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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pelos Caminhos do Ocidente e porque não do Oriente e das reminiscências lemúricas e atlantes

Há que repararmos que principalmente em todo o continente americano há, nos dias atuais, uma verdadeira invasão de algumas Religiões e seitas tipicamente orientais ou até as praticadas por irmãos e irmãs que trazem fortes reminiscências das Épocas Lemúricas e Atlantes (fenomênicas, negativas e até à base de sacrifícios de animais e quiçá de pessoas).  Parece que entre os jovens registra-se a maior influência dessas crenças e, consequentemente, maior número de adesões. Muitos, inclusive, manifestam a pretensão de abandonar tudo: emprego, estudo, família, para aprender meditação na Índia, ou, então, recolher-se ao isolamento das montanhas seja lá onde forem.

Em vários países do lado ocidental da Terra, os “gurus” e/ou “instrutores” e/ou “mestres” estão despontando em escala crescente, mas nem todos se revestem do manto da espiritualidade, haja vista algumas concentrações realizadas onde, ao som de músicas estridentes e anti-espiritualistas, muitas pessoas “curtem” até vários tipos de drogas ditas lícitas e até ilícitas.

Tudo isso tem provocado um número expressivo de queixas, mormente dos pais, inconformados com a decisão de seus jovens filhos, de quem esperavam brilhantes vidas plenamente vividas dentro da espiritualidade Cristã, ou pelo menos uma vida enquadrada nos padrões do lado ocidental da Terra. Irritados, e em alguns casos até chocados com o exotismo das ditas Religiões e seitas que habilmente atraem moços e moças, não vacilaram, alguns, de até exigirem providências das autoridades.

A questão é complexa, não lhe cabendo, portanto, uma análise simplista. É necessário encontrar as razões pelas quais algumas pessoas se desencantam com o Cristianismo (mesmo o popular, o Exotérico), partindo em busca de sistemas religiosos estranhos à nossa formação ocidental e ao estágio evolutivo atual de cada lado.

Um exame mais profundo e abrangente desse problema, não poderá fugir de uma base eminentemente esotérica. A Filosofia Rosacruz, esotérica por excelência, propicia-nos fundamentos essencialmente lógicos para assegurar-nos conclusões satisfatórias. À sua luz, portanto, examinemos tão controvertido tema.

Tal como o Sol aparentemente se desloca de leste a oeste, a luz da espiritualidade obedece à mesma trajetória ao longo da nossa evolução aqui.

Confúcio na China; Buda na Índia; Pitágoras na Grécia constituíram marcos progressivos do caminho esplendoroso do Sol da espiritualidade, empurrando o sentimento religioso – expresso na forma mais adequada a cada povo – cada vez mais para Oeste.

Mais tarde se manifestou Cristo, cuja influência se faz sentir, predominantemente, no lado ocidental. E continuará assim, até que todos nós, Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), que habitamos em todas as regiões do Planeta, nos universalizemos, nos libertando dos laços restritivos da Raça e das tradições antigas retrógradas e contra o Cristianismo (mesmo que muitas, por astúcia, dizem não serem). Quando tal ocorrer, o Cristianismo se consagrará, de fato, como uma Religião de âmbito mundial.

A Lei do Renascimento nos auxilia a penetrar na complexidade do assunto, elucidando os mistérios que envolvem as diferenças filosófico-religiosas patentes, por exemplo, entre ocidentais e orientais.

No ocidente se encontra os seres humanos mais evoluídos da Terra, em sentido geral. Em existências passadas renasceram vária vezes no oriente. Renascem, agora, nessa parte da Terra, para se dedicarem a um aprendizado condizente com seu atual estado evolutivo.

Aos menos avisados, parece ser o oriente mais avançado espiritualmente. Puro equívoco. Não é nada disso. E vale a pena ressaltar que essa ideia errônea foi espalhada por aí através das obras orientais postas à venda em todo tipo de comércio. Realmente, a produção de fenômenos suprafísicos e a manifestação de faculdades paranormais, impressionam. Causam certo impacto em quem não conhece devidamente o assunto. Muitos ficam deslumbrados à simples narrativa das façanhas, por exemplo, de faquires e iogues. Ficam por aí lamentando as “deploráveis condições de materialismo” em que vivem os ocidentais, exaltando o oriente como única fonte de espiritualidade.

Ora, devagar com o andor! Psiquismo não é espiritualismo! Muitas vezes andam até bem divorciados. Ocorre que certos exercícios preconizados pelas Escolas Orientais têm o condão de despertar certos atributos psíquicos. São, realmente, indicados para os nossos irmãos e nossas irmãs que são Aspirantes daquela parte do globo terrestre. Mas quando praticados por ocidentais, tendem a conduzir a um despertamento prematuro e artificial, consequentemente perigoso. Isto é válido, principalmente em se tratando de exercícios respiratórios. São práticas inadequadas e desaconselháveis ao ser humano do ocidente. Várias doenças e enfermidades podem ser contraídas como resultado desses exercitamento. Muitas pessoas boas andam por aí, internadas em clínicas, casas de saúde, hospitais especializados em casos ditos psiquiátricos, debilidade intelectual ou de transtornos mentais.

Max Heindel não se cansa de nos advertir a respeito. Em face de sua responsabilidade como mensageiro dos Irmãos Maiores na divulgação dos Mistérios Rosacruzes, define com exatidão e clareza as linhas constitutivas dos Métodos de Desenvolvimento Ocidental e Oriental. Vejamos o que ele afirma sobre o assunto no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “Na Índia se empregam diversos métodos, sob diferentes sistemas de Ioga. Ioga significa União e, como no Ocidente, o objetivo do Aspirante é a união com o ‘Eu superior’. Porém, para serem eficazes os métodos de alcançar essa união, devem ser diferentes para um indiano ou uma indiana e para um ser humano que nasce e vive no lado ocidental, tendo em vista que os veículos de um indiano ou uma indiana estão diferentemente constituídos dos de um ser humano que nasce e vive no lado ocidental. Os indianos e as indianas, durante muitos milhares de anos, viveram em ambiente e clima totalmente diferentes dos nossos e seguiram diferentes métodos de pensamento. Sua civilização, embora de ordem muito elevada, produz efeitos diferentes. Portanto, seria inútil adotarmos seus métodos, aliás, produto dos mais elevados conhecimentos ocultos. São perfeitamente convenientes para eles, mas, sob todos os aspectos, tão inadaptáveis aos ocidentais como um prato de aveia é impróprio para um leão.

Por exemplo, em alguns sistemas se pede ao iogue para se sentar em determinadas posições a fim de certas correntes cósmicas poderem fluir de certo modo através do seu Corpo, o que produzirá definidos resultados. Eis uma instrução completamente inútil para um ser humano que nasce e vive no lado ocidental, cuja maneira de viver torna-o inteiramente insensível a essas correntes. Para obter algum resultado prático deve trabalhar em harmonia com a constituição dos próprios veículos”.

