Todos os Aspirantes que se colocam em linha ou “em espírito e em verdade” com a Fraternidade Rosacruz e os seus Ensinamentos colocam-se dentro da esfera de atenção e influência dos Iluminados da Onda de Vida humana: nós os conhecemos como Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. É uma grande vantagem para nós, como Aspirantes à vida superior, compreender o pleno significado desse fato e nos esforçar zelosamente para colher todo o benefício de tão maravilhoso privilégio. Podemos atrair a ajuda deles dedicando algum tempo à meditação sobre eles e os seus humanitários esforços, para lhes enviar nossa gratidão, nosso amor e nos consagrar a servi-los em seus constantes esforços para elevar a Humanidade.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz estão entre os seres Compassivos que, através de muitas vidas, desenvolveram as faculdades internas em elevado grau, mediante o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo que eles conseguem) à toda Humanidade, sempre focando na Divina Essência de cada um, já que essa é a base da Fraternidade. Passaram por todas as Escolas de Mistérios Menores e Maiores – ou seja: alcançaram as nove Iniciações Menores e as quatro Iniciações Maiores, também chamadas de as quatro Iniciações Cristãs –, tendo alcançado, assim, um estado de evolução que os libera de todas as cadeias terrenas, ou seja, da roda de Nascimentos e Mortes aqui. No entanto, preferiram ficar aqui, na Terra, como Auxiliares, tendo sido dado a cada um deles um trabalho em harmonia com os seus interesses e suas inclinações particulares.
Esses Hierofantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental desenvolveram uma segunda medula espinhal, atraindo para cima o raio do amor inferior de Vênus e transmutando-o em altruísmo, assim conquistando o domínio sobre o segmento simpático da primeira medula espinhal e o hemisfério cerebral esquerdo, agora governado pela apaixonada Hierarquia Planetária de Marte: os Espíritos Lucíferos. Desse modo, cada Irmão Maior é uma unidade criadora completa tanto no Plano físico como nos espirituais, sendo capaz de usar a força bipolar, masculina e feminina, ao longo dessa dupla medula, iluminada e elevada em sua energia potencial por meio dos fogos espirituais da coluna vertebral, regidos por Netuno (Vontade) e Urano (Amor e Imaginação). Essa energia criadora concebe, nos hemisférios gêmeos do cérebro regidos por Marte e Mercúrio, um veículo adequado para a expressão do Espírito, meio então objetivado e materializado no mundo por meio da Palavra Criadora que é falada. Através desse poder é capaz de perpetuar a sua existência física e criar um Corpo, depois de abandonar o antigo.
Todos os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz possuem a capacidade de construir o Corpo Denso mais adequado que necessitarem. Agora, para participar das atividades do Templo da Ordem Rosacruz funcionam com veículos etéricos, pois esse Templo é de natureza etérica e diferente dos nossos edifícios comuns; contudo, pode se comparar – não em intensidade, mas em composição – às atmosferas áuricas, às egrégoras, que existem nos Templos de todo Centro Rosacruz espalhados no mundo, desde que sejam templos solares e onde são oficiados fiel, constante e diariamente os Rituais dos Serviços Devocionais e que se mantenha, no interior de cada um deles, um ambiente de silêncio e oração. Essas atmosferas áuricas, as egrégoras, são etéricas e maiores que os edifícios físicos. Também, tais estruturas existem em volta das igrejas, desde que sejam templos solares, e em todas as construções onde habitam pessoas muito espiritualizadas.
O Templo da Ordem Rosacruz é superlativo e não pode ser comparado a coisa alguma; as vibrações espirituais compenetram de tal modo o entorno que a maioria das pessoas não se sentiria ali muito confortável.
Capazes de dirigir suas ações e emoções, os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz evitam todo esforço desnecessário sobre os seus Corpos. Conhecem os elementos exatos requeridos para conservá-los e a proporção adequada em que devem tomá-los. Asseguram, desse modo, a máxima nutrição e o mínimo desgaste. Por essa razão podem preservar seus Corpos em um estado de conservação juvenil com vigorosa saúde por centenas de anos.
Os Irmãos Leigos e as Irmãs Leigas, que estiveram em contato com o Templo da Ordem Rosacruz por um lapso de tempo que vai de vinte a quarenta anos desta vida, indicaram que os Irmãos Maiores têm hoje a mesma aparência que tinham há trinta ou quarenta anos. De acordo com os padrões dos indivíduos comuns parecem ter agora aproximadamente quarenta anos de idade.
Alguns Irmãos Leigos e algumas Irmãs Leigas disseram que Christian Rosenkreuz usa hoje um Corpo que foi conservado durante vários séculos. Isso pode ser ou não assim, mas nosso augusto condutor nunca foi visto pelos Irmãos Leigos e nem pelas Irmãs Leigas que concorrem ao serviço espiritual da meia-noite no Templo da Ordem Rosacruz. Sua presença apenas é sentida e constitui o sinal para o começo do trabalho.
