Resposta: Este é mais um caso em que os tradutores da Bíblia traduziram o texto grego de uma forma totalmente injustificável. O comentário foi feito por ocasião das Bodas de Caná, onde Maria, a mãe de Jesus, teria ido até ele dizendo que não havia mais vinho. Jesus então respondeu com as seguintes palavras em grego: “Ti emoi kai soi gunai”. Traduzido literalmente, seria algo como: “Que me importa isso, ó mulher? Ainda não é chegada a minha hora”. Mesmo deixando de lado o significado esotérico dessa observação, essa parece ser uma resposta muito mais gentil do que a grosseira resposta atribuída a Jesus na versão popular da Bíblia do Rei Jaime[1]. Deve-se também lembrar que Cristo não era o filho de Maria no mesmo sentido em que o era Jesus, e que, embora Ele tenha usado o corpo de Jesus, Ele não reconheceu uma relação física com Maria e, portanto, estava perfeitamente justificado em se a ela chamando-a “mulher”.
No entanto, há outro significado, mais profundo, em todo o relato das Bodas de Caná. Ensinou-se na literatura Rosacruz que os Evangelhos não são relatos da vida de um indivíduo chamado Cristo ou Jesus, que foi único entre a Humanidade. Embora o Jesus dos Evangelhos tenha realmente vivido, os próprios Evangelhos são histórias ou fórmulas de Iniciação, e as Bodas de Caná, onde Cristo realizou o Seu primeiro grande milagre, foi algo muito maior do que uma mera cerimônia de casamento entre um homem e uma mulher na vida comum. Tratava-se, na verdade, de um casamento místico do “Eu superior” e o “Eu inferior” sob a nova ordem do Serviço do Templo, então inaugurada por Cristo. Na Época Atlante a água era usada nos templos, mas na Época Ária o “vinho” era essencial.
Diferentes Raças viveram sobre a Terra em várias Épocas, e elas tinham constituições diferentes do que nós temos hoje. A primeira Raça humana é simbolizada na Bíblia pelo nome de Adão. Os seres dessa Raça eram da terra, isto é, terrenos. Ou seja, eles possuíam somente uma massa mineral[2], pois eram formados pela terra mineral. A segunda raça é simbolizada pelo nome de Caim. Os seres dessa Raça possuíam tanto um Corpo Denso mineral quanto um Corpo Vital, formado de Éteres. Portanto, eles eram semelhantes às plantas, e o alimento vegetal lhes foi proporcionado para comer. Por isso, ouvimos dizer que Caim cultivava a terra e plantava grãos. A terceira Raça também desenvolveu um Corpo de Desejos e devido a essa natureza emocional e passional, os seres dessa Raça se tornaram semelhantes a animais. Portanto, receberam como comida carne animal, e lemos na Bíblia que Nimrod era um poderoso caçador. Por fim, a Mente lhes foi adicionada como um elo entre o Tríplice Corpo e o Tríplice Espírito. O Espírito então entrou no Corpo e passou a habitá-lo, tornando-se um Ego.
Para que este Ego pudesse aprender a lição na Terra, ele deveria esquecer, por um tempo, sua origem espiritual celeste. Para esse fim, um novo alimento lhe foi fornecido, e o “vinho”, um espírito fermentado fora do corpo, foi usado pela primeira vez por Noé, o Hierarca Atlante, para amortecer o verdadeiro Espírito que habitava o Corpo. Sob a influência inebriante desse pseudo-espírito, o ser humano gradualmente esqueceu sua origem divina e concentrou toda a sua atenção nas lições a serem aprendidas neste Mundo. Contudo, embora a Humanidade se tenha entregado a esse novo produto de nutrição, o “vinho”, mesmo apesar das orgias realizadas em cerimônias exotéricas, nos santuários de todas as antigas Dispensações só era utilizado água, e os mais elevados e santos sacerdotes jamais permitiam que o vinho tocasse seus lábios. Consequentemente, eles não eram líderes cegos conduzindo outros cegos, mas viam claramente os Mundos invisíveis e conheciam o sagrado mistério da vida.
Durante as Épocas primitivas da nossa evolução fomos guiados por mensageiros visíveis das Hierarquias Divinas, a quem reverenciávamos como Deus, e mesmo depois que estes nos deixaram, os profetas e videntes continuaram a aparecer entre os seres humanos, testemunhando a realidade de Deus e dos Mundos invisíveis. As Religiões antigas também ensinavam a doutrina do Renascimento e, assim, o ser humano sabia que progredia por meio da experiência adquirida utilizando uma série de Corpos terrenos de textura cada vez mais aprimorada. É por essa razão que muitos hindus, que acreditam no Renascimento, sentem que não há necessidade de pressa em termos de evolução.[3] No entanto, para que o ser humano do Mundo ocidental, onde habitam os seres humanos pioneiros, pudesse se dedicar de corpo e alma a dominar os segredos da vida terrena, foi planejado que ele fosse completamente privado desse ensinamento. Além disso, o conselheiro espiritual estava temporariamente cego quanto ao conhecimento consciente de Deus e a visão dos Mundos internos, de modo que toda a Humanidade pudesse se sustentar por si mesma durante a Nova Dispensação e, consequentemente, se dedicasse inteiramente à evolução material que lhe estava reservada. O “vinho” teve, desde o início, essa contribuição em termos exotéricos, e o seu uso foi sancionado no Templo pelo primeiro milagre.
Sob a Antiga Dispensação, somente a água era usada no Serviço do Templo, mas com o decorrer do tempo, o “vinho” se tornou um fator na evolução humana. Um “deus do vinho”, Baco, era adorado e as orgias da mais selvagem natureza eram realizadas a fim de abafar as aspirações do Espírito, para que esse pudesse se dedicar a conquistar o Mundo Físico. Sob a Dispensação Mosaica (Antiga Dispensação), os Sacerdotes eram estritamente proibidos de usar “vinho” enquanto oficiavam no Templo, mas Cristo, em Sua primeira aparição pública, transformou a água em “vinho”, ratificando seu uso na ordem das coisas então existentes. Note-se, porém, que isto foi feito em público e que foi o Seu primeiro ato de ministério público. Contudo, na última sessão esotérica de Cristo com Seus Discípulos, onde a Nova Aliança foi celebrada, não havia carne de cordeiro (Áries), como exigido pela Lei Mosaica. Não havia “vinho”, mas apenas pão – um produto vegetal – e o cálice do qual falaremos a seguir, depois de termos notado Suas palavras proferidas naquele momento: “Em verdade vos digo, não beberei mais do fruto da videira até que o beba novamente convosco no Reino dos Céus” (Mc 14:25). O suco de uva recém-extraído não contém um espírito proveniente da fermentação e decomposição, sendo, portanto, um alimento vegetal puro e nutritivo. Assim, os seguidores da doutrina esotérica foram instruídos, por Cristo, a seguirem uma dieta que não incluísse nem a carne animal, nem bebidas alcóolicas.
