Resposta: Nosso correspondente deseja nossa opinião a respeito do assunto, pois nós acreditamos nele e advogamos o ponto de vista de que a Era de Aquário (que ele chama de Idade Aquária) está próxima. Estamos, portanto, incluídos na classe de escritores que o editor acima citado denuncia como “charlatães”, mas não será por isso que deixaremos de atender ao nosso consulente a fim de lançar mais luz sobre o assunto. Não nos perturbamos pelo ataque, quando consideramos a sua origem.
A pergunta acima é daquelas que dependem de pontos de vista. Sabemos ser correto, como diz o editor, que o Sistema Solar nunca esteve e nem nunca estará em Aquário. Na realidade ele se afasta da constelação de Aquário. Sabemos também que o Sol nunca “se levantou nem nunca se levantará” e, contudo, não chamaremos de charlatão a pessoa que usar essas expressões. Sabemos que, do ponto de vista de um observador colocado sobre a Terra, o Sol parece se levantar, e o ocultista tem a mesma intenção ao dizer que vamos entrar em Aquário por Precessão dos Equinócios. Não perdemos tempo dizendo que, devido à rotação da Terra em torno do seu eixo, o Sol se torna visível às sete horas da manhã. Dizemos, simplesmente, que o Sol se levanta às sete horas. Pela mesma razão não dizemos que “devido à Precessão dos Equinócios parece que o Sol, quando visto da Terra, está se aproximando da constelação de Aquário ao cruzar o Equador por ocasião do Equinócio de Março”. Se o disséssemos, todos os astrônomos concordariam conosco a respeito do fenômeno observado no firmamento, embora pudessem discordar quando afirmássemos que isso influi sobre os afazeres da Humanidade. Em lugar de usarmos essa longa explicação, dizemos simplesmente que “o Sol se aproxima de Aquário”, e todos devem se abster de críticas antes de compreender o verdadeiro sentido daquilo que dizemos.
Enquanto isso os Estudantes Rosacruzes devem se familiarizarem com os fatos astronômicos de modo a poderem dar opiniões inteligentes que sustentem suas crenças. Estudantes Rosacruzes que estudarem a Filosofia Rosacruz e por meio dela adquiriram conhecimento dos fatos suprafísicos e, contudo, desconhecem os fatos mais comuns, fornecidos pela astronomia e pela fisiologia, não impressionam bem uma assistência, quando somos versados sobre os veículos mais sutis do ser humano devemos, também, conhecer, pelo menos, os fatos principais a respeito do Corpo Denso que todos veem. Quando falamos sobre a influência das estrelas devemos conhecer também algo a respeito dos movimentos mecânicos do firmamento, conhecidos e entendidos pelos astrônomos. A fim de que os Estudantes Rosacruzes, não familiarizados com esses fatos, possam ter discernimento a respeito do assunto, elucidá-los-emos rapidamente. Uma explicação mais detalhada é fornecida no Livro Astrologia Científica e Simplificada – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que pode ser lida aqui[1]:
Quando a Terra se move em sua órbita anual em torno do Sol, parece, quando observamos da Terra, que o Sol percorre o céu através de uma faixa estreita constituída de doze Constelações ou grupos de Estrelas que possuem certos nomes: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. Se o eixo da Terra fosse estacionário como o eixo de uma roda, veríamos o Sol sempre no mesmo lugar da Constelação em que estava no dia anterior, mas o eixo da Terra tem um movimento de oscilação semelhante a um pião que diminui de velocidade. Isso faz com que a posição aparente do Sol varie, quando observado da Terra, de maneira que ele atinge uma determinada posição um pouquinho mais cedo cada dia. Ele precede, e é por isso que os astrônomos falam de “Precessão dos Equinócios”. Isto é, anualmente o Sol parece cruzar o Equador, por ocasião do Equinócio de Março, uma curta distância antes do ponto em que cruzara no ano anterior. Desse modo, se em um determinado ano cruzou o Equador no primeiro grau de Áries, no ano seguinte cruzará o mesmo círculo ligeiramente dentro dos limites da constelação de Peixes. No ano seguinte estará ainda em Peixes, porém ainda mais distanciado do primeiro grau de Áries, e assim por diante. Contudo, esse movimento retrógrado é tão lento que o Sol leva, em torno de, vinte e seis mil anos para percorrer, em sentido inverso, todos os Signos ou, em torno de, dois mil e cem anos para atravessar um Signo, ou, em torno de, setenta anos para percorrer um grau do círculo.
Usualmente os astrônomos falam de “graus de Ascensão Reta”, por meio dos quais dividem o círculo celeste no número usual de trezentos e sessenta graus, começando no ponto em que o Sol cruza o Equador no subsequente Equinócio de Março. Eles chamam de Áries aos primeiros trinta graus a partir desse ponto. Touro, aos segundos trinta graus, etc., de maneira semelhante aos astrólogos. Há, pois, o Zodíaco Natural, composto das doze Constelações ou grupos reais de estrelas no firmamento, cuja variação é tão pequena que seu movimento é imperceptível mesmo que transcorram várias centenas de anos, e o Zodíaco Intelectual que começa no ponto do Equinócio de Março de qualquer ano determinado.
Ao observarmos que o Sol, por Precessão dos Equinócios, caminha em sentido retrógrado através dos Signos do Zodíaco, perceberemos que chegará uma época em que o Equinócio de Março ocorrerá no primeiro ponto de Áries: e então, durante esse ano, os Zodíacos Natural e Intelectual coincidirão. A última vez em que isso aconteceu foi em cerca de 500 D.C. e visto o Sol ter retrocedido a taxa média de cerca de um grau em cada setenta anos, torna-se evidente que atualmente o Equinócio de Março ocorre em mais ou menos dez graus de Peixes. Portanto, será em cerca de 2.600 D.C. que o Sol entrará realmente na constelação de Aquário. Ou melhor, para estarmos de acordo com os fatos científicos, digamos que parecerá quando observado da Terra, como se o Sol cruzasse o equador na constelação de Aquário. Durante dois mil e cem anos a partir dessa época, o Sol aparecerá como se estivesse na constelação de Aquário, por ocasião do Equinócio de Março. Portanto, podemos dizer que a Era de Aquário compreenderá dois mil e cem anos contados a partir de mais ou menos 2.600 D.C., durante os quais o Sol, por Precessão dos Equinócios, parecerá estar na constelação de Aquário quando cruzar o Equador no Equinócio de Março.
O leitor certamente já passou pela experiência de sentir, repentinamente, alguém atrás de si enquanto lia, escrevia ou estava absorto em qualquer outra tarefa, sem que, contudo, notasse a aproximação dessa pessoa devido à concentração na leitura ou no trabalho. Essa pessoa não falou nem fez ruído, contudo sua presença foi sentida cada vez mais agudamente até obrigar ao leitor se voltar. Esta é uma experiência muito comum, e certamente todos já passaram por ela. Mas qual a sua explicação? É simplesmente o seguinte: além do Corpo Denso, possuímos certos veículos invisíveis a visão física. Esses invólucros sutis estendem-se além do Corpo Denso de maneira que quando estamos perto de outra pessoa os Corpos Vitais se interpenetram, e quando estamos muito quietos e passíveis sentimos mais rapidamente essas influências sutis que em outras ocasiões, embora elas existam sempre e sejam sempre fatores potentes em nossas vidas.
“Como em cima, é embaixo” e vice-versa, é a Lei da Analogia, a chave mestra dos mistérios. Nós somos o microcosmo e as estelares (Astros, Planetas e Satélites naturais) o macrocosmo. Podemos concluir, portanto, que os grandes estelares que se movimentam no céu e são corpos de Espíritos têm veículos sutis semelhantes à aura atmosférica da nossa Terra. Por isso, quando o Sol se aproxima da constelação de Aquário, por ocasião do Equinócio de Março, ele transmite essas influências à Terra juntamente com os raios solares. Assim como a primavera é a época particular em que tudo se torna impregnado de vida, podemos também julgar que o raio de Aquário ao ser transmitido se torna sentido entre as pessoas da Terra, não importa elas creiam nisso ou não. Portanto, se pudermos perceber o que é a influência de Aquário, estaremos habilitados a responder à pergunta: “O que é a Era de Aquário?”. Partindo de um outro ponto de vista, a Astrologia Rosacruz nos fornece esta informação, baseada na experiência e na observação.