Investigar a origem dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz é tão difícil como achar a prova do princípio da primeira manifestação de Deus. Posto que o seu trabalho tenha por objeto estimular a evolução da Humanidade, vêm trabalhando — de um modo ou outro — desde a mais remota antiguidade. Temos, não obstante, a prova histórica da aparição, já no século treze, de avançados ensinamentos que haviam de ser como que um brilhante astro para muitos.
Durante as poucas centúrias que passaram, os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz trabalharam pela Humanidade e em segredo. Todas as noites, à meia-noite, há um serviço no Templo da Ordem Rosacruz em que os Irmãos Maiores, assistidos pelos Irmãos Leigos e pelas Irmãs Leigas, que podem deixar os seus Corpos no mundo porque muitos deles residem em lugares onde é dia quando é meia-noite no lugar do Templo da Ordem Rosacruz, atraem de todos os locais do ocidente os pensamentos de sensualidade, cobiça, egoísmo e materialismo para transmutá-los em puro amor, benevolência, altruísmo e aspirações espirituais, enviando-os de regresso ao mundo para elevar e fomentar o bem. Não fosse essa poderosa fonte de vibração espiritual, o materialismo teria, já há muito, abortado todo o esforço espiritual, pois nunca houve época mais tenebrosa do ponto de vista espiritual como a que se prolonga pelos últimos trezentos anos de materialismo.
Sete dos doze Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz vêm ao mundo quando as circunstâncias solicitam, aparecendo como “homens entre os homens” ou trabalhando em seus veículos invisíveis com, ou sobre, outros, se for necessário; contudo, devemos compreender que eles nunca influenciam as pessoas contra a vontade delas, pois respeitam seus desejos e apenas fortalecem o bem onde o encontram. Os outros cinco Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz nunca abandonam o Templo da Ordem Rosacruz e, embora possuam Corpos Densos, todo o seu trabalho é realizado a partir dos Mundos internos. O Décimo Terceiro da Ordem Rosacruz é o “cabeça da Ordem”, Christian Rosenkreuz, o elo que a ajusta com um superior Conselho Central composto de Hierofantes dos Mistérios Maiores que não têm contato nenhum com a Humanidade comum, porém só com os graduados dos Mistérios Menores. Ele está oculto por doze círculos de tamanho igual. Mesmo os alunos da Ordem Rosacruz nunca o veem, mas nos serviços noturnos do Templo da Ordem Rosacruz a sua presença é sentida por todos.
Todas as meias-noites, no serviço, os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz abrem seus peitos para atrair os dardos de ódio, malícia, inveja e todo mal que haja sido feito durante as últimas vinte e quatro horas. Primeiro, com o objetivo de privar as forças do Graal Negro do seu alimento; segundo, para transmutar o mal em bem. Desse modo, assim como as plantas absorvem o inerte dióxido de carbono exalado pela Humanidade e com ele constroem seus Corpos, também os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz transmutam o mal dentro do Templo Ordem Rosacruz e, assim como as plantas emitem o oxigênio renovado e tão necessário à vida humana, também os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz devolvem à Humanidade a essência do mal transmutada em escrúpulos de consciência junto ao bem, a fim de que o mundo possa tornar-se melhor dia a dia.
Durante o Serviço do Templo da Ordem Rosacruz, os doze Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, juntos dos Irmãos Leigos e das Irmãs Leigas, funcionam em seus Corpos-Almas. É, portanto, evidente que a presença do “cabeça” da Ordem é inteiramente espiritual. Todavia, ele está sempre ativo nos assuntos do mundo, trabalhando com os governos das nações do Mundo Ocidental para guiá-los ao longo do caminho adequado à sua evolução. Com essa finalidade aparece em um Corpo Denso, pelo menos em parte do tempo.
Após o primeiro ano da Primeira Guerra Mundial, 1914-1918, os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, por causa do excessivo trabalho e da necessidade de se organizar auxílios, tiveram êxito na criação de um exército de Auxiliares Invisíveis, recrutados entre os que, tendo passado através das portas da morte, sentido a angústia e o sofrimento inerentes à passagem prematura, estavam cheios de compaixão pelos que chegavam constantemente, acalmando-os e ajudando até que tivessem encontrado o equilíbrio.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz possuem a consciência pictórica do Período de Júpiter, da qual se servem para iniciar seus Discípulos na Ordem Rosacruz. O Iniciador fixa a sua atenção em certos fatos cósmicos e o candidato, que se preparou para a Iniciação desenvolvendo em si mesmo certos poderes, é como um diapasão de idêntica nota que vibra com as ideias enviadas pelo Iniciador, em forma de quadros. Portanto, não somente vê os quadros, como também é capaz de responder à vibração; assim, o poder latente que nele existe é convertido em energia dinâmica e a sua consciência é elevada ao passo seguinte da escala iniciática.