Geralmente se supõe que o cálice usado por Cristo na Última Ceia continha “vinho”, embora, na verdade, não haja fundamento na Bíblia para essa suposição. Existem três relatos sobre os preparativos para esta Páscoa. Enquanto S. Marcos e S. Lucas afirmam que os mensageiros foram instruídos a ir a uma determinada cidade e procurar um homem que carregava um cântaro de água, nenhum dos Evangelistas menciona que o cálice continha “vinho”. Além disso, pesquisas na Memória da Natureza mostram que a água era a bebida usada, e que, sob o ponto de vista esotérico, o “vinho” já tinha cumprido sua função. Desse esse ato data também a inauguração do movimento da temperança, pois essas mudanças cósmicas envolvem uma longa preparação nos Mundos internos antes de se manifestarem exteriormente na sociedade. Milhares de anos não são nada em tais processos.
O uso da água na Última Ceia também está em harmonia com as exigências astrológicas e éticas. O Sol estava deixando Áries, o Signo do cordeiro, entrando em Peixes, o Signo dos peixes, um Signo de Água[4]. Uma nova nota de aspiração estava prestes a soar, uma nova fase de elevação humana estava prestes a começar durante a Era de Peixes que se aproximava. A autogratificação seria substituída pela abnegação. O pão, alimento básico, feito de grãos imaculadamente cultivados, não alimenta as paixões como a carne animal; tampouco o nosso sangue, quando diluído em água, pulsa com a mesma intensidade que quando bebemos “vinho”. Portanto, o “pão e a água” são alimentos adequados e símbolos de ideais durante a Era Peixes-Virgem. Eles representam a pureza, e a Igreja Católica deu aos seus fiéis a água pisciana colocada à porta do templo e o Pão Virginiano no altar, negando-lhes o cálice de vinho durante a Liturgia. Contudo, mesmo o que foi exposto acima não nos leva ao cerne do mistério culto no “Cálice da Nova Aliança”.
A antiga “taça de vinho” que nos foi dada quando entramos na Época Ária, a terra da geração, estava cheia de destruição, da morte e do veneno, e a palavra que, então, aprendemos a falar está morta e impotente.
A nova “taça de vinho” mencionada como a representação do ideal da Época futura, a Nova Galileia (que não deve ser confundida com a Era de Aquário), é um órgão etérico construído dentro da cabeça e da garganta pela força sexual criadora não gasta, que à visão espiritual se assemelha à haste de uma flor elevando-se da parte inferior do tronco. Este cálice, ou cálice de sementes, é verdadeiramente um órgão criador, capaz de proferir a palavra da vida e do poder.
A palavra atual é gerada por movimentos musculares desajeitados que regulam a laringe, a língua e os lábios, de modo que o ar, proveniente dos pulmões, emita determinados sons, mas o ar é um meio pesado, difícil de mover quando comparado às forças mais sutis da Natureza, como a eletricidade, que se movem no Éter. Quando este novo órgão estiver desenvolvido, terá o poder de proferir a palavra de vida, de infundir vitalidade em substâncias que antes estavam inertes. Este órgão está sendo hoje formado por nós, por meio do serviço amoroso e desinteressado.
Vocês se lembrarão que Cristo não deu o cálice à multidão, mas aos Seus Discípulos, que eram os Seus mensageiros e servos da Cruz. Atualmente, aqueles que bebem da taça do autossacrifício, para que possam usar a sua força sexual criadora ao serviço amoroso e desinteressado aos outros, estão construindo esse órgão, juntamente com o Corpo-Alma, o “Dourado Manto Nupcial”. Eles estão aprendendo a usá-lo, em pequena escala, como Auxiliares Invisíveis, quando estavam fora do Corpo Denso à noite, pois então são ensinados a proferir a palavra de poder que remove a doença e edifica tecidos saudáveis.
Quando a Época Atlante se aproximava do fim e a Humanidade abandonou seu lar ancestral, onde havia estado sob a orientação direta dos Mestres divinos, a Antiga Aliança foi firmada, concedendo-lhes a carne animal e o “vinho”. Estes dois elementos, juntamente com o uso desenfreado da força sexual criadora, transformaram a Época Ária, especialmente nas suas duas primeiras Eras[5], em Eras de morte e destruição. Agora, estamos nos aproximando do fim dessa Era, a de Peixes.
Pois a Era de Peixes, ou o período em que o Sol, pelo movimento de precessão, passa pelo Signo de Peixes, está chegando ao fim. Durante esse período, o Signo oposto a Peixes, Virgem, representou o ideal humano. Ela foi venerada por um sacerdócio celibatário que recomendava aos seus fiéis o consumo de “peixes” como alimento em determinadas épocas da semana e do ano. No Zodíaco ilustrado, o Signo de Virgem tem uma espiga de trigo na mão. Tanto a semente quanto a uva são produtos do Reino vegetal, e a Imaculada Virgem Celestial, portanto, personificava o primeiro princípio da Imaculada Concepção: o sangue (“vinho”) e o corpo (pão) de Cristo. A essas coisas o sacerdócio celibatário, que dirigia o culto, chamou a atenção durante a Era de Peixes, que agora está prestes a terminar e, portanto, o “vinho” está sendo rapidamente abolido nos ofícios do templo e do uso nas missas, com o resultado de que uma correspondente medida de sensibilidade está sendo experimentada. O Espírito Divino, oculto dentro de cada ser humano, despertou do seu sono tóxico induzido pelo “espírito do vinho”, e começa a se recordar de sua origem divina e de sua herança da vida, à qual não tem início nem fim.
Vale a pena notar, a este respeito, que todo o clero dos diversos países do Velho Mundo e, também, os padres católicos das Américas ainda continuam a usar o “vinho” e as bebidas alcoólicas diariamente, e é mais significativo que, quando o Parlamento da Inglaterra, o Rei e os nobres, que representam a classe política, tentaram aprovar leis que proibissem a venda de bebidas alcoólicas no país, a medida fracassou devido à determinada oposição dos mais altos dignitários da Igreja.
Essa atitude do clero europeu não implica, de modo algum, numa degradação por parte deles, nem que devam ser censurados em qualquer aspecto. A Humanidade tem ainda muitas lições para aprender que só podem ser proporcionadas durante a “era do vinho”. Quando a necessidade do espírito falsificado passar, ele cairá em desuso sem que seja necessário recorrer a medidas legislativas, que geralmente não são eficientes, pois é absolutamente impossível legislar a moralidade nas pessoas. Até que uma lei seja aprovada internamente – de dentro para fora –, elas são obrigadas a quebrá-la para garantir a satisfação de seus desejos, independentemente das medidas restritivas.
(Pergunta nº 90 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. (Jo 2:4)
[2] N.T.: Um Corpo Denso rudimentar
[3] N.T.: Hindus são pessoas que seguem o hinduísmo, uma das Religiões mais antigas e complexas do mundo, originária do subcontinente indiano, caracterizada por diversas crenças, como a crença em múltiplos deuses (Brahma, Vishnu, Shiva) e na reencarnação, além de uma rica tapeçaria de práticas, rituais (como o pujá e yoga) e textos sagrados (Vedas, Ramayana) que moldam a cultura indiana e não possuem um fundador único.
[4] N.T.: Tudo isso devido ao movimento de Precessão dos Equinócios da Terra.
