseados nas dissonâncias astrais. Desse modo, constata-se as causas das doenças e aconselha-se as medidas corretivas para curá-las. Esse procedimento tem sido suficiente, e eficaz, em todas as solicitações de cura recebidas até hoje.
Contudo, existe um método mais poderoso e acessível que, sob uma lei superior, pode acelerar a recuperação nos casos mais crônicos e demorados. Em determinadas circunstâncias, quando existe o reconhecimento sincero e profundo do erro, podemos até erradicar uma futura doença sentenciada pelo frio e inflexível destino.
Quando observamos com a visão espiritual algum enfermo, esteja seu Corpo Denso debilitado ou não, torna-se claro para o Clarividente a fragilidade dos veículos mais sutis. Em relação ao estado normal de saúde eles estão muito mais debilitados e, consequentemente, não conseguem transferir a dosagem necessária de vitalidade para o Corpo Denso. Portanto, por falta de revitalização, o Corpo Denso perde vigor.
No entanto, conforme o estado de abatimento de todo Corpo Denso, determinados centros ficam obstruídos na proporção da gravidade da doença. Segundo o grau de desenvolvimento espiritual da pessoa, esses centros também ficam com a saúde fragilizada.
Isto acontece principalmente no centro principal situado entre as sobrancelhas. Nesse local está enclausurado o Espírito. Em alguns casos está tão aprisionado, com a consciência totalmente voltada para sua débil condição, que perde contato com o mundo exterior. Nesse caso, somente a completa ruptura do Corpo Denso poderá libertá-lo. Mas pode ser um processo demorado.
No decorrer do tempo, a desarmonia planetária causadora do início da doença, vai diminuindo até desaparecer. Mas o sofredor crônico é incapaz de aproveitar novas influências. Em tais casos, é necessária uma efusão espiritual especialíssima para levar a mensagem à alma: “Teus pecados estão perdoados.”. Quando isso for ouvido, a pessoa poderá responder à ordem: “Toma tua cama e anda.”.
Ninguém da presente Humanidade pode sequer comparar-se à estatura de Cristo, consequentemente, ninguém pode exercer Seus poderes em casos tão extremos. No entanto, a necessidade desse poder em ativa manifestação está presente tanto hoje quanto a dois mil anos atrás.
O Espírito envolve e impregna nosso Planeta. Em diferentes dimensões permeia a tudo e a todos, do centro até a superfície da Terra. Tem maior afinidade por algumas substâncias do que por outras. Sendo uma emanação do Princípio de Cristo, é o Espírito Universal compondo o Mundo do Espírito de Vida que restaura a completa harmonia de todo corpo.
Uma substância foi mostrada ao autor no Templo dos Rosacruzes na noite memorável já mencionada. O Espírito Universal combinava-se e unia-se a essa substância de maneira simples e rápida. Tal como o amoníaco interage com a água.
Dentro da grande esfera central, mencionada em lição anterior, havia um recipiente menor contendo vários pacotes repletos dessa substância. Quando os Irmãos se colocaram em determinadas posições, e a harmonia emprestada por uma música já havia preparado o ambiente, repentinamente os três Globos começaram a brilhar nas três cores primárias, azul, amarelo e vermelho.
O recipiente, contendo os já mencionados pacotes, tornou-se luminoso durante a entoação das fórmulas mágicas. Para a visão do autor ficou evidente a ação de uma essência espiritual que antes não se encontrava lá. Em seguida os Irmãos empregaram essa essência espiritual no Serviço de Cura. O êxito foi instantâneo. As partículas cristalizadas, que envolviam os centros espirituais do paciente, dissiparam-se como por mágica, e o doente despertou sentindo o restabelecimento da saúde e o bem-estar físico.
[2] N.T. Em Mount Ecclesia, Oceanside, CA, USA
[3] Ano de 1913
Antes de preencher o Formulário para Solicitação de Auxílio de Cura e nos enviar é prudente lhe passar as seguintes informações, até para ajudar você a se decidir:
Após esses importantes esclarecimentos, se você decidir que realmente quer ser curado (a) da doença ou enfermidade que lhe aflige, praticando fielmente todas as fases do Processo de Cura Rosacruz detalhadas acima, então é só seguir as instruções abaixo:
Pronto! Agora é só continuar até a Cura!
Clique aqui: Formulário para Solicitação de Auxílio de Cura em PDF

Aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes que o pensamento, o sentimento ou a emoção mais superficial são transmitidos aos pulmões, de onde são injetados no sangue. O sangue é o nutridor de todas as partes do nosso Corpo Denso que é o nosso veículo direto.
