“Que é o ser humano mortal para que te lembres dele? E o filho do ser humano para que o visites? Contudo, pouco menor o fizeste do que os Anjos, e de glória e de honra o coroaste.” (Sl 8:4)
“A arte, conforme permite sua habilidade, segue a natureza como um aluno segue o seu Mestre. De modo que a arte deve ser, por assim dizer, algo que deriva de Deus.”[1] (Dante)
Todas as atividades do ser humano podem ser divididas em três categorias, a saber: Ciência, Religião e Arte. A mais alta consecução do ser humano é conseguir florescê-las. Na escala da evolução o ser humano está situado entre a Onda de Vida dos Anjos e a Onda de Vida dos animais. Deus fez o ser humano “um pouco menor que os Anjos” e lhe concedeu o domínio sobre o Reino animal. Considerando a existência desses três fatores, Ciência, Religião e Arte, podemos compreender a diferença principal existente entre o ser humano e o animal. Nem a Ciência nem a Arte são necessárias para os animais, na presente fase do desenvolvimento deles.
No presente, a Ciência, com suas descobertas, assumiu posição destacada. A Religião também está despertando. Porém, aqui desejamos considerar as Artes. Não nos é possível traçar linhas claras de demarcação ao classificar as atividades do ser humano dessa maneira, porque a Ciência ajuda a compreender a Arte. E a Arte segue de mãos dadas com a Religião, quando trata de revelar a divindade do nosso ser. Max Heindel chama a Ciência, a Arte e a Religião de “uma trindade na unidade”. Sabemos que a separação em classificações diferentes é temporária. Num estado posterior do nosso desenvolvimento, as três tornarão a ser “um”
A verdadeira Religião inclui tanto a Arte como a Ciência, pois ensina uma vida formosa em harmonia com as leis da natureza.
A verdadeira Ciência é artística e religiosa no sentido mais amplo, porque nos ensina a reverenciar as leis que governam nosso bem-estar e a nos conformar com essas leis, explicando, além disso, por que a vida religiosa conduz à saúde e à beleza.
A verdadeira Arte é tão educacional como a Ciência e tão edificante como a Religião. Na arquitetura temos uma sublime apresentação de linhas cósmicas de força no universo.
Para muitos a vida sem a Arte verdadeira seria intolerável, porque a imaginação do ser humano requer alimento assim como o corpo necessita de nutrição. E é “imaginando” que se nutrem as almas. Existem três elementos necessários, quando se considera a Arte real: a música, a pintura, a poesia e a arquitetura. Esses três elementos indispensáveis são: emoção, expressão e ritmo.
A Arte pode ter por objeto a apresentação da forma exterior ou pode mostrar o espírito interno de um objeto; porém sempre é possuída por um crescente impulso emocional.
Para o artista dedicado é possível interpretar as realidades profundamente ocultas da natureza interna do ser humano. Essa revelação do espírito do ser humano é a sua mais elevada missão. Cada época produz escultores, pintores e músicos capazes de produzir verdades criadoras ao contemplar as obras de Deus. Porém, sempre essas criações contêm a concepção própria e individual do ser humano e a sua própria interpretação, posto que conservam sua “maneira de refletir a natureza”. Essa concepção individual do universo de Deus é o que promove as diferenças existentes no mundo da arte criadora. Sem dúvida, há somente uns poucos em cada época que podem pretender expressar uma originalidade verdadeira. Em geral o artista copia e recopia, sem ser capaz de revelar sua própria concepção individual do tema ou objeto.
Quando um artista se torna verdadeiramente criador, é capaz de influenciar a vida de uma nação inteira. O rumo que um povo segue delineia-se, em primeiro lugar, no trabalho e na expressão daqueles que têm sentimentos fortes, internos, e que são sensíveis aos impulsos ocultos do ser humano. Eles devem refletir as impressões que são capazes de receber para que os demais também se beneficiem delas.
O domínio de qualquer Arte requer disciplina. E isso significa que o aspirante tem que aprender a dominar a forma, seja essa de linguagem, cor, tom, etc. Unicamente por meio da meditação e da concentração intensa é que se conquista a habilidade em uma Arte. Por conseguinte, é compreensível que em algumas Escolas de Mistérios da Grécia, o Mestre-Artista fosse admitido ao Templo sem que executasse os exercícios preliminares. A faculdade de dominar uma arte-forma era considerada suficiente para entrar diretamente nos mais internos ensinamentos.
A história se converte em uma realidade para nós através da Arte. Os arquitetos e escultores do Egito, Assíria, Grécia e Roma deram-nos uma demonstração gráfica da civilização desses países. Temos acesso aos restos sublimes das figuras de barro e mármore. Sem podermos examinar o que há nos muros e pirâmides nas margens do Nilo e sem o nosso presente conhecimento dos edifícios e estátuas da Grécia e de Roma nossas ideias sobre a vida desses povos seriam, em verdade, confusas e irreais.
A arte do ser humano dá testemunho do seu ser interno. Nada indicará o rumo dos tempos tão precocemente como a música, a pintura, a arquitetura ou a poesia de um povo. Até parece que o artista criador pressente as sombras arrojadas pelos acontecimentos futuros. Os anseios e temores, as elevadas aspirações, assim como os sentimentos de incerteza de um povo podem ser percebidos nas obras daqueles que dedicam suas vidas à expressão de suas próprias capacidades criativas. O artista mesmo, com poucas exceções, em geral não é consciente de que suas criações são uma parte necessária e valiosa do desenvolvimento de toda a humanidade. Vive e trabalha à ordem da sua fantasia. Está satisfeito enquanto pode seguir o impulso interno que o conduz à expressão.
Quando observamos o rumo ou tendência da arquitetura moderna, da pintura e da música moderna, das diferentes nações do nosso globo terrestre, ficaremos impressionados com a similaridade dessas tendências. Nós nos veremos obrigados a admitir que universalmente o harmônico e o grotesco se revelam a si mesmos. De um modo geral podemos dizer que todas essas tendências têm muito em comum. A Arte mais moderna demonstra que as fontes profundas, ocultas, estão perturbadas e que as imagens do bom, do verdadeiro e do belo não são claramente concebidas e transmitidas.
Temos que chegar à conclusão de que, no esforço de um ser humano para criar algo e sensacional, ele exibe sua própria imagem interna, estranha e pessoal, em vez de usar as verdades espirituais que estão à sua disposição, em seus esforços de criação.
Em nossas próprias atividades devemos ser capazes de seguir as tendências originais, próprias, sempre que isso seja possível. Em nossos jardins, na ordem das nossas casas, ao servir nossas refeições ou até na seleção dos nossos quadros, nas cores das nossas roupas; em todas essas coisas devemos seguir nosso gosto individual. Existem bons livros sobre a apreciação da Arte. Devemos dedicar tempo e meditação a estudá-los.
Ao tecer os fios confusos das nossas vidas temos não somente a Lei de Causa e Efeito à nossa disposição, mas podemos sempre, dentro de certos limites, usar a Epigênese para realizar alguma obra original, alguma expressão singular. A possibilidade de originalidade é a espinha dorsal da evolução do ser humano.
Nos Ensinamentos Rosacruzes aprendemos que existe uma força dentro do ser humano em evolução que é o que torna possível o desenvolvimento. Essa força subministra algum campo para nossa capacidade criadora.
Como o expressa tão bem o poeta: “O problema maior de toda arte é produzir, por meio das aparências, a ilusão de uma realidade mais sublime” (Goethe).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1974 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.T.: Inferno: notas Canto XIV – da obra A Divina Comédia de Dante Alighieri
No nosso progresso nesse Esquema de Evolução existem hoje quatro classes distintas de irmãos e irmãs que estão evoluindo:
Os do última classe estão se tornando os orientadores e líderes das segunda e terceira classes acima. Os principais, entre eles, são os Irmãos Leigos, os Adeptos e os Irmãos Maiores, que compõem as sete Escolas de Mistérios (ou Iniciações) Menores e as cinco de Mistérios (ou Iniciações) Maiores (ou Cristãs) que hoje existem na Terra.
Num passado longínquo, as principais lições que devíamos aprender estavam relacionadas à construção do Corpo, incluindo os Corpos Denso, Vital e de Desejos. Enquanto fazíamos esse trabalho, éramos dirigidos e ajudados pelas onze Hierarquias Criadoras que precederam a nossa própria (a Hierarquia Criadora de Peixes), e pelos mais avançados pertencentes a nossa Hierarquia Criadora. Do Período de Saturno até a Época Lemúrica do Período Terrestre, éramos hermafroditas e capazes de produzirmos corpos por meio do duplo poder da nossa própria força sexual criadora, isto é, nosso poder de atividade germinadora. Não tínhamos a Mente, portanto, fazíamos nosso trabalho de forma automática, e nós, o Ego, estávamos inteiramente fora dos nossos Corpos. Um registro de todo trabalho feito era fielmente impresso nos separados Átomos-sementes dos nossos três veículos Corpos: de Desejos, Vital e Denso que, então possuíamos. Havia somente três Átomos-sementes, um para cada um dos veículos, até que nos foi dado o germe da Mente (pela Hierarquia Criadora Senhores da Mente), o que resultou em um total de quatro veículos (três Corpos e um veículo incipiente) e quatro Átomos-sementes. Tanto os três Corpos como a Mente são construídos (vida após vida) por meio do poder incorporado dentro dos respectivos Átomos-sementes. O Átomo-semente é uma partícula minúscula, invisível e sonora da substância do Espírito, e é propriedade exclusiva daquele a quem foi dada.
Quando progredimos o suficiente para o próximo passo nesse Esquema de Evolução, houve uma separação dos poderes positivo e negativo (Vontade e Imaginação, respectivamente) da força da atividade germinadora em cada um, ou seja, da força sexual criadora. Metade dessa força foi dirigida para cima, para construir um cérebro e uma laringe. Cessamos de termos o poder de produzir novos corpos sem o auxílio de outro ser humano. Assim, quando renascemos manifestando ativamente o polo positivo da força sexual criadora nos expressamos com um ser do sexo masculino (com órgãos sexuais e aparelho genital masculinos). Quando renascemos manifestando ativamente o polo negativo da força sexual criadora nos expressamos com um ser do sexo feminino (com órgãos sexuais e aparelho genital feminino). Como resultado, o ser feminino, a mulher, expressa facilmente a polaridade positiva no plano mental (Pensamento Concreto), e o ser masculino, o homem, expressa facilmente a polaridade negativa no plano mental (Pensamento Concreto). No plano físico, inverte: o ser feminino, a mulher, expressa facilmente a polaridade negativa, e o ser masculino, o homem, expressa facilmente a polaridade positiva.
Uma das razões para a construção de um cérebro e de uma laringe era que o germe da Mente estava prestes a ser nos dado. A Mente, assim, precisava de um veículo físico capaz de conectá-la com o Mundo Físico. Ainda não éramos capazes de contatá-lo, exceto em uma consciência de sono com sonhos. Outra razão era que tínhamos que passar por essa fase de se expressar por meio de polaridades em cada renascimento, o que facilita a aprendizagem das lições para, depois começarmos o caminho que nos levará a expressar o poder da força de atividade geradora – a força sexual criadora – novamente em um único ser de modo a reproduzir os nossos veículos por meio do poder do pensamento e da palavra falada, usando o cérebro e a laringe como nossos instrumentos.
(Leia mais no Livro A Escala Musical e o Esquema de Evolução – Fraternidade Rosacruz)
Dizemos que os Astros possuam certas características porque são os Ministros de Deus que tomam conta de certos departamentos da vida. São os Espíritos diante do Trono, mencionados na Bíblia, no Apocalipse.
Tudo é som, é realmente música. A Música das Esferas. A Palavra, como diz São João, fez-se carne e todas as coisas foram feitas por Ela e sem Ela nada do que foi feito se fez. Consequentemente, tudo é vibração.
Os Astros não fazem outra coisa senão colocar em manifestação as tendências que existem no íntimo de cada um. Cada Astro possui uma nota-chave, um som ou ainda uma vibração que lhe é própria.
É marcante, tenha a humanidade consciência disso ou não, que a Arte, em especial a Música, sempre esteve em estreita ligação com as religiões ou filosofias, atuando como meio facilitador para a sublimação e transmutação das vibrações recebidas dos Astros. Quando só a compreensão racional não opera a transformação necessária, a Arte torna-se uma grande aliada.
Abaixo, damos um pequeno esboço da correlação entre as notas-chaves dos Astros e as características da Música. Se o leitor se propuser a entender as notas-chaves dos Ministros de Deus, poderá deduzir novas correlações.
Quando uma pessoa assimilou todas as lições de cada Astro, podemos dizer que ela possui todas as chaves… as Chaves do Reino.

(Publicado no Ecos da Fraternidade Rosacruz de São Paulo – SP de maio-junho/2001)
A influência da música sobre o ser humano é geral e naturalmente reconhecida, mas, o que não é de grande conhecimento é a relação dessa arte com os mundos espirituais superiores.
Foi o Verbo – a Palavra Criadora Divina – ou seja, uma vibração sonora divina, que tudo criou e a “sustentação” dessa vibração que mantém a Criação. Já não são apenas as filosofias ocultas ou correntes espiritualistas que admitem que toda criação manifestada, nesse plano, de forma concreta, encerra um som ou uma nota-chave particular que lhe deu origem. A ciência já tem registrado, através de seus instrumentos, tons musicais que são emitidos, por exemplo, pela grama crescendo, pelo movimento do Sol e por vários órgãos do corpo humano.
Segundo a Filosofia Rosacruz cada um dos nossos veículos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente) tem sua nota-chave ou seu tom próprio que ao soar pela primeira vez, deu origem a criação desses veículos. A vibração contínua e harmoniosa ou “conforme” com o som original durante toda uma vida é o fator responsável pela manutenção e equilíbrio desses mesmos veículos. Não há como deixarmos de fazer parte desse cântico da criação. A “Canção de Deus” está presente em toda a parte: em todo Planeta, em toda célula, na rocha e nos nossos corpos mais sutis.
O que estamos fazendo com essa canção?
Que “alimento sonoro” damos aos nossos veículos?
Não estamos falando apenas da conhecida música dos Grandes Mestres, ou da música erudita de boa qualidade, que na verdade, é uma expressão elevada do potencial criador do ser humano. Estamos querendo refletir um pouco mais, procurando mostrar que todo ato criador é vibração, e “música”, e, portanto, estamos sempre às voltas com nossas “sonoridades” e “vibrações”, já que como filhos de um ser criador temos em nós esse mesmo potencial.
Se a nossa canção está “harmonizada” com a “Canção de Deus”, depende de nós. A Filosofia Rosacruz nos dá inúmeros recursos para que possamos “afinar” e harmonizar nossos instrumentos e os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz estão sempre ansiosos por nos ajudar a utilizar esses instrumentos no serviço de elevação da humanidade.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Muitas das fábulas da antiguidade são baseadas nos Mistérios Secretos. Assim canta o pequeno Alecrim, a flor da lembrança, para todos aqueles que farão uma pausa e ficarão quietos por um tempo suficiente para ouvir sua canção. “Só aquele que encontrou as lágrimas que brilham no coração por cada júbilo e êxtase e que medita à luz de cada dor é sábio o suficiente para ouvir o canto do Alecrim e recordar”. Assim, os Anjos cantam enquanto exalam uma bênção perfumada sobre suas pétalas estreladas. Mais detalhes? Leia aqui: A Lembrança da Alma – A Lenda do Alecrim
Já sabemos que as emoções, por estimularem as ações, são importantes e necessárias para a nossa evolução. A questão que precisamos responder é: Com quais emoções queremos trabalhar e como queremos trabalhar com elas?
O poder das emoções é tão forte que, quando não transmutadas e não expressadas, podem causar importantes danos físicos e mentais.
Do ponto de vista espiritual, tão prejudicial como expressar o ódio, é guardá-lo dentro de si. Se não conseguirmos de imediato sentir amor quando tentados a odiar, devemos fazer um esforço intelectual para expressar preocupação, gentileza, entendimento ou pelo menos tolerância. Se nos esforçarmos sinceramente para isso com o tempo o amor florescerá.
A moderação constitui um fato importante na expressão da emoção. A forma de emoção que mais prejudica o ser humano é representada pelas tensões. Essas, quando intensas e prolongadas, resultam em dores de cabeça, perda do apetite, insônia, tonturas, úlceras etc.
Mas, afinal, o que é tensão e qual a causa?
Tensão é energia não liberada. Energia reprimida que pode surgir de hábitos físicos defeituosos, tais como excesso de trabalho, ou por desajustamentos profissionais, como resultado de excessos de responsabilidade e outros fatores.
Às vezes, a verdadeira causa das tensões surge porque nos envolvemos, simultaneamente, em vários projetos e responsabilidades; isso nos impede a concentração e, na maioria das vezes, não realizamos bem algumas das coisas a que nos propomos. É preciso aprender a executar uma coisa de cada vez para não gerar ansiedade, pois essa leva à desarmonia, à insatisfação, à tensão, comprometendo a certeza de capacidade.
Para sabermos como combater a tensão precisamos em primeiro lugar saber se ela é de origem física, mental ou emocional. A tensão física é indicada pela impossibilidade de relaxamento de alguns grupos musculares, geralmente por não ter alongado, tal como a postura defeituosa. A tensão mental pode surgir de um excesso de trabalho mental ou do trabalho sob pressão. Algumas pessoas sofrem de tensão mental por falta de interesse pela vida. Essas pessoas sentem-se aborrecidas e com exaustão mental, não por excesso de atividade da mente, mas porque sua insatisfação não permite a liberação apropriada de suas energias.
Tão logo descubram algo que lhes interesse ocupar-se, uma atividade para a expressão, e elas se tornam mais felizes e vivazes, ocorrendo então a liberação apropriada da tensão.
Outro tipo de tensão é a emocional causada por conflitos internos, tais como os decorrentes da repressão dos sentimentos naturais. Essas tensões podem resultar de uma combinação de causas. As tensões musculares frequentemente são parte de um padrão de comportamento, da pessoa não praticar exercícios de relaxamento e de alongamento habituais, e persistir mesmo quando a dor é ocasional, mas não cessa. Um sistema nervoso muito solicitado é similar a circuitos telefônicos sobrecarregados. As funções operacionais se congestionam, os sinais se misturam e podem ocorrer curtos-circuitos.
O relaxamento é o oposto da tensão. Devemos tentar superar e esquecer nossas dificuldades emocionais. Para algumas pessoas muito tensas e nervosas isso nem sempre é fácil. É preciso aprender a relaxar. Para superar a tensão emocional a pessoa necessita estudar a si própria bem como seus problemas de forma bastante objetiva. Em seguida, determinar um procedimento para corrigir o problema. Nem sempre é tão difícil, mas é necessário muito esforço para consegui-lo. Caso não consiga resolver sozinho o problema, deve discuti-lo com a família, com o médico, com um irmão da Fraternidade ou qualquer outro conselheiro de sua confiança. Com essa meia batalha ganha deve-se adotar um plano de ação e segui-lo. Continuar com os problemas, preocupações e indecisões resulta em tensões cada vez mais acentuadas.
Se a tensão é mental, com sintomas tais como dor de cabeça, perda da concentração etc., é devida à sobrecarga mental, e é recomendado repouso mental. Algumas pessoas obtêm alívio após exercícios físicos ou após deitar-se por um breve período. Outros se beneficiam por mudança temporária de afastamento das atividades e convivência com outras pessoas.
A tensão física é aliviada pelo repouso, banhos quentes, massagem e exercícios. Algumas sugestões para auxiliar o relaxamento nessas circunstâncias são deitar-se em uma superfície firme, porém confortável, com as pernas um pouco afastadas, braços ao longo do corpo, cabeça sobre um travesseiro baixo e macio. Agora vamos lá! Relaxe cada músculo de seu corpo e deixe cada um, de sentir-se pesado. Relaxe a mente, calmamente concentre-se em um pensamento inspirado tal como Deus é amor, e repita várias vezes. Relaxe a fronte mantendo os olhos fechados e localize os olhos em um ponto entre as sobrancelhas. Esse exercício abranda a tensão dos olhos e será útil para prevenir dores da cabeça. Em seguida relaxe a mandíbula e os músculos ao redor da boca. Respire profundamente. Deixe o ar entrar até a base dos pulmões de forma natural, permaneça quieto e durma se for possível, pois o sono é a maneira de relaxar concedida pela natureza, fortificando corpo e alma.
A música é outro auxiliar para o relaxamento. Podemos ser auxiliados ouvindo boa e calma música ou encontrando uma avenida de expressão, tocando algum instrumento. O poder da vibração rítmica é muito bem conhecido, tem sido usado em locais de adoração há milhares de anos. Um passatempo agradável constitui uma boa saída para as energias acumuladas. É uma oportunidade para forçar as atividades mental e física em canais diferentes. Importante também é a manutenção do senso de humor. A capacidade para rir e a abstenção de levar a sério a si próprio com excessivo rigor, contribui imensamente para a tranquilidade interna, para uma atitude otimista e relaxamento geral.
Enfim, para relaxar é preciso harmonia no trabalho, na diversão, no amor e na educação. Vemos então que a demonstração de nossos sentimentos é parte do nosso curso na escola da Terra. Atualmente, a maioria de nós ainda apresenta emoções puramente pessoais. Naturalmente, quanto maior é o envolvimento de cada pessoa com um ideal, ou seja, quanto mais consistentemente seus pensamentos se voltarem aos outros, com compaixão, suas emoções pessoais se tornarão menos importantes.
Finalmente, após um longo período de desenvolvimento espiritual, as emoções pessoais serão substituídas pelas universais, tais como as sentidas por Cristo Jesus. Após isso, em termos terrenos, o desenvolvimento emocional do Aspirante à vida superior será completo e sua expressão emocional será a mais perfeita que a humanidade atual é capaz de alcançar.
(Por H. Petito e Publicado no Ecos da Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP – julho-agosto/1995)
A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.
Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.
Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.
1. Para fazer download ou imprimir:
2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):
ESTUDOS DE ASTROLOGIA
Por
Elman Bacher
Volume 6
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
Studies in Astrology
2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship
Estudios de Astrología
3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.
Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.
Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.
ÍNDICE
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO I – O PONTO, A LINHA E O CÍRCULO
CAPÍTULO II – O ESPECTRO
CAPÍTULO III – O RITMO
CAPÍTULO IV – O ESQUEMA, A PROPOSTA, O PLANO GERAL, O PROJETO, O DESENHO
CAPÍTULO V – A COR
CAPÍTULO VI – A ARQUITETURA
CAPÍTULO VII – A DANÇA
CAPÍTULO VIII – A MÚSICA
A Astrologia é para o Estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.
A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.
Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!
Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.
A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.
Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.
Por muito tempo é uma das mais profundas convicções pessoais do autor a de que a Astrologia é a suprema arte interpretativa da humanidade. “Suprema” porque seus elementos de estrutura e simbolismo compõem os elementos estruturais e simbólicos das outras artes. Ela é a representação simbólica dos princípios cósmicos “expressando-se humanamente”; como tal, representa tudo o que a própria humanidade busca expressar nas belas artes. Ela é o padrão de ações e reações, e essas duas palavras juntas são o macrocosmo do que chamamos “experiência humana”, a qual, por sua vez, é a “destilação da consciência espiritual”. A arte, em qualquer forma, serve para intensificar e vivificar a consciência do Ser Humano, consciência de si próprio, de outras pessoas e do mundo em sua volta.
A simplicidade fundamental do simbolismo Astrológico tem o efeito de alcançar profundamente a nossa consciência por causa de sua qualidade arquetípica; por isso suas mensagens – por meio dos Astros, Signos, Casas e Aspectos – nos alcançam continuamente enquanto nós próprios desenvolvemos nossos recursos de sabedoria e percepção. Todos os artistas, tidos universalmente como grandes, são considerados assim por causa de um alto e excepcional desenvolvimento em pelo menos um ramo de sua arte em particular; o grande astrólogo é aquele que tem efetuado uma harmoniosa integração do intelecto com o amor e com a intuição. Ele é, por causa da natureza do seu talento, um instrumento, um estimulador e um refletor, um pai, uma mãe e um irmão. Conhece a escuridão, mas sua consciência está centrada na Luz; ele serve para iluminar a consciência dos outros a despeito da real identidade deles como expressões da Lei de Causa e Efeito, que é a polaridade cósmica em ação por meio do arquétipo humano.
Esta dissertação introdutória sobre “o ponto, a linha e o círculo” tem o propósito de preparação mental para consideração das analogias entre as belas artes e a Astrologia. Qualquer obra de arte é uma organização “quimicalizada” de elementos, abstratos e concretos, que serve para incorporar uma ideia arquetípica. A concepção da ideia é ação da polaridade feminina do artista; representa seu funcionamento como um focalizador de poderes inspiradores e um preceptor do arquétipo, por intuição. Pelo exercício da força de vontade e da destreza técnica (polaridade masculina) ocorre uma fusão vibratória que torna possível a gestação da incorporação – o arquétipo é condensado e objetivado através do meio artístico particular – e a perfeição inerente ao arquétipo é proporcionalmente manifestada em tons, cores, desenhos, movimentos, gestos, palavras, etc. A fusão da intuição com a vontade é o exercício da bipolaridade – o artista é, a um e ao mesmo tempo, o “pai-mãe” de sua obra. Os seres humanos não CRIAM – nem podem criar – tons, cores, desenhos, movimentos, gestos, etc. Temos, contudo, a faculdade de nos fazer cientes da existência e natureza dos arquétipos, e nossos talentos nos permitem manifestar nossos conceitos dos arquétipos, os quais habitam, e sempre habitaram na Mente Divina. Nós, como indivíduos, simplesmente damos expressões individualizadas a eles. A transcendente qualidade da obra de um autêntico grande gênio artístico tem seu recurso na clareza com que ele percebe o arquétipo e a eficiência com que lhe dá expressão. Pense sobre isto em relação àquelas obras de arte que você mais ama e que o tem inspirado mais intensamente. Elas vivem sempre em sua consciência e servem para simbolizar realidades internas para você. Sua resposta a elas é parte e quinhão do seu Corpo-Alma; a essência delas viverá nele enquanto você existir. Elas são, em qualquer forma, manifestações vibratórias da verdade. A “criatividade” do manifestador artístico é a originalidade com que ele incorpora o arquétipo.
Alguns poucos exemplos – para ilustrar a qualidade arquetípica da grande arte: a música de Johann Sebastian Bach[1]; o canto de Marian Anderson[2]; o balé artístico de Isadora Duncan[3], Vaslav Nijinsky[4] e Mary Wigman[5]; as atuações de Eleonora Duse[6] e John Barrymore[7]; os dramas de Shakespeare[8]; a escultura de Rodin[9]; as novelas de Pearl Buck[10], a arquitetura do Egito antigo; a poesia de Verlaine[11], etc.
Sem “o ponto, a linha e o círculo” não pode haver representação astrológica. Sem compreendermos o significado arquetípico desses três não podemos entender o significado arquetípico nem de uma obra de arte, nem de um horóscopo. No composto “ponto, linha e círculo”, como uma sequência, se vê o símbolo da emanação – macrocósmica e microcósmica, divina e humana. Você já se perguntou sobre o que fazer para criar um símbolo do “nada”? Bastante simples. Você subsiste por meio da palavra, e não faz nada. Deixe em branco uma folha de papel. A partir do momento em que indicar qualquer coisa nesse papel você terá dado incorporação a “algo”. O fator mais fascinante na simbologia é o estudo do ponto – porque o ponto é o começo de toda exteriorização. Você pode traçar uma linha “de imediato”? Não – você tem que começar com um ponto. Contestar dizendo: “mas eu posso usar um carimbo e traçar a linha imediatamente” é um equívoco; o carimbo (feito para traçar a linha) foi propriamente feito pelo processo de um ponto.
As pessoas, em sua grande maioria tendem a pensar que um zero (círculo) é símbolo de “nada”. O simples fato de que o zero é uma “coisa traçada” invalida automaticamente tal interpretação (“Um e Zero” – escritos – não é “um”, mas sim “dez”). Consideremos a natureza do “círculo do zero” sob o ponto de vista de como ele é essencialmente feito; a partir disso, talvez possamos conseguir uma percepção mais clara do que ele simboliza essencialmente (Note que, na soma e na multiplicação, nossos “resultados numéricos” emanam para a esquerda – do mesmo modo que a linha do Ascendente “emana” do centro do Grande Mandala em espaço-tempo específico. O número mais afastado para a esquerda no resultado aritmético é análogo ao ponto do Ascendente).
No momento em a ponta do seu lápis toca o papel você estabelece o ponto. Pela sequência de movimento no espaço-tempo, você traça a linha desde aquele ponto. Então o ponto é a origem da linha, quanto à representação. A polaridade é representada assim: sua vontade e sua mente se impõem sobre as substâncias materiais do lápis e do papel; o pensamento de traçar a linha é sua ação subjetiva; o traçado é a ação objetiva que resulta na manifestação da linha. Dos dois instrumentos, o lápis é masculino porque sua substância é qualificada para fazer a marca; o papel é feminino porque sua natureza é a de “receber” a impressão da ponta do lápis e refleti-la como imagem de sua ideia. Por correspondência você, nessa ação, é Deus; o lápis e o papel são a matéria, e a linha é o resultado específico da ação de sua vontade sobre a substância material; novamente por correspondência – assim como Deus Pai-Mãe (Vontade e Imaginação criadoras) utiliza o universo o material para manifestar arquétipos – e estes arquétipos podem ser a “humanidade”, o “gato”, o “carvalho” ou o “beija-flor” (humanos, quadrúpedes, vegetais ou aves). A ação da ponta do lápis no papel é análoga à ação da polaridade cósmica sobre e através do universo material, resultando em uma manifestação especializada.
Do mesmo modo que você, como uma “emanação” do Deus Pai-Mãe, é a fonte de suas expressões, assim também o ponto que você fez é a fonte de todas as linhas, todos os planos e (teoricamente) sólidos que podem, ou poderiam emanar dele. Assim sendo, ele é o símbolo abstrato da subjetividade infinita; a partir desse ponto as linhas podem ser traçadas no espaço infinito e no tempo infinito. Porque a linha “viva” é evidente que o ponto existe; porque somos sustentados na manifestação, fica evidente que nossa fonte existe. A linha, então, é o efeito específico de uma causa específica; o traçado dela é um processo “quimicalizante”; o comprimento dela é o exercício de sua vontade para manifestar, perfeitamente, o arquétipo em sua Mente (uma linha indefinida é manifestação não realizada do arquétipo; uma linha com medida é, definitiva e especificamente, qualificada como uma exteriorização arquetípica). Na realidade, o ponto é um “pequenino círculo”; abstratamente, e agora estamos tratando de abstrações, ele simboliza o composto puro de todas as dimensões. Reflita muito sobre a palavra “arquétipo” – ela poderia ser matéria de estudo de uma vida inteira, porque é uma das palavras mais fascinantes e iluminadoras.
Vemos agora que o ponto – como um símbolo abstrato – é o arquétipo da origem: Deus, a causa, a essência subjetiva, o núcleo, a semente, etc. Correspondentemente, a linha é a primeira emanação da fonte em potencial porque nenhuma outra linha foi, até o momento, traçada a partir do ponto. Quando a linha é completada por uma medida, então ela está completamente “quimicalizada”, sendo, pois qualificada, por seus atributos de “linearidade”, para emanar planos e sólidos (do mesmo modo que um filho, “emanado” por seus pais, possui os atributos de se tornar, ele próprio, um pai quando alcança a maturidade; sua maturidade, de corpo e emoção, o qualifica para uma identidade específica – paternidade – assim como a medida da linha a qualifica especificamente).
Aplicando-se ao texto dessa dissertação, o ponto é a ideia arquetípica do artista. O traçar da linha é a ação de manifestação do arquétipo. A linha medida, completa, é a obra terminada e agora qualificada por seus atributos para ser vista, ouvida e apreciada – para ser respondida. No Grande Mandala Astrológico o ponto central é a Divindade inerente ao arquétipo humanidade; a linha traçada para a esquerda é o Ascendente abstrato, Áries, o “EU SOU” de todos os seres humanos. No horóscopo individual do ser humano, o ponto central é sua “centelha de Deus”, sua “porção” individualizada de Divindade, a “quimicalização” da qual é a linha traçada horizontalmente para a esquerda a partir do ponto; o contato dela com a circunferência do círculo é seu nascimento físico – a objetivação de seu “EU SOU”. Como só existe um raio em cada círculo, esta “linha do Ascendente” é o composto das quatro identidades básicas do ser humano: macho e/ou fêmea; complementação (e esses dois compreendem a identidade sexual); gêneros masculino e feminino (esses dois compreendem as identidades de ser Causadores e Efeitos de Causas ou Expressores e Reatores).
A palavra “Arte” corresponde à palavra “Artista”, assim como a palavra “Humanidade” corresponde a palavra composta “Homem-Mulher”. Existem muitas formas de expressão da Arte, assim como existem vários tipos de seres humanos. Arte, como uma palavra arquetípica, significa: a manifestação de arquétipos por meio do tom, da cor, da substância, da palavra, do movimento e dos elementos abstratos do desenho e do ritmo. “Humanidade” significa: a manifestação, nesse Planeta, de uma ideia arquetípica de Pai-Mãe Deus; ela é expressa por meio dos dois sexos, masculino e feminino, que aparecem nas “dimensões evolutivas” do descumprimento e do relativo cumprimento dos potenciais Divinos. Agora, trataremos as emanações da linha como uma “fonte” (origem) em si mesma.
Assim como o número Arquetípico é “um”, do mesmo modo só existe um centro e um raio para qualquer horóscopo – embora, consequentemente, dois diâmetros. O artista possui – manifesta e/ou interpretativamente – um dote artístico, que é sua habilidade para perceber arquétipos e manifestá-los. Mas pode haver muitas maneiras pelas quais ele pode exercitar seu “EU SOU” artístico – tanto por participação em diferentes formas de arte quanto em diferentes fases de uma forma particular. Existem na Astrologia três expressões das quatro identidades básicas já mencionadas anteriormente. Em cada uma dessas doze identidades o ser humano expressa seus potenciais especializados; em cada uma das fases do dote artístico (gêneros dos quais – masculino e feminino – são o manifestador e o intérprete, respectivamente) ele expressa seus potenciais artísticos especializados; o dramaturgo expressa por meio de várias formas dramáticas, e a atriz aprende a interpretar vários tipos de papéis; o músico lida, ou pode lidar, com diferentes instrumentos e formas musicais; o arquiteto e o escultor aprendem a adaptar diferentes substâncias para dar corpo a suas ideias. O artista realiza o “raio da roda” em cada demonstração satisfatória de seu dote manifestador e/ou interpretativo; o ser humano como indivíduo realiza “seu raio” quando se conscientiza dos princípios espirituais envolvidos em seus padrões de experiência e expressa aquela realização em seu viver diário. Como é o “fim” de tudo isto que é simbolizado? Consideremos a realização do ponto – o círculo:
A inefável beleza de um círculo perfeito é o símbolo humano supremo da realização espiritual e da realização perfeita de potenciais. Após a realização e cumprimento dos potenciais, vem a liberação perfeita da escravidão à forma no tempo certo. A “forma” pode significar um relacionamento específico, um padrão de experiência específico ou uma oitava particular, um estado específico de manifestação, ou um ciclo evolutivo específico. Para ilustrar:
Desenhe numa folha de papel a seguinte forma geométrica mais simples – um triângulo equilátero. Os pontos médios dos lados são os três pontos mais próximos do centro (da figura). À medida que se move ao longo do triângulo, a partir de qualquer um desses três pontos, você se afasta do centro até alcançar o próximo ponto angular. Faça o mesmo com o quadrado – os pontos médios de seus lados são os quatro pontos mais próximos do centro, sendo que os pontos angulares ficam mais distantes do centro. Todas as figuras fechadas de três ou mais lados são símbolos do cristal – representam estados estáticos. O movimento em volta delas, embora rítmico em figuras equiláteras, não é constante em relação ao centro.
A este respeito o círculo difere de todas as outras figuras fechadas. Percorra com a ponta do seu lápis, a partir de qualquer ponto de um círculo perfeito, a circunferência da roda até chegar novamente ao ponto de partida: a ponta de seu lápis esteve à mesma distância do centro em todos os momentos. Por conseguinte, a “perfeição espiritual” do círculo e sua perfeição estética (um “fluxo” contínuo, perfeitamente controlado, a partir de determinado ponto) representam o ideal de expressão rítmica e harmoniosa de potenciais e de suas perfeitas realizações no Amor-Sabedoria.
Uma vez que o triângulo equilátero – o “Grande Trígono” – é o próximo símbolo espiritual mais significativo (em virtude da “proximidade” dos seus pontos médios ao centro), temos nele a imagem da perfeição relativa do ser humano exercitando, de tempos em tempos, o mais elevado e melhor dos seus atributos. Sendo humano, ele não permanece nesses pontos elevados (os mais próximos do centro, e que têm certa analogia com os pontos médios de um diâmetro horoscópico); ele tende a se afastar do seu centro em direção ao próximo ponto angular – que simboliza uma nova identidade para mais liberação de poderes do Amor-Sabedoria. Estude os quatro Trígonos genéricos, cada um encerrado em um círculo, com os pontos médios ligados ao centro – para representar a “proximidade”. Os pontos angulares, sendo os mais afastados do centro, são, em cada um dos quatro símbolos, os tríplices poderes da identidade (Cardeal) a ser expresso e realizado através do amor (Fixo) e da sabedoria (Comum). O encerramento de um círculo menor pelos três pontos médios representa o “retorno” da individualização (Adão-e-Eva) à unidade (Paraíso) pela redenção através do Amor-Sabedoria (Cristo). Continuando esse processo de criar círculos menores da mesma maneira reduziria eventualmente, do ponto de vista abstrato e simbólico, o círculo original ao seu ponto Central original, o término das experiências de um arquétipo manifestado: “da Subjetividade à Objetividade e de volta à Subjetividade”. Concluindo:
O círculo não é um “símbolo químico”. É a manifestação da perfeição inerente a uma expressão “quimicalizada”. Ele é o ideal da objetivação perfeita e da realização perfeita. É o infinito do efeito perfeito assim como o ponto central é a perfeição infinita do arquétipo. O círculo da roda horoscópica é o arquétipo humano a ser manifestado (Maestria); é a verdade, a bondade e a BELEZA – o poder inspirador – da obra de arte realizada. Ele é a consciência refinada e sensibilizada do artista como manifestador-intérprete – e “intérprete” significa “instrutor”, bem como “representador” – e o cumprimento de seu sagrado dote como um instrumento espiritual. O ponto central do círculo é a fonte divina de manifestação – em todos os planos, oitavas e ciclos.
“Espectro” é uma das mais importantes palavras arquetípicas envolvidas em um estudo de expressões da arte; a palavra, na aplicação arquetípica ou concreta, é derivada de uma palavra em latim que significa “olhar para”. “Emanação” é o processo pelos quais os potenciais de uma coisa se põem em manifesto: “espectro” é o resultado – o total de potenciais, qualidades, e partes PERCEPTÍVEIS. Geralmente usamos a palavra “espectro” para designar a aparência de um raio de luz que foi refratado em suas cores (partes) componentes, e isso é um excelente exemplo para os propósitos desse estudo porque a Astrologia, em si mesma, é percebida visualmente. O arco-íris é um exemplo concreto perfeito. Ele é um espectro natural; porém é mais que isso – ele é um símbolo perfeito do “espectro” como uma palavra arquetípica. O raio de luz solar é macrocosmo, o arco-íris é microcosmo; o arco-íris como um espectro é macrocosmo para cada uma de suas cores designáveis, seus “microcosmos”; “Espectro”, como uma palavra arquetípica, se aplica a cada uma das cores como “macrocosmo” de cada um de suas tonalidades ou das gradações ou qualidades. Em outras palavras, ele é o produto da luminosidade e refração; suas características básicas são as “cores designáveis”; essas, por sua vez, são qualificadas por gradações e matizes que também podem ser designados por palavras específicas.
No que se diz respeito ao nosso Sistema Solar, o espectro original está na imaginação criadora do Deus Pai-Mãe. A Mente Divina, sendo a Fonte de cada arquétipo (ex.: o arco-íris) manifestado neste Sistema, é a fonte de todos os “espectros em manifestação” (exe.: o total e as cores em separado, e suas gradações, de cada arco-íris). Por analogia, então, a Mente Divina corresponde ao raio de luz solar em nosso exemplo; um arquétipo é o arco-íris (uma manifestação de Luz); um sub-arquétipo é uma das cores designáveis que se encontram no arco-íris.
A manifestação arquetípica da Mente Divina (a imaginação criadora do Deus Pai-Mãe) é percebida como nosso próprio Sistema Solar. O “espectro de emanação” vem a ser a gradação dos Planetas, desde o tempo em que o primeiro foi emanado até a emanação do último. O espectro de suas qualidades ocultas seria a gradação evolutiva dos Logos Planetário do Sistema, análogo às cores diferenciadas do arco-íris. A cor tem um espectro de frequência vibratória (tonalidades específicas) e também um espectro de qualidade vibratória (brilho relativo ou ausência de brilho). O espectro de qualidade vibratória do Sistema Solar inteiro vem a ser a soma total de gradações de todos os habitantes do Sistema em termos de exercícios de consciência espiritualizada do “máximo ao mínimo” (ou do “mínimo ao máximo”). A mesma classificação deveria designar o espectro de qualidade vibratória dos habitantes de qualquer Planeta em particular e, por sua vez, o agrupamento deles por raça e/ou nação. Essa analogia também é aplicável ao tom do arquétipo – material essencial para o manifestador e intérprete musical.
