Além do elemento de “dar”, o caráter ativo do amor Crístico se torna evidente no fato de implicar, sempre, certos elementos básicos comuns. São eles: cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento.
Que o amor Crístico implica cuidado é mais do que evidente, por exemplo, no amor de uma mãe pelo filho ou pela filha. Nenhuma afirmativa sobre seu amor Crístico nos impressionaria como sincera, se a víssemos sem cuidado para com a criança, se se desleixasse em alimentá-la, banhá-la, dar conforto físico; ao passo que seu amor nos impressiona se a vemos cuidar do filho ou da filha. O caso não difere mesmo quanto ao amor por animais ou flores. Se uma mulher nos diz que ama as flores e vemos que ela se esquece de regá-las, não acreditamos em seu amor pelas flores. O amor Crístico é ocupação ativa e positiva pela vida e pelo crescimento daquilo que amamos. Onde falta esse zelo positivo e ativo não há amor Crístico.
O cuidado suscita outro aspecto do amor Crístico: o da responsabilidade. Hoje em dia, muitas vezes se entende a responsabilidade como denotando dever, algo imposto de fora a alguém. A responsabilidade, porém, em seu verdadeiro sentido é ato inteiramente voluntário; é a resposta que damos as necessidades, expressas ou não expressas, de outro ser humano. Ser “responsável” significa ter de “responder”, estar pronto para isso. Essa responsabilidade, por exemplo, no caso da mãe e do filho ou da filha, se refere, principalmente, ao cuidado das necessidades físicas e, conforme a criança vai crescendo, inclui-se outras necessidades: emocionais, psíquicas e espirituais. No amor Crístico entre pessoas, se refere, principalmente, às necessidades emocionais e espirituais da outra pessoa.
A responsabilidade poderia facilmente se corromper em dominação e possessividade se não houvesse um terceiro elemento do amor Crístico, o respeito. Respeito não é medo e temor; denota, de acordo com a raiz da palavra (respicere – olhar para), a capacidade de ver uma pessoa tal como ela é, ter conhecimento de sua Individualidade (o que realmente somos!) e não somente do que se pensa que é: Personalidade (aliás nunca se chegará ao amor Crístico para com outra pessoa, focando na Personalidade). Respeito significa a ocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva, principalmente espiritualmente, como é. Assim, o respeito implica ausência de exploração. “Quero que a pessoa amada cresça e se desenvolva por si mesma, por seus próprios modos e não para o fim de me servir”. “Se o amor que sinto por outra pessoa é Crístico, me sinto um com ela, tal como é não como eu necessito que seja para objeto de meu interesse”. É claro que o respeito só é possível se eu mesmo alcancei a independência; se puder me levantar e caminhar sem precisar de “muletas”, sem ter o dominar e explorar qualquer outro. O respeito só existe na base da liberdade!
Mas não é possível respeitar uma pessoa sem conhecê-la. O cuidado e a responsabilidade seriam cegos, se não fossem guiados pelo conhecimento. O conhecimento, por sua vez, seria vazio se não fosse motivado pelo cuidado e pelo zelo. Há muitas camadas de conhecimento; o conhecimento, que é uma camada do amor Crístico, é aquele que não fica na periferia, mas penetra até o âmago. Só é possível quando podemos transcender o cuidado por nós mesmos e ver a outra pessoa em seus próprios termos. Podemos saber, por exemplo, que uma pessoa está encolerizada, ainda que ela não o mostre abertamente; mas podemos conhecê-la mais profundamente do que isso; sabemos então que ela está ansiosa e preocupada, que se sente só, que se sente culpada. Sabemos então, que sua cólera é apenas a manifestação de algo mais profundo, e vemo-la como ansiosa e preocupada, isto é, como pessoa que sofre em vez de como a que se encoleriza.
O conhecimento tem mais uma relação – mais fundamental – como o problema do amor Crístico. A necessidade básica de fusão com outra pessoa de modo a transcender a prisão da própria separação se relaciona muito de perto com outro desejo especialmente humano, o de conhecer “o segredo do ser humano”. Se a vida em seus aspectos meramente biológicos é um milagre e um segredo, o ser humano, em seus aspectos espirituais, é um segredo insondável para si mesmo e para seus semelhantes. Nós nos conhecemos e, contudo, mesmo apesar de todos os esforços que possamos fazer, não nos conhecemos. Conhecemos nosso semelhante e, contudo, não o conhecemos, porque não somos uma coisa, nem o nosso semelhante é uma coisa. Quanto mais penetramos nas profundezas de nosso ser, ou do ser de outrem, tanto mais nos escapa o alvo do conhecimento. Não podemos, todavia, evitar o desejo de penetrar no segredo da alma do ser humano, no mais interno núcleo do que “ele” é.
Há um meio passivo de conhecimento desesperado, através do completo poder sobre a outra pessoa. É como a criança que apanha alguma coisa e a quebra a fim de conhecê-la para saber como é dentro. O outro caminho ativo é praticar o amor Crístico. O amor Crístico é penetração ativa na outra pessoa, em que nosso desejo de conhecer é destilado pela união. No ato da fusão a conhecemos, conhecemo-nos também e conhecemos a todos – o conhecimento do que é vivo, pela experiência da união – e não por qualquer conhecimento que nosso pensamento possa dar.
