O conhecimento aplicado é a salvação para a ignorância. Até mesmo os mais sábios entre nós têm muito a aprender e ninguém, até agora, alcançou a perfeição; tampouco é possível alcançá-la em uma única e curta vida. Observamos em toda a Natureza que o desenvolvimento lento e persistente conduz a um grau mais elevado de evolução em tudo. Quanto mais conhecemos os métodos de funcionamento da Natureza, símbolo visível do Deus invisível, mais aptos nos tornamos a aproveitar as oportunidades que ela oferece para o crescimento e o poder — para a emancipação da servidão e a elevação ao autodomínio. Esse processo é a Evolução.
No início da nossa evolução, consistíamos apenas de Espírito e Corpo; não possuíamos Alma. Mas, desde então, cada vida vivida na Terra, nessa Escola da Experiência, tornamo-nos cada vez mais dotados de Alma, de acordo com o uso que fizemos das oportunidades e lições que delas aprendemos. Isso se manifesta nas diferentes gradações entre o “selvagem” e o “santo”, que vemos ao nosso redor. Todas as Raças são produtos da evolução, cujo único objetivo é a perfeição definitiva. A expressão mais elevada em uma vida se torna a expressão mais inferior na vida seguinte e assim subimos gradualmente a escada da evolução em direção à Divindade. A Humanidade, como um todo, avança lentamente por esse caminho e, desse modo, alcança gradualmente estados mais elevados de consciência.
Uma das principais características da evolução reside no fato de que ela se manifesta em períodos alternados de atividade e repouso. O verão ativo é seguido pelo descanso e pela inatividade do inverno e cada estação avança um pouco mais ao longo do caminho do tempo. O dia agitado alterna-se com a tranquilidade da noite. O refluxo do oceano é sucedido pela maré cheia e assim por diante.
Assim como todas as outras coisas se movem em ciclos, a vida que se expressa aqui na Terra por alguns anos não deve ser considerada encerrada quando chega a morte do Corpo Denso. Isso está infinitamente distante do nosso fim. Nós – Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui – somos imortais e os nossos Corpos Densos são os instrumentos que utilizamos durante a vida terrena para nos auxiliar em nossa evolução. Podemos estar certos de que, em qualquer posição da vida em que sejamos colocados — monarca ou mendigo, rico ou pobre, homem ou mulher — ela contém as lições e experiências necessárias naquele momento para a nossa evolução e nos oferece a melhor oportunidade possível para o nosso desenvolvimento. Tão certo quanto o Sol nasce pela manhã após se deitar à noite, a vida que foi encerrada pela morte de um Corpo Denso perecível será retomada em novo veículo, em ambiente diferente.
A evolução é a história da nossa – o Ego – progressão no tempo. Em toda parte, no Céu e na Terra, todas as coisas avançam — para cima, eternamente — e, ao observarmos os variados fenômenos do Universo, percebemos que o Caminho de Evolução é uma espiral. Cada volta da espiral é um ciclo. Cada ciclo se funde com o seguinte e, como as voltas da espiral são contínuas, cada sucessão é o produto aperfeiçoado das que a precederam e a criadora de estados mais avançados que ainda estão por vir.
Mas o Caminho de Evolução é uma espiral quando o consideramos apenas do ponto de vista físico. O Caminho de Evolução é uma lemniscata, uma figura em forma de oito, quando visto em suas fases física e espiritual. Os dois lados desse símbolo convergem em um ponto central e representam nós, Espírito imortal, o Ego em evolução. Um dos círculos representa nossa vida no Mundo Físico, do nascimento à morte. Durante esse período, plantamos sementes por meio de cada ato e devemos colher certa quantidade de experiência, o que acontecerá se as lições forem extraídas das oportunidades; ao final da vida terrena, o Ego se encontrará à porta da morte carregado dos mais ricos frutos da vida terrestre.
A outra seção da lemniscata simboliza a nossa – Ego – permanência nos Mundos invisíveis, que percorremos durante o período entre a morte e o renascimento. No momento em que chegamos ao ponto central da lemniscata, que divide os Mundo Físico dos Mundos invisíveis, trazemos conosco um conjunto de faculdades ou talentos adquiridos em todas as nossas vidas anteriores, os quais podemos usar ou enterrar durante a nossa próxima experiência de vida, conforme julgarmos adequado; porém, da maneira como utilizamos essas faculdades adquiridas depende a quantidade de crescimento de alma que colheremos em nossa próxima vida. Já vivemos uma existência semelhante – não igual! – ao mineral, vegetal e outra semelhante ao animal antes de nos tornarmos seres humanos; além de nós ainda existem evoluções posteriores nas quais nos aproximaremos cada vez mais do Divino.
Avançamos somente por meio do sacrifício. Poucos percebem que, ao subirmos na escala da evolução, pisamos sobre os Corpos Densos de nossos irmãos mais fracos. Consciente ou inconscientemente, nós os esmagamos e utilizamos para alcançar nossos próprios fins. Esse fato se aplica a todos os Reinos da Natureza. Quando uma Onda de Vida é levada ao ponto mais baixo da Involução e se incrusta na forma mineral, ela é imediatamente capturada por outra Onda de Vida, ligeiramente mais elevada, que toma o cristal mineral em desintegração, adapta às suas próprias necessidades como cristaloide e assimila como parte de uma forma vegetal.
Na Iniciação do Cristão Místico, quando Cristo lavou os pés de Seus discípulos na noite da Última Ceia, é dada a explicação de que, se os minerais não se decompusessem e não se oferecessem como envoltórios para o Reino vegetal, não teríamos vegetação; do mesmo modo, se o alimento vegetal não fornecesse sustento aos animais, os seres do Reino animal não poderiam encontrar expressão; assim, — o superior, em consciência, sempre se alimentando do inferior. Quando o Mestre lavou os pés de Seus discípulos, simbolicamente, Ele realizou para os discípulos aquele serviço humilde em reconhecimento do fato de que eles Lhe haviam servido como degraus para algo mais elevado.
