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PorFraternidade Rosacruz de Campinas

A Personalidade e a Individualidade segundo os Ensinamentos Rosacruzes

Não há outro inimigo, senão nós mesmos. Enquanto houver dentro de nós um resquício sequer de Personalidade, haverá separação.

Na Fraternidade Rosacruz, distinguimos nitidamente entre Personalidade e Individualidade. Personalidade é a “persona”, o conjunto enganoso, provisório e em constante mudança formado pelas nossas sensações, emoções, sentimentos e modo de pensar. São os laços de sangue, as tradições, os elos do mundo, essas coisas mais fortes que algemas de aço, tudo a que o Cristo simbolicamente chamava de “o reino dos mortos”. O mundo, a família, os bens, tudo isso é meio de aprendizagem indispensável ao espírito, no presente estado evolutivo. Contudo, há o perigo de nos identificarmos com eles, de pensar que nos pertencem ou que lhes pertencemos, olvidando nossa origem celestial, nossa condição de espírito livre, em peregrinação e aprendizagem.

Aquele que quiser ser meu discípulo, deve abandonar pai, mãe, irmãos, amigos, tudo”, disse o Cristo. Com isso não quis significar que devamos desleixar nossos deveres de pais, filhos, irmãos ou amigos Cristãos. Ao contrário, o verdadeiro Cristão é um excelente marido, esposa, pai, mãe, irmão, amigo, porque dá à sua afeição e trabalho o mais puro pensamento, sentimento e esforço. Dá e não espera receber; ama e não espera ser amado; compreende e não espera ser compreendido. As ingratidões não lhe suscitam ressentimentos, mas o cuidado de verificar se não contribuiu para isso. O verdadeiro Cristão busca a amorosa tentativa de reconciliação; ora e espera pela pessoa que é teimosa e rancorosa.

Ser Cristão é exemplificar AMOR, em seu sentido lato. É deixar que o Cristo, em si, fale, viva, ame.

Individualidade é a expressão do EU real (o que somos de fato, Espírito), verdadeiro e superior, comandando os pares físicos, morais e mentais como instrumentos de ação.

A Personalidade é a expressão do ser humano, de baixo para cima, o “homem invertido”, os valores instintivos, colorindo desordenadamente seu modo de ser; é o amordaçamento do espírito e seu condicionamento às conveniências instintivas. Um pentagrama com a ponta superior para baixo…

A Individualidade não prescinde da bagagem de experiências anímicas; ao contrário, vale-se dela de um modo próprio, original, epigenético, criador. Porém, nós, o Espírito, é quem mandamos e orientamos. Como disse São Paulo: “Não sou mais eu quem vive, mas o Cristo em mim”; e o próprio Cristo-Jesus: “Eu e o Pai somos um”.

É certo que essa condição vamos atingindo gradativamente, em uma luta constante entre a natureza inferior e a superior, entre as trevas e a luz dentro de nós. Por isso, a lenda dos Maniqueus, referindo-se internamente ao ser humano e ao mundo, fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz. Estes acabam vencendo aqueles; entretanto, sendo bons, não podem exterminá-los. Incorporam, pois, o reino das trevas ao da Luz; ou seja, efetuam a transmutação dos valores inferiores em valores espirituais. Os alquimistas medievais faziam o mesmo, quando falavam sobre transformar os metais inferiores em ouro. Também entre os manuscritos encontrados no soterrado mosteiro dos Essênios, Qumran, às margens do Mar Morto, há um que fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz.

Goethe, o grande Iniciado e autor de “Fausto”, falou, pela boca de um de seus personagens: “Duas almas — ai! — lutam dentro do meu peito pela posse de um reino indivisível; uma buscando alçar-se aos Céus em ilibados anseios, enquanto a outra se agarra à Terra, em passionais desejos”. São Paulo, o apóstolo, igualmente dizia: “Pobre homem sou! O bem que desejaria fazer, não faço; o mal que não desejaria fazer, esse eu faço”.

Tudo isso mostra, de sobejo, o que todas as Escolas (como a Fraternidade Rosacruz) e Ordens ocultistas (como a Ordem Rosacruz) ensinam.

