É interessante observar que a semente de um novo ser humano está começando a nascer entre nós. Olhem as crianças! Como são diferentes se nós a comparamos com nós próprios quando éramos jovens. Elas têm uma nova mentalidade, uma nova resistência nervosa e novas qualidades espirituais. Não os levemos para trás com nossas ideias fixas e antiquadas.
As crianças deste novo dia têm olhos mais brilhantes, um aspecto mais claro, a Mente mais perspicaz; elas não são absolutamente do tipo musculoso. São mais vivas e interpretam a vida sob um ponto de vista mais espiritual. Elas aplicam a inteligência nos seus trabalhos diários. Elas têm os mesmos problemas que nós tivemos, mas elas os veem sobre um plano mais elevado. Elas têm um entendimento intuitivo maior e mais profundo sobre a vida e nós devemos estar preocupados com o nosso próprio desenvolvimento se quisermos acompanhá-los. Devemos ainda dar-lhes instrução espiritual, conselhos e ensinar-lhes a pureza do coração.
Se entendermos que cada um de nós é uma parte componente da Onda de Vida humana, nossa visão da vida mudará completamente. Trazer crianças para este mundo é uma boa maneira de fazer-nos sentir ligados à Humanidade como um todo.
Alguns nunca conceberiam crianças se dependesse meramente do instinto primitivo da multiplicação. Eles desejariam trazer uma criança para este mundo se por esse meio sentissem que estavam fazendo uma contribuição para a Onda de Vida humana, como uma coisa perfeita é mais refinada do que antes. A pessoa altamente desenvolvida tem sempre o desejo de levar adiante alguma coisa nova e sentir a responsabilidade de fazer o melhor para ajudar o aprimoramento e a perfeição da Onda de Vida humana.
Tudo o que fizermos sinceramente em serviços elevados – tanto no trabalho de um ideal como para um ser humano – se reflete sobre nós mesmos, não somente agora, como nas vidas que virão.
Se pudermos educar nossas crianças, despertando-as para o sentido da responsabilidade tanto individual como racial, estaremos inspirando-as a viver saudável, bela e inteligentemente para benefício das futuras gerações. Devemos trabalhar continuamente através dessas.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1985 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Antigamente, quando um Templo de adoração era construído, o terreno ou área destinada à construção era enfeitado com guirlandas de flores em um dia determinado pelos astrólogos. “Há um tempo para tudo debaixo do sol“[1], e os astrólogos buscavam determinar as condições propícias para o início da obra sagrada. No dia e na hora determinados, apenas pessoas de renome, carregando galhos de árvores, entravam no recinto. Os galhos simbolizavam uma conclusão feliz e frutífera para a obra. As pessoas de renome eram seguidas pelas virgens vestais que, em oração, aspergiam o local com água trazida em urnas por meninos e meninas. Em seguida, vinham os sacerdotes e dignitários do Estado, seguidos pelos cidadãos carregando a pedra fundamental enfeitada com guirlandas. Após o Pretor impor as mãos sobre as cordas que envolviam a pedra, os pedreiros a colocavam no lugar, e o Pontífice, consagrando-a ao seu uso, exortava o povo a servir e temer os deuses e a obedecer à lei.
A pedra era sempre colocada no canto nordeste do Templo, análogo ao local de maior poder do Sol no Solstício de Junho, quando todos os seres vivos são mais vitalizados por seus raios.
Chegamos agora a mais uma “colocação da pedra fundamental”, mas uma que é única por inaugurar uma nova era na Religião Cristã. Por mil novecentos e vinte anos, a igreja tem lutado para “Pregar o Evangelho” em obediência ao mandamento de nosso Salvador. Agora, a Fraternidade Rosacruz ergue bem alto a bandeira com o segundo mandamento, “Curai os Enfermos“, como um estímulo à nossa missão Cristã, e “coloca a pedra fundamental” de um Templo de Cura consagrado em Cristo para servir ao nosso próximo irmão e irmã sofredores.
O lugar sagrado do Templo estava radiante com a efusão de bênçãos das “hostes invisíveis” que reconhecem a importância espiritual do passo dado. O pequeno e devotado grupo de seguidores da Fraternidade Rosacruz respondeu com silenciosa dedicação interior do “Eu superior” ao serviço de Cristo como Curador Divino: orações silenciosas por força para purificar o “Eu inferior” de toda indignidade, a fim de que o poder curador do Senhor pudesse fluir através de nós como canais limpos para Sua obra.
Ele, nosso amado Salvador, conheceu apenas a terrível agonia da “Coroa de Espinhos”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos nos esforçando para fazer crescer uma “rosa” de poder espiritual onde cada espinho sugou uma gota de Seu sangue. Ele conheceu apenas a agonia de ser pregado na “Cruz”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos tentando “arrancar os pregos” que nos pregam firmemente à cruz; os pregos do desejo egoísta, da ânsia por poder temporal, da cegueira espiritual.
Este trabalho de cura espiritual Cristã é um dos métodos de servir à Humanidade sofredora, oferecendo ao verdadeiro (a verdadeira) profissional de saúde um meio de unir o poder da Ciência ao da Religião. A Fraternidade Rosacruz clama pelo verdadeiro (pela verdadeira) profissional de saúde, a pessoa que não se envergonha de orar por seus pacientes enquanto trabalha por eles. Cristo-Jesus disse: “Eu sou O CAMINHO, A VERDADE e A VIDA”[2].
No entanto, quantos profissionais de saúde e pacientes em sofrimento intenso negligenciaram convidá-Lo para ajudar! Existe uma maneira de invocar essa efusão divina, assim como existe uma maneira de fazer cada coisa que fazemos. Esse CAMINHO exige preparação, purificação, dedicação, consagração, e isso faz parte do trabalho do Estudante Rosacruz.
