SIGNO: Virgem, a virgem

QUALIDADE: Comum ou flexível e aplicação conversível das formas básicas de energia.
ELEMENTO: Terra, ou o Corpo. A compilação da experiência na vida para ser utilizada como matéria prima para o crescimento da Alma.
NATUREZA ESSENCIAL: serviço
ANALOGIA FÍSICA: frescura
ASTRO REGENTE: Mercúrio
CASA CORRESPONDENTE: a 6ª Casa corresponde a Virgem.
ANATOMIA ESOTÉRICA: Virgem é a representação do Corpo Vital.
ANATOMIA EXOTÉRICA: específica: duodeno, intestino delgado, apêndice, peritônio, mesentério, pâncreas, baço, fígado, veia portal, Plexo Celíaco e útero; geral – aqueles órgãos e estruturas que entram no processo de assimilação dos nutrientes e sua incorporação pelo Corpo Denso.
FISIOLOGIA: Mercúrio, Regente de Virgem, governa os processos fisiológicos da respiração, oxigenação do sangue, sensações em geral, mas especialmente a da visão, audição e paladar; funções da tireoide e das glândulas paratireoides, funções dos órgãos da fala e assimilação dos alimentos no intestino delgado. Mercúrio também tem particular regência sobre as atividades do hemisfério direito do cérebro e da faculdade de equilíbrio e coordenação associados ao mecanismo do ouvido interno.
TABERNÁCULO NO DESERTO: simboliza a Mesa dos Pães da Proposição com suas duas pilhas de pães ázimos, seis pães em cada pilha. Esses pães simbolizam o serviço desinteressado que o Aspirante presta no Mundo e que transforma em matéria prima para o desenvolvimento espiritual. Como nós sabemos que todo desenvolvimento oculto começa com o Corpo Vital, a que Virgem é o Signo do serviço com discernimento, então nós podemos dizer que todo desenvolvimento oculto começa com o serviço judicioso. Ou seja: o serviço é o alimento que nutre a Alma.
CRISTANDADE CÓSMICA: O Sol em Virgem marca o período de preparação para a descida anual do Raio Crístico à Terra, que ocorre quando o Sol cruza para Libra. A aproximação do ano novo espiritual é marcada na Terra pela época da colheita, quando os frutos físicos da Terra são reunidos em depósitos para nos sustentar durante a temporada fisicamente estéril que se avizinha. Da mesma forma, de acordo com o serviço altruísta que realizamos nos dias que se passaram, seremos capazes de colher uma colheita de experiência que poderá ser usada como base para o desenvolvimento espiritual nos dias que virão. Portanto, o período em que o Sol está passando por Virgem pode ser usado para nos prepararmos para receber a bênção do Senhor, santificando-nos por meio da expectativa e da adoração em oração.
MITOLOGIA GREGA: Vulcano foi conhecido como Hephaestus. Hephaestus foi o mestre dos artesãos dos deuses, produzindo todo tipo de maravilhosos e miraculosos equipamentos para sua forja e oficina. Ele reflete o ideal de Virgem do serviço desinteressado, pois sempre o achamos ocupado em fazer algo necessário para os outros deuses.
LIÇÕES A APRENDER: Para alcançar o bem supremo da influência positiva de Virgem e neutralizar o desenvolvimento de traços adversos, deve-se cultivar o controle autoconsciente do envolvimento mental.
A Mente deve ser serva do Espírito, para ser usada de acordo com as necessidades e propósitos desse. Não se deve permitir que a Mente arraste o Espírito consigo para um labirinto de fascinação intelectual. A fé na bondade das coisas deve ser nutrida — a fé de que Deus governa o mundo e de que a verdade sempre triunfará no final.
Quando as asas da inspiração e da imaginação forem adicionadas à Mente, ela será salva da desolação árida do cálculo insensível e dos jogos mentais intermináveis.
REGENTE: Mercúrio, o Planeta que indica o modo de pensar, está no seu lar em Virgem e aqui é capaz de expressar sua natureza essencial com muita força. Deve-se enfatizar que Mercúrio não indica o grau de inteligência de uma pessoa, mas sim a maneira como ela tende a usar sua Mente — como ela tende a empregar as habilidades mentais que possui. O grau de inteligência de uma pessoa é uma função do desenvolvimento evolutivo e isso não é demonstrado por um horóscopo. No futuro, pode ser que Virgem seja regido por Vulcano.