O mesmo princípio se aplica a toda evolução espiritual, porque se não houvesse alunos situados nos degraus mais baixos da escada do conhecimento, necessitando de instrução, não haveria necessidade de um Mestre. Porém aqui existe uma diferença de suma importância. O Mestre cresce ao dar a seus alunos e servi-los, assim como todos, independentemente da posição na vida, crescem por meio do serviço. A partir dos ombros dos alunos, o Mestre sobe a um degrau mais alto da escada do conhecimento e, por isso, deve a eles a sua gratidão, que é simbolicamente reconhecida e quitada pelo lavar dos pés — um ato de serviço humilde àqueles que O serviram.
Sob a orientação benéfica das Hierarquias Criadoras, progredimos constantemente de vida em vida, sob condições exatamente adequadas a cada indivíduo, até que, com o tempo, alcancemos uma evolução superior e nos tornemos “super-homens”. O Cristão Ocultista acredita que o propósito da evolução é o nosso desenvolvimento desde um Deus estático a um Deus dinâmico — um Criador. Para que ele se torne um Criador independente e original, é necessário que sua formação inclua liberdade suficiente para o exercício da originalidade individual que distingue a criação da imitação.
Enquanto algumas características da forma antiga atendem às exigências do progresso, elas são mantidas; contudo, a cada renascimento a vida em evolução acrescenta os aprimoramentos originais e necessários à sua expressão futura. Pelo caminho ficaram atrasados que não conseguiram atingir o padrão exigido para acompanhar a crista da onda da evolução. No progresso evolutivo não existe ponto de estagnação. Progresso ou retrocesso é a lei e a forma que não é capaz de se aprimorar deve degenerar.
O impulso evolutivo atua para alcançar a perfeição definitiva de todos. É, portanto, razoável supor que as Hierarquias Criadoras, que estão encarregadas da nossa evolução, utilizem todos os meios disponíveis para conduzir em segurança o maior número possível dos seres vivos sob a responsabilidade d’Elas. Toda vibração no Universo é vida que surgiu do único Deus. Assim, todos somos um, embora haja alguns que estejam constantemente lutando para ficar para trás.
Durante o atual estágio de individualismo, que é o clímax da nossa ilusória separatividade, toda a Humanidade necessita de ajuda adicional; no entanto, para os atrasados deve ser provida alguma assistência extra e especial. Dar essa ajuda especial foi a missão de Cristo. Ele disse que veio buscar e salvar o que estava perdido. Ele abriu o caminho da Iniciação para todos que estão dispostos a buscá-Lo.
A evolução depende do crescimento da alma, da transmutação dos Corpos em Almas, o que deve ser realizado pelos nossos – o Ego – esforços individuais; no final da evolução, possuiremos Poder Anímico, como fruto de nossa peregrinação através da matéria. Seremos uma Inteligência Criadora.
Se preenchermos o lugar que nos foi designado da melhor maneira possível ao longo de toda a nossa vida, certamente alcançaremos progresso em uma vida futura. Veremos com mais clareza através do véu do egoísmo, quando vivermos de boa vontade a vida na qual fomos depositados, pois os Anjos do Destino não cometem erros nunca! Eles nos colocaram no lugar onde temos as lições necessárias para nos preparar para uma esfera maior de utilidade.
Se tivermos dentro de nós um amor suficiente por tudo, não poderemos causar dano algum, porque esse amor contém nossa mão em qualquer ação e nossa Mente em qualquer pensamento que possa ferir o outro. Ainda não alcançamos esse estágio avançado de consciência. Se tivéssemos alcançado, não haveria necessidade de existência aqui; porém todos nós estamos buscando isso e avançando na direção desse estado de gloriosa perfeição. É surpreendente quão rapidamente podemos progredir nesses caminhos, se formos verdadeiramente sérios em nossos esforços, confiando não apenas em nossa pobre Personalidade, mas tendo fé em Cristo e confiando que, pelo Seu exemplo e Seus ensinamentos, podemos nos capacitar a nos unirmos a nossa Divindade interior, nascendo e alimentando o Cristo Interno.
A evolução depende da dissolução dos Corpos e da amalgamação alquímica da Alma com o Espírito. A Alma é a quintessência, o poder ou a força do Corpo; quando um Corpo é levado à perfeição por meio dos diversos estágios, a Alma é plenamente extraída dele e absorvida por um dos três aspectos do Espírito (nossos veículos Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino), que originalmente gerou esse Corpo.
A Alma Consciente será absorvida pelo Espírito Divino na sétima Revolução do Período de Júpiter. A Alma Intelectual será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta Revolução do Período de Vênus. A Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano na quinta Revolução do Período de Vulcano.
Enquanto desenvolvemos esse amor universal dentro de nós, aprendemos a perceber cada vez mais que somos filhos do Criador e que, no devido tempo, avançaremos rumo à perfeição. Por mais vil que um ser humano ou criatura possa parecer, devemos lembrar que existe em seu interior uma Centelha divina que, lenta e seguramente, crescerá até que a glória do Criador ilumine esse ser.
