Construção e Trabalho sobre o Corpo Vital
Com a ajuda de nossa mãe, do nosso pai e dos Anjos do Destino nos preparamos para um novo nascimento no Mundo Físico.
E toda nossa estada aqui na Terra é para colher os frutos que semeamos em vidas passadas e, consequentemente, para semear outras que nos irão proporcionar experiências futuras para os próximos renascimentos.
Nós, Egos, chegamos aqui nessa mais uma vida na Terra construindo as seguintes ferramentas como veículos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Contudo, podemos dizer que a consciência da utilização desses veículos por nós, o Ego, aqui se dá por etapas: isto é, os veículos vão nascendo aos poucos aqui.
E a finalidade desse processo gradual é para que possamos assimilar o máximo em cada etapa e se preparar para a colheita na vida futura.
De posse desses maravilhosos instrumentos nós podemos utilizá-los para evoluir e aperfeiçoá-los, mas a qualidade desse desenvolvimento dependerá da qualidade do trabalho em que esses veículos serão empregados por nós para ganhar experiências em cada vida. Afinal, já sabemos que a verdadeira finalidade da vida não é a obtenção da felicidade, mas a conquista de experiências que desenvolverão os poderes espirituais latentes em cada um de nós.
Nascemos completamente dependentes dos nossos pais e somos guiados por eles durante muitos anos.
Por isso lemos em Eclesiástico capítulo 7 versículos 27-28: “Honra teu Pai de todo o coração e não esqueça as dores do parto de tua mãe. Lembra-te de que por eles foste gerado: como lhes retribuirás o quanto te deram?”.
Depois do nosso nascimento aqui, nossos veículos estão interpenetrados, mas nenhuma de suas forças positivas é ativa, mas elas continuam a se desenvolver.
É sabido que a vida progride em ciclos de sete em sete anos, desde o nascimento até a morte.
Do zero aos sete anos se dá a preparação para o nascimento do Corpo Vital e, portanto, nós, o Ego, não temos total domínio dele. O sangue utilizado no nosso Corpo Denso é o que foi armazenado na Glândula Timo, quando ainda estávamos no útero da mãe; ou seja, esse sangue é o da mãe. O domínio sobre ele só será possível com a fabricação dos corpúsculos vermelhos do sangue por nós, o Ego.
O Corpo Vital vai crescendo e dando a vitalidade que nós necessitamos no interior de nossa proteção cósmica (também chamado de Corpo Vital macrocósmico).
Nesse período estamos abertos para sermos ensinados e instruídos e não temos a iniciativa para julgar antecipadamente e muito menos para emitir opiniões. Porque durante esses primeiros sete anos nós somos “todos olhos e ouvidos”, absorvendo, sem críticas, tudo o que é nos ensinado e mostrado, constituindo-se esse setenário o mais importante na formação do nosso caráter. Pois a nossa natureza interna é sensível e inocente. Assim, a imitação e o exemplo são as palavras-chaves para a nossa educação nesse período. Imitação por nossa parte e exemplo por parte dos nossos pais, para que imitemos o que é bom.
Nesse período, quando nos deparamos com algo desconhecido somos bastante humildes para perguntar e admitir a nossa ignorância no assunto. Estamos sempre prontos a aprender!
Existe uma passagem na Bíblia que ilustra bem esse ponto. No Evangelho Segundo São Marcos capítulo 10, versículos 14-15 lemos: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará”. Isso mostra também que nesse período somos dotados de uma fé infantil, pois acreditamos e vivenciamos tudo o que nos é ensinado.
Em torno do sétimo ano de vida, o Corpo Vital, atingindo seu nível de perfeição suficiente, nasce. Esse é o período em que os pais e educadores poderão ajudar os filhos na formação e desenvolvimento das afeições, dos hábitos, da consciência, do caráter, da memória e do temperamento. É nesse período que passamos a observar mais, e com isso acabamos por aprender a discernir o certo do errado e a cultivar ideais elevados.
As palavras-chaves para esse período na nossa educação são discipulado e autoridade. Contudo, essa autoridade deve ser passada pelos pais com confiança, sinceridade e amor; dessa maneira, podemos considerar nossos pais como sendo os mais corretos e estamos aptos ao aprendizado do discipulado. E nesse momento os pais devem estar prontos a dar uma vida de bons exemplos a seus filhos, já que é mediante a observação e veneração a eles que mais aprendemos.
Retornemos à Bíblia no Eclesiástico capítulo 14, versículo 22: “Feliz o ser humano que persevera na sabedoria, que se exercita na prática da justiça, e que, em seu coração pensa no olhar de Deus que tudo vê”.
Por volta dos 14 anos nasce o Corpo de Desejos. A palavra-chave para a educação nesse período é a compreensão e o amor. É o período da puberdade, em que se inicia a nossa fase de autoafirmação e passamos, então, a ter identidade própria. Com isso o sentimento do “eu” começa a se expressar completamente, por ser o sangue inteiramente produzido e dominado por nós, o Ego.
Nesse período, devido à produção de sangue quente pelo Éter de Luz, nós, o Ego, acumulamos muita força sexual no sangue que se desenvolve e governa o coração. É por isso que, muitas vezes, encontramos alguém dizer que alguns jovens “perderam a cabeça” ou que alguns são de temperamento “fervente”. É visto, nesse período, que a ira, a paixão e, muitas vezes, a ansiedade do jovem acabam por elevar a temperatura do sangue e se não houver um controle, poderão prejudicar a atuação do Ego sobre seus veículos. Necessário faz-se que os pais tenham muita paciência com seus filhos para que eles possam transpor esse período até, por volta dos 21 anos, quando nasce a Mente, idade que chamamos de maioridade.
Com o controle da Mente, o Corpo Denso não fica com o sangue nem muito quente nem frio. Com a Mente completa-se a ligação de todos os nossos veículos, incluindo os Éteres superiores que são o Luminoso e o Refletor e, assim, estamos capacitados para ter controle sobre nossas aspirações e desejos, freando a natureza dos desejos.
Daqui para frente cabe a nós, o Ego, trilharmos o nosso caminho, uma vez que o caráter já está formado. Precisando apenas exercer nossa vontade. É muito importante a educação que os pais dão a seus filhos nesse tempo, sem cobrança ou sem esperar nada em troca e não julgando ser sua propriedade para retribuir os favores dados a eles anteriormente. Pois os filhos que são educados com amor, assistência, atenção, confiança e afeto, certamente, retornarão reconhecendo o valor dos pais.
Agora estamos prontos para aspirar e desenvolver o que resume Max Heindel nesta frase: “uma Mente pura, um Coração nobre e um Corpo são”.
Comecemos lembrando o que a Escola Rosacruz ensina, como máxima fundamental, que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”.
Há de ter uma particular atenção à parte do Corpo Vital formado pelos dois Éteres superiores que, desenvolvidos e trabalhados, formarão o Corpo-Alma. Trabalho esse que tem início com a prática dos bons hábitos e para isso é essencial utilizar-se da palavra-chave desse veículo que é “repetição”.
No Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 7, versículo 24 lemos: “Aquele que ouve minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um ser humano prudente, que edificou sua casa sobre a rocha”.
O fator essencial na realização desses ideais é a prática da persistência na meta escolhida. E jamais devemos trabalhar com nossos esforços ocasionalmente, pois isto não leva a nenhum propósito definido e a desistência fica sempre mais próxima!
Max Heindel disse: “O maior perigo que ameaça o Aspirante nesse caminho é que fique preso na rede do egoísmo, e sua única salvaguarda é o cultivo da fé, devoção e a irradiação de amor sem restrições.