A maioria da Humanidade está sob a orientação da Religião publicamente ensinada no país do seu nascimento; entretanto, há sempre precursores cuja precocidade requeira um ensinamento superior. A esses é ensinado uma doutrina mais profunda por meio da atividade da Escola de Mistérios. Quando unicamente uns poucos estão aptos para tal ensinamento preparatório, são instruídos privadamente; contudo, à medida que o número aumenta, o ensinamento é dado publicamente.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Há uma conexão esotérica entre Saturno, o Sol e a Lua, que regem o sábado, o domingo e a segunda-feira, respectivamente. O Sol e Saturno são ministros da vida e da morte – respectivamente –, e a Lua é, por assim dizer, a lançadeira com o qual a Humanidade se vê constantemente impelida de um polo a outro, enquanto a teia da experiência está sendo tecida. O nodo setentrional – ou nodo norte – da Lua, que chamamos de Cabeça do Dragão, compartilha da natureza do Sol, que nos fornece a vida, e conduz a Humanidade ao período de atividade física. O nodo meridional – ou nodo sul – nos conduz para o repouso da morte por meio das forças saturninas da Cauda do Dragão. Em outras palavras, tanto Saturno como a Lua são os portais de entrada e saída dos Mundos invisíveis, ou Caos – a Lua em termos de capacidade astral e Saturno em sentido cósmico.
Quando um grande Dia Criador de Manifestação se inicia, uma Época sempre começa com um Período de Saturno, então, as Ondas de Vida – nas quais o Espírito se manifesta –, que passaram pela fase subjetiva de evolução durante a Noite Cósmica precedente, são conduzidas à manifestação ativa, e isso ocorre durante a Revolução de Saturno de cada Período. Na pequena esfera terrestre da nossa atividade atual, quando um Ego está pronto para o renascimento na vida terrestre, a Lua marca o momento tanto da concepção quanto do nascimento, assumindo assim a função saturnina de conduzir os Egos em evolução da escura Noite Cósmica da morte para o universo solar da vida e da luz. Há, contudo, alguns Egos que não evoluem, mas permanecem estagnados no Caminho de Evolução. Para eles, chega um momento em que são, finalmente, expulsos para a Lua e lhe é negada a oportunidade e o privilégio de renascer dentro da atual classe evolucionária. Em consequência disso, eles permanecem na Lua até que os veículos, cristalizados por eles por falta de ação (ou inanição), sejam dissolvidos, e como não podem prosseguir com a corrente evolutiva, só lhes resta um caminho, isto é, gravitar de volta através do portão de Saturno para o Caos, ou para a Noite Cósmica, onde devem aguardar outra oportunidade de manifestação numa corrente de vida posterior.
Jeová não é o Regente dos Judeus, ao ponto de excluir todos os outros povos. Ele é o Legislador e o Senhor Cósmico da fecundação. Portanto, Ele tem uma missão especial a cumprir em relação a todos os povos pioneiros de qualquer Época ou Período, onde uma grande hoste de Espíritos que devam ser providos de veículos de um novo tipo. É Ele que multiplica abundantemente os povos pioneiros, lhes fornece as Leis apropriadas para a sua evolução e os prepara para um novo período de desenvolvimento. Se nos lembrarmos desse fato e, também, de que a primeira parte de uma Época é saturnina, então entenderemos que, embora os Semitas Originais fossem os ancestrais da Raça Ária, tenham sido multiplicados como as areias da praia, e tenham recebido suas Leis através de Jeová, eles também viviam no estágio saturnino da Época Ária e, portanto, logicamente, foram ensinados a guardar o dia de Saturno como um “dia de descanso”.
A Bíblia diz que a Lei era suprema até o advento do grande Espírito Solar. Cristo iniciou uma nova fase da evolução sob o princípio do amor e da regeneração. Isso pôs fim ao regime de Jeová e ao domínio de Saturno, não de uma forma abrupta, é claro, pois sempre há uma sobreposição que se procura entre um regime antigo e um novo. Mas, a partir desse momento, nós, o povo pioneiro Cristão, já entramos na segunda parte, ou seja, na parte Solar da Época Ária e, portanto, estamos substituindo agora o “dia de Saturno” pelo “dia do Sol” como dia de “dedicação ao Senhor”.
Como já mencionamos, a Lua e Saturno são os portões do Caos, e isso pode levar os Estudantes Rosacruzes a quererem saber o que acontecerá ao restante de nós e, portanto, podemos fornecer uma explicação resumida dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental sobre esse ponto: a Humanidade comum que segue o Caminho de Evolução é guiada em direção ao Reino de Cristo, o Espírito Solar.
Os atrasados, que não conseguem acompanhar o curso evolutivo, retrocedem para o Reino de Jeová, o Espírito Lunar.
