Já sabemos que os Ensinamentos Rosacruzes objetivam o desenvolvimento da nossa Mente e do nosso Coração, de modo igual, fornecendo todas as explicações de tal maneira que a Mente esteja pronta a aceitá-los e, então, o Coração fique possibilitado quanto ao âmbito do trabalho em relação ao material recebido.
Caso o amigo leitor leia um capítulo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, ou qualquer outro trecho dos livros da Biblioteca Rosacruz; medite a respeito e considere-o razoável como explicação; depois é melhor largá-lo e esquecê-lo por completo, uma vez que empregou apenas o intelecto e não o Coração!
Devemos tentar sentir tais Ensinamentos, porque o sentimento é função do Coração. Devemos procurar visualizar as diversas coisas e matérias absorvidas no que lemos na literatura da Fraternidade Rosacruz. Desse modo podemos, então, vivenciá-las de modo que elas se tornem partes integrantes de nós próprios.
Será muito difícil convencer a outrem a respeito dos Ensinamentos Rosacruzes, a menos que possamos provar-lhes serem o melhor meio de se viver aqui nessa mais uma vida!
Em nossa civilização, o abismo que separa a Mente e o Coração abre-se profundo e largo. À medida em que a Mente voa de descoberta a descoberta nos domínios da ciência, a separação se torna cada vez mais profunda e ampla, e o Coração é deixado cada vez mais para trás. Somente quando se puder manter a cooperação entre Mente e Coração, sem desvios, quando cada qual possa ter o completo campo de ação, nunca praticando violência contra outro e quando ambos possam se sentir satisfeitos, somente então atingiremos a elevada e verdadeira compreensão de nós mesmos e do mundo do qual fazemos parte.
Como aprendemos, estudando o Conceito Rosacruz do Cosmos: “A Ordem Rosacruz foi fundada, especialmente, para aqueles cujo elevado grau de desenvolvimento intelectual lhes obriga a esquecer do coração. O intelecto pede imperiosamente uma explicação lógica de todas as coisas, do mistério do mundo, do problema da vida e da morte. O preceito sacerdotal ‘não procureis conhecer os mistérios de Deus’ não explicou as razões e o modus operandi da existência.”.
Contudo, o conhecimento intelectual é por si só, apenas um meio para um certo fim. Destarte, os Ensinamentos Rosacruzes visam, em primeiro lugar, satisfazer o Aspirante ao conhecimento de que tudo no universo é razoável, vencendo-se assim o intelecto rebelde. Quando ele cessar de criticar, estará pronto para aceitar, provisoriamente, como provavelmente verdadeiro, enunciados que não podem ser verificados imediatamente; então, e não até, então, o Treinamento Esotérico será eficaz no desenvolver as mais elevadas faculdades pelas quais transitamos da fé até o conhecimento de primeira mão, o Conhecimento Direto.
A todos os que tencionarem dar os primeiros passos em direção ao conhecimento superior, caso as orientações fornecidas sejam inteiramente seguidas, deve ser ministrada completa confiança, como força destinada a cumprir a sua finalidade; segui-las com pouca vontade seria sem proveito, quaisquer que fossem. A descrença mata até a mais bela flor produzida pelo Espírito.
A ideia geral da Iniciação é a de que se trata meramente de uma cerimônia que torna alguém um membro de uma sociedade secreta — de que ela poderá ser conferida a qualquer um que deseje pagar um certo preço, uma soma monetária na maioria dos casos. Embora isso seja verdade em relação às assim chamadas “iniciações de ordens fraternais” e, também, na maioria das ordens pseudo-ocultistas, trata-se de uma ideia completamente errônea quando aplicada à Iniciação a vários graus de Fraternidades verdadeiramente ocultas, como o é a Ordem Rosacruz. Uma pequena compreensão das reais necessidades e de sua racionalidade tornará isso bastante claro, rapidamente.
Em primeiro lugar não há uma chave de ouro para o Templo — o mérito conta, porém não os recursos financeiros. O mérito não é adquirido em um dia; é o produto acumulado das boas ações do passado, dessa vida e de outras vidas. O candidato, costumeiramente, está totalmente inconsciente de ser um candidato; comumente vive a sua vida na comunidade, servindo aos seus colegas durante dias e anos sem qualquer pensamento ulterior, até que certo dia aparece em sua vida um Hierofante dos Mistérios Menores, adequado ao país no qual residia. Nessa época o candidato terá cultivado dentro de si certas faculdades, armazenado certos poderes destinados ao serviço e auxílio, dos quais ele frequentemente não tem consciência ou os quais não sabe como utilizar adequadamente.
A missão do iniciador é a de mostrar ao candidato as faculdades latentes, os poderes adormecidos e de iniciá-lo no uso dessas faculdades e desses poderes. Explica e demonstra-lhe pela primeira vez como ele poderá despertar a energia dinâmica. Certamente que isso nunca deverá ocorrer até que o necessário desenvolvimento interior tenha sido acumulado, do mesmo modo que o derramar um balde de água, não verterá água, a não ser que o balde tenha sido enchido de água previamente. Nem há qualquer perigo de que o Hierofante dos Mistérios Menores possa não atender alguém que tenha atingido o desenvolvimento necessário. Cada ação, obra boa, cada ato bom e não egoística aumenta enormemente a luminosidade da aura do candidato e, tão certo quanto o imã atrai a agulha, assim o brilho dessa luz áurica trará o Hierofante dos Mistérios Menores.
Na Bíblia, o Livro da Revelação fala do Altar Dourado ou Altar de Ouro (Apo 8:3). O Altar Dourado poderá muito bem simbolizar os nossos corações guiados pelo ouro do Sol e o turíbulo é, na verdade, o nosso serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) prestado ao irmão e à irmã, focado na divina essência oculta – que é a base da Fraternidade – em cada um de nós; o incenso, a essência desse serviço que ascende de todo ao Trono de Deus e poderá, necessariamente, atrair o Hierofante dos Mistérios Menores.
No 4.º capítulo do Livro da Revelação, figura: “Diante do trono estavam quatro bestas cheias de olhos dianteiros e traseiros. E a primeira besta era como um leão, a segunda como um bezerro, a terceira parecida com um homem, a quarta como uma águia voadora” (Apo 4:6-7). Aqui temos os Signos Fixos: Leão, Touro, Aquário e Escorpião; cada um deles, em tempos remotos, incluía o Signo anterior e o posterior a ele, como nos diz a escritura: “com olhos dianteiros e traseiros”. Cada Signo Fixo tem um Signo Cardeal antes dele e um Signo Comum lhe seguindo imediatamente.
Um estudo do Tabernáculo no Deserto mostra que isso é um meio de Iniciação. As decorações do Tabernáculo estão colocadas de tal modo que descrevem uma cruz. Trata-se da cruz na qual, nas palavras de Platão, o Iniciado, a Alma Mundana, é crucificada. É o nosso Corpo Denso que quando em pé e de braços distendidos, forma uma cruz, cruz esse à qual nós, o Ego (um Espírito Virginal manifestado aqui) nos prendemos, à medida em que lutamos através da limitação da matéria, para despertar e desenvolver os poderes divinos latentes dentro de nós.