O verdadeiro e ativo (a verdadeira e ativa) Estudante Rosacruz não busca poder temporal. Busca servir a Deus ajudando seus semelhantes que estão sofrendo fisicamente, emocionalmente e/ou mentalmente. Um local de capacitação para o trabalho é maravilhosamente alcançado no Templo de Cura, que está sendo construído pelo serviço amoroso e desinteressado de muitos.
Augusta Foss Heindel aproveitou esse momento para lembrar onde começou a ideia da construção do Templo de Cura e qual é e será o seu objetivo para cumprirmos o mandamento de Cristo: Curar os Enfermos.
“Amigos, estamos aqui hoje para realizar o que foi iniciado em 25 de novembro de 1914 por Max Heindel. Naquela ocasião, nos reunimos para preparar esta pedra que hoje colocamos como pedra fundamental. Ela é um símbolo de uma estrutura física que, por sua vez, nos aparecerá como um símbolo daquilo que nós, como trabalhadores do Templo de Deus, estamos nos esforçando para construir. Aprendemos o uso simbólico das ferramentas do pedreiro; definimos o pedreiro como aquele que coloca o cimento e coloca o tijolo, trabalhando com as ferramentas de seu ofício; assim, um edifício é erguido. Também somos verdadeiros “pedreiros livres”, usando materiais diferentes. Estamos construindo o material que os Irmãos Maiores nos deram, que acabamos de colocar nessa pequena caixa, a gloriosa mensagem que nos foi dada pelos Irmãos Maiores através da grande alma cujo aniversário celebramos hoje, a alma que nasceu em 23 de julho de 1865 e que estava destinada a trazer ao mundo uma visão mais ampla dos ensinamentos de Cristo do que jamais foi dada à Humanidade, uma Religião que será a pedra angular de todos nós na Era de Aquário. Este mensageiro também nos disse que este seria o último templo físico a ser erguido pelos Irmãos Maiores. A Humanidade alcançará esse estágio de desenvolvimento e agora está trabalhando com o objetivo de se preparar para que possa adorar no verdadeiro Templo, aquele Templo de Deus não feito por mãos, eterno nos céus, que não é construído de pedras, tijolos e argamassa, mas de corações amorosos e do sacrifício de nossas próprias naturezas inferiores, dedicando-nos assim como pedras vivas nele.
É um privilégio ser um dos obreiros, uma das pedras vivas, escolhido para obedecer aos dois últimos mandamentos do Cristo: “Pregai o Evangelho e Curai os Enfermos“[3]. O último mandamento foi esquecido pela Humanidade por tantos e tantos anos. Pregamos o Evangelho, mas apenas cumprimos a primeira metade dos mandamentos que Ele deu aos Seus discípulos. Esquecemos, nas Igrejas, de curar os enfermos. Houve uma divisão entre Ciência e Religião. Esse afastamento causou as condições materialistas de hoje. Cimentar essa brecha, unir Ciência e Religião, é o que nós, como obreiros e seguidores dos Ensinamentos Rosacruzes, estamos nos esforçando para fazer. Estamos construindo a pedra fundamental de uma grande obra futura. Pouco percebemos hoje, os poucos de nós que estamos aqui, o que isso significa para a Humanidade. O conteúdo desta pequena caixa viverá por eras depois que tivermos abandonado estes Corpos Densos. As vibrações que serão incorporadas a esta construção alcançarão os confins da Terra. Dizem-nos que quando Salomão construiu o Templo em Jerusalém, ele purificou e mudou a vibração de toda a cidade.
Fomos mantidos sob o domínio de Saturno, sob um ambiente cristalizado. Era necessário, no entanto, que aprendêssemos nossas lições, pois estamos neste mundo cristalizado e precisamos usar cimento material. Mas chegamos a um estágio neste trabalho em que não será necessário lutar por muito mais tempo, pois a fundação já está lançada. Hoje, lançamos esta pedra fundamental que, com seu conteúdo, permanecerá por eras e eras.
Amigos, vamos embora daqui hoje, dedicando-nos novamente a nos tornarmos canais mais puros, melhores e mais limpos, através dos quais os grandes Ensinamentos Rosacruzes possam ser enviados ao mundo. Estamos aqui porque fomos escolhidos para sermos trabalhadores neste grande campo do Mestre, Cristo. E estamos aqui para preparar o Templo invisível, usando o Templo físico apenas como um centro de trabalho. Ainda não nos desfizemos destes Corpos Densos, mas, ainda assim, estamos nos preparando para poder encontrar o Cristo, como Ele prometeu que, quando Ele vier, o “encontraremos no ar”. O que isso significa? Que estamos tecendo a “veste dourada das bodas”, o Corpo Vital espiritualizado, no qual todos seremos capazes de encontrar o Cristo em Sua vinda.
Vamos, amigos, ao colocarmos cada um uma colher de pedreiro de argamassa para selar esta pedra, colocá-la ali com uma oração de gratidão, pedindo por maior força, pureza e conhecimento, para que possamos ser instrumentos adequados para continuar esta obra e enviar esta mensagem à Humanidade, lembrando que Cristo é a verdadeira Pedra Angular.”
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: Ecl 3:1
[2] N.T.: Jo 14:6
[3] N.T.: Mt 10:7-8
Na literatura Rosacruz encontramos uma frase de Max Heindel que surpreende pela sua atualidade: “Quanto mais intensa é a luz, mais forte é a sombra que ela projeta”. É uma metáfora do que percebemos nos tempos presentes. Esclareçamos, então.
Vivemos um momento especial na história da Humanidade. Muitos avanços científicos parecem tornar cada vez mais real a perspectiva da concretização de uma Fraternidade Universal.
Inovações tecnológicas estão eliminando barreiras que separam as pessoas, ao reduzir distâncias, promover a comunicação em tempo real e globalizar a economia e a cultura. O conceito de “on-line” possibilita agir e saber o que se passa no mundo todo em fração de segundos. Quando acompanhamos pelos meios de comunicação, por exemplo, a ocorrência de um conflito no Oriente Médio, de uma catástrofe natural na África ou de uma crise econômica na Europa podemos imaginar, de imediato, o sofrimento de milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, tomamos conhecimento de que em várias partes do mundo já se registram movimentos solidários de socorro às vítimas e de que essa ajuda poderá chegar rapidamente, graças aos modernos meios de transporte.
