Resposta: Há uma conexão esotérica entre Saturno, o Sol e a Lua, que regem o sábado, o domingo e a segunda-feira, respectivamente. O Sol e Saturno são ministros da vida e da morte – respectivamente –, e a Lua é, por assim dizer, a lançadeira com o qual a Humanidade se vê constantemente impelida de um polo a outro, enquanto a teia da experiência está sendo tecida. O nodo setentrional – ou nodo norte – da Lua, que chamamos de Cabeça do Dragão, compartilha da natureza do Sol, que nos fornece a vida, e conduz a Humanidade ao período de atividade física. O nodo meridional – ou nodo sul – nos conduz para o repouso da morte por meio das forças saturninas da Cauda do Dragão. Em outras palavras, tanto Saturno como a Lua são os portais de entrada e saída dos Mundos invisíveis, ou Caos – a Lua em termos de capacidade astral e Saturno em sentido cósmico.
Quando um grande Dia Criador de Manifestação se inicia, uma Época sempre começa com um Período de Saturno, então, as Ondas de Vida – nas quais o Espírito se manifesta –, que passaram pela fase subjetiva de evolução durante a Noite Cósmica precedente, são conduzidas à manifestação ativa, e isso ocorre durante a Revolução de Saturno de cada Período. Na pequena esfera terrestre da nossa atividade atual, quando um Ego está pronto para o renascimento na vida terrestre, a Lua marca o momento tanto da concepção quanto do nascimento, assumindo assim a função saturnina de conduzir os Egos em evolução da escura Noite Cósmica da morte para o universo solar da vida e da luz. Há, contudo, alguns Egos que não evoluem, mas permanecem estagnados no Caminho de Evolução. Para eles, chega um momento em que são, finalmente, expulsos para a Lua e lhe é negada a oportunidade e o privilégio de renascer dentro da atual classe evolucionária. Em consequência disso, eles permanecem na Lua até que os veículos, cristalizados por eles por falta de ação (ou inanição), sejam dissolvidos, e como não podem prosseguir com a corrente evolutiva, só lhes resta um caminho, isto é, gravitar de volta através do portão de Saturno para o Caos, ou para a Noite Cósmica, onde devem aguardar outra oportunidade de manifestação numa corrente de vida posterior.
Jeová não é o Regente dos Judeus, ao ponto de excluir todos os outros povos. Ele é o Legislador e o Senhor Cósmico da fecundação. Portanto, Ele tem uma missão especial a cumprir em relação a todos os povos pioneiros de qualquer Época ou Período, onde uma grande hoste de Espíritos que devam ser providos de veículos de um novo tipo. É Ele que multiplica abundantemente os povos pioneiros, lhes fornece as Leis apropriadas para a sua evolução e os prepara para um novo período de desenvolvimento. Se nos lembrarmos desse fato e, também, de que a primeira parte de uma Época é saturnina, então entenderemos que, embora os Semitas Originais fossem os ancestrais da Raça Ária, tenham sido multiplicados como as areias da praia, e tenham recebido suas Leis através de Jeová, eles também viviam no estágio saturnino da Época Ária e, portanto, logicamente, foram ensinados a guardar o dia de Saturno como um “dia de descanso”.
A Bíblia diz que a Lei era suprema até o advento do grande Espírito Solar. Cristo iniciou uma nova fase da evolução sob o princípio do amor e da regeneração. Isso pôs fim ao regime de Jeová e ao domínio de Saturno, não de uma forma abrupta, é claro, pois sempre há uma sobreposição que se procura entre um regime antigo e um novo. Mas, a partir desse momento, nós, o povo pioneiro Cristão, já entramos na segunda parte, ou seja, na parte Solar da Época Ária e, portanto, estamos substituindo agora o “dia de Saturno” pelo “dia do Sol” como dia de “dedicação ao Senhor”.
Como já mencionamos, a Lua e Saturno são os portões do Caos, e isso pode levar os Estudantes Rosacruzes a quererem saber o que acontecerá ao restante de nós e, portanto, podemos fornecer uma explicação resumida dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental sobre esse ponto: a Humanidade comum que segue o Caminho de Evolução é guiada em direção ao Reino de Cristo, o Espírito Solar.
Os atrasados, que não conseguem acompanhar o curso evolutivo, retrocedem para o Reino de Jeová, o Espírito Lunar.
Os avançados da Humanidade, os Iniciados que passaram tanto pelas Iniciações Menores quanto pelas Iniciações Maiores e seguem diante do Libertador (o grande Ser encarregado da evolução na Terra), têm a opção de permanecer aqui e ajudar seus irmãos e suas irmãs nesse mundo, ou ir para um satélite natural de Júpiter e preparar as condições sob as quais a Humanidade poderá evoluir no futuro Período de Júpiter.
As almas avançadas que malbarataram os seus poderes exercendo a magia negra retrocedem diretamente para Saturno e são forçadas a penetrar no Caos pela dissolução de seus veículos.
Saturno tem uma preponderância do quarto Éter, o Éter Refletor. Daí a sua pálida luminosidade, e os Egos que vão para lá deixam um registro de suas vidas e são em seguida lançados para fora em direção ao Caos, através das luas de Saturno.
Júpiter tem uma preponderância do terceiro Éter, o Éter Luminoso ou Éter de Luz. Daí o seu brilho, e os Egos avançados que vão para Júpiter, vindos do lado externo, dirigem-se para o interior através das luas e começam, então, como já dito, um trabalho construtivo para o Período de Júpiter.
(Pergunta nº 77 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Na edição de novembro de 1917, da Revista “Rays From the Rose Cross” havia uma história intitulada: “Enfrentando o Pelotão de Fuzilamento”, narrando como um espião foi encostado a uma parede e fuzilado. Logo depois, ele, completamente consciente, conversa com um Auxiliar Invisível, e em sua companhia viaja milhares de quilômetros a fim de visitar sua irmã. Ela ensina que depois de o Átomo-semente ter sido removido do coração e o Cordão Prateado rompido, vem um período de inconsciência que dura cerca de três dias e meio, e durante esse período o Espírito repassa o panorama de sua vida findada.
Observemos bem que tudo isso é ensinado no Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”, e continua a ser verdadeiro em todas as circunstâncias comuns. Contudo, quando se fala da lei da mortalidade infantil, explica-se que quando uma pessoa passa ao outro mundo em virtude de circunstâncias fatídicas, tais como incêndio ou desastre, ou subitamente pela queda de um edifício ou de uma montanha, ou numa batalha, ou quando as lamentações dos parentes ao redor de um morto recente tornam-se impossível concentrar-se no panorama da vida, então sua fixação nos dois Éteres Superiores, o Luminoso e o Refletor, e sua amálgama com o Corpo de Desejos não se efetua. Nesses casos o ser humano não perde a consciência. E desde que não há fixação nos veículos mais sutis como acontece normalmente, ele não passa pelo Purgatório; isto é, não colhe o que semeou, não há sofrimento em consequência de seus erros, e não há sentimentos de alegria e amor em vista do bem que praticou, no Primeiro Céu. A colheita da vida perdeu-se.
