Umas das maiores preocupações de qualquer pessoa que está no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz é preparar uma refeição forte, saborosa e nutritiva para ela, a fim de nutrir o melhor possível o seu Corpo Denso, o Templo de Deus. Ou seja, aliar nutrição e saúde.
Escolhidas as receitas, é importante que a mesa também seja arrumada com carinho. Não há necessidade de que as toalhas e os talheres sejam artigos de luxo. O essencial é que estejam muito bem limpos, e se possível, que haja um pequeno arranjo no centro da mesa, capaz de valorizar qualquer refeição, por mais simples que seja.
Do cardápio, devem constar alguns alimentos crus, a fim de serem aproveitadas certas substâncias indispensáveis ao bom funcionamento orgânico: as vitaminas.
O regime vegetariano, preconizado pela Fraternidade Rosacruz, é o que melhor corresponde ao nosso desenvolvimento físico, moral e intelectual. Reduz a quantidade de toxinas no organismo, não sobrecarregando o fígado e os rins.
Muitas pessoas acreditam que pelo fato de não poderem incluir carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins) na alimentação terão dificuldades para variar o cardápio. Estão enganadas. Existem milhares de ótimas receitas, sem carne animal.
Uma sugestão: substitua a carne animal pela soja. Esta tem duas vezes mais proteínas e custa bem menos.
Para preparar-se o feijão de soja, usa-se o mesmo sistema do feijão comum. Deve-se deixá-la de molho durante uma noite. Nesse período ela perde sua forma arredondada, ficando parecido com o feijão comum. Então, basta esfregá-la com as mãos, debaixo de água corrente, que as casquinhas se soltarão facilmente, tornando mais rápido o cozimento (leva mais ou menos 45 minutos em panela de pressão).
Para que a soja fique bem saborosa, é importante que seja bem temperada. Seu uso pode ser variado, em salada, bolo, biscoitinho, suflê etc.
Algumas recomendações fundamentais para nutrir bem o nosso Corpo Denso:
Para concluir nosso artigo sobre culinária vegetariana, algumas receitas fáceis e saborosas:
SALADA DE SOJA
SOJA COM MILHO VERDE
FOLHAS DE REPOLHO RECHEADAS
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)
Hoje as pessoas se preocupam muito com a alimentação, principalmente para o advento de doenças como a obesidade, o diabetes e muitos outros males que atingem cada vez mais pessoas inclusive jovens.
Uma alimentação balanceada é uma forma eficaz de prevenir doenças. Devemos nos preocupar com os radicais livres, ou seja, com o lixo que produzimos e que não são eliminados, além de água que hoje muitas vezes é contaminada, também o solo e o ar.
Os radicais livres são um perigo porque podem grudar em uma célula e acabar roubando substancias boas para nosso corpo. Em excesso, os radicais livres podem propiciar um ambiente favorável a certas doenças, entre elas: artrite, arteriosclerose, diabetes, catarata, esclerose múltipla, inflamações crônicas, disfunção cerebral, cardiopatias, enfisemas, envelhecimento precoce, câncer, doenças do sistema autoimune.
Outra preocupação é com alimentos que estimulam as alterações no sistema imunológico favorecendo as inflamações e são eles: batata frita/ bolos, biscoitos, leite (em alguns casos), manteiga industrializada, ultraprocessados, embutidos.
Podemos (e devemos) fazer uso de: chá verde, alho, aveia, cebola, brócolis, couve-flor, repolho, semente de linhaça, soja, tomate e uva, que são antioxidantes e previnem um processo inflamatório.
Precisamos criar o hábito de fazer uma “refeição colorida”, pois irão proteger nossas células contra a ação dos radicais livres, fortalecerão o sistema de defesa, irão prevenir doenças cardiovasculares, favorecer a flora bacteriana intestinal e doenças crônicas degenerativas.
CORES DO BEM NO PRATO
– Alimentos Amarelos ou Cor de Laranja: são ricos em betacaroteno e vitamina C, fundamento para a manutenção dos tecidos e cabelos. Também beneficiam a visão e favorecem a ação dos antioxidantes. São eles: mamão, cenoura, laranja, milho e abóbora.
– Cor Vermelha: Dá disposição e são indicados contra depressão, cansaço ou falta de desejo sexual. Também previnem contra o câncer e o tratamento do estresse. São eles: tomate, morango, pimentão vermelho, melancia e goiaba.
– Cor Verde: fazem a “limpeza”, nestes alimentos o pigmento (cor) responsável é a clorofila (energético celular); também desintoxica as células, inibe os radicais livres, protege os cabelos e a pele.
– Cor Marrom: são reguladores, ricos em fibras, favorecem o bom funcionamento do intestino, prevenindo a prisão de ventre. Combatem a ansiedade e a depressão. São eles: soja, arroz integral, aveia, trigo, lentilha e nozes.
– Cor Branca: são fortalecedores, fontes de potássio e cálcio, contribuem para a manutenção dos ossos. Favorecem a regulação dos batimentos cardíacos e são fundamentais para o funcionamento do sistema nervoso e dos músculos. São eles: banana, batata, couve-flor e feijão branco.
– Cor Preta e Cor Roxa: tidos como vitalidade; retardam o envelhecimento, neutralizam as substâncias cancerígenas antes que elas alterem o código genético. Auxiliam o sistema nervoso, pois favorecem a circulação e protegem o coração. São eles: ameixa, uva, jabuticaba, beterraba, repolho-roxo e alcachofra.
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:
– ÁGUA: sem ela nada é transportado adequadamente no organismo e os nutrientes não são distribuídos adequadamente nas células.
– Excesso de vitamina C: provocam cálculo renal e pedras nos rins.
– Cacau: é um dos mais potentes antioxidantes que alguém pode ingerir. Ótimo consumir chocolate amargo sem açúcar.
– Açaí: rico em antioxidantes; protege o sistema cardiovascular; ajuda no transporte do oxigênio e contribui para diminuir o estresse físico e mental; rico em minerais, principalmente potássio, cálcio e vitamina E.
– Colágeno: quando se fala em rugas, logo se pergunta sobre colágeno. Normalmente se diz que está presente nas carnes e gelatinas (feitas a partir de ossos e cartilagens bovinas), porém pode ser encontrado em: leguminosas, cereais integrais e sementes oleaginosas (castanhas, nozes e sementes).
– Contra o envelhecimento precoce: proteínas e vitamina C. Encontramos em: frutas cítricas, acerola, goiaba, mamão, kiwi, melão, morango, romã, framboesa.
– Ômega 3: encontrado no óleo de semente de linhaça e nas nozes.
– Isoflavonas: encontrado na soja e fazem a pele ganhar firmeza.
– Pele viçosa: alimente-se de maneira variada, colorida e moderada; exercite-se o corpo com caminhadas e para mente utilize a leitura, fazer palavras cruzadas; não fume, não tome bebida alcoólica.
– Vitamina C: acerola, goiaba, limão, pimentão
– Vitamina E: oleaginosas (castanhas e nozes; sementes e óleo de oliva).
– Vitamina B12: laticínios e suplementos.
– Betacaroteno: cenoura, batata-doce, abóbora, damasco e mamão.
– Ácido fólico: frutas e verduras de forma geral com “ação antioxidante”.
– Selênio: castanha do Pará.
– Zinco: cereais integrais.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
É sensato ou esquisito a pessoa que não come carne animal (mamífero, ave, peixe, réptil, anfíbio, frutos do mar e afins), não utiliza nenhuma peça que seja feita por partes de animais, nem utiliza nenhum produto que seja feito de partes de animais ou que utilizem animais como meio de testes?