Os avançados da Humanidade, os Iniciados que passaram tanto pelas Iniciações Menores quanto pelas Iniciações Maiores e seguem diante do Libertador (o grande Ser encarregado da evolução na Terra), têm a opção de permanecer aqui e ajudar seus irmãos e suas irmãs nesse mundo, ou ir para um satélite natural de Júpiter e preparar as condições sob as quais a Humanidade poderá evoluir no futuro Período de Júpiter.
As almas avançadas que malbarataram os seus poderes exercendo a magia negra retrocedem diretamente para Saturno e são forçadas a penetrar no Caos pela dissolução de seus veículos.
Saturno tem uma preponderância do quarto Éter, o Éter Refletor. Daí a sua pálida luminosidade, e os Egos que vão para lá deixam um registro de suas vidas e são em seguida lançados para fora em direção ao Caos, através das luas de Saturno.
Júpiter tem uma preponderância do terceiro Éter, o Éter Luminoso ou Éter de Luz. Daí o seu brilho, e os Egos avançados que vão para Júpiter, vindos do lado externo, dirigem-se para o interior através das luas e começam, então, como já dito, um trabalho construtivo para o Período de Júpiter.
(Pergunta nº 77 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: Isso é possível porque fomos criados com o livre arbítrio desde o início. Ou seja: desde o início temos a prerrogativa de querer ou não querer, exercendo a nossa Vontade. E isso é respeitado por todos os seres (e deveria ser também por nós!). É esse mesmo direito que resulta em querer ou não evoluir. O fato de no comecinho – Período de Saturno – estarmos em um estado de consciência conhecida como transe profundo não nos impede de termos o livre arbítrio, pois, como Espíritos Virginais, estamos sempre conscientes! Todos nós, como Espíritos Virginais, desde o Período de Saturno quando éramos guiados pelos Senhores da Mente, já haviam entre nós Espíritos Virginais da nossa Onda de Vida mais evoluídos que a Humanidade comum hoje. Exemplos: são os Irmãos Maiores e os seres de outros Períodos como: Júpiter, Vênus e Vulcano.
Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz
Conta-se a história de um casal bondoso no País de Gales que desejava adotar uma criança refugiada belga e viajou até Swansea, uma cidade costeira do País de Gales, para conseguir uma no campo de concentração que havia lá. Mas nenhuma lhes agradou, exceto um irmão e uma irmã que se agarravam um ao outro com tanta tenacidade que o casal não teve coragem de separá-los. Então decidiram adotar ambos e os levaram para casa.
Quando a senhora despiu a menininha, reparou que ela trazia um medalhão pendurado no pescoço. A pequena explicou, da melhor forma que conseguiu, que ali dentro havia a imagem de sua mamãe, que fora massacrada. Ao abrir o medalhão, a senhora viu com assombro e angústia o retrato da sua própria irmã, que havia partido para a Bélgica anos antes como governanta e de quem não recebera notícia desde então. Assim, foi revelado que ela havia acolhido em seu lar e coração os filhos da irmã assassinada.
Como isso aconteceu — de fato aconteceu? Essa é uma questão de grande importância, pois afeta o destino de todo ser humano saber se os acontecimentos de nossas vidas são regidos pelo acaso ou pelo desígnio. A explicação mais simples é, naturalmente, que simplesmente aconteceu; pode parecer muito forçado para a maioria postular a ideia de “desígnio”. Ainda assim, Cristo nos ensinou que: “Até os cabelos da sua cabeça estão todos contados e mesmo um pardal não cai sem o conhecimento do Pai. Vocês valem mais do que muitos pardais.” (Mt 10:29-30)
Se Cristo disse a verdade — e não podemos duvidar que disse —, então o elemento do acaso é eliminado; assim, tudo o que nos acontece é resultado do desígnio Divino ou humano, atuando sob, e em harmonia com, a imutável Lei de Consequência; as forças que elaboram esses desígnios podem estar nos Mundos visível ou invisíveis.
Sob essa hipótese, é fácil explicar o ocorrido. Quando nos perguntamos quem teria interesse em levar aquelas crianças até a tia para protegê-las, a resposta é óbvia: a mãe. Se uma mãe pode fazer isso por seus filhos, então segue-se que todas as mães devem possuir capacidade semelhante de influenciar o destino de sua descendência — limitada, é claro, pela Lei de Causa e Efeito já mencionada. Se as mães podem fazer isso, também os pais ou outros parentes podem; em suma, todos estão além do véu da morte devem ter o poder de motivar cada pessoa que vive aqui; assim, nós também devemos ter esse poder. Não pode haver meio-termo.
Para o investigador ocultista isso é algo de conhecimento comum: aqueles a quem chamamos de mortos continuam, por um tempo que varia conforme sua inclinação e disposição, a se interessar pelos assuntos daqueles que deixaram para trás e se esforçam, com maior ou menor êxito, por influenciá-los, assim como nós sugestionamos uns aos outros nas relações físicas. Eles não são livres para fazê-lo em todos os momentos, pois certos episódios do Panorama da Vida deles passada exigem toda a sua atenção enquanto estão vivendo a purgação da última vida; mas entre os períodos de expurgação, nossos amigos dos Mundos invisíveis estão bem próximos de nós e nos envolvem com o mesmo cuidado e amor que tinham por nós enquanto estavam aqui no Corpo Denso.