O tom é o arquétipo de todos os sons, uma vez que, por sua natureza, é vibração rítmica percebida audivelmente. “Fraterno” com a cor, o tom tem um duplo espectro: frequência vibratória (baixa e alta) e qualidade vibratória; o espectro de qualidade vibratória tonal também é duplo: o Dinâmico (suave e forte) e o Potente (monótono e brilhante). O espectro da “frequência tonal” é a manifestação completa da escala tonal desde a velocidade mais baixa vibratória (a mais lenta) até a mais alta (a mais alta). Essa “escala total” é dividida em “oitavas”, assim como o arco-íris é dividido em “cores” (as cores são simplesmente as “oitavas” em um raio de luz). Assim como cada cor do arco-íris é, em si mesma, um “espectro de tons”, do mesmo modo cada oitava tonal é um “espectro”. Cada tom perceptível e designado para uma cor específica, soma total dos quais é a “matriz” da cor específica, é análogo a cada harmônico da nota musical; os harmônicos de uma nota musical específica, em conjunto, são as “matrizes” da nota, assim como o envoltório do ser humano, dos animais, das plantas e dos minerais é sua matriz. O tom, em relação aos seus harmônicos, e “expressão vibratória condensada” – um fator específico de um sistema musical.
O espectro dinâmico da cor é sua gradação do branco até a máxima densidade; o espectro dinâmico do tom é a gradação que representa o “suave e forte”. O espectro de potência de ambos, cor e tom, é a gradação desde a “mínima força aplicada” (monotonia) até a “máxima força aplicada” (brilho da qualidade transportada). Um grande pianista, mediante a ação controladora da mão, do punho ou do dedo ao comprimir totalmente uma tecla, pode criar um “pianíssimo” de delicada suavidade, cuja potência alcançará os lugares mais remotos do auditório. Outros, menos habilidosos, podem tocar o mais potente possível que os sons produzidos soarão ásperos ou sem vida. A analogia disso com a “monotonia” ou com o “brilho” do Astrólogo na interpretação de princípios, quando representados em um horóscopo, é uma das coisas para as quais você deveria levar em grande consideração; a analogia é exata.
O artista manifestador usa um espectro de meios para suas expressões. Esse espectro abrange do meio abstrato mais concreto (desenho) ao meio abstrato mais evanescente (o ritmo). Inclui também os três meios concretos: tom, cor e substância. A linha é o meio abstrato entre o desenho e o ritmo. A linha é o símbolo arquetípico do “processo de manifestação”. O traçado de uma linha pode ser “espaçado” (ritmado), e dela derivam todas as formas (desenhos) incorporadas (envolvidas); assim como a própria linha emanou de sua fonte, o ponto.
Letra e palavra; tom e acorde; linha e desenho (incorporação bidimensional) e massa (desenho tridimensional) compõem os meios de o artista exteriorizar seus conceitos de arquétipos, quer de modo manifestador quer do modo interpretativo. O ritmo, espaçamento de sequência ou de manifestação sequencial, é um “denominador comum” de todas as formas de arte, porque o ritmo é o arquétipo da natureza de todo movimento.
A analogia do “espectro na Astrologia” com o “espectro na arte” é fascinante em virtude de sua clareza. O recurso arquetípico de ambas as formas de interpretação é a consciência humana; o propósito arquetípico de ambas é interpretar a natureza dos arquétipos divinos por meio dos conceitos manifestados desses arquétipos; a ação arquetípica de ambas é intensificar, vivificar e iluminar a consciência que o ser humano tem em si mesmo, de outras pessoas e do mundo ao seu redor; a reação arquetípica a ambas partes é da combinação do sentimento instintivo do ser humano com o conhecimento instintivo.
A palavra “artista” é arquetípica; suas duas principais “emanações” são o: artista manifestador (criador) e artista intérprete. O primeiro ser humano que moveu ou posicionou seu corpo de certa maneira para dar expressão a um estado emocional específico foi o “primeiro” dançarino manifestador. O primeiro ser humano a reconhecer que “o ponto, a linha e o círculo” poderiam ser utilizados para simbolizar o ser, a consciência e a existência da humanidade – ou do ser humano – foi o “primeiro” astrólogo manifestador (nesse caso se pode observar que “ponto, linha e círculo” são os “ingredientes” arquetípicos dos símbolos astrais bem como do desenho estrutural da roda). O astrólogo manifestador – à semelhança do artista manifestador – incorpora seu conceito de arquétipo por meio de um símbolo concebido originalmente; o símbolo é sua forma de exteriorizar a natureza, o propósito e a objetivação de um princípio cósmico. O astrólogo intérprete estuda e percebe, intuitivamente, os significados dos símbolos já manifestados; ele cumpre sua função aplicando sua compreensão desses símbolos à interpretação do horóscopo. Como exemplo, o autor sugere considerar o seguinte como um símbolo “manifestador” para o Planeta Plutão: um círculo envolvendo a seta apontada para cima usada no símbolo de Marte; a seta é a expressão da energia potencial; o círculo é o subconsciente coletivo da humanidade – a força arquetípica do desejo como um “fluido congelado” à espera de liberação mediante a expressão; é a concepção do autor do significado da Regência de Escorpião por Plutão e da co-Regência do mesmo Signo por Marte (A letra P é uma inicial).
A palavra arquetípica espectro tem polaridade. A polaridade masculina é “espectro de qualidade vibratória”; a polaridade feminina é “espectro de formas manifestadas”, que é a cristalização do desenho arquetípico. Essas duas polaridades de espectro são vistas em Astrologia desse modo: a polaridade masculina (subjetividade) é toda a “extensão vibratória” dos doze Signos zodiacais, desde o primeiro segundo de Áries até o último segundo de Peixes. Esse é o espectro da consciência, humanamente falando; e é o espectro dos poderes cósmicos, divinamente falando. Do ponto de vista da polaridade quando se manifesta nos atributos da natureza humana, ele é o espectro da qualidade genérica – um composto de “atividade” e “reatividade” do qual todo ser humano, masculino ou feminino, participa. Compõe a essência de nossa projetividade e de nossa reflexibilidade, nossa expressão e nossa percepção. Como a polaridade é um composto, reconhecemos que esse aspecto “masculino-subjetivo” da roda é uma “extensão de pontos”, quaisquer dos quais é um potencial pelo qual nos expressamos de acordo com as nossas percepções e percebemos de acordo com a nossa capacidade de expressar. Expressão é o processo pelo qual a individualidade é manifestada; percepção é a polaridade experimentada. Essas ações ocorrem numa sequência de tempo, mas sua fonte é uma unidade – a consciência.
A polaridade objetiva “negativa” ou “feminina” do espectro astrológico é a sequência das doze Casas, da primeira à décima segunda, no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio. Essas descrevem designações de experiências específicas nas quais, e através das quais, a consciência tanto é expressa quanto percebida. Elas se referem à “objetividade” da Vida. Cada Casa é um “mecanismo” para focalizar (como a paternidade focaliza a identidade de uma criancinha) as expressões de nossas percepções dos princípios específicos de vida. Cada Casa é um sub-arquétipo da palavra-arquétipo “matriz”; ela nutre nossa experiência e crescimento, assim como o corpo materno nutre internamente a gestação da criança e o poder do pai proporciona externamente o bem-estar da mãe e da criança. Assim, esses doze padrões de experiência “patrocinam” nosso desenvolvimento espiritual no tempo-espaço. Na congestão (expressão não regenerada da percepção cristalizada) nós permanecemos “atados” à matriz da experiência; através da expressão regenerada de percepções descristalizadas obtemos domínio sobre o ambiente do mesmo modo que, com a maturidade, obtemos “domínio” sobre nossas dependências de nossa matriz bipolar: pai e mãe. Assim nos capacitamos para funcionar mais e mais com a consciência individualizada de princípios, ao invés de em conformidades repetitivas da limitação das aparências. Lembre-se de que esse “espectro de Casas” é uma polaridade do arquétipo da experiência humana; por conseguinte, nada dele é “mau” ou “mal”. As Casas, em combinação, são materiais a serem usados; elas são designações de princípios que devemos aprender – assim como o estudo das cores nos ajuda a entender a natureza da luz.
Os Astros são focalizadores dos Signos que eles regem; eles são posicionados especificamente, pela Lei de Causa e Efeito, nas duas representações do espectro Astrológico – Signo e Casa. Assim como cada cor tem suas próprias gradações e cada tom tem seus próprios tons harmônicos, do mesmo modo cada Astro tem um “espectro pessoal” de dupla natureza. Uma é o “espectro do padrão” – todos os Aspectos possíveis com todos os outros Astros; a outra é o “espectro de foco” – todos os posicionamentos possíveis nos Signos e nas Casas como especificações dos “pontos” genéricos significativos no horóscopo individual. Um Astro sem Aspecto é como um tom “surdo” em música – tem pouco “poder de influir”. Uma congestão da relação do Astro com outro é como qualquer problema técnico em qualquer arte – a pessoa tem de “aprender os princípios” envolvidos, do mesmo modo que o artista tem de vencer sua ignorância ou sua incapacidade para manifestar ou interpretar mais perfeitamente seus conceitos dos arquétipos. “Superar seu problema”, da parte do artista, é análogo à pessoa com um Aspecto congestionado se tornando ciente dos princípios envolvidos no seu particular padrão de experiência e entrando em ação a partir da base de uma consciência dilatada.
O principal espectro do “padrão astrológico” é duplo: o sub-espectro das três Quadraturas (Cardeal, Rixa e Comum) e o sub-espectro dos quatro Trígonos genéricos (Fogo, Terra, Ar e Água). A tríplice Quadratura, em quatro variações, é o símbolo primitivo do atributo Deus Pai-Mãe a tomar forma. O quádruplo Trígono, em três variações, é o símbolo primitivo do potencial divino inerente a toda forma (manifestação ou identidade). A Conjunção de dois Astros é realmente o símbolo arquetípico do Casamento; dois Astros se “fundem” para iniciar uma série inteira de relacionamentos de Aspectos mútuos durante muitas encarnações seguintes (do mesmo modo que no matrimônio, duas pessoas se “fundem” para uma série de relacionamentos mútuos durante os anos seguintes. Pense nisso.). Em outras palavras, o Aspecto Conjunção é análogo ao ponto central do círculo porque o ponto central “emana” os potenciais para o Ascendente; o Aspecto Conjunção vai emanar uma série de Aspectos astrais enquanto a pessoa progride ao longo de sucessivas encarnações.
Todos os Aspectos astrais têm “espectro”, do modo seguinte: pela significância da “órbita” dois Astros formam Aspecto exato entre eles, ou estão se aproximando do Aspecto ou não formam Aspecto entre si. Isso é o espectro de “espectro exato” – a exatidão de um Aspecto determina a intensidade de seus efeitos, por congestão ou expressão. O Aspecto Quadratura tem polaridade no sentido de que ele, em si mesmo, simboliza arquetipicamente congestão de expressão (masculina) ou congestão de percepção (feminina). A Quadratura, o Sextil (alquimia, regeneração dinâmica), a Conjunção (fusão de forças) e a Oposição (focalização astral de um diâmetro) têm espectro somente no sentido de que quaisquer Signos, Casas ou Astros podem aparecer nesses padrões. O símbolo do Trígono tem um duplo espectro de polaridade:
Usamos aqui o triângulo equilátero que repousa em sua base horizontal (os três Signos de Terra do Grande Mandala) como símbolo do “Aspecto Trígono”.
Usamos os Signos de Terra porque essa é a representação mais estática do Trígono; essa é realmente a polaridade feminina do Trígono; é o resultado de se ter exercitado relativo amor-sabedoria no passado, e isso é uma outra maneira de se dizer “Maestria relativa”. A pessoa com um Aspecto Trígono desfruta de certa harmonia, ou abundância ou integração nessa encarnação devido a seus esforços no passado. A polaridade masculina do Trígono é o Trígono de Fogo: Áries-Leão-Sagitário. Esse é o exercício dinâmico da consciência espiritualizada e é a oitava superior do Aspecto Sextil. Em virtude de causa e efeito terem a mesma origem, podemos ver que esta representação dupla da polaridade do Trígono nos diz: “Sim, goze os frutos desse Aspecto, mas lembre-se de que você está evoluindo; você também deve usar o Trígono como um poder dinâmico para elevar a qualidade de sua Mestria relativa para maiores percepções no futuro.
Seu horóscopo terá mais “brilho” e “resplendor” se você pensar nele em termos de espectros, do mesmo modo que sua apreciação da arte se aprofunda ao ponto de você se tornar consciente dos valores e belezas de seus diversos atributos e essências. “Veja” os quatro Trígonos genéricos se desdobrarem a partir dos pontos estruturais Cardeal, Fixo e Comum; “veja” a conversão química do espírito em objetivação desdobrando as quatro cruzes estruturais a partir dos três Signos de: Fogo, Terra, Ar e Água. Pense em espectro a respeito de tudo que chame sua atenção – arquétipos, sub-arquétipos e assim por diante. Você desenvolverá, ao mesmo tempo, uma notável esfera de percepção dos valores das posições Astrológicas e padrões. “Pensar em espectro” é pensar arquetipicamente. “Pensar arquetipicamente” é exercitar a Mente ritmicamente.
Nesse estudo sobre Ritmo vamos tentar compreender a natureza e essência do mais intangível e evanescente atributo da manifestação cósmica. Discutiremos esse assunto de um ponto de vista tanto quanto possível arquetípico; é necessário fazermos assim para que nós percebamos o significado desse atributo tão essencial às artes.
Movimento é a palavra arquetípica que significa a ação da alquimia cósmica. As manifestações do universo estão continuamente em um estado de mudança de uma forma para outra, de um grau, tamanho para outo, de uma qualidade para outra, de um volume, ciclo para outro e de uma oitava para outra. Nenhuma coisa manifestada permanece exatamente a mesma de um ano para o outro – ou mesmo de um dia para outro. Tudo responde à essência dinâmica das forças evolutivas em direção à meta em que as potencialidades inerentes serão liberadas e cumpridas. Seu corpo cresce em tamanho e capacidade para se expressar ou se deteriora e diminui em capacidade; qualquer que seja a direção, você, em seu veículo, muda de um estado para outro. Sua consciência “move” de um estado para outro, e esse movimento está diretamente dependente de duas coisas:
Quando sua repetição de uma reação negativa é manifestada em expressão pela ação correspondente, você produz uma outra causa negativa e então você se movimenta para trás. Isso é assim porque os padrões de experiências se manifestam em sequência; se você deixa de aprender de um efeito anterior de uma causa específica e novamente age com ignorância, sua “linha de vida” retrocede ao invés de avançar. Uma repetição de uma reação negativa contrariada pela ação construtiva do exercício da inteligência move sua direção evolutiva para frente e para o alto. Pense sobre isso em termos de seu movimento de consciência ao longo de sua encarnação. A liberdade completa de se mover para frente a partir de um aspecto específico de um padrão de experiência específico significa que você aprendeu a aplicar o princípio inerente ao padrão de experiência em termos de sua posição no ciclo.
Ritmo é a lei cósmica de causa e efeito trabalhando por meio do movimento. No ritmo todos os efeitos ocorrem em intervalos naturais. Pelo ritmo, toda emanação específica “nasce” no tempo condizente com os seus atributos.
A referência à “Alquimia Cósmica” é aplicável ao corpo humano desse modo: respiração é a inalação que torna possível a oxidação; exalação é a expulsão do resíduo desnecessário. O batimento do coração possibilita ao Corpo inalar para alimentar e refrescar seus tecidos pela ação arterial; a ação venosa retira aquilo que é desnecessário. Essas duas ações do Corpo, além da “inalação” de materiais alimentares e da “exalação” dos resíduos, são exemplos primordiais da ação rítmica na alquimia do Corpo. Embora o corpo seja programado para o cumprimento de suas necessidades, nós comemos e bebemos de acordo com ações conscientes; a respiração e o batimento cardíaco são dirigidos pelo subconsciente – eles “continuam” automaticamente. Pense um pouco sobre os ritmos naturais de sua vida física – alquimia é o propósito que está sendo cumprido por esses processos programados. A humanidade tem outros modos de ser alertada para os ritmos do universo. Consideremos alguns exemplos das evidências do ritmo no mundo natural:
Aquela indicação métrica na música que chamamos de ritmo “dois por quatro” – dois tempos completos para cada compasso (um-e-dois-e) – não somente ilustra a polaridade do tempo, mas também o arquétipo de toda ação rítmica. O tempo “um” é macho-masculino, o “e” é a conclusão feminina do tempo; o tempo “dois” é feminino-masculino, seu “e” é a conclusão feminina (o masculino-feminino de macho-fêmea é a polaridade cósmica em expressão quádrupla – o Universal “Adão-e-Eva”). Nessas circunstâncias:
A cruz é a conversão alquímica da consciência por meio da reação à (ou de interpretação da) experiência encarnada.
O ritmo “três por quatro” é simbolizado pelo símbolo arquetípico do Trígono, que é o potencial espiritual inerente; esse potencial é liberado é expresso pelo Sextil à – e na – Quadratura, que é a cruz congestionada. Os seis raios – três diâmetros – do símbolo Sextil, que representam os seis Signos de Fogo e de Ar, descrevem o Cardeal, Fixo e Comum desses Signos masculinos, o macho do qual é o Fogo, a fêmea do qual é o Ar.
O Sextil, portanto, é “dois três”; cada um desses “três”, na forma fechada, é o triângulo equilátero, metade do grande Trígono duplo, o poder-amor-sabedoria do macho ou da fêmea individualizados. Os quatro pontos da Cruz arquetípica são os relacionamentos humanos básico: macho e fêmea como “dadores”, macho e fêmea como “recebedores”; ou macho e fêmea como “iniciadores de causas”, e macho e fêmea como “reatores aos efeitos de causas”. Esse grande símbolo representa as identidades da interação e do intercâmbio entre todos os seres humanos. O Trígono (fechado) é um potencial de irradiação espiritual individualizada; esse potencial é o “fruto” daquilo que foi “fermentado” pela cruz, congestionado pelo medo-ignorância, descristalizado pelos opositores do Sextil e resultando no resíduo puro do poder, do amor e da sabedoria espirituais. O Trígono é “aquilo que a alma tem guardado após a inalação da experiência e ter sido efetuada a descristalização das congestões”. Pense na analogia entre o Corpo físico e o Corpo-Alma – cada um “inala e se alimenta”, “alquimisa-se, lança fora o que não é necessário e retém a essência do que precisa”.
O significado oculto do Trígono tem muito a dizer sobre o poder místico de cura definitiva do ritmo “três por quatro”. A Astrologia ilustra isso na sequência dos Signos Cardeal-Fixo-Comum. Cada Signo “abarca” três decanatos e cada elemento “abarca” três Signos. Os Trígonos de elemento genérico são ritmos cósmico “três por quatro” se expressando a partir das quatro identidades básicas; isso ilustra o “abarcamento” da roda horoscópica assim como a divindade abrange o universo. Por conseguinte, o ritmo “três por quatro” transmite ao nosso conhecimento instintivo a recordação da eterna Presença do Divino. Há uma sutil, quase indescritível, graça e charme no ritmo “três por quatro” que os ritmos “dois por quatro” e “quatro por quatro” não têm. O significado oculto dos dois últimos é estrutural; até no ritmo “três por quatro” as frases são construídas basicamente em grupos de dois ou quatro compassos, excluindo assim a associação do Trígono à cruz. Na musicoterapia o ritmo “três por quatro” tem provado possuir um poder maior para aliviar e acalmar. O ritmo “três por quatro”, na estrutura arquetípica das frases de quatro compassos, é o poder divino em manifestação.
Quando aplicamos os significados ocultos do ritmo à Astrologia-em-ação vemos coisas notáveis. A respiração básica da ação vibratória é o tempo para baixo e o tempo para cima da Lunação e sua Lua Cheia. Essa ação é análoga à inalação-exalação de ar pelo ser humano; é a conversão alquímica de vibração no corpo arquetípico inteiro – a humanidade – assim como a oxidação e o comer é composto dos processos alquímicos físicos individuais. De acordo com a nossa consciência, nossos Corpos “se movimentam”, harmoniosamente ou não, com as ações de se sustentar. Correspondentemente, nossas almas se desenvolvem (se movimentam) com nossas respostas à ação da vibração. Uma extensão da “Lunação-respiração” se vê no estudo do eclipse solar, que é macrocósmico para a Lunação microcósmica. Um padrão de eclipse solar é o estímulo de dois Signos de um diâmetro zodiacal por dois eclipses separados por seis meses (seis Signos). Tal padrão cobre um ano; um ciclo de eclipse solar (duas vezes o estímulo de dois Signos de um diâmetro zodiacal) cobre um período de dois anos e é notavelmente análogo à uma completa composição musical – no ritmo “três por quatro”.
O tempo “um” é o primeiro eclipse; os tempos “dois” e “três” desse primeiro “compasso” são as duas Lunação que se seguem; o tempo “um” do segundo compasso é “ponto médio” da Lunação que forma uma Quadratura com o ponto do eclipse; os tempos “dois” e “três” são as Lunações que se seguem ao “ponto médio”; o tempo “um” do terceiro compasso é o próximo eclipse; as cinco Lunações seguintes repetem a sequência dos dois primeiros compassos; o total dos dois eclipses e suas dez Lunações compreende um “padrão”; o “ciclo” se completa com os dois eclipses seguintes e suas dez Lunações – perfazendo uma composição vibratória completa; a Lua Cheia do quarto eclipse de um ciclo ocorrerá em Conjunção aproximada com o primeiro eclipse. Resumindo: um ciclo de dois estímulos a dois Signos de um diâmetro zodiacal; cada eclipse tem seu “ponto médio da Lunação”; em música isso é análogo a vinte e quatro compassos no ritmo “três por quatro” – duas frases de oito compassos, quatro frases de quatro compassos. O “e” de cada “tempo separado” é, naturalmente, a Lua Cheia de cada eclipse ou Lunação.
Exemplo:
As Lunações em Virgem e Libra, em setembro e outubro de 1948, completam o “padrão” na primeira metade do “ciclo”, Escorpião-Touro.
Esse ciclo levará a 1952 dois eclipses em Peixes, dois em Virgem, com seus pontos médio das Lunações.
Como você reagiu aos estímulos à sua Carta no ciclo de Escorpião-Touro? Como está se preparando para enfrentar as condições representadas em sua Carta pelos quatro eclipses em Peixes-Virgem? Estamos agora (agosto, 1950) terminando a primeira metade do primeiro padrão desse ciclo; o segundo padrão será iniciado no dia 12 de setembro pelo eclipse nos 19º de Virgem. Como você está tocando a sua “música”? Está praticando arduamente?
Concluindo, umas poucas observações sobre o ritmo quando aplicado a outras artes. A música e dança são as duas artes em que o atributo ritmo se manifesta mais concreta e obviamente. A música é a percepção de arquétipos pela audição intuitiva e pela manifestação dessa percepção em artifícios tonais. A dança é a conversão alquímica de posturas corporais arquetípicas por meio do ritmo, isso como manifestação de percepção de arquétipo; é a pintura (ou desenho) e a escultura “mobilizadas”, em razão de que a escultura é um “ponto congelado”. A pintura é manifestada, basicamente, por linhas. Reconhecemos que o lineamento que coordena o tema básico de um retrato a seus fatores secundários é ritmo exteriorizado, porque a linha, em um desenho ou pintura, é emanação de pontos estruturais – exatamente como em Astrologia. O tema de um quadro é, naturalmente, o arquétipo que o artista procura manifestar. Objetivamente, contudo, o “tempo para baixo” de uma pintura é o ponto focal da expressão interpretativa. O “movimento rítmico” em uma pintura está na gradação das direções das linhas e na gradação da distribuição das cores. A sequência (movimento) das harmonias inter-relacionadas do desenho e da vibração compõem a essência do “ritmo na pintura”. A arte dramática tem ritmo no compasso da leitura das linhas, saídas e entradas (movimentos “para dentro e para fora”), atuações no palco, e o elemento tempo proporcionado na relação mútua entre as cenas (de cada ato) e entre os atos. A escultura e a arquitetura têm ritmo do mesmíssimo modo que a pintura e o desenho, exceto que a harmonia na relação de massa, em vez da harmonia na relação de cor, é o fator importante.
Belas ilustrações de ritmo em Astrologia são vistas no “espaçamento” das cúspides das doze Casas e seu agrupamento em sequências de quadrantes e semicírculos; o “dois por quatro” dos Signos alternados e Signos opostos – também do padrão de Lunação e Lua Cheia; o “três por quatro” das cúspides em cada quadrante e dos Signos em cada Trígono; o “quatro por quatro” dos pontos de cada cruz e o grande padrão de ação de “Conjunção, Sextil, Quadratura e Oposição” da Lua progredida e dos Astros em Trânsito.
Existe a dança do Sol a cada ano, e da Lua a cada vinte e oito dias, e de cada um dos Planetas em seus próprios “compassos” através do Zodíaco; as poderosas “marcações” do dia-e-noite, do diâmetro zodiacal e da Dignidade-e-Detrimento dos Astros.
Os poderosos Urano, Netuno e Plutão conduzem o influxo de grandes ondas de vida vibratórias de seres humanos que encarnam na entrada – e passagem através – dos Signos zodiacais e seus decanatos pela alquimia rítmica desses Poderes Magistrais.
Naturalmente que existe a sua própria entrada rítmica em cada padrão básico de experiência durante sua encarnação; os “espaçamentos” dos Aspectos em sua Carta Natal conforme são ativados ritmicamente desde a hora do seu nascimento.
Abra seus olhos, mais do que nunca, para a sua percepção sobre o significado rítmico harmonioso da simbologia astrológica; ele é, em forma especializada, a representação da beleza da polaridade cósmica padronizada em ação.
No Capítulo I desse tomo nós discutimos sobre o ponto, a linha e o círculo como os três fundamentos da arte simbólica. O ponto é subjetividade infinita; por correspondência ele pode ser o irreconhecível; pode ser o Deus Pai-Mãe e pode ser o potencial de Divindade do ser humano individual. A linha horizontal para a esquerda, desde o ponto, é o processo de tornar químicos os potenciais do ponto. O fim da linha simboliza o estado de máxima expressão dos princípios químicos correspondentes à máxima densidade da matéria no Universo, do nosso Sistema Solar ou do total do Corpo físico do ser humano: a soma total de seus potenciais manifestados. O círculo é símbolo da perfeição infinita da objetividade. Lembre-se de que a linha horizontal tem polaridade; suas terminações são dois pontos dos quais pode ocorrer a emanação. Na simbologia astrológica, o primeiro Ponto (o Centro) inicia a emanação pelo processo de tornar químico; o segundo ponto (a extrema esquerda da linha) inicia a emanação pelo processo de realizar os potenciais do centro. O traçado da linha horizontal para a esquerda, a partir do centro, simboliza a involução; o traçado do círculo, usando aquela linha como raio, simboliza a evolução; o círculo completo simboliza as perfeições inerentes a todos os potenciais do ponto central em manifestações realizadas; ele simboliza a essência da idealidade que o ser humano procura perceber em todas as suas experiências evolutivas; o círculo, em sua beleza perfeita, simboliza a manifestação realizada de um arquétipo – no caso de nosso assunto, aquele arquétipo é a humanidade. Estes três símbolos são (como símbolos) arquétipos; deles são derivados todos os outros símbolos arquetípicos.
O esquema é a Lei da Ordem cósmica aplicada ao formato e a estrutura das manifestações. O formato é a aparência externa, a condensação da forma da matriz; a Estrutura é o inter-relacionamento das partes e fatores etéricos e físicos de uma manifestação. A Estrutura é o resultado total das emanações do centro-matriz e forma é aquilo que se percebe visualmente da estrutura.
Todos os fatores de uma manifestação são projetados pelo motivo de que cada fator é significativo para os propósitos da manifestação total. Em outras palavras, o esquema de todas as partes está de acordo com as leis da natureza essencial da manifestação; o esquema de uma manifestação completa é a aparência externa objetivada do arquétipo subjetivo. Pense sobre o “esquema das partes” e sobre o “esquema externo” do mamífero (ser humano, cavalo, baleia – sendo o “mamífero” um arquétipo). Em que se assemelham seus esquemas internos e externos? Pense nos quadrúpedes (leopardo, castor, antílope, iaque); nas aves (águia, pato, avestruz, beija-flor); nos répteis, insetos, peixes, etc. Considere o tremendo significado do esquema no mundo natural. As flores é um belo assunto para esse tipo de estudo, porque a beleza dos seus esquemas inclui a forma, a cor e a fragrância; a fragrância da flor faz parte de seu esquema, tanto quanto o fazem sua forma e cor: Toda vida animal tem um esquema em seu programa de reprodução e gestação; a vida humana tem esquemas de: relacionamentos e atividades de trabalho, desenvolvimento intelectual e iluminações espirituais. Divirta-se pensando sobre os múltiplos esquemas pelos qual a vida expressa seus poderes.
Em virtude de ser a astrologia o tema principal de nosso estudo, limitaremos por uma arte pictórica (gráfica) nossas observações sobre desenho às analogias entre a astrologia e a arte de pintar que tem, como abstração, a arte de traçar linhas. O esquema se evidencia por toda parte nas artes da música, dança, poesia, do drama, etc. – mas, para sermos breves, devemos nos limitar a essas duas artes, que correspondem mais diretamente à astrologia.
Se pudéssemos nos imaginar exercitando a faculdade da visão pela primeira vez, e estando totalmente inconscientes das identificações e propósitos das coisas materiais nesse Planeta, nós veríamos, tanto quanto nos permitisse nossa consciência, pedaços disformes de cores. Nós “vemos tridimensionalmente” só porque temos exercitado a visão por muitas encarnações e, excetuando o breve período da infância em que nos orientamos a nós mesmos no plano, estamos acostumados às perspectivas. Mas, hipoteticamente por enquanto, estando absolutamente desacostumados às perspectivas, veríamos tudo em termos de duas dimensões. Olhando seu quarto você vê o que reconhece como “grande ou pequeno”, entre vidraça, roupas, móveis, etc. Esquecendo identidade e perspectiva, a única “substância” que você vê é a cor manifestada pelas formas delineadas das coisas que percebe. A cor é inerente à substância, mas o esquema da substância dá forma a cor ou cores.
Passemos agora ao esquema em astrologia, que é uma matéria muito atraente!
Como um fator na essência pictórica do simbolismo astrológico, o círculo do mandala astrológico é a estrutura daquilo que o astrólogo estuda. Lembre-se de que a estrutura de nossas percepções visuais é a extensão circular da esfera de ação dos nossos olhos. Nós não vemos através de uma moldura quadrada ou retangular – o formato dos nossos olhos torna possível vermos tudo através de um círculo.
O “ver” ocorre em dois modos – ou em duas “oitavas”. Uma é a “visão física” – a percepção das coisas físicas pelo exercício de uma faculdade física, que é o foco de dois órgãos semelhantes sobre uma coisa ou um “ponto”. A outra é a visão “intuitiva” ou “espiritual”, que se efetua pelo foco da “bipolaridade”, sendo que o círculo da roda astrológica é também o símbolo da “estrutura” dessa “visão”. O astrólogo olha para o horóscopo com um enfoque de ambos de seus elementos genéricos – esse enfoque é o único olho da compreensão; ele se vale de seus recursos intelectuais para calcular a Carta e estudar seus elementos sob um ponto de vista técnico, mas conta também com os recursos da sua memória de experiências em encarnações passadas, como homem e como mulher, para perceber os valores espirituais dos fatores contidos na Carta. Um astrólogo funciona como um composto de ambas as polaridades quando suas percepções intuitivas são acesas pela concentração em uma Carta; ele entende a consciência de ambos os sexos, e assim é capaz de avaliar apropriadamente as indicações astrológicas. Leste-Oeste, Norte-Sul, devem ser estudados em qualquer Carta de qualquer ser humano. Todos somos causadores e reatores aos efeitos de causas – e sempre o temos sido. O astrólogo, focalizando a bipolaridade – o Ponto Central – de sua consciência, é capaz de perceber as avaliações objetivas e subjetivas das colocações e padronizações astrológicas; em outras palavras, ele percebe, através do círculo de seu discernimento espiritual, as tendências da pessoa, cuja Carta está sendo estudada do ponto de vista dele como “Causador” e um “Reator” para efeitos das causas”. O astrólogo deve conhecer a vida do Espírito tão bem quanto a vida do corpo (Consciência e Ação) – “vida subjetiva” e “vida objetiva”.
Devido a um horóscopo ser o que é (uma representação simbólica de interpretação dos princípios da vida por uma consciência individualizada na encarnação), nós não fazemos horóscopos de pessoas desencarnadas ou de arquétipos sub-humanos. Grave em sua Mente esse pensamento: o círculo não é o desenho básico do horóscopo; a cruz dos diâmetros vertical e horizontal sim. O círculo é somente porque o raio do Ascendente é, e o raio do Ascendente é porque o ponto é. O círculo é, de fato, o último fator no simbolismo astrológico, porque representa as perfeições manifestadas inerentes aos potenciais do ponto. Um círculo em branco não mostra a ação da bipolaridade, pelo que não pode ser considerado o esquema básico. O esquema deve preencher o propósito de indicar a ação da bipolaridade, pois tal ação é o que a vida é. Com todos os outros fatores ao alcance, pode-se fazer um horóscopo sem traçar um círculo; mas para se ter qualquer horóscopo completo, o grau do Ascendente se faz imperativo – dispondo do grau do Ascendente você dispõe automaticamente da cúspide da sétima Casa. Tendo-se esses dois fatores, o quadro da complementação básica se apresenta, e tal fator, mais que qualquer outro, é o esquema da bipolaridade essencial da consciência individualizada – a essência vital da própria vida.
Por ser uma linha, o diâmetro horizontal não é em si mesmo – e nem pode ser – um esquema; mas porque suas extremidades tocam a circunferência do círculo ele serve para criar um esquema dentro da roda. Esse desenho de dois semicírculos é o arqui-símbolo da simetria, e a simetria é a bipolaridade do esquema; “macho-fêmea” é a simetria do sexo, e “masculino-feminino” ou “dinâmico-receptivo” ou “expressivo-reflexivo” são as simetrias do GÊNERO. A linha horizontal, que serve para “ativar” os potenciais contidos no interior do círculo, é o símbolo de todas as diferenças entre as expressões polares do universo ou, correspondentemente, da natureza humana. Um diâmetro de um círculo não “divide” o círculo em “duas coisas”; ele ativa a polaridade de tudo o que é representado pelo conteúdo do círculo, que são, por sua vez, emanações do ponto central. E mais: o diâmetro, que é o aspecto duplo do raio do Ascendente, é a representação da bipolaridade do ponto central “desdobrada” na maneira mais simples e direta possível. Os semicírculos inferior e superior são, por conseguinte, a expressão cumprida de cada polaridade – os dois, reunidos, formam o círculo completo, que é composto total da polaridade. “Macho e Fêmea” são as palavras que simbolizam a “quimicalização” das diferenças de polaridade no plano gerador do ser. Consideremos agora o esquema da bipolaridade de cada polaridade; tenha sempre em mente que todas as coisas representadas num horóscopo é emanação do ponto central.
O relacionamento entre dois Astros que identificamos pelo ângulo de noventa graus é a Quadratura – arqui-símbolo da congestão de potenciais. Em sua aparência, conforme a usamos, ela repousa sobre uma base horizontal, e seus dois lados são verticais – variações do símbolo arquetípico da Cruz – “comprimidos” dentro das limitações impostas pela circunferência do círculo.
Esse registro do desenho da Quadratura é chamado “mau” por alguns, porque representa uma tendência de permanecer “inexpressivo” – portanto “morto”, que significa “anti-Vida”. A “dor” implicada nesse registro é a ignição de potenciais pelas forças evolutivas que atuam por meio da consciência humana, com o objetivo de que os potenciais de vida possam ser liberados contra uma inércia “embutida”. Essa Quadratura, aplicada ao conteúdo de um círculo, toca este círculo em quatro pontos (que correspondem aos pontos médios da segunda, quinta, oitava e décima primeira Casas), os Signos Fixos[12] do Zodíaco, os recursos de poder do amor-desejo.
A regeneração desses recursos é a grande “mágica integral” da alquimia – o pico do esforço espiritual. Mas sendo esses pontos os “pontos médios”, eles não coincidem com as cúspides que, por sua vez, são emanações do “EU SOU” do raio do Ascendente. Só existe uma representação do símbolo da Quadratura que não apenas coincide com as cúspides das Casas, mas também é estruturalmente simétrica e equilibrada: a Quadratura cujos pontos angulares são as cúspides da primeira, quarta, sétima e décima Casas – os Signos Cardeais[13] do Grande Mandala, os quais são os pontos estruturais do relacionamento humano básico.
E a “inércia” e a “contra-ativa-a-inércia” (a polaridade dos processos de vida) são representadas nessa Quadratura de forma incrivelmente iluminadora, uma vez que trata diretamente da “humanidade do relacionamento”.
Marque um ponto exatamente no centro de uma folha de papel. Partindo desse ponto, trace uma linha horizontal de aproximadamente 5 centímetros de comprimento para a esquerda; retroceda ao ponto e trace outra linha do mesmo comprimento, essa verticalmente para cima; retroceda ao ponto. Escreva a palavra “macho” no lugar superior da horizontal e no lado esquerdo da vertical. Agora, partindo do ponto, trace uma linha de 5 centímetros para a direita, retroceda ao ponto e trace uma linha vertical de duas polegadas para baixo; volte ao ponto; você acaba de criar as “linhas de força” no esquema do relacionamento humano básico. Ponha os símbolos dos Signos Cardeais de modo apropriado, de acordo com o Grande Mandala. Agora o ângulo formado por cada par de linhas sucessivas a partir do ponto é um ângulo reto, o mesmo que se encontra nos pontos estruturais do quadrado dos Signos Fixos. Áries e Capricórnio representam “inércia” e “ação” nesse modo: Áries é o “macho gerado”; Capricórnio é o macho gerador.
Pense cuidadosamente nisto: a “tendência para o mal”, simbolizada pelo desenho da Quadratura, significa isso: a tendência para continuar se expressando em um nível de inércia espiritual prolongada. Quando não crescemos nem nos desenvolvemos, nós voltamos a uma situação anterior, pior do que estamos – degeneramos – e a degenerescência é a suprema blasfêmia porque representa uma oposição aos cumprimentos da vida. Os potenciais estáticos da imaturidade precisam ser liberados e cumpridos, e a “imaturidade” é o relativo NÃO-cumprimento em qualquer nível, oitava ou ciclo. Vamos olhar novamente nosso desenho, os ângulos e linhas de força na figura Cardeal e na Quadratura dos Signos Fixos:
Na figura Cardeal trace um pequeno arco próximo ao ponto que liga as linhas que representam Áries e Capricórnio; trace outro pequeno arco ligando a horizontal superior e a vertical esquerda da Quadratura fixa. Estes dois arcos envolvem duas expressões de “ângulo reto”; o Cardeal é “aberto”, o Fixo é “fechado” – pelo menos até onde as relações estão ligadas ao desenho inteiro. O ângulo reto Áries-Capricórnio forma o quadrante superior esquerdo de sua roda; o ângulo reto da Quadratura Fixa focaliza o quadrante superior esquerdo de sua roda. Você vê como o desenho do Aspecto Quadratura, em sua natureza essencial, retrata o potencial para desenvolvimento e o potencial para congestão? Trace em ambas as figuras arcos análogos a estes dois, relacionando Capricórnio-Libra com o quadrante superior direito do quadrado Fixo, Libra-Câncer com o quadrante inferior direito e Câncer-Áries com o quadrante inferior esquerdo; cada ângulo reto central aberto da “cruz” Cardeal tem seu potencial para congestão mostrado nos ângulos correspondentes do quadrado (ou Quadratura) Fixo arquetípico. Estes dois Aspectos (polaridades) do desenho da Quadratura mostram o “contragolpe” recíproco das tendências dinâmicas e de inércia da consciência humana. Toda “imaturidade” (“infantilidade”) de consciência deve transcender a tendência inercial para se realizar no simbolismo do círculo. Os “ângulos”, dinâmico e congestivo nessas duas figuras – posto que cada ângulo seja um relacionamento de dois fatores dos potenciais do ponto – é o eterno impulso da polaridade cósmica por meio da consciência do relacionamento humano para realizar os potenciais do arquétipo “humanidade”.
O estudo dos símbolos astrológicos como imagens é um exercício mental e estético fascinante. Esses símbolos, em sua maior parte, têm sido usados desde os tempos antigos como delineações de concepções dos princípios de vida. Esse raciocínio diz respeito à essência geométrica desses símbolos, como eles podem ser correlacionados com os valores geométricos da Arte Gráfica do Desenho, a abstração da Arte da Pintura.
