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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Qual o nosso papel no mundo: sejamos candeias que iluminam pelo exemplo

Os Evangelhos foram escritos há quase dois mil anos. No entanto, estão bem atuais e o estarão ainda por muito tempo, porque, se atentarmos bem, a história de Cristo-Jesus e dos Apóstolos é nossa própria história.

Em que sentido? – perguntarão alguns.

E vos respondo: buscando “o espírito das palavras” e não “a letra que mata”. Nele veremos qual o nosso papel e não um mero relato histórico, um piedoso memorial, uma peregrinação sentimental; nele veremos a revelação que nos alarga a concepção de Deus e nos revela a nós mesmos, autenticamente. Por esse ângulo, os Evangelhos nos anunciam, nos visam e nos profetizam.

S. Tiago nos diz que os Evangelhos são um espelho. Cada um de nós pode se ver refletido nele, mas “o pior cego é o que não quer ver”; geralmente vislumbramos a imagem dos outros e nos indignamos com sua maldade, cegueira e insensatez.

Max Heindel, utilizando-se da Lei de Refração espiritual, nos informa que, via de regra, costumamos ver os outros através de nossa própria aura, matizando os semelhantes com nossas próprias faltas, fantasias e extravagâncias.

Citando, por exemplo, o nascimento de Jesus: “Estando eles ali, completaram-se os dias de dar à luz; e teve seu filho primogênito e o enfaixou e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para Ele nas hospedarias” (Lc 11:7). Comenta Max Heindel: “Com que eloquência podemos ampliar o sentido dessa frase: “Não houve lugar para Ele…”! Na família, na sociedade, na escola, no fundo das almas pecadoras, em nossas próprias almas, haverá digna morada para “Cristo nascente” – o nosso Cristo Interno? Não será também o nosso coração, ainda hoje, um lugar onde não haja lugar para Cristo?

Há boa intenção, sem dúvida. Procuramos, muitas vezes, agir nobremente, ajudar nossos semelhantes, renunciar a vícios e hábitos danosos, etc. Assim nasce em nós o Cristo. Mas logo depois nossa natureza inferior, personalizada em egoísmo – simbolizado muito bem por Herodes –, receoso de perder seu poder em nosso reino interno, “manda degolar todas as criancinhas”: nossos esforços nobres, sentimentos puros, na tentativa de eliminar o futuro Rei.

Quando O aceitamos, passando a admitir que somos os “Seus”, para junto dos quais Ele veio, então os Evangelhos nos alumiam. Sabemos por que Ele foi mal recebido, como o seria ainda hoje por muitos que amam as sombras mais que a luz. Sabemos por que lhe recusaram a doutrina, por que se encontrou tão “pobre” ante a oposição e dureza de coração. É a nossa dureza. Sua Vida, Paixão e Morte se repetem como ecos nos indivíduos.

Cristo se hospeda na casa de Marta e de sua irmã Maria. “Maria, sentada aos pés do Senhor, bebia-lhe os ensinos. Marta, porém, andava preocupada com o seu serviço.” (Lc 10:30-40). Qual das duas representamos? Maria, que escolhia o melhor, que estava sempre em comunhão com o Senhor (não se disse que ela negligenciasse os deveres) ou Marta, que se afundava tanto nos afazeres do mundo e não tinha tempo de estar com Ele?

Infelizmente há mais “Martas” que “Marias”! Muito mais. Dizendo-se religiosa, a maior parte da Humanidade empenha a vida inteira em acumular fortuna, conquistar fama e glória material e se recreando com banalidades, muitas vezes, prejudiciais. Não tem tempo. Não se compraz na presença d’Ele. Embora Ele esteja tão próximo, se distancia. Precisa de imagens e cerimoniais simbólicos, não lhe alcança a essência, tão facilmente despertada em cada um dessa maioria.

Quando chega a noite tal maior parte da Humanidade está cansada. Não se encontra com o Senhor de dia, não conversa com Ele, como prazerosamente fazemos com um amigo ou com uma amiga que estimamos. À noite, esgotada, mais por seus desequilíbrios que propriamente pelo trabalho, tal maioria busca se distrair em frente a uma televisão, a um boteco, roda de bate papo “furado”, num cinema ou outros divertimentos quaisquer. Afinal, uma reunião sobre Estudo de Filosofia Rosacruz é algo cansativo, um “descer penoso” em que podemos adormecer.

Somam-se, assim o dispêndio de um esforço ambicioso e egoísta, desequilíbrios emocionais oriundos de concorrência mundana, o acúmulo de sensações levianas e tolas, e tardes da noite tal maioria se deixa adormecer. Não pensa no “Cristo menino”, dentro de si – o Cristo Interno –, que precisa de alimento; não pensa no esforço dos Irmãos Maiores, todas as noites; não pensa, sequer, no privilégio de servir como Auxiliares Invisíveis, para ajudar os que, tolerantemente, aguardam as almas abnegadas e altruístas que desejam trabalhar com Eles na seara. Não tem tempo. Verdadeira “Marta”.

Cristo nos ensinou claramente que devemos “orar e vigiar[1], incessantemente. Não significa que devamos ficar o tempo todo a orar, desleixando nossos deveres. Ele mesmo obedeceu às leis da sociedade em que vivia, sem, contudo, se apegar. Orar sem cessar quer dizer: pensar, sentir e agir sempre em consonância com o Senhor Cristo. Não importa a natureza de nosso trabalho. Todos são dignos, desde que os façamos em nome do Senhor. Então somos “Maria”.

Vejamos outro dos muitos personagens que podem nos refletir: o pequeno Zaqueu. “Era chefe dos publicanos e rico. Procurou ver quem era Cristo, porém não o conseguia por causa da multidão e porque era de pequena estatura. E correndo se adiantou e subiu em uma árvore para vê-Lo passar”[2]. Enquanto estamos envolvidos nas coisas do mundo somos pequenos. Mas se desejamos algo mais elevado, podemos nos adiantar, esforçando-nos mais que o comum dos seres humanos e subindo com a ajuda de uma Filosofia esotérica iluminadora, a fim de sentir a presença e ouvir a voz que nos diz: “hoje ficarei em tua casa”. E passaremos a empregar parte de nossos recursos na elevação da Humanidade carente, em vez de conservá-los egoisticamente em nosso único proveito (física, emocional, mental e financeiramente).

Os Evangelhos terminam com a morte e paixão de Cristo-Jesus. E S. João acrescenta que muitas outras coisas poderiam dizer, mas que por ora não as suportaríamos.

A Paixão recomeça todos os dias. A Humanidade, os novos autores, ensaiam seus papéis. Milhões e milhões de indiferentes, dos covardes, dos que “lavam as mãos”; depois os milhões que face aos problemas, e momentos difíceis, negam seus ideais superiores, como os “S. Pedros”; os “Judas Iscariotes” que traem a consciência d’Ele com um “beijo” falso, os milhares de carrascos que se comprazem em explorar o fraco, espezinhar o débil, os brutos com seus açoites diversos, o funcionário com seu frio regulamento diante da mesma face dolorosa, infinitamente paciente, infinitamente amorosa que se cala e nos dirige aquele olhar que despedaçou o coração de S. Pedro e fê-lo branquear os cabelos numa noite. Aquele olhar de ternura, de interrogação e de espera.

