Resposta: Não. Há como um dia muito longo, sem fim. Ali não há tempo, porque sua existência provém da rotação da Terra ao redor de seu eixo e sua revolução em torno do Sol. Esses movimentos produzem o dia e a noite, o verão e o inverno, o calor e o frio. A constituição opaca e sólida da Terra torna-a impenetrável aos raios luminosos e ao calor emitido pelo Sol.
Nos Mundos suprafísicos, porém, nada é opaco nem frio. Nem há verão ou inverno. Tudo é um dia brilhante, largo…, eterno.
Quando deparamos com aqueles que passaram o umbral da morte, tomamos conhecimento de que eles não têm a menor ideia de tempo. E, algumas vezes, perguntam quanto tempo faz que morreram. Há só um meio de avaliar o tempo. E ele é empregado pelos Clarividentes voluntários exercitados para localizar os acontecimentos quando os examinam na Memória da Natureza, ou seja, mediante a Astrologia, observando a posição dos Astros. Por suposto, se o acontecimento em observação ocorreu nos tempos históricos, pode-se determinar o ano de ocorrência mediante outro acontecimento histórico registrado na época.
Quando o fato aconteceu há muitos milhares de anos atrás, como é o caso das inundações atlantes, busca-se o tempo de sua ocorrência na Precessão dos Equinócios. Essa consiste no movimento retrógrado do Sol através dos doze Signos zodiacais, movimento este que se completa em cerca de vinte e seis mil anos.
Pode-se determinar a época em mira contando o número de períodos de vinte e seis mil anos transcorridos entre a primeira e a segunda inundação, entre a segunda e a terceira e desta a nossos dias. Se se ignora a ciência dos Astros, não é possível utilizar esse sistema. Aliás, isto constitui um bom motivo para Estudante Rosacruz aprender a Astrologia Rosacruz.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz outubro/74 – Fraternidade Rosacruz SP)
Vamos falar hoje sobre o significado de algumas palavras-chaves dos Ensinamentos Rosacruzes, isto é, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. Algumas dessas palavras vêm do grego e têm uma distinta conexão filosófica com as aspirações do Mundo Ocidental.
Termos como Panaceia, Arquétipo, Cosmos, Ecclesia, Hierofante, Neófito, Mistério, Misticismo, etc. expressam uma evolução filosófica de processo do pensamento e nos dão um vislumbre do progresso do Cristianismo Místico. O Estudante Rosacruz compreende, sem dúvida, seu significado. Não obstante, as palavras acima mencionadas estão propensas a ocultar certos aspectos sutis e que, amiúde, passam por alto, sendo necessário, portanto, trazê-las à luz. Somente quando compreendermos a origem e o completo significado de tais iluminadoras palavras podem elas converter-se em símbolos vivos, imagens pulsantes do pensamento, que nos desvendam um sentido mais profundo, o qual se acha contido na Filosofia Rosacruz. Adentremo-nos à filosofia e à mitologia da Grécia pré-cristã a fim de obter alguma luz, pois essas palavras simbólicas foram criadas pelos pensadores da antiga Grécia, particularmente por Platão, Aristóteles, Hipócrates e vários outros durante um dos períodos mais gloriosos da história: a Idade de Ouro.
O termo Panaceia envolve, talvez, uma das palavras de maior significado dentro dos nossos ensinamentos. Designa uma das três pedras angulares: CURAR, SERVIR e PREDICAR o ensinamento. Sobre essas três pedras se orienta a filosofia dos Irmãos Maiores. Panaceia é uma palavra simbólica que expressa a aspiração e o desvelo da Fraternidade Rosacruz no desenvolvimento da Arte de Curar pelo método Rosacruz.
O dicionário Webster define a Panaceia como: “um remédio universal que oferece a cura para todas as enfermidades”. No idioma grego PANAKEIAS, uma palavra composta, que une a PAN (tudo) com AKEISTHAE (curar). Literalmente significa: um remédio para curar tudo ou uma fórmula para a cura de todas as enfermidades físicas ou mentais. Na mitologia Grega, Panaceia e Hâgeia (saúde) eram irmãs.
Ambas eram filhas de Asklepios (fàusculapius em latim), o Deus da Cura. Este, por sua vez era filho de Apolo (o Deus Sol), o Grande Médico.
Os Centros de Cura existiram desde tempos imemoriais, na Grécia. Eram dedicados a Asklepios, o Deus da Cura. Seus sacerdotes constituíam um grupo de curadores especializados, muito devotos e espirituais, que praticavam também a medicina no sagrado recinto chamado Asklepión. Em épocas astrologicamente propícias, os enfermos eram levados a esse lugar santo, onde se lhes subministravam umas tabuinhas em forma votiva, isto é, mediante certa cerimônia (uma espécie de hóstia sagrada) as quais haviam sido deixadas pelos ex-pacientes agradecidos, a fim de levantar sua fé no Deus da Cura. Depois dos serviços religiosos eram deixados ali durante à noite, onde dormiam. Durante o sono, os sacerdotes lhes subministravam remédios por meio de conjuros e encantamentos da Panaceia, Hygeia e Asklepios.
Por esses métodos de cura, muitos pacientes despertavam na manhã seguinte completamente curados, tal como contam muitas inscrições existentes. Esse ritual é tecnicamente conhecido como “Incubação”, do termo grego “Epoaso”, que quer dizer, chocar ou sentar-se sobre ovos.
Existe uma grande semelhança entre o Templo de Cura grego e a Arte de Curar da Fraternidade Rosacruz, porque ambos os métodos empregam a ajuda espiritual do Mundo Ocidental em seus esforços de ajudar a humanidade a obter a saúde do corpo mediante uma combinação da Panaceia Espiritual e meios físicos, proporcionando uma dieta adequada, exercício e Astroterapia. Quando examinamos os diferentes significados de Panaceia, Hygeia ou saúde, e Astroterapia do ponto de vista Rosacruciano, vemos Max Heindel afirmar que a saúde ou Hygeia é uma condição do corpo quando todos os órgãos trabalham em perfeita harmonia. Mas, quando essa é quebrada por um órgão que tem sua função reduzida ou por outros que a têm acelerada, então produz-se a enfermidade. Se essa se prolonga devido ao paciente ser incapaz de aproveitar as oportunidades astrais favoráveis, então se aplica a Panaceia. Como diz Max Heindel: “A Panaceia faz com que a concentrada substância da Vida de Cristo flua através do corpo e infunda a cada célula um certo ritmo que desperta o Ego aprisionado em sua letargia e lhe devolve a vida e a saúde”.
Em que consiste essa Panaceia e o que pode realizar, Max Heindel conta que lhe ocorreu uma imagem mental inesquecível, quando visitou o Templo da Ordem Rosacruz. Ao penetrar no Templo, viu três esferas dependuradas no teto. “Na esfera superior observou um pequeno recipiente contendo vários pacotes cheios de substância do Espírito Universal. Depois que os Irmãos se sentaram em uma posição específica, e a música preparou o ambiente, inesperadamente as esferas começaram a brilhar com as três cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Durante esse encantamento, o recipiente que continha os pacotes tornou-se luminoso com uma essência espiritual, a qual os Irmãos aplicavam nos pacientes, enquanto eles permaneciam adormecidos. No processo de administrar essa Panaceia, a substância contida nos pacotes se espalhava como por arte mágica e destruía a matéria cristalizada que cobria os centros espirituais do corpo enfermo. A cura era instantânea e o paciente despertava pela manhã seguinte, gozando de plena saúde”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1972 – Fraternidade Rosacruz – SP)
É de bom alvitre que cada indivíduo, de vez em quando, dê um balanço em suas atividades cotidianas, a fim de verificar se não são essas as causas das perturbações que está sentindo.
Certas dores de cabeça, irritações nervosas e indisposições para o trabalho, originam-se, muitas vezes, do excesso de repouso ou da longa permanência do corpo em má posição. Em tal atitude, o indivíduo está contrariando o próprio organismo, que requer movimento e que, não sendo atendido, protesta, através daquelas manifestações de mal-estar, aparentemente oriundas de outras causas mais graves.