A meditação a respeito das verdades que se relacionam com essas afirmações, leva a uma realização iluminadora de vital importância no pensamento construtivo; realmente nós nos tornamos naquilo em que pensamos, tanto fisicamente como espiritualmente. Nossos pensamentos se tornam cristalizados, por assim dizer, em nossa expressão facial e na totalidade de nossa forma física, nosso ambiente e nossos companheiros e nossas companheiras também são reflexos da nossa linha habitual de pmento. Obviamente, se desejamos ter Corpos saudáveis, devemos injetar em nossa corrente sanguínea pensamentos e emoções elevados. Cada pensamento possui um poder vibratório, dependente da força de vontade que o emitiu, tornando-se parte do conjunto de nós, o poder áurico. Atrai para si, material de idêntica natureza, de forma que nessa manifestação da Lei de Atração, temos a chave do pensar em saúde. Quanto mais pensarmos no bem, na verdade e beleza, mais fortaleceremos o elemento saúde-atração em nossa aura e, portanto; mais injetaremos saúde em nossa corrente sanguínea e daí em nossos tecidos.
A doença, sabemos, é consequência do pensar e do agir erroneamente; desobedecendo as imutáveis Leis de Deus. Esse “mal”, como qualquer outro, pode ser sobrepujado como o “bem”. Ignorando qualquer mal aparente, tratando com ele dentro de uma atitude impessoal ou indiferente, e enfatizando pensamentos bondosos e superiores, beneficiaremos nossos Corpos e ambientes, tão certamente como a lei de gravidade opera com incessante regularidade.
Realmente, podemos criar tal força para o bem, pelos esforços constantes do pensar construtivamente. Pensemos em saúde em nossos Corpos, com alegria, gratidão, beleza, bondade e amor!
Os Auxiliares Visíveis são tão necessários como os Auxiliares Invisíveis. Nossos amigos, nossas amigas e os pacientes podem participar desse privilégio superior, bem como adicionar muito ao poder de libertação da força curadora, juntando-se à nós em oração pelos doentes: todas as semanas, quando a Lua se encontra num Signo Cardeal ou Cardinal (Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio) nós podemos ajudar a gerar a Força Curadora etérica, por meio de fervorosas preces e concentrações. Esta força pode ser utilizada pelos Auxiliares Invisíveis, que trabalham sob a direção dos Irmãos Maiores, com o propósito de curar os doentes e confortar os aflitos, doentes e enfermos.
Às 18h30 no seu relógio, nas “Datas de Cura”, sente-se e relaxe na quietude do seu lar ou onde quer que se encontre. Feche os olhos e faça uma imagem mental da Rosa Branca e Pura situada no centro do Símbolo Rosacruz. Em seguida oficie o Ritual do Serviço Devocional de Cura e no momento da concentração o faça intensamente sobre o assunto: AMOR DIVINO e CURA, pois só assim você poderá fazer de si um canal vivo por onde flui o Poder Curador de Deus que vem diretamente de Deus-Pai.
Após oficiar tal Ritual, emita os sentimentos mais profundos de Amor e Gratidão ao Grande Médico – Cristo – pelas bênçãos passadas e futuras de cura.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1973 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A grande contribuição proporcionada pelo Cristianismo a todos nós foi a nossa libertação. Essa libertação, se bem esteja claramente exposta nos Evangelhos, não é bem compreendida pelo Cristianismo Popular. Em muitos casos até há intenção de ocultar a verdade e submeter o ser humano a poderes temporais, a que ele gosta de se sujeitar. Infelizmente, muitos ainda permanecem num estado semelhante a um canário que ficou muito tempo na gaiola; quando lhe abrem a porta, não quer partir para a amplidão dos céus ou, se vai, dá uma voltinha e regressa à sua cadeia, onde lhe dão comida e água. É cômodo e não lhe exige esforço. Por isso, muitos “pastores” de alma, seja nas igrejas ou em entidades espiritualistas, não gostam de tocar nesse ponto da libertação. Gostam mesmo de mostrar a necessidade de dependência. Nas escolas orientais a submissão ao mesmo é taxativa.
A Fraternidade Rosacruz, fundada por Max Heindel, como expositora dos Ensinamentos elementares da Ordem Rosacruz, cujos Irmãos Maiores são auxiliares diretos de Cristo na obra de redenção da Humanidade, se distingue de tudo o que atualmente conhecemos, por seu esforço na libertação do indivíduo. A Fraternidade Rosacruz ensina como o Cristianismo nos liberta pelo conhecimento de seus valores internos (E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8:32)), pela identificação com sua natureza divina, subjacente e ignorada (Da mesma forma como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que n’Ele crer tenha a vida eterna. (Jo 3:14)).
Na Parábola do “Filho Pródigo”[1] vemos a nossa história, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana diferenciado em Deus para obter experiência em nossa peregrinação Involutiva, à custa de nossa herança espiritual, que ficaria enterrada e esquecida em virtude do Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e da Mente que fomos construindo. Iniciamos a Evolução com a ajuda das Religiões primitivas (Primeira Dispensação). Depois veio Moisés e nos deu a Lei geradora do pecado, pois passaria a nos ensinar o que era a Transgressão da Lei e como deveríamos repará-la.