Em uma de suas Cartas aos Estudantes, Max Heindel aponta outras diferenças, por exemplo, com o Hinduísmo: “A Escola Oriental de Ocultismo baseia os seus ensinamentos no Hinduísmo, enquanto a Escola dos Ensinamentos de Sabedoria Ocidental preconiza o CristianismoEsotérico, a Religião do Ocidente – e há uma grande discrepância fundamental e irreconciliável entre os ensinamentos dos modernos representantes do Oriente e os dos Rosacruzes. De acordo com a versão do Ocultismo Oriental, o Corpo Vital – chamado ‘Linga Sharira’ – é comparativamente sem importância, pois é incapaz de se desenvolver como um veículo de consciência. Ele serve apenas como um canal para a força solar, ‘prana’, e é um ‘elo’ entre o Corpo Denso e o Corpo de Desejos, que é chamado ‘Kama Rupa’, também chamado de ‘Corpo Astral’. Esse, dizem eles, é o veículo do Auxiliar Invisível.

A Escola dos Ensinamentos de Sabedoria Ocidental nos ensina, como sua máxima fundamental, que ‘todo o desenvolvimento oculto começa com o Corpo Vital’, e o autor, como seu representante oficial e público, tem estado constantemente empenhado, desde o princípio do nosso movimento, tentando reunir e disseminar os conhecimentos referentes aos quatro Éteres e ao Corpo Vital.”.

Há ainda outro fator positivo respaldando o Método Ocidental de desenvolvimento: é o seu caráter libertário, emancipando o Aspirante à vida superior de toda influência externa, tornando-o confiante em si mesmo no mais alto grau. Já no Oriente tal não ocorre; o “Chela” deve submeter-se ao “Guru”, a quem deve estrita obediência. Ao discípulo não se concede liberdade de escolha, mas também não assume nenhuma responsabilidade. Entre as almas mais “velhas” do Ocidente, Aspirantes ao crescimento espiritual, não pode haver submissão a “gurus”, “mestres” e “guias”. Cada um deve aprender a conduzir-se por si só, mesmo que lhe custe algumas quedas e sofrimentos.

Os ocidentais são mais ativos, mais empreendedores e dinâmicos, tendo, com essa gama notável de qualidades, já conquistado o Mundo material. De pujante intelecto, desenvolveram-se cientificamente, criando uma vasta e sofisticada tecnologia. Souberam aproveitar todas as oportunidades e recursos oferecidos pelo Mundo Físico. É verdade que isso lhes trouxe também inúmeros problemas, não pela matéria em si, mas pelo uso distorcido que dela fizeram; inverteram a ordem das coisas. Trocaram os fins pelos meios. Converteram em objetivos os recursos que, naturalmente, são meios para se lograr um progresso transcendental à materialidade. Mas essa condição, a despeito de ser perigosa, é passageira.

Os orientais até bem pouco tempo consideravam a vida material como sendo um pesado fardo. Pouco se interessavam por ela, preferindo uma existência mais contemplativa, onde pudessem gozar as delícias do “nirvana”. Aferrados a tradições milenares, relutavam em aceitar as vantagens oferecidas pela existência concreta. Mantinham-se alheios às novas descobertas e às transformações que, de tempos em tempos, imprimem novos contornos e colorido às civilizações.

Porém, como não existe inércia na natureza, as Hierarquias Criadoras, responsáveis pela nossa caminhada evolutiva, valeram-se de alguns meios para promover uma descristalização com catástrofes, conflitos bélicos, etc. Hoje já se nota um processo de ocidentalização em várias nações orientais, desenvolvendo-se, em algumas delas, modernas sociedades de consumo. As coisas já começaram a mudar.

Não é difícil, portanto, admitir a existência de acentuadas diferenças entre orientais e ocidentais. Aqueles Egos encontram-se na curva descendente da Evolução, prestes a atingir o Nadir da Materialidade, pelo qual nós já passamos a milhares de anos. Em um futuro próximo, deverão enfrentar os mesmos problemas agora afligindo os ocidentais, para adquirirem a experiência da vida material. Afastam-se, pouco a pouco, das vivências predominantemente subjetivas, para dedicar-se à conquista do plano material, requisito indispensável à Evolução.

Os ocidentais, por sua vez, ascendendo o arco evolutivo, estão alcançando condições de maior espiritualidade. Constroem Corpos Densos mais sutis e Mentes mais dinâmicas. Tudo isso lhes é possível graças ao método de realização onde seu desenvolvimento depende exclusivamente de iniciativa, esforço e perseverança. São qualidades capazes de manter sempre dinamicamente atualizadas as sociedades e instituições do ocidente.

Ora, se os ocidentais são vanguardeiros da evolução humana e suas Escolas de Mistérios são respaldadas pelo Cristianismo, tais premissas induzem, infalivelmente, a uma conclusão: “o sistema filosófico religioso Cristão é o mais avançado que se conhece”. Daí ser um contrassenso alguém, principalmente natural do lado ocidental do globo, abraçar uma Religião ou Escola de Mistérios do Oriente.

Mas, por que alguns jovens aderem aos cultos orientais? A resposta em parte, podemos encontrá-la dentro dos próprios movimentos Cristãos populares. O Cristianismo Popular Exotérico, ainda escravizado à “letra que mata e não ao espírito que vivifica” (IICor 3:6), vai perdendo, gradativamente, consistência ante os avanços que ocorrem em todos os campos do conhecimento humano. As Igrejas Cristãs que preconizam o Cristianismo Exotérico ou Popular sustem-se pelos dogmas. E o dogma, para manter-se, exige uma fé cega, o que já se tornou inconcebível em nossos dias.

A Mente acadêmica procura uma explicação lógica e racional, para todos os fenômenos, empenhando-se em conceituar e definir as coisas. Daí concluirmos que, somente uma Religião assentada em bases racionais pode satisfazer ao ser humano moderno, atendendo, principalmente, aos anseios das novas gerações. E esse sistema religioso, é a Cristianismo Esotérico, tal como é divulgado pela Fraternidade Rosacruz.

Contudo, a despeito da profundidade dos Ensinamentos Rosacruzes, o número de Estudantes filiados a este movimento não é muito grande. Nem todos aceitam a disciplina inerente a uma Escola Filosófica séria. Essa disciplina, que fique bem claro, não é imposta. O próprio Estudante, livre, espontânea e conscienciosamente se impõe uma norma de conduta lastreada nas Leis Divinas. Ele alimenta propósitos edificantes, cioso de que o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz não é nada fácil. Mas, corajosamente assume a responsabilidade, por sua conta e risco. E a ninguém ou à organização alguma procura debitar seus fracassos e as frustrações decorrentes. As pessoas, em sua maioria, sempre esbarram nessa responsabilidade. É mais cômodo transferi-la a outrem.