Disse-me minha mãe que eu, quando criança, não queria comer carne animal. Pensava ela — e muitas pessoas há que assim julgam — que para crescer é necessário comer carne animal; por isso insistia em me dar, convencida de que eu acabaria por habituar-me a comê-la. Mas lá se vão cinquenta anos que sigo dieta isenta de toda espécie de carne animal.
Durante minha atividade de médico tenho dito aos meus clientes os motivos que me levam a lhes aconselhar um regime alimentar sem carne animal. Gosto sempre de fazer as coisas às claras.
Direi, por isso, por que sou vegetariano e julgo que vocês também devessem ser. Amo a vida e desejo viver o maior tempo possível com uma qualidade de vida aceitável. Os nossos dias são cheios de animação e acontecimentos extraordinários; eu gosto de saber o que mais nos espera no campo das descobertas. Já ultrapassei os setenta anos e dou graças a Deus por supor que os dias são curtos para tudo quanto eu desejo realizar. Desenvolvo, ainda e plenamente, a minha atividade e me sinto feliz quando posso lançar-me em outras ocupações, ainda que durante poucos minutos por dia.
Muitos dos meus pacientes que têm a minha idade já deixaram de trabalhar, mas eu não tenho desejo algum de me aposentar tão depressa. Prefiro passar os meus dias ajudando os doentes, muitos dos quais se aposentaram porque não conhecem o que tenho a felicidade de conhecer. E não quero esconder de qualquer pessoa esse meu conhecimento.
Tenho estudado durante muitos anos e observado demoradamente as doenças e suas causas. Estou convencido de que, se durante a minha vida eu me tivesse alimentado com carne, hoje estaria demasiado velho para exercer a minha profissão. Um médico deve ter a mente lúcida e uma reserva de energias, sempre.
Os alimentos com base na carne animal apressam a velhice e provocam cansaço. A idade, mais do que um fator do tempo, é uma condição do organismo. O processo do envelhecimento varia de povo para povo. Há pouco tempo fui chamado para ver dois doentes que tinham, cada um deles, os seus cinquenta anos. Ambos, embora com essa idade, já pareciam velhos e não mais estavam em condições de trabalhar. O fumo e as bebidas alcoólicas tinham feito a sua parte, mas a carne animal tampouco ficara indiferente.
As células do Corpo Denso são pequenas unidades. Cada uma delas se alimenta, eliminando os resíduos e respirando oxigênio. Quando qualquer coisa se intromete nesse processo, tanto as células como os órgãos se deterioram.
Se pudéssemos remover das células do nosso Corpo Denso todos os resíduos, dando-lhes alimento adequado, facilmente teríamos vida mais prolongada. Se, pelo contrário, a substância líquida que alimenta as células for sufocada pelos resíduos, então se encurtará a vida.
Muitas pessoas que têm de efetuar trabalhos pesados acreditam que para ter muita energia seja necessário comer bifes de carne animal. No entanto, os fatos demonstram o contrário.
Há anos, o Prof. Irving Fischer declarou que, por ocasião de uma competição desportiva entre os melhores atletas de Yale contra jovens amadores vegetarianos, estes revelaram-se mais resistentes do que os atletas que se alimentavam com carne.
Johnny Weissmuller, o Tarzan do cinema e campeão mundial de natação, foi convidado para a inauguração da nova piscina da Clínica de Battle Creek, hospital relacionado com “Vida e Saúde.”
Weissmuller tinha conseguido cinquenta e seis recordes mundiais, mas durante cinco anos não conseguira um único. Seguiu, então, durante várias semanas, um regime alimentar vegetariano e assim se encontrou em condições de superar outros seis recordes mundiais de natação.
O nadador vegetariano Murray Rose, australiano, campeão mundial e vencedor dos Jogos Olímpicos, é bastante conhecido pela alimentação que adota. Desde criança nunca comeu carne animal; não só é nadador rapidíssimo, mas também a sua habilidade demonstra que quem segue a dieta vegetariana tem resistência superior.
Contudo, por que isso acontece?
É que a carne animal contém resíduos que o animal teria que eliminar. Portanto, quem come carne animal sobrecarrega-se com os resíduos que ela contém. E quando eles atingem as células do Corpo Denso, provocam fadiga e envelhecimento. Os principais produtos residuais do Corpo Denso são a ureia e o ácido úrico. Quando a carne animal é fervida, seus resíduos dissolvem-se no caldo; os resultados da análise do caldo de carne animal são, por isso, semelhantes aos da urina. A sensação de energia que um bife de carne animal parece dar — maior do que a experimentada quando se bebe uma xícara de café — é determinada pelo ácido úrico. O ácido úrico, ou trioxipurina, é muito semelhante à cafeína ou dioxipurina, tanto no nome como no efeito. Para digerir a carne animal são necessárias muitas horas, pelo que, depois de certo tempo, quando a ação estimulante cessa, sente-se uma diminuição de energia.
Disse-me um lavrador que a alimentação para vacas, rica em proteínas, aumentaria a produção de leite, mas as enfraqueceria com prejuízo para a produção. Outro perigo que ameaça os que comem carne animal são as doenças dos animais, comuns também nos seres humanos.
Disse-me a minha secretária que na fábrica em que o marido trabalha verificou-se em um ano quatro casos de leucemia (câncer) entre 124 animais. Uma vaca morreu vinte e quatro horas depois que o veterinário diagnosticou a leucemia. Sugerira ele que levassem imediatamente o animal para o matadouro, mas não foi possível, porque morrera antes.
A maior parte das vacas que não mais produz leite são levadas para o mercado e, dali, por vezes para o matadouro. Disse-me a esposa do diretor de uma grande propriedade agrícola que um vitelo atacado por pneumonia foi vendido para o matadouro.
O Dr. Gordon H. Theilen, da Escola Veterinária da Califórnia, declarou: “Temos verificado que a leucemia ocorre com muita frequência nos animais de certas propriedades e se manifesta sob a forma infecciosa. A incidência da doença tem duplicado, conforme os dados dos matadouros, nos últimos dez anos. Fácil é para os inspetores dos matadouros identificar a doença clínica no seu estado mais manifesto; contudo, muito difícil é descobrir os estados iniciais da doença, quando não apresenta sintomas evidentes; por outro lado, é bastante difícil que se faça um exame de sangue dos animais, antes de serem abatidos. O rápido aumento da leucemia no gado é de interesse particular, desde que se recorde que o câncer do sangue ou leucemia é, presentemente, uma das principais causas da mortalidade infantil, nos Estados Unidos”.
As vacas com câncer em um olho são conservadas com vida até que estejam cegas dos dois olhos; então suas cabeças são cortadas e elas são vendidas como carne. Não se faz, porém, qualquer exame dos outros órgãos para verificar neles o efeito da doença. John Harvay Kellock disse, certa vez, sentado a uma mesa vegetariana: “É realmente bom comermos algo sobre o qual não temos de nos preocupar se tenha ou não morrido de uma doença complicada”.
Quando eu era estudante, foram-me dados dois tubos de ensaio para verificar em que condições se multiplicavam mais rapidamente as bactérias, que são a causa de doenças como tifo, pneumonia e peste. Mandou-me o professor verter em cada tubo um pouco de caldo de carne animal e, depois de os haver fechado hermeticamente, esterilizei. Após isso, introduzi nos tubos as perigosas bactérias. Os germes prosperaram rapidamente no caldo: é ele o meio ideal para sua reprodução!
Se tomarmos dois cães e alimentarmos um deles com água e o outro com caldo de carne animal, o que beber água viverá mais tempo, porque o caldo não contém alimento algum, porém unicamente resíduos urinários que envenenam.
