Categoria Filosofia

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: O que é a meditação sobre a cruz preta e as sete rosas vermelhas?

Resposta: A cruz nas primeiras versões do Símbolo Rosacruz era representada na cor preta, incluindo a cruz original, conhecida como “cruz do fundador”, em Mount Ecclesia, para comemorar a fundação da Sede da Fraternidade Rosacruz.

Ao referir-se às cerimônias do Dia da Fundação em novembro 1911, no Livro: Carta aos Estudantes na Carta nº 12, Max Heindel escreve: “Erigimos uma grande cruz do mesmo estilo do nosso Símbolo, e nos três extremos superiores pintamos, em letras douradas, as iniciais: C R C. Como sabem, essas letras representam o nome simbólico de nosso grande líder, definido em nosso Símbolo como Christian Rosenkreuz, que transmite uma ideia de beleza e de uma vida superior, muito diferente da escuridão ou do lugar sombrio da morte, geralmente associada à cruz na cor preta.

Ao mesmo tempo que escavávamos o terreno para o início da construção, decidimos fixar essa cruz e plantar uma roseira trepadeira, para que simbolizassem a vida verdejante dos diferentes Reinos de vida viajando para esferas superiores ao longo do caminho em espiral da evolução.”.

Na verdade, a Ordem Rosacruz, para o qual a Fraternidade Rosacruz é a Escola Preparatória autorizada, tem seu nome derivado do seu fundador, Christian Rose Cross (Rosenkreutz em alemão); um nome que, como estudamos no livro O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, “é a corporificação da maneira e dos meios pelos quais o ser humano atual é transformado em Divino ‘Super-homem’. Esse símbolo, ‘Christian Rosen Kreuz’, (O) Cristão Rosa Cruz, mostra o fim e o objetivo da evolução humana; o caminho a ser percorrido e os meios pelos quais alcançará essa meta. A cruz na cor preta, os galhos verdes da planta que a entrelaçam, os espinhos e as rosas vermelho-sangue ocultam a solução do Mistério do Mundo: a evolução passada do ser humano, a sua constituição presente e, particularmente, o segredo do seu futuro desenvolvimento.”.

O Símbolo passou por evoluções, incluindo a conversão da cor da cruz na cor preta para a cor branca: Antes da primeira Reunião de Probacionistas, em 3 de Junho de 1913, “um carpinteiro havia cortado duas cruzes e a Sra. Heindel pintou uma delas de preto com borda branca, e na face oposta, branca com borda preta. Max Heindel disse também que nós precisaríamos de uma cruz branca, pura, junto com sete rosas vermelhas e brancas, ela então pintou a cruz extra de branco puro. Providenciou tudo, até as rosas que encontrou florescendo nas roseiras. Ao cair da tarde, fez um arranjo do emblema no seu escritório, prendeu três rosas brancas, já desabrochando, no centro da coroa de rosas vermelhas. Às 19 horas, os seguintes Probacionistas estavam presentes, alguns dos quais nos ajudaram nos preparativos da inauguração: Dra. M. Mason, Alice Gurney, Flora Kyle, Philip Grell, Sr. Rollo Smith, Fred Carter, Eugene Muller, Max Heindel e Augusta Foss Heindel. Novamente o número 9 estava representado como no dia da fundação e a ‘Fraternidade Rosacruz’ também soma 9 na numerologia. Os nove Probacionistas estavam sentados em meditação silenciosa, quando de repente as três rosas brancas no centro da coroa começaram a se mover, uma deslizou lentamente, mas ao cair, prendeu-se em uma folha ficando suspensa, deixando somente uma rosa branca no centro da coroa de rosas vermelhas. Dizer que os nove membros estavam atônitos não exprime fielmente o que ocorreu. A vibração na sala estava tão intensa que alguns dos presentes ficaram maravilhados: havia uma sensação de uma poderosa presença. Enlevado, Max Heindel, depois de algum tempo tentou se levantar para falar, mas, a sua voz falhou e lágrimas rolaram dos olhos. Todos ali presentes sentiram com certeza a presença do Décimo Terceiro Irmão (Christian Rosenkreuz) no seu corpo vital, e acreditamos que nenhum de nós presentes esquecerá daquele encontro. Após algumas palavras de Max Heindel, saímos todos em silêncio sem pronunciar uma palavra: todos nós sentimos que havíamos estado na presença de um Ser Sagrado.” (do livro: Memórias de Max Heindel – Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz).

Assim, a única rosa branca posicionada no centro dos quatro braços da cruz foi confirmada. Ela significa:

1-O Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui) irradiando seus quatro instrumentos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente);

2-A laringe etérica que será capaz de falar a palavra criadora;

3-Para a oficiação do Ritual do Serviço Devocional de Cura, representa o coração do Auxiliar Invisível;

4-E, de modo geral, simboliza o ideal do Aspirante à vida superior em busca da pureza da vida, “o caminho da castidade”.

A estrela de cinco pontas simboliza “aquela influência inestimável para a saúde, a prontidão e elevação espiritual que irradia de cada servo da Humanidade”, que é o Corpo-Alma, soma psuchicon, mencionado por S. Paulo.

As sete rosas vermelhas significam:

1-O sangue humano purificado da paixão, tornando possível o desenvolvimento oculto dos sete centros etéricos do Corpo Vital, correlacionados com as sete Glândulas Endócrinas e;

2-A purificação da natureza de desejos, que promove o desenvolvimento dos sete centros do Corpo de Desejos, latente na maioria das pessoas, mas capaz (como com os centros etéricos) de se tornar órgãos extrassensoriais, possibilitando várias habilidades suprafísicas – assim, em ambos os casos acima, resultando a saudação Rosacruz: “Que as rosas floresçam em vossa sua cruz“.

Portanto, este Símbolo é nada menos do que um símbolo de Deus em manifestação; a meditação repetida sobre esse Símbolo enriquecerá o conhecimento do Estudante Rosacruz.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/2003 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quando estamos em gestação, no útero da mãe, quando nos emancipamos da interferência da mãe na construção do nosso Corpo Denso?

Resposta: A união da primeira e segunda partes do Cordão Prateado marca o momento da aceleração na vida antenatal, quando, nós, o Ego, nos emancipamos da interferência da mãe e assumimos a construção dos nossos próprios veículos. A união da segunda e terceira partes do Cordão Prateado marca uma aceleração mental e a emancipação da Natureza Materna. Deixa-nos livre para construir e usar nosso Templo como quisermos, limitado apenas por nossas ações passadas.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Visão

Em visões, enquanto eu descansava em minha cama e meditava sobre as coisas reais da vida, vi uma escada luminosa que descia dos céus até a terra, sobre a qual, subindo e descendo, estavam os Espíritos Mestres em seus corpos glorificados; alguns estendiam a mão aos seus irmãos trabalhadores da Terra, ajudando-os a subir na escada sobre a qual eles mesmos se mantinham.

E eu vi uma segunda escada cujo pé parecia estar na Terra, mas era curta e alcançava os Céus, assim como a primeira e luminosa, que era larga, reta e ia do Céu à Terra, tendo seu início do alto — porém a base da segunda escada estava na Terra.

A construção de uma escada era semelhante à da outra, pois eu vi que ambas eram feitas de grandes cruzes — a cabeça de uma cruz estendia-se até o pé da cruz acima, cujos braços estavam firmemente presos a ela, seu pé também estava firmemente preso aos braços da cruz seguinte, tanto acima quanto abaixo de si mesma, formando uma escada larga e com degraus na qual homens e mulheres da Terra subiam para alcançar os Céus.

As duas escadas eram contrapartes uma da outra, pois ambas eram feitas de grandes cruzes, mas a escada luminosa era reta, íngreme e difícil de ser escalada pelos homens e pelas mulheres da Terra sem a ajuda dos Irmãos Maiores, que são os Espíritos Mestres — ao passo que a outra era escura devido às manchas da Terra e tinha sua fundação no topo de uma montanha, onde estavam três cruzes antigas, muito antigas; ao redor da cruz do meio havia um halo de luz semelhante àquele que vinha do alto e envolvia a escada luminosa; a escada escura não era reta como a escada luminosa, mas formava uma espiral que alcançava alturas cada vez maiores à medida que os homens e as mulheres da Terra a construíam.

