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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Trabalho de Base: participação ativa e a importância de ser um Estudante Rosacruz atuante

Nenhum edifício se constrói sem base. E essa base não pode ser falsa (Mt 7:24-27[1] e Lc 6:46-49[2]). O ser humano sensato que edifica o templo interno sobre a rocha dos princípios Cristãos e não sobre a areia da transitoriedade, constituem-se num tijolo do templo de Deus, num esteio da sociedade e na pedra angular de sua família. E como a Fraternidade Rosacruz, em essência e realidade, não é constituída de edifícios, nem de “Sedes” nem de “Grupos”, mas, sim de indivíduos, de almas afinadas na mesma elevada aspiração, no mesmo edificante serviço, deduz-se que ela se edifica e se fortalece na medida em que seus Estudantes Rosacruzes se tornam mais cônscios da responsabilidade de cada um e crescem em virtude e entendimento. Os Evangelhos, igualmente, falam de Cristo como da Pedra Angular. E Cristo falou da transitoriedade das coisas externas, símbolo das verdades internas que aprenderemos a reverenciar dentro de nós e no Todo (Mt 24:1-2[3], Jo 4:19-24[4]).

Importa que os Estudantes Rosacruzes, após o estágio inicial necessário, em que, dentro da maior liberdade, podem examinar, ponderar e concluir se realmente essa Filosofia Rosacruz corresponde as necessidades de seu grau evolutivo, que eles empreendam um estudo sério. Para isso há os diversos Cursos (por correspondência ou por e-mail), há diversas reuniões públicas, há os sites e as redes sociais de Centros Rosacruzes e, principalmente, a possibilidade de se formar “Grupos de Estudos” (Informais e Formais, reconhecido, inclusive, pela The Rosicrucian Fellowship e núcleo de um futuro Centro Rosacruz), todos eles gratuitos e amplos. Ali poderá o Estudante Rosacruz participar das questões, apresentar seus estudos e preparar-se para ser um membro consciente, capaz de prestar um esclarecimento correto, sucinto, das questões que lhes forem propostas por amigos, conhecidos, desconhecidos e familiares interessados.

Esse é um trabalho de base. A tarefa não é de expandir sem firmeza. A expansão deve corresponder ao número de Estudantes Rosacruzes preparados para uma disseminação segura e fiel. Sabemos que há muitas pessoas sequiosas de esclarecimento, que muitas almas sofredoras necessitam das lógicas explicações da Filosofia Rosacruz sobre os mistérios da vida e da morte, do Mundo terreno e dos superiores, das leis que regem nossos destinos. Mas também, se não estamos preparados, suficientemente, para um esclarecimento seguro, somos “um cego dirigindo outro cego[5] para o buraco da confusão e desilusão”. Além disso, é necessário que esse trabalho de difusão, na esfera individual ou na direção de Grupos de Estudos, baseie-se num perfeito desinteresse, quer no ponto de vista financeiro, quer do ponto de vista da vaidade, do personalismo, que sacrifica o espírito de equipe. Ambas são formas de cobrar.

De toda maneira, pressupõe-se um preparo seguro, quer do lado moral, quer do filosófico, ou melhor, dizendo, da Mente e do Coração.

Há dias um simpatizante pelos Ensinamentos Rosacruzes nos interpelou com uma pergunta difícil. Pudemos responder-lhe de pronto e seguramente porque estudamos sempre as obras de Max Heindel. Foi esta: “Como se explica logicamente o renascimento, sabendo-se que a população do globo vai aumentando cada vez mais? Se os espíritos levam determinado tempo nos mundos superiores e renascem, deveria ser sempre igual à população…”.

Esta pergunta é frequente e pode confundir o Estudante Rosacruz abordado. Por isso, para esclarecimento, aqui vai a resposta: “A Onda de Vida inicial de Espíritos Virginais, da humanidade, evoluiu junta até o Período Terrestre no Globo que mais tarde se tornou o Sol, o centro de nosso Sistema Solar. Mas devida a evolução variada de diversos grupos de Espíritos, foi necessário que tais grupos saíssem do Sol, arrojados com os Planetas que foram aos poucos se diferenciando, entre eles a nossa Terra. Mas não tínhamos impressão de morte, de separação, da perda dos corpos, até inicios da Época Atlante, quando nos “foram abertos os olhos” e tivemos a ilusão de que somos seres separados. Desde então fomos perdendo a visão dos planos internos e temendo a morte, porque não sabemos o que nos espera. Mas os Iniciados da Ordem Rosacruz, que sabem, não por suposição ou por teoria, mas porque veem, inclusive na Memória da Natureza, onde estão os registros de todos os fatos passados, nos explicam que os Espíritos renascem, normalmente, uma vez em cada mil anos, sendo uma vez como mulher e outra como homem, alternadamente, no espaço em que Sol transita, pelo movimento de Precessão dos Equinócios, por cada Signo no Zodíaco (por volta de 2.160 anos). Esta é uma regra geral, com exceções. Particularizando a questão, quanto mais atrasado é um ser humano, tanto mais tempo leva para reencarnar aqui e, contrariamente, quanto mais evoluído, tanto menos tempo. À medida que os seres vão se elevando, os intervalos vão encurtando até que estejam livre da roda de renascimentos sucessivos, que são atualmente uma necessidade evolutiva, para conquista das experiências na escola do mundo. Daí se infere que, ao início de cada Época, os períodos entre renascimentos são mais longos para que se dê tempo ao Ego, de assimilar as experiências novas. Com o tempo, vão se encurtando. Agora, que estamos chegando ao final da Época, os Egos vão renascendo todos mais amiúde, neste cadinho de ensinamentos, que é a Terra. No entanto, os Adeptos e Irmãos Maiores estão além da necessidade de renascimento. Estão aqui para ajudar-nos, por amor”.

Aqui termina a explicação, a resposta que poderia ser muito mais longa e pormenorizada. Citamo-la como ilustração de que, em apenas saberem que pertencemos a Fraternidade Rosacruz, as pessoas, algumas por curiosidade, outras por real interesse, outras por desafio, nos põem a prova. Devemos estar preparados para responder com firmeza ou então, honestamente dizer: “a pergunta é interessante. Vou estudá-la para lhe dar a resposta, segundo nossa Filosofia Rosacruz”. Além disso, como dissemos e repetimos, a preparação do Estudante Rosacruz o torna um membro consciente e atuante, para enriquecimento da própria alma e da alma da Fraternidade, de que fazemos parte.

