Umas das maiores preocupações de qualquer pessoa que está no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz é preparar uma refeição forte, saborosa e nutritiva para ela, a fim de nutrir o melhor possível o seu Corpo Denso, o Templo de Deus. Ou seja, aliar nutrição e saúde.
Escolhidas as receitas, é importante que a mesa também seja arrumada com carinho. Não há necessidade de que as toalhas e os talheres sejam artigos de luxo. O essencial é que estejam muito bem limpos, e se possível, que haja um pequeno arranjo no centro da mesa, capaz de valorizar qualquer refeição, por mais simples que seja.
Do cardápio, devem constar alguns alimentos crus, a fim de serem aproveitadas certas substâncias indispensáveis ao bom funcionamento orgânico: as vitaminas.
O regime vegetariano, preconizado pela Fraternidade Rosacruz, é o que melhor corresponde ao nosso desenvolvimento físico, moral e intelectual. Reduz a quantidade de toxinas no organismo, não sobrecarregando o fígado e os rins.
Muitas pessoas acreditam que pelo fato de não poderem incluir carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins) na alimentação terão dificuldades para variar o cardápio. Estão enganadas. Existem milhares de ótimas receitas, sem carne animal.
Uma sugestão: substitua a carne animal pela soja. Esta tem duas vezes mais proteínas e custa bem menos.
Para preparar-se o feijão de soja, usa-se o mesmo sistema do feijão comum. Deve-se deixá-la de molho durante uma noite. Nesse período ela perde sua forma arredondada, ficando parecido com o feijão comum. Então, basta esfregá-la com as mãos, debaixo de água corrente, que as casquinhas se soltarão facilmente, tornando mais rápido o cozimento (leva mais ou menos 45 minutos em panela de pressão).
Para que a soja fique bem saborosa, é importante que seja bem temperada. Seu uso pode ser variado, em salada, bolo, biscoitinho, suflê etc.
Algumas recomendações fundamentais para nutrir bem o nosso Corpo Denso:
Para concluir nosso artigo sobre culinária vegetariana, algumas receitas fáceis e saborosas:
SALADA DE SOJA
SOJA COM MILHO VERDE
FOLHAS DE REPOLHO RECHEADAS
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)
O vegetarianismo é, muitas vezes, adotado por questões de saúde, como um regime alimentar mais saudável, mais higiênico e muito mais substancioso. Porém, o aspecto mais importante do mesmo é ser ele um modo de pensar e de sentir, visto estar profundamente ligado à ideia da Fraternidade Universal. Todos os reinos da natureza são partes de um Todo. A ciência e algumas Religiões aceitam e explicam, de certo modo, a Lei da Evolução, a qual se processa através do desenvolvimento da consciência. Sendo nós um ser dotado de maior consciência, é por isso mesmo de maior responsabilidade no mundo.
Por nosso contínuo pensar, há de nos aproximarmos cada vez mais das verdades proclamadas em todos os tempos por sábios, filósofos, santos e profetas. A base dessas verdades é, invariavelmente, que a Lei do Amor é a única que nos conduzirá a um estágio de real grandeza espiritual. Sem o amor, poderemos conhecer grandes progressos materiais, mas somente com ele alcançaremos a verdadeira civilização, via o desenvolvimento espiritual. Ora, a Lei do Amor não pode admitir a cruel matança dos animais (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins), como a que se executa, cada vez em maior escala.
Dizemos cruel e sobretudo inútil, porque, se é com fins de alimentação, milhões de vegetarianos em todo mundo provam que vivem em iguais ou melhores condições físicas e intelectuais que os não-vegetarianos. Se é com fins esportivos, nada pode ser mais vexatório para nosso orgulho de civilizados, de que ver alguém se divertir matando friamente seres sensíveis. Se é com fins ornamentais, de produtos de beleza e de moda, como acontece com o uso de casacos de pele, artefatos de couro, enfeites de penas, cosméticos, xampus, etc., mais evidencia a inutilidade da matança, porque há atualmente outros tipos de produtos de beleza e higiene, vestuários, calçados, agasalhos e de enfeites, com certeza muito mais saudáveis, talvez mais duradouros e belos do que provenientes do sacrifício de animais.
Poucas pessoas comeriam carne animal se elas tivessem de matá-los, ou se assistissem aos processos clamorosamente cruéis de seu diário abate. Compreende-se que no passado o cultivo das terras era reduzido, difícil em muitas regiões, desconhecidos os grandes recursos agrícolas da atualidade, ignorado o valor alimentício de muitos produtos da terra.
Tenha-se em vista apenas os exemplos da soja e do amendoim, para ficarmos somente em dois. Hoje enriquecidos de tão grandes progressos, como explicar que ainda não tenhamos vencido essa superstição sobre o valor da carne animal como alimento?
Podemos cultivar o sentimento de Fraternidade Universal, aprovando, apoiando, participando da crueldade, indiferentes ao sacrifício diário de milhões desses seres?
Por outro lado, é uma incoerência comemorar datas dedicadas à seres que amaram a todos os seus irmãos e todas as suas irmãs, inclusive aos irracionais, como no NATAL, sacrificando em nossas mesas suas indefesas vidas. E como é compreendido pelo Estudante Rosacruz: justamente no dia do ano mais sagrado, quando Cristo, o Senhor do Amor, atinge o centro da Terra, e dali emana todo o Seu amor, Sua vida e Sua paz. Realmente, uma grande incoerência, especialmente para quem está ciente desse evento importantíssimo anual!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/abril/1988 – Fraternidade Rosacruz -SP)
A imagem que uma cultura projeta de si mesma é apenas aquela que ela gostaria de merecer, sem qualquer compromisso com a sua realidade interna. A mesma civilização que diz estimar os animais domésticos, massacra diariamente outros animais como bois, aves, porcos e peixes ou, agrupando: mamíferos, aves, peixes, crustáceos, répteis, anfíbios, frutos mar e afins — de maior porte e de menor porte e tão merecedores de respeito quanto os demais — em nome das proteínas que precisa assimilar ou do confessado prazer que sua carne proporciona à mesa e, também, o uso de cintos, calçados, vestuário, cosméticos, remédios e de tantos outros produtos que usamos, à custa da morte dos animais.
