Aqui temos uma pequena, mais rica, explicação sobre o sétimo Plano Cósmico, onde nos encontramos no nosso Sistema Solar, o Reino de Deus, focando nos Astros que estão contidos nele e depois em outros sóis que compõe outros Sistemas Solares nesse Plano Cósmico.
Isso nada mais é do que o que Cristo nos ensinou: “Na casa do meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2).
1. Para fazer download ou imprimir:
A Casa do Nosso Pai – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
A Casa do Nosso Pai
Por um Estudante
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido, Compilado e Revisado de acordo com:
Eulogy of Love
1ª Edição em Inglês, 1916, in The Rays from The Rose Cross – The Rosicrucian Fellowship
pelos Irmãos e pelas Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Sumário
UMA PEQUENA ESTAÇÃO DE INTERESSe.. 12
NOSSO GRANDE VIZINHO PRÓXIMO.. 14
OS MEMBROS DISTANTES DE NOSSA FAMÍLIA.. 16
APENAS UM VISLUMBRE ATÉ AGORa.. 21
em espaços muito distantes. 22
UMA COMPARAÇÃO ENTRE O NOSSO SISTEMA SOLAR O SOL MAIS PRÓXIMO, ALPHA CENTAURI. 24
UMA VIAGEM PELO UNIVERSO: EXISTE UM LIMITE?. 26
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No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz estudamos o Diagrama 6 que nos mostram os sete Planos Cósmicos e os Mundos do sétimo Plano Cósmico, o mais denso.
No Diagrama, vemos que o sétimo Plano Cósmico é representado como sendo o maior de todos os outros Planos Cósmico. Isso assim parece porque é o Plano Cósmico com que estamos mais relacionados e, também, para indicar suas principais subdivisões, ou seja, os Mundos que o compõe.
Na realidade o sétimo Plano Cósmico ocupa menos espaço do que qualquer um dos outros seis Planos Cósmicos.
No entanto, não pensemos que ele tem dimensões mensuráveis por nós! Ao contrário, o sétimo Plano Cósmico é incomensuravelmente vasto!
Seu tamanho envolve milhões de Sistemas Solares semelhantes ao nosso, que são os Campos de Evolução de muitas categorias de seres, cujas condições são aproximadamente idênticas às nossas.
Perceba que no sétimo Plano Cósmico vemos Deus, o Arquiteto do nosso Sistema Solar, Fonte e Meta da nossa existência, que está na mais elevada divisão desse Plano. É o Seu Mundo, o Mundo de Deus.
Assim, o Reino de Deus inclui os sistemas de evolução que se processam em todos os Planetas do nosso Sistema Solar – Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus e Mercúrio, bem como seus satélites.
E o que vemos com os olhos físicos desses Planetas, nada mais são do que os Corpos Densos de grandes Inteligências Espirituais designadas Espíritos Planetários, que guiam essas evoluções. Eles são também chamados “os Sete Espíritos diante do Trono”. São Ministros de Deus, cada qual presidindo um determinado departamento do Reino de Deus – o nosso Sistema Solar, um “cômodo da Casa do Nosso Pai”.
Já o Sol é também o Campo de Evolução dos mais exaltados Seres do nosso Sistema Solar. Unicamente eles podem suportar as tremendas vibrações solares, e por meio delas progredir. O Sol é o mais aproximado símbolo visível de Deus de que dispomos, ainda que não seja senão um véu para Aquele que está por trás. O que seja esse “Aquele”, publicamente não se pode dizê-lo. Na figura abaixo temos o Diagrama 6, destacando o sétimo Plano Cósmico.

“Os céus declaram a glória de Deus; e o firmamento mostra a obra de Suas mãos.” (Sl 19:1). “Na casa do meu Pai há muitas moradas.” (Jo 14:2). A versão revisada admite a seguinte leitura: “Na casa do meu Pai há muitos lugares de morada”. Continuando este versículo, Cristo nos ensina: “Vou preparar um lugar para vocês”. O sentido do texto é que na Casa de Deus – isto é, no Universo de Deus – estão as “mansões” ou “lugares de habitação” nos quais devemos habitar, se formos considerados dignos de morar com Deus.
Este texto pode ser considerado astronômico; e como muitos outros, quanto maior for o nosso conhecimento da estrutura do universo, mais claramente veremos e compreenderemos o seu significado. Embora o próprio astrônomo compreenda apenas vagamente a esmagadora grandeza da Casa do Nosso Pai, sua concepção está muito acima da ideia do observador casual.
Embora ele fosse de fato um astrônomo ousado, que não se esquivaria da tarefa de explicar este e outros textos semelhantes, ainda assim ele pode, com algum grau de inteligência, direcionar a Mente do buscador sincero para caminhos que estão resplandecentes com a glória de Deus.
Pergunte a um astrônomo, que acredita em Deus, qual é o tamanho da Casa do Nosso Pai. Instantaneamente ele verá em sua imaginação incontáveis milhões de mundos, sistemas, constelações, aglomerados e agregações em nosso universo; ou melhor, no universo visível aos olhos físicos; e ele está razoavelmente certo de que, além deste, outros universos existem, universo após universo, infinito após infinito, indescritíveis em dimensões e duração, estendem-se por um espaço insondável e infinito… Faria isso até que sua imaginação ficasse atordoada e sua Mente cambaleante gritassem: “Pare!”. Pois a Mente finita encontra aqui o incompreensível e a vastidão impensável da Natureza que desafiam o astrônomo.
Muitas vezes ouvimos a palavra “universo”. Qual é o significado dessa palavra? Evidentemente de algo muito grande, pois geralmente é o grande ponto final, algo vasto e ilimitado. O que é o universo? Podemos entender isso? Examinemos este assunto e vejamos se podemos saber alguma coisa sobre a Casa do Nosso Pai, pois certamente é conveniente usar a Mente que Deus nos deu a graça de possuir para aumentar nosso conhecimento sobre a Sua glória. Além disso, não é um pecado não usarmos nossa inteligência para conhecer tudo que pudermos sobre o grande Mestre Construtor e Suas obras, que Ele tão convidativamente espalhou diante de nós?
Façamos na imaginação uma viagem de observação e vejamos por nós mesmos um pouco da Casa do Nosso Pai com seus muitos “lugares de morada”. Não temos tempo para detalhes, mas selecionamos imediatamente um ponto de partida. Para isso o astrônomo naturalmente se volta para o Sol, que é o grande centro de onde recebemos a luz e o calor que tornam o nosso Planeta Terra habitável para esse Mundo Físico que temos.
A questão da velocidade com que devemos viajar é mais difícil; mas assumindo que temos escolha neste assunto, em breve resolveremos este ponto tão importante. A velocidade da ferrovia, de um quilômetro por minuto, está totalmente fora de cogitação, pois nosso tempo é curto e a viagem é longa; além disso, queremos voltar a tempo de contar algo do que veremos. Existe a bala de canhão; ela viaja aproximadamente a trinta quilômetros por minuto! Mas isso também é muito lento. Temos luz? Sim, temos!
Viajaremos na velocidade inconcebível da própria luz; pois devemos viajar com velocidade infinita em uma jornada infinita e a luz viaja a 299.792.458 metros em um único segundo de tempo. Isso equivale a aproximadamente 300.000 quilômetros por segundo.
Temendo que o nosso desempenho incomum produza excitação indevida nos mundos que estamos prestes a visitar, enviaremos um mensageiro para anunciar a nossa vinda. Selecionaremos para esse propósito uma bala de canhão que viaja a uma velocidade de mais de 64.373,76 km por dia; e para que tenha bastante tempo, daremos um início de cem anos para ela. Como queremos ser perfeitamente justos em tudo o que fazemos nesta maravilhosa jornada, inclusive “começar de forma justa”, não partiremos do Sol, mas, sim, do centro desse vasto globo.
Enquanto estivermos em uma posição tão cômoda, descobriremos algo sobre as enormes dimensões do Sol. Ele é quase cento e dez vezes maior que a nossa Terra. Seu diâmetro é tão vasto que, se ele fosse uma concha, a Terra poderia ser colocada no centro e a Lua poderia viajar em sua órbita habitual; então estaria apenas a meio caminho entre a Terra e a superfície da nossa gigantesca estrela, sendo o seu diâmetro de, aproximadamente, 1.392.684 km.
A partir do centro do Sol nós direcionaremos a nossa excursão para a estrela fixa mais próxima, assumindo que todos os Planetas estão nessa direção; veremos quais serão as nossas experiências. Agora, então, tudo pronto, vamos!
Na prodigiosa velocidade em que estamos avançando, menos de três batidas do relógio e já nos encontraremos totalmente longe do Sol, a milhares de quilômetros em nosso caminho até o Planeta mais próximo, Mercúrio; em aproximadamente três minutos nós o alcançaremos. Mercúrio está a uma distância aproximada de 57.936.384 km do Sol e tem aproximadamente 4.828,032 km de diâmetro. Seu ano é igual a oitenta e oito dos nossos dias; portanto, suas estações duram apenas vinte e dois dias, se é que ele tem alguma estação; pois você deve lembrar que ele recebe uma grande quantidade de calor e luz do Sol, que para os mercurianos é duas vezes e meia maior do que é para nós, da Terra. Nossa tremenda velocidade nos transporta pelo “Mensageiro dos Deuses” tão rapidamente que não temos tempo de examiná-lo de perto; em menos de três minutos cruzaremos a órbita de Vênus!
Aqui encontraremos um mundo surpreendentemente semelhante ao nosso, em muitos aspectos. Vênus está apenas a 41.842.944 km mais perto do Sol do que nós; e como estamos a 149.668.992 km de distância, esta “mansão”, com mudanças muito moderadas nas condições de sua atmosfera, talvez seja tão habitável quanto a Terra para a vida que conhecemos.
Vênus tem apenas 321.869 km de diâmetro a menos do que a Terra (todas as distâncias aqui e dimensões são dadas em forma de números inteiros) e seu ano é igual a duzentos e vinte e cinco dos nossos dias; até onde os astrônomos sabem, a vida é tão provável em Vênus como no nosso Planeta. Mas se descobrirmos muito sobre ele, devemos contar aos astrônomos; pois estão muito ansiosos para saber mais sobre a condição de todos os Planetas.
Num instante Vênus fica para trás; olhando para trás, notamos que o Sol está ficando menor, enquanto à frente vemos duas estrelas brilhantes — ou o que aparenta ser estrelas —, uma das quais é maravilhosamente cintilante e a outra está próxima dela. Nós nos aproximamos delas com a velocidade da luz e elas logo fizeram uma oferta justa para rivalizar com o próprio Sol em brilho, pois a essa distância ele tem menos da metade do tamanho que o vimos em Mercúrio e nos dá menos de um quarto da luz e do calor que ele derrama naquele Planeta.
Em pouco mais de dois minutos alcançamos nossas duas estrelas e descobrimos que esse objeto maravilhoso é a Terra e que a estrela companheira é a Lua. Devemos ter cuidado aqui, pois se nos aproximarmos demais poderemos ser atraídos para sua superfície, como muitos meteoritos aventureiros (popularmente chamados de “estrelas cadentes”) que se aproximam demais. Mas nossa velocidade é nossa segurança. Podemos nos aproximar da superfície e a gravitação não será capaz de superar uma velocidade como a nossa.
Um sentimento de admiração reverencial toma conta de nós à medida que nos aproximamos deste pequeno ponto no grande Universo de Deus, ponto que chamamos de Terra. Aqui está um pequeno mundo, talvez o único em toda a Casa do Nosso Pai onde o pecado esteja fortalecido. Acredito que seja absolutamente único neste aspecto, em toda a extensão do Seu domínio. Acreditar no contrário é duvidar da sabedoria e do amor de Deus. Mas o pecado está aqui porque veio algum dia de alguma forma; mas ele é como uma planta que deve ser “arrancada pela raiz”, pois “não foi plantada pelo Pai”[1]. Então o Grande Sacrifício foi feito para que a Terra fosse reabastecida com seres dignos de serem chamados de filhos do grande Criador para que a Casa do Nosso Pai pudesse, novamente, se tornar limpa e o Universo pudesse ser restaurado como era quando veio das mãos do Grande Arquiteto. É difícil para mim acreditar que toda a Onda de Vida humana fosse digna de tal sacrifício; mas um Universo limpo é digno desse sacrifício.
Passamos pela Terra com relutância, pois aqui temos a história da vida e das provações do Filho de Deus; temos Sua promessa, Seu ensino, Seu exemplo; temos tudo que o coração do Cristão possa desejar. Aqui também está sendo encenado o grande drama do pecado e da justiça, da vida e da morte. Vemos a luta dos santos e nos perguntamos por que o julgamento demora tanto. Mas nem tudo o que vemos é negro e triste; pois Deus tem um povo aqui neste pequeno mundo. Os santos estão aqui; aqui estão aqueles que guardam todos os Mandamentos de Deus.
Os oito minutos em que nos é permitido ir do Sol à Terra já passaram e devemos partir rapidamente, se quisermos ver as dimensões gloriosas da Casa do Nosso Pai. Uma estrela brilhante surge à frente e em menos de quatro minutos nos encontramos em Marte. Nossa (aparente) estrela é o pequeno Planeta Marte, com duas pequenas luas de, aproximadamente, 8 e 11 quilômetros de diâmetro — na verdade, são pequenas mansões.
