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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Escolhendo um Rumo: chegada a hora de agir por si mesmo, guiado somente pelo seu Cristo Interno

Uma pessoa quando se predispõe a estudar os Ensinamentos Rosacruzes por meio da Fraternidade Rosacruz já desenvolveu a sua consciência ao ponto de, pelo livre arbítrio, escolher um rumo para suas ideias, portanto, para o seu modo de pensar e agir.  

Nesse ponto de transição, em que a consciência insatisfeita com o que aprendeu até ali, necessita de esclarecimentos mais amplos, ele entra num mar de dúvidas porque aquilo que já aprendeu ficou gravado atrapalhando o novo aprendizado até que, depois, por si mesmo, ele perceba a lógica nas novas lições e acomode nelas a corrente de suas ideias.

Acontece que, desde séculos passados, o ambiente religioso é o mesmo nestes lados ocidentais. Durante anos e anos duas Religiões exotéricas que não se unem, mas graças a Deus não se perseguem mais, vem prevalecendo no continente europeu e no continente americano, sujeitando a sociedade e embaraçando a expansão de ideias livres, ideias individuais.

Dessa maneira a pessoa que chega ao ponto de libertar a sua Mente e conduzi-la pelo seu livre arbítrio, fica receosa como um pássaro que, engaiolado por muito tempo, no momento de sua liberdade, tem medo do espaço infinito. Quando vê aberta a portinha da gaiola, não tem coragem de arriscar um voo.

O hábito é uma segunda natureza e milhares e milhares de pessoas vem se habituando, desde criança, no ambiente familiar e ambiente geral de uma só ordem de ideias, até que sua Mente desenvolvida em outros assuntos, por força das necessidades da vida, chega a um ponto de curiosidade e descontentamento e se põe a procurar novas diretrizes, novos horizontes. Chega a hora, então, de procurar outras Religiões, outras Filosofias Cristãs, de ler livros, até ali desconhecidos, de procurar lugares de ensinamentos até então ignorados, e considerados absurdos, mudar de pontos de vista, de adquirir novos conhecimentos.

Nessa altura, muitas pessoas temerosas de abandonar tradições, de mudar de corrente, sempre igual de ideias que influiu durante tantos anos na própria vida, compreendendo ao mesmo tempo, que essas ideias já não satisfazem mais, vacila tanto para dar novo rumo a sua mentalidade que acabam estacionando no seu modo de pensar, sem concordar plenamente com a que já aprendeu e sem vontade de aprender novas razões. Quantas pessoas deixam de progredir na vida, moral ou material, pela força do hábito!

Essa preguiça de natureza mental deve ser afastada desde logo, porque geralmente ela dura bastante e, muitas vezes, quando chega a passar por efeito de um impulso, provocada pela experiência, pelo sofrimento, já se perdeu muito tempo, ou mesmo o melhor do tempo.

É natural, pois, que quando se encontre num estado de transição de ideias, mormente se tratando de questões espirituais, se esbarre com muita dúvida; porém é necessária afastá-la desde logo e para se conseguir isso é preciso pesquisar, examinar.

No caso da espiritualidade Cristã, é preciso verificar se as lições aprendidas, ou melhor, se as lições que se está aprendendo, são enquadradas na realidade da vida de todos os dias, e se podem ser observadas em você mesmo ou nos outros. Para isso é preciso pensar, procurar dentro do próprio pensamento fatos ou coisas que se relacionem com o que se está aprendendo. É preciso usar a memória, recorrer a lembranças e, também, observar nos fatos presentes, a relação entre a vida real e a espiritualidade.

A espiritualidade Cristã não é mais nada que a nossa própria vida estudada na sua essência, nas suas bases fundamentais, na sua evolução e sua finalidade.

Ora, estudando a nossa própria consciência nos seus foros mais íntimos, e estudando, ao mesmo tempo, os acontecimentos da vida exterior, quese relacionam particularmente conosco de modo direto ou indireto, dando-nos pesares ou prazeres, alegrias ou tristezas, verificamos que tudo o que nos aconteceu e nos acontece está em harmonia com a nossa natureza particular, com a nossa capacidade, com a nosso entendimento, com o nosso grau de inteligência; por isso mesmo que se diz que Deus dá o frio conforme a roupa.

Verificaremos também que se os acontecimentos da nossa vida são diferentes dos acontecimentos das vidas dos outros, muito embora as situações sociais, financeiras, condições de saúde, de família e outras, sejam equivalentes, é porque a nossa natureza íntima, também é diferente, porque os nossos Mundos internos têm o seu feitio e o seu desenvolvimento particular, que não encontramos exatamente iguais em mais ninguém. É por isso que muitas pessoas, em ocasiões de raiva, de desespero, mesmo de coragem, de sacrifício, convencida de sua natureza exclama: “eu sou assim”. Está certo! Cada um é assim do seu modo peculiar e não muda, senão por força da evolução espiritual. O Mundo exterior repete continuamente a mesma série de cenas, as mesmas histórias, os mesmos fatos, garantido pelas espirais dentro de espirais. Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) somos que, conservando o nosso feitio fundamental, as nossas linhas características, vai modificando a nossa expressão por efeito do desenvolvimento que vamos realizando. Quando recordamos certas épocas do nosso passado, certos ambientes, lugares e fatos, sentimos saudades de tudo o que se ligava a esses fatos, a paisagem, o céu, a rua, as pessoas – a verdade nos faz saudades, não propriamente essas coisas e sim o nosso estado interno desse tempo. Sentimos saudades de nós mesmos, de nossa alma mais animada, de nossas emoções mais leves, ligeiras, de nossos pensamentos cheios de entusiasmo e esperanças.

O céu não mudou! Por toda a parte há, como antes, paisagens encantadoras, variadas, objetos interessantes, pessoas agradáveis, moda bonita. Nós, por efeito de nossas experiências, mudamos os sentimentos e a mentalidade, e por isso mesmo olhamos as coisas e os fatos por outro prisma. Nós, o Ego, arredamos alguns dos véus que nos encobrem e enxergamos tudo com mais realidade, mais clareza. Do mesmo modo recordamos com mais realismo as nossas tolices passadas, erros de toda a espécie, disparates e até dureza de coração e ficamos admirados de termos praticado tais atos. Isso vem mostrar que vamos clareando aos poucos e continuamente, ampliando a nossa mentalidade, apurando os nossos sentimentos e por isso mesmo éque nossa memória traz à tona, muitas vezes, atos que praticamos, bobagens, até sem importância e que por nada neste mundo seríamos capazes de praticar de novo, porque a nossa consciência não mais aceita. Será porque de lá para cá, cultuamos a nossa inteligência, lemos muito, aprendemos mais coisas? Em parte, sim. Digo em parte apenas, porque muitas pessoas têm uma cultura intelectual comprovada, capaz de resolver grandes e graves problemas financeiros e políticos, questões internacionais importantíssimas, técnicos aperfeiçoados, magistrados, que sabendo tanta coisa são fechados no orgulho, no egoísmo, na vaidade, que vivem para si somente, ignorando o resto da coletividade formada, entretanto, por seus semelhantes. Torno a dizer que a espiritualidade Cristã é o estudo da nossa própria vida por meio do desenvolvimento dos nossos Mundos internos. Por meio desse desenvolvimento percebemos que temos aprendido já muita coisa; que já conseguimos abrandar um pouco o coração; que ganhamos caminho, e que fomos muito mais atrasados. Já cometemos uma infinidade de erros mais graves dos que cometemos hoje e devemos seguir adiante, quer queiramos ou não.