Hoje, o conhecimento já não é mais privilégio de poucos. O acesso às redes sociais coloca a informação e a cultura ao alcance de bilhões de seres humanos. A interação em tempo real tende cada vez mais a anular as diferenças sociais, as barreiras linguísticas e a própria distância.
Mas, a luz irradiada por esse admirável mundo novo também projeta suas sombras, seus contrapontos.
Há que se empolgar menos e refletir mais, com isenção e espírito crítico, pois as sombras projetadas mostram que o retorno ao “paraíso perdido” ainda é um sonho muito distante.
O aperfeiçoamento dos meios de comunicação nos aproximou, porém não nos amenizou o individualismo egoísta. As guerras fratricidas por motivos religiosos ou étnicos nos fazem pensar sobre como a influência dos Espíritos de Raça ainda resiste ao impulso unificador do Cristo. A dor e o ódio não foram varridos da face da Terra.
Em resumo, a realização daqueles ideais acalentados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz depende do esforço abnegado dos homens e das mulheres de boa vontade. A caminhada seguramente será muito árdua.
Encontramo-nos em uma fase de transição, nos estertores da Era de Peixes, caminhando para a Era Aquário. O conflito entre as duas influências é inevitável, provocando toda essa turbulência que observamos no mundo. O Esquema, a Obra e o Caminho de Evolução, porém, segue seu caminho, irresistivelmente, e conduzirá a todos nós para uma espiral superior.
Que as rosas floresçam em vossa Cruz
Resposta: Evidentemente que não. Para que a tentação se torne tentação é preciso que a pessoa tentada veja algo desejável naquilo que a tenta. Faltando essa condição, não pode haver tentação. A carne animal não é motivo de tentação para esse autor, pois até o pensamento de comê-la lhe causa náuseas. Portanto, não há virtude em se abster dela. Ele não precisa dominar ou superar o desejo pela carne animal, mas teria que o seu desgosto ou repugnância para comê-la. O grande Espírito Solar, o Cristo, por Sua própria natureza, não poderia ter sentido nenhuma tentação de transformar pedras em pães para aplacar a fome. Ele não teria sentido como um sacrifício o recusar lealdade a um poder que o colocaria como soberano sobre a nossa pequena Terra; contudo, assim como nós, quando olhamos através de um vidro colorido vemos tudo matizado por essas cores, assim também, quando a consciência do Cristo estava focalizada no Corpo de Jesus, Ele percebia as coisas desse Mundo através dos olhos de Jesus, um ser humano. Do ponto de vista de um ser humano, o pão parecia algo extremamente desejável, quando se sentia fome. Portanto, isso constituía uma tentação.
O poder também parece desejável para a maioria da Humanidade. Consequentemente, o conhecimento de que pelo poder dentro de Si mesmo, Ele poderia satisfazer esse desejo constituiria uma tentação. Somente pela perspectiva humana de Jesus, o Getsemani poderia ter parecido tão terrível a ponto d’Ele querer evitar a provação que o aguardava. Podemos jugar, com base non princípio de que “cada um é que sabe onde os calos lhe apertam”, que o Espírito de Cristo aprendeu, por meio das limitações corporais de Jesus, a ter compaixão por nossas fraquezas e fragilidades de um modo que não poderia ser igualada pela simples observação externa. Tendo uma vez usado um Corpo e sentido a fraqueza ou fragilidade da carne, Ele sabe melhor do que ninguém como nos ajudar e, portanto, é o Mediador Supremo entre Deus e o ser humano.
(Pergunta número 91 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
É certo que cada um de nós deseja conhecer as causas de nossas dificuldades, tristezas e nossos sofrimentos, porque a ninguém apraz viver nessas condições. É necessário que conheçamos profundamente os problemas que se nos deparam, a fim de que possamos saná-los.
Vamos ver os pontos de capital importância, onde estão assentadas as bases dos nossos desgostos e das nossas ansiedades. Há mais de dois mil anos atrás, Cristo veio a Terra e a Humanidade recebeu a chave maravilhosa que possibilitaria o prosseguimento de sua marcha evolutiva, com o consequente acréscimo de seus sofrimentos. Acontece, porém, que nem todos aceitaram e nem querem aceitar o meio pelo qual podem dar término a todos esses problemas e, por esta razão, veja a seguir o que será colocado para que se verifique se é ou não é verdade que podemos aniquilar esses males, operando sobre suas causas.
Se existe, algo que concorre para a nossa infelicidade, esse algo é a falta de amor Crístico pelos demais. Embora digamos a todo instante que amamos a outrem, isto não se confirma através de nossos atos, nossas ações ou obras, pois, muitas vezes, quando alguém nos diz ou faz algo que nos desagrada, mesmo que não represente quase nada, estamos sempre prontos a criticar acintosamente e a lhe dirigir expressões de ódio. Às vezes, chegamos ao extremo de pensar em vingança e, numa condição dessas, podemos dizer que amamos ao próximo? Não, de forma alguma!
Podemos afirmar que esses fatos não têm relação alguma com os nossos sofrimentos. Devemos respeitar a opinião de quem quer que seja, pois, até nisso estaremos expressando o amor Crístico, porém, analisando os fatos dentro da lógica que caracteriza os mais elevados Ensinamentos Rosacruzes, chegaremos à conclusão de que a falta de amor Crístico atrai os sofrimentos.