Resposta: A história do Evangelho, como geralmente é lida pelas pessoas nas igrejas, é apenas a história de Jesus, um personagem único, o Filho de Deus em um sentido especial, que nasceu em Belém, viveu na Terra pelo curto espaço de trinta e três anos, morreu pela Humanidade, depois de muito sofrimento e agora é permanentemente exaltado à direita do Pai. De lá, eles esperam que Ele retorne para julgar os vivos e os mortos, e celebram seu nascimento e sua morte em determinadas épocas do ano, porque se supõe que tenham ocorrido em datas definidas, iguais ao aniversário de, por exemplo, Lincoln[1], Washington[2] ou da Batalha de Gettysburg[3].
Embora essas explicações satisfaçam as multidões, que não são se aprofundam muito em suas investigações sobre a verdade, há outro ponto de vista que é muito evidente para o Místico. Essa é uma história de amor divino e sacrifício perpétuo que o enche de devoção ao Cristo cósmico, Aquele que nasce periodicamente para que possamos viver e ter a oportunidade de evoluir neste ambiente, poie o Místico compreende, a partir dessa perspectiva, que sem esse sacrifício anual recorrente essa Terra e suas atuais condições de progresso seriam impossíveis.
No momento em que o Sol está no Signo celestial de Virgem, a virgem, ocorre a Imaculada Concepção. Uma onda de luz e vida solar do Cristo se concentra na Terra. Gradualmente, essa luz penetra cada vez profundamente na Terra, até que o ponto mais profundo seja alcançado na noite mais longa e escura do ano, que chamamos de Natal. Este é o nascimento Místico de um impulso da Vida Cósmica que impregna e fertiliza a Terra. É a base de toda a vida terrestre. Sem ele nenhuma semente germinaria, nenhuma flor apareceria na face da Terra, nem o ser humano e nem os animais poderiam existir, e a vida logo se extinguiria. Portanto, há de fato uma razão muito, muito válida para o regozijo que é sentido na época do Natal. Como o Autor Divino do nosso ser, nosso Deus-Pai Celestial, deu o maior de todos os presentes ao ser humano, o Filho, assim, os seres humanos também são impelidos a dar presentes uns aos outros. Reinam na Terra a alegria jubilosa, a boa vontade e a paz, ainda que as pessoas não compreendam as razões místicas e anualmente recorrentes para isso.
Assim como “um pouco de fermento fermenta toda a massa”[4], esse impulso de vida espiritual, que impregna a Terra durante o Solstício de Dezembro e percorre os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março em direção à sua circunferência, dando vida a tudo que entra em contato. Nem mesmo os minerais não poderiam crescer, caso esse impulso de luz fosse retido; e quando chega a Páscoa, a Terra está florescendo, os pássaros começam a cantar e os pequenos animais nas florestas estão se acasalam, tudo está imbuído dessa grande Vida Divina; Ela se esgota, morre e é elevada novamente à direita do nosso Deus-Pai. Assim, o Natal e a Páscoa são momentos decisivos que marcam o fluxo e o refluxo da Vida Divina, anualmente oferecidos por nossa causa, sem os quais seria impossível viver na Terra. Essa última também encerra a repetição anual do sentimento festivo que experimentamos do Natal à Páscoa, a alegria que vibra em nosso ser. Se somos minimamente sensíveis, não podemos deixar de sentir o Natal e a Páscoa no ar, pois estão carregados de amor divino, vida divina e de regozijo divino.
Mas, de onde vem a nota de sofrimento, angústia e tristeza profundas que antecede a Ressurreição da Páscoa? Por que não nos regozijamos com uma alegria pura no momento em que o Filho é libertado e retorna ao Pai? Por que a Paixão e a Coroa de Espinhos? Por que isso não pode ser deixado de lado? Estão aí perguntas cujas respostas nosso interlocutor gostaria de conhecer.
Para compreender esse mistério é necessário ver a questão da perspectiva do Cristo e perceber plenamente que essa onda vital anual que se projeta em nosso Planeta não é simplesmente uma força desprovida de consciência. Ela carrega consigo a plena consciência do Cristo Cósmico. É um fato absolutamente verdadeiro que sem Ele nada do que foi feito teria sido feito, como nos ensina S. João, no primeiro capítulo do seu Evangelho[5]. No momento da Imaculada Concepção, em setembro, esse grande impulso vital começa sua descida sobre a nossa Terra e, por ocasião do Solstício de Dezembro, quando o ocorre nascimento místico, o Cristo Cósmico já se concentrou completamente sobre e dentro deste Planeta. Vocês perceberão que deve causar muito desconforto a um Espírito tão grandioso estar confinado dentro da nossa pequena Terra e ter consciência de todo o ódio e de toda discórdia que Lhe enviamos diariamente, durante o ano inteiro.
É um fato inegável que toda expressão de vida é feita por meio do amor e, dessa forma, a morte vem pelo ódio. Se o ódio e a discórdia que geramos em nosso cotidiano, em nossas interações uns com os outros, a falsidade, a infâmia e o egoísmo não fossem remediados, esta Terra seria tragada pela morte.
Você se lembra da descrição da Iniciação fornecida no livro Conceito Rosacruz do Cosmos? Lá está escrito que, no serviço realizado todas as noites à meia-noite, o Templo etérico da Ordem Rosacruz é o foco de todos os pensamentos de ódio e perturbação do mundo ocidental, ao qual serve, que tais pensamentos são ali desintegrados e transmutados e que essa é a base do progresso social no mundo. Também se sabe que os Espíritos que já alcançaram a plena santidade se entristecem e sofrem com muita angústia com as perturbações do mundo, com a discórdia e o ódio, e que emanam de si mesmos, individualmente, pensamentos de amor e bondade. Os esforços associados de Ordens como a dos Rosacruzes são direcionados pelos mesmos canais de ação, quando o mundo ainda está parado, no que se diz respeito às atividades físicas e, portanto, está mais receptivo à influência espiritual, ou seja, à meia-noite. Nesse momento, eles se esforçam para atrair e transmutar essas flechas feitas de pensamentos de ódio e discórdia, sofrendo assim ao receber uma pequena parte delas, enquanto tentam remover alguns espinhos da coroa do Salvador.
Considerando o exposto, você entenderá que o Espírito de Cristo na Terra está, como afirmou S. Paulo, realmente gemendo e sofrendo, esperando o dia da libertação[6]. Assim, Ele reúne todos os dardos de ódio e raiva. Esta é a coroa de espinhos.
Em tudo o que vive, o Corpo Vital irradia raios de luz da força que se esgotou na construção do Corpo Denso. Durante a saúde, esses raios removem o veneno do Corpo Denso e o mantêm limpo. Condições semelhantes prevalecem no Corpo Vital da Terra, que é o veículo de Cristo. As forças venenosas e destrutivas, geradas por nossas paixões, são removidas pelas forças vitais do Cristo, mas cada pensamento ou ato maligno traz a Ele sua própria proporção de dor e, portanto, se torna parte da Coroa de Espinhos – a coroa, já que a cabeça é sempre considerada a sede da consciência. Devemos perceber que cada ato maligno recai sobre o Cristo da maneira descrita e Lhe acrescenta mais um espinho de sofrimento.
