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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Qual é o Mistério Incontestável

A necessidade de desenvolvermos o Corpo-Alma, se quisermos viver conscientemente na próxima Era está contida nesse versículo do Apocalipse de S. João e são de natureza profética: “A quem vencer, eu o farei coluna do Templo do meu Deus, e dele nunca sairá” (Apo 3:12). Seu significado é muito claro e conciso!

Adaptando-lhe os termos da Filosofia Rosacruz, quer dizer que aqueles que extraíram da existência física o Corpo-Alma, ou seja, o “Veículo de Cristo”, se tornam servos em Sua “Vinha” ou Reino e não mais retornam ao Mundo material. Os que não vencerem, devem retornar à Terra pelo renascimento para poderem progredir, sendo-lhes dada assim outra oportunidade de revestirem-se do Manto Dourado Nupcial.

Temos aqui uma positiva evidência do Renascimento, cuja doutrina é indispensável para podermos aceitar a evolução. O progresso depende de substituir o velho pelo novo, à medida que avançamos; a morte para o velho e o nascimento para o novo, como acontece com a vida.

A Forma é uma necessidade para a expressão da Vida, que é eterna. Em sua evolução, a Vida teve, necessariamente, de usar diversas Formas que sempre foram melhorando conforme a Vida progredia. Daí a morte e o renascimento resultando da verdade: “Deveis nascer de novo” (Jo 3:1). Quando a Forma se torna imprestável para o nosso uso deve ser abandonada, daí resultando a morte, e uma nova Forma deve ser construída para que o nosso desenvolvimento espírito continue. Tal é o princípio do Renascimento. O Renascimento é, portanto, um fator incontestável nesse Esquema de Evolução – no qual todos estamos inseridos, saibamos ou não –, já que o progresso, sem ele, é inadmissível, e o Renascimento se torna parte da nossa concepção da eternidade, uma necessidade para aquilo que era, é e será. O Renascimento é, na verdade, um fator indiscutível na evolução, pois o progresso é impossível sem ele. Velado em mistério, sua aceitação ainda depende da nossa fé. Para alguns, todavia, há dificuldades em aceitá-lo, porque não podem compreender que perdemos a lembrança de nossa existência espiritual superior durante os Renascimentos aqui. Isso acontece para que demos maior importância a sua vida física, pois se tivéssemos lembranças da nossa vida nos Mundos superiores não daríamos a devida importância a nossa existência material e nossa vida aqui na Terra seria de pouca valia para nós. Pode-se facilmente reconhecer a sabedoria que preside a essa circunstância, quando verificamos que descemos à existência no Mundo Físico para aprendermos tudo o que pudermos a respeito deste Mundo como parte da nossa evolução e, não tendo conhecimento de nossa existência superior, somos impelidos a nos aplicar na vida aqui na Terra. O Estudante Rosacruz ativo e que já está trilhando a algum tempo o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz sabe que o Renascimento é uma verdade porque tem ciência que é um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) e pode acompanhá-lo desde a sua saída do Corpo, por ocasião da morte aqui, até que reaparece na Terra por meio de novo Renascimento.

A Filosofia Rosacruz estabelece que o nosso Corpo Denso era semelhante ao mineral durante a Época Polar; semelhante ao vegetal durante a Época Hiperbórea; semelhante ao animal, possuindo um Corpo de Desejos, na Época Lemúrica, tendo chegado ao estado humano, possuindo Mente, na Época Atlante e que agora estamos desenvolvendo o terceiro aspecto do nosso Tríplice Espírito, o Espírito Humano, na atual Época Ária. As mudanças feitas por meio das referidas mortes e nascimentos foram feitas por nós mesmos em nosso estado inconsciente, mas atualmente adquirimos a Consciência de Vigília, ou consciência de nós mesmos, exercendo em alguma extensão nossa vontade individual, o que está nos habilitando a desenvolver o nosso poder espiritual divino. Atualmente somos grandemente responsáveis por nossos atos estando sujeito à Lei de Consequência. Essa Lei, agindo em harmonia com os Astros, nos traz ao nascimento quando as posições dos corpos celestes fornecem as condições necessárias a nossa experiência e progresso na Escola da Vida. As Leis do Renascimento e de Consequência têm sido ensinadas secretamente em todos os tempos, porém não foi ensinada publicamente no Mundo Ocidental durante os últimos dois mil anos.

A Hierarquia Criadora de Escorpião, os Senhores da Forma, tem a seu cargo os três germes dos Corpos Denso, Vital e de Desejos durante o presente estado evolutivo. Essa Hierarquia, sob a direção de outras ainda mais elevadas, realmente faz o principal trabalho nesses Corpos, usando a Vida que está evoluindo como uma espécie de instrumento. Atualmente estão com o encargo do terceiro aspecto do Espírito, o veículo Espírito Humano, durante o restante desse Período Terrestre.

O Signo de Escorpião, o Signo dos segredos, da morte e da regeneração ou renascimento é o segundo Signo da Trindade Reprodutora está, e quando o Sol está transitando por ele, estamos nos preparando para um renascimento do Cristo, mais uma vez no centro do nosso Planeta Terra, pelo Natal, enquanto a “Mãe Terra” mergulha no silêncio e na escuridão material e é permeada mais fortemente pela aura do Sol Espiritual, com o correlativo aumento do Fogo Sagrado inspirador de crescimento anímico em nós (não importando em que hemisfério estamos, sentimos essa influência, se estamos cultivando a nossa espiritualidade Cristã praticada na nossa vida aqui); mas, pela Páscoa, provoca uma diminuição de espiritualidade com o correlativa intensificação e pujança de vitalidade física (também não importando em que hemisfério estamos, sentimos essa influência, se estamos cultivando a nossa espiritualidade Cristã praticada na nossa vida aqui). O nascimento e a morte são necessários um ao outro como polos opostos de manifestação da Vida. O segredo da morte é a preparação para o nascimento. O princípio do renascimento – “aparecer de novo” – está sempre diante de nós: o Sol nasce pela manhã e morre à tarde, para aparecer novamente no dia seguinte; nossa consciência vem ao despertarmos do sono, para morrer mais tarde quando o sono retorna. Esse princípio de atividade consciente e inconsciente age em todos os planos, em grau diverso. Pelo Renascimento cada novo aparecimento é uma melhora nas condições anteriores, se adquirimos o conhecimento por meio da experiência, à proporção em que caminhamos para a frente e para cima, sempre.

