Resposta: A entrada dos Espíritos em corpos humanos, tal como estão constituídos atualmente, começou no estado de solidificação do mundo, conhecido como Época Lemúrica, e só se completou em meados da Época Atlante, período de tempo quiçá equivalente a milhões de anos.
Todavia, desde então, não houve mais entrada de Espíritos em nossa esfera particular de evolução. A porta foi cerrada definitivamente, porque nós evoluímos tanto, ao ponto daqueles que não pudessem manipular um corpo humano estarem demasiado atrás, evolutivamente, para nos alcançarem.
Desde aquele tempo os Espíritos encarnados em formas humanas vêm evoluindo mediante repetidos renascimentos, de sorte que, cada um dos seres humanos que vive agora sobre a Terra, encarnou anteriormente em diferentes épocas e lugares.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
Dentre vários ensinamentos que lemos nas Epístolas de São Paulo há um muito interessante para entendermos a questão do título: “Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6:7). Estas palavras foram escritas pelo Iniciado o Apóstolo São Paulo em uma Epístola aos Gálatas, que eram um grupo de pessoas que habitava uma província da Ásia Menor. São Paulo leva a Religião Cristã aquela gente, a quem amou de maneira muito especial, congregando-os em uma Igreja. Estando deles ausente, apareceram certos “mestres”; dentre eles três judeus e trataram de persuadir aquela gente a desprezar a Religião Cristã, que lhes tinha sido ensinada por São Paulo, e voltaram à antiga forma de adoração.
São Paulo viu claramente que para os Gálatas o retroceder depois de terem visto a luz significava atraso, em lugar de progresso, e que suas consequências seriam o incorrer em uma pesada dívida com o destino, que requeria eternidades para eles a liquidarem.
Sendo São Paulo um Iniciado, conhecia perfeitamente as Leis do Renascimento e as de Causa e Efeito e, por isso, sabia muito bem que se este povo contraísse uma tal dívida, teria de pagá-la alguma vez e em alguma parte, ao preço de grande dor e de profunda angústia. Por esta razão, São Paulo proclamou a Lei de Causa e Efeito a essa gente, dando-lhe o conhecimento dela em termos inequívocos: “Não vos enganeis: Deus não pode ser iludido; tudo o que o homem semear, isso também colherá“.
Se o Renascimento não fosse um fato, numerosas afirmações da Bíblia, semelhantes à que acabamos de citar, seriam difíceis de aceitar. De fato, seria absolutamente impossível para um homem ou uma mulher inteligente aceitar muitos fatos da vida, nem sequer em mínima parte. Por todas as partes vemos no mundo pessoas semeando sem cessar, sementes de maldade, discórdia, ódio, desonestidade, decepções, etc. e, contudo, ostentam-se prósperos e florescentes, como o verde loureiro proverbial. Aqueles cujas vidas são piores, acham-se com frequência, ocupando os mais altos cargos; entretanto vemos oprimidos, homens e mulheres de vida santa e Cristã.
E qual a resposta a esses diversos e complexos problemas que, constantemente, a vida nos está apresentando? Não têm eles respostas alguma? E a morte? Ainda os resultados da morte são incertos. Aniquila a morte a consciência?
Como resposta a tais perguntas, a maioria das pessoas dirá: “Creio nisto ou naquilo, mas nada sei”.
Há uma resposta para cada problema que a vida nos apresenta; os precursores da grande escola da vida, que avançaram e progrediram, puderam nos dar estas respostas. Eles não dizem: “creio” ou “penso”, mas dizem: “sei” -“Eu sei”. E como sabem? Porque adquiriram conhecimento de primeira mão. E de que maneira o adquiriram? Por meio da perseverança, devoção, observação e discernimento.
Antes que um homem ou uma mulher possa entender a vida, há de achar-se disposto ou disposta a aceitar como uma hipótese eficaz a de que o Renascimento é um fato e que toda a manifestação se explica pela Lei de Causa e Efeito. Uma vez que uma pessoa permita que entrem na sua consciência estes dois grandes fatos, tem já um ponto de apoio ou de partida para seus raciocínios.
Se o Renascimento é um fato, então todos nós temos vivido várias vidas anteriores à atual, e temos passado por numerosas provas. Temos sido arrogantes, cruéis, opressores, tiranos, injustos? Tem havido ocasiões em que temos sido bondosos, tolerantes, sensíveis, serviçais etc.? Pois bem, na atualidade somos a soma de nossas experiências anteriores, ou melhor, a soma de nossas reações à todas as nossas experiências passadas.
Cada criatura humana de nossa Onda de Vida tem-se iniciado na grande escola da vida, na Grande Escola de Deus, com iguais oportunidades. Durante cada vida foram-nos dadas certas lições. Quando as tivermos aprendido perfeitamente, teremos ganho em conhecimento e inteligência e teremos avançado.
Quando recusamos fazer nosso trabalho, e dissipamos nosso tempo vivendo preguiçosa ou licenciosa e desordenadamente, não só debilitamos, então, nossa estrutura moral, deixando para o lado o trabalho, senão que ao deixar para mais tarde o que devíamos ter feito hoje mesmo, deixamos para o dia seguinte uma tarefa mais dura e mais difícil de executar; e já não estaremos tão preparados para ela como estávamos ao ser-nos dada a primeira lição.
Mas esse trabalho há de ser executado alguma vez, em alguma vida, porque estamos desenvolvendo nossos próprios deuses, que absoluta e necessariamente hão de alcançar seu desenvolvimento, mercê de nossos próprios esforços.
O desenvolvimento das potencialidades latentes, dentro de cada indivíduo, não pode comprar-se, não pode achar-se ou receber-se como se fosse um gracioso donativo.
Depende de nossos próprios esforços perseverantes e resolutos, o que este crescimento progressivo encerra, e só nós estamos em possibilidade de apressá-lo ou retardá-lo. O indivíduo que diz: “Não tive nunca uma oportunidade na minha vida”, está-se enganando. Cada incidente que ocorre, e sucedem-se dezenas deles diariamente, nos subministra a oportunidade de desenvolver em alguma extensão algum poder potencial latente, em nosso interior, e as provas que sofremos, vem precisamente com esse objetivo. Não são meros acidentes com que tropeçamos, mas oportunidades dadas por Deus mesmo, para nosso crescimento, às quais devemos estudar bem e aproveitar tudo o que pudermos. Uma vez que nos dermos conta disso, cada dia de nossa vida se converte em uma grande e gloriosa aventura. Os mais humildes acontecimentos tornam-se grandes e maravilhosas experiências. O gorjeio de uma ave fere nossos ouvidos, estimula nosso sentido da audição e desenvolve nossa apreciação da verdadeira harmonia expressa em sons. Um humilde gusano, uma humilde minhoca, arrasta-se pelo solo aos nossos pés; o sentido da vista entra em ação; a cor daquela criatura se nos revela; a sua forma, a sua maneira de locomoção. Nosso poder de observação se vigoriza; o nosso interesse se estimula; a nossa Mente entra em atividade.
