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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Bebê de Belém

De vez em quando grandes pintores retrataram o nascimento do Menino Jesus em Belém, e muitas dessas representações foram verdadeiramente belas. Tal é o caso da pintura de Burne-Jones (pintor britânico), cuja mãe morreu ao dar à luz. Ele nunca conheceu o amor de uma mãe, mas imprimiu um toque maravilhoso de ternura no rosto do Menino, que se agarra firmemente ao vestido da mãe enquanto está sentado em seu colo e se vira timidamente para ver os três Reis Magos que lhe apresentam seus presentes.

– “Você realmente acha que a história dos Reis Magos é verdadeira?”, perguntei a um amigo enquanto observava Burne-Jones pintar “A Estrela de Belém”.

“É tão belo que parece mentira”, foi a resposta do artista.

Hoje, infelizmente, algumas pessoas questionam a autenticidade de muitas histórias bíblicas, mas o significado esotérico jamais poderá ser outra coisa senão a verdade.

Todos os dias, crianças nascem entre nós; almas jovens e velhas retornam à vida terrena para adquirir mais experiência, quitar dívidas antigas e ajudar seus irmãos e suas irmãs. Cada ano de suas vidas lhes oferece oportunidades de crescimento, físico e espiritual, e às vezes, em sua cadeia de vidas, um novo nascimento, mais profundo e misterioso, se realizará: o nascimento do Cristo Interior. Mas isso só pode ocorrer quando a pureza reina no coração, como reinava no de Maria, quando todos os desejos são para ajudar os outros, e não para ganho próprio. Nesse momento, desejaremos oferecer ao Salvador recém-nascido ouro, mirra e incenso, que esotericamente representam Espírito, Alma e Corpo, respectivamente, todos os quais são dados ao novo Rei, o Cristo.

Espírito é simbolizado como ouro. É assim que se fala no Anel dos Nibelungos, um anel que foi feito com o ouro roubado por Alberico. O Espírito foi assim degradado e tem a sua oitava inferior no Corpo Denso.

Os alquimistas são descritos como aqueles que transmutam metal vil em ouro, e nós devemos, por meio da alquimia espiritual, purificar o Corpo Denso para que ele possa se tornar novamente ouro (Espírito) e assim apresentá-lo ao Cristo recém-nascido.

A mirra é o extrato de uma planta aromática que cresce na Arábia. É rara e representa a Alma, uma essência, extraída por meio de experiências no Corpo.

O incenso foi um presente do terceiro Rei Mago. É uma substância física frequentemente usada em rituais espirituais. Encontramos seu uso no Tabernáculo no Deserto como um meio para criar certas condições e proporcionar um caminho para as forças espirituais. (Mas o incenso só deve ser manuseado por um “Homem Sábio” (Apo 8:3). Só era permitido usá-lo pelo sumo sacerdote e era queimado para ajudar a transmutar os pecados do povo.

O primeiro presente ao Rei recém-nascido, o Cristo Interior, é o controle do Corpo Denso. Pedimos que Ele reine sobre todos os reinos da nossa Terra e nos ajude a colocar todas as partes pagãs, ou errantes, completamente sob o Seu domínio. O segundo presente é a Alma, extraída das ações realizadas em nossos Corpos. A Alma é a essência espiritual do nosso trabalho na Terra, seja ele bom ou mau, mas o mal passará e somente o bem será preservado para ser transmitido de vida em vida.

O terceiro presente é o aroma agradável, o incenso feito por nossas súplicas pelos outros, nossas orações por aqueles em quem o Cristo ainda não nasceu.

É significativo que Jesus tenha nascido na noite mais longa do ano, e geralmente é quando tudo parece mais sombrio ao nosso redor e estamos em desespero que oferecemos nossos corações a Cristo por Seu trono.

Ele vem como um doce bebê e nos acalma com Seu toque amoroso, mas como um bebê, devemos alimentá-Lo; devemos cuidar d’Ele com ternura, ou Ele poderá ser forçado a nos deixar por um tempo. Chegará um tempo em que as circunstâncias ao nosso redor poderão nos levar a “esconder a criança e fugir para o Egito”, mas lembrem-se de que houve um tempo na história bíblica em que todos aqueles que buscavam a vida da criança estavam mortos. Assim é conosco. Se guardarmos fielmente aquilo que nasceu dentro de nós, poderemos defender nossas crenças sem medo; então, rapidamente, a criança crescerá até que um dia desejará “estar envolvido nos negócios do meu Pai” (Lc 2:49) e ouviremos o chamado: “Venham trabalhar hoje na Minha Vinha” (Mt 21:28). Então poderemos ir trabalhar, clamando aos nossos semelhantes: “Levantem as suas cabeças, ó portas, para que o Rei da Glória entre. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, o Senhor poderoso na batalha. Ele é o Rei da Glória. Ele é o Rei da Paz.” (Sl 24:7).

(De Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

(*) Pintura The Star of Bethlehem por Edward Burne-Jones c.1885-1890

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Significância Esotérica dos três Reis Magos em nós

Se nos limitamos a interpretar as Sagradas Escrituras simplesmente pela “letra que mata” e não pelo “Espírito que vivifica” (IICor 3:6), como nos aconselha o apóstolo S. Paulo, pouco dela poderemos aprender. O buscador da verdade, isto é, aquele que anseia superar-se para ser mais útil à Humanidade a que pertence, será, certamente, iluminado ajudando na interpretação das escrituras.

Acerca dos três Reis Magos, se nos detemos em meditação, podemos estabelecer formosa analogia entre eles e nós, seres humanos. Observe-se que não dizemos aqui Reis da Ásia, da Arábia e do Egito, nem de qualquer outro ponto determinado da Terra. São Magos do Oriente.

Se recordamos o que escreveu Max Heindel, no tocante da direção aparente do Sol em relação à Terra e do sentido da evolução espiritual; que o Sol vem do Leste para Oeste e por analogia os Reis Magos vieram do Oriente, assentamos a base de nossa meditação.

Os três Reis Magos eram: um de cor branca, outro de cor amarela e outro de cor negra. Conhecemos a interpretação segundo a qual os Magos representam as três raças predominantes ao tempo de Cristo Jesus. Este trazia a missão de unificação das raças, ou seja, da Humanidade inteira, isto é, a substituição do Espírito de Raça pelo Espírito Unificador de Cristo – a encarnação do Amor.

Porém, cada verdade pode ter, no mínimo, sete interpretações verdadeiras. Quando nos propomos interpretar a Deus, segundo os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, por intermédio de Max Heindel recebemos dos Irmãos Maiores, aprendemos que o Ser Supremo mencionado nos é apresentado com os atributos de: Poder, Verbo e Movimento. Não são três Seres, senão três Atributos de um só Ser. Quando este Ser, em Sua permanente atividade, põe em Manifestação mais densa, com o propósito de criar e crescer, eles se manifestam em: Vontade, Sabedoria e Atividade. À semelhança de Deus, nosso Criador, nós criado a Sua imagem e semelhança temos três atributos, emanações de Deus, que são: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, respectivamente; três aspectos de Uma mesma divindade interna, nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui). Assim, nos manifestamos de forma tríplice, isto é, Consciência (Pai), Vida (Filho) e Forma (Espírito Santo). Não são três “pessoas”, senão três manifestações de uma só “pessoa”. Se faltasse uma destas três manifestações não poderíamos evoluir, mostrando assim que depende de uma cadeia completa de veículos correspondentes aos atributos superiores.

