Em qualquer plano, à medida que ampliamos nossa capacidade, também se amplia nossa utilidade.
Se esta é uma verdade indiscutível para a vida terrena, o é mais ainda para a vida espiritual. Assim, podemos dizer que, se a cultura religiosa não torna alguém mais Cristão, também não é somente a vivência que sustenta o Cristianismo. A fé que reside apenas na vontade e no sentimento corre um grande risco. Em momentos de crise faltará sustentação do intelecto para dizer: não estou entendendo nem sentindo como gostaria, mas conheço o suficiente para tirar uma conclusão. Dificilmente uma fé sobreviverá sem a base sólida ou suficientemente sólida da doutrina.
A tônica dos Ensinamentos Rosacruzes é servir. Mas será que não corremos o risco de nos acomodarmos ao serviço amoroso e desinteressado que procuramos executar e muitas vezes realmente o executamos, esquecendo-nos de que se aumentássemos nosso conhecimento, por meio do estudo, dos Ensinamentos Rosacruzes poderíamos servir mais e melhor, reconhecendo realmente todas as oportunidades que se nos apresentam sem deixar passar alguma que, às vezes, nem percebemos serem oportunidades de serviço?
E se, aumentando nossa capacidade de servir nesse plano material aumentamos proporcionalmente nossa capacidade de servir nos planos internos, será que temos plena consciência da nossa responsabilidade ao nos contentarmos em permanecer na situação espiritual que julgamos ter, sem melhorar ou melhorando muito aquém do que poderíamos e deveríamos, já que temos o privilégio enorme de sermos chamados pelos Irmãos Maiores para colaborar com eles na redenção da Humanidade?
Temos a tendência em achar que, se fazemos o máximo pelos outros está tudo certo. Mas será que esse máximo que fazemos é realmente do que seríamos capazes se ampliássemos nossas capacidades, se estudássemos mais, se procurássemos colocar em nossos atos um embasamento maior de conhecimentos da Filosofia Rosacruz?
Tudo na natureza está na divina ordem: se não somos Auxiliares Visíveis, jamais chegaremos a Auxiliares Invisíveis. Se não trabalhamos pelos nossos irmãos e pelas nossas irmãs, aqui e agora, aqueles que, com palavras e gestos muitas vezes imploram nosso auxílio, que credenciais teríamos para trabalhar como Auxiliares Invisíveis? Se o Mundo Físico é o “baluarte da evolução”, temos de trabalhar nele, antes de trabalhar em outros Mundos. Deus respeita tanto nosso livre arbítrio que, se não servimos aqui e agora por nossa livre e espontânea vontade, onde praticamente tudo depende de nós, Ele não nos levará a servir no outro lado. Se não queremos servir aqui, quem garante que o queiramos do outro lado?
À medida que servimos, nos tornamos aptos a receber maiores e melhores oportunidades de serviço. Precisamos estar atentos a essas oportunidades e aproveitá-las todas, para formarmos o nosso Corpo-Alma, nosso dourado manto nupcial, pois não sabemos quando Cristo virá nos chamar para as bodas místicas.
No nosso Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção examinemos mais cuidadosamente o que deixamos de fazer e, se o que fizemos foi tão bem-feito como o deveria, por falta de capacidade nossa. E assim poderemos nos conhecer melhor e ampliar nossa capacidade para cada dia podermos ser de maior utilidade na “Vinha do Senhor”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Sim. Muitas vezes, uma mãe que faleceu recentemente zela pelos seus filhos pequenos por um longo tempo, e há casos registrados em que mães salvaram seus bebês de perigos. Embora não soubessem conscientemente como se materializar, o amor pelos pequeninos e o intenso medo pela segurança deles fizeram com que as mães, nesses casos, atraíssem para si o material para que pudessem ser vistas pelas crianças. Aqueles que chamamos de mortos, geralmente, não se afastam da casa onde viveram, até muito tempo depois do funeral. Permanecem nos cômodos familiares e circulam entre nós, embora não os vejamos com a visão física. É claro, quando chega a hora de irem para o Primeiro Céu, não permanecem mais nas nossas casas, mas as visitam frequentemente. Quando entram no Segundo Céu, já não têm mais consciência dessa esfera física, no sentido de terem tidos lares, amigos ou parentes; devem então ser vistos mais como Forças da Natureza, enquanto estão no Segundo Céu, pois trabalham sobre a Terra e a Humanidade, da mesma maneira que as Forças da Natureza não assumem a forma humana.
Assim, é perfeitamente natural que eles velem por seus entes queridos por muito tempo após o falecimento, e muitas vezes foi observado por pessoas presentes no falecimento de uma mãe cujos filhos haviam falecido, alguns anos antes, que no momento da morte ela via os filhos à sua volta e exclamava: “Ora, ali estão o Joãozinho, e como ele cresceu!”, e assim por diante. As pessoas presentes ao redor da cama, provavelmente pensariam que se tratava de uma alucinação, mas não é, e se nota que um certo fenômeno sempre acompanha essas visões, a saber, quando uma pessoa morre, uma escuridão a envolve, que ela sente descendo sobre si. Muitas pessoas falecem sem voltar a ver o Mundo Físico. Essa é a transição de nossas vibrações e luz para as vibrações do Mundo do Desejo, e é semelhante à escuridão que se estendeu sobre a Terra por ocasião da crucificação. Com outras pessoas acontece que a escuridão se dissipa após um momento e, então, a pessoa se torna Clarividente, vendo tanto o Mundo Físico presente como o Mundo do Desejo, e lá, é claro, aparecem os entes queridos, que foram atraídos pela morte iminente, que é um nascimento nos Mundos espirituais.
Assim, podemos dizer que os mortos se interessam pelo nosso bem-estar por um longo período após terem morrido, mas é preciso lembrar que não há poder transformador na morte; que ela não lhes confere nenhuma habilidade especial para cuidar de nós, e que eles não têm meios de realmente influenciar nossos assuntos, de forma que não é exatamente correto considerá-los os nossos “anjos guardiões”. Eles são meramente espectadores interessados, com exceção de alguns poucos casos específicos em que um amor intenso os capacita a prestar algum pequeno serviço em caso de grande necessidade. Esse serviço, porém, nunca assumiria a forma de nos enriquecer ou qualquer coisa desse gênero, mas seria como um aviso de perigo ou algo parecido.
(Pergunta nº 64 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Quando, passeando Cristo Jesus e seus Discípulos passaram por um cão morto, em estado de putrefação, houve quem se preocupasse com o mau cheiro, e, não se contendo, comentou-o. Prontamente Cristo Jesus chamou a atenção dos Discípulos para a alvura dos dentes daquele animalzinho, fazendo com que vissem apenas o que nele havia de bom.
No fato que acabamos de descrever percebe-se com clareza, a profunda lição que Cristo dera aos Discípulos de todos os tempos e à Humanidade.
Feliz, portanto, de quem procura se compenetrar da sublime lição dada por Cristo Jesus. Vai gradativamente enxergando em seu próximo tão somente as qualidades. Com isto, a sua felicidade avulta, tendo em vista a possibilidade que alcança de fazer, em maior proporção, a felicidade dos outros. Esta realização é, sem dúvida, o que há de mais importante, não apenas no Mundo Físico.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz, em perfeita consonância com Cristo-Jesus, que devemos ver o bem em tudo. Aliás, entre os Estudantes Rosacruzes, felizmente, alguns só se compenetraram bem da lição conscientemente. Outros, atingiram certo ponto e continuam se esforçando. E, há ainda aqueles que estão iniciando a maravilhosa jornada.
Caminhando, pois, como ensinara Cristo, verificaremos, no correr dos dias, que Ele tinha e tem toda razão desaparecendo por completo, o “mau cheiro” que antes sentia, porventura nos fatos e pessoas.
Lembremo-nos, finalmente, de que a Bíblia Sagrada diz o seguinte: “Deus criou tudo e viu que tudo era bom”. É conveniente, portanto, meditar diariamente sobre isto.
(Publicado pela Revista Serviço Rosacruz – julho de 1966 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: A Conferência Nº 4 do livro Cristianismo Rosacruz – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz[1] trata de sonhos, sono, hipnotismo, mediunidade e insanidade. Ou seja, versa sobre as condições anormais da consciência, e nessa Conferência foi fornecida uma explicação muito abrangente dessas várias condições, com exceção do sonambulismo, que, no entanto, se assemelha muito aos sonhos. Não podemos dar uma explicação tão completa aqui, mas basta dizer que, durante o dia, o Corpo Denso, ao qual chamamos de “indivíduo”, é envolvido por uma atmosfera áurica composta de seus veículos mais sutis, assim como a gema de um ovo é envolvida pela clara. Esses veículos sutis interpenetram o Corpo Denso e são as fontes de poder e de percepção sensorial. São suas atividades que fatigam o Corpo Denso, de modo que à noite ele, por assim dizer, entra em colapso e os veículos sutis se retiram dele, deixando-o indefeso, adormecido sobre o leito. Quando essa separação se completa, há o sono sem sonhos.
Contudo, por vezes, o Ego fica tão absorto nos assuntos referentes ao Mundo Físico que tem grande dificuldade em se desvencilhar do Corpo Denso. Pode, então, ficar meio dentro e meio fora do corpo. Assim, a ligação normal entre o Ego e o cérebro é interrompida, mas não completamente rompida. Sob essas circunstâncias, o Ego vê as coisas do Mundo Físico, e isso explica aqueles sonhos fantásticos e tolos que às vezes temos. Em tal condição, o Corpo Denso pode se debater no leito. Pode até a falar e gesticular e dessa condição é apenas um passo para o sonambulismo, onde o Ego obriga o veículo a sair do leito e vagar, às vezes sem rumo, mas outras vezes com um propósito definido em vista.
Se nos lembrarmos de que, quando o Ego está fora do seu veículo físico, durante as horas em que o Corpo Denso permanece dormindo sobre o leito, o Espírito se movimenta com a mesma facilidade pela janela ou pela parede como que se atravessa uma porta aberta. Quando percebemos que ele não pode ser queimado pelo fogo nem afogado na água, nem despencar de um telhado, podemos facilmente compreender que, inconsciente do fato de que seu veículo físico está com ele, pode tentar sair por uma janela. Se a janela estiver aberta, naturalmente o Corpo Denso cai no solo e se machuca gravemente ou não, de acordo com a altura da queda. Todos nós podemos andar sobre uma tábua estreita quando ela está próxima ao solo, mas se a mesma tábua for levantada a apenas alguns metros do solo, uma sensação de medo nos invade. Provavelmente cairíamos de uma tábua muito larga se ela estivesse colocada a centenas de metros acima do solo, mas, quando o Corpo Denso é manipulado pelo Espírito, de fora, ele próprio está inconsciente e, portanto, não sente medo. Consequentemente, ele caminha impunemente por onde consegue se firmar, e o único perigo é que o adormecido acorde – que o Ego retorne ao seu veículo e assuma a posição normal. Então, o medo, quase inevitavelmente, provocará a queda, qualquer que seja a posição perigosa em ele se encontre, e haverá, em consequência, ferimentos mais ou menos graves.