Começamos a estudar a vida, a verificar a nossa mentalidade e acabamos por aprender que tudo aquilo que existe é uma parte de Deus, que lenta, mas seguramente desenvolve dentro de si próprio, a Divindade.
A vida não nos aparece já como um confuso labirinto. É uma escola onde toda a criatura vivente recebe um ensino alegre e intenso. Nada há nela de opaco ou privado de interesse. São a Lei e a Ordem, trabalhando unidos, harmoniosamente. É o Amor em manifestação; é a atividade que nos revela em miríades de demonstrações.
Por que vemos ocupar altos postos aqueles que, segundo todas as aparências, carecem de algum mérito? Suas lições por um dia na Escola da Vida exigirão esse ambiente particular? Mas ai daquele que abuse de seus altos privilégios! Esse está criando uma tremenda dívida de destino, que não lhe será fácil pagar. Por que vemos sofrer opressão a uma pessoa digna? É com o objetivo de que possa aprender valiosas lições que hão de ser usadas em proveito de seus semelhantes, em vidas futuras, nas quais ocupará postos de grande influência e poderio. Tal pessoa não cometerá nunca o erro que seu irmão ou sua irmã menos adiantado ou adiantada poderia cometer ao achar-se numa posição semelhante.
O homem ou mulher que semeia sementes de discórdia, ódio, desonestidade, engano, etc. não pode ter a esperança de escapar ao castigo da Lei.
“Qualquer coisa que um homem semear, isso mesmo colherá“, seja durante sua vida atual, seja durante alguma outra vindoura, a não ser que se arrependa do seu mau comportamento.
Reformem-se enquanto puderem, reparem o mal que tenham cometido. A razão de que não vemos o malfeitor pagar suas dívidas é porque não estamos capacitados, no atual estado do nosso desenvolvimento, para segui-lo vida após vida e saber quando se vencem essas dívidas.
Algumas vezes pagam-se durante a vida em que se contraíram; outras vezes levam-se através de um ou mais Renascimentos, mas nunca ficam por saldar.
A Lei de Causa e Efeito, é ensinada pela Bíblia, ainda que expressa com diferente terminologia: “Qualquer coisa que um homem semear isso também colherá“. Nem esta Lei nem a Lei do Renascimento são realmente novas, como poderia comprovar qualquer estudante da Bíblia, cuidadoso e dotado de espírito analítico. Na atualidade, contudo, está lhe dando uma importância muito particular, por parte das escolas avançadas de preparação espiritual, devido a que um número considerável de seres humanos completou já as lições ensinadas por meio da Religião Cristã ortodoxa, e se encontram já prontos para uma etapa mais adiantada na senda do progresso. Essa etapa mais avançada lhes abrirá os Mundos invisíveis onde reside o Espírito, ou verdadeiro “EU”, durante os intervalos entre a morte e o novo renascimento, e os capacitará para seguirem as pisadas do Espírito, ainda que esse faça suas diversas viagens, da morte ao nascimento e vice-versa.
Antes que um indivíduo possa chegar a essa etapa adiantada, há de construir um veículo que lhe permita funcionar nos Mundos invisíveis. Esse veículo se constrói determinando uma separação entre os dois Éteres inferiores (o Químico e o de Vida) dos Éteres superiores (Luminoso e Refletor), que são os veículos da percepção dos sentidos e da memória; podem então usar-se como tal, o veículo a que se chama o Corpo-Alma.
Em consequência, a “Senda da Preparação” precede a capacidade de adquirir conhecimento de primeira mão, o conhecimento direto.
O amoroso e abnegado serviço aos outros, a perseverança, a devoção, a observação e o discernimento são os meios de alcançá-lo. O serviço amoroso e abnegado aos outros atrai automaticamente ao indivíduo os dois Éteres superiores, a saber; o Luminoso e o Refletor, com os quais se constrói o “Corpo-Alma”.
O Éter Químico e o Éter de Vida são capazes de se encarregar das funções vitais do Corpo Denso, durante o sono. Mais tarde tem lugar uma separação entre estes dois Éteres inferiores e os dois Éteres superiores. Quando esses dois últimos Éteres que compõem o “Corpo-Alma” já se espiritualizaram o suficiente, por meio da observação, do discernimento e do serviço, uma simples fórmula, dada por um Mestre espiritual, capacita o Aspirante à vida superior a levar consigo o “Corpo-Alma” à vontade, junto com o seu Corpo de Desejos e a sua Mente. Fica assim equipado com seus veículos de percepção sensorial e de memória.
Qualquer conhecimento que possua no Mundo Físico está, então, à sua disposição para usá-lo nos Mundos invisíveis, e quando de novo entra em seu Corpo Denso, traz consigo, ao cérebro físico, memórias de suas experiências adquiridas durante seu funcionamento longe do próprio corpo e naqueles altos lugares.
Quando o indivíduo tenha construído esse veículo no qual funciona, pode visitar os Mundos invisíveis e fica com liberdade para explorá-los a seu gosto, e aprender neles as causas que produzem todos os efeitos que se manifestam no plano físico.
Pode, então, acompanhar uma criança, da morte ao renascimento e comprovar assim que a reencarnação é um fato.
Pode então compreender a vida e seu objetivo, e trabalhar em harmonia com todas as Leis da Natureza; e dessa maneira tem já em suas mãos não só o método de acelerar sua própria evolução, senão também o de ajudar os outros a fazerem outro tanto.
Todo o nosso progresso depende de que aprendamos as lições que se nos apresentam em nossa vida diária, sem ter em conta que sejam fáceis ou difíceis. Devemos agradecer cada lição e pôr-nos prontamente a aprendê-la. E devemos agradecer especialmente às difíceis e desagradáveis, pois indicam que fizemos consideráveis progressos no passado e que, por consequência, estamos já capacitados para aprendê-las. Às almas jovens e pouco experimentadas não são dadas tarefas difíceis para executar.