E os rostos dos homens e das mulheres que traziam as cruzes para serem incorporadas à escada tornavam-se luminosos como os rostos e corpos dos Espíritos Mestres que estavam sobre a escada luminosa e ensinavam ao povo como usar suas cruzes para construir uma escada forte e eficaz.

Enquanto eu observava, vi outros homens e outras mulheres à distância e entre eles havia também muitas crianças cujos rostos estavam muito tristes, com dor e sofrimento estampados em suas feições, de modo que olhavam sempre para baixo e não viam os construtores da escada nem o modo de usar as cruzes pesadas, que estavam ensinando.

E, por serem ignorantes do caminho melhor, continuavam a carregar suas cruzes nas costas e nos ombros, e os fardos eram muito penosos, até que mãos auxiliares se estenderam a eles, dizendo-lhes para trazer seus fardos até o pé da escada e entregá-los à construção. Esses estavam feridos, tomados pela dor, e seus fardos constantemente os faziam tropeçar e cair por terra, mal conseguindo se levantar novamente, depois. No entanto, à medida que continuavam lutando, finalmente se aproximaram do lugar onde a escada estava sendo construída; então eles também aprenderam a usar suas cruzes como um meio de ascender.

Ao ouvirem os Seres Luminosos que lhes diziam como o Mestre, Ele mesmo, queria que construíssem a escada, perceberam que, durante toda a vida, viveram sob uma falsa crença — que não fora o Mestre quem colocara as cruzes sobre seus ombros, mas eles próprios haviam forjado cada um o seu fardo e se apegado às suas próprias crenças erradas; assim, cada um carregava sua própria cruz nas costas — mas o Mestre queria que fossem livres — livres para servir com amor.

Então seus rostos se iluminaram com uma luz interior, seus corpos se endireitaram e eles desprenderam as cruzes de seus ombros, ajudando com entusiasmo a colocá-las no lugar e firmemente amarrá-las para que a escada se elevasse ainda mais. Em seguida, subiram pela escada que haviam ajudado a construir. Com a luz de uma nova alegria em seus rostos, olhavam constantemente para trás enquanto subiam, para ver se alguém precisava de ajuda e para mostrar o caminho àqueles que ainda eram ignorantes. Servir era uma alegria e ensinar era um prazer.

Alguns, que eram fortes e destemidos, passaram da escada em espiral, cuja fundação estava sobre o Monte, para a escada reta e luminosa, cujo início vinha do alto, sendo apoiados e auxiliados pelos Irmãos Maiores, que subiam e desciam à vontade, ocupados com várias missões de serviço útil a seus irmãos e suas irmãs mais jovens.

Gradualmente, muitos aprenderam o caminho, mas não importava quantos subiam pelas duas escadas, pois sempre havia espaço e aqueles que ascendiam aos Céus eram recebidos e saudados pelos Espíritos dos que haviam vencido e se tornado Auxiliares de seus Irmãos. E a luz de uma grande alegria brilhava em todos os seus rostos e através de suas vestes: essa luz era a luz do Cordeiro, Ele mesmo, que também trabalhava entre eles, orientando todos os que necessitavam de conselho.

Ele também tocava com mão piedosa alguma alma sobrecarregada e a mandava olhar para cima para ver como seus irmãos e suas irmãs estavam construindo a escada. Ordenava-lhe que fosse e fizesse o mesmo. Então, seu rosto também se iluminava com uma luz interior e prontamente retirava o fardo das próprias costas para colocá-lo no chão e sobre ele subir para ascender.

À medida que todos aprenderam o caminho melhor, cada um o informou a outro e se tornou um Auxiliar de seus Irmãos. E os muitos tornaram-se uma multidão e a multidão tornou-se uma multidão que ninguém podia contar, cujos rostos brilhavam cada vez mais enquanto cantavam o cântico do cordeiro — digno é o cordeiro que foi morto para receber poder e riquezas, sabedoria, força, honra, glória e bênção (Apo 5:12)Amém, Amém.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Cristianismo à Luz dos Ensinamentos Rosacruzes

Há mais de dois mil anos, uma mulher enlutada chorou na porta de um sepulcro vazio, e seu lamento foi este: “Eles levaram o meu Senhor e eu não sei onde O colocaram” (Jo 20:13). Angústia de coração e alma, perplexidade e até mesmo rebelião ecoaram na frase simples; e essas palavras são ecoadas por muitos corações sinceros e amorosos na Cristandade de hoje.

Onde está o Cristo? Qual é a importância da figura central na história do Evangelho? A Bíblia está sendo desacreditada e desaprovada pelos, assim chamados, críticos e estudiosos que, em sua cegueira total, chegaram à conclusão de que a história de Cristo Jesus é um mito adequado apenas para aqueles cujo intelecto permanece comparativamente subdesenvolvido. Não podemos culpá-los totalmente por superestimarem, como fazem, as reivindicações da vida mental. Eles ainda têm alguma justificativa para suas decisões, quando consideramos a teologia irracional que, desde a infância, aprenderam a aceitar como “Religião”.

Nós, Estudantes Rosacruzes ativos, que sentimos que escapamos dessa escuridão, conhecemos bem a natureza irreconciliável de muitos dos princípios da ortodoxia. Deus, nosso criador, a quem devemos orar, aparentemente é um “Pai irado” que, em outra época, teria destruído a Humanidade, não fosse pela intervenção do Seu FilhoCristo – a quem Ele permitiu que sofresse em nosso lugar. Não é de se admirar que a Mente racional do ser humano se revolte contra essa e outras concepções semelhantes!

Mas porque as pobres imaginações e interpretações de alguns seres humanos nos decepcionaram, estamos justificados em nos afastar da figura calma e serena de Cristo Jesus, que é “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13:8)? No entanto, é verdade que muitos, de coração partido e decepcionados, buscaram alimento espiritual e encorajamento nos ensinamentos de outras Religiões; as filosofias do Oriente os impressionaram com suas riquezas inesperadas e confirmaram a unidade fundamental de todos os modos de adoração; a sabedoria acumulada de eras foi saqueada para fornecer uma solução para os problemas atuais. No âmago do coração de todos esses buscadores, há um sentimento não confessado de solidão espiritual e incompletude e, ainda assim, algum poder maravilhoso e invisível parece mantê-los meio inconscientemente ligados à Religião da sua infância. Se eles não acreditam mais no Mestre, Cristo, que magnetismo estranho e imorredouro é esse que ainda permanece no próprio título, “o Cristo”?

Os críticos podem ter removido o Corpo de Jesus, mas ainda não descobriram o Cristo Jesus, Ele que “vive, esteve morto e está vivo para todo o sempre” (Apo 1:18). O mundo precisa de uma nova luz sobre as verdades fundamentais da verdadeira Religião Cristã que longe de ser uma fé do passado, nós, Estudantes Rosacruzes, temos certeza de que é a Religião do futuro.

Aproveitemos para mostrar que uma interpretação verdadeira e profunda, embora simples e satisfatória, do Cristianismo pode ser encontrada nos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz – os Ensinamentos Rosacruzes ou Ensinamentos da Sabedoria Ocidental –, uma abordagem que satisfaz não apenas o nosso intelecto, mas também o nosso coração. Aqui não é o lugar para falar da história desta Fraternidade Rosacruz, nem para apresentar suas credenciais. Apontemos um breve esboço de um grande assunto, sabendo que aqueles que são verdadeiramente sérios preencherão os espaços por si mesmos. Pois a Filosofia Rosacruz não consiste apenas de alguns fatos nem de uma mera plausibilidade superficial, mas de um sistema enorme e compacto de pensamento inspirado, um tesouro inesgotável de verdades que são as chaves mestras para a compreensão do mundo e da vida do ser humano que nesse mundo vive.