Então, os três Reis Magos podem representar a nós, o Ego, em estado superior que reverencia o “Eu Superior” (justamente os nossos veículos superiores: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano). Melchior, da raça branca, símbolo da Unidade do Pai, representa a Consciência; Gaspar, da raça amarela, cor do Filho, é a segunda manifestação:  Vida (Cristo Interno) e Baltazar da raça negra, é a terceira manifestação:  a Forma (Espírito Santo). Meditemos que o movimento, terceiro atributo do Todo Poderoso, é que dá a ação, o evento. É consequência do Poder, primeiro Atributo. Nenhum, isoladamente, é superior ou inferior, senão que todos são manifestações do Todo, que é Uno.

Melchior, Gaspar e Baltazar (Consciência, Vida e Forma – três atributos em UM), ofereceram ao recém-nascido o melhor que tinham Ouro, Incenso e Mirra (Espírito, Corpo e Alma, respectivamente).

Seguindo o exemplo deles, devemos, não apenas oferecer, senão dar em pensamentos, sentimentos e atos ao Cristo Interno que nasce dentro de nós, a Consciência, a Vida e nosso Corpo, de modo a identificarmos como Filhos de Deus, um Templo do Deus vivente, seja no sentido material como no espiritual.

Aquele ouro não era material, pois o Reino de Cristo não é deste mundo e Ele não buscava riquezas materiais. Os Reis Magos, iluminados como eram, vislumbravam a Estrela como também nós a vislumbramos hoje pela interna iluminação. Eles sabiam o que estavam levando e para quem estavam levando aquelas oferendas.

De volta ao Oriente, os Magos foram por outros caminhos, evitando o Rei Herodes, cuja intenção conhecia. Assim também faz o Aspirante que deseja encurtar o caminho para a meta. Deixa atrás o caminho da Involução e volta pelo caminho da Evolução; deixa a senda dos vícios e erros e segue o caminho mais curto das virtudes. Depois que encontra o Salvador e dedica-se inteiramente a Seu Serviço, sem posteriores ligações com o egoísmo: simbolizado por Herodes.

Que este pequeno ponto do Evangelho suscite no Estudante Rosacruz uma firme resolução de se enquadrar, cada vez mais nas condições ideais de um verdadeiro servidor da “Vinha de Cristo” neste mundo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1966 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Renovada Disposição sempre Planejando para o Próximo Ano

Já sopraram os ventos desse ano terrestre que se findou. O ano que já passou, com tudo que pôde oferecer de positivo ou negativo, considerando-se a relatividade desses dois termos, faz parte do passado. Deixou, dependendo da maneira como esse problema é encarado individualmente, um saldo determinado.

Para alguns restaram indeléveis traços de sofrimentos e decepções, amarguras e contrariedades. Outros não conseguiram apagar o estigma de tragédias que os envolveram e atingiram. Há aqueles perseguidos pela frustração de aspirações irrealizadas, de metas inatingidas. Mas alguns, talvez poucos, sentiram-se bafejados pelo êxito em suas vidas profissionais e particulares. Afinal, dizem, das crises, por crônicas que sejam, sempre alguém escapa ileso.

Uns e outros tendem a encarar o ano que se inicia sob uma ótica oriunda, nascida, dos percalços e sucessos do ano que se findou. Não atinam quão irreais e enganadoras são as chamadas “vitórias” e “derrotas”. Os “derrotados desse ano” observam a quadra atual com certa dose de pessimismo. Na melhor das hipóteses, animam-se com tênues esperanças de que o presente seja menos malfazejo que o pretérito. Imaturos espiritualmente, não se libertaram de traumas passados. Tudo se lhes afigura difícil, impossível e sombrio.

Para aqueles a quem o “êxito foi obtido”, as coisas, nesta nova fase, na pior das hipóteses, fluirão num mesmo nível. Permitem-se até dormir sobre os louros de suas realizações, como se o amanhã não fosse outro dia.

Observa-se, aí, como o irmão e a irmã que não se dedicam e colocam em prática a espiritualidade cristã são dominados por uma preocupação obsessiva de tudo rotular — bem/mal, bom/mau, triunfo/fracasso — à luz de seus superficiais conhecimentos.

Tanto para os “deserdados” como para os “afortunados” desse ano que se findou houve apenas sepultamento. O “corpo encontra-se enterrado, mas o defunto permanece fresco”, podendo ser exumado a qualquer hora. Sua lembrança persegue-o tenazmente, com sua carga desestimulante ou ilusória.

Felizmente, há quem logre se sobrepor-se a esse estado de espírito. São as chamadas “almas velhas”, irmãos e irmãs que se dedicam, estudam e praticam a espiritualidade cristã nas suas vidas – especialmente por meio dos Ensinamentos Rosacruzes, que fornecem os Ensinamentos do Cristianismo Esotérico – têmperas forjadas na crueza e nas experiências de vidas passadas. Dotados de natureza intimorata, hoje, imperturbáveis, sabem como enfrentar os desafios do mundo.

Não se amedrontam, desconhecem a inibição diante de circunstâncias adversas, mas ninguém os vê exibir arrogante autossuficiência. A modéstia é seu apanágio. São equilibrados, justos e sensatos.

Cônscios de seu progresso, nem por isso deixam de reconhecer que o caminho para alcançar a perfeição é infinito. Conservam a Mente aberta e o Coração radiante, dispostos a haurir os mais valiosos Ensinamentos Rosacruzes do cotidiano. Sabem que ainda muito têm a aprender e crescer, num futuro suscetível de se desdobrar em mil caminhos diferentes.

Esses não sepultaram o ano que já passou. Cremaram-no! Não buscam desenterrá-lo constantemente, reabrindo velhas feridas. Não! Reduziram-no a cinzas. Basta-lhes apenas ter assimilado o valor educativo das experiências pelas quais passaram. É o suficiente para lhes servi de orientação e inspiração no ano recém-iniciado.

Aos acontecimentos passados, só lhes atribuem valor como lições de vida. O novo ano, afirmam, deve ser bem recebido. Merece ser visto com bons olhos. Afinal, quantas oportunidades de crescimento anímico e mesmo de progresso material ele poderá nos oferecer!

Nessa abençoada seara, que é o mundo, a cada momento se nos surgem valiosas ocasiões de empregarmos nossas faculdades epigenéticas. Assim, cabe-nos tentar, sempre que possível, criar algo novo ou melhorar o já existente. Todas as coisas clamam por um toque de aperfeiçoamento, de inovação, de originalidade. Em tudo há sempre uma beleza recôndita, esperando por ser desvelada.

No limiar de um novo ciclo, o melhor que cada um pode fazer é arregaçar as mangas e renovar sua disposição para o trabalho. Há muito por construir. Nada de lamentar o mal acontecido, nem de deslumbramentos com conquistas já ultrapassadas. Não se pode viver do passado. O que “está feito, está feito”. As lições, sim, servem para alguma coisa.

Assim, resta a pergunta à você: “o que você fez até aqui, nesse ano? Enterrou? Cremou?”

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Folha com Aspectos Astrológicos Rosacruz – MÊS DE JANEIRO DE 2026

Folha-Astrologica-Rosacruz-Aspectos-e-Posicoes-Diarios-JANEIRO-de-2026-FRCampinas-SP-Brasil-scaled Folha com Aspectos Astrológicos Rosacruz – MÊS DE JANEIRO DE 2026

Com a Folha Astrológica Rosacruz o Estudante Rosacruz o Estudante tem uma importante ferramenta:

1) Ajuda-o a aproveitar as influências astrais oferecidas pelos Aspectos benéficos (Sextil, Trígono e Conjunções benéficas) e a se precaver para não cair nas tentações oferecidas pelas influências astrais adversas, ou seja, pelos Aspectos adversos (Quadratura, Oposição e Conjunções adversas), no seu dia a dia.

