Categoria Método para Adquirir o Conhecimento Direto

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Bíblia Cristã está em comum acordo com os Ensinamentos Rosacruzes

Com o passar o tempo nos deparamos com muitos Estudantes Rosacruzes, que ao entrarem em contato com os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, ficam tão entusiasmados ou maravilhados com a explicação tão clara e compreensível sobre Deus, sobre a origem do ser humano, sobre a criação do universo, e muitas outras “descoberta”, que alguns deles, analisando intelectualmente estes Ensinamentos, caem na ideia incorreta de achar que o estudo da Bíblia não é mais necessário e acabam colocando este maravilhoso livro de lado.

Na verdade, eles podem até pensar que os ensinamentos contidos na Bíblia podem estar até desatualizados, dado que todos temos o livre-arbítrio; contudo, isto é um grande erro e como prova conclusiva, escreveremos aqui o que está escrito no Ritual do Serviço Devocional do Templo da Fraternidade Rosacruz: “A Bíblia foi dada ao Mundo Ocidental pelos Anjos do Destino que, estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos exatamente o que necessitam para o seu desenvolvimento. Por conseguinte, se procurarmos a Luz, encontrá-la-emos na Bíblia”.

Sabemos que Max Heindel escreveu o Conceito Rosacruz do Cosmos ditado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz para, também, tornar mais fácil a nossa compreensão dos ensinamentos da Bíblia. Assim, torná-la mais facilmente compreensíveis em muitas de suas passagens difíceis de compreender.

Estudando o Conceito Rosacruz do Cosmos aprendemos que “Deve-se também notar que os que originalmente escreveram a Bíblia não pretenderam dar a verdade de maneira a poder tê-la quem quisesse. Nada estava mais distante de sua Mente do que a ideia de escrever ‘um livro aberto de Deus’.”. Notemos que os nossos irmãos e as nossas irmãs Iniciados de vários graus (desde a primeira Iniciação Menor até à quarta Iniciação Maior) têm a capacidade de poder ler a Bíblia de uma forma abrangente e totalmente entendida. Afinal, é lógico que teria sido necessário muito menos habilidade para escrever a Bíblia claramente do que para ocultar o seu significado. Mas, no devido tempo e para quem trabalhar firmemente por meio da espiritualidade (e não da intelectualidade) a informação será prestada, retirando-a daqueles que não conquistaram o direito a sua posse.

Um outro ponto que devemos destacar aqui sobre a Bíblia é a questão do Antigo Testamento. Também, estudando o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos: “…se examinarmos o primeiro capítulo do Gênesis, tal como aparece nas melhores traduções que possuímos, veremos que expõe o mesmo Esquema de Evolução explicado na parte anterior desta obra, Esquema que se harmoniza perfeitamente com as informações ocultistas relativas aos Períodos, às Revoluções, Raças, etc. O resumo que se encontra nesse capítulo é, necessariamente, condensado e brevíssimo, mencionando-se um Período inteiro numas poucas palavras”.

E com relação ao Novo Testamento, estudando a mesma obra, aprendemos: “Os Ensinamentos Cristãos do Novo Testamento pertencem particularmente aos seres humanos que evoluem no mundo ocidental.” (…) “Os espíritos de todos os países da Terra que se esforçam em seguir os ensinamentos de Cristo, conscientemente ou não, renascem ali, no propósito de que as condições apropriadas ao seu desenvolvimento lhes serem dadas”.

Muitas informações valiosas podem ser compreendidas e assimiladas estudando a Bíblia em conexão com os tópicos discutidos no Conceito Rosacruz do Cosmos. À luz do que foi dito acima, é completamente evidente que nenhum Estudante Rosacruz deveria descartar a Bíblia, mas, ao contrário, deveria fazer um estudo mais profundo dela, esforçando-se seriamente para descobrir a luz espiritual que nela se encontra.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Bem que Podemos Fazer

Os males que não pode remediar são infinitos. Porém, os que pode remediar são tantos que, balanceando o que tens feito em um ano, por exemplo, verá que o bem praticado exigiu um labor enorme para suas forças, lhe parecendo um sonho que realizou.

Também um grão produz uma espiga.

A capacidade de fazer o bem, de que cada um de nós dispõe é extraordinária pela sua grandeza.

O poder de fazer o bem, que nos foi concedido, é uma enormidade admirável.

Vemos irmãos e irmãs desprovidos de todos os recursos realizarem milagres de caridade; irmãos e irmãs que alteram a organização das sociedades; irmãos e irmãs que arrancam o mundo de seu estado natural e o renovam.

Causa assombro pensar no que seria nosso Planeta, se todos os irmãos e as irmãs fossem educados para o amor, em vez de para o egoísmo e até para o ódio. O eixo moral do mundo seria como que perpendicular ao plano da elítica do Dever e uma divina primavera reinaria na morada de todos nós, indistintamente.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1973 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Quando Somos o que Somos

Nossa vida é feita de partes, nas quais atuamos com mais ou menos interesse e desempenho.

Estamos inseridos em contextos e nos defrontamos com situações que nem sempre nos alegram, mas que devemos vivenciar para conclusão do projeto pré-estabelecido.

Dentro deste contexto encarnamos papéis que devem ser cumpridos e metas que devem ser atingidas, porém, existirá sempre um papel no qual nos sentiremos mais ligados, com maior intensidade, pois a ele nos entregamos com prazer; a ele oferecemos nossas alegrias; com ele acreditamos num mundo melhor; encontramos através dele uma paz interior e forças para vivermos o que não somos e aceitarmos o que temos e não podemos usufruir.

Quando nos definimos e estamos nele, nada existe além dele. Com ele somos capazes de traduzir a harmonia e a beleza.

Nele o perfeito nos é ditado, o grandioso é compreendido. Existe apenas a realização.

Nele somos o tudo e o Todo, resumido, sintetizado, concluído.

Nele sabemos que somos nosso Espírito eterno.

