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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Corpo Vital de Jesus

Junho de 1913

A lição do mês passado trouxe à tona uma série de pontos até então não ensinados em público[1]. Mas outros mistérios relacionados ao alcance e à limitação dos poderes espirituais, e a explicação sobre a preservação do Corpo Vital de Jesus contra o ataque das forças negras, também estão envolvidos no diálogo entre Fausto e Lúcifer. Quando esse último implora que a estrela de cinco pontas seja removida da porta para que ele possa sair, Fausto lhe pergunta: “Por que não se retiras pela janela?”.

As pessoas que estudam misticismo, frequentemente têm uma ideia muito exagerada do poder investido em alguém que desenvolveu a visão espiritual. Na verdade, os investigadores ocultistas são limitados pelas Leis da Natureza pertinentes aos Mundos invisíveis, assim como as pessoas que se dedicam à ciência material são forçados a se ajustar às leis da física[2].

A fim de que o equilíbrio seja mantido, às vezes as Leis de um Reino da Natureza agem em oposição direta às Leis de um outro Reino da Natureza. Aqui, no Mundo Físico, as formas gravitam em direção ao centro da Terra. Se a solidez do Corpo Denso não nos impedisse, poderíamos alcançar Cristo sem esforço. É preciso poder para erguer um Corpo, mesmo que este esteja a alguns centímetros do solo; por outro lado, as formas espirituais têm uma tendência natural para levitar. Portanto, é relativamente fácil a um mestre de magia negra ir até Marte impelido pela força sexual roubada de suas vítimas. Ele é naturalmente atraído para o Planeta da paixão e, como a aura de Marte se mistura com a da Terra, a façanha está longe de ser difícil. Mas, ele não consegue penetrar nem mesmo no primeiro dos nove Estratos da Terra, os quais conduzem ao Senhor do Amor, que é o Espírito da nossa esfera[3]. Tal penetração é o Caminho da Iniciação, e é preciso poder da alma, pureza e abnegação para alcançar Cristo, e é por isso que tão poucos tem algo a dizer sobre a constituição interna do Planeta Terra.

Nós não vemos os objetos físicos fora do nosso olho; eles são refletidos na retina, e nós vemos apenas a sua “imagem” dentro do olho. Como a luz é o agente de reflexão, os objetos que resistem à passagem da luz parecem “opacos”; outras substâncias, como o vidro, parecem transparentes porque admitem, prontamente, a entrada dos raios de luz. Quando usamos a visão espiritual, uma luz de superlativa intensidade é gerada dentro do Corpo, entre o Corpo Pituitário e a Glândula Pineal[4]. Esta luz é focada “através” do chamado “ponto cego” no olho[5], diretamente sobre o objeto a ser investigado. O alcance do raio direto é inteiramente diferente do alcance do raio físico refletido. Ele penetra uma parede sem dificuldade, mas nenhum Espírito que está no Mundo do Desejo pode ver através do cristal. Nem Lúcifer, nem qualquer outro Espírito do mal jamais ousa atravessar qualquer coisa feita daquele material, nem mesmo através do menor pedaço de vidraça.

Conhecendo estes fatos, nossos Irmãos Maiores colocaram o Corpo Vital de Jesus em um sarcófago de cristal para protegê-lo do olhar dos curiosos ou profanos. Eles guardam esse receptáculo em uma caverna nas profundezas da Terra, onde ninguém que não seja Iniciado pode penetrar. Para garantir uma dupla segurança, há vigilantes que montam guarda constante junto de tão precioso Corpo; pois se esse veículo fosse destruído, a única via de saída de Cristo estaria eliminada, e Ele teria que permanecer prisioneiro na Terra até que a Noite Cósmica dissolvesse seus elementos químicos no Caos. Se isso acontecesse, a missão de Cristo como nosso Salvador fracassaria; Seu sofrimento seria consideravelmente prolongado e a nossa evolução iria se atrasar enormemente.

Trabalhemos, vigiemos e oremos pelo dia glorioso de Sua libertação.

(Carta nº 32 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Carta de Max Heindel: Cristo e Sua Segunda Vinda – Junho de 1913

Um dos pontos de maior importância nessa lição mensal, e sobre o qual existe um mal-entendido generalizado, tem a ver com a vinda de Cristo e ao veículo que Ele usará. A Bíblia fornece esse ensinamento muito claramente e os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes estão em total acordo com ela; daí difere radicalmente da concepção atual e comum sobre esse assunto, tanto a da maioria dos Cristãos como entre aqueles que, involuntariamente ou por outras razões, apresentam falsos Cristos para enganar os incautos. É, portanto, de vital importância que os Estudantes da Escola Ocidental devem compreender este assunto completa e inteiramente, por isso, nós reiteraremos, resumidamente, os pontos de fundamental importância dos Ensinamentos Rosacruzes contidos no livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em alguns outros livros da Fraternidade Rosacruz.

Cristo é o mais elevado Iniciado do Período Solar; a Terra era, então, formada de matéria de desejos e o Corpo mais denso do Arcanjo Cristo era formado deste material.

Ninguém pode formar um veículo de material que ele não tenha aprendido a moldar; por isso, o Espírito Cristo trabalhou com a nossa Humanidade de fora da Terra, da mesma forma que os Espíritos-Grupo guiam os animais, até que Jesus, voluntariamente, cedeu o seu Corpo Denso e seu Corpo Vital no Batismo. O Espírito Cristo, então, desceu e entrou nesses dois veículos e, usando esses dois Corpos para viver no Mundo Físico, forneceu o Seu ministério aos seres humanos, até que o Corpo Denso foi destruído no Gólgota, quando Ele se tornou o Espírito Interno e permanentemente presente da Terra. O Corpo Vital de Jesus foi guardado para o uso especial, para esperar o segundo advento de Cristo.

Cristo nos advertiu contra os imitadores, e surge a questão: “Como podemos distinguir o falso do verdadeiro?”. S. Paulo nos fornece informações bem definidas que, se prestarmos bem atenção nelas, estaremos salvos totalmente de enganos.

S. Paulo nos ensina (ICor 15:50): “Digo-vos, irmãos: a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”. Ele insiste que esse Corpo será mudado à imagem do próprio veículo de Cristo (Fp 3:21: “…que transfigurará o nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso, pela força que lhe dá poder de submeter a si todas as coisas”), e em (IJo 3:2: “Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.”) encontramos o mesmo testemunho.

Assim, é evidente que qualquer pessoa que venha em Corpo Denso, se proclamando que é Cristo, é ou um demente, e digno de compaixão, ou um impostor, que merece desprezo e reprovação. Nem ficamos incertos quanto à natureza do veículo no qual encontraremos Cristo e seremos semelhantes a Ele. Na Primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses (4:17: “em seguida nós, os vivos que estivermos lá, seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor, nos ares.”) é-nos dito que encontraremos o Senhor no ar. Portanto, necessariamente devemos ter um veículo de textura mais delicada do que a do nosso Corpo Denso atual. A transformação exigirá séculos, no que diz respeito à maioria das pessoas.

Na Primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses (5:23: “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que o vosso ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”), São Paulo diz que o ser completo humano consiste de Espírito, Alma e Corpo. Quando finalmente abandonarmos o Corpo Denso, como Cristo o fez, nós funcionaremos num corpo chamado soma psuchicon (Corpo-Alma), como dito na Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios 15:44: “…semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo psíquico, há também um corpo espiritual.”. Na versão inglesa, o versículo 44 diz: “Existe um Corpo natural e um Corpo espiritual”; mas o Novo Testamento não foi escrito em inglês e, como os tradutores nada sabiam dos ensinamentos internos, não tinham ideia de como traduzir a palavra grega que para eles parecia sem sentido, por isso, a traduziram como a compreenderam. A palavra que é usada e traduzida como “corpo natural” é soma psuchicon. Soma é uma palavra grega que, todos concordam, é Corpo – não há dúvidas quanto a isto. Mas Psuchicon – psuche – (psyche) – a alma – um Corpo-Alma do qual nunca ouviram falar; provavelmente pareceu-lhes tolice, de maneira que traduziram a palavra como “Corpo natural”. É verdade que S. Paulo diz na 1ª Epístola aos Tessalonicenses, 5:23, que o ser de todo ser humano é Espírito, Alma e Corpo, mas, provavelmente, eles interpretaram Alma e Espírito como sinônimos. Existe, porém, uma grande diferença, como é explicado nos Mistérios Rosacruzes: este Corpo-Alma é o veículo a que S. Paulo se refere e no qual encontraremos Cristo. É composto de Éter e, portanto, capaz de levitação e de passar por paredes, uma vez que toda matéria densa é permeada com Éter. Os Auxiliares Invisíveis o usam hoje, como Cristo o fez.. Em nossa literatura, esse é o Corpo Vital, um veículo feito de Éter, capaz de levitação e da mesma natureza do Corpo usado por Cristo depois da Crucificação. Esse veículo não está sujeito à morte, como o nosso Corpo Denso e é, finalmente, transmutado em Espírito, como aprendemos em nossa literatura e é confirmado na Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios, no Capítulo 15.