O amor Crístico é o único meio completo de conhecimento. No ato de praticar o amor Crístico para com outra pessoa, me encontro, me descubro, nos descobrimos, descubro o ser humano verdadeiro!
A ardente aspiração de nos conhecermos e de conhecer nossos semelhantes encontrou a expressão na sentença délfica: “conhece-te a ti mesmo”, como indicação de que é obrigatório para uma pessoa conhecer completamente os mistérios de sua própria natureza (sua Individualidade), que é muito mais profunda do que se aparenta (sua Personalidade).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Que o mundo de hoje está trabalhando de maneira nova com a luz é inquestionável. Continuamos a aprender como a ciência física está tendo uma tremenda experiência com o desenvolvimento do poder da luz, inclusive para as maravilhas LASER (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation – amplificação da luz por emissão estimulada de radiação) que, embora capaz de projetar um feixe na Lua distante, também pode ser usado para realizar a cura delicada de um órgão interno do Corpo Denso como, antes, só era possível por meio de cirurgia via bisturi.
No entanto, embora não possamos questionar que o mundo está experimentando uma vasta liberação de luz, podemos e questionamos a maneira como respondemos a essa experiência, porque, ao enfrentarmos o grande poder da luz, devemos também enfrentar o fato de que qualquer poder, incluindo o da luz, se canalizado incorretamente ou mal direcionado, será um desastre em potencial. Mesmo a própria luz do conhecimento muitas vezes conduz apenas ao desespero e à destrutividade, enquanto a luz do amor, por si só, frequentemente contribui apenas com a soma total da instabilidade emocional e da loucura humana. É evidente que até mesmo o poder da luz requer um agente direcionador seguro, se for para servir à intenção divina.
Essa direção segura está disponível através do Cristo que, como mediador entre a Humanidade e o Mundo da Luz, libera a luz e dirige na extensão de onda da Sabedoria (o conhecimento temperado com amor) de tal maneira que ela pode ser verdadeiramente efetiva na vida espiritual da Humanidade. Todo o ensino de Cristo, durante Sua encarnação, aponta nessa direção. Ele ensinou, sempre, que os Ritos da Páscoa, marcando a conclusão de um ciclo de objetividade no plano físico, nunca eram o fim, mas o início de uma experiência nova, especial e mais profunda, bem como de um relacionamento aprofundado com Ele, por meio de uma liberação divina conhecida em termos da Trindade como o Aspecto de Luz de Deus: Deus-Espírito Santo.
Quando, por meio do uso correto do poderoso impulso do Amor Crístico, que é o poder transformador da vida humana, tivermos respondido a tudo que o Cristo trouxe à Terra e reconhecermos esse poder como o aspecto do Amor de Deus, então será possível entrarmos no estado exaltado prometido por Cristo, a Iluminação de Fogo. Nas palavras da Bíblia, “Todos os livros do mundo não poderiam conter o que poderia ser dito…” (Jo 21:25) sobre um verdadeiro contato da alma com a própria natureza de Deus como Luz. Para todos os que buscam essa iluminação divina com reverência e sinceridade, a Luz do Espírito Santo concede três grandes graças de consciência:
A primeira dessas três graças é o autoconhecimento. “Homem, conhece-te a ti mesmo” é um conselho antigo. Os Iniciados da antiguidade afirmavam que Deus, o Incognoscível, Se tornou conhecível na medida em que nós, uma criação à imagem e semelhança de Deus, nos tornamos realmente conhecido por nós mesmos. A Luz do Espírito Santo serve para aumentar esse conhecimento. Ela abre caminho para a Iluminação. Os Estudantes Rosacruzes que se dedicam aos Estudos Bíblicos Rosacruzes reconhecem essa Luz como o Espírito interior da Verdade, o Santo Consolador, o paráclito predito por Cristo. Seja qual for o nome, todos podem reconhecê-lo como um aspecto do Ser interior que atua como professor e orientador. Quando aquele orientador interior é fervoroso e reverentemente, chamado para iluminar o caminho e a resposta da “Voz do silêncio” é ouvida e amorosamente obedecida, a Luz do Espírito Santo Se torna potentemente operativa na experiência diária do nível humano. Com a elevação da consciência acompanhando a percepção que surge desse conhecimento de primeira mão da atividade do Espírito Santo, segue-se a espiritualização progressiva, ou o Cristianismo, da nossa Mente, que é a meta suprema para a realização da atual Humanidade.
A segunda grande graça da Luz do Espírito Santo é o entendimento. É a Luz que ilumina o caminho da experiência, revelando as leis que o governam e os propósitos por trás dele. É a Luz que nos mostra onde estamos, por que é o que devemos fazer a respeito. Esse ensino é a base da cena comovente do Novo Testamento na qual o Cristo chorou por Jerusalém. Sua tristeza não era só pela cidade que estava diante de Seus olhos físicos, mas pelo que Sua visão interior considerava o grande centro da Humanidade. Foi a esse centro inclusivo, que chamamos de Onda de Vida humana, que Ele disse tristemente: “Não Me vereis mais até que abençoes todas as coisas que vêm em Meu nome” (Mt 23:39 e Lc 13:35). Com efeito, Ele estava aqui dizendo: “A partir de agora, até que Eu volte, sua tarefa é usar a Luz para me encontrar nos fenômenos da existência do plano físico, para Me ver em cada experiência, para Me encontrar em todas essas coisas. Não posso voltar até que vocês façam isso, porque vocês não vão Me conhecer a menos que tenham aprendido a Me ver — na vida”. Sob a tutela do Espírito Santo, aprendemos a abençoar todas as experiências vividas, percebendo que elas vêm em nome do Cristo e para fins de desenvolvimento da alma. Então, ele não pede mais para ser aliviado da experiência, não importa o quanto ela seja dolorosa, mas aprende a dizer, como Jacó: “Não vou deixar você ir até que me abençoe com a sua bênção” (Gn 32:26). Então, também ele pode falar, igual a Jacó, no amanhecer do novo dia: “Eu vi Deus face a face nesta experiência e minha vida foi preservada” (Gn 32:30). Assim, poderemos falar quando da noite da alma.
