A música contém, em sua expressão, toda a gama da evolução. Ela se levanta das névoas da antiguidade, desenvolve-se com as diversas épocas e revela um futuro de infinitas e gloriosas realizações. Vai ao fundo do ser humano desde o começo dele, e guarda, em suas mensagens esotéricas, a história da semente e do broto que germinam, do pecíolo, da folha e do botão que desabrocham e do aperfeiçoamento da maravilhosa flor.
Com a Humanidade ela alcança seu destino glorioso de espiritualidade, completamente desabrochada.
A música vivifica a parte mortal do cérebro e faz com que a Mente superior desça para tocar a mortal.
Ela verte, das alturas de onde se encontra, beleza, harmonia e glória em nossas vidas no mundo. É uma benção sublime que nos foi dada para que ouçamos, em suas harmonias, os segredos de nossa natureza divina, enquanto ainda somos mortais, para que vejamos as estrelas da glória futura, mesmo que ainda estejamos na escuridão da noite mortal, para que possamos, enquanto ainda só humanos, obter uma visão distante e vaga que seja, daquele estado superior, a meta de todos os seres, a glória, a magnificência e a realidade daquilo que está tão próximo de nós, uma parte de nosso próprio ser, embora escondido pelas limitações mortais. A música arranca esse véu e revela um pouco dessa glória.
O ser humano percebe isso até certo ponto e assim procura a música e ama as supremas qualidades de sua natureza, fundindo-a à sua própria alma!
(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross e publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1986-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Isso depende do que a pessoa que pergunta entende por ascetismo. Algumas pessoas no Oriente se jogam dentro de um barril de pregos e se mexem todo para mortificar a carne, ou se chicoteiam e se mutilam de várias maneiras para obter os poderes espirituais. Certamente, isso não está correto. Eles podem e, às vezes, se tornam clarividentes, mas esse percurso é tão repreensível e seus resultados tão transitórios quanto os efeitos obtidos pela bola de cristal, pelo hábito de drogas e por métodos similares.
Devemos compreender que esse Corpo Denso é o nosso instrumento mais valioso e, que é nosso dever lhe fornecer todos os devidos cuidados com esmero, para que, sob essas boas condições, possa ser conduzido à saúde e ao bem-estar. Nenhum poder obtido por maltratar nosso Corpo Denso será de natureza elevada e, portanto, não é duradouro e nem totalmente eficiente.
Porém, algumas pessoas entendem que ascetismo é “viver uma vida saudável e pura”. Desejam o poder espiritual sem sacrificar as tendências animais; eles desejam voar por entre as nuvens, livremente, embora outros chafurdem na lama para reivindicar a liberdade. Querem continuar ingerindo alimentos não saudáveis ou não se preocupar com o tipo de alimento que consomem, empanturrando-se de carne animal, de bebidas alcoólicas, de tabaco e até de drogas, satisfazendo suas paixões e desejos sensuais em todos os sentidos e, ao mesmo tempo, querem ter poderes espirituais.
Isso não pode ser possível. Nossos Corpos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos) e a Mente são nossas ferramentas. Um bom trabalhador aprecia o valor de boas ferramentas e as mantém nas melhores condições – afiadas e limpas. Quando nossos sentidos estão entorpecidos pelo consumo de bebidas alcoólicas e pelo tabaco e, às vezes, até de drogas, quando o nosso organismo é forçado a empregar toda a energia para digerir ou eliminar alimentos não saudáveis, dessa maneira, pode-se esperar que o ser humano seja um sensitivo? Não podemos servir a Deus e a Mamon; a escolha é nossa. Se queremos poderes espirituais, devemos pagar o preço levando uma vida realmente saudável; isto é, fornecer ao nosso corpo alimentos saudáveis e cumprir as regras vivendo de forma simples; nos abstendo de tudo que entorpece os sentidos — bebidas alcoólicas, tabaco e abusos similares. Se isso é chamado de “uma vida de ascetismo”, então o ascetismo é absolutamente necessário.
(Pergunta nº 138 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Quando vamos ponderar as qualidades mentais de uma pessoa, em um tema astrológico, a primeira coisa que devemos considerar é a posição de Mercúrio. Primeiramente, notemos em que Signo está ele colocado, depois a Casa e, finalmente, os Aspectos que mantém com os outros Astros.
Para não nos estendermos demasiadamente nesta explanação, remeteremos o caro leitor ao livro “Mensagem das Estrelas” para estudar e compreender os efeitos produzidos pelo Astro da razão, nos diferentes Signos do Zodíaco.
Lá encontrará, também, as qualidades básicas de Mercúrio nos doze Signos. Tais qualidades devem ser estudadas cuidadosamente pois do proveito desse estudo dependem os fundamentos em que basearemos depois nossas conclusões. O outro Astro a considerar, no estudo da razão ou mentalidade, é a Lua. Se há um bom Aspecto entre a Lua e Mercúrio, especialmente se esses dois Astros estão colocados nos ângulos do tema e em Signos que podem expressar suas melhores qualidades, podemos confiar que o paciente cooperará com o médico em sua cura.
