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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Cordão Prateado humano, do animal e relações com Espírito-Grupo e Espírito de Raça

Três Períodos de evolução precederam o nosso atual Período Terrestre. Durante o Período de Saturno, éramos semelhantes aos minerais (na constituição de Corpo e de Consciência); no Período Solar, tínhamos uma constituição similar à das plantas (na constituição de Corpos e de Consciência); no Período Lunar, desenvolvemos veículos parecidos com o dos animais atuais (na constituição de Corpos e de Consciência). Dizemos parecidos, pois a constituição do mundo era tão diferente que uma construção idêntica teria sido impossível. Nesse Período Lunar, imagine agora um imenso globo circulando no espaço como um satélite ao redor do seu Sol. Esse é o corpo de um Grande Espírito, Javé ou Jeová. Assim como temos carne macia e ossos duros no nosso Corpo Denso, também a parte central do Corpo de Javé é mais densa que a externa, que é enevoada e semelhante a uma nuvem.

Embora Sua consciência permeie tudo, Javé aparece principalmente na nuvem e com Ele estão Seus Anjos e outras Hierarquias Criadoras. Dessa grande abóbada de nuvens pendem milhões e milhões de cordões, cada um com seu saco fetal, pairando próximo à parte central e densa; assim como o fluxo vital da mãe humana circula através do cordão umbilical até que o feto possa viver independentemente, quando o período de gestação se completa, assim também a vida divina de Javé flutuava sobre nós na nuvem e fluía por toda a família da Onda de Vida humana durante esse estágio embrionário da evolução dela — éramos tão incapazes de iniciativa como os fetos.

Desde então, o Maná (Manas, mens, Mensch ou “Homem”) caiu do céu, do seio de Deus-Pai, e agora, já na quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre está ligado pelo Cordão Prateado ao Corpo Denso durante as horas de vigília; e mesmo durante o sono, ele forma o elo de ligação que conecta os veículos superiores aos inferiores, sendo essa conexão rompida apenas pela morte.

O Cordão Prateado não é feito de um único tipo de material, mas é bastante complexo em sua constituição. Uma extremidade está enraizada no Átomo-semente do Corpo Denso que está na posição relativa do ápice no coração e é feita de Éter. Uma segunda parte, feita de substância de desejo, cresce na posição relativa do lóbulo superior do fígado, local onde está o Átomo-semente do Corpo de Desejos e, também, o grande vórtice do Corpo de Desejos. Quando essas duas seções do Cordão Prateado se unem no Átomo-semente do Corpo Vital, localizado no Plexo Celíaco ou Solar, essa junção dos três Átomos-semente marca o momento da animação, ou vivificação, do feto.

Mas há ainda outro segmento do Cordão Prateado, feito de substância mental, que cresce a partir do Átomo-semente da Mente e está localizado na posição relativa do que do seio frontal (na testa). Essa parte se estende entre as Glândulas pituitária e a Glândula pineal, descendo e se conectando às Glândulas Tiroide e Glândula Timo, além da Glândula Baço e das duas Glândulas Suprarrenais, para finalmente se unir à segunda parte do Cordão Prateado, no Átomo-semente do Corpo de Desejos.

O caminho ao longo do qual essa parte do Cordão Prateado crescerá é indicado no Arquétipo, mas requer aproximadamente 21 anos para completar a junção. A união da primeira com a segunda divisão do Cordão Prateado marca a vivificação física, que depende da destruição completa dos glóbulos sanguíneos nucleados que carregam a vida da mãe física e da emancipação da sua interferência por meio da gaseificação do sangue, que se torna então o veículo direto do Ego. A junção da segunda com a terceira parte do Cordão Prateado sinaliza uma vivificação mental e a consequente emancipação da mãe Natureza, que então completou o processo de gestação necessário para estabelecer os alicerces e a estrutura do templo do Espírito — que, a partir desse período, pode construir como quiser, limitado apenas por suas ações passadas.

Durante o período que estamos acordados no Mundo Físico, o Cordão Prateado é tríplice e fica enrolado em espiral dentro do Corpo Denso, principalmente ao redor do Plexo Celíaco. Mas à noite, quando o Ego se retira e deixa o Corpo Denso e o Corpo Vital dormindo em um leito, para que o Corpo Vital possa recuperar o Corpo Denso, esse Cordão se projeta para fora do crânio e o Corpo de Desejos, em forma oval, flutua acima da ou próximo à forma adormecida, assemelhando-se a um balão preso por um fio. Nessa condição, no caso das crianças e das pessoas pouco desenvolvidas, o Ego permanece ali, pensando sobre os acontecimentos do dia até que impactos do Mundo Físico, como o toque de um despertador, uma chamada ou algo semelhante, façam o Cordão Prateado vibrar, atraindo a atenção do Ego para seus veículos abandonados e fazendo com que ele retorne a eles.

Nenhum desenvolvimento oculto é possível até que a terceira parte do Cordão Prateado seja desenvolvida; contudo, após esse evento, o Ego pode deixar seu Corpo Denso e vagar pelos Mundos espirituais, seja conscientemente após o devido treinamento esotérico e/ou Iniciação, ou inconscientemente e, nesse caso, com a ajuda de outros ou acidentalmente como um sonâmbulo que deixa seu leito e retorna sem saber para onde foi ou o que fez. Em qualquer um desses contextos, a maleabilidade e elasticidade da terceira parte do Cordão Prateado, que é feita de substância mental, serve como ligação com os veículos inferiores.

A qualidade da consciência do Ego, quando está afastado do seu Corpo Denso, depende da formação, ou não, de um Corpo-Alma, que é feito de Éter de Luz e Éter Refletor e é o veículo da percepção sensorial e da memória, suficientemente estável para ser carregado. Se tiver formado, o processo de Iniciação terá sido ensinado como proceder e o Ego terá consciência plena enquanto estiver fora do Corpo Denso, além de memória confiável sobre o que ocorreu durante o “voo da alma”, ao retornar. Caso contrário, tanto a consciência quanto a memória estarão ausentes ou serão falhas em algum grau.

Depois de nos familiarizarmos com a construção e a função do Cordão Prateado como ligação entre o Ego e seus veículos para a Onda de Vida humana, iremos estudar sua constituição e uso em relação ao animal e seu Espírito-Grupo. Foi ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que os hábitos, gostos, as preferências e aversões de cada espécie derivam do Espírito-Grupo que atua através deles.

Todos os esquilos acumulam uma reserva de nozes para o uso no inverno; todos os ursos engordam em preparação para o período de hibernação; todos os leões desejam carne, enquanto os cavalos, sem exceção, comem feno, grama, mato — mas o que é alimento para uma pessoa pode ser veneno para outra. Se conhecemos os hábitos de um animal, conhecemos os hábitos de todos os que pertencem à mesma família, mas seria inútil investigar, por exemplo, a família Edison para descobrir a origem do gênio de Thomas A. Edison.