Muitos neurastênicos devem a esse errôneo comportamento a sua lastimável irritabilidade. Ficam horas e horas a trabalhar sentados, ou em posição incômoda, irregular e, sentindo-se abalados em sua saúde, não se lembram de atribuir ao abuso do repouso e da postura forçada o mal de que padecem.
Após um dia de atividade sedentária, curvado o corpo e preocupado com sua tarefa, sem conceder à sua energia física a liberdade de que ela necessita, qualquer um de nós há de, por força, sentir falta de um pouco de exercício, de expansão, por assim dizer, da nossa reprimida vitalidade. O mal-estar geral e o nervosismo que então venham a nos assaltar, possivelmente desaparecerão com um simples passeio. Andar, caminhar a passos firmes e fortes, é excelente meio de indenizar o organismo dos prejuízos que sofreu durante a sua longa parada.
Sei, por experiência própria, que nem sempre se pode interromper o serviço, para tirar o corpo da situação forçada a que ele se acha submetido. Mas, logo após o serviço costumo remediar a minha inatividade física com uma caminhada compensadora. Deixando o trabalho, vou a pé pelas ruas, marchando o mais possível com vigor e tranquilidade. Tal exercício constitui um verdadeiro reconstituinte.
Andar, caminhar, realmente, é uma alegria, depois de todo um dia sem liberdade de movimento. Se as pessoas que se sentem nervosas, maldispostas e com tendência para se recolher ao leito, raciocinarem acerca da possível causa disso, talvez sejam levadas muitas vezes a concluir que o remédio está bem ao alcance das suas mãos, isto é, dos seus pés.
Experimentem, pois, andar. Andando, além de corrigir um erro prejudicial à saúde, proporcionarão ao espírito momentos de agradável e útil distração.
Assim, pode-se provar que as nossas pernas fornecem, às vezes, remédios contra o entorpecimento que lhes infligimos. Basta que as tenhamos em ação, e era uma vez o nervosismo, o desânimo e outros pequenos aborrecimentos físicos e morais, de grandes e graves consequências.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de Abril/1969-Fraternidade Rosacruz-SP)
Câncer é um dos Signos do Elemento Água. O trânsito do Sol, devido ao movimento de Precessão dos Equinócios, pelo Signo aquoso de Câncer com seu oposto, Capricórnio, designa a primeira parte da Época Atlante, que decorreu quase em estado aquoso, posto que a totalidade da Terra estava coberta por densa neblina, abrumadora. Os Niebelungos ou “filhos da névoa” viviam então, nas concavidades da Terra. Nessa época Câncer não tinha a mesma simbologia atual. Nos tempos antigos tinha a figura de um escaravelho, que era o símbolo da alma para os ocultistas. De fato, nesse estágio, a humanidade era muito mais alma que corpo.
A parte “peixe” do símbolo de Capricórnio, oposto do Signo de Câncer, também contribui para reafirmar a circunstância de ambos se referirem àquele estado, sob as águas.
A Lua, Regente de Câncer, o Astro da fecundação, nos indica misticamente esse período de germinação, quando a humanidade começou a exercer ignorantemente a função sexual criadora, sob a influência dos desejos infundidos pelos Espíritos de Lúcifer. Deste modo a humanidade abriu a porta da vida física, por influência de Câncer. Mas no Signo oposto, Capricórnio, regido por Saturno, o Planeta da morte, encontrou a gadanha, para ceifar a vida que se encurtava pelo abuso da força sexual criadora, como também achou o sofrimento, a experiência amarga da liberdade mal-usada, pois o “salário do pecado é a morte” (Rm 6:23) e a dor.
Mas, por outro lado, Capricórnio, a cabra que sobe os montes, inspira a Câncer o ideal de redenção. Mostra, igualmente, a transição pela qual passou a humanidade quando deixou os vales da Terra, da Época Atlante para viver nas mesetas e planaltos do globo terrestre.
As pessoas com Ascendente em Câncer, genericamente, gostam muito do lar e de suas comodidades. Mas são indolentes, instáveis e sonhadoras. Com o passar dos anos, amantes que são de boa comida ficam com o ventre avantajado e, por pouco afeitos a exercícios, passam a ter grandes prejuízos sobre a digestão.
Todavia, é necessário examinar o tema no conjunto para determinar as tendências individuais e a força de cada tendência nos diversos departamentos da vida, para uma orientação segura de como prevenir-se e de como corrigi-las, usando as qualidades positivas.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – junho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Certamente, mas há conversões e conversões. Há a conversão que ocorre numa reunião de avivamento ao soar de tambores, ao bater de palmas, ao cantar de hinos evangélicos e o insistente chamado do revivalismo[1] para “vir antes que seja tarde demais”. Todas essas assistências à conversão produzem uma intensa influência hipnótica, que atua sobre a natureza emocional de muitas pessoas e, de tal maneira que esses chamados “pecadores”, não conseguem mais permanecer em seus lugares, pois, no sentido literal, são forçados a obedecer ao comando e se apresentar ao “banco dos enlutados”[2]. Geralmente, esse tipo de conversão é de pouquíssimo valor. Os revivalistas descobrem que é extremamente fácil converter as pessoas dessa maneira. O problema exasperadamente difícil é, como um deles expressou, “fazer com que isso perdure, que a pessoa volte”, pois quando a vítima do revivalista hipnótico deixa a reunião, a influência desaparece gradualmente e, mais cedo ou mais tarde, ele recai em sua atitude original. E embora esses “desviados” possam não sentir nenhuma angústia ao retroceder, a próxima reunião de avivamento os atrai para o banco dos enlutados novamente, com a mesma certeza de que um ímã atrai uma agulha. Eles são convertidos repetidamente e retrocedem regularmente todas as vezes que há uma reunião de avivamento, para o desgosto do revivalista e para a diversão da comunidade, que não sabe que é um simples caso de hipnotismo moderado.
No entanto, há outra conversão, porém, sempre acompanhada por influências astrais (Sol, Lua e Planetas) e conforme a força e intensidade dessas influências a conversão ou mudança na vida, será mais ou menos radical. Isso mostra, então, que a alma atingiu um certo ponto em sua peregrinação, em que sentirá uma atração pela vida superior. A causa imediata da conversão pode ser um sermão, uma palestra, um livro, um versículo da Bíblia ou algo dessa natureza, mas, na verdade, essa é apenas a causa física de algo que já era um fato espiritual. A partir desse momento, o homem ou a mulher começará a considerar uma nova visão da vida, deixará de lado os velhos vícios, seguirá novas linhas de pensamento e de realizações. Pode mudar toda a sua atitude em relação à vida e, também, em relação ao seu ambiente. De fato, muito frequentemente uma viagem o (a) tirou momentaneamente do ambiente habitual, para lhe proporcionar a condição apropriada para o plantio da nova semente.
(Pergunta nº 114 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: O avivamento ou revivalismo é um conjunto de práticas religiosas que produzem uma atmosfera de intensidade espiritual com dois objetivos em mente: convencer os não-cristãos a se converterem ao cristianismo e convencer os cristãos a revitalizar sua fé. O avivamento centra-se na pregação vigorosa e na plateia cantando canções religiosas populares. A pregação e o canto visam provocar respostas racionais e emocionais do público. O revivalismo protestante desenvolveu-se a partir de dois movimentos europeus do final do século XVII — o puritanismo inglês e o pietismo continental. Os puritanos contribuíram com ênfase na conversão visível. Esperava-se que adultos ou crianças mais velhas fossem capazes de contar a história de como se conscientizaram de sua pecaminosidade e de sua consequência final – a morte – e como se tornaram cristãos como resultado. Os puritanos frequentemente descreviam o evento de se tornar um cristão como o “Novo Nascimento”. Em outros momentos e lugares, tem sido descrito como “confiar em Cristo”, “experimentar a salvação”, tomar uma “decisão por Cristo” ou “nascer de novo”.