E mais do que nunca há vítimas que sofrem perseguições injustas. Em nossa casa, junto de nós, há alguém que chora, alguém que sofre, alguém sequioso de orientação e conforto, alguém com fome e frio, alguém doente, alguém de luto, alguém na solidão. Estão esperando por nós. Quem é Verônica? Quem é Simão Cirineu? Quem é João, o discípulo amado? Quem é Pedro? Quem é Judas Iscariotes? Quem é José de Arimatea? Quem é Pôncio Pilatos? Quem é sua esposa?

Que oportunidade a nossa! Eternamente presente, Cristo-Jesus nos olha e nos espera: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste.” (Mt 25:40). Ele vive em nós, sofre em nós. Acompanhamos o drama. Queiramos ou não, somos levados a fazer parte d’Ele. Mas temos a liberdade de escolher o papel, embora seja uma liberdade relativa. Podemos esclarecer e converter alguns da multidão indiferente para que O amem; dos que O odeiam, para que O conheçam pelo menos, porque só a ignorância gera o ódio. Podemos conseguir alguns servos vigilantes, alguns corações amorosos, para que nos ajudem a continuar-lhe a obra de redenção dos que “não sabem o que fazem[3].

O teatro está sempre aberto. Uma parte sai e a outra entra em cena. Vivemos repetindo a peça. Variações sobre o mesmo tema. Sabemos nosso papel de cor. Julgamos conhecer o Evangelho. “Estamos prontos” – dizemos ao Grande Diretor.

Mas ficamos ofuscados quando entramos em cena neste mundo, ansiosos de glória, desejosos de aplausos, preocupados demais com os trajes, com os efeitos. Distraímo-nos. Não vivemos o papel despretensiosamente. E perdemos a oportunidade.

Em dado momento cai o pano para a nossa parte no mundo e o Diretor irrompe em nosso camarim: que houve com você? Por que não representou? E o ator confuso e envergonhado, responde: perdi a noção de meu papel, deixei-me levar pela assistência e pelo que podiam pensar de mim, não julguei que fosse assim antes de entrar.

De que valem as escusas? Sim há o infinito pela frente, mas o tempo perdido não volta mais. Temos que enfrentar novamente as mesmas falhas até vencê-las. Repetir a cena. Como há mais de dois mil anos, hoje a mesma coisa. Feliz o servidor que o Mestre, à sua chegada, encontra vigilante. “Minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me conhecem e seguem.” (Jo 10:27).

Felizes dos que ouvem essa voz e a seguem. “Pois assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundando-a e fazendo-a germinar para que dê semente ao que semeia e pão ao que come, assim será a minha palavra: saída da boca não tornará a Mim vazia, mas fará tudo quanto quero e prosperará onde eu a enviar.” (Is 55:10-11).

A Palavra de Deus é eficaz, é viva. É Água Viva da qual, alguém bebendo, jamais terá sede, conforme disse Cristo à mulher samaritana. Só podemos oferecer dessa Água se primeiramente a tivermos bebido. Não podemos dar a ninguém o que não temos. Não podemos comunicar senão o que temos vivido. Não podemos atrair os outros senão para aquilo que conhecemos.

É a palavra de Deus que deve determinar nosso apostolado, nossa ação.

Saibamos escolher e bem representar nossos papéis no mundo. Sejamos autênticos Cristãos, candeias que iluminam pelo exemplo, sais que não deixam a massa corromper e dão sabor à Humanidade, sal cuja presença é sentida sem se evidenciar.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Mt 26:41

[2] N.R: E, tendo entrado em Jericó, ele atravessava a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Ele procurava ver quem era Cristo Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que iria passar por ali. Quando Cristo Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa”. Ele desceu imediatamente e recebeu-o com alegria. À vista do acontecido, todos murmuravam, dizendo: “Foi hospedar-se na casa de um pecador!”. Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: “Senhor, eis que eu dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo”. Cristo Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele, também, é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”. (Lc 19:1-10)

[3] N.R.: Lc 23:34

porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Quatro Marias

“Junto à cruz de Cristo-Jesus estavam Sua Mãe, a irmã de Sua Mãe, Maria, esposa de Cléofas, e Maria Madalena”.

Uma grande cruz estava ali; uma cruz de luz crescente, e nela o Sonhador viu o Grande Pastor, o Senhor do Amor. Com mitra e coroa, Sua cabeça estava adornada, Seu Corpo usava as joias e as vestes do Sumo Sacerdote. Os cravos, os espinhos, a amargura do Calvário haviam desaparecido; o rosto do Redentor irradiava alegria e glória.

Ao pé da cruz estavam as quatro Marias. Estranhas e extremamente belas; de quatro eras elas eram. A mais venerável das quatro, aquela que estava à direita da cruz, estava envolta da cabeça aos pés em um manto de vermelho veneziano brilhante; seus olhos abrigavam a sabedoria de eras passadas, e embora para ela a esfinge do deserto fosse apenas um brinquedo de ontem, o tempo não soube curvá-la ou enrugá-la.

Mais perto da cruz, perto do Sagrado Coração, estava a Virgem Maria; seu manto azul brilhava com todas as estrelas do céu, seu rosto com alegria, e todo o seu aspecto era tão puro e maternal que parecia que todo coração partido do mundo poderia encontrar conforto em seu seio. Tão bela, tão generosa, tão infinitamente maternal ela era.

E ao lado de Madalena estava a quarta Maria; mas não! Ela não estava de pé: sua figura infantil pulsava com uma juventude tão celestial que ela parecia uma chama branca e penetrante, saltando de alegria. Branca, oh, o mais branco era seu traje; flores coroavam sua cabeça e brotavam em seus pés. Dela era a alegria do céu e a dança das estrelas.

E o Sonhador compreendeu que as Marias tinham vindo dos quatro cantos do mundo e viu que cada uma delas carregava um cajado de pastor.

E então um leve balido ecoou no ar, e eis que de todos os cantos da Terra os rebanhos retornavam ao redil.

Mas, à medida que se aproximavam, ele viu que não eram ovelhas, mas homens, mulheres e crianças, apressando-se para Aquele que fora erguido, e entoaram o novo cântico dos redimidos.

Então, com grande alegria, o Sonhador despertou e retornou a este pobre Mundo onde o Filho do Homem é diariamente crucificado em lágrimas e angústias, e onde as Marias ainda vigiam junto à Cruz. Não lhes compete desfalecer nem cair: pois seu ouvido apurado captou o eco de harmonias completas, as primeiras notas tênues do Grande Cântico dos Redimidos (Ex 15, a Canção de Moisés).

