Resposta: Da forma como a pergunta foi feita, é difícil respondê-la. Embora conheçamos certos Métodos de Cura, também acreditamos que a escolha é uma questão de temperamento, e os diferentes Métodos de Cura provavelmente são usados em momentos diferentes por todos os Iniciados, conforme a exigência do momento.
Sabemos que, em certas ocasiões, Cristo Se dirigiu ao Pai ao realizar uma cura. Em outras ocasiões, quando Ele se encontrava no meio de uma multidão e alguém O tocava, Ele percebia que esse poder saía d’Ele e, sem dúvida, curava aquele que havia absorvido essa força d’Ele. Todos os que seguiram Seus passos, evidentemente, variaram seus métodos para se adequarem à ocasião. Mas, em última análise, o poder curador é o mesmo, pois emana do nosso Pai que está nos céus e que é o Grande Médico, e cada Iniciado ou curador absorve tanto do Seu Poder Divino quanto é capaz de reter, distribuindo-o, de acordo com a necessidade de quem recorre a Ele.
Se você procurar o artigo: “Como os Rosacruzes Curam os Enfermos” (também publicado na revista “Rays from the Rose Cross”, em setembro de 1915), encontrará uma descrição do nosso Método e, certamente, esclarecerá o assunto. (Ver mais detalhes no livro Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz[1]). Na mesma revista, há um artigo de Stuart Leech, M.D., mostrando como ele evitou realizar uma operação cirúrgica visitando o paciente a noite, quando estava fora do seu corpo. Ele materializou as mãos dentro do Corpo do paciente e extirpou o mal, de forma que, na manhã seguinte, o paciente estava curado, sem ter a necessidade de se sujeitar ao bisturi[2]. Provavelmente esse fato tornará claro que o Iniciado e o Auxiliar Invisível dispõem de um considerável campo de ação e total liberdade para lidar com as condições mórbidas do Corpo. Como já foi dito antes, o bálsamo curador vem do nosso Pai que está nos céus, e não importa quem realize o trabalho ou que Método use para o doente ou enfermo recuperar a saúde, a glória e a honra pertencem unicamente a Deus.
(Pergunta nº 44 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Auxiliares Invisíveis
Nosso Método de Cura não é um assunto inteiramente espiritual. Utilizamos meios físicos toda vez que é possível. Às vezes enviamos nossos pacientes a um médico, para que obtenha alívio rápido, mediante certo tratamento que não poderíamos proporcionar por outros meios. Além disso, a dieta dos pacientes merece nossa maior atenção, porque como o Corpo é formado de substâncias físicas, na realidade estamos lhe dando remédios quando empregamos os alimentos adequados. Mas, além disso, o trabalho de curar definitivamente é efetuado pelos Irmãos Maiores por intermédio de um grupo de Auxiliares Invisíveis a quem estão instruindo.
Estes Auxiliares Invisíveis são os Probacionistas que durante o dia se esforçam por viver uma existência de bondade e serviço, preparando-se para alcançar o privilégio de serem utilizados como instrumentos pelos Irmãos Maiores, durante a noite. Estes Probacionistas são reunidos em grupos, de acordo com os seus temperamentos e capacidades. Estão sob a orientação de outros Probacionistas que são médicos, trabalhando todos sob a direção dos Irmãos Maiores que são naturalmente, os Espíritos que animam toda a obra.
A maneira de formar e selecionar um grupo de Auxiliares Invisíveis se baseia nos eflúvios dos seus Corpos Vitais. O primeiro destes eflúvios é obtido quando o Probacionista assina o seu compromisso e é renovado diariamente quando faz suas anotações no formulário correspondente. Enquanto se mantenha fiel e leve uma vida de pureza e serviço, constituirá um elo inquebrantável entre ele e os Irmãos Maiores. Cada grupo de curadores é composto, geralmente, de doze Probacionistas, além do seu instrutor e em geral, são escolhidos na mesma localidade, porque a noite chega ao mesmo tempo para todos eles. Não seria razoável agrupar um que viva na Austrália com outro que resida no Alasca, porque enquanto um estivesse dedicado ao seu trabalho diário, o outro estaria dormindo. Mas as pessoas residentes na maioria das localidades da América do Norte ou do Sul têm as mesmas horas de repouso e estes Probacionistas podem ser agrupados de acordo com os seus Signos Ascendentes, de maneira que formem um círculo completo.
Emprega-se o mesmo método para encontrar aqueles que escreveram à Sede Central pedindo ajuda para selecionar os Probacionistas que serão treinados para trabalharem como Auxiliares Invisíveis. Aos que solicitam ajuda, pede-se que escrevam uma carta com “pena e tinta” (N.R.: caneta tinteiro e não esferográfica). Desta forma o papel fica impregnado por uma certa quantidade da substância do seu Corpo Vital que é extraída da carta pelos Irmãos Maiores. Isto proporciona um índice exato do estado do indivíduo de quem procede e que atua como verdadeiro “abre-te sésamo” para os Auxiliares Invisíveis que forem encarregados de determinado caso. Graças a ele, os Auxiliares Invisíveis têm acesso ao Corpo do doente, e um número considerável de pacientes que solicitaram o nosso auxílio escreveram dizendo que sentiam os Auxiliares Invisíveis trabalhando no interior e no exterior de seus Corpos. Conforme mude o estado do paciente, muda igualmente o registro. Por isso se pede que escrevam com pena e tinta algumas palavras todas as semanas, remetendo-as à Sede Central. Desta maneira os Irmãos Maiores estão em contato contínuo com o seu estado e podem dirigir inteligentemente o trabalho de restauração de sua saúde.
Este trabalho jamais cessa. Continua ininterruptamente porque o Sol está sempre ausente de alguma parte do globo e os Probacionistas dessa parte estão em atividade em seu trabalho de cura definitiva e prestando auxílio durante as horas de repouso do Corpo.
Anatomicamente o ser humano pertence aos mamíferos, cujos corpúsculos sanguíneos não são nucleados. Os núcleos que se encontram no sangue dos animais inferiores são o ponto de apoio dos Espíritos Grupo, mas os animais superiores estão tão adiantados no caminho da individualização, que seu sangue está livre desta influência. No feto, onde a mãe atua como Espírito-Grupo nas primeiras semanas, ela nucleia o sangue, mas logo que o Ego começa a atuar, a primeira coisa que faz é desintegrar esses corpúsculos sanguíneos nucleados e quando ocorre o nascimento, não resta nenhum corpúsculo nucleado. O Ego é dono do seu veículo; herança que ninguém pode disputar-lhe sob nenhum pretexto. Fazê-lo seria magia negra, saiba-o ou não a pessoa, e mesmo que uma intenção bondosa possa exercer certo efeito mitigante em outra direção, o fato subsiste, não obstante, de que a pessoa se coloca em terreno perigoso quando procura intrometer-se no sangue de alguém que não o deseje e cujo auxílio não tenha sido solicitado.
Há apenas uma exceção a esta regra. As crianças até a idade da puberdade são, por assim dizer, parte de seus pais, porque ainda têm armazenada na glândula Timo uma essência sanguínea dos pais que ela emprega para produzir o seu próprio sangue durante a infância, enquanto o Corpo de Desejos vai sendo gerado. Conforme transcorra o tempo, o suprimento da glândula Timo vai se tornando cada vez menor e a criança alcança a realização de sua própria individualidade. Quando a glândula Timo desaparece, o Corpo de Desejos já alcançou a maturidade suficiente para permitir-lhe tomar parte na alquimia da transmutação do esqueleto Saturnino no veículo Jupteriano, que assim incorpora a essência do atual Corpo físico. Toda interferência no sangue paralisa este processo. Por isso os pais só podem agir em nome da criança até a puberdade, fornecendo-lhe o Éter que permite o trabalho do Auxiliar Invisível.