Que esse papel seja o nos tornarmos Auxiliares Invisíveis conscientes, ou seja: colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores a serviço da Humanidade!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Luz e a Sombra: estertores da Era de Peixes, caminhando para a Era de Aquário

Na literatura Rosacruz encontramos uma frase de Max Heindel que surpreende pela sua atualidade: “Quanto mais intensa é a luz, mais forte é a sombra que ela projeta”. É uma metáfora do que percebemos nos tempos presentes. Esclareçamos, então.

Vivemos um momento especial na história da Humanidade. Muitos avanços científicos parecem tornar cada vez mais real a perspectiva da concretização de uma Fraternidade Universal.

Inovações tecnológicas estão eliminando barreiras que separam as pessoas, ao reduzir distâncias, promover a comunicação em tempo real e globalizar a economia e a cultura. O conceito de “on-line” possibilita agir e saber o que se passa no mundo todo em fração de segundos. Quando acompanhamos pelos meios de comunicação, por exemplo, a ocorrência de um conflito no Oriente Médio, de uma catástrofe natural na África ou de uma crise econômica na Europa podemos imaginar, de imediato, o sofrimento de milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, tomamos conhecimento de que em várias partes do mundo já se registram movimentos solidários de socorro às vítimas e de que essa ajuda poderá chegar rapidamente, graças aos modernos meios de transporte.

Hoje, o conhecimento já não é mais privilégio de poucos. O acesso às redes sociais coloca a informação e a cultura ao alcance de bilhões de seres humanos. A interação em tempo real tende cada vez mais a anular as diferenças sociais, as barreiras linguísticas e a própria distância.

Mas, a luz irradiada por esse admirável mundo novo também projeta suas sombras, seus contrapontos.

Há que se empolgar menos e refletir mais, com isenção e espírito crítico, pois as sombras projetadas mostram que o retorno ao “paraíso perdido” ainda é um sonho muito distante.

O aperfeiçoamento dos meios de comunicação nos aproximou, porém não nos amenizou o individualismo egoísta. As guerras fratricidas por motivos religiosos ou étnicos nos fazem pensar sobre como a influência dos Espíritos de Raça ainda resiste ao impulso unificador do Cristo. A dor e o ódio não foram varridos da face da Terra.

Em resumo, a realização daqueles ideais acalentados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz depende do esforço abnegado dos homens e das mulheres de boa vontade. A caminhada seguramente será muito árdua.

Encontramo-nos em uma fase de transição, nos estertores da Era de Peixes, caminhando para a Era Aquário. O conflito entre as duas influências é inevitável, provocando toda essa turbulência que observamos no mundo. O Esquema, a Obra e o Caminho de Evolução, porém, segue seu caminho, irresistivelmente, e conduzirá a todos nós para uma espiral superior.

Que as rosas floresçam em vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Orgulho: nada nos torna mais duro e mais cego; nada nos é mais funesto ao nosso progresso espiritual

Dissemos que o tripé em que fundamos a verdadeira renúncia é a: sobriedade, humildade e castidade. Abordemos a questão da humildade que, por associação, atrai seu antônimo: o orgulho.

Paralelamente à gula, o que mais é de recear em nós é o orgulho e a sede das riquezas. Nada nos torna mais duros e mais cegos do que exagerar em nosso valor pessoal. Nada nos é mais funesto ao nosso progresso espiritual e à saúde do que estar de posse de grandes riquezas, a menos que seja um caráter excepcional, capaz de usá-las como quem administra os “bens do Senhor”.

Nada torna mais impróprio de triunfar numa provação do que viver no luxo e na adulação. Os grandes que possuem riquezas materiais deste mundo não imaginam quanto mais perto estão do abismo do que os humildes. O poder mundano e terrestre deles os embriaga. Uma vez nas alturas, eles não procuram mais do que aumentar o seu campo de domínio, em lugar de se esforçarem unicamente em praticar o bem em face dos pequenos. Mas que quedas estrondosas, quando se realiza a palavra da Escritura: “Depôs do trono os poderosos e elevou os humildes” (Lc 1:52).

Quem julgas tu que é o maior no Reino dos Céus? “, perguntava a Cristo-Jesus os seus Discípulos. E, chamando um menino, o pôs no meio deles e disse: “Na verdade vos digo, que, se vos não converterdes, e vos não fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18:1-3).

Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas… Ai de vós condutores cegos, porque sois semelhantes aos sepulcros branqueados que, parecem por fora formosos aos homens, e por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de podridão… Aquele que se elevar, será humilhado e aquele que se humilhar, será elevado” (Mt 23:27).

Aquele que quiser ser o maior entre vós esse seja o que vos sirva. E o que entre vós quiser ser o primeiro seja esse vosso servo. Assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir.” (Mt 20:26-28).

Mas ai de vós, os que sois ricos, porque tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais fartos, porque vireis a ter fome. Ai de vós, os que rides, porque gemereis e chorareis” (Lc 4:24-25).

É mais fácil passar um camelo pelo fundo duma agulha do que entrar um rico no Reino dos Céus” (Mt 19:24).

De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?” (Mt 16:26).

Amontoai para vós tesouros no céu, onde não os consome a ferrugem nem a traça e onde os ladrões não os desenterram nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, estará também o teu coração.” (Mt 6:20-21).

E para que seus Discípulos compreendessem bem a onipotência da pobreza e o exemplo divino que se deve dar, Cristo Jesus dizia-lhe: “As raposas têm covis e as aves do céu ninhos, mas o Filho do homem não tem onde pousar a cabeça” (Mt 8:20).

Depois, quando Ele os enviou a cumprir a sua missão evangélica, fez-lhes a seguinte recomendação: “Dai de graça o que de graça recebestes. Não possuais ouro, nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos. Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem calçado, nem bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento” (Mt 10:9-10).

Aqueles que erram por orgulho, os que gozam egoisticamente as suas riquezas mundanas, preparam para si as piores atribulações e os mais duros sofrimentos.