Será prontamente admitido que o enorme assunto que estamos considerando pode ser apenas tocado, mas antes mesmo que isso seja feito será necessário mencionar alguns dos mais importantes Ensinamentos Rosacruzes.

Aprendemos pelos Ensinamentos Rosacruzes que o Universo (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo) são ambos construídos sobre o princípio setenário. O Universo em si consiste em sete Planos – os Planos Cósmicos –, no mais elevado, que é o primeiro Plano Cósmico, dos quais habita o Ser Supremo, que surgiu da Raiz incognoscível da Existência.

Dos seguintes seis dos grandes Planos Cósmicos somos inteiramente ignorantes, mas no sétimo Plano Cósmico, o mais inferior dos sete, no quesito vibracional, nosso Sistema Solar evolui, criado por Deus, nosso Criador. Aqui novamente encontramos este Plano dividido em sete Mundos, pois o número sete permeia todas as coisas.

Vamos agora voltar nossa atenção para o Pano Cósmico em que estamos atualmente evoluindo, o sétimo Plano Cósmico. No Mundo mais elevado desse Plano, o Mundo de Deus, habita o poderoso Ser que criou tudo nesse Sistema Solar, inclusive nós, e que guia nossa evolução – em um Esquema, Obra e Caminho de Evolução, também criado por Ele – e com Ele estão sete Grandes Espíritos (também chamados de Ministros de Deus), cada um dos quais preside um dos sete Planetas desse Sistema Solar; eles também são chamados de Espíritos Planetários diante do Trono de Deus. Mas nem esses Planos e nem os Mundos do sétimo Plano Cósmico devem ser abordados ​​como estando um acima do outro fisicamente, mas estão interpenetrados; isto é, este globo material e externo que conhecemos como Terra contém dentro de si seis contrapartes ou correspondentes cada vez mais sutis.

Quando Deus nos criou, dentro d’Ele, criou cada um de nós como um Espírito Virginal e consciente da nossa origem divina, mas não autoconsciente; o objetivo da nossa longuíssima peregrinação, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana, é atingir aquele Poder de autodireção perfeita que é o Plano de Deus. Em direção a esse estado, nós, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, involuímos e evoluímos, com a nossa consciência em constante desenvolvimento, em Globos de densidade variável, do mais puro ao material mais denso (ou de condições de vibração mais sutis a condições de vibrações muito densas), como entendemos o termo. A peregrinação atual é limitada a sete Períodos em um Esquema de Evolução, cada um com sete “subperíodos” dos quais agora atingimos o mais denso e, daqui, começamos a ascender a condições mais sutis. Nós, lá no início desse Esquema de Evolução, à medida que lentamente desenvolvíamos nossos poderes latentes, fomos guiados e protegidos por muitos Seres poderosos, que chamamos de Hierarquias Criadoras, Divinas ou Zodiacais, que estavam, também, aperfeiçoando a própria evolução delas.

Durante o Período Solar desse Esquema de Evolução, um Arcanjo, universalmente conhecido como Cristo, aperfeiçoou Sua evolução ao máximo que um Arcanjo pode alcançar nesse Esquema de Evolução; Sua Consciência foi suficientemente desenvolvida para moldar para Si mesmo dez veículos que, começando no Mundo de Deus, desciam até o Mundo do Desejo, Mundo mais denso após o Mundo Físico, e o Mundo onde os seres da Onda de Vida dos Arcanjos conseguem construir o Corpo mais denso deles, o Corpo de Desejos. No entanto, Ele não podia funcionar visivelmente no Mundo Físico, ou seja, construir um Corpo Vital e um Corpo Denso, sem o auxílio de um ser humano, ou seja, um ser da Onda de Vida humana atual, que fosse suficientemente puro para que Ele pudesse operar através dele. Esse ser humano ficou conhecido, no seu último renascimento aqui, como Jesus de Nazaré.

É durante o Período seguinte, o Terrestre – que é onde nós estamos – que notamos uma grande mudança nas nossas ideias religiosas cruas e infantis. Até então, considerávamos Deus com em uma relação de medo; sem compreender nada da verdadeira natureza de Deus, nós O concebíamos como um tirano severo e cruel, cuja única chance de agradá-Lo era por meio de propiciação e muitos sacrifícios; depois, tentávamos nos aproximar d’Ele para negociar ou barganhar. Cada nação ou povo se aproximava de Deus e Lhe oferecia sua adoração, se Ele lhes desse a Sua proteção especial. Assim, surgiu uma multiplicidade de “Deuses” tribais, “Deuses” dos quais, em troca de adoração e sacrifício, se esperava que se ocupassem exclusivamente com a prosperidade dos povos ou nações específicos sob os cuidados d’Ele. Isso representava um avanço em relação ao relacionamento anterior de nós com Deus, mas estava longe de ser uma condição ideal, pois tínhamos medo de dar algo a Ele, a menos que tivéssemos certeza de receber ampla recompensa em troca. Em resumo: passamos a ser dominado pela Religião de Raça, Religião que se baseava na exaltação de um povo ou nação especial sobre todos os outros povos e nações. Nenhum povo ou nação é mais típica dessa condição do que os judeus, que adoravam a Jeová, “um Deus zeloso”, capaz e disposto a destruir todos os inimigos de Seu “povo escolhido”. Até o nascimento do Cristianismo, essa Religião de Raça, baseada nas Lei Jeovísticas, era a mais elevada conhecida, e seus exemplos mais proeminentes sendo o: Judaísmo, Budismo e Hinduísmo.

A Religião de Raça foi um passo à frente na concepção religiosa, mas seus frutos eram necessariamente práticos e mundanos. Se a nação ou o povo segue as ordenanças do seu Deus particular, ela seria abençoada, mas se não as seguisse, ela seria penalizada. A Humanidade certamente estava sendo ensinada a se sacrificar, mas se sacrificar em troca de recompensa. “Dê tanto e receba tanto” era a fórmula aceita; a ideia de dar e não receber nada, de amar todos os seres humanos, sendo amado ou não em troca disso, era uma ideia muito estúpida para ser contemplada.

E no meio de toda essa agitação, uma criança nasceu para uma nação que era, de todas as nações, talvez, a mais ferozmente racial: o povo judeu.

Ele nasceu “imaculadamente”; isto é, de uma mulher, Maria, pura de toda mácula da sexualidade animal, e de José, um carpinteiro. Ele nasceu na desprezada aldeia de Nazaré, na Palestina, “e lhe deram o nome de Jesus”. Até os trinta anos, pouco sabemos sobre Ele, mas Ele cresceu até a idade adulta, especialmente educado por uma Fraternidade avançada, a dos Essênios, que não pouparam esforços para prepará-Lo para o grande papel que Ele iria desempenhar. Aos trinta anos de idade, uma mudança veio a Ele. Puro, gentil e iluminado, como sempre fora, agora parecia como se um novo Espírito tivesse descido sobre Ele. Essa mudança é a característica mais significativa de Sua vida, pois, de acordo com a Filosofia Rosacruz, deveu-se ao fato de Ele ter sido animado pelo grande Espírito que iria inaugurar um novo ideal religioso, o do altruísmo e da fraternidade.

Foi o Cristo, de quem fizemos menção como o mais elevado Iniciado do Período Solar, um Raio do Espírito Crístico Universal, que agora, pela primeira vez, entrou em contato com a Humanidade que Ele tinha vindo para “buscar e salvar”. Devemos lembrar que o nível mais baixo no qual o Cristo podia funcionar era o Mundo do Desejo, ou o Mundo imediatamente acima do Mundo Físico e, assim, para concretizar Seu propósito de habitar como um ser humano, era necessário que Ele encontrasse um Corpo Denso adequado através do qual pudesse trabalhar. Os veículos mais puros e adequados para o Seu propósito eram aqueles pertencentes ao homem Jesus, e é por essa razão que o Espírito Santo desceu sobre o filho de José e habitou nele.