O maior inconveniente com que tropeçamos em nossa obra curativa procede da negligência dos pacientes. Nossos pedidos são muito simples. Só pedimos que nos escrevam uma vez por semana, com pena e tinta, de modo que os eflúvios que procedem da mão ao escrever, possam prover os Auxiliares Invisíveis com uma chave de admissão ao organismo do paciente. Mas por simples que seja esta regra, são muitos os que deixam de cumpri-la. Temos em mãos o caso de uma pessoa que durante muitos anos tivera uma vértebra deslocada que foi curada com o nosso tratamento, embora procurasse muitos osteopatas, quiropratas e outros que tentaram em vão colocá-la no devido lugar. Este pobre homem passava a maior parte do tempo deitado, com dores, completamente incapaz de trabalhar. O tratamento dos nossos Auxiliares Invisíveis ajustou sua vértebra que ainda está no lugar. O homem ficou maravilhado e pode voltar ao trabalho. Estava, porém, tão entusiasmado com a ideia de que já estava completamente curado, que descuidou de nos escrever semanalmente, de modo que nossos Auxiliares Invisíveis tivessem oportunidade de manter a vértebra em seu lugar um tempo suficientemente grande para não mais se deslocar. Mais tarde recebemos uma carta que demonstrava que tínhamos razão ao pedir-lhe que escrevesse regularmente. Nessa carta dizia: “Faz algum tempo escrevi que já me sentia curado e que deixaria de escrever-lhes semanalmente. Agora vejo que cometi um grande erro. Desde que suspendi as cartas, minhas costas têm doído e estou ficando novamente curvado, embora a vértebra esteja no seu lugar. Parece-me que estou pedindo demais ao rogar que novamente vos ocupeis de mim, mas não imaginava a influência dos Auxiliares Invisíveis e quanto dependia deles”.
[2] N.T.: A história de um Auxiliar Invisível
Geralmente, não é permitido nem adequado que os Auxiliares Invisíveis falem de suas façanhas, porque isso possibilita a indesejável propagação de fenômenos; no entanto, há momentos em que a modéstia deva ser deixada de lado, em certa medida, pelo bem da causa e a seguinte história, do Dr. Stuart Leech, M. D., um de nossos Probacionistas, ilustra o método usado e os resultados obtidos em um caso. Poderíamos falar sobre centenas de casos semelhantes, em que outros órgãos foram restaurados, colunas foram endireitadas e membros paralisados voltaram a responder à vontade do paciente.
No caso relatado pelo Dr. Leech, ele não menciona se o paciente sentiu as manipulações. Isso é frequentemente o que ocorre, pois, as mãos invisíveis são poderosas, quando materializadas dentro do corpo do paciente. Também acontece com frequência que o paciente veja os Auxiliares Invisíveis no momento em que acorda.
O relatório foi originalmente escrito para publicação na Revista Médica. O Dr. Leech dá a seus médicos, confrades ortodoxos, alguns problemas difíceis de tempos em tempos: mas e se eles zombarem? Ontem, zombou-se de ideias que hoje sejam “estritamente científicas” e amanhã eles aprenderão isto, parafraseando Shakespeare: Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha sua patologia.
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Relatório clínico de um caso
Foi nos primeiros dias de janeiro de 1914 que eu atendendo um menino de quatorze anos que estava com problemas abdominais e muito extenuado. Ele tinha cabelos escuros, olhos castanhos, ossos grandes, corpo esbelto e uma boa quantidade de inteligência. Quatro anos antes do problema atual, ele havia sofrido um grave acometimento de apendicite do qual, aparentemente, se recuperara. Ultimamente, ele estava comendo mais do que devia e no dia anterior à crise, ele estava mexendo com o feno quando sentiu uma dor, ao escorregar o pé.
Depois de um ou dois dias de sofrimento, fui chamado e encontrei todos os sintomas clássicos de um apêndice com formação de pus. A comida foi interrompida por oito ou dez dias, o proverbial saco de gelo foi usado, como manda o procedimento médico, e um enema (uma lavagem intestinal) providencial foi empregado. Sua temperatura variava de 37,2°C — 39,1ºC e, no sétimo ou oitavo dia, os sintomas se tornaram tão alarmantes que convenci a família a permitir que eu tivesse o auxílio do Dr. North, na próxima manhã.
O Dr. Unus, da mesma cidade, havia participado do caso quatro anos antes e, na época, havia insistido em uma cirurgia. Pessoalmente, eu já tinha realizado várias cirurgias abdominais, mas geralmente a faço como último recurso e agora parecia que havia mais um caso em que precisaria recorrer a esse procedimento. Esse modus operandi (maneira de agir), especialmente no meio de uma crise, não é do meu agrado. Estando na classe neófita da Escola de Sabedoria Ocidental, tentei usar meios incomuns, em conjunto com os físicos, para promover a recuperação do garoto, como já fiz em outros casos. O incomum é a aplicação de Leis naturais de um ou mais dos Mundos superiores.
Para explicar, direi que a Escola de Ciências Naturais dos Rosacruzes nos informa sobre a existência real de um número de Mundos concêntricos, talvez mais reais do que o físico, todos interpenetrando-se, ocupando o mesmo espaço, por assim dizer, tomando nada menos do que sete dimensões do espaço, cada uma sob uma condição vibratória consistente com seu ambiente harmonioso. A Ciência Física relutantemente reconhece e sugere as vibrações mais altas do Éter invisível. A Ciência Médica faz o possível para ignorar esses Mundos mais elevados, porém ela usa de modo persistente, empírico e diário os poderosos alcaloides (substâncias naturais retiradas, sobretudo de plantas e muito usadas no contexto terapêutico). Há vários comprimentos de onda entre a vibração que causa o som e a que causa a luz; embora sejam desconhecidas para nós, produzem coisas tão poderosas quanto luz ou som; é assim no trilhão e quintilhão de vibrações. A maioria dessas ignora nossos Corpos Densos, vibrando através deles como se nunca tivessem existido. Essas vibrações são harmonizadas em divisões; a Região mais próxima do Mundo Físico é a Região Etérica desse mesmo Mundo e podemos concebê-la como uma extensão dessa Região que conhecemos como Plano físico e que podemos denominar como Região Química; a Região Etérica sendo mais refinada está, naturalmente, sujeita às Leis mais superiores e apuradas.
No entanto, para poder funcionar nessa Região ou no Mundo do Desejo é necessário um veículo feito da mesma substância. Todo ser humano possui em sua composição física a estrutura dessa substância e há certa Palavra ou Fórmula que, se usada com sabedoria, desenvolverá esse instrumento. Anatomicamente falando, cria-se um vínculo ou conexão fisiológica entre o Corpo Pituitário e a Glândula Pineal, os quais governam e harmonizam respectivamente o Corpo de Desejos com o Corpo Denso. Quando esse abismo é superado, o Corpo-Alma (formado pelos dois Éteres superiores – Luminoso e Refletor – do Corpo Vital), de vibração superior, pode se retirar do Corpo Denso e percorrer qualquer distância no Mundo do Desejo.
Na noite anterior à realização da consulta física com o Dr. North, este, o Dr. Unus e eu fomos ao Mundo do Desejo, a Terra dos Sonhos, e nos encontramos ao lado do menino doente sem o seu conhecimento ou de seus pais, que o observavam com ansiedade. Naturalmente, éramos invisíveis às suas percepções físicas.
Durante essa consulta, no Mundo do Desejo, o Dr. Unus deu um passo à frente, quase atingiu violentamente uma parte do órgão afetado e o jogou fora: sua mão etérica passou direto pelo corpo físico do garoto. Então, fui até a cabeceira da cama e, usando as duas mãos, levantei a extremidade do ângulo do cólon para afagar gentilmente a substância irritante e indesejável. Dr. North atuou como espectador e aparentemente me deu o seu consentimento. Saiba, leitor, que a substância física não impede o trabalho da mão etérica, mas não é incomum que um paciente acorde, enquanto a mão invisível esteja sendo retirada.