E quando se trata para eles de vencer uma provação, raro percebem o remédio, isto é, o renunciamento a aplicar, porque o orgulho com os seus satélites: a vaidade, a sede de consideração, a pretensão, o desdém se introduzem no mais profundo do ser e a cegueira sobre as suas taras de caráter, as suas responsabilidades e os seus erros. Quantas pessoas caem no insucesso e na desgraça, porque entende não deverem reduzir, em coisa alguma as suas ambições e os seus gozos! Como são raras as pessoas, suficientemente esclarecidas na espiritualidade, que se tornam pequenas diante da provação, que examinam a extensão das suas ignorâncias, de suas incapacidades, numa palavra: que façam ato de humildade!

Depois do amor ao próximo, a humildade é a virtude Cristã fundamental.

Assim não nos devemos admirar de ver que a humilhação é o grande remédio que a providência emprega para pôr à prova os orgulhosos e os ricos, demonstrando-lhes a vaidade de suas vantagens e de seus bens materiais, para conservar a saúde do Corpo e a paz da Alma. Com efeito, para que servem o dinheiro e a celebridade, quando se avilta o organismo humano e conspurca o Espírito?

O Senhor guarda aqueles que são simples: fui humilhado, por ele fui salvo” (Sl 114). “Foi bom para mim que vós me tivésseis humilhado para assim conhecer a Vossa justiça.” (Sl 118).

A humildade é grande fonte de felicidade, poderoso meio de progresso, remédio heroico contra todos os sofrimentos corporais e as feridas de amor-próprio. A humildade é o unguento que faz fechar todas as feridas. A humildade é, juntamente com a oração, o meio mais firme de ser exaltado.

Ser humilde é primeiramente nos tornarmos muito pequenos, até chegarmos a zero, considerando a insuficiência da nossa inteligência, as lacunas de nosso saber, as faltas que cometemos. É darmos conta em seguida que tudo a que podemos realizar de bem, foi Deus que o realizou por nós e que o nosso papel está limitado a nos apresentarmos no estado de dóceis instrumentos, porque nada temos de bom que seja nosso e nenhum bem praticamos que o não tenhamos recebido de Deus! Sim, é uma grande verdade que nada temos de bom que seja nosso, e que a miséria, o nada, são o nosso quinhão. Aquele que isto ignora, caminha na mentira.

Ser humilde é não procurar quaisquer honras deste mundo, é se esforçar por passar despercebido, é ficar em último lugar, é se conduzir como Cristo pediu: “Quando fores convidado para alguma boda, não vás ocupar o primeiro lugar, porque pode ser que esteja ali outra pessoa mais considerada do que tu, convidada pelo dono da casa. E que, vindo este, que te convidou a ti e a ele, te diga: ‘Dá o teu lugar a este’; e tu envergonhado vás ocupar o último lugar. Mas, quando fores convidado, ocupa o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: ‘Amigo, assenta-te mais acima’. Servir-te-á isto, então, de glória na presença dos que estiverem juntamente assentados a mesa. Porque todo o que se exalta será humilhado, e todo aquele se humilha será exaltado” (Lc 14:8-12).

Ser humilde é se abster de enumerar os seus méritos e não pensar senão em se colocar na atitude do pobre pecador: “subiram dois homens ao templo para orar, um fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Graças te dou, meu Deus, porque não sou como os outros homens, que são uns ladrões, uns injustos, uns adúlteros, como é também este publicano. Jejuo duas vezes por semana; pago o dízimo de tudo o que possuo’. E o publicano, pelo contrário conservando-se afastado, não ousava mesmo levantar os olhos para o Céu; mas batia no peito dizendo: ‘Ó Deus, tende piedade de mim, que sou um pecador’. Digo-vos que este voltou para casa justificado e não o outro; porque todo o que se exalta será humilhado, e todo aquele que se humilha será exaltado.” (Lc 18:10-15).

Ser humilde é cumprir o seu dever, sem esperança de recompensa, é ajudar os fracos, os ingratos, os pobres, numa palavra: todas as pessoas que são incapazes de dar-vos valor, de recompensar-vos ou de agradecer-vos. “Evitai fazer as vossas boas obras diante dos homens com o fim de serdes vistos por eles; doutro modo, não tereis recompensa de vosso Pai, que está nos Céus.” (Mt 6:1). “Quando deres algum banquete, convide os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. E serás bem-aventurado porque esses não têm com que te retribuir, mas ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.” (Lc 14:13-14).

Ser humilde é tratar de se contentar com coisas simples, no que diz respeito a conforto, a alimentação e a vestuário. Por amor de Nosso Senhor, eu vos suplico, minhas irmãs e meus irmãos, evitai sempre as casas grandes e suntuosas. Como é comovente construir grandes casas, com os bens dos pobres. Procure sempre se contentar com o que há de mais simples, tanto para o vestuário como para a alimentação. De outra forma, teremos muito que sofrer, porque Deus não proveria as nossas necessidades e perderíamos a alegria do coração. E nos tornamos senhores de todos os bens deste mundo, desprezando-os.

Ser humilde é se recusar a submeter à justiça dos seres humanos aqueles que vos perseguem. Se nos humilhamos e se renunciamos a nós mesmos, fazendo o sacrifício da reparação terrestre – ou seja, praticamos o arrependimento e a reforma íntima, base de um Exercício Esotérico noturno de Retrospecção para quando fazemos o mal durante um dia recém-finco –, maior será a reparação espiritual e mais eficaz será a proteção de que se beneficiará, porque Deus pune duramente os ataques de que os justos são o objeto. “Se for possível e se isso depender de vós, conservai-vos em paz com todos os seres humanos. Não vos vingueis vós mesmos, meus muito amados, mas deixai atuar a justiça de Deus, porque está escrito: ‘Para mim o julgamento; sou eu quem retribuirá’, disse o Senhor. Mas, se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer; e se tiver sede, dá-lhe de beber; porque procedendo assim são carvões ardentes que tu amontoarás sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Rm 12:18-21).

