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porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Divina Essência Oculta Dentro de Você e o Que Fazer Com Ela

Nos Estudos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que a significância esotérica de: “Não sabeis que sois o santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, porque o santuário de Deus que sois vós é sagrado” (ICor 3:16-17), cujas palavras parecem tão coerentemente claras, produzem confusão e dúvida entre muitos de nós.

Para um Cristão afeito ao Cristianismo Popular tentar entender o que S. Paulo quis dizer nesses versículos constitui um exercício perigoso, uma aventura capaz de lhe abalar a fé. Aprofundar-se na ideia de que o “Espírito de Deus habita em nós” é algo temerário. Afinal, o Espírito de Deus só pode ser o próprio Deus. Deus no ser humano, dando vida ao seu santuário? Por que ir além?

Mas, para o próprio Estudante Rosacruz sobrevém, a princípio, grande dificuldade em aceitar a realidade do Deus Interno. Ora, durante toda sua vida se habituou a venerar e recorrer a uma inteligência superior, abstrata, permeando o espaço cósmico. A certeza da existência de um Deus externo lhe trouxe, sempre, uma certa segurança, ainda mais que esta Divindade lhe oferece seu Filho Unigênito — o Cristo — para redimi-lo de suas transgressões. Aos poucos, conforme trilha o Caminho da Santidade, vai tendo provas da Divina Essência oculta em cada um de nós e que essa é a base da Fraternidade.

A ideia de que Cristo é um ser interno, um princípio inerente à nossa condição de Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), que desabrocha e evolui através de várias existências de pureza e serviço não é fácil de se aceitar. A ideia de que é esse Cristo interno que salva e não o Cristo exterior pode ser assustadora, pois revela, e como isso é duro, que a salvação é um problema individual, interno e intransferível!

É responsabilidade exclusiva de cada um. Logicamente ninguém está só, no desenvolvimento desse processo. Pode-se recorrer às Orações Científicas, oficiações de Rituais de Serviço Devocional, práticas de Exercícios Esotéricos Rosacruzes que, quando acompanhada de esforços sinceros e serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado justamente na Divina Essência oculta em cada um de nós, voltado sempre ao irmão ou a irmã que está no entorno, atrairá a ajuda dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, quando se trilha o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

A centelha divina tem em si as mesmas sementes de perfeição do Deus Macrocósmico. Quanto mais ampla for a nossa consciência de que esta Divindade habita em nós, maiores serão seus canais de manifestação.

A pessoa comum, aquela que alardeia seu agnosticismo ou vive condicionado a uma crença num ente exterior, pode se abalar com as crises desta época. Pode padecer de todas as desesperanças, apavorar-se com todas as mudanças, porque falta-lhe a energia positiva de quem admite a presença de Deus dentro de si mesmo.

O Estudante Rosacruz ativo e fiel se sobrepõe espiritual, mental, emocional, fisicamente e a todas as condições transitórias desse mundo. Nada teme, porque está convencido de que a única realidade possível é o Deus Interno!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/abril/1988-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Porque um menino nos nasceu

Os profetas e as profetisas dos tempos do Antigo Testamento eram pessoas santas de Deus, porta-vozes de Deus Jeová ao proferirem mensagens divinas a elas confiadas e, como tais, eram mensageiras. Faziam mais do que meramente profetizar ou declarar a vontade ou o propósito de Deus. Eram os exemplos morais e religiosos daquela época, expondo o vazio da formalidade religiosa, a superficialidade de meramente oferecer sacrifícios e realizar ritos religiosos. Sendo altamente desenvolvidas espiritualmente, podiam ver com visão espiritual o suficiente para ler na Memória da Natureza e descrever as condições vindouras.

As declarações proféticas, por exemplo, de Isaías (“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, ele recebeu o poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este nome: Conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-eterno, Príncipe-da-paz, para que se multiplique o poder, assegurando o estabelecimento de uma paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, firmando-o, consolidando-o sobre o direito e sobre a justiça. Desde agora e para sempre, o zelo de Jeová dos Exércitos fará isto.” Is 9:5-6), um dos maiores profetas bíblicos, chegam até nós durante a sagrada época do Natal, “suaves como a voz de um anjo”, uma luz com esperança e promessa abençoadas. Ele está descrevendo o tempo em que a Religião do Filho, o segundo auxílio que a agora temos em nossa jornada evolutiva, terá se estabelecido na Terra. A Religião Cristã terá nos capacitado a purificar e controlar nosso Corpo Vital de tal forma que teremos alcançado a união com o nosso Cristo Interno. Nossos corações se enchem de reverência e devoção ao contemplarmos a sublime promessa desta mensagem exaltada e orarmos pelo dia em que “a paz não terá fim[1].

Nem devemos permitir que as atuais condições de guerras e conflitos afetem a nossa atitude de fé e otimismo. Infelizmente, a tristeza e o sofrimento profundos parecem ser os únicos professores que a maioria dos indivíduos e nações ouvirá, daí a necessidade de experiências e lições tão severas. Observando a vida pela perspectiva dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, a vida sem fim em seu curso através dos Mundos visível e invisíveis, não nos deixamos abater pela chamada “perda de vidas” que ocorre em algumas partes do mundo.

Aqueles que são mortos nascerão de novo e, devido à angústia de suas experiências, viverão em seus próximos renascimentos aqui a partir de um estado de consciência mais elevado do que agora. Os preceitos de paz e amor fraternal ensinados diretamente por Cristo então lhes aparecerão em sua devida luz como a base natural para a vida social e econômica do ser humano, e a guerra será coisa do passado. Verdadeiramente, “o governo estará sobre seus ombros[2], pois do nosso trabalho surgirá um novo nascimento para as coisas espirituais, uma dedicação mais completa ao modo de vida espiritual.

No vindouro Reino de Cristo, ou a Época Nova Galileia, teremos evoluído para um estágio extremamente elevado. Funcionará em um Corpo Vital em uma Terra etérica. Através de uma vida pura e altruísta, teremos realizado a união do “Eu superior” com o “eu inferior”, e assim estabelecido o Reino de Cristo em nosso próprio coração — “com juízo e justiça, desde agora e para sempre[3].

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1977 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Is 9:7

[2] N.T.: Is 9:6

[3] N.T.: Is 9:7

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Recolhimento ao “Deserto”: você sabe onde está o seu?

Quando nossas almas anseiam por um recolhimento no deserto, começa uma etapa expressiva em nossa vida. Não é buscar o Tibet, à Índia ou um lugar isolado qualquer, fora do convívio humano. Não se trata de um ponto geográfico, mas de um recolhimento interno; um estado estéril para a Personalidade, mas produtivo e fértil para a Alma que, saudosa, busca o “paraíso interno” para aquietar-se, restaurar a harmonia interna e crescer, a fim de exercer sua benéfica influência em nossa vida.

Feliz de quem sente esta saudade e apelo do íntimo. Ainda que a pessoa não esteja consciente dessa necessidade interna, quando começa a orar e meditar corretamente, em entrega, abertura e tranquilidade interior, começa a ouvir a “pequenina e silenciosa voz” que sussurra, e sente-se bem.

Podemos ser bem-sucedidos no trabalho, nas relações com os íntimos e no trato com os amigos, porém isto não é suficiente. Há uma insatisfação interna. E na medida que a saciamos no “deserto” interior, muitas coisas começam a perder o significado  para nós. Já não nos dizem nada. Tal insatisfação não significa um convite para buscarmos outras formas de viver. Nada disso. Se o tentamos, logo nos desiludimos.

De nada nos vale fazer transformações externas. Se temos a graça de sentir essa insatisfação, não cometamos a tolice de comprar uma casinha na praia ou um sítio isolado, para levar amigos e folias de nossa rotina. Saibamos que o “deserto” deve ser buscado, aqui e agora mesmo, num cantinho de nossa casa, onde respeitem nossos momentos de quietude. Isto exige apenas algumas modificações no mundo interior, disciplinando a Mente e o Coração pelas verdades acerca de nossa real natureza e relação com Deus. É uma conscientização do modelo de Cristo; de equilíbrio entre uma atividade ordeira e o refazimento no “deserto” em nós. Afinal, é nosso Deus que nos ensina, por meio do profeta Isaías: “Tornarei o deserto em mananciais de águas” (Is 41:18).

Estes intervalos no “deserto” nos trazem vislumbres da Mente de Cristo, para reavaliação de conceitos; para constatação de coisas que devemos descartar, porque não servem à nova criatura. São períodos de ajustamento, mas, também, muitas vezes, de solidão, em que nos sentimos perdidos e nos perguntamos se vale a pena esse esforço. Tais vazios são provocados pelo próprio Cristo interno, para experimentarmos se O procuramos, por Ele mesmo ou se “pelos pães e peixes”. Outra razão d’Ele esconder-nos a Sua face é a falta de sentimento em nosso retiro no “deserto”.

Mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra seremos chamados a essa experiência maravilhosa, resistir-Lhe, é protelar mudanças positivas em nossas vidas. É melhor ouvir e atender ao tênue convite interno, agora, porque é o tempo certo, determinado pelo íntimo. Portanto, não pense que você ainda não esteja pronto para isso. Se o “deserto” o chama, é porque você já está preparado. Nem receie que isso vá desviá-lo de um viver pleno. Ao contrário: jamais sua vida será completa sem a ligação gradual com o Eu superior. Ele é que lhe dará sentido e significado à existência. Você continuará no Mundo, mas será uma nova pessoa, feliz, para fazer os outros felizes. Jamais estará só: uma Luz encherá sua vida!

O tempo dedicado ao exercício do “deserto” nunca é estéril, embora o pareça, no início, a quem tenha um sentido prático do mundo. É tempo ganho, pois enseja um processo interno, que não podemos perceber: de gradual abertura e sintonia à Consciência. Se nos mantemos conscientes, em calma entrega e anseio de Deus, algo ocorre e o processo se realizará!

Moisés estava evidentemente preparado quando foi atraído à Montanha e Deus lhe falou: “Vem tu, pois, e te enviarei ao Faraó para que lhe tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Ex 3:10). Também assim, somos chamados para o “deserto”, incumbidos de nos libertarmos do “Faraó” do mundo materialista, os pensamentos e emoções nobres atualmente apegados e condicionados a valores tolos, adestrando-os para que sirvam a significados mais altos e eternos. Não é fugir do Mundo, e ter uma nova relação com ele. É viver nele e não lhe pertencer. É adquirir melhores significados.

Cristo-Jesus sabia que Levi, o coletor de impostos (que depois chamou de Mateus) estava preparado quando o olhou bem. Convocou-o para o discipulado e ele, deixando tudo, imediatamente O seguiu (Lc 5:27-28). Esta convocação é interna, quando chega o tempo para nós, não devemos hesitar.

Depois passamos meses e anos no deserto, em intervalos de aquietamento e entrega. Não é um tempo “perdido”. Conheço um homem que se empenhou muitos anos a expressar seus talentos numa arte. Ficou longo tempo fazendo seus esboços, sob orientação dos melhores professores. Deu o melhor de si, mas estranhamente, jamais saiu do chão, como se diz, na profissão escolhida. Falava dos sacrifícios que teve de enfrentar nesse período e considerou-o improdutivo e desperdiçado.

Em conversa posterior descobri que foi precisamente nesse período que ele teve um despertar espiritual, pois se havia agarrado com toda a alma à Verdade e entrega de Deus, na esperança de que seria essa a chave-mestra para lhe destrancar as portas para o sucesso. Porém, o resultado foi diferente do que ele esperava: ele recebeu uma visão totalmente nova de sua vida. Aproveitando os talentos que desenvolvera, aplicou-os num campo inesperado, que lhe abriu meios de expressão criativa e gratificante. “Atirou no que viu e acertou no que não viu” — como diz o ditado popular. Só então, olhando para trás, reconsiderou sua opinião acerca do período “desperdiçado”. Compreendeu que “o período no deserto” o encaminhou à sua verdadeira vocação, dando-lhe, ao mesmo tempo significados novos da existência. Em verdade, foi o período mais rico de sua vida.

Temos notado que a dor, o insucesso, a esperança de mais altos significados, as decepções da vida, etc., são meios constantes que levam as pessoas para o “deserto interior”. Vão em busca de certas coisas e descobrem outras, muito mais altas e duradouras, que transformam radicalmente suas vidas!

Você se sente numa rotina monótona e vazia, sem significado? Talvez seja esse o convite, como foi dito: “Bem-aventurados os que têm fome, porque serão fartos” (Lc 6:21). Quiçá você pergunte: “por que tenho de passar pela experiência do “deserto”? Respondo: porque há um processo interno que só o Cristo, em você, pode realizar, através dessa comunhão. É inútil você procurar libertação para esse estado aí fora. Ninguém pode fazer por você o que a Deus incumbe. Pode o agricultor amadurecer o pêssego, para soltar-lhe o caroço? Não. Só o trabalho interior do próprio pessegueiro!