Quanto à solução do problema, sugerimos a prática do relaxamento consciente do Corpo Denso. É o Corpo de Desejos que mantém o controle sobre o Corpo Denso, e durante o relaxamento, esse Corpo de Desejos aprende a soltar e deixar o Corpo Denso inerte, de modo que, se um braço ou uma perna forem erguidas, caiam imediatamente sobre o leito. Essa prática, com o tempo, acabará com o sonambulismo, mas enquanto isso, se toalhas úmidas forem colocadas no chão, pois elas provavelmente terão o efeito de despertar a pessoa no momento em que ela sair do leito. Os veículos superiores são de natureza semelhante à eletricidade, e sabemos que a água tem um maravilhoso efeito de atração excelente em relação à corrente elétrica. Da mesma forma, quando os pés do Corpo Denso tocarem as toalhas molhadas colocadas no chão, os veículos mais sutis são atraídos para a posição central em relação ao Corpo Denso e a consciência será restabelecida. Desta forma, o Corpo Denso é despertado e o perigo do sonambulismo, durante algum tempo, é evitado.
(Pergunta nº 130 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: CONFERÊNCIA IV – SONO, SONHOS, TRANSE, HIPNOTISMO, MEDIUNIDADE E INSANIDADE
Vimos que o ser humano é um organismo muito complexo, compondo-se de:
1) Corpo Denso, que é seu instrumento de ação;
2) Corpo Vital, o veículo da “vitalidade” que torna possível a ação;
3) Corpo de Desejos, de onde parte o desejo que impele à ação;
4) Mente, um freio sobre os impulsos, que dá propósito à ação;
Que são instrumentos do Ego[1], que atua colhendo experiências de seus atos.
O propósito da vida é transformar os poderes latentes do Ego em energia dinâmica para que possa controlar perfeitamente seus veículos e agir por sua vontade. Sabemos que, por enquanto, o Ego ainda não conseguiu esse domínio, caso contrário não haveria luta em nosso íntimo entre o Espírito e a carne, como se costuma dizer, uma luta que, na realidade, se trava entre o Espírito e o Corpo de Desejos. Esta “luta” é o que desenvolve o músculo espiritual, assim como a luta Corporal desenvolve o músculo físico. É muito fácil mandar os outros fazerem isto ou aquilo, mas impor obediência a si próprio é a tarefa mais difícil do mundo. Na verdade, diz que “o ser humano que conquista a si mesmo é maior do que aquele que conquista uma cidade”. Goethe, o grande poeta Iniciado, nos dá a razão disto nestes versos:
De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado
O ser humano se liberta quando o autocontrole houver conquistado.
Tal ser humano está acima de todas as leis, quer humanas quer divinas – não que ele as desobedeça, mas justamente o contrário, pois sua total obediência a elas torna-as todas supérfluas, do mesmo modo que a lei “não furtarás” é desnecessária a todo aquele que aprendeu a respeitar a propriedade alheia.
O pecado ou a atitude contrária à vontade de Deus ou às Leis da Natureza existia antes de toda Lei, e S. Paulo aprecia muito bem sua benéfica ação quando diz que “a lei é o feitor que nos conduz a Cristo, porque sem a `Lei´ não conheceríamos o pecado”[1].
Todas as vezes que violamos uma das Leis da Natureza, tal transgressão, como uma causa, traz-nos a correspondente retribuição como efeito. Se comemos em demasia ou indevidamente, o resultado pode ser uma indigestão. Se o distúrbio for mais sério, talvez seja necessário a Natureza queimá-lo por meio de uma febre. Se pecamos contra as leis da moralidade, podemos esperar o ostracismo social como correspondente retribuição ao erro nos planos morais. Mas o ser humano que usa levianamente seus poderes mentais é o pior e o mais perigoso, porque glutão pode ser, sob outros aspectos, uma pessoa admirável e digna de todo respeito, que praticamente não prejudica ninguém, a não ser a si mesmo. A pessoa imoral, os desordeiros e bisbilhoteiros vulgares são cancros sociais, perigosos para todos. Mas podem ser isolados e evitados, minimizando-se assim os perigos de seu contato. Podem também se arrepender e até regenerar-se. Porém, o mais insidioso de todos os males é aquele que se refere ao plano mental de ação em que o ser humano, sob a máscara da perfeita respeitabilidade e muitas vezes sob o disfarce da benevolência, pode dominar a vida do semelhante, dirigir-lhe a vontade e ainda assim continuar parecendo impecável, não raro sendo até considerado por suas vítimas um amigo e benfeitor.
Deste modo, sem nenhum risco de prisão, ele alcança o seu objetivo, seja este dinheiro ou engrandecimento pessoal.
Sua transgressão é raramente castigada na mesma vida em que a cometeu, mas, nas vidas posteriores, ele encontra uma expiação na forma de idiotice congênita, portanto sem oportunidade para arrepender-se e ser perdoado como acontece quando o arrependimento é acompanhado de regeneração. O crime do hipnotizador é de fato um aspecto daquilo que a Bíblia chama de “pecado contra o Espírito Santo” – a maldade espiritual mais perigosa à sociedade.
O Espírito Santo é o princípio criador da Natureza, e a força sexual criadora no ser humano é a sua expressão direta. A mesma força expressa-se através dos órgãos geradores para gerar um novo Corpo e através do cérebro para manifestar novos pensamentos que depois se cristalizam em “coisas”.
Quando alguém se torna vítima de um hipnotizador, deixa de ser senhor de si próprio e perde a faculdade de pensar por si mesmo, subjugado que fica pelas sugestões do hipnotizador, que na realidade são ordens, já que a vítima não tem outra alternativa senão obedecer.
Por conseguinte, uma vez que o hipnotizador interfere na expressão da faculdade criadora de pensamentos de sua vítima, cuja finalidade é uma expressão direta do Espírito Santo, comete um pecado contra este.
Para esclarecer melhor e reforçar as descrições de condições anormais tais como existem no sonho, transe, hipnotismo, mediunidade, obsessão e insanidade, começaremos com uma explanação das condições do ser humano nos estados normais de vigília e sono, sob o ponto de vista oculto.
O Estado de Vigília
Neste estado, todos os veículos do ser humano acham-se confinados dentro do mesmo espaço. Assim como os ossos, a carne e os vários líquidos do organismo estão confinados dentro da pele, também todos os Corpos do ser humano mantêm-se juntos dentro de uma espécie de nuvem ovalada, que envolve totalmente o Corpo visível desde acima da cabeça até abaixo dos pés. Não importa a posição que assuma, o Corpo Denso sempre permanece no centro dessa Aura, do mesmo modo que a gema está sempre no centro do ovo. A Aura envolve o Corpo Denso humano como a clara envolve a gema do ovo. Mas isso não é tudo, porque essa Aura, composta dos veículos sutis do ser humano, não somente envolve o Corpo Denso como compenetra cada partícula deste, de maneira um tanto semelhante ao sangue permeando todo o Corpo Denso.
Vemos assim que tais Corpos estão mais perto de nós do que nossas mãos e pés, e ainda que tão invisíveis quanto nossa respiração, nem por isso são menos reais ou menos necessários. Durante a vida, o ser humano normalmente não pode separar-se deles e, a não ser que estejam todos juntos, ele não pode se mover nem agir conforme faz na vida diária.
Durante o estado de vigília, há uma constante guerra entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. Os apelos e impulsos do segundo instigam constantemente o Corpo Denso, impelindo-o à ação para gratificar esses desejos apesar dos danos que podem resultar ao último. É o Corpo de Desejos que incita o bebedor a saturar seu organismo com bebidas alcoólicas, a fim de que a combustão química do espírito do álcool eleve as vibrações do Corpo Denso a tal ponto que este se torne dócil instrumento a qualquer impulso baixo, no que desperdiça grandes parcelas de suas reservas de energia.
O Corpo Vital, pelo contrário, não tem outro interesse senão o de preservar o veículo denso. Por meio do baço, ele especializa energia solar incolor que permeia o espaço e, mediante estranho processo químico, transforma-a em eflúvio vital solar de formosa cor rosa-pálido, espalhando-a a seguir por todo o sistema, em cada nervo e fibra do organismo. O Corpo Vital cuida sempre de economizar a energia que armazena no Corpo Denso. E trabalha constantemente na reconstrução dos tecidos danificados ou destruídos pelas poderosas investidas do dominador Corpo de Desejos.
O eflúvio vital solar tem função idêntica à da eletricidade num sistema telegráfico, pois mesmo que este sistema seja constituído de fios que ligam entre si diversas estações com telegrafistas operantes, seria, no entanto, totalmente ineficaz se não houvesse a corrente elétrica circulante que transportasse as mensagens. Assim também acontece com o Corpo Denso: só é útil quando o eflúvio vital solar lhe percorre os nervos. Quando isso cessa – no todo ou em parte – dizemos que o Corpo está de certo modo imprestável. Notamos esse efeito, mas não vemos sua causa no Mundo material.
Temos em nosso Corpo dois sistemas nervosos: o voluntário e o involuntário. O primeiro é dirigido diretamente pelo Corpo de Desejos e comanda os movimentos do Corpo Denso; tende a obstruir e destruir e é refreado pela Mente apenas em parte. O sistema nervoso involuntário tem seu vantajoso e particular terreno no Corpo Vital e governa os órgãos digestivos e respiratórios que reconstroem e restauram o Corpo Denso.
Essa guerra entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos é o que produz a consciência no Mundo Físico. Mas, se a Mente não atuasse como um freio sobre o Corpo de Desejos, nossas horas de vigília seriam muito mais curtas, e bem mais curtas também nossas vidas, porque o Corpo Vital e sua benéfica atuação logo seriam vencidos pelo desenfreado Corpo de Desejos, como mostra a exaustão que se segue a uma explosão de ira. A ira é um estado em que o ser humano, “perdendo o controle”, permite ao Corpo de Desejos dominar livremente.
Apesar de todos os seus esforços, o Corpo Vital gradualmente vai perdendo terreno à medida que o dia passa. Os venenos resultantes dos tecidos destruídos acumulam-se e impedem o fluxo de eflúvio vital solar. Então, os movimentos tornam-se cada vez mais lentos e, em consequência, o Corpo visível mostra sinais de exaustão. Por fim, o Corpo Vital entra, por assim dizer, em colapso; o eflúvio vital solar cessa de circular pelos nervos em quantidade suficiente para manter o equilíbrio do Corpo Denso. Aí, este se torna inconsciente e, portanto, impróprio ao uso do Espírito. Isto é o sono.
Muitos pensam que o sono é um estado passivo ou negativo. Nada mais incorreto. Se assim fosse, o Corpo físico (o Corpo Denso) despertaria tão cansado quanto estava quando adormeceu. Ou melhor, nunca mais despertaria, pois foi sua incapacidade para receber eflúvio vital solar (por estar obstruído com toxinas deteriorantes) que o levaram a dormir. E se o único efeito desse estado fosse uma negativa cessação de desgaste de energia, as condições permaneceriam em status quo, e o Corpo continuaria dormindo. Às vezes, acontecem casos que chegam a durar semanas e até meses. Aos que assim dormem, diz-se que estão em “transe”. Para que tal estado seja mantido por algum tempo sem que resulte em morte, o Corpo Vital não deve suspender inteiramente suas funções: precisa, até certo ponto, efetuar a digestão.