Todo Aspirante sincero à espiritualidade “ora e vigia”, sobretudo quando se acha à frente de um movimento espiritualista e deve viver o que ensina. Ao mesmo tempo, o claro entendimento dessa luta dentro de cada um de nós nos torna rigorosos conosco e tolerantes com os demais, de modo a unir e não desunir, a estimular e não censurar; enfim, “a buscar a divina essência que existe em cada um”, o que constitui a base da Fraternidade que almejamos formar, como precursores da “Era de Aquário”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1965)

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

Essênios – Os Precursores de Cristo

Essênios – Os Precursores de Cristo

Com o recente descobrimento desses antigos documentos palestinos, que hoje conhecemos com o nome de Pergaminhos do Mar Morto, importantes fatos relacionados com o advento do Cristianismo surgiram, chamando a atenção não somente dos eruditos e estudantes bíblicos como de todo o povo e ser humano que lê e pensa, sem preconceitos, livremente. O interesse geral que hoje notamos sobre o conteúdo de tais pergaminhos mostra que esse descobrimento tem especial significação.

Os pergaminhos são restos de uma biblioteca pertencente aos Essênios, comunidade religiosa de antes e ao tempo de Cristo, espalhada por diversos pontos do mundo daquela época e que fundou uma colônia nas colinas da Judeia perto do Mar Morto, numa data não especificada do segundo século antes de Cristo. Nesse lugar, chamado Qumran, um pastor beduíno, procurando uma cabra perdida, entrou numa gruta e encontrou uns jarros de cerâmica que encerravam o maior achado documental de toda história. Isto aconteceu em 1947. Desde então, despertados para o assunto, representantes católicos e protestantes bem como estudiosos cientistas empreenderam no local e nas proximidades contínuas explorações, encontrando tesouros após tesouros nesse campo, ascendendo hoje a centenas de manuscritos. A maioria deles são simples fragmentos, porém, de grande importância, posto que compreendem partes de quase todos os livros do Antigo Testamento, bem como dos livros apócrifos, além de Hinos e escritos acerca dos Essênios, essa Ordem Devota, já estudada por Max Heindel quando escreveu o “Conceito Rosacruz do Cosmos” em 1909, e não mencionada no Novo Testamento. Muitos desses manuscritos bíblicos são anteriores em mais de mil anos ao tradicional texto hebraico que constituiu o fundamento de nossa bíblia.

Existem nove grutas perto do antigo centro Essênio; nestas se encontravam os inapreciáveis manuscritos, alguns de pele, outros de papiro e outros ainda de cobre. A primeira gruta encerrava o grande rolo de Isaías, que é quase uma versão fiel do texto atual, contido na bíblia. Os eruditos apontaram ligeiras variantes desse pergaminho, em confronto com o texto atual, das quais, apenas algumas merecem importância maior. Essas divergências mais importantes já foram incorporadas na Versão Standard Revisada (inglesa). Segundo os estudiosos, o maior proveito que se tirou do pergaminho de Isaías foi a eliminação da barreira para o conhecimento do texto hebreu arcaico, conhecimento que até agora não havia sido conquistado. Essa primeira gruta continha também um Comentário sobre o livro de Habacuque, que era desconhecido, e o Manual de Disciplina Essênio, como foi chamado. Muito do material encontrado já foi traduzido e publicado em diversas línguas, inclusive em português. A Universidade Hebraica de Jerusalém foi a primeira a proceder a versão dos artigos principais, além do pergaminho segundo de Isaías, um saltério da Ordem e uma relação essênia da Guerra dos Filhos da Luz.

O seguinte descobrimento importante foi o da quarta gruta, onde acharam mais de trezentos manuscritos. A diferença era a de conservação: os documentos da primeira gruta estavam encerrados em jarras fechadas e seladas, portanto, conservados, ao passo que o da quarta estavam sem nenhuma proteção contra os elementos e, assim, em condições fragmentárias. Deduzimos daí que foram deixados às pressas por ocasião da invasão romana levada a efeito no ano 67 D.C. em que destruíram Qumran. As explorações continuam. Cada ano traz algo de novo aos descobrimentos. A tarefa de decifrar, traduzir, cotejar e interpretar o material é uma obra que absorverá a atenção dos eruditos por muitos anos mais.

ESTUDOS DOS PERGAMINHOS

A primeira apresentação geral do assunto foi feita por Edmund Wilson, num extenso artigo publicado no THE NEW YORKER, número de maio de 1955. Desde então foram publicados centenas de artigos em jornais e revistas religiosos, populares e científicos. Já em 1952 havia sido publicado um livro de cem páginas, sob o título “Os pergaminhos do Mar Morto” por A. Dupont-Sommer, professor de línguas semíticas da Universidade Sourbonne de Paris. Era um estudo preliminar. A Universidade de Oxford está preparando uma série de volumes sobre o assunto.