Ah! E sobre não utilizar nenhuma peça que seja feita por partes de animais, nem utilizar nenhum produto que seja feito de partes de animais ou que utilizem animais como meio de testes? O motivo pelo qual não uso é o mesmo de não comer carne animal (que vai muito mais além da questão da saúde): os animais são meus irmãos menores, estão evoluindo em um nível de consciência muito próximo do meu, portanto, sou seu guardião. Não tenho o mínimo de direito em atrapalhar, interromper, fazer sofrer um irmão menor.
(Por um Doutor e Estudante Rosacruz, publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1964-Fraternidade Rosacruz-SP)
Nossa vida aqui é de curta duração (quiçá 70, 80 anos contra, em torno, de 1000 anos de vida celeste!). Deveríamos perguntar-nos: Que uso posso fazer de minhas forças para delas tirar o melhor partido possível enquanto estou peregrinando nessa vida terrestre? Como posso contribuir mais para a glória de Deus e o bem-estar dos meus semelhantes aqui e agora? Pois é isso somente que dá valor à vida aqui!
Nosso desenvolvimento físico depende da nutrição de nosso organismo – do nosso Corpo Denso –, consequentemente, de nossa alimentação. É de admirar que muitos de nós, possuidor de poderosa inteligência, menosprezemos a influência da alimentação sobre a preservação da nossa própria saúde. Não temos o direito de prejudicar nenhuma das funções do nosso Corpo Denso, seja ela qual for. Se o fizermos, sofremos seguramente as consequências, pois a Lei de Causa e Efeito é inexorável, pois é uma das Leis de Deus.
Está nas mãos de cada um de nós ser o que devemos ser. As bênçãos da vida presente e as da vida futura nos são sempre acessíveis. Uma Personalidade de elite ou uma vida infeliz dependem do nosso procedimento. A alimentação tem influência decisiva na nossa formação física, emocional e mental.
Apesar de todas as evidências dessa verdade, muitos de nós comem e bebem desordenadamente, sem se preocupar com as consequências decorrentes da escolha dos alimentos. Como efeito disso, como consequência disso, os desejos, as emoções e os sentimentos inferiores (que é o que conseguimos coletar das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo e expressar por meio do nosso Corpo de Desejos) dominam e as inclinações para a autodestruição destroem tais irmãos e irmãs.
Se caprichamos na escolha dos nossos alimentos (se precisar, gastando até mais do que roupas, divertimento, automóveis e outros bens materiais), temos como efeito disso, como consequência disso, os desejos, as emoções e os sentimentos superiores (que é o que conseguimos coletar das três Regiões superiores do Mundo do Desejo e expressar por meio do nosso Corpo de Desejos), o que se traduz em ideais nobres e elevadas aspirações. Como aprendemos quando nos dedicamos a assimilar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, aqueles irmãos e aquelas irmãs que fazem uso de alimentos animais (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) nem sempre têm lúcido o cérebro nem bem ativa a inteligência, porque o uso da carne animal tende a tornar impuros os tecidos, em detrimento das faculdades intelectuais, predispondo, igualmente, para as doenças e enfermidades (muitas delas a própria Ciência material já chegou a essa conclusão, comprovando com testes e mais testes). A carne animal não é indispensável para a manutenção da força e saúde, como muitos ainda advogam. Um exemplo disso nos vem dos cocheiros noruegueses, que não conhecem o uso da carne animal, acompanham seus carros que transportam turistas, por estes guiados, correndo três ou quatro léguas ao lado deles.
Desde o século XIX, o vegetarismo vem sendo considerado, pelos investigadores insuspeitos e imparciais, como regime capaz de proporcionar saúde e força física, bem como acuidade mental e firmeza de caráter.
Apesar de que muitas pessoas praticavam o regime, foi Jean-Antoine Gleizes (1773-1843, um escritor francês e defensor do vegetarianismo, extremamente popular e influente na sua época, com estudos e argumentos muito interessantes no seu livro: Thalysie: ou La Nouvelle Existence, em 1840) o grande apóstolo do vegetarianismo daquele século. Estudando o assunto, do ponto de vista fisiológico e científico, em seu livro Thalysie, assentou as bases do vegetarianismo. Sob sua inspiração formaram-se sociedades vegetarianas na Inglaterra, onde os adeptos do novo regime se tornaram numerosos; editaram-se revistas, fizeram-se conferências e usaram-se outros meios de divulgação, tendo o Governo inglês publicado um livro de cozinha vegetariana, com o objetivo de proporcionar à população uma alimentação mais saudável e mais barata. O proselitismo alcançou a indústria. M. Hills, dirigente de vastas oficinas de construções navais em Blackwall, fundou a London Vegetariana Association. A grande maioria do pessoal dessas usinas, tanto operários como intelectuais, seguiram o regime vegetariano, abandonaram o uso do vinho, da cerveja, dos aperitivos, do uísque e afins, com grande aproveitamento para a saúde e a eficiência.
Hill montou uma fazenda com o objetivo de dar trabalho aos desempregados, em Wickford Essex, a cerca de vinte e cinco quilômetros de Londres. Muitos pobres aí chegaram em estado de grande miséria. Depois de três ou quatro dias, dormindo na fazenda e nutridos sob regime vegetariano, passaram a ganhar bom salário.
Em relatório ao Congresso Vegetariano, o secretário da Sociedade concluiu, nos seguintes termos: “Temos, portanto, em nossas fileiras, operários praticando os mais rudes trabalhos de forja, laminação, altos fornos, funcionários de escritório, homens velhos e enfraquecidos por privações que, graças ao nosso regime, chegam a recuperar sua atividade e a ganhar a vida facilmente no trabalho da fazenda e das oficinas”.
Muitas sociedades vegetarianas se fundaram em várias cidades inglesas. Um restaurante vegetariano fornecia uma refeição por preço duas e meia vezes menor que o preço de uma refeição que contivesse carne animal.
Logo, na Alemanha, surgiram sociedades para o estudo e divulgação do vegetarismo. Entre elas se destaca a Deutscher Vegetarier Band que afinal se tornou “pangermânica” e publicou um jornal — o Vegetarische Warte.
Na Áustria e na Hungria os restaurantes vegetarianos tiveram grande popularidade.
Nos Estados Unidos o vegetarismo se instalou, independentemente da influência de Jean-Antoine Gleizes.
Os adeptos do regime que preconizava o uso do pão integral e arroz integral foram denominados de “papa-farelo”, e ridicularizados. A Ciência, pouco tempo depois, sancionou a prática. Hoje, há em todo o mundo centenas de fábricas de alimentos não refinados, de base vegetarista, que proporcionam nutrimento saudável. Em todo o mundo milhões de pessoas doentes se recuperam com o uso da dieta vegetariana bem orientada. Com base na mesma orientação, há, no Brasil, hospitais, clínicas e sociedades que difundem esses conhecimentos e os praticam, visando ao aperfeiçoamento da Humanidade, tanto do ponto de vista pessoal como coletivo, buscando contribuir para a glória de Deus e o bem-estar de seus semelhantes.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1967-Fraternidade Rosacruz-SP)
A medicina ortomolecular está em moda. É o mais moderno ramo da atividade médica. Trata-se de um novo e ainda mal conhecido ramo da medicina, relacionado à tentativa de retardar o envelhecimento ou permiti-lo mais digno, com saúde de melhor qualidade.
É certo que não podemos escapar do envelhecimento, isso porque a Natureza parece preocupar-se menos conosco após os 50 anos, quando já realizamos nossos deveres de procriação.
Envelhecer faz parte do plano cósmico. Envelhecer é universal, assim como a morte. A velocidade de envelhecimento, porém não é universal.
Há várias teorias para explicar o envelhecimento. A maior parte é explicada pela teoria dos radicais livres, que justifica o envelhecimento quando as células são permanentemente danificadas após sofrerem contínuos ataques por partículas denominadas “radicais livres”. Após anos de contínuos ataques, as células atingem um ponto sem retorno e instalam-se, então, a velhice e as doenças degenerativas. Dessa forma, fica fácil entender que o retardamento do envelhecimento propicia uma idade avançada com mais saúde.