O que faz então do sono um estado restaurador? No próprio termo “restaurador” está implícita uma atividade. Se um prédio vai ser restaurado, é necessário que seus moradores o desocupem, cessando já aí o desgaste pelo uso. Mas não é o bastante. Os operários precisam reparar os danos consequentes do uso do edifício. Somente quando este trabalho tenha sido feito, estará a restauração completa e o prédio pronto para ser reocupado por seus moradores.
O mesmo ocorre com o templo do Ego – nosso Corpo Denso – quando fica exausto. Nessas ocasiões, é preciso que o Ego, a Mente e o Corpo de Desejos se retirem, deixando o Corpo Vital totalmente à vontade para que possa Restaurar o tom do Corpo Denso. Assim, quando o Corpo Denso adormece, há uma separação. O Ego e a Mente, revestidos pelo Corpo de Desejos, retiram-se dos dois Corpos que interpenetravam – o vital e o denso – permanecendo estes na cama enquanto os veículos superiores flutuam próximo e sobre o Corpo adormecido.
Inicia-se aí o processo de restauração. Em qualquer combate no Mundo Físico, os ferimentos nunca acontecem só a uma das partes contendoras. O vencedor também sempre recebe algumas lesões. Quanto mais feroz a luta e quanto mais valentes os lutadores, mais ferimentos de ambos os lados. A mesma coisa se dá com os Corpos vital e de desejos em seu combate: o Corpo de Desejos ganha todas as vezes, muito embora suas vitórias sejam sempre derrotas, já que ele é forçado a abandonar o campo de batalha e o prêmio, o Corpo Denso, nas mãos do vencido Corpo Vital, retirando-se a seguir para Restaurar sua própria harmonia desfeita.
Quando se retira do Corpo adormecido, o Corpo de Desejos penetra num oceano de força e harmonia chamado Mundo do Desejo. Ali, o Ego revive os acontecimentos do dia, mas na ordem inversa, isto é, dos efeitos para as causas, deslindando o emaranhado do dia e formando imagens verdadeiras que substituem as falsas impressões devido às limitações da vida no Corpo físico. E, como as harmonias do Mundo do Desejo compenetram o Corpo de Desejos, e a Sabedoria e a Verdade substituem o erro, este recobra seu ritmo e tom. O tempo necessário para tal restauração varia, dependendo de quão ilusória, impulsiva e extenuante tenha sido a vida nesse dia.
Então, e só então, inicia-se o trabalho de restauração dos veículos deixados no leito. O Corpo de Desejos restaurado começa a reanimar o Corpo Vital, inundando-o de energia rítmica. Este, por seu turno, começa a trabalhar sobre o Corpo Denso, eliminando os produtos do desgaste, principalmente através do sistema nervoso simpático. Como resultado, o Corpo Denso fica restaurado e outra vez repleto de vida. É quando o Corpo de Desejos, a Mente e o Ego reentram nele pela manhã, fazendo-o despertar.
Sonhos
Acontece, porém, às vezes, que nos absorvemos e nos interessamos tanto pelos assuntos mundanos que, mesmo após o Corpo Vital ter entrado em colapso e tornado o Corpo Denso inconsciente, não podemos fazer nossa Mente deixá-lo para iniciar o trabalho de restauração. O Corpo de Desejos adere como se fosse sombria mortalha, é talvez retirado parcialmente pelo Ego e começa a ruminar os acontecimentos do dia naquela posição.
É evidente que tal condição é anormal. Primeiramente, porque a relação apropriada entre os diferentes veículos é rompida pelo colapso do Corpo Vital. Depois, porque a posição relativa dos veículos superiores se desconectou parcialmente os centros dos sentidos do último, e o resultado inevitável são aqueles sonhos confusos em que os sons e visões do Mundo do Desejo confundem-se com os acontecimentos da vida diária de modo mais absurdo e grotesco.
Às vezes, quando algum acontecimento do dia agitou sobremaneira o Corpo de Desejos, e este já se desligou dos veículos inferiores para se entregar à atividade restauradora, através da retrospecção, pode acontecer que um penoso incidente daquele dia surja, e o Corpo de Desejos veja a solução. Então, ele volta repentinamente ao Corpo Denso a fim de imprimir as ideias no cérebro, levando, portanto, o veículo denso a acordar bruscamente. Em raros casos, porém, ele é capaz de recordar a solução que parecia tão clara no Mundo do Desejo, e, ainda que consiga imprimi-la no cérebro, geralmente ela é esquecida ao amanhecer.
Sabendo disso, muitas pessoas, ao se recolherem, deixam papel, lápis e luz ao alcance da mão. E por tal precaução, são frequentemente recompensadas ao se encontrarem pela manhã com a solução de seus problemas sem nem mesmo precisarem rever seus escritos. É uma boa ideia a ser seguida.
Sob tais condições, em que a separação dos veículos não é completa, fica evidente que a perda de energia prossegue e que a restauração é impedida. O Corpo Denso revolve-se sobre o leito em casos extremos e, em consequência, levanta-se pela manhã com uma certa sensação de cansaço depois de um sono repleto de sonhos e pouco reparador devido à separação imperfeita dos veículos.
Mas nem todos os sonhos são confusos. Aqueles, por exemplo, que nos apontam soluções lógicas a certos problemas, ou aqueles premonitórios que nos advertem de um perigo iminente, muitas vezes nos possibilitam evitar ou prevenir um desastre. Tais sonhos ocorrem geralmente um pouco antes do despertar e, também, só quando tenha havido uma completa separação dos veículos, pois só nesta última condição é possível haver lógica no sonho, ou melhor, é possível ao Ego perceber no Mundo do Desejo o desastre iminente e transmiti-lo com clareza ao cérebro. Para que tais sonhos prossigam na noite seguinte, ajuda muito ir deitar-se com este último pensamento: “Quero saber isto e vou me recordar de tudo ao amanhecer”. Se for este o último pensamento antes de dormir, as respostas virão e serão lembradas ao despertar.
Ocupar o tempo citando exemplos para provar o valor dos sonhos seria desperdiçá-lo numa conferência. A imprensa diária frequentemente cita casos de escapadas providenciais atribuídas a avisos por sonhos. Os arquivos da Sociedade de Pesquisas Psíquicas podem fornecer abundantes evidências a quem queira sem maiores dificuldades.
É característica dos Corpos invisíveis do ser humano só atuarem sob os ditames da Vontade. Cada impulso para agir que venha de dentro origina-se na vontade do próprio indivíduo, ao passo que o incentivo à ação proveniente de fontes externas, geralmente chamado de “circunstâncias”, origina-se na vontade alheia. A diferença entre o ser humano de forte caráter, seja bom ou mau, e o ser humano fraco reside no fato de que o primeiro é impelido por sua própria vontade, agindo por si mesmo, o que, a despeito das circunstâncias eventuais, capacita-o a dirigir sua vida conforme decida.
Por outro lado, o fraco, o carente de vontade, é apenas um desamparado joguete das circunstâncias, dominado pela vontade dos outros, um náufrago desgarrado no mar da vida.
Controlar outras pessoas pelo poder da vontade é um assalto mental, ato mais condenável até que um assalto físico. A essa agressão mental chamamos “hipnotismo”. Um ser humano robusto pode, com um tapinha amigável, induzir outro a satisfazê-lo, ou pode espancá-lo até torná-lo inconsciente. O vendedor hipnotizador também aplica a exata força para induzir o cliente a comprar algo que ele não quer ou não pode comprar, e ilude-se a si próprio denominando isso de negócio legal.
Por mais nociva e difundida que seja essa prática, seus efeitos posteriores, no entanto, nem se aproximam daqueles resultantes da prática de submeter-se “pacientes” ao sono hipnótico. A enormidade desse crime só é mais bem apreciada quando se podem ver os efeitos sobre os Corpos invisíveis da vítima.
Nenhuma pessoa de forte vontade pode ser dominada por um hipnotizador a ponto de ser posta a dormir, e ninguém que mantenha uma atitude mental positiva pode ser subjugado. Daí que ele, de início, solicite à vítima confiante conservar-se perfeitamente negativa e desejosa de ser posta a dormir. Os passes do hipnotizador são então endereçados à cabeça, atingindo a cabeça do Corpo Vital e deslocando-a da física. A esta altura, a cabeça etérea “cai” como uma grossa dobra em volta do pescoço do paciente, semelhante a uma gola de um suéter.
Desta maneira, a ligação que existe entre o Ego e o Corpo Denso é cortada, como no sono, e os veículos superiores se retiram. Mas a condição agora é diferente daquela do estado de sono. A cabeça do Corpo Vital não se encontra no devido lugar envolvendo e compenetrando a cabeça física. Esta agora é compenetrada pelo éter do Corpo Vital do hipnotizador que, deste modo, consegue o domínio sobre a vítima.
Se conhecêssemos um meio de “interceptar a linha”, teríamos a chave da relação entre o hipnotizador e sua vítima, pelo menos até certo ponto. Se alguém dispõe de uma linha telefônica particular entre o próprio lar e seu escritório, e outro alguém faz uma ligação de escuta entre os dois pontos, poderá o segundo interceptar qualquer conversa, como poderá ainda fazer-se passar pelo negociante, emitindo ordens, etc. O hipnotizador faz algo assim. Intercepta a linha de comunicação entre o Ego e o Corpo da sua vítima pela interposição de parte de si mesmo na linha. Assim, ele pode forçar o Ego a sair para os Mundos invisíveis e obter tanto quanto possível qualquer informação que deseje ou pode obrigar aquele Corpo a práticas fúteis ou até a atos criminosos.
Mas isso ainda não é o pior do hipnotismo. O mais grave perigo para a vítima reside neste fato: uma vez que parte do Corpo Vital do hipnotizador foi introduzida no dela, tal parte não pode ser expulsa dali completamente ao despertar. Sempre uma pequena parcela do Corpo Vital fica aderida ao Corpo da vítima, formando um núcleo através do qual o hipnotizador nela pode ingressar mais vezes e submetê-la mais facilmente daí por diante. Em cada uma dessas ocasiões, esse núcleo sofre um acréscimo de tal modo que, pouco a pouco, a pobre vítima fica totalmente desamparada, sujeita à vontade do seu dominador, independentemente da distância, até que a morte de um dos dois rompa a ligação.
Esse remanescente do Corpo Vital do hipnotizador é também um repositório de ordens a serem executadas no futuro, e que implicam na realização de certos atos em determinado dia e hora. Quando chega esse tempo, o impulso é liberado à semelhança de um despertador. Então, a vítima deve executar a ordem, mesmo que seja um assassinato, sem saber sequer que está sendo influenciada por alguém. O hipnotismo é, portanto, o maior dos crimes sobre a Terra e o maior dos perigos para a sociedade.
Alega-se, às vezes, que o hipnotismo pode ser usado beneficamente para curar o alcoolismo e outros vícios, e isto, sob o ponto de vista material, é prontamente admitido e aceito. Mas, sob o prisma do conhecimento oculto, o argumento está longe de ser verdadeiro. Como todos os outros desejos, a ansiedade por bebidas alcoólicas reside no Corpo de Desejos, sendo dever do Ego dominá-la pela sua própria força de vontade. Eis porque ele se encontra nesta Escola da Experiência chamada vida. E ninguém pode processar esse crescimento moral em seu lugar, do mesmo modo que ninguém pode digerir o alimento que ele ingere. Não se pode burlar a Natureza. Cada um deve resolver seus próprios problemas, corrigir suas próprias falhas por sua própria vontade. Se um hipnotizador dominar o Corpo de Desejos de um bêbado, o Ego desse viciado terá de aprender sua lição numa próxima existência, caso morra antes do hipnotizador. Se, porém, este morrer primeiro, o viciado certamente voltará a beber, pois, em tais casos, a parte do Corpo Vital do hipnotizador que sustava aquele desejo inferior voltará à origem, anulando-se então a cura. Portanto, a única maneira de se dominar permanentemente um vício é pela aplicação da própria vontade.