Não adie e nem resista ao convite de encontro com seu verdadeiro Ser. Aceite-o. E quando tiver passado por essa experiência indizível, você poderá retornar do “deserto”, ao encontro dos seres humanos, sob a direção da Mente de Cristo, para que “brilhe a sua luz diante deles, a fim de que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai celestial” (Mt 5:16).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/fevereiro/1988 – Fraternidade Rosacruz– SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Em Tannhäuser[1], você afirma que a doença acompanha o crescimento anímico. Também na Conferência N.º 11, Visão e Compreensão Espirituais, do Livro Cristianismo Rosacruz – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz[2], você afirma que a doença é uma manifestação da ignorância e que, na proporção em que o Cristo se forma dentro de nós, alcançamos a saúde. Para mim, essas duas passagens não parecem conciliar-se. Onde está a conciliação?

Resposta: No entanto, elas são bastante conciliáveis. Até que a vida Crística nos ilumine interiormente, não compreendemos nem seguimos as Leis da Natureza e, consequentemente, contraímos doenças por nossa violação ignorante dessas Leis. Como diz Emerson[3]: “Um homem doente é um delinquente preso em flagrante infringindo as Leis da Natureza”. É por isso que é necessário que o Evangelho de Cristo seja pregado. Todos nós devemos aprender a amar a Deus de todo o nosso coração e de toda a nossa alma[4], assim como amar o nosso irmão como a nós mesmos[5], pois todos os nossos problemas nesse mundo, quer reconheçamos ou não, advêm do único e grande fato que é o nosso egoísmo. Se a nossa função digestiva está desequilibrada, qual é a razão? Não será que sobrecarregamos o nosso organismo porque ficamos irritados e esgotamos a nossa força nervosa ao tentar sujeitar alguém aos nossos fins egoístas, e ficamos ressentidos porque não termos conseguido? Em todos os casos, o egoísmo é a causa principal das doenças, enfermidades, dos sofrimentos profundos e dores. O egoísmo é o pecado supremo da ignorância.

(Pergunta número 49 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: É uma ópera em três atos com a música de Richard Wagner, e com o libreto do próprio compositor, que nos fala da redenção pelo amor. Tal como em Der fliegende Holländer, o sacrifício feminino expia os pecados masculinos. O Dilema ainda atual, entre o amor profano, carnal e o amor casto associado ao matrimônio, é uma questão central. A ação decorre ao pé de Wartburg, terra de grandes cavaleiros trovadores, onde se realizavam pacíficos concursos de canto, no século XIII.

Reza a lenda que ao pé de Wartburg existia o monte de Vénus onde a bela deusa atraía e mantinha cativos no puro deleite, os cavaleiros trovadores. Tannhäuser caiu na quentes garras de Vénus. A ópera começa num grande bacanal. Tannhäuser saciado, quer voltar a casa, respirar ar puro, ouvir os sinos da igreja. Canta à deusa para o deixar partir. Vénus insiste para ele permanecer com ela, usando todos os seus encantos, mas Tannhäuser evoca a virgem Maria e por artes mágicas todo o monte de Vénus se desvanece e Tannhäuser, encontra-se aos pés de uma cruz, no vale de Wartburg. Ouve-se o canto de um jovem pastor. Perigrinos passam a caminho de Roma. Sonha juntar-se a eles. Nisto, surgem da caça vários cavaleiros trovadores os seus amigos de longa data que o reconhecem e o convencem a voltar a Wartburg. Wolfram explica-lhe que a bela Elisabeth, a sobrinha do Conde de Thüringen, que Tannhäuser amara outrora, desde a sua partida, ficou tomada de uma grande tristeza.

Elisabeth está radiante com o regresso de Tannhäuser e saúda a sala que acolheu os seus sucessos passados na famosa ária “Dich teure Halle”. Ele entra acompanhado de Wolfram. Elisabeth pergunta-lhe onde esteve. Tannhäuser confessa-lhe que voltou graças à sua imagem. Exprimem o seu amor num dueto.

O dia do torneio chegou, o conde de Thünringen e Elisabeth recebem os convidados. O conde anuncia que o tema do torneio é o despertar do amor e convencido da futura vitória de Tannhäuser, oferece a mão de Elisabeth ao vencedor. Tiram à sorte e calha a Wolfram iniciar, louvando a pureza do amor. Tannhäuser responde louvando o amor dos sentidos. todos os restantes concorrentes vêm reforçar o louvor ao amor puro, Tannhäuser responde-lhes provocador, que se querem conhecer o verdadeiro amor, têm de conhecer o amor carnal e irem ao monte de Vénus experimentar. Horrorizados por esta blasfémia tentam castigar Tannhäuser, mas Elisabeth protege-o. Tannhäuser parte com os perigrinos para Roma, na tentiva de obter o perdão do Papa. Elisabeth espera por ele. Nos últimos peregrinos vindos de Roma, não o encontra. Wolfram que sempre a amou adivinha a sua morte na sublime ária “O Du mein holder Abendstern”. Elisabeth morre quando Tannhäuser regressa. Vénus surge a Tannhäuser apelando-a a voltar à sua caverna. Wolfram mostra-lhe que o cortejo fúnebre que se avizinha é o de Elizabeth. Tannhäuser corre para o cortejo e sucumbe em cima da figura da sua amada, dizendo “querida Elisabeth reza por mim.

[2] N.T.: CONFERÊNCIA Nº 11 – VISÃO E PERCEPÇÃO ESPIRITUAL

Quando nós falamos de visão espiritual, não estamos falando simbolicamente, ou de uma maneira vaga, como um sentimento de êxtase ou algo semelhante, mas de uma faculdade definida tão real como a visão física, e tão necessária à percepção dos mundos espirituais e à verdadeira habilidade para compreender as qualidades internas das condições suprafísicas, como a visão física é indispensável para uma ampla cobertura de todos os pontos importantes das coisas materiais.

A visão espiritual de que falamos não é para ser confundida com a Clarividência desenvolvida em alguns nos meios espiritualistas. Essa última depende de um estado negativo da Mente onde os Mundos internos são refletidos na consciência do receptor, da mesma forma que uma paisagem é refletida em um espelho. Tal método produz uma visão, mas não há a ampla cobertura indispensável e necessária de todos os pontos importantes do que está sendo visto no Clarividente involuntário, do mesmo modo que não há no espelho. Ele está em uma posição similar àquela de um homem preso a um cavalo sem rédeas nem freios, podendo assim ser levado de um lado para outro, dependendo da vontade do cavalo. Tal faculdade é uma maldição. O clarividente devidamente desenvolvido não está preso: pode ver ou deixar de ver à vontade; maneja as rédeas do seu cavalo; é dono de sua faculdade, enquanto o outro é tão somente escravo dela.

Certas fases negativas de Clarividência são também desenvolvidas através de drogas, bola de cristal, etc. Em todos esses casos, a faculdade torna-se perigosa e prejudicial, uma vez que não se acha sob o controle do espírito. As drogas têm efeito terrivelmente destruidor sobre os diferentes veículos do ser humano. Porém, o mais perigoso de todos os métodos de desenvolvimento é a prática de exercícios respiratórios aplicada de modo indiscriminado. Muitos indivíduos acham-se hoje em manicômios ou até morreram tuberculosos por haverem praticado tais exercícios em aulas de desenvolvimento dirigidas por pessoas tão ignorantes quanto eles mesmos. Exercícios respiratórios, quando necessários, jamais devem ser feitos em conjunto, uma vez que cada discípulo tem constituição diferente dos demais. Assim, cada um requer exercícios individuais, particulares, bem como diferentes exercícios mentais para acompanhar aqueles.

Somente através de instruções individuais dadas por um instrutor competente, pode-se desenvolver com segurança a visão e a compreensão espirituais. Estas advertências referem-se exclusivamente aos exercícios respiratórios como método de desenvolvimento oculto, e nunca aos exercícios físicos que são excelentes quando praticados com moderação.

Surge daí a pergunta: Como achar um instrutor autêntico e como distingui-lo de um impostor? É uma pergunta muito importante, porque quando o aspirante encontra tal mestre, pode considerar-se em perfeita segurança e protegido contra a grande maioria dos perigos que cercam aqueles que, por ignorância ou egoísmo, traçam seus próprios rumos e buscam poderes espirituais, mas sem qualquer esforço para desenvolver fibra moral.

É uma verdade axiomática que os seres humanos são conhecidos “por seus frutos” e, como o mestre esotérico exige de seu pupilo desinteresse nas motivações, infere-se justamente que o instrutor deve possuir esse atributo em grau ainda maior. Portanto, se alguém se arvora em ser instrutor e oferece seus conhecimentos em troca de dinheiro, a tanto por aula, mostra assim que está abaixo do padrão que exige de seus discípulos. Alegar que precisa de dinheiro para viver, ou apresentar outros motivos semelhantes para cobrar pelo ensino, tudo não passa de sofismas. As leis cósmicas cuidam de todo aquele que trabalha com elas. Qualquer ensino oferecido em bases comerciais não é ensino superior, porque este jamais é vendido ou envolve considerações materiais, pois, em todos os casos, chega ao recebedor como um direito em função do mérito. Assim, mesmo que o verdadeiro instrutor tentasse negar o ensino a determinada pessoa que o merecesse, pela Lei de Consequência, seria um dia compelido a ministrar-lhe o mesmo.

No entanto, tal atitude seria inconcebível porque os Irmãos Maiores sentem uma grande e indizível alegria toda vez que alguém começa a palmilhar a senda da vida eterna. Por outro lado, embora ansiosos por tal, eles a ninguém podem revelar seus segredos antes que cada um tenha dado provas de sua constância e altruísmo, pois só assim poderá alguém ser um firme guardião dos imensos poderes resultantes, que tanto podem servir ao bem como podem ser usados para o mal. Se permitimos que nossas paixões se imponham descontroladamente, e se a avareza ou a vaidade são as molas de nossas ações, apenas sustamos o progresso de nosso semelhante ao invés de ajudá-lo. E, até que aprendamos a usar apropriadamente os poderes que possuímos, não estaremos em condições de realizar o trabalho ainda maior exigido daqueles que têm sido ajudados pelos Irmãos Maiores a desenvolverem sua visão espiritual latente, e a conseguirem compreensão espiritual, que é o que torna valiosa aquela faculdade como fator de evolução.

Portanto, a “Senda da Preparação” antecede o “Caminho da Iniciação”. A perseverança, a devoção, a observação e o discernimento são os meios de alcançá-lo, porque tais qualidades sensibilizam o Corpo Vital. Através da perseverança e da devoção, os Éteres Químico e de Vida capacitam-se a cuidar das funções vitais do Corpo Denso durante o sono. E uma separação entre estes dois Éteres e os dois superiores – Éter de Luz e Éter Refletor – acontece. Quando os dois últimos se espiritualizam suficientemente mediante a observação e o discernimento, uma simples fórmula dada pelo Irmão Maior capacita o Discípulo a separá-los e a levá-los consigo, à vontade, juntamente com seus veículos superiores. Deste modo, ele fica equipado com um veículo de percepção sensorial e memória. Qualquer conhecimento que possua no mundo material pode, então, ser utilizado nos Reinos espirituais, como também pode trazer ao cérebro físico recordações das experiências por que passou enquanto esteve fora de seu Corpo Denso. Isto nos é necessário para funcionarmos separados do Corpo Denso, plenamente conscientes tanto do Mundo Físico quanto do Mundo do Desejo, pois o Corpo de Desejos ainda não está organizado e, se o Corpo Vital não transferisse suas impressões no momento da morte, não poderíamos ter consciência no Mundo do Desejo durante a existência post-mortem.

Os exercícios respiratórios indiscriminados não produzem a divisão acima descrita, mas apenas tendem a separar o Corpo Vital do Corpo Denso. Por isso, as ligações entre os centros etéricos dos sentidos e as células cerebrais rompem-se ou deformam-se em certos casos, resultando ao final em vários tipos de insanidade mental, como a loucura. Em outros casos, o rompimento ocorre entre o Éter de Vida e o Éter Químico e, como o primeiro responde pela assimilação orgânica dos alimentos e é a avenida particular para a especialização da energia solar, essa ruptura resulta em tuberculose. Somente através de exercícios apropriados pode-se efetuar a separação correta. Quando a pureza de vida permite que a força sexual, que é criadora, gerada no Éter de Vida eleve-se até o coração, essa força encarrega-se de manter a quantidade de circulação necessária ao estado de sono. Deste modo, as funções físicas e o desenvolvimento espiritual correm paralelamente ao longo de linhas harmoniosas.

