Uma das atitudes mentais insistentemente recomendadas pela Filosofia Rosacruz é a de “admitir como possíveis todas as coisas”. Negar precipitadamente qualquer coisa sem examinar os ângulos, é imaturidade ou fanatismo. A adaptabilidade é um dos fatores mais expressivos da evolução. Contrariamente, o do Ego, ou seja, para nós, a qualquer forma de verdade estabelecida é limitador. Convém estarmos alertas com os condicionamentos mentais. Se, por um lado, o “Corpo Vital é o veículo conducente a Iniciação, por meio da repetição de novos e melhores hábitos”, por outro lado pode nos encarcerar na conservação de hábitos antigos e, desse modo, nos retardar a evolução. É importante notar que essa tendência de se ater as verdades convencionais é mais forte nos mais intelectualmente desenvolvidos. O intelecto é orgulhoso e tende a se conservar, lutando contra as novas ideias. Por isso disse Max Heindel que um dos últimos tropeços iniciáticos é o de Judas Iscariotes que simboliza a “Mente concreta”. De fato essa resistência às inovações é mais notável nos proeminentes cientistas que nos leigos. Simon Newcomb, eminente cientista norte-americano declarou, no começo deste século, que era impossível a qualquer máquina voar através de grandes distâncias. Longe dos primeiros voos dos irmãos Wright causarem sensação, provocaram reações de muitos redatores de jornais, que consideraram o relato das testemunhas como “impossível”. Não publicaram uma linha sequer. Passaram-se muitos anos antes que o povo compreendesse que os irmãos Orville e Wilbur tinham começado a conquista espacial prevista para a Era de Aquário, naquela manhã de dezembro de 1903. Levou muitos anos para que eles descobrissem mercado para sua máquina voadora. Numa carta aos inventores, em 1907, o Primeiro Lorde do Almirantado escreveu o seguinte: “O conselho do Almirantado é de opinião que vossa máquina voadora não é de utilidade prática para a Marinha”.
Alexandre Graham Bell não foi mais feliz. Um artigo de fundo de um jornal dos Estados Unidos assim considerou sua invenção: “um homem de uns 46 anos foi preso em Nova Iorque por tentar extorquir dinheiro de pessoas ignorantes e supersticiosas, exibindo um aparelho que, dizia transmitir a voz humana a qualquer distância, através de fios metálicos. Ele chama o instrumento de telefone, naturalmente pretendendo imitar a palavra telégrafo e, com isto, conquistar a confiança daqueles que sabem do êxito que tem esse último aparelho. As pessoas bem-informadas sabem que é impossível transmitir a voz pelo fio e que, se isso fosse possível o aparelho não teria valor prático algum” (vide a obra de A.M. Low – “What’s the World Coming to?”). Tomemos, da mesma obra as palavras do professor Erasmus Wilson, em 1878: “Com relação à luz elétrica, muito se tem dito a favor e contra ela; mas creio que posso dizer, sem receio de contestação, que ao encerrar a exposição, em Paris, a luz elétrica deixará de existir e pouca coisa se ouvirá falar dela”.
Seria preciso dizer que Semmelweis foi expulso de Viena por cientistas que escarneciam de sua teoria sobre bactérias mesmo depois de suas ideias haverem salvado centenas de vidas? O valor de seu trabalho somente foi reconhecido 25 anos depois de sua morte. Quando a luneta de Galileu revelou as luas de Júpiter, seus companheiros astronômicos se recusaram a olhar pela luneta, porque eram de opinião que tais corpos não existiam e que a luneta devia ser, portanto, um embuste. Por que, então iriam olhar através dela?
Se os leitores querem a maior, reproduzo a opinião de um crítico literário acerca de uma obra: “Não a li e não gostei”.
Infelizmente, os tempos passam, a história protesta, os fatos gritam, mas os materialistas continuam assim, vencidos pelo convencionalismo, como Sigmund. Felizmente, ninguém pode deter a evolução. À medida que as necessidades internas e sociais exigem mudanças, elas vêm. Os Anjos do Destino e os Irmãos Maiores da humanidade, que vigiam e asseguram os destinos evolutivos, respeitando, no possível, o livre arbítrio individual suscitam as inovações necessárias. Demolem-se as velhas instituições e edificam-se novas sobre as suas cinzas segundo o mito de Fênix.