Devemos desenvolver infinitamente o nosso aprendizado, visto que se estamos adiantados, à vista do estado espiritual em que já estivemos, estamos atrasados, à vista do grau de adiantamento a que temos de chegar.

O nosso aprendizado não é fácil, no ponto de desenvolvimento em que estamos, porque eledepende, em boa parte, do domínio das nossas emoções, o que quer dizer do cultivo dos nossos desejos e emoções, o que depende de muita força de vontade por nossa parte. A nossa luta de todos os dias está empenhada com uma coletividade dos mais variados graus de adiantamento espiritual, portanto, estamos, a cada instante, em choque com forças exteriores. Essas forças exteriores estão, por sua vez, em harmonia com a Lei de Causa e Efeito ou Lei de Consequência, portanto, é dentro dela mesmo que temos de agir, para vencer. Para agir com pessoas de todos os graus de adiantamento, evitando o mais possível os choques, é preciso que se tenha seriedade de espírito e isso só se consegue com conhecimento e amor aos semelhantes, sejam eles de qualquer estágio de aprendizado.

Quando se chega a compreender que, só podemos dar aquilo que temos, e quanto menos temos para dar mais infeliz somos, mais caminho temos que andar, de modo que, nossos amigos, as ideias de vingança, o desejo de desforra são provas de falta de conhecimento, de pouco ou nenhum raciocínio. Somos auxiliares mútuos no cumprimento da Lei da Causa e Efeito e de Consequência e conforme as nossas qualidades, somos portadores de alegrias ou de tristezas aos nossos semelhantes.

Essas questões e todas as outras que se relacionam diretamente com o cultivo dos sentimentos, com o desenvolvimento da consciência, com o aperfeiçoamento do caráter fazem parte integrante do aprendizado espiritual e o melhor exercício que se pode fazer é a prática das boas ações, obras e bons atos.

O domínio próprio, o autodomínio, exercitado diretamente, só pelo esforço da vontade, naturalmente, tem os melhores resultados, porém, não está ao alcance de todos, porque é muito difícil conter o nosso Corpo de Desejos. Há outro exercício mais brando, por isso mesmo mais demorado que chega também a um resultado satisfatório. É o trabalho de se procurar, conscientemente, em todos os fatos, em todas as coisas ou em todas as pessoas que nos desagradam, o lado bom, apreciável, a virtude que existe sempre e que muitas vezes, se oculta atrás de uma aparência má ou feia, ou seja: o bem que está lá, sempre. Aliá, sempre que fazendo isso conseguimos vencer uma aversão, estamos educando as nossas emoções e desejos.

Sempre que, ao julgarmos, nos demos ao trabalho de procurarmos a causa que o motivou, estaremos exercitando o raciocínio, portanto o abrandamento das emoções. Esses trabalhos repetidos apresentam geralmente resultados positivos. Há Estudantes Rosacruzes que, com o desejo de adiantar depressa se propõem a exercitar a domínio próprio por meios extremados, geralmente acima de suas forças, fora de suas capacidades, chegando a pouco ou nenhum resultado, porque ou se cansam e abandonam o exercício na metade, ou se aniquilam prejudicando a saúde. O domínio próprio tem de ser praticado dentro do princípio da relatividade, exercitar gradativamente e no seu meio termo. “Devagar é que se chega ao longe”. Quando se está subindo uma escada para se chegar ao cimo, seguramente, tem-se de prestar atenção em cada degrau que se está pisando, para nele não falsear o passo, nem pisar muito firme, com risco de torcer o pé.

Não adianta a preocupação antecipada com o que está lá em cima, no patamar, porque só chegando lá é que se pode compreender, e nem adianta também saltar degrau, porque, então, não se fica conhecendo bem a escada, e nela pode haver coisas de utilidade que venham a fazer falta mais tarde. O trabalho de examinar o que se está fazendo é de grande proveito e utilidade no presente e para o futuro; isso em qualquer exercício. Nos estudos na Fraternidade Rosacruz esse cuidado é indispensável por se tratar de questões de ordem superior, que determinam o nosso progresso em linhas mais retas ou explicando melhor, de modo mais direto.

Uma vez que se queira dar às ideias um rumo seguro, que se deseje dar à Mente mais largueza e mais claridade é justo que se empregue atenção em tudo o que diz respeito às lições que se vai aprendendo, que se examinem com a própria consciência os trabalhos indicados.

Os Ensinamentos Rosacruzes têm, como uma das finalidades mais em vista, levar o Estudante Rosacruz a libertar as suas ideias a ponto de resolver por si só, com o auxílio único de sua própria consciência, todos os problemas de sua vida. Ideias livres não querem dizer anarquismo, quando são orientadas na espiritualidade Cristã.

Todo Estudante Rosacruz sabe que a verdadeira liberdade é a obediência às Leis de Deus e o exato cumprimento de todos os deveres. Que a nossa consciência só pode se desenvolver pelo conhecimento dessas coisas e que entre todos os nossos deveres o mais elevado é a estima, o respeito espontâneo, solícito aos direitos dos nossos semelhantes. É o reconhecimento da semelhança estabelecida no fundo de nossa natureza, pelo princípio que é o mesmo para todos.

O medo de pensar e agir livremente pode desaparecer, uma vez que o Estudante Rosacruz conheça o verdadeiro conceito da liberdade, que compreenda que o direito é um resultado do dever cumprido, portanto, quem cumpre, voluntariamente, seus deveres morais, materiais e espirituais está agindo com liberdade e segurança e está se aproximando da espiritualidade, e só consegue se espiritualizar em verdade, quem compreender este axioma ocultista: “Há apenas um único poder na Terra como nos Céus e este poder é o do Bem”.