Temos, pois, aí a razão para o voto de celibato feito por aqueles que se dedicam inteiramente à vida superior. Não é necessário que o principiante se torne um asceta. A castidade absoluta por enquanto é só para poucos, especificamente, para aqueles que já alcançaram as Iniciações Maiores. Atualmente, o ato sexual é o método normal de procriação. Não existe outro meio de prover-se Corpos Denso aos Egos que precisam renascer – pois a fila é enorme! –, e é dever de todo aquele que é mental, moral e fisicamente sadio proporcionar veículo e ambiente apropriado a Espíritos, irmãos e irmãs, que desejam e precisam renascer aqui, isto de acordo com seus meios e oportunidades. Deveríamos encarar o ato da procriação como um Sacramento, não um ato para simples gratificação dos sentidos, mas para ser realizado com espírito de oração. A força sexual é exigida para geração apenas umas poucas vezes na vida de qualquer pessoa, de modo que o excedente pode ser legitimamente aproveitável ao autodesenvolvimento, já que ela é criadora.

Discernimento é a faculdade – e um importante Exercício Esotérico, como nos ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – que nos permite distinguir aquilo que é essencial daquilo que não tem importância, separando a realidade da ilusão, e o que é duradouro daquilo que é efêmero. Na vida comum, acostumamo-nos a pensar que somos só corpo. O discernimento ensina-nos que somos Espíritos e que nossos corpos e veículos nada mais são que moradas provisórias, instrumentos para nosso uso. O carpinteiro usa martelo e serra que são importantes instrumentos. Contudo, nunca lhe ocorre que ele próprio seja essas ferramentas. Jamais devemos identificar-nos com o nosso Corpo Denso ou Corpo Vital ou ainda Corpo de Desejos, mas sim aprender, pelo discernimento, a considerá-lo um servidor, valioso tão somente enquanto obedeça a nossas ordens. Quando o considerarmos assim, descobriremos que somos capazes de fazer com facilidade muitas coisas que até então julgávamos impossível realizar. O discernimento gera a Alma Intelectual e imprime em nós o primeiro impulso em direção à vida superior.

A Observação – além de ser mais um importante Exercício Esotérico, como nos ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – é o uso dos sentidos como meio de obter-se informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor. A observação e a ação geram a Alma Consciente. É de máxima importância para o nosso desenvolvimento que observemos minuciosamente tudo o que se passa em torno de nós; caso contrário, as imagens da nossa Memória Consciente deixam de coincidir com aquelas de nossa Memória Subconsciente ou automática. O ritmo e a harmonia do Corpo Denso são perturbados em proporção à superficialidade de nossa observação durante o dia. Nossas atividades durante o sono restauram parcialmente a harmonia, mas o entrechoque de vibrações dia após dia e ano após ano é uma das causas que, gradualmente, endurecem e destroem nosso organismo até torná-lo impróprio para o uso do Espírito que, então, precisa abandoná-lo e buscar nova oportunidade de desenvolvimento em um corpo novo e melhor. Na mesma proporção em que aprendemos a observar atentamente, ganharemos em saúde e longevidade e precisaremos de menos repouso e sono. Este último é um ponto muito importante, como veremos.

Devoção – além de ser mais um importante Exercício Esotérico, como nos ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – aos elevados ideais restringe os instintos animais, gera e desenvolve a Alma Emocional. O cultivo, pois, dessa faculdade é essencial. Para algumas pessoas, essa é a linha de menor resistência; eis porque são aptos a se converterem em místicos sonhadores. As energias do Corpo de Desejos expressam-se então na forma de entusiasmo e êxtase religioso. Outros há que desenvolvem anormalmente a faculdade de discernimento que os leva ao longo das frias linhas intelectuais da especulação metafísica. Em ambos os casos há desequilíbrio e existe perigo. O sonhador místico pode tornar-se joguete de toda sorte de ilusões por estar dominado pela emoção. Ao intelectual ocultista isso nunca pode acontecer, mas pode terminar na magia negra se perseguir a senda do conhecimento só por desejo de conhecimento e não para poder servir. O único meio seguro é desenvolver simultaneamente a “Cabeça e o Coração”.

O Ocultista desenvolve-se ao longo de linhas intelectuais; procura a verdade pela observação e pelo discernimento, observa e raciocina sobre tudo o que vê. Assim, ele alcança o conhecimento, mas, como diz o apóstolo São Paulo: “O conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica.”[2]. Portanto, antes que seu conhecimento possa ser útil ao próprio desenvolvimento espiritual, precisará aprender a senti-lo, pois, de outro modo, não poderá vivê-lo. Quando tiver feito isto, será tanto Cristão Ocultista quanto Cristão Místico.

O Cristão Místico desenvolve especialmente a faculdade de devoção. Ele sente a verdade sem precisar raciocinar. Sabe, mas não tem meios para explicar a razão de sua fé, de modo ajudar os outros. Deve, pois, desenvolver o lado intelectual de sua natureza, a fim de ser o mais útil possível na elevação da humanidade. Assim, o intelecto pode agir como um freio sobre as emoções, e a devoção pode guiar o intelecto com segurança. Se seguirmos unicamente uma das linhas, teremos mais tarde que seguir a outra, caso queiramos ter um desenvolvimento completo e harmonioso. Por isso, é melhor tentar desenvolver agora a faculdade que nos falta, pois assim progrediremos mais rapidamente em direção à meta final e em perfeita segurança.

A clareza e a nitidez de uma fotografia dependem do modo do fotógrafo focalizar as lentes. Uma vez ajustada a objetiva, o foco se conserva. Todavia, se a máquina tivesse vida e vontade próprias, se pudesse modificar sua direção e focalização, as imagens captadas apareceriam sem nitidez. A Mente encontra-se em situação análoga: vagueia sem objetivo como se estivesse literalmente com “dança de São Vito”[2] e resistindo tenazmente a qualquer restrição. Mas ela pode e deve ser subjugada, e a perseverança é o meio de conseguir. Na proporção em que a Mente é aquietada, o Espírito pode refletir-se no Tríplice Corpo, segundo o princípio de que os raios do Sol não se podem refletir num mar encapelado, mas somente em águas tranquilas.

O Corpo Vital é como um espelho, ou melhor, como uma película cinematográfica em movimento: filma o mundo mesmo que esteja em desacordo com a nossa faculdade e observação e com as ideias que brotam do Espírito interno, conforme a clareza e o treinamento mentais. A devoção e o discernimento, ou em outras palavras, a emoção e o intelecto, decidem nossa atitude face a essas imagens, e o equilíbrio entre as ações de ambos conduz a um desenvolvimento perfeito. Alcançado certo grau de aperfeiçoamento, elas realizam inevitavelmente o processo de purificação. O ser humano precisa compreender que, para alcançar a meta, deve pôr de lado tudo o que possa entravar a roda do progresso. O bom mecânico prefere sempre as melhores ferramentas e esmera-se em conservá-las perfeitas, porque sabe quão importantes são para realizar um bom trabalho. Nossos Corpos são as ferramentas de nós, o Espírito, de modo que, na medida em que elas se encontrem obstruídas, estorvam a nossa manifestação. O discernimento aponta-nos o que obstrui. A devoção à vida superior ajuda-nos a eliminar maus hábitos e traços de caráter indesejáveis, suplantando o simples desejo.

A carne animal (mamíferos, aves, peixes, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins) obtida à custa da vida e sofrimento de outros seres e, que além de estar impregnada dos desejos e paixões do animal encontra-se já em estado de decomposição, não é um alimento puro. Nenhum sincero Aspirante à vida superior e aos poderes superiores deve escolher este tipo de alimento. Deve estudar, sim, para aprender como atender às necessidades do seu organismo com alimentos puros. Deve também se dar conta da importância de manter seu cérebro lúcido para que sua consciência possa abrir-se completamente à influência espiritual, concluindo-se daí que abandonará o uso do fumo (seja de qualquer espécie e das bebidas alcoólicas que estimulam e entorpecem o cérebro. Moderação é um termo impróprio com relação à bebida alcoólica. O uso do álcool, em qualquer escala, é desastroso ao desenvolvimento espiritual.

Perder a serenidade é prejudicial ao crescimento interno, além de dissipar, em grande escala, utilíssima energia que poderia ser utilizada beneficamente; a raiva envenena o organismo, inutiliza-o e retarda enormemente o progresso espiritual.

Da mesma forma, pensamentos de crítica nos prejudicam, por isso deve o Aspirante à vida superior evitá-los tanto quanto possível. O discernimento ensina-nos, de modo impessoal, o que é bom e o que é mau, mas não imprime em nós nenhum sentimento sobre isso, e isto é um ponto muito importante. O exame de um fato, de uma ideia ou objeto, seguido de uma decisão relativa ao seu valor, é necessário e não deve ser evitado. Porém, os pensamentos não caridosos devem ser evitados, uma vez que geram pensamentos em forma de flecha que, conforme se exteriorizam, atingem e bloqueiam o fluxo de bons pensamentos emanados constantemente dos Irmãos Maiores e atraídos por todos os seres humanos bons.

Dois exercícios específicos são dados ao Aspirante à vida superior que inicia a jornada preparatória. Ambos conduzem ao desenvolvimento da visão e da compreensão espirituais. Um eles levam ao caminho reto e apela mais para o Ocultista, que trabalha mais com o intelecto, mas é de grande valor para o Místico porque desenvolve nele a qualidade que mais lhe falta — a razão. Esse exercício é chamado de Exercício Esotérico matutino de Concentração e produz “poder mental”. O outro produz resultado semelhante de maneira indireta. Agrada mais ao Místico, mas é extremamente necessário ao intelectual Ocultista porque proporciona-lhe o senso da verdade, que está além da razão. Tal exercício é o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, que desenvolve o “poder da devoção”. Ambos são necessários para garantir um desenvolvimento completo e harmonioso.

A filosofia da conquista da visão e compreensão espirituais resume-se em obrigar o Corpo de Desejos a efetuar, dentro do Corpo Denso e em completo estado de vigília, — ou seja, positivo e consciente — o mesmo trabalho que realiza quando se encontra fora durante o sono, ou no estado post-mortem.

Existem certas correntes no Corpo de Desejos de todos. São fortes, bem definidas, e formam sete grandes vórtices nos clarividentes, mas são fracas, descontínuas e destituídas de vórtices no ser humano comum, naquele que não pode “ver”. O desenvolvimento dessas correntes e vórtices conduzem à visão espiritual. Durante o dia, enquanto somos absorvidos pelos nossos interesses materiais, essas correntes fluem muito vagarosamente. Mas, tão logo nos retiramos do Corpo Denso ao dormir, iniciamos o trabalho de restauração, conforme descrito na Conferência nº 4 do Livro Cristianismo Rosacruz, as correntes reativam-se e os vórtices também, fulgurando como se fossem incandescentes, porque então o Corpo de Desejos se encontra no seu elemento de origem, livre do peso embaraçante do Corpo Denso.

O tempo de que o Corpo de Desejos precisa para restaurar o ritmo do Corpo Vital e do Corpo Denso depende do modo que usamos esse último durante o dia. Se o extenuamos nesse período, as desarmonias criadas serão naturalmente maiores, e isso exigirá a maior parte da noite para o Corpo de Desejos poder restaurar a harmonia e o ritmo. Assim, vive o ser humano preso ao seu Corpo Denso, dia e noite. Mas quando ele aprende a controlar a ação, a controlar gastos de energia nas atividades diárias, cessando de malbaratá-las em palavras e atos vãos, quando começa a dominar seus impulsos e a impedir novas desarmonias resultantes de uma observação imperfeita, então o Corpo de Desejos não precisa trabalhar o período inteiro do sono noturno para restaurar o Corpo Denso. Uma parte da noite pode ser empregada para se trabalhar fora. Se os centros sensoriais do Corpo de Desejos estão suficientemente desenvolvidos — como regra geral estão na maioria dos indivíduos inteligentes — o ser humano pode então desatar o cabo e elevar-se ao Mundo do Desejo. Lá ele tem uma visão do que se passa nesse plano, embora geralmente não consiga recordar depois de nada do que viu, até que consiga efetuar a separação entre as partes superior e inferior do Corpo Vital, conforme já explicado.

Vemos, pois, a grande importância da observação correta, da devoção aos elevados ideais, da pureza de alimentação, etc., tudo isso tendendo a harmonizar as vibrações internas com as vibrações externas. Na mesma proporção em que progredimos nessa direção, o tempo empregado na restauração dos veículos é abreviado, sobrando-nos, portanto, uma margem para trabalharmos no Mundo do Desejo.