Após havermos experimentado muitas encarnações, nós temos uma reação subconsciente ou instintiva aos desenhos geométricos como representações de princípios, ações, processos Cósmicos – e suas cristalizações na Forma. Os desenhos essenciais que o artista usa para apresentar seus conceitos de arquétipos são eles próprios arquetípicos. Como uma arte gráfica, a astrologia retrata a consciência do arquétipo “humanidade” – o recurso básico de toda a conceituação humana. A qualidade arquetípica do simbolismo astrológico (“simplismo”) é tal que os significados dos princípios representados por eles se tornam basicamente mais compreensíveis, enquanto a consciência do ser humano é esclarecida pelas alquimias da regeneração. Esse esclarecimento resulta em uma destilação de poder que, através da manifestação ou interpretação artística, serve para estimular, vivificar e iluminar a consciência de pessoas menos evoluídas. Assim como a consciência do artista fica “impregnada” por se sintonizar com as forças inspiradoras, do mesmo modo o poder de sua consciência, liberado através de seu trabalho artístico, “impregna” a consciência (conhecimento interno) dos indivíduos; o resultado, em ambas as oitavas, é o “nascimento” de um novo nível de realização. A resposta do artista e dos indivíduos ao impacto das forças inspiradoras é a alquimia de um tipo sutil, mas muito poderoso. É uma magia intimamente afim à magia do amor porque, em ambas os arquétipos, são percebidos até certo ponto. A inércia do auto-isolamento é descristalizada e o divino é vislumbrado. Cada experiência semelhante de uma pessoa respondendo ao poder inspirador da beleza manifestada é um grau de “Matrimônio Hermético” – realização da “(re)união com o Eu Superior”.
Em virtude dos desenhos emanarem da linha, consideremos o gênero das linhas retas, que são as abstrações das linhas curvas. A vertical é dinâmica e estimulante; a horizontal é imóvel e receptiva. Como tais, as duas simbolizam causa e reação a, ou efeito de causa respectivamente. A diagonal que liga a vertical à horizontal é o reflexo duo-genérico de ambas (o gênero das linhas curvas é determinado pela qualidade da linha reta que liga as duas extremidades). A vertical, por si mesma, estimula o quê? A horizontal, por si mesma, reage a quê ou é afetada por quê? Quando os lados de um triângulo retângulo são uma vertical e uma horizontal a hipotenusa (diagonal) é oposta ao ângulo reto e reflete aquilo que é gerado pela junção das duas linhas. Assim sendo, ele é análogo à relação de uma criança com seus pais e reflete, até certo ponto, as qualidades de ambos, pai e mãe. Toda linha reta encerrada num círculo incendeia os potenciais dos conteúdos do círculo; portanto, os diâmetros vertical e horizontal incendeiam os conteúdos do círculo de maneira quádrupla – os quadrantes iniciados pelos Signos Cardeais; cada semicírculo é, portanto, “incendiado” de modo duplo, o que resulta no quadro da vibração simpática que atrai e junta Pai-Mãe-Filho-Filha para formar o “recinto” do padrão da família humana. Dois tipos de vertical e horizontal são qualificados pelas quatro diagonais, assim como “homem-mulher” está qualificado como “paternidade/maternidade” pelos filhos que geram.
Os desenhos e formações de linhas não somente implicam em formato e forma, mas também em ação, liberação, congestão, involução, estática, radiação, gravitação e muitos outros tipos de ação da vida. Estar estático significa “se estabilizar entre os movimentos precedentes e os movimentos sucedentes” – e movimento é alquimia cósmica. Nada na vida manifestada é eternamente estático, mas essa condição de estabilidade ou equilíbrio é justamente tão importante quanto o movimento, porque a radiação de poder se segue ao foco de poder. O Universo tornado químico é o meio da Natureza enfocar seus poderes, assim a palavra “estático” significa realmente “focalização”; não significa nem pode significar “morte” ou “ausência de vida”. Partindo desse ponto de vista, consideremos uns poucos símbolos astrológicos “estáticos”.
Todos os símbolos simétricos carregam uma impressão de serem estáticos por serem lateralmente equilibrados, mas existe um mundo de diferença entre os símbolos simétricos abertos e os ditos fechados. Os símbolos astrológicos mais estáticos são os do Aspecto Quadratura e o do Astro Sol.
Desses dois, o Aspecto Quadratura é o mais estático porque carece completamente de curva ou de diagonal. Esse quadrado, com a base horizontal, é “todo para cima e para baixo, cruzando direto” com ângulos “inflexíveis” e com uma completa falta de fluidez ou estabilidade. Ele é a solidificação de quatro ângulos retos inerentes ao ponto central, de forma que sua “personalidade” pode ser descrita como: compressão, rigidez, poder contido, implacabilidade, peso, imobilidade, cristalização, presunção de retidão, obstinação, preconceito, ignorância do medo, “letra da Lei”, e insipidez. Uma vez que seu significado astrológico, como um símbolo, é congestão de potenciais, nós temos uma impressão de “força” do Aspecto Quadratura, mas ele sugere força que não está sendo utilizada, músculos e inteligência que não estão sendo exercitados. O potencial de amor desgastado pelo ódio e pelo interesse próprio (do tipo errado). A Quadratura é “precisa” e “nítida”, assim como seus efeitos. Quando experimentamos o estímulo de nossos Aspectos de Quadraturas (as forças da vida tentando nos fazer lutar para nos libertarmos das congestões da inércia e imaturidade), a Quadratura nos fala por “seu” modo brusco, violento e intransigente. “Inativo” é como uma “pessoa quadrada” que se expressa com precisão e muita eficiência verbal, mas com falta de tato ou graça. A Quadratura é a imagem do “dois-vezes-dois” – a essência da estrutura formal e, portanto, a essência daquilo que é conhecido como “classicismo” na arte. A arte clássica se preocupa com a simetria da estrutura e com a clareza do contorno, qualquer que seja seu meio. A arte clássica medíocre é “congestão na forma” e “ausência de poderes inspiradores”; a grande arte clássica, felizmente, junta as duas. Aspectos, arte, natureza humana ou no que quer que seja, Quadradura é poder em um estado de relativa inércia; estude os traçados focalizados no desenho da Quadratura; qual a sua reação a eles?
Os desenhos circulares, por sua natureza essencial, são de dois tipos principais; a circular estática é radiativa e a circular móvel é convoluta. Os três símbolos astrológicos arquirradiativos são os do Sol, da própria Roda Astrológica e do Aspecto Sextil; os dois primeiros são fechados, o terceiro é aberto.
Dos três, o Sextil é o mais radiativo, porque seus “raios” não estão confinados. Somente o ponto no centro do símbolo do Sol o faz sugerir radiação; o círculo do símbolo é, na realidade, uma representação do desempenho dos potenciais de um arquétipo específico. A Roda Astrológica é um “símbolo do Sol em grande escala” – as linhas de força da qual são as doze oitavas básicas do “Eu Sou” que, por sua vez, é o potencial “quimicalizado” do ponto central. Os três diâmetros, ou seis raios, representados no símbolo Sextil são a Trindade Espiritual dos Signos de Fogo e Ar – a polaridade masculina dos sexos masculino e feminino da humanidade. E representa, por sua “iluminação”, a universalidade da alquimia centralizada no Incognoscível, no Deus Pai-Mãe ou no ser humano individual. O efeito do desenho radiativo é de impacto e iluminação – a “sensação” que acompanha o exercício alquímico. Quando você experimenta o “impacto” de um esforço alquímico, seu Plexo Celíaco é análogo ao centro do símbolo Sextil, em relação ao seu corpo. A emanação proveniente de sua consciência vitalizada ou regenerada pode se estender indefinidamente ao mundo de outras pessoas e condições. Se você focaliza sua consciência vitalizada em uma coisa ou em uma condição, então você “as circunscreve num círculo”. Olhe para o Sol, a Lua a as estrelas quando estão brilhando com luz plena; olhe para o rosto das pessoas quando sorriem; o que fazemos para expressar um cumprimento amistoso? Nós irradiamos ao estendermos uma mão para outra pessoa, que a segura e aperta. Isso é o entrelaçamento dos Trígonos de Fogo e Ar das linhas de força do Sextil para criar um duplo intercâmbio magnético. O desenho radiativo nos alcança a partir do centro de seu tema assim como as pessoas nos alcançam e nós as alcançamos. Um desenho radiativo que representa um assunto extremamente desagradável pode nos repelir assim como as pessoas desagradáveis nos repelem e nós repelimos quando somos desagradáveis. Quando o assunto em si é de natureza inspiradora a “irradiação do Sextil” pode nos fortalecer com um impacto de beleza e inspiração que transmite uma sensação de exaltação e renovação. Estude os desenhos radiativos em quadros. Permita-se sentir os arquétipos deles.
O desenho circular convoluto simboliza a ação recorrente em torno do ponto central. Ele é mais “móvel” que o tipo radiativo, e seu significado interno apresenta um arquétipo totalmente diferente. Na astrologia temos dois desenhos circulares convolutos básicos: o Signo de Câncer e o Aspecto de Oposição.
Esse tipo de desenho talvez seja o único que transmita mais claramente a impressão de “graciosidade” – é muito feminino em qualidade, é rítmico e inteiramente curvo. O símbolo original de Câncer foi o símbolo Tauista chamado “Yin e Yang”; o envolvimento das duas figuras curvas por um círculo o faz o símbolo da bipolaridade da semente (aquela encerrada no útero, ou na matriz), a palavra-mãe arquetípica; Câncer, Cardeal e gerador, é regido pela Lua, cujo símbolo básico é um semicírculo vertical; a linha que liga suas extremidades é a vertical das quarta e décima Casas astrológicas – “linha de parentesco”. O desenho circular convoluto, embora sugira movimento, também transmite uma impressão de monotonia – recorrência contínua para o centro e a partir do centro. Não é congestão, como na Quadratura; em uma figura fechada como a do “Yin e Yang” ele é a latência de energias ainda não expressas, ou o fluxo e refluxo Cósmico a partir do centro e de volta a ele através de oitavas evolutivas, como no símbolo do Aspecto Oposição. A essência desse tipo de desenho transmite à nossa percepção interna a rítmica “volta ao repouso” – que é uma transição, ou sono, que é uma “pequena transição”; é calmante em seu efeito, se estendendo para fora, mas se curvando eternamente em si mesmo em graciosas “dobras” de linha.
O símbolo do Aspecto Oposição tem algo da mesma monotonia do símbolo Yin-e-Yang com o acréscimo de um fator dinâmico; a “linha básica” desse símbolo é a diagonal para cima, pelo que está implicado o “germe da aspiração”. Como um fator astrológico, esse desenho focaliza-se em três pontos: os pontos médios das segunda e oitava Casas e o ponto central da Roda; seu significado essencial é: escolha entre as expressões não regeneradas e as regeneradas, ou transmutação dos dois polos do diâmetro do desejo (Touro-Escorpião). Esse símbolo, por seu “fluxo” contínuo a partir do ponto central para as segunda e oitava Casas, implica em repetição de padrões de experiência, em oitavas cada vez mais elevadas, até que a regeneração da natureza de desejos seja destilada. Esse símbolo, como um desenho artístico de dois círculos tangentes entre si no ponto central, representa as transmutações, por pessoas de ambos os sexos, do desejo de posse por meio da capacidade de administrar os bens materiais (Touro-segunda Casa); e por meio do amor (Escorpião-oitava Casa); cada um desses pontos representa uma oitava do potencial de desejo e do atributo de amor – esse diâmetro é polarizado pelo diâmetro complementar Leão-Aquário, Signos que são as oitavas pessoais e impessoais do Poder-Amor. Pense numa película cinematográfica de uma pessoa em um balanço: “duas balançadas para cima” e “duas balançadas para baixo” – começando e terminando no centro gravitacional; existe um ritmo e pulsação no “sobe-e-desce” desse tipo de símbolo; é o eterno impulso aspirativo da humanidade, “irrompendo” do “começo” estático de cada oitava.
O mais dinâmico de todos os desenhos circulares é a espiral vertical; esse é um desenho linear da essência do círculo perpetuado no tempo, no espaço e na consciência.
Ele é aberto, simétrico, rítmico e, mais que qualquer outro desenho, transmite a sensação de progresso eterno. É o mais estático de todos os símbolos porque (e quando o estudarmos nós veremos isso) simboliza a ação eterna do fogo cósmico, involutiva e evolutivamente. O “pir” de “pirâmide” significa “fogo”, e a pirâmide equilátera é a forma “quimicalizada” do triângulo equilátero.
Esse, por sua vez, é o formato essencial daquilo que é representado pelas espirais involutivas e evolutivas em representação bidimensional. Imagine uma pirâmide: quatro triângulos equiláteros, cujas bases são os lados de um quadrado; um círculo circunscrevendo o quadrado pode ser tido como o primeiro nível básico da espiral.
Em sua imaginação, do topo da pirâmide olhe para baixo: esse ponto de vista do topo da pirâmide apresenta um ponto central, o quadrado dinâmico dos Signos Cardeais do Grande Mandala, com suas quatro linhas diagonais bipolares. Os quatro ângulos retos desse quadrado são os reflexos inclusos dos ângulos centrais da Roda formados pela intersecção dos diâmetros Touro-Escorpião e Leão-Aquário; eles correspondem aos quatro ângulos do quadrado estático, que são os reflexos inclusos dos ângulos centrais formados pela intersecção dos diâmetros Áries-Libra e Capricórnio-Câncer. Você reconhece a Roda Astrológica nesse “ponto de vista”? A partir de qualquer um desses pontos de estrutura Cardeais (filho, filha, pai e mãe – macho e fêmea de causador e reator imaturos e maduro aos efeitos de causas) a “gerada de Deus” – a humanidade incluída, encarnada – começa seu retorno ao seu “Éden perdido”, o ponto central do círculo, o topo da pirâmide. A humanidade, em seu Corpo Manifestado, evolui por meio do exercício do Amor-Sabedoria destilado, não para um “ponto evanescente”, mas para a realização da fonte, que é ser perfeito. A linha espiralada contínua, encarnação após encarnação, volta após volta, através dos padrões de relacionamento humano, através de sucessivos ciclos de experiência e de oitavas de consciência – mas sempre para o alto e a partir do círculo básico que circunscreve o quadrado básico. Enquanto os círculos espiralados se afastam da diferenciação do quadrado básico vão se tornando cada vez menores – prosseguindo continuamente em direção à unidade indiferenciada do ponto apogeu, o ponto central do círculo. Trace uma espiral circular, começando no que corresponderia ao ponto do Ascendente de um horóscopo; reconheça, à medida que “evolui” a linha espiral em direção ao ponto central, que você está se libertando da separatividade “quimicalizada” e se tornando cada vez mais consciente de sua origem espiritual, sua “Deidade”. Na representação “quimicalizada” nós não vemos o círculo básico ou linha espiral. Olhando a pirâmide “de frente”, o que vemos? O triângulo da identidade e atributo espirituais – o poder-amor-sabedoria inerente a cada uma das identidades humanas básicas, de que todos partilham em nossa jornada evolutiva em espiral.
Por conseguinte, verticalidade, horizontalidade, diagonalidade, radiatividade, convolução, estática, congestão, abertura, estática espiralada e todas as outras muitas qualidades sugeridas ao nosso conhecimento interno, pelas direções de todas as emanações a partir dos pontos estruturais do desenho, são os atributos daquilo que o artista-que-desenha e o astrólogo-que-interpreta exercitam suas habilidades manifestadoras e interpretativas.
Estude novamente os símbolos astrológicos com a “consciência aberta”, para se conscientizar melhor da qualidade do desenho deles. Sua percepção astrológica se tornará cada vez mais sensível e iluminada. Você descobrirá, com o tempo, que está desenvolvendo uma percepção sensitiva dos desenhos cósmicos inerentes à personalidade, experiência e relação humanas e a todos os processos pelos quais ocorrem as realizações espirituais. Seu próprio viver, no dia a dia, será visto como um recurso para expressão de sua consciência da beleza. Outras pessoas, representadas pelos horóscopos que você estuda, passarão a ter, em sua consciência, uma beleza e um valor mais intensos.
A cor é o atributo da Manifestação da Perceptibilidade. Uma vez que o Universo manifestado é o veículo ou instrumento do Espírito, ele tem de ser concebido e então percebido antes que possa ser posto em uso; nós como “centelhas do Espírito” em forma manifestada, nos tornamos conscientes desse instrumento pela nossa faculdade de visão. Os outros sentidos são meios pelos quais nós completamos nossa percepção, mas é por meio da visão que “damos o primeiro passo”.
Portanto, como “perceptibilidade” (vemos as coisas como “retalhos de cores”), a cor tem um grande significado em relação à natureza oculta da manifestação. Se estamos aqui para desenvolver a consciência dos princípios da vida, devemos aprender sobre as funções das coisas materiais e também sobre o que elas significam como “quimicalizações” de arquétipos. Entender a natureza de uma coisa material, bem como sua função, é entender o propósito de seu arquétipo; entender o propósito de um arquétipo é entender, em certa medida, um princípio de vida. Os arquétipos, em conjunto, são as manifestações primárias da vida; a vida do arquétipo é o “ciclo de vida” de sua “quimicalização” manifestada. “Arquétipo e manifestação” é a referência mais direta que podemos fazer à Lei Cósmica de “causa e efeito”.
Após centenas de encarnações estamos tão acostumados a ter como certas as cores do mundo que tendemos a nos esquecer (se é que já o conhecemos) o significado desse atributo no ciclo de vida das coisas manifestadas. Uma vez que todas as coisas afetam e são afetadas por todas as outras coisas, será possível que a cor possa representar um aspecto da natureza do intercâmbio vibratório universal? As cores são emanadas e se responde a elas; afetam as coisas que reagem a elas e são afetadas pelas coisas que atuam sobre suas formas “quimicalizadas”. Portanto, se tivermos “olhos para ver” podemos estudar esse aspecto de emanação vibratória das coisas manifestadas e aprender sobre a natureza e significado de seus arquétipos – suas realidades.
O estudo da cor sempre teve um lugar naquelas abordagens pelas quais os seres humanos têm almejado entender a natureza interna e externa de seu próprio arquétipo, a humanidade, e naquelas das outras oitavas de manifestação. Pode-se dizer, com alguma justificação, que o estudo da vida é o estudo da vibração, a qual é a ação essencial da vida. Os Grandes Seres são os que nos ensinam servir para acender em nossa consciência a percepção da vibração, pois eles sabem que a matéria não é uma “coisa morta”, mas sim a manifestação de algo que está eternamente vivo, pulsando ritmicamente, sempre liberando e cumprindo seus potenciais, mas nunca mudando em essência.
Uma vez que nos ocupamos aqui, nesse estudo, com a cor como um fator na expressão da arte, com a simbologia astrológica e com as verdades concernentes à natureza do arquétipo Humanidade, vamos recordar, em parte, o que tem sido dado como instrução pertinente às cores da aura humana. O autor, não estando ainda qualificado, nunca teve a experiência de perceber a aura humana, mas vários conhecidos seus, e talvez muitos de vocês, estudantes, têm essa percepção. O único fato destacável na informação transmitida por essa experiência é o atributo cor deste corpo vibratório. Não importando tamanho, brilho ou embotamento se entende que a cor é vista em toda aura. De fato, sem o atributo da cor a aura não poderia ser vista absolutamente, muito menos estudada e analisada; embora seu poder possa ser “sentido” por pessoas sensitivas, por meio das reações dessas à qualidade vibratória da “aura-pessoa”. Em outras palavras, aquilo que é “sentido” (por reação de sentimento) é aquilo que se vê pela clarividência como cor da aura.
O composto dos Corpos Vitais da constituição humana é uma das muitas formas do estado arquetípico “matriz”; uma outra forma de “matriz” é o ar, que envolve a todos nós; outra, ainda, é a água (gestação), lugar das manifestações geradoras. O ar e a água, como se diz, são “incolores”. Contudo, se o ar e a água não possuíssem, em certa medida, o atributo de vibração da cor, como poderia a luz ser dirigida através deles? Como poderiam eles, refletirem as cores? Como poderiam as cores ser percebidas através deles? Diz uma máxima oculta que, para se manifestar em qualquer plano, um veículo apropriado é necessário; então, como pode a cor se manifestar em e através do ar e da água se estes, como “elementos”, não possuíssem em sua natureza essencial aquilo que corresponde à natureza da cor? Será que a qualidade “incolor” do ar e da água é o único branco verdadeiro que existe, e que aquilo que designamos como “branco puro” corresponde à qualidade “incolor”, assim como o Corpo físico corresponde à matriz etérica? Ou como qualquer manifestação realizada corresponde a seu arquétipo, como uma rosa na plena formosura de sua perfeita maturidade corresponde ao “arquétipo da rosa”, ou como o tipo mais altamente evoluído de uma espécie animal pode corresponder ao seu arquétipo grupal? (Alimento para o pensamento!). A cor é verdadeiramente um dos mistérios da manifestação porque, por ela, a divina essência das manifestações é percebida de modo especializado. A cor corresponde ao desenho, assim como a verdade filosófica corresponde à cerimônia ou ritual que a transmite simbolicamente ao conhecimento interno da humanidade; como o amor entre esposo e esposa corresponde à encarnação de um filho; como a aspiração corresponde ao serviço.
Precisamos usar analogias:
Se pudermos considerar a qualidade “incolor” do ar e da água como o branco arquetípico (e, como tal, a “cor-símbolo” do Incognoscível, do Infinitamente Subjetivo), então o mais puro daquilo que chamamos “branco” é o branco em manifestação. Esse, por sua vez e por correspondência, é a cor do Deus Pai-Mãe em sua essência e em suas duas expressões: de “Espírito Virginal” e de “Consciência Aperfeiçoada” (por que associamos “branco” com pureza?). Pureza é “não diferenciação”; inocência é “não refratado pela experiência”; perfeição é realização de unicidade (unidade). Qualquer coisa que descrevemos como “aperfeiçoadas” é consumada, harmoniosa e completa no relacionamento de suas partes entre si e com o total. O branco é a “inocência antes da refração da luz” e a “re-unidade aperfeiçoada após a refração”. Em seu relacionamento com as cores do espectro, o branco simboliza a relação entre a consciência aperfeiçoada e a diferenciação das qualidades anímicas que designamos por palavras tais como coragem, paciência, integridade, etc. Em seu relacionamento com o preto, o branco é a fonte espiritual e o preto é o máximo de “quimicalidade” das emanações provindas da fonte. Considere essa analogia: o branco arquetípico é causalidade universal; o branco em manifestação é a bipolaridade universal; o preto é a mais densa “quimicalidade” universal. O preto é um assunto muito interessante para se pensar e estudar, e um fascinante assunto para meditações filosóficas. Tem sido usado (coitado) por séculos para simbolizar os conceitos humanos de inferno, morte e mal – resumindo: a cor-símbolo do Demônio. Nada menos que uma injustiça. O preto, como uma “cor” no universo material, é a compressão do marrom (composto de todas as cores do espectro), e o marrom é a cor-símbolo da terra produtiva – nosso lar na encarnação. O preto então é a congestão de forças de vida produtivas, mas congestão não significa morte no sentido absoluto – congestão é uma pequena morte que pode, que deve, e que será descristalizada (“redimida”). Uma cor que simbolizasse a morte absoluta teria de corresponder ao branco arquetípico, assim como o preto corresponde ao branco em manifestação. E tal “cor” não existe, porque o preto é o “ponto médio” entre branco e branco. O Aspecto Quadratura (congestão) entre dois Astros em um horóscopo representaria duas cores que, por sua relação, têm o efeito de “denegrir” o tom de cada uma delas – você conhece o “vermelho escuro”, ou “verde escuro”, não é? Esses tons representam graus de congestão de potencial de cor em direção a um ponto comum de “estática”. O preto não é reconhecível como o “vermelho” ou como o “verde” ou como qualquer outra cor – ele é a densidade MÁXIMA (a mais baixa vibração) de todas as cores, assim como o branco em manifestação é a descristalização máxima dos poderes da cor. No “Inferno” da Divina Comédia, de Dante, a região mais inferior desse lugar infeliz é descrito como o lugar do “perdido para sempre”, “sem esperança”, “impossível de redimir”, “absolutamente sem potência, “negação total” e “completamente sem vida”. É verdade, nos diz a filosofia oculta, que existem uns poucos membros das ondas de vida que se congestionam a tal ponto que não podem progredir com os outros na “onda” que pertence; mas também nos é ensinado que, embora possam se atrasar bastante, eles finalmente começam de novo em outra “onda” e assim avançam para a realização. Por conseguinte, o “inferno”, como o lugar do totalmente perdido, é uma ilusão, um falso conceito de vida. Cremos que a “misericórdia da vida” (ou do Deus Pai-Mãe) se expressa na verdade de que todos os potenciais vão ser redimidos totalmente – ninguém, nem nada é “separado e descartado para sempre”. A “cor” preta poderia, naturalmente, simbolizar o estado de “congestão a tal ponto que o progresso é interditado por certo tempo”, mas o eventual progresso será representado pela liberação (em um novo ciclo) dos potenciais congestionados do preto. Seus Aspectos Astrológicos se aproximarão do “negrume da cor” na medida em que as Quadraturas se aproximem dos noventa graus exatos e não sejam aliviadas pelo auxílio de Sextis ou Trígonos. Na medida em que as Quadraturas sejam afastadas dos noventa graus a cor delas será mais evidente. E na medida em que seus Astros formem Trígonos suas cores astrais brilharão com esplendor, poder e beleza.
O autor não tem a presunção em apresentar “verdades absolutas” nessas simbólicas representações da cor; contudo, nós, como estudantes de astrologia, nos acostumamos tanto a ver a arte astrológica apresentada pelos “riscos pretos no papel branco” que esquecemos o valor de “pensar cromaticamente”. Já que estamos lidando com os espectros de desenhos e vibrações, nós devemos, de vez em quando, exercitar nossas Mentes nas cores implicadas nos símbolos traçados; essas “cores implicadas”, por sua vez, simbolizam os espectros da consciência e da experiência humanas, e devemos perceber “gradativamente” se estamos desenvolvendo nossa compreensão de “qualidades de posicionamento”, “qualidades de relacionamento” e da “natureza arquetípica” dos Astros, como focalizadores dos Signos zodiacais. Um pouco mais de alimento para o pensamento: o branco arquetípico como se “manifesta” nas cinco oitavas de cor das três oitavas do ponto, da linha e do círculo da simbologia astrológica.
As cinco oitavas manifestadas do branco arquetípico são:
As três oitavas do ponto, da linha e do círculo são:
Provavelmente existem tantas “soluções” para esse estudo da cor na simbologia quantas são as pessoas que a estudam. Contudo, quando nos livramos das limitações da reação do sentimento pessoal às cores ficamos mais capacitados para focalizar nossa consciência das cores como fatores na simbologia abstrata – para correlacionar a essência da vibração da cor com o essencial das figuras simbólicas. Uma outra abordagem ao estudo das “cores básicas” em um horóscopo individual é sintetizar as posições astrais pela “dispositariedade”[14] – e criar uma composição das posições astrais por posicionamento em Signo. Em tal síntese, todos os Astros Dignificados transmitirão um sentido de maior pureza de cor; aqueles em Detrimento (opostos ao Signo de sua Dignificação) são neutralizados até certo ponto e suas cores tenderão para uma mistura com o cinza. Para correlacionar a cor com o desenho, estude também a sua Carta do ponto de vista de ver como os seus agrupamentos astrais formam padrões específicos – uma grande cruz, um grande Trígono, uma Quadratura com a “alquimicalização” de um Astro por um terceiro com o qual forma Sextil, e assim por diante. Seu horóscopo, em qualquer forma ou arranjo e em branco e preto, é a abstração de um retrato pintado – em símbolos. Olhe os Astros que estão mais ao norte, ao sul, a leste e a oeste – eles são pontos estruturais em seu “Astro-retrato”; os Aspectos de Oposição são “verticais, horizontais e diagonais” em seu retrato, etc. Contudo, se permita se conscientizar mais da importância de “colorir” mentalmente os símbolos astrológicos – é o mais valioso e benéfico exercício de seus poderes intuitivos.
A arquitetura é, em essência, arte manifestadora como expressão da consciência humana que tem a qualidade ou função de proteção cósmica.
O que quer que o ser humano construa, se expressando nessa arte, é um símbolo do seu desejo instintivo de rodear, envolver e proteger aquilo que ele aprecia. Essa arte difere das outras artes tridimensionais – a dança, a escultura e o drama – naquilo que ela preenche e encerra espaços. Há uma certa utilidade na natureza essencial dessa arte que também a diferencia das outras artes. As edificações, para cumprirem sua razão de ser, devem ser ocupadas por alguma coisa ou habitadas por alguém. Assim, de todas as artes, a arquitetura é a menos abstrata, a mais útil, e a mais básica às necessidades da humanidade.
Uma analogia: o azul do céu e o marrom da terra são o teto e o assoalho da morada do ser humano nesse Planeta, a vasta casa do nosso viver físico provida como expressão criadora de Deus. Em virtude de todos compartilharem desse teto e desse chão, o ser humano tem uma individualização de consciência e, como uma “centelha do Fogo Divino”, deve reproduzir microcosmicamente esse padrão como uma expressão de sua Deidade. Portanto, ele constrói “teto e assoalho” para abrigar o coração de suas criações (lar e trabalho) e a de sua reverência, a igreja. Como lar e igreja simbolizam o âmago da consciência de relação do ser humano para com a espécie humana e para com Deus desde tempos imemoriais, essas “edificações” perduram como os dois fundamentos essenciais do esforço arquitetônico.
A Deidade da espécie humana é o Átomo-semente permanente que perdura através dos ciclos de encarnações. A primeira casa construída para ele está dentro do corpo materno, antes do nascimento. O corpo materno é o envoltório que tem a função e qualidade de proteção como alimento para o Ego encarnante. A matriz etérica é o “corpo externo” em que vivemos durante a encarnação, e nosso corpo carnal físico possui os envoltórios da pele, do esqueleto e da estrutura orgânica em que o Átomo-semente é enclausurado como num santuário. O pai funciona em correspondência com sua companheira proporcionando segurança ao lar para proteger seus dois “seres amados”; e o lar é uma especificação de espaço em que se perpetua a vida do relacionamento das pessoas atraídas reciprocamente por específicos requerimentos vibratórios. Todas essas “construções” (a matriz etérica, o útero, o envoltório físico e o lar) são a “humanidade” daquilo que é “arquitetura” na arte manifestadora. O ser humano nunca construiu só para si mesmo – ele sempre construiu, como Deus constrói, como uma expressão de sua oitava com Função e Qualidade de Proteção Cósmica. Assim como a água e, subsequentemente, o ar foram os “lares” originais em que vivemos como involuções físicas, do mesmo modo o grande “mar de magnetismo elétrico” é o “lar” de nossa consciência de relacionamento, e “lar” é a expressão química individualizada da consciência de relação do ser humano focalizada na oitava geradora do ser. Durante a encarnação, o ser humano habita, ou pode habitar, em muitas casas, mas o relacionamento com outros seres humanos é a “vida doméstica” de sua consciência. Sentimo-nos “no lar” (e isso não é uma figura de retórica) com aqueles que amamos; sentimo-nos “fora de (nosso verdadeiro) lugar” com aqueles de quem não gostamos. Com aqueles a quem amamos nós “construímos facilmente” os cumprimentos do relacionamento – qualquer que seja a oitava de experiência ou de consciência. Construir belamente é expressar amor. “Construir sem beleza” é enfatizar (empilhar) as congestões do desejo-ignorância na consciência; as edificações resultantes são “santuários da fealdade”. O ser humano expressa “o melhor de sua arquitetura” quando constrói (qualquer coisa) como uma expressão do mais elevado e melhor que existe em seu Coração e em sua Mente. Os arrojados pináculos dos templos e catedrais são figuras que simbolizam as aspirações espirituais do ser humano voltadas para o seu “Éden perdido” – para o qual ele retorna nas espirais ascendentes do progresso evolutivo. Esses pináculos são variações do desenho básico da pirâmide, que discutiremos nesta dissertação.
Aquilo que para nós é intimamente externo é o reflexo exterior da edificação interior. Consciência – e nada mais – é o material que usamos para edificar qualquer coisa em qualquer oitava, ciclo ou dimensão. O resultado da construção material é o efeito da maneira com que o ser humano impôs sua Mente, seus talentos e suas habilidades nas substâncias maleáveis; e Mente, talento e habilidade são todas oitava de consciência. Ele impõe sua consciência nos “materiais de arte” para incorporar seus conceitos de arquétipos na obra de arte manifestadora; ele impõe sua consciência nos “materiais de relacionamento” como suas “incorporações de consciência de relação”, isto para envolver, proteger e perpetuar aquilo que está não regenerado ou regenerado nos relacionamentos humanas. Podemos construir “tocas para chacais e covis para ladrões”, assim como podemos construir “lares para os que amamos e santuários para o que adoramos”. Tudo isso, em suas miríades de expressões, são construções com os materiais da consciência.
Uma vez que cada ser humano é uma consciência individualizada, nós somos os construtores de tudo que é manifestado em nossas vidas. Pela encarnação servimos para construir uma nova identidade para nossos pais, já que eles foram instrumentos na construção de um veículo para nós. Cada criança contribui como material e experiência de relacionamento para a “construção” de seus pais como indivíduos e como casal. Ela expressa sua consciência, os pais reagem; estes expressam, aquela reage nos anos de seu desenvolvimento e enquanto dure o relacionamento com seus pais. A criança foi atraída aos seus pais pela lei, e eles constroem a qualidade particular de consciência de paternidade por seus exercícios como pai e como mãe nas encarnações passadas. Em outras palavras, seus pais são uma expressão “quimicalizada” de sua consciência de “pais”; eles, em certo sentido e em relação a ela, são algo que ela próprio construiu. Cada ser humano é, portanto, o arquiteto de sua própria ascendência. Concretamente isso é representado no horóscopo pelo diâmetro vertical das cúspides das quarta e décima Casas. A “paternidade” do arquétipo humanidade é o diâmetro zodiacal Capricórnio-Câncer focalizado pelos arquitetos astrais, Lua e Saturno, os “construtores da forma” de nosso arquétipo vibratório. Esse diâmetro é, obviamente, complementado pelo de Áries-Libra, já que o diâmetro vertical de um horóscopo é complementado pelo diâmetro horizontal do Ascendente e sétima cúspide.
Mais uma ilustração astrológica: podemos considerar a Carta como a planta de um edifício, de modo que a parte arquitetônica sejam os símbolos.
Um círculo de diâmetro vertical e horizontal; os símbolos dos Signos Cardeais nos pontos estruturais, Áries como Signo Ascendente. Ligue os pontos estruturais com linhas retas formando uma Quadratura. Os quatro ângulos retos são as “envolturas” dos ângulos formados no centro pelos diâmetros dos pontos médios das Casas Fixas (Touro, Leão, Escorpião e Aquário); os ângulos retos das Quadraturas dos Signos Fixos são as envolturas do ângulo central formado pelos diâmetros vertical e horizontal. Os lados das duas Quadraturas têm o mesmo comprimento. Os pontos cardeais formam uma bissecção com quatro semicírculos; os pontos Fixos formam uma bissecção com quatro quadrantes.
O círculo é, a um e ao mesmo tempo, a ideia perfeita de “Humanidade” na Mente Divina, a manifestação perfeita daquela ideia na forma, as objetivações perfeitas de todos os potenciais inerentes no Ponto Central; pela perfeição de sua beleza ele é o símbolo arquetípico do Dourado Manto Nupcial que será usado pelo arquétipo humanidade no alvorecer da libertação dessa manifestação, ou que é usado por cada indivíduo no tempo de sua libertação. O Dourado Manto Nupcial é a morada perfeita do Átomo-semente – todos os humanos têm uma matriz etérica, mas nem todos vestem uma matriz formosa; é o embelezamento perfeito e a pureza dessa matriz que identifica o Dourado Manto, resultado de toda a nossa construção na encarnação.
Já se fez referência à convicção do autor de que o círculo que circunscreve a Quadratura Cardinal e suas “linhas de força” (a Cruz Cardinal), em combinação com o Ponto Central, é uma “visão de pássaro” (olhada de cima para baixo) de uma pirâmide. O arquétipo humanidade evolui da inocência – estado do Espírito Virginal – para o máximo de “quimicalização” por um processo espiralado para baixo desde o ponto, em voltas circulares cada vez mais largas (separativas). O perfeito potencial essencial permanece do princípio ao fim, mas o ser humano, encarnado e novo nesse plano, só vê a “quimicalidade” da vida e da sua própria natureza. Ele não conhece sua unidade com a vida, sentindo-a apenas vagamente em suas sensações de convivência instintiva com outros seres humanos, aos quais ele está intimamente ligado por laços de sangue ou por afiliação de clã. Ele está consciente da maior parte das diferenças entre ele próprio e seu pai, sua mãe e outras pessoas: mais forte e mais fraco, mais velho e mais novo, masculino e feminino, etc., mas suas semelhanças com outras pessoas, não importando a aparência externa, não são reconhecidas até que os processos evolutivos tenham sido efetuados. Conhecer o relacionamento é perceber o “interior” da vida humana, e essa percepção é o começo da sabedoria. A consciência da humanidade não está ciente do formato circular essencial do facho de luz em que ela está viajando; ele é sempre circular, mas quando “atinge a tela da materialidade” a consciência humana não desenvolvida vê somente o quadrado – as enganadoras diferenças entre as pessoas, não a unidade pela qual todas estão afiliadas em espírito.
As duas representações da Quadratura simétrica em nosso mandala simbolizam a estrutura da família humana e o material com o qual se constrói aquela estrutura. A família é externamente o macho e a fêmea da manifestação geradora humana; internamente é o masculino e feminino da consciência genética. Os pontos estruturais da Quadratura dos Signos Fixos simbolizam as focalizações dos diâmetros desejo-amor, que são a substância alimentícia da totalidade de nosso relacionamento humano na vida – o equipamento que usamos para construir cada lar no intercâmbio de relações. Os pontos estruturais Cardeais são os quatro enfoques da identidade humana – madura e imatura do macho e da fêmea – Pai, Mãe, Filho e Filha; também o macho e a fêmea como causadores dos, e reatores aos efeitos de causas. Partindo dessa Cruz da Polaridade de Identidade, e alimentada pelos recursos do desejo-amor dos diâmetros dos Signos Fixos distribuídos pelos diâmetros assimétricos das oitavas de sabedoria da cruz Comum, começa a espiral ascendente da evolução. Enquanto precisar encarnar, o ser humano participa dessas três cruzes; mas na medida em que a identidade separativa é transmutada em unidade, o desejo em amar, e a ignorância em sabedoria, as Quadraturas se tornarão cada vez menores, se aproximando continuamente da semelhança com o círculo, o qual, por sua vez, é a perfeita representação pictórica do menor de todos os círculos, o ponto. Você pode obter uma imagem desse desaparecimento do quadrado traçando um círculo suficientemente grande para envolver o quadrado Cardinal. Trace um círculo dentro do quadrado, e dentro desse círculo trace outro quadrado, e assim por diante até que as figuras fiquem tão pequenas que você não possa traçar nenhuma menor.
Lembre-se de que o “quadrado” é um desenho arquetípico; que a “Quadratura Cardinal”, a “Quadratura Fixa” e a “Quadratura Comum” são três variações de um só desenho; que o Fixo e o Comum são sub-arquétipos do Cardinal, como desenho arquetípico da identidade e dos relacionamentos humanos. Portanto, traçando esses quadrados cada vez menores dentro de círculos cada vez menores, você está representando realmente, em essência, todas as três formas do quadrado em todas as oitavas evoluintes. Quando você traçou o primeiro círculo para essa ilustração (com a Quadratura Cardinal envolvida) você representou a humanidade pronta para evoluir; cada sucessivo quadrado e círculo menores, em pares, representam uma oitava mais alta – como os pavimentos de um edifício de formato piramidal. Se você pode traçar ou imaginar uma pirâmide cortada por planos horizontais sobrepostos, você obterá a essência de como cada nível, em forma de espiral do círculo-e-cruz, é análogo aos andares de um edifício, tendo cada andar muitos aposentos onde ocorrem diferentes atividades – ou nos quais têm lugar diferentes expressões de Consciência. Nesse desenho indique “primitivo” no primeiro nível e designe os diversos níveis da pirâmide, cortada por planos, como representando diferentes períodos da história em que os seres humanos alcançaram notável progresso evolutivo.