Por conseguinte, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental estão em perfeita concordância com a Bíblia quando afirmam, mais enfaticamente, que Cristo nunca voltará “na carne” (isto seria um retrocesso para Ele). Da mesma maneira que a larva rompe o seu casulo que a aprisiona e se transforma em uma borboleta que voa entre as flores – processo deslumbrante de animada beleza – assim algum dia nós nos livraremos desse invólucro mortal que nos prende à Terra e ascenderemos ao céu como almas viventes, radiantes de glória, ansiosas por encontrar o nosso Salvador na “terra das almas”, o Novo Céu e a Nova Terra. Este é um dos pontos principais da doutrina da Escola Rosacruz, e nós confiamos que nossos Estudantes se esforçarão por assimilar totalmente este assunto, para que possam “dar uma razão” à fé deles.

(Cartas aos Estudantes – nº 31 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel)

[2] N.T.: As leis da física são enunciadas de verdades científicas, do ponto de vista da Região Química do Mundo Físico, que descrevem o comportamento do universo. Elas são fundamentais para a compreensão da Natureza (restrita à Região Química do Mundo Físico) e são usadas em diversas áreas, desde a engenharia até a tecnologia. As principais leis da física: Leis de Newton, Leis da Termodinâmica, Leis de Kepler, Lei da Gravitação Universal, Lei de Coulomb, Leis da Óptica, Lei de Ohm.

[3] N.T.: O Espírito Planetário da Terra: Cristo.

[4] N.T.: Duas Glândulas Endócrinas, também chamadas de Hipófise e Epífise Cerebral, respectivamente.

[5] N.T.: O ponto cego do olho, também conhecido como escotoma, é uma região da retina onde não existem células fotorreceptoras, tornando-a incapaz de perceber estímulos visuais. Essa área corresponde ao local onde o nervo óptico sai do olho, formando uma espécie de “buraco” na retina. Apesar de não percebermos diretamente o ponto cego devido à compensação do cérebro e à visão binocular, ele existe e pode ser demonstrado por meio de testes simples. O ponto cego é uma consequência da anatomia do olho. A retina, camada sensível à luz na parte de trás do olho, possui células fotorreceptoras (cones e bastonetes) que convertem a luz em sinais elétricos. Esses sinais são transmitidos ao cérebro através do nervo óptico. No entanto, a área onde o nervo óptico se conecta à retina não possui esses fotorreceptores, criando uma pequena região onde não há percepção visual. Dois experimentos simples para demonstrar o ponto cego: Feche um olho e olhe fixamente para um ponto enquanto move um objeto (como um círculo) para perto e para longe. Em determinado ponto, o círculo desaparecerá (Teste do X e O); Estenda um braço e olhe fixamente para um objeto. Coloque o outro polegar ao lado e mova-o lentamente para o lado. Em determinado momento, o polegar desaparecerá. (Teste do polegar).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Para onde foi o homem Jesus depois que o Cristo se apoderou dos seus veículos inferiores? Estaria ele presente, mas inativo, durante todo o ministério de Cristo?

Resposta: Jesus permaneceu nos Mundos invisíveis, de onde trabalhou e tem trabalhado.

O indivíduo que mais tarde se encarnou sob o nome de Christian Rosenkreuz, já estava em grau de evolução muito elevado quando nasceu Jesus de Nazaré. Está encarnado, atualmente. Seu testemunho, assim como o resultado das investigações diretas de outros Rosacruzes, concorda em que o nascimento de Jesus de Nazaré teve lugar no princípio da Era Cristã, na data que geralmente se atribui.

Jesus foi educado pelos Essênios e alcançou um elevado grau de desenvolvimento espiritual durante os trinta anos de uso do seu Corpo.

Era de Mente singularmente pura, muito superior à grande maioria da nossa presente Humanidade. Esteve percorrendo o Caminho da Santidade através de muitas vidas, se preparando para a maior honra que poderia ter recebido um ser humano.

Depois da morte do Corpo Denso de Cristo-Jesus, os Átomos-sementes foram devolvidos a seu primitivo dono, Jesus de Nazaré que, algum tempo depois, funcionando temporariamente em um Corpo Vital que construíra, instruiu o núcleo da nova fé formado por Cristo. Jesus de Nazaré, desde aquele tempo, tem conservado a direção dos ramos esotéricos, que surgiram por toda a Europa.

Os Irmãos Maiores, Jesus entre Eles, têm lutado e lutam por equilibrar a poderosa influência do materialismo, quase extinguiu a Luz do Espírito. Cada tentativa para iluminar o povo, e para nele despertar o desejo de cultivar o lado espiritual da vida, é uma evidência da atividade dos Irmãos Maiores.

Possam os esforços dos Irmãos Maiores serem coroados de êxito e apressar o dia em que a ciência moderna, espiritualizada, encaminhe as investigações sobre a matéria, do ponto de vista do Espírito. Então, e não antes, compreenderemos e conheceremos, verdadeiramente, o mundo. 

(Pergunta nº 101 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Porque um menino nos nasceu

Os profetas e as profetisas dos tempos do Antigo Testamento eram pessoas santas de Deus, porta-vozes de Deus Jeová ao proferirem mensagens divinas a elas confiadas e, como tais, eram mensageiras. Faziam mais do que meramente profetizar ou declarar a vontade ou o propósito de Deus. Eram os exemplos morais e religiosos daquela época, expondo o vazio da formalidade religiosa, a superficialidade de meramente oferecer sacrifícios e realizar ritos religiosos. Sendo altamente desenvolvidas espiritualmente, podiam ver com visão espiritual o suficiente para ler na Memória da Natureza e descrever as condições vindouras.

As declarações proféticas, por exemplo, de Isaías (“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, ele recebeu o poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este nome: Conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-eterno, Príncipe-da-paz, para que se multiplique o poder, assegurando o estabelecimento de uma paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, firmando-o, consolidando-o sobre o direito e sobre a justiça. Desde agora e para sempre, o zelo de Jeová dos Exércitos fará isto.” Is 9:5-6), um dos maiores profetas bíblicos, chegam até nós durante a sagrada época do Natal, “suaves como a voz de um anjo”, uma luz com esperança e promessa abençoadas. Ele está descrevendo o tempo em que a Religião do Filho, o segundo auxílio que a agora temos em nossa jornada evolutiva, terá se estabelecido na Terra. A Religião Cristã terá nos capacitado a purificar e controlar nosso Corpo Vital de tal forma que teremos alcançado a união com o nosso Cristo Interno. Nossos corações se enchem de reverência e devoção ao contemplarmos a sublime promessa desta mensagem exaltada e orarmos pelo dia em que “a paz não terá fim[1].

Nem devemos permitir que as atuais condições de guerras e conflitos afetem a nossa atitude de fé e otimismo. Infelizmente, a tristeza e o sofrimento profundos parecem ser os únicos professores que a maioria dos indivíduos e nações ouvirá, daí a necessidade de experiências e lições tão severas. Observando a vida pela perspectiva dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, a vida sem fim em seu curso através dos Mundos visível e invisíveis, não nos deixamos abater pela chamada “perda de vidas” que ocorre em algumas partes do mundo.

Aqueles que são mortos nascerão de novo e, devido à angústia de suas experiências, viverão em seus próximos renascimentos aqui a partir de um estado de consciência mais elevado do que agora. Os preceitos de paz e amor fraternal ensinados diretamente por Cristo então lhes aparecerão em sua devida luz como a base natural para a vida social e econômica do ser humano, e a guerra será coisa do passado. Verdadeiramente, “o governo estará sobre seus ombros[2], pois do nosso trabalho surgirá um novo nascimento para as coisas espirituais, uma dedicação mais completa ao modo de vida espiritual.

No vindouro Reino de Cristo, ou a Época Nova Galileia, teremos evoluído para um estágio extremamente elevado. Funcionará em um Corpo Vital em uma Terra etérica. Através de uma vida pura e altruísta, teremos realizado a união do “Eu superior” com o “eu inferior”, e assim estabelecido o Reino de Cristo em nosso próprio coração — “com juízo e justiça, desde agora e para sempre[3].

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1977 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Is 9:7

[2] N.T.: Is 9:6

[3] N.T.: Is 9:7

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Origens pré-históricas da Música

Os Elementos Fogo, Ar, Água e Terra são os mais importantes no processo evolucionário da Terra; de fato, sem esses quatro Elementos a vida nesse Planeta seria impossível. O fogo foi descoberto primeiramente e usado por nós nos dias da Lemúria. Foi, consequentemente, o Elemento dominante conectado à Época Lemúrica e o fator principal nas nossas cerimônias de Iniciação. Capacidade para andar sobre carvão em brasa ou segurar bolas de fogo nas mãos constitui uma memória parcial, uma reminiscência, desses dias antigos, ainda conservada por alguns povos primitivos.

A música que acompanhava os cerimoniais Lemurianos de Fogo era ao mesmo tempo sobrenatural e selvagem, isso porque era afinada ao ritmo das chamas crepitantes. O nosso Corpo de Desejos, quando evoluímos na Época Lemúrica, ou seja, éramos Lemurianos necessitava de um avivamento, assim, os Líderes da Humanidade usaram essa música de ritmo peculiar para estimular essa atividade. Com o passar do tempo essa força ígnea interna despertada levou a práticas mal orientadas que reagiram sobre as correspondentes forças ígneas astrais, resultando em destruição do continente Lemuriano pela atividade vulcânica. Nós que habitávamos a Lemúria antiga pouca semelhança tínhamos com o que somos no nosso tempo. Durante os primórdios daquela Época, vários milhares de anos atrás, nossa forma corporal era meramente embrionária. Após um longo ciclo evolucionário, sofreu sucessivas transformações até que na Lemúria tardia assumiu uma forma algo semelhante aos contornos atuais, embora com textura muito diferente. Antes de se condensarem em substância física, os nossos veículos foram, até certo ponto, tênues e plásticos. Poderiam na verdade ser considerados quase uma sombra com forma.