Mas, o que é um radical livre? Trata-se de uma molécula que perdeu um pedaço vital de si mesma. Uma molécula que perde uma carga elétrica e que para restaurar o equilíbrio, busca freneticamente sua carga perdida, retirando-a das substâncias vizinhas. Ao fazê-lo provoca inevitáveis prejuízos. Por exemplo: Se retira a carga elétrica da gordura que constitui a membrana de uma célula, danifica a parede dessa célula; se a retirada atinge nosso código genético, alterará irremediavelmente a estrutura das células que ainda estão por nascer, assim sucessivamente.
E o que são os antioxidantes? São substâncias químicas que podem doar aos radicais livres a carga elétrica que lhes falta.
O perigo mora no ar: ironicamente, a substância que nos permite a vida também ajuda a encurtá-la. Estamos falando do Oxigênio, o que nos permite respirar, e respirar tem um preço. A combustão do oxigênio nas células produz radicais livres desse gás que as agridem internamente. Os radicais livres, porém, não são apenas vilões que tornam rançosas as nossas gorduras, enferrujam nossas proteínas, rompem a parede das nossas células ou corrompem o nosso código genético. São também eficientes defensores do nosso organismo quando ele é atingido por processos infecciosos. E não é só o oxigênio o grande vilão. A partir de fora do corpo os radicais livres são introduzidos no nosso organismo pelo tabagismo, pelos poluentes ambientais, e por alguns tipos de radiações solares.
Pode-se então concluir que não podemos viver sem eles, porém, quando se somam em grandes quantidades, envelhecem-nos antes do tempo e matam-nos mais cedo.
Nosso organismo, entretanto, não permanece passivo diante desses terroristas chamados de radicais livres. Produz, quando atacado, as substâncias químicas denominadas antioxidantes que passam a constituir a nossa “força policial” e a neutralizar os radicais livres.
Infelizmente, temos algumas más notícias biológicas sobre o envelhecimento. Quanto mais velhos nos tornamos o dano causado pelos radicais livres acelera-se dramaticamente. E para piorar, a capacidade do organismo para corrigir os problemas causados diminui acentuadamente. Em termos práticos significa que quanto mais velho, maior o dano e mais rápido o envelhecimento.
Como corrigir tais danos ou pelo menos como tentar evitá-los?
A maneira mais fácil e mais barata é ingerir alimentos plenos de antioxidantes como por exemplo os que contém vitamina E, vitamina C, betacaroteno, coenzima Q 10, selênio, zinco, magnésio, etc.
Qualquer vegetal pratica uma contribuição química conhecida, além de outras desconhecidas, na busca pela manutenção da juventude.
Atenção especial deve ser dada a 10 vegetais super retardadores do envelhecimento, incluindo as frutas, logicamente, todos orgânicos (caso contrário, os próprios pesticidas e outras substâncias químicas inseridas durante o processo de produção neutralizarão as qualidades de retardadores ou até acelerarão o processo de envelhecimento), cujo potencial não se pode ignorar:
1. Abacate: Um dos super guardiães das células pela abundância de glutationa, um poderoso antioxidante. Trata-se de fruta rica em gordura é verdade, porém de gordura não saturada, um tipo que resiste à oxidação. É rico em potássio e diminui o colesterol sanguíneo.
2. Alho: Tem ação antiviral, é anticoagulante, anti-inflamatório, redutor da pressão arterial e protetor das células cerebrais. Devido seu forte odor pode ser ingerido em cápsulas de óleo de alho.
3. Brócolis: Difícil dizer tudo sobre esse vegetal, abençoado com enorme quantidade de antioxidantes, dentre eles, o glutationa, o betacaroteno, a vitamina C e o poderoso sulforafane. Reduz em 2/3 a possibilidade de câncer principalmente do cólon (intestino grosso) e pulmões.
4. Repolho: Possui grande quantidade de antioxidantes. Reduz a porcentagem de câncer do cólon, estômago e mama. Deve-se comê-lo cru ou levemente cozido. O mesmo vale para outros vegetais crucíferos como os brócolis.
5. Cenoura: Um recente estudo da universidade de Harvard demonstrou que pessoas que comem cenoura cinco vezes por semana reduzem a chance de ter um derrame cerebral em 68%. A cenoura reduz ainda o colesterol e a possibilidade de câncer do pulmão. A substância responsável por essas qualidades chama-se betacaroteno. Ajuda ainda a poupar a visão dos mais idosos e a melhorar a imunidade deles. Uma cenoura média contém 6 mg de beta caroteno; melhor usar suco de cenoura, pois uma xicara contém cerca de 24 mg dele.
6. Frutas cítricas: A laranja é tão cheia de substâncias antioxidantes que o Instituto Nacional do Câncer, nos E.U.A., a chama de “o mais completo dos inibidores do câncer” já conhecido.
7. Uvas: O segredo da ação de antienvelhecimento das uvas é simples e poderoso. As uvas contêm 20 antioxidantes conhecidos que trabalham em conjunto, impedindo os ataques dos radicais livres do oxigênio. Quanto mais colorida a casca da uva, mais antioxidantes ela possui. As vermelhas e rosas possuem mais que as uvas brancas. As uvas passas, embora secas, têm de 3 a 5 vezes mais antioxidantes que as uvas frescas.
8. Cebola: Parente próximo do alho, a cebola é plena de antioxidantes que diminuem a porcentagem de coágulos sanguíneos, aumentam a fração HDL do colesterol, (o bom colesterol), e previnem o câncer, principalmente o do estômago.
9. Espinafre: Rico em um antioxidante chamado luteína, reduz a possibilidade de câncer, de doença cardíaca, hipertensão arterial, catarata e inclui até a melhoria de alguns problemas psiquiátricos. Contém ainda ácido fólico um protetor do cérebro e das artérias.
10. Tomates: Ricos em licopeno que preserva o funcionamento físico e mental dos idosos. Reduz ainda a possibilidade de câncer do pâncreas e do útero. Um estudo italiano recente demonstrou que o tomate reduz a possibilidade de câncer de todo o trato digestivo. É interessante observar que o cozimento do tomate não destrói essas propriedades. O que foi dito vale também para a melancia.
As razões citadas acima são as responsáveis pelo fato de, em geral, os vegetarianos viverem mais e envelhecerem mais lentamente e com melhores condições. Também, em geral, apresentam ainda índices mais baixos de colesterol, menor peso, pressão arterial mais baixa, menos ataques cardíacos e menores índices de câncer. As mulheres vegetarianas quase não apresentam câncer de mamas ou de útero.
Os vegetarianos, em geral, têm ainda menor incidência de diabetes, cálculos na vesícula e nos rins, osteoporose (enfraquecimento dos ossos) e artrite. A imunidade deles é mais vigorosa.
Pode-se verificar, então, que vale a pena investir algum tempo para selecionar os alimentos vegetais que constituirão nossas refeições diárias.
Assim procedendo, não seremos representantes daquilo que o ex-presidente da França Charles de Gaulle, chamou de “o naufrágio que é a idade avançada”.
(Publicado no Ecos da Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP – novembro-dezembro/1995)
Foram os trabalhos de Eijkmann (em 1884), de Grijns (em 1901) e de Funk, sobretudo, (desde 1911) que culminaram no descobrimento das vitaminas das quais se pode dizer que revolucionaram os dados da dietética. Conhece-se atualmente uma vintena de vitaminas, mas o público em geral não se interessa senão por uma dezena delas, pertencentes aos dois grupos: lipossolúveis (solúveis em gorduras; A, D, E, K) e hidrossolúveis (solúveis em água: B1, B2, B6, C, F, H, P, PP).
