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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Princípio da Sublimidade e os papéis de Netuno e Urano nisso

E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinhas contigo antes que o mundo existisse.” (Jo 17:5).

O nosso mais elevado grau de realização é a nossa realização consciente da Paternidade de Deus em nosso interior. Essa meta elevadíssima glorifica a finalidade da nossa evolução.

Dos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz sabemos que somos um Tríplice Espírito que possuímos uma Mente para controlar um Tríplice Corpo. Deste Tríplice Corpo é extraído a Tríplice Alma que finalmente é absorvida pelo Tríplice Espírito. Contudo não são três Espíritos, três Almas ou três Corpos, mas somente um Espírito, uma Alma e um Corpo. Temos, então, o mistério dos três em um e de um em três – a Trindade na Unidade e a Unidade na Trindade. O Deus Uno é Trípliceem Sua Natureza: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Tríplice Espírito extrai a Tríplice Alma do Tríplice Corpo, embora em última análise, atue como uma unidade de: Espírito, Alma e Corpo.

Os termos Espírito e Deus são um tanto confusos, mas se neste caso nós usarmos a palavra “Espírito” como aspectos de um Deus Uno, talvez o assunto fique mais bem esclarecido; assim, o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano são, respectivamente: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, em manifestação em nós.

Na evolução humana nós usamos o poder do Espírito Humano para possibilitar, por meio dos Corpos, conquistar, reger e guiar, tanto quanto possível, as coisas do Mundo material. A força do Espírito de Vida é usada para extrair a Alma das coisas do Mundo material, enquanto o poder do Espírito Divino é utilizado para adquirir, da Alma das coisas, as realidades espirituais, já que Alma se torna o alimento para a evolução espiritual. É necessário que observemos que o nosso supremo desenvolvimento consiste na majestosa consecução da ativação do aspecto mais elevado de Deus em nós, o Espírito Divino, ou seja, a Paternidade de Deus.

Paternidade é aquele estado de ser dotado, por natureza, com os requisitos necessários para a responsabilidade de prover e cuidar da vida da família. É a forma diretora positiva agindo por meio do poder da vontade que forma, que modela a evolução. É o poder supremo que dá de si para que outros possam ganhar em substância e em Espírito. Aí reside a razão pela qual o Pai deu Seu Filho Unigênito para que, por seu intermédio, o mundo se salvasse.

Não existe maior função ou tarefa dada por Deus a nós do que a Paternidade, pois até o reinado, a presidência ou o governo de um indivíduo sobre os outros, qualquer que seja a sua forma, nada mais é do que o exercício dos Princípios da Paternidade. Essa característica de Paternidade está em todos nós, latente ou ativo, não importa, pois, segundo disse o Adorável Cristo: “Eu estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós.” (Jo 14:20) e o exercício da Paternidade nos traz a maior glória; mas com ela vem uma grande responsabilidade já que estamos sujeitos a usá-la incorretamente, o que nos acarretará muitas penas e sofrimentos.

O grau em que usaremos corretamente este princípio de autoridade depende, em grande extensão, da nossa compreensão e da nossa prática das características da Maternidade, pois “Ninguém vem ao Pai senão por Mim.” (Jo 14:6), conforme disse o Cristo. Devemos conhecer o amor da mãe pelo seu filho, o seu desejo de sustentá-lo e de nutri-lo, e conhecer a necessidade de compaixão, caridade e unidade, antes de podermos ser considerados sabiamente como a respeitada “cabeça do lar”. Lembremo-nos que fomos ensinados a oferecer nossas preces ao “Pai nosso que está nos céus” (Mt 6:9), pois somente Ele conhece nossas necessidades e as administrará de acordo com a Sua Exaltada Sabedoria.

Para melhor compreensão do Princípio da Sublimidade, voltemo-nos para a nossa querida ciência da Astrologia Rosacruz que nos leva mais próximo daquilo que queremos ser e fazer.

Deus-Pai, o Espírito Divino, vem a nós por meio dos raios do Planeta Netuno, se formos capazes de nos sintonizar com o seu grau vibratório excessivamente elevado. A fim de que o Espírito Divino possa extrair a Alma Consciente, que é o seu trabalho particular, é absolutamente necessário sensibilizar o Corpo Denso. Netuno é o Regente do Signo da Divindade, Peixes, o último dos doze Signos do Zodíaco, no qual nos voltamos das coisas materiais para as do Espírito, na nossa preparação para o Além.

Netuno, por assim dizer, impele o trabalho em nossas vidas onde Urano o faz parar e, assim, há uma grande semelhança entre esses dois Planetas. Seus símbolos são semelhantes, com a exceção de que no caso de Netuno, as duas Luas estão juntas sobre a cruz da matéria, enquanto no de Urano, elas são separadas pela cruz da matéria. Urano nos fornece o princípio da unidade que deveremos compreender antes de podermos desenvolver o Princípio da Sublimidade que Netuno nos proporciona.

Netuno, como Urano, é duplo – duas Luas opostas – e é basicamente um Planeta plástico, negativo, como é necessário para receber as mais refinadas forças. Diz-se que é uma combinação do polo negativo de Marte, por meio de Escorpião, e dos raios mensageiros do alado Mercúrio, por meio do seu Signo de Virgem. Assim, Netuno produz os segredos de Escorpião combinados com a pureza de Virgem. Tais são os requisitos para a manifestação do Princípio da Sublimidade.

O trabalho de Urano é transmutar o sexo em Alma; o de Netuno se relaciona com a absorção da Alma como alimento para a evolução do Espírito. Logo, Netuno impele onde Urano faz parar e dessa maneira nos conduz a maior glória.

As Luas opostas são os dois polos da Alma, positivo ou masculino e negativo ou feminino que devem ser mantidos juntos, como uma unidade, um todo completo, que Urano faz no plano físico e Netuno faz no plano espiritual, pois “assim como é em baixo, é em cima” e “assim como é em cima é em baixo”.

Portanto, não nos esquecemos de que embora esses Planetas, com seus poderes e suas características, pareçam separados, eles, na realidade, se interpenetram, e o contato com um deles traz consigo as qualidades do outro. Assim, enquanto estamos atravessando a Era de Peixes estamos, também, recebendo influências da Era de Aquário, e durante essa Era haverá alguma força de Capricórnio em manifestação.

Enquanto aprendemos a Religião ou Filosofia da Fraternidade Humana pelos Ensinamentos Cristãos estamos, ao mesmo tempo, aprendendo a Paternidade de Deus para uma data futura na nossa evolução. Não podemos avançar em uma, sem receber algo da outra.

Estamos começando a ver o valor e a necessidade da sequência natural das coisas e, por isso, atualmente, devemos considerar, em primeiro lugar, o princípio de Cristo, mas aos poucos que estão adiantados, a Paternidade de Deus e o desenvolvimento especial Espírito Divino os conduzirá para frente e para cima, à medida que eles respondam ao impulso de Netuno por meio do Princípio da Sublimidade, o Zênite da Glória.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1959 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Novamente o Trabalho em Grupo ou em Equipe

Somos apologistas do trabalho em equipe. Observamo-lo portador de inúmeras vantagens, como, por exemplo, o alcance de um rendimento máximo em tempo mínimo, mediante o aproveitamento racional das qualidades e aptidões de cada um em função do todo. Além disso, sua ação faz-se sentir individualmente, revertendo em benefício de cada um, em forma de disciplina, solidariedade, harmonia, companheirismo e expansão natural das próprias qualidades.

Mas, não se pense que o desenvolvimento do trabalho em grupo ou em equipe depende, única e exclusivamente, da aglutinação de pessoas dotadas de capacidade para realizar a obra proposta. Não. Não é tão simples assim. Certas aptidões, conhecimentos e habilidades são importantes e desejáveis. Mas, por si só não asseguram o êxito final de um trabalho coletivo. Há certos requisitos prioritários, tais como: boa vontade, sinceridade, desprendimento, altruísmo, harmonia, ausência de personalismo e outros. São essas qualidades, de natureza moral, que possibilitam a um grupo relativamente heterogêneo empreender e concretizar obras de vulto, num sentido comum.

É importante, na quadra atual, cada um meditar sobre isso, e perguntar-se: “Estou preparado para trabalhar em equipe?” Sempre estão se formando novos Grupos de Estudos Rosacruzes Informais e Formais e muitos estão se tornando Centro Rosacruz. E por meio deles os Estudantes Rosacruzes têm oportunidade de contribuir com sua parcela de esforço para a disseminação do Ideal Rosacruz.

O Método Rosacruz de Desenvolvimento oferece meios de realização estritamente individuais, objetivando o aprimoramento espiritual do Aspirante à vida superior, de modo a permitir-lhe transcender os entraves internos separatistas, integrando-o cada vez mais no puro sentido de equipe.

Todos temos alguma coisa a realizar, pois o mundo necessita de pessoas responsáveis, decididas a arregaçar as mangas e trabalhar. Não fiquemos aguardando o surgimento de condições favoráveis. Não esperemos o emergir do amanhã acenando-nos com as oportunidades. Essas já estão por aí à espera da nossa decisão. Nos dias que correm o “futuro é hoje”. E o trabalho deve ser realizado “aqui e agora”!

Se você quiser saber como deve funcionar um trabalho em grupo ou em equipe típico Rosacruz (pautado, logicamente, nos preceitos aquarianos) leia e estude esse material elaborado por um antigo Probacionista:

A Libertação Através Do Trabalho Em Grupo

“Devemos aprender a lição do trabalho para um propósito comum, sem lideranças. Cada qual, igualmente induzido pelo espírito de amor que lhe vem do íntimo, deve empenhar-se pela elevação física, moral e espiritual da humanidade à altura de Cristo – o Senhor e a Luz do mundo”.

Max Heindel

O conhecimento, em todos os seus aspectos, é a base reconhecida do progresso. À medida que novos fatos são descobertos, novas leis são formuladas, a tecnologia vai se aperfeiçoando e as evidências do progresso se manifestam. Desse modo o ser humano vai obtendo tudo o que previamente lhe parecia impossível. Tal acontece porque novos fragmentos de conhecimento em um campo provê a chave do mistério existente em outro campo. Consequentemente, em virtude do interrelacionamento comum entre todas as fases da vida e do conhecimento, quanto mais o ser humano sabe a respeito de determinado assunto, mais poderá saber a respeito dos outros. Assim, a luz do conhecimento cresce e se torna mais brilhante.

Muitos problemas da vida, mercê dessa transferência de capacidade e interrrelacionamento de conhecimento, são resolvidos satisfatoriamente. Mas, o progresso aí está, constantemente desafiando o ser humano com novas e diferentes situações que inevitavelmente suscita. Os novos problemas vão tornando mais amplos, envolvendo mais pessoas, abrangendo maiores horizontes e exigindo soluções mais rápidas. As conquistas da técnica e da ciência, aproximando cada vez mais e identificando os diferentes grupos humanos, fazem com que cada acontecimento afete a todos. É evidente que a humanidade está sendo submetida a um processo evolutivo acelerante. Os sinais apontados são o início desse processo.

Ninguém sabe tudo – nenhum ser humano, por mais disciplinado, inteligente e dono de seu tempo que seja, pode hoje aprender tudo o que está à disposição do conhecimento humano. Ninguém, por mais poderoso e influente, não poderá pensar, planejar e atuar, com o acerto e rapidez necessários, em todos os problemas sociais. Ora, não é do intento divino que seja a humanidade subjugada e vencida pelo desespero, ante os penosos e confusos tempos que vamos adentrando. Graças a alguns afortunados cérebros que não se deixam limitar pelo medo, que sobrepassaram o egoísmo e, pelo amor ao próximo, sincero e desinteressado, lograram alcançar as mais profundas verdades do Cristo, está sendo divulgado por todas as partes a necessidade imperiosa de congregar as pessoas em grupos. Pela conjugação dos recursos individuais, na busca da solução dos mais altos e legítimos problemas coletivos, vêm-se obtendo meios para enfrentar a evolução da técnica, a fim de utilizá-la convenientemente, sem violência aos sagrados direitos do ser humano. Ainda há muito erro, decorrente, as mais das vezes, da falta do espírito de equipe. Ademais, há pouco é que, praticamente, se evidenciam as vantagens desta técnica há tanto tempo pregada por Cristo. Mas, ninguém pode deter o fluxo do propósito evolucionário; verifica-se um rápido aumento do trabalho em grupo, em todo o mundo.