Portanto, o Corpo Denso não tinha ainda se desenvolvido até o ponto em que nós, o Ego, pudesse nele habitar. Nós éramos ligados ao Corpo apenas magneticamente e como consequência permanecíamos em um estado livre, o que nos permitia ir e vir à vontade. A Mente, tal como a conhecemos hoje, ainda não tinha sido dada a nós. No início éramos realmente infantis e nos encontrávamos sob a direção das Hierarquias Criadoras ou Zodiacais, seres espirituais aos quais habituamos de chamar de “Deuses”.

Todavia, nós, enquanto Lemurianos primitivos, vivíamos em íntima harmonia com a Natureza. Nossas vidas estavam intimamente envolvidas e fazíamos realmente parte integrante das Forças da Natureza. Nossa visão interna estava aberta para as inúmeras atividades das criaturas invisíveis (hoje, para nós, aos olhos físicos) que constituíam o lado vivo da Natureza na sua totalidade, enquanto nossa audição interna registrava as sublimes harmonias para as quais a Natureza progride e através das quais ela dirige suas múltiplas ações.

Também foi de acordo com as Leis básicas da Natureza que nossos Corpos originais foram moldados, desenvolvidos e animados.

Quando formos suficientemente espiritualizados para reconhecer a relação da música com a nossa evolução, descobriremos como as harmonias celestiais emanadas das Hierarquias Zodiacais, nossos guardiões sagrados, exerceram influência formadora em cada estágio do nosso desenvolvimento; perceberemos pouco a pouco, ainda que cada passo tenha sido acompanhado por uma orquestração celestial adaptada a cada processo criativo.

Sabemos que nós, na nossa formação, éramos bissexuais. As polaridades masculina e feminina, agora focalizadas cosmicamente no Sol e na Lua, respectivamente, exerceram uma influência igual sobre os nossos Corpos plásticos. Isso, porém, ocorreu quando a Terra e a Lua eram ainda partes do Sol. Em um estágio mais tardio, quando a Terra foi lançada para fora do Sol e, mais tardiamente ainda, quando a Lua foi atirada para fora da Terra, essas duas polaridades deixaram de ter uma expressão igual e equilibrada sobre nós, individualmente.  Alguns de nós responderam preponderantemente ao polo positivo centrado no Sol, enquanto outros de nós responderam ao polo negativo focalizado na Lua. Finalmente, isso resultou na nossa divisão em dois sexos separados, com o homem e a mulher aparecendo em cena, em renascimentos subsequentes e alternados.

A partir de então as harmonias emanadas das Hierarquias Criadoras se diferenciaram em dois ritmos, agora conhecidos como “Maior” e “Menor”. As Notas musicais Maiores, masculinas na potência e objetivas no caráter, foram projetadas a nós através da força solar. As Notas musicais Menores, femininas na qualidade e subjetivas na natureza, foram dirigidas a nós através da força da Lua. Nós, que até então tínhamos evoluído sob os ritmos divididos em uma única escala, tornávamo-nos agora sujeito a duas. Uma, afinada aos tons “Maiores”, dirigindo-o para condições de crescente densidade; outra, afinada aos tons “Menores”, nos dirige para um contato mais íntimo com as forças espirituais.

Como a Época Lemúrica se encontrava predominantemente sob a influência da Lua, sua música estava afinada aos matizes mais sutis dos tons “Menores”. Tratava-se de uma música incomum, melancólica e sobrenatural. Vestígios dela persistem na música de Java[1] e de outras ilhas localizadas ao sul da ilha de Java, na Indonésia, estas remanescentes do continente Lemuriano.

A natureza mais íntima de qualquer povo pode ser avaliada penetrando compreensivelmente em sua música. Nenhum outro meio é mais exato para avaliar a qualidade de suas vidas e o estágio de seu desenvolvimento. A menos que estejamos aptos para visualizar os Corpos plásticos e fluídicos dos Lemurianos mais antigos, jamais entenderemos a influência exercida pela música sobre eles. Esse tipo de música literalmente deu forma e traços característicos aos nossos veículos em desenvolvimento, quando habitávamos a Lemúria. As forças circundantes da Natureza fluíram através desses veículos sem obstáculos. Habitávamos entre as árvores gigantes das terras e dos bosques enormes da Lemúria e eram áreas sagradas, nas quais festivais sazonais eram observados. Cerimônias de Iniciação nas temporadas sagradas de então eram eventos gloriosos atribuídos à música, isto é, à Harmonia das Esferas[2].

Os dançarinos do Templo Lemuriano duplicaram os movimentos e ritmos das esferas celestiais e “música de gestos”, que eles tocavam e escutavam, era ouvida pelos fanáticos que dançavam. Certos centros espirituais ou “luzes” dentro dos nossos Corpos, quando habitávamos a Lemúria, eram despertados por essas danças realizadas na mais elevada reverência e na mais profunda emoção. Os dançarinos eram sempre escolhidos entre os aspirantes mais evoluídos do Templo.

Os Templos da Floresta eram, para os Lemurianos, o Santo dos Santos. Nesses santuários sagrados ocorriam os principais acontecimentos de suas vidas. Esses compreendiam o nascimento, a Iniciação ou iluminação espiritual e a morte — esses acontecimentos correspondem aos três passos de desenvolvimento em todas as escolas esotéricas e aos primeiros três graus das fraternidades. Era nos Templos da Floresta e sob orientação angelical que a propagação da Onda de Vida humana ocorria, de acordo com os apropriados ritmos astrais, cuja música era absorvida pela audição e transmitida à função edificadora do Corpo.

Vivendo na Época Lemúrica, éramos particularmente sensíveis à força do amor. A consciência era íntegra, pois não tínhamos ainda descido profundamente na existência material a ponto de retirar o véu existente entre os planos externos e internos nesse Esquema de Evolução. Assim, a morte, como a conhecemos hoje, era desconhecida. Quando os Corpos terminavam seus períodos de utilidade, eram deixados de lado, da mesma forma que certos animais deixam e mudam periodicamente suas peles. Um Corpo Denso gerado sob tais condições era perfeitamente atinado com a nota astral especifica de cada um de nós. Pelo poder daquela nota éramos capazes de renovar ou descartar nosso Corpo à vontade. A doença não tinha ainda se tornado uma aflição, assim, a vida era uma canção alegre e a Terra era ainda uma reflexão do Jardim do Éden. Como a Raça Lemúrica era regida pela Lua, respondia fortemente às sempre mutáveis fases orbitais. Ao tempo das Luas Novas e Luas Cheias, forças poderosas eram liberadas; aí então, celebrávamos nossos Rituais místicos iniciatórios. Esses não eram dirigidos para os planos mais internos como agora, mas para os mais externos, dado que o nosso desenvolvimento de então dependia primariamente do desenvolvimento objetivo da atividade. A música era um fator potente para nos capacitar a realizar a necessária descida para a matéria. Com essa descida, a diferenciação entre os sexos se tornou mais marcante e era realizada através dos ritmos “Maior” e “Menor” que acompanham a Lua Cheia. Nas noites de Lua Cheia as forças femininas eram precipitadas através das celestiais tonalidades “Menores” e as forças masculinas através das tonalidades “Maiores”.

Mais tarde, quando entramos completamente na existência física e quando, através da entrada no diferente significado da vida do Mundo material, nascimento e morte marcaram as fases diferenciadas da existência. A entrada na manifestação física foi acompanhada por música constituída pelas harmonias de Notas musicais “Maiores”; enquanto a entrada nos Mundos internos, através do portão que chamamos morte, era atinada aos acordes “Menores”.

Assim, vemos quão profundamente é verdadeiro tratar a nós mesmos como um ser musical. Nossa origem está na Palavra falada. Pelo som fomos confirmados e pela música progredimos. O que registramos subconscientemente na Época Lemúrica, um dia saberemos conscientemente. Então não mais consideraremos a música como uma arte mais ou menos apartada da nossa vida e não mais pensaremos na música somente como um objeto para alegria estética. Ao contrário, reconheceremos a música como um fator vital para a nossa evolução física, mental, emocional e espiritual.

Já na próxima Época, a Atlante, a água era o principal elemento associado com a Atlântida, onde fomos ensinados a controlar nossas emoções e a desenvolver nossas faculdades físicas. Naquele continente o psiquismo alcançou o maior estágio de desenvolvimento já visto, nunca igualado antes ou depois, tendo a música Atlante se constituído em um fator de desenvolvimento das faculdades psíquicas. A maior parte dessas músicas era solene e grave, algumas vezes alcançando níveis de grandeza imponente. Suas ondas melódicas eram comparáveis à música rítmica atualmente ouvida nos movimentos cíclicos das marés alta e baixa. O Sol nunca brilhou claramente na Atlântida. A atmosfera era sempre pesada, devido à névoa existente. Nessa atmosfera nevoenta as figuras vaporosas de outros planos eram facilmente discerníveis, uma condição que auxiliou de maneira importante o despertar e o desenvolvimento das faculdades psíquicas. A Época Atlante terminou quando o continente foi destruído pela água.