Ser humilde é, numa palavra, matar dentro de nós mesmos todo o germe de satisfação orgulhosa e sensual, de forma a chegar a uma perfeita indiferença perante os elogios ou as calúnias. É assim que adquirimos a liberdade interior e que não nos importamos mais ouvir falar de nós, tanto em mal como em bem, como se tal coisa não nos dissesse respeito. Um ponto pode nos aborrecer muito, se não nos acautelamos. É o dos louvores, elogios, fama mundana. Nesse caso, nos dizem que somos santos, beneméritos e até filantropos, e se servem de expressões exageradas, que se diriam sugeridas por um tentador. Nunca nos deixemos passar semelhantes palavras sem declarar a nós mesmos uma guerra interna. Lembremo-nos de que maneira o mundo tratou Cristo-Jesus, Nosso Senhor, depois de tanto O terem exaltado no conhecido como “Dia de Ramos” ou, popularmente, “Domingo de Ramos”. Pensemos na estima que se concedia a S. João Batista, a ponto de considerá-lo o Messias e vejamos, em seguida, como e por que motivo lhe cortaram a cabeça. O mundo nunca exalta, senão para rebaixar, quando aqueles que exaltam são “filhos de Deus”. Lembremo-nos dos nossos pecados e supondo que sobre qualquer ponto de vista se diz verdadeiro, pensemos que é um bem que não nos pertence, e que somos obrigados a muito mais. Excitamo-nos o receio em nosso interior, a fim de impedirmos de receber com tranquilidade este “beijo de falsa paz” que o mundo constantemente nos oferece.

Quando somos humildes, sofremos por ouvir o nosso próprio elogio. Para sermos verdadeiramente humildes, é necessário ainda destruir em nós qualquer ambição, limitando-nos ao cumprimento rigoroso do dever presente, e abandonando o resto aos cuidados da Providência, de Deus. É Ele quem decidirá da utilidade do nosso bom êxito presente e quem fixará a hora da nossa recompensa aqui ou nos Céus. E graças a este estado de espírito intimamente vivido que tantas pessoas realizaram e realizam obras prodigiosas antes e depois da morte delas. Assim, não devemos ficar surpreendidos em ver os grandes Místicos e Ocultistas serem atormentados pela necessidade de humilhação e a paixão do renunciamento. Desprezemo-nos a nós mesmos e desejemo-nos que os outros nos desprezem. Não foquemos na fama mundana. Para chegarmos a possuir tudo, tratemos de nada possuirmos. Administremos, somente. Para chegarmos a ser tudo, procuremos nada sermos. Já que ser aqui é aparência, é ilusão, é a Personalidade. Porque para alcançar o Todo devemos renunciar completamente a tudo. Para que possamos construir o Corpo-Alma. Neste desprendimento encontramos a nossa tranquilidade e o nosso repouso, para nos dedicarmos dia a dia ao nosso desenvolvimento espiritual. Profundamente estabelecido no centro do nosso nada, não poderíamos ser oprimidos por aquilo que vem debaixo e, nada mais desejando, o que vem de cima não nos fatigará; porque os nossos desejos, sentimentos e emoções que construímos e insistimos em manter baseados nas matérias das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo são a única causa dos nossos sofrimentos.

Na prática, a extinção de todo desejo, sentimento e toda emoção que construímos e insistimos em manter baseados nas matérias das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo deve se compreender como a restrição do esforço ao cumprimento do dever cotidiano. Passar uma vida regrada, simples, reta e útil sem se preocupar nem com o passado, nem tão pouco com o futuro; abandonando-se humildemente a direção de Deus quanto ao restante, tal é a verdadeira concepção mística da vida.

A humildade, na vida presente, poderá ser exercida suportando com paciência as desavenças, as injúrias e os sofrimentos, se comportando a respeito de todos com benevolência e doçura sem limites. Esforcemo-nos para realizar o melhor que podemos, seguindo o grande exemplo de Cristo. “Pois eu estou no meio de vós outros assim como o que serve.” (Lc 22:27). “Eu sou manso e humilde de coração.” (Mt 11:28).

Da humildade decorre ainda outro renunciamento: é aquele que consiste em nos recusarmos a julgar os outros. O melhor meio de nos exercitarmos é, primeiramente, nos obrigarmos a nunca falar mal do próximo. “Não julgueis, e não sereis julgados; nada condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á; no vosso seio vos meterão uma boa medida de que vós vos servirdes para os outros, tal será a que servirá para nós.” (Lc 5:37-38).

Depois, em presença da nossa indignidade, das nossas fraquezas pessoais e da infinita bondade de Deus, é preciso subjugar a nossa Personalidade e destruirmos em nós todo o germe de ódio, rancor, vingança. Para obtermos o próprio perdão, é necessário começarmos por concedê-lo aos outros. Todas as vezes que a nossa vida está em perigo duma maneira assustadora, é preciso deixarmos a Deus o cuidado de nos proteger e orarmos pelos perseguidores, porque a injúria feita a um justo é sempre motivo para terríveis sanções. Todas as vezes que cometemos um erro, é preciso repará-lo e nos impormos a humilhação de o pagarmos. Todas as vezes que quem ofende sinceramente se arrepende, devemos lhe perdoar sem hesitar.

Vós tendes ouvido o que se disse: olho por olho, e dente por dente. EU, porém, digo-vos que não resistais ao que vos fizer mal… E ao que quer demandar-te em juízo e tirar-te a túnica, larga também a tua capa. Dá a quem te pede… Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e vos caluniam. Para serdes filhos de vosso Pai que estais nos Céu, que faz nascer o Sol sobre os bons e maus. Sede, então, perfeitos, como também o vosso Pai celestial é perfeito.” (Mt 5:38-48).

Mas quando vos levantardes para orar, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que também vosso Pai, que estais nos Céus, vos perdoe vossos pecados.” (Mc 11:25).

Se teu irmão pecou contra ti, repreende-o; e se ele se arrepender perdoa-lhe. Se ele pecar sete vezes no dia contra ti, e que sete vezes no dia te vier buscar dizendo: eu me arrependo; perdoa-lhe.” (Lc17:3-4).