Necessidades para se trabalhar em grupo – o primeiro passo para o trabalho em grupo é o reconhecimento de nossas limitações pessoais. Isso nos leva a participar de esforços cooperativos, cujo brilhante futuro mal podemos prever. À medida que nossos egoísmos e interesses imediatistas forem dando lugar ao altruísmo e bem-comum, novas fases irão sendo exploradas no trabalho em grupo. De fato, a formação de grupos de trabalho ainda está na infância. As técnicas são relativamente desconhecidas de uma grande maioria de indivíduos e as forças cósmicas, que unem os indivíduos esparsos em grupos, estão apenas começando a produzir seus impactos sobre a consciência humana. Tais forças fluem primeiramente do Espírito do Cristo Interno e secundariamente da influência de Aquário. Ao se tornarem mais fortes, os grupos de pessoas, de uma natureza mais original e espiritual, se tornarão mais comuns. Eles serão os vanguardeiros e a glória da Era de Aquário. Pelo discernimento de assuntos públicos, Júpiter – o princípio da expansão e da boa vontade, da filantropia e da sociabilidade – revela o que é desejável em matéria de negócios, de religião, de ciência e outros assuntos, suscitando a revisão de atividades para novas e construtivas fases em grupos. Desse modo, utilizando os valores relativos pessoais, sob o impulso do altruísmo e sem ofender a liberdade individual, Júpiter vai tornando possível grandes melhoramentos. Para as pessoas integradas em movimentos humanísticos e espirituais, o trânsito desse Planeta enseja grandes oportunidades de progresso.

No passado, as transições de progresso que se operavam no mundo eram consequências do trabalho de indivíduos mais ou menos iluminados, cujas Personalidades exerciam poderosa ação, atraindo e dominando aqueles que se tornariam seus discípulos. Por intermédio de tais singulares indivíduos o trabalho era feito. Foram grandes homens e mulheres a quem devemos não somente as revelações religiosas, como o progresso nos vários ramos da arte, da ciência, das leis, da política, da filosofia, etc. Eles, em grande parte, fizeram a história, história de umas poucas pessoas, de cujo esforço e gênio dependeram as grandes realizações, em todos os campos de trabalho.

Atualmente essa condição está mudando. Novos métodos e novos homens e mulheres estão rapidamente emergindo. Muitos poucos indivíduos excepcionais surgem, mas, em compensação, levanta-se muitos homens e mulheres aptos para qualquer atividade. Em vez do antigo “mestre” que determinava tudo, observamos hoje muita gente com idêntica habilidade, trabalhando em conjunto. Ampliam-se enormemente as atribulações de responsabilidade e expansão da atividade humana. Devemos, hoje, aprender a trabalhar em conjunto ou nos desatualizaremos. Como predisse Max Heindel, devemos ser iguais, amigos, compartilhando experiências e ações, acima da preocupação de liderança. A Fraternidade é a nova ordem da Era que se aproxima. Ou nos entendemos ou nos limitaremos cada vez mais.

O desejo de se destacar – A ambição para se tornar líder leva a mesma razão que torna o indivíduo inadaptado para a mais elevada forma de trabalho em grupo, não importando quão altruístas e benevolentes possam ser as motivações. O desejo de se destacar, de exercer autoridade, encerra um erro de aproximação à moderna atividade em grupo, pois ressalta a Personalidade, em prejuízo de fatores anímicos de confraternização, de identidade incondicional. Em seus trabalhos com os Irmãos Leigos e Discípulos, os Irmãos Maiores nunca dão ordens, nunca censuram e nunca louvam. O anelo de servir, de viver retamente, deve brotar espontaneamente do interior do indivíduo. Isso o capacitará para a integração da equipe. Esse deve ser o espírito de todo trabalho em grupo.

Tempo está chegando em que, na vida de todo e qualquer indivíduo, a única autoridade a ser levada em conta será o “Eu Superior”, o foro íntimo. Na medida em que cada um aprenda a amar, a honrar e a obedecer a seu “Eu Superior” expressará o que é bom, o belo e o verdadeiro (o que é indispensável na evolução prática dos ideais Cristãos). E para isso é imprescindível se torna compreensivo e harmonioso com todos seus companheiros de atividade, entendendo e seguindo espontaneamente os objetivos do grupo. A intuição, em vez do intelecto, será o fator reinante. Desaparecerão as regras e os regulamentos impostos pelos líderes. Nos novos grupos, em vez de um líder, surge um representante, um porta-voz, o qual, pelo menos em teoria, preside aos trabalhos, por escolha de todos. Em virtude de seus méritos pessoais ele se tornou o SERVO DE TODOS, cujo conceito está muito distante do de um líder que, seguindo suas próprias ideias e determinações, modela e executa o sistema de um grupo.

A especialização em um determinado ramo de atividade – No sentido de ampliar mais as possibilidades do conhecimento, atualmente há uma tendência bastante generalizada: se especializar um determinado ramo de atividade, depois de ter sido adquirido o conhecimento geral da profissão escolhida. Reúnem-se, então, os especialistas de diversos ramos para que todos e cada um contribuam com seus talentos num objetivo e benefício comum. Essa conjugação de técnicos desempenhou importante papel no esforço da última guerra mundial. Igualmente, a interdependência de técnicos foi que produziu o tremendo avanço da medicina, da ciência em geral, da técnica dos negócios. É a prova de que, fundindo e focalizando o conhecimento e poder cerebral de muitos, resolvem-se os mais complexos problemas do mundo. De igual modo, se fundirmos e focalizarmos os atributos do coração, o conhecimento e as energias espirituais de muitos indivíduos devidamente preparados, então pode-se, com toda a certeza, exercer um poder espiritual quase ilimitado na tarefa de libertação do mundo. Esse é um palpitante, profundo e maravilhoso tema para o qual chamamos a atenção especial de todo Aspirante à vida superior sincero.

O trabalho em grupo – Existem utilíssimos conhecimentos em relação ao trabalho de grupo. Contudo, permitimo-nos tecer considerações acerca de fatores diretamente relacionados com atividades espirituais, que é o nosso caso. Temos amplas razões para admitir que, por meio da Fraternidade Rosacruz, conseguiremos promover uma expressiva fase de libertação da humanidade. E para compreendermos como atingir essa realização de efetiva ajuda ao Cristo, estudemos os cinco princípios básicos do nosso esforço em grupo:

1) O primeiro princípio é o SACRIFÍCIO, pois, sugere o impulso amoroso de dar, com renúncia de si mesmo, sem egoísmo. Sem o sacrifício o trabalho de grupo é praticamente impossível. Tudo o que não beneficie o conjunto e suas finalidades e que possa constituir obstáculo para Deus e para o ser humano, deve ser posto de lado. Sacrifício é fazer apenas o que é bom e implica renúncia aos reclamos da Personalidade. É interessante observar, de passagem, que embora exista muitas pessoas altruístas, em todos os lugares, atualmente, poucas são as que agem acima de sua Personalidade com o único propósito de servir e elevar os semelhantes. Aqueles que se reúnem para congregar forças a fim de obter mudanças políticas, para fundar uma instituição filantrópica, quase sempre cobram o preço do prestígio e do proveito pessoal. Raro é o que nada reclama para si, cuja presença e ação, eficientes e silenciosas, constituem o alicerce espiritual do movimento.

O fundamento e a causa de todo poder espiritual residem, em parte, no sacrifício. O egoísta transfere para um plano secundário o interesse impessoal da humanidade, sobrepondo-lhe a glória, a fama e poder material dos membros do grupo. Sacrifício é o “abc” do viver espiritual, é esquecimento próprio, é afastar tudo o que, de alguma forma, possa enfraquecer ou dividir os membros do grupo ou interferir no desenvolvimento de seus propósitos comuns. Não nos referimos somente ao que é errado, mas também ao não essencial, ao que não seja diretamente objetivado pelo movimento pelo qual o grupo está reunido – como, por exemplo, é o caso da Fraternidade Rosacruz –, embora interesse, de modo especial, a um ou a vários membros do grupo.

Cada membro deve ter boa vontade em relação ao grupo, deixando de lado sua vontade pessoal, seus esquemas favoritos e toda forma de ambição pessoal. O que prevalece é a vontade da maioria. Lembremos que, por força da presente condição humana, todos vemos “como que através de um vidro enfumaçado”, isto é, com nossas limitações não percebemos claramente a vontade de Deus e seus agentes, os Irmãos Maiores. Os propósitos dos Irmãos Maiores sobre a questão da elevação e libertação humana respeitam, em primeiro lugar, a liberdade individual, a valorização e o poder de uma FRATERNIDADE; conciliam os aspectos individuais mais legítimos com os propósitos de Deus. Mas, devido às limitações, apenas uma parte do trabalho pode, por ora, ser realizado, porque não enxergamos com clareza os detalhes do Divino Plano Redentor. Todavia, não nos desalentemos por isso.

Por meio do esforço sincero, o Aspirante à vida superior Rosacruz está conquistando, mais depressa, sua libertação e elevação, capacitando-se para um trabalho mais elevado. São poucos os que conseguem. Por enquanto, esforcemo-nos, sem nos aborrecermos por presenciar, frequentemente, membros que não trabalham com idênticas compreensão e unidade de propósito. A perfeição do trabalho em grupo é coisa do futuro. Contudo, um contato íntimo, fundado no amor e numa profunda realização de unidade em Cristo, é possível atualmente, com indivíduos incomuns, que saibam sobrepor-se às diferenças de opinião, que lutam contra as desuniões, porque essas resultam sempre das forças inferiores. É da maior importância, num trabalho em grupo, que todos aprendam a amarem-se uns aos outros, com o Amor de Cristo – amor ágape, incondicional –, de alma para alma, um amor nunca influenciado por fatores pessoais.

O amor é o que ilumina e valoriza o sacrifício. O serviço em favor da humanidade se realizará satisfatoriamente apenas quando se fundar num profundo e permanente amor, livre de crítica (em geral oriundas de frustrações) e orientado pelo firme propósito de não transigir com o erro, com o supérfluo e, sobretudo, com as brechas que entre seus membros produzam desuniões e enfraquecimentos. O sacrifício de fatores negativos pessoais, para perfeita integração e ajuda na Fraternidade, em prol da humanidade é, ao mesmo tempo, uma contribuição preciosa para si mesmo, um exemplo e cooperação à Fraternidade e uma ajuda à humanidade, porque todos os nossos pensamentos, emoções e atos refletem-se em todos os planos da Natureza. Pela contribuição perfeita ao grupo, o indivíduo realiza a superação automática de si mesmo. Pelo esforço de integração, pacificação e eliminação de divergências, cada um harmoniza-se, ao mesmo tempo, a si mesmo.

2) O sacrifício sábio traz, portanto, à atividade, o segundo princípio do trabalho em grupo: a IDENTIFICAÇÃO AMOROSA COM OS COMPANHEIROS DE LABOR. Ao sobrepor-se à Personalidade, cada membro do grupo, pela dedicação ao serviço, cresce em consciência quanto aos propósitos comuns. À medida que cresce, indiferente ao personalismo e egoísmos de toda ordem, identifica-se mais com seu verdadeiro “Eu” e adquire uma atitude de alegria, de confiança própria e de profundo amor ao próximo. Atinge, então, a vivência da “realização da unidade fundamental de si com os demais, em identidade espiritual”. Começa a manifestar sua deidade interna, que permite a superação espontânea de suas solicitações egoísticas e, ao mesmo tempo, fá-lo olhar seus semelhantes, não pelos aspectos externos, não por seus defeitos, senão pela “divina essência oculta em cada um”, o IRMÃO.

Só então atinge a consciência e vive a consciência real do grupo. Muitos de nós, nos instantes de oração ou oficiação de rituais em grupo (quando se processa uma perfeita fusão entre todos), tivemos oportunidade de sentir uma grande vibração. Isto é possível, devido ao princípio de fusão de semelhantes (semelhante atrai semelhante), que é muito mais forte do que uma unidade. Um grupo harmonioso é mais do que um simples ajuntamento de pessoas. São carvões que provocam um fogo que, e em conjunto, focalizados e vibrando num ideal comum, formam um instrumento de Cristo. Por isso foi dito que “onde dois ou mais se reunirem EM MEU NOME” ali Ele estaria! A fusão de almas é o mais poderoso instrumento de corporificação de Cristo, para um trabalho superior, porque produz um volume tão grande de vibração espiritual que pode canalizar, do Mundo do Espírito de Vida, um caudal de energia incalculável. Todos conhecemos essa lei: chama-se a Força de Atração.

Ela determina a atração de pessoas de vibração idênticas, levando-as a diariamente se reunir para um propósito comum. Eis o sentido de cada Centro ou Grupo de Estudos Rosacruz em todo o mundo! O semelhante atrai o semelhante. A mais alta expressão dessa Lei é a fusão de indivíduos preparados para um ideal superior, com plena consciência das leis que regem o trabalho em grupo, isto é, com renúncia de si mesmos e dedicação amorosa ao próximo. Eis como se realiza o trabalho de Cura da Fraternidade Rosacruz, a Cura Rosacruz. A fusão consciente e ardorosa de tais indivíduos forma um canal de natureza tão sublime que atrai um fluxo magnético poderoso do plano Crístico, beneficiando enfermos de todo gênero e enchendo a Terra de uma força equilibradora. Por meio do silencioso poder de tais grupos, os Seres Superiores podem fazer fluir o Poder Curador, a força, a Sabedoria e Amor, para todo este mundo carente. Atualmente o Mundo do Desejo se acha tão conturbado que seus reflexos na humanidade são os que observamos por aí. O contato de Egos, uns com os outros, em propósitos construtivos, é o meio mais eficiente, mais seguro, mais rápido, de libertação individual. O relacionamento de alma, pela autorrenúncia, leva-nos a um conhecimento superior e à unidade com o Cristo Cósmico, pelo despertar de nosso Cristo Interior. As aspirações devocionais e consagradoras para com o serviço, elevam os membros da Fraternidade a planos e condições que, sozinhos, abandonados a seus próprios recursos e às influências que vigoram desde a última conflagração mundial, não poderiam atingir.