Na manhã seguinte, depois da consulta nos Mundos invisíveis, liguei, como havia prometido, para o consultório do Dr. North e pedi que ele fizesse comigo a consulta física que havia sido combinada com a família no dia anterior. Para grande surpresa da família e para minha própria satisfação, o menino estava livre da dor, fragilidade, febre e rigidez muscular e, conforme o relato dos pais, sua rápida recuperação começara à noite. Já se passaram seis meses e o menino está desfrutando o melhor da saúde.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de 09/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Resposta: Os melhores clínicos geralmente admitem que a medicina é uma ciência empírica; que os remédios não atuam da mesma forma sobre todas as pessoas e, portanto, o médico precisa experimentá-los no seu paciente. Por esta razão, a medicina não é satisfatória.
Não podemos esperar que os remédios surtam efeito em todas as ocasiões. Observamos que embora os bois se alimentem de ervas e todos os leões se satisfaçam com uma alimentação carnívora, tal não ocorre com o ser humano, pois há sempre uma Individualidade que diferencia cada um de todo o resto da sua espécie. Essa peculiaridade da Raça humana surge do fato de que, enquanto cada espécie do Reino animal é a expressão de um único Espírito-Grupo que guia os vários animais externamente, cada ser humano é um Espírito interno individual, um Ego e, por essa razão, o que é alimento para uma pessoa, pode ser veneno para outra.
É somente quando a medicina leva esse ponto em consideração, que ela pode se tornar realmente útil em todos os casos. E a maneira de descobrir as peculiaridades de quem realmente somos, um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana) que habita o Corpo Denso do paciente é levantar o horóscopo do paciente para descobrir quais as épocas propícias para a administração de remédios, prescrevendo os medicamentos apropriados no momento favorável. Paracelso agiu assim, por isso, foi sempre bem-sucedido com seus pacientes; nunca cometeu um erro! Há algumas pessoas que recorrem atualmente à Astrologia Rosacruz com este propósito; o autor, por exemplo, a usou para diagnosticar muitos casos; foi sempre capaz de perceber as condições dos pacientes nas crises do passado, do presente e do futuro, podendo proporcionar muito alívio às pessoas que sofrem das mais diversas doenças. A Astrologia Rosacruz deveria ser utilizada somente para esses fins e não ser degradada por adivinhos à busca de recursos financeiros e/ou fama, poder, pois, como todas as Ciências espirituais, ela deve ser usada em benefício da Humanidade, independente de considerações mercenárias. Se os profissionais da saúde estudassem a Ciência Astrológica, seriam capazes, num esforço muito menor, de diagnosticar a condição de seus pacientes com mais precisão do que da forma usual. Alguns profissionais da saúde estão despertando para esse fato e descobriram, através de suas experiências, que os Corpos celestiais exercem real influência sobre a estrutura humana. Por exemplo, quando o autor esteve em Portland, Oregon, um médico mencionou, como resultado de suas observações, que sempre que lhe era possível fazer uma cirurgia quando a Lua crescia em brilho, ou seja, no período que se estende da Lua Nova à Lua Cheia, a operação era bem-sucedida e nenhuma complicação surgia. Por outro lado, ele verificou que quando as circunstâncias o obrigavam a realizar uma cirurgia no período que transcorria da Lua Cheia para o Quarto Minguante, havia grande probabilidade de complicações e que tais cirurgias nunca eram tão satisfatórias, quanto àquelas realizadas quando o brilho da Lua crescia.
Há também uma tendência crescente entre os profissionais da saúde de curar pela sugestão, dando ao paciente uma pílula inócua ou placebo e uma boa sugestão. Toda mãe, conhecedora ou não desse poder, aplica-o muitas vezes, até inconscientemente, no caso do seu filho. Quando a criança cai, ela pode, através da sugestão, levá-la a chorar ou a rir. Se ela lhe disser: “Oh, coitadinho, você está muito machucado, pobre filhinho”, a criança começará a chorar; se, por outro lado, ela apontar para o chão e exclamar: “Oh, querido, olhe como você machucou o pobre chão, que pena – vamos acariciá-lo!” a criança irá se sentar tão penalizada por ter machucado o chão, que nem pensará tanto nas suas próprias lesões. De uma maneira semelhante, o profissional da saúde influencia o seu paciente. Seria um ato criminoso um profissional da saúde entrar no quarto do paciente mostrando-se sombrio, sugerindo que fizesse o seu testamento, dizendo-lhe que não tem muito tempo de vida. Esses atos influem sobre o paciente muito mais do que se imagina e, desse modo, muitos profissionais da saúde ajudaram a matar aqueles que poderiam ter salvado. Se o profissional da saúde entrar no quarto do paciente com uma fisionomia alegre, um sorriso e palavras animadoras, administrando um remédio placebo e uma boa sugestão, o paciente poderá se recuperar quando, em outras circunstâncias, poderia sucumbir à doença. A sugestão surte muito mais efeito que a medicina. A fé que o paciente deposita no seu profissional da saúde fará maravilhas, tanto para o bem como para o mal. A fé foi o método usado por Cristo nas curas que fez. Se o querido amigo procurar na Bíblia como Cristo curou um doente, verá que a fé daquele que procurava a cura sempre foi salientada. A cada suplicante, Cristo dizia: “Faça-se segundo a tua fé“[1].
O fato de que o ceticismo destruía até o Seu poder, talvez se evidencie no trecho onde lemos que Ele fez o trajeto até a Sua cidade natal e descobriu que nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra. Esse fato está relatado no décimo terceiro capítulo do Evangelho segundo S. Mateus[2] e, também, no Evangelho segundo S. Marcos[3], e é significativo que, no último versículo, constatamos que Ele não fez ali muitos milagres por causa da incredulidade das pessoas. S. Marcos diz que, por causa do ceticismo local, Cristo só pôde curar uns poucos colocando a Sua mão sobre eles.
A Mente aberta é um requisito fundamental para qualquer investigação, e o ceticismo é absolutamente fatal na obtenção do conhecimento. Para ilustrar melhor este ponto, o autor, quando esteve em Columbus há alguns anos, foi assistir a uma palestra ministrada pelo Professor Hyslop, Secretário da Sociedade de Pesquisa Psíquica. O assunto em questão era: “Nova Evidência de uma Vida Futura”. O autor ficou admiradíssimo ao descobrir que o Prof. Hyslop não apresentara em sua palestra um único ponto que já não tivesse sido revelado nos últimos vinte anos nos relatórios da Sociedade à qual ele pertencia. A explicação veio logo após a palestra, quando uma pergunta revelou o fato de que o Prof. Hyslop não acreditava em nada que havia sido declarado nos relatórios da Sociedade. Ele não acreditava nos resultados conseguidos por outro que não fosse ele próprio. A prova que acabara de apresentar tinha sido coletada por ele e sua pesquisa totalmente nova; esperava que o público confiasse em sua palavra, embora ele mesmo estivesse relutante em confiar em quem quer que fosse. Ilustrando como age o ceticismo, ele nos deu, inconscientemente, um oportuno exemplo quando nos relatou que, certa vez, através de um médium, o defunto Richard Hodgson se manifestou, e o Prof. Hyslop começou a lhe fazer perguntas que, embora fossem muito simples, o Sr. Hodgson teve grande dificuldade em responder. Finalmente, o Prof. Hyslop exclamou impaciente: “Ora, o que há com você, Richard; quando vivo, você era bastante rápido; por que não consegue responder agora?” A resposta veio rápida como um relâmpago: “Oh, sempre que entro na sua péssima atmosfera fico em pedaços”. O Prof. Hyslop não podia entender a razão daquilo. Mas, qualquer pessoa que já tenha observado um aluno diante de uma banca examinadora que resolveu tachá-lo de tolo, compreenderá que foi a atitude mental cética e crítica do Prof. Hyslop que dificultou a comunicação de Richard Hodgson. Portanto, podemos dizer que acreditamos na medicina quando usada em conjunto com a Astrologia Rosacruz, como também acreditamos no método curador de Cristo, na Cura pela Fé, no poder de sugestão e nos vários outros métodos de cura. Todos contém alguma verdade, embora, infelizmente, muitos deles sejam transformados em modismos e levados a extremos. Assim, perdem o seu poder benéfico e se tornam uma ameaça para aqueles que, do contrário, poderiam ser beneficiados por eles.
