A Filosofia Rosacruz é o Cristianismo Esotérico. Na literatura rosacruciana é fácil notar a preocupação em ressaltar a Fraternidade Rosacruz como a escola preparatória aos Mistérios (ou Iniciações) ocidentais, uma Escola preparatória para a Ordem Rosacruz. Isso não contradiz o sentido de universalização para que tende o Cristianismo Esotérico.
Tal como o Sol aparenta caminhar de leste a oeste, a luz da espiritualidade percorre o mesmo caminho, ao longo da evolução humana. Confúcio na China, Buda na Índia, Pitágoras na Grécia constituíram marcos da trajetória brilhante do Sol da espiritualidade, dirigindo a evolução cada vez mais para oeste.
Há dois mil anos surgiu o Cristo, trazendo um novo ideal, abrindo amplas perspectivas de progresso anímico para a Humanidade. Sua influência, contudo, ainda predomina apenas no Ocidente. Mas, tempo virá em que os demais seres se universalizarão, libertando-se dos restritivos laços da tradição, dos costumes arraigados desde milênios, engendrados pelos Espíritos de Raça por meio das Religiões de Raça. Haverá, então, um consenso quanto à aceitação do Cristianismo, mormente do Cristianismo Esotérico.
No momento, todavia, por circunstâncias evolutivas, isso não ocorre. No Ocidente encontram-se renascidos os seres mais evoluídos da Terra, em sentido geral. Em outras existências já viveram no Oriente. Agora, renascem nessa parte do globo, a fim de receber ensinamentos correspondentes aos seus presentes estágios evolutivos.
Pode parecer, aos menos avisados, que o Oriente, em questão espiritual, esteja na vanguarda da evolução. Aliás, os orientais, valendo-se de uma imensa variedade de obras à venda por aí, deixam transparecer semelhante ideia. Puro engano. A maior parte dos Egos que ocupam os corpos orientais encontra-se na curva descendente desse Esquema de Evolução (cuja denominação rosacruciana para essa parte do Esquema de Evolução é chamada de Involução), prestes a atingir o nadir da materialidade, pelo que já passaram os ocidentais.
Os povos do Oriente não têm a mesma sensibilidade dos seres que vivem do outro lado do globo. Suas pretensas faculdades espirituais são, muitas vezes, um psiquismo negativo.
Os Ocidentais, subindo o arco evolutivo ascendente desse Esquema de Evolução (cuja denominação rosacruciana para essa parte do Esquema de Evolução é chamada de Evolução), estão alcançando condições cada vez mais espirituais: Corpos Densos mais refinados e Mentes mais dinâmicas.
E, como não poderia deixar de ser, os métodos de desenvolvimento, para um e outro povo, apresentam radicais diferenças, se bem tenham em comum alguns princípios doutrinários, como a Teoria do Renascimento, Lei de Consequência, etc.
No método oriental, o neófito submete-se ao arbítrio do guru, mestre, instrutor, condicionando seu desenvolvimento à total aceitação do que lhe é ensinado. Trocando em miúdos: o neófito deve obedecer sem vacilar às determinações de seu “mestre”, transferindo-lhe toda a responsabilidade. Deve praticar certos exercícios e adotar determinadas posturas físicas para lograr domínio sobre seu corpo. Alguns desses exercícios – respiratórios, por sinal – são completamente inadequados à constituição do ser humano ocidental, podendo levá-lo, se praticados, a mais lamentável ruína física e mental.
O método indicado para o neófito do Ocidente respeita-lhe o acervo individual de experiências passadas que lhe formaram a natureza, a índole etc. Procura, desde o início, libertá-lo de toda influência externa (seja de outras pessoas, seja por meio de instrumentos físicos como: pêndulo, bola de cristal, tarô, cartas de baralho, runas, búzios e outros afins que estão sempre sendo apresentados com “nomes modernizados”), tornando-o confiante em si mesmo no mais alto grau. Propicia-lhe os meios de realização, deixando seu desenvolvimento na dependência exclusiva de sua iniciativa, dos seus esforços e da sua perseverança.
Reconhecemos e respeitamos o valor do método oriental, porém, com uma ressalva importante: serve apenas e tão somente aos neófitos do Oriente, aos irmãos e irmãs que renascem naquela parte do globo terrestre.
É importante que saibamos distinguir, para nossa orientação e dos demais, os dois métodos de desenvolvimento. Como afirmou Max Heindel: “Buda pode ter sido a luz da Ásia, mas Cristo é a luz do mundo. Assim como a luz do Sol ofusca o brilho das mais radiantes estrelas, tempo chegará em que o verdadeiro Cristianismo, o Cristianismo Esotérico, ofuscará e anulará todas as demais Religiões, para inteiro benefício da Humanidade”.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1976-Fraternidade Rosacruz-SP)
(*) Advertência:
A descrição aqui apresentada é mais exata conforme a cúspide da 1ª Casa esteja mais próxima do ou no segundo decanato do Signo (10º grau até 20º grau);
Quando os 3 últimos graus de um Signo estão ascendendo, ou quando os 3 primeiros graus ascendem no momento do nascimento, diz-se que a pessoa nasceu “na cúspide” entre dois Signos, e, então, a natureza básica dos Signos envolvidos são mescladas no corpo dela.
Astros nas Casas:
Em tais casos o Estudante deve usar seu conhecimento do caráter dos Astros em conjunto com a descrição do Signo.
(Veja mais no Livro: Mensagem das Estrelas – O Signo Ascendente – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Todo ser vivo é uma demonstração da força mágica da vida. Quando o ser humano adquirir a compreensão da verdade e o conhecimento de como controlar esta força da vida e quando aprender a trabalhar conscientemente em harmonia com ela, ele se tornará um verdadeiro criador e controlará o processo da vida em seu próprio corpo.
O ensinamento esotérico anseia por sabedoria profunda e, à medida que o ser humano evolui ele se torna cada vez mais ciente de que conhecimento é força. A apresentação pública de trabalhos profundos, intelectuais e filosóficos de um tipo capaz de treinar um intelecto já bastante desenvolvido não precisa, necessariamente, trazer maldade ou injúrias a ninguém. A filosofia que pode ganhar a fidelidade de uma Mente elevada, precisa, também, combinar princípios de utilidade cósmica com a força racional do intelecto.
Uma filosofia, não importa o quanto possa ser intelectual, que seja dedicada ao Espírito de Serviço, pode ser pregada sem hesitação, pois não atrai o egoísta ou o ignorante que a repelirá como sendo monótona, árida e desinteressante. Estudo e trabalho deste tipo tornarão o ser humano livre e abrirão uma avenida de expressão (Câncer) para a força universal da vida (Áries), a força da criação (Touro) e para a vontade (Gêmeos) de Deus, o Ser Supremo.
O Controle das Energias Naturais
O treinamento esotérico traz o controle sobre as energias naturais. O conhecimento adquirido no Caminho da Iniciação cresce e, gradualmente, se dispersa até que a limitação e a cristalização autocriada sejam reconhecidas e transformadas em realização pelo Ego aspirante. O homem ou a mulher que possuam esta compreensão de vida podem dirigir as forças naturais para fins valiosos. Tais conhecimentos são úteis para o intelecto altamente desenvolvido e aumentam muito a força de servir a raça.
Se tais conhecimentos forem colocados nas mãos de gigantes intelectuais egoístas, eles se tornarão uma ameaça para a sociedade. Na Atlântida, o conhecimento da verdade esotérica foi dado a todos aqueles intelectualmente qualificados. Com o intelecto desenvolvido além da capacidade da alma, o resultado foi que os seres humanos se tornaram gigantes em conhecimento, mas também no mal. Seguiu-se a destruição de Atlântida. Enquanto a civilização de Atlântida alcançava um novo ápice no desenvolvimento das faculdades latentes, a negação obstinada dos princípios cósmicos levava à desintegração de um continente inteiro. É interessante notar que os selvagens de hoje não são nossos tipos ancestrais; são descendentes degenerados de grandes civilizações do passado (tanto da Lemúria quanto da Atlântida).
Assim, qualquer pessoa que divulgue o conhecimento ocultista precisa discriminar cuidadosamente e, se necessário, negar certas instruções àqueles que, moral e espiritualmente, ainda não estão prontos para recebê-las. Palavras revestidas pela língua do Espírito e alusões dadas para desenvolvimentos futuros permanecerão, para sempre, como uma porta escura àqueles que transformam o conhecimento em força para satisfação própria.