Encontramos um mundo com 6.437,376 km de diâmetro e os grandes telescópios, que deixamos para trás, podem mostrar claramente seu alto mar e continentes, seus polos nevados e suas regiões equatoriais nas quais a neve nunca aparece — tal como na nossa Terra. O dia marcial é um pouco mais longo que o nosso, mas seu ano é tão longo quanto seiscentos e oitenta e sete dos nossos dias. O Sol parece consideravelmente menor e a sua luz e calor são aproximadamente a metade que a Terra recebe, de acordo com os dados do nosso Planeta e nos quais devemos basear as nossas conclusões.
Depois de observarmos apressadamente os fatos acima, passamos pelo Planeta avermelhado e logo estamos percorrendo um grande número de pequenos mundos chamados asteroides. Aproximadamente setecentos foram descobertos desde o primeiro dia do século XIX e pode haver outros milhares que escaparam dos perspicazes astrônomos da Terra. Seu diâmetro médio é, provavelmente, inferior a quarenta quilômetros — mais mansões para bebês!
Acompanhar esses pequenos mundos tornou-se uma tarefa pesada e um grande incômodo para os astrônomos, que passam por várias dificuldades e colocar a atenção em cada um deles para entender o que é cada um, como se comportam, do que são feitos. Podemos ter a certeza de que esses “pequenos Planetas” fazem parte do grande Plano de Deus, caso contrário não estariam onde estão.
Não temos tempo, contudo, para procurar novos asteroides, pois estamos agora prestes a visitar o “gigante do Sistema Solar”, Júpiter. Levaremos mais de meia hora para alcançá-lo vindos de Marte, ou aproximadamente quarenta e quatro minutos desde o Sol. Teremos um pouco de tempo para procurar cometas, pois podemos encontrar um a qualquer momento na jornada dele de ida ao Sol ou de volta. No entanto, os cometas não são muito importantes e apenas foram mencionados para mostrar que não nos esquecemos desses visitantes terríveis. Mas Júpiter é digno da nossa maior admiração.
Balançando em uma órbita majestosa, exigindo doze dos nossos anos para um dos seus, ele segue seu caminho majestoso, um verdadeiro gigante. Seu diâmetro médio é de aproximadamente 140.012,93 km e ele tem o tamanho de mil, trezentos e nove mundos como o nosso, juntos. Ele tem oito luas[2], três das quais são maiores que a nossa; na verdade, uma delas é maior que Mercúrio e rivaliza com Marte em tamanho.
Também notamos que uma grande mudança ocorreu em nosso Sol; ele parece ter apenas um quinto do diâmetro, ou um vigésimo quinto da área, que tinha quando nós o vimos da Terra; ele fornece apenas um vigésimo quinto da quantidade de luz e calor para os jupiterianos, em relação a quanto recebemos na Terra.
Poderíamos encontrar aqui muitas coisas interessantes, se tivéssemos tempo de parar; mas a nossa tremenda velocidade nos faz percorrer Júpiter em um piscar de olhos; assim, antes de perceber nós já estamos atravessando o enorme abismo de mais de 650 milhões de quilômetros que separa as órbitas de Júpiter e do seu irmão mais velho, Saturno — a nossa próxima estação.
Saturno é o Planeta mais distante e facilmente visível a olho nu. Suas dimensões rivalizam com as de Júpiter. Seu diâmetro médio é de aproximadamente 119.091,46 km.
Embora seu dia e sua noite tenham apenas dez horas de duração, seu período (ano) é de vinte e nove e meio dos nossos anos, e seu volume é setecentas vezes maior que o da Terra. Ele tem nove luas[3] para lhe fazer companhia em sua vasta órbita, além do seu enorme sistema de anéis, cujo anel externo tem aproximadamente 273.588,48 km de diâmetro.
Não há algo parecido com ele no Sistema Solar presidido por aquele grande autocrata, o Sol, nem no universo, até onde sabemos; ele é ao mesmo tempo a maravilha e a admiração dos astrônomos. O Sol agora parece alarmantemente pequeno, enquanto a luz que ele envia para cá é de, aproximadamente, um octogésimo daquela recebida pela Terra. Não podemos demorar, por mais interessante que seja este “lugar de permanência”: iremos nos apressar para Urano.
Uma distância de quase 2.414.016 km separa esses dois Planetas e será necessária mais de uma hora e um quarto para nos levar até Urano, enterrado no espaço como está, a quase 2.896.819.200 km do Sol, do qual nos separamos recentemente. Vamos simplesmente nos acomodar confortavelmente para nosso voo através desta extensão poderosa.
Ué! O que é que foi isso? Ora, é o nosso mensageiro, a bala de canhão! Ela deixou o Sol há cem anos, embora tenha passado menos de uma hora e meia desde que partimos nas asas da luz. Isso é muito surpreendente — para qualquer um que seja um astrônomo. Em uma única batida do relógio do nosso mensageiro está 299.337,984 km atrás de nós e de agora em diante devemos passar despercebidos.
Quando tivermos cruzado esse grande abismo, descobriremos que Urano tem 51.499,008 km de diâmetro e é tão grande quanto sessenta e cinco Terras. Seu dia e sua noite têm em torno de 17 horas de duração Ele tem quatro luas[4] e são necessários oitenta e quatro dos nossos anos para ver sua idade aumentar um único ano. Não temos tempo para estudar a rotação axial maravilhosamente peculiar desse Planeta distante — para nosso pesar e o dos astrônomos na Terra, que estão tão interessados nele e sabem tão pouco sobre.
Outro mergulho poderoso e encontraremos a sentinela — o outro guarda, por assim dizer — Netuno. Descansaríamos aqui por alguns minutos se pudéssemos, pois estamos na fronteira do grande esquema de mundos.
Encontramos Netuno e vemos que ele é oitenta e cinco vezes maior que a Terra; são necessários cento e sessenta e quatro dos nossos anos para ter um dos anos dele. Ele tem apenas uma lua[5]. Sua vasta órbita tem 8.986.576.896 km de diâmetro.
Não queremos desencorajar o nosso amigo e mensageiro, a bala de canhão, mas ele levaria duzentos anos para cruzar a tremenda distância do Sol até Netuno; um trem viajando a 1,609 km por minuto — sem paradas — demoraria dez mil anos para percorrer essa órbita poderosa.
O astrônomo mostra pelo telescópio que Netuno existe e pensa ter provado que a Religião não sabe do que fala quando afirma que há sete Planetas no Sistema Solar.
O Místico, no entanto, aponta para a Lei de Bode (do astrônomo alemão Johann Elert Bode) como justificativa de sua afirmação de que Netuno não pertence realmente ao nosso Sistema Solar.
A Lei de Bode em astronomia não é mais que uma lei de números, uma lei das relações numéricas que existem entre os Planetas e o Sol do nosso Sistema Solar, pela qual as distâncias entre os Planetas e o Sol ocorrem segundo uma progressão numérica definida.
Max Heindel comenta a Lei de Bode no livro Astrologia Científica e Simplificada – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
Escrevemos em uma Tabela as colunas com o nome de todos os Planetas (incluindo Netuno).
Escrevemos na primeira linha uma Progressão geométrica de razão 2, começando com Zero em Mercúrio e assim por diante.
Escrevemos na segunda linha o resultado da multiplicação de cada parcela da primeira linha por 3.
Escrevemos na terceira linha uma constante “4”, começando com 4 em Mercúrio.
Escrevemos na quarta linha o resultado da soma da segunda linha com a terceira linha.
Por fim, Escrevemos na quinta linha o resultado obtido na quarta linha dividido por 10.
Agora vamos ver qual é a distância entre o Planeta e o Sol medida pela ciência em Unidades Astronômicas (que é um padrão adotado pela ciência, sendo que Uma Unidade Astronômica é a distância entre a Terra e o Sol, ou seja: 150 bilhões de metros):
Colocamos, de novo, o nome dos Planetas; em seguida a distância de cada Planeta ao Sol, medida em Unidades Astronômicas.
E, finalmente, a distância de cada Planeta ao Sol segundo a Lei de Bode. Veja que para os Planetas de Mercúrio a Urano os 2 valores batem. E comparando com a Lei de Bode vemos que só para Netuno que os valores não batem.
Netuno pertence a um Sistema Solar vizinho ao nosso! Tanto que suas influências são sentidas apenas por pessoas já com um nível de desenvolvimento Crístico elevado. Para as demais pessoas o que sobra é uma dificuldade enorme em não cair na tentação pelas influências adversas que esse Planeta propõe.
Depois de deixarmos Netuno, encontramos mais um Planeta, Plutão. Vemos que ele é cinco vezes menor que a Terra em diâmetro; são necessários cerca de duzentos e quarenta e oito dos nossos anos para ter um dos anos dele. Ele tem cinco luas.
Também aqui, o astrônomo mostra pelo telescópio que Plutão existe e pensa ter provado que a Religião não sabe do que fala quando afirma que há sete Planetas no Sistema Solar.
O Místico, no entanto, aponta para a Lei de Bode (do astrônomo alemão Johann Elert Bode) como justificativa de sua afirmação de que Plutão também não pertence realmente ao nosso Sistema Solar.
Como vimos acima, a Lei de Bode enuncia que “as distâncias entre os Planetas e o Sol ocorrem segundo uma progressão numérica definida.”
Assim se fizermos uma Tabela com essas dimensões e compararmos essa Tabela com uma outra que mostra a distância entre o Planeta e o Sol medida pela Ciência em Unidades Astronômicas (UA):
Fica fácil que como Netuno, para Plutão os valores não batem! Assim, como Netuno, Plutão pertence a um Sistema Solar vizinho ao nosso! Tanto que suas influências são sentidas apenas por pessoas já com um nível de desenvolvimento Crístico elevado. Para as demais pessoas o que sobra é uma dificuldade enorme em não cair na tentação pelas influências adversas que esse Planeta propõe.
Depois de deixarmos Plutão teremos passado pelo último dos Planetas, até onde sabemos; no máximo podemos apenas esperar encontrar um desses andarilhos celestes, um cometa, fazendo sua peregrinação regular, vindo do Sol ou indo para ele — pois todos os cometas periódicos devem visitá-lo em períodos regulares para relatar, por assim dizer, que ainda são fiéis e não o abandonaram por um dos seus poderosos vizinhos.
Ficamos completamente perplexos ao lidar com essas vastas dimensões; elas deixam de ter um significado e, para que não esqueçamos, ao lidar com as magnitudes gigantescas dos Planetas, é bom lembrar que o Sol é mais de setecentas vezes maior do que todos eles juntos. Nosso Sol agora nos causa preocupação, pois ele não nos mostra mais um disco, sendo apenas um ponto de luz; como Sol não o conhecemos.
Claro que ele é muito mais brilhante do que qualquer estrela que possamos ver, mas sua luz e calor são apenas uma nona centésima parte do que recebemos na Terra. Nesse ritmo, tememos perdê-lo completamente. Aproximadamente quatro horas e um quarto se passaram desde que deixamos o Sol e estamos tão longe que já começamos a ficar solitários!
Talvez, leitor, tenhamos viajado rápido demais para você. Talvez você se arrependa, pensando que viu a Casa de Deus. O quê! Esta é a Casa de Deus? Diremos que isso é digno d’Ele? — Não, não. Pois na Casa do Nosso Pai há “muitas moradas” e neste ponto ainda estamos na nossa soleira.
Vamos parar por um momento no membro mais externo da grande família do nosso Sol, antes de voarmos através do vasto abismo que nos separa do vizinho mais próximo do nosso Sol, Alpha Centauri[6], uma estrela que está apenas a metade da distância dos nossos quatro vizinhos mais próximos.
Olhando para trás, a Mente humana é sobrecarregada pela imensa magnitude dos Mundos pelos quais passamos; as enormes distâncias que se encontram entre eles são incompreensíveis para a Mente humana e nós nos encolhemos diante da eternidade do espaço diante de nós. Vasto como é o sistema compreendido dentro da órbita de Netuno e Plutão, eles são apenas como um grão de areia na costa deste oceano da eternidade no qual agora nós nos lançaremos.
Até agora temos contado o tempo da nossa jornada, voando na velocidade da luz como estamos, em segundos, minutos e horas. Mas agora isso não basta; precisamos lidar com dias, semanas, meses e anos, pois o nosso próximo ponto de parada exigirá mais de quatro anos para ser alcançado, enquanto as estrelas mais remotas exigirão séculos ou até milênios.
O Sistema Solar por si só já basta para declarar a glória de Deus e despertar nossos pensamentos lentos para contemplar Seu poder e Sua sabedoria onipotentes. Mas nenhum limite pode ser imposto à Casa do nosso Pai: a imponente grandeza, as incríveis agregações de milhares e milhares e milhões de sóis (pois cada estrela é um Sol), dispostos em pares, grupos e aglomerados, mantidos em seus lugares pelas grandes Leis de Deus, todos se movendo na mais perfeita harmonia, todos em seus lugares designados, não em estado de repouso, de estagnação, pois toda a natureza está em ação — pois as estrelas estão voando em seus caminhos designados com uma velocidade surpreendente. Nossa própria estrela, o Sol, está se movendo a cerca de 19 quilômetros por segundo em direção a um determinado ponto no céu, enquanto outras são conhecidas por terem velocidades de até 320 quilômetros ou mais em um único segundo.
Algumas se aproximam, outras se afastam, e outras ainda se movem em outras direções; contudo, tão vasto é o abismo entre nós que centenas, talvez milhares de anos, devem transcorrer antes que possamos detectar o menor aumento ou diminuição de sua luz a olho nu.