Deus opera continuamente para nosso bem. Quando a humanidade se preocupava com o número reduzido dos cavalos, que não daria para o transporte dos antigos troles, surgiu o petróleo, o automóvel, as estradas asfaltadas, e os cavalos foram pastar sossegadamente nos campos. Como dizem os Evangelhos: “olhai os lírios dos campos e os passarinhos do céu. Se Deus vela pela erva que hoje é e amanhã fenece; se olha pelos pássaros que não tecem nem guardam alimento, quanto mais a vós, homens de pouca fé! Sede, pois, como as crianças para entrardes no reino dos céus” (Lc 12:27-31).
(Gilberto A V Silos – Editorial da Revista Serviço Rosacruz de abril/1972-Fraternidade Rosacruz-SP)
Podemos investigar por nós próprios tudo o que aprendemos nos ensinamentos rosacruzes. Todos nós podemos analisar os domínios suprafísicos sem depender da veracidade de outrem. Sem dúvida, há um método para adquirir essa faculdade de valor inestimável. Para isso, temos que receber todas as informações que desejamos, a fim de que o coração possa falar quando a cabeça esteja satisfeita.
Assim, chegamos ao propósito dos Ensinamentos Rosacruzes: “satisfazer o Aspirante à vida superior a lhe provar que no universo tudo é razoável, para que triunfe sobre o rebelde intelecto”.
No entanto, há necessidade de sermos humildes e pacientes. Devemos deixar de criticar, passando a aceitar provisoriamente, como verdade provável, afirmações que, de imediato, não podemos constatar. Afinal, a incapacidade é nossa, e é função nossa desenvolvermos as faculdades superiores, pelo Treinamento Esotérico.
Deixando de ser um simples ser humano de fé, passaremos ao conhecimento direto. O primeiro passo desse método é adquirirmos as ferramentas necessárias. Tais ferramentas não são nada mais do que nossos veículos, nossos instrumentos.
Depois, com boas ferramentas para se trabalhar, podemos atentar para o segundo passo: como organizar tais instrumentos, a fim de que nossas necessidades nos mundos suprafísicos sejam satisfeitas, tal como o Corpo Denso nos é útil no Mundo Físico.
Com esses requisitos adquiridos, estaremos aptos para o próximo passo: as práticas nos mundos internos, ou seja, o treinamento que objetiva o domínio desses instrumentos para suas novas funções – a manifestação de nossa consciência nos Mundos suprafísicos.
Tudo isso depende somente de nós, de nossa aplicação, do nosso desenvolvimento e do modo pelo qual lidamos com nosso destino pendente.
Vamos ver como preencheremos os três passos acima: obtenção de veículos apropriados, organização desses veículos e práticas a executar.
Os veículos que temos para funcionar nos planos internos:
(1) Corpo Denso – formado de sólidos, líquidos e gases;
(2) Corpo Vital – formado de quatro Éteres: Químico, de Vida, Luminoso e Refletor;
(3) Corpo de Desejos – dividido em inferior e superior; e
(3) o veículo Mente – também dividido em superior e inferior.
Como organizar os veículos aqui, enquanto renascido, é o que constitui o maior desafio. Nossos instrumentos devem ser purificados e afinados. Estabelecidas essas condições, podemos começar a trabalhar para realizar nosso propósito. À medida que esses maravilhosos instrumentos são usados no trabalho, eles mesmos melhoram com o uso apropriado, e tornam-se mais e mais eficientes na obra em que nos ajudam.
O treinamento dos nossos diferentes veículos faz-se sincronicamente. Não pode um corpo ser influenciado sem que os outros sejam afetados, porém, o trabalho principal ou definido pode fazer-se em qualquer deles.
O Corpo Denso é predominantemente afetado quando se presta estrita atenção à higiene, dieta e emprego de exercícios adequadamente. Esse trabalho sobre o Corpo Denso, ao mesmo tempo, produzirá um efeito sobre o Corpo Vital e o de Desejos. Os mais puros e melhores alimentos têm suas partículas envolvidas por éter planetário e matéria de desejos mais pura.
Se forem empregados na construção do Corpo Denso, purificam e melhoram todos aqueles Corpos. Só que o alimento é uma coisa tão individual que não é possível estabelecer regras fixas. A única regra fixa que se pode estabelecer é o mal que faz comer carne. A dificuldade do nosso Corpo Denso de assimilar as partículas da carne produz desgaste e destruição do nosso Corpo o que nos torna menos ativos e menos pacientes. Além, é claro, da demonstração da nossa falta de consciência e de compaixão para com os nossos irmãos menores do Reino Animal. Quanto mais nos aproximarmos do Reino vegetal tanto mais energia obteremos do nosso alimento.