Sabemos que tanto o pensamento como a palavra são forças poderosas e que, quando dirigidas contra alguém, não só a este prejudica, como também atuam sobre quem as emite. O emissor, às vezes, pode ser o maior atingido, pois semelhante atrai semelhante e quem gera a maldade também atrai a maldade, com tripla intensidade. Tanto isso é verdade que conhecemos pessoas que ao desencadearem suas expressões de ódio e terríveis impropérios, apresentavam grandes manchas rubras em diversas partes de seus Corpos Densos, como se tivessem sofrido violenta agressão física.
Quanto aos maus atos, más obras ou ações praticados contra os demais, poderemos constatar como provocam a desarmonia e suas consequências recaem sobre aqueles que os praticam, o que não aconteceria se todos compreendessem e colocassem em prática aquele princípio: “Não faça a outrem o que não quer que lhe façam”. Nós colhemos aquilo que semeamos, sempre.
Que tenhamos sempre uma maior e crescente compreensão desses princípios para que, aos poucos, consigamos viver com mais alegria e felicidade, mesmo que ainda não tenha concretizado todos os seus anelos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Como esta pergunta surgiu muitas vezes, de uns tempos para cá, talvez primeiro devamos mencionar as afirmações de Max Heindel que abarquem todo assunto do controle da natalidade. No Livro “Filosofia em Perguntas e Respostas” – volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, na Pergunta nº 37, ele discute o assunto por completo sendo que, de sua explanação, mencionamos algumas citações: “A questão da população, então, não está inteiramente controlada pelos indivíduos ou por leis humanas. As Hierarquias Criadoras, que guiam a nossa evolução, encarregam-Se da questão conforme necessário para que se reverta em maior benefício de todos os envolvidos e o número da população concerne mais a Elas do que a nós.
Isso não significa que não podemos ou não devemos exercer o controle de natalidade, como sugerido por aqueles que são os responsáveis por esse movimento. Também é verdade que é preciso ajudar as pessoas no lugar onde elas estão e não onde deveriam estar. Os Ensinamentos Rosacruzes enfatizam o fato de que “semelhante atrai semelhante” e, portanto, é um dever dos que estão bem desenvolvidos física, moral e mentalmente prover um ambiente adequado para tantos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana que precisam, na medida que suas condições físicas e financeiras permitam. Esse dever incide ainda mais sobre aqueles que estão também espiritualmente desenvolvidos, pois um irmão ou uma irmã altamente espiritualizada não pode entrar na existência física por meio de pais impuros ou não desenvolvidos espiritualmente. Contudo, quando um casal conclui que a gravidez é prejudicial para a saúde da mãe, ou quando a carga financeira está acima das possibilidades do casal, então eles devem viver uma vida de continência, não favorecendo a natureza passional e nem procurar por meios artificiais impedir a vinda de Egos, tirando-lhes a oportunidade de renascimento proporcionada pela indulgência sexual de tal casal.
É evidente que isso requer um considerável desenvolvimento espiritual e autocontrole. São poucos os capazes de viver tal vida, e seria o mesmo que pregar a continência para um muro de pedra do que para um espécime comum da Humanidade. Ele não pode compreender a necessidade disso. Ele até acredita que essa abstinência interferiria na sua saúde, pois falsas declarações a respeito da necessidade de exercer a função natural levaram a muitos resultados deploráveis. Ainda que ele pudesse ser persuadido a se abster pelo bem do seu cônjuge e dos filhos que já trouxe ao mundo, provavelmente seria incapaz de se conter, particularmente porque as pessoas que vivem em modestas condições, geralmente, não têm possibilidades de ter dormitórios separados, por exemplo. Por essa razão, é necessário ensinar a essas pessoas o controle de natalidade por meios científicos. Contudo, reiteramos que, embora as pessoas sejam incapazes de entender a razão pela qual a continência deva ser praticada e são incapazes de praticá-la por falta de autocontrole, os ensinamentos espirituais devem ser fornecidos repetidamente para que, da mesma forma que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, com o tempo as gerações vindouras aprenderão a considerar sua própria força de vontade para conseguir dominar sua natureza inferior. Sem um programa educacional visando à emancipação espiritual, as informações a respeito dos métodos físicos para limitar a natalidade nos lares sobrecarregados são extremamente perigosas”.
No Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” encontramos as seguintes afirmações: “Se o desejo de castidade nasce numa pessoa que mantém relações matrimoniais com outra, as obrigações de tais relações não podem ser esquecidas. Seria um grave erro viver castamente debaixo de tais circunstâncias, procurando fugir do apropriado cumprimento do dever. A respeito desse dever há uma linha de conduta para os Aspirantes à vida superior, diferente da do ser humano comum.
Para a maioria da Humanidade, o matrimônio é como que a aprovação de uma licença para a gratificação dos seus desejos sexuais. Talvez seja assim aos olhos das leis humanas, mas à luz da verdadeira lei não, porque nenhuma lei feita pelos seres humanos pode reger esse assunto. A Ciência Oculta afirma que a função sexual nunca deve ser exercida para gratificar os sentidos, mas somente para a propagação. Portanto, é justo que o Aspirante à vida superior se negue ao ato com seu cônjuge, a menos que seu objetivo seja conseguir um filho. Mesmo assim, devem, ambos, gozarem perfeita saúde física, moral e mental. Em caso contrário, a união produziria um Corpo débil ou degenerado.
Sendo cada pessoa dona do próprio Corpo, é responsável, ante a Lei de Consequência, por qualquer mau uso resultante do abandono do Corpo a outrem, por fraqueza da vontade.“.
No Livro Maçonaria e Catolicismo – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, Max Heindel explica claramente como está de acordo com a evolução que o fogo espiritual espinhal suba dos órgãos geradores inferiores até os superiores (cérebro e laringe). Isso pode ser feito somente por meio de uma vida pura e com o uso das próprias faculdades em esforços mentais, emocionais e físicos construtivos, inclusive o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada pessoa, que é a base da Fraternidade. Transcrevemos deste livro: “No seu presente estado, o ser humano se encontra sob o domínio da paixão infundida pelos Espíritos Lucíferos; por isso, para deleitar os sentidos, dirige para baixo, contrariamente à luz, a metade da sua força sexual criadora. Em sua alma profunda percebe que isso está errado; daí ele passa a ocultar o seu instinto criador num manto de vergonha e se sente ultrajado quando tal instinto é arrastado para a luz. Essa condição deve ser alterada para que se possa realizar um progresso espiritual… Deve-se aprender a elevar toda a força sexual criadora a fim de ser utilizada inteiramente sob a direção da inteligência“.