(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – Maio/1964 – Fraternidade Rosacruz–SP)


[1] N.R.: Assim, todo aquele que ouve essas minhas palavras e as pôr em prática será comparado a um homem sensato que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha. Por outro lado, todo aquele que ouve essas minhas palavras, mas não as pratica, será comparado a um homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande sua ruína!”

[2] N.R.: Por que me chamais ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que eu digo? Vou mostrar-vos a quem é comparável todo o que vem a mim, escuta as minhas palavras e as põe em prática. Assemelha-se a um homem que, ao construir uma casa, cavou, aprofundou e lançou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a torrente deu contra essa casa, mas não a pôde abalar, porque estava bem construída. Aquele, porém, que escutou e não pôs em prática é semelhante a um homem que construiu sua casa ao rés do chão, sem alicerce. A torrente deu contra ela, e imediatamente desabou; e foi grande a sua ruína!”.

[3] N.R.: Saindo do Templo, Jesus caminhava e os discípulos se aproximaram dele para mostrar-lhe as construções do Templo. Ele disse-lhes: “Estais vendo tudo isto? Em verdade vos digo: não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja demolida”.

[4] N.R.: Disse-lhe a mulher: “Senhor, vejo que és um profeta…Nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis: é em Jerusalém que está o lugar onde é preciso adorar”. Jesus lhe disse: “Crê, mulher, vem a hora em que nem sobre esta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora — e é agora — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”

[5] N.R.: Lc 6:39

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Desvantagem em Dispersar as Nossas Forças

Maio de 1915

Na Carta de Março[1], como você deve se lembrar, sugeri a concentração da energia numa só direção, aconselhando, como já tinha feito anteriormente, que os Estudantes Rosacruzes dediquem todo o tempo livre deles para trabalhar numa única sociedade religiosa[2], em vez de dissipar e distribuir as energias deles pertencendo à várias dessas sociedades, pois é impossível fazer um trabalho eficaz dessa maneira.

Desde então, recebemos alguns pedidos de desistência de Estudantes na Fraternidade Rosacruz, o que não foi inesperado. Entre os membros de uma associação tão grande como a Fraternidade Rosacruz, alguns dos que pertencem simultaneamente a outros grupos, naturalmente, teriam uma preferência maior por algum outro lugar e, em consequência dessa sugestão dada no parágrafo anterior, seguiriam essa tendência. No entanto, é surpreendente que tenha havido tão poucas desistências. De fato, a surpresa é que houve poucas desistências, mas isso, sem dúvida, se deve ao fato de que a Fraternidade Rosacruz retira, periodicamente, da sua lista aqueles que mostram pouco interesse e, assim, mantém apenas os Estudantes Rosacruzes ativos.

Mas o tom dessas desistências é que nos entristece. Alguém nos escreveu: “Sou membro da Igreja Episcopal e pago lá a minha contribuição periódica, etc., etc.”. Parece estranho que alguns não compreendam que a Fraternidade Rosacruz não é antagônica a nenhuma organização religiosa (seja qual for) ou sociedade e, nesse particular, não as que professam o Cristianismo. Temos afirmado, repetidamente, que apoiamos qualquer pessoa que se associe a uma Igreja Cristã. O que a Carta se refere não foi sobre Religião, mas sobre “sociedades religiosas”; e, como disse, não é porque temos algo contra as sociedades que trabalham seguindo as linhas Cristãs. Há, por exemplo, a Sociedade da Unidade de Kansas City[3], uma organização honesta e com boa moral, sob direção de uma nobre liderança, tanto quanto podemos depreender de todas as informações que temos recebido. Mas, para bem obrar nesta ou noutra sociedade religiosa, toda a sua energia durante o tempo livre deve ser dada apenas a essa sociedade; e se um membro da Fraternidade Rosacruz, que pertença igualmente a essa outra organização, decide se dedicar somente a essa última, age corretamente, não só com essa organização como também com a Fraternidade Rosacruz, muito melhor do que se prosseguisse a sua ligação com ambas. Por outro lado, se por suas afinidades, resolve permanecer com a Fraternidade Rosacruz, então é melhor para ele, melhor inclusive para a Sociedade da Unidade e para a Fraternidade Rosacruz, que ele se dedique exclusivamente a nossa Associação.

Como já dissemos muitas vezes, muitos caminhos conduzem a Roma, mas não podemos seguir dois caminhos ao mesmo tempo. Devemos seguir só um para chegar lá. Ziguezaguear de um para o outro é um desperdício de esforço. Se cumprirmos efetivamente com os nossos deveres no mundo, muito pouco tempo livre nos restará para que possamos trabalhar legitimamente em nosso próprio benefício nas linhas espirituais. Portanto, devemos focar para concentrar os nossos esforços no que nos seja mais proveitoso, em vez de dissipar as energias e obter pouco crescimento da alma.

Além disso, convém deixar bem claro que, se em algum momento as condutas políticas da Fraternidade Rosacruz não merecer a aprovação de alguém, esse não age bem se simplesmente desertar e passar a protestar contra nós já do lado de fora. Se permanecer conosco, nós o escutamos como um irmão ouve outro irmão ou outra irmã, e ponderamos os seus argumentos de um ponto de vista muito diferente da que ocorre quando ele deserta, mostra-se hostil e se transforma em um oponente. Então, os mesmos argumentos perderiam boa parte do seu peso. Estamos todos de acordo com os pontos principais dos nossos Ensinamentos Rosacruzes. Cada um de nós, certamente, aprecia o benefício que colhemos dessa Filosofia Rosacruz que estamos empenhados em promulgar. Não é adequado, então, sermos tolerantes em questões de políticas, para que possamos dedicar toda nossa atenção aos ideais?

(Carta nº 54 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Carta aos Estudantes de março de 1915, aqui transcrita: “Concentração no Trabalho Rosacruz

Meditando sobre a utilidade da Fraternidade Rosacruz, surgiu-me a pergunta: “Qual o obstáculo mais comum que impede o nosso progresso no trabalho espiritual?”. E a resposta foi: “A falta de concentração”.

Todos temos uma família que depende de nós e que tem direito a uma parte da nossa atenção. Nosso trabalho no mundo não deve ser negligenciado sob pretexto algum. Estamos aqui para executar certas tarefas e aprender por meio delas. Depois de atender a esses deveres, vejamos se ainda nos sobra algum tempo para aplicá-lo, justa e apropriadamente, no nosso próprio desenvolvimento.

Na vida cotidiana, não tentamos ser médicos hoje, trabalhar numa indústria amanhã e, no dia seguinte, começar uma nova atividade. Sabemos que tal procedimento não nos levaria a lugar algum. Devemos, portanto, seguir uma linha de trabalho no mundo.