A transição da Época Lemúrica para a Época Atlante foi marcada por um aumento da densidade da atmosfera, Corpos Densos mais solidificados e a nossa consciência focalizada mais definitivamente no Mundo matéria, ou seja: na Região Química do Mundo Físico. Estávamos então perdendo aquela bonita e quase contínua comunhão com as hostes angelicais, desfrutada anteriormente quando estávamos na Época Lemúrica.

Consequentemente havia uma correspondente perda na percepção das harmonias celestiais. Entretanto, nesse estágio de desenvolvimento não tínhamos perdido contato com os Mundos internos, a ponto de negar ou mesmo duvidar da existência da Música das Esferas, fosse ela ouvida ou não. Tais negativas não chegavam ao materialismo profundo da presente Era, a de Peixes. Assim, os Iniciados dos Templos Atlantes, Sacerdotes e sacerdotisas da sabedoria eterna, realizavam seus rituais sagrados em total acordo com os ritmos celestiais.

Os Templos Atlantes eram realmente universidades onde as nossas faculdades física, mental e espiritual eram estimuladas e desenvolvidas. A partir do momento em que deixamos de viver em harmonia com os Mundos invisíveis, nosso Corpo Denso se tornou sujeito a desarmonias e doenças; nessas condições, um Iniciado se afinava com a nota astral de um indivíduo, a fim de substituir a desarmonia pela harmonia. Com essa finalidade, a música, a grande Panaceia de Cura, era administrada nesses Templos.

Nós éramos muito mais suscetíveis aos efeitos curadores do ritmo do que somos hoje. Podíamos utilizar a força pulsante do crescimento das plantas e nos apropriar delas para a revitalização e renovação dos nossos Corpos Densos. Podíamos, também, transferir essas energias de uma planta para outra, assim, aumentando a energia das plantas fracas e doentes através das plantas fortes e saudáveis. As palpitantes correntes de vida emitiam tons específicos na medida em que elas cresciam para cima. Podíamos ouvir esses sons e transcrevê-los em música, tão perfeitamente afinados aos ritmos das plantas que possuíamos uma dinâmica eficácia curadora. No devido tempo, consequentemente, a terapia musical se tornou um dos principais ramos da instrução no Templo.

A fala foi desenvolvida por nós, quando habitamos a Atlântida. Um tipo de fala cantante. Nossas palavras entoadas projetavam energia em qualquer objeto especificado e por essa energia o objeto podia ser remodelado de acordo com a nossa vontade. Os cânticos e hinos de todas as Religiões antigas tiveram sua origem nessa fala cantante. Os Sacerdotes do Templo e seus discípulos avançados podiam ouvir também as notas musicais dos objetos naturais e estavam aptos, por meio do poder que isso lhes dava, a realizar milagres de transformação. Isso originou numerosos mitos e lendas relacionados às civilizações que precederam nossa atual quinta Raça Original, a Raça Ária. Na Era de Ouro da Atlântida a liderança era conferida aos neófitos do Templo, mais espiritualmente desenvolvidos, aos quais eram concedidas honras e reverências pelos leigos. A Realeza era um Grau do Templo ao qual somente o mais merecedor podia aspirar; pois o Rei Iniciado era precedido apenas pelo Alto Sacerdote.

Será visto que no poder praticamente ilimitado de nós, como Atlantes, residiu a semente da decadência e destruição definitivas. A tentação ao mau uso daquele poder foi para nós, como Atlantes, quase irresistível. Com o desenvolvimento de nossa índole de desejos e de um concomitante crescimento em interesses egoístas, as habilidades que originalmente funcionavam sob a direção das Hierarquias de Luz foram transferidas para as da Sombra. As condições anunciando caos e desintegração similares àquelas manifestadas no mundo atual se tornaram prevalentes. Tais condições eram sempre indicativas do início do fim. A fala cantante dos consagrados Iniciados do Templo foi modificada para fins nocivos e destrutivos. Literalmente, as “explosões tonais”, afinadas à nota-chave de uma pessoa ou objeto, eram usadas para destruir cruelmente a vida humana e a propriedade.

O conhecimento por nós das harmonias celestiais em ondas de tons “Maiores” e “Menores” foi comentado anteriormente. Com a nossa depravação crescente, como Atlantes, as consonâncias e dissonâncias se tornaram mais e mais agudamente diferenciadas. O resultado foi uma música estranha e sinistra, uma música capaz de produzir doença, perda da memória e mesmo insanidade. “Círculos Sombrios” compostos por neófitos do Templo, trabalhando sob influência das Sombras, estavam aptos a expressar explosões tonais capazes de expulsar um Ego para fora de seu Corpo Denso, frequentemente causando nas pessoas obsessão permanente ou mesmo a morte. Esses fatos são mencionados apenas para ressaltar o longo alcance dos poderes do som.

Somente um tipo remanescente dos Atlantes foi salvo. Na terminologia bíblica, simbolizado por Noé e sua família, que sobreviveram ao “dilúvio”. Esse remanescente se tornou a semente da atual Raça Ária. Sobre o novo continente para o qual esse remanescente migrou, o Sol brilhou claramente e pela primeira vez pudemos usufruir uma atmosfera oxigenada tal como a temos hoje. Recebemos, assim, a suprema dádiva, a Mente, o elo que nos permitirá, um dia, sermos como os “deuses”. O grande trabalho desde então é espiritualizar e desenvolver as nossas Mentes Crísticas. Como a Mente está relacionada com o elemento Ar, é através do ar que seu progresso maior será atingido. Caso haja outra destruição desse Planeta, após suas lições terem sido aprendidas, ela virá através daquele elemento.

Estamos destinados a recuperar as harmonias celestiais que perdemos na Atlântida. Isso será feito por meio da Mente Crística e a música será o fator primordial na sua consecução. Através dos séculos os Líderes da Humanidade promoveram o renascimento aqui de alguns dos mais avançados Iniciados em música para nos auxiliar a espiritualizar a nossa Mente. Entre vários exemplos, tal foi o propósito da Criação de Haydn[3], do Messias de Häendel[4] e das magníficas Paixões de J. S. Bach[5]. Esse desenvolvimento está sob a orientação dos Senhores da Mente, os quais pertencem à Hierarquia Criadora ou Zodiacal de Sagitário, o Signo que conserva o modelo da Mente mais elevada e seus mistérios espirituais. O objetivo dessa Hierarquia Criadora é apressar em nós os nossos incentivos espirituais e encorajar nossas aspirações até que ganhemos ascendência sobre a nossa inferior Mente concreta.

A nota-chave de Sagitário é “Fá Maior” e a nota-chave da Terra é também “Fá Maior”. Vários sons da natureza são, consequentemente, afinados a essa nota. Essa é a razão pela qual composições em “Fá Maior” são especialmente relaxantes para um sistema nervoso alterado; também efetivos para restaurar um Corpo Denso fatigado e para acalmar uma Mente aturdida.

Por meio de ritmos em “Fá Maior” os Senhores da Mente concederam a Mente germinal para nós e, através de seu uso continuado, estão trazendo essa Mente para o ponto em que ela possa transmitir, para a nossa Personalidade, a imagem-espírito existente dentro de muitas pessoas. Esses se tornarão os pioneiros da Sexta Raça e entre eles nascerá um tipo de música com qualidades que curam e iluminam. Todos os movimentos em direção ao futuro são escolas preparatórias para a Nova Era, a Era de Aquário como, por exemplo, a Fraternidade Rosacruz. Até que as Mentes dos neófitos se tornem espiritualizadas, eles receberão, através de tons e ritmos, aqueles poderes superiores que estão aguardando para serem concedidos a cada um de nós.

(“Pre-Historic Origins of Music” de Corinne Heline da obra “Music: The Keynote of Human Evolution”, publicado na Revista “Rays from the Rose Cross”, Fev./Mar de 1988 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: A orquestra de gamelão, baseada em idiofones e tambores metálicos, é talvez a forma mais facilmente identificada como sendo distintamente “javanesa” por pessoas de fora. Existem dois sistemas de afinação na música gamelão javanesa, slendro (pentatônico) e pelog (heptatônico por completo, mas com foco em um grupo pentatônico). A afinação não é padrão, em vez disso, cada conjunto de gamelão terá uma afinação distinta. Existem também modos melódicos distintos (pathet) associados a cada sistema de afinação. Um gamelão completo consiste em dois conjuntos de instrumentos, um em cada sistema de afinação. Diferentes conjuntos de gamelão têm sonoridades diferentes e são usados ​​para diferentes peças musicais; muitos são muito antigos e usados ​​para apenas uma peça específica. As formas musicais são definidas pelos ciclos rítmicos. Estes consistem em ciclos maiores pontuados pelo gongo grande, subdivididos por divisões menores marcadas pelo toque de gongos menores, como kenong, kempul e kethuk. A interação melódica ocorre dentro dessa estrutura (tecnicamente chamada de “estrutura colotômica”).

[2] N.T.: A Harmonia das Esferas, também conhecida como Música das Esferas, demonstra que o universo é regido por uma música celestial, um ritmo e harmonia divinos produzidos pelos corpos celestes em movimento. Assim, os Planetas e outros corpos celestes, ao se moverem, emitem sons que, combinados, formam uma música inaudível para nós, mas que é a base da organização do universo.