EXALTAÇÃO: Mercúrio também está em Exaltação em Virgem, indicando que aqui é capaz de expressar suas qualidades mentais mais positivas.
DETRIMENTO: Netuno está em Detrimento em Virgem, indicando que aqui tem dificuldade em expressar sua natureza essencial. O ambiente de Virgem é intelectual e analítico, dependendo da lógica, da razão e das informações fornecidas pelos sentidos. Netuno, por outro lado, visa nos colocar em contato com fontes de conhecimento além do processo de raciocínio linear e nos fornecer informações sobre a Vida que anima várias Formas, não apenas as Formas pelas quais essa Vida se manifesta. Virgem analisa separando, segregando e classificando, mas Netuno busca a unidade por meio da percepção e compreensão espiritual.
QUEDA: Vênus está em Queda em Virgem, indicando que aqui tem dificuldade em expressar suas qualidades mais refinadas. Virgem permite pouca folga para a expressão de sentimentos por meio da arte e da música, ou para uma apreciação estética geral das coisas encontradas no ambiente imediato. Em vez disso, Vênus em Virgem inclina a pessoa a estudar esses assuntos de um ponto de vista mais intelectual.
(Publicado na Revista: Rays from the Rose Cross – setembro/1976 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Virgem é o lar da Hierarquia Criadora dos Senhores da Sabedoria, que na segunda Revolução do Período Solar nos deram o germe do nosso atual Corpo Vital. Enquanto o Sol transita pelo Signo de Virgem, o Signo do serviço, durante os meses de agosto e setembro, uma necessidade cósmica impulsiona o Cristo para deixar o Reino do Pai e descender, novamente, à Terra, que contata quando o Sol passa por Libra.
Também quem está trilhando o Caminho da Espiritualidade, seguindo o raio de Cristo, abandona também a região espiritual da Terra, enquanto o Sol passa por Virgem. Sendo o amor a palavra-chave de Leão e o serviço por meio da pureza a de Virgem, aquele que caminha por essa parte da Trilha, atravessando os planos da mais elevada vibração dessa esfera, há de ter desenvolvido a pureza como um poder interno. De modo geral, a qualidade de tal poder não se reconhece, embora Cristo tenha declarado que só os puros de coração verão a Deus.
A palavra-chave bíblica de Virgem ressoa nas palavras: “…o maior dentre vós seja o servo de todos” (Mt 20:27, 23:11 e Mc 10:32)
Durante a época em que o raio de Virgem permeia nossa esfera, esta Hierarquia mantém o Planeta em um padrão cósmico elevado de uma Terra limpa profundamente e rejuvenescida. Em certo ponto, a pureza humana conquistada se torna um extraordinário poder anímico – uma verdade ressaltada pelo Senhor Cristo quando disse: “Os puros de coração verão a Deus.” (Mt 5:8).
(Drops do Livro Mistério dos Cristos – Corinne Heline – Fraternidade Rosacruz)
Tudo que fazemos ou pensamos se associa à satisfação das nossas necessidades primárias: saciar a fome, abrigar-se, vestir-se, defender-se, constituir família, etc. O sentimento e o desejo são as molas propulsoras de todas essas realizações.
Mas, por óbvio que isso pareça, surge ainda uma questão: quais os sentimentos e as necessidades que nos levaram ao pensamento religioso (de “ligar novamente” ou “religar”) e a fé em Deus?
Os Ensinamentos Rosacruzes indicam os seguintes graus: o temor, o interesse, o amor e o dever como sendo quatro formas básicas do nosso relacionamento com Deus, de nossa volta à Deus, da nossa re-ligação com Deus.
O primeiro grau, a do temor, ocorreu quando compúnhamos os povos primitivos (ou seja: estávamos renascidos em um conjunto de Corpos incipientes), o fator que despertava em nós as ideias religiosas era o medo: medo da fome, medo de animais bravios, medo das enfermidades, medo da morte. Como o nosso nível de Consciência de Vigília aqui nesse Mundo Físico naquele tempo era incipientíssimo, forjávamos um Ser que a nós se assemelhava, um Ser mais poderoso, capaz de nos submeter e nos destruir. Adorávamos a Deus a Quem começávamos a pressentir, fazendo sacrifícios para agradá-Lo, como fazem os fetichistas.