Por que não aplicar o mesmo bom senso em nossos esforços espirituais? Sabemos que tanto o progresso social e como profissional dependem da soma de concentração, planejamento e perseverança que tivermos. Então, se nos mostramos tão sábios e prudentes no que diz respeito às coisas do mundo, que duram apenas os poucos anos de nossa vida terrena, por que não nos empenhamos em usar o mesmo bom senso, aplicando-o de corpo e alma às coisas espirituais que são eternas?

Aqueles que perambulam de seita em seita ou em várias escolas filosóficas e que pensam ser conhecedores das mais variadas práticas espiritualistas falham ao ver sua falta de profundidade. Eles se vangloriam de seu conhecimento de livros e palestras até ficarem doentes com indigestão mental. Ouvem e leem muito, mas praticam pouco.

Para nossas atividades terrenas necessitamos de trabalhadores experientes, hábeis e dedicados. No Reino Celestial, a lealdade e a devoção são também fatores primordiais.

Nossa contínua presença faz com que o carvão latente em cada um de nós se transforme em chama e emita luz e calor, unindo e fortalecendo nosso ideal no caminho da espiritualidade.”

[2] N.T.: Vamos definir aqui o que é uma “sociedade religiosa” ou “associação religiosa” para não confundirmos com Religião: uma sociedade religiosa ou associação religiosa é a congregação incorporada de um grupo religioso. Uma congregação incorporada ou grupo religioso atua como uma ‘pessoa jurídica’ legal que existe separada e separada de seus membros. Nesse sentido pode desenvolver, também, outras atividades, de caráter econômico, como instituições educacionais ou empresariais.

[3] N.T.: Era uma sociedade fundada pelo casal Charles e Myrtle Filmore: Aos 40 anos, Myrtle Fillmore ficou muito doente. Foi-lhe dito que ela tinha tuberculose e tinha menos de 6 meses de vida. Quando a medicina tradicional e os médicos deixaram de dar alívio, ela começou a pesquisar meios alternativos de cura. Ela assistiu a palestras de praticantes que estavam na vanguarda da cura espiritual. Myrtle teve uma epifania. Ela despertou para a verdade de que ela era uma expressão do espírito divino e era por meio desse mesmo espírito que ela poderia ser curada. Ela descobriu a Oração Afirmativa. Em vez de implorar a Deus para lhe dar algo ou fazer algo acontecer, Myrtle afirmou que o que ela pediu já estava acontecendo. Ela orou e meditou diariamente por mais de dois anos. Ela comunicou pensamentos positivos e curativos às células de seu corpo. A fé de Myrtle nunca vacilou e ela viveu mais 46 anos. Inspirados pela saúde renovada, os Fillmores se interessaram em dar às pessoas ferramentas práticas no Cristianismo para melhorar suas vidas. Charles estudou Religiões e filosofias mundiais. Ele também estudou a ligação entre Religião e Ciência. Em 1889, Charles e Myrtle começam a escrever sobre suas crenças e, pouco depois, nasce a Unidade (Sociedade da Unidade de Kansas City). Em abril de 1889, os Fillmores publicam a primeira edição de Modern Thought, uma revista nacional mensal dedicada a questões espirituais. O nome da revista foi mudado para Unity Magazine em junho de 1891. Eles usaram sua revista para contar às pessoas sobre a Society of Silent Help, renomeada Society of Silent Unity em 1891. Myrtle diz aos leitores que o trabalho da Society of Silent Help é “aberto para todos.” Em 1891, Charles escolhe ‘Unidade’ como o nome do movimento que estão fundando.

Myrtle inicia a Wee Wisdom em 1893, uma revista mensal para crianças, e permanece como editora por muitos anos. Quando foi descontinuada em 1991, Wee Wisdom era a mais antiga revista infantil publicada continuamente no país.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por que os Estudantes Rosacruzes saúdam uns aos outros com a saudação Rosacruz: “que as Rosas floresçam em vossa Cruz”?

Resposta: Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que “a seu devido tempo, o atual modo passional de geração será substituído por um método mais puro e mais eficiente que o atual. Isto também está indicado no Símbolo Rosacruz”, em que a rosa banca se situa no centro, entre os quatro braços da cruz branca trilobada. “O madeiro mais comprido representa o Corpo; os dois horizontais, os dois braços; e o madeiro curto superior representa a cabeça. A rosa está colocada no lugar da laringe.“

“Como qualquer outra flor, a rosa é o órgão gerador da planta. Seu caule verde leva o sangue vegetal, incolor e sem paixão. A rosa de cor vermelho-sangue mostra a paixão que inunda o sangue” da Onda de Vida humana, “embora na rosa propriamente dita o fluido vital não seja sensual, mas sim casto e puro. Ela é, por conseguinte, excelente símbolo dos órgãos geradores em seu estado puríssimo e santo”, estado que nós alcançaremos quando purificarmos e limparmos o nosso sangue de todo desejo, quando nos tenhamos tornado castos e puros, análogo a Cristo.

Afinal, as sete rosas vermelho-sangue sobre a cruz branca trilobada simbolizam determinadas consecuções espirituais, tais como a Clarividência, Clariaudiência, o dom da profecia, a capacidade de abandonar o Corpo Denso à vontade – funcionando conscientemente no Corpo-Alma – e para pronunciar a palavra criadora divina.

Por isso os Rosacruzes – ou seja: os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz – esperam, ardentemente, o dia em que as “rosas floresçam na cruz da humanidade.

É por isso que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz saúdam a Alma Aspirante com as palavras de saudação Rosacruz: “Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz”; e é por esse motivo que essa saudação é usada nas reuniões dos Núcleos da Fraternidade pelo oficiante do Ritual do dia, ocasião em que os Estudantes, Probacionistas e Discípulos presentes respondem à saudação dizendo: “E na vossa também”.

Assim, a formosa saudação Rosacruz: “Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz” é a oração mais amada pelo Aspirante à vida superior – o Estudante Rosacruz -, para que todos conheçam a glória dessa realização.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Vitalizemos nosso Arquétipo para Aumentar Nossos Esforços Sempre

Como o pensamento ao final de cada ciclo se volta naturalmente ao passado, é oportuno considerar com que velocidade o tempo ocorre e quão ilusória e evanescente é a vida no mundo dos fenômenos, aqui.

Isso nos faz lembrar, também, como é precioso nosso tempo e a responsabilidade enorme que temos no justo emprego que dele fazemos.