No plano desta Terra, nós somos um peregrino, não tendo um lugar de habitação permanente. Trata-se de um plano no qual as experiências são acumuladas, cujos resultados nos dão a força e a sabedoria que possibilitam o nosso retorno à “Casa de nosso Pai”. A nossa natureza migratória está indicada pela natureza portátil do Tabernáculo no Deserto. As barras, colocadas nas argolas presas dos lados da Arca da Aliança, o objeto mais precioso do Tabernáculo no Deserto, nunca foram retiradas dela. Estiveram posicionados para prestarem serviço a qualquer momento, quando os Israelitas viajassem em direção à Terra Santa – o celestial (mundo).
S. Paulo refere-se ao Tabernáculo no Deserto como sendo o símbolo das “boas coisas que virão” (Hb 10:1: a sombra dos bens futuros). Observe-se que o Velho sempre antecipa o Novo.
O Tabernáculo no Deserto era uma tenda retangular, montada no lado ocidental de uma câmara, cobrindo cerca de três vezes a área do próprio santuário. O Tabernáculo foi dividido em duas secções chamadas de Lugar Santo e Santo dos Santos; a área fechada, na parte exterior, era o Átrio. As três divisões foram estipuladas de acordo com os três passos que conduzem da primeira indagação relativa à vida espiritual à aceitação da disciplina, do treinamento e da purificação que pertencem ao caminho estreito do Probacionista até que, finalmente, seja atingido o estado de iluminação interior. As três divisões correspondem, também, à multidão indiferente, não meditadoras, os desvendadores sérios e esforçados, e as pessoas que tenham conseguido a superação e atingido a Iniciação. Dentro desse Santuário o Deus Trino chega para habitar com o ser humano. Neste Tabernáculo no Deserto nós chegávamos com três poderes: Corpo, Alma e Espírito para comungar com o nosso Criador.
Até mesmo os números contidos nas especificações da construção do Tabernáculo no Deserto oferecem as chaves com as quais se pode abrir os Mistérios do Templo. Existem símbolos e véus, que encobertam segredos inestimáveis aos curiosos e indignos, porém os revela aos que, através de uma busca sincera, ganham acesso a seus tesouros de vida e de luz.
Adentrando-se no Átrio, no lado oriental, o primeiro objeto encontrado era o Altar dos Sacrifícios. Nesse Altar dois cordeiros eram sacrificados diariamente, um pela manhã e o outro à noite. Era especialmente prescrito de que fosse uma “oferenda contínua”, através das gerações “na porta da tenda de encontro”. O caminho foi aberto, graças ao sangue do Cordeiro, no adorador, para prosseguir e adentrar no local Santo; graças no sangue do Cordeiro, foi aberto o caminho, para toda a Humanidade, a fim de recuperar o seu estado perdido e retornar ao Deus-Pai. Novamente a simbologia da Antiga Dispensação é idêntica à da Nova Dispensação e o significado também é o mesmo. O sacrifício animal que deve ser efetuado quando da primeira entrada no Átrio, representa as propensões bestiais que devem ser sacrificadas nos fogos da purificação, antes de se progredir no caminho estreito, se possível. E, como os sacrifícios sobre o Altar dos Sacrifícios eram animados por um fogo que não era feito por nós, porém descia do alto, assim as paixões físicas devem ser purificadas pelos fogos da aspiração, que se originam dentro de nós mesmos, uma vez despertos.
Fisiologicamente, isto ocorre no centro sagrado da geração, na terceira divisão inferior do Corpo Denso. O trabalho de regeneração começa, adentrou-se no caminho da vida do Espírito.
Entre o Altar dos Sacrifícios e o Tabernáculo propriamente dito ficava o Lavabo da Purificação ou o Altar de Bronze, no qual os sacerdotes se lavavam. Somente o puro de Coração pode ver a Deus. Assim, foi feita a provisão no Átrio, para uma adequada preparação, pelo fogo e pela água, para se adentrar no Lugar Santo. A natureza foi limpa; as forças corporais foram erguidas a partir do centro localizado na base da espinha, e levadas para cima através do plexo solar, até os centros do Coração e da garganta. O que busca a Luz ficou, então, habilitado a entrar no Lugar Santo, a Sala Leste do Tabernáculo.
Antes da cortina, que cobre o Santo dos Santos, ficava o Altar do Incenso, à direita do qual ficava a Mesa dos Pães da Proposição e, a esquerda dessa o Candelabro de Ouro, com sete braços.
O Altar do Incenso, que ficava no centro da Sala Leste, representava o Coração, o verdadeiro centro de nossa vida. É governado pelo dourado Sol e é para o Corpo Denso aquilo que o centro solar representa para nosso sistema planetário.
Os doze Pães da Proposição, ázimos, sobre a Mesa, representam as doze qualidades ou atributos de caráter que foram armazenados através de muitas vidas, sob a tutela das Escolas Celestiais do Zodíaco. O incenso que foi posto nos doze pães e queimado pelo sacerdote (ou “Eu superior”), como oferenda ao Senhor, significa a agradável fragrância que emana de uma Alma consagrada e desenvolvida.
O Candelabro de Ouro de sete braços simboliza os sete centros do Corpo Denso que, quando despertados para a atividade, aparecem a uma vista espiritual como sendo muitos vórtices de luz. Estas luzes foram alimentadas com “azeite puro de oliva”, uma substância que simboliza as forças no nosso Corpo, quando regenerado.
Da Sala Leste, o caminho estreito leva à Sala Oeste mais interna, o Santo dos Santos, onde está a Arca da Aliança. Somente o Sumo Sacerdote (o “Eu superior”) era admitido nessa câmara sagrada e ele próprio não tinha permissão de adentrá-la a qualquer tempo. Apenas uma vez por ano ele podia passar pelos recintos santos e cumprir as cerimônias prescritas pelo Senhor (a Lei). O Ego não habita perpetuamente no puro estado espiritual; ele não poderia fazer isso e perceber seus poderes latentes.
O Santo dos Santos representa o estado onde habita o Espírito, não condicionado pela matéria, à luz de sua natureza divina, não obscura. Nesse lugar não havia luz provinda do exterior, pois não era necessária, uma vez que o Espírito iluminado havia nela penetrado.
A Arca da Aliança é um símbolo da Alma; sua tampa era de ouro maciço e servia de Propiciatório. Nas duas extremidades deste banco estavam dois Querubins de ouro, com suas asas distendidas cobrindo a Arca preciosa. Dentro da Arca estavam as duas Tábuas da Lei, o Bastão (ou Vara) Florido de Aarão e o Pote do Maná; o Maná é o “Espírito humano que desceu desde o nosso Deus-Pai do alto para uma peregrinação através de matéria e o Pote de Ouro, no qual era mantido, simbolizava a Aura Dourada do Corpo-Alma”.
As duas Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos, são as forças gêmeas que operam na Ordem Cósmica as quais, quando harmonizadas na natureza do ser humano, levam-no em suas correntes até o verdadeiro Coração do Ser Infinito. A Vara de Aarão, que floresceu, é o fogo espiritual espinhal que se levantou desde os centros na base da espinha até os localizados no topo da cabeça. Os fogos internos foram iluminados e a visão se abriu a uma radiação que, a uma vista física, não passaria de escuridão. Somente os que tiverem atingido este estado entrarão no Santo dos Santos.
Assim como o Átrio corresponde à região pélvica do Corpo Denso, e à Sala Leste à região torácica, assim o Santo dos Santos se correlaciona com a Cabeça. Dentro dela “reside” o Ego, à presença divina, diante da qual ninguém pode retirar o véu. Isto fica sob o único controle do Deus habitante, o Ego, o “Eu Sou”. Os órgãos da cabeça que quando ativados proporcionam a percepção dos Mundos espirituais, são a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário.