Em vista do exposto, podemos compreender com que alívio Ele profere as palavras finais no momento da libertação da cruz terrena: “Consummatum est”. Por que a recorrência anual do sofrimento, você pergunta? Assim como absorvemos continuamente em nossos Corpos o oxigênio que nos proporciona a vida para que ele complete seu ciclo, revitalizando e energizando todo o Corpo Denso, e esse oxigênio, enquanto permanece no Corpo, morre momentaneamente para o mundo exterior, carregando-se de toxinas e resíduos e, finalmente sendo exalado como dióxido de carbono, um gás venenoso, também é necessário que o Salvador entre anualmente no grande corpo que chamamos de Terra e tome sobre Si todo o veneno gerado por nós mesmos, para purificá-la, limpá-la e proporcionar uma nova vida antes de, finalmente, ressuscitar e ascender ao Seu Pai.
(Pergunta nº 85 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Abraham Lincoln (1809- 1865) foi um político norte-americano que serviu como o 16° presidente dos Estados Unidos, posto que ocupou de 4 de março de 1861 até seu assassinato em 15 de abril de 1865. Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional.
[2] N.T.: George Washington (1732-1799) foi um líder político, militar, agricultor, empresário do tabaco e estadista norte-americano. Um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos, foi o primeiro presidente daquele país de 1789 a 1797. Anteriormente, liderou as forças patriotas à vitória na Guerra de Independência. Presidiu a Convenção Constitucional de 1787, que elaborou a Constituição e estabeleceu o governo federal. Washington foi denominado o “Pai da Pátria” por conta de sua liderança na formação dos Estados Unidos.
[3] N.T.: A Batalha de Gettysburg, ocorrida nos arredores e dentro da cidade de Gettysburg, Pensilvânia, foi o embate com o maior número das vítimas na Guerra de Secessão e ponto culminante da segunda invasão do norte pelo exército confederado do general Robert E. Lee. No final, o Exército do Potomac, comandado pelo major general George Meade, derrotou os ataques do Exército da Virgínia do Norte, comandado pelo general Lee, suspendendo a invasão confederada no Norte.
[4] N.T.: ICor 5:6 e Gl 5:9
[5] N.T.: Jo 1:3
[6] N.T.: Rm 8:22
Aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes a significância esotérica do trecho bíblico conhecido como Anunciação: “O Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’. Ela ficou intrigada com essa palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação. O Anjo, porém, acrescentou: ‘Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará na casa de Jacó para sempre, e o seu reinado não terá fim’” (Lc 1:26-33).
Nesse trecho vemos que pela primeira vez, o elevado Iniciado que renasceu, naquela ocasião, como Maria compreendeu totalmente seu destino incomparável e de como foi escolhida para dar à luz a esse ser humano, que seria chamado Jesus, por meio de quem o Senhor Cristo, o Salvador da Humanidade, viria a Terra. O mensageiro divino que orientou, ensinou e deu toda a ajuda necessária à Maria foi o belo, gentil e ternamente simpático Anjo Gabriel. O Anjo Gabriel é o responsável pelo processo de toda a Maternidade no mundo inteiro. Ele envia Anjos ministros para abençoar toda a mãe em perspectiva. Esses mensageiros angélicos cuidam e dirigem um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) para a mãe e o lar onde ele vai encontrar corporificação (pois colocam o Átomo-semente do Corpo Denso na cabeça do espermatozoide do pai que irá fecundar o óvulo na mãe e coloca a matriz do Corpo Vital no óvulo da mãe que será fecundado), além de auxiliar o Ego nas conexões necessárias enquanto a mãe está responsável pelo desenvolvimento do embrião.
As enfermarias para maternidade nos hospitais são frequentemente iluminadas pela luz de faces angélicas e perfumadas pelas preces e bênçãos dos Anjos atendentes. Às vezes, essas enfermarias recebem santificação dobrada pela presença do próprio Anjo Gabriel. A particular nota-chave musical em que Gabriel vive e se move e tem sua existência emite uma benção contínua sobre o Espírito da Maternidade. Todas as canções de ninar e de acalanto compostas por inspirados músicos, através dos tempos, se acham sintonizadas na nota-chave musical do Anjo Gabriel.
Desde a sua mais tenra infância, Maria foi cercada por esse amor e cuidado, pois estava destinada a se tornar o perfeito e exemplar modelo de maternidade para todos os Egos que renascem aqui com o sexo feminino. Muitas e variadas foram as experiências de alma a ela dadas sob a tutela do Anjo Gabriel. Essas experiências atingiram suprema culminância no evento glorioso da Anunciação.
Nesse evento ela obteve a faculdade de ver o Arquétipo do Corpo Denso (e, obviamente um Corpo Vital) perfeito resultante do equilíbrio harmonioso entre as forças masculinas e femininas. Para nós, até que isso seja alcançado, não conseguiremos materializar aqui um Corpo Denso e um Corpo Vital ajustado com o Arquétipo divino que existe eternamente nos Céus. É a visão de que o glorioso Corpo-Templo, construído à imagem e semelhança de Deus, que dá a tônica ao Ego nessa realização: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1:38).
No Caminho de Preparação e Iniciação Cristã a Anunciação deve ser compreendida como o nascimento do Cristo Místico no nosso coração regenerado.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
É bem sabido pelo Astrólogo esotérico Rosacruz que o Corpo Denso tem um imenso período de evolução e que este esplêndido organismo é o resultado de um lento processo de construção gradual que ainda continua e tornará cada geração melhor que a anterior, até que, em algum futuro distante, tenha alcançado um estágio de completude com o qual nem sequer podemos sonhar. Também é compreendido pelos estudiosos mais profundos que, além do Corpo Denso, possuímos os veículos mais sutis que ainda não são vistos pela grande maioria das pessoas, embora todos tenham latente em si um sexto sentido, por meio do qual, com o tempo, reconhecerão esses invólucros mais sutis da alma.
O ocultista fala desses veículos mais sutis como o Corpo Vital, feito de Éteres, e o Corpo de Desejos, feito de matéria-desejo, o material de onde extraímos nossos sentimentos e emoções. Com a adição do invólucro da Mente e do Corpo Denso, estes completam o que pode ser chamado de Personalidade, que é a parte evanescente distinta do Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) que usa esses veículos para a expressão dele. Esses veículos mais sutis interpenetram o Corpo Denso como o ar permeia a água e têm domínio particular sobre certas partes dele, porque o próprio Corpo Denso é uma espécie de “cristalização” desses veículos mais sutis da mesma maneira e com base no mesmo princípio que os fluidos moles do corpo de um caracol gradualmente se cristalizam na concha dura e sílex que ele carrega em suas costas. Para os propósitos desta dissertação, podemos dizer, de forma ampla, que as partes mais moles de nossos Corpos, que comumente chamamos de “carne”, podem ser divididas em dois tipos: Glândulas e músculos.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o nosso Corpo Vital foi nos fornecido, como germe, no Período Solar. A partir daquele momento, a cristalização naquele veículo desenvolveu o que hoje chamamos de Glândulas, e até hoje elas e o sangue são as manifestações especiais do Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Portanto, pode-se dizer que as Glândulas como um todo estão sob o domínio do Sol vivificante e do grande benéfico, Júpiter. A função do Corpo Vital é construir e restaurar o tônus dos músculos quando tensos e cansados pelo trabalho imposto a eles pelo inquieto Corpo de Desejos, que foi nos fornecido, como germe, no Período no Período Lunar.