3) O terceiro princípio do trabalho em grupo é o SERVIÇO (tônica da Fraternidade Rosacruz). Dele ninguém pode se evadir. Do mais elevado ao mais inferior dos seres vivos, o serviço é o preço a pagar, não somente para o progresso de todos, como também por mera imposição do direito de existir. De uma evasão deliberada, egoísta, do privilégio de SERVIR, origina severas penalidades das leis equilibradoras do Universo. É o que sucede a muitos Egos que atualmente, em alguns países, são obrigados, à FORÇA, a se conformar e servir com boa ou má vontade para atender às necessidades do grupo a que pertencem. O SERVIÇO é a capacidade de identificação do indivíduo com os interesses comuns. Pressupõe, como dissemos, a superação dos interesses pessoais, voluntariamente e regozijosamente. Quem é feliz servindo, torna-se simpático na vida íntima do grupo. É a técnica que liberta o indivíduo dos laços do “eu inferior” e o capacita a integrar a família de Cristo. O verdadeiro serviço não é fácil. Sua legítima expressão pressupõe muita renúncia, persistência e fé: “Poderosamente devem mourejar os que servem os deuses eternos”.

Servir significa sacrifício de tempo, de interesses pessoais, de ideias favoritas. Exige prudência, sabedoria, habilidade de trato, domínio das emoções. Observe-se quão poucos estão preparados para trabalhar impessoalmente. Não se trata de mero negócio, nem de interferências ou de esforços fanáticos. O verdadeiro serviço nasce da combinação das faculdades mentais com as do coração. Não é motivado por estados emotivos, por sentimentalismos, por arroubos acidentes de entusiasmos e tampouco do desejo de progresso espiritual da parte do servidor. O verdadeiro serviço salienta o grupo, em vez de o indivíduo. Por meio do verdadeiro trabalho em grupo nos tornamos mais úteis do que isoladamente poderíamos ser e mais nos aproximamos da nossa FONTE e ORIGEM. Através do serviço verdadeiro expressamos, com mais facilidade, os atributos de nosso “Eu Superior”, o Ego, cuja natureza é naturalmente boa e nobre, amorosa e fraternal, porque “feita à imagem e semelhança do Pai”.

O verdadeiro serviço não é solicitado nem planejado como um fim em si mesmo: surge espontaneamente na medida em que crescemos por dentro e nosso Cristo deseja expandir seus poderes anímicos. Gradualmente, à medida que vamos crescendo por dentro, irradiamos o amor e outras energias espirituais, nunca para nosso próprio engrandecimento, senão para elevação e libertação daqueles que de nós se aproximam. O verdadeiro servidor tira as vistas de si mesmo e de suas realizações, dando atenção integral para as necessidades de seus semelhantes, a começar por seu lar, sem deixar-se prender pelas insidiosas cadeias do interesse puramente familiar. Conduz-se equilibradamente em meio a todas as necessidades, seguindo os impulsos de seu Cristo Interior. A completa submissão à lei do serviço leva-o gradualmente ao íntimo do coração do grupo e a conhecer, para além de todas as dúvidas, que é UNO com as almas IRMÃS. À medida que os membros se elevam assim, o grupo vai atingindo a capacidade de serviço total, o poder e a oportunidade de executar as obras mais inimagináveis.

4) O quarto princípio consiste em RECUSAR tudo o que seja danoso aos interesses do grupo. Isso exige sinceridade, lealdade, coerência. Há muita gente de boa índole que falha neste princípio, por medo de ferir os membros do grupo. Mas a recusa não é desamorosa. Ao contrário: é firme, porém, amorosa, inteligente, esclarecida. Relaciona-se, como veem, com a Força de Repulsão, uma vez que, tudo o que não seja da mesma vibração do grupo tende a ser afastado. Pela manifestação desse princípio, todos os grupos tendem a repelir o que lhe seja estranho ao modo de ser e necessidades, envolvendo pessoas, coisas e condições. Não se trata propriamente de conservação. A evolução do grupo se processa naturalmente, à medida que seus membros evoluem e refletem amorosamente novas necessidades coletivas. Porém, o princípio que estamos considerando preserva o interesse de todos, elevando para Deus as pessoas e coisas identificadas, entre si, como conjunto.

Simbolicamente falando, a totalidade dos membros dedicados de um grupo “reúne seus carvões”, abanando-os pelo serviço amoroso, a fim de que flameje a chama do fogo espiritual, que é um poderoso dissipador das trevas da ignorância e do frio egoísmo que existe no mundo. Por meio de sua própria existência irradiará de tal grupo luz e calor que dissiparão as forças mentais negativas e as correntes miasmáticas do Mundo do Desejo, que escravizam a humanidade. Atuando sobre cada membro ou unidade do grupo, esse quarto princípio imprime, em suas consciências, uma profunda determinação de evitar e repelir, em sua maneira particular de vida, tudo o que possa obstar ou interferir desfavoravelmente nas atividades e interesses comuns. Disso decorre a necessidade de vigilância constante, de si mesmo e não propriamente quanto aos demais. Deve cada um vigiar todas as atividades físicas, emocionais e mentais, a fim de que não chegue a exprimir ação inconveniente.

Compreendendo que sua própria consciência é parte integrante do Todo, a qual, de algum modo misterioso, ele ajuda a sustentar, o membro dedicado e sincero pratica o discernimento e amiúde pergunta a si mesmo: “O que estou pensando, sentindo ou fazendo influencia favoravelmente o grupo? Aumentará ou diminuirá a Luz Espiritual do grupo?”. Então procura, sincero como é para si mesmo, atuar harmoniosamente, recusando tudo o que seja imoral, rancoroso, malicioso, interesseiro, crítica destrutiva, etc. e cultivando apenas, deliberadamente, as vibrações auxiliadoras da sã alegria, da simpatia e do altruísmo. Para o bem do grupo e não por motivos pessoais, trabalha para a pureza, para a estabilidade emocional e pelo controle do pensamento. Respeita e obedece aos propósitos do Grupo e recusa todas as faltas que, dentro de si, procurem prejudicar seu trabalho na equipe. Aprende que não é lutando que vence o egoísmo, senão pelo esquecimento de si mesmo, dedicação aos demais e prazerosa obediência à luz interna, conforme aquela frase de Cristo: “Aquele que perde sua vida por Minha causa, encontrá-la-á”.

5) Quando cada membro tenha aprendido a trabalhar em íntima cooperação mental e espiritual com seus companheiros; quando o desejo de crescimento pessoal e espiritual tenha sido transcendido e cada um tenha dado tudo o que pode ao grupo, então o quinto princípio começará a atuar. Esse princípio que brota da UNIDADE de cada um com todos, originará uma automática distribuição das conquistas do grupo, de forma que, qualquer unidade ou membro começará a sentir e expressar tudo o que o grupo tenha conquistado, embora individualmente não o tenha pretendido. Uma completa realização, por parte de um membro do poder do amor, por exemplo, eventualmente se tornará uma realização consciente de todo o grupo e, assim, em relação a tudo em evolução. É a lei que Cristo enunciou quando disse “Se eu ascender levarei comigo todos os seres humanos”.

Indubitavelmente existem outros princípios que operam nos grupos, a respeito das quais, atualmente, pouca noção temos. Contudo, a boa vontade de nossa parte, em adaptar nossa vida aos princípios aqui enunciados, nos possibilitará percorrer mais rapidamente e proveitosamente o longo caminho que nos conduz às novas e luminosas condições da Era de Aquário.

(por Elvin Joseph Noel)

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Comentários à Luz do Cristianismo Esotérico sobre “Declaração Universal dos Direitos Humanos”

A história pré-cristã da humanidade está pontilhada de conflitos. O relacionamento entre os povos era sempre belicoso. As guerras de conquista compunham a rotina da época. As nações mais frágeis sucumbiam ante o poderio e a sanha dominadora das mais fortes. Os vencidos, não raro, eram passados a fio de espada. Na melhor das hipóteses eram escravizados e rebaixados a condições animais.

Mesmo no seio das nações prevalecia a lei do mais forte, com o povo padecendo a ausência de direitos e proteção por parte dos poderosos.

A ação separatista dos Espíritos de Raça gerava o ódio entre as nações e tribos. Em tudo se notava a presença do egoísmo como terrível cancro a consumir o pouco de nobre que existia no ser humano.

O altruísmo inexistia. A bondade e a compaixão eram consideradas o apanágio dos fracos.

Com o advento da Religião Cristã as coisas começaram a tomar um rumo diferente. O altruísmo já despontava como um ideal louvável e possível de ser alcançado. A nova doutrina pregava o Amor como o fundamento essencial do bom relacionamento humano.

O Cristianismo conquistou um número fabuloso de seguidores. As guerras e os conflitos, porém, sucedem-se com os mesmos requintes de barbarismo. A despeito desse panorama, até certo ponto semelhante àquele dos tempos antigos, há uma diferença fundamental: hoje, já se esboça uma reação contra esse estado de coisas. O efeito desolador dos conflitos desperta gradativamente a necessidade de se instalar uma era de paz definitiva. O que, antigamente, era fato comum, nos dias atuais principia a causar horror. As pessoas já sentem isso.

A paz representa, atualmente, o maior objetivo das nações. Essas, contudo, para alcançar a meta proposta, devem empenhar-se em torná-la realidade dentro de suas próprias fronteiras, proporcionando melhores condições de vida a seus habitantes. Daí, pode-se partir com segurança para uma tentativa de estabelecer laços de amizade e cooperativismo com povos além-fronteira.

Uma sociedade que não assegure certos direitos básicos a seus cidadãos, não merece tal denominação. O direito à vida, ao bem-estar, ao progresso, à preservação da integridade física e moral, deve ser ponto de honra na vida de qualquer país.

Por inspiração do Cristo, a sociedade humana vai aos poucos tomando consciência dessa realidade. Seu trabalho unificador faz-se sentir em todos os setores. À medida que nos aproximamos da Era de Aquário esses ideais vão encontrando ressonância, até sua concretização final. Só assim poderá ser inaugurada a Fraternidade Universal, cuja realização será possível quando o egoísmo for definitivamente erradicado do coração humano.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos [1] constitui uma manifestação palpável da compreensão dos princípios essenciais do Cristianismo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1974 – Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.R.: Observação: o termo “homem” no texto abaixo significa: Humanidade; espécie humana, ser humano, que atualmente está em desuso. Ou seja, atualmente o termo “homem” é melhor utilizado para denominar seres humanos adultos do sexo masculino.

Texto na íntegra da: Declaração Universal dos Direitos Humanos

Adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro 1948.

Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,

Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade,

Considerando ser essencial que os direitos do homem sejam protegidos pelo império da lei, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,

Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos do homem e da mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, Considerando que os Estados Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem e a observância desses direitos e liberdades,

Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo 1

Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo 2

I) Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo 3

Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4

Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas.

Artigo 5

Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo 6

Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Artigo 7

Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos tem direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8

Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo 9

Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10

Todo o homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo 11

I) Todo o homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa.

II) Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo 12

Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques a sua honra e reputação. Todo o homem tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo 13

I) Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.

II) Todo o homem tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo 14

I) Todo o homem, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.

II) Este direito não pode ser invocado em casos de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 15

I) Todo homem tem direito a uma nacionalidade.

II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo 16

I) Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, tem o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.

II) O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.

III) A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo 17

I) Todo o homem tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.

II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo 18

Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo 19

Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.

Artigo 20

I) Todo o homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.

II) Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21

I) Todo o homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.

II) Todo o homem tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.

III) A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo 22

Todo o homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade.

Artigo 23

I) Todo o homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.

II) Todo o homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.

III) Todo o homem que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.

IV) Todo o homem tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo 24

Todo o homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.

Artigo 25

I) Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.

II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo 26

I) Todo o homem tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnica profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, essa baseada no mérito.

II) A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.

III) Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo 27

I) Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios.

II) Todo o homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo 28

Todo o homem tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo 29

I) Todo o homem tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.

II) No exercício de seus direitos e liberdades, todo o homem estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.

III) Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 30

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Panaceia: no que consiste e como ela pode nos beneficiar?

Existem algumas palavras-chave nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental – os Ensinamentos Rosacruzes –, de função bem definida em relação às aspirações do Mundo Ocidental, tais como: panaceia, cosmos, arquétipo, Ecclesia, Epigênese, hierofante, neófito, mistério, misticismo, etc.