(Pergunta nº 35 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Mt 9:28
[2] N.T.: Quando Jesus acabou de proferir essas parábolas, partiu dali e, dirigindo-se para a sua pátria, pôs-se a ensinar as pessoas que estavam na sinagoga, de tal sorte que elas se maravilhavam e diziam: “De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Não se chama a mãe dele Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde então lhe vêm todas essas coisas?”. E se escandalizavam dele. Mas Jesus lhes disse: “Não há profeta sem honra, exceto em sua pátria e em sua casa”. E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles. (Mt 13:53-58)
[3] N.T.: Saindo dali, foi para a sua pátria e os seus discípulos o seguiram. Vindo o sábado, começou Ele a ensinar na sinagoga e numerosos ouvintes ficavam maravilhados, dizendo: “De onde lhe vem tudo isto? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais milagres por suas mãos? Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?”. E escandalizavam-se d’Ele. E Jesus lhes dizia: “Um profeta só é desprezado em sua pátria, em sua parentela e em sua casa”. E não podia realizar ali nenhum milagre, a não ser algumas curas de enfermos, impondo-lhes as mãos. E admirou-se da incredulidade deles. (Mc 6:1-6)
Resposta: A missão do Cristo é unificadora, promovendo o sentimento de fraternidade entre todos nós, portanto, todos os esforços dispendidos para dissolver barreiras de Raça, Religião, etc., realizando uma justa união de toda a Humanidade são profundamente elogiáveis.
Analisando-se racionalmente o problema das querelas existentes entre os credos Cristãos, observa-se certa incoerência ou um contraste aos ensinamentos básicos do Cristianismo. Cristianismo, em essência, é amor e não conflitos.
Hoje, quando a unificante força de Cristo se manifesta em cada fase da realização humana, não nos é estranho que pessoas como o Stanley Jones, expoente da Religião Cristã Protestante, promovam movimentos de unificação. Há premência de trabalhos dessa natureza num período crítico de transição, como este pelo qual passamos.
Com referência ao tema de unificação das Igrejas Cristãs é mister recordarmos certas afirmações de Max Heindel num artigo que escreveu, aludindo-se à importância de se oficiar os Rituais: “cada uma das Religiões Cristãs Protestantes luta atualmente para resolver o problema da vida segundo suas próprias concepções. Em cada uma delas soa uma nota diferente. Falham, portanto, ao passo que a Religião Católica ainda mantém forte ascendência sobre seus seguidores, em virtude do ajustado poder do Ritual”[1].
Sem dúvida alguma há certa união no seio do Catolicismo, porquanto não se cogita de empreender disputas inúteis em relação a detalhes. Os fatores “livre arbítrio e predestinação” não constituem motivos de dissidência entre os católicos. As palavras de Abraham Lincoln: “Na essencial unidade, e não na essencial liberdade, devem ser observadas antes de qualquer iniciativa visando à união das Igrejas” [1].
“O emprego do ritual nas Igrejas Cristãs Protestantes poderia ser observado sob dois ou talvez três aspectos. Poderia consistir na leitura de certos trechos bíblicos, dispostos de maneira a se tornarem um serviço conectado e consecutivo. Alguns Rituais poderiam ser elaborados de modo a se adaptarem a determinadas festividades, ao passo que outro poderia ser utilizado nas práticas mais corriqueiras. As cerimonias da Igreja Protestante Episcopal poderiam ser adaptadas em sua forma atual ou em outra modificada. Poder-se-ia utilizar um ritual elaborado especialmente por um ocultista com possibilidades de manter-se em contato com as fontes cósmicas de conhecimento. Esse talvez seja o mais eficiente para a realização do fim colimado, porém, antevemos uma série de dificuldades quanto a sua aplicação. Antes de qualquer ritual produzir o efeito sobre um grupo de pessoas, estas deverão se sintonizar com ele. Esta ação diz respeito ao trabalho sobre seus Corpos Vitais”.
“O Corpo Vital é o veículo da memória. O ritual católico afeta diretamente o Corpo Vital de seus seguidores. As orações repetidas, o tempo e a tonalidade dos vários cantos e o incenso exercem uma influência toda especial no veículo etérico, gravador por excelência. Eis porque os sacerdotes católicos concentram seus esforços de uma maneira bem acentuada sobre as crianças. ‘Dai-nos uma criança até aos sete anos e ela será nossa para sempre’. Através da repetição imprimem suas ideias nos Corpo Vitais dos infantes, extraordinariamente maleáveis. Não importa que seja o ritual oficiado em língua desconhecida para os assistentes, pois essa mensagem vibratória é um canto divino e colorido, intangível por todos os Espíritos”.
“Os ministros protestantes operam com a natureza emocional (via Corpo de Desejos), demonstrando não compreenderem a inutilidade de seus esforços, pois estão lidando com um veículo que impulsiona o ser humano, despertando emoções e sentimentos dos mais variados, induzindo os membros das igrejas a buscarem algo novo e sensacional. Eis a razão do número inconstante de fiéis nas seitas protestantes” [1].
“Alguns católicos postam-se contra sua igreja de origem. Alguns chegam mesmo a combatê-las, porém, subconscientemente permanecem católicos até o derradeiro dia de suas existências. O Corpo Vital é difícil de ser mudado. As linhas de força nele produzidas durante o seu período gestatório são mais fortes do que qualquer esforço individual” [4].
“Se desejamos mudar as tendências do mundo, impelindo os seres humanos à busca de ideias superiores devemos antes de qualquer coisa iniciar o trabalho pelas crianças. Se as reunirmos diante de um altar, ensinando-lhes a amar a Casa de Deus e imprimirmos em seus Corpos Vitais as vibrações de determinadas preces, formaremos belos caráteres, estreitamente ligados ao ideal. Construiremos gradativamente ao redor da estrutura de pedra, um templo invisível de luz e da vida, tal como descreve Manson no “The Servant in The House” [1].
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1968 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: da Pergunta nº 161 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” Volume II -Fraternidade Rosacruz – Max Heindel.
Janeiro de 1917
Recentemente, um amigo, que vem fazendo o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz já a algum tempo, me escreveu pedindo um esclarecimento sobre um assunto que lhe causa alguma preocupação; e como essa dúvida pode ocorrer a outros Estudantes que não tiveram a oportunidade de expressá-la, achamos melhor utilizar essa Carta para esclarecer esse assunto. Tal assunto será de grande utilidade, mesmo para os que não o tenham observado sob o ponto de vista do nosso amigo. Ele não pretendeu reclamar, mas disse que solicitou o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz na esperança de obter algo que o ajude no seu desenvolvimento espiritual. Em vez disso, recebe mensalmente um pequeno sermão amável e, ainda queadmita queisso possa ser útil tanto para os iniciantes quanto para os Estudantes adiantados, pergunta: onde está propriamente a instrução? Outros autores de outras “filosofias” fornecem certos exercícios que ajudam os seus seguidores; e pergunta: por favor, poderíamos lhe oferecer alguns exercícios que desenvolvesse sua faculdade de escrever bem e com qualidade?
Não, não podemos fazer isso. Os Ensinamentos Rosacruzes foram elaborados para promover o progresso espiritual, em vez da prosperidade material, e não conhecemos nenhum exercício esotérico que traga riqueza material, quer diretamente quer por um estímulo anormal de um talento latente. Se o fizéssemos, não o ensinaríamos, pois tal uso do poder oculto ou esotérico é magia negra. “Buscai primeiro o Reino de Deus e Sua justiça, e todas as outras coisas vos virão por acréscimo”[1], disse Cristo, e nós nunca cometeremos erros se seguirmos Seus conselhos. Se o nosso amigo ou qualquer outra pessoa quiser desenvolver uma faculdade latente somente para o bem, essa aspiração espiritual irá, em um determinado momento, se converter em realidade sem a necessidade de um exercício oculto ou esotérico específico, se for persistentemente executado e fortalecida pelo esforço físico por meio de atos, obras e ações.