A subjugação da nossa Personalidade destrói em nós não só o egoísmo, mas nos faz ainda conhecer melhor a fragilidade dos laços que nos ligam neste mundo a todos aqueles a quem amamos. O perfeito desprendimento, com efeito, não dá mais lugar em nós do que a um pensamento dominante; cumprir a vontade de Deus. Isso não significa, de forma alguma, que seja preciso nos confinarmos numa reserva egoísta, nem numa insensível frieza. Pelo contrário, devemos trabalhar com a melhor das vontades por todos, amarmos o próximo de todo o coração e prestarmos a melhor das atenções aos que estão ao nosso redor e com os quais nos relacionamos; com a ideia sempre presente que a afeição, a estima e a vida de todos nos podem ser retiradas a todo o momento. Ou seja, a ninguém se apegar. É preciso chegar, pois, a destruir em nós toda a raiz egoísta de afeição terrestre e aprendermos a amar profundamente com o estado de espírito de renunciamento completo que faz passar os deveres dos Céus, à frente das preocupações terrestres. Foi o que Cristo-Jesus claramente significou quando deixou seus pais para ficar em Jerusalém no Templo, no meio dos doutores, e quando respondeu a sua mãe que se afligia com a sua ausência: “Por que me procurais? Não sabeis que importa ocupar-me das coisas que são do serviço de meu Pai?” (Lc 2:49).

Quando estamos bem compenetrados desta obrigação do sacrifício de todas as afeições terrestres, a perda das consolações mais ternas e dos seres mais caros não causa tanto as crises de abatimento profundo e de violento desespero que tão facilmente nos desequilibram quando estamos presos aos bens deste mundo. Quando se sabe que a morte não é mais do que uma etapa normal para a vida sobrenatural; que a comunhão imaterial dos vivos e dos mortos é uma realidade; que Deus, na sua paternal bondade, nunca nos abandona; que o renascimento aqui, para uma vida nova, é uma certeza, então compreendemos que o melhor meio de honrar os que chamamos de mortos (pois estão mais vivos do que nunca!), de os ajudar ou ainda de receber úteis inspirações, não é passar o tempo em estéreis lamentações; mas, unicamente, orar por eles e, sobretudo trabalhar por realizar em nós e à volta de nós o Reino de Deus. E para alcançarmos o Reino de Deus, não há outra coisa a fazer senão aceitarmos com fé os renunciamento diários e nos ligarmos, sem demora, à execução dos deveres presentes de correção, de bondade e de trabalho, colocando em prática tudo que nós mesmos escolhemos no Terceiro Céu. Nenhuma coisa faz nos desviar desta estrita obrigação de prepararmos o futuro, sem nos demorarmos no passado. Ao discípulo que lhe dizia: “Senhor, permite-me ir primeiramente sepultar meu pai“, Cristo Jesus respondeu: “Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos.” (Mt 8:21-22).

E tu, vais, e anuncia o Reino de Deus.” (Lc 9:60). Outro lhe disse: “Eu Senhor seguir-te-ei, mas, permite-me, primeiramente, dispor dos bens que tenho em minha casa.”. Cristo-Jesus respondeu-lhe: “Todo aquele que põe a mão ao arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” (Lc 9:61-62).

Então, quando se realizar em nós estas necessárias subjugações da nossa Personalidade, Deus nos poupará as provações e nos acumulará com os seus favores, muitas vezes mesmo já neste Mundo terrestre. Além disso, nos tornamos poderosamente fortes, desde que tomamos o nosso único ponto de apoio em Deus e o nosso único auxílio n’Ele, aceitando o pensamento de ficarmos privados, na desgraça do socorro e das afeições de todos os nossos. Foi por isso que Cristo-Jesus disse ainda: “Aquele que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e aquele que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. Aquele que não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. O que acha a sua Alma perdê-la-á e o que a perder por mim, achá-la-á,” (Mt 10:37).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1965 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carregando nossos Fardos: uma Razão Lógica para Persistirmos

Frequentemente somos confrontados internamente com aquilo que se pode parecer que seja mais do que justa a nossa carga de aflições.

Uma vez que nos tornamos conscientes de nossas responsabilidades espirituais, devemos enfrentar e aprender qualquer lição que nos apresente; assim como sublimar os aspectos da nossa natureza inferior que, muitas vezes, sobressai a nossa dianteira; mantendo na liderança com o objetivo de sermos capazes de cumprir com nossas responsabilidades e servir no trabalho mais efetivo na “Vinha do Cristo”.

De um modo geral, aprendemos mais pelas experiências e observações do que por conselhos, uma vez que a natureza inferior é sublimada depois de uma longa batalha. E como aqui, nessa vida terrestre, é o baluarte da evolução é necessário, para nós, vivenciar muitas e variadas aflições antes que o nosso Cristo Interno desperte por completo.

Lembrando que quaisquer que sejam nossos fardos não devemos importar o quão doloroso sejam nossas mazelas físicas, mentais e emocionais, pois, sabemos que nada nos é dado além daquilo que conseguimos carregar. O propósito da vida terrestre é a experiência e não o sofrimento, mas, à medida que passamos pelo “sofrimento” devemos aprender a tirar proveito ou lições desta experiência, porque sempre nos é dado forças internas e externas de alívio pela lição aprendida.

Se diante das dificuldades, lembrarmos que no Terceiro Céu, ao escolhermos o nosso Panorama de Vida antes de renascermos novamente na Terra, estávamos de acordo com o escolhido, certamente, será mais fácil a travessia.

O nosso horóscopo revela as tendências para características como: gênio forte, procrastinação, ciúmes, melancolia ou uma infinidade de coisas similares que retardam o nosso progresso. Estas tendências são originadas de condutas de nossas vidas anteriores, mas, cedo ou tarde deveremos transmutá-las. Então, por que não começar a fazê-lo agora?