Um tratado sobre os hábitos de um cavalo se aplicará a todos os outros, mas a biografia de um ser humano difere completamente da de qualquer outro, porque cada um age sob as diretrizes de um Ego que trabalha com seus Corpos e veículo a partir do seu interior e individual, enquanto os animais de um determinado grupo são dirigidos por uma inteligência comum, o Espírito-Grupo, a partir de fora e por meio do Cordão Prateado.

Cada animal possui seu próprio e individual Cordão Prateado, em relação às duas partes que conectam o Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos; mas a terceira parte, que está ligada ao vórtice central do Corpo de Desejos, localizada na posição relativa do fígado, pertence ao Cordão Prateado do Espírito-Grupo. Por meio desse vínculo elástico, este Espírito-Grupo governa os animais da sua espécie, independentemente de onde estejam, com igual facilidade. A distância não existe nos Mundos internos e os animais não possuem Mente própria; assim, eles obedecem sem questionar às sugestões do Espírito-Grupo.

Nisso, as crianças são uma anomalia, pois elas também têm apenas as duas partes do Cordão Prateado desenvolvidas e possuem uma Mente na qual a terceira parte está em formação. Assim, o Ego não tem comunicação direta com seus veículos e, portanto, a prole humana, que possui o maior potencial, é, ao mesmo tempo, a mais indefesa de todas as criaturas da Terra, estando sujeita principalmente à autoridade dos seus guardiões físicos.

Embora o ser humano agora seja individualizado e emancipado da interferência direta em suas ações pelo “cordão de condução” com o qual o Espírito-Grupo força (não há outra palavra que transmita melhor o sentido) o animal a obedecer à sua vontade, ele ainda não está apto a governar a si mesmo, assim como a criança sobre a qual mantemos autoridade até atingir a maioridade não está pronta para cuidar de seus próprios assuntos; assim, os Espíritos de Raça ainda continuam a governar muitas nações. Cada uma tem seu próprio Espírito de Raça, que plana sobre a porção da Terra onde reside as pessoas daquela nação em forma de nuvem, e é nele que vivem, movem-se e têm o seu ser. Eles são o seu povo peculiar e Espírito de Raça é um deus ciumento. A cada respiração, eles inalam esse Espírito de Raça e, se forem levados para longe da porção da Terra onde reside as pessoas daquela nação vão desejar sua terra natal, porque em qualquer outro local o ar é diferente e carrega a vibração de outra Hierarquia Arcangélica que tem a função de Espírito de Raça.

Com o passar do tempo, à medida que avançamos, também as nações são emancipadas da influência do Espírito de Raça, que tem vivido por meio da respiração desde que Javé-Elohim soprou o nephesh, o ar vital, nas narinas das pessoas que compõe tais nações. Esses Espíritos de Raça atuam no Corpo de Desejos e no Espírito Humano, fomentando o egoísmo e o egocentrismo. Sua mais alta realização é o patriotismo.

Mas quando aprendermos a construir a gloriosa veste nupcial, o Corpo-Alma, que é tecido através do Serviço amoroso e desinteressado (o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada pessoa – que é a base da fraternidade – a cada irmão e irmã, e o matrimônio místico foi consumado, quando o Cristo nascer imaculadamente dentro de nós – o Cristo interno –, então o Amor Universal nos emancipará para sempre da Lei Universal e seremos perfeitos como nosso Pai nos Céus é perfeito.

De todo poder que mantém o mundo em correntes,

O homem se liberta quando domina a si mesmo.

                                                                       Johann Wolfgang von Goethe

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Para onde foi o homem Jesus depois que o Cristo se apoderou dos seus veículos inferiores? Estaria ele presente, mas inativo, durante todo o ministério de Cristo?

Resposta: Jesus permaneceu nos Mundos invisíveis, de onde trabalhou e tem trabalhado.

O indivíduo que mais tarde se encarnou sob o nome de Christian Rosenkreuz, já estava em grau de evolução muito elevado quando nasceu Jesus de Nazaré. Está encarnado, atualmente. Seu testemunho, assim como o resultado das investigações diretas de outros Rosacruzes, concorda em que o nascimento de Jesus de Nazaré teve lugar no princípio da Era Cristã, na data que geralmente se atribui.

Jesus foi educado pelos Essênios e alcançou um elevado grau de desenvolvimento espiritual durante os trinta anos de uso do seu Corpo.

Era de Mente singularmente pura, muito superior à grande maioria da nossa presente Humanidade. Esteve percorrendo o Caminho da Santidade através de muitas vidas, se preparando para a maior honra que poderia ter recebido um ser humano.

Depois da morte do Corpo Denso de Cristo-Jesus, os Átomos-sementes foram devolvidos a seu primitivo dono, Jesus de Nazaré que, algum tempo depois, funcionando temporariamente em um Corpo Vital que construíra, instruiu o núcleo da nova fé formado por Cristo. Jesus de Nazaré, desde aquele tempo, tem conservado a direção dos ramos esotéricos, que surgiram por toda a Europa.

Os Irmãos Maiores, Jesus entre Eles, têm lutado e lutam por equilibrar a poderosa influência do materialismo, quase extinguiu a Luz do Espírito. Cada tentativa para iluminar o povo, e para nele despertar o desejo de cultivar o lado espiritual da vida, é uma evidência da atividade dos Irmãos Maiores.

Possam os esforços dos Irmãos Maiores serem coroados de êxito e apressar o dia em que a ciência moderna, espiritualizada, encaminhe as investigações sobre a matéria, do ponto de vista do Espírito. Então, e não antes, compreenderemos e conheceremos, verdadeiramente, o mundo. 

(Pergunta nº 101 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Lançamento da Pedra Fundamental do Templo de Cura da Fraternidade Rosacruz ao meio-dia de 23 de Julho de 1920

Antigamente, quando um Templo de adoração era construído, o terreno ou área destinada à construção era enfeitado com guirlandas de flores em um dia determinado pelos astrólogos. “Há um tempo para tudo debaixo do sol[1], e os astrólogos buscavam determinar as condições propícias para o início da obra sagrada. No dia e na hora determinados, apenas pessoas de renome, carregando galhos de árvores, entravam no recinto. Os galhos simbolizavam uma conclusão feliz e frutífera para a obra. As pessoas de renome eram seguidas pelas virgens vestais que, em oração, aspergiam o local com água trazida em urnas por meninos e meninas. Em seguida, vinham os sacerdotes e dignitários do Estado, seguidos pelos cidadãos carregando a pedra fundamental enfeitada com guirlandas. Após o Pretor impor as mãos sobre as cordas que envolviam a pedra, os pedreiros a colocavam no lugar, e o Pontífice, consagrando-a ao seu uso, exortava o povo a servir e temer os deuses e a obedecer à lei.

A pedra era sempre colocada no canto nordeste do Templo, análogo ao local de maior poder do Sol no Solstício de Junho, quando todos os seres vivos são mais vitalizados por seus raios.