Em cada nível, a cruz Cardinal do intercâmbio dos relacionamentos humanos, a cruz fixa do recurso do desejo-amor e a cruz Comum de destilação da sabedoria se encontram em Conjunção, ou sincronizadas, com o eterno ideal que as envolve e interpenetra. Aproximando-se do ponto do vértice (o ponto central da roda astrológica, como sabemos) o amor e a sabedoria se fundem cada vez mais, e as quatro identidades perdem sua qualidade separativa e são absorvidas cada vez mais pelo ideal de relacionamento da fraternidade, que é o que nosso relacionamento de uns com os outros realmente é. Todos nós somos fraternais uns com os outros porque somos “filhos e filhas” do Deus Pai-Mãe; nossa qualidade de “filho” e de “filha” é nossa natureza essencial bipolar – “macho e fêmea” pertencem à nossa natureza somente quando estamos encarnados, e nas oitavas superiores do ser isto se aplica somente ao nosso estado gerador espiritual, e os poderes de bipolaridade se fundem quando o aperfeiçoamento de consciência do “amor único” é alcançado. Somos conscientes dos “amores” enquanto estamos nos níveis inferiores da espiral ascendente – identificamos a existência do amor com a existência de outras pessoas em nossas vidas e experiências. Realmente, o amor é um aspecto do círculo e é onipresente em perfeita pureza em todos os níveis do ser. Na medida em que o cume da pirâmide se aproxima, a “separatividade dos amores” é transcendida e o ponto no topo da pirâmide – fim da espiral ascendente – é a consciência aperfeiçoada da “uni-dade” do amor como Atributo Divino. Na medida em que a sabedoria é destilada das experiências na espiral, as congestões de medo e de ódio são dissipadas pela luz da razão e da compreensão, as quais, por sua vez, são as iluminações da Mente pelo poder do amor e da inspiração da beleza.
Faça uma cópia da roda de doze Casas, ligue os pontos das cúspides em sequência por linhas retas formando doze triângulos isósceles.
Cada um desses triângulos é metade de um triângulo equilátero, cujos lados são cúspides de Casas alternadas. Existem dois grupos desses equiláteros: o das triplicidades do Fogo e do Ar e o das triplicidades da Terra e da Água. Pense no “equilátero de Áries” como sendo: “Áries masculino e Touro feminino”, e assim por diante em volta da roda. Esses equiláteros, três de cada elemento genérico, tendo polaridade pela divisão em duas partes iguais, são as Casas básicas reais da roda no que tange à consciência genérica. Em virtude de cada uma das doze Casas mundanas focalizarem os princípios de um dos Signos zodiacais, reconhecemos que elas são especializações das secções genéricas duplas de cada triplicidade. Obtenha essa imagem desenhando quatro rodas e destacando em negrito cada um dos três Signos de um elemento e o Signo seguinte (há muito em que pensar nessa representação das Casas como divisões genéricas de experiência). A aparência regular das doze Casas ilustra uma representação muito mais objetiva de experiência por ciclos durante os anos de encarnação. Elas são, qualquer que seja sua forma, apartamentos em um andar particular do edifício de sua vida. Na medida em que os elementos vibratórios de sua Carta ficarem congestionados, você estará “vivendo em um andar mais baixo do edifício de sua vida”.
Considere seu horóscopo como uma planta de um andar da mansão evolutiva (edifício) em que você reside agora. Sua Carta representa, simbolicamente, seu potencial para ser um arquiteto espiritual; os conteúdos de sua roda representam os materiais anímicos que você está usando para construir sua pirâmide – seu Dourado Manto – o composto do melhor de sua consciência destilado de todos os níveis anteriores de experiência e realização. Torne-se mais consciente que nunca da beleza da arte arquitetônica – permita-se apreciar os valores estéticos dos lindos edifícios e, filosoficamente, se conscientize mais que nunca do seu significado para a experiência humana.
Dançar é expressar, pelos movimentos rítmicos do Corpo, nossa consciência de participar no mundo da Natureza. Dançar é fazer do corpo físico um instrumento para manifestação de arquétipos como expressões de estados emocionais e de conceitos espirituais. Esses estados emocionais são pontos focais de consciência espiritual de tal intensidade que devem “se exteriorizar” por meio da instrumentalidade do corpo físico.
Assim como o ser humano se dedicou a manipular as substâncias materiais para expressar, pela construção, sua oitava de “proteção envolvente” para abrigar aqueles que amavam e veneravam, do mesmo modo ele dança para expressar a vida interior daquilo que seu corpo encerrava – sua consciência e seu coração com seus sonhos, temores, amores, desafios, aspirações e entendimentos. “Viver” não é só se mover através do tempo e do espaço, de um lugar para outro. É se mover em consciência, de um ponto a outro, através da evolução. Dançar significa se identificar com o movimento cósmico, que é a ação alquímica da vida, pelas sequências rítmicas das posturas corporais arquetípicas. Dançar não significa, como pensam alguns, “exteriorizar música”. O ser humano moveu seu corpo físico nesse plano bem antes de ter inventado um instrumento musical; a música e o vestuário são acompanhamentos vibratórios que servem para intensificar e clarear as expressões do artista da dança, as quais são, por sua própria natureza, extremamente pessoais. Contudo, a dança expressa essencialmente através de seus próprios méritos – ela não precisa de outros complementos para preencher seu propósito básico. A dança é vista em toda parte no mundo natural; particularizemos um pouco estudando alguns exemplos:
A dança natural das expressões de vida é a sequência de desenvolvimento que se segue ao nascimento e que termina na transição. Todo fator manifestado no mundo natural tem seu tempo para desenvolvimento de potenciais e quando esse desenvolvimento se realiza sem interferência artificial, a planta ou o animal alquimicaliza sua forma física através de todos os estágios de experiência consoante o ritmo de seu padrão básico. O mesmo se dá com os seres humanos; nós temos um “padrão de tempo” para o desenvolvimento de nossos potenciais nos estágios de crescimentos, mas as qualificações individuais variam de tempo para o preenchimento de padrões de experiência. Contudo, humanos ou sub-humanos, todos nós dançamos através dessas fases de desenvolvimento do crescimento natural.
Se pensamos na “dança” como movimentos de um organismo físico, então nós vemos sua evidência por toda parte no mundo da Natureza. Os galhos de uma árvore se movem, para um lado e para o outro, respondendo às forças do vento que atuam neles – então dizemos que a árvore está executando belos movimentos com seus braços. As ondas do mar dão a impressão de dançarem por seus intermináveis avanços para a praia e recuos em sequências de movimentos pulsantes, se assemelhando cada onda a uma linha de dançarinos atravessando um palco para frente e para trás. A Lua executa à noite, cruzando o céu, um longo “bourrée[15]” (sereno e constante). O esportivo golfinho salta da água em arcos graciosos; quem pode dizer que ele não sente a mesma “alegria de viver” que os meninos e meninas que “dançam” ao correr e pular em brincadeiras de rua. Pular e saltar são movimentos arquetípicos que simbolizam o desafio à gravidade e, como símbolos de movimento, representam impulsos de aspiração. Os rodopios no ar e quedas em espirais das folhas do outono são ótimos exemplos dos movimentos de dança – se arrastando, deslizando, flutuando, se agitando e parando no chão para um descanso momentâneo, e então se levantam outra vez em novas espirais e novos arcos. As nuvens ondulantes dançam uma eterna dissolução e remodelação de formas, à medida que o vento as dirige pelo palco do céu; as nuvens são expressões perfeitas das mudanças alquímicas – silenciosas e suaves, elas se fundem umas com as outras passando de um a outro aspecto em uma incomparável beleza de movimento. Uma galáxia de flores coloridas, se curvando e se balançando em seus ramos, é um “corps-de-ballet[16]” natural. Pense nos muitos tipos de movimentos dos animais e aves; o desfile orgulhoso do pavão; o deslizar circular do peixe e da foca dentro d’água; o voo saltitante da borboleta; os passos fluídicos dos gatos e o saracoteio viril dos cavalos.
Como os seres humanos dançam? Todos nós dançamos de acordo com o plano cósmico para o desenvolvimento de nossos potenciais físicos e psíquicos através das várias fases do nosso crescimento como organismos. Entretanto cada indivíduo dança de acordo com a qualidade de sua consciência. Algumas pessoas, harmoniosamente integradas, dançam na vida com extraordinária beleza de ritmo. Elas aceitam a experiência como essa se apresenta, lidam com ela e dela aprendem o melhor em favor de suas habilidades; então, sendo esperançosas por natureza, elas passam ritmicamente a novas experiências. Exercitam um mínimo de congestão interna e um máximo de expressão dinâmica; o período inteiro de sua encarnação é um formoso arco de progresso evolutivo. Trabalham com integridade e idealismo – sua contribuição de trabalho é um verdadeiro serviço, uma irradiação de bondade e de valor verdadeiro a todos os que são afetados por ele. Amam com intensidade, amplitude e alegria; possuem uma Mente aberta e são receptivas aos valores das novas ideias. Kahlil Gibran[17], inspirado artista e poeta tinha a alma de um “dançarino autêntico”; ele disse: “Dance com liberdade e alegria, mas não pise nos pés dos outros”.
No sentido metafórico, a “dança pobre” é resultado de congestões internas. No sentido físico, uma pessoa é afligida com timidez excessiva, consciência de si ou com defeito físico, não dança – e nem pode – dançar graciosamente, com espontaneidade e alegria. As “inaptidões espirituais” são causadas por congestão emocionais e psicológicas tais como a ignorância, o negativo egoísmo, o medo, o ódio, a ganância, a inveja, o materialismo, a possessividade, a frustração e crueldades afins, os padrões de decepção, a inércia, o cinismo e a congestão na identidade da forma. Essa última é uma das fontes mais profundas que existe de “dança fora do ritmo”. Sua essência é uma congestão na aparência como realidade; isto faz a consciência se focalizar mais na forma que na essência, servindo, pois, para lançar a avaliação completamente fora de linha. As pessoas que “dançam de acordo com a forma”, ao invés de dançarem “de acordo com o Espírito”, são as que aceitam a imposição de normas e avaliações da parte dos outros, ao invés do estabelecimento de normas próprias pelo exercício da individualidade. São aquelas para quem aquilo que tem sido estabelecido é o símbolo da segurança e do direito; elas são crucificadas pela consciência de casta; tendem a avaliar a personalidade, o caráter e a experiência humanos pela filosofia materialista que as congestiona no externo às expensas das consciências e apreciação das verdades internas. Os corruptos padrões social e religioso dos séculos passados retratam esse tipo de congestão. O valor hereditário ao invés do valor pessoal, a família, a tradição e a posição social representavam o foco de apreciação, ao invés de sê-lo o mérito individual. Observe qualquer lugar em qualquer época e você verá a congestão na forma como fonte de perversão e desvio do fluxo rítmico natural do desenvolvimento e cumprimento humano. Um exemplo perfeitamente soberbo se vê na má interpretação de certa alegoria espiritual que teve o efeito de subjugar as mulheres durante séculos – um plano de destino maduro[18] pelo qual a congestão do ser humano na forma reagia sobre ele mesmo durante suas encarnações femininas.
Esta congestão na forma é simbolizada astrologicamente pela esfera astral de “Lua-para-Saturno”. As pessoas que estão cumprindo um destino maduro ou evolutivamente condicionadas a viver dentro dos limites dessa “esfera” são aquelas para quem a individualidade é praticamente um livro fechado. O padrão de normas pelo qual elas vivem está, na maior parte, de acordo com aquilo que foi estabelecido por outros no passado. A educação, o trabalho, o pensamento religioso e as cerimônias, o casamento, a educação dos filhos, os fatores de relacionamento, etc., são prescritos para todos de geração em geração. O sistema feudal da Europa e o efeito da filosofia de Confúcio na China são bons exemplos dessa formalização da experiência humana. As expressões estéticas (e todas as pessoas as têm em certo grau, porque o impulso estético é basicamente demasiado instintivo para ser completamente negado por qualquer um) são, na maior parte, altamente formalizadas e tradicionalizadas. As essências esotéricas da religião estão submersas nos acréscimos de rituais e cerimônias que são praticadas, ou das quais se participa, com sentimentos de reverência e medo, ao invés de ser como exercícios de inteligência espiritualizada. O matrimônio – que em essência deveria ser a expressão mais intensamente individualizada da vida humana – para a grande maioria, só serve para a perpetuação dos bens e do nome.
Reconhecemos, claro, que não existe “injustiça” no fato de pessoas encarnarem sob tal regime; a consciência delas está alinhada à estruturação de Lua-e-Saturno, caso contrário não poderiam serem atraídos à encarnação por meio dela. Entretanto, justiça por destino maduro à parte, tais formalizações estritas inibem o livre fluxo da expressão e do desenvolvimento, porque o medo é o fator poderoso inerente às mesmas. Em todo ciclo evolutivo “Lua-e-Saturno” puxam as rédeas por algum tempo; juntos eles simbolizam o “suporte principal formal” de toda experiência cíclica; mas, eventualmente, os potenciais individuais devem ser liberados pela transcendência de “aquilo que foi”; os Planetas Urano e Netuno são as vibrações que representam a “descristalização da forma antiquada” e a “revelação da essência espiritual inerente”, respectivamente.
Nosso assunto à mão é a dança, mas lembremos que todos os participantes de uma particular expressão de arte são membros de uma família espiritual – uma “fraternidade” de esforço artístico semelhante. Como qualquer outro grupo humano, a família artística (seja qual for a classe) está tão sujeita à tendência para formalização (e cristalização) quanto qualquer outro grupo de família. Quando a forma, a estrutura, a regra e a norma tradicional são enfatizadas às expensas da inspiração e da manifestação espontânea, se estabelece a congestão do valor artístico. Procure em qualquer parte da história do esforço artístico da família humana e irá encontrar muitos pontos periódicos de congestão na forma e na tradição, em cujas épocas era evidente uma escassez de poder inspirador. A dança folclórica teve origem na tentativa de se perpetuar a história tribal e a crença e tradições religiosas em uma espécie de representação dramática. Esses “dramas” se formalizaram, subsequentemente, pela repetição de fatores do movimento rítmico e vocal ou acompanhamento instrumental naquilo que chamamos “dança tradicional”, sendo que algumas dessas formas de dança são antiquíssimas em várias partes do mundo.
O balé é uma expressão das mais cultivadas e intrincadamente estilizadas do “drama ritmado” europeu. Originando-se na Itália, como um fator na representação de óperas, ele foi levado à França e desenvolvido em primorosa técnica formal como uma parte indispensável das representações do drama musical. Os enredos desses “dramas dançados” eram, em sua maior parte, centralizados em fantasias de um romantismo “fora desse mundo” que representavam temas alegóricos ou místicos. Nos últimos anos do século passado o balé, como uma expressão artística cultivada, foi adotado pela Rússia e por meio dos poderes inspiradores e dramáticos de artistas dessa nação foi ampliado tremendamente pela exploração de seus próprios recursos como arte de dança, divorciado da dependência da ópera. Assim falamos do melhor dessa forma de arte como sendo o “Balé Russo”; os artistas manifestadores e intérpretes desse país lhe imprimiram a marca de seu particular de gênios. As companhias de balé das principais cidades da Rússia foram reconhecidas como as expoentes máximas dessa arte, e seus grandes solistas ocupam eminentes posições nas galerias dos famosos, imortalizados pelos amantes da arte em todo o mundo.
Então, nos últimos anos do século dezenove um meteoro incandescente cruzou o céu da cultura e esforço artístico da Europa e da América, espalhando uma fulgurância de inspiração intensa no mundo da dança para descristalizar a excessiva formalidade do balé tradicional o convertendo em uma nova oitava de consciência da dança. Esse “meteoro” foi Isadora Duncan[19], uma inspirada, inspiradora e intrépida artista, e que, por meio de seu serviço na dança, foi também uma das mais notáveis “descristalizadoras” do século dezenove.
Os estudantes de astrologia poderão se interessar por seu horóscopo; é um estudo muito valioso. Dados: 27 de maio de 1878, aproximadamente 01h00min AM, 38 graus Norte, 122,5 graus Oeste. Júpiter deve se posicionar na décima segunda Casa, o Sol na terceira Casa; Peixes, regido por Netuno, é o Signo Ascendente e Sagitário no Meio-do-Céu. Leituras sugeridas para informações relativas às suas experiências de vida e ideais artísticos: sua autobiografia Minha Vida e sua A Arte da Dança; também muitos livros e folhetos da autoria de outros escritores são disponíveis na maior parte das bibliotecas e livrarias.
Observe que o regente da Carta, Netuno, é o princípio do uso da instrumentação, e a opinião artística básica de Isadora era considerar o corpo físico como um veículo para os poderes inspiradores. Ela era intensamente sensitiva à música, mas diz que ela poderia dançar sem música, porque seus movimentos eram tão harmoniosos e “certos” que “tornava a música visível”. Dois fatores em sua Carta descrevem a universalidade de sua influência: Júpiter, regente do Meio-do-Céu, na décima segunda Casa e no Signo de Aquário está em Trígono com o seu Sol em Gêmeos, sem aflição. Seu poder espiritual era enorme, quer como executante quer como mestra; este Aspecto retrata o propósito religioso básico de sua encarnação. Você pode reconhecer isso quando ler testemunhos escritos por pessoas que a viram dançar. Ela encarnou para reestimular, através da arte e da beleza (foi pessoalmente uma das mais belas mulheres), o impulso puro de aspiração religiosa por meio da contemplação do corpo humano como um “instrumento do Divino” e como um veículo para gestos e movimentos puramente inspirados. Ela trouxe às congestões sociais e estéticas de sua época o frescor de uma consciência que tinha sua morada na beleza, na verdade e no amor. Ela lembrava aos homens e mulheres da pureza e bondades essenciais de seu ser espiritual e visava, de muitas maneiras, encorajarem as pessoas a recobrar a naturalidade de suas próprias verdades íntimas ao viver em termos de sinceridade, amizade e inspiração.
No mundo da dança de concerto sua influência foi quase catastrófica em seu efeito regenerador. Sua verdade artística era a da inspiração sincera, não a da tradição. Muitos outros dançarinos tomaram suas partes na regeneração dos conceitos da dança, mas Isadora iluminou o caminho pelo exercício de seus poderes inspiradores individuais (Vênus em Trígono com Urano e em Signos de Fogo).
De fato, ela disse: “Viva plena e corajosamente; livre-se do medo das tradições arcaicas; ame desde o centro de sua consciência com alegria, respeito e generosidade; viva com cortesia e graça; defenda o pobre e o oprimido, e cure as feridas do espírito; guie as crianças à percepção de suas belezas inatas de corpo e alma e as ajude a respeitar seus poderes e habilidades individuais; que as mulheres percebam, como nunca, seus poderes para inspirar pelo exercício das formosuras de Coração e Mente; que os homens abram seus corações a uma renovada adoração das Belezas da Natureza e da Humanidade; que a fraternidade dos artistas realize uma consagração da vida humana por meio da irmandade e dos esforços sinceros”.
Este grande Ego faria a todos nós “dançar” com alegria, graça, saúde e inspiração. Nós percebemos em nossas Cartas os movimentos rítmicos dos Astros, desde a hora do nascimento e através dos ciclos de desenvolvimento e maturidade, os padrões de nosso relacionamento na vida, os desafios que criamos para nós próprios e os poderes que temos desenvolvido para transmutar esses desafios em triunfos. Os cumprimentos desses padrões incluem nossa “dança da vida”; vamos nos mover ritmicamente com as forças cósmicas, com alegria, com coragem e com a inspiração da fé e da compreensão. Essa é a dança na espiral, sempre ascendente, do progresso evolutivo.
A composição musical é a manifestação dos arquétipos pelo arranjo formalizado e rítmico do tom. É a representação daquilo que é percebido pelo ouvido interior; é a linguagem pela qual a intuição do artista se comunica com as intuições da humanidade. Por correspondência, podemos dizer que a prosa está para a poesia assim como a poesia está para a música – três “oitavas” da arte comunicativa. Música é a “linguagem transcendentalizada”; se as palavras são símbolos sonoros das identidades, os tons são os arquétipos dos sons, de modo que sua manifestação artística em padrão e estrutura pela combinação de melodia, harmonia, ritmo e tempo é uma “fala que transcende, em poder, a linguagem das palavras”. A linguagem da palavra é uma comunicação relativamente limitada; sua compreensão depende de um exercício especializado do intelecto. A linguagem do tom, essencialmente arquetípico, depende do exercício da intuição e da resposta emocional; seu apelo é para o impulso instintivo humano realizar a idealidade. A magia – e ela é uma das maiores de todas as magias – da melodia e da harmonia transcende a separatividade da consciência nacionalista, da qual deriva a variedade separada da linguagem da palavra. Responder a música é ouvir a idealidade, e as faculdades especializadas dos músicos compositores e intérpretes do mundo são “canais” pelos quais as mensagens de grande beleza são comunicadas à consciência anímica da humanidade.
A triplicidade astral da “comunicação” se constitui de Lua, Mercúrio e Netuno. Estes três Astros representam as três oitavas da mentalidade: a Mente subconsciente do instinto e da sensação, a Mente consciente do intelecto e a Mente Supraconsciente da percepção de arquétipos, respectivamente. Todos os seres humanos, até mesmo os primitivos, participam das duas primeiras dessas oitavas, porque são capazes de formular opinião (a Lua) pela sensação subconsciente, e todos os que podem falar têm a faculdade do exercício intelectual (Mercúrio). Somente aqueles que são capazes de perceber e expressar arquétipos são os que funcionam consciente e construtivamente na terceira oitava (Netuno) como “focalizadores” da vibração de Peixes, Signo Comum da triplicidade da Água, iniciada pela Lua através de Câncer, da polaridade de Mercúrio em Virgem e do Signo da décima Casa, Mercúrio em Gêmeos. Em suas qualidades regeneradas e especializadas, Netuno simboliza as faculdades a mais transcendentais faculdades da consciência humana – a de comunicação com o Eu Superior e a de percepção da existência do arquétipo. Vamos estudar o símbolo astrológico de Netuno:
Exotericamente, esse símbolo representa o tridente do deus dos oceanos; como tal ele efetua a representação literal, personalizada, pela qual eram ensinados os princípios de vida aos não Iniciados, pessoas de mentalidade limitada dos tempos antigos. Esotericamente, ele não é um tridente, de fato; o semicírculo voltado para cima é o “cálice” ou os braços erguidos do diâmetro horizontal da cruz Cardeal do Grande Mandala – o “macho-fêmea gerado” da humanidade. A linha vertical é a mesma do Grande Mandala – a linha da paternidade/maternidade geradora, humana ou divina. O pequeno círculo na base do símbolo é a “semente” do Corpo-Alma da humanidade, que é “estimulado para a nova vida” pelos poderes divinos. Esse pequeno círculo é análogo ao “ponto de Câncer” do Grande Mandala, e nesse símbolo está a “semente” de todas as realizações aperfeiçoadas, a matriz do “Dourado Manto Nupcial”. Esse símbolo é verdadeiramente um dos mais belos da astrologia. Ele é simétrico, e sua verticalidade é contrabalançada pelo encanto dos braços abertos, levantados do semicírculo como uma árvore com seus galhos erguidos ou como um ser humano com seus braços levantados em êxtase de reverência, de aspiração ou de alegria. Agora, vamos correlacionar esse símbolo com o de Vênus, cuja exaltação está em Peixes:
A cruz na base do círculo de Vênus é fechada (arredondada), para formar o círculo perfeito da “consciência anímica”; o círculo do símbolo de Vênus é aberto ao cálice que recebe o divino. Nesta “abertura de Vênus” vemos o segredo da natureza transcendental de Netuno: a beleza da manifestação perfeita que Vênus simboliza é realmente a formalização da beleza essencial de Netuno. Se Vênus é a beleza da simetria, do desenho e ritmo na arte, Netuno é a beleza da simetria, do desenho e ritmo cósmico; se Vênus é a beleza da manifestação perfeita, Netuno é a beleza do arquétipo; se Vênus é o altar ou o santuário, Netuno é o deus para quem o santuário é dedicado; se Vênus é o mito exotérico criado para transmitir uma alegoria espiritual, Netuno é o princípio da vida personificado pelo mito; se Vênus é a melodia que move o coração, Netuno é a memória arquetípica da experiência que é estimulada pela melodia; se Vênus é o belo gesto ou movimento do dançarino, Netuno é a essência da realização emocional ou espiritual expressa pelo gesto; se Vênus é a progressão harmoniosa das cores, que é a “vida” da pintura, Netuno é a visão interna do pintor; se Vênus é beleza composta de melodia, harmonia, ritmo e texto de uma canção perfeitamente criada, Netuno é aquilo que é transmitido como estímulo espiritual do compositor, por meio do cantor para o expectador.
A feminilidade de Netuno é representada pelo semicírculo voltado para cima. A linha horizontal é abstratamente feminina como a essência de “aquilo que é afetado por uma causa”, mas esse semicírculo focaliza uma sensação muito mais intensa de “receptividade”.
Geometrizando: se encerrarmos a estrutura do símbolo de Netuno em um círculo cujo ponto central seja a junção do semicírculo com a vertical, e se usarmos toda a vertical do círculo como a vertical do símbolo de Netuno, é interessante e iluminador notar que os dois braços do semicírculo cortam o círculo externo nos pontos correspondentes a Escorpião e Peixes do mandala astrológico. Estes dois Signos, mais o “ponto de Câncer” do pequeno círculo na base do símbolo de Netuno, compreendem a triplicidade dos Signos de Água – o feminino – o princípio fêmea do Zodíaco e a faculdade trina da resposta simpática, da qual a vibração de Peixes representa a oitava mais impressionável e hipersensível. Por conseguinte, temos a aspiração do homem-mulher se abrindo para o fluxo de poderes inspiradores para incendiar a “semente” da consciência anímica. Isso, em suma, é o retrato da inspiração em ação; é o retrato daquele fator sutil na natureza humana pelo qual o instrumento humano se torna um veículo do divino (conscientemente) através de processos espiritualizados. Netuno, então, é o princípio da instrumentação, e seu poder consiste em fazer os instrumentos de todos os artistas, pelos quais as comunicações arquetípicas possam ser efetuadas[20].
Todos os artistas manifestadores (criadores) são sacerdotes, uma vez que todos eles são “mediadores” entre o divino e o mortal na espécie humana. E em nenhuma outra arte o intérprete desempenha mais profundamente o papel de acólito do que o cantor ou o músico instrumentista. A fusão do valor musical com o valor da palavra, que é inerente na arte da canção, é a composição da abstração da música com o concreto da linguagem. As palavras das sentenças poéticas e as notas das frases musicais se misturam em uma estranha alquimia mágica pela qual a palavra poética é intensificada e a ideia musical é “concretizada”. Uma vez que o tom é o arquétipo do som e as palavras são sequências da arte composta da canção, vê-se então que essa arte da canção é o arquétipo da arte da leitura poética. O grande criador de canções é alguém que percebe, intuitivamente, o valor musical inerente ao texto literário e, pelo exercício de uma fusão de percepções estéticas, o cantor amalgama esses fatores na apresentação completa das artes literária e musical misturadas. O solista instrumental e o regente de orquestra desempenham um “acolitado” semelhante nos reinos da música mais puramente abstrata; a orquestra sob regência é um composto de muitos “acólitos” que contribuem (cada um à sua maneira) para uma total perfeição musical. Agora você pergunta: a que tudo isso tem a ver com a astrologia? Onde e como se acha a música em um horóscopo? Vamos ver:
Uma partitura musical (linhas e espaços agrupados em compassos) poderia ser escrita de forma circular, sendo todas as notas apêndices verticais apontando para o centro do círculo. A nota mais baixa[21] da partitura seria análoga à circunferência do círculo astrológico, a nota mais alta seria idêntica a um círculo perto do centro da roda. Nas pautas de Sol e de Fá da linha musical comum temos cinco linhas para cada pauta mais a linha média do “Dó médio” – onze linhas ao todo[22]. Faça um círculo suficientemente grande para conter dez círculos concêntricos, e o subdivida em doze secções do mesmo modo que o mandala astrológico é seccionado em doze Casas.
Temos aqui o “Sol menor” da pauta de Fá correspondendo à circunferência astrológica como a “emanação” do ponto Ascendente – o atributo físico, a vibração mais densa. O “Fá maior” da pauta de Sol é o mais interno dos círculos encerrados, e poderia ser tomado para corresponder, simbolicamente, à vibração mais espiritual da consciência humana – análoga à vibração de Peixes no Grande Mandala.
A metade superior desse diagrama – um semicírculo abarcando dez outros semicírculos e um quadro simbólico do arco-íris – o espectro de cor natural que tem o vermelho, a mais densa vibração de cor, como “lado externo” do arco, e tem a púrpura, a mais rápida vibração, no lado interno dele – mais próximo do (que seria o) “centro do círculo do qual o arco-íris é o maior arco”. E aqui temos o espectro de cor, o espectro de tom, e o espectro astrológico da consciência da humanidade, tudo em um só desenho. Separe esse quadro e pense nele como “gradação de cor”, “gradação de tom” e “gradação de consciência”.
Posicionando-se o raio de Áries na vertical e se desdobrando o círculo composto em uma reta horizontal, o quadro nos fornece o espectro tonal numa secção específica da “grande escala musical” (Mude os sinais das claves[23] e substitua por um Signo zodiacal e você tem o Ascendente astrológico, que “determina” o tipo de personalidade de um indivíduo exatamente como a armadura de clave e a métrica chave “determinam” a “personalidade” da composição musical). Outra analogia: as duas pautas musicais[24] poderiam ser consideradas símbolos de todos os tons usados em nossa tradição musical; poderiam também ser considerados, simbolicamente, como a gama tonal inteira de toda vibração audível, do mesmo modo que cada cor específica do arco-íris tem suas miríades de gradações, se misturando, imperceptivelmente, umas às outras por efeito da refração da luz. Astrologicamente, esse quadro mostra a gradação da evolução humana, individualmente ou como um arquétipo, desde a mais densa vibração do máximo primitivismo (consciência física, separatista) até o máximo de consciência espiritualizada do domínio. O estado primitivo é o vermelho e seu tom é o mais baixo em qualquer símbolo que você use; o estado de domínio (ou soberania) é a púrpura na cor e seu tom é o mais alto em qualquer escala tonal que você use para ilustração simbólica. Se você sabe escrever a notação simples, tente um exemplo simples de “astro-musicalidade”: um círculo encerando outros quatro círculos concêntricos; subdivida-os em quatro quadrantes (compassos); no ponto correspondente ao Ascendente astrológico indique, no lado externo da roda, uma Clave de Sol, uma armadura de Clave e o “ritmo de três por quatro”.
Cada um dos três Signos de cada quadrante é, naturalmente, um “tempo”. Usando somente a pauta de Sol para simplificar, escreva as notas de uma melodia no ritmo três por quatro – por exemplo, os quatro primeiros compassos[25] da “Valsa Missouri”[26]; cada um dos quatro compassos representa uma “volta” completa no círculo. Vamos ainda fazer de conta que o diagrama é realmente espiralado. Quando você termina os quatro primeiros compassos, em sua imaginação, escreva os quatro compassos seguintes nos (que seriam) “degraus” (ou lances) seguintes da espiral, e assim por diante na canção toda. Outra ilustração: subdivida os quatro quadrantes em três, criando as doze Casas astrológicas ou doze compassos de música; destaque as cúspides da primeira, quinta e nona Casas, criando três fases de quatro tempos (Fogo, Terra, Ar, Água) cada; indique um compasso de “quatro-por-quatro”, e assim por diante. Você pode variar seus padrões de muitas maneiras – o ponto é esse: a simbologia astrológica, a simbologia musical e o espectro de cores são desenhados essencialmente do mesmo modo. Um círculo suficientemente grande para encerrar vários pentagramas poderia, teoricamente, ser usado para se compor um solo vocal com acompanhamento de piano ou de um conjunto instrumental.
Assim como cada instrumento musical tem os seus próprios e particulares limite tonal e qualidade tonal, do mesmo modo cada Astro tem sua qualidade essencial como focalizador de um dos doze Signos zodiacais. As “oitavas” de um Astro são os níveis de consciência que a pessoa tem para o princípio de vida específico em ciclos de evolução sucessivos, do mesmo modo que existem sete notas “dó” no teclado do piano[27].
Se pudermos dizer, por imaginação, que todo ser humano evolui através de sete ciclos maiores de desenvolvimento, esses seriam análogas às sete oitavas começando no “Dó” mais baixo do teclado do piano; os doze meio-intervalos de cada oitava seriam análogos aos doze Signos zodiacais. O Regente de cada Signo poderia ser análogo à tríade maior de cada uma das doze escalas – Vênus e Mercúrio regendo dois cada.
Você pode experimentar essa ideia de muitas maneiras; fazendo um pequeno exercício de imaginação você pode comparar, por analogia, diversos fatores musicais e astrológicos. Por exemplo: a dissonância musical e o Aspecto Quadratura; a modulação da dissonância até a harmonia e o Aspecto Sextil (a modulação desde a dissonância até a harmonia é alquimia expressa em música); a tríade maior baseada em um tom específico e o grande Trígono baseado em um Signo específico; a nota-chave de uma tríade maior e um Astro Dignificado; os sons harmônicos de duas notas tocadas juntas e as órbitas de dois Astros em Aspecto entre si; o solista de uma apresentação musical e o Regente astral de uma Carta; o acompanhamento instrumental ou outros acompanhamentos a um solista e todos os outros Astros além do Regente da Carta. Há uma profusão de tipos de pesquisa imaginativa quando se formulam títulos de composições musicais pelo estudo dos agrupamentos astrais por posicionamento nas Casas e nos Signos, particularmente o do Regente da Carta, como “nota-chave” do horóscopo. Tais analogias podem ser muito fascinantes. Seu interesse em ambas as artes será intensificado e suas percepções dos valores de ambas podem ser grandemente revivificadas em consequência de tal prática.
Agora, o astrólogo como “músico”:
Assim como o grande cantor ou instrumentista interpreta através do meio tonal os conceitos arquetípicos inspirados do criador musical, do mesmo modo o astrólogo, pelo poder da palavra, apresenta suas interpretações de arquétipos – princípios de vida – quando verbaliza para alguém ou para um grupo de estudantes de astrologia. Assim como o músico desenvolve seu veículo físico por meio do exercício técnico, do mesmo modo o astrólogo desenvolve seu veículo mental na exatidão de cálculos e estudo de técnicas astrológicas. A “composição” que o astrólogo interpreta é sempre o ser vibratório (a Consciência) da humanidade. O nativo é o “compositor” de um arranjo astrológico específico e o astrólogo é o “acólito” que serve ao sacerdote latente do nativo. O criador musical e o intérprete exercitam seu conhecimento dos meios estéticos (tonais e rítmicos) para objetivar seus conceitos de arquétipos; o astrólogo exercita seu conhecimento dos meios da vida humana quando ele especializa princípios cósmicos. O astrólogo reflete a essência daquilo que está no horóscopo do nativo, do mesmo modo que o cantor ou o instrumentalista refletem aquilo que percebem na partitura do compositor.
Os astrólogos “compõem” quando inventam novos símbolos e novas abordagens à interpretação astrológica. Contudo, a maior parte deles – e dos músicos intérpretes – comunicam aquilo que já foi criado para os horóscopos ou para as partituras musicais. Assim como o trabalho dos músicos compositor e intérprete abrem o ouvido intuitivo da humanidade, o mesmo faz o astrólogo por meio da fala. A “capacidade artística” do serviço astrológico depende da clareza com que tal trabalho é feito. Isso, em essência, é o propósito de sua “canção estelar” como também é o propósito dos outros em sua “canção tonal”. Ambas tocam, como talvez quaisquer outras duas artes não possam fazê-lo, as vizinhanças do espírito interno. Ambas estão consagradas ao serviço de “tocar o Espírito” por meio do som nas maneiras mais belas, eficazes e inspiradoras possíveis.
[1] N.T.: Johann Sebastian Bach (1685-1750) foi um compositor, cravista, Kapellmeister, regente, organista, professor, violinista e violista oriundo do Sacro Império Romano-Germânico, atual Alemanha.
[2] N.T: Marian Anderson (1897-1993) foi uma contralto norte-americana que se tornou a primeira estrela de ópera americana e se firmou como uma das maiores intérpretes de concerto do século XX, destacando-se em um variadíssimo repertório que ia do lied ao spiritual americano.
[3] N.T.: Angela Isadora Duncan (1877-1927) foi uma coreógrafa e bailarina norte-americana, considerada a precursora da dança moderna.
[4] N.T.: Wacław Niżyński, em polaco, Vatslav Fomitch Nijinski, em russo (1889-1950) – foi um bailarino e coreógrafo russo de origem polaca. Considerado um dos maiores bailarinos de seu tempo, viveu a dança desde muito cedo.
[5] N.T.: Mary Wigman (nome de batismo Marie Wiegmann, 1886-1973) foi uma importante coreógrafa alemã, uma das fundadoras da dança expressionista e da dançaterapia. É considerada uma das mais importantes figuras na história da dança moderna.
[6] N.T.: Eleonora Duse (1858-1924) foi uma atriz italiana. Nascida numa família ligada ao teatro, interpretou Julieta aos 14 anos, atingindo marcante sucesso aos vinte anos interpretando Thérèse Raquin (1878), de Zola, e também no papel de Santuzza, na Ópera Cavalleria Rusticana de Giovanni Verga (1895).
[7] N.T.: John Sidney Blyth Barrymore (1882-1942) foi um ator americano. Inicialmente ganhou fama como ator teatral em comédias ligeiras, depois em paéis dramáticos, acabando por tornar-se grande intérprete de personagens shakespearianos (Ricardo III, 1920 e Hamlet, 1922). Seu sucesso continuou no cinema, em filmes de gêneros variados tanto na era do cinema mudo como na do falado.
[8] N.T.: William Shakespeare (1564-1616) foi um poeta, dramaturgo e ator inglês, tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo.
[9] N.T.: François-Auguste-René Rodin (1840-1917), mais conhecido como Auguste Rodin, foi um escultor francês.
[10] N.T.: Pearl Sydenstricker Buck, nascida Pearl Comfort Sydenstricker (1892-1973), também conhecida por Sai Zhen Zhu foi uma sinologista e escritora estadunidense.
[11] Paul Marie Verlaine 1844-1896) é considerado um dos maiores e mais populares poetas franceses.
[12] N.T.: Touro, Leão, Escorpião e Aquário, respectivamente.
[13] N.T.: Áries, Câncer, Libra e Capricórnio, respectivamente.
[14] N.T.: Um Astro está “dispositado” quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.
[15] N.T.: é uma dança de origem francesa comum na província de Auvérnia e Biscaia na Espanha do século XVII. É dançada com dois tempos rápidos, de alguma forma semelhante a gavotte. Já a gavotte ou gavota se baseia em um compasso a quatro tempos bem marcados e começando no terceiro tempo do compasso. A linha melódica da gavota deve ser clara, elegante e refinada, com acompanhamento tão sutil e refinado quanto a linha melódica principal. Entre os compositores que se dedicaram a esta forma de dança estão Bach, Padre Martini, Handel, Gluck e Puccini.
[16] N.T.: No balé é um grupo de dançarinos que não são solistas.
[17] N.T.: Gibran Khalil Gibran (1883–1931), também conhecido como Khalil Gibran, foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe.
[18] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.
[19] N.T.: Angela Isadora Duncan (1877-1927) foi uma coreógrafa e bailarina norte-americana, considerada a precursora da dança moderna, aclamada por suas apresentações em toda a Europa. Nascida na Califórnia, viveu na Europa Oriental e na União Soviética dos 22 anos até a data de sua morte, na França.
[20] Nota: O que foi dito acima é um pleno reconhecimento do fato de que “o raio de Netuno transporta o que os ocultistas conhecem como o Fogo do Pai, a luz e vida do Espírito Divino, que se expressa como vontade”. Como todos os outros Astros, Netuno tem sua oitava “reflexiva” assim como sua oitava “expressiva”. A polaridade feminina da qualidade de Netuno é a da nossa capacidade para responder aos estímulos da oitava superior através de sintonia inspiradora. Netuno, a esse respeito, é o símbolo arquetípico de nossas qualidades místicas. Um grande ator ou músico se projeta (dinamicamente) por sua atuação, interpretação ou composição. Isto representa seu Netuno “dinâmico”. A sintonia com os arquétipos e a resposta aos impulsos inspiradores provenientes do Alto é a polaridade feminina desse funcionamento.
[21] N.T. Importante entender, aqui, o conceito de “alto” e “baixo” na música: altura do som é um termo utilizado para definir se um som é agudo ou grave. Sons altos são agudos e sons baixos são graves. O que faz um som ficar agudo ou grave é a frequência do som. Quanto maior a frequência, mais agudo (alto) é o som; e quanto menor a frequência, mais grave (baixo) é o som. Essa frequência corresponde aos ciclos (oscilações por segundo) da onda sonora. É importante não confundir altura do som com volume (ou intensidade) do som.
[22] N.T: Notação: C é o Do; D, o Re; E, o Mi; F, o Fa; G, o Sol; A; o La; B, o Si; C; o Do. O último Do (C) da Clave de Fá (mais alta) e o primeiro Do (C) da Clave de Sol é conhecido como Do médio (C médio):
[23] N.T.: as 3 Claves mais utilizadas na música ocidental:
[24] N.T.: Exemplo de uma pauta (um pentagrama) musical na Clave de Sol com as Notas:
[25] N.T.:
[26] N.T.: a Valsa Missouri (Missouri Waltz) é a canção oficial do estado do Missouri, EUA. Música de John Valentine Eppel; arranjo de Frederic Knight Logan e letra de James Royce Shannon.
[27] N.T.:
A matéria contida neste livro foi compilada de trabalhos de Max Heindel e contém informações muito valiosas de como nosso Sistema Solar e tudo que está dentro dele foi criado pelo grande Ser solar, que conhecemos pelo nome sagrado de Deus.