Todavia, Mercúrio em Conjunção com Saturno proporciona a uma pessoa uma mentalidade obstinada, teimosa, lenta e propensa à melancolia. Mas, Mercúrio em Trígono ou Sextil com Saturno, proporciona a ela uma memória retentiva, uma Mente bem equilibrada possibilitando o desenvolvimento de boas qualidades de razoamento. Marte e Urano em Conjunção com Mercúrio, proporciona ao paciente uma mentalidade impressionável, sensitiva e emocional; também lhe proporciona tendências a ser um lunático, com pouco controle sobre a Mente. Mas, Marte e Urano em Sextil ou Trígono com Mercúrio, fornecerá a ela uma tendência à sensibilidade e à acuidade mental. Mercúrio ou a Lua em Aspecto adverso (Quadratura ou Oposição) à Netuno, proporciona a ela uma Mente inclinada às condições antinaturais e doentias; propenderá às manias e ao fanatismo na prática da Religião, da mediunidade, das bebidas alcoólicas e das drogas. Observe-se a Casa e o Signo em que estão colocados esses Astros, para conhecer o modo como tendem a se manifestar.
Sendo Netuno a oitava superior de Mercúrio, tem ele influência sobre a Mente superior. Netuno em Aspecto adverso com Urano ou com a Lua proporciona tendências para indesejáveis experiências de psiquismo. Afligido por Marte, especialmente em Conjunção com esse ígneo Planeta, o nativo se vê tentado a empregar amiúde o hipnotismo ou a magia negra sobre os demais, expondo-se, por si mesmo, a ser vítima dos que, faltos de quaisquer escrúpulos, usam essas horrendas práticas sobre os outros.
Quando as aflições mentais se verificam na oitava ou décima segunda Casa têm uma influência mais sutil do que em qualquer outra posição. As aflições ou Aspectos adversos ocorrentes na oitava Casa podem resultar à Mente tendências suicidas.
Desejamos imprimir firmemente na memória do leitor que nunca e por nenhuma razão baseie seu diagnóstico somente em um ou dois Aspectos, senão que deve julgar o horóscopo como um todo. Para ilustrar o perigo em que pode se incorrer pelo exame superficial, tomemos o tema de um homem com Mercúrio em Capricórnio e na sexta Casa, formando um só Aspecto, que era uma débil Quadratura com Netuno. Julgando o horóscopo à ligeira se poderia dizer que o nativo tem a tendência a ter uma mentalidade obtusa. No entanto, quando criança foi o primeiro aluno de sua classe. Em matemática e ortografia era verdadeiramente notável. Já homem, ocupou postos relevantes em suas posições e profissão, sendo depois um diretor de uma empresa que exigia muita habilidade executiva e aguda mentalidade. Para esclarecer isso passemos ao que indicavam os outros Astros de seu tema: tinha sete Astros em Signos de Ar, cinco Astros em Signos mentais, a Lua e Netuno com Aspectos benéficos entre si e nos ângulos, o Sol e a Lua em Signos Fixos. Ao resumir o horóscopo pode-se ver claramente por que tal pessoa alcançou tão elevada posição num trabalho mental, apesar de um débil Mercúrio.
Assim, pois, cremos necessário que o leitor tenha sempre em mira, sem esquecer jamais, o conjunto do tema astrológico – o horóscopo –, empregando bem o raciocínio antes de emitir juízo sobre um horóscopo, quer se trate de qualidades mentais, quer de morais, espirituais ou físicas.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1972 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, promulgados pela Fraternidade Rosacruz, são dirigidos especialmente àqueles que não aceitam o Cristo exclusivamente pela fé. Tais pessoas, amadurecidas, mas caracteristicamente intelectuais, correm o risco de perigosamente se enlearem nas teias retardadoras do materialismo. Por meio de uma explicação lógica e profunda do Cristianismo – somente propiciada pelo Cristianismo Esotérico – poderão, uma vez satisfeita a Mente, atender aos reclamos do Coração.
O embasamento do nosso crescimento anímico não poderá ser unilateral, pois caso contrário “haverá fome em alguma parte” do nosso ser. A segurança do nosso desenvolvimento depende de um método equilibrado e equilibrador. Tal equilíbrio compreende o desenvolvimento paralelo de nossas naturezas ocultista e mística, isto é, no cultivo da razão (simbolizada pela lamparina) e do sentimento (simbolizado pelo coração). Daí resultará um corpo são e melhor serviço à humanidade. Segundo Platão, devemos ser “sábios, santos e atletas”. E o lema Rosacruz o parafraseia: “Mente pura, Coração nobre, Corpo São”.
Com o propósito de realizar essas duas finalidades, a Fraternidade Rosacruz promove a publicação de artigos, de materiais, dos textos dos Rituais, de vídeos fiéis aos Ensinamentos Rosacruzes, de livros da biblioteca Rosacruz, a execução de Reuniões de Estudos, Palestras, Oficinas e Seminários e a promoção de Cursos que ajudam a orientar, a percorrer, a avançar nos graus e a se aprofundar no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Isso tem maior importância do que podemos imaginar. Se realmente levamos a sério nosso ideal, na medida do possível devemos estudar esse material, fazer os Cursos, participar dos eventos e ajudar naquilo que mais se precisa em cada caso por meio de um Centro Rosacruz.