Fica bastante claro, por essas explanações, que a única solução real deste problema é o autodomínio. O atual emprego disseminado de contraceptivos, a fim de permitir uma licença sexual ilimitada, é perigoso, de fato, para se dizer o menos a respeito. É bom recordar que a destruição da Lemúrica (o lugar que habitamos na Época Lemúrica) e da Atlântida (o continente que habitamos na Época Atlante) ocorreu, em boa medida, devido ao fato da maioria da maioria de nós que também vivemos aqui naquelas Épocas abusarmos flagrantemente da função sexual criadora. A presente Humanidade estaria seguindo o mesmo caminho? Os que conhecem as verdades devem fazer tudo o que possam no sentido de divulgá-las. Como nos exortou Max Heindel, a solução está na educação. Os jovens precisam ser educados quanto às verdades reais no que concerne ao sexo. Certamente isso é assunto bastante vital, a base da evolução humana.
Agora, respondendo mais especificamente a pergunta: devemos, sem dúvida, tentar desempenhar todas as obrigações a que nos comprometemos com outras pessoas. Entretanto, em que medida isso deva ser aplicado em relação ao sexo é assunto a ser decidido pelo indivíduo de per si, à luz de suas circunstâncias e natureza particulares. O que para um seria o melhor, para outro não o seria. O discernimento, o julgamento e um ponto de vista impessoal são todos necessários para se tomar uma decisão sábia. A oração, também, poderá ser de muito valia, especialmente quando estiver aspirando de todo o coração.
Quanto a “o que possam ser alguns dos outros efeitos” de se tomar as pílulas anticoncepcionais, podemos apenas assinalar que algo tão contrário às Leis da Natureza deve ter alguns efeitos indesejáveis no Corpo Denso. De fato, cremos que alguns já foram referidos por cientistas médicos e médicas. Não nos esqueçamos, sobretudo, que os efeitos espirituais – incluindo-se o mental, o emocional e o moral – podem até mesmo ser mais deploráveis e perigosos do que os efeitos físicos.
(traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” e Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1973 –Fraternidade Rosacruz-SP)
No encerramento do Ritual do Serviço Devocional do Templo da Fraternidade Rosacruz há uma exortação que a seguinte: “nos tornemos melhores homens e mulheres e mais dignos de sermos utilizados como colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores, a serviço da Humanidade.”.
Os excelsos seres mentores do nosso Esquema de Evolução necessitam de pontos de apoio aqui no Mundo material – que é a Região Química do Mundo Físico – para realizarem seu trabalho de regeneração (parte do Plano de Salvação inaugurado por Cristo, na Sua primeira vinda). Não fosse assim, pouco ou nada conseguiriam. A face do Planeta Terra se tornaria uma verdadeira desolação, em virtude das nossas falhas e, muitas vezes, insistências em querer destruir esse Campo de Evolução.
Cooperar com seres humanos elevados espiritualmente e com todas as Hierarquias Criadoras, além de um inigualável privilégio, é um dever. Todos aqueles ligados aos movimentos espiritualistas têm colhido grandes bênçãos, como resultado de seu esforço em procurar se aperfeiçoar espiritual e moralmente. Como muito recebem, cabe-lhes, em contrapartida, a responsabilidade de dar, fazendo, assim, cumprir a Lei de Deus.
Quem aceita, voluntariamente, a missão de servir se põe em sintonia com a Fonte Suprema de todas as coisas: Deus. Quanto mais ajuda, percebe como crescem suas qualidades, seus talentos e suas possibilidades de colaborar em esferas cada vez mais amplas. Converte-se em um canal por onde fluem todas as dádivas divinas.
É essa a condição de meio de expressão das forças espirituais: não esqueçamos que “amém” significa “assim seja”. Terminemos sempre nossas preces com esta poderosa expressão de fé e confiança no Poder Divino, na presença luminosa e sábia que é Cristo, o Ser sublime que nos fornece vida, e que habita em nós, no coração de cada um, saibamos ou não. Assim nos compenetraremos, cada vez mais, da verdade de que Cristo, não age por nós, mas sim por meio de nós. Os Seus ‘milagres’ são a maneira d’Ele de utilizar sabiamente as Leis de Deus. Quando deixamos que a nossa vontade se apoie, firmemente, nas Leis de Deus, vemos que Cristo pode criar tudo através de nós e fazer, assim, todos os milagres.
O requisito fundamental para servirmos de canais de ajuda e cura é estarmos sintonizados com o Cristo em nós mesmos. Por isso constitui valioso exercício, uma ou duas vezes ao dia, recolhermo-nos por alguns minutos, procurando nos conscientizar da Divina Presença e de nossa unidade com Deus-Pai – para isso é mister fazer os Exercícios Esotéricos Rosacruzes, durante o dia, de Concentração e Meditação. Isso é muito importante porque além de nos ensejar proteção contra os maus pensamentos ou sentimentos desejos e/ou más emoções – tão comuns, principalmente nos ambientes de trabalho, do lar e até de alguns outros lugares – poderá nos converter em meios de manutenção de equilíbrio e bem-estar.
Para muitos, essa prática pode parecer inédita ou até surpreendente. Mas não é verdade. Se consultarmos a Bíblia verificaremos inúmeros casos em que alguém ou algumas pessoas serviram de instrumento ou de canal para que se operassem “prodígios” ou “milagres”.