Acerca das lições que são “pequenos sermões amáveis” podemos dizer que assim parecem, se lidas superficialmente. Mas se forem estudadas profundamente, há nelas uma grande quantidade de conhecimento oculto ou esotérico que é muito mais benéfico para o Estudante do que um exercício, como o que nosso amigo deseja. Há, no entanto, uma razão ou estratégia por trás disso que, pode à primeira vista parecer algo caótico ou sem sentido, ao fornecermos os Cursos dessa maneira. Talvez isso não tenha ficado claro para os Estudantes e, portanto, tentaremos esclarecer melhor o assunto. No entanto, tenha em mente que a comparação a seguir é feita com um legítimo propósito; não como uma crítica.
Além do fato de que a Escola Oriental de Ocultismo baseia os seus ensinamentos no Hinduísmo, enquanto a Escola dos Ensinamentos de Sabedoria Ocidental preconiza o Cristianismo – Esotérico, a Religião do Ocidente – há uma grande discrepância fundamental e irreconciliável entre os ensinamentos dos modernos representantes do Oriente e os dos Rosacruzes. De acordo com a versão do Ocultismo Oriental, o Corpo Vital – chamado “Linga Sharira” – é comparativamente sem importância, pois é incapaz de se desenvolver como um veículo de consciência. Ele serve apenas como um canal para a força solar, “prana”, e é um “elo” entre o Corpo Denso e o Corpo de Desejos, que é chamado “Kama Rupa”, também chamado de “Corpo Astral”. Esse, dizem eles, é o veículo do Auxiliar Invisível.
A Escola dos Ensinamentos de Sabedoria Ocidental nos ensina, como sua máxima fundamental, que “todo o desenvolvimento oculto começa com o Corpo Vital”, e o autor, como seu representante oficial e público, tem estado constantemente empenhado, desde o princípio do nosso movimento, tentando reunir e disseminar os conhecimentos referentes aos quatro Éteres e ao Corpo Vital. Muitas informações foram fornecidas no Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” e nos livros que se seguiram da biblioteca da Fraternidade Rosacruz, mas as lições e Cartas mensais contêm os resultados das nossas investigações recentes e atualizadas. Constantemente estamos dissertando sobre esse Corpo Vital (vital num duplo sentido) diante das Mentes dos Estudantes para que, conhecendo e refletindo sobre ele, bem como lendo e prestando bastante atenção aos “pequenos sermões amáveis”, contidos nessas informações, possam de uma maneira consciente e inconscientemente tecer o “Dourado Manto Nupcial”[2]. Aconselhamos a todos que estudem essas lições cuidadosamente, ano após ano; pode haver nelas algo que pode até ser considerado sem valor ou superficial, mas há muito mais ouro nelas.
Desejamos a vocês um crescimento espiritual abundante durante o Ano Novo.
(Carta nº 74 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Mt 6:33
[2] N.T.: Traje Nupcial de Bodas ou Vestimenta Dourada para o Casamento Místico entre o “eu inferior” e o “Eu superior”, o “Soma psuchicon” ou o Corpo-Alma.
Resposta: Tudo o que podemos dizer aqui é indicar os primeiros passos conducentes à aquisição dessa faculdade. O primeiro exercício desenvolve a concentração mental – é o Exercício Esotérico Rosacruz matutino da Concentração – e a ocasião mais indicada para iniciar e desenvolver essa prática é pela manhã logo ao despertar. Antes que os cuidados do dia nos assoberbem, pomo-nos relaxados e cômodos, apenas a Mente vigilante é enfocada nesse exercício. Nessa ocasião, recém-chegados dos Mundos internos, mais facilmente poderemos trazer à Mente as impressões e imagens que lá tivemos.
A técnica é a seguinte: não se movimente. Relaxado e cômodo focalize mentalmente o exercício. O estado relaxado do Corpo Denso não apenas objetiva a confortável posição, mas principalmente a permitir a cada músculo do Corpo Denso não ficar em estado de tensa expectativa. A tensão muscular frustra os objetivos do exercício. Ao se por tenso, o Estudante Rosacruz desperta e dá ênfase ao Corpo de Desejos, que se expressa pelos músculos estriados (ou voluntários) e tendões do corpo, o qual impede a calma necessária à concentração mental.
Primeiramente, devemos fixar nosso pensamento firmemente num ideal ou em algo elevado, sem desviar-se. Alguns exemplos são: o Símbolo Rosacruz, uma rosa, os cinco primeiros versículos do Evangelho Segundo de S. João, entre outros. É tarefa difícil, mas devemos persistir com entusiasmo, sem esmorecimentos, até que a possamos realizar bem, o esforço compensa, pois leva seguramente a resultados maravilhosos. Veja: qualquer objeto poderá ser utilizado, de acordo com o temperamento e a capacidade mental do Aspirante à vida superior, contanto que puro e edificante. A lembrança do Cristo poderá ser um motivo de concentração. As flores, particularmente, poderão servir a este propósito. Se é a figura de Cristo-Jesus, devemos imaginá-lo como um Cristo real, dotado de expressão. Assim, deve tudo ser construído como ideal vivente e não estático e morto. Se escolhermos uma flor devemos, em imaginação, tomar a semente, enterrá-la no solo e fixarmo-nos neste quadro. No momento veremos a semente brotar, estendendo suas raízes que penetram na terra em forma espiralada. Dos seus principais ramos percebemos inúmeras radículas projetarem-se em todas as direções. Depois vemos a haste se projetar para cima rompendo a superfície da terra, surgindo como um diminuto pedúnculo. Um diminuto raminho surge da haste principal. Depois outro raminho. E mais outros, até o despontar de alguns botões. Presentemente, o que desperta mais a atenção são inúmeras folhas. Surge depois um botão no topo. Este botão cresce até que as pétalas de uma rosa vermelha surjam ao lado das folhas verdes, impregnando o ar com perfume dulcíssimo.
Veja: a concentração é um processo gradual. O primeiro quadro que o Aspirante à vida superior constrói será, naturalmente, obscuro e pobre. A pouco e pouco, através do exercitamento, poderá sobrepujar essas limitações, construindo, então, uma imagem real e viva.
Quando o Aspirante à vida superior se tornar apto a formar tais quadros e sobre eles mantiver a Mente enfocada, poderá retirá-los rapidamente do campo mental, conservando-se alheio a qualquer pensamento, na expectativa do que surgirá em lugar da imagem. Durante algum tempo, talvez, nada venha a ocorrer. Contudo, exercitando-se fiel e pacientemente todas as manhãs, tempo virá em que, ao afastar o quadro que tenha imaginado, o Mundo do Desejo se abrirá a seus olhos internos. A princípio poderá ser uma rápida visão, porém será uma mensagem daquilo que virá oportunamente.
Afinal o pensamento foi conquistado pelo emprego de metade de nossa força sexual criadora. Portanto, é também criador. Ele representa o poder de formar imagens, quadros, formas, mentais, segundo as ideias que internamente suscitamos. O pensamento é nosso principal poder. Nosso destino de seres racionais é de obter sobre ele absoluto domínio. Qualquer um, devidamente orientado, pode antecipar essa meta gloriosa e descortinar possibilidades inacreditáveis. O controle sobre a Mente permite a manifestação de imaginações reais, geradas por nós mesmos, o Ego, e não simples ilusões induzidas inconscientemente por condições exteriores.
O pensamento é o mais poderoso meio de obtenção do conhecimento. Se o concentrarmos sobre um assunto, ele abrirá caminho através dos obstáculos e resolverá o problema.
