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PorFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quando, de acordo com a Filosofia Rosacruz, podemos esperar a Segunda Vinda de Cristo?

Resposta: A Filosofia Rosacruz afirma que Cristo nunca retornará em Corpo Denso. Em vez disso, a Segunda Vinda d’Ele ocorrerá em um Corpo Vital, e somente aqueles que desenvolveram seus Corpos Vitais, ao ponto de serem capazes de funcionar neles conscientemente (ou seja, funcionar conscientemente na Região Etérica do Mundo Físico) estarão cientes da Sua presença, quando Ele vier. O momento do retorno será quando um número suficiente de seres humanos for capaz de manter esse Campo de Evolução, o Planeta Terra. Somente Deus-Pai sabe disso. Mas mesmo agora Cristo está conosco seis meses por ano, como Espírito Planetário residente na Terra, embora não num corpo tangível que possamos ver.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de março/1923 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

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Carta de Max Heindel: A Batalha que se trava internamente

Março de 1916

De tempos em tempos, ficamos chateados ao receber cartas de Estudantes Rosacruzes domiciliados em países que estão em guerra1, nos repreendendo por não tomarmos partido por não defendermos o lado deles. Não houve um só dia, desde que se iniciou este amargo conflito[1], que não tenhamos lamentado profundamente esta pavorosa mortandade, embora reconfortados pelo conhecimento de que ele está ajudando, como nenhuma outra coisa o poderia fazer, a quebrar a barreira entre os vivos e os mortos. Assim, a guerra contribuirá muito para abolir o pesar, que agora as pessoas experimentam, quando se veem separadas dos seus entes amados. Além disso, o sofrimento atual está afastando a maioria dos povos ocidentais dos prazeres do mundo, reconduzindo-os à devoção a Deus. Não houve uma só noite em que não tivéssemos trabalhado diligentemente com os mortos e os feridos, aliviando suas angústias mentais e suas dores físicas.
O patriotismo foi muito bom em outros tempos – bem antigamente –, mas Cristo disse: “Antes de Abraão, Eu sou[2] (Ego sum). As raças e as nações, incluídas no termo “Abraão”, são fatos evanescentes, mas o “Ego”, que existiu antes de Abraão, o “pai da raça”, ainda existirá quando as nações forem uma coisa do passado. Portanto, a Fraternidade Rosacruz prescinde das diferenças nacionais e raciais, se esforçando por unir todos os seres humanos em um vínculo de amor para que travem a Grande Guerra – a única guerra em que, inflexivelmente e sem trégua, um verdadeiro Cristão deve lutar – a guerra contra a sua natureza inferior. S. Paulo disse: “Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance, não, porém o praticá-lo. Com efeito, não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero. Ora, se eu faço o que não quero, já não sou eu que estou agindo, e sim o pecado que habita em mim. Verifico pois esta lei: quando eu quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. Eu me comprazo na lei de Deus segundo o homem interior; mas percebo outra lei em meus membros, que peleja contra a lei da minha razão e que me acorrenta à lei do pecado que existe em meus membros. Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte?”.[3]
S. Paulo não descreve aqui com muita precisão o estado de toda alma aspirante? Não todos sofremos espiritualmente por causa do conflito que se desenrola dentro de nós? Eu espero que haja uma só resposta a essas perguntas, isto é, que esta guerra interna está sendo travada feroz e incansavelmente por cada Estudante da Fraternidade Rosacruz; pois onde não há luta, há uma indicação segura de coma espiritual. E o Corpo de Pecado tem, então, a vantagem. Mas, quanto mais feroz for a luta, mais esperançoso será nosso estado e progresso espiritual.
Aqui, nos Estados Unidos da América, ouvimos falar muito sobre “neutralidade”, “preparação” com fins “defensivos”. Na guerra mais nobre que devemos travar, não pode haver “neutralidade”. Ou há paz, e “a carne” nos governa e nos mantém em sujeição abjeta, ou há guerra travada agressivamente tanto pela “carne” quanto pelo Espírito. E enquanto continuarmos vivendo nesse “corpo de morte”, essa guerra prosseguirá, pois até mesmo Cristo foi tentado, e não podemos esperar uma situação melhor do que Ele.
“Preparação” é um ato edificante. Cada dia torna-se mais necessário nos preparar, pois, da mesma maneira que um inimigo físico tenta encurralar e emboscar um adversário mais poderoso, em vez de se arriscar em uma batalha aberta, assim também as tentações que nos afligem no “Caminho” se tornam mais sutis a cada ano que passa.
Escritores, como Tomás de Kempis[4], costumavam falar de si mesmos como “vermes vis” e usar termos como “auto-humilhação”, porque conheciam o sutil e imenso perigo da “autoaprovação”. Mas, mesmo isso pode ser levado longe demais, e podemos sentir que somos “muito, muito bons” e até “mais santos” que os demais, porque abusamos de nós mesmos; e podemos fazer isso pelo prazer que sentimos ao ouvir outras pessoas nos contradizerem. Na verdade, as armadilhas do Corpo de Desejos são inescrutáveis.
Há uma maneira de estar preparado, e ela é segura: “Olhe para Cristo”, e conserve a sua Mente ocupada em todos os momentos de vigília quando não estiver envolvido em seu trabalho diário, estudando como você pode servi-Lo. Esforce-se, por todos os meios disponíveis, para executar de forma prática as ideias assim concebidos. Quanto mais de perto imitarmos Cristo, mais lealmente seguiremos os ditames do “Eu Superior”, mais seguramente venceremos a natureza inferior e venceremos a única batalha guerra que vale a pena vencer.

