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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Astrologia Esotérica

A astronomia ensina que o Sol está se movimentando, com seu poderoso conjunto de Planetas, Luas e outros objetos, através do espaço a uma velocidade de dezesseis quilômetros por segundo! O movimento do voo não pertence apenas ao Sistema Solar. A ciência dos céus avançou o suficiente para revelar o fato de que todas as estrelas estão em movimento. Muitos desses orbes gigantes possuem uma velocidade, em seu voo através do espaço infinito, que ultrapassaria facilmente o Sistema Solar. Por mais que a abóboda celeste tenha revelado seus segredos ocultos para o estudo do ser humano, ela ainda não deu qualquer pista sobre o circuito rápido e complicado que é indicado pelos mundos gigantescos com os quais está enfeitada. Nenhuma regra definida pode ser estabelecida para essas complexidades; as estrelas parecem se mover de um lado para outro mais como um enxame de abelhas.

Essas luminárias imensas são as moradas de outras criaturas? Para que elas existem? Foram feitas simplesmente para derramar em rios inúteis sua inundação de luz e calor sobre os abismos do infinito?

Para essa questão a ciência não tem o que falar. E depois de 6.000 anos de astronomia, antiga e moderna, não houve resposta, exceto nas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras. Assim, lemos, por exemplo na Epístola de S. Paulo aos Efésios: “Portanto, de agora em diante, as dominações e potestades celestes podem conhecer, através da igreja, a infinita diversidade da sabedoria divina” (Ef 3:10). Esse texto nos faz saber que ao grande Apóstolo Paulo foi permitido por Deus obter a visão dos lugares celestiais; o Apóstolo que uma vez foi “arrebatado ao Terceiro Céu” e que, ao escrever as glórias que se seguiram à ressurreição, pôde dizer que “Há também corpos celestes e corpos terrestres… Há uma glória do Sol e outra glória da Lua, e outra glória das estrelas; pois uma estrela difere de outra estrela em glória” (ICor 15:40-41).

Ele não apenas sabia que existiam lugares celestiais e declarou seu conhecimento desse fato, mas também nos deu claramente o entendimento de que eles desempenhavam um papel objetivo no plano eterno de salvação. Para os redimidos, grandes glórias ainda estavam por vir. Para esses reinos majestosos do espaço a igreja, em seu caminho, deveria ser levada não apenas para entretenimento ou aumento de conhecimento, mas para transmitir alguns dons espirituais.

Dê uma olhada na constelação do norte e veja a bela estrela Capela, branca e leitosa, na constelação de Auriga. Viajando em linha reta da estrela polar e através dessa Capela, passamos à esquerda pelo Aldebaran rosa avermelhado, na constelação de Hyades. Um pouco mais à direita está a estrela laranja Betelguese, no ombro de Orion. O voo continuado nos levaria àquele Sol branco e brilhante, o gigante Rigel. Então poderíamos olhar novamente à direita, ver o Sirius imperial e, próximo a ele, Procyon, de cor ligeiramente branco-amarelada. Levante os olhos, ao passar por essa galeria, e haverá algo mais do que mortal. Devemos dizer, então, que essas vastas luminárias foram criadas em vão? Foram chamados à existência apenas para lançar uma maré de esplendor inútil sobre a solidão da imensidão?

Por que resistir por mais tempo à conclusão principesca, pressionando em nosso peito para ser expressa? Será que o gigante Arcturus carregará consigo sua sucessão de satélites que, se forem análogos à sua luminária central, são maiores e mais imponentes do que os Planetas do Sistema Solar, sendo todos apenas um carnaval de vazio? Não. Em vez disso, vamos concluir com o Apóstolo que esses reinos são as moradas de bem-aventurança. Embora as Escrituras nos levem a crer que seus habitantes não desconheçam as provações, as esperanças, os temores e os acontecimentos da nossa Terra, ainda assim, vejamos qual é a razão divina para a qual a comunicação atualmente não é estabelecida.

Em primeiro lugar, vemos pelo argumento do Apóstolo, que a igreja estava sobres testes. Os céus estão sobre testes? Nós pensamos que sim. Estudando no Livro de Jó (não nos esqueçamos de que Jó foi um grande erudito e astrônomo), vemos o seguinte. “Eis que ele não confia nos seus santos; sim, os céus não são limpos aos seus olhos” (Jo 15:15). Aqui somos levados a refletir que a grande revolta de Lúcifer deixou os habitantes de outros Mundos um tanto confusos. Isso os colocou também em provação, mas com uma diferença. Um ser pode estar em provação sem pecado e sem ter incorrido na penalidade do pecado. Na verdade, há muito que mostra que até mesmo os Anjos estivessem em provação. Embora miríades deles tenham seguido o grande rebelde em sua revolta, muitos mais, embora ainda sob provação, permaneceram fiéis em sua lealdade ao divino Criador. Quando esse momento probatório terminar, todos, tanto nos Céus quanto na Terra, serão reunidos como um em um universo infinito, completo e testado. Portanto, lemos novamente na Epístola de S. Paulo aos Efésios: “Para que na dispensação da plenitude dos tempos, Ele possa reunir todas as coisas em Cristo, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; mesmo n’Ele” (Ef 1:10).

Os céus são habitados? Vamos primeiro ter a resposta das Escrituras, antes de tomarmos a resposta da astronomia. Quem pode resistir à conclusão da poderosa declaração feita pelo Apóstolo S. João, no Livro do Apocalipse? “Alegrai-vos, pois, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos habitantes da terra e do mar! Porque o diabo desceu sobre vós com grande ira, porque sabe que não tem senão pouco tempo” (Apo 12:12). A palavra “céus” neste texto está no plural. E a declaração do Profeta vai mostrar que a regra geral do Criador para seu universo é esta: “Ele o estabeleceu, não o criou em vão, Ele o formou para ser habitado.” (Is 45:18).

Voltando agora para o primeiro capítulo do Livro do Gênesis, lemos que “no princípio Deus criou os céus e a terra”. Também lemos: “E o Espírito de Deus Se movia sobre a superfície das águas” (Gn 1:2). O Espírito Santo estava presente, agindo como um grande agente na criação desta Terra. Durante cinco dias cósmicos, o amor divino preparou o berço com antecedência para a vinda da família humana. Associado à criação estava o Senhor Cristo, como lemos no primeiro capítulo do Evangelho Segundo S. João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por Ele; e sem Ele nada do que existe teria sido feito” (Jo 1:1-5).

Portanto, essa criação é uma criação de Cristo, uma criação Cristã. De si mesmo, no jardim do Getsemani, Cristo disse: “Glorifica-me com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17:15). Isso o leva de volta a um período antes do começo do mundo.