Com a morte de um hipnotizador, todas as suas vítimas ficam livres e nenhuma outra sugestão posterior poderá influenciá-las.
Mediunidade ou qualquer Pessoa que se submete a ser Controlada, Parcial ou Totalmente por Outra Entidade, Humana ou Elemental
Para que se compreenda a mediunidade, é necessário saber que na morte efetua-se a mesma separação de Corpos como no sono, só que de modo permanente. Os chamados mortos possuem Ego, Mente e Corpo de Desejos, e muitas vezes permanecem conscientes do Mundo exterior que acabam de deixar, ainda por algum tempo. Alguns se apegam à vida terrena e não podem ajustar suas Mentes ao aprendizado de novas lições. A esses chamamos “Espíritos apegados à Terra”. Tais Espíritos, impossibilitados de funcionar no Mundo visível sem um Corpo, aproveitam-se vantajosamente do fato de que nem todos os Espíritos estão confinados com o mesmo rigor à prisão do Corpo Denso. Aqueles que se acham mais fortemente aderidos aos seus Corpos são os materialistas. E aqueles cujos liames não os prendem tão fortemente são os “sensitivos”, capazes, até certo ponto, de responder às vibrações espirituais. As pessoas de caráter positivo, caso se desenvolvam, podem sensibilizar-se por sua própria vontade, tornando-se assim ocultistas exercitados. Os de vontade fraca só se podem desenvolver com a ajuda de outros e de maneira negativa. Estes são presas dos Espíritos apegados à Terra, os quais, denominando-se a si mesmos “Guias espirituais”, desenvolvem suas vítimas como “médiuns de transe”, ou como “médiuns materializantes” se as conexões entre os Corpos denso e vital das vítimas são fracos.
O controle desses Espíritos Apegados à Terra é, sob vários aspectos, idêntico ao dos hipnotizadores, salvo no fato de que os primeiros são invisíveis às suas vítimas e sobre estas exercem maior poder, já que são vistos como “seres superiores”, “anjos” sem maldade, que visam apenas proporcionar a felicidade e ministrar sabedoria de modo abnegado.
Na realidade, não existe nenhum poder transformador na morte. O pecador não se transforma em santo nem o ignorante se converte num Salomão por haver morrido. E é simplesmente chocante para o Clarividente voluntário e treinado desenvolvido ver as imposições desses desclassificados Espíritos sobre as suas ingênuas vítimas, tão inexperientes que não conseguem distinguir o verdadeiro caráter dos impostores, e vão aceitando suas duvidosas frases como sublime sabedoria. É verdade que, apesar de tudo, eles têm ocasionado algum bem provando a realidade da existência post-mortem, mas é certo também que têm prejudicado muito mais os médiuns.
O “modus operandi” do invisível controlador consiste simplesmente em expulsar os veículos superiores dos ditos inferiores do passivo médium (ou qualquer pessoa que se submete a ser controlado, parcial ou totalmente por outra entidade, humana ou elemental), tomar-lhe o lugar e assumir o controle. Quando o abandona, leva consigo uma parcela de seu Corpo Vital para usar posteriormente como uma chave ou alavanca.
Em alguns casos, não satisfeito em tomar emprestado um Corpo, o Espírito chega a roubar algum, mantendo seu dono fora dele permanentemente. Podemos ver o mesmo Corpo, mas com uma alma que tem hábitos e gostos diferentes. Isto é conhecido como obsessão, que pode ser identificada pelo fato de a íris não reagir nem à luz nem à distância pelas suas contrações ou dilatações, porque o olho é a janela da alma e somente seu dono pode controlá-lo verdadeiramente. Em consequência, os olhos dos médiuns sob controle permanecem sempre fechados ou mostram um olhar vidrado.
Existem certos meios de se afastar um Espírito obsessor, devolvendo-se o Corpo ao seu dono, mas isto não pode ser revelado publicamente.
Vimos que, no estado de vigília, os Corpos Denso e Vital estão envolvidos e interpenetrados por uma espécie de nuvem de forma ovalada, constituída pelo Corpo de Desejos e pela Mente. Estes veículos são todos concêntricos e formam os elos de uma cadeia. A interpolação de um com outro, de tal maneira que os centros sensoriais de um coincidam com os centros sensoriais do outro, é o capacita o Ego a dirigir seu complexo organismo e a realizar de modo ordenado os processos vitais que conhecemos como razão, linguagem e ação. Se há um desajuste em qualquer parte, o Ego ver-se-á tolhido correspondentemente em sua expressão. Esse equilíbrio perfeito é saúde; o oposto é doença.
A doença adquire muitas formas. Uma delas apresenta-se como insanidade mental que também se classifica em diferentes tipos. Onde a conexão entre os centros sensoriais do Corpo Denso e do Corpo Vital se dá obliquamente, quando, por vezes, a cabeça do Corpo Vital sobressai da cabeça densa ao invés de situar-se concentricamente a esta, fica o Corpo Vital desentrosado tanto dos veículos superiores quanto do Corpo Denso. Temos então o idiota dócil. Quando o Corpo denso e Corpo Vital acham-se entrosados, mas existe ruptura entre o Corpo Vital e Corpo de Desejos, as condições são semelhantes. Mas, quando o rompimento se dá entre o Corpo de Desejos e a Mente, temos o maníaco desvairado que é mais incontrolável que um animal selvagem, pois este ao menos é governável por seu Espírito-Grupo. Neste caso, todas as tendências animais são seguidas cegamente.
Quando a ruptura ocorre entre o Ego e a Mente, a última encarrega-se dos outros três veículos e aí temos a astúcia consumada que caracteriza certa classe de insanos. Os de tal categoria saberão ocultar muito bem seus maléficos propósitos e ludibriar a todos para poder vingar-se de uma ofensa apenas imaginária ou para realizar algum desejo inferior, até que a vítima caia em seu poder. Então, a natureza brutal do Corpo de Desejos entregar-se-á totalmente a alguma horrenda atrocidade ou poderá a Mente dominar o Corpo de Desejos e exercitar sua diabólica astúcia em lenta tortura, antes que o Corpo de Desejos se liberte, pondo fim aos sofrimentos da vítima, talvez de modo brutal, porém bem mais misericordioso que o prolongamento das torturas.
A lição que nos fica da matéria acima é que devemos sempre manter-nos senhores de nós mesmos e nunca, sob nenhum pretexto, permitirmos que qualquer agente externo nos hipnotize ou controle. O autodomínio é nossa meta e não o domínio sobre os outros.
Um Estudante Preliminar na Fraternidade Rosacruz é qualquer irmão ou irmã que não seja hipnotizador, ou que não seja por profissão: médium, vidente, quiromante ou astrólogo e que começa a fazer o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, que o capacitará nos conceitos básicos dos Ensinamentos Rosacruzes.
Já de início, um Aspirante à vida superior, que escolheu a Fraternidade Rosacruz para se desenvolver espiritualmente por meio do Método Rosacruz Cristão de Conhecimento Direto dos Mundos espirituais, procura esquecer de tudo o que aprendeu ao começar a fazer o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz.
E por que isso é necessário para ele? Para que não predomine o juízo antecipado nem o da preferência, mas para que mantenha a sua Mente em estado de calma e de digna expectativa. Assim como o ceticismo efetivamente nos cega para a verdade, assim também essa calma atitude confiante da Mente permitirá à intuição ou “sabedoria interna” se apoderar da verdade contida na proposição. Essa é a única maneira de cultivar uma percepção absolutamente certa da verdade!
Obviamente, há uma lógica ao sugerir esse tipo de comportamento ao Estudante Preliminar. O efeito desse esforço inicial resulta no cultivo de uma atitude mental suscetível de “admitir todas as coisas” como possíveis. Isto lhe permitirá pôr de lado, momentaneamente, até mesmo aquilo que geralmente se considera um “fato estabelecido”, e investigar se existe algum outro ponto de vista até então não notado sob o qual o objeto em referência possa parecer negro.
Certamente ele nada considerará como fato estabelecido, porque compreenderá perfeitamente quanto é importante manter a sua Mente no estado fluídico de adaptabilidade que caracteriza uma criança, ou seja: a criança não está imbuída do sentimento dominador de superioridade, nem inclinada a tomar aparência de sábio ou ocultar, sob um sorriso ou um gracejo, sua ignorância em qualquer assunto. É ignorante com franqueza, não tem opiniões preconcebidas nem julga antecipadamente, portanto é eminentemente ensinável. Encara todas as coisas com essa formosa atitude de confiança a que denominamos “fé infantil”, na qual não existe sombra de dúvida, conservando os ensinamentos que recebe até comprovar para si mesmo a certeza ou o erro.
Em outras palavras: aceitar como “verdade provável” para que possa estudar e pesquisar até que tenha a benção de descobrir, por si só, o fato como “verdade provada”!
A grande vantagem dessa atitude mental quando se investiga determinado assunto, ideia ou objeto, é evidente. Afirmações que parecem positivas e inequivocamente contraditórias, e que causam intermináveis discussões entre os respectivos partidários, podem, se conciliar.
Só a Mente aberta descobre o vínculo da concordância. Aos poucos, o Estudante Preliminar dedicado, persistente e que já entendeu que o caminho é “para frente e para cima” chega à conclusão e pratica o seguinte conceito: a única opinião digna de ser levada em conta precisa se basear no conhecimento.
O Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz consta de 12 lições que se ministram por correspondência (e-mail ou carta).
Serve de texto o livro: Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, obra básica da Filosofia Rosacruz. Esse livro apresenta um esboço completo dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental – os Ensinamentos Rosacruzes –, na medida em que podem ser tornados públicos atualmente. Contém um esboço abrangente dos nossos processos evolutivos e dos processos evolutivos do universo, correlacionando Ciência e Religião.
Os conceitos básicos dos Ensinamentos Rosacruzes, que são fornecidos por meio do Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, estão nas 12 Lições e cobrem os seguintes assuntos:
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Natura
O globo terráqueo, é fácil distinguir,
Está envolto no mistério de nove capas.
Ainda que os videntes incapacitados não possam
Desvendar o segredo do seu coração,
Deus palpita no peito vibrante
Da Natureza e, desde o leste ao poente
Tudo é claridade e beleza.
O Espírito que ronda em cada forma
Atrai os espíritos de sua classe;
Os átomos brilham na sua luz
E lhe sugerem o prescrito futuro.
Ralph Waldo Emerson
Da prolífica pena e do iluminado coração do grande vidente Max Heindel saíram volumosos escritos, cheios de inspiração, relativos a Deus, à nós e ao mundo.