Aquário tem uma influência intelectual que é original, inventiva, mística, científica, altruística e religiosa. Se aplicarmos o lema Bíblico: “Conhecê-los-eis pelos seus frutos“[2] a esse problema, deveríamos esperar que a Era de Aquário seja anunciada por conquistas originais em todas as linhas ligadas à Ciência, Religião, misticismo e altruísmo. Podemos agora olhar, respectivamente, para os setenta anos anteriores em que o Sol avançou um grau em sua órbita, por Precessão dos Equinócios, em direção a Aquário. Verificamos que durante esse tempo houve uma mudança apreciável em todas as linhas de pensamento e de esforço que a história registra nos dois mil anos passados. Quase todas as invenções que fazem parte de nossa vida atual surgiram durante esse tempo. O telégrafo, o telefone, o emprego da eletricidade, a conquista do ar e do vapor, o motor a explosão e outras invenções em número muito extenso para serem mencionadas, estão marcando o progresso do Mundo Físico.
Notamos, também, a rapidez com que todos os movimentos de pensamento liberal a respeito de assuntos religiosos estão substituindo as condições antiquadas de crença limitada e o crescente número de pessoas que desenvolveram a visão espiritual e estão investigando as tendências da evolução nos planos superiores. Devemos, também, notar a rapidez com que a Ciência Divina da Astrologia Rosacruz ganha terreno.
Todos esses fatos mostram ou insinuam aquilo que devemos esperar que aconteça durante a Era de Aquário. Uma vez que tão grandes avanços foram feitos durante os setenta anos em que o Sol está apenas começando a transmitir a influência de Aquário, conjecturamos o que nos espera quando entrar realmente nesse Signo. Tanto as probabilidades estão muito além da mais arrojada imaginação, e isto se aplica tanto ao lado físico da vida quanta ao psíquico. É nossa opinião que pelo menos a visão espiritual desenvolver-se-á na maior parte da Humanidade, senão em toda ela, de maneira a remover, ao menos parcialmente, o aguilhão da morte através da companhia que então existirá com nossos inimigos e parentes que deixaram o corpo. Durante algum tempo continuaremos a vê-los e teremos tempo de acostumar-nos ao fato de que eles se dirigem a reinos superiores. Não lamentaremos pelas criancinhas que morrem e retêm seu Corpo Vital, pois elas, provavelmente, permanecerão com seus pais até que chegue a época de um novo renascimento o que, geralmente, ocorre na mesma família. Não haveria, pois, nesses casos, nenhuma sensação de perda.
Quando for alcançado esse ponto da evolução, a Humanidade também estará muito mais iluminada de maneira a evitar muitas das armadilhas que causam as perturbações atuais. O intelecto mais desenvolvido ajudar-nos-á a resolver os problemas sociais de maneira equitativa a todos, e o usa de maquinaria, constantemente aperfeiçoada, emancipará a Humanidade de grande parte da canseira física e deixará mais tempo e espaço para a melhoria intelectual e espiritual.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz dezembro/1972 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: Em ambos os lados da eclíptica, ou caminho do Sol, encontramos uma posição de estrelas fixas que formam doze grupos ou constelações, as quais são chamadas, “Signos do Zodíaco”. E são assim chamadas não porque lembrem os animais que se supõem representarem, mas porque sua influência tem desenvolvido, e continua empenhada em pôr em relevo para nós, as principais características personificadas pelo animal-símbolo. A ostensiva arrogância, a energia e a coragem derivadas de Áries não poderiam ser melhor simbolizadas senão pelo carneiro, assim como a calma, mas prodigiosa força e teimosa persistência provenientes das Hierarquias Criadoras que atuam conosco desde a constelação de Touro, não poderiam ser mais adequadamente representadas senão pelo simbólico touro. Às características dos outros Signos devem ser interpretadas de modo semelhante, pois o Zodíaco é a matriz do Sistema Solar. Algum dia, quando nós e uma miríade de outros seres, que agora evoluem em nosso Sistema Solar, tivermos aprendido todas as lições desta fase de existência, formaremos também um Zodíaco e executaremos serviço análogo para outros, conforme fazem agora por nós as doze grandes Hierarquias Criadoras.
Essas doze constelações são chamadas Zodíaco “natural”, e permanecem sempre nas mesmas posições relativas. Seus movimentos são diminutos, pois passam-se séculos sem que se notem mudanças consideráveis em suas posições. Daí podermos usar uma Tabela de Casas por toda a nossa vida, enquanto as Efemérides, que dão as posições dos Astros (Sol, Lua e Planetas), precisam ser calculadas a cada ano.
Todos os anos, no dia 21 de março, o Sol deixa o Hemisfério Sul, cruza o Equador celestial e entra nos graus de latitude norte, onde permanece durante meados de junho, todo o mês de julho, de agosto e meados de setembro. Mas, devido ao movimento vibratório dos polos da Terra, chamado de “Nutação” pelos astrônomos, o Sol cruza o Equador celestial um pouco mais cedo (precede) do que o fez no ano anterior, e como os dias e as noites são de igual duração no ponto em que o Sol cruza o Equador celestial ou equinocial, esse cruzamento antecipado é chamado de “Precessão dos Equinócios”.
Se não houvesse a Precessão dos Equinócios, o Sol entraria sempre na constelação de Áries no Equinócio de Março, mas por causa desse movimento de retrocesso de 1 grau a cada 72 anos, aproximadamente, o Equinócio de Março ocorre no 1º grau de Peixes cerca de 2.156 anos mais tarde. Após outro período semelhante de tempo, ele alcança por retrocesso o 1º grau de Aquário, e assim, através de todo o círculo de doze Signos, em cerca de 25.868 anos. Na época em que o Sol se encontrava (por Precessão dos Equinócios) no Signo de Touro, no Equinócio de Março, os antigos egípcios adoravam o sagrado “Boi Ápis”, e seus sacerdotes exibiam o Uraeus, ou símbolo da serpente, pertencente a Escorpião, o Signo oposto a Touro, para indicar que possuíam a sabedoria esotérica. Quando o Sol entrou em Áries por Precessão dos Equinócios, tornou-se idolatria para o “o povo escolhido” adorar o “Touro”, ou Bezerro de Ouro. Eles então deixaram o “Egito”, e passaram a depositar sua fé no “cordeiro”, o carneiro, que então havia sido “sacrificado”. Mas, de acordo com o símbolo esotérico de Libra, a balança da justiça, Signo oposto a Áries, ele há de voltar novamente como juiz. No ano 498 de nossa era, o Sol estava no 1º grau de Áries ao Equinócio de Março, e nos 1.418 anos que se passaram desde então recuou 19 graus e 42 minutos, de maneira que em 1916 o Sol cruza o Equador nos 10 graus e 18 minutos de Peixes, e no ano 2.654 estará na cúspide de Aquário.
Durante os 2.000 anos que decorreram desde que o Equinócio de Março ficou dentro da órbita de Peixes, os ritos religiosos têm exigido que os fiéis se benzam com a Água Pisciana nas portas das igrejas, e que as celebrações sejam efetuadas por sacerdotes cujos barretes (a mitra que se usa na cabeça) tenham um formato que lembre a cabeça de um peixe, sendo-lhes recomendado absterem-se de comer carne em certas épocas, nas quais devem comer peixe em substituição à carne animal de mamíferos ou aves. Também são instruídos a venerar a Virgem imaculada, pois Virgem é o Signo oposto a Peixes, e essa veneração prosseguirá, embora em grau decrescente, até que o novo ideal representado pelo Signo de Aquário e seu oposto, o Signo de Leão, haja suplantado aquele que tomou o lugar das Religiões primitivas: o Cristianismo ortodoxo ou popular.
Desde meados do último século a influência aquariana, focalizada pelo Equinócio de Março, se faz sentir porque a órbita do Sol é tão grande que alcança a cúspide de Aquário. Consequentemente, tem havido um despertar sem precedentes do pensamento e uma miríade de invenções jamais sonhada, nem mesmo como remotas possibilidades. Mas, na medida em que os anos passam, o Sol equinocial iluminará as Mentes de tal maneira que justificará que nossos netos falem desta época como de uma “idade negra”, e quando no ano 2.654 a entrada do Sol no Signo de Aquário introduzir-nos em uma nova Era, os seres humanos desse tempo estarão certos ao pensarem da Era de Peixes o mesmo que pensamos da Era anterior a Cristo.
Vemos então que existe um Zodíaco Natural, formado de agrupamentos de estrelas estacionárias, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes, e um Zodíaco móvel, que começa no ponto equinocial, não importando em que constelação ocorra. Os primeiros 30 graus a partir desse ponto são chamados Áries, os 30 graus seguintes são chamados Touro, e assim por diante. Isso constitui o Zodíaco Intelectual.
