Não é estranho que poucas pessoas possuam uma fé real e viva em Deus? Mesmo entre os Cristãos professos, há relativamente poucos que realmente confiem no Pai Celestial. Fé não significa simplesmente a crença na existência de Deus; Fé significa confiança — é nos colocar em Suas mãos.
A fé, como todas as outras qualidades e virtudes, só cresce por meio do exercício. Aprenda a confiar no Pai Celestial em tudo, tanto nas menores coisas da vida quanto nas maiores. Isso significa libertação dos cuidados, medos e preocupações dos quais o mundo está tão cheio: Mente e Coração abertos para receber a verdade de qualquer fonte que venha, acreditando que o bom Deus nos tenha em Sua guarda. Pois quando depositamos nossa confiança em Deus, fazemos uso de uma Lei de Deus que nos apoia em todas as provações e em todos os problemas da vida. É como se tivéssemos agarrado a Mão Todo-Poderosa, que é capaz de fazer tudo e superar todas as coisas por nós. Estabelece a conexão entre nossa fraqueza e Sua força, que é maior que tudo.
A fé é fraca no início e, às vezes, é necessário estarmos em estado extremo, antes de podermos pedir ajuda a Deus; porém até mesmo a menor medida de fé fará com que o Pai Celestial venha em nosso auxílio. “A fraqueza do homem é a oportunidade de Deus.” (IICor 12:7). Ele é O sempre fiel. Lembre-se do que Ele disse: “Nunca te deixarei nem te desampararei” (Hb 13:5).
A simplicidade desse caminho o faz parecer fácil demais para a maioria das pessoas. É que elas procuram grandes dificuldades para superar, no caminho do estabelecimento de uma fé que os conecte ao Pai Celestial. Isso, no entanto, requer alguma simplicidade de caráter, uma Mente semelhante à infantil. Você lembra que o Cristo disse que devamos nos tornar criancinhas? Trata-se, em grande parte, de relaxar, de deixar ir, de afastar da Mente e do Coração qualquer fardo ou problema que surgir, olhando simplesmente para Ele e aceitando da Sua Mão o que vier. E não podemos fazer algo mais agradável a Ele ou mais útil a nós mesmos do que exercer essa confiança em todas as condições. E nossa capacidade de fé cresce com esse exercício. Quanto mais o praticarmos, mais fé teremos. Então chegará um momento em nosso crescimento espiritual onde não temeremos qualquer coisa — seja neste mundo ou em qualquer outro. Atingiremos o equilíbrio, a paz de espírito e a serenidade de alma, uma tranquilidade de Coração que deva ser a antecipação da bem-aventurança Celestial. Perceberemos a suprema sabedoria de permitir que todas as coisas sejam ordenadas pela perfeita Sabedoria e pelo Amor perfeito; perceberemos que nossa própria vontade, devido ao nosso entendimento imperfeito, seja propensa a contrariar Sua Vontade, que sempre objetiva nossa perfeição e felicidade.
“O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia, e conhece os que n’Ele confiam.”
“Eu, o Senhor, seguro a tua mão direita, dizendo: não temas; Eu te ajudo.”
“Em todos os teus caminhos, reconheça-O e Ele direcionará teus passos.”
“Quem muito confia no Senhor, feliz é.”
“Embora Ele me mate, eu ainda confio Nele.”
“Tu manterás em perfeita paz aquele cuja Mente esteja firme em Ti, porque ele confia em Ti.”
Há muitas, muitas passagens na Bíblia que nos pedem para confiar n’Ele. Leia o vigésimo terceiro Salmo (“Deus é meu pastor; não me faltará“) e o nonagésimo primeiro. O escritor desse texto pode ser muito crédulo, mas acredita que essa confiança seja o remédio soberano para todos os problemas ou perigos, sejam eles ocultos ou não, e que, ao nos apegarmos a Ele, somos mantidos em segurança até o fim.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de maio/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Durante tempos antigos sem conta, de nosso passado evolutivo, aprendemos a construir os diferentes veículos em que hoje, como Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), atuamos. Através desse trabalho fomos passando de classe em classe na Grande Escola de Deus. Em cada fase maior e menor fomos adquirindo gradativo desenvolvimento de Níveis de Consciência. Porém, cada qual aprendia, assimilava e crescia segundo seu particular modo de adaptação e reação. Uns caminharam depressa, outros regularmente, outros se atrasavam.
Na Época Atlante, quando a neblina se condensou e encheu os recôncavos da Terra, nos obrigando a buscar as mesetas e planaltos, muitos pereceram asfixiados, porque não haviam desenvolvido os pulmões, indispensáveis para respirar na atmosfera mais rarefeita das alturas. Esses não puderam passar pelo portal do arco-íris, à nova Era, a Era de Áries – a primeira da Época Ária –, com suas secas condições.
Agora, novamente, estamos nos aproximando de uma grande transformação mundial. Cristo se referiu a essa transição e como arauto da Nova Era, a Era de Aquário, a Fraternidade Rosacruz, tal como Noé, vem nos preparar.
Acautelemo-nos para que não sejamos apanhados desprevenidos e busquemos a amorosa, eficiente e desinteresseira orientação da Fraternidade Rosacruz.