2) Compreende quais as influências são mais fortes e quais são as mais fracas.

3) Obtém o conhecimento de quais são os melhores períodos e dias para tratamentos da sua saúde quando da necessidade de se trabalhar em alguma parte do seu Corpo Denso.

4) Tem acesso aos dias em que oficia Rituais dos Serviços Devocionais especiais.

5) Se está fazendo os Cursos de Astrologia Rosacruz, o uso se torna mais eficaz e muito mais abrangente.
Ajuda, inclusive, ao Estudante Rosacruz que está fazendo os Cursos de Astrologia Rosacruz a compreender a dinâmica da Astrologia e a influência dos Astros durante todos os dias.

Para imprimir em formato A4 é só clicar : Folha com Aspectos Astrológicos Rosacruz – Mês de Janeiro de 2026 – formato A4

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Calendário – As Atividades de Estudos e Ofícios de Rituais da Fraternidade Rosacruz em Campinas/SP/Brasil – 2026 – Janeiro

Cronograma-de-Atividades-Fraternidade-Rosacruz-em-Campinas-SP-Brasil-JANEIRO-de-2026 Calendário – As Atividades de Estudos e Ofícios de Rituais da Fraternidade Rosacruz em Campinas/SP/Brasil – 2026 – Janeiro

>> Informações importantes para usar nos seus Exercícios Esotéricos Rosacruzes são as Atividades do Cristo no seu Trabalho como Nosso Salvador:

-> Para saber qual é o Trabalho Cósmico do Cristo nesse quadrimestre: O Trabalho do Cristo na Terra: de Dezembro à Março de cada ano

-> Para esse Mês Solar tome como material para os seus Exercícios Esotéricos tal assunto: Senhor Cristo Inunda a Terra com o Prodigioso Poder Espiritual

>> Para você usar no processo de Cura Rosacruz:

-> Para saber que Signo a Lua está em cada dia desse mês, e daí saber as Partes do Corpo que Não Se Deve Mexer – Janeiro de 2026

-> Para obter mais detalhes sobre os Melhores e Adversos Períodos e Dias para Tratamentos e Cirurgias – Janeiro de 2026

*** Para você ter uma cópia é só clicar aqui:

As Atividades de Estudos e Ofícios de Rituais da Fraternidade Rosacruz em Campinas/SP/Brasil – 2026 – JANEIRO

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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pausa para Meditar, Pensar e Fazer nesse Importante Momento do Ano

Para qualquer um de nós é um hábito muito salutar fazer um balanço anual das atividades, do que foi feito, do que não se cumpriu e dos planos para o ano vindouro, ou seja: fazer uma retrospectiva, a mais isenta possível de emoção pessoal, mas com a maior consciência que podemos ter, não só para discernir bem, mas também para aprendermos e quiçá colhermos a quintessência das lições que aprendemos (afinal, sempre estamos aprendendo!).

E aqui está um dos melhores momentos do ano para você aplicar o que aprendeu dos Ensinamentos Rosacruzes. Logicamente se você se dedicou, estudando, fazendo os Exercícios Esotéricos Rosacruzes, oficiando os Rituais do Serviço Devocional e colocando tais Ensinamentos no seu dia a dia.

Poucos avaliam como muitos problemas de saúde são decorrentes da falta desse levantamento, pois a ausência de uma perspectiva, da avaliação das nossas possibilidades reais pode gerar frustrações, depressões e angústias que fatalmente repercutirão sobre o funcionamento dos órgãos, tecidos, sistemas e todas as partes do nosso Corpo Denso.

Vamos a um exemplo: um homem de entorno de 60 anos, cabelos brancos, saúde abalada, em relativa dificuldade financeira, não se dispunha a vender um lote de terreno que resolveria seus problemas e lhe daria tranquilidade e meios para seus projetos, porque aguardava maior valorização depois que certa estrada projetada fosse construída. Jamais usufruirá desse bem e certamente morrerá infeliz e derrotado, sonhando com um futuro problemático.

Neste final de ano, cada um deve parar, olhar para trás e encarar os fatos. Se eu morresse agora, perguntará o sexagenário, terei realizado o que planejei? Terei deixado aos meus, à minha obra, à minha coletividade algo a que me propus? Terei me empenhado a fundo nessa missão, ou, ao contrário, estarei dando voltas em torno de atividades supérfluas, desperdiçando inteligência e tempo em coisas sem nenhum valor para meus objetivos primordiais?

É preciso coragem para nos desligarmos de tudo o que sinceramente consideramos desperdício e desvio da missão principal a que nos propomos neste mundo. Pouca gente avalia como somos diariamente despojados da mais preciosa de nossas riquezas: nosso cérebro e nossa atenção, pelos “batedores de carteiras” do nosso tempo. Eles nos minam a resistência, nos desviam do nosso trabalho e nada ficam devendo.

Ao jovem, o balanço servirá para avaliar quanto enriqueceu seu patrimônio cultural, quais foram as conquistas realizadas. Melhorou seu nível de aprendizado? Aprendeu línguas? Adquiriu o hábito de boas leituras? Desenvolveu algum trabalho de pesquisa nessa Região Química ou nos planos espirituais? Aperfeiçoou seu português, aumentou seu vocabulário? Aprofundou-se nos conhecimentos de sua futura profissão? Estabeleceu novas e valiosas relações sociais, fazendo conhecimentos com pessoas ricas de conhecimento, sabedoria e de vida?

Não se esquecer de traçar a meta para o ano seguinte e procurar cumpri-la à risca. Jovem! O bem mais valioso que possui é o tempo! Não o desperdice! Cada minuto deve ser plenamente preenchido. Não só trabalho. Há hora para prazer e hora para pensar. Bem dividido, seu dia dará para tudo, até para ficar alguns momentos deitado, de papo para o ar, olhar distante e sonhador, para um futuro brilhante que nosso grande e inigualável país oferece aos que se preparam para vencer.

Quem aplica sua Mente a fundo em algum mister, quem mobiliza cérebro e pensamentos num objetivo determinado, disposto a superar e a vencer, terá mobilizado, sem saber, cada célula do seu corpo: jamais adoecerá. Grande parte das doenças físicas inicia-se com a “ferrugem do espírito”. Está aqui a solução para esse grande problema: se desenvolver espiritualmente pelo método do Conhecimento Direto, preconizado pela Fraternidade Rosacruz!

E para isso há só um que precisa querer: você! Afinal, para quem não sabe viver consigo mesmo, distrair-se é frequentemente mudar de tédio.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Exemplo Notável: “por que não eu?”

Max Heindel costumava dizer: “Se há alguma coisa a ser feita, por que não eu?”.

Nós, com nosso egoísmo e nossa ignorância, viemos cometendo muitos erros, comprometendo, não raro, os nossos semelhantes. Mas isso, no curso da evolução, é compreensível: estamos aprendendo a usar as faculdades. Temos uma margem de livre arbítrio para isso. Pelas consequências vamos aprendendo a conhecer e a corrigir as causas.