Chegamos agora a mais uma “colocação da pedra fundamental”, mas uma que é única por inaugurar uma nova era na Religião Cristã. Por mil novecentos e vinte anos, a igreja tem lutado para “Pregar o Evangelho” em obediência ao mandamento de nosso Salvador. Agora, a Fraternidade Rosacruz ergue bem alto a bandeira com o segundo mandamento, “Curai os Enfermos“, como um estímulo à nossa missão Cristã, e “coloca a pedra fundamental” de um Templo de Cura consagrado em Cristo para servir ao nosso próximo irmão e irmã sofredores.

O lugar sagrado do Templo estava radiante com a efusão de bênçãos das “hostes invisíveis” que reconhecem a importância espiritual do passo dado. O pequeno e devotado grupo de seguidores da Fraternidade Rosacruz respondeu com silenciosa dedicação interior do “Eu superior” ao serviço de Cristo como Curador Divino: orações silenciosas por força para purificar o “Eu inferior” de toda indignidade, a fim de que o poder curador do Senhor pudesse fluir através de nós como canais limpos para Sua obra.

Ele, nosso amado Salvador, conheceu apenas a terrível agonia da “Coroa de Espinhos”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos nos esforçando para fazer crescer uma “rosa” de poder espiritual onde cada espinho sugou uma gota de Seu sangue. Ele conheceu apenas a agonia de ser pregado na “Cruz”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos tentando “arrancar os pregos” que nos pregam firmemente à cruz; os pregos do desejo egoísta, da ânsia por poder temporal, da cegueira espiritual.

Este trabalho de cura espiritual Cristã é um dos métodos de servir à Humanidade sofredora, oferecendo ao verdadeiro (a verdadeira) profissional de saúde um meio de unir o poder da Ciência ao da Religião. A Fraternidade Rosacruz clama pelo verdadeiro (pela verdadeira) profissional de saúde, a pessoa que não se envergonha de orar por seus pacientes enquanto trabalha por eles. Cristo-Jesus disse: “Eu sou O CAMINHO, A VERDADE e A VIDA[2].

No entanto, quantos profissionais de saúde e pacientes em sofrimento intenso negligenciaram convidá-Lo para ajudar! Existe uma maneira de invocar essa efusão divina, assim como existe uma maneira de fazer cada coisa que fazemos. Esse CAMINHO exige preparação, purificação, dedicação, consagração, e isso faz parte do trabalho do Estudante Rosacruz.

O verdadeiro e ativo (a verdadeira e ativa) Estudante Rosacruz não busca poder temporal. Busca servir a Deus ajudando seus semelhantes que estão sofrendo fisicamente, emocionalmente e/ou mentalmente. Um local de capacitação para o trabalho é maravilhosamente alcançado no Templo de Cura, que está sendo construído pelo serviço amoroso e desinteressado de muitos.

Augusta Foss Heindel aproveitou esse momento para lembrar onde começou a ideia da construção do Templo de Cura e qual é e será o seu objetivo para cumprirmos o mandamento de Cristo: Curar os Enfermos.

“Amigos, estamos aqui hoje para realizar o que foi iniciado em 25 de novembro de 1914 por Max Heindel. Naquela ocasião, nos reunimos para preparar esta pedra que hoje colocamos como pedra fundamental. Ela é um símbolo de uma estrutura física que, por sua vez, nos aparecerá como um símbolo daquilo que nós, como trabalhadores do Templo de Deus, estamos nos esforçando para construir. Aprendemos o uso simbólico das ferramentas do pedreiro; definimos o pedreiro como aquele que coloca o cimento e coloca o tijolo, trabalhando com as ferramentas de seu ofício; assim, um edifício é erguido. Também somos verdadeiros “pedreiros livres”, usando materiais diferentes. Estamos construindo o material que os Irmãos Maiores nos deram, que acabamos de colocar nessa pequena caixa, a gloriosa mensagem que nos foi dada pelos Irmãos Maiores através da grande alma cujo aniversário celebramos hoje, a alma que nasceu em 23 de julho de 1865 e que estava destinada a trazer ao mundo uma visão mais ampla dos ensinamentos de Cristo do que jamais foi dada à Humanidade, uma Religião que será a pedra angular de todos nós na Era de Aquário. Este mensageiro também nos disse que este seria o último templo físico a ser erguido pelos Irmãos Maiores. A Humanidade alcançará esse estágio de desenvolvimento e agora está trabalhando com o objetivo de se preparar para que possa adorar no verdadeiro Templo, aquele Templo de Deus não feito por mãos, eterno nos céus, que não é construído de pedras, tijolos e argamassa, mas de corações amorosos e do sacrifício de nossas próprias naturezas inferiores, dedicando-nos assim como pedras vivas nele.

É um privilégio ser um dos obreiros, uma das pedras vivas, escolhido para obedecer aos dois últimos mandamentos do Cristo: “Pregai o Evangelho e Curai os Enfermos[3]. O último mandamento foi esquecido pela Humanidade por tantos e tantos anos. Pregamos o Evangelho, mas apenas cumprimos a primeira metade dos mandamentos que Ele deu aos Seus discípulos. Esquecemos, nas Igrejas, de curar os enfermos. Houve uma divisão entre Ciência e Religião. Esse afastamento causou as condições materialistas de hoje. Cimentar essa brecha, unir Ciência e Religião, é o que nós, como obreiros e seguidores dos Ensinamentos Rosacruzes, estamos nos esforçando para fazer. Estamos construindo a pedra fundamental de uma grande obra futura. Pouco percebemos hoje, os poucos de nós que estamos aqui, o que isso significa para a Humanidade. O conteúdo desta pequena caixa viverá por eras depois que tivermos abandonado estes Corpos Densos. As vibrações que serão incorporadas a esta construção alcançarão os confins da Terra. Dizem-nos que quando Salomão construiu o Templo em Jerusalém, ele purificou e mudou a vibração de toda a cidade.

Fomos mantidos sob o domínio de Saturno, sob um ambiente cristalizado. Era necessário, no entanto, que aprendêssemos nossas lições, pois estamos neste mundo cristalizado e precisamos usar cimento material. Mas chegamos a um estágio neste trabalho em que não será necessário lutar por muito mais tempo, pois a fundação já está lançada. Hoje, lançamos esta pedra fundamental que, com seu conteúdo, permanecerá por eras e eras.

Amigos, vamos embora daqui hoje, dedicando-nos novamente a nos tornarmos canais mais puros, melhores e mais limpos, através dos quais os grandes Ensinamentos Rosacruzes possam ser enviados ao mundo. Estamos aqui porque fomos escolhidos para sermos trabalhadores neste grande campo do Mestre, Cristo. E estamos aqui para preparar o Templo invisível, usando o Templo físico apenas como um centro de trabalho. Ainda não nos desfizemos destes Corpos Densos, mas, ainda assim, estamos nos preparando para poder encontrar o Cristo, como Ele prometeu que, quando Ele vier, o “encontraremos no ar”. O que isso significa? Que estamos tecendo a “veste dourada das bodas”, o Corpo Vital espiritualizado, no qual todos seremos capazes de encontrar o Cristo em Sua vinda.