Ora se a verdadeira espiritualidade é a que se apoia inteiramente no “Bem”, por que duvidar, vacilar, quando a consciência inquieta, insatisfeita reclama diretrizes mais claras, mais lógicas, na corrente das ideias? Quando, imperiosa, pede razão? Por que se demorar na decisão? Sujeição do ambiente ou da força do hábito? A nossa consciência é a iluminadora de nossas ações e quando ela chega a encaminhar a pessoa para os estudos espiritualistas, é porque é chegado o momento dela entrar para o caminho mais curto de sua evolução. É chegada a hora dela agir por si mesma, guiada somente pelo seu Cristo Interno.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1964 – Fraternidade Rosacruz–SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sabedoria Ocidental: a tomada de juramentos

O “tempo antigo ou passado” refere-se ao regime jeovístico, predominante antes de Cristo tornar-se o Regente da Terra. Era a época de Jeová. Os indivíduos viviam debaixo da Lei, debaixo do preceito do “olho por olho, dente por dente”. Era ensinado aos judeus que um juramento não feito em nome de Deus não era válido (vide Mt 23:16-20).

Qualquer um que fizesse um juramento apelava a Deus como testemunha para julgar a veracidade de suas palavras e, portanto, ficando sob uma obrigação “ante o Senhor”. Fazer isso sem sinceridade era (“abjurar”) renegar ou tomar o nome do Senhor em vão. Admite-se a ocorrência de tal fato durante a onda de egoísmo que floresceu sob o regime de Jeová, a despeito da (injunção) imposição contrária. Daí tornar-se meio de fraude e de (eivar) contaminar a nossa linguagem com imprecações.

Cristo-Jesus nos deu um ensinamento superior: “Não jurar”. A palavra do verdadeiro Cristão é suficientemente verdadeira para dispensar o uso do juramento. Daí a admoestação: “Seja o teu falar: ‘Sim, sim. Não, não’” como aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes nesse trecho do Evangelho Segundo S. Mateus, capítulo 5 e versículos de 33 a 37:

“Outrossim, ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor’. Eu vos digo, porém, que de maneira nenhuma jureis: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus; nem pela Terra, porque é o escabelo de Seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei; nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo branco ou preto. Seja, porém, o teu falar: ‘Sim, sim. Não, não’. Porque o que passa disso é de procedência maligna”.

A interligação de ideias nos leva mais além. O tema em pauta é juramento. Juramento sugere palavra. E, para penetrarmos com maior profundidade no assunto, devemos compreender o significado completo do poder da palavra. À luz da Filosofia Rosacruz, a palavra falada por nós se manifesta como um microcosmos da palavra macrocósmica (que trouxe à existência o nosso Mundo). Daí a natureza sagrada do som articulado. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o uso das palavras para exprimir o pensamento é o mais alto privilégio humano, exercitado somente por uma entidade racional e pensante como somos nós. Um dos objetivos a se ter em vista pelo Estudante Rosacruz é aprender a falar a “Palavra de Vida e Poder”, o que todos nós concretizaremos em tempos futuros.

A Filosofia Rosacruz nos ensina também que no Período de Júpiter um elemento de natureza espiritual será adicionado à linguagem, afastando toda e qualquer possibilidade de equívocos. Quando um indivíduo dos tempos jupterianos disser “vermelho” ou pronunciar o nome de um objeto, uma reprodução clara e exata da tonalidade particular do vermelho a respeito do qual esteja pensando, ou do objeto referido apresentar-se-á à sua visão espiritual interna, se tornará também visível para aquele que o ouve.

O novo cálice mencionado como um ideal da época futura é um órgão etérico, construído dentro da cabeça e da laringe pela força sexual não empregada de forma egoísta. Tal órgão, à vista espiritual, aparecerá como o caule de uma flor ascendendo da parte inferior do tronco. Esse cálice ou semente do cálice é realmente o órgão criador capaz de emitir a Palavra de Vida e Poder. Esse órgão, estamos atualmente construindo por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, ao irmão e a irmã ao nosso lado, conforme preconiza o Ritual do Serviço Devocional do Templo da Fraternidade Rosacruz.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Testes na Longa e Árdua Busca

Na esfera intelectual do mundo civilizado de hoje há uma grande inquietação. Muitos “correm de um lado para outro” em busca de algo que consideram mais fácil tatear do que definir. São atraídos e se envolvem superficialmente com cada novo culto, seita, movimento que surge no inquieto firmamento religioso e, observando cuidadosamente seu exterior, dão atenção passageira a qualquer novo preceito ou explicação, que muitas vezes não é mais do que uma desculpa, e então seguem adiante em seu caminho à deriva, como a volúvel borboleta que visita cada flor de cores vivas e prova do seu pólen.

A princípio, eles trilhavam esse caminho de forma quase inconsciente, cedendo apenas ao espírito de curiosidade. Mas, após algum tempo, ao observarem discrepâncias e aparentes anomalias nas afirmações e explicações das várias seitas, começaram a se sentir confusos, incertos, insatisfeitos. Ao atingirem o primeiro grau de consciência em sua busca, proferem o histórico clamor de Pilatos, que se encontrou uma vez em posição semelhante e, em sua dificuldade, perguntou: “O que é a Verdade?[1].

Assim, pela primeira vez essas pessoas percebem que sua passagem de um conjunto de opiniões a outro tem um objetivo definido. Embora sua natureza pareça muito nebulosa no início, à medida que suportam as decepções tal objetivo definido, gradualmente, se destaca do pano de fundo, tornando-se nítido, imponente e, por fim, capaz de compelir a atenção do buscador.

Essa insatisfação e esse questionamento são o sinal externo dos primeiros e definidos esforços para tatear o caminho. E, se o viajante usa o lado intelectual para sentir o percurso adiante, então as dúvidas, os medos e as perplexidades formarão os espinhos da sua Via dolorosa.

Ele será intelectualmente atacado por todos os lados; toda variedade de doutrina e prática lhe aparecerão e tentarão ser reconciliadas com as demais, até que, com a Mente exausta e a cabeça latejante, ele talvez seja induzido a elevar sua consciência da confusa diversidade até sua Fonte, a grande Unidade, para proclamar, com o ritmo do Coração e da Mente: “Guia-me, ó luz, no meio dessa escuridão que me cerca”.

Essa admissão do fracasso é, na realidade, o momento de maior sucesso do buscador, pois elevou sua Mente, ainda que por um breve período, aos Reinos onde o conhecimento desejado prevalece sem impurezas. Ao reconhecer sua própria fraqueza, ele se torna receptivo à assistência daqueles Seres que, atuando a partir dos planos suprafísicos, erguem-Se como representantes do Bom Pastor, sempre prontos a auxiliar os mais adiantados do Seu rebanho.

Jamais houve uma alma sincera cujas palavras, sendo proferidas pelo desespero diante da sua incapacidade de desfazer o aparente emaranhado formado pelo entrelaçamento dos inúmeros fios das aparências, não tenham ressoado nos reinos suprafísicos — e cujo chamado não tenha sido prontamente atendido por Aqueles que trabalham e guiam a nossa Humanidade.