Quando o cuidado é dirigido unicamente à higiene e ao alimento, os Corpos Vital e de Desejos poderão permanecer tão impuros como antes. Contudo, tal cuidado facilita um pouco o contato com o bem, mais do que o uso de alimentos grosseiros.
O mesmo ocorre com o cultivo de um temperamento equânime e bom gosto literário e artístico para o Corpo Vital e o cultivo de sentimentos e emoções elevadas para o Corpo de Desejos, sem que cuidemos do Corpo Denso. Isso significa que apesar dos cultivos elevados, o Corpo Denso pode ser mantido impuro e mau cuidado. Em longo prazo, isso implicaria em morte prematura e frustração do plano de vida traçado previamente pelo Ego.
Outra ajuda importante para a organização dos nossos veículos vem da oração, principalmente através da oração do Pai Nosso, que possui todos os componentes para satisfazer integralmente as necessidades dos nossos três Corpos, da Mente e do nosso Tríplice Espírito, auxiliando-nos a organizar e funcionar em harmonia com eles. Façamos tal Oração muitas vezes ao dia, o que nos ajuda no domínio próprio. Domínio esse que se estende por todos os itens da nossa vida cotidiana. Tanto nas nossas necessidades da vida superior, como na necessidade de dominar a nossa força criadora sexual como cultivar uma disposição serena e tranquila. Então, produziremos menos perturbações nos nossos veículos durante as nossas horas de vigília, durante o dia e, portanto, durante o sono, gastaremos muito menos tempo para reparar os desgastes no nosso Corpo Denso. O resultado disso: mais tempo para nos dedicarmos às práticas espirituais.
Antes de entrarmos nelas, vejamos qual o veículo que utilizaremos. O Corpo Denso é claro que não. Pertence à Região Química do Mundo Físico. Já temos total consciência e domínio nesse Mundo, utilizando tal Corpo. O Corpo de Desejos e a Mente não estão organizados para isso. O Corpo de Desejos apesar de estar mais estruturado do que a Mente, não possui organização suficiente que capacite o Ego a funcionar nos mundos internos. Ele é passível de separação (Inferior e Superior). A Superior é composta de materiais das Regiões superiores do Mundo do Desejo (Vida Anímica, Luz Anímica e Poder Anímico) e muito pode nos ajudar na obtenção do conhecimento direto. Mas, não funcionará sozinho, como veículo principal. Aliás, na maioria dos nossos irmãos, os vórtices do Corpo de Desejos estão quase que paralisados, só se movem através do látego da necessidade ou por manifestações negativas.
Já a Mente, nosso veículo mais novo, ainda é uma nuvem pairando pela nossa cabeça física, descendo até a região do pescoço. Portanto, o que nos sobra é o Corpo Vital. Dividimo-lo em duas partes: (1) Éter Químico e de Vida; (2) Éter Luminoso e Éter Refletor. A primeira parte tem como única finalidade efetuar o processo restaurador do nosso Corpo Denso, por isso, é inútil para ser utilizada para investigação do Ego nos Mundos internos. Assim, essa parte permanece com o Corpo Denso para realização de seu propósito. A segunda parte do Corpo Vital serve para a investigação espiritual, pois o Éter Luminoso é a sede dos sentidos e o Éter Refletor, a sede da memória. Assim, essa parte é o único modo possível para entrarmos nos Mundos suprafísicos, e é empregada durante o sono ou em qualquer outra oportunidade.
Aqui entra o treinamento esotérico: como separar adequadamente o Corpo Vital. A parte do Corpo Vital que sai está muito bem-organizada. A parte superior do Corpo de Desejos e a Mente, não estão organizadas, mas são úteis porque estão conectadas com o altamente organizado Corpo Denso.
Existe mais uma necessidade: a fim de podermos trabalhar no Mundo do Desejo, precisamos despertar os centros sensoriais do nosso Corpo de Desejos. Isso se faz alcançando o seguinte estágio: permanecermos dentro dos nossos corpos com todas as nossas forças dirigidas também para dentro.
Estamos com todos os nossos sentidos fechados para o mundo externo, mas plenamente conscientes.
Nesse estado, temos pleno controle de nossas faculdades e, assim, podemos atuar internamente e sensibilizar todos os nossos veículos. Isso é a Concentração. É através dela que conseguimos despertar todos os centros sensoriais do nosso Corpo de Desejos e conectá-los com os outros Corpos. Todos nós devemos cultivar a faculdade de se absorver em qualquer assunto que estamos tratando.