O ocultista, simbolicamente, é encontrado nos Signos masculinos, especialmente no primeiro dos Signos do fogo, Áries, a grande Hierarquia Criadora que se manifesta como a Força Vital do Universo. Dentro do Coração do ser humano e do centro da luz do universo existe uma força ainda mais potente que une o Coração e a Mente na elevada e iluminada força de Leão. Essa Hierarquia Criadora deu ao ser humano o impulso embrionário da forma física, o Corpo Denso.
O verdadeiro ocultista é aquele que dominou intelectualmente as teorias fundamentais da constituição do ser humano e do universo e desenvolveu, dentro dele, as forças de vida latente em todos. Uma vez que essas forças estejam universalmente reconhecidas, as bases da vida se alargam para além da concepção e os princípios físicos gerais da vida cotidiana se tornam ínfimos na imensidão do todo.
Todo aspecto da criação considerado em relação a essas Forças Criadoras, as Hierarquias Zodiacais, pode ser desenvolvido por qualquer pessoa que treine e discipline as faculdades do Espírito. A força da alma é continuamente gerada na vida de Deus e do ser humano e quando o fogo da vida (Áries) se combina com sua parceira feminina (Touro), o ser humano aprende a andar ereto, dedicado a seu posto superior, como um criador autoconsciente.
Não é o ser humano “Deus em formação”? É verdade quando se diz: “O que deve ser, será”, e a utilização da força do princípio vital na vida – Leão, a força vital do Universo – caracterizará o fluxo cada vez maior da força criadora do Espírito desperto.
Leão é o princípio criador na manifestação. Essa Hierarquia Criadora pode ser comparada a um grande Coração palpitante que se movimenta como um canal ardente de amor e criação. Em todas as ações Leão apresenta uma força e um poder semelhantes à dignidade e à capacidade de um rei. Leão é o governante de tudo, pois domina os mais exaltados, uma vez que esses se curvam diante de seu trono.
O Espírito imortal do ser humano desce sobre a matéria e passa da fonte de sua identidade, completamente consciente de Deus, às esferas sucessivas de densidade cada vez maior. A entrada para o ciclo do renascimento é feita por meio do seio de Câncer, a Mãe Cósmica, onde a semente da vida é alimentada e semeada para ser levada, mais tarde, em manifestações através da ajuda dos Senhores da Chama – a Hierarquia Criadora de Leão.
O reino de Leão é o mundo – não o mundo confinado à compreensão física limitada do ser humano, mas o mundo da vida, dentro e ao redor de nosso completo Esquema de Evolução. Leão dá sua maior dádiva para o ser humano usar e abusar: a dádiva da criação pelo Coração. Porém, poucos reconhecem a força, em potencial, contida no Coração de cada pessoa. Daí poucos a usarem e poucos a conhecerem. Contudo, dentro do Coração do ser humano está a chama imortal da vida espiritual que foi dada, pela primeira vez, à Humanidade há muitas eras, quando a Hierarquia Criadora de Leão deu ao ser humano o Átomo-semente do Corpo Denso.
Em sucessivos Períodos de evolução o ser humano desenvolveu esse pequeno Átomo-semente em um veículo que está mais perto da perfeição do que todos os outros, do qual deveríamos, agora, fazer pleno uso. O Corpo Denso humano é o mais evoluído de todos os nossos veículos e contém os meios mais completos de individualização.
Como todo Ego se prepara para o renascimento através de Câncer, ele é primeiramente batizado com a força total de sua ação passada (ou destino), quando é reunida ao Átomo-semente permanente, seguro e preservado por Leão. É possível demonstrar o processo no qual esse pequeno Átomo-semente, um registro permanente de todo pensamento e toda ação na vida, é protegido dentro da estrutura interna do Coração humano.
Aqueles que podem usar essa grande força criadora podem dar vida e inspiração às Mentes insensíveis e áridas. Leão dá o poder para governar e a força para a vida. Leão é a chama vital que condensa a essência da alma, as experiências purificadas do ser humano, em ouro espiritual, no caminho da vida.
Leão rege o Coração no ser humano e no universo. O Coração de Leão pulsa para toda a natureza, pois ele está em todos e todos estão nele. Leão queimará e destruirá os infiéis, pois ele dá, para sempre, ao ser humano, o que o ser humano criou. A justiça desse Signo é rápida. Justiça e honestidade rigorosas, não vingança, são os prazeres de Leão. Leão é aquele princípio criador de esplendor no ser humano que se une com a força do Ser, em todas as suas particularidades. Todo aspecto da vida – todo pensamento, todo desejo, toda emoção, todo sentimento, toda palavra, ação, reação e todo ato – está registrado no Átomo-semente colocado no ventrículo esquerdo do Coração.
O diagrama que se segue é um esboço dos quatro compartimentos do Coração, uma designação das várias funções de cada um e a indicação do fluxo de sangue através dele todo. Reconhecemos a sabedoria de Deus na manifestação quando aprendemos como o objetivo da existência – experiência – está estampado no Átomo-semente, de maneira que o Espírito individual possa receber toda a atenção e oportunidades para progredir.
Há uma única parte do corpo humano que pertence ao ser humano: o sangue. Em outras partes do corpo, outros Seres (Hierarquias Criadoras) atuam, como o faz Leão no Coração. O ser humano se tornará senhor dessas outras partes em um futuro distante. O Ego controla o Corpo Denso por meio do sangue; esse é seu único meio individual de expressão. O Ego regula o sangue, e o sangue está marcado com impressões definidas de acordo com emanações particulares trazidas ao ser humano através dos pulmões (Gêmeos) e do ar que respiramos (Mercúrio).

A – Veia cava superior
B – Veia cava inferior
C – Artérias Pulmonares para os Pulmões
D – Ápice
E – Átomo-semente
F – Válvula Mitral
G – 4 Veias Pulmonares dos Pulmões
H – Aorta (para o corpo inteiro)
Compreendendo isto podemos nos deter no diagrama e descobrir que o Coração está dividido em 4 compartimentos: 2 aurículas e 2 ventrículos. O lado esquerdo fornece o sangue arterial purificado (regido por Júpiter) e o lado direito governa o sangue venal impuro (regido por Vênus).
O sangue impuro vai do corpo para a aurícula direita (A.D.) da parte superior do corpo acima do diafragma, através da veia cava superior e da parte inferior do corpo, abaixo do diafragma, para a aurícula direita através da veia cava inferior. O sangue é bombeado da aurícula direita para o ventrículo direito (V. D.), e do ventrículo direito o sangue vai para os pulmões (Gêmeos) via artérias pulmonares, para oxigenação. Aqui o ar respirado (regido por Mercúrio e Gêmeos) carregado de sutis emanações espirituais daquele momento, traz mais e mais experiências para o ser humano e essas impressões são levadas pelo sangue diretamente para o Coração. A medida que o ar respirado é levado aos pulmões, os princípios criadores dessas Hierarquias Zodiacais são misturados e usados de acordo com a habilidade do Espírito para responder às forças existentes.
Dos pulmões, o sangue purificado entra na aurícula esquerda (A.E.), por meio das 4 veias pulmonares e, então, através da válvula mitral, vai para o ventrículo esquerdo (V. E.) onde as impressões de todos os pensamentos e ações estão registradas no Átomo-semente como uma tinta indelével. Do ventrículo esquerdo, o sangue purificado é bombeado através da aorta para todo o corpo. A vida do corpo depende da função contínua do princípio vital no Coração (Leão). O Átomo-semente permanente, originalmente dado ao ser humano quando ele começou sua descida para a matéria, está localizado no ventrículo esquerdo do Coração. Esse permanente Átomo-semente é como um monumento para o progresso do Espírito. É importante notar-se que não existe um caminho, uma avenida exterior de entrada para o ventrículo esquerdo e para o Átomo-semente. Esta essência concentrada do Espírito está totalmente protegida no ápice do ventrículo esquerdo e nenhuma perturbação poderá penetrar neste compartimento isolado. A organização da natureza e a sabedoria de Deus protegem completamente este registro sagrado da viagem do Espírito, através da eternidade.
Portanto, sem dúvida, Leão é o indicador do destino; esse Signo e essa Casa no horóscopo representam condições acumuladas originadas do passado. Estas condições, indelevelmente estampadas no Átomo-semente, formam a força da vida ou, se não forem reconhecidas e compreendidas, a barreira para o progresso. Leão junta tudo que foi experiência no passado e com esta base estrutural de poder espiritual ornece ao Ego, em cada volta da roda do renascimento, uma força e consciência cada vez maior, autoconsciência de seu próprio sentido integral de unidade com o Criador.
A Armadura de Leão
Ouro puro é a armadura de Leão. A radiação fundida do Sol encobre este Signo como um manto, apresentando sempre os símbolos todo-poderosos de sua majestade. Leão ou o Sol dá liberdade à todas as coisas em crescimento. Nascimento e morte têm valores iguais.