Movendo-se pelo espaço a uma taxa de, aproximadamente, 306.000.000 quilômetros por ano, a Terra, em seu voo rápido, percorre cerca de 30 quilômetros por segundo. Está ao alcance do ser humano mortal produzir esse resultado? Suponhamos que todo o poder que habitou o braço de Adão e, posteriormente, residiu no braço de cada filho seu, desde a manhã da criação até o presente, pudesse estar, todo ele, concentrado em um único braço humano, hoje. Poderia esse braço dar à Terra sua velocidade atual? Impossível! Existe um poder e apenas um capaz de um resultado tão estupendo: o Cristo. E embora possamos nos distanciar entre estrelas tão densas que parecemos voar através do pó estelar, não pode ser encontrado um único Sol gigante que saltou à existência por qualquer outro meio que não o divino poder do Filho de Deus. Ele existe, como diz o profeta, “desde os dias da eternidade” (Mq 5:2).

Desde os dias da eternidade, Ele teve um propósito infinito. Ele viu o fim desde o início. Ele havia planejado o último ato, antes de delinear o primeiro. E o Apóstolo S. Paulo nos admitiu um pouco disso em seu conselho secreto. Era com a intenção, diz ele, de que por meio da Igreja fosse dada a conhecer aos principados e potestades em todos os céus a multiforme sabedoria de Deus. É maravilhoso demais para acreditar? Não duvide disso. A astronomia ainda vai alcançar esse conhecimento com a inspiração.

Algumas palavras do astrônomo, agora. E aqui citamos a magnífica passagem de Sir Robert Ball: “O ser humano é uma criatura adaptada para a vida em circunstâncias que são estreitamente limitadas. Alguns graus a mais ou a menos de temperatura; uma ligeira variação na composição do ar; a adequação precisa dos alimentos; tudo isso faz muita diferença entre saúde e doença, entre a vida e a morte. Olhando para além da Lua, no comprimento e largura do universo, encontramos incontáveis globos celestes com todas as variedades concebíveis de temperatura e constituição”.

“Em meio a esse vasto número de mundos com os quais o espaço é ocupado, há algum habitado por seres vivos? A essa questão a ciência não pode responder; não podemos dizer. No entanto, é impossível resistir a uma conjectura. Encontramos nossa Terra repleta de vida, em todas as partes. Encontramos vida nas mais variadas condições que possam ser concebidas. É encontrada sob o calor escaldante dos trópicos e nas geadas eternas dos polos. Encontramos vida em cavernas onde nenhum raio de luz já penetrou. Nem está faltando nas profundezas do oceano, à pressão de toneladas por centímetro quadrado. Quaisquer que sejam as circunstâncias externas, a natureza geralmente fornece alguma forma de vida para a qual essas circunstâncias são adequadas” [1].

Não é de todo provável que entre as milhões de esferas do universo haja uma única exatamente como a nossa Terra — como ela na posse de ar e água, em tamanho e composição. Não parece provável que um indivíduo pudesse viver por uma hora em qualquer corpo do universo, exceto a Terra, ou que um carvalho pudesse viver em qualquer outra esfera por uma única estação. Os seres humanos podem morar na Terra e os carvalhos podem prosperar nela, porque as constituições do ser humano e do carvalho são especialmente adaptadas às circunstâncias particulares da Terra. A filosofia mais verdadeira sobre este assunto foi cristalizada na linguagem de Tennyson[2]:

“Esta verdade em sua mente ensaia,

Que, em um universo sem limites

É ilimitadamente melhor, ilimitadamente pior.

Pense neste molde de esperanças e medos.

Não pode encontrar alguém mais majestoso do que seus pares

Em centenas de milhões de esferas?

Que caminho de voo infinito está diante de nós! A velocidade mais alta que nossa inteligência humana atinge agora é a velocidade da luz, que se move com a rapidez de 300.000 quilômetros por segundo, aproximadamente. Conte os segundos, os minutos, as horas, os dias e isso totaliza quase 10.000.000.000.000 de quilômetros por ano. Com essa rapidez indescritível, levaríamos mais de cinquenta anos para alcançar o gigante Arcturus. Outros sóis estão ainda mais distantes e os astrônomos conjeturaram outros mundos tão distantes que, correndo à velocidade da luz, levaríamos 300.000 anos para alcançar.

Essa jornada não está dentro da esfera de possibilidade do ser humano finito. Ele poderia começar, mas sua juventude seria consumida, a meia-idade viria e os anos de enfermidade estariam sobre ele antes que deixasse uma dúzia de lugares celestiais, em sua retaguarda.

Quão divinos, então, são os atributos que em breve nos serão conferidos. Mais do que mortais, nossos corpos imortalizados se erguerão para alcançar glórias indizíveis. Há mudanças maravilhosas pela frente. O autor delas providenciou para que pertencessem a nós, desde que vivamos a vida real e verdadeiramente.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – janeiro/1918 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: do Livro: Story of the Heavens

[2] N.T.: Alfred Tennyson, (1809-1892), foi um poeta inglês.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Em uma de suas palestras, o senhor disse que era um erro enviar missionários a países estrangeiros; que as Religiões praticadas pelos chamados pagãos são adequadas para eles atualmente, mas que esses missionários causaram pouco dano até agora. Como, então, o senhor explica a ordem de Cristo aos seus Apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”?