[2] N.T.: O banco dos enlutados, também conhecido como propiciatório ou banco da ansiedade, nas igrejas metodistas e outras igrejas cristãs evangélicas, é um banco localizado em frente à capela-mor. A prática foi instituída por John Wesley, o fundador da Igreja Metodista. Indivíduos se ajoelham no banco dos enlutados para experimentar o Novo Nascimento e alguns dos que já tiveram o Novo Nascimento vão lá para receber a inteira santificação, enquanto outros, especialmente apóstatas, usam o banco dos enlutados para confessar seus pecados e receber o perdão, em para continuar o processo de santificação. No banco dos enlutados, os indivíduos recebem conselhos espirituais de um ministro. De acordo com a doutrina da mortificação da carne, os penitentes não se ajoelham em almofadas de joelhos, mas sim no chão. Hoje, muitas, mas não todas, as igrejas metodistas suplantam o banco dos enlutados com trilhos da capela-mor, onde os metodistas (assim como outros cristãos evangélicos) recebem a Sagrada Comunhão, além de experimentar o novo nascimento, arrepender-se de seus pecados e orar.
Pensando sobre os “Fogos de São João”, apresentam-se vários aspectos sobre o tema, como de símbolos, de uma história verídica e, também, mística, em que a pessoa que chamamos São João, o Batista, está envolvida. A humanidade está intimamente ligada a essa pessoa, eminentemente desenvolvida, através dos milênios do passado.
Pela história bíblica sabemos que São João, o Batista, era o último dos Profetas em Israel, filho do sumo sacerdote Zacarias e de sua esposa Isabel. Isso consta nos Evangelhos. Max Heindel informa em seus estudos, como Elias, Profeta que existiu 700 anos antes da Era Cristã, como João Batista, era capacitado de dotes espirituais poderosos em vidas anteriores, por haver formado em si o Verbo Divino, a Vida Divina no ser humano.
Podemos ver essa afirmativa no segundo Capítulo 2, versículo 5, do Segundo Livro dos Reis, que diz o seguinte: “Os irmãos profetas que moravam em Jericó aproximaram-se de Eliseu e lhe disseram: ‘Sabes que hoje Iahweh vai levar teu mestre por sobre tua cabeça?’. Ele respondeu: ‘Sei; calai-vos’”.
Por essa conversa íntima entre os filhos dos Profetas (veja todo o segundo Capítulo[1]) a respeito de Elias (João Batista) com o Profeta Eliseu, podemos avaliar a sua educação espiritual. Eliseu, como discípulo de Elias, tinha conhecimentos sobre o afastamento de Elias da Terra num turbilhão de Fogo (“carro e cavalos em fogo”, versículo 11[2]) que separou o Mestre de seu Discípulo. Elias afasta-se em um redemoinho de fogo da Terra.
Os fatos acima tiveram relação fundamental na Anunciação do nascimento, vida e morte de São João Batista. A Anunciação da Concepção com Isabel foi feita em circunstâncias de ‘Fogos espirituais’, pois o Anunciador, o Anjo Gabriel, do plano do Espírito Santo, foi escolhido para essa sublime missão; foi o mesmo, que mais tarde, meses após, anunciaria a Maria a Concepção de seu filho Jesus. Zacarias e Isabel, como também José e Maria, em relação à Anunciação, ensinam que as personagens tinham Iniciações dos planos do Espírito de Vida, pois se aproximava a eles o Anjo Gabriel. Os Corpos Densos e suprafísicos deles mesmos tinham alcançado qualidades, onde a esfera Angelical os tangia.
O que nos importa nesses acontecimentos, puramente esotéricos, é sabermos a respeito de Elias em sua “ascensão fogosa” 700 anos A.C. e se manifestando mais tarde, no tempo de Cristo, como de anunciador d’Ele num fulgor de Verbo espiritual, anunciando a vinda “Daquele que havia de vir”, a quem prepararia o caminho, pregando as sábias palavras do arrependimento. Pois, clamava, que sem o arrependimento não haveria acesso do Salvador para suas almas. Disse que não haveria mais perdão por meio dos sacrifícios dos animais.
Sabemos perfeitamente, como Estudantes Rosacruzes, que o arrependimento resulta em nossos Corpos de Desejos, onde reside o fogo inferior dos desejos e da nossa Mente inferior, o limite para a ascensão aos planos de Deus. Os fogos inferiores dos Corpos de Desejos, com o meio do arrependimento, devem-se dar a purificação, resultando a ascensão para os “fogos espirituais do Espírito de Vida de Cristo, e de Seu Pai”.
Pensando sobre símbolos, mesmo tratando-se de datas, que se apresentam ao Estudante Rosacruz, no fato de Isabel concebendo João Batista (Elias), seis meses antes de Maria conceber a do Jesus, espírito que guiava o Rei Salomão, e antes de 3000 anos da Era Cristã, o guia espiritual da antiga Índia denominado Krishina, mostra por meio destes acontecimentos históricos-religiosos-espirituais, o valor que representam na evolução humana.
Colocando as datas calendários a nossa frente, dia 21 de junho para o nascimento de São João Batista, e Jesus no dia 24 de dezembro verificamos, em linha reta, a oposição dos Signos Zodiacais com os seus devidos Regentes. Encontramos o Signo de Câncer com o seu Regente, a Lua, para João Batista-Elias, e o Signo de Capricórnio, Regente de Saturno, para Jesus. Essa linha aparentemente oposta trata do equilíbrio dentro do Sistema Solar. Não é uma oposição cósmica, pelo contrário, uma harmonia perfeita, Água-Terra; sabemos que o Sol deriva do Período Saturno do Pai, e entra em seu avanço evolutivo ao Período Lunar. Mostra-se a Trindade. Havemos o perfeito equilíbrio, Sol em Câncer e em Capricórnio. Saturno-Sol-Lua. No plano Solar entra em função os Solstícios nas datas acima. As forças solares interligam-se às condições gerais da Terra.
Procurando a ligação entre os eminentes personagens em foco, Jesus-João Batista, verificamos que eles foram, pela Hierarquia, escolhidos para serem utilizados como conciliadores entre os seres humanos da Terra e os demais exaltados elementos celestiais.
Podemos também pensar, com base nos estudos, que eles não tinham mais necessidade de renascer por causa de sua Ressurreição em tempos passados, como dito, em um redemoinho de fogo. Para Jesus-Salomão seria o mesmo sentido de aplicar. Os Solstícios coincidem com seus renascimentos constantes em planos de revoluções solares, os quais incitam os tempos propícios para as Iniciações dos seres humanos da Terra.
Voltando para explicar a nossa preocupação a respeito da salvação da humanidade, verificamos, ainda, fora das palavras do arrependimento, as sábias palavras de São João Batista, que dizem, “Eu batizo com água. No meio de vós, está alguém que não conheceis, aquele que vem depois de mim, do qual não sou digno de desatar a correia da sandália” (Jo 1:26-27), e Ele batiza com fogo.
Percebemos, nisso, que a divisa seria o Batismo do Fogo e do Espírito resultante do arrependimento. Mais logo haveria o batismo da Água e do Fogo, da água da Vida-do Corpo de Cristo ligado ao Espírito Santo. Cristo bem disse à Samaritana na fonte quando solicitava água que, se Ele ofereceria água, nunca mais sentiria sede, e haveria alcançado a Vida Eterna (a longa vida dos alquímicos, a Pedra Filosofal, que é o Cristo). Por meio do arrependimento assegura-se a mutação, a transfiguração do ser humano, a sua incorruptibilidade no corpo de Cristo.