EXERCÍCIO NOTURNO

O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é o mais eficiente dos métodos existentes para fazer o Aspirante à vida superior avançar na senda da realização espiritual. Seu efeito tem tal alcance que permite ao indivíduo aprender agora não apenas as lições dessa vida, mas também lições que normalmente lhe estariam reservadas para existências futuras.

Após deitar-se à noite, o Aspirante à vida superior relaxa o Corpo Denso e começa a recordar os acontecimentos do dia na ordem inversa, partindo dos da noite, em seguida os da tarde, e depois os da manhã. Deve esforçar-se para “rever” cada cena com a máxima fidelidade e procurar reproduzir ante seus olhos mentais tudo o que aconteceu em cada uma delas, a fim de poder julgar seus atos e certificar-se de que suas palavras transmitiram o sentido desejado ou deram uma impressão falsa, como também se exagerou ou foi omisso ao relatar experiências a outrem. Deve examinar sua atitude moral relativa a cada cena. E quanto aos alimentos, verificar se “comeu para viver” ou “viveu para comer”, para gratificar o paladar. Durante todo o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o Aspirante à vida superior vai julgando a si mesmo, censurando-se onde couber reprovação e elogiando-se onde couber o louvor.

Os Probacionistas acham, às vezes, difícil permanecer acordados até o fim do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção. Em tais casos, é permitido que se sentem na cama, até que lhes seja possível seguir o método comum.

O valor do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é imenso. Vai muito além de nossa imaginação. Em primeiro lugar, realizamos o trabalho de restauração da harmonia conscientemente e em tempo muito mais curto do que o Corpo de Desejos pode fazê-lo durante o sono, sobrando assim uma maior porção da noite para trabalhos fora do corpo. Em segundo lugar, vivemos nosso Purgatório e Primeiro Céu cada noite, incorporando a nós, o Espírito, o senso de retidão como essência das experiências do dia. Escapamos, assim, do Purgatório depois da morte, economizando também o tempo que despenderíamos no Primeiro Céu.

Por último, e não menos importante, tendo dia após dia extraído a essência das experiências que produzem o crescimento anímico, e havendo incorporado essa essência em nós, o Espírito, passamos a vivenciar realmente uma nova atitude mental e a nos desenvolver por linhas que normalmente estariam reservadas a vidas futuras.

Executando fielmente esse Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, dia após dia, apagamos de nossa Memória Subconsciente o registro de fatos desagradáveis e eliminamos os nossos pecados, nossas auras começam a reluzir com o ouro espiritual extraído das experiências diárias pela Retrospecção, e aí começamos a atrair a atenção do Irmão Maior.

“Os puros verão a Deus.”[2], disse Cristo, e o Irmão Maior abrirá nossos olhos quando estivermos prontos para entrar no “Templo do Saber” — o Mundo do Desejo — onde obtemos nossas primeiras experiências de vida consciente fora do Corpo Denso.

EXERCÍCIO MATUTINO

O Exercício Esotérico matutino de Concentração, o segundo exercício, é executado pela manhã, tão logo o Aspirante à vida superior desperta. Ele não precisa levantar-se para abrir as janelas ou fazer qualquer coisa desnecessária. Sentindo o Corpo Denso confortável, deve relaxar e começar imediatamente a se concentrar. Esse momento é muito importante porque nós, o Espírito, acabamos de regressar do Mundo do Desejo, podendo termos contato consciente com esse Mundo, bem mais facilmente do que em qualquer outra hora do dia.

Se o Corpo Denso está em desconforto, o Aspirante à vida superior deve se mexer com o objetivo de acomodá-lo melhor antes de iniciar a Concentração, mas muito da eficácia do exercício é perdida em razão de se iniciá-lo com atraso.

Vimos na Conferência nº 4 do Livro Cristianismo Rosacruz que, durante o sono, as correntes do Corpo de Desejos fluem e seus vórtices movem-se e giram com enorme rapidez. Porém, tão logo ele interpenetra o Corpo Denso, suas correntes e vórtices são quase paralisados pela matéria densa e pelas correntes nervosas do Corpo Vital que levam e trazem mensagens ao cérebro. A finalidade deste exercício é levar o Corpo Denso ao mesmo grau de inércia e insensibilidade do estado de sono, embora com o Espírito dentro dele e conservando-se totalmente acordado, alerta, consciente. Deste modo, cria-se uma condição em que os centros sensoriais do Corpo de Desejos podem começar a girar no interior do Corpo Denso.

Concentração é uma palavra enigmática para muitos, por isso tentaremos esclarecer seu significado. O dicionário dá-nos diversas definições, todas aplicáveis à nossa ideia. Uma é “convergir para um centro”, enquanto outra, uma definição química, é “reduzir à extrema pureza e potencialidade pela eliminação de constituintes inúteis”. Aplicada ao nosso problema, uma das definições faz-nos ver que, se convergimos nossos pensamentos para um centro, para um ponto, podemos aumentar sua força, segundo o princípio que estabelece que a força dos raios solares é multiplicada quando focalizada num ponto através de uma lente de aumento. Eliminando-se de nossa Mente todos os demais assuntos, todo o nosso poder mental pode ser completamente aproveitado na consecução de um objetivo ou solução do problema em que nos concentramos. Podemo-nos absorver em nosso assunto a tal ponto que, mesmo um canhão sendo disparado, não o ouviremos. Há pessoas que podem concentrar-se numa leitura de tal maneira que são capazes de esquecer tudo mais. O Aspirante à vida superior deve, igualmente, ser capaz de abstrair-se numa ideia, objeto de concentração, a ponto de fechar por completo sua consciência ao mundo dos sentidos e atentar exclusivamente para os Mundos espirituais.

Quando aprender a fazer isso, ele verá o lado espiritual de um objeto, ou ideia, iluminado por uma luz espiritual e, assim, ele alcançará o conhecimento da natureza interna de coisas nem sequer sonhadas pelo ser humano mundano.

Quando se chega a esse ponto de abstração, os centros sensoriais do Corpo de Desejos começam a girar lentamente no interior do Corpo Denso e a se acomodarem por si mesmos. Com o tempo, esses centros tornam-se cada vez mais definidos e passam gradativamente a exigir menos esforço para pô-los em movimento.

O tema da concentração pode ser um ideal elevado e sublime, mas preferivelmente que seja de uma natureza tal que consiga situar o Aspirante à vida superior acima do tempo e do espaço, afastando-o das sensações ordinárias do Mundo material. Para isto, não há melhor fórmula do que os cinco primeiros versículos do primeiro Capítulo do Evangelho Segundo São João. Tomando-os como base, sentença por sentença, manhã após manhã, com o tempo, o Aspirante à vida superior terá adquirido uma admirável compreensão do princípio do nosso universo e do método da criação — compreensão que está muito longe de ser alcançada em livros.

Depois de algum tempo, quando o Aspirante à vida superior já tenha aprendido a manter sem oscilações, ininterruptamente por uns cinco minutos, a ideia na qual venha se concentrando, pode, um dia, tentar lançar fora repentinamente essa ideia, deixando a Mente “em branco”. Em nada deve pensar então, mas simplesmente esperar que algo venha preencher aquele vazio mental. Com o tempo, as visões e cenas do Mundo do Desejo deverão ocupar essa lacuna. Após ter-se acostumado a essa prática, o Aspirante à vida superior pode desejar que algo se apresente ante seus olhos mentais. A coisa virá e então ele poderá investigá-la à vontade.

Mas o ponto principal é que, seguindo as instruções acima, o Aspirante à vida superior vai purificando a si mesmo. Sua aura começa a brilhar e isso atrairá infalivelmente a atenção do Irmão Maior, que designará alguém para ajudá-lo, quando necessário, a dar o passo seguinte.

Mesmo que passem meses ou anos sem resultados visíveis, estejamos certos de que não nos esforçamos em vão; os Irmãos Maiores veem e apreciam nossos esforços, e vivem eles tão ansiosos por nossa colaboração quanto nós por trabalhar. Os Irmãos Maiores podem ver razões que nos impeçam de empreender o trabalho pela humanidade no momento presente ou mesmo por toda esta vida. Mas, tão logo essas razões desapareçam, poderemos ser admitidos à luz, onde seremos capazes de ver por nós mesmos.

Uma antiga lenda diz que escavações em busca de tesouros devem ser feitas somente na calada da noite e no mais absoluto silêncio; falar uma só palavra antes de os descobrir fará com que desapareçam inevitavelmente. Trata-se de uma parábola mística relativa à busca da iluminação espiritual. Se tagarelarmos ou contarmos a outrem as experiências de nossos momentos de concentração, poderemos perdê-las. Antes de extrairmos delas, pela meditação, pleno conhecimento das leis cósmicas subjacentes, tais experiências podem reduzir-se a nada, uma vez que esta classe de experiências não pode suportar a transmissão oral. A experiência em si, portanto, não conta muito, pois, afinal, não é mais do que uma casca envolvendo e ocultando saboroso fruto. A lei tem valor universal, como vai ficar evidente, porque ela explica os fatos da vida, ensina-nos como tirar vantagem de certas condições e o modo de evitar outras. Em benefício da humanidade, ela pode ser livremente revelada, à vontade de seu descobridor. Então, a experiência que a revelou parecerá, em sua verdadeira luz, apenas uma coisa passageira que dispensa maiores considerações. Por conseguinte, tudo o que aconteça durante o Exercício Esotérico matutino de Concentração deve ser considerado sagrado e guardado no mais absoluto sigilo pelo aspirante.

Finalmente, evitemos considerar os Exercícios Esotéricos Rosacruzes como tarefas desagradáveis. Estimemo-los em seu verdadeiro valor, pois eles são nossos mais altos privilégios. Somente quando assim os considerarmos, poderemos fazer-lhes justiça e colher todo o benefício de sua prática.

*****

Na Fraternidade Rosacruz, os Irmãos Maiores distinguem três classes:

1) Estudantes Preliminares e, depois Estudantes Regulares, aqueles que simplesmente estudam a Filosofia. Pessoas das mais variadas denominações entram em instituições de ensino tais como as Universidades de Harvard ou Yale e ali estudam mitologia, psicologia e Religião comparada sem prejuízo de suas filiações religiosas. Nestas mesmas bases, os candidatos a estudos podem inscrever-se na Fraternidade Rosacruz. Qualquer um pode candidatar-se, se não for hipnotizador ou não esteja profissionalmente comprometido como médium, quiromante ou astrólogo.

2) Probacionistas, que são Estudantes Rosacruzes que aspiram o conhecimento direto a fim de se capacitarem para o serviço. Ao fim de dois anos na condição de Estudante Regular Rosacruz, e caso tenha já se convencido da veracidade dos Ensinamentos Rosacruzes e esteja decidido a cortar toda ligação que eventualmente ainda tenha com qualquer outra entidade esotérica ou ordem religiosa — exceto as igrejas e irmandades Cristãs — o Aspirante à vida superior pode assumir o Compromisso que o fará ser admitido no grau de Probacionista. A estes, a Sede Mundial fornece um formulário mediante o qual o Aspirante à vida superior promete a si mesmo praticar fielmente os dois Exercícios Esotéricos Rosacruzes (noturno de Retrospecção e matutino de Concentração), e registrá-los todos os dias em outro formulário especial que deve ser devolvido mensalmente à Sede. As provas duram no mínimo cinco anos e seu propósito é testar a dedicação e a persistência do Aspirante à vida superior, dando-lhe a oportunidade de purificar-se a si próprio antes de passar aos métodos de treinamento mais diretos pertinentes ao Discipulado. Esse registro diário destina-se também a ajudar o Aspirante à vida superior a fazer os Exercícios Esotéricos Rosacruzes. É próprio da natureza humana tentar fazer o melhor sempre que tenha de mostrá-lo, portanto, sabendo-se observado, o Aspirante à vida superior procura esmerar-se nesses Exercícios Esotéricos Rosacruzes.

Longe estamos de insinuar que as demais escolas de ocultismo não devam ser consideradas. Muitos são os caminhos que levam a Roma, mas lá chegaremos com menos esforço se seguirmos por um só deles ao invés de ziguezaguear de um a outro.

Em primeiro lugar, nosso tempo e energia são limitados e são reduzidos ainda mais pelos deveres sociais e familiares, que não devem ser negligenciados em favor do autodesenvolvimento. Portanto, só com o propósito de economizarmos essa limitada energia — a qual podemos usar de modo mais legítimo — e evitar o desperdício do reduzido tempo à nossa disposição, é que os Irmãos Maiores insistem para renunciarmos a todas as outras ordens.