É o polo positivo do ígneo Marte, por meio de Áries, que traz o renascimento ao plano material no Mundo Físico e é o polo negativo desse Planeta que introduz o Renascimento nos Mundo celestes por meio de Escorpião, precedido da morte no Mundo Físico. Portanto, Marte é o “Senhor do Renascimento”.

A criação procede da geração e a geração é o resultado da atividade sexual administrada por Marte. O sexo, ou a força sexual criadora, se manifesta em tudo na Região Química do Mundo Físico, o plano físico. Já nos planos suprafísicos essa mesma força criadora se manifesta nos princípios masculino (Vontade) e feminino (Imaginação) e estão sempre ativos no universo. Toda atividade resulta da atração e a força sexual criadora é o poder ativo que está por trás da atividade. No plano físico, as atividades dos elétrons, dos átomos e dos corpúsculos são simples atividades dessa força criadora. No plano mental, a Mente objetiva (quando renascemos no sexo masculino aqui) e a Mente (quando renascemos no sexo feminino aqui) estão em atração mútua, enquanto no plano espiritual existe a atração das essências espirituais entre a Vontade e Imaginação. A atividade da força sexual criadora, o princípio causador da criação, deu a Marte o título de “auxiliar do Sol”, que é o “Senhor da Criação”.

Vejamos agora o que a crença no Renascimento pode fazer por nós em nossa vida neste plano físico. Primeiramente revela o fato de que nós, sendo conscientes de nós mesmos, e agindo de acordo com a nossa própria vontade, nos tornamos responsáveis por nossas ações. Essas ações, sob a Lei de Consequência (isto é, o efeito que resulta da causa) ajudam a modelar nossa vida. Aprendemos que colhemos boas recompensas pela atos retos, ação ou obra reta, e colhemos dores e sofrimentos pelos maus atos, más obras ou ações. Não podemos escapar dessas consequências, pois se não aparecerem na vida atual, aparecerão em uma nossa vida posterior como Destino Maduro a ser dissolvido, às vezes, em situação mais difícil e doloroso. Portanto, temos muitos incentivos para nos tornarmos uma melhor pessoa por nossa vida em evolução aqui. O Renascimento vem ao encontro da doutrina da Ressurreição, pois por seu intermédio, o “aguilhão da morte” é removido e perdida a “vitória do túmulo”, pois o que desapareceu tornará a aparecer.

O Renascimento revela a eternidade da vida que proporciona a alegria de viver e das aspirações por sucesso na evolução, pois os fracassos nessa vida poderão se tornar vitórias na vida futura, por meio de novas oportunidades para vencer o que hoje nos cerceia.

As repetidas vidas do correto viver, desejar, falar, pensar nos habilitam a conhecer de “onde viemos, para onde vamos e por que estamos aqui”, bem como o que o futuro nos reserva acerca da Liberdade de escolha.

O Renascimento revela a sabedoria de Deus e a justiça das Suas Leis, a Santidade da vida e, sobretudo, a nossa grandeza feito à imagem e semelhança de Deus.

A crença no Renascimento não é coisa nova; existe na Índia desde tempos antigos; é encontrada no Budismo; contida no Alcorão, o livro sagrado de Islã; é conhecida dos Lamas do Tibete. Foi ensinada por Pitágoras e dos gregos foi transmitida à primitiva Igreja Cristã. É religiosa, filosófica; e também podemos dizer, científica.

Na realidade a morte não existe! O que assim parece é uma perda temporária de consciência num período de transição, quando passamos de um degrau para outro superior na escada da evolução.

Erradicando o temor da morte de nossas vidas, pelo conhecimento do renascimento, a transmutação e a transfiguração guiam o curso das nossas vidas para os portos celestes da paz e do amor, ao mesmo tempo que viajamos para o nosso Criador, tendo cumprido nossa missão o melhor que pudemos, para alegria do nosso Senhor!  

“E quando tenha terminado meu trabalho na Terra,

E meu novo trabalho nos Céus comece.

Esqueça eu os louros que ganhei.

Enquanto trabalho pelos outros.”

(Frances Jane Crosby – Fanny Crosby)

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Evento Sagrado Nascimento no Caminho de Preparação e Iniciação Cristã

Aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes a significância esotérica do trecho bíblico conhecido como Sagrado Nascimento: “E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama.” (Lc 2; 7-14)

O nascimento de Jesus de Nazaré foi proclamado pela Anunciação Angelical. Ele foi concebido de modo imaculado e o nascimento ocorreu em um estábulo. O Ego, que renasceu como Jesus de Nazaré, foi cuidadosamente preparado pelos Seres Divinos responsáveis pela evolução da Humanidade. Dele é um Sagrado Nascimento e, como tal, é sempre um acontecimento acompanhado por alegres hosanas de Anjos e Arcanjos. 

Para incutir os passos de realização na consciência da Humanidade, o nascimento é representado como ocorrendo em um lugar escuro, ou onde animais ferozes são alimentados, simbolizando um nascimento espiritual desde os elementos mais baixos e não regenerados da natureza mortal da Humanidade.

Simbolicamente, o neófito deve deixar Nazaré, o lugar onde o tempo é utilizado para a vida pessoal, e entrar no caminho que conduz a Belém, “Casa do pão”, em preparação para o Sagrado Nascimento.

Por várias e amplas razões muitos ainda não percebem que o tempo de nascimento de Jesus é uma estação de grande regozijo tanto nos planos internos como no externo.

Nesse sentido, repare que a Imaculada Concepção é representada no céu sobre o lugar do Seu nascimento, o zênite, o Meio do Céu, estava no Signo de Câncer.

Nesta Constelação, chamada origem da vida na Terra ou novo nascimento no Mundo Físico, por meio das forças lunares, governadas pelo Espírito Santo, Jeová, temos um cúmulo estelar com o nome de “Praesepiu”, em latim – aportuguesado para “presépio”, que significa: manjedoura, alimento, “Casa de Pão”: Belém – Latitude 32º Norte (São Lucas, cap. II, vers. 7).