Durante os três anos de ministério que se seguiram, o Cristo pregou e ensinou o novo evangelho do amor, dizendo: “Ouvistes o que foi dito: olho por olho e dente por dente. Mas eu vos digo: não resistais ao mal” (Mt 5:38-39). Foi inevitável que Ele estivesse imediatamente em desacordo com as autoridades religiosas judaicas, os escribas e fariseus meticulosos e muitas vezes inescrupulosos, que defendiam zelosamente todas as reivindicações do seu Deus de Raça, Jeová, e que ficaram primeiro atônitos, depois enfurecidos, ao ouvir Cristo Se declarar o Filho de Deus. Não era o cúmulo da tolice, ou melhor, da própria blasfêmia, que eles ouvissem Seus ensinamentos, tão opostos àqueles dos quais se consideravam os guardiões? Para eles, Ele era um blasfemador insano, um fanático que buscava minar a Lei, suplicando a Seus ouvintes que amassem seus inimigos e orassem por aqueles que os usavam com desprezo.

A Religião de Raça seria de falto substituída pela Religião do Amor, mas não sem luta, uma luta que, de forma bem sutil, persiste até os dias atuais. A história da Transfiguração nos mostra esse grande evento em forma pictórica. No Monte, com Ele apareceram Moisés e Elias, o grande Legislador e o grande Profeta da antiga Dispensação, respectivamente; mas logo depois eles desapareceram de vista e os Discípulos “não viram qualquer homem senão Cristo Jesus somente” (Mt 17:8 e Mc 9:8). O Espírito de Cristo, por meio da cooperação consciente do homem Jesus, estava enviando um novo impulso de poder e crescimento para ajudar o ser humano em sua jornada rumo a Meta; Ele estava abrindo um novo caminho de progresso para todos seguirem.

A morte do Cristo Jesus é um evento com grande significado do um ponto de vista espiritual. Primeiramente, significou a liberação do Espírito do Sol do Corpo de Jesus; mas significou infinitamente mais do que isso, pois, quando o sangue físico caiu no chão, esse sangue físico trouxe consigo o Corpo de Desejos purificado do Cristo que, entrando na Terra, operou a salvação ao purificar o Planeta de todas as impurezas que se acumularam durante o reinado do Espírito da Raça. Jesus de Nazaré, liberto do seu Corpo Denso, tornou-se o guia invisível para todos aqueles que estão se esforçando para viver a vida ideal, conforme ensinada pelo Cristo.

É difícil para nós compreendermos a tremenda natureza do sacrifício no Calvário, ou discernir a virtude tão discutida do “sangue purificador”, pelo qual Cristo realmente purificou o mundo, entrando em contato íntimo e interior com sua Humanidade ao se tornar Regente da Terra. E o sacrifício não se limitou à hora final, mas se estendeu por todos aqueles três longos anos que o grande e glorioso Espírito do Sol se submeteu, para o nosso bem e por nossa causa, às vibrações tão lentas do Corpo Denso de Jesus.

Pela crucificação do veículo material do Espírito de Cristo na cruz (simbólico das correntes de vida dos três Reinos da Natureza animada) e pela disseminação do Seu Corpo de Desejos puro por toda a Terra, Cristo conquistou Sua morada em cada um de nós e nos abriu a porta do Progresso Eterno através da Comunhão com Ele mesmo. Pois o Cristo Interno não é um mito ou fantasia mística, mas um grande e tremendo fato gerado pelo Seu sacrifício. Um ser humano só pode ser regenerado ao se tornar consciente disso, e ao viver o nascimento e as boas-vindas ao Cristo que habita dentro de si. O caminho para Cristo é através da vida Crística do Sacrifício e não há outro caminho.

Dizem-nos que aos olhos de Deus mil anos são como ontem, e estamos bem cientes do crescimento lento, mas seguro, que caracteriza toda a evolução. Há mais de dois mil anos atrás, o Espírito de Cristo veio habitar conosco e nos salvar de nós mesmos. Sua missão é nos libertar dos limites estreitos impostos pelo Espírito de Raça, romper gradualmente as barreiras que o interesse próprio havia erguido entre as nações e os povos, mostrar a insensatez de um patriotismo meramente nacional e, finalmente, romper a barreira entre o nós, o Espírito, e o Espírito de Cristo.

A importância da Sua mensagem está se tornando conhecida apenas gradualmente, mas deve se tornar conhecimento comum na Era que está por vir, a Era de Aquário, a Era da Fraternidade. Já temos a ideia da Organização das Nações Unidas, que espera acabar com a guerra (referindo-se à Primeira Guerra Mundial), uma das armas mais mortais do Espírito de Raça; temos também a noção de uma Liga das Religiões, que visa a remover a amargura que há entre os credos.

O Cristianismo permaneceu e perdurará graças ao poderoso Espírito por trás dele, que jamais nos abandonará. O Cristianismo deve crescer, enquanto o ideal de separação deve diminuir. Isso acontecerá muito lentamente, pois a Religião de Raça é difícil de morrer e luta até o fim.

Não buscamos nenhuma conversão repentina, sabemos que dias sombrios ainda podem estar diante de nós, mas sabemos também que a Humanidade começou sua árdua jornada até o Trono de Deus.

O Cristianismo é a Religião do futuro, mas somente quando estivermos prontos para recebê-Lo é que pediremos ao Espírito do Amor Universal para ser o nosso Rei.

Todo aquele que ordena sua vida pelos Ensinamentos de Cristo está apressando a segunda vinda de Cristo, quando, por meio do poder onipresente do Seu Espírito, todas as guerras e invejas cessarão na Terra.

Esta é a mensagem da Filosofia Rosacruz para todos aqueles que a ouvirem. Ela remete à Maria, que chora no sepulcro, seu Senhor, ressuscitado, glorificado e vivo para sempre. Ela remete a uma Bíblia, à prova contra o materialismo e da crítica, e aberta a todos que a compreenderem. Ela traz de volta os cansados, os céticos e os de coração partido aos próprios pés do Cristo vivo.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Senda do Adepto

Prosseguindo em nossas explanações por meio de estudos cosmológicos espirituais, voltemos ao Período de Saturno, quando principiávamos a nossa marcha. Nesse Período surgiram os Grandes Luminares, as Hierarquias Criadoras, que estavam acima desse Globo, e que nos auxiliaram por meio da Luz inferente a Seus Corpos, promovendo uma lenta densificação das partículas desse Globo nascente que, posteriormente, transformou-se em Luz. A nossa alimentação nessa época era constituída de calor e, posteriormente, passou a ser Luz. Se aceitarmos tal fato como verdade, teremos que convir, que essa mesma Luz, ainda hoje, nos serve de alimentação.

Não é possível haver vida sem essa Luz que se encontra tanto dentro, como fora de nosso organismo. Não somos mais tão ingênuos a ponto de acreditarmos que o mundo não seja uma expressão da Luz de Deus, pois “Deus é Luz” (IJo 1:5), da qual tudo foi feito, e que se propaga e tem sua eterna existência.

Assim, toda nossa alimentação é um produto da Luz que produz em nós o calor existente desde os primórdios do Período de Saturno. Esse calor se manifesta em nosso sangue sem o qual, nós, o Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), não teríamos possibilidade de manifestação. Lembremo-nos que o calor do sangue é a nossa posição vantajosa em nossos veículos. Os quatro Éteres que fazem parte da constituição do nosso Corpo Vital estão intimamente ligados à nossa existência física densa (ao Corpo Denso), bem como às funções puramente transcendentais.