Resposta: O significado das palavras de Cristo depende, obviamente, da interpretação da palavra “mundo”. Se por essa palavra entendemos toda a Terra, pode ser correto enviar missionários para países estrangeiros; mas, a Bíblia nos diz que os Discípulos, aos quais essa ordem foi dada, retornaram após terem cumprido sua missão, mostrando que a palavra empregada nessa ordem não poderia se referir a toda a Terra. Nesse contexto, a palavra “mundo” deveria ter recebido a interpretação “de um grupo de pessoas com uma identidade coletiva, que são organizados de alguma forma com relações sociais e políticas institucionalizadas”, que também pode ser encontrada em alguns dos nossos dicionários com outros ignificados. Na época de Cristo, as pessoas não conheciam o mundo todo. Ainda hoje encontramos o cabo mais ocidental da Espanha, chamado Cabo Finisterra – o fim da Terra. Portanto, esse termo, na época em que Cristo pronunciou a sua ordem, não poderia ter incluído toda a Terra tal como a conhecemos hoje. Assim, a declaração não é contrária aos ensinamentos bíblicos. É errado enviar missionários para as pessoas que chamamos de “pagãos”, pois, o desenvolvimento delas ainda é tal que elas não conseguem entender uma Religião que prega o amor ao próximo, uma Religião que nem nós ainda não aprendemos a colocar em prática. Além disso, se os grandes Anjos do Destino[2], que são responsáveis pela nossa evolução, são capazes de avaliar as nossas necessidades e colocar cada um no ambiente onde possa encontrar as influências mais proveitosas ao seu progresso, devemos acreditar, também, que eles deram a cada povo a Religião mais apropriada para o desenvolvimento dele. Portanto, quando uma pessoa é colocada num país onde a Religião Cristã é ensinada, essa Religião possui o ideal pelo qual ela deve lutar, mas tentar impô-la a outras pessoas que foram colocadas numa esfera diferente é estabelecer o nosso julgamento acima do julgamento de Deus e de Seus ministros, os Anjos do Destino. Entretanto, como foi dito, os missionários Cristãos causaram pouco prejuízo às pessoas que eles visitaram, mas poderiam ter feito melhor se permanecessem em casa. Não precisamos nos afastar de casa para encontrar pagãos que necessitam dos ensinamentos bíblicos. O professor Wilbur L. Cross[3] de Yale menciona, por exemplo, que numa classe de quarenta alunos ninguém pode identificar Judas Iscariotes; que ele tinha um aluno judeu que jamais ouvira falar de Moisés e que, em resposta a uma pergunta relativa à natureza da obra “O Peregrino – A Viagem do Cristão à Cidade Celestial”[4], a melhor resposta conseguida é que isso foi a base da história da Nova Inglaterra. Se os missionários tivessem entrado em contato com esses pagãos, talvez pudesse fazer algo de bom.

No entanto, mais danos são causados quando o oriente envia seus missionários para cá a fim de nos converter ao hinduísmo e Religiões afins, pois frequentemente esses hindus ensinam exercícios respiratórios que podem causar insanidades ou tuberculose, pois nossos Corpos Densos ocidentais não estão preparados para tais práticas. É mais seguro permanecer na Religião do nosso lugar ocidental, estudá-la e praticá-la, deixando os outros povos o privilégio de fazer o mesmo com relação as suas próprias Religiões.

(Pergunta nº 118 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Mc 16:15

[2] N.T.: também chamados de Senhores do Destino, Anjos Relatores, Anjos Registradores, Anjos Arquivadores

[3] N.T.: Wilbur Lucius Cross (1862–1948) foi um crítico literário americano e professor da Universidade de Yale que serviu como o 71º governador de Connecticut de 1931 a 1939.

[4] N.T.: Ou “The Pilgrim’s Progress” é um livro alegórico cristão de 1678 escrito pelo inglês John Bunyan. É considerado uma das obras mais significativas relacionadas às práticas teológicas e religiosas na literatura inglesa. O jovem peregrino chamado simplesmente Cristão, atormentado pelo desejo de se ver livre do fardo pesado que carrega nas costas, segue sua jornada por um caminho estreito, indicado por um homem chamado Evangelista, pelo qual se pode alcançar a Cidade Celestial. Na narrativa, todas as personagens e lugares que o peregrino depara levam nomes de estereótipos (como: Hipocrisia, Boa-Vontade, Sr. Intérprete, gigante Desespero, A Cidade da Destruição, O Castelo das Dúvidas, etc.) consoante os seus estilos, características e personalidades. No ínterim, surgem-lhe várias adversidades, nas quais ele padece sofrimentos, chegando a perder-se, ser torturado e quase afogar-se. Apesar de tudo, o protagonista mantém-se sempre sóbrio, encontrando auxílio no companheiro de viagem Fiel, um concidadão seu. Mais adiante na trama, Fiel é executado pelos infiéis da Feira das Vaidades que se opõem à busca dos dois peregrinos. Contudo, Cristão acha um outro companheiro, chamado Esperança, que mais tarde lhe salvará a vida, e eles seguem a dura jornada até chegarem ao destino almejado. A obra é uma alegoria contada como se fosse um sonho, voltando-se sempre a extrair dos eventos narrados alguns ensinamentos bíblicos, nos moldes das parábolas bíblicas.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: As almas que passaram pelo Purgatório, Primeiro Céu, Segundo Céu e Terceiro Céus retornam e renascem nessa Terra, ou vão para outras esferas?

Resposta: Elas retornam a essa Terra até que tenham aprendido as lições que podem ser aprendidas aqui. Essencialmente, é o mesmo princípio aplicado quando enviamos uma criança à escola. Não a enviamos para o berçário um dia, para a educação infantil no dia seguinte, para ensino fundamental no terceiro dia, e para a faculdade no quarto dia, mas a enviamos para a educação infantil dia após dia, por um longo período, até que tenha aprendido todas as lições que devem ser aprendidas lá. O conhecimento que adquiriu na educação infantil forma a base para o que deve ser aprendido no ensino fundamental; essa, por sua vez, é a base para as lições da faculdade. Por um processo similar, aprendemos lições sob diversas condições no passado e, no futuro, quando tivermos aprendido tudo o que pode ser aprendido em nosso ambiente terrestre atual, também encontraremos as tarefas em evoluções mais elevadas. Há progresso infinito, pois somos divinos como o nosso Pai que está nos céus, e as limitações são impossíveis.

(Pergunta nº 68 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A minha dúvida basicamente é como acontece essa nossa evolução que nos faz avançar, podendo até ser pioneiro, ou nos atrasar, podendo até ser um fracassado, no tempo e no espaço?

Resposta: Isso é possível porque fomos criados com o livre arbítrio desde o início. Ou seja: desde o início temos a prerrogativa de querer ou não querer, exercendo a nossa Vontade. E isso é respeitado por todos os seres (e deveria ser também por nós!). É esse mesmo direito que resulta em querer ou não evoluir. O fato de no comecinho – Período de Saturno – estarmos em um estado de consciência conhecida como transe profundo não nos impede de termos o livre arbítrio, pois, como Espíritos Virginais, estamos sempre conscientes! Todos nós, como Espíritos Virginais, desde o Período de Saturno quando éramos guiados pelos Senhores da Mente, já haviam entre nós Espíritos Virginais da nossa Onda de Vida mais evoluídos que a Humanidade comum hoje. Exemplos: são os Irmãos Maiores e os seres de outros Períodos como: Júpiter, Vênus e Vulcano.

Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Encontro de uma maneira clara e lógica que explica: “de onde você veio, porque está aqui e para onde vai depois da chamada morte”

A Fraternidade Rosacruz representa uma oportunidade de importância muito grande na vida de um Aspirante à vida superior, um aceno para uma vida mais ampla e feliz, somente alcançada por aqueles que atingem o conhecimento de si mesmos e do mundo, de forma superior e espiritualizada e aplicam esses conhecimentos em uma nova maneira de viver.