Nela se situam as estrelas “Asellus Borealis”, “Gamma Cancri” e “Asellus Australis”, “Delta Cancri”.

A estrela mais brilhante desta constelação é Acubene ou Acubens que designa lugar secreto.

É o mesmo que ocorre quando nasce, em nós, o Cristo Interno, pois aqui conseguimos a consciência do acontecer de um novo nascimento: um novo poder emana de nossa a Mente e um imenso amor irradia do nosso Coração.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Purgatório visto como a “cura da alma”

Ninguém deve temer o Purgatório, já que ele é um “hospital para alma”. Nele as pessoas moralmente enfermas recebem o cuidado necessário para “restaurar a saúde”. Certamente que nesse cuidado pode incluir uma espécie de “cirurgia” que frequentemente é dolorosa para o Ego – que ainda está revestido pelo Corpo de Desejos e pela Mente da vida terrestre recém terminada –, já que é realizada, mediante a ação da Força de Repulsão; força essa que predomina nas Regiões inferiores do Mundo do Desejo, onde se localiza o Purgatório.

Os fabricantes de instrumentos da maldade devem aprender a se elevar acima de seus desejos; já que a escravidão dos apetites físicos é vencida pela completa impossibilidade de gratificá-los. Os “demônios” da crença ortodoxa são vistos no Purgatório como uma força inferior da Onda de Vida comparada à dos insetos e répteis do Mundo Físico, porém menos perigosos devido ao fato de que são mais dóceis à vontade do Ego e às forças psíquicas. Um simples ato de determinação, uma elevação de consciência mediante a oração, não de caráter angustioso, suplício (ainda que essa também tenha seu poder), mas da oração tranquila que nasce de uma Mente elevada afasta rapidamente esses elementais, enquanto o corpo doente não é tão facilmente dissipado.

A base da vida no Purgatório são as cenas em que o Ego errou e são revividas, e ele se vê no lugar daquele que prejudicou e sofre como sofreram aqueles que ele lesou na vida terrena, da mesma forma que a base da vida enquanto encarnados neste Mundo Físico é o Panorama da Vida que escolhemos no Terceiro Céu. Mesmo porque no Purgatório vivemos, em média, um terço do tempo vivido aqui e nesse período temos muito que compensar por meio do arrependimento e da reforma íntima.

O que ocorre, às vezes, é os Auxiliares Invisíveis encontrarem pessoas que estão no Purgatório e que lhe pedem que vá as suas famílias para dizer-lhes para viver vidas retas e bondosas e fazer o seu melhor para não ter que sofrer depois que eles passarem pela morte. E, obviamente, eles não vão porque de nada adiantaria (como não adianta, na maioria das vezes, a gente ser testemunhas oculares das mazelas dos nossos pais, familiares e entes próximos e, mesmo assim, a gente continua fazendo o que é errado!).

Vamos falar um pouco sobre como é o processo da experiência purgatorial, quanto à sua constância em sentirmos os sofrimentos e as dores purgantes encadeando um sofrimento após o outro durante toda a nossa existência nesse lugar. Usemos a Lei de Analogia para entendermos como funciona lá, estudando como funciona aqui. Suponhamos que uma pessoa que sofre intensamente, por um curto período de tempo, geralmente sente a dor muito agudamente. Agora uma outra pessoa que sofre durante anos sucessivos, embora a dor infligida possa ser igualmente intensa, não parece senti-la na mesma proporção que a primeira pessoa. Isso ocorre porque a segunda pessoa se acostumou a ela e, de certa forma, o seu Corpo Denso se adaptou à dor; por isso, o sofrimento não é tão intensamente sentido nesse caso quanto no primeiro.

A mesma coisa ocorre na experiência purgatorial: se uma pessoa foi muito dura, cruel, indiferente quanto aos demais, egocêntrica, causadora de muita dor e muitos sofrimentos nos outros, então o seu sofrimento no Purgatório será muito rigoroso e intensificado pelo fato de que a experiência purgatorial seja de menor duração do que a vida vivida na Terra; mas a dor é intensificada proporcionalmente. Comparando com o caso acima se a experiência dessa pessoa fosse contínua ou a dor gerada por um ato fosse imediatamente seguida por outra, grande parte do sofrimento seria perdido para a pessoa, pois não seria sentida em toda a sua intensidade. Por esse motivo, às experiências lhe chegam em ondas, com períodos de descanso, para que o sofrimento seguinte possa ser profundamente sentido. Alguns podem achar que isso é cruel e que a dor infligida, ao utilizar-se desse artifício para intensificar o sofrimento, seja desnecessária. Porém não é assim. Esse sofrimento resultará um bem maior, pois Deus nunca busca desforra ou vingança, mas apenas almeja ensinar a pessoa pecadora a não mais reincidir no erro. Por isso, ela deve expiar todos os pecados cometidos. Isso irá ensiná-la a respeitar, em vidas futuras, os sentimentos alheios e a ser misericordiosa com todos. Portanto, é necessário que a dor seja altamente sentida para a conservação da energia e para que a pessoa possa se purificar e se tornar melhor, o que não aconteceria, caso a dor fosse contínua e o sofrimento, correspondentemente amenizado.

As experiências do Purgatório são gravadas no Átomo-semente do Corpo de Desejos como fruto da vida passada e depois na forma de um sentido moral purificado que o Ego leva consigo e conduz depois ao próximo renascimento para atuar como consciência e estimular o desenvolvimento das virtudes ao conceito de justiça e misericórdia.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Comunhão Espiritual

Como alcançamos “a realização de Deus por meio do reconhecimento da unidade fundamental de cada um de nós com todos”, como repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo?

Por meio da “Comunhão Espiritual”. Mas, como compreender e aplicar a Comunhão Espiritual?

Comecemos com a tomada de consciência de que todos somos irmãos, filhos de um mesmo Deus, que nos criou, todos como Espíritos Virginais.

Depois, compreendamos que todos, juntos, retornaremos a Deus e assim quando prejudicamos alguém, seja por pensamentos, sentimentos, emoções, palavras, obras, ações ou atos, seja por omissão ou por co-omissão, estamos prejudicando o nosso próprio desenvolvimento, a nossa própria evolução!