No capítulo 5 do Evangelho Segundo S. Lucas, por exemplo, vemos como um grupo de homens, pela intensidade de sua fé no poder curador do Cristo, se tornou o instrumento para a realização da cura[1]. E assim, em várias passagens encontramos fatos idênticos.
Tudo isso sempre foi uma realidade. Apenas agora que um número cada vez maior de pessoas começa a se sensibilizar a essa verdade. Como disse Salomão, no Livro de Eclesiastes: “O que foi, será, o que se fez, se tornará a fazer: nada há de novo debaixo do sol!” (Ecl 1:9).
Assim, consciente dessa responsabilidade, o Aspirante à vida superior deve se manter sempre calmo, paciente, humilde, simples, esperançoso, confiante e equilibrado diante de todas as circunstâncias. Não deve permitir que a dúvida ou a preocupação ofusquem sua visão interior, ou que alguma condição adversa venha a perturbá-lo. Sabe que o amor divino é expresso no mundo através dos canais humanos. Não procura, entretanto, fazer valer a sua vontade, mas sim a de Deus-Pai (“Pai, faça-se sempre a Sua vontade, e não a minha”).
Não é o que realizamos, nem a extensão de nossa influência, que nos torna importantes a Deus, mas, quão desejosos estamos por deixar que Seu amor encontre expressão, por meio de nós, exatamente onde estamos. Dessa forma, Ele pode, realmente, criar tudo através de nós, e realizar os assim chamados “milagres”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: 1Certa vez em que a multidão se comprimia ao redor dele para ouvir a palavra de Deus, à margem do lago de Genesaré, 2viu dois pequenos barcos parados à margem do lago; os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo num dos barcos, o de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra; depois, sentando-se ensinava do barco às multidões. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Faze-te ao largo; lançai vossas redes para a pesca”. 5Simão respondeu: “Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas, porque mandas, lançarei as redes”. 6Fizeram isso e apanharam tamanha quantidade de peixes que suas redes se rompiam. 7Fizeram então sinais aos sócios do outro barco para virem em seu auxílio. Eles vieram e encheram os dois barcos, a ponto de quase afundarem. 8À vista disso, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!”. 9O espanto, com efeito, se apoderara dele e de todos os que estavam em sua companhia, por causa da pesca que haviam acabado de fazer; 10e, também, de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão”. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! Doravante serás pescador de homens”. 11Então, reconduzindo os barcos à terra e deixando tudo, eles o seguiram.
Cura de um leproso — 12Estava ele numa cidade, quando apareceu um homem cheio de lepra. Vendo a Jesus, caiu com o rosto por terra e suplicou-lhe: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. 13Ele estendeu a mão e, tocando-o, disse: “Eu quero. Sê purificado!”. E imediatamente a lepra o deixou. 14E ordenou-lhe que a ninguém o dissesse: “Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote, e oferece por tua purificação conforme prescreveu Moisés, para que lhes sirva de prova”. 15A notícia a seu respeito, porém, difundia-se cada vez mais, e acorriam numerosas multidões para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. 16Ele, porém, permanecia, retirado em lugares desertos e orava.
Cura de um paralítico — 17Certo dia, enquanto ensinava, achavam-se ali sentados fariseus e doutores da Lei, vindos de todos os povoados da Galileia, da Judéia e de Jerusalém; e ele tinha um poder do Senhor para operar curas. 18Vieram então alguns homens carregando um paralítico numa maca; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante dele. 19E como não encontravam um jeito de introduzi-lo, por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com a maca no meio dos assistentes, diante de Jesus. 20Vendo-lhes a fé, ele disse: “Homem, teus pecados estão perdoados”. 21Os escribas e os fariseus começaram a raciocinar: “Quem é este que diz blasfêmias? Não é só Deus que pode perdoar pecados?”. 22Jesus, porém, percebeu seus raciocínios e respondeu-lhes: “Por que raciocinais em vossos corações? 23Que é mais fácil dizer: Teus pecados estão perdoados, ou: Levanta-te e anda? 24Pois bem! Para que saibais que o Filho do Homem tem o poder de perdoar pecados na terra, eu te ordeno — disse ao paralítico — levanta-te, toma tua maca e vai para tua casa”. 25E no mesmo instante, levantando-se diante deles, tomou a maca onde estivera deitado e foi para casa, glorificando a Deus. 26O espanto apoderou-se de todos e glorificavam a Deus. Ficaram cheios de medo e diziam: “Hoje vimos coisas estranhas!”
Estudamos no Livro “Iniciação Antiga e Moderna – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” que “os diferentes símbolos divinos foram fornecidos à Humanidade, de tempos em tempos, falando com aquele fórum da verdade que está dentro dos nossos corações e despertando nossa consciência para as ideias divinas que transcendem inteiramente as palavras. Contudo, o simbolismo, que desempenhou um papel muito importante em nossa evolução passada, ainda é uma necessidade primordial em nosso desenvolvimento espiritual; daí a conveniência de estudá-lo com nossos intelectos e nossos corações”.
O Símbolo Rosacruz é um desses simbolismos divinos!
Desde o início, a Escola de Mistérios Ocidental, a Fraternidade Rosacruz, teve como símbolo as rosas vermelho-sangue (a purificação da natureza de desejos) sobre a cruz trilobada (materialidade), a estrela dourada radiada, que nasce dentro do Discípulo e irradia cinco pontas (mostrando Cristo desde as cinco pontas que representam o coração e os quatro membros), e o fundo azul (emblemático do Pai), revelando àqueles que podem interpretá-lo, que é a manifestação de Deus, a unidade na trindade foi consumada.