Precisamos estar então alertas em relação a nossas atitudes mentais ou novas ideias para que não julguemos somente com o intelecto, mas deixemos, também, o nosso coração tomar parte nessa decisão.
Se tem algo que pode ser destacado como de utilização sempre presente é a adaptabilidade, que é um fator expressivo no caminho da evolução.
Existem certos hábitos antigos que deveremos analisar sob diversos ângulos e admitir as mudanças necessárias para vencermos o convencionalismo.
Se estamos neste caminho para a frente e para cima é necessário que façamos inovações: que edifiquemos melhor nosso Templo do Espírito, pois Deus opera continuamente para nosso bem.
Muitas de nossas fraquezas são forças mal dirigidas e devemos, então, mudar o eixo dessas forças recusando pensamentos maus, como medo, temor, ansiedade e outros similares e nos orientar para a verdade que nos é mostrada dentro de nós.
Todavia, se acaso cairmos em tentação, devemos compreender e aceitar esses desafios ou provações de nosso eu inferior e vendo nessas oportunidades uma maneira de nos livrarmos desses maus hábitos para sempre. Aprendamos pela dor e sofrimento, mas, de fato, aprendamos!
As provações são sinais de progresso, pois durante nossas vidas anteriores contraímos dívidas sob a Lei de Causa e Efeito (ou a Lei de Consequência) e hoje estamos ajustando as dívidas antigas, pagando-as uma a uma. Contudo, uma coisa é certa: o futuro deve ser decidido AGORA para que deixemos de gerar dívidas, o que trará, como consequência lógica, menos sofrimento e dores possíveis e evoluiremos cada vez mais rápido, com segurança, indo ao encontro de Cristo.
Lembremos do que disse Max Heindel: “O único fracasso é deixar de lutar”. E ele nos deixou também uma indicação para a formação dos ideais superiores no Corpo Vital que são os exercícios matutino e vespertino (Concentração e Retrospecção, respectivamente) e um exemplo e modelo perfeito de exercício devocional: a Oração do Senhor, o Pai-Nosso. Devemos orar, mas não para obter auxílio material ou passar em exame na escola ou faculdade. Isto é barganha, e barganha espiritual não existe; é ilusão, é a nossa astúcia, reminiscente da Época Atlante.
A oração ajuda nossos veículos a evoluírem com segurança. Portanto, por meio da oração temos um método de produzir pensamentos puros e, assim, agir principalmente sobre o Corpo Vital. Por isso que o Apóstolo São Paulo disse que devemos “orar sem cessar”.
O caminho espiritual é aberto a todos, mas para chegar lá é preciso sacrificar os maus hábitos, o comodismo, a inércia, enfim tudo que é prejudicial no progresso em favor do nosso Cristo interno.
Contudo, somente o sacrifício de nós mesmos não é suficiente; é preciso fazê-lo em prol da humanidade, por meio do serviço amoroso e desinteressado aos demais, focando sempre na divina essência que há em cada irmão, em cada irmã, que é a base da Fraternidade, tão preconizada por Cristo!
“Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz”
Pergunta: Diz-se nos Ensinamentos Rosacruzes que as crianças que morrem no período da infância são levadas ao renascimento num espaço de um a vinte anos. Retornam às mesmas condições da vida anterior ou a um ambiente diferente? Da prosperidade para a pobreza ou vice-versa?
Resposta: Essa pergunta foi feita há muitos anos, quando o autor era um noviço na investigação dos Mundos espirituais, e ela foi respondida corretamente naquela ocasião. Contudo, investigações posteriores tornaram possível dar mais detalhes a um número considerável de casos estudados. Registraram-se os resultados na época das investigações, porém tais registros extraviaram-se. Não obstante, de acordo com a nossa lembrança, descobriu-se que entre as vinte crianças observadas, que voltaram a nascer dentro de um período de cinco anos a partir do momento da morte, quinze ou dezesseis voltaram para a mesma família. É possível verificar quando uma criança morre, se ela passará um período longo ou curto nos Mundos invisíveis. Selecionamos outro grupo de vinte crianças que se encontram ainda no Mundos invisíveis e que, segundo as expectativas, não renascerão antes de passados dez ou mais anos. Contudo, as tendências já são mostradas de uma forma bem evidente, pois quando um Espírito procura o renascimento, sente-se geralmente atraído para a mãe em potencial anos antes de poder entrar no útero e, às vezes, mulheres ainda solteiras são cercadas pelos seus filhos em perspectiva mesmo antes de ficarem noivas. Baseados nesses fatos, descobrimos que do grupo de vinte, apenas três estão junto a suas mães anteriores. As outras dezessete estão espalhadas por outras famílias e duas estão ao lado de duas meninas pequenas, esperando que elas cresçam para tornarem-se suas mães.
Essa tendência dos Espíritos que procuram renascer, de acompanhar suas mães em perspectiva durante anos, às vezes provoca situações cômicas e embaraçosas que desconcertam os médiuns. Lembramos o caso de uma jovem que, ao ir a uma sessão, ouviu que ao seu lado estava uma criança do mundo espiritual que a chamava de mãe. Naturalmente, ela negou a afirmação; indignada, levantou-se e abandonou a sessão. Nesse caso, ambos (a jovem e o médium) estavam certos, embora suas declarações fossem diametralmente opostas. Cada um julgou o outro como mentiroso, pois nenhum deles tinha um conhecimento que pudesse reconciliar o aparentemente irreconciliável.
(Pergunta nº 20 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas”, Vol. 2 – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Para falarmos de caminho, desenvolvimento e crescimento espiritual é necessário nos posicionarmos no tempo da evolução e, assim, conseguirmos chegar a entender o processo da espiritualidade.
Voltemos um pouco ao túnel do tempo, antes que começasse a nossa jornada evolutiva.
Nós, como Espíritos Virginais da onda de vida humana, fomos diferenciados de Deus (Pai-Mãe) do nosso universo como chispas de uma chama, e com todas as potencialidades latentes iguais a do nosso Pai.
Em Gênesis 1:27 lemos: “E os Elohim formaram o ser humano a sua imagem e semelhança”.
E ainda recebemos de presente o poder da Epigênese, que é a livre vontade de criar algo.
A Epigênese é essencial ao progresso evolutivo. Contudo, ainda não possuíamos a consciência individual e o poder para estar usando essa vontade. Precisávamos trabalhar muito para desenvolver essas potencialidades latentes em nós e atender ao nosso destino que é o retorno a casa do Pai como Divinos e Criadores de universos.
O primeiro passo para nosso desenvolvimento espiritual foi a construção dos Corpos. Durante o período que conhecemos como involução, sob a orientação de grandes Hierarquias Criadoras, estávamos empenhados em desenvolver os nossos Corpos Densos, Vital, de Desejos e o veículo Mente. Contudo, tínhamos uma grande vantagem na construção desse Tríplice Corpo. Éramos possuidores de três grandes forças primárias: a força do Espírito Divino, que é a vontade, o princípio de ação; a força do Espírito de Vida, que é a sabedoria, o amor e a força do Espírito Humano, que é atividade, o movimento, princípio de crescimento. Toda a consciência nessa época era voltada para os mundos espirituais e para o nosso interior.
E assim trabalhamos no desenvolvimento desses Corpos e veículos. Porém, antes que tirássemos algum proveito desses veículos, era necessário ligá-los diretamente com o Ego, que é o Espírito.
Isso só foi possível por intermédio do quarto veículo que é a Mente. Ela é o elo entre, nós, o Espírito e os nossos três veículos inferiores (Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos).
Portanto, a Mente é o caminho ou a ponte, a única via que transporta a essência da alma, isto é, a Mente é o caminho do qual depende todo o desenvolvimento do Espírito, e sem esse elo não poderemos desenvolver nenhuma atividade espiritual.