Assim compreendemos claramente o seu valor cooperante, intrínseco, desde o Período de Saturno (calor sanguíneo), Período Solar (Luz, transformação de calor em Fogo, concordante com o Éter de Vida, Éter Luminoso e com a formação do sistema nervoso) e, finalmente, o Éter Refletor, que traz ao nosso cérebro físico a percepção do Universo fora de nós. Notamos haver, portanto, um alimento concordante com as quatro modalidades de Éteres que sustentam o organismo humano. Através de etapas, de uma aprendizagem pelos Períodos, Épocas e Revoluções, o ser humano, quando atinge o grau de Adepto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, consegue dispensar os alimentos desses Períodos, pois, as forças criadoras passam a atuar nele com todo seu potencial.

Por isso nos torna compreensível que o espiritualista tenha que se abster de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), procurando uma dieta mais natural, concordante com a finalidade que tem em vista. À nossa disposição estão os alimentos vegetais, as frutas, os legumes, verduras, mel, ovos, leites e afins; todos eles fontes excelentes de energias solares.

Podemos, ainda, juntar o seguinte: O Espírito Universal é um alimento perfeito, como bem o expressou Cristo, o Senhor: “Nem só de pão Vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4).

Isso significa que da boca de Deus sai o alento, a Vida que sustenta a todos nós que viemos a este mundo.

Este é o verdadeiro alimento; e outro não há, pois, mesmo apresentando-se sob várias formas e aspectos, o Espírito é “um” e sempre o mesmo. A todo aquele que desejar futuramente habitar nos Céus, ou seja, a Celeste Jerusalém, exorta-se a alimentar-se, desde já, do maná dos céus, isto é, do Espírito.

Deste mesmo Espírito testificam todas as Escrituras Sagradas. Não resta nenhuma dúvida de que aquele que não se alimentar desse “Pão de Vida”, futuramente não terá condições de habitar nas novas condições do próximo Período, pois não será encontrado vestido com suas Vestes Nupciais. Estará, segundo as Escrituras, desnudado.

Expliquemos, portanto, o desenrolar do processo que nos leva a atingir o estágio mencionado por Cristo, com as palavras: “Vós sois deuses” (Sl 82:6). Os deuses vivem no Paraíso, conforme descreve a Bíblia no Gênesis, ao se referir aos seres que constituíam a Humanidade nesta fase, com os nomes simbólicos de Adão e Eva, luzes que existiam antes que o mundo fosse feito, de acordo com as palavras de Cristo em Sua oração sacerdotal. Já mencionamos essa passagem. À Porta desse Paraíso se postam Querubins trazendo em Suas mãos alguns lírios. Isto significa que não podem franquear passagem para esse Reino Celestial àquele que não trouxer em si os lírios espirituais. Aqui não se trata de flores comuns, tampouco de “salvação”, pois já “está salvo” pela Luz Branca e transparente, o que significa que na Alma já não se encontra mácula alguma. Cristo é a Luz e a Porta do Paraíso, no que se vive em perfeita Unidade com o Absoluto. Humanamente não temos outra palavra à disposição para designar o Paraíso, mas temos, internamente, qualidades condizentes com esse estado paradisíaco, conhecido também como a Nova Jerusalém que desce dos Céus para dentro da Alma Humana, conforme as palavras do Apocalipse.

Nesta Nova Jerusalém, o Senhor, a Nova Alma, ceia conosco em uma Mesa, do mesmo manjar. Cristo é Quem nos dá manjar espiritual, na expressão mais exata d’Ele mesmo, quando na Santa Ceia fala aos Seus discípulos com as seguintes palavras: “‘Tomai, comei, este é o meu Corpo“. “E tomando o cálice, dando graças, disse: Bebei todos. Porque isto é o meu Sangue, o Sangue da Nova e Eterna Aliança, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados.” (Mt 26:26, Mc 14:22 e em ICor 11:24).

Se imaginarmos a Santa Ceia em que Cristo presidiu à mesa, e se tivermos um pouco de percepção espiritual, nos será possível encontrar uma ação impressionante, pois o Pão que entregou aos Discípulos não era um pão comum: era a própria Luz que o Senhor entregava. Ele mesmo disse: “Isto é o meu Corpo” – isto é – a Luz Solar, a Luz do Espírito de Vida, a Água da Vida ou Árvore da Vida que estava plantada no Centro do Paraíso, mencionada no Livro do Gênesis e no Livro do Apocalipse. Logo, deve-se compreender que a Luz de Cristo foi derramada abundantemente sobre o pão do qual todos eram transformados pela aliança do Novo Testamento, a Luz das Alturas em que Cristo tem Sua Morada. Aqueles que se dirigem ao Adeptado devem, por ordem espiritual, quando comem, sentir a Presença, a imensa Luz que se derrama sobre eles. Na essência do pão e no suco dos frutos maduros, tomamos como alimento, o próprio Corpo de Deus que é Luz.

No Apocalipse lemos: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” (Ap 22:13). Uma ligeira análise das palavras acima nos mostra a finalidade de Cristo e de todos que estão e estarão aptos a viverem na Nova Jerusalém, que desce do Infinito, e na qual Cristo habita juntamente com a Humanidade. Se configurarmos as palavras “Alfa e Ômega”, entrelaçadas, formando um círculo, isto é, se sobre a letra Alfa, “A”, colocarmos a última letra do alfabeto grego, Ômega (Ω), praticamente não saberemos onde começa nem onde terminam “A” ou “Ω”. Deus não tem começo e nem fim. O Alfa está no Ômega, e vice-versa. Partindo dessas explicações podemos, agora, estudando o capítulo 14, versículo 1 do Livro do Apocalipse, aprendemos que: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham o nome d’Ele e de seu Pai“. No versículo 2 aprendemos que: “Ouvi uma voz de muitas águas, como voz de trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem as harpas“. O que nos surpreende nesses versículos, e aliás em todo o Livro, é a sua construção e a clareza de seus dizeres místicos. Nos últimos dois versículos está explicado que o Pai, o Filho, a Humanidade e o Universo em seu movimento (Atividade), o Espírito Santo, formam, em conjunto, uma grande sonoridade. A Humanidade é representada pelo número 144.000 que, cabalisticamente, simboliza a Humanidade. O nome em hebraico é ADM ou ADAM: Aleph é o número 1; Daleth é número 4; Mem o número 40. ADAM, portanto, é igual ao número 144; adicionando-se os três algarismos, teremos o número nove. Os três zeros finais querem significar que a Humanidade já passou por três grandes Período de desenvolvimento: Saturno, Solar e Lunar, tendo entrado para o quarto grande Período denominado Terrestre. Nos versículos acima, representa-se uma Humanidade redimida, perfeita, pois todos trazem em suas testas o Sinal do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Nas três vezes em que se refere à voz, o Apocalipse queria significar a Harmonia Absoluta dentro de toda Criação, pois todos serão salvos por Cristo, o “Alfa e o Ômega”, o Princípio e o Fim, na Unidade Perfeita: o Absoluto. Ainda analisando o número 9 de ADAM, ou seja, daqueles que trarão em suas testas o Sinal do Pai, Filho e Espírito Santo, o Consolador prometido por Cristo em Sua despedida, encontramos três Trindades; no princípio das coisas como “Aleph”, do qual tudo foi feito, e que se desdobra para o nove. Se aceitamos que no Pai está o Filho e o Espírito Santo, deparamos com o número três. Se olharmos para o Filho, encontramos o Pai e o Espírito Santo, o número três, no UNO. Se olharmos para o Espírito Santo, encontramos o Pai e o Filho, que nos levam novamente para o número três, no UNO. Assim temos: 3 +3 + 3 = 9.