Cada dia está cheio de oportunidades que, nos tornam os donos delas e se as aproveitarmos tanto quanto possível, nos permitirão avançar rapidamente pelo caminho do verdadeiro desenvolvimento.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1979 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Einstein afirmou em certa ocasião: “Nunca perca a sua santa curiosidade”. E que dádiva maravilhosa essa santa curiosidade nos outorgou! Por seu intermédio encontramos ensinamentos capazes de nos explicar tão claramente a época tão conturbada em que vivemos, ajudando-nos a manter uma conduta serena em meio ao rugir das tempestades.
Enquanto aprofundávamo-nos à procura das respostas, nem imaginávamos quão bem ocultas estavam as pérolas tão avidamente almejadas. Cristo-Jesus asseverou: “Conhecereis a verdade e a verdade vós libertará”[1]. Pôncio Pilatos tão somente soube perguntar: “O que é a verdade?” Como não recebia respostas do seu mundo interior, nenhuma resposta lhe foi dada do exterior.
Muitos encontram fragmentos da verdade e por eles combatem tenazmente. Julgando único seu fragmento, investem desabridamente contra todos os outros. Esse não é um bom método para se alcançar a verdade. Há verdades de maior ou menor profundidade. Há ângulos enfocando certas fases dessa verdade e há profundezas que o nosso entendimento não alcança.
O Hino Rosacruz de Abertura[2] nos ensina que, tendo a tocha da razão por guia, compreenderemos pontos até então completamente obscuros. Suas palavras irradiam essa verdade: pelo uso da razão e pela persistência, seremos capazes de anular a discórdia produzida no mundo.
Nesses poucos versos do hino, Max Heindel procurou imprimir ênfase a cada palavra para que obtenhamos respostas às nossas indagações: como? Por quê? Qual o método? Qual o nosso raio de ação? O fundador da Fraternidade Rosacruz sempre destacou o fator tempo. Sua vida nos mostrou essa imagem: cada hora tem de ser aproveitada; não há imobilismo, nem pausas, tampouco saltos ou recuos para outras sendas. Assegurou-nos de que assim agindo, seremos capazes de sublimar o mal do mundo pelo bem do qual somos canais.
Todas as Religiões e todas as ciências ocultas velam as suas verdades transcendentais. Há acesso somente para aqueles conhecedores da chave indispensável à percepção da verdade no meio das falsas explicações, mitos e símbolos. Esses servem para iludir aqueles que merecem ser iludidos, preservando a verdade da qual ainda devem ser afastados. A verdade é perigosa para quem é destituído de mérito ou preparo, da mesma forma como o fogo oferece riscos a uma criança. Siegfried teve de deixar pai e mãe, credo, convencionalismos, ideias preconcebidas, opiniões e desejos mundanos antes de iniciar sua busca, como lemos no livro “Mistérios das Grandes Óperas”.
A esse respeito Max Heindel nos ensina em “Cartas aos Estudantes”: “devemos viver nas condições e ambiente em que nos encontramos, procurando aprender as lições que essas condições proporcionam. Quem flutua nas nuvens em busca de ideias espirituais, negligenciando seus deveres no mundo, erra da mesma forma como aqueles que batalham no lodo do materialismo impelidos pela ambição, atraídos pelas luzes multicores da glória, ou por outros valores mundanos”.
As duas categorias de pessoas necessitam de ajuda, porém em direções diferentes. Uns devem colocar firmemente seus pés na Terra. Outros devem elevar-se até enxergar as luzes do céu, para onde cumprem dirigir seus esforços na acumulação de tesouros de valor mais permanente.
Max Heindel afirma que só há uma Grande Verdade: Deus. Esse, porém, possui infinitas facetas, ou várias formas de manifestação. Essa é a razão de todas as Religiões. Cada agrupamento tem a sua lição a aprender. A criança na fase pré-escolar recebe um ensinamento; no curso fundamental outro; no universitário tem direito a um currículo mais avançado. E o que é verdadeiro para o filósofo, não o será necessariamente para o camponês. Cada Mente recebe a verdade de modo diferente. Todos nós já palmilhamos muitos caminhos em nossas vidas: sob o raio de Marte, impelindo-nos à atividade e à paixão, muitas vezes às custas dos nossos semelhantes; sob a suavidade de Vênus, ou a austeridade de Saturno, ou ainda sob a benevolência de Júpiter. Alegramo-nos na esperança de perceber a amplitude de consciência que nos será outorgada pelo raio de Urano, mesmo que devamos nos contentar, hoje, com o raio de Mercúrio. Estamos ascendendo para a Luz Branca, do Sol, e que unirá todas os outros matizes.
Como podemos considerar-nos afortunados por viver em uma época em que esses conhecimentos foram liberados pelos Irmãos Maiores para todos que os procuram. Antigamente eram acessíveis unicamente aos Iniciados. Após a crucificação de Cristo Jesus, porém, o Véu do Templo rasgou de alto a baixo, revelando-nos que a Luz Branca é um reflexo ainda imperfeito da Grande Luz. Por isso, é exortado que usemos “a tocha da razão por guia”. É por isso que Max Heindel escreveu: “Devemos ser capazes de reconhecer a verdade internamente”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1977 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.T.: Jo 8:32
[2] N.T.: Hino Rosacruz de Abertura
Seguindo a órbita a girar
lei firme, o astro vem mostrar;
do eterno Deus ele é expressão
quais ciclos de alternação.
O Astro dança em linha oval;
no espaço e tempo em espiral,
e as harmonias ao girar
de esferas vão ressoar.
Por não saber a lei geramos dor,
a morte e desarmonia;
sofrendo, agora, procuramos
ter, de novo, paz e harmonia.
A lei buscamos aprender
e a verdade conhecer,
e o que encontrarmos da verdade
dar ao bem da humanidade.
Cumpramos todos o dever
do nobre e reto proceder;
sem ódio por amor agir
e nunca ao nosso dever fugir.
Sabendo por amor obrar
e o repetindo sem cessar,
o medo e o pecado, assim,
iremos dominar enfim.
Co’a tocha da razão por guia
nós buscamos restaurar
a juventude e harmonia
que só a verdade pode dar.
Falhando, embora, vamos ver
a persistência há de vencer,
e num crescendo gradual
o bem sublimará o mal.
Resposta: Em primeiro lugar, obviamente que a grande maioria dos médiuns não percebem o perigo que há. Sobretudo, eles não estão conscientes do enorme perigo que os ameaça após a morte. O Corpo de Desejos poderá permanecer sob o comando do Espírito de Controle. Se tentassem frear a influência do Espírito de Controle, enquanto ainda estão aqui no corpo, notariam que essa entidade tem um controle extremamente forte sobre eles, controle esse que será muito difícil de se romper, e eles deveriam perceber que, naturalmente, quando chegar a morte e eles retornarem a este mundo aqui com esses Espíritos de Controle, o perigo ainda será maior.