A filosofia e mitologia grega, pré-cristã, criaram estas palavras para atender ao significado mais profundo de certas atividades e realizações em suas escolas de mistérios, durante um dos períodos mais gloriosos da História humana – que fora a Idade Áurea. Os criadores destes termos simbólicos foram: Sócrates, Platão, Aristóteles, Pitágoras, Hipócrates e outros iluminados da Grécia antiga.

O Estudante Rosacruz está familiarizado com esses vocábulos, mas, frequentemente, passa por cima do significado mais profundo ou porque não presta a devida atenção, ou porque não compreendeu, ainda, a diferença que isso faz para a perfeita assimilação dos seus estudos.

Ao compulsar o sentido etimológico podemos desvelar significados mais sutis, convertendo-os em símbolos vivos e imagens pulsantes do pensamento ocidental.

Deles, o que, talvez, encerre maior significado é a palavra – e o conceito que há no seus significado – PANACEIA aplicada nos Ensinamentos Rosacruzes.

Na Filosofia Rosacruz há três pedras angulares: curar, servir e propagar. Sobre elas os Irmãos Maiores edificaram seu trabalho em benefício do mundo. Ora, panaceia exprime a atividade de cura!

Em seu simbolismo, panaceia expressa a aspiração e o desvelo da Fraternidade Rosacruz no desenvolvimento da arte de curar pelo Método Rosacruz, a Cura Rosacruz.

O dicionário define panaceia como um remédio universal, pois pode curar todas as enfermidades e doenças.

No grego, panakeias é um vocábulo composto: Pana (todo ou pão) e o verbo akeistar (curar). Literalmente: o “pão da cura”, ou seja, o remédio com a fórmula para tudo curar: mental, moral ou fisicamente.

Na mitologia grega Panaceia e Higéia (saúde) eram irmãs, filhas de Asklêpios (em latim Asculapius, em português Esculápio) – o deus da cura. Por sua vez, Esculápio era filho de Apolo (Sol, vitalidade, luz) – o grande médico.

Desde tempos imemoriais havia Templos de Cura. Na Grécia eram dedicados a Asclépio, o deus da cura. Seus sacerdotes compunham grupos de curadores especializados, devotos e espirituais. Praticavam a medicina em o sagrado recinto de cura (asklepión).

Sob configurações astrais favoráveis (pois aliavam os conhecimentos de Astrologia), os enfermos eram levados a esse lugar santo (asklepión) onde, em cerimônia religiosa, tomavam tabletes, espécie de hóstia sagrada deixada pelos ex-pacientes agradecidos, após sua cura, na elevação de sua fé ao deus da cura.

Depois deste serviço religioso, os enfermos eram deixados no recinto sagrado a dormir. Durante o sono, os sacerdotes lhes ministravam os remédios – a panaceia – por meios conjuros (ritual especial) e encantamento, regidos por Higéia e Asclépio. Por este meio de cura, muitos pacientes ao despertar na manhã seguinte estavam completamente curados, tal como relatam os manuscritos da época.

Esse ritual é tecnicamente conhecido como “incubação” (em grego epoas, que quer dizer empolar ou deitar-se sobre ovos).

Há grande semelhança entre o templo grego de cura (asklépión) e a arte de Cura Rosacruz. Os dois empregam o método de ajuda espiritual, da Escola Ocidental de Mistérios; ambos ajudam a humanidade a alcançar a saúde do corpo pela combinação da panaceia espiritual e dos meios físicos. É a ação do Grande Curador, aproveitada pelos conhecimentos de Astroterapia e auxiliada pela dieta alimentar adequada, exercícios, preparo mental e emocional, etc.

Quando aprofundamos o significado de Higéia (saúde) e Astroterapia, do ponto de vista Rosacruz, compreendemos por que Max Heindel definiu: “há saúde física apenas quando os órgãos trabalham em perfeita ordem e harmonia”. Quando um órgão diminui sua função, provoca desequilíbrio na harmonia do conjunto e surge a enfermidade ou a doença.

A enfermidade ou a doença se prolonga por causa dos abusos e da ignorância. Se o paciente sabe aproveitar as configurações astrais favoráveis e colabora com o Departamento de Cura de um Centro Rosacruz que o possua, cumprindo sinceramente sua parte, então a panaceia lhe é aplicada, coroando seus esforços de viver segundo as Leis da Natureza, que são as Leis de Deus. Diz Max Heindel: “A panaceia faz com que a substância concentrada da Vida de Cristo flua através do Corpo Denso e do Corpo Vital do paciente, dando a cada célula um ritmo que desperta o Ego preso em sua letargia, devolvendo-lhe vigor e saúde”.

Em que consiste essa panaceia? Como pode ela nos beneficiar?

Max Heindel nos relata o que pôde constatar, quando visitou pela primeira vez o Centro Espiritual da Ordem Rosacruz: “É uma visão inolvidável! Ao penetrar no Templo, vi três esferas suspensas no teto, no meio do salão. Na esfera superior observei um pequeno recipiente com vários pacotes cheios de substância do Espírito Universal. Os Irmãos sentaram-se numa certa posição, enquanto a música preparava o ambiente”.

Inesperadamente as três esferas começaram a brilhar com as três cores primárias: a de cima, azul; a do meio, amarelo; a de baixo, vermelho.

Durante esse encantamento, cheio de beleza, reparei que o recipiente dos pacotes se iluminou de uma essência espiritual. Vi como os Irmãos tomaram essa substância, aplicando-a aos pacientes adormecidos, à medida que os visitavam à noite”.

Continua Max Heindel: “Quanto ao efeito da panaceia, é maravilhoso! Quando aquela substância dos pacotes (panaceia) era aplicada, irradiava-se pelo Corpo do paciente como uma luz mágica, destruindo toda matéria cristalizada que cobria os centros espirituais do Corpo enfermo. A cura era instantânea e o paciente despertava são na manhã seguinte”.

A Astroterapia, à parte da Astrodiagnose e do prognóstico pelos Astros, tem sido de grande importância na medicina de todos os tempos. Pelas Progressões e pelos Trânsitos dos Astros, aplicados a cada enfermo, o profissional de saúde, que utiliza a Astroterapia, pode chegar a conclusões importantes e prevenir crises que se anunciam. Talvez não haja ciência mais estreitamente unida a medicina que a Astroterapia.

A Astrodiagnose, por exemplo, tem sido de uma importância capital na arte de curar. Era o método de diagnóstico que os profissionais da saúde da antiguidade utilizava e constitui um auxiliar precioso aos profissionais da saúde de hoje. No Departamento de Cura de um Centro Rosacruz que o possua é o método básico de diagnóstico. Max Heindel considerava a Astrologia mais importante que a clarividência, porque, baseada na Lei Cósmica, é muito mais rápida, exata e ampla.

Voltando à palavra panaceia, observemos que ela esteve presente no juramento hipocrático, que se estendeu por quase vinte e cinco séculos como guia de ética na profissão “médica”. Tal juramento se inicia com essa invocação: “Juro, pelo médico Apolo, por Asklépios, por Higéia e por Panaceia, etc. etc.”. Hipócrates viveu no século quinto A.C. e é conhecido como o “Pai da Medicina”. Era um Ego avançado, devotado à arte de curar, com grande amor à humanidade. Ele combinava os esforços e contribuições da medicina e da física com poderes espirituais em suas práticas de cura, porque sabia que a enfermidade é, ao mesmo tempo, física e mental. Daí tratar do paciente como um todo: Corpo, Mente e Espírito. Seu tratamento incluía medicina, dieta, massagens, exercícios, estudos e práticas espirituais. Só mesmo quando tudo isto não resultava eficaz recorria à cirurgia.

Hipócrates fez da medicina uma ciência. Não só definiu as funções do “Sacerdote” e do “Médico”, combinando sua contribuição, como também destacou a medicina da filosofia.

Atribuem-lhe muitos aforismos famosos, tais como:

“Onde há amor, há humanidade”. “Não há arte de cura sem amor”.

“Nenhuma enfermidade é só divina ou só humana; todas têm sua própria natureza; cada pessoa apresenta sua própria causa. Assim, nenhuma enfermidade se produz sem causa natural”.

Deste último a medicina moderna adaptou o asserto: “Não há doenças; há doentes”.

Hipócrates ensinou que a natureza é a grande curadora.

Antes de Hipócrates, os métodos gregos de cura estavam em sua infância e tinham caráter mágico-religioso. No tempo de Hipócrates assumiram feição médico-filosófica, levando em conta todos os fatores que pudessem favorecer a cura. Com o tempo, reduziram-se a uma ciência natural, mais especulativa, limitada aos próprios recursos e reduzida em sua eficácia.

Notem no método de Cura Rosacruz: muitas pessoas podem testemunhar a eficiência da panaceia espiritual; seus efeitos são evidentes, mas não podem ser confirmados cientificamente, senão por comparação entre o estado anterior e posterior do paciente. Quer dizer: não se pode explicar praticamente.

A medicina, ao contrário, dá explicações teóricas para quase tudo, sendo mais facilmente aceita por aqueles que desejam evidências.

No entanto, o que vale é o resultado, mais completo e eficaz, de vez que abrange o ser humano integral, consolidando a harmonia física, emocional e mental sem os inconvenientes tóxicos.

O método de Cura Rosacruz foi transmitido a Max Heindel pelos Irmãos Maiores e se baseia nos mais puros princípios da medicina natural, combinados com métodos espirituais de harmonização emocional e mental. Concilia, pois, os diversos aspectos: panaceia espiritual, Astroterapia, dieta, homeopatia, osteopatia, tratamento quiroprático, etc.

O conceito Rosacruz de enfermidade e doença, tal como se depreende da filosofia exposta por Max Heindel, deseja contribuir para que a medicina seja restituída a seu lugar exato, deixando seu limitado campo de experiência e combine todos os fatores solicitados pelo ser integral.

Em tal sentido, Max Heindel construiu, em Mount Ecclesia, um Sanatorium ou Sanitarium (“casa para curar”), onde aplicava todos os recursos na recuperação completa dos enfermos.

Em seu livro “Cartas aos Estudantes”, Carta nº 6, de junho de 1911, último parágrafo, diz Max Heindel: “Denominamos Mount Ecclesia a este maravilhoso recanto da natureza. Iniciamos um fundo para construção de um edifício adequado, uma Escola de Cura, um Sanatorium ou Sanitarium e, por fim, um Templo de Cura, uma Ecclesia onde seja possível preparar a panaceia espiritual, que será aplicada pelos auxiliares devidamente capacitados, aos enfermos que, no mundo inteiro, nos solicitar ajuda”.

Não pode realizar esse objetivo. Durante toda a sua vida o desejou, lamentando não haver encontrado meios para realizá-lo, conforme exprime na Carta n.º 24, de novembro de 1912.

No entanto, formou-se um competente Departamento de Cura, com recursos astrológicos utilizando a Astrologia Rosacruz, orientação sobre medicina natural (higiene, alimentação, tratamento, etc.) que tem atendido eficazmente a todo o mundo, membro ou não, logrando resultados auspiciosos.

O sonho de Max Heindel permanece como ideal embrionário, uma aspiração germinal. O que se realiza apenas no Templo etérico da Ordem Rosacruz será realidade em muitos núcleos futuros, quando houver pessoas devidamente preparadas.

Os gritos de dor e angústia da humanidade carente, chegam à Mount Ecclesia, pelas milhares de cartas endereçadas ao Departamento de Cura e em todos os Centros Rosacruzes no mundo que também possuem um Departamento de Cura. De toda maneira, a ânsia concentrada dos enfermos, sua esperança em um método mais completo, estão criando condições para que os Irmãos Maiores realizem seu ideal de cura, por meio dos homens e das mulheres de boa vontade, sensíveis a esse sofrimento.

Max Heindel estava seguro de que um dia os Centros de Cura se estabelecerão sobre linhas científicas, explicando os recursos espirituais que emprega. Em um futuro não muito distante teremos Discípulos bem qualificados, movidos pelo amor altruísta, dignos de receberem e encaminharem a panaceia, aos lugares de cura estabelecidos com esse propósito.

Ele nos encarece fazermos todo o possível para manter a unidade de esforço, no intento de curar. Insiste sobre a importância de realizarmos, com todo o amor, as Reuniões semanais de Cura, apesar de não podermos contar o mecanismo de ação. Aconselha o estudo dos recursos naturais e da Astrologia Rosacruz médica, para sermos úteis a nossos semelhantes. Sobretudo nas Reuniões de Cura geram a panaceia, para os Auxiliares Invisíveis realizarem amplamente sua tarefa.

Era firme crença de Max Heindel: “Qualquer movimento, incluindo a Fraternidade Rosacruz, deve reunir os três atributos divinos: ‘Sabedoria, Fortaleza e Beleza’, para que cresça e perdure. Esses três atributos geraram a Ciência, a Religião e a Arte. Igualmente, cada Estudante Rosacruz deve empenhar-se para conquistar e desenvolver em si estes três atributos, até certo grau, aplicando-os no trabalho de conjunto, para que a Fraternidade Rosacruz realize o que os Irmãos Maiores planejaram. Estudantes que são profissionais de saúde devem procurar a conciliação dos recursos espirituais de cura (panaceia e recursos auxiliares, que atendam ao ser integral) com os descobrimentos da ciência moderna, que dê um caráter científico-espiritual ao Serviço de Cura, tal como está previsto para a Era de Aquário”.