Aquário é um Signo de Ar, científico, intelectual, inovador, original e independente. A nova chave de nosso desenvolvimento, iniciado nesta Época Ária pela razão, irá encontrar sua sublimação nessa gloriosa Era de Aquário, quando, então seremos capazes de resolver o enigma da vida e da morte de maneira a satisfazer, igualmente, o Coração e a Mente. Nessa Era, quem se prepara desde já, poderá desfrutar da verdadeira felicidade, pela unidade racional da Arte, Religião e Ciência, pois, todas essas atividades, em vez de se digladiarem pela contradição, em consequência da falta de visão de seus pontos comuns e básicos, se completarão coerentemente.
Aquário tem regência especial sobre os Éteres, o elemento de transição sensorial. Os dilúvios que submergiram o continente atlântico, ou a Atlântida, eliminou, até certo ponto, a umidade contida no ar, quando a concentrou no oceano. Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar em Aquário, quase toda a umidade ainda remanescente desaparecerá e as vibrações visuais serão mais facilmente comunicadas por sua elétrica e seca atmosfera.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz deram o encargo da expansão dos Evangelhos, da mais profunda forma, à Fraternidade Rosacruz, por intermédio de Max Heindel. Ora, nós fazemos parte da Fraternidade Rosacruz e estamos sendo preparados para fazer nossa parte nessa importante missão. E a maneira de executá-la, também a aprendemos lá pregando o Evangelho através da reta e amorosa ação e obra, em todos os campos, em todos os assuntos. Isto pressupõe começar por nós mesmos, pela vivência convicta e simples daquilo que pretendemos disseminar. Nisso consiste a vida de um verdadeiro Cristão: uma Mente Pura, um Coração Nobre e um Corpo São a serviço de Cristo.
O destino da Fraternidade Rosacruz está em nossas mãos! É ao mesmo tempo um privilégio e uma grande responsabilidade, que nos lembra S. Lucas, 12:48: “A quem muito foi dado, muito lhe será exigido”.
Os primeiros a verem e viverem as ideais condições dessa gloriosa Era de Aquário deverão ser as pessoas que habitam o lado ocidental do Planeta Terra, que já começaram a preparar uma Ciência religiosa e uma científica Religião.
O entendimento deste trabalho preparatório e a gradual vivência e comunicação destes princípios irão construindo, “sem ruído de martelos”, o veículo em que funcionaremos nas novas condições: o “soma pushicom” citado por S. Paulo, que nos possibilitará ir ao encontro de Cristo nas nuvens (nos ares) e com Ele cearemos no cenáculo do “Homem do Jarro” (Aquário). Não se realiza tal empresa em pouco tempo. É preciso renúncia aos nossos vícios – “homem velho” e adoção de mais racionais meios de vida (naturalismo, dieta vegetariana, reforma e equilíbrio emocional e mental, exercícios de devoção e disciplina mental, etc.) – “homem novo”.
A Fraternidade Rosacruz oferece, a quem quiser, orientação conscienciosa e segura, para que nos convertamos num digno discípulo de Cristo e nos revistamos do áureo manto nupcial – o Corpo-Alma – para a futura comunhão com Ele.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1967-Fraternidade Rosacruz -SP)
Não. Há três tipos de Memória: existe, em primeiro lugar, o registro produzido pelos nossos sentidos. Olhamos ao nosso redor no mundo, vemos e ouvimos coisas; essas impressões ficam gravadas nas células do nosso cérebro e somos capazes de, conscientemente, evocá-las conscientemente, embora nem sempre, e em graus variáveis, pois essa Memória é extremamente falha e influenciada pela subjetividade, e se esse fosse o único método de obter um registro das nossas vidas, a Lei de Causa e Efeito seria invalidada; nossa vida futura não seria uma sequência do que fizemos ou deixamos de fazer no passado. Deve haver outra Memória, e é a isso que os cientistas chamam de Mente ou Memória Subconsciente. Assim como o Éter permite ao fotógrafo um registro da paisagem circundante, imprimindo-a sobre a placa sensível nos mínimos detalhes, independentemente se o fotógrafo observou ou não, o mesmo Éter que leva uma imagem aos nossos olhos e o imprime na retina, leva aos nossos pulmões uma imagem semelhante que é, então, absorvida pelo sangue. Conforme o sangue passa através pelo coração, esse registro é indelevelmente inscrito sobre o sensitivo Átomo-semente do Corpo Denso que está localizado no ventrículo esquerdo do nosso coração, próximo ao ápice. As forças desse Átomo-semente do Corpo Denso são retiradas pelo Espírito, no momento da morte, e contêm o registro de toda a vida com os mínimos detalhes, de modo que, independentemente de termos observado os fatos em determinada cena ou não, eles estão registrados lá.
George du Maurier escreveu um livro intitulado “Peter Ibbetson“, na qual essa teoria da Memória Subconsciente é claramente mostrada. Peter Ibbetson, um prisioneiro em uma penitenciária inglesa, aprendeu como “sonhar de verdade”, ou seja, ao posicionar seu Corpo de uma determinada maneira, aprendeu a bloquear as correntes de Éter dentro de si, de modo que à noite conseguia, à vontade, manter contato com qualquer cena de sua vida passada que desejasse; ali ele se via como um espectador (na qualidade de pessoa adulta), e também se via entre os seus pais e companheiros de brincadeiras, e no mesmo ambiente em que se encontrava no momento em que a cena se desenrolou. Ele via toda a cena com muito mais detalhes do que havia sido capaz de observar na época em que os eventos ocorreram nesse Mundo material. Isso porque, sob essas circunstâncias, ele conseguia entrar em contato com a sua própria Memória Subconsciente. Ele não era capaz de obter qualquer informação sobre o futuro, mas o passado havia sido inscrito no Átomo-semente do seu coração e era, portanto, acessível sob condições adequadas. É a partir dessa Memória Subconsciente que o registro da vida é extraído após a morte, e como isso só depende da respiração, ela continua independentemente de todas as outras circunstâncias enquanto houver vida Corpo e embora um ser humano possa perder a sua Memória Consciente e se tornar incapaz de recordar eventos passados à vontade, a Memória Subconsciente os contém todos e os revelará no momento apropriado.