A tibieza, o fanatismo e o mau exemplo expresso em incoerência de atitudes por parte de alguns chefes religiosos, e de pessoas bem-posicionadas dentro de comunidade, também constituem fatores suscetíveis de levar os jovens a desiludirem-se com o Cristianismo Popular. “Errare humanum est”, pode contestar alguém. Não é justo confundir uma crença com a atitude dos crentes. Todos os seres humanos estão sujeitos a momentos de fraqueza. Mas também é certo que a “quem muito é dado muito será exigido” (Lc 12:48). Quem ocupa uma posição de destaque no seio de uma comunidade, principalmente religiosa, deve estar consciente de sua responsabilidade, empenhando-se em manter intacta sua integridade moral. O Cristo exortou-nos a “orar e vigiar” (Mt 26:41).

Vivemos hoje numa sociedade extremamente imediatista e utilitarista, pragmática e competitiva. As pessoas, carentes de sólidas defesas morais, sentem-se massacradas intimamente.

Essa é a gênese das neuroses, suicídios e outros males modernos. A troca dos meios pelos fins desaguou nisso aí. Mas quem arranjou essa encrenca foi a próprio ser humano. Cabe-lhe, portanto, sair dela, pela colocação das coisas em seus devidos lugares, atribuindo-lhes os seus valores reais.

Essa tarefa fundamental compete principalmente aos pais, professores e chefes religiosos. Lamentavelmente, nem todos se encontram preparados para tal. Eis porque muitos jovens sentem-se desorientados, desiludidos, carentes de respostas, oprimidos por um vazio interior. No exotismo (extravagância) de Religiões orientais ou no silêncio quase sepulcral de mosteiros e montanhas, procuram algo capaz de preencher suas íntimas necessidades.

A intenção é boa e pura. Mas, de certo modo, configura fuga ou escapismo. Andam em busca de paz. Mas um dia serão obrigados a retornar ao Mundo, porque a paz só se obtém aqui, em meio às lutas, pela transformação das consciências; pela reforma do íntimo, pela coragem em encarar e enfrentar os obstáculos. A paz é fruto do trabalho.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Vegetarianismo e a Lei do Amor

O vegetarianismo é, muitas vezes, adotado por questões de saúde, como um regime alimentar mais saudável, mais higiênico e muito mais substancioso. Porém, o aspecto mais importante do mesmo é ser ele um modo de pensar e de sentir, visto estar profundamente ligado à ideia da Fraternidade Universal. Todos os reinos da natureza são partes de um Todo. A ciência e algumas Religiões aceitam e explicam, de certo modo, a Lei da Evolução, a qual se processa através do desenvolvimento da consciência. Sendo nós um ser dotado de maior consciência, é por isso mesmo de maior responsabilidade no mundo.

Por nosso contínuo pensar, há de nos aproximarmos cada vez mais das verdades proclamadas em todos os tempos por sábios, filósofos, santos e profetas. A base dessas verdades é, invariavelmente, que a Lei do Amor é a única que nos conduzirá a um estágio de real grandeza espiritual. Sem o amor, poderemos conhecer grandes progressos materiais, mas somente com ele alcançaremos a verdadeira civilização, via o desenvolvimento espiritual. Ora, a Lei do Amor não pode admitir a cruel matança dos animais (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins), como a que se executa, cada vez em maior escala.

Dizemos cruel e sobretudo inútil, porque, se é com fins de alimentação, milhões de vegetarianos em todo mundo provam que vivem em iguais ou melhores condições físicas e intelectuais que os não-vegetarianos. Se é com fins esportivos, nada pode ser mais vexatório para nosso orgulho de civilizados, de que ver alguém se divertir matando friamente seres sensíveis. Se é com fins ornamentais, de produtos de beleza e de moda, como acontece com o uso de casacos de pele, artefatos de couro, enfeites de penas, cosméticos, xampus, etc., mais evidencia a inutilidade da matança, porque há atualmente outros tipos de produtos de beleza e higiene, vestuários, calçados, agasalhos e de enfeites, com certeza muito mais saudáveis, talvez mais duradouros e belos do que provenientes do sacrifício de animais.

Poucas pessoas comeriam carne animal se elas tivessem de matá-los, ou se assistissem aos processos clamorosamente cruéis de seu diário abate. Compreende-se que no passado o cultivo das terras era reduzido, difícil em muitas regiões, desconhecidos os grandes recursos agrícolas da atualidade, ignorado o valor alimentício de muitos produtos da terra.

Tenha-se em vista apenas os exemplos da soja e do amendoim, para ficarmos somente em dois. Hoje enriquecidos de tão grandes progressos, como explicar que ainda não tenhamos vencido essa superstição sobre o valor da carne animal como alimento?

Podemos cultivar o sentimento de Fraternidade Universal, aprovando, apoiando, participando da crueldade, indiferentes ao sacrifício diário de milhões desses seres?

Por outro lado, é uma incoerência comemorar datas dedicadas à seres que amaram a todos os seus irmãos e todas as suas irmãs, inclusive aos irracionais, como no NATAL, sacrificando em nossas mesas suas indefesas vidas. E como é compreendido pelo Estudante Rosacruz: justamente no dia do ano mais sagrado, quando Cristo, o Senhor do Amor, atinge o centro da Terra, e dali emana todo o Seu amor, Sua vida e Sua paz. Realmente, uma grande incoerência, especialmente para quem está ciente desse evento importantíssimo anual!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/abril/1988 – Fraternidade Rosacruz -SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Cristianismo: o que é e o que deixa de ser

Cristianismo é, em sua sublimação ou em essência, a aceitação de uma maneira de viver e como tal não pode ser rigidamente restringido ou contido por rituais ou crenças. Esses são, de fato, apenas os meios de transmitir e ressaltar certas verdades básicas daquele. Mais ainda, o Cristianismo não é e nunca poderá ser exclusivista.

As Igrejas ocidentais, pioneiras do Cristianismo, estão, sem dúvida, na vanguarda da pregação e divulgação; estão fazendo um magnífico trabalho, e continuarão a fazê-lo, no mundo, com a propagação do Evangelho. Contudo, seria um erro imaginar que a divulgação do Cristianismo esteja restrita a certas igrejas e Religiões Cristãs. O trabalho e os ensinamentos de outros grupos religiosos pelo mundo afora não devem, de forma alguma, serem tidos em pouca conta, pois que eles, também, embora possam não se aperceber disto, estão chegando, gradualmente, sob a influência universal do Espírito de Cristo, e estão, cada vez mais, praticando e defendendo princípios essenciais e fundamentalmente Cristãos.

Cristo disse: “Quando me erguer da Terra, levarei todos os homens comigo.” (Jo 12:32). Note-se que Ele afirma bem claramente: “todos os homens”. O Cristianismo pertence a toda a Humanidade e Cristo veio tirar os pecados do mundo todo.