O mundo é um agregado de oportunidades, mas para aproveitá-las é necessário possuirmos eficiência em certa linha de esforços. O desenvolvimento dos poderes espirituais pode nos capacitar a ajudar ou prejudicar aos nossos irmãos mais fracos. E esses poderes só se justificam quando o objetivo é Servir à Humanidade.

O método de realização Rosacruz difere dos outros sistemas por um pormenor especial: procura desde o princípio emancipar o Discípulo de toda dependência dos outros, tornando-o autoconfiante no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e enfrentar todas as condições. Somente aquele que for tão bem equilibrado pode ajudar ao débil.

Quando certo número de pessoas se reúne em classe ou círculo objetivando o autodesenvolvimento, mas por meio de métodos negativos, geralmente os resultados são conseguidos em pouco tempo, seguindo o princípio de que é mais fácil deixar-se levar pela corrente, do que lutar contra ela. O médium, contudo, não é senhor dos seus atos, mas escravo do espírito que o domina. Por isso tais reuniões devem ser evitadas pelos Probacionistas.

Mesmo as reuniões em que se mantenha uma atitude mental positiva não são aconselhadas pelos Irmãos Maiores, porque os poderes latentes de todos os membros são amalgamados. Então as visões dos Mundos internos obtidas por quaisquer deles apenas resultam parcialmente da influência das faculdades dos demais. O calor de um carvão no centro de uma fogueira fica aumentado pelo dos carvões que o rodeiam. O Clarividente originado num círculo, mesmo que esse seja positivo, é como uma planta na estufa – demasiado dependente para que se lhe possa confiar os cuidados dos demais.

Portanto, todo Probacionista da Fraternidade Rosacruz efetua seus exercícios sozinho, no isolamento do seu lar. Seguindo esse método, obtêm-se resultados mais lentamente. Porém, quando tais resultados aparecerem, manifestar-se-ão como poderes cultivados por ele mesmo, e poderão ser empregados independentemente dos demais. Além disso, os métodos Rosacruzes constroem o caráter, ao mesmo tempo em que desenvolvem as faculdades espirituais, resguardando assim o Discípulo da tentação de perverter seus poderes divinos em busca de prestígio mundano.

Do que foi dito acima, não se conclua que o candidato deva empregar todo o seu tempo em esforços espirituais. Se não podemos dispor de muito tempo, cinco minutos pela manhã e quinze minutos à noite é quanto basta. De fato, dedicar ao desenvolvimento de faculdades espirituais um tempo que precisaria ser legitimamente usado em responsabilidades materiais é decididamente um erro. Antes de nos entregarmos ao serviço nos mundos espirituais, precisamos cumprir todos os nossos deveres no mundo material. Não se pode esperar fidelidade no trabalho espiritual de quem é infiel aos seus deveres terrenos.

Após a remessa de sessenta relatórios consecutivos, o candidato pode solicitar instruções individuais, as quais, se possível, lhes serão dadas.

3) Discípulos, composta de pessoas que, havendo completado a fase de Probacionista, são consideradas aptas para receberem instruções individuais dos Irmãos Maiores. O ensino é gratuito.

A Filosofia Rosacruz tem conquistado adeptos por toda parte, os quais se mantêm em estreito contato com o movimento e que trabalham para difundir as profundas verdades concernentes à Vida e ao Ser que os estão ajudando.

[3] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense. Conhecido por ter sido o criador da escola de filosofia “transcendentalista” norte-americana.

[4] N.T. Dt 6:5 e Mc 12:30

[5] N.T.: Mt 22:39

porFraternidade Rosacruz de Campinas

“Vigiar e Orar”: Você Pratica no Seu Dia a Dia?

Vamos refletir sobre o poder de “Orar e Vigiar” e para que isso se aplica no nosso desenvolvimento espiritual.

A Bíblia é, ao mesmo tempo, um livro aberto e fechado, isto é, guarda em cada citação, no mínimo sete gradações de verdade igualmente válidas, segundo o nível de consciência da pessoa que a estuda. Conduz, por assim dizer, o Estudante Rosacruz, de porta em porta, à compreensão cada vez mais profunda do trecho em exame. E esse despertar nos vem de diversos modos, ora como um lampejo iluminador, ora numa percepção de outro ângulo por algo que lemos ou ouvimos. De toda a maneira é sempre um despertar interno, um abrir de consciência que nos leva, dali adiante, a perceber todas as outras coisas um pouco mais profundamente. Mas esse despertar não nos vem da Mente, senão do pensador: a Mente é um veículo nosso, um Ego ou Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, que através dela reflete as nossas conclusões.

Quanto mais nos abrimos como Espíritos Virginais manifestados aqui como Egos humanos que somos, mais fielmente escutamos internamente. Quanto mais abrimos mão de “nossas ideias, de nossos pontos de vista”, tanto mais ouvimos a novidade que vem de dentro de nós, que nos renova a percepção e nos liberta do círculo vicioso dos conceitos pessoais.

Meditemos, por exemplo, sobre a exortação “Orai e Vigiai” (Mt 26:41). O alcance da compreensão de cada um de nós está limitado pelo que se entende por orar e por vigiar. Uns acham que orar é recitar fórmulas pré-estabelecidas e que tais palavras têm um poder mágico, independentemente do nível de consciência de quem pronuncia essas palavras. Outros usam afirmações e negações de verdades fixadas por outrem ou redigidas mentalmente por eles. Outros, ainda, “conversam” honesta e sentidamente com Deus.  E ainda outros nada pensam, nada dizem; simplesmente buscam Deus em seu íntimo, na convicção de que isso basta para preencher o verdadeiro sentido de oração.

São degraus, eles todos respeitáveis. Uns mais eficientes que outros. No entanto, muitos pedem e não recebem, porque não sabem pedir. Não é que Deus faça distinções e exija normas. É que muitos de nós não se endereça a Deus, não sai de si mesmo ao encontro de Deus. Não é que devemos vencer a relutância de Deus. A verdade é que devemos vencer a nossa própria relutância. Relutamos e não saímos de nós mesmos: quando oramos para ser visto pelos outros como um devoto; quando falamos muito e bonito, para satisfazer a nossa própria vaidade intelectual. Mas Deus não vê a embalagem, senão o conteúdo… a intenção.

A nosso ver, a mais alta forma de oração é o contato com o Cristo Interno. E até que o consigamos, é a busca, em nosso íntimo, de nossa centelha divina: fechamos “nosso aposento” e O buscamos, dizendo simplesmente: “Senhor, aqui está o teu servo (a natureza humana); fala que eu escuto; enche meu vaso” (ISm 3:10).

Isto pode ser feito em qualquer lugar. Quando temos de esperar alguma coisa, aproveitemos um minuto e façamo-lo. Porém, na tranquilidade e com tempo é melhor. Então podemos nos relaxar, meditar sobre algo elevado, edificante, e depois, naquela atitude de escuta, de calma expectativa, com a Mente e as emoções esvaziadas, esperamos que Deus se comunique conosco.

Quem já recebeu uma centelha que seja dessa mensagem divina, pode comprovar que a verdadeira direção humana vem de sua Fonte Divina. E passa a buscá-la em todas as oportunidades e circunstâncias, quer como um namorado saudoso que não vê a hora de reencontrar a amada, quer como uma namorada saudosa que não vê a hora de reencontrar o amado, quer como um esposo preocupado que se vai desabafar e aconselhar com a esposa ou um amigo (ou amiga) prudente, quer como uma esposa preocupada que se vai desabafar e aconselhar com o esposo ou um amigo (ou amiga) prudente.

Vigiar é se manter num estado de consciência em que seja possível ser dirigido por Deus. É uma questão de sintonia, como uma “chave de onda” de rádio, que nos liga com a faixa de onda correspondente. É claro, pois, que para Deus conversar conosco devemos ter equilíbrio emocional, emoções e pensamentos construtivos. As águas revoltas, como que despedaçam a imagem do céu; só no espelho tranquilo de um lago podemos ver refletidas as estrelas do firmamento. Assim também Deus se mira e fala em nós. A falta de controle emocional, os pensamentos negativos, as piadas maliciosas e mentiras com as quais condescendemos, no que chamamos “interesses e imposições comerciais”, debilitam e acabam por destruir o que de bom temos em nós.

“Vigiar e orar” é isto. Não pense que pelo simples fato de se ingressar numa Escola esotérica como a Fraternidade Rosacruz, por honesta e eficiente que seja, em estudando, ouvindo, respondendo-lhe às lições dos Cursos de Filosofia, Bíblico e/ou Astrologia de formação, conseguimos grande avanço. Por esse engano é que muitos antigos Estudantes Rosacruzes chegam a desanimar e até desistem de trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. O estímulo e a orientação vêm de fora, por amor de quem nos deseja elevar. Mas o proveito vem de dentro, de nossa assimilação e prática da verdade. Não é a verdade objetiva que nos liberta, mas a compreensão, a vivência da verdade, a apropriação da verdade e sua expressão prática na vida cotidiana.

Podem objetar que isto seja impossível. Não é fácil realmente, mas é possível. Disse o Cristo aos apóstolos, que os lançaria ao encontro das pessoas comuns, como ovelhas no meio de lobos e, por isso, que “fossem mansos como as pombas, porém prudentes como as serpentes” (Mt 10:16).

O valor e o progresso nos advêm desses pequenos méritos diários. Herói não é o que realiza num gesto denodado um ato grandioso; é o que vence as pequenas provas de todos os dias e persiste no bem, até chegar, degrau e degrau, àquele objetivo de todo Estudante Rosacruz a espiritualidade: o encontro consigo mesmo, a entrega de sua vida ao “Eu superior”, a cujos pés deporemos os despojos de nossas batalhas, como o fez Abrahão e Melquisedeque, porque então, o Cristo interior será nosso “Rei e Sumo Sacerdote” (Hb 7:2-4 e 7:10).

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1971-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carregando nossos Fardos: uma Razão Lógica para Persistirmos

Frequentemente somos confrontados internamente com aquilo que se pode parecer que seja mais do que justa a nossa carga de aflições.

Uma vez que nos tornamos conscientes de nossas responsabilidades espirituais, devemos enfrentar e aprender qualquer lição que nos apresente; assim como sublimar os aspectos da nossa natureza inferior que, muitas vezes, sobressai a nossa dianteira; mantendo na liderança com o objetivo de sermos capazes de cumprir com nossas responsabilidades e servir no trabalho mais efetivo na “Vinha do Cristo”.

De um modo geral, aprendemos mais pelas experiências e observações do que por conselhos, uma vez que a natureza inferior é sublimada depois de uma longa batalha. E como aqui, nessa vida terrestre, é o baluarte da evolução é necessário, para nós, vivenciar muitas e variadas aflições antes que o nosso Cristo Interno desperte por completo.

Lembrando que quaisquer que sejam nossos fardos não devemos importar o quão doloroso sejam nossas mazelas físicas, mentais e emocionais, pois, sabemos que nada nos é dado além daquilo que conseguimos carregar. O propósito da vida terrestre é a experiência e não o sofrimento, mas, à medida que passamos pelo “sofrimento” devemos aprender a tirar proveito ou lições desta experiência, porque sempre nos é dado forças internas e externas de alívio pela lição aprendida.

Se diante das dificuldades, lembrarmos que no Terceiro Céu, ao escolhermos o nosso Panorama de Vida antes de renascermos novamente na Terra, estávamos de acordo com o escolhido, certamente, será mais fácil a travessia.

O nosso horóscopo revela as tendências para características como: gênio forte, procrastinação, ciúmes, melancolia ou uma infinidade de coisas similares que retardam o nosso progresso. Estas tendências são originadas de condutas de nossas vidas anteriores, mas, cedo ou tarde deveremos transmutá-las. Então, por que não começar a fazê-lo agora?

Não devemos perder nossa paciência ou sermos deprimidos porque simplesmente temos Aspectos adversos entre Astros ou “configurações astrológicas que não gostamos”. Na realidade, se cedermos a estas adversidades e não procurarmos nos corrigirmos agora, nossa situação será ainda pior nas vidas subsequentes: “Lição não Aprendida, Ensino não Suspenso”. Lembrando que os Aspectos adversos de hoje podem se tornar: Conjunções benéficas, Sextis ou Trígonos na vida seguinte. E como Aspirantes à vida superior é nosso dever transmutar nossos atributos adversos em benéficos. Temos todo o conhecimento que precisamos, se formos fiéis e ativos Estudantes Rosacruzes.

Portanto, quanto mais nos esforçamos para vencer estas tendências, mais rápido deixaremos de ser dominados pelo temor que nos paralisa em nossas ações. E, assim, nos fortalecemos para resolver toda dificuldade e aprender as lições colocadas diante de nós.