A olho nu, mesmo nas condições mais favoráveis, não conseguimos ver mais de cinco mil estrelas em todo o céu; mas nunca conseguimos ver mais da metade do céu de uma só vez, e nunca vemos as estrelas mais tênues perto do horizonte, de modo que talvez nunca vejamos duas mil ao mesmo tempo. Um bom binóculo aumentará esse número a um grau surpreendente, enquanto um bom telescópio — digamos, com um diâmetro de cinco polegadas ou mais — revelará milhões de estrelas das profundezas do espaço.
Na constelação de Hércules, há um pequeno ponto de luz, quase invisível até para o olho mais atento, aparentemente apenas um décimo do tamanho da Lua, e ainda assim, esse pequeno ponto é um aglomerado que Keeler[7] estimou conter quarenta mil sóis! Esses sóis podem ser menores ou mais fracos que o seu, mas podem superá-lo em tamanho e esplendor. Os astrônomos não podem afirmar nada a respeito neste caso, mas existem estrelas que são reconhecidamente muito mais brilhantes que a nossa, enquanto outras não são nem de perto tão grandes. Acredita-se que o nosso Sol não seja menor que a média das estrelas em tamanho e brilho.
Os astrônomos costumam lidar com distâncias incompreensíveis comparando a velocidade de trens, balas de canhão e coisas do gênero; mas, embora essas comparações possam nos dar alguma ideia do Sistema Solar, elas são inúteis quando lidamos com o espaço estelar.
Tentarei fazer uma comparação que possa nos trazer à mente, de forma clara, um desses vastos intervalos entre as estrelas — o que separa nossa estrela, o Sol, de nossa vizinha, Alfa Centauri. Essa estrela, embora seja a mais próxima de todas, está a cerca de quarenta milhões de quilômetros de distância. Imagine uma ferrovia ligando a Terra a essa estrela.
Sabemos que há uma estimativa que o total de ouro e prata em circulação no mundo é inferior a onze bilhões de dólares. À taxa de vinte quilômetros por centavo, essa quantia não nos levaria nem a milhares de milhões de milhões de quilômetros dessa estrela. Isso é absolutamente sem sentido para a Mente do leigo ou do astrônomo. A Mente humana falha nesse ponto tão completamente como se a distância fosse mil vezes maior. Podemos entender, mas não podemos compreendê-lo.
Para ilustrar, imaginemos o nosso Sol reduzido de um vasto globo com 1,4 milhões de quilômetros de diâmetro para uma esfera com 2,7 metros de diâmetro. Em seguida, imaginemos que todos os Planetas e todo o espaço se reduzissem exatamente às mesmas proporções; então a nossa Terra estaria a menos de 305 metros do Sol e teria apenas uma 2,6 centímetros de diâmetro, enquanto o nosso vizinho mais próximo, Alpha Centauri, estaria, nesta mesma escala, a quase 81 mil quilômetros de distância!
Outra forma de expressar o mesmo pensamento seria dizer que a distância do nosso Sol (ou da Terra) à estrela mais próxima é tantas vezes 81 mil quilômetros quanto o tamanho da nossa Terra em comparação com uma bola de gude de bom tamanho; ou, para cada bola de gude necessária para formar um Mundo tão grande quanto o nosso, Alpha Centauri está a 81 mil quilômetros de distância. Será que os céus começam a mostrar a Glória de Deus quando contemplamos o Seu tesouro?
Continuaremos nossa jornada agora, e novamente nas asas da luz estamos nos afastando a uma velocidade de 1,1 bilhão de quilômetros por hora. Algumas horas, e o último Planeta do Sistema Solar terá desaparecido de vista. Vemos apenas o nosso Sol, e neste ponto ele brilha mais do que qualquer outro corpo em todo o universo visível. Em cerca de dois anos e um quarto, estaremos no ponto intermediário, e então, se o nosso Sol e Alpha Centauri tiverem o mesmo tamanho e brilho, ambos parecerão iguais. A estrela brilhante Sirius, e todas as outras estrelas, parecerão mais ou menos como são vistas da Terra. Em pouco mais de quatro anos (medidas recentes indicam uma distância um pouco maior), estaremos no meio do sistema de Alpha Centauri.
Veríamos o nosso Sol como uma estrela de primeira magnitude, mas os Planetas seriam completamente invisíveis, mesmo no telescópio mais poderoso já construído pelo ser humano. Provavelmente, seria necessário um telescópio com 7,3 metros de diâmetro (e cerca de 152 metros de comprimento) para mostrar até mesmo o gigante Júpiter a essa distância. Sendo assim, podemos facilmente entender por que não conseguimos ver os Planetas orbitando seus sóis centrais.
Se a pergunta for feita, como então os astrônomos sabem da existência de outros mundos ao redor de outros sóis? Não posso dar uma explicação aqui, mas eles sabem disso sem vê-los! De fato, os companheiros de Sirius e Procyon foram descobertos anos antes de serem vistos, pelos movimentos (perturbações, como os astrônomos os chamam) de suas estrelas primárias brilhantes, e até mesmo as posições desses companheiros até então invisíveis foram calculadas corretamente!
Se continuássemos nossa jornada, veríamos o nosso Sol diminuir até se tornar um mero ponto de luz cintilante e, finalmente, desaparecer por completo.
Há uma crença crescente de que o Universo que vemos tem limites! Os astrônomos sempre defenderam que cada aumento na potência e na duração da exposição dos telescópios fotográficos acrescentasse muitas novas estrelas às já conhecidas; mas parece que em certas regiões as exposições longas acrescentam poucas estrelas e há muitos astrônomos muito eminentes acreditando que, em algumas direções, os telescópios fotográficos praticamente penetraram, se não realmente, no espaço vazio! Assim, o lamentoso Simon Newcomb[8] disse: “Essa coleção de estrelas que chamamos de Universo é limitada em extensão”.
Isso perturba completamente a antiga crença de um Universo contínuo e ininterrupto. Sabemos que o tempo nunca começou e nunca terminará; o mesmo deve ser verdade para o espaço. É impensável, então, que a “coleção de estrelas” que vemos ou quase podemos ver, por mais vasta que seja, inclua todo o espaço que está ocupado; não importa quão grande possamos conceber que essa “coleção” seja, ela é nada para o espaço, esteja ele ocupado ou desocupado.
Isso naturalmente nos leva à alta probabilidade, quando não há certeza, de outras agregações que não foram enumeradas e podem estar além dos números — um número infinito no espaço infinito, como um oásis no deserto. Isso não parece ser totalmente irracional; pois vemos entre as estrelas que conhecemos uma forte tendência a se aglomerar ou formar grupos. Observamos a olho nu as Plêiades[9], Orion[10] e outros grupos, enquanto o telescópio revela aglomerados e muitos enxames de estrelas em todas as direções. A Via Láctea é um exemplo em escala colossal.
A recente descoberta de Kapteyn[11] mostra que a grande maioria das estrelas tem uma forte preferência por se moverem em duas grandes correntes, em direção a e a partir de duas regiões quase opostas. Isso foi confirmado por vários outros astrônomos, utilizando materiais diferentes como movimentos estelares, mas obtendo resultados praticamente idênticos; e é geralmente aceito pelos astrônomos, o que parece confirmar a teoria de agrupamento sugerida acima.
Resumidamente e com efeito, é como se dois grandes aglomerados, que estão além do nosso poder de numeração, estivessem viajando no espaço “na estrada do Rei” e se encontrassem; as estrelas individuais de um grupo passam entre os membros do outro grupo e ambos os grupos, como um só, ocupam a mesma parte do espaço. Que encontro! Que passagem! Que possibilidades! Imediatamente imaginamos colisões, destruição e caos; mas quando pensamos que Deus está no comando o medo desaparece.
Voando em seus percursos ilimitados a muitos quilômetros em cada segundo de tempo, esses incontáveis milhões de sóis com seus Mundos[12] acompanhantes são milhões de anos desconhecidos passando entre si e além uns dos outros, em seu progresso majestoso — a marcha das eras. E depois? Irão eles vagar por outros aglomerados como os navios navegam no mar, ou através de outros grupos desconhecidos para nós, durante uma eternidade, indo para regiões do espaço e para distâncias nunca sonhadas pelo ser humano mortal? Deus está no comando.
Os astrônomos são frequentemente questionados sobre quantas estrelas existem no céu. Eles não sabem. Um eminente astrônomo inglês muito recentemente, em um discurso presidencial, disse sobre este assunto: “Talvez não seja excessivo imaginar que ainda hoje se possam contar mil milhões”. Um astrônomo e matemático francês, assumindo que um décimo da luz que recebemos à noite vem das estrelas (e podemos enxergar bem o suficiente para seguir estradas e distinguir objetos à noite sem a ajuda da Lua e, claro, pela luz das estrelas), por meio de cálculos, mostra que recebemos essa luz de nada menos do que 66 bilhões (66 mil milhões) de estrelas, não contando aquelas mais fracas do que a 17ª magnitude e nossos maiores telescópios nos mostrarão estrelas até a 18ª magnitude ou até menos. Há muito tempo o Senhor disse a Abraão: “Olha agora para o céu e conte as estrelas, se puder”[13]. O desafio ainda está aberto; mas “Ele conta o número das estrelas; Ele chama todas pelos seus nomes”[14]. Na verdade, “os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos” [15]; é só o tolo quem “diz no seu coração: Deus não existe”. Outros mundos são habitados? Os astrônomos não sabem; mas “vinde agora e raciocinemos juntos”. Sabemos que a Lua não tem atmosfera e que todos os seres vivos, tanto vegetais como animais, precisem de ar. O dia e a noite lá duram duas semanas e não há atmosfera para proteção contra o Sol escaldante, nem nuvens durante o dia que poderiam reter o calor e proteger do frio intenso da longa noite lunar. A vida como a conhecemos não pode existir na Lua. Em alguns Planetas isso nos parece problemático; Júpiter, por exemplo. Mas com os milhares de milhões de Mundos em mente, criados para algum propósito, devemos concluir que: ou a vida é natural e universal ou a vida na Terra é uma aberração fantástica. Mas isso é inconsistente com o bom senso. É um absurdo. Se esses inúmeros mundos não servem para algum tipo de vida, para que servem?
Nossos sonhos e concepções mais loucas do poder do Criador nos envergonham com sua insignificância. A realidade nos oprime, nossas Mentes e Corações adoecem com o conhecimento dessa infinidade de grandeza. Eis que este é o Deus do astrônomo! Totalmente atordoados e oprimidos pela grandeza e imensidão da Casa de nosso Pai, perplexos e desesperadamente abatidos pelo pensamento de nosso nada, lemos com nova compreensão as palavras do poeta hebreu.
“Quando considero os céus, obra dos Teus dedos, a Lua e as estrelas que ordenaste; o que é o ser humano, para que Te lembres dele? E o Filho do Homem, para que o visites?” (Sl 8:3-5). Mas que conforto é saber que nem mesmo um pardal pode cair na terra sem o Seu conhecimento (Mt 10:29-30), e que somos mais do que muitos pardais! Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos; e depois dos pensamentos com os quais temos lidado, talvez percebamos mais plenamente o que significa quando Deus nos diz: “‘Os meus pensamentos não são os seus pensamentos, nem os seus caminhos são os Meus caminhos’, diz o Senhor. ‘Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos’” (Is 55:8-9).
Quão estranho parece que aos seres humanos a quem Deus dotou com uma Mente para compreender esses poderosos problemas, possam ignorar levianamente ou desconsiderar completamente as Leis do Criador e o Sacrifício do Seu Filho pela frivolidade e pelo pecado que nos cercam em toda parte! Eles são loucos. “Pai, perdoe-os; porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34).
Não posso fazer melhor do que citar as palavras do poeta alemão Richter, em seus pensamentos sublimes sobre esse assunto. “Deus chamou dos sonhos um homem no vestíbulo do Céu, dizendo: ‘Venha cá e veja a glória da Minha Casa’. E para os servos que estavam ao redor do Seu Trono, Ele disse: ‘Peguem-no e retirem dele suas vestes de carne; limpem sua visão e coloque um novo fôlego em suas narinas; toquem seu coração humano — o coração que chora e treme’. Foi feito; e com um poderoso Anjo para seu guia o ser humano estava pronto para sua viagem infinita; e dos terraços do Céu, sem som ou despedida, eles se afastaram para o espaço sem fim. Às vezes, com o voo solene da asa do Anjo, eles fugiam pela escuridão através do deserto da morte, que divide os mundos da vida; às vezes, eles varriam as fronteiras que estavam acelerando sob os movimentos proféticos de Deus. Então, a uma distância que é contada apenas no Céu, a luz ocorreu por um tempo através de um filme sonolento; por ritmo inalterável a luz varreu-lhes, eles, por ritmo inalterável, para a luz. Em um momento, a corrida dos Planetas estava com eles; em um momento, o arremesso de sóis estava ao seu redor.