Somente assim é que entendemos o conceito da palavra concentração: “convergir para um centro”; permanecer dentro dos nossos corpos com todas as nossas forças dirigidas também para dentro; permanecer com todos os nossos sentidos fechados para o mundo externo, mas plenamente conscientes.
Com isso executamos duas coisas ao mesmo tempo:
E assim, tais centros sensoriais começam a girar, lenta mais persistentemente vão se preparando para serem conectados como pontos de contato nos nossos Corpos Denso e Vital.
Meios para acelerar a eficácia na prática do Exercício Esotérico de Concentração:
Que as Rosas Floresçam em vossa cruz
Resposta: Sim, todas são Clarividentes, pelo menos durante o primeiro ano das vidas delas. O período de tempo em que elas conservarão essa faculdade dependerá, em grande parte, da espiritualidade e, também, do ambiente em que vivem, pois, a maioria das crianças comunica tudo o que veem para as pessoas com mais idade e a faculdade da Clarividência acaba sendo afetada pela atitude dessas pessoas. Muitas vezes, as crianças são ridicularizadas, mas nada disso afeta a natureza sensível desses pequeninos. Pois, logo aprendem a excluir as cenas que provocam a reprovação das pessoas com mais idade ou, pelo menos, aprendem a guardar essas experiências só para si. Quando são ouvidas, muitas vezes, revelam coisas maravilhosas e, assim, é possível traçar como foi uma vida anterior delas por meio dessas informações. Isso acontece, particularmente e com mais facilidade, se a criança morreu na vida anterior dela ainda criança, uma vez que o tempo de estada dela nos Mundos invisíveis foi de um a vinte anos, de modo que é possível verificar esta informação. Crianças que, em suas vidas anteriores, morreram na infância são muito mais aptas a lembrar do passado e a serem Clarividentes do que aquelas que, em vidas anteriores, não morreram como crianças, porque o Corpo Vital e o Corpo de Desejos não nascem na mesma época em que ocorre o nascimento do Corpo Denso da criança, mas nascem aos sete e aos quatorze anos de idade, respectivamente, e o que não foi vivificado não pode morrer, de forma que, se uma criança falece antes do nascimento do Corpo Vital ou do Corpo de Desejos, não irá para o Segundo e Terceiro Céus, mas permanecerá no Mundo do Desejo e, assim, renascerá com o mesmo Corpo de Desejos e a mesma Mente que possuía em sua vida anterior, estando, consequentemente, muito mais apta a se lembrar de tudo que aconteceu. O autor se deparou com um desses exemplos anos atrás no sul da Califórnia.
Um dia em Santa Bárbara, Califórnia, um homem chamado Roberts procurou um Clarividente treinado e teósofo e, também, conferencista, para pedir-lhe ajuda num caso muito invulgar. O Sr. Roberts passeava pela rua no dia anterior, quando uma menina de uns três anos correu para ele, abraçou-lhe os joelhos, chamando-o “papai”. O Sr. Roberts indignou-se, julgando que alguém procurava atribuir-lhe a paternidade da criança. Entretanto, a mãe da criança chegou rapidamente e, tão surpresa quanto o Sr. Roberts, tentou levá-la. Contudo, a menina não queria largá-lo, insistindo em que o Sr. Roberts era seu pai. Devido a circunstâncias que depois mencionaremos, o Sr. Roberts não pôde afastar essa cena do pensamento, resolvendo procurar o Clarividente, que o acompanhou até a casa dos pais da menina. Esta, ao vê-lo, correu novamente para ele, chamando-o outra vez de papai. O Clarividente, a quem chamaremos “X”, primeiramente conduziu a menina para perto da janela a fim de verificar se a íris do seu olho se dilatava e contraia-se conforme se afastasse ou se aproximasse da luz. Isso comprovaria se alguma outra entidade que não fosse a legítima dona estava de posse do Corpo da menina, posto que o olho é a janela da Alma e nenhuma entidade “obsessora” pode controlar essa parte do Corpo. Concluindo que a menina era normal, o Clarividente passou cuidadosamente a inquirir a pequena. Depois de paciente trabalho efetuado durante a tarde, e com intermitência para não a cansar, eis, abaixo, o que ela contou.