Para contrabalançar este grande desastre, o Espírito, ao entrar em sua próxima vida terrena, é forçado a morrer na infância, no que se refere ao Corpo Denso). Porém, o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente (que ordinariamente não nascem senão quando o Corpo Denso tem sete, quatorze e vinte e um anos, respectivamente) permanecem com o Espírito em transição, pois, o que não foi vivificado não pode morrer; o Espírito permanece então no Primeiro Céu de um a vinte anos, recebendo instruções e lições objetivas tais como lhes seriam ensinadas pelo panorama de sua vida passada, se não tivesse sido interrompido pelo acidente. Desse modo renasce pronto a tomar seu lugar correto na senda da evolução.
Há nessas considerações grandes soma de alimento espiritual. A grande percentagem de mortalidade infantil de nossos dias tem suas raízes nas guerras de épocas anteriores. As perdas de vida foram relativamente pequenas, embora as mortes decorrentes de guerras patrióticas tivessem seu número bastante aumentado por duelos, rixas e querelas comuns, onde armas mortais foramusadas naqueles tempos. Não obstante a soma total dessas ocorrências parece insignificante quando comparada à espantosa carnificina de nossos dias. E se isso tiver de ser corrigido da mesma maneira, as futuras gerações terão uma colheita de lágrimas. Mas, como já deixamos bem claro em outras ocasiões, cada lágrima derramada por alguém a quem amamos, está dissolvendo a crosta que recobre nossos olhos, até o dia em que possamos ver com bastante clareza a fim de penetrar o véu que agora nos separa daqueles a quem chamamos erradamente de mortos. Virá então a vitória sobre a morte, e estaremos aptos a exclamar: “Ó, Morte, onde está teu aguilhão? Ó Túmulo, onde está tua vitória?” (ICor 15:55).
(Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” e publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1974 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Um Adepto é uma pessoa que se graduou, pelo menos, na primeira Iniciação Maior ou Cristã, o que significa que alcançou e passou as nove Iniciações Menores e, assim, se capacitou para as quatro Iniciações Maiores ou Iniciações Cristãs. Quando o Adepto passa pela primeira Iniciação Maior, ele passa por um processo alquímico que inclui uma transmutação biológica que muda a relação entre os seus Corpos Denso e Vital, bem como o Corpo de Desejos e a Mente, usando todo o poder aproveitado pelo Traje Dourado de Bodas, o Corpo-Alma.
Espiritualizando a Mente com práticas espirituais, com disciplina mental e positiva, com pensamentos edificantes e outros usos construtivos da Mente, eles moldam suas Mentes abstratas e concretas para processar mais luz Espiritual. O veículo Mente vai se transformando em Corpo Mental. Ao purificar e elevar o Corpo de Desejos, veículo através do qual expressamos desejos, sentimentos e emoções, ele se conecta com as três Regiões superiores do Mundo do Desejo (Vida Anímica, Poder Anímico, Luz Anímica), ativando sentimentos, desejos e emoções mais nobres, mais compassivos e mais altruístas para criar uma ligação de Alma mais profunda com os outros e com o Universo. Ao ativar mais energias etéricas com bons hábitos e intenções diárias, melhor higiene, uso responsável da força criadora e repetição de boas ações, obras e bons atos, ele aumenta consideravelmente a quantidade dos dois Éteres Superiores do Corpo Vital, nomeadamente o Éter Luminoso e o Éter Refletor (Éteres envolvidos na percepção dos sentidos, memória, cognição mental e atividade). Isso permite que ele faça um trabalho melhor nos planos internos como Auxiliares Invisíveis com uma plena Consciência: “cidadão de dois Mundos”.
Eles mantêm o Corpo Denso deles saudável, com uma quantidade mínima de exercício físico; seguem uma nutrição apropriada, se alimentam muito pouco e assimilam quantidades suficientes de fósforo no Corpo Denso; eles se dedicam em atividades positivas e construtivas e tem um estilo de vida altamente espiritualizada; assim e quando prontos, os Adeptos iniciam conscientemente a transmutação alquímica da sua estrutura bioquímica: de uma base de carbono para uma química baseada em fósforo. O carbono tem quatro valências, o fósforo tem cinco; portanto, a base química é alterada. Este processo é, em essência, o meio como eles se tornam invisíveis e lhes permite navegar entre Região Química do Mundo Físico (o Mundo visível) e os Mundos invisíveis (Região Etérica do Mundo Físico, Mundo de Desejo e Mundo do Pensamento).
Eles então possuem a habilidade de materializar e desmaterializar o Corpo Denso voluntariamente. Isso lhes permite oferecer um serviço maior à Humanidade, atuam como Auxiliares Invisíveis altamente desenvolvidos onde e como precisarem, como pessoas nos governos, cientistas, artistas, filósofos, inventores, pensadores ou outros indivíduos criadores. Eles ajudam a promover o avanço da cultura maior em áreas da Arte, Ciência e da Religião.
(de uma exposição na Pró-Ecclesia em novembro/2009 – The Rosicrucian Fellowship – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Nós somos um ser composto, possuindo sete veículos em diferentes estágios de desenvolvimento. Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental os designam da seguinte forma: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos, Mente, Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino. Um Tríplice Corpo e um Tríplice Espírito juntos, com um veículo Mente, que é o elo entre eles. Cada veículo serve como um trampolim para o próximo, que é superior.
O Corpo Denso é o nosso veículo mais bem organizado e o único no qual a maioria de nós pode funcionar conscientemente. Na verdade, a maioria das pessoas acredita que é o único Corpo que possui, pois é o único que consegue ver. No entanto, sempre tivemos pioneiros no caminho do progresso e temos hoje aqueles que se adiantaram e desenvolveram a consciência no Corpo Vital.
O desenvolvimento de cada veículo nosso avança simultaneamente, mas há períodos em que a ênfase é especialmente dada ao aperfeiçoamento de um determinado veículo. Em eras passadas, a última sob o regime de Jeová, o Legislador, o Corpo Denso foi levado ao seu atual estado de elevada organização. Para esse propósito a Lei Jeovística foi necessária. Com o advento de Cristo, porém, inaugurou-se uma nova Era cuja estrutura é o Altruísmo, e é a sua prática que desenvolverá a consciência no Corpo Vital e o levará a um elevado grau de evolução.
Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fornecem ênfase especial ao desenvolvimento do Corpo Vital. Seus Ensinamentos são formulados com esse objetivo em vista, pois reconhece que todo desenvolvimento oculto seja proporcional à organização e evolução desse veículo. O Corpo Denso é composto de materiais da Região Química do Mundo Físico, a saber: Sólidos, Líquidos e Gases. O Corpo Vital é composto de matérias da Região Etérica do Mundo Físico, a saber: Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso (ou de Luz) e Éter Refletor, substâncias físicas muito sutis. A ciência material admite a presença do Éter como meio para a transmissão da luz e da eletricidade. A ciência oculta sabe que existem quatro Éteres separados e distintos que são usados na formação do Corpo Vital.
As forças que atuam através do Éter Químico do Corpo Vital atuam no Corpo Denso como agentes de assimilação e excreção. As que atuam através do Éter de Vida manifestam-se na propagação. A função desses dois Éteres, ditos como Éteres inferiores, é puramente física, sustentando o Corpo Denso e mantendo as espécies. As forças que atuam através do dois Éteres superiores, a saber: Éter de Luz, onde tornam possível a percepção sensorial, a dos sentidos físicos; e as que atuam através do Éter Refletor onde nos proporcionam a memória. À medida que esses dois Éteres tornam possível a percepção sensorial e a memória no Corpo Denso, veremos que, quando aperfeiçoarmos e organizarmos o Corpo Vital, eles se manifestarão também nele como percepção sensorial e memória; ou seja, como consciência.