Entre os Querubins descansava a Glória de Shekinah. Trata-se do centro magnético no qual há a comunicação entre Jeová e Moisés. Era para a Antiga Dispensação o que o Santo Confortador o é para a Nova Dispensação.
O significado espiritual das quatro estações sagradas, os Solstícios e os Equinócios, está incorporado no simbolismo do Tabernáculo no Deserto. O Altar dos Sacrifícios, no sul, corresponde ao Solstício de Dezembro (em Capricórnio). O Candelabro Dourado de Sete Braços, a leste, correlaciona-se com a vida ressurgido e à luz do Equinócio de Março (em Áries). O Santo dos Santos, ao norte, simboliza o Solstício de Junho, a Hierarquia Criadora dos Querubins (em Câncer). As Mesas dos Pães da Proposição, a oeste, correspondem ao Equinócio de Setembro (em Libra), a época festiva da estação da colheita.
O Tabernáculo no Deserto foi a nossa Escola de Mistérios da Época Atlante. Conservou, em símbolo e em ritual, a Sabedoria limitada, a medida em que passamos da civilização da Época Ária.
Os Mistérios (ou as Iniciações) Menores se referem apenas à nossa evolução durante o Período Terrestre. Nas três primeiras Revoluções desse Período Terrestre, em torno dos sete Globos, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, ainda não tínhamos atingido a consciência de nós próprios. Ignorávamos como nós iríamos nos tornar do modo como somos hoje. O candidato está prestes a ter esclarecimento sobre esse assunto, de modo que, pela fala dos Hierofantes durante o período da primeira Iniciação, no primeiro grau, sua consciência se volta para essa página da Memória da Natureza que traz os registros da primeira Revolução, quando recapitulamos o desenvolvimento do Período de Saturno. Ele está ainda de posse de sua consciência de todos os dias (a Consciência de Vigília); conhece e lembra-se de fatos da vida que está vivendo aqui, mas agora observa conscientemente o progresso das hostes em evolução dos Espíritos Virginais, com às quais formou uma unidade durante o Período de Saturno e sua recapitulação na Época Polar.
No segundo grau ele, do mesmo modo, propende a dar atenção às condições da segunda Revolução ou Revolução Solar do Período Terrestre e vigia, em plena consciência, o progresso feito durante esse tempo pelos Espíritos Virginais e, também, o progresso feito durante sua recapitulação na Época Hiperbórea.
Durante o terceiro grau ele observa o trabalho executado na Revolução Lunar e sua recapitulação na Época Lemúrica.
Durante o quarto grau ele observa a evolução da última meia Revolução com o seu período de tempo correspondente em nosso estágio atual na Terra. Na primeira metade da Época Atlante a noite da inconsciência foi ultrapassada, os olhos do Ego habitante foram completamente abertos e ele ficou capacitado a dirigir a luz da razão sobre o problema da conquista do Mundo. Foi o tempo em que nós, tal como nos conhecemos, nascemos pela primeira vez.
Nos métodos de Iniciação de tempos remotos, o candidato permanecia em transe profundo, durante três dias e meio. Ele era, então, levado através do desenvolvimento inconsciente da Humanidade, durante as Revoluções anteriores e, quando se diz que estava desperto no momento da alvorada do quarto dia, era o modo místico de expressar que a sua Iniciação no trabalho da carreira involutiva do ser humano cessou, quando o Sol se ergueu acima da clara atmosfera de Atlântida. Então o candidato era saudado como “nascido pela primeira vez”.
O quinto grau leva o candidato ao fim do Período Terrestre, quando uma Humanidade gloriosa estará colhendo os frutos desse Período e a afastando dos sete Globos sob os quais ela evoluiu durante cada dia da manifestação no primeiro dos cinco Globos obscuros que é a sua habitação durante as Noites Cósmicas (entre um Período e outro). A mais densa dessas Noites Cósmicas está localizada na Região do Pensamento Abstrato e, na realidade, é o “Caos” a que se refere o livro Conceito Rosacruz do Cosmos.
Portanto, lembremo-nos da advertência escrita na Porta do Templo: “homem, conhece-te a ti mesmo”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Com o Solstício de Junho, Cristo passa aos mais elevados planos espirituais da esfera terrestre que, biblicamente, se descrevem como “o Trono do Pai”.
Aqui Cristo se converte em um canal para o derramamento das forças das Doze Hierarquias Zodiacais, incluindo os Serafins, Querubins e Senhores da Chama. No Solstício de Junho, cada átomo da Terra fica impregnado da luz-glória desse divino poder espiritual.
Isso Cristo faz depois de ter trabalhado na e com o Planeta Terra (e, portanto, com todos os seres que evoluem nesse Campo de Evolução) desde o Equinócio de Setembro até o Equinócio de Março ou o período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecostes. Esse é o ritmo redentor do Cristo Cósmico. Esse é o Seu trabalho com a gente, desde a Sua vinda ao nosso Planeta por meio dos Corpos de Jesus (quando se converteu, depois, no Regente da Terra), e assim continuará até que a gente alcance um ponto em que sejamos capazes de nos encarregar, nós mesmos, do trabalho da redenção coletiva, sem a necessidade de Sua ajuda imediata.
Lembrando que no Equinócio de Setembro, a radiação dourada de Cristo, que vai sendo derramada sobre a Terra, gradualmente penetra nas suas capas atmosféricas e, logo, o globo terreno inteiro até que, no Solstício de Dezembro, alcança o seu coração. Durante os seis meses de junho à dezembro se movem ao longo do arco descendente; durante os seis meses de janeiro à junho, que culminarão no Solstício de Junho, se elevarão ao longo do arco ascendente.
No Solstício de Junho os Anjos e Arcanjos celebram as festividades. A beleza, o esplendor e o poder espiritual que impregnam, tanto o céu como a Terra, nessa elevada época, não podem se descrever adequadamente pela linguagem humana, mas está além do que pode se ver pela visão humana.
A estação do Natal se celebra universalmente, mas a festa do Solstício de Junho passa quase sempre despercebida. E, ainda que isso é certo no plano físico, é muito diferente nos Mundos espirituais. Note que a liturgia Cristã associa esse tempo do Solstício de Junho ao festejo de S. João Batista, o Precursor (24 de Junho), que antecede e anuncia o Solstício seguinte, o de Dezembro. Daí as palavras de S. João Batista: “Fui enviado adiante d’Ele.” (Jo 3:28) e “Ele deve crescer, e eu diminuir.” (Jo 3:30).
No Solstício de Junho as atividades físicas da Natureza estão no seu máximo, e por isso a “Noite de São João” é o grande Festival das Fadas que trabalham na construção do universo material, que alimentam o gado, que amadurecem o grão e que saúdam com alegria e agradecem a crista da onda de força, que é a ferramenta que usam para modelar as flores, então estonteante variedade de delicadas formas conforme seus arquétipos e para tingi-las de inúmeras matizes que fazem a delícia e o desespero dos artistas!