A moderna ciência da ecologia vem demonstrando como nós estamos provocando desequilíbrio na Natureza (que é a manifestação visível de Deus), em nosso próprio prejuízo. Isto é sinal de que já estamos voltando os olhos às Leis da Natureza e reconhecendo uma sabedoria superior a dirigir as coisas.

A respeito, queremos resumir um belo relato de Jean Giono – um escritor francês – , uma história verídica acerca de um homem que plantou esperança e criou felicidade.

“Há cerca de 40 anos fiz uma longa caminhada através de serras desconhecidas dos turistas, naquela antiga região onde os Alpes caem em direção à Provença no sul da França. Naquela época, tudo ali era terra estéril e incolor. Nenhuma vegetação, além da lavanda silvestre. Eu atravessei a região em sua parte mais ampla e, após caminhar três dias, encontrei-me em meio à mais completa desolação. Acampei perto dos vestígios de uma aldeia abandonada. A água que levava acabara na véspera, e precisava encontrar alguma. Aquelas casas agrupadas, apesar de serem apenas ruínas, semelhantes a um velho ninho de marimbondos, sugeriam que deveria haver ali uma fonte, ou um chafariz. Havia, de fato, uma fonte, mas estava seca. As cinco ou seis casas, destelhadas, roídas pelo vento e pela chuva, a pequena capela com sua torre desmoronada, se situavam como casas e capelas de uma aldeia abandonada.

Era um lindo dia de junho: brilhava o sol, mas sobre essa paisagem desprotegida, o vento soprava feroz, insuportável, rugindo entre as ruínas como um leão perturbado. Tive que mudar o acampamento.

Após cinco horas de marcha ainda não encontrara água nem sinal algum que me fizesse esperar encontrá-la. A meu redor tudo era seca; por todo lado, o mesmo capim grosseiro. Pareceu-me ver ao longe uma pequena silhueta escura, ereta; tomei-a por um tronco de árvore isolada. De qualquer maneira me dirigi em sua direção. Era um pastor. Trinta ovelhas estavam deitadas ao seu redor, sobre a terra quente e seca.

Ofereceu-me um gole de seu cantil e, mais tarde, levou-me ao seu abrigo. Ele tirava sua água — excelente água — de um poço natural muito profundo, por cima do qual havia construído uma primitiva manivela.

O homem falava pouco. É o hábito dos que vivem sós. Sentia-se que ele estava seguro de si, e confiante em sua segurança. Isto era surpreendente naquela terra estéril. Ele não vivia em um barraco, mas em uma verdadeira casa de pedras, que revelava claramente os esforços que empenhara em recuperar a ruína que ali havia encontrado. O telhado era forte e sólido. O vento, soprando sobre as telhas, imitava o ruído do mar quebrando na praia.

O lugar estava arrumado, a louça lavada, o chão varrido; a sopa fervia no caldeirão da lareira. Percebi, então, que ele estava de barba feita, que sua roupa tinha os botões bem presos e que estava remendada meticulosamente, a ponto de serem quase invisíveis os remendos. Repartiu comigo sua sopa e, quando lhe ofereci minha bolsa de fumo, respondeu que não fumava. Seu cão, silencioso como o dono, era amistoso sem ser, no entanto, servil.

Ficou desde logo subentendido que eu pousaria ali naquela noite; a aldeia mais próxima ficava a mais de um dia e meio de viagem. Aliás, eu estava perfeitamente familiarizado com o tipo das raras aldeias daquela região. Eram quatro ou cinco aldeias bem afastadas entre si, nas encostas das montanhas, em meio a bosques de árvores, no final de estradas de carroças. As famílias, aglomeradas, vivendo em um clima excessivamente rude, tanto no inverno quanto no verão, não conseguiam escapar de constantes brigas entre si. Uma ambição irracional atingia proporções desordenadas sob o constante desejo de fuga. Os homens levavam à cidade suas cargas de carvão e regressavam. Mesmo os de mais firme caráter sucumbiam sob a rotina amordaçante. As mulheres cultivavam seus desgostos. Reinava rivalidade a qualquer propósito, sobre o preço do carvão, sobre o banco reservado na igreja, etc. E sobre tudo isso soprava o vento, incessante, a desgastar os nervos. Ocorriam epidemias de suicídio, e eram frequentes os casos de insanidade mental, geralmente levando a homicídios.

O pastor foi buscar um pequeno saco e derramou sobre a mesa um punhado de sementes de carvalho. Começou a examiná-las, uma por uma, muito concentrado, separando as boas das más. Eu fumava meu cachimbo. Ofereci-lhe minha ajuda. Ele disse que era tarefa sua. E, realmente, vendo o cuidado que ele dedicava ao que fazia, não insisti.

Nossa conversa limitou-se a isso. Após ter separado um monte de sementes aprovadas, ele as dividiu em montinhos de dez, eliminando ainda algumas pequenas ou ligeiramente machucadas, pois agora as examinava mais de perto.

Tendo selecionado, assim, cem sementes perfeitas, parou sua tarefa e fomos dormir.

Reinava a paz ao redor desse homem. No dia seguinte, lhe perguntei se poderia descansar ali mais um dia. Ele achou o pedido natural, ou melhor, deu-me impressão de que nada poderia surpreendê-lo. Eu não precisava tanto de repouso, mas estava interessado, e desejava saber mais sobre ele. Ele abriu o cercado e levou suas ovelhas ao pasto. Antes de partir, mergulhou as sementes, cuidadosamente selecionadas e contadas, em um balde com água.

Notei que o bastão que levava era uma vara de ferro de espessura de um polegar e de um metro e pouco de comprimento. Eu descansava, caminhando por um trilho paralelo ao dele. O pasto ficava e vale. Ele deixou o pequeno rebanho aos cuidados do cão e subiu em direção ao lugar onde eu estava. Pensei que queria censurar minha indiscrição, mas estava enganado: era o caminho que ele queria trilhar e convidou-me a acompanhá-lo, caso não tivesse outra coisa a fazer. Galgou o topo da elevação, a cerca de 100 metros.

Ali começou a furar a terra com seu bastão de ferro, abrindo um buraco no qual plantou uma semente; em seguida cobriu o buraco com terra.

Estava plantando carvalhos. Perguntei-lhe se a terra lhe pertencia. Ele respondeu que não. Quem era o proprietário? Ele não sabia. Supunha que fosse propriedade do governo ou talvez pertencesse a pessoas desinteressadas. Ele não se preocupava em saber de quem era a terra. Plantou suas cem sementes com extremo cuidado. Depois do almoço, recomeçou a plantar. Acho que insisti bastante em minhas perguntas, pois ele me respondeu.

Havia três anos que ele estava plantando árvores naquele deserto. Já plantara 100.000. Destas, 20.000 haviam brotado. Das 20.000, ele calculava que ainda perderia a metade por causa de animais roedores ou das intenções imprevisíveis do destino. Restariam 10.000 árvores a crescer onde nada crescera antes.

Foi então que comecei a pensar sobre a idade que podia ter esse homem. Tinha mais que cinquenta e cinco, disse-me ele. Seu nome era Elzéard Bouffier. Possuíra uma fazenda na planície. Ali vivera sua vida. Perdera o filho único e depois, também a mulher. Retirara-se então para essa solidão, acompanhado de seu cão e de suas ovelhas. Achava que essa terra estava morrendo por falta de árvores. E, não tendo nada de urgente a fazer para si mesmo, resolvera remediar esta situação.