Nada está além da humana compreensão, quando chegamos a controlar e utilizar a força do pensamento. Geralmente dissipamos, dispersamos e enfraquecemos o pensamento-forma e em tal caso será de pouca utilidade, porque não atrai nem suscita no plano mental os dados necessários à global compreensão do assunto em foco. Todavia, uma vez estejamos devidamente preparados para o reto uso do poder mental, todo o conhecimento estará a nossa disposição. A importância disso só o avaliará devidamente o que tenha vislumbrado os resultados da Concentração. O Aspirante à vida superior não pode se furtar a essa meta. A princípio ficará aborrecido porque, ao tentar concentrar, a Mente foge e notará que pensa em tudo a que se encontra sob o Sol, em vez de fixar no ideal ou objeto proposto. Mas não deve desanimar. Com o tempo e perseverança o domínio se tornará menos difícil e os seus sentidos vão se disciplinando, até conseguir relativa concentração do foco mental.
O principal fator de êxito para lograrmos concentrar bem é a persistência; seguido de perto pela perseverança, obstinação, repetição, até vencer a luta. O que é mais difícil traz frutos mais valiosos. Sem persistência resultado algum poderá ser obtido. É inútil fazermos esse Exercício Esotérico Rosacruz em uma, duas ou três manhãs ou mesmo semanas, para, depois negligenciá-los, falhando, interrompendo, reiniciando. Para ser efetivo, o exercício deverá ser feito fielmente todas as manhãs, sem nenhuma falha. Melhor ainda se for à mesma hora e lugar porque se irá formando uma força vital que auxiliará e abreviará a meta. E uma vez conquistado um bom resultado, devemos continuar o exercício, pois a natureza não admite inação. “O exercício assegura o resultado, como a função faz o órgão”. Toda função que só interrompe, vai retrocedendo e se atrofiando. O Exercício Esotérico metódico e constante mantém em ascensão e evolução todas as coisas.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz maio/1968 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Com a aproximação do Natal, quando os corações mais de perto se aconchegam em busca de calor humano, sentimos que toda uma ambientação peculiar às comemorações se faz presente: multiplicamos as luzes noturnas, numa profusão multicolorida; enfeitamos as nossas casas; decoramos a cidade; apressamos nossos passos; compramos presentes; formulamos votos e bons desejos, felicitações são retribuídas.
É Natal. É festa. É alegria.
Contudo, nossos corações se voltam ao passado para reviver as cenas cujo simbolismo estamos habituado a comemorar e cujo sentido mais profundo aprendemos a conhecer na Fraternidade Rosacruz.
Rememoramos não mais o artificialismo das luzes em seus variados matizes, mas a iluminação interior daquele amoroso Ser e dos Seus seguidores diretos, que almejamos alcançar.
Relembramos não mais os enfeites das vitrines, porém o luminoso semblante daqueles que hoje representam os verdadeiros Amigos sinceros, dadivosos, simples, cheios de entendimento Cristão e coerentes na prática de sagrados princípios não apenas em uma época especial do ano, mas dia após dia, hora após hora, numa expressiva e ininterrupta oração.
Recordamos não mais as compras de presentes custosos e materiais, mas a dádiva de ajudar os semelhantes com todos os nossos valores físicos, emocionais, mentais, anímicos e espirituais, no sagrado labor desta causa Rosacruz, na convicção de que o fazemos para Ele.
Evocamos, acima de tudo o que nos relembra esta data, a figura inesquecível de nosso amado Irmão Maior, Jesus de Nazaré, que tornou possível o maior trabalho de redenção já realizado neste mundo. E, por associação, a figura luminosa do Cristo, cuja volta anual a nosso Planeta regalvaniza em escala ascendente as suas vibrações purificadoras; dá novo alento vital aos seres vivos; enxameia de altruísmo os corações das pessoas na proporção da afinidade delas, mas buscando sempre dissolver a crosta de egoísmo delas e transformara essa crosta na branca, na brilhante joia em que um dia se tornará.
Invocamos a Sua mensagem unificadora, desfraldada como Verdade, Beleza e Bondade acima de todas as limitações e preconceitos, cobrindo todos os povos e condições, espraiando-se na forma do Caminho único de ascensão a Deus, cada vez mais encarecido e evidenciado pelas nossas lutas, discórdias e nossos sofrimentos.
E nos dispomos, então, não mais à pressa enganosa dos passos que não conduzem a lugar algum; contudo, ao andar resoluto e bem orientado de quem já conhece o Caminho e está trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro de 1966 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Por que este número três?
Seria por causa de S. Mateus que só menciona três presentes: ouro, incenso e mirra – atribuindo-se, assim, simplesmente um presente para cada Rei?
O texto evangélico não diz mais, além do que os “Magos vieram do Oriente à Jerusalém” (Mt 2:1) onde perguntaram a todos pelo recém-nascido – “Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Com efeito, vimos a sua estrela no seu surgir e viemos homenageá-lo” (Mt 2:2).
Segundo S. Mateus, os Magos encontraram o Menino Jesus e Maria em “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes” (Mt 2:1). Quem seriam esses Magos? Max Heindel dá-nos uma resposta rica em detalhes de conhecimento oculto: “Nos tempos antigos antes da vinda de Cristo, somente uns poucos escolhidos podiam seguir o caminho da Iniciação” (do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz). Era um privilégio ao alcance de uma minoria, tais como os Levitas, Druidas, Trotes. Estes eram levados aos Templos, onde lá permaneciam. Casavam-se em condições determinadas. Alguns se preparavam para fins definidos, como por exemplo, desenvolver um apropriado afrouxamento entre os Corpos Vital e Corpo Denso, cuja separação é necessária para a Iniciação. Tem de haver esta separação para que se possam desprender os dois Éteres Superiores e deixar os outros dois Éteres Inferiores. Isso não se podia fazer com a Humanidade comum daquele momento evolutivo. A maioria das pessoas estava, ainda, muito aferrada ao Corpo de Desejos, e por isso, devia aguardar até mais tarde, quando as condições evolutivas dessa maioria fossem melhores.
Até àqueles que se encontravam reunidos nos Templos era perigoso o trabalho de libertá-los fora de certas épocas; e a mais longa noite do ano, a noite de Natal, era uma das mais apropriadas para a Iniciação.
Quando o maior impulso espiritual estava presente, havia melhor oportunidade para estabelecer contato com Ele, do que em qualquer outra parte do ano. Na Noite Santa do Natal era costume dos Seres Sábios – os Magos – que estavam, evolutivamente, acima da Humanidade comum, levar ao Templo aqueles que se estavam tornando sábios e, portanto, com direito a serem Iniciados. Realizavam-se determinadas cerimônias e os candidatos eram mergulhados numa espécie de transe. Naquele tempo não se lhes podia conceder a Iniciação em estado de completa vigília, como hoje. Quando despertada a sua percepção espiritual, podiam ver através da Terra que para a sua visão espiritual tornava-se transparente, por assim dizer, e viam a Estrela da Meia-Noite, o Sol espiritual do outro lado do globo terrestre.
Porém, essa estrela não brilhava somente nessa época. É mais fácil vê-la agora, porque Cristo alterou as vibrações da Terra e desde então o seu aperfeiçoamento se efetiva. Ele rasgou o véu do templo, e fez o Santo dos Santos – o lugar da Iniciação – accessível a todo aquele que, de coração devoto, queira alcançar a Iniciação. Desde então não mais foi necessário o transe ou estados subjetivos. Há uma chamada consciente dentro do Templo para todo aquele que deseja entrar.
Temos de considerar outra coisa: as oferendas dos Magos, postas aos pés do Salvador recém-nascido. Segundo a lenda um trouxe ouro, outro mirra e o terceiro incenso.
Sempre temos ouvido falar do ouro, como símbolo do Espírito. O Espírito é simbolizado deste modo no Anel dos Nibelungos[1]. Na primeira cena vemos o ouro do Reno. O rio é tomado como emblema da água e ali se vê o ouro brilhando sobre a rocha, simbolizando o Espírito Universal em perfeita pureza. Mais tarde roubam-no e o convertem em anel. Isto o fez Alberico, simbolizando a Humanidade na parte média da Atlântida em cuja época o Espírito penetrou nos veículos humanos. Depois o ouro foi adulterado, perdeu-se e foi à causa de toda a tristeza sobre a Terra. Os Alquimistas dizem ser possível transmutar os metais baixos ou vis em ouro puro; este é o modo espiritual de dizer que eles queriam purificar o Corpo Denso, refiná-lo e extrair dele a essência espiritual, pela sublimação dos instintos, e não pela sua supressão ou pelo recalcamento.