Quando de palestras ou eventos que durem, no máximo duas horas, procedemos de uma de duas maneiras: a primeira, em palestra ou evento o terminamos com o ofício do Ritual Devocional de Serviço próprio do dia. A segunda maneira, antecedendo a palestra ou o evento, começamos a oficiar o Ritual Devocional de Serviço próprio do dia até após o momento da Concentração; ao terminá-la fazemos a palestra ou o evento e depois terminamos o ofício com as partes próprias de cada Ritual Devocional de Serviço. A repetição das mesmas palavras ritualísticas a cada encontro grava em nosso íntimo preceitos básicos para nossa formação Cristã-esotérica. Essa, devidamente sedimentada e sinceramente expressa em obras na vida diária, constrói o “templo sem ruído de martelos”.
Cultivar os dois polos de nossa divindade interna é condição essencial para um crescimento harmonioso. O potencial equilibrado desses dois polos é que nos tornará, gradativamente, uma “usina de força”, uma fonte de luz. Deus é Luz. Somos feitos a imagem e semelhança d’Ele. Essa Luz encontra-se em toda parte, principalmente em nós. Como manifestá-la? Por meio do despertamento dos divinos atributos latentes em nós, objetivo maior do método Rosacruz de desenvolvimento.
Devorar ansiosamente os livros, correr de palestra em palestra, de evento em evento atrás de novidades intelectuais, percorrer diletantemente várias escolas filosóficas, vários movimentos cristãos ou não, ao mesmo tempo, não conduz a nenhum resultado positivo. O intelectual é presa fácil da vaidade e do personalismo. Igualmente, o místico, por falta de discernimento, pode ser enganado nas suas experiências internas, confundindo os meros reflexos de seu subconsciente com os raios da intuição, essa sim originária do Espírito de Vida.
As razões apresentadas justificam, sobejamente, a natureza equilibradora do método Rosacruz, conduzindo o Aspirante à vida superior com segurança pelo, geralmente íngreme, caminho da realização espiritual. Daí a simbologia maravilhosa da lamparina e do Coração.
(Gilberto A V Silos – Editorial da Revista Serviço Rosacruz de março/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Há, como sabemos, quatro Reinos diferentes sobre a Terra atualmente: o Reino Mineral, o Reino Vegetal (as plantas), o Reino Animal e o Reino Humano. Os Espíritos dessas quatro Ondas de Vida estão evoluindo sob a orientação e com o auxílio de outras Hierarquias Criadoras invisíveis aos nossos olhos físicos.
Os Senhores da Mente formam o Corpo deles mais denso com a matéria mental da Região do Pensamento Concreto. Eles são peritos em trabalhar com esse material e, portanto, influenciam a humanidade, que possui uma Mente.
Os Arcanjos formam o Corpo deles mais denso com a matéria de desejos. Eles são peritos na manipulação dessa substância e, portanto, estão especialmente aptos a ajudar seres menos evoluídos que possuam veículos feitos deste material. Por essa razão, eles trabalham com o Reino Animal e com o Reino Humano, que possuem Corpos de Desejos.
Os Anjos formam o Corpo mais denso deles de Éter, portanto, eles são peritos no manejo desse tipo de substância e estão, notavelmente, capacitados a ajudar aqueles que não sejam tão aptos. Por essa razão, eles exercem grande influência sobre o Reino Vegetal, o Reino Animal e o Reino Humano, os quais possuem Corpos Vitais feitos de Éter.
Os seres humanos – nós – criam o Corpo deles mais denso dos elementos químicos e minerais da Terra, e as eras de experiências acumuladas os tornaram aptos, até certo ponto, a trabalhar com seres que possuem corpos formados por elementos químicos e minerais da Terra, tais como o Reino Vegetal, o Reino Animal e o Reino Humano.
Todavia, deveríamos recordar que nossa evolução na Terra está apenas a meio caminho, e que ainda não atingimos cinquenta por cento da proficiência nesse trabalho e que será totalmente nosso quando essa parte da nossa evolução estiver concluída. Num passado bem remoto, antes que os nossos olhos fossem abertos, tínhamos a visão interior, com a energia criadora voltada para dentro, para a formação dos órgãos, da mesma forma que o nosso talento, agora, é usado externamente para a construção de aeronaves, pontes, casas, barcos, etc. Usamos os Corpos minerais dos animais mortos na produção de sapatos de couro, bolas de bilhar, alimentos e vestimentas, mas como só podemos trabalhar com esses elementos aparentemente mortos, nossa manipulação envolve um processo de destruição. Destruímos a integridade do mineral para extrair o ouro, a prata, o cobre ou qualquer outra parte que nos pareça valiosa. Destruímos as árvores nas florestas para construir portas, casas, etc. Matamos os animais para transformá-los em alimentos, roupas, cosméticos, brinquedos e muitas outras coisas.