Em verdade, o tempo deveria ser utilizado, quanto mais possível, de modo edificante para que resultasse em maior crescimento da nossa alma. Caso contrário, que aproveitaria o indivíduo “ganhar o mundo inteiro se viesse a perder a sua alma?” (Mc 8:36).

Esta é uma época de sementeira e segundo nos foi ensinado: “aquele a quem muito é dado, muito também lhe será exigido.” (Lc 12:48), incumbe-nos tomar senso de responsabilidade de nossos atos. Respondemos não só pelo que fizemos, como igualmente, pelo que deixamos de fazer. E consoante a gradação de consciência, nós, Estudantes Rosacruzes, que possuímos íntimo conhecimento dos propósitos de Deus e de todas as oportunidades que nos oferece, por mediação amorosa dos Irmãos Maiores, haveremos de responder em maior extensão da responsabilidade, pelo uso que fazemos do tempo.

Do exposto podemos compreender que todos os nossos atos produzem um efeito direto nos Arquétipos dos nossos veículos, influindo na Lei da Vida e da Evolução, de modo a fortalecer o Arquétipo (ocasionando um prolongamento da vida para lograr o máximo de experiência e desenvolvimento anímico, na proporção da capacidade de adaptação e de aprendizado) ou enfraquecendo-os por transgressões à Lei e desarmonia arquetípica, perdendo oportunidade de evoluir pela antecipação da morte.

Aquele que sabe aproveitar suas oportunidades e bem utilizar seu tempo poderá, em poucos renascimentos, conseguir um grande avanço espiritual e aproximar-se da perfeição. Contrariamente, o que malgasta a corrente vital e conscientemente busca fugir a seus deveres de consciência ou aplica suas energias de modo destrutivo, se distanciará da meta, atraindo as mais dolorosas experiências – único meio de recuperação das almas teimosas.

Todos os atos contrários à Lei encurtam a vida, aumentando o número de renascimentos e protelando o “Dia da Libertação”.

A Bíblia, exata e verídica como é, exorta-nos a fazer o bem para que se prolongue nossa vida sobre a Terra. Essa lei abarca todos os seres vivos sem exceção, mas tem maior significação nas vidas daqueles que já estão conscientemente laborando na “Vinha do Senhor”, do que nas dos que desconhecem as Leis. O conhecimento destas verdades deve aumentar uns dez ou até um cento de vezes nosso zelo e interesse em fazer o bem. E mesmo que hajamos começado tarde – como dizem alguns amigos ou algumas amigas – poderemos facilmente acumular um tesouro enorme nestes últimos anos bem aproveitados de nossa existência em fazer o bem, maior até do que em grandes períodos de vidas anteriores, de semi-inconsciência. Sobretudo, estamos nos colocando em linha para iniciar em esferas mais elevadas nossas futuras existências aqui na Terra.

Assim, pois, alimentamos o mais firme propósito de utilizar, do melhor modo possível, nosso tempo e nossas oportunidades na firme esperança de que os frutos colhidos no ano que passou servirão de semente para aumentar nossos esforços no ano entrante.

É o que desejamos a todos expressando melhor augusto de que o Ano Novo seja pleno de realizações espirituais.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por que há sempre, em suas obras, uma nota de caráter sombrio ou deprimente, sempre há um elemento sombrio e tão pouca emoção evocada pelo bem-estar, por ser bem-sucedido e tão pouca felicidade? Não há felicidade a ser encontrada na vida mais elevada? Contentamento, satisfação, paz – sim, mas não aquela emoção evocada pelo bem-estar, por ser bem-sucedido?

Resposta:

“Oh, que poder teríamos,

se nós nos víssemos como os outros nos veem”.

Assim cantou Robert Burns[1] e, sem dúvida, estava certamente correto ao presumir que nenhum de nós pode se ver como realmente nós somos. O autor não sabia que há um elemento sombrio e uma nota de caráter sombrio ou deprimente pairando sobre seus escritos, mas talvez essa observação tenha sido oportuna, embora seria errado tirar a conclusão de que não emoção evocada pelo bem-estar, nem por ser bem-sucedido e nem tão pouca felicidade na vida mais elevada. Há uma emoção evocada pelo bem-estar, e por ser bem-sucedido e uma felicidade que não podem ser expressas em palavras, no privilégio de nos ser permitido auxiliar os milhares de pessoas que vêm a nós em busca de ajuda, de orientação ou de conforto espiritual.

Entretanto, embora nós percebamos a necessidade e o benefício final que resultarão da grande operação cirúrgica que o mundo está atravessando atualmente[2], teríamos que ser “super-homens” para não nos curvarmos com a angústia profunda, a tristeza e o arrependimento à vista dessas centenas de milhares, mais ainda, de milhões de pessoas que estão sofrendo diariamente. Três anos e meio de trabalho com os feridos, agonizantes e os chamados mortos, não conseguiram nos fazer mais insensíveis do que o éramos na primeira noite em que nós estávamos emocionalmente quase fora de controle diante da cruel carnificina. Esforçamo-nos para não transferir as experiências da noite para o dia, pois isso nos tornaria inaptos para o trabalho que temos que realizar aqui, mas talvez seria excessivo esperar que essa vivência não se estamparia, de algum modo, em nossa vida quando no estado de vigília.

Isso pode ser um ponto muito bom a ser considerado por aqueles Estudantes Rosacruzes que estão excessivamente desejosos de obter a consciência nos Mundos espirituais. Diríamos a eles que os invejamos e trocaríamos de lugar com eles de bom grado, a fim de nos livrar das visões muito angustiantes, tristes e carregadas de arrependimentos que o dever e o amor por nossos semelhantes nos impelem a testemunhar todas as noites, embora, naturalmente, não seja a visão de cavalos selvagens que nos afastariam dos soldados que sofrem, ou de seus parentes enlutados. Não abriríamos mão, por nada, do privilégio de ajudar nossos semelhantes, mas gostaríamos de estar inconscientes do nosso trabalho ao retornarmos ao Corpo Denso. Desse modo, seríamos bem mais felizes e, provavelmente, concordaríamos em infundir felicidade em nossos escritos.

Nossa Personalidade sempre seria mantida em um segundo plano, mas se os Estudantes Rosacruzes levarem isso a sério, talvez a resposta a essa pergunta possa servir a um bom propósito.