Portanto, o presente de um dos reis Magos, o ouro, simboliza o Espírito puro.
A Mirra é extraída duma planta aromática, cultivada na Arábia. Por esse motivo simboliza aquilo que extraímos de nós mesmos quando nos purificamos, libertando o nosso sangue da paixão que nos consome. Deste modo, nos convertemos em algo semelhante às plantas, na nossa castidade e pureza. Então, o nosso Corpo Denso se torna uma essência aromática. É certo que existem homens e mulheres tão santos que emitem de si um aroma agradável, e daí dizer-se que morreram em odor de santidade. A mirra representa a essência da alma, extraída da experiência realizada enquanto se vive em Corpos Densos. Por isso ela simboliza a Alma.
O incenso é uma substância física de um caráter muito sutil e usada muito amiúde, nos serviços religiosos, onde serve de veículo físico para as forças invisíveis, simbolizando assim o Corpo Denso.
Esta é a chave dos três presentes oferecidos pelos Magos, ou seja: o Espírito, a Alma e o Corpo.
Cristo afirmou: ” Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens” (Mt 19:21). Não deve ficar com coisa alguma. Tem que dar o Corpo, a Alma e o Espírito, tudo, pela Vida Superior para Cristo, não para um Cristo exterior, mas para o Cristo Interno, o Cristo que está dentro de cada um de nós. Os três Magos, segundo diz a lenda, eram: um amarelo, outro negro e outro branco. Representavam as três Raças existentes sobre a Terra: a Mongólia – amarela; da África – a negra; e do Cáucaso – a branca. A lenda demonstra que seu tempo todas as Raças se unirão na benéfica Religião do Cristo, porque “diante d’Ele todo o joelho se dobra” (Rm 14:11). E cada um, a seu tempo, será guiado pela Estrela de Belém.
(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – dezembro/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: O Anel de Nibelungo é, na mitologia nórdica, um anel mágico que daria ao seu portador um grande poder. Na Fraternidade Rosacruz, essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
O Natal é a época Santa do ano, ocasião em que o Raio Crístico retorna esplendoroso ao nosso Planeta. Sem a aura rejuvenescedora, curadora e fortalecedora do Cristo, penetrando anualmente em nosso globo terrestre, grande parte da Onda de Vida humana estaria inexoravelmente perdida. Esse grande presente Natalino que recebemos é a mais profunda manifestação do amor nascido eternamente de Deus-Pai.
Max Heindel, o grande místico ocultista, descreve de forma divinamente inspirada (no livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz) a natureza do Amor Cósmico, com estas palavras: “o Espírito do Amor nasce eternamente do Pai, dia após dia, hora após hora, para o universo solar para nos redimir do mundo da matéria que nos envolve em suas garras mortais”. Este tema é particularmente oportuno para meditarmos durante esta época.
Por outro lado, causa-nos compaixão a ideia de que a maioria das pessoas faz do Natal, tornando-o um evento mais social e comercial do que místico. É verdade que o relacionamento entre nós se torna mais ameno e que há uma tendência geral à confraternização. Falta, porém, uma vivência mais mística: as pessoas acabam por se preocupar mais com presentes, ceias e coisas do gênero.
Falta um aprofundamento no significado desta festividade religiosa que se revestiu de um caráter mundano. Falta, enfim, o verdadeiro espírito do Natal!
Nós, Estudantes Rosacruzes, ou Estudantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, não podemos transigir com nossos princípios e valores. Devemos vivenciar os conhecimentos que recebemos. Se as circunstâncias nos obrigam ao cumprimento dos nossos deveres sociais, participando da ceia natalina em companhia dos nossos familiares, façamo-lo digna e moralmente, mostrando os nossos valores Cristãos. Abstenhamo-nos de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), de bebidas alcoólicas, do uso de quaisquer materiais advindos de partes dos corpos de quaisquer tipos de animais e quaisquer outros excessos. Guardemo-nos contra a pusilanimidade de violentar nossos princípios, apenas para não desagradar alguém (lembremos do ensinamento do Cristo: “sim, sim…não, não”). Sejamos firmes e coerentes em nossas convicções e estaremos contribuindo, com esse exemplo, para o estabelecimento do Reino de Deus aqui na Terra.
Não nos esqueçamos de oficiar o lindo e profundo Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa que nos ajudará e muito em nos manter firmes e a criar um ambiente mais voltado para a significância real do Natal.
Se a tradição nos aconselha a dar presentes materiais, façamo-lo consoante nossas posses e com dignidade. Nada de presentes luxuosos ou fúteis. Porque não dar algo edificante? Dar presentes úteis e que reconhecidamente podem preencher uma necessidade justa de um amigo, de uma amiga ou de um parente é uma postura sensata.
Porém, o Natal verdadeiro se constitui de presentes espirituais. São aquelas dádivas que revelam a presença do Cristo em nossas vidas. E a maior dessas dádivas é o amor!
O amor deve fluir espontaneamente do nosso coração ao coração das pessoas. Deus é Amor! Somos parte de Deus e o amor que d’Ele se irradia em ilimitada medida também existe dentro de nós, aguardando apenas oportunidade de liberar. Que este Natal nos seja mais intenso em amorosidade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/dezembro/1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Dezembro de 1914
Esse é o momento em que o desejo de bons votos está na ordem do dia. “Um Feliz Natal e um Feliz Ano Novo” são saudações que logo serão ouvidas em toda parte, e em conformidade com esse velho costume, os trabalhadores de Mt. Ecclesia também estendem aos Estudantes Rosacruzes de todos os lugares as habituais saudações dessa estação.
Mas, enquanto nós, cordialmente, desejamos uma próspera jornada e bom ânimo uns aos outros para o próximo ano, e ainda que os votos dos outros possam ser encorajadores e gratificantes, certamente eles são de menor importância. Contudo, o que desejamos a nós mesmos, individualmente, é o que é de máxima importância. Se o mundo inteiro conspirasse contra nós e nos hostilizasse por causa desse desejo, mesmo assim deveríamos ser bem-sucedidos, desde que sempre fôssemos capazes de nos manter na intensidade e na persistência suficientes nesse desejo. Desejamos riquezas? Elas podem ser nossas pelo exercício da vontade. Se queremos poder e popularidade, eles também estão à nossa disposição, desde que envolvamos nosso desejo com um ardor irresistível. Estamos doentes, fracos ou debilitados de alguma outra forma? Também podemos nos livrar dessas doenças no nosso Corpo por um desejo intenso por saúde. As restrições sociais ou dificuldades nas condições familiares desaparecerão ante o desejo sincero daquilo que realmente se deseja.
Porém, existe o outro lado. O desejo é uma faca de dois gumes, e o que parecia ser o maior bem, enquanto se contempla, pode se mostrar uma maldição, quando alcançamos a posse definitiva do que desejamos. A maior fortuna pode sucumbir em poucas horas por um terremoto ou uma queda do mercado financeiro, e a pessoa rica sempre teme a possibilidade de perder suas posses. Para sermos populares, devemos estar à disposição de todos; nós nem descansamos, nem temos tempo para fazer o que queremos. Doenças do nosso Corpo que parecem espinhos na carne, que parecem roubar todas as alegrias da vida e das quais gostaríamos de nos livrar, podem ser a maior das bênçãos, ainda que disfarçadas. S. Paulo tinha um problema de saúde e rogou ao Senhor, que lhe disse: “A minha graça te basta”[1]. O mesmo pode acontecer com as condições desarmônicas familiares etc. Em todos os relacionamentos humanos há certas lições a serem aprendidas para o nosso próprio bem e, portanto, devemos ser muito cuidadosos para não desejar o fim dos nossos sofrimentos sem antes e sempre acrescentar as palavras que Cristo proferiu durante a Paixão na Cruz, no Jardim do Getsemani. Mesmo que o Seu corpo tentasse se esquivar da tortura que O aguardava, Ele disse: “Pai, faça a Tua vontade e não a minha”[2]. Devemos sempre relembrar que só há uma coisa pela qual podemos orar com fervor ilimitado e total intensidade, e que é o que podemos agradar a Deus.