(Pergunta nº 54 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Na esfera intelectual do mundo civilizado de hoje há uma grande inquietação. Muitos “correm de um lado para outro” em busca de algo que consideram mais fácil tatear do que definir. São atraídos e se envolvem superficialmente com cada novo culto, seita, movimento que surge no inquieto firmamento religioso e, observando cuidadosamente seu exterior, dão atenção passageira a qualquer novo preceito ou explicação, que muitas vezes não é mais do que uma desculpa, e então seguem adiante em seu caminho à deriva, como a volúvel borboleta que visita cada flor de cores vivas e prova do seu pólen.
A princípio, eles trilhavam esse caminho de forma quase inconsciente, cedendo apenas ao espírito de curiosidade. Mas, após algum tempo, ao observarem discrepâncias e aparentes anomalias nas afirmações e explicações das várias seitas, começaram a se sentir confusos, incertos, insatisfeitos. Ao atingirem o primeiro grau de consciência em sua busca, proferem o histórico clamor de Pilatos, que se encontrou uma vez em posição semelhante e, em sua dificuldade, perguntou: “O que é a Verdade?”[1].
Assim, pela primeira vez essas pessoas percebem que sua passagem de um conjunto de opiniões a outro tem um objetivo definido. Embora sua natureza pareça muito nebulosa no início, à medida que suportam as decepções tal objetivo definido, gradualmente, se destaca do pano de fundo, tornando-se nítido, imponente e, por fim, capaz de compelir a atenção do buscador.
Essa insatisfação e esse questionamento são o sinal externo dos primeiros e definidos esforços para tatear o caminho. E, se o viajante usa o lado intelectual para sentir o percurso adiante, então as dúvidas, os medos e as perplexidades formarão os espinhos da sua Via dolorosa.
Ele será intelectualmente atacado por todos os lados; toda variedade de doutrina e prática lhe aparecerão e tentarão ser reconciliadas com as demais, até que, com a Mente exausta e a cabeça latejante, ele talvez seja induzido a elevar sua consciência da confusa diversidade até sua Fonte, a grande Unidade, para proclamar, com o ritmo do Coração e da Mente: “Guia-me, ó luz, no meio dessa escuridão que me cerca”.
Essa admissão do fracasso é, na realidade, o momento de maior sucesso do buscador, pois elevou sua Mente, ainda que por um breve período, aos Reinos onde o conhecimento desejado prevalece sem impurezas. Ao reconhecer sua própria fraqueza, ele se torna receptivo à assistência daqueles Seres que, atuando a partir dos planos suprafísicos, erguem-Se como representantes do Bom Pastor, sempre prontos a auxiliar os mais adiantados do Seu rebanho.
Jamais houve uma alma sincera cujas palavras, sendo proferidas pelo desespero diante da sua incapacidade de desfazer o aparente emaranhado formado pelo entrelaçamento dos inúmeros fios das aparências, não tenham ressoado nos reinos suprafísicos — e cujo chamado não tenha sido prontamente atendido por Aqueles que trabalham e guiam a nossa Humanidade.
A partir desse momento, ele receberá ajuda e orientação do invisível à visão física, embora as fontes dessa assistência permaneçam não manifestas. Isso não significa, contudo, que ele será conduzido pela mão até a nascente e que, após banhar seus olhos e voltar a contemplar o antigo enigma, aquilo que antes era inexplicável lhe parecerá claro. De modo nenhum!
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, ao distribuírem qualquer coisa sob Sua guarda — seja amor, sabedoria ou o poder de discernir na ação — têm em vista apenas isto: o valor potencial do serviço do recebedor. Eles são, na realidade, os “diretores de palco” deste cenário mundial onde se desenrola o drama da vida; portanto, o único propósito que Eles têm ao distribuir qualquer talento é que aquele que o receba possa se tornar um ator eficiente na peça que jamais cessa. Somente o altruísmo define a verdadeira eficiência no serviço cósmico.
Por essa razão, após ter feito sua súplica, o buscador é, antes de tudo, posto à prova quanto à sua persistência e constância — pois, sem essas duas qualidades, ele seria inútil como futuro Auxiliar Visível ou Invisível e acabaria causando infelicidade, em consequência de seu fracasso nessa direção.
Uma sensação de alívio toma conta do buscador quando ele derrama o seu Coração, pois foi verdadeiro consigo mesmo. Compareceu ao verdadeiro confessionário e não necessita de lábios terrenos para lhe dizer que suas falhas foram perdoadas, compreendidas e que uma graça invisível o auxiliará em futuras tentativas de resolver seus problemas. Assim, retorna à esfera intelectual do mundo cotidiano para se aplicar novamente às mesmas questões.