Vivera com seu pai, o Sr. Roberts, e outra mamãe numa casinha solitária, de onde não se via nenhuma outra casa. Próximo havia um riacho, em cuja margem cresciam algumas flores (nesse momento a menina correu para fora, trazendo na volta umas pequenas flores de salgueiro) e havia uma tábua sobre esse riacho, tendo sido advertida para não o cruzar, pois havia o perigo de cair nele. Um dia o pai abandonou-as, a ela e à mãe, para não mais voltar. Quando acabaram os alimentos sua mãe deitou-se na cama, onde ficou muito quieta. Por fim, disse singularmente: “então eu também morri, mas não morri. Eu vim para cá”.
Era a vez de o Sr. Roberts contar a sua história: há dezoito anos vivera em Londres, onde o pai era cervejeiro. Apaixonando-se pela jovem criada da casa, o pai se opôs, mas ele se casou e fugiu com ela para a Austrália. Ali rumaram para o campo, construíram uma pequena granja e edificaram uma casinha junto a um riacho, exatamente como dissera a menina. Então, eles tiveram uma filha. Um dia, quando ela tinha perto de dois anos, o pai saiu cedo com destino a uma clareira, algo distante da casa. Ali um homem armado lhe deu voz de prisão, alegando que ele fora o autor do roubo de um banco justamente na noite em que deixara a Inglaterra. O Sr. Roberts pediu, então, que lhe fosse permitido ver sua mulher e filhinha. O guarda recusou, julgando se tratar de uma armadilha para fazê-lo cair nas mãos dos confederados, e obrigou-o, de arma apontada, a caminhar até a costa. Dali foi enviado à Inglaterra e submetido a julgamento, quando pôde provar sua inocência.
Muito tempo se passou até que as autoridades atendessem seus constantes rogos para que fossem buscar sua esposa e filha, as quais já presumia quase mortas de fome naquele país selvagem e isolado. Mais tarde, uma expedição foi enviada à cabana e não encontraram mais que os esqueletos de ambas. Entrementes, o pai do Sr. Roberts havia morrido e, embora o houvesse deserdado, seus irmãos dividiram com ele a herança. Então, completamente aniquilado, viajou para a América.
O Sr. Roberts exibiu na ocasião algumas fotos suas, de sua esposa e da filha. Por sugestão do Sr. “X” foram elas misturadas com certo número de outras e mostradas à menina, que sem vacilar assinalou as fotografias de seus antigos pais, mesmo tendo o Sr. Roberts mudado bastante em seu aspecto físico.
(Pergunta 139 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
O Reino vegetal possui apenas o Corpo Denso e o Corpo Vital. Portanto, as plantas constroem caule e folha; depois outra pequena parte do caule e outra folha… A estrutura do ser humano construída durante o estágio vegetal também mostra um trabalho semelhante de repetição — vértebra após vértebra, até que a coluna esteja completa.
Assim, vemos que a base do Corpo Vital é a repetição e como ele é a contraparte material do Espírito de Vida ou Princípio Crístico no ser humano, é evidente que para alcançar o Espírito Crístico devemos trabalhar por meio do Corpo Vital, em harmonia com sua estrutura: a repetição. Isso se aplica a qualquer linha de estudo ou trabalho que empreendamos.
Portanto, ao iniciar um novo período de estudo, as mesmas linhas de pensamento que estabelecemos no início do período anterior devem ser enfatizadas. O primeiro e mais importante deles é este fato: estamos procurando trazer o Cristo de dentro de nós mesmos para que possamos fazer no mundo as coisas que Ele fez e está constantemente fazendo sem que possamos vê-lo, apressando assim o dia de Sua vinda.
Não devemos reconhecer outra liderança além do Cristo, nem mesmo a liderança dos Irmãos Maiores, pois eles não lideram ou guiam, mas vêm apenas como amigos para aconselhar; devemos ser particularmente cuidadosos para lembrar que todos estão na mesma base. Portanto, ninguém deve colocar Max Heindel e Augusta Foss Heindel em um pedestal; eles não pertencem a um e não têm preeminência sobre ninguém. Todos têm a mesma oportunidade de servir e servir é o único caminho verdadeiro para a grandeza. No entanto, não importa quão eficientemente possamos servir; se nos gloriarmos em nossos serviços, essa auto glória será nossa única recompensa.
Deve ser o nosso objetivo pensar pouco no que fazemos e nos considerarmos nada, pois por melhor que trabalhemos nenhum de nós é capaz de servir a Deus dignamente, mesmo por um único dia. Então a humildade no serviço deve ser o nosso principal objetivo e meta. Quanto mais profundamente pudermos atingir esse ideal, quanto menores formos aos nossos próprios olhos, tanto maior seremos aos olhos de Deus.