O mesmo não acontece com os Anjos ou com as outras Hierarquias Criadoras. Eles lidam com a vida de uma maneira construtiva.
Os Arcanjos habitam o Sol, e os Anjos localizam-se nas Luas do Sistema Solar. É sabido que as plantas amam o Sol, pois estão no segundo Período de evolução delas, que começou no Período Solar. Devido a constituição atual delas, não suportam as intensas vibrações dos Arcanjos, que são vibrações áridas e abrasadoras, semelhantes aos Corpos de Desejos nos quais os Arcanjos vivem. As plantas necessitam, além da luz do Sol, da água, regida pela Lua, e são os raios brandos da Lua que proporcionam o agente fertilizante, fazendo crescer tudo que vive. Portanto, as sementes plantadas no período da Lua Nova à Lua Cheia, isto é, quando a Lua está aumentando sua luminosidade, desenvolvem-se mais para cima da Terra do que as sementes plantadas quando a Lua está escura ou diminuindo a luminosidade, isto é, da Lua Cheia para a Lua Nova. Ao contrário, as sementes plantadas no período em que o brilho da Lua vai diminuindo, crescerão mais debaixo da terra do que na superfície.
Há também certos Signos que são mais favoráveis que outros no crescimento das plantas, devido a terem certas afinidades com as vibrações lunares. Os Signos de Água – Câncer, Escorpião e Peixes – são frutíferos por essa razão, e as sementes plantadas enquanto a Lua, a rainha da água, passa por um desses Signos, produzirão melhores resultados do que quando a Lua estiver passando por um dos Signos de Fogo, Áries, Leão e Sagitário. Esses são Signos solares e podem consumir a centelha vital existente nas sementes. Muito mais poderia ser dito sobre este assunto, mas o que foi exposto, provavelmente, respondeu as informações requeridas.
(Pergunta nº 108 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Os Pensamentos-formas diminuem em poder, na proporção da distância percorrida por eles. A distância percorrida e a persistência que os tornam efetivos dependem da força, da exatidão e da clareza do pensamento original.
De maneira geral, os Pensamentos-formas podem ser agrupados em três classes específicas:
1) Um Pensamento-forma pode ter o aspecto do pensador. Isso frequentemente acontece. Uma pessoa pode desejar intensamente estar em um determinado lugar e, como resultado, o pensamento adquire forma e viaja para aquele lugar determinado. Muitos clarividentes inexperientes viram tais Pensamentos-formas de amigos ou parentes e, não conhecendo a natureza do que viram, ficaram muito perturbados por eles. O clarividente treinado reconhece-os imediatamente;
2) O Pensamento-forma que adquire a forma de algum objeto material. Por exemplo, uma pessoa pode pensar em um livro predileto e imediatamente aquele livro, quando ela o invoca, aparece na sua aura como o Pensamento-forma de um livro. Pode ser também uma flor predileta, ou mesmo um amigo. O arquiteto constrói um Pensamento-forma da casa que deseja construir; o artista constrói um Pensamento-forma do quadro que deseja pintar; o escritor constrói Pensamentos-formas dos personagens, do cenário, etc., que ele deseja usar em seu livro. Lembremos que é a vontade do indivíduo que origina Pensamentos-formas, e estes têm uma certa quantidade de vontade incorporada neles. Frequentemente, depois que são criados, eles procuram manter-se dentro da consciência do pensador, a ponto de se tornarem, muitas vezes, indesejáveis, especialmente se o pensador mudou sua ideia a respeito do assunto que eles representam. A única maneira de libertarmo-nos de tais pensamentos desagradáveis é por meio da indiferença. Se tentarmos lutar contra eles, a força adicional desprendida irá mantê-los vivos e irá trazê-los à Mente com mais frequência;
3) Os pensamentos que adquirem uma forma totalmente própria expressando sua natureza inerente. Pensamentos-formas de ódio adquirem formas ameaçadoras horríveis; a raiva forma figuras pontudas e afiadas; a avareza e a inveja formam massas iguais a ganchos que se projetam como para agarrar o objeto desejado e puxá-lo para si. O amor manifesta-se como nuvens rosadas; a devoção, como lindos objetos graduando o azul-claro até ao branco; a oração cria a forma de um funil voltado para cima, para o espaço. Todos esses Pensamentos-formas parecem estar cheios de vida e vibram em um grau intensamente elevado. Naturalmente, todos têm cor e som.
Os Pensamentos-formas dirigidos para um indivíduo produzem um resultado muito interessante. Ou eles encontram entrada na aura do indivíduo, ou ricocheteiam da aura daquela pessoa e retornam ao remetente. Todo Pensamento-forma carrega um determinado grau de vibração, e só pode afetar o indivíduo que tenha uma vibração semelhante.