Todavia, a verdadeira espiritualidade não é uma coisa fácil e jamais será adquirida da noite para o dia e ninguém a receberá como um “dom”. Teremos que merecê-la, ou seja: ter o mérito.
É de vital importância lembrarmos que no princípio todos tivemos um início idêntico. E o que somos hoje é a soma de tudo o que realizamos em vidas passadas e que as nossas oportunidades ou merecimentos de hoje correspondem exatamente ao que merecemos, ou seja, ao que conquistamos pelo mérito. Esse crescimento se adquire por meio de muito trabalho, muita perseverança, muito sofrimento, autossacrifício e somente pelo serviço amoroso e desinteressado aos demais seres a nossa volta (humanos, animais e toda a criação de Deus).
E uma vez que despertamos para a aspiração espiritual devemos seguir em frente e não poderemos mais voltar atrás. Muitos Estudantes que se interessam pelo caminho oculto, ao invés de trabalhar e buscar o conhecimento que os ajudaria a “viver a vida”, acabam por ficar esperando que esse resultado lhes chegue em uma bandeja de prata. Outros desenvolvem muito o lado intelectual e esquecem de colocar em prática o mínimo desses conhecimentos, que é o resultado do intelecto que interessa para o seu próprio desenvolvimento.
Afinal, já sabemos que intelectualidade não tem nada a ver com espiritualidade. Se durante nossa vida terrena não conseguimos cumprir fielmente com os nossos pequenos afazeres, como muitas vezes cuidar dos nossos próprios filhos que colocamos ao mundo, pagar as nossas dívidas contraídas em vidas passadas, se dedicar à rotina que escolhemos, se arrepender e buscar a reforma íntima do mal cometido, não adianta esperar que será fiel, também, na grande obra espiritual do nosso Pai, Deus.
No capítulo 13 da Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios encontramos a seguinte menção: “Ainda que eu conheça todos os mistérios e toda ciência… se não tiver Amor, nada serei”. O amor só se aprende com o Coração, com a parte mística do nosso ser!
Um outro ponto importante encontramos no Evangelho Segundo São Mateus 6:24: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque, ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro”. Isso mostra que devemos, mediante um firme propósito, estabelecer o caminho que irá satisfazer o nosso Coração e a nossa Mente, simultaneamente. Em que a Mente será sempre auxiliada pelo intuitivo Coração.
Max Heindel diz no livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”: “Não andemos de uma Escola a outra, de uma ordem a outra, ganhando um pouco aqui e um pouco lá. Tenhamos presente uma só direção como nosso objetivo”.
Existem irmãos e irmãs que se isolam em orações e meditações durante toda a vida e esquecem que no mundo lá fora há irmãos e irmãs que estão sofrendo à espera de ajuda.
Certamente teremos sofrimentos nesse caminho, mas se nos conscientizarmos que depois da dor e desse sofrimento tivermos aprendido a lição, estaremos desenvolvendo a compaixão, a coragem, a tolerância e o autodomínio. E lição aprendida, ensino é suspenso e passamos para outra etapa de aprendizado.
Se observarmos a vida de nosso Salvador – Cristo – veremos que Ele não teve uma vida de reclusão. Ele não se escondeu do mundo, mas sim se doou para salvar a humanidade.
Existe prova de amor maior do que a de entregar sua própria vida para salvar a humanidade?
Uma coisa é certa: o fator determinante para a realização do trabalho espiritual ou material na nossa vida será a nossa atitude em executá-lo. Entretanto, como buscar esse caminho para o crescimento espiritual?
Em primeiro lugar devemos ser determinados, decididos e prontos para agir no caminho escolhido, pois quando estamos galgando a vida superior seremos observados por todos que nos rodeiam.
Como disse Cristo: “O céu deve ser tomado de assalto”. Contudo, não devemos ter pressa; lembremos que a Natureza não dá saltos. O crescimento deve ser gradual, lento, porém seguro, firme, persistente naquilo que estamos praticando.
Max Heindel deixou alguns exercícios para o treinamento esotérico a fim de que possamos nos harmonizar com as leis cósmicas e trabalhar no crescimento da alma. Alguns desses são: Observação, Retrospecção, Concentração, Meditação, Discernimento, Contemplação e Adoração. E se os praticarmos sempre com maior intensidade e amor, estaremos nos esforçando para sermos sempre servidores no caminho da espiritualidade.
A Retrospecção é um exercício importantíssimo. É o exercício em que se exige que examinemos a nossa vida todas as noites, antes de dormir, de modo que os acontecimentos se desenrolem em ordem inversa. Iniciando pelas últimas ações praticadas antes de dormir, depois a tarde e por último os atos que fizemos na parte da manhã do dia que está terminando. Ele é o nosso Purgatório diário! E por meio dele conseguimos compreender nossos erros e nos determinamos a eliminá-los, via arrependimento e reforma íntima. Por isso São Paulo disse: “Eu morro todos os dias”.
É necessário rever, com o coração, esses quadros representantes das ações executadas e que nos permitamos que a chama do arrependimento nos faça vivenciar essas falhas cometidas, com uma vontade e disposição ímpar em reparar o dano cometido – reforma íntima – e, com isso, conseguimos apagar esses registros do nosso Átomo-semente.
Devemos lembrar que o desenvolvimento do Corpo Vital é marcado pela repetição de coisas boas. É por isso que devemos nos ater a praticar os bons hábitos diariamente para que possamos atuar sobre o Corpo Vital e educá-lo. E depois que formado um bom hábito, fica mais fácil praticá-lo.
Vamos então arregaçar as mangas e trabalhar sem esperar que tudo venha pronto. Vamos aproveitar as oportunidades dadas por Deus e trabalhar para que possamos transformá-las na construção do nosso Corpo-Alma.
No Conceito Rosacruz do Cosmos encontramos o seguinte: “Nada realmente valioso se obtém sem esforço. Nunca será demasiado repetir que não existem coisas como os dons e a sorte. Tudo que possuímos é resultado de esforço”.
Deus, nosso Pai infinatamente misericordioso, ajudará e abençoará a todo verdadeiro investigador que deseja trabalhar pela Fraternidade Universal, pois “Cristo mesmo preparou o caminho para quem o deseje”.
Nos últimos versos do poema Credo ou Cristo, que lemos no Conceito Rosacruz do Cosmos, podemos encontrar a chave para nosso progresso: “Há uma só coisa que o mundo precisa saber; há um só bálsamo para toda a humana dor; apenas um caminho que conduz ao alto céu; e esse caminho é a COMPAIXÃO e o AMOR”.
“Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz”
Pergunta: Por que a mulher foi colocada em desigualdade, numa condição assumida de inferioridade e injustiçada desde o início da existência humana?
Resposta: Em primeiro lugar, devemos relembrar que o espírito não é masculino nem feminino, mas, se manifesta nessas formas alternadamente, como regra de renascimento. Todos nós temos sido tanto homens como mulheres. Portanto, não pode haver dúvidas quanto à questão da desigualdade, se considerarmos a vida de uma perspectiva mais ampla. Certas lições precisam ser aprendidas pelo Espírito à cada etapa, e só podem ser aprendidas do ponto de vista de uma mulher, e há outras lições só poderão ser aprendidas através do renascimento em um corpo masculino. Então, necessariamente, deverá ocorrer a mudança de sexo. Algumas vezes, por certas razões, acontece que uma pessoa deva se apresentar como um homem em vários renascimentos e, então, quando necessitar assumir a aparência feminina, poderá destoar consideravelmente. Neste caso teremos uma mulher muito masculinizada. Por outro lado, um Espírito pode ter assumido por vários renascimentos uma forma feminina e pode se apresentar como um homem de natureza muito efeminada. Contudo, mesmo na hipótese de renascimentos alternados, muitos dentre nós, provavelmente, renascemos em Roma em sexo oposto, pois, se tomarmos em consideração a Lei de Consequência, o tratamento dado às mulheres pelos homens daquela época foi tal que levou essas mulheres romanas, hoje renascidas como homens, a não fazer muitas concessões a seus antigos senhores.