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Jesus e Sua Sublime Missão

No Evangelho Segundo S. Mateus em 1:21 lemos: “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados“. Mas não a um menino comum, pois Jesus não era um indivíduo comum, como qualquer outro da Humanidade. É certo que ele é um Espírito Virginal da Onda de Vida humana; pertence à nossa Humanidade. Podemos estudar o homem Jesus de Nazaré lendo todos os seus renascimentos na Memória da Natureza. Sabemos, por exemplo, que num de seus renascimentos ele foi o Rei Salomão. Aquele rei que lemos em 1 Reis 3, 4-14, quando Jeová apareceu em sonhos e lhe disse para pedir qualquer coisa que quisesse que Ele o daria. Quando, então, Salomão respondeu: “Tu foste grande amigo de teu servo Davi, meu pai, porque ele andou na tua presença com sinceridade e a mim me tem posto como rei em seu lugar. Confirme-se, pois, agora, Oh Jeová Deus! Tua palavra dada a Davi, porque tu me colocaste como rei sobre um povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. Dá-me agora sabedoria e conhecimento para discernir entre o bem e o mal“.

Quando, então, Jeová replicou a Salomão: “Por quanto isso foi em teu coração, que não pediste riquezas, nem longos anos de vida, nem a vida dos teus inimigos, se não que tens pedido para ti sabedoria e conhecimento para julgar o meu povo, sobre o qual te pus por rei, sabedoria e conhecimento te são dados e, também, o que não pedistes: riqueza e glória, em toda a sua vida, como jamais houve entre os reis“.

Esse é somente um dos exemplos de seus antigos renascimentos. Houve muitos outros, onde ele viveu sob diversas circunstâncias, sob vários nomes, do mesmo modo que qualquer um de nós, seres humanos. Com isso percorreu o Caminho da Santidade (o Caminho da Iniciação) através de muitas vidas, vivendo a vida espiritual e preparando-se para a maior honra que poderia ter recebido um ser humano.

Na vida terrestre que apareceu como Jesus, esse nosso irmão alcançou:

– um Corpo Denso que é o mais perto da perfeição que já se construiu e se construirá por qualquer um de nós nesse Grande Dia de Manifestação;

– um Corpo Vital que é o mais perto da perfeição que já se construiu e se construirá por qualquer um de nós nesse Grande Dia de Manifestação;

– um Corpo de Desejos isento totalmente de paixões, desejos inferiores; formado exclusivamente de materiais de desejos das Regiões Superiores do Mundo do Desejo;

– um Corpo Mental extremamente puro (lembrando que a Humanidade comum ainda só tem um veículo Mente).

Ou seja: ele possuía um Tríplice Corpo e um Corpo Mental da espécie mais pura que qualquer um de nós já pode construir.

Logicamente, para construir o seu Corpo Denso teve que contar com materiais da mais fina pureza que existe. Pois o ser humano para construir seu Corpo Denso necessita utilizar os materiais tomados dos corpos do pai e da mãe. Por isso, seu pai, José era um elevado Iniciado. Pertencia a Ordem dos Essênios. E durante muitas vidas também percorreu o Caminho da Santidade. Ele era tão puro que poderia realizar o ato da fecundação como um Sacramento, sem nenhum desejo ou paixão pessoal. Ele tinha a capacidade de expressar à vontade – força masculina – da maneira mais perto da perfeição no ato gerador. Com isso garantiu o melhor material para a construção do Corpo Denso de Jesus.

Por isso, a sua mãe, a Virgem Maria, era também um elevado Iniciado, da mais elevada pureza humana; por isso foi escolhida para ser a mãe de Jesus de Nazaré. Ela tinha a capacidade de expressar a imaginação – força feminina – da maneira mais perto da perfeição no ato gerador. Só ela poderia fornecer o material mais puro para a construção de um Corpo Denso mais perto da perfeição, como foi o de Jesus. Ela expressa a máxima pureza que um ser humano pode alcançar no ato gerador.

Mas, como pôde ocorrer uma concepção tão pura e isenta de dor, sofrimento e tristeza num ambiente tão impróprio como nós mesmos criamos aqui na Terra?

Então vejamos: Jeová, o Espírito Santo, o guia dos Anjos, aparece em várias partes da Bíblia como o dador de filhos. Seus mensageiros foram: a Sarah anunciar-lhe o nascimento de Isaac; para Hannah anunciaram o nascimento de Samuel, por exemplo. E foram eles que foram à Virgem Maria anunciarem o advento de Jesus, como lemos no Evangelho de S. Lucas (1:26-32): “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado da parte de Deus (…) e disse-lhe o anjo: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’ (…) ‘Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás em teu seio e darás à luz um filho e lhe darás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo“. O poder do Espírito Santo fecunda tanto o óvulo humano como a semente do grão na terra.

Antes do Pecado Original, nós procriávamos sob a orientação dos Anjos, em épocas propícias. Não tínhamos paixões, porque éramos guiados em tudo, até no ato gerador. Inocentes e inconscientes de tudo. O Pecado Original se deu quando tomamos as rédeas da nossa evolução, inclusive do ato gerador. Essa transgressão utilizando da força sexual criadora sagrada, a nosso bel prazer, sem levar em conta Corpos puros e condições astrais propícias, é o que, até hoje, nos traz sofrimentos, tristezas e dores.

Entretanto, quando uma vida santa purifica os desejos, o ser humano se inunda com esse espírito puro e pode efetuar a função procriadora sem paixão. A concepção se torna imaculada. A criança que nasce sob tais condições é naturalmente superior, porque a concepção realizou-se como um rito sagrado de autossacrifício e não como um ato de autossatisfação.

Nesse caso, criamos exatamente as mesmas condições que tínhamos quando procriávamos sob a orientação dos Anjos, só que com uma crucial diferença: o fazemos conscientes e sob a nossa responsabilidade. De onde concluímos: que todo indivíduo vil tem que nascer de uma mãe vil e de um pai vil, ou seja: antes que nasça um Salvador é necessário encontrar uma virgem puríssima para que seja sua mãe e um pai igualmente puríssimo.

Quando dizemos “virgem” não queremos falar de virgindade em sentido físico. Todos nós possuímos a virgindade física nos primeiros anos de nossas vidas, mas a virgindade do espírito é uma qualidade da alma (ou do Espírito), adquirida mediante vidas de pensamentos, desejos, emoções, sentimentos, palavras, atos, obras e ações puros e elevados. Não depende do estado do Corpo Denso!

Assim, uma virgem verdadeira pode dar à luz a vários filhos e permanecer sempre “virgem”.

Portanto, o que determina um ser humano ser concebido em pecado ou imaculadamente depende de sua própria alma, de suas qualidades anímicas. Porque se um ser humano que vai nascer for puro, casto ele também nascerá e, naturalmente, de uma mãe e de um pai também puros e de natureza formosa. E, nessa situação, o ato sexual físico, que na maioria se realiza para gratificar a paixão e o desejo sensual, se efetua como uma oração, um Sacramento, como um sacrifício (sacro-ofício) – note a extrema oposição de sentimento: gratificação e sacrifício (sacro-ofício).

De modo que, a criança é concebida sem pecado nem paixão, ou seja, imaculadamente. Tal acontecimento não é um fato acidental. A vinda de uma criança por esses meios de pureza é previamente anunciada e a espera antecipada é marcada com impaciência e alegria.