O segundo grau desse relacionamento, a do interesse, está muito ligado ao atendimento das necessidades coletivas. Foi típico quando compúnhamos os povos onde se notava uma certa organização social. O desejo de orientação diante das dificuldades, as satisfações das necessidades do grupo estimulam uma concepção social de Deus. A Divindade regia os nossos passos naquele povo em particular, protegendo-o, decidindo seus problemas, recompensando-o ou punindo-o. Para conquistar as boas graças desse “Deus”, oferecíamos a Ele sacrifícios ou agíamos conforme os princípios ou tradições do povo. Aspirávamos em troca, ver as nossas colheitas mais abundantes, os nossos rebanhos mais numerosos, a nossa prole sadia, os nossos inimigos prostrados a nossos pés. Era uma relação de barganha. Ou seja: aprendemos a olhar a Deus como um Doador de todas as coisas e a esperar d’Ele benefícios materiais, agora e sempre. Sacrificávamos por avareza, esperando que o Senhor nos desse cem por um, ou para nos livrar do castigo imediato, como pragas, guerras, etc. Essa forma de Religião se consolida pelo surgimento de uma casta sacerdotal, mediadora entre o povo e a Divindade. Essa casta, obviamente privilegiada, logra uma posição de poder, muitas vezes superior ao poder temporal. Trata-se de uma Religião do medo, porém, é possível dialogar com Deus e obter d’Ele compensações. Como exemplo, temos a Raça dos Semitas Originais, a quinta Raça da Época Atlante.
O terceiro grau desse relacionamento se evidencia quando a Religião do medo se transforma na Religião moral. A Divindade conforta a tristeza, o desejo insatisfeito, protege as almas dos mortos. A moral e o apreço para com o semelhante constituem a tônica desse pensamento religioso. O Cristianismo Popular (ou Cristianismo exotérico) e outros credos são um exemplo típico dessa fase do nosso relacionamento com Deus. Ou seja, aprendemos a adorar a Deus com orações e a viver a vida em bondade; a cultivar a fé num Céu onde obteremos recompensas no futuro, e a nos abster do mal, para que possamos nos livrar do castigo futuro do Inferno (ou de nomes similares). Não se deve, entretanto, considerar as formas religiosas primitivas como exclusivamente Religiões do medo, nem as dos povos civilizados como estritamente morais. Há pontos comuns a ambas, principalmente o caráter antropomórfico da ideia de Deus.
O quarto grau é composto por um comportamento onde podemos agir bem sem pensar na recompensa ou no castigo, simplesmente porque “é justo agir retamente”. Amamos o bem por ser o bem e procuramos ordenar a nossa conduta de acordo com esse princípio, sem ter em conta nosso benefício ou nossa desgraça presente, ou os resultados dolorosos em algum tempo futuro. Pouquíssimos indivíduos encontram-se nesse quarto grau de experiência religiosa. Não é fácil conceituá-la de uma forma clara, por não estar associado a uma ideia antropomórfica de Deus, nem a um dogma. Daí, a pessoa experimenta a totalidade da existência como uma unidade, guiada pelo conhecimento Esotérico, pela Arte, pela Ciência e pela Intuição. Para ela a Religião tem, ao mesmo tempo, um sentido cósmico e interior. O Universo é o templo onde se cultua o Ser Absoluto, como também o nosso íntimo. Esse sentido cósmico da Religião é percebido por uns poucos iluminados, cujas vidas servem de estímulo a que outros, por seus próprios meios, busquem a Senda da Luz. O Cristianismo Esotérico e os Estudantes de todas as Escolas de ocultismo estão procurando alcançar esse grau superior. De modo geral, esse será alcançado na Sexta Época, a Nova Galileia, quando a Religião Cristã unificadora abra os corações dos seres humanos, assim como o entendimento está agora sendo aberto.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – fevereiro/1985 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A primeira coisa que devemos deixar bem esclarecida é a identidade de Cristo, conforme ensina os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. De acordo com o Diagrama “Os sete dias da Criação” no Capítulo XIV do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, passamos por um intervalo involutivo que abrange os Períodos de Saturno, Solar e Lunar até a metade do Período Terrestre. Nessa peregrinação pela matéria, adquirimos os Corpos e veículos que agora possuímos, bem como foram despertados nossos três veículos espirituais, o que nos tornou um ser com uma constituição sétupla e prontos para nos desenvolver em um ser com constituição decupla.
