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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Preparação para a Era de Aquário

Nós, Estudantes Rosacruzes, a despeito dos quadros não muito animadores que o mundo nos oferece, mantemos inabalável a fé no futuro da Humanidade.

Quando instituições, dogmas e estruturas das mais diversas parecem encontrar-se a beira de um colapso, prestes a fundirem-se num caos total, nossa maneira de encarar as coisas, por paradoxal que possa parecer, é otimista.

Nossa visão dos fatos não é apocalíptica, no sentido exotérico do termo. Cremos estar próximo o fim, não do mundo, mas de uma Era, de um estado de coisas.

Toda essa confusão prenuncia o desabamento de estruturas obsoletas, de sectarismos, de preconceitos. Esse sofrimento vivido na época atual nos compelirá a nos desapegar, de uma vez por todas, de um estilo de vida já inadequado as nossas necessidades evolutivas.

Eis que as coisas se farão novas. Encontramo-nos em fase de transição. Será que estamos conscientes do significado dessas transformações?

Já em 1918 Max Heindel escreveu: “O trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo de Ar, científico, intelectual, depreende-se que a nova Religião deverá se alicerçar em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da Vida e da Morte de tal forma a satisfazer tanto o intelecto como o coração”.

Abriu-se, então, o caminho para o alvorecer da Era de Aquário. Sobre os escombros da Era atual, florescerão um ideário mais avançado, estruturas mais dinâmicas e, consequentemente, uma nova Humanidade.

Lembramos, também, que dia a dia surgem condições favoráveis ao desenvolvimento das nossas (do Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) faculdades latentes. O gradativo crescimento da quantidade de Éter no Planeta Terra já está afetando as pessoas mais sensíveis. Não constitui exagero afirmar que a própria ciência já se encontra no umbral da Região Etérica.

Desde as primeiras Eras viemos desenvolvendo os cinco sentidos através dos quais nos foi possível contatar e conhecer a Região Química do Mundo Físico. Da mesma forma, futuramente, desenvolveremos outro sentido, que deverá nos capacitar a perceber a Região Etérica, seus habitantes, inclusive aqueles entes queridos desencarnados e que permanecem no Mundo do Desejo durante os estágios iniciais nos planos internos.

As pessoas mais evoluídas já estão, mesmo que tênue e esporadicamente, ensaiando seus primeiros passos no Éter.

Os dilúvios, responsáveis pela submersão da Atlântida, tornaram mais seca a atmosfera, fazendo baixar sua umidade para o mar. Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar em Aquário, a eliminação da umidade será bem maior. As vibrações mais facilmente transmissíveis através do Éter serão mais intensas, gerando condições para a sensibilização do nervo ótico, requisito necessário à abertura de nossa visão a Região Etérica.

Mesmo não tendo concluído suas pesquisas sobre os Éteres, Max Heindel legou-nos conhecimentos notáveis a respeito desse elemento.

Em verdade, estamos próximos a grandes transformações, principalmente no campo das ideias. Cabe-nos, portanto, mantermo-nos atentos às mudanças que se operarão, preparando-nos para interpretá-las e, posteriormente a elas nos integrarmos.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz não limitam suas atividades aos Estudantes e Probacionistas Rosacruzes, nem a nenhum outro grupo especifico. Trabalham também por meio dos cientistas, embora estes nem sempre estejam conscientes disso. O propósito dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz é estabelecer a Fraternidade Universal. Sendo assim, o campo de ação deles é de uma amplitude inimaginável!

Max Heindel afirmou, certa vez, num círculo mais íntimo, que na aurora da Era de Aquário apareceria um ser humano que nos ajudará diretamente naquela empreitada. Será o reaparecimento do grande Ego outrora conhecido na Europa como Christian Rosenkreuz e, também, como Conde de Saint Germain.

Além desse ser humano será enviado um mensageiro, como ocorre a cada cem anos, pelo “Governo Invisível do Mundo.

Segundo Augusta Foss Heindel, “a Nova Era mostrará a verdade indiscutível do espaço interestelar, novas aventura cósmicas para o Espírito Humano e uma Filosofia Cósmica mais extensa”.

Você está cultivando uma sincera e verdadeira afinidade com o ideal aquariano?

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1980 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Quando Somos o que Somos

Nossa vida é feita de partes, nas quais atuamos com mais ou menos interesse e desempenho.

Estamos inseridos em contextos e nos defrontamos com situações que nem sempre nos alegram, mas que devemos vivenciar para conclusão do projeto pré-estabelecido.

Dentro deste contexto encarnamos papéis que devem ser cumpridos e metas que devem ser atingidas, porém, existirá sempre um papel no qual nos sentiremos mais ligados, com maior intensidade, pois a ele nos entregamos com prazer; a ele oferecemos nossas alegrias; com ele acreditamos num mundo melhor; encontramos através dele uma paz interior e forças para vivermos o que não somos e aceitarmos o que temos e não podemos usufruir.

Quando nos definimos e estamos nele, nada existe além dele. Com ele somos capazes de traduzir a harmonia e a beleza.

Nele o perfeito nos é ditado, o grandioso é compreendido. Existe apenas a realização.

Nele somos o tudo e o Todo, resumido, sintetizado, concluído.

Nele sabemos que somos nosso Espírito eterno.

Que esse papel seja o nos tornarmos Auxiliares Invisíveis conscientes, ou seja: colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores a serviço da Humanidade!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Dois Polos: intelectual é presa fácil da vaidade e do personalismo; místico por falta de discernimento

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, promulgados pela Fraternidade Rosacruz, foram dirigidos de maneira especial àqueles que não encontraram o Cristo pela fé. Tais pessoas se inclinavam demasiado ao desenvolvimento intelectual e sofriam o risco de, perigosamente, enlaçarem nas teias retardadoras do materialismo. Por meio do Cristianismo Esotérico, promulgado pela Fraternidade Rosacruz, poderão satisfazer os reclamos lógicos e uma vez satisfeita a sua Mente poderão o Coração delas também falar.

O equilíbrio está no desenvolvimento paralelo de nossas naturezas ocultista e mística, isto é, no cultivo da razão (Mente) e da devoção (Coração). Este é o símbolo apresentado pela capa do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: um Coração (devoção) e uma Lamparina (razão), mantida em nível e paralelo como ideal. Daí resultará um Corpo sadio e melhor serviço à Humanidade. Platão, o Iniciado, preconizava: “Devemos ser sábios, santos e atletas”. E o lema Rosacruz o parafraseia: desenvolvamos “uma Mente Pura, um Coração Nobre e um Corpo São”.

Quartas-feiras, dia de Mercúrio, são propícios às atividades mentais, para dissertação de temas ocultistas; e os domingos, dia do Sol, dia do Senhor, são propícios à dedicação para estudos de temas devocionais. Isto tem uma maior importância do que podemos imaginar. Todos os Estudantes Rosacruzes deveriam se empenhar em acompanhar assiduamente esses trabalhos, ambos devidamente preparados com o Ritual do Serviço Devocional, Ritual composto por Max Heindel, sob a orientação e ajuda dos Irmãos Maiores, para cultivo da natureza interna dos Estudantes Rosacruzes. Não importa a repetição. Ao contrário, a repetição é a chave do desenvolvimento do nosso Corpo Vital.  Por meio dela é que se vão gravando em nosso íntimo os preceitos básicos para nossa formação Cristã esotérica. É por meio dela, com as práticas espirituais, pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras, obras, ações e atos da vida diária, quando coerentes com a vontade de nosso verdadeiro Eu superior, que se forma o Templo Interno “sem ruídos de martelos”.

Cuidemos, pois, carinhosamente, desses dois polos de nossa interna divindade: razão e devoção, positivo e negativo, masculino e feminino. O potencial equilíbrio desses dois polos é que nos tornará, gradativamente, uma “usina de força”, uma fonte de luz, não importa se ainda pequena, pois “todas as trevas do mundo não podem esconder a luz de uma pequenina vela” (Mt 5:14). Deus é Luz (1Jo 1:5); somos feitos à Sua Imagem e Semelhança; Deus é Onipotente; portanto, a Luz está em toda a parte, principalmente em nós. Como manifestá-la? Através do desenvolvimento dos divinos atributos latentes em nós. Este é o programa da Fraternidade Rosacruz.

Sem dois polos não há eletricidade. Buscar ansiosamente os livros, correr de uma à outra conferência, reunião, apresentação, se deleitar com as “novidades intelectuais”, com as novas formas de apresentação, com os novos vestidos de antigas verdades, é ilusão de sentidos, é passarela da “mente carnal” (intelecto), não da Mente Abstrata. Também não devemos buscar somente o cultivo do Coração. O bom senso está no equilíbrio, no desenvolvimento simultâneo dos dois potenciais.