(de F. PH. Preuss – Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)
(Pintura: John Baptist Birth – de Bartolomé-Esteban Murillo)
[1] N.T.: Segundo Capítulo do Segundo Livro dos Reis: 1Eis o que aconteceu quando Iahweh arrebatou Elias ao céu no turbilhão: Elias e Eliseu partiram de Guilgal, 2e Elias disse a Eliseu: “Fica aqui, pois Iahweh me enviou até Betel”; mas Eliseu respondeu: “Tão certo como Iahweh vive e tu vives, não te deixarei!”. e desceram a Betel. 3Os irmãos profetas que moravam em Betel foram ao encontro de Eliseu e disseram-lhe: “Sabes que hoje Iahweh vai levar teu mestre por sobre tua cabeça?”. Ele respondeu: “Sei; calai-vos”. 4Elias lhe disse: “Eliseu, fica aqui, pois Iahweh me envia só até Jericó”; mas ele respondeu: “Tão certo como Iahweh vive e tu vives, não te deixarei!”. E foram para Jericó. 5Os irmãos profetas que moravam em Jericó aproximaram-se de Eliseu e lhe disseram: “Sabes que hoje Iahweh vai levar teu mestre por sobre tua cabeça?”. Ele respondeu: “Sei; calai-vos”. 6Elias lhe disse: “Fica aqui, pois Iahweh me envia só até o Jordão”; mas ele respondeu: “Tão certo como Iahweh vive e tu vives, não te deixarei!”. E partiram os dois juntos. 7Cinquenta irmãos profetas foram também e ficaram parados a distância, ao longe, enquanto eles dois se detinham à beira do Jordão. 8Então Elias tomou seu manto, enrolou-o e bateu com ele nas águas, que se dividiram de um lado e de outro, de modo que ambos passaram a pé enxuto. 9Depois que passaram, Elias disse a Eliseu: “Pede o que queres que eu faça por ti antes de ser arrebatado da tua presença”. E Eliseu respondeu: “Que me seja dada uma dupla porção do teu espírito!”. 10Elias respondeu: “Pedes uma coisa difícil: todavia, se me vires ao ser arrebatado da tua presença, isso te será concedido; caso contrário, isso não te será dado”. 11E aconteceu que, enquanto andavam e conversavam, eis que um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu no turbilhão. 12Eliseu olhava e gritava: “Meu pai! Meu pai! Carro e cavalaria de Israel!”. Depois não mais o viu e, tomando suas vestes, rasgou-as em duas. 13Apanhou o manto de Elias, que havia caído, e voltou para a beira do Jordão, onde ficou. 14Tomou o manto de Elias e bateu com ele nas águas, dizendo: “Onde está Iahweh, o Deus de Elias?”. Bateu nas águas, que se dividiram de um lado e de outro, e Eliseu atravessou o rio. 15Os irmãos profetas viram-no a distância e disseram: “O espírito de Elias repousa sobre Eliseu!”.; vieram ao seu encontro e se prostraram por terra, diante dele. 16Disseram-lhe: “Há aqui com teus servos cinquenta homens valentes. Permite que saiam à procura de teu mestre; talvez o Espírito de Iahweh o tenha arrebatado e lançado sobre algum monte ou em algum vale”. Mas ele respondeu: “Não mandeis ninguém”. 17Mas eles o importunaram a ponto de aborrecê-lo, e, então, disse: “Mandai!”. Mandaram, pois, cinquenta homens, que procuraram Elias durante três dias, sem encontrá-lo. 18Voltaram para junto de Eliseu, que tinha ficado em Jericó, o qual lhes disse: “Não vos dissera eu que não fôsseis?” 19Os homens da cidade disseram a Eliseu: “A cidade tem um ambiente agradável, como bem pode ver, o meu senhor, mas suas águas são ruins e tornam o país estéril”. 20Disse ele: “Trazei-me um prato novo e ponde nele sal”; e eles lho trouxeram. 21Ele foi à fonte das águas, lançou-lhe sal e disse: “Assim fala Iahweh: Eu saneio estas águas e elas não mais causarão nem morte nem esterilidade”. 22E as águas se tornaram sadias até hoje, segundo a palavra que Eliseu pronunciara. 23De lá subiu a Betel; ao subir pelo caminho, uns rapazinhos que saíram da cidade zombaram dele, dizendo: “Sobe, careca! Sobe, careca!”. 24Eliseu virou-se, olhou para eles e os amaldiçoou em nome de Iahweh. Então saíram do bosque duas ursas e despedaçaram quarenta e dois deles. 25Dali foi para o monte Carmelo e depois voltou para Samaria.
[2] N.T.: “11E aconteceu que, enquanto andavam e conversavam, eis que um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu no turbilhão.”
Por Max Heindel
Algum tempo atrás eu tive o privilégio de falar com vocês sobre o assunto “a nota-chave do Cristianismo” e no decorrer dessa palestra trouxemos à nossa Mente o encontro de Pilatos com Cristo, em que a grande e importante pergunta foi feita: “O que é a verdade?”. Vamos olhar para essa imagem mais uma vez. Lá está Pilatos, o representante de César e, em virtude desse fato, uma encarnação do mais alto poder temporal, um governante de todo o mundo com poder sobre a vida e a morte, um homem diante de quem todos tremem. Diante dele está o Cristo, manso e humilde, mas muito maior, pois enquanto esse homem, Pilatos, tem poder sobre o mundo presente, que é evanescente e temporal, ele mesmo está sujeito à morte. Mas Cristo é o Senhor da Vida, o Príncipe de um Reino espiritual que não passa. Ele não responde à pergunta de Pilatos, “O que é a verdade?”, mas em outra ocasião, ele disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”[1]; e “A Verdade vos libertará”[2].
Não se pode negar que estamos agora sob a lei do pecado e sujeitos à morte. A grande questão é, portanto: como encontrar a verdade que nos libertará real e verdadeiramente? Com o propósito de encontrar o caminho, vamos dar uma olhada na aurora dos tempos, quando a humanidade infantil veio pela primeira vez à Terra. De acordo com a Bíblia, uma névoa subiu da Terra quando a crosta do Planeta, que esfriava, secou; quando olhamos para essa Época na Memória da Natureza, encontramos um maravilhoso crescimento tropical de tamanho gigantesco cobrindo a bacia da Terra onde agora está o Oceano Atlântico. Realmente, era um verdadeiro jardim, mas a névoa era tão densa que a luz do Sol nunca poderia penetrá-la; então a humanidade infantil vivia nesse paraíso como filhos do Grande Pai. Eles tinham corpos nessa Época como têm agora, mas não tinham consciência deles, embora pudessem usá-los, assim como usamos nosso aparelho digestivo sem estarmos conscientes disso. E embora eles fossem incapazes de ver fisicamente, a visão espiritual era uma faculdade ainda possuída por todos. Assim eles se viam alma-a-alma; não havia malícia nem hipocrisia, mas a verdade estava com todos.
Gradualmente, no entanto, a névoa clareou e se tornou uma enorme nuvem, envolvendo o Planeta. Simultaneamente, esses “filhos da névoa”, os Niebelungos, começaram a se ver vagamente; tornaram-se cada vez mais “internalizados” em seus Corpos Densos e perceberam finalmente que esse veículo é uma parte do ser humano. Contudo, ao mesmo tempo, eles gradualmente perderam contato com os Mundos espirituais; já não viam a alma com clareza e até mesmo a voz das Hierarquias espirituais, que antes os guiavam como um pai guia seus filhos, tornou-se fraca e vaga. Com o passar do tempo, a nuvem que pairava sobre esse vale havia se condensado o suficiente na atmosfera fria, de um tão denso que se liquefez e caiu sobre a Terra em diversos dilúvios que levou esses “filhos da névoa” até as terras altas, onde, na atmosfera clara e sob arco-íris, eles se viram cara-a-cara pela primeira vez. Gradualmente a grande ilusão de que “somos corpos” tomou conta de tudo; a alma não era mais vista, nem podiam eles ouvir a voz do Grande Pai que cuidou deles durante sua infância, naquele estado paradisíaco. A humanidade ficou órfã, à deriva no deserto do mundo. A vida tornou-se uma luta contra a Morte.