(Carta nº 64 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: refere-se à Primeira Guerra Mundial

[2] N.T.: Jo 8:58

[3] N.T.: Rm (7:18-24)

[4] N.T.: também conhecido como Tomás de Kempen, Thomas Hemerken, Thomas à Kempis, ou Thomas von Kempen (1380-1471), Monge e escritor alemão. Tomás de Kempis produziu cerca de quarenta obras representantes da literatura devocional moderna. Destaca-se o seu livro mais célebre, Imitação de Cristo, composto por quatro volumes, no qual apela a uma vida seguida no exemplo de Cristo, valorizando a comunhão como forma de reforçar a fé.

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A Palavra se Origina da Força Sexual Criadora – há que se Cuidar em Usá-la

Mesmo ante às repreensões injuriosas, mesmo sofrendo ante a incompreensão humana, faça bom uso da palavra que você emite, a qual tem o poder de criar, por se originar da força sexual criadora. Portanto, pondera sobre o que disser, porque algo estará gerando benefício ou malefício, correspondendo ao emprego que você fizer desse dom maravilhoso que Deus nos deu. Afinal, Como o próprio Cristo nos ensinou: “Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que dela sai.” (Mt 15:11). Que estas palavras do Cristo permaneçam gravadas com letras de fogo no seu coração, para que venha a compreender que tudo aquilo que de emana de você, deve sempre expressar a harmonia e o amor Crístico. Expressando a harmonia você se sintonizará com as Leis Divinas, cooperando eficazmente com os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz na grande obra de regeneração humana. O amor Crístico faz florescer o sentimento de Fraternidade, o qual integra cada um de nós a Deus; afinal aprendemos com S. João evangelista que “Deus é Luz, e se andarmos na Luz, como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros” (IJo 1:5 e IJo 1:7).

Seja a palavra que sai da sua boca a decisão sábia das três palavras-chaves que regem os seus Mundos internos (como o microcosmo que você é): o discernimento, a consciência e a serenidade. Confia nessas três palavras-chaves a administração dessa riqueza extraordinária, cujos frutos reverterão a seu favor para o seu desenvolvimento espiritual.

Procure fazer da sua palavra uma semente grandiosa, vigorosa, germinando no solo árido dos corações cobertos pela ignorância e pelo ódio. E então, você se regozijará vendo tantos solos agrestes adquirirem o verdor da elevação espiritual.

Também faça da sua palavra o bálsamo que alivia todos os peitos oprimidos pela dor, de irmãos e irmãs que em vidas passadas se esquivaram-se à Luz, e hoje fogem desesperados das trevas que encadeiam a eles.

Procure produzir a sua palavra de modo a ser o perfume dulcíssimo que aromatiza os ambientes petrificados pelo medo, carentes de ternura, agitados pela dúvida, torturados pela angústia. Que a sua palavra tenha a força suficiente para suavizar tanta amargura. Que ela nunca seja portadora do veneno da crítica, nem do fel da injúria, pois fatalmente acabará também sucumbindo, agitado por estas distorções do sentimento.

Se as circunstâncias obrigam a você a falar energicamente, em repreensão a alguma falta cometida, faze-o em tom respeitoso, jamais com a intransigência de uma censura, porém, demonstrando com sapiência e bom senso, não a ignomínia do erro, mas a nobreza da virtude. Procure vislumbrar o bem em todas as coisas e poderá constatar a mudança que se operará em torno de você.

Nunca se iluda com o falar garboso, coordenado com gestos pré-estudados. Isto é carência de sinceridade! São os juízos falsos da Personalidade procurando centralizar as atenções, ofuscando a divina essência oculta – base da Fraternidade – que em reside dentro você.

Jamais se esqueça do antigo, mas sempre atual adágio: “Se o falar é prata, o calar é ouro”. Portanto, se suas palavras são meros invólucros sem conteúdo, não exprimindo o que em você há de mais elevado, então, é melhor que fique calado (a).

Procure sempre que a sua palavra seja o apelo que exorta alguém a procurar a Luz interna (que é a Luz divina), cujo brilho é ofuscado pelo sentido irrealista da vida restrita unicamente ao plano material, onde a ambição desmedida gera o egoísmo, o interesse e a hipocrisia, masmorras sombrias, onde muitas pessoas permanecem agrilhoadas.

Sempre veja na palavra algo de grandioso, belo e sublime. Não há limites ao sentido caricato que lhe empresta o ser humano comum, tornando-a meio de exteriorização de sentimentos mesquinhos. Que você sempre consiga proporcionar a sua palavra uma função correspondente à sua origem sacrossanta. Faça com que ela seja um instrumento adequado ao mister de elevar o gênero humano. Assim, ela sempre será a expressão viva de teu crescimento interno. Enfim, use a sua palavra sempre com sabedoria.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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Pergunta: Como resposta à Pergunta 113 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume I[1] – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz lemos que Cristo não ressuscitou os mortos. No Evangelho Segundo S. João, Capítulo 11, versículo 11, Cristo-Jesus disse, “Nosso amigo Lázaro dorme” e, em seguida, no versículo 14, Cristo-Jesus disse-lhes claramente, “Lázaro está morto”. Isso nos leva a pensar que Cristo se enganou na primeira passagem. O que está correto? Novamente no Evangelho Segundo S. Mateus, Capítulo 1, versículo 8, os Apóstolos recebem a missão de ressuscitar os mortos.