Ele lê, investiga e medita sobre os grandes mistérios da origem, do propósito e do destino da vida, bem como sobre a justiça das circunstâncias. E, embora pareça estar mais próximo de uma solução no sentido mais profundo, um pouco mais adiante surge outro impasse — e o mesmo muro impenetrável, formado por toda espécie de qualidade negativa, ergue-se novamente ao seu redor.
Ele nada sabe sobre o trabalho que ocorre por trás das cenas e, portanto, pode ser perdoado se, diante desse obstáculo, até mesmo sua fé acumulada falhar. Como resultado, poderá abandonar a busca, declarando que o conhecimento seja impossível e que tudo não passe de especulação — ou deixar-se levar pelo conjunto de opiniões que lhe seja mais conveniente.
Essa é a prova sábia e necessária estabelecida pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz a todos que buscam a Verdade de forma definida. Na Fraternidade Rosacruz, onde as regras se baseiam nos fatos ocultos e vigentes, o Estudante Rosacruz deve permanecer na seção mais elementar, qualquer que seja seu conhecimento prévio, por um período de dois anos, antes que possa ter a oportunidade de tocar na orla dos Ensinamentos Rosacruzes mais profundos.
Aqueles que governam a própria Ordem Rosacruz também atuam intensamente em linhas auxiliares e semelhantes, no Mundo ocidental; portanto, aplicam os mesmos métodos — que são os únicos racionais sob ambos os pontos de vista, quando devidamente compreendidos.
A prova mencionada pode durar períodos variados, contados em meses ou anos, e muitos cairão pelo caminho, exaustos ou desanimados, ou se desviarão por trilhas secundárias. Assim, aqueles que buscam o conhecimento movidos por mera curiosidade ou motivos incertos são gradualmente eliminados da jornada e somente os atores com potencial permanecem.
Com o passar do tempo, a terceira etapa começa a se desenvolver. O buscador inicia sua compreensão da necessidade do discernimento. Antes, ele se deixava fascinar por cada seita, culto, movimento, que oferecesse novas explicações, julgando todo assunto pela soma dessas apresentações. A partir dessa experiência adquirida, ele começa a reunir e analisar suas informações; com o tempo, é capaz de sintetizar o conjunto e discernir uma unidade onde antes havia apenas diversidade e contradição.
Avançando por essas linhas, a Mente acaba por se concentrar internamente nos fundamentos e princípios das coisas e ele se faz uma nova pergunta — uma melhora em relação à primeira: “Qual é a natureza da Verdade; do que ela é feita e a que deve se relacionar?”.
Após a análise dessa questão, aparentemente sem importância, devemos discernir que a Verdade religiosa deva lidar com uma explicação das condições superfísicas e a sua relação com o indivíduo. Três coisas podem ser ditas para descrever o propósito racional da Verdade religiosa: primeiro, a exposição dos fatos superfísicos. Segundo: a elucidação das leis superfísicas. Terceiro: a apresentação de conselhos e regras de vida que estejam em harmonia com as condições mencionadas anteriormente.
O propósito da Religião, desde sua origem, tem sido reforçar o último ponto mencionado, oferecendo apenas o suficiente dos dois primeiros para acalmar a Mente. O conjunto foi envolto em alegorias e centrado na história do fundador da Religião Cristã, para que pudesse ser mais bem assimilado pelos povos aos quais foi transmitido.
No entanto e na realidade, a Religião Cristã é um sistema de moralidade baseado em uma ciência. Ela é uma expressão simbolizada de fatos cósmicos. O ocultismo é a única Ciência do Universo e o fato de ser a fonte e a inspiração de todas as Religiões é comprovado por sua unidade nos aspectos essenciais.
Essa Ciência pode ser comparada a uma nascente natural, situada em uma alta montanha e envolta na imaculada veste da neve, jamais tocada por mão ou sopro de qualquer criatura — a fonte da qual vários grandes rios se originam, todos fluindo para o mesmo oceano ilimitado: as vias aquáticas dos povos da Terra. O buscador chegou agora ao grau em que essa Fonte surge diante da sua visão: grande é, de fato, o seu privilégio.
O ocultismo lida com os fatos do Universo e, portanto, é evidente que um longo caminho de paciente persistência foi necessário antes que o Aspirante à vida superior pudesse discernir até mesmo os contornos.
Com os primeiros vislumbres do monte coberto de neve, o viajante, vindo de longe, pode facilmente parar e agradecer do fundo do coração, pois agora poderá construir o Templo da sua adoração sobre a rocha do fato, em vez das areias movediças da crença; nenhuma tempestade demolirá essa estrutura ou a arrastará para longe, pois a convicção resultante alcança os Planos interiores do ser, ali se registrando — assim, ele adquire a bênção e a alegria do ser humano: “uma casa feita não por mãos, mas eterna nos Céus”[2].
Em retrospecto, ele vê o caminho que percorreu, da aceitação inconsciente até a primeira aurora da inquietação intelectual e consciente, a precursora de um longo período de intenso sofrimento. Observa o abandono gradual da apresentação exotérica, em favor da percepção da substância interior das diversas doutrinas – a esotérica – e reconhece seus primeiros passos ascendentes na aurora da compreensão da natureza inerente da Verdade.
As dúvidas, os medos e o cansaço que o assombraram nas fases mais sombrias do caminho surgem agora diante de seus olhos como fantasias passadas das quais ele extraiu “a pérola de grande valor”[3]. E a realização consciente da posse desse tesouro transforma sua alegria em vontade de alcançar e na determinação de usar seu conhecimento, um poder e remédio universal contra todos os males, para aliviar a dor e dissipar a ignorância de seus semelhantes.