Eu, naquela época e apesar de jovem, levava uma vida solitária, e sabia por isso lidar com gente solitária. Mas o fato mesmo de ser jovem, fazia-me encarar o futuro em relação a mim mesmo, e com uma certa procura da felicidade. Disse-lhe que seus 10.000 carvalhos estariam magníficos após trinta anos. Ele respondeu simplesmente, que, se Deus lhe concedesse vida, dentro de trinta anos ele teria plantado tantos carvalhos que esses 10.000 seriam como uma gota de água no oceano.

Além disso, ele estava estudando a reprodução das faias (outro tipo de árvore daquela região) e já tinha um canteiro com mudas de faia ao lado de sua cabana. Essas mudas, protegidas das ovelhas por uma cerca de arame, estavam muito bonitas. Ele pensava ainda em plantar bétulas (outra árvore) nos vales onde, conforme disse, havia uma certa umidade, alguns metros abaixo do solo.

No dia seguinte nos despedimos. Anos mais tarde tive desejo de rever o solitário pastor. Admirei-me com a transformação. As faias já estavam crescendo no vale, muito viçosas. Como supusera Bouffier, ali havia umidade quase à superfície do solo. As bétulas, delicadas como as mocinhas, estavam bem desenvolvidas.

Parecia ter sido desencadeada uma criação em série. Ele não se importava; simplesmente prosseguia sua tarefa, com perseverança e determinação. Ao voltarmos em direção à aldeia, vi água correndo nos leitos de riachos secos desde tempos imemoriais. Foi esse o mais impressionante resultado de reação em série que eu já havia visto. Os riachos ressecados haviam carregado água, há muito tempo. Algumas das tristes aldeias que mencionei haviam sido construídas no local de antigos acampamentos romanos cujos vestígios ainda existiam; e os arqueólogos, pesquisando na região, tinham encontrado anzóis, em um lugar onde, no século XX, era preciso cavar poços para obter um pouco de água.

O vento também espalhava sementes. À medida que a água reaparecia, ressurgiam também salgueiros, junco, prados, jardins e flores e um certo sentido para a vida. Mas a transformação ocorria aos poucos, modificando o ambiente sem causar surpresa. É verdade que os caçadores, escalando os penhascos desertos à procura de lebres ou javalis, notavam o crescimento súbito de pequenas árvores, mas o atribuíram a algum capricho da terra. Eis porque ninguém interferiu no trabalho de Elzéard Bouffier. Se tivesse despertado a atenção, logo teria surgido uma oposição. Não o descobriram. Ninguém, nas aldeias ou na administração, poderia ter sonhado com tal perseverança nascida de tão magnífica generosidade.

Para formar-se uma ideia aproximada daquele caráter excepcional, não deve ser esquecido o fato de ter ele trabalhado em solidão absoluta: tão absoluta que, na velhice, perdeu o hábito da fala. Ou talvez, não mais a achasse necessária.

Em 1933, recebeu a visita de um guarda florestal que lhe transmitiu uma ordem: proibição de acender fogo ao ar livre, para proteger o crescimento daquela floresta “natural”. O homem disse ao guarda, inocentemente, que pela primeira vez ouvia falar em uma floresta que crescia por conta própria. Nessa época, Bouffier se estava preparando para plantar faias a cerca de 12 quilômetros de sua cabana. Para evitar constantes caminhadas — pois ele já contava 75 anos — planejou a construção de um abrigo de pedra no sítio da plantação. No ano seguinte, realizou esse plano.

Em 1935, toda uma delegação do governo chegou para examinar a “floresta natural”. Havia um alto funcionário do Serviço Florestal, um deputado e técnicos. Houve muitas conversas ineficientes. Decidiu-se que algo tinha que ser feito e, felizmente, nada se fez além da única medida útil: toda a floresta foi colocada sob a proteção do governo e proibiu-se a carvoagem, pois era impossível não se ficar cativado pela beleza dessas jovens árvores em pleno desenvolvimento, cujo encanto envolveu até mesmo o deputado.

Um amigo meu fazia parte daquela delegação. Expliquei-lhe o mistério. Um dia, na semana seguinte, fomos ambos visitar Elzéard Bouffier. Encontramo-lo arduamente trabalhando, a cerca de dez quilômetros do local onde havia sido feita a inspeção.

Esse funcionário do Serviço Florestal sabia perceber a valor das coisas. E sabia manter silêncio. Entreguei a Bouffier os ovos que trouxera como presente. Almoçamos juntos, os três, e passamos várias horas a contemplar, em silêncio, a paisagem.

Na direção de onde viéramos, as encostas estavam cobertas de árvores que mediam entre seis e oito metros. Lembrei-me do que ali havia em 1913: Um deserto… O trabalho regular e tranquilo, o vigoroso ar da montanha, a frugalidade e, sobretudo, o espírito sereno haviam dotado aquele velho com uma saúde que inspirava respeito. Ele era um dos atletas de Deus. Fiquei imaginando quantos acres ele ainda iria cobrir de árvores.

Antes de partir, meu amigo simplesmente fez alguma sugestão quanto a certas espécies de árvores para as quais o solo parecia apropriado. Não insistiu. “Pela simples razão” disse-me ele mais tarde, “que Bouffier entende mais disto do que eu”. Após caminharmos mais de uma hora — e tendo meditado sobre aquilo — disse ainda: “Ele sabe muito mais do que qualquer outro. Ele descobriu um modo maravilhoso de ser feliz”.

Foi graças a esse funcionário que a floresta ficou protegida. Designou para aquela região três guardas florestais nos quais incutiu tanto medo, que eles ficaram insubornáveis, por mais litros de vinho que lhes oferecessem os carvoeiros.

A única vez em que o trabalho de Bouffier ficou seriamente ameaçado foi durante a guerra de 1939. Os carros eram movidos por gasogênio (geradores alimentados por lenha) e sempre faltava lenha. Começaram a derrubar os carvalhos de 1910, mas como a região era muito afastada de qualquer via férrea, o empreendimento se revelou financeiramente insustentável e foi abandonado. O pastor nada tinha visto. Estava a 30 quilômetros dali, trabalhando em paz, sem tomar conhecimento da guerra de 1939, como fizera também em 1914.

Vi Elzéard Bouffier pela última vez, em junho de 1945. Ele completara 87 anos. Eu resolvera atravessar novamente o caminho daquelas terras áridas; mas, apesar da desordem deixada pela guerra, havia agora um ônibus que passava entre o vale da Durance e a montanha. Atribuí à relativa velocidade do transporte o fato de não reconhecer as paisagens de minhas viagens anteriores. Foi somente ao ver o nome de uma aldeia que me convenci de estar realmente naquela região, que fora só de ruínas e desolação.

O ônibus me deixou em Vergons. Em 1913, essa aldeia, de dez ou doze casas, tinha três habitantes. Eram criaturas selvagens, odiavam-se mutuamente, viviam de caça por armadilhas e pouco se distanciavam, física e moralmente, das condições do homem pré-histórico. Os restos das casas abandonadas estavam cobertos de urtigas. A condição daquela gente não admitia qualquer esperança. Nada mais lhes restava senão esperar pela morte — situação que dificilmente podia predispô-los à virtude.

Tudo agora estava mudado. Até mesmo o ar. Ao invés do vento seco e áspero que me atacara, soprava uma brisa suave carregada de perfume. Da montanha descia um som semelhante ao da água; era o vento na floresta; e, surpresa ainda maior, ouvi um ruído de água, de fato, caindo em um tanque; vi que havia sido construído um chafariz, onde a água corria livremente e o que mais me emocionou — que alguém plantara, ao lado do chafariz, uma tília; a tília que devia ter uns quatro anos, coberta de folhas, era o símbolo incontestável da ressurreição.