As Hierarquias Criadoras que têm guiado a Humanidade no Caminho de Evolução desde o início da nossa jornada e continuam ativas e trabalhando conosco a partir de seus próprios Mundos; com a Sua ajuda seremos, finalmente, capazes de realizar a elevação da Humanidade como um todo e alcançar a realização individual da glória e da imortalidade. Tendo essa grande esperança dentro de nós, essa grande missão no mundo, trabalhemos como nunca para nos tornarmos homens e mulheres melhores a fim de que, por nosso exemplo, possamos despertar nos outros o desejo de viver uma vida que conduza à libertação.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
É um erro pensar que, ao dar à luz um filho, os pais criam uma nova Alma ou um novo ser. O Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), que se apresenta externamente como um bebê, é uma Centelha Divina, divinamente criada. É blasfêmia supor que meros seres humanos pudessem fazer algo tão maravilhoso. Tudo que os pais podem fazer é produzir o Corpo Denso da criança – e, mesmo assim, não em sua totalidade –, sua morada física durante esta específica vida terrena. Mesmo este Corpo Denso, os pais seriam incapazes de fornecer, se não fosse pelo Átomo-semente do Corpo Denso fornecido pelo Ego que inicia mais uma vida terrestre. Na verdade, os pais fornecem o solo no qual, ou a partir do qual, o Átomo-semente do Corpo Denso cresce até se tornar uma forma física e humana. Este Átomo-semente do Corpo Denso é propriedade do Ego, que vemos como um embrião ou feto então, que está por vir e é totalmente independente dos pais. E mais ainda, assim como o feto é resguardado dos impactos do Mundo visível pelo útero protetor da mãe durante o período de gestação, do mesmo modo os veículos mais sutis são resguardados por um envoltório de Éter e de matéria de desejos que os protegem até que estejam suficientemente amadurecidos e aptos para suportarem as condições do Mundo externo.
Mas antes que a criança possa começar uma vida terrena, o Átomo-semente do seu Corpo Denso deve criar raízes e crescer no Corpo de uma mãe. A mãe, portanto, é o portal pelo qual o Ego entra em uma nova vida na Terra.
E aqui devemos detalhar bem esse ponto para termos claro o assunto sobre filhos e filhas.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que no nosso estado atual desse Esquema de Evolução a função sexual é o meio pelo qual são formados os nossos Corpos Densos usados por nós para obter experiência aqui, no Mundo Físico, que é o baluarte da nossa evolução.
Infelizmente, muitas pessoas que têm todas as condições de ajudar a um Ego que precisa renascer aqui se negam a isso! Dessa maneira anormal, muitos exercitam a prerrogativa divina de produzir a desordem na Natureza. Os Egos a ponto de renascer têm de se aproveitar das oportunidades que se apresentam e tais oportunidades, muitas veze, não são as condições favoráveis a eles. Outros que não podem renascer nessas circunstâncias, esperam até se apresentar ocasião mais favorável. Ou seja, muitos de nós, através dos nossos atos nos afetamos uns aos outros e, desse modo, “os pecados dos pais caem sobre os filhos”, porque assim como o Espírito Santo é a energia criadora da Natureza, a energia sexual é seu reflexo em cada um de nós. O mau uso ou abuso da força sexual criadora é um pecado que não se pode perdoar; deve ser expiado, com prejuízo da eficiência dos veículos, a fim de aprendermos que a força sexual criadora é sagrada.
Muitas outras pessoas, ansiosas por viver uma nobre vida espiritual, muitas vezes, até consideram a função sexual um horror, por causa das misérias que o seu abuso tem trazido a nós todos. Assim, nem querem ver o que consideram uma impureza! Só que se esquecem de que são elas, as quais deram boas condições aos seus veículos por meio de alimentação apropriada e saudável, de elevados e bondosos pensamentos e de vida espiritual, precisamente, as que estão em melhores condições para gerar Corpos Densos apropriados às necessidades de desenvolvimento de irmãos e irmãs que esperam para renascer!
Quando renascemos aqui com o sexo feminino e nos recusamos a ajudar a construir um Corpo para um Ego, que precisa e merece entrar em uma vida terrena por meio do nosso Corpo, estamos privando esse Ego da nossa assistência nesse assunto. Se temos condições física, emocional, moral, financeira e espiritual suficientes adequadas, por que não?
Uma mulher e um homem, cujos pensamentos sejam puros e nobres, e cuja vida aqui seja dedicada à elevação da Humanidade dedicada à espiritualidade, pela Lei da Atração, atrairá para si um Ego com inclinações semelhantes. A atitude mental da mãe, imediatamente antes da recepção do Átomo-semente do Corpo Denso, é fundamental para determinar que Ego ela ajudará a construir um novo Corpo Denso aqui. Já uma mulher e um homem cujos pensamentos sejam impuros e inferiores, e cuja vida aqui seja dedicada à orgia, prazeres sensuais ou ao ódio, raiva e demais emoções inferiores, pela Lei da Atração, atrairá para si um Ego com inclinações semelhantes. Quando renascemos aqui com o sexo feminino, carregamos uma responsabilidade tremenda, e quanto mais cedo aprendemos tudo que há sobre isso, tanto melhor será para a próxima geração.
Sabemos, pelos Ensinamentos Rosacruzes, que antes de renascermos aqui, em mais uma vida terrena, no Panorama da Vida escolhido ainda no Terceiro Céu há a indicação dos que serão o nosso pai e a nossa mãe. Mas ninguém pode escolher um ambiente que não seja merecido ou não tenha conquistado em outra vida.
A futura mãe, cumprindo seu dever sagrado, protegerá cada pensamento, palavra e ação antes de receber o Átomo-semente sagrado que se desenvolverá, tornando-se o Corpo Denso do seu filho ou da sua filha. Por meio da oração, ela se esforçará para tornar sua dádiva à Humanidade um presente abençoado. De boa vontade, com alegria e o amor protetor de mãe, ela ajudará o bebê a se formar e crescer. É assim que a maternidade realiza os mais elevados ideais de moralidade.