“Então vieram eternidades de crepúsculo que revelaram, mas não foram reveladas. À direita e à esquerda, em direção a constelações poderosas que, por autorrepetições e respostas de longe, por contraposições construídas por portas triunfais cujas arquitraves e arcadas — horizontais e verticais — repousavam, elas, as eternidades subiam em altura — isso parecia fantasmagórico desde o infinito. Sem medida eram as arquitraves, além dos números eram as arcadas, além da memória, os portões. Dentro havia escadas que escalavam as eternidades abaixo; acima estava abaixo e abaixo estava acima para o ser humano despojado do corpo gravitacional; a profundidade foi engolida por uma altura intransponível, a altura foi engolida por uma profundidade insondável. De repente, enquanto rolavam do infinito ao infinito; de repente, enquanto se inclinavam sobre mundos abismais, um grito poderoso surgiu — que sistemas mais misteriosos, que mundos mais ondulados! — outras alturas e outras profundezas estavam chegando, estavam se aproximando, estavam próximas…
“Então o ser humano suspirou e parou, estremeceu e chorou. Seu coração sobrecarregado se pronunciou em lágrimas, e ele disse: ‘Anjo, não irei mais longe, pois o espírito do ser humano sofre com sua infinidade. Insuportável é a glória de Deus. Deixe-me deitar-se na sepultura e me esconder da perseguição do Infinito; pois o fim, eu vejo, não existe’. E de todas as estrelas ouvintes que brilhavam ao redor surgiu uma voz em coral: ‘O ser humano fala a verdade; final não há qualquer um do qual já tenhamos ouvido falar’. ‘Fim, não há um?’, o Anjo exigiu solenemente. ‘Será que realmente não há fim? É essa a tristeza que te mata?’. Mas nenhuma voz respondeu, para que ele mesmo pudesse responder. Então o Anjo ergueu suas mãos gloriosas para o Céu dos céus, dizendo: ‘Não há fim para o universo de Deus. Eis que também não há começo!”.
Terminemos a nossa jornada. Não estivemos longe. Não tive a intenção de ir muito além das nossas portas, por assim dizer; então, retornemos ao nosso pequeno lar atual que chamamos de Terra e deixemos que as lindas e cintilantes estrelas — as estrelas gentis, amáveis e amorosas, parecem-me, com seus mundos que as acompanham — girem e brilhem em espaço sem limites, enquanto uma nova luz — a luz do universo de Deus — brilha sobre Sua palavra e nos leva de volta ao tempo em que “no princípio Deus criou os céus e a terra” (Gn 1:1) ou quando as “estrelas da manhã cantam juntas” (Jo 38:7); assim, avançamos para o tempo em que haverá um “novo Céu e uma nova Terra” ( Ap 21:1) e os vencedores herdarão o Reino. Afinal: “Na casa do Meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2)
FIM
[1] N.T.: Mt 15:13
[2] N.T.: em 1916
[3] N.T.: em 1916. Em 2025: 145 luas conhecidas
[4] N.T.: em 1916. Em 2025: 27 luas conhecidas
[5] N.T.: Em 2025: 14 luas conhecidas
[6] N.T.: Alpha Centauri (α Centauri, α Cen) é o sistema estelar mais próximo do Sistema Solar, a uma distância de 4,37 anos-luz (1,34 parsecs) do Sol. Consiste de três estrelas unidas gravitacionalmente: o par Alpha Centauri A (também conhecida como Rigil Kentaurus) e Alpha Centauri B (também conhecida como Toliman), duas estrelas brilhantes e próximas no céu, e uma anã vermelha pequena mais afastada, Alpha Centauri C (também chamada de Proxima Centauri). A olho nu, os dois componentes principais são vistos como um ponto único de luz com magnitude aparente visual de -0,27, formando a estrela mais brilhante da constelação de Centaurus e a terceira mais brilhante do céu noturno, superada apenas por Sirius e Canopus. É visível de todo hemisfério sul, sendo circumpolar a sul do paralelo 29 S.
[7] N.T.: James Edward Keeler (1857-1900) foi um astrônomo estadunidense. Foi o primeiro a descobrir um pulsar, em 1899.
[8] N.T.: (1835-1909) foi um astrônomo e matemático americano-canadiano. Escreveu sobre economia e estatística, além de ser o autor de um livro de ficção-científica.
[9] N.T.: As Plêiades (Messier 45), conhecidas popularmente como sete-estrelo e sete-cabrinhas, são um grupo de estrelas na constelação do Touro. As Plêiades, também chamadas de aglomerado estelar (ou aglomerado aberto) M45, são facilmente visíveis a olho nu nos dois hemisférios e consistem de várias estrelas brilhantes e quentes, de espectro predominantemente azul. As Plêiades têm vários significados em diferentes culturas e tradições.
[10] N.T.: Orion ou Oríon é uma das oitenta e oito constelações modernas. O genitivo, usado para formar nomes de estrelas, é Orionis. Está localizada no equador celeste e, por este motivo, é visível em praticamente todas as regiões habitadas da Terra. A época mais favorável para sua observação se dá principalmente nas noites de verão no hemisfério sul, ou inverno no hemisfério norte, em dezembro e janeiro.
[11] N.T.: A Estrela de Kapteyn é uma anã vermelha a cerca de 12,83 anos-luz (3,93 pc) da Terra na constelação austral de Pictor. Com uma magnitude aparente visual de 8,85, é visível somente através de binóculos ou telescópios. É a estrela do halo galáctico mais próxima conhecida e, também, a segunda estrela com o maior movimento próprio de todo o céu, atrás da Estrela de Barnard. Em 2014, foi anunciada a descoberta de dois planetas orbitando a Estrela de Kapteyn.
[12] N.T.: Por exemplo: Mundo Físico, Mundo do Desejo, Mundo do Pensamento, Mundo do Espírito de Vida, como é o caso do nosso Sistema Solar.
[13] N.T.: Gn 15:5
[14] N.T.: Sl 147:4
[15] N.T.: Sl 19:1
Há mais de dois mil anos, uma mulher enlutada chorou na porta de um sepulcro vazio, e seu lamento foi este: “Eles levaram o meu Senhor e eu não sei onde O colocaram” (Jo 20:13). Angústia de coração e alma, perplexidade e até mesmo rebelião ecoaram na frase simples; e essas palavras são ecoadas por muitos corações sinceros e amorosos na Cristandade de hoje.
Onde está o Cristo? Qual é a importância da figura central na história do Evangelho? A Bíblia está sendo desacreditada e desaprovada pelos, assim chamados, críticos e estudiosos que, em sua cegueira total, chegaram à conclusão de que a história de Cristo Jesus é um mito adequado apenas para aqueles cujo intelecto permanece comparativamente subdesenvolvido. Não podemos culpá-los totalmente por superestimarem, como fazem, as reivindicações da vida mental. Eles ainda têm alguma justificativa para suas decisões, quando consideramos a teologia irracional que, desde a infância, aprenderam a aceitar como “Religião”.
Nós, Estudantes Rosacruzes ativos, que sentimos que escapamos dessa escuridão, conhecemos bem a natureza irreconciliável de muitos dos princípios da ortodoxia. Deus, nosso criador, a quem devemos orar, aparentemente é um “Pai irado” que, em outra época, teria destruído a Humanidade, não fosse pela intervenção do Seu Filho – Cristo – a quem Ele permitiu que sofresse em nosso lugar. Não é de se admirar que a Mente racional do ser humano se revolte contra essa e outras concepções semelhantes!
Mas porque as pobres imaginações e interpretações de alguns seres humanos nos decepcionaram, estamos justificados em nos afastar da figura calma e serena de Cristo Jesus, que é “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13:8)? No entanto, é verdade que muitos, de coração partido e decepcionados, buscaram alimento espiritual e encorajamento nos ensinamentos de outras Religiões; as filosofias do Oriente os impressionaram com suas riquezas inesperadas e confirmaram a unidade fundamental de todos os modos de adoração; a sabedoria acumulada de eras foi saqueada para fornecer uma solução para os problemas atuais. No âmago do coração de todos esses buscadores, há um sentimento não confessado de solidão espiritual e incompletude e, ainda assim, algum poder maravilhoso e invisível parece mantê-los meio inconscientemente ligados à Religião da sua infância. Se eles não acreditam mais no Mestre, Cristo, que magnetismo estranho e imorredouro é esse que ainda permanece no próprio título, “o Cristo”?
Os críticos podem ter removido o Corpo de Jesus, mas ainda não descobriram o Cristo Jesus, Ele que “vive, esteve morto e está vivo para todo o sempre” (Apo 1:18). O mundo precisa de uma nova luz sobre as verdades fundamentais da verdadeira Religião Cristã que longe de ser uma fé do passado, nós, Estudantes Rosacruzes, temos certeza de que é a Religião do futuro.
Aproveitemos para mostrar que uma interpretação verdadeira e profunda, embora simples e satisfatória, do Cristianismo pode ser encontrada nos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz – os Ensinamentos Rosacruzes ou Ensinamentos da Sabedoria Ocidental –, uma abordagem que satisfaz não apenas o nosso intelecto, mas também o nosso coração. Aqui não é o lugar para falar da história desta Fraternidade Rosacruz, nem para apresentar suas credenciais. Apontemos um breve esboço de um grande assunto, sabendo que aqueles que são verdadeiramente sérios preencherão os espaços por si mesmos. Pois a Filosofia Rosacruz não consiste apenas de alguns fatos nem de uma mera plausibilidade superficial, mas de um sistema enorme e compacto de pensamento inspirado, um tesouro inesgotável de verdades que são as chaves mestras para a compreensão do mundo e da vida do ser humano que nesse mundo vive.
Será prontamente admitido que o enorme assunto que estamos considerando pode ser apenas tocado, mas antes mesmo que isso seja feito será necessário mencionar alguns dos mais importantes Ensinamentos Rosacruzes.
Aprendemos pelos Ensinamentos Rosacruzes que o Universo (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo) são ambos construídos sobre o princípio setenário. O Universo em si consiste em sete Planos – os Planos Cósmicos –, no mais elevado, que é o primeiro Plano Cósmico, dos quais habita o Ser Supremo, que surgiu da Raiz incognoscível da Existência.
Dos seguintes seis dos grandes Planos Cósmicos somos inteiramente ignorantes, mas no sétimo Plano Cósmico, o mais inferior dos sete, no quesito vibracional, nosso Sistema Solar evolui, criado por Deus, nosso Criador. Aqui novamente encontramos este Plano dividido em sete Mundos, pois o número sete permeia todas as coisas.
Vamos agora voltar nossa atenção para o Pano Cósmico em que estamos atualmente evoluindo, o sétimo Plano Cósmico. No Mundo mais elevado desse Plano, o Mundo de Deus, habita o poderoso Ser que criou tudo nesse Sistema Solar, inclusive nós, e que guia nossa evolução – em um Esquema, Obra e Caminho de Evolução, também criado por Ele – e com Ele estão sete Grandes Espíritos (também chamados de Ministros de Deus), cada um dos quais preside um dos sete Planetas desse Sistema Solar; eles também são chamados de Espíritos Planetários diante do Trono de Deus. Mas nem esses Planos e nem os Mundos do sétimo Plano Cósmico devem ser abordados como estando um acima do outro fisicamente, mas estão interpenetrados; isto é, este globo material e externo que conhecemos como Terra contém dentro de si seis contrapartes ou correspondentes cada vez mais sutis.
Quando Deus nos criou, dentro d’Ele, criou cada um de nós como um Espírito Virginal e consciente da nossa origem divina, mas não autoconsciente; o objetivo da nossa longuíssima peregrinação, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana, é atingir aquele Poder de autodireção perfeita que é o Plano de Deus. Em direção a esse estado, nós, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, involuímos e evoluímos, com a nossa consciência em constante desenvolvimento, em Globos de densidade variável, do mais puro ao material mais denso (ou de condições de vibração mais sutis a condições de vibrações muito densas), como entendemos o termo. A peregrinação atual é limitada a sete Períodos em um Esquema de Evolução, cada um com sete “subperíodos” dos quais agora atingimos o mais denso e, daqui, começamos a ascender a condições mais sutis. Nós, lá no início desse Esquema de Evolução, à medida que lentamente desenvolvíamos nossos poderes latentes, fomos guiados e protegidos por muitos Seres poderosos, que chamamos de Hierarquias Criadoras, Divinas ou Zodiacais, que estavam, também, aperfeiçoando a própria evolução delas.
Durante o Período Solar desse Esquema de Evolução, um Arcanjo, universalmente conhecido como Cristo, aperfeiçoou Sua evolução ao máximo que um Arcanjo pode alcançar nesse Esquema de Evolução; Sua Consciência foi suficientemente desenvolvida para moldar para Si mesmo dez veículos que, começando no Mundo de Deus, desciam até o Mundo do Desejo, Mundo mais denso após o Mundo Físico, e o Mundo onde os seres da Onda de Vida dos Arcanjos conseguem construir o Corpo mais denso deles, o Corpo de Desejos. No entanto, Ele não podia funcionar visivelmente no Mundo Físico, ou seja, construir um Corpo Vital e um Corpo Denso, sem o auxílio de um ser humano, ou seja, um ser da Onda de Vida humana atual, que fosse suficientemente puro para que Ele pudesse operar através dele. Esse ser humano ficou conhecido, no seu último renascimento aqui, como Jesus de Nazaré.