A Comunhão Espiritual começa no nosso lar, entre os nossos familiares. Não precisamos ficar como censores ou conselheiros, prontos para retrucar ou falar sempre que vemos um familiar agindo erradamente. Sejamos como uma fonte no deserto que jorra água por séculos sem ninguém dela necessitar, mas quando alguém passar e estiver com sede, lá está ela à disposição.

Mostremos a nossa disposição de termos a Comunhão Espiritual por meio do nosso exemplo e da nossa vivência dos Ensinamentos Rosacruzes.

Lembremos que como Aspirantes a vida superior estamos sempre sendo observados. Mesmo durante o nosso cotidiano não nos deixemos ser manipulados pelas circunstâncias externas. São elas que nos atormentam os nossos corações com angústias.

E é por falta de vontade de reconhecermos a nossa unidade com todos que nos carregamos de pecados, nos molestamos de tentações, nos embaraçamos e nos oprimimos com muitas paixões. E aí não há ninguém que nos ajude, nos livre ou nos salve senão o Cristo a quem devemos nos entregar. Pois Ele nos deu o exemplo da Comunhão Espiritual maior que se pode fazer por um irmão e uma irmã ao entregar o Seu corpo e o Seu sangue para nos salvar: “prova de amor maior não há que doar sua vida ao irmão” (Jo 15:13).

E é através desse maravilhoso exemplo que devemos nos manter em Comunhão Espiritual.

Observe que nos quatro Evangelhos há as atitudes que devemos ter em todas as circunstâncias que existem e possam existir. Quando se diz que esses quatro Evangelhos são fórmulas de Iniciação, quer se dizer que eles contêm o modo do Cristão agir em todas as circunstâncias que, porventura, ele passar. Ensina-nos como e porque agir fraternalmente e se tomarmos as palavras de Cristo: “a Palavra que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6; 64), então teremos a chave de como viver fraternalmente, pois como dois diapasões ressoam em sintonia quando um deles é golpeado, o nosso “Eu superior” vibra quando, pela nossa vontade, resolvemos nos sintonizar com os ensinamentos do Cristo. Assim, Suas palavras nos alimentam e ditam as nossas atitudes, desejos, sentimentos, palavras e pensamentos. Então, estaremos vivendo a vida no verdadeiro sentido da palavra.

Enquanto não tomamos essa consciência e essa resolução, temos apenas vislumbres do viver a vida. E na maioria das vezes estamos nos deixando levar pelos impactos exteriores! É “o corpo governando o espírito”.

O segredo aqui é lembrar em servir a “divina essência” oculta em cada um de nós, o Cristo interno, essa luz presente no ser humano menos evoluído. Com isso nos pomos acima de qualquer limitação imposta pelo “eu inferior”: orgulho, medo, vergonha, vanglória, ambição, egoísmo.

E não há outro meio, pois, “quem não renunciar a tudo não poderá ser Meu discípulo” (Lc 14:33). E esse é o motivo de haver tão poucos esclarecidos e livres: não saber abnegar-se de todo e de si mesmo. Deixar ser levado por esses sentimentos criados pelo “eu inferior”, por essa separatividade ilusória.

Para qualquer Onda de Vida e em qualquer grande Dia de Manifestação é muito difícil se desvencilhar dessa separatividade ilusória, após um mergulho em Mundos mais densos. A ideia de que somos separados um do outro está arraigada em nossa Personalidade (o “eu inferior”), cultivada por nós em muitas vidas.

A dificuldade em tomar consciência da Comunhão Espiritual, “da unidade fundamental de cada um com todos” é acrescida por estarmos no Mundo Físico e suas baixas vibrações. Mas essa separatividade e essa limitação de vida foram importantes para a nossa manifestação ativa. Manifestação essa que é a conscientização de que somos um ser criador, individual, com os mesmos poderes do Ser que nos criou, Deus. Mas, uma vez aprendido e passado o pináculo da separatividade, estamos voltando para Ele, para Deus.

Libertaremo-nos de toda a existência concreta e nos transformaremos num “pilar do templo de Deus e dele não sairemos mais” (Apo 3:12).

Sempre que vamos entrar em um novo estágio evolutivo, os Seres Superiores lançam sombras desse estágio que virá a fim de tornar mais suave a mudança e de dar oportunidades para os vanguardeiros da nossa Onda de Vida, aqueles que sentem a necessidade de dar mais um passo e que anseiam progredir na evolução.

Na Nova Galileia, a próxima Época, a sexta, o amor se fará altruísta e a razão aprovará os seus ditames. A Fraternidade Universal se realizará plenamente e cada um trabalhará para o bem de todos. O egoísmo será coisa do passado.

Aos poucos estamos sentindo que a razão está deixando de nos dominar e o amor está começando a ditar as nossas atitudes.

Vemos que, aos poucos, essa consciência estritamente individual, limitada ao Mundo material, está desfazendo as nações em indivíduos e assim a fraternidade humana está se estabelecendo sem ter em conta as circunstâncias exteriores.

Vivamos uma vida de fraternidade e de amor apressando a segunda vinda de Cristo.

Somente através da prática da Comunhão Espiritual em nossas vidas é que alcançaremos a conscientização da Fraternidade Universal, capacitando-nos, assim, a ajudar os nossos irmãos e as nossas irmãs a seguirem o mesmo caminho.

                                                                       Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Astrologia e o Nosso Destino

Muitos Estudantes Rosacruzes, após um pequeno estudo de Astrologia Rosacruz, têm a impressão de que tudo está predestinado. Passam a acreditar que a vida, com seus muitos eventos e experiências, é planejada do berço ao túmulo, e que somos levados irresistivelmente por ela, seja uma vida “boa ou ruim”. Essa é uma ideia equivocada. É verdade que a maioria de nós tem uma certa dose de Destino Maduro do qual não podemos escapar, mas não podemos dizer que toda a nossa vida esteja predeterminada. Os principais acontecimentos, conforme nos chegam do Mundo Físico, são planejados antes de nascermos, mas isso é feito por nós mesmos, auxiliados pelos grandes Senhores do Destino. Há muitas lacunas que preenchemos à medida que avançamos.