Vida é a recompensa em ambos os casos: uma física e a outra espiritual.
Leão nos diz que sua luz e sua força foram sacrificadas no altar do eu pessoal e exige que nos elevemos à altura de nossa glória plena e nos unamos ao fogo da vida. Somente quando Leão dá é que sua força cura, cria e faz todas as coisas novas; quando o poder é forçado, torna os seres humanos loucos. A vontade de criar precisa vir do Coração, assim como a força para reinar e para viver, que não podem ser tiradas só do corpo. Se o ser humano pudesse, simplesmente, escutar e entender a honra e a retidão das súplicas de Leão, não haveria destruição nem sacrifícios; mas a vida por uma vida é a lei da terra (Jeová) e uma contrabalança a outra. Estar ligado ao passado significa pagar pelo passado, portanto, compreenda e deixe que o futuro amor da Humanidade seguirá os princípios do Coração.
Leão é o símbolo do fogo puro e radiante que brilha no Coração de todos os seres humanos bons e puros. Este é o caminho que glorifica Deus através da honra, justiça e integridade para todos. Todo aspecto da divindade tece a veste dourada do amor e da devoção; todo ponto bordado no Dourado Manto Nupcial (o Corpo-Alma) aumenta o fortalecimento do Espírito e o poder de Deus no Universo.
(de Thomas G. Hansen – com prefácio da Fraternidade Rosacruz de Campinas – SP – Traduzido do original inglês: Zodiacal Hierarchies de Thomas G. Hansen e publicado na revista Rays from the Rose Cross da The Rosicrucian Fellowship, no período de abril de 1980 a março de 1981 – publicada na Revista Serviço Rosacruz da Fraternidade Rosacruz em junho de 1982)
Há em perspectiva um grande fator para esse filho da Virgem Celestial. Ouçamos a belíssima profecia que temos no Livro de Isaías, na Bíblia, no Capítulo 9, versículo 6: “Pois entre nós nasceu uma Criança, foi-nos dado um filho, e o governo se assentará em seus ombros e seu nome será o de Maravilhoso, Conselheiro, o Deus Todo poderoso, o Pai Eterno, o Príncipe da Paz. O desenvolvimento de seu governo e da paz não terá fim”.
A humanidade se elevará a uma superior altura espiritual e tal estado é simbolizado pela marcha pelo movimento de Precessão dos Equinócios do Sol através do Signo de Leão, pictoricamente representado pelo rei dos animais: o leão. Essa é uma alusão muito digna ao Rei da Criação, que então incorporará eternamente as grandes virtudes do ser humano em dono de si: Fortaleza, Sabedoria e Beleza.
É maravilhoso seguir as diferentes fases da Religião fornecida à grande Raça dos Semitas Originais, desde o tempo em que ela foi chamada à ação, na terceira e última parte da Época Atlante e até o final da Era de Aquário, quando uma nova Raça haverá nascido, definitivamente. Esse aspecto do Zodíaco arroja nova luz sobre muitos aspectos obscuros da Bíblia. Realmente só o estudo dessa ciência cósmica pode nos esclarecer tais passagens.
Quando considerarmos o Zodíaco em seu aspecto religioso, bem como em sua evolução, por meio dos seis pares de Signos opostos, também começamos com Câncer e Capricórnio, porque são os pontos solsticiais em que o Sol alcança sua declinação máxima e mínima. Considerando desse modo vemos que há dois jogos de três pares de Signos, o primeiro começando com Câncer e Capricórnio, Gêmeos e Sagitário, Touro e Escorpião. Nestes três pares de Signos opostos podemos ler a história da evolução e Religião humana, na primeira, na segunda e última parte da Época Atlante.
Nos três outros pares de Signos: Áries e Libra, Peixes e Virgem, Aquário e Leão encontramos a chave do desenvolvimento do ser humano durante a Época Ária. Mas a Época Ária também pode ser subdividida em três fases, a saber: a Era de Áries (de Moisés a Cristo), que vai de Áries a Libra; a Era de Peixes (que toma os 2.000 anos de Catolicismo, representado por Peixes e Virgem, e os 2000 anos que estão diante de nós, compreendendo a chamada Era de Aquário, em que os Signos de Aquário e Leão serão eliminados pela elevação do Filho do Homem (Aquário) pelo Cristo Interno, o Leão de Judá (Leão), ao estado de super-homem.
Não se deve supor, todavia, que a Época Atlante durou somente enquanto o Sol, por Precessão dos Equinócios, percorreu Câncer, Gêmeos e Touro, aproximadamente 6.000 anos atrás. Longe disso, há espirais dentro de espirais e a recapitulação se produz também com as espécies e as Raças. Assim, podemos conhecer qual é o contorno geral, observando a passagem do Sol por meio destes Signos e, portanto, tomando sua importância e simbolismo em consideração. Também se pode dizer que, à medida que avançamos, as espirais se tornam menores e o tempo em que se desenvolve um determinado estágio vai se tornando mais curto, devido à eficácia alcançada em Épocas anteriores. Portanto, é muito provável que nosso estado atual seja a última volta; que a Era de Aquário é a escola preparatória para o dia final em que nos preparamos para a Sexta Época, que se iniciará quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar no Signo de Capricórnio.
Do exposto, deduzimos que o segundo advento se dará antes dessa Época.
Uma pessoa com Leão no Ascendente trás no rosto certos rasgos felinos: o nariz, os olhos, o cabelo abundante, o porte majestoso, tórax amplo, ombros maciços. Tais pessoas gostam de ser notadas, algo agressivas, gostam mais de mandar que de obedecer, pródigos nos sentimentos, conhecimentos e recursos financeiros, amantes de verdade, fiéis, bons oradores, cheios de magnetismo, cheios de vitalidade e de força recuperadora.
O Sol em Leão, se tiver com Aspectos benéficos (algumas Conjunções, Sextis e Trígonos), infunde ao nativo uma natureza nobre, ambiciosa e aspirante, que detesta coisas sórdidas, ardentes no amor e espírito de sacrifício. Leais e sinceros, não medem sacrifícios para vencer os obstáculos, pois é um Signo Fixo e sua palavra-chave é:estabilidade, firmeza. Extremistas em tudo, entusiasmados, devem aprender o domínio de si mesmos, para que, principalmente suas expansões de amor, não lhe prejudiquem o coração. Mas, apesar de fixos, embora defendam com ardor suas ideias, se se lhes prova que estão errados, estão prontos a mudar de opinião e perdoam até o mais acirrado inimigo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
“Que é o ser humano mortal para que te lembres dele? E o filho do ser humano para que o visites? Contudo, pouco menor o fizeste do que os Anjos, e de glória e de honra o coroaste.” (Sl 8:4)
“A arte, conforme permite sua habilidade, segue a natureza como um aluno segue o seu Mestre. De modo que a arte deve ser, por assim dizer, algo que deriva de Deus.”[1] (Dante)
Todas as atividades do ser humano podem ser divididas em três categorias, a saber: Ciência, Religião e Arte. A mais alta consecução do ser humano é conseguir florescê-las. Na escala da evolução o ser humano está situado entre a Onda de Vida dos Anjos e a Onda de Vida dos animais. Deus fez o ser humano “um pouco menor que os Anjos” e lhe concedeu o domínio sobre o Reino animal. Considerando a existência desses três fatores, Ciência, Religião e Arte, podemos compreender a diferença principal existente entre o ser humano e o animal. Nem a Ciência nem a Arte são necessárias para os animais, na presente fase do desenvolvimento deles.
No presente, a Ciência, com suas descobertas, assumiu posição destacada. A Religião também está despertando. Porém, aqui desejamos considerar as Artes. Não nos é possível traçar linhas claras de demarcação ao classificar as atividades do ser humano dessa maneira, porque a Ciência ajuda a compreender a Arte. E a Arte segue de mãos dadas com a Religião, quando trata de revelar a divindade do nosso ser. Max Heindel chama a Ciência, a Arte e a Religião de “uma trindade na unidade”. Sabemos que a separação em classificações diferentes é temporária. Num estado posterior do nosso desenvolvimento, as três tornarão a ser “um”
A verdadeira Religião inclui tanto a Arte como a Ciência, pois ensina uma vida formosa em harmonia com as leis da natureza.
A verdadeira Ciência é artística e religiosa no sentido mais amplo, porque nos ensina a reverenciar as leis que governam nosso bem-estar e a nos conformar com essas leis, explicando, além disso, por que a vida religiosa conduz à saúde e à beleza.