A tarefa é extremamente difícil, tendo em vista a resistência acadêmica, o materialismo e os interesses em jogo. Entretanto, cabe a cada um de nós realizar aos poucos esta sublime aspiração.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1976-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Chamada – Uma Conversa na Pró-Ecclesia

Os Planetas giram ao redor do Sol ano após ano, século após século, com precisão invariável, mas eles têm alguma variação. Dentro do curso prescrito, cada um pode variar um certo número de graus no espaço e o mesmo acontece na vida do ser humano. Os grandes eventos, o nascimento e a morte, são incidentes inevitáveis na vida aqui de cada um de nós, vida que nunca acaba e nunca começa. Como Sir Edwin Arnold diz.

Nunca o Espírito nasceu,

Nunca o Espírito deixará de existir.

Nunca houve tempo em que não existisse.

Fim e começo são sonhos.

Sem nascimento e sem morte

Permanece o Espírito para sempre.

A morte não o tocou em coisa alguma.

Embora a casa pareça morta…

Não! Ele apenas deita

Seu manto gasto

E tomando um novo diz:

Este eu vou usar hoje!

Então coloca o Espírito

Sua vestimenta de carne

E principia a herdar

Outra residência.

Embora certos eventos devam acontecer a todos os seres humanos, há alguma variação na vida, um livre-arbítrio que podemos exercer a fim de moldar nossas vidas como desejamos e trabalhar o destino para nós mesmos à nossa própria maneira. Isso é bem afirmado, como podemos ver nos versos abaixo:

Um navio navega para o leste e outro, para o oeste,

Com o mesmo vento que sopra.

É o sistema de velas e não o vento,

Isso é o que determina o caminho que segue o navio.

Como os ventos do mar são os caminhos do destino

Enquanto viajamos pela vida,

É o ato da alma que determina o objetivo

E não a calma ou o conflito.

Existe um propósito geral na vida e somos guiados por um caminho amplo e determinado que é denominado Caminho da Evolução pelas Hierarquias Criadoras, também chamadas de Hierarquias Zodiacais. Temos a liberdade de escolher nossos cursos individuais nessa estrada larga e não é por acaso, portanto, que alguns de nós conhecem, estudam, vivenciam, desenvolvem-se e promovem os Ensinamentos Rosacruzes como preconizados pela Fraternidade Rosacruz. O Sol, pelo seu movimento de Precessão dos Equinócios, agora está se aproximando da cúspide de Aquário e uma Nova Era começará em breve. Novas características nas pessoas estão para aflorar em seus novos Renascimentos.

É nossa missão guiar o trabalho do mundo ao longo de caminhos novos e mais elevados — para promover novos ideais, para que possamos entrar na próxima espiral da evolução. Afinal, a Fraternidade Rosacruz é o arauto da Era de Aquário.

Na antiga Época Atlante, quando a Época Ária ainda não tinha chegada, Deus, por meio de Seus profetas, falou ao povo em quem viu certas qualidades que poderiam ser aproveitadas: “Saia do meio deles e seja meu povo; Eu serei o seu Deus e lhe darei uma terra onde transborda leite e mel; a sua semente será tão numerosa como as areias da praia[1].

Essa chamada soa hoje, mas dentro do peito de cada indivíduo. Muitas pessoas estão elaborando seus destinos como desejado pelas Hierarquias Criadoras, pela atração causada pela ilusão do ouro que concebem ser uma recompensa por seu trabalho. Há um número crescente de pessoas, no entanto, cujo discernimento interior tornou claro para elas que trabalhar por uma recompensa material, na forma de ouro é loucura. Essas pessoas agora ouvem o chamado em seus corações: “Saia do meio deles e seja meu povo; Eu serei o seu Deus”. Embora ainda possam continuar a cumprir seus deveres no mundo, doravante não será por causa do ouro material, que eles sabem ser verdadeiramente inútil, mas por Deus, independentemente de uma recompensa material que esteja além das necessidades com as quais manter o corpo e a alma juntos. Assim, eles servem na “vinha do Cristo” e acumulam, quer pensem nisso ou não, uma recompensa espiritual, um tesouro no Céu que é maior do que o ouro terreno.

É com esse propósito que nos reunimos em Mount Ecclesia, na Fraternidade Rosacruz. Não estamos aqui para viver uma vida de ociosidade, sonhando, mas para preparar e endireitar o caminho da Era de Aquário, que está despontando no mundo. Para fazer isso com eficiência devemos trabalhar como uma unidade, em paz e harmonia.

Você já viu o cadinho em que um profissional derrete o metal, como por exemplo, o chumbo? Vários pedaços de chumbo são colocados no cadinho, mas gradualmente perdem sua forma distinta e separada para se fundir em uníssono com os outros, até que todos se tornem um. Ainda assim, há em cada peça alguma escória que não derrete nem é incorporada ao metal; é jogada para cima pelo calor e o profissional a remove até que o metal esteja limpo — tão claro que ele possa ver seu próprio rosto ali. Da mesma forma, na Fraternidade Rosacruz somos muitas formas distintas e separadas, cada uma com suas próprias características e idiossincrasias. Fomos jogados no caldeirão. Todos devem “afundar” sua Personalidade na causa comum, se quisermos ter sucesso em nosso trabalho de divulgação dos Ensinamentos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz e na preparação do caminho para a Nova Era. Pode não ser fácil para nenhum de nós esquecer-se de si mesmo, mas pelo calor e fricção que são gerados nesse processo de amálgama as arestas agudas são arredondadas e derretidas para que nos ajustemos a nossos irmãos e a nossas irmãs. 

Adaptabilidade é a grande palavra de ordem; sem isso não podemos amalgamar; contudo, devemos esperar ser descartados como a escória do caldeirão; enquanto os nossos corações não forem perfeitamente purificados para que a face de Deus seja vista neles, Ele não poderá fazer o melhor uso de nós em Sua obra.

Portanto, que nos esforcemos dia a dia para trabalhar seriamente e honestamente na “vinha do Cristo”, onde quer que estejamos colocados, lembrando o grande e glorioso destino que está diante de nós. Vamos considerar todas as tribulações atuais como indignas de serem mencionadas. Embora possamos ser mal compreendidos pelos amados que estão próximos a nós e até ser desprezados por quem pensa unicamente em acumular o ouro que se deve largar às portas da morte, voltemos os nossos rostos para a meta do nosso chamado e trabalhemos fielmente pelos tesouros espirituais, que perduram para sempre.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de April/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Gn 24:6

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Nossa Realização Integral

Se ponderarmos sobre as carências humanas e paralelamente avaliarmos o que a Filosofia Rosacruz pode oferecer a cada indivíduo em termos de realização integral, admitiremos, indubitavelmente, a missão transcendental a ser cumprida pela Fraternidade Rosacruz em um futuro não muito distante. Muito embora ainda conte com um número relativamente pequeno de abnegados Estudantes engrossando suas fileiras, ela já desponta como uma força respeitável. Uma lente, por diminuto que seja seu porte, tem o condão de concentrar o calor oriundo dos raios solares, podendo inclusive queimar algum objeto colocado sob seu foco. Da mesma forma, o Estudante Rosacruz dedicado e perseverante serve de canal consciente às vibrações emanadas do alto. E tais vibrações serão tão poderosas quanto o seu grau de adiantamento, convertendo-o, naturalmente, em “sal e luz” a influenciar de modo benéfico e construtivo o seu meio ambiente.

A Fraternidade Rosacruz, constituindo-se em um agrupamento de Estudantes Rosacruzes imbuídos do mais elevado sentimento de idealismo, exerce uma influência de âmbito maior. No Brasil ela já participa da vida comunitária, tomando conhecimento dos problemas que afligem as massas, conscientizando-se de sua responsabilidade face a esses problemas, analisando-os à luz e orientação dos sagrados Ensinamentos Rosacruzes, opinando, sugerindo medidas aos poderes governamentais, participando, sobretudo desinteressadamente. Que privilégio maravilhoso, o de penetrarmos no âmago, nas raízes mais profundas dos problemas humanos, identificando-lhes as causas e apontando as soluções! À medida que nos aproximamos da Era de Aquário, notamos aumentar o número de pessoas desejosas de conhecer verdades mais amplas. Insatisfeitas com as migalhas atiradas pelo mundo, desiludidas com o materialismo e com a ortodoxia religiosa, aspiram ansiosamente por um mundo novo. Mundo liberto das paixões e do orgulho intelectual, dos preconceitos anacrônicos e dos “ismos” cristalizantes. Mundo isento de medo e incertezas. Mundo sem barreiras entre os seres humanos, onde cada um se apresente como realmente é, sem títulos nem rótulos. Mundo do indivíduo-criança na simplicidade e espontaneidade de ação. Mundo da criança-adulto na responsabilidade e compreensão. Mundo onde todos se mirem sem constrangimento, relacionando-se como Espíritos, células indestrutíveis de Deus, destinados a um porvir glorioso.

Esse é o mundo do futuro. Sua construção já foi iniciada. Seus alicerces já foram fincados. Falta erigir a Obra. A Fraternidade Rosacruz tem colaborado efetivamente nesse trabalho tornando-se um dos arautos de uma humanidade renovada. Desde a sua fundação não tem sido outra a sua meta.

Convertemo-la em nossa bandeira e ideal! Dediquemos-lhe uma parcela de nossas energias! Boa vontade é o requisito necessário! A Fraternidade Rosacruz espera contar com um mínimo de nosso empenho, retribuindo-nos com a suprema oportunidade de colaborar na construção de um mundo melhor.

(de Gilberto A V Silos – Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1972-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Grande Aventura

Na data de 16-7-69, às 10h32 (hora de Brasília), a cosmonave Apolo 11 subiu do Cabo Kennedy com destino à Lua, levando os astronautas americanos na mais perigosa conquista já tentada pelo ser humano. Após dar uma volta em torno da Terra, a Apolo 11 arrancará em direção à Lua a uma velocidade de 40.000 km/h que à libertará do campo de atração terrestre. O trem espacial entrará em órbita lunar na madrugada do dia 20, domingo. O pouso na Lua está previsto para as 17h21. O local será o “Mar da Tranquilidade”. Dia 21, Armstrong e Aldrin despressurizam a cabina do módulo e abrem a porta. Armstrong sai da nave e começa a descer a escada. Puxa um anel do exterior do módulo abrindo uma escotilha de onde uma câmera de televisão filma a superfície da Lua e os últimos degrau da escada. Armstrong pisa na superfície lunar. Aldrin começa, também, a descer a escada. Os dois recolhem material da superfície lunar. Colocam aparelhos científicos na superfície. Retornam. Às 14h55 ligam o motor de subida do módulo. As 15h02 entram em órbita lunar. As 22h25 abandonam a órbita lunar. Dia 24, às 13h37, entram na atmosfera terrestre sobre o Pacífico Sul. As 13h51 descem, submetendo-se os astronautas ao período de quarentena que terminará em 12 de agosto.

Como veem, tudo matematicamente previsto. A resenha acima não mostra todos os pormenores do programa. Admirável realização da ciência moderna. Tudo isso havia sido previsto por Max Heindel, segundo se pode ver por seus livros, escritos nos inícios deste século.

É o impulso de Aquário, o Signo de Ar, onde estamos sob a Órbita de Influência, por meio do movimento de Precessão dos Equinócios. Embora o pleno desenvolvimento ocorra quando, de fato, o Sol entrar em Aquário por Precessão dos Equinócios, a influência aquariana já se iniciou com os inventos relacionados com o ar (telégrafo, telégrafo sem fios, rádio, televisão, aviação, radar, utilização do vapor e dos raios solares, naves espaciais, etc.), num ritmo galopante e mostrando o desencadeamento de uma nova era para a qual devemos estar preparados.

Tudo muito bem no lado material. Mas a matéria é consequência. Matéria é espírito cristalizado. A causa está nos planos espirituais. A influência de Aquário tem sua maior importância nos planos mais sutis, conforme nos mostram os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental.

Urano rege o Éter que, embora de natureza física mais refinada, não foi conquistado pela ciência material, que não pode confiná-lo, em seus atuais aparelhos, para estudo. Sabe apenas que ele é responsável como transmissor de vibrações. Mas, a Filosofia Rosacruz, mercê das capacidades supra-humanas do Iniciado Max Heindel (seu fundador e expositor) revela pormenores e funções, cujo conhecimento e influência em nossa vida merecem de todos um estudo interessado. Realmente, nesse conhecimento e sua aplicação fundamentam-se as condições futuras que hoje devemos edificar, sob risco de sofrermos as consequências psíquicas dos desafios que se anunciam. O Éter não é, como ainda supõe a ciência, uniforme, ele pode ser estudado em quatro densidades vibratórias diversas. Cada uma delas recebeu denominação especial, consoante suas funções. Do mais denso ao mais refinado, são: Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso e Éter Refletor.