Voltemos, ainda, ao 14º capítulo, versículo 1 do Apocalipse, em que está escrito: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham escrito o nome d’Ele e de seu Pai“. Lembremo-nos, antes de mais nada que o Espírito Santo foi enviado por Cristo, que voltou ao Pai, depois de deixado o mundo, tendo sido imolado como um Cordeiro no Altar da Humanidade, a fim de salvar o gênero humano decaído, por meio de Seu Sangue, a Luz de Deus. Daí o Espírito Santo ter sido enviado a fim de continuar o trabalho de salvação, até que Cristo volte novamente para uma Humanidade gloriosa, aperfeiçoada. Por essa ocasião todos deverão trazer nas testas o Sinal do Pai e do Filho. Que configuração poderá ser este Sinal? Falemos antes da Trindade. Nessa Trindade manifesta-se o “Uno”. Haverá, então, uma estrela nas testas daqueles que se salvarem. Isso encontra-se descrito no capítulo 22, versículo 16: “Eu Jesus, enviei o meu Anjo, para vos testificar estas coisas às Igrejas. Eu sou a raiz da geração de Davi, a brilhante Estrela da Manhã“. Resta-nos somente, dizer o seguinte, juntamente com o versículo 17 que diz: “O Espírito (Ego Humano, a Centelha Divina) e a Noiva (Alma) dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a Água da Vida“.

Com essas palavras podemos compreender que uma Humanidade perfeita trará, como Sinal de Salvação, a brilhante Estrela da Manhã de nove pontas em sua testa. O Espírito uniu-se em matrimônio à sua noiva, a Alma, para receber a Água da Vida, para nunca mais sair do Corpo do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

(Publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/1973 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Da Tríade Rosacruz: “Para Onde Vamos?”

Atualmente estamos na Era Pisciana, Era de Peixes, segunda Era da Época Ária, que é a quinta Época na metade da quarta Revolução, no globo D, na segunda metade do Período Terrestre, a metade Mercuriana, que é o quarto Período desse Grande Dia de Manifestação, que começou com o Período de Saturno e terminará no Período de Vulcano.

Nosso trabalho daqui para frente será o de dominar o desejo de se manter focado nas coisas relacionadas à Região Química do Mundo Físico, nos satisfazendo exclusivamente com as conquistas materiais na nossa vida terrestre, assim então cultivando a pureza e o altruísmo. Estamos desenvolvendo a nossa Tríplice Alma pela retidão das ações, obras, dos atos, dos sentimentos, desejos, das emoções e dos pensamentos; nossa meta é para frente e para cima!

Nisso muito nos ajuda nossa posição de Aspirante a vida superior, um Estudante Rosacruz ativo. E mais ainda: ter uma Escola como a Fraternidade Rosacruz, ativa na Região Química do Mundo Físico, que tem a missão de transmitir ao Mundo os Mistérios da Ordem Rosacruz – que está na Região Etérica do Mundo Físico – para nos ajudar nessa busca e conquista.

Orientados pelos Irmãos Maiores dessa Ordem, temos a chave dessa realização, como estudamos no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos: “o método de realização Rosacruz difere dos outros sistemas num ponto especial: procura, desde o princípio, emancipar o discípulo de toda a dependência dos outros, tornando-o confiante em si, no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e lutar em todas as condições. Somente aquele que for tão bem equilibrado, pode ajudar ao débil”.

Portanto, não há necessidade de – e nem se deve procurar – guias, gurus, instrutores, ídolos, conselheiros ou qualquer outra coisa que faça a pessoa dependente.

Outro ponto importante para efetivar essa busca é nunca se esquecer de: “Dar de graça aquilo que receba de graça”.

No livro Conceito Rosacruz do Cosmos, também encontramos a seguinte orientação dos Irmãos Maiores: “nenhum Clarividente genuinamente desenvolvido empregará a sua faculdade por dinheiro ou coisa que o valha, nem tampouco para satisfazer a curiosidade, mas só e unicamente para ajudar a Humanidade“.

Por Clarividente aqui, devemos entender aquele que pratica a Cura Rosacruz, que desenvolveu sua capacidade de trabalhar nos Mundos invisíveis, por sua vontade, de modo consciente, portanto de modo positivo, voluntário. Todo esse trabalho de nos capacitar a ter domínio próprio está sendo feito através da ajuda dos Senhores de Mercúrio. Afinal, nessas últimas três Revoluções e meia, do Período Terrestre, Mercúrio agirá para nos libertar dos veículos mais densos, por meio da Iniciação. Sua influência, aos poucos, vai se tornando preponderante, de modo que os povos das Épocas e Revoluções futuras obterão muito mais ajuda dos Mercurianos.

De acordo com o movimento da Terra conhecido como Precessão dos Equinócios, o Sol entrará na constelação aquariana por volta do ano 2.600. Com isso, terá início a Era Aquariana, a Era de Aquário. Devido à “Órbita de Influência” de Aquário sobre o Signo de Peixes (estamos nos últimos graus da Era de Peixes) sentimos as emanações de suas características, através do desenvolvimento da Ciência, da Religião, com o misticismo e altruísmo.

Quando começar a Era Aquariana, teremos uma nova fase do Cristianismo, a Religião do Cordeiro (o que temos hoje, por meio do Cristianismo Popular, não é nem sombra do que é o Cristianismo de fato!). O ideal a ser seguido está indicado no Signo oposto a Aquário, que é Leão, o Leão de Judá.

Assim, se manifestará a terceira fase da Religião Ária, onde nós cultivaremos o afeto, a lealdade, a nobreza e o bom caráter. E que nos farão o “rei da criação”, digno da confiança e do amor dos seres que estão em graus evolutivos abaixo de nós, assim como do amor das Hierarquias Criadoras que estão acima de nós.

Na Era Aquariana teremos uma Ciência religiosa e uma Religião científica. As condições atmosféricas serão alteradas: a umidade do ar diminuirá até desaparecer e, com isso, será formada uma atmosfera seca e etérica. Isso facilitará, enormemente, o desenvolvimento da nossa visão etérica, e viveremos com os seres dessa Região do Mundo Físico.

Portanto, na Era Aquariana desenvolveremos esses poderes espirituais e intelectuais que hoje são latentes, na grande maioria de nós.

Após o término da Época Ária entraremos na Época Nova Galileia, a sexta Época. Nessa, o Cristianismo Esotérico alcançará seu grau superior, ou seja: a Religião Cristã unificadora abrirá nossos corações, o amor será altruísta e a razão aprovará seus ditames.

A Fraternidade Universal será uma realidade e cada um de nós trabalhará para o bem de todos. O egoísmo deixará de existir.

No princípio dessa sexta Época aparecerá mais uma Raça, a última de todas as Raças. Esta última Raça será originada da pureza generativa. Assim, todo o mal provocado pela geração de Corpos por meio da paixão terminará.

A morte será dominada porque a pureza etérica aos Corpos fará desnecessária a sua renovação.

Depois dessa última Raça, desaparecerá todo pensamento ou sentimento de Raça (separativismo). A Humanidade formará uma fraternidade sem qualquer distinção, como havia antes do fim da Época Lemúrica.

A Fraternidade Universal estará sob a direção de Cristo, que terá voltado. Essa Sua segunda vinda inaugurará a idade da paz e do juízo. Quando a simbólica Nova Jerusalém, a cidade da paz (… Jer-u-salém, significa ali haverá paz) reinará sobre todas as nações. Então, haverá a “paz na terra e boa vontade entre os homens”.

O dia e a hora de Sua volta ninguém sabe: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os Anjos do céu, nem o Filho, senão somente o Pai.” (Mt 24:36).

Deus-Pai é capaz de prever a hora em que a separatista Mente egoísta, se submeterá ao altruísmo e unificante espírito do amor. Assim, precisar data é pura especulação.

S. Paulo disse que a segunda vinda de Nosso Senhor, Cristo, se tornará uma realização quando “o Cristo se forme em vós” (Gl 4:19). Ou seja, quando o nosso “Cristo Interno” se formar.

Cristo voltará somente quando a maioria de nós já tiver tecido o traje nupcial – o Corpo-Alma – que é composto dos Éteres superiores do nosso Corpo Vital (Luminoso e Refletor). No Apocalipse (19:7-8) lemos: “Alegremo-nos e exultemos e demos-lhe glória, porque chegaram as bodas do cordeiro e sua esposa está ataviada. E foi-lhe dado o vestir-se de finíssimo linho resplandecente e branco. E esse linho são as virtudes dos santos”.