Resposta: A maior parte dos problemas e interpretações errôneas sobre o que os Evangelhos realmente significam vem do grande mal-entendido da maioria das pessoas que acreditam que os Evangelhos pretendem relatar a história da vida de um indivíduo chamado Jesus Cristo. É a pura verdade que os Evangelhos tiveram como modelo a vida de Jesus, relatando a grandeza da vida dele e como ele serviu de exemplo para os que registraram as quatro diferentes Escolas de Iniciação. Entretanto, o que esses autores dos Evangelhos pretenderam realmente escrever foram as fórmulas de Iniciação, e os quatro Evangelhos, portanto, incorporam, ocultas debaixo de uma camada externa de fatos e coisas não essenciais, as fórmulas de Iniciação de quatro diferentes Escolas de Mistérios.

O exemplo mencionado, a Ressurreição de Lázaro[2], ou do Filho da Viúva de Naim[3], não significa que um Espírito que partiu tenha sido chamado a retornar ao veículo descartado. Isso não é feito. “Quando o Cordão Prateado é rompido, o Espírito retorno a Deus que o enviou e ao pó de onde foi tirado”[4]. Quando um candidato atinge o ponto em que deve ser elevado a um nível superior e a um poder maior do que já possuía antes, ele deve primeiro morrer para as coisas passadas e que ficaram para trás. O caminho se torna mais e mais estreito a cada passo, e ele não pode entrar pelo portão estreito, que conduz direto a um reino mais elevado da natureza, até que ele se livrado do Corpo que o correlacionava ao reino inferior imediato. Portanto, nesse sentido, se diz que, no momento em que está pronto para a transição, ele está morto.

Se você estudar o livro Maçonaria e Catolicismo – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, descobrirá que Lázaro havia sido anteriormente Hiram Abiff, o Mestre Maçom, e construtor-chefe do Templo de Salomão; que Jesus havia sido previamente encarnado como a Personalidade chamada Salomão; e que o Espírito de Cristo, que habitava nos Corpos Denso e Vital cedidos por Jesus, na época da citada ressurreição de Lázaro, foi o grande Iniciador que ergueu Lázaro e o tornou um Hierofante dos Mistérios Menores. Ele, agora, é conhecido como Christian Rosenkreuz, o líder da Escola dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, e colaborador de Jesus para unir a Humanidade e conduzi-la ao Reino de Cristo.

De maneira semelhante, e em menor escala, os Apóstolos receberam o poder de ressuscitar os mortos. Aos inexperientes eles davam somente leite, mas aos que eram fortes eles davam a carne da doutrina, instruindo-os nos mistérios até que eles atingissem um certo ponto em que, após Viverem a Vida, morressem, e fossem ressuscitados para uma vida mais abundante em uma esfera maior de utilidade. No entanto, como já foi dito, essas mortes não envolveram o que, normalmente, chamamos de morte do Corpo Denso aqui.

(Pergunta nº 73 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Repostas” – Volume 2 – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T: Pergunta: Com que poder S. Pedro ressuscitou Dorcas dentre os mortos?

Resposta: S. Pedro não ressuscitou Dorcas dentre os mortos, nem o Cristo ressuscitou Lázaro ou qualquer outro, e nenhum deles afirmou isso. Cristo disse: “Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo” (Jo 11:11).

Para que esse assunto seja bem compreendido, explicaremos o que ocorre na morte e em que ponto a morte é diferente do estado de transe, pois as pessoas mencionadas estavam em transe quando se sucederam os supostos milagres.

Durante o estado de vigília, quando o Ego está funcionando conscientemente no Mundo Físico, seus vários veículos estão concêntricos – eles ocupam o mesmo espaço – mas à noite, quando o Corpo Denso dorme, ocorre uma separação. O Ego, junto com a Mente e o Corpo de Desejos, liberta-se do Corpo Denso e do Corpo Vital, que são deixados sobre a cama ou outro lugar em que a pessoa esteja dormindo. Os veículos superiores pairam acima ou próximo ao Corpo Denso. Eles estão conectados aos veículos mais densos pelo Cordão Prateado, um fio tênue e reluzente que assume a forma de dois números seis, tendo uma extremidade ligada ao Átomo-semente no coração e a outra ao vórtice central do Corpo de Desejos (onde está o Átomo-semente do Corpo de Desejos, na posição referencial do fígado físico).

No momento da morte, esse tênue fio se rompe no Átomo-semente do coração e as forças desse Átomo-semente passam ao longo do nervo pneumogástrico (também chamado de nervo vago), através do terceiro ventrículo do cérebro e, daí para fora através da sutura entre os ossos occipital e parietal do crânio, ao longo do Cordão Prateado até aos veículos superiores. Simultaneamente a essa ruptura, o Corpo Vital também se desprende e junta-se aos veículos superiores que estão flutuando sobre o Corpo Denso sem vida. Permanece ali cerca de três dias e meio. Em seguida, os veículos superiores se desprendem do Corpo Vital que, nos casos comuns, se desintegra sincronicamente com o Corpo Denso.

No momento dessa última separação, o Cordão Prateado também se rompe ao meio, e o Ego está livre do contato com o Mundo material.

Durante o sono, o Ego também se retira do Corpo Denso, mas o Corpo Vital permanece com o Corpo Denso e o Cordão Prateado permanece intacto.