Nessa grandiosa noite, todos esses pequenos servidores se reúnem para o Festival das Fadas, vindos dos pântanos e das florestas, dos vales e das clareiras. Realmente eles cozinham e fazem os seus alimentos etéricos e posteriormente dançam em êxtases de alegria – a alegria de terem cumprido suas importantes tarefas na economia da Natureza.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Resposta: Enquanto o Sol entra em Câncer, no mês de julho o Senhor Cristo ascende ao Seu próprio mundo, o Mundo do Espírito de Vida. Esse é o reino onde a unidade e a harmonia reinam supremas, onde cessa toda a separatividade, onde reina a Fraternidade Universal. Cristo vive nesse Mundo cotidianamente, exatamente como nós vivemos aqui, no Mundo Físico, quando estamos encarnados.
O Mundo do Espírito de Vida também é a esfera de consciência que os primeiros Discípulos de Cristo contataram no Dia de Pentecostes. Isso será alcançado por toda a humanidade avançada no fim do presente Período Terrestre.
Por meio da operação do Cristo Cósmico é aqui que o Filho ou o princípio da Palavra e o segundo aspecto da Trindade, nosso Abençoado Senhor, contata a Hierarquia Criadora de Câncer, Querubins. Esses Seres celestiais são os guardiões de todos os lugares Sagrados no Céu e na Terra. Eles guardam até mesmo o maior mistério da vida. Sob a orientação do Senhor Cristo esse mistério sagrado é transmitido para baixo, de Câncer para o seu Signo oposto, Capricórnio, e fornecido para a Hierarquia Criadora dos Arcanjos ou Hierarquia Criadora de Capricórnio.
Foi por essa razão que o Salvador do Mundo, que veio para a Terra proclamando o mistério do Espírito Santo, teve o início da Sua primeira vinda sob o Signo de Capricórnio.
Para isso ter ocorrido, houve um tempo em que as forças de Capricórnio permearam a Terra para que fosse possível o nascimento do Mestre Jesus, da descendência de Davi, que se converteu no portador, cedendo o Corpo Denso e o Corpo Vital para Cristo (que como todo Arcanjo só sabe construir, como corpo mais denso, o Corpo de Desejos).
E assim, desde a Sua primeira vinda, a força Crística dourada, todo ano, recomeça o seu trabalho de auxílio para nos salvar, descendo da fonte do Sol, tocando a partir do lado externo da atmosfera terrestre no Equinócio de Setembro, passando pelo Mundo do Desejo durante novembro (Escorpião), passando pela Região Etérica do Mundo Físico durante dezembro (Sagitário) e chegando ao centro da Terra no Solstício de Dezembro (Capricórnio).
Que as Rosas floresçam em vossa cruz
Mais uma vez chegamos ao ato final do drama cósmico que envolve a descida do Raio solar de Cristo na matéria de nossa Terra, que se completa no Nascimento Místico celebrado no Natal e, depois, na Morte Mística e na Libertação, que são celebradas logo após o Equinócio de Março, quando o Sol do novo ano inicia sua ascensão às esferas superiores dos céus setentrionais, depois de verter sua vida para salvar a Humanidade e revigorar todas as coisas sobre a Terra.
Pois os pontos dos Equinócios e Solstícios são marcos decisivos no caminho cíclico de um Planeta, marcados por festividades como o Natal e a Páscoa
Podemos partir com o marco decisivo no caminho cíclico da Terra na noite de Natal, quando a Terra dorme mais profundamente, quando as atividades materiais descem ao nível mais baixo, uma onda de energia espiritual carrega em sua crista a divina criadora “Palavra do Céu” para um nascimento místico no Natal; e como uma nuvem luminosa, o impulso espiritual paira sobre o mundo que “não o conheceu” porque ele “brilha nas trevas”, quando a natureza está paralisada e muda.
Essa “Palavra” criadora divina contém uma mensagem e tem uma missão. Nasceu para “salvar o mundo” e “para dar Sua vida pelo mundo”. Deve, necessariamente, sacrificar Sua vida para conseguir o rejuvenescimento da natureza. Gradualmente, um raio do Cristo Cósmico se enterra na Terra e começa a infundir Sua própria energia vital nas milhões de sementes que jazem adormecidas no solo. Ele sussurra a “palavra de vida” nos ouvidos dos animais e pássaros, até que o evangelho ou as boas novas seja pregado a todas as criaturas. O sacrifício é totalmente consumado quando o Sol cruza seu nodo oriental no Equinócio de Março. Então, a Palavra divina criadora expira. Em um sentido místico, Ele morre na cruz na Páscoa, enquanto profere um último brado triunfante: “Está Consumado” (Consummatum est).
Mas, do mesmo modo que um eco volta a nós, muitas vezes, repetido, assim também a canção celestial de vida é repercutida na Terra. Toda a criação entoa um cântico de louvor. Um coro de uma legião de línguas repete sem cessar. As pequeninas sementes no seio da Mãe Terra começam a germinar, brotando e despontando em todas as direções, e logo um maravilhoso mosaico de vida, um tapete verde aveludado bordado com flores multicoloridas, substitui o manto de imaculado branco invernal. Das espécies de animais de pelo e pena, a “palavra de vida” ressoa como uma canção de amor, impelindo-os ao acasalamento. Geração e multiplicação é o lema em toda parte – o Espírito ressuscitou para uma vida mais abundante.
Assim, misticamente, podemos notar todos os anos o nascimento, a morte e a ressurreição do Salvador como o fluxo e o refluxo de um impulso espiritual que culmina no Solstício de Dezembro – época do Natal – e sai da Terra logo após a Páscoa, quando a “palavra” sobe ao Céus, no Domingo de Pentecostes. Mas, não permanece lá para sempre. Foi-nos ensinado que “dali retornará”, “no Juízo”. Portanto, quando o Sol atravessa a linha do equador em direção ao sul do Planeta Terra, em outubro, através do Signo de Libra inicia a descida do Espírito do novo ano. Essa descida culmina no nascimento, no Natal.
(Trechos de Max Heindel sobre o trabalho cíclico anual do Cristo)
Os Evangelhos, como é normalmente lido nas Religiões que preconizam o Cristianismo Popular, muitas vezes, contam o Natal como a história de Jesus, um personagem único, o Filho de Deus em um sentido especial, que nasceu em Belém, viveu na Terra por um curto período de 33 anos, morreu por nós, depois de muito sofrer e está agora permanentemente sentado à direita do Pai, de onde “há de vir para julgar os vivos e os mortos”. Celebramos seu nascimento e sua morte em determinadas épocas do ano, pois se supõe que esses eventos tenham ocorrido em datas definidas.
Mas, enquanto as explicações acima satisfazem aqueles que não procuram ir muito a fundo em suas investigações sobre a verdade, há um outro lado muito evidente tanto ao Cristão ocultista como ao Cristão místico: uma história de amor Divino e de sacrifício perpétuo que o enchem de devoção para com o Cristo Cósmico, O qual nasce periodicamente para que possamos viver e evoluir. O Cristão ocultista e o Cristão místico entendem que, sem recorrer a esse sacrifício anual, a Terra e suas condições atuais de desenvolvimento seriam uma impossibilidade.
Quando o Sol está no Signo celestial de Virgem (a Virgem), acontece a Imaculada Concepção. Uma onda de Luz e de Vida do Cristo solar é, então, enfocada sobre a Terra. Aos poucos essa luz penetra cada vez mais profundamente na Terra, até que o ponto decisivo no momento mais importante do ano, que chamamos Natal. Esse é o nascimento Místico de um impulso de vida Cósmico que impregna e fertiliza a Terra. É a base de toda vida terrestre; sem isso nenhuma semente germinaria, nenhuma flor surgiria na Terra, nem o ser humano, nem o animal existiriam, e a vida logo se extinguiria.