Graças a informação, hoje é muito fácil saber se determinado produto ou vestuário é feito com alguma parte de um animal ou se algum animal é utilizado no processo de produção ou de experimentação. A decisão passa a ser nossa!
Ainda, muitas vezes, o método de abate usado no Brasil para matar o gado, por exemplo, que é vendido a peso de ouro nos açougues são sabidamente cruéis e violentos. O abate humanitário torna inconscientes os animais, previamente à sangria. O medo e a dor causados na hora da morte “provocam a formação de toxinas no organismo desses animais, e o acúmulo de ureia no sangue”. O fenômeno estaria relacionado — embora não haja prova cabal disso — com o surgimento de alguns tipos de câncer e reumatismo no ser humano. A invasão dos corpos mortos por micro-organismos dependeria de vários fatores, inclusive do método pelo qual o gado foi sacrificado. Só quando a morte é indolor, imperceptível e instantânea torna-se possível evitar a formação de determinadas toxinas.
O abate é feito, principalmente, pelo seccionamento dos grandes vasos sanguíneos do animal, sem qualquer insensibilização. O processo é comum no caso de ovelhas, bezerros, carneiros e porcos. Suspensos, de cabeça para baixo, são levados pelo trilho até o local da matança, onde está à sua espera o magarefe e seu afiado facão. Até que a hemorragia termine, o animal permanece consciente, sofrendo dores e medo atrozes.
O gado de grande porte é atordoado antes da sangria, com uma pancada na cabeça. Como o animal está inquieto, o golpe costuma errar o alvo, provocando mutilações. Outro modo de abate é o uso de eletronarcose — uma pinça elétrica que faz o animal perder totalmente os sentidos, antes que se inicie a carnificina.
O contato com essa realidade de todo dia é desagradável, mas é através de impressões semelhantes que percebemos fatos que preferimos ignorar, e pelos quais somos solidariamente responsáveis. Precisamos ver o quanto é insincero nosso apregoado amor pelos animais. Frequentemente, ele não passa de necessidade de companhia, de mera identificação, de pura exibição de humanitarismo, ou é pretexto para ostentar um animal de raça. Se as pessoas que afirmam amar os animais fossem coerentes, elas pelo menos estariam preocupadas com o que acontece nos matadouros — e não considerariam esse tipo de preocupação irrelevante ou romântica. O lugar-comum segundo o qual “enquanto há pessoas passando fome no mundo não se explica esse cuidado com os animais” exprime muito bem a hipocrisia desses espíritos humanitários em cujo coração só há lugar para uma piedade limitada e circunscrita.
Os dietistas não chegaram a nenhuma conclusão, ainda, sobre a necessidade humana de ingerir carne com frequência, e talvez não cheguem nunca. As controvérsias desse tipo são mero passatempo, muitas vezes. A carne dos cardápios é necessidade, prazer ou vício? O ser humano é basicamente carnívoro ou seu organismo simplesmente suporta bem a carne? Sua arcada dentária e o comprimento do seu intestino não indicariam que ele se alinha entre os vegetarianos, como há muitos na natureza? Esses são alguns aspectos da questão. Restam outros, como a moralidade de matar animais continuadamente, em nome de uma cota mínima de proteínas que sua atividade — a do ser humano — não justifica de maneira alguma. Esse é um tema que não pode ser deixado unicamente aos cientistas, porque envolve valores que estão além de todo enfoque científico.
A humanização do abate dos “animais de corte” é uma tentativa de tornar menos indecente o morticínio. Por ser antiga, a questão não perdeu sua seriedade e sua importância. Se há interesses econômicos em jogo nos processos de matança dos abatedouros, pior para os interessados, que se envolveram num negócio desumano, sádico e brutal.
O ângulo mais interessante nessa história é, naturalmente, a imagem que a cultura — no sentido antropológico da palavra — tenta preservar, exigindo respeito à vida de alguns animais e justificando plenamente a destruição lenta e cruel de outros. Essa contradição, uma mais entre tantas, é evidente demais para ser ignorada. Quando o dono de um matadouro, por exemplo, protesta contra a captura de cães e gatos vadios nas ruas, sua revolta tem a aparência de sinceridade, mas há um paradoxo intenso em seu comportamento. O que é que os cães possuem que os bois, os porcos, os frangos e os peixes também não têm? Será possibilidade de domesticação dos primeiros pelo ser humano? Essa ternura que o caso desperta não será apenas resultado de sua identificação com o ser humano? Essas questões, que a alguns parecem bizantinas — o que é um modo de não pensar no assunto —, podem conduzir a um conhecimento melhor dos indivíduos. À medida que esse conhecimento ocorrer, é possível que as contradições deixem de ser tão frequentes, e a violência contra todos os seres vivos possa ser evitada, em benefício de todos; cães, gatos, bois, porcos, frangos e peixes e do próprio agressor, o ser humano.
Não podendo criar sequer uma partícula de barro, não temos o direito de destruir a forma mais insignificante. Todas as formas são expressões da Vida Divina. Una por excelência. Grave transgressão alguém comete quando destrói uma forma através da qual a vida procura se manifestar e evoluir. Quem assim procede estará contraindo pesada dívida ante a Lei de Consequência. De seu resgate não poderá fugir impunemente.
O fato de questões como essa de como abater a alguns parecerem bizantinas, revela o quanto a Humanidade tem a aprender. É óbvio que é insincero o amor do ser humano pelos animais, porque contraditório em suas bases. Enquanto demonstra apreço pelos animais domésticos, abate impiedosamente outros, alegando necessidade alimentar. É uma atitude discriminatória e ignorante. Afinal, o mesmo sopro de vida anima uns e outros. Não há diferença.