Como se sabe, as vitaminas não figuram entre os alimentos energéticos, não constituindo, assim, fonte de calorias. Tampouco são elementos reconstituintes. São, porém, por excelência, “alimentos funcionais” que acompanham a ação dos protídeos (alimentos azotados), dos lipídios (matérias graxas) e dos glicídios (feculentos e açúcares), aos quais servem de “ativadores”; isto é, promovem e ativam a combustão. Têm sido comparadas à faísca produzida pelo magneto, em um motor de explosão.
As necessidades de vitaminas do organismo variam de um para outro indivíduo, bem como no mesmo indivíduo, na proporção do esforço que efetua. O estado de saúde, bem como a idade e o sexo, tem também a sua influência (em caso de febre intensa, por exemplo, as necessidades de vitamina C são nitidamente mais elevadas).
A quantidade de vitaminas necessárias ao organismo não é muito elevada: de 0 mg a l mg para a vitamina A; de l,5 mg a 8,5 mg para a vitamina B1; de 2 mg a 3 mg para a vitamina B2; de 5 mg a 15 milésimos de miligrama para a vitamina D; etc.
Apenas a vitamina C é uma exceção. São precisos aproximadamente 60 mg para uma criança de 8 anos, 100 mg para o adolescente, 75 mg para o adulto, 100 mg para a gestante, 150 mg para a lactante e pelo menos outro tanto para o doente com febre. Esses números não dizem tudo. Pode ser perigoso ater-se a eles de maneira absoluta, sobretudo se conhecemos ou pensamos conhecer o teor das vitaminas nos alimentos, porque o teor varia de um espécime para outro, do mesmo alimento.
A vitamina B12 é também conhecida como cobalamina e é uma vitamina do complexo B que tem um papel determinante no desenvolvimento, mielinização e função do sistema nervoso central, formação de glóbulos vermelhos, e síntese de ADN.
As manifestações do déficit de Vitamina B12 incluem sinais e sintomas hematológicos, gastrointestinais, neurológicos e psiquiátricos. Entre as consequências hematológicas, a anemia macrocítica pode ter como sintomas a fadiga, falta de ar (dispneia), e palpitações. Em relação às alterações do sistema nervoso, o défice de B12 poderá resultar na desmielinização de neurónios periféricos e centrais, que se pode apresentar clinicamente na forma de: parestesias das mãos e dos pés (sensações de formigueiro, picadas, dormência…), perda de sensibilidade periférica, fraqueza, e instabilidade a caminhar.
Mas, o esgotamento das reservas corporais de vitamina B12 pode tornar-se evidente apenas alguns anos após o início de uma alimentação pobre nesta vitamina, devido às necessidades diárias baixas, assim como devido ao facto do nosso organismo conseguir uma recaptação eficiente da vitamina B12 através da circulação enterohepática (uma pequena fração das reservas de vitamina B12 é excretada na bile, e prontamente reabsorvida, representado um mecanismo pelo qual a vitamina B12 é conservada no organismo).
As únicas fontes alimentares de vitamina B12 adequadas a vegetarianos incluem os alimentos que são fortificados com esta vitamina, tais como algumas bebidas vegetais, levedo ou levedura de cerveja ou nutricional, alternativas vegetais à carne animal, e alguns cereais.
As atuais recomendações nutricionais para a ingestão de vitamina B12 para as diferentes faixas etárias podem ser encontradas nessa tabela:
| Idade | PRI (µg/dia) |
| 7–12 meses | 1,5 |
| 1–6 anos | 1,5 |
| 7–10 anos | 2,5 |
| 11–14 anos | 3,5 |
| 15–17 anos | 4 |
| ≥ 18 anos | 4 |
| Gravidez | 4,5 |
| Lactação | 5 |
E a quantidade de vitamina B12 (microgramas, µg) de algumas fontes alimentares por porção de consumo, e respetiva contribuição relativa face aos valores de referência para indivíduos adultos estão na tabela abaixo. Os valores dos produtos fortificados podem variar consoante a marca, devendo confirmar a quantidade na declaração nutricional do produto:
| Alimentos e Porções | Quantidade de vitamina B12 (µg) |
| LÁCTEOS E OVOS | |
| Leite de vaca meio-gordo (1 copo, 200g) | 0,24 |
| Queijo com 30 % matéria gorda (1 fatia, 18 g) | 0,32 |
| Ovo (1 unidade, 59 g) | 0,59 |
| ALIMENTOS FORTIFICADOS | |
| Bebida vegetal fortificada (1 copo, 200 g) | 0,76 |
| Alternativa ao iogurte, de soja (1 unidade, 125 g) | 0,481 |
| Levedo de cerveja (1 col. sopa, 5 g) | 2,2 |
| Cereais fortificados (6 colheres de sopa, 40 g) | 0,2 – 0,92 |
No que tange à eficácia das vitaminas e, por conseguinte, ao seu grau de utilização para o organismo, convém saber que as vitaminas naturais de origem vegetal possuem sérias vantagens tanto sobre as vitaminas de origem animal (com exceção da manteiga) quanto, sobretudo, as vitaminas sintéticas. As vitaminas naturais são sempre administradas em combinação com outros elementos que facilitam a sua assimilação. Além disso, parecem atuar em doses mínimas. O escorbuto, por exemplo, desaparece muitas vezes mais rápida e totalmente, depois da ingestão de suco de limão (ou de laranja), do que pela administração de doses altas de ácido ascórbico (vitamina C sintética). Não convém, assim, recorrer às vitaminas sintéticas, senão quando a isso impuser uma absoluta força maior.
Convém também lembrar que deve haver equilíbrio entre as diferentes vitaminas e que um bom equilíbrio vital não pode ser mantido sem a absorção de todas as vitaminas. A administração de uma vitamina em excesso interfere no teor de absorção de outras vitaminas. Podem resultar disso as manifestações de carência de uma ou várias vitaminas, fenômeno que o Dr. V. Bisceglie qualificou de “carência sem carência”. Com efeito, é uma carência não devida à ausência de uma vitamina, mas à sua destruição ou eliminação pelo excesso, no organismo, de outra vitamina.
As vitaminas desempenham papel útil e benéfico, com o máximo de proveito, quando se encontram em seu meio natural, em equilíbrio estável com os elementos minerais e todas as outras substâncias que, em geral, acompanham-nas. Sua ação é tanto mais eficaz quando absorvidas em intervalos bastante aproximados e em quantidades razoáveis, de preferência uma única vez, em dose elevada.
As vitaminas estão mais particularmente nas hortaliças e nas frutas cruas; mas exercemos sobre elas ação destrutiva com o cozimento, associado à ação do oxigênio, (sobretudo a vitamina C). Mas, para nos beneficiarmos, tornam-se necessárias duas condições.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1965 – Fraternidade Rosacruz – São Paulo – SP)
Os assuntos sobre alimentação e saúde tem tão grande importância em nossa evolução que nunca relegamos a plano secundário tais assuntos tão correlatos. Perceba que até propomos algumas receitas vegetarianas, no intuito de colaborar com os Estudantes Rosacruzes, por certo, sequiosos de ampliar seu receituário naturista.
Assim, vejamos mais detalhes sobre a importância da alimentação em nosso esforço para bem evoluir, especialmente quando estamos aqui renascidos. O Estudante Rosacruz deve encarar esse problema com muita seriedade. Afinal, um trabalho de Treinamento Esotérico depende também da manutenção das boas condições do nosso Corpo Denso. Esse esforço repercute na sensibilização dos nossos outros veículos: Corpo Vital, Corpo de Desejos, Mente, Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino, pois como aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes: um trabalho sobre um determinado veículo repercute (para melhorar ou piorar) todos os outros veículos!
