Resposta: Segundo a narração obtida dos Evangelhos, Pilatos colocou uma placa na Cruz de Cristo com os dizeres “Jesus Nazarenus Rex Judaeorem” e isso é traduzido, normalmente, como “Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus”. Mas, as quatro iniciais I.N.R.I colocadas sobre a Cruz representam os nomes de quatro Elementos da Natureza em hebraico: Iam, Água; Nour, Fogo; Ruach, Espírito ou Ar vital; e Iabeshah, Terra. Esta é a chave oculta do mistério da crucificação, pois simboliza, em primeiro lugar, o Sal, o Enxofre, o Mercúrio e o Azoth, que foram utilizados pelos antigos alquimistas para fazer a Pedra Filosofal, o solvente universal, o “elixir-vitae”.
Os dois primeiros (Iam e Iabeshah) representam o Elemento salino lunar, a Água: a – em um estado fluídico que contém sal em solução; b – o extrato coagulado dessa água: o “sal da terra”. Em outras palavras, os veículos fluídicos mais sutis do ser humano e seu Corpo Denso. “N” (Nour) representa o Fogo em hebraico, e os Elementos combustíveis, entre os principais são o enxofre e o fósforo, tão necessários à oxidação e sem os quais o sangue quente seria impossível. O Ego não poderia funcionar no Corpo Denso, nem conseguiria expressar o pensamento aqui. “R” (Ruach) é o equivalente hebraico para o Espírito, isto é, o Azoth que funciona na Mente mercurial. Assim, as quatro letras: I.N.R.I. colocadas sobre a Cruz de Cristo, de acordo com o relato dos Evangelhos, representam o ser humano composto, o Pensador, no momento de seu desenvolvimento espiritual, quando se prepara para a libertação da cruz de seu veículo denso.
Prosseguindo na mesma linha de elucidação, podemos notar que I.N.R.I. é o símbolo do candidato crucificado pelas seguintes razões:
Iam é a palavra hebraica que significa Água, o elemento fluídico lunar, que constitui a maior parte do corpo humano (cerca de 60% a 70%) e essa palavra também é o símbolo dos mais veículos fluídicos do desejo, sentimento e da emoção.
Nour, a palavra hebraica que significa Fogo, é uma representação simbólica sangue vermelho, produtor de calor, carregado de ferro marcial, fogo e energia, que o ocultista vê fluindo como um gás circulando pelas veias e artérias do corpo humano, lhe infundindo energia e disposição, sem as quais não haveria progresso espiritual nem material. Também representa o enxofre e fósforo necessários para a manifestação material do pensamento, como já anteriormente mencionado.
Ruach, a palavra hebraica para indicar o Espírito, ou Ar vital, é um símbolo excelente do Ego envolvido pela Mente mercurial, que torna Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado como um ser humano, capacitando-o a controlar e dirigir seus veículos corporais e suas atividades de uma forma racional.
Iabeshah é a palavra hebraica para Terra, representando a parte sólida e carnuda que compõe o corpo terrestre cruciforme, cristalizado dentro dos veículos mais sutis ao nascer e separado deles ao morrer no curso normal das coisas, ou em um acontecimento extraordinário pelo qual aprendemos a morrer misticamente e ascender as gloriosas esferas superiores por uns tempos.
Esse estágio do desenvolvimento espiritual do Cristão Místico envolve, portanto, uma reversão da força criadora sexual de seu curso descendente normal, através da medula espinhal tripartida[1], onde os três segmentos são regidos, respectivamente, pela Lua, Marte e Mercúrio, e de onde os raios de Netuno acendem o Fogo Regenerador Espiritual da Espinha Dorsal, que subindo coloca em vibração o Corpo Pituitário[2] e a Glândula Pineal[3]. Isso, abrindo a visão espiritual e atingindo o seio frontal[4], faz a coroa de espinhos pulsar de dor enquanto o vínculo com o Corpo Denso é consumido pelo sagrado Fogo Espiritual, que desperta esse centro de sua milenar letargia para uma vida pulsante, avançando para os outros centros na estrela estigmatizada de cinco pontas. Eles também são vitalizados e todo o veículo se ilumina com uma glória dourada. Então, como um último movimento brusco, o grande vórtice do Corpo de Desejos, localizado na posição referencial do fígado, é liberado e a energia marciana, contida nesse veículo, impulsiona para cima o veículo sideral (assim chamado devido aos estigmas da cabeça, das mãos e dos pés que estão situados na mesma posição relativa entre si que os pontos da estrela de cinco pontas), que ascende através da crânio (Gólgota), enquanto o Cristão crucificado profere seu grito triunfante: “Consummatum est” (está consumado), e começa a se elevar para as esferas mais sutis ao encontro de Jesus, cuja vida ele imitou com tanto êxito e de quem, desde então, é companheiro inseparável. Jesus é seu Mestre e seu guia para o Reino de Cristo, onde todos estaremos unidos num só corpo para aprender e praticar a Religião do Pai, a quem o Reino eventualmente retornará, para que Ele seja Tudo em Todos.
(Pergunta número 78 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: A estrutura tripartida mais relevante para a medula espinhal refere-se aos seus funículos (ou cordões): anterior, lateral e posterior. Estes funículos contêm vias de substância branca que transmitem impulsos nervosos entre o cérebro e o corpo.
[2] N.T.: Também conhecido como Hipófise, é uma glândula endócrina localizada na base do cérebro, em uma estrutura óssea chamada Sela Túrcica.
[3] N.T.: Também chamada de Epífise, localizada no cérebro é uma glândula endócrina, ou seja, que libera sua secreção diretamente no sangue. O hormônio por ela produzido é a melatonina. Apresenta um formato que lembra uma pinha, daí sua denominação.
[4] N.T.: são dois espaços aéreos localizados na parte inferior da testa, acima dos olhos e entre as sobrancelhas.
RESPOSTA: Antes de tudo vamos considerar o assunto em relação ao que se costuma chamar de “morte”. Quando chega o momento determinante do fim de mais uma existência física, nós – o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui – nos retiramos pela nossa cabeça, levando conosco a nossa Mente e o nosso Corpo de Desejos. É semelhante ao que costumamos fazer todas as noites, durante o nosso sono. Como o Corpo Vital já cumpriu também sua finalidade se retira juntamente. Rompe-se, então, o Cordão Prateado que ligava os veículos superiores ao veículo físico, o Corpo Denso.
Após esse fato surge, para nós, um momento de extrema importância: uma grande parte do valor da nossa vida passada depende da nossa atenção.
Quando nos libertamos do nosso Corpo Denso, que era o mais considerável empecilho ao nosso poder espiritual (como, por exemplo, são as luvas grossas nas mãos do músico que tenta tocar um violino), esse poder espiritual volta para nós, até certo ponto. Com isso podemos ler as imagens contidas no polo negativo do Éter Refletor do nosso Corpo Vital, que é o assento da Memória subconsciente.
Toda a nossa vida terrestre passada, recém-finda, desfila nesse momento ante nossa visão como um panorama – um Panorama de Vida, só que com todos os detalhes –, apresentando os acontecimentos em ordem inversa. Os incidentes do dia que precedeu a morte vêm em primeiro lugar, e assim seguem para trás através de todas as fases que passamos, por exemplo: terceira idade, adulto, adolescência e infância. Tudo é revisto.