O autor conheceu alguns casos em que os médiuns hesitaram e tentaram escapar das ciladas dos Espíritos de Controle, mas não conseguiram romper a forte influência dessas entidades. Eles ficaram desamparados e indefesos. Os médiuns procuraram o autor em busca de ajuda e lhe disseram que eram quase irresistivelmente compelidos por esses Espíritos de Controle a cometer suicídio e assassinato; esclareceram haver implorado e sugerido que esses Espíritos de Controle os deixassem em paz, mas foi em vão. Existem casos conhecidos, também, em que os Espíritos de Controle arrastaram impiedosamente suas vítimas para fora da cama no meio da noite, contra a vontade delas e as forçaram a ouvir suas importunações. Muito raramente se ouve dizer que demonstrem alguma misericórdia. Embora o autor tenha conhecido médiuns que adoeceram por causa de tal procedimento, somente soube de um caso em que a doença do médium induziu os Espíritos de Controle a ouvir seu apelo e deixá-lo em paz por alguns meses, enquanto ele se recuperava.
Assim se verá que a mediunidade, uma vez iniciada, não é mais uma questão de escolha dos médiuns; pois, eles perdem o poder de excluir os Espíritos que os controlam. Enquanto eles cumprem as ordens de seus obsessores, permanecendo dóceis, eles podem até não sentir nada; mas, deixe um deles tentar recuar, e ele (ou ela) logo sentirá o freio e a espora do obsessor, que os usará impiedosamente.
(Pergunta nº 130 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Um tema muito interessante para os Estudantes Rosacruzes é o SOM ou a VIBRAÇÃO. Sua área de frequências se estende entre o ruído comum à vida diária e o Som (ou Nota) que revela nosso Pai Celestial.
Os resultados do som em forma rítmica podem ser percebidos imediatamente: por exemplo, os rituais bárbaros ou selvagens produzem um frenesi no Mundo do Desejo, expressando movimentos espasmódicos do Corpo Denso. Os sons repousantes, por outro lado, produzem resultados opostos.
Tais efeitos podem ser observados com relativa facilidade, onde quer que se manifestem. Mas, e as sutis vibrações que não percebemos? Essas vibrações sonoras e invisíveis exercem considerável poder sobre a matéria concreta: constroem ou destroem, curam ou enfermam. Esses sons, contudo, surgem de uma fonte criadora, levando consigo esse poder em sua manifestação.
Uma evidência é a “Música das Esferas”, a mescla das “notas” planetárias com o canto dos Signos do Zodíaco.
Foi o “Verbo”, o Criador, o Modelador da carne através da qual obtemos nossas experiências. O “Verbo” foi e é o Som rítmico, o Grande Construtor Cósmico. Cada som engendra uma forma diferente. Se, por exemplo, necessitamos de produzir um certo efeito, emitimos um som especial. Mas, se o modificamos, o efeito será alterado. Isso constitui um fato importante em nossas vidas.
Um nome é um som. “Adequadamente pronunciado, não importa por quem, exerce uma influência predominante sobre a inteligência que representa.” (do livro Mistérios das Grandes Óperas-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz). Como poderemos utilizar essa informação?
Usamos nossa faculdade da linguagem diariamente, muitas vezes sem pensar, fazendo as palavras tropeçarem em nossas línguas, sem cogitar ao menos ligeiramente sobre as consequências. Sofremos muito pelas nossas indiscrições verbais, tornando-nos vítimas de nossa própria “falta de pensar”. Criamos condições confusas dentro de nossa própria aura. Arriscamo-nos, dessa maneira, a abrir nossas portas internas a elementais capazes de abalar nosso equilíbrio, permitindo que as ações de outras pessoas também nos afastem da serenidade.
Você pensou alguma vez no efeito de nossas orações em favor dos enfermos? Os nomes geralmente são mal pronunciados, formando uma vibração desarmoniosa com o “tom” da pessoa enferma, criando, obviamente, mais confusão ao seu redor. Quando oramos pelos enfermos, abrimos um canal através do qual a Divina Força Curadora pode fluir. Mas se o nome do paciente é pronunciado incorretamente, o canal pode não se abrir.
No trabalho de cura da Fraternidade Rosacruz, o paciente escreve, formando um canal direto, suficiente para a ação dos Auxiliares Invisíveis.
Como Estudantes Rosacruzes é nosso dever meditar sobre o poder “criador” da nossa linguagem, aprendendo a usar correta e cautelosamente as palavras, até nos dispormos a receber o enorme poder que deve ser utilizado em benefício de tantos quantos se ponham em contato conosco.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1977 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Não podemos gozar da verdadeira paz enquanto não tenhamos desprezado tudo que é incompatível com o nosso verdadeiro “Eu”, o Ego (o que somos: um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado), a nossa Natureza divina.
Por exemplo, se tentamos encher o vazio que existe dentro de nós, dentro de nossa alma, com apetites sensuais ou com os prazeres da vida material, nada conseguiremos, senão desespero e sofrimento.
Se tentarmos realizar os nossos anseios da verdade através da aplicação da nossa inteligência nos objetos externos, sejam eles: coisas do Mundo Físico; desejos, emoções ou sentimentos do Mundo do Desejo ou pensamentos do Mundo do Pensamento, nada conseguiremos, senão frustração, dor e desânimo.
A solução nós entenderemos cedo ou tarde. Depende somente da nossa própria vontade. Quanto mais demorarmos em mudar, mais sofreremos, mais nos aborreceremos e mais nos entediaremos; mais viveremos no enganoso e na ilusão.
A solução é nos aproximarmos da Luz, obedecendo à lei da Luz, a Lei Divina. Devemos transmutar nossos apetites sensuais em apetites criadores; afinal a energia é a mesma, somente temos de mudar a direção.
Devemos desistir de nos manter dirigidos pelas coisas externas. Devemos dirigir nossa visão espiritual para a Luz, para as coisas espirituais. O nosso despertar para essa verdadeira realidade nos trás um desejo enorme e descontrolável de progredir rapidamente.
É como se quiséssemos recuperar todo o tempo que perdemos vivendo na realidade ilusória de responder somente as coisas externas.
Desejamos rapidamente: ver os Mundos internos, funcionar conscientemente nesses Mundos, conviver com os seres desses Mundos. Rapidamente, acreditamos estarmos perfeitamente aptos para fazer tudo isso e, se possível, de uma só vez.