A ajuda espiritual estará sempre disponível para o Estudante Rosacruz sincero, fiel e ativo. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz estão ansiosos por ajudar a quem quiser se livrar de todo empecilho para o progresso espiritual.

A maioria de nós tem feito preces em momentos de desespero, suplicando por ajuda e, muitas vezes, tem recebido; mas não é necessário esperar que estejamos aflitos. Quando vislumbramos uma prova ou uma situação que já estejamos passando é legítimo solicitar ajuda; mas também é de grande importância ter nossas orações de gratidão e devoção ao Pai; assim termine sempre a sua prece ou oração com a máxima Cristã: “Pai seja feita a Sua vontade e não a minha”.

Obviamente, é menos doloroso enfrentarmos nossas provas conscientemente sabendo que podemos contar com ajuda divina, que fazê-lo sem ter a consciência de poder utilizar desta ajuda.

Devemos nos esforçar por passar com coragem pelas aflições e aprender com elas, porém, sempre alertas, já que a tentação estará às espreitas com vários disfarces para que, a menor falha, sejamos suas vítimas. As tentações resistidas representam progresso; as tentações sucumbidas representam novas provas e aflições, e assim será até que tenhamos aprendido a lição e nos purificamos.

A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lc 12:48). Essa passagem, que aprendemos quando nos dedicamos aos Estudos Bíblicos Rosacruzes, está em conformidade com a nossa capacidade de superar obstáculos e aprender as lições, e também nos dá a capacidade de compartilhar nosso conhecimento, nossas bênçãos e o nosso amor com os demais.

Se somos parte integrante de um Deus magnífico, misericordioso e de cuja imagem somos feitos; como poderemos permitir-nos, por um só momento, que sejamos abandonados diante de tantas aflições e que não sejamos dignos de suportar tanto sofrimento?

Quais são nossos pesares diante de um sacrifício anual que o Cristo faz por nós?

Sejamos determinados em empregar o melhor de nossa capacidade para viver nossos obstáculos diários conservando nossos corações cheios de amor e gratidão e nossas Mentes e emoções concentradas no grande exemplo da mais perfeita vida existente na Terra: Cristo-Jesus.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Dez Mandamentos são Indicações Conducentes à Consciência Crística – Primeiro Mandamento

O povo judeu esperava o Messias e não o reconheceram em Cristo; ainda o esperam e nisto mostram sua carência e desamparo.

Os Cristãos populares aceitam que o Cristo veio e cumpriu Seu Plano Salvador num ministério de três anos entre nós. Depois nos deixou como paráclito, como consolador, o Espírito Santo, que nos preparará para a segunda Vinda, “nas nuvens”. Como não entendem o sentido profundo destas afirmações, revelam também sua carência.

A realização Cristã é interna, pessoal, intransferível. Enquanto encararmos a Bíblia (particularmente o Novo Testamento) como algo externo, estaremos protelando nossa realização. S. Paulo foi bem claro: “Deveis inscrever as Leis na tábua de carne de vosso coração” (IICor 3:3). É um convite para que cada ser humano seja uma Lei em si mesmo.

Cristo não veio revogar a Lei e os Profetas, senão complementá-los com a nova Lei do Amor (ou da Graça), que Ele exprimiu no Evangelho Segundo S. Mateus 22:37-40: “Ele respondeu: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. No Evangelho Segundo S. João, 1:17, aprendemos: “Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.”.

S. João Batista veio como precursor, pregar a metanoia (mal traduzida por “arrependimento dos pecados”). Metanoia significa transcender o intelecto, ou melhor ir além da mente concreta e vivenciar a mente abstrata. Por quê? A mente concreta está comprometida, desde que se uniu ao Corpo de Desejos, em meados da Época Atlante, formando uma espécie de “alma animal”, que nos dá a ilusão de vivermos separados e à parte do Espírito. Embora não possamos viver sem Ele, esta ligação com a natureza de desejos nos concentra na persona e desvirtua os intentos do Cristo Interno.

A Mente Abstrata é a fonte da ideia pura do Espírito Humano; e o plano em que funciona o paráclito, o consolador prometido. Devemos aprender a funcionar plenamente nesse plano mental abstrato – o mais elevado de nosso atual campo evolutivo – antes de podermos reencontrar o Cristo Interno – que funciona no Espírito de Vida, além da Mente Abstrata. Lembremos que o Cristo disse: “Não podes seguir-me agora aonde vou, mas me seguirás mais tarde.” (Jo 13:36).

A maioria da Humanidade é incapaz de se abstrair porque não formou a Mente Abstrata. A Filosofia Rosacruz indica aos Estudantes como eficazes meios: a meditação em assuntos elevados, a música pura, a matemática, a astrologia espiritual – no desenvolvimento da Mente Abstrata, impessoal e verdadeira, que nos põe acima dos condicionamentos da Personalidade. Nela podemos compreender e viver a lei espiritual. Dela podemos acompanhar as manhãs da natureza inferior, aprendendo a ser mais alertas, compreensivos, prudentes e não resistentes conosco mesmos, no trabalho de uma inteligente transfiguração. Só então, podemos “inscrever a Lei na tábua de carne de nosso coração”, ou seja, praticá-la espontaneamente, através do serviço amoroso altruísta, que por si constitui a síntese ensinada por Cristo.

Até lá estaremos sob o efeito doloroso da Lei e não podemos nos considerar autênticos Cristãos, pois ainda não vivemos estes princípios. O sofrimento e as limitações do mundo aí estão a testemunhar eloquentemente que ainda não aprendemos a viver em harmonia com as Leis do Universo. Há muita gente que se denomina Cristã. Mas não se trata de uma aceitação superficial. Gandhi aceitava e reverenciava o Cristo dos Evangelhos, mas recusava o Cristo ensinado pelas Igrejas. São bem distintos. Sabemos que mal estamos engatinhando no Cristianismo, cuja expressão mais pura e formosa nos virá na Era de Aquário, a iniciar-se daqui a uns 600 anos. A Fraternidade Rosacruz promulga esse Cristianismo Esotérico as almas atualmente preparadas. Ele nos leva a busca e consciente encontro do Cristo interno, através do “Corpo-Alma” (que S. Paulo chamou “soma psuchicon” numa de suas Epístolas). Este novo veículo de expressão é a chave de entrada na “Nova Época”, a Época Nova Galileia, que nos espera e se forma por um método definido de espiritualização da criatura. Constitui-se dos dois Éteres Superiores[1], quando estes estejam devidamente desenvolvidos e possam desligar-se dos dois Éteres inferiores, para cumprir sua função sensorial nos voos da alma.

Até agora estivemos peregrinando no deserto evolutivo (aridez interna da condição humana comum, carente), armando e desarmando as tendas de nossos corpos (renascimentos) nesta escalada pela imensa “escada de Jacó[2], numa abertura gradual de consciência, como bem exprimiu S. Paulo: “Morro todos os dias; Despojai-vos do velho ser com seus vícios e revesti-vos do novo ser, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem d’Aquele que vos criou; Em Cristo só há virtude o que importa é ser uma nova criatura.” (ICo 15:31; Col 3:10; Gl 6:15).

Cristo não veio, como se supõe, para salvar a Humanidade. Ele purificou nosso Globo conspurcado pelas transgressões humanas, possibilitando-nos material mais elevado, mental, emocional e físico, que assegure a evolução nos renascimentos. Deste modo indireto é que Ele nos ajudou; além do impulso altruístico que Ele comunica aos que Lhe estejam afins nos períodos do Natal à Páscoa. A rigor, a tarefa de Cristificação é individual e interna.

Há uma razão profunda para que a Bíblia enfeixe o Antigo e o Novo Testamento: sem superarmos, conscientemente, a primeira e a segunda Dispensações (Jeovísticas), não podemos atuar dinamicamente nas novas Dispensações, a terceira e a quarta (Cristãs).

Max Heindel descreve os passos da evolução religiosa, através da qual se foi aprimorando nossa concepção de Deus e descortinando-se nosso entendimento da verdade universal.

Primeiramente concebemos um Deus terrível, vingativo, cruel, ciumento, cuja ira aplacava com sacrifícios sangrentos. Só tal Deidade imporia respeito à incipiente Humanidade. Depois nosso conceito de Deus se ampliou um pouco e concebeu-se o “Deus dos Exércitos[3] que impunha derrotas e propiciava vitórias sobre o inimigo; que punia, arrasando rebanhos e plantações e premiava, multiplicando-os. Daí que se Lhe oferecessem sacrifícios no templo, com objetivos egoístas. Era o “Deus de Israel[4]. Mais tarde veio o Deus dos “Cristãos populares” – aqueles que praticam o Cristianismo Popular – que pela primeira vez promete um céu após a morte, aos bons, mas continua ameaçando com castigos na Terra e tormentos no inferno – ou em um lugar chamado purgatório –, os transgressores. Agora já estamos concebendo um Deus que se manifesta por Leis justas, não interferindo diretamente no livre arbítrio humano; o ser humano, por seus atos, é que suscita consequências boas ou más, em virtude da ação das Leis Divinas. Vamos tomando consciência de nossa natureza e da natureza de Deus, agindo por dever, até que possamos fazê-lo espontaneamente, por Amor Crístico. Isso é parte do Cristianismo Esotérico.

Estes passos da evolução religiosa estão descritos simbolicamente na Bíblia e correspondem à história humana até nossos dias:

  1. Perdemos a condição inocente e protetora do Paraíso. Fomos embrutecendo pelo materialismo até que perdemos a consciência interna e sentíamos saudades de Deus, um vácuo indefinível, uma falta daquela antiga ligação com as Hierarquias Divinas. O íntimo nos acusava de faltas. As condições evolutivas eram mui adversas e a consciência mui obscura.
  2. Passamos ao jugo do Faraó do Egito (escravos de nossa Personalidade, que é egoísta e viciosa). Sofríamos as limitações de uma vida material duríssima (quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, transitava pelo Signo Zodiacal de Touro e até a primeira parte pelo Signo Zodiacal de Áries). Só mesmo o caráter e resistência passiva de Touro (boi Ápis) nos possibilitava suportar as vicissitudes dessa época de violência e egoísmo.
  3. Aí fomos libertados por Moisés e passamos a peregrinar no deserto, durante os simbólicos quarenta anos (período indeterminado de tempo, “período de preparação”) rumo a Terra Prometida de “leite e mel[5]. Moisés e o impulso evolutivo que nos leva a algo mais. No deserto, muitas vezes, nos sentíamos inclinados a retornar ao passado, que se nos afigurava mais seguro do que a livre aventura de um porvir incerto fundia com o ouro de nossas possibilidades internas o bezerro de ouro já ultrapassado. Mas o irresistível impulso interno (Moisés) nos renascia, mostrando-nos que a nova Dispensação de Áries (o Cordeiro) nos esperava. E contava como a “vara de Aarão” transformada em serpente (sabedoria de Áries) havia devorado as serpentes dos sábios do Faraó (Dispensação de Touro), revelando, assim, sua superioridade. Com muita dificuldade chegamos à Terra Prometida e, fato expressivo, Moises não pode entrar nela com seu povo, porque atribuiu a si os méritos de seus prodígios e liderança, em vez de atribui-los ao Divino; condescendendo com a Personalidade, foi castigado. É um bom símbolo: a Lei que Moisés havia recebido na Montanha para orientação de seu povo, não pode por si mesmo, levar à realização espiritual. A Lei é preciso ser complementada pelo Amor. Sua missão terminava ali. Assim com nosso desenvolvimento interno a Mente, sozinha, inclina a vaidade, à pretensão, à ambição. Mas unida ao coração, gera a Sabedoria.
  4. Entramos na Terra Prometida e, com o Advento da Dispensação de Peixes chegou o Cristianismo, cujo precursor, S. João Batista (renascimento do mesmo Ego que havia animado Moisés e Elias) veio pregar a metanoia, de modo a alcançarmos a verdade interna (Mente Abstrata) e compreensivamente corrigirmos a intenção causal, para que nossos pensamentos, sentimentos, nossas palavras, ações, obras e nossos atos sejam conforme a Lei. E, quanto aos hábitos, “com paciência ganharemos nossas almas[6], compreendendo os vícios gravados e persistindo no Bem, a pouco e pouco as trevas da noite ir-se-ão dissipando, para que surja a alva. Por enquanto estamos sofrendo as justas e automáticas reações da Lei. Mas, na medida de nossa espiritualização, a Lei se vai convertendo em colaboradora nossa, como bem observou Max Heindel: “antes era o Espírito Santo como Lei corretiva, um Deus terrível e implacável; no futuro o Consolador prometido, que revela as bênçãos dos céus aqueles que vivem em harmonia com o Universo”.