Permanecemos como um espectador ante esse Panorama de Vida passada. Vemos as cenas conforme se sucedem e que se vão imprimindo nos nossos veículos superiores, mas nesse momento ficamos impassível ante elas. O sentimento está reservado para quando chegar a hora de entrarmos no Mundo do Desejo, que é o Mundo do sentimento, desejo e da emoção. Por enquanto nos encontramos apenas na Região Etérica do Mundo Físico. Este Panorama de Vida perdura de algumas horas até vários dias, dependendo isso do tempo que possamos nos manter despertos, se necessário. Algumas pessoas podem se manter assim somente doze horas, ou menos ainda; outras podem se manter, segundo a ocasião, por certo número de dias. Mas enquanto pudermos nos manter desperto esse Panorama de Vida recém-finda aqui. E desde que as experiências purgatoriais, a assimilação das experiências e o crescimento da consciência dependem da nitidez destas cenas impressas nos veículos superiores, é muito importante que quando morremos não sejamos perturbados durante esse período da gravação desse Panorama de Vida (o máximo tempo que devemos aguardar é até três dias e meio após a determinação da morte aqui). Autópsias, choros e lamentações em torno do Corpo Denso, remoções, movimentações e quaisquer outros procedimentos que mexam com o Corpo Denso são fatores que se devem evitar.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a Ciência material reconhece que o poder que o faz funcionar está dentro do próprio. O Cientista Ocultista vê um espaço no ventrículo esquerdo do coração, próximo ao ápice que corresponde à ponta do coração, formado principalmente pela porção inferior do ventrículo esquerdo. É na posição referencial do ápice que está um pequeno átomo, chamado Átomo-semente do Corpo Denso. A forçaque existe nesse átomo, bem como em todos os outros átomos do nosso Corpo, nada mais é do que Vida indiferenciada de Deus. Sem esta força o mineral não poderia se materializar em cristal, por exemplo. Igualmente o vegetal, o animal e nós mesmos, seres humanos, estariam impossibilitados, sem Vida indiferenciada de Deus, de formarem o próprio Corpo.
A força existente nesse Átomo-semente do Corpo Denso é que movimenta o coração, proporcionando vida ao nosso organismo. Todos os demais átomos do Corpo vibram no tom desse átomo especial. As forças Átomo-semente do Corpo Denso estão imanentes em todo Corpo Denso possuído por nós, que é por meio dele que agimos. Nesse Átomo-semente do Corpo Denso, que poderíamos chamar “O Livro de Deus”, se imprimem todas as nossas (Egos) experiências, até as mais delicadas, mínimas e até as que poderíamos considerar “pequenas demais” da vida recém-finda. Nele, também, se encontra o arquivo de todas as experiências de todas as nossas vidas passadas.
Se quisermos seguir o caminho que compõe o Cordão Prateado, podemos começar pelo meio do seio frontal (meio da testa), passando pela raiz do nariz, descendo ao grande vórtice do fígado, passando pelo plexo celíaco e terminando no ápice do coração, onde está o Átomo-semente do Corpo Denso, e isso nos (nós, o Ego) liga ao nosso Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a nossa Mente. Quando mais uma vida material está chegando naturalmente ao fim, as forças do Átomo-semente do Corpo Denso se desligam, saindo do Corpo Denso através do nervo pneumogástrico, através das comissuras dos ossos parietais e occipital do crânio. Percorrem o trajeto do Cordão Prateado e acompanham os veículos superiores que nos acompanham Esta ruptura no coração determina a morte física, porém, a conexão do Cordão Prateado (entre o segmento que sai do ápice do coração e o segmento que sai do Plexo Celíaco, cuja união tem a forma de dois números “seis” invertidos), em alguns casos, só se desfaz depois de vários dias.
Sendo o Corpo Vital o nosso veículo da percepção sensorial, ele permanece com o nosso Corpo de Desejos e o Cordão Prateado, quando se libertam do Corpo Denso. Evidentemente, até que o Cordão Prateado se desconecte, no ponto mencionado acima, continuará gravando as sensações experimentadas por nós, o Ego, enquanto o nosso Corpo Denso, recém-morto, não for perturbado. Em consequência, toda cautela é pouca para não causar sofrimentos e nos incomodar nesse momento importantíssimo da nossa Evolução. Por isso é que, do mesmo modo que há uma Ciência para o Nascimento físico aqui, deve ter uma Ciência para a Morte aqui!
No caso de transplantes de um coração, como a cirurgia é realizada logo após a morte do doador, haverá interferência no processo do Panorama de Vida e sua gravação, pois também este se inicia imediatamente após amorte do Corpo Denso, ou seja, logo depois da ruptura do Cordão Prateado que estava ligado ao coração, no Átomo-semente do Corpo Denso. Contudo, embora imperfeitamente, devido aos incômodos ocasionados pela intervenção cirúrgica, cremos seja possível continuar o processo panorâmico do doador.
Mas, que sucederá ao Átomo-semente do Corpo Denso do receptor nesse meio tempo? Permanece inerte na contraparte etérica que ali continua, apesar de haver saído do coração físico. O Cordão Prateado dessa pessoa continua em seu lugar e ligado, mesmo que o coração físico tenha sido removido, pois se fosse rompido, o indivíduo não poderia viver. Em face de tal situação, surge a pergunta: teriam os Anjos e seus auxiliares transferido o Átomo-semente do Corpo Denso do receptor para o ápice do coração do doador? Não há dúvida que isto pode acontecer. Se o receptor vive, quer nos parecer que isto acontece. O destino deste último é uma provável relação em vidas passadas com o doador, poderá constituir elemento importante para o sucesso do transplante. Então, será também este o caso do Arquétipo, que supomos ficar sensibilizado por algum tempo com a ocorrência. É um fator a ser considerado.
Há outro ponto a ser lembrado no caso de transplante de órgãos humanos: cada átomo de um Corpo pertence peculiarmente ao Ego que nele habita. A condição de um Corpo com seus nervos, órgãos, tecidos, etc., reflete a modo como o Ego viveu anteriormente aqui na Terra. A recordação fiel de todas as suas experiências está registrada no Átomo-semente do Corpo Denso e esse, em cada renascimento, atrai matéria para onovo Corpo segundo as qualidades pessoais inatas. Se tiver violado as Leis de Deus, os resultados estarão presentes na estrutura de seus veículos.
Assim, as doenças são atraídas pelo próprio Ego, enraizando-se como uma manifestação de ignorância e desobediência às Leis Divinas, podendo ser erradicadas permanentemente com uma transformação interna moral. O transplante de um órgão saudável para substituir o órgão enfermo pode ser efetuado e em alguns casos poderá prolongar a vida do receptor. Contudo, acreditamos que seja um Arquétipo de matéria mental o que determina a extensão da vida, pois não outro jeito, porque a Lei de Causa e Efeito é o árbitro da maneira como a vida transcorre aqui. É fornecido a nós sempre escolher certas oportunidades de crescimento espiritual em vários momentos da nossa vida terrena. Se tais oportunidades forem aproveitadas a vida continuará pautada em reta conduta. Mas se forem negligenciadas, mergulharemos num beco sem saída, onde a vida é terminada pelas Hierarquias Criadoras com a destruição do Arquétipo.