Aos poucos nos desanimamos e os motivos são sempre os mesmos, variando somente nas suas diversas intensidades e matizes. De qualquer modo, seja qual motivo dermos ênfase, o problema é nosso! Nós é que nos mostramos incapazes e somente nós é que podemos nos corrigir para prosseguir nesse caminho escolhido.
Mas, vamos aos motivos:
1.Largamos tudo e nos dedicamos exclusivamente aos estudos espirituais
Alteramos totalmente a nossa rotina. Reprogramamos nossos horários para termos tempo de fazermos meditações, concentrações, orações. Não admitimos sermos interrompidos. Nosso tempo para tratarmos das coisas exteriores é o menor possível, somente para garantir a nossa sobrevivência e subsistência. O restante do tempo é para estudar. Ler toda a biblioteca. Se possível reler. Participar de todos os seminários, reuniões, conferências. Se possível só ficar escutando para assimilar mais. Negar falar de outro assunto senão o que envolve as coisas espirituais, principalmente se for algum assunto que tenha dúvidas. Neste caso só falta nos isolarmos numa caverna, tal como faz um ermitão (só não o fazemos, porque teríamos que cozinhar, lavar, limpar, enfim, gastar o tempo em coisas que não tem nada a haver com as espirituais, segundo sua percepção!). E mesmo assim não entendemos por que, neste caso, o nosso progresso espiritual não é visível para nós. Mais do que isso, parece que retrocedemos.
Por meio deste motivo, esquecemos de uma coisa importantíssima: o nosso progresso espiritual não depende, de modo algum, de nossos próprios esforços. Ao contrário, quanto menos planejamos estabelecer leis por nós mesmos e quanto mais nos submetemos à Lei Universal, tanto mais rápidos serão nossos progressos. Jamais podemos dirigir nossa vontade num sentido diferente da Vontade Universal de Deus. Se a nossa vontade não é idêntica a vontade divina, nos pervertemos com efeitos funestos. Somente quando a nossa vontade se harmonizar por completo e cooperar com a vontade de Deus, ela será poderosa e efetiva. E qual é essa Lei Universal, essa vontade divina para esse motivo, e que foi a causa do aparente fracasso? O serviço amoroso e desinteressado para com os outros, para os que estão ao nosso redor.
Esquecemos a exortação de Cristo: “que o maior de entre vós seja ao servo de todos”.
Esquecemos, então, de nos esforçarmos, diariamente por servir o nosso semelhante – o nosso irmão e a nossa irmã que estão ao nosso redor –, em qualquer oportunidade que nos apresente, sempre com amor, simplicidade e humildade.
Vamos a um segundo motivo:
2.Quanto mais nos voltamos para a vida espiritual parece que maior adversidade encontramos em nosso entorno, e, muitas vezes, desistimos, desanimados, justamente por isso.
Aqui é o caso de um carro que leva uma grande carga numa descida: pouco esforço é despendido. Mas quando esse mesmo carro leva essa grande carga na subida: despende muito esforço e o progresso não é tão rápido. A mesma coisa ocorre com cada um de nós.
Enquanto caminhamos a favor das circunstâncias externas, das ocasiões, dos problemas, da sociedade e seus compromissos e dos valores materiais, sendo conduzido ao sabor do vento, navegando a favor da corrente da vida, tudo parece fácil.
Mas no momento em que decidimos seguir o caminho espiritual, o caminho para a vida superior, entramos em atrito com as pessoas que insistem em seguir o caminho material, o caminho da busca pela felicidade terrena. Tudo ao nosso redor se rebela. É como se tudo ao nosso redor conspirasse contra nós. Os atritos maiores são com os que estão mais próximos de nós. Por quê? Porque eles foram exatamente aqueles que nós escolhemos para percebermos melhor nossos defeitos e nossas qualidades. E quando decidimos transmutar nossos defeitos em qualidades escolhendo o caminho da vida espiritual, são eles os primeiros a cobrar.
Além disso, cada pessoa que está ao nosso redor também nos escolheu para conviver nessa existência através da afinidade, da semelhança e do desejo de aprender lições conjuntas. A partir do momento que rompemos com a inércia de caminharmos em busca da felicidade material e nos dedicamos à vida espiritual provocamos uma alteração total nesse nosso mundo ao redor. Isso é refletido nas consciências dos que estão ao nosso redor e, como semelhante atrai semelhante, perturbamos as consciências deles e mesmo não havendo resposta imediata, cada vez que nos vêem, é lembrada a necessidade de mudar e de também escolher o caminho da vida espiritual. Portanto, nós incomodamos. Se partíssemos para um mosteiro, um retiro e lá dedicássemos a nossa vida espiritual talvez não houvesse esse problema e a lembrança não seria tão presente e persistente.
Mas como fazer isso, se o destino de cada Aspirante à Vida Superior, de cada Estudante Rosacruz, é se transformar num esteio do ambiente em que se encontra? Se o nosso nascimento no ambiente e com essas pessoas ao redor é justamente para servirmos com o que melhor precisamos, tanto para o nosso desenvolvimento como para o desenvolvimento de cada um do nosso círculo de relacionamento? E se o meio para nos aferirmos se estamos progredindo ou não é justamente a convivência com os que nos cercam? Então, se desistimos de seguir o caminho para a vida espiritual por causa disto, alegando que não gostamos de entrar em atrito com ninguém, que queremos ser bonzinhos com todos, que tudo está bom do que jeito que está, estamos se esquecendo de exemplificar o exercício de uma das maiores qualidades que cada um de nós possui: não viemos nessa existência para buscar a felicidade material, seja ela traduzida em harmonia ilusória numa família, segurança em ter respaldo financeiro dos pais ou tutores e comodidade de estar provido de todo conforto material, ou em qualquer outra coisa que nos sirva de desculpas para nos manter na inércia de viver a vida ao sabor do vento. Estamos esquecendo que as nossas condições atuais são o resultado das ações que praticamos no passado (em vidas passadas) e que podemos construir o nosso futuro destino melhorando-nos por meio de uma atuação reta no presente, dedicando as nossas aspirações a exercitar uma das maiores qualidades que cada um de nós temos e com quanto esforço a obtivemos que é o livre arbítrio, lançando, assim, desde já boas sementes para o amanhã.
Além disso, o caminho não poderia ser diferente, como lemos em Jó (7,1): “É um combate a vida do homem sobre a terra”.