Há, portanto, uma razão muito válida para a alegria que se sente na época do Natal. Como o Autor Divino de nossa existência, nosso Pai no Céu nos deu o maior de todos os presentes, Seu Filho, assim também nós somos levados a nos presentearmos, uns aos outros, e a alegria, paz e boa vontade reinam na Terra, quer compreendamos ou não as razões místicas e anualmente renovadas.
Assim como “um pouco de fermento faz fermentar um todo”, esse impulso de vida espiritual, que impregna a Terra no Solstício de Dezembro, trabalha durante os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março em seu caminho em direção à circunferência, dando vida a tudo com que entra em contato. Mesmo os minerais não se desenvolveriam se esse impulso de vida fosse contido.
Ao chegar à época da Páscoa, quando a Terra está em pleno vigor, tudo está imbuído dessa grande vida Divina. Aí, então, ela se esgota, morre e se levanta novamente à direita de nosso Pai. Assim, o Natal e a Páscoa são pontos decisivos que marcam o fluxo e o refluxo de Vida Divina, anualmente dados por nossa causa. Se formos um pouco sensíveis, podemos sentir o Natal e a Páscoa no ar, pois ambos estão carregados de amor, vida e alegria divinas. Mas, de onde vem aquela nota de tristeza e sofrimento que precede à Páscoa da Ressurreição?
Por que não nos regozijamos com uma alegria genuína, quando o Filho é liberado e retorna a Seu Pai? Por que essa paixão, essa cruz de espinhos? Para compreender esse mistério é necessário analisar o problema do ponto de vista do Cristo, e é necessário entender, por completo, que essa onda de vida anual, projetada em nosso Planeta, não é simplesmente uma força destituída de consciência. Ela carrega em si mesma a consciência plena do Cristo Cósmico. É certo que sem Ele não existiria nada do que foi feito. Na época da Imaculada Concepção, em setembro, esse grande impulso de vida começa sua descida para nossa Terra, e na ocasião do Solstício de Dezembro, quando acontece o nascimento Místico, o Cristo Cósmico está plenamente concentrado sobre e dentro do nosso Planeta.
Deve causar desconforto para tão grande Espírito estar preso dentro desta Terra, e estar consciente de todo o ódio e discórdia que emanamos, todos os dias. Não se pode negar que toda expressão de vida seja feita por meio do amor; do mesmo modo, a morte vem por meio do ódio. Se o ódio e a discórdia que geramos em nossas vidas diárias e as consequentes falsidades, infâmias e egoísmo fossem deixados sem antídoto, esta Terraseria engolida pela morte.
Nos serviços que se realizam todas as noites, à meia-noite, o Templo da Ordem Rosacruz é o foco de todos os pensamentos de ódio, raiva, inveja, cólera, astúcia, egoísmo, inquietação e todos os afins a esses do mundo, no qual ele serve. Esses pensamentos são, então, desintegrados e transmutados, e essa é a base do progresso social do mundo. Espíritos puros se afligem e sofrem muito com as perturbações do mundo, com nossa discórdia e ódio e enviam, através de si mesmos, individualmente, pensamentos de amor, de paz, de fraternidade, de compaixão, de concórdia, de bondade e de afins com esses. Os esforços associados da Ordem Rosacruz são dirigidos aos mesmos canais, normalmente à meia-noite, quando o mundo está mais tranquilo em relação ao esforço físico, e se torna mais receptivo à influência espiritual. Nessa hora eles se empenham em atrair e transformar as flechas daqueles pensamentos inferiores citados acima, compartilhando, assim, com o sofrimento de Cristo, e com esse trabalho ajudam a tirar alguns dos espinhos da coroa do Salvador.
O Espírito de Cristo na Terra está, como diz S. Paulo, atualmente “gemendo e lutando à espera do dia da libertação” (Rm 8:22). Dessa forma, Ele tem em Si todas as flechas dos pensamentos inferiores citados acima e é esta a Sua coroa de espinhos.
Em tudo que vive, o Corpo Vital irradia correntes de luz da força que usou ao construir o Corpo Denso. Quando o Corpo Denso se apresenta com saúde, essas correntes de força carregam os venenos do Corpo e o mantém limpo. Condições semelhantes prevalecem no Corpo Vital da Terra, que é o veículo do Cristo. As forças venenosas e destrutivas geradas por nossas paixões são levadas pela força de vida do Cristo. Mas, qualquer pensamento ou ato maldoso causam-Lhe uma dor proporcional e, portanto, torna-se parte da coroa de espinhos – coroa porque a cabeça é considerada, sempre, como o lugar da consciência. Deveríamos compreender que todos os atos, todas as ações e obras maldosos têm uma reação em Cristo, como foi descrito acima, acrescentando um espinho a mais de sofrimento.
Em vista do que foi dito, podemos imaginar com que alívio Ele pronuncia as palavras finais no momento de libertação da cruz terrena: “Consummatum est” (Está terminado).
E, por que a repetição anual do sofrimento? Da mesma forma, como temos que receber continuamente em nossos Corpos, o oxigênio da vida a fim de vitalizar e dar energia a todo o Corpo, e como o oxigênio se extingue para o mundo exterior, enquanto está habitando o nosso Corpo (onde está sendo carregado de venenos e resíduos e finalmente é expelido como dióxido de carbono, um gás venenoso), é necessário que o Salvador entre, anualmente, no grande corpo que chamamos Planeta Terra, e leve para Ele todo o veneno que é gerado por nós, para limpar e purificar a Terra e lhe dar uma nova oportunidade de vida antes que Ele, finalmente, ressuscite e suba para Deus-Pai.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/1983 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Os materialistas se recusam a aceitar o formoso relato sobre o nascimento de Jesus e frequentemente formulam esta pergunta: “Se Cristo veio ao mundo para salvar os seres humanos do pecado e da morte, quem salvará as milhões e milhões de almas que estavam em manifestação antes da Era Cristã, que data de apenas um pouco mais de 2000 atrás”?
Disse São João Evangelista: “Porque Deus amou de tal maneira o mundo que lhe deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que n’Ele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. Porque não O enviou Deus para condenar o mundo, mas para que o mundo se salve por Ele.” (Jo 3:16).
Essas palavras de Cristo-Jesus têm dado o que pensar a muitos e até fizeram que alguns se afastassem de sua fé em Deus, porque: “…como pode alguém acreditar na Paternidade de Deus e Sua Bondade: como pode alguém crer no amor desse grande Espírito e, também, pensar que Ele deixou de dar o necessário a Seus filhos, em todas as épocas? Quem pode continuar crendo n’Ele, se foi tão cruel a ponto de enviar Seu único Filho para salvar apenas uma pequena parte de seus outros filhos humanos? Quem pode crer, tal como o creem os ortodoxos, que esse amoroso Pai tivesse permitido que a maioria de seus filhos fosse arrojada às trevas para sofrer eternamente, apenas por que vieram antes de Cristo? Diante disso, é de surpreender que as Religiões de Buda, Maomé e Zoroastro continuem florescendo, embora reconheçamos que os ensinamentos do Mestre Cristo-Jesus preencham as necessidades da nova onda evolutiva?”.