(Publicado na: Rays From The Rose Cross – fevereiro/1917 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Jo 18:38
[2] N.T.: IICor 5:1
[3] N.T.: Mt 13:45-46
Já sopraram os ventos desse ano terrestre que se findou. O ano que já passou, com tudo que pôde oferecer de positivo ou negativo, considerando-se a relatividade desses dois termos, faz parte do passado. Deixou, dependendo da maneira como esse problema é encarado individualmente, um saldo determinado.
Para alguns restaram indeléveis traços de sofrimentos e decepções, amarguras e contrariedades. Outros não conseguiram apagar o estigma de tragédias que os envolveram e atingiram. Há aqueles perseguidos pela frustração de aspirações irrealizadas, de metas inatingidas. Mas alguns, talvez poucos, sentiram-se bafejados pelo êxito em suas vidas profissionais e particulares. Afinal, dizem, das crises, por crônicas que sejam, sempre alguém escapa ileso.
Uns e outros tendem a encarar o ano que se inicia sob uma ótica oriunda, nascida, dos percalços e sucessos do ano que se findou. Não atinam quão irreais e enganadoras são as chamadas “vitórias” e “derrotas”. Os “derrotados desse ano” observam a quadra atual com certa dose de pessimismo. Na melhor das hipóteses, animam-se com tênues esperanças de que o presente seja menos malfazejo que o pretérito. Imaturos espiritualmente, não se libertaram de traumas passados. Tudo se lhes afigura difícil, impossível e sombrio.
Para aqueles a quem o “êxito foi obtido”, as coisas, nesta nova fase, na pior das hipóteses, fluirão num mesmo nível. Permitem-se até dormir sobre os louros de suas realizações, como se o amanhã não fosse outro dia.
Observa-se, aí, como o irmão e a irmã que não se dedicam e colocam em prática a espiritualidade cristã são dominados por uma preocupação obsessiva de tudo rotular — bem/mal, bom/mau, triunfo/fracasso — à luz de seus superficiais conhecimentos.
Tanto para os “deserdados” como para os “afortunados” desse ano que se findou houve apenas sepultamento. O “corpo encontra-se enterrado, mas o defunto permanece fresco”, podendo ser exumado a qualquer hora. Sua lembrança persegue-o tenazmente, com sua carga desestimulante ou ilusória.
Felizmente, há quem logre se sobrepor-se a esse estado de espírito. São as chamadas “almas velhas”, irmãos e irmãs que se dedicam, estudam e praticam a espiritualidade cristã nas suas vidas – especialmente por meio dos Ensinamentos Rosacruzes, que fornecem os Ensinamentos do Cristianismo Esotérico – têmperas forjadas na crueza e nas experiências de vidas passadas. Dotados de natureza intimorata, hoje, imperturbáveis, sabem como enfrentar os desafios do mundo.
Não se amedrontam, desconhecem a inibição diante de circunstâncias adversas, mas ninguém os vê exibir arrogante autossuficiência. A modéstia é seu apanágio. São equilibrados, justos e sensatos.
Cônscios de seu progresso, nem por isso deixam de reconhecer que o caminho para alcançar a perfeição é infinito. Conservam a Mente aberta e o Coração radiante, dispostos a haurir os mais valiosos Ensinamentos Rosacruzes do cotidiano. Sabem que ainda muito têm a aprender e crescer, num futuro suscetível de se desdobrar em mil caminhos diferentes.
Esses não sepultaram o ano que já passou. Cremaram-no! Não buscam desenterrá-lo constantemente, reabrindo velhas feridas. Não! Reduziram-no a cinzas. Basta-lhes apenas ter assimilado o valor educativo das experiências pelas quais passaram. É o suficiente para lhes servi de orientação e inspiração no ano recém-iniciado.
Aos acontecimentos passados, só lhes atribuem valor como lições de vida. O novo ano, afirmam, deve ser bem recebido. Merece ser visto com bons olhos. Afinal, quantas oportunidades de crescimento anímico e mesmo de progresso material ele poderá nos oferecer!
Nessa abençoada seara, que é o mundo, a cada momento se nos surgem valiosas ocasiões de empregarmos nossas faculdades epigenéticas. Assim, cabe-nos tentar, sempre que possível, criar algo novo ou melhorar o já existente. Todas as coisas clamam por um toque de aperfeiçoamento, de inovação, de originalidade. Em tudo há sempre uma beleza recôndita, esperando por ser desvelada.
No limiar de um novo ciclo, o melhor que cada um pode fazer é arregaçar as mangas e renovar sua disposição para o trabalho. Há muito por construir. Nada de lamentar o mal acontecido, nem de deslumbramentos com conquistas já ultrapassadas. Não se pode viver do passado. O que “está feito, está feito”. As lições, sim, servem para alguma coisa.
Assim, resta a pergunta à você: “o que você fez até aqui, nesse ano? Enterrou? Cremou?”
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)
O processo de preparação para a Era de Aquário já começou e, como Aquário é um Signo do Ar, científico e intelectual, é inevitável que a nova fé deva estar enraizada na razão e ser capaz de resolver o enigma da vida e da morte de uma maneira que satisfaça tanto a Mente quanto o instinto religioso, a devoção, o Coração.