Se um Pensamento-forma é gerado por um motivo mal e é enviado a uma determinada pessoa, se não existir nenhuma vibração semelhante dentro da aura dessa pessoa, ele não pode, de maneira alguma, afetar sua aura. Consequentemente, ele retorna ao seu criador, ricocheteando com a mesma força com que foi enviado. Todos os impactos externos alcançam o Ego através do Corpo Vital, cujos dois Éteres superiores, o Luminoso e o Refletor, formam o Corpo-Alma. É este veículo que repele todos os maus pensamentos, contanto que esteja suficientemente organizado, pois ele age como um bumerangue, isto é, reverte para aquele que enviou o mau pensamento, o mesmo mal que desejou provocar na pessoa alvejada. Se os frequentadores de certos ambientes que são alimentados por pensamentos e/ou desejos inferiores pudessem ver o enxame de maus Pensamentos-formas arremessando-se de um lado para outro, e ouvir os tons barulhentos, sensuais, insinuantes, emitidos por eles, abandonariam tais lugares tão rapidamente como sairiam de um hospital ou de um edifício infectado por doenças transmissíveis pelo ar. Esses lugares devem ser evitados, pois essas vibrações pervertidas só servem para instigar o mal e fortalecê-lo.
(Leia mais no Livro A Escala Musical e o Esquema de Evolução – Fraternidade Rosacruz)
Segundo a Filosofia Rosacruz, aquilo a que vulgarmente chamamos nascimento é tão só o nascimento do Corpo Denso, visto que, por ter já atrás de si uma longa evolução, chega mais depressa ao termo do seu desenvolvimento, e a um elevado grau de eficiência, que os restantes veículos. Sendo esses de formação mais recente, tardam em atingir o seu estágio de maturidade. Em cada período setenário de vida pós-natal, nasce um dos corpos sutis, começando pelo Corpo Vital, cuja organização se completa por volta dos 7 anos de idade. Seguem-se, depois, o Corpo de Desejos – por volta dos 14 anos – e o veículo Mente que só completam em torno dos 21 anos, quando entramos na nossa fase adulta. Do conhecimento desta maravilhosa Filosofia Rosacruz podemos extrair importantes ensinamentos para a formação de um Corpo são e harmonioso e de uma equilibrada Personalidade (que se compõe do Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos).
O Corpo Denso apresenta-se, na infância, bastante plástico e moldável, em razão dos materiais ainda serem novos e de os Corpos Vital e de Desejos se encontrarem em formação, de cuja luta resultará, mais tarde, como consequência, o endurecimento dos tecidos. Certamente, esta luta (em que a Mente e o Corpo de Desejos nos obrigam a um desgaste permanente de energias e vitalidade, enquanto a função do Corpo Vital é a reconstrução dos tecidos e restauração das forças mantenedoras da vida) não é a única causa de envelhecimento e depauperação do Corpo Denso, mas não duvidamos que seja a mais importante. Ao conseguirmos o domínio dos nossos veículos sutis conservaremos até muito tarde a nossa juventude, porque nos traz, necessariamente, grande economia de vitalidade. Esse é um problema do conhecimento comum.
Sendo, pois, o Corpo Denso bastante flexível, por não estar ainda concluído o processo da ossificação, e as cartilagens e articulações se apresentarem ainda muito brandas, permite-nos em larga medida corrigir ou atenuar certas deformações inatas ou adquiridas na primeira infância (até aos 3 anos), dependendo o grau de correção do defeito e dos métodos ortopédicos ou cirúrgicos empregados. A ginástica desempenha aqui um papel a não ser desprezado.
De igual modo podemos operar sobre os Corpos invisíveis aos olhos físicos (aqui nomeados Corpo Vital, Corpo de Desejos e o veículo Mente) se bem que menos facilmente, porquanto a matéria de que são construídos é mais evanescente, menos estável. Se for certo que a constituição física e o caráter que trazemos ao nascer são pouco suscetíveis de profundas alterações, por serem o resultado, a primeira muito (mas não tudo) da hereditariedade, e a segunda da quintessência das nossas vidas passadas, no entanto, muito se pode fazer no sentido do delineamento das fundações que hão de formar as bases vivenciais da nossa nova existência humana aqui renascida.
Na infância todas as forças que agem pelo polo positivo dos Éteres do Corpo Vital estão latentes e inativas; as suas funções realizam-se pelo Corpo Vital “macrocósmico”, que pelos seus Éteres atua durante esse tempo como matriz no amadurecimento do Corpo Vital da criança.
Esse Corpo Vital macrocósmico, de grande sabedoria, orienta a criança no crescimento do seu Corpo e a protege dos perigos a que mais tarde será exposta, quando o seu incipiente veículo for capaz de realizar, sozinho, sua obra.