Atualmente, há muitos casos de geração que se aproximam muito dessa Imaculada Concepção.

Aqui, realizam-se o ato gerador com puríssimo amor, e a mãe permanece tranquila, sem que seja perturbada durante o período de gestação e, assim, a criança nasce tão pura como numa Imaculada Concepção.

Com um Corpo Denso imaculadamente concebido, Jesus pode se dedicar ao objetivo específico da sua vinda como Jesus, ou seja: cuidar e desenvolver os seus Corpos Denso e Vital até o maior grau de eficiência possível para o grande propósito a que deveria servir: fornecer o seu Corpo Denso e o seu Corpo Vital para a imensa tarefa do Cristo, o Plano da nossa Salvação.

Nesse intuito, imensa ajuda foi lhe prestada pela terceira seita que existia na Palestina: a Ordem dos Essênios. Eles formavam uma ordem extremamente devota, muito diferente das outras duas seitas, então existentes: os materialistas saduceus e os hipócritas e vaidosos fariseus.

Pouco se sabe sobre eles, pois evitavam o máximo possível toda menção de si ou de seus métodos de estudo ou de adoração. Mas, foram os Essênios que educaram Jesus e cuidaram do seu desenvolvimento espiritual. Esse seu desenvolvimento espiritual foi elevando-se de grau durante os trinta anos de utilização de seus Corpos. Jesus tinha passado por várias iniciações. Como o objetivo das primeiras iniciações e do exercitamento esotérico é trabalhar sobre o Corpo Vital, a fim de construir e organizar o Espírito de Vida, vemos que, com isso, Jesus tinha alcançado as mais elevadas vibrações do Espírito de Vida. O seu Espírito de Vida tornou-se o seu veículo superior mais evoluído.

Cristo, por seu lado, sendo um Arcanjo, funcionava muito bem no seu Corpo de Desejos, Mas como todo Arcanjo, era incapaz de construir um Corpo Denso ou um Corpo Vital para si. Agora, como Ele é o mais desenvolvido de todos os Arcanjos, ou em outras palavras, o mais elevado Iniciado dos Arcanjos, estava acostumado em trabalhar no seu veículo mais inferior sendo o Espírito de Vida.

Ou seja: ele sabia construir um Corpo de Desejos, uma Mente e um Espírito Humano, mas vivia comumentemente no seu veículo Espírito de Vida, no Mundo do Espírito de Vida (lembrando que esse Mundo é o que envolve todos os Planetas e corpos celestes do nosso Sistema Solar e é onde a Fraternidade Rosacruz é praticada cotidianamente).

Onde ele expressava facilmente os atributos desse veículo, quais sejam: altruísmo, fraternidade, união, amor, perdão, graça e gratidão. Tudo o que nós precisávamos (e ainda muito precisamos) aprender para seguirmos na nossa evolução para frente e para cima. Assim, para ensinar-nos tudo isso, nos propiciar o acesso mais fácil de materiais de desejos para termos desejos, emoções e sentimentos formados somente de materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo (Região da Luz Anímica, Região do Poder Anímico, Região da Vida Anímica), fundar a Religião Unificante do Filho – a verdadeira Religião Cristã, que ainda não se manifestou totalmente na Humanidade –, e com isso elevar-nos a mais um grau e para nos tirarmos das condições cristalizantes que estávamos, Ele precisou aparecer como um ser humano entre nós (1Tm 2:5) e, entrando num Corpo Denso, conquistar, de dentro, a Religião de Raça que nos afeta por fora.

Em outras palavras, acabar com a divisão entre os filhos de Seth e os filhos de Caim e uni-los numa única Fraternidade Universal. Para isso usou de todos os veículos próprios e só tomou de Jesus os Corpos Denso e Vital.

Isso ocorreu quando Jesus tinha 30 anos de idade. Então, Cristo penetrou nesses Corpos e empregou-os até o final de Sua missão aqui na Região Química, no Gólgota. Então, tornou-se a dupla figura que conhecemos como: Cristo-Jesus. Assim, Cristo é o único ser que possui uma série completa de veículos desde o Mundo de Deus até o Mundo Físico, ou seja, 12 veículos!

Nesses três anos, Jesus foi o que perdeu todo o crescimento anímico obtido durante os 30 anos terrestres, anteriores ao Batismo e contido no veículo cedido a Cristo. Este foi e é o grande sacrifício feito para nós, mas, como todas as boas ações, esse sacrifício redundará em maior glória no futuro. Durante os três anos que duraram o trabalho de Cristo nos Corpos Denso e Vital de Jesus, ou seja: entre o Batismo e a Crucificação, Jesus adquiriu um veículo de Éter, da mesma forma que um Auxiliar Invisível adquire matéria física sempre que for necessário materializar todo ou parte do Corpo Denso. Com ele seguia instruindo o núcleo da nova fé formado por Cristo. Entretanto, um material que não combine com o Átomo-semente não pode adaptar-se definitivamente. Ele se desintegra tão logo se esgote a força de vontade nele reunida; portanto, isso foi apenas um paliativo, durante esses três anos.

Depois da morte do Corpo Denso de Cristo-Jesus, no Gólgota, os Átomos-sementes dos Corpos Denso e Vital foram devolvidos a Jesus de Nazaré. Exceto o Corpo Vital usado por Cristo. Por que esse não foi devolvido? Para que Cristo o utilize na Sua segunda vinda.

E por que Cristo não poderia devolvê-lo? Não poderia Ele tomar de outro Corpo Vital de outro ser, mesmo de Jesus, quando necessitasse novamente? Certamente que não, pois existe uma Lei que determina que todo Ser deve sair de um lugar, pela mesma via por onde entrou. Cristo entrou na Terra, onde está agora confinado, através do Corpo Vital de Jesus. Deve sair também por este Corpo. Se o Corpo Vital de Jesus fosse destruído, Cristo permaneceria neste ambiente tão limitado até que o Caos dissolvesse a Terra. É por isso que os Irmãos Maiores colocaram o Corpo Vital de Jesus num sarcófago de cristal para protegê-lo dos olhares de curiosos e profanos. Eles conservam este receptáculo em um dos Estratos nas profundezas da Terra, onde ninguém que não seja Iniciado no grau apropriado pode penetrar.

Então, Jesus de Nazaré construiu um novo Corpo Vital, trabalhando com os movimentos verdadeiramente Cristãos. Os Cavaleiros da Távola Redonda, os Cavaleiros do Graal, os Druidas da Irlanda, os Trottes do Norte da Rússia são algumas das escolas esotéricas nas quais, Jesus trabalhou na Idade Média.

Note que a partir daqui nunca mais Jesus construiu para si um Corpo Denso, embora fosse capaz de fazê-lo. Isso porque o seu trabalho está totalmente dirigido na Região Etérica do Mundo Físico. Sem dúvida, Jesus é o mais elevado fruto que o Período Terrestre produziu, afinal: “Não há maior amor no homem do que aquele que dá a sua própria vida” (Jo 15:13) e o fato de dar não somente o Corpo Denso, mas também o Corpo Vital é certamente o supremo sacrifício!