Para os esoteristas, principalmente os cristão-esotéricos, que são os estudantes rosacruzes, a literatura dos Essênios é de enorme interesse por mais de uma razão. Os Essênios foram os esoteristas de seu tempo e se achavam entre os principais depositários dos Ensinamentos dos Mistérios da Antiguidade. Possuíam literatura a que tinham acesso apenas “os discretos”. Eram o degrau entre a Antiga e a Nova Dispensação, constituídos pelo Alto para serem os precursores de Cristo e os iluminados heraldos de um novo evangelho. É um descobrimento estremecedor que projeta sobre essa santa Ordem uma luz mais clara do que a que a iluminava nos dias da comunidade cristã primitiva.

AS TRÊS SEITAS DO JUDAISMO

Os Essênios, os Fariseus e os Saduceus foram as três principais seitas que existiam dentro do Judaísmo, ao tempo de Cristo. Os Essênios foram, segundo palavras da sra. Blavatsky, “os religionários da nova fé”. Constituíam uma sociedade estreitamente esotérica. A ela pertenceram João Batista, seus pais Zacharias e Izabel, Jesus, Maria e José, Ananias que em Damasco iniciou São Paulo etc.

Os Saduceus eram a classe sacerdotal que havia perdido a luz interior com sua absorção nos interesses materiais.

Não acreditavam em Anjos nem na imortalidade da alma. Por isso são considerados os materialistas religiosos de sua época.

Os Fariseus eram constituídos pelos escribas e os Doutores e intérpretes da lei. Consideravam tão rigorosamente a letra, o texto, que perdiam de vista o espirito dela. Em outras palavras, eram os tradicionalistas.
Desse modo, nem os Saduceus, nem os Fariseus estavam capacitados a ler corretamente os sinais dos tempos.

Ambos conheciam a lei e os profetas, ensinavam a vinda de um redentor ao mundo. Não obstante, eram incapazes de perceber a preparação efetiva dos Essênios para recebê-Lo. Carecendo de percepção espiritual, não apenas não reconheceram o Messias como se tornaram Seus inimigos. Que trágica incoerência! Os líderes oficiais de Israel (cujo destino nacional e racial era preparar um veículo físico para a pessoa de Jesus de Nazaré na Divina Encarnação e estabelecer um ambiente adequado e uma atmosfera social propícia à Sua manifestação e ministério) não conheceram sua missão!

Mas o plano de salvação não podia ser frustrado pelo fracasso desses seres, embora devessem eles estar à frente do cumprimento dessa preparação. Mas, para contrabalançar, atrás dessa cena pública encontravam-se em recolhimento os Essênios, aquelas almas que não haviam perdido a iluminação interna e se conservavam fiéis à Sabedoria dos Mistérios. Eles se haviam consagrado, como discípulos espirituais, a preparar os passos do Senhor.

Com esse fim, visando a evitar a contaminação do mundo, reuniram-se em cidades pequenas e, das grandes cidades afastavam-se para o deserto, constituindo comunidades fechadas, inteiramente dedicadas ao cultivo da vida espiritual. Não era um retiro egoísta com finalidade de fugir das responsabilidades que deviam ter perante a comunidade nacional. Ao contrário; era genuína e profundamente altruísta, pois tinham perfeita visão das condições e sofrimentos do mundo e se incumbiam do nobre duro mister de criar as condições etéricas necessárias para a vinda do Messias que devia ser o Salvador do mundo. Foi um movimento sacrificial que implicava a observância de severas disciplinas e preces; uma forma ascética de vida e um ostracismo virtual do mundo convencional que os cercava. Eles eram diferentes, demasiado diferentes para livremente misturar-se com a multidão e seguir suas normas de vida.

Os Essênios chamavam a si mesmos de Novo Israel e se consideram o povo do novo testamento. Chegara o tempo em que a Antiga Dispensação deveria ceder lugar à Nova. Os Essênios estavam preparados para essa transição e prepará-la foi sua missão.

Nesse tempo, o Judaísmo oficial, como dissemos, estava nas mãos dos tradicionalistas e de sacerdotes egoístas.