A verdadeira Arte é tão educacional como a Ciência e tão edificante como a Religião. Na arquitetura temos uma sublime apresentação de linhas cósmicas de força no universo.
Para muitos a vida sem a Arte verdadeira seria intolerável, porque a imaginação do ser humano requer alimento assim como o corpo necessita de nutrição. E é “imaginando” que se nutrem as almas. Existem três elementos necessários, quando se considera a Arte real: a música, a pintura, a poesia e a arquitetura. Esses três elementos indispensáveis são: emoção, expressão e ritmo.
A Arte pode ter por objeto a apresentação da forma exterior ou pode mostrar o espírito interno de um objeto; porém sempre é possuída por um crescente impulso emocional.
Para o artista dedicado é possível interpretar as realidades profundamente ocultas da natureza interna do ser humano. Essa revelação do espírito do ser humano é a sua mais elevada missão. Cada época produz escultores, pintores e músicos capazes de produzir verdades criadoras ao contemplar as obras de Deus. Porém, sempre essas criações contêm a concepção própria e individual do ser humano e a sua própria interpretação, posto que conservam sua “maneira de refletir a natureza”. Essa concepção individual do universo de Deus é o que promove as diferenças existentes no mundo da arte criadora. Sem dúvida, há somente uns poucos em cada época que podem pretender expressar uma originalidade verdadeira. Em geral o artista copia e recopia, sem ser capaz de revelar sua própria concepção individual do tema ou objeto.
Quando um artista se torna verdadeiramente criador, é capaz de influenciar a vida de uma nação inteira. O rumo que um povo segue delineia-se, em primeiro lugar, no trabalho e na expressão daqueles que têm sentimentos fortes, internos, e que são sensíveis aos impulsos ocultos do ser humano. Eles devem refletir as impressões que são capazes de receber para que os demais também se beneficiem delas.
O domínio de qualquer Arte requer disciplina. E isso significa que o aspirante tem que aprender a dominar a forma, seja essa de linguagem, cor, tom, etc. Unicamente por meio da meditação e da concentração intensa é que se conquista a habilidade em uma Arte. Por conseguinte, é compreensível que em algumas Escolas de Mistérios da Grécia, o Mestre-Artista fosse admitido ao Templo sem que executasse os exercícios preliminares. A faculdade de dominar uma arte-forma era considerada suficiente para entrar diretamente nos mais internos ensinamentos.
A história se converte em uma realidade para nós através da Arte. Os arquitetos e escultores do Egito, Assíria, Grécia e Roma deram-nos uma demonstração gráfica da civilização desses países. Temos acesso aos restos sublimes das figuras de barro e mármore. Sem podermos examinar o que há nos muros e pirâmides nas margens do Nilo e sem o nosso presente conhecimento dos edifícios e estátuas da Grécia e de Roma nossas ideias sobre a vida desses povos seriam, em verdade, confusas e irreais.
A arte do ser humano dá testemunho do seu ser interno. Nada indicará o rumo dos tempos tão precocemente como a música, a pintura, a arquitetura ou a poesia de um povo. Até parece que o artista criador pressente as sombras arrojadas pelos acontecimentos futuros. Os anseios e temores, as elevadas aspirações, assim como os sentimentos de incerteza de um povo podem ser percebidos nas obras daqueles que dedicam suas vidas à expressão de suas próprias capacidades criativas. O artista mesmo, com poucas exceções, em geral não é consciente de que suas criações são uma parte necessária e valiosa do desenvolvimento de toda a humanidade. Vive e trabalha à ordem da sua fantasia. Está satisfeito enquanto pode seguir o impulso interno que o conduz à expressão.
Quando observamos o rumo ou tendência da arquitetura moderna, da pintura e da música moderna, das diferentes nações do nosso globo terrestre, ficaremos impressionados com a similaridade dessas tendências. Nós nos veremos obrigados a admitir que universalmente o harmônico e o grotesco se revelam a si mesmos. De um modo geral podemos dizer que todas essas tendências têm muito em comum. A Arte mais moderna demonstra que as fontes profundas, ocultas, estão perturbadas e que as imagens do bom, do verdadeiro e do belo não são claramente concebidas e transmitidas.
Temos que chegar à conclusão de que, no esforço de um ser humano para criar algo e sensacional, ele exibe sua própria imagem interna, estranha e pessoal, em vez de usar as verdades espirituais que estão à sua disposição, em seus esforços de criação.
Em nossas próprias atividades devemos ser capazes de seguir as tendências originais, próprias, sempre que isso seja possível. Em nossos jardins, na ordem das nossas casas, ao servir nossas refeições ou até na seleção dos nossos quadros, nas cores das nossas roupas; em todas essas coisas devemos seguir nosso gosto individual. Existem bons livros sobre a apreciação da Arte. Devemos dedicar tempo e meditação a estudá-los.
Ao tecer os fios confusos das nossas vidas temos não somente a Lei de Causa e Efeito à nossa disposição, mas podemos sempre, dentro de certos limites, usar a Epigênese para realizar alguma obra original, alguma expressão singular. A possibilidade de originalidade é a espinha dorsal da evolução do ser humano.
Nos Ensinamentos Rosacruzes aprendemos que existe uma força dentro do ser humano em evolução que é o que torna possível o desenvolvimento. Essa força subministra algum campo para nossa capacidade criadora.
Como o expressa tão bem o poeta: “O problema maior de toda arte é produzir, por meio das aparências, a ilusão de uma realidade mais sublime” (Goethe).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1974 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.T.: Inferno: notas Canto XIV – da obra A Divina Comédia de Dante Alighieri
Antes de entrarmos no assunto acima propriamente dito, comecemos com algumas citações de Max Heindel, expostas abaixo, para que possamos nos situar dentro do espírito da Astrologia segundo os Ensinamentos Rosacruzes.
“O Zodíaco e os Astros são como um livro, no qual podemos ler a história da humanidade durante eras passadas, nos dando, também, uma chave para o futuro que está reservado para nós.” (Livro: A Mensagem das Estrelas – Max Heindel e Augusta Foss Heindel-Fraternidade Rosacruz)
“Moisés recebeu ordem de tirar suas sandálias ante à sarça ardente, em reconhecimento ao fato de que se encontrava em SOLO SAGRADO, um lugar iluminado por uma presença Espiritual. (…) podemos dizer que o SOLO sobre o qual Moisés se encontrava não era mais sagrado do que aquele em que se situa o astrólogo, quando tem em suas mãos um horóscopo”.
“A Lei de Consequência também age em harmonia com as estrelas. Assim, um ser humano nasce quando as posições dos Corpos do Sistema Solar proporcionam condições necessárias para sua experiência e progresso na Escola da Vida. Por essa razão a Astrologia é uma ciência absolutamente verdadeira, se bem que o melhor astrólogo pode equivocar-se, por ser falível tanto quanto os demais seres humanos.” (Livro: Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo IV – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
“Nós deveríamos sempre ter em mente a certeza de que os Astros impelem, mas não compelem. As ocasiões e as tentações se apresentarão quando a hora chegar; esse será, então, o momento de focar no bem e no dever. O ser humano instruído, graças ao conhecimento da Astrologia Rosacruz, está equipado antecipadamente e pode muito facilmente triunfar sobre um aspecto que predomine.” (Livro: Astrologia Científica e Simplificada – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
“Os astrólogos mundanos ou materialistas consideram Marte, Saturno, Urano, Netuno e Plutão como maléficos e Vênus e Júpiter como benéficos. Mas, no Reino de Deus não há nada de maléfico, já que o que parece ser mal é somente o bem em gestação, que há de vir. Nós não devemos acreditar que a influência desse ou daquele Astro age para nos prejudicar. Nós viemos a esse mundo para adquirir certas experiências necessárias ao nosso próprio desenvolvimento espiritual, e se nós nos esforçamos para compreender as influências astrais, nós perceberemos que elas são poderosos fatores que ajudam no nosso desenvolvimento.” (Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. 1 – Pergunta nº 161 – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Terminando essa introdução com as citações edificantes acima, vamos a mais uma história que se conta sobre o genial inventor Thomas Edison (1847-1931): “Conta-se que, em determinada fase de sua vida, Thomas Edison trabalhava como telegrafista noturno de uma estação ferroviária. E, para poder dormir nos intervalos possíveis, sem faltar a seu importante dever, idealizou um recurso: punha um cubo de vidro na beira de uma mesa e da torneira fazia correr água, em volume calculado, para enchê-lo em determinado tempo. Deitava-se embaixo do cubo e quando esse se enchia, transbordava e a água lhe caia no rosto, acordando-o em tempo para atender ao primeiro trem. Semelhantemente, estamos girando numa corrente contínua de ações, para o bem ou para o mal, rumo ao depósito do tempo. O que dele transborda volta sobre nós, impelindo-nos a novas ações. Não importa que adormeçamos, como Edison, pois o sono da morte não pode invalidar as ações do espírito imortal. Um novo nascimento ocorrerá exatamente quando o depósito do tempo estiver cheio, para que o espírito recolha o que semeou. É sobremodo importante compreendermos, com toda a clareza, o seguinte ponto de vista: não é o fato de termos nascido num determinado instante que nos determinará certo destino. Se assim fosse, teríamos razões de sobejo para renegar a fatalidade de nascer sob má configuração e para ficar aborrecidos com Deus, de sofrer tão má fortuna, sem direito de escolha. Em verdade, somos impulsionados ao renascimento no instante em que os raios dos Astros prevalecentes correspondem às inclinações de caráter formadas por nós. Edison ficaria aborrecido se alguém o despertasse do modo descrito, jogando-lhe água na cabeça. No entanto, sabendo que isso lhe acontecia porque ele mesmo o preparara, antes de dormir e, ciente de que isso lhe era vantajoso, ficava até satisfeito. Igualmente, quando compreendemos que nossas atuais circunstâncias foram determinadas por nossos atos passados; quando sabemos que os Astros apenas marcam o momento mais favorável para recolhermos o que semeamos, então, ficamos, também, satisfeitos e tratamos de aprender as lições da vida, em vez de maldizer nossa falta de faculdades ou de privilégios.”