O poder todo envolvente do Espírito de Cristo cobre completamente a Terra e sua influência alcança todos os povos, Raças e religiões, tornando-se cada dia mais discernível. Sejam Cristãos, Maometanos, Judeus ou de outra fé qualquer, essa influência envolvente cristianizante, como os raios universais do Sol, é uma força e elemento em todas as nossas vidas, geral e inevitável, quer nos demos conta disso, quer não.

O Maometano, o Judeu e os demais, ao praticarem e adorarem suas religiões, estão de fato e na verdade, tornando-se gradativamente mais e mais semelhantes a Cristo em seus Corações e convertidos em Espírito.

Cristandade é um fermento que age sobre todo o mundo. Não trará todos os seres humanos, nessa idade, a uma igreja secular, pois que a diversidade é uma das fases da evolução e um fator no processo humano presentemente. Conduzirá, contudo, inevitavelmente, todos os povos, Raças, religiões e credos a uma união espiritual de compreensão universal, amor altruísta e fraternidade, em conformidade com o preceito maior de Cristo: “Amarás a Deus com todo seu coração — e a teu próximo como a ti mesmo”.

O Ecumenismo, com sua unificação das Igrejas, está apenas engatinhando, mas está destinado, um dia, a envolver toda a Humanidade. Com o tempo, as várias Religiões pelo mundo reconhecerão e aceitarão sua meta comum na adoração e praticarão, universalmente, os princípios fundamentais, unificadores e espirituais do Cristianismo: “Serviço amoroso e desinteressado ao próximo é o caminho mais curto, mais seguro, e o mais agradável para Deus”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz Julho-Agosto/1987 pela Fraternidade Rosacruz–SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Razão por Haver Tantos Cultos Diferentes

Dezembro de 1913

O pensamento central da lição do mês passado, e o que devemos ponderar devidamente, é a razão da existência de tantos cultos diferentes, cada um com seu próprio credo e com a ideia que somente ele tem a verdade[1]. A causa disto, como se constata na lição do mês passado, se baseia no fato de que o Ego[2] se limitou a si mesmo ao penetrar em um veículo que o separa de todos os outros. Devido a essa limitação, o Ego é incapaz de apreciar a absoluta e universal verdade e, consequentemente, somente as Religiões que ensinam apenas verdades parciais puderam ser oferecidas.

As guerras e discórdias geradas no mundo pelas influências segregacionistas dos credos, também, não são desprovidas de benefícios, pois se todos tivessem a mesma opinião sobre a grande questão: “O que é a verdade?”, não haveria empenho em buscar a luz ou o conhecimento; e a verdade não produziria em nós a forte impressão deixada pela luta travada por aquilo que acreditamos. Por outro lado, a militância das Igrejas mostra àqueles que, como pioneiros, agora estão adotando uma visão mais ampla – que reconhece que ninguém possui mais do que um raio de toda a verdade no presente e que olham para o futuro em busca de ampliação da habilidade de sua capacidade – que algum dia eles não mais verão através de um espelho obscuramente, mas conhecerão como também são conhecidos[3].

Sabendo que há uma razão cósmica para os credos, não devemos nem tentar impor nossas ideias àqueles que ainda estão limitados pelo espírito do convencionalismo, nem imitar o espírito missionário militante das Igrejas, mas como afirma a Bíblia, devemos dar as pérolas do nosso conhecimento somente àqueles que estão cansados de se alimentar das cascas, dos restos e que anseiam pelo verdadeiro “pão da vida”.

Discorrer sobre assuntos relacionados a esse conhecimento superior podem ajudar aqueles que estão despertados da letargia espiritual, infelizmente tão comum em nossos dias. Mas argumentar nunca adiantará nada, pois aqueles que estão em um clima argumentativo não se convencem de nada que dizemos. A compreensão da verdade, a única capaz de quebrar as barreiras da limitação que geram o credo, deve vir de dentro e não de fora.

Portanto, embora devamos estar sempre prontos para responder às perguntas formuladas por aqueles que desejam saber alguma coisa, e estar prontos para dar a razão da nossa fé, também devemos estar atentos para não impor nossa opinião aos outros; para que, tendo escapado de um grilhão, não fiquemos presos a outro, pois a liberdade é a herança mais preciosa da alma. Por isso os Irmãos Maiores que atuam no ocidente não aceitarão nenhum Estudante que não esteja livre de todos os outros vínculos, e eles zelam para que o Estudante não se apegue a eles ou a qualquer outra pessoa. Só assim o Anel de Nibelungo e o anel dos deuses podem ser dissolvidos[4]. Que todos nós nos esforcemos para viver à altura desse ideal de liberdade absoluta e, ao mesmo tempo, é claro, tomando cuidado para não infringir os direitos dos outros.

(Pergunta nº 37 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Carta nº 36: Métodos Orientais e Ocidentais de Desenvolvimento – Novembro de 1913

Frequentemente, recebemos solicitações de auxílio de pessoas que, infelizmente, pertenciam a sociedades onde elas se submetiam ao domínio dos espíritos de controle que, no momento, os assombram e os perseguem chegando ao ponto de se tornarem um fardo na vida delas. Também recebemos solicitações de auxílio de pessoas que frequentaram sociedades onde ensinavam exercícios de respiração hindus. A impaciência de ingressar nos Mundos invisíveis leva muitas pessoas a praticarem estes exercícios, cuja natureza perigosa desconhecem, quando percebem é tarde demais e aí experimentam problemas tano na saúde física como na espiritual. Então, vem até nós a procura de alívio que, felizmente, conseguimos fornecer a todos que se aplicaram, até mesmo aqueles que estavam à beira da insanidade.

E é por isso que a literatura da Fraternidade Rosacruz está repleta de advertências sobre o evitar todos os exercícios respiratórios tais como preconizados pelas escolas orientais, os quais são impróprios às pessoas que vivem no lado ocidental do Planeta. É com muita e profunda tristeza que ouvimos falar de um Estudante que está, agora, doente como consequência desses tipos de exercícios respiratórios. Portanto, cremos que será conveniente afirmarmos, mais uma vez, a diferença entre os métodos oriental e ocidental, para que fique bem claro o porquê é sensato evitar tais exercícios.

Em primeiro lugar, é necessário ter a percepção clara de que a evolução do espírito e a evolução da matéria andam de mãos dadas. O espírito evolui renascido em veículos densos de matéria e trabalhando com o material encontrado no Mundo Físico. Assim, o espírito progride e, também, a matéria está sendo aprimorada porque o espírito trabalha sobre ela. Naturalmente, os espíritos mais avançados atraem para si material mais refinado do que aqueles que estão atrasados no caminho da evolução, e os átomos nos corpos de pessoas mais altamente evoluídas são mais sensíveis do que as daquelas que existentes em povos primitivos.