Os músculos são, portanto, regidos pela Lua errante, que é o atual ponto de observação dos Anjos, a Humanidade do período Lunar, e pelo impulsivo e turbulento Marte, onde habitam os chamados Espíritos Lucíferos. Ou seja, como um todo, pois o Estudante Rosacruz deve observar cuidadosamente que Glândulas individuais e grupos específicos de músculos também estão sob o domínio de outros Astros (Sol, Lua e Planetas). É como quando dizemos que todos os que vivem nos Estados Unidos da América são cidadãos daquele país, mas alguns estão sujeitos às leis da Califórnia, outros às do Maine, etc.
Conhecemos o Axioma Hermético: “Assim como em cima, assim embaixo”, que é a chave-mestra para todos os mistérios, e assim como existem na Terra, o macrocosmo, muitos lugares desconhecidos, também no microcosmo do Corpo Denso encontramos países desconhecidos que são um livro fechado para os exploradores científicos. A principal delas tem sido um pequeno grupo das chamadas “Glândulas Endócrinas”, em número de sete, a saber:
A Glândula Pituitária (também conhecida como hipófise ou Corpo Pituitário), regida por Urano.
A Glândula Pineal (também conhecida como conarium, epífise cerebral ou simplesmente pineal), regida por Netuno.
A Glândula Tireoide ou Tiroide, regida por Mercúrio.
A Glândula Timo, regida por Vênus.
A Glândula Baço, regida pelo Sol.
As duas Glândulas Suprarrenais, regidas por Júpiter.
Elas têm um grande e particular interesse para os ocultistas e podem ser chamadas, em certo sentido, de “as sete rosas” na Cruz do Corpo, pois estão intimamente ligadas ao desenvolvimento oculto da Humanidade. Quatro delas, a Glândula Timo, a Glândula Baço e as duas Glândulas Suprarrenais estão ligadas à Personalidade. A Glândula Pituitária e a Glândula Pineal estão particularmente correlacionadas com o lado espiritual da nossa natureza, a Individualidade, e a Glândula Tiroide forma o elo entre elas.
As razões para a regência astrológica de cada Glândula Endócrina é a seguinte:
A Glândula Baço é a porta de entrada das forças solares, especializadas em cada um de nós, que circulam pelo Corpo Denso como o fluido vital, sem o qual nenhum ser pode viver. Este órgão é, portanto, governado pelo Sol.
As duas Glândulas Suprarrenais estão sob a regência de Júpiter, o grande benéfico, e exercem um efeito calmante, tranquilizador e tranquilizador quando as atividades emocionais da Lua e de Marte ou Saturno destroem o equilíbrio. Quando a mão obstrutiva de Saturno desperta as emoções melancólicas e impõe sua restrição ao coração, as secreções das Suprarrenais são transportadas pelo sangue para o coração e atuam como um poderoso estimulante em seu esforço para manter a circulação, enquanto o otimismo jovial luta contra as preocupações saturninas ou contra o impulso de Marte, que incita o Corpo de Desejos a emoções turbulentas de raiva, deixando os músculos tensos e trêmulos, dissipando a energia do sistema. Então, a secreção das Suprarrenais vem em socorro, liberando o glicogênio do fígado em quantidade mais abundante do que o habitual para lidar com a emergência até que o equilíbrio seja novamente alcançado, e da mesma forma durante qualquer outro estresse ou tensão. Foi o conhecimento desse fato oculto que levou os antigos Astrólogos a colocarem os rins sob a regência de Libra, o equilíbrio, e para evitar confusão de ideias, podemos dizer que os próprios rins desempenham um papel importante na nutrição do Corpo, estando sob a regência de Vênus, o Regente de Libra. No entanto, Júpiter rege as Suprarrenais, com as quais estamos agora particularmente envolvidos.
Tanto Vênus quanto sua oitava superior, Urano, regem as funções de nutrição e crescimento, mas de maneiras diferentes e para propósitos diferentes. Portanto, Vênus rege a Glândula Timo, que é o elo entre os pais e a criança até que esta atinja a puberdade. Essa Glândula está localizada imediatamente atrás do esterno. Ela é maior na vida pré-natal e durante a infância, enquanto o crescimento é excessivo e rápido. Durante esse período, o Corpo Vital da criança realiza seu trabalho mais eficaz, pois a criança não está mais sujeita às paixões e emoções geradas pelo Corpo de Desejos após o nascimento, por volta dos quatorze anos. Mas, durante os anos de crescimento, a criança não consegue fabricar os glóbulos vermelhos do sangue como o adulto, pois o Corpo de Desejos ainda não nascido e desorganizado não atua como um canal para as forças marcianas que assimilam o ferro dos alimentos e o transmutam em hemoglobina. Para compensar essa deficiência, é armazenada na Glândula Timo uma essência espiritual extraída dos pais, e com essa essência fornecida pelo amor deles, a criança é capaz de realizar temporariamente a alquimia do sangue até que seu Corpo de Desejos se torne dinamicamente ativo. Então, a Glândula Timo atrofia e a criança extrai de seu próprio Corpo de Desejos a força marciana necessária.
A partir desse momento, em condições normais, Urano, a oitava de Vênus e Regente da Glândula Pituitária, assume a função de crescimento e assimilação da seguinte maneira: é bem sabido que todas as coisas, incluindo nossos alimentos, irradiam continuamente de si mesmas pequenas partículas que dão um índice da coisa de onde emanam, incluindo sua qualidade. Assim, quando levamos o alimento à boca, várias dessas partículas invisíveis entram pelo nariz e, pela excitação do trato olfativo, nos transmitem o conhecimento se o alimento que estamos prestes a ingerir é adequado para esse propósito ou não, o olfato nos alerta para descartar alimentos com odor desagradável, etc. Mas, além daquelas partículas que nos atraem ou repelem dos alimentos por sua ação no trato olfativo através do olfato, existem outras que penetram no osso esfenoidal, incidem sobre a Glândula Pituitária e iniciam a alquímica uraniana pela qual uma secreção é formada e injetada no sangue. Isso promove a assimilação através do Éter Químico, afetando assim o crescimento normal e o bem-estar do Corpo Denso ao longo da vida. Às vezes, essa influência uraniana da Glândula Pituitária é excêntrica e, portanto, responsável por crescimentos estranhos e anormais que produzem as infelizes aberrações da Natureza que ocasionalmente encontramos.
Mas, além de ser responsável pelos impulsos espirituais que geram as manifestações físicas de crescimento mencionadas anteriormente, Urano, atuando através da Glândula Pituitária, também é responsável pelas fases espirituais de crescimento que nos auxiliam a despertar em nossos esforços para penetrar o véu dos Mundos invisíveis.
Nesta obra, porém, ele é associado a Netuno, o Regente da Glândula Pineal, e, portanto, será necessário, para uma elucidação adequada, que estudemos as funções da Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, e da Glândula Pineal, que está sob o domínio de sua oitava superior, Netuno, simultaneamente.