(de: Introduction: L’astrologie Selon Les Enseignements Rosicruciens : L’Astrologie Rosicrucien, da Association Rosicrucienne Max Heindel, Centre de Paris – Texte inspiré de l’enseignement rosicrucien légué à Max Heindel par les Frères Aînés de la Rose-Croix – Traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Assim como a água se congela pelas linhas de força etérica nela contidas, invisíveis, mas presentes durante todo o tempo, e tomando formas sólidas de vários contornos que chamamos cristais de gelo, assim também o alimento que nós liquefazemos como sangue, congela ao longo das linhas etéricas no nosso Corpo Vital e tomando formas diferentes como cartilagens, ossos, etc., formando-se cada espécie do tecido congruentemente com as linhas etéricas dessa parte particular do Corpo.
Os chamados “mortos”, os que estão renascidos aqui, são os agentes principais do processo da assimilação. Eles são os construtores, enquanto os “vivos”, os que estão renascidos aqui, são os destruidores. Os “vivos” têm mais força para destruir que os “mortos” para construir e é por essa razão que a doença ou a enfermidade se origina.
A missão da Fraternidade Rosacruz é: ensinar as leis da natureza e como viver em harmonia com elas ajudando as pessoas a corrigir enganos passados. Daí o caráter curativo obra da Fraternidade Rosacruz! Os profissionais da saúde (médicos, médicas, enfermeiros, enfermeiras, terapeutas e afins) são particularmente úteis nesse trabalho, e aqueles que se juntaram a nós como Probacionistas são, cuidadosamente, ensinados pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz a tratar seus pacientes – definidos aqui como os irmãos e irmãs com algum problema de saúde que se inscreveram e cumprem com o que lhe é solicitado em um Departamento de Cura de um Centro que possui tal serviço – durante a noite, quando ambos, paciente e Probacionista, estão fora dos seus Corpos Densos, pois estão em estado de sono. Os Probacionistas leigos na arte de tratar de doenças e enfermidades, quando estão aqui em estado de vigília, são como assistentes dos Probacionistas profissionais de saúde, variando seu número de acordo com as circunstâncias.
A Lua é o corpo celeste promotor dos eventos. Embora os acontecimentos sejam regidos por outros Astros (Sol e Planetas), tais acontecimentos não se realizam enquanto a Lua não os provocar.
Há dentro do Corpo Denso um fluxo e um refluxo (uma maré), assim como há no Mundo exterior. Há períodos críticos em certas doenças e enfermidades que podem ser previstos, com segurança, pela Lua. É muito importante que todos conheçam a enorme influência desse nosso satélite natural.
Há uma força cósmica que culmina por ocasião da Lua Nova e outra quando da Lua Cheia. Tudo o que se inicia desde a Lua Nova aumenta em intensidade e culminando quando a Lua estiver Cheia.
Esse período marca o fluxo de vida que vem do Sol, refletido pela Lua. Essa força é um grande auxiliar na recomposição do Corpo Denso e para conservá-lo em estado saudável. Da Lua Cheia até a Lua Nova, essa grande força se torna cada vez mais diminuída e tudo que é iniciado nesse período tende a definhar e a morrer gradualmente.
Sabendo que a Lua tem essa influência, conforme aumente ou diminua em intensidade luminosa, concluímos que esse fator deve ser levado em consideração quando aplicarmos algum tratamento. Todos os tratamentos podem ser divididos em duas classes gerais: estimulantes e sedativos. A primeira classe tem efeito mais acentuado e é mais bem aplicada durante o aumento da luz da Lua (Lua Nova até a Lua Cheia – período dito da Lua crescente). A outra é melhor empregá-la durante o período decrescente da Lua (Lua Cheia até a Lua Nova – período dito da Lua decrescente ou minguante).
A regra geral é: desde a Lua Nova até a Lua Cheia os estimulantes produzem mais efeito e os sedativos, menor. Diminua a dose de estimulantes e aumente a dos sedativos. A única exceção a essa regra é quando a Lua crescente se aproxima de uma Conjunção com Saturno. Neste caso, dê doses maiores de estimulantes e menores doses de sedativos.
Quando a Lua crescente se aproxima de uma Conjunção com Marte e Mercúrio, os estimulantes têm seu máximo efeito e os sedativos o mínimo.
Quando a Lua crescente está em Aspecto benéfico (Conjunção, Sextil ou Trígono) com Júpiter e Vênus, os estímulos cardíacos produzem seu efeito mais duradouro. A palpitação é tratada com melhores resultados quando a Lua está decrescendo e faz Aspectos benéficos (Conjunção, Sextil ou Trígono) com esses dois Planetas. Aplique estimulantes cardíacos com muita cautela quando a Lua estiver com Aspectos adversos (Quadratura ou Oposição) com esses dois Planetas, especialmente durante uma Lua Nova. Os anestésicos também, nessas ocasiões, poderão produzir resultados fatais. Se inibimos o nervo pneumogástrico em certa medida, aquietamos a ação do coração e, assim, estamos aplicando o que em medicina chama-se um sedativo. A manipulação desse nervo de modo a estimular sua ação tem valor similar ou equivalente à aplicação de um estimulante medicinal.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – 4/72, traduzido da revista Rays from the Rose Cross – Fraternidade Rosacruz – SP)
São Paulo, em sua 1ª Epístola aos Coríntios (3:16-17), os exorta: “Não sabeis que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o construirá, porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado“.
Existem quase cinquenta métodos de Cura além do autorizado, o qual é ensinado nas Faculdades de toda a América. As Instituições que usam esses métodos, algumas das quais são grandes, estão atualmente prosperando devido aos efeitos da violação pelo ser humano do Templo de Deus, seu corpo.
Em verdade somos “veneráveis e maravilhosamente criados”. Existe um propósito no Plano de Deus, o qual não é a gratificação dos sentidos, e tão logo o conheçamos, trabalhando com ele, teremos a harmonia em nossos corpos e veículos.
As várias desordens que levam a pedir socorro às Instituições acima mencionadas são ocasionadas pela insistência em criarmos e mantermos os desejos, emoções e sentimentos inferiores muitas vezes aliados – senão como efeitos – uma má alimentação ou combinação imprópria dos alimentos que ingerimos. O ser humano está progredindo no Mundo externo, construindo melhores estradas, pontes mais seguras, recintos de trabalho mais amplos e equipados com máquinas mais modernas e aperfeiçoadas, ferramentas mais sofisticadas com as quais produzirá melhor trabalho. Porém, o que faz nos Mundo espirituais que deve ser construído sem o “ruído do martelo”?
Terá o ser humano adquirido a verdadeira compreensão do funcionamento do próprio organismo? Conhece as combinações químicas requeridas para o funcionamento normal do Corpo Denso? Interessa-se pelos efeitos resultantes dos alimentos que ingere? Compreende totalmente o efeito das emoções, sentimentos e desejos inferiores no seu corpo? Consideremos que tenha que levar em conta muitas outras coisas para o aperfeiçoamento do corpo humano: os pensamentos, os hábitos, etc. Os alimentos jogam um papel muito importante para determinar suas vibrações e texturas.