Em tudo e para tudo, na nossa vida existe uma hora e, quando menos esperamos ela chega. O Senhor é o agricultor e Ele sabe quando os frutos se acham maduros para se desprender, para trabalhar por si mesmos, para alimentar os outros daquilo que Ele nos deu e depois deixarmos as sementes que germinarão árvores da mesma qualidade, num mesmo mundo profuso de teorias e carente de exemplos.

A Filosofia Rosacruz, em sua simplicidade cristalina, é algo tão extraordinário e revolucionador na nossa vida interna que se entendida mesmo e praticada nos transforma radicalmente o nosso caráter e, no dizer de S. Paulo, o apóstolo, nos transmuta “de um homem velho num homem novo, em novidade de espírito” (Rm 7:21). Mas nós complicamos de tal modo nossa vida e nossas necessidades, e nos achamos tão escravizados em nossas obrigações, que não encontramos tempo para aquilo que poderia curar nossos males e a nossa infelicidade. Ademais, muitos de nós dá tanto valor as apresentações complexas e empoladas que, muitas vezes, menospreza as obras simples, sem pensar que a solução da vida não está nos textos misteriosos, mas na prática pura e simples das virtudes Cristãs. De que vale saber definir brilhantemente o amor se não o sentimos em nosso coração e na relação com nossos semelhantes?

Assim, a Filosofia Rosacruz é a oportunidade para você obter o conhecimento de maneira clara e lógica, “de onde você veio, porque está aqui no mundo e para onde vai depois da chamada morte”. Fornece o conhecimento da Obra de Evolução para os diversos Reinos de Vida de modo a, racionalmente, levá-lo a compreender a Obra de Deus no Mundo e uma vez satisfeita sua Mente, possa começar a fazer seu Coração se manifestar numa fé ativa e exemplar. De fato, só o conhecimento superior, aliado ao sentimento, faz o Cristão completo. Só a fé não basta; geralmente se desvirtua em fanatismo. Por outro lado, o conhecimento sem o amor mais facilmente ainda degenera em pretensão intelectual.

O amor é uma poderosa força que deve ser orientada pela razão. O frio intelecto deve se orientar pelo calor do sentimento para que atinja seu objetivo de iluminação exterior. São dois instrumentos que se completam; dois caminhos que se encurtam numa reta de realização, quando harmonizados dentro de nós.

 O livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”, obra básica da Filosofia Rosacruz exposta por Max Heindel sob a orientação de elevadíssimos Seres que chamamos de os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, encerra uma valiosíssima mensagem místico ocultista. Nele você encontrará orientação para desenvolver, mediante a prática sincera, as potencialidades que Deus guardou na Arca Sagrada de seu ser, em sentimentos e intelectualidade. Ele, o Senhor, vem e bate à porta de seu coração. Mas como naquela pintura de Warner Sallman – (1892-1968), pintor americano –, Ele bate, mas não abre, porque o ferrolho está por dentro. Nós, com o sagrado livre arbítrio é que devemos decidir se abrimos ou não ao Senhor que vem nos convidar para unir ombros com aqueles que já levam a vida a sério.

A Filosofia Rosacruz é uma mensageira Aquariana, uma nova ordem de ideias que predominará na futura Era de Aquário, a iniciar-se aproximadamente daqui a 600 anos. E como tudo no plano de Deus é preparado, esta mensagem é lançada ao ar. Cada um de nós é comparado a um rádio transmissor e receptor. Se estivermos afinados com a onda do futuro sentiremos um mágico “toque” nas “válvulas” do nosso Coração e de nossa Mente e abrirá nossas portas e virá juntar-se a nós na sementeira.

A mensagem continua no ar para que possa ser captada a qualquer instante por qualquer pessoa. A liberdade é sagrada. Ademais, num mundo cheio de materialismo são poucos os preparados. Aí está o mérito. Se a pessoa sente que gostaria de se desenvolver espiritualmente por meio do Conhecimento Direto promovido pela Fraternidade Rosacruz, venha e veja, sem compromisso nenhum. A obra Rosacruz é impessoal. Ela objetiva formar caracteres, novos seres humanos que definam o destino do mundo, segundo o plano de amor e sabedoria do Criador. Pratica a máxima Cristã: “dar de graça o que se recebeu de graça”, assim não há cobrança financeira de nada: mensalidades, taxas, cursos, seminários, congressos e materiais necessários. Na Fraternidade Rosacruz não se dão Iniciações, ainda que se queira pagar bem, porque, honestamente, ali se mostra que elas resultam do preparo interno e dependem quase exclusivamente do esforço individual, além do que temos que ser Iniciados nos Mundos invisíveis e não aqui, no Mundo visível aos sentidos físicos.

A participação da Fraternidade Rosacruz é orientar cada Aspirante à vida superior para que alcance a realização interior com segurança, sem perigo, risco e no menor tempo possível. Tais preceitos não se guardam como segredos, mas são expostos claramente nas obras da Fraternidade Rosacruz, para que cada um tenha o direito de segui-los. Não nos iludamos com os mistérios. Não julgamos honesto estabelecer atmosfera de mistério, apenas para satisfazer a tendência humana de valorizar o difícil e proibido.  Difícil é o que não sabemos, mas todos têm o direito de alcançá-lo. Proibido deve ser apenas o imoral, o que vai contra as Leis da Natureza que são as Leis de Deus, mas nossa consciência é que deve repudiá-lo.

Note que a Filosofia Rosacruz procura fazer de cada ser humano uma lei em si mesmo, não discordante, senão, uníssona a Lei universal. Uma vontade, uma inteligência, um coração, próprios em sua maneira de expressão, mais coerente com o propósito do Grande Arquiteto. Uma célula de consciência própria no Corpo de Deus. Um detalhe precioso e expressivo do Quadro da Natureza.

Aqui, na Fraternidade Rosacruz, está a chave com que uma pessoa tem acesso aos mistérios, segredos ou conhecimentos oculto de seu ser. Uma vez que se desvende, conhecerá seus semelhantes e o Grande Corpo de que todos fazem parte, a cuja imagem e semelhança fomos feitos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Oração: Um Lugar Reservado para Orar

Todo lar deve ter um lugar para orar que pode ser também o lugar para oficiar os Rituais dos Serviços Devocionais da Fraternidade Rosacruz. Houve um tempo, nas gerações anteriores, em que isso era um costume na maioria dos lares. Mas hoje, em quantos lares existe tal lugar reservado? Max Heindel enfatiza fortemente a importância de certos pré-requisitos para a construção de tal lugar, e sabiamente explica as leis operacionais para que possamos seguir com entendimento as regras que ele estabelece.