[3] N.T.: A Criação é um oratório dividido em três partes, escrito em 1797 pelo compositor austríaco Franz Joseph Haydn. Seu texto, com versões em alemão e inglês, é baseado no livro do Gênesis, no livro de Salmos e no poema O Paraíso Perdido, de John Milton. Este oratório, que faz parte do período definido como Classicismo, apresenta algumas semelhanças com o período Barroco devido ao uso do contraponto em várias passagens, como pode ser constatado nos coros Stimm an die Saiten, ergreift den Leier! (um dos mais famosos do oratório), na primeira parte, e Singt den Herren, alle Stimmen, que encerra o oratório. Ao mesmo tempo, muitos musicólogos veem também neste oratório um prenúncio do Romantismo, especialmente na abertura sinfônica, chamada “A Representação do Caos”, utilizando estruturas melódicas adotadas mais tarde por Richard Wagner, bem como a dramaticidade instrumental de algumas passagens, típicas dos poemas sinfônicos de compositores como Hector Berlioz. Assista aqui, com legendas em português: https://www.youtube.com/watch?v=sEStAAoZObY 

[4] N.T.: O Messias (Messiah) (HWV 56, 1741) é um oratório de Georg Friedrich Händel com 51 movimentos divididos em 3 partes, durando entre cerca 2h 15min e 2h 30min. Deve notar-se, desde já, que o tempo varia em função das diferentes interpretações (como qualquer outra composição musical que se mede por compassos e não por minutos).

Embora o 44.º movimento (o célebre “Aleluia”) seja reconhecível por qualquer pessoa (mesmo não sabendo a que obra pertence ou que compositor a escreveu), a obra “O Messias” não é tão conhecida na sua totalidade como merecia. A maior parte das vezes, os programas de concertos apenas escolhem alguns movimentos (recitativos, árias e corais), perdendo assim o sentido integral e unitário da obra. Se a “fama” e o grau de popularidade fossem critérios válidos de apreciação estética, considerar-se-ia a mais famosa criação de Händel. O nome do oratório foi tirado do conceito judaico e cristão de messias. Para os cristãos, o Messias é Jesus. O próprio Händel era um cristão (como, aliás, a esmagadora maioria da população da Europa Ocidental no séc. XVIII, embora as diferenças entre catolicismo e protestantismo fossem motivo de enormes cisões, guerras e orientações estéticas diferentes) devoto e a obra é uma apresentação da vida de Jesus e de seu significado de acordo com a doutrina cristã. Será necessário esclarecer essa aparente contradição entre “ter seguido a doutrina cristã” e “ter provocado acusações de blasfémia” por parte dos jornais ingleses.

É importante notar que o “Messias” é uma obra religiosa, mas não é sacra, isto é, trata de temas religiosos, mas não é uma música para ser tocada em contexto litúrgico. A Igreja, enquanto instituição, sempre foi conservadora no que respeita à liturgia, e esta não era concebida como um espetáculo. Daí a diferenciação que tem que ser efetuada entre a “ópera” enquanto género musical e o “oratório”. Por outro lado, as tradições musicais do sul da Europa (católico) e o norte (protestante) eram bastante diferentes. No sul, o barroco mostrava-se mais “espetacular” e “operático”, enquanto no norte, particularmente na Inglaterra, a simplicidade e depuração estilística constituíam a regra em termos litúrgicos. Mesmo dentro da Igreja, as opiniões divergiam no que respeitava ao “oratório”.

Mesmo que não houvesse lugar à encenação, a Igreja mais conservadora repudiava a prática do oratório, porque, afinal de contas, eram utilizadas escrituras sagradas para efeitos cénicos e espetáculo público. Foi em torno destas questões que alguns jornais ingleses mais conservadores consideraram a obra blasfêmica.

À parte destas questões, o “Messias” é, acima de tudo, uma obra imersa em espiritualidade. Para os crentes e fiéis é uma prova da mais fervorosa devoção e reforço na fé. Para os não-crentes, para além do desafio intelectual, o “Messias” condensa várias emoções espirituais, consideradas mais na esfera da humanidade que na da divindade. Para uns e outros, Händel almejou com a seu oratório um objeto imaterial de profundo e enorme prazer estético.

Apesar da obra ter sido concebida para a Páscoa e nela ter sido apresentada pela primeira vez, após a morte de Händel tornou-se tradição executar o oratório durante o Advento, o período preparatório para as festas do Natal, mais do que na Páscoa.

Os concertos de Natal quase sempre apresentam apenas a primeira parte do Messias junto ao coro “Aleluia”, no entanto algumas montagens apresentam toda a obra como um concerto de Natal. A obra é também executada no domingo de Páscoa e partes contendo temas da ressurreição são frequentemente incluídos nos serviços de Páscoa. A ária soprano “Sei que vive meu Redentor” é também frequentemente ouvida em funerais. Assista aqui, com legendas em português: https://www.youtube.com/watch?v=lByxbjXK8fg

[5] N.T.: As paixões de J. S. Bach são peças musicais de grande profundidade e complexidade, que narram a história da paixão de Jesus Cristo, desde o seu julgamento até à sua morte e ressurreição. As duas principais paixões que sobreviveram, e que são amplamente consideradas suas obras-primas, são a “Paixão Segundo São Mateus” (BWV 244) e a “Paixão Segundo São João” (BWV 245).

A Paixão segundo Mateus BWV 244 (em latim: Passio Domini nostri Jesu Christi secundum Evangelistam Matthaeum; em alemão: Matthäus-Passion), mais conhecida em países católicos como Paixão segundo São Mateus, é um oratório de Johann Sebastian Bach, que representa o sofrimento e a morte de Cristo segundo o Evangelho de Mateus, com libreto de Picander (Christian Friedrich Henrici). Com uma duração de mais de duas horas e meia (em algumas interpretações, mais de três horas) é a obra mais extensa do compositor. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das obras mais importantes de Bach e uma das obras-primas da música ocidental. Esta e a Paixão segundo São João são as únicas Paixões autênticas do compositor conservadas em sua totalidade. A Paixão segundo Mateus consta de duas grandes partes constituídas de 68 números, em que se alternam coros, corais, recitativos, ariosos e árias. Assista aqui, com legendas em português: https://www.youtube.com/watch?v=KNJZzXalO8Q

A Paixão segundo São João, BWV 245 (em alemão: Johannes-Passion) é um oratório sacro de Johann Sebastian Bach. A peça foi composta em Leipzig, no dia 7 de abril, vésperas da Sexta-Feira Santa de 1724.

A obra é uma representação dramática do texto contido no Evangelho segundo São João, emoldurada por dois corais (abertura e final) e dramatizada de forma reflexiva em recitativos, corais, ariosos e árias. Comparada com a Paixão segundo São Mateus, BWV 244, a Paixão Segundo São João tem sido descrita como mais destacada, com um andamento expressivo, às vezes mais solto e menos “acabado”.

A Paixão é uma obra de ocasião, e por regra, foi ouvida apenas uma única vez. Obra muito elaborada artisticamente, o que o ouvinte não conseguia entender em termos estéticos era compensado por seu conhecimento de uma rede de intenções que ligavam a experiência religiosa de cada um ao seu contexto cultural e religioso maior. A principal dentre essas intenções era apresentar o caráter dinâmico da experiência religiosa num programa didático sequencial de afetos e formas com que o ouvinte comum pudesse se identificar, criando uma ponte entre as Escrituras e a fé, à luz, naturalmente, da tradição hermenêutica fundada por Lutero. Para conseguir esse objetivo, além do conteúdo explícito dos textos, Bach recorria a um rico repertório de elementos puramente musicais para ilustrar e enfatizar o texto, elementos que por sua vez estavam associados a uma série de convenções simbólicas e alegóricas então de domínio público, um procedimento típico do Barroco em geral, no caso aplicado aos propósitos do Protestantismo. Assista aqui, com legendas em português: https://www.youtube.com/watch?v=vdh7Wf3Uq-s

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Você poderia nos dar seu ponto de vista sobre a causa e a cura dos resfriados e das gripes?

Resposta: Nós vivemos numa época de germes, vírus, outros microrganismos e soros. Toda doença tem seus microrganismos e uma espécie de antídoto para prevenir ou para curar. É possível até mesmo ser imunizado contra uma gripe ou um resfriado, e se a operação for bem-sucedida, a pessoa fica imune. Talvez, algum dia, todos os diferentes antídotos possam ser combinados em um único “elixir-vitae” que nos tornará imunes a toda essa horda inteira dos germes, vírus e outros microrganismos temidos! Realmente, que anômala é nossa condição. Conquistamos o mundo inteiro e espalhamos o terror nos corações de todas as criaturas que conseguimos alcançar com vários artifícios que criamos para destruí-las. Até mesmo grandes criaturas fogem diante de nós com medo, mas nós mesmos temos medo de criaturas tão diminutas que só podem ser vistas com o auxílio de potentes microscópios. Essas diminutas criaturas são tão temidas que alguns dos seres humanos mais capazes dedicam a vida inteira deles no esforço de restringir as devastações dessas diminutas criaturas.

É verdade que existem os microrganismos, mas também é verdade que eles não conseguem se estabelecer em nenhum organismo que esteja em estado normal de saúde. Somente quando nossos Corpos Densos ficam debilitados por outras causas é que os microrganismos da doença conseguem se estabelecer e iniciar seus processos destrutivos. As pessoas que estão radiantes de saúde, e usamos essa frase em seu sentido literal, podem ir sem o menor temor a qualquer área de isolamento para doenças infecciosas, mesmo que haja mais germes ou vírus num centímetro quadrado do Corpo Denso dos pacientes do que habitantes na Terra. Enquanto essa pessoa estivesse com a sua saúde radiante, não seria infectada.