O impulso evolutivo promovido por Cristo, do interior de nosso globo terrestre, realiza-se pelo plano etérico, pois somos constituídos corporalmente à semelhança da Terra (“como é em cima é em baixo”). Pelo Corpo Vital é que se realiza a tarefa de transubstanciação e regeneração do ser humano, transformando-o, no dizer de São Paulo apóstolo, “de homem velho em novo, de corruptível em incorruptível”. Seu detido estudo constitui, portanto, assunto dos mais atuais e importantes à nossa evolução. Ele é a chave da filosofia Cristã mais avançada, a que Max Heindel chamou “Cristianismo Esotérico”, a Religião do futuro.

Mercê do exposto, a conquista espacial, de caráter meramente material, sem subestima da admiração que nos merece, representa uma pequena amostra do que virá. Se realizamos apenas o aspecto material, sofreremos os desequilíbrios resultantes dos aspectos internos, mais importantes, atrofiados, por desleixo e descrença. As neuroses, as psicoses e desequilíbrios, com suas mil e uma formas de manifestação mórbidas, estão a reclamar, a cada dia que passa, mais hospitais. O cientista materialista não se apercebendo de seu erro milenar, investiga, estuda, classifica, os astros longínquos, e desconhece o solo que pisa; a geologia é matéria muito nova. Pouco sabe o ser humano da camada sólida que pisa. Quanto mais dos outros Estratos da Terra, progressivamente mais sutis. Há uma correspondência, o ser humano parte para a conquista da Lua sem haver conquistado nem conhecido a si mesmo. Os desequilíbrios e as enfermidades decorrentes estão a desafiá-lo, sem solução próxima.

O Cristão Ocultista sabe que no conhecimento e cultivo de sua natureza etérica está todo um programa, cuja realização lhe reverte em paz interna, em iluminação e em saúde, numa só palavra, na real felicidade humana.

O Corpo Vital é um veículo de hábitos. Sua chave, pois, é a repetição. Pela repetição se gravam e automatizam os impulsos bons e maus. Mas o seu conhecimento, aliado à disciplina e à vontade, possibilitam-nos a reforma de hábitos e, com isso, à regeneração em todos os sentidos, pois é indiscutível, à luz da ciência oculta, como da acadêmica que a saúde global abrange os aspectos mental, emocional, psíquico e físico.

A psicologia profunda progrediu muito em direção às realidades ocultas, de há muito enunciadas. Mas, ainda ignora muita coisa. Por exemplo: a Memória ou Mente inconsciente, mais conhecida como Subconsciente, é formada automaticamente pelo Éter do ar aspirado. Estamos continuamente gravando internamente, em nosso Corpo Vital, as impressões do que se passa a nosso redor, com a mesma fidelidade de uma máquina fotográfica em relação à cena focalizada, quer o fotógrafo observe quer não, seus pormenores. Eis a explicação de uma criança de alguns dias gravar impressões mentais, emocionais, psíquicas e físicas do meio ambiente imediato, que mais tarde, muitas vezes, lhe provocam complexos e desajustes. Esse conhecimento alerta os ocultistas para viverem mais atentamente, observando e discernindo com toda consciência possível os fatos da vida diária, a fim de que os registros de sua memória consciente coincidam com os da subconsciente. Está provado que os desajustes, discordâncias entre as gravações consciente e subconsciente, geram mal-estar, insatisfações, angústias e muitas outras manifestações do gênero. Ao contrário, uma vida atenta, conscienciosa, gera, paz e equilíbrio. Quando o ocultista sente haver agido mal, sua sensibilidade logo o acusa. E no exercício de Retrospecção noturno ele o purga pelo sincero arrependimento e propósito de não reincidir. Esse o real sentido psicológico de “orar e vigiar”. Voltando à natureza dos Éteres e suas funções, lembramos:

1 – ÉTER QUÍMICO: Responde pelo metabolismo. Pelo polo positivo, assegura a assimilação. Pelo negativo, a excreção.

2 – ÉTER DE VIDA: Procriação. Pelo polo positivo capacita o sexo feminino a gerar e formar um novo ser. Pelo negativo, capacita o sexo masculino a fecundar.

3 – ÉTER LUMINOSO: Sensação, circulação, vibração. Pelo polo positivo assegura calor sanguíneo e circulação do sangue, das correntes nervosas e vitais. Pelo polo negativo constrói e sustenta os órgãos dos sentidos e deposita as cores da natureza.

4 – ÉTER REFLETOR: Todo acontecimento deixa, depois de si, sua imagem indelével nesse Éter. Também o meio pelo qual o pensamento impressiona o cérebro humano.

Um regime alimentar sadio, racional, equilibrado, à base de cereais integrais, frutas, legumes, harmonia e prece à mesa, mastigação perfeita, higiene, repouso, seriam, em resumo, as normas de disciplina do Éter Químico.

A disciplina da imaginação, o domínio próprio, a seleção das recreações, o preenchimento do tempo com leituras elevadas, preces, meditações, música pura, esportes, seriam os meios de uma vida mais casta, para conservação da força sexual criadora.

O primeiro Éter, o Químico, reflete sobre o terceiro, o Luminoso. Sua disciplina, pois, favoreceria uma capacidade maior dos sentidos, das circulações sanguínea, vital e nervosa, o calor do corpo, sua resistência etc. Aliando-se a isso o hábito de observar atentamente tudo, de buscar discernir claramente as coisas, não se contentando em comodamente as deixar nebulosas, de evitar as curiosidades e novidades tolas, seriam os meios de refinamento e eficiência do Éter Luminoso e de suas funções.

O segundo Éter, o de Vida, reflete sobre o quarto, o Refletor. Isso quer dizer que a disciplina sexual, a pureza de pensamento e de emoção, seriam hábitos benéficos para tornar nossa memória robusta. E como o conhecimento, sem memória, é inútil, podemos ver as vantagens que teríamos, quer na vida material, quer nas atividades suprafísicas, com essa conquista. Além disso, a memória se fortalece pelo exercício. Muita gente pensa que não convém cansar a memória. Não devemos, isto sim, é manter atitude nervosa, tensão interior. Mas o exercício equilibrado da memória, sem preocupação, é um meio de robustecê-la. Lembremos, a propósito, que os grandes pensadores tinham muito fósforo e os idiotas muito pouco. Os ocultistas sabem que o fósforo é especialmente usado pelo cérebro. Porém, sua assimilação depende de nossa condição anímica. Quanto mais elevados somos, tanto mais necessidade criamos para o Ego, o Pensador, assimilar mais fósforo e utilizá-lo no exercício criador do pensamento e da laringe.

Essas, em resumo, as linhas dos hábitos que devemos formar, para nossa racional e rápida regeneração, segundo os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. Os detalhes desse importante programa estão nas obras de Max Heindel, principalmente a básica: “Conceito Rosacruz do Cosmos”.

E o que foi exposto, precioso como é, não teria valor nenhum, sem o fundamento Cristão: “Amor fraternal e serviço amoroso e desinteressado aos demais”. Espíritos que somos feitos à imagem e semelhança de Deus, não O amaríamos se negássemos servi-Lo através de sua Essência, oculta em cada semelhante. O amor fraternal é o fogo que funde, consolida e assimila, todos os esforços de regeneração, convertendo-os em força anímica. O amor é que nos capacita, perante os Mestres, a transpor as limitações do corpo e servir em mais amplas esferas, ele é que nos credencia à confiança das Forças de Luz, para um emprego justo dos poderes que a Vida Espiritual implica.

Amadurecidos pela disciplina e amor provado na prática, teremos não só a sensibilidade como tornaremos mais frouxa, mais tênue, a ligação entre os dois Éteres inferiores (Químico e de Vida), dos dois superiores (Luminoso e Refletor). Então atraímos, com o brilho de nossa aura, a atenção do Mestre. E Ele nos ensina como separar os Éteres de uma maneira segura, perfeita para o que será utilizado e de acordo com o Cristianismo Esotérico: os dois Éteres inferiores ficam atendendo às funções biológicas do corpo adormecido; e os Éteres superiores se desprendem daqueles e acompanham os veículos superiores nos voos fora do corpo, servindo como veículos de percepção (Éter Luminoso) e de memória (Éter Refletor), para que possamos trazer, de volta ao corpo, a recordação e a vivência das experiências anímicas. Eis o Corpo-Alma! Estaremos, então, em condições superiores às dos astronautas. Poderemos viajar livremente, sem perigos, com a velocidade do pensamento, em tarefa bem mais elevada, a de servir a humanidade.

Daí por diante se desdobram horizontes cada vez mais amplos ao iniciado, na medida da expansão de sua consciência e do serviço prestado. E ele irá penetrando simultaneamente os arcanos de sua natureza interna e de nosso Globo e mais além ainda, rumo ao infinito Cosmos, consoante as promessas bíblicas: “Sois deuses tudo o que faço, vós os fareis e obras maiores ainda”.

Afinal: “A maior aventura é aquela que o homem de boa vontade empreende, paciente e perseverantemente, no domínio e aprimoramento de si mesmo, ela é bem mais difícil, porém mais apreciada por Deus do que um grande e eventual ato de heroísmo. Tais homens são, a meu ver, os verdadeiros heróis, anônimos para o mundo, coroados por Deus”, como nos ensina Max Heindel.

(publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1969 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quando e como será a Era de Aquário?

Resposta: A Era de Aquário ainda não chegou, embora sua influência já comece a ser sentida, mas não estará integralmente conosco a não ser daqui a aproximadamente 600 anos. A Era de Aquário é resultante de um movimento do eixo da Terra, similar ao movimento de um pião que está perdendo sua velocidade de rotação, que é chamado de Precessão dos Equinócios. O Equinócio é o momento em que o Sol, em seu o movimento aparente em torno da Terra, cruza o equador celeste. Seria, portanto, a intersecção da eclíptica com o equador celeste. O Equinócio se dá em dois momentos: um na primavera e outro no outono. O Equinócio de Março é o momento em que o Sol cruza o equador celeste no sentido sul-norte. Nesse momento, o Sol está em conjunção (ou aponta) para um grau de um determinado Signo em um dado grau. Devido ao movimento de Precessão dos Equinócios, a cada ano, o Sol aponta para um grau do Zodíaco que precede o do ano anterior. Assim, se em um ano o Sol cruza o primeiro grau de Áries, no ano seguinte, cruza em um grau dentro do Signo de Peixes (o movimento é no sentido inverso ao movimento aparente anual do Sol ao longo do Zodíaco). Esse movimento retrógrado é muito lento, cerca de 25950 anos para dar uma volta completa no Zodíaco e cerca de 2160 anos para cada Signo. A última vez que o Sol apontou para o primeiro grau de Áries foi em torno do ano 500 DC. Atualmente, está em torno dos 8 graus de Peixes, alcançando o 30º grau de Aquário (início da Era de Aquário) em torno de 2600 DC.

Podemos reconhecer a influência pisciana ao longo dos últimos dois mil anos. A superstição, a censura intelectual e a fé cega são bem conhecidas da história da humanidade. Por outro lado, os ensinamentos de amor e altruísmo deixados por Cristo dificilmente seriam internalizados sem a força da fé, mesmo sendo uma fé cega. A Era de Peixes pode ser, portanto, lembrada como a Era da , em oposição ao que será a Era de Aquário, a Era da Razão, mas é durante a Era de Peixes que estão sendo lançados os pilares do Cristianismo — amor e altruísmo – a um círculo crescente de crentes. Aquário tem uma influência intelectual que é original, inovadora, mística, cientifica, altruísta e religiosa.

Durante a Era de Aquário, veremos a mistura da Religião com a Ciência a tal grau que dela resultarão uma Ciência religiosa e uma Religião científica, cada uma aprendendo com as experiências e descobertas da outra.

(Publicado no Ecos da Fraternidade Rosacruz no Rio de Janeiro-RJ-janeiro/fevereiro/março/2001)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como trabalhar neste Final da Era de Peixes para alicerçar nosso Desenvolvimento Espiritual

Cristo foi o Grande Pastor, mas chamou Seus Discípulos para serem “pescadores de homens”, pois o Sol, por Precessão, estava saindo do Signo do Carneiro e entrando no de Peixes, o Signo dos peixes.

Por conseguinte, uma nova fase da Religião Ária estava começando.

O Novo Testamento, pois, não menciona o Touro ou o Carneiro, mas inúmeras são as referências aos peixes.

Também encontramos a Virgem Celestial proeminente, e a espiga de trigo de Virgem é o Pão da Vida, a ser conseguido somente por meio da pureza imaculada.

Por isso Cristo alimentou a multidão com peixes (Peixes) e pães (Virgem).

A Religião do Carneiro haveria de se projetar durante a passagem do Sol por Precessão através do Signo de Peixes, os peixes. É a Religião Cristã.