Assim, podemos dizer que a extensão de uma vida na Terra é determinada antes do nosso, mais um, renascimento. Mas poderá ser reduzida (se negligenciarmos as oportunidades de avanço) ou excepcionalmente prolongada (quando, ao contrário, vivermos retamente e nos esforcemos em bem aproveitar todas as experiências).
(Publicada na Revista Rays from the Rose Cross de maio/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Vamos refletir sobre o poder de “Orar e Vigiar” e para que isso se aplica no nosso desenvolvimento espiritual.
A Bíblia é, ao mesmo tempo, um livro aberto e fechado, isto é, guarda em cada citação, no mínimo sete gradações de verdade igualmente válidas, segundo o nível de consciência da pessoa que a estuda. Conduz, por assim dizer, o Estudante Rosacruz, de porta em porta, à compreensão cada vez mais profunda do trecho em exame. E esse despertar nos vem de diversos modos, ora como um lampejo iluminador, ora numa percepção de outro ângulo por algo que lemos ou ouvimos. De toda a maneira é sempre um despertar interno, um abrir de consciência que nos leva, dali adiante, a perceber todas as outras coisas um pouco mais profundamente. Mas esse despertar não nos vem da Mente, senão do pensador: a Mente é um veículo nosso, um Ego ou Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, que através dela reflete as nossas conclusões.
Quanto mais nos abrimos como Espíritos Virginais manifestados aqui como Egos humanos que somos, mais fielmente escutamos internamente. Quanto mais abrimos mão de “nossas ideias, de nossos pontos de vista”, tanto mais ouvimos a novidade que vem de dentro de nós, que nos renova a percepção e nos liberta do círculo vicioso dos conceitos pessoais.
Meditemos, por exemplo, sobre a exortação “Orai e Vigiai” (Mt 26:41). O alcance da compreensão de cada um de nós está limitado pelo que se entende por orar e por vigiar. Uns acham que orar é recitar fórmulas pré-estabelecidas e que tais palavras têm um poder mágico, independentemente do nível de consciência de quem pronuncia essas palavras. Outros usam afirmações e negações de verdades fixadas por outrem ou redigidas mentalmente por eles. Outros, ainda, “conversam” honesta e sentidamente com Deus. E ainda outros nada pensam, nada dizem; simplesmente buscam Deus em seu íntimo, na convicção de que isso basta para preencher o verdadeiro sentido de oração.
São degraus, eles todos respeitáveis. Uns mais eficientes que outros. No entanto, muitos pedem e não recebem, porque não sabem pedir. Não é que Deus faça distinções e exija normas. É que muitos de nós não se endereça a Deus, não sai de si mesmo ao encontro de Deus. Não é que devemos vencer a relutância de Deus. A verdade é que devemos vencer a nossa própria relutância. Relutamos e não saímos de nós mesmos: quando oramos para ser visto pelos outros como um devoto; quando falamos muito e bonito, para satisfazer a nossa própria vaidade intelectual. Mas Deus não vê a embalagem, senão o conteúdo… a intenção.
A nosso ver, a mais alta forma de oração é o contato com o Cristo Interno. E até que o consigamos, é a busca, em nosso íntimo, de nossa centelha divina: fechamos “nosso aposento” e O buscamos, dizendo simplesmente: “Senhor, aqui está o teu servo (a natureza humana); fala que eu escuto; enche meu vaso” (ISm 3:10).
Isto pode ser feito em qualquer lugar. Quando temos de esperar alguma coisa, aproveitemos um minuto e façamo-lo. Porém, na tranquilidade e com tempo é melhor. Então podemos nos relaxar, meditar sobre algo elevado, edificante, e depois, naquela atitude de escuta, de calma expectativa, com a Mente e as emoções esvaziadas, esperamos que Deus se comunique conosco.
Quem já recebeu uma centelha que seja dessa mensagem divina, pode comprovar que a verdadeira direção humana vem de sua Fonte Divina. E passa a buscá-la em todas as oportunidades e circunstâncias, quer como um namorado saudoso que não vê a hora de reencontrar a amada, quer como uma namorada saudosa que não vê a hora de reencontrar o amado, quer como um esposo preocupado que se vai desabafar e aconselhar com a esposa ou um amigo (ou amiga) prudente, quer como uma esposa preocupada que se vai desabafar e aconselhar com o esposo ou um amigo (ou amiga) prudente.
Vigiar é se manter num estado de consciência em que seja possível ser dirigido por Deus. É uma questão de sintonia, como uma “chave de onda” de rádio, que nos liga com a faixa de onda correspondente. É claro, pois, que para Deus conversar conosco devemos ter equilíbrio emocional, emoções e pensamentos construtivos. As águas revoltas, como que despedaçam a imagem do céu; só no espelho tranquilo de um lago podemos ver refletidas as estrelas do firmamento. Assim também Deus se mira e fala em nós. A falta de controle emocional, os pensamentos negativos, as piadas maliciosas e mentiras com as quais condescendemos, no que chamamos “interesses e imposições comerciais”, debilitam e acabam por destruir o que de bom temos em nós.
“Vigiar e orar” é isto. Não pense que pelo simples fato de se ingressar numa Escola esotérica como a Fraternidade Rosacruz, por honesta e eficiente que seja, em estudando, ouvindo, respondendo-lhe às lições dos Cursos de Filosofia, Bíblico e/ou Astrologia de formação, conseguimos grande avanço. Por esse engano é que muitos antigos Estudantes Rosacruzes chegam a desanimar e até desistem de trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. O estímulo e a orientação vêm de fora, por amor de quem nos deseja elevar. Mas o proveito vem de dentro, de nossa assimilação e prática da verdade. Não é a verdade objetiva que nos liberta, mas a compreensão, a vivência da verdade, a apropriação da verdade e sua expressão prática na vida cotidiana.
Podem objetar que isto seja impossível. Não é fácil realmente, mas é possível. Disse o Cristo aos apóstolos, que os lançaria ao encontro das pessoas comuns, como ovelhas no meio de lobos e, por isso, que “fossem mansos como as pombas, porém prudentes como as serpentes” (Mt 10:16).
O valor e o progresso nos advêm desses pequenos méritos diários. Herói não é o que realiza num gesto denodado um ato grandioso; é o que vence as pequenas provas de todos os dias e persiste no bem, até chegar, degrau e degrau, àquele objetivo de todo Estudante Rosacruz a espiritualidade: o encontro consigo mesmo, a entrega de sua vida ao “Eu superior”, a cujos pés deporemos os despojos de nossas batalhas, como o fez Abrahão e Melquisedeque, porque então, o Cristo interior será nosso “Rei e Sumo Sacerdote” (Hb 7:2-4 e 7:10).
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1971-Fraternidade Rosacruz-SP)
Quando aprendermos a abandonar o Mundo material e tudo a que ele está ligado, centralizando nosso interesse sobre assuntos espirituais, aprenderemos a lição com a qual todos os Aspirantes à vida superior têm que se defrontar no Caminho do Cristianismo Esotérico.
E a isso que se refere esse Ensinamento nos fornecido direto por Cristo:
“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os corroem e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros nos céus, onde nem a traça, nem o caruncho corroem e onde os ladrões não arrombam nem roubam; pois onde está o teu tesouro aí estará também teu coração. A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, se o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado; mas se o teu olho estiver doente, todo o teu corpo ficará escuro. Pois se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão as trevas! Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e a Mamon.” (Mt 6:19-24).