O intelectual é presa fácil da vaidade e do personalismo. Igualmente, o místico por falta de discernimento, pode ser enganado nas suas experiências internas, confundindo os meros reflexos de seu inconsciente com os raios da intuição, que vêm do Supraconsciente, do reino Crístico, do Espírito de Vida, diretamente ao Coração.

O êxito é sempre alcançado pela consciência, pela perseverança, pelo “orar e vigiar”. O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, bem realizado, nos aguça a consciência e a natureza mística, afetando, favoravelmente, o centro espiritual localizado na Glândula Pituitária e que é regida por Urano. O Exercício Esotérico matutino de Concentração, se bem realizado, possibilita-nos a disciplina mental, favorece-nos a executar o Exercício Esotérico de Observação e do Exercício Esotérico de Discernimento, o raciocínio, ajudando-nos em todas as nossas atividades, e inclusive desenvolve o centro espiritual localizado na Glândula Pineal, regida por Netuno, em prol de nossa evolução ocultista.

Desejamos a elevação de cada irmão e irmã, começando pelos Estudantes Rosacruzes, que, voluntariamente, buscam a orientação dada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Recomendamos a eles que levem a sério o método. Nenhum atleta logra resultados se não pratica fiel e assiduamente os exercícios. Se pudessem os nossos irmãos e as nossas irmãs imaginar a felicidade que se esconde nessas realizações, os benefícios de toda ordem que estão reservados a todo “fiel administrador das coisas de Deus”, poderiam profundamente compreender o sentido daquela frase: “Buscai primeiro o Reino de Deus e Sua Justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.” (Mt 6:33).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1959 – pela Fraternidade Rosacruz–SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Corpo Vital de Jesus

Junho de 1913

A lição do mês passado trouxe à tona uma série de pontos até então não ensinados em público[1]. Mas outros mistérios relacionados ao alcance e à limitação dos poderes espirituais, e a explicação sobre a preservação do Corpo Vital de Jesus contra o ataque das forças negras, também estão envolvidos no diálogo entre Fausto e Lúcifer. Quando esse último implora que a estrela de cinco pontas seja removida da porta para que ele possa sair, Fausto lhe pergunta: “Por que não se retiras pela janela?”.

As pessoas que estudam misticismo, frequentemente têm uma ideia muito exagerada do poder investido em alguém que desenvolveu a visão espiritual. Na verdade, os investigadores ocultistas são limitados pelas Leis da Natureza pertinentes aos Mundos invisíveis, assim como as pessoas que se dedicam à ciência material são forçados a se ajustar às leis da física[2].

A fim de que o equilíbrio seja mantido, às vezes as Leis de um Reino da Natureza agem em oposição direta às Leis de um outro Reino da Natureza. Aqui, no Mundo Físico, as formas gravitam em direção ao centro da Terra. Se a solidez do Corpo Denso não nos impedisse, poderíamos alcançar Cristo sem esforço. É preciso poder para erguer um Corpo, mesmo que este esteja a alguns centímetros do solo; por outro lado, as formas espirituais têm uma tendência natural para levitar. Portanto, é relativamente fácil a um mestre de magia negra ir até Marte impelido pela força sexual roubada de suas vítimas. Ele é naturalmente atraído para o Planeta da paixão e, como a aura de Marte se mistura com a da Terra, a façanha está longe de ser difícil. Mas, ele não consegue penetrar nem mesmo no primeiro dos nove Estratos da Terra, os quais conduzem ao Senhor do Amor, que é o Espírito da nossa esfera[3]. Tal penetração é o Caminho da Iniciação, e é preciso poder da alma, pureza e abnegação para alcançar Cristo, e é por isso que tão poucos tem algo a dizer sobre a constituição interna do Planeta Terra.

Nós não vemos os objetos físicos fora do nosso olho; eles são refletidos na retina, e nós vemos apenas a sua “imagem” dentro do olho. Como a luz é o agente de reflexão, os objetos que resistem à passagem da luz parecem “opacos”; outras substâncias, como o vidro, parecem transparentes porque admitem, prontamente, a entrada dos raios de luz. Quando usamos a visão espiritual, uma luz de superlativa intensidade é gerada dentro do Corpo, entre o Corpo Pituitário e a Glândula Pineal[4]. Esta luz é focada “através” do chamado “ponto cego” no olho[5], diretamente sobre o objeto a ser investigado. O alcance do raio direto é inteiramente diferente do alcance do raio físico refletido. Ele penetra uma parede sem dificuldade, mas nenhum Espírito que está no Mundo do Desejo pode ver através do cristal. Nem Lúcifer, nem qualquer outro Espírito do mal jamais ousa atravessar qualquer coisa feita daquele material, nem mesmo através do menor pedaço de vidraça.

Conhecendo estes fatos, nossos Irmãos Maiores colocaram o Corpo Vital de Jesus em um sarcófago de cristal para protegê-lo do olhar dos curiosos ou profanos. Eles guardam esse receptáculo em uma caverna nas profundezas da Terra, onde ninguém que não seja Iniciado pode penetrar. Para garantir uma dupla segurança, há vigilantes que montam guarda constante junto de tão precioso Corpo; pois se esse veículo fosse destruído, a única via de saída de Cristo estaria eliminada, e Ele teria que permanecer prisioneiro na Terra até que a Noite Cósmica dissolvesse seus elementos químicos no Caos. Se isso acontecesse, a missão de Cristo como nosso Salvador fracassaria; Seu sofrimento seria consideravelmente prolongado e a nossa evolução iria se atrasar enormemente.

Trabalhemos, vigiemos e oremos pelo dia glorioso de Sua libertação.

(Carta nº 32 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Carta de Max Heindel: Cristo e Sua Segunda Vinda – Junho de 1913

Um dos pontos de maior importância nessa lição mensal, e sobre o qual existe um mal-entendido generalizado, tem a ver com a vinda de Cristo e ao veículo que Ele usará. A Bíblia fornece esse ensinamento muito claramente e os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes estão em total acordo com ela; daí difere radicalmente da concepção atual e comum sobre esse assunto, tanto a da maioria dos Cristãos como entre aqueles que, involuntariamente ou por outras razões, apresentam falsos Cristos para enganar os incautos. É, portanto, de vital importância que os Estudantes da Escola Ocidental devem compreender este assunto completa e inteiramente, por isso, nós reiteraremos, resumidamente, os pontos de fundamental importância dos Ensinamentos Rosacruzes contidos no livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em alguns outros livros da Fraternidade Rosacruz.

Cristo é o mais elevado Iniciado do Período Solar; a Terra era, então, formada de matéria de desejos e o Corpo mais denso do Arcanjo Cristo era formado deste material.

Ninguém pode formar um veículo de material que ele não tenha aprendido a moldar; por isso, o Espírito Cristo trabalhou com a nossa Humanidade de fora da Terra, da mesma forma que os Espíritos-Grupo guiam os animais, até que Jesus, voluntariamente, cedeu o seu Corpo Denso e seu Corpo Vital no Batismo. O Espírito Cristo, então, desceu e entrou nesses dois veículos e, usando esses dois Corpos para viver no Mundo Físico, forneceu o Seu ministério aos seres humanos, até que o Corpo Denso foi destruído no Gólgota, quando Ele se tornou o Espírito Interno e permanentemente presente da Terra. O Corpo Vital de Jesus foi guardado para o uso especial, para esperar o segundo advento de Cristo.

Cristo nos advertiu contra os imitadores, e surge a questão: “Como podemos distinguir o falso do verdadeiro?”. S. Paulo nos fornece informações bem definidas que, se prestarmos bem atenção nelas, estaremos salvos totalmente de enganos.

S. Paulo nos ensina (ICor 15:50): “Digo-vos, irmãos: a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”. Ele insiste que esse Corpo será mudado à imagem do próprio veículo de Cristo (Fp 3:21: “…que transfigurará o nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso, pela força que lhe dá poder de submeter a si todas as coisas”), e em (IJo 3:2: “Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.”) encontramos o mesmo testemunho.

Assim, é evidente que qualquer pessoa que venha em Corpo Denso, se proclamando que é Cristo, é ou um demente, e digno de compaixão, ou um impostor, que merece desprezo e reprovação. Nem ficamos incertos quanto à natureza do veículo no qual encontraremos Cristo e seremos semelhantes a Ele. Na Primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses (4:17: “em seguida nós, os vivos que estivermos lá, seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor, nos ares.”) é-nos dito que encontraremos o Senhor no ar. Portanto, necessariamente devemos ter um veículo de textura mais delicada do que a do nosso Corpo Denso atual. A transformação exigirá séculos, no que diz respeito à maioria das pessoas.