(Pergunta nº 132 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)


[1] N.T.: Robert Burns, também conhecido como Robbie Burns e O Bardo de Ayrshire (1759-1796), foi um poeta escocês. Amplamente considerado o poeta nacional da Escócia, os trabalhos de Burns estão entre os primeiros escritos em língua escocesa, embora tenha também escrito em dialeto escocês (uma forma mais leve de escocês, mais suscetível de ser compreendida por anglófonos) e em língua inglesa. Burns escreveu poemas que prefiguram o romantismo e comédia, e, cheias de simplicidade e espontaneidade, suas poesias tinham como temas principais sua aldeia, a natureza e seus amores.

[2] N.T.: O autor se refere à Primeira Guerra Mundial, que estava ocorrendo naqueles tempos.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Fraternidade Rosacruz, um Centro Espiritual

Novembro de 1912

Fez um ano em 28 de outubro de 1912 que começamos a obra para a construção do primeiro edifício em Mount Ecclesia. Foi um glorioso e ensolarado dia típico na California, com um céu sem nuvens e cujo azul intenso rivalizava com o azul marinho do Oceano Pacífico que, dos terrenos da Sede Central onde estávamos, podia ser visto além de cento e cinquenta quilômetros. Éramos um pequeno grupo de nove, a maioria visitantes. Ao olharmos a leste, para o encantador vale verde de San Luis Rey[1] em direção às grandes montanhas cobertas de neve, e ao contemplarmos as paredes brancas, os telhados vermelhos e a cúpula dourada da Missão Católica de São Luis Rey[2], onde os padres franciscanos tanto trabalharam e ensinaram mexicanos e indígenas durante séculos, pareceu-nos de bom augúrio.

Aqui estávamos nós, uns poucos entusiastas, sobre um pedaço de terra baldia onde aspirávamos fundar um Centro Espiritual. Aqueles antigos padres tinham se encontrado em uma situação parecida, melhor em alguns casos e pior noutros. Os meios de locomoção e transportes modernos nos permitem chegar hoje a todas as partes do mundo, enquanto o campo de ação deles se achava, naquela época, limitado às proximidades imediatas. Viram-se obrigados a lavrar a terra, bem como a cuidar das almas do seu rebanho, para obter a sua subsistência. Pediram ajuda para o trabalho físico, enquanto planejavam, e por seus esforços conjuntos foi erguido um templo onde todos puderam orar e celebrar. Neste aspecto eles estiveram em melhores condições do que nós; todos os seus membros estavam presentes no local, prontos para ajudar fisicamente na edificação da Missão, que para eles era o que nossa Sede será para a Fraternidade Rosacruz. Mas, nós não temos pessoas a nossa disposição, não reivindicamos nenhuma autoridade e repudiamos a interferência na liberdade individual, pois tal interferência é diametralmente oposta aos Ensinamentos Rosacruzes, que são os mais elevados do mundo. “Se queres ser Cristo, ajuda-te a ti mesmo”, é o que se propõe desafiadoramente ao candidato que se submete à Iniciação quando ele geme ao peso da prova. Ninguém que for capaz de caminhar sem apoio ou consolação pode ser ao mesmo tempo um auxiliar; cada um deve aprender a caminhar sozinho.

A quantidade dos nossos Estudantes são hoje quatro vezes maior do que há um ano atrás e, claro, o trabalho é muito mais pesado – embora os procedimentos padronizados e a maquinaria possibilitem a três de nós, que trabalhamos nos escritórios, fazer o trabalho que exigiria muitos colaboradores, sendo que as tarefas caseiras e as de jardinagem são feitas por pessoas que pagamos. No entanto, o trabalho rotineiro constando da preparação das aulas e cartas dos vários cursos[3], a correção das lições desses cursos, o envio mensal de cerca de 1500 cartas individuais para ajudar nossos Estudantes Rosacruzes nas suas dificuldades, além das lições desses cursos, às vezes, nos sobrecarregam demais. Chega ao ponto de parecer que não poderíamos atender outro pedido por falta de ajuda para fazer a parte mecânica do trabalho. Mas, milagrosamente, parece que o céu de repente se abre, inventamos um novo método para realizar uma certa parte do trabalho com maior rapidez ou menor esforço; e estamos prontos para um novo crescimento; como dissemos, nós temos hoje quatro vezes mais trabalho do que há um ano, com menos ajuda e menos esforço.

Mas, enquanto a Fraternidade Rosacruz, em geral, está bem cuidada, a própria Sede foi um tanto descuidada. A pretendida Escola de Cura, o Estabelecimento que serviria para a preservação ou a recuperação da saúde – o nosso “Sanitarium” –, e o mais importante de tudo, a Ecclesia – onde a Panaceia deve ser preparada e onde os potentes e fervorosos Serviços de Cura devem espalhar a saúde moral e física por todo o mundo – tudo isso são apenas e ainda ideias germinais. À medida que o clamor da humanidade nos chega por meio de milhares de cartas, o nosso desejo pela realização dos planos dos Irmãos Maiores se torna mais intenso e, de fato, tão intenso que parece incorporar o anseio concentrado de todos os que apelam para nós por se encontrarem profundamente tristes, pesarosos e sofrendo.

A nossa Fraternidade Rosacruz já está espalhada por todo o mundo. Não podemos seguir o exemplo dos padres espanhóis e pedir aos nossos Estudantes Rosacruzes que façam tijolos físicos e os venham colocar, tijolo por tijolo, como um trabalho amoroso. Eu nunca pedi um centavo a ninguém – o trabalho da Fraternidade Rosacruz vem sendo inteiramente mantido por donativos voluntários e pela modesta receita financeira da venda dos meus livros. Nem posso, agora, fazer um apelo para obter fundos para a construção de um edifício; isto deve vir do coração dos amigos, se é que deve vir. Mas, sentindo, como estamos aqui na Sede, o intenso pulsar de dor no mundo, sou impelido a procurar os meios para realizar o plano de tornar a Sede da Fraternidade Rosacruz um Centro Espiritual mais eficiente.

Há um ano escrevi aos Estudantes Rosacruzes informando-os o momento exato em que iríamos começar a primeira construção em Mount Ecclesia, e pedi a cada um que entrasse nos seus aposentos e estivesse conosco em oração, se não pudesse estar conosco pessoalmente. É maravilhoso a elevação que sentimos como resultado desse esforço espiritual coletivo; o impulso inicial promoveu o trabalho em um grau inestimável durante o ano passado e, novamente, me sinto impelido a invocar a sua ajuda em linhas semelhantes.