Sob a segunda Dispensação (a Jeovística) fomos estimulados a adquirir posses materiais, sepultá-las na terra ou escondê-las nas paredes, o que foi praticado por nós desde tempos remotos, pois até a metade dessa quarta Revolução do Período Terrestre o nosso objetivo era conquistar a Região Química do Mundo Físico, ou seja, ser um Iniciado nessa Região do Mundo Físico. Isso, quem renasce no lado ocidental do Planeta já alcançou desde a terceira metade da Época Atlante – hoje já estamos na Época Ária. Para quem já alcançou essa “Iniciação”, Cristo – que inaugurou a terceira Dispensação (a primeira Cristã) trouxe um ideal superior: o acúmulo de Tesouros nos céus, baseado na aprendizagem e prática do amor Crístico, com a prática das qualidades interiores de bondade, ajuda e altruísmo, que não podem ser afetadas pela “ferrugem nem por traças nem os ladrões podem roubá-las”. E isso faz parte de alcançarmos o nosso próximo objetivo nesse Esquema de Evolução: conquistar a Região Etérica do Mundo Físico. Pois, quem continua tendo interesses por acúmulo de bens, terras, casas, posse, joias e tudo que o dinheiro pode comprar continua centralizado seus desejos, objetivos e ideias nessas coisas, ou seja, vivendo na segunda Dispensação (a Jeovística).
Reminiscências fortes que trazemos do final da Época Lemúrica e da Época Atlante – que nada mais são de lições que insistimos em não aprender, para podermos passar para um próximo nível – nos prendem a esses falsos valores ou ilusões e mantém muitos de nós ancorado em tudo que provém do “Eu inferior”, ligado aos desejos, emoções e sentimentos inferiores (posse, ciúmes, inveja, raiva, cólera, fama, poder e afins). Não existe nada errado nas posses materiais, contanto que sejam usadas para bons propósitos; desinteressadamente, e contanto que nossos Corações não se centralizem neles. Na verdade, os olhos são a luz do corpo e a ‘porta da alma’. Se o olho for sincero, do ponto de vista espiritual, então o corpo se inunda de luz, interpenetrado pelos dois Éteres superiores, despertando a vontade de servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível), focando na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade – ao irmão e à irmã que está em nosso entorno. Se os olhos são maus ou adoentados pela vida mal vivida, o Corpo estará cheio de sombras ou doenças. Tais “olhos” indicam quem está cheio de cobiça e inveja, e a envoltura áurica estará cheia de pontos escuros de fermentações. Aliás, a Aura de fato revela os interesses pelos bens materiais ou espirituais predominantes na vida de uma pessoa.
Eis porque surge a dificuldade em “servir a Deus e a Mamon”, sendo os dois de natureza oposta. Quem se interessa em se envolver no Mundo material, não tem tempo de conhecer ou servir a Deus. O Aspirante à vida superior, que se esforça para servir a Deus pela vida que vive de acordo com suas leis, fica livre da tentação da matéria ou da sua natureza inferior – Mamon. A boa qualidade de discernimento o capacita a perceber que a realidade é unicamente nós, o Ego, o Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui e que tem somente um ideal: seguir a Cristo e se preparar para quando Ele voltar, estar trabalhando e funcionando conscientemente na Região Etérica do Mundo Físico, com o seu Corpo-Alma completamente desenvolvido.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP
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No Novo Testamento, Cristo afirma: “Eu não sou deste mundo, como vós deste mundo não sois.” (Jo: 17-16). Significa que aqui estamos (no Mundo Físico) apenas de passagem; que este Mundo deve ser encarado como uma Escola – a Escola da Vida, o baluarte da nossa evolução atualmente –, um meio de aprendizagem e que, portanto, sua duração é efêmera. Vivemos num plano onde predomina a impermanência. Tudo é fugaz e nada tem razão de ser nosso objeto de desejo e apego, nem deve servir de base para a definição de nossos valores pessoais.
O apego é o resultado de nossa identificação com esse Mundo e com suas coisas. Quando nos tornamos conscientes da transitoriedade da forma e de sua sedução, o apego diminui. O desapego permite observarmos os acontecimentos, em vez de ficarmos presos dentro deles.
Há várias formas de apego óbvias e notórias, como por exemplo, se apegar a bens materiais, a dinheiro, roupas, objetos, à fama, ao poder mundano, a cargos remunerados ou honoríficos, à familiares (não significa que não devemos amá-los, protegê-los e apoiá-los). Mas também há formas mais sutis, quase imperceptíveis para quem convive com a pessoa ou até para a mesma. Trata-se de apego a ideias, hábitos, emoções e padrões de comportamento que já não acrescentam mais nada à nossa evolução. Talvez estejamos bloqueando nossa Mente à entrada de novos conceitos e visões de mundo.
Por que isso acontece? Qual a razão desse apego a ideias e coisas concretas?
Simplesmente porque muitos de nós se identifica com elas. Quando renascemos, representamos ou encenamos um papel no palco da vida perante o mundo e às pessoas. Quando lhe perguntam quem ele é, responde, por exemplo, nestes termos: “Sou fulano de tal, brasileiro, casado, católico, economista, natural de São Paulo, etc.”. Mas isso é um equívoco. A verdade não é bem essa. Ele não é nada disso, porém se identifica com tudo isso. É apenas a manifestação do Ego no Mundo visível, é a maneira como ele se apresenta aos olhos do mundo.
A identificação e o consequente (ou inconsequente) apego são algumas das razões do sofrimento aqui no Mundo Físico. É o que acontece quando há identificação com o Corpo Denso que, nasce, se desenvolve, decai e morre. Há que cuidar dele, por meio de uma boa alimentação, exercícios físicos e hábitos saudáveis. Ele é o nosso Templo sagrado, porém não é o Ego, a verdadeira essência (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui).
Os casos de baixa autoestima com o Corpo Denso ou com a aparência são sinais evidentes de identificação. Acontece muito nos casos de obesidade e de problemas na pele. A pessoa sofre porque se imagina daquele jeito, identificando-se justamente com o que lhe traz sofrimento. Sua autoimagem é negativa. Na realidade somos muito mais do que nossa aparência corporal. Somos mais importantes do que nossas características físicas, e muito mais importantes do que nossas emoções, nossos desejos, sentimentos, nossos pensamentos.
É preciso entender que quando o Corpo Denso começa a perder seu viço, a luz da consciência consegue brilhar mais facilmente através da Forma que se extingue aos poucos, enquanto a Vida permanece para sempre. Livre-se de sua crosta e o diamante resplandecerá mais!
Que as Rosas floresçam em vossa cruz
Resposta: O uso da morfina e de outros narcóticos em doses muito pequenas, como as que são geralmente tomadas pelo viciado em drogas, tem um efeito mortal sobre os nervos, tornando a pessoa (o Ego, que é um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) menos sensível no corpo e mais parecido a situação de quando o Ego abandona o veículo físico. Sob tais condições, as faculdades mentais melhoram, e a pessoa sente tal bem-estar mental e físico que lhe parece estar no próprio paraíso, até que a reação começa a se manifestar; então, ela passa a sofrer coisas parecidas com: se sentir separada de Deus – como se rejeitado do amor e da misericórdia de Deus –, como se um fogo estivesse penetrando na alma sem destruí-la, um remorso perpétuo em uma constante roedura da consciência, sofrimento psicológico intenso com frustração, desespero, arrependimento e autoaversão e outras coisas afins; consequentemente, ingere doses maiores para recuperar a sensação anterior de bem-estar.