Entretanto, os átomos das pessoas que vivem no ocidente respondem às ondas vibratórias que ainda não foram contatadas por aquelas pessoas que habitam em corpos orientais. Os exercícios respiratórios são usados para despertar os átomos adormecidos do aspirante oriental, e o trajeto enérgico desse tratamento se faz necessário para aumentar o tom de vibração. O índio americano ou o bosquímano[1] podem executar esses exercícios impunemente durante vários anos, contudo, é uma questão totalmente diferente quando uma pessoa, com um corpo altamente sensibilizado como o ocidental, segue tal tratamento. Os átomos de seu corpo já foram sensibilizados pela evolução natural; e quando esta pessoa recebe um ímpeto adicionado de exercícios respiratórios, os átomos simplesmente se rebelam, e se torna extremamente difícil trazê-los ao devido repouso novamente.

Aqui pode ser útil mencionar que o autor teve uma experiência pessoal nesse assunto. Anos atrás, quando ele começou a trilhar o Caminho espiritual e estava imbuído da impaciência que é a característica comum a todos os buscadores sedentos pelo conhecimento, ele leu sobre os exercícios respiratórios publicados por Swami Vivekananda[1] e começou a seguir as suas instruções, na esperança de que, após dois dias, o Corpo Vital se separaria do Corpo Denso. Isso produziu uma sensação como deslizar no ar, não sendo possível manter os pés em terreno sólido e todo o Corpo parecia vibrar num tom altíssimo. O bom senso o resgatou. Os exercícios foram interrompidos, porém, foram duas semanas para que recuperasse a condição normal de andar firmemente no chão e cessassem as vibrações anormais.

Na parábola, foi dito que alguns foram rejeitados porque não tinham o traje nupcial. A menos que nós desenvolvamos, primeiramente, o Corpo-Alma, qualquer outra tentativa de entrar nos Mundos invisíveis resultará em um desastre; e qualquer instrutor que diz ter a capacidade para conduzir as pessoas aos reinos invisíveis não é confiável. Existe apenas um caminho – paciente persistência em fazer o bem.

(Cartas aos Estudantes – nº 36 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel)

[2] N.T.: nós, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui.

[3] N.T.: ICor 13:12

[4] N.T.: aqui se trata de um assunto que é estudado com total profundidade no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz sobre a obra de Richard Wagner, chamada “Der Ring des Nibelungen” (Anel de Nibelungo).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Você pode provar, por meio da Bíblia, que o Ego nasce e renasce até estar apto a se apresentar diante de Deus?

Resposta: Há algumas pessoas que acreditam que a Bíblia é totalmente exata, palavra por palavra, do começo ao fim. Além disso, se houver controvérsia, elas argumentam como se a Bíblia tivesse sido originalmente escrita em inglês e como se cada palavra significasse justamente o que expressa, e nada mais.

Na realidade, a Bíblia tem sido traduzida, transcrita, editada e reeditada tantas vezes que, naturalmente, surgiram interpolações. Algumas foram inseridas involuntariamente, devido a algum lapso ocasional por parte do copista. Também houve casos em que as interpolações foram colocadas intencionalmente, a fim de apoiar uma determinada doutrina na qual o copista acreditava e que não estava claramente enunciada. Entre os estudiosos nessa área é bem reconhecido que apenas um esboço geral dos ensinamentos originais permanece conosco atualmente.

Em todas as Religiões sempre foi dado às multidões um lado exotérico. Esse continha os ensinamentos mais elementares, mas uma opção para adquirir um conhecimento mais profundo foi fornecido àqueles que se prepararam, no decorrer de suas vidas, a compreender tais os mistérios. Podemos nos lembrar do conselho de Cristo aos Seus discípulos: “A vós foi dado o mistério do Reino de Deus; aos de fora, porém, tudo acontece em parábolas.” (Mc 4:11), como uma indicação que há um procedimento semelhante na Religião Cristã.

Entre esses mistérios estava a Doutrina do Renascimento, que você perceberá que Cristo-Jesus deve tê-la ensinado por meio do seguinte diálogo. Ele perguntou-lhes: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16:13). E os Discípulos responderam: “Uns afirmam que é João Batista, outros que é Elias, outros, ainda, que é Jeremias ou um dos profetas.” (Mt 16:14). Todos esses personagens já haviam morrido e seus Corpos já deviam estar decompostos nos túmulos. Ainda assim, encontramos pessoas que creem ser Jesus um deles renascido. Se esse princípio do Renascimento estivesse errado, teria sido um dever de Cristo-Jesus, como Mestre, corrigir Seus discípulos e, provavelmente, Ele teria dito: “Que bobagem! Como posso ser um deles? Eles já partiram há séculos!”. Ao invés de tudo isso, Ele pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. (Mt 16:15)

No caso de Elias, Ele ensinou essa doutrina abertamente, pois Ele disse aos Seus Discípulos se referindo a João Batista: “…ele é o Elias que deve vir.” (Mt 11:14). Não há nenhum equívoco, mas uma afirmação direta: “Esse é Elias”. Essa declaração foi reiterada mais tarde, quando deixavam o Monte da Transfiguração, pois naquela ocasião, Cristo disse aos Seus Discípulos: “Eu vos digo, porém, que Elias já veio, mas não o reconheceram.” (Mt 17:12). Então: “os Discípulos entenderam que se referia a João Batista.” (Mt 17:13).

(Pergunta nº 104 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Lei do Renascimento: a Verdade e nada mais que a Verdade

O renascimento, para muitos, é apenas uma ideia ridícula e fantástica sobre aqueles que faleceram e retornaram em alguma forma grotesca ao Reino animal ou vegetal. Isso ocorre, sem dúvida, devido ao antigo ensino de Confúcio que, mais tarde, infelizmente foi mal interpretado. Nenhum verdadeiro seguidor de Confúcio alguma vez acreditou nisso, pois Confúcio nunca ensinou que sua avó pudesse reencarnar em uma vaca, um gato ou repolho. Somente aqueles que, em sua ignorância, riem dele pensam que os “chineses pagãos” admitam tal absurdo. Ele, de fato, acreditava na involução, a transferência de poder para um nível inferior e na evolução; que o mal da Humanidade se transformará em seres inferiores e o bem evoluirá para seres superiores.

Toda a criação evoluiu de uma substância — Deus. O fundamento da criação é o átomo da vida. Se toda a criação é construída a partir de átomos idênticos, como podemos explicar as diferentes formas que eles assumem? Em primeiro lugar, porque foi predeterminado pelo Criador. Mas essa explicação dificilmente basta.

Não há coisa alguma no universo que não tenha vida. Até o pavimento debaixo dos pés tem vida. Se não tivesse, não se desintegraria. Não há nada sem vida, sem vibração; porque vida é vibração e vibração é vida. A taxa de vibração de um determinado átomo depende da variedade de outros átomos que ele atraia para si e, portanto, da forma que ele assumirá.