Mas para tornar o Corpo Vital um veículo separado de consciência, enquanto ainda mantemos o Corpo Denso, é necessário separar os dois Éteres superiores dos dois Éteres inferiores. Os dois Éteres inferiores devem permanecer com o Corpo Denso para sustentá-lo; mas é possível retirar os dois Éteres superiores e usá-los como um veículo separado de consciência.
Para agarrar tal oportunidade e atingir esse objetivo, sem realizar o trabalho necessário para primeiro aumentar os dois Éteres superiores o suficiente para formar um veículo separado, algumas pessoas recorrem a exercícios respiratórios; mas eles são perigosos, pois tendem a retirar os quatro Éteres do Corpo ou desequilibrá-los. Isso pode resultar na morte, em algum grau de insanidade e/ou graves distúrbios físicos. O nosso desenvolvimento, tal como o crescimento de uma planta, não pode ser apressado sem frustrar o objetivo em vista. O verdadeiro desenvolvimento oculto é seguro e possível apenas quando acompanhado pelo desenvolvimento moral.
Hoje sabemos que a “Veste Dourada das Bodas” ou o “Traje Nupcial de Bodas” (que denominados de Corpo-Alma), ou Soma Psuchicon como chamou S. Paulo, mencionada por Cristo, é o Corpo Vital aperfeiçoado, que surge da separação entre os dois Éteres superiores dos dois Éteres inferiores. Sabemos também que a repetição é a base desse crescimento, porque nos foi ensinado a “orar sem cessar”[1]. Somente na medida em que seguirmos os passos de Cristo nós construiremos o veículo no qual “O encontraremos nos ares”[2], apressando Sua Segunda Vinda por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), sempre focado na divina essência que cada um de nós temos – que é a base da Fraternidade – para com o irmão e a irmã ao nosso lado, que edifica o Corpo Vital.
(Publicado na: Rays From The Rose Cross – fevereiro /1918 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: ITes 5:17
[2] N.T.: ITes 4:17
No último verso do belo poema de Max Heindel, Credo ou Cristo[1], lemos sobre a compaixão e o amor como as chaves que destrancam os portões dos Céus e asseguram a vida eterna. O único requisito para o progresso espiritual é o Amor. Nós lemos:
“Só uma coisa o Mundo necessita conhecer:
apenas um bálsamo existe para curar toda a humana dor;
apenas um caminho há que conduz, acima, aos céus:
Este caminho é: a COMPAIXÃO e o AMOR.”
Não é suficiente saber sobre a consciência ininterrupta ou possuir uma compreensão completa das Leis de Deus; nem mesmo um entendimento abrangente sobre a nossa jornada após a morte constitui os requisitos para a entrada na existência celeste. O conhecimento é uma vantagem, uma pérola de grande valor, mas antes e por último o vínculo da compaixão humana deve despertar nos corações de todos nós a percepção de que “o Guardião do Nosso Irmão e da Nossa Irmã”[2] é um fato e um mandamento.
Sem a compaixão humana, como pode o vasto conhecimento encontrar um meio de expressão? Negado um meio de expressão, um meio para a conversão de riquezas acumuladas em conhecimento, como pode haver benefício? Não é ensinado que possuir talento, ou entendimento, gera a administração que deve ser contabilizada e somente em igual medida o prêmio é compatível com a ação? Aquele que recebeu cinco talentos na Parábola[3] teve sucesso no bom uso da habilidade, acumulou mais cinco e foi premiado com a administração em muitas coisas, “sendo fiel sobre algumas”. Aquele que recebeu dois talentos também teve êxito em dobrar a quantia, merecendo assim o justo elogio. O operário que recebeu um talento ficou com medo e o escondeu para mantê-lo seguro, mas até mesmo o cuidado tomado para reter o que recebeu foi condenado, pois a preguiça não merece aprovação e somente o crescimento e o desenvolvimento daquilo que é dado recebe o “Muito bem, servo bom e fiel” (Mt 25:21).
Ter muito conhecimento gera grande responsabilidade e mesmo um pequeno conhecimento requer uso correto e justo. Usar nossos talentos para promover o bem-estar de nossos semelhantes, independentemente de interesses próprios, é o meio mais seguro de adquirir essa compaixão e amor, a chave para o desenvolvimento espiritual. O amor pelos ideais espirituais não é suficiente, pois assim como o mais elevado encontra reflexo no mais baixo, o amor divino cresce e brilha através do humano e do ato de bondade; é pelo ato de misericórdia e pela missão de administração útil que o amor de Deus é refletido. À medida que elevamos os outros, elevamos a nós mesmos; é através do amor e da compaixão humanos que crescemos em direção à manifestação mais elevada.
A compaixão e o amor humanos são promovidos por meio de apenas um canal: o do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, para com o nosso irmão e a nossa irmã que estão ao nosso redor. O serviço é divulgado abertamente, é bradado para todos os lados e o próprio ar parece vibrante com a sua entoação. Por quê? Porque por meio do serviço é adquirido o amor de fazer aos outros pelo simples fazer e não porque, por trás de cada ato, esteja o pensamento “Eu cresço espiritualmente fazendo isso”. Mas todo crescimento espiritual é esquecido e todos os exercícios e métodos são secundários, uma vez que se começou realmente a servir como se deve. Ao realizar ações gentis para os outros, esquecemos tudo, exceto a necessidade daquele que estamos ajudando; é nisso que está o segredo do crescimento da alma.
Obter os melhores resultados do nosso trabalho para que o bem-estar do outro possa ser promovido e porque nos sentimos motivados a dar o nosso melhor, em espírito de amor para desempenhar os deveres que atendem à nossa vocação, é o tipo de serviço que devemos prestar! Nós nos esquecemos de nós mesmos e tornamos atentos ao bem-estar do outro; nesse esquecimento está um grande progresso. É exigido de todos que se doem em todos os momentos e a melhor maneira de fazer isso é esquecer os interesses próprios, usando nossos talentos para o bem-estar daqueles com quem entramos em contato. Ao esquecer de si mesmo, começamos a nos aproximar de nossos semelhantes e a sentir mais os seus esforços; surge assim uma resposta a suas lutas e encontramos oportunidades para aliviar sua vida; assim, é estabelecido o vínculo da compaixão humana. A compaixão é semelhante ao amor; na verdade, ela é a mais alta expressão do amor, está no amor: é amor.
É o esquecimento de si no cuidado do bebê em seus braços que desperta emoções internas de tal forma que cada mágoa, cada choro ou necessidade da criança é sentida pela mãe. Seu interesse é centrado no bem-estar da criança, independentemente de interesses próprios; tal é a sua compaixão e o seu amor que todas as crianças trazem um sorriso gentil em seu rosto, uma demonstração de amor e cuidado.
Servir significa fazer o que está mais próximo da melhor maneira possível, com espírito altruísta. É verdade que não podemos ser, todos nós, professores, médicos, enfermeiros, profissionais de saúde ou ter uma profissão que dê oportunidade constante de ajudar os outros; mas, sejamos balconistas em uma loja ou engenheiros em qualquer indústria ou empresa ou até profissionais liberais, somos servos na medida em que nossos irmãos ou irmãs que estão ao nosso lado dependem de nós. É o espírito com que servimos que determina nosso crescimento. Se o (ou a) balconista atua de maneira cortês e faz todos os esforços para atender às necessidades do seu cliente, não por causa da recompensa material, mas porque o cliente depende do seu julgamento e justiça para receber o melhor que pode ser obtido, então esse (ou essa) balconista serve a Deus e ao seu irmão ou sua irmã ao redor. Por menor que seja o ato, a obra ou ação, ele é muito agradável aos olhos de Deus, caso o Ego que inicia a ação seja altruísta.