Na Primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses (5:23: “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que o vosso ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”), São Paulo diz que o ser completo humano consiste de Espírito, Alma e Corpo. Quando finalmente abandonarmos o Corpo Denso, como Cristo o fez, nós funcionaremos num corpo chamado soma psuchicon (Corpo-Alma), como dito na Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios 15:44: “…semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo psíquico, há também um corpo espiritual.”. Na versão inglesa, o versículo 44 diz: “Existe um Corpo natural e um Corpo espiritual”; mas o Novo Testamento não foi escrito em inglês e, como os tradutores nada sabiam dos ensinamentos internos, não tinham ideia de como traduzir a palavra grega que para eles parecia sem sentido, por isso, a traduziram como a compreenderam. A palavra que é usada e traduzida como “corpo natural” é soma psuchicon. Soma é uma palavra grega que, todos concordam, é Corpo – não há dúvidas quanto a isto. Mas Psuchicon – psuche – (psyche) – a alma – um Corpo-Alma do qual nunca ouviram falar; provavelmente pareceu-lhes tolice, de maneira que traduziram a palavra como “Corpo natural”. É verdade que S. Paulo diz na 1ª Epístola aos Tessalonicenses, 5:23, que o ser de todo ser humano é Espírito, Alma e Corpo, mas, provavelmente, eles interpretaram Alma e Espírito como sinônimos. Existe, porém, uma grande diferença, como é explicado nos Mistérios Rosacruzes: este Corpo-Alma é o veículo a que S. Paulo se refere e no qual encontraremos Cristo. É composto de Éter e, portanto, capaz de levitação e de passar por paredes, uma vez que toda matéria densa é permeada com Éter. Os Auxiliares Invisíveis o usam hoje, como Cristo o fez.. Em nossa literatura, esse é o Corpo Vital, um veículo feito de Éter, capaz de levitação e da mesma natureza do Corpo usado por Cristo depois da Crucificação. Esse veículo não está sujeito à morte, como o nosso Corpo Denso e é, finalmente, transmutado em Espírito, como aprendemos em nossa literatura e é confirmado na Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios, no Capítulo 15.

Por conseguinte, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental estão em perfeita concordância com a Bíblia quando afirmam, mais enfaticamente, que Cristo nunca voltará “na carne” (isto seria um retrocesso para Ele). Da mesma maneira que a larva rompe o seu casulo que a aprisiona e se transforma em uma borboleta que voa entre as flores – processo deslumbrante de animada beleza – assim algum dia nós nos livraremos desse invólucro mortal que nos prende à Terra e ascenderemos ao céu como almas viventes, radiantes de glória, ansiosas por encontrar o nosso Salvador na “terra das almas”, o Novo Céu e a Nova Terra. Este é um dos pontos principais da doutrina da Escola Rosacruz, e nós confiamos que nossos Estudantes se esforçarão por assimilar totalmente este assunto, para que possam “dar uma razão” à fé deles.

(Cartas aos Estudantes – nº 31 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel)

[2] N.T.: As leis da física são enunciadas de verdades científicas, do ponto de vista da Região Química do Mundo Físico, que descrevem o comportamento do universo. Elas são fundamentais para a compreensão da Natureza (restrita à Região Química do Mundo Físico) e são usadas em diversas áreas, desde a engenharia até a tecnologia. As principais leis da física: Leis de Newton, Leis da Termodinâmica, Leis de Kepler, Lei da Gravitação Universal, Lei de Coulomb, Leis da Óptica, Lei de Ohm.

[3] N.T.: O Espírito Planetário da Terra: Cristo.

[4] N.T.: Duas Glândulas Endócrinas, também chamadas de Hipófise e Epífise Cerebral, respectivamente.

[5] N.T.: O ponto cego do olho, também conhecido como escotoma, é uma região da retina onde não existem células fotorreceptoras, tornando-a incapaz de perceber estímulos visuais. Essa área corresponde ao local onde o nervo óptico sai do olho, formando uma espécie de “buraco” na retina. Apesar de não percebermos diretamente o ponto cego devido à compensação do cérebro e à visão binocular, ele existe e pode ser demonstrado por meio de testes simples. O ponto cego é uma consequência da anatomia do olho. A retina, camada sensível à luz na parte de trás do olho, possui células fotorreceptoras (cones e bastonetes) que convertem a luz em sinais elétricos. Esses sinais são transmitidos ao cérebro através do nervo óptico. No entanto, a área onde o nervo óptico se conecta à retina não possui esses fotorreceptores, criando uma pequena região onde não há percepção visual. Dois experimentos simples para demonstrar o ponto cego: Feche um olho e olhe fixamente para um ponto enquanto move um objeto (como um círculo) para perto e para longe. Em determinado ponto, o círculo desaparecerá (Teste do X e O); Estenda um braço e olhe fixamente para um objeto. Coloque o outro polegar ao lado e mova-o lentamente para o lado. Em determinado momento, o polegar desaparecerá. (Teste do polegar).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Para onde foi o homem Jesus depois que o Cristo se apoderou dos seus veículos inferiores? Estaria ele presente, mas inativo, durante todo o ministério de Cristo?

Resposta: Jesus permaneceu nos Mundos invisíveis, de onde trabalhou e tem trabalhado.

O indivíduo que mais tarde se encarnou sob o nome de Christian Rosenkreuz, já estava em grau de evolução muito elevado quando nasceu Jesus de Nazaré. Está encarnado, atualmente. Seu testemunho, assim como o resultado das investigações diretas de outros Rosacruzes, concorda em que o nascimento de Jesus de Nazaré teve lugar no princípio da Era Cristã, na data que geralmente se atribui.

Jesus foi educado pelos Essênios e alcançou um elevado grau de desenvolvimento espiritual durante os trinta anos de uso do seu Corpo.

Era de Mente singularmente pura, muito superior à grande maioria da nossa presente Humanidade. Esteve percorrendo o Caminho da Santidade através de muitas vidas, se preparando para a maior honra que poderia ter recebido um ser humano.

Depois da morte do Corpo Denso de Cristo-Jesus, os Átomos-sementes foram devolvidos a seu primitivo dono, Jesus de Nazaré que, algum tempo depois, funcionando temporariamente em um Corpo Vital que construíra, instruiu o núcleo da nova fé formado por Cristo. Jesus de Nazaré, desde aquele tempo, tem conservado a direção dos ramos esotéricos, que surgiram por toda a Europa.

Os Irmãos Maiores, Jesus entre Eles, têm lutado e lutam por equilibrar a poderosa influência do materialismo, quase extinguiu a Luz do Espírito. Cada tentativa para iluminar o povo, e para nele despertar o desejo de cultivar o lado espiritual da vida, é uma evidência da atividade dos Irmãos Maiores.

Possam os esforços dos Irmãos Maiores serem coroados de êxito e apressar o dia em que a ciência moderna, espiritualizada, encaminhe as investigações sobre a matéria, do ponto de vista do Espírito. Então, e não antes, compreenderemos e conheceremos, verdadeiramente, o mundo. 

(Pergunta nº 101 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Lançamento da Pedra Fundamental do Templo de Cura da Fraternidade Rosacruz ao meio-dia de 23 de Julho de 1920

Antigamente, quando um Templo de adoração era construído, o terreno ou área destinada à construção era enfeitado com guirlandas de flores em um dia determinado pelos astrólogos. “Há um tempo para tudo debaixo do sol[1], e os astrólogos buscavam determinar as condições propícias para o início da obra sagrada. No dia e na hora determinados, apenas pessoas de renome, carregando galhos de árvores, entravam no recinto. Os galhos simbolizavam uma conclusão feliz e frutífera para a obra. As pessoas de renome eram seguidas pelas virgens vestais que, em oração, aspergiam o local com água trazida em urnas por meninos e meninas. Em seguida, vinham os sacerdotes e dignitários do Estado, seguidos pelos cidadãos carregando a pedra fundamental enfeitada com guirlandas. Após o Pretor impor as mãos sobre as cordas que envolviam a pedra, os pedreiros a colocavam no lugar, e o Pontífice, consagrando-a ao seu uso, exortava o povo a servir e temer os deuses e a obedecer à lei.

A pedra era sempre colocada no canto nordeste do Templo, análogo ao local de maior poder do Sol no Solstício de Junho, quando todos os seres vivos são mais vitalizados por seus raios.

Chegamos agora a mais uma “colocação da pedra fundamental”, mas uma que é única por inaugurar uma nova era na Religião Cristã. Por mil novecentos e vinte anos, a igreja tem lutado para “Pregar o Evangelho” em obediência ao mandamento de nosso Salvador. Agora, a Fraternidade Rosacruz ergue bem alto a bandeira com o segundo mandamento, “Curai os Enfermos“, como um estímulo à nossa missão Cristã, e “coloca a pedra fundamental” de um Templo de Cura consagrado em Cristo para servir ao nosso próximo irmão e irmã sofredores.