A mesma civilização, vigilante na preservação de padrões éticos, omite-se ou faz vistas grossas à imoralidade do carnivorismo. Permite e oficializa métodos de abate requintadamente cruéis. Essa verdadeira apologia à violência atinge, como destino maduro – aquele que não há como expiar, mas só sofrendo para pagar tal dívida –, a todos aqueles direta ou indiretamente envolvidos, ou seja, magarefes, comerciantes e consumidores. Todos têm “culpa no cartório”. E, de uma forma ou de outra, deverão responder pela falta cometida.
Está aqui mais uma das tantas contradições humanas, tomando como exemplo a matança de animais e o consumo de sua carne.
Muitas vezes para alguns de nós as palavras nem sempre bastam para explicar a questão do ser vegetariano, tendo como argumento (ainda que não seja o único, nem o mais importante) a crueldade praticada com os nossos irmãos menores animais (mamíferos, aves, peixes e qualquer ser do reino animal – veja detalhes no livro O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz).
Ainda mais quando muitos acham que é “só não comer carne”. Longe disso: uso de quaisquer coisas que utilizem como insumo o material advindo de animais, incluindo aqui vestuários, calçados, remédios, produtos testados em animais e outros “segmentos” que muitos nem conhecem, mas tem acesso a informação para conhecer.
Nesse sentido, além do famoso filme “A Carne é Fraca” do Instituto Nina Rosa, temos também a disposição: DOMÍNIO (Dominion) (no Youtube) de Chris Delforce, sobre exploração de animais que nem imaginamos e que vai muito além do “não comer carne”; CACHORROS (Pedigree Dogs Exposed), no Vimeo, (muito bom para entendermos como estamos fazendo mal em tratar “cachorro como ser humano e não como animal” e para quem até trata o seu “pet” como “filho da mamãe”, “filho do papai”, “meu filho de 4 patas”), TESTES EM LABORATÓRIOS, também do Instituto Nina Rosa, no Youtube, que nos faz repensar sobre o que utilizamos como cosméticos, remédios e outros produtos “disfarçados” e que são de corpos dos nossos irmãos menores; e, por fim, SAÚDE (What The Health) de Kip Andersen e Keegan Kuhn, no Netflix e Youtube.
Considere que comer ovo e leite passa por você saber a origem e essa ser de galinhas e vacas que produzem dentro do seu natural e são alimentadas com alimentação também natural. Se não se sabe ou não tem acesso, então, não coma e substitua por outros produtos.
Alimentação vegetariana processada é tão ruim como carne processada!
Se, como Estudantes da Fraternidade Rosacruz, aspiramos ser eficazes colaboradores, como Auxiliares Invisíveis, mantenhamos o nosso Corpo o mais puro possível também no quesito alimentação além de praticar de fato e em toda a sua extensão, o “vivei e deixai viver“.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1978 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Ao terminar o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, a maioria dos Estudantes sente um forte impulso para indagar: como se pode servir?
O serviço não é apenas um simples exercício da alma. É a responsabilidade assumida pela aquisição do conhecimento. Quando o neófito ou a neófita se acerca do que são os Ensinamentos Rosacruzes na prática do dia a dia, sente uma transformação total em si mesmo: há confusão, alegria, otimismo, entusiasmo, jovialidade, saúde da alma e do corpo, fortaleza… até convencer-se plenamente de que é um novo ser humano. Do entusiasmo e confusão passa a uma serenidade profunda, uma majestosa dignidade que o faz compreender o valor do Eu Superior como ente espiritual.
Se você quer “Servir”, há mil maneiras diferentes de fazê-lo, como melhor apraz a seu coração. Em sua profissão, no trato diário com os familiares, na empresa, no escritório ou na escola, os preceitos Rosacruzes encontram campo para serem vividos e empregados. Eles constituem um “código de elevada moral”.
Quer um exemplo que ajuda bastante? Se você quer servir, frequente um Grupo de Estudos ou Centro Rosacruz mais próximo de você (graças às “ferramentas” aquarianas, hoje você pode frequentar pessoalmente ou remotamente!). Cada Grupo de Estudos ou Centro Rosacruz têm pessoas que estão lá para estudar os Ensinamentos Rosacruzes e com esse foco fica mais fácil ajudar aqueles que pela primeira vez sentem o anseio de conhecer tais Ensinamentos, bem como é uma oportunidade para conhecer e conversar com pessoas com a mesma afinidade espiritual. Nele reúnem-se Estudantes Rosacruzes, que espontaneamente também trabalham para difundir tão sagrados conhecimentos. Já que a Fraternidade Rosacruz é uma Associação de Cristãos Místicos, e como toda verdadeira Associação todas as atividades são executadas por meio do trabalho voluntário, eles oferecem parte de seu tempo, digitalizando material, traduzindo, fazendo cópias, escrevendo, publicando, melhorando figuras e diagramas, organizando o que se precisa, executando atividades em várias áreas existentes e até proferindo conferências sobre Astrologia Rosacruz, Filosofia Rosacruz e Estudos Bíblicos Rosacruzes, atendendo aqueles que chegam em busca da Panaceia Espiritual. Reúnem-se em um dia da semana para orar em benefício dos doentes e enfermos do mundo todo, cumprindo assim os dizeres do nosso ritual: “Um só carvão não produz fogo, mas quando se juntam vários carvões…”.
A essa tarefa dedicam-se os mais esforçados, pois um ou uma Estudante Rosacruz desejoso ou desejosa de servir sabe que, para se tornar um (a) Auxiliar Visível atuante, deve reunir em si mesmo as condições expressas nos Ensinamentos Rosacruzes. Assim, logrará a realização de um serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã, focando na Divina Essência oculta em cada um deles – que é a base da Fraternidade.