Essa profecia vem se cumprindo, pois, durante os mais de 2.000 anos que passaram; desde o nascimento de Jesus, a Religião ocidental tem sido ensinada por sacerdotes celibatários, os quais adoram uma virgem imaculada, simbolizada pelo Signo celestial de Virgem, o Signo oposto a Peixes.

Já nos quinhentos anos, aproximadamente, que faltam para a Era de Aquário introduzir-se definitivamente, nós faremos, com toda probabilidade, grandes progressos tanto vencendo a luxúria da carne quanto a vontade de se alimentar dela.

Pois Virgem, a imaculada virgem celestial, e as espigas de trigo contidas no Signo mostram esses dois ideais como proveitosos ao crescimento anímico na era atual.

Júpiter, o Planeta da benevolência e da filantropia, Regente de Peixes, tem sido um fator proeminente na promoção do altruísmo durante os dois últimos milênios.

Isso tudo começou lá atrás, ao findar a Época Atlante, quando o Sol, por Precessão, deixou o Signo de Touro e entrou em Áries (o Cordeiro). A humanidade entrou, então, na Época Ária que compreende as Eras de Áries, Peixes e Aquário.

Cristo surgiu na Era de Peixes e a lição que trouxe foi a do Amor, o que ainda deverá ser devidamente aprendido na Era seguinte – a de Aquário.

Por isso ele é que nos está ajudando a entrarmos na Era de Aquário, a Era da Fraternidade Universal.

Os seres humanos mais avançados já estão sentindo o impulso em direção a esses ideais.

Há muitas parábolas que Cristo nos deixou sobre como trabalhar na Era de Peixes para alicerçar o nosso desenvolvimento oculto.

Uma delas é a da casa sobre a rocha e a casa sobre a areia:

Todo aquele que ouve essas minhas palavras e as põe em prática será comparado a um homem sensato que construiu a sua casa sobre a rocha.

Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha.

Por outro lado, todo aquele que ouve essas minhas palavras, mas não as pratica, será comparado a um homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia.

Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande sua ruína!”. (Mt 7:24-28)

 Que as Rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Alterações produzidas com a proximidade da nova Era, a de Aquário

É fato que tanto o altruísmo impulsionado por Cristo, ano após ano, quanto a gradual expansão de consciência, promovem alterações na dinâmica do funcionamento biológico de diferentes partes do nosso Corpo Denso. Vamos ver parte destas mudanças graduais, que está estreitamente relacionada à promoção de maior longevidade e até mesmo da tão mal compreendida vida eterna.

Primeiro de tudo vamos recapitular o modo como nos tornamos conscientes no Mundo Físico. Essa recapitulação se faz necessária para traçar uma linha de referência de nosso desenvolvimento. Conforme aprendemos na Filosofia Rosacruz, nós, um Espírito Virginal da Onda Humana, descemos dos Mundos superiores na parte desse Esquema de Evolução que denominamos Involução. Por ação recíproca, Corpos constituídos de materiais correspondentes aos Mundos que passávamos foram construídos. Ao todo, três Corpos foram desenvolvidos (Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos) com o propósito de desenvolver os três princípios divinos que o ser humano (a Onda de Vida Humana composta de Espíritos Virginais) herdou de Deus (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano); pois tal como Deus, quando se manifesta, o faz de forma tríplice (Pai, Filho, Espírito Santo), nós, criados a Sua imagem e semelhança, também o fazemos. Mas para que houvesse comunicação entre os princípios divinos e seus instrumentos um veículo mental teve de ser nos dado; assim a união entre os Corpos e os respectivos Espíritos foi estabelecida por meio desse veículo que chamamos de Mente. A partir daqui o Espírito se torna um Ego: um Espírito Virginal manifestado em forma sétupla (Tríplice Espírito, Tríplice Corpo e a Mente). Neste ponto do desenvolvimento, a dual força criadora (polo masculino ou vontade e polo feminino ou imaginação) ainda era direcionada para baixo. Isto é, ambos os polos, direcionados para o mesmo sentido, conferia a nós a capacidade de sermos hermafroditas.

No entanto, para que as vivências exteriores pudessem ser capturadas e para que as ideias concebidas pela Mente pudessem ser transmitidas, adaptações no Corpo Denso ocorreram. Para isso, um encéfalo, que fosse capaz de processar as informações provenientes do meio e enviar tais códigos para que o Espírito trabalhe sobre as mesmas e, por fim, transmitir estas conclusões de volta ao meio, deveria ser construído. Também uma laringe para facilitar a comunicação das conclusões que foram produzidas pelo processamento das informações provenientes do meio.

Concomitante a essas necessidades, a matéria que hoje constitui nosso Planeta foi arrojada do Sol e, posteriormente, a matéria que forma a Lua foi arrojada da Terra. Tais separações promoveram expressões separadas de forças (força do Sol e força da Lua). Deste modo, alguns Corpos passaram a ser melhores condutores das forças solares e outros lunares. Um dos polos da dual força criadora foi internalizado e direcionado para cima, a fim de construir o cérebro e a laringe. No caso do Corpo masculino (influência do Sol), o polo feminino foi internalizado para este fim. Já o Corpo feminino (influência da Lua), o oposto. A condição de ser hermafrodita cessou e a necessidade da cooperação do sexo oposto para procriar se fez necessária.

Além disso, um meio físico que suportasse as altas vibrações do Espírito individualizado era necessário, para que o Ego pudesse governar seus Corpos. O sangue vermelho e quente constitui tal veículo. O metal marciano conhecido como ferro é o elemento essencial para a produção deste sangue vermelho e quente. Já é bem consolidado pela ciência atual que grande quantidade de sangue é direcionada a regiões do Corpo Denso que participa da realização de tarefas. O ocultista sabe que tal fenômeno significa o Ego utilizando sua ferramenta corporal para adquirir experiências.

Foi somente na Época Lemúrica – uma das Épocas que atravessamos nesse Período Terrestre desse atual Esquema de Evolução – que o ferro pode ser livremente utilizado (após a eliminação da influência marciana sobre a Terra) e, assim, o sangue se tornar mais quente no interior do Corpo Denso em relação a temperatura ambiente.  Com o sangue quente e vermelho e com um cérebro e uma laringe bem formados, pudemos alcançar o estado de consciência de vigília, parecido com o que temos atualmente.

O plano inicial era o seguinte: quando o Ego renascia em um corpo feminino (mulher) era exposto a estímulos ambientais extremamente fortes (tempestades gigantescas, ventos, explosões vulcânicas): o objetivo era despertar a nossa consciência quando renascíamos como mulher para fora, e, por meio desta exposição a acontecimentos alheios, a atenção seria direcionada também para isso. Esta atenção fez com que iniciássemos um processo de construção de representações mentais das coisas externas (criação de códigos para que o Espírito pudesse interpretar o meio externo). Note que isso está de acordo com o que compreendemos hoje: mostra que tudo aquilo que o cérebro interpreta é, em realidade, representações mentais subjetivas que servem como código ou referência. Não enxergamos as coisas como elas são, mas enxergamos as representações mentais que criamos para interpretar estas coisas. O meio pelo qual as representações foram criadas ocorreu pela imaginação (força feminina).

Já quando renascíamos como homem, os estímulos corporais de dor e de estados de prisões eram determinados. Os estados de prisões eram realizados de modo que o, então homem, pudesse, com um pouco de força de vontade, se libertar. Já a dor, fazia com que um movimento para que a mesma cessasse fosse realizado. Ambos tinham o objetivo de despertar a vontade (força masculina).

Vemos, deste modo, as duas polaridades sexuais agindo separadamente, e métodos de aprendizagem adaptados a cada um eram necessários. Juntamente com esses estímulos, os Arcanjos – seres que estão a dois graus de evolução acima de nós – neutralizavam o nosso Corpo de Desejos, e este só era libertado em épocas propícias para a procriação. A procriação era orientada pelos Anjos – seres que estão a um grau de evolução acima de nós.

Diferentemente dos Anjos, que direcionam toda sua energia criadora para fora de si e, em troca, recebem sabedoria, nós internalizamos metade de nossa força criadora para construção de uma laringe e um cérebro. A internalização para autosserviço determina uma característica de individualismo genuíno para nós. Se meditarmos sobre este caminho, compreenderá que o processo era demasiadamente lento, mas garantia o despertar seguro da vontade e da imaginação humana. Isto é, naquela época, a personalidade e o temperamento não agiam como um fator de dificuldade tal como ocorre nos dias de hoje. Pelo menos até o ponto em que este plano pôde perdurar.

Mesmo que a morte do Corpo Denso também ocorresse naquela época, a longevidade era muito maior do que atualmente, pois não conhecíamos o pecado (transgressões das leis). Quando renascíamos como mulher, pela imaginação, já conseguíamos identificar muitas coisas que ocorria fora de nós mesmos. Mas também conservávamos a visão etérica das coisas. Por isso, quando percebíamos a morte de um Corpo Denso,  ao mesmo tempo, também percebíamos a permanência do Corpo Vital;  isto é, a pessoa que morria no Mundo Físico permanecia viva, e esse fato nos deixava extremamente confusos.

Para acelerar o processo de evolução, os Espíritos Lucíferos – uma parte da Onda de Vida Angélica que se atrasou – entraram em contato quando renascíamos como mulher pela coluna espinhal, relatando que poderia gerar um novo Corpo Denso que morria. Para isso, deveria realizar o ato sexual (“árvore do conhecimento”) sem esperar o comando dos Anjos. Isso a tornaria, juntamente com o homem, semelhante aos deuses (com capacidade de “criar”). Esse ato também favoreceria a libertação do Corpo de Desejos, pois haveria motivação para procriação sem a presença dos Arcanjos.

Por isso a Bíblia relata que Lúcifer era uma serpente sábia (coluna espinhal) que apareceu para Eva em uma árvore. Lúcifer (portador da luz) tentou adiantar o processo, nos ensinando a nos libertarmos da influência dos Anjos e dos Arcanjos, assumindo a própria evolução e geração de novos Corpos.

Isto é relatado na Bíblia como a expulsão da humanidade do Jardim do Éden, que a obrigou a “comer poeira todos os dias de tua vida” e “com o suor de teu rosto, comer teu pão, até que retornes ao solo” (Gn 3:14 e 19). O problema é que o Corpo de Desejos estava em situação muito rudimentar, composto, praticamente, apenas de materiais das Regiões inferiores do Mundo do Desejo. A Mente também estava em situação similar, sendo muito fraca para refrear o desejo e direcioná-lo aos propósitos do Ego. Somados a genuína condição de individualismo, o egoísmo e as paixões predominaram e uma série de desequilíbrios deu início.

Devemos, pois, a Lúcifer e a seus “Anjos caídos”, à capacidade de ser autômato e da possibilidade de desenvolvermos ao ponto de nos tornarmos semelhante aos deuses – por isso, a ideia de que Lúcifer é mau e que devemos abominá-lo está incutido no inconsciente humano, pois foi ele que nos abriu os olhos para utilizamos nossos poderes para sermos iguais aos deuses (superiores aos Anjos). O problema é que tal estado só será alcançado quando a personalidade for dominada (estado ainda sonhado pela maioria das pessoas que já despertaram para a vida espiritual).

O individualismo genuíno, transformado agora em egoísmo e orgulho pela personalidade, fez com que cada ato nosso fosse direcionado para benefício próprio e quase nenhuma cooperação era conseguida. A sabedoria divina, incutindo determinadas motivações no âmago da personalidade, fez com que a evolução não fosse totalmente frustrada. As motivações foram: Amor, Fortuna, Poder e Fama. O desejo de alguma ou várias destas coisas é o motivo pelo qual fazemos ou deixamos de fazer algo. Isso promove alguma experiência e aprendizado. O livro Conceito Rosacruz do Cosmos já explorou todos os fatos mencionados até o momento com extraordinária maestria. Convidamos o leitor a estudar este livro, a fim de que tenha uma ideia melhor de tudo isso.

Agora que foi recapitulado o processo de aquisição do estado de vigília e esclarecido o modo pelo qual deixamos o plano inicial de evolução e iniciamos o processo de evolução “por nossa própria conta e risco”, podemos ver que mudanças físicas estão ocorrendo devido ao aumento da consciência e do altruísmo no mundo.

O Corpo Denso é um instrumento que, atualmente, possui duração pré-determinada de utilidade para servir ao propósito do Ego que é: extrair a quintessência das experiências vividas (experiência). Com o passar do tempo, suas funções vão declinando (devido a nossa incompetência em não o deixar cristalizar), até que a morte (a nossa incapacidade em se manter renascido nesse Corpo Denso) sobrevém.

Dois fatores importantes atrapalham o desenvolvimento dos nossos poderes: 1) a busca da satisfação pessoal imposta pela personalidade que inclui o gasto demasiado da força sexual, a gula, os vícios, os maus hábitos, as omissões, as preguiças e irresponsabilidades com a saúde, todos constituem maiores prazeres físicos e encurtamento da vida. Isso significa menores oportunidades de crescimento para nós. 2) Outro fator é a influência da Lei de Consequência, pois muitos desequilíbrios foram gerados a partir da falsa iluminação lucífera. As doenças limitam, consideravelmente, a qualidade da nossa produção anímica.