A Ciência, e bem assim a Religião, pouco a pouco, estão confirmando muitos dos sublimes trabalhos dessa pessoa excepcional. O Estudante Rosacruz que procura se manter a par dos acontecimentos do mundo pelos meios de comunicação, revistas científicas e outros meios ficarão maravilhado ao verificar, em cada momento que passa, que as revelações ou descobertas científicas eram por ele conhecidas e até descritas muito tempo atrás.
Para quem escreveu sobre tão diversos tópicos, que abarcam virtualmente todas as fases da vida, há um ponto interessante: em nenhum escrito de Max Heindel encontramos nada de apocalíptico, sombrio ou dramático. Todavia, quanto às poucas predições de importância que ele fez, poderia se demonstrar quanto têm sido exatas e como se têm cumprido no transcurso dos últimos tempos.
O presente artigo reporta-se unicamente a uma das suas muitas observações de importância mundial.
Como Iniciado, Max Heindel tinha a mística faculdade de funcionar conscientemente nos Mundos internos e a capacidade de trazer ao plano físico as suas observações daqueles Mundos.
Um dos fatos que mais chamou a sua atenção e durante muito tempo lhe despertou o maior interesse foi a forma de moldar, no Mundo do Pensamento, a substância mental do Arquétipo ou matriz de uma Nova Terra; nós, tal como é dito no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, no post-mortem, trabalhamos sobre a flora e a fauna e ajudamos a construir um desenho ou molde espiritual, de matéria mental, para a Nova Terra, aquela que substituirá a presente. Então, esgotado o Arquétipo da Terra atual, o Grande Arquiteto infundirá Sua vida naquela matriz e a Nova Terra irá surgindo na forma correspondente ao novo Arquétipo.
Há muitos séculos que se está processando a construção dessa forma mental. Tal como nós, afirma a Filosofia Rosacruz, a Terra é um Ser evolucionante. Seu Corpo Denso está destinado a perder densidade, tornando-se mais leve, cada vez mais etérico. A nova conformação da Terra, por outro lado, facilitará a nós, no nosso Ciclo de Nascimentos e Mortes aqui, maior variedade de experiências, quando voltarmos de novo a esta Escola de Vida.
Tudo que existe no mundo, incluindo a própria Terra, tem um Arquétipo exato, espiritual, que moldou esse Mundo Físico átomo por átomo, molécula por molécula. Esses Arquétipos ou moldes são, todavia, coisas vivas; são a causa invisível de tudo que vive e tem forma na Terra. Tais Arquétipos recebem certa natureza de Vida e são destinados a necessárias etapas dela. Quando um Arquétipo particular deixa de emitir o seu canto de Vida, a Forma morre. No caso particular da Terra, seu Arquétipo deve ser alterado antes da Terra ser modificada. O que Max Heindel viu foi o Arquétipo da futura Terra.
A propósito das profecias de Mother Shipton[1], feitas cinquenta anos antes da descoberta da América e agora recolhidas no livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Max Heindel, a respeito de uma pergunta sobre as possibilidades de concretização dessas profecias, disse que ocorreriam cataclismos na crosta terrestre e que terremotos e crateras vulcânicas surgiram durante largos períodos de tempo.
Recentemente, as pessoas que se dedicam à Ciência, no campo da geologia, têm feito espantosas predições relativas a terremotos que podem irromper ao longo das grandes linhas de fratura da Terra. Também têm sido reportados como muito abundantes a atividade vulcânica e os terremotos.
Contudo, a mais alarmante revelação jamais ouvida no mundo proveio de uma tese cientifica, que afirma que a Terra está se fendendo gradualmente. Há cinco anos, uma jovem cartógrafa, Maria Tharp, notou que se estava formando uma série de terremotos perto de grandes fendas submarinas. Explorações feitas durante a maré alta localizaram essas trincheiras e uma grande linha de enormes fendas se descobriu por todo o globo. Tais fendas ou trincheiras submarinas têm uma profundidade de cerca de 3.500 metros e a largura de 46 quilômetros, ladeadas por montanhas de 2.000 metros de altura. Esses dados foram reportados pelos geólogos na Universidade americana de Columbia.
Segundo os Ensinamentos Rosacruzes, a Terra tem nove Estratos e um coração ou Núcleo Central.
Sob o Estrato Mineral, aquele sobre o qual vivemos, encontra-se o Estrato Fluídico, menos sólido que a crosta terrestre, não líquido, antes, uma pasta compacta. Tal Estrato tem grande poder de expansão, tal como um gás altamente explosivo. É mantido no seu lugar pela enorme pressão e solidez da camada externa. Se esta camada externa se quebrasse, o Estrato Fluídico se lançaria no espaço, produzindo uma catastrófica explosão. Ora, se as fendas da Terra se aprofundarem, é lógico supor que se produzam violentas reações pela libertação do Estrato Fluídico. Aliás, sabemos que, no passado, a Terra suportou muitos cataclismos e modificações e terá que sofrer muitos outros no futuro.
Tudo isto nos revela que nada mais somos que hóspedes temporários na superfície da Mãe Terra e que devemos ter regozijo em que o Espírito da Terra se esteja aliviando, pouco a pouco das suas cadeias físicas. É o mesmo que está sucedendo conosco, ao subirmos progressivamente, de condições materiais para estados mais espirituais. Temos, portanto, o dever de nos mantermos ao nível dos tempos que passam e nos preparar, em todos os sentidos, para qualquer eventualidade da vida.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1971- Fraternidade Rosacruz– SP)
[1] N.R.: Ursula Southeil (c. 1488 – 1561) (também grafada como Ursula Southill, Ursula Soothtell ou Ursula Sontheil), popularmente conhecida como Mother Shipton, é considerada uma adivinha e profetisa inglesa.
O Cristo Interno é quando nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), nos realizamos na plenitude, nos fazendo consciente no Mundo Físico por meio da Mente, com a certeza de estarmos aqui para obter experiência e, assim conseguindo operar o nosso Tríplice Corpo para extrair a Tríplice Alma, a que nós amalgamamos, tornando esse pábulo parte de nós.
Na Humanidade comum e corrente, que vive unicamente para a vida material, o Cristo Interno permanece adormecido, como em letargia; mas quando o ser humano começa a transitar pelo Caminho Espiritual, esforçando-se em viver uma vida pura e limpa, então começa o Cristo Interno a despertar, à medida que vai recebendo alimento espiritual.
Nesse enorme processo de nutrição espiritual, o qual pode durar várias vidas, o Cristo Interno vai desenvolvendo em nós os poderes latentes de cada corpo a seu cargo. Paralelamente, se vão desenvolvendo os Éteres superiores: o Luminoso e o Refletor, os quais, ao amalgamarem-se formam o Corpo-Alma, o radiante Vestido de Bodas.
Desta maneira, o Cristo Interno desperta seu poder em nós, equipando-nos com dois veículos, cuja posse nos converte em cidadãos de dois Mundos: o Mundo Físico e o Mundo de Desejo. Ou seja, nos faz capazes de funcionar com plena consciência em ambos os Mundos. Recordemos que a maioria dos seres humanos só estão conscientes do Mundo Físico, no que concerne aos desejos egoístas.
Sir Launfal, na busca pelo Santo Graal em terras distantes, o encontrou no final de seus dias na porta de seu Castelo, quando sua alma já estava desligada das coisas materiais, mas havia-se desenvolvido mediante o seu próprio sacrifício, o Cristo Interno, cuja voz escutou: “Olha, sou Eu. Em muitas terras gastastes sua vida sem proveito, buscando o Santo Graal. Olha, aqui está: Este pedaço de pão que me destes, é meu corpo, e esta taça que enchestes no arroio, é o sangue que por ti derramei no madeiro.“
Na interpretação esotérica: Sir Launfal encontrou-se frente a frente com seu Cristo Interno, o qual havia estado alimentando na última parte de sua vida, participando das necessidades dos demais, dando-se a si mesmo.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que se lêssemos a Bíblia com o Coração e não com a Mente, a Fraternidade Universal seria realizada agora mesmo.
O Coração é o foco do amor altruísta, no qual tem seu assento o segundo aspecto do Tríplice Espírito, o Espírito de Vida. No Coração se encontra o Átomo-semente de nosso Corpo Denso, chamado o livro da vida, onde estão gravadas todas as nossas ações, obra e nossos atos conscientes ou inconscientes.
Para que possamos “ler com o coração”, é importante despertar o Cristo Interno em nós. Esta “visão” é ocultada pelo “eu inferior” (a Personalidade), que temos estado alimentando através de nossas vidas. Mas quando por nosso sacrifício e dedicação a nosso Grande Ideal, fazemos estremecer nossos poderes latentes, notaremos que o “eu inferior” não tem forças para nublar nossa visão.
Então nos assombraremos ao encontrar tantos tesouros escondidos, que seremos como o ser humano que vai por um caminho e a cada curva encontra uma pepita de ouro. Então não nos será necessário devorar quantidades de livros buscando a verdade, porque a encontraremos diante de nossos próprios narizes.
Quando o Cristo Interno se encontra em processo de realização, pode emitir sinais, os quais podemos captar, se somos suficientes sensíveis. Por exemplo, quando somos tentados a cair em atividades que podem afetar-nos espiritualmente, esta voz pode ser percebida como uma aura de calor que aquece nosso próprio coração.
Essa reação física, produto de uma reação espiritual, é como um grito do Cristo Interno, o qual chega a sentir-se quando queremos dizer ou dizemos algo injurioso contra alguém, que todos sabem, não merece o trato que queremos lhe dar. Mas, em todo o caso, é necessário que a “persona” não esteja muito agitada ou encolerizada.
Essa voz do Cristo Interno pode chegar a converter-se em algo assim como um “radar” que nos diz o que soa verdadeiro ou falso. Desde logo, quando o fato já está consumado, só fica o fogo do remorso que nos queima o coração. Mas ainda neste caso, a memória da reação física faz que tenhamos mais precaução na próxima vez.
Este fogo do remorso é o mesmo que durante a retrospecção apaga a impressão que estampou nossas más ações no Átomo-semente do coração, aumentando sua intensidade, à medida que ganhamos em espiritualidade.
Também nosso Cristo Interno se regozija enormemente quando realizamos uma ação de serviço dando-nos a nós mesmos, e pela gratidão que sentimos pelo que outros tem feito por nós. Neste caso, o efeito é sentido como um grato aroma que brota de nosso coração.
Como pudemos apreciar, os lamentos de tristeza ou regozijos de alegria ou gratidão podem ser percebidos em nosso próprio coração. Não devemos confundir isto como ouvir de vozes com os ouvidos físicos, o qual pode provir de entidades negativas do mundo do Desejo, o que deve ser recusado categoricamente por nós.
Como aspirantes espirituais, estamos laborando o despertar do Cristo Interno através de nossas vidas passadas, em maior ou menor grau, de acordo com nossa aplicação. Assim, na medida de nosso esforço na presente vida, dependerá o despertar do Cristo Interno nesta vida ou em outras.
Não existe nenhum processo rápido na natureza, e nós não somos nenhuma exceção. Nossa capacidade para apreciar nosso grau de progresso espiritual se deve principalmente a que a falta de persistência tem alterado nosso estado de consciência.
Antes de Max Heindel ter tido contato com o Mestre, já era um Clarividente, ainda que nem sempre esta Clarividência estava sob seu controle, segundo ele mesmo nos relata em seu encontro com o Mestre, em seu livro Ensinamentos de um Iniciado.