Vamos, amigos, ao colocarmos cada um uma colher de pedreiro de argamassa para selar esta pedra, colocá-la ali com uma oração de gratidão, pedindo por maior força, pureza e conhecimento, para que possamos ser instrumentos adequados para continuar esta obra e enviar esta mensagem à Humanidade, lembrando que Cristo é a verdadeira Pedra Angular.”

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Ecl 3:1

[2] N.T.: Jo 14:6

[3] N.T.: Mt 10:7-8

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Aquela outra Vida: você sabe qual é e se está pronto para vivê-la?

Há uma vida que podemos viver que ultrapassa os limites das possibilidades aparentes. Como Jacob Boehme[1] o nomeou, vida suprassensorial, ou seja, a vida que está acima e é independente dos sentidos. Estes se ligam e nos afastam de uma vida cheia de alegria e conhecimento definido de um futuro ilimitado. Atingimos uma pequena apreciação dessa vida em momentos em que nossas Mentes estão desocupadas com as demandas dos sentidos. Na natureza, por exemplo, sobre a vasta extensão do oceano, em meio às colinas e montanhas. Então nós nos tornamos possuidores de uma paz maravilhosa que acalma a turbulência da Mente. Os caprichos e as necessidades da existência nos impedem de desfrutar continuamente essa bela paz; mas quando nos tornamos conscientes da sua mensagem, as coisas da vida, que eram consideradas tão vitais para a felicidade real, assumem um aspecto diferente. Elas se tornam marcos em nosso caminho pela vida, através dos quais medimos o nosso progresso.

Percebemos que os assuntos materiais não têm importância em si mesmos, mas são valiosos como lições das quais devem ser extraídas a verdade. Podemos falhar em um empreendimento, mas isso não significa que a depressão deva surgir. Há uma lição a ser aprendida com a experiência. Por causa de nossas próprias falhas, nós nos tornamos solidários com outras pessoas que falharam em sua própria direção particular. Quem tem uma boa apreciação das esperanças humanas e pode tão prontamente dar ao coração fraco essa alegria de conforto, senão alguém que falhou com frequência e ainda manteve o senso de proporção entre o fracasso e o significado interior da vida? Erros nos ensinam muitas coisas. Eles nos tornam infinitamente mais simpáticos e compassivos.

Mas, acima de tudo, o conhecimento de que todo evento em nossas vidas tenha um grande valor intrínseco, que nunca pode ser diminuído, faz com que derivemos um grande benefício de todas as ocorrências e vicissitudes materiais.

As pessoas que conhecem o excelente trabalho que continua depois que saímos dessa existência terrena (e são milhões!), sabem que a vida após a morte do Corpo Denso está cheia de energia latejante, planejamento, erros de retificação, preparação e oportunidades de estudos. O verdadeiro significado da vida, com suas tristezas, sucessos, falhas, medos, esperanças, alegrias e assim por diante, será mostrado de maneira abrangente: a obtenção do conhecimento sobre nós mesmos e os problemas externos, o que nos leva ao autocontrole e à capacidade criativa.

O vasto Esquema de Evolução em que todos estamos inseridos (saibamos ou não) está gradualmente sendo desdobrado diante da nossa Mente. Naturalmente, essa manifestação transcendental de poderes inteligentes só pode ser concebida de forma aproximada. Os Irmãos Maiores estão atualmente dando à Humanidade um esboço desse Esquema por meio dos Ensinamentos Rosacruzes. A vida suprassensorial é hoje vivida por muitos milhares de seguidores que perceberam as verdades eternas, embora muitas vezes ocultas, da vida. Quantas vezes uma verdade é percebida pela intuição!

Viver a vida necessária nos dá direito a provar tudo o que nos é ensinado e ajuda a acelerar nossa evolução sob a orientação de Deus.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – julho /1916 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: Jakob Böhme, por vezes grafado como Jacob Boehme (1575-1624) foi um filósofo e místico luterano alemão. Böhme passou por experiências místicas em toda a sua juventude, culminando em uma epifania no ano de 1600, a qual ter-lhe-ia revelado a estrutura espiritual do mundo, assim como as relações entre o Bem e o Mal. Na época, ele decidiu não divulgar a sua experiência e continuou trabalhando como sapateiro na cidade de Goerlitz, na Silésia, constituindo família e tendo quatro filhos. Entretanto, após uma outra visão em 1610, ele começou a escrever sua primeira obra, Aurora (Die Morgenroete im Aufgang), resultante dessa iluminação.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Exercício para Adquirir Conhecimento Direto: Exercício Esotérico noturno de Retrospecção

O mais eficiente dos métodos existentes para nos fazer avançar no nosso Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – o caminho da realização espiritual – é o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção.

E executá-lo é extremamente simples: “Após deitarmos à noite, relaxamos o nosso Corpo Denso e começamos a nos recordar dos acontecimentos do dia na ordem inversa: primeiro os da noite, em seguida os da tarde e, finalmente os da manhã.”

Utilizando a nossa capacidade de lembrar, de recordar, reproduzamos tudo o que aconteceu em cada acontecimento que nós vivemos: os pensamentos emitidos, os pensamentos recebidos; os sentimentos emitidos, os sentimentos recebidos; as palavras emitidas, as palavras recebidas; os atos cometidos, os atos assistidos. E vamos julgando a nós mesmos: censurando-nos onde couber a reprovação e elogiando-nos onde couber a aprovação.

Com ele avançamos a passos largos em várias direções:

1.Restauramos mais rapidamente o ritmo do nosso Corpo Denso e Corpo Vital do que com o nosso Corpo de Desejos trabalhando a noite toda; com isso sobra muito mais tempo para trabalharmos fora do Corpo durante o sono nos processos de cura como Auxiliar Invisível, no início, Inconsciente e, após algum tempo, Consciente;

2.Vivemos nosso Purgatório toda noite: com isso abreviamos nosso tempo no Purgatório depois da morte – pois incorporamos o senso da retidão, objetivo da existência purgatorial – podemos até escaparmos dessa existência totalmente;

3.Vivemos nosso Primeiro Céu toda noite: com isso abreviamos nosso tempo no Primeiro Céu depois da morte – pois incorporamos o senso da gratidão, objetivo da existência no Primeiro Céu – podendo até não precisar passar por ele.

4.Como consequência dos dois itens anteriores: adiantamos lições a aprender que estariam, normalmente, reservadas somente para vidas futuras. Com isso estaremos preparados para entrar no Mundo do Desejo, onde adquiriremos nossas primeiras experiências de vida consciente fora do nosso Corpo Denso.

Dicas para aumentar a eficiência do Exercício Esotérico de Retrospecção:

-Primeiro de tudo: ele deve se tornar um hábito. E um hábito é algo que já não conseguimos viver sem ele é como se faltasse alguma coisa se nós não o fizéssemos.