É importante, pois, conhecermos a Lei conducente à Graça. Se a conhecemos bem e a vivemos, ela nos será o Paráclito. Lembremos que o jovem rico (internamente prendado) foi interrogado por Cristo se cumpria a Lei[7]. Ele disse que sim, mas em realidade só a cumpria no aspecto literal, como veremos pelo sentido esotérico do Decálogo. Se a compreendemos e vivemos realmente, estaremos aptos a nos consagrarmos com segurança ao “serviço amoroso e altruísta (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, ao irmão e à irmã do nosso lado”, sem os vícios de seu mau entendimento.

O DECÁLOGO

Eis o Decálogo dado a Moisés na “montanha”:

  1. Não terás outros deuses diante de mim;
  2. Não farás para ti imagem de escultura nem alguma semelhança do que tenho criado. Não te encurvarás a elas nem as servirás;
  3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
  4. Lembra-te do dia do sábado e santifica-o, porque é o dia do Senhor teu Deus;
  5. Honra teu pai e tua mãe para que se prolonguem os dias na terra que o Senhor teu Deus te deu;
  6. Não matarás;
  7. Não adulterarás;
  8. Não furtarás;
  9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo; e
  10. Não cobiçarás coisa alguma de teu próximo: nem a casa, nem a mulher, nem o servo ou a serva, nem o boi ou jumento.

Este decálogo figura no Livro do Êxodo (20:3-17).

(*) quer aprender mais sobre esse assunto? Acesse aqui: Os Dez Mandamentos – Por um Estudante


[1] N.R.: Éteres Luminoso e Refletor

[2] N.R.: Gn 28:10-19

[3] N.R.: Sl 46:7 e 89:8

[4] N.R.: Is 37:16

[5] N.R.: Ex 33:3

[6] N.R.: Lc 21:19

[7] N.R.: “Aí alguém se aproximou dele e disse: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?”. Respondeu: “Por que me perguntas sobre o que é bom? O Bom é um só. Mas se queres entrar para a Vida, guarda os mandamentos”. Ele perguntou-lhe: “Quais?”. Cristo Jesus respondeu: “Estes: Não matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra pai e mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Disse-lhe então o moço: “Tudo isso tenho guardado. Que me falta ainda?”. Jesus lhe respondeu: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me”. O moço, ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens.” (Mt 19:16:22)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Rosas na Cruz

Como estudamos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “os Símbolos Divinos que foram dados a nós, de tempos em tempos, falam àquele fórum da verdade que está dentro de nossos corações, e despertam nossa consciência para ideias divinas inteiramente além das palavras. Portanto, o simbolismo, que desempenhou um papel importantíssimo em nossa evolução passada, ainda é uma necessidade primordial em nosso desenvolvimento espiritual; daí a conveniência de estudá-lo com nossos intelectos e nossos corações.”

Contemplando as rosas na cruz do Símbolo Rosacruz primeiro notamos que elas são da cor vermelho-sangue, cuja cor representa as atividades de Deus na natureza se manifestando como o Espírito Santo. O paralelo humano aponta para o mistério do Sangue Purificado.

O sangue é o veículo através do qual nós, o Ego, mantemos o controle do nosso Corpo Denso, e em particular através do ferro mediado por Marte, tornando possível o calor necessário no sangue. Por meio dos processos de viver retamente, as vibrações do Corpo Denso são harmoniosamente elevadas e o sangue é purificado e transformado no Sangue de Cristo. Este é um dos processos regeneradores do Cristo em nós, o nosso Cristo Interno. Alguns dos frutos desta condição são que o Corpo Denso se torna um instrumento nosso mais sensível e responsivo. Os poderes dele de imunidade são fortalecidos. Se alguém sofrer a picada de uma cobra venenosa, o veneno é neutralizado e eliminado, como afirma a Bíblia.

Quando Cristo-Jesus ressuscitou dos mortos, Ele veio aos Seus apóstolos e os imbuiu com o Poder do Espírito Santo em cumprimento à Sua promessa. Este foi o Batismo de Fogo. Ele só pode ser invocado com segurança, quando estamos estabelecidos nos Princípios de Cristo, os Princípios Crísticos. Nos Mistérios ou Iniciações, este Batismo é a realização do Casamento Místico, ou a união da Personalidade (o “eu inferior”) com a Individualidade (o “Eu superior”). As barreiras na Mente concreta são queimadas e grandes obras seguem.

Assim como as sete Rosas Vermelho-sangue no Símbolo Rosacruz se referem, macrocosmicamente, às sete Hierarquias Criadoras atualmente ativas na evolução humana, no nível microcósmico elas se referem aos sete dons pentecostais que cada Aspirante à semelhança de Cristo alcançará.

A Primeira Rosa é um penhor da bela promessa de Clarividência e Clariaudiência, ou visão clara e audição clara dos Mundos invisíveis. Quando, no progresso espiritual científico no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, os canais dos sentidos forem limpos de obstruções e harmoniosamente sintonizados com vibrações supranormais, essas habilidades serão adquiridas. Eles estão sob o controle da vontade iluminada e são usadas no amor para justamente o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada irmão e em cada irmã no nosso entorno. Esta primeira Flor do Espírito tem sua raiz, folha e seu broto na vida diária simples. A observação é o começo de toda a realização espiritual. Você veria claramente? Então deseje de todo o coração ver “de maneira direta” – sem instrumentos físicos ou por meio de outra pessoa – e compreensivamente. Livre a Mente do preconceito e das opiniões preconcebidas. Absorva a verdade do que você contempla, deixando de lado todas as ilusões do “eu inferior” que distorcem a sua visão. Somente os olhos do amor podem ver a verdade. A audição clara, a Clariaudiência, também depende das qualidades acima e do cultivo de um foco pronto e completo da atenção. Você chegará a entender outras pessoas muito melhor pelo cultivo e persistência em fazer o Exercício Esotérico de Observação, focando a sua atenção em uma atitude gentil e, assim, as revelações seguirão.

A Segunda Rosa é o símbolo da profecia. Este poder do Espírito Santo fornece o discernimento das causas de eventos passados ​​e presentes e confere a inspiração para prever o futuro. É essencialmente um poder intelectual de discernimento aguçado. E isso se obtém com a prática constante do Exercício Esotérico de Discernimento. O Caminho da Preparação e Iniciação Rosacruz exige o cultivo da capacidade de identificar o essencial entre o não essencial na experiência e evolução humanas. Cego para o futuro que estão criando por atividade não iluminada, uma Humanidade sofredora clama por líderes de visão verdadeira. Esta condição escurecida é um resultado da Mente concreta estar em seu estágio de evolução de Saturno ou mineral; ela ainda não despertou na consciência espiritual. Estamos construindo formas de pensamento e desenvolvendo faculdades, mas não dotamos a Mente com a sabedoria do Coração. Devemos aprender a correlacionar adequadamente Causa e Efeito. Sem essa habilidade, não estamos nem preparados para receber e seguir um profeta, porque não desenvolvemos os meios infalíveis para provar sua verdade. Então, tateamos até que, em conformidade com as Leis Divinas, escrevemos nas “tábuas de carne de nossos corações[1]. “Ainda que eu tenha o dom de profecia e não tenha amor, nada sou.”[2] Então, no amor, estudamos causa e efeito e aprendemos a profetizar.

A Terceira Rosa designa o poder de ensinar a Verdade e o conhecimento que a Verdade gera. Aprendemos por meio dos sentidos, das emoções e do pensamento, mas todas essas faculdades estão sujeitas a erros. Todo entendimento verdadeiro se origina no “Eu superior”; ele vem de cima. Embora primeiro tome forma na Mente abstrata, ele deriva sua sabedoria e seu poder do Mundo do Espírito da Vida.

À medida que nos afastamos da vida pessoal e nos esforçamos para viver a vida espiritual, gradualmente, estabelecemos linhas de força ou canais de comunicação entre a Mente concreta e a Mente abstrata. Finalmente, com a ajuda do Espírito Santo, o Casamento Místico é consumado. A partir desse momento, a Verdade é discernida em medida cada vez maior. Não precisamos mais confiar inteiramente nos registros dos outros. Lemos no livro Memória da Natureza, que é o pergaminho de Deus. O julgamento justo é alcançado, e podemos então distinguir, infalivelmente, entre profetas verdadeiros e falsos. Ensinar no conhecimento da Verdade nos ajuda a ser todas as coisas para todos os seres humanos e fornecer a eles o que é realmente necessário, de acordo com suas necessidades. É então que nos tornamos canais verdadeiros e autoconscientes para os Irmãos Maiores em seu trabalho pela Humanidade. Então “nascerá o Sol da Justiça, com cura em Suas asas” (Mal 4:2).

A Quarta Rosa convida à meditação sobre a natureza do Poder de Cura, os métodos de adquiri-lo e os frutos de sua operação. Da Divindade em nós emanam três fluxos especializados de energia radiante: Força de Vontade, Sabedoria e Atividade, correlacionados aos raios azul, amarelo e vermelho, respectivamente. O Poder de Cura é essencialmente do raio dourado, tendo sua fonte no Espírito da Vida, operando através da Alma Intelectual sobre a Mente. A natureza desta vibração é harmonizadora e vitalizante. Deus é Amor, Sabedoria e Luz; portanto, todo o sofrimento e toda a discórdia na experiência humana são o resultado de expressar nossas energias fora de harmonia com as Leis Divinas, que é sempre imutável. Durante a metade marciana do presente Período Terrestre ou, mais especificamente, até a metade da quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre, a tônica principal da atividade humana foi caracterizada pela diferenciação, repulsão e força centrífuga. Durante a metade mercuriana (da metade da quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre em diante), estamos lentamente aprendendo a verdadeira relatividade e as Leis da Natureza. O Discípulo da Cura deve seguir as sequências indicadas na analogia divina. Ele deve endireitar os caminhos do Senhor[3] em si mesmo. Paz, purificação, compreensão e amor devem se tornar seu estado de ser. Entre os frutos da Cura Espiritual Rosacruz, a recuperação de doenças físicas é o último fator a ser considerado, pois é o efeito da saúde, força e regeneração primeiramente transmitido aos veículos superiores. Devemos lidar com as causas da discórdia. Todos os métodos de cura que não consideram esse processo de regeneração como primordial apenas frustram a Natureza em suas medidas corretivas, que estão lenta, mas seguramente nos levando à conformidade com as Leis Divinas.

A Quinta Rosa simboliza o poder de expulsar demônios. “Fará coisas ainda maiores do que estas[4]. Este poder da Mente Divina, a Mente Crística, inclui a capacidade de nos libertar de todas as formas de obsessão em inimizade com Deus e o ser humano. Residências para os psiquicamente perturbados estão lotadas de infelizes que são vítimas de vários tipos de obsessão, desde a de um pensamento ou emoção até a de entidades desencarnadas. Vamos esperar libertá-los pela promessa fiel de nosso Salvador. Aprendemos a natureza dos demônios por uma longa lista de qualidades descritas em qualquer enciclopédia bíblica. Violência, luxúria, engano, sutileza, orgulho, mentira, crueldade e medo são algumas das enumeradas. Aqui temos um esboço claro da obra que cada Discípulo de Cristo deve primeiro realizar dentro de si mesmo. Como podemos esperar expulsar demônios dos outros sem primeiro expulsá-los de nós mesmos! Vamos “vigiar e orar, para que não entremos em tentação[5].

A Sexta Rosa relembra à nossa aspiração o poder glorioso da Palavra manifestado por nosso Senhor quando Ele acalmou a tempestade no mar da Galileia[6] e liberou a vida da figueira estéril[7]. Existem grandes Inteligências que comandam as atividades dos Elementais do Fogo, Ar, da Água e Terra. A Mente Crística pode comungar com esses seres espirituais e modificar as atividades de seus encargos. O cultivo do poder da Palavra tem seu humilde começo na condução de nossas atividades diárias. Quando consagramos o privilégio sagrado da fala à verdade e ao amor, um poder gradualmente impregna a palavra, e nossos ouvintes sentem algo dentro de si concedendo consentimento. Confiança e compreensão brilham de alma para alma: “Que as palavras da minha boca e as meditações do meu coração sejam agradáveis a Tua presença, ó Senhor, minha força e meu Redentor.

A Sétima Rosa é emblemática do poder glorioso de ressuscitar os mortos. Como todos os outros dons espirituais, ela tem muitas aplicações. De uma forma geral, significa a sobrevivência do verdadeiro Eu após a morte da Personalidade ou do “eu inferior”. Elias ressuscitou o filho da viúva como uma testemunha do poder de Deus. Cristo Jesus ressuscitou Lázaro como uma testemunha do poder de Deus, naqueles a quem Ele envia como mensageiros para uma Humanidade espiritualmente adormecida.