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Participo de um grupo de estudos formado por Cristãos muito sinceros, que consideram as ciências ocultas verdadeiras armadilhas de Satanás, desaconselhando com bastante veemência qualquer contato com as mesmas. É do meu conhecimento que os Ensinamentos Rosacruzes são considerados ocultos. Apesar da pouca familiaridade que tenho com esses Ensinamentos, tenho a impressão de que não tem nada de “satânico”. Agradeceria seus esclarecimentos a esse respeito. Estou certo?

Resposta: O termo “oculto” refere-se em geral, a tudo o que é secreto, ou considerado “sobrenatural”, do ponto de vista puramente físico. O ocultismo, como qualquer outro estudo, tem os seus aspectos positivos e negativos. Infelizmente, devido a grande ênfase dada aos seus aspectos menos superiores a ciência oculta criou “má reputação” em certos círculos.

Parece-nos, contudo, que a Filosofia Rosacruz, ou melhor, dizendo, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, indicam para a Humanidade ideias e ensinamentos sobre tudo o que há de mais superior e positivo, quanto à natureza de Deus e a nossa. De acordo com esses ensinamentos, nós somos inerentemente semelhantes à Deus, possuindo, em estado latente, todos os atributos da Divindade. A meta final da evolução é nos transformar do ser inocente e estático que somos hoje, num ser dinâmico como o Deus solar que adotamos.

A nossa evolução vem se processando desde os tempos imemoriais. O presente estágio é caracterizado por repetidos renascimentos na Terra, a fim de aprendermos certas lições no plano físico, antes da passagem para Mundos superiores. Passarão eons incontáveis, até que as qualidades que nos tornarão em um ser divino desenvolverem.

O conhecimento adquirido em nossa jornada evolutiva deve ser usado a serviço de nossos semelhantes. E para evoluir devemos adquirir conhecimentos, tanto dos Mundos espirituais como do Mundo Físico. E não há nada de maligno no conhecimento. O desejo de aprimoramento, o esforço em aprender algo relativo tanto aos Mundos espirituais como ao Mundo Físico, numa escola qualquer, merece louvor. O importante é o uso que será feito desses conhecimentos.

Devemos nos esforçar ao máximo em resistir à tentação de usar esses acontecimentos para engrandecimento próprio, para fins egoístas ou para prejudicar nossos semelhantes.

A Filosofia Rosacruz é uma filosofia Cristã. Oferece a mais ampla interpretação dos Ensinamentos Cristãos básicos, do que as Igrejas cristãs. Proporciona grande ênfase a doutrina do Amor Universal, conforme foi legada a todos nós por Cristo-Jesus.

(Publicada na Revista Rays From the Rose Cross – 09/15 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Quem é Cristo, dentre as Ondas de Vida que conhecemos?

A primeira coisa que devemos deixar bem esclarecida é a identidade de Cristo, conforme ensina os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. De acordo com o Diagrama “Os sete dias da Criação” no Capítulo XIV do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, passamos por um intervalo involutivo que abrange os Períodos de Saturno, Solar e Lunar até a metade do Período Terrestre. Nessa peregrinação pela matéria, adquirimos os Corpos e veículos que agora possuímos, bem como foram despertados nossos três veículos espirituais, o que nos tornou um ser com uma constituição sétupla e prontos para nos desenvolver em um ser com constituição decupla.

Durante o Período de Saturno, quando éramos “semelhantes” ao que hoje são os seres do Reino mineral, alguns seres passaram pelo seu estágio “Humanidade”, como nós o estamos passando atualmente, mas pertenciam a uma Onda de Vida de evolução diferente: os chamados Senhores da Mente. O mais elevado Iniciado daquela longínquo Período de Saturno é um ser da Onda de Vida dos Senhores da Mente que conseguiu aprender tudo no Período de Saturno que um Senhor da Mente teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um ser Senhor da Mente, um veículo constituído de materiais das 5 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Vontade”, constituindo o ser Deus-Pai, ou simplesmente: Pai.

O mais elevado Iniciado do Período Solar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Arcanjos, é um Arcanjo chamado de Cristo que conseguiu aprender tudo no Período Solar que um Arcanjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Arcanjo, um veículo constituído de materiais das 4 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Sabedoria”, constituindo o ser Deus-Filho, ou simplesmente: Cristo.

O mais elevado Iniciado do Período Lunar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Anjos, é um Anjo chamado de Jeová que conseguiu aprender tudo no Período Lunar que um Anjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Anjo, um veículo constituído de materiais das 2 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Atividade”, constituindo o ser Deus-Espírito Santo, ou simplesmente: Jeová.

Temos aqui os estados dos três grandes Seres que, como líderes da evolução, são os mais ativos. Os Arcanjos não podem descer até a matéria física, porque não sabem construir nem um Corpo Vital e nem um Corpo Denso. Não pode descer aquém do Mundo do Desejo. Portanto, seu veículo inferior é o Corpo de Desejos, e como é uma lei cósmica ser impossível a um ser, criar um veículo que não tenha aprendido a construir durante a sua evolução, seria impossível para Cristo nascer em um Corpo Denso. Também não podia formar um veículo como o Corpo Vital, constituído de Éter. Não possuía a capacidade para agir nesta última substância, porque nunca a adquiriu em Sua evolução.

Assim para que Cristo nascesse como “um homem dentre os homens” os veículos necessários de Jesus, um ser humano pertencente à nossa Onda de Vida, um dos seres humanos mais elevados espiritualmente – um elevado Iniciado – um homem nascido de um pai e de uma mãe, ambos também elevados Iniciados, que praticaram a Imaculada Conceição sem paixão, cedeu voluntariamente, no momento do Batismo, o seu Corpo Denso e Corpo Vital ao Espírito Solar, o Arcanjo Cristo, que então conseguiu funcionar com um ser no Mundo Físico, conseguindo implementar  no mundo material o início do Plano de Salvação e se converteu em mediador entre “Deus e o ser humano” pois é único que possui todos os veículos necessários para atuar como tal. Cristo-Jesus é, por conseguinte, absolutamente único, e a Bíblia nos ensina que não há “e em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos[1], sendo este o único Credo Cristão autorizado.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: At 4:12

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Necessidade Importantíssima da Renúncia de Si Mesmo para se viver na atual Era de Peixes

As profundas verdades espirituais contidas na Bíblia sempre podem ser encontradas considerando seus incidentes e parábolas de um ponto de vista simbólico. Ao ter em mente que a mensagem das Sagradas Escrituras é, acima de tudo, o Caminho da Santidade, pode-se obter uma visão que lhe permita enxergar imediatamente, através da casca de meras palavras, o precioso cerne interior – as entrelinhas.

Vamos a um exemplo que tratamos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes: Naqueles dias, novamente uma grande multidão se ajuntou e não tinha o que comer, por isso Ele chamou os discípulos e disse-lhes: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo e não tem o que comer. Se Eu os mandar em jejum para casa, desfalecerão pelo caminho, pois muitos vieram de longe”. Seus discípulos lhe responderam: ‘Como poderia alguém, aqui num deserto, saciar com pão a tanta gente?’. Ele perguntou: ‘Quantos pães tendes?’. Responderam: ‘Sete’, Mandou que a multidão se assentasse pelo chão e, tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e deu-os aos seus discípulos para que eles os distribuíssem. E eles os distribuíram à multidão. Tinham ainda alguns peixinhos. Depois de os ter abençoado, mandou que os distribuíssem também.” (Mc 8:1-7).