A partir desse momento, ele receberá ajuda e orientação do invisível à visão física, embora as fontes dessa assistência permaneçam não manifestas. Isso não significa, contudo, que ele será conduzido pela mão até a nascente e que, após banhar seus olhos e voltar a contemplar o antigo enigma, aquilo que antes era inexplicável lhe parecerá claro. De modo nenhum!

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, ao distribuírem qualquer coisa sob Sua guarda — seja amor, sabedoria ou o poder de discernir na ação — têm em vista apenas isto: o valor potencial do serviço do recebedor. Eles são, na realidade, os “diretores de palco” deste cenário mundial onde se desenrola o drama da vida; portanto, o único propósito que Eles têm ao distribuir qualquer talento é que aquele que o receba possa se tornar um ator eficiente na peça que jamais cessa. Somente o altruísmo define a verdadeira eficiência no serviço cósmico.

Por essa razão, após ter feito sua súplica, o buscador é, antes de tudo, posto à prova quanto à sua persistência e constância — pois, sem essas duas qualidades, ele seria inútil como futuro Auxiliar Visível ou Invisível e acabaria causando infelicidade, em consequência de seu fracasso nessa direção.

Uma sensação de alívio toma conta do buscador quando ele derrama o seu Coração, pois foi verdadeiro consigo mesmo. Compareceu ao verdadeiro confessionário e não necessita de lábios terrenos para lhe dizer que suas falhas foram perdoadas, compreendidas e que uma graça invisível o auxiliará em futuras tentativas de resolver seus problemas. Assim, retorna à esfera intelectual do mundo cotidiano para se aplicar novamente às mesmas questões.

Ele lê, investiga e medita sobre os grandes mistérios da origem, do propósito e do destino da vida, bem como sobre a justiça das circunstâncias. E, embora pareça estar mais próximo de uma solução no sentido mais profundo, um pouco mais adiante surge outro impasse — e o mesmo muro impenetrável, formado por toda espécie de qualidade negativa, ergue-se novamente ao seu redor.

Ele nada sabe sobre o trabalho que ocorre por trás das cenas e, portanto, pode ser perdoado se, diante desse obstáculo, até mesmo sua fé acumulada falhar. Como resultado, poderá abandonar a busca, declarando que o conhecimento seja impossível e que tudo não passe de especulação — ou deixar-se levar pelo conjunto de opiniões que lhe seja mais conveniente.

Essa é a prova sábia e necessária estabelecida pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz a todos que buscam a Verdade de forma definida. Na Fraternidade Rosacruz, onde as regras se baseiam nos fatos ocultos e vigentes, o Estudante Rosacruz deve permanecer na seção mais elementar, qualquer que seja seu conhecimento prévio, por um período de dois anos, antes que possa ter a oportunidade de tocar na orla dos Ensinamentos Rosacruzes mais profundos.

Aqueles que governam a própria Ordem Rosacruz também atuam intensamente em linhas auxiliares e semelhantes, no Mundo ocidental; portanto, aplicam os mesmos métodos — que são os únicos racionais sob ambos os pontos de vista, quando devidamente compreendidos.

A prova mencionada pode durar períodos variados, contados em meses ou anos, e muitos cairão pelo caminho, exaustos ou desanimados, ou se desviarão por trilhas secundárias. Assim, aqueles que buscam o conhecimento movidos por mera curiosidade ou motivos incertos são gradualmente eliminados da jornada e somente os atores com potencial permanecem.

Com o passar do tempo, a terceira etapa começa a se desenvolver. O buscador inicia sua compreensão da necessidade do discernimento. Antes, ele se deixava fascinar por cada seita, culto, movimento, que oferecesse novas explicações, julgando todo assunto pela soma dessas apresentações. A partir dessa experiência adquirida, ele começa a reunir e analisar suas informações; com o tempo, é capaz de sintetizar o conjunto e discernir uma unidade onde antes havia apenas diversidade e contradição.

Avançando por essas linhas, a Mente acaba por se concentrar internamente nos fundamentos e princípios das coisas e ele se faz uma nova pergunta — uma melhora em relação à primeira: “Qual é a natureza da Verdade; do que ela é feita e a que deve se relacionar?”.

Após a análise dessa questão, aparentemente sem importância, devemos discernir que a Verdade religiosa deva lidar com uma explicação das condições superfísicas e a sua relação com o indivíduo. Três coisas podem ser ditas para descrever o propósito racional da Verdade religiosa: primeiro, a exposição dos fatos superfísicos. Segundo: a elucidação das leis superfísicas. Terceiro: a apresentação de conselhos e regras de vida que estejam em harmonia com as condições mencionadas anteriormente.

O propósito da Religião, desde sua origem, tem sido reforçar o último ponto mencionado, oferecendo apenas o suficiente dos dois primeiros para acalmar a Mente. O conjunto foi envolto em alegorias e centrado na história do fundador da Religião Cristã, para que pudesse ser mais bem assimilado pelos povos aos quais foi transmitido.

No entanto e na realidade, a Religião Cristã é um sistema de moralidade baseado em uma ciência. Ela é uma expressão simbolizada de fatos cósmicos. O ocultismo é a única Ciência do Universo e o fato de ser a fonte e a inspiração de todas as Religiões é comprovado por sua unidade nos aspectos essenciais.

Essa Ciência pode ser comparada a uma nascente natural, situada em uma alta montanha e envolta na imaculada veste da neve, jamais tocada por mão ou sopro de qualquer criatura — a fonte da qual vários grandes rios se originam, todos fluindo para o mesmo oceano ilimitado: as vias aquáticas dos povos da Terra. O buscador chegou agora ao grau em que essa Fonte surge diante da sua visão: grande é, de fato, o seu privilégio.

O ocultismo lida com os fatos do Universo e, portanto, é evidente que um longo caminho de paciente persistência foi necessário antes que o Aspirante à vida superior pudesse discernir até mesmo os contornos.

Com os primeiros vislumbres do monte coberto de neve, o viajante, vindo de longe, pode facilmente parar e agradecer do fundo do coração, pois agora poderá construir o Templo da sua adoração sobre a rocha do fato, em vez das areias movediças da crença; nenhuma tempestade demolirá essa estrutura ou a arrastará para longe, pois a convicção resultante alcança os Planos interiores do ser, ali se registrando — assim, ele adquire a bênção e a alegria do ser humano: “uma casa feita não por mãos, mas eterna nos Céus[2].