A terceira graça do Espírito Santo a nós é o sentimento de totalidade. É a Luz que revela Deus, a Natureza e nós como o tecido perfeito da existência universal. É a Luz que abre visões para o Reino de Deus externado na Natureza e conscientemente cooperativo dentro do “Reino do Homem”. É a Luz na qual experimentamos a nossa divindade essencial: de fato e verdade, em Deus “nós vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28).
O Espírito Santo é Deus em manifestação, é Deus em forma. A Natureza constitui Seu Corpo cósmico. Na temporada de verão, que representa o meio-dia da Sua atividade Criativa, a evidência da Sua obra está em toda parte. Todos os Reinos da natureza estão soando Sua nota de criação e é especialmente nesse momento, quando a expansão da luz física tem sua maior potência que, pela beleza terrena assim revelada, também encontramos dentro de nós a capacidade de se expandir e entrar em uma unidade abrangente com o Cosmos.
Essas verdades foram provadas por grandes pessoas do passado. Foi assim com Moisés. Como o portador de luz para as Mentes dos seres humanos, o Espírito Santo falou a Moisés através da sarça ardente para revelar o Plano de Deus à Onda de Vida humana e dar a Lei que governaria o Plano. No entanto, havia mais na revelação. As palavras “Moisés, tira as sandálias, pois o lugar em que estás é solo sagrado” (Ex 3:5) foram usadas para indicar algum local sagrado; um antigo santuário, talvez. No entanto, tirar as sandálias, na linguagem dos Mistérios, significa remover as limitações do entendimento, feitas por nós, para que a Luz do Espírito revele a verdade. Aquele que experimentou a iluminação do Fogo espiritual obtém uma revelação sobre a vivência da Terra e tudo que nela vive, que lhe permite saber que todo terreno, em todos os lugares, é o Corpo de uma entidade espiritual, sendo, portanto, sagrado, um santuário, a morada de Deus.
Foi assim com o profeta Esdras [1]. Na época do Solstício de Junho o profeta jazia de bruços no Campo de Ardath, um deserto rochoso “onde não cresciam flores”, e chorava por causa da esterilidade da existência terrena. Então o Arcanjo Uriel veio a ele como Mestre e Emissário do Espírito Santo, revelando a ele o propósito da vida e o significado da experiência de tal modo que o campo antes tão estéril se tornou um campo de flores. Esdras foi capaz de “comer das flores onde nenhuma flor crescia”. Ele foi capaz de colher o florescimento do espírito no terreno pedregoso da experiência. Contudo, novamente havia mais, porque Uriel ensinou a Esdras a vastidão da Sabedoria Antiga, a magnitude do plano para o ser humano e sua própria parte nele; Esdras foi transformado. Ele enxugou as lágrimas e começou a trabalhar — seu trabalho era transcrever os livros do Antigo Testamento, dando a ele, em grande parte, sua forma atual.
As verdades com as quais estamos lidando também se tornaram impulsos vivos e criativos na vida dos Discípulos de Cristo. Reunidos em união com o Cristo Místico e Interno, Sua promessa foi cumprida. Em um Batismo de Fogo eles receberam do Espírito Santo. Então foram também transformados de mortais assustados em imortais que nada poderiam deter ou amedrontar. Também foram elevados acima da limitação humana para contemplar o passado, o presente e o futuro do plano. Eles viram, pela primeira vez, o propósito do Cristo e a parte que interiormente foram chamados a levar adiante.
Para alguém chegar a tal consciência, mesmo que em menor medida, é necessário olhar para a vida de maneira nova e diferente. A pessoa então fica entre todas as dualidades da experiência humana — noite e dia, dor e alegria… — mas, não escolhe qualquer uma, rejeita nenhuma, mas aprende, na Luz, a encontrar a base da realidade espiritual em ambas. E essa consciência da base espiritual da vida permite ao Espírito humano colher seu próprio florescimento do seu próprio deserto rochoso de Ardath.
Em tal consciência, também, a Luz do Espírito Santo torna-Se uma luz LASER individual, cortando todas as barreiras em todos os mundos: as barreiras da ignorância, crueldade e do medo, autocriadas entre os seres humanos, grupos, as nações e os outros reinos . Só pode haver um resultado de tal conhecimento: conhecer a unidade da vida só pode trazer a compreensão de que somos os “irmãos guardiões” e que não pode haver pensamento, desejo, emoção, sentimento, palavra, ato, obra ou ação que não afete, para o bem ou para o mal, todos os seres vivos.