Informações, até agora desconhecidas, nos foram fornecidas em relação às várias ondas de vida que surgiram, incluindo a nossa, sua evolução passada e futura, seu destino final, e o papel que a música desempenhou, desde o início, no desenvolvimento do grande esquema cósmico, e que continuará a desempenhar até que o som final seja emitido e a perfeição realizada.
1. Para fazer download ou imprimir:
A Escala Musical e o Esquema de Evolução – Compilado por Um Estudante – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
A ESCALA MUSICAL
E O
ESQUEMA DE EVOLUÇÃO
Compilado por
Um Estudante de Max Heindel
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
The Musical Scale and the Scheme of Evolution
1ª Edição em Inglês, 1949, The Rosicrucian Fellowship
1ª Edição em Português, Fraternidade Rosacruz-SP.
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Este pequeno volume é dedicado a Max Heindel, em reconhecimento aos maravilhosos ensinamentos transmitidos por ele a seus estudantes, que não conseguem como expressar em palavras sua gratidão.
ÍNDICE
DEDICATÓRIA.. 3
MAX HEINDEL.. 3
PREFÁCIO.. 5
Capítulo I – Assim como era no Princípio. 6
Capítulo II – O Monocórdio do Ser Humano. 11
Capítulo III – O Poder da Música. 14
Capítulo IV – A Correlação da Música com o Deus Solar 19
Capítulo V – Nossos Arquétipos Musicais. 26
Capítulo VI – As Oitavas Musicais e o Esquema Cósmico. 32
Capítulo VII – Nosso Espírito-Grupo, Jeová e Nossa Própria Onda de Vida 43
Capítulo VIII – A Harmonia das Esferas. 51
Capítulo IX – O Arquétipo e o Corpo Denso. 56
Capítulo X – O Poder Curador da Música. 59
Capítulo XI – Os Auxiliares Invisíveis e a Cura. 63
Capítulo XII – A Música como um Poder Construtor 69
Capítulo XIII – O Cérebro, a Oficina Física do Ser Humano. 74
Capítulo XIV – Desenvolvendo a Eficiência da Mente e do Cérebro. 80
Capítulo XV – Os Veículos do Ser Humano, um Instrumento Musical Composto 89
A matéria contida neste livro foi compilada de trabalhos de Max Heindel e contém informações muito valiosas de como nosso Sistema Solar e tudo que está dentro dele foi criado pelo grande Ser solar, que conhecemos pelo nome sagrado de Deus. Informações, até agora desconhecidas, nos foram fornecidas em relação às várias ondas de vida que surgiram, incluindo a nossa, sua evolução passada e futura, seu destino final, e o papel que a música desempenhou, desde o início, no desenvolvimento do grande esquema cósmico, e que continuará a desempenhar até que o som final seja emitido e a perfeição realizada.
Mount. Ecclesia
Novembro 1949
Todo o Sistema Solar é um imenso instrumento musical, citado na mitologia grega como sendo a “Lira de Sete Cordas de Apolo”. Os Signos do Zodíaco podem ser considerados como a caixa sonora da harpa cósmica e os sete Planetas são as cordas; emitem sons diferentes conforme passam pelos diversos Signos e, portanto, influenciam a Humanidade de diferentes maneiras. Se essa harmonia falhasse por um só instante ou se se produzisse a menor dissonância nessa orquestra celestial, todo o Universo será destruído.
Max Heindel
O método usado pelas Hierarquias Criadoras para ajudar o ser humano a desenvolver seus poderes latentes foi planejado de acordo com os veículos que ele necessitava para contatar as várias Regiões, onde o trabalho ligado ao seu desenvolvimento devia ser realizado. Os veículos necessários eram um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente; e o método usado pelos grandes Seres para construir esses veículos estava e está correlacionado com os diferentes Períodos evolucionários na Terra, e cada um foi e continua sendo permeado por uma determinada nota‑chave.
A arquitetura, que se relaciona com a construção das formas, foi a primeira lição dada à Humanidade. O ser humano iniciou essa tarefa no Período de Saturno, quando começou a reunir o material necessário para construir um Corpo Denso. Nesse período, sua consciência era o mais profundo estado de transe. Ele trabalhava, automaticamente, sob a direção dos Senhores da Chama, a Onda de Vida de Leão, cuja nota‑chave é Si bemol Maior (Bb ou Sib M). A arquitetura está, portanto, correlacionada com o Período de Saturno da existência terrestre, e o Corpo Denso, que começou a se desenvolver no início daquele Período, foi impregnado daquele tom particular.
Toda construção arquitetônica, desde a mais diminuta célula até Deus, está baseada na lei cósmica e é executada consoante a certos modelos prescritos, e qualquer desvio do plano geral é a causa das anomalias e incongruências. Tais desvios produzem o mesmo efeito que tocar uma nota falsa em um acorde musical.
A escultura, que determina o contorno das formas, foi a segunda tarefa de desenvolvimento dada à Humanidade. Esse trabalho teve seu início no Período Solar da existência do mundo, quando a formação do Corpo Vital se tornou necessária para dar forma ao Corpo Denso.
A consciência do ser humano, naquela época, era de sono profundo e ele desempenhava seu trabalho, automaticamente, sob a direção das seguintes Ondas de Vida: os Senhores da Chama (Leão), os Senhores da Sabedoria (Virgem) e os Querubins (Câncer). A escultura está correlacionada ao Período Solar e ao Corpo Vital; e esse veículo sempre determina a direção em que uma determinada força é usada e, portanto, ela procura dar o contorno correto para todas as formas. A nota‑chave de Leão é Si bemol Maior (Si bemol Maior (B flat Major ou Bb ou Sib Maior)), a de Virgem é Dó natural (C ou Do), e a nota‑chave de Câncer é Lá bemol Maior (A flat Major ou Ab ou Lab Maior).
A pintura foi a terceira arte que o ser humano começou a desenvolver. Seu impulso se deve à tentativa de reproduzir os quadros vistos no Período Lunar da existência da Terra, dos quais o ser humano se recorda vagamente através da sua visão de consciência pictórica. O trabalho do Período Lunar era feito, automaticamente, sob a direção das seguintes Ondas de Vida: os Senhores da Sabedoria (Virgem), os Senhores da Individualidade (Libra) e os Serafins (Gêmeos). A nota‑chave de Virgem é Dó natural (C ou Do), a de Libra é Ré Maior (D ou Ré), e a de Gêmeos é Fá Sustenido Maior (F sharp ou F# ou Fá sustenido).
A pintura está correlacionada ao Período Lunar e ao Corpo de Desejos, e ambos começaram seu desenvolvimento neste Período. Pitágoras, um mestre ocultista, afirmou que o mundo surgiu do caos pela harmonia do som e foi construído de acordo com os princípios da escala musical: que os sete Planetas, que regem o destino dos mortais, têm um movimento harmonioso e intervalos que correspondem aos intervalos musicais, tornando os vários sons tão perfeitamente harmonizados que eles produzem a mais doce melodia, que é de tal grandeza sonora que se torna inaudível para o ser humano, pois sua audição é incapaz de recebê‑la.
Pitágoras representou a distância da Terra à Lua como um tom inteiro; da Lua a Mercúrio um semitom; de Mercúrio a Vênus um semitom; de Vênus ao Sol um tom inteiro e um semitom; do Sol a Marte um tom inteiro; de Marte a Júpiter um semitom; de Júpiter a Saturno um semitom; de Saturno ao Zodíaco um tom inteiro e um semitom. Isso forma um intervalo de sete tons, a base da harmonia universal.
Max Heindel afirmou que Pitágoras não estava romanceando quando falava da Música das Esferas, pois cada uma das órbitas celestes tem seu tom definido, e juntas entoam uma sinfonia celestial. Ele corrobora as declarações de Pitágoras, isto é, que cada estrela tem sua própria nota‑chave e viaja ao redor do Sol em velocidades tão variadas, que sua posição não pode ser repetida a não ser depois de aproximadamente vinte e seis mil anos. A harmonia celeste muda a cada momento da vida. À medida que ela muda, também as pessoas no mundo alteram suas ideias e ideais. O movimento circular dos Planetas ao redor do Sol, no tom da sinfonia celestial criada por eles, marca o progresso do ser humano ao longo do caminho da evolução. Os ecos, desta música celestial, chegam até nós aqui no Mundo Físico. São nossas posses mais preciosas, muito embora sejam tão fugazes quanto uma quimera e não possam ser permanentemente criados. No Primeiro Céu, esses ecos são, naturalmente, muito mais belos e permanentes, e no Mundo do Pensamento, onde o Segundo e Terceiro Céus estão localizados, se encontra a esfera do som.
Em nossa vida terrena estamos tão imersos nos pequenos ruídos e sons de nosso limitado meio‑ambiente, que somos incapazes de ouvir a música produzida pelas esferas em marcha. O verdadeiro músico, quer consciente ou inconscientemente, sintoniza‑se com a Região do Pensamento Concreto[1], onde ele pode ouvir uma sonata ou uma sinfonia inteira como um único acorde resplandecente que, mais tarde, transpõe para uma composição musical de sublime harmonia, graça e beleza. O ser humano tem sido comparado a um monocórdio – instrumento musical de uma única corda – que se estende da Terra aos confins longínquos do Zodíaco.
A vontade do ser humano teve sua origem na vontade de Deus, e o músico, por meio de sua própria força de vontade, ouve esse poder da vontade de Deus, expressa em sons e tons, permeando o Sistema Solar. E, através de sua própria habilidade criadora, nascida da vontade e da imaginação, ele é capaz de reproduzir em sons e tons, tanto os tons do poder‑vontade de Deus, que criou o Sistema Solar, quanto Suas ideias tonais imaginativas, por meio das quais Ele materializou o Sistema Solar. A Arquitetura, a escultura e a pintura foram impressas no ser humano pelos grandes Seres espirituais, e essas artes se tornaram parte da sua natureza. Entretanto, é através do poder da própria vontade do ser humano que o músico é capaz de perceber os tons expressos pela vontade de Deus e, até certo ponto, reproduzi‑los. Essa é a origem de nossa música no Mundo Físico, criação própria do ser humano.
A música produz expressões de tom que procedem do poder mais elevado de Deus e do ser humano, isto é, da vontade e, portanto, podemos facilmente ver que o ser humano está construindo para si uma terrível causa, ao profanar a música, ao introduzir nela todos os tipos de dissonâncias, ruídos estridentes e penetrantes, gemidos e desarmonias que afetam os nervos. Um conhecido filósofo expressou bem uma grande verdade cósmica quando disse: “Deixem‑me escrever a música para uma nação e não me preocuparei com quem faça suas leis”. O termo músico aqui usado não se aplica ao cantor ou ao executante musical comum, mas a mestres criadores de música, tais como Beethoven[2], Mozart[3], Wagner[4], Liszt[5], Chopin[6] e outros da mesma classe. A arquitetura pode ser comparada à música congelada; a escultura à música aprisionada; a pintura à música lutando para se libertar; a música à livre e flutuante manifestação do som.
A corda única do monocórdio encontra sua contraparte na medula espinhal do ser humano, cuja parte inferior está conectada aos órgãos de reprodução, e a parte superior ao cérebro, órgão físico que está relacionado ao pensamento. Os Espíritos de Lúcifer estão trabalhando particularmente com a medula, e governam a parte da medula espinhal que controla os nervos motores (ação) e que consomem a energia dinâmica armazenada no corpo pelo sangue. A seção da medula que governa a função responsável pela manutenção e o bem-estar do corpo está sob controle dos Anjos. A parte da medula que marca e registra as sensações transmitidas pelos nervos é controlada pelos Mercurianos. O gás espiritual espinhal, que enche o canal central da medula espinhal, é o campo de ação da grande Hierarquia espiritual de Netuno.
Os Espíritos Lucíferos fazem seus trabalhos através do poder da nota chave soada por Marte. Os Anjos fazem seu trabalho através do poder da nota chave soada pela Lua. Os Netunianos fazem através do poder da nota chave soada por Netuno. As vibrações produzidas por essas quatro notas chave estão, continuamente, interferindo na medula espinhal e com a essência do espírito espinhal, no canal central da medula. Na Humanidade comum, o fogo espiritual espinhal se encontra, por assim dizer, adormecido, e permanecerá assim até que o Espírito seja capaz de obter melhor controle de dois de seus veículos, o Corpo de Desejos e a Mente; e essa essência ígnea é uma força de vida que constrói ou destrói, dependendo da maneira como é usada.
De acordo com o precedente, é fácil perceber que os Astros que mais rigorosamente afetam a medula espinhal – o monocórdio do ser humano – na parte física são Marte, Lua e Mercúrio; e que, nos mais avançados da raça Ária, a vibração de Netuno está começando a ser sentida. A música é composta de três elementos primários: melodia, harmonia e ritmo. A melodia se compõe de uma sucessão de sons harmoniosos sentidos pelos nervos auditivos que estão conectados ao cérebro – um órgão físico que contata a Mente. Portanto, é através do veículo Mente que o Espírito é capaz de sentir a melodia produzida no plano físico. Um idiota ou uma pessoa insana não respondem à melodia.
A harmonia consiste em uma agradável mistura de tons e está relacionada aos sentimentos ou emoções. Sentimentos ou emoções são expressões do Corpo de Desejos, em consequência, a harmonia pode ter um efeito tanto sobre o ser humano como sobre os animais, pois ambos possuem Corpos de Desejos. O ritmo é um movimento medido e balanceado, e é expresso pela força vital que aciona gestos e outros movimentos físicos. O Corpo Vital absorve uma superabundância de força vital (energia solar) que transmite ao Corpo Denso para mantê-lo vivo e em funcionamento. Assim, o ritmo está correlacionado ao Corpo Vital. As plantas têm um Corpo Vital e, portanto, são sensíveis ao ritmo.
O ser humano tem dentro de seu cérebro sete cavidades que durante a vida são comumente consideradas vazias. Na realidade, essas cavidades estão cheias de uma essência do espírito, sendo que cada cavidade tem seu próprio tom e cor. Os tons produzidos por essas cavidades estão correlacionados àqueles dos Sete Espíritos diante do Trono: Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus e Mercúrio. As cavidades ou ventrículos, começando pela frente do cérebro, são:
(1) ventrículo olfativo,
(2) ventrículo lateral,
(3) terceiro ventrículo,
(4) quarto ventrículo,
(5) Corpo Pituitário,
(6) Glândula Pineal.
A sétima cavidade é o crânio, que reúne todos os elementos em um grande todo.
O sistema solar é um vasto instrumento musical. Assim como existem doze semitons na escala cromática, temos no céu doze Signos do Zodíaco e, assim como temos as sete teclas brancas ou tons no teclado do piano, temos os sete Planetas. Os Signos do Zodíaco podem ser considerados como a caixa de ressonância da harpa cósmica, e os sete Planetas são as cordas influenciando a Humanidade de diversas maneiras. Na Bíblia notamos como a lira de sete cordas de Davi representa, astrologicamente, as notas chave da corrente planetária sétupla. A nota chave de cada Planeta é composta da quintessência de seus sons agregados.
Uma amalgamação das tristezas e alegrias de nossa Terra, os sons de seus ventos e mares, o ritmo de toda as suas forças viventes combinadas, formam seu tom ou nota-chave. Da mesma maneira, e em escala sempre ascendente, soam as notas de toda a corrente planetária, sendo que sua união constitui a sublime Música das Esferas … “Não existe a menor orbe que observes que, em seu movimento, não cante como um Anjo”. Assim escreveu o grande poeta iniciado, Shakespeare. Essa música celestial é o produto daquele Verbo ao qual São João se referia quando escreveu: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus … e nada do que foi feito, foi feito sem Ele” (Jo 1:1-3).
A música é, portanto, na saúde a mestra da perfeita ordem e é a voz da obediência dos Anjos, a companheira do curso das esferas celestes; e na depravação, ela é também a mestra da perfeita desordem e desobediência.
Ruskin
Na música, entre a melodia e o ritmo, encontramos a harmonia, que pode ou se elevar e se misturar com a vibração do pensamento puro, melodia, ou descer se misturando com o movimento puro da atividade impulso. Se o puro elemento melódico na música, que carrega a vibração da vontade de Deus e do Espírito, for omitido em uma composição, então, o poder diretor não estará lá para controlar as atividades dos Corpos de Desejo e Denso e, então, os desejos se revelam em excitação e, estando sem o poder controlador da razão, o resultado provavelmente será um desastre. É a probabilidade da harmonia se misturando com o impulso que explica a razão pela qual é possível para a chamada música moderna, que tende a trazer confusão ao invés de coerência unificante, poder se tornar realidade.
Antes da 1ª Guerra Mundial, as condições psíquicas do ser humano eram tão malignas, e suas emoções tão inconscientemente excitadas e a um nível tão alto, que foram compelidas a encontrar uma saída e se exteriorizar em ação, mas de alguma forma intensificada. Como os Espíritos de Lúcifer se regozijam e crescem por meio da intensidade de sentimentos, foi essa a sua oportunidade de penetrar e insinuar na consciência humana uma forma intensificada de atividade rítmica e, como um resultado, apareceu o “ragtime”[7]. A guerra chegou. As emoções se elevaram ainda mais e condições desconcertantes introduziram o “blues”[8] – reclamações, prantos e lamentos; tudo agitando febrilmente. A tendência descendente estava agora em plena liberdade de ação, e o “jazz”[9] apareceu como música – afoitamente fantástico e delirantemente grotesco.
O “swing”[10], considerado um degrau mais baixo, seguido do “jazz”, vindo depois o “jitterbug”[11] que, em toda sua atordoante e maníaca histeria de massa, arrebatou o país. Desde então, esses barulhentos ruídos, mais ou menos demoníacos, têm, gradualmente, tomado o lugar da música celestial, e os nervos das vítimas, desgastados e estimulados, devido a esses barulhos cruciantes, rapidamente se rompem, causando uma variedade de formas sem esperanças de demência. Agora, a menos que alguma força seja acionada em uma ação que, literalmente force as massas a um estado de espírito de mais tranquilidade e reflexão, certamente condições ainda piores prevalecerão. Se isso não puder ser feito, ou for considerado desaconselhável pelos grandes Seres que estão dirigindo a evolução da Humanidade, então, alguma forma de salvação terá que ser providenciada para os que a merecem. E os restantes serão simplesmente eliminados por uma tremenda conflagração cósmica de algum tipo, em data mais adiante – possivelmente em um outro Dia de Manifestação, e a estes desafortunados serão fornecidas oportunidades para recuperar suas perdas.
Enfrentando tais fatos tremendamente aterrorizantes, em que direção o ser humano deverá procurar o remédio e o mais rapidamente possível? É possível procurar e encontrar no passado ou no futuro, podendo encontrar uma pista que, quando aplicada, salvará a situação.
A história sempre se repete. O continente lemuriano foi destruído por cataclismos vulcânicos, quando uma parcela de seu povo deixou de progredir. A Atlântida foi destruída pela água quando seu povo mergulhou de tal forma no mal, que se tornou insensível para receber às instruções que lhe foram dadas por seus líderes sábios. A Época Ária se ergueu do grande abismo, e outra oportunidade foi dada à Humanidade para continuar com sua evolução. Agora, o ser humano, novamente se vê escorregando perigosamente próximo ao final de uma descida. Pitágoras, considerado um dos maiores videntes, dizia a seus alunos que a lira era o símbolo secreto da estrutura humana – que o Corpo representava a forma física, as cordas, os nervos e o músico que a reproduziu, representavam o Espírito do ser humano. “Tocando em seus nervos”, ele dizia, “o Espírito criou uma função harmoniosa e normal que, porém, a qualquer momento, pode ser facilmente modificada para a dissonância, se a natureza do ser humano se tornar corrompida”. Nota‑se aqui o aviso oculto.
Novamente, Platão, um grande filósofo grego e estudante dos Mistérios, desaprovou a ideia de que a música se destinava unicamente a criar emoções alegres e agradáveis, contudo sustentou que ela deveria inculcar o amor por tudo que é nobre, e uma aversão por tudo que é mesquinho, degradante e baixo, e que nada poderia influenciar mais fortemente o íntimo do ser humano do que a melodia e o ritmo. Estava tão firmemente convencido desse fato, que não concordou com a introdução de uma nova e presumivelmente enervante escala musical, pois acreditava que ela iria pôr em perigo o futuro de toda uma nação; que não era possível alterar uma única nota, sem abalar os próprios alicerces do Estado.
Mais tarde, Platão afirmou que a música que enobrece a Mente (melodia) é de uma categoria mais elevada do que aquela que simplesmente apela para os sentidos. Insistiu, energicamente, que era dever supremo da Legislatura suprimir toda música de caráter lascivo, e encorajar somente a que fosse pura e dignificante. O máximo cuidado deveria ser tomado na seleção de toda música instrumental, porque a ausência de palavras poderia tornar seu significado duvidoso, tornando difícil prever se ela exerceria uma influência benéfica ou prejudicial sobre as pessoas; o gosto popular, sempre sendo estimulado para a parte sensual e, aparentemente atraente, mas tendo na realidade nenhum valor ou integridade (barulhento), devia ser tratado com o merecido desprezo. Temos aqui a resposta para a maneira sensível de mudar as condições indesejáveis: substituir as práticas do mal, às quais produzem resultados mais ou menos calamitosos, por atividades positivas, de vibrações elevadas, que levem maiores benefícios para um maior número de pessoas.
Evitando o “ragtime”, o “jazz”, o “swing”, o “bebop”[12] e outros sons, nada da verdadeira música seria perdida. Em seu apelo para os desejos sensuais e sentimentais, por meio de uma variedade excessiva das denominadas combinações harmônicas, de sucessões dissonantes de intervalos entre notas, provenientes da complexidade da música moderna e seus acordes perturbadores, nenhum elemento novo foi realmente introduzido, mas simplesmente uma confusão e um excesso de elaboração dos elementos antigos. No elemento musical rítmico, super-enfatizado, encontrado em certos tipos da chamada música popular, a verdadeira experiência musical não pode descer, por meio da harmonia, para uma atividade de movimento artístico, mas é forçada a baixar para rotações físicas ao extremo.
As três divisões primárias da música – melodia, harmonia e ritmo – estão correlacionadas aos três poderes primários de Deus: Vontade, Sabedoria e Atividade. A Vontade, que inclui intelecto e razão, unida ao Sabedoria, produz um modo de Atividade correlacionado ao equilibrado, balanceado ritmo (atividade) celestial de Deus, que ordenou os átomos de nosso Sistema Solar, na matriz das várias formas preparadas para elas pelos poderes da energia de amor do Criador. Separando‑se a Vontade (melodia) do Sabedoria (harmonia), e se unindo a Sabedoria com a Atividade (ritmo), e os dois, sendo privados do poder dirigente da Vontade (intelecto e razão), podem produzir qualquer tipo de monstruosidade que as forças do mal podem desejar formar. Descontroladas, suas atividades maléficas certamente poderão destruir, com o tempo, uma nação. Nenhuma tentativa de revolucionar a arte da música pode produzir resultados desejados, a menos que comece com o princípio artístico de coerência, e com um equilíbrio correto dos três elementos dos quais a música é composta: melodia, harmonia e ritmo.
| Elementos da Música | Triplicidade de Deus | Aspectos de Deus | Expressão |
| 1 – Melodia | Pai | Vontade | Inteligência |
| 2 – Harmonia | Cristo | Sabedoria | Sentimento |
| 3 – Ritmo | Jeová | Atividade | Movimento |
Melodia, o mais elevado poder da música, inclui razão, intelecto e julgamento. Quando a harmonia e o ritmo se unem e se divorciam da melodia, temos uma sucessão de tons não dirigidos pela inteligência, que despertam os sentimentos (harmonia) e se expressam em uma série de movimentos (moções) giratórios, fora da realidade e sensuais. Isso pode levar à forma mais baixa de excessos emocionais (atividade), alguns dos quais o regente de banda de jazz, Benny Goodman[13], descreve como o tipo de indivíduo que chuta o que encontra pela frente; o tipo valentão que arremessa garrafas, que grita, que parece ter a doença de São Vito[14]; quando os pés sapateiam fora do tempo e os braços se sacodem com o ritmo, girando como um moinho de vento em um furacão; e a histeria das massas, um tipo de pesadelo – e tudo como reação da música que está sendo tocada em algumas de nossas escolas, na maioria das vezes em lugares públicos e universalmente nos salões de dança.
Exatamente aqui se situa a forma de música enervante (que reduz o vigor da força mental ou moral) mencionada por Platão, como um perigo para o futuro de qualquer nação. O Sr. Goodman menciona, particularmente, como quando Ziggy Elman[15], ao soprar em seu trompete “uma nota aguda e prolongada que penetrava na pessoa, lhe arrepiando a espinha”, fazia os dançarinos perderem o autocontrole, e quando Gene Krupa[16] produzia uma série de notas em sua bateria, semelhantes a uma metralhadora, eles agitavam seus olhos esbugalhados e começavam a sacudir freneticamente a cabeça e os braços.
Do ponto de vista físico, há um grande perigo em tocar uma nota prolongada e aguda em um instrumento.
Cada pessoa tem sua própria nota-chave localizada na parte inferior detrás da cabeça, na base do cérebro. Se essa nota for tocada lenta e calmamente, ela construirá e descansará o Corpo, tonificará os nervos e restaurará a saúde. Se, por outro lado, se esta nota-chave for tocada de uma maneira dominante, barulhenta e prolongada, ela matará, do mesmo modo que uma bala disparada de uma arma; portanto, em uma multidão, existe sempre o perigo de ser tocada uma nota aguda, dominante e prolongada em qualquer instrumento; e o contínuo ruído das explosões de jazz nos tímpanos das crianças, provavelmente, desenvolverá uma raça de neuróticos.
Notemos que a chamada música “jazz” é uma profanação da força de Cristo (harmonia) e da Egoística energia criadora (ritmo). A primeira profanação da força Jeovística ocorreu durante a Época Lemúrica e é designada como a “Queda do Homem”. Esse desvio do caminho da evolução, projetada e apresentada por Jeová foi causado pelos Espíritos Lucíferos (prestemos atenção) que se revelam e evoluem por meio da intensidade do sentimento. A natureza de uma emoção não lhes é tão essencial como a intensidade, de acordo com seu propósito. Portanto, eles excitam as paixões humanas de natureza inferior, que são mais intensas em nosso estágio atual de evolução do que os sentimentos de alegria e amor.
Consequentemente, esses seres não hesitam em profanar ambas as forças de Deus, da sabedoria (Cristo) e as da vida (Jeová), para realizar seus propósitos. Eles são hábeis ao apresentarem, inteligentemente, discórdias dissimuladas em nossa música, e enfatizando-as com instrumentos de sons altos e barulhentos como corneta, trompete, trombone, saxofone, bateria e outros. Quando conseguem introduzi-las, vemos sua influência nefasta se manifestando em todos os lugares. Em nossa literatura, encontramos essas dissonâncias mostradas nas formas de sexo e em todos os tipos criminosos de histórias excitantes; na pintura, em figuras distorcidas e grotescas de todos os tipos; na escultura, a nudez desnecessária retratando toda sorte de incongruências. A beleza, habilidade artística e estética, em todos os lugares induzindo para o mau gosto e indo para o lado grosseiro – muitas vezes se aproximando da verdadeira vulgaridade, na forma mais baixa de indecência.
À medida que a visão espiritual do ser humano se torna mais clara e sua vontade individual mais forte, ele vai, gradualmente, se libertando da influência dos Espíritos Lucíferos e se alinhando com a força de Cristo, que é o Amor. Então, a Vontade (melodia) e o Amor (harmonia) desenvolverão a Atividade (ritmo), um novo poder (Epigênese), cuja força promoverá o progresso espiritual do ser humano com uma rapidez até agora desconhecida. Os Espíritos Lucíferos percebem que a Humanidade, por meio do poder combinado da Vontade e do Amor, será capaz de se libertar de suas influências e do seu controle parcial.
Eles sabem, também, que o corpo do ser humano é construído e sustentado pelo poder da música. Agora, se os seres humanos podem perverter essa música até ao ponto em que desordene seu Corpo Denso por meio do sistema nervoso, não sendo mais capaz de obter a quantidade necessária da essência da Alma Consciente para desenvolver seu poder de vontade, esses seres podem continuar a retê-lo em parcial servidão e usá-lo para seu próprio benefício; e isso é, exatamente, o que eles têm feito. Esses seres não têm qualquer desejo de prejudicar a Humanidade, mas como precisam dos corpos dos seres humanos para trabalhar, não pretendem liberá-los enquanto necessitarem desses veículos e tiverem o poder de dominá-los. Aqueles que aceitam a chamada nova música e permitem que ela penetre neles, são os que terão seu desenvolvimento espiritual atrasado.
Aqueles que se recusam a aceitá-la e permanecem fora de sua influência, o quanto for possível, terão seu progresso espiritual pouco ou nada prejudicado. Os que são responsáveis pela produção dessa chamada música, e aqueles cujos nervos se tornaram irremediavelmente alterados por ouvi-la, serão permitidos a irem para a guerra como soldados e enfermeiras a fim de serem afastados das atuais condições terrestres e lhes dar uma oportunidade futura para recomeçar a vida em um ambiente melhor. Os Espíritos Lucíferos, através da desobediência absoluta ao plano cósmico, malograram enormemente seu esquema de evolução, e agora estão aproveitando todos os meios possíveis para reaver seu estado perdido.
Toda essa informação foi dada à Humanidade por meio dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, e uma libertação do domínio de Lúcifer é oferecida a todos por meio do desenvolvimento do poder do amor de Cristo e da sua união com a vontade do Pai, ambos encontrados, como réplica, em toda a Humanidade. Relembremos que o “Conceito Rosacruz do Cosmos”, o livro dado à Humanidade pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz que, dirigidos pelo Arcanjo Cristo, estão incumbidos da atual evolução da Humanidade, e este livro foi miraculosamente espalhado pelo mundo, e seu preço foi mantido tão baixo que está disponível para todos que estejam prontos para receber as verdades reveladas nele.
A Vontade melódica do Pai, unindo-se com o Amor harmônico do Cristo tem o poder de produzir uma ativa vibração rítmica, cuja força não pode ser detida e nem seu objetivo desviado, pois é essa mesma energia manifestada pelo Deus de nosso Sistema Solar que trouxe tudo o que É como criação, e tem o poder de levar tudo ao Caos a qualquer momento que Ele o desejar. Portanto, é absolutamente impossível para qualquer das criações de Deus, das mais avançadas em Suas Ondas de Vida até as mais jovens em evolução, definitivamente frustrar o pleno desenvolvimento de Seus planos, pois eles são tão eternos e inabaláveis em Seus processos como o é Deus em Si mesmo.
É possível, no entanto, que membros de uma determinada Onda de Vida, ou mesmo indivíduos dela, se rebelem e, consequentemente, frustrem seu próprio progresso evolutivo, apesar de toda a assistência que lhes está sendo dispensada por aqueles que são mais sábios e mais avançados que essa Onda de Vida. Em tais casos, os responsáveis por essa evolução, às vezes, permitem que esses seres prossigam e destruam seus próprios físicos por sua própria desobediência, causada pela própria ignorância dos resultados benéficos obtidos por meio da administração divina; tudo isso acontece para que possam retornar à Terra em uma data futura, sob uma influência melhor e um ambiente mais aperfeiçoado, isento de todo ódio e do desejo de destruir seus semelhantes. Essas mudanças são realizadas na Região do Purgatório[17], por agentes benfeitores, purificadores e ativos.
Quando uma Onda de Vida, uma nação, uma comunidade ou mesmo um indivíduo se esforçam ao máximo para seguir o exemplo do Cristo, manifestando Seus preceitos em suas vidas diárias, todos podem ficar certos de que as coisas necessárias para ajudar no seu próprio desenvolvimento, sejam, aparentemente boas ou más, virão até eles. Se as lições são aprendidas e praticadas corretamente resultarão em um bem inestimável e num efeito benéfico, não só para si próprio como também para as pessoas que se relacionam nas suas vidas diárias.
Todas as condições no mundo de hoje estão sendo levadas a mudanças enormes, tão grandes em sua magnitude que quase não podem ser concebidas por nossa atual consciência limitada. Mais duas sub-raças vão evoluir e cada uma irá trilhar seu próprio percurso, que será curto; os preparativos já começaram para o desenvolvimento dos precursores da sexta grande raça, cujo aumento de consciência, desenvolvimento físico e mental, e surpreendentes realizações espirituais os colocarão na dianteira dos super-seres humanos da Terra. Então, um grande continente certamente emergirá do leito do Oceano Pacífico, cuja vastidão, beleza tropical e abundância material que não podem ser concebidas e nem imaginadas pelo atual ser humano mortal.
Como existe uma razão definida entre a quantidade de terra e de água a ser mantida para que a Terra preserve seu equilíbrio gravitacional, será necessário que certa quantidade de terra imerja no oceano para equilibrar o que emergiu dele. Essa terra levará consigo muitos de seus habitantes, que se envolveram na materialidade e tal método terá que ser aplicado para quebrar essa condição cristalizada e adaptar o ser humano para um crescimento futuro. No entanto, nada é perdido no Reino de Deus. Os atrasados e mesmo fracassados poderão retornar, pois tão generoso é o Criador que, na plenitude do tempo, Ele reúne até mesmo aqueles desafortunados e os ajuda a começar, novamente, em um ambiente apropriado sob a direção de grandes Seres que, com infinita paciência tomaram a seu cargo a tarefa hercúlea de redimir e reconstruir aquilo que parecia estar perdido.
Antes de prosseguirmos, é conveniente explicar algo do processo de criação em relação ao nosso Sistema Solar, como foi revelado pela Ordem Rosacruz, que diz o seguinte: o Deus do nosso Sistema Solar criou sete Regiões distintas, nas quais Ele está conduzindo a evolução de todas as coisas criadas por Ele. Os nomes dessas Regiões (dito Mundos), começando com os primeiros desenvolvidos são: o Mundo de Deus, o Mundo das Espíritos Virginais, o Mundo do Espírito Divino, o Mundo do Espírito de Vida, o Mundo do Pensamento, o Mundo do Desejo e o Mundo Físico. O Mundo do Pensamento é dividido em duas partes: Região do Pensamento Abstrato e Região do Pensamento Concreto. O Mundo Físico também tem duas divisões: Região Etérica e Química.
O Deus do nosso Sistema Solar cria Ondas de Vida que consistem em um incontável número de Espíritos Virginais e classificados por Ele de acordo com a época em que foram criadas. O nome da primeira Onda de Vida criada por Ele é Áries, a segunda Touro, a terceira Gêmeos, a quarta Câncer, a quinta Leão, a sexta Virgem, a sétima Libra, a oitava Escorpião, a nona Sagitário, a décima Capricórnio, a décima primeira Aquário, e a décima segunda Peixes. Esses mesmos nomes são, também, usados no Zodíaco, mas se referem a um esquema de criação totalmente diferente. As mencionadas Ondas de Vida dos seres estão espalhadas pelos sete Mundos. A décima segunda Onda de Vida, a Pisciana, é composta da nossa atual Humanidade, e quando habitam os Corpos Densos se encontram no Região Química do Mundo Físico. O tempo necessário para prosseguir o trabalho de certas fases da evolução é dividido em períodos: o Período de Saturno, seguido do Período Solar, Período Lunar, Período Terrestre, Período de Júpiter, Período de Vênus, e por último, o Período de Vulcano, que é seguido por uma noite cósmica de repouso.
No alvorecer da criação nada existia, até que um Arquétipo foi construído pela primeira vez. Ao formar um Sistema Solar, o primeiro poder de Deus é a Vontade, desejo de criar, e ela desperta o segundo poder, Sabedoria. Esta segunda força, através do poder da Imaginação, concebe a ideia (Arquétipo) de um Sistema Solar; então, o terceiro poder, Atividade, trabalhando na substância Cósmica, produz o movimento, e o poder melódico, harmônico e rítmico constrói um Arquétipo distinto para tudo que adquire forma, desde o barro até Deus. Na Quarta Região do Pensamento Concreto são encontrados os Arquétipos de todas as formas que se manifestam aqui no Mundo Físico. Lá, porém, todos os objetos sólidos da Terra aparecem como cavidades vazias (oca), de onde o som de uma nota chave básica é continuamente emitido. Um Arquétipo é uma cavidade oca que vibra e canta, que vive, se move e cria, da mesma forma que um instrumento mecânico produzido pelo ser humano que trabalha sem ter compreensão disso. Parece como um molde de gesso aqui nesse Mundo. Assim como o gesso é colocado no molde de gesso e ali forma uma estátua, também os átomos físicos são dispostos em um molde idêntico e formam um corpo vivente, seja ele de uma planta, de um animal ou de um ser humano. Cada Arquétipo emite um tom musical harmonioso, e é esse som que atrai e modela os átomos físicos, dando-lhes a forma.
Em todo ser humano, na Região da medula oblongada[18], na parte superior da medula espinhal, há uma chama que pulsa e vibra de uma maneira maravilhosa. É colorida, com raios diferentes de acordo com a natureza individual de cada ser humano. Esse fogo emite um som cantante como o zumbido de uma abelha, e este som é a nota chave do Corpo Denso, emitida também pelo Arquétipo. O tom do Arquétipo muda durante a vida e, como ele muda, assim também o Corpo Denso sofre certas mudanças.
Todo ato do ser humano tem um efeito direto sobre o Arquétipo de seu corpo. Se o ato praticado está em harmonia com as leis da vida e evolução, ele fortalecerá o Arquétipo e o proporcionará uma vida mais longa, na qual o indivíduo terá o máximo de experiência e alcançará o crescimento anímico em proporção à sua condição de vida e à sua capacidade de aprender. Assim, uma menor quantidade de renascimentos será necessária para que ele alcance a perfeição que para alguém que se esquiva do desafio da vida e tenta escapar de suas responsabilidades ou empregam seus esforços de maneira destrutiva. Nesse último estilo de vida, o Arquétipo é forçado e se rompe mais cedo. Como foi citado, aqueles cujos atos são contrários à lei, abreviam suas vidas e têm que procurar novos renascimentos, muito mais vezes do que os que vivem em harmonia com a lei. Isso é aplicado a todos, sem exceção, mas tem maior significado nas vidas daqueles que estão trabalhando conscientemente com as leis da evolução do que na dos outros que não estão. O conhecimento desses fatos deveria aumentar uma centena de vezes o nosso zelo e entusiasmo para fazer o bem. Mesmo que comecemos, como se pode dizer, “tarde na vida”, ainda assim podemos facilmente acumular mais “tesouros” nesses últimos poucos anos do que o fizemos em muitas vidas anteriores. Acima de tudo, também estamos nos preparando para começar mais cedo na próxima vida.
Existem doze Ondas de Vida distintas, que trabalham com a Humanidade, algumas, desde o início do Período de Saturno. Seus nomes são: Áries (sem nome), Touro (sem nome), Gêmeos (Serafins), Câncer (Querubins), Leão (Senhores da Chama), Virgem (Senhores da Sabedoria), Libra (Senhores da Individualidade), Escorpião (Senhores da Forma), Sagitário (Senhores da Mente), Capricórnio (Arcanjos), Aquário (Anjos), Peixes (Espíritos Virginais, ou Humanidade). Cada uma dessas Ondas de Vida tem uma nota-chave diferente: Áries, Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior); Touro, Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior); Gêmeos é Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior), Câncer é Lá bemol Maior (A flat Major ou Ab ou Lab Maior), Leão é Si bemol Maior (B flat Major ou Bb ou Sib Maior), Virgem Dó natural (C ou Do), Libra é Ré Maior (D ou Re), Escorpião Mi Maior (E ou Mi), Sagitário Fá Maior (F ou Fá), Capricórnio Sol Maior (G ou Sol), Aquário Lá Maior (A ou Lá), Peixes Si Maior (B ou Si). A nota-chave de uma peça musical é a tônica ou o tom fundamental sobre o qual a composição musical é construída.
Todo o período da involução e evolução do ser humano está fundamentado na escala musical, que é de origem celestial. Max Heindel nos diz que a Humanidade passou por três estágios elementares antes do Período de Saturno, e esses estágios estão representados no lado esquerdo do teclado do piano por Lá, Lá sustenido e Si. O Período de Saturno começa com o som representado por Dó baixo no teclado do piano e sobe até Si, cujo tom está incluído, perfazendo 12 notas, 7 das quais são brancas e 5 pretas[19]. Os Sete Irmãos da Ordem da Rosacruz saem pelo mundo e trabalham entre a Humanidade. Cinco não são vistos no mundo. Antes da Humanidade perder o contato com a Região Espiritual do Pensamento Concreto, ela sabia que essa era uma Região de tons musicais e que esses tons permeavam e construíam todos os Arquétipos de todas as coisas existentes nos mundos inferiores, incluindo ela própria; portanto, tinha todos esses tons dentro de si mesma. Sabia que todos os seres humanos eram instrumentos musicais vivos, cujos tons eram ouvidos por eles próprios através de um tipo de percepção sensorial interna.