A Fraternidade Rosacruz oferece só uma resposta ao Estudante: quem se adentrar no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz deve manter sua conduta sob vigilância, vivendo conforme as Leis Divinas, como preceituam os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Todo ou toda Estudante Rosacruz deve se conscientizar do seguinte: para chegar a um nível do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – e dali para frente – nunca ingerirá bebidas alcoólicas, não fuma, nem come carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins), pois sabe que a partir daquele nível conhece a importância da vibração de sua nota-chave e de como pode transmiti-la, não só por meio da palavra e do pensamento, como também da ação, obra ou do ato. A vibração emanada de uma simples carta ou conversa dele ou dela pode ser portadora de um oásis de paz para quem a recebe. Tal é o poder do ritmo e da vibração que alguém emite quando “vive a vida”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1976-Fraternidade Rosacruz-SP)
É sensato ou esquisito a pessoa que não come carne animal (mamífero, ave, peixe, réptil, anfíbio, frutos do mar e afins), não utiliza nenhuma peça que seja feita por partes de animais, nem utiliza nenhum produto que seja feito de partes de animais ou que utilizem animais como meio de testes?
Disse-me minha mãe que eu, quando criança, não queria comer carne animal. Pensava ela — e muitas pessoas há que assim julgam — que para crescer é necessário comer carne animal; por isso insistia em me dar, convencida de que eu acabaria por habituar-me a comê-la. Mas lá se vão cinquenta anos que sigo dieta isenta de toda espécie de carne animal.
Durante minha atividade de médico tenho dito aos meus clientes os motivos que me levam a lhes aconselhar um regime alimentar sem carne animal. Gosto sempre de fazer as coisas às claras.
Direi, por isso, por que sou vegetariano e julgo que vocês também devessem ser. Amo a vida e desejo viver o maior tempo possível com uma qualidade de vida aceitável. Os nossos dias são cheios de animação e acontecimentos extraordinários; eu gosto de saber o que mais nos espera no campo das descobertas. Já ultrapassei os setenta anos e dou graças a Deus por supor que os dias são curtos para tudo quanto eu desejo realizar. Desenvolvo, ainda e plenamente, a minha atividade e me sinto feliz quando posso lançar-me em outras ocupações, ainda que durante poucos minutos por dia.
Muitos dos meus pacientes que têm a minha idade já deixaram de trabalhar, mas eu não tenho desejo algum de me aposentar tão depressa. Prefiro passar os meus dias ajudando os doentes, muitos dos quais se aposentaram porque não conhecem o que tenho a felicidade de conhecer. E não quero esconder de qualquer pessoa esse meu conhecimento.
Tenho estudado durante muitos anos e observado demoradamente as doenças e suas causas. Estou convencido de que, se durante a minha vida eu me tivesse alimentado com carne, hoje estaria demasiado velho para exercer a minha profissão. Um médico deve ter a mente lúcida e uma reserva de energias, sempre.
Os alimentos com base na carne animal apressam a velhice e provocam cansaço. A idade, mais do que um fator do tempo, é uma condição do organismo. O processo do envelhecimento varia de povo para povo. Há pouco tempo fui chamado para ver dois doentes que tinham, cada um deles, os seus cinquenta anos. Ambos, embora com essa idade, já pareciam velhos e não mais estavam em condições de trabalhar. O fumo e as bebidas alcoólicas tinham feito a sua parte, mas a carne animal tampouco ficara indiferente.
As células do Corpo Denso são pequenas unidades. Cada uma delas se alimenta, eliminando os resíduos e respirando oxigênio. Quando qualquer coisa se intromete nesse processo, tanto as células como os órgãos se deterioram.
Se pudéssemos remover das células do nosso Corpo Denso todos os resíduos, dando-lhes alimento adequado, facilmente teríamos vida mais prolongada. Se, pelo contrário, a substância líquida que alimenta as células for sufocada pelos resíduos, então se encurtará a vida.
Muitas pessoas que têm de efetuar trabalhos pesados acreditam que para ter muita energia seja necessário comer bifes de carne animal. No entanto, os fatos demonstram o contrário.
Há anos, o Prof. Irving Fischer declarou que, por ocasião de uma competição desportiva entre os melhores atletas de Yale contra jovens amadores vegetarianos, estes revelaram-se mais resistentes do que os atletas que se alimentavam com carne.
Johnny Weissmuller, o Tarzan do cinema e campeão mundial de natação, foi convidado para a inauguração da nova piscina da Clínica de Battle Creek, hospital relacionado com “Vida e Saúde.”
Weissmuller tinha conseguido cinquenta e seis recordes mundiais, mas durante cinco anos não conseguira um único. Seguiu, então, durante várias semanas, um regime alimentar vegetariano e assim se encontrou em condições de superar outros seis recordes mundiais de natação.
O nadador vegetariano Murray Rose, australiano, campeão mundial e vencedor dos Jogos Olímpicos, é bastante conhecido pela alimentação que adota. Desde criança nunca comeu carne animal; não só é nadador rapidíssimo, mas também a sua habilidade demonstra que quem segue a dieta vegetariana tem resistência superior.
Contudo, por que isso acontece?
É que a carne animal contém resíduos que o animal teria que eliminar. Portanto, quem come carne animal sobrecarrega-se com os resíduos que ela contém. E quando eles atingem as células do Corpo Denso, provocam fadiga e envelhecimento. Os principais produtos residuais do Corpo Denso são a ureia e o ácido úrico. Quando a carne animal é fervida, seus resíduos dissolvem-se no caldo; os resultados da análise do caldo de carne animal são, por isso, semelhantes aos da urina. A sensação de energia que um bife de carne animal parece dar — maior do que a experimentada quando se bebe uma xícara de café — é determinada pelo ácido úrico. O ácido úrico, ou trioxipurina, é muito semelhante à cafeína ou dioxipurina, tanto no nome como no efeito. Para digerir a carne animal são necessárias muitas horas, pelo que, depois de certo tempo, quando a ação estimulante cessa, sente-se uma diminuição de energia.
Disse-me um lavrador que a alimentação para vacas, rica em proteínas, aumentaria a produção de leite, mas as enfraqueceria com prejuízo para a produção. Outro perigo que ameaça os que comem carne animal são as doenças dos animais, comuns também nos seres humanos.
Disse-me a minha secretária que na fábrica em que o marido trabalha verificou-se em um ano quatro casos de leucemia (câncer) entre 124 animais. Uma vaca morreu vinte e quatro horas depois que o veterinário diagnosticou a leucemia. Sugerira ele que levassem imediatamente o animal para o matadouro, mas não foi possível, porque morrera antes.