Infelizmente, o contrário também é verdadeiro. Se um inimigo morre, não nos livramos dele por esse simples fato; na verdade, ele pode até nos causar mais dano de lá do que poderia em vida física. Isso foi sentido em pequena escala na guerra Russo-japonesa, quando alguns dos golpes estratégicos dos japoneses derivaram de impressões recebidas do outro lado. Métodos semelhantes foram usados, em proporção incrível para quem não esteja de fato ciente dos fatos, no início da presente Primeira Guerra Mundial.
Mas a ação organizada dos Irmãos Maiores e suas hostes de Auxiliares Invisíveis têm dado frutos no sentido de conter a corrente de ódio entre as vítimas do campo de batalha, de modo que todos os que atravessam o portal da morte agora são instruídos sobre o efeito da malícia sobre si e o mundo. Suas naturezas superiores são invocadas e o altruísmo é enaltecido como sendo mais nobre que o patriotismo; o resultado é que a maioria é convertida, pelo menos o suficiente, para se afastar de esforços ativos que objetivam a interferência no conflito.
Há muitos anos defendemos a abolição da pena de morte por razões semelhantes; o assassino, ressentido por esse ato de retaliação, é solto nos Mundos invisíveis para manipular outros de mentalidade semelhante e isso produz muitos homicídios. No entanto, se fosse mantido na prisão, permaneceria isolado até que os anos passassem e mitigassem seu ressentimento contra a sociedade; então atravessaria o portal da morte física em um estado de espírito menos perigoso e eventualmente não causaria mal à coletividade.
Que se compreenda, portanto, que seja um fato e não um sentimento poético, o conhecimento dado por John McCreery:
Embora invisíveis ao olhar mortal,
Eles ainda estão aqui e nos amam.
Os queridos que deixaram para trás,
Eles jamais esquecem.
Sim, sempre perto de nós, ainda que não sejam vistos,
Nossos queridos espíritos familiares caminham,
Pois em todo o vasto Universo de Deus há Vida e
Não existem mortos.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de Setembro/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Outubro de 1917
Na semana passada, uma visitante que esteve em Mount Ecclesia me disse que ela passou uns vinte anos estudando todas as diferentes filosofias que conseguiu encontrar; também me disse que nos últimos anos ela havia se dedicado aos estudos dos Ensinamentos Rosacruzes, que eles a atraíam por serem a verdade absoluta. Ela naturalmente esperava que eu concordasse com esse sentimento, e não com os Ensinamentos que me foram fornecidos pelos Irmãos Maiores e que foram escritos em nossos vários livros.
Para os Bosquímanos[1] e os Kafirs[2], por exemplo, que podem desenvolver um temperamento religioso – até onde lhes seja possível entender isso – provavelmente aceitarão como uma grande verdade, que haja um ser divino de natureza superior à humana. Para tais seres humanos e para tal concepção de Religião há um avanço gradual em direção às filosofias transcendentais que despertam reverência nos espécimes mais desenvolvidos da Onda de Vida humana. Isso nos dá razão para acreditar que a evolução do ser humano requer também uma evolução da sua Religião. Subimos dos vales da ignorância infantil até o ponto em que hoje nos encontramos, e seria absolutamente contrário à Lei de Analogia supor que qualquer conquista na linha religiosa que atualmente possuímos seja a suprema; pois se não houver mais progresso religioso, também não poderá haver mais progresso humano.
Qual é, então, o caminho que conduz às alturas da realização religiosa e onde encontrá-lo? Essa parece ser uma pergunta lógica. A resposta é que ele não se encontra nos livros, nem meus nem de qualquer outra pessoa. Os livros são úteis, à medida em que nos fornecem material para reflexão sobre os assuntos abordados. Podemos ou não chegar às mesmas conclusões que o escritor dos livros, mas, desde que levemos as ideias apresentadas ao nosso interior e trabalhemos nelas com cuidado e oração, tudo o que resultar do processo será nosso, mais próximo da verdade do que qualquer coisa que possamos obter de qualquer outra pessoa ou de qualquer outra forma.
O Eu Superior, portanto, é o único tribunal digno da verdade. Se levarmos nossos problemas diante desse tribunal, de forma consistente e persistente, desenvolveremos, com o tempo, um senso da verdade tão superior que, instintivamente, sempre que ouvirmos uma ideia sendo apresentada, saberemos se ela é sólida e verdadeira ou não. A Bíblia, em várias passagens, nos exorta a ter cuidado com todos os tipos de doutrinas que flutuam no ar, porque muitas são perigosas e perturbam a Mente. Livros são lançados para promover este, aquele ou outro sistema de filosofia. A menos que tenhamos estabelecido, ou tenhamos começado a estabelecer, esse tribunal interno da verdade, podemos ser como a senhora mencionada acima – vagueando de um lugar para outro, mentalmente falando, por toda a nossa vida e não encontrando descanso, sabendo pouco mais no final do que no início, e talvez até menos.