Os saduceus (termo que significa os filhos de Sadoc) eram a Casta Sacerdotal. Sadoc foi o passado da classe sacerdotal judaica e o primeiro a servir no Templo de Salomão. Mas os Saduceus já não eram fiéis a este prestígio e à confiança que neles depositavam, pois os interesses egoístas competiam com o serviço sacerdotal. Permitiam que os traficantes negociassem em santos lugares, sacrilégios que mais tarde moveu Cristo a expulsar do Templo os cambistas de moedas. Mas a vocação sacerdotal não devia ser abandonada. Devia, isso sim, ser restaurada em seu legítimo lugar de honra e dignamente conservada para presidir no altar do Senhor. Os requisitos para tal serviço deveriam advir, não da herança física, mas da aptidão espiritual que os Essênios buscavam cumprir. Daí os Essênios reclamarem para si o nome de Filhos de Sadoc, não em virtude de sua ascendência, senão em decorrência de sua linhagem espiritual.

Em conexão com este fato, Flávio Josefo, o famoso historiador judeu do primeiro século de nossa era, afirmou que na comunidade dos Essênios a vida estava baseada, não nos laços de sangue, mas no zelo da virtude e no amor à humanidade. Isto os situa definidamente na Nova Dispensação. Foram cristãos, antes da vinda de Cristo.

SUPERAÇÃO DOS LAÇOS DE SANGUE

O laço de sangue era a base da comunidade judaica na Antiga Dispensação. As unidades sociais eram determinadas pelas relações físicas. Com exceção dos Essênios, os hebreus anteriores à vinda de Cristo, e ainda os judeus de hoje, estavam ligados em virtude de sua descendência comum do Pai Abraão. Cristo veio para romper esse laço de sangue e substitui-lo pela união espiritual. A isto se referia Cristo quando disse aos judeus que se orgulhavam de ser os eleitos, por serem filhos de Abraão: “Antes de Abraão fosse, eu era”. Com essa afirmação estava atribuindo a seus ouvintes uma herança maior, a herança de Deus, o Pai. Essa herança, comum a toda a humanidade, torna todos os seres humanos irmãos. Os Essênios não haviam aceitado este fato de modo puramente intelectual: eles o viviam. Suas ações não eram motivadas pelos impulsos hereditários que emanavam do sangue, senão que brotavam do centro espiritual de seu Ser. Eles haviam alcançado a união com o Cristo interno e por ele, a ligação com o Cristo Cósmico, antes mesmo de sua encarnação, pondo sua vida em consonância com a d’Ele. Haviam, assim, transcendido o pensamento racial separatista e chegado a ser verdadeiramente universalistas.

O destino de toda humanidade é alcançar algum dia a libertação dos restritivos laços raciais e alcançar a viva realização da unidade do gênero humano, como conseguiram entre si os Essênios. A essência da missão de Cristo é precisamente a de ajudar a humanidade a alcançar esse estado. Mas Sua ajuda não foi dada de uma vez por todas, durante os três anos de Seu ministério por Jesus; Seu ministério continua dos mundos internos irradiando à nossa esfera humana, impulsos espirituais que fortalecem a vida egóica do ser humano, despertando-lhe o reconhecimento de seu Eu espiritual e fazendo-o compreender seu imortal destino como filho de Deus.

Que os Essênios haviam tido contato consciente com o Cristo Cósmico, para cuja iminente encarnação estavam fazendo os mais cuidadosos preparativos, está evidenciado nos pergaminhos que deixaram, que em muitos pontos mantêm inequívoca similitude com os Evangelhos, deixando entrever sua associação com Cristo-Jesus. Por exemplo, o Manual de Disciplina, um dos mais importantes dos recém-descobertos manuscritos essênios, contém uma afirmação quase idêntica à usada por São João, ao inicio de seu Evangelho: “E por Seu conhecimento, tudo se fez. E tudo o que é, foi estabelecido por seu propósito e fora d’Ele nada se faz”. A versão de João dessa sublime verdade, tão familiar a nós, estudantes rosacruzes, reza: “Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele e sem ele nada do que tem sido feito se fez”. Tão profundas afirmações só podiam ter surgido da consciência de um Iniciado. João a possuía, conforme o expressa no Evangelho. Antes de João, os Essênios a possuíam, conforme ficou evidenciado em seus escritos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 03/1962)