Além disso, a cidadezinha Vergons apresentava os sinais evidentes de trabalho que só empreende quem tem esperança. A esperança, portanto, havia voltado. As ruínas tinham sido afastadas e cinco casas estavam restauradas. Eram agora vinte e oito os habitantes, entre os quais quatro jovens casais. As casas novas, recém-rebocadas, estavam cercadas de jardins onde cresciam, em conjunto, verduras e flores, repolhos e rosas, alho-poró, funcho e anêmonas. Era agora uma aldeia onde se gostaria de viver.

Desde então, em apenas oito anos, toda a região passou a irradiar saúde e prosperidade. No local das ruínas que eu vira em 1913 existem, agora, casas de lavradores, limpas e rebocadas, atestando uma vida feliz e confortável. Nos antigos leitos, alimentados pelas chuvas e pela neve que a floresta conserva, correm novamente os riachos. Águas foram canalizadas. Em cada propriedade rural, entre pequenos bosques, há fontes cujas águas transbordam sobre tapetes de hortelã. Aos poucos, as aldeias foram reconstruídas.

Gente da planície, onde o terreno é caro, viera estabelecer-se aqui, trazendo juventude, movimento, evolução. Ao longo das estradas, encontram-se homens e mulheres sadios, meninos e meninas que sabem rir, e que redescobriram o sabor dos convescotes. Incluindo a população anterior, irreconhecível agora, a viver confortavelmente, mais de 10.000 pessoas devem a sua felicidade a Elzéard Bouffier (sem o saber).

Quando penso que um homem, munido unicamente de seus próprios recursos físicos e morais, foi capaz de fazer nascer desse deserto uma tal Canaã, sinto a convicção de que, apesar de tudo, a humanidade é digna de admiração. Mas quando calculo a infalível grandeza de espírito e a tenacidade da benevolência necessária para alcançar esse resultado, sinto um respeito imenso pelo velho camponês sem instrução, que foi capaz de completar uma obra digna para Deus.

Elzéard Bouffier morreu em paz, em 1947, no asilo de Banon”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1976-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Equilíbrio é de Grande Ajuda nos Momentos de Estresse

Setembro de 1918

Nestes tempos em que os nossos costumes, hábitos e negócios estão sendo tão radicalmente afetados pela grande guerra[1], não importa em que lugar da Terra vivamos; quando especialmente os irmãos do sexo masculino estão sendo ceifados aos milhões pelos canhões; quando até mesmo as nossas irmãs do sexo feminino têm que, além de cuidar das atribuições próprias do lar, tomar parte na titânica luta atrás das linhas de fogo; quando os irmãos e as irmãs mais vulneráveis, sejam por serem idosos ou idosas, sejam por serem crianças, sejam por estarem em condições socioeconômicas frágeis, seja por estarem com estado de saúde comprometido, sucumbem à privações; como não se sentir, em maior ou menor grau, perturbado pelo sofrimento alheio ou a proximidade com o mar agitado de ódio, de angústia e de tristeza profunda naquela que outrora foi a  bela França ou nos lugares onde se travam as batalhas dessa guerra?

Permanecer indiferente talvez pareça impossível. Não se pode permanecer insensível de tanto sofrimento. Um Estudante Rosacruz, após descrever a devastação de uma cidade bombardeada, pergunta: “Como não se pode se sentir profundamente abalado a respeito disso?”. Não, Cristo se sentiu profundamente abalado quando chorou pelos pecados de Jerusalém[2], e Ele demonstrou sua justa indignação quando expulsou os mercadores do Templo[3]. Mas, o equilíbrio emocional é, indubitavelmente, uma das grandes lições que podemos aprender com essa guerra.

É fácil ser pacífico se alguém se refugia nas montanhas e vive a vida como um eremita. Mas, que mérito há em manter o equilíbrio sem ninguém para nos contrariar, se opor a nós ou nos aborrecer? É mais difícil, porém, manter uma atitude pacífica numa cidade industrial, onde uma guerra implacável é travada incansavelmente com a espada da competição, e onde a existência está circunscrita por leis e costumes. Mas é possível, e muitos que não pretendem desenvolver a espiritualidade na vida estão conseguindo, no entanto, descobriram que a perda do equilíbrio interfere em suas ambições. Então, eles se dedicam a se treinar na prática do equilíbrio. A experiência indiscutível dessas pessoas tem sido a de que elas se beneficiaram muito. Sua saúde melhorou, assim como a sua felicidade, e até os seus negócios prosperaram.

Se tal autocontrole ou domínio próprio pode ser alcançado por pessoas no mundo que não estão a fim de cultivar e praticar a espiritualidade em suas vidas, e se tantos benefícios podem advir disso no controle das condições normais da vida, então aqueles entre nós que aspiramos as coisas mais nobres e elevadas, os Aspirantes à vida superior, e que têm se esforçado para seguir esse caminho de espiritualidade por anos e anos, deveriam ser exemplos de fé e de esperança nestes momentos críticos, não deveriam? Devemos ser pilares de fortaleza para aqueles que não tiveram o privilégio da grande iluminação que obtivemos. E, acima de tudo, devemos exercer uma influência construtiva e edificante nesta crise mundial.

Portanto, descrevi nesta lição mensal as causas secretas pelas quais, no passado, geraram e fertilizaram as sementes que agora floresceram em nossa atual condição catastrófica, e indiquei, ainda que minimamente, como estamos semeando as sementes do nosso futuro bem-estar ou mal-estar – isso na esperança de que vocês concentrem seus pensamentos construtivamente na direção indicada e defendam, em suas esferas de vida, os pontos de vista aqui apresentados. Assim, muita dor, tristeza e angústia profundas poderá ser evitada no futuro, pois os pensamentos são coisas, e se eles estiverem em harmonia com a finalidade cósmica de fazer com que todas as coisas trabalhem juntas para o bem, certamente prosperarão.

(Do Livro: Carta nº 94 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial.

[2] N.T.: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das suas asas, e não o quiseste! Eis que a vossa casa vos ficará abandonada pois eu vos digo: não me vereis, desde agora, até o dia em que direis: Bendito aquele que vem em nome do Senhor!”. (Mt 23:37-39)

[3] N.T.: Estando próxima a Páscoa dos judeus, Cristo Jesus subiu a Jerusalém. No Templo, encontrou os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados. Tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do Templo, com as ovelhas e com os bois; lançou ao chão o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas e disse aos que vendiam pombas: “Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio”. Recordaram-se seus discípulos do que está escrito: O zelo por tua casa me devorará. (Jo 2:13-17) (Mt 21:12-13), (Mc 11:15-16), e (Lc 19:45-48).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Qual o nosso papel no mundo: sejamos candeias que iluminam pelo exemplo

Os Evangelhos foram escritos há quase dois mil anos. No entanto, estão bem atuais e o estarão ainda por muito tempo, porque, se atentarmos bem, a história de Cristo-Jesus e dos Apóstolos é nossa própria história.

Em que sentido? – perguntarão alguns.

E vos respondo: buscando “o espírito das palavras” e não “a letra que mata”. Nele veremos qual o nosso papel e não um mero relato histórico, um piedoso memorial, uma peregrinação sentimental; nele veremos a revelação que nos alarga a concepção de Deus e nos revela a nós mesmos, autenticamente. Por esse ângulo, os Evangelhos nos anunciam, nos visam e nos profetizam.