Essa pode parecer uma divisão arbitrária, mas é fato observado que, mesmo o Equinócio ocorrendo realmente nos 10 graus de Peixes atualmente, as atividades referentes ao Sol em Áries começam imediatamente após o Equinócio de Março.
Existe, contudo, uma combinação de Áries e Peixes que conta para certas mudanças evolutivas. Como dissemos acima, as doze constelações constituem o Zodíaco Natural e estão sempre nas mesmas posições relativas, mas devido ao movimento dos polos da Terra, o Sol cruza o equador num ponto ligeiramente diferente a cada ano no Equinócio de Março, e esse ponto de mudança é considerado na Astrologia como sendo o primeiro grau de Áries, o início do que chamamos de Zodíaco Intelectual. Esse Zodíaco muda a uma taxa, em média, de 50,1 segundos de ano para ano, 1 grau em 72 anos, 1 Signo em 2.156 anos, completando o círculo de 12 Signos em, aproximadamente, 25.868 anos. Esse movimento retrógrado é chamado de “Precessão dos Equinócios”.
Do ponto de vista materialista, parece não haver razão para essa alteração do Zodíaco, mas do ponto de vista do místico não é de modo algum arbitrária, ao contrário, é necessária e está em harmonia com o caminho espiral da evolução, seguido tanto pela estrela fixa quanto pela estrela do mar, observável em toda a natureza. Após a conclusão de cada ciclo, os Zodíacos Intelectual e Natural se ajustam (a última vez aconteceu em 498 d.C.), então começa um novo período mundial, uma nova fase de evolução, um ciclo da espiral mais elevado em que estamos sempre caminhando em direção a Deus. Mesmo sob o ponto de vista material é evidente que o caminho em espiral do Sistema Solar, observado pelos astrônomos, deve mudar o ângulo de incidência dos raios luminosos das estrelas fixas, e como o ângulo de incidência dos raios do Sol sobre nossa Terra possui o efeito de produzir as mudanças climáticas de verão e inverno, é razoável que uma mudança semelhante deve suceder-se à nossa mudança de posição em relação às estrelas fixas, o que pode ser responsável por mudanças graduais de condições, tais como estações de inverno menos frios e estações de verão menos quentes em algumas partes do mundo.
Além do mais, observou-se que as condições climáticas dispõem de um impacto nítido em nossas características ou inclinações habituais ou, ainda, no nosso modo de responder às emoções – nos sentimos de maneira diferente tanto no verão como no inverno – e não pode essa mudança lenta em relação às estrelas fixas ser a causa dessa mudança na humanidade, que conhecemos por evolução? O místico afirma que sim. Assim como os raios do Sol, pela mudança do ângulo de incidência, suscitam as folhas e flores da planta em determinado momento, e em outro as fazem murchar, assim também os raios das estrelas fixas suscitam e produzem as maiores mudanças na flora e fauna; eles são responsáveis pela ascensão e queda das nações e pela mudança marcada pela sensibilidade excessiva e alterações de humor impulsivas que chamamos de civilização.
Indo mais longe com a analogia, o Zodíaco Natural é composto pelas constelações que são vistas nos céus, e o Zodíaco Intelectual começa sua mudança no exato ponto onde o Sol cruza o Equador no Equinócio de Março. Essa é a época em que a Natureza faz nascer tudo aquilo que ela germinou no ventre dela no inverno anterior. Assim, o horóscopo do mundo muda de ano para ano. “Como em cima, assim embaixo”, é a Lei da Analogia e os mesmos pontos salientes são observáveis na evolução do ser humano, do micróbio, da estrela do céu e da estrela do mar.
No mapa natal do ser humano temos, também, o que pode ser chamado de horóscopo natural, que é o mapa levantado e calculado segundo as regras da Astrologia, em que qualquer Signo pode estar no Ascendente ou na Primeira Casa. A mudança do Equinócio de Março corresponde ao primeiro grau de Áries, no Zodíaco Intelectual, assim, o Ascendente no horóscopo de qualquer ser humano também tem uma influência correspondente a esse grau.
[2] N.T.: Mt 7:20
A história da Astrologia é a história do pensamento e das nossas aspirações. A ciência astrológica foi aperfeiçoada pelos magos filósofos da Época Atlante, estando, de um lado o surgimento do sacerdócio ariano e a profanação dos mistérios (ciências) e do outro o declínio dos últimos atlantes. Nesse momento começou a haver a separação: Astrologia e Medicina.
Os sacerdotes religiosos não mais exerceram o monopólio sobre as artes proféticas e médicas, separando-se da fundamental unidade entre as ciências físicas e espirituais. Surgiram novas categorias de: adivinhos e curadores, representantes do aprendizado da essência do conhecimento dividido e de fragmentos não cooperativos, assim como inúmeras partes discordantes: bruxaria, especialistas, comerciantes de horóscopos, experimentalistas, charlatães e supersticiosos.
Já na Idade Média, tivemos o nobre médico Paracelso dizendo: “Feliz o homem que não venha perecer pela mão de seu médico” e a Astrologia emitindo predições terríveis, com amuletos astrais, predizendo a sorte e superficialidades.
A despeito de tudo isso, grupos de seres humanos cultos e iluminados preservaram os segredos esotéricos da medicina e da astrologia, mantendo o conhecimento interpretado misticamente e os segredos espirituais: restaurados, ocultos do vulgo e dados somente àqueles que anelavam por coisas do espírito. Entre esses grupos de seres humanos estavam os Rosacruzes.
Agora, no Mundo moderno vemos educadores que ignoram os valores espirituais; vemos a ciência material tornar-se uma instituição orgulhosa, que ignoram a alma, fascinados pela matéria não deixando lugar para o misticismo. Como resultado, temos uma desilusão geral e um abatimento pela insignificância das coisas materiais: fuga, desespero e tristeza. Tudo isso, somado a proximidade da Era de Aquário, da qual já estamos sentindo as suas fraternas influências, presenciamos: a volta do misticismo – trazendo um novo padrão interpretativo; o interesse renovado pela Astrologia e Cura e um apego pela Teoria Microcósmica (conceito de ordem e relação universal).
Observem que os primitivos Rosacruzes se apegaram a Teoria Microcósmica – geralmente rejeitada pela ciência. Paracelso foi o expoente mais destacado deste conceito de ordem e relação universal: “Assim como existem estrelas nos céus, assim também há estrelas dentro do ser humano. Portanto, nada existe no universo que não tenha seu equivalente no microcosmo (o corpo humano)” e “O espírito do ser humano deriva das constelações (estrelas fixas); sua alma, dos estelares; e seu corpo, dos elementos”.
Vejam no Livro do Gênesis, na Bíblia onde lemos que “Deus fez o homem a Sua imagem e semelhança”. E ao definirmos o Macrocosmo como a difusão do cosmos infinita com as suas: ilhas, galáxias, nebulosas, estrelas, estelares, corpos celestes onde inumeráveis formas de vida estão sempre evoluindo e; o Microcosmo como as células do nosso corpo incontáveis como as estrelas do céu e inumeráveis categorias de coisas vivas, espécies, tipos, gêneros se desenvolvendo dentro: da carne, dos músculos, dos ossos, dos tendões, chegaremos à chave mestra para todos os mistérios: “Como é em cima, assim é embaixo”.
Aqui, então, podemos definir a Astrologia como a inter-relação das forças celestiais entre o Macrocosmo e o Microcosmo, entre o externo a nós e o nosso interior, além de ser uma instrumentadora para a realização da Lei de Consequência ou Lei de Causa e Efeito:
Que ninguém se iluda: só colhemos aquilo que semeamos.
A grande maioria de nossas doenças e enfermidades origina-se no nosso comportamento negativo face às circunstâncias e, quase sempre, envolvendo o nosso semelhante. É a velha história ou velho e misterioso conselho dado por Cristo no Sermão da Montanha: “se qualquer membro do teu corpo te escandalizar (o mau uso) arranca-o e joga-o fora…”. E é o que fazemos literalmente antes de renascer!
Vejamos, agora, a questão do diagnóstico das nossas doenças ou enfermidades. Obviamente há dois tipos: através de efeitos ou através da causa.