Assim é os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental promulgados pela Fraternidade Rosacruz, como o fermento no pão: ela está quebrando o medo da morte gerado pela incerteza que cerca a existência post-mortem. Ela está mostrando que a Vida e a consciência continuam sob Leis tão imutáveis quanto as de Deus, que tendem a nos elevar a estados de espiritualidade cada vez mais elevados, nobres e sublimes.
Acende a luz da esperança nos nossos corações com a afirmação de que, assim como desenvolvemos no passado os cinco sentidos pelos quais contatamos o Mundo visível presente (a Região Química do Mundo Físico), também desenvolveremos, em um futuro não distante, outro sentido que nos permitirá ver os habitantes da Região Etérica do Mundo Físico, bem como nossos entes queridos que deixaram o Corpo Denso e habitam a Região Etérica e as Regiões inferiores do Mundo do Desejo, durante o primeiro estágio de sua carreira nos reinos espirituais.
Portanto, a Fraternidade Rosacruz foi incumbida pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz da missão de promulgar o Evangelho da Era de Aquário e de conduzir uma campanha de educação e esclarecimento, para que o mundo esteja preparado para o que está por vir. O mundo deve ser fermentado com estas ideias:
(1) As condições na terra dos mortos-vivos não estão envoltas em mistério, mas o conhecimento a respeito delas está tão disponível quanto o conhecimento sobre países estrangeiros a partir dos contos de viajantes.
(2) Estamos agora próximos do limiar onde todos conheceremos essas verdades.
(3) E, o mais importante de tudo, apressaremos o dia em nosso próprio caso, adquirindo conhecimento dos fatos relativos à existência post-mortem e às coisas que podemos esperar ver, pois então saberemos o que procurar e não ficaremos assustados, surpresos ou incrédulos quando começarmos a obter vislumbres dessas coisas.
(Por Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro/1944 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Quando nossas almas anseiam por um recolhimento no deserto, começa uma etapa expressiva em nossa vida. Não é buscar o Tibet, à Índia ou um lugar isolado qualquer, fora do convívio humano. Não se trata de um ponto geográfico, mas de um recolhimento interno; um estado estéril para a Personalidade, mas produtivo e fértil para a Alma que, saudosa, busca o “paraíso interno” para aquietar-se, restaurar a harmonia interna e crescer, a fim de exercer sua benéfica influência em nossa vida.
Feliz de quem sente esta saudade e apelo do íntimo. Ainda que a pessoa não esteja consciente dessa necessidade interna, quando começa a orar e meditar corretamente, em entrega, abertura e tranquilidade interior, começa a ouvir a “pequenina e silenciosa voz” que sussurra, e sente-se bem.
Podemos ser bem-sucedidos no trabalho, nas relações com os íntimos e no trato com os amigos, porém isto não é suficiente. Há uma insatisfação interna. E na medida que a saciamos no “deserto” interior, muitas coisas começam a perder o significado para nós. Já não nos dizem nada. Tal insatisfação não significa um convite para buscarmos outras formas de viver. Nada disso. Se o tentamos, logo nos desiludimos.
De nada nos vale fazer transformações externas. Se temos a graça de sentir essa insatisfação, não cometamos a tolice de comprar uma casinha na praia ou um sítio isolado, para levar amigos e folias de nossa rotina. Saibamos que o “deserto” deve ser buscado, aqui e agora mesmo, num cantinho de nossa casa, onde respeitem nossos momentos de quietude. Isto exige apenas algumas modificações no mundo interior, disciplinando a Mente e o Coração pelas verdades acerca de nossa real natureza e relação com Deus. É uma conscientização do modelo de Cristo; de equilíbrio entre uma atividade ordeira e o refazimento no “deserto” em nós. Afinal, é nosso Deus que nos ensina, por meio do profeta Isaías: “Tornarei o deserto em mananciais de águas” (Is 41:18).
Estes intervalos no “deserto” nos trazem vislumbres da Mente de Cristo, para reavaliação de conceitos; para constatação de coisas que devemos descartar, porque não servem à nova criatura. São períodos de ajustamento, mas, também, muitas vezes, de solidão, em que nos sentimos perdidos e nos perguntamos se vale a pena esse esforço. Tais vazios são provocados pelo próprio Cristo interno, para experimentarmos se O procuramos, por Ele mesmo ou se “pelos pães e peixes”. Outra razão d’Ele esconder-nos a Sua face é a falta de sentimento em nosso retiro no “deserto”.
Mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra seremos chamados a essa experiência maravilhosa, resistir-Lhe, é protelar mudanças positivas em nossas vidas. É melhor ouvir e atender ao tênue convite interno, agora, porque é o tempo certo, determinado pelo íntimo. Portanto, não pense que você ainda não esteja pronto para isso. Se o “deserto” o chama, é porque você já está preparado. Nem receie que isso vá desviá-lo de um viver pleno. Ao contrário: jamais sua vida será completa sem a ligação gradual com o Eu superior. Ele é que lhe dará sentido e significado à existência. Você continuará no Mundo, mas será uma nova pessoa, feliz, para fazer os outros felizes. Jamais estará só: uma Luz encherá sua vida!
O tempo dedicado ao exercício do “deserto” nunca é estéril, embora o pareça, no início, a quem tenha um sentido prático do mundo. É tempo ganho, pois enseja um processo interno, que não podemos perceber: de gradual abertura e sintonia à Consciência. Se nos mantemos conscientes, em calma entrega e anseio de Deus, algo ocorre e o processo se realizará!