A maior parte das vacas que não mais produz leite são levadas para o mercado e, dali, por vezes para o matadouro. Disse-me a esposa do diretor de uma grande propriedade agrícola que um vitelo atacado por pneumonia foi vendido para o matadouro.
O Dr. Gordon H. Theilen, da Escola Veterinária da Califórnia, declarou: “Temos verificado que a leucemia ocorre com muita frequência nos animais de certas propriedades e se manifesta sob a forma infecciosa. A incidência da doença tem duplicado, conforme os dados dos matadouros, nos últimos dez anos. Fácil é para os inspetores dos matadouros identificar a doença clínica no seu estado mais manifesto; contudo, muito difícil é descobrir os estados iniciais da doença, quando não apresenta sintomas evidentes; por outro lado, é bastante difícil que se faça um exame de sangue dos animais, antes de serem abatidos. O rápido aumento da leucemia no gado é de interesse particular, desde que se recorde que o câncer do sangue ou leucemia é, presentemente, uma das principais causas da mortalidade infantil, nos Estados Unidos”.
As vacas com câncer em um olho são conservadas com vida até que estejam cegas dos dois olhos; então suas cabeças são cortadas e elas são vendidas como carne. Não se faz, porém, qualquer exame dos outros órgãos para verificar neles o efeito da doença. John Harvay Kellock disse, certa vez, sentado a uma mesa vegetariana: “É realmente bom comermos algo sobre o qual não temos de nos preocupar se tenha ou não morrido de uma doença complicada”.
Quando eu era estudante, foram-me dados dois tubos de ensaio para verificar em que condições se multiplicavam mais rapidamente as bactérias, que são a causa de doenças como tifo, pneumonia e peste. Mandou-me o professor verter em cada tubo um pouco de caldo de carne animal e, depois de os haver fechado hermeticamente, esterilizei. Após isso, introduzi nos tubos as perigosas bactérias. Os germes prosperaram rapidamente no caldo: é ele o meio ideal para sua reprodução!
Se tomarmos dois cães e alimentarmos um deles com água e o outro com caldo de carne animal, o que beber água viverá mais tempo, porque o caldo não contém alimento algum, porém unicamente resíduos urinários que envenenam.
Ah! E sobre não utilizar nenhuma peça que seja feita por partes de animais, nem utilizar nenhum produto que seja feito de partes de animais ou que utilizem animais como meio de testes? O motivo pelo qual não uso é o mesmo de não comer carne animal (que vai muito mais além da questão da saúde): os animais são meus irmãos menores, estão evoluindo em um nível de consciência muito próximo do meu, portanto, sou seu guardião. Não tenho o mínimo de direito em atrapalhar, interromper, fazer sofrer um irmão menor.
(Por um Doutor e Estudante Rosacruz, publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1964-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Evidentemente que não. Para que a tentação se torne tentação é preciso que a pessoa tentada veja algo desejável naquilo que a tenta. Faltando essa condição, não pode haver tentação. A carne animal não é motivo de tentação para esse autor, pois até o pensamento de comê-la lhe causa náuseas. Portanto, não há virtude em se abster dela. Ele não precisa dominar ou superar o desejo pela carne animal, mas teria que o seu desgosto ou repugnância para comê-la. O grande Espírito Solar, o Cristo, por Sua própria natureza, não poderia ter sentido nenhuma tentação de transformar pedras em pães para aplacar a fome. Ele não teria sentido como um sacrifício o recusar lealdade a um poder que o colocaria como soberano sobre a nossa pequena Terra; contudo, assim como nós, quando olhamos através de um vidro colorido vemos tudo matizado por essas cores, assim também, quando a consciência do Cristo estava focalizada no Corpo de Jesus, Ele percebia as coisas desse Mundo através dos olhos de Jesus, um ser humano. Do ponto de vista de um ser humano, o pão parecia algo extremamente desejável, quando se sentia fome. Portanto, isso constituía uma tentação.
O poder também parece desejável para a maioria da Humanidade. Consequentemente, o conhecimento de que pelo poder dentro de Si mesmo, Ele poderia satisfazer esse desejo constituiria uma tentação. Somente pela perspectiva humana de Jesus, o Getsemani poderia ter parecido tão terrível a ponto d’Ele querer evitar a provação que o aguardava. Podemos jugar, com base non princípio de que “cada um é que sabe onde os calos lhe apertam”, que o Espírito de Cristo aprendeu, por meio das limitações corporais de Jesus, a ter compaixão por nossas fraquezas e fragilidades de um modo que não poderia ser igualada pela simples observação externa. Tendo uma vez usado um Corpo e sentido a fraqueza ou fragilidade da carne, Ele sabe melhor do que ninguém como nos ajudar e, portanto, é o Mediador Supremo entre Deus e o ser humano.
(Pergunta número 91 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
A ideia de que corpos estranhos, como sementes, podem entrar no apêndice humano é uma superstição antiga. Como muitas outras superstições médicas, ela foi fomentada pelo trabalho de laboratório, em vez da prática de cabeceira. O apêndice de um cão é bem diferente do de um ser humano. A abertura no apêndice humano é tão pequena que é uma impossibilidade absoluta que ela seja obstruída por substâncias estranhas, assim como as glândulas que secretam a saliva não podem ser entupidas pela comida na boca.
O Dr. Murphy, de Chicago, que tem como passatempo macabro fazer experimentos em cães, também é considerado o pai da atroz prática operatória e criminosa de apendicite. Talvez ele tenha concluído que o apêndice humano seja igual ao dos cães. O apêndice não é uma “porção totalmente supérflua da anatomia”, mas um órgão necessário, criado com um propósito semelhante ao de outras glândulas; a saber, fornecer lubrificação e responder como uma lata de óleo, evitando qualquer obstrução quando o conteúdo passa do intestino delgado para o intestino grosso.