O lugar sagrado do Templo estava radiante com a efusão de bênçãos das “hostes invisíveis” que reconhecem a importância espiritual do passo dado. O pequeno e devotado grupo de seguidores da Fraternidade Rosacruz respondeu com silenciosa dedicação interior do “Eu superior” ao serviço de Cristo como Curador Divino: orações silenciosas por força para purificar o “Eu inferior” de toda indignidade, a fim de que o poder curador do Senhor pudesse fluir através de nós como canais limpos para Sua obra.

Ele, nosso amado Salvador, conheceu apenas a terrível agonia da “Coroa de Espinhos”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos nos esforçando para fazer crescer uma “rosa” de poder espiritual onde cada espinho sugou uma gota de Seu sangue. Ele conheceu apenas a agonia de ser pregado na “Cruz”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos tentando “arrancar os pregos” que nos pregam firmemente à cruz; os pregos do desejo egoísta, da ânsia por poder temporal, da cegueira espiritual.

Este trabalho de cura espiritual Cristã é um dos métodos de servir à Humanidade sofredora, oferecendo ao verdadeiro (a verdadeira) profissional de saúde um meio de unir o poder da Ciência ao da Religião. A Fraternidade Rosacruz clama pelo verdadeiro (pela verdadeira) profissional de saúde, a pessoa que não se envergonha de orar por seus pacientes enquanto trabalha por eles. Cristo-Jesus disse: “Eu sou O CAMINHO, A VERDADE e A VIDA[2].

No entanto, quantos profissionais de saúde e pacientes em sofrimento intenso negligenciaram convidá-Lo para ajudar! Existe uma maneira de invocar essa efusão divina, assim como existe uma maneira de fazer cada coisa que fazemos. Esse CAMINHO exige preparação, purificação, dedicação, consagração, e isso faz parte do trabalho do Estudante Rosacruz.

O verdadeiro e ativo (a verdadeira e ativa) Estudante Rosacruz não busca poder temporal. Busca servir a Deus ajudando seus semelhantes que estão sofrendo fisicamente, emocionalmente e/ou mentalmente. Um local de capacitação para o trabalho é maravilhosamente alcançado no Templo de Cura, que está sendo construído pelo serviço amoroso e desinteressado de muitos.

Augusta Foss Heindel aproveitou esse momento para lembrar onde começou a ideia da construção do Templo de Cura e qual é e será o seu objetivo para cumprirmos o mandamento de Cristo: Curar os Enfermos.

“Amigos, estamos aqui hoje para realizar o que foi iniciado em 25 de novembro de 1914 por Max Heindel. Naquela ocasião, nos reunimos para preparar esta pedra que hoje colocamos como pedra fundamental. Ela é um símbolo de uma estrutura física que, por sua vez, nos aparecerá como um símbolo daquilo que nós, como trabalhadores do Templo de Deus, estamos nos esforçando para construir. Aprendemos o uso simbólico das ferramentas do pedreiro; definimos o pedreiro como aquele que coloca o cimento e coloca o tijolo, trabalhando com as ferramentas de seu ofício; assim, um edifício é erguido. Também somos verdadeiros “pedreiros livres”, usando materiais diferentes. Estamos construindo o material que os Irmãos Maiores nos deram, que acabamos de colocar nessa pequena caixa, a gloriosa mensagem que nos foi dada pelos Irmãos Maiores através da grande alma cujo aniversário celebramos hoje, a alma que nasceu em 23 de julho de 1865 e que estava destinada a trazer ao mundo uma visão mais ampla dos ensinamentos de Cristo do que jamais foi dada à Humanidade, uma Religião que será a pedra angular de todos nós na Era de Aquário. Este mensageiro também nos disse que este seria o último templo físico a ser erguido pelos Irmãos Maiores. A Humanidade alcançará esse estágio de desenvolvimento e agora está trabalhando com o objetivo de se preparar para que possa adorar no verdadeiro Templo, aquele Templo de Deus não feito por mãos, eterno nos céus, que não é construído de pedras, tijolos e argamassa, mas de corações amorosos e do sacrifício de nossas próprias naturezas inferiores, dedicando-nos assim como pedras vivas nele.

É um privilégio ser um dos obreiros, uma das pedras vivas, escolhido para obedecer aos dois últimos mandamentos do Cristo: “Pregai o Evangelho e Curai os Enfermos[3]. O último mandamento foi esquecido pela Humanidade por tantos e tantos anos. Pregamos o Evangelho, mas apenas cumprimos a primeira metade dos mandamentos que Ele deu aos Seus discípulos. Esquecemos, nas Igrejas, de curar os enfermos. Houve uma divisão entre Ciência e Religião. Esse afastamento causou as condições materialistas de hoje. Cimentar essa brecha, unir Ciência e Religião, é o que nós, como obreiros e seguidores dos Ensinamentos Rosacruzes, estamos nos esforçando para fazer. Estamos construindo a pedra fundamental de uma grande obra futura. Pouco percebemos hoje, os poucos de nós que estamos aqui, o que isso significa para a Humanidade. O conteúdo desta pequena caixa viverá por eras depois que tivermos abandonado estes Corpos Densos. As vibrações que serão incorporadas a esta construção alcançarão os confins da Terra. Dizem-nos que quando Salomão construiu o Templo em Jerusalém, ele purificou e mudou a vibração de toda a cidade.

Fomos mantidos sob o domínio de Saturno, sob um ambiente cristalizado. Era necessário, no entanto, que aprendêssemos nossas lições, pois estamos neste mundo cristalizado e precisamos usar cimento material. Mas chegamos a um estágio neste trabalho em que não será necessário lutar por muito mais tempo, pois a fundação já está lançada. Hoje, lançamos esta pedra fundamental que, com seu conteúdo, permanecerá por eras e eras.

Amigos, vamos embora daqui hoje, dedicando-nos novamente a nos tornarmos canais mais puros, melhores e mais limpos, através dos quais os grandes Ensinamentos Rosacruzes possam ser enviados ao mundo. Estamos aqui porque fomos escolhidos para sermos trabalhadores neste grande campo do Mestre, Cristo. E estamos aqui para preparar o Templo invisível, usando o Templo físico apenas como um centro de trabalho. Ainda não nos desfizemos destes Corpos Densos, mas, ainda assim, estamos nos preparando para poder encontrar o Cristo, como Ele prometeu que, quando Ele vier, o “encontraremos no ar”. O que isso significa? Que estamos tecendo a “veste dourada das bodas”, o Corpo Vital espiritualizado, no qual todos seremos capazes de encontrar o Cristo em Sua vinda.

Vamos, amigos, ao colocarmos cada um uma colher de pedreiro de argamassa para selar esta pedra, colocá-la ali com uma oração de gratidão, pedindo por maior força, pureza e conhecimento, para que possamos ser instrumentos adequados para continuar esta obra e enviar esta mensagem à Humanidade, lembrando que Cristo é a verdadeira Pedra Angular.”

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Ecl 3:1

[2] N.T.: Jo 14:6

[3] N.T.: Mt 10:7-8

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Aquela outra Vida: você sabe qual é e se está pronto para vivê-la?

Há uma vida que podemos viver que ultrapassa os limites das possibilidades aparentes. Como Jacob Boehme[1] o nomeou, vida suprassensorial, ou seja, a vida que está acima e é independente dos sentidos. Estes se ligam e nos afastam de uma vida cheia de alegria e conhecimento definido de um futuro ilimitado. Atingimos uma pequena apreciação dessa vida em momentos em que nossas Mentes estão desocupadas com as demandas dos sentidos. Na natureza, por exemplo, sobre a vasta extensão do oceano, em meio às colinas e montanhas. Então nós nos tornamos possuidores de uma paz maravilhosa que acalma a turbulência da Mente. Os caprichos e as necessidades da existência nos impedem de desfrutar continuamente essa bela paz; mas quando nos tornamos conscientes da sua mensagem, as coisas da vida, que eram consideradas tão vitais para a felicidade real, assumem um aspecto diferente. Elas se tornam marcos em nosso caminho pela vida, através dos quais medimos o nosso progresso.

Percebemos que os assuntos materiais não têm importância em si mesmos, mas são valiosos como lições das quais devem ser extraídas a verdade. Podemos falhar em um empreendimento, mas isso não significa que a depressão deva surgir. Há uma lição a ser aprendida com a experiência. Por causa de nossas próprias falhas, nós nos tornamos solidários com outras pessoas que falharam em sua própria direção particular. Quem tem uma boa apreciação das esperanças humanas e pode tão prontamente dar ao coração fraco essa alegria de conforto, senão alguém que falhou com frequência e ainda manteve o senso de proporção entre o fracasso e o significado interior da vida? Erros nos ensinam muitas coisas. Eles nos tornam infinitamente mais simpáticos e compassivos.