A maneira como encaramos essas experiências, as assimilamos e construímos suas lições em nós mesmos em forma de caráter não está predeterminada. Não está predestinado, por exemplo, que um ser humano acabe na sarjeta como resultado de uma prova para superar sua tendência a tomar bebidas alcoólicas. Certamente, ele nasceu com essa tendência de uma vida passada porque não a superou naquela vida; no entanto, isso não o condenou a terminar seus dias no caminho descendente. Ele poderia ter acabado no caminho ascendente, se tivesse usado a força de vontade dele e lutado para superar a fraqueza. Dependia dele o fracasso ou a conquista.

Certos traços e certas características acompanhados por diversas experiências são definitivamente mostrados no horóscopo: contudo, o resultado final é determinado pelo “eu” interior – o que realmente somos – e não pode ser conhecido exatamente de antemão. Podemos julgar se o progresso de uma vida será desenvolvido ao longo de linhas espirituais ou materiais, observando qual destes se move mais rápido: o Meio do Céu ou o Ascendente. Se o Meio do Céu se mover mais rápido, o progresso da pessoa será realizado por meio de esforços espirituais; se o Ascendente se mover mais rápido, o trabalho da vida tenderá a ser realizado por meio de esforços materiais. Um progresso quase igual dos dois significa um desenvolvimento equilibrado. A vida física de um indivíduo pode terminar na prisão ou na pobreza e, ainda assim, essa pessoa pode ganhar uma riqueza de experiência que lhe beneficiaria espiritualmente e desenvolveria muito crescimento de caráter. O mundo exterior diria: “Que pena, terminar seus dias na prisão”. Entretanto, o Estudante Rosacruz, sabendo que uma vida é apenas um curto espaço de tempo no intervalo de muitas vidas, consideraria aquela em particular como uma experiência passageira a ser vivida — mais uma no Caminho de Evolução.

As Triplicidades dos Signos do Zodíaco mostram que tipo de destino está reservado para o indivíduo, ou que destino ele reservou para si mesmo ao longo de muitas vidas. A palavra destino aqui é usada de maneira muito geral, abrangendo não apenas as experiências de vida, mas também o caráter. As experiências a serem enfrentadas, que são indicadas por Astros em Signos Cardinais — Áries, Câncer, Libra e Capricórnio — são Dívidas do Destino que concordamos em pagar nesta vida. O Ego, antes de nascer, vê o Panorama de Vida que será a sua vida futura com seus vários principais eventos. No caso dos Signos Cardinais, o Ego concordou, voluntariamente, em aceitar as experiências que são delineadas. Mesmo que pense que elas trazem infelicidade e dor, ele sabe que ajudou a selecioná-las no Terceiro Céu, onde tudo estava claro – devido a sua consciência estar expandida, de modo que ele sabia exatamente qual é o objetivo de renascer aqui – e ele não estava cego pela matéria. Portanto, ele aceita voluntariamente esse destino.

As experiências a serem enfrentadas e que são provenientes de Signos Fixos — Touro, Leão, Aquário e Escorpião — são, como o próprio nome indica, fixas. Isso significa que sejam algo que não pode ser contornado pelo esforço do indivíduo. As aflições vindas de Signos Fixos devem ser e serão enfrentadas em algum momento durante cada vida particular. Características de Signos Fixos são aquelas que foram expressas durante um período de vidas e se tornaram muito fortes. Naturalmente, qualquer característica prejudicial proveniente de um Signo Fixo é muito mais difícil de superar do que uma proveniente de um Signo Cardinal ou Comum. Por exemplo, Netuno rege as drogas: portanto, um viciado em drogas com um Netuno sob tensão no Signo Fixo de Touro certamente vai considerar o hábito mais difícil de superar do que um viciado com Netuno no Signo Cardinal de Áries ou no Signo Comum de Gêmeos. Com o conhecimento do renascimento para nos guiar, podemos facilmente ver que o indivíduo Netuno-Touro evidentemente se entregou ao vício das drogas por um período de várias vidas e será muito difícil abandonar o hábito. Naturalmente, muitas coisas podem se enquadrar nessa categoria, como bebida alcoólica, mau humor, dissipação de todos os tipos, comer demais etc. Aflições de Signos Fixos indicam tendências prejudiciais que são muito fortes; mas os Aspectos benéficos dos Signos Fixos dão a estabilidade necessária ao caráter para revelar suas melhores qualidades.

Sob os Signos Comuns — Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes — qualquer qualidade negativa indicada pode ser facilmente superada, em geral. Qualquer característica de Signo Comum está realmente em formação, seja ela boa ou ruim. No entanto, se falharmos em corrigir um hábito ruim de um Signo Comum em uma vida, na próxima vida ele pode se vincular a um Signo Cardinal e se tornar um pouco mais difícil de corrigir. Contudo, se continuarmos sem fazer esforço para mudar, depois de várias vidas ele passará para um Signo Fixo, e a mais difícil de todas as batalhas começará.

Das Triplicidades, os Aspectos dos Signos Comuns são os mais fáceis de se lidar. Depende de nós, se colheremos ou não toda a aflição desses Signos. Nos Signos Comuns, temos alguma margem para mitigar muito do destino indicado, se vencermos o mal dentro de nós. É claro que, se seguirmos o caminho mais fácil e sem resistência, certamente colheremos um destino infeliz. Esse é o principal problema com as pessoas que possuem Signos Comuns fortalecidos no seu horóscopo. Elas tendem a ser mutáveis e podem não ter a determinação ou o desejo de tentar conter as tendências ou características negativas que vêm de Signos Fixos e Cardinais.

Deve-se perceber que um horóscopo não é inquebrável: geralmente é flexível. Não importa quantas Dívidas de Destino um horóscopo indique, quão alto seus obstáculos pareçam assomar, pois sempre há pontos positivos em algum lugar. Ninguém é enviado a este mundo de mãos e pés atados, figurativamente falando. Nos horóscopos mais afligidos há sempre algum Aspecto ou combinação que seja útil à pessoa. É aí que entra o dever do Astrólogo Rosacruz: apontar tal (is) característica (s) positiva (s), mostrando ao nativo como ele pode se basear nela (s) ou até mesmo usá-la para dominar suas aflições. O Astrólogo Rosacruz deve estudar cuidadosamente o horóscopo, analisando e ponderando cada fator em relação aos demais. Um indivíduo pode superar todas as aflições ou infortúnios que a experiência terrena contém, mas deve ser um Espírito forte — aquele que esteja disposto a morrer lutando.