Através dos efeitos baseia-se em sintomas externos ou reação dos medicamentos
Através da causa vai à origem da doença ou enfermidade. É esse o método preconizado pela Astrodiagnose e Astroterapia, preconizadas pela Astrologia Rosacruz, envolvendo: o conhecimento dos melhores métodos para efetuar a cura; o tratamento que melhor o paciente responderá e o caráter do doente ou enfermo (forte, débil, negativo, emocional).
Pois, enquanto os exames médicos mostram as condições do nosso Corpo Denso no momento, o horóscopo mostra as doenças ou enfermidades latentes de toda essa nossa vida terrestre. Deste modo temos tempo suficiente para: prevenir-nos, minimizar os efeitos e até não ter essa doença ou enfermidade, pois: “os Astros impelem, mas não obrigam”!
E isso é possível porque a Astrodiagnose e Astroterapia indica o dia em que as crises vão se manifestar e quando as influências adversas diminuirão. Com o conhecimento de que a recuperação ocorrerá, nós temos forças para suportar e oferecer ajuda e esperança.
Todos sabem que estamos sujeitos aos seguintes tipos de doenças e enfermidades: física, emocional e mental.
Nós construímos nosso Corpo Denso e o controlamos. Havendo doença ou enfermidade nele concluímos que nós não fizemos o nosso trabalho como deveria ser. E isso é expresso nas duas classes de doenças e enfermidades apontadas em um horóscopo:
Para aplicarmos no estudo dessa ciência e dessa arte de obter conhecimento científico das doenças e enfermidades, das suas causas, segundo indicações dos Astros, e dos meios de curar é necessário, pelo menos 7 ações cotidianas para toda a nossa vida:
Que as Rosas floresçam em vossa cruz
Resposta: Mani ou Manes ou, ainda, Maniqueu nasceu próximo a Otesiphon, na Mesopotâmia, em torno do ano 227 da Era Cristã, morrendo por volta de 277. Com referência a seu pai, supõe-se ter sido membro da seita dos “Batistas”. Os ortodoxos negam seu sentimento Cristão.
Mani chamou a si mesmo “Eu, Mani, o Apóstolo de Jesus Cristo”; afirmando que vinha para dar cumprimento à profecia de Cristo. Reuniu os ensinamentos de Zoroastro com os de Buda e, provavelmente, com os princípios do Taoísmo e com os do Novo Testamento. Uma vez que o Maniqueísmo se relacionava pouco com o Novo Testamento, Mani, sendo persa, considerou desnecessário integrar-se primeiramente no Judaísmo, para depois converter-se ao Cristianismo.
A ortodoxia recusa aceitar como Cristão quem não aceite o Novo Testamento conjuntamente com o Antigo Testamento. Evidentemente, Mani julgou haver solucionado o problema do bem e do mal, bem como da realidade da natureza, o que se conclui após um estudo do que se encontra em seu sistema básico, idêntico ao que está exposto no Evangelho da Verdade, descoberto há alguns anos em Nag Hamadi, no Egito.
O aramaico foi o idioma oficial do Império Persa Ocidental, bem como foi o dialeto oriental, assim como o hebreu é o dialeto do ocidente. Em outras palavras, os persas tinham as mesmas palavras sagradas tal como os hebreus, mas em aramaico, que foi o idioma falado por Jesus. Mani escreveu em siríaco e persa e em “código” ou cifrado. Muitos livros Maniqueus foram descobertos em 1930.
A lenda dos Duendes Luminosos e dos Duendes Sombrios mencionada no Conceito Rosacruz do Cosmos[1] demonstra que os Maniqueus atribuíram a si a prerrogativa de solucionar o problema da conquista do Mal, da mesma forma que Max Heindel descreve. Entretanto os chamados escritos Maniqueus sobre a natureza da Verdade e da Realidade não pertencem à época de Mani, pois, como já foi dito, eles foram encontrados no Evangelho da Verdade, escrito em algum lugar por volta da metade do segundo século, ao passo que Mani viveu no terceiro século da Era Cristã.
A Angeologia Zoroastriana é, naturalmente, uma parte real do Cristianismo e do Judaísmo Esotérico. Não há dúvida que, durante o exílio, profetas hebreus e mestres zoroástricos trabalharam em conjunto, o que até a Bíblia demonstra.
Os Maniqueus exotéricos, contudo, não formam a Escola Interna de Mistério, a respeito da qual Max Heindel fala.
Tal como a Fraternidade Rosacruz é uma escola preparatória para a Ordem Rosacruz, assim é o movimento Maniqueu, incluindo os Cataristas ou Albigenses do sul da França, são a representação externa da Grande Escola de Mistérios nos Planos Internos.
Porém, todos os conceitos básicos espirituais do Maniqueísmo são, também, encontrados no Rosacrucianismo, por serem, naturalmente, universais, construídos sobre verdades eternas. Onde quer que haja Mentes abertas à verdade, esses conceitos estarão em evidência, pois somente o fanatismo e a intolerância vivem deles divorciados.
Até certo ponto a Cosmogonia maniquena é um tema da ciência, parcialmente baseada na “Revelação” (lida na Memória da Natureza) e parcialmente nas descobertas científicas externas. Os cientistas modernos estão reelaborando a sua Cosmogonia, modificando a hipótese nebular, descobrindo novos aspectos da evolução, da natureza, da matéria etc. e todas essas mudanças serão, eventualmente, incorporadas à Religião da Era de Aquário, a qual terá uma nova Cosmogonia.
Santo Agostinho foi um membro sem, contudo, ingressar na escola esotérica. No maniqueísmo existia um conjunto de ensinamentos internos, aos quais Santo Agostinho não teve acesso, atendo-se exclusivamente à escola externa. Sua mãe, Mônica, foi uma devota católica, orando continuamente para que ele se reintegrasse ao catolicismo.
Em virtude de tenaz perseguição que sofreu – perseguição essa vinda de todos os lados – a Ordem exotérica de Mani foi impelida a se esconder. Entretanto, os Maniqueus se disfarçaram e começaram a trabalhar de dentro dos agrupamentos de seus inimigos.
Mani foi crucificado pelo sacerdócio pérsico, pelos fanáticos e perseguidores que não admitiam seu Cristianismo. A Ordem de Mani existiu na Europa e na Ásia, podendo ser restaurada de alguma forma dentro de alguns séculos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz março/1967 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: do Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e a Iniciação: “Quando um ser humano do Período de Júpiter disser ‘vermelho’ ou expressar o nome de um objeto, apresentar-se-á à sua visão interna uma reprodução exata e clara do tom particular de vermelho em que esteja pensando ou do objeto de que esteja falando, reprodução essa que será também visível para o interlocutor. Não haverá mal-entendido quanto ao que pretende significar pelas palavras emitidas, porque os pensamentos e ideias serão visíveis e vivos. A hipocrisia e a adulação serão completamente eliminadas, os seres humanos se ver-se-ão exatamente como serão. Haverá bons e maus, mas as duas qualidades não se encontrarão mescladas na mesma pessoa. Haverá seres humanos perfeitamente bons e seres humanos completamente malvados, e um dos problemas mais sérios daquele tempo será a maneira de agir com estes últimos. Os Maniqueus, uma Ordem de espiritualidade ainda superior à dos Rosacruzes, estão atualmente estudando esse problema. Pode-se obter uma ideia antecipada dessas condições num curto resumo da sua lenda (Todas as ordens místicas têm uma lenda simbólica enunciadora dos seus ideais e aspirações).
Na lenda dos Maniqueus há dois reinos: o dos Luminosos e o dos Sombrios. Esses últimos atacam os primeiros, são derrotados e devem ser castigados. Contudo, como os Luminosos são perfeitamente bons, como, do mesmo modo, os Sombrios completamente maus, eles não os podem infligir nenhum mal, pelo que os castigam lhes fazendo o Bem. Para isso, uma parte do reino dos Luminosos se incorpora ao dos Sombrios e, desta maneira, com o tempo, o mal é transmutado. O ódio não será dominado pelo ódio; há de sucumbir ante o Amor.”
Na Nova Galileia teremos um corpo mais eterizado do que agora; viveremos no que hoje chamamos de ar em corpos luminosos, numa Terra feita de Éter. Pois viveremos na Região Etérica do Mundo Físico. Como resultado, esses corpos serão muito mais sensíveis aos impactos espirituais da intuição. Tal corpo nunca se cansará porque não haverá dia e nem noite. E a Terra, comparada com a que é hoje, será transparente também.
Para trabalharmos conscientemente nessa Época, já teremos desenvolvido e treinado uma vestimenta chamada Corpo-Alma (vestes luminosas) que será comum aos habitantes da Nova Galileia, o Reino do Cristo.