Para deixar claro o que queremos dizer com saúde radiante, precisamos reiterar um fato tão frequentemente insistido, um fato que a ciência está começando a descobrir, isto é, que nossos Corpos Densos são interpenetrados pelo Éter em tal volume que, em algumas circunstâncias ele se irradia além do Corpo Denso. Qualquer pessoa que seja dotada da visão espiritual vê, dentro do Corpo Denso, um outro veículo inteiramente semelhante, órgão por órgão, e formado de Éter. Tal pessoa também vê que através da posição referencial do baço físico – o baço etérico – há um influxo contínuo de força vital etérica que sofre uma mudança química no Plexo celíaco (também chamado de Plexo solar) e, então, circula por todo o Corpo Denso como um fluido cor-de-rosa pálido com um leve matiz púrpuro. Esse fluido etérico se irradia de toda a periferia do Corpo Denso através de cada poro da pele, transportando consigo uma grande quantidade de gases venenosos gerados pela alimentação que tomamos, alimentação essa escolhida mais para agradar aos olhos ou ao paladar que pelo valor nutritivo que possa ter.

Enquanto essa radiação vital da força vital etérica for suficientemente forte, ela não apenas remove os venenos do Corpo Denso, mas também impede a entrada de organismos deletérios, seguindo o mesmo princípio que torna impossível a entrada de moscas e outros insetos num edifício através de uma abertura onde tenha sido instalado um exaustor de ar que envie a corrente de ar para o exterior. Mas, tão logo pare o exaustor, o caminho fica aberto para as várias classes de insetos que infestam nossos edifícios. Da mesma forma, se por qualquer motivo o organismo humano se tornar incapaz de assimilar uma quantidade suficiente de força vital, a fim de conservar essa emanação radiante, também é possível que os temíveis microrganismos entrem e se estabeleçam no Corpo Denso, onde então começam seus estragos, com posterior detrimento ainda maior da saúde. Em vista desses fatos, a prevenção das doenças resume-se em conservar o sistema desimpedido, de modo a permitir que a força vital radiante possa fluir sem obstáculos. Quando as condições patológicas se instalam, o processo curativo deve ter o efeito de abrir os canais obstruídos para ser bem-sucedido.

O Dr. Harvey W. Wiley[1], ex-chefe do Departamento de Química em Washington, disse que a melhor maneira de curar um resfriado ou uma gripe é apanhar um vidro de xarope contra a tosse, colocá-lo sobre a mesa do quarto do paciente, abrir todas as janelas e atirar o vidro através de uma delas. Em outras palavras, em lugar de xaropes e outros remédios para tosse, resfriados ou gripes, respire bastante ar fresco e puro. Sem dúvida alguma, há muita sabedoria nessa recomendação, mas não é inteiramente suficiente. Se ele tivesse dito: “Tragam também um bom café da manhã, almoço e jantar para o paciente e joguem tudo isso no mesmo lugar do vidro de remédio”, ele teria se aproximado mais do meio de curar um resfriado ou uma gripe. Pois pode-se dizer, sem receio de ser contrariado, que a maior parte das doenças, das quais se diz que são herdadas pela carne, provém do excesso da ingestão de alimentos não adequados e, também, da mastigação insuficiente. Essa última, talvez, seja o maior dos nossos pecados.

O Barão de Munchausen[2], o célebre campeão das prevaricações, relata como, quando visitou a Lua, descobriu que seus habitantes cozinhavam os alimentos do mesmo modo que nós aqui na Terra, mas, em vez de se sentarem à mesa e comerem aos poucos, simplesmente abriam uma portinhola no lado esquerdo do Corpo e colocavam por ali a comida em seus estômagos. Ainda não chegamos a esse ponto, mas estamos muito próximos. O modo pelo qual a maioria das pessoas engole seu alimento é simplesmente deplorável, para não dizer outras coisas. Os restaurantes de refeições rápidas (fast foods), com seus assentos desconfortáveis, onde é impossível descansar e relaxar o corpo, enquanto se tomam aquilo que chamam de refeições, são uma ameaça nacional. Todos os que se sentam em um desses lugares parecem estar determinados a estabelecer um recorde de ingestão da maior quantidade de alimentos no espaço de tempo mais curto possível. E os métodos abomináveis de preservar tudo em gelo durante meses a fim de que certos intermediários e atacadistas possam fazer os preços subirem, disparando seus lucros pessoais, só aumentam os perigos de problemas de saúde, que ameaçam toda as comunidades no chamado mundo civilizado, onde esses métodos modernos questionáveis estão em voga. A partir desses alimentos “puros” sobrecarregados de venenos, nós nos esforçamos para construir nossos Corpos Densos e isso, como é bem sabido, é realizado pela transformação desse alimento em sangue, enquanto o resto deve ser eliminado como resíduos.

É hábito dos profissionais da saúde zelar para garantir que a eliminação adequada dos resíduos ocorra, não importa qual seja a natureza da doença. Qualquer pessoa que tente se curar de um resfriado ou de uma gripe deve necessariamente imitar esse método sábio e garantir que a função excretora se efetue corretamente e seja estimulada ao máximo possível, pois esse é um método importante para liberar o organismo e permitir que a força vital flua pelo organismo novamente. A outra porção do alimento que se transforma em sangue não permanece no estado fluídico, mas evapora-se, ou melhor, eteriza-se de acordo com o desenvolvimento do Ego em cujo Corpo Denso ele flui. Ele percorre todo o Corpo Denso, como o vapor em uma caldeira e, quando entra em contato com o ar frio através dos poros obstruídos por uma quantidade excessiva de veneno alimentar e parcialmente anestesiados, de modo a não responderem ao impulso nervoso que, de outra forma, os fecharia parcialmente contra o frio, o sangue se liquefaz total ou parcialmente, e se torna um obstáculo e um empecilho àquela outra parte da corrente sanguínea que não está afetada. Como resultado, são gerados microrganismos que formam a indisposição que sentimos e secreções quando estamos gripados ou resfriados.

Uma pessoa ferida que perde muito sangue se sente fraca. O mesmo acontece com a pessoa cujo sangue enregelou-se dentro dela, e pela mesma razão. Mas quem tem um resfriado ou uma gripe deve despender maior esforço a fim de expelir os resíduos nocivos antes que possa ser curado. A gula, uma má alimentação e um mastigação defeituosa não são as únicas causas dos resfriados e das gripes. É um fato bem conhecido por todos os ocultistas, que tudo o que há no Mundo visível é a manifestação de algo que já existia nos Mundos invisíveis, e o resfriado ou a gripe não é uma exceção à regra. Quando sabemos que há uma Lei de Causa e Efeito imutável, e que não pode haver efeito sem uma causa adequada e subjacente, podemos facilmente verificar a verdade dessa asserção. Também é certo que nada pode nos ocorrer sem que o tenhamos merecido e, portanto, se procurarmos as causas nos Mundos invisíveis, descobriremos que elas têm, naturalmente, algo a ver conosco.

O resfriado ou a gripe que sentimos aqui, e que é uma manifestação desagradável para nós, é resultado de algo que existia dentro de nós previamente, mas o quê? A essa pergunta podemos afirmar com segurança que nossa própria atitude mental é um fator de suma importância no estado de nossa saúde. Esse fato é bem conhecido por toda a ciência médica e por todos os bons observadores. Verificaremos que uma pessoa que é habitualmente otimista, que está sempre alegre, pronta a se expandir num largo sorriso, será considerado singularmente imune a resfriados, gripes ou a outras doenças. Por outro lado, uma pessoa que, mesmo jovem, apresenta os cantos da boca voltados para baixo e o rosto, habitualmente, contraído, que sempre está se preocupando ou se aborrecendo com coisas que nunca se realizam, que vê um potencial inimigo em cada ser humano e, persistentemente, toma uma atitude de raiva e malícia contra seus inimigos imaginários ou reais, com essa atitude mental se encolhe numa concha e impede a assimilação das forças vitais etéricas radiantes. Ela é, portanto, uma presa fácil de todas as doenças e enfermidades dos quais a carne é herdeira. Ela também não poderá ser curada nem por todos os remédios já criados antes que aprende a abandonar sua visão sombria da vida. Esses casos são, naturalmente, extremos, e há todas as gradações, bem como misturas das duas naturezas supracitadas. No entanto, constata-se que a saúde de uma pessoa varia de acordo com sua visão de vida em proporção quase exata.

Das observações precedentes podemos, portanto, deduzir o seguinte: o melhor preservador da saúde é uma atitude mental otimista, que encara a vida sem medo e vê um amigo em cada pessoa.

Também deve haver prudência e discernimento em relação à alimentação. Devemos evitar os excessos. É melhor comer pouco do que comer demais, e devemos nos esforçar para ter um assento confortável, onde possamos relaxar o nosso Corpo Denso enquanto mastigamos tranquila e lentamente os alimentos durante as nossas refeições.

Também deve ser dada bastante atenção ao assunto da excreção, e quando ela não estiver dentro do normal, certos alimentos que contém uma superabundância de celulose devem ser ingeridos para promover essa ação perfeita.

Resumindo em uma frase: seja alegre, seja comedido na alimentação. A jovialidade, a temperança ao comer e a eliminação, por meio a excreção, correta formam uma composição que curaria quase todas as doenças e enfermidades das quais a carne é herdeira.