Que a Glândula Tiroide está sob o domínio de Mercúrio, o Planeta da razão, é facilmente percebido quando compreendemos o efeito que a degeneração dessa Glândula tem sobre a Mente, como demonstrado nas doenças do cretinismo e do mixedema. As secreções dessa Glândula são tão necessárias para o funcionamento adequado da Mente quanto o Éter é para a transmissão de eletricidade, isto é, no plano físico da existência, onde o cérebro transmuta o pensamento em ação. O contato e a expressão nos Mundos invisíveis dependem da capacidade funcional da Glândula Pineal, que é totalmente espiritual e, portanto, regida pela oitava de Mercúrio, Netuno, o Planeta da espiritualidade, que opera em conjunção com a Glândula Pituitária, regida por Urano.
Os cientistas têm perdido muito tempo especulando sobre a natureza e a função desses dois pequenos corpos, a Glândula Pituitária e a Glândula Pineal, mas sem sucesso, principalmente porque, como Mefistófeles diz sarcasticamente ao jovem que deseja estudar ciências com Fausto:
“Quem quer conhecer e tratar de algo vivo
Busca primeiro o espírito vivo para daí expulsar;
Então, estão os fragmentos sem vida em sua mão;
Falta-lhe, infelizmente, a faixa do espírito vital! “
Ninguém pode real e verdadeiramente observar as funções fisiológicas de qualquer órgão sob as condições existentes no laboratório, na mesa de operação ou na câmara de dissecação ou vivissecção. Para chegar a uma compreensão adequada, é necessário necessariamente ver esses órgãos exercendo suas funções fisiológicas no Corpo Denso vivo, e isso só pode ser feito por meio da visão espiritual.
Há vários órgãos que estão se atrofiando ou se desenvolvendo; os primeiros mostram o caminho que já percorremos durante nossa evolução passada, os últimos são marcadores de posição, indicando nosso desenvolvimento futuro. Mas há ainda outra classe de órgãos que não estão se degenerando nem evoluindo; eles estão simplesmente adormecidos espiritualmente no momento presente. Os fisiologistas acreditam que a Glândula Pituitária e a Glândula Pineal estão atrofiando porque encontram esses órgãos mais desenvolvidos em algumas das classes mais baixas da vida, como os vermes, mas, na verdade, estão errados em suas ideias. Alguns também suspeitam que a Glândula Pineal esteja de alguma forma conectada com a Mente, porque ela contém certos cristais após a morte, e a quantidade era muito menor naqueles que eram mentalmente deficientes do que em pessoas com mentalidade normal. Essa conclusão está correta, mas o Clarividente voluntário e treinado sabe que o canal espinhal dos vivos não é preenchido com fluido; que o sangue não é líquido e que esses órgãos não possuem cristais quando o Corpo Denso está vivo.
Essas afirmações são feitas com pleno conhecimento do fato de que o sangue e a essência espinhal são líquidos quando extraídos do Corpo, vivo ou morto, e o conteúdo da Glândula Pituitária e da Glândula Pineal parece cristalino quando o cérebro é dissecado. No entanto, a razão é semelhante àquela que faz com que o vapor extraído de uma caldeira a vapor se condense imediatamente ao entrar em contato com a atmosfera, e o metal fundido extraído da fornalha de uma fundição se cristalize imediatamente ao ser retirado.
Todas essas substâncias são essências puramente espirituais quando dentro do Corpo Denso; elas são então etéreas e a substância na Glândula Pineal, quando vista pela visão espiritual, aparece como luz. Além disso, quando um Clarividente voluntário e treinado olha para a Glândula Pineal de outro que também está exercendo suas faculdades espirituais, essa luz é de um brilho intenso e de uma iridescência semelhante, mas transcendente em beleza, ao espetáculo mais maravilhoso da Aurora Boreal. Pode-se dizer também que a função desse órgão parece ter mudado no curso da evolução humana. Durante as primeiras Épocas de nossa atual permanência na Terra, quando o nosso Corpo era algo grande e espalhado, no qual nós ainda não havíamos penetrado nele, mas estávamos ali apenas como uma presença que o encobria, havia uma abertura na parte superior e a Glândula Pineal estava dentro dela. Então ele era um órgão de orientação, dando um senso de direção. À medida que o Corpo Denso se condensava, tornava-se cada vez menos capaz de suportar o calor intenso que prevalecia naquela Época, e a Glândula Pineal emitia um aviso quando o Corpo Denso era levado muito perto de uma das muitas crateras e vulcões ativos que então estavam em erupção na fina crosta terrestre, permitindo assim que nos guiássemos para longe desses lugares perigosos. Era um órgão de direção que operava pelo tato, mas desde então o tato foi distribuído pela pele de todo o Corpo Denso. Isso é uma indicação para o ocultista de que algum dia os sentidos da audição e da visão também serão distribuídos de forma semelhante, de modo que veremos e ouviremos com todo o nosso Corpo Denso e, assim, nos tornaremos ainda mais sensíveis nesses aspectos do que somos agora. Desde então, a Glândula Pineal e a Glândula Pituitária se tornaram temporariamente adormecidos espiritualmente para nos tornar alheio aos Mundos invisíveis enquanto aprendemos as lições oferecidas pelo mundo material.
A Glândula Pituitária manifestou a influência uraniana esporadicamente em crescimento físico anormal, produzindo aberrações e monstruosidades de vários tipos, enquanto Netuno, atuando também de forma anormal através da Glândula Pineal, foi responsável pelo crescimento espiritual anormal de curandeiros, bruxas e médiuns de controle espiritual. Quando despertados para as atividades normais, essas duas Glândulas Endócrinas abrirão a porta para os Mundos internos de maneira sã e segura, mas, enquanto isso, a Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, o Planeta da razão, retém a secreção necessária para dar equilíbrio ao cérebro.
No futuro, as Glândulas Endócrinas estão destinadas a desempenhar um papel proeminente; seu desenvolvimento acelerará enormemente a evolução, pois seus efeitos são principalmente mentais e espirituais. Estamos nos aproximando da Era de Aquário; o Sol, portanto, começa a transmitir as vibrações altamente intelectuais deste Signo, responsáveis pelas intuições, premonições e transmissões telepáticas tão prevalentes hoje em dia. Em última análise, esses fenômenos se devem ao despertar do corpo pituitário, regido por Urano, o Regente de Aquário, e a cada ano que passa eles se tornarão mais manifestos.
(Publicado na Revista Echoes from Mount Ecclesia de fevereiro/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Resposta: Em certo sentido, sim, durante a vida terrena; ou seja, a doença ou enfermidade primeiro se manifesta no Corpo de Desejos e Corpo Vital, cuja textura se torna mais tênue, e não especializam o fluído vital na mesma proporção que o faz quando com saúde. Então, o Corpo Denso, o físico, adoece. Quando ocorre a recuperação, os veículos superiores apresentam uma melhora antes que a manifestação de saúde se torne evidente no Mundo Físico.