Não devemos perder nossa paciência ou sermos deprimidos porque simplesmente temos Aspectos adversos entre Astros ou “configurações astrológicas que não gostamos”. Na realidade, se cedermos a estas adversidades e não procurarmos nos corrigirmos agora, nossa situação será ainda pior nas vidas subsequentes: “Lição não Aprendida, Ensino não Suspenso”. Lembrando que os Aspectos adversos de hoje podem se tornar: Conjunções benéficas, Sextis ou Trígonos na vida seguinte. E como Aspirantes à vida superior é nosso dever transmutar nossos atributos adversos em benéficos. Temos todo o conhecimento que precisamos, se formos fiéis e ativos Estudantes Rosacruzes.

Portanto, quanto mais nos esforçamos para vencer estas tendências, mais rápido deixaremos de ser dominados pelo temor que nos paralisa em nossas ações. E, assim, nos fortalecemos para resolver toda dificuldade e aprender as lições colocadas diante de nós.

A ajuda espiritual estará sempre disponível para o Estudante Rosacruz sincero, fiel e ativo. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz estão ansiosos por ajudar a quem quiser se livrar de todo empecilho para o progresso espiritual.

A maioria de nós tem feito preces em momentos de desespero, suplicando por ajuda e, muitas vezes, tem recebido; mas não é necessário esperar que estejamos aflitos. Quando vislumbramos uma prova ou uma situação que já estejamos passando é legítimo solicitar ajuda; mas também é de grande importância ter nossas orações de gratidão e devoção ao Pai; assim termine sempre a sua prece ou oração com a máxima Cristã: “Pai seja feita a Sua vontade e não a minha”.

Obviamente, é menos doloroso enfrentarmos nossas provas conscientemente sabendo que podemos contar com ajuda divina, que fazê-lo sem ter a consciência de poder utilizar desta ajuda.

Devemos nos esforçar por passar com coragem pelas aflições e aprender com elas, porém, sempre alertas, já que a tentação estará às espreitas com vários disfarces para que, a menor falha, sejamos suas vítimas. As tentações resistidas representam progresso; as tentações sucumbidas representam novas provas e aflições, e assim será até que tenhamos aprendido a lição e nos purificamos.

A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lc 12:48). Essa passagem, que aprendemos quando nos dedicamos aos Estudos Bíblicos Rosacruzes, está em conformidade com a nossa capacidade de superar obstáculos e aprender as lições, e também nos dá a capacidade de compartilhar nosso conhecimento, nossas bênçãos e o nosso amor com os demais.

Se somos parte integrante de um Deus magnífico, misericordioso e de cuja imagem somos feitos; como poderemos permitir-nos, por um só momento, que sejamos abandonados diante de tantas aflições e que não sejamos dignos de suportar tanto sofrimento?

Quais são nossos pesares diante de um sacrifício anual que o Cristo faz por nós?

Sejamos determinados em empregar o melhor de nossa capacidade para viver nossos obstáculos diários conservando nossos corações cheios de amor e gratidão e nossas Mentes e emoções concentradas no grande exemplo da mais perfeita vida existente na Terra: Cristo-Jesus.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Hoje a Palavra Proferida por Nós é Morta e Não tem Poder

Sabemos que, atualmente, a nossa força sexual criadora, quando nos manifestamos aqui na Região Química do Mundo Físico, está dividida: metade flui para cima para manter um cérebro e uma laringe, por meio dos quais nós podemos controlar esses instrumentos e nos expressar em pensamentos e palavras; e a outra metade é impelida para baixo, para os nossos órgãos criadores, para reprodução.

Hoje a palavra que então aprendemos a falar é morta e destituída de poder. Na próxima Época, a Época Nova Galileia (não a confundir com a Era de Aquário) teremos desenvolvido um órgão etérico, construído no interior da cabeça e da garganta pela força sexual economizada (o qual órgão é visto pelos Clarividentes voluntários como a haste de uma flor que ascende da parte inferior do tronco). Esse órgão é, verdadeiramente, um órgão criador capaz de emitir a palavra, a vida e o poder. Notemos que a palavra atual é produzida por movimentos musculares rudimentares que combinam laringe, língua, lábios e outras partes do nosso Corpo Denso, de tal modo que a passagem do ar saído dos pulmões gera determinados sons. No entanto, o ar é um veículo pesado, difícil de se mover, comparado as forças mais sutis da Natureza como a eletricidade, que se propaga no Éter, de modo que, quando aquele órgão tiver alcançado pleno desenvolvimento, teremos o poder de falar a “palavra da vida” e infundir vitalidade nas substâncias que até ali estiverem inertes. O alimento principal para a construção desse órgão para falar a “palavra da vida” é a prática constante do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta que há em cada um de nós, aos nossos irmãos e a nossas irmãs que estão no nosso entorno.

Atualmente, as pessoas que se esforçam e praticam o serviço desta forma e fielmente executam o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção estão construindo aquele órgão. Elas estão aprendendo a usá-lo aos poucos, como Auxiliares Invisíveis, quando fora de seus Corpos Densos à noite e usando o Corpo-Alma (que naturalmente é construído pelas práticas acima), enquanto dormem aqui, precisam emitir a “palavra de poder” para eliminar as doenças e enfermidades de irmãos e irmãs doentes.

Vamos dar um exemplo da força das palavras por meio de uma pequena sentença, fornecida pelo inspirado Apóstolo S. João quando ele escreveu: “Deus é Luz”. Essas três palavras são tão esclarecedoras para a Mente, quanto outras tantas palavras são confusas. Qualquer pessoa que utilize essa passagem como assunto para os Exercícios Esotéricos Rosacruzes (como, p. exe., o de Concentração ou o de Meditação) encontrará, seguramente, uma recompensa maravilhosa a sua espera. Afinal, não importa quantas vezes tomemos essas palavras repetindo-as nesse contexto de Exercício Esotérico, nosso próprio desenvolvimento, conforme os anos passam, nos assegura uma compreensão cada vez mais completa e melhor. Cada vez que mergulhamos nessas três palavras, nos sentimos preenchidos por uma fonte espiritual de profundidade inesgotável e, a cada vez, alcançamos mais minuciosamente as profundezas divinas e nos aproximamos mais do nosso Deus-Pai celestial.