Logo, a maioria da humanidade parecia esquecer que havia um estado tão feliz, embora a história vivesse em canções, em lendas, e houvesse, como ainda há, em cada peito humano um profundo e inerente reconhecimento dessa verdade, uma memória de algo que se perdeu, algo mais precioso do que qualquer coisa que o mundo possa dar. E há, portanto, em cada peito humano um profundo anseio por aquela companhia espiritual que perdemos pela identificação com nossas naturezas inferiores. Encontramos uma encarnação desse anseio no Tannhauser[3], que entrou no Monte de Vênus para satisfazer seu desejo inferior. Depois de algum tempo, ele anseia pelo mundo que deixou e implora a Vênus que permita que ele parta para que possa desfrutar novamente do sofrimento, das torturas de um amor não correspondido, pois ele se cansou do que ela lhe deu gratuitamente. Como ele diz:
Um Deus pode amar sem cessar,
Mas sob as leis do alternar,
Nós, mortais, precisamos em medida ter
Nossa parcela de dor, assim como de prazer.
Esse foi o propósito quando a humanidade foi conduzida da Atlântida[4] para a presente Era do arco-íris[5]; a Lei da Alternância foi dada para que possamos colher como semeamos (Gl 6:7), para que a tristeza e a alegria mudem conforme as estações se sucedem em uma sequência ininterrupta; e, assim, deve continuar até que o sofrimento gerado por nossas transgressões tenha demolido a crisálida que agora mantém a alma agrilhoada, enquanto a natureza inferior se alimenta das cascas da materialidade. A princípio, a humanidade se deleitou com o poder sobre o mundo e nasceu o orgulho da vida; a luxúria dos olhos era grande, mas, embora “os moinhos dos Deuses moam lentamente, eles moem extremamente bem”[6]; mesmo que possamos alcançar o poder, embora a saúde e a prosperidade possam ser nossos servos hoje, chegará um dia em que, como Fausto[7], sentiremos que a vida não tem valor. Então começa a luta de que Fausto fala a seu amigo Wagner com as seguintes palavras:
Tu, por um único impulso, és possuído;
Inconsciente do outro ainda permanece.
Duas almas estão lutando em meu peito
E batalham lá pelo reinado indiviso.
Uma pela terra, com desejo apaixonado,
E a roupa bem colada ainda adere;
Acima da névoa a outra aspira
Com ardor sagrado a esferas mais puras.
São Paulo também descobre que há dentro dele uma natureza inferior, “os desejos da carne”[8], que luta contra as ânsias e os desejos do espírito, mas Goethe, com a maravilhosa penetração do Místico, resolve o grande problema para nós. À pergunta “O que devemos fazer para que possamos alcançar a libertação?”, ele responde:
De todo poder que mantém a alma acorrentada,
O homem se liberta quando o autocontrole ele ganha na sua Jornada.
Podemos, como Pilatos, ter autoridade, talvez não tão grande autoridade. Mas, mesmo supondo que fosse possível a qualquer um de nós se tornar um “governante do mundo” e exercer autoridade sobre a vida e a morte de toda a humanidade, de que isso nos serviria, se não fôssemos capazes de conquistar e controlar a nós mesmos? Por meio de agressão física, César, o mestre de Pilatos (a quem ele representa) conquistou o mundo e todos lhe prestaram homenagens; mesmo assim o seu reino durou apenas alguns anos. Então, o sombrio espectro da morte veio para acabar com sua vida e seu domínio no Mundo Físico. Olhe para o outro, o Cristo, que permaneceu manso e humilde, mas capaz de dizer: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; (…) todo aquele que crê em Mim não perecerá, mas terá a vida eterna”[9]. O governante do mundo, apesar de todo o seu poder e pompa aparentes, ainda está sujeito à morte, mas Aquele que aprendeu a ter poder sobre si mesmo, Aquele que conquistou sua natureza inferior, o corpo de morte, assim se fez ele mesmo o Senhor da Vida, com um reino que é eterno nos Céus. E é dever de cada um de nós seguir Seus passos, pois Ele disse: “estas coisas que eu faço vós também as fareis e maiores”[10]. Cada um de nós é um Cristo em formação, um vencedor no sinal da cruz.
E quando será isso? Quando o sentimento do egoísmo aprisionou o espírito no corpo, perdemos a alma de vista e a morte se tornou nossa porção. Assim que superarmos esse sentimento de egoísmo pelo altruísmo, assim que abandonarmos e esquecermos de nós mesmos e formos iluminados pelo Espírito Universal, teremos vencido o grande inimigo. Então, estaremos prontos para subir na cruz e voar para as esferas mais altas com aquele glorioso grito de triunfo: “Consummatum est” — foi realizado.
O Caminho é pelo Serviço. A verdade é que pelo serviço servimos a nós mesmos, pois todos somos um em Cristo. A Vida é a Vida do Pai, em Quem nós vivemos, nós nos movemos e existimos, e em Quem, consequentemente, não pode haver morte.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto/1917 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Jo 14:6
[2] N.T.: Jo 8:32
[3] N.T.: Tannhäuser und der Sängerkrieg aus Wartburg (Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg, em alemão) é uma ópera em três atos com a música de Richard Wagner, e com o libreto do próprio compositor, de 1845. A ação decorre ao pé de Wartburg, terra de grandes cavaleiros trovadores, onde se realizavam pacíficos concursos de canto, no século XIII. Reza a lenda que ao pé de Wartburg existia o monte de Vênus onde a bela deusa atraía e mantinha cativos no puro deleite, os cavaleiros trovadores. Tannhäuser caiu na quentes garras de Vênus. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[4] N.T.: na Época Atlante
[5] N.T.: a presente Época Ária
[6] N.T.: antigo provérbio alemão
[7] N.T.: Fausto (em alemão: Faust) é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado. É considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[8] N.T. Rm 13:14
[9] N.T.: Jo 14:6 e 11:25
[10] N.T.: Jo 14:12
No princípio desse Grande Dia de Manifestação, Deus nos diferenciou dentro de si mesmo e nos deu o nome de Espíritos Virginais. Por isso que se diz que: “Em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”
Como lemos em no Livro do Gênesis: 1:26: “Os Elohim disseram: ‘Façamos o homem à nossa imagem e segundo nossa semelhança’”.
Com isso, todas as qualidades de Deus estão contidas em cada um de nós, ainda que latentes. Além delas também há um atributo importante de Deus contido em cada um de nós: o germe da vontade que torna possível originarmos novas causas, exercitando nosso poder criador. Assim, durante a Evolução essas qualidades latentes vão se transformando em poderes dinâmicos, enquanto a vontade independente produz a chamada Epigênese, a qual dá a Evolução algo mais que o simples desdobramento ou desenvolvimento de qualidades latentes.
Deus, nosso criador, é Uno. É assim que ele se apresenta no Seu Mundo, o Mundo de Deus. Quando deseja se manifestar torna-se Trino, torna-se Tríplice: Vontade, Sabedoria e Atividade.
Como nós fomos criados à Sua imagem e semelhança, também, quando não manifestado, somos uno: um Espírito Virginal. É assim que nos apresentamos no nosso Mundo, o Mundo dos Espíritos Virginais, no nosso Plano Cósmico, o primeiro Mundo logo abaixo do Mundo de Deus (veja detalhes nos diagramas 6 e 14 do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos).
Quando nos manifestamos, tornamo-nos Tríplice:
.. Espírito Divino, imagem e semelhança da Vontade – Deus Pai.
.. Espírito de Vida, imagem e semelhança da Sabedoria – Deus Filho.
.. Espírito Humano, imagem e semelhança da Atividade – Deus Espírito Santo.
Deus se manifesta na criação. Criando os Mundos e tudo que neles há. Diferenciando dentro de Si tudo que hoje existe. Mundos esses que são campos de oportunidade de evolução para as infinitas formas de vida. Ele é o Macro e o Microcosmo.
Nós, criados a Sua imagem e semelhança, mas como Deuses em formação, nos manifestamos na peregrinação pelos diversos Mundos que ele criou.