Primeiro, ele recomenda que o Estudante Rosacruz garanta um lugar constante para orar e oficiar os Rituais, pois cria-se em torno dele a egrégora. Agora, é claro, isso não significa que aqueles que precisam se deslocar de um lugar para outro devam suspirar e dizer: “Isso, então, não é para mim”. Ocorre apenas que nossas meditações repetitivas constroem o que tem sido tão apropriadamente chamado de “vibrações superlativamente espirituais”. Portanto, a cada mudança, o Estudante Rosacruz deve começar novamente a lançar as bases vibratórias, em vez de ser capaz de construir sobre aquelas já lançadas.

Em algum lugar, então, na residência em que moramos, deve haver um espaço reservado para tal. Um canto de um cômodo. Ou talvez tenhamos a sorte de ter um cômodo pequeno que não mais seja necessário. Seja ele pequeno ou grande, deve ser um lugar reservado.

Vamos a um exemplo: um pequeno canto de um cômodo de pouca circulação, protegido por duas paredes e uma lateral de uma cômoda. Portanto, fica bem escondido de qualquer um que entre no cômodo. Uma mesa neste canto pode ajudar. No centro, de preferência no lado oeste e ao fundo, está o Símbolo Rosacruz emoldurado que fica encoberto (só é descoberto quando se oficia um Ritual do Serviço Devocional – desde a Saudação Rosacruz até o fim da leitura da Oração Rosacruz). Diretamente à sua frente está a Bíblia sempre aberta no início do Evangelho Segundo S. João.

Quando estamos em casa e nossos deveres nos mantêm próximos a esse ambiente, somos lembrados do que ele representa. Em outros dias, quando estamos em outros lugares, se pararmos por um instante, vem à mente a “imagem” daquele ambiente próprio para a oração e ofício dos Rituais e seu significado, e por mais um instante nossas Mentes estão voltados àquele simbolismo. Podemos orar, em qualquer lugar, a qualquer hora, pois Deus está em todas as Suas criações, mas ter um ambiente reservado, em torno do qual nossas orações constroem um templo suprafísico de Amor e Aspiração, é da maior importância para o Estudante Rosacruz que busca diariamente essa comunhão divina com Deus, nosso Criador.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1947 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Astrologia e o Nosso Destino

Muitos Estudantes Rosacruzes, após um pequeno estudo de Astrologia Rosacruz, têm a impressão de que tudo está predestinado. Passam a acreditar que a vida, com seus muitos eventos e experiências, é planejada do berço ao túmulo, e que somos levados irresistivelmente por ela, seja uma vida “boa ou ruim”. Essa é uma ideia equivocada. É verdade que a maioria de nós tem uma certa dose de Destino Maduro do qual não podemos escapar, mas não podemos dizer que toda a nossa vida esteja predeterminada. Os principais acontecimentos, conforme nos chegam do Mundo Físico, são planejados antes de nascermos, mas isso é feito por nós mesmos, auxiliados pelos grandes Senhores do Destino. Há muitas lacunas que preenchemos à medida que avançamos.

A maneira como encaramos essas experiências, as assimilamos e construímos suas lições em nós mesmos em forma de caráter não está predeterminada. Não está predestinado, por exemplo, que um ser humano acabe na sarjeta como resultado de uma prova para superar sua tendência a tomar bebidas alcoólicas. Certamente, ele nasceu com essa tendência de uma vida passada porque não a superou naquela vida; no entanto, isso não o condenou a terminar seus dias no caminho descendente. Ele poderia ter acabado no caminho ascendente, se tivesse usado a força de vontade dele e lutado para superar a fraqueza. Dependia dele o fracasso ou a conquista.

Certos traços e certas características acompanhados por diversas experiências são definitivamente mostrados no horóscopo: contudo, o resultado final é determinado pelo “eu” interior – o que realmente somos – e não pode ser conhecido exatamente de antemão. Podemos julgar se o progresso de uma vida será desenvolvido ao longo de linhas espirituais ou materiais, observando qual destes se move mais rápido: o Meio do Céu ou o Ascendente. Se o Meio do Céu se mover mais rápido, o progresso da pessoa será realizado por meio de esforços espirituais; se o Ascendente se mover mais rápido, o trabalho da vida tenderá a ser realizado por meio de esforços materiais. Um progresso quase igual dos dois significa um desenvolvimento equilibrado. A vida física de um indivíduo pode terminar na prisão ou na pobreza e, ainda assim, essa pessoa pode ganhar uma riqueza de experiência que lhe beneficiaria espiritualmente e desenvolveria muito crescimento de caráter. O mundo exterior diria: “Que pena, terminar seus dias na prisão”. Entretanto, o Estudante Rosacruz, sabendo que uma vida é apenas um curto espaço de tempo no intervalo de muitas vidas, consideraria aquela em particular como uma experiência passageira a ser vivida — mais uma no Caminho de Evolução.

As Triplicidades dos Signos do Zodíaco mostram que tipo de destino está reservado para o indivíduo, ou que destino ele reservou para si mesmo ao longo de muitas vidas. A palavra destino aqui é usada de maneira muito geral, abrangendo não apenas as experiências de vida, mas também o caráter. As experiências a serem enfrentadas, que são indicadas por Astros em Signos Cardinais — Áries, Câncer, Libra e Capricórnio — são Dívidas do Destino que concordamos em pagar nesta vida. O Ego, antes de nascer, vê o Panorama de Vida que será a sua vida futura com seus vários principais eventos. No caso dos Signos Cardinais, o Ego concordou, voluntariamente, em aceitar as experiências que são delineadas. Mesmo que pense que elas trazem infelicidade e dor, ele sabe que ajudou a selecioná-las no Terceiro Céu, onde tudo estava claro – devido a sua consciência estar expandida, de modo que ele sabia exatamente qual é o objetivo de renascer aqui – e ele não estava cego pela matéria. Portanto, ele aceita voluntariamente esse destino.

As experiências a serem enfrentadas e que são provenientes de Signos Fixos — Touro, Leão, Aquário e Escorpião — são, como o próprio nome indica, fixas. Isso significa que sejam algo que não pode ser contornado pelo esforço do indivíduo. As aflições vindas de Signos Fixos devem ser e serão enfrentadas em algum momento durante cada vida particular. Características de Signos Fixos são aquelas que foram expressas durante um período de vidas e se tornaram muito fortes. Naturalmente, qualquer característica prejudicial proveniente de um Signo Fixo é muito mais difícil de superar do que uma proveniente de um Signo Cardinal ou Comum. Por exemplo, Netuno rege as drogas: portanto, um viciado em drogas com um Netuno sob tensão no Signo Fixo de Touro certamente vai considerar o hábito mais difícil de superar do que um viciado com Netuno no Signo Cardinal de Áries ou no Signo Comum de Gêmeos. Com o conhecimento do renascimento para nos guiar, podemos facilmente ver que o indivíduo Netuno-Touro evidentemente se entregou ao vício das drogas por um período de várias vidas e será muito difícil abandonar o hábito. Naturalmente, muitas coisas podem se enquadrar nessa categoria, como bebida alcoólica, mau humor, dissipação de todos os tipos, comer demais etc. Aflições de Signos Fixos indicam tendências prejudiciais que são muito fortes; mas os Aspectos benéficos dos Signos Fixos dão a estabilidade necessária ao caráter para revelar suas melhores qualidades.