Da inclinação do polo de um átomo (toda vida tem polo positivo e negativo) depende sua taxa de vibração. E a inclinação de seu polo depende do tempo que empregou em sua evolução. Portanto, os átomos que compõem o reino mineral tiveram o menor tempo em evolução e os do reino humano, o ser humano, o mais longo.

Contudo, a Bíblia nos diz que o ser humano foi criado por último. Verdadeiro. Não há qualquer coisa na Bíblia que não seja verdadeira, e literal, quando interpretada de maneira inteligente. A Bíblia e a afirmação de que o ser humano foi criado primeiro não estão em desacordo. Ambas estão corretas.

No início da primavera, plantamos o bulbo do açafrão. Em algumas semanas ele cresce, floresce, cai e murcha; mas, a rosa que deve florescer aproximadamente um mês depois do açafrão, nós devemos plantar no outono anterior. Portanto, a rosa é criada primeiro porque nós a damos à terra primeiro e é criada por último, nasce, porque é quando atinge a maturidade do seu último desenvolvimento.

Assim, como um pensamento Divino, um princípio Divino, uma vibração Divina, um átomo Divino, o ser humano foi criado primeiro; contudo, o ser humano como o conhecemos, plenamente desenvolvido, com posse mais ou menos consciente de todos os seus sentidos, faculdades e corpos, como um átomo atraindo para si um certo número de todos os átomos existentes, porque o ser humano é feito à imagem de Deus e Deus é tudo em tudo — tal ser humano foi criado por último do mesmo jeito que a rosa ostenta sua flor por último.

A ciência frequentemente chama a atenção e força a convicção em que os pensamentos mais elevados não conseguem. Vamos pegar como exemplo uma descoberta, o elemento químico rádio, para ilustrar o princípio do renascimento.

A força do elemento rádio não está no próprio elemento rádio, mas na emanação, ou gás, que a ciência extraiu dele. O ser humano é um átomo como o elemento rádio; um átomo composto. Ele é composto em maior grau apenas porque tem mais tempo de evolução, pois o elemento rádio também é composto. Se o elemento rádio não fosse composto, as emanações não poderiam ser separadas dele. Um processo natural no universo, a separação dos corpos superiores do ser humano do Corpo Denso, a chamada morte, pode ser comparada à separação do elemento rádio, pela ciência, das suas emanações.

O elemento rádio, do qual as emanações foram inteiramente extraídas, não seria diferente do elemento chumbo, a substância mais inerte conhecida na natureza. Essa substância, abandonada à natureza, iria se desintegrar em elementos. A isso pode ser comparada a desintegração do Corpo Denso do ser humano.

Contudo, o elemento rádio, diferentemente dos Corpos Densos, é precioso demais para ser abandonado à desintegração. A ciência o usa repetidamente, com novas emanações de átomos de vida regressando a ele. A ciência nunca fez e nunca poderá fazer algo fora dos limites naturais ou que seja contrário às Leis da Natureza. Mas, e por outro lado demonstra leis desconhecidas para ela. Assim, ela provou conclusivamente o retorno da vida à matéria. Da mesma forma, o princípio superior do ser humano deve renascer num Corpo Denso.

Mas o que acontece com as emanações ou átomos de vida, depois que eles saem do elemento rádio? Eles se unem ao Éter planetário. Os corpos superiores do ser humano vão para os Mundos Celestiais. O ser humano espiritual (Corpo de Desejos, Mente e o Tríplice Espírito) tem a mesma relação com os gases do elemento rádio, nos Mundos Celestiais, que o ser humano físico (Corpo Denso e Corpo Vital) tem com os minerais do elemento rádio, no mundo material (Mundo Físico).

Assim, o Criador está desenvolvendo TODA a criação para a perfeição suprema; as mesmas Leis da Natureza, perfeitas, inalteráveis e predeterminadas, governam um único átomo de vida ou um universo, o elemento rádio ou um ser humano, um sapo ou uma borboleta, um riacho ou as pedras sobre as quais ele balbucia. Cada um e todos têm o seu valor relativo e, como tal, todos e cada um devem alcançar sua perfeição relativa. Infelizmente, isso é difícil para algumas pessoas compreenderem — o Senhor da Criação deles fazendo leis apenas para quebrá-las por favoritismo ou falta de normas, influenciando Sua soberania.

Todas as Religiões ou doutrinas religiosas credenciadas, sejam antigas ou modernas, incorporam o princípio do renascimento; no entanto, originalmente divino, ele tem sido desvirtuado para atender às necessidades de credos e dogmas criados pelo ser humano.

A moderna doutrina ortodoxa é um bom exemplo. Aqui encontramos o princípio da ressurreição, mas ele não convence as Mentes lógicas e racionais de que ao som de trombetas os corpos que se tornaram pó e do pó sejam restaurados inteiros e perfeitos para as almas dos mortos neles reentrarem; nem convence de que de uma vasta multidão concebida em pecado e com apenas uma chance de se redimir, Deus salvará uns poucos escolhidos para habitar eternamente em uma Terra glorificada, jogando o restante na escuridão externa e no tormento eterno. Uma concepção assustadora de um Pai amável e gentil! E um equívoco terrível de uma grande e fundamental Lei da Natureza.

Aqueles que realmente mostram o caminho para sairmos da ignorância e das trevas e chegarmos até o conhecimento e a luz não pedem a nenhuma pessoa íntegra e racional que a alma humana aceite algo apenas pela fé ou por alguém ter afirmado. A Verdade, toda a Verdade e nada mais que a Verdade pode ser CONHECIDA se, por livre arbítrio, for buscada para poder ser vivenciada.

(Traduzida da Revista Rays From The Rose Cross de agosto de 1915 pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ação de Graças: Ecumenismo que Consola, Anima e Abre Perspectivas

Com fartas manifestações de ecumenismo, comemora-se na última quinta-feira de novembro o Dia Nacional de Ação de Graças.

Em todos os lugares do mundo onde essa data é comemorada e expressa por ações, as divergências existentes entre os diversos credos são deixadas de lado e seus mentores realizam conjuntamente cultos de Ação de Graças.

Essa união momentânea, em torno de um propósito comum, consola, anima e abre perspectivas, mesmo que ligeiras, se não de um perfeito entendimento, pelo menos de uma quebra de tensões. Pena que tal aconteça esporádicas vezes.

Ecumenismo é um belo vocábulo e uma ideia excitante. Entretanto, ainda não adquiriu aquela dinâmica própria do termo que ultrapassa os teóricos e inócuos limites do papel, para expressar-se na prática como um fato concreto.

De qualquer modo, para quem aspira à Fraternidade Universal, o ideal da Era de Aquário, essas manifestações já constituem um bom prenúncio. Frutos mais palpáveis por certo surgirão em tempos futuros, como consequência lógica desses esforços. O sentido mais profundo do ecumenismo não implica em, necessariamente, aceitar os princípios e dogmas alheios. Não! Configura-se no reconhecimento do direito de se abraçar qualquer credo ou filosofia e de respeitar toda e qualquer prática religiosa, desde que alicerçada na moral. É a compreensão dos vários estágios evolutivos em que se encontram os seres humanos.