Contemplado em sua plenitude, este maravilhoso símbolo contém a chave da nossa evolução passada, da presente constituição e do nosso desenvolvimento futuro. Na forma representada com uma única rosa branca no centro simboliza o interno Espírito Humano irradiando de si os quatro veículos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Mas houve um tempo que não vivíamos nestas condições, uma época na qual o nós, com o nosso Tríplice Espírito, flutuávamos sobre aqueles veículos e estávamos incapacitados de entrar neles. Então a cruz se levantava só, sem uma só rosa, simbolizando a condição que prevalecia no primeiro terço da Época Atlante. Houve ainda um tempo mais remoto em que faltou o madeiro superior da cruz, e a nossa respectiva constituição foi representada pela letra Tau (T). Isto foi na Época Lemúrica quando tínhamos unicamente o Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos, menos a Mente. Então a nossa natureza animal era a dominante. Obedecíamos somente aos nossos impulsos do desejo, sem reservas.
Em outra Época, mais remota ainda, a Hiperbórea, carecíamos do Corpo de Desejos e só possuíamos o Corpo Denso e o Corpo Vital. Éramos, em constituição, parecidos como as plantas, casto e sem desejos. Nesse tempo nossa constituição não podia ter sido representada por uma cruz. Foi simbolizada por uma vara reta vertical, um pilar.
Contemplando o Símbolo tal como é atualmente, notamos que o madeiro inferior da cruz (simbolizando a matéria) indica a planta com suas raízes no solo químico mineral.
Os Espíritos-Grupos emanam correntes para a superfície da Terra, influenciando os seres do reino vegetal.
O animal, simbolizado pelo madeiro horizontal da cruz, está entre a planta e nós . Sua espinha dorsal é horizontal, e através dela passam as correntes do Espírito-Grupo animal que circulam em torno da Terra.
O madeiro superior da cruz representa nós, uma planta invertida. A planta toma o seu alimento pelas raízes e nós tomamos por cima, pela cabeça. A planta é sustentada pelas correntes espirituais dos Espíritos-Grupos do centro da Terra que penetram nela pelas raízes.
A mais elevada influência espiritual vem a nós do Sol pelos seus raios que nos envolvem da cabeça aos pés. A planta inala o venenoso dióxido de carbono exalado por nós e exala o vivificante oxigênio usado por nós.
Com o tempo, nesse Esquema de Evolução, a maneira passional de geração será, novamente, exercida por um método puro e mais eficiente que o atual. Isso está simbolizado também, na Fraternidade Rosacruz, em que a rosa branca está no centro da cruz.
O madeiro inferior, representa o corpo. O horizontal os braços. A parte superior a cabeça. Em lugar da laringe está a rosa branca.
As sete rosas que adornam o nosso formoso Símbolo Rosacruz e as cinco pontas da estrela radiante são o emblemático das doze Hierarquias Criadoras que têm nos ajudado desde as condições etéricas até o estado atual.
Dessas doze hostes de Grandes Seres, três classes trabalharam sobre e conosco e de seu próprio livre arbítrio e sem nenhuma obrigação. Estas três estão simbolizadas pelas três pontas da estrela que se dirigem para cima. Duas mais, das Hierarquias Criadoras, estão a ponto de se libertar e são representadas pelas duas pontas inferiores irradiando-se do centro para fora. As sete rosas vermelho-sangue revelam que há, todavia, sete Hierarquias Criadoras ativas no desenvolvimento dos seres que estão em evolução sobre a Terra e, como todas estas, várias classes desde as mais inferiores até as mais superiores são, no entanto, partes do Grande Todo que chamamos Deus.
O vermelho-sangue das rosas da grinalda representa a vida que evolui, que sobe a grandes alturas e indicam as atividades do Espírito Santo na Natureza.
As sete rosas vermelho-sangue podem também, em certo sentido, ser correlacionadas com as Glândulas Endócrinas e intimamente também com o desenvolvimento oculto da Humanidade. Quatro destas estão relacionadas com a Personalidade: a timo, regida por Vênus; o baço, regido pelo Sol; e as suprarrenais, regidas por Júpiter. O Corpo Pituitário, regido por Urano e a Glândula Pineal, regida por Netuno, estão correlacionadas com o lado de nossa natureza espiritual, a Individualidade. A Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, é elo entre as duas, isto é, entre o Corpo Pituitário e a Glândula Pineal.
Como aspirantes à espiritualidade perfeita, nosso Símbolo Rosacruz nos inspira o elevado ideal de fazer com que “as rosas floresçam sobre a vossa cruz”, isto é, que sejam desenvolvidos os poderes latentes de nós, o Tríplice Espírito, por meio das ativas experiências aqui no Mundo material.
Em nossa luta diária, para conformar nossas vidas ao plano Divino, estamos construindo o Corpo celestial luminoso no qual funcionaremos como Auxiliares Invisíveis, o Corpo-Alma.
Meditemos amiúde sobre o nosso Símbolo Rosacruz, elevando nossa consciência na contemplação dos elevados ideais postos ante nós neste místico Símbolo. Então o tribunal da Verdade se estabelecerá dentro de nós e, dias mais ou dias menos, desenvolveremos a consciência da grandeza do Plano de Deus.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1972 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Outubro de 1912
Revendo a lição do mês passado, os pontos mais importantes são a grande antiguidade e a origem cósmica dos dois grandes movimentos conhecidos agora como Maçonaria e Catolicismo – movimentos instituídos, respectivamente, pelos Filhos do Fogo e pelos Filhos da Água. É verdade, como estabelecido no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que a Iniciação dos seres humanos só começou nos meados do Período Terrestre, quando o fogo da Lemúria batalhava com as águas da Atlântida, mas também é verdade que a educação da Humanidade depende do preparo que os seus instrutores tenham recebido em evoluções anteriores. A atitude assumida pelos dois grupos de Anjos teve como resultado os movimentos antagônicos acima mencionados. Os Anjos caídos[1] e o ser humano caído[2] estão intimamente conectados com o trabalho do mundo e sob o domínio dos seus governantes temporais. De Lúcifer, o Espírito de Marte, procede o ígneo sangue vermelho, que é o veículo de toda a energia material, da ambição e do progresso; mas, também, é o veículo da paixão que o mancha e que tem causa o fluir até a Terra ficar vermelha. De Jeová procede a Lei restritiva e o castigo pelo pecado cometido.