E agora, queridos amigos e queridas amigas, a Fraternidade Rosacruz é uma associação composta de muitos membros individuais. Você é um deles e se juntará a nós como um Estudante Rosacruz para desejarmos a nós mesmos, à Fraternidade Rosacruz, as maiores bênçãos da graça de Deus durante o ano de 1915, para que possamos ser mais eficazes em fazer a nossa parte da obra de Deus na Terra e apressar o dia da vinda de Cristo? E você desejará isso com tanta intensidade que você trabalhará para essa finalidade, durante todo o ano com zelo e fervor?
Que Deus abençoe a Fraternidade Rosacruz e a torne um fator mais eficiente em Sua obra no mundo.
(Carta nº 49 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: 2Cor 12:9
[2] N.T.: Lc 22:42
Resposta: A Lei da Analogia é válida em todo lugar. É a chave mestra para todos os mistérios, e você verá que aquilo que se aplica ao nível microcósmico (como no ser humano), se aplica também ao nível macrocósmico (como em Deus) ou ao Poder Divino. Atualmente, a Onda de Vida animal está sendo guiada por Espíritos de fora[1]. Num período posterior, os Espíritos Virginais da Onda de Vida dos animais se tornarão Espíritos internos residentes e aprenderão a guiar os veículos – os Corpos – deles sem ajuda proveniente de qualquer fonte. O mesmo aconteceu com o Planeta Terra, como é afirmado no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz e em vários outros textos da nossa Literatura Rosacruz. Até há pouco mais de 2000 anos, Jeová era responsável e guiava o Planeta Terra de fora, da mesma forma que os animais são guiados pelos Espíritos-Grupo de fora. O Planeta Terra foi mantido em sua órbita graças ao Seu poder e Jeová foi o “Deus Supremo” até aquele momento.
No entanto, após a transformação realizada no Gólgota, o Espírito de Cristo penetrou até o centro do Planeta Terra para que nos ajudar a desenvolver faculdades que estavam fora das atribuições de Jeová. Jeová nos deu as Leis que nos mantinham sob controle, mas Cristo nos deu o amor. O conjunto das Leis de Jeová é uma força restritiva aplicada de fora; o amor de Cristo é uma energia propulsora aplicada de dentro. Assim, o Cristo está agora guiando o Planeta Terra em sua órbita, a partir do interior do Planeta, e assim continuará até que tenhamos aprendido a vibrar com esse atributo, o amor, por meio do qual seremos capazes de aplicar o poder ao nosso próprio Planeta, guiando-o na órbita dele a partir de dentro.
Cristo é o mais elevado Iniciado do Período Solar e, como tal, Ele tem a Sua morada no Sol. Ele é o Sustentador e o Preservador de todo o nosso Sistema Solar. Em certo sentido, é correto dizer que Ele habita nosso Planeta Terra como um Raio, embora isso não transmita uma ideia exata do que ocorre. Talvez compreendamos melhor o assunto mediante uma ilustração. Vamos comparar o grande Espírito Solar a um refinador de metais – ou seja, uma pessoa que se dedica à técnica de refino de metais, que visa obter a maior pureza possível do metal. Ele tem em sua fornalha vários cadinhos e observando todos eles. O calor funde esses metais e lança suas impurezas para o topo de cada cadinho. O refinador, gradualmente, vai desbastando os cadinhos até que o metal esteja totalmente limpo e brilhante, a ponto de se poder ver o rosto refletido neles. Da mesma forma, podemos ver Cristo direcionar Sua atenção de um Planeta a outro e, quando Ele se volta para o nosso Planeta Terra, por exemplo, Sua imagem é refletida justamente nesse Planeta. Contudo, não é uma imagem inanimada. É um ser vivo, sensível e capaz de perceber e sentir tudo, tão cheio de vida e sentimentos que nós mesmos, em nosso atual estado mortal, habitando esses Corpos terrenos, não podemos ter sequer uma pequena ideia dessa faculdade de sentir possuída pelo Espírito Planetário da Terra.
Assim, durante um certo período, Sua energia é transmitida sobre essa imagem como um foco e, embora estando realmente no Sol, o Cristo Cósmico sente tudo o que está acontecendo no Planeta Terra, como se Ele estivesse realmente presente aqui. Essa imagem interior, que deve ser completamente compreendida, não é uma imagem no sentido comum da palavra, mas é uma contraparte, um elemento do Cristo Solar e, por meio dela, Ele conhece, sente e percebe tudo que acontece no Planeta Terra, como se Ele mesmo estivesse verdadeiramente presente. Note que já repeti isso, mas trata-se de um assunto que deve ser repetido inúmeras vezes, pois é algo que deve ser muito bem compreendido. Isto é o que realmente significa onipresença. Assim, enquanto o Cristo é o Espírito residente do Sol, Ele também é o Espírito Planetário da Terra e deve continuar a exercer essa função de auxiliar-nos — sentindo tudo, suportando tudo o que acontece ou acontecerá com Sua presença real, por nossa causa.
Vamos analisar, por um momento, aquilo que chamamos de Planeta Terra — ou seja, a sua origem. A solidificação começou no Período Solar, quando não conseguíamos vibrar na alta taxa exigida para permanecer no centro do Sol. Assim, gradualmente, nos afastamos do centro do Sol e até sermos projetados no espaço[2]. A frequência vibratória foi, gradualmente, baixando até a metade da Época Atlante e, então, o Planeta Terra se cristalizou, por assim dizer, em uma massa pétrea. Assim, nós mesmos fizemos o Planeta Terra como ele é, e se não tivéssemos recebido ajuda, não teríamos conseguido nos livrar das malhas da matéria. Jeová, de fora, procurou nos ajudar por meio das Leis. Conhecer a Lei e segui-la nos teria ajudado, desde que tivéssemos a força necessária para segui-la. Entretanto, nenhum ser humano é justificado pela Lei e por meio dela todo Espírito se torna ainda mais enredado. Portanto, era preciso dar um novo impulso que inscrevesse a Lei dentro dos nossos corações. Há uma grande diferença entre o que fazemos, porque devemos fazer, por medo de um “mestre externo” que fornece uma retribuição justa para cada ofensa, e o impulso interno que nos impele a fazer o que é certo porque é certo.
Reconhecemos o que é certo quando a Lei está inscrita em nossos corações e, então, obedecemos aos seus ditames, inquestionavelmente, ainda que isso possa fazer todo o nosso ser vibrar de dor.
Desse modo, somos coletivamente os Espíritos Planetários da Terra. Algum dia, teremos que guiar o veículo que criamos. Jeová o guiou de fora por meio de Leis. Entretanto, como isso não foi suficiente para nos levar ao ponto de individualização, em que seremos capazes de cuidar de nós mesmos, Cristo veio até nós como Salvador e está nos ajudando até chegar o momento em que teremos desenvolvido, internamente, uma natureza amorosa que seja suficiente para fazer o Planeta Terra flutuar. Logo, não houve quaisquer outros Espíritos Planetário da Terra. O Cristo está aqui apenas temporariamente para nos ajudar e, no tempo devido, será nosso privilégio receber a tarefa de conduzir o nosso Planeta Terra como queremos e devemos. O aumento da força vibratória já tornou o Planeta Terra muito menos densa, bastante mais leve e, com o passar do tempo, ele se tornará novamente etérico, como já foi. Ela deixará de estar morta no pecado. E se tornará viva no amor.
(Pergunta nº 99 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: que chamamos de Espíritos-Grupo.
[2] N.T. Já no Período Terrestre, na Época Hiperbórea.