Na passagem acima, Cristo-Jesus está falando das pessoas espiritualmente empobrecidas daquela época. Elas viveram a vida dos sentidos de tal forma — sem semear, cultivar ou colher os frutos do esforço espiritual — que realmente não tinham “nada para comer“. Passaram por longos períodos cristalização – negando a existência de Deus ou enxergando Deus como algo que pudesse se encher de coisas materiais, de fama, poder mundanos –, e muitos estavam à beira da regressão (ou seja, da perda dos seus Átomos-sementes), prontos para “desmaiar no caminho“.

Cristo-Jesus tinha a mensagem e o poder espiritual para iniciar e realizar o processo de libertação da Humanidade da fome autoimposta, pois essa era a Sua missão. Seus discípulos, contudo, não compreendendo plenamente o grande poder do Raio do Cristo Cósmico, que viera para fazer o sacrifício supremo pelos filhos rebeldes de Seu Pai, perguntavam-se como o “pão” poderia ser dado aos seres humanos em tal “deserto”. Sua iluminação fazia parte de seu treinamento.

Os “pães” e os “peixes” mencionados por Cristo-Jesus referem-se à Era de Peixes-Virgem que se iniciava naquele momento do Esquema de Evolução. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que para essa Era “uma nova nota de aspiração deveria ser tocada, uma nova fase de elevação humana deveria ser iniciada durante a Era de Peixes que então se aproximava. A autoindulgência deveria ser substituída pela renúncia, abnegação. O pão, o sustento da vida, feito de grãos imaculadamente gerados, não alimenta as paixões como a carne”. A unidade abrangente simbolizada pelo Signo de Peixes inclui a qualidade da auto-renúncia, que também seria um dos ideais da Nova Dispensação, a Dispensação Cristã. A realização da unidade de “cada um com todos” estava destinada a trazer a eventual entrega completa do “eu inferior” separado à Sua vontade.

Esta parábola também envolve o mistério de “dar graças“, de “bendizer” ou de multiplicar. Gratidão e bênçãos personificam o poder do Amor, a grande força de coesão e atração. Ao agradecer ou abençoar algo, trazemos a esse algo mais potência e, ao usar corretamente os números cósmicos no processo, como indicado pelos sete pães, podemos aumentar ainda mais sua potência.

Assim, esta parábola nos diz que Cristo-Jesus trouxe a muitos sustentos espirituais, que alimentou a alma faminta e incitou a cada um de nós, um Ego, a ansiar por seu Pai celestial e lar.

(Publicado na Revista Rays From The Rose Cross – junho/1975 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A importância de alcançar o autocontrole para cura das doenças como a hanseníase

A lepra (ou como chamamos atualmente, a hanseníase), uma das doenças mais temidas a que a Humanidade se submeteu, é resultado do “pecado imperdoável”, ou mau uso da força sexual criadora divina, tão prevalente durante os tempos lemurianos e atlantes. Aprendemos quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que “…assim como o Espírito Santo é a energia criadora da Natureza, a energia sexual é seu reflexo no ser humano. O mau uso ou abuso desse poder é um pecado que não se pode perdoar; deve expiar-se, com prejuízo da eficiência dos veículos, a fim de aprendermos que a força criadora é santa”.

Paracelso, o grande médico-curador do século XV, afirmou: “Um laço íntimo liga o gerador ao que é gerado. Gerações passadas são utilizadas na construção do corpo futuro; elas são tecidas no corpo como uma tendência a alguma doença, afetando a disposição ou as forças vitais. Esse veneno de vidas passadas deve, em algum lugar, ser transformado em saúde.” Assim, a Lei de Causa e Efeito atua para nos ensinar a viver de acordo com as Leis de Deus.

No entanto, Cristo – veja na Bíblia a Cura do Leproso (Mt 9:1-4 e Mc 1:40-44) – trouxe a graça, por meio da qual uma pessoa, mediante o arrependimento, a restituição e a reforma íntima, pode absolver seu destino. Até mesmo uma pessoa diagnosticada com hanseníase pode usar essa fórmula divina para receber o Poder Curador do Cristo e ser aliviado de seu fardo. Uma mudança definitiva de consciência, é claro, é necessária nesse processo e, a menos que tal mudança ocorra, a cura será, na melhor das hipóteses, apenas temporária.

Estudando o livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos que “Esse foi o pecado dos nossos progenitores na antiga Época Lemúrica que eles espalharam suas sementes independentemente da Lei e sem o amor. Mas é o privilégio do Cristão se redimir pela pureza da sua vida, em memória do Senhor. S. João diz: “Sua semente permanece nele.” (IJo 3:9)

Nos tempos modernos, a hanseníase deu lugar ao câncer, que também resulta de desejos descontrolados. A ciência forneceu um certo grau de assistência na “cura” dessas duas doenças terríveis, mas um remédio permanente só pode ser encontrado educando as pessoas para que compreendam a santidade do Espírito Santo dentro de cada um de nós e aprendam a viver uma vida de autocontrole que respeite e obedeça às Leis de Deus.

(Publicado na Revista Rays From The Rose Cross – abril/1984 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

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Gravura: Christ Healing the Leper, from The Story of Christ. Georg Pencz-1534-35

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Origem do Cristianismo Esotérico: Essênios, Iniciações e Christian Rosenkreuz

Encontramos suas raízes entre a devota ordem dos Essênios, ao tempo de Cristo. Não são mencionados nos Evangelhos porque foram precisamente eles que dirigiram sua redação. Os manuscritos do Mar Morto, descobertos desde 1947, em aparente acaso, às margens do Mar do mesmo nome, nas cercanias do soterrado Mosteiro de Qumran, mostram inequívoca relação daquela Ordem com os Evangelhos, principalmente com o de S. João Evangelista e as cartas de S. Paulo. Efetivamente, José e Maria, pais de Jesus; Zacharias e Izabel, pais de João Batista; Jesus, João Batista e os seguidores de ambos, todos foram Essênios.

Lázaro, Iniciado por Cristo na simbólica passagem de sua ressurreição, renasceu depois como Christian Rosenkreuz, fundador da Ordem Rosacruz. Jesus foi educado pelos Essênios e com eles privou no período omitido pelos Evangelhos, dos onze aos vinte e nove anos, preparando-se em Qumran e posteriormente na Pérsia (onde havia a mais completa biblioteca daqueles tempos), para a missão transcendental de sua União a Cristo, no batismo do Jordão. As passagens principais da vida de Cristo-Jesus são “passos” Iniciático do desenvolvimento de cada Aspirante à vida superior. Com esse fim os Evangelhos foram escritos: como fórmulas de Iniciação, sob a singela aparência de narrativa a respeito da vida de Cristo-Jesus.