Quando habitamos Corpos em civilizações passadas, quando renascíamos sob o sexo feminino, éramos árbitros dos destinos do Mundo. Depois, em civilizações mais recentes quando renascíamos – e até agora, quando renascemos – sob o sexo masculino somos os árbitros dos destinos do Mundo. Agora estamos às vésperas da transição para a Nova Era – a de Aquário – e nessa Era quando renascermos sob o sexo feminino, novamente, seremos árbitros dos destinos do Mundo. Em consequência, quando renascermos sob o sexo masculino teremos que se submeter aos seus ditames, mas antes que isso aconteça, uma era de igualdade virá.
Essa é chamada de Era de Aquário pelos ocultistas, e já começamos a sentir seus efeitos desde meados do século passado, quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrou na Órbita de Influência de Aquário. No lento ritmo desse movimento, Precessão dos Equinócios, o Sol não atingirá o zero grau de Peixes antes de, aproximadamente, 600 anos. Mas durante esse período haverá, é claro, tantas mudanças maravilhosas em nosso estado físico, moral e mental, que somos agora incapazes de conceber.
Nós, agora no Corpo Denso, seremos seguidos por Espíritos ainda mais evoluídos que trarão grandes reformas. Quando as pessoas que atualmente vivem na Terra, e estão atrasadas espiritualmente, renascerem naquela atmosfera de grande realização intelectual, quando o Mundo estiver bem encaminhado na linha de desenvolvimento peculiar àquele momento nesse Esquema de Evolução, elas ganharão uma imensa elevação de consciência pela Lei da Atração que garante, por exemplo, que um condutor elétrico que é aproximado de um fio altamente carregado, receba automaticamente uma carga de voltagem mais baixa.
Assim, cada classe ou grupo que ascende, ajuda também a elevar aqueles que estão abaixo dele na escala evolutiva. O assunto populacional, portanto, não é inteiramente governado por indivíduos ou leis criadas pelo ser humano; são as Hierarquias Criadoras que guiam nossa evolução, e quem organizam isso, conforme necessário para o bem maior de todos os envolvidos; assim, o número da população está em suas mãos, não nas nossas.
Eis o motivo de que devemos sempre ajudar as pessoas onde elas estão e não onde deveriam estar. Os Ensinamentos Rosacruzes sempre enfatizaram o fato de que “semelhante atrai semelhante” e, portanto, é dever daqueles que sejam bem desenvolvidos física, moral e mentalmente, proporcionarem um ambiente para tantos Espíritos quanto suas circunstâncias físicas e financeiras permitirem.
Esse dever é ainda mais contundente para aqueles que também são espiritualmente desenvolvidos, pois uma entidade espiritual elevada não pode entrar na existência física através de uma ascendência vil. Mas quando um casal atinge o ponto em que é considerado perigoso para a saúde da mãe gerar mais filhos, ou se o fardo financeiro estiver acima de suas possibilidades, então ele deve viver uma vida de continência. Isso naturalmente requer considerável avanço espiritual e autocontrole.
Poucos são capazes de viver tal vida e seria o mesmo que aconselhar a continência a um muro de pedra, fazê-lo a um espécime médio da Humanidade. Ele não consegue entender que isso seja necessário; acredita até mesmo que interfira em sua saúde, pois falsas declarações sobre a necessidade de exercer essa função levaram a muitos resultados deploráveis. Mesmo que pudesse ser persuadido a negar a si mesmo pelo bem da sua companheira e dos filhos que já trouxe ao mundo, provavelmente seria totalmente incapaz de se conter.
Nesse ponto, nunca esqueçamos que os ensinamentos espirituais devem ser transmitidos repetidamente para que, à medida que a gota constante desgasta a pedra, assim também, e com o passar do tempo, as gerações futuras aprenderão a depender da sua própria força de vontade para realizar o objetivo de manter sua natureza inferior sob controle. Sem esse aspecto educacional dirigido para a emancipação espiritual, fica muito difícil a pessoa evoluir espiritualmente.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – fevereiro /1918 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Um grande fato a se lembrar no autoaperfeiçoamento de um Estudante Rosacruz é que a nossa vida passada está, em grande medida, encerrada. Um hábito comum consiste em reviver essa vida, ou partes dela, em pensamento, mas não com o desejo de aprender uma lição real, pois tais lições geralmente foram aprendidas naquela vida, mas apenas para gastar tempo com retrospectivas inúteis, sem propósito, revivendo momentos passados e se entregando a uma censurável autopiedade.
No momento presente em que vivemos, sentimos os resultados de nossas vidas anteriores. Por mais desagradáveis que sejam, é evidente que nós mesmos, em algum momento, colocamos em movimento as forças que agora produzem esses resultados, aparentemente injustos.
Sem dúvida é necessário e suficiente acreditar na Teoria do Renascimento para se alcançar uma explicação completa e realista. Entretanto, uma explicação detalhada exigiria que o Estudante desenvolvesse o poder espiritual necessário para examinar os fatos históricos na chamada Memória da Natureza. Isso já foi feito e é um fato no ocultismo!
É óbvio, então, que o momento mais importante de nossas vidas é o presente — o Eterno Agora — no qual todo o trabalho é realizado. Os efeitos de nossos pensamentos e das nossas ações presentes nos influenciarão em algum momento posterior. Decidimos hoje viajar para uma terra distante; ativamos forças que, eventualmente, criam o resultado desejado e, assim, descemos do navio nas margens da terra que decidimos visitar. Outras ações, espirituais ou materiais, podem demorar anos para atingir seus resultados ou podem continuar ao longo desta vida e produzir o resultado final em uma vida futura. Mas, uma vez que essas forças são ativadas, o dado foi lançado. Daí em diante, do molde desse dado surgirão certas formas e lágrimas, protestos ou ameaças não poderão alterá-las minimamente.
De fato, nós somos o mestre do nosso próprio destino e essa verdade é maior do que normalmente se imagina. Isso é verdadeiro na vida cotidiana e igualmente efetivo na vida eterna do que realmente somos, um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), tão diferente da nossa Personalidade superficial, efêmera, egoísta e exterior que, com frequência, é a única expressão de nós mesmos mostrada ao mundo.