A sabedoria popular afirma que “o ser humano morre pela boca”. E é verdade. Constituições físicas vigorosas, às vezes, são debilitadas por dietas inadequadas e empíricas constituídas de substâncias tóxicas e/ou desprovidas de elementos nutrientes.
O vegetarianismo ainda é novidade para muita gente, por incrível que pareça. Muitas pessoas até vão a restaurantes vegetarianos simplesmente para “ver como é que é”. Para alguns o vegetarianismo é até sinônimo de exotismo. Felizmente, muitos se surpreendem quando dão uma olhada no cardápio: encontram uma gama imensa de pratos deliciosos (com os mais diversos ingredientes que vão de verduras, legumes, sementes, cereais, ovo, leite, mel, frutas, raízes, pranks e afins. Até empolgam-se com a variedade de quitutes à base de soja e outros cereais! Muitos ignoram o emprego tão diversificado desse saudável alimento vegetal ou produto do trabalho amoroso dos nossos irmãos menores, os animais (ovos, leite, mel). Ficam surpresos ao verem tantas verduras, legumes e frutas que nem sabem bem o nome, pois, para muitos, ainda rege a piada sem graça: “mas o que vocês comem? Capim?”.
Graças à Deus, atualmente, estamos ouvindo relatos de grata surpresa partindo de pessoas habituadas à uma dieta à base de carne animal (mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins), desvinculadas de qualquer movimento espiritualista. Isso deve nos deixar muito satisfeitos.
Lembremo-nos Sempre que surgir uma oportunidade podemos fazer a apologia da dieta vegetariana, porém, de uma forma discreta e simpática. Por certo, não contaremos com a adesão de todo mundo. Mas alguém ouvirá com interesse e talvez se disponha a fazer uma experiência. Vale a pena lançar uma sementezinha.
(Publicada na ‘Revista Rosacruz’ em fevereiro/1979-Fraternidade Rosacruz-SP)
A maior parte das pessoas pensam que uma refeição sem carne animal (mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins) está incompleta, pois, desde tempos imemoráveis, considera-se axiomático ser a carne animal o alimento mais revigorante que possuímos. Todos os outros alimentos são considerados como simples acessórios de um ou mais pratos de carne animal no cardápio. Nada é mais errado, porque a ciência demonstrou experimentalmente, que a nutrição obtida dos vegetais tem maior poder alimentício, e a razão não é difícil de ver quando observamos o assunto do ponto de vista oculto.
A Lei da Assimilação nos ensina que que nenhuma partícula do alimento pode vir a formar parte do nosso Corpo Denso, a menos que suas forças tenham sido absorvidas por nós, o Ego – um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui -, porque devemos ser o regente absoluto e incontestável do nosso Corpo Denso, dominando a vida das células, como um perfeito autocrata, pois, do contrário, cada uma delas seria independente, como ocorre quando abandonamos o nosso Corpo Denso por ocasião da nossa morte aqui.
É evidente que quanto mais próximo do nível de inconsciência seja a consciência de uma célula, tanto mais fácil é se sobrepor a ela e tanto mais tempo permanecerá sujeita. Os diferentes Reinos de Vida (Mineral, Vegetal e Animal) têm distintos veículos e, por conseguinte, níveis de consciências diferente[1]. O Reino Mineral só tem o Corpo Denso e sua consciência é semelhante à do transe profundo. Por isso é mais fácil assimilar os alimentos do Reino Mineral, porque suas células permaneceriam no nosso Corpo Denso por mais tempo, evitando a necessidade de comer frequentemente. Mas, infelizmente, o nosso organismo humano vibra com uma intensidade tão superior que não pode assimilar diretamente as inertes substâncias minerais. O sal e outras substâncias semelhantes saem logo do nosso organismo sem ser assimilados. O ar está cheio de nitrogênio de que necessitamos para reparar os desgastes e o aspiramos continuamente no nosso organismo, mas não podemos assimilá-lo, nem a nenhum outro mineral, enquanto não for primeiramente transmutado no laboratório da Natureza por intermédio dos vegetais. Os vegetais (ou as plantas) têm um Corpo Denso e um Corpo Vital, o que lhes permite realizar este trabalho, sendo sua consciência como sono profundo, sem sonhos. Desta maneira é fácil para nós absorver as células vegetais e conservá-las por longo tempo; daí o grande poder alimentício dos vegetais!
Nos alimentos baseados em carnes animais (mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins), as células se individualizaram mais e como o animal tem, além do Corpo Denso e do Corpo Vital, um Corpo de Desejos o que lhe fornece uma natureza passional, é fácil compreender que, comendo carne animal é muito mais difícil vencer essas células, cuja consciência animal é idêntica à do sono com sonhos e, além disso, essas partículas não permanecerão muito tempo em sujeição. Por esse motivo a dieta carnívora exige maior quantidade de comida e refeições mais frequentes do que a dieta vegetal. Se déssemos um passo a mais e comêssemos a carne dos animais carnívoros, estaríamos continuamente famintos, porque nesses animais as células alcançaram um alto grau de individualização e tratariam de obter sua liberdade muito mais depressa. Que isto é verdade, o demonstra bem o caso do lobo, do abutre e do canibal, cuja fome é proverbial, e como o fígado humano é pequeno até para cuidar adequadamente das comidas advindas da carne animal usuais, é evidente que se o canibal vivesse somente de carne humana em vez de usá-la como ocasional “guloseima”, logo sucumbiria, porque embora o excesso de carboidratos, açúcares, amido e gorduras causem pouco dano ao organismo, sendo exalados pelos pulmões sob a forma de gás carbônico, ou saindo em forma líquida pelos rins e pela pele, um excesso de carne animal também é queimado, porém deixa o venenoso ácido úrico. Portanto, já se reconhece que quanto menos carne animal comer tanto melhor para o nosso bem-estar.
É natural que desejemos o melhor como alimento, mas todos os animais têm em si os venenos da putrefação. O sangue venoso está cheio de substâncias venenosas que ele vai adquirindo no seu caminho através de todo o organismo e que, normalmente, deveriam ser expelidas através da urina e da transpiração. Estas substâncias repugnantes se encontram em todas as partes da carne animal, e quando comemos esses alimentos enchemos nosso Corpo Denso com essas toxinas venenosas. Muitas doenças e enfermidades são devidas ao emprego da carne animal como alimento.
Existem provas abundantes de que a dieta carnívora estimula ferocidade. Podemos mencionar a conhecida ferocidade das bestas-feras e a crueldade de muitos povos, que comem muito mais carne animal do que outros alimentos, como exemplos típicos. Por outro lado, a força e a docilidade prodigiosa do boi, do elefante e do cavalo, mostram os efeitos da alimentação herbívora nos animais. As nações vegetarianas do Oriente são um argumento incontestável contra os que defendem a dieta carnívora.
Tão logo adotemos a dieta vegetariana, escapamos a uma das mais sérias ameaças à saúde, isto é, a putrefação das partículas de carne animal incrustadas entre os dentes. Este não é dos menores argumentos para adotar a dieta vegetariana. As frutas, os cereais e demais vegetais, assim como os ovos, o mel, o leite e seus derivados, são de decomposição lenta e cada partícula contém uma enorme quantidade de Éter que a mantém viva e fresca durante longo tempo, ao passo que o Éter que interpenetra a carne animal e compõe o Corpo Vital de um animal, desaparece conjuntamente com o Espírito que o animava, ao se produzir a morte. Logo, o perigo de infecção pelos alimentos vegetais é pequeno, sendo muitos deles antissépticos em alto grau, em vez de venenosos. Isto se aplica particularmente às frutas cítricas: laranjas, limões, toronjas, etc., para não falar do rei dos antissépticos, o abacaxi, que tem sido empregado frequentemente para curar uma das enfermidades mais mortais, a difteria, que não é senão outro nome para qualificar a dor de garganta séptica. Assim, pois em vez de envenenar o sistema digestivo com elementos putrefatos das carnes animais, as frutas limpam e purificam o organismo e o abacaxi é um dos melhores digestivos que conhecemos. É muito superior à pepsina e não há necessidade de se empregar nenhuma crueldade para obtê-lo.