-Segundo: é errado supor que se deva pensar minuto por minuto a tudo que temos feito durante o dia que passamos, controlando, assim, todos os atos automáticos e todas as nossas ações diárias.

Se temos tal ideia desse Exercício Esotérico de Retrospecção, logo descobriremos que o nosso sucesso é nulo ou que estamos perdendo um tempo precioso. É muito prosaico, ou indesejável que no nosso Exercício Esotérico noturno de Retrospecção nos detenhamos sobre fatos simples como o de ter comido uma fatia de pão com manteiga ou se ter amarrado o sapato.

O sucesso no nosso Exercício Esotérico noturno de Retrospecção está em viver uma vida diária consciente e está no poder de pensar abstratamente. Se somos verdadeiros Aspirantes a vida superior, desempenhamos conscientemente toda nossa ação diária, somos igualmente conscientes das nossas palavras, dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos e dos nossos atos.

Se assim o for, nós notaremos, imediatamente, que cada erro em pensamento, desejo, emoção, sentimento, palavra, obra, ação ou ato nos chama a consciência para corrigir.

Do mesmo modo, nós notaremos, imediatamente, que cada acerto em pensamento, desejo, emoção, sentimento, palavra, obra, ação ou ato nos chama a gratidão por termos acertado.

Se assim procedermos durante o dia, o nosso Exercício Esotérico noturno de Retrospecção será apenas de uma recordação de tudo o que se passou conosco durante o dia, e que está no nosso pensamento abstrato, pois lembrem-se: fizemos questão de cada pensamento, desejo, emoção, sentimento, palavra, obra, ação ou ato, durante o dia, foi analisado e seu resultado (correção ou gratidão) alcançado.

Isso supera o trabalho do cérebro e, com o tempo, veremos como as experiências importantes e notáveis do dia se apresentarão com a rapidez do relâmpago tocando nossos Corações e nossas Mentes dependendo, logicamente, da tendência de cada um, seja Místico ou Ocultista.

Para nos colocar em disposição para o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção sigamos as seguintes sugestões:

a-Após acabarmos de nos deitar, tomemos uma posição o mais confortável possível.

b-Fixemos nosso pensamento sobre o Símbolo Rosacruz e deixemos aproximar de nós a Cruz com as Rosas até que ela se imponha a nós de maneira a mais luminosa possível.

c-Depois disso, examinemos rapidamente tudo o que se passou durante o dia. Lembre-se: estamos utilizando o pensamento abstrato, superando o trabalho lento do cérebro.

d-Em seguida, pelo choque ocasionado, importantes órgãos do Corpo Denso recebem vibrações elevadas graças às quais o caminho da liberação vai se desenhando.

e-Depois do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção – que não dura mais do que alguns instantes – elevemos ao abstrato.

f-Após algum tempo de execução, passaremos conscientemente ao estado do sono onde os Mundos espirituais nos esperam para continuarmos trabalhando!

Que as Rosas Floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Milagres de Ressuscitação ou Ressurreição?

S. Pedro não ressuscitou Dorcas[1], assim como Cristo não ressuscitou Lázaro[2] nem ninguém, o que aliás, Ele não pretendeu ter feito. Ele disse: “Lázaro não está morto: dorme[3].

Para que essa asserção possa ser bem compreendida devemos explicar o que se passa por ocasião da morte e em que essa difere da letargia, pois as pessoas acima mencionadas estavam nesse estado, na ocasião em que os supostos milagres foram executados.

Durante a vigília, enquanto nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) agimos conscientemente no Mundo Físico, nossos diversos veículos estão concêntricos: ocupam o mesmo espaço. Contudo, à noite, durante o sono, ocorre uma separação: nós, revestidos do nosso Corpo de Desejos e da nossa Mente, nos desligamos do nosso Corpo Denso e do Corpo Vital, que ficam sobre o leito. Os veículos superiores flutuam próximo e acima desses dois últimos. Estão ligados aos outros dois veículos superiores pelo Cordão Prateado, um fio estreito e brilhante com três segmentos, onde dois deles tem a forma semelhante a de dois números “seis” invertidos e do qual uma das extremidades está ligada ao Átomo-semente no coração e a outra no Átomo-semente do Corpo de Desejos, sendo que o ponto onde os dois “seis” se une, está ligado ao Átomo-semente do Corpo Vital.

No momento da morte, esse fio se desconecta do coração. As forças do Átomo-semente passam pelo nervo pneumogástrico ou vago, pelo terceiro ventrículo do cérebro, através da sutura entre os ossos parietal e occipital, subindo aos veículos superiores que estão fora, por intermédio do Cordão Prateado. O Corpo Vital também se separa do Corpo Denso com essa ruptura (aliás é essa a única ocasião em que se dá essa separação) e junta-se aos veículos superiores, que estão flutuando sobre o cadáver. Aí o Corpo Vital permanece cerca de três dias e meio. Depois desse tempo, os veículos superiores se desligam do Corpo Vital que começa a se desintegrar simultaneamente com o Corpo Denso, nos casos comuns.

No momento dessa última separação, o Cordão Prateado rompe-se pelo meio, no lugar da união dos dois seis, e nós, o Ego, nos encontramos livres de qualquer contato com o Mundo material (a Região Química do Mundo Físico).

Durante o sono, nós também nos retiramos do nosso Corpo Denso, mas o nosso Corpo Vital continua interpenetrando esse último, e o Cordão Prateado permanece inteiro e intacto.

Acontece, às vezes, que nós não tornamos a entrar no Corpo Denso pela manhã, para despertá-lo como de hábito, porém ficamos fora durante algum tempo que varia de caso para caso. Nesse caso, porém, o Cordão Prateado não se rompeu. Quando ocorre essa ruptura, não será possível nenhuma restauração. O Cristo e os Apóstolos eram Clarividentes: sabiam que não tinha havido ruptura nos casos mencionados, e daí a afirmação: “Ele não está morto, dorme”. Eles possuíam o poder de obrigar o Ego a entrar no seu Corpo Denso e de restaurar as condições normais.