Como diz São Paulo em sua Epístola aos Romanos 8:16-17: “… somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros: herdeiros de Deus”. Somos o microcosmos.
Diz uma lenda que quando Deus criou os Mundos, disse aos Espíritos Virginais: “Meus filhos, eis a nossa morada. Percorra-a e conheça tudo que nela há. Pois, Eu a fiz para vocês”. E nós, filhos obedientes e cheios de gratidão, iniciamos a nossa peregrinação.
Lógico que em nosso Mundo (Mundo dos Espíritos Virginais) estávamos mais bem acomodados. Tínhamos a consciência divina. Mas não a consciência do “eu”, de indivíduos separados. Éramos omniscientes como Deus, mas não conscientes de nós mesmos.
Deus tem essa consciência individual. A consciência de diferenciar Ele de outro Deus de outro Sistema Solar. E aqui encontramos o objetivo dessa peregrinação pelos Mundos que Deus nos criou: tornarmo-nos conscientes de nós mesmos, como indivíduos separados. Convertendo-nos, Espíritos Virginais, em seres humanos e depois em Deuses.
Afinal, como disse S. Paulo: “Não sabeis que sois Deus em formação?”
Contudo, em que consiste essa peregrinação?
Simplesmente, na nossa passagem pelos cinco Mundos mais densos situados logo abaixo do nosso Mundo, o Mundo dos Espíritos Virginais.
E quais são eles?
A passagem por esses Mundos tem como objetivos:
1-conhecermos como eles funcionam,
2-conhecermos para que servem,
3-conhecermos quais são as leis que os regem
E, principalmente, para mostrarmos ao nosso Deus, nosso criador, a gratidão que o temos por nos dar essa oportunidade de evolução.
Ora, para podermos passar por cada um desses Mundos existe uma Lei Cósmica que diz: “Nenhum ser, por mais elevado que seja, pode funcionar em qualquer Mundo sem um veículo construído com material desse Mundo”. Um exemplo claro está aqui quando da necessidade da cessão dos Corpos Vital e Denso de Jesus para que Cristo pudesse aparecer entre nós.
Assim, tínhamos que ter um veículo construído com material de cada um desses Mundos.
Então, vejamos:
¨ Para o Mundo do Espírito Divino, temos a nossa expressão como Espírito Tríplice: o veículo Espírito Divino
¨ Para o Mundo do Espírito de Vida, temos a nossa expressão como Espírito Tríplice: o veículo Espírito de Vida
¨ Para a Região Abstrata do Mundo do Pensamento, temos a nossa expressão como Espírito Tríplice: o veículo Espírito Humano
Todavia, e para a Região Concreta do Mundo do Pensamento, para o Mundo do Desejo e o Mundo Físico?
Não tínhamos veículos próprios. Além disso, não sabíamos como construí-los. Tudo bem, tínhamos veículos para o Mundo do Espírito Divino, Mundo do Espírito de Vida e a Região Abstrata do Mundo do Pensamento, mas não sabíamos como trabalhar lá. E o que dizer do Mundo do Desejo e do Mundo Físico que nem veículos tínhamos?
Aqui entra a regra de ouro que permeia toda a evolução em todo o Universo: “O Serviço amoroso e desinteressado para com os outros”.
Em outras palavras: desde o início de tudo fomos ajudados, de um modo que sem essa ajuda não teríamos condições sequer de começar. Desde aqui começa a nossa ingratidão. Pois se estivéssemos conscientes da imensa importância dessa ajuda, o serviço amoroso e desinteressado seria praticado em nossas vidas como um hábito qualquer, sem a necessidade do mais mínimo esforço, mas… um dia aprenderemos.
Afinal, quem nos ajudou?
Como sempre acontece nessas horas, em qualquer Esquema de Evolução, seres mais superiores na escala evolutiva que nós.
Na terminologia Rosacruz esses seres são conhecidos como:
¨ Hierarquias Divinas ou Hierarquias Criadoras
¨ Ou Jerarquias Divinas ou Jerarquias Criadoras
.. Ou, ainda, Hierarquias Zodiacais ou Hierarquias Divinas
Primeiro, penetramos no Mundo do Espírito Divino. Lembrem-se, já tínhamos o veículo: o Espírito Divino. Faltava somente saber como utilizá-lo. Afinal não sabíamos como se manifestar.
Aí apareceu a primeira Hierarquia Criadora, chamada Senhores da Chama. Assim chamados devido:
¨ à brilhante luminosidade dos seus corpos
¨ aos seus grandes poderes espirituais
Encontramos na Bíblia com o nome de Tronos na Epístola de São Paulo aos Colossenses 1:16.
Emitindo uma fortíssima luz dos seus corpos, projetavam suas imagens sobre a superfície desse nosso Planeta Terra. E através dessas projeções implantou na nossa vida evolucionante o Átomo-semente do nosso Corpo Denso. Através desse Átomo-semente é que podemos agregar os materiais dessa Região Química do Mundo Físico (sólidos, líquidos e gasosos) e, assim, construir um Corpo Denso (o nosso corpo físico).
Portanto, devemos a possibilidade de construir um Corpo Denso a Hierarquia Criadora dos Senhores da Chama.
Mas, eles fizeram mais. Foram eles que nos ajudaram:
¨ a penetrar no Mundo do Espírito Divino
¨ a despertar o nosso veículo Espírito Divino, para podermos funcionar nesse Mundo
Está aqui o porquê da relação entre o Espírito Divino e o Corpo Denso.
Depois, penetramos no Mundo do Espírito de Vida. Lembrem-se, já tínhamos o veículo: o Espírito de Vida. Faltava somente saber como utilizá-lo. Afinal não sabíamos como se manifestar.
Então apareceu a segunda Hierarquia Criadora, chamada Senhores da Sabedoria.
Encontramos na Bíblia com o nome de Dominações na Epístola de São Paulo aos Colossenses 1:16.
Emitindo uma fortíssima sugestão dos seus corpos, projetavam suas imagens sobre a superfície desse nosso Planeta Terra. E através dessas projeções implantou na nossa vida evolucionante o Átomo-semente do nosso Corpo Vital. Através desse Átomo-semente é que podemos agregar os materiais dessa Região Etérica do Mundo Físico (Éter Químico, de Vida, Luminoso e Refletor) e, assim, construir um Corpo Vital.
Portanto, devemos a possibilidade de construir um Corpo Vital a Hierarquia Criadora dos Senhores da Sabedoria.
Agora, nesse momento tínhamos, também, que ser ajudados para despertar o nosso veículo Espírito de Vida.
Para isso, recebemos ajuda de outra Hierarquia: são conhecidos como Querubins, seres mais desenvolvidos que os Senhores da Sabedoria.
Foram eles que nos ajudaram a:
¨ a penetrar no Mundo do Espírito de Vida
¨ a despertar o nosso veículo Espírito de Vida, para podermos funcionar nesse Mundo
Está aqui o porquê da relação entre o Espírito de Vida e o Corpo Vital.
Está aqui, também, porque foram os Querubins que se prostraram na porta do Jardim do Éden quando fomos de lá expulsos.
Como lemos no Livro do Gênesis: 3:23-24:
“O Senhor Deus expulsou-o do jardim do Éden, para que ele cultivasse a terra donde tinha sido tirado. E expulsou-o; e colocou ao oriente do Jardim do Éden Querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida”
Em seguida, penetramos na Região Abstrata do Mundo do Pensamento. Lembrem-se, já tínhamos o veículo: o Espírito Humano. Faltava somente saber como utilizá-lo. Afinal não sabíamos como se manifestar.
Então apareceu outra Hierarquia Criadora, chamada Senhores da Individualidade.
Encontramos na Bíblia com o nome de Virtudes na Epístola de São Paulo aos Colossenses 1:16.
Emitindo a substância formadora dos seus corpos, implantou na nossa vida evolucionante o Átomo-semente do nosso Corpo de Desejos. Através desse Átomo-semente é que podemos agregar os materiais do Mundo do Desejo (emoções, sentimentos, desejos) e, assim, construir um Corpo de Desejos.