Para o Aspirante à vida superior, que busca desenvolver suas potencialidades latentes, a necessidade de servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível), focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, para com o irmão e a irmã que estão ao redor dele é intensamente sentida e ele se esforça fielmente para se esquecer de si mesmo e ser o servo de todos. Há uma força que pode ser usada por todos para servir aos outros[4] e nela está o desdobramento de todos os poderes latentes; além disso, é pelo uso dessa força que nossos semelhantes são beneficiados. Refiro-me à força do pensamento!
Aprendemos estudando o Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que os pensamentos-forma estão dentro e sendo continuamente projetados sobre o Corpo de Desejos em um esforço para despertar um dos dois Sentimentos, Interesse ou Indiferença, que levarão à ação ou não e que a razão deva governar a natureza inferior (ou “eu inferior) e deixar o escopo do “Eu superior” para a expressão de suas propensões divinas. Também sabemos que o pensamento habitual tem o poder de moldar a matéria física, pois a natureza do sensualista é claramente discernível em suas feições, que são grosseiras e toscas, assim como as feições do espiritualista são delicadas e finas.
O poder do pensamento é ainda maior em sua potência de moldar os Corpos mais sutis. Pensamentos de medo e preocupação congelam o Corpo de Desejos de quem se entrega a eles e é igualmente certo que, cultivando um estado de espírito feliz e otimista em todas as circunstâncias, podemos sintonizar nossos Corpos de Desejos com qualquer tom que desejarmos; depois de um tempo, isso se tornará um hábito, embora devamos confessar que seja muito mais difícil manter o Corpo de Desejos em linhas definidas, mas isso pode ser realizado e a tentativa deve ser feita por todos que querem avanço espiritual.
Pelo exposto será percebido que os pensamentos têm poder e conhecendo isso nos tornamos administradores dessa força à medida que as usamos para o bem ou para o mal, para nós mesmos ou para os outros, merecemos uma recompensa correspondente. À medida que semeamos, colhemos e o pensamento-forma enviado retorna à sua fonte, trazendo o registro da jornada, seu sucesso ou fracasso, e é impresso nos átomos negativos do Éter Refletor do Corpo Vital do seu criador, onde molda aquela parte do registro da vida e ação do pensador que, às vezes, chamamos de Mente Subconsciente. Também notamos que o poder do pensamento está na repetição; pensamentos habituais têm poder suficiente para modificar até mesmo a matéria física.
Possuímos uma força que precisa apenas de controle e intensidade suficientes para se tornar dinâmica; isso torna evidente que sejamos obrigados a lidar com o modo como a usamos. Ou o desenvolvimento da força do pensamento está adormecido ou crescente, tornando-se bom ou mau de acordo com nossa vontade. Desdobrar as potencialidades dinâmicas requer esforço constante e, assim como a força do pensamento, que é uma potencialidade, o esforço constante, intensidade e propósito são necessários para reunir forças dispersas de pensamento e moldar uma forma vibrante e potente com energia dinâmica que seja capaz de cumprir a vontade do seu criador.
Ao enviar pensamentos de esperança e alegria aos outros não somente os cercamos com sugestões de boa vontade como, por meio da repetição, somos capazes de estabelecer um vínculo pelo qual nossos pensamentos são recebidos e postos em prática. O Poder de Cura por meio do pensamento fornece uma vasta oportunidade de serviço por meio do envio de pensamentos-formas vibrantes que tenham o Poder Divino de Cura. A força do pensamento deve ser concentrada e controlada. É preciso haver intensidade e grande poder fundamentando o pensamento-forma que é projetado.
Pensamentos amorosos, constantemente saindo de nós em missões de serviço a Deus no tempo certo, se tornarão dinâmicos e estarão sob nosso comando para serem usados em prol dos outros. O retorno dessas formas aumentará tanto o brilho das nossas auras que o Estudante Rosacruz ativo atrai a atenção dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz; com esse poder seremos canais para o grande trabalho deles e, ao usar nossas forças de pensamento para elevar os outros, ajudamos a nós mesmos, pois através do amor e da compaixão irradiamos a luz de Deus e nossa própria presença se torna um testemunho vivo do Nosso Pai.
“Não desperdicemos nosso tempo ardentemente desejando
Feitos brilhantes, mas impossíveis.
Não fiquemos indolentemente esperando
O nascimento de asas angelicais visíveis.
Não desprezemos as pequenas luzes brilhando,
Pois nem todos podem ser uma estrela reluzente;
Mas, vamos realizar nossa missão, iluminando
O lugar onde estamos presentemente.
As velas pequenas são tão indispensáveis
Como o é no céu o Sol fulgente.
E as ações mais nobres são realizáveis
Quando as fazemos dignamente.
Talvez agora não consigamos, caminhando,
Alumiar a escuridão das distantes regiões, claramente.
Mas, vamos realizar nossa missão, iluminando
O lugar onde estamos presentemente.”[5]
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz
[2] N.T.: É uma expressão que enfatiza a responsabilidade compartilhada e a interconexão dentro de uma comunidade ou sociedade. Sugere que temos a obrigação moral de cuidar, proteger e apoiar uns aos outros. Na Bíblia vemos essa pergunta: “Acaso sou guardião de meu irmão?” (Gn 4:9).
[3] N.T.: A Parábola do Talentos descrita na Bíblia: 14Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com a sua capacidade. E partiu. Imediatamente, 16o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. 17Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. 18Mas aquele que recebera um só o tomou e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. 20Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei’. 21Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’” 22Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor, tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei’. 23Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ 24Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. 25Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. 26A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? 27Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar, eu receberia com juros o que é meu. 28Tirai-lhe o talento que tem e dai-o àquele que tem dez, 29porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem será tirado. 30Quanto ao servo inútil, lançai-o fora nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’ (Mt 25:14-30)
[4] N.T.: Mc 9:35
[5] N.T.: do poema: “Shining Just Where We Are” – de Autor Desconhecido
RESPOSTA: Antes de tudo vamos considerar o assunto em relação ao que se costuma chamar de “morte”. Quando chega o momento determinante do fim de mais uma existência física, nós – o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui – nos retiramos pela nossa cabeça, levando conosco a nossa Mente e o nosso Corpo de Desejos. É semelhante ao que costumamos fazer todas as noites, durante o nosso sono. Como o Corpo Vital já cumpriu também sua finalidade se retira juntamente. Rompe-se, então, o Cordão Prateado que ligava os veículos superiores ao veículo físico, o Corpo Denso.
Após esse fato surge, para nós, um momento de extrema importância: uma grande parte do valor da nossa vida passada depende da nossa atenção.
Quando nos libertamos do nosso Corpo Denso, que era o mais considerável empecilho ao nosso poder espiritual (como, por exemplo, são as luvas grossas nas mãos do músico que tenta tocar um violino), esse poder espiritual volta para nós, até certo ponto. Com isso podemos ler as imagens contidas no polo negativo do Éter Refletor do nosso Corpo Vital, que é o assento da Memória subconsciente.