Assim, o Traje Nupcial é tecido através do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta em cada um de nós, e das obras, ações e dos atos executados com justiça e desinteresse próprio enquanto estamos encarnados, aqui, no Mundo Físico, que é o baluarte da evolução!

Cristo não virá em corpo físico ou Corpo Denso. No Evangelho Segundo S. Marcos (13:26) estudamos: “então aparecerá o Filho do Homem vindo das nuvens, com grande poder e glória“. Isso significa que virá em Corpo Vital! Portanto, será completamente impossível para aqueles de nós que não tenham um Corpo devidamente constituído, chamado na Bíblia o “Vestido de Bodas”, poderem viver nessas novas condições.

Cristo estabelecerá a Nova Jerusalém na Terra. No Livro do Apocalipse 21:22, temos as suas características: “Não entrará nela coisa alguma contaminada ou quem cometa abominação ou mentira, mas somente aqueles que estão inscritos no livro da vida do cordeiro. E nela não vi nenhum templo porque o Senhor Deus Onipotente é o seu Templo, assim como o cordeiro. E a cidade não necessita de Sol nem de Lua para iluminar, porque a Glória de Deus a ilumina e sua lâmpada é o cordeiro”.

A Árvore da Vida estará na Nova Jerusalém e: “Enxugará toda lágrima de seus olhos e não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor” (Apo 21:4).

Após essa Época, teremos a sétima e última Época.

O Iniciado que recebeu a primeira Iniciação Maior – ou seja, um Adepto – vive, agora, como viveremos no final do Período Terrestre.

Após o término do Período Terrestre, entraremos no Período de Júpiter. Seremos de um tipo mais puro. Entretanto, haverá entre nós aqueles que são completamente bons e aqueles completamente maus. Mas, para esses últimos, as próprias maldades o consumirão.

Haverá um quinto Elemento (além do Fogo, da Água, do Ar e da Terra) e será esse Elemento que nos ajudará quando quisermos falar algo: as palavras levarão consigo o verdadeiro significado. Quando se disser “vermelho” será apresentado à visão interna uma reprodução exata e clara do tom particular do vermelho que está pensando, e outra pessoa também verá essa reprodução. Não teremos mais enganos nem mal-entendidos!

O Corpo Vital alcançará a perfeição. As forças do Corpo Denso se ajuntarão ao Corpo Vital. E viveremos emCorpo Vital. Seremos criadores insuflando vida na Onda de Vida que, atualmente, são os minerais.

O Iniciado que recebeu a segunda Iniciação Maior – ou seja, um Adepto – vive, agora, como viveremos no Período de Júpiter.

O próximo Período é o de Vênus. Nesse Período o Corpo de Desejos alcançará a perfeição. As forças dos Corpos Denso eVital serão absorvidas no Corpo de Desejos. Nós empregaremos a própria força para dar vida a nossas imaginações e as exteriorizaremos como objetos.

O Iniciado que já recebeu a terceira Iniciação Maior – ou seja, um Adepto – vive, hoje, nas condições do Período de Vênus.

Após o término do Período de Vênus entraremos no Período de Vulcano. A Mente alcançará a perfeição. E a essência dos três Corpos será incorporada a ela. Teremos a mais elevada consciência espiritual criadora. Seremos capazes de propagar-nos e criar formas vivas, móveis e pensantes.

Após esse último Período, absorveremos todos os frutos dos sete Períodos.

Passando esse momento, submergiremos em Deus, de quem viemos, para que, no alvorecer de outro Dia de Manifestação, reemergirmos como seus gloriosos colaboradores!

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Participo de um grupo de estudos formado por Cristãos muito sinceros, que consideram as ciências ocultas verdadeiras armadilhas de Satanás, desaconselhando com bastante veemência qualquer contato com as mesmas. É do meu conhecimento que os Ensinamentos Rosacruzes são considerados ocultos. Apesar da pouca familiaridade que tenho com esses Ensinamentos, tenho a impressão de que não tem nada de “satânico”. Agradeceria seus esclarecimentos a esse respeito. Estou certo?

Resposta: O termo “oculto” refere-se em geral, a tudo o que é secreto, ou considerado “sobrenatural”, do ponto de vista puramente físico. O ocultismo, como qualquer outro estudo, tem os seus aspectos positivos e negativos. Infelizmente, devido a grande ênfase dada aos seus aspectos menos superiores a ciência oculta criou “má reputação” em certos círculos.

Parece-nos, contudo, que a Filosofia Rosacruz, ou melhor, dizendo, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, indicam para a Humanidade ideias e ensinamentos sobre tudo o que há de mais superior e positivo, quanto à natureza de Deus e a nossa. De acordo com esses ensinamentos, nós somos inerentemente semelhantes à Deus, possuindo, em estado latente, todos os atributos da Divindade. A meta final da evolução é nos transformar do ser inocente e estático que somos hoje, num ser dinâmico como o Deus solar que adotamos.

A nossa evolução vem se processando desde os tempos imemoriais. O presente estágio é caracterizado por repetidos renascimentos na Terra, a fim de aprendermos certas lições no plano físico, antes da passagem para Mundos superiores. Passarão eons incontáveis, até que as qualidades que nos tornarão em um ser divino desenvolverem.

O conhecimento adquirido em nossa jornada evolutiva deve ser usado a serviço de nossos semelhantes. E para evoluir devemos adquirir conhecimentos, tanto dos Mundos espirituais como do Mundo Físico. E não há nada de maligno no conhecimento. O desejo de aprimoramento, o esforço em aprender algo relativo tanto aos Mundos espirituais como ao Mundo Físico, numa escola qualquer, merece louvor. O importante é o uso que será feito desses conhecimentos.

Devemos nos esforçar ao máximo em resistir à tentação de usar esses acontecimentos para engrandecimento próprio, para fins egoístas ou para prejudicar nossos semelhantes.

A Filosofia Rosacruz é uma filosofia Cristã. Oferece a mais ampla interpretação dos Ensinamentos Cristãos básicos, do que as Igrejas cristãs. Proporciona grande ênfase a doutrina do Amor Universal, conforme foi legada a todos nós por Cristo-Jesus.

(Publicada na Revista Rays From the Rose Cross – 09/15 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: É difícil para mim revisar os acontecimentos do dia na ordem inversa, quando faço meus exercícios noturnos. Isso é absolutamente necessário e, em caso afirmativo, por quê?

Resposta: No Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospeção, o Estudante revê e avalia sua conduta naquele dia que está terminando. Ele está fazendo o trabalho normalmente reservado ao Purgatório e ao Primeiro Céu. Lá, a vida é vivida de trás para frente, primeiro os efeitos e depois as causas, a fim de que nós possamos ver como e por que o sofrimento resulta de nossos erros, nossas faltas. Revendo nossa vida diária, na ordem inversa, dos efeitos às causas, notamos que nossos problemas e nossas provações foram todos causados por nossas ações, obras e nossos atos durante o dia passado ou algum outro dia de nossa vida.

Nossa tarefa é encontrar essa causa e analisar a razão que leva a cada desenvolvimento, para que possamos saber, no futuro, como aproveitar as oportunidades para o crescimento anímico – o crescimento da alma – e, assim, evitar o mal. Assim, se seguirmos a experiência do dia na ordem inversa, aproveitaremos as experiências adquiridas imediatamente, ao invés de esperar até que tenhamos passado desta vida – após a morte – e sejamos forçados a colher os frutos de nossas ações, obras e de nossos atos no Purgatório e no Primeiro Céu.

(Pergunta nº 150 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como Funciona a Lei de Consequência

A Lei da Consequência é uma das Leis de Deus, que decreta que o que semeamos, colheremos. Ela também é chamada de Lei de Causa e Efeito.

O que somos, o que temos, todas as nossas boas qualidades são o resultado do nosso trabalho no passado e, portanto, nossos talentos. O que nos falta, física, moral ou mentalmente é por não termos aproveitado certas oportunidades no passado ou por não as termos vivenciadas, mas em algum momento, em algum lugar, outras se apresentarão para nós e recuperaremos o que perdemos.