Vamos a um terceiro motivo:
3.Parece que nos tornamos chatos, insociáveis e exigentes na nossa convivência
Conforme vamos progredindo no caminho da realização espiritual – por meio do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz –, gradativamente cairá o véu da ilusão. Vamos tendo uma visão mais clara da realidade. Tudo continua relativo, mas aprendemos a discernir de modo imparcial. Isso nos trás uma segurança de realizarmos opções, muitas vezes, não entendidas por quem não está seguindo o mesmo Caminho. O fato de: não deixarmos nos envolver por conversas fiadas; de não fazer coro quando nos chamam para participar de algo destrutivo; de selecionarmos os assuntos que gostamos de falar; de levar uma vida mais comedida, cuidando com zelo dos nossos veículos e de utilizar o nosso tempo da maneira mais lógica que conhecemos e que nos faz, muitas vezes, ser vistos como: um pretensioso “santo” ou o “dono da verdade” ou um metido a besta ou uma pessoa “certinha” demais e isso incomoda muito!
Muitas pessoas chegam até a idolatrar a vida em ilusão. E isso não combina com alguém que sempre está cobrando um posicionamento mais real, mais lógico. Muitas pessoas adoram jogar conversa fora, adora gastar todo o tempo com coisas que não comprometem e que dá prazer, principalmente o de desejos, sentimentos e emoções inferiores. Ou, ainda, com coisas que só servem para acumular conhecimento intelectual – e nada ou muito pouco do devocional – e isso não combina com alguém que busca utilizar o tempo da maneira mais lógica que conhecemos. Isso não combina com alguém que já sabe que “intelectualidade nada tem a haver com espiritualidade” (se assim o fosse, Cristo nos mostraria nos Seus ensinamentos). Outras pessoas gostam de falar mal dos outros e isso lhe dá até prazer e isso não combina com alguém que quer ver o bem em tudo.
Afinal o Aspirante à Vida Superior é um eterno questionador, é um eterno investigador. Afiado que é no seu modo de passar tudo pelo crivo da lógica, é natural que sinta certo desconforto de participar de ambientes que nada há de construtivo.
Mas sabemos que “semelhante atrai semelhante” e quão agradável é perceber que pessoas semelhantes, que compartilham dos mesmos novos ideais, se aproximam e formam um belo círculo de convivência! No entanto, não imaginem que nós como Aspirantes a Vida Superior teremos uma vida cheia de admiradores, amigos, cativadores, que estarão sempre nos cortejando nos bajulando ou, até mesmo, ansiosos pela nossa presença. O companheiro mais comum do Aspirante à Vida Superior, do Estudante Rosacruz, é a solidão.
Afinal, a evolução é individual. Os momentos mais importantes da nossa existência são vivenciados na solidão. O Aspirante à Vida Superior busca a autossuficiência como uma virtude fundamental. A fórmula é a seguinte: sempre praticar, tanto através de nossos pensamentos, como de nossos atos, os ideais que buscamos compreender. Sabemos, também, que a nossa divindade interior é o único tribunal real da verdade. Devemos nos esforçar por estabelecer e submetendo todos os assuntos ao seu veredito final.
Muitos outros motivos poderiam ser discutidos aqui. Todos eles levam as desculpas de irmãos e de irmãs que abandonam o Caminho, porque realmente é difícil percorrê-lo. Há obstáculos a vencer e até o menor deles é sentido.
Mas lembremos dos talentos da Parábola que lemos em Mt 25,14-30. O que aconteceu com aquele que aceitou a missão e multiplicou os talentos? “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, eu te confiarei muito, vem alegrar-te com teu senhor”.
E com aquele que não arregaçou as mangas, que preferiu a inércia e a comodidade? “Tirai-lhe o talento e dai ao que tem dez. Pois ao que tem muito, mais lhe será dado e ele terá em abundância. Mas ao que não tem, até mesmo o pouco lhe será tirado”.
Portanto, o Caminho do Aspirante à Vida Superior é um caminho onde parar, estacionar, ficar, esperar, não existe. Quanto mais ele progride mais talentos ele recebe, mas, também maior é sua responsabilidade.
Uma certeza que temos: jamais desistir diante das inúmeras dificuldades que seguramente temos e teremos. Deus nunca nos dará um fardo mais pesado do que aquele que somos capazes de carregar.
Além do que, sabendo que o fracasso reside apenas em deixar de tentar, como nos ensinou Max Heindel, ante qualquer obstáculo, procuremos, paciente e persistentemente atingir o alvo proposto, procurando realizar os elevados ideais ensinados por Cristo através da nossa vivência diária.
Pois, Cristo é o nosso ideal!
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Resposta. Não exatamente. O Espírito do nosso “irmão menor”, o animal, ainda não evoluiu a ponto de poder “entrar totalmente” em um Corpo Denso. Portanto, o animal não tem Espírito residente (totalmente concentrizados) nem tem um conjunto completo de veículos, como o ser humano. Ele possui um Corpo Vital e um Corpo de Desejos, mas esses não estão inteiramente alinhados com o Corpo Denso, especialmente a cabeça. Por exemplo, a cabeça etérica de um cavalo se projeta muito além e acima da cabeça física do Corpo Denso.
Por essa razão, cavalos, cães, gatos e outros animais domesticados sentem o Mundo do Desejo, embora nem sempre percebam a diferença entre o Mundo do Desejo e o Mundo Físico. Um cavalo se assustará ao ver uma figura invisível ao cocheiro; um gato fará os movimentos de se esfregar contra pernas invisíveis de uma pessoa desencarnada. O gato vê o “fantasma” – uma pessoa que não tem Corpo Denso –, porém sem perceber que ele não tem pernas densas que estejam disponíveis para fins de fricção. O cão, muitas vezes, sentirá que algo está errado e que ele não entende sobre a aparência de um dono “morto” cujas mãos ele não pode lamber. Ele uivará de um jeito lamentoso e se esgueirará em um canto com o rabo entre as pernas.
O ser humano, por outro lado, habita dentro dos seus Corpos e dos seus veículos (todos os pontos de todos os Corpos estão concentrizados) e todos apresentam alinhamento adequado entre si. Isso lhe permite colocar seus veículos sob seu controle e, por meio da disciplina e do Treinamento Esotérico (como mostrado e ensinado na Fraternidade Rosacruz), desenvolvê-los como instrumentos de Clarividência voluntária ou positiva.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de outubro/1978 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é de maior valor do que qualquer outro método para o adiantamento do aspirante. Surte tal efeito realizador a ponto de habilitar quem o pratica a aprender, ainda nesta existência, não somente as lições que ela lhe reserva, mas também as lições normalmente reservadas para vidas futuras.