Mas, acima de tudo, o conhecimento de que todo evento em nossas vidas tenha um grande valor intrínseco, que nunca pode ser diminuído, faz com que derivemos um grande benefício de todas as ocorrências e vicissitudes materiais.

As pessoas que conhecem o excelente trabalho que continua depois que saímos dessa existência terrena (e são milhões!), sabem que a vida após a morte do Corpo Denso está cheia de energia latejante, planejamento, erros de retificação, preparação e oportunidades de estudos. O verdadeiro significado da vida, com suas tristezas, sucessos, falhas, medos, esperanças, alegrias e assim por diante, será mostrado de maneira abrangente: a obtenção do conhecimento sobre nós mesmos e os problemas externos, o que nos leva ao autocontrole e à capacidade criativa.

O vasto Esquema de Evolução em que todos estamos inseridos (saibamos ou não) está gradualmente sendo desdobrado diante da nossa Mente. Naturalmente, essa manifestação transcendental de poderes inteligentes só pode ser concebida de forma aproximada. Os Irmãos Maiores estão atualmente dando à Humanidade um esboço desse Esquema por meio dos Ensinamentos Rosacruzes. A vida suprassensorial é hoje vivida por muitos milhares de seguidores que perceberam as verdades eternas, embora muitas vezes ocultas, da vida. Quantas vezes uma verdade é percebida pela intuição!

Viver a vida necessária nos dá direito a provar tudo o que nos é ensinado e ajuda a acelerar nossa evolução sob a orientação de Deus.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – julho /1916 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: Jakob Böhme, por vezes grafado como Jacob Boehme (1575-1624) foi um filósofo e místico luterano alemão. Böhme passou por experiências místicas em toda a sua juventude, culminando em uma epifania no ano de 1600, a qual ter-lhe-ia revelado a estrutura espiritual do mundo, assim como as relações entre o Bem e o Mal. Na época, ele decidiu não divulgar a sua experiência e continuou trabalhando como sapateiro na cidade de Goerlitz, na Silésia, constituindo família e tendo quatro filhos. Entretanto, após uma outra visão em 1610, ele começou a escrever sua primeira obra, Aurora (Die Morgenroete im Aufgang), resultante dessa iluminação.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um “Sinal” dos Irmãos Maiores

Certa noite, por volta desta época e no ano passado, tivemos convidados para o jantar. Após o término da refeição nós fomos à biblioteca para discutir diferentes tópicos de interesse, quando então introduzi o assunto do Renascimento. Fiquei bastante chocada ao descobrir que pensavam ser o mesmo que a transmigração, onde, devido a ações ruins, uma alma é forçada a entrar em um corpo animal! Meu marido e eu mencionamos todas as citações que conhecíamos da Bíblia para falar do assunto. Então, a conversa mudou para Cristo Jesus — quem ou o que Ele era. Já estávamos lendo e refletindo sobre isso há algum tempo, mas foi somente um pouco depois disso que começamos o estudo do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz. Digo isso para explicar o que se segue.

Ao ser questionada sobre a minha opinião, eu, em minha ignorância, declarei o que na época considerava verdadeiro. Disse que acreditava que Jesus fosse uma alma como nós que, através de muitas vidas de superação do eu inferior, havia se distanciado muito do restante da Humanidade, e que Deus, por isso, o havia escolhido para ser o nosso Grande Mestre. Perguntaram novamente se eu acreditava que Ele foi o maior de todos os enviados para nos guiar, e eu disse que não tinha certeza, porque imaginava que nunca tivéssemos ficado sem Grandes Luzes para nos mostrar o Caminho.

Bem, isso foi tudo o que dissemos sobre o assunto e, pouco depois, eles se levantaram para ir embora; meu marido insistiu para levá-los de carro para casa, pois a distância era considerável. Sabendo que levariam meia hora a quarenta minutos antes do seu retorno, tranquei todas as janelas e portas, pois estava sozinha em casa, então fui até a cozinha para lavar as melhores porcelanas e copos que usamos no jantar. Foi enquanto eu estava debruçada sobre a pia, lavando a louça às pressas, que algo estranho aconteceu. A única maneira de descrever isso é compará-lo a um filme em uma tela, mas a tela e a imagem estavam dentro da minha cabeça. Vi um homem entrar pela porta do corredor na cozinha, atravessá-la em minha direção e estender totalmente a mão e o braço direitos, como se fosse colocá-los no meu ombro. Ele não falou, mas me deu a impressão de que eu tivesse falado uma grande inverdade sobre o Cristo.

Aparentemente, ele parecia ter 40 anos, com cabelos e olhos escuros em um rosto muito gentil e bondoso. Na época, pareceu que suas roupas fossem apenas as convencionais, comuns no dia-a-dia, embora eu não tenha prestado muita atenção a isso, pois estava muito entretida, observando o seu rosto. Eu me virei rapidamente porque tinha certeza de que ele estava ao meu lado, mas como não sou Clarividente eu não consegui ver.

Pouco depois o meu marido retornou e eu imediatamente lhe contei isso; ambos concordamos que eu provavelmente disse algo errado sobre um assunto muito sério, e que algum dos Irmãos Maiores, ocasional e gentilmente, alertaram sobre isso. Quanto à imagem dele na minha cabeça, nenhum de nós jamais tinha ouvido falar de tal coisa naquela época. Evidentemente, nunca ocorreu ao meu marido me acusar de ter sofrido alucinação, como muitos teriam feito. Nunca tive alucinação em toda a minha vida e ele sabe que eu sou uma mulher sensata e prática. Além disso, ele se interessa e se dedica aos nossos estudos, assim como eu.

Pouco tempo depois, iniciamos o estudo dos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz, e imaginem a minha surpresa e alegria ao me deparar com esta afirmação: os Irmãos Maiores têm o poder de nos fazer ver uma imagem, em nossas Mentes, de tudo o que eles desejam que nós compreendamos. Então, em outro dia agitado, encontrei no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz o que eu havia dito de errado e me arrependi. Agora conheço os fatos da diferença entre Jesus – um ser humano – e Cristo – um Arcanjo –, embora não possa dizer com sinceridade que já a tenha assimilado; mas espero que isso aconteça com o tempo.

Bem, aí está; a única coisa que não entendo, supondo que a solução acima esteja correta e imaginando que esteja, é que se passou mais de uma hora entre o momento em que fiz a declaração incorreta e o aviso, se é que possamos chamar assim, contudo, não perca tempo tentando explicar isso, por favor, porque eu sei que também descobrirei o significado em algum momento.

Concluindo, a lição que aprendi é que os Irmãos Maiores observam não apenas nossos erros, mas também nossas vitórias, grandes ou pequenas, por isso devemos proteger cada pensamento, palavra ou ação, quando tivermos provado nossa coragem e formos considerados dignos, Aqueles que observam saberão e nos ajudarão, de boa vontade e livremente, a ir mais longe.

(de Augusta Foss Heindel, Publicado no Echoes from Mount Ecclesia – fevereiro /1918 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Renovação

Quando renascemos neste Mundo Físico, estamos dotados de forças e poderes. É nosso dever, assim como também nossa oportunidade, desenvolvê-los durante a nossa vida aqui na Terra, e utilizá-los em nosso caminho para cima, na perfeição, em nossa jornada de retorno a Deus. Por isso, é nos ensinado: “E não sejas conformado a este mundo, mas sê transformado pela renovação da tua Mente, para que possas comprovar que essa é boa, aceitável, e a perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2).

Quando olhamos o diminuto, terno e quase desamparado Corpo Denso de uma criancinha, é para nós difícil imaginá-lo um indivíduo crescido, e capacitado para usar livre e poderosamente seu organismo. No começo da nossa existência terrena há pouca evidência dos poderes latentes espirituais e morais deste ser pequeno. Porém, ainda quando são invisíveis estas forças, estão prontas para manifestar-se no tempo apropriado.

O Corpo Denso renova-se a cada sete anos. Por analogia podemos deduzir que veículos sutis, têm que renovar-se também. É a presença desses poderes latentes que faz possível a evolução. Conforme renovamos nossos Corpos de Desejos, e os redirigimos, podemos mudar e enriquecer nossa existência fazendo com que a nossa vida se reflita nos Mundos superiores. Quanto mais muda para melhor, mais pertos da perfeição e mais amplos horizontes abrem-se ante nós.