Durante o Período de Saturno, quando éramos “semelhantes” ao que hoje são os seres do Reino mineral, alguns seres passaram pelo seu estágio “Humanidade”, como nós o estamos passando atualmente, mas pertenciam a uma Onda de Vida de evolução diferente: os chamados Senhores da Mente. O mais elevado Iniciado daquela longínquo Período de Saturno é um ser da Onda de Vida dos Senhores da Mente que conseguiu aprender tudo no Período de Saturno que um Senhor da Mente teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um ser Senhor da Mente, um veículo constituído de materiais das 5 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Vontade”, constituindo o ser Deus-Pai, ou simplesmente: Pai.
O mais elevado Iniciado do Período Solar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Arcanjos, é um Arcanjo chamado de Cristo que conseguiu aprender tudo no Período Solar que um Arcanjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Arcanjo, um veículo constituído de materiais das 4 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Sabedoria”, constituindo o ser Deus-Filho, ou simplesmente: Cristo.
O mais elevado Iniciado do Período Lunar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Anjos, é um Anjo chamado de Jeová que conseguiu aprender tudo no Período Lunar que um Anjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Anjo, um veículo constituído de materiais das 2 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Atividade”, constituindo o ser Deus-Espírito Santo, ou simplesmente: Jeová.
Temos aqui os estados dos três grandes Seres que, como líderes da evolução, são os mais ativos. Os Arcanjos não podem descer até a matéria física, porque não sabem construir nem um Corpo Vital e nem um Corpo Denso. Não pode descer aquém do Mundo do Desejo. Portanto, seu veículo inferior é o Corpo de Desejos, e como é uma lei cósmica ser impossível a um ser, criar um veículo que não tenha aprendido a construir durante a sua evolução, seria impossível para Cristo nascer em um Corpo Denso. Também não podia formar um veículo como o Corpo Vital, constituído de Éter. Não possuía a capacidade para agir nesta última substância, porque nunca a adquiriu em Sua evolução.
Assim para que Cristo nascesse como “um homem dentre os homens” os veículos necessários de Jesus, um ser humano pertencente à nossa Onda de Vida, um dos seres humanos mais elevados espiritualmente – um elevado Iniciado – um homem nascido de um pai e de uma mãe, ambos também elevados Iniciados, que praticaram a Imaculada Conceição sem paixão, cedeu voluntariamente, no momento do Batismo, o seu Corpo Denso e Corpo Vital ao Espírito Solar, o Arcanjo Cristo, que então conseguiu funcionar com um ser no Mundo Físico, conseguindo implementar no mundo material o início do Plano de Salvação e se converteu em mediador entre “Deus e o ser humano” pois é único que possui todos os veículos necessários para atuar como tal. Cristo-Jesus é, por conseguinte, absolutamente único, e a Bíblia nos ensina que não há “e em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”[1], sendo este o único Credo Cristão autorizado.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: At 4:12
Antes de tudo, lembremos que o baluarte da nossa evolução é aqui, enquanto renascidos na Região Química do Mundo Físico. Por quê? Porque a grande maioria ainda não conseguiu aprender todas as lições que nós, como uma Onda de Vida criada para ser especializada em materiais dessa Região, temos que aprender. Depois, também devemos sempre ter conosco que é de máxima importância para o nosso desenvolvimento que observemos minuciosamente tudo o que se passa em torno de nós e, obviamente, nisso inclui o nosso conhecimento dos esforços dos outros; caso contrário, as imagens da nossa Memória Consciente deixam de coincidir com aquelas de nossa Memória Subconsciente ou automática. Pois, a observação e a ação geram a Alma Consciente, a quintessência dos atos, das obras e ações que executamos com o nosso Corpo Denso é que é o alimento para aumentar a consciência do nosso veículo Espírito Divino.
E para compreendermos como isso funciona observemos que a pedra atirada na superfície da água forma ondas que se propagam até muito distante do ponto de origem. A ação do badalo na parede do sino produz sons que alcançam grande distância do campanário. Uma ação gera uma resposta parecida em múltiplos corações e uma vida deixa uma esteira que serve de farol, de norte, de modelo para outras vidas. Nenhum ato é tão pequeno que não produza efeito. Ninguém é tão insignificante que não influa sobre outra existência. Mesmo o bebê afeta a vida dos pais.