Logicamente, entendemos que Max Heindel havia estado desenvolvendo seu Cristo Interno e com ele sua clarividência durante várias vidas, na última das quais, havia sido um sacerdote católico na França, entre 1600 e 1700.
Max Heindel nos diz que os Evangelhos (que são fórmulas de Iniciação) começam com o “relato da Imaculada Concepção e terminam com a crucificação”; ideias maravilhosas às quais chegaremos algum dia, pois somos Cristo em formação, e teremos que passar pelo nascimento místico e pela morte mística.
Nos nossos Estudos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que na passagem do Evangelho de S. Mateus 18:1-4: “E naquele momento os discípulos se acercaram de Jesus e lhe disseram: Quem é, pois, o maior no Reino dos Céus?”. Ele chamou a uma criança e a colocou entre eles e disse: “Eu vos asseguro, se não mudais e fizerdes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Assim, pois, quem se fizer pequeno como esta criança, esse será o maior no Reino dos Céus.“, Cristo, ao colocar uma criança como exemplo, nos quis mostrar a condição requerida para aquele que desenvolveu o Cristo Interno, o Cristo Criança, por meio de uma vida de pureza e de serviço.
Para entrar no Reino dos Céus, ou seja, conseguir o estado de consciência apropriado para desenvolver o Cristo Interno, é necessário fazer-se como uma criança pequena, mas uma criança sábia. Por isso também Cristo nos ensinou a sermos “mansos como as pombas e sábios como as serpentes” (Mt 10:16).
Recordemos que o Céu está dentro de nós. Tendo extraído a essência dos três Corpos – a Tríplice Alma – durante o processo de desenvolvimento do Cristo Interno, o Estudante Rosacruz conquista o Reino dos Céus (Templo do Espírito), e se converte no maior em si, mas ao mesmo tempo se faz pequeno como uma criança, ao fazer-se servidor de todos.
As afirmações dos parágrafos precedentes ficam corroboradas com as palavras do Cristo, quando lhe foram apresentadas algumas crianças, e Ele disse a Seus Discípulos: “Deixai que as crianças venham a mim, e não as impeçais, porque daqueles que são como elas é o Reino do Céus.” (Mt 19:13-15).
Sobre esse assunto, também, nos nossos Estudos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que na passagem do Evangelho de S. Mateus 18:5-7 “E aquele que recebe uma criança como essa em meu nome, a mim recebe. Mas aquele que escandalize a um desses pequenos que creem em mim, mais vale que lhe amarrem ao pescoço uma pedra de moinho que os asnos movem, e lhe atirem-no profundo dos mares. Ai do mundo pelos escândalos, mas aí daquele ser humano por quem o escândalo vem.”, não é o mesmo escandalizar a uma pessoa comum e normal, que não tem nenhum sentido da vida espiritual, que escandalizar a uma pessoa que está despertando ou despertou o Cristo Interno. A palavra escandalizar é usada para significar o fato de querer destruir um núcleo ou levedura espiritual, seja individual ou coletivo, em qualquer grau de desenvolvimento em que se encontre.
Não é um segredo como se protege de estorvos físicos ou suprafísicos ao sincero aspirante espiritual, principalmente quando está realizando seus serviços devocionais; ou como se protege a uma congregação em suas atividades espirituais, salvo casos em que se tenha estimulado a lei de causa e efeito, individual ou coletivamente.
Já na Filosofia Rosacruz aprendemos que “quando o menino Jesus foi perseguido por Herodes com intentos criminosos, sua segurança se baseou na fuga, e assim se preservou sua vida e seu poder para desenvolver-se e cumprir sua Missão. Similarmente, quando Cristo nasce dentro do aspirante, pode preservar melhor sua vida espiritual, fugindo do ambiene dos degenerados, buscando um local entre os ideais semelhantes sempre que se tenha liberdade para fazê-lo.” Se desejamos acelerar o despertar do Cristo Interno em nós, devemos, com persistência, nutri-lo com pensamentos de pureza e serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focando na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, aos nossos irmãos e às nossas irmãs. Desta maneira, nossos diferentes veículos começam a brilhar com o ouro espiritual que atrai infalivelmente a atenção do Mestre, nos capacitando assim para poder servir em uma esfera mais elevada, onde realmente “caminharemos na luz” (IJo 1:7), uma luz que, lamentavelmente, a maioria não vê, ao menos por enquanto.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1988 – Fraternidade Rosacruz)
Sempre no outono ou no inverno (e, atualmente, em alguns dias também do verão e da primavera) temos um clima mais frio e entre outros artigos que muitas pessoas utilizam nesses dias temos as jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário feitos de couro e de peles de animais e que são exibidos nas vitrines das várias lojas para chamar a atenção dos clientes e os instigar a comprá-los.
Você já parou para pensar no custo de, por exemplo, um casaco de couro ou de pele de animal? Não queremos dizer em valor monetário, mas sim, em agonia e sofrimento dos animais, e na degradação daqueles que os caçam, especialmente no estado de selvageria insensível.
Já lhe ocorreu que, ao comprar uma peça de roupa feita de couro ou de peles, você é responsável pelas atrocidades cometidas ao despertar esse desejo desnecessário para tal elegância?
Quando matamos animais em matadouros ou em locais semelhantes, na grande maioria das vezes, utilizamos métodos para reduzir ao mínimo de sofrimento possível do animal – ainda que, também, totalmente equivocado nessa sua ação de matar o que não podemos criar –, mas, pior ainda é quando caça animais para obter sua pele ou seu couro, ou ainda, outra parte do corpo do animal. Aqui mostramos uma indiferença absoluta aos sentimentos e sofrimentos de suas vítimas. E, ainda mais, muitas vezes muitos de nós parece até nos gloriarmos por isso!
Ficamos sabendo de uma história em que um número de homens e meninos perseguiram um animal por quatro horas e, depois que o animal deu à luz a dois filhotes, ainda foi perseguida por duas horas, antes que finalmente fosse morta.
Há muito couro e peles curtidos para fabricar jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário obtidos capturando animais em armadilhas, e a morte desses animais, geralmente, não ocorre imediatamente e, muitas vezes, leva vários dias de sofrimentos e dores muito intensas para que ele morra.
Há vários tipos de armadilhas. Por exemplo, a armadilha de aço é a ferramenta mais utilizada pelos caçadores profissionais e o poder desse terrível instrumento é tão grande que, muitas vezes, amputa a perna da presa em um único golpe. De fato, é relatado pelos caçadores que muitos animais escapam, assim, por um tempo pelo menos, se diz que, em média, em cada cinco animais capturado um tem apenas três patas. Às vezes, eles têm apenas duas ou uma perna, e há registro de um caso de um rato-almiscarado[1] com apenas uma perna que foi pego pela cauda. Basta pensarmos o tamanho do sofrimento causado àquele pobre animal antes que, finalmente, sua pele caísse nas mãos do selvagem caçador humano. Os inventores modernos voltaram sua criatividade para a tarefa de impedir que os animais capturados escapassem do cativeiro, ou por amputação, ou roendo a perna presa ou torcendo-a para sair, como fazem alguns animais quando estão agonizando; fazendo armadilhas mais equipadas e com um dispositivo para que o membro do animal preso que está diretamente no centro da armadilha será agarrado perto do corpo. Quando isso acontece, nenhuma torção ou mordida libertará o cativo.
O “spring pole” é outro mecanismo que os caçadores usam para impedir a fuga de suas presas, uma vez que tenham caído na armadilha. Consiste em uma barra flexível fixada no chão próximo à armadilha, com a extremidade superior dobrada e presa de maneira que possa ser liberada por qualquer chave inglesa. A corrente da armadilha de aço é presa ao mastro, e quando o pobre animal é pego e luta para escapar, ele quebra o cordão que solta o mastro e a armadilha com sua vítima é empurrada para cima, onde a pobre vítima fica pendurada e morre de fome, ou congela, lutando e sofrendo até que a morte a liberta, ou o caçador cruel aparece e dá o último golpe que põe fim à sua miséria.
Porém, de todos os métodos atrozes usados pelos caçadores para capturar suas presas, o empregado na caça do arminho[2] é talvez o grau mais cruel. Consiste em pegar um pedaço de ferro muito pesado, deve revesti-lo com graxa e colocá-lo onde o arminho o ache.
O arminho lambe a graxa, e o frio intenso do ferro faz com que a língua congele instantaneamente, como se tivesse sido colocada numa prensa. Não há possibilidade de escapar, a não ser arrancando fora a língua do animal; e as lutas frenéticas do pobre animal fazem com que uma área cada vez maior da língua se adere ao ferro e, assim, todo o interior da boca irá se congelar devido a exposição prolongada ao frio intenso do Ártico. Preferencialmente, se usa este método de armadilha ou a bala de espingarda para não danificar a pele, pois este será o casaco de uma personagem da alta sociedade. De fato, a pele do arminho é cara, não pelo valor monetário, mas, principalmente pelo uso da atrocidade empregada para garantir a pele daquele pobre animalzinho.
Nenhuma língua pode dizer ou retratar na escrita, nem podemos jamais compreender, o que as pobres vítimas da vaidade humana devem suportar durante as longas horas e dias de terríveis sofrimentos lá em cima no silêncio do grande Norte em neve. Apenas pensemos nisto!
Estima-se que trinta milhões de animais sejam mortos anualmente por causa de suas peles (veja mais detalhes no anexo abaixo). Se todos esses milhões de animais pudessem ser reunidos com seus corpos despedaçados e mutilados numa montanha de mortes; esta seria a prova da nossa brutalidade e crueldade contra eles!
E lembre-se, todo mundo que usa essa elegante roupagem de jaquetas, blusões, calças, casacos, calçados, cintos e outros acessórios de vestuário feitos de couro e de peles de animais é parcialmente responsável pela crueldade e pelo sofrimento causado a essas pobres vítimas da ganância (ou egoísmo) humana, pois se as pessoas se recusassem a usar esses objetos, a demanda cessaria e os pobres animais ficariam em paz para viver suas vidas da maneira adequada.
Às vezes, ou com frequência, as pessoas contestam que, se não matássemos esses animais ou mesmo o gado, os porcos, as galinhas, os peixes e outros animais “comestíveis” e os comêssemos, o Planeta Terra seria dominado por eles.
Porém, esse não é o caso! Não é usual comermos cães ou gatos, coiotes ou gambás, nem mesmo são caçados por sua pele, pelo seu couro ou pela sua carne.
Por exemplo, os cavalos estão na mesma categoria, contudo, esses animais não se multiplicam além do limite, e o ocultismo nos ensina que cada espécie de animal é a expressão, no Mundo Físico, do Espírito-Grupo[3] deles que os dirige de fora, a partir do Mundo do Desejo. Daí o notável instinto com que são dotados. Quando esses animais são mortos, antes do tempo da sua morte por causa natural, o Átomo-semente, que forma o núcleo do Espírito-Grupo, é liberado do animal moribundo e usado pelo Espírito-Grupo para fertilizar rapidamente outro de sua espécie.
Assim, quanto mais matamos, dentro de certos limites, é claro que, mais rapidamente a espécie se multiplica, mas se abstermos de matar, não será necessário que o Espírito-Grupo fertilize os animais com tanta frequência. O nascimento diminuirá na mesma proporção que a morte.