Não é permitido repousar sobre os benefícios das ações passadas sobre os louros das vitórias anteriores. Toda vida é progressiva e ativa. Devemos estar em constante ação, cultivando nossos talentos, usando nossas forças para fins maiores — aquelas mesmas forças tão arduamente conquistadas e, por fim, alcançadas em vidas que se foram.
O Estudante Rosacruz que busca ajuda e conhecimento espiritual deve ser um lutador: tão perspicaz quanto nossos magnatas comerciais, ávido por novas atividades em todas as esferas; aguçado e determinado — mas com o desejo de tomar parte em batalhas mais nobres; impiedoso na guerra contra o preconceito, a superstição e a falsidade.
O “agora” é o grande momento. Atividade incessante em fazer o bem, no estudo, no autocontrole, na rotina comum da vida diária — aparentemente tão monótona e cinzenta —, mas na verdade tão eficaz quanto os golpes repetitivos de um martelo a vapor sobre o ferro duro. Seu mérito está no efeito cumulativo, não em cada golpe individual.
É somente por meio de algum estímulo mental que muitos, naturalmente inativos, conseguem despertar para o “agir e fazer”. “Belas palavras”, dizem eles, “mas eu sou diferente — não fui feito assim. Pode o leopardo mudar suas manchas ou uma pessoa, a cor de sua pele?”.
Uma das maiores surpresas da vida é a incrível quantidade de trabalho que um Estudante Rosacruz pode realizar quando decide fazer um esforço. Isso não é apenas surpreendente, mas grandioso. Um riso alegre diante dos erros e uma coragem indomável para perseverar são grandes qualidades. Se o riso se recusar a aparecer ou a coragem desaparecer, ainda assim algo foi conquistado, pois quando tentamos rir ou demonstrar coragem, criamos uma base tão sólida quanto o alicerce de concreto, base sobre a qual, com o tempo, o verdadeiro riso alegre e a efetiva coragem poderão ser construídos.
É difícil dizer qual é o espetáculo mais admirável: o do Estudante Rosacruz poderoso que atravessa a vida superando obstáculos pela pura força ou do Estudante Rosacruz que persiste lutando, sendo constantemente golpeado, abalado e avançando pouco, mas com o maxilar firme e a cabeça baixa — sempre lutando sem pensar em desistir, disposto a batalhar até o fim!
A derrota não é um acontecimento tão desesperador como pensamos muitas vezes. Ela significa apenas que o objetivo desejado não foi alcançado. No entanto, pelo simples ato de lutar nós adquirimos uma força maior — o que, em si, já é uma vitória efetiva, de valor imenso.
(De Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Os filhos aprendem dos pais as primeiras ideias do bem e do mal, do certo e do errado. Para as crianças, os pais são os modelos de quem aceitam, sem hesitar, os conceitos que mais tarde lhes vão sedimentar o caráter. Eminentemente ensináveis, dóceis e sensitivas, as crianças gravam vividamente as lições e como “vídeo-tape” vão mais tarde relacionando fatos e modelando juízos.
Disse um famoso educador: “Dá-me uma criança até sete anos; a influência que lhe incutirei nesse período será decisiva para o resto de sua existência”. Avaliem, pois, a responsabilidade dos pais perante os Egos (Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) a quem deram oportunidade de renascer e ajudar. Se de um lado há o fator destino, fazendo com que cada um nasça no lugar mais adequado as suas necessidades internas, por outro lado os pais respondem, perante a Lei de Causa e Efeito, pela forma como educam. Pestalozzi[1] afirmou com muito acerto: “primeiramente é necessário educar os pais”. Seu sentido de educação era integral: intelectual, física e moral.
Sabemos que uma criança, à semelhança de um “iceberg”, revela apenas uma pequena parte de sua natureza. O tema astrológico poderá mostrar as tendências que trouxe ao nascer. Essa é a parte submersa no passado. O “meio ambiente” acrescentará algo mais, modificando ou reforçando os diversos aspectos de seu modo de ser. Educar é tarefa delicada e espinhosa. Não se trata, como vemos, de somente das escolas. É, principalmente, o exemplo dos pais, suas reações perante a vida, seus conceitos etc. Olhos atentos os observam e os imitam. São pequenas lições diárias a influir poderosamente no pai ou mãe de amanhã. De fato, o futuro é a soma de pequenos “agoras”.
Só podemos dar aos filhos o que temos e o que somos. Embora não tenhamos a intenção de prejudicar-lhes a formação, é o que muitas vezes fazemos, por falta de preparo ou só egoísmo.
Vejamos um fato comum e diário: a criança comete um deslize e o pai ou a mãe a corrige. Se a falta trouxe algum prejuízo material (rasgar ou sujar a roupa, gastar sem permissão, estragar qualquer coisa) a mãe fica furiosa e depois de gritar-lhe muito que o dinheiro é duro de se ganhar, que ela é ingrata, etc., põe-se no castigo. Quando a falta implica, porém, em dano moral (mentira, deslealdade, desobediência) o castigo é menor ou nenhum. Então a criança associa as duas coisas e conclui: “O que traz prejuízo material é mais grave. Portanto, o dinheiro é mais importante”.
Admiramo-nos, hoje, de que nossos filhos não se dedicam a espiritualidade deles e julgue muito mais importante ganhar dinheiro, lutar pelo supérfluo, pensar mais em “gozar a vida”? Fomos nós mesmos que lhes incutimos, sem o perceber, esse conceito. E quem sabe se no íntimo de nosso ser essa falha, ainda hoje, nos impede prestar justa colaboração à obra de divulgação e dedicação aos Ensinamentos Rosacruzes? Analisem-se. Vejam se não é verdade.