Essas nove Iniciações, pela ordem, são: Batismo, Tentação, Transfiguração, Última Ceia, Lavapés, Getsemani, Estigmatização, Crucificação e Ressurreição.

Assim a Fraternidade Rosacruz visa a uma grandiosa finalidade e encaminha os Aspirantes à vida superior vencedores a ilimitado desenvolvimento posterior para serviço do mundo. Não constitui uma confissão religiosa, no sentido comum do termo, porque não é dogmática; todavia no mais lato sentido, é uma escola de religiosidade, que oferece os mais eficientes meios de nos religar a Deus, através de Seu Filho, o Verdadeiro Caminho.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1979 – Fraternidade Rosacruz –SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Lançamento da Pedra Fundamental do Templo de Cura da Fraternidade Rosacruz ao meio-dia de 23 de Julho de 1920

Antigamente, quando um Templo de adoração era construído, o terreno ou área destinada à construção era enfeitado com guirlandas de flores em um dia determinado pelos astrólogos. “Há um tempo para tudo debaixo do sol[1], e os astrólogos buscavam determinar as condições propícias para o início da obra sagrada. No dia e na hora determinados, apenas pessoas de renome, carregando galhos de árvores, entravam no recinto. Os galhos simbolizavam uma conclusão feliz e frutífera para a obra. As pessoas de renome eram seguidas pelas virgens vestais que, em oração, aspergiam o local com água trazida em urnas por meninos e meninas. Em seguida, vinham os sacerdotes e dignitários do Estado, seguidos pelos cidadãos carregando a pedra fundamental enfeitada com guirlandas. Após o Pretor impor as mãos sobre as cordas que envolviam a pedra, os pedreiros a colocavam no lugar, e o Pontífice, consagrando-a ao seu uso, exortava o povo a servir e temer os deuses e a obedecer à lei.

A pedra era sempre colocada no canto nordeste do Templo, análogo ao local de maior poder do Sol no Solstício de Junho, quando todos os seres vivos são mais vitalizados por seus raios.

Chegamos agora a mais uma “colocação da pedra fundamental”, mas uma que é única por inaugurar uma nova era na Religião Cristã. Por mil novecentos e vinte anos, a igreja tem lutado para “Pregar o Evangelho” em obediência ao mandamento de nosso Salvador. Agora, a Fraternidade Rosacruz ergue bem alto a bandeira com o segundo mandamento, “Curai os Enfermos“, como um estímulo à nossa missão Cristã, e “coloca a pedra fundamental” de um Templo de Cura consagrado em Cristo para servir ao nosso próximo irmão e irmã sofredores.

O lugar sagrado do Templo estava radiante com a efusão de bênçãos das “hostes invisíveis” que reconhecem a importância espiritual do passo dado. O pequeno e devotado grupo de seguidores da Fraternidade Rosacruz respondeu com silenciosa dedicação interior do “Eu superior” ao serviço de Cristo como Curador Divino: orações silenciosas por força para purificar o “Eu inferior” de toda indignidade, a fim de que o poder curador do Senhor pudesse fluir através de nós como canais limpos para Sua obra.

Ele, nosso amado Salvador, conheceu apenas a terrível agonia da “Coroa de Espinhos”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos nos esforçando para fazer crescer uma “rosa” de poder espiritual onde cada espinho sugou uma gota de Seu sangue. Ele conheceu apenas a agonia de ser pregado na “Cruz”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos tentando “arrancar os pregos” que nos pregam firmemente à cruz; os pregos do desejo egoísta, da ânsia por poder temporal, da cegueira espiritual.

Este trabalho de cura espiritual Cristã é um dos métodos de servir à Humanidade sofredora, oferecendo ao verdadeiro (a verdadeira) profissional de saúde um meio de unir o poder da Ciência ao da Religião. A Fraternidade Rosacruz clama pelo verdadeiro (pela verdadeira) profissional de saúde, a pessoa que não se envergonha de orar por seus pacientes enquanto trabalha por eles. Cristo-Jesus disse: “Eu sou O CAMINHO, A VERDADE e A VIDA[2].

No entanto, quantos profissionais de saúde e pacientes em sofrimento intenso negligenciaram convidá-Lo para ajudar! Existe uma maneira de invocar essa efusão divina, assim como existe uma maneira de fazer cada coisa que fazemos. Esse CAMINHO exige preparação, purificação, dedicação, consagração, e isso faz parte do trabalho do Estudante Rosacruz.

O verdadeiro e ativo (a verdadeira e ativa) Estudante Rosacruz não busca poder temporal. Busca servir a Deus ajudando seus semelhantes que estão sofrendo fisicamente, emocionalmente e/ou mentalmente. Um local de capacitação para o trabalho é maravilhosamente alcançado no Templo de Cura, que está sendo construído pelo serviço amoroso e desinteressado de muitos.

Augusta Foss Heindel aproveitou esse momento para lembrar onde começou a ideia da construção do Templo de Cura e qual é e será o seu objetivo para cumprirmos o mandamento de Cristo: Curar os Enfermos.

“Amigos, estamos aqui hoje para realizar o que foi iniciado em 25 de novembro de 1914 por Max Heindel. Naquela ocasião, nos reunimos para preparar esta pedra que hoje colocamos como pedra fundamental. Ela é um símbolo de uma estrutura física que, por sua vez, nos aparecerá como um símbolo daquilo que nós, como trabalhadores do Templo de Deus, estamos nos esforçando para construir. Aprendemos o uso simbólico das ferramentas do pedreiro; definimos o pedreiro como aquele que coloca o cimento e coloca o tijolo, trabalhando com as ferramentas de seu ofício; assim, um edifício é erguido. Também somos verdadeiros “pedreiros livres”, usando materiais diferentes. Estamos construindo o material que os Irmãos Maiores nos deram, que acabamos de colocar nessa pequena caixa, a gloriosa mensagem que nos foi dada pelos Irmãos Maiores através da grande alma cujo aniversário celebramos hoje, a alma que nasceu em 23 de julho de 1865 e que estava destinada a trazer ao mundo uma visão mais ampla dos ensinamentos de Cristo do que jamais foi dada à Humanidade, uma Religião que será a pedra angular de todos nós na Era de Aquário. Este mensageiro também nos disse que este seria o último templo físico a ser erguido pelos Irmãos Maiores. A Humanidade alcançará esse estágio de desenvolvimento e agora está trabalhando com o objetivo de se preparar para que possa adorar no verdadeiro Templo, aquele Templo de Deus não feito por mãos, eterno nos céus, que não é construído de pedras, tijolos e argamassa, mas de corações amorosos e do sacrifício de nossas próprias naturezas inferiores, dedicando-nos assim como pedras vivas nele.