A superconsciência do ser humano sabe tudo isso, como também conhece o poder tremendo contido nesses tons musicais. Tendo perdido o poder de controlar essa força interior ou mesmo de contatá-la verdadeiramente dentro de si, o ser humano procurou, por meio de instrumentos musicais, reproduzir os tons vagamente percebidos em sua memória meio submersa. No lugar do ser humano, um instrumento musical internamente consciente, temos agora instrumentos musicais criados pelo ser humano; e esses instrumentos expressam alguma fase de sua natureza interna. Os instrumentos de sopro estão correlacionados à melodia – a vontade o intelecto, a cabeça, o pensamento – e o ar ou a melodia que emitem é facilmente memorizada. Os instrumentos de cordas estão correlacionados à harmonia – a emoção, a imaginação, o coração – e despertam sentimentos de felicidade, alegria, prazer, dor, tristeza, saudade e arrependimento. Os instrumentos de percussão estão correlacionados com o movimento do ritmo – músculos, ação dos membros superiores e inferiores – e estimulam, em seus ouvintes, o desejo da ação, tais como marchar, dançar, bater palmas, bater os pés em tempo rítmico.
O próprio ser humano é realmente um tríplice instrumento musical, mas, em seu estado atual de consciência, ele perdeu o contato com o conhecimento de seus poderes internos temporariamente. No entanto, em algum ponto no futuro, ele irá restabelecer esse contato, primeiro pelo sentido, depois por uma percepção interna, ouvindo realmente a nota chave de seu próprio Corpo Denso soando na parte de trás e inferior de sua cabeça. Esse tom o conectará com a lira de sete cordas localizada no cerebrum[20]. Portanto, somente é uma questão de tempo de desenvolvimento até que ele seja capaz de criar por meio do poder musical da palavra falada. Além do mais, será capaz de contatar os tons musicais usados na construção dos seus Corpos Vital e de Desejos e, através de uma consciência objetiva de seu trabalho, se tornará tão consciente desses veículos e de como eles funcionam, como agora o é de seu Corpo Denso.
É o Espírito que vê, ouve, cheira, saboreia e sente, e não os seus órgãos dos sentidos. Na verdade, eles são totalmente inúteis para tais propósitos quando o Espírito está ausente do Corpo. Eles são apenas instrumentos por meio dos quais o Espírito entra em contato com o Mundo Físico; contudo, o Espírito em si mesmo é dotado de todas essas faculdades, e mais ainda quando está funcionando nos planos invisíveis, durante o tempo em que o Corpo está dormindo, ou ainda quando, como um Iniciado, deixa o Corpo conscientemente e funciona nas Regiões mais elevadas. Quando a consciência de vigília diária contatar, conscientemente, os sentidos do Espírito, o ser humano estará preparado para iniciar o trabalho referente à Iniciação, pois os sentidos de seu Espírito vão lhe revelar, passo a passo, conscientemente, tudo o que se passou desde que iniciou seu trabalho de desenvolvimento no Período de Saturno, e tudo isso será realizado por meio do poder da palavra falada – som musical.
Então, o ser humano aprenderá, conscientemente, por meio da visão, como os grandes Anjos Estelares, dirigidos e auxiliados pelo Deus do Sistema Solar, criaram tudo o que nele existe. Verá como, pelo poder do som musical, as várias Ondas de Vida foram criadas e trazidas até seu atual estado de evolução. Ele não deve parar aqui, pois, por seus próprios esforços, poderá progredir e aprender sobre o desenvolvimento futuro que está reservado a futuras revoluções e períodos. Todo o Sistema Solar é um vasto instrumento musical, que é Deus. No Período de Saturno, os tons emitidos por Ele e Seus auxiliares são representados pelos sons produzidos pela oitava mais baixa da escala musical. Foram esses tons, começando com o mais baixo, que construíram sucessivamente os sete Globos nos quais toda a vida existia e iniciou, assim, seu lento desenvolvimento.
As teclas brancas de todas as oitavas musicais produzem os tons construtores, positivos; e as teclas pretas produzem os tons assimilativos, negativos; ambos os tons são necessários para produzir os resultados (vontade, sabedoria, atividade pai, mãe, filho/filha; assim como é em cima, assim é embaixo). As Ondas de Vida que trabalharam conosco durante o Período de Saturno foram Áries, Touro e Leão. A nota-chave de Áries é Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). A nota chave de Touro é Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior) e a nota chave de Leão é Si Maior. Note que as teclas pretas no piano são assimilativas, e foi durante a Primeira Revolução do Período de Saturno que os leoninos, Senhores da Chama, conseguiram implantar na estrutura evoluinte do ser humano, o germe do Corpo Denso. Nessa época, o ser humano era Espírito diferenciado puro, colocado na Região do Espírito Divino, que é a Região da vontade pura.
São os sentidos internos do ser humano, tomados coletivamente, que no tempo devido, o capacitarão para se manifestar em qualquer plano, sem ajuda de órgãos especializados que tenham relação com esse plano, e o farão compreender a consciência objetiva de vigília. Quando esse estado de desenvolvimento for alcançado, o ser humano poderá ver, ouvir, cheirar, degustar e sentir o tato com todo o seu Corpo Denso. Mais tarde, ele será capaz de exercitar os mesmos sentidos da mesma maneira (controle pela vontade) em relação ao seu Corpo Vital, depois em relação ao seu Corpo de Desejos e, ainda mais tarde, em relação ao seu veículo mental. Todo esse desenvolvimento se manifestará por meio do poder da palavra falada de Deus, o Criador do nosso Sistema Solar.
O primeiro sentido interno ou espiritual a ser contatado pela consciência objetiva de vigília do ser humano será a audição (som); em seguida o tato, depois o paladar, o olfato, e finalmente a visão. O método usado para fazer esse contato com os sentidos internos ou espirituais, é a concentração. A concentração é uma manifestação unidirecional, realizada pelo Espírito por meio do poder de sua vontade, pelo qual o Espírito é capaz de excluir, absolutamente, todas as condições físicas da consciência objetiva de vigília e de fazer essa consciência ciente de seus (do Espírito) poderes espirituais internos, enquanto o Espírito ainda está dentro de seus quatros veículos interpenetrados – os Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente.
O piano não é o resultado do esforço do ser humano para reproduzir os tons do seu próprio eu interior, mas é um produto da percepção do ser humano materializada na música, e, consequentemente, é um instrumento puramente terrestre. Portanto, não é apenas um instrumento interessante, mas um instrumento valiosíssimo para aqueles verdadeiros músicos que são capazes de contatar a autêntica música do mundo celestial, trazê-la à Terra e fazendo com que o ser humano produza um instrumento capaz de reproduzi-la[21]. Ainda que todos os instrumentos mecânicos e o rádio sejam de grande utilidade, nunca substituirão o piano, para aqueles que aprenderam o valor dos acordes correlacionados ao desenvolvimento do Espírito e de todos os seus veículos.
O teclado do piano disponibiliza, bem à frente do músico, suas 88 teclas (52 brancas e 36 pretas), que produzem 124 tons. As teclas brancas produzem 52 (7[22]) dos 124 (7[23]) tons e as teclas pretas produzem 72 (9[24]) tons. Nove (9) é o número da Humanidade e sete (7) é o número dos três (3) poderes espirituais do ser humano[25], mais seus quatro (4) veículos: Mente, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso. Existem cinco (5) linhas na pauta musical e quatro (4) espaços – novamente, cinco (5) e quatro (4) igual a nove (9), o número da Humanidade. Há sete (7) letras na escala musical: C, D, E, F, G, A, B[26]; que ocupam a mesma posição na pauta musical. Há 7 notas na escala musical, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si; que mudam de posição na pauta. Por exemplo, se a escala é Dó natural, o primeiro Dó é encontrado na linha abaixo da pauta.
Se há um sustenido do Dó[27], ele pode ser colocado na segunda linha da pauta. Se assim o for, então um bemol do Dó[28] deve ser colocado no primeiro espaço da pauta, etc. Cada uma das Ondas de Vida pertencente ao nosso Sistema Solar -Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes – tem sua própria nota-chave.
A nota-chave de Áries é Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior) que tem cinco bemóis, a saber: Sol bemol, Lá bemol, Si bemol, Ré bemol e Mi bemol.
A nota-chave de Touro é Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior), que tem 3 bemóis, a saber: Lá bemol, Si bemol e Mi bemol.
A nota-chave de Gêmeos é Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior), que tem 6 sustenidos, a saber: Lá sustenido, Dó sustenido, Ré sustenido, Mi sustenido, Fá sustenido e Sol sustenido.
A nota-chave de Câncer é Lá sustenido Maior, que tem 4 bemóis, a saber, Lá bemol, Si bemol, Ré bemol e Mi bemol.
A nota-chave de Leão é Si sustenido Maior, que tem 2 bemóis, a saber, Si bemol e Mi bemol.
A nota-chave de Virgem é Dó natural Maior e não tem sustenido ou bemol.
A nota-chave de Libra é Ré Maior, e tem 2 sustenidos, ou seja, Fá sustenido, Dó sustenido.
A nota-chave de Escorpião é Mi Maior e tem 4 sustenidos, a saber, Fá sustenido, Dó sustenido, Sol sustenido e Ré sustenido.
A nota-chave de Sagitário é Fá Maior e tem 1 bemol, a saber, Si bemol.
A nota-chave de Capricórnio é Sol Maior e tem 1 sustenido, a saber, Fá sustenido.
A nota-chave de Aquário é Lá Maior e tem 3 sustenidos, Fá sustenido, Dó sustenido e Sol sustenido.
A nota-chave de Peixes é Si Maior, e tem 5 sustenidos, a saber, Fá sustenido, Dó sustenido, Sol sustenido, Ré sustenido, Lá sustenido (Mi e Si são as únicas não sustenidos).
Os 12 semitons da oitava estão em conformidade com os 12 meses do ano e as 12 Ondas de Vida criadas pelo Deus do nosso Sistema Solar, como, também as 12 Hierarquias Criadoras que compõem o Zodíaco. Os 7 tons, representados por Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, estão de acordo com os 7 Espíritos diante do Trono. As 5 teclas escuras na oitava representam as cinco ondas da vida, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer e Leão, que primeiro trabalharam com nossa Humanidade. As 7 teclas claras representam as Ondas de Vida hierárquicas, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes, que ainda estão trabalhando com a Humanidade durante o Período Terrestre. À medida que os mistérios ocultos são revelados, compreendemos, de imediato, o significativo fato de que, do princípio ao fim das complexidades do mundo, existe um princípio metódico verdadeiro que nunca se desvia nas suas manifestações.
Uma das primeiras coisas a se tornar aparente para o verdadeiro estudante do ocultismo é o fato de que o Cosmos é construído sobre os aspectos 1-3-5-7-10 e 12, e que os 12 semitons da oitava musical correspondem, em todos os detalhes, ao esquema cósmico – de fato, isso confunde um pouco: quando lembramos que na oitava musical é necessário contatar o mundo do tom, o Segundo Céu, localizado na Região Concreta do Mundo do Pensamento, que, embora comparativamente intangível aos sentidos físicos, ainda é a verdadeira base da manifestação material. Vemos esse mesmo esquema numérico representado tanto no Espírito individualizado como em Deus, o Criador do nosso Sistema Solar. Por exemplo: Deus é um (1). Seus três (3) poderes são Vontade, Sabedoria e Atividade. Seus sete (7) auxiliares planetários, na Bíblia, são chamados os Sete Espíritos diante do Trono.
O ser humano possui três (3) poderes, designados como Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, um elo (1) da Mente, e seus três (3) veículos inferiores – os Corpos de Desejos, Vital e Denso – dos quais ele extrai uma essência Tríplice (3) chamada Alma[29]. Antes de prosseguir, é bom rever os seguintes fatos: a escala cromática inclui todos os tons da oitava, tanto as teclas brancas como pretas, tomadas em ordem regular começando pelo Dó. O Dó está sempre antes de duas teclas pretas agrupadas no piano. Existem doze (12) tons na escala cromática[30]. A escala diatônica é composta apenas pelos tons produzidos pelas teclas brancas do piano – nenhuma tecla preta. Há sete (7) tons (teclas) na escala diatônica[31]. Notemos outras semelhanças com essas escalas: existem doze (12) cores, sete (7) visíveis e cinco (5) invisíveis à visão física. Existem doze (12) orifícios no corpo, sete (7) visíveis e cinco (5) invisíveis.
Existem doze (12) grandes Ondas de Vida evoluindo em nosso esquema de evolução, cinco (5) das quais completaram seu trabalho e se retiraram da manifestação: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer e Leão. As outras sete (7) estão ativas durante o Período Terrestre: Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. A regra geral para um acorde na música é: duas notas na clave de Fá (positiva e negativa) e três na clave de Sol, a trindade. Dois mais três (2+3) somam cinco (5), o número dos sentidos do ser humano, como estão desenvolvidos atualmente. Um acorde na música é composto de uma combinação de tons que se misturam harmoniosamente quando tocados juntos, sendo que o tom mais baixo é a raiz ou nota-chave, e as outras duas notas, que formam o acorde, devem estar em harmonia com essa determinada nota, do contrário o resultado será uma dissonância.
Em toda parte da natureza encontramos o tom manifestado, como também o número, a cor e a forma; e isso sem exceção. A primeira oitava completa da escala cromática contendo 12 tons, dos quais procedem todos os temas celestiais, forneceu os tons usados durante o Período de Saturno. Durante cada um dos Sete Períodos, nossa Onda de Vida mergulha na matéria e sai dela novamente sete (7) vezes. Na aurora do Período de Saturno os Senhores da Mente (Onda de Vida de Sagitário) eram a Humanidade; a Onda de Vida Arcangélica estava em um estágio semelhante à do animal; a Onda de Vida Angélica estava no estágio semelhante à do vegetal e a nossa própria Onda de Vida estava em um estágio semelhante aos minerais. O veículo mais inferior de cada Onda de Vida era constituído da substância da Região do Pensamento Concreto, e o único veículo do ser humano, o germe de seu atual Corpo Denso, também era feito dessa substância.
A Onda de Vida de Áries trabalhou com os vários veículos dessas quatro Ondas de Vida – Senhores da Mente, Arcanjos, Anjos e nossa própria Onda de Vida (Peixes) – por meio do poder incorporado no tom Ré bemol, a Onda de Vida Taurina pelo poder produzido por Mi bemol, e a Onda de Vida Leonina pela força contida em Lá sustenido. As Ondas de Vida de Áries e de Touro foram as primeiras a aparecer, preparando as condições apropriadas para o futuro desenvolvimento das quatro Ondas de Vida que evoluíram durante o Período de Saturno. Então, durante a primeira imersão (Revolução) de nossa própria Onda de Vida (Pisciana), quando ela tinha alcançado o ponto mais inferior (Região do Pensamento Concreto), por meio do poder da nota-chave Lá sustenido, os Leoninos[32] irradiaram de seus próprios corpos para os nossos, o germe do nosso atual veículo Denso. Mais tarde, durante nossa sétima imersão (Revolução) na Região do Pensamento Concreto, essa mesma Onda de Vida dos Leoninos, pelo poder da nota-chave Lá sustenido, despertaram a passiva força do nosso Espírito Divino.
Assim, a Humanidade, ao final do Período de Saturno, possuía o germe do Corpo Denso, construído da substância da Região do Pensamento Concreto, e um Espírito Divino desperto, que mais tarde se desenvolveria no poder da Vontade. Durante o Período de Saturno, as várias Ondas de Vida envolvidas começaram a trabalhar no Mundo do Espírito Divino, depois entraram no Mundo do Espírito de Vida, em seguida na Região do Pensamento Abstrato e, finalmente, na Região do Pensamento Concreto (4). Após cada imersão completa (Revolução) na matéria que foram 7 em 7 globos, descansaram no Mundo dos Espíritos Virginais (1) assimilando tudo o que tinham contatado e preparando-se para outro Dia de Manifestação. Quatro (4) Mundos e mais um são cinco (5), o número de Cristo, indicando o tremendo poder que esse grande Ser se tornou no esquema da evolução.
Depois que todas as sete (7) imersões (revoluções) se completaram ao longo período de assimilação e descanso, onde toda a vida evoluinte se juntou, se misturando livremente desde a mais elevada até a mais inferior, as altas vibrações, por indução, elevaram as mais inferiores a um grau considerável. Isso aconteceu entre cada um dos Sete Períodos: Saturno, Solar, Lunar, Terrestre, de Júpiter, de Vênus e de Vulcano. A segunda oitava da escala cromática forneceu os sons musicais usados durante o Período Solar, e as primeiras Ondas de Vida a aparecer foram as de Leão, Senhores da Chama, nota-chave Lá sustenido, Virgem, Senhores da Sabedoria, nota-chave Dó em segunda oitava; Libra, Senhores de Individualidade, nota-chave Ré; Escorpião, Senhores da Forma, nota-chave Mi. Seguiram-se as de Sagitário, Senhores da Mente, nota-chave Fá, depois Capricórnio, Arcanjos, nota-chave Sol; Aquário, Anjos, nota-chave Lá, e depois Peixes, nossa própria Onda de Vida, nota-chave Si. Os Arcanjos foram a Humanidade do Período Solar.
Durante a sexta imersão (Revolução) na matéria de nossa atual Humanidade, a Onda de Vida de Câncer, os Querubins, cuja nota-chave é Sol sustenido, reapareceu e por meio do poder incorporado em sua nota-chave, despertou a passiva força do nosso Espírito de Vida. Ao final do Período Solar, nossa Onda de Vida possuía o germe aperfeiçoado do que se tornaria um Corpo Denso; depois o germe de um Corpo Vital, um Espírito Divino que despertou e um Espírito de Vida também despertado, que mais tarde se manifestaria como poder do Sabedoria. Durante o Período Solar, as várias Ondas de Vida começaram seu trabalho no Mundo do Espírito de Vida, depois entraram na Região do Pensamento Abstrato, depois na Região do Pensamento Concreto e, por último, no Mundo do Desejo. Após cada imersão completa na matéria (Revolução) – 7 delas sobre 7 globos – todas descansaram no Mundo do Espírito Divino, novamente assimilando tudo o que haviam contatado, e se preparando para outro Dia de Manifestação.
O veículo mais inferior da Onda de Vida evoluinte era, então, composto de substância do Mundo do Desejo. Notemos que, após o término do Período Solar, seguiu outro grande período de descanso assimilativo. A terceira oitava da escala cromática forneceu os sons musicais usados durante o Período Lunar. Na aurora do Período Lunar, começaram a aparecer as várias Ondas de Vida em evolução. Primeiro surgiram os Senhores da Sabedoria, Virgem, trazendo consigo os veículos germinais do ser humano em evolução; os Senhores da Individualidade, Libra, foram os seguintes imediatos e tiveram a tarefa especial da evolução material do Período Lunar. Durante o Período de Saturno, o Corpo Denso germinal do ser humano começou a desenvolver os órgãos dos sentidos. A música era no tom Lá sustenido, a nota-chave de Leão (Si bemol Maior (B flat Major ou Bb ou Sib Maior)). Para sustenizar uma letra (ou nota), toca-se a tecla preta logo acima dela.
Para bemolizar uma letra (ou nota), toca-se a tecla preta logo abaixo dela. Se a chave de Lá sustenido (ou Si bemol) foi usada para desenvolver os órgãos dos sentidos no germe do Corpo Denso, então, os tons da escala de Lá sustenido (ou Si bemol) podem ser usados para fornecer a continuidade desse desenvolvimento. A escala Lá sustenido contém quatro notas sustenidas: Lá sustenido, Si sustenido, Ré sustenido, Mi sustenido e três notas dobradas sustenidos: Fá dobrado sustenido, Dó dobrado sustenido, Sol sobrado sustenido. Os acordes são:
A escala Si bemol contém duas notas bemolizadas, mas observem que as notas, exceto os sustenidos e bemóis, são exatamente as mesmas. As notas são bemolizadas são Si e Mi.
Os Senhores da Chama exerceram a liderança durante o Período de Saturno; e como sua escala musical, Lá sustenido (ou Si bemol), continha os tons usados para despertar o poder do Espírito Divino, que é a Vontade, então, esses mesmos tons possuem um imenso valor para futuramente desenvolver ainda mais esse poder tão elevado do Espírito, a Vontade.
Na segunda imersão (Revolução) na matéria, no Período Solar, a Onda de Vida de Virgem (Senhores da Sabedoria) irradiou de seus próprios corpos o germe do Corpo Vital do ser humano, incluindo todas as possibilidades que ele possuía, e o implantou no próprio corpo do ser humano. A Onda de Vida de Virgem tem Dó natural como sua nota-chave; e consequentemente, os acordes pertencentes a essa escala, a escala de Dó natural, quando tocados, ajudarão no desenvolvimento futuro das potencialidades do Corpo Vital. Esses acordes são:
Algumas das potencialidades do Corpo Vital são crescimento, desenvolvimento das percepções sensoriais, propagação, desenvolvimento e ação das glândulas e de todos os órgãos físicos, que utilizem da substância etérica, possuídos pelo Corpo Denso. Durante a sexta imersão (Revolução) na matéria, no Período Solar, a Onda de Vida de Câncer despertou o germe do Espírito de Vida. A nota-chave de Câncer é Sol sustenido Maior (Lá bemol), e os tons de acordes pertencentes a essa Onda de Vida é que foram usados para obter os resultados.
Os acordes pertencentes a Sol sustenido Maior são:
Se os tons de Sol sustenido Maior (Lá bemol) despertaram o germe do Espírito de Vida, esses mesmos tons musicais ajudarão a estimular e a desenvolver poderes potenciais do Espírito de Vida. A terceira oitava da escala cromática forneceu os tons musicais usados durante o Período Lunar. No Período Lunar, durante a terceira imersão (Revolução) em substância mais densa do corpo, a Onda de Vida de Libra, Senhores da Individualidade, irradiaram de si mesmos o germe que mais tarde se desenvolveu no Corpo de Desejos do ser humano. O nota-chave de Libra é Ré Maior, e os tons pertencentes a essa escala, representados pelos seus acordes, é que foram usados para realizar esse trabalho. Os acordes, pertencentes a Ré Maior, são encontrados na escala que usa dois sustenidos. As notas sustenidas são Dó e Fá.
Os acordes dessa escala são:
Os tons encontrados nos acordes em Ré Maior ajudarão a desenvolver o Corpo de Desejos, de acordo com o perfeito padrão cósmico. Durante a quinta imersão (Revolução) em substância mais densa no Período Lunar, a Onda de Vida de Gêmeos, os Serafins, reapareceram e despertaram, até então passivo, o Espírito Humano. A nota-chave da Onda de Vida de Gêmeos é Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior). As notas sustenidas são: Lá, Dó, Ré, Mi, Fá e Sol (todas sustenidas, exceto o Si). Os acordes de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior) são:
Os tons usados para estimular e ajudar a promover o desenvolvimento do Espírito Humano são encontrados nos tons de acordes pertencentes à tonalidade de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior).
No final do Período Lunar, o terceiro grande Dia Cósmico, encontramos as seguintes condições: as Ondas de Vida, por meio do poder de seus respectivos tons musicais incorporados em escalas e acordes, trabalharam sobre o desenvolvimento do ser humano: Áries Ré bemol; Touro, Mi bemol; Gêmeos, Fá sustenido; Câncer, Sol sustenido Maior; Leão, Lá sustenido; Virgem, Dó natural; Libra, Ré Maior. Como resultado de seus trabalhos, o espírito-ser humano possuía despertos os poderes do Espírito: Divino e de Vida e Humano os Corpos: Denso, Vital e de Desejos, muito pouco desenvolvidos, e que estavam ainda no início de sua manifestação. Os tons usados pelas Ondas de Vida em seus trabalhos são encontrados no piano, começando com Ré bemol na extremidade inferior do teclado e se estendendo até ao Dó central, no meio do teclado. Nessa época, o ser humano ainda estava fora de seus veículos e, todo o trabalho que executava era automático e dirigido pelos grandes Seres mencionados acima, que estavam encarregados de sua evolução.
No final do Período Lunar houve uma divisão no Globo ou no Planeta na qual estávamos evoluindo, e esse Planeta menor foi arremessado ao espaço. Esse Planeta se condensou muito rapidamente e permanecendo o campo da nossa evolução até o final do Período Lunar. Com relação a essa época, Max Heindel diz: “Imagine um imenso globo girando no espaço como um satélite ao redor de globo de origem. É o Corpo do Grande Espírito, Jeová. Assim como agora somos constituídos de carne macia e ossos duros, assim também a parte central do Corpo de Jeová era mais densa que a externa, que era nebulosa e semelhante à nuvem. Embora sua consciência interpenetrasse o todo, ele próprio aparecia principalmente na nuvem, juntamente com seus Anjos e outras Hierarquias Criadoras. Desse grande firmamento de nuvens pendiam milhões de cordões, cada um com sua própria bolsa fetal, pairando próximo à densa parte central da nuvem. E, assim como a corrente vital da mãe humana circula por meio do cordão umbilical, nutrindo o embrião durante a vida pré-natal com o propósito de desenvolver um veículo onde o espírito possa habitar independentemente quando o período de gestação for completado, também, a vida divina de Jeová nos cobria na nuvem e acompanhou toda a família humana durante aquele estágio embrionário de nossa evolução. Éramos, então, tão incapazes de iniciativa como o feto o é hoje”.
No final do Período Lunar, as partes divididas do globo original foram dissolvidas e imersas no Caos geral, que precedeu a reorganização do globo para o Período Terrestre. No Período Terrestre, a Onda de Vida de Virgem, os Senhores da Sabedoria, nota-chave Dó natural (também Dó central do Piano), se encarregaram do desenvolvimento do Espírito Divino, o poder-vontade do ser humano. Os acordes de Dó natural são encontrados no Capítulo VI. A Onda de Vida de Libra, os Senhores da Individualidade, estava suficientemente avançada para despertar o segundo poder do ser humano, o poder do amor do Espírito de Vida de atração e coesão, colocado sob seus cuidados. Sua nota-chave é Ré Maior e, também, os acordes de Ré Maior podem ser encontrados no Capítulo VI.
A Onda de Vida de Escorpião, os Senhores da Forma, se encarregaram do terceiro poder do ser humano, o Espírito Humano, que é o poder da sua atividade e se manifesta como fecundação – o poder de produzir e crescer. A nota-chave de Escorpião é Mi Maior, e tem 4 sustenidos, a saber, Dó sustenido, Ré sustenido, Fá sustenido e Sol sustenido. Os acordes são:
Durante a quarta imersão na matéria (ou Revolução), na Época Atlante, a Onda de Vida de Sagitário, os Senhores da Mente, irradiaram de si mesmos para o interior do nosso ser, o núcleo do material com o qual estamos, agora, procurando construir uma Mente organizada. A Mente é formada pela substância das quatro Regiões do Pensamento Concreto. A segunda Região contém os Arquétipos da vitalidade universal; a terceira contém os Arquétipos do desejo e da emoção; a quarta Região contém as forças arquetípicas da mente humana, sendo que a primeira, ou Região mais inferior, contém os Arquétipos da forma.
A Região das Ideias Germinais, na Região do Pensamento Abstrato, é refletida na primeira Região do Pensamento Concreto. As Ideias Germinais de Vida, na Região do Pensamento Abstrato, são refletidas na segunda Região do Pensamento Concreto, e a Região das Ideias Germinais Abstratas do Desejo e das Emoções são refletidas na terceira Região de Pensamento Concreto. Na última parte da Época Lemúrica uma pequena parte da nossa Humanidade estava suficientemente desenvolvida para que pudesse receber o germe da Mente. A nota-chave de Sagitário é Fá Maior e tem um bemol, que é o Si. Os acordes são:
Observe que esse acorde está correlacionado com a Mente, o último veículo adquirido pelo ser humano e o menos desenvolvido dos quatro que possui: Denso, Vital, de Desejos e Mente. Aqui temos a chave para o rápido desenvolvimento mental, os acordes de Fá Maior, que contém Si bemol (Sib). Max Heindel afirma que as tonalidades musicais ou encantamentos são usadas em todas as ordens ocultas e para todos os propósitos. Nas ordens ocultas, como a dos Rosacruzes, a nota-chave do encantamento entoado em cada grau é de uma medida vibratória diferente da nota-chave de todos os outros graus e aquele que não possuir a chave é incapaz de se harmonizar nesse grau, se sentindo paralisado, como se houvesse uma muralha invisível de vibração circundando o Templo.
Max Heindel afirma ainda que a música tem uma missão maior do que simplesmente a de nos proporcionar prazer. De fato, a Harmonia das Esferas é a base de toda evolução, pois sem ela não poderia haver qualquer progresso; e no momento em que nossos ouvidos estabelecem harmonia com ela, alcançaremos a “chave” para todo avanço. Ele diz que no Segundo Céu o Espírito possui o conhecimento dos sete Planetas, que formam a caixa de ressonância e as sete cordas da lira de Apolo. Os Senhores da Mente, Sagitário, só trabalham com a Humanidade no plano terrestre, pois não tratam com nada que seja inferior à substância mental. Os Arcanjos são especialistas em construir Corpos a partir da substância do desejo e, portanto, são capazes de ensinar o ser humano e aos animais a moldar e usar o Corpo de Desejos. A nota-chave dos Arcanjos, a Onda de Vida de Capricórnio, é Sol Maior. Sua escala tem um sustenido, a saber, Fá sustenido (Fá#). Seus acordes são:
Os Anjos são extremamente experientes na construção do Corpo Vital, pois no Período Lunar, quando eram humanos, o Éter era o estado mais denso da matéria. Devido a sua habilidade de construir e modelar o Éter, eles são realmente os instrutores do ser humano, do animal e das plantas, em relação às funções vitais, incluindo a propagação e nutrição. A nota-chave dos Anjos, os Aquarianos, é Lá Maior. Sua escala tem 3 sustenidos, ou seja, Fá sustenido (Fá#), Dó sustenido (Dó#), Sol sustenido (Sol#). Seus acordes são:
Nossa própria Onda de Vida humana está aprendendo a se tornar perita na construção de Corpos a partir da substância física e, portanto, as pessoas estão ficando aptas a se tornarem instrutoras para o reino mineral, quando os membros desse reino estiverem suficientemente individualizados para utilizar formas distintas.
Já estamos começando a modelar vários minerais em formas individuais. A nota-chave da Humanidade, os piscianos, é Si Maior. Sua escala tem 5 sustenidos, a saber, Fá sustenido (Fá#), Dó sustenido (Dó#), Sol sustenido (Sol#), Ré sustenido (Ré#) e Lá sustenido (Lá#). Seus acordes são:
A nota-chave da Onda de Vida de Áries é Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). Sua escala contém 5 bemóis, a saber, Sol bemol (Solb), Si bemol (Sib), Ré bemol (Réb), Mi bemol (Mib), Lá bemol (Láb). Seus acordes são:
A nota-chave da Onda de Vida de Touro é Mib maior. Sua escala contém 3 bemóis, a saber, Láb, Sib, Mib. Seus acordes são:
Cada parte do corpo do ser humano foi construído pelas notas-chave vibratórias das doze grandes ondas da vida assistidas pelos Sete Espíritos diante do Trono: Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus, Mercúrio, mais a ação de Netuno, Lua terrestre. Os poderes espirituais do ser humano foram despertados por algumas das doze grandes ondas da vida, como mencionado nos capítulos anteriores.
Esse trabalho foi e continua sendo executado em toda a Humanidade, independentemente do Signo Solar planetário do indivíduo. Todos esses grandes Auxiliares Invisíveis estavam, ou estão agora, executando suas atividades sob a direção do Deus do nosso Sistema Solar, e são, por assim dizer, Seus embaixadores terrestres. O Deus do nosso Sistema Solar cria em Ondas de Vida, como já mencionado. Doze dessas Ondas de Vida têm os mesmos nomes que os Signos do Zodíaco e serão usadas mais tarde por Eles como Signos de Seu próprio Zodíaco, quando Ele se dissolver na unidade para formar o invólucro de um Sistema Solar para um outro Deus.
As Ondas de Vida de Áries e Touro estão agora no Mundo de Deus; as Ondas de Vida de Gêmeos, Câncer e Leão estão no Mundo dos Espíritos Virginais; a Onda de Vida de Virgem está no Mundo Espírito Divino; a Onda de Vida de Escorpião está na Região do Pensamento Abstrato do Mundo do Pensamento; a Onda de Vida de Sagitário está na Região do Pensamento Concreto no Mundo do Pensamento; a Onda de Vida de Capricórnio está no Mundo do Desejo; a Onda de Vida de Aquário está na Região Etérica do Mundo Físico; e a Onda de Vida de Peixes está na Região Química do Mundo Físico. Isso não significa que os seres pertencentes a essas doze Ondas de Vida estejam confinados dentro dos limites de uma determinada Região ou Mundo.
Essas Regiões são simplesmente seus lares; eles estão livres para prestar serviço em muitas outras localidades ou em outros planos, da mesma forma que nossa própria Onda de Vida, durante a atual manifestação, funciona em Mundos tão elevados quanto o Mundo do Pensamento Abstrato. Quanto mais compreendermos a criação, melhor entenderemos a música e vice-versa. Por exemplo, um acorde perfeito é formado da primeira, terceira e quinta letras ou notas na escala. As letras são C, E, G; as notas são Dó, Mi, Sol, sendo que tanto as letras quanto as notas representam o mesmo tom. Para sabermos qual a Onda de Vida planetária que rege espiritualmente um Período devemos primeiro atentar para a Onda de Vida humana daquele período.
Os Sagitarianos ou Senhores da Mente eram a Humanidade do Período de Saturno. Agora, começando por Sagitário conte mais cinco Ondas de Vida para cima e chegaremos à Onda de Vida de Leão ou Senhores da Chama, que tinham aos seus cuidados os impulsos espirituais começando a agir sobre a Humanidade do Período de Saturno. Lembremos que a nota-chave de Leão é Lá sustenido (musicalmente usado: Sib Maior – Bb Major), cuja música está relacionada com o trabalho feito para o crescimento do Corpo Denso e o despertar do Espírito Divino. Assim, qualquer música escrita na tonalidade de Lá sustenido (Bb Major) favorecerá o trabalho executado durante o Período de Saturno. A Humanidade do Período Solar eram os Capricornianos ou Arcanjos.
Começando aqui e contando para cima até cinco, encontramos os Virginianos ou Senhores da Sabedoria, como a Onda de Vida encarregada dos impulsos espirituais que estavam começando a atuar sobre a Humanidade do Período Solar. A nota-chave de Virgem é Dó natural. O trabalho especial que estava sendo feito se relaciona com o crescimento do Corpo Vital e o despertar do Espírito de Vida. Consequentemente, qualquer música escrita na tonalidade de Dó natural ajudará o trabalho iniciado no Período Solar. A Humanidade do Período Lunar era a dos Aquarianos ou Anjos. Começando com eles e contando para cima até cinco, encontramos a Onda de Vida de Libra ou dos Senhores da Individualidade, encarregados dos impulsos espirituais que estavam agindo sobre a Humanidade do Período Lunar. A nota-chave de Libra é Ré Maior. O trabalho especial que estava sendo feito se refere ao crescimento do Corpo de Desejos e o despertar do Espírito Humano.
Consequentemente, qualquer música escrita na tonalidade de Ré Maior ajudará o trabalho iniciado no Período Lunar. A Humanidade do Período Terrestre é a dos Piscianos, nossa própria Onda de Vida. Começando com Peixes e contando para cima até cinco, encontramos as Ondas de Vida de Escorpião ou Senhores da Forma, encarregados dos impulsos espirituais que agora estão sendo dirigidos para nós, a Humanidade do Período Terrestre. A nota-chave de Escorpião é Mi Maior. O trabalho especial que está sendo feito durante o Período Terrestre se refere ao desenvolvimento do veículo Mente. Consequentemente, qualquer música escrita na tonalidade de Mi Maior ajudará o crescimento da Mente, que é o trabalho do Período Terrestre. O propósito da regência espiritual é principalmente dar os impactos necessários para que atuem como um estímulo de ação na Onda de Vida inferior, sobre a qual o impacto é dirigido, pois todo desenvolvimento é o resultado de algum tipo de atividade musical.
Resumindo o que foi dito, encontramos:
Os acordes relacionados aos três poderes do Espírito e aos quatro veículos do ser humano, como também, toda música escrita na nota-chave dos acordes, podem ser efetivamente usados para desenvolver os três poderes espirituais do ser humano e os seus quatro veículos.
A Harmonia das Esferas não está composta de tom único; varia de dia a dia e de mês a mês, conforme o percurso do Sol e dos Planetas através de cada Signo. Há, também, variações anuais periódicas devido à Precessão dos Equinócios. Há real e uma infinita variedade na Música das Esferas, e que realmente deve acontecer, pois a constante mudança da vibração espiritual é a base de toda a evolução física e espiritual. Nos meses de março e abril predominam os tons de Áries e Marte, propícios à germinação, renovação de vida e crescimento nos reinos humano e vegetal. Se pudéssemos ter uma leve ideia da Música das Esferas nessa época, ouviríamos canções de Páscoa como:
Jesus Cristo ressuscitou hoje, Aleluia!
Nosso dia sagrado e triunfante, Aleluia!
Aquele que na Cruz pregado, Aleluia!
Sofreu para nos resgatar da perdição, Aleluia![33]
Cristo Jesus é a personificação do amor espiritual; portanto, a música composta na tonalidade de Libra (Ré Maior), regida por Vênus, o Planeta do amor, está em total harmonia com a Sua vibração, e com a desse grande Ser. Em junho e julho, os tons produzidos por Câncer e pela Lua predominam, auxiliados pelos tons de Leão e pelo Sol, os quais tendem a amadurecer os processos iniciados pelos tons energizantes de março, abril, maio e junho. Durante junho, julho, agosto e setembro, o amor e a vida agem intensamente nos corações em regozijos, pois são Mestres na luta pela existência, enquanto o Sol é exaltado nos céus do norte até ao máximo de seu poder na época do Solstício de Junho. Essa é a época em que o Cristo, tendo alcançado o trono do Pai (o Mundo do Espírito Divino), depois de ter completado Seu trabalho terrestre por mais um ano, é saudado pelas hostes celestiais, os Senhores da Sabedoria, que também habitam lá.
Em honra a esse grande Ser, que deu a Sua vida até a exaustão, é apropriado nos juntarmos àquele coro celeste cantando:
Aclamem todos o poder do nome de (Cristo) Jesus!
Deixe os Anjos prostrarem-se;
Tragam o diadema real
E como o Senhor de todos, coroem-No[34].
A nota-chave de Leão é Lá sustenido Maior (musicalmente Si bemol). O Sol, seu Regente, e sua palavra-chave é Vida. A nota-chave de Câncer é Sol Maior e sua palavra-chave é a fecundação. Em setembro, outubro, novembro e dezembro os tons de Virgem, cuja nota-chave é Dó natural, e a palavra-chave de Mercúrio, razão energizada pelos tons de Escorpião, nota-chave é Mi Maior e pela palavra-chave de Marte, energia dinâmica, se prepararam para o encontro com a força dos raios do Cristo que se aproxima, na sua descida anual à Terra, e cujas poderosas vibrações espirituais estão na atmosfera da Terra e a Humanidade seria capaz usá-las, com maior proveito, se conhecesse os fatos e redobrasse seus esforços para prestar o serviço amoroso e desinteressado aos seus semelhantes.
Apresentamos aqui a letra e a música que podem ser de grande valia a cada um de nós para o seu desenvolvimento evolutivo:
Oh, adorem o Rei, todos que são gloriosos no além,
E com gratidão, cantem Seu maravilhoso amor;
Nosso Amparo e Defensor, o Venerável dos Dias vem,
Envolvido em grande luz e cingido com louvor[35].
Verdadeiramente é assim; pois a medida em que Cristo desce para à Terra, uma canção harmoniosa, rítmica e vibratória, uma hosana é cantada pelas hostes celestiais enchendo a atmosfera da Terra e atuando sobre todos, como um impulso em direção à aspiração espiritual. Durante dezembro, janeiro, fevereiro e março, os tons do filantrópico Sagitário, nota-chave Fá Maior, regido pelo otimista e benevolente Planeta Júpiter, cuja palavra-chave é idealismo, e o quieto e metódico Capricórnio, nota-chave Sol Maior, regido pelo conservador e perseverante Saturno, cuja palavra-chave é obstrução, com suas sistemáticas atividades construtivas, preparam a Terra para receber o raio do amor de Cristo e nutri-la, até que esteja preparada para a liberação, até o centro da Terra e, então, começa sua viagem para fora, em direção a periferia da Terra, alcançando-a na época do Equinócio de Março.