Portanto, meu conselho ao Estudante Rosacruz seria nunca aceitar, rejeitar ou seguir cegamente qualquer autoridade, mas se para estabelecer o tribunal da verdade interiormente. Remetam todos os assuntos a esse tribunal, comprovando todas as coisas e absorvendo firmemente tudo o que nele existir de bom.
(Cartas aos Estudantes – nº 83 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Os “bosquímanos”, mais corretamente referidos como o povo San, são povos indígenas caçadores-coletores de longa data do sul da África.
[2] N.T.: Uma pessoa que rejeita ou descrê em Deus (Alá) como descrito pelo islã de acordo com os ensinamentos do profeta islâmico Maomé e nega o domínio e a autoridade do Deus islâmico.
Em visões, enquanto eu descansava em minha cama e meditava sobre as coisas reais da vida, vi uma escada luminosa que descia dos céus até a terra, sobre a qual, subindo e descendo, estavam os Espíritos Mestres em seus corpos glorificados; alguns estendiam a mão aos seus irmãos trabalhadores da Terra, ajudando-os a subir na escada sobre a qual eles mesmos se mantinham.
E eu vi uma segunda escada cujo pé parecia estar na Terra, mas era curta e alcançava os Céus, assim como a primeira e luminosa, que era larga, reta e ia do Céu à Terra, tendo seu início do alto — porém a base da segunda escada estava na Terra.
A construção de uma escada era semelhante à da outra, pois eu vi que ambas eram feitas de grandes cruzes — a cabeça de uma cruz estendia-se até o pé da cruz acima, cujos braços estavam firmemente presos a ela, seu pé também estava firmemente preso aos braços da cruz seguinte, tanto acima quanto abaixo de si mesma, formando uma escada larga e com degraus na qual homens e mulheres da Terra subiam para alcançar os Céus.
As duas escadas eram contrapartes uma da outra, pois ambas eram feitas de grandes cruzes, mas a escada luminosa era reta, íngreme e difícil de ser escalada pelos homens e pelas mulheres da Terra sem a ajuda dos Irmãos Maiores, que são os Espíritos Mestres — ao passo que a outra era escura devido às manchas da Terra e tinha sua fundação no topo de uma montanha, onde estavam três cruzes antigas, muito antigas; ao redor da cruz do meio havia um halo de luz semelhante àquele que vinha do alto e envolvia a escada luminosa; a escada escura não era reta como a escada luminosa, mas formava uma espiral que alcançava alturas cada vez maiores à medida que os homens e as mulheres da Terra a construíam.
E os rostos dos homens e das mulheres que traziam as cruzes para serem incorporadas à escada tornavam-se luminosos como os rostos e corpos dos Espíritos Mestres que estavam sobre a escada luminosa e ensinavam ao povo como usar suas cruzes para construir uma escada forte e eficaz.
Enquanto eu observava, vi outros homens e outras mulheres à distância e entre eles havia também muitas crianças cujos rostos estavam muito tristes, com dor e sofrimento estampados em suas feições, de modo que olhavam sempre para baixo e não viam os construtores da escada nem o modo de usar as cruzes pesadas, que estavam ensinando.
E, por serem ignorantes do caminho melhor, continuavam a carregar suas cruzes nas costas e nos ombros, e os fardos eram muito penosos, até que mãos auxiliares se estenderam a eles, dizendo-lhes para trazer seus fardos até o pé da escada e entregá-los à construção. Esses estavam feridos, tomados pela dor, e seus fardos constantemente os faziam tropeçar e cair por terra, mal conseguindo se levantar novamente, depois. No entanto, à medida que continuavam lutando, finalmente se aproximaram do lugar onde a escada estava sendo construída; então eles também aprenderam a usar suas cruzes como um meio de ascender.
Ao ouvirem os Seres Luminosos que lhes diziam como o Mestre, Ele mesmo, queria que construíssem a escada, perceberam que, durante toda a vida, viveram sob uma falsa crença — que não fora o Mestre quem colocara as cruzes sobre seus ombros, mas eles próprios haviam forjado cada um o seu fardo e se apegado às suas próprias crenças erradas; assim, cada um carregava sua própria cruz nas costas — mas o Mestre queria que fossem livres — livres para servir com amor.
Então seus rostos se iluminaram com uma luz interior, seus corpos se endireitaram e eles desprenderam as cruzes de seus ombros, ajudando com entusiasmo a colocá-las no lugar e firmemente amarrá-las para que a escada se elevasse ainda mais. Em seguida, subiram pela escada que haviam ajudado a construir. Com a luz de uma nova alegria em seus rostos, olhavam constantemente para trás enquanto subiam, para ver se alguém precisava de ajuda e para mostrar o caminho àqueles que ainda eram ignorantes. Servir era uma alegria e ensinar era um prazer.