Viver com tal consciência é saber que, assim como o Fogo do Céu, emanando como o calor do verão, acelera o ventre da Natureza e libera a vida em fruição, assim também, quando esse mesmo Fogo divino toca o nosso coração, ele é retirado de suas limitações anteriores para viver uma nova vida e liberdade por meio de uma compreensão mais profunda da beleza essencial da existência humana, em uma reverência mais profunda pela vida e um parentesco alegre com cada criatura viva. É então que sente, como o poeta que “a Terra está abarrotada de Céu e cada feixe de luz está em chamas junto a Deus” [2].
(Publicado na Revista New Age Interpreter – do segundo trimestre de 1964 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
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[1] Esdras foi um escriba e sacerdote que liderou um grupo de judeus que retornou do exílio na Babilónia e restaurou a prática religiosa em Jerusalém, sendo considerado uma figura essencial na organização e restauração da lei de Deus entre o povo. O Livro de Esdras narra a história desse retorno e a reconstrução do Templo, e Esdras é a figura central do seu ministério.
[2] Da poetisa Elizabeth Barrett Browning
Os Cursos Rosacruzes de Cristianismo Místico
Cristo ensinou à multidão por parábolas, mas explicou os Mistérios aos Seus discípulos.
S. Paulo deu leite às crianças, mas alimento aos fortes.
Max Heindel, fundador e líder da Fraternidade Rosacruz, esforça-se para seguir os passos dos citados acima e oferecer aos Estudantes interessados e devotados um ensinamento mais profundo do que aquele promulgado em público sobre o Cristianismo.
Para esse propósito, ele elaborou “Cursos por correspondência” sobre Cristianismo Místico. A pessoa interessada pode ser admitida, primeiro, como uma Estudante do Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, mas o avanço nos graus mais profundos depende do mérito da pessoa. Esse avanço é somente para aquelas que foram testadas e consideradas verdadeiras interessadas em aprender e aplicar os Ensinamentos Rosacruzes. Daí podem partir para Cursos mais avançados sobre Filosofia Rosacruz e Estudos Bíblicos Rosacruzes, além dos de Astrologia Espiritual Rosacruz, já que a Astrologia é uma ciência espiritual e uma fase da Religião. Como sempre, todos os Cursos são gratuitos, inclusive todo o material em formato digital, pois a Fraternidade Rosacruz segue a máxima oculta Cristã: “Dar de graça o que de graça recebeu”.
Por que Você deve Estudar Astrologia Rosacruz
Há um lado da Lua que nunca vemos, mas essa metade oculta é um fator tão poderoso na criação do fluxo e refluxo, quanto a parte da Lua que é visível. Da mesma forma, há uma parte invisível do ser humano que exerce uma poderosa influência na vida, e assim como as marés são medidas pelo movimento do Sol e da Lua, também as eventualidades da existência são medidas pelos Astros que circulam, que podem, portanto, ser chamadas de “Relógio do Destino”, e o conhecimento de sua importância é um poder imenso, pois para o Astrólogo Rosacruz competente um horóscopo revela todos os segredos da vida.
Assim, quando você fornece a um Astrólogo a data, o horário e o local do seu nascimento, você lhe dá a chave para o seu íntimo, e não há segredo que ele não possa descobrir. Perceba o altíssimo risco que se corre!
Esse conhecimento pode ser usado para o bem ou para o mal, para ajudar ou prejudicar, de acordo com a natureza da pessoa. Somente um amigo experiente deve ser confiável com esta chave para sua Alma, e ela nunca deve ser dada a alguém vil o suficiente para prostituir uma Ciência Espiritual em busca de ganho material.
Para um profissional de saúde, a Astrologia Rosacruz é inestimável no diagnóstico de doenças e na prescrição de remédios, pois revela a causa oculta de todas as doenças e enfermidades.
Se você é pai ou mãe, o horóscopo o ajudará a detectar o mal latente em seu filho ou sua filha, e lhe ensinará como aplicar a prevenção com a máxima precisão. Ele também lhe mostrará os pontos positivos, para que você possa fazer da Alma confiada aos seus cuidados, um homem ou uma mulher melhor. Ele revelará fraquezas sistemáticas e o capacitará a proteger a saúde de seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem, e como a vida pode ser vivida com o máximo de utilidade. Portanto, a mensagem dos Astros em marcha é tão importante que você não pode se dar ao luxo de ignorá-la.
Para ajudar aqueles que desejam se ajudar, mantemos Cursos de Astrologia Rosacruz por correspondência, e on-line, aberto a todos os Estudantes Rosacruzes que já passaram pelo primeiro nível do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, o do Estudante Preliminar, mas não se engane, não ensinamos adivinhação; se é isso que você procura, não temos nada para você.
Nossas Lições São Sermões
Elas incorporam os mais elevados princípios morais e espirituais, juntamente com o mais elevado sistema de ética. Por exemplo, quando estamos nos aplicando e nos dedicando aos cálculos para o levantamento de um horóscopo por meio da Astrologia Rosacruz (e isso o fazemos com toda dedicação, paciência, persistência, todo cuidado e amor Crístico), nunca olhamos para esse sem sentir que estamos em uma presença sagrada, face a face com uma Alma imortal, e nossa atitude é de oração por luz para guiar essa Alma corretamente.