Quando os dias são curtos e as noites longas, na Noite Santa[36], o raio do Espírito de Cristo alcança o centro da Terra. Aqui Ele permanece por três dias e três noites liberando de Si mesmo a germinante força do Espírito Santo que, lentamente, vai permear a Terra e frutificá-la para o próximo ano. Sem esse poder vitalizante e energizante liberado pelo Cristo, a Terra permaneceria fria, estéril e sombria; todos os seres viventes pereceriam e todo progresso ordenado seria frustrado, no que se refere ao nosso atual esquema de desenvolvimento. Portanto, seria mais apropriado que na época Santa do Natal emanássemos nosso sincero reconhecimento e adoração, juntando-nos às hostes celestiais, entoando canções de louvor sintonizadas à música celestial, dada a nós pelo grande músico e mestre Felix Mendelssohn[37]:
Ouçam! Os Anjos mensageiros cantam;
Glória ao recém-nascido Rei;
Paz na Terra e suave misericórdia,
Deus e pecadores reconciliados;
Alegre, que todas as nações se elevam,
Junta-te ao triunfo dos céus; com a hoste angelical proclamar, Cristo nasce em Belém.[38]
As Ondas de Vida Hierárquicas e os Signos zodiacais não são os únicos auxiliares da Humanidade para ajudá-la em sua evolução. Os Sete Espíritos ante o Trono: Marte, Mercúrio, Vênus, Terra, Saturno, Júpiter e Urano prestaram e estão prestando um grande serviço à Humanidade e, no momento, em contato muito íntimo com a Humanidade. Cada um desses Planetas têm uma nota-chave própria, e é através do poder vibratório delas que os Planetas são capazes de prestar auxílio. Quando o Espírito inicia os preparativos para o renascimento, ele constrói o Arquétipo criativo de sua forma física no Segundo Céu, a Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento, com a assistência dos Sete Espíritos ante o Trono. Esse Arquétipo é um modelo ou um molde sonoro, vibrante, uma cavidade oca posta em ação pelo Espírito, com uma certa força que é proporcional ao tempo a ser vivido na Terra.
Até que o Arquétipo cesse de vibrar, a forma correspondente, construída dos elementos químicos da Terra, continuará a existir. A Região do Pensamento Concreto é o reino do som, onde a Harmonia das Esferas, uma música verdadeiramente celestial, impregna tudo que lá existe, assim como a atmosfera da Terra circunda e envolve tudo aqui. Podemos dizer que todas as coisas nessa Região estão envolvidas e permeadas por música – vivem e crescem por meio da música. Tudo isto demonstra, claramente, que nossa música terrena não aconteceu por acaso, mas foi estabelecida sobre bases encontradas nos Mundos espirituais mais elevados, cuja origem está na palavra falada de Deus, o Criador do nosso Sistema Solar.
Observemos que as notas da escala musical são: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si[39], que formam um intervalo de sete tons, a base da Harmonia das Sete Esferas. As vibrações de Urano e Netuno só atuaram no progresso material do ser humano muito depois da época de Pitágoras, quando começou a sentir suas vibrações. Os tons desses dois Planetas, acrescentados aos sete, perfazem nove, o número da Humanidade.
Os sete tons maiores da escala, quando tocados corretamente, possuem dentro de si os poderes criativos e construtores de Deus. A manifestação dos tons menores é subjetiva ou assimilativa por natureza, portanto, não criativa. O lar dos cinco tons menores é o Terceiro Céu (Região do Pensamento Abstrato).
Quando o Espírito abandona o Corpo Denso (físico) no momento da morte, ele passa pelo Mundo do Desejo, Mundo do Pensamento Concreto (Segundo Céu) e Mundo do Pensamento Abstrato (Terceiro Céu), onde permanece algum tempo antes de voltar a renascer na Terra. Quando chega o momento do renascimento, ele deixa o Mundo do Pensamento Abstrato e penetra no Mundo do Pensamento Concreto. Ali, a Música das Esferas põe, imediatamente, o Átomo-semente do Corpo Denso em vibração, e um desses sete Planetas vibra, em particular harmonia com o Átomo-semente do Corpo Denso do Espírito. Cada tom planetário é modificado para se adaptar ao tom básico desse Planeta, em harmonia com o denso Átomo-semente do Corpo Denso do Espírito, tornando-se, assim, o Regente planetário dessa próxima vida terrena do Espírito.
Quando os tons dos vários Planetas se chocam com o Átomo-semente do Corpo Denso, cada um deles ajuda a construir o Arquétipo do Espírito, e mais tarde, as linhas de força vibratórias formadas no Arquétipo, atraem e ordenam adequadamente os átomos densos do Corpo Denso. Assim, tanto o Arquétipo quanto o Corpo Denso expressam, de forma acurada, a Harmonia das Esferas exatamente como foi tocada durante o período da construção arquetípica. O período de tempo transcorrido desde o momento em que o Espírito deixa o Terceiro Céu (Região do Pensamento Abstrato do Mundo do Pensamento), até que penetre no Corpo de sua futura mãe, é muito mais longo do que o período de gestação (9 meses) e varia de acordo com a complexidade da estrutura necessária pelo Espírito que procura renascer.
Nem o processo da construção do Arquétipo é contínuo; pois sob certos Aspectos (Quadraturas, Oposições, Trígonos, Sextis, Conjunções e Paralelos), os Astros podem produzir notas às quais os poderes vibratórios do Átomo-semente podem não responder; e, mais uma vez, o Espírito simplesmente sussurra tons que já aprendeu e, assim empenhado, aguarda um novo tom que possa utilizar para construir melhor o organismo pelo qual deseja se expressar. Também é necessário tempo para atrair o material que se precisa nas várias Regiões do Mundo do Desejo (7 Regiões), para construir um novo Corpo de Desejos, onde o Arquétipo controla a quantidade do material e o Átomo-semente do Corpo de Desejos controla a sua qualidade.
Na Região Etérica do Mundo físico, esse material precisa ser atraído para um novo Corpo Vital, mas fica a cargo do Anjos do Destino e seus agentes a separação de uma parte desse material para formar a matriz etérica para o Corpo Denso, que será construído mais tarde. Lembremo-nos de que estamos agora trabalhando sob influência dos sete tons no meio do teclado do piano, que é a oitava do meio, havendo três oitavas de cada lado dela. As lições pertencentes às três oitavas abaixo devem ser, por nós, completadas. As lições pertencentes à oitava do meio são as que estamos aprendendo. Note que as lições pertencentes aos tons da oitava mais inferior no teclado do piano – Período de Saturno – estavam empenhadas na construção do Corpo Denso e no despertar dos poderes negativos do Espírito Divino. As lições pertencentes à segunda oitava do teclado do piano – Período Solar – estavam correlacionadas aos tons produzidos por essa oitava e estavam empenhadas na construção do Corpo Vital (Virgem, nota-chave Dó natural), e no despertar dos poderes negativos do Espírito de Vida, a Onda de Vida de Câncer, nota-chave Sol sustenido Maior (musicalmente Lá bemol). As lições, pertencentes aos tons da terceira oitava no teclado do piano – Período Lunar – estavam correlacionadas aos tons produzidos por essa oitava. Elas dizem respeito à construção do Corpo de Desejos (Libra, nota-chave Ré Maior) e ao despertar dos poderes negativos do Espírito Humano (Gêmeos, nota-chave Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# Maior)). As lições pertencentes aos tons da quarta ou oitava do meio – Período Terrestre – se relacionam com a construção do veículo Mente e com o seu desenvolvimento; o mais importante desses tons para a Humanidade atual é Fá Maior, a nota-chave dos Senhores da Mente, os Sagitarianos.
O ser humano tendo adquirido seus Corpos: Denso, Vital, de Desejos e o veículo Mente, precisa aprender a cuidar deles e mantê-los em condições saudáveis durante o Período Terrestre, o que depende quase inteiramente do estado da Mente. Em geral, a Mente forma uma perfeita conexão entre o Espírito e seus quatro veículos, mas é possível que essa conexão se torne falha ou mesmo completamente rompida, e então, sérios transtornos mentais poderão advir. As doenças mentais podem ocorrer na união da Mente descontrolada com o Corpo de Desejos, ou pelo prolongado som violento de uma ou de todas as vibrações astrais, sejam da Lua, de Mercúrio, Urano ou Netuno. Usadas dessa maneira, elas têm o poder de destruir não só a própria Mente, mas também o Corpo Denso, Vital e de Desejos, enquanto vibrações de baixa intensidade, suaves e rítmicas desses Astros suavizam e curam.
A vibração é vida manifestada, e é a origem de todas as coisas criadas que existem ou sempre existiram. A inércia, seu oposto, resulta em separação, desintegração e deterioração. Música e cor, ambas, são o produto de certos graus do poder vibratório. Os graus vibratórios harmoniosos são saudáveis, criadores e construtivos; os discordantes são destrutivos, fazem perder a integridade e são susceptíveis à dissolução. O som é a origem da cor e tão somente um som claro e melodioso pode produzir uma cor bela, atraente e inspiradora.
O espectro solar reflete sete cores distintas: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. Existem sete tons produzidos no teclado do piano pelas teclas brancas de uma oitava. Dó corresponde ao vermelho, Ré ao laranja, Mi ao amarelo, Fá ao verde, Sol ao azul, Lá ao índigo e Si ao violeta. Quando uma oitava musical termina, outra começa e progride exatamente com duas vezes mais vibrações que as usadas na primeira oitava, e as mesmas notas são repetidas em uma escala mais delicada. É o mesmo que ocorre com o olho normal: quando essa escala é completada na cor violeta, outra oitava mais delicada de cores, invisíveis, com duas vezes mais vibrações, terá início e progredirá de acordo com a mesma lei. Áries tem a regência geral da cabeça e dos vários órgãos dentro da cabeça e sobre os olhos; mas o nariz está sob a regência de Escorpião. Assim, uma doença de algum desses órgãos, exceto o nariz, será beneficiada pela música tocada suavemente na escala de: Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Áries são: a dor de cabeça, a nevralgia, o coma e as condições de transe, as doenças do cérebro e hemorragias cerebrais. O tratamento para combater essas doenças é a música tocada suavemente na tonalidade de: Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). Touro rege o pescoço, a garganta, o palato, a laringe, as tonsilas, a mandíbula inferior, os ouvidos, a Região occipital do cérebro, o cerebelo, a vértebra atlas[40], as vértebras cervicais, as artérias carótidas, as veias jugulares e os vasos sanguíneos menores. A música tocada suavemente na tonalidade de Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior) é de grande benefício quando um desses órgãos começa a mostrar sinais de doença. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Touro são: o bócio, a difteria, a crupe e a apoplexia. Como cada Signo sempre reage sobre o Signo oposto, as aflições em Touro também podem produzir as doenças venéreas, a constipação ou menstruação irregular. Gêmeos rege os braços e as mãos, os ombros, os pulmões, a glândula timo e a caixa torácica superior. Qualquer doença em uma dessas partes pode ser tratada por música tocada suavemente na tonalidade de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior). Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Gêmeos são: a pneumonia, as doenças pulmonares, a pleurisia, a bronquite, a asma e a inflamação do pericárdio. Música tocada suavemente na nota-chave de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior) é benéfica para neutralizar a atividade dessas doenças. Câncer rege o esôfago, o estômago, o diafragma, o pâncreas, as mamas, os vasos lácteos, os lóbulos superiores do fígado e o ducto torácico. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Câncer são a indigestão, o gás no estomago, a tosse, os soluços, a hidropisia, a melancolia, a hipocondria, a histeria, os cálculos biliares e a icterícia. Doenças mencionadas sob a regência de Câncer são neutralizadas por música tocada suavemente em Sol sustenido (musicalmente: Lá bemol) Maior[41]. Leão rege o coração, a Região dorsal da coluna vertebral, a medula espinhal e a aorta. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Leão são: a regurgitação, a palpitação, os desmaios, o aneurisma, a meningite espinhal, a curvatura da coluna vertebral, a arteriosclerose, a angina do peito, a hiperemia, a anemia e a hidremia. Música tocada suavemente na nota-chave de Lá sustenido (musicalmente Si bemol) Maior[42] traz alívio para quem sofre dessas doenças. Virgem rege a Região abdominal, os intestinos grosso e delgado, os lobos inferiores do fígado e o baço. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Virgem produzem: a peritonite, a tênia e desnutrição, a interferência na absorção do quilo, a febre tifoide, a cólera e o apendicite. A melhor música tocada para aliviar qualquer uma das aflições mencionadas é a de Dó natural[43] suavemente executada. Libra rege os rins, as suprarrenais e a Região lombar da espinha, o sistema vasomotor e a pele. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Libra são: a poliúria ou supressão da urina, a inflamação dos ureteres, que conectam os rins com a bexiga, a doença de Bright[44], o lumbago, a eczema e outras doenças de pele. A música para o tratamento dessas doenças deve ser tocada suavemente na tonalidade de Ré Maior[45]. Escorpião rege: a bexiga, a uretra, os órgãos genitais em geral, também o reto e o cólon descendente, a flexura sigmoide, a próstata e os ossos nasais. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Escorpião são: o catarro nasal, as adenoides, o pólipo, as doenças do útero e dos ovários, as várias doenças venéreas, o estrangulamento e alargamento da glândula da próstata, as irregularidades da menstruação, a leucorreia, a hérnia, os cálculos renais e a litíase. A nota-chave de Escorpião é Mi Maior[46]. Música tocada suavemente nesse tom dissipa as doenças de Escorpião. Sagitário rege: os quadris e as coxas, o fêmur, o íleo, as Regiões do cóccix e sacral da coluna vertebral, as artérias e veias ilíacas e os nervos ciáticos. Música tocada suavemente na tonalidade de Fá Maior[47] é o melhor tratamento quando alguma dessas partes do corpo sofrem das doenças próprias dessas partes. Capricórnio rege: a pele, os joelhos e tem também uma ação reflexa sobre o estômago, que é governado pelo Signo oposto, Câncer. Música tocada suavemente na tonalidade de Sol Maior[48] é melhor para curar as doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Capricórnio, que são: o eczema e outras doenças de pele, a erisipela, a hanseníase e os distúrbios digestivos. Aquário rege: os tornozelos, os membros desde os joelhos até os tornozelos, e tem uma ação reflexa em seu Signo oposto, Leão; daí aflições em Aquário produzirem as varizes, provocar a entorse de tornozelo, as irregularidades da ação do coração e a hidropisia. A nota-chave de Aquário é Lá Maior[49]. Música tocada suavemente nesse tom é melhor para curar as doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Aquário. Peixes governa os pés e os dedos dos pés. Também exerce efeito reflexo sobre Região abdominal governada pelo Signo oposto Virgem; portanto, as aflições neste Signo indicam os problemas e as deformações dos pés, as doenças intestinais e a hidropisia; também desejo por bebida e drogas que podem levar ao delirium-tremens. Música tocada suavemente na tonalidade de Si Maior[50] é melhor para as doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Peixes.
O Serviço de cura espiritual da Fraternidade Rosacruz é realizado pelos Probacionistas que trabalham à noite, enquanto estão fora de seus Corpos Densos que ficam adormecidos. Eles são chamados de Auxiliares Invisíveis porque não podem ser vistos pela visão física. Seu trabalho de cura depende dos seguintes fatores principais: o tom do Corpo Vital do paciente e do Probacionista Auxiliar Invisível curador devem estar em perfeita harmonia (isso está sob os cuidados dos Irmãos Maiores).
O Probacionista Auxiliar Invisível, em sua consciência de vigília, deve ter decidido se tornar um Auxiliar para a cura no plano invisível. Esses Auxiliares Invisíveis devem ser Probacionistas, porque ao estarem nesse degrau eles começam a vibrar em uníssono com os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz e, a cada manhã, quando realizam seu exercício matinal de Concentração, eles fortalecem essa vibração.
Os Auxiliares Invisíveis são de valor inestimável pela seguinte razão: o Corpo Vital do paciente, sobre o qual os Auxiliares Invisíveis trabalham, tem um tom particular (que é determinado pelo Signo Ascendente), e os Auxiliares Invisíveis são selecionados pelos Irmãos Maiores e enviados para trabalhar nos pacientes cujo grau de vibração, ou tom do Corpo Vital, esteja em perfeita harmonia com o do Auxiliar Invisível. Essa é a chave para o sucesso do trabalho efetuado pelos Auxiliares Invisíveis.
O Probacionista Auxiliar Invisível, em sua consciência de vigília, conformou sua Mente para estar disposto a ser um trabalhador no plano invisível, e estando sintonizado com a vibração dos Irmãos Maiores, estes supervisionam o seu trabalho. Essa é a razão pela qual um (a) enfermeiro (a) Probacionista, em nosso estabelecimento para o tratamento de pessoas que estão convalescendo ou estão doentes (ou enfermo), é de valor inestimável, pois esse (a) enfermeiro (a) está sintonizada tanto com a nota-chave do Corpo Vital do paciente, como com a vibração (o tom) dos Irmãos Maiores, que são os mentores de todo o trabalho espiritual realizado aqui.
Como ninguém nunca se torna um Auxiliar Invisível até que conforme a sua Mente para se tornar um, e uma vez que o desenvolvimento da Mente é o principal trabalho do Período Terrestre, é absolutamente necessário considerarmos como esse desenvolvimento mental é alcançado. Nenhum desenvolvimento espiritual pode ser alcançado sem a ajuda da Mente, pois a Mente é o elo entre o Espírito e seus veículos inferiores. Os poderes do Espírito são desenvolvidos pela essência da alma, pábulo, alimento extraído do Tríplice Corpo; a Mente é o único meio de transmitir essa essência alimentar para o Espírito.
Quanto mais desenvolvida for a Mente, mais eficiente ela se tornará como condutora do pábulo dos três veículos – Corpo Denso, Vital e de Desejos – para o Espírito. No Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmos para dentro dos seres humanos, o germe da Mente. A nota-chave dos Senhores da Mente (Sagitarianos) é Fá Maior. Sua escala tem um bemol, a saber, Si bemol. Qualquer música escrita no tom de um bemol tenderá a influenciar e a desenvolver os poderes mentais da Humanidade. Exemplos: America; Work, for the Night is Coming[51]; Where He Leads Me I Will Follow[52].
Os acordes de Fá Maior são:
O Espírito está inteiramente no Mundo Físico enquanto vive sua vida terrena, exceto quando o Corpo está adormecido ou inconsciente por qualquer causa. Durante as horas de vigília, o Espírito está habitando e contatando conscientemente o Mundo exterior por meio do poder da Mente. Quanto mais desenvolvida for a Mente, melhor o Espírito será capaz de contatar o Mundo exterior. No momento atual, a Mente é uma nuvem disforme, que penetra e circunda a cabeça.
A Mente ainda não desenvolveu nenhum órgão. Age como um espelho que reflete o Mundo exterior e capacita o Espírito a transmitir seus comandos por meio de pensamentos e palavras, e compelir à ação. O Espírito gera o pensamento e injeta-o na Mente, a Mente passa-o para os centros cerebrais e estes transmutam-no em incentivos à ação. Entretanto, atualmente, a Mente não está focada de um modo a ser capaz de dar uma clara e verdadeira imagem daquilo que o Espírito imagina. Não está concentrada em um ponto, excluindo todo o resto. Consequência: produz imagens distorcidas e nebulosas.
Daí a necessidade de experiências para mostrar as imperfeições de uma primeira concepção, e em seguida, efetuar novas concepções e ideias, até que a imagem produzida pelo Espírito na substância mental, seja reproduzida na substância física. Na melhor das hipóteses, somos capazes de moldar por meio da Mente apenas aquelas imagens relacionadas à forma, porque a Mente só começou a atuar no Período Terrestre e, portanto, está agora em sua forma ou estágio mineral, daí; portanto estamos limitados às formas minerais em nossas ações.
Podemos imaginar maneiras e meios de trabalhar com as formas minerais dos três reinos inferiores, mas pouco ou nada podemos fazer com Corpos vivos. É certo que enxertamos galhos vivos em árvores vivas, partes vivas de animais ou seres humanos em outras partes vivas, mas não é com a vida que estamos trabalhando; é somente com a forma. Na verdade, estamos fazendo condições diferentes, mas a vida, que já habitou a forma, faz as conexões permanentes e não é o ser humano que faz.
Todas as formas criadas pelo ser humano são inanimadas e, continuarão a ser assim até que a Mente se torne viva – isto é, até que alcance um estágio semelhante ao da planta em seu desenvolvimento. Três das Glândulas Endócrinas estão intimamente ligadas à Mente do ser humano. As sete Glândulas Endócrinas, mencionadas por Max Heindel como as sete rosas na cruz do Corpo Vital, são centros espirituais correlacionados com Netuno, Urano, Mercúrio, Vênus, Sol e Júpiter. Netuno é o regente da Glândula Pineal[53], Urano da Pituitária[54], Mercúrio da Tiroide, Vênus do Timo, Sol do Baço e Júpiter das duas Suprarrenais.
A nota-chave de cada um desses Astros, ao tocar continuamente seu tom, aos poucos está despertando o centro espiritual correspondente à Glândula com o qual está relacionado. Quando o centro espiritual em cada uma dessas Glândulas se tornar desperto e em atividade dinâmica, as sete Glândulas endócrinas conectarão o Espírito ao plano invisível com o qual cada Astro está correlacionado.
O tom de Júpiter, regente das duas suprarrenais, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessas duas Glândulas e, assim, ajudará o ser humano a aprender a lição pertencente à Região Química do Mundo Físico.
O tom do Sol, regente do baço, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes à Região Etérica do Mundo Físico.
O tom de Vênus, regente da Glândula timo, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Desejo. O tom de Mercúrio, regente da Glândula tiroide, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Pensamento.
O tom de Urano, regente do Corpo Pituitário, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Espírito de Vida.
O tom de Netuno, regente da Glândula Pineal, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Espírito Divino.
No progresso evolutivo da Humanidade existem, atualmente, quatro classes distintas de pessoas, a saber: os fracassados, que são aqueles que definitivamente fracassaram no esquema atual e terão que voltar ao início (em outro Período de Saturno) e começar tudo novamente; os atrasados, que se trabalharem com afinco o suficiente, terão a oportunidade de alcançar nosso atual esquema de evolução e prosseguir nele; as massas, que estão lentamente aprendendo suas lições e, sem dúvida, serão bem sucedidas; e os pioneiros, aqueles que avançaram e, consequentemente, são a vanguarda da evolução.
Os seres do último grupo estão se tornando instrutores e líderes da Humanidade. Os principais, entre eles, são os Irmãos Leigos, os Adeptos e os Irmãos Maiores que compõem os membros das sete Escolas de Mistérios Menores e as cinco de Mistérios Maiores que hoje existem na Terra. No passado longínquo, as principais lições do ser humano estavam relacionadas à construção do Corpo, incluindo os Corpos Denso, Vital e de Desejos, e enquanto realizava esse trabalho, ele era dirigido e ajudado pelas onze Hierarquias Criadoras das Ondas de Vida que precederam as suas próprias, e pelas mais avançadas pertencentes a ela também.
Do Período de Saturno até a Época Lemúrica do Período Terrestre o ser humano era hermafrodita e capaz de produzir Corpos por meio do duplo poder de sua própria força criadora, isto é, seu poder de atividade germinadora. Ele era insensato e, portanto, fazia seu trabalho de forma automática, estando o Espírito inteiramente fora de seus veículos. Um registro de todo o trabalho feito era fielmente impresso nos Átomos-semente de seus três veículos: Corpos Denso, Vital e de Desejos, que ele então possuía.
Havia somente três Átomos-semente, um para cada um de seus três veículos, até que lhe foi dado o germe da Mente, o que resultou em quatro veículos e quatro Átomos-semente. Todos os Corpos são construídos por meio do poder incorporado dentro de seu próprio Átomo-semente, que é uma partícula minúscula, invisível e sonora da substância do Espírito, e é propriedade exclusiva daquele a quem foi dada.
Quando os membros da nossa Onda de Vida progrediram o suficiente para estarem prontos para o próximo passo na evolução, houve uma separação dos poderes positivos e negativos da força da atividade germinadora em cada um deles, sendo que metade dessa força foi dirigida para cima, para construir um cérebro e uma laringe, e o ser humano, então, cessou de ter o poder de produzir novos corpos sem o auxílio de outro ser humano. Na metade da Onda de Vida, a força vital positiva foi dirigida para cima e, na outra metade, a força negativa foi canalizada para cima. Aqueles em que a força positiva foi dirigida para cima foram chamadas fêmeas, e aqueles em que a força negativa foi voltada para cima, foram denominados machos.
Como resultado, a mulher é positiva no plano mental (Região Concreta do Mundo do Pensamento), e o homem é negativo; enquanto a mulher é negativa no plano físico, o homem é positivo. Uma das razões para construção de um cérebro e de uma laringe era que a Humanidade estava prestes a receber o germe da Mente e precisava de um veículo físico com o qual pudesse conectá-lo com o Mundo Físico, pois, o Espírito ainda não havia sido capaz de contatá-lo, exceto em uma consciência de sono com sonhos.
Outra razão foi que a força geradora também tinha que ser elevada à cabeça e os atuais órgãos da geração iam se atrofiar e, gradualmente, se tornarem extintos. O Espírito, então, reproduziria o seu veículo denso através do poder do pensamento e da palavra falada, usando o cérebro e a laringe como seus instrumentos. O Espírito, guiado e dirigido pelos Anjos, construiu o cérebro e a laringe pelo poder do amor. A nota-chave da Humanidade é Si Maior (5 sustenidos).
A nota-chave dos Anjos é Lá Maior (3 sustenidos), e a nota-chave dos Senhores da Mente (Sagitário), que irradiaram o germe da Mente de si próprios para dentro de nós, é Fá Maior (1 bemol). Portanto, estas notas-chave, seus acordes e qualquer música escrita na escala pertencente à nota-chave de Fá Maior, Si Maior e Lá Maior ajudarão o desenvolvimento dos poderes da Mente e do cérebro, de maneira que possam expressar as coisas que o Espírito deseja objetivar no Mundo Físico.
Os Senhores da Mente (Sagitário), nota-chave Fá Maior (1 bemol), os acordes e a canção, Nearer, my God, to Thee[55]:
A Onda de Vida Angélica, nota-chave Lá Maior (3 sustenidos), os acordes e canção, The Home Over There[56]:
A nota-chave da Humanidade é Si Maior (5 sustenidos), e os acordes e canção, Star-Spangled Banner[57]:
Músicas escrita no tom de Si Maior (5 sustenidos) é difícil de ser encontrada.
Exemplos de música escrita em Lá Maior (3 sustenidos), nota-chave da Onda de Vida Angélica) são: Will There Be Any Stars in My Crown?[58],O Think of a Home Over There[59] e O Come All Ye Faithful[60]. Era intenção das Hierarquias Criadoras que quando o cérebro do ser humano estivesse completo, os Senhores de Mercúrio, Irmãos Maiores de nossa atual Humanidade que sobressaíram em inteligência, deveriam ensinar a Humanidade a usar o cérebro como um veículo da Mente; mas esse plano foi frustrado pelos Espíritos Lucíferos, que eram os atrasados da Onda de Vida Angélica.
Esses seres de Marte obtiveram acesso ao cérebro do ser humano por meio da medula espinhal, na qual eles, por serem etéricos, entraram; e agora regem o hemisfério esquerdo do cérebro. Esta parte da Onda de Vida Angélica que manteve seu trabalho na evolução no Período Lunar, desenvolveu o poder de raciocínio e o de obter conhecimento sem o uso de um cérebro; mas os atrasados da Onda de Vida Angélica, tendo se rebelado contra o plano evolucionário de Jeová, não desenvolveram esse poder.
No Período Terrestre, as condições haviam mudado; para desenvolver o poder da razão e obter conhecimento, era necessário um cérebro para associar os Lucíferos com as atividades do Mundo Físico, a fim de desenvolver neles esse poder. Assim, após a Humanidade desenvolver um cérebro, os Lucíferos entrando no canal espinhal da Humanidade e, dessa maneira, ganharam acesso ao seu cérebro (que os associou ao Mundo Físico) e assim, atraíram a atenção do ser humano para seu Corpo Denso, do qual não havia ainda tomado consciência, bem como para o Mundo Físico ao seu redor, onde agora iria ganhar conhecimento para progredir em seu desenvolvimento.
Eles assim procederam para que pudessem se beneficiar, pois, estando ligados ao cérebro do ser humano, estavam capacitados a ganhar o conhecimento que o ser humano adquiriu e, assim, evoluir através dele.
Marte trabalha com as forças solares, e seus raios agem diretamente sobre o terceiro poder da Humanidade, a atividade. Esses raios, sendo positivos, desenvolvem uma forte constituição, resistência física, energia, coragem e autoconfiança.
Uma das manifestações da atividade é a germinação – uma força vital – na qual os marcianos instilaram intenso desejo e paixão que, por sua vez, despertaram essas emoções na Humanidade. Fizeram isso com um propósito egoísta. Os Espíritos Lucíferos deleitam-se com a intensidade de sentimento e desenvolvem-se por meio dessa vibração. A natureza do desejo ou da emoção não tem importância para eles, mas a intensidade sim. Portanto, eles excitam as paixões humanas de natureza inferior, que são mais intensas em nosso atual estágio de evolução do que nossos sentimentos de regozijo ou amor.
De acordo com o exposto, observamos que os Lucíferos se associaram à Humanidade por duas razões principais, a saber: para obterem contato com seu cérebro e assim adquirirem conhecimento através de suas experiências no Mundo Físico, e para poderem induzir forte paixão e assim, fazê-la evoluir pela intensidade do sentimento despertado.
O cérebro está dividido em três partes principais: o cérebro (grande cérebro superior), o cerebelo (pequeno cérebro central) e a medula oblongata (pequeno cérebro inferior). O cérebro é usado pelo Espírito para expressar a consciência física e pensamento direto. É o instrumento usado pelo Espírito para expressar seus poderes mais elevados no plano físico – a vontade. O cerebelo é a parte do cérebro que o Espírito usa para realizar a coordenação em relação aos movimentos do corpo, ligando as separadas atividades nervosas a uma ação equilibrada e harmoniosa através do poder unificante da coesão.
O cerebelo está correlacionado ao segundo aspecto do ser humano, o poder do Sabedoria. A medula oblongata é aquela parte do cérebro usada pelo Espírito para controlar o batimento cardíaco, a contração dos vasos sanguíneos e a respiração. Sem essa atividade cerebral, os processos da vida física não poderiam continuar. A medula oblongata é, portanto, ligada ao terceiro poder do ser humano, sua atividade em manifestação. O cérebro é permeado pela substância do Corpo Vital, do Corpo de Desejos e pela substância do Pensamento Abstrato e Concreto.
É, portanto, a oficina física particular do Espírito com seu material próprio e com todos os seus vários veículos, convenientemente reunidos e prontos para serem usados. Impressões causadas pelo Mundo exterior atingem o Espírito por meio de um ou dos cinco sentidos físicos, por meio do canal do Corpo Vital.
O Espírito, o ser humano real, é o pensador. O processo de pensar é o seguinte: a vontade desperta a imaginação e visualiza uma ideia composta de substância de Pensamento Abstrato, que permeia o cérebro; essa ideia de Pensamento Abstrato é então projetada pelo poder da vontade na lente da Mente, que transfere a ideia para a substância de Pensamento Concreto contida naquela parte do veículo mental do indivíduo, que permeia o cérebro.
Aqui, a ideia é revestida pela substância do Pensamento Concreto e é agora um Pensamento-forma. O Pensamento-forma, assim criado, é projetado na substância do Mundo do Desejo, que permeia o cérebro. Essa substância do Mundo do Desejo dá ao Pensamento-forma poder para agir, o que geralmente resulta em algum tipo de manifestação. No estudo do pensamento e da Mente, lembremo-nos que o pensamento é um poder do Espírito, e o veículo mental ou Mente – composto de substância do Pensamento Concreto – é o veículo que liga o Espírito ao seu cérebro etérico e físico. O veículo mental está harmonizado com Fá Maior ou um Bemol, e sua escala começa com Fá. O Corpo Vital está harmonizado com Dó natural e sua escala começa com Dó.
O Corpo Denso está em sintonia com Lá Sustenido Maior, que tem dois bemóis. Portanto, toda música escrita nesses três tons tem um efeito decisivo sobre a Mente, sobre o cérebro do Corpo Vital e sobre o cérebro do Corpo Denso, e todos estão intimamente conectados com o Espírito e com o desenvolvimento de seus poderes potenciais que são: vontade (poder do Espírito Divino), Sabedoria (poder do Espírito de Vida) e atividade de germinação (poder do Espírito Humano). O pensamento está correlacionado com a vontade, o primeiro poder do Espírito. Ele se expressa primeiro como uma ideia, que ainda não adquiriu forma. Depois o segundo poder do Espírito, o amor, atrai substância do Pensamento Concreto para a ideia e, então, temos um Pensamento-forma.
Um Pensamento-forma pode ser puramente mental, se não for alterado pelo desejo. No entanto, no nosso presente estágio de evolução, poucos pensamentos estão isentos de algum grau de desejo. O Mundo do Pensamento é o reino da música e o lar da Onda de Vida Sagitariana, os Senhores da Mente; consequentemente, seria completamente impossível produzir um Pensamento-forma separado da música. Quando o Pensamento-forma está revestido pela substância de desejo, a cor é acrescentada a ele, uma vez que o Mundo do Desejo é o reino da cor. Para resumir a construção do Pensamento-forma: o Espírito desperta sua vontade. O poder da vontade produz uma vibração irradiante, musical, que se manifesta como som. O som produz uma ideia.
A ideia toma forma e um pensamento passa a existir. O Pensamento-forma é colorido pela substância do desejo. Uma forma flutuante colorida é produzida. Os pensamentos não são silenciosos. Eles falam em uma linguagem inconfundível e transmitem com muito mais precisão do que com as palavras, e permanecem até que a força que seu criador empregou para produzi-los tenha sido gasta. Como eles soam em um tom peculiar à pessoa que os deu o gerou, é comparativamente fácil para o ocultista treinado descobrir sua procedência, buscando a fonte que os originou. Falta espontaneidade aos pensamentos-forma; eles agem mais ou menos como autômatos. Eles se movem e atuam somente em uma direção, de acordo com a vontade do pensador, que é o poder motivador interno. Quem estudou este assunto, sabe quantas pessoas são ativadas pelos pensamentos-forma que pensam ser delas mesmas, mas que, na verdade, se originaram na Mente de outra pessoa.
É dessa maneira que o que chamamos de opinião pública é formada. Pensadores poderosos que possuem determinadas ideias sobre algum assunto em particular, criam e irradiam pensamentos-forma de si próprios, e outros menos positivos ou simpatizantes à ideia expressa naqueles errantes pensamentos-forma, julgam que os pensamentos se originaram dentro deles e os adotam como seus. Assim, gradualmente, um certo sentimento cresce até que o pensamento original iniciado por um único indivíduo pode se tornar não somente aceito, mas também defendido por toda uma comunidade, um estado ou mesmo uma nação. Pensamentos expressos em palavras faladas se tornam muito mais poderosos, particularmente, se pronunciados por um orador vigoroso.
Os Pensamentos-forma diminuem em poder, na proporção da distância percorrida por eles. A distância percorrida e a persistência que os tornam efetivos dependem da força, da exatidão e clareza do pensamento original. De maneira geral, os Pensamentos-formas podem ser agrupados em três classes específicas:
Pensamento-forma construído pela inveja e cobiça
Oração e a Resposta ao Alto
Pensamentos-forma dirigidos a um indivíduo produzem um resultado muito interessante. Ou eles encontram entrada na aura do indivíduo, ou ricocheteiam da aura daquela pessoa e retornam ao remetente. Todo Pensamento-forma carrega um determinado grau de vibração, e só pode afetar o indivíduo que tenha uma vibração semelhante. Se um Pensamento-forma é gerado por um motivo maligno e é enviado a uma determinada pessoa, se não há nenhuma vibração semelhante dentro da aura dessa pessoa, então ela não pode, de maneira alguma, afetar a aruá dela. Consequentemente, ela retorna ao seu criador, ricocheteando com a mesma força com que foi enviado. Todos os impactos externos alcançam o Espírito de um indivíduo através do Corpo Vital, cujos dois Éteres superiores, o Luminoso e Refletor, formam o Corpo-Alma.
É este veículo que repele todos os maus pensamentos, contanto que esteja suficientemente organizado, pois ele age como um bumerangue, isto é, reverte para aquele que enviou o mau pensamento, o mesmo mal que desejou provocar na pessoa alvejada. Se os frequentadores de certos ambientes que são alimentados por pensamentos e/ou desejos inferiores pudessem ver o enxame de maus Pensamentos-formas arremessando-se de um lado para outro, e ouvir os tons barulhentos, sensuais, insinuantes, emitidos por eles, abandonariam tais lugares tão rapidamente como sairiam de um hospital ou de um edifício infectado por doenças transmissíveis pelo ar. Esses lugares devem ser evitados, pois essas vibrações pervertidas só servem para instigar o mal e fortalecê-lo.
Infelizmente, na atualidade, nenhum de nós é completamente bom, e não podemos esconder de nós mesmos o fato que, muitas vezes, o bem que deveríamos fazer, não o fazemos, e os atos maus que deveríamos evitar, frequentemente os praticamos. Com muito mais frequência, nossas boas resoluções não são cumpridas, e agimos erradamente porque julgamos mais fácil ou mais agradável fazê-lo assim; tudo isso realça o fato de que, até certo ponto, somos todos ativados pelo “eu inferior”; isso abre caminho para que os maus pensamentos nos atinjam e procure nos influenciar. A principal questão a ser lembrada aqui é que todo ato, seja bom ou mau, é dirigido pelo pensamento.
Portanto, cada indivíduo está auxiliando no trabalho executado pelas forças do bem ou do mal. Consequentemente, cabe a nós mantermos uma vigilância constante sobre nossos pensamentos, pois se eles são íntegros, nossos atos serão sempre dirigidos para o bem. Existem quatro maneiras pelas quais a Mente, dirigida pelo Espírito, usa o cérebro como um veículo de expressão do pensamento:
O cérebro é construído, praticamente, pelas mesmas substâncias que as outras partes do Corpo, com a adição do fósforo que é uma característica peculiar do cérebro. A proporção e variação que essa substância é encontrada é proporcional ao estado e estágio de inteligência do indivíduo, que supra seu cérebro com essa substância necessária. A maioria das verduras e frutas contém uma certa quantidade de fósforo, que também é encontrado nas uvas, cebolas, sálvia, feijão, cravo da índia, abacaxi e nas folhas e talos da beterraba, da cenoura, da linhaça e nas folhas do nabo. O método para assimilar o fósforo em maior quantidade não é pelo metabolismo químico, mas por um processo alquímico de crescimento da alma.
O fósforo no cérebro é a avenida de ingresso do impulso divino. Literalmente, é o portador da luz, mas não a luz propriamente dita, é aquela luz que vem do Espírito. Consequentemente, à medida que nos tornamos capazes de assimilar aquela substância (fósforo), ficamos plenos de luz e começamos a brilhar internamente. Note, no entanto, que o fósforo é somente um meio físico que capacita a luz espiritual a se expressar utilizando o cérebro físico. A luz, propriamente dita, é o produto do Espírito, e se torna mais intensa com o crescimento da alma, que capacita o cérebro a assimilar uma quantidade crescente de fósforo. O crescimento da alma é conseguido por meio do serviço amoroso e desinteressado para com os outros. A Bíblia declara que, “Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz <que o revelará>. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus <por uma consciência iluminada>” [62].
Em seguida, vamos ver como a Mente, que é o elo entre o Espírito e o cérebro, pode ser aperfeiçoada:
Pensamentos-forma poderosos, sejam bons ou maus, com muita frequência, se tornam animados por elementais[64] que, por sua natureza, atraem o bem ou o mal para nós, causando um efeito realmente poderoso sobre o nosso bem-estar. Na música, os tons maiores expressam júbilos, alegrias, esperança, satisfação, aspiração, etc.; enquanto os tons menores produzem um lamento de tristeza, um gemido de mágoa, um suspiro de depressão, etc. Naturalmente, os elementais brilhantes e alegres são atraídos pelos bons pensamentos-forma, que são sempre simétricos e vivazes em suas colorações; enquanto os elementais de baixa vibração são atraídos por pensamentos-forma melancólicos, insípidos, repugnantes em forma e sombrios na cor.
Então, eles tocam suas notas-chave individuais no interior da nossa aura, enchendo nossa atmosfera imediata com luminosidade e alegria, ou então, com tristeza, temor, malícia, etc., conforme o caso. Além disso, os elementais desprendem um odor muito particular. Os elementais de escala maior exalam certos perfumes semelhantes àqueles desprendidos pelas flores de cheiro doce. Os de tom menor desprendem um tipo de odor depressivo, debilitante similar àquele do gambá, e alguns deles cheiram quase tão mal quanto corpos em decomposição. Nesses momentos, alguns destes pensamentos-forma são vistos nas auras das pessoas e muitos deles já foram sentidos pelo olfato. Eis um fato que vale a pena saber. Pensamentos-forma são mantidos vivos e fortalecidos pela repetição dos mesmos pensamentos, os quais originalmente os construíram.
Pensamento-forma originado por uma bênção
Se os pensamentos não são repetidos, as formas gradualmente se desintegram e os elementais, que os animam, vão para outro lugar onde estabelecerão morada. Portanto, nós temos isso em nosso poder para nos livrarmos de ambos: tanto dos pensamentos-forma como dos elementais que não desejamos que permaneçam ao nosso redor. O medo, a preocupação, a melancolia, as queixas, as manifestações temperamentais, etc., podem encher tanto uma aura com visões e cheiros desagradáveis, que pode tornar uma pessoa um incômodo público. À luz do que foi dito, é fácil compreender o porquê da presença de algumas pessoas nos encorajam, enquanto outras causam um efeito desanimador aos que entram em contato com elas.