Contrariamente, as forças que agem pelo polo negativo dos Éteres do Corpo Vital estão extraordinariamente ativas nos primeiros anos. Entre essas funções, mencionaremos especialmente a percepção sensorial, muito aguda, devido às forças que operam pelo polo negativo do Éter Luminoso. Daí que a criança se manifeste muito impressionável: “é toda olhos e ouvidos”. Desta característica resulta a sua notável capacidade de imitação, única via utilizada na aprendizagem, porquanto a Mente se encontra ainda impossibilitada de elaborar pensamentos originais. Mostra viva emoção a mais ligeira contrariedade ou incitamento, mas de duração momentânea. Os seus Corpos sutis acham-se em intenso labor e, por isso, tudo é célere e superficial. Passa repentinamente do choro ao riso, do amuo ao contentamento, “esquecendo” no minuto seguinte tudo quanta sofrera ou gozara antes. Dizemos: “esquecera”, mas não é rigorosamente verdade. Todas as suas experiências boas ou más, agradáveis ou dolorosas, não só deixam impressas no Átomo-semente do Corpo Denso, localizado junto ao ápice do ventrículo esquerdo do coração, as “marcas” que mais tarde formarão parte do panorama da sua vida post-mortem, como ainda se imprimem nos átomos do polo negativo do Éter Refletor, constituindo aquilo a que chamamos “Mente ou memória subconsciente”.
Essas mudanças repentinas são próprias da criança, e constituem uma excelente defesa do Ego e da sua Personalidade em formação, pois os seus estados psíquicos, não sendo duradouros, roçam apenas a superfície do ser, deixando geralmente impressões pouco nítidas e profundas. É sempre motivo de cuidados quando se verifica certa permanência de estados nesta idade (Essas mudanças repentinas são próprias da criança, mas os pais ou responsáveis devem estar atentos tanto para casos de permanência (não oscilação) como excesso e intensidade das oscilações). Denota uma precoce cristalização de movimentos anímicos, que ocasionará seguramente desequilíbrios do caráter pela formação de nódulos e, que, em consequência disso, parecem ser causas ou gênese de muitas neuroses.
Sempre que uma criança não seja toda expansão, vivacidade, plena de movimentos físicos e anímicos, apresentando sintomas de indolência, é uma criança doente. Há que tratá-la com todo o zelo, procurando o mal que a estiola a qual, geralmente, se encontra nos defeituosos métodos educativos. Devemos observar-lhe o funcionamento das Glândulas Endócrinas, da alimentação, do metabolismo basal, das funções de excreção, integrá-las em uma vida ao ar livre para se retemperar, e, sobretudo, consultar um profissional da saúde competente e que uma parte espiritual Cristã cultivada, porque a desarmonia funcional pode não residir no Corpo Denso, mas nos veículos sutis.
Os pais ou responsáveis não devem, nunca, esquecer-se de que a sua função primordial é imprimir a vivência da criança a mais conveniente orientação, de harmonia com as suas melhores tendências e características genotípicas, e segundo adequados métodos da moderna psicopedagogia. Toda a limitação ou restrição da atividade infantil é perniciosa: o que importa não é contrariar a natureza, mas favorecer o que nela há de bom e de belo.
Ouvimos frequentemente perguntar por que é que os chamados meninos ou meninas “prodígios”, ou precoces, quando adultos manifestam, em geral, uma mentalidade abaixo da normal. Quase sempre o fato provém de uma educação errada. Os pais ou responsáveis, no desejo egoísta de ver os seus filhos “brilharem” e sobreporem-se as outras crianças da sua idade, forçam-nos a seguir cursos ou estudos próprios para adultos. Daí o enorme desgaste nervoso e mental de um corpo que não possui reservas suficientes, e de cujo esforço se ressentirá para vida afora. Há como que um “ingurgitamento” mental, uma indigestão ou embotamento intelectual, causado pela saturação. Estas crianças devem ser entregues ao seu natural pendor, no que se refere à aprendizagem, sem apressar a aquisição do conhecimento. Forçar o desenvolvimento mental é fazer-lhes perder o equilíbrio, ainda pouco estável.
Todavia, há um fato contra o qual os pais ou responsáveis devem estar prevenidos: à medida que avançamos na evolução e nos aproximamos de uma nova Era, a Era de Aquário, a precocidade e a perfeição, tanto no aspecto físico como no intelectual, vão-se tornando mais frequentes. Aqueles dos nossos leitores que estão familiarizados com a Filosofia Rosacruz compreenderão facilmente a razão disto. A Era de Aquário, em cuja Órbita de Influência já entramos, será caracterizada pelo desabrochar de faculdades extraordinárias, psíquicas e mentais, predominando a intuição, a fraternidade, a compaixão, o amor altruísta. A Clarividência se tornará um estado de visão normal, cujas consequências para a medicina e cirurgia, e para a investigação científica, em geral, será o de uma repercussão incalculável.
Relativamente à Clarividência, e dentro do tema que nos ocupa, desejamos fazer uma ligeira referência. O assunto foi, não obstante, mais de uma vez versado pelo excelso fundador da Fraternidade Rosacruz, Max Heindel, em alguns dos seus trabalhos.
A embriologia e a psicologia genética afirmam que o ser humano, desde a sua concepção até o estado adulto, reproduz sumariamente, em linhas gerais, todas as grandes fases evolutivas por que passou a humanidade desde os tempos mais recuados até ao ser humano atual. Neste ponto, a ciência concorda com a nossa Filosofia Rosacruz.