(Pergunta nº 19 do Livro Filosofia Rosacruz Perguntas e Respostas Volume 1 – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Muitos seres superiores que nos ajudam, embora a maioria não os vejamos, começaram a evoluir antes do nosso atual Esquema de Evolução. Dentre essas ondas de vida estão os Arcanjos.
Sabemos que o propósito da evolução de uma Onda de Vida é torná-la completamente consciente e capaz de dominar a matéria de uma quantidade de Mundos. Observamos que tudo que existe tende a se desenvolver lenta e persistentemente, procurando alcançar estados cada vez mais elevados, buscando a perfeição.
Primeiro, a Onda de Vida busca alcançar a consciência individual, do “Eu”, e a construção dos veículos por cujo intermédio ele se manifestará nos Mundos. Esse período é conhecido como Involução.
Em seguida, a Onda de Vida busca desenvolver essa consciência individual até a Divina Onisciência. A esse período dá-se o nome de Evolução. Isso também ocorre com a Onda de Vida dos Arcanjos.
Os Arcanjos alcançaram o estado similar ao humano, ou seja, ao estado de consciência individual, num tempo em que nós, Espíritos Virginais da nossa Onda de Vida, éramos similares às plantas. Similares no estado de consciência – sonos sem sonhos – e na constituição: tínhamos só os Corpos Denso e Vital. Esse tempo é o conhecido como Período Solar. Nesse Período, também começou a evolução dos Espíritos Virginais da Onda de Vida animal. De lá para cá já avançamos dois estados: um no qual fomos semelhantes aos animais, e o outro no qual somos seres humanos.
Da mesma forma os Arcanjos já avançaram dois estados: um no qual foram semelhantes aos Anjos e outro no qual são o que denominamos Arcanjos.
No longínquo tempo que chamamos de Período Solar o campo mais inferior de evolução estava no Mundo de Desejo, ou seja, o Globo mais denso era composto de matéria dos desejos. Agora, o campo mais denso de evolução está na Região Química do Mundo Físico, ou seja, o Globo mais denso é composto de matéria física.
Como os Arcanjos eram semelhantes ao que somos nós hoje, eles tinham e, agora, também têm, o Corpo de Desejos como veículo mais inferior. Portanto, o veículo mais inferior que um Arcanjo pode construir é um Corpo de Desejos. Como nós temos o nosso Corpo Denso, o físico, como tal, ou seja, não podemos construir um Corpo mais inferior que o Corpo Denso. Por isso eles se tornaram especialistas em matéria de desejos. Para isso trabalharam, exercitaram e utilizaram como material de aprendizagem a Onda de Vida que tinha começando a se manifestar naquele tempo, ou seja, a que hoje conhecemos como os animais. Da mesma forma que nós utilizamos como material de aprendizagem, para nos tornarmos especialistas em matéria da Região Química do Mundo Físico, a Onda de Vida que começou sua evolução neste Período Terrestre, ou seja, os Espíritos Virginais da Onda de Vida mineral, os minerais.
Com isso os Arcanjos se tornaram responsáveis pela evolução dos animais ajudando-os e os dirigindo até o ponto que for preciso. E com isso, também, como são especialistas em matéria de desejos, auxiliam e ensinam a todos os seres que possuem Corpos de Desejos separados e, que precisam manipular a matéria desse Mundo. No caso do nosso presente estado evolutivo nós, os seres humanos, e os animais são os que possuem Corpos de Desejos separados e que precisam aprender a usá-los. Por isso é que se diz que os Arcanjos trabalham só com os seres humanos e com os animais.
Os veículos que um Arcanjo utiliza são formados dos seguintes materiais: o mais inferior formado de matéria do Mundo do Desejo, o segundo subsequente formado de matéria da Região do Pensamento Concreto, o terceiro é formado de matéria da Região do Pensamento Abstrato e o quarto de matéria do Mundo do Espírito de Vida. Seu campo atual de evolução é o Sol.
Os Arcanjos nos ajudam desde há muito tempo. A primeira ajuda ocorreu num tempo conhecido como Revolução Lunar do Período Terrestre. Esse foi o momento em que estávamos em condições de desenvolver o nosso Corpo de Desejos com o objetivo de prepará-lo para termos desejos, emoções e sentimentos individuais. Os Arcanjos separaram o nosso Corpo de Desejos em duas partes: a superior, na qual seria implantada a consciência da personalidade separada, e a inferior, na qual os Arcanjos nos deram desejos, sentimentos e emoções inferiores, animalescos. Foi graças a essa divisão que hoje podemos controlar as nossas paixões, emoções, nossos sentimentos e desejos inferiores. Pois, se quisermos tê-los é só envolver o nosso desejo, sentimento ou nossa emoção de matéria das regiões inferiores do Mundo do Desejo.
Por outro lado, se quisermos ter somente desejos, sentimentos ou emoções superiores, é só envolvê-los de matéria das regiões superiores do Mundo do Desejo. Sabemos fazer isso hoje, graças a ajuda dos Arcanjos.
Mais tarde voltaram os Arcanjos para nos ajudar a modificar o Corpo de Desejos a fim de acomodá-lo à Mente, que iríamos adquirir. Estávamos numa época conhecida como Época Lemúrica, a terceira Época. Uma vez adquirido os veículos, tínhamos que aprender a utilizá-los, ou seja, como funcionar neles e como dominá-los com a nossa vontade. Os Arcanjos nos ajudaram e continuam nos ajudando no que diz respeito ao Corpo de Desejos.
Inicialmente foram e, alguns ainda são, os Espíritos de Raças. Como Espíritos de Raças eles auxiliam a Jeová, o Anjo mais elevado – o Espírito Santo – e autor de todas as Religiões de Raça. Nos primeiros tempos em que adquirimos os nossos corpos e precisávamos usá-los, éramos débeis, impotentes e completamente incapazes de guiar esses veículos; hoje, ainda não somos o suficientemente fortes para isso. Ainda hoje, o Corpo de Desejos dirige a nossa personalidade muito mais do que nós, o Ego. Contudo, naquele tempo, era pior; se fossemos abandonados teríamos nos tornados completamente impotentes para dirigir nossos veículos.
Para nos ajudar, Jeová criou as Religiões de Raça. Cada Religião de Raça tem um Espírito de Raça, que é um Arcanjo. Cada um tem o domínio sobre um povo, uma nação. Para guiar as raças, os Espíritos de Raça agem sobre o sangue. Para ter esse acesso, o Espírito de Raça entra no sangue através do ar inspirado. Por isso, São Paulo fala dos Arcanjos como “Príncipe do Poder do Ar”. O Arcanjo, como Espírito de Raça, envolve e compenetra toda a atmosfera da Terra habitada pelo povo que está sob o seu domínio. Assim se formaram todos os povos e nações.
Uma pessoa pertencente a um povo que está fortemente subjugado à influência do Espírito de Raça sofre a mais terrível depressão quando sai do seu país ou respira o ar de outro Espírito de Raça. Quando mais baixo um povo se encontra na escala da evolução, mais ele mostra as suas características raciais. Isso é por causa da ação do Espírito de Raça.