Aqueles que são tão tolos o suficiente para removê-lo sofrem alternadamente de diarreia e constipação pelo resto de suas vidas. O que é chamado de apendicite é, na verdade, uma inflamação do intestino que cede facilmente aos métodos naturais de tratamento. O famoso cirurgião e viajante, Dr. Nicholas Senn, ao visitar hospitais e cidades na costa leste africana, foi informado pelos médicos que conheceu de que eles nunca tivessem encontrado um caso de apendicite entre os nativos negros, que vivem principalmente de frutas e vegetais. O Dr. Palier também descobriu a mesma experiência entre os brâmanes da Índia, que são vegetarianos estritos. O Dr. Kellogg, de Battle Creek, visitou ordens religiosas na Europa, abrangendo vários milhares de membros, geralmente vegetarianos, entre os quais nunca ocorreu um único caso de apendicite. Um cirurgião bem conhecido, Dr. G. K. Dickinson, de Jersey City, declara que os médicos que atuam na China, onde a carne animal vermelha raramente é consumida, apenas esporadicamente encontram casos de apendicite entre muitos milhares de pacientes.
O ser humano é o único animal que sofre de apendicite. Ele é o único animal que faz da alimentação um prazer, que se deleita e satura o seu trato intestinal com alimentos altamente nitrogenados e proteicos (carnes animais), além disso, come mais do que pode ser digerido e as porções que não são digeridas seguem para decomposição venenosa.
A carne animal vermelha no trato intestinal é um veneno. Há conexão entre gula e apendicite; mas há uma relação mais forte entre carne vermelha e apendicite. Frutas e vegetais verdes e frescos, com pães integrais e de milho, além de muitas verduras como espinafre, dente-de-leão e alface, não só eliminarão a necessidade de catárticos, como darão ao sangue os sais minerais que são absolutamente necessários à vida e à saúde.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de maio de 1916, e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Aprendemos nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que na quarta Época, a Época Atlante, evoluímos além do estado animal, ou seja: além do Tríplice Corpo, ganhamos a Mente. A partir daí a atividade de manifestar o pensamento enquanto estamos renascidos aqui esgota as células nervosas do nosso Corpo Denso; mata, destrói e leva à decomposição. Por isso, o alimento do Atlante – ou seja, de quando estávamos evoluindo durante a Época Atlante – era, por analogia, constituído de carcaças mortas de animais. Matávamos para comer e é por isso que a Bíblia afirma que “Nimrod era um caçador poderoso” (Também grafado como: Ninrode, Nemrod (Gn 10:9)). Nimrod representa o estereótipo do ser humano da Quarta Época.
Nesse meio tempo nós descemos mais profundamente na matéria. Formamos o esqueleto interno que se tornou sólido. Desde aquela Época até a Época Ária já conseguimos aperfeiçoar enormemente o processo de manifestação do nosso pensamento aqui, por meio do nosso cérebro e da nossa laringe. E, também, já passamos pelo ponto de inflexão nesse Esquema de Evolução: de “para frente e para baixo” – Involução – para “para frente e para cima” – Evolução. E para conseguirmos evoluir nessa nova fase não há outra solução, senão reduzir a cristalização do nosso Corpo Denso, a fim de aumentar a nossa capacidade de reter mais Éter Luminoso e Éter Refletor no nosso Corpo Vital para conseguirmos criar o novo Corpo que precisamos: o Corpo-Alma.
Estudamos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que: “Seria tolice alguém mudar sua dieta normal alimentar, que usou durante anos, para seguir outra dieta, sem uma observação prévia e cuidadosa do melhor que possa servir aos seus propósitos. A mera eliminação da carne animal da dieta alimentar cotidiana para pessoas que estão acostumadas a comer carne animal, com toda a certeza, produziria desarranjos na saúde da maioria. A única maneira segura é, primeiramente, experimentar e estudar o assunto com discernimento. A alimentação é uma coisa tão individual que não é possível estabelecer regras fixas.” “A força obtida de uma dieta de vegetais ou de frutos permanece mais do que a derivada de uma dieta de carne. Não é necessário ingerir com tanta frequência quantidades de alimento vegetal. Proporcionalmente, esse alimento fornece mais energia porque, para assimilá-lo, é necessária menor energia. O alimento obtido de Corpos animais se compõe de partículas que foram trabalhadas e interpenetradas por um Corpo de Desejos individual, e individualizadas. Esta individualização é muito maior que a das partículas vegetais. No animal, cada célula se constitui numa Alma celular individual compenetrada pelas paixões, e desejos do animal. É necessária uma energia considerável, primeiramente para dominá-la e, depois, para poder ser assimilada. No entanto, nunca fica completamente incorporada ao Corpo como os constituintes duma planta, que não tem tendências individuais tão fortes. Resultado: o carnívoro necessita de quantidade maior de alimento que o frugívoro e tem de comer mais frequentemente. Ainda mais: a luta interna das partículas da carne provoca desgaste e destruição maior do Corpo, o que torna o carnívoro menos ativo e menos paciente do que o vegetariano, como tem sido demonstrado em provas realizadas pelos partidários de um e do outro regime.”
Podemos dizer que o ser humano comum ingere a carne animal para obter rapidamente o teor necessário de albumina. No entanto, ovos, leite e derivados, queijo, nozes e legumes, que promovem a saúde do Corpo Denso também tem albumina, sendo mais favorável ao progresso espiritual. Outrossim, o efeito dessas albuminas obtidas desses alimentos perdura por tempo mais extenso. Os tempos estão chegando, quando a albumina não será mais necessária a nenhum de nós, e uma nova substância tomará o seu lugar. Estamos sendo preparados, gradualmente, para essa mudança e a carne animal será eliminada da alimentação. Há aqueles que ainda não estão preparados para aderir a essa importante mudança dietética, e para eles, uma mudança radical e abrupta não é recomendada. Essa alteração para um novo tipo de dieta deveria ter sua origem na força de vontade da própria pessoa, quiçá originada pela compaixão para com as vítimas mortas dos nossos irmãos menores para atender gula dela.