Quando essas forças ocultas dentro de nós, são libertadas, podem produzir um efeito tremendo. Nada permanece estacionário. Nada há em estado permanente. “Nada é mais certo que a mudança”. Temos que escolher, e por um esforço determinado da vontade, cuidadosamente, eleger o caminho que desejamos percorrer.

Depois que a opção tenha sido feita, o investigador da verdade se esforça conscientemente, em trabalhar com as forças ocultas.

O aspecto mais valioso de todas as coisas criadas é a possibilidade de sua mudança para melhor; a potencialidade para seu crescimento e a habilidade para compreender e realizar a verdade. Existe em toda a criação um movimento contínuo para a perfeição. Na Filosofia Rosacruz ensina-se que podemos conseguir a perfeição com a ajuda daqueles que pisaram antes neste caminho: nossos Irmãos Maiores, que estão sempre empenhados em nos ajudar no nosso progresso.

A habilidade criadora é inseparável em nós. Fomos feitos à imagem e semelhança do nosso Criador, Deus. “N’Ele vivemos, nos movemos, e temos o nosso ser” (At 17:28). Com o auxílio da Oração e da Meditação, temos o poder de nos abrirmos às benéficas influências do Universo. Nosso Sistema Solar com tudo o que está em cima e dentro dele, provém do Sol. E recebemos nosso impulso espiritual por meio dos raios espirituais originários do Sol espiritual que vive atrás da órbita física solar. Muito depende da nossa habilidade, para responder a estas emanações.

Temos que saber como receber esse bem que está a nossa volta. Devemos anelá-lo, antes que seja possível utilizar essas forças superiores. Conforme pedimos, assim obteremos, é uma resposta a nossa própria procura.

Os raios que vêm do Sol transmitem iluminação espiritual. Aqueles raios enviados pelos Planetas promovem inteligência, moral e crescimento anímico. E os raios refletidos por nosso satélite, a Lua, assistem o crescimento físico.

Progredimos constantemente, de vida em vida. Conforme mudam os costumes sociais e ambientes físicos, de idade em idade, tornamos a estar em contato com a vida. Com o auxílio e orientação das Hierarquias Criadoras encontramos condições e circunstâncias úteis na obtenção das experiências necessárias. Deste modo temos a oportunidade de desemaranhar o novelo em que nos enrolamos em vidas anteriores. Ao mesmo tempo podemos colocar novas causas em ação. Estudamos nas Epístolas de S. Paulo aos Coríntios: “O homem interior é renovado dia por dia” (IICor 4:16).

No Livro A Teia do Destino – Fraternidade Rosacruz – Max Heindel, aprendemos que desde a puberdade, e durante toda a vida, uma força sexual criadora é gerada internamente em nosso organismo. Esta força pode ser usada para três fins: geração, degeneração ou regeneração. Depende de nós qual dos três métodos escolher. Porém, qualquer que escolhamos terá uma orientação importante em nossa vida, pois o uso dessa força sexual criadora não está limitado em seu efeito ao tempo ou ocasião em que se dispõe dela. Cobre cada um dos momentos de nossa existência e determina nossa atitude em cada uma das fases particulares da vida aqui.

Algumas vezes podemos perder nosso rumo aqui na Terra, e os valores reais e eternos são esquecidos em presença de tantas coisas desanimadoras e transitórias.

É quando nos damos conta desta condição, devemos parar, fazer o inventário da nossa existência, e procurar melhores meios de vida, procurando os valores superiores e a maneira para renovar nossa força.

Esta possibilidade é mencionada de modo bem claro nas Sagradas Escrituras, na Parábola do Filho Pródigo[1]. Ele tinha que dar-se conta por si mesmo do seu estado indigno, método insatisfatório de vida, e deveria procurar internamente, para encontrar a força que o faria retornar ao Pai. E, em verdade, o Pai contava com seu retorno. É evidente que o cultivo de forças e poderes espirituais, requer que também sejam adquiridas sabedoria e compreensão, pois os poderes espirituais não são nem maus nem bons em si, senão o motivo e o caráter de quem os possui, fazem-nos merecer esse qualificativo. Sabemos que as distinções entre o uso legítimo e ilegítimo dos poderes espirituais são superiores e sutis.

Sempre devemos recordar que poder é força para realizar, e o que com ela fazemos, depende de nós. A direção que lhe dermos é de nossa própria e pessoal responsabilidade.

Foi poder sobre todas as coisas o que o diabo, o tentador, prometeu ao Cristo Jesus, quando estiveram juntos no deserto. Sabemos que Cristo Jesus triunfou de todas as tentações e respondeu: “Não tentarás ao Senhor teu Deus.” Neste, como em todas as demais veredas, Ele é nosso único Ideal e Caminho.

Se perdemos nosso rumo, isto é só temporário. As asas cortadas podem crescer de novo, e quando encontrarmos outra vez nosso caminho, aprenderemos também que só o Bem, a Verdade e o Belo sobrevivem afinal, pois um dia seremos testemunhas desse fato: “E aquele que estava sentado no trono disse: E daqui eu faço novas todas as coisas.” (Apo 21:5).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1974 pela Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.R.: Lc 15:11-32 – “Um homem tinha dois filhos. O mais jovem disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando todos os seus haveres, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua e ali dissipou sua herança numa vida devassa. E gastou tudo. Sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região, que o mandou para seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E caindo em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda ao longe, quando seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos seus servos: ‘Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois, este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!’ E começaram a festejar. Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde’. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu a seu pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado!’ Mas o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois, esse teu irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!’”

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Todo o Cristão ora, mas nem todos sabem orar

Todo o Cristão ora. A Oração é um ato generalizado em toda a coletividade Cristã e em toda a coletividade que crê em Deus. Orar é agir com a Mente e com o Coração ao mesmo tempo, em comunhão com as coisas superiores: é elevar a alma aos planos superiores, num movimento de aproximação.

Todo o Cristão ora, mas nem todos sabem orar e pode-se dizer que tanto mais eficaz é a oração, quanto mais sereno estivermos nessa hora, ou nesse momento. A aflição, a impaciência, um movimento forte de emoção neutralizam a intensidade da oração, por isso se aconselha que por mais forte que seja a necessidade ou a vontade de orar, quando se está em desespero, é melhor esperar a calma para depois fazer uma oração como se deve. A oração é um trabalho interno, de grande valor, porque é a concentração de forças espirituais no sentido de um entendimento com os Mundos das causas, os Mundos espirituais.

Se não houver uma harmonia perfeita do pensamento que dita a expressão de uma oração e dos sentimentos que traduzem essa expressão, a oração não tem intensidade, portanto perde muito de seu valor. Ela é tanto mais perfeita, quanto mais consciente e mais sentida for.

Muita gente tem as suas orações decoradas. Se elas forem compreendidas no seu verdadeiro sentido e levarem a força do sentimento, essas orações levam o efeito da sua repetição, que é um efeito infalível e a correspondência de seus sentimentos, mas, é preciso dizer que as orações que estão apenas no domínio da memória são vazias, sem consistência e, portanto, sem resultado. O que não é consciente é inconsequente. Essas orações decoradas têm, geralmente, palavras muito bonitas e de uma força de expressão, mas, de nada valem essas expressões, se não levarem um pouco da alma, se não produzirem um contato dentro de nós com o Espírito de Deus, num entendimento mútuo, num reconhecimento.

Deus está em nós e nós sentimos profundamente a Sua presença quando oramos com consciência e sentimento, com calma e confiança. E as orações conscientes, plenamente esclarecidas, são as orações espontâneas, criadas no momento, num esforço de elevação da alma, em confissão, clara e sincera, numa comunhão dos sentimentos mais elevados com o que realmente somos, o Deus Interno. Essas são as orações do verdadeiro Cristão e devem ser adotadas pelos Estudantes Rosacruzes. “Esoterismo”, no seu sentido gramatical, quer dizer “íntimo” de “dentro”.

No sentido espiritual, “Esoterismo” quer dizer desenvolvimento das faculdades mais íntimas, mais profundas que possuímos, latentes. Então, para que uma oração seja esotérica, é preciso que ela venha do íntimo de nossa consciência, numa força natural e pura, numa exposição clara de nossos pensamentos. E é assim que falamos nessas ocasiões, por meio da nossa consciência, e muitíssimas vezes, em meio de uma meditação profunda, em forma de oração, nós sentimos a nossa ignorância, os enganos da nossa conduta, dos nossos modos de agir, e percebemos o caminho mais certo.

É fato comum entre os Estudantes Rosacruzes perceber, intuitivamente, os enganos existentes numa questão já começada e decidida, e então fazer as modificações adequadas. Isso porque nós, quando em comunhão com Cristo, os Irmãos Maiores e até os Auxiliares Invisíveis conscientes, nos sintonizamos e nos harmonizamos para que possamos agir, atuar na nossa vida, desde que sinceramente procuramos.