Assim foram feitos os supostos milagres de ressuscitação ou ressurreição!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – julho/agosto/1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.R.: Ora, em Jope havia uma discípula, chamada Tabita, em grego Dorcas, notável pelas boas obras e esmolas que fazia. Aconteceu que naqueles dias ela caiu doente e morreu. Depois de a lavarem, puseram-na na sala superior. Como Lida está perto de Jope, os discípulos, sabendo que Pedro lá se encontrava, enviaram-lhe dois homens com este pedido: “Não te demores em vir ter conosco”. Pedro atendeu e veio com eles. Assim que chegou, levaram-no à sala superior, onde o cercaram todas as viúvas, chorando e mostrando túnicas e mantos, quantas coisas Dorcas lhes havia feito quando estava com elas. Pedro, mandando que todas saíssem, pôs-se de joelhos e orou. Voltando- se então para o corpo, disse: “Tabita, levanta-te!”. Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Este, dando-lhe a mão, fê-la erguer-se. E chamando os santos, especialmente as viúvas, apresentou-a viva. Espalhou-se a notícia por toda Jope, e muitos creram no Senhor. Pedro ficou em Jope por mais tempo, em casa de certo Simão, que era curtidor. (At 9:36-43)

[2] N.R.: Havia um doente, Lázaro, de Betânia, povoado de Maria e de sua irmã Marta. Maria era aquela que ungira o Senhor com bálsamo e lhe enxugara os pés com seus cabelos. Seu irmão Lázaro se achava doente. As duas irmãs mandaram, então, dizer a Cristo Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. A essa notícia, Cristo Jesus disse: “Essa doença não é mortal, mas para a glória de Deus, para que, por ela, seja glorificado o Filho de Deus”. Ora, Cristo Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro. Quando soube que este se achava doente, permaneceu ainda dois dias no lugar em que se encontrava; só depois, disse aos discípulos: “Vamos outra vez até a Judéia!”. Seus discípulos disseram-lhe: “Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar-te e vais outra vez para lá?”. Respondeu Cristo Jesus: “Não são doze as horas do dia? Se alguém caminha durante o dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; mas se alguém caminha à noite, tropeça, porque a luz não está nele”. “Disse isso e depois acrescentou: “Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo”. Os discípulos responderam: “Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar!”. Cristo Jesus, porém, falara de sua morte e eles julgaram que falasse do repouso do sono. Então Cristo Jesus lhes falou claramente: “Lázaro morreu. Por vossa causa, alegro-me de não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos para junto dele!”. Tomé, chamado Dídimo, disse então aos outros discípulos: “Vamos também nós, para morrermos com ele!”. Ao chegar, Cristo Jesus encontrou Lázaro já sepultado havia quatro dias. Betânia ficava perto de Jerusalém, a uns quinze estádios. Muitos judeus tinham vindo até Marta e Maria, para as consolar da perda do irmão. Quando Marta soube que Cristo Jesus chegara, saiu ao seu encontro; Maria, porém, continuava sentada, em casa. Então, disse Marta a Cristo Jesus: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas ainda agora sei que tudo o que pedires a Deus, ele te concederá”. Disse-lhe Cristo Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. “Sei, disse Marta, que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia!”. Disse-lhe Cristo Jesus: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.  “E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso?”. Disse ela: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo”. Tendo dito isso, afastou-se e chamou sua irmã Maria, dizendo baixinho: “O Senhor está aqui e te chama!”. Esta, ouvindo isso, ergueu-se logo e foi ao seu encontro. Cristo Jesus não entrara ainda no povoado, mas estava no lugar em que Marta o fora encontrar. Quando os judeus, que estavam na casa com Maria, consolando-a, viram-na levantar-se rapidamente e sair, acompanharam-na, julgando que fosse ao sepulcro para aí chorar. Chegando ao lugar onde Cristo Jesus estava, Maria, vendo-o, prostrou-se a seus pés e lhe disse: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. Quando Cristo Jesus a viu chorar e, também, os judeus que a acompanhavam, comoveu-se interiormente e ficou conturbado. E perguntou: “Onde o colocastes?”. Responderam-lhe: “Senhor, vem e vê!”. Cristo Jesus chorou. Diziam, então, os judeus: “Vede como ele o amava!”. Alguns deles disseram: “Esse, que abriu os olhos do cego, não poderia ter feito com que ele não morresse?”. Comoveu-se de novo Cristo Jesus e dirigiu-se ao sepulcro. Era uma gruta, com uma pedra sobreposta. Disse Cristo Jesus: “Retirai a pedra!”. Marta, a irmã do morto, disse-lhe: “Senhor, já cheira mal: é o quarto dia!”. Disse-lhe Cristo Jesus: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?”. Retiraram, então, a pedra. Cristo Jesus ergueu os olhos para o alto e disse: “Pai, dou-te graças porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves; mas digo isso por causa da multidão que me rodeia, para que creiam que me enviaste”. Tendo dito isso, gritou em alta voz: “Lázaro, vem para fora!”. O morto saiu, com os pés e mãos enfaixados e com o rosto recoberto com um sudário. Cristo Jesus lhes disse: “Desatai-o e deixai-o ir embora” (Jo 11:1-44)

[3] N.R.: Jo 11:11

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Você afirma que o Adepto é capaz de construir um novo Corpo, enquanto ocupa o antigo e então transferir sua consciência para o novo Corpo, evitando a necessidade de nascer. Por que Cristo, que é muito mais elevado em evolução do que um Adepto, não fez a mesma coisa?

Resposta. Nenhum Ego pode construir um Corpo de substância com a qual não tenha tido experiência na evolução. Cristo nunca teve experiência em construir Corpos em qualquer uma das Regiões abaixo do nível do Mundo do Desejo; portanto, Ele não pôde construir um Corpo Vital ou Denso e precisou da assistência de um Ego com experiência na construção desses Corpos inferiores, que os prepararia para Ele, a fim de usá-los no Seu ministério de três anos.

O Adepto, por outro lado, pertence à nossa Onda de Vida e teve experiência em construir todos os veículos inferiores. Ele é, portanto, capaz de construir um novo Corpo quando chega a certo estágio de Iniciação, no caso, Iniciação Maior ou Cristã.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – março /1926 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Corpo Vital e o Corpo-Alma

Nós somos um ser composto, possuindo sete veículos em diferentes estágios de desenvolvimento. Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental os designam da seguinte forma: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos, Mente, Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino. Um Tríplice Corpo e um Tríplice Espírito juntos, com um veículo Mente, que é o elo entre eles. Cada veículo serve como um trampolim para o próximo, que é superior.

O Corpo Denso é o nosso veículo mais bem organizado e o único no qual a maioria de nós pode funcionar conscientemente. Na verdade, a maioria das pessoas acredita que é o único Corpo que possui, pois é o único que consegue ver. No entanto, sempre tivemos pioneiros no caminho do progresso e temos hoje aqueles que se adiantaram e desenvolveram a consciência no Corpo Vital.

O desenvolvimento de cada veículo nosso avança simultaneamente, mas há períodos em que a ênfase é especialmente dada ao aperfeiçoamento de um determinado veículo. Em eras passadas, a última sob o regime de Jeová, o Legislador, o Corpo Denso foi levado ao seu atual estado de elevada organização. Para esse propósito a Lei Jeovística foi necessária. Com o advento de Cristo, porém, inaugurou-se uma nova Era cuja estrutura é o Altruísmo, e é a sua prática que desenvolverá a consciência no Corpo Vital e o levará a um elevado grau de evolução.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fornecem ênfase especial ao desenvolvimento do Corpo Vital. Seus Ensinamentos são formulados com esse objetivo em vista, pois reconhece que todo desenvolvimento oculto seja proporcional à organização e evolução desse veículo. O Corpo Denso é composto de materiais da Região Química do Mundo Físico, a saber: Sólidos, Líquidos e Gases. O Corpo Vital é composto de matérias da Região Etérica do Mundo Físico, a saber: Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso (ou de Luz) e Éter Refletor, substâncias físicas muito sutis. A ciência material admite a presença do Éter como meio para a transmissão da luz e da eletricidade. A ciência oculta sabe que existem quatro Éteres separados e distintos que são usados ​​na formação do Corpo Vital.