Por mais que esses Cursos aparentam serem fáceis, simples e até enfadonhos, não se engane! Intelectualmente podem até parecer, mas mexem com o íntimo da pessoa de uma maneira que intelectualmente não se acha explicação, mas misticamente sim. Tanto que aqueles que encaram tais Cursos somente pela parte intelectual…empacam, desanimam e desistem. Sem colocar o coração (que não pode ser “duro”), a humildade, a paciência, persistência, perseverança e capricho, algo que aparenta ser tão fácil torna-se quase impossível para a pessoa. Dúvidas? Experimente!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
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Quer saber mais sobre os Cursos? É só clicar aqui: https://fraternidaderosacruz.com/category/sobre-a-fraternidade/estude-filosofia-astrologia-espiritual-e-biblia-em-casa/
No nome de Cristo Jesus mora a Suprema força do Iniciado. Eis o motivo pelo qual S. Pedro nos ensina: “Pedro lhes disse: ‘arrependei-vos e batize-se cada um de vós, em nome de Cristo Jesus, para o perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.’” (At 2:38).
Complementado pelo que S. Paulo nos ensina: “Ao seu nome todo joelho se dobrará.” (Fp 2:10).
A palavra “amém” está composta de duas letras masculinas e duas femininas, correlacionadas com os quatro Elementos do: Fogo, Ar, Água e Terra. Quem pode entoar adequadamente esse nome, controlará todos os habitantes e as forças dos elementos. Poder adquirido pelos Discípulos no transcendental evento conhecido como Pentecostes.
Aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes que há uma descrição da vida das primeiras comunidades Cristãs que nada mais é do que um ideal. Ei-la: “E perseveraram na doutrina dos Apóstolos, em comunhão uns com os outros, compartilhando o pão e orando. E sobreveio temor a todos; e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos Apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham em comum todas as coisas; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam a todos segundo a necessidade de cada um. E perseverando unânimes cada dia no Templo, repartiam o pão nas casas, comiam juntos com alegria e simplicidade de coração.” (At 2:42-46). Fácil compreender que ali se encontra o ideal da Nova Era – a Era de Aquário –, onde a amizade e a fraternidade serão demonstradas e praticadas cotidianamente. É somente pela prática, na vida diária da fraternidade, que se abrirão as portas do Templo da Sabedoria. Jamais encontraremos a luz até que aprendamos a manifestar o espírito de irmandade. O estudo dos livros fornece somente um conceito intelectual dessas verdades, porém aquele que se capacita a recebê-las na fonte é quem vive os princípios sobre os quais elas estão fundamentadas. É o famoso pensar com o Coração.
A formosa vida desses primeiros Cristãos foi um poderoso imã de atração. Ali, onde não existiam distinções de casta ou clã, nem patrícios nem plebeus, nem ricos nem pobres. Os neófitos conviviam e cada um era tratado e aceito como um irmão e como uma irmã. Suas comunidades eram centros de amor e de serviço, nas quais ninguém era excluído. Eles observavam extrema simplicidade em todas as coisas, redimindo pessoas que eram presas à imoralidade e práticas dissolutas, remanescentes da passada Era de Touro.
Admiráveis forças espirituais foram desenvolvidas e manifestadas no meio dessa gente. O grupo íntimo formava uma reunião com seu único Mestre, Cristo, que estava frequentemente entre eles, fortalecendo-os, estimulando-os e inspirando-os. Eles haviam aprendido também a segui-lo nos Mundos espirituais, dos quais Ele lhes havia dito: “Não podeis seguir-me agora, porém, o fareis depois” (Jo 13:36).
Apesar das frequentes perseguições e martírios a que eram expostos, esses primeiros Cristãos alcançaram uma sublime consciência, experimentando um profundo êxtase espiritual que ultrapassa toda compreensão humana e não pode ser comparado a coisa alguma. Cada noite, em alegre reverência, reuniam-se para uma frugal refeição, chamada na Grécia “ágape”, ou festa de amor Crístico. Seguia-se a isto, um período de estudo e celebração da Eucaristia. Depois, dava-se sequência a uma classe limitada àqueles avançados e maduros espiritualmente. Prosseguindo essas normas, novas e extensas forças de cura, profecia e visão foram desenvolvidas no meio deles, juntamente com a habilidade de comunicação com seu dileto Mestre. E isso porque vivenciavam tal Ensinamento de Cristo: “Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente Meus discípulos e conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (Jo 8:31-32). Simples assim!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross e traduzido e publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro-fevereiro/1987 – Fraternidade Rosacruz-SP)
O estudo da Filosofia Rosacruz, além de facilitar a aquisição de um conhecimento profundo e lógico sobre a nossa origem, o nosso estado presente e futuro do nosso desenvolvimento e de todo o Universo, pressupõe também algo que consideremos de suma importância: uma reforma de caráter. Se o conhecimento não nos torna religiosos, naquela acepção ampla de nos religar à nossa essência espiritual (que é Deus), não está atingindo o seu objetivo. Não consideramos o conhecimento como um fim em si mesmo, mas, como uma fonte que nos proporciona meios valiosos de crescimento anímico.