Existem doze sais no nosso organismo que são vitais e representam os doze Signos do Zodíaco[2]. Esses sais são indispensáveis para a formação do nosso Corpo Denso. Não são minerais como geralmente se supõe, mas vegetais. Não é possível assimilar diretamente os minerais, porque esses não possuem o Corpo Vital e este Corpo é indispensável para que uma substância possa ser incorporada ao nosso organismo. Assim sendo, só poderemos obter os sais minerais através do Reino vegetal que os contém.
Há médicos que mandam fazer isto, mas não percebem que o fogo que utilizamos no preparo dos alimentos expulsa e destrói o Corpo Vital das plantas, da mesma maneira que a cremação deixa, somente, as cinzas ou parte mineral dos nossos Corpos Densos. Portanto, se quisermos renovar o suprimento de qualquer sal em nosso Corpo Denso, é necessário que o obtenhamos das plantas ou vegetais crus. Assim é que deveriam ser administrados aos enfermos ou doentes.
Não devemos, todavia, chegar à conclusão de que cada um de nós teria que deixar de comer carne animal e se dedicar a comer vegetais crus. Em nosso estado atual de evolução são muito poucos os que podem fazê-lo (!). Temos que cuidar de não elevar muito rapidamente as vibrações dos nossos Corpos Densos, porque para continuarmos nosso trabalho nas condições atuais, precisamos ter um Corpo Denso apropriado para as tarefas que devemos realizar. É necessário conservarmos sempre presente este pensamento. O passar para uma dieta vegetariana é um processo e não um ato repentino. E esse processo é individual!
No crânio, na base do cérebro, existe uma chama. Arde continuamente na medula oblongada no extremo da medula espinhal e, como o fogo do Altar dos Sacrifícios[3], é de origem divina. Este fogo emite um som como o zumbido de uma abelha e constitui a nota-chave do Corpo Denso. É o Arquétipo[4] que o faz soar. É o construtor e unificador das massas de células que conhecemos como “nosso corpo”.
Esse fogo arde com chama alta ou baixa, clara ou opaca, conforme o alimentemos. O fogo existe em toda a natureza, com exceção do Reino Mineral. O mineral não tem Corpo Vital e carece, portanto, do condutor para o ingresso do Espírito de Vida, o fogo. Renovamos continuamente esse fogo sagrado parcialmente com as forças do Sol que penetram no Corpo Vital através da contraparte etérea do baço, passando daí ao plexo celíaco[5] onde toma cor de rosa pálido, dirigindo-se logo para cima pelo sangue. Também alimentamos esse fogo com o fogo vivente que absorvemos dos alimentos crus que comemos e assimilamos.
Observando o assunto do carnivorismo do ponto de vista ético, vemos que o fato de matar para comer carne animal é contra os nossos mais elevados sentimentos, como um verdadeiro Estudante Rosacruz que somos. Nos tempos antigos íamos caçar como qualquer animal de presa, insensível e rude. Atualmente os que comem carne animal, continuam “caçando”, mas “realiza” a sua caça no açougue, onde não tem que suportar as cenas repulsivas do matadouro. Se tivesse que ir a esses lugares sangrentos, onde todos os dias se cometem horrores para poder satisfazer os costumes anormais e daninhos, que causam muito mais vítimas que a sede de álcool; se tivesse que manejar o cutelo impiedoso e mergulhá-lo nas carnes palpitantes de suas vítimas, quanta carne animal comeria? Muito pouca! Mas para fugir desse trabalho repugnante, obriga-se nossos semelhantes a trabalhar nos sangrentos matadouros, matando milhares de animais dia após dia. Eles ficam tão brutalizados que a Lei – a da justiça humana – não permitem que tomem parte como jurados em casos sujeitos e pena capital, porque perderam todo sentimento a respeito da vida.
Os animais que matamos também elevam seu grito de protesto contra esse assassinato e forma-se uma nuvem de horror e de ódio sobre as grandes cidades onde existem matadouros. A lei protege os cães e os gatos contra as crueldades. Todos nos alegramos quando os pequenos esquilos, galinhas, galos, pacas, tatus, capivaras, coelhos, patos, gansos, marrecos e outros pequenos animais estão soltos nos parques das cidades, alguns até se aproximam de nós; mas desde que haja possibilidade de ganhar dinheiro com a carne animal ou com a pele de um animal, muitos de nós perdem todo o respeito pela vida desses animais e se convertem nos seres mais perigosos da Terra, alimentando-os e criando-os para ganhar dinheiro, impondo sofrimentos e tormentos a um ser com direito à vida, para amontoar recursos financeiros. Temos que pagar uma pesada dívida para com as criaturas inferiores das quais deveríamos ser mentores, mas ao contrário, nos convertemos em seus assassinos e a Lei Divina, que sempre age para corrigir os abusos, a seu devido tempo relegará o hábito de comer carne de animais mortos, como já relegou o canibalismo às práticas obsoletas.
É natural nos animais de presa comer qualquer outro animal que atravesse o seu caminho. Seus órgãos estão constituídos de tal forma que necessitam dessa espécie de alimento para sobreviver, mas tudo está em desenvolvimento, sempre mudando para algo superior. Nós, em nossas primeiras etapas de desenvolvimento, éramos também como os animais de presa, em muitos sentidos. Porém, devemos nos converter em um deus e, portanto, devemos deixar de destruir, em tempo oportuno, para começar a criar.
A alimentação carnívora estimulou o nosso engenho humano de ordem bem inferior no passado e, portanto, já serviu ao seu propósito na evolução; mas agora estamos no umbral de uma nova etapa evolutiva na qual, o serviço abnegado e o sacrifício de si mesmo produzirão o crescimento espiritual de cada um de nós. A evolução da Mente proporcionará uma sabedoria muito superior as nossas mais grandiosas concepções atuais, mas antes que nos seja conferida essa sabedoria, temos que nos tornar tão “inofensivos como as pombas”, pois, do contrário, existiria o perigo de que a utilizássemos com fins egoístas e destrutivos, o que seria grave ameaça para nossos semelhantes. Para evitar tal contingência, é necessário adotar uma dieta vegetariana.
Não existe outra vida no Universo além da vida de Deus; e “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[6]. Sua Vida anima tudo que existe e por isso é fácil de compreender que quando tiramos uma vida estamos destruindo uma forma de vida que foi criada por Deus para Sua manifestação. Os animais inferiores são Espíritos em evolução (é a Onda de Vida dos animais) e têm sensibilidade. O desejo de experiência de cada um deles é que os faz construir suas várias formas; e quando as destruímos, privámo-los da oportunidade de obter essa experiência. Retardamos sua evolução, em vez de ajudá-lo, e chegará o dia em que sentiremos profunda repugnância ante o pensamento de converter nossos estômagos em cemitério de cadáveres dos animais assassinados. Todos os verdadeiros Cristãos se absterão de comer carne animal por pura compaixão e compreenderão que toda vida é a Vida de Deus e que é errado causar sofrimento a qualquer ser sensível.