A Nova Galileia será um lugar de paz (Jerusalém), onde a Fraternidade Universal unirá todos os seres da Terra por meio do amor. Não haverá morte porque a Árvore da Vida, que é a faculdade de gerar a força vital, se tornará possível por meio do órgão etérico que existirá na cabeça daqueles que tiverem se desenvolvido, os quais serão os pioneiros da Humanidade daquela Época.
Na “Nova Galileia”, a próxima Sexta Época, o amor se fará altruísta e a razão aprovará seus ditames. A Fraternidade Universal se realizará plenamente e cada um trabalhará para o bem de todos. O egoísmo será coisa do passado.
O Amor e a Fraternidade prevalecerão e o Cristo (que terá vindo pela segunda vez) se apresentará, mas aparecerá somente em Corpo Vital. Será o Grande Unificador da Sexta Época e reinará como Melquisedeque (Rei e Sacerdote). Cristo anunciou um ensinamento sobre como isso ocorrerá, quando pronunciou estas palavras atualmente pouco compreendidas: “Se alguém vem a mim e não abandona seu pai, sua mãe, seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e até sua própria vida, não pode ser meu Discípulo”.
Mas, o dia e a hora da volta de Cristo ninguém sabe. Ainda não foi fixado. O sinal da nova Dispensação depende do tempo em que um número suficiente de nós tenhamos começado a viver uma vida de Fraternidade e de Amor.
Não devemos confundir a Era de Aquário com o Reino de Cristo. Tampouco devemos confundir a Era Aquariana com a Sexta Época (Galileia), pois, para citar as palavras de Cristo: “aquele dia e àquela hora, porém (em que Ele virá) ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai” (Mt 24:36).
No início da Sexta Época ocorrerá a mescla das diferentes nações e dessa mistura sairá o próximo “povo escolhido”, virá a “semente” para a última Raça. Teremos uma só Raça, a Raça Dourada, que sairá de todo esse processo de miscigenação das Raças e da nossa evolução. Depois disso nada mais haverá que possamos denominar propriamente de Raça.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Não nos queixemos e, sobretudo, não vivamos a criticar os outros.
Sabemos que a maioria das pessoas age assim; que esses hábitos anticristãos nos influenciam desde pequenos e hoje, também, nos acostumamos a repeti-los. É cômodo pôr a culpa de tudo nos outros. Sempre arranjamos um motivo plausível para justificar nosso modo de agir.
Sejamos honestos conosco mesmos. À luz dos conhecimentos ocultos adquiridos mediante a Filosofia Rosacruz, sabemos muito bem nossa posição neste mundo e como devemos proceder para alcançar o ideal. De que vale sabermos e continuar a agir como uma pessoa comum? Não é dito nos Evangelhos: “A quem mais foi dado, mais será exigido.”? (Lc 12:48).
Cuidado, pois, sabendo que o conhecimento nos traz maiores responsabilidades e consequências mais dolorosas. Por inúmeras razões devemos agir com otimismo e confiança.
Primeiramente, porque o pensamento, o sentimento, o desejo, a emoção, a palavra, o ato, a obra e a ação representam forças formadoras no Mundo do Desejo daquilo que criam no Mundo Físico. Pensar puramente, sentir nobremente e agir corretamente é expressar de modo integral a Trindade, como Espírito consciente.
Depois, é preciso pensar que tudo o que desfrutamos agora representa o que plantamos anteriormente. Não temos o direito de nos queixar, pois agimos como maus pagadores. Ademais, para corrigir nossa economia espiritual é preciso pagar o que devemos sem assumir novas dívidas, com o repetir das mesmas causas erradas do passado.
O reconhecimento de nossos erros, face à Sabedoria de Deus que nos deseja abrir o discernimento, é um ato de sabedoria e humildade, o primeiro passo para nossa regeneração.
Finalmente, não podemos fugir à sociedade que formamos. Ao contrário, “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28). Fomos diferenciados em nosso Deus (não de Deus) para adquirir experiências e não só recebemos os reflexos dos erros sociais, como também prejudicarmos nossos irmãos ou nossas irmãs com nossos desequilíbrios em todos os sentidos. Um pensamento falso, um desejo, sentimento, uma emoção mesquinhos, um impulso inferior, um ato, uma ação, obra indignos, tudo, tudo reflete na grande massa de que somos partes, tornando-nos corresponsáveis na situação do mundo em geral e da sociedade em que vivemos. Por que não tomamos consciência disso e mudamos o rumo de nossos esforços para um sentido sempre construtivo?
Criticamos. Porém, o que temos feito para corrigir, para melhorar? Ver apenas não adianta nada. Ao contrário, quem enxerga tem o dever de consciência de trabalhar para a correção e elevação das coisas, dentro dos limites da liberdade bem usada.
Muitas vezes notamos a inclinação que tem a maioria das pessoas para criticar as falhas. Basta que se peça uma solução para reduzir o número dos interessados! E, se a solução é boa, quando se pede ao que sugeriu tomar as providências práticas, então ninguém tem tempo, “é só um palpite”, “pensando bem” ou simplesmente um silêncio e um “abaixar de cabeça”. Com esse método, as críticas vão se acabando, aquelas pessoas vão se afastando e as pessoas bem-intencionadas permanecem e resolvem o problema de fato!
A questão é ver o que há de bom em tudo e agir confiantemente, fazendo o melhor possível, com otimismo, fé, humildade e espírito de renúncia. O que não se puder realizar será por falha ou porque não é chegado o momento. Muitas vezes é por falha.
Há pessoas extraordinárias, mas que açambarcam os encargos. Não sabem trabalhar em equipe. Em consequência, afogam-se no trabalho que atraíram e depois se queixam de que ninguém ajuda. Jamais poderão ser líderes (no bom sentido) se não aprenderem a reunir esforços, aproveitar em cada colaborador o que ele tem de bom (e sempre tem!) e coordenar os trabalhos. Além disso, devem-se estar munidas de entendimento e de gratidão. O incentivo certo na hora certa, a compreensão amorosa das falhas, com palavras prudentes a par de um estímulo e, sobretudo, o exemplo pessoal, são qualidades que devemos oferecer na direção de qualquer trabalho coletivo, para que tenhamos êxito.
Mas, e se aparece um elemento realmente perturbador, cuja ação se evidencie prejudicial aos interesses coletivos? Sim, sempre aparecem, ou para nos provar ou porque as forças das trevas se servem dos fracos para tentar desunir os esforços nobres. De todo modo, se há real união e amizade em uma equipe, se há vigilância e oração nos trabalhos, com algumas exortações amorosas ao faltoso, podemos conquistá-lo, ou então ele se afastará, por força da dissintonia de propósitos. Há sempre casos em que a “pedra de tropeço” acaba mal. Muitos se desviam do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, em proveito próprio e têm um fim triste – pois desistem de se desenvolverem na Escola Fraternidade Rosacruz –, consequência natural e proporcional dos seus atos.
De toda maneira não nos cabe julgar, senão cumprir nossa parte devidamente, agradecendo a todos e a tudo pelo que nos proporcionam de instrutivo e iluminador em nosso aprendizado neste mundo. Graças à heterogeneidade de tendências e aptidões em todos os campos é que aprendemos mais depressa, melhorando as nossas lições, tomando, ao mesmo tempo, um sentido de conjunto, formando uma ideia cada vez mais correta de um todo ideal, o que nos possibilitará a idealização e concretização da Era de Aquário.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1965– Fraternidade Rosacruz – SP)
Um conjunto de forças sutis está a nossa disposição e pode ser usado para melhorar e manter a saúde. Dia a dia vemos crescer o interesse pelos tratamentos alternativos que se utilizam da cor e do som, por exemplo, como um prenúncio de que na Era de Aquário saberemos utilizar essas forças para a cura.
Entre os meios mais importantes, o ar se destaca do alimento físico, porque seu oxigênio fornece a chama da vida para bilhões de células. Inumeráveis são as doenças que podem ser sanadas por uma respiração lenta e profunda de ar puro. O ar deve ser tão limpo quanto possível e o influxo abundante, se realmente o paciente quer ser curado.
A luz através dos olhos revivifica e promove o bom humor. Esta luz deve atuar livremente sobre a pele ou no mínimo ser permitida por roupas porosas do paciente. Nossa casa e nossas roupas devem ser de cores suaves e harmoniosas, pois cores escuras transmitem depressão e insalubridade.