Mas, voltando à questão das peles e do couro usados para vestuário, sustentamos que as peles são luxuosas, assim como muito tipo de couro, e não se pode dizer, na extenuação do crime envolvido e em torná-los essenciais à vida humana, que é a mesma reivindicação relativa à carne de mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios e quaisquer outros animais “comestíveis” como alimento.
Aqueles que aspiram viver a vida superior e alcançar a ativação dos seus poderes anímicos não podem se dar ao luxo de usar essas coisas caras, nem se encher desse egoísmo, nem matar o que não pode criar, nem se ausentar de praticar a compaixão e a misericórdia com os nossos irmãos menores.
Algum tempo atrás, uma senhora chegou à Mount Ecclesia (sede mundial da Fraternidade Rosacruz) professando estar entediada e desgostosa pela sociedade, exceto tudo aquilo que se referia ao progresso espiritual; mas quando lhe foi dito que ninguém seguiria a Cristo em um casaco de pele, ela admitiu que tinha um casaco de pele de mil dólares e que não desistiria dele sob nenhuma consideração; se retirou de lá no dia seguinte, irritada com a ideia de que lhe havia exigido um sacrifício tão grande e que havia se colocado sob um professor que era mais complacente em seus pontos de vista sobre a vida e os luxos.
Todos sabemos que, de fato, é possível obter roupas totalmente quentes (por maior que seja o frio) que não são feitas com peles ou coro de animais. Max Heindel foi testemunha ocular desse fato, quando disse que ele mesmo, tendo viajado lugares de altas latitudes, tanto para o norte e como para o sul, mesmo na Sibéria e no Polo Ártico, onde as temperaturas eram extremamente baixas não utilizava nada de couro. E isso no início do século XX!
O que foi dito sobre as peles e o couro também se aplica às penas e outras partes do corpo de um animal, tanto no que diz respeito ao custo de crueldade quanto à falta de necessidade de uso. Roupas bonitas, artísticas e quentes podem ser feitas sem o uso de couro, peles ou penas, para o bem-estar econômico e espiritual de quem se abstém de usá-las.
Mesmo calçados, como sapatos, sandálias, chinelos e outros tipos já podemos obter no mercado atual a preços acessíveis para todas as camadas da sociedade. Com o advento da internet e de revistas especializadas para vegetarianos e veganos o acesso a informação é muito fácil. Basta querer!
Se você é um Estudante Rosacruz que já despertou para o Evangelho da Compaixão já compreendeu que deveria ser considerado um crime tirar a vida de um animal, assim como agora é considerado crime tirar a vida de um ser humano.
Temos certeza de que com a aproximação da Era de Aquário essas peças de vestuário serão substituídas por outros produtos da indústria que servirão a esse propósito de maneira completa ou melhor.
É aqui que os Estudantes Rosacruzes podem ajudar a moldar os pensamentos do mundo, tanto por suas ações em se abster do uso de couro, peles, penas e outras partes dos animais, quanto por defender a ideia de que são desnecessários, chamando a atenção dos outros para as atrocidades cometidas para obter essas coisas. Assim, o Estudante Rosacruz pode ajudar a acelerar o dia de “paz na terra e boa vontade entre os homens” – e, também, os animais.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – outubro/1917, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
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Anexo sobre “animais ainda são usados para fazer casacos de pele”
Desde focas e chinchilas até raposas e linces, milhões de animais são mortos todos os anos para a confecção de casacos de pele no mundo. Só na França são abatidos 70 milhões de coelhos por ano para esse fim. Mas a indústria dos casacos de luxo é alvo de críticas. Para as organizações de defesa dos animais, mais do que injustificada – há tecidos sintéticos e naturais que cumprem a função -, a atividade é extremamente cruel. O sofrimento já começaria na captura do bicho, que pena nas mãos dos caçadores – as focas, por exemplo, são mortas a pauladas na cabeça, para não danificar a pele. Mesmo quando criados em cativeiro, os animais viveriam em condições degradantes e padeceriam horrores na hora de extrair a pele.
Os produtores, por sua vez, contestam o que chamam de sensacionalismo das entidades. “No caso da chinchila, a morte ocorre pelo destroncamento de uma das vértebras cervicais. É um processo indolor, sem sangue ou sofrimento”, diz Carlos Perez, presidente da Associação dos Criadores de Chinchila Lanífera (Achila). Para os defensores dos bichos, porém, a crueldade fica óbvia quando se leva em conta que, ao contrário do que rola com vacas e frangos – mortos para alimentar pessoas -, no caso da indústria da moda os animais são sacrificados apenas para alimentar a vaidade alheia.
As fases para se fazer as jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário:
1. Os animais usados para fazer casacos de pele podem ser criados em cativeiro (como chinchilas, coelhos e martas) ou ser caçados em seu habitat (como focas, ursos e lontras). O abate rola quando o bicho atinge a maturidade e ocorre sempre no inverno, quando o pelo é mais longo, brilhante e abundante
2. Há vários modos de abater o bicho. Eles podem ser mortos a pauladas, ser estrangulados – método indolor, segundo os produtores – ou, entre outras técnicas para resguardar a pele, ser eletrocutados com a introdução no ânus de ferramentas que fritam os órgãos internos.
3. Depois que o animal é morto, é hora de extrair sua pele. Há várias formas de escalpelá-lo, algumas mais profissionais e outras rudimentares e violentas.
Escalpelamento profissional:
a. Nas fazendas de criação de chinchilas, faz-se um pequeno corte no lábio inferior do animal e outro próximo ao órgão genital
b. Em seguida, é introduzida uma vareta de ferro de um ponto a outro. Ela funciona como um suporte-guia para o corte
c. Com um bisturi, se desprega a pele do animal, evitando danificá-la. Quanto mais intacto o couro, maior o seu valor de mercado
Escalpelamento amador:
a. Nos modos mais cruéis, como rola em alguns locais da China, o animal é morto a pauladas e suas patas são decepadas
b. O bicho então é dependurado pelo coto da pata, e seu couro é extraído a partir desse ponto com a ajuda de uma faca
c. A pele é puxada com força, como se fosse tirada ao avesso. Em muitos casos, o animal ainda está vivo durante esse processo
4. Uma vez retirada, a pele é presa com alfinetes ou pregos numa tábua, onde ficará por alguns dias no processo de secagem. Nessa etapa, ela ganha forma definitiva e não vai mais encolher nem sofrer deformações
5. O passo seguinte é o curtimento da pele. Num curtume, ela passa por banhos químicos para retirada de sujeiras, cheiro e gordura, evitando que apodreça mais tarde. Ela também pode ser tingida
6. Após o curtimento, as peles vão para as confecções, onde são costuradas umas nas outras até tomarem a forma de um casaco. No acabamento, é aplicado um forro, em geral de cetim, na parte interna.
(Artigo publicado na Revista Mundo Estranho, em 28 julho 2009)
[1] N.T.: O rato-almiscarado é a única espécie do gênero Ondatra, é um roedor semiaquático de porte médio nativo da América do Norte.
[2] N.T.: O arminho é um carnívoro mustelídeo de pequeno porte pertencente ao grupo das doninhas. A espécie ocupa todas as florestas temperadas, árticas e subárticas da Europa, Ásia e América do Norte.
[3] N.T.: Um Arcanjo, uma onda de vida muito superior a nossa e extremamente sábia. Lembrando: Cristo é um Arcanjo, o mais elevado entre eles.
O conhecimento aplicado é a salvação para a ignorância. Até mesmo os mais sábios entre nós têm muito a aprender e ninguém, até agora, alcançou a perfeição; tampouco é possível alcançá-la em uma única e curta vida. Observamos em toda a Natureza que o desenvolvimento lento e persistente conduz a um grau mais elevado de evolução em tudo. Quanto mais conhecemos os métodos de funcionamento da Natureza, símbolo visível do Deus invisível, mais aptos nos tornamos a aproveitar as oportunidades que ela oferece para o crescimento e o poder — para a emancipação da servidão e a elevação ao autodomínio. Esse processo é a Evolução.
No início da nossa evolução, consistíamos apenas de Espírito e Corpo; não possuíamos Alma. Mas, desde então, cada vida vivida na Terra, nessa Escola da Experiência, tornamo-nos cada vez mais dotados de Alma, de acordo com o uso que fizemos das oportunidades e lições que delas aprendemos. Isso se manifesta nas diferentes gradações entre o “selvagem” e o “santo”, que vemos ao nosso redor. Todas as Raças são produtos da evolução, cujo único objetivo é a perfeição definitiva. A expressão mais elevada em uma vida se torna a expressão mais inferior na vida seguinte e assim subimos gradualmente a escada da evolução em direção à Divindade. A Humanidade, como um todo, avança lentamente por esse caminho e, desse modo, alcança gradualmente estados mais elevados de consciência.
Uma das principais características da evolução reside no fato de que ela se manifesta em períodos alternados de atividade e repouso. O verão ativo é seguido pelo descanso e pela inatividade do inverno e cada estação avança um pouco mais ao longo do caminho do tempo. O dia agitado alterna-se com a tranquilidade da noite. O refluxo do oceano é sucedido pela maré cheia e assim por diante.
Assim como todas as outras coisas se movem em ciclos, a vida que se expressa aqui na Terra por alguns anos não deve ser considerada encerrada quando chega a morte do Corpo Denso. Isso está infinitamente distante do nosso fim. Nós – Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui – somos imortais e os nossos Corpos Densos são os instrumentos que utilizamos durante a vida terrena para nos auxiliar em nossa evolução. Podemos estar certos de que, em qualquer posição da vida em que sejamos colocados — monarca ou mendigo, rico ou pobre, homem ou mulher — ela contém as lições e experiências necessárias naquele momento para a nossa evolução e nos oferece a melhor oportunidade possível para o nosso desenvolvimento. Tão certo quanto o Sol nasce pela manhã após se deitar à noite, a vida que foi encerrada pela morte de um Corpo Denso perecível será retomada em novo veículo, em ambiente diferente.
A evolução é a história da nossa – o Ego – progressão no tempo. Em toda parte, no Céu e na Terra, todas as coisas avançam — para cima, eternamente — e, ao observarmos os variados fenômenos do Universo, percebemos que o Caminho de Evolução é uma espiral. Cada volta da espiral é um ciclo. Cada ciclo se funde com o seguinte e, como as voltas da espiral são contínuas, cada sucessão é o produto aperfeiçoado das que a precederam e a criadora de estados mais avançados que ainda estão por vir.
Mas o Caminho de Evolução é uma espiral quando o consideramos apenas do ponto de vista físico. O Caminho de Evolução é uma lemniscata, uma figura em forma de oito, quando visto em suas fases física e espiritual. Os dois lados desse símbolo convergem em um ponto central e representam nós, Espírito imortal, o Ego em evolução. Um dos círculos representa nossa vida no Mundo Físico, do nascimento à morte. Durante esse período, plantamos sementes por meio de cada ato e devemos colher certa quantidade de experiência, o que acontecerá se as lições forem extraídas das oportunidades; ao final da vida terrena, o Ego se encontrará à porta da morte carregado dos mais ricos frutos da vida terrestre.