Alguns de nós, seja por fraqueza de caráter ou por hábito, aprendemos lentamente as nossas lições. Pagamos uma penalidade por um erro ou transgressão e, deliberadamente, o cometemos de novo. Cada vez que caímos ou cedemos a essas coisas, recebemos uma lição mais difícil; a tarefa se torna maior. Se pudermos reconhecer nossos pontos fracos e as nossas tendências adversas e trabalhar para corrigi-los, será muito mais fácil para nós do que esperar o futuro começar. Entre o agora e o futuro, nossas falhas podem se tornar tão fixas que será necessário muito mais esforço para superá-las. A energia que teríamos de usar para corrigir essas falhas no futuro, nós podemos usar agora para construir um caráter novo e melhor.

A natureza humana é fraca. O ditado “o Espírito está pronto, mas a carne é fraca”[1] é muito verdadeiro. Vamos tentar esquecer “a carne” e nos concentrar no Espírito, para que ele se eleve e domine todo o resto.

Não culpe os Astros pela infelicidade ou pelo infortúnio que chegam até você, ou pelo “mal” que pode estar dentro de você. É fácil dizer: “Bem, eu tenho o Sol em Quadratura com Marte; é por isso que tenho um temperamento horrível”. Esqueça seus Astros, olhe para dentro de si mesmo e perceba que a fraqueza é algo dentro de você — algo a ser dominado. Pense nos Astros, não como portadores de boa ou má fortuna, mas como os Corpos Celestes de grandes Seres espirituais que o estão, voluntariamente, ajudando você em sua evolução. Pense neles com a reverência que lhes é devida. Então, à luz desse conhecimento mais amplo, você será grato pelo destino que seu horóscopo prenuncia. Saiba que toda experiência, provação ou infortúnio o esteja ajudando a fortalecer seu caráter. Medite nas palavras do grande filósofo Confúcio, que disse: “A gema não pode ser polida sem fricção, nem o ser humano aperfeiçoado sem provações”.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro/1984 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Mt 26:41

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Participo de um grupo de estudos formado por Cristãos muito sinceros, que consideram as ciências ocultas verdadeiras armadilhas de Satanás, desaconselhando com bastante veemência qualquer contato com as mesmas. É do meu conhecimento que os Ensinamentos Rosacruzes são considerados ocultos. Apesar da pouca familiaridade que tenho com esses Ensinamentos, tenho a impressão de que não tem nada de “satânico”. Agradeceria seus esclarecimentos a esse respeito. Estou certo?

Resposta: O termo “oculto” refere-se em geral, a tudo o que é secreto, ou considerado “sobrenatural”, do ponto de vista puramente físico. O ocultismo, como qualquer outro estudo, tem os seus aspectos positivos e negativos. Infelizmente, devido a grande ênfase dada aos seus aspectos menos superiores a ciência oculta criou “má reputação” em certos círculos.

Parece-nos, contudo, que a Filosofia Rosacruz, ou melhor, dizendo, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, indicam para a Humanidade ideias e ensinamentos sobre tudo o que há de mais superior e positivo, quanto à natureza de Deus e a nossa. De acordo com esses ensinamentos, nós somos inerentemente semelhantes à Deus, possuindo, em estado latente, todos os atributos da Divindade. A meta final da evolução é nos transformar do ser inocente e estático que somos hoje, num ser dinâmico como o Deus solar que adotamos.

A nossa evolução vem se processando desde os tempos imemoriais. O presente estágio é caracterizado por repetidos renascimentos na Terra, a fim de aprendermos certas lições no plano físico, antes da passagem para Mundos superiores. Passarão eons incontáveis, até que as qualidades que nos tornarão em um ser divino desenvolverem.

O conhecimento adquirido em nossa jornada evolutiva deve ser usado a serviço de nossos semelhantes. E para evoluir devemos adquirir conhecimentos, tanto dos Mundos espirituais como do Mundo Físico. E não há nada de maligno no conhecimento. O desejo de aprimoramento, o esforço em aprender algo relativo tanto aos Mundos espirituais como ao Mundo Físico, numa escola qualquer, merece louvor. O importante é o uso que será feito desses conhecimentos.

Devemos nos esforçar ao máximo em resistir à tentação de usar esses acontecimentos para engrandecimento próprio, para fins egoístas ou para prejudicar nossos semelhantes.

A Filosofia Rosacruz é uma filosofia Cristã. Oferece a mais ampla interpretação dos Ensinamentos Cristãos básicos, do que as Igrejas cristãs. Proporciona grande ênfase a doutrina do Amor Universal, conforme foi legada a todos nós por Cristo-Jesus.

(Publicada na Revista Rays From the Rose Cross – 09/15 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por que é declarado na literatura Rosacruz que no Período Lunar a umidade foi produzida pelos Globos de calor entrando em contato com o frio externo? No mesmo princípio, por que a umidade não se forma em torno do nosso Sol atual, já que o Sol está cercado por um espaço frio?

Resposta: O ponto mais denso encontrado no Globo do Período Lunar é a Região Etérica do Mundo Físico. Quando a literatura Rosacruz menciona a umidade nesse Período, ela não se refere à umidade física, mas àquela que mais tarde se tornou umidade quando foi condensada em substância física. Essa substância, em formas modificadas, existe desde o começo dos tempos. A Filosofia Rosacruz é frequentemente questionada em termos comparativos ao invés do sentido literal, pela razão de, no presente momento, nenhum termo do Mundo Físico ter sido criado para designar as coisas que estão sendo descritas.

A umidade não é formada em torno do Sol no presente momento porque as leis que governam a umidade física não são as mesmas que regulam e governam o desejo ou a substância etérica.

(Pergunta de Leitor publicada na Revista Rays from the Rose Cross de nov./1940 – traduzida pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Deus e o Ser Humano: em que nível de relação você está?

Tudo que fazemos ou pensamos se associa à satisfação das nossas necessidades primárias: saciar a fome, abrigar-se, vestir-se, defender-se, constituir família, etc. O sentimento e o desejo são as molas propulsoras de todas essas realizações.