(Pergunta número 51 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: O Dr. Harvey Washington Wiley (1844-1930) foi um químico e médico pioneiro que desempenhou um papel crucial no estabelecimento de regulamentações de segurança de alimentos e medicamentos nos Estados Unidos. Ele é mais conhecido por seu trabalho à frente da Food and Drug Administration (FDA) e por defender a aprovação da Lei de Alimentos e Medicamentos Puros de 1906. A Lei de Alimentos e Medicamentos Puros de 1906 foi a primeira lei federal a proteger os consumidores, proibindo a venda de alimentos e medicamentos adulterados ou com rótulos incorretos no comércio interestadual. Ela lançou as bases para a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), a primeira agência de proteção ao consumidor do país. A lei foi uma resposta à indignação pública com as práticas insalubres de produção de alimentos, particularmente destacadas no romance “A Selva”, de Upton Sinclair.

Segue as principais disposições da Lei de Alimentos e Medicamentos Puros:

– Proibição de alimentos e medicamentos adulterados ou com rótulos incorretos: isso significava que os produtos deveriam estar livres de aditivos e ingredientes nocivos, e os rótulos deveriam ser precisos.

– Criação da FDA: a FDA foi criada para fazer cumprir a lei e garantir a segurança de alimentos e medicamentos.

– Regulamentação do comércio interestadual: a lei se concentrou em produtos que cruzavam as fronteiras estaduais para garantir um padrão consistente de segurança.

– Foco na rotulagem: a lei se concentrou na rotulagem de produtos, em vez da aprovação pré-comercialização de medicamentos e cosméticos.

– Definição de medicamentos: a lei definiu medicamentos de acordo com os padrões da Farmacopeia dos Estados Unidos e do Formulário Nacional.

Quanto ao impacto e a importância dessa lei, podemos destacar:

– Proteção da saúde do consumidor: a lei foi um passo importante para a proteção da saúde e da segurança dos consumidores, garantindo a qualidade e a segurança de alimentos e medicamentos.

– Estabelecimento das bases para as regulamentações modernas de alimentos e medicamentos já que a FDA, criada por esta lei, tornou-se um importante ator na regulamentação de alimentos, medicamentos, cosméticos e dispositivos médicos.

Mas, como sempre, houve indignação pública, pois a lei expôs, por meio da conscientização pública, as práticas anti-higiênicas nas indústrias de alimentos e medicamentos, destacando a importância da proteção ao consumidor.

[2] N.T.: Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen (1720-1797) foi um militar e senhor rural alemão. Os relatos de suas aventuras serviram de base para a célebre série As Aventuras do Barão de Münchhausen, compiladas por Rudolph Erich Raspe e publicadas em Londres em 1785. São histórias fantásticas e bastante exageradas, propagadas sobretudo na literatura juvenil. Um personagem que se equilibra entre a realidade e a fantasia em seu mundo próprio, onde enfrenta os mais diversos perigos, perpetra fugas impossíveis (sendo a mais famosa delas: a fuga do pântano do qual afundara junto com seu cavalo, tendo conseguido escapar ao puxar a própria peruca), testemunha fatos extraordinários e faz viagens fantásticas — sem jamais perder a fleuma.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quando alguém que trabalhou inconscientemente como Auxiliar Invisível abandona o Corpo, ao morrer aqui, reconhecerá aqueles nos Mundos espirituais com quem trabalhou à noite, ou essas experiências não deixarão nenhum registro?

Resposta: As experiências de um Auxiliar Invisível que trabalha inconscientemente nos Mundos invisíveis, durante o tempo em que o Corpo Denso está dormindo podem ser comparadas a um sonho do qual ele não se lembra ao acordar. Entretanto, as experiências são armazenadas no Átomo-semente do Corpo Denso e farão parte do Panorama da Vida, de modo que, ao deixar o Corpo Denso no momento da morte, ele verá tudo que lhe aconteceu, acordado ou dormindo, durante o período vivido no Corpo Denso. Assim, sua lembrança do que aconteceu não será exatamente a mesma do que se ele tivesse passado por isso conscientemente, mas, ele obterá do Panorama da Vida um conhecimento e uma ideia do que foi realizado. Assim, embora ele não tenha a mesma sensação como se estivesse passando pela experiência conscientemente, logo se ajustará a acreditar e a entender que o que lhe parecia um sonho é, na verdade, uma experiência perfeitamente real e verdadeira.

(Pergunta nº 47 do Livro “Filosofia Perguntas e Repostas – Volume II” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Audiobook – O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

Capa-1024x576 Audiobook - O Enigma da Vida e da Morte - Dos Escritos de Max Heindel - Fraternidade Rosacruz

INTRODUÇÃO

Vamos conceituar, primeiro, o que é um Audiobook ou Audiolivro: nada mais é do que a transcrição em áudio de um livro impresso digital ou fisicamente.

Basicamente, é a gravação de um narrador lendo o livro de forma pausada e o arquivo é disponibilizado para o público por meio de sites. Assim, ao invés de ler, o interessado pode escolher ouvi-lo.

Um audiobook que obedece ao conceito de “livro-falado” tenta ser uma versão a mais aproximada possível do “livro em tinta” (livro impresso), a chamada “leitura branca”, que, mesmo desprovida de recursos artísticos e de sonoplastia, obedece às regras da boa impostação de voz e pontuação, pois parte do princípio de que quem tem de construir o sentido do que está sendo lido é o leitor e não o ledor (pessoas que utilizam a voz para mediar o acesso ao texto impresso em tinta para pessoas visualmente limitadas).

Para que serve audiolivro?

O audiolivro é um importante recurso, na inserção do no ecossistema da leitura, para:

  • o incentivo à leitura e promoção da inclusão de pessoas com deficiências visuais ou disléxicos
  • quem tem dificuldades para ler ou até que, infelizmente, não sabem ler
  • para quem gosta de aprender escutando, já que a forma de absorver conhecimento varia de indivíduo para indivíduo.
  • para crianças dormirem durante a noite.
  • para desenvolver a cognição. Ao escutar um audiobook, a cognição pode ser desenvolvida de uma forma mais ampla, uma vez que, além de escutar, será necessário imaginar as situações, diferenciar ambientes e personagens.

O audiolivro é apreciado por um público de diversas idades, que ouve tanto para aprendizado como para entretenimento.

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Audiobook – O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – Introdução
Audiobook – O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.1-As Três Teorias
Audiobook – O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.2-A Teoria Materialista
Audiobook – O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.3-A Teoria Teológica
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.4-A Doutrina da Reencarnação
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.5-O Progresso em Espiral
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.6-A Lei dos Ciclos Alternantes
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.7-Explicando as Tendências Morais
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.8-A Lei de Consequência
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.9-A Escola da Vida
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.10-Nós Somos os Mestres dos Nossos Destinos
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.11-Recordando Vidas Passadas
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.12-Frequência do Renascimento
O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil – C.13-A Solução para o Enigma

Em publicação…

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Aqueles que morrem agora, tornam a renascer antes da Era de Aquário?

Resposta: Depende. Geralmente o tempo estabelecido entre dois nascimentos é em torno de mil anos, para dar oportunidade às pessoas a renascerem uma vez como sexo masculino e outra como sexo feminino durante a passagem do Sol, por Precessão dos Equinócios, através de cada Signo do Zodíaco, o que leva aproximadamente 2.100 anos. Assim acontece porque as lições a serem aprendidas, durante esse período, são tantas e tão variadas que não podem ser totalmente assimiladas num Corpo pertencente a um único sexo. As experiências são bem diferentes sob o ponto de vista de um ser do sexo masculino e um ser do sexo feminino. Contudo, essa lei é semelhante a todas as outras Leis da Natureza, ou seja, ela não é cega. Ela está sob o controle de quatro grandes Seres chamados Anjos do Destino, que tratam de todos os pormenores da evolução humana. Eles garantem que todos tenham a oportunidade de obter o máximo de experiências possíveis. Se for necessário que uma pessoa permaneça nos Mundos invisíveis durante todo um período de mil anos, ela permanecerá. Senão, retornará aqui mais cedo. Algumas pessoas retornam depois de algumas centenas de anos, por terem evoluído bastante, aprendido rapidamente as lições necessárias. As pessoas que “vivem a vida” como Probacionistas, que assimilaram sua experiência de vida antes de patirem daqui, e já estão fazendo uma boa quantidade de atividades nos Mundos invisíveis não precisarão passar tanto tempo do outro lado. Eles se colocaram, definitivamente, ao lado das Leis de Deus e, portanto, recebem maiores oportunidades de evolução por meio do serviço.

(Pergunta nº 17 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Repostas” – Volume 2 – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Você poderia me explicar o ponto de vista Rosacruz sobre o controle de natalidade?

Resposta:Em primeiro lugar, deveríamos lembrar que há cerca de sessenta bilhões de Espí­ritos Virginais em nossa Onda de Vida, percorrendo o Ciclo de Vida e Morte, vivendo parte do tempo no Mundo visível[1] e parte nos Mundos invisíveis. Atualmente, só há uns 1,6 bilhões[2] de seres humanos na existência física, o que representa o fluxo mais baixo e isso geralmente ocorre no fim de uma Era[3]. Durante um milhão de anos ou mais, desde que saímos da Atlântida, a média tem sido de cinquenta a sessenta milhões de pessoas. Pode-se, tam­bém, afirmar que os povos ocidentais representam a melhor parte dessa evolução e, portanto, cabe a nós lidarmos com os grandes problemas que são sempre incidentais a uma fase de transição.