Quando a morfina é ministrada em grandes doses, ela produz um estado parecido ao da pessoa que desmaia sob o efeito de um anestésico. O autor conheceu várias pessoas que se enquadram nesse último caso, mas nunca observou uma que tivesse morrido sob a ação da morfina; portanto, ele não pode dar as informações direta solicitada. Mas as pessoas que morreram sob o efeito de anestésicos estavam tão conscientes quanto o ser humano comum após a ruptura do Cordão Prateado. Elas assistiram o desenrolar do Panorama da Vida recém-finda aqui da mesma forma que a pessoa que falece normalmente, e não tiveram experiências diferentes. Portanto, diríamos que alguém que falece sob o efeito da morfina, provavelmente, não passa por experiências mais desagradáveis devido à droga que lhe foi administrada antes da transição; e o primeiro sentimento seria o de grande alívio por ter escapado ao sofrimento inerente a qualquer doença grave que precede a morte do Corpo Denso. Esse sentimento de alívio é comum a todos aqueles que sofreram, não importa se consciente ou inconscientemente. Sentem-se profundamente gratos por isso ter passado, e dificilmente compreendem que não existem doenças na Terra dos mortos que vivem, para a qual eles vão ao deixar esse mundo.
(Pergunta nº 39 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Repostas” – Volume 2 – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
O Esoterismo, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz, é um conhecimento transformador. É uma forma de espiritualidade elevada. Podemos considerá-lo como um “caminho para a salvação”. E, sim, existe um elo entre o Esoterismo da Fraternidade Rosacruz e a questão da doença ou enfermidade e da cura definitiva.
O Método de Cura da Fraternidade Rosacruz tem fundamentos filosóficos. Por um lado, aceita os ganhos das ciências material sobre doença, anatomia, fisiologia e, por outro lado, se baseia em uma concepção do universo que abrange uma história do Universo, da Terra e da Humanidade; bem como da Astrologia Rosacruz, anatomia, fisiologia e das Leis que regem o ser humano e o Universo. Nesse sentido, sabemos que nós somos dotados de vários Corpos e veículos. O conceito de “Corpo” não deve ser entendido no sentido da anatomia clássica, ou seja, de elementos individualizados. O conceito de “Corpo” tem a ver com realidades virtuais, de Mundos e suas Regiões e não de conjuntos de órgãos, tecidos, sistemas e membros relacionados entre si. Se o Corpo Denso está ao alcance dos órgãos sensoriais, o mesmo ocorre com os outros Corpos que são apenas perceptíveis por quem desenvolveu a visão dos Mundos onde esses Corpos ou veículos funcionam. Por exemplo, quem desenvolveu a visão do Mundo do Desejo veem o Corpo de Desejos como uma espécie de “envelope ovoide que se estende 40 ou 50 centímetros para fora do Corpo Denso. Podemos resumir as funções de cada Corpo assim: Corpo Denso é o instrumento da ação nessa Região Química do Mundo Físico; Corpo Vital é o que proporciona a vitalidade, se compõe de Éteres e funcionamos nele na Região Etérica do Mundo Físico; Corpo de Desejos que estimula à ação; a Mente pela qual manifestamos nossos pensamentos aqui e que refreia os impulsos, proporcionando um objetivo à ação. Assim, somos um Ego (um Espírito Virginal manifestado aqui como um Tríplice Espírito) que agimos e reunimos as experiências da ação. A cada parte do Corpo Denso há a mesma parte no Corpo Vital. No Corpo de Desejos há centros de percepção que quando estão em atividade se parecem com vórtices permanecendo sempre na mesma posição relativa com respeito ao Corpo Denso.
Sabemos que o Universo atua e se transforma com energia. Essa energia é percebia por nós sob a forma de quatro Éteres do Corpo Vital, que são Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso e Éter Refletor. A densidade e a consistência deles é que determinam o estado de saúde. Por exemplo: o Éter Químico nos permite assimilar nosso alimento e a nos desenvolver, mas o Éter Refletor é o Éter da memória que armazena experiências passadas.
A energia solar entra no nosso Corpo Denso pelo baço etérico. De lá, por meio dos nervos etéricos, chega ao Plexo Celíaco, ou Plexo Solar, onde está o Átomo-semente do Corpo Vital. E aqui se transforma no Fluido Vital Solar. Esse Fluido é que mantém a saúde do nosso Corpo Denso. Quando não o temos suficiente, ficamos doentes ou enfermos.
Assim, a saúde resulta de vários elementos: a saúde é o resultado da harmonia entre todos os nossos componentes do nosso Corpo Denso e da harmonia cósmica (harmonia com as Leis de Deus). A doença é uma realidade cosmobiológica e espiritual. No entanto, há casos em que é necessário passar pela doença ou enfermidade para nos fazer mudar, mas sob essas circunstâncias a doença é um precursor de um desenvolvimento espiritual correspondente. Naturalmente, neste caso, a doença ou enfermidade deve ser considerada uma bênção e não uma maldição. Primeiro de tudo, ela decorre de uma falta de harmonia, ou seja, uma não conformidade com o que acabamos de descrever acima. Também pode resultar de uma condição de Destino Maduro. Por exemplo, muitas vezes as doenças nos órgãos que compõe o sentido da visão são causadas por crueldade extrema em uma vida passada.
No entanto, se a doença ou enfermidade é uma consequência de atos, ações ou obras de vidas passadas, não é uma punição, pois Deus não pune, e a doença tem um valor pedagógico. Dor e sofrimento são feitos para nos fazer aprender lições que não quisemos aprender de outra forma.
Não há causas hereditárias para a doença ou enfermidade, porque explicar o comportamento pela Lei da Hereditariedade cancela a responsabilidade e a hereditariedade é usada como um álibi para maus hábitos. O que parece ser “hereditariedade” é, na verdade, a expressão da Lei de Associação e quanto mais cedo reconhecermos que devemos vencer os nossos maus hábitos e cultivar a virtude em seu lugar, em vez de atribuí-los à Lei da Hereditariedade, tanto melhor para nós. Por outro lado, a doença ou enfermidade pode ser causada pelo consumo de bebidas alcoólicas e todas as formas tabaco.
O Método de Cura da Fraternidade Rosacruz está de acordo com a cosmobiologia. Nesse Método, existem dois tipos de remédios para doenças: aqueles da medicina clássica e, em um nível mais alto, aqueles que se baseiam principalmente no poder espiritual chamado de Panaceia Universal ou Panaceia de Cura. Nesse Método, os Curadores (que são todos Auxiliares Invisíveis) transmitem ao Paciente o Poder Divino ou a Força Divina de Cura. A Panaceia pode ser sempre utilizada para curar qualquer tipo de doença ou enfermidade. Com o seu uso as partículas cristalizantes que envolvem os centros espirituais do Corpo do Paciente são dissipadas.