Os ministros ortodoxos afirmam que o Natal começou a ser celebrado apenas uns quatrocentos anos depois de Cristo. De fato, nada existe na história para confirmar que os Cristãos tivessem celebrado esse acontecimento nos primitivos tempos do Cristianismo. Mas, isso é fácil de se compreender. Até sua oficialização, o Cristianismo sofria cruéis perseguições. Ademais, o paganismo fortemente espalhado então desvirtuaria a pureza de sua apresentação. Os essênios eram devotos e pouco dados a práticas externas, como o faziam os fariseus. Mais tarde, a própria exigência do povo pelo cerimonial estabeleceu essa prática. Vejamos o Antigo Testamento e leiamos sobre os grandes festivais promovidos pelo povo naqueles remotos tempos e que correspondem a nossos presentes festejos de Natal e Páscoa de Ressurreição.
Os antigos eram muito dados a cerimoniais. Seus festivais eram religiosamente observados, ainda mais do que as festas religiosas de hoje. Vejamos os festivais dos tempos de Abraão: Moisés deu instruções bem definidas a seus seguidores em relação a essas cerimônias, que deveriam acontecer com seus ritos Religiosos. Moisés é o autor dos cinco primeiros livros da Bíblia (Pentateuco) e seus Dez Mandamentos são a pedra angular de todas as atuais Religiões. Os antigos festivais eram terrivelmente desfigurados com ritos que as pessoas modernas considerariam repulsivos. Em algumas ocasiões não apenas eram imolados animais no Altar dos Sacrifícios, senão que o próprio sangue humano corria, para apaziguar a fúria dos deuses pagãos. Quase todos os festivais eram oferecidos ao Deus do Sol e muitas das Religiões antigas se achavam mescladas com os mitos solares. No Solstício de Dezembro, quando o Sol chega à sua mais baixa declinação sul e deve empreender a marcha ascendente rumo ao norte, converte-se num salvador de vidas e, então, renasce o deus-sol.
Em algumas das Religiões antigas, encontramos o relato da mãe e do filho divino. Na Índia, Krishna nasceu como um salvador e seus pais tiveram que fugir de sua terra devido ao decreto do Rei Karnsa de matar toda criança de sexo masculino recém-nascido. Na história do nascimento de Krishna encontramos os Anjos, os Pastores e os Magos. A história da vida deste deus-sol da Índia é muito parecida à de Cristo Jesus.
Na história da Babilônia encontramos o deus do sol, Tammuz, que nasceu de uma mãe virgem. Uma lenda similar é a do deus Apolo. Encontramos, também, o mesmo mistério em relação à data de nascimento desses deuses, que foi igual à de Jesus.
Em todos os relatos dos nascimentos dos grandes Mestres existe a aparição de um Anjo anunciando a uma Virgem que Deus a havia escolhido para mãe de uma divina criança. A história difere mui ligeiramente nas distintas Religiões. O idioma, o cerimonial e os costumes é que motivam essas diferenças secundárias.
Afinal, por que a Virgem e um menino divino aparecem nessas Religiões antigas, inclusive na classificadas de pagãs? Isso não é uma prova que deve existir alguma conexão entre esses mitos, os quais coincidem maravilhosamente com o nascimento do Salvador e com a marcha do Sol através do Zodíaco? Em alguns desses relatos fala-se de um grande silêncio existente em toda a Terra, no momento do nascimento. Tudo era silêncio. Isso é uma realidade no Solstício de Dezembro. No hemisfério norte da Terra, a vida vegetal parece descansar. A força de Deus se aquieta por algum tempo. A seiva se recolhe nas raízes. Os ramos e os talos se desnudam. A vida dorme e o Sol penetra no reino de Saturno, Capricórnio. A Terra é uma massa vivente que respira, mas nesse tempo parece reter seu alento, como o faz uma pessoa quando vai realizar um ato muito importante.
O nascimento do Sol é como uma exalação da vida do Cristo, sentido por toda a Humanidade. O Natal, nascimento místico, é um período de regozijo para a Terra, bem como o é principalmente para a Humanidade, porque então os Anjos portam correntes de júbilos.
O mito do Sol existente nas Religiões antigas, encarado sob o ponto de vista da Astrologia e da Astronomia, fala-nos do grande Plano Cósmico. O Sol em seu caminho pelos Signos do Zodíaco é uma manifestação atual das glórias do Universo de Deus. Por enquanto é apenas uma manifestação externa de uma verdade maior, o Filho cósmico, o Cristo, por quem flui toda a vida de Deus em favor da Humanidade. Ele é o grande portador da vida, cujo veículo material nasceu há mais de 2000 anos atrás. Veio à Terra para que por Seu intermédio pudesse Deus acender em todo ser humano a chama do Amor divino, os atributos do Segundo Aspecto de Sua Natureza. Igualmente nessa época nasce o Sol em sua subida ao Norte, brilhante e com mais força e vigor, mais próximo da Terra, para renovar a vida em toda a Natureza.
Se examinarmos esse grande evento anual do Natal sob os dois pontos de vista, o pagão e o festival do deus-sol em sua jornada pelos Signos do Zodíaco e relacionamos com o relato do nascimento do Filho de Deus de uma Virgem, nosso Amor e reverência pelas Páscoas modernas em vez de decrescer, aumentarão, mesmo que os textos Cristãos ortodoxos afirmem que as festas que se celebravam nos tempos pré-Cristãos eram pagãs.
O exposto, que a história nos conta, revela que nós sempre buscamos uma Religião. Nossa alma sempre ansiou por Deus. Por mais cruel que haja podido ser essa concepção de Deus para conosco, não invalida nem diminui a realidade de Sua existência. Desde a época em que os nossos olhos foram abertos para o mundo e o véu do conhecimento de nós mesmos foi retirado, fomos buscando resolver os grandes mistérios da vida. À medida que cresçamos em Sabedoria e compreensão espiritual, a verdadeira luz nos será mostrada no caminho, essa luz que esteve escondida nas dobras dos séculos que passaram. Então poderemos verificar que os deuses, assim como a nossa Mente, crescem junto com as Religiões para ganhar em consciência. Assim também deve crescer nosso ideal do Natal, em amor e beleza. Quando o Cristo-menino nasça e se alimente em nossos corações poderemos entender perfeitamente o sentido destes versos de Angelus Silesius: “Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém, enquanto não nascer dentro de ti, tua alma estará extraviada. Olharás em vão a Cruz do Gólgota enquanto ela não se erguer em teu coração também”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1965-Fraternidade Rosacruz-SP)
Três pequenas cidades podem orgulhar-se de haver hospedado o Cristo Jesus — a maior Luz que a Terra jamais conheceu: Belém, Nazaré e Cafarnaum.
A cidade de Belém, “Casa do pão”, onde a criança santa nasceu; a cidade de Nazaré, o lugar onde o tempo é utilizado para a vida pessoal, usado para crescer em fortaleza e conhecimento.
Vamos detalhar mais sobre a terceira cidade, a de Cafarnaum que significa “cidade do Consolador”. Ficava no território da tribo de Neftali, limítrofe do da tribo de Zabulon. No Evangelho Segundo S. Mateus estudamos como ele relacionou o Cristo ao trecho do Livro do Profeta Isaías (8:23 a 9:1): “No passado, o Senhor humilhou a terra de Zabulon e a terra de Neftali. No futuro, glorificará o caminho do mar, a outra margem do Jordão e a Galileia dos gentios: o povo que caminhava nas trevas viu grande luz; sobre os habitantes da terra das sombras uma luz brilhou”.