Quem não se lembra daquela viúva que, certo dia, aproximou-se silenciosamente da arca do Templo para colocar dentro dela a sua oferta de duas moedinhas[1]? Tão humilde era a sua dádiva que procurou evitar ser vista entre os que podiam oferecer, orgulhosamente, grandes quantidades de ouro.
Contudo, aquele ato humilde e aquela oferta quase sem valor material, há mais de dois mil anos, continua a mover os corações em reconhecimento a Deus e à generosidade para com o próximo.
Faz muitos anos, dois meninos divertiam-se brincando no jardim de uma mansão, na Inglaterra. Um era o filho do jardineiro; o outro, do dono da propriedade. Em dado momento, o menino rico caiu na piscina de natação e, sem sombra de dúvida, teria se afogado, não fosse o menino pobre que, sem medir consequências, lançou-se na água para salvá-lo.
Sua generosa ação comoveu o dono da casa que, de alguma forma, desejou recompensá-lo.
— “Que podemos fazer pelo garoto?”, perguntou ao pai.
— “Se for possível, que os seus estudos sejam custeados”, respondeu o jardineiro.
Passaram-se os anos. O menino rico tornou-se um grande estadista, um dos maiores homens da História contemporânea. Certo dia, porém, foi gravemente acometido de pneumonia. Sua vida estava em sério perigo. A Inglaterra inteira estava apreensiva com a enfermidade do homem que a levara à vitória, na Segunda Guerra Mundial. Havia apenas um remédio, recém-descoberto e muito raro, que pudesse salvar sua vida. Fora ele descoberto pelo filho do jardineiro: era a penicilina.
Dessa forma, por duas vezes Alexander Fleming salvou a vida de Winston Churchill. Por outro lado, enquanto o generoso ato de Fleming em sua infância o levou à fama mundial, a ação do pai de Churchill contribuiu mais tarde para salvar a vida de seu filho.
O que trazemos para este mundo deve ser posto a juros de ação e convertido em mais alma. Nesse processo dependemos das realizações dos demais, do trabalho que eles realizaram.
É verdade que nos empenhamos na aquisição de conhecimentos; mas em grande medida, adquirimos o saber a partir dos esforços de outros. Por conseguinte, nada mais justo do que acrescentarmos, nós mesmos, alguma coisa ao acervo cultural do meio em que nascemos.
Se falharmos no cumprimento desse dever, outros se sentirão inclinados a seguir os nossos passos. Se nele nos empenharmos, outros se inspirarão em nossa vida no momento de desânimo.
Passamos mais uma vez por este mundo, renascendo mais uma vez aqui, e devemos, ao abandoná-lo, procurar deixá-lo melhor do que o encontramos, quando a ele viemos. “Ninguém vive para si e ninguém morre para si”. Cada um deixa os sinais das suas pegadas por este mundo. Que as nossas indiquem as alturas para os que vierem atrás de nós e lhes deem ânimo na cansativa, mas bela luta de abrir caminho rumo à luz.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1967-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: Mc 12:41-44: E, sentado frente ao Tesouro do Templo, observava, como a multidão lançava pequenas moedas no Tesouro, e muitos ricos lançavam muitas moedas. Vindo uma pobre viúva, lançou duas moedinhas, isto é, um quadrante. E chamando a si os discípulos, disse-lhes: “Em verdade eu vos digo que esta viúva que é pobre lançou mais do que todos os que ofereceram moedas ao Tesouro. Pois todos os outros deram do que lhes sobrava. Ela, porém, na sua penúria, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver”. E em Lc 21:1-4.
Resposta: Quando Tannhauser, levado pela sua paixão profana pela nobre, pura e virtuosa Elizabeth, vagou pela montanha e foi atraído para a gruta de Vênus, como o ferro pelo imã, ele não só teve permissão, mas foi encorajado a satisfazer totalmente os seus desejos sensuais. Naturalmente, ele saciou logo a sua paixão e implorou, em seguida, para ser libertado do poder da deusa Vênus e obter autorização para voltar a Terra. No decorrer de sua súplica, ele profere o truísmo de que no atual estágio de desenvolvimento, o ser humano precisa tanto do júbilo como da dor, tristeza e do sofrimento para o seu próprio progresso. Na Mente filosófica, esse sentimento é imediatamente aprovado, pois embora sejamos bastante humanos para ansiar pelo júbilo e para temer a dor, tristeza e o sofrimento, não podemos em sã consciência negar o fato de que uma vida de constante júbilo, sem o mínimo de dor, tristeza e sofrimento para perturbá-la, seria absolutamente insípida e incolor. É a própria mistura da luz e sombra que confere beleza a um quadro ou a uma paisagem, e uma combinação semelhante de dor, tristeza e sofrimento e de júbilo é necessária para dar sabor a vida e torná-la digna de ser vivida.