Contudo, devido ao nosso egoísmo e à falta de compreensão, reparávamos os pecados pelo sacrifício de animais. Depois veio Cristo e não revogou a Lei antiga. Antes, confirmou-a, mas nos deu a libertação do enlaço da matéria, o que, ao tempo de Moisés, seria tarefa extremamente difícil para boa parte de nós. Essa situação fora criada por nossa queda (o evento conhecido como a “Queda do Homem”), quando os marcianos Espíritos Lucíferos, os Anjos decaídos ou Anjos caídos, não podendo alcançar a evolução angélica, buscaram nosso cérebro e a nossa força sexual criadora que o sustenta, para, através de sua atividade, obter experiência e, em consequência, evoluir. Custou-nos alto preço “ouvi-los e seguir o que nos propôs”. É verdade que pelo embrutecimento sensorial decorrente obtivemos a vantagem da consciência atual, a capacidade de discernir, que os Anjos não têm. Por isso se disse que fomos feitos um pouco abaixo dos Anjos. Após a “Queda do Homem”, as Religiões de Raça nos incutiram o sentido egoístico de separação e chegamos a tal estado de cristalização que nossa Evolução ficou ameaçada. Não poderíamos, por nós mesmos, retomar a senda ascendente evolutiva que nos estava destinada, como Filhos de Deus, de retorno à casa paterna.
Comíamos a “escória” dada como alimento aos “porcos”, nas duras experiências de nossa vida. Veio, então, o Libertador, o Cristo. Limpou o Corpo cósmico de Desejos da Terra (o Mundo do Desejo), formado por todas as nossas antigas Transgressões à Lei. Sacrificou-se como o “Cordeiro de Deus que limpou os pecados do mundo.” (Jo 1:29), em lugar do cordeiro do Tabernáculo no Deserto. Foi quando se rasgou o Véu do Templo, isto é, quando se abriram a nós, em geral, as possibilidades de libertação, Iniciação e acesso ao “Sanctum Sanctorum” – Santo dos Santos –, aos segredos e possibilidades de nossa própria natureza egóica, através da qual entrará, concomitantemente, nos Estratos da Terra e da Humanidade, para mais elevados serviços.
Não sem razão, pois, a citação de S. Paulo, um Iniciado consciente dessa realidade: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (ICor 6:20), e “por preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens.” (ICor 7:23).
Realmente, este mundo é uma escola em que somos apenas peregrinos (At 7:6, Hb 11:13 e IPd 2:11). E como somos destinados, quais sementes da árvore de Deus, a tornamo-nos iguais a Ele (Jo 10:34), a fazer obras maiores do que as realizadas por Cristo na Terra (Jo 14:12), deduz-se, logicamente, que o Renascimento é um fato natural, pois nenhum de nós pode realizar numa vida o que nos está prometido nos Evangelhos. Pela evolução, nós iremos sublimando doravante todos os nossos veículos e deles levando a quintessência, que nos fornecerá a capacidade criadora. Realmente, os Corpos são os meios de obtenção do alimento anímico que nos enriquece, a nós o Tríplice Espírito. No conjunto, o Corpo é um precioso Templo do Espírito (Jo 2: 21, ICor 3:17 e 6:19) que não deve ser desprezado como vil e inferior, segundo a concepção oriental, senão tratado com carinho, como ferramenta bem cuidada para que através dele nós possamos criar e crescer, pela Epigênese. Contudo, também aprendemos a não nos identificarmos com os nossos Corpos, senão governá-los, para que não nos suceda ficarmos escravizados a eles. Quem sabe que é de fato um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado, ama o Espírito e a ele serve e nesse ponto não adora imagens nem em templos de pedra, senão em “Espírito e em Verdade” (Jo 4: 24) porque em verdade nada restará de nossos Corpos, ao fim dos atuais períodos evolutivos (Mt 24:2; Jo 2:19 e 21).
De todo o exposto, reconduzindo a nossa consciência ao seu real valor, como Filhos de Deus, livre dos temores do inferno, porque sabemos que nenhuma parte de Deus não se pode perder, comecemos a trabalhar diligentemente por nossa própria evolução, a fim de se tornar um novo ser humano (Ef 4:24; Col 3:10), sabendo discernir entre o real e o falso (ICor 6:12 e 19) e buscando se desvincular de todos os antigos hábitos errôneos (IPd 1:14 a 17) sem acender “uma vela para Deus e outra para o diabo”, como fazem os incoerentes de nossos dias (Mt 9:16 e 17). É preciso decisão, perseverança e humildade para limpar o templo interno (Jo 2:15 e 16) e ver nascer a estrela d’alva no coração (IIPd 2:19).
De toda nossa procura e experiência podemos, hoje, dizer aos novos companheiros: a Fraternidade Rosacruz é a Escola Aquariana que ensina e ajuda o indivíduo a se libertar de suas próprias limitações e o leva a uma concepção muito mais elevada e a possibilidades ilimitadas no campo das realizações internas, onde se encontra o Graal e sua Lança (o Espírito e o seu poder). Contudo, para chegar a ele deve ser um autêntico e moderno cavaleiro, o novo e consciente Parsifal. O vivido Sir Launfal de retorno ao “seu castelo”.
Que nos eleve nas asas da aspiração; que nos armemos da couraça do valor e da persistência; que nos imbuamos de propósitos altruísticos, e que o Deus da paz será conosco!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1964-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: (Lc 15:11-32) – Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos. Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se. Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.