Portanto, devemos a possibilidade de construir um Corpo de Desejos a Hierarquia Criadora dos Senhores da Individualidade.
Agora, nesse momento, tínhamos, também que sermos ajudados para despertar o nosso veículo Espírito Humano.
Para isso, recebemos a ajuda de outra Hierarquia: são conhecidos como Serafins, seres mais desenvolvidos que os Senhores da Individualidade.
Foram eles que nos ajudaram a:
¨ a penetrar no Mundo do Pensamento, mais precisamente: na Região do Pensamento Abstrato
¨ a despertar o nosso veículo Espírito Humano, para podermos funcionar na Região Abstrata do Mundo do Pensamento
Está aqui o porquê da relação entre o Espírito Humano e o Corpo de Desejos.
Daqui por diante perdemos definitivamente a nossa omnisciência. Vimo-nos forçados a dirigir a nossa consciência para dentro, ali encontrando-nos separados e à parte de todos os outros.
E foi assim que nos vimos encerrados dentro de um tríplice véu.
O véu externo, o Espírito Humano, cerrou a consciência ao sentimento da unidade da Vida convertendo-nos em Ego, seres separados, prontos para sermos indivíduos.
Até esse ponto o que tínhamos para funcionar?
.. Um Corpo Denso
.. Um Corpo Vital
.. Um Corpo de Desejos
.. Um Espírito Divino
.. Um Espírito de Vida
.. Um Espírito Humano
Ainda tínhamos mais uma Região para penetrarmos: a Região Concreta do Mundo do Pensamento.
Percebam que essa Região é que liga os Mundos inferiores:
.. Região Química do Mundo Físico
.. Região Etérica do Mundo Físico
Aos Mundos superiores:
.. Mundo do Espírito Humano
Então apareceu outra Hierarquia Criadora, chamada Senhores da Mente.
Encontramos na Bíblia com o nome de Poderes das Trevas na Epístola de São Paulo aos Colossenses 1:16.
Nesse nosso Período Terrestre, essa Hierarquia alcançou o estado de Criador, um Deus Criador.
Emitindo a substância formadora dos seus corpos, implantou na nossa vida evolucionante o Átomo-semente da nossa Mente. Através desse Átomo-semente é que podemos agregar os materiais da Região Concreta do Mundo do Pensamento (pensamentos-formas) e, assim, construir uma Mente.
Portanto, devemos a possibilidade de construir uma Mente à Hierarquia Criadora Senhores da Mente.
Com a Mente tornamo-nos capazes de focalizar e podemos focalizar nossos propósitos ou objetivos, enquanto Egos, em nossos veículos mais densos, pois precisávamos de algo que unisse o nosso Tríplice Espírito a esse Tríplice Corpo. Ela é o meio de união entre a Personalidade e a Individualidade, nós, o Ego.
E, assim, graças a um belo Serviço amoroso e desinteressado estamos aqui podendo evoluir, construir a nossa Tríplice Alma, fruto do nosso trabalho no nosso Tríplice Corpo.
Graças a esse serviço prestado é que temos o exemplo a seguir de: “o Serviço Amoroso e desinteressado para com os outros é o caminho mais curto, mais seguro e o mais agradável que nos conduz a Deus”.
Ah! E que fim deram essas Hierarquias Criadoras?
.. Os Senhores da Chama, os Querubins e os Serafins elevaram-se da existência limitada à libertação
.. Os Senhores da Sabedoria, que nos ajudaram com o nosso Espírito de Vida, evoluíram e nos ajudam até hoje desenvolvendo o nosso veículo Espírito Divino
.. Os Senhores da Individualidade, que nos ajudaram com o nosso Espírito de Humano, evoluíram e nos ajudam até hoje desenvolvendo o nosso veículo Espírito de Vida
.. Outra Hierarquia apareceu, conhecida como Senhores da Forma, e nos ajudam até hoje desenvolvendo o nosso veículo Espírito Humano
.. Os Senhores da Mente continuam nos ajudando nesse veículo mais recente, a Mente
.. O nosso Corpo de Desejos, dado pelos Senhores da Individualidade, são objetos de ajuda da Hierarquia Criadora dos Arcanjos
.. E o nosso Corpo de Vital, dado pelos Senhores da Sabedoria, são objetos de ajuda da Hierarquia Criadora dos Anjos
Faltou um veículo. Qual? O Corpo Denso.
Pois é, qual a Hierarquia Criadora que está nos ajudando, nessa especialização de um corpo formado por sólidos, líquidos e gases?
A Hierarquia Criadora dos Espíritos Virginais, ou seja, nós mesmos!
E por quê?
Porque o mesmo serviço amoroso e desinteressado que todos esses Seres mais que Interplanetários prestaram a nós, também, estamos e sempre devemos prestar a todos os seres que necessitarem de Corpos Densos para evoluir.
Em particular, nesse momento do atual Esquema de Evolução, o Reino de vida mineral ou a Onda de Vida Mineral.
Ou seja, nessa Esquema de Evolução estamos nos desenvolvendo para sermos especialistas em construção e utilização de corpos formados de matéria da Região Química do Mundo Físico, de modo a poder ajudar Ondas de Vida que necessitam desse corpo para se manifestar nessa Região. Do mesmo modo que:
.. os Anjos são especialistas em corpos formados de matéria da Região Etérica do Mundo Físico
.. os Arcanjos são especialistas em corpos formados de matéria do Mundo do Desejo
.. os Senhores da Mente são especialistas em corpos formados de matéria da Região Concreta do Mundo do Pensamento
.. E assim por diante
Demonstremos a nossa gratidão a Deus e a todos esses Seres que nos ajudam nesse Esquema de Evolução, servindo ao irmão e à irmã no nosso entorno, sempre focando na sua divina essência e sempre da única maneira que é correta: amorosa e desinteressadamente, utilizando para isso todas as formas que temos: pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras, atos, obras e ações.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Nas Antigas Escolas de Mistérios as formas de adoração mais amplamente disseminadas foram as de Ísis, Orfeu, Dionísio, Ceres e Mitras. Muitas nações bárbaras receberam seu conhecimento dos Mistérios em honra dessas divindades. Os Mistérios de Elêusis, celebrados em Atenas, em honra de Ceres, absorveram, por assim dizer, todos os outros. Estenderam-se através do Império Romano e ainda além de seus limites. Aristides chamou-os de “o templo comum de todo o mundo”.
Não é surpreendente dar-se conta que os ensinamentos desses antigos Mistérios têm relação pelo menos com os da Ordem Rosacruz, quando se trata dos Mistérios ou Iniciações Menores. Platão afirmou que o objetivo dos Mistérios era converter a alma à sua pureza primitiva e a esse estado de perfeição o qual havia perdido. A pureza moral e a elevação da alma eram requisitos indispensáveis aos Iniciados. Esses eram considerados os únicos indivíduos afortunados, os possuidores de incomuns virtudes, talvez viessem da Índia, porque todas velhas nações eram acordes em chamar a Ásia de o “berço da raça humana”. E a Filosofia Rosacruz ensina que os Semitas Originais, a quinta Raça atlante, surgiu do continente condenado, sendo conduzida a vagar pelo deserto de Gobi, até que uma nova Terra fosse preparada para eles. Durante esse intervalo de sua peregrinação, a maioria desobedeceu às instruções recebidas, deveriam manter puro seu sangue, casando-se com as “filhas dos homens”, enquanto as tribos fiéis extraviaram-se e pereceram. Mas, embora seus corpos morressem, renasceram na Terra Prometida, tal como é hoje, na forma da Raça Ária.
A corrente de vida humana fluiu para a Índia, China, Egito, Arábia e Fenícia. Assim, os Semitas Originais chegaram a ser a semente das sete Raças da presente Época. No Egito, toda Religião, ainda que em suas piores formas, era em menor ou maior grau um Mistério. A teologia popular e superficial deixava um anelo insatisfeito nas almas. A Religião, não obstante, poderia suprir e satisfazer os pensamentos mais profundos e as aspirações do ser. Nota-se aí um paralelo com condições atuais.