Entretanto, isso não significa ausência de possibilidades para geração produção anímica. A Graça Divina é tamanha que há espaço para o desenrolar concomitante de produção anímica e o reequilíbrio das Leis transgredidas. Esse plano só pôde ser concretizado a partir do trabalho misericordioso de Nosso Senhor (o Cristo), que anualmente “retira o pecado do mundo”, isto é, purifica o Mundo do Desejo da Terra com seu Altruísmo. Com isso, disponibiliza materiais para que possamos avançar no caminho, mesmo que ainda tenhamos muitos pecados.

O tema astrológico natal revela as nossas tendências de pontos fracos, cuja ciência material compreende como de origem genética e ambiental. Tais tendências são determinadas a partir dos desequilíbrios praticados em nossas vidas precedentes e de desequilíbrios que tenderemos a realizar na presente vida. Por meio da progressão pode-se saber o momento em que tais tendências estarão ativas e fortes.

Independentemente do tipo de doença e do tratamento que o doente e seus cuidadores devem buscar, duas são as fontes de energia que, se deficitárias, acelerarão o desenvolvimento de qualquer patologia: 1) a energia vital que vem diretamente do Sol e é absorvida através do baço; e 2) a energia proveniente dos alimentos físicos, produto da respiração celular realizada, principalmente, pelas mitocôndrias. “É a fusão dessas duas correntes que produz o poder latente que está armazenado em nosso Corpo Vital até converter-se em energia dinâmica pelo desejo marciano natural” (veja mais detalhes no livro O Mistério das Glândulas Endócrinas) e, assim, podemos utilizar essa energia para produzir crescimento anímico.

Com foco na corrente de energia proveniente do consumo de alimentos, Max Heindel descreve: “o sangue que entra em contato com o ar, todas as vezes que respiramos, passa pelos pulmões e, da mesma maneira que uma agulha é atraída para um imã, o oxigênio do ar inspirado se mistura com o ferro no sangue. Realiza-se, então, um processo de combustão que é semelhante à ferrugem ou oxidação que observamos no ferro exposto ao ar”. Continua: “a experiência ensinou-nos que o material combustível pode ser colocado em uma fornalha com todas as condições necessárias para a combustão, porém, até que se use o fósforo, os materiais não serão consumidos. Aqueles que estudaram as leis de combustão sabem que uma corrente de ar bem forte leva consigo grande quantidade de oxigênio, que é necessário para se obter calor do combustível que contém muito mineral”. Assim, oxigênio é o acelerador deste processo. “Um processo similar ocorre dentro do corpo, que é o templo do espírito” (veja mais detalhes no livro Maçonaria e Catolicismo).

O processo de combustão que ocorre dentro do Corpo é um pouco diferente da combustão verificada, por exemplo, quando se queima gasolina, madeira ou papel. Neste último, o processo de retirada de energia ocorre em grande quantidade e de uma única vez. Por outro lado, a respiração celular promove quebra das cadeias de carbono (processo químico necessário para a retirada de energia das moléculas) de modo gradativo e em pequenas parcelas. Isto é necessário para a preservação da estrutura das células, pois se a combustão ocorresse como no primeiro exemplo, as células pereceriam pelo excesso de energia. Além disso, a energia retirada pelas mitocôndrias não é consumida rapidamente, mas permanece dissolvida na célula e, gradativamente, é utilizada no metabolismo.

Um dos problemas é que durante a extração de energia, moléculas incompletas de oxigênio também são geradas: incompletas por conterem um número ímpar de elétrons em sua última camada eletrônica. Este elétron ímpar, que se estabelece após cada quebra das cadeias de carbono, pode ser não pareado com o restante dos elétrons do átomo em questão. Em outras palavras, sua órbita segue uma rota diferente da órbita dos demais elétrons. Tal característica confere-lhe grande capacidade de reagir com outras biomoléculas que existem na célula, contra as quais colidem. Essa reação forçará a retirada de elétrons de outras moléculas que já são completas e possuem função importante dentro do sistema biológico (principalmente lipídios e proteínas das membranas celulares e, até mesmo, o DNA). Essa retirada de elétrons modificará suas adequadas estrutura e função. Os exemplos mais comuns de radicais de oxigênio altamente reativos são: radicais superóxido (O2-), hidroxila (OH-), peroxila (RO2), alkoxila (RO) e hidroperoxila (HO2). O óxido nítrico (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2) são espécies reativas de nitrogênio.

O organismo normalmente consegue equilibrar os efeitos desses radicais de oxigênio reativos (radicais livres). Porém, há casos em que ocorrem desequilíbrios a favor do sistema pró-oxidantes em detrimento do sistema antioxidantes. Isto é denominado estresse oxidativo. O acúmulo dos efeitos do estresse oxidativo promove danos nas células e acelera o surgimento de doenças e envelhecimento (principalmente se ocorrer em órgãos do corpo relacionados a vulnerabilidades que acumulamos em outras vidas), fatores estes que limitam as nossas oportunidades de gerar experiências e crescimento anímico.

Dentre as doenças já comprovadas pela ciência física que estão relacionadas aos efeitos dos radicais livres, somados a outros fatores estão: demência de Alzheimer, doença de Parkinson, aterosclerose, complicações da diabetes mellitus, câncer, doenças cardiovasculares, catarata, declínio do sistema imunológico, disfunções cerebrais, o envelhecimento precoce, enfisema pulmonar, doenças inflamatórias, entre outras.

Sobre a respiração celular e oxigênio dentro do Corpo Denso, Max Heindel continua: “É a chama que acende o fogo interior e gera o produto espiritual que se exterioriza de todas as criaturas de sangue quente, da mesma maneira que o calor se irradia de uma estufa. Estas linhas radiantes de força que emanam de nossos Corpos Densos de maneira invisível à visão física, são nossa aura, como já foi dito e, não obstante a cor da aura de cada indivíduo diferir da dos outros, existe uma cor básica ou fundamental que mostra sua posição na escala da evolução. Nas raças inferiores esta cor básica é um vermelho fraco, semelhante ao vermelho de um fogo que queima lentamente, que indica sua natureza passional e emocional (isso indica que a pessoa ainda responde a Lúcifer e a Jeová). Ao examinarmos as pessoas que estão em grau mais elevado na escala da evolução, a cor básica ou a vibração irradiada por elas parece ser de uma tonalidade alaranjada, que é o amarelo do intelecto misturado com o vermelho da paixão”.

O uso de antioxidantes, pela alimentação, naturalmente pode evitar os danos corrosivos dos radicais livres de oxigênio. O problema é que as transgressões das Leis Divinas e a natureza passional, em muitos casos, são tamanhas, que o uso de oxidantes nem sempre é suficiente, e os danos ainda permanecem. A produção de radicais livres constitui um fator natural do Corpo Denso e sempre foi programada por nós mesmos. Afinal, o propósito da existência física é o acúmulo de experiências e não devemos permanecer na Terra para “todo o sempre”. Naturalmente, processos que facilitam a morte e o desgaste do Corpo Denso devem ocorrer. O comer da Árvore da Vida, provavelmente, implicaria em também solucionar o problema dos efeitos dos radicais livres, dentre outros relacionados a doenças e morte do Corpo Denso.

“A auréola dourada ao redor dos santos, pintada por artistas dotados de visão espiritual, é a representação física de uma promessa espiritual que se aplica à humanidade como um todo, embora isto tenha sido compreendido apenas por alguns poucos, que são chamados Santos. Após vidas de luta com suas paixões, perseverança no fazer o bem, cultivando nobres aspirações e depois de aderir firmemente a propósitos superiores, estas pessoas elevaram-se acima do raio vermelho e estão agora totalmente imbuídas com o raio dourado de Cristo e sua vibração.” Max Heindel continua: “A cor dourada natural é o raio de Cristo, que encontra sua expressão química no oxigênio, um elemento solar”.

Naturalmente, podemos concluir que conforme a correspondência às vibrações Crísticas e o estabelecimento de uma vida com propósitos superiores, tanto a eficiência das mitocôndrias no processo de respiração celular quanto fatores que neutralizam os radicais livres aumentarão, promovendo menores danos às células e maior longevidade saudável. Porém, tal conclusão parece ser equivocada. Lembre-se: o propósito do Ego não é permanecer na Região Química do Mundo Físico, mas retornar ao Pai com sua herança divina despertada e totalmente desenvolvida (essa é a significância da Parábola dos Talentos que lemos na Bíblia).

Qual a diferença de desempenho de uma pessoa experiente de outra iniciante, em uma dada tarefa em comum? A diferença básica é que a pessoa experiente já aprendeu todos os mecanismos e as técnicas necessárias para desempenhar, com segurança, cada etapa de uma tarefa. Por isso, aplica de modo direcionado, com paciência e observação, a quantidade ideal de energia (vontade) e estratégias para cumprir o propósito com eficiência. Já o inexperiente, por não conhecer os mecanismos e nem as técnicas, necessita muito tempo para aprender e tirar conclusões. Além disso, mesmo que realize todo este movimento, se realmente não se dedicar na extração da experiência, pouca memória formará. Isso significa que “viveu as cegas”, e continuará a gastar bastante energia todas as vezes que se deparar com a mesma situação, sendo um eterno aprendiz das mesmas coisas.

O acúmulo de experiência permite o menor gasto de energia e, assim, menor necessidade das funções das mitocôndrias para gerar energia. Isso não significa que há menos atividades ou produção anímica. Inversamente, se faz muito mais com muito menos! Conforme a correspondência de vida vai gradativamente se afinando com as lições Cristãs, o uso dos Corpos ocorre mais adequadamente. Isto é, o Eu Superior domina a personalidade. Este domínio pode ser ilustrado da seguinte maneira: 

  1. uma determinada ideia é concebida pela Mente;
  2. a força de vontade utilizará a Mente (foco mental) para direcionar essa ideia e concretizá-la no Mundo Físico;
  3. com este foco mental sob o domínio da vontade, haverá o despertar da motivação e energia física (está última só existe devido ao trabalho das mitocôndrias) para concretização física da ideia;
  4. o movimento voluntário observado será o produto final de uma tentativa de concretização da ideia concebida;
  5. o resultado da tentativa (quintessência) deverá ser observado em termos de eficiência do foco mental; motivação necessária para tal; e energia física para ação. Se houver falha em alguma destas etapas, a eficiência será abalada. Se houver sucesso total, significa que o domínio da situação já é uma verdade;
  6. Várias memórias são formadas neste processo e servirão de base para ações futuras e aumento da eficácia. Para estas formações, necessitamos dos éteres de luz e refletor.

Vemos, pois, que uma vida bem vivida está pautada no acúmulo de sabedoria e firmada a propósitos superiores. Não há outro propósito maior do que estes. A fé, o amor universal, o propósito de contribuir com a evolução da humanidade e a convivência com verdades espirituais, revelam caminhos tão sublimes e infinitos que tornam cada ato da vida uma nota musical afinada à grande sinfonia divina. Não haverá mais espaços para desequilíbrios ou transgressões das leis, mas sim ações que nos aproximam de Deus.

Lógica do menor esforço e maior eficiência é o padrão de ouro para a vida espiritual, mas ela exige o emprego constante da observação e aprendizado. Com o tempo, passaremos a evocar as experiências de modo tão eficiente que não mais necessitaremos dos arquivos do cérebro químico para nos fornecer referência de como agir, mas iremos acessar diretamente o Éter Refletor, não mais necessitando de energia física. Consequentemente haverá menos necessidade de mitocôndrias e menos radicais livres. Como a aproximação da nova Era passaremos a utilizar o Éter, um material com vibração superior aos elementos químicos, para manifestação do estado de vigília (já o fazemos atualmente, mas a quantidade será muito maior), pois o poder do Ego será tamanho que necessitará de materiais mais vibrantes para dar conta de sua expressão. Neste estado de Corpo de Vida, não mais conheceremos a morte e a vida eterna será, então, uma realidade.

Um dos polos da dual força criadora foi internalizada e direcionada para cima, a fim de construir um cérebro e uma laringe. Antes, ambas eram direcionadas para baixo com o propósito de gerar Corpos Densos. Com o novo Corpo de Vida, não mais haverá mortes, sendo o ser humano Cristificado isento da paixão lucífera. O casamento místico, conforme bem expressado por Salomão em seu “Cântico dos Cânticos”, mostra a reunião dos polos da força criadora, mas agora com parte que permaneceu para baixo também direcionada para cima. “O homem deve se casar com a mulher que possui dentro de si mesmo, e a mulher com seu homem interno”. O mito denominava cada polo como Anima (feminino) e Animus (masculino). Com esta re-união dos polos criadores, mas direcionados para cima, a palavra fornecerá o molde (o verbo se fará carne) para gerar obras tão grandiosas como as obras dos deuses.  

Que as rosas floresçam em vossa cruz

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