À noite, após deitar-se, relaxe o corpo. Em seguida comece a rever os acontecimentos do dia em ordem inversa, principalmente os fatos ocorridos imediatamente antes de recolher-se. Vá recuando no tempo, passando às ocorrências da tarde e da manhã. Procure rever as cenas com a maior fidelidade possível. Reproduza diante do seu olhar mental tudo o que aconteceu na cena que está sendo revista, com o propósito de julgar suas ações. Certifique-se de que suas palavras se revestiram do significado próprio ou se produziram uma impressão falsa. Por exemplo: “Durante as refeições, comi para manter meu corpo ou simplesmente para agradar ao paladar?”. Julgue a si mesmo: arrependa-se nas ações em que o arrependimento é admissível e louve-se nas que merecer louvores.
Algumas pessoas não conseguem permanecer acordadas até que o exercício tenha terminado. Nesse caso, pode-se fazer o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção sentado no leito, até capacitar-se a fazê-lo convenientemente; isto é, deitado e com o corpo relaxado.
O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é de grande valor, ultrapassando qualquer perspectiva. Em primeiro lugar, restauramos a harmonia conscientemente e em menor espaço de tempo do que o necessário ao Corpo de Desejos para fazê-lo durante o sono. Sobra, assim, uma parte maior da noite para o trabalho externo, maior do que seria possível pelo processo normal do sono.
Em segundo lugar, vivemos todas as noites o nosso Purgatório e o nosso Primeiro Céu, assimilando, assim, como sentimento correto, a essência das experiências diárias. Dessa forma, escapamos do Purgatório após a morte e, também, economizando o tempo em que ficaríamos no Primeiro Céu.
E finalmente, mas não menos importante, tendo extraído diariamente a essência das experiências que promovem o crescimento da Alma (o crescimento anímico) e as mesclando ao Espírito, começaremos a viver em uma atitude mental que ordinariamente caracterizaria nossas vidas futuras.
Pela prática fiel desse exercício, expurgaremos diariamente as ocorrências indesejáveis da nossa memória subconsciente, de modo que nossos pecados serão eliminados, nossas auras começarão a brilhar e dessa forma atrairemos a atenção do Mestre.
“Os puros verão a Deus”, afirmou o Cristo, e o Mestre prontamente abrirá nossos olhos quando eles estiverem preparados para entrar na “antessala do conhecimento”, o Mundo do Desejo, onde obteremos nossas primeiras experiências da vida consciente sem o Corpo Denso.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
Os Planetas giram ao redor do Sol ano após ano, século após século, com precisão invariável, mas eles têm alguma variação. Dentro do curso prescrito, cada um pode variar um certo número de graus no espaço e o mesmo acontece na vida do ser humano. Os grandes eventos, o nascimento e a morte, são incidentes inevitáveis na vida aqui de cada um de nós, vida que nunca acaba e nunca começa. Como Sir Edwin Arnold diz.
Nunca o Espírito nasceu,
Nunca o Espírito deixará de existir.
Nunca houve tempo em que não existisse.
Fim e começo são sonhos.
Sem nascimento e sem morte
Permanece o Espírito para sempre.
A morte não o tocou em coisa alguma.
Embora a casa pareça morta…
Não! Ele apenas deita
Seu manto gasto
E tomando um novo diz:
Este eu vou usar hoje!
Então coloca o Espírito
Sua vestimenta de carne
E principia a herdar
Outra residência.
Embora certos eventos devam acontecer a todos os seres humanos, há alguma variação na vida, um livre-arbítrio que podemos exercer a fim de moldar nossas vidas como desejamos e trabalhar o destino para nós mesmos à nossa própria maneira. Isso é bem afirmado, como podemos ver nos versos abaixo:
Um navio navega para o leste e outro, para o oeste,
Com o mesmo vento que sopra.
É o sistema de velas e não o vento,
Isso é o que determina o caminho que segue o navio.
Como os ventos do mar são os caminhos do destino
Enquanto viajamos pela vida,
É o ato da alma que determina o objetivo
E não a calma ou o conflito.
Existe um propósito geral na vida e somos guiados por um caminho amplo e determinado que é denominado Caminho da Evolução pelas Hierarquias Criadoras, também chamadas de Hierarquias Zodiacais. Temos a liberdade de escolher nossos cursos individuais nessa estrada larga e não é por acaso, portanto, que alguns de nós conhecem, estudam, vivenciam, desenvolvem-se e promovem os Ensinamentos Rosacruzes como preconizados pela Fraternidade Rosacruz. O Sol, pelo seu movimento de Precessão dos Equinócios, agora está se aproximando da cúspide de Aquário e uma Nova Era começará em breve. Novas características nas pessoas estão para aflorar em seus novos Renascimentos.
É nossa missão guiar o trabalho do mundo ao longo de caminhos novos e mais elevados — para promover novos ideais, para que possamos entrar na próxima espiral da evolução. Afinal, a Fraternidade Rosacruz é o arauto da Era de Aquário.
Na antiga Época Atlante, quando a Época Ária ainda não tinha chegada, Deus, por meio de Seus profetas, falou ao povo em quem viu certas qualidades que poderiam ser aproveitadas: “Saia do meio deles e seja meu povo; Eu serei o seu Deus e lhe darei uma terra onde transborda leite e mel; a sua semente será tão numerosa como as areias da praia”[1].
Essa chamada soa hoje, mas dentro do peito de cada indivíduo. Muitas pessoas estão elaborando seus destinos como desejado pelas Hierarquias Criadoras, pela atração causada pela ilusão do ouro que concebem ser uma recompensa por seu trabalho. Há um número crescente de pessoas, no entanto, cujo discernimento interior tornou claro para elas que trabalhar por uma recompensa material, na forma de ouro é loucura. Essas pessoas agora ouvem o chamado em seus corações: “Saia do meio deles e seja meu povo; Eu serei o seu Deus”. Embora ainda possam continuar a cumprir seus deveres no mundo, doravante não será por causa do ouro material, que eles sabem ser verdadeiramente inútil, mas por Deus, independentemente de uma recompensa material que esteja além das necessidades com as quais manter o corpo e a alma juntos. Assim, eles servem na “vinha do Cristo” e acumulam, quer pensem nisso ou não, uma recompensa espiritual, um tesouro no Céu que é maior do que o ouro terreno.
É com esse propósito que nos reunimos em Mount Ecclesia, na Fraternidade Rosacruz. Não estamos aqui para viver uma vida de ociosidade, sonhando, mas para preparar e endireitar o caminho da Era de Aquário, que está despontando no mundo. Para fazer isso com eficiência devemos trabalhar como uma unidade, em paz e harmonia.