Não há dúvida alguma quanto ao fato de que o conhecimento do corpo humano e de seu funcionamento, de como se relacionam suas partes, como as substâncias nocivas afetam os tecidos, quer sejam ativas ou inertes deveriam fazer parte do cabedal de conhecimentos de quem se dedica a curar as pessoas. Se todos os chamados curandeiros possuíssem estes conhecimentos, causariam menos dano, porque o que é bom para um, é veneno para outro sob certas condições.
Em todos os meios de comunicação que se dedicam a propagação dos meios para adquirir e manter a saúde há artigos que exaltam as propriedades do pão de trigo integral; dele derivam o ferro e sais minerais e só necessitamos comer a metade do que consumimos de outra classe de pão, devido às riquezas de sais minerais nele contidas. Além disso, deve fazer parte da nossa dieta as frutas, verduras e legumes. As ervilhas e feijões proverão a necessária substância proteica para a reparação do desgaste; da mesma forma o farão os ovos e leite, se for do nosso agrado. A preparação e o cozimento dos alimentos é uma ciência e devem ser considerados como tal. Embora uma refeição esteja agradavelmente apresentada e servida, se não estiver devidamente equilibrada será um fracasso. Podem ser misturados alimentos ácidos e neutros na mesma refeição ou alcalinos e neutros, porém não devem nunca ser misturados ácidos e alcalinos.
A natureza dos elementos nutritivos – as vitaminas – é conhecida apenas parcialmente. Seus efeitos marcam a diferença entre a saúde e a enfermidade. Foi chamada por Herbert Hoover como “a descoberta mais importante da atualidade”.
É nos ensinado que mesmo quando estivermos saciados é possível que certa parte do nosso corpo “padeça de fome”, a menos que seja ingerido algo mais do que gorduras, proteínas e carboidratos considerados anteriormente como alimentos principais de uma dieta completa.
Os novos elementos descobertos nos alimentos, os quais a ciência chama de vitaminas A, B, C e D, se encontram em quantidade no leite e nas folhas dos legumes. Essas últimas, de preferência, devem ser comidas cruas. Se tiver de cozê-las deve-se colocar pouca água e não se deve ferver com sal e ao coar deve-se reservar a água para o preparo de sopas. Com a prática aprenderemos a quantidade de água necessária. Quando se fervem, muitos dos melhores elementos nutritivos são destruídos.
Outro ponto que deve ser considerado são as condições sob as quais se prepara o alimento. Muitas reações desagradáveis no estômago se devem a desarmonia na cozinha enquanto se prepara os alimentos. Muitas pessoas são bastante sensíveis para perceber essa desarmonia quando ingerem estes alimentos.
Uma palavra aos Estudantes Rosacruzes que compreendem: dizem que existe agora nos alimentos um novo elemento que não era conhecido há vários anos atrás. Os cientistas nutricionistas dizem que este novo elemento os burla e que não lhes foi possível detectá-lo. O alimento está mudando. Para quem compreende que está subjacente nas feridas do corpo de Cristo e o derramamento de Seu sangue há uma correlação e um mistério. Porém, para poder extrair este sutil elemento da alimentação que nos sustenta, devemos saber o significado destas coisas e também comer merecidamente como nos exortou Cristo-Jesus.
Tão pouco poderá obter este elemento dos alimentos se somos dados à crítica. Pode ser que, para alguns, este seja um novo pensamento. Porém, se estamos abertos para a verdade e temos o direito de saber, a dita verdade nos será dada. Não permanecerá por mais tempo oculta de nós se estamos preparados; isto é, seremos instruídos de como obtê-lo.
Toda a vida é vibração e as diferenças nos corpos são diferenças nas vibrações. Se nossos corpos são nutridos com alimentos grosseiros, como podem ser sensíveis as vibrações?
Desde que adquirimos de nossa nutrição aquilo em que vibramos, é muito importante cuidar não só de nossas palavras e pensamentos, mas também de nossa alimentação. Deveríamos aprender a aplicação dos princípios racionais da gastronomia e também o comer para ser saudáveis.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1983 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Alguns vislumbres sobre as condições da vida superior são gradativamente sentidos por aqueles que percorrem a senda da preparação. Cada novo passo percorrido na realização espiritual revela uma maior preparação para assumir maiores responsabilidades espirituais. Do mesmo modo, conforme a percepção do Estudante Rosacruz se expande, maiores noções da necessidade de mudanças passam a ocorrer, para que seu modo de vida fique congruente a tais vislumbres.
No entanto, a percepção de mudanças, infelizmente, não vem acompanhada das facilidades, sendo que tanto a Personalidade (eu inferior) do Estudante Rosacruz quanto seu ambiente (círculo relacional, incluindo família e círculo social) podem não acompanhar o movimento da verdade que iniciou em seu coração. No âmbito da Personalidade é fácil perceber que pensamentos e impulsos indesejáveis não o abandonam. Pelo contrário, parecem nunca terem ganhado tanta força. Se não permanecer com a arma da persistência voltada para oração e trabalho, perceberá que facilmente sucumbirá. Já em relação ao seu ambiente, bem sabemos que é difícil caminhar contra as ideias aderidas pelas massas e que é muito mais difícil levar uma vida de bondade, inofensiva e de pureza, do que uma que busca “olho por olho; dente por dente” e a gratificação da natureza inferior. Mesmos os Cristãos primitivos já sofreram devido ao seu novo modo de vida, e esse sofrimento ainda é sentido nos dias atuais (apesar de atualmente não haver sofrimentos físicos e mortes devido a isso, como ocorria naquela época).
A percepção e a consciência expandida significam maiores responsabilidades em lidar com as tormentas que o conhecimento da verdade exige. No Evangelho Segundo São Lucas, podemos encontrar uma parábola que remete às responsabilidades aqui mencionadas: “Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” (Lc 12:42-48).
Possuir responsabilidades espirituais, como as mencionadas nessa parábola, significa trabalhar com as Leis de Deus que governam a vida do Estudante Rosacruz e de todos aqueles que estão inseridos em seu círculo de ação imediata. Significa imitar o Cristo nesse círculo. A cilada de toda essa questão está exatamente na permanência da inércia expressão física que o Estudante Rosacruz pode cair. Ou seja, apesar de serem bastante nobres todos esses sentimentos e conceitos, enquanto eles são concebidos apenas no mundo das ideias, pouco efeito prático e de mudança no mundo é produzido. E a dificuldade em expressar tais elevados ideais de espiritualidade no cotidiano está exatamente na percepção do peso que é assumir uma vida verdadeiramente Cristã.
Isso é o mesmo que dizer adeus à paz, à tranquilidade e ao descanso, tão almejados e desejados pela humanidade comum. Pelo contrário, quanto mais se revelam verdades, menos paz, descanso, objetos e situações pessoais preencherão a caminhada do aspirante. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.” (Lc 9,23-24).
Essa responsabilidade inclui parar de profanar os recursos pessoais e alheios que temos a disposição e que são necessários para nosso desenvolvimento (incluindo nossos corpos, ambientes e as pessoas com as quais estamos relacionados) e iniciar um movimento de trabalho incessante. “Felizes são os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mt 5:8.). Isso significa que, quando uma pessoa não mais profana todos os recursos que possui e consagra uma vida de altruísmo, paralelamente um Corpo-Alma é criado, o qual é o traje necessário para que o casamento do Espírito com o Cristo Interno ocorra.
Os vislumbres de verdade mostram que o Estudante Rosacruz é “um com todos” e que não há separatividade. Isso quer dizer que o sofrimento dos outros é seu próprio sofrimento, que o sucesso dos outros também é seu próprio sucesso, e que tanto a vítima quanto o malfeitor constituem suas próprias fraquezas, seus próprios pecados e a sua ignorância. Ignorar todos esses fatos, como se não tivéssemos parte com os males que ameaçam o atraso do desenvolvimento espiritual humano, é o mesmo que reforçar os pregos da cruz de Cristo, deixando-o cada vez mais preso à Terra.
É importante ao Estudante Rosacruz iniciar a busca pelas barreiras invisíveis que o faz andar para trás e não alcançar novas etapas de realização. Por exemplo, cada vez que o Estudante Rosacruz se depara com a incongruência entre verdade e realidade, pode sofrer a tentação de se sentir impotente. Acaba por ter pensamentos pessimistas do tipo: “não estou à altura da responsabilidade que assumi” ou “tudo isso é uma pura utopia” ou ainda, “há certos hábitos ou traços em minha Personalidade que é inútil lutar para transmutá-los”. Em outras palavras, ele percebe que para tornar realidade os vislumbres de verdade que gradativamente sente, faz-se necessário renunciar toda uma atitude referencial condicionada (ou automática) de viver, que constitui sua identidade inferior, e passar a viver com responsabilidades pessoais e coletivas.