É um privilégio ser um dos obreiros, uma das pedras vivas, escolhido para obedecer aos dois últimos mandamentos do Cristo: “Pregai o Evangelho e Curai os Enfermos[3]. O último mandamento foi esquecido pela Humanidade por tantos e tantos anos. Pregamos o Evangelho, mas apenas cumprimos a primeira metade dos mandamentos que Ele deu aos Seus discípulos. Esquecemos, nas Igrejas, de curar os enfermos. Houve uma divisão entre Ciência e Religião. Esse afastamento causou as condições materialistas de hoje. Cimentar essa brecha, unir Ciência e Religião, é o que nós, como obreiros e seguidores dos Ensinamentos Rosacruzes, estamos nos esforçando para fazer. Estamos construindo a pedra fundamental de uma grande obra futura. Pouco percebemos hoje, os poucos de nós que estamos aqui, o que isso significa para a Humanidade. O conteúdo desta pequena caixa viverá por eras depois que tivermos abandonado estes Corpos Densos. As vibrações que serão incorporadas a esta construção alcançarão os confins da Terra. Dizem-nos que quando Salomão construiu o Templo em Jerusalém, ele purificou e mudou a vibração de toda a cidade.

Fomos mantidos sob o domínio de Saturno, sob um ambiente cristalizado. Era necessário, no entanto, que aprendêssemos nossas lições, pois estamos neste mundo cristalizado e precisamos usar cimento material. Mas chegamos a um estágio neste trabalho em que não será necessário lutar por muito mais tempo, pois a fundação já está lançada. Hoje, lançamos esta pedra fundamental que, com seu conteúdo, permanecerá por eras e eras.

Amigos, vamos embora daqui hoje, dedicando-nos novamente a nos tornarmos canais mais puros, melhores e mais limpos, através dos quais os grandes Ensinamentos Rosacruzes possam ser enviados ao mundo. Estamos aqui porque fomos escolhidos para sermos trabalhadores neste grande campo do Mestre, Cristo. E estamos aqui para preparar o Templo invisível, usando o Templo físico apenas como um centro de trabalho. Ainda não nos desfizemos destes Corpos Densos, mas, ainda assim, estamos nos preparando para poder encontrar o Cristo, como Ele prometeu que, quando Ele vier, o “encontraremos no ar”. O que isso significa? Que estamos tecendo a “veste dourada das bodas”, o Corpo Vital espiritualizado, no qual todos seremos capazes de encontrar o Cristo em Sua vinda.

Vamos, amigos, ao colocarmos cada um uma colher de pedreiro de argamassa para selar esta pedra, colocá-la ali com uma oração de gratidão, pedindo por maior força, pureza e conhecimento, para que possamos ser instrumentos adequados para continuar esta obra e enviar esta mensagem à Humanidade, lembrando que Cristo é a verdadeira Pedra Angular.”

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Ecl 3:1

[2] N.T.: Jo 14:6

[3] N.T.: Mt 10:7-8

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se Cristo veio apenas uma vez, há mais de dois mil anos, como é possível que outras Religiões mais antigas que o Cristianismo afirme ter sido fundadas por um Salvador? E se Ele foi um fator tão marcante na vida judaica, como os Evangelhos o descrevem, por que o historiador judeu Flávio Josefo (ou apenas Josefo – em latim: Flavius Josephus) se refere a ele apenas em uma passagem curta e superficial? Os Evangelhos são documentos históricos?

Resposta: Se tivermos em mente que devemos distinguir entre o Cristo cósmico e o planetário, temos a chave para todo o problema. Lembrem-se de que, há muito tempo atrás, durante o Período Solar desse atual Esquema de Evolução (que estamos inseridos), o Cristo histórico foi um ser que estava no seu estágio “Humanidade” na terceira Revolução e meia do Globo D daquele Período, funcionando em um Corpo de Desejos, o veículo mais denso daquele tempo remoto, e alcançando o mais alto grau de Iniciação que um Arcanjo pode alcançar nesse Esquema de Evolução, que chamamos aqui de o Grande Iniciado. Por essa razão, e porque Seu sacrifício de mais de dois mil anos atrás O tornou o Regente Planetário da Terra, nos referimos a Ele como o Cristo planetário. Ele desceu em um Corpo Denso e Corpo Vital, cedidos voluntariamente por Jesus de Nazaré, quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, atingiu o em torno de sete graus de Áries, ou seja, em torno no ano 30 d.C.

Mas cerca de doze mil anos antes do Advento de nosso Salvador aqui no nosso Planeta Terra, quando o Sol por Precessão dos Equinócios passou por Libra pela última vez, o primeiro impulso espiritual preparatório para Sua vinda foi dado à Onda de Vida humana, nós, e daquele tempo em diante até Sua primeira vinda aqui, grandes mestres como Rama, Krishna e Buda na Índia, Lao Tsé e Confúcio na China, Zoroastro na Pérsia, Hermes no Egito, Orfeu na Grécia e Moisés entre os israelitas apareceram em intervalos periódicos. As necessidades especiais dos povos entre os quais ensinavam, e a força cósmica do Cristo que emanava do Sol espiritual, do Coração do nosso Universo, da fonte de todas as nossas vibrações Crísticas, era poderosa neles. Mas eles eram produtos exaltados de nossa própria evolução humana, pertencentes ao Período Terrestre – renascimentos do Grande Iniciado do Período Solar, não eram! Este Iniciado apareceu aqui apenas uma vez, há dois mil anos, no Corpo Denso de Jesus, e quando chegar a hora, Ele aparecerá novamente no Corpo Vital construído por Jesus, na primeira vinda do Cristo, que está sendo preservado para esse propósito.

Há uma estreita união mística entre o Cristo planetário e o cósmico, e a cada ano, quando o Grande Iniciado se aprisiona novamente na Terra, do Natal até a Páscoa, a força cósmica do Sol ou Filho é atraída para nós através da mediação de nosso Salvador planetário. Nós, por meio do evento a “Queda do Homem”, trouxemos sobre nós e sobre o Planeta Terra o perigo de sermos isolados do Sol ou Filho vivificante, ou do aspecto cósmico do Cristo (observe como a Terra se tornou estéril e o clima frio após a “Queda do Homem”), e para nos salvar desse destino iminente, o Cristo planetário se tornou o nosso mediador, elevando as nossas vibrações à intensidade e ao tom necessários para responder às vibrações do Sol. Ele veio para todo o Planeta Terra, não apenas para um povo ou uma nação, e fundou a única Religião universal, que no devido tempo abrangerá toda a Humanidade.

Jesus, em cujos Corpos Denso e Vital o Cristo funcionou, pertencia à Ordem dos Essênios, que era temida e desprezada pelas classes dominantes entre os judeus, embora reverenciada pelo povo, e isso explica por que o historiador judeu, Josefo, mal menciona o odiado mestre essênio, Jesus de Nazaré, que foi morto (já que quem tomava esse partido não distinguia Jesus de Cristo-Jesus) apenas porque o povo o amava e as autoridades temiam sua influência. Não seria conveniente que o historiador judeu oficial divulgasse esse fato e, portanto, quanto menos se falasse sobre o perigoso Nazareno, melhor.

Os Evangelhos são relatos históricos, além de serem exposições simbólicas de Iniciação; mas, além dos quatro Evangelhos que temos agora, existiram e ainda existem outros Evangelhos, plenamente conhecidos pelos gnósticos dos primeiros séculos Cristãos e pelos Iniciados de hoje, e que foram suprimidos pela Igreja.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro de 1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

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