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

A Origem do Cristianismo Esotérico: Essênios, Iniciações e Christian Rosenkreuz

A Origem do Cristianismo Esotérico: Essênios, Iniciações e Christian Rosenkreuz

Encontramos suas raízes entre a devota ordem dos Essênios, ao tempo de Cristo. Não são mencionados nos Evangelhos porque foram precisamente eles que dirigiram sua redação. Os manuscritos do Mar Morto, descobertos desde 1947, em aparente acaso, às margens do Mar do mesmo nome, nas cercanias do soterrado Mosteiro de Qumran, mostram inequívoca relação daquela Ordem com os Evangelhos, principalmente com o de São João Evangelista e as cartas de São Paulo. Efetivamente, José e Maria, pais de Jesus; Zacharias e Izabel, pais de João Batista; Jesus, João Batista e os seguidores de ambos, todos foram Essênios

Lázaro, Iniciado por Cristo na simbólica passagem de sua ressurreição, renasceu depois como Christian Rosenkreuz, fundador da Ordem Rosacruz. Jesus foi educado pelos Essênios e com eles privou no período omitido pelos Evangelhos, dos onze aos vinte e nove anos, preparando-se em Qumran e posteriormente na Pérsia (onde havia a mais completa biblioteca daqueles tempos), para a missão transcendental de sua União a Cristo, no batismo do Jordão. As passagens principais da vida de Jesus Cristo são “passos” Iniciático do desenvolvimento de cada Aspirante à vida superior. Com esse fim os Evangelhos foram escritos: como fórmulas de Iniciação, sob a singela aparência de narrativa a respeito da vida de Jesus Cristo.

Essas nove Iniciações, pela ordem, são: Batismo, Tentação, Transfiguração, Última Ceia, Lavapés, Getsemani, Estigmatização, Crucificação e Ressurreição.

Assim a Fraternidade Rosacruz visa a uma grandiosa finalidade e encaminha os Aspirantes vencedores a ilimitado desenvolvimento posterior para serviço do mundo. Não constitui uma confissão religiosa, no sentido comum do termo, porque não é dogmática; todavia no mais lato sentido, é uma escola de religiosidade, que oferece os mais eficientes meios de religar o ser humano a Deus, através de Seu Filho, o Verdadeiro Caminho.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/79 – Fraternidade Rosacruz –SP)

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Pergaminhos do Mar Morto

Os Pergaminhos do Mar Morto

O Cristianismo, tal qual todas as religiões, tem dupla natureza interna, oculta, esotérica, verdadeiro repositório de ensinamentos profundos, e uma exterior, exotérica, superficial, formal, contendo princípios cuja finalidade é manter a união do agrupamento e coibir, as mais das vezes, coercitivamente, os arroubos da natureza inferior.

Ao arcabouço esotérico de uma religião só tem acesso seus membros mais avançados, aqueles já iluminados pela pureza e desinteresse. Os menos evoluídos se satisfazem em gravitar em torno de cerimoniais – que raramente entendem – e aspectos exteriores de culto. Assim, permanecem atados a letra que mata e não ao espírito que vivifica, até capacitarem-se a dar um passo maior. São Paulo, Apóstolo, dava “leite as criancinhas” e “alimento sólido” aos fortes na fé.

Cristo se dirigiu as multidões por meio de parábolas, mas aos Discípulos revelava o conteúdo transcendental de Sua Doutrina.

Por suposto, o Cristianismo Esotérico contém a essência dos ensinamentos do Mestre, princípios esses encontráveis nas entrelinhas dos Evangelhos, por quem possui a “chave” para tal.

Tanto as traduções do Antigo como do Novo Testamento, sofreram interpolações e modificações, involuntária ou propositadamente, por parte de copistas e tradutores. Encontramos referências a isso no Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel, e na Patrologia Grega, de Orígenes . Não é difícil imaginar como houve confusões e distorções.

Os Rosacruzes, porém, mercê de suas investigações na Memória da Natureza, oferecem o sentido real dos ensinamentos bíblicos.

Em 1947, ocorreu um fato muito auspicioso: foram descobertos oito rolos de pergaminhos numa gruta localizada nas proximidades do mosteiro de Qunram, as margens do Mar Morto. Sete desses documentos foram decifrados e estudados, revelando importantes informes a respeito do Cristianismo, confirmando muita coisa ensinada pela Fraternidade Rosacruz.