Sob os Signos Comuns — Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes — qualquer qualidade negativa indicada pode ser facilmente superada, em geral. Qualquer característica de Signo Comum está realmente em formação, seja ela boa ou ruim. No entanto, se falharmos em corrigir um hábito ruim de um Signo Comum em uma vida, na próxima vida ele pode se vincular a um Signo Cardinal e se tornar um pouco mais difícil de corrigir. Contudo, se continuarmos sem fazer esforço para mudar, depois de várias vidas ele passará para um Signo Fixo, e a mais difícil de todas as batalhas começará.

Das Triplicidades, os Aspectos dos Signos Comuns são os mais fáceis de se lidar. Depende de nós, se colheremos ou não toda a aflição desses Signos. Nos Signos Comuns, temos alguma margem para mitigar muito do destino indicado, se vencermos o mal dentro de nós. É claro que, se seguirmos o caminho mais fácil e sem resistência, certamente colheremos um destino infeliz. Esse é o principal problema com as pessoas que possuem Signos Comuns fortalecidos no seu horóscopo. Elas tendem a ser mutáveis e podem não ter a determinação ou o desejo de tentar conter as tendências ou características negativas que vêm de Signos Fixos e Cardinais.

Deve-se perceber que um horóscopo não é inquebrável: geralmente é flexível. Não importa quantas Dívidas de Destino um horóscopo indique, quão alto seus obstáculos pareçam assomar, pois sempre há pontos positivos em algum lugar. Ninguém é enviado a este mundo de mãos e pés atados, figurativamente falando. Nos horóscopos mais afligidos há sempre algum Aspecto ou combinação que seja útil à pessoa. É aí que entra o dever do Astrólogo Rosacruz: apontar tal (is) característica (s) positiva (s), mostrando ao nativo como ele pode se basear nela (s) ou até mesmo usá-la para dominar suas aflições. O Astrólogo Rosacruz deve estudar cuidadosamente o horóscopo, analisando e ponderando cada fator em relação aos demais. Um indivíduo pode superar todas as aflições ou infortúnios que a experiência terrena contém, mas deve ser um Espírito forte — aquele que esteja disposto a morrer lutando.

Alguns de nós, seja por fraqueza de caráter ou por hábito, aprendemos lentamente as nossas lições. Pagamos uma penalidade por um erro ou transgressão e, deliberadamente, o cometemos de novo. Cada vez que caímos ou cedemos a essas coisas, recebemos uma lição mais difícil; a tarefa se torna maior. Se pudermos reconhecer nossos pontos fracos e as nossas tendências adversas e trabalhar para corrigi-los, será muito mais fácil para nós do que esperar o futuro começar. Entre o agora e o futuro, nossas falhas podem se tornar tão fixas que será necessário muito mais esforço para superá-las. A energia que teríamos de usar para corrigir essas falhas no futuro, nós podemos usar agora para construir um caráter novo e melhor.

A natureza humana é fraca. O ditado “o Espírito está pronto, mas a carne é fraca[1] é muito verdadeiro. Vamos tentar esquecer “a carne” e nos concentrar no Espírito, para que ele se eleve e domine todo o resto.

Não culpe os Astros pela infelicidade ou pelo infortúnio que chegam até você, ou pelo “mal” que pode estar dentro de você. É fácil dizer: “Bem, eu tenho o Sol em Quadratura com Marte; é por isso que tenho um temperamento horrível”. Esqueça seus Astros, olhe para dentro de si mesmo e perceba que a fraqueza é algo dentro de você — algo a ser dominado. Pense nos Astros, não como portadores de boa ou má fortuna, mas como os Corpos Celestes de grandes Seres espirituais que o estão, voluntariamente, ajudando você em sua evolução. Pense neles com a reverência que lhes é devida. Então, à luz desse conhecimento mais amplo, você será grato pelo destino que seu horóscopo prenuncia. Saiba que toda experiência, provação ou infortúnio o esteja ajudando a fortalecer seu caráter. Medite nas palavras do grande filósofo Confúcio, que disse: “A gema não pode ser polida sem fricção, nem o ser humano aperfeiçoado sem provações”.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro/1984 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Mt 26:41

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: O que tende a acontecer com os nascimentos prematuros?

Detalhando a pergunta acima: Você poderia, por favor, explicar a aparente discrepância encontrada no artigo “The Astral Rays”, no exemplar mais recente do RAYS, página 110, nas últimas linhas do primeiro parágrafo, quando lemos: “… e que quando parecemos atrasar ou acelerar o nascimento, realmente estamos ajudando a natureza em seu curso predeterminado…”. Ao passo que no seu artigo do ano passado sobre os trigêmeos, lemos: “… seria absolutamente errado se um médico apressasse alguém a partir dessa vida quando esse estivesse prestes a morrer … não é de forma alguma diferente do que o médico faz quando apressa o nascimento de uma criança… então podemos ver uma razão para o fato de que certas pessoas parecem não se encaixar em seu ambiente. Elas foram apressadas no mundo sob uma vibração astral que não era de forma alguma destinada a elas.” Gravei firmemente em minha Mente a advertência contida no artigo sobre os trigêmeos, mas estas últimas observações parecem modificá-la.
Há também dois outros pontos sobre os quais busco esclarecimento. Nesse mesmo artigo do exemplar de fevereiro é afirmado: “…é melhor nascer quando a Lua está aumentando sua luminosidade…a Lua crescente sempre aumenta a vitalidade e favorece nossos negócios”. Mas, em vários artigos anteriores, ressaltou-se o fato de que a Conjunção da Lua com o Sol é um dos melhores augúrios para a saúde e para a prosperidade em geral. Como conciliam essas afirmações?
Num texto que se refere às vocações, escrevendo sobre a Quadratura de Saturno e Mercúrio, lemos: “Isso o torna crítico e sarcástico, particularmente para aqueles com quem a pessoa trabalha”. Saturno é, no entanto, o Planeta da diplomacia, e em textos anteriores foi dito: “…se Mercúrio está nos Signos saturninos de Capricórnio e Aquário, ou Saturno nos Signos mercuriais de Gêmeos e Virgem, ou se Saturno e Mercúrio estão com Aspectos entre eles, isso conferirá à pessoa precaução, tato e diplomacia”.