Esse sofrimento, que envolve o estreito caminho da santidade e de consagração a uma vida de altruísmo, deveria servir de combustível para que o Estudante Rosacruz encontre forças para transmutar suas pedras brutas (seus corpos impuros e não desenvolvidos) em pedras preciosas como o ouro, o rubi e o diamante. A senda da preparação nos guarda uma vida de sofrimento, renúncia e trabalho. Apesar disso, a sensação permanente de plenitude e certeza de estar no caminho não possui comparação a qualquer gozo mundano ou conceitos de felicidades materiais que o mundo ordinário oferece.
“Quem não trabalha, não tem direito de comer”. Comer significa ter gozo ou parte com Cristo, o Pão da Vida. “Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós.” (Mt 5:12).
Que as Rosas Floresçam em vossa Cruz
Resposta: Os mitos contêm profundas verdades ocultas. O antagonismo entre a luz e as trevas é descrito em inumeráveis desses mitos que são bastante semelhantes em suas linhas gerais, embora variem as circunstâncias de acordo com o estágio evolucionário dos povos onde são encontrados. À Mente normal eles geralmente parecem fantásticos porque os fatos são descritos de maneira puramente simbólica e, portanto, em completo desacordo com as realidades concretas do mundo material. Contudo, essas lendas encarnam grandes verdades de suas escamas de materialismo.
Em primeiro lugar, devemos ter em mente que o antagonismo entre a luz e as trevas, existente aqui no Mundo Físico, é apenas a manifestação de um antagonismo semelhante, existente também nos reinos moral, mental e espiritual. Esta é uma verdade fundamental, e todo aquele que conhece a verdade deve saber que o mundo concreto, com todas as suas coisas que julgamos serem tão reais, sólidas e duráveis, não passa de uma manifestação evanescente criada pelo pensamento divino, e que reverterá ao pó dentro de alguns milhões de anos, antes que também se dissolvam os outros mundos que supomos serem irreais e intangíveis, quando então voltarmos mais uma vez ao seio do Pai, para repousar, até que chegue a aurora de um outro e maior Dia Cósmico.
É especialmente por ocasião do Natal, quando há pouca luz e as noites são longas (no Hemisfério Norte), que a humanidade volta sua atenção para o Sol Meridional, e aguarda ansiosamente o momento em que ele recomeçará sua jornada em direção ao norte, trazendo luz e vida ao nosso hemisfério gelado. Vemos na Bíblia como Sansão, o Sol, tornava-se cada vez mais forte à medida que cresciam seus cabelos, como as forças das trevas, os Filisteus, descobriram o segredo de seu poder e cortaram-lhe os cabelos, ou raios, privando-o de sua força: como privaram-no da luz vazando-lhe os olhos e, finalmente, como o mataram no templo, no Solstício de Dezembro.
Os Anglo-Saxões falam da vitória do rei Jorge (1) sobre o dragão; os Teutões recordam como Beowolf (2) matou o dragão ardente e como Siegfried (3) venceu o dragão Fafner. Entre os Gregos encontramos Apolo (4) vitorioso sobre a serpente Pitão, e Hércules (5) sobre o dragão das Hespérides. A maioria dos mitos conta apenas a vitória do jovem Sol, mas há outras que, como a de Sansão acima citado, e Hiram Abiff da lenda Maçônica, contam também como o Sol, ao ficar velho, era vencido após ter completado seu circuito, estando pronto para dar nascimento a um novo Sol, que surge das cinzas da velha Fênix (6) para ser o portador da luz para um novo ano.
É uma lenda semelhante a que lemos na origem do agárico (7), uma história contada na Escandinávia na Islândia, porém, mais particularmente em Yuletide, quando o azevinho (8) vermelho mescla-se num maravilhoso efeito decorativo como o agárico branco – um símbolo vivo do sangue que era escarlate como o pecado, mas que se tornou branco como a neve. A história é a seguinte:
Antigamente, quando os deuses do Olimpo reinavam sobre a região do Sul, Wotan com sua companhia de deuses, imperava no Walhalla onde os pingentes de gelo decompunham a luz do Sol de inverno em todas as cores do arco-íris e o belo manto de neve fazia luzir até mesmo a noite escura, mesmo sem auxílio da flamante Aurora BoreaI. Eles constituíam uma companhia maravilhosa: Tyr, o deus da Guerra, ainda é lembrado entre nós, pois à terça-feira em inglês: Tuesday. Wotan, o mais sábio, é relembrado na quarta-feira: Wednesday; Thor continua conosco como o deus da quinta-feira: Thursday. Era ele quem brandia o malho, e quando o lançou contra os gigantes, os inimigos de deus e dos seres humanos, deu origem ao trovão e ao relâmpago, devido à força terrífica com a qual o martelo chocou-se contra as nuvens. A gentil Freya, a deusa da Beleza, de cujo nome derivou a sexta-feira em inglês Friday, e o traidor Loke cujo nome ainda vive no sábado Escandinavo, são tantos outros fragmentos atuais de uma fé esquecida.
Mas jamais houve algum deus como Baldur. Ele era o segundo filho de Odin e Freya, o mais nobre e mais gentil de todos os deuses, amado por todas as coisas da natureza. Ele excedeu a todos os seres não só em delicadeza como também em prudência e eloquência, e era tão belo e gracioso que a luz irradiava de si. Foi-lhe revelado em sonhos que sua vida estava em perigo, e isto pesou tão fortemente sobre seu espírito que fugiu da sociedade dos deuses. Sua mãe Freya, tendo conseguido que ele lhe contasse a causa de sua melancolia, convocou um concílio de deuses, e ficaram todos cheios de sombrios pressentimentos, pois sabiam que a morte de Baldur seria o prenúncio de sua derrota – a primeira vitória dos gigantes, ou das forças das trevas.
Por isso Wotan traçou “runes”, caracteres mágicos usados para predizer o futuro, mas todos lhe pareciam obscuros. Não podia obter deles um conhecimento mais profundo. O “Vaso da Sabedoria” que podia servi-los na presente conjuntura, estava sob a guarda de uma das Parcas, as deusas do Destino, de maneira que de nada lhes poderia ajudar, então. Ydum, a deusa da Saúde, cujos pomos dourados mantinham os deuses sempre jovens, tinha sido traída e caíra em poder dos gigantes, devido às trapaças de Loke, o espírito do mal, mas foi-lhe enviada uma delegação a fim de consultá-la sobre a natureza da doença que ameaçava Baldur se é que se poderia chamá-la de doença.
Contudo, ela só pôde responder com lágrimas, e finalmente, depois de um solene concílio convocado por todos os deuses, ficou determinado que todos os elementos, e tudo o mais existente na natureza, deveriam ser obrigados a fazer o juramento de jamais magoar ou ferir o deus gentil. Todos obedeceram à ordem, exceto uma insignificante planta que crescia a oeste do Palácio dos deuses; ela parecia tão débil e frágil que os deuses a acharam inofensiva, Contudo, a mente de Wotan avisava-o de que nem tudo estava certo. Pareceu-lhe que as Parcas da boa sorte tinham se afastado. Por isso resolveu visitar uma célebre profetisa chamada Vala. Era o espírito da terra e por ela ficaria sabendo da sorte reservada aos deuses, mas não recebeu nenhum conforto, e voltou ao Walhalla mais deprimido do que antes.
Loke, o impostor, o espírito do mal, era na realidade um dos gigantes, ou uma das forças das trevas, mas vivera durante certo tempo com os deuses. Era um vira-casaca que não dependia de ninguém e, portanto, era geralmente desprezado tanto pelos deuses como pelos gigantes. Um dia em que estava sentado lamentando do seu destino, numa densa nuvem elevou-se do oceano e pouco depois surgiu dela a figura do Rei dos Gigantes. Loke, aterrado, perguntou-lhe o que o trouxera àquele lugar. O monarca increpou-o acerbamente fazendo-lhe ver sua vileza, pois ele, um demônio por nascimento consentia em ser uma ferramenta dos deuses em sua ação contra os gigantes, a quem ele, Loke, devia sua origem. Não foi por afeição a ele que foi admitido na sociedade dos deuses, e sim porque Wotan sabia bem a ruína que ele e sua descendência acarretariam sobre os deuses, e pensava assim apaziguá-lo para adiar o momento funesto. Aquele que, por meio do seu poder e de sua astúcia, poderia ter-se tornado o chefe de um dos partidos, era agora desprezado por todos. O Rei dos Gigantes o repreendeu, além disso, por já ter várias vezes salvo os deuses da ruína e mesmo por já lhes ter fornecido armas a serem usadas contra os gigantes, e finalizou apelando ao proscrito para que inflamasse seu peito contra Wotan e toda a sua raça, como uma prova de que seu lugar natural era entre os gigantes.