Sabe-se que foram elaborados pelos Essênios. Estes, constituíam uma terceira seita entre os judeus. As outras duas eram os saduceus e os fariseus.

A comunidade essênia, todavia, era bem diferente. Formada de pessoas mais devotas e espiritualizadas, vivia uma vida de pureza e serviço, em contraste com as outras. Sabe-se, também, que vários apóstolos e alguns personagens destacados dos Evangelhos, pertenceram a essa seita.

Agora, outra informação: o oitavo e último rolo de pergaminho foi, finalmente, decifrado e estudado, conforme notícia abaixo transcrita, publicada no jornal Folha de São Paulo, edição de 25 de fevereiro de 1979.

“BERKELEY, CALIFORNIA, (UPI)”
– Os últimos e mais completos pergaminhos do Mar Morto foram finalmente publicados e fizeram revelações novas e importantes a respeito da origem da doutrina cristã sobre o sexo, o casamento e o divórcio, disse o professor Jacob Milgrom, da Universidade da Califórnia.

Denominado “Pergaminho do Templo” por se referir em grande parte à reconstrução do templo de Jerusalém, o documento recentemente publicado, contém um código de comportamento ético que proíbe o divórcio e a poligamia. É também a favor do celibato, pais proíbe o uso do sexo dentro dos muros de Jerusalém.

O novo rolo de pergaminhos e o último dos oito documentos muito bem preservados encontrados por um jovem beduíno em uma caverna perto do Mar Morto, em 1947. Sete outros rolos de pergaminhos já foram decifrados e estudados durante a década de 50, mas o “Pergaminho do Templo” só foi descoberto quando Israel ocupou os territórios árabes, na guerra dos seis dias, em 1967.

O pergaminho foi encontrado em uma caixa de sapato escondida debaixo do assoalho de uma loja árabe, cujo proprietário tinha sido envolvido na compra de documentos antigos.

Nos últimos dez anos o pergaminho foi cuidadosamente desenrolado e decifrado por Yigael Yadin, professor universitário e atualmente vice primeiro ministro de Israel.

Trata-se do mais longo rolo de pergaminho até hoje encontrado, com 19 páginas e 8,53 metros de extensão. O professor Milgrom foi o assistente de Yadin na obra de restauração do documento.

“Em minha opinião, este é provavelmente o pergaminho mais importante”, disse Milgrom numa entrevista. “Antes de mais nada, neste pergaminho Deus fala na primeira pessoa. Isso quer dizer que se trata de revelação. É sua palavra autorizada”.

Milgrom disse que o “Pergaminho do Templo” “vem lançar nova luz sobre as origens de muitas doutrinas cristãs”.
O documento diz, por exemplo, que todos os que “aspirarem viver à sombra do templo, em permanente estado de santidade, devem viver uma vida de solteiro”. Proíbe também a prática de relações sexuais em qualquer parte dentro da cidade de Jerusalém.

Os rigorosos mandamentos de pureza em torno do templo e dos sacrifícios excluem a satisfação de necessidades higiênicas dentro de Jerusalém e até mesmo a defecação em qualquer lugar durante sábado judaico. Proíbe, também “ao rei mais de uma mulher e diz que ele não se deve casar novamente, enquanto sua mulher estiver viva”, disse Milgrom. “As implicações são evidentes. O divórcio é proibido”.

Pela primeira vez, vemos que as opiniões sobre o matrimônio e o divórcio expressas dentro de certas tendências nos Evangelhos do Novo Testamento, podem traçar sua origem nos ensinamentos desta seita, anterior a época de Jesus Cristo pelo menos um século e meio”. Milgrom observou que o divórcio e poligamia não eram proibidos no Antigo Testamento.

Os pergaminhos foram encontrados perto da comunidade de Qunram, que floresceu desde mais ou menos a metade do século segundo antes de Cristo até, a época da Invasão Romana, no ano 67 de nossa era. Essa comunidade era formada “por uma seita marginal dentro do judaísmo”.

Os dissidentes da seita se refugiaram nas cavernas do Mar Morto para escapar a “poluição” que afetava Jerusalém por causa dos líderes fariseus, disse Milgrom.

O pergaminho do templo não apenas traça os planos para a reconstrução do templo de Jerusalém, quando a seita voltasse ao poder, após uma guerra catastrófica, mas “prescreve leis totalmente novas e dá interpretações também novas sobre as leis antigas”.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/79 – fraternidade Rosacruz – SP)

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