Em retrospecto, ele vê o caminho que percorreu, da aceitação inconsciente até a primeira aurora da inquietação intelectual e consciente, a precursora de um longo período de intenso sofrimento. Observa o abandono gradual da apresentação exotérica, em favor da percepção da substância interior das diversas doutrinas – a esotérica – e reconhece seus primeiros passos ascendentes na aurora da compreensão da natureza inerente da Verdade.

As dúvidas, os medos e o cansaço que o assombraram nas fases mais sombrias do caminho surgem agora diante de seus olhos como fantasias passadas das quais ele extraiu “a pérola de grande valor[3]. E a realização consciente da posse desse tesouro transforma sua alegria em vontade de alcançar e na determinação de usar seu conhecimento, um poder e remédio universal contra todos os males, para aliviar a dor e dissipar a ignorância de seus semelhantes.

(Publicado na: Rays From The Rose Cross – fevereiro/1917 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: Jo 18:38

[2] N.T.: IICor 5:1

[3] N.T.: Mt 13:45-46

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como se Inscrever no Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz

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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Eterno Agora: o momento mais importante das nossas Vidas Aqui

Um grande fato a se lembrar no autoaperfeiçoamento de um Estudante Rosacruz é que a nossa vida passada está, em grande medida, encerrada. Um hábito comum consiste em reviver essa vida, ou partes dela, em pensamento, mas não com o desejo de aprender uma lição real, pois tais lições geralmente foram aprendidas naquela vida, mas apenas para gastar tempo com retrospectivas inúteis, sem propósito, revivendo momentos passados e se entregando a uma censurável autopiedade.

No momento presente em que vivemos, sentimos os resultados de nossas vidas anteriores. Por mais desagradáveis que sejam, é evidente que nós mesmos, em algum momento, colocamos em movimento as forças que agora produzem esses resultados, aparentemente injustos.

Sem dúvida é necessário e suficiente acreditar na Teoria do Renascimento para se alcançar uma explicação completa e realista. Entretanto, uma explicação detalhada exigiria que o Estudante desenvolvesse o poder espiritual necessário para examinar os fatos históricos na chamada Memória da Natureza. Isso já foi feito e é um fato no ocultismo!

É óbvio, então, que o momento mais importante de nossas vidas é o presente — o Eterno Agora — no qual todo o trabalho é realizado. Os efeitos de nossos pensamentos e das nossas ações presentes nos influenciarão em algum momento posterior. Decidimos hoje viajar para uma terra distante; ativamos forças que, eventualmente, criam o resultado desejado e, assim, descemos do navio nas margens da terra que decidimos visitar. Outras ações, espirituais ou materiais, podem demorar anos para atingir seus resultados ou podem continuar ao longo desta vida e produzir o resultado final em uma vida futura. Mas, uma vez que essas forças são ativadas, o dado foi lançado. Daí em diante, do molde desse dado surgirão certas formas e lágrimas, protestos ou ameaças não poderão alterá-las minimamente.

De fato, nós somos o mestre do nosso próprio destino e essa verdade é maior do que normalmente se imagina. Isso é verdadeiro na vida cotidiana e igualmente efetivo na vida eterna do que realmente somos, um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), tão diferente da nossa Personalidade superficial, efêmera, egoísta e exterior que, com frequência, é a única expressão de nós mesmos mostrada ao mundo.

Não é permitido repousar sobre os benefícios das ações passadas sobre os louros das vitórias anteriores. Toda vida é progressiva e ativa. Devemos estar em constante ação, cultivando nossos talentos, usando nossas forças para fins maiores — aquelas mesmas forças tão arduamente conquistadas e, por fim, alcançadas em vidas que se foram.

O Estudante Rosacruz que busca ajuda e conhecimento espiritual deve ser um lutador: tão perspicaz quanto nossos magnatas comerciais, ávido por novas atividades em todas as esferas; aguçado e determinado — mas com o desejo de tomar parte em batalhas mais nobres; impiedoso na guerra contra o preconceito, a superstição e a falsidade.

O “agora” é o grande momento. Atividade incessante em fazer o bem, no estudo, no autocontrole, na rotina comum da vida diária — aparentemente tão monótona e cinzenta —, mas na verdade tão eficaz quanto os golpes repetitivos de um martelo a vapor sobre o ferro duro. Seu mérito está no efeito cumulativo, não em cada golpe individual.

É somente por meio de algum estímulo mental que muitos, naturalmente inativos, conseguem despertar para o “agir e fazer”. “Belas palavras”, dizem eles, “mas eu sou diferente — não fui feito assim. Pode o leopardo mudar suas manchas ou uma pessoa, a cor de sua pele?”.

Uma das maiores surpresas da vida é a incrível quantidade de trabalho que um Estudante Rosacruz pode realizar quando decide fazer um esforço. Isso não é apenas surpreendente, mas grandioso. Um riso alegre diante dos erros e uma coragem indomável para perseverar são grandes qualidades. Se o riso se recusar a aparecer ou a coragem desaparecer, ainda assim algo foi conquistado, pois quando tentamos rir ou demonstrar coragem, criamos uma base tão sólida quanto o alicerce de concreto, base sobre a qual, com o tempo, o verdadeiro riso alegre e a efetiva coragem poderão ser construídos.

É difícil dizer qual é o espetáculo mais admirável: o do Estudante Rosacruz poderoso que atravessa a vida superando obstáculos pela pura força ou do Estudante Rosacruz que persiste lutando, sendo constantemente golpeado, abalado e avançando pouco, mas com o maxilar firme e a cabeça baixa — sempre lutando sem pensar em desistir, disposto a batalhar até o fim!

A derrota não é um acontecimento tão desesperador como pensamos muitas vezes. Ela significa apenas que o objetivo desejado não foi alcançado. No entanto, pelo simples ato de lutar nós adquirimos uma força maior — o que, em si, já é uma vitória efetiva, de valor imenso.

(De Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Que Posso Esperar “Vivendo a Vida”?

Uma pergunta, uma resposta:

Todo Estudante Rosacruz, sincero em seus propósitos, é um autêntico “buscador da verdade”. E como tal, naturalmente, fará perguntas. Uma delas poderá ser esta: “Que posso esperar vivendo a vida conforme os ensinamentos contidos no Conceito Rosacruz do Cosmos? Vejamos, então.

Como a finalidade da vida não é o usufruto do prazer, mas a aquisição de experiências, estas tendem a absorver o dia-a-dia de quem está consciente desta verdade. Ainda assim, o Estudante Rosacruz vê-se, amiúde, aspirando algo diferente. E deve ser assim mesmo, pois caso contrário não seria um aluno aplicado dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental.

Quando isso ocorre as indagações podem, talvez, resumir-se numa só: o que é que está por tornar-se realidade? Uma faculdade de deslocar-se conscientemente no Mundo do Desejo? Ter poder para curar os enfermos? Afinal, somos compassivos e sensíveis ao sofrimento alheio.