Loke recolheu a veracidade de tudo aquilo e prontificou-se a ajudar seus irmãos com todas as suas forças e por todos os meios. O Rei dos gigantes lhe disse então que chegara o momento em que podia selar o destino dos deuses; que se Baldur fosse morto seguir-se-ia, mais cedo ou mais tarde, a destruição dos demais, e que a vida dos deuses pacíficos estava então ameaçada por um perigo ainda desconhecido. Loke lhe respondeu que a ansiedade dos deuses estava se extinguindo, pois Freya tinha obrigado todas as coisas a jurar, comprometendo-se em não ofender seu filho. O monarca negro replicou que deixara de prestar o juramento. Contudo, ninguém sabia o que se ocultava no coração da deusa. Voltou então a mergulhar no seu abismo negro, deixando Loke entregue a pensamentos ainda mais sombrios.
Loke então, assumindo a figura de uma anciã, apareceu a Freya e usando de astúcia extraiu-lhe o segredo fatal, isto é que julgando ser o agárico uma planta de natureza tão insignificante ela deixara de obter da humilde florzinha a promessa com a qual havia sujeitado todas as demais coisas. Loke não perdeu tempo e logo descobriu o local onde medrava o agárico arrancou-o inteiro com todas as raízes, entregou-o aos anões, que eram hábeis ferreiros, para que o transformassem numa lança. Eles fizeram esta arma usando de muitos encantamentos, e quando pronta pediram o sangue de uma criança para temperá-la. Foi lhes trazida uma criança pura, um dos anões mergulhou a lança em seu peito e cantou:
“The death-gasp hear,
Ho! Ho! – now’tis o’er –
Soon hardens the spear
In the babe’s pure gore –
Now the barbed dead feel,
Whilst the veins yet bleed,
Such a deed – such a deed –
Might harden e’en steel”.
Tradução livre:
“Ouve, da morte o exterior!
Haaa! Já terminou! A lança
fica temperada por
sangue puro da criança!
Sente, agora, a ponta afiada
Enquanto dá-se a sangria
tal façanha, consumada,
até o aço temperaria”.
Nesse ínterim os deuses, e os bravos mortos que estavam reunidos a eles para um torneio fizeram mira sobre Baldur, alvejando-o com todas as suas armas, a fim de convencê-lo de que suas apreensões não tinham fundamento, assim o julgavam, agora que estava invulnerável, pois sua vida havia sido protegida por um sortilégio.
Loke também se encaminhou para o local levando a lança fatal, e ao ver o atlético deus cego, Redor, apartado dos dentais, perguntou-lhe por que não honrava, também, a seu irmão aludindo à sua cegueira e à falta de uma arma. Loke colocou-lhe então nas mãos a lança encantada, e Hoedur, não suspeitando da maldade, feriu Baldur no peito com a lança feita do agárico, e Baldur tombou sem vida ao solo, para grande dor de todas as criaturas.
Baldur é o Sol do verão, amado por todas as coisas da natureza, e no deus cego Hoedur, que o mata com a lança, reconhecemos facilmente o signo de Sagitário, pois quando o Sol entra em Dezembro nesse signo emite uma luz muito fraca, e por isso dizemos que é morto pelo deus cego, Hoeduro. A figura de Sagitário, tal como aparece no Zodíaco ao Sul, apresenta simbolicamente a mesma ideia que a lança na história dos Eddas.
A lenda da morte de Baldur nos ensina a mesma verdade cósmica que tantas outras lendas de natureza semelhante, isto é, que o Espírito Solar deve morrer para as glórias do Universo quando, como Cristo, entra na terra para lhe trazer vida renovada, sem a qual cessariam todas as manifestações físicas do nosso Planeta. Assim como aqui a morte precede um nascimento nos reinos espirituais, também ali há uma morte no plano espiritual da existência antes que haja um nascimento num corpo físico. Como Osíris (9) no Egito é morto por Tifon antes que possa nascer Hórus, o Sol do Novo Ano, assim também Cristo deve morrer para o mundo superior antes que possa nascer na terra, trazendo-nos o necessário impulso espiritual anual; mas a nossa Santa Estação não comemora maior manifestação de amor do que aquele da qual o agárico é o símbolo. Sendo fisicamente de uma fragilidade extrema, ele adere ao carvalho, o símbolo da força. É a máxima fraqueza do mais fraco dos seres que fere o coração do mais nobre e pacífico dos deuses, de modo que, impelido por seu amor aos humildes, ele desce às sombras do submundo, como Cristo que, por nosso amor, morre anualmente para o mundo espiritual, para tornar a nascer em nosso planeta impregnando-o novamente com Sua Vida e Energia radiantes.
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(1) Jorge – Trata-se do S. Jorge do hagiológio católico, padroeiro da Inglaterra, Aragão e Portugal. O único elemento histórico a seu respeito parece ser seu martírio em Lydda, na Palestina. Outros elementos de veracidade duvidosa são sua rápida ascensão na carreira militar, sua visita à Grã-Bretanha numa expedição militar e seu protesto contra as perseguições efetuadas por Diocleciano. Calvino impugnou a existência desse santo, mas as igrejas sírias e o cânon do papa Gelásio (494) aceitam-no como real. Sua ligação com um dragão apareceu no século VI. Em Arsuf ou Joppa, Perseu havia morto um monstro marinho que ameaçava a virgem Andrômeda, e Jorge herdou a veneração anteriormente votada ao herói pagão.
(2) Beowulf ou Bjolf – Rei dos Getas, na Jutlândia (século VIII A.D.). Após um reinado de 50 anos vê sua pátria ameaçada por um dragão ardente. Enfrenta-o com onze de seus guerreiros que o abandonam, ficando apenas um, Wiglaf; com sua ajuda mata o dragão, mas é ferido e morre nomeando Wiglaf seu sucessor.
(3) Siegfried – Herói germânico, fruto dos amores incestuosos de Sigmund e Sieglinda. Foi educado pelo anão Mime que dele quer se servir para roubar ao gigante Fafner o anel mágico dos Nibelungos, que dá ao seu possuidor o poder e a fortuna. Siegfried investe contra o gigante transformado em dragão; vence-o e apodera-se do amuleto.
(4) Apolo – Um dos grandes deuses da Grécia; personificava o Sol; filho de Júpiter e Latona nasceu em Delos, segundo Homero. A luta da Luz com as trevas simbolizada pela vitória de um deus ou de uma serpente em todas as mitologias arianas é na mitologia grega, o triunfo de Apolo sobre a serpente Pitão, morta no vale de Crissa, nas proximidades do Parnaso com setas forjadas por Vulcano.
(5) Hércules – Herói e semideus romano, o Héracles da mitologia grega. Filho de Zeus e Alcmena, dentre suas façanhas são famosos os Doze trabalhos, dos quais o décimo primeiro é o roubo das maças de ouro das Hespérides, ninfas filhas de Atlas e Héspero. Habitavam num grande jardim custodiando os frutos dourados com o auxílio do dragão Sadão. Hércules matou o dragão e apoderou-se dos pomos de ouro.
(6) Fênix – Ave fabulosa, animal sagrado entre os egípcios. Este nome, de origem grega, corresponde ao egípcio benu. Diz a lenda que quando se sentia morrer fazia um ninho de ramos de canela e incenso e depois se deixava sucumbir. De seus ossos nascia uma espécie de verme que logo se transformava numa nova ave.
(7) Agárico ou visco – Cogumelo venenoso, em forma de lança que medra de preferência em troncos de carvalho.
(8) Azevinho – Arbusto espinhoso; produz pequenos frutos vermelhos; suas folhas e frutos são muito usados na Europa e Estados Unidos como ornamento por ocasião do Natal.
(9) Osíris – Um dos deuses do antigo Egito; filho de Seb e Nut, marido e irmão de Isis, e pai de Hórus. É o deus do bem, que personifica a vegetação, o Nilo e o Sol. Governava o Egito quando Tifon, seu irmão, assassinou-o, encerrou-o num esquife e o lançou às águas do rio, que o transportaram até Biblos, em cujo local brotou um tamarindeiro. Isis desesperada procura o corpo do esposo até que o encontra. Beija-o e nesse momento supremo toda a terra estremece de alegria. Osíris reanimado levanta-se do ataúde. A terra cobre-se de vegetação e os egípcios, associando-se àquela alegria universal, celebram com ruidosas festas o renascimento do seu protetor.
(Pergunta nº 165 do livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)