Um dos sentimentos emanados dos Espíritos de Raça é o patriotismo. Atualmente está sendo substituído pelo altruísmo.
A influência do Espírito de Raça numa pessoa faz com que ela pense nela mesmo, primeiro como pertencente a certa raça. A pessoa não era “David”, mas sim “Filho de Abraão”, nem “José”, mas “Filho de David”. Vemos na Bíblia que a maior honra dos judeus era ser “a semente de Abraão”. Esse sentimento de ter orgulho de pertencer a determinada raça é dado pelos Espíritos de Raça. Daqui já podemos perceber que os Arcanjos são os responsáveis pela elevação e queda das nações. Dão exatamente aquilo que melhor sirva aos interesses do povo que cada um deles rege: ou a vitória ou a derrota; ou a paz ou a guerra.
Em Daniel Cap. 10, vers.13, lemos: “E o príncipe do reino dos persas me resistiu por vinte e um dias; e eis que veio em meu socorro Miguel, um dos primeiros príncipes”, e no vers. 20: “acaso sabes tu por que vim a ti? E agora voltarei a pelejar contra o príncipe dos persas: quando eu saí, apareceu o príncipe dos Gregos, que entrava (…) e em todas essas coisas ninguém me ajuda, senão Miguel, que é o vosso príncipe”.
O Arcanjo Miguel é o Espírito da Raça judia. Em Daniel 12: lemos: “Naquele tempo se levantará o grande príncipe Miguel, que é o protetor dos filhos do teu povo”. Portanto um Arcanjo, como Espírito de Raça, evolui à medida que a raça que está dirigindo evolui.
Como Espírito de Raça, o trabalho de um Arcanjo é muito maior do que nos ensinar como utilizar o nosso Corpo de Desejos.
Sabemos que a Terra foi arrojado do Sol porque não podíamos suportar os tremendos impulsos físicos e espirituais que lá existem. Entretanto, precisamos deles. Por outro lado, os Arcanjos são espíritos solares comuns, ou seja, convivem e evoluem com os impulsos solares.
Mesmo a Terra estando a tão grande distância, ainda assim não suportaríamos tais impulsos, especialmente os espirituais que estimulam o crescimento da alma em todo o canto do nosso Planeta.
A solução foi enviar esses impulsos espirituais para a Lua onde Jeová, o Regente da Lua, auxiliado por um certo número de Arcanjos – que são os Espíritos de Raça – pudesse preparar para refletir tais impulsos para a Terra. Esses impulsos são refletidos em forma de Religiões de Raça. Com isso os Arcanjos podem trabalhar com a humanidade e prepará-la para receber os impulsos espirituais diretamente do Sol, sem intervenção da Lua.
Quanto mais avançada é uma nação, mais liberdade tem o indivíduo, mais ele responde aos impulsos espirituais direto do Sol.
Quanto mais nos harmonizamos com a lei do amor, mais nos libertamos do Espírito de Raça.
A América não tem um Espírito de Raça, ainda. É um lugar onde todas as raças estão se misturando para extrair a semente da nova raça.
Essa nova raça está começando a aparecer. Seus membros são reconhecidos pelos longos braços, corpos elásticos, cabeças compridas, testas retangulares. Em mais algumas gerações essa nova raça poderá estar a cargo de um Arcanjo que a unirá.
Um Arcanjo não possui asas, como são mostradas nas figuras. O que sai das suas costas são correntes de força que podem ser dirigidas para qualquer lado, da mesma forma que nos dirigem os nossos pés ou nossas mãos, seja para alcançar algo ou para mudarmos de direção. Entretanto, o Arcanjo não utiliza essa corrente de força para voar ou se movimentar. Ele a utiliza para, por exemplo, imbuir um povo de medo e o outro de coragem, quando há a necessidade de luta entre eles.
Todo Arcanjo sabe que a Religião dada por eles – a Religião de Raça – baseada na lei, é insuficiente e produz o pecado que acarreta a morte, a dor e a tristeza.
Eles compreendem que suas Religiões são, tão somente, passos necessários para atingir algo melhor. Todas as Religiões de Raça indicam alguém que virá. E esse alguém é o Cristo, o mais elevado Iniciado do Período Solar, o Arcanjo mais evoluído, Regente do Sol e, portanto, guia de todos os Arcanjos. Que se tornou Regente da Terra e guia da humanidade a partir do gólgota, da sua crucifixão.
Enquanto um Arcanjo comum funciona normalmente num Corpo de Desejos, o Cristo funciona num corpo composto de matéria do Mundo do Espírito de Vida, o primeiro mundo de baixo para cima onde cessa toda a separabilidade, o Mundo da Fraternidade Universal.
Portanto, sua Religião – o Cristianismo, a Religião do Filho – é fundamentalmente unificante, baseada no amor e na Fraternidade Universal. Portanto, a lei cederá lugar ao amor; as raças e facções deverão se unir numa Fraternidade Universal.
Entre os seres humanos há vários graus de inteligência. Alguns são qualificados para determinadas posições em que se exige uma habilidade específica. Outros para posições em que não se exige tanta habilidade. Da mesma forma ocorre com os Arcanjos. Nem todos são capazes de governar uma nação e o seu destino. Então, a esses Arcanjos é dado um outro trabalho, o de ser os Espírito-Grupo dos animais.
Cada espécie animal é dirigida por um Espírito-Grupo. Como o animal não está tão individualizado como o ser humano, suas características físicas e comportamentais são iguais entre membros da mesma espécie.
O trabalho de um Arcanjo como Espírito-Grupo é levar todos os membros da espécie que ele dirige a um grau de individualização similar ao nosso. Ele dirige a sua espécie “de fora”, atuando como orientador, p. ex. o “instinto no animal” é tão somente a resposta do animal à sugestão do Espírito-Grupo.
Como todo Arcanjo, o Espírito-Grupo vive no Mundo do Desejo. Tais figuras com corpo semelhante ao nosso e cabeça de animal podem ser vistas, pode-se falar com elas e, ainda, verificar que são mais inteligentes que o nível médio dos seres humanos.
Aos Arcanjos cabe dirigir a Onda de Vida dos animais até atingirem a perfeição. Para isso, os Arcanjos também terão atingido a perfeição. Do mesmo modo que nós dirigiremos a Onda de Vida mineral até atingir a perfeição.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
A Liberdade Espiritual
A maioria das pessoas preocupa-se com a liberdade humana – quer dizer, liberdade da palavra, livre imprensa, liberdade religiosa, liberdade econômica, liberdade corporal. Agora tratemos da liberdade espiritual origem daquelas outras.
Que é liberdade? Liberdade é Vida a fluir livremente através de nós. Liberdade é o canto da alma, o sonho do sonhador. Liberdade é SER. O ser humano cuja vida está em Cristo, é livre. EU SOU livre e TU ÉS livre, mas não enquanto estivermos amarrados a roda dos pensamentos humanos, das idéias estabelecidas; não, enquanto estivermos subordinando o governo da alma às concepções humanas.