Contudo, se quem pergunta pretende saber a respeito das condições após a morte, o assunto é diferente. Embora uma pessoa possa ficar doente ou enferma aqui, talvez acamada durante anos e incapaz de se movimentar, quando a morte ocorre e ela sente a ausência do Corpo Denso, há imediatamente uma sensação de alívio, um sentimento de alegria acompanhado de uma sensação de leveza que lhe é incomum e, de repente, ela desperta e percebe que não está mais sentindo dor e é capaz de se movimentar. Se ela compreende as condições, também saberá que não é mais necessário que se alimente, pois, o Corpo de Desejos não precisa se reabastecer. No entanto, muitas pessoas não são conscientes desse fato e, portanto, encontramos nas Regiões inferiores do Mundo do Desejo que, às vezes, que elas participam de todos os movimentos de uma vida doméstica comum. Daí os relatos de alguns investigadores espiritualistas que encontram essas condições nos Mundos invisíveis; e isso também explica muito sobre o que George du Maurier relatou a respeito da vida de Peter Ibbetson e da Condessa de Towers em seu romance que leva o nome do herói[1]. Esse romance é recomendado ao leitor por oferecer uma excelente ilustração de como é o funcionamento da Memória subconsciente, na qual o herói trata da época da sua infância, e das reais condições nas Regiões inferiores do Mundo do Desejo, nas quais suas experiências com a Condessa são incluídas.
(Pergunta nº 10 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
[1] N.T.: Acesse esse Livro aqui: Livro: Peter Ibbetson – George Du Maurier
Resumo dos benefícios do Exercício Esotérico Rosacruz de Retrospecção quando praticado à noite ao se deitar:
Algumas vezes as pessoas perguntam se o Exercício Esotérico Rosacruz de Retrospecção é necessário quando alguém se arrepende imediatamente logo após realizar ações ou pronunciar palavras indesejáveis. No entanto, parece óbvio que seria impossível colher todos os benefícios pelo simples arrependimento de indesejáveis ações durante o dia, mesmo se a pessoa tiver tempo para realizá-lo. O fato de se arrepender imediatamente após alguém ter machucado outra pessoa, fazê-la sofrer de quaisquer modos que conhecemos e que nem conhecemos, é naturalmente favorável ao Estudante Rosacruz, mas como qualquer Aspirante à vida superior sincero poderia tirar proveito disto? Se neste momento não estiver aí nenhum arrependimento sincero, não haveria, provavelmente, nenhum incentivo para o real arrependimento ao fazer o Exercício Esotérico Rosacruz de Retrospecção. Além do que, o arrependimento e o desejo sincero de reforma íntima que produzimos durante a execução do Exercício Esotérico Rosacruz de Retrospecção está em um contexto de, naquele momento, estarmos revendo o efeito (produto de uma causa colocada por nós e que gerou a dor, sofrimento ou tristeza para outrem). A intensidade de sentimento de arrependimento nesse momento é maximizada e muito mais eficiente do que em qualquer outro momento do dia, inclusive no momento que acabou de acontecer. Por quê? Porque nesse momento é normal usarmos a astúcia atlante e cairmos no nosso “departamento de justificativas”, não é?
Deveria também ser entendido que, em alguns casos, a constante atenção despendida para os eventos do dia pode ser mais prejudicial do que útil. De fato, aprendemos na Fraternidade Rosacruz não sermos super ansiosos para realizarmos nossos deveres, nem sermos medrosos ou inquietos. Quando estamos muito inquietos, constantemente, estamos considerando nossas faltas e fervorosamente ansiosos por erradicá-las; quando estamos com muita ansiedade para ver progresso e crescimento espirituais próprio, podemos nos equiparar a um garotinho que plantou uma semente e, diariamente, revira a terra para ver se a semente está crescendo e se transformando em uma planta. Nós sabemos que por sua ansiedade desapropriada, o garotinho se frustra o mesmo objeto que deseja obter; o aspirante, quando está constantemente se colocando sob holofotes e revisando seus atos defeituosos com hipercrítica, está também desmoronando seu objetivo adiantando a consumação de suas esperanças. Mantendo-se em estado de repreensão de si mesmo tem o mesmo efeito de terceiros que ficam apontando seus defeitos.
O caminho do progresso espiritual é o caminho da autodisciplina: controle dos pensamentos, palavras, sentimentos e ações. Contra isto o nosso “eu inferior” – o que achamos que somos, mas não somos, a Personalidade – se rebela constantemente e oferece todos os tipos de desculpas para nos prevenir dessa realização, mas o Aspirante à vida superior sábio não presta atenção nele. Ele compreende que o Exercício Esotérico Rosacruz de Retrospecção requer o uso da Vontade, o nosso mais elevado aspecto espiritual (nosso veículo Espírito Divino), para controlar o pensamento e o sentimento para um definitivo e sequencial período de tempo. Assim, por esta razão, juntamente com todas as demais razões mencionadas acima, o desempenho de sucesso é uma vitória espiritual para cada um de nós, uma vitória que fornece a força e o poder para o nosso “Eu Superior”, o que realmente somos, a Individualidade.
Que as Rosas floresçam em vossa cruz
Aprendemos por meio dos Ensinamentos Rosacruzes que somos um Espírito Virginal, parte integrante de Deus, e temos em nós todas as possibilidades divinas (que traduzimos como poderes latentes); que, por meio de repetidas existências em Corpos Densos aqui na Região Química do Mundo Físico e de crescente perfeição, esses poderes latentes gradualmente se convertem em energia dinâmica; que nesse processo ninguém se perde e que todos nós alcançaremos, finalmente, a meta da perfeição e religação (da palavra “Religião” vem do latim religare, que significa “religar” ou “reconectar”) com Deus, levando conosco as experiências acumuladas como fruto de nossa peregrinação através da matéria.
E isso é feito por meio do Ciclo de Nascimentos e Mortes aqui na Região Química do Mundo Físico!
Se quiser saber mais detalhes sobre essa peregrinação, como “morte aqui, nascimento lá; morte lá, nascimento aqui”, é só clicar aqui: Nosso Trabalho para Renascer aqui mais uma vez – Dos 42 aos 49 anos
Para ver os outros ciclos setenários é só clicar aqui: Nosso Trabalho para Renascer Aqui Mais Uma Vez
Agosto de 1914
É com considerável relutância que retorno a questão dos exercícios respiratórios e seus efeitos sobre o Corpo Denso, mas a necessidade urgente me obriga a reiterar a advertência contra os ensinamentos falsos e perigosos que são promulgados por pessoas que são ignorantes ou inescrupulosas na sua ânsia pelo lucro. Os exercícios respiratórios são absolutamente contrários aos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz, pois, de acordo com tais Ensinamentos, os resultados espirituais só podem ser conseguidos por métodos espirituais e não por exercícios físicos. Infelizmente, o grande desejo dos Estudantes de alcançar resultados rapidamente faz com que muitos dele se tornem presas fáceis dessas pessoas desonestas. Um dos nossos Estudantes mais promissores está agora num hospital psiquiátrico para o tratamento de transtornos mentais, por ter dado ouvidos às promessas de um charlatão que se ofereceu para iniciá-lo em troca da quantia de vinte e cinco dólares.
Acabei de saber que num dos Centros da Fraternidade Rosacruz, um homem que nem é Estudante Rosacruz está cobrando uma determinada importância para levantar horóscopos, o que é totalmente contrário aos nossos Ensinamentos. Anualmente devolvemos muita quantia em dinheiro a pessoas que nos procuram solicitando que levantemos os seus horóscopos, assim como previsões de futuro, pois defendemos o princípio de que uma Ciência Espiritual, como a Astrologia Rosacruz, não pode ser prostituída por nenhuma quantia de dinheiro, ainda que este nos seja muito necessário; e nos entristece profundamente descobrir que tais pessoas, que admitem ter conhecimento que essas práticas são contrárias aos princípios da Fraternidade Rosacruz, estejam à frente de Centros de Estudo e se apresentam como divulgadores e expoentes dos Ensinamentos Rosacruzes. Esta mesma pessoa também copiou, de livros indianos, que custam alguns centavos, exercícios de respiração que vende por um dólar às vítimas incautas.