Toda a nossa vida terrestre passada, recém-finda, desfila nesse momento ante nossa visão como um panorama – um Panorama de Vida, só que com todos os detalhes –, apresentando os acontecimentos em ordem inversa. Os incidentes do dia que precedeu a morte vêm em primeiro lugar, e assim seguem para trás através de todas as fases que passamos, por exemplo: terceira idade, adulto, adolescência e infância. Tudo é revisto.
Permanecemos como um espectador ante esse Panorama de Vida passada. Vemos as cenas conforme se sucedem e que se vão imprimindo nos nossos veículos superiores, mas nesse momento ficamos impassível ante elas. O sentimento está reservado para quando chegar a hora de entrarmos no Mundo do Desejo, que é o Mundo do sentimento, desejo e da emoção. Por enquanto nos encontramos apenas na Região Etérica do Mundo Físico. Este Panorama de Vida perdura de algumas horas até vários dias, dependendo isso do tempo que possamos nos manter despertos, se necessário. Algumas pessoas podem se manter assim somente doze horas, ou menos ainda; outras podem se manter, segundo a ocasião, por certo número de dias. Mas enquanto pudermos nos manter desperto esse Panorama de Vida recém-finda aqui. E desde que as experiências purgatoriais, a assimilação das experiências e o crescimento da consciência dependem da nitidez destas cenas impressas nos veículos superiores, é muito importante que quando morremos não sejamos perturbados durante esse período da gravação desse Panorama de Vida (o máximo tempo que devemos aguardar é até três dias e meio após a determinação da morte aqui). Autópsias, choros e lamentações em torno do Corpo Denso, remoções, movimentações e quaisquer outros procedimentos que mexam com o Corpo Denso são fatores que se devem evitar.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a Ciência material reconhece que o poder que o faz funcionar está dentro do próprio. O Cientista Ocultista vê um espaço no ventrículo esquerdo do coração, próximo ao ápice que corresponde à ponta do coração, formado principalmente pela porção inferior do ventrículo esquerdo. É na posição referencial do ápice que está um pequeno átomo, chamado Átomo-semente do Corpo Denso. A forçaque existe nesse átomo, bem como em todos os outros átomos do nosso Corpo, nada mais é do que Vida indiferenciada de Deus. Sem esta força o mineral não poderia se materializar em cristal, por exemplo. Igualmente o vegetal, o animal e nós mesmos, seres humanos, estariam impossibilitados, sem Vida indiferenciada de Deus, de formarem o próprio Corpo.
A força existente nesse Átomo-semente do Corpo Denso é que movimenta o coração, proporcionando vida ao nosso organismo. Todos os demais átomos do Corpo vibram no tom desse átomo especial. As forças Átomo-semente do Corpo Denso estão imanentes em todo Corpo Denso possuído por nós, que é por meio dele que agimos. Nesse Átomo-semente do Corpo Denso, que poderíamos chamar “O Livro de Deus”, se imprimem todas as nossas (Egos) experiências, até as mais delicadas, mínimas e até as que poderíamos considerar “pequenas demais” da vida recém-finda. Nele, também, se encontra o arquivo de todas as experiências de todas as nossas vidas passadas.
Se quisermos seguir o caminho que compõe o Cordão Prateado, podemos começar pelo meio do seio frontal (meio da testa), passando pela raiz do nariz, descendo ao grande vórtice do fígado, passando pelo plexo celíaco e terminando no ápice do coração, onde está o Átomo-semente do Corpo Denso, e isso nos (nós, o Ego) liga ao nosso Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a nossa Mente. Quando mais uma vida material está chegando naturalmente ao fim, as forças do Átomo-semente do Corpo Denso se desligam, saindo do Corpo Denso através do nervo pneumogástrico, através das comissuras dos ossos parietais e occipital do crânio. Percorrem o trajeto do Cordão Prateado e acompanham os veículos superiores que nos acompanham Esta ruptura no coração determina a morte física, porém, a conexão do Cordão Prateado (entre o segmento que sai do ápice do coração e o segmento que sai do Plexo Celíaco, cuja união tem a forma de dois números “seis” invertidos), em alguns casos, só se desfaz depois de vários dias.
Sendo o Corpo Vital o nosso veículo da percepção sensorial, ele permanece com o nosso Corpo de Desejos e o Cordão Prateado, quando se libertam do Corpo Denso. Evidentemente, até que o Cordão Prateado se desconecte, no ponto mencionado acima, continuará gravando as sensações experimentadas por nós, o Ego, enquanto o nosso Corpo Denso, recém-morto, não for perturbado. Em consequência, toda cautela é pouca para não causar sofrimentos e nos incomodar nesse momento importantíssimo da nossa Evolução. Por isso é que, do mesmo modo que há uma Ciência para o Nascimento físico aqui, deve ter uma Ciência para a Morte aqui!
No caso de transplantes de um coração, como a cirurgia é realizada logo após a morte do doador, haverá interferência no processo do Panorama de Vida e sua gravação, pois também este se inicia imediatamente após amorte do Corpo Denso, ou seja, logo depois da ruptura do Cordão Prateado que estava ligado ao coração, no Átomo-semente do Corpo Denso. Contudo, embora imperfeitamente, devido aos incômodos ocasionados pela intervenção cirúrgica, cremos seja possível continuar o processo panorâmico do doador.
Mas, que sucederá ao Átomo-semente do Corpo Denso do receptor nesse meio tempo? Permanece inerte na contraparte etérica que ali continua, apesar de haver saído do coração físico. O Cordão Prateado dessa pessoa continua em seu lugar e ligado, mesmo que o coração físico tenha sido removido, pois se fosse rompido, o indivíduo não poderia viver. Em face de tal situação, surge a pergunta: teriam os Anjos e seus auxiliares transferido o Átomo-semente do Corpo Denso do receptor para o ápice do coração do doador? Não há dúvida que isto pode acontecer. Se o receptor vive, quer nos parecer que isto acontece. O destino deste último é uma provável relação em vidas passadas com o doador, poderá constituir elemento importante para o sucesso do transplante. Então, será também este o caso do Arquétipo, que supomos ficar sensibilizado por algum tempo com a ocorrência. É um fator a ser considerado.
Há outro ponto a ser lembrado no caso de transplante de órgãos humanos: cada átomo de um Corpo pertence peculiarmente ao Ego que nele habita. A condição de um Corpo com seus nervos, órgãos, tecidos, etc., reflete a modo como o Ego viveu anteriormente aqui na Terra. A recordação fiel de todas as suas experiências está registrada no Átomo-semente do Corpo Denso e esse, em cada renascimento, atrai matéria para onovo Corpo segundo as qualidades pessoais inatas. Se tiver violado as Leis de Deus, os resultados estarão presentes na estrutura de seus veículos.
Assim, as doenças são atraídas pelo próprio Ego, enraizando-se como uma manifestação de ignorância e desobediência às Leis Divinas, podendo ser erradicadas permanentemente com uma transformação interna moral. O transplante de um órgão saudável para substituir o órgão enfermo pode ser efetuado e em alguns casos poderá prolongar a vida do receptor. Contudo, acreditamos que seja um Arquétipo de matéria mental o que determina a extensão da vida, pois não outro jeito, porque a Lei de Causa e Efeito é o árbitro da maneira como a vida transcorre aqui. É fornecido a nós sempre escolher certas oportunidades de crescimento espiritual em vários momentos da nossa vida terrena. Se tais oportunidades forem aproveitadas a vida continuará pautada em reta conduta. Mas se forem negligenciadas, mergulharemos num beco sem saída, onde a vida é terminada pelas Hierarquias Criadoras com a destruição do Arquétipo.