Este é apenas um dos inúmeros pontos que trazemos do passado. É preciso rever, reanalisar, reexaminar tudo o que temos dentro de nós. Nossas capacidades de análise e o nosso conhecimento das premissas Cristãs, hoje, nos permitem “separar o joio do trigo”, isto é: distinguir o que é bom do que é ruim. Isto foi o que disse Cristo, quando os discípulos, notando a presença do joio entre o trigo, se dispuseram a expurgá-lo: “Agora não, pois, haveria o período de cortarem o trigo, pensando ser joio”[2].
Separar, cortar o errado, o falso em nosso modo de pensar e sentir é tarefa que devemos fazer, quando devidamente orientados por sãos princípios, como os da Filosofia Rosacruz.
Hoje os Estudantes Rosacruzes dedicados podem e devem expurgar o joio, sem esperar que a Lei de Repulsão o faça, contra sua vontade, no estado post-mortem. O que conta em nosso favor, como conquista anímica, é o que realizamos aqui renascidos nessa escola da vida.
E ao mesmo tempo em que nos regeneramos, tanto mais capacitados estaremos para orientar e ajudar nossos semelhantes, a começar por nossos filhos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) foi um pedagogista suíço e educador pioneiro da reforma educacional. Pestalozzi foi um dos pioneiros da pedagogia moderna, influenciando profundamente todas as correntes educacionais, e longe está de deixar de ser uma referência. Fundou escolas, cativava a todos para a causa de uma educação capaz de atingir o povo, num tempo em que o ensino era privilégio exclusivo. “A vida educa. Mas a vida que educa não é uma questão de palavras, e sim de ação. É atividade.”.
[2] N.R.: Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. (Mt 13:24-30)
Prosseguindo em nossas explanações por meio de estudos cosmológicos espirituais, voltemos ao Período de Saturno, quando principiávamos a nossa marcha. Nesse Período surgiram os Grandes Luminares, as Hierarquias Criadoras, que estavam acima desse Globo, e que nos auxiliaram por meio da Luz inferente a Seus Corpos, promovendo uma lenta densificação das partículas desse Globo nascente que, posteriormente, transformou-se em Luz. A nossa alimentação nessa época era constituída de calor e, posteriormente, passou a ser Luz. Se aceitarmos tal fato como verdade, teremos que convir, que essa mesma Luz, ainda hoje, nos serve de alimentação.
Não é possível haver vida sem essa Luz que se encontra tanto dentro, como fora de nosso organismo. Não somos mais tão ingênuos a ponto de acreditarmos que o mundo não seja uma expressão da Luz de Deus, pois “Deus é Luz” (IJo 1:5), da qual tudo foi feito, e que se propaga e tem sua eterna existência.
Assim, toda nossa alimentação é um produto da Luz que produz em nós o calor existente desde os primórdios do Período de Saturno. Esse calor se manifesta em nosso sangue sem o qual, nós, o Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), não teríamos possibilidade de manifestação. Lembremo-nos que o calor do sangue é a nossa posição vantajosa em nossos veículos. Os quatro Éteres que fazem parte da constituição do nosso Corpo Vital estão intimamente ligados à nossa existência física densa (ao Corpo Denso), bem como às funções puramente transcendentais.
Assim compreendemos claramente o seu valor cooperante, intrínseco, desde o Período de Saturno (calor sanguíneo), Período Solar (Luz, transformação de calor em Fogo, concordante com o Éter de Vida, Éter Luminoso e com a formação do sistema nervoso) e, finalmente, o Éter Refletor, que traz ao nosso cérebro físico a percepção do Universo fora de nós. Notamos haver, portanto, um alimento concordante com as quatro modalidades de Éteres que sustentam o organismo humano. Através de etapas, de uma aprendizagem pelos Períodos, Épocas e Revoluções, o ser humano, quando atinge o grau de Adepto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, consegue dispensar os alimentos desses Períodos, pois, as forças criadoras passam a atuar nele com todo seu potencial.
Por isso nos torna compreensível que o espiritualista tenha que se abster de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), procurando uma dieta mais natural, concordante com a finalidade que tem em vista. À nossa disposição estão os alimentos vegetais, as frutas, os legumes, verduras, mel, ovos, leites e afins; todos eles fontes excelentes de energias solares.
Podemos, ainda, juntar o seguinte: O Espírito Universal é um alimento perfeito, como bem o expressou Cristo, o Senhor: “Nem só de pão Vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4).
Isso significa que da boca de Deus sai o alento, a Vida que sustenta a todos nós que viemos a este mundo.
Este é o verdadeiro alimento; e outro não há, pois, mesmo apresentando-se sob várias formas e aspectos, o Espírito é “um” e sempre o mesmo. A todo aquele que desejar futuramente habitar nos Céus, ou seja, a Celeste Jerusalém, exorta-se a alimentar-se, desde já, do maná dos céus, isto é, do Espírito.
Deste mesmo Espírito testificam todas as Escrituras Sagradas. Não resta nenhuma dúvida de que aquele que não se alimentar desse “Pão de Vida”, futuramente não terá condições de habitar nas novas condições do próximo Período, pois não será encontrado vestido com suas Vestes Nupciais. Estará, segundo as Escrituras, desnudado.