Max Heindel afirma em sua obra Iniciação Antiga e Moderna – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “…evidentemente está claro que o Corpo Denso do ser humano está, atualmente, passando por um processo de refinamento com a erradicação das substâncias mais rudimentares e grosseiras. Com o tempo, pela evolução, esse processo de espiritualização tornará nosso corpo radiante e transparente pela Luz que brilhará internamente, radiante como o rosto de Moisés, como o corpo de Buda e o de Cristo na Transfiguração.”.

Que quer dizer tudo isto para um Estudante Rosacruz? Significa que deve compreender a necessidade de eliminar, na medida do possível, os pensamentos negativos, os desejos e emoções inferiores, e os hábitos nocivos, capazes de escravizá-lo, retardando sua realização espiritual.

O ódio e a inveja em relação ao próximo, a ironia, o desdém, a soberba e o ressentimento, degradam e obstaculizam a evolução. Uma influência negativa parece envolver e desprender-se de quem assim procede. Aqueles mais sensíveis, via de regra, não se sentem muito à vontade em sua presença. Evitam-no até.

Um Estudante Rosacruz, cujos ideais e aspirações sejam elevados e fortes o suficiente para resistir aos apelos da natureza inferior, por certo terá grandes possibilidades de obter êxito em seus esforços anímicos. Mas, nem por isto deixará de, frequentemente, ser perseguido pelas tentações. Haverá até ocasiões em que a dureza das provas conseguirá derrubá-lo, abalando seus anseios. Talvez sinta ímpetos de atirar-se novamente nos braços dos antigos e nocivos hábitos. São momentos difíceis, requerendo uma decidida capacidade de reação.

Em fases assim, de conflitos e incertezas, o Estudante Rosacruz vive, aparentemente, na tristeza. Procurando descartar sua própria desilusão, ele ora, ora, ora, clamando por uma luz, desejando ser guiado. Em seu nível espiritual passa a viver as agruras do Getsemani. Finalmente, vencida esta etapa, crucifica seus desejos e emoções inferiores, libertando sua vida espiritual.

Todo esse processo é essencialmente purificador. Enseja ao Estudante Rosacruz maior abertura em relação ao mundo em que vive e aos seres humanos. Desperta-lhe um profundo sentimento de compaixão em relação às falhas alheias, pelo reconhecimento da cegueira dos demais, em face de suas próprias vidas obscuras. Compassivo, compreensivo, faz-se mais cuidadoso e tolerante no trato com as pessoas.

A Páscoa, conforme narrada nos Evangelhos, indica a direção e a promessa de uma liberdade transcendental. Cristo veio para nos apontar esse caminho. Seu sacrifício em favor de cada um de nós, pelo trabalho de refinar o Corpo de Desejos da Terra, tornou accessível o caminho para a liberdade espiritual, através do Amor de nosso Divino Pai. Sua tentação, Sua angústia no Getsemani, Sua crucificação e Sua ascensão foram suportadas para que se nos surgissem perspectivas reais de elevação.

Consciente de sua responsabilidade, o Estudante Rosacruz deve se indagar: Estou me empenhando de maneira efetiva, no sentido de aliviar a imensa carga do Cristo?

A maneira mais eficiente de colaborar com o nosso Salvador é servindo a Humanidade. O serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) para com os outros é o caminho mais curto, mais seguro e o mais agradável que nos conduz a Deus, como nos assegura o ofício no Ritual do Serviço Devocional do Templo. Em Deus somos livres, vivendo em plenitude. Max Heindel assegura-nos que, nas entrelinhas do Conceito Rosacruz do Cosmos, encontramos o Evangelho do Serviço.

Portanto, orientando-nos por essa linha de raciocínio, tornar-se-á clara uma resposta à indagação proposta no início deste artigo: vivendo os sublimes ensinamentos contidos na obra básica da Filosofia Rosacruz, o Estudante Rosacruz logrará libertar-se, paulatinamente, de todas as limitações inerentes ao Mundo material? Essa transposição para um nível de consciência superior constitui nossa Páscoa interna, quando bradamos gloriosamente o consumatum est.

Assim, esforcemo-nos, como Estudantes Rosacruzes ativos que somos, a ter o mérito de participar da Cura Rosacruz, todas as noites, como um Auxiliar Invisível inconsciente. E um dia nos tornaremos um Auxiliar Invisível consciente. A prática, a persistência, a disciplina, a sinceridade, o engajamento, a disciplina e a obediência divina garantiram isso para quem persistir!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como servir a Fraternidade: dê, pelo menos, um pouco do que você recebeu

Será que ao efetuarmos diariamente nosso exame de consciência temos nos indagado se, porventura, concorremos com um mínimo de esforço para que a disseminação do ideal Rosacruz seja uma realidade? Temos contribuído, dentro de nossas possibilidades, para o engrandecimento da obra Rosacruz?

Em verdade, somente a nossa consciência pode nos alertar quanto ao papel que nos cumpre desempenhar dentro da Fraternidade Rosacruz, avaliando os nossos talentos e indicando-nos como eles poderão ser aplicados dentro do programa de expansão Rosacruz. A obra carece de ajuda, dependendo muito da nossa dedicação, sinceridade e trabalho, para consolidar-se como precursora da Era de Aquário.

A Fraternidade Rosacruz constitui algo muito mais grandioso do que se possa imaginar. Não podemos restringi-la, conceituando-a apenas como uma Escola filosófica-espiritualista, como outras existentes por aí, simplesmente orientando e instruindo os interessados através de livros, folhetos e conferências.

A missão, o ideal, os meios, o programa e a estrutura da Fraternidade Rosacruz formam um conjunto a transcender, essencialmente, tudo aquilo que podemos conceber como sendo edificante.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz outorgaram ao mundo algo inédito, original, sem paralelos; uma Filosofia que expõe e elucida os mais intrincados problemas sociais e espirituais, dentro de um elevado padrão de lógica e reverência, diante do qual se esboroam todos os argumentos contrários. Max Heindel colocou ao nosso alcance um cabedal de conhecimentos, cuja beleza e profundidade mal podem ser expressas por palavras. Tais princípios atendem perfeitamente as exigências de uma época onde o racionalismo e o espírito inquiridor “anti-empírico” repelem tudo o que não se enquadra em seus domínios. A Filosofia Rosacruz é atualíssima e concomitantemente abre perspectivas maravilhosas quanto ao futuro do ser humano.

Se verdadeiramente sentimos que ela veio preencher algo em nossas vidas, proporcionando-nos um maior vislumbre do mundo em que vivemos; se através de seus ensinamentos estamos penetrando e conhecendo nosso próprio ser, então é necessário que sejamos coerentes conosco mesmos, arregaçando as mangas e trabalhando pelo seu crescimento, da maneira que pudermos.