Moisés estava evidentemente preparado quando foi atraído à Montanha e Deus lhe falou: “Vem tu, pois, e te enviarei ao Faraó para que lhe tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Ex 3:10). Também assim, somos chamados para o “deserto”, incumbidos de nos libertarmos do “Faraó” do mundo materialista, os pensamentos e emoções nobres atualmente apegados e condicionados a valores tolos, adestrando-os para que sirvam a significados mais altos e eternos. Não é fugir do Mundo, e ter uma nova relação com ele. É viver nele e não lhe pertencer. É adquirir melhores significados.
Cristo-Jesus sabia que Levi, o coletor de impostos (que depois chamou de Mateus) estava preparado quando o olhou bem. Convocou-o para o discipulado e ele, deixando tudo, imediatamente O seguiu (Lc 5:27-28). Esta convocação é interna, quando chega o tempo para nós, não devemos hesitar.
Depois passamos meses e anos no deserto, em intervalos de aquietamento e entrega. Não é um tempo “perdido”. Conheço um homem que se empenhou muitos anos a expressar seus talentos numa arte. Ficou longo tempo fazendo seus esboços, sob orientação dos melhores professores. Deu o melhor de si, mas estranhamente, jamais saiu do chão, como se diz, na profissão escolhida. Falava dos sacrifícios que teve de enfrentar nesse período e considerou-o improdutivo e desperdiçado.
Em conversa posterior descobri que foi precisamente nesse período que ele teve um despertar espiritual, pois se havia agarrado com toda a alma à Verdade e entrega de Deus, na esperança de que seria essa a chave-mestra para lhe destrancar as portas para o sucesso. Porém, o resultado foi diferente do que ele esperava: ele recebeu uma visão totalmente nova de sua vida. Aproveitando os talentos que desenvolvera, aplicou-os num campo inesperado, que lhe abriu meios de expressão criativa e gratificante. “Atirou no que viu e acertou no que não viu” — como diz o ditado popular. Só então, olhando para trás, reconsiderou sua opinião acerca do período “desperdiçado”. Compreendeu que “o período no deserto” o encaminhou à sua verdadeira vocação, dando-lhe, ao mesmo tempo significados novos da existência. Em verdade, foi o período mais rico de sua vida.
Temos notado que a dor, o insucesso, a esperança de mais altos significados, as decepções da vida, etc., são meios constantes que levam as pessoas para o “deserto interior”. Vão em busca de certas coisas e descobrem outras, muito mais altas e duradouras, que transformam radicalmente suas vidas!
Você se sente numa rotina monótona e vazia, sem significado? Talvez seja esse o convite, como foi dito: “Bem-aventurados os que têm fome, porque serão fartos” (Lc 6:21). Quiçá você pergunte: “por que tenho de passar pela experiência do “deserto”? Respondo: porque há um processo interno que só o Cristo, em você, pode realizar, através dessa comunhão. É inútil você procurar libertação para esse estado aí fora. Ninguém pode fazer por você o que a Deus incumbe. Pode o agricultor amadurecer o pêssego, para soltar-lhe o caroço? Não. Só o trabalho interior do próprio pessegueiro!
Não adie e nem resista ao convite de encontro com seu verdadeiro Ser. Aceite-o. E quando tiver passado por essa experiência indizível, você poderá retornar do “deserto”, ao encontro dos seres humanos, sob a direção da Mente de Cristo, para que “brilhe a sua luz diante deles, a fim de que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai celestial” (Mt 5:16).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/fevereiro/1988 – Fraternidade Rosacruz– SP)
Enquanto meditava sobre o quão faz bem a Fraternidade Rosacruz, uma questão surgiu em minha Mente: “Qual é o maior obstáculo que impede o nosso progresso no trabalho espiritual?”. E a resposta foi: “A falta de concentração”.
Todos nós temos nossas famílias que anseiam e tem direito a uma parte da nossa atenção. Nosso trabalho no mundo não deve ser negligenciado sob pretexto algum. Estamos aqui para executar certas tarefas e aprender por meio delas. Depois de atender a esses deveres, ainda resta para cada um de nós um pouco de tempo que podemos usar de forma justa e adequada para o nosso desenvolvimento espiritual, e é tão importante que usemos adequadamente esse tempo extra quanto é importante que atendamos aos nossos deveres mundanos, a nossa família e as nossas obrigações sociais.
Considere, agora, que na vida cotidiana não tentamos nos tornar, por exemplo, médicos e exercer medicina hoje, trabalhar em uma oficina mecânica amanhã e, a cada dois dias, começar uma nova atividade. Sabemos que tal procedimento não nos levará a lugar nenhum na vida. Nem vivemos em uma família como, por exemplo, marido ou esposa hoje e assumimos relações semelhantes em outra família amanhã; nem mudamos nosso círculo social com a mesma frequência que trocamos de roupa ou sapatos. Tais condições profissionais e sociais seriam absolutamente impossíveis. Pelo contrário, seguimos uma linha de trabalho no mundo; cuidamos de uma família; concentramos nossos esforços nesses departamentos da nossa vida, excluindo todos os outros.