“Os Anjos do Destino estão acima de todo erro e dão a cada um e a todos exatamente o que necessitam para o seu desenvolvimento”.

As Religiões e as Escolas filosóficas vêm atender as necessidades internas de determinados agrupamentos humanos. De tempos em tempos, a Humanidade, em sua escalada ascensional, recebe verdades mais profundas.

No passado, os mitos e as lendas foram os elementos dos quais as Hierarquias Criadoras projetaram conceitos básicos na Mente da Humanidade infantil.

Max Heindel ilustra, com muita propriedade, essa problemática com o exemplo da meta posicionada no cume da montanha e dos diversos serpenteantes caminhos que para ela convergem. A senda reta, porém, menos extensa e mais íngreme, simboliza o Caminho da Iniciação, preconizado pelas Escolas de Mistérios, dentre as quais destaca-se a Ordem Rosacruz.

O Cristianismo constitui uma notável ajuda, o grande impulso que recebemos. Cristo, todavia, em Seu ministério, ensinava a multidão por meio de parábolas, reservando a essência esotérica de Sua doutrina aos Discípulos, por pressuposto, Iniciados.

Ainda hoje, vemos a maioria da Cristandade limitada ao significado raramente exotérico da Religião. Notamos o comportamento humano ainda inculcado à Lei.

A ascensão espiritual realiza-se por etapas. Não é um processo repentino.

O próprio Cristo anteviu as dissidências e as lutas fratricidas que se fariam em Seu nome ao proclamar: “Não vos trago a Paz, mas uma espada“[1]. Sabia perfeitamente que o germe da separatividade medrava nos nossos corações. E que só depois de muito tempo as coisas tomariam um rumo diferente.

A ação do Cristo se faz sentir, paulatinamente, eliminando aos poucos os abismos cavados entre nós. E a Fraternidade Universal será rígida sobre as cinzas da separatividade, mesmo porque, na Era de Aquário, o Cristianismo Esotérico predominará como uma síntese completa e perfeita do pensamento religioso.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1973–Fraternidade Rosacruz–SP)

[1] Mt 10:34

(*) Pintura: 1º Thanksgiving (Ação de Graças) at Plymouth 1914 – por Jennie Augusta Brownscombe

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A importância de: se ter um vínculo mais forte de companheirismo, aprender a cooperar, se ter uma visão maior do nosso trabalho no mundo e inspirar em todos o desejo de Fraternidade

Durante as Eras passadas, várias Religiões foram fornecidas à humanidade pelas Hierarquias Criadoras, encarregadas pela nossa evolução – um ensinamento exotérico para a humanidade em geral e um ensinamento esotérico para os pioneiros.

Um pouco mais de dois mil anos atrás, a maioria da humanidade já tinha atingido um ponto alto de cristalização que necessitava de ajuda para seguir adiante. O Cristo, um Raio do Cristo Cósmico, veio e fez o sacrifício supremo tornando-se o Espírito Planetário residente da Terra; desse modo, foi possível termos acesso ao material mais puro para nossos Corpos atuais.

Podemos ler nos nossos ensinamentos que: “Engano e ilusão não podem perdurar eternamente”[1], e por isso, o Redentor veio para limpar e purificar o sangue cheio de paixão, para pregar a verdade que nos deve libertar desse corpo de morte, para inaugurar a Imaculada Concepção, segundo as linhas indicadas, superficialmente, pela ciência das eugenias para profetizar uma Nova Era, um novo Céu e uma nova Terra da qual Ele, a verdadeira Luz, será o Gênio; uma Era em que habitará a “plena realização dos anseios da humanidade onde florescerão a virtude e o amor”[2].

Antes de Sua vinda, eram poucos os eleitos que tinham permissão para entrar no Templo, mas após a Sua vinda o véu do Templo foi rasgado para “quem quisesse” entrar; ou seja, para aqueles que também estavam dispostos a pagar o preço vivendo uma vida de abnegação ou serviço amoroso e desinteressado aos demais.

Em 1313, um grande Mestre Espiritual, a quem chamamos de Cristão Rosacruz,[3] fundou a Ordem Rosacruz – uma ordem cujo propósito era neutralizar as tendências materialistas tão desenfreadas. Os membros da Ordem trabalharam secretamente para ajudar a humanidade.

Na primeira década do século XX finalmente chegou o momento de divulgar publicamente os ensinamentos da Ordem. Max Heindel, nosso amado líder, foi escolhido para ser o mensageiro dos Irmãos Maiores e recebeu as informações contidas no “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Esse livro contém ensinamentos lógicos e racionais que fornecem respostas adequadas aos questionamentos do intelecto, para que a vida religiosa seja vivida; um ensinamento, que, se vivido, torna possível se ter uma Mente pura, um Coração nobre e um Corpo são; um ensinamento que é o caminho da realização espiritual para a Nova Era[4] ou a Nova Dispensação vindoura.

É de nossa responsabilidade para com aqueles que receberam esse Ensinamento filosófico, bem como nosso privilégio, ajudar nosso irmão e nossa irmã a se desvencilhar da matéria, ensinando-lhes os verdadeiros princípios sobre os quais se baseiam nossas vidas. Todos aqueles que se empenham na aplicação desses princípios podem viver de modo que sua vida se torne cada vez mais prazerosa e ajude a tornar a Religião Cristã um fator vivo no mundo.

Max Heindel nos conta que qualquer movimento que precise ser preservado, necessita, antes de tudo, possuir três qualidades divinas: sabedoria, beleza e força. A Ciência, a Arte e a Religião possuem, cada uma, um desses atributos até certa medida. O propósito da Fraternidade Rosacruz é uni-las e harmonizá-las entre si, ensinando uma Religião que seja científica e artística e, assim, reunir todas as igrejas em uma grande Fraternidade Cristã. Nosso livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” explica que o propósito da Fraternidade Rosacruz é fornecer uma explanação dos problemas da vida que satisfaça tanto a Mente como o Coração. A Fraternidade Rosacruz trabalha sob o comando de Cristo para “pregar o evangelho e curar os enfermos”. Pregar o evangelho não apenas com palavras, mas pelo que emanamos de todos os nossos atos e pensamentos.

No livro “Ensinamentos de um Iniciado” lemos: “Para cumprir o segundo mandamento de Cristo, ‘Pregar o Evangelho’ (da próxima Era) é tão necessário quanto ‘Curar os Enfermos’. O sistema de cura desenvolvido pelos Irmãos Maiores combina as melhores técnicas e métodos praticados por diversas escolas atuais. Conta com um método de diagnose e tratamento tão exato quanto simples”. Os Irmãos Maiores chegaram à conclusão de que “Orgulho intelectual, intolerância e impaciência diante das limitações e restrições”[5], seriam os pecados que assediam nossos dias e, com isso, formularam a Filosofia Rosacruz de modo que satisfaça ao Coração ao mesmo tempo que apela ao intelecto e ensina o ser humano a escapar da restrição dominando a si mesmo.