Algumas vezes acontece que o Ego não retorna ao Corpo Denso pela manhã para acordá-lo, como de costume, mas permanece fora por um tempo que varia de um a um número indefinido de dias. Então, dizemos que o Corpo Denso está em um estado de transe natural. Mas, o Cordão Prateado não se rompeu em nenhum dos dois pontos mencionados acima. Quando ocorrem essas rupturas, não há restauração possível. O Cristo e o Apóstolo eram clarividentes; eles viram que nenhuma ruptura ocorrera nos casos mencionados, por isso, disse: “Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo”. Eles também possuíam o poder de forçar o Ego a retornar a seu Corpo Denso e restaurar a condição normal. Assim, os chamados milagres foram realizados por eles.(Pergunta nº 113 do Livro “Filosofia Perguntas e Repostas – Volume I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

[2] N.T.: 1Havia um doente, Lázaro, de Betânia, povoado de Maria e de sua irmã Marta. 2Maria era aquela que ungira o Senhor com bálsamo e lhe enxugara os pés com seus cabelos. Seu irmão Lázaro se achava doente. 3As duas irmãs mandaram, então, dizer a Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. 4A essa notícia, Jesus disse: “Essa doença não é mortal, mas para a glória de Deus, para que, por ela, seja glorificado o Filho de Deus”. 5Ora, Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro. 6Quando soube que este se achava doente, permaneceu ainda dois dias no lugar em que se encontrava; 7só depois, disse aos discípulos: “Vamos outra vez até a Judéia!”. 8Seus discípulos disseram-lhe: “Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar-te e vais outra vez para lá?”. 9Respondeu Jesus: “Não são doze as horas do dia? Se alguém caminha durante o dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; 10mas se alguém caminha à noite, tropeça, porque a luz não está nele”. “Disse isso e depois acrescentou: 11 “Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo”. 12Os discípulos responderam: “Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar!”. 13Jesus, porém, falara de sua morte e eles julgaram que falasse do repouso do sono. 14Então Jesus lhes falou claramente: “Lázaro morreu. 15Por vossa causa, alegro-me de não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos para junto dele!”. 16Tomé, chamado Dídimo, disse então aos outros discípulos: “Vamos também nós, para morrermos com ele!”. 17Ao chegar, Jesus encontrou Lázaro já sepultado havia quatro dias. 18Betânia ficava perto de Jerusalém, a uns quinze estádios. 19Muitos judeus tinham vindo até Marta e Maria, para as consolar da perda do irmão. 20Quando Marta soube que Jesus chegara, saiu ao seu encontro; Maria, porém, continuava sentada, em casa. 21Então, disse Marta a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas ainda agora sei que tudo o que pedires a Deus, ele te concederá”. 23Disse-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. 24 “Sei, disse Marta, que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia!”. 25Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. 26 “E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso?”. 27Disse ela: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo”. 28Tendo dito isso, afastou-se e chamou sua irmã Maria, dizendo baixinho: “O Senhor está aqui e te chama!”. 29Esta, ouvindo isso, ergueu-se logo e foi ao seu encontro. 30Jesus não entrara ainda no povoado, mas estava no lugar em que Marta o fora encontrar. 31Quando os judeus, que estavam na casa com Maria, consolando-a, viram-na levantar-se rapidamente e sair, acompanharam-na, julgando que fosse ao sepulcro para aí chorar. 32Chegando ao lugar onde Jesus estava, Maria, vendo-o, prostrou-se a seus pés e lhe disse: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. 33Quando Jesus a viu chorar e, também, os judeus que a acompanhavam, comoveu-se interiormente e ficou conturbado. 34E perguntou: “Onde o colocastes?”. Responderam-lhe: “Senhor, vem e vê!”. 35Jesus chorou. 36Diziam, então, os judeus: “Vede como ele o amava!”. 37Alguns deles disseram: “Esse, que abriu os olhos do cego, não poderia ter feito com que ele não morresse?”. 38Comoveu-se de novo Jesus e dirigiu-se ao sepulcro. Era uma gruta, com uma pedra sobreposta. 39Disse Jesus: “Retirai a pedra!”. Marta, a irmã do morto, disse-lhe: “Senhor, já cheira mal: é o quarto dia!”. 40Disse-lhe Jesus: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?”. 41Retiraram, então, a pedra. Jesus ergueu os olhos para o alto e disse: “Pai, dou-te graças porque me ouviste. 42Eu sabia que sempre me ouves; mas digo isso por causa da multidão que me rodeia, para que creiam que me enviaste”. 43Tendo dito isso, gritou em alta voz: “Lázaro, vem para fora!”. 44O morto saiu, com os pés e mãos enfaixados e com o rosto recoberto com um sudário. Jesus lhes disse: “Desatai-o e deixai-o ir embora”. (Jo 1:1-44)

[3] N.T.: 11Ele foi em seguida a uma cidade chamada Naim. Seus discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele. 12Ao se aproximar da porta da cidade, coincidiu que levavam a enterrar um morto, filho único de mãe viúva; e grande multidão da cidade estava com ela. 13O Senhor, ao vê-la, ficou comovido e disse-lhe “Não chores!”. 14Depois, aproximando-se, tocou o esquife, e os que o carregavam pararam. Disse ele, então: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!”. 15E o morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo”. 17E essa notícia difundiu-se pela Judéia inteira e por toda a redondeza. (Lc 7:11-17)

[4] N.T.: Do Ritual do Serviço Devocional de Funeral e do Capítulo 2 – O Problema da Vida e Sua Solução do livro Mistérios Rosacruzes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.

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Uma das Causas do Sofrimento Humano

É certo que cada um de nós deseja conhecer as causas de nossas dificuldades, tristezas e nossos sofrimentos, porque a ninguém apraz viver nessas condições. É necessário que conheçamos profundamente os problemas que se nos deparam, a fim de que possamos saná-los.

Vamos ver os pontos de capital importância, onde estão assentadas as bases dos nossos desgostos e das nossas ansiedades. Há mais de dois mil anos atrás, Cristo veio a Terra e a Humanidade recebeu a chave maravilhosa que possibilitaria o prosseguimento de sua marcha evolutiva, com o consequente acréscimo de seus sofrimentos. Acontece, porém, que nem todos aceitaram e nem querem aceitar o meio pelo qual podem dar término a todos esses problemas e, por esta razão, veja a seguir o que será colocado para que se verifique se é ou não é verdade que podemos aniquilar esses males, operando sobre suas causas.