Nossos atos provam o que realmente somos. Podemos nos tornar gradativamente um imenso repositório de Ensinamentos Rosacruzes, e podemos até expô-los publicamente de uma maneira brilhante, porém, se não procurarmos vivê-los em essência, sentindo as verdades que encerram seremos, quanto muito, intelectuais. O empenho sincero no sentido de uma transformação interna determina a utilização que fazemos dos Ensinamentos Rosacruzes. Esses só têm valor quando serve ao aperfeiçoamento do nosso caráter, despertando em nós sentimentos, desejos e emoções de amor Crístico, altruísmo, compreensão, sacrifício, disciplina, dever, enfim somente de desejos, sentimentos e emoções produzidos a partir de materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo.
Em via de regra, a maioria de nós deixamos esse plano terreno quase com o mesmo caráter com que nos adentráramos a ele! Ligeiras transformações se observam, porquanto a Lei de Consequência, por meio do látego da dor e do sofrimento, demonstra cabalmente que o “salário do pecado é a morte” (Rm 6:13). Infelizmente, as experiências dolorosas constituem o meio padrão de aperfeiçoamento moral da quase totalidade de nós, seres humanos. Este processo regenerativo é lento, pois, não decorre de uma vontade própria, consciente de renovação interna.
Poucos são aqueles dentre nós que reconhecendo os próprios erros e defeitos, dispõem-se corajosamente a transmutá-los em virtude. Estes poucos sempre se constituíram nos vanguardeiros da Onda de Vida humana. Que busquemos sempre ser um deles!
Nunca é demais repetir que a evolução é o resultado de um esforço persistente. Tal esforço dever ser consciente e incomensurável, pois a mais disputada batalha que podemos travar é contra nossa própria natureza inferior. S. Paulo reconhecia perfeitamente a natureza dessa luta contra nossos inimigos internos ao afirmar: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo” (Rm 7:19).
A transformação interna demanda boa vontade e aplicação de conhecimento. Max Heindel sempre insistia em que “a única salvação é o conhecimento aplicado”. Reforma de caráter é conhecimento aplicado. É sempre é bom lembrar que caráter é destino!
Podemos e devemos modificar o nosso caráter, aprimorando-o. Lograremos êxito em tal mister, se inteligente e diligentemente procurarmos descobrir onde residem nossas falhas e como poderemos, paulatinamente, saná-las. Procuremos avaliar e determinar a extensão dos nossos defeitos para encontrarmos os meios de cultivar as virtudes diametralmente opostas.
Podemos engendrar um destino melhor, se nos propusermos a modificar nosso caráter. Os meios estão ao nosso alcance, e se não o utilizarmos é porque somos vencidos pela inércia e pelo comodismo. Renovemo-nos, “tornando-nos dia a dia melhores homens e mulheres, a fim de sermos utilizados como colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores, a serviço da Humanidade.“.
Não resta a menor dúvida que reforma de caráter exige um esforço racional!
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – maio/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Mesmo ante às repreensões injuriosas, mesmo sofrendo ante a incompreensão humana, faça bom uso da palavra que você emite, a qual tem o poder de criar, por se originar da força sexual criadora. Portanto, pondera sobre o que disser, porque algo estará gerando benefício ou malefício, correspondendo ao emprego que você fizer desse dom maravilhoso que Deus nos deu. Afinal, Como o próprio Cristo nos ensinou: “Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que dela sai.” (Mt 15:11). Que estas palavras do Cristo permaneçam gravadas com letras de fogo no seu coração, para que venha a compreender que tudo aquilo que de emana de você, deve sempre expressar a harmonia e o amor Crístico. Expressando a harmonia você se sintonizará com as Leis Divinas, cooperando eficazmente com os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz na grande obra de regeneração humana. O amor Crístico faz florescer o sentimento de Fraternidade, o qual integra cada um de nós a Deus; afinal aprendemos com S. João evangelista que “Deus é Luz, e se andarmos na Luz, como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros” (IJo 1:5 e IJo 1:7).
Seja a palavra que sai da sua boca a decisão sábia das três palavras-chaves que regem os seus Mundos internos (como o microcosmo que você é): o discernimento, a consciência e a serenidade. Confia nessas três palavras-chaves a administração dessa riqueza extraordinária, cujos frutos reverterão a seu favor para o seu desenvolvimento espiritual.
Procure fazer da sua palavra uma semente grandiosa, vigorosa, germinando no solo árido dos corações cobertos pela ignorância e pelo ódio. E então, você se regozijará vendo tantos solos agrestes adquirirem o verdor da elevação espiritual.
Também faça da sua palavra o bálsamo que alivia todos os peitos oprimidos pela dor, de irmãos e irmãs que em vidas passadas se esquivaram-se à Luz, e hoje fogem desesperados das trevas que encadeiam a eles.
Procure produzir a sua palavra de modo a ser o perfume dulcíssimo que aromatiza os ambientes petrificados pelo medo, carentes de ternura, agitados pela dúvida, torturados pela angústia. Que a sua palavra tenha a força suficiente para suavizar tanta amargura. Que ela nunca seja portadora do veneno da crítica, nem do fel da injúria, pois fatalmente acabará também sucumbindo, agitado por estas distorções do sentimento.
Se as circunstâncias obrigam a você a falar energicamente, em repreensão a alguma falta cometida, faze-o em tom respeitoso, jamais com a intransigência de uma censura, porém, demonstrando com sapiência e bom senso, não a ignomínia do erro, mas a nobreza da virtude. Procure vislumbrar o bem em todas as coisas e poderá constatar a mudança que se operará em torno de você.