S. Tiago nos diz que os Evangelhos são um espelho. Cada um de nós pode se ver refletido nele, mas “o pior cego é o que não quer ver”; geralmente vislumbramos a imagem dos outros e nos indignamos com sua maldade, cegueira e insensatez.

Max Heindel, utilizando-se da Lei de Refração espiritual, nos informa que, via de regra, costumamos ver os outros através de nossa própria aura, matizando os semelhantes com nossas próprias faltas, fantasias e extravagâncias.

Citando, por exemplo, o nascimento de Jesus: “Estando eles ali, completaram-se os dias de dar à luz; e teve seu filho primogênito e o enfaixou e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para Ele nas hospedarias” (Lc 11:7). Comenta Max Heindel: “Com que eloquência podemos ampliar o sentido dessa frase: “Não houve lugar para Ele…”! Na família, na sociedade, na escola, no fundo das almas pecadoras, em nossas próprias almas, haverá digna morada para “Cristo nascente” – o nosso Cristo Interno? Não será também o nosso coração, ainda hoje, um lugar onde não haja lugar para Cristo?

Há boa intenção, sem dúvida. Procuramos, muitas vezes, agir nobremente, ajudar nossos semelhantes, renunciar a vícios e hábitos danosos, etc. Assim nasce em nós o Cristo. Mas logo depois nossa natureza inferior, personalizada em egoísmo – simbolizado muito bem por Herodes –, receoso de perder seu poder em nosso reino interno, “manda degolar todas as criancinhas”: nossos esforços nobres, sentimentos puros, na tentativa de eliminar o futuro Rei.

Quando O aceitamos, passando a admitir que somos os “Seus”, para junto dos quais Ele veio, então os Evangelhos nos alumiam. Sabemos por que Ele foi mal recebido, como o seria ainda hoje por muitos que amam as sombras mais que a luz. Sabemos por que lhe recusaram a doutrina, por que se encontrou tão “pobre” ante a oposição e dureza de coração. É a nossa dureza. Sua Vida, Paixão e Morte se repetem como ecos nos indivíduos.

Cristo se hospeda na casa de Marta e de sua irmã Maria. “Maria, sentada aos pés do Senhor, bebia-lhe os ensinos. Marta, porém, andava preocupada com o seu serviço.” (Lc 10:30-40). Qual das duas representamos? Maria, que escolhia o melhor, que estava sempre em comunhão com o Senhor (não se disse que ela negligenciasse os deveres) ou Marta, que se afundava tanto nos afazeres do mundo e não tinha tempo de estar com Ele?

Infelizmente há mais “Martas” que “Marias”! Muito mais. Dizendo-se religiosa, a maior parte da Humanidade empenha a vida inteira em acumular fortuna, conquistar fama e glória material e se recreando com banalidades, muitas vezes, prejudiciais. Não tem tempo. Não se compraz na presença d’Ele. Embora Ele esteja tão próximo, se distancia. Precisa de imagens e cerimoniais simbólicos, não lhe alcança a essência, tão facilmente despertada em cada um dessa maioria.

Quando chega a noite tal maior parte da Humanidade está cansada. Não se encontra com o Senhor de dia, não conversa com Ele, como prazerosamente fazemos com um amigo ou com uma amiga que estimamos. À noite, esgotada, mais por seus desequilíbrios que propriamente pelo trabalho, tal maioria busca se distrair em frente a uma televisão, a um boteco, roda de bate papo “furado”, num cinema ou outros divertimentos quaisquer. Afinal, uma reunião sobre Estudo de Filosofia Rosacruz é algo cansativo, um “descer penoso” em que podemos adormecer.

Somam-se, assim o dispêndio de um esforço ambicioso e egoísta, desequilíbrios emocionais oriundos de concorrência mundana, o acúmulo de sensações levianas e tolas, e tardes da noite tal maioria se deixa adormecer. Não pensa no “Cristo menino”, dentro de si – o Cristo Interno –, que precisa de alimento; não pensa no esforço dos Irmãos Maiores, todas as noites; não pensa, sequer, no privilégio de servir como Auxiliares Invisíveis, para ajudar os que, tolerantemente, aguardam as almas abnegadas e altruístas que desejam trabalhar com Eles na seara. Não tem tempo. Verdadeira “Marta”.

Cristo nos ensinou claramente que devemos “orar e vigiar[1], incessantemente. Não significa que devamos ficar o tempo todo a orar, desleixando nossos deveres. Ele mesmo obedeceu às leis da sociedade em que vivia, sem, contudo, se apegar. Orar sem cessar quer dizer: pensar, sentir e agir sempre em consonância com o Senhor Cristo. Não importa a natureza de nosso trabalho. Todos são dignos, desde que os façamos em nome do Senhor. Então somos “Maria”.

Vejamos outro dos muitos personagens que podem nos refletir: o pequeno Zaqueu. “Era chefe dos publicanos e rico. Procurou ver quem era Cristo, porém não o conseguia por causa da multidão e porque era de pequena estatura. E correndo se adiantou e subiu em uma árvore para vê-Lo passar”[2]. Enquanto estamos envolvidos nas coisas do mundo somos pequenos. Mas se desejamos algo mais elevado, podemos nos adiantar, esforçando-nos mais que o comum dos seres humanos e subindo com a ajuda de uma Filosofia esotérica iluminadora, a fim de sentir a presença e ouvir a voz que nos diz: “hoje ficarei em tua casa”. E passaremos a empregar parte de nossos recursos na elevação da Humanidade carente, em vez de conservá-los egoisticamente em nosso único proveito (física, emocional, mental e financeiramente).

Os Evangelhos terminam com a morte e paixão de Cristo-Jesus. E S. João acrescenta que muitas outras coisas poderiam dizer, mas que por ora não as suportaríamos.

A Paixão recomeça todos os dias. A Humanidade, os novos autores, ensaiam seus papéis. Milhões e milhões de indiferentes, dos covardes, dos que “lavam as mãos”; depois os milhões que face aos problemas, e momentos difíceis, negam seus ideais superiores, como os “S. Pedros”; os “Judas Iscariotes” que traem a consciência d’Ele com um “beijo” falso, os milhares de carrascos que se comprazem em explorar o fraco, espezinhar o débil, os brutos com seus açoites diversos, o funcionário com seu frio regulamento diante da mesma face dolorosa, infinitamente paciente, infinitamente amorosa que se cala e nos dirige aquele olhar que despedaçou o coração de S. Pedro e fê-lo branquear os cabelos numa noite. Aquele olhar de ternura, de interrogação e de espera.

E mais do que nunca há vítimas que sofrem perseguições injustas. Em nossa casa, junto de nós, há alguém que chora, alguém que sofre, alguém sequioso de orientação e conforto, alguém com fome e frio, alguém doente, alguém de luto, alguém na solidão. Estão esperando por nós. Quem é Verônica? Quem é Simão Cirineu? Quem é João, o discípulo amado? Quem é Pedro? Quem é Judas Iscariotes? Quem é José de Arimatea? Quem é Pôncio Pilatos? Quem é sua esposa?

Que oportunidade a nossa! Eternamente presente, Cristo-Jesus nos olha e nos espera: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste.” (Mt 25:40). Ele vive em nós, sofre em nós. Acompanhamos o drama. Queiramos ou não, somos levados a fazer parte d’Ele. Mas temos a liberdade de escolher o papel, embora seja uma liberdade relativa. Podemos esclarecer e converter alguns da multidão indiferente para que O amem; dos que O odeiam, para que O conheçam pelo menos, porque só a ignorância gera o ódio. Podemos conseguir alguns servos vigilantes, alguns corações amorosos, para que nos ajudem a continuar-lhe a obra de redenção dos que “não sabem o que fazem[3].