Como um verdadeiro Aspirante à vida superior buscamos espiritualizar todo o nosso ser, e quando estivermos sob a influência da verdadeira Religião Cristã Esotérica, teremos aprendido o autodomínio e nos tornaremos um auxiliar altruísta do nosso irmão ou da nossa irmã ao nosso lado. Poderemos, então, ser um firme guardião do poder mental, pelo qual seremos capazes de formar ideias exatas e prontas para serem cristalizadas de imediato em coisas úteis. Tudo isso se efetuará por meio da laringe, que emitirá a Palavra Criadora.

Afinal, todas as coisas da Natureza vieram à existência pelo “Verbo que se fez carne” (Jo 1:14). O som, ou pensamento falado, é a nossa próxima força a se manifestar, uma força que nos fará criadores quando, mediante nosso atual aprendizado, nos tivermos capacitados para o uso de tão grande poder para o bem de todos, a despeito dos nossos próprios interesses.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Desejo e Apego: os Cuidados do Aspirante à Vida Espiritual

No Novo Testamento, Cristo afirma: “Eu não sou deste mundo, como vós deste mundo não sois.” (Jo: 17-16). Significa que aqui estamos (no Mundo Físico) apenas de passagem; que este Mundo deve ser encarado como uma Escola – a Escola da Vida, o baluarte da nossa evolução atualmente –, um meio de aprendizagem e que, portanto, sua duração é efêmera. Vivemos num plano onde predomina a impermanência. Tudo é fugaz e nada tem razão de ser nosso objeto de desejo e apego, nem deve servir de base para a definição de nossos valores pessoais.

O apego é o resultado de nossa identificação com esse Mundo e com suas coisas. Quando nos tornamos conscientes da transitoriedade da forma e de sua sedução, o apego diminui. O desapego permite observarmos os acontecimentos, em vez de ficarmos presos dentro deles.

Há várias formas de apego óbvias e notórias, como por exemplo, se apegar a bens materiais, a dinheiro, roupas, objetos, à fama, ao poder mundano, a cargos remunerados ou honoríficos, à familiares (não significa que não devemos amá-los, protegê-los e apoiá-los). Mas também há formas mais sutis, quase imperceptíveis para quem convive com a pessoa ou até para a mesma. Trata-se de apego a ideias, hábitos, emoções e padrões de comportamento que já não acrescentam mais nada à nossa evolução. Talvez estejamos bloqueando nossa Mente à entrada de novos conceitos e visões de mundo.

Por que isso acontece? Qual a razão desse apego a ideias e coisas concretas?

Simplesmente porque muitos de nós se identifica com elas. Quando renascemos, representamos ou encenamos um papel no palco da vida perante o mundo e às pessoas. Quando lhe perguntam quem ele é, responde, por exemplo, nestes termos: “Sou fulano de tal, brasileiro, casado, católico, economista, natural de São Paulo, etc.”. Mas isso é um equívoco. A verdade não é bem essa. Ele não é nada disso, porém se identifica com tudo isso. É apenas a manifestação do Ego no Mundo visível, é a maneira como ele se apresenta aos olhos do mundo.

A identificação e o consequente (ou inconsequente) apego são algumas das razões do sofrimento aqui no Mundo Físico. É o que acontece quando há identificação com o Corpo Denso que, nasce, se desenvolve, decai e morre. Há que cuidar dele, por meio de uma boa alimentação, exercícios físicos e hábitos saudáveis. Ele é o nosso Templo sagrado, porém não é o Ego, a verdadeira essência (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui).

Os casos de baixa autoestima com o Corpo Denso ou com a aparência são sinais evidentes de identificação. Acontece muito nos casos de obesidade e de problemas na pele. A pessoa sofre porque se imagina daquele jeito, identificando-se justamente com o que lhe traz sofrimento. Sua autoimagem é negativa. Na realidade somos muito mais do que nossa aparência corporal. Somos mais importantes do que nossas características físicas, e muito mais importantes do que nossas emoções, nossos desejos, sentimentos, nossos pensamentos.

É preciso entender que quando o Corpo Denso começa a perder seu viço, a luz da consciência consegue brilhar mais facilmente através da Forma que se extingue aos poucos, enquanto a Vida permanece para sempre. Livre-se de sua crosta e o diamante resplandecerá mais!

Que as Rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Para que serve a Reforma do Nosso Caráter

O estudo da Filosofia Rosacruz, além de facilitar a aquisição de um conhecimento profundo e lógico sobre a nossa origem, o nosso estado presente e futuro do nosso desenvolvimento e de todo o Universo, pressupõe também algo que consideremos de suma importância: uma reforma de caráter. Se o conhecimento não nos torna religiosos, naquela acepção ampla de nos religar à nossa essência espiritual (que é Deus), não está atingindo o seu objetivo. Não consideramos o conhecimento como um fim em si mesmo, mas, como uma fonte que nos proporciona meios valiosos de crescimento anímico.

Nossos atos provam o que realmente somos. Podemos nos tornar gradativamente um imenso repositório de Ensinamentos Rosacruzes, e podemos até expô-los publicamente de uma maneira brilhante, porém, se não procurarmos vivê-los em essência, sentindo as verdades que encerram seremos, quanto muito, intelectuais. O empenho sincero no sentido de uma transformação interna determina a utilização que fazemos dos Ensinamentos Rosacruzes. Esses só têm valor quando serve ao aperfeiçoamento do nosso caráter, despertando em nós sentimentos, desejos e emoções de amor Crístico, altruísmo, compreensão, sacrifício, disciplina, dever, enfim somente de desejos, sentimentos e emoções produzidos a partir de materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo.

Em via de regra, a maioria de nós deixamos esse plano terreno quase com o mesmo caráter com que nos adentráramos a ele! Ligeiras transformações se observam, porquanto a Lei de Consequência, por meio do látego da dor e do sofrimento, demonstra cabalmente que o “salário do pecado é a morte” (Rm 6:13). Infelizmente, as experiências dolorosas constituem o meio padrão de aperfeiçoamento moral da quase totalidade de nós, seres humanos. Este processo regenerativo é lento, pois, não decorre de uma vontade própria, consciente de renovação interna.