Se existe, algo que concorre para a nossa infelicidade, esse algo é a falta de amor Crístico pelos demais. Embora digamos a todo instante que amamos a outrem, isto não se confirma através de nossos atos, nossas ações ou obras, pois, muitas vezes, quando alguém nos diz ou faz algo que nos desagrada, mesmo que não represente quase nada, estamos sempre prontos a criticar acintosamente e a lhe dirigir expressões de ódio. Às vezes, chegamos ao extremo de pensar em vingança e, numa condição dessas, podemos dizer que amamos ao próximo? Não, de forma alguma!

Podemos afirmar que esses fatos não têm relação alguma com os nossos sofrimentos. Devemos respeitar a opinião de quem quer que seja, pois, até nisso estaremos expressando o amor Crístico, porém, analisando os fatos dentro da lógica que caracteriza os mais elevados Ensinamentos Rosacruzes, chegaremos à conclusão de que a falta de amor Crístico atrai os sofrimentos.

Sabemos que tanto o pensamento como a palavra são forças poderosas e que, quando dirigidas contra alguém, não só a este prejudica, como também atuam sobre quem as emite. O emissor, às vezes, pode ser o maior atingido, pois semelhante atrai semelhante e quem gera a maldade também atrai a maldade, com tripla intensidade. Tanto isso é verdade que conhecemos pessoas que ao desencadearem suas expressões de ódio e terríveis impropérios, apresentavam grandes manchas rubras em diversas partes de seus Corpos Densos, como se tivessem sofrido violenta agressão física.

Quanto aos maus atos, más obras ou ações praticados contra os demais, poderemos constatar como provocam a desarmonia e suas consequências recaem sobre aqueles que os praticam, o que não aconteceria se todos compreendessem e colocassem em prática aquele princípio: “Não faça a outrem o que não quer que lhe façam”. Nós colhemos aquilo que semeamos, sempre.

Que tenhamos sempre uma maior e crescente compreensão desses princípios para que, aos poucos, consigamos viver com mais alegria e felicidade, mesmo que ainda não tenha concretizado todos os seus anelos.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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A Casa do Nosso Pai – Os Membros Distantes de Nossa Família

Cristo considerou a morte o maior dos terrores e sabia que somente Ele poderia restaurar a fé do ser humano em uma vida imortal e lhe dar a certeza de ser um Espírito glorificado. Ele deixou essas palavras de conforto, que devem trazer consolo e fé a todos os que acreditem n’Ele: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, credes também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas: se não fosse assim, eu teria contado a vocês. E se eu for e preparar um lugar para vocês, voltarei e vos receberei para mim mesmo; para que onde eu estou, vós também estejais.” (Jo 14:1-3).

Quer saber mais sobre isso? É só acessar aqui: A Casa do Nosso Pai – Os Membros Distantes de Nossa Família

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Pergunta: Para onde foi o Espírito de Jesus, quando o Espírito do Cristo entrou em seu Corpo Físico no momento do Batismo? Esse Espírito renasce novamente ou já atingiu o máximo de perfeição pela evolução no Planeta Terra?

Resposta: No momento do Batismo, Jesus cedeu tanto os Corpos Denso e Vital, como os respectivos Átomos-sementes ao Arcanjo Cristo. Durante a Crucificação, porém, os dois Átomos-sementes lhe foram devolvidos.

No período entre o Batismo e a Crucificação, o ser humano Jesus formou um veículo etérico do mesmo modo que um Auxiliar Invisível Iniciado forma e, obviamente um Corpo Denso total, ou parcial, quando e se há necessidade de materialização; porém, um material que difere do Átomo-semente não pode ser permanentemente apropriado.

Desintegra cedo quando o poder da Vontade que o formou é retirado. Assim sendo, esse Corpo não era permanente. Quando os Átomos-sementes de seus Corpos Denso e Vital lhe foram devolvidos, Jesus formou um novo Corpo Vital, no qual esteve e ainda está funcionando, trabalhando com as igrejas desde os planos internos.

Nunca retomou um Corpo Denso, apesar de estar perfeitamente capacitado a fazê-lo. Provavelmente, a razão pela qual nunca mais usou um Corpo Denso se deve ao fato de que seu trabalho não tem ligação alguma com coisas materiais.

Por outro lado, Jesus chegou a um estado evolutivo em que poderia escolher livremente se continuava ajudando as populações da Terra, ou se ingressava numa outra Evolução como Auxiliar.

(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross e Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1974- Fraternidade Rosacruz-SP)

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Pintura: The Baptism Of Jesus – Gustave Doré

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Pergunta: Por que a Fraternidade Rosacruz considera desnecessário o uso de hábitos, como por exemplo: vestimentas especiais, adereços ou qualquer tipo de aparato que distingue uma pessoa de outra e nem o emprego de sinais ou títulos para distinguir seus membros dos integrantes de outras “Ordens”?

Resposta: A Fraternidade Rosacruz é uma Escola Filosófico-Cristã por excelência. Cristo veio para dissolver toda a influência separatista. O ideal Fraternidade Rosacruz é unificador, não se coadunando com qualquer movimento oposto ao sentimento de unidade. A Fraternidade Rosacruz se mantém coerente a esses princípios, não dotando quaisquer aparatos exteriores que possam distingui-la das outras entidades congêneres.

A cerimônia, as vestes, as insígnias constituíam parte essencial das duas primeiras Dispensações (ambas Antigas e Jeovísticas), grandemente influenciada pelos Espíritos de Raça.