O som é outro tipo de força sutil e imaterial que é utilizada na Cura Rosacruz, uma vez que a música adequada (que tenha harmonia, melodia e ritmo ligado às três Regiões Superiores do Mundo do Desejo que, por esse meio, se liga ao Mundo do Pensamento, o Mundo do som) é um agente terapêutico, um canal para o influxo da Força Cósmica, da Vida para nós.
Consideremos ainda que nos movemos num conjunto de pensamentos onde podemos usar a nossa vontade e o discernimento construtivamente, embora vez por outra contatemos algo contrário. Através de nossos estados mentais atraímos vibrações de otimismo, de esperança, de saúde, de fé, de persistência, de disciplina, de rejuvenescimento, de realmente querer ser curado.
Temos que acrescentar ainda que há um poder atuando em nós, mesmo durante o sono, regulando a respiração, a digestão, a circulação sanguínea, promovendo a restauração física emocional e mental, dando novo alento aqueles que se deitam cansados e fatigados à noite. Ao terminar o nosso dia, quando nos recolhemos para dormir, se esforçando por fazer o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção – do modo como se deve fazer – nos ajuda a tomar consciência cada vez mais deste “oceano de vida” no qual “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” e estarmos em harmonia com ele, gera e mantém uma vida saudável.
*Se você está doente e entende que precisa de ajuda, recorra ao Método de Cura Rosacruz, já utilizado por milhares de pessoas. O processo começa com o preenchimento de um Formulário que deve ser preenchido com caneta à base de tinta nanquim LÍQUIDA ou “pena mosquitinho” que você molha em um recipiente com tinta LÍQUIDA nanquim. As instruções detalhadas se encontram aqui: https://fraternidaderosacruz.com/category/cura/formulario-para-solicitacao-de-auxilio-de-cura-fraternidade-rosacruz/
**Se você conhece alguém que esteja doente e quer ajudá-la começa por oficiar o Ritual Devocional do Serviço de Cura nas Datas de Cura.
As instruções detalhadas se encontram aqui: https://fraternidaderosacruz.com/category/treinamento-esoterico/rituais-diario-e-semanal/ritual-de-cura
(Publicado no Ecos da Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP – novembro-dezembro/2001)
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que existem duas dificuldades muito comuns na prática dos tratamentos pela imposição das mãos: uma é a de extrair do paciente algo que é venenoso e daninho e que provoca a doença ou enfermidade; a outra, a infusão da energia vital pela própria pessoa que está usando esse método.
Quem quer que tenha feito algum trabalho dessa espécie sabe isto porque sentiu, bem como sentirá todo aquele que o praticar com êxito. Pois bem, a menos que a pessoa que esteja praticando tenha uma saúde excelente, duas coisas podem acontecer: ou os miasmas humanos extraídos do paciente podem contaminá-la e vencê-la, tomando ela o lugar “do enfermo”, ou então pode lhe infundir demasiada quantidade de sua própria força vital e ficar completamente debilitada.
Às vezes acontecem as duas coisas, simultaneamente, chegando um tempo em que a pessoa se encontrará esgotada e é obrigada a descansar.
Isto é algo difícil de evitar, salvo para aqueles que possam ver os eflúvios etéricos que tomam ou que dão. Muitas pessoas são como vampiros quando estão enfermas, e quanto mais fortes e robustas em estado normal, tanto piores são quando a enfermidade as lança no leito.
É evidente que a imposição das mãos é algo que não se deve fazer indiscriminadamente e só a devem praticar as pessoas devidamente treinadas. Os Probacionistas que vivem meritoriamente recebem treinamento especial dos Irmãos Maiores.
Vamos ver um exemplo de uma pessoa que apresentou esse talento de curar por meio da imposição das mãos e que graças ao seu desenvolvimento pelo lado místico conseguiu utilizar tal talento para ajudar na cura de muitas pessoas.
Comecemos alertando que a despeito dos quadros, muitas vezes dolorosos, que a mídia escrita ou falada e os noticiosos de TV nos oferecem diariamente, nosso ânimo, como Estudantes Rosacruzes, não se deixa abalar. Os acontecimentos conturbadores destes tempos que estamos passando, ao contrário do que pensa a maioria, constituem o prenúncio de uma nova Era. Vivemos uma fase de transição. E como só acontece em épocas de mudanças tão bruscas e velozes, o mundo parece se envolver numa atmosfera de confusão, exotismo e fatos surpreendentes.
Muitos leitores indagam: Há uma relação entre esse estado de coisas e a futura Era de Aquário?
Nós afirmamos que sim. O Sol entrou na Órbita de Influência de Aquário em meados do século XIX. O Signo de Aquário é regido por Urano. Sua palavra-chave se expressa por meio de conceitos como: originalidade e renovação. A captação e transmissão das energias elétrica, solar e atômica, das telecomunicações, da internet, o surgimento de novas invenções, a conquista do ar, são algumas das manifestações aquarianas. Isso tudo traz mudanças sacudindo o pó de velhas e obsoletas estruturas, às quais a Humanidade tende se acomodar. Eis porque a transição gera aparentes desequilíbrios.
O Planeta Terra passa por transformações gradativas. Ele está se refinando. A ação do Cristo contribui para isto. Nós – o microcosmos – também nos renovamos. Nossos veículos se purificam, tornando-os, dia a dia, mais sensíveis às vibrações espirituais. Mas tal não ocorre uniformemente. É fácil deduzir a causa: nem todos se encontram no mesmo nível evolutivo. Em termos relativos, poucos respondem corretamente às vibrações aquarianas.
Assim, não nos espantemos com relatos sobre o desenvolvimento de poderes paranormais. Eles se tornarão cada vez mais comuns e suas manifestações mais numerosas. E alguns, como o que abaixo transcrevemos do jornal “Folha de São Paulo”, constituem boa matéria para estudo e meditação.
“Eu não entendo nada de parapsicologia e nem de fenômenos extrassensoriais, mas acredito possuir um dom extraordinário, através do qual posso aliviar os males dos meus semelhantes”, declara o francês Aldo Moreau de la Meusse, de 65 anos de idade, agricultor por profissão e há 27 anos radicado no Chile. Ele vive na comunidade de Las Condes, nos arredores de Santiago, numa casa estilo campestre, onde, diariamente, formam-se filas de enfermos, certos de aquele homem alto e espigado, de olhos de forte mirada, fala mansa e vestir elegante, poderá curá-los.
O “tratamento” é simples: Aldo coloca suas mãos sobre o doente. E, quase sempre, esse fica curado, ou as dores cessam como por encanto. A maioria considera milagre o que ele faz, mas o doutor Brenio Onetto, a maior autoridade chilena em parapsicologia, tem outra opinião sobre o caso: “Existe uma energia ou capacidade psicocinética que as pessoas possuem em sua natureza. Acredita-se que fortes descargas elétricas que emanam do cérebro sejam capazes de variar o equilíbrio de certas matérias. Toda pessoa tem capacidade de percepção extrassensorial, mas existem algumas que têm um sentido muito agudo. É o que nós chamamos psicocinese, ou melhor, o poder da mente sobre as coisas em movimento, neste caso sobre o corpo”. O doutor Onetto tem fortes razões para acreditar no poder de Moreau: ele curou a sua mãe, que sofria de uma úlcera. Nenhum médico conseguira tratá-la. Depois que Moreau colocou as mãos sobre o corpo da mãe do parapsicólogo, a mulher ficou boa.
Enquanto viveu na França, nada de anormal aconteceu com Aldo Moreau.
Ele estudou Direito na Sorbonne, mas não conseguiu exercer a profissão, pois logo depois de formado foi vítima de um terrível acidente automobilístico, ficando entre a vida e a morte. Onze dias em coma, hemorragias, fratura do crânio, chegou a ser desenganado pelos médicos. De repente, e como por milagre, ficou bom. “Compreendi que uma força sobrenatural me protegia”, conta ele. E essa crença acentuou-se ainda mais quando recebeu um tiro e a bala não lhe causou quase nenhum mal. Mais tarde, viajou para o Chile, onde sofreu um novo desastre de automóvel. Estava com o sogro, e esse morreu no acidente. Aldo Moreau, no entanto, saiu do carro arrebentado sem um só arranhão. Atualmente, ele tem ótima saúde.