“Contudo, podem ser usados vários produtos animais muito importantes, como ovos, leite, queijo e a manteiga e outros derivados do leite. Tais produtos são o resultado de processo de vida. Transformá-los em alimento não causa nenhum sofrimento. O leite, fator importantíssimo para o Estudante ocultista, não contém substâncias terrosas e, por conseguinte, exerce influência como nenhum outro alimento.”.
“Nenhum indivíduo que mate pode chegar muito acima no caminho da santidade. Notemos, todavia que, comendo a carne, agimos pior do que se realmente matássemos.”. Aqueles que consomem carne animal forçam alguns de seus irmãos e das suas irmãs a providenciarem a carne animal que tanto deseja. Tornam-se assim responsáveis pelos sentimentos cada vez mais rudes e embolados daqueles forçados a trabalhar nos matadouros, frigoríficos, açougues e lugares afins, cuja aspiração para uma vida mais elevada se torna praticamente nula.
A dieta à base de carne animal nos torna, sem dúvida alguma, mais grosseiro, tendendo a fomentar um interesse voltado exclusivamente para o campo material, impedindo assim, o desenvolvimento espiritual numa certa extensão. Tanto o intelecto, como a lógica e a ciência são atributos maravilhosos. Devem outrossim, se subordinar ao desenvolvimento espiritual.
Já foi provado, conclusivamente, que é possível a contaminação do ser humano através de carne animal ingerida proveniente de um animal enfermo.
Quando estudamos a composição química dos alimentos, vemos que a Natureza providenciou todos os medicamentos necessários, e se comermos e pensarmos corretamente, nos dedicando cada vez mais a nossa vida espiritual Cristã aqui, ficaremos imunes à doenças e enfermidades.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1974 – Fraternidade Rosacruz – SP)
É perfeitamente seguro afirmar que toda tristeza, doença e crime resultaram direta ou indiretamente de uma dessas duas causas: ignorância sobre a força sexual criadora ou erros de dieta. As guerras terríveis, por exemplo, espalhando devastação e destruição geral, não seria idealizada por uma Humanidade que considerasse o consumo de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) uma prática desnecessária e prejudicial. O Sr. Roosevelt[1] disse que uma nação de vegetarianos não seria boa lutadora. Na medida em que tal nação não gostasse de lutar, ele está certo; mas quanto à sua capacidade de se manter em qualquer disputa de coragem ou resistência física, mental ou moral, casos bem atestados, provam que os vegetarianos estão no mesmo nível ou, muitas vezes, exibem equilíbrio superior ou poderes de resistência maiores.
É inútil esperar que as guerras cessem e que as doenças e enfermidades desapareçam enquanto os seres humanos estiverem fartos, como no presente, de material velho e de segunda mão. Enquanto para viver os seres humanos acharem necessário destruir a vida, a desumanidade do ser humano para com ele mesmo continuará. As razões contra o hábito de comer carne animal são tantas que é de se admirar que a Humanidade não ceda rapidamente ao melhor caminho. A dieta mais sã, mais limpa, mais saudável e que economiza trabalho deve, com o tempo, encontrar seu devido lugar. Pois nada é menos incompatível com o bem-estar físico, moral ou espiritual do que o ser humano caçar criaturas inocentes e indefesas que derivam sua beleza e força do Reino Vegetal.
Compare os animais herbívoros com as feras e pássaros predadores. Os primeiros são amigos do ser humano, mas os últimos são inúteis, exceto como necrófagos. E quem sonharia em tocar na carne animal impura, construída de material de segunda mão; isto é, dos elementos que passaram não apenas pelo Reino vegetal, o alimento natural do ser humano e dos animais, mas que foram queimados e descartados no laboratório da economia animal. E todos os comedores de carne animal da espécie humana têm não somente seus próprios resíduos para descartar, células de tecido que estão em constante decomposição, mas, além disso, devem descartar o mesmo tipo de lixo que compõe em alguma medida a carne animal de qualquer criatura em qualquer momento da sua vida e morte.
Morte e decadência estão sempre presentes em todo Corpo Denso, porque a vida é uma substituição contínua de tecido desgastado. Por que sobrecarregar a máquina humana, o nosso Corpo Denso, com trabalho desnecessário?
Os vegetais estão no estado vivo, prontos para serem assimilados, especialmente se consumidos crus. A generosidade da Natureza está sempre fluindo com um rico estoque de frutas, grãos, legumes, verduras, leguminosas e até as PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) prontos para consumo — nutrição no equilíbrio adequado. Não há razão para o trabalho excessivo e o tempo dedicado à preparação de refeições que, muitas vezes, interferem na digestão adequada delas. As longas horas em fogões quentes, os nervos cansados por estimulação excessiva e todas as neuroses estão diretamente ligadas à superalimentação com pratos supérfluos e processos sobrecarregados. Eles envenenam as fontes da vida por meio de resíduos que causam fadiga, prostração, dores e humores que obstruem a circulação sanguínea e se depositam em pontos fracos do nosso Corpo Denso. A esclerose arterial e a pressão alta são, por exemplo, os resultados miseráveis de hábitos pervertidos, da ignorância das leis simples da saúde.
Uma vez um barco, cheio de soldados, ficou a deriva e foi parar em uma ilha deserta. Eles viveram lá por três anos sem qualquer comida, exceto o mel feito por abelhas selvagens e vegetais pancs. Eles tinham apenas suas próprias mãos para trabalhar, mas finalmente construíram uma embarcação primitiva e voltaram para casa em segurança, com a saúde perfeita.
O mel é um verdadeiro maná. Adicione a ele leite, queijo, nozes e flocos de trigo com frutas e vegetais que podem ser consumidos crus e, pronto, a maior parte da lavagem de louças se foi. Fogões quentes são inúteis — devemos economizar tempo e força para coisas melhores do que estragar a boa comida.