O movimento Cientista Cristão[4] “demonstra” que quando deseja construir edifícios, e o dinheiro jorra em seus cofres; os Novo Pensador envia um “pedido” e Cristãos de todas as denominações “rezam” por fundos. Todos eles usam o mesmo método, mas empregam nomes diferentes. Todos querem colunas magníficas de pedras e vidros, e conseguem obtê-las. Eu sei que é necessário um lugar e um edifício apropriados à dignidade do nosso trabalho, mas, por mais que precisamos deles, não posso rezar por paus e pedras, nem posso pedir a vocês que o façam; mas posso, quero e peço a todos vocês que se unam comigo em oração para que a Sede da Fraternidade Rosacruz se torne um Centro Espiritual mais eficiente e poderoso. Orem, com toda a sua alma, para que os que trabalham na Sede alcancem a graça de levar esse trabalho adiante; torne-os um foco em seus pensamentos amorosos, para que possamos irradiar essa graça de volta ao mundo faminto por esse amor. Nós mesmos somos frágeis, mas por meio das suas orações e da Graça de Deus seremos uma força poderosa no mundo; e, se buscarmos primeiro o Reino de Deus, o restante, como os edifícios necessários ao nosso trabalho surgirão naturalmente, sem degradar a oração, tornando-a um meio para adquirir as posses materiais necessárias.

(Carta nº 24 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Localizado na região hidrológica da costa sul da Califórnia, o Upper San Luis Rey Valley (anteriormente chamado San Luis Rey Valley) tem em torno de 8000 quilômetros quadrados de tamanho.

[2] N.T.: A Missão San Luis Rey de Francia (espanhol: Misión San Luis Rey de Francia), fundada em 1798, é uma antiga missão espanhola em San Luis Rey, um bairro de Oceanside, Califórnia. Foi a maior das missões californianas, juntamente com suas terras agrícolas circundantes.

[3] N.T.: Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz, Curso Elementar de Astrologia Rosacruz, Curso Superior de Astrologia Rosacruz, Curso Superior Suplementar de Astrologia Rosacruz e Curso dos Ensinamentos Bíblicos Rosacruz.

[4] N.T.: A Ciência Cristã é um conjunto de crenças e práticas associadas aos membros da Primeira Igreja de Cristo, Cientista. Os adeptos são comumente conhecidos como Cientistas Cristãos ou estudantes da Ciência Cristã, e a igreja às vezes é informalmente conhecida como a igreja da Ciência Cristã.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Conheça os Deveres do Verdadeiro Estudante Rosacruz

O Universo é um corpo ou um todo. Os Astros são órgãos desse corpo e os habitantes são suas células.

Pela lei da analogia comparamos a Ordem Rosacruz com o Universo como sendo um corpo: a Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz em Mount Ecclesia – Oceanside – é a Cabeça; os Centros e Grupos de Estudos Rosacruzes são os órgãos e membros e os Estudantes Rosacruzes são as células desse corpo.

Quando em um corpo um órgão adoece ou não funciona bem, o corpo todo se ressente e há um desajuste. Esse órgão afeta todos os outros e reina a desarmonia no conjunto. Uma célula depende da outra. É um trabalho de equipe, por assim dizer. É necessário haver harmonia e unidade entre todas as células e órgãos, caso contrário, surge a doença e, possivelmente, a morte do corpo.

Na Fraternidade Rosacruz também é assim. Quando um Estudante Rosacruz se integra no movimento passa a fazer parte do todo.

O nosso lema é “Serviço” e cada Estudante Rosacruz deve fazer a sua parte. Onde houver algo para se fazer, façamo-lo; não esperemos que outros o façam. Max Heindel nunca escolheu serviço. Fazia de tudo, até faxina se preciso fosse. Sempre dizia: “Se este serviço tem que ser feito por alguém, então por que não eu?”. Nós, também, devemos fazer o mesmo, cada um dentro de suas possibilidades. Hoje em dia fala-se em trabalho de equipe. É o que procuramos empreender. Até no Reino Animal nota-se este trabalho. Quando uma formiga está carregando uma folha muito grande, vem outra ajudar e, ambas, levam a carga para o celeiro a fim de alimentar as outras companheiras. Todas trabalham para o mesmo fim. Por que não seguimos o exemplo delas? Cada Estudante Rosacruz é uma formiguinha e deve colaborar para que o todo sobreviva.

Alguns Centros da Fraternidade Rosacruz, como todas as entidades organizadas, tem um corpo de conselheiros, diretores, mas estes não são a Fraternidade Rosacruz. É lógico que a maior responsabilidade, quanto ao bom andamento e progresso da organização, cabe ao corpo de conselheiros, mas ela depende também de todos os Estudante Rosacruz. Se não houvesse Estudantes não haveria a Fraternidade Rosacruz.  A nossa Fraternidade Rosacruz cresce e progride à medida que cada Estudante Rosacruz evolui. Se nós não nos interessamos e somos indiferentes a tudo que diz respeito ao movimento, retrocedemos, pois, nosso irmão Max Heindel afirma que ninguém para nesse Esquema de Evolução; ou caminhamos para frente ou para trás. Se não avançamos, retrocedemos e, assim, o progresso da Fraternidade Rosacruz se torna mais lento. É a sinceridade e o interesse do Estudante Rosacruz que fazem a Escola Rosacruz crescer e progredir. O verdadeiro Estudante Rosacruz sincero e dedicado interessa-se por tudo o que diz respeito ao movimento Rosacruz.

Nós devemos ser quentes ou frios, porém nunca mornos; por isso ou somos ou não somos Estudantes Rosacruzes da Fraternidade Rosacruz.

Aquele que não se interessa de corpo e alma, que não vive a vida, que não toma parte ativa em tudo o que diz respeito à Escola Rosacruz não é um verdadeiro Estudante Rosacruz e está apenas passando seu tempo.

Quando um órgão ou membro adoece gravemente, muitas vezes, requer uma intervenção cirúrgica com extração ou amputação do mesmo para salvar o corpo.

Na Fraternidade Rosacruz também quando um elemento está prejudicando o todo pela sua conduta, os Irmãos Maiores se encarregam de afastá-lo. Essa é a prova do Estudante Rosacruz. Ser Estudante Rosacruz não é muito fácil. É necessário sacrifício, principalmente, da natureza inferior.

Na Oração do Senhor, o “Pai-Nosso”, há uma petição pelo Corpo de Desejos: “não nos deixei cair em tentação”. As tentações existem e são necessárias para provar a nossa resistência e o nosso valor. Mas precisamos lutar para não cairmos em tentação e se cairmos devemos nos erguer e continuar a luta com a mesma coragem e sinceridade. É nessa hora que se conhece o verdadeiro Estudante Rosacruz.