Existem três fatores no Método de Cura Rosacruz: primeiro, o Poder Curador do nosso Pai Celestial; a seguir, o Curador, um Auxiliar Invisível e, por fim o ânimo obediente do Paciente sobre o qual possa agir o Poder Curador de Deus-Pai por intermédio do curador, de tal forma que dissipe todas as doenças ou enfermidades do Corpo. Assim, a cura decorre de um ato de fé que mobiliza o Paciente e o torna o agente de sua cura. Nesse sentido há uma distinção entre tratar (ato em que o Paciente é passivo, também chamado de remediar) e curar (processo em que o Paciente é ativo). O Paciente tem que compreender que a doença ou a enfermidade é a consequência da violação das Leis da Natureza, e se voltar ou continuar fazendo as mesmas coisas que fazia, a doença ou a enfermidade retornará. Note que o tratar ou remediar é um processo físico. Já o curar é radicalmente diferente porque, neste caso, se exige que o Paciente coopere espiritual e fisicamente com quem cura.
Foi assim que os milagres de Cristo-Jesus, “o mestre curador”, foram obtidos. Cristo mobilizava o Poder do Espírito para curar pessoas que tinham fé neste poder. Como evidência da necessidade de se ter fé no Método de Cura, podemos estudar na Bíblia: “E Ele não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13:58).
O Poder Divino é chamado de a Panaceia Universal. A Panaceia é enviada por Deus para curar o ser humano. Essa “essência espiritual” é enviada a nós e nos fornece um impulso para que nos recomponhamos e retomemos o controle das células do nosso Corpo para restabelecer o funcionamento físico harmonioso.
Podemos nos perguntar: como um Paciente pode se beneficiar da Panaceia Universal? Note que a Cura Rosacruz opera a partir da transferência. Há sim a necessidade do comprometimento do Paciente. Se pelo contrário, o Paciente não acredita no poder de cura do Curador, seria melhor chamar um médico ou uma médica em quem ele confie, porque a saúde e a doença dependem muito do estado de espírito da pessoa que sofre.
Uma ponte deve ser estendida entre os planos superiores e inferiores. Quando Cristo utilizou o Corpo de Jesus na Terra e curou os enfermos, Ele, que era o Senhor do Sol, encerrava em Si a síntese das vibrações dos Astros, da mesma maneira que a oitava musical contém todas as tonalidades da escala e, portanto, podia emitir de Si mesmo a influência astral corretiva necessária e suficiente em cada caso. Ele sentia a desarmonia e sabia imediatamente como desfazê-la em virtude de Seu exaltado desenvolvimento. Diferentemente dos Curadores de hoje, Cristo não precisava despertar um Poder de Dura. Ele não precisava de preparação prévia, mas alcançava resultados imediatos ao substituir, com harmonia, a discórdia astral causadora da doença ou enfermidade que ele queria curar. Só em um caso recorreu à lei superior e disse: “Levanta-te; teus pecados estão perdoados” (Lc 5:23-24 e Mc 2:9-11).
Cristo, impregnado de Lei superior, portanto com Poder Divino, pôde curar restabelecendo uma harmonia que não se limita à harmonia biológica, mas tem a ver também com a harmonia cósmica que contribui para o funcionamento tanto dos Corpos como da Mente.
Sabemos que temos uma concepção biocósmica e o tratamento da doença ou enfermidade deve ser qualificado como tal. A cura passa, também, por um diagnóstico astrológico do Paciente, pois o Método de Cura da Fraternidade Rosacruz depende do conhecimento das dissonâncias astrais, que são a causa da doença ou da enfermidade, e do conhecimento da influência que remediará essa discórdia.
Ou seja, também é uma questão de Astroterapia que é tão útil quanto, de acordo com suas Leis de Compatibilidade e Receptividade, o Paciente se curar com menos esforço sob posições astrais favoráveis. Portanto, os Curadores levantam o horóscopo do paciente e então, conhecendo a doença ou enfermidade, eles entram em um estado de receptividade por meio de Exercícios Esotéricos Rosacruzes. Estes últimos são os meios mais eficientes para entrar em harmonia com Cristo. A prática desses Exercícios conduz a um dom de intuição que permite perceber o sofrimento dos outros, enquanto se encontra uma forma de lhes dar consolo e apoio.
Por que curar? Porque, do ponto de vista do ocultismo, o fato de vivermos ou morrermos é irrelevante, pois a morte não significa aniquilação, mas apenas uma mudança de consciência em relação a outras esferas. Prolongar a vida do veículo, que é o Corpo Denso aqui, permite reunir experiências e estender o desenvolvimento espiritual da pessoa aqui na Terra, que é o baluarte da evolução. O ato de curar é, portanto, tornado relativo. A vida aqui é importante, a saúde também, mas a vida aqui e a saúde vêm depois do desenvolvimento espiritual.
Na verdade, uma pessoa doente pode invocar energia por si mesma. A doença ou enfermidade física pode ser curada pelo poder espiritual, mas há que ter uma noção de “quantidade de Poder”, união de poderes introduzida pelo elemento social. Uma pessoa doente ou enferma recebe ajuda de um grupo de indivíduos: os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Esses irmãos são auxiliados mundialmente pelos Estudantes Rosacruzes e por qualquer pessoa que queira ajudar, a cada semana, quando a Lua passa por um Signo Cardinal – as chamadas Datas de Cura – que colocam seus pensamentos em uníssono em um momento chamado 18h30, independentemente dos fusos horários ou qualquer outro horário, pois o pensamento é um fluido transmitido por todo o Planeta que atingirá seu objetivo (se quiser se preparar para facilitar criar tais pensamentos de Cura, antes de se concentrar, oficie o Ritual do Serviço Devocional de Cura). O número de pessoas focadas nesse momento aumenta o poder espiritual em uma progressão geométrica.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Seja otimista! Está aí um exemplo de você construir e manter formas do Mundo do Desejo colhida de materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo. Não deixe se perturbar pelos obstáculos quotidianos. Encara-os com coragem e os contorne serenamente. A calma e o bom senso são os meios eficientes para afastar as nuvens negras que toldam o seu semblante. Se algo atormenta a você, procure averiguar de onde provém. Por certo será criação sua, através do uso negativo que você fez da palavra ou do pensamento. Procura a causa dos seus males e tenta eliminá-los racionalmente.
Ninguém pode viver bem sem equilíbrio, portanto, se você cair ante as provas, não se desespere. Você é parcela de Deus e forças novas lhe reerguerão novamente. Enquanto você permanecer convicto de que é um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, nada poderá lhe derrubar, porém se você limitar ao sentido efêmero desta vida material, será sempre presa fácil da tristeza, do desânimo, do ódio e de uma infinidade de sentimentos mesquinhos.
Não maldiga as duras lutas que a vida impõe a você. Elas constituem meios de sua elevação espiritual, sacudindo o pó da sua consciência embotada, lhe arrancando da inércia que o acorrenta, lhe despertando para a vida espiritual, criando dentro de você mesmo novos anseios, ideais elevados, culminando pelo desabrochar do Cristo Interno. Assim, procura enxergar a vida através de um prisma diferente, que imprima em seu ser a coragem de lutar e a esperança, sempre a esperança, mesmo ante os maiores revezes.