Alguns, que eram fortes e destemidos, passaram da escada em espiral, cuja fundação estava sobre o Monte, para a escada reta e luminosa, cujo início vinha do alto, sendo apoiados e auxiliados pelos Irmãos Maiores, que subiam e desciam à vontade, ocupados com várias missões de serviço útil a seus irmãos e suas irmãs mais jovens.
Gradualmente, muitos aprenderam o caminho, mas não importava quantos subiam pelas duas escadas, pois sempre havia espaço e aqueles que ascendiam aos Céus eram recebidos e saudados pelos Espíritos dos que haviam vencido e se tornado Auxiliares de seus Irmãos. E a luz de uma grande alegria brilhava em todos os seus rostos e através de suas vestes: essa luz era a luz do Cordeiro, Ele mesmo, que também trabalhava entre eles, orientando todos os que necessitavam de conselho.
Ele também tocava com mão piedosa alguma alma sobrecarregada e a mandava olhar para cima para ver como seus irmãos e suas irmãs estavam construindo a escada. Ordenava-lhe que fosse e fizesse o mesmo. Então, seu rosto também se iluminava com uma luz interior e prontamente retirava o fardo das próprias costas para colocá-lo no chão e sobre ele subir para ascender.
À medida que todos aprenderam o caminho melhor, cada um o informou a outro e se tornou um Auxiliar de seus Irmãos. E os muitos tornaram-se uma multidão e a multidão tornou-se uma multidão que ninguém podia contar, cujos rostos brilhavam cada vez mais enquanto cantavam o cântico do cordeiro — digno é o cordeiro que foi morto para receber poder e riquezas, sabedoria, força, honra, glória e bênção (Apo 5:12) … Amém, Amém.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
A Lei da Consequência é uma das Leis de Deus, que decreta que o que semeamos, colheremos. Ela também é chamada de Lei de Causa e Efeito.
O que somos, o que temos, todas as nossas boas qualidades são o resultado do nosso trabalho no passado e, portanto, nossos talentos. O que nos falta, física, moral ou mentalmente é por não termos aproveitado certas oportunidades no passado ou por não as termos vivenciadas, mas em algum momento, em algum lugar, outras se apresentarão para nós e recuperaremos o que perdemos.
Quanto às nossas obrigações e dívidas para com os outros, a Lei de Consequência também trata disso. O que não pôde ser resolvido em uma vida voltará a nos apresentar nas vidas futuras. A morte não anula as nossas obrigações, assim como indo para outra cidade não pagamos as dívidas que contraímos aqui.
A Lei do Renascimento, que trabalha harmonicamente com a Lei de Consequência, proporciona um novo ambiente, mas nele existem “velhos inimigos”. E, às vezes, os conhecemos, porque quando conhecemos algumas pessoas pela primeira vez, sentimos como se as conhecêssemos de algum lugar. Isso ocorre porque nós, o Ego, rompemos o véu da carne e reconhecemos um “velho amigo” ou um “velho inimigo”. Se for um “velho inimigo” ele pode nos inspirar medo ou repúdio, e é como uma mensagem que nos alerta contra um inimigo de antigamente. Assim, veja que a Lei da Consequência está operando continuamente.
A partir do momento do nascimento, as forças que foram acionadas em vidas anteriores e ainda não se esgotaram, passam a atuar na criança e em seus veículos. Todos os velhos amores e ódios vêm à tona.
Antigos inimigos se apresentam, para que nós possamos traçar com eles nosso destino e transformá-los em “amigos”, pois toda relação tem que terminar em amor, que é a única solução para “aprendermos as lições” sem sofrer.
Amigos anteriores nos ajudam trabalhando conosco para benefício mútuo. Assim nos aproximamos lenta, mas irresistivelmente, da era da Amizade Universal.
Por meio da Lei de Consequência aprendemos que temos a nossa responsabilidade correspondente e que cada palavra, ato, obra e/ou ação que pomos em movimento deve ter o seu efeito correspondente.
Se, por negligência ou egoísmo causamos sofrimento ou dolo aos outros, fatalmente, a Lei de Consequência trará condições semelhantes em uma data mais remota, e assim compreenderemos a injustiça de agir dessa forma, ou que o “caminho do transgressor é doloroso”. Se não atendermos à lição, a Lei de Consequência nos trará experiências cada vez mais duras, até que finalmente façamos o esforço necessário e, então, obtenhamos o poder do autocontrole ou autodomínio.