A outra seção da lemniscata simboliza a nossa – Ego – permanência nos Mundos invisíveis, que percorremos durante o período entre a morte e o renascimento. No momento em que chegamos ao ponto central da lemniscata, que divide os Mundo Físico dos Mundos invisíveis, trazemos conosco um conjunto de faculdades ou talentos adquiridos em todas as nossas vidas anteriores, os quais podemos usar ou enterrar durante a nossa próxima experiência de vida, conforme julgarmos adequado; porém, da maneira como utilizamos essas faculdades adquiridas depende a quantidade de crescimento de alma que colheremos em nossa próxima vida. Já vivemos uma existência semelhante – não igual! – ao mineral, vegetal e outra semelhante ao animal antes de nos tornarmos seres humanos; além de nós ainda existem evoluções posteriores nas quais nos aproximaremos cada vez mais do Divino.
Avançamos somente por meio do sacrifício. Poucos percebem que, ao subirmos na escala da evolução, pisamos sobre os Corpos Densos de nossos irmãos mais fracos. Consciente ou inconscientemente, nós os esmagamos e utilizamos para alcançar nossos próprios fins. Esse fato se aplica a todos os Reinos da Natureza. Quando uma Onda de Vida é levada ao ponto mais baixo da Involução e se incrusta na forma mineral, ela é imediatamente capturada por outra Onda de Vida, ligeiramente mais elevada, que toma o cristal mineral em desintegração, adapta às suas próprias necessidades como cristaloide e assimila como parte de uma forma vegetal.
Na Iniciação do Cristão Místico, quando Cristo lavou os pés de Seus discípulos na noite da Última Ceia, é dada a explicação de que, se os minerais não se decompusessem e não se oferecessem como envoltórios para o Reino vegetal, não teríamos vegetação; do mesmo modo, se o alimento vegetal não fornecesse sustento aos animais, os seres do Reino animal não poderiam encontrar expressão; assim, — o superior, em consciência, sempre se alimentando do inferior. Quando o Mestre lavou os pés de Seus discípulos, simbolicamente, Ele realizou para os discípulos aquele serviço humilde em reconhecimento do fato de que eles Lhe haviam servido como degraus para algo mais elevado.
O mesmo princípio se aplica a toda evolução espiritual, porque se não houvesse alunos situados nos degraus mais baixos da escada do conhecimento, necessitando de instrução, não haveria necessidade de um Mestre. Porém aqui existe uma diferença de suma importância. O Mestre cresce ao dar a seus alunos e servi-los, assim como todos, independentemente da posição na vida, crescem por meio do serviço. A partir dos ombros dos alunos, o Mestre sobe a um degrau mais alto da escada do conhecimento e, por isso, deve a eles a sua gratidão, que é simbolicamente reconhecida e quitada pelo lavar dos pés — um ato de serviço humilde àqueles que O serviram.
Sob a orientação benéfica das Hierarquias Criadoras, progredimos constantemente de vida em vida, sob condições exatamente adequadas a cada indivíduo, até que, com o tempo, alcancemos uma evolução superior e nos tornemos “super-homens”. O Cristão Ocultista acredita que o propósito da evolução é o nosso desenvolvimento desde um Deus estático a um Deus dinâmico — um Criador. Para que ele se torne um Criador independente e original, é necessário que sua formação inclua liberdade suficiente para o exercício da originalidade individual que distingue a criação da imitação.
Enquanto algumas características da forma antiga atendem às exigências do progresso, elas são mantidas; contudo, a cada renascimento a vida em evolução acrescenta os aprimoramentos originais e necessários à sua expressão futura. Pelo caminho ficaram atrasados que não conseguiram atingir o padrão exigido para acompanhar a crista da onda da evolução. No progresso evolutivo não existe ponto de estagnação. Progresso ou retrocesso é a lei e a forma que não é capaz de se aprimorar deve degenerar.
O impulso evolutivo atua para alcançar a perfeição definitiva de todos. É, portanto, razoável supor que as Hierarquias Criadoras, que estão encarregadas da nossa evolução, utilizem todos os meios disponíveis para conduzir em segurança o maior número possível dos seres vivos sob a responsabilidade d’Elas. Toda vibração no Universo é vida que surgiu do único Deus. Assim, todos somos um, embora haja alguns que estejam constantemente lutando para ficar para trás.
Durante o atual estágio de individualismo, que é o clímax da nossa ilusória separatividade, toda a Humanidade necessita de ajuda adicional; no entanto, para os atrasados deve ser provida alguma assistência extra e especial. Dar essa ajuda especial foi a missão de Cristo. Ele disse que veio buscar e salvar o que estava perdido. Ele abriu o caminho da Iniciação para todos que estão dispostos a buscá-Lo.
A evolução depende do crescimento da alma, da transmutação dos Corpos em Almas, o que deve ser realizado pelos nossos – o Ego – esforços individuais; no final da evolução, possuiremos Poder Anímico, como fruto de nossa peregrinação através da matéria. Seremos uma Inteligência Criadora.
Se preenchermos o lugar que nos foi designado da melhor maneira possível ao longo de toda a nossa vida, certamente alcançaremos progresso em uma vida futura. Veremos com mais clareza através do véu do egoísmo, quando vivermos de boa vontade a vida na qual fomos depositados, pois os Anjos do Destino não cometem erros nunca! Eles nos colocaram no lugar onde temos as lições necessárias para nos preparar para uma esfera maior de utilidade.
Se tivermos dentro de nós um amor suficiente por tudo, não poderemos causar dano algum, porque esse amor contém nossa mão em qualquer ação e nossa Mente em qualquer pensamento que possa ferir o outro. Ainda não alcançamos esse estágio avançado de consciência. Se tivéssemos alcançado, não haveria necessidade de existência aqui; porém todos nós estamos buscando isso e avançando na direção desse estado de gloriosa perfeição. É surpreendente quão rapidamente podemos progredir nesses caminhos, se formos verdadeiramente sérios em nossos esforços, confiando não apenas em nossa pobre Personalidade, mas tendo fé em Cristo e confiando que, pelo Seu exemplo e Seus ensinamentos, podemos nos capacitar a nos unirmos a nossa Divindade interior, nascendo e alimentando o Cristo Interno.
A evolução depende da dissolução dos Corpos e da amalgamação alquímica da Alma com o Espírito. A Alma é a quintessência, o poder ou a força do Corpo; quando um Corpo é levado à perfeição por meio dos diversos estágios, a Alma é plenamente extraída dele e absorvida por um dos três aspectos do Espírito (nossos veículos Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino), que originalmente gerou esse Corpo.
A Alma Consciente será absorvida pelo Espírito Divino na sétima Revolução do Período de Júpiter. A Alma Intelectual será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta Revolução do Período de Vênus. A Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano na quinta Revolução do Período de Vulcano.
Enquanto desenvolvemos esse amor universal dentro de nós, aprendemos a perceber cada vez mais que somos filhos do Criador e que, no devido tempo, avançaremos rumo à perfeição. Por mais vil que um ser humano ou criatura possa parecer, devemos lembrar que existe em seu interior uma Centelha divina que, lenta e seguramente, crescerá até que a glória do Criador ilumine esse ser.
As Hierarquias Criadoras que têm guiado a Humanidade no Caminho de Evolução desde o início da nossa jornada e continuam ativas e trabalhando conosco a partir de seus próprios Mundos; com a Sua ajuda seremos, finalmente, capazes de realizar a elevação da Humanidade como um todo e alcançar a realização individual da glória e da imortalidade. Tendo essa grande esperança dentro de nós, essa grande missão no mundo, trabalhemos como nunca para nos tornarmos homens e mulheres melhores a fim de que, por nosso exemplo, possamos despertar nos outros o desejo de viver uma vida que conduza à libertação.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Ao ler um livro, você não interpreta tudo ao pé da letra se a essência da obra for poética. Você percebe o absurdo dessa interpretação literal da Bíblia quando se depara com passagens que dizem que as árvores cantam ou que os montes dançam, pois sabe que, na verdade, os montes não dançam, nem as árvores cantam ou riem. Você se conecta com o sentimento do poeta, mas desconsidera tais expressões como termos poéticos, que não devem ser interpretados literalmente.
O mesmo acontece com outras afirmações contrárias aos fatos comprovados. Quando alguém desenvolve a visão espiritual, se torna evidente que a consciência não começa com o nascimento nem termina com a morte. Na realidade, a consciência desperta do Mundo Físico, que consideramos tão primordial e importante durante a vida, é bastante limitada quando comparada à consciência espiritual. Somos mais conscientes antes do nascimento e depois da morte, porque estamos mais próximos da Fonte espiritual do nosso ser, no qual reside toda a consciência.
Os Espiritualistas e a Sociedade de Pesquisas Psíquicas têm contribuído muito para apresentar ao público evidências concretas da continuidade da consciência após a morte. Embora tenha havido muitas fraudes nessas demonstrações, também houve uma enorme quantidade de verdades reveladas, em condições que tornaram o engano ou fraudes impossíveis. Mensagens foram recebidas de pessoas que já partiram desta vida, demonstrando que um estado como o descrito nessa passagem de Jó é absolutamente falsa. Se você ler os livretos da Fraternidade Rosacruz: “O Enigma da Vida e da Morte – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” e “A Luz Além da Morte – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” encontrará a questão do renascimento discutida de uma forma muito completa.
Tanto exemplos bíblicos e quanto históricos – como o de Joana d’Arc, a libertadora francesa, que era uma camponesa ignorante, mas que, guiada por vozes do Espírito, manobrou inteligentemente os generais ingleses e trouxe a vitória aos exércitos franceses – provam que aqueles que partem desta vida não estão em estado de inconsciência, nem perdem sua inteligência em nenhum grau.
Além disso, não é necessário depender de Espíritos que ultrapassaram o véu da morte para nos comunicarem os fatos sobre a existência no além. Cada um de nós possui latente dentro de si um sexto sentido que, quando desenvolvido, nos permite penetrar conscientemente nesse campo e ver, conhecer e funcionar nesse plano de vida e existência junto com aqueles Espíritos que já partiram desta vida. Podemos, então, conversar com eles, caminhar com eles e, em todos os aspectos, entrar em suas vidas, de maneira que possamos saber por nós mesmos, sem depender de ninguém, que a consciência que temos na vida é, se possível, ampliada pelo abandono deste invólucro mortal.
É necessário treinamento e esforço para despertar essa faculdade espiritual, e usar esse sentido, assim como é preciso tempo, esforço e dedicação para aprender a arte, por exemplo, de tocar piano ou fabricar um relógio. No entanto, todos possuem essa faculdade latente e podem desenvolvê-la, se assim o desejarem.
Com o passar do tempo, todo ser humano terá essa faculdade, além dos nossos cinco sentidos atuais. É isso que o Livro do Apocalipse quer dizer quando afirma que no Novo Céu e na Nova Terra não haverá morte. Jó fala do Corpo e dos Céus atuais. Esses passam, mas o Apocalipse fala de um Novo Céu e de uma Nova Terra onde habita a qualidade de ser moralmente reto e justo. O último inimigo a ser conquistado será a morte. Quando tivermos desenvolvido essa faculdade espiritual de maneira a ser possível, a qualquer momento, focalizar a nossa visão naquele plano de existência onde aqueles que chamamos de “mortos” agora vivem, os veremos com a mesma aparência que tinham antes e perceberemos que, na realidade, a morte não existe. Essa é a melhor prova.
(Pergunta nº 103 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)