Outra coisa: se estamos dispostos a servir apenas no que gostamos, que mérito há nisso? Nenhum! Contudo, se fizermos o que estiver ao nosso alcance, se nos esforçarmos para realizar as tarefas desagradáveis da vida com equanimidade e nos encorajarmos para colocar zelo tanto no trabalho que não gostamos quanto naquele que amamos, se o fizermos para salvar alguém, então seremos dignos seguidores dos Irmãos Maiores e imitadores bem-sucedidos de Cristo, o nosso glorioso Ideal.
(por Max Heindel, publicado no Echoes nº 3 de Mount Ecclesia de 10 de agosto de 1913, traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
No lado inferior da capa tem duas flores-de-lis, simbolizando a Trindade Divina: Pai, Filho e Espírito Santo; mas, como na Época aqui apresentada somente o Pai e o Espírito Santo estavam ativos, temos apenas duas pétalas da flor pintadas de vermelho e, portanto, indicando energia.
Vemos os seres criados como dois fluxos subindo, por um tempo, com dois Corpos ativos, o Corpo Denso e o Corpo Vital; mas, depois de um tempo o Corpo de Desejos é acrescentado e isso é representado pelo vermelho aparecendo nos fluxos ascendentes.
Embora os dois fluxos pareçam iguais, eles são totalmente diferentes. O do lado esquerdo corresponde ao seres criados que são conhecidos, em nossa literatura, como os Filhos de Caim. Eles estão repletos de energia positiva e são os artesãos no mundo, os phree-messen[1], que abrem o seu caminho através da vida ultrapassando os obstáculos, pois sabem que isso fortalece o caráter. Eles trabalham por meio do intelecto, demonstrado pela lamparina que tem nove raios saindo da chama, mostrando o caminho positivo escolhido pelo Estudante esoterista.
O do outro lado, o direito, corresponde aos seres criados que são conhecidos, em nossa literatura como os Filhos de Seth, desenvolvem o lado devocional da vida, o do Coração. A chama divina tem apenas oito raios, um caminho negativo (passivo); os que seguem esse caminho querem um líder, alguém para seguir, alguém para adorar. Eles são os devotos, normalmente espalhados pelas igrejas do mundo, e que obedecem aos ensinamentos fornecidos pelos seus líderes.
Os dois fluxos de vida seguem para cima, lado a lado, até chegar o momento em que os sábios e os amorosos que lideram a nossa evolução decidem que, para acelerar a evolução, é necessário que os dois fluxos se unam e planejam que isso será realizado por meio da construção de um Templo pelos artesãos para os adoradores e que os dois fluxos se uniriam em um Místico Mar Fundido. Podemos ver o impulso maravilhoso pelo cálice erguido de cada lado e preenchido com o vermelho do “vinho da vida”. Pode se ler essa história na construção do Templo do Rei Salomão. Esse plano foi frustrado pela traição dos Filhos de Seth, que ficam do lado direito. E depois disso cada um dos fluxos se afastou mais do que em qualquer tempo antes.
Um condição grave é demonstrada pelo fato de alguns caírem inteiramente no materialismo. Mas, ainda assim, a Onda de Vida humana continua vivendo e progredindo, o devoto e o cientista, o místico e o ocultista, cada um seguindo seu próprio caminho, independente do outro, até que foi atingido um estado tal de materialismo que os líderes espirituais viram um grande perigo para o futuro. Para impedir que o plano de evolução fosse frustrado, foi permitido a destruição em massa de corpos dos seres humanos que, por um tempo, parecia que varreria a humanidade da Terra. Veja a ruptura em ambos os lados. Mas, essa calamidade tem o efeito desejado: vemos, agora, uma grande força e ambos os lados se viram novamente voltados em direção um do outro, em que eles podem se unir em breve como um único fluxo.
Na parte inferior da página vemos mais um símbolo, tão pequeno que pode ser negligenciado facilmente. Aqui está uma pequena cruz preta, que representa o Corpo Denso. Numa ampliação da cabeça da cruz vemos um coração. Coração e Cabeça se uniram, e a consequência pode ser vista no feixe de propagação – o Corpo-Alma resultante.