Do ponto de vista astrológico, a luz e a sombra da vida são proporcionadas pela localização e pelos Aspectos de Júpiter e Saturno por ocasião do nascimento, juntamente com a progressão e os trânsitos dos dois em relação ao horóscopo de qualquer pessoa. O júbilo e o riso provêm de Júpiter, o Planeta da benevolência e do otimismo, que nos outorga os favores dos deuses à medida que merecemos a generosidade deles. Por outro lado, Saturno, o Planeta do pessimismo e da obstrução, é o dispensador dos desfavores nos quais incorremos por ações que estão em desarmonia com as Leis de Deus, e visto sermos ainda tão ignorantes a respeito de como trabalhar em harmonia com o grande plano de Deus para o universo, não devemos nos admirar de que sejam necessárias as “chibatadas” de Saturno para nos forçar a entrar na linha sempre que nos desviamos do caminho da virtude. Entretanto, o que indica de forma mais significativa o amor do nosso Pai é o fato de Júpiter passar três vezes ao redor do horóscopo, produzindo Aspectos benéficos e oportunidades para cada revolução de Saturno, que nos traz experiências e que são chamadas de “más” porque nos falta a necessária compreensão para o fato.
Que bênção maravilhosa é a Astrologia Rosacruz, propiciando-nos uma percepção interior do plano infinito de evolução, por meio do qual estamos sendo lentamente educados da ignorância para a onisciência! Saturno é um dos fatores principais nesse processo de iluminação. Para aqueles que não conhecem a Astrologia Rosacruz, pode parecer que a dor, tristeza e o sofrimento chegam sem nenhuma razão justificável e, frequentemente, invejam os que são aparentemente mais afortunados que eles. Contudo, uma vez que aprendido a buscar a luz por meio da Astrologia Rosacruz, toda a sua perspectiva de vida muda. Torna-se, então, evidente que o objetivo da nossa presença aqui não consiste no prazer, mas na experiência e não importa quão tristes ou quão desastrosas sejam essas experiências; o verdadeiro Estudante de Astrologia Rosacruz as acolhe e procura descobrir a razão, do ponto de vista astrológico, e as lições a serem aprendidas. Além do mais, ele experimenta o consolo de saber que os Aspectos que produzem efeitos desastrosos são apenas passageiros e que, no devido tempo, ao qual pode ser calculado por ele, as “chibatadas” de Saturno desaparecerão e o raio benéfico de Júpiter dissipará a tristeza saturnina e curará a “ferida”. Esse conhecimento lhe dará, naturalmente, coragem para perseverar nos dias de provação e o mantém em uma atitude mental de esperança, aguardando ansiosamente o momento em que a tribulação terminará.
Quando vivemos na ignorância do grande Plano de Deus e não compreendemos as fases cíclicas da dor, tristeza e do sofrimento de um lado e do júbilo de outro, trazidas nas nossas vidas para o nosso bem por meio de Saturno e Júpiter, tendemos a ficar muitos exaltados e excessivamente enlevados quando Júpiter nos concede as dádivas dos deuses – saúde, riqueza, amigos, sucesso e prosperidade. Também tendemos a ficar indevidamente desanimados quando, sob o flagelo de Saturno, somos privados de tudo o que torna a vida digna de ser vivida. No entanto, quando o livro da vida é aberto para nós pela Ciência Sagrada da Astrologia Rosacruz e reconhecermos nele o propósito benevolente de Deus e de Seus ministros para conosco, gradualmente aprenderemos a manter o nosso equilíbrio de forma que, quando as alegrias de Júpiter vierem em nosso caminho, não ficaremos excessivamente jubilosos, mas iremos recebê-las com um espírito disciplinado, moderado e tranquilo, aprendendo a nos considerar administradores de todas as coisas boas que nos são assim confiadas. Aprenderemos que devemos usá-las não para os nossos próprios interesses e propósitos egoístas, mas para o bem de todos e que, algum dia, teremos que prestar contas e mostrar como usamos as provisões do nosso Senhor.