As forças que atuam através do Éter Químico do Corpo Vital atuam no Corpo Denso como agentes de assimilação e excreção. As que atuam através do Éter de Vida manifestam-se na propagação. A função desses dois Éteres, ditos como Éteres inferiores, é puramente física, sustentando o Corpo Denso e mantendo as espécies. As forças que atuam através do dois Éteres superiores, a saber: Éter de Luz, onde tornam possível a percepção sensorial, a dos sentidos físicos; e as que atuam através do Éter Refletor onde nos proporcionam a memória. À medida que esses dois Éteres tornam possível a percepção sensorial e a memória no Corpo Denso, veremos que, quando aperfeiçoarmos e organizarmos o Corpo Vital, eles se manifestarão também nele como percepção sensorial e memória; ou seja, como consciência.

Mas para tornar o Corpo Vital um veículo separado de consciência, enquanto ainda mantemos o Corpo Denso, é necessário separar os dois Éteres superiores dos dois Éteres inferiores. Os dois Éteres inferiores devem permanecer com o Corpo Denso para sustentá-lo; mas é possível retirar os dois Éteres superiores e usá-los como um veículo separado de consciência.

Para agarrar tal oportunidade e atingir esse objetivo, sem realizar o trabalho necessário para primeiro aumentar os dois Éteres superiores o suficiente para formar um veículo separado, algumas pessoas recorrem a exercícios respiratórios; mas eles são perigosos, pois tendem a retirar os quatro Éteres do Corpo ou desequilibrá-los. Isso pode resultar na morte, em algum grau de insanidade e/ou graves distúrbios físicos. O nosso desenvolvimento, tal como o crescimento de uma planta, não pode ser apressado sem frustrar o objetivo em vista. O verdadeiro desenvolvimento oculto é seguro e possível apenas quando acompanhado pelo desenvolvimento moral.

Hoje sabemos que a “Veste Dourada das Bodas” ou o “Traje Nupcial de Bodas” (que denominados de Corpo-Alma), ou Soma Psuchicon como chamou S. Paulo, mencionada por Cristo, é o Corpo Vital aperfeiçoado, que surge da separação entre os dois Éteres superiores dos dois Éteres inferiores. Sabemos também que a repetição é a base desse crescimento, porque nos foi ensinado a “orar sem cessar[1]. Somente na medida em que seguirmos os passos de Cristo nós construiremos o veículo no qual “O encontraremos nos ares[2], apressando Sua Segunda Vinda por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), sempre focado na divina essência que cada um de nós temos – que é a base da Fraternidade – para com o irmão e a irmã ao nosso lado, que edifica o Corpo Vital.

(Publicado na: Rays From The Rose Cross – fevereiro /1918 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: ITes 5:17

[2] N.T.: ITes 4:17

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Porque não Como Carne Animal

É sensato ou esquisito a pessoa que não come carne animal (mamífero, ave, peixe, réptil, anfíbio, frutos do mar e afins), não utiliza nenhuma peça que seja feita por partes de animais, nem utiliza nenhum produto que seja feito de partes de animais ou que utilizem animais como meio de testes?

Disse-me minha mãe que eu, quando criança, não queria comer carne animal. Pensava ela — e muitas pessoas há que assim julgam — que para crescer é necessário comer carne animal; por isso insistia em me dar, convencida de que eu acabaria por habituar-me a comê-la. Mas lá se vão cinquenta anos que sigo dieta isenta de toda espécie de carne animal.

Durante minha atividade de médico tenho dito aos meus clientes os motivos que me levam a lhes aconselhar um regime alimentar sem carne animal. Gosto sempre de fazer as coisas às claras.

Direi, por isso, por que sou vegetariano e julgo que vocês também devessem ser. Amo a vida e desejo viver o maior tempo possível com uma qualidade de vida aceitável. Os nossos dias são cheios de animação e acontecimentos extraordinários; eu gosto de saber o que mais nos espera no campo das descobertas. Já ultrapassei os setenta anos e dou graças a Deus por supor que os dias são curtos para tudo quanto eu desejo realizar. Desenvolvo, ainda e plenamente, a minha atividade e me sinto feliz quando posso lançar-me em outras ocupações, ainda que durante poucos minutos por dia.

Muitos dos meus pacientes que têm a minha idade já deixaram de trabalhar, mas eu não tenho desejo algum de me aposentar tão depressa. Prefiro passar os meus dias ajudando os doentes, muitos dos quais se aposentaram porque não conhecem o que tenho a felicidade de conhecer. E não quero esconder de qualquer pessoa esse meu conhecimento.

Tenho estudado durante muitos anos e observado demoradamente as doenças e suas causas. Estou convencido de que, se durante a minha vida eu me tivesse alimentado com carne, hoje estaria demasiado velho para exercer a minha profissão. Um médico deve ter a mente lúcida e uma reserva de energias, sempre.

Os alimentos com base na carne animal apressam a velhice e provocam cansaço. A idade, mais do que um fator do tempo, é uma condição do organismo. O processo do envelhecimento varia de povo para povo. Há pouco tempo fui chamado para ver dois doentes que tinham, cada um deles, os seus cinquenta anos. Ambos, embora com essa idade, já pareciam velhos e não mais estavam em condições de trabalhar. O fumo e as bebidas alcoólicas tinham feito a sua parte, mas a carne animal tampouco ficara indiferente.

As células do Corpo Denso são pequenas unidades. Cada uma delas se alimenta, eliminando os resíduos e respirando oxigênio. Quando qualquer coisa se intromete nesse processo, tanto as células como os órgãos se deterioram.

Se pudéssemos remover das células do nosso Corpo Denso todos os resíduos, dando-lhes alimento adequado, facilmente teríamos vida mais prolongada. Se, pelo contrário, a substância líquida que alimenta as células for sufocada pelos resíduos, então se encurtará a vida.

Muitas pessoas que têm de efetuar trabalhos pesados acreditam que para ter muita energia seja necessário comer bifes de carne animal. No entanto, os fatos demonstram o contrário.

Há anos, o Prof. Irving Fischer declarou que, por ocasião de uma competição desportiva entre os melhores atletas de Yale contra jovens amadores vegetarianos, estes revelaram-se mais resistentes do que os atletas que se alimentavam com carne.

Johnny Weissmuller, o Tarzan do cinema e campeão mundial de natação, foi convidado para a inauguração da nova piscina da Clínica de Battle Creek, hospital relacionado com “Vida e Saúde.”