Assim, podemos dizer que a extensão de uma vida na Terra é determinada antes do nosso, mais um, renascimento. Mas poderá ser reduzida (se negligenciarmos as oportunidades de avanço) ou excepcionalmente prolongada (quando, ao contrário, vivermos retamente e nos esforcemos em bem aproveitar todas as experiências).
(Publicada na Revista Rays from the Rose Cross de maio/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Quando uma pessoa passa ao outro Mundo em virtude de circunstâncias fatídicas, tais como incêndio, desastre, subitamente pela queda de um edifício ou de uma montanha, numa batalha, ou quando em certos níveis de lamentações dos parentes ao redor de um morto recente se tornam impossível a pessoa recém-falecida se concentrar no Panorama da Vida recém-finda, então a fixação dos eventos nesse Panorama nos dois Éteres Superiores, o Éter Luminoso e o Éter Refletor, e a gravação desse Panorama no Átomo-semente no Corpo de Desejos não se efetua ou se efetua em uma qualidade tão baixa que não servirá para nada. Nesses casos a pessoa não perde a consciência. A colheita da vida perdeu-se.
Bem diferente de quando uma pessoa passa ao outro Mundo em circunstâncias comuns. Nesses casos o Átomo-semente do Corpo Denso é removido do coração e o Cordão Prateado rompido, e vem um período de inconsciência que dura até três dias e meio, e durante esse período o Panorama da Vida recém-findada é gravado totalmente e com ótima qualidade no Átomo-semente do Corpo de Desejos.
Na imensa maioria das vezes, quando uma pessoa passa ao outro Mundo em virtude das circunstâncias fatídicas detalhadas acima, não houve fixação dos eventos do Panorama da Vida recém-finda nos veículos mais sutis, como acontece normalmente; assim a pessoa não passa pelo Purgatório; isto é, não colhe o que semeou, não há sofrimento em consequência de seus erros, e não há sentimentos de alegria e amor em vista do bem que praticou, no Primeiro Céu. Repetindo: a colheita da vida perdeu-se!
Para contrabalançar este grande desastre, o Ego, ao entrar em sua próxima vida terrena, é forçado a morrer na infância (no que se refere ao Corpo Denso) – eis aqui uma das razões da mortalidade infantil. Porém, o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente (que normalmente não nascem senão quando o Corpo Denso tem sete, quatorze e vinte e um anos, respectivamente) permanecem com o Ego em transição, pois, o que não foi vivificado não pode morrer; o Ego permanece então no Segundo Céu de um a vinte anos, recebendo instruções e lições objetivas tais como lhes seriam ensinadas pelo Panorama de sua Vida passada, se não tivesse sido interrompido por uma circunstância fatídica. Desse modo renasce pronto a tomar seu lugar correto no Caminho de Evolução.
Há nessas considerações grandes soma de alimento espiritual. A grande percentagem de mortalidade infantil de nossos dias tem suas raízes, por exemplo, nas guerras de épocas anteriores. As perdas de vida foram relativamente pequenas, embora as mortes decorrentes de guerras patrióticas tivessem seu número bastante aumentado por duelos, rixas e querelas comuns, onde armas mortais foram usadas naqueles tempos. Não obstante a soma total dessas ocorrências parece insignificante, quando comparada à espantosa carnificina de nossos dias. E se isso tiver de ser corrigido da mesma maneira, as futuras gerações terão uma colheita de lágrimas. Mas, como já deixamos bem claro em outras ocasiões, cada lágrima derramada por alguém a quem amamos, está dissolvendo a crosta que recobre nossos olhos, até o dia em que possamos ver com bastante clareza a fim de penetrar o véu que agora nos separa daqueles a quem chamamos erradamente de mortos. Virá então a vitória sobre a morte, e estaremos aptos a exclamar: “Ó, Morte, onde está teu aguilhão? Ó Túmulo, onde está tua vitória?”[1].
(Publicado na Revista “Rays from the Rose Cross” de fevereiro/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: ICor 15:55
O Esoterismo, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz, é um conhecimento transformador. É uma forma de espiritualidade elevada. Podemos considerá-lo como um “caminho para a salvação”. E, sim, existe um elo entre o Esoterismo da Fraternidade Rosacruz e a questão da doença ou enfermidade e da cura definitiva.
O Método de Cura da Fraternidade Rosacruz tem fundamentos filosóficos. Por um lado, aceita os ganhos das ciências material sobre doença, anatomia, fisiologia e, por outro lado, se baseia em uma concepção do universo que abrange uma história do Universo, da Terra e da Humanidade; bem como da Astrologia Rosacruz, anatomia, fisiologia e das Leis que regem o ser humano e o Universo. Nesse sentido, sabemos que nós somos dotados de vários Corpos e veículos. O conceito de “Corpo” não deve ser entendido no sentido da anatomia clássica, ou seja, de elementos individualizados. O conceito de “Corpo” tem a ver com realidades virtuais, de Mundos e suas Regiões e não de conjuntos de órgãos, tecidos, sistemas e membros relacionados entre si. Se o Corpo Denso está ao alcance dos órgãos sensoriais, o mesmo ocorre com os outros Corpos que são apenas perceptíveis por quem desenvolveu a visão dos Mundos onde esses Corpos ou veículos funcionam. Por exemplo, quem desenvolveu a visão do Mundo do Desejo veem o Corpo de Desejos como uma espécie de “envelope ovoide que se estende 40 ou 50 centímetros para fora do Corpo Denso. Podemos resumir as funções de cada Corpo assim: Corpo Denso é o instrumento da ação nessa Região Química do Mundo Físico; Corpo Vital é o que proporciona a vitalidade, se compõe de Éteres e funcionamos nele na Região Etérica do Mundo Físico; Corpo de Desejos que estimula à ação; a Mente pela qual manifestamos nossos pensamentos aqui e que refreia os impulsos, proporcionando um objetivo à ação. Assim, somos um Ego (um Espírito Virginal manifestado aqui como um Tríplice Espírito) que agimos e reunimos as experiências da ação. A cada parte do Corpo Denso há a mesma parte no Corpo Vital. No Corpo de Desejos há centros de percepção que quando estão em atividade se parecem com vórtices permanecendo sempre na mesma posição relativa com respeito ao Corpo Denso.
Sabemos que o Universo atua e se transforma com energia. Essa energia é percebia por nós sob a forma de quatro Éteres do Corpo Vital, que são Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso e Éter Refletor. A densidade e a consistência deles é que determinam o estado de saúde. Por exemplo: o Éter Químico nos permite assimilar nosso alimento e a nos desenvolver, mas o Éter Refletor é o Éter da memória que armazena experiências passadas.
A energia solar entra no nosso Corpo Denso pelo baço etérico. De lá, por meio dos nervos etéricos, chega ao Plexo Celíaco, ou Plexo Solar, onde está o Átomo-semente do Corpo Vital. E aqui se transforma no Fluido Vital Solar. Esse Fluido é que mantém a saúde do nosso Corpo Denso. Quando não o temos suficiente, ficamos doentes ou enfermos.