Os problemas que surgem diariamente não devem ser encarados como dificuldades a superar, mas sim como oportunidade de agir. A ação bem dirigida, o trabalho executado com finalidade construtiva e o labor altruísta formam um poderoso dínamo que, inevitavelmente, preserva o equilíbrio em sua vida. Nunca estejas ocioso, pois assim permanecendo, as preocupações logo lhe assaltariam advindo o pessimismo, o medo, a angústia; estas tenebrosas paixões que lhe intoxicam espiritual e fisicamente. Não se deixe dominar por elas, mas as subjugue. Nós, seres humanos, nos dividimos em duas grandes classes: as dos ocupados e a dos extremamente preocupados. Enquadre-se na primeira dessas duas grandes classes, sempre!
Não se esqueça que cada momento é precioso no sentido de criar novas causas que determinem um porvir mais elevado. Por conseguinte, semeia o bem a cada instante, através do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta nos irmãos, nas irmãs e em nós – que é a base da Fraternidade. Esta é a magna chave do crescimento anímico, do crescimento da sua Alma. Utilize-a sempre.
Não desperdice seu tempo com futilidades. Empregue-o inteligente e altruisticamente em benefício daqueles que carecem de ajuda. Cada minuto aproveitado em obra de tal envergadura representa um grande passo no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Já imaginou o que poderia ser realizado em apenas um minuto? Num ínfimo espaço de tempo como este, se poderia realizar algo cuja grandiosidade se estenderia até por muito tempo. Uma simples, porém, sincera e calorosa, palavra de estímulo pronunciada em alguns poucos segundos, pode até evitar uma tragédia. São múltiplas as maneiras de servir, importando apenas o sentimento que dinamiza tal ação.
Assim, alimentando ideais elevados, se dedicando ao sublime mister de servir a Humanidade, indicando-lhes um meio de elevação espiritual, você se colocará numa posição em que as coisas passageiras deste mundo material não mais o afetarão, pois se harmonizará com as Leis de Deus. Então, poderá afirmar como o apóstolo S. Paulo: “Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Tantas pessoas ouvem e veem o termo “o Caminho”, mas quanto à sua localização, poucos sabem ou parecem se importar. Toda a Humanidade deve, mais cedo ou mais tarde, chegar ao lugar onde a entrada dele está escondida. No primeiro portão, guardando a entrada do Caminho, sacrifícios são exigidos e é o Ego (o que realmente você é, ou seja, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana) que os exige. Aparentemente, você é chamado a fazer esses sacrifícios pelo bem dos outros, mas eles são realmente para o bem final da sua própria alma. Esse fato é escondido do neófito até que ele tenha feito os sacrifícios. Há muitos portões pelos quais você tem que passar antes de chegar ao teste final. Em cada um deles, você deve ser capaz de desistir de algo.
Lembre-se que as coisas que são valiosas para você no Mundo exterior, absolutamente, não têm nenhum valor no Caminho. Orgulho e ambição são duas coisas que são “excesso de bagagem” e quanto mais cedo forem deixadas de lado, mais cedo você encontrará o Caminho. Muitas coisas que eram úteis no mundo serão um fardo no Caminho.
Os portões para o Caminho não podem ser revelados a você por outra pessoa; mas outra pessoa pode fornecer as regras pelas quais você pode encontrá-los. Depois de ter passado pelo primeiro portão, certifique-se de que seus motivos estejam certos, porque se você tiver o mínimo de egoísmo restante, achará ainda mais difícil eliminá-lo.
Depois de chegar ao último estágio, o neófito deve colocar sua própria alma na balança, antes que ele possa passar pelo Guardião do portão. Ele será questionado se quer continuar sozinho e se desenvolver, ou se deseja parar onde está e ajudar os outros; se ele escolher continuar, ele falhará em seu teste, mas ele nem saberá que falhou. No entanto, quem, neste último portão, estiver disposto a sacrificar seu próprio progresso para ajudar os outros, descobrirá que este foi o último teste para ver se cada pedaço de egoísmo foi erradicado.
Você descobrirá que ficar para trás para ajudar os outros pode, por muito tempo, parecer algo ruim, pois aqueles a quem você quer ajudar podem recusar a sua ajuda; eles talvez pensem que você esteja interferindo em seus assuntos e podem até tratá-lo com desprezo. Mas isso também é um teste, já que é necessário observar se você pode permanecer na ingratidão e injustiça e, ainda assim, estar disposto a continuar. A alma neste estágio deve ser crucificada por experiências desse tipo. Depois que permite que isso aconteça, uma grande paz se seguirá, junto de uma felicidade além das palavras. Então o neófito, que é um Aspirante à vida superior, saberá que algo foi ganho e não pode ser tirado.
Após essa avaliação, a dualidade que constantemente incomodava o neófito não está mais em evidência, pois o “Eu superior” e o “eu inferior” se tornaram um. Não há palavras que possam descrever o estado de consciência resultante dessa fusão: ele precisa ser experimentado para ser compreendido.
O Discípulo agora não precisa de algo que esteja fora de si mesmo, pois conhece a Lei e se tornou um com ela. Ele não se preocupa quando vê seus amigos passando por experiências amargas, porque sabe que apenas dessa maneira a consciência da sua própria Divindade será revelada a eles.
E se tornou uma seta no Caminho, que nada mais é do que o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de março de 1921, e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Frequentemente ouvimos, entre os Estudantes Rosacruzes, falar da palavra “Arquétipo”, referindo-se ao modelo ou padrão original de alguma coisa, mas quantos de nós sabem da existência de um Arquétipo para cada indivíduo no mundo? Que a construção do Corpo Denso é exatamente uma cópia do referido Arquétipo?
Se nossos Corpos não são perfeitos, o erro deve se encontrar num Arquétipo defeituoso e, assim sendo, é bom saber a causa de imperfeição e como pode ser corrigida. Nós, o Ego, com o auxílio das Hierarquias Criadoras, particularmente os Senhores da Mente, formamos, na Região do Pensamento Concreto, o Arquétipo (que é um pensamento-forma) de um nosso futuro Corpo Denso, antes de cada renascimento aqui. Esse Arquétipo é um modelo que vibra harmoniosamente, formado pelo poder da Música das Esferas. Pomos em vibração o Arquétipo com certa quantidade de nossa própria energia de vida e tal quantidade de energia vital fornecerá a duração da nossa vida terrena, de acordo com seu impulso maior ou menor. Quando esse impulso cessa, o Arquétipo deixa de vibrar e o Corpo Denso morre, começando a se decompor, por lhe faltar a força vital e coesiva.
É a Lei de Causa e Efeito que rege a duração da nossa vida aqui. Em cada renascimento são dadas a nós várias oportunidades para o nosso avanço espiritual. Se as aproveitamos, a vida continua. Uma vida repleta de serviços amorosos e desinteressados (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada irmão e irmã – que é a base da Fraternidade – é, algumas vezes, prolongada por novo impulso vital no Arquétipo. Ordinariamente, a duração da vida é determinada no Terceiro Céu, ao nos prepararmos para um renascimento aqui. Todavia, sob certas circunstâncias adversas ou favoráveis pode ser ela prolongada ou encurtada.