Queridos amigos, acreditem na palavra de alguém que percorreu o caminho e sabe, por experiência própria, que não há trem expresso para o Templo de Iniciação. O Caminho é lento, íngreme e acidentado; deve ser percorrido passo a passo, ainda que os pés sangrem e o coração se encha de tristeza e sofrimento. O Corpo-Alma – a Veste Nupcial Dourada ou o Dourado Manto Nupcial – que a única palavra-passe pela qual podemos entrar, é tecido pelas boas ações praticadas, dia após dia, com paciente perseverança em fazer o bem, e por nenhum outro método. Os exercícios respiratórios não podem substituir as boas ações. Vocês não podem compreender isso? Eu sei o que estou dizendo, porque no princípio dos meus esforços na busca por caminhos espirituais, também me deparei com estes exercícios de respiração hindus. Experimentei-os por dois dias e meu Corpo Vital foi parcialmente expulso do meu Corpo Denso; então me ocorreu que estava em situação perigosa e suspendi os exercícios. Mas precisei de duas semanas para me restabelecer, durante as quais me senti como se não conseguisse firmar os pés no chão, como se estivesse caminhando no ar, e durante duas semanas sofri muito. Outros podem não ter a capacidade de recuperação que eu tive e, em consequência, ficarem predispostos a doenças mentais. Portanto, é muito perigoso tentar. Pode haver, é claro, outros em que não sentirão esses efeitos. Mas é sempre muito, muito perigoso brincar com fogo e você não deve tentar. Por outro lado, se você se esforçar dia após dia para servir na “Vinha de Cristo” e se empenhar em praticar atos, ações e obras de misericórdia, então o “Dourado Manto Nupcial”, o Corpo-Alma, será seguramente tecido e com ele, um dia, todos seremos admitidos no Templo.
(Cartas aos Estudantes – nº 45 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Se estudarmos com atenção, não será difícil chegarmos à conclusão que só há quatro grandes motivos que nos leva a agir, a fazer, a atuar aqui na Região Química do Mundo Físico, enquanto estamos renascidos: amor, fortuna, poder e fama.
O desejo de alguma ou várias destas coisas objetos desses quatro motivos é a razão pela qual fazemos ou deixamos de fazer algo.
Se utilizamos os Ensinamentos Rosacruzes para compreender esses quatro motivos, concluímos que eles nada mais são do que incentivos para a agirmos para colocar ações, atos e fazer obras, a fim de obtermos experiências e aprender.
O Estudante Rosacruz deve continuar usando cada um dos quatro motivos de ação, firmemente, mas cabe a ele transmutá-los em algo superior e não focar no uso dele para aquisição ou manutenção das coisas materiais.
Assim, por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.
Portanto, o amor pelo qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.
Já a fortuna pela qual um Estudante Rosacruz deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.
No que tange ao poder, aquele que um Estudante Rosacruz deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.
E, por fim, a fama pela qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.
E se estudarmos a significância esotérica da Oração do Senhor (o Pai-Nosso) aprenderemos como essa Oração científica, nos fornecida diretamente por Cristo, é uma fórmula abstrata completa que nos ajuda a melhorarmos e a purificarmos todos os nossos sete veículos e, portanto, utilizar os quatro motivos para ação com o foco no nosso crescimento espiritual enquanto aqui renascidos.
Senão, vejamos cada um: nós, utilizando o nosso veículo Espírito Humano nos elevamos a nossa contraparte divina, o Espírito Santo, dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”.
Depois, utilizando o nosso veículo Espírito de Vida reverenciamos ante a nossa contraparte divina, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.
Continuando, utilizamos o nosso veículo Espírito Divino e nos ajoelhamos ante nossa contraparte divina, o Pai, e dizemos: “Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu…”.
Depois há a prece para que consigamos somente e tão somente o que precisamos para manter o nosso Corpo Denso aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Divino elevando a contraparte divina dele, o Pai, pedindo: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.
Seguindo na mesma linha, há a prece para que consigamos utilizar corretamente o nosso Corpo Vital aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito de Vida elevando a contraparte divina dele, o Filho, pedindo: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
E, completando para o Tríplice Corpo, há a prece para que consigamos controlar o nosso Corpo de Desejos aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Humano elevando a contraparte divina dele, o Espírito Santo, pedindo: “Não nos deixeis cair em tentação”. E isso o fazemos aqui, porque já compreendemos que o desejo é o nosso grande tentador, mas também é o nossos grande incentivo para a ação. E estamos conscientes de que os nossos desejos são bons quando eles cumprem os nossos (Ego) propósitos, mas quando nossos desejos se inclinam para algo degradante (mormente para o egoísmo ou para algo contra as Leis de Deus), certamente devemos rogar para não cair nessas tentações.
E, como a Mente é um veículo (não um Corpo) e que é nossa função trabalhar para transformá-la em um Corpo Mental (a fim de usá-las realmente para criar e não para copiar ou ser escrava do desejo), pedimos ao Pai, Filho e Espírito Santo por ela, por meio da súplica “Livrai-nos do mal”.
E por que para a Mente? Porque ela é o veículo que nos permite ligarmos os nossos três veículos superiores espirituais – pelos quais expressamos a nossa Individualidade – aos três Corpos – pelos quais expressamos a cada renascimento uma Personalidade diferente. É por meio da Mente que conseguimos não seguir os seus desejos sem nenhuma restrição. E só por meio dela é que conseguimos ter a faculdade de discernimento do bem e do mal.
Só a título de observação, a parte introdutória bem conhecida: “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. Também, a parte final que às vezes é proferida, qual seja: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi fornecida por Cristo. No entanto, pode ser bem considerada como apropriada como a nossa adoração final, como um Tríplice Espírito, por reafirmar a diretriz correta para a Divindade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Até onde o autor foi capaz de investigar, não parece que este fato tenha qualquer influência sobre uma vida posterior. O Ego aceitará a oportunidade do renascimento, seja onde for que este se apresente. No entanto, é necessário que os materiais para os novos veículos sejam reunidos para que a impressão moral possa ser realizada no Corpo de Desejos da criança durante a vida nos céus após a morte.
O assunto referente ao sexo parece ser, no conjunto, muito flexível, pelo menos nos casos daqueles que viveram o que nós chamamos de “vida superior”. Esta tende a tornar o Corpo Vital mais permanentemente positivo, e o Átomo-semente do Corpo Vital atrai automaticamente para si uma quantidade sempre maior de Éter positivamente polarizado, de maneira que, seja o Corpo Denso masculino ou feminino, os constituintes do Corpo Vital permanecem positivos. Em consequência disso, no caso das assim chamadas “pessoas evoluídas”, o sexo se torna um assunto de menor importância, sendo que, em muitos casos, a escolha é deixada ao critério do Ego quando procura o renascimento.
Que as rosas floresçam em vossa cruz