Por outro lado, as “chibatadas” de Saturno não serão muito severas ou aplicadas frequentemente sobre aquele que sabe se autoexaminar para verificar onde falhou, procurando a causa de suas tribulações sob as quais padece. Está lição certamente será entendida por quem procura com sinceridade e, ao descobrir a valiosa pérola do conhecimento, o júbilo excederá de muito a dor decorrente do aprendizado dessa lição. Com o decorrer dos anos, se desenvolverá o mais valioso de todos os bens que o Ego possui, o equilíbrio, que eleva o ser humano que o possui acima do mar revolto das emoções, rumo ao reino da paz eterna, que transcende toda a compreensão. Quando tiver chegado a esse ponto de desenvolvimento, nem Saturno, nem Júpiter, nem quaisquer dos outros Espíritos Planetários terão o poder de influenciá-lo, pois ele terá aprendido a reger seus Astros e a ajustar o seu destino de acordo com a sua própria vontade divina.
(Pergunta nº 125 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
A Bíblia declara que “o dia e a hora ninguém conhece” (Mt 24:36 e Mc 13:32), e aqueles que têm tentado definir uma data certa para a “Segunda Vinda” estão muito mal-informados quanto ao objetivo da missão de Cristo na Terra.
Os ensinamentos de Cristo foram nos fornecidos para que a Lei do medo possa ser superada pela Lei do amor. Sabemos, no entanto, que até hoje a Lei é necessária para evitar que uma grande porcentagem de pessoas entre em sérios problemas. É, somente, quando o poder de Cristo – o amor – tomar posse da nossa natureza inferior que a Lei será abolida; e não será até que o poder do amor de Cristo tenha nascido dentro de cada um de nós, então, estaremos prontos para a “Segunda Vinda” do Cristo, conforme citado na Bíblia.
Portanto, a “Segunda Vinda” depende de quanto tempo um número suficiente de pessoas conseguirá desenvolver esse poder de Cristo. Quando isso ocorrerá é imprevisível. A hora exata do evento não pode ser calculada. No entanto, toda vez que, como indivíduos, tentamos imitar a Cristo e demonstrar Seus ensinamentos, podemos estar certos de que estamos fazendo a nossa parte na aceleração desse grande evento.
(Pergunta de Leitor publicada na Revista Rays from the Rose Cross de nov./1940 – traduzida pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
O Reino dos Céus! Quem, em nossos dias, venderia tudo o que tem para possuí-lo? Acreditamos que bem poucos. Tesouro menosprezado, esse Reino dos Céus. Por ele se trocam as ninharias do mundo. Arrefeceu-se o ardor dos trovadores do Eterno; extingue-se, quase que totalmente, a pequena chama do Santuário, pois não há mais ninguém, exceto uma minoria a protegê-la contra os ventos borrascosos do cego materialismo. Encontram-se espalhados, por esse mundo de Deus, milhares de sociedades, mestres e guias (?) oferecendo a seus candidatos o Reino dos Céus, extorquindo, mercadejando falsas pérolas; ludibriando; esquecidos, ou fazendo-se de esquecidos, que tal Reino não se alcança a peso de ouro. As ovelhas incautas, de olhos vendados pelos seus pseudomestres não entenderam ainda que têm que vender tudo (vaidade, egoísmo, apego, personalismo), esvaziarem-se de si mesmas, fazer uma revolução interna, para receber as chaves do Reino (Iniciação).
Pois, como Cristo nos ensinou: “O Reino dos Céus é semelhante a um mercador que buscava pérolas, e que uma vez achou uma pérola de grande valor. Foi e vendeu tudo o que possuía e a comprou” (Mt 13:45-46). Homem extraordinário esse! Encontrando uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía para adquiri-la. Talvez seja essa a mais bela parábola contida nos Evangelhos. Muitos há que passam os olhos sobre essas palavras e não se importam com o seu significado interior.
Muitos cobiçaram essa pérola de grande valor. Tentaram obtê-la, mas ao se aperceberem de que deveriam vender tudo, o mundo lhes falou mais alto. Suas posses, suas ânsias de glória e honra, suas afeições desordenadas, colocaram-nos na situação do moço, que, tendo muitos bens, não quis se desfazer deles, e contrariado não seguiu Cristo (Mc 10:22).