Esta influência alimentou sobremaneira o sentimento separatista, criando um antagonismo entre Raças, nações, credos, povos, clãs, famílias, tribos, gangues e afins.

Dentro do Cristianismo Popular, os credos e os dogmas também engendraram essa separação, muito embora se fundamentassem nos mesmos princípios básicos Cristãos.

O verdadeiro Cristão esoterista – que preconiza o Cristianismo Esotérico – não se preocupa com distinções exteriores. Usa uma “insígnia” dentro de si mesmo por ter desenvolvido o Poder Crístico. Pelos seus frutos o conheceremos e sua vida dedicada ao próximo, mediante a prática do amor Crístico e do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, faculta-lhe tecer um “hábito”, não uma vestimenta sombria e austera, mas um manto luminoso chamado Corpo-Alma, composto dos dois Éteres Superiores do seu Corpo Vital.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1968 – Fraternidade Rosacruz-SP)

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A Dura Revelação: o que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz têm a dizer

Muitas pessoas costumam se queixar de que a espiritualização “dá muito trabalho e muita preocupação”. E elas estão certas! A incorreção está no fato que, encaram esse trabalho como um obstáculo à realização do que se propõe, e não como um meio para despertar as próprias potencialidades, latentes emcada um de nós.

Nada se adquire sem trabalho e sem esforço próprio. É necessário, especialmente no princípio, quando estivermos dando os nossos primeiros passos no Caminho da Preparação e Iniciação Rosacruz, certo esforço para aprender a progredir, um esforço que implica em muita renúncia a defeitos e imperfeições.

E é extraordinário notar como achamos, no início, que temos só este ou aquele defeito, que se corrigirmos determinadas tendências, estaremos já realizados em uma boa extensão; e é extraordinário, também, percebermos, quando chegamos a certa etapa desse Caminho, já tendo percorrido um longo trecho da nossa peregrinação, que todos aqueles defeitos já corrigidos e outros, e mais outros com os quais não contávamos e que foram aparecendo no nosso trabalho, nada mais foram do que um princípio de correção apenas, que o nosso trabalho exige uma reforma completa.

Que no início estávamos completamente errados; que pensávamos errado; sentíamos errado; vivíamos errado; servíamos errado; que tudo aquilo que nos parecia certo, de repente nos aparece com a surpreendente necessidade de uma reforma total e o que ainda existe em nós, como remanescente das imperfeições de todo aquele trabalho, deve também ser transmutado em algo melhor. Nesse momento, olhando para frente, pode acontecer que fraquejemos, desesperando ante tão esmagadora revelação interna. Mas isso não acontecerá, se já tivermos como escape aquelas reformas iniciais realizadas anteriormente.

Daí pode-se observar, mais uma vez, a imensa bondade e a Sabedoria de Deus, e como é feito o Seu maravilhoso trabalho de equilíbrio e de auxílio ao aperfeiçoamento da Humanidade. Ele vai mostrando aos poucos os nossos defeitos, e só quando já tivermos certo lastro de realizações que possa nos sustentar diante de uma revelação mais profunda, só então, Ele nos permite encararmos a verdade de nossas próprias insignificâncias, para que, amadurecidos em certo sentido, possamos prosseguir na parte mais dura da escalada, que será, ou pelo menos deverá ser, o total, o completo, o amplo conhecimento de nós mesmos, através de um perfeito despertar de nossa própria consciência. E é neste momento, quando são mostrados a nós o que foi o nosso passado e o que deverá ser o nosso presente, que compreendemos, não só à necessidade de ser modesto, como se deixar integrar no sentimento de humildade, não pensando em sermos humilde, mas atingindo esse estado de humildade dentro de nós mesmos. E, então, o mundo passa a adquirir nova feição, certas coisas a que dávamos valor, modificam sua aparência diante dos nossos olhos. Outras coisas que nos irritavam antes, passam a se apresentar sob um novo aspecto, e podemos sentir, então, o que é o amor Crístico, que é esse sentimento imenso que deve ser realizado, despertando a nossa própria divindade. Atingimos, assim, a própria inteligência e o próprio coração na eternidade das coisas, embora esse estado possa ser, no nosso primeiro encontro com a verdade, apenas um vislumbre, para com o tempo, reaparecer nos momentos esparsos, que vão se aproximando mais e mais, até se tornarem num bloco único de nossa realização interna.

Eis por que, quando alguém desiste já de início da Escola de Preparação para a Iniciação Rosacruz, a Fraternidade Rosacruz, é que não possui ainda a fibra necessária para poder enfrentar, mais tarde, a dura revelação do seu próprio nada; tampouco poderá compreender a necessidade real de vir a ser uma criatura nova, completa e radicalmente modificada. Perde-se, assim a oportunidade de reconhecer, nesse trabalho que tanto o assustou, um empreendimento maravilhoso, o único empreendimento realmente digno de ser realizado, e para o qual todos nós viemos a esse mundo: desenvolver nossos poderes espirituais latentes, como Cristo nos ensinou em Sua primeira vinda.

Por isso, todos nós, que participamos e que temos a felicidade de participar dessa grandiosa obra, que foi legada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz por intermédio de Max Heindel a todos nós, só temos que nos congratular com esses elevados Seres que nos orientam, pedindo a Deus para que possamos a cada dia enobrecer mais e mais a Fraternidade Rosacruz, com nossos bons exemplos e com nosso trabalho, tanto individual, como coletivo, a serviço de toda a Humanidade.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

Conceitos Rosacruzes para Saúde e Cura

O Esoterismo, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz, é um conhecimento transformador. É uma forma de espiritualidade elevada. Podemos considerá-lo como um “caminho para a salvação”. E, sim, existe um elo entre o Esoterismo da Fraternidade Rosacruz e a questão da doença ou enfermidade e da cura definitiva.