Resposta: O artigo sobre os trigêmeos foi publicado na edição de fevereiro de 1916 (Uma Análise dos Três Horóscopos de Trigêmeos: Causas Ocultas de Desajustes) e, em proveito dos que não o leram, podemos dizer que a senhora que deu à luz a esses trigêmeos não era assistida regularmente por obstetra, mas por sua tia que permitiu que a natureza seguisse o seu curso normal. O primeiro dos trigêmeos nasceu em 22 de setembro de 1915, à 1:50 A.M. O trigêmeo nº 2 nasceu em 24 de setembro de 1915 a 1:15 A.M., e o trigêmeo nº 3 nasceu dez minutos depois. Assim, houve um intervalo de quarenta e oito horas entre o nascimento do primeiro e do último.

Este é um caso anormal que se assemelha a mesma categoria de um nascimento prematuro de sete meses, e nunca vimos o horóscopo de uma criança de sete meses que se ajustasse bem. Também nunca vimos uma criança de sete meses que se adaptasse ao seu meio ambiente. Há sempre algo errado na vida quando se interferiu no período de gestação e a pessoa recebeu o seu batismo astral num período em que as configurações astrais não se adequavam ao seu caso e sua condição. Em consequência disso, dissemos e pensamos que é criminoso trazer uma criança ao mundo sob tais condições. No caso dos trigêmeos, a mãe não sentiu as dores do parto, desde o momento em que o primeiro nasceu até que o segundo estivesse prestes a nascer. Se o obstetra os tivesse feito nascer antecipadamente, dois dias antes da data marcada, teria, em nossa opinião, causado problemas para os dois últimos. Embora não o tenhamos expressado no artigo sobre os trigêmeos, sempre foi nossa opinião que, justamente por isso, a senhora não foi assistida por um profissional, mas foi entregue a uma enfermeira que não tomaria medidas drásticas.

Acreditamos que às vezes é possível para um astrólogo dar conselhos que podem interferir no Destino Maduro de outra pessoa e podemos citar como ilustração o caso relatado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, onde o autor alertou um homem sobre um acidente ferroviário que aconteceria em uma data determinada. O homem, assim mesmo, foi à estrada de ferro e se feriu em decorrência do acidente, conforme a predição. Ele pensou que o dia vinte e oito fosse o dia vinte e nove, e acreditamos que, para impedir a predição do autor, os Senhores do Destino ou seus agentes fizeram o homem esquecer a data[1]. Por isso, estamos convencidos que eles interferem em tudo que não deva ser alterado por interferência humana, e isso nos leva a crer que a mãe dos trigêmeos foi entregue aos cuidados de alguém que deixaria a natureza seguir seu curso natural. Casos especiais são tratados de maneira especial, provavelmente havendo uma razão para explicar o nascimento prematuro. No entanto, nunca tivemos tempo ou oportunidade de investigar isso.

Quanto ao ponto levantado no segundo parágrafo, realmente dissemos tudo isso, e não há razão para modificar qualquer uma delas. A Conjunção entre o Sol e a Lua é um dos melhores augúrios para a saúde e para o sucesso geral. Quando ocorre a Conjunção, o brilho da Lua vai-se intensificando, e assim continua até a época da Lua Cheia. Realmente, é melhor nascer no período em que a Lua está aumentando de brilho – se aproximando da culminação de uma Conjunção com o Sol – do que no período que vai de Lua Cheia até a Conjunção seguinte, quando a luz da Lua está minguante.

Com relação ao assunto mencionado no último parágrafo, o Estudante Rosacruz deve compreender que as virtudes transmitidas por um Astro são reveladas pelos seus Aspectos benéficos, o Sextil ou o Trígono, em particular, enquanto os vícios de um Astro são expressos pela Quadratura ou Oposição, que são Aspectos adversos. Se, agora, considerarmos algumas das virtudes de Saturno, como o tato e a diplomacia, não poderíamos esperar encontrá-las sob uma Quadratura de Saturno e Mercúrio, mas procuraríamos os vícios de Saturno e concluiríamos que uma pessoa com essa configuração tende a ser cínica, crítica e sarcástica. Não nos recordamos de nenhuma passagem em que dissemos que se Mercúrio estiver nos Signos saturninos de Capricórnio ou Aquário, ou Saturno nos Signos mercuriais de Gêmeos ou Virgem, ou ainda Saturno e Mercúrio estiverem configurados em Aspectos entre os dois, que isso confere à pessoa cautela, tato e diplomacia. Contudo, isso se torna verdade se eles estiverem configurados por Aspectos benéficos. Então, as virtudes de Saturno são reveladas, mas se a configuração se apresenta sob Aspectos adversos, como Quadratura e Oposição, ela revelará os vícios. Talvez estivéssemos falando de um Aspecto benéfico nesse caso e nos esquecemos de mencionar também o efeito modificador de um Aspecto adverso. Se esse for o caso, acreditamos que o que foi dito acima esclarecerá o assunto.

Concluindo, podemos dizer que estamos muito satisfeitos que os Estudantes Rosacruzes apresentem quaisquer pontos onde lhes pareça haver uma discrepância, ou onde não nos expressamos claramente. Dessa forma, tiraremos o maior proveito desses estudos.

(Pergunta nº 123 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: O conhecido conferencista Sr. L. recebia aulas de Astrologia. Seu próprio horóscopo foi utilizado porque um aluno se interessa mais pelo seu Tema do que pelo de um estranho. Além disso, pode comprovar mais facilmente a exatidão da interpretação de alguns pontos do Tema. O horóscopo revelou uma propensão a sofrer acidentes. Foram então mostradas ao Sr. L. o modo e as datas em que ocorreram alguns acidentes e outros acontecimentos do passado. Também lhe foi dito que outro acidente ocorreria no dia 21 de julho ou no sétimo dia após, parecendo esta última data ser a mais perigosa, isto é, o dia 28 do mesmo mês. Foi alertado ainda sobre qualquer meio de transporte, e indicadas as partes ameaçadas de ferimento: peito, espáduas, braços, e a parte inferior da cabeça. Como estava plenamente convencido do perigo, ele prometeu ficar em casa nesse dia.

O autor foi, por aquele tempo, ao norte de Seattle, e uns poucos dias antes da data crítica escreveu ao Sr. L., prevenindo-o novamente. O Sr. L. respondeu que haveria de se lembrar da recomendação e teria cuidado.