Weissmuller tinha conseguido cinquenta e seis recordes mundiais, mas durante cinco anos não conseguira um único. Seguiu, então, durante várias semanas, um regime alimentar vegetariano e assim se encontrou em condições de superar outros seis recordes mundiais de natação.

O nadador vegetariano Murray Rose, australiano, campeão mundial e vencedor dos Jogos Olímpicos, é bastante conhecido pela alimentação que adota. Desde criança nunca comeu carne animal; não só é nadador rapidíssimo, mas também a sua habilidade demonstra que quem segue a dieta vegetariana tem resistência superior.

Contudo, por que isso acontece?

É que a carne animal contém resíduos que o animal teria que eliminar. Portanto, quem come carne animal sobrecarrega-se com os resíduos que ela contém. E quando eles atingem as células do Corpo Denso, provocam fadiga e envelhecimento. Os principais produtos residuais do Corpo Denso são a ureia e o ácido úrico. Quando a carne animal é fervida, seus resíduos dissolvem-se no caldo; os resultados da análise do caldo de carne animal são, por isso, semelhantes aos da urina. A sensação de energia que um bife de carne animal parece dar — maior do que a experimentada quando se bebe uma xícara de café — é determinada pelo ácido úrico. O ácido úrico, ou trioxipurina, é muito semelhante à cafeína ou dioxipurina, tanto no nome como no efeito. Para digerir a carne animal são necessárias muitas horas, pelo que, depois de certo tempo, quando a ação estimulante cessa, sente-se uma diminuição de energia.

Disse-me um lavrador que a alimentação para vacas, rica em proteínas, aumentaria a produção de leite, mas as enfraqueceria com prejuízo para a produção. Outro perigo que ameaça os que comem carne animal são as doenças dos animais, comuns também nos seres humanos.

Disse-me a minha secretária que na fábrica em que o marido trabalha verificou-se em um ano quatro casos de leucemia (câncer) entre 124 animais. Uma vaca morreu vinte e quatro horas depois que o veterinário diagnosticou a leucemia. Sugerira ele que levassem imediatamente o animal para o matadouro, mas não foi possível, porque morrera antes.

A maior parte das vacas que não mais produz leite são levadas para o mercado e, dali, por vezes para o matadouro. Disse-me a esposa do diretor de uma grande propriedade agrícola que um vitelo atacado por pneumonia foi vendido para o matadouro.

O Dr. Gordon H. Theilen, da Escola Veterinária da Califórnia, declarou: “Temos verificado que a leucemia ocorre com muita frequência nos animais de certas propriedades e se manifesta sob a forma infecciosa. A incidência da doença tem duplicado, conforme os dados dos matadouros, nos últimos dez anos. Fácil é para os inspetores dos matadouros identificar a doença clínica no seu estado mais manifesto; contudo, muito difícil é descobrir os estados iniciais da doença, quando não apresenta sintomas evidentes; por outro lado, é bastante difícil que se faça um exame de sangue dos animais, antes de serem abatidos. O rápido aumento da leucemia no gado é de interesse particular, desde que se recorde que o câncer do sangue ou leucemia é, presentemente, uma das principais causas da mortalidade infantil, nos Estados Unidos”.

As vacas com câncer em um olho são conservadas com vida até que estejam cegas dos dois olhos; então suas cabeças são cortadas e elas são vendidas como carne. Não se faz, porém, qualquer exame dos outros órgãos para verificar neles o efeito da doença. John Harvay Kellock disse, certa vez, sentado a uma mesa vegetariana: “É realmente bom comermos algo sobre o qual não temos de nos preocupar se tenha ou não morrido de uma doença complicada”.

Quando eu era estudante, foram-me dados dois tubos de ensaio para verificar em que condições se multiplicavam mais rapidamente as bactérias, que são a causa de doenças como tifo, pneumonia e peste. Mandou-me o professor verter em cada tubo um pouco de caldo de carne animal e, depois de os haver fechado hermeticamente, esterilizei. Após isso, introduzi nos tubos as perigosas bactérias. Os germes prosperaram rapidamente no caldo: é ele o meio ideal para sua reprodução!

Se tomarmos dois cães e alimentarmos um deles com água e o outro com caldo de carne animal, o que beber água viverá mais tempo, porque o caldo não contém alimento algum, porém unicamente resíduos urinários que envenenam.

Ah! E sobre não utilizar nenhuma peça que seja feita por partes de animais, nem utilizar nenhum produto que seja feito de partes de animais ou que utilizem animais como meio de testes? O motivo pelo qual não uso é o mesmo de não comer carne animal (que vai muito mais além da questão da saúde): os animais são meus irmãos menores, estão evoluindo em um nível de consciência muito próximo do meu, portanto, sou seu guardião. Não tenho o mínimo de direito em atrapalhar, interromper, fazer sofrer um irmão menor.

(Por um Doutor e Estudante Rosacruz, publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1964-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se o nosso trabalho também é regido por ciclos alternantes, os Corpos, logicamente, passam por modificações periódicas. Como, por exemplo, eram os nossos Corpos na Lemúria e na Atlântida?

Resposta: Na temperatura terrível da Lemúria, os nossos Corpos, originalmente cristalizados, estavam excessivamente quentes, para conter a umidade que permitisse a nós (o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) acesso a todas as partes daquele organismo elementar, tal como agimos, atualmente, por meio do sangue circulante no nosso Corpo Denso. Mais tarde, durante a primitiva Atlântida, verdadeiramente tivemos um sangue, já parecido com o que temos hoje. Movíamo-nos com dificuldade e teríamos o nosso Corpo secado rapidamente, sob o efeito da alta temperatura interna, não fosse à umidade abundante da atmosfera aquosa que, então, prevalecia. A inalação desta umidade diminuiu, gradualmente, o calor. O nosso Corpo Denso se adaptou, até ser retirado um grau de umidade suficiente para que fosse possível respirarmos na atmosfera relativamente seca que, mais tarde, sobreveio.

Os nossos Corpos enquanto éramos atlantes primitivos estavam compostos de uma substância granulosa e fibrosa, não muito diferente de nossos tendões atuais. Com o tempo, graças a uma dieta de carne animal – necessária para aquela Época –, o que permitiu que assimilássemos a albumina no nosso Corpo Denso, em quantidade suficiente para construir o necessário tecido elástico e formar os pulmões e artérias, o esqueleto e partes mais sólidas foram tomando forma no nosso Corpo Denso e, assim, facilitando a livre circulação do sangue em todo o Corpo. Quando estas mudanças aconteceram, interior e exteriormente, apareceu no firmamento, o grande e glorioso arco-íris. Esse evento assinalou o advento do Reinado do Homem e significa que as condições da nossa vida humana aqui se tornavam tão variadas, como os matizes em que se refratava, na atmosfera, a luz de uma só cor do Sol. E, assim, a primeira aparição do arco-íris nas nuvens assinalou o começo da Idade de Noé, com suas estações e ciclos alternantes.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1974 pela Fraternidade Rosacruz-SP)

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