É durante o Período seguinte, o Terrestre – que é onde nós estamos – que notamos uma grande mudança nas nossas ideias religiosas cruas e infantis. Até então, considerávamos Deus com em uma relação de medo; sem compreender nada da verdadeira natureza de Deus, nós O concebíamos como um tirano severo e cruel, cuja única chance de agradá-Lo era por meio de propiciação e muitos sacrifícios; depois, tentávamos nos aproximar d’Ele para negociar ou barganhar. Cada nação ou povo se aproximava de Deus e Lhe oferecia sua adoração, se Ele lhes desse a Sua proteção especial. Assim, surgiu uma multiplicidade de “Deuses” tribais, “Deuses” dos quais, em troca de adoração e sacrifício, se esperava que se ocupassem exclusivamente com a prosperidade dos povos ou nações específicos sob os cuidados d’Ele. Isso representava um avanço em relação ao relacionamento anterior de nós com Deus, mas estava longe de ser uma condição ideal, pois tínhamos medo de dar algo a Ele, a menos que tivéssemos certeza de receber ampla recompensa em troca. Em resumo: passamos a ser dominado pela Religião de Raça, Religião que se baseava na exaltação de um povo ou nação especial sobre todos os outros povos e nações. Nenhum povo ou nação é mais típica dessa condição do que os judeus, que adoravam a Jeová, “um Deus zeloso”, capaz e disposto a destruir todos os inimigos de Seu “povo escolhido”. Até o nascimento do Cristianismo, essa Religião de Raça, baseada nas Lei Jeovísticas, era a mais elevada conhecida, e seus exemplos mais proeminentes sendo o: Judaísmo, Budismo e Hinduísmo.
A Religião de Raça foi um passo à frente na concepção religiosa, mas seus frutos eram necessariamente práticos e mundanos. Se a nação ou o povo segue as ordenanças do seu Deus particular, ela seria abençoada, mas se não as seguisse, ela seria penalizada. A Humanidade certamente estava sendo ensinada a se sacrificar, mas se sacrificar em troca de recompensa. “Dê tanto e receba tanto” era a fórmula aceita; a ideia de dar e não receber nada, de amar todos os seres humanos, sendo amado ou não em troca disso, era uma ideia muito estúpida para ser contemplada.
E no meio de toda essa agitação, uma criança nasceu para uma nação que era, de todas as nações, talvez, a mais ferozmente racial: o povo judeu.
Ele nasceu “imaculadamente”; isto é, de uma mulher, Maria, pura de toda mácula da sexualidade animal, e de José, um carpinteiro. Ele nasceu na desprezada aldeia de Nazaré, na Palestina, “e lhe deram o nome de Jesus”. Até os trinta anos, pouco sabemos sobre Ele, mas Ele cresceu até a idade adulta, especialmente educado por uma Fraternidade avançada, a dos Essênios, que não pouparam esforços para prepará-Lo para o grande papel que Ele iria desempenhar. Aos trinta anos de idade, uma mudança veio a Ele. Puro, gentil e iluminado, como sempre fora, agora parecia como se um novo Espírito tivesse descido sobre Ele. Essa mudança é a característica mais significativa de Sua vida, pois, de acordo com a Filosofia Rosacruz, deveu-se ao fato de Ele ter sido animado pelo grande Espírito que iria inaugurar um novo ideal religioso, o do altruísmo e da fraternidade.
Foi o Cristo, de quem fizemos menção como o mais elevado Iniciado do Período Solar, um Raio do Espírito Crístico Universal, que agora, pela primeira vez, entrou em contato com a Humanidade que Ele tinha vindo para “buscar e salvar”. Devemos lembrar que o nível mais baixo no qual o Cristo podia funcionar era o Mundo do Desejo, ou o Mundo imediatamente acima do Mundo Físico e, assim, para concretizar Seu propósito de habitar como um ser humano, era necessário que Ele encontrasse um Corpo Denso adequado através do qual pudesse trabalhar. Os veículos mais puros e adequados para o Seu propósito eram aqueles pertencentes ao homem Jesus, e é por essa razão que o Espírito Santo desceu sobre o filho de José e habitou nele.
Durante os três anos de ministério que se seguiram, o Cristo pregou e ensinou o novo evangelho do amor, dizendo: “Ouvistes o que foi dito: olho por olho e dente por dente. Mas eu vos digo: não resistais ao mal” (Mt 5:38-39). Foi inevitável que Ele estivesse imediatamente em desacordo com as autoridades religiosas judaicas, os escribas e fariseus meticulosos e muitas vezes inescrupulosos, que defendiam zelosamente todas as reivindicações do seu Deus de Raça, Jeová, e que ficaram primeiro atônitos, depois enfurecidos, ao ouvir Cristo Se declarar o Filho de Deus. Não era o cúmulo da tolice, ou melhor, da própria blasfêmia, que eles ouvissem Seus ensinamentos, tão opostos àqueles dos quais se consideravam os guardiões? Para eles, Ele era um blasfemador insano, um fanático que buscava minar a Lei, suplicando a Seus ouvintes que amassem seus inimigos e orassem por aqueles que os usavam com desprezo.
A Religião de Raça seria de falto substituída pela Religião do Amor, mas não sem luta, uma luta que, de forma bem sutil, persiste até os dias atuais. A história da Transfiguração nos mostra esse grande evento em forma pictórica. No Monte, com Ele apareceram Moisés e Elias, o grande Legislador e o grande Profeta da antiga Dispensação, respectivamente; mas logo depois eles desapareceram de vista e os Discípulos “não viram qualquer homem senão Cristo Jesus somente” (Mt 17:8 e Mc 9:8). O Espírito de Cristo, por meio da cooperação consciente do homem Jesus, estava enviando um novo impulso de poder e crescimento para ajudar o ser humano em sua jornada rumo a Meta; Ele estava abrindo um novo caminho de progresso para todos seguirem.
A morte do Cristo Jesus é um evento com grande significado do um ponto de vista espiritual. Primeiramente, significou a liberação do Espírito do Sol do Corpo de Jesus; mas significou infinitamente mais do que isso, pois, quando o sangue físico caiu no chão, esse sangue físico trouxe consigo o Corpo de Desejos purificado do Cristo que, entrando na Terra, operou a salvação ao purificar o Planeta de todas as impurezas que se acumularam durante o reinado do Espírito da Raça. Jesus de Nazaré, liberto do seu Corpo Denso, tornou-se o guia invisível para todos aqueles que estão se esforçando para viver a vida ideal, conforme ensinada pelo Cristo.
É difícil para nós compreendermos a tremenda natureza do sacrifício no Calvário, ou discernir a virtude tão discutida do “sangue purificador”, pelo qual Cristo realmente purificou o mundo, entrando em contato íntimo e interior com sua Humanidade ao se tornar Regente da Terra. E o sacrifício não se limitou à hora final, mas se estendeu por todos aqueles três longos anos que o grande e glorioso Espírito do Sol se submeteu, para o nosso bem e por nossa causa, às vibrações tão lentas do Corpo Denso de Jesus.
Pela crucificação do veículo material do Espírito de Cristo na cruz (simbólico das correntes de vida dos três Reinos da Natureza animada) e pela disseminação do Seu Corpo de Desejos puro por toda a Terra, Cristo conquistou Sua morada em cada um de nós e nos abriu a porta do Progresso Eterno através da Comunhão com Ele mesmo. Pois o Cristo Interno não é um mito ou fantasia mística, mas um grande e tremendo fato gerado pelo Seu sacrifício. Um ser humano só pode ser regenerado ao se tornar consciente disso, e ao viver o nascimento e as boas-vindas ao Cristo que habita dentro de si. O caminho para Cristo é através da vida Crística do Sacrifício e não há outro caminho.
Dizem-nos que aos olhos de Deus mil anos são como ontem, e estamos bem cientes do crescimento lento, mas seguro, que caracteriza toda a evolução. Há mais de dois mil anos atrás, o Espírito de Cristo veio habitar conosco e nos salvar de nós mesmos. Sua missão é nos libertar dos limites estreitos impostos pelo Espírito de Raça, romper gradualmente as barreiras que o interesse próprio havia erguido entre as nações e os povos, mostrar a insensatez de um patriotismo meramente nacional e, finalmente, romper a barreira entre o nós, o Espírito, e o Espírito de Cristo.
A importância da Sua mensagem está se tornando conhecida apenas gradualmente, mas deve se tornar conhecimento comum na Era que está por vir, a Era de Aquário, a Era da Fraternidade. Já temos a ideia da Organização das Nações Unidas, que espera acabar com a guerra (referindo-se à Primeira Guerra Mundial), uma das armas mais mortais do Espírito de Raça; temos também a noção de uma Liga das Religiões, que visa a remover a amargura que há entre os credos.
O Cristianismo permaneceu e perdurará graças ao poderoso Espírito por trás dele, que jamais nos abandonará. O Cristianismo deve crescer, enquanto o ideal de separação deve diminuir. Isso acontecerá muito lentamente, pois a Religião de Raça é difícil de morrer e luta até o fim.
Não buscamos nenhuma conversão repentina, sabemos que dias sombrios ainda podem estar diante de nós, mas sabemos também que a Humanidade começou sua árdua jornada até o Trono de Deus.
O Cristianismo é a Religião do futuro, mas somente quando estivermos prontos para recebê-Lo é que pediremos ao Espírito do Amor Universal para ser o nosso Rei.
Todo aquele que ordena sua vida pelos Ensinamentos de Cristo está apressando a segunda vinda de Cristo, quando, por meio do poder onipresente do Seu Espírito, todas as guerras e invejas cessarão na Terra.
Esta é a mensagem da Filosofia Rosacruz para todos aqueles que a ouvirem. Ela remete à Maria, que chora no sepulcro, seu Senhor, ressuscitado, glorificado e vivo para sempre. Ela remete a uma Bíblia, à prova contra o materialismo e da crítica, e aberta a todos que a compreenderem. Ela traz de volta os cansados, os céticos e os de coração partido aos próprios pés do Cristo vivo.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
A primeira coisa que devemos deixar bem esclarecida é a identidade de Cristo, conforme ensina os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. De acordo com o Diagrama “Os sete dias da Criação” no Capítulo XIV do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, passamos por um intervalo involutivo que abrange os Períodos de Saturno, Solar e Lunar até a metade do Período Terrestre. Nessa peregrinação pela matéria, adquirimos os Corpos e veículos que agora possuímos, bem como foram despertados nossos três veículos espirituais, o que nos tornou um ser com uma constituição sétupla e prontos para nos desenvolver em um ser com constituição decupla.
Durante o Período de Saturno, quando éramos “semelhantes” ao que hoje são os seres do Reino mineral, alguns seres passaram pelo seu estágio “Humanidade”, como nós o estamos passando atualmente, mas pertenciam a uma Onda de Vida de evolução diferente: os chamados Senhores da Mente. O mais elevado Iniciado daquela longínquo Período de Saturno é um ser da Onda de Vida dos Senhores da Mente que conseguiu aprender tudo no Período de Saturno que um Senhor da Mente teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um ser Senhor da Mente, um veículo constituído de materiais das 5 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Vontade”, constituindo o ser Deus-Pai, ou simplesmente: Pai.
O mais elevado Iniciado do Período Solar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Arcanjos, é um Arcanjo chamado de Cristo que conseguiu aprender tudo no Período Solar que um Arcanjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Arcanjo, um veículo constituído de materiais das 4 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Sabedoria”, constituindo o ser Deus-Filho, ou simplesmente: Cristo.
O mais elevado Iniciado do Período Lunar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Anjos, é um Anjo chamado de Jeová que conseguiu aprender tudo no Período Lunar que um Anjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Anjo, um veículo constituído de materiais das 2 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Atividade”, constituindo o ser Deus-Espírito Santo, ou simplesmente: Jeová.
Temos aqui os estados dos três grandes Seres que, como líderes da evolução, são os mais ativos. Os Arcanjos não podem descer até a matéria física, porque não sabem construir nem um Corpo Vital e nem um Corpo Denso. Não pode descer aquém do Mundo do Desejo. Portanto, seu veículo inferior é o Corpo de Desejos, e como é uma lei cósmica ser impossível a um ser, criar um veículo que não tenha aprendido a construir durante a sua evolução, seria impossível para Cristo nascer em um Corpo Denso. Também não podia formar um veículo como o Corpo Vital, constituído de Éter. Não possuía a capacidade para agir nesta última substância, porque nunca a adquiriu em Sua evolução.
Assim para que Cristo nascesse como “um homem dentre os homens” os veículos necessários de Jesus, um ser humano pertencente à nossa Onda de Vida, um dos seres humanos mais elevados espiritualmente – um elevado Iniciado – um homem nascido de um pai e de uma mãe, ambos também elevados Iniciados, que praticaram a Imaculada Conceição sem paixão, cedeu voluntariamente, no momento do Batismo, o seu Corpo Denso e Corpo Vital ao Espírito Solar, o Arcanjo Cristo, que então conseguiu funcionar com um ser no Mundo Físico, conseguindo implementar no mundo material o início do Plano de Salvação e se converteu em mediador entre “Deus e o ser humano” pois é único que possui todos os veículos necessários para atuar como tal. Cristo-Jesus é, por conseguinte, absolutamente único, e a Bíblia nos ensina que não há “e em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”[1], sendo este o único Credo Cristão autorizado.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: At 4:12
Nos quatro Evangelhos se fazem referências dos Discípulos como pescadores, porém, é um erro tomar isto como se fossem homens ordinários. Ao contrário, eles eram Egos altamente evoluídos e sua associação com a “pesca” deve ser considerada como uma expressão simbólica. “Pescadores”, como está mencionado nos Evangelhos, indica aquele que está conscientemente no caminho espiritual. Vamos ver um exemplo nesse trecho:
“Certa vez em que a multidão se comprimia ao redor dele para ouvir a palavra de Deus, à margem do lago de Genesaré, viu dois pequenos barcos parados à margem do lago; os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. Subindo num dos barcos, o de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra; depois, sentando-se ensinava do barco às multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão: ‘Faze-te ao largo; lançai vossas redes para a pesca’. Simão respondeu: ‘Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas, porque mandas, lançarei as redes’. Fizeram isso e apanharam tamanha quantidade de peixes que suas redes se rompiam.” (Lc 5:1-6).