Liberdade não é uma condição governamental, mas uma condição anímica, interna. Há pessoas que permaneceram livres, embora encadeados; há pessoas que permaneceram livres, mesmo sob escravidão e opressão. Há pessoas que souberam prosperar sob condições depressivas e de pânico e seres humanos que sobreviveram às guerras, inundações e fomes. Quando a Alma do individuo é livre, ela o conduz incólume através do Mar Vermelho, das experiências do Deserto, até a Terra Prometida de Paz espiritual. Quando nos voltamos ao Reino Interno do Eu, encontramos ao mesmo tempo o Poder Divino no Mundo Exterior. Quando buscamos a paz dentro de nós, achamos a Harmonia lá fora. Quando buscamos a liberdade da Alma, experimentamos a liberdade da Graça. O que nos impede vivenciar a expressão mais elevada de harmonia, de saúde e de abundância? Que nos impede usufruir todas as coisas boas que o mundo nos oferece? Existe algum poder que nos impõe e decreta a pobreza, a doença e a morte? Existe alguma lei de carência e de limitação encadeando-nos a roda de escravidão, provas e trabalhos pesados? Se assim é, de onde emanam? O mundo tem buscado a liberdade, a paz e a plenitude, mas essa procura se tem orientado pelos esforços mentais e normas estabelecidas. A Mente humana: formada com muitas falhas através dos séculos, contem em si todos os medos e fracassos da raça humana. Toda a angústia oriunda de paixões, luxúria, ganância, ambição, medo e prepotência, encontram-se nos arquivos do pensamento humano e isso tem levado a humanidade à posse desregrada e a aquisição voraz. O resultado não é liberdade, mas escravidão dos sentidos.
A simples decisão de repentinamente deixarmos de resistir a essa luta, com ajuda de nossos melhores recursos mentais, em busca da liberdade, já nos vai descerrando a Alma para a revelação de um Poder Incognoscível, Interno, Invisível, que nos vai provendo com o Pão descido dos céus e preenchendo totalmente nossas necessidades mentais, físicas e financeiras. E, com a remoção gradativa de nossas limitações mentais, vamos adquirindo uma visão destemerosa e ampla de nossa liberdade individual e atávica.
Onde, a não ser numa compreensão maior, pode o ser humano achar a infinitude de seu bem? Onde, a não ser na amplitude da consciência do Ser Imortal, pode o ser humano beber da Água Viva da qual, bebendo jamais terá sede de água comum? Onde, a não ser na amplitude maior da consciência, pode o individuo achar a Carne espiritual que põe fim a grande fome que acumulou, em razão de desejos insatisfeitos? Só essa abertura de consciência nos pode libertar a Mente das solicitações inebriantes do mundo exterior.
Liberdade é uma qualidade de pensamento e condição experimentada somente quando se quebra o apego às aparências e valores externos. Acima e além de toda sedução sensorial vibra a Vida Divina onde podemos entrar na herança de nossa liberdade autêntica, de modo a viver no mundo livre da escravidão e apego formais; gozar da amizade sem ser-lhe dependente; saudar a dinheiro que chega e bem empregá-lo, sem avareza; trabalhar pela alegria que o trabalho nos dá e não pelo dever de mera manutenção. Experimentem aprimorar o seu trabalho e achar melhores meios de realizar sua tarefa e verão como isso e libertador! Livra-los-á, certamente, do enfado que as rotinas provocam pela motivação aperfeiçoadora, pelo prazer que deem ao espírito de criar inovações nas atividades. Por acréscimo, também os libertará da carência e da limitação.
Gozemos da liberdade de amar nossos familiares e amigos, sem nos desiludirmos com suas falhas nem nos envaidecermos com seus êxitos. Mantenhamo-nos intimamente apartados do mundo como espectadores, vendo seus êxitos e insucessos, amores e ódios, mas vigiando para que eles não nos contagiem e envolvam: ISSO É LIBERDADE!
Como disse São Paulo apóstolo: “nada dessas coisas me comove!“. E Cristo “Meu Reino não é deste mundo; nele vivo, mas não lhe pertenço“. E ainda São Pedro: “Somos Peregrinos na Terra“.
(Gilberto A V Silos – Editorial da Revista Serviço Rosacruz de 5/72)
Pergunta: De acordo com um artigo publicado recentemente em uma revista médica, os recém-nascidos do sexo feminino parecem resistir melhor às influências adversas que acometem as crianças nos primeiros anos de vida. Esse artigo afirma: “Falando de modo geral, pode-se dizer que o menino reage à doença de modo mais violento que a menina, é fragilizado mais facilmente que ela, não se recupera tão rapidamente quando a doença parece regredir e não oferece tanta resistência quando sofre de enfermidades crónicas”. Poderiam explicar isso?
Resposta: Para o ocultista versado nos Ensinamentos Rosacruzes sobre a polaridade do Corpo Vital, a anomalia aparente é facilmente explicada, assim como muitos outros fatos conhecidos pela medicina, mas não justificados por ela.
O homem, cujo Corpo Denso é positivo, tem um Corpo Vital negativo. Consequentemente, ele não tem tanta resistência à doença quanto a mulher, que possui um Corpo Denso negativo, mas um veículo Vital positivo. Por essa razão, a mulher é capaz de enfrentar uma doença que mataria um homem, mesmo que esse tenha o dobro do peso dela e aparente vitalidade. Ela sofre mais intensamente do que o homem, mas suporta a dor com maior firmeza. Quando o restabelecimento se processa, o seu Corpo Vital, positivamente polarizado, parece sugar, como se fosse formado por um milhão de bocas, a energia solar. Ele dilata-se e começa quase que imediatamente a irradiar emanações características de saúde, resultando a recuperação rápida do corpo físico.
Por outro lado, quando um homem é profundamente atingido pela doença e começa a recuperar-se, o seu Corpo Vital, negativamente polarizado, é semelhante a uma esponja. Absorverá toda a energia solar que puder obter, mas a avidez perceptível no Corpo Vital da mulher não estará nele. Portanto, padecerá por muito tempo às sombras da morte e, como é mais fácil entregar-se do que lutar, mais frequentemente sucumbirá.
Existe também outra razão para a maior mortalidade entre os recém-nascidos do sexo masculino. Os estudantes da Filosofia Rosacruz estão familiarizados com a Lei que governa a mortalidade infantil. Sabem que quando o Ego é muito perturbado, seja pelas lamentações agudas e histéricas dos parentes ou pela morte decorrente de acidentes ferroviários, incêndios, guerras ou causas similares, ele não consegue concentrar a sua atenção no panorama da vida que se desenrola diante dele, semelhante a um filme projetado em uma tela.
Esse panorama deverá ser gravado no Corpo de Desejos para formar a base dos sentimentos de dor ou prazer que serão experimentados no Purgatório e no Primeiro Céu, respectivamente, quando a dor será transmutada em consciência para advertir o Ego a não cometer no futuro os erros do passado e o prazer sentido pelas boas ações praticadas gerará virtudes que estimularão o Ego a aperfeiçoar-se nas próximas vidas. Quando o Ego é seriamente perturbado em sua concentração no panorama da vida, a gravação não atua sobre os sentimentos como deveria. Por isso, a experiência de vida se perderia, se as Forças Superiores não intervissem, deixando-o morrer na fase de infância do próximo renascimento. Os veículos sutis não nascem simultaneamente com o corpo físico. Os frutos da vida anterior serão, então, incorporados neles após a morte na infância. Em alguns anos, o Ego procurará um novo renascimento e viverá o seu período normal de vida na Terra.
Baseados neste sistema, podemos afirmar que um grande número de crianças esteja predestinado a morrer durante a infância, pois as guerras e os velórios, com suas lamentações, privaram milhões de Egos da paz necessária no momento da morte. Esta guerra atual (1916) acrescentará mais alguns milhões. Deste modo, a mortalidade infantil continuará a golpear-nos até que aprendamos a ciência da morte e a como ajudar o Ego que morre a se desligar da matéria, da mesma forma que aprendemos a cuidar de um recém-nascido. Nós, com as nossas pequenas e finitas mentes, já aprendemos a usar as linhas de menor resistência para alcançar os nossos fins. Estudamos a conservação de energia e podemos ter certeza de que as grandes Hierarquias Divinas encarregadas da evolução fazem uso de métodos similares com maior eficiência. Consequentemente, já que os recém-nascidos devem morrer pelas razões mencionadas, o que há de mais natural do que deixá-los assumir um corpo masculino com um Corpo Vital negativo, que irá sucumbir mais facilmente aos rigores da existência física?