Em muitos lugares da Bíblia fala-se da “carne”, mas é evidente que não faz referência à carne como alimento. No capítulo do Gênesis onde se determina pela primeira vez o alimento para o ser humano, é dito que comerá de toda árvore e de toda erva que tenha semente, “e será para ti como se fosse carne”. As pessoas mais evoluídas de todos os tempos se abstiveram de comer carne animal. Vemos, por exemplo, Daniel, que era um santo e um sábio, pedir para não ser forçado a comer carne animal solicitando que dessem legumes, a ele e a seus companheiros. Também se fala dos filhos de Israel no deserto, dizendo que sentiam falta de comer carne animal, e que seu Deus se irritou contra eles por esse motivo.
Há um significado esotérico no que seja alimentar a multidão com peixe; mas se nos limitamos ao ponto de vista estritamente material, podemos resumir tudo que dissemos reiterando que chegará o tempo em que nos será impossível comer carne animal, da mesma maneira que já passamos da etapa do canibalismo.
Sejam quais forem às tolerâncias que se tenham permitido no bárbaro passado, todas elas desaparecerão no futuro altruísta, quando uma sensibilidade mais refinada despertará em nós um sentido mais profundo dos horrores que implicam na gratificação dos nossos gostos carnívoros.
(“Extraído do livro: Princípios Ocultos de Saúde e Cura” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.R.: Veja mais detalhes aqui: https://fraternidaderosacruz.com/diagrama-4-a-consciencia-dos-quatro-reinos/
[2] N.R.: Veja mais detalhes aqui: https://fraternidaderosacruz.com/os-sais-celulares-por-um-estudante/
[3] N.R.: que havia no Tabernáculo no Deserto. Veja mais aqui: https://fraternidaderosacruz.com/glossary/altar-dos-sacrificios/
[4] N.R.: Veja mais aqui: https://fraternidaderosacruz.com/arquetipos/
[5] N.R.: Também conhecido como Plexo Solar, um local popularmente conhecido como “boca do estômago”, onde há uma concentração de nervos que irradiam para várias partes do nosso Corpo Denso, daí a comparação com os raios do Sol e o nome de “Plexo Solar”.
[6] N.R. At 17:28
Resposta: Max Heindel responde a essa pergunta: depois da Ressurreição, Cristo apareceu entre Seus Discípulos reunidos em um recinto fechado. Não o reconheceram prontamente, nem creram que Ele estivesse em Corpo Denso. Ele, porém, utilizava o Corpo Vital de Jesus. Dessa maneira podia atrair matéria da Região Química e construir um veículo tangível – um Corpo Denso.
Para convencê-los, pediu algo para comer e lhe foi dado um pedaço de favo de mel e algum peixe. Afirma-se que comeu o mel, mas não o peixe. Todo aquele que tivesse se dedicado ao vegetarianismo, como era comum entre os Essênios, nunca mais teria comido qualquer alimento cárneo (mamíferos, aves, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins), incluindo o peixe.
Lembramos também que no Novo Testamento o “peixe” é uma forma simbólica de apresentação. Segundo os Evangelhos, os Discípulos eram pescadores. As passagens bíblicas relatam que eles foram alimentados com pães e peixes, afirmações essas de caráter simbólicos. A história de “Jonas e a Baleia“ e outras narrações são formas simbólicas reapresentação esotérica e astrológica.
Ao tempo de Cristo o Sol, pelo movimento da Precessão dos Equinócios, encontrava-se a sete graus do Signo de Áries (o Cordeiro) e dentro da Órbita de Influência do Signo seguinte – por Precessão dos Equinócios, que se conta ao contrário -, que é o de Peixes (os peixes). Ele era o Salvador da Nova Dispensação, portanto, nada mais natural seria procurar “pescadores”, e quando os encontrou, afirmou que os tornariam “pescadores de homens”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1969 – Traduzido da Revista Rays From The Rose Cross-Fraternidade Rosacruz-SP)
Grande parcela do contingente da população alimenta-se mal no lar, em alguns casos por ignorância, em outros, por insuficiência de recursos financeiros.
Os fatos acima relatados deixam entrever as perspectivas de que, gradativamente, a proteína vegetal venha a substituir a animal, face ao preço elevado e inconveniências da última.
Os Estudantes Rosacruzes vislumbram, em tudo isso, o trabalho pleno de sabedoria das Forças Superiores, condutoras da nossa evolução, preparando o ser humano para novos estágios de progresso.
A ação regeneradora do Cristo, como Espírito Regente da Terra, vem purificando, de dia para dia, os veículos do Planeta. Conseguintemente, a humanidade tem a oportunidade de prover seus veículos de material cada vez mais refinado. As condições em que vivemos estão se metamorfoseando. Futuramente viveremos em outras condições ambientais, porquanto um novo elemento surgirá.
O orbe terrestre, apesar da imperfeição de seus habitantes, está se eterizando. E os Egos, à medida que renascem, têm o privilégio de construir corpos cada vez mais sutis.
Isso implica na necessidade de transformações e novas adaptações. Nossa dieta insere-se nesse contexto. Ela deve ser mais pura, mais saudável, composta, preferencialmente, de alimentos superabundantes de Éter. Ganham especial destaque, nesse quadro, as frutas e hortaliças frescas.
Nossa alimentação exige um zelo todo especial. O Corpo Denso, por ser nosso veículo mais antigo, alcançou um maior estágio de perfeição do que os outros. Vem sendo aprimorado desde o longínquo Período de Saturno, quando recebemos seu germe através de uma Hierarquia Divina, denominada pelos Rosacruzes de “Senhores da Chama”.
Tornou-se, assim, o mais útil instrumento do Espírito. Mantê-lo em bom estado constitui o dever elementar de todo Estudante Rosacruz.
Razões como essas, alinhavadas acima, justificam a enfatização da dieta vegetariana como a mais adequada à constituição do corpo humano. Todavia alguns Estudantes Rosacruzes cometem o equívoco de, simplesmente, eliminar a carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) de sua alimentação, sem proceder, racionalmente, às devidas substituições. Não basta apenas deixar de comer carne animal. É mister fazer uma cuidadosa avaliação da dieta, procurando verificar se ela atende às suas necessidades orgânicas individuais.
Ao Estudante Rosacruz, quando no cumprimento de seu programa evolutivo, cabe dar um sentido integral ao autoconhecimento. Assim, não é suficiente apenas conhecer-se mental, emocional e espiritualmente. Deve estar, também, familiarizado com a sua constituição física, a par de suas carências somáticas, etc.
À luz dessas verdades, nada mais sensato que organizar uma dieta consoante a própria formação, temperamento e tipo de atividade profissional. O Estudante Rosacruz sinceramente interessado no assunto poderá encontrar diversas fontes de informações. O Livro Conceito Rosacruz do Cosmos oferece aos leitores uma tabela de valores alimentícios, elaborada dentro de critérios absolutamente científicos, pela Universidade de Campinas – SP.
Sabemos, perfeitamente, que em cidades grandes muitas pessoas exercem suas atividades profissionais em locais bem distantes de suas residências. Não podem, dessa forma, tomar suas refeições em casa. São obrigadas a almoçar em restaurantes, cujos cardápios contêm pouquíssimos e mal constituídos pratos vegetarianos.
Atualmente há uma relação de restaurantes vegetarianos, instalados em grandes e médias cidades. Quaisquer pesquisas em sites na internet terão como resultado muitos endereços a diversos preços. Prefira esses porque é onde você tem uma maior garantia que não se utiliza recipientes onde foram trabalhados quaisquer tipos de carne, onde os temperos não têm componentes de origem animal e onde as pessoas que preparam o alimento, se também vegetarianos, possuem maior amor na lida com os alimentos, do que as pessoas que tratam das carnes dos nossos irmãos menores falecidos, os animais.
A outra opção, muito em moda, é trazer o alimento de casa, acondicionado em lindas marmitas ou recipientes apropriados.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)