Mas, por óbvio que isso pareça, surge ainda uma questão: quais os sentimentos e as necessidades que nos levaram ao pensamento religioso (de “ligar novamente” ou “religar”) e a fé em Deus?

Os Ensinamentos Rosacruzes indicam os seguintes graus: o temor, o interesse, o amor e o dever como sendo quatro formas básicas do nosso relacionamento com Deus, de nossa volta à Deus, da nossa re-ligação com Deus.

O primeiro grau, a do temor, ocorreu quando compúnhamos os povos primitivos (ou seja: estávamos renascidos em um conjunto de Corpos incipientes), o fator que despertava em nós as ideias religiosas era o medo: medo da fome, medo de animais bravios, medo das enfermidades, medo da morte. Como o nosso nível de Consciência de Vigília aqui nesse Mundo Físico naquele tempo era incipientíssimo, forjávamos um Ser que a nós se assemelhava, um Ser mais poderoso, capaz de nos submeter e nos destruir. Adorávamos a Deus a Quem começávamos a pressentir, fazendo sacrifícios para agradá-Lo, como fazem os fetichistas.

O segundo grau desse relacionamento, a do interesse, está muito ligado ao atendimento das necessidades coletivas. Foi típico quando compúnhamos os povos onde se notava uma certa organização social. O desejo de orientação diante das dificuldades, as satisfações das necessidades do grupo estimulam uma concepção social de Deus. A Divindade regia os nossos passos naquele povo em particular, protegendo-o, decidindo seus problemas, recompensando-o ou punindo-o. Para conquistar as boas graças desse “Deus”, oferecíamos a Ele sacrifícios ou agíamos conforme os princípios ou tradições do povo. Aspirávamos em troca, ver as nossas colheitas mais abundantes, os nossos rebanhos mais numerosos, a nossa prole sadia, os nossos inimigos prostrados a nossos pés. Era uma relação de barganha. Ou seja: aprendemos a olhar a Deus como um Doador de todas as coisas e a esperar d’Ele benefícios materiais, agora e sempre. Sacrificávamos por avareza, esperando que o Senhor nos desse cem por um, ou para nos livrar do castigo imediato, como pragas, guerras, etc. Essa forma de Religião se consolida pelo surgimento de uma casta sacerdotal, mediadora entre o povo e a Divindade. Essa casta, obviamente privilegiada, logra uma posição de poder, muitas vezes superior ao poder temporal. Trata-se de uma Religião do medo, porém, é possível dialogar com Deus e obter d’Ele compensações. Como exemplo, temos a Raça dos Semitas Originais, a quinta Raça da Época Atlante.

O terceiro grau desse relacionamento se evidencia quando a Religião do medo se transforma na Religião moral. A Divindade conforta a tristeza, o desejo insatisfeito, protege as almas dos mortos. A moral e o apreço para com o semelhante constituem a tônica desse pensamento religioso. O Cristianismo Popular (ou Cristianismo exotérico) e outros credos são um exemplo típico dessa fase do nosso relacionamento com Deus. Ou seja, aprendemos a adorar a Deus com orações e a viver a vida em bondade; a cultivar a fé num Céu onde obteremos recompensas no futuro, e a nos abster do mal, para que possamos nos livrar do castigo futuro do Inferno (ou de nomes similares). Não se deve, entretanto, considerar as formas religiosas primitivas como exclusivamente Religiões do medo, nem as dos povos civilizados como estritamente morais. Há pontos comuns a ambas, principalmente o caráter antropomórfico da ideia de Deus.

O quarto grau é composto por um comportamento onde podemos agir bem sem pensar na recompensa ou no castigo, simplesmente porque “é justo agir retamente”. Amamos o bem por ser o bem e procuramos ordenar a nossa conduta de acordo com esse princípio, sem ter em conta nosso benefício ou nossa desgraça presente, ou os resultados dolorosos em algum tempo futuro. Pouquíssimos indivíduos encontram-se nesse quarto grau de experiência religiosa. Não é fácil conceituá-la de uma forma clara, por não estar associado a uma ideia antropomórfica de Deus, nem a um dogma. Daí, a pessoa experimenta a totalidade da existência como uma unidade, guiada pelo conhecimento Esotérico, pela Arte, pela Ciência e pela Intuição. Para ela a Religião tem, ao mesmo tempo, um sentido cósmico e interior. O Universo é o templo onde se cultua o Ser Absoluto, como também o nosso íntimo. Esse sentido cósmico da Religião é percebido por uns poucos iluminados, cujas vidas servem de estímulo a que outros, por seus próprios meios, busquem a Senda da Luz. O Cristianismo Esotérico e os Estudantes de todas as Escolas de ocultismo estão procurando alcançar esse grau superior. De modo geral, esse será alcançado na Sexta Época, a Nova Galileia, quando a Religião Cristã unificadora abra os corações dos seres humanos, assim como o entendimento está agora sendo aberto.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – fevereiro/1985 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Quem é Cristo, dentre as Ondas de Vida que conhecemos?

A primeira coisa que devemos deixar bem esclarecida é a identidade de Cristo, conforme ensina os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. De acordo com o Diagrama “Os sete dias da Criação” no Capítulo XIV do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, passamos por um intervalo involutivo que abrange os Períodos de Saturno, Solar e Lunar até a metade do Período Terrestre. Nessa peregrinação pela matéria, adquirimos os Corpos e veículos que agora possuímos, bem como foram despertados nossos três veículos espirituais, o que nos tornou um ser com uma constituição sétupla e prontos para nos desenvolver em um ser com constituição decupla.

Durante o Período de Saturno, quando éramos “semelhantes” ao que hoje são os seres do Reino mineral, alguns seres passaram pelo seu estágio “Humanidade”, como nós o estamos passando atualmente, mas pertenciam a uma Onda de Vida de evolução diferente: os chamados Senhores da Mente. O mais elevado Iniciado daquela longínquo Período de Saturno é um ser da Onda de Vida dos Senhores da Mente que conseguiu aprender tudo no Período de Saturno que um Senhor da Mente teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um ser Senhor da Mente, um veículo constituído de materiais das 5 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Vontade”, constituindo o ser Deus-Pai, ou simplesmente: Pai.