O Reino dos Céus! Com que singeleza e facilidade nos dá o Cristo a conhecê-lo, fazendo-o semelhante a uma pérola de grande valor. Porém, existe um problema. Consiste na distinção entre a pérola verdadeira e a falsa. Mas, atentemos bem para o seguinte: a pérola falsa é adquirível facilmente com dinheiro sonante. Custa pouco. Dela faz-se muito alarde, muitas ofertas. A verdadeira, só pode ser obtida mediante muita busca, esforço, sofrimentos. Só a recebe quem vende tudo o que tem de inferior. Ninguém pode servir a dois senhores simultaneamente. De que lado você está, amigo leitor?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Diz-se que nasce uma criança por segundo no mundo; portanto, temos 3.600 nascimentos por hora, 86.400 em 24 horas e, aproximadamente, dois milhões e meio num mês[1]. Supondo que tivessem o mesmo temperamento e o mesmo destino na vida, teríamos apenas 12 tipos de pessoas e, no entanto, sabemos que não há duas pessoas exatamente iguais, de forma que seria absurdo dizer que as pessoas têm o mesmo temperamento porque nasceram sob o mesmo Signo do Zodíaco, como é determinado pelo mês.
Para calcular um horóscopo cientificamente é necessário levar em consideração o dia, o mês e o ano em que uma pessoa nasceu, pois, os Astros não chegam às mesmas posições relativas mais do que uma vez a cada, em torno de, 25.868 anos. Além disso, temos que levar em consideração o horário do nascimento, aqui inclusive os minutos, pela rápida mudança de posição da Lua. Se levarmos também em consideração o local de nascimento, podemos calcular o Signo Ascendente, que proporciona, entre outros, a forma do Corpo Denso. Nós teríamos, então, um horóscopo realmente individual, pois os graus do Ascendente zodiacal surgindo no horizonte oriental mudam a cada 4 minutos, de modo que mesmo no caso de gêmeos haveria uma diferença.
Para que o astrólogo possa dizer se o casamento entre duas pessoas será harmonioso ou não, é necessário que ele calcule o horóscopo de ambas e que tente descobrir se são: mental, moral e fisicamente compatíveis. Ele fará essa avaliação comparando os Signos Ascendentes ou em elevação que mostram a afinidade física. As posições de Marte e Vênus mostrarão se são moralmente compatíveis, e o Sol e a Lua mostrarão as suas características mentais. Após essas observações, ele terá uma medida precisa para saber se as suas naturezas se harmonizarão ou não, mas previsões sem incluir esses cálculos não terão qualquer valor.
(Pergunta nº 24 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: esses números se referem à primeira década do século XX. Atualmente, temos, em torno de: 4,3 por segundo, 15.000 por hora, 385.000 crianças nascendo por dia, 11 milhões por ano.
Resposta: O Lemuriano não tinha olhos, mas ele tinha dois pontos sensíveis em sua cabeça, onde os olhos estão localizados agora. Ele tinha um sentido do tato e, portanto, podia sentir a percepção física da dor, do alívio e conforto, e tinha uma percepção interna que lhe dava uma fraca ideia da forma externa dos objetos, mas que iluminava muito a sua natureza interior. Portanto, a consciência era dirigida para dentro e o Lemuriano percebia as coisas físicas de um modo espiritual, algo parecido como percebemos as coisas nos sonhos. Com relação ao nascimento de seu corpo ele nada sabia, pois não podia ver ou saber qualquer outra coisa, como agora vemos os objetos externos; mas ele sentia seus semelhantes com sua percepção interna de sonho, e tinha uma espécie de linguagem que consistia em sons parecidos com os da natureza.
O Lemuriano executava suas atividades automaticamente, sob a direção de grandes Seres, principalmente, os Senhores da Forma, a Onda de Vida de Escorpião e os Senhores da Mente, a Onda de Vida de Sagitário. Os Senhores da Forma o ajudava a construir o seu Corpo de Desejos e os Senhores da Mente o ajudava a se preparar para receber o germe da Mente.
O trabalho realizado pelo Lemuriano, sendo principalmente dentro de si mesmo, não foi de modo algum prejudicado pela falta da visão externa, pois consistia quase que inteiramente no desenvolvimento de seus órgãos internos e seus veículos superiores; e sendo feito, automaticamente, sob a direção de Seres Elevados tais atividades eram perfeitas e totalmente corretas.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de nov/1940 – traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz Campinas-SP-Brasil)