Na Época Lemúrica, o ser humano era altamente espiritual, um mago, e reconhecia-se com o um descendente dos deuses. Dotado de inocência imaculada, pura de intenção, possuía uma percepção interna que lhe proporcionava uma visão dos Mundos suprafísicos. Analogamente, a criança, nos primeiros anos, recapitula uma fase correspondente a essa Época: dotada de pura inocência, e em virtude de serem muito ativas, as forças que atuam pelo polo negativo do Éter Refletor, pode “ver” os habitantes do Mundo do Desejo ou mesmo da Região Etérica do Mundo Físico, com as quais mantem frequentes conversações, chegando até a elegê-los para companheiros de brincadeiras. Na sua simplicidade, a criança, não raro, fala “dessas coisas”, mas os adultos, na sua ignorância, castigam-na ou proíbem-na de dizer “tolices”. Ela, vendo-se ridicularizada ou ofendida, retrai-se, guarda silêncio e cala-se. É verdadeiramente deplorável a atitude a primeira causa da introversão em muitas crianças, e da sua perda de confiança nos genitores.
A educação científica – e hoje não se pode educar conscientemente uma criança de outra forma – exige dos pais, responsáveis e educadores um conhecimento suficiente da psicologia genética e evolutiva e da pedagogia, a fim de estimular a floração de uma Personalidade integral. E seria ideal se possuíssem o discernimento necessário para visualizar a sua progressiva estruturação à luz de um espírito clarividente, pois que a educação da nova Era, a Era de Aquário, cuidará mais dos Corpos sutis (principalmente do Corpo Vital) que do Corpo Denso.
Quando a criança nasce, os órgãos físicos estão já formados, mas durante os primeiros sete anos determinam-se as linhas de crescimento. Se elas não se definem bem durante esse período, a criança que nasceu robusta pode converter-se em um ser débil e enfermiço. Na determinação dessas linhas de força, seremos muito ajudados pela Astrologia Rosacruz. Se se levantar o horóscopo do bebê logo após o nascimento, se possuirá um útil instrumento de informação. Mas, pelo seu caráter reservado, este trabalho deve ser executado pelos pais ou responsáveis. Lembremos aqui que a Fraternidade Rosacruz fornece, de graça, Cursos de Astrologia Rosacruz para o Estudante Regular Rosacruz.
Segundo Max Heindel, o pai, a mãe ou o responsável ideal deve ser, também, um Astrólogo Rosacruz. Se, todavia, os pais ou responsáveis desconhecem a Astrologia Rosacruz – e é este o caso – em circunstância alguma devem consultar um astrólogo profissional, daqueles que prostituem, por dinheiro, essa divina ciência. O tema natal astrológico permite diagnosticar, com bastante exatidão, os pontos fortes e as debilidades de caráter e temperamento, e prognosticar o futuro da criança, ainda que conjenturalmente, pois os Astros (Signos, Sol, Lua e Planetas) apenas assinalam as tendências, às vezes bastante poderosas, e não um destino inexorável, porquanto acima de todas as tendências, instintos e hábitos paira a força de vontade e o livre arbítrio, que deverão ser sempre cultivadas. Com esse conhecimento, os pais ou responsáveis se encontram em melhores condições de escolher os métodos educativos mais apropriados ao fortalecimento e desenvolvimento das boas qualidades, que deverão opor-se ou neutralizar as tendências adversas reveladas no tema natal, antes destas se transformarem em realidades. Só assim podem, efetiva e conscientemente, ajudar seus filhos a vencer, em certa medida, os seus defeitos congênitos e construir um bom destino, corrigindo-o se for necessário.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1972 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O valor é uma das nossas emoções ou qualidades mais construtivas; ele engendra a esperança e a fortaleza interna.
Qual é o valor? Sendo uma qualidade do Coração e da Mente, ele nos permite arrostar com firmeza as mais ásperas dificuldades. Permite manejar situações ou condições que exigem dos nossos recursos internos em menor ou maior grau de intensidade.
Essa característica positiva forma uma aura brilhante, capaz de repelir pequenas moléstias de tal maneira que não afeta profundamente as emoções, enquanto as experiências mais significativas são enfrentadas inteligentemente, após examinadas todas as facetas da questão. Tal atitude atrai pessoas não dotadas dessa mesma disposição, cujos temores conduzem-nas a situações desagradáveis. Os fortes são como magnetos: atraem os mais débeis (os temerosos).
Aos Estudantes Rosacruzes convém envidar esforços no sentido de compreender essa característica que repele o medo.
“O Senhor é minha luz e salvação: de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza de minha vida: quem me atemorizará?” (Sl 27:1). Iahweh (Jeová, Javé, o Senhor) usou o temor para ensinar a existência de Deus a certa parte de nós, quando renascimentos naqueles tempos. Até então nós orávamos a vários deuses, temendo ofender a qualquer um deles. Mas, como haviam chegado a uma determinada etapa do nosso desenvolvimento, outro passo adiante foi planejado pelas Hierarquias Criadoras. Se nós, enquanto renascidos naquele tempo, obedecêssemos a essa nova Lei seríamos recompensados com riquezas, prole numerosa, terras ou gado. Nós obedecíamos para evitar a punição de um Deus vingativo.