Nas civilizações passadas, quando renascíamos aqui como mulher, éramos o árbitro do destino do mundo, enquanto, como ocorre no caso presente, quando renascemos aqui como homem somos o árbitro do destino do mundo. Estamos, agora, às vésperas de uma transição para uma nova Era, onde quando renascermos como mulher, novamente, exerceremos o cetro do poder e quando renascermos como homem teremos que nos submeter às ordens dos que renascerão como mulher, mas antes que isso aconteça, haverá uma Era de igualdade. Essa é chamada de Era de Aquário pelos ocultistas, e estamos começando a sen­tir os seus efeitos desde meados do último século[4], quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrou na Órbita de Influência de Aquário. No entanto, no momento, o Sol ainda está a dez graus de Peixes[5]. Pela marcha lenta do movimento chamado de Precessão dos Equinócios, o Sol só atingirá o primeiro grau de Aquário daqui a seis­centos anos, aproximadamente. Todavia, durante o transcorrer desse tempo ha­verá, claramente, tantas mudanças maravilhosas em nossas condições física, moral e mental que não somos ca­pazes, no momento, de conceber como seremos nesse futuro.

Nós, que estamos renascidos agora em um Corpo Denso, se­remos sucedidos por grupos de Espíritos Virginais da Onda de Vida humana que renascerão aqui, depois de nós, ainda mais evo­luídos do que nós, que realizarão grandes refor­mas e, quando as pessoas, que se encontram atualmente renascidos aqui na Terra, renascerem novamente, cerca de quatrocentos anos da Era de Aquário já terão passado, de modo que o mundo terá avançado numa linha de desenvolvimento peculiar àquela Era. Os Espíritos atrasados que nascem numa atmosfera de grandes realizações intelectuais obterão, assim, uma imensa elevação, com base no mesmo princípio de um condutor elé­trico que, quando colocado nas proximidades de um cabo de alta ten­são, recebe automaticamente uma carga de menor vol­tagem. Assim, cada classe ou grupo que se eleva, ajuda também a elevar aqueles que estão abaixo dele na escala da evo­lução. A questão da população, então, não está inteira­mente controlada pelos indivíduos ou por leis humanas. As Hierarquias Criadoras, que guiam a nossa evolução, encarregam-Se da questão conforme necessário para que se reverta em maior benefício de todos os envolvidos e o número da popu­lação concerne mais a Elas do que a nós.

Isso não significa que não podemos ou não devemos exercer o controle de natalidade, como sugerido por aqueles que são os responsáveis por esse movimento. Também é verdade que é preciso ajudar as pessoas no lugar onde elas estão e não onde deveriam estar. Os Ensina­mentos Rosacruzes enfatizam o fato de que “semelhante atrai semelhante” e, portanto, é um dever dos que estão bem desenvolvidos física, moral e mentalmente prover um ambiente adequado para tantos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana que precisam, na medida que suas condições físicas e financeiras permitam. Esse dever incide ainda mais sobre aqueles que estão também espiritualmente desenvolvidos, pois um irmão ou uma irmã altamente espiritualizada não pode entrar na existência física por meio de pais impuros ou não desenvolvidos espiritualmente. Contudo, quando um casal conclui que a gravidez é prejudicial para a saúde da mãe, ou quando a carga financeira está acima das possibilidades do casal, então eles devem viver uma vida de continência, não favorecendo a natureza passional e nem procurar por meios artificiais impedir a vinda de Egos, tirando-lhes a oportunidade de renascimento proporcionada pela indulgência sexual de tal casal.

É evidente que isso requer um considerável desen­volvimento espiritual e autocontrole. São poucos os ca­pazes de viver tal vida, e seria o mesmo que pregar a continência para um muro de pedra do que para um espécime comum da Humanidade. Ele não pode compreender a necessidade disso. Ele até acredita que essa abstinência interferiria na sua saúde, pois falsas declarações a respeito da necessi­dade de exercer a função natural levaram a muitos resultados deploráveis. Ainda que ele pudesse ser persuadido a se abster pelo bem do seu cônjuge e dos filhos que já trouxe ao mundo, provavelmente seria incapaz de se conter, parti­cularmente porque as pessoas que vivem em modestas condições, geralmente, não têm possibilidades de ter dormitórios se­parados, por exemplo. Por essa razão, é necessário ensinar a essas pessoas o controle de natalidade por meios científicos. Contudo, reiteramos que, embora as pessoas sejam incapazes de entender a razão pela qual a continência deva ser praticada e são incapazes de praticá-la por falta de autocontrole, os ensinamentos espirituais devem ser fornecidos repetidamente para que, da mesma forma que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, com o tempo as gerações vindouras aprenderão a considerar sua pró­pria força de vontade para conseguir dominar sua na­tureza inferior. Sem um programa educacional visando à emancipação espiritual, as informações a respeito dos métodos físicos para limitar a natalidade nos lares sobre­carregados são extremamente perigosas.

Há outro aspecto da questão que merece ser eluci­dado. Foi dito que “a atitude da Mente da mãe, precisamente antes de receber o Átomo-semente, é importantíssima, pois determinará o tipo de criança que ela trará ao mun­do. Um acesso repentino e intenso de raiva ou de medo, ou ainda, de paixão violenta nesse momento sa­grado deixa o portal desprotegido e convida uma entidade indevida a entrar”. Além dos seres que ve­mos neste Mundo material, toda a atmosfera que nos cerca está repleta de criaturas ou entidades que se sentem atraídas por seres de natureza semelhante à delas. Assim como os mú­sicos se reúnem nas salas de música ou os esportistas, nos clubes ou pistas de corrida e afins, essas entidades se reúnem ao redor de pessoas de natureza semelhante à sua. Assim como alcoólatras e bandidos pro­curam os bares, botecos e antros, homens e mulheres imorais são encontrados nas zonas de meretrício, assim também espí­ritos imorais reúnem-se em torno de um lar onde dão vazão às suas paixões de natureza inferior, satisfazendo-as muitas vezes no decorrer de uma noite ou de um dia.

Há certa classe de seres, demônios masculinos e femininos que vivem no Éter e foram chamados pelos antigos alquimistas de incubi e succubi, que se nutrem das paixões dos outros. Que oportunidade tem uma mãe que vive em tal ambiente de atrair um Espí­rito Virginal da Onda de Vida humana elevado para que renasça através dela? E, embora a concepção quase nunca esteja sincronizada com a união dos pais, podendo ocorrer a qualquer momento dentro de duas semanas ou mais a partir daquele acontecimento, uma mãe cercada por tais influências no lar nunca está livre delas. Algumas Religiões de algumas pessoas que chamamos de “selvagens” exigem até hoje que o ato procriador seja rea­lizado no templo, e é assim que deve ser. Não há ato mais importante na vida e, em vez de ser condenado como vergonhoso, deveria ser exaltado à dignidade de um Sacramento e realizado sob as circunstâncias mais sagradas e inspiradoras possíveis. Se isso fosse concebido hoje como o foi na chamada Idade do Ouro[6], teríamos uma verdadeira elevação e um aprimoramento nas condições do mundo como, provavelmente, e não conseguiríamos alcançar por séculos.

(Pergunta nº 37 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: ou seja: Região Química do Mundo Físico.

[2] N.T.: população mundial no início do século XX. Atualmente a população mundial é estimada em torno de 8 bilhões de pessoas.

[3] N.T.: no caso a Era de Peixes nessa Época Ária.

[4] N.T.: aqui se refere ao Século XIX.

[5] N.T.: isso se refere ao início do Século XX.

[6] N.T.: O termo Idade de Ouro vem da mitologia grega, particularmente dos Trabalhos e Dias de Hesíodo, e faz parte da descrição do declínio temporal do estado dos povos através de cinco Eras, sendo o Ouro a primeira e aquela durante a qual a Raça de Ouro da Humanidade viveu. Por extensão, “Idade de Ouro” denota um período de paz primordial, harmonia, estabilidade e prosperidade. Durante esta Idade, a paz e a harmonia prevaleceram, pois as pessoas não tinham que trabalhar para se alimentar, pois a terra fornecia alimentos em abundância. Eles viveram até uma idade muito avançada com uma aparência jovem, eventualmente morrendo pacificamente, com espíritos vivendo como “guardiões”. Platão em Crátilo (397 e) relata a raça dourada dos humanos que veio primeiro. Ele esclarece que Hesíodo não quis dizer literalmente feito de ouro, mas bom e nobre.

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Livreto: Ritual do Serviço Devocional de Funeral

Abaixo, em forma de livreto, você encontrará:

  1. A Oração do Senhor – O Pai Nosso
  2. O texto para oficiar o Ritual do Serviço Devocional de Funeral

(*) Lembre sempre de preparar o ambiente com uma música apropriada. A melhor é o Adágio Molto e Cantabile – da Sinfonia nº 9 em Ré Menor de L. V. Beethoven, que você encontra clicando aqui.

O objetivo do Livreto é você poder imprimir como um livreto.

Assim, imprima frente e verso em “virar na borda horizontal” em impressoras que imprimem frente e verso.

Ou, caso sua impressora não imprima frente e verso, então imprima primeiro as folhas ímpares e depois no verso as folhas pares.

O tamanho também você pode escolher: cada 2 páginas em uma folha A4 ou cada 4 páginas em uma folha A4.

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