O Diagrama abaixo reproduz as Épocas através das quais o Espírito Virginal desce e ascende e, também, os Mundos e seus correspondentes Corpos – assim as conexões relativas dos vários fatores ser tornarão evidentes.

Na Lemúria, a terra da Terceira Época, a Humanidade foi separada em sexos: masculino e feminino. Naquele momento, éramos seres espirituais alcançando a materialidade, e os pioneiros ouviam ansiosamente o “evangelho do Corpo” que eles sentiam vagamente, mas, aprenderam a conhecê-lo, conforme o tempo passava, e os Mundos espirituais desaparecia de sua visão. Então, os Espíritos Lucíferos foram os instrutores da mulher (Eva), e Jeová se dirigiu-se ao homem (Adão). Naqueles tempos, a mulher era mais adiantada que o homem, em assuntos materiais, porque estávamos no arco descendente do Caminho de Evolução.
Quando o ponto de virada foi alcançado e passado, em meados da Época Atlante, a mulher, gradualmente, se tornou mais inclinada para a espiritualidade. Ela começou a ouvir a voz de Jeová e a encher as igrejas em um esforço para satisfazer as aspirações espirituais dela, enquanto o homem foi gastando a energia marciana dele ao longo de linhas materiais, originalmente, defendidas pelo “Portador da Luz”, Lúcifer.
Assim como a luz branca muda de cor de acordo com o ângulo de refração, assim também o ponto de vista do Espírito muda com o sexo de sua vestimenta; mas, da mesma forma que o Espírito alterna, em seus renascimentos, o sexo masculino e feminino, nós podemos facilmente equilibrar os pratos da balança e escolher o melhor caminho em ambos os sexos. Nossas próximas lições apontarão o caminho, mas podemos afirmar que, Aquele que disse: “Eu sou a Luz verdadeira”[3], está no final do caminho. Tanto Lúcifer como Jeová são, igualmente, degraus no Caminho para a Verdade e a Vida.
(Cartas aos Estudantes – nº 23 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Nome que significa os Anjos Lucíferos ou Espíritos Lucíferos.
[2] N.T.: É o ser humano que praticou o evento a “Queda do Homem”, abusando da força sexual criadora.
[3] N.T.: Jo 1:9
Resposta: Durante as primeiras três e meia Revoluções do Período Terrestre, a influência de Marte foi primordial para nos galvanizar à ação, mas, desde os meados da Época Atlante, quando a Mente foi fornecida a todos nós, a Evolução e a Epigênese (o exercício do nosso talento criativo original) estão, gradualmente, nos levando em direção a Deus. Enquanto a influência de Marte era primordial, como já foi dito, a influência mercurial era quase nula, pois o Planeta Mercúrio estava em obscuridade, passando a um dos repousos planetários periódicos, do qual começou a emergir durante a Época Atlante, quando os Senhores de Mercúrio foram chamados por Jeová para ajudá-lo a contrabalançar a influência dos Espíritos Lucíferos sobre a Humanidade. Desde então, a influência de Mercúrio vem aumentando constantemente, mas levará ainda muitos milênios antes que toda a influência dele se faça sentir. Não há processos repentinos na Natureza e leva muito tempo para um Planeta entrar em repouso ou para sair de um período de obscuridade. Não podemos esquecer, também, que não estamos mentalmente qualificados para aproveitar ao máximo as vibrações mercuriais tais como existem atualmente, pois os seres que evoluem no Campo de Evolução do Planeta Mercúrio estão muito além do nosso estágio de desenvolvimento, embora eles, tanto quanto todos os outros Planetas, estejam seguindo linhas de Evolução diferentes comparadas as que se desenvolvem na Terra.
Quanto à cor de Mercúrio, podemos dizer que quando alguém está no Corpo Denso e focaliza a sua visão no Mundo do Pensamento Concreto, a primeira cor que vê é o azul-escuro ou índigo, algo semelhante à cor intensa do núcleo azul de uma chama de gás. Às vezes, a cor parece mais escura do que em outras, embora, provavelmente, isso seja devido às condições do observador, mas dá uma impressão de totalmente vazio. O sentimento e a sensação são algo semelhante àquela que tem uma pessoa que esteve exposta a uma luz solar intensa e que, rapidamente, entra em casa. A visão deve se adaptar às condições internas da casa e, até que o faça, tudo aparece preto ou escuro. Então, gradualmente, a pessoa percebe uma luz branca sobre e através de todas as coisas.
Toda a Região do Pensamento Concreto é, basicamente, de um branco deslumbrante e brilhante, ou talvez incolor, e aí as diferentes coisas assumem uma cor que se destaca ainda mais nítida e brilhante devido à luz totalmente incolor que permeia toda a Região. É, provavelmente, devido a essa claridade absolutamente cristalina que não há percepção espacial possível. A Mente é formada dessa matéria mental incolor e, por ser perfeitamente neutra, é capaz de mostrar outras coisas em suas verdadeiras cores.
Talvez possamos explicar melhor o assunto pela ilustração de um binóculo. Se usarmos um de qualidade inferior, veremos que o vidro não é muito nítido e que as lentes mostram várias cores. Por isso, os objetos sobre os quais essas lentes estão focalizadas são vistos de forma indistinta, com suas cores distorcidas; mas, se conseguirmos um instrumento de primeira qualidade, por assim dizer, cromático, ele não apresentará quaisquer cores nas lentes e poderá, portanto, transmitir as verdadeiras cores dos objetos sobre os quais está focalizado. Sendo perfeitamente claro e absolutamente neutro, pode ser focalizado sobre objetos distantes. Os raios mercuriais são singularmente bem adaptados para expressar a faculdade mental pela razão semelhante de que eles próprios são incolores.
(Pergunta nº 122 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)