Contudo, não negamos que muitas mortes ocorridas na infância sejam devidas à falta de compreensão da complexa constituição do ser humano, que inclui veículos mais sutis do que aquele perceptível pelos nossos sentidos e que se acredita geralmente constituir o organismo todo. Embora o Corpo Vital de uma criança esteja ainda comparativamente desorganizado na ocasião do nascimento, o Éter a ser usado para completá-lo está dentro da aura, pronto a ser assimilado e, se alguém ao redor do recém-nascido estiver debilitado ou anêmico, um vampiro inconsciente, sugará parte da reserva do Éter não assimilado da criança muito mais facilmente que o de um adulto cujo Corpo Vital esteja totalmente estruturado. Naturalmente, a pessoa fraca sugará mais facilmente o Éter negativamente polarizado, como ocorre no corpo de um menino, do que o Éter positivo de uma menina. Assim, justifica-se a maior taxa de mortalidade das crianças do sexo masculino, embora muitas mortes não aconteçam devido à Lei mencionada.
Se isso fosse conhecido e aceito, um grande passo seria dado no sentido de salvar os recém-nascidos, porque certas precauções poderiam ser tomadas. Em primeiro lugar, deveriam dormir em um berço que ficasse afastado da mãe, embora sempre ao seu alcance, para que a aura dela não se misturasse com a da criança. Uma mãe fraca não deveria alimentar o seu filho, mas conseguir, se possível, leite fresco e tépido de vacas sadias e bem alimentadas ou, melhor ainda, de cabras. Esse leite fresco está sobrecarregado de Éter do animal e possui uma energia vital não apreciada pelo químico, que se limita a fazer somente a análise física dos seus componentes químicos. Por último, mas nem por isso menos importante, uma massagem no baço e um estímulo dos nervos esplênicos, cautelosa e moderadamente aplicados, ajudarão a contraparte etérica desse órgão na sua atividade de especializar a energia solar, da qual os processos vitais dependem tanto quanto os pulmões dependem do ar.
(Pergunta nº 28 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Repostas – Volume 2 – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: É-nos dito que, do ponto de vista espiritual, todas as coisas ou palavras são boas. Contudo, consideremos os indescritíveis crimes vis e covardes infligidos às indefesas populações civis de algumas das nações que se encontram em zona de guerra. Segundo a Teoria do Renascimento, os infelizes que sofrem dessa maneira poderiam ter cometido atrocidades semelhantes em existências anteriores; contudo, mesmo assim, dois erros correspondem a um acerto? Em vista disso, alguém pode sentir-se incentivado a refugiar-se atrás dessa doutrina filosófica que ensina que a relação dos sentidos é ilusória, a teoria do pesadelo, como uma explicação do mal praticado no mundo; ou do simples materialismo, que, por sua natureza, não necessita dar qualquer esclarecimento que se espera de um ensinamento espiritualista. Será que há outra solução para o problema?
Resposta: Sim, é claro que há, pois embora nós, com nossas Mentes finitas, sejamos incapazes de compreender os detalhes complexos do véu emaranhado do destino, assim mesmo o amplo esquema da Lei do amor, que trabalha pelo bem através daquilo que parece representar o mal, pode ser facilmente percebido por qualquer um. Contudo, antes de entrarmos na discussão direta da questão, permitam-nos corrigir o nosso correspondente. Não dizemos que todas as coisas são boas, pois se fosse verdade, não seria certo que continuassem a ocorrer essas atrocidades mencionadas pelo correspondente. Na realidade, sempre mantivemos e ainda afirmamos que todo mal é realmente um bem em formação — isto é, de qualquer situação má algo de bom resulta. Não hesitamos em chamar uma nuvem de nuvem, mas apontamos também a auréola prateada que mostra que, além e atrás da nuvem, o Sol ainda brilha tão maravilhosamente como sempre. E se a dor e o sofrimento causados por esta guerra representarem os meios de abolir finalmente as guerras da face da Terra, com certeza o custo não será tão elevado.
Sua observação quanto à Teoria do Renascimento, que os infelizes mencionados podem ter cometido atrocidades semelhantes em existências prévias, é evidente que há uma interpretação errônea, ao julgar que todas as condições presentes se relacionam a atos e ações de vidas passadas. Também não foi levado em consideração o fato de que em todos os momentos de nossas vidas estamos gerando um novo destino, ao mesmo tempo que estamos saldando dívidas antigas. Esse fato tão grande e importante foi apresentado na antiga mitologia grega, onde as três Parcas representam o passado, o presente e o futuro. Também na mitologia nórdica, as três Norns, Urda, Skuld e Verdande, tecem a teia do destino para desembaraçá-la novamente. Nem o destino é simplesmente um recurso para equilibrar os fatos. Se em uma vida A roubou B e o arruinou, não devemos presumir que em uma vida sucessiva B irá tornar-se desonesto e roubar A. Isso não seria realmente uma boa solução para o problema, pois será certamente melhor para um ser humano perder todo o seu dinheiro do que recuperá-lo por meios desonestos.
De forma semelhante, supondo que em uma existência anterior, como sugerido, as atuais vítimas das atrocidades bélicas cometeram crueldades contra aqueles que estão agora proporcionando-lhes sofrimento, teria sido melhor para o crescimento anímico de todos que não houvesse vingança, para não se assemelharem a animais selvagens nesta vida. Se esse fosse o modo da Lei funcionar, os atos de crueldade e as atrocidades se multiplicariam, e estremeceríamos só de pensar no que a humanidade poderia acumular para uma próxima vida, se os civis feridos de hoje pretendessem vingar-se dos atuais agressores militares.
No entanto, felizmente o processo não é esse. Um estudo da Memória da Natureza comprovou de forma conclusiva a verdade do ensinamento espiritual; isto é, o ódio não se extingue com ódio, mas com amor e serviço. Verificou-se em todos os casos investigados pelo autor — os quais perfazem algumas centenas — que sempre que, em alguma vida, uma pessoa prejudicou outra, o sofrimento que, devido a esse ato, retorna a ela durante a expiação no Purgatório que se sucede à morte, leva-a realmente à conscientização e ao arrependimento. Em seguida, será colocada em uma situação em que terá a oportunidade de prestar serviço àquele que prejudicou, quando ambos retomarem à vida física. Será recompensador, se aproveitar a oportunidade, pois ambos serão beneficiados, se estabelecerem a paz e a boa vontade mútua. Se recusar a oportunidade, ver-se-á colocada em uma posição em que se sentirá continuamente atormentada e, numa terceira vida, será induzida a pagar a dívida de serviço. Poderá ainda ser prejudicada por alguém e, assim, aprender a sentir-se solidária e fraterna, sentimentos que a levarão a prestar serviço. Entretanto, qualquer que seja o método, e há uma infinidade deles, de alguma forma a dívida causada pelo ódio será finalmente liquidada mediante o amor, porque esse é o único meio que permite à humanidade seu maior crescimento.