O maior serviço que devemos prestar é divulgar a Filosofia Rosacruz e o meio mais eficiente é pelo exemplo, vivendo o que aprendemos.

Não adianta ficarmos pregando a Filosofia Rosacruz, falando nas maravilhas que ela encerra se a vida que levamos mostra o contrário. Nesse caso, é preferível ficarmos calados levando uma vida honesta, digna e justa.

E quanto mais graus subimos (desde Estudante Preliminar até Discípulo), mais devemos nos dedicar a vivenciar e promulgar os Ensinamentos Rosacruzes, pois “a quem muito é dado, muito é exigido”. Se assim não o fizermos, pode ter certeza: você não é um Estudante Rosacruz, ainda que ache que é. Os Irmãos Maiores que tanto precisam de colaboradores (“a messe é grande e os operários são poucos”), com certeza, não tem tempo a perder com quem quer se intitular “Estudante Rosacruz”, mas não quer ser um “colaborador consciente na obra benfeitora a serviço da humanidade”.

Sejamos bons Estudantes Rosacruzes e lutemos com todas as nossas forças pelo engrandecimento da Fraternidade Rosacruz, a quem tanto devemos. Não poupemos esforços e, assim, quando chegar a nossa hora final estaremos em paz com a nossa consciência, certos de que colaboramos com nosso amado Mestre, o Cristo e não cruzamos os braços, enquanto os outros trabalhavam por nós.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1969 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Deus – A Fonte e a Meta da Existência

Janeiro de 1918

Novamente nos encontramos no começo de um Ano Novo, e existe um costume nessa época de transformarmos as nossas aspirações em resoluções. E como Estudantes dos Ensinamentos Rosacruzes necessariamente interessados no assunto sobre o crescimento espiritual, pensei que as seguintes considerações, talvez, possam ser muito proveitosas neste momento. 

Na Mente de muitas pessoas a palavra “santidade” se tornou associada a uma expressão facial de tristeza ou melancolia e a uma atitude mental hipócrita, de modo que as pessoas no mundo, geralmente, são muito reservadas em relação àqueles que fazem profissões de santidade. Mas, é claro que essa não é a verdadeira realidade. O ser humano realmente santo não é um desmancha-prazeres; ele não é indolente no mundo dos negócios; ele cumpre plenamente com seu dever, em casa ou no trabalho, coloca seu coração em tudo que faz; ele é um exemplo digno de fidelidade e, geralmente, é respeitado por todos que o conhecem, porque suas ações valem mais do que palavras e do que elogios. Ele é cuidadoso ao lidar com seus semelhantes, se esforçando para não dever nada a ninguém, a não ser amor; sempre pronto e ansioso em ajudar os outros – ele é, de fato, um bom exemplo de pessoa em todos os relacionamentos da vida.

Mas essa vida de retidão mundana não é, por si só, uma prova de santidade. Existem muitas pessoas esplêndidas no mundo que são modelos vivos por razões de ética e se comportam de maneira que exige o respeito de todos os que as conhecem. Também são solidários e se destacam, de acordo com a sua posição, em todas as boas obras. No entanto, repetimos, não é essa a prova. A prova que mostra a diferença entre o homem ou mulher que é meramente modelo e o santo é encontrado nas horas de lazer, quando o que chamamos de dever foi totalmente cumprido no devido tempo. Nesse momento é que descobriremos os caminhos da parte mundana e os da parte sagrada. O ser humano de Mente mundana, nessas ocasiões se voltará para a recreação, diversão e para os prazeres a fim de dar vazão à sua energia ou, talvez, buscará algum passatempo favorito, de acordo com a inclinação da sua Mente e com seus próprios meios. Podem ser simples jogos, esportes, canto e música, teatros, festas ou qualquer outro meio que ele possa encontrar para lhe proporcionar um agradável passatempo.

Contudo, o ser humano santo é como o aço tocado pelo ímã e desviado, pela força, de apontar para o polo. Quando o coração tenha sido tocado pelo imã do amor de Deus, o dever pode e o desvia para as obrigações mundanas, a qual demanda todos os cuidados legítimos. O ser humano santo não se descuida de sua obrigação mundana, mas cumpre seu dever, fazendo-o melhor e mais conscientemente do que antes de se entregar a Deus. Ao mesmo tempo, inconscientemente, ele sente o desejo de voltar à comunhão com o Pai, de maneira análoga à agulha de aço imantada que, desviada do norte, exerce uma pressão na direção ao polo. No momento em que o chamado do dever foi perfeitamente cumprido e removida a pressão com o passar do tempo, os pensamentos do ser humano santo, automaticamente, se voltam para o Divino. O trajeto de ida e volta do trabalho nada mais é do que uma oportunidade para meditação. O tempo que emprega quando espera por alguém, também é utilizado da mesma forma. Em resumo, para o ser humano santo não há um só momento de relaxamento para os assuntos mundanos, pois seus pensamentos estão a todo instante voltado para sua fonte e objetivo – Deus.

Ouvimos falar de pessoas que estudaram leis, enquanto se deslocavam para ir e voltar do trabalho; outros aprenderam idiomas utilizando os momentos livres, quando a maioria das pessoas desperdiçam com pensamentos inúteis, vagos e sem objetivos. Aprendamos uma lição com eles e, durante o próximo ano, pratiquemos o hábito de direcionar os nossos pensamentos para Deus, enquanto estivermos nos momentos de folga. Se praticarmos isso fielmente, nos encontraremos muito mais avançados no caminho do crescimento anímico.

(Carta nº 86 – do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Ruídos e a Espiritualidade

Um congresso médico, reunido na França, em 1958, declarou guerra ao ruído e recomendou, entre outras coisas, o respeito às horas de sono, para evitar os males provocados pela fadiga. O certo é que não é preciso submeter uma pessoa à tortura chinesa (em que o supliciado era amarrado dentro de um sino em movimento) para que se chegue a casos extremos. Ninguém ignora que a emoção é tão capaz de matar quanto a infecção, e que o barulho é um poderoso criador de tensões.

O barulho urbano é inevitável e, nas cidades modernas, está intimamente ligado ao planejamento e à tecnologia. Em última análise, é o preço que se tem de pagar pelo progresso. Quando esse progresso é caracterizado pela contínua evolução industrial e comercial, o processo implica alteração dos períodos de trabalho. Assim, as horas do dia são preenchidas por incessantes atividades dinâmicas e motoras, muitas delas de natureza barulhenta.