É pensando, refletindo, com a consciência aberta que nós atinamos com os nossos próprios defeitos e com os erros de nossas ações e, é orando, pedindo a Deus (o nosso Deus Interno) que nos ilumine, que a nossa consciência se torna clara.

A oração é, como se diz comumente, um ato de e de Confiança em Deus. Por isso mesmo, é preciso que leve um pouco de nós mesmos, num sentimento maior ainda, que é o de amor à Deus. Não basta a confiança, é preciso amá-lo.

Qualquer pessoa tem direito de orar, de pedir a Deus, de se socorrer na grandeza e na bondade Divina, mas o direito é, em grande parte, a consequência do dever cumprido. É preciso que sejamos dignos dos pedidos que fazemos, mesmo porque, nada que não seja justo, não pode ser concedido, por efeito das Leis de Deus.

Diante das Leis de Deus muita coisa nos pode ser proporcionado, mas fora das Leis de Deus, nada pode ser fornecido e tem que ser assim para que haja equilíbrio e para que haja o desenvolvimento da nossa consciência, o aperfeiçoamento das nossas faculdades, o nosso progresso, enfim.

Esse progresso é tão certo, é tão infalível, que os Ensinamentos Rosacruzes, ao contrário de outros ensinamentos conhecidos, não aconselham a resignação total, a passividade em relação aos sucessos da nossa vida, sucessos que nós chamamos de fatalidade. A resignação deve ser relativa. Sabemos que muitas coisas de nosso destino são imutáveis (chamado de Destino Maduro que temos que passar por meio de adversidades, restrições e que requer muita paciência e muita fé); que nós mesmos as criamos e que temos de suportá-las. Sabemos que o nosso destino é como uma casa que construímos para nossa moradia. Se ela tem defeitos, nós mesmos somos culpados e temos de suportar, porque para corrigir os defeitos dela, ou para remover as portas, janelas, o teto, etc., seria preciso desfazê-la toda, pedra por pedra, para não promover mais desordem ainda, e construí-la de novo, pedra por pedra, outra vez. No entanto, pode-se suportar os defeitos dela, arrumando-a com jeito, enfeitando-a, ajeitando o seu interior de acordo com nossas necessidades presentes. Além disso, justamente por conhecermos e não nos resignarmos com os nossos defeitos maiores, irremediáveis, nós vamos, nela mesmo, trabalhando para a construção de uma casa melhor, mais aperfeiçoada, mais a gosto. Vamos reunindo o necessário e construindo devagar, uma casa mais cômoda e mais fácil, de modo que não devemos rebelar-nos com a nossa situação na vida, mas também não devemos nos resignar completamente e deixarmos que as coisas corram por si só. O que é preciso é nos acomodarmos na situação atual e trabalharmos para criar uma melhor. Isso tanto no sentido material como no espiritual. Vivemos sempre a pedir a Deus e, de nossos pedidos quase todos são de ordem material, por isso mesmo é que muitas vezes ficamos desapontados e tristes. Peçamos somente em favor do nosso entendimento, da nossa luz espiritual, em favor de nossos semelhantes, e nossa vida terrena correrá mais suavemente, sem tantos solavancos. É que o nosso, o Ego, progresso traz progresso material, na sua justa proporção, na sua medida adequada às nossas verdadeiras necessidades. “Buscai primeiro o Reino de Deus e o demais lhe será dado por acréscimo[1], nos ensinou o próprio Cristo.

Saber “querer” é uma das condições mais importantes da nossa vida e do nosso progresso. “Querer” o que é justo é meio caminho andado para se obter. Querer dentro dos limites do nosso merecimento é obter naturalmente, mas, acontece que não sabemos ser justos nos nossos deveres. Estamos sempre falhando com eles ou deixando-os incompletos, já pensando em receber o pagamento. Somos como as crianças de escola, que com a pressa de ver a nota no caderno, entregam a lição sem terminar.

Se pensássemos mais, procuraríamos, em primeiro lugar, corrigir os nossos próprios defeitos, porque então faríamos tudo mais bem feito, e pela Lei de Causa e Efeito ou Lei da Consequência teríamos também recompensas mais completas. Se somos imperfeitos, como queremos ter causas perfeitas?

De outro lado, quanto melhor somos, maior é o nosso centro de atração simpática e mais facilidades encontramos na vida, como aconteceu, por exemplo, com S. Francisco de Paula, que sendo uma criatura humílima, conquistou toda a simpatia de uma aristocracia orgulhosa e privilegiada ao ponto de ser convidado para assumir um cargo na Corte. Ele recusou esse cargo, mas aproveitou a simpatia daquela gente rica e de prestígio para aumentar a sua caridade, para intensificar a prática do bem.

A oração é, pois, um dos nossos maiores auxiliares, não resta a menor dúvida. É um esforço, um trabalho da alma, numa elevação da Mente e do Coração às esferas mais elevadas, onde as forças espirituais são concentradas, mas é preciso que sejamos dignos, profundamente dignos em pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, atos, obras e ações nas palavras que elevamos a Deus.

Examinando a nossa consciência notamos que em nossas orações poucas vezes nos lembramos dos outros e, no entanto, se quisermos, elas podem ser um veículo do nosso altruísmo. Se se faz orações coletivas em benefício de todos, porque é que a sós, não podemos repartir com eles o que de bem desejamos a nós.

Orar pedindo para os outros também aquilo que desejamos para nós é orar com Amor e Fraternidade.

Max Heindel aconselha-nos ainda mais: tudo o que pedimos a Deus, que seja para servir aos outros também. Tudo o que recebermos, que não seja guardado unicamente para o nosso próprio bem; que tenha utilidade para os que também precisam.

Tudo o que de “graça se recebe, de graça deve-se dar”, nos ensina os Evangelhos, e tudo que se consegue a custo de esforço e trabalho, também não deve servir ao nosso egoísmo e sim ao nosso altruísmo, porque então, além da boa vontade, leva também um pouco de nós, da nossa energia e da nossa capacidade.

Dar a sobra, não quer dizer nada, repartir o pouco que se tem, isto sim é caridade!

A oração, pois, elevada com amor a Deus e com amor aos nossos semelhantes, no silêncio, no recolhimento da nossa consciência, pode-se dizer que é mais um ato de fé; é um ato de reconhecimento de Deus em nós mesmos; no íntimo de nosso ser, no âmago de nossa Natureza. E Max Heindel aconselha-nos também, com insistência, a meditação: voltar nossos pensamentos para dentro de nós mesmos. Perguntar à nossa consciência o que temos feito. Ela com certeza responderá: pouco ou nada; sentir dentro de nós essa união com Deus é o principal objetivo de uma meditação, é fazermos à nossa consciência o compromisso de uma conduta louvável e útil à coletividade.

Cristo legou-nos a Oração do Senhor ou “O Pai Nosso”, uma oração completa, que pronunciada com convicção e sentimento, atende a todas as nossas necessidades, espirituais, materiais e sentimentais, que tem, em cada uma de suas partes, vibrações apropriadas a cada um dos nossos veículos externos e internos.

Essa oração interpreta as nossas necessidades de subsistência para prosseguirmos na luta de todos os dias, o desejo de redimir os nossos erros e compreender os erros dos outros, o pretexto de confiança, de fé e reconhecimento da vontade divina, infalível e sábia nos seus desígnios; a preservação do erro e das fraquezas, que são sempre provocados pelo Corpo de Desejos; a claridade da Mente para discernir o bem do mal e assim por diante.

Ao pronunciarmos o Pai Nosso, meditando e analisando cada uma de suas expressões, com intensidade de sentimento, com calma e clareza de ideia, podemos dizer que estamos sentindo em nós o Espírito de Deus. Max Heindel proporcionou-nos um presente dos Céus, um bem inefável, ensinando-nos a interpretação dessa Oração nos fornecida diretamente por Cristo[2].

Ela fala a todo o nosso mundo interno e coloca-nos junto a Deus, como um filho que procura a mão protetora do Pai. Essa oração deve nos servir de guia para todas as outras que fizermos, por nossas próprias palavras, de acordo com o estado de alma do momento. Ela nos ensina a falar com a consciência aberta, diretamente ao nosso Cristo Interno, na mais plena e absoluta confiança.

A palavra é uma força, e toda a palavra pronunciada com convicção, mesmo que fique solta no ar, é uma semente a germinar e um dia dará frutos. Nada se perde no Universo, nem mesmo um som qualquer, isolado perdido no espaço. Esses, conduzidos pelas ondas hertzianas, são conduzidos até onde podem ser reproduzidos.