Tudo teve início numa certa noite, quando dormia na casa dele em Santiago. Ao acordar sentiu a estranha sensação de que poderia curar seus semelhantes. Pensou que tudo não passasse de uma alucinação, mas a coisa voltou a se repetir por três dias seguidos. Compreendeu, então, que “era uma mensagem de Deus”. Conta ele:
— Tive a certeza de que o Todo Poderoso me concedera dons especiais para fazer o bem. Uma estranha força apoderou-se das minhas mãos. Primeiro da direita, e logo em seguida da esquerda, que tremia de forma inexplicável, como nunca acontecera antes”.
Aldo Moreau passou, então, a receber enfermos em sua casa. E a curá-los. Hoje, essas curas atingem a centenas, e ele confessa não se lembrar da maioria. Ao seu lado, porém, está sempre presente um menino. Esse garoto encontrava-se num hospital de Santiago, vítima de graves queimaduras. Durante vários dias, Aldo Moreau foi visitá-lo, colocando as suas mãos em cima do corpo da criança. As feias feridas fecharam, sem deixar uma só cicatriz.
— Também já consegui aliviar as dores de portadores de câncer. Alguns pacientes declararam estar curados, mas eu não comprovei pessoalmente nenhuma cura.
Quando querem saber o que ele sente, ao “curar os enfermos”, Moreau explica:
— Primeiro, um calor suave e logo uma corrente elétrica, que se inicia na mão direita, passando depois também para a esquerda. Alguns enfermos sentem calor ou frio. Outros, não sentem nada. Meus dedos se movem horizontalmente e de uma maneira muito estranha.
Aldo Moreau reconhece que devolveu a visão a muitos cegos, e que já tratou de úlceras, doenças do fígado, diabetes e outras enfermidades. E crê firmemente que possui um dom divino.
A advogada Alma Wilson, bastante conhecida em Santiago, foi uma das pessoas curadas por esse francês. Ela sofria terrivelmente de uma nevralgia, e nenhum médico conseguira aliviar suas dores.
“Aldo Moreau me curou totalmente. Nunca mais senti nada. Conheço um rapaz cego, que voltou a ver, depois que ele lhe colocou as mãos em cima.”
Embora confessasse nada entender do assunto, quando perguntaram a essa advogada o que acontece com os 85% da capacidade mental que o ser humano não utiliza, ela respondeu: “Ninguém o sabe ao certo, mas eu creio que no cérebro existem poderes ocultos que ainda não foram descobertos. Talvez nesse mundo desconhecido esteja a explicação para essas curas milagrosas que vêm assombrando o mundo…”. Talvez.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)
Abril de 1918
Depois de escrever a lição dos Estudantes Rosacruzes e pensar sobre as várias fases da Páscoa e os eventos que aconteceram naquela época de acordo com a história na Bíblia, ocorreu-me que a Bíblia é um livro selado para aqueles que não têm os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental e um conhecimento da Astrologia Rosacruz, que é esotérica. Então decidi usar essa carta para elucidar um dos pontos que se apresentaram diante da minha Mente.
Você, provavelmente, se lembra que, de acordo com o Evangelho Segundo S. Lucas (Capítulo 22[1]), Cristo enviou S. Pedro e S. João com instruções para procurar um homem que carregava um cântaro de água e entrar na casa para onde ele fosse, pois ali seria realizada a Páscoa. Mais tarde, naquele local, somos informados que Ele deu aos Apóstolos o pão e a água que constituíam a Nova Aliança, declarando que não beberia mais do fruto da videira. Isso é totalmente mal compreendido. Para a grande maioria, o homem com o cântaro de água não tem significado, nem o fato de que a Páscoa foi celebrada na casa dele e não em algum outro lugar. As pessoas também acreditam que Cristo deu vinho para beber aos Seus Discípulos, enquanto a Bíblia diz exatamente o contrário. Há um grande significado nessa história, quando a lemos tal como está escrita e a examinamos à luz do ensinamento esotérico.
Primeiro, lembremo-nos de como os líderes da Humanidade deram a cada nova Raça um certo alimento apropriado, conforme elucidado minuciosamente no livro Conceito Rosacruz do Cosmos. Resumidamente, o vegetal foi dado a Caim, o ser humano da Segunda Raça da Época Atlante[2], que era semelhante a uma planta e tinha um Corpo Vital. Para Abel, o ser humano da Terceira Raça, que tinha um Corpo de Desejos, o leite foi fornecido. Para Nimrod, o ser humano da Quarta Raça, que tinha uma Mente, foi dado carne animal.
O vinho foi fornecido para Noé, o ser humano da Quinta Raça[3]. Isso fez dele um egotista sem Deus, de modo que a “desumanidade do homem para com o homem” se tornou uma palavra de ordem; mas também o ajudou a atingir o nadir da materialidade de sua evolução material. Agora, porém, o foco na evolução espiritual é a palavra de ordem, e as ideias altruístas devem ser fomentadas, ou pelo menos começar a germinar, para que essas possam ser expressos pela última Raça que teremos na Sexta Época[4]. Isso, novamente, requer uma mudança na dieta.
Enquanto essas etapas da evolução foram ocorrendo o Sol, pelo movimento da Precessão dos Equinócios, circulou o Zodíaco muitas vezes. Mas cada etapa foi inaugurada sob um Signo específico, e cada uma foi precedida e sucedida por ciclos menores que eram réplicas das grandes Eras e Épocas evolutivas. Assim, os últimos seis ou sete mil anos – enquanto o Sol passava, por meio do movimento da Terra que conhecemos como Precessão dos Equinócios, por Touro, o Signo do touro, Áries, o Signo do carneiro, e Peixes, o Signo de Água e fluídico – testemunhamos Eras de desenvolvimento material, fomentadas “pela carne e pelo vinho”. Até mesmo Cristo, no início do Seu ministério, transformou a água em vinho, ratificando o seu uso contínuo durante a Era de Peixes. Mas no final de Sua primeira vinda aqui, Ele enviou Seus Discípulos para preparar a Páscoa na casa do Aguadeiro, e ali aboliu “a carne e o vinho”, dando “o pão e a água” como a Nova Aliança para o Reino de Deus, onde Ele reinará como o Príncipe da Paz.
Alguma coisa poderia ser mais clara? Cristo é o Espírito do Sol, e quando o Sol passar sobre o equador no Equinócio de Março no Signo do Aguadeiro, a Era de Aquário será inaugurada, na qual a dieta sem carne animal e sem bebidas alcoólicas da Nova Aliança estará em voga e uma Era de altruísmo irá nascer. Estamos começando a sentir essa influência benéfica agora, embora ainda esteja a séculos de distância, e estamos aqui para ajudar a nos preparar para aquele momento.
Portanto, cabe a nós purificar-nos fisicamente, moralmente, mentalmente e espiritualmente para que possamos ser um exemplo brilhante para os outros e, assim, conduzi-los à grande Luz que tivemos a sorte de ver. Lembremo-nos também de que quanto maior for o nosso conhecimento, maior será também a nossa responsabilidade pela sua correta utilização e, a menos que vivamos de acordo com estes ideais, mereceremos maior condenação.
(Carta nº 89 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Lc 22:7-13: Veio o dia dos Ázimos, quando devia ser imolada a Páscoa. Cristo-Jesus então enviou Pedro e João, dizendo: “Ide preparar-nos a Páscoa para comermos”. Perguntaram-lhe: “Onde queres que a preparemos?”. Respondeu-lhes: “Logo que entrardes na cidade, encontrareis um homem levando uma bilha de água. Segui-o até à casa em que ele entrar. Direis ao dono da casa: ‘O Mestre te pergunta: onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos?’ E ele vos mostrará, no andar superior, uma grande sala, provida de almofadas; preparai ali”. Eles foram, acharam tudo como dissera Cristo-Jesus, e prepararam a Páscoa.
[2] N.T.: as 7 Raças atlantes: Rmoahals foi a primeira Raça dos Atlantes; a segunda Raça atlante foi a dos Tlavatlis; os Toltecas formaram a terceira Raça atlante; os Turânios originais foram a quarta Raça atlante; os Semitas Originais foram a quinta e mais importante das sete Raças atlantes; os Acádios foram a sexta e os Mongóis a sétima das Raças atlantes.
[3] N.T. da Época Atlante: a Raça dos Semitas Originais.