O mais elevado Iniciado do Período Solar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Arcanjos, é um Arcanjo chamado de Cristo que conseguiu aprender tudo no Período Solar que um Arcanjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Arcanjo, um veículo constituído de materiais das 4 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Sabedoria”, constituindo o ser Deus-Filho, ou simplesmente: Cristo.

O mais elevado Iniciado do Período Lunar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Anjos, é um Anjo chamado de Jeová que conseguiu aprender tudo no Período Lunar que um Anjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Anjo, um veículo constituído de materiais das 2 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Atividade”, constituindo o ser Deus-Espírito Santo, ou simplesmente: Jeová.

Temos aqui os estados dos três grandes Seres que, como líderes da evolução, são os mais ativos. Os Arcanjos não podem descer até a matéria física, porque não sabem construir nem um Corpo Vital e nem um Corpo Denso. Não pode descer aquém do Mundo do Desejo. Portanto, seu veículo inferior é o Corpo de Desejos, e como é uma lei cósmica ser impossível a um ser, criar um veículo que não tenha aprendido a construir durante a sua evolução, seria impossível para Cristo nascer em um Corpo Denso. Também não podia formar um veículo como o Corpo Vital, constituído de Éter. Não possuía a capacidade para agir nesta última substância, porque nunca a adquiriu em Sua evolução.

Assim para que Cristo nascesse como “um homem dentre os homens” os veículos necessários de Jesus, um ser humano pertencente à nossa Onda de Vida, um dos seres humanos mais elevados espiritualmente – um elevado Iniciado – um homem nascido de um pai e de uma mãe, ambos também elevados Iniciados, que praticaram a Imaculada Conceição sem paixão, cedeu voluntariamente, no momento do Batismo, o seu Corpo Denso e Corpo Vital ao Espírito Solar, o Arcanjo Cristo, que então conseguiu funcionar com um ser no Mundo Físico, conseguindo implementar  no mundo material o início do Plano de Salvação e se converteu em mediador entre “Deus e o ser humano” pois é único que possui todos os veículos necessários para atuar como tal. Cristo-Jesus é, por conseguinte, absolutamente único, e a Bíblia nos ensina que não há “e em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”[1], sendo este o único Credo Cristão autorizado.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: At 4:12

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por que um Probacionista não deve fazer uso das bebidas alcoólicas, do fumo e das drogas?

Resposta: Esta pergunta aplica-se não somente a Probacionistas, mas a todas as pessoas que se esforçam por viver uma vida de desenvolvimento espiritual, buscando maiores horizontes de servir e ajudar no Plano de Salvação de Cristo.

Foi isso que respondemos na revista “Ecos”, a fim de que todos os Estudantes fiquem cientes de que não é meramente o sentimento que dita nossas ideias ao desaconselharmos o uso de quaisquer tóxicos ou drogas que embotam o cérebro, incluindo aqui as bebidas alcoólicas. Esse órgão é o maior e mais importante instrumento para realizarmos nosso trabalho no Mundo Físico. A menos que esteja em perfeitas condições, não podemos esperar grandes progressos.

As bebidas alcoólicas, o fumo e os tóxicos – da mesma forma que a carne animal (mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins) – tendem a nos tornar ferozes e a afastar nossa visão dos Mundos espirituais, focalizando-nos no presente plano material, ou Região Química do Mundo Físico. Por esse motivo a Bíblia diz que “Noé fermentou o vinho” pela primeira vez ao começar a Era do Arco-íris, a Era em que vivemos, que é uma atmosfera de ar puro e claro, muito diferente da condição atmosférica úmida em que viviam os Atlantes, citados no segundo Capítulo do Livro do Gênesis. Como resultado do “uso da carne e do vinho”, nossas energias focalizam-se atualmente sobre a Região Química do Mundo Físico, ocasionando o desenvolvimento material de nossos dias. Cristo, em seu primeiro milagre, transformou “água em vinho”. Ele havia recebido o Espírito Universal por ocasião do Batismo e não tinha necessidade de estimulantes artificiais. Transformou “água em vinho” para dá-lo a outros menos avançados.

Mas aquele que “bebe vinho” não pode herdar o Reino de Deus. A razão esotérica é a seguinte: enquanto os Éteres inferiores (Éter Químico e Éter de Vida) vibram para os Átomos-semente localizados no plexo celíaco ou solar (Átomo-semente do Corpo Vital) e no coração (Átomo-semente do Corpo Denso), e assim conservam vivo o Corpo Denso, os Éteres superiores (Éter Luminoso e Éter Refletor) vibram para as Glândulas Endócrinas Pituitária e Pineal. Ao observar esse “espírito falso e rebelde”, que é fermentado fora do Corpo Denso e que é, portanto, diferente do “espírito fermentado internamente” por meio do açúcar, essas duas Glândulas Endócrinas ficam temporariamente atordoadas e não podem vibrar para os Mundos espirituais. Se há uma absorção desse “espírito do álcool”, as duas Glândulas Endócrinas citadas se tornam ligeiramente despertadas de maneira que a pessoa vê as Regiões inferiores do Mundo do Desejo, com todas as suas mazelas, formas de desejos horríveis, construídas à base de material de desejos da paixão, sensualidade, raiva, cólera, violência, do medo e de todas as outras emoções inferiores. Isso pode ser visto com mais nitidez na doença chamada de “delirium tremens” (que é uma forma grave de abstinência alcoólica, caracterizada por alterações mentais e do sistema nervoso, incluindo confusão, alucinações e tremores. É uma emergência médica que pode ser fatal se não tratada adequadamente). Em resumo, visto que a nossa evolução depende da quantidade dos dois Éteres superiores que formam o belo Dourado Manto Nupcial – o Corpo-Alma – sendo que estes Éteres se harmonizam com as duas Glândulas Endócrinas mencionadas, e visto que os Éteres inferiores se harmonizam com os Átomos-semente situados no coração e no plexo celíaco, o consulente compreenderá prontamente os efeitos mortais das bebidas alcoólicas,  do fumo e dos tóxicos sobre a pessoa que quiser se desenvolver espiritualmente para contribuir com o Plano de Salvação de Cristo.

(Pergunta 138 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

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