Assim são as palavras. Uma vez pronunciadas com sentimento, provocam, infalivelmente, o efeito, como a resposta, muito embora demore um pouco. Boas ou más, elas vão e voltam trazendo a consequência, por isso devemos ter muito cuidado com as expressões, principalmente com aquelas que se diz em momentos de emoção, e com as que se pronuncia em forma de pedido às forças superiores.

Por grande que seja a nossa necessidade, por premente que seja a situação do momento, é melhor não a fazer se não se conseguir um pouco de calma. Quando a angústia alvoroça o nosso coração, é melhor, num pensamento único e confiante, entregar a Deus a questão. Confiar absolutamente, porque muitas vezes, o tumulto das emoções nos leva a pensamentos e palavras disparatadas, que sentidas e ditas com intensidade, podem provocar reação equivalente. O nosso Corpo de Desejos é impaciente e, na maioria das vezes, perturba a nossa Mente, mormente em casos difíceis, e nos leva a perturbar também as ideias, a palavra, o que nos leva a reações indesejáveis. O melhor meio de se aguentar um vendaval é parar junto a um apoio seguro, como fazem as pessoas que, durante os temporais de areia, se agasalham junto às muralhas e ficam imóveis enquanto o vendaval lhes passa por cima das cabeças. Do mesmo modo, um revés, uma dessas borrascas na vida que acontece a toda gente, deve ser suportado com a concentração das forças e com o pensamento firme em Deus.

Voltando à oração, há trabalhos na vida, trabalhos altruísticos, que valem por uma oração profunda. Há trabalhos, mesmo na nossa vida diária, em nossas profissões, que feitos com honestidade e interesse pela coletividade, também são orações oferecidas a Deus. A oração comum, a prece é um trabalho da Mente e dos sentimentos elevados a Deus, diretamente, mas há ainda outros meios de nos elevar, de estimular as nossas faculdades superiores e orar: é amar os nossos semelhantes e respeitá-los, proceder em tudo o que fizermos, com boa fé, com amizade, com vontade de ser útil. Essa é a melhor maneira de se orar, servir amorosa e desinteressadamente ao próximo, e servir a Deus.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1980 Fraternidade Rosacruz São Paulo-SP)


[1] N.T.: Mt 6:33

[2] N.T.: Podemos comparar a Oração do Senhor (Pai Nosso – Mt 6: 9-13) como uma fórmula abstrata ao melhoramento e purificação de todos os veículos do ser humano.

O cuidado a prestar ao Corpo Denso está expresso nas palavras: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.

A oração que se refere às necessidades do Corpo Vital é: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

O Corpo Vital é a sede da memória. Nele estão arquivadas subconscientemente as lembranças de todos os acontecimentos passados, bons ou maus, isto é, tanto a injúria como os benefícios feitos ou recebidos. Lembremos que, ao morrer, as recordações da vida são tomadas desses arquivos imediatamente depois de se abandonar o Corpo Denso e que todos os sofrimentos da existência pós-morte são resultado dos acontecimentos aí registrados como imagens.

Se pela oração contínua obtemos o perdão ou esquecimento das injúrias que tenhamos praticado e procuramos prestar toda compensação possível, purificamos nossos Corpos Vitais. Esquecer e perdoar àqueles que agiram mal contra nós elimina todos os maus sentimentos e nos salva dos sofrimentos pós-morte. Além disso, prepara o caminho para a Fraternidade Universal, que depende mui especialmente da vitória do Corpo Vital sobre o Corpo de Desejos. As ideias de vingança são impressas pelo Corpo de Desejos, em forma de memória, sobre o Corpo Vital. A vitória sobre isso é indicada por um temperamento equânime em meio dos incômodos e sofrimentos da vida. O Aspirante deve cultivar o domínio próprio, porque tem ação benéfica sobre os dois Corpos. A Oração do Senhor exerce o mesmo efeito porque ao fazer-nos ver que estamos injuriando os outros voltamo-nos para nós mesmos e resolvemo-nos a descobrir as causas. Uma dessas causas é a perda do domínio próprio, originada no Corpo de Desejos.

Ao desencarnar, a maioria dos seres humanos deixa a vida física com o mesmo temperamento que trouxe ao nascer. O Aspirante deve conquistar, sistematicamente, todos os arrebatamentos do Corpo de Desejos e assumir o próprio domínio. Isto se efetua pela concentração sobre elevados ideais, que vigoriza o Corpo Vital. É um meio muito mais eficaz do que as orações da igreja. O ocultista cientista prefere empregar a concentração à oração porque a primeira se realiza com o auxílio da Mente, que é fria e insensível, enquanto a oração, geralmente, é ditada pela emoção. Feita com devoção pura e impessoal, dirigida a elevados ideais, a oração é muito superior à fria concentração. Aliás, nunca poderá ser fria, porque voa para Divindade sobre as asas do Amor, a exaltação do místico.

A oração para o Corpo de Desejos é: “Não nos deixeis cair em tentação”. O desejo, o grande tentador da Humanidade, é o grande incentivo para a ação. É bom quando cumpre os propósitos do espírito, mas quando se inclina para algo degradante, para algo que rebaixa a Natureza, certamente devemos rogar para não cair em tentação.

O Amor, a Fortuna, o Poder, a Fama! Eis os quatro grandes motivos de toda ação humana. O desejo de alguma ou várias destas coisas é o motivo por que o ser humano faz ou deixa de fazer algo. Os grandes Líderes da Humanidade agiram sabiamente quando lhe deram tais incentivos para a ação, a fim de obter experiências e aprender. O Aspirante deve continuar usando-os como motivos de ação, firmemente, mas deve transmutá-los em algo superior. Por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor egoísta que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.

O Amor pelo qual se deve aspirar é unicamente o da Alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.

A Fortuna pela qual se deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.

O Poder que se deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.

A Fama pela qual se deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa-nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.

A oração para a Mente é: “Livrai-nos do mal”. Como vimos, a Mente é a ligação entre as naturezas superiores e inferiores. Admite-se que os animais sigam os seus desejos sem nenhuma restrição. Nisso nada há de bom nem de mau porque lhes falta a Mente, a faculdade de discernir. Os meios de proteção empregados para com os animais que roubam e matam são muito diferentes do empregado em relação aos seres humanos que fazem tais coisas. Mesmo quando um ser humano de Mente anormal faz isso não se considera da mesma forma que ao animal. Agiu mal, mas porque não sabia o que fazia é isolado.

O ser humano conheceu o bem e o mal quando seus olhos mentais se abriram. Aquele que realiza a ligação da Mente ao “Eu superior” permanentemente, é uma pessoa de elevado entendimento. Se, pelo contrário, a Mente está ligada à natureza emocional inferior, a pessoa tem mentalidade inferior.

Por tais razões, a oração para a Mente traduz a aspiração de nos libertarmos das experiências resultantes da aliança da Mente com o Corpo de Desejos e de tudo quanto tal aliança origina.

No Aspirante à vida superior, a união entre as naturezas superior e inferior é realizada pela Meditação sobre assuntos elevados, pela Contemplação que consolida essa união e, depois, pela Adoração que, transcendendo os estados anteriores, eleva o espírito ao Trono.

No “Pai Nosso”, geralmente utilizado na Igreja, a adoração está colocada em primeiro lugar, o que tem por fim alcançar a exaltação espiritual necessária para proferir uma petição que represente as necessidades dos veículos inferiores.

Cada aspecto do Tríplice Espírito, começando pelo inferior, expressa adoração ao aspecto correspondente da Divindade. Quando os três aspectos do espírito estão colocados ante o Trono da Graça, cada um emite uma oração apropriada às necessidades da sua contraparte material. No fim os três se unem para proferir a oração da Mente.

O Espírito Humano se eleva à sua contraparte, o Espírito Santo (Jeová), dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”. O Espírito de Vida se reverencia ante sua contraparte, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.

O Espírito Divino se ajoelha ante sua contraparte, o Pai, e diz: “Seja feita a Vossa Vontade…”.

Então, o mais elevado, o Espírito Divino, pede ao mais elevado aspecto da Divindade, o Pai, para a sua contraparte, o Corpo Denso: “O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje”.

O próximo aspecto, em elevação, o Espírito de Vida, roga ao Filho, pela sua contraparte em natureza inferior, o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

O aspecto inferior do espírito, o Espírito-Humano, dirige o seu pedido ao aspecto mais inferior da Divindade para o mais elevado do Tríplice Corpo, o de Desejos: “Não nos deixeis cair em tentação”.

Por último, os três aspectos do Tríplice Espírito se juntam para a mais importante das orações, o pedido pela Mente, dizendo em uníssono: “Livrai-nos do mal”.

A introdução, “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. A adição: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi dada por Cristo, mas é muito apropriada como adoração final do Tríplice Espírito por encerrar a diretriz correta para a Divindade.

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