Ainda há outro símbolo no meio da página, o Símbolo Rosacruz. A parte inferior da cruz branca trilobada representa a vida vegetal, que extrai seu sustento de suas raízes. Em algum momento da nossa existência fomos semelhantes às plantas. A parte horizontal da cruz branca trilobada é o símbolo da nossa passagem pelo estágio animal, com sua espinha horizontal. A parte superior da cruz branca trilobada representa a Mente, que é a característica do ser humano, e a estrela radiante representa o Dourado Manto Nupcial que nos tornará divinos.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro/1919 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Nota: Como a Fraternidade Rosacruz recebeu algumas perguntas referentes ao motivo pelo qual a rosa branca não está desenhada na versão do Símbolo da Fraternidade que aparece nos livros, cartas, envelopes etc., foi explicado na edição do Echoes de julho de 1985: “A rosa branca simboliza pureza de coração e, também, a laringe com a qual o ser humano, quando estiver puro, falará a palavra criadora; é a parte mais sagrada do Símbolo. Ela atrai e emite uma força que deve ser admirada com muito respeito. Por essa razão consideramos inadequado imprimir a rosa branca na versão do Símbolo que é utilizado em produtos materiais, comerciais e anexos dos trabalhos da Fraternidade. O Símbolo que permanece na Capela e no Templo em Mount Ecclesia, que contém a rosa branca, é coberto por uma cortina que a tira da vista, e apenas durante algumas ocasiões como nos rituais do templo e de cura. O Símbolo na Capela do Departamento de Cura, que, também, contém uma rosa branca, está constantemente descoberto. Contudo, essa capela é visitada apenas por pessoas que sinceramente e conscientemente rezam pela cura, ou por aqueles que urgentemente pedem por auxílio espiritual”.
[1] N.T.: que é um termo egípcio que significa “Filhos da Luz”.
Uma atitude corajosa e otimista é essencial para manter a nossa saúde, bem como para ajudarmos outros que estejam doentes. Há uma razão científica para isso, mas só será revelada plenamente pela filosofia oculta.
A energia do Sol flui constantemente em nosso Corpo Denso por meio do baço etérico, um órgão especialmente adaptado para a atração e assimilação desse Éter universal. No Plexo Celíaco – onde está o Átomo-semente do Corpo Vital – esse Éter é convertido em um fluído rosado que banha o sistema nervoso. Por meio deste fluído vital os músculos se movem e os órgãos desempenham suas funções vitais.
Quanto melhor for a saúde, maior será a quantidade deste fluído vital solar que poderemos absorver, mas dele só utilizamos uma parte; o excesso é irradiado do Corpo Vital em linhas retas. Os germens, os micróbios, os vírus das doenças não poderão entrar do exterior devido a essas invisíveis torrentes de força e os microrganismos que entrem no corpo com o alimento são rapidamente expelidos. Não obstante, toda a vez que tivermos pensamentos e desejos de medo, raiva, ciúmes, inveja, cobiça, ódio, enfim de qualquer coisa que coletamos das três Regiões do Mundo do Desejo, o baço funciona mal e deixa de especializar o fluído vital em quantidade suficiente. As linhas de força se curvam, permitindo assim o acesso fácil aos organismos deletérios que podem então se alimentar nos nossos tecidos, sem nenhuma oposição, causando as doenças.
Além disso, os pensamentos e desejos de medo, raiva, ciúmes, inveja, cobiça, ódio, enfim de qualquer coisa que coletamos das três Regiões do Mundo do Desejo tomam forma e com o decorrer do tempo se cristalizam naquilo que nós conhecemos como micróbios, germes, vírus das doenças infecciosas são particularmente, a incorporação do medo e do ódio e por isso, só poderão ser vencidos pela força contrária — coragem e amor. Se estamos perto de uma pessoa infectada por doença contagiosa, temendo o contágio, é quase certo atrairmos para nós os micróbios, germes, vírus venenosos, mas se pelo contrário, nos aproximarmos de tal pessoa em atitude mental sem nenhum temor escaparemos à infecção, particularmente se o fizermos inspirados pelo amor.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)
Descubra aqui onde o estudo foi dividido nos seguintes tópicos para facilitar a assimilação do conhecimento:
Acesse aqui: Como Conheceremos Cristo quando Voltar?

INTRODUÇÃO
Vamos conceituar, primeiro, o que é um Audiobook ou Audiolivro: nada mais é do que a transcrição em áudio de um livro impresso digital ou fisicamente.
Basicamente, é a gravação de um narrador lendo o livro de forma pausada e o arquivo é disponibilizado para o público por meio de sites. Assim, ao invés de ler, o interessado pode escolher ouvi-lo.