Há mais de dois mil anos surgiu uma Lei superior prescrevendo a que “nos amássemos uns aos outros”. A Lei Jeovística nos condicionou a depender de um poder externo para preservar nossos costumes e nosso bem-estar. O ideal do Cristo, porém, prevê o desenvolvimento de uma qualidade interna, até agora raramente empregada pela grande maioria de nós.
Somos partes de Deus. Assim, temos potencialmente todos os poderes do nosso Criador, Deus. Cada passo em nossas experiências nos ensina um novo ideal e nos faz florescer certas qualidades já inerentes a Ele.
São Paulo nos ensinou: “porque Deus não nos deu o espírito do temor, mas o de fortaleza, de amor e equilíbrio.” (IITm 1:1). E São João evangelista, na sua Primeira Epístola nos ensinou: “E no amor não há temor; mas o perfeito amor elimina o temor: porque o temor tem pena. Por isso, o que teme não está perfeito no amor.” (IJo 4:18).
A vida sem problemas é uma impossibilidade, pelo menos agora, porque como seres espirituais criadores não somos perfeitos. Consequentemente, temos que aceitar experiências e aprender a viver com valor. Essas experiências constituem oportunidades de aprender e adquirir sabedoria. É esse o valor da nossa vida após vida aqui, até aprendermos tudo e não precisarmos ficar preso a essa “roda de nascimentos e mortes”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
“Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, na realeza e na perseverança em Jesus, encontrava-me na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do Testemunho de Jesus. No dia do Senhor fui movido pelo Espírito, e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, ordenando: ‘Escreve o que vês, num livro, e envia-o às sete Igrejas: a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia’. Voltei-me para ver a voz que me falava; ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro e, no meio dos candelabros, alguém semelhante a um filho de Homem, vestido com uma túnica longa e cingido à altura do peito com um cinto de ouro. Os cabelos de sua cabeça eram brancos como lã branca, como neve; e seus olhos pareciam uma chama de fogo. Os pés tinham o aspecto do bronze quando está incandescente no forno, e sua voz era como o estrondo de águas torrenciais. Na mão direita ele tinha sete estrelas, e de sua boca saía uma espada afiada, com dois gumes. Sua face era como o sol, quando brilha com todo seu esplendor.” (Ap 1:9-16).
Quando São João diz que “estava numa ilha chamada Patmos” nos dá a chave da natureza das suas visões, porque a palavra “Patmos” significa iluminação. Nos tempos anteriores a Cristo a expressão “ilha de Patmos” era usada como referência à Iniciação. Por meio do progresso iniciatório “o amado Discípulo” estava apto para, “em Espírito” ou no estado de consciência requerido, ver nos planos elevados e lá funcionar em corpos invisíveis.
Estudando o Livro da Revelação vemos que ele foi escrito dentro do místico número sete e isso constitui um de seus aspectos fundamentais. Assim: São João teve sete visões nas quais recebeu as mensagens para as sete igrejas. Existem sete Anjos ante o trono, tendo sete lâmpadas de fogo e sete trombetas. Há sete castiçais, os sete selos do “livro” e os sete trovões. O significado do uso desse número pode ser compreendido pelos ensinamentos da ciência oculta que nos revela a natureza setenária do ser humano: um Tríplice Espírito, um Tríplice Corpo ligados uns aos outros pela Mente. No Corpo Vital do indivíduo existem sete centros espirituais, os quais quando despertos e desenvolvidos expressam os poderes espirituais do Espírito interno.
Por ser o ser humano um Todo setenário e, seguindo o Axioma Hermético de que “como em cima, é embaixo”, a mensagem de São João é particularmente dirigida (podemos supor que aquela mensagem que deve ser escrita no “livro” por São João) e enviada às sete Igrejas, contém informações a respeito desse Todo que o compõe e seu campo de evolução que também é setenário. Em outras palavras, as sete igrejas são uma forma simbólica de expressão que se refere aos sete centros no ser humano os quais devem ser dinamizados no processo de desenvolvimento espiritual, cada centro relacionado com um dos sete Mundos que compõem sua evolução (para os Estudantes Rosacruzes que quiserem se aprofundar mais no assunto sobre os centros corporais e sua relação com os Mundos que compõem sugerimos o estudo do livro “O Mistério das Glândulas Endócrinas” da Fraternidade Rosacruz). Todo ser humano, sendo um Deus em formação, eventualmente obterá o destino da Divindade.
A descrição dada por aquele que fala a São João com “uma grande voz, como uma trombeta“, sugere um Poderoso Ser da onda de vida Arcangélica. A tremenda vibração emanada de tal Ser constituirá uma “veste que irá até aos pés“, enquanto o cabelo – “branco como a neve” – e os olhos – “como a flama do fogo” – indicam a pureza e o poder espiritual de tão exaltado Ser. A afiada “espada de dois fios” sugere o poder positivo-negativo do Espírito desenvolvido a um alto grau.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)