O “caminho do mar” ia de Damasco ao Carmelo, através do Jordão (também chamada “Peréia”, do grego peran, que significa “além”, e que hoje é denominada “Transjordânia”).
A Galileia dos gentios é a cidade de Cafarnaum, porque nela havia grande mistura de judeus e gregos e constituía um forte entreposto comercial, com ligações por terra e mar com os distritos circunvizinhos e que demandavam Horã, Tiro, Sidon, Síria e Egito. Daí serem tidos os cafarnaitas, pelos ortodoxos da Judeia, como “livres-pensadores” e como “heréticos sincretistas”. Mas justamente por isso o terreno era fértil para a pregação de Cristo Jesus, com almas sinceras, sem hipocrisia, podendo manifestar livremente suas crenças.
Dentre as interpretações bíblicas, a que se relaciona com a Astrologia Rosacruz diz que Jacó tinha 4 esposas (Lia, Raquel e suas Amas) que representam as 4 fases da Lua. Com elas gerou 13 filhos, sendo uma filha, Diná, que representa o único Signo feminino: Virgem. Dois filhos, Simeão e Levy, representam o Signo de Gêmeos; e os demais 10 filhos, os outros Signos do Zodíaco. A região de Neftali está ligada a Capricórnio; Neftali era um dos filhos de Jacó, representado por uma corça que partia em corrida até vencer um ano (iniciado pelo Solstício de Dezembro). Deduzimos, pois, dentro dessa simbologia, que Neftali era um lugar de provas, de séria concentração, de análise, atributos saturninos valiosos na evolução espiritual.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
O mistério mais profundo ligado à evolução humana é o da Imaculada Conceição. Sua verdade foi velada, propositadamente, da Mente da Humanidade comum que é inteiramente incapaz de compreendê-la. O Rito da Imaculada Conceição sempre foi uma parte dos Mistérios, mas à medida que o materialismo cresceu, uma a uma, as portas das Escolas de Mistérios foram se fechando, assim também o termo Imaculada Conceição chegou a não ter significado especial.
Como um exercício preparatório durante essa época do ano – a mais Santa – é recomendado ao Estudante Rosacruz estudar sobre a Anunciação no Evangelho de S. Lucas 1:26-38[1]. Ajudará muito abrir a compreensão do Estudante Rosacruz ao significado espiritual do que segue:
A Imaculada Conceição representa a maior conquista da feminilidade. Significa uma conquista tão maravilhosa, misteriosa e sagradamente bela que meras palavras são inadequadas para revelar seu verdadeiro significado. Podemos conhecê-lo plenamente no profundo silêncio da alma.
Maria, a mãe de Jesus, simboliza o Eterno Feminino, o princípio do amor. Eva, a Mãe Universal, em quem a “Queda” deste princípio torna-se Maria, a mãe do imaculadamente concebido, quando este princípio amoroso, que tinha sofrido a “Queda”, é erguido e redimido.
Maria era uma mulher terrena, mas perceba um mistério: “Ela purificou sua natureza de tal modo, que a criança que ela concebeu e a quem ela deu à luz era de tal pureza e perfeição que Ele se tornaria um veículo para o Cristo. A vida e as obras de Maria, de José e de Jesus são proféticas da Nova Era – a Era de Aquário –, quando todo Ego será bem-nascido, tendo seus Corpos gerados em amor por pais puros e castos. Só então um novo tipo de seres humanos, unidos em comunhão e bondade fraterna, desdobrará as asas da imortalidade e manifestará um mundo em que habitarão paz, alegria, saúde e abundância. Isso, verdadeiramente, mostrará a “Santidade ao Senhor”.
A Santíssima Virgem Maria é a mais elevada Iniciada que jamais veio à Terra vestindo um corpo feminino. Há uma dupla razão para isso. Ela veio como um perfeito tipo-padrão para o aperfeiçoamento de todas as mulheres. Ela também veio para dar ao ser humano um dos maiores dons do céu, ou seja, o Santo Mistério da Imaculada Conceição.
Os primeiros alquimistas pronunciaram uma verdade profunda quando declararam que a Pedra Viva (Corpo da Nova Era) seria formada pela união do Sol e da Lua. É dentro das duas joias da coroa que adornam a cabeça (a Glândula Pineal e a Glândula Pituitária) que este trabalho divino é principalmente consumado. Um verdadeiro princípio de luz, uma semente solar, forma-se na Glândula Pineal de cada ser humano. É uma parte de sua herança Cristã. No entanto, essa semente de luz permanece adormecida – permanece latente – até que uma pessoa seja sábia o suficiente para entender como usá-la. À medida que o Aspirante à vida superior se torna suficientemente dedicado e espiritualizado, cada ano, imediatamente após o Solstício de Junho, essa semente solar inicia um circuito anual através do corpo, simulando o caminho do Sol em seu curso pelos céus (as correntes da vida no ser humano e na natureza estão sempre de acordo, a menos que o próprio ser humano perturbe essa harmonia). Pelo Equinócio de Setembro, a semente solar chega ao centro do coração, e no Solstício de Dezembro, quando o Sol chega à sua declinação mais ao sul, toca o Plexo Celíaco (ou Plexo Solar). É por esta razão que nos antigos Mistérios o centro do Plexo Celíaco foi denominado o “Padroeiro do templo do corpo humano”. Após a ascensão do Sol, o princípio de luz novamente toca o centro do coração no momento do Equinócio de Março, e no Solstício de Junho é levado para sua casa na Glândula Pineal quando, mais uma vez, o Sol atinge sua posição mais setentrional.
Durante este circuito anual da semente do Sol, o Corpo é eletrificado com nova vida, novo esplendor e os poderes que fazem para a eterna juventude; daqui aqueles que percorrem o caminho para o conhecimento direto são iluminados sempre com uma luz de brilho muito raro. Eles se tornaram um com a glória daquela luz interior que nunca se encontra na terra ou no mar.
Enquanto isso, concomitante ao ciclo solar, a cada mês na Lua Nova forma na Glândula Pituitária um princípio lunar.
Esta semente lunar segue o caminho da Lua. Até a Lua Cheia a semente chega ao centro da geração. A Lua Cheia, portanto, marca o momento crucial do mês. No Corpo de uma pessoa que vive a vida ordinária do mundo, o princípio lunar é dissipado e seus poderes de vida perdidos. No Aspirante à vida superior consagrado, entretanto, o princípio lunar é conservado e erguido, outra vez, do seu repouso na Glândula Pituitária à altura da Lua Nova, onde suas forças se fundem com as do princípio lunar recém-formado. Agora, no Solstício de Junho, para quem percorre o caminho da santidade, uma verdadeira Missa de Cristo é celebrada no templo-Corpo purificado, pois é então que os doze princípios lunares, conservados ao longo do ano, se unem ao princípio solar. Seu lugar de fusão é o terceiro ventrículo, que é a ponte entre a Glândula Pineal e a Glândula Pituitária.
O terceiro ventrículo torna-se, assim, o leito matrimonial sobre o qual a “Criança” Sagrada (união das sementes Solar e Lunar) é concebida e nascida. É também chamado de “manjedoura”, sendo a Glândula Pineal e a Glândula Pituitária os “santos Pais” que participam na união alquímica.
Assim, isso é um breve esboço do processo oculto fundamental que está subjacente ao Rito da Imaculada Conceição.