O Método de Cura da Fraternidade Rosacruz tem fundamentos filosóficos. Por um lado, aceita os ganhos das ciências material sobre doença, anatomia, fisiologia e, por outro lado, se baseia em uma concepção do universo que abrange uma história do Universo, da Terra e da Humanidade; bem como da Astrologia Rosacruz, anatomia, fisiologia e das Leis que regem o ser humano e o Universo. Nesse sentido, sabemos que nós somos dotados de vários Corpos e veículos. O conceito de “Corpo” não deve ser entendido no sentido da anatomia clássica, ou seja, de elementos individualizados. O conceito de “Corpo” tem a ver com realidades virtuais, de Mundos e suas Regiões e não de conjuntos de órgãos, tecidos, sistemas e membros relacionados entre si. Se o Corpo Denso está ao alcance dos órgãos sensoriais, o mesmo ocorre com os outros Corpos que são apenas perceptíveis por quem desenvolveu a visão dos Mundos onde esses Corpos ou veículos funcionam. Por exemplo, quem desenvolveu a visão do Mundo do Desejo veem o Corpo de Desejos como uma espécie de “envelope ovoide que se estende 40 ou 50 centímetros para fora do Corpo Denso. Podemos resumir as funções de cada Corpo assim: Corpo Denso é o instrumento da ação nessa Região Química do Mundo Físico; Corpo Vital é o que proporciona a vitalidade, se compõe de Éteres e funcionamos nele na Região Etérica do Mundo Físico; Corpo de Desejos que estimula à ação; a Mente pela qual manifestamos nossos pensamentos aqui e que refreia os impulsos, proporcionando um objetivo à ação. Assim, somos um Ego (um Espírito Virginal manifestado aqui como um Tríplice Espírito) que agimos e reunimos as experiências da ação. A cada parte do Corpo Denso há a mesma parte no Corpo Vital. No Corpo de Desejos há centros de percepção que quando estão em atividade se parecem com vórtices permanecendo sempre na mesma posição relativa com respeito ao Corpo Denso.

Sabemos que o Universo atua e se transforma com energia. Essa energia é percebia por nós sob a forma de quatro Éteres do Corpo Vital, que são Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso e Éter Refletor. A densidade e a consistência deles é que determinam o estado de saúde. Por exemplo: o Éter Químico nos permite assimilar nosso alimento e a nos desenvolver, mas o Éter Refletor é o Éter da memória que armazena experiências passadas.

A energia solar entra no nosso Corpo Denso pelo baço etérico. De lá, por meio dos nervos etéricos, chega ao Plexo Celíaco, ou Plexo Solar, onde está o Átomo-semente do Corpo Vital. E aqui se transforma no Fluido Vital Solar. Esse Fluido é que mantém a saúde do nosso Corpo Denso. Quando não o temos suficiente, ficamos doentes ou enfermos.

Assim, a saúde resulta de vários elementos: a saúde é o resultado da harmonia entre todos os nossos componentes do nosso Corpo Denso e da harmonia cósmica (harmonia com as Leis de Deus). A doença é uma realidade cosmobiológica e espiritual. No entanto, há casos em que é necessário passar pela doença ou enfermidade para nos fazer mudar, mas sob essas circunstâncias a doença é um precursor de um desenvolvimento espiritual correspondente. Naturalmente, neste caso, a doença ou enfermidade deve ser considerada uma bênção e não uma maldição. Primeiro de tudo, ela decorre de uma falta de harmonia, ou seja, uma não conformidade com o que acabamos de descrever acima. Também pode resultar de uma condição de Destino Maduro. Por exemplo, muitas vezes as doenças nos órgãos que compõe o sentido da visão são causadas por crueldade extrema em uma vida passada.

No entanto, se a doença ou enfermidade é uma consequência de atos, ações ou obras de vidas passadas, não é uma punição, pois Deus não pune, e a doença tem um valor pedagógico. Dor e sofrimento são feitos para nos fazer aprender lições que não quisemos aprender de outra forma.

Não há causas hereditárias para a doença ou enfermidade, porque explicar o comportamento pela Lei da Hereditariedade cancela a responsabilidade e a hereditariedade é usada como um álibi para maus hábitos. O que parece ser “hereditariedade” é, na verdade, a expressão da Lei de Associação e quanto mais cedo reconhecermos que devemos vencer os nossos maus hábitos e cultivar a virtude em seu lugar, em vez de atribuí-los à Lei da Hereditariedade, tanto melhor para nós. Por outro lado, a doença ou enfermidade pode ser causada pelo consumo de bebidas alcoólicas e todas as formas tabaco.

O Método de Cura da Fraternidade Rosacruz está de acordo com a cosmobiologia. Nesse Método, existem dois tipos de remédios para doenças: aqueles da medicina clássica e, em um nível mais alto, aqueles que se baseiam principalmente no poder espiritual chamado de Panaceia Universal ou Panaceia de Cura. Nesse Método, os Curadores (que são todos Auxiliares Invisíveis) transmitem ao Paciente o Poder Divino ou a Força Divina de Cura. A Panaceia pode ser sempre utilizada para curar qualquer tipo de doença ou enfermidade. Com o seu uso as partículas cristalizantes que envolvem os centros espirituais do Corpo do Paciente são dissipadas.