No entanto, apenas algumas pessoas estão prontas para esse alto ideal e o vegetarianismo simples é o limite para a maioria. O uso de pão integral e a substituição do leite ou caldo de legumes no lugar do molho ou caldo de carne animal, com sobremesas fartas, farão um menu mais saudável do que o comum cardápio misto. Grandes mudanças não acontecem de repente e o crescimento permanente é lento; mas o amanhecer de um dia melhor está aqui. O princípio conservador que ameaça as velhas formas de modo sombrio e mortal está sendo desintegrado gradualmente e mais rápido do que percebemos. Evidências disso estão por toda parte: no movimento feminista, no respeito aso animias domésticos, na tolerância maior e mais ampla que no futuro se estenderá aos nossos pequenos irmãos, os animais gentis.
A fome natural é facilmente satisfeita e quando os seguidores do adorável Jesus se lembrarem de como Ele andou pelos campos comendo trigo, eles talvez sejam encorajados a evitar a atual dieta mista que nos está transformando em uma Humanidade de inválidos; descobrirão então, pelo sangue mais puro e pela saúde mais sólida, que isso não é tão impraticável quanto parece.
Ninguém pode ser apressado ou forçado a entrar no Reino. Certos indivíduos devem ser deixados, como S. Paulo disse, “para Satanás para a destruição da carne, para que o Espírito seja salvo no dia do Senhor Cristo” (ICor 5:5-6). Podemos dividir a Humanidade, nós, de várias maneiras. Eis um exemplo:
1. Aquele que não sabe e não sabe que não sabe: ele é um tolo, evite-o.
2. Aquele que não sabe e sabe que não sabe: ele está acordado, ensine-o.
3. Aquele que sabe, mas não sabe que sabe: ele está dormindo, acorde-o.
4. Aquele que sabe e sabe que sabe: esse é sábio. Siga-o.
Três dessas classes estão entre as almas aparentemente mortas, e é nosso trabalho, “que sabemos e sabemos que sabemos”, colocar a mensagem diante dos rostos desses que estão por vir. “Se eu for levantado, atrairei todos os homens a mim” (Jo 12:32), disse Aquele a quem seguimos. E não devemos permanecer mornos, pensando apenas em nosso próprio desenvolvimento, mas apressá-lo dando o melhor que há em nós aos outros que têm fome e sede de algo que não conhecem — o “Pão da Vida”. “Há o que exalta, mas tem mais abundância” (ISam 2:7). Perder a vida, se necessário, e assim ganhar a coroa eterna. Não percamos qualquer chance de testemunhar o Espírito, a beleza e a plenitude da verdadeira vida Cristã. Podemos fazer isso por meio de nossas palavras, ações, obras e nossos atos; acima de tudo, sendo dignos e estando prontos para as oportunidades, quando elas surgirem.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de maio de 1916, e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) foi um advogado e político norte-americano que serviu como o 32º presidente dos Estados Unidos de 1933 até sua morte em 1945.
O Natal é a época Santa do ano, ocasião em que o Raio Crístico retorna esplendoroso ao nosso Planeta. Sem a aura rejuvenescedora, curadora e fortalecedora do Cristo, penetrando anualmente em nosso globo terrestre, grande parte da Onda de Vida humana estaria inexoravelmente perdida. Esse grande presente Natalino que recebemos é a mais profunda manifestação do amor nascido eternamente de Deus-Pai.
Max Heindel, o grande místico ocultista, descreve de forma divinamente inspirada (no livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz) a natureza do Amor Cósmico, com estas palavras: “o Espírito do Amor nasce eternamente do Pai, dia após dia, hora após hora, para o universo solar para nos redimir do mundo da matéria que nos envolve em suas garras mortais”. Este tema é particularmente oportuno para meditarmos durante esta época.
Por outro lado, causa-nos compaixão a ideia de que a maioria das pessoas faz do Natal, tornando-o um evento mais social e comercial do que místico. É verdade que o relacionamento entre nós se torna mais ameno e que há uma tendência geral à confraternização. Falta, porém, uma vivência mais mística: as pessoas acabam por se preocupar mais com presentes, ceias e coisas do gênero.
Falta um aprofundamento no significado desta festividade religiosa que se revestiu de um caráter mundano. Falta, enfim, o verdadeiro espírito do Natal!
Nós, Estudantes Rosacruzes, ou Estudantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, não podemos transigir com nossos princípios e valores. Devemos vivenciar os conhecimentos que recebemos. Se as circunstâncias nos obrigam ao cumprimento dos nossos deveres sociais, participando da ceia natalina em companhia dos nossos familiares, façamo-lo digna e moralmente, mostrando os nossos valores Cristãos. Abstenhamo-nos de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), de bebidas alcoólicas, do uso de quaisquer materiais advindos de partes dos corpos de quaisquer tipos de animais e quaisquer outros excessos. Guardemo-nos contra a pusilanimidade de violentar nossos princípios, apenas para não desagradar alguém (lembremos do ensinamento do Cristo: “sim, sim…não, não”). Sejamos firmes e coerentes em nossas convicções e estaremos contribuindo, com esse exemplo, para o estabelecimento do Reino de Deus aqui na Terra.
Não nos esqueçamos de oficiar o lindo e profundo Ritual do Serviço de Véspera de Natal – Noite Santa que nos ajudará e muito em nos manter firmes e a criar um ambiente mais voltado para a significância real do Natal.
Se a tradição nos aconselha a dar presentes materiais, façamo-lo consoante nossas posses e com dignidade. Nada de presentes luxuosos ou fúteis. Porque não dar algo edificante? Dar presentes úteis e que reconhecidamente podem preencher uma necessidade justa de um amigo, de uma amiga ou de um parente é uma postura sensata.
Porém, o Natal verdadeiro se constitui de presentes espirituais. São aquelas dádivas que revelam a presença do Cristo em nossas vidas. E a maior dessas dádivas é o amor!
O amor deve fluir espontaneamente do nosso coração ao coração das pessoas. Deus é Amor! Somos parte de Deus e o amor que d’Ele se irradia em ilimitada medida também existe dentro de nós, aguardando apenas oportunidade de liberar. Que este Natal nos seja mais intenso em amorosidade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/dezembro/1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)