A seguinte comunicação sobre o caso veio de um amigo comum: no dia 28 de julho o Sr. L. fora à Sierra Madre num bonde, o qual se chocou com um trem. O Sr. L. sofreu exatamente os ferimentos previstos e mais um que não lhe fora anunciado: o seccionamento de um tendão da perna esquerda.

A questão era averiguar porque o Sr. L., tendo completa fé na predição, não dera melhor atenção ao aviso. A explicação veio três meses após, quando se recompôs suficientemente para poder escrever. Na carta dizia: “Eu julguei que o dia 28 era 29”.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: No caso de morte de forma violenta, na vida posterior, quando a pessoa morre como criança, viverá num corpo do mesmo sexo como antes ou de sexo oposto? Isto é, um soldado morto num campo de batalha renascerá como menino ou menina, ou o sexo não desempenha um papel importante quando a vida for muito curta?

Resposta: Até onde o autor foi capaz de investigar, não parece que este fato tenha qualquer influência sobre uma vida posterior. O Ego aceitará a oportunidade do renascimento, seja onde for que este se apresente. No entanto, é necessário que os materiais para os novos veículos sejam reunidos para que a impressão moral possa ser realizada no Corpo de Desejos da criança durante a vida nos céus após a morte.

O assunto referente ao sexo parece ser, no conjunto, muito flexível, pelo menos nos casos daqueles que viveram o que nós chamamos de “vida superior”. Esta tende a tornar o Corpo Vital mais permanentemente positivo, e o Átomo-semente do Corpo Vital atrai automaticamente para si uma quantidade sempre maior de Éter positivamente polarizado, de maneira que, seja o Corpo Denso masculino ou feminino, os constituintes do Corpo Vital permanecem positivos. Em consequência disso, no caso das assim chamadas “pessoas evoluídas”, o sexo se torna um assunto de menor importância, sendo que, em muitos casos, a escolha é deixada ao critério do Ego quando procura o renascimento.

 Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Dois Planos Superiores do Ser Humano

Existem dentro de cada um de nós dois planos elevados: um do Espírito de Vida e outro do Espírito Divino. Cada um desses é composto de material das sete Regiões dos respectivos Mundos: Mundo do Espírito de Vida e Mundo do Espírito Divino. O nosso veículo Espírito de Vida nos proporciona a possibilidade, em um futuro, de vivermos conscientemente no Mundo do Espírito de Vida, o Mundo interplanetário nesse Sistema Solar, o primeiro Mundo de baixo para cima onde cessa toda a separatividade, onde reina a Fraternidade, onde Cristo funciona cotidianamente, pois é o Seu Mundo. Já o nosso veículo Espírito Divino nos proporciona a possibilidade, em um futuro, de vivermos conscientemente no Mundo do Espírito Divino, o Mundo inter-Sistemas Solares, o Mundo pelo qual poderemos viajar de um Sistema Solar para o outro no sétimo Plano Cósmico.

Além desses Mundos onde temos veículos espirituais que compõe o que chamamos de Tríplice Espírito (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano) estão dois planos ainda mais elevados, cada um dividido em sete subdivisões. A mais inferior dessas setenárias é o Mundo dos Espíritos Virginais; o superior, é o Mundo de Deus em Seu estado primordial, indiferenciado, desconhecido e incognoscível. Para nosso presente propósito não nos preocupamos em ir além do plano do Tríplice Espírito, pois, embora os planos superiores estejam latentes em nós, nunca despertaremos para a consciência nesses planos enquanto residirmos no atual Sistema Solar.

Nós, tal como nos encontramos hoje, somos o produto de um duplo processo nesse Esquema de Evolução: o processo de Involução ou o nosso (Espírito) envolvimento do na matéria, das formas arquetípicas à matéria mineral e densa – na Região Química do Mundo Físico; e a Evolução ou o nosso (Espírito) envolvimento através da matéria, de volta à Divindade. Nesse último processo, à medida que avançamos pelos vários planos passando por estágios semelhantes ao mineral, vegetal, animal e humano, absorvemos a essência desses planos, devolvendo assim a matéria a nós, o que é referido pelos cientistas modernos como a conservação da substância e pela Bíblia como a ressurreição do Corpo.

Nesse processo dual há sete estágios ou Períodos de imensa duração, geralmente mencionados como os Sete Dias da Criação. Já passamos por três Períodos completos e estamos na metade do quarto Período, o Período Terrestre. Após esse entraremos no Período de Júpiter, quando nós, tendo extraído a nossa Alma Intelectual do nosso Corpo Vital, nos tornaremos como um “super-ser humano”. Depois passaremos para o Período de Vênus, quando nós, então um “super-ser humano”, depois de extrair a nossa Alma Emocional do nosso Corpo de Desejos, teremos nos tornados como um “semideus”. E, por último, o Período em que a Mente foi totalmente despertada, estaremos prontos durante o sétimo Período, que é chamado de Período de Vulcano, o Período da finalização de todas as coisas, quando nós, como “semideuses”, amalgamando a Tríplice Alma com a Mente, vamos nos tornar “seres humanos-Deus” ou deuses criadores.

O Período Terrestre, no qual estamos vivendo atualmente, é dividido em dois subperíodos, a primeira metade é chamada de Metade de Marte, a parte marciana de guerra e destruição, quando estávamos em nosso estado infantil; a segunda metade, chamada de Metade de Mercúrio, é a parte mercuriana do pensamento, da construção. É nessa última metade do Período Terrestre que estamos agora, a parte da criação, mas no plano da matéria, como visto em muitas invenções úteis, grandes edifícios e cidades e tudo mais que expressa fenômenos construtivos.

Essa análise do ser humano, do início ao fim, é puramente científica e está de acordo com os ensinamentos de todos os livros sagrados, tanto do Oriente como do Ocidente, incluindo a Bíblia Cristã, quando lida de forma correta ou esotérica.

Como Onda de Vida, a Humanidade ainda atingiu apenas o plano da Mente concreta, a razão indutiva. Ela desenvolveu uma consciência de acordo com o plano alcançado. Muitos seguiram em frente e entraram no plano da Mente abstrata ou intuitiva, tendo despertado o Eu superior. Muito poucos foram além desse ponto e despertaram a consciência Crística do Espírito de Vida. Mas, ninguém que “vive na carne” alcançou o período final, o estado de descanso, de essência, de Divindade pura.

Somos “deuses em formação” e a essencial consciência divina ainda está latente em nós. S. João ensina, por meio do terceiro capítulo de sua primeira Epístola, que “Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” (IJo 3:3). Por um processo de auto purgação, avançamos de plano em plano até que o trabalho de aperfeiçoamento do Espírito seja concluído. E vamos assim, para frente e para cima! Como é maravilhoso ter uma visão disso tudo!

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de março/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

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