Expliquemos, portanto, o desenrolar do processo que nos leva a atingir o estágio mencionado por Cristo, com as palavras: “Vós sois deuses” (Sl 82:6). Os deuses vivem no Paraíso, conforme descreve a Bíblia no Gênesis, ao se referir aos seres que constituíam a Humanidade nesta fase, com os nomes simbólicos de Adão e Eva, luzes que existiam antes que o mundo fosse feito, de acordo com as palavras de Cristo em Sua oração sacerdotal. Já mencionamos essa passagem. À Porta desse Paraíso se postam Querubins trazendo em Suas mãos alguns lírios. Isto significa que não podem franquear passagem para esse Reino Celestial àquele que não trouxer em si os lírios espirituais. Aqui não se trata de flores comuns, tampouco de “salvação”, pois já “está salvo” pela Luz Branca e transparente, o que significa que na Alma já não se encontra mácula alguma. Cristo é a Luz e a Porta do Paraíso, no que se vive em perfeita Unidade com o Absoluto. Humanamente não temos outra palavra à disposição para designar o Paraíso, mas temos, internamente, qualidades condizentes com esse estado paradisíaco, conhecido também como a Nova Jerusalém que desce dos Céus para dentro da Alma Humana, conforme as palavras do Apocalipse.
Nesta Nova Jerusalém, o Senhor, a Nova Alma, ceia conosco em uma Mesa, do mesmo manjar. Cristo é Quem nos dá manjar espiritual, na expressão mais exata d’Ele mesmo, quando na Santa Ceia fala aos Seus discípulos com as seguintes palavras: “‘Tomai, comei, este é o meu Corpo“. “E tomando o cálice, dando graças, disse: Bebei todos. Porque isto é o meu Sangue, o Sangue da Nova e Eterna Aliança, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados.” (Mt 26:26, Mc 14:22 e em ICor 11:24).
Se imaginarmos a Santa Ceia em que Cristo presidiu à mesa, e se tivermos um pouco de percepção espiritual, nos será possível encontrar uma ação impressionante, pois o Pão que entregou aos Discípulos não era um pão comum: era a própria Luz que o Senhor entregava. Ele mesmo disse: “Isto é o meu Corpo” – isto é – a Luz Solar, a Luz do Espírito de Vida, a Água da Vida ou Árvore da Vida que estava plantada no Centro do Paraíso, mencionada no Livro do Gênesis e no Livro do Apocalipse. Logo, deve-se compreender que a Luz de Cristo foi derramada abundantemente sobre o pão do qual todos eram transformados pela aliança do Novo Testamento, a Luz das Alturas em que Cristo tem Sua Morada. Aqueles que se dirigem ao Adeptado devem, por ordem espiritual, quando comem, sentir a Presença, a imensa Luz que se derrama sobre eles. Na essência do pão e no suco dos frutos maduros, tomamos como alimento, o próprio Corpo de Deus que é Luz.
No Apocalipse lemos: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” (Ap 22:13). Uma ligeira análise das palavras acima nos mostra a finalidade de Cristo e de todos que estão e estarão aptos a viverem na Nova Jerusalém, que desce do Infinito, e na qual Cristo habita juntamente com a Humanidade. Se configurarmos as palavras “Alfa e Ômega”, entrelaçadas, formando um círculo, isto é, se sobre a letra Alfa, “A”, colocarmos a última letra do alfabeto grego, Ômega (Ω), praticamente não saberemos onde começa nem onde terminam “A” ou “Ω”. Deus não tem começo e nem fim. O Alfa está no Ômega, e vice-versa. Partindo dessas explicações podemos, agora, estudando o capítulo 14, versículo 1 do Livro do Apocalipse, aprendemos que: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham o nome d’Ele e de seu Pai“. No versículo 2 aprendemos que: “Ouvi uma voz de muitas águas, como voz de trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem as harpas“. O que nos surpreende nesses versículos, e aliás em todo o Livro, é a sua construção e a clareza de seus dizeres místicos. Nos últimos dois versículos está explicado que o Pai, o Filho, a Humanidade e o Universo em seu movimento (Atividade), o Espírito Santo, formam, em conjunto, uma grande sonoridade. A Humanidade é representada pelo número 144.000 que, cabalisticamente, simboliza a Humanidade. O nome em hebraico é ADM ou ADAM: Aleph é o número 1; Daleth é número 4; Mem o número 40. ADAM, portanto, é igual ao número 144; adicionando-se os três algarismos, teremos o número nove. Os três zeros finais querem significar que a Humanidade já passou por três grandes Período de desenvolvimento: Saturno, Solar e Lunar, tendo entrado para o quarto grande Período denominado Terrestre. Nos versículos acima, representa-se uma Humanidade redimida, perfeita, pois todos trazem em suas testas o Sinal do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Nas três vezes em que se refere à voz, o Apocalipse queria significar a Harmonia Absoluta dentro de toda Criação, pois todos serão salvos por Cristo, o “Alfa e o Ômega”, o Princípio e o Fim, na Unidade Perfeita: o Absoluto. Ainda analisando o número 9 de ADAM, ou seja, daqueles que trarão em suas testas o Sinal do Pai, Filho e Espírito Santo, o Consolador prometido por Cristo em Sua despedida, encontramos três Trindades; no princípio das coisas como “Aleph”, do qual tudo foi feito, e que se desdobra para o nove. Se aceitamos que no Pai está o Filho e o Espírito Santo, deparamos com o número três. Se olharmos para o Filho, encontramos o Pai e o Espírito Santo, o número três, no UNO. Se olharmos para o Espírito Santo, encontramos o Pai e o Filho, que nos levam novamente para o número três, no UNO. Assim temos: 3 +3 + 3 = 9.
Voltemos, ainda, ao 14º capítulo, versículo 1 do Apocalipse, em que está escrito: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham escrito o nome d’Ele e de seu Pai“. Lembremo-nos, antes de mais nada que o Espírito Santo foi enviado por Cristo, que voltou ao Pai, depois de deixado o mundo, tendo sido imolado como um Cordeiro no Altar da Humanidade, a fim de salvar o gênero humano decaído, por meio de Seu Sangue, a Luz de Deus. Daí o Espírito Santo ter sido enviado a fim de continuar o trabalho de salvação, até que Cristo volte novamente para uma Humanidade gloriosa, aperfeiçoada. Por essa ocasião todos deverão trazer nas testas o Sinal do Pai e do Filho. Que configuração poderá ser este Sinal? Falemos antes da Trindade. Nessa Trindade manifesta-se o “Uno”. Haverá, então, uma estrela nas testas daqueles que se salvarem. Isso encontra-se descrito no capítulo 22, versículo 16: “Eu Jesus, enviei o meu Anjo, para vos testificar estas coisas às Igrejas. Eu sou a raiz da geração de Davi, a brilhante Estrela da Manhã“. Resta-nos somente, dizer o seguinte, juntamente com o versículo 17 que diz: “O Espírito (Ego Humano, a Centelha Divina) e a Noiva (Alma) dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a Água da Vida“.