[4] N.T.: As Raças são traços evanescentes da evolução. É ligada ao Deus de Raça, Jeová, o Espírito Santo. Ele é autor das Religiões de Raça. Estão com Jeová, nessa função, alguns Arcanjos que aqui são chamados de Espíritos de Raça. Antes do aparecimento de Jeová, quando a Terra era ainda parte do Sol, havia um Espírito-Grupo-comum, composto de todas as Hierarquias Criadoras, que governava toda a família humana. Porém, como se desejava fazer de cada corpo o templo e o instrumento flexível e adaptável de um espírito interno, isto se traduzia numa divisão infinita de guias. Jeová veio com seus Anjos e Arcanjos e fez a primeira grande divisão em Raças, tornando influente em cada grupo, como guia, um Espírito de Raça, um Arcanjo. Raças só ocorrem quando se passa pelo Nadir da Materialidade. Nesse Esquema de Evolução existirão 16 Raças: uma na Época Lemúrica, 7 na Época Atlante, 7 na Época Ária e 1 Época Nova Galileia. Não devemos no identificar com a Raça. Com a primeira vinda do Cristo foi inaugurada a “miscigenação das Raças”. Antes de terminar a Época Lemúrica houve um povo eleito, o antecessor das Raças atlantes, diferente da Humanidade comum daquele tempo. Da quinta Raça Atlante foi selecionado outro “povo escolhido”, de que descenderam as Raças árias (sete ao total). Cinco Raças árias já passaram (a Ariana, que se dirigiu para o sul da Índia; a Babilônica-Assíria-Caldaica; a Persa-Greco-Latina; a Céltica; a Teuto-Anglo-Saxônica) e haverá mais duas Raças que se desenvolverão na nossa Época atual (uma delas é a Eslava.). Antes do começo de uma nova Época, haverá “um novo Céu e uma nova Terra” (Ap 21:1), isto é, mudarão os caracteres físicos da Terra. Sua densidade diminuirá também. Da mescla das diferentes nações como, por exemplo, atualmente acontece nos Estados Unidos da América, virá a “semente” para a última Raça, no início da Sexta Época, a Época Nova Galileia. Depois, desaparecerá todo o pensamento ou sentimento de Raça. A Humanidade constituirá uma vasta fraternidade sem qualquer distinção. As Raças são simples degraus evolutivos pelos quais devemos passar; caso contrário não haveria progresso algum para os espíritos que nelas renascem. Porém, embora necessários, são degraus extremamente perigosos e obrigam os Líderes da Humanidade a agir com muito cuidado. Eles chamam a essas dezesseis Raças “os dezesseis caminhos da destruição”, porque nas Épocas precedentes, quando não havia Raças, as mudanças só se efetivavam depois de enormes intervalos, o que permitia à maioria das entidades prepararem-se com mais facilidade. Porém, as dezesseis Raças nascem e morrem em tempo tão relativamente curto que existe o perigo muito grave de adesão demasiada a condições que devem ser deixadas atrás. Ou seja, as Raças, comparativamente, são fugazes. Por isso, deve-se agir com muito cuidado a fim de impedir a aderência demasiada dos espíritos aos caracteres raciais. Cristo é o Grande Unificador da Sexta Época, a Época Nova Galileia, e anunciou esta lei quando pronunciou estas palavras pouco compreendidas: “Se alguém vem a mim e não abandona seu pai, sua mãe, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida, não pode ser meu Discípulo” (Mt 10:37). “Quem quiser ser meu Discípulo, que tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24). “… quem não abandonar tudo o que tenha não pode ser meu Discípulo” (Lc 14:26). Isto não quer dizer que devemos deixar ou desprezar os laços familiares, mas que devemos elevar-nos acima deles. Pai e mãe são “Corpos” e todas as relações são questões da Raça, pertencentes à Forma. As Almas devem reconhecer que não são Corpos, nem Raças, mas sim Egos lutando pela perfeição. Se um ser humano se esquece disto e se identifica com a Raça – aderindo a ela com fanático patriotismo – é o mesmo que fossilizar-se, enquanto seus companheiros passam a outras alturas do Caminho da Realização.
É interessante lembrar que um ano começa com um feriado, uma pausa para meditação sobre a Fraternidade Universal.
Contemplamos, hoje, uma Humanidade espiritualmente adolescente, embriagada por suas realizações epigenéticas, mas também confundida num labirinto de interesses controvertidos. Ela partiu da unidade criadora para a descoberta dos valores internos e, agora, destina-se à reintegração consciente na unidade traçada por Cristo. Essa transição é lenta e segura, como todo processo da natureza. Começou com a vinda de Cristo e o ideal de Peixes-Virgem, aos sete graus de Áries, com o Sol em Precessão dos Equinócios. Foi o período do Cristianismo Popular. Agora entramos na Órbita de Influência de Aquário e preparamos condições para uma fase mais elevada do Cristianismo, o Cristianismo Esotérico. Daí a tendência fraternal manifestada, desde meados do século XIX, nas atividades humanas (cooperativismo, ONU, internet, redes sociais, as verdadeiras ONG, as associações sem fins lucrativos de auxílios a pessoas com dificuldades físicas e mentais, etc.). Daí o anseio de iniciar um novo ano dentro de um sentimento que a razão Cristã e a dor decorrente de nossos erros passados apontam como um ideal futuro, de paz e prosperidade: a Fraternidade Universal.
Pode-se contestar que os movimentos apontados têm muitas falhas. Concordamos. Mas não é por deficiência do cooperativismo, ONU, internet, redes sociais, as verdadeiras ONG, as associações sem fins lucrativos de auxílios a pessoas com dificuldades físicas e mentais e afins, mas, sim, pelos interesses partidários e egoísmos pessoais que lhes dificultam a expansão e eficácia.
Max Heindel relatou que no decurso de suas conferências púbicas pelas cidades norte-americanas os jornais sempre se interessavam pelos assuntos que suscitavam curiosidade; mas, quando ele tocava na questão de Fraternidade Universal, os seus artigos iam para os cestos de lixo, porque a Humanidade comum não acredita muito em coisas altruístas e prefere as considerar como utopia. No entanto, para nós, Estudantes Rosacruzes ativos e leais, habituados ao estudo do Cristianismo Esotérico, convictos na visão ampla dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, que acessam a verdadeira Memória da Natureza (no Mundo do Espírito de Vida) os atos passados dos Egos ocidentais e, com isso, determinaram com toda segurança as tendências futuras deles, a Fraternidade Universal é uma realidade que vem sendo alcançada seguramente! Isso, aliás, é predito nos Evangelhos. Acreditemos ou não, é mister que os outros “cordeiros” sejam conquistados para constituir um só rebanho. As dificuldades formadas pelo egoísmo e as diferenças naturais de condições, tendo em vista a linha evolutiva de cada um de nós e do povo terão um denominador comum, um elemento conciliador, na Fraternidade Cristã.
Nesse sentido é que surgiu a Ordem Rosacruz, na Região Etérica do Mundo Físico. O ideal Cristão já existia, desde a sua fundação, no século XIII. Mas, a sua missão era a de conferir ao sentimento de fraternidade um sentido racional, um fundamento científico, em concordância com a vida moderna, de modo a conciliar e unir numa estrutura renovadora, os princípios oficiais da Ciência, da Arte, e da Religião.
A Ordem Rosacruz não apresenta uma utopia. Ela parte do conhecido para o desconhecido, do concreto para o abstrato; ela toma as realidades presentes, expõe as raízes formadoras e revela, nas aparentes contradições, o ponto comum. E desse modo eleva a concepção humana, permitindo-nos olhar as coisas “de cima”, com um sentido global, a fim de que, ao descer de novo às particularidades jamais nos percamos nos detalhes. Só assim podemos conservar o sentido geral de tudo que nos rodeia, compreendendo melhor as diferenças. E eis o motivo da Ordem Rosacruz, no início do século XX, promover a fundação da Fraternidade Rosacruz aqui na Região Química do Mundo Físico e fornecer o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz a quem quiser.
Esse sentido global, sublimador, muito dificilmente podemos alcançar pelos sentidos. A ciência acadêmica baseia-se no que pode perceber com os sentidos físicos e esse lado é apenas o efeito de causas invisíveis e muitas vezes remotas. Portanto, a contribuição do ocultismo científico, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz, é precisamente oferecer o “Fio de Ariadne” para conduzir-nos no labirinto da diversidade material e, finalmente, possibilitar-nos a comprovação lógica de tudo que ensina.
Benditos, pois, os de Mente aberta, os sinceramente devotados à causa fraternal, as “crianças de cabelos brancos”, sem preconceitos, os “pobres de espírito” que humildemente estão prontos a aprender, os que têm “fome e sede de justiça”, porque todos eles, se não nesta vida, em futura existência, já na Era de Aquário, serão fartos e constituirão os pilares da obra Cristã.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1964-Fraternidade Rosacruz-SP)