Sozinhos, pouco ou nada poderemos realizar. Se houver união de esforços, concatenando-se os talentos de cada membro da comunidade em prol de um objetivo comum, as possibilidades de êxito serão bem mais amplas.

Nunca será demais repetir que o ser humano isolado é uma impossibilidade. Reiteramos sempre as palavras do nosso Ritual do Serviço Devocional do Templo: “um só carvão não produz fogo, mas quando se juntam vários carvões, o calor latente em cada um deles pode produzir chama, irradiando luz e calor”.

Somos apologistas do trabalho de equipe, porquanto este apresenta inúmeras vantagens, como por exemplo, o alcance de um máximo rendimento em tempos e esforços mínimos, mediante o aproveitamento racional das qualidades e aptidões de cada um em função do todo. Além disso, sua ação faz-se sentir individualmente, revertendo em benefício de cada elemento, em forma de disciplina, solidariedade, harmonia, companheirismo e expansão natural das próprias qualidades. Contudo, o trabalho grupal requer, também, uma dose de boa vontade, sinceridade, entendimento, sentimento altruísta, e o que reputamos de suma importância: ausência do personalismo. Estes requisitos possibilitam a um grupo relativamente heterogêneo, empreender e concretizar obras de vulto.

Essencialmente Cristão, o Método Rosacruz de desenvolvimento prevê esses dois aspectos: individual e coletivo. O trabalho coletivo realiza-se através dos Centros e Grupos de Estudos Rosacruzes ou de esforços empreendidos por irmãos e irmãs nossos não importa sob que títulos, com objetivos edificantes. Por outro lado, o Método Rosacruz indica meios de realização estritamente individuais, objetivando aprimorar o Aspirante à vida superior, de modo a lhe permitir transcender os entraves internos separatistas, integrando-o cada vez mais perfeitamente no puro sentido de equipe, dentro da unidade Cristã, que representará o coroamento da presente época evolutiva: “um só rebanho e um só Pastor“: o Cristo.

Em decorrência todo e qualquer trabalho deve ser executado dentro daquele princípio denominado Serviço Amoroso e Desinteressado aos Demais. Se algo é feito com amor, despido de qualquer sentimento de interesse pessoal, será, por certo, duradouro. Se levar, porém, a marca do egoísmo será como um castelo edificado sobre a areia: mais cedo ou mais tarde acabará em ruínas.

Nosso labor não deve esperar recompensa, e sim resultados benéficos à coletividade. Felizes seremos quando formos capazes de prodigalizar tudo aos demais sem nada esperar em troca, a não ser novas oportunidades de servi-los. O simples pensamento de receber já revela indícios de egoísmo, ao passo que o desejo de dar implica em sentimento de amor. Isso vem de encontro à seguinte afirmação de um pensador dos tempos modernos: “Quem professa a filosofia do receber, confessa sua falência em dar”.

O Estudante Rosacruz sincero e devotado não procura saber o que poderá receber da Fraternidade Rosacruz, mas sim o que lhe poderá dar.

Estamos trabalhando na “Vinha do Cristo”, e isso, somente isso, já justifica e compensa plenamente todo o sacrifício e esforço que empreendamos em prol desse ideal sublime.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1967- Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Vegetarianismo e a Lei do Amor

O vegetarianismo é, muitas vezes, adotado por questões de saúde, como um regime alimentar mais saudável, mais higiênico e muito mais substancioso. Porém, o aspecto mais importante do mesmo é ser ele um modo de pensar e de sentir, visto estar profundamente ligado à ideia da Fraternidade Universal. Todos os reinos da natureza são partes de um Todo. A ciência e algumas Religiões aceitam e explicam, de certo modo, a Lei da Evolução, a qual se processa através do desenvolvimento da consciência. Sendo nós um ser dotado de maior consciência, é por isso mesmo de maior responsabilidade no mundo.

Por nosso contínuo pensar, há de nos aproximarmos cada vez mais das verdades proclamadas em todos os tempos por sábios, filósofos, santos e profetas. A base dessas verdades é, invariavelmente, que a Lei do Amor é a única que nos conduzirá a um estágio de real grandeza espiritual. Sem o amor, poderemos conhecer grandes progressos materiais, mas somente com ele alcançaremos a verdadeira civilização, via o desenvolvimento espiritual. Ora, a Lei do Amor não pode admitir a cruel matança dos animais (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins), como a que se executa, cada vez em maior escala.

Dizemos cruel e sobretudo inútil, porque, se é com fins de alimentação, milhões de vegetarianos em todo mundo provam que vivem em iguais ou melhores condições físicas e intelectuais que os não-vegetarianos. Se é com fins esportivos, nada pode ser mais vexatório para nosso orgulho de civilizados, de que ver alguém se divertir matando friamente seres sensíveis. Se é com fins ornamentais, de produtos de beleza e de moda, como acontece com o uso de casacos de pele, artefatos de couro, enfeites de penas, cosméticos, xampus, etc., mais evidencia a inutilidade da matança, porque há atualmente outros tipos de produtos de beleza e higiene, vestuários, calçados, agasalhos e de enfeites, com certeza muito mais saudáveis, talvez mais duradouros e belos do que provenientes do sacrifício de animais.

Poucas pessoas comeriam carne animal se elas tivessem de matá-los, ou se assistissem aos processos clamorosamente cruéis de seu diário abate. Compreende-se que no passado o cultivo das terras era reduzido, difícil em muitas regiões, desconhecidos os grandes recursos agrícolas da atualidade, ignorado o valor alimentício de muitos produtos da terra.

Tenha-se em vista apenas os exemplos da soja e do amendoim, para ficarmos somente em dois. Hoje enriquecidos de tão grandes progressos, como explicar que ainda não tenhamos vencido essa superstição sobre o valor da carne animal como alimento?

Podemos cultivar o sentimento de Fraternidade Universal, aprovando, apoiando, participando da crueldade, indiferentes ao sacrifício diário de milhões desses seres?

Por outro lado, é uma incoerência comemorar datas dedicadas à seres que amaram a todos os seus irmãos e todas as suas irmãs, inclusive aos irracionais, como no NATAL, sacrificando em nossas mesas suas indefesas vidas. E como é compreendido pelo Estudante Rosacruz: justamente no dia do ano mais sagrado, quando Cristo, o Senhor do Amor, atinge o centro da Terra, e dali emana todo o Seu amor, Sua vida e Sua paz. Realmente, uma grande incoerência, especialmente para quem está ciente desse evento importantíssimo anual!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/abril/1988 – Fraternidade Rosacruz -SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Análise Esotérica dos Quatro Motivos que nos leva a agir e as Correlações Positivas com a Oração do Senhor, o Pai-Nosso

Se estudarmos com atenção, não será difícil chegarmos à conclusão que só há quatro grandes motivos que nos leva a agir, a fazer, a atuar aqui na Região Química do Mundo Físico, enquanto estamos renascidos: amor, fortuna, poder e fama.