(Traduzido do livro: The Life and Mission of the Blessed Virgin – Corinne Heline, pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: 26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. 28Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”. 29Ela ficou intrigada com essa palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação. 30O Anjo, porém, acrescentou: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. 31Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; 33ele reinará na casa de Jacó para sempre, e o seu reinado não terá fim”. 34Maria, porém, disse ao Anjo: “Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?”.35O Anjo lhe respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice, e este é o sexto mês para aquela que chamavam de estéril.37Para Deus, com efeito, nada é impossível”. 38Disse, então, Maria: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!”. E o Anjo a deixou.
O tempo do Advento – do latim Adventus: “chegada”, do verbo Advenire: “chegar a” – (quatro domingos) é conhecido como um tempo de purificação e preparação. É o momento em que o Aspirante à vida superior se sincroniza mais intensamente com os regozijos do próximo fluxo de Cristo no Natal, que se aproxima. E se você sabe algo sobre o significado da Iniciação Cristã Mística, entrará com uma compreensão muito mais profunda nas disciplinas de tempo do Advento.
Os primeiros Discípulos de Cristo observavam esse período como muito apropriado para receberem novas revelações do alto, particularmente propícias para o desenvolvimento espiritual deles. Realizavam uma preparação específica para o que eles esperavam receber quando o Advento alcançasse seu cume no momento da Noite Santa.
Note que em harmonia com as influências zodiacais, o Advento ocorre quando o Sol está passando pelo Signo de Sagitário. Esse é o Signo do verdadeiro êxtase da alma e da vidência. Os antigos devotos, frequentemente, se referiam a esse período de Sagitário como o “Festival de Luz”, uma vez que é o momento em que a radiação da luz de Cristo permeia a Terra de forma mais completa!
Normalmente, o Advento começa no último domingo de novembro e culmina na áurea glória do Solstício de Dezembro. Para o Cristão esotérico abarca as três etapas ou graus que alcançam seu máximo à meia-noite da Noite Santa. Esse período de preparação e progresso se refere não somente às quatro semanas de Advento, mas também a determinados estágios de desenvolvimento espiritual relacionados com essas quatro semanas.
Durante a semana que segue o primeiro domingo do Advento, o trabalho é preparatório ou de primeiro grau: grau da Anunciação. O grau da Anunciação se relaciona, especialmente, com o cultivo da pureza: pensamentos, sentimentos, palavras e atos.
Durante a semana que segue o segundo domingo do Advento cultivemos o segundo grau: grau da Imaculada Concepção. O grau da Anunciação se relaciona, especialmente, com o cultivo de que um dia a morte não mais existirá – como achamos que existe. E como ela, não existirão mais enfermidades, doenças e sofrimentos, pois a concepção de novos seres humanos será imaculada, sem mácula, fruto de uma relação em que a fraternidade e o verdadeiro amor estarão presentes continuamente.
Durante a semana que segue o terceiro e quarto domingo do Advento cultivemos o terceiro grau: grau do Sagrado Nascimento. Aqui nos aproximamos de coração nos Mistérios Cristãos: Cristo veio como supremo indicador do Caminho! O que Ele alcançou, alcançaremos algum dia. Aqui cabe o que o místico alemão Angelus Silesius expressou quando disse: “Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém, se não nascer dentro de ti, tua alma seguirá extraviada”.
Por Corinne Heline no livro O Mistério do Christos
Dezembro de 1915
As notícias que diariamente a mídia falada e escrita transmitem, muitas vezes nas primeiras páginas em grandes manchetes, são as que parecem de importância e interesse vital para todos, mas são rapidamente esquecidas, e as mídias que as publicaram logo a apagam, arquivam ou, se for em papel, jogam fora ou queimam. Do mesmo modo, a canção que está hoje em voga e na cabeça de todos é rapidamente relegada ao arquivo do esquecimento. Até os seres humanos que são lançados, como meteoros, na ribalta da popularidade são esquecidos juntamente com os fatos que motivaram a sua rápida fama – por isso, citando Salomão: “Tudo é vaidade”[1].
Mas, entre as mudanças caleidoscópicas que alteram constantemente o cenário mundial em seus aspectos moral, mental e físico há certos eventos cíclicos que, ainda que sejam recorrentes na natureza deles, têm entre si uma causa permanente e uma estabilidade que distingue o método macrocósmico do microcósmico em conduzir os fatos.
Quando no hemisfério norte é a estação da primavera, na época da Páscoa, o Sol cruza o Equinócio de Março, a Terra desperta do seu repouso invernal e sacode a branca camada de neve que a cobriu, como se fosse um manto de pureza imaculada. A voz da natureza é ouvida quando os pequenos riachos murmuram ao deslizar suavemente pelas encostas das montanhas em direção ao oceano. Essa voz também é ouvida quando o vento sussurra a canção do amor por entre as folhas recém-brotadas nas árvores dos bosques, o que impulsiona o botão e também a flor que produz o pólen, e este é levado por meio de asas invisíveis ao companheiro que o espera. Essa voz é ouvida nas canções de amor quando do acasalamento dos pássaros, e nas chamadas dos animais às fêmeas deles. Ela ressoa em todas as manifestações da natureza até que o nascimento de novas vidas compense as destruídas pela morte.
Quando no hemisfério norte é a estação do verão, o Amor e a Vida trabalham demasiada, longa, extenuante e fatigantemente com coração regozijante, pois eles são os Senhores que batalham pela existência, enquanto o Sol está exaltado nos céus no máximo de sua força no Solstício de Junho. No entanto, o tempo prossegue e chega outro ponto decisivo com o Equinócio de Setembro. Acalma-se o canto nas florestas; cessa o chamamento amoroso dos animais e dos pássaros e a natureza retorna ao silêncio. A luz decai à medida que crescem as sombras da noite, até que, no Solstício de Dezembro, a Terra se prepara para o profundo sono dela, pois precisa da noite de repouso após as atividades extenuantes do dia precedente.
Mas, da mesma forma que a atividade espiritual do ser humano é maior enquanto o seu corpo está adormecido, assim também, podemos compreender pela Lei de Analogia que a chama espiritual na Terra é mais radiante nesta época do ano, e é esta a ocasião propícia para o melhor desenvolvimento da alma, para a investigação e estudo dos mais profundos mistérios da vida. Cabe-nos aproveitar essa oportunidade e utilizar o tempo da melhor maneira possível. Não precisamos ter pressa nem ansiedade, mas trabalhar paciente e devotadamente, sem esquecer que entre todas as coisas que mudam no mundo, esta onda grandiosa de luz espiritual permanecerá conosco nas estações de inverno pelos anos que virão. Será cada vez mais brilhante à medida que a Terra e nós próprios evoluirmos, atingindo graus mais elevados de espiritualidade. Estamos trabalhando como precursores para difundir os Ensinamentos Rosacruzes, que ajudarão a iluminar o mundo durante os séculos que se seguirão ao atual. Há uma lei que diz: “Receberás na proporção que deres”. Agora, essa estação do ano é a mais propícia para dar e receber, então, vamos nos assegurar que a nossa luz brilhe na grande árvore cósmica do Natal, para que seja vista pelos seres humanos e que possa atraí-los para as verdades que nós sabemos serem de importância vital no desenvolvimento dos nossos semelhantes.
Concluindo essa carta, eu quero agradecer a cada um dos Estudantes Rosacruzes por sua cooperação nos trabalhos do ano passado. E que possamos, juntos, fazer um trabalho melhor e mais proveitoso no próximo ano.
(Carta nº 61 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Ecl 1:2