Assim, a saúde resulta de vários elementos: a saúde é o resultado da harmonia entre todos os nossos componentes do nosso Corpo Denso e da harmonia cósmica (harmonia com as Leis de Deus). A doença é uma realidade cosmobiológica e espiritual. No entanto, há casos em que é necessário passar pela doença ou enfermidade para nos fazer mudar, mas sob essas circunstâncias a doença é um precursor de um desenvolvimento espiritual correspondente. Naturalmente, neste caso, a doença ou enfermidade deve ser considerada uma bênção e não uma maldição. Primeiro de tudo, ela decorre de uma falta de harmonia, ou seja, uma não conformidade com o que acabamos de descrever acima. Também pode resultar de uma condição de Destino Maduro. Por exemplo, muitas vezes as doenças nos órgãos que compõe o sentido da visão são causadas por crueldade extrema em uma vida passada.
No entanto, se a doença ou enfermidade é uma consequência de atos, ações ou obras de vidas passadas, não é uma punição, pois Deus não pune, e a doença tem um valor pedagógico. Dor e sofrimento são feitos para nos fazer aprender lições que não quisemos aprender de outra forma.
Não há causas hereditárias para a doença ou enfermidade, porque explicar o comportamento pela Lei da Hereditariedade cancela a responsabilidade e a hereditariedade é usada como um álibi para maus hábitos. O que parece ser “hereditariedade” é, na verdade, a expressão da Lei de Associação e quanto mais cedo reconhecermos que devemos vencer os nossos maus hábitos e cultivar a virtude em seu lugar, em vez de atribuí-los à Lei da Hereditariedade, tanto melhor para nós. Por outro lado, a doença ou enfermidade pode ser causada pelo consumo de bebidas alcoólicas e todas as formas tabaco.
O Método de Cura da Fraternidade Rosacruz está de acordo com a cosmobiologia. Nesse Método, existem dois tipos de remédios para doenças: aqueles da medicina clássica e, em um nível mais alto, aqueles que se baseiam principalmente no poder espiritual chamado de Panaceia Universal ou Panaceia de Cura. Nesse Método, os Curadores (que são todos Auxiliares Invisíveis) transmitem ao Paciente o Poder Divino ou a Força Divina de Cura. A Panaceia pode ser sempre utilizada para curar qualquer tipo de doença ou enfermidade. Com o seu uso as partículas cristalizantes que envolvem os centros espirituais do Corpo do Paciente são dissipadas.
Existem três fatores no Método de Cura Rosacruz: primeiro, o Poder Curador do nosso Pai Celestial; a seguir, o Curador, um Auxiliar Invisível e, por fim o ânimo obediente do Paciente sobre o qual possa agir o Poder Curador de Deus-Pai por intermédio do curador, de tal forma que dissipe todas as doenças ou enfermidades do Corpo. Assim, a cura decorre de um ato de fé que mobiliza o Paciente e o torna o agente de sua cura. Nesse sentido há uma distinção entre tratar (ato em que o Paciente é passivo, também chamado de remediar) e curar (processo em que o Paciente é ativo). O Paciente tem que compreender que a doença ou a enfermidade é a consequência da violação das Leis da Natureza, e se voltar ou continuar fazendo as mesmas coisas que fazia, a doença ou a enfermidade retornará. Note que o tratar ou remediar é um processo físico. Já o curar é radicalmente diferente porque, neste caso, se exige que o Paciente coopere espiritual e fisicamente com quem cura.
Foi assim que os milagres de Cristo-Jesus, “o mestre curador”, foram obtidos. Cristo mobilizava o Poder do Espírito para curar pessoas que tinham fé neste poder. Como evidência da necessidade de se ter fé no Método de Cura, podemos estudar na Bíblia: “E Ele não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13:58).
O Poder Divino é chamado de a Panaceia Universal. A Panaceia é enviada por Deus para curar o ser humano. Essa “essência espiritual” é enviada a nós e nos fornece um impulso para que nos recomponhamos e retomemos o controle das células do nosso Corpo para restabelecer o funcionamento físico harmonioso.
Podemos nos perguntar: como um Paciente pode se beneficiar da Panaceia Universal? Note que a Cura Rosacruz opera a partir da transferência. Há sim a necessidade do comprometimento do Paciente. Se pelo contrário, o Paciente não acredita no poder de cura do Curador, seria melhor chamar um médico ou uma médica em quem ele confie, porque a saúde e a doença dependem muito do estado de espírito da pessoa que sofre.
Uma ponte deve ser estendida entre os planos superiores e inferiores. Quando Cristo utilizou o Corpo de Jesus na Terra e curou os enfermos, Ele, que era o Senhor do Sol, encerrava em Si a síntese das vibrações dos Astros, da mesma maneira que a oitava musical contém todas as tonalidades da escala e, portanto, podia emitir de Si mesmo a influência astral corretiva necessária e suficiente em cada caso. Ele sentia a desarmonia e sabia imediatamente como desfazê-la em virtude de Seu exaltado desenvolvimento. Diferentemente dos Curadores de hoje, Cristo não precisava despertar um Poder de Dura. Ele não precisava de preparação prévia, mas alcançava resultados imediatos ao substituir, com harmonia, a discórdia astral causadora da doença ou enfermidade que ele queria curar. Só em um caso recorreu à lei superior e disse: “Levanta-te; teus pecados estão perdoados” (Lc 5:23-24 e Mc 2:9-11).
Cristo, impregnado de Lei superior, portanto com Poder Divino, pôde curar restabelecendo uma harmonia que não se limita à harmonia biológica, mas tem a ver também com a harmonia cósmica que contribui para o funcionamento tanto dos Corpos como da Mente.
Sabemos que temos uma concepção biocósmica e o tratamento da doença ou enfermidade deve ser qualificado como tal. A cura passa, também, por um diagnóstico astrológico do Paciente, pois o Método de Cura da Fraternidade Rosacruz depende do conhecimento das dissonâncias astrais, que são a causa da doença ou da enfermidade, e do conhecimento da influência que remediará essa discórdia.
Ou seja, também é uma questão de Astroterapia que é tão útil quanto, de acordo com suas Leis de Compatibilidade e Receptividade, o Paciente se curar com menos esforço sob posições astrais favoráveis. Portanto, os Curadores levantam o horóscopo do paciente e então, conhecendo a doença ou enfermidade, eles entram em um estado de receptividade por meio de Exercícios Esotéricos Rosacruzes. Estes últimos são os meios mais eficientes para entrar em harmonia com Cristo. A prática desses Exercícios conduz a um dom de intuição que permite perceber o sofrimento dos outros, enquanto se encontra uma forma de lhes dar consolo e apoio.
Por que curar? Porque, do ponto de vista do ocultismo, o fato de vivermos ou morrermos é irrelevante, pois a morte não significa aniquilação, mas apenas uma mudança de consciência em relação a outras esferas. Prolongar a vida do veículo, que é o Corpo Denso aqui, permite reunir experiências e estender o desenvolvimento espiritual da pessoa aqui na Terra, que é o baluarte da evolução. O ato de curar é, portanto, tornado relativo. A vida aqui é importante, a saúde também, mas a vida aqui e a saúde vêm depois do desenvolvimento espiritual.