Esotericamente, o “pescado” se refere à Iniciação ou o processo de aprender a fazer uso dos poderes espirituais que foi gerado dentro de nós. Na época dos “três anos” de ministério de Cristo-Jesus, o Sol pelo movimento de Precessão dos Equinócios estava deixando o Signo de Áries, o cordeiro, e estava entrando no Signo de Peixes, o pescado ou os peixes. Assim, a antiga escola de Iniciação ou de desenvolvimento pelo Conhecimento Direto foi o da Dispensação de Áries, enquanto a Nova Dispensação tinha que ver com os “pescadores de homens”, a Dispensação de Peixes.
Afinal, já sabemos que cada vida neste plano terrestre não é mais que um dia na grande escola da existência e a experiência é o meio pelo qual progredimos.
No grande mar da vida usamos vários veículos para adquirir experiências de onde vem o crescimento da nossa alma, o crescimento anímico. Na medida em que usamos nossa sabedoria ou “redes” é para armazenar “pescados” ou “peixes” ou alimento para nós, o Ego – o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui –, assim progredimos no caminho espiritual para frente e para cima. Em nossa falta de sabedoria amiúde lançamos nossas “redes e não tiramos pescados”.
Por meio do desenvolvimento da nossa percepção espiritual por meio do amor e do serviço amoroso e desinteressado (e, portanto, o mais anônimo possível) ao irmão ou à irmã no seu entorno, procurando esquecer os defeitos deles e focando na divina essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade, nos capacitamos para dirigir nossas atividades sabiamente e, assim, traremos uma pesada “rede” de recompensa espiritual ou crescimento anímico.
À medida que imitemos a Cristo, amando e servindo aos nossos semelhantes, obtemos a habilidade de fazer o melhor de nossas experiências. Aprendemos onde temos que servir e como devemos servir o melhor que possamos.
Dentro das “profundidades” das realidades da vida lançamos nossas “redes” e enchendo-as até que se rebentem. Talvez nossas “redes” se rompam devido a que nossa sabedoria aumenta, às vezes, devido ao demasiado esforço que fazemos para servir.
Novamente, o mar simboliza esse reino espiritual que chamamos de Mundo do Desejo. S. Pedro disse a Cristo-Jesus: “Estivemos pescando toda a noite e não apanhamos nada“. Isto se refere aos esforços nos planos internos que não foram frutíferos devido à falta de conhecimento.
Não havia alcançado o ponto onde poderiam funcionar sozinhos, vantajosamente, nos planos invisíveis e, consequentemente, seus esforços obtiveram fracos resultados.
O poder de Cristo foi tal que Ele pode funcionar perfeitamente nos planos invisíveis, sendo o único que possuía todos os veículos para alcançar desde o Mundo Físico até o Mundo de Deus (doze veículos!). Ele ensinou aos Seus Discípulos como usar seus poderes espirituais e em certas ocasiões os elevava a estados de consciência espiritual muito mais elevada do que nas que ordinariamente funcionavam. Sob sua direção podiam assegurar “uma grande quantidade de peixes“.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Pergunta: Por que houve a necessidade de passarmos pelo Período Solar?
Resposta: Porque precisávamos continuar nesse Esquema de Evolução submergindo mais profundamente na matéria. Daí avançarmos para mais um passo: o Período Solar.
Pergunta: Então foram criados novos Globos?
Resposta: Sim, foram necessários novos Globos, cujas posições nos sete Mundos tinham que ser diferentes daquelas ocupadas pelos Globos do Período de Saturno.
Pergunta: Como assim?
Resposta: No Período de Saturno o Mundo mais denso estava situado na Região Concreta do Mundo do Pensamento, e no Período Solar o mais inferior dos Globos encontrava-se no Mundo do Desejo.
Pergunta: Quem preparou todos os Globos do Período Solar?
Resposta: Toda a preparação desses novos Globos e as demais atividades subjetivas estiveram a cargo das Hierarquias Criadoras. E esse trabalho foi feito durante o intervalo entre Períodos, que se chama Noite Cósmica, com a ajuda da Hierarquia Criadora Senhores da Chama.
Pergunta: E o que aconteceu com o Período de Saturno e seus Globos?
Resposta: Tenhamos sempre em mente que na criação de Deus nada se perde. O Espírito Virginal passa por cada Globo sete vezes, então, quando passou pela sétima vez no Globo A, este já começou a se desintegrar lentamente, pois não havia mais utilidade e assim aconteceu com os demais. O mesmo acontecerá com o Período Solar.
Pergunta: No Período Solar existia outro elemento que predominou em todos os Globos?
Resposta: No Período Solar os Globos eram esferas luminosas, brilhantes, de consistência análoga à dos gases. Portanto, existiam dois elementos, o Fogo e o Ar.
Pergunta: Qual era a Onda de Vida que estava atravessando o estágio “humanidade” no Período Solar?
Resposta: Era a Onda de Vida dos Arcanjos.
Pergunta: Na Onda de Vida dos Arcanjos algum ser se destacou na evolução?
Resposta: Sim, o mais elevado Iniciado desse Período foi Cristo, o “Filho”, que é um Arcanjo, isto é, o mais elevado de todos os Arcanjos.
Pergunta: Então, nesse caso, Cristo, o “Filho”, alcançou o segundo aspecto de Deus?
Resposta: Cristo foi o Arcanjo que aprendeu, no Período Solar, tudo que um Arcanjo deve aprender até o Período de Vulcano e, com isso, conseguiu criar um corpo com material formado de matérias do Mundo de Deus. Desse modo alcançou o mérito de exercer o segundo atributo de Deus, o de Sabedoria, que é o papel do Deus-Filho.
Pergunta: Então, qual é o veículo mais inferior de um Arcanjo?
Resposta: Normalmente, o veículo inferior de um Arcanjo é o Corpo de Desejos. Mas, o Cristo, o mais elevado Iniciado do Período Solar, emprega geralmente o Espírito de Vida como veículo inferior. Cristo tem o poder de construir e funcionar num veículo tão inferior como o Corpo de Desejos, o veículo usado pelos Arcanjos, mas não pode descer mais.
Pergunta: A Hierarquia Criadora Senhores da Chama também era responsável pela evolução do Período Solar?
Resposta: Quando a vida em evolução apareceu no Globo A na Primeira ou Revolução de Saturno do Período Solar, estava ainda a cargo dos Senhores da Chama, mas foram os Senhores da Sabedoria que tomaram a seu cargo a evolução material no Período Solar.
Pergunta: E qual foi a ajuda que os Espíritos Virginais receberam nesse Período dos Senhores da Sabedoria?
Resposta: Nesse Período os Senhores da Sabedoria (uma das 12 Hierarquias Criadoras ou Zodiacais) irradiaram de si mesmo o germe do Corpo Vital.
Pergunta: Nesse Período também houve o despertar de algum veículo nosso espiritual?
Resposta: Sim, na sexta Revolução desse Período a Hierarquia Criadora dos Querubins despertou em nós o nosso veículo espiritual Espírito de Vida.
Pergunta: Cite um dos trabalhos efetivos realizado nesse Período por essas duas Hierarquias.
Resposta: As duas Hierarquias (Senhores da Chama e Senhores da Sabedoria), na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar, em ação conjunta, se ocuparam em realizar certas melhoras no germe do Corpo Denso. Mudanças essas indispensáveis para que ele pudesse ser interpenetrado por um Corpo Vital, dando-lhe ao mesmo tempo a capacidade de desenvolver as glândulas e um canal alimentar.
Pergunta: Qual era o nível de desenvolvimento de consciência dos Espíritos Virginais no Período Solar?
Resposta: Nós, como Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, passamos pela nossa existência parecida com a Onda de Vida vegetal atual e tínhamos a consciência que hoje nomeamos de sono sem sonhos.
Pergunta: No Período Solar iniciou a Evolução um outra Onda de Vida, além da nossa?
Resposta: Nesse Período teve início a evolução da Onda de Vida animal.
Pergunta: E como era a consciência dessa Onda de Vida animal no Período Solar?
Resposta: Era semelhante ao que hoje é a Onda de Vida mineral: transe profundo.
Pergunta: Em qual Mundo iniciou o Período Solar nesse Esquema de Evolução?
Resposta: O Globo A, o primeiro de quaisquer Períodos, estava situado no Mundo do Espírito de Vida.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz!
Pergunta: Por que houve a necessidade de passarmos pelo Período Lunar?
Resposta: Porque precisávamos continuar nesse Esquema de Evolução submergindo mais profundamente na matéria. Daí avançarmos para mais um passo: o Período Lunar.
Pergunta: Então foram criados novos Globos?
Resposta: Sim, foram necessários novos Globos, cujas posições nos sete Mundos tinham que ser diferentes daquelas ocupadas pelos Globos do Período de Saturno e do Período Solar.
Pergunta: Como assim?
Resposta: No Período de Saturno o Mundo mais denso estava situado na Região Concreta do Mundo do Pensamento; no Período Solar o mais inferior dos Globos encontrava-se no Mundo do Desejo. Já no Período Lunar o mais inferior dos Globos encontrava-se na Região Etérica do Mundo Físico.
Pergunta: E o que aconteceu com o Período Solar e seus Globos?
Resposta: Tenhamos sempre em mente que na criação de Deus nada se perde. O Espírito Virginal passa por cada Globo sete vezes, então, quando passou pela sétima vez no Globo A, este já começou a se desintegrar lentamente, pois não havia mais utilidade e assim aconteceu com os demais. O mesmo acontecerá com o Período Lunar.
Pergunta: Como era a atmosfera dos 7 Globos do Período Lunar?
Resposta: Os sete Globos desse Período eram aquosos e a atmosfera era uma névoa ígnea.
Pergunta: No Período Lunar existia outro elemento que predominou em todos os Globos?
Resposta: No Período Lunar os Globos eram esferas luminosas, brilhantes, de consistência análoga à dos gases. Portanto, existiam três elementos, o Fogo, Ar e a Água.
Pergunta: Qual era a Onda de Vida que estava atravessando o estágio “humanidade” no Período Lunar?
Resposta: Era a Onda de Vida dos Anjos.
Pergunta: Na Onda de Vida dos Anjos algum ser se destacou na evolução?
Resposta: Sim, o mais elevado Iniciado desse Período foi Jeová, o “Espírito Santo”, que é um Anjo, isto é, o mais elevado de todos os Anjos.
Pergunta: Então, nesse caso, Jeová, o “Espírito Santo”, alcançou o segundo aspecto de Deus?
Resposta: Ele conseguiu aprender tudo que precisava aprender até o Período de Vulcano, alcançado o mérito de construir um Corpo com material do Mundo de Deus. Assim, se tornou responsável pelas atribuições divinas do Espírito Santo.
Pergunta: Qual é o veículo inferior de um Anjo?
Resposta: O Corpo Vital é o veículo cotidiano dos Anjos e, portanto, são especialistas em matéria etérica.
Pergunta: Até que Região do Mundo Físico os Anjos trabalham?
Resposta: A Região mais densa que os Anjos desceram nesse Esquema de Evolução foi a Região Etérica do Mundo Físico, ou seja, é até nessa Região que os Anjos trabalham.
Pergunta: Qual era o nível da nossa consciência?
Resposta: No Período Lunar tínhamos a consciência do sono com sonhos, uma consciência pictórica interna. Era uma consciência pictórica interna das coisas externas, tipo uma representação interna dos objetos, das cores e dos sons externos. Não víamos as coisas concretas, mas as qualidades anímicas.
Pergunta: Havia uma Hierarquia Criadora responsável nesse terceiro Período pelo desenvolvimento dos Espíritos Virginais, que já tinha o germe do Corpo Denso e do Corpo Vital?
Resposta: Nesse Período os Senhores da Individualidade (uma das 12 Hierarquias Criadoras ou Zodiacais) irradiaram de si mesmo o germe do Corpo de Desejos e, também, ajudaram na reconstrução do Corpo Denso e Vital e começaram, em forma germinal, a desenvolver o esqueleto, os músculos e os nervos.
Pergunta: E qual Hierarquia ficou responsável para despertar a contraparte espiritual do Corpo de Desejos?
Resposta: Os Serafins (outra das 12 Hierarquias Criadoras ou Zodiacais) despertaram em nós o nosso veículo Espírito Humano.
Pergunta: No Período de Saturno tivemos o desabrochar da Onda de Vida humana, no Período Solar, a Onda de Vida animal e no Período Lunar qual foi a Onda de Vida que iniciou sua evolução?
Resposta: Uma nova Onda de Vida que começou sua evolução ao princípio do Período Lunar é a vida que anima atualmente as nossas plantas – a Onda de Vida Vegetal – e, nesse Período, eram como hoje é a Onda de Vida mineral, ou seja, fazia a “crosta” ou a base onde evoluíam a Onda de Vida humana e a Onda de Vida animal.
Pergunta: Na Onda de Vida anterior do Período Solar houve seres que se atrasaram em sua evolução?
Resposta: Certamente. Em todos os Períodos sempre houve atrasados das Ondas de Vida.
Pergunta: Então, quais eram as classes de seres que iniciam no Período Lunar?