Você já viu o cadinho em que um profissional derrete o metal, como por exemplo, o chumbo? Vários pedaços de chumbo são colocados no cadinho, mas gradualmente perdem sua forma distinta e separada para se fundir em uníssono com os outros, até que todos se tornem um. Ainda assim, há em cada peça alguma escória que não derrete nem é incorporada ao metal; é jogada para cima pelo calor e o profissional a remove até que o metal esteja limpo — tão claro que ele possa ver seu próprio rosto ali. Da mesma forma, na Fraternidade Rosacruz somos muitas formas distintas e separadas, cada uma com suas próprias características e idiossincrasias. Fomos jogados no caldeirão. Todos devem “afundar” sua Personalidade na causa comum, se quisermos ter sucesso em nosso trabalho de divulgação dos Ensinamentos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz e na preparação do caminho para a Nova Era. Pode não ser fácil para nenhum de nós esquecer-se de si mesmo, mas pelo calor e fricção que são gerados nesse processo de amálgama as arestas agudas são arredondadas e derretidas para que nos ajustemos a nossos irmãos e a nossas irmãs.
Adaptabilidade é a grande palavra de ordem; sem isso não podemos amalgamar; contudo, devemos esperar ser descartados como a escória do caldeirão; enquanto os nossos corações não forem perfeitamente purificados para que a face de Deus seja vista neles, Ele não poderá fazer o melhor uso de nós em Sua obra.
Portanto, que nos esforcemos dia a dia para trabalhar seriamente e honestamente na “vinha do Cristo”, onde quer que estejamos colocados, lembrando o grande e glorioso destino que está diante de nós. Vamos considerar todas as tribulações atuais como indignas de serem mencionadas. Embora possamos ser mal compreendidos pelos amados que estão próximos a nós e até ser desprezados por quem pensa unicamente em acumular o ouro que se deve largar às portas da morte, voltemos os nossos rostos para a meta do nosso chamado e trabalhemos fielmente pelos tesouros espirituais, que perduram para sempre.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de April/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: Gn 24:6
Um verdadeiro Estudante Rosacruz, um Aspirante à vida superior, ao entendimento do que, como funciona e como se desenvolver para trabalhar eficientemente nos Mundos suprafísicos, nos Mundos invisíveis, busca continuamente se ligar ao Cristo Interno e está sempre ajudando o próximo, praticando fielmente o serviço amoroso e desinteressado (e, portanto, o mais anônimo possível) e focando na divina essência de cada um que ele serve.
Assim, ajuda no anonimato, é confiante em si mesmo, consegue permanecer só em todas as circunstâncias e luta em todas as condições sempre bem equilibrado (“sim, sim” e “não, não”, mas jamais morno!).
O verdadeiro Aspirante Rosacruz sabe que na Fraternidade Rosacruz não há mestres, nem instrutores, nem professores, mas amigos, irmãos e irmãs em Cristo sempre prontos a ajudar, a orientar, a mostrar o caminho reto que nos mostra por meio da obtenção do conhecimento direto, desenvolvendo em cada um de nós os veículos necessários e apropriados para funcionarmos diretamente em cada Região e Mundo suprafísicos.
Aquele que vive buscando proteção, novos autores, novos livros, correndo de uma a outra conferência, de um a outro site, de oradores que consideram ilustres, que vivem repetindo ideias alheias, não pode ser um Aspirante à vida superior, um Estudante Rosacruz, pois está sempre atendendo os anseios inferiores do seu Corpo de Desejos, e onde o Corpo de Desejos prevalece, o Corpo Vital (sede do alicerce para o desenvolvimento espiritual) não tem espaço, pois todo o seu tempo está voltado para reparar os estragos dos desejos, sentimentos e emoções que o Corpo de Desejos faz no Corpo Denso (como aprendemos nos Cursos de Filosofia Rosacruz).
Somos filhos de Deus, centelhas de Seu fogo, Espíritos feitos à Sua imagem e semelhança, tendo, dentro de nós, todos os atributos latentes à espera de desenvolvimento e potencialização. E isso a Fraternidade Rosacruz oferece ao fiel e sincero Estudante Rosacruz.
Eis o motivo dos Irmãos Maiores preconizarem o método direto para obtermos o conhecimento, sem utilizar nenhum instrumento (seja ele outra pessoa ou até artefatos físicos) para tal.
Somos criadores em formação, Cristos em desenvolvimento, portanto, firmes no nosso propósito, na nossa busca, na nossa independência, buscando sempre aprender os ensinamentos Cristãos e segui-los, colocando-os em prática na nossa vida cotidiana.
A Fraternidade Rosacruz não é obra de mestres terrenos, de literaturas rendadas, de promessas fantasiosas, de pretensas Iniciações.
Os Irmãos Maiores ditaram para Max Heindel, fundador da Fraternidade Rosacruz, aqui no Mundo Físico, a obra básica que é o Conceito Rosacruz do Cosmos, um livro de estudos permanente e de aplicação durante toda a nossa vida.
Esses Irmãos Maiores são elevados Iniciados, seres humanos como nós, muito conhecidos por seus grandes frutos.
A Fraternidade Rosacruz reúne o que há de mais atual às nossas necessidades internas, Egos, renascidos no ocidente, que somos; ela é o “alimento sólido do adulto”.
Ela desmascara ilusões e artificialismo, com seus princípios bem racionais e devocionais, em um equilíbrio perfeito entre “cabeça e coração”.
Ela se destina aos simples, aos essencialistas, aos sinceros, aos realizadores, aos servidores, aos humildes, aos corajosos, que podem e querem renunciar aos acenos do passado e buscam atingir o “Reino dos Céus por assalto” – como orientado pelo nosso Mestre, o Cristo –, por seu próprio esforço e sempre bem orientados, hoje mais ainda pelos meios aquarianos que, se bem utilizados, ajudam muito, tais como estudos on-line, site, redes sociais, e-mails e sim, quando houver um ambiente apropriado: seminários, palestras, reuniões de estudos e uma boa conversa.
Quem nela se inspira, liberta-se da sua natureza inferior, não mais se desilude porque não se ilude. Não fala de si mesmo, não se intitula “Mestre”, não conta suas “experiências”, não exibe seus recursos curadores, não busca fama, glória, nem poder, ocupa o último lugar sempre que puder, é simples, autêntico, humilde, sempre se refere à Deus em seu interior, é o que busca mais servir, desinteressadamente, anonimamente por amor aos seus semelhantes, sem pretensões ulteriores.
Pratica fielmente a máxima ocultista: “buscar o Reino de Deus e Sua justiça, que o resto vem por acréscimo”.
Quem entender isso, logo se engaja e se firma e caminha a passos largos no Caminho de Preparação para a Iniciação Rosacruz!!!
Que as rosas floresçam em vossa cruz