Os Ensinamentos Rosacruzes sobre a vida nos mostram que o mundo que nos rodeia nada mais é do que uma Escola de experiências, mas atrelada a solução nas inseparáveis Leis de Consequência e Lei de Renascimento. Que assim como mandamos a criança para a escola dia após dia, e ano após ano, para que ela aprenda cada vez mais e, à medida que avança nas diferentes séries da escola até a universidade, o mesmo acontece com cada um de nós, como filho do Pai, entra na escola da vida. Mas numa vida mais ampla, cada dia escolar é para nós uma vida terrena, e a noite entre os dois dias letivos corresponde ao sono após a morte.
Veja que numa escola há muitas séries. Onde as crianças com mais idade que frequentam a escola há muito tempo têm que aprender lições muito diferentes daquelas aprendidas pelas crianças mais jovens que frequentam o “jardim de infância”. Da mesma forma, na escola da vida, aqueles que ocupam altos cargos, sendo dotados de grandes faculdades, são seres mais avançados, por exemplo, como Irmãos Leigos ou Irmãs Leigas, Adeptos e Irmãos Maiores, e os menos avançados são aqueles que ainda frequentam as primeiras séries escolares. O que os seres mais avançados são, nós seremos, e todos acabarão por chegar a um ponto em que serão mais sábios do que os mais sábios que conhecemos agora.
Se as obras, ações e os atos que praticamos forem construtivos e respeitarem os direitos dos outros, então na vida futura nasceremos em condições que nos trarão sucesso e felicidade. Se, pelo contrário, cedermos às nossas paixões, sem consideração pelos outros, ou se formos insolentes e descuidados, certamente renasceremos em condições e entre pessoas que farão da nossa vida um fracasso, e que nos trarão muitos sofrimentos. Através destes fracassos, porém, aprenderemos onde erramos em vidas anteriores e saberemos o que precisamos fazer para remediar o passado. Assim, aplicando a nossa força de vontade na solução de problemas, obteremos sucesso, e a Lei de Consequência, a partir desse momento, funcionará a nosso favor, e não contra nós.
Veja, assim, como é importantíssimo saber como funcionam a Lei de Consequência e a Lei de Renascimento!
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Nesta parábola, Cristo Jesus referiu-se não apenas às verdades espirituais que a Humanidade em geral tinha tal necessidade no tempo de Seu ministério de três anos, mas também descreveu diferentes tipos de pessoas e suas reações a Seus ensinamentos. A atitude das três primeiras classes que Ele descreve explica o fato de que uma parte tão grande da Humanidade estava no ponto de retrocesso quando o Raio de Cristo veio à Terra como seu Espírito Planetário residente.
Havia então, como agora, muitas pessoas que fizeram tão pouco esforço e progresso ao longo das linhas espirituais que não entendem quando alguém fala com elas sobre as leis espirituais subjacentes à existência. Desde o tempo, Eons e Eons atrás, que os Espíritos Virginais foram diferenciados dentro de Deus e começaram a mergulhar na matéria, muitos exerceram seus poderes divinos tão ligeiramente e se tornaram tão emaranhados na materialidade que perderam a percepção de serem seres espirituais e responde pouco à voz do Eu Superior. As forças subversivas estão em ação constante para liderar essa classe, que constitui aqueles que “receberam semente no esquecimento”, longe das influências edificantes que poderiam colocá-los entre os mais avançados.
Há outro tipo de pessoas que são instáveis, não tendo a fixidez de propósito ou força de caráter para manter os ensinamentos espirituais e padronizar suas vidas por eles, mesmo que possam aceitar as verdades quando ouvidas. Eles ouvem livremente todos os ensinamentos que podem ser promulgados, mas não discriminam e fazem de suas concepções intelectuais uma parte de sua base para a vida diária. Eles não permitem que a “palavra” forme “raiz” em seus seres e, portanto, constituem um “terreno pedregoso”, onde a “semente” desaparece.
Uma terceira classe de pessoas tornou-se tão absorta em suas buscas materiais e desejos egoístas que eles não permitem que um conhecimento das verdades espirituais interfira em sua maneira sensual de existir. Eles vivem em suas emoções e desejos: comendo, bebendo e se divertindo. Suas casas e terras, seus “gastos e gastos”, suas vaidades pessoais, etc., ocupam seu tempo e seus pensamentos. Os “espinhos”, ou natureza inferior, sufocam a “semente” e impedem seu crescimento. Felizmente, há ainda outro tipo de ser humano, como referido na parábola: aqueles que “ouvem a palavra”. Estes são aqueles que ouvem a voz do Eu Superior, o Cristo Interno, e se esforçam para viver de acordo com a parábola, ou seja, de acordo com as verdades espirituais dadas à Humanidade, como um padrão para o progresso pelos nossos Irmãos Maiores. Suas vidas diárias estão cheias de pensamentos e atos de amor e serviço para com os outros, em emulação de Cristo Jesus, o ideal para a Humanidade presente. Assim, eles se preparam para a Nova Era alimentando a “semente” até que ela cresça e floresça em um glorioso e luminoso fruto: a vestimenta do Casamento de Ouro, ou Corpo-Alma, a evidência do Cristo Interno.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1975 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)