Resposta: a) Os Pioneiros dos Períodos de Saturno e Solar. Tinham os Corpos Vital e Denso, Espíritos de Vida e Divino, em forma germinal e ativos.
b) Os Atrasados do Período Solar que tinham Corpos Denso e Vital e, também, Espírito Divino, todos germinais.
c) Os Atrasados do Período de Saturno que tinham sido promovidos na sétima Revolução do Período Solar. Possuíam os germes do Corpo Denso e do Espírito Divino.
d) Os Pioneiros da nova Onda de Vida Solar que tinham os mesmos veículos que os da classe 3, mas pertenciam a um esquema de evolução diferente do nosso.
e) Os Atrasados da nova Onda de Vida Solar que tinham somente o germe do Corpo Denso.
f) Uma nova Onda de Vida que começou sua evolução ao princípio do Período Lunar e é a vida que anima atualmente as nossas plantas.
Pergunta: E na “humanidade” do Período Lunar houve atrasados na Hierarquia do Anjos?
Resposta: Os Espíritos Lucíferos foram os atrasados da Onda de Vida dos Anjos; eles não progrediram tanto quanto os Anjos, pois não conseguiam obter conhecimento sem um órgão interno, como faz um Anjo normalmente.
Pergunta: Se os Espíritos Lucíferos se atrasaram nesse Período, onde eles ficaram para evoluir?
Resposta: No final do Período Lunar houve uma divisão no Globo e a parte menor se tornou como um satélite para a evolução dos Espíritos Lucíferos. Algo parecido como a nossa Lua.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Pergunta: Qual é então, o primeiro Período do Esquema de Evolução ora em curso?
Resposta: No Esquema de Evolução em que estamos vivendo atualmente, o primeiro é o chamado Período de Saturno. É aqui que a Onda de Vida humana iniciou a sua manifestação ativa.
Pergunta: Qual era a nossa consciência no Período de Saturno?
Resposta: A consciência de transe profundo.
Pergunta: Nós como Espíritos Virginais no início da nossa peregrinação já éramos dotados de alguns poderes latentes?
Resposta: Sim, em nós estão contidas todas as possibilidades latentes do nosso criador, Deus, inclusive o germe da Vontade independente.
Pergunta: Quantos Globos existem no Período de Saturno?
Resposta: Como em todos os outros Períodos, 7 Globos de diferentes densidades de matéria.
Pergunta: Qual o elemento predominante em todos os Globos desse Período?
Resposta: Os sete Globos desse Período eram obscuros e quentes com substâncias muito mais rarefeitas e sutis, respectivamente, que o da nossa Terra atual.
Pergunta: Qual era o Globo mais denso nesse Período?
Resposta: O Globo mais denso desse Período estava situado na Região Concreta do Mundo do Pensamento.
Pergunta: Qual era a Onda de Vida que estava passando pelo estágio conhecido como “humanidade” nesse Período?
Resposta: Os Senhores da Mente .
Pergunta: Então os Senhores da Mente evoluíram a partir desse Período?
Resposta: Sim, todos os Senhores da Mente evoluíram a partir de então, tornando-se especialistas em matéria mental. Um específico Senhor da Mente, no final do Período de Saturno, conseguiu aprender tudo que um Senhor da Mente precisa aprender até o Período de Vulcano e, por isso, alcançou o mérito de construir um Corpo com material do Mundo de Deus. Assim, se tornou responsável pelas atribuições divinas do ‘Pai’, por ser o mais elevado Iniciado da “humanidade” do Período de Saturno.
Pergunta: Existia alguma Hierarquia Criadora que foi a principal responsável por nós no Período de Saturno?
Resposta: Sim, os Senhores da Chama.
Pergunta: Quais foram os principais trabalhos executados pelos Senhores da Chama em nós?
Resposta: Na primeira Revolução do Período de Saturno irradiaram de si mesmos o germe do nosso atual Corpo Denso. E na sétima Revolução do Período de Saturno despertaram em nós o nosso veículo espiritual mais elevado, o Espírito Divino.
Pergunta: Poderia explicar melhor quem eram os Senhores da Chama?
Resposta: Eram Seres elevadíssimos, assim chamados em virtude da brilhante luminosidade dos seus corpos e dos seus grandes poderes espirituais.
Pergunta: Qual era a nossa forma no início do Período de Saturno e onde habitávamos nos Globos desse Período?
Resposta: Nós ficávamos incrustados em todo o Globo; podemos dizer que o Espírito Virginal era algo similar a uma framboesa, ou melhor dizendo, o Globo era todo composto de grande número de pequenas framboesas. Vivíamos apegados a esse Globo.
Pergunta: E como eram as atividades dentro do Período de Saturno?
Resposta: Éramos, na época, como “jovens aprendizes”, estávamos nos adaptando e recebíamos toda a ajuda, externamente, proveniente das Hierarquias Criadoras. Éramos dirigidos totalmente de fora e assim passamos pelas sete Revoluções nos sete Globos desse Período.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Há milhões de anos atrás, um grandioso Ser solar que havia cumprido as Leis da sua esfera de ação com a máxima perfeição, tornou-se o Iniciado mais elevado da Onda de Vida dos Arcanjos. Esse Ser, chamado o Cristo Cósmico, funciona, normalmente, num veículo feito de substância do Mundo do Espírito de Vida, Mundo esse onde cessa toda a separatividade. Seu trabalho também se harmoniza e se relaciona com outros dois Grandes Elevados Iniciados de outras Ondas de Vida que também colabora com Deus na evolução criadora do Sistema Solar no Mundo de Deus.
No início da nossa jornada no Período de Saturno (o primeiro Período de um total de sete, que compõe o nosso atual Esquema da Evolução) foi fornecido o Átomo-semente do Corpo Denso, a nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana. Nessa jornada ou Esquema de Evolução, depois desse Período, passamos pelos Períodos Solar e Lunar e chegando ao início do Período Terrestre (o quarto Período). Lembramos, aqui, que cada Período é composto de 7 Globos e de 7 Revoluções em torno desses Globos de densidades diferentes. Nesse momento, nosso Campo de Evolução ainda estava no Sol. Com o tempo, verificou-se que o desenvolvimento desses Espíritos Virginais da Onda de Vida humana não acompanhava, com a mesma rapidez, os demais, atrasando a evolução do conjunto todo. Assim, os Planetas: Urano, Saturno, Júpiter, Terra, Marte, Vênus e Mercúrio foram expelidos do Sol, um a um, de forma a servirem de campo de atividades e evolução dos Espíritos Virginais em seus diferentes estados de desenvolvimento; cada um a distância exata necessária e com o tamanho e composições ideais para ser o melhor Campo de Evolução para cada grupo de Espíritos Virginais. Assim é que se formou o nosso Planeta, a Terra, separada do Sol, Campo de Evolução da nossa Onda de Vida humana.
A um certo tempo de evolução, já aqui no Planeta Terra, passamos a ser guiados e orientados pela terceira manifestação da Divindade ou o terceiro aspecto de Deus, nosso criador – o Espírito Santo, Jeová, o Iniciado mais avançado da Onda de Vida Angélica. É dele a autoria de todas as Religiões de Raça que serviu (e ainda serve, em algumas circunstâncias específicas) para nos conduzir a humanidade do Período Terrestre. Esse auxílio, prestado a toda humanidade nesta fase de desenvolvimento, teve a participação ativa de hostes de Arcanjos (como Espíritos de Raça) e Anjos (como Mensageiros e Anjos da Guarda) e foi prestado a partir de fora da Terra. Ou seja, foi necessário que as orientações para as nossas atividades na Região Química do Mundo Físico nessa época fossem dirigidas através de fontes exteriores.
Quando chegamos à metade quarta Revolução desse Período Terrestre, houve a necessidade de haver mais segmentações no nosso Campo de Evolução, a fim de facilitar a aprendizagem das lições que estavam reservadas para nós. Essas segmentações são chamadas de Épocas. Durante a Época Lemúrica e Atlante (a terceira e quarta das 7 Épocas, respectivamente) foi acrescentado um novo veículo em nossa evolução: a Mente. Também, foi na Época Atlante que surgiram, para nós, os seres atrasados da Onda de Vida dos Anjos, chamados Espíritos Lucíferos (ou Anjos Lucíferos ou, ainda, Anjos caídos). Eram atrasados porque não conseguiam evoluir no Esquema de Evolução dos Anjos sem a necessidade de um cérebro – tal como os Anjos que nunca precisaram de um – mas também não conseguiam construir um, já que, originalmente, os Anjos não necessitam. Naquela Época a nossa consciência ainda estava ligada aos planos superiores (ou seja: não estamos com a nossa consciência de vigília, focada na Região Química do Mundo Físico, como temos hoje). Os Espíritos Lucíferos sugeriram para nós que o cérebro era uma estrutura física, capaz de auxiliar-nos a entender como criar outros Corpos Densos, aqui nesse Mundo Físico, sem se sujeitar a direção de Jeová e dos Anjos (que era como era feito até então) e, assim, seríamos dono de nós mesmos e conheceríamos o bem e o mal.
Consequentemente, a grande maioria de nós (e não todos!) aceitou a sugestão e passou a viver dessa maneira: usando e abusando da força sexual criadora. Logo, derivando para ambições egoístas, aprendendo a mentir, a praticar a astúcia desenfreadamente, a desenvolver a vontade do “eu inferior”, a se revoltar contra os preceitos de Jeová. Sob a Lei de Consequência (ou Lei de Causa e Efeito) tivemos castigos severos por desobediência a essa Lei. Fomos divididos em Raças e essas em nações. A fim de entender que o “caminho do transgressor é sofrido” e nos dar a oportunidade da escolha, sempre que preciso, uma Raça era utilizada para guerrear contra outra: uma que obedecia aos preceitos do seu Senhor (Jeová) contra outra que insistia em não obedecer. E o objetivo aqui era que cada um controlasse o seu Corpo de Desejos.
Como quando o Átomo-semente da Mente foi dado a nós, estávamos acostumados a caminhar somente pelo desejo inferior (satisfazendo-o a qualquer custo e preço), então associamos a Mente juvenil um instrumento da natureza de desejos. Conclusão: facilmente a Mente se tornou um meio de justificar e arquitetar pensamentos que evidenciasse o nosso “eu inferior” (a Personalidade) e deixou de servir o “Eu Superior” (a Individualidade). Renascimentos e renascimentos aqui praticando o abuso da força sexual criadora, por meio de ondas de paixões, desejos inferiores, sensualidades, astúcias e mentiras nos assolou e criamos dívidas e mais dívidas de Destino Maduro (aquele que só há uma maneira de pagar: expiando). Até que a cristalização do nosso Corpo Denso (e a incapacidade do nosso Corpo Vital em vivificá-lo) se tornou de tal grau que quase não era possível evoluir nele; assim como a própria Terra – o nosso Campo de Evolução – foi-se cristalizando em grande intensidade até que surgiu o perigo de que toda a nossa evolução humana poderia chegar a um grau tão alto de cristalização que poderia surgir à segunda Lua da Terra!
Para evitar esta calamidade foi necessário um novo nível de ajuda espiritual que viesse até nós. Cristo, o Espírito do Sol, era o único que poderia nos ajudar, porque ele trabalha e domina totalmente a substância do Mundo do Espírito de Vida, o primeiro Mundo debaixo para cima onde cessa toda a separatividade, onde a fraternidade é um cotidiano, a partir do amor ágape – o amor verdadeiramente desinteressado e focado na divina essência do ser a que amamos. E isso foi feito por meio de um grande sacrifício cósmico. Ele, como qualquer outro Arcanjo, só conseguia construir, como veículo mais inferior, o Corpo de Desejos. Mas Ele precisava estar entre nós (viver o nosso dia a dia, para mostrar como a partir do nosso interior poderíamos sair dessa situação que nós mesmos nos colocamos), para sentir a dificuldade que estávamos sentindo e, assim, nos prescrever exatamente o que devíamos fazer para sair desse estágio perigoso. Assim, precisava se adaptar à existência material. Para isto teve que recorrer aos Corpos Vital e Denso de um ser humano. O mais indicado, pelo seu grau de evolução, foi o ser humano de Jesus. Ele cedeu, voluntariamente nesse renascimento, o seu Corpo Denso e o seu Corpo Vital à Cristo.
O Corpo Denso e o Corpo Vital de Jesus foram aperfeiçoados e sutilizados em sua juventude e até aos 30 anos de idade pelos Essênios, de forma a sintonizarem-se com as vibrações elevadíssimas para que mais tarde esses veículos pudessem ser cedidos por Jesus, no Batismo, a Cristo, quando as ligações entre o Corpo de Desejos de Cristo e os Corpos Denso e Vital de Jesus foram feitas. Esse foi o Seu primeiro passo do sacrifício cósmico: entrar nesses veículos (Vital e Denso). A dualidade deste maravilhoso “Ser” conhecido por Cristo-Jesus tornou-se única entre todos os Seres dos sete Mundos que compõe o universo. Só Ele possui os doze veículos que unem diretamente o ser humano no Corpo Denso a Deus. Ninguém melhor do que Ele podia compreender, com maior compaixão, a nossa posição e as nossas necessidades e nos trazer alívio total.
Nos três anos de seu ministério, Cristo-Jesus ensinou a verdadeira Religião Cristã Esotérica: a unificação futura de todos nós. O amor impessoal, focado na divina essência de um ser, e a Fraternidade Universal são os dois grandes mandamentos de Amor que constituem o alicerce imediatamente necessário à nossa evolução espiritual.