Com essas palavras podemos compreender que uma Humanidade perfeita trará, como Sinal de Salvação, a brilhante Estrela da Manhã de nove pontas em sua testa. O Espírito uniu-se em matrimônio à sua noiva, a Alma, para receber a Água da Vida, para nunca mais sair do Corpo do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
(Publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/1973 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Desde o começo do Período de Saturno nós, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, fomos aprendendo a construir os nossos veículos. Em nossos dias, apesar dos eons de Involução-Evolução, nossos Corpos Densos só possuem cinquenta por cento da sua eficiência. Para podermos avaliar o que serão esses Corpos Densos em seu estágio máximo, é suficiente observar as mudanças e aperfeiçoamentos já constatados, guardando em mente que a espiral evolutiva se torna acelerada, devido à maior experiência já adquirida por nós, que lhe confere eficácia mais extensa.
Em certos tempos, o tato era um “sentido localizado”, análogo aos sentidos de audição, paladar, visão e olfato de nossos dias. O sentir humano efetuava-se, nos primórdios da evolução, por meio de um órgão saliente da parte superior da cabeça que se transformou no órgão que chamamos hoje de Glândula Pineal. Quanto ao tato, já não temos um órgão específico, podendo, assim, sentir pelo Corpo Denso todo. A mesma mudança de “sentido localizado” para capacidade de sentir do Corpo Denso inteiro surgirá para a visão, o olfato, a audição e o paladar.
Mais tarde, ainda, ocorrerá mais uma grande mudança: haverá a união da visão com a audição e, também, por outro lado do paladar e o olfato. Todos se unirão, então, com o tato e todos esses sentidos atuais se transformarão em um saber perceptivo de ordem superior.
Nós aprendemos lições de aperfeiçoamento do Corpo Denso durante as sucessivas vidas aqui na Terra. Construímos um Corpo, o utilizamos em nossa vida e assim descobrimos as imperfeições dele. Por exemplo, o sistema muscular pode estar perfeito, porém as falhas do coração ou do pulmão causarão doenças e enfermidades. Nós, atentos, poderemos modificar as construções dos órgãos que nos causam sofrimentos e dores, quando da elaboração do Arquétipo de uma nova vida. Se o sofrimento foi bastante intenso para chamar a nossa atenção para aquele órgão, nos esforçaremos na construção de um órgão mais perfeito, a fim de que possamos sofrer menos na próxima vida. Dessa forma, em vez de renascimentos perpetuados com órgãos deficientes, há o esforço contínuo de aperfeiçoamento da nossa parte com o intuito de evitar os sofrimentos e as dores. Também a parte externa do Corpo Denso poderá ser aperfeiçoada. Se insistimos em não sermos atentos, estamos sujeitos a passar várias vidas com um rosto deformado, defeitos na coluna, membros desproporcionados até criarmos consciência nesse particular, quando então, remediaremos os defeitos, quando da construção do próximo Arquétipo.
A beleza, a sabedoria e a força são atributos divinos e, também, metas de aperfeiçoamento de cada um de nós em suas passagens pela Terra, vida após vida. Devemos, portanto, tanto descobrir, como aperfeiçoar as falhas do nosso Corpo Denso, da Mente e, também, do nosso Corpo de Desejos em nossa evolução, enquanto estamos aqui nessa mais uma vida terrestre!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O último livro da Bíblia nos fala que o Apóstolo S. João escreveu o Apocalipse (O Livro da Revelação) na Ilha de Patmos.
Ao dizer, S. João que “se encontrava na Ilha de Patmos”, há uma grande significação. A palavra “Patmos” significa iluminação, e nos tempos anteriores a Cristo, a expressão “Ilha de Patmos” era usada para se referir à Iniciação. Por meio de seu progresso no caminho iniciático, “o Discípulo – Amado” foi capaz de estar em Espírito, em estado de consciência necessária para ver nos reinos superiores e funcionar ali em seus veículos invisíveis.
Quando estudamos a Revelação, encontramos como uma de suas características mais notáveis, que está baseada no místico número sete. S. João teve sete visões nas quais recebeu mensagens para as sete igrejas; há sete Anjos ante o trono, há sete lâmpadas de fogo e sete trombetas; há sete candelabros, os sete selos do “livro”.
O significado do uso do número sete é explicado pelos Ensinamentos Rosacruzes, a qual ensina que nós temos uma constituição sétupla, sendo um Tríplice Espírito que possui um Tríplice Corpo e a Mente.
No Corpo Denso há sete centros espirituais, os quais quando são despertados e desenvolvidos, expressam os nossos (o do Ego, o do Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) poderes espirituais. Posto que nós temos uma constituição sétupla, e dado que somos a unidade deste particular Campo de Evolução, a quem S. João se refere em sua mensagem, logicamente, é de supor-se que a mensagem que foi escrita por S. João e enviada às “sete igrejas”, encerra informação referente a nós mesmos.
Em outras palavras, as sete igrejas são usadas em um sentido simbólico para referir-se aos nossos sete centros espirituais, os quais têm que ser desenvolvidos no processo evolutivo espiritual. Cada um de nós é um Deus em formação e eventualmente logrará seu divino destino!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)