Por exemplo, quando desdenhamos as oportunidades de crescimento e enveredamos por um caminho perigoso em que podemos nos tornar singularmente mau, nossa vida terrestre é encurtada. Mas, isso sucede apenas quando já nos encontramos num beco sem saída. Então, as Hierarquias Criadoras, agindo por misericórdia, destroem o Arquétipo, finalizando, assim, a nossa manifestação terrena, para que nos reforcemos moralmente num aprendizado no Primeiro Céu.
O movimento harmonioso da vibração do Arquétipo é que atrai para si o material do Mundo Físico e fixa os átomos todos do Corpo Denso, fazendo-os vibrar em sintonia com o Átomo-semente daquele Corpo. Nenhum Corpo Denso pode ser formado sem o padrão do Átomo-semente.
O suicida, quando morre o Corpo Denso, leva o Átomo-semente dele. Mas, como o Arquétipo continua vibrando e tende a atrair matéria física, estando carente do Átomo-semente, fica impossibilitado de assimilar o material e utilizá-lo no Corpo Denso. Devido ao fato de ser o Arquétipo oco, nesse caso o Ego experimenta um sentimento de vazio desesperador que não cessa até que pare de vibrar tal Arquétipo, o que ocorre quando está marcada a morte natural dessa pessoa aqui na Terra. Então o Arquétipo se desintegra. Nós construímos um Arquétipo para cada vida.
Na região da medula oblongada, na parte superior do cordão espinhal há uma chama que pulsa e vibra de um modo maravilhoso. Sua cor varia segundo a natureza do indivíduo no qual é observada. É nela que o Arquétipo toca a nota-chave do Átomo-semente do Corpo Denso. Esse som muda através da vida e conforme ele vai mudando, também o Corpo Denso vai experimentando transformações.
Algumas vezes, certo número de Forças Arquetípicas trabalha juntas para criar uma espécie individual de plantas ou animais, como ocorre com o ornitorrinco da Austrália. Em tais casos as notas-chaves de todas se combinam em um só acorde e este acorde é a nota-chave da forma assim criada. Na Região do Pensamento Concreto, quando se deseja conhecer determinada coisa, basta concentrar a atenção no Arquétipo dela. Ele, por assim dizer, emitindo um som, imediatamente fornece uma iluminada compreensão de cada uma das fases de sua natureza, dando uma visão de se haver vivido através das próprias experiências, juntamente com as coisas que se investiga. Não fora a enorme dificuldade que ela apresenta, essa informação poderia ser utilizada imediatamente. Contudo, essa informação, essa película da vida da coisa, chega-nos de modo global e com tal rapidez, num abrir e fechar de olhos, sem começo nem fim e, assim, para usar essa informação arquetípica, aqui no Mundo Físico, temos que ordená-la cronologicamente, com um princípio e um fim, de modo a torná-la inteligível aos seres humanos. Esta é uma tarefa assaz difícil, a grande dificuldade de que falamos atrás.
A qualidade do material que se reúne para a construção de um corpo depende do Átomo-semente; a quantidade depende da requerida pelo Arquétipo. O Arquétipo determina nossa forma, altura, nosso peso e nossa aparência física. De fato, é um modelo vivo do Corpo Denso. Todo ato nosso tem um efeito no Arquétipo do nosso Corpo Denso. Se o ato está em harmonia com as Leis da Vida – que são as Leis de Deus – e sintonizado com a Evolução, fortalece-o e prolonga a vida, na qual obterá o máximo de experiência, alimentando e fazendo crescer a nossa alma de forma extraordinária, mas sempre segundo sua posição relativa na vida e sua capacidade de assimilação. Contrariamente, se aplicamos nossas capacidades de modo destrutivo, contrariando as Leis de Deus, o Arquétipo se debilita e se destrói facilmente.
Moisés foi levado à montanha (um lugar elevado, Iniciação) e lhe foi ensinado ali certo modelo (Arquétipo) do Tabernáculo do Deserto. Esse Arquétipo foi construído pelas Hierarquias Criadoras, nos Mundos celestes.
O Arquétipo é influenciado pela natureza da vida passada. Quando nos esforçamos sinceramente, pela verdade e retidão, criamos ao nosso redor pensamentos-formas de natureza semelhante e, deste modo, nossa Mente atua num ambiente harmonizado com a verdade, centro de nossa Aura. Agindo assim, quando morremos mais uma vez aqui e chegamos ao Segundo Céu, nos encontramos dispostos a construir um novo Arquétipo que, intuitivamente, delineamos com as forças vibratórias da retidão e da verdade e tais linhas de força vibratória criarão harmonia no novo veículo, que manifestará saúde, felicidade, eficiência e amor. Ao contrário, se na nossa vida terrena malbaratamos os nossos talentos, descuidamos da verdade, exercitamos a astúcia, o extremo egoísmo indiferente à felicidade dos demais, seguramente, ao chegarmos no Segundo Céu, veremos as coisas de modo falso, deturpado, sem entender nada. Em consequência, construiremos um Arquétipo dentro de linhas que conterão o erro, ineficiência e a falsidade manifestados no Corpo, em detrimento dos vários órgãos físicos. Sob tais circunstâncias, as vibrações que deveriam resultar na construção de Trígonos e Sextis em nosso horóscopo natal se desviam das linhas construtoras exatas, até que as encontre novamente, quando, então, o Ego começa de novo a trabalhar no Arquétipo.
As formas que vemos a nosso redor são figuras de som cristalizadas, isto é, resultado das Formas Arquetípicas que trabalham por meio dos Arquétipos na Região do Pensamento Concreto.
É curioso que a ocorrência do suicídio na vida de uma pessoa e os consequentes sofrimentos, por nós referidos atrás, geram o medo mórbido da morte nos renascimentos seguintes.
Quando uma pessoa que se suicidou em vida anterior, morre aqui na vida seguinte, sente tal ânsia de voltar ao Mundo Físico que, frequentemente, comete o crime de obsessão, da maneira mais irrazoável e estúpida. E, como há sempre pessoas negativas, facilmente influenciáveis, procura oportunidade para se refugiar num Corpo Denso, expulsando o Ego residente. Outras vezes, não encontrando tal oportunidade, apesar dos negativos que existem por aí, sucede uma coisa horrível, absurda: com tal ânsia de retornar ao mundo, o Ego do antigo suicida retira a posse do Corpo de um animal de seu legítimo dono, para nele entrar. Encontra-se, então, sob a terrível necessidade de viver uma existência animal, pura e simplesmente. Se o animal está sujeito a crueldades, o Espírito humano obsessor sofre horrivelmente; se o animal é sacrificado para alimento, o ser humano, dentro dele, vê e compreende tudo o que se relaciona com o ato que se vai realizar e tem que passar pelas horripilantes experiências dessa morte. Esta é uma das explicações de casos curiosos de animais que se ajoelham diante da morte ou dão mostras de uma estranha consciência do ato, pois tais casos sucedem com relativa frequência, como pode verificar alguém que seja clarividente e visite nossos grandes matadouros.
Nenhum Espírito humano pode nascer no corpo de um animal, mas é-lhe possível neutralizar a relação do Espírito animal com sua forma e tomar posse dela por certo tempo.
Esses fatos determinaram a necessidade de educarmos o mundo sobre a grande verdade de que a morte aqui, assim como o nascimento aqui, são apenas acontecimentos correntes na vida imortal de nós, o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – agosto/1971 – Fraternidade Rosacruz – SP)