Existem três fatores no Método de Cura Rosacruz: primeiro, o Poder Curador do nosso Pai Celestial; a seguir, o Curador, um Auxiliar Invisível e, por fim o ânimo obediente do Paciente sobre o qual possa agir o Poder Curador de Deus-Pai por intermédio do curador, de tal forma que dissipe todas as doenças ou enfermidades do Corpo. Assim, a cura decorre de um ato de fé que mobiliza o Paciente e o torna o agente de sua cura. Nesse sentido há uma distinção entre tratar (ato em que o Paciente é passivo, também chamado de remediar) e curar (processo em que o Paciente é ativo). O Paciente tem que compreender que a doença ou a enfermidade é a consequência da violação das Leis da Natureza, e se voltar ou continuar fazendo as mesmas coisas que fazia, a doença ou a enfermidade retornará. Note que o tratar ou remediar é um processo físico. Já o curar é radicalmente diferente porque, neste caso, se exige que o Paciente coopere espiritual e fisicamente com quem cura.

Foi assim que os milagres de Cristo-Jesus, “o mestre curador”, foram obtidos. Cristo mobilizava o Poder do Espírito para curar pessoas que tinham fé neste poder. Como evidência da necessidade de se ter fé no Método de Cura, podemos estudar na Bíblia: “E Ele não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13:58).

O Poder Divino é chamado de a Panaceia Universal. A Panaceia é enviada por Deus para curar o ser humano. Essa “essência espiritual” é enviada a nós e nos fornece um impulso para que nos recomponhamos e retomemos o controle das células do nosso Corpo para restabelecer o funcionamento físico harmonioso.

Podemos nos perguntar: como um Paciente pode se beneficiar da Panaceia Universal? Note que a Cura Rosacruz opera a partir da transferência. Há sim a necessidade do comprometimento do Paciente. Se pelo contrário, o Paciente não acredita no poder de cura do Curador, seria melhor chamar um médico ou uma médica em quem ele confie, porque a saúde e a doença dependem muito do estado de espírito da pessoa que sofre.

Uma ponte deve ser estendida entre os planos superiores e inferiores. Quando Cristo utilizou o Corpo de Jesus na Terra e curou os enfermos, Ele, que era o Senhor do Sol, encerrava em Si a síntese das vibrações dos Astros, da mesma maneira que a oitava musical contém todas as tonalidades da escala e, portanto, podia emitir de Si mesmo a influência astral corretiva necessária e suficiente em cada caso. Ele sentia a desarmonia e sabia imediatamente como desfazê-la em virtude de Seu exaltado desenvolvimento. Diferentemente dos Curadores de hoje, Cristo não precisava despertar um Poder de Dura. Ele não precisava de preparação prévia, mas alcançava resultados imediatos ao substituir, com harmonia, a discórdia astral causadora da doença ou enfermidade que ele queria curar. Só em um caso recorreu à lei superior e disse: “Levanta-te; teus pecados estão perdoados” (Lc 5:23-24 e Mc 2:9-11).

Cristo, impregnado de Lei superior, portanto com Poder Divino, pôde curar restabelecendo uma harmonia que não se limita à harmonia biológica, mas tem a ver também com a harmonia cósmica que contribui para o funcionamento tanto dos Corpos como da Mente.

Sabemos que temos uma concepção biocósmica e o tratamento da doença ou enfermidade deve ser qualificado como tal. A cura passa, também, por um diagnóstico astrológico do Paciente, pois o Método de Cura da Fraternidade Rosacruz depende do conhecimento das dissonâncias astrais, que são a causa da doença ou da enfermidade, e do conhecimento da influência que remediará essa discórdia.

Ou seja, também é uma questão de Astroterapia que é tão útil quanto, de acordo com suas Leis de Compatibilidade e Receptividade, o Paciente se curar com menos esforço sob posições astrais favoráveis. Portanto, os Curadores levantam o horóscopo do paciente e então, conhecendo a doença ou enfermidade, eles entram em um estado de receptividade por meio de Exercícios Esotéricos Rosacruzes. Estes últimos são os meios mais eficientes para entrar em harmonia com Cristo. A prática desses Exercícios conduz a um dom de intuição que permite perceber o sofrimento dos outros, enquanto se encontra uma forma de lhes dar consolo e apoio.

Por que curar? Porque, do ponto de vista do ocultismo, o fato de vivermos ou morrermos é irrelevante, pois a morte não significa aniquilação, mas apenas uma mudança de consciência em relação a outras esferas. Prolongar a vida do veículo, que é o Corpo Denso aqui, permite reunir experiências e estender o desenvolvimento espiritual da pessoa aqui na Terra, que é o baluarte da evolução. O ato de curar é, portanto, tornado relativo. A vida aqui é importante, a saúde também, mas a vida aqui e a saúde vêm depois do desenvolvimento espiritual.

Na verdade, uma pessoa doente pode invocar energia por si mesma. A doença ou enfermidade física pode ser curada pelo poder espiritual, mas há que ter uma noção de “quantidade de Poder”, união de poderes introduzida pelo elemento social. Uma pessoa doente ou enferma recebe ajuda de um grupo de indivíduos: os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Esses irmãos são auxiliados mundialmente pelos Estudantes Rosacruzes e por qualquer pessoa que queira ajudar, a cada semana, quando a Lua passa por um Signo Cardinal – as chamadas Datas de Cura – que colocam seus pensamentos em uníssono em um momento chamado 18h30, independentemente dos fusos horários ou qualquer outro horário, pois o pensamento é um fluido transmitido por todo o Planeta que atingirá seu objetivo (se quiser se preparar para facilitar criar tais pensamentos de Cura, antes de se concentrar, oficie o Ritual do Serviço Devocional de Cura). O número de pessoas focadas nesse momento aumenta o poder espiritual em uma progressão geométrica.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

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