O desejo de alguma ou várias destas coisas objetos desses quatro motivos é a razão pela qual fazemos ou deixamos de fazer algo.

Se utilizamos os Ensinamentos Rosacruzes para compreender esses quatro motivos, concluímos que eles nada mais são do que incentivos para a agirmos para colocar ações, atos e fazer obras, a fim de obtermos experiências e aprender.

O Estudante Rosacruz deve continuar usando cada um dos quatro motivos de ação, firmemente, mas cabe a ele transmutá-los em algo superior e não focar no uso dele para aquisição ou manutenção das coisas materiais.

Assim, por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.

Portanto, o amor pelo qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.

Já a fortuna pela qual um Estudante Rosacruz deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.

No que tange ao poder, aquele que um Estudante Rosacruz deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.

E, por fim, a fama pela qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.

E se estudarmos a significância esotérica da Oração do Senhor (o Pai-Nosso) aprenderemos como essa Oração científica, nos fornecida diretamente por Cristo, é uma fórmula abstrata completa que nos ajuda a melhorarmos e a purificarmos todos os nossos sete veículos e, portanto, utilizar os quatro motivos para ação com o foco no nosso crescimento espiritual enquanto aqui renascidos.

Senão, vejamos cada um: nós, utilizando o nosso veículo Espírito Humano nos elevamos a nossa contraparte divina, o Espírito Santo, dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”.

Depois, utilizando o nosso veículo Espírito de Vida reverenciamos ante a nossa contraparte divina, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.

Continuando, utilizamos o nosso veículo Espírito Divino e nos ajoelhamos ante nossa contraparte divina, o Pai, e dizemos: “Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu…”.

Depois há a prece para que consigamos somente e tão somente o que precisamos para manter o nosso Corpo Denso aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Divino elevando a contraparte divina dele, o Pai, pedindo: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.

Seguindo na mesma linha, há a prece para que consigamos utilizar corretamente o nosso Corpo Vital aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito de Vida elevando a contraparte divina dele, o Filho, pedindo: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

E, completando para o Tríplice Corpo, há a prece para que consigamos controlar o nosso Corpo de Desejos aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Humano elevando a contraparte divina dele, o Espírito Santo, pedindo: “Não nos deixeis cair em tentação”. E isso o fazemos aqui, porque já compreendemos que o desejo é o nosso grande tentador, mas também é o nossos grande incentivo para a ação. E estamos conscientes de que os nossos desejos são bons quando eles cumprem os nossos (Ego) propósitos, mas quando nossos desejos se inclinam para algo degradante (mormente para o egoísmo ou para algo contra as Leis de Deus), certamente devemos rogar para não cair nessas tentações.

E, como a Mente é um veículo (não um Corpo) e que é nossa função trabalhar para transformá-la em um Corpo Mental (a fim de usá-las realmente para criar e não para copiar ou ser escrava do desejo), pedimos ao Pai, Filho e Espírito Santo por ela, por meio da súplica “Livrai-nos do mal”.

E por que para a Mente? Porque ela é o veículo que nos permite ligarmos os nossos três veículos superiores espirituais – pelos quais expressamos a nossa Individualidade – aos três Corpos – pelos quais expressamos a cada renascimento uma Personalidade diferente. É por meio da Mente que conseguimos não seguir os seus desejos sem nenhuma restrição. E só por meio dela é que conseguimos ter a faculdade de discernimento do bem e do mal.

Só a título de observação, a parte introdutória bem conhecida: “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. Também, a parte final que às vezes é proferida, qual seja: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi fornecida por Cristo. No entanto, pode ser bem considerada como apropriada como a nossa adoração final, como um Tríplice Espírito, por reafirmar a diretriz correta para a Divindade. 

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Oração: Um Lugar Reservado para Orar

Todo lar deve ter um lugar para orar que pode ser também o lugar para oficiar os Rituais dos Serviços Devocionais da Fraternidade Rosacruz. Houve um tempo, nas gerações anteriores, em que isso era um costume na maioria dos lares. Mas hoje, em quantos lares existe tal lugar reservado? Max Heindel enfatiza fortemente a importância de certos pré-requisitos para a construção de tal lugar, e sabiamente explica as leis operacionais para que possamos seguir com entendimento as regras que ele estabelece.

Primeiro, ele recomenda que o Estudante Rosacruz garanta um lugar constante para orar e oficiar os Rituais, pois cria-se em torno dele a egrégora. Agora, é claro, isso não significa que aqueles que precisam se deslocar de um lugar para outro devam suspirar e dizer: “Isso, então, não é para mim”. Ocorre apenas que nossas meditações repetitivas constroem o que tem sido tão apropriadamente chamado de “vibrações superlativamente espirituais”. Portanto, a cada mudança, o Estudante Rosacruz deve começar novamente a lançar as bases vibratórias, em vez de ser capaz de construir sobre aquelas já lançadas.

Em algum lugar, então, na residência em que moramos, deve haver um espaço reservado para tal. Um canto de um cômodo. Ou talvez tenhamos a sorte de ter um cômodo pequeno que não mais seja necessário. Seja ele pequeno ou grande, deve ser um lugar reservado.

Vamos a um exemplo: um pequeno canto de um cômodo de pouca circulação, protegido por duas paredes e uma lateral de uma cômoda. Portanto, fica bem escondido de qualquer um que entre no cômodo. Uma mesa neste canto pode ajudar. No centro, de preferência no lado oeste e ao fundo, está o Símbolo Rosacruz emoldurado que fica encoberto (só é descoberto quando se oficia um Ritual do Serviço Devocional – desde a Saudação Rosacruz até o fim da leitura da Oração Rosacruz). Diretamente à sua frente está a Bíblia sempre aberta no início do Evangelho Segundo S. João.

Quando estamos em casa e nossos deveres nos mantêm próximos a esse ambiente, somos lembrados do que ele representa. Em outros dias, quando estamos em outros lugares, se pararmos por um instante, vem à mente a “imagem” daquele ambiente próprio para a oração e ofício dos Rituais e seu significado, e por mais um instante nossas Mentes estão voltados àquele simbolismo. Podemos orar, em qualquer lugar, a qualquer hora, pois Deus está em todas as Suas criações, mas ter um ambiente reservado, em torno do qual nossas orações constroem um templo suprafísico de Amor e Aspiração, é da maior importância para o Estudante Rosacruz que busca diariamente essa comunhão divina com Deus, nosso Criador.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1947 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

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