“Recebemos milhares de cartas de apreço de diferentes cantos do mundo, das altas esferas às camadas mais baixas. Atestam o desejo ardente da alma e a satisfação proporcionada pelos ensinamentos.

Mas, à medida que o tempo passa, daqui a cinquenta anos, talvez um século ou dois, quando as descobertas científicas confirmarem muitas das afirmações contidas no ‘Conceito Rosacruz do Cosmos’,quando a inteligência da maioria se tornar ainda mais aberta, os Ensinamentos Rosacruzes darão satisfação espiritual a milhões de espíritos que buscam esclarecimento.”[6]

Max Heindel nos conta que recebeu ajuda de um Irmão Maior para entrar em contato com a quarta Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento e ali receber os ensinamentos e a compreensão daquilo que é contemplado como o mais elevado ideal e a mais elevada missão da Fraternidade Rosacruz. Ele afirma: “Pude ver nossa Sede e uma multidão de pessoas vindas de todas as partes do mundo para receber seus ensinamentos. Pessoas também de lá saiam para levar lenitivo aos aflitos próximos e distantes.”[7]

Quando recordamos que Augusta Foss Heindel tantas vezes nos falou em suas palestras sobre os dias de pioneirismo – como, em 1911, quando chegaram a Mount Ecclesia, um campo de feijão estéril, com pouquíssimos recursos financeiros, porém, com os corações fortes em um mundo de fé e coragem e cheio de entusiasmo pelo trabalho que eles estavam prestes a começar – e então, olhamos ao nosso redor hoje, e vemos uma verdadeira cidade, mesmo que pequena, com suas estradas pavimentadas, árvores e folhagem, com seu Templo de Cura, o magnífico prédio do Departamento de Cura e o maravilhoso Sanitarium[8] de Mount Ecclesia; tudo isso e muito mais; uma instituição da qual o sul da Califórnia pode se orgulhar, construída com as ofertas de amor de milhares de Estudantes Rosacruzes fiéis e pela comercialização dos nossos livros. Quando lembramos que tudo isso foi realizado num prazo inferior a trinta anos, então, fica fácil visualizarmos o que esperar para os anos futuros. Nossos belos Ensinamentos Rosacruzes estão se espalhando rapidamente pelo Planeta; nosso trabalho está crescendo a passos largos, à medida que avançamos em aspiração harmoniosa em direção à meta que nosso líder estabeleceu para nós. Quando, por meio de nosso objetivo, nossas aspirações, nosso amor pela humanidade (pois o amor à humanidade gera amor a Deus) – quando nosso amor tiver se tornado elevado, puro e sagrado o suficiente, então proporcionaremos o nascimento da mais pura luz, a luz branca, de nosso Templo de Cura Etérico, interpenetrando a estrutura física, que se tornará um fogo branco resplandecente, com suas pontas, como asas, alcançando o Mundo celestial, formando um cálice ou matriz que conterá e trará à Terra o Solvente Universal ou a Panaceia para toda a aflição mundana. Então, a visão de Max Heindel será cumprida e “uma multidão de pessoas virá de todas as partes da terra… saindo dali para levar bálsamo para os aflitos próximos e distantes”.

Então, sempre que nos reunimos para estudar, para decidir, para oficiar rituais ou, somente, para batermos um bom papo, o façamos para estabelecer um vínculo mais forte de companheirismo entre os Estudantes Rosacruzes, para que possamos trabalhar em cooperação, pois nosso próximo passo é o trabalho em grupo em ambos os planos. Não é fácil para nós, quando temos tantos intelectuais entre nós, descobrir como fazer isso. Os diamantes são polidos por fricção e nós ainda somos diamantes brutos. Aprenderemos isso, gradualmente, friccionando uns nos outros – teríamos pouca experiência se estivéssemos sozinhos no Planeta. Dessa maneira, vemos as falhas um no outro, somos antipáticos e criticamos de maneira negativa, causando ressentimento e tristeza um ao outro, até que, finalmente, chegamos à conclusão de que os defeitos e falhas vistos em nosso irmão ou em nossa irmã, eram as nossas e nosso irmão ou a nossa irmã apenas serviram como um espelho para refletir os nossos defeitos e falhas. Somente quando chegarmos a essa percepção é que podemos ver o verdadeiro “eu” do outro e de “nós” mesmos, e seguir em frente na nossa unificação. Por fim, nós nos reunimos para aprender a cooperar, a descobrir maneiras e meios de divulgar amplamente essas verdades; ter uma visão maior do nosso trabalho no mundo; para nos aproximarmos mais das forças espirituais que atuam para elevar a humanidade; inspirar em todos um maior desejo e aspiração de estabelecer a Fraternidade Universal no mundo.

(Publicado pela Revista: Rays from the Rose Cross – novembro/1940 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: do Livro Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

[2] N.T.: do Livro Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

[3] Christian Rosenkreuz

[4] N.T.: Era de Aquário

[5] N.T.: do Livro Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

[6] N.T.: do Livro Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

[7] N.T.: do Livro Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

[8] N.T.: um hospital focado na cura definitiva das doenças e enfermidades

porFraternidade Rosacruz de Campinas

CREDO OU CRISTO?

Todas as Religiões são dádivas abençoadas de Deus
e Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Por Deus mandado para aliviar o que leva pesado fardo
e dar paz ao triste, ao pecador e ao que luta.

Eis que o Espírito Universal veio
a todas as igrejas; não a uma apenas;
no dia de Pentecostes uma língua de chama,
como um halo, brilhou sobre todos os Apóstolos.

Desde então, quais abutres famintos e vorazes,
temos combatido por um nome sem sentido
e procurado, com dogmas, editos, cultos ou credos,
enviar uns aos outros às chamas da fogueira inextinguível.

Está Cristo dividido? Foi Cephas ou Paulo
crucificado para salvar o Mundo?
Então, por que tantas divisões?
O amor de Cristo nos envolve a ambos, a mim e a ti.

Seu puro e doce amor não está confinado pelos credos
que separam e elevam muralhas.
Seu amor envolve e abraça toda a humanidade.
Não importa o nome que a Ele ou a nós mesmos, dermos.

Então, por que não seguimos a Sua palavra?
Por que nos atermos em credos que desunem?
Só uma coisa importa, atentemos:
é que cada coração seja repleto de amor fraternal


Só uma coisa o Mundo necessita conhecer:
apenas um bálsamo existe para curar toda a humana dor;
apenas um caminho há que conduz, acima, aos céus:
Este caminho é: a COMPAIXÃO e o AMOR.

Max Heindel

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