Nunca se iluda com o falar garboso, coordenado com gestos pré-estudados. Isto é carência de sinceridade! São os juízos falsos da Personalidade procurando centralizar as atenções, ofuscando a divina essência oculta – base da Fraternidade – que em reside dentro você.
Jamais se esqueça do antigo, mas sempre atual adágio: “Se o falar é prata, o calar é ouro”. Portanto, se suas palavras são meros invólucros sem conteúdo, não exprimindo o que em você há de mais elevado, então, é melhor que fique calado (a).
Procure sempre que a sua palavra seja o apelo que exorta alguém a procurar a Luz interna (que é a Luz divina), cujo brilho é ofuscado pelo sentido irrealista da vida restrita unicamente ao plano material, onde a ambição desmedida gera o egoísmo, o interesse e a hipocrisia, masmorras sombrias, onde muitas pessoas permanecem agrilhoadas.
Sempre veja na palavra algo de grandioso, belo e sublime. Não há limites ao sentido caricato que lhe empresta o ser humano comum, tornando-a meio de exteriorização de sentimentos mesquinhos. Que você sempre consiga proporcionar a sua palavra uma função correspondente à sua origem sacrossanta. Faça com que ela seja um instrumento adequado ao mister de elevar o gênero humano. Assim, ela sempre será a expressão viva de teu crescimento interno. Enfim, use a sua palavra sempre com sabedoria.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
É certo que cada um de nós deseja conhecer as causas de nossas dificuldades, tristezas e nossos sofrimentos, porque a ninguém apraz viver nessas condições. É necessário que conheçamos profundamente os problemas que se nos deparam, a fim de que possamos saná-los.
Vamos ver os pontos de capital importância, onde estão assentadas as bases dos nossos desgostos e das nossas ansiedades. Há mais de dois mil anos atrás, Cristo veio a Terra e a Humanidade recebeu a chave maravilhosa que possibilitaria o prosseguimento de sua marcha evolutiva, com o consequente acréscimo de seus sofrimentos. Acontece, porém, que nem todos aceitaram e nem querem aceitar o meio pelo qual podem dar término a todos esses problemas e, por esta razão, veja a seguir o que será colocado para que se verifique se é ou não é verdade que podemos aniquilar esses males, operando sobre suas causas.
Se existe, algo que concorre para a nossa infelicidade, esse algo é a falta de amor Crístico pelos demais. Embora digamos a todo instante que amamos a outrem, isto não se confirma através de nossos atos, nossas ações ou obras, pois, muitas vezes, quando alguém nos diz ou faz algo que nos desagrada, mesmo que não represente quase nada, estamos sempre prontos a criticar acintosamente e a lhe dirigir expressões de ódio. Às vezes, chegamos ao extremo de pensar em vingança e, numa condição dessas, podemos dizer que amamos ao próximo? Não, de forma alguma!
Podemos afirmar que esses fatos não têm relação alguma com os nossos sofrimentos. Devemos respeitar a opinião de quem quer que seja, pois, até nisso estaremos expressando o amor Crístico, porém, analisando os fatos dentro da lógica que caracteriza os mais elevados Ensinamentos Rosacruzes, chegaremos à conclusão de que a falta de amor Crístico atrai os sofrimentos.
Sabemos que tanto o pensamento como a palavra são forças poderosas e que, quando dirigidas contra alguém, não só a este prejudica, como também atuam sobre quem as emite. O emissor, às vezes, pode ser o maior atingido, pois semelhante atrai semelhante e quem gera a maldade também atrai a maldade, com tripla intensidade. Tanto isso é verdade que conhecemos pessoas que ao desencadearem suas expressões de ódio e terríveis impropérios, apresentavam grandes manchas rubras em diversas partes de seus Corpos Densos, como se tivessem sofrido violenta agressão física.
Quanto aos maus atos, más obras ou ações praticados contra os demais, poderemos constatar como provocam a desarmonia e suas consequências recaem sobre aqueles que os praticam, o que não aconteceria se todos compreendessem e colocassem em prática aquele princípio: “Não faça a outrem o que não quer que lhe façam”. Nós colhemos aquilo que semeamos, sempre.
Que tenhamos sempre uma maior e crescente compreensão desses princípios para que, aos poucos, consigamos viver com mais alegria e felicidade, mesmo que ainda não tenha concretizado todos os seus anelos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Muitas pessoas costumam se queixar de que a espiritualização “dá muito trabalho e muita preocupação”. E elas estão certas! A incorreção está no fato que, encaram esse trabalho como um obstáculo à realização do que se propõe, e não como um meio para despertar as próprias potencialidades, latentes emcada um de nós.
Nada se adquire sem trabalho e sem esforço próprio. É necessário, especialmente no princípio, quando estivermos dando os nossos primeiros passos no Caminho da Preparação e Iniciação Rosacruz, certo esforço para aprender a progredir, um esforço que implica em muita renúncia a defeitos e imperfeições.
E é extraordinário notar como achamos, no início, que temos só este ou aquele defeito, que se corrigirmos determinadas tendências, estaremos já realizados em uma boa extensão; e é extraordinário, também, percebermos, quando chegamos a certa etapa desse Caminho, já tendo percorrido um longo trecho da nossa peregrinação, que todos aqueles defeitos já corrigidos e outros, e mais outros com os quais não contávamos e que foram aparecendo no nosso trabalho, nada mais foram do que um princípio de correção apenas, que o nosso trabalho exige uma reforma completa.