Quanto às nossas obrigações e dívidas para com os outros, a Lei de Consequência também trata disso. O que não pôde ser resolvido em uma vida voltará a nos apresentar nas vidas futuras. A morte não anula as nossas obrigações, assim como indo para outra cidade não pagamos as dívidas que contraímos aqui.

A Lei do Renascimento, que trabalha harmonicamente com a Lei de Consequência, proporciona um novo ambiente, mas nele existem “velhos inimigos”. E, às vezes, os conhecemos, porque quando conhecemos algumas pessoas pela primeira vez, sentimos como se as conhecêssemos de algum lugar. Isso ocorre porque nós, o Ego, rompemos o véu da carne e reconhecemos um “velho amigo” ou um “velho inimigo”. Se for um “velho inimigo” ele pode nos inspirar medo ou repúdio, e é como uma mensagem que nos alerta contra um inimigo de antigamente. Assim, veja que a Lei da Consequência está operando continuamente.

A partir do momento do nascimento, as forças que foram acionadas em vidas anteriores e ainda não se esgotaram, passam a atuar na criança e em seus veículos. Todos os velhos amores e ódios vêm à tona.

Antigos inimigos se apresentam, para que nós possamos traçar com eles nosso destino e transformá-los em “amigos”, pois toda relação tem que terminar em amor, que é a única solução para “aprendermos as lições” sem sofrer.

Amigos anteriores nos ajudam trabalhando conosco para benefício mútuo. Assim nos aproximamos lenta, mas irresistivelmente, da era da Amizade Universal.

Por meio da Lei de Consequência aprendemos que temos a nossa responsabilidade correspondente e que cada palavra, ato, obra e/ou ação que pomos em movimento deve ter o seu efeito correspondente.

Se, por negligência ou egoísmo causamos sofrimento ou dolo aos outros, fatalmente, a Lei de Consequência trará condições semelhantes em uma data mais remota, e assim compreenderemos a injustiça de agir dessa forma, ou que o “caminho do transgressor é doloroso”. Se não atendermos à lição, a Lei de Consequência nos trará experiências cada vez mais duras, até que finalmente façamos o esforço necessário e, então, obtenhamos o poder do autocontrole ou autodomínio.

Os Ensinamentos Rosacruzes sobre a vida nos mostram que o mundo que nos rodeia nada mais é do que uma Escola de experiências, mas atrelada a solução nas inseparáveis Leis ​​de Consequência e Lei de Renascimento. Que assim como mandamos a criança para a escola dia após dia, e ano após ano, para que ela aprenda cada vez mais e, à medida que avança nas diferentes séries da escola até a universidade, o mesmo acontece com cada um de nós, como filho do Pai, entra na escola da vida. Mas numa vida mais ampla, cada dia escolar é para nós uma vida terrena, e a noite entre os dois dias letivos corresponde ao sono após a morte.

Veja que numa escola há muitas séries. Onde as crianças com mais idade que frequentam a escola há muito tempo têm que aprender lições muito diferentes daquelas aprendidas pelas crianças mais jovens que frequentam o “jardim de infância”. Da mesma forma, na escola da vida, aqueles que ocupam altos cargos, sendo dotados de grandes faculdades, são seres mais avançados, por exemplo, como Irmãos Leigos ou Irmãs Leigas, Adeptos e Irmãos Maiores, e os menos avançados são aqueles que ainda frequentam as primeiras séries escolares. O que os seres mais avançados são, nós seremos, e todos acabarão por chegar a um ponto em que serão mais sábios do que os mais sábios que conhecemos agora.

Se as obras, ações e os atos que praticamos forem construtivos e respeitarem os direitos dos outros, então na vida futura nasceremos em condições que nos trarão sucesso e felicidade. Se, pelo contrário, cedermos às nossas paixões, sem consideração pelos outros, ou se formos insolentes e descuidados, certamente renasceremos em condições e entre pessoas que farão da nossa vida um fracasso, e que nos trarão muitos sofrimentos. Através destes fracassos, porém, aprenderemos onde erramos em vidas anteriores e saberemos o que precisamos fazer para remediar o passado. Assim, aplicando a nossa força de vontade na solução de problemas, obteremos sucesso, e a Lei de Consequência, a partir desse momento, funcionará a nosso favor, e não contra nós.

Veja, assim, como é importantíssimo saber como funcionam a Lei de Consequência e a Lei de Renascimento!

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Resultado de uma Morte Repentina

Na edição de novembro de 1917, da Revista “Rays From the Rose Cross” havia uma história intitulada: “Enfrentando o Pelotão de Fuzilamento”, narrando como um espião foi encostado a uma parede e fuzilado. Logo depois, ele, completamente consciente, conversa com um Auxiliar Invisível, e em sua companhia viaja milhares de quilômetros a fim de visitar sua irmã. Ela ensina que depois de o Átomo-semente ter sido removido do coração e o Cordão Prateado rompido, vem um período de inconsciência que dura cerca de três dias e meio, e durante esse período o Espírito repassa o panorama de sua vida findada.

Observemos bem que tudo isso é ensinado no Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”, e continua a ser verdadeiro em todas as circunstâncias comuns. Contudo, quando se fala da lei da mortalidade infantil, explica-se que quando uma pessoa passa ao outro mundo em virtude de circunstâncias fatídicas, tais como incêndio ou desastre, ou subitamente pela queda de um edifício ou de uma montanha, ou numa batalha, ou quando as lamentações dos parentes ao redor de um morto recente tornam-se impossível concentrar-se no panorama da vida, então sua fixação nos dois Éteres Superiores, o Luminoso e o Refletor, e sua amálgama com o Corpo de Desejos não se efetua. Nesses casos o ser humano não perde a consciência. E desde que não há fixação nos veículos mais sutis como acontece normalmente, ele não passa pelo Purgatório; isto é, não colhe o que semeou, não há sofrimento em consequência de seus erros, e não há sentimentos de alegria e amor em vista do bem que praticou, no Primeiro Céu. A colheita da vida perdeu-se.

Para contrabalançar este grande desastre, o Espírito, ao entrar em sua próxima vida terrena, é forçado a morrer na infância, no que se refere ao Corpo Denso). Porém, o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente (que ordinariamente não nascem senão quando o Corpo Denso tem sete, quatorze e vinte e um anos, respectivamente) permanecem com o Espírito em transição, pois, o que não foi vivificado não pode morrer; o Espírito permanece então no Primeiro Céu de um a vinte anos, recebendo instruções e lições objetivas tais como lhes seriam ensinadas pelo panorama de sua vida passada, se não tivesse sido interrompido pelo acidente. Desse modo renasce pronto a tomar seu lugar correto na senda da evolução.

Há nessas considerações grandes soma de alimento espiritual. A grande percentagem de mortalidade infantil de nossos dias tem suas raízes nas guerras de épocas anteriores. As perdas de vida foram relativamente pequenas, embora as mortes decorrentes de guerras patrióticas tivessem seu número bastante aumentado por duelos, rixas e querelas comuns, onde armas mortais foramusadas naqueles tempos. Não obstante a soma total dessas ocorrências parece insignificante quando comparada à espantosa carnificina de nossos dias. E se isso tiver de ser corrigido da mesma maneira, as futuras gerações terão uma colheita de lágrimas. Mas, como já deixamos bem claro em outras ocasiões, cada lágrima derramada por alguém a quem amamos, está dissolvendo a crosta que recobre nossos olhos, até o dia em que possamos ver com bastante clareza a fim de penetrar o véu que agora nos separa daqueles a quem chamamos erradamente de mortos. Virá então a vitória sobre a morte, e estaremos aptos a exclamar: “Ó, Morte, onde está teu aguilhão? Ó Túmulo, onde está tua vitória?” (ICor 15:55).

(Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” e publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1974 – Fraternidade Rosacruz-SP)

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