Um audiobook que obedece ao conceito de “livro-falado” tenta ser uma versão a mais aproximada possível do “livro em tinta” (livro impresso), a chamada “leitura branca”, que, mesmo desprovida de recursos artísticos e de sonoplastia, obedece às regras da boa impostação de voz e pontuação, pois parte do princípio de que quem tem de construir o sentido do que está sendo lido é o leitor e não o ledor (pessoas que utilizam a voz para mediar o acesso ao texto impresso em tinta para pessoas visualmente limitadas).
Para que serve audiolivro?
O audiolivro é um importante recurso, na inserção do no ecossistema da leitura, para:
O audiolivro é apreciado por um público de diversas idades, que ouve tanto para aprendizado como para entretenimento.
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FIM
Março de 1918
Uma correspondente entusiasmada com a beleza, a grandiosidade e a natureza, ao mesmo tempo, calmante e intelectualmente estimulante dos Ensinamentos Rosacruzes, lamenta com desgosto, desaprovação e com arrependimento o destino que a aprisiona em cuidar dos afazeres da casa, dos filhos e de todo trabalho doméstico. Fosse ela livre apenas para levar esse evangelho recém-encontrado, ela iria pelo mundo afora com as boas novas, nele contidas, pelas quais ela sabe que milhares e milhares de pessoas estão orando e buscando.
Isso seria bom para nossa amiga e para aquelas milhares de pessoas, mas, e quanto às criancinhas privadas dos cuidados de suas mães? Não esqueçamos de um ponto muito importante: de que todos os que foram chamados a trabalhar na “vinha do Mestre”[1] já tinham cumprido suas atividades de trabalhos e tarefas cotidianas. Todos eles não tinham vínculos que os impedissem de trabalhar lá o dia inteiro, e ninguém que não esteja livre das suas obrigações anteriores pode dedicar uma vida inteira ao trabalho de ensinar os outros. Se aspirarmos a esse trabalho, sendo fiéis no desempenho dos nossos deveres atuais, o caminho se abrirá em algum momento e nos dará o chamado legítimo.
Quanto ao uso muito comum da expressão “o árduo trabalho braçal ou monótono ou, ainda, a labuta doméstica”, referente aos fatores impeditivos de um maior empenho na divulgação dos Ensinamentos Rosacruzes, urge que seja analisada sob uma perspectiva condizente com a atual fase evolutiva da humanidade. O professor ou a professora fala do trabalho árduo de repetir a mesma lição na cabeça das crianças ano após ano; a mãe fala do trabalho penoso dos afazeres domésticos; o pai reclama do trabalho penoso no escritório ou nas atividades mecânicas; e assim por diante. Cada um pensa que se estivesse no lugar do outro, a vida se transformaria imediatamente em uma grande e doce canção.
Isso é uma falácia. “O ser humano, nascido de mulher, tem a vida curta e cheia de tormentos”[2]. Não importa onde ele esteja, há tão somente um método de alívio, uma maneira de superar: a adoção de uma atitude mental correta.
Um grande motor a gasolina funcionando a toda velocidade pode desafiar um exército de homens fortes a detê-lo, mas uma pequena partícula de carbono depositada no ponto de ignição, ou uma pequena peça giratória trabalhando com alguma folga, rapidamente suprimiria sua energia. Assim, um pouco de fuligem, que desprezamos como sujeira, pode, sob determinadas circunstâncias, realizar mais do que muitos homens. Portanto, não devemos enaltecer extravagantemente algumas pessoas como heróis e desprezar outras como trabalhadores braçais ou que fazem trabalhos maçantes ou pesados. Há almas tão nobres remendando meias como aqueles agraciados em cadeiras presidenciais. Tudo depende se eles colocaram amor em seu trabalho ou não.
Mas, o que muitas pessoas realmente querem dizer quando falam sobre “trabalho duro, maçante, penoso” é, na verdade, a monotonia. Pois, todo trabalho é, mais ou menos, uma rotina e a execução constante das mesmas tarefas, repetidas vezes, torna o trabalho monótono. Há uma excelente razão para que a atual fase do nosso desenvolvimento inclua esse princípio de rotina. Estamos agora nos preparando para a Era de Aquário que se aproxima rapidamente com seu grande desenvolvimento intelectual e espiritual. Isso requer um despertar do Corpo Vital adormecido, cuja palavra-chave é a repetição. A rotina dos nossos afazeres diários nos proporciona isso. Se nos rebelarmos, isso gera monotonia e retarda o progresso. Mas, se fermentarmos nosso trabalho com amor, avançaremos muito na evolução e colheremos a recompensa de um estado de felicidade e satisfação.
[1] N.T.: Mt 20:1-16
[2] N.T.: Jo 14:1
(Carta nº 88 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)