O teatro está sempre aberto. Uma parte sai e a outra entra em cena. Vivemos repetindo a peça. Variações sobre o mesmo tema. Sabemos nosso papel de cor. Julgamos conhecer o Evangelho. “Estamos prontos” – dizemos ao Grande Diretor.

Mas ficamos ofuscados quando entramos em cena neste mundo, ansiosos de glória, desejosos de aplausos, preocupados demais com os trajes, com os efeitos. Distraímo-nos. Não vivemos o papel despretensiosamente. E perdemos a oportunidade.

Em dado momento cai o pano para a nossa parte no mundo e o Diretor irrompe em nosso camarim: que houve com você? Por que não representou? E o ator confuso e envergonhado, responde: perdi a noção de meu papel, deixei-me levar pela assistência e pelo que podiam pensar de mim, não julguei que fosse assim antes de entrar.

De que valem as escusas? Sim há o infinito pela frente, mas o tempo perdido não volta mais. Temos que enfrentar novamente as mesmas falhas até vencê-las. Repetir a cena. Como há mais de dois mil anos, hoje a mesma coisa. Feliz o servidor que o Mestre, à sua chegada, encontra vigilante. “Minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me conhecem e seguem.” (Jo 10:27).

Felizes dos que ouvem essa voz e a seguem. “Pois assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundando-a e fazendo-a germinar para que dê semente ao que semeia e pão ao que come, assim será a minha palavra: saída da boca não tornará a Mim vazia, mas fará tudo quanto quero e prosperará onde eu a enviar.” (Is 55:10-11).

A Palavra de Deus é eficaz, é viva. É Água Viva da qual, alguém bebendo, jamais terá sede, conforme disse Cristo à mulher samaritana. Só podemos oferecer dessa Água se primeiramente a tivermos bebido. Não podemos dar a ninguém o que não temos. Não podemos comunicar senão o que temos vivido. Não podemos atrair os outros senão para aquilo que conhecemos.

É a palavra de Deus que deve determinar nosso apostolado, nossa ação.

Saibamos escolher e bem representar nossos papéis no mundo. Sejamos autênticos Cristãos, candeias que iluminam pelo exemplo, sais que não deixam a massa corromper e dão sabor à Humanidade, sal cuja presença é sentida sem se evidenciar.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Mt 26:41

[2] N.R: E, tendo entrado em Jericó, ele atravessava a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Ele procurava ver quem era Cristo Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que iria passar por ali. Quando Cristo Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa”. Ele desceu imediatamente e recebeu-o com alegria. À vista do acontecido, todos murmuravam, dizendo: “Foi hospedar-se na casa de um pecador!”. Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: “Senhor, eis que eu dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo”. Cristo Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele, também, é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”. (Lc 19:1-10)

[3] N.R.: Lc 23:34

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Poder Curador da Música “Ave Maria” de Schubert

A música é a linguagem dos Mundos celestes, o que a Forma é para o Mundo Físico, a cor é para o Mundo do Desejo e o som é para o plano mais elevado da consciência, no Mundo do Pensamento.

A música tem o poder de chegar mais profundamente ao que realmente somos, um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), que qualquer outra arte e atraindo sua atenção às lembranças dos Mundo espirituais, do qual viemos, desperta uma “nostalgia espiritual”. “Creio que nunca estou alegre quando escuto uma música doce”, disse Jéssica em uma cena pensativa de amor, na qual Lorenzo, seu amante, responde: “A razão é que os espíritos da música são galantes”. Nessas sensíveis linhas, Shakespeare destaca um fato esotérico subjacente, uma experiência mais ou menos comum a todos.

Um toque de tristeza vem a uma pessoa que reflita em nosso estado presente, a luz de insinuações relativas ao mundo real – os Mundos celestes –, de onde ela veio (onde é seu verdadeiro lar), e de onde está exilada temporariamente.

Certos grandes compositores, de vez em quando, têm sido arrebatados a um espírito de exaltação para se comunicar com reinos mais elevados e escutar o que se conhece como música imortal, porque viverá tanto quanto dure a Terra. Muitas das músicas chamadas “músicas de Natal” pertencem a essa mesma categoria!

Várias canções de Natal são transcrições diretas de cantos angélicos. Ainda que transcritos durante o período medieval e do Cristianismo primitivo, sua beleza e inspiração tem durado, e seguramente continuarão assim através dos ciclos que virão.

Vamos ver, por exemplo, o Poder Curador da “Ave Maria” de Schubert: a música angélica pode ser dinamicamente curadora. Isso é verdade no caso da “Ave Maria” de Schubert e se evidencia em uma oportunidade que ocorreu durante a II Guerra Mundial. Um jovem soldado foi ferido no campo de batalha na Sicília; sua condição era crítica. No momento que chegou a um hospital na Inglaterra sua Mente estava totalmente “escurecida”. Suas inibições pareciam insuperáveis, porém, ainda que muito incerto, alguns médicos e psiquiatras estavam de acordo que poderiam recuperá-lo, se conseguissem fazê-lo liberar suas emoções e chorar; mas todos os esforços foram em vão.

Mais tarde em um hospital norte-americano o resultado desejado foi conseguido por meios inesperados. O paciente de mãos dadas com as esposas dos assistentes foi levado a um teatro onde foi submetido a influência de um instrumento que produzia uma combinação de vibrações de tons e cores. Os ajudantes se viram na necessidade de levantar sua cabeça e manter seus olhos abertos, para que visse a apresentação. À medida que o show avançava, seu encanto mágico fez com que a tensão de seus músculos e corpo fosse diminuindo gradualmente. Então uma coisa milagrosa aconteceu!

A versão de belíssimo tom e cor da “Ave Maria” de Schubert inundou a “tela” e o jovem começou a chorar; suas lágrimas rolaram por 20 minutos sem cessar. Depois ele regressou para o quarto onde dormiu calmamente por 9 horas, sem a necessidade de lhe administrar calmantes. Ainda que estivesse quieto, por não poder falar, nem cuidar de si mesmo de nenhum modo desde o acidente, agora estava calmo e racional. Despertou e disse muito naturalmente: “Acabo de despertar”. E ele sabia disso!

A “Ave Maria” de Schubert é uma transição do paradigma da alma musical da “Virgem Bendita”. Vibrar na nota-chave daquele Único e Santo cujo ministério ao ser humano está focado na cura e regeneração.

Aliás, essa composição, em certo sentido, pode se considerar como a nota-chave musical da época de Natal. A música que essa obra enseja produz como resultado um elevado poder espiritual, em que parece como se devolvesse o eco dos ritmos celestiais dos espaços cósmicos.

Durante esse tempo encantado, um tríplice nascimento é produzido:

Primeiro é o nascimento cósmico do Cristo que impregna toda a Natureza com Sua nova vida;

Segundo é o nascimento histórico do Cristo, o Mestre do Mundo, que escolheu essa época para nascer entre nós, com o Corpo Denso e o Corpo Vital do Irmão Maior Jesus de Nazaré;

Terceiro é o nascimento metafísico de Cristo no interior do Discípulo – o Cristo Interno –, no estado de iluminação.

Que as Rosas floresçam em vossa cruz

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