A ressurreição de Lázaro é o símbolo da Iniciação espiritual. Quando o tempo de preparação é cumprido, a alma na consciência desperta se separa do Corpo Denso e entra nos Mundos invisíveis onde o propósito divino é revelado e os registros das fases passadas da evolução humana são mostrados na Memória da Natureza.

Sabedoria e maestria das forças da Alma e do Espírito dotam o Iniciado com poder glorioso para guiar e auxiliar a Humanidade. O medo da morte é conquistado e a morte física é reconhecida como um evento misericordioso na Vida Eterna.

Mas podemos ressuscitar os mortos no poder da revelação que nos chegou nos ensinamentos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Por nossa compreensão e pelas experiências que nos chegaram como Probacionistas e Discípulos, estamos equipados com conhecimento que pode convencer as pessoas que acreditam ser apenas entidades físicas condenadas à extinção na morte, que são essencialmente divinas e eternas em ser. Então nós os ressuscitamos dos mortos. “Ó Morte, onde está teu aguilhão, ó Sepultura, onde está tua vitória[8], quando conhecemos o propósito da vida e nosso parentesco com nosso Criador?

A Rosa Branca que a Fraternidade Rosacruz utiliza: no Ritual do Serviço Devocional do Templo, no Ritual do Serviço Devocional de Cura e outros Rituais do Serviço Devocional é o início e o fim dos seus Símbolos de aspiração espiritual. No Caminho da Preparação e Iniciação Rosacruz, simboliza a paz e purificação, duas condições que devem ser estabelecidas como estados de ser antes que as obras superiores sejam alcançadas. Na analogia sublime, a Rosa Branca indica a transmutação de todos os poderes na Luz Branca de Deus. Na luta diária para conformar nossas vidas ao Plano Divino, estamos construindo o Corpo-Alma, o corpo celestial de luz, no qual funcionamos como Auxiliares Invisíveis.

“São as pequenas sementes de pensamentos gentis que são espalhadas aqui e ali, Que produzem uma colheita abundante, para que todo o mundo possa compartilhar.”

(Publicado na Revista Rays from The Rose Cross de novembro-dezembro/1997 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Começaremos de novo a nos recomendar? Ou será que, como alguns, precisamos de cartas de recomendação para vós ou da vossa parte? Nossa carta sois vós, carta escrita em nossos corações, reconhecida e lida por todos os homens. Evidentemente, sois uma carta de Cristo, entregue ao nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações!”. Tal é a certeza que temos, graças a Cristo, diante de Deus. (IICor 3:1-5)

[2] N.T.: ICor 13:2

[3] N.T.: Is 40:3-4 e Is 45:2-3, e em Pb 3:6-10

[4] N.T. Jo 14:12

[5] N.T.: Mt 26:41

[6] N.T.: Depois disso, entrou no barco e os seus discípulos o seguiram. E, nisso, houve no mar uma grande agitação, de modo que o barco era varrido pelas ondas. Ele, entretanto, dormia. Os discípulos então chegaram-se a ele e o despertaram, dizendo: “Senhor, salva nos, estamos perecendo!”. Disse-lhes ele: “Por que tendes medo, homens fracos na fé?”. Depois, pondo-se de pé, conjurou severamente os ventos e o mar. E houve uma grande bonança. Os homens ficaram espantados e diziam: “Quem é este a quem até os ventos e o mar obedecem?”. (Mt 8:23-27)

[7] N.T.: Contou ainda essa parábola: “Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Veio a ela procurar frutos, mas não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho buscar frutos nesta figueira e não encontro. Corta-a; por que há de tornar a terra infrutífera?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda este ano para que eu cave ao redor e coloque adubo. Depois, talvez, dê frutos… Caso contrário, tu a cortarás’”. (Lc 13:6-9)

[8] N.T. ICor 15:55

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ser a Luz do Mundo

Somente quando o conhecimento espiritual se converte em parte integrante da nossa vida é que nos tornamos “senhor” do nosso próprio Templo: o Corpo Denso. Quando a Consciência Crística desabrochar e dirigir esse veículo, poderemos sentir e compreender realmente o verdadeiro espírito do Natal, que passou e que se estende como tal até a Epifania do Senhor. Contudo, há um pré-requisito, uma condição prévia e irrevogável para que esse processo de conscientização Crística ocorra. Trata-se da erradicação do egoísmo — esse terrível flagelo. Devemos cultivar primeiramente o sentimento de amor e da pureza para que possamos trilhar, com segurança, o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

As presentes condições em que vivemos são filhas do egoísmo e perturbam sobremaneira o já frágil equilíbrio daqueles inclinados ao materialismo. Mesmo entre os Estudantes Rosacruzes, apesar de possuirmos conhecimento sobre as verdades profundas da vida, há quem, entre nós, emita pensamentos críticos e destrutivos. Obtivemos conhecimento, mas muitos de nós ainda não permitiram à Luz do Cristo Interno iluminar e dirigir as vidas deles.

Uma mudança efetiva e consciente no nosso íntimo deve abrir novas perspectivas de crescimento. É importante que essa mudança ocorra porque a Consciência Crística nasce do mais puro amor. Nenhuma condição inferior pode ser transmutada mediante o criticismo, essa antítese da Luz. Para a irradiação da Luz de Deus, necessitamos de pensar e trabalhar construtivamente. A Sabedoria Divina se manifesta unicamente se nos convertemos num adequado receptáculo dessa Luz, por meio de uma vida reta.

Cristo afirmou: “Vós sois a Luz do mundo” (Mt 5:14). Cabe a nós aproveitarmos a vibração espiritual mais exuberante nessa época Santa do ano para meditar sobre o privilégio de “ser a luz do mundo”. É um privilégio e responsabilidade daqueles que optaram por entrar pela “porta estreita”.

Possamos dedicar nossos esforços em irradiar essa Luz, deixando-a resplandecer em forma de simpatia e amor, para que o Cristo, assim, encontre morada em nossos corações. Todos nós seremos beneficiados com isso e o dia de “paz e boa vontade entre os homens” (Lc 2:14) se encontrará mais próximo do que nunca. Uma vez isso aconteça, jamais retornaremos às limitadas condições do passado. Terá assim o Cristo Interno estabelecido uma perfeita união com o Cristo Cósmico. Estaremos preparados, então, para nos oferecermos amorosamente a serviço da Fraternidade Universal. Que todos possam participar dessa Grande Obra, inspirados na lição que o Natal oferece a cada ano que passa!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1986-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Três Reis Magos

Por que este número três?

Seria por causa de S. Mateus que só menciona três presentes: ouro, incenso e mirra – atribuindo-se, assim, simplesmente um presente para cada Rei?

O texto evangélico não diz mais, além do que os “Magos vieram do Oriente à Jerusalém” (Mt 2:1) onde perguntaram a todos pelo recém-nascido – “Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Com efeito, vimos a sua estrela no seu surgir e viemos homenageá-lo” (Mt 2:2).

Segundo S. Mateus, os Magos encontraram o Menino Jesus e Maria em “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes” (Mt 2:1). Quem seriam esses Magos? Max Heindel dá-nos uma resposta rica em detalhes de conhecimento oculto: “Nos tempos antigos antes da vinda de Cristo, somente uns poucos escolhidos podiam seguir o caminho da Iniciação” (do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz). Era um privilégio ao alcance de uma minoria, tais como os Levitas, Druidas, Trotes. Estes eram levados aos Templos, onde lá permaneciam. Casavam-se em condições determinadas. Alguns se preparavam para fins definidos, como por exemplo, desenvolver um apropriado afrouxamento entre os Corpos Vital e Corpo Denso, cuja separação é necessária para a Iniciação. Tem de haver esta separação para que se possam desprender os dois Éteres Superiores e deixar os outros dois Éteres Inferiores. Isso não se podia fazer com a Humanidade comum daquele momento evolutivo. A maioria das pessoas estava, ainda, muito aferrada ao Corpo de Desejos, e por isso, devia aguardar até mais tarde, quando as condições evolutivas dessa maioria fossem melhores.

Até àqueles que se encontravam reunidos nos Templos era perigoso o trabalho de libertá-los fora de certas épocas; e a mais longa noite do ano, a noite de Natal, era uma das mais apropriadas para a Iniciação.

Quando o maior impulso espiritual estava presente, havia melhor oportunidade para estabelecer contato com Ele, do que em qualquer outra parte do ano. Na Noite Santa do Natal era costume dos Seres Sábios – os Magos – que estavam, evolutivamente, acima da Humanidade comum, levar ao Templo aqueles que se estavam tornando sábios e, portanto, com direito a serem Iniciados. Realizavam-se determinadas cerimônias e os candidatos eram mergulhados numa espécie de transe. Naquele tempo não se lhes podia conceder a Iniciação em estado de completa vigília, como hoje. Quando despertada a sua percepção espiritual, podiam ver através da Terra que para a sua visão espiritual tornava-se transparente, por assim dizer, e viam a Estrela da Meia-Noite, o Sol espiritual do outro lado do globo terrestre.

Porém, essa estrela não brilhava somente nessa época. É mais fácil vê-la agora, porque Cristo alterou as vibrações da Terra e desde então o seu aperfeiçoamento se efetiva. Ele rasgou o véu do templo, e fez o Santo dos Santos – o lugar da Iniciação – accessível a todo aquele que, de coração devoto, queira alcançar a Iniciação. Desde então não mais foi necessário o transe ou estados subjetivos. Há uma chamada consciente dentro do Templo para todo aquele que deseja entrar.

Temos de considerar outra coisa: as oferendas dos Magos, postas aos pés do Salvador recém-nascido. Segundo a lenda um trouxe ouro, outro mirra e o terceiro incenso.

Sempre temos ouvido falar do ouro, como símbolo do Espírito. O Espírito é simbolizado deste modo no Anel dos Nibelungos[1]. Na primeira cena vemos o ouro do Reno. O rio é tomado como emblema da água e ali se vê o ouro brilhando sobre a rocha, simbolizando o Espírito Universal em perfeita pureza. Mais tarde roubam-no e o convertem em anel. Isto o fez Alberico, simbolizando a Humanidade na parte média da Atlântida em cuja época o Espírito penetrou nos veículos humanos. Depois o ouro foi adulterado, perdeu-se e foi à causa de toda a tristeza sobre a Terra. Os Alquimistas dizem ser possível transmutar os metais baixos ou vis em ouro puro; este é o modo espiritual de dizer que eles queriam purificar o Corpo Denso, refiná-lo e extrair dele a essência espiritual, pela sublimação dos instintos, e não pela sua supressão ou pelo recalcamento.

Portanto, o presente de um dos reis Magos, o ouro, simboliza o Espírito puro.

A Mirra é extraída duma planta aromática, cultivada na Arábia. Por esse motivo simboliza aquilo que extraímos de nós mesmos quando nos purificamos, libertando o nosso sangue da paixão que nos consome. Deste modo, nos convertemos em algo semelhante às plantas, na nossa castidade e pureza. Então, o nosso Corpo Denso se torna uma essência aromática. É certo que existem homens e mulheres tão santos que emitem de si um aroma agradável, e daí dizer-se que morreram em odor de santidade. A mirra representa a essência da alma, extraída da experiência realizada enquanto se vive em Corpos Densos. Por isso ela simboliza a Alma.

O incenso é uma substância física de um caráter muito sutil e usada muito amiúde, nos serviços religiosos, onde serve de veículo físico para as forças invisíveis, simbolizando assim o Corpo Denso.

Esta é a chave dos três presentes oferecidos pelos Magos, ou seja: o Espírito, a Alma e o Corpo.

Cristo afirmou: ” Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens” (Mt 19:21). Não deve ficar com coisa alguma. Tem que dar o Corpo, a Alma e o Espírito, tudo, pela Vida Superior para Cristo, não para um Cristo exterior, mas para o Cristo Interno, o Cristo que está dentro de cada um de nós. Os três Magos, segundo diz a lenda, eram: um amarelo, outro negro e outro branco. Representavam as três Raças existentes sobre a Terra: a Mongólia – amarela; da África – a negra; e do Cáucaso – a branca. A lenda demonstra que seu tempo todas as Raças se unirão na benéfica Religião do Cristo, porque “diante d’Ele todo o joelho se dobra” (Rm 14:11). E cada um, a seu tempo, será guiado pela Estrela de Belém.

(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – dezembro/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: O Anel de Nibelungo é, na mitologia nórdica, um anel mágico que daria ao seu portador um grande poder. Na Fraternidade Rosacruz, essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.

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