Poucos são aqueles dentre nós que reconhecendo os próprios erros e defeitos, dispõem-se corajosamente a transmutá-los em virtude. Estes poucos sempre se constituíram nos vanguardeiros da Onda de Vida humana. Que busquemos sempre ser um deles!

Nunca é demais repetir que a evolução é o resultado de um esforço persistente. Tal esforço dever ser consciente e incomensurável, pois a mais disputada batalha que podemos travar é contra nossa própria natureza inferior. S. Paulo reconhecia perfeitamente a natureza dessa luta contra nossos inimigos internos ao afirmar: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo” (Rm 7:19).

A transformação interna demanda boa vontade e aplicação de conhecimento. Max Heindel sempre insistia em que “a única salvação é o conhecimento aplicado”. Reforma de caráter é conhecimento aplicado. É sempre é bom lembrar que caráter é destino!

Podemos e devemos modificar o nosso caráter, aprimorando-o. Lograremos êxito em tal mister, se inteligente e diligentemente procurarmos descobrir onde residem nossas falhas e como poderemos, paulatinamente, saná-las. Procuremos avaliar e determinar a extensão dos nossos defeitos para encontrarmos os meios de cultivar as virtudes diametralmente opostas.

Podemos engendrar um destino melhor, se nos propusermos a modificar nosso caráter. Os meios estão ao nosso alcance, e se não o utilizarmos é porque somos vencidos pela inércia e pelo comodismo. Renovemo-nos, “tornando-nos dia a dia melhores homens e mulheres, a fim de sermos utilizados como colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores, a serviço da Humanidade.“.

Não resta a menor dúvida que reforma de caráter exige um esforço racional!

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – maio/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Palavra se Origina da Força Sexual Criadora – há que se Cuidar em Usá-la

Mesmo ante às repreensões injuriosas, mesmo sofrendo ante a incompreensão humana, faça bom uso da palavra que você emite, a qual tem o poder de criar, por se originar da força sexual criadora. Portanto, pondera sobre o que disser, porque algo estará gerando benefício ou malefício, correspondendo ao emprego que você fizer desse dom maravilhoso que Deus nos deu. Afinal, Como o próprio Cristo nos ensinou: “Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que dela sai.” (Mt 15:11). Que estas palavras do Cristo permaneçam gravadas com letras de fogo no seu coração, para que venha a compreender que tudo aquilo que de emana de você, deve sempre expressar a harmonia e o amor Crístico. Expressando a harmonia você se sintonizará com as Leis Divinas, cooperando eficazmente com os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz na grande obra de regeneração humana. O amor Crístico faz florescer o sentimento de Fraternidade, o qual integra cada um de nós a Deus; afinal aprendemos com S. João evangelista que “Deus é Luz, e se andarmos na Luz, como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros” (IJo 1:5 e IJo 1:7).

Seja a palavra que sai da sua boca a decisão sábia das três palavras-chaves que regem os seus Mundos internos (como o microcosmo que você é): o discernimento, a consciência e a serenidade. Confia nessas três palavras-chaves a administração dessa riqueza extraordinária, cujos frutos reverterão a seu favor para o seu desenvolvimento espiritual.

Procure fazer da sua palavra uma semente grandiosa, vigorosa, germinando no solo árido dos corações cobertos pela ignorância e pelo ódio. E então, você se regozijará vendo tantos solos agrestes adquirirem o verdor da elevação espiritual.

Também faça da sua palavra o bálsamo que alivia todos os peitos oprimidos pela dor, de irmãos e irmãs que em vidas passadas se esquivaram-se à Luz, e hoje fogem desesperados das trevas que encadeiam a eles.

Procure produzir a sua palavra de modo a ser o perfume dulcíssimo que aromatiza os ambientes petrificados pelo medo, carentes de ternura, agitados pela dúvida, torturados pela angústia. Que a sua palavra tenha a força suficiente para suavizar tanta amargura. Que ela nunca seja portadora do veneno da crítica, nem do fel da injúria, pois fatalmente acabará também sucumbindo, agitado por estas distorções do sentimento.

Se as circunstâncias obrigam a você a falar energicamente, em repreensão a alguma falta cometida, faze-o em tom respeitoso, jamais com a intransigência de uma censura, porém, demonstrando com sapiência e bom senso, não a ignomínia do erro, mas a nobreza da virtude. Procure vislumbrar o bem em todas as coisas e poderá constatar a mudança que se operará em torno de você.

Nunca se iluda com o falar garboso, coordenado com gestos pré-estudados. Isto é carência de sinceridade! São os juízos falsos da Personalidade procurando centralizar as atenções, ofuscando a divina essência oculta – base da Fraternidade – que em reside dentro você.

Jamais se esqueça do antigo, mas sempre atual adágio: “Se o falar é prata, o calar é ouro”. Portanto, se suas palavras são meros invólucros sem conteúdo, não exprimindo o que em você há de mais elevado, então, é melhor que fique calado (a).

Procure sempre que a sua palavra seja o apelo que exorta alguém a procurar a Luz interna (que é a Luz divina), cujo brilho é ofuscado pelo sentido irrealista da vida restrita unicamente ao plano material, onde a ambição desmedida gera o egoísmo, o interesse e a hipocrisia, masmorras sombrias, onde muitas pessoas permanecem agrilhoadas.

Sempre veja na palavra algo de grandioso, belo e sublime. Não há limites ao sentido caricato que lhe empresta o ser humano comum, tornando-a meio de exteriorização de sentimentos mesquinhos. Que você sempre consiga proporcionar a sua palavra uma função correspondente à sua origem sacrossanta. Faça com que ela seja um instrumento adequado ao mister de elevar o gênero humano. Assim, ela sempre será a expressão viva de teu crescimento interno. Enfim, use a sua palavra sempre com sabedoria.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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