Que no início estávamos completamente errados; que pensávamos errado; sentíamos errado; vivíamos errado; servíamos errado; que tudo aquilo que nos parecia certo, de repente nos aparece com a surpreendente necessidade de uma reforma total e o que ainda existe em nós, como remanescente das imperfeições de todo aquele trabalho, deve também ser transmutado em algo melhor. Nesse momento, olhando para frente, pode acontecer que fraquejemos, desesperando ante tão esmagadora revelação interna. Mas isso não acontecerá, se já tivermos como escape aquelas reformas iniciais realizadas anteriormente.
Daí pode-se observar, mais uma vez, a imensa bondade e a Sabedoria de Deus, e como é feito o Seu maravilhoso trabalho de equilíbrio e de auxílio ao aperfeiçoamento da Humanidade. Ele vai mostrando aos poucos os nossos defeitos, e só quando já tivermos certo lastro de realizações que possa nos sustentar diante de uma revelação mais profunda, só então, Ele nos permite encararmos a verdade de nossas próprias insignificâncias, para que, amadurecidos em certo sentido, possamos prosseguir na parte mais dura da escalada, que será, ou pelo menos deverá ser, o total, o completo, o amplo conhecimento de nós mesmos, através de um perfeito despertar de nossa própria consciência. E é neste momento, quando são mostrados a nós o que foi o nosso passado e o que deverá ser o nosso presente, que compreendemos, não só à necessidade de ser modesto, como se deixar integrar no sentimento de humildade, não pensando em sermos humilde, mas atingindo esse estado de humildade dentro de nós mesmos. E, então, o mundo passa a adquirir nova feição, certas coisas a que dávamos valor, modificam sua aparência diante dos nossos olhos. Outras coisas que nos irritavam antes, passam a se apresentar sob um novo aspecto, e podemos sentir, então, o que é o amor Crístico, que é esse sentimento imenso que deve ser realizado, despertando a nossa própria divindade. Atingimos, assim, a própria inteligência e o próprio coração na eternidade das coisas, embora esse estado possa ser, no nosso primeiro encontro com a verdade, apenas um vislumbre, para com o tempo, reaparecer nos momentos esparsos, que vão se aproximando mais e mais, até se tornarem num bloco único de nossa realização interna.
Eis por que, quando alguém desiste já de início da Escola de Preparação para a Iniciação Rosacruz, a Fraternidade Rosacruz, é que não possui ainda a fibra necessária para poder enfrentar, mais tarde, a dura revelação do seu próprio nada; tampouco poderá compreender a necessidade real de vir a ser uma criatura nova, completa e radicalmente modificada. Perde-se, assim a oportunidade de reconhecer, nesse trabalho que tanto o assustou, um empreendimento maravilhoso, o único empreendimento realmente digno de ser realizado, e para o qual todos nós viemos a esse mundo: desenvolver nossos poderes espirituais latentes, como Cristo nos ensinou em Sua primeira vinda.
Por isso, todos nós, que participamos e que temos a felicidade de participar dessa grandiosa obra, que foi legada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz por intermédio de Max Heindel a todos nós, só temos que nos congratular com esses elevados Seres que nos orientam, pedindo a Deus para que possamos a cada dia enobrecer mais e mais a Fraternidade Rosacruz, com nossos bons exemplos e com nosso trabalho, tanto individual, como coletivo, a serviço de toda a Humanidade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Pode-se e deve-se formar uma atmosfera espiritual em nossos lares, devotando uns poucos momentos, todos os dias, a uma oração sincera de Ação de Graças e de Consagração, somando a isso a oficiação diária dos Rituais Rosacruzes Devocionais do Serviço (do Templo e de Cura). Assim fazendo, formaremos uma vibração que atrai seres invisíveis benéficos e co-trabalhadores para nosso meio familiar, auxiliando, assim, a torná-lo um lugar de: conforto, inspiração, força, repleto de amor Crístico e de paz, onde todos se sintam bem. As crianças que crescem em tais lares, de harmonia e de facilidade provenientes de uma vida devocional, são enormemente fortificadas para as experiências da vida, pois essas vibrações constroem em seus Corpos Vitais uma fortaleza espiritual.
Os Estudantes Rosacruzes, conhecedores do poder do pensamento, têm o grande privilégio e responsabilidade deempregar seus conhecimentos e seus dons mentais e emocionais para impregnarem seus lares, os lugares de trabalho e qualquer edifício em que entrem, com essas vibrações elevadas.
Atente-se bem: se ocupamos um cômodo num hotel ou numa casa que nos tenha hospedado, a primeira coisa que devemos fazer é transmitir ao local uma benção para todos os que já ali estiveram; depois devemos impregná-lo com pensamentos de paz e harmonia, a fim de que todos os que venham ali depois de nós sejam abençoados pelas emanações amorosas que deixamos. Se permanecemos nesse lugar, devemos sim oficiar diariamente os Rituais Rosacruzes Devocionais do Serviço (do Templo e de Cura), ainda que sozinhos e se assim o for o mais anônimo possível, em silêncio.
Qualquer pessoa sensitiva percebe isto ao entrar num lugar. Tão importante maneira Cristã de agir deverá ser compreendida, um dia, pela Humanidade inteira, quando se convença de que realmente “os pensamentos são coisas”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)