A Crucificação ocorreu no momento em que Cristo-Jesus deu o passo final e se tornou o Espírito Planetário da Terra. O sangue que jorrou da coroa de espinhos e dos ferimentos do seu Corpo Denso penetrou no Planeta Terra libertando Cristo dos veículos de Jesus e tornando-O o Espírito Interno da Terra. Nesse instante a Terra foi permeada com o Seu Corpo de Desejos que lavou os pecados do mundo, não do indivíduo. Assim, purificou o Corpo de Desejos que estava contaminado da Terra – o Mundo do Desejo –, libertando-a das influências negativas, inferiores e cristalizantes que se haviam acumulado e sendo tão nefastas para a humanidade. A partir deste momento, todos nós, com vontade e esforço, temos condições de purificar os nossos veículos e acelerar o nosso desenvolvimento espiritual – se quisermos –, pois foi possível o acesso a esta substância espiritual pura.
Devido a este extraordinário sacrifício, Cristo agora vive parte do ano limitado e oprimido na nossa Terra, aguardando o Dia de Sua Libertação. Esse tempo é marcado pelo Equinócio de Setembro quando Cristo toca a atmosfera da Terra e termina no Equinócio de Março, que marca o fim do trabalho na Terra voltando ao seio do Pai, para preparar o seu retorno no próximo ano.
Cristo sente todo ódio, raiva, egoísmo, astúcia, discórdia e todos os outros desejos, sentimentos e outras emoções, tomando os materiais das Regiões inferiores do Mundo do Desejo, que nós geramos todos os dias. Mas, Ele recebe também uma extraordinária ajuda dos Irmãos Maiores que trabalha, diariamente, para transmutar todo o mal em forma de pensamentos, sentimentos, palavras, atos, obras e ações em fatores positivos através de Sua força de vida. Mesmo sabendo que a maioria de nós não está ciente deste trabalho, nós como Estudantes Rosacruzes devemos procurar não expressar estes desejos, sentimentos e outras emoções, tomando os materiais das Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Se não o fizermos aliviaremos o sofrimento do nosso Salvador Cristo e apressaremos a Sua libertação.
A nossa dívida com o Cristo é imensa, e se quisermos começar a saldá-la, mesmo que muito modestamente, comecemos a praticar na nossa vida diária o serviço amoroso e desinteressado, servindo a divina essência do irmão e da irmã que vive ao nosso lado, no nosso cotidiano, seja quem for. Assim teceremos o Corpo-Alma, o veículo que encontraremos com Ele na Sua segunda vinda e nos possibilitará dar o próximo passo para frente e para cima nesse Esquema de Evolução. A decisão é nossa!
“Que as rosas floresçam em vossa cruz”
Não é possível para nós, por mais desenvolvido que estejamos no caminho da realização espiritual, expressarmos com palavras o que sentimos quando meditamos sobre o poder de expressão do Cristo. Esse estudo devotado nos colocará em contato direto com elevados conceitos que poderá nos abrir horizontes inimagináveis. Além disso, o contato com esses conceitos enriquece nosso próprio repertório de expressão que deve, cada vez mais, tornar-se puro, belo e verdadeiro.
No “Conceito Rosacruz do Cosmos”, de Max Heindel, lemos: “Cristo-Jesus possui os doze veículos que formam uma ininterrupta cadeia desde o Mundo Físico até o próprio Trono de Deus. Portanto, Ele é o único Ser do Universo que está em contato, ao mesmo tempo, com Deus e com o ser humano. É capaz desta mediação porque experimentou, pessoal e individualmente, todas as condições e conhece todas as limitações incidentais à existência física”.
Muitas Religiões exotéricas (que preconizam o Cristianismo popular) ensinam que Jesus Cristo é Deus. E de fato Ele É, pois possui estatura espiritual criadora tamanha que ganhou o privilégio de assumir o segundo aspecto do Deus Trino (o aspecto que conhecemos por Filho), correspondente ao segundo aspecto, o Verbo ou o Unigênito, do Ser Supremo que deu origem a todos os Sete Planos Cósmicos (veja mais detalhes no Livro o Conceito Rosacruz do Cosmos de Max Heindel, Diagrama 6). Assim, Cristo é também Deus, assim como o Pai e o Espírito Santo (Jeová) são também Deus.
Pelo estudo dos Períodos que deram origem a nossa manifestação é possível verificar que a Onda de Vida da qual Cristo faz parte é conhecida, entre os Estudantes Rosacruzes, como Arcangélica, ou seja, dos Arcanjos. Estes seres têm o Corpo de Desejos como seu veículo inferior no qual funcionam conscientemente (assim como nós temos o Corpo Denso como nosso veículo inferior pelo qual funcionamos conscientemente). Seu veículo mais sutil se encontra no Mundo dos Espíritos Virginais. Se observarmos o poder de expressão consciente dos Senhores da Mente, a Onda de Vida do Período de Saturno, verificaremos que estes possuem seu corpo mais denso no Mundo do Pensamento Concreto em que funcionam conscientemente, um Corpo Mental. Estes seres também possuem seus veículos mais sutis no Mundo dos Espíritos Virginais, mas em regiões mais superiores do que a dos Arcanjos.
Independente das regiões de expressão, todos os seres ordinários de uma Onda de Vida possuem sete veículos de expressão. No entanto, esse padrão de sete veículos parece não ocorrer entre os Iniciados de um Período. Estes se esforçaram ao ponto de desenvolverem corpos além daqueles que seus irmãos de mesma Onda de Vida normalmente empregam para se expressar. Cada novo corpo superior se robusteceu ao ponto de poder ser utilizado como nova expressão consciente.
Vamos utilizar o exemplo do ser humano que despertou seu interesse pela vida espiritual. Com o tempo, percebe que o objetivo de sua vida é criar um novo corpo de expressão consciente, que é o Corpo-Alma. O ser humano que atualmente já desenvolveu esse Corpo, pode conscientemente funcionar no Corpo Denso (como todos) e, também, funcionar na Região Etérica do Mundo Físico. Conforme ele se desenvolve no Caminho da Iniciação, poderá funcionar conscientemente em outros corpos mais elevados do que o Corpo-Alma. Um Irmão Maior, por exemplo, que é um ser humano que antecipou todas as lições da evolução, é capaz de funcionar conscientemente em seu veículo mental – pois já criou o Corpo Mental, e não somente o veículo Mente – sendo seu funcionamento equiparado a de um Senhor da Mente (superior aos Anjos e Arcanjos). No entanto, seria um erro dizer que este ser humano elevado seja equivalente a um Senhor da Mente. Este último é um Ser muito mais antigo e com outra concepção de evolução, bastante diferente do modelo de evolução humano. Do mesmo modo, seria um erro até mesmo compará-lo aos Arcanjos e Anjos.
Quando verificamos o poder de expressão do Cristo, verificamos que, por Ele ser um Arcanjo, também possui capacidade de funcionar conscientemente em um Corpo de Desejos. Mas conforme foi galgando Iniciações durante o Período Solar foi conquistando corpos e consciência mais elevados do que seus irmãos Arcanjos comuns. Em outras palavras, conquistou maiores poderes de expressão. Chegou ao ponto de possuir o Corpo mais inferior de funcionamento consciente no Mundo do Espírito de Vida, assim como os Senhores da Individualidade (a Hierarquia Criadora de Libra).
Quando alguém ganha a capacidade de funcionar conscientemente em um corpo mais sutil, significa que dominou totalmente o funcionamento do corpo anterior. Assim, quando conquistou a capacidade de funcionar conscientemente no Corpo Mental, significa que Cristo dominou seu Corpo de Desejos em sua plenitude, ou seja, não mais necessitava funcionar nesse Mundo com o objetivo de evoluir, pois tinha aprendido todas as lições. Se necessitasse utilizar esse Corpo para alguma ocasião específica, o faria com os materiais mais puros existentes neste Mundo. Quando ganhou a funcionalidade consciente no Espírito Humano, a mesma regra se aplicou em relação ao Corpo Mental. Ou seja, Cristo tem um Corpo Mental tão robusto que é capaz de focalizar e extrair conhecimento diretamente dos Arquétipos e com eficácia e capacidade jamais sonhada por qualquer ser humano (com exceção dos Irmãos Maiores que podem funcionar nesse Corpo Mental, mas que constitui sua máxima de expressão). Quem tem essa capacidade mental é capaz de extrair, imediatamente e com o poder da vontade, toda a vida de um conceito ou pensamento-forma, pois sabemos que os arquétipos entoam informações, o tempo todo, sobre sua origem e sobre o que de fato são. Quando Cristo ganhou a estatura de funcionar conscientemente no Corpo Espírito de Vida, significa que já possuía Corpo Espírito Humano perfeito, que é um corpo composto de materiais das ideias. Com o Seu corpo inferior no Mundo do Espírito de Vida, Mundo que possui a verdadeira Memória da Natureza, Cristo tem acesso imediato a toda história desse Sistema Solar criado por Deus. É o acesso direto à memória consciente de Deus. Quando Cristo ganhou a estatura de funcionar conscientemente no Corpo Espírito Divino, significa que já possuía Corpo Espírito de Vida perfeito, que é um corpo composto de materiais do Mundo do Espírito de Vida, o primeiro Mundo de baixo para cima onde cessa toda separatividade, onde a Fraternidade Universal é o cotidiano.
Como é possível notar, Cristo não possui apenas três corpos, que são as contrapartes de sua expressão Trina enquanto Ego. Em verdade, enquanto cada ser ordinário de uma Onda de Vida pode funcionar conscientemente em apenas um corpo (exemplo: ser humano ordinário só pode funcionar no Corpo Denso conscientemente), Ele, por sua vez, pode funcionar conscientemente em cinco diferentes corpos (Corpo de Desejos, Corpo Mental, Corpo Espírito Humano, Corpo Espírito de Vida e Corpo Espírito Divino). Finalmente tem seu Ego no Mundo de Deus.
No momento do Batismo do Jordão, o Espírito de Cristo “desceu dos Céus” até o Mundo do Desejo, Corpo que pode construir e se expressar conscientemente. No entanto, como Ele não é de uma Onda de Vida que funcione em Corpos inferiores aos do Mundo do Desejo, não possui o conhecimento de construção dos mesmos. Foi aí que Jesus, que é um ser humano muito elevado, cedeu para Cristo o seu Corpos Vital e o seu Corpo Denso. Com essa posse, Cristo teve capacidade de funcionar conscientemente em sete Corpos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos, Corpo Mental, Corpo Espírito Humano, Corpo Espírito de Vida e Corpo Espírito Divino). Um amplo leque de materiais e de expressões que é inconcebível para nós que podemos expressar apenas ações, palavras, desejos e pensamentos.
Aqui a aplicação do axioma hermético “como é em cima, assim também é embaixo” se faz necessário para entendermos a relação de Cristo para conosco e entendermos o Corpo que devemos utilizar para iniciarmos nossa caminhada rumo a realização espiritual. O Grande Ser Supremo se expressa de modo Trino (Poder, Verbo e Movimento). Deus nosso Pai, criador do nosso Sistema Solar, se expressa também de modo Trino (Pai, Filho e Espírito Santo). E isso não poderia ser de outro modo. Conforme já mencionado, Cristo ganhou a estatura que lhe permite assumir o Segundo aspecto de nosso Deus (o aspecto Filho). O ser humano, por ser imagem e semelhança de Deus, também se manifesta de modo trino (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano). O segundo aspecto do ser humano é exatamente o Espírito de Vida, que tem seu material de expressão no Mundo do Espírito de Vida, o mesmo Mundo pelo qual Cristo (também segundo Aspecto de Deus) pode funcionar conscientemente. Verdadeiramente, aquilo que é material de expressão do Ego para o ser humano é material de expressão consciente para o Cristo. Os veículos mais sutis de Cristo (seu Ego) estão em comunhão com o Mundo de Deus. Por isso o “Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.
A contraparte ou oitava inferior do Mundo do Espírito de Vida é exatamente a Região Etérica do Mundo Físico. Como Cristo é “o caminho, a verdade e a vida”, devemos nos esforçarmos para termos um corpo que é uma oitava inferior ao Seu Corpo de Espírito de Vida. Assim, mesmo dentro de nossa pequenez e limitação, podemos construir um Corpo que vibra no mesmo tom do Corpo Espírito de Vida de Cristo, mas uma oitava inferior. Esse é o nosso Corpo-Alma que é o mais suscetível a responder as influências deste segundo aspecto de nós, o Ego. Note que o Corpo-Alma é composto do mesmo material do Corpo de Cristo. Por isso se diz que todo desenvolvimento esotérico começa no Corpo Vital.
A mais profunda devoção e meditação de todo o Poder de Expressão do Cristo, que se sacrifica anualmente para nos salvar, pode nos ajudar a entrar em contato mais íntimo com Ele. Deste modo, poderemos responder mais intensamente as Suas vibrações, que são anualmente derramadas. Essa meditação constitui material importantíssimo que nos ajudará a quebrar paradigmas e a ampliar nossa compreensão sobre o amplo leque de materiais que um Ser pode possuir.
Que nesta época santa do ano possamos meditar, profundamente, sobre a constituição de Cristo, sua Religião universal (a Religião Cristã) que é o caminho, a verdade e a vida. Com isso, poderemos corresponder com uma vida mais intensa de serviço amoroso e desinteressado para com nossos irmãos e nossas irmãs!
Que as rosas floresçam em vossa cruz