Algumas das atividades estendem-se pela noite adentro e, além de prejudicar o trabalho de terceiros, também pode atrapalhar o descanso de muita gente. Nas grandes cidades, o ruído tende a aumentar, e o problema tem duas origens fundamentais: a má localização de uma série de atividades indispensáveis (aeroportos, fábricas, mercados) e o trânsito. O problema foi estudado por técnicos estrangeiros e brasileiros, e durante os testes verificou-se a existência de níveis de som anormais.

A intensidade dos sons é medida por uma unidade convencionada, o decibel, que indica as diferenças de altura da sensação acústica. O termo foi criado pela American Standard Association e é adotado internacionalmente.

Quando os sons alcançam o limite de 90 decibéis, como o choro de uma criança, causam incômodo, podendo duplicar a quantidade de sangue bombeada pelo coração. O pulso mantém o mesmo ritmo, mas a pele se torna mais avermelhada e há, frequentemente, sensação de calor.

O farfalhar de folhas provoca ruídos de 10 decibéis, uma casa sossegada alcança 30 decibéis, um escritório, não muito barulhento, produz sons de 50 decibéis, o interior de uma fábrica,110 decibéis, e o barulho de um avião a jato, nos aeroportos, 134 decibéis. A potência do som se duplica a cada 10 decibéis. Os males que os ruídos excessivos causam ao organismo têm sido demonstrados mediante inúmeras experiências com animais, concluindo-se que os sons que vão de 125 a 140 decibéis são quase insuportáveis, capazes mesmo de provocar dores cruciantes. Quando o barulho atinge 150 decibéis, a lesão ocasionada no ouvido, interna, é tão grande que pode levar à surdez permanente. Segundo pesquisas efetuadas no Rio e em São Paulo, a margem de som ultrapassava os limites de tolerância. Concluiu-se que o índice médio registrado nas horas de maior movimento no centro da cidade era de 80 decibéis, em média, alcançando, em alguns lugares, 90 decibéis, muito superior ao índice encontrado nas grandes capitais europeias e em algumas cidades norte-americanas. Levando-se em conta que o ouvido humano pode suportar de 65 a 75 decibéis, sem sofrer lesões, as pesquisas indicaram uma cumulação urbana nociva de 20 a 60 vezes superior aos índices que causam lesões no ouvido e com reflexos no sistema nervoso. O ruído, além de contribuir para a fadiga nervosa, dificulta a comunicação, provoca erros no trabalho, etc. Em nossos ambientes de trabalho podemos reduzir o ruído das seguintes maneiras: eliminando as campainhas de chamada, trocando-as por interfones, abafando a campainha do telefone e colocando uma base de feltro de 4 mm de espessura, abafando as batidas da máquina de escrever colocando o feltro de 5 mm sobre a mesa, campanha de silêncio, falando-se o indispensável e em voz baixa, forrando o chão com tapete, colocando luvas de borracha nos pés das cadeiras, fechando janelas que dão para ruas movimentadas.

Essa ilustração técnica visa apenas reforçar o que sempre é recomendado aos Estudantes Rosacruzes, principalmente para os que não podem fugir da turbilhão fatigante das grandes cidades: é indispensável buscarem a comunhão interna, silenciosa, todos os dias.

“Jesus cresceu no Egito, a terra do silêncio.”. Essa alusão é bem clara quanto ao nosso Cristo interno em formação.

A meditação, a prece, a retrospecção, a música pura, a leitura elevada, são meios muito mais poderosos do que se julga para a edificação de nossa natureza espiritual.

Convençamos nossos familiares a fazer silêncio em casa. Se eles desejam ouvir televisão ou escutar música que os ponham em volume baixo, em baixa intensidade de som; de nossa parte, tolerando o gosto dos demais, convém buscar nosso cantinho e preenchermos as horas de lazer com algo mais construtivo.

Com os pequenos lapsos de tempo, bem empregados, é que vamos realizando nosso progresso anímico. Se os deixamos escoar entre as recreações vazias, não podemos nos queixar depois, o resultado será também vazio. Cultivemos o hábito de falar baixo e calmamente.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz da Fraternidade Rosacruz em São Paulo-SP de novembro/1969)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Causas das Adversidades do Aspirante à Vida Superior

Vamos ver a razão das provas que afligem o Aspirante à vida superior. Perceba a necessidade de abordar esse assunto porquanto, frequentemente, muitos Estudantes Rosacruzes indagam as causas dos sofrimentos que passaram a atormentá-los a partir do momento em que deram os primeiros passos no caminho da espiritualidade.

Considere que as adversidades ocorrem para o bem da alma aspirante, que constituem um sinal de progresso, devendo ser motivo de regozijo. Elas possibilitam-lhe uma rápida liquidação das dívidas contraídas debaixo da Lei de Causa e Efeito. Aceleram o processo de libertação que, no caso do ser humano comum, prolonga-se por várias existências.

As provas não devem ser encaradas como um sofrimento imposto pelas Hierarquias Criadoras, mas sim como um forte medicamento de efeito rápido e eficaz, um aprendizado acima de tudo. Indicam as mudanças que devem acontecer no caráter do Estudante Rosacruz, se efetivamente ele deseja trilhar a senda espiritual.

A evolução ocorre basicamente na consciência da pessoa, elevando-lhe a natureza de seus pensamentos, sentimentos, palavras e atos.

Não basta ao Aspirante à vida superior ampliar seu cabedal de conhecimentos. Isso diz respeito apenas à intelectualidade. É mister vivenciar esses conhecimentos, sem o que os resultados serão nulos. O conhecimento em si mesmo nada produz sem uma efetiva reforma de caráter. A esse respeito, o Cristo proclamou com muita sabedoria: “Não se coloca vinho novo em odres velhos, nem remendo novo em tecido velho”.

As provações geram, também, outros benefícios. Elas, por exemplo, fortalecem o indivíduo, fazendo-o desenvolver recursos de sobrevivência e criatividade. Com o passar do tempo ensejam autoconfiança, qualidade indispensável para o desenvolvimento anímico.

A vida ensina que o crescimento do indivíduo depende da somatória das pequenas vitórias morais do dia a dia. Enquanto outros decidirem por ele, não aprenderá a caminhar com os próprios pés, nem a voar com as próprias asas.

O Aspirante à vida superior deve assumir a responsabilidade pelos seus atos, agindo por vontade própria. Ação é o que muda o rumo das coisas. Ele deve aprender as lições e harmonizar-se com as leis divinas, não aceitando o sofrimento como uma punição, mas considerando-o um estímulo ao seu crescimento.

(Publicado no ECOS novembro-dezembro/2003 da Fraternidade Rosacruz em São Paulo-SP)

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