Não devemos pensar que todos os pensamentos-forma que vibram em tons maiores ou menores são animados por elementais, mas alguns deles certamente são e quando um elemental anima um Pensamento-forma, se sua própria vibração for maravilhosa, alegre e vibrante, o Pensamento-forma vibra em um tom maior. No entanto, se sua vibração for sombria, melancólica, morosa, triste, deprimida, é atraída para pensamentos-forma que vibram em um tom menor. Tudo isso está em harmonia com a lei cósmica de que semelhante atrai semelhante. Assim, é evidente que todo indivíduo tem dentro de si uma galeria de imagens e um instrumento musical muito complexo. Na verdade, ele leva consigo duas distintas galerias de imagens: uma no Átomo-semente do seu Corpo Denso e a outra em sua aura.
A primeira galeria mencionada ele é capaz de esconder dentro de si próprio, mas a segunda está à vista de todos os clarividentes que são capazes de ver as auras e os pensamentos-forma. A qualidade do instrumento musical do ser humano depende do seu estágio de desenvolvimento. Os elementais, como vimos, respondem a um único tom, seja maior ou menor. O ser humano, por outro lado, se tornou capaz de responder a sete tons distintos, representados pelos sete tons da escala musical, ou seja, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, e muitas de suas variações, tanto na escala maior, quanto na menor. Sabemos que a aura é composta dos veículos Vital, de Desejos e Mental. Cada aura tem uma cor básica.
Max Heindel afirma que a cor básica do americano (raça branca) é laranja. A cor, no entanto, varia continuamente de acordo com o estado emocional do ser humano. Por exemplo, tomemos um indivíduo belicoso que está tentando incitar uma greve em uma indústria. Naturalmente, ele está muito excitado, e embora a cor básica de sua aura seja laranja escura, essa cor, naquele momento, irá ser substituída por uma tonalidade escarlate brilhante. O contorno de seu Corpo de Desejos será como o corpo de um porco espinho, com seus espinhos saindo em todas as direções, prontos para atacar. Pensamentos de medo e preocupação dão à aura uma cor cinzenta, semelhante ao aço. Aqueles que possuem tais auras são chamados de homens ou mulheres de aço.
Eles têm medo de milhares de coisas que nunca acontecem, cristalizando uma armadura ao seu redor que parece protegê-los de interferências externas, mas que, na realidade, encerram os próprios pensamentos-forma perturbadores dentro de sua própria aura e lá são alimentados e avivados por cada pensamento semelhante gerado por eles. Tais auras estão afinadas em um tom menor, que soa como uma canção triste que pode ser sentida pelas pessoas sensitivas e, frequentemente, leva algum tempo para que elas se livrem do sentimento de depressão que isso gera. Essa barreira áurica saturnina é tão forte que é preciso um choque violento para rompê-la; às vezes, é até necessário retirar tais pessoas de seu antigo ambiente e colocá-las em outros lugares totalmente diferentes.
Pensamento-forma originado pelo medo
Elas parecem estar dentro de uma concha, por assim dizer, e suas conchas saturninas precisam ser quebradas para podermos ter acesso a essas pessoas e tirá-las de seu estado deplorável. Muitas vezes, um susto repentino pode formar essa concha instantaneamente, como frequentemente acontece durante batalhas terríveis. Então, a vítima entra em estado de choque, o que na verdade é, na maioria dos casos, o repentino medo sofrido pela vítima ofendem certos nervos, resultando em uma ausência do poder de coordenação, necessário para pensar claramente, deixando a pobre vítima tão incapaz de se ajudar, como seria incapaz de fugir se estivesse trancada em uma cela de prisão.
Há ocasiões em que outro forte choque pode quebrar a concha e restabelecer a ordem e o ritmo harmonioso no desordenado sistema nervoso. Mais uma vez, o tempo sabe fazer o ajuste necessário. Toda vez que pensamentos de preocupação e medo são aceitos, eles diminuem a vibração de todos os veículos do indivíduo, o que tende a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a construir uma concha azul de aço, na qual a pessoa que, habitualmente, alimenta o medo e a preocupação, algum dia se encontrará isolada do amor, da compaixão e da ajuda de todo o mundo. Portanto, devemos nos esforçar para sermos bem-dispostos, mesmo sob circunstâncias adversas, caso contrário, estaremos na séria condição descrita acima.
Podemos observar, pelo que foi dito, que existem diferentes graus nos quais esse envoltório da concha pode ser cristalizado e o correspondente alívio pode ser dado; mas a única segurança positiva reside em jamais permitir que isso se inicie. O efeito do medo e da preocupação sobre o Corpo de Desejos é diferente de todas as outras emoções. Geralmente, a emoção tende a excitar o Corpo de Desejos e a formar suas correntes em algum padrão específico, que persistem até que essa emoção cesse. O efeito da preocupação no Corpo de Desejos pode ser comparado à água que está prestes a se congelar sob uma temperatura em declínio. O medo pode ser comparado a essa mesma água quando congelou, pois, as correntes do Corpo de Desejos estão quase imóveis e é praticamente impossível despertar qualquer outra atividade emocional nelas.
Não há nada mais eficaz quanto uma música alegre para elevar a vibração das vítimas que estão com medo e preocupadas, pois é necessária uma vibração acelerada para dissolver a concha de aço, construída por elas mesmas. Nenhum indivíduo consegue permanecer melancólico por muito tempo, se seu ser estiver inundado por música inspiradora. Outro tipo de pensamentos-forma assustadores de se ver são os criados pela raiva, ódio, ira, fúria, cólera, etc. Esses pensamentos-forma produzem correntes vermelhas sinuosas no Corpo de Desejos, cheias de objetos pontiagudos, semelhantes a adagas que se contorcem e se retorcem, e finalmente explodem na aura, enchendo-a de formas rodopiantes de uma cor vermelha escura e sombria. A raiva desperta a vibração do Corpo de Desejos sem que o veículo tenha controle de si mesmo, causando uma ruptura temporária entre o Ego e a Mente de um lado, e o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e Corpo Denso, de outro.
Todos os tipos de música marcial são dominados pelo ritmo e tendem a excitar o Corpo de Desejos em atividades erráticas. A música onde a melodia e a harmonia predominam são as adequadas para acalmar o Corpo de Desejos, quando esse está recebendo estímulos nocivos e restitui-lo à normalidade. Maus pensamentos-forma, na aura, têm um movimento centrífugo. Bons pensamentos-forma têm um movimento centrípeto. Tanto os bons como os maus, geralmente, são compostos em tons maiores, exceto os de melancolia, depressão, medo, preocupação, tristeza, etc., que são em tons menores, na sua expressão.
Como os pensamentos-forma de cada indivíduo são compostos de acordo com a sua nota-chave particular, tempo virá em que seremos capazes de descobrir o criador de cada Pensamento-forma que contatamos, por meio do próprio tom específico. Na verdade, como afirma a Bíblia, as coisas que nos parecem estar ocultas serão proclamadas, não do alto dos telhados, mas da nossa própria aura individual.
O pensamento pertence ao mais elevado poder do Espírito, que é a vontade. Portanto, à medida que os poderes potenciais da vontade se desenvolvem, assim também acontece com o poder do pensamento; e tempo virá em que o ser humano, por meio do poder de pensamento e da imaginação, será capaz de criar coisas por meio da palavra falada. Todas as coisas na natureza foram criadas por meio da Palavra de Deus, que se fez carne. O som (a música), ou pensamento falado, será a próxima força da Humanidade em manifestação, uma força que fará da Humanidade seres humanos criadores como Deus.
No entanto, esse passo para frente não pode ser realizado até que o desenvolvimento do ser humano, na escola da vida, o tenha preparado para usar esse enorme poder para o bem de todos, independentemente do interesse próprio. Portanto, é extremamente necessário que cada indivíduo aprenda, por si mesmo, como realizar esse desenvolvimento da maneira mais rápida e segura. O ser humano tem conhecimento do método, mas depende especificamente dele se colocará isso em prática ou não. Os poderes potenciais do ser humano, o Espírito, são: a Vontade, que é o poder de fazer, instigar a ação; a Sabedoria, que é, conjuntamente, o poder de atração, coesão e união e a Atividade, que é o poder da germinação, criação e desenvolvimento.
Um dos maiores auxiliares do Espírito, no desenvolvimento de seus poderes potenciais para a eficiência dinâmica, é a música, pois manifesta esses mesmos poderes de Deus em um estado aperfeiçoado. Seu poder da vontade está expresso na melodia; seu poder de Sabedoria está expresso na harmonia e seu poder de Atividade está expresso no ritmo. O poder do Espírito Divino do ser humano está correlacionado com a Vontade, e o desenvolvimento desse poder significa o aprimoramento de sua vontade. O Espírito de Vida do ser humano está correlacionado com o Sabedoria e o desenvolvimento desse poder significa o aprimoramento de suas potencialidades de Sabedoria. O poder do Espírito Humano do ser humano desenvolve sua habilidade para criar.
O poder ou a Vontade do Espírito Divino do ser humano está correlacionado com o Corpo Denso; o poder do Espírito de Vida está correlacionado com o Corpo Vital e o poder do Espírito Humano está correlacionado com o Corpo de Desejos. Isso fornece três fontes diretas, das quais o Espírito obtém ajuda no desenvolvimento dos seus poderes potenciais. Não há ajuda maior no desenvolvimento dos poderes potenciais do Espírito do que a música, pois ela é composta das três partes, que a correlacionam aos poderes potenciais do Espírito.
A boa música eleva a vibração de cada uma das fontes de desenvolvimento do Espírito, a saber, o Espírito Divino, o Espírito da Vida, o Espírito Humano e o elo da Mente, que conecta o Espírito aos seus: Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos. O despertar da vibração dessas sete fontes de poder desenvolve os poderes do Espírito. Porém, a chamada música discordante reduz suas vibrações, e a continuação desse tipo de música resultará na perda de poder e desintegração dos quatro veículos inferiores.
Faremos, a seguir, um resumo da causa e de como a música ajuda a desenvolver os poderes potenciais do Espírito:
Já o Corpo Denso ou Físico de cada indivíduo vibra em uníssono com a vibração da Onda de Vida de Leão. Portanto, a nota-chave do Corpo Denso é Lá sustenido Maior (musicalmente, Si bemol Maior) e toda a música escrita nesse tom ajuda a desenvolver o Corpo Denso do ser humano. Os principais acordes de Lá sustenido Maior (musicalmente, Si bemol Maior) são encontrados no Capítulo VI.
O germe do Corpo Vital foi dado à Humanidade pela Onda de Vida de Virgem. Consequentemente, o Corpo Vital vibra com a nota-chave dessa Onda de Vida que é Dó natural. Toda música cuja nota-chave é Dó natural ajuda a desenvolver os poderes do Corpo Vital. Os acordes de Dó natural são encontrados no Capítulo VI.
O germe do Corpo de Desejos foi uma dádiva da Onda de Vida de Libra e carrega a vibração de Libra que é sintonizada em Ré maior. Portanto, toda música escrita nesse tom ajuda a desenvolver os poderes do Corpo de Desejos. Os acordes de Ré maior são encontrados no Capítulo VI.
O germe da Mente foi dado à Humanidade pela Onda de Vida sagitariana e, portanto, vibra na sua nota-chave, que é Fá Maior. Toda música escrita na tonalidade do Fá Maior ajuda a desenvolver os poderes da Mente, cujo desenvolvimento é uma das maiores realizações a serem alcançadas durante a presente Época Ária. Muitas das músicas escritas nesse tom, são, particularmente, canções populares e religiosas; duas delas são: Work, for the Night I Coming[67], e America, My Country, ‘Tis of Thee[68]. Os acordes de Fá Maior são encontrados no Capítulo VII.
A música contém, dentro de si, os três grandes poderes primários de Deus: Vontade, Sabedoria e Atividade; e são esses poderes dinâmicos combinados que têm sido usados pelo Criador desde o início da manifestação.
S. João, o grande revelador, cita que no princípio era o Verbo; e Max Heindel afirma que foi o majestoso ritmo da Palavra de Deus que transformou a substância primitiva, Arche, nas numerosas formas que compõem o mundo dos fenômenos; e além disso, que essa Palavra de Deus ainda soa para manter as órbitas em marcha e para impeli-las à frente em seus caminhos circulares; e que a Palavra Criadora continua a produzir formas de eficiência cada vez maiores como um meio de expressar a vida e a consciência. É a enunciação harmoniosa das sílabas consecutivas na Palavra Criadora Divina que marca os estágios sucessivos no desenvolvimento, tanto do mundo quanto do ser humano; e quando a última sílaba for soada e a Palavra completa pronunciada, a Humanidade terá alcançado o grau mais próximo da perfeição, tanto quanto é possível no atual esquema de evolução.
Todo o Sistema Solar é um vasto instrumento musical, fato este conhecido por todos os estudantes ocultistas avançados. Eles percebem que os doze semitons na escala cromática estão correlacionados com os doze Signos do Zodíaco, e que as sete teclas brancas, ou tons inteiros, no teclado do piano estão correlacionados com os Sete Espíritos diante do Trono, comumente designados como: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno e Urano, que trabalham por meio das vibrações enviadas por eles mesmos. O ocultista avançado estabelece uma relação entre: os Signos do Zodíaco, a caixa de ressonância da harpa cósmica e os sete Planetas para com as cordas, cujos planetas emitem sons diferentes à medida que passam pelos vários Signos Zodiacais e, portanto, influenciam a Humanidade de várias maneiras.
Um fato surpreendente, até desconhecido e não percebido, é que cada indivíduo é, em si mesmo, um instrumento musical, onde várias partes de sua composição total estão correlacionadas, através de tons vibratórios, aos Sete Espíritos diante do Trono e aos doze Signos do Zodíaco, todos os quais são guiados e dirigidos pelo Criador do nosso Sistema Solar. É por essa razão que a música é um fator de grande poder no desenvolvimento das potencialidades do ser humano. Sem isso, não poderia haver manifestação e, portanto, nenhum progresso. Aqui encontramos a razão oculta para a admoestação dos iluminados: “Homem, conhece a si mesmo”. Assim que cada indivíduo chegar à compreensão consciente de sua verdadeira natureza, ele possuirá a chave de todo o progresso futuro.
Quando a Luz sua face radiante revelou,
E, em seu abraço o mundo acalentou,
Quando no espaço os Planetas a girar,
Esta canção o coro celestial cantou:
“Oh sagrada vibração! Oh divina lei!
Todo propósito e todo o poder é vosso,
A vida para sempre vai continuar”.[69]
FIM
[1] N.T.: No Mundo do Pensamento
[2] N.T.: Ludwig van Beethoven (1770-1827) foi um compositor alemão, do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos.
[3] N.T.: Wolfgang Amadeus Mozart, batizado Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart (1756-1791) foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.
[4] N.T.: Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) – maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão
[5] N.T.: Franz Liszt (1811-1886) foi um compositor, pianista, maestro e professor e terciário franciscano húngaro do século XIX. Seu nome em húngaro é Liszt Ferenc.
[6] N.T.: Frédéric François Chopin, também chamado Fryderyk Franciszek Chopin (1810-1849), foi um pianista polonês-francês radicado na França e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história.
[7]N.T.: É um gênero musical norte-americano que teve seu pico de popularidade entre os anos 1897 e 1918.
[8] N.T.: gênero e forma musical originado por afro-americanos no extremo sul dos Estados Unidos em torno do fim do século XIX. O gênero se desenvolveu a partir de raízes das tradições musicais africanas, canções de trabalho afro-americanas, spirituals e música tradicional. O blues incorporou spirituals, canções de trabalho, canto de campo, ring shout, chant e baladas narrativas simples e rimadas.
[9] N.T.: uma manifestação artístico-musical originária de comunidades de Nova Orleans, nos Estados Unidos. Tal manifestação teria surgido por volta do final do século XIX na Região de Nova Orleans, tendo origem na cultura popular e na criatividade das comunidades negras que ali viviam, um de seus espaços de desenvolvimento mais importantes.
[10] N.T.: é um estilo de jazz que foi muito popular na década de 1930, usualmente arranjado para grande orquestra dançante, caracterizado por uma batida menos acentuada que a do estilo tradicional do Sul dos EUA, e menos complexo, rítmica e harmonicamente falando, do que o jazz moderno.
[11] N.T.: um tipo de dança popularizado nos Estados Unidos no início do século XX, e está associado a vários tipos de danças do balanço, como o Lindy Hop, Jive e Leste Coast Swing.
[12] N.T.: representa uma das correntes mais influentes do Jazz.
[13] N.T.: Benjamin “Benny” David Goodman (1909-1986) foi um clarinetista e músico de jazz norte-americano.
[14] N.T.: Coreia reumática de Sydenham (do grego khorea, dança) ou a dança de São Vito é um distúrbio neurológico que afeta a coordenação motora de 20 a 40% dos portadores de febre reumática; mais frequente entre meninas e/ou crianças e adolescentes.
[15] N.T.: Harry Aaron Finkelman (1914-1968), mais conhecido pelo nome artístico Ziggy Elman, era um trompetista de jazz americano, associado a Benny Goodman, embora também liderasse seu próprio grupo conhecido como Ziggy Elman e Sua Orquestra.
[16] N.T.: Gene Krupa (1909-1973) foi um influente baterista de jazz e compositor estadunidense, famoso por seu estilo enérgico e extravagante.
[17] N.T.: Localizada nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo.
[18] N.T.: Também conhecido como: Bulbo raquidiano, bolbo raquidiano, medula oblongata, medula oblonga ou simplesmente bulbo é a porção inferior do tronco encefálico, juntamente com outros órgãos como o mesencéfalo e a ponte, que estabelece comunicação entre o cérebro e a medula espinhal. A forma do bulbo lembra um cone cortado, no qual a substância branca é externa e a cinzenta, interna. É um órgão condutor de impulsos nervosos.
[19] N.T.: brancas: teclas brancas do piano; pretas: teclas pretas do piano
[20] N.T.: Ou telencéfalo: conhecido informalmente como o cérebro, que envolve todo o córtex cerebral (fina capa de tecido cinzento, arrugado em estrias e dobras), o hipocampo e os gânglios basais.
[21] N.T.: o piano é o instrumento que preenche quase todo o espectro de frequência, e é um dos únicos!
[22] N.T.: 5+2=7
[23] N.T..: 1+2+4=7
[24] N.T.: 7+2=9
[25] N.T.: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano
[26] N.T.: As notas musicais são: DÓ – RÉ – MI – FÁ – SOL – LÁ – SI; que na notação inglesa é C – D – E – F – G – A – B, respectivamente.
[27] N.T.: Dó sustenido, Do# ou C#.
[28] N.T.: Dó bemol, Dob ou Cb.
[29] N.T.: Alma Emocional, Alma Intelectual e Alma Consciente, respectivamente.
[30] N.T.: Dó, Réb, Ré, Mib, Mi, Fá, Solb, Sol, Láb, Lá, Sib, Si
[31] N.T.: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si
[32] N.T.: também chamados de Senhores da Chama.
[33] N.T.: de autoria desconhecida, datada de cerca de 1372.
[34] N.T.: de autoria de Edward Perronet (1726-1792), compositor inglês.
[35] N.T. de autoria de Robert Grant (1779-1838) que foi um advogado e político inglês.
[36] N.T.: referindo-se ao hemisfério norte.
[37] N.T.: Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy conhecido como Felix Mendelssohn (1809-1847) foi um compositor, pianista e maestro alemão do início do período romântico. Algumas das suas mais conhecidas obras são a suíte Sonho de uma Noite de Verão (que inclui a famosa marcha nupcial), dois concertos para piano, o concerto para violino, cerca de 100 Lieder, e os oratórios São Paulo e Elijah entre outros.
[38] N.T. Cantam anjos harmonias (Hark! The herald angels sing). Famosa em português: Eis dos anjos, a harmonia! / Cantam glória ao Rei Jesus. / Paz aos homens! Que alegria! / Paz com Deus em plena luz.
[39] N.T.: na notação inglesa: C – D – E – F – G – A – B; e na alemã: C – D – E – F – G – A – H
[40] N.T.: Atlas é a primeira vértebra cervical e também a primeira das 33 vértebras da coluna vertebral.
[41] N.T.: em inglês G sharp major e A flat major, respectivamente
[42] N.T.: em inglês A sharp major e B flat, respectivamente
[43] N.T.: em inglês: C
[44] N.T.: é um termo antigo que já não é usado nos nossos dias, mas que enaltece o médico e cientista que a estudou e descreveu pela primeira vez, Richard Bright. Hoje falamos de insuficiência renal crónica (IRC).
[45] N.T.: em inglês: D major
[46] N.T.: em inglês: E major
[47] N.T.: em inglês: F major
[48] N.T.: em inglês: G major
[49] N.T.: Em inglês: A major
[50] N.T.: Em inglês: B major
[51] N.T.: um hino escrito em Fá maior: Letra de Anna Louisa Walker Coghill (1836-1907) e música de Lowell Mason (1792-1872)
[52] N.T.: um hino escrito por: Ernest W. Blandy, 1890
[53] N.T.: Também conhecida como conarium, Epífise cerebral ou simplesmente pineal.
[54] N.T.: Também é conhecida como Corpo Pituitário, Hipófise e Glândula mestra.
[55] N.T.: um hino cristão do século 19, composto por Sarah Flower Adams, baseado em Gn 28:11-19, a história do sonho de Jacó.
[56] N.T.: um hino cristão de DeWitt Clinton Huntington, de 1873.
[57] N.T.: é o hino nacional dos Estados Unidos. A letra da canção foi escrita em 1814 por Francis Scott Key.
[58] N.T.: um hino cristão escrito por John R. Sweney, 1897.
[59] N.T.: um hino cristão escrito por DeWitt Clinton Huntington, 1873.
[60] N.T.: um hino cristão atribuído a John Francis Wade.
[61] N.T.; também chamado de nervo vago, nervo vagal ou nervo parassimpático. Trata-se de um nervo muito longo e localizado de cada lado do organismo, percorrendo do crânio até o abdômen.
[62] N.T.: Jo 3:20-21
[63] N.T.: do Esquema de Evolução, detalhados no Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
[64] N.T.: onda de vida sub-humana.
[65] N.T.: um hino cristão criado pelo escocês anglicano Henry Francis Lyte, em 1847.
[66] N.T.: um hino inglês do século XIX, escrito por Sabine Baring-Gould e música de Arthur Sullivan, em 1865.
[67] N.T.: um hino cristão criado por Mrs. Harry Coghill, escrito em 1854.
[68] N.T.: um hino cristão criado por Samuel Francis Smith, escrito em 1832.
[69] N.T.: do poema Song of Life de Edson B. Russell.
O Sentido Metafísico da Arte
A Arte é uma forma de expressão do ser humano. Por intermédio dela revela-se seu nível de consciência.
Em seu estágio primitivo o ser humano procurou conhecer as coisas que o rodeavam e reproduzi-las dentro de suas limitadas possibilidades. O ser humano das cavernas deixou difusas marcas de sua existência, incapazes, porém, de permitir aos modernos pesquisadores um estudo mais acurado de sua consciência. Com o passar do tempo a capacidade de percepção daquele ser primitivo foi se aprimorando e formas mais detalhadas foram gravadas nas rochas, embora revelando uma Arte ainda bem rudimentar.
Como a evolução interna do ser humano faz evoluir também todos os campos onde ele atua, essa manifestação artística tornou-se mais clara e compreensível. O gradativo refinamento da mente e dos sentimentos conduziu a uma dinamização das faculdades criativas. Ele passou a criar não só com perfeição, mas também com beleza. O artista, sempre voltado para o belo, liga-se aos planos superiores da natureza, a verdadeira fonte de todas as suas aspirações.
A verdadeira Arte é indissociável da sensibilidade. Somente uma alma sensível pode captar sons e cores em sua verdadeira pátria, nas regiões denominadas de Primeiro e Segundo Céus nos ensinamentos da Sabedoria Ocidental.
Assim como o Mundo Físico é a região das formas, o Mundo do Desejo e o Mundo do Pensamento são, respectivamente, o plano da cor e do som. Diz Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos que a música celeste é um fato e não mera figura de retórica. Pitágoras fala na “Harmonia das Esferas” e Goethe, no prólogo de Fausto, faz menção a essa sinfonia celestial.
Na realidade, a diferença vibratória entre o Mundo do Pensamento e o Mundo Físico é tão acentuada que daquele chegam apenas ecos a esse plano. O som original não resiste à queda de vibração, não podendo ser percebido em sua inteireza por ouvidos físicos. As belas sinfonias de Beethoven, por exemplo, são pálidas reproduções do que o grande mestre conseguiu captar nas dimensões superiores da natureza. Eis porque é válido dizer-se que a “música é a linguagem dos Anjos”.
É importante destacar que o primeiro órgão de sensibilidade desenvolvido pelo ser humano foi o ouvido.
No longínquo Período de Saturno — o primeiro estágio da nossa manifestação — uma Hierarquia Divina, os Senhores da Chama, deu-nos o germe daquele que seria nosso atual Corpo Denso e também a capacidade de desenvolvimento da audição. São João, no primeiro capítulo do seu Evangelho, diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. Sendo o som um poderoso fator desde o princípio da criação, é inegável a importância do desenvolvimento da audição.
As experiências do poeta assemelham-se às do músico. A poesia é expressão dos mais íntimos sentimentos da alma. As palavras ordenam-se conforme as leis da harmonia e ritmo que regem a expressão do espírito da música.
O artista tendo a faculdade de ver, ouvir e sentir a natureza de maneira diferente, mais ampla e aperfeiçoada do que o comum das pessoas, poderá expressá-la nas Artes plásticas, na música, poesia, transmitindo até vislumbres de sua origem divina aos apreciadores de suas obras. Ele o faz também porque sente a necessidade de eternizar seus pensamentos e sentimentos.
O indivíduo, qualquer que seja seu grau de evolução, não quer se submeter ao temporal, mas sim transcendê-lo. Isso é válido tanto para o primitivo ser humano das cavernas como para o da Renascença ou do Modernismo.
O indivíduo procura perpetuar-se na literatura, na música, na dança, nas Artes plásticas. O dançarino, naquele breve momento, projeta-se no tempo. O mesmo ocorre com o músico, porque aqueles momentos de execução de um número musical ficam gravados nos registros da natureza. Aquele instante é uma eternidade. Aliás, quem entende de eternidade é o próprio espírito. Na arquitetura o ser humano quer tornar a necessidade do “habitat” numa obra de Arte que perdure além do tempo.
A Arte é uma forma de educação permanente. Um povo cercado de beleza sob a forma de jardins, florestas, edifícios, esculturas e música torna-se refinado em seus sentimentos e unido em suas aspirações.
A manifestação artística é uma linguagem universal. É o mais abrangente canal de comunicação de sentimentos. Goethe denominou-a de “a magia da alma”. Schiller afirmou: “A Arte restitui ao indivíduo a sua dignidade”. E Carlyle: “Em toda a obra de Arte discernirás a Eternidade, contemplando através dos tempos a Divina Manifestação visível”.
Na Grécia antiga floresceu uma magnífica civilização e sua maior característica era tudo expressar com requintada beleza. Orfeu adormecia os animais fazendo soar docemente a sua lira. Nas grandes obras de escultura resplandeciam a beleza e harmonia como na representação de Eros e Psiché — a Alma e o Amor. Aquela magnífica civilização produziu artistas, filósofos, poetas, até hoje considerados verdadeiros mestres da Sabedoria.
Max Heindel afirma no Conceito: “A Religião, a Arte e a Ciência são os três meios mais importantes da educação humana. São uma trindade numa unidade. Não podemos separá-las sem torcer o ponto de vista de qualquer coisa que investiguemos. A verdadeira Religião compreende a Ciência e a Arte, porque ensina a viver belamente em harmonia com as leis da natureza. A verdadeira Ciência, no mais elevado sentido, é artística e religiosa porque nos ensina a reverenciar e a nos conformar com as leis que governam nosso bem-estar e explica porque a vida religiosa conduz à saúde e beleza. À verdadeira Arte é tão educativa como a Ciência e de influência tão aperfeiçoadora como a Religião”.
“Na arquitetura encontramos a mais sublime representação das linhas de força cósmica do universo. Enche o observador espiritual de uma poderosa devoção e adoração, nascida da concepção da grandeza e da majestade de Deus. A escultura e a pintura, a música e a literatura, imbuem-nos de um transcendental amor de Deus, o manancial e a meta de todo este formoso mundo”.
“Nenhuma outra coisa, a não ser esse ensinamento integral poderá corresponder permanentemente às necessidades humanas. Noutro tempo, entre os gregos de Religião, a Arte e a Ciência eram ensinados conjuntamente nos Templos de Mistérios. Tornou-se necessário, para melhor desenvolvimento de cada uma delas, separá-las durante algum tempo”.
“A Religião reinou suprema na Idade Média. Durante esse tempo escravizou a Ciência e a Arte, atando-as de pés e mãos. Logo veio o período da Renascença e a Arte floresceu em todos os seus domínios. A Religião era muito forte ainda, e a Arte bem depois degenerou, à serviço da primeira. Por último, chegou a vez da moderna Ciência que, com mão de ferro, subjugou a Religião. Tal estado de coisas não pode continuar. Deve produzir-se a reação. Se assim não fosse a anarquia dominaria o Cosmos. Para evitar tal calamidade a Religião, a Ciência e a Arte devem reunir-se numa expressão do Bom e do Verdadeiro, mais elevado do que antes da separação”.
Os gregos, porque recebiam uma formação integral, conheciam o sentido metafísico das Artes. Era costume entre as mulheres da Grécia antiga, quando grávidas, ficarem retiradas, permanecendo tranquilamente em seus lares. Rodeavam-se do Belo, ocupavam-se de forma útil e agradável lendo ou estudando filosofia e Arte. Tinham plena certeza de que criando essa atmosfera espiritual a criança por nascer seria dotada de formas belas e caráter elevado.
A dança, ocupava em lugar de destaque no sistema educacional grego, a ponto de Platão crer que através dela seria possível surgir uma nova ordem social. Na expressão corporal encontramos a primeira forma de comunicação do ser humano. E, como as primeiras sociedades humanas eram teocráticas encontramos a dança inserida nos rituais religiosos como meio de comunicação com a divindade. Com o passar do tempo perdeu o sentido místico. Acabou sendo considerada uma prática pagã e mundana e daí foi abolida da ritualística nos templos.
A Arte não escapa ao momento ideológico e espiritual que a sociedade está vivendo. Assim, com o advento da Idade Média, as Artes em geral passaram a servir a Religião.
A estrutura social predominante na Idade Média era rígida, condenando cada indivíduo a um destino hereditário. Como havia total insegurança do povo quanto ao futuro, somente a vida religiosa oferecia algum conforto.
A cultura era accessível a apenas uma minoria, representada pelo clero. O ser humano medieval era letrado, supersticioso e extremamente místico. E todo ideário artístico-filosófico greco-romano foi abandonado por ser considerado resquício de paganismo. Entretanto, o pensamento de Aristóteles acabou sendo redescoberto na Idade Média por São Tomaz de Aquino. A filosofia aristotélica abrange a natureza de Deus (metafísica), do ser humano (ética) e do estado (política).
Como já dissemos, o indivíduo medieval era extremamente místico. Esse misticismo, levado a tais níveis, dotava as pessoas de Clarividência negativa a ponto de poderem observar os espíritos da natureza. Eram comuns as narrativas de duendes, fadas, etc.
No Hemisfério Norte, o verão é o tempo em que aparecem os duendes e demais entidades semelhantes, a quem cabe trabalhar pelo desenvolvimento material do nosso planeta. E, na noite de São João, no Festival das Fadas, esse processo chega ao seu ponto culminante como demonstrou Shakespeare em “Sonhos de Uma Noite de Verão”.
Algumas lendas que inspiraram os contos infantis, como por exemplo o da Branca de Neve e os Sete Anões, têm sua origem na Idade Média.
A Arte medieval era simples e refletia sempre o sentimento religioso. Só temas sacros eram representados, com algumas exceções. Os templos eram ornamentados com afrescos contando a História Sagrada e figuras de santos. Na música destacava-se o Canto Gregoriano e as peças teatrais eram encenadas nas igrejas abordando sempre temas religiosos.
Por falar em igrejas, é necessário lembrar a importância da Arte gótica no período medieval. O gótico nasceu na França, no século XII. As catedrais de Canterbury (Inglaterra) Notre-Dame (Paris) e a de Milão são um exemplo notável dessa Arte. Há quem afirme haver uma correlação entre à forma das catedrais góticas (com arcos ogivais formando o interior), as pirâmides e a junção das palmas das mãos quando se ora. Seriam uma maneira de catalisar energias cósmicas?
Lenta, quase imperceptivelmente, algumas mudanças começaram a surgir. Os “Mistérios” foram gradativamente restaurados, graças a ação dos Alquimistas e trovadores. Através da poesia trovadoresca ou Provençal algumas verdades profundas eram transmitidas às pessoas, como se fossem parábolas, em jogos realizados nos castelos. Na lenda de Tannhauser encontramos menção a esses jogos.
As ciências, vez por outra, encontravam uma fresta por onde pudessem manifestar-se. Assim é que Roger Bacon, filósofo inglês, versado também em matemática e ciências naturais, realizou experiências no campo da ótica e da propagação das forças. Bacon faleceu em 1292.
Mas o grande acontecimento dessa época deu-se no século XIII, quando Christian Rosenkreutz fundou a Ordem dos Rosacruzes com o “objetivo de lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã e para explicar o mistério da vida e do ser humano desde um ponto de vista científico, em harmonia com a religião”.
Diz Max Heindel no Conceito: “Vários séculos se passaram desde o nascimento de Christian Rosenkreutz e muitos consideraram um mito a existência do fundador da Escola de Mistérios dos Rosacruzes. Todavia, seu aparecimento marcou o princípio de uma nova era na vida espiritual do Ocidente”.
“Esse excepcional Ego tem surgido em contínuas existências físicas num ou noutro dos países europeus”. Trabalhou com os alquimistas durante séculos antes do advento da moderna ciência. Foi ele que por um intermediário inspirou as agora mutiladas obras de Bacon. Jacob Boehme e outros, dele receberam a inspiração que tão espiritualmente iluminou seus livros. Nas obras do imortal Goethe e de Wagner encontramos a mesma influência. Todos os espíritos inquietos que se recusam a subordinar-se à ciência e à ortodoxia da religião, que fogem das escravidões e procuram penetrar nos domínios espirituais sem pretensões de glória ou vaidade, inspiraram-se na mesma fonte, como fez e faz o grande espírito que animou Christian Rosenkreutz”.
O que ocorreu na Europa por volta do século XIII foi algo muito mais importante do que se possa imaginar. Alguns artistas e pensadores tornaram-se pioneiros da Renascença ao reverenciarem os ideais artísticos da Antiguidade. A Renascença não foi um fenômeno súbito do século XIV, uma ressurreição do interesse pela cultura clássica da Grécia e Roma. O Renascimento pode ser considerado uma fase de reação às doutrinas aristotélicas. As ideias de Platão foram difundidas e adotadas pela nova visão humanista e racional do mundo e da ciência.
Na Idade Média a vida girava em torno da sacralidade, do divino. Deus era o centro e a razão de todas as coisas. No Renascimento essa visão se modifica. O ser humano passou a ver o mundo em função de si próprio, elegendo-se como o novo centro do Universo. O desenvolvimento desse humanismo se fez com a recuperação do patrimônio filosófico e artístico da civilização greco-romana.
A expansão marítima, ampliando o conhecimento do mundo, deu dimensões universais ao pensamento. Surgiram os estados centralizados em forma de monarquias absolutistas. Com o aparecimento de uma nova classe social — a burguesia — desintegrou-se a velha estrutura feudal. O capitalismo suplantou o feudalismo. Apareceram as cidades. Em busca de novas técnicas de produção diferentes campos começaram a ser pesquisados.
Toda essa evolução não poderia expressar-se através de formas artísticas da época medieval, dominadas pela religiosidade. Uma nova Arte se desenvolveu para exprimir o mundo novo. As formas artísticas adotadas assemelham-se às da Antiguidade Clássica. A cruz latina que durante toda a Idade Média fora o motivo básico das plantas das igrejas cedeu lugar à cruz grega (com os ramos de igual comprimento) para que as construções se tornassem simétricas em relação a um ponto central. Muitos arquitetos, considerando o círculo uma forma geométrica perfeita, viam-no como o mais adequado às obras dedicadas a um Deus perfeito. A basílica de São Pedro e a famosa igreja de Florença são de estilo renascentista.
O Renascimento não se limitou apenas ao campo da ciência, Artes e letras. Passou a influenciar, também, a educação, a política e a própria religião. Passou a vigorar um intenso humanismo. Viver a vida e conhecê-la tanto quanto possível generalizou-se como atitude.
Alguns iluminados renascentistas expressaram em suas vidas aquela formação integral que a Grécia antiga oferecia, quando ciência, Arte e religião se completavam harmoniosamente. Assim é que Michelangelo foi escultor, pintor, arquiteto e poeta. Leonardo da Vinci foi artista, filósofo e cientista. Outros gênios daquela época revelaram em suas obras notáveis conhecimentos ocultos.
Max Heindel em “Iniciação Antiga e Moderna” afirma: “O pintor Raphael empregou seu maravilhoso domínio do pincel para exteriorizar a luz dos mais profundos conhecimentos esotéricos em seus melhores trabalhos: “A Madona Sistina” e o “Matrimônio da Virgem”. Cópias dessas admiráveis pinturas encontram-se em qualquer lugar onde se vende quadros. No original nota-se uma tonalidade particular no halo dourado atrás da Madona e da Criança que, ainda que excessivamente grosseiro para uma pessoa dotada de visão espiritual, é, não obstante, uma imitação tão exata e fiel da cor básica do Primeiro Céu, como é possível obter-se com pigmentos e cores terrenas. Uma observação atenta de seu fundo revelará o fato de que esse halo amarelo é composto de uma infinidade de figuras desses seres que chamamos de Anjos, com cabeças e asas. O papa está representado apontando a Senhora e o Cristo menino.
Examinando-o atentamente vê-se que a mão com que aponta tem seis dedos. Não há indícios históricos afirmando que o papa teria tal deformidade. Os seis dedos da mão foram pintados deliberadamente pelo autor. Qual foi seu propósito nós podemos verificar se examinarmos seu quadro “Matrimônio da Virgem” no qual pode-se notar anomalia semelhante. Maria e José estão representados com o menino Jesus no momento de sua fuga para o Egito e um rabino está nas proximidades. O pé esquerdo de José é o detalhe mais adiantado e evidente do quadro e tem seis artelhos. Nos dois casos os seis membros representam o sexto sentido, faculdade que se obtém por meio da Iniciação. Por esse sutil sentido o pé de José foi guiado em sua fuga para manter a salvo aquele tesouro sagrado. No outro caso, o papa tem um sexto sentido indicando que não era “um cego guiando outros cegos”, mas alguém possuidor de uma visão espiritual”.
Há um trabalho de Michelangelo, na igreja de San Pietro in Vincoli, em Roma, que deixa todo mundo intrigado. Nele Moisés está representado com cornos (chifres). Sabemos pelo estudo dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que Moisés foi o arauto da Idade de Áries, o cordeiro. Eis porque Michelangelo demonstrando grande sabedoria pintou-o com cornos.
Por ser uma expressão do espírito, a Arte reflete um momento peculiar da sociedade. E a sociedade europeia passava por transformações. Os monarcas absolutistas tornaram-se poderosos e opulentos graças, principalmente, às riquezas das colônias do Novo Mundo.
Essa nova ordem de coisas, política e social, provocou a renovação do estilo renascentistas. Surgiu o barroco, estilo originário da Itália e cujo apogeu alcançou os séculos XVII e XVIII.
Embora inspirado na arquitetura antiga, o barroco era muito exuberante em suas formas. Caracterizava-se pela grandeza excessiva, artificialidade, ornamentação extravagante e ampla utilização: de recursos clássicos como a coluna, a cúpula, esculturas de cenas mitológicas, abundância de detalhes decorativos na superfície. A capela do Santo Sudário (Turim), a abadia de Alcobaça (Leiria, Portugal), várias igrejas da Bahia, Minas Gerais e Pernambuco são construções de estilo barroco.
A música, após a Idade Média, evoluiu admiravelmente. Para termos uma ideia dessa evolução, retrocedamos no tempo. Quando a Terra ainda se encontrava em formação, o ser humano valia-se do ritmo para expressar-se musicalmente. É interessante acrescentar que o ritmo está ligado à formação dos Corpos Denso e Vital.
A expressão musical foi se aprimorando a ponto de ao ritmo agregar-se a melodia. Com o advento do Cristo surgiu um terceiro elemento: a harmonia. Por volta do ano mil da nossa Era ela passou a aparecer com mais frequência, formando a tríade melodia, harmonia e ritmo. Até então a harmonia não era muito usada em composições musicais. As apresentações eram realizadas somente com voz humana ou com instrumentos, porém, tocados isoladamente.
Na Renascença ocorreu a redescoberta de técnica da harmonia, conhecida apenas pelos iniciados da Grécia antiga.
(Publicado na revista Serviço Rosacruz – 10/86)