Aplicando essas ideias ao atual problema do sofrimento da população civil em zona de guerra (Primeira Guerra Mundial) e, embora admitindo-se que o passado possa, em alguns casos, relacionar-se com esses acontecimentos, evidencia-se que um novo destino está sendo gerado tanto pelos agressores como por suas vítimas. Não devemos esquecer que os agressores, assim como suas vítimas, estão também sofrendo e passando por grandes tribulações. É uma época de sofrimento para todos e as experiências no purgatório, para aqueles que permitem que a sua natureza inferior extravase dessa forma, serão muitíssimo severas. Quando uma nova vida começa, ao serem colocados numa situação em que encontrarão suas vítimas, a memória subconsciente do sofrimento no Purgatório provocará na grande maioria o desejo de emendar-se para que, da fornalha do sofrimento, surja um reino de “paz na Terra e boa vontade entre os homens”.
(Pergunta nº 21 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel)
Como funciona a Epigênese
Qual é o propósito da nossa existência neste Mundo Físico?
Se aqui é o baluarte da nossa evolução ou o laboratório experimental, então aqui vivemos, nos movemos, não com o objetivo propriamente de encontrar a felicidade, o que nos tornaria apenas superficiais, mas com objetivo de adquirir experiência, conquistar o mundo e sobrepor ao eu inferior para atingir o domínio próprio.
Nesse sentido, o sofrimento e a dor são os nossos melhores mestres no caminho evolutivo. E não nos preocupemos se daremos conta ou não. Pois como lemos no Evangelho Segundo São Mateus 6:34: “A cada dia basta seu fardo”.
Mas isso só é possível através de uma tríade chamada: Involução, Evolução e Epigênese.
Quando o nosso primeiro passo no desabrochar espiritual, isto é, no período da Involução, estávamos empenhados em construir os nossos Corpos Denso, Vital e de Desejos, através dos quais o Espírito aqui se manifesta.
É o período em que nos dedicamos à aquisição da consciência do “eu”.
Estávamos com a nossa consciência voltada para dentro na construção dos veículos. Contudo, tudo isso de acordo e sob a assistência grandiosa das grandes Hierarquias Criadoras.
Depois disso foi necessário à ligação do Espírito com os corpos construídos. Isto se deu por intermédio da Mente.
E passamos a ter nossa consciência voltada para fora. Daí então: “O homem vê o rosto, Deus o coração”, como lemos no Primeiro Livro dos Reis cap. 16:7.
Estávamos na fase da Evolução que é o período da existência, em que estamos desenvolvendo a consciência até convertê-la em divina onisciência.
Estávamos prontos a enfrentar o caminho evolutivo, o aperfeiçoamento desses veículos, agora de dentro para fora. Mas sem perder a ligação com as Hierarquias que são nossos orientadores.
Essa ligação é a força interna que trazemos e que nos faz diferentes dos demais.
Ela que nos dá o elemento de originalidade, que nos dá lugar à habilidade criadora, que converte o ser evolucionante em um Deus, afinal como lemos em Gênesis: “Deus criou o homem à sua imagem”.
Essa força é manifestada através da Epigênese, base do livre arbítrio.
Por isso, somente a Involução e Evolução do Espírito são insuficientes, precisamos aplicar a Epigênese no caminho evolutivo para nos tornarmos criadores.
Já tínhamos tudo o que precisávamos, isto é, os (três) Corpos, a Mente e os poderes latentes, incluindo a Epigênese.
Agora era só aplicá-los no nosso dia a dia.
Contudo, se nós deixássemos de utilizar esses poderes latentes no seu campo de evolução apenas passaríamos pela vida.
Essa fuga à experiência que nós nos negamos a vivenciar para assegurar uma vida tranquila e descuidada, é, lá no fundo, um tipo de acomodação de nossa personalidade que dentro de nós não aceita mudanças.
E quando a Epigênese se torna inativa em nós, ou até mesmo em nossa nação ou raça, cessa a evolução e começa a degeneração.
Hoje encontramos pessoas, infelizmente, que se acomodaram em suas vidas e não buscam alternativas para mudarem.
Elas simplesmente cedem aos contratempos da vida e ficam lamentando da sorte, escapam das responsabilidades geradas e perdem as oportunidades de tentar escapar da atual situação.
Muitos de nós somos preguiçosos, negligentes e fúteis na vida terrestre.
Nos apegamos às ilusões e esquecemos que aqui é somente o Mundo dos Efeitos, como lemos no Livro do Eclesiastes 1:14: “Pois nada há estéril debaixo do sol, onde tudo é vaidade e aflição do Espírito”.
E com isso nos submetemos aos ditames da natureza inferior e muitas vezes acabamos por reagir de maneira indesejável à nossa conduta.
Quando morremos, passamos por etapas para extrair as essências vividas aqui neste mundo físico, com objetivo de purificação do Espírito. Lembrando que não serão as mais agradáveis etapas já experimentadas.
Uma dessas etapas é a construção do nosso futuro ambiente, moldaremos de acordo e propício, no modo de conduta das vidas anteriores para termos a chance de mudar, regenerar e aprender as lições escolhidas.
E se perdermos novamente as oportunidades de crescimento anímico, certamente somaremos sofrimento para as vidas futuras.
Essas oportunidades não aproveitadas jamais retornam.
Lembrando o que São Paulo disse: “Tudo que aqui se planta, aqui se colhe”.
Em todas as nossas vidas seremos expostos a certas experiências que nada mais são do que o resultado do comportamento que tivemos em vidas anteriores.
Isso é, temos que passar por “incidentes mal resolvidos” em vidas anteriores para produzirmos novas causas que certamente se tornarão sementes de experiências em vidas futuras.
Imaginem se nesta escola da vida deixássemos de aplicar a Epigênese e produzir novas causas: cessaríamos a existência do Espírito, pois com as causas antigas resolvidas deixaríamos de produzir novos efeitos.
O mundo é a grande escola de Deus, e como temos que passar por etapas no mundo invisível, também nos atrasamos, nos descontrolamos e muitas vezes nos esquivamos, alguns até saem da escola por algum tempo, mas certamente teremos que retomar ao trabalho deixados atrás para aprender as lições e depois prestar exame.
A vida é diferente todos os dias e repleta de maravilhosas oportunidades.
Imaginem as lições de aperfeiçoamentos que o Espírito está sujeito a enfrentar nesta vida como defeitos de coluna, membros faltantes, pessoas com problemas mentais, problemas emocionais e tantos outros existentes.
Portanto como lemos no Evangelho Segundo São Mateus (16:24): “Renuncia a ti mesmo, toma tua cruz e segue a Jesus Cristo”.
Nós somos uma peça no grande tabuleiro da Natureza, que é a expressão viva de Deus, e devemos procurar mediante a vontade persistente buscar essas forças internas na purificação dos nossos veículos, por meio de bons pensamentos, boas palavras e atos corretos.
Isso será possível quando substituirmos certos vícios como: o egoísmo, a cobiça, a soberba, a inveja e a crueldade por bondade, tolerância, compaixão, perdão, fé e a humildade.
Deus, sendo justo, não permitiria que nada de bom ou mal nos acontecesse sem que merecêssemos e se, na sua infinita bondade e sabedoria, permite que soframos as consequências de nossos erros é somente para aprendermos as lições que não podemos ou não queremos aprender de outra maneira.
O que acontece é que ainda somos ignorantes das leis e das forças cósmicas e por isso estamos constantemente violando essas leis de forma que atraímos dor sobre nós mesmos.
Existem dois métodos de aprender o caminho evolutivo.
Um é pela experiência (chamamos dor) e o outro é pela observação (que chamamos amor).
A Fraternidade Rosacruz orienta seus Estudantes para que aprendam pela observação, um dos primeiros Exercícios Esotéricos que é solicitado ao Estudante executar diariamente, no seu dia a dia.
Contudo, existem várias fontes de ajuda disponíveis quando realmente trazemos para nós a responsabilidade para resolver nossos problemas.
Uma dessas fontes é a oração, mas que seja feita com sinceridade e que saibