O processo de preparação para a Era de Aquário já começou e, como Aquário é um Signo do Ar, científico e intelectual, é inevitável que a nova fé deva estar enraizada na razão e ser capaz de resolver o enigma da vida e da morte de uma maneira que satisfaça tanto a Mente quanto o instinto religioso, a devoção, o Coração.
Assim é os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental promulgados pela Fraternidade Rosacruz, como o fermento no pão: ela está quebrando o medo da morte gerado pela incerteza que cerca a existência post-mortem. Ela está mostrando que a Vida e a consciência continuam sob Leis tão imutáveis quanto as de Deus, que tendem a nos elevar a estados de espiritualidade cada vez mais elevados, nobres e sublimes.
Acende a luz da esperança nos nossos corações com a afirmação de que, assim como desenvolvemos no passado os cinco sentidos pelos quais contatamos o Mundo visível presente (a Região Química do Mundo Físico), também desenvolveremos, em um futuro não distante, outro sentido que nos permitirá ver os habitantes da Região Etérica do Mundo Físico, bem como nossos entes queridos que deixaram o Corpo Denso e habitam a Região Etérica e as Regiões inferiores do Mundo do Desejo, durante o primeiro estágio de sua carreira nos reinos espirituais.
Portanto, a Fraternidade Rosacruz foi incumbida pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz da missão de promulgar o Evangelho da Era de Aquário e de conduzir uma campanha de educação e esclarecimento, para que o mundo esteja preparado para o que está por vir. O mundo deve ser fermentado com estas ideias:
(1) As condições na terra dos mortos-vivos não estão envoltas em mistério, mas o conhecimento a respeito delas está tão disponível quanto o conhecimento sobre países estrangeiros a partir dos contos de viajantes.
(2) Estamos agora próximos do limiar onde todos conheceremos essas verdades.
(3) E, o mais importante de tudo, apressaremos o dia em nosso próprio caso, adquirindo conhecimento dos fatos relativos à existência post-mortem e às coisas que podemos esperar ver, pois então saberemos o que procurar e não ficaremos assustados, surpresos ou incrédulos quando começarmos a obter vislumbres dessas coisas.
(Por Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro/1944 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Qualquer que seja a nossa posição, temos direito a tudo o que podemos apreciar, apropriar e usar; e sabemos que quanto mais desenvolvemos o poder de apreciar aquilo que tem valor genuíno, mais desenvolvemos o poder de conferir qualidade a tudo o que fazemos; e, ao conferir qualidade adicional a cada pensamento, desejo, emoção, palavra, ato, obra e ação produziremos e nos apropriaremos naturalmente de todas aquelas qualidades das quais continuamos conscientes.
Portanto, é claramente evidente que o poder de aumentar aquilo a que temos direito advém, em grande parte, do aumento da consciência do valor real, bem como da vida real — sendo a vida real, em todos os lugares, a qualidade real; e a consciência da qualidade real e da vida real se desenvolve natural e perfeitamente naquele que vive para viver uma vida grandiosa.
Sabemos que a essência da grandeza está latente em todas as coisas; e aquele que pensa profunda e construtivamente na essência da grandeza, ao pensar nas coisas, abrirá sua Mente ao influxo desse poder que pode produzir grandeza em sua própria Mente. Em resumo, o que ele continua a ver em todas as coisas despertará em seu próprio mundo mental.
Para a Mente que vive na alma do grandioso, do belo e do maravilhoso, tudo é uma inspiração para coisas maiores, melhores e mais maravilhosas. Para tal Mente, todas as coisas têm valor, porque viver na alma das coisas é encontrar o verdadeiro valor que permeia todas as coisas. E, novamente, encontramos ou vemos em todas as coisas que tendemos a desenvolver em nossas próprias Mentes, observando aqui a grande Lei de Deus de que invariavelmente crescemos à semelhança, em Mente e caráter, daquelas coisas em que mais pensamos.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Tudo que fazemos ou pensamos se associa à satisfação das nossas necessidades primárias: saciar a fome, abrigar-se, vestir-se, defender-se, constituir família, etc. O sentimento e o desejo são as molas propulsoras de todas essas realizações.
Mas, por óbvio que isso pareça, surge ainda uma questão: quais os sentimentos e as necessidades que nos levaram ao pensamento religioso (de “ligar novamente” ou “religar”) e a fé em Deus?
Os Ensinamentos Rosacruzes indicam os seguintes graus: o temor, o interesse, o amor e o dever como sendo quatro formas básicas do nosso relacionamento com Deus, de nossa volta à Deus, da nossa re-ligação com Deus.
O primeiro grau, a do temor, ocorreu quando compúnhamos os povos primitivos (ou seja: estávamos renascidos em um conjunto de Corpos incipientes), o fator que despertava em nós as ideias religiosas era o medo: medo da fome, medo de animais bravios, medo das enfermidades, medo da morte. Como o nosso nível de Consciência de Vigília aqui nesse Mundo Físico naquele tempo era incipientíssimo, forjávamos um Ser que a nós se assemelhava, um Ser mais poderoso, capaz de nos submeter e nos destruir. Adorávamos a Deus a Quem começávamos a pressentir, fazendo sacrifícios para agradá-Lo, como fazem os fetichistas.
O segundo grau desse relacionamento, a do interesse, está muito ligado ao atendimento das necessidades coletivas. Foi típico quando compúnhamos os povos onde se notava uma certa organização social. O desejo de orientação diante das dificuldades, as satisfações das necessidades do grupo estimulam uma concepção social de Deus. A Divindade regia os nossos passos naquele povo em particular, protegendo-o, decidindo seus problemas, recompensando-o ou punindo-o. Para conquistar as boas graças desse “Deus”, oferecíamos a Ele sacrifícios ou agíamos conforme os princípios ou tradições do povo. Aspirávamos em troca, ver as nossas colheitas mais abundantes, os nossos rebanhos mais numerosos, a nossa prole sadia, os nossos inimigos prostrados a nossos pés. Era uma relação de barganha. Ou seja: aprendemos a olhar a Deus como um Doador de todas as coisas e a esperar d’Ele benefícios materiais, agora e sempre. Sacrificávamos por avareza, esperando que o Senhor nos desse cem por um, ou para nos livrar do castigo imediato, como pragas, guerras, etc. Essa forma de Religião se consolida pelo surgimento de uma casta sacerdotal, mediadora entre o povo e a Divindade. Essa casta, obviamente privilegiada, logra uma posição de poder, muitas vezes superior ao poder temporal. Trata-se de uma Religião do medo, porém, é possível dialogar com Deus e obter d’Ele compensações. Como exemplo, temos a Raça dos Semitas Originais, a quinta Raça da Época Atlante.
O terceiro grau desse relacionamento se evidencia quando a Religião do medo se transforma na Religião moral. A Divindade conforta a tristeza, o desejo insatisfeito, protege as almas dos mortos. A moral e o apreço para com o semelhante constituem a tônica desse pensamento religioso. O Cristianismo Popular (ou Cristianismo exotérico) e outros credos são um exemplo típico dessa fase do nosso relacionamento com Deus. Ou seja, aprendemos a adorar a Deus com orações e a viver a vida em bondade; a cultivar a fé num Céu onde obteremos recompensas no futuro, e a nos abster do mal, para que possamos nos livrar do castigo futuro do Inferno (ou de nomes similares). Não se deve, entretanto, considerar as formas religiosas primitivas como exclusivamente Religiões do medo, nem as dos povos civilizados como estritamente morais. Há pontos comuns a ambas, principalmente o caráter antropomórfico da ideia de Deus.
O quarto grau é composto por um comportamento onde podemos agir bem sem pensar na recompensa ou no castigo, simplesmente porque “é justo agir retamente”. Amamos o bem por ser o bem e procuramos ordenar a nossa conduta de acordo com esse princípio, sem ter em conta nosso benefício ou nossa desgraça presente, ou os resultados dolorosos em algum tempo futuro. Pouquíssimos indivíduos encontram-se nesse quarto grau de experiência religiosa. Não é fácil conceituá-la de uma forma clara, por não estar associado a uma ideia antropomórfica de Deus, nem a um dogma. Daí, a pessoa experimenta a totalidade da existência como uma unidade, guiada pelo conhecimento Esotérico, pela Arte, pela Ciência e pela Intuição. Para ela a Religião tem, ao mesmo tempo, um sentido cósmico e interior. O Universo é o templo onde se cultua o Ser Absoluto, como também o nosso íntimo. Esse sentido cósmico da Religião é percebido por uns poucos iluminados, cujas vidas servem de estímulo a que outros, por seus próprios meios, busquem a Senda da Luz. O Cristianismo Esotérico e os Estudantes de todas as Escolas de ocultismo estão procurando alcançar esse grau superior. De modo geral, esse será alcançado na Sexta Época, a Nova Galileia, quando a Religião Cristã unificadora abra os corações dos seres humanos, assim como o entendimento está agora sendo aberto.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – fevereiro/1985 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A primeira coisa que devemos deixar bem esclarecida é a identidade de Cristo, conforme ensina os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. De acordo com o Diagrama “Os sete dias da Criação” no Capítulo XIV do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, passamos por um intervalo involutivo que abrange os Períodos de Saturno, Solar e Lunar até a metade do Período Terrestre. Nessa peregrinação pela matéria, adquirimos os Corpos e veículos que agora possuímos, bem como foram despertados nossos três veículos espirituais, o que nos tornou um ser com uma constituição sétupla e prontos para nos desenvolver em um ser com constituição decupla.
Durante o Período de Saturno, quando éramos “semelhantes” ao que hoje são os seres do Reino mineral, alguns seres passaram pelo seu estágio “Humanidade”, como nós o estamos passando atualmente, mas pertenciam a uma Onda de Vida de evolução diferente: os chamados Senhores da Mente. O mais elevado Iniciado daquela longínquo Período de Saturno é um ser da Onda de Vida dos Senhores da Mente que conseguiu aprender tudo no Período de Saturno que um Senhor da Mente teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um ser Senhor da Mente, um veículo constituído de materiais das 5 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Vontade”, constituindo o ser Deus-Pai, ou simplesmente: Pai.
O mais elevado Iniciado do Período Solar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Arcanjos, é um Arcanjo chamado de Cristo que conseguiu aprender tudo no Período Solar que um Arcanjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Arcanjo, um veículo constituído de materiais das 4 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Sabedoria”, constituindo o ser Deus-Filho, ou simplesmente: Cristo.
O mais elevado Iniciado do Período Lunar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Anjos, é um Anjo chamado de Jeová que conseguiu aprender tudo no Período Lunar que um Anjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Anjo, um veículo constituído de materiais das 2 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Atividade”, constituindo o ser Deus-Espírito Santo, ou simplesmente: Jeová.
Temos aqui os estados dos três grandes Seres que, como líderes da evolução, são os mais ativos. Os Arcanjos não podem descer até a matéria física, porque não sabem construir nem um Corpo Vital e nem um Corpo Denso. Não pode descer aquém do Mundo do Desejo. Portanto, seu veículo inferior é o Corpo de Desejos, e como é uma lei cósmica ser impossível a um ser, criar um veículo que não tenha aprendido a construir durante a sua evolução, seria impossível para Cristo nascer em um Corpo Denso. Também não podia formar um veículo como o Corpo Vital, constituído de Éter. Não possuía a capacidade para agir nesta última substância, porque nunca a adquiriu em Sua evolução.
Assim para que Cristo nascesse como “um homem dentre os homens” os veículos necessários de Jesus, um ser humano pertencente à nossa Onda de Vida, um dos seres humanos mais elevados espiritualmente – um elevado Iniciado – um homem nascido de um pai e de uma mãe, ambos também elevados Iniciados, que praticaram a Imaculada Conceição sem paixão, cedeu voluntariamente, no momento do Batismo, o seu Corpo Denso e Corpo Vital ao Espírito Solar, o Arcanjo Cristo, que então conseguiu funcionar com um ser no Mundo Físico, conseguindo implementar no mundo material o início do Plano de Salvação e se converteu em mediador entre “Deus e o ser humano” pois é único que possui todos os veículos necessários para atuar como tal. Cristo-Jesus é, por conseguinte, absolutamente único, e a Bíblia nos ensina que não há “e em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”[1], sendo este o único Credo Cristão autorizado.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: At 4:12
Antes de tudo, lembremos que o baluarte da nossa evolução é aqui, enquanto renascidos na Região Química do Mundo Físico. Por quê? Porque a grande maioria ainda não conseguiu aprender todas as lições que nós, como uma Onda de Vida criada para ser especializada em materiais dessa Região, temos que aprender. Depois, também devemos sempre ter conosco que é de máxima importância para o nosso desenvolvimento que observemos minuciosamente tudo o que se passa em torno de nós e, obviamente, nisso inclui o nosso conhecimento dos esforços dos outros; caso contrário, as imagens da nossa Memória Consciente deixam de coincidir com aquelas de nossa Memória Subconsciente ou automática. Pois, a observação e a ação geram a Alma Consciente, a quintessência dos atos, das obras e ações que executamos com o nosso Corpo Denso é que é o alimento para aumentar a consciência do nosso veículo Espírito Divino.
E para compreendermos como isso funciona observemos que a pedra atirada na superfície da água forma ondas que se propagam até muito distante do ponto de origem. A ação do badalo na parede do sino produz sons que alcançam grande distância do campanário. Uma ação gera uma resposta parecida em múltiplos corações e uma vida deixa uma esteira que serve de farol, de norte, de modelo para outras vidas. Nenhum ato é tão pequeno que não produza efeito. Ninguém é tão insignificante que não influa sobre outra existência. Mesmo o bebê afeta a vida dos pais.
Quem não se lembra daquela viúva que, certo dia, aproximou-se silenciosamente da arca do Templo para colocar dentro dela a sua oferta de duas moedinhas[1]? Tão humilde era a sua dádiva que procurou evitar ser vista entre os que podiam oferecer, orgulhosamente, grandes quantidades de ouro.
Contudo, aquele ato humilde e aquela oferta quase sem valor material, há mais de dois mil anos, continua a mover os corações em reconhecimento a Deus e à generosidade para com o próximo.
Faz muitos anos, dois meninos divertiam-se brincando no jardim de uma mansão, na Inglaterra. Um era o filho do jardineiro; o outro, do dono da propriedade. Em dado momento, o menino rico caiu na piscina de natação e, sem sombra de dúvida, teria se afogado, não fosse o menino pobre que, sem medir consequências, lançou-se na água para salvá-lo.
Sua generosa ação comoveu o dono da casa que, de alguma forma, desejou recompensá-lo.
— “Que podemos fazer pelo garoto?”, perguntou ao pai.
— “Se for possível, que os seus estudos sejam custeados”, respondeu o jardineiro.
Passaram-se os anos. O menino rico tornou-se um grande estadista, um dos maiores homens da História contemporânea. Certo dia, porém, foi gravemente acometido de pneumonia. Sua vida estava em sério perigo. A Inglaterra inteira estava apreensiva com a enfermidade do homem que a levara à vitória, na Segunda Guerra Mundial. Havia apenas um remédio, recém-descoberto e muito raro, que pudesse salvar sua vida. Fora ele descoberto pelo filho do jardineiro: era a penicilina.
Dessa forma, por duas vezes Alexander Fleming salvou a vida de Winston Churchill. Por outro lado, enquanto o generoso ato de Fleming em sua infância o levou à fama mundial, a ação do pai de Churchill contribuiu mais tarde para salvar a vida de seu filho.
O que trazemos para este mundo deve ser posto a juros de ação e convertido em mais alma. Nesse processo dependemos das realizações dos demais, do trabalho que eles realizaram.
É verdade que nos empenhamos na aquisição de conhecimentos; mas em grande medida, adquirimos o saber a partir dos esforços de outros. Por conseguinte, nada mais justo do que acrescentarmos, nós mesmos, alguma coisa ao acervo cultural do meio em que nascemos.
Se falharmos no cumprimento desse dever, outros se sentirão inclinados a seguir os nossos passos. Se nele nos empenharmos, outros se inspirarão em nossa vida no momento de desânimo.
Passamos mais uma vez por este mundo, renascendo mais uma vez aqui, e devemos, ao abandoná-lo, procurar deixá-lo melhor do que o encontramos, quando a ele viemos. “Ninguém vive para si e ninguém morre para si”. Cada um deixa os sinais das suas pegadas por este mundo. Que as nossas indiquem as alturas para os que vierem atrás de nós e lhes deem ânimo na cansativa, mas bela luta de abrir caminho rumo à luz.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1967-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: Mc 12:41-44: E, sentado frente ao Tesouro do Templo, observava, como a multidão lançava pequenas moedas no Tesouro, e muitos ricos lançavam muitas moedas. Vindo uma pobre viúva, lançou duas moedinhas, isto é, um quadrante. E chamando a si os discípulos, disse-lhes: “Em verdade eu vos digo que esta viúva que é pobre lançou mais do que todos os que ofereceram moedas ao Tesouro. Pois todos os outros deram do que lhes sobrava. Ela, porém, na sua penúria, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver”. E em Lc 21:1-4.
Resposta: Esta pergunta aplica-se não somente a Probacionistas, mas a todas as pessoas que se esforçam por viver uma vida de desenvolvimento espiritual, buscando maiores horizontes de servir e ajudar no Plano de Salvação de Cristo.
Foi isso que respondemos na revista “Ecos”, a fim de que todos os Estudantes fiquem cientes de que não é meramente o sentimento que dita nossas ideias ao desaconselharmos o uso de quaisquer tóxicos ou drogas que embotam o cérebro, incluindo aqui as bebidas alcoólicas. Esse órgão é o maior e mais importante instrumento para realizarmos nosso trabalho no Mundo Físico. A menos que esteja em perfeitas condições, não podemos esperar grandes progressos.
As bebidas alcoólicas, o fumo e os tóxicos – da mesma forma que a carne animal (mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins) – tendem a nos tornar ferozes e a afastar nossa visão dos Mundos espirituais, focalizando-nos no presente plano material, ou Região Química do Mundo Físico. Por esse motivo a Bíblia diz que “Noé fermentou o vinho” pela primeira vez ao começar a Era do Arco-íris, a Era em que vivemos, que é uma atmosfera de ar puro e claro, muito diferente da condição atmosférica úmida em que viviam os Atlantes, citados no segundo Capítulo do Livro do Gênesis. Como resultado do “uso da carne e do vinho”, nossas energias focalizam-se atualmente sobre a Região Química do Mundo Físico, ocasionando o desenvolvimento material de nossos dias. Cristo, em seu primeiro milagre, transformou “água em vinho”. Ele havia recebido o Espírito Universal por ocasião do Batismo e não tinha necessidade de estimulantes artificiais. Transformou “água em vinho” para dá-lo a outros menos avançados.
Mas aquele que “bebe vinho” não pode herdar o Reino de Deus. A razão esotérica é a seguinte: enquanto os Éteres inferiores (Éter Químico e Éter de Vida) vibram para os Átomos-semente localizados no plexo celíaco ou solar (Átomo-semente do Corpo Vital) e no coração (Átomo-semente do Corpo Denso), e assim conservam vivo o Corpo Denso, os Éteres superiores (Éter Luminoso e Éter Refletor) vibram para as Glândulas Endócrinas Pituitária e Pineal. Ao observar esse “espírito falso e rebelde”, que é fermentado fora do Corpo Denso e que é, portanto, diferente do “espírito fermentado internamente” por meio do açúcar, essas duas Glândulas Endócrinas ficam temporariamente atordoadas e não podem vibrar para os Mundos espirituais. Se há uma absorção desse “espírito do álcool”, as duas Glândulas Endócrinas citadas se tornam ligeiramente despertadas de maneira que a pessoa vê as Regiões inferiores do Mundo do Desejo, com todas as suas mazelas, formas de desejos horríveis, construídas à base de material de desejos da paixão, sensualidade, raiva, cólera, violência, do medo e de todas as outras emoções inferiores. Isso pode ser visto com mais nitidez na doença chamada de “delirium tremens” (que é uma forma grave de abstinência alcoólica, caracterizada por alterações mentais e do sistema nervoso, incluindo confusão, alucinações e tremores. É uma emergência médica que pode ser fatal se não tratada adequadamente). Em resumo, visto que a nossa evolução depende da quantidade dos dois Éteres superiores que formam o belo Dourado Manto Nupcial – o Corpo-Alma – sendo que estes Éteres se harmonizam com as duas Glândulas Endócrinas mencionadas, e visto que os Éteres inferiores se harmonizam com os Átomos-semente situados no coração e no plexo celíaco, o consulente compreenderá prontamente os efeitos mortais das bebidas alcoólicas, do fumo e dos tóxicos sobre a pessoa que quiser se desenvolver espiritualmente para contribuir com o Plano de Salvação de Cristo.
(Pergunta 138 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
Resposta: O Lemuriano não tinha olhos, mas ele tinha dois pontos sensíveis em sua cabeça, onde os olhos estão localizados agora. Ele tinha um sentido do tato e, portanto, podia sentir a percepção física da dor, do alívio e conforto, e tinha uma percepção interna que lhe dava uma fraca ideia da forma externa dos objetos, mas que iluminava muito a sua natureza interior. Portanto, a consciência era dirigida para dentro e o Lemuriano percebia as coisas físicas de um modo espiritual, algo parecido como percebemos as coisas nos sonhos. Com relação ao nascimento de seu corpo ele nada sabia, pois não podia ver ou saber qualquer outra coisa, como agora vemos os objetos externos; mas ele sentia seus semelhantes com sua percepção interna de sonho, e tinha uma espécie de linguagem que consistia em sons parecidos com os da natureza.
O Lemuriano executava suas atividades automaticamente, sob a direção de grandes Seres, principalmente, os Senhores da Forma, a Onda de Vida de Escorpião e os Senhores da Mente, a Onda de Vida de Sagitário. Os Senhores da Forma o ajudava a construir o seu Corpo de Desejos e os Senhores da Mente o ajudava a se preparar para receber o germe da Mente.
O trabalho realizado pelo Lemuriano, sendo principalmente dentro de si mesmo, não foi de modo algum prejudicado pela falta da visão externa, pois consistia quase que inteiramente no desenvolvimento de seus órgãos internos e seus veículos superiores; e sendo feito, automaticamente, sob a direção de Seres Elevados tais atividades eram perfeitas e totalmente corretas.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de nov/1940 – traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz Campinas-SP-Brasil)
Resposta: Temos uma filha com três anos e meio de idade. Ela já evidencia uma grande energia a cada explosão temperamental a cada tentativa de restrição a sua liberdade. Reage com uma teimosa resistência, tanto mental como física. Já identificamos a necessidade de acha como transmutar e canalizar essa energia. Ela não corresponde aos nossos carinhos. Chegamos até a escutar de algumas pessoas que nesse tipo de caso somente com castigo corporal. Logicamente, sabemos muito bem que a educação pode ser obtida por outros meios. Mas, a pergunta que nos fazíamos era como poderíamos conseguir a obediência dela? Nós somos fiéis no que lhe dizemos, até nos menores detalhes e ela não esquece, mas nos corresponde com egoísmo. Como pais, já estudamos a Astrologia Rosacruz e levantamos o horóscopo dela.
Sabemos que há crianças que são mais difíceis para se lidar comparada com outras. Na verdade, até nós devemos alegrar com uma criança que tem essa opinião e individualidade tão acentuada. Aprendemos na Astrologia Rosacruz que a chamada “boa criança”, que é um modelo de comportamento e de obediência, às mais das vezes é motivo de mais preocupação, pois, sua natureza carece de iniciativa. Também, aprendemos que as crianças difíceis estão sempre destinadas a abrir caminho no mundo e adquirir muitas experiências, tanto por meio de uma vida virtuosa e de glorioso serviço como também pelos revezes de uma vida de procedimentos errôneos, que se transmutará no Purgatório em aumento de consciência. Já com a “boa criança” isto não se dá, embora cresça e viva uma existência inteira sem haver feito mal e nem bem aos outros causticantes. Todo aquele que trilha os caminhos do vício com passo firme, pisará também firmemente o caminho da virtude, quando seus pés se voltem para a direção oposta. Porém, as pessoas mornas que não são nem quentes nem frias, essas realmente são as que causam preocupações. Assim, concluímos que não devemos temer pela nossa filha. Afinal, ela está em ótimas condições. Já vimos que somente um Ego que escolheu uma vida de muita aprendizagem possui tais configurações astrais, com essas características tão marcantes.
Estudando, juntos, o horóscopo dela, conforme foi crescendo, com referência ao método de correção e ajuda para que a ajude a controlar a rebeldia dela, começamos a não tomar nota das pequenas negligências delas, aquelas “ofensazinhas” que ela faz. Trocamos por um “eu não faria isto ou aquilo”; ou dizemos assim: “não deixe que os outros vejam isto que você fez, pois podem pensar que você não é uma menina educada”. Assim, estamos percebendo que à medida que ela vai formando novos hábitos, ela está rompendo com os mais antigos. Já percebemos alguns lampejos de atitudes que antes a embrutecia. E nós estamos atentos as oportunidades que vão surgindo nas quais podemos adotar essa melhor linha de conduta. Também, conhecendo as tendências em suas preferências e gostos dela em matéria de alimentação, divertimentos, vestuário ou passeios vamos utilizando isso para ajudá-la no controle da rebeldia dela, seja dando como mérito ou negando quando ela se comporta não educadamente. Começamos bem delicadamente. Aos poucos fomos inserindo mais pressão, e já notamos um grande avanço. Logicamente nunca a privamos da alimentação, mas, com a nutrição indispensável para a manutenção de seu bem-estar a privamos das delícias extras que ela tanto aprecia. Já usamos até, em raros casos, o “Suplicio de Tântalo”: tendo ela feito uma grande reinação ou cometido desrespeito, colocamos sobre a mesa algumas delícias preferidas dela, dizendo que ela não poderia comê-las por haver feito aquilo. Ela nos viu comer com satisfação aquilo que lhe foi negado por recalcitração. Hoje, nem precisamos mais ser tão forte nessa lição. Também, nos casos de teimosia em agir com extrema rebeldia, já a fizemos vestir a roupa de que ela não gosta (a qual, muitas vezes, é a que serve de chacota por parte dos companheiros de brinquedo). Assim vimos que ela fez tudo para que os companheiros não a vissem. Isso a fez sacrificar, a contragosto, o que gostaria de estar fazendo: brincar. E, por fim, ela pediu para usar a roupa que queria e nunca mais foi tão rebelde como naquela vez.
Uma técnica que estamos utilizando e que se mostra com a de maior e mais longo efeito benéfico é o apelo ao amor que temos para com ela e que vai demonstrando que tem para conosco. Nesse sentido, as boas lembranças que já colecionamos e que ela gosta de relembrar, os “porquês” decorrentes, as situações engraçadas ou inesquecíveis estão sendo os melhores meios ajudá-la a dominar esse vício e a transmutá-la nas virtudes de paciência, respeito, compreensão e amor.
(Publicado na Revista Rays From The Rose Cross – abril/1915 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil
Os Estudantes Rosacruzes mais familiarizados com o estudo deste assunto conhecem os efeitos desastrosos provocados por uma crise de ansiedade ou medo. Estas emoções alteram a digestão, interferem no metabolismo e na eliminação dos detritos. Em suma, transtornam todo o organismo, tanto que em determinados casos a pessoa se vê obrigada a guardar leito por maior ou menor lapso de tempo, dependendo da intensidade da crise e de sua resistência orgânica.
Existe, porém, um efeito oculto, tão sério que mais ainda e, geralmente, pouco compreendido. Cremos ser imensamente benéfico examinarmos os efeitos ocultos do equilíbrio, da ira, do amor, do pessimismo, do otimismo e afins.
Pelo estudo do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, sabemos que o germe do Corpo de Desejos nos foi dado no Período Lunar. Para se obter uma imagem mental da forma humana no referido Período, basta observar uma ilustração do feto em um livro de Biologia. Constataremos a existência de três partes principais: a placenta, o cordão umbilical e o feto.
Imagine agora, naquele longínquo Período, o firmamento como uma imensa placenta da qual pendiam miríades de cordões umbilicais, cada um com seu apêndice fetal. Pelo total da família humana, então em formação, circulava somente a essência universal do desejo e da emoção gerando, em todos, os impulsos necessários à ação, agora se manifestando em todas as fases do trabalho do mundo. Aqueles cordões umbilicais e apêndices fetais eram formados de uma matéria de desejos úmida, pelas emoções dos Anjos Lunares.
As correntes ígneas de desejos, responsáveis pela vida latente na Humanidade, então em formação, eram geradas pelos Espíritos marcianos de Lúcifer. A cor da primeira e lenta vibração que estes Espíritos infundiram naquela matéria emocional foi o vermelho.
Enquanto aquela “tonalidade de distúrbio” (pois é assim realmente esta corrente constante, esta eterna intranquilidade que impulsiona os seres humanos) achava-se circulando em nosso interior, o Planeta, sobre o qual nos encontrávamos, também circundava o Sol, que não deve ser confundido com o atual dador da luz, mas compreendido como uma passada encarnação da substância componente do nosso atual Sistema Solar. E nós, circundávamos o Planeta no qual habitávamos, da luz às trevas, do calor ao frio.
Desse modo, éramos manipulados por fora e por dentro, num esforço para excitar nossa adormecida consciência. Houve, naturalmente, um despertar, pois ainda que nenhum dos espíritos pudesse sentir aqueles impactos, apesar de serem muito fortes, as sensações acumuladas de miríades de semelhantes Espíritos eram sentidas como um som no Universo — um grito cósmico, a primeira nota da harmonia das esferas — tocada numa única corda.
Entretanto, foi bastante expressiva às necessidades da Onda de Vida humana naqueles tempos distantes. Desde então, esta natureza de desejos tem evoluído e o ígneo substrato marciano da paixão e as bases aquosas lunares da emoção, têm-se tornado suscetíveis de numerosas combinações. Da mesma forma que o pensamento sulca o cérebro com circunvoluções, e o rosto com linhas, também as paixões, os desejos e as emoções estão modelando a matéria em linhas curvas, em espirais, redemoinhos, parecendo uma torrente no momento em que se encontram na maior agitação, sendo raríssimo encontrarem-se em repouso relativo.
A matéria de desejos, em sucessivos períodos de sua evolução, vem respondendo gradativamente às vibrações astrais do Sol, da Lua, de Mercúrio, Vênus, Marte, Saturno, Júpiter e Urano. Cada Corpo de Desejos individual durante esse tempo foi formado conforme um único modelo. Como a lançadeira do tempo corre incessantemente de um lado para outro sobre a Teia do Destino, esse modelo cresceu, embelezado e melhorado, mesmo que não possamos percebê-lo. Assim como o tapeceiro realiza seu trabalho no avesso do tapete, assim nós estamos tecendo, sem compreender realmente o desígnio final, nem observar a sublime beleza do mesmo, porque ainda se encontra oposto às limitações humanas o lado oculto da natureza. Para que possamos compreendê-lo melhor, tomemos alguns desses fios de paixão e emoção, e vejamos seu efeito nesta forma, nessa imagem a que Deus, o Mestre fiandeiro, deseja nos converter.
Seguindo o Esquema de Evolução, muitos de nós caíram no evento a “Queda do Homem” e, por consequência, escolheram o caminho da dor e do sofrimento para evoluir. Desde aqueles tempos os Anjos lunares têm se encarregado do aquoso e úmido Corpo Vital, composto de quatro Éteres, e que se relaciona com a propagação e sustentação das espécies. Os Espíritos de Lúcifer, por outro lado, encarregam-se dos secos e ígneos veículos de desejos, o Corpo de Desejos.
A função do Corpo Vital é de construir e manter o Corpo Denso, enquanto o Corpo de Desejos envolve a destruição dos tecidos. Há, dessa forma, uma batalha constante entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. Essa luta nos Céus produz a consciência física na Terra.
Durante épocas inumeráveis temos vivido em variados lugares e climas, é de cada vida extraímos experiências, reunidas como forças vibratórias nos Átomos-sementes de nossos veículos. Por conseguinte, somos todos construtores e edificamos o templo do Espírito imortal “sem ruído de martelos”. Cada um de nós é um Hiram Abiff, reunindo material para o desenvolvimento da alma, atirando-o no forno da experiência de sua própria vida, para ali manipulá-lo mediante o fogo da paixão e do desejo.
Todo o material está sendo fundido, lenta, porém seguramente. A escória vai sendo expurgada em cada existência purgatorial, quintessência do desenvolvimento da Alma está sendo extraída como consequência de nossos numerosos renascimentos.
Através esse processo, cada um de nós prepara-se para a Iniciação, aprendendo, quer tenha consciência disso ou não, a combinar as paixões do fogo com as suaves e gentis emoções. Isso nos leva a nova palavra-chave para evoluirmos aqui e essa é o autodomínio.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)