A Fraternidade Rosacruz esforça-se em ensinar a Religião Cristã com a pureza dos primeiros tempos, sem obscurecê-la com a teologia e dogmatismo do Cristianismo popular. E por meio desses Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, o Estudante Rosacruz obtém o conhecimento de como se tornar um Aspirante à vida superior, se preparando para as Iniciações Menores e depois para as Iniciações Maiores ou Cristãs na Ordem Rosacruz.
Há outra coisa em comum entre os antigos Mistérios e os do nosso tempo. Os poderes reverenciados nesses Mistérios dizem respeito à realidade dos deuses da Natureza. Os Mistérios ensinavam a doutrina da Divina Unidade. A essência de todos os antigos Mistérios girava em torno do conceito de um Ser inacessível, uniforme e eterno. Eram um drama sagrado exibindo alguma lenda significativa das transformações da natureza do Universo visível, na qual se revelava a Divindade. O método da sugestão indireta por meio da alegoria ou símbolo é mais eficaz que a linguagem. O mesmo método Cristo, nosso Mestre e Salvador, usou em Suas pregações populares durante Seu ministério. Os espetáculos dos Mistérios continham sugestões, quando não lições adaptadas para contribuir à elevação do caráter dos espectadores, ensejando-lhes vislumbrar algo do propósito da existência.
Sem dúvida, as cerimônias de Iniciação foram originalmente poucas e simples. Porém, como as grandes verdades da primitiva revelação se dissiparam da memória dos povos e a perversidade estendeu-se sobre a Terra, chegou a ser necessária a discriminação, requerendo-se mais tempo de prova e experiência aos candidatos. Pelo revelado nas grandes obras pictóricas, em especial nas obras Cristãs, os escritores deduziram que os Mistérios não só existem originalmente, como também se mantiveram rodeados de uma essência de pureza.
Antigamente, as cerimônias da Iniciação celebravam-se na quietude da noite, bem no “interno” da Terra ou no centro de uma pirâmide. Inumeráveis cerimônias, algumas aterradoras e outras plenas de inspiração, foram agregadas de tempos em tempos aos símbolos dos conhecimentos originais. No livro Cristianismo Rosacruz de Max Heindel-Fraternidade Rosacruz, conferência n.º 9, lemos: “As investigações baseadas nas imperecíveis imagens encontradas na Memória da Natureza, fixam a data da construção da grande pirâmide de Gizeh em 250.000 anos A.C., aproximadamente, quando era empregada como templo de Iniciação nos Mistérios e era o lugar onde se guardava um grande talismã”.
Encontramos vários Mistérios na Idade Média. Os Trotes do norte da Rússia ensinavam uma fase dos Mistérios do mundo. Os outros eram os Cavaleiros da Távola Redonda do rei Artur, e os Druidas da Irlanda. No norte da Espanha existiu o Mistério do Santo Graal. A lenda de Parsifal faz alusão aos Santos Cavaleiros, moradores do Castelo de Monte Salvat.
Na conferência n.º 17 do livro “Cristianismo Rosacruz” lemos: “Esse Mistério era custodiado por um grupo de santos cavaleiros residentes no Castelo de Monte Salvat e seu grande propósito era proclamar à humanidade, as grandes verdades espirituais em forma inteligível, apresentando por meio de imagens o que o intelecto não poderia compreender diretamente”. Os antigos Mistérios (os da Idade Média) e os de hoje são o trabalho de grandes instrutores que nos guiam em nossa evolução.
Na Fraternidade Rosacruz, o Estudante Rosacruz pode obter uma sabedoria e compreensão incomensuráveis desde que se esforce por viver a vida.
Que possamos ser guiados na busca da perfeição, não por ganância ou vaidade pessoal, mas como trabalhadores na “Vinha do Senhor”, o Cristo, nosso Salvador.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1974-Fraternidade Rosacruz-SP)
Grande parcela do contingente da população alimenta-se mal no lar, em alguns casos por ignorância, em outros, por insuficiência de recursos financeiros.
Os fatos acima relatados deixam entrever as perspectivas de que, gradativamente, a proteína vegetal venha a substituir a animal, face ao preço elevado e inconveniências da última.
Os Estudantes Rosacruzes vislumbram, em tudo isso, o trabalho pleno de sabedoria das Forças Superiores, condutoras da nossa evolução, preparando o ser humano para novos estágios de progresso.
A ação regeneradora do Cristo, como Espírito Regente da Terra, vem purificando, de dia para dia, os veículos do Planeta. Conseguintemente, a humanidade tem a oportunidade de prover seus veículos de material cada vez mais refinado. As condições em que vivemos estão se metamorfoseando. Futuramente viveremos em outras condições ambientais, porquanto um novo elemento surgirá.
O orbe terrestre, apesar da imperfeição de seus habitantes, está se eterizando. E os Egos, à medida que renascem, têm o privilégio de construir corpos cada vez mais sutis.
Isso implica na necessidade de transformações e novas adaptações. Nossa dieta insere-se nesse contexto. Ela deve ser mais pura, mais saudável, composta, preferencialmente, de alimentos superabundantes de Éter. Ganham especial destaque, nesse quadro, as frutas e hortaliças frescas.
Nossa alimentação exige um zelo todo especial. O Corpo Denso, por ser nosso veículo mais antigo, alcançou um maior estágio de perfeição do que os outros. Vem sendo aprimorado desde o longínquo Período de Saturno, quando recebemos seu germe através de uma Hierarquia Divina, denominada pelos Rosacruzes de “Senhores da Chama”.
Tornou-se, assim, o mais útil instrumento do Espírito. Mantê-lo em bom estado constitui o dever elementar de todo Estudante Rosacruz.
Razões como essas, alinhavadas acima, justificam a enfatização da dieta vegetariana como a mais adequada à constituição do corpo humano. Todavia alguns Estudantes Rosacruzes cometem o equívoco de, simplesmente, eliminar a carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) de sua alimentação, sem proceder, racionalmente, às devidas substituições. Não basta apenas deixar de comer carne animal. É mister fazer uma cuidadosa avaliação da dieta, procurando verificar se ela atende às suas necessidades orgânicas individuais.
Ao Estudante Rosacruz, quando no cumprimento de seu programa evolutivo, cabe dar um sentido integral ao autoconhecimento. Assim, não é suficiente apenas conhecer-se mental, emocional e espiritualmente. Deve estar, também, familiarizado com a sua constituição física, a par de suas carências somáticas, etc.
À luz dessas verdades, nada mais sensato que organizar uma dieta consoante a própria formação, temperamento e tipo de atividade profissional. O Estudante Rosacruz sinceramente interessado no assunto poderá encontrar diversas fontes de informações. O Livro Conceito Rosacruz do Cosmos oferece aos leitores uma tabela de valores alimentícios, elaborada dentro de critérios absolutamente científicos, pela Universidade de Campinas – SP.
Sabemos, perfeitamente, que em cidades grandes muitas pessoas exercem suas atividades profissionais em locais bem distantes de suas residências. Não podem, dessa forma, tomar suas refeições em casa. São obrigadas a almoçar em restaurantes, cujos cardápios contêm pouquíssimos e mal constituídos pratos vegetarianos.
Atualmente há uma relação de restaurantes vegetarianos, instalados em grandes e médias cidades. Quaisquer pesquisas em sites na internet terão como resultado muitos endereços a diversos preços. Prefira esses porque é onde você tem uma maior garantia que não se utiliza recipientes onde foram trabalhados quaisquer tipos de carne, onde os temperos não têm componentes de origem animal e onde as pessoas que preparam o alimento, se também vegetarianos, possuem maior amor na lida com os alimentos, do que as pessoas que tratam das carnes dos nossos irmãos menores falecidos, os animais.
A outra opção, muito em moda, é trazer o alimento de casa, acondicionado em lindas marmitas ou recipientes apropriados.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)