Na verdade, uma pessoa doente pode invocar energia por si mesma. A doença ou enfermidade física pode ser curada pelo poder espiritual, mas há que ter uma noção de “quantidade de Poder”, união de poderes introduzida pelo elemento social. Uma pessoa doente ou enferma recebe ajuda de um grupo de indivíduos: os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Esses irmãos são auxiliados mundialmente pelos Estudantes Rosacruzes e por qualquer pessoa que queira ajudar, a cada semana, quando a Lua passa por um Signo Cardinal – as chamadas Datas de Cura – que colocam seus pensamentos em uníssono em um momento chamado 18h30, independentemente dos fusos horários ou qualquer outro horário, pois o pensamento é um fluido transmitido por todo o Planeta que atingirá seu objetivo (se quiser se preparar para facilitar criar tais pensamentos de Cura, antes de se concentrar, oficie o Ritual do Serviço Devocional de Cura). O número de pessoas focadas nesse momento aumenta o poder espiritual em uma progressão geométrica.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
“O Ancião ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade. Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. Pois fiquei sobremodo alegre pela vinda de irmãos e pelo seu testemunho da tua verdade, como tu andas na verdade. Não tenho maior alegria do que essa, a de ouvir que meus filhos andam na verdade.” (IIIJo 1:4).
Nestes versículos o Apóstolo do Amor realça a diferença entre o regime Jeovístico e a Nova Dispensação Cristã. Contrastando com os meios externos de se encontrar a verdade, próprios da Dispensação Mosaica, hoje existe a “lei da liberdade”, ou seja, a lei “inserida” no nosso coração por intermédio de Cristo. A voz da verdade (a intuição) ecoa desde o coração, proporcionalmente ao desenvolvimento do princípio do Amor-Sabedoria. A Filosofia Rosacruz esclarece cientificamente o processo por meio do qual a inspiração intuitiva opera e como ela pode ser cultivada. A intuição é uma faculdade espiritual – a faculdade do Espírito de Vida – inerente a todos nós, mas expressando-se melhor quando o Corpo Vital é positivo.
O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, hora após hora, durante toda a vida, grava as recordações no Átomo-semente do Corpo Denso, enquanto permanecem frescas. Prepara um arquivo fidelíssimo da vida que, depois na existência post-mortem, se imprimirá indelevelmente no Átomo-semente do Corpo de Desejos, base para a nossa vida no Purgatório e Primeiro Céu. O coração está permanentemente em estreito contato com o Espírito de Vida, o espírito do amor e da unidade, o que o torna, o foco do amor altruísta.
Depois das recordações passarem ao Mundo do Espírito de Vida, em que se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não volta através dos lentos sentidos físicos, mas diretamente através do quarto Éter (Éter Refletor) contido no ar que respiramos. O Espírito de Vida pode ver muito mais claramente no seu Mundo do que nos Mundos mais densos. No elevado Plano, que lhe é próprio, está em contato com a Sabedoria Cósmica e, em qualquer situação, sabendo imediatamente o que há de fazer, envia sua mensagem de orientação e de ação ao coração. Esse logo a retransmite ao cérebro por meio do nervo pneumogástrico ou nervo vago. Assim se formam as “primeiras impressões”, os impulsos intuitivos, sempre bons porque emanam diretamente da fonte de Amor e Sabedoria Cósmica.
A fonte da verdade que “está dentro de nós” é o Princípio do Espírito de Amor-Sabedoria. A manifestação dessa “voz interna” demanda pureza de vida e serviço amoroso prestado aos demais. Isto atrai o Éter Refletor do Corpo Vital por meio do qual a mensagem intuitiva é impressa, nos tornando mais sensível a sua influência.
Max Heindel afirma que o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é de grande valia para o desenvolvimento da “voz intuitiva”, porque nesse julgamento imparcial de si mesmo, noite após noite, o Aspirante à vida superior consegue discernir entre a verdade e o erro, o que não seria possível por outro meio.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1969 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que Cristo virá em uma segunda vez. E que devemos nos preparar para que quando Ele voltar, possamos segui-Lo em uma Nova Dispensação.
Sabemos também que “deste dia e desta hora, nenhum ser humano o sabe, nem os Anjos que estão no céu, nem o Filho, mas só o Pai”[1]. E por essa passagem e outras que encontramos na Bíblia, podemos ver como precisamos ser cuidadosos para não sermos atraídos por impostores. Afinal, Cristo não voltará em um Corpo Denso!
Também aprendemos que os Ensinamentos da Fraternidade Rosacruzes, que são os Ensinamentos Cristãos – que são a base para que tenhamos poder e luz anímica, ou seja, crescimento da alma – são práticos, ou seja: são fornecidos para que o Estudante Rosacruz os coloque em sua vida, especialmente, por meio de atos, obras e ações. Por que são esse poder e essa luz de Cristo tão práticos? Porque nós podemos, tanto no Plano visível como no invisível, aprender a usá-los para alimentar os que têm fome, fazer que os cegos vejam, expulsar demônios ou dominar os elementos, exatamente como fez Cristo Jesus durante Seu ministério na Terra. Dizem-nos que o Cristo Cósmico, o mais poderoso dos Arcanjos, pode penetrar todo átomo cristalizado com o poder de Suas próprias emanações, do Seu Mundo, o Espírito da Vida. Essas emanações são tão poderosas que até aqueles que tocavam Suas vestes eram curados.
Como Estudantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental ou Estudantes Rosacruzes e buscadores da luz nós devemos colocar essa claridade em evidência, espiritualizando o vestuário que agora usamos e que determinará o que usaremos na próxima passagem pela Terra. Por que não ser sensatos? Por que não nos esforçar para purificar e construir Corpos de forma que nos permitam servir melhor dia-a-dia? No passado, sem dúvida, erramos por ignorância, porque não compreendíamos a inexorável Lei do “semear e colher” – a Lei de Consequência ou Lei de Causa e Efeito –, nem imaginávamos as distantes consequências da nossa maneira de proceder; entretanto, hoje compreendemos tudo isso. Sabemos como viver acertadamente: a nossa tarefa é dominar o “eu inferior” e nos guiar pela Luz interior da presença de Cristo em nós, o Cristo interno.
Todas as pessoas que construírem o Dourado Traje de Bodas, o soma psuchicon (dito por S. Paulo), a Vestimenta para o Casamento Místico entre o “eu inferior” e o “Eu superior”, ou Corpo-Alma (um Corpo composto dos dois Éteres superiores e, portanto, capaz de levitação e de passar por paredes, uma vez que toda matéria densa é permeada com Éter. Os Auxiliares Invisíveis o usam hoje, como Cristo o fez) e, com isso conseguem pôr em evidência a Luz de Cristo que trazem dentro de si estão aptos a reconhecer o Cristo quando da Sua segunda vinda.
A Fraternidade Rosacruz é a Escola Preparatória para a Escola dos Mistérios Ocidentais, a Ordem Rosacruz. Seus ensinamentos são especificamente destinados a preparar pessoas para a Nova Dispensação – inaugurada com a segunda vinda de Cristo –, que está, mesmo agora, se formando. Por direito e virtude do seu enorme sucesso em difundir os Ensinamentos da Nova Era, a Fraternidade Rosacruz está destinada a desempenhar uma parte ativa entre as forças espirituais que agora formam a próxima Era, a de Aquário.
(Traduzido da “The Rosicrucian Fellowship Magazine” e publicado na Revista Serviço Rosacruz de Agosto/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.T.: Mt 24 4-36 e Mc 13:5-32
(Traduzido da “The Rosicrucian Fellowship Magazine” e publicado na Revista Serviço Rosacruz de Agosto/1970)