Por que não aplicar o mesmo bom senso aos nossos esforços espirituais? Estudamos muito para os nossos negócios, planejamos com antecedência e trabalhamos com todas as nossas forças para tornar nossos negócios um sucesso. Também nos dedicamos a resolver as necessidades da nossa família e planejamos para conseguirmos ser bem-sucedido nisso. Sabemos que o sucesso, tanto o progresso social e como profissional depende da quantidade de concentração e de planejamento que fazemos. Se, então, somos tão sábios em relação às coisas mundanas, que duram apenas os poucos anos de nossa vida terrena, não podemos usar o mesmo bom senso para nos aplicar igualmente com todo o nosso Coração e toda a nossa Mente às coisas espirituais que são eternas?
Na Época Atlante, quando os Semitas Originais foram chamados dentre seus irmãos, muitos deles consideraram isso uma grande dificuldade. Eles, os “Filhos de Deus”, se casaram com as “filhas dos homens”, com o resultado que conhecemos pelo nosso estudo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
Estamos hoje em outra grande bifurcação de caminhos. Uma “Ecclesia”, ou conjunto de seres humanos, está sendo “chamada” como pioneira da próxima grande Raça. “Muitos caminhos levam a Roma” e, da mesma forma, muitos caminhos levam ao Reino de Cristo, mas se desperdiçarmos nosso tempo caminhando por um hoje e amanhã escolhendo outro caminho, certamente fracassaremos; e, portanto, peço a todos os Estudantes que simpatizam com as ideias da Fraternidade Rosacruz que abandonem todas as outras sociedades religiosas – se excetuando as Igrejas Cristãs e Ordens Fraternais[1] – e dediquem todo o seu Coração, toda a sua Mente e todo o seu Espírito a viver e espalhar nossos ensinamentos.
Para nossas atividades terrenas necessitamos de trabalhadores treinados, qualificados e dedicados. No Reino celestial, a lealdade e a devoção também são fatores primordiais.
Vamos memorizar e nos concentrar nos três primeiros versículos do primeiro Salmo[2], pois, certamente, queremos colher a maior colheita possível dos nossos esforços espirituais e materiais.
(Carta nº 52 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Religiões Católica ou Protestante que professam o Cristianismo.
[2] N.T.: 1Feliz o homem que não vai ao conselho dos ímpios, não para no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores. 2Pelo contrário: seu prazer está na lei de Iahweh, e medita sua lei, dia e noite. 3Ele é como árvore plantada junto d’água corrente: dá fruto no tempo devido e suas folhas nunca murcham; tudo o que ele faz é bem-sucedido.
“O Ancião ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade. Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. Pois fiquei sobremodo alegre pela vinda de irmãos e pelo seu testemunho da tua verdade, como tu andas na verdade. Não tenho maior alegria do que essa, a de ouvir que meus filhos andam na verdade.” (IIIJo 1:4).
Nestes versículos o Apóstolo do Amor realça a diferença entre o regime Jeovístico e a Nova Dispensação Cristã. Contrastando com os meios externos de se encontrar a verdade, próprios da Dispensação Mosaica, hoje existe a “lei da liberdade”, ou seja, a lei “inserida” no nosso coração por intermédio de Cristo. A voz da verdade (a intuição) ecoa desde o coração, proporcionalmente ao desenvolvimento do princípio do Amor-Sabedoria. A Filosofia Rosacruz esclarece cientificamente o processo por meio do qual a inspiração intuitiva opera e como ela pode ser cultivada. A intuição é uma faculdade espiritual – a faculdade do Espírito de Vida – inerente a todos nós, mas expressando-se melhor quando o Corpo Vital é positivo.
O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, hora após hora, durante toda a vida, grava as recordações no Átomo-semente do Corpo Denso, enquanto permanecem frescas. Prepara um arquivo fidelíssimo da vida que, depois na existência post-mortem, se imprimirá indelevelmente no Átomo-semente do Corpo de Desejos, base para a nossa vida no Purgatório e Primeiro Céu. O coração está permanentemente em estreito contato com o Espírito de Vida, o espírito do amor e da unidade, o que o torna, o foco do amor altruísta.
Depois das recordações passarem ao Mundo do Espírito de Vida, em que se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não volta através dos lentos sentidos físicos, mas diretamente através do quarto Éter (Éter Refletor) contido no ar que respiramos. O Espírito de Vida pode ver muito mais claramente no seu Mundo do que nos Mundos mais densos. No elevado Plano, que lhe é próprio, está em contato com a Sabedoria Cósmica e, em qualquer situação, sabendo imediatamente o que há de fazer, envia sua mensagem de orientação e de ação ao coração. Esse logo a retransmite ao cérebro por meio do nervo pneumogástrico ou nervo vago. Assim se formam as “primeiras impressões”, os impulsos intuitivos, sempre bons porque emanam diretamente da fonte de Amor e Sabedoria Cósmica.
A fonte da verdade que “está dentro de nós” é o Princípio do Espírito de Amor-Sabedoria. A manifestação dessa “voz interna” demanda pureza de vida e serviço amoroso prestado aos demais. Isto atrai o Éter Refletor do Corpo Vital por meio do qual a mensagem intuitiva é impressa, nos tornando mais sensível a sua influência.
Max Heindel afirma que o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é de grande valia para o desenvolvimento da “voz intuitiva”, porque nesse julgamento imparcial de si mesmo, noite após noite, o Aspirante à vida superior consegue discernir entre a verdade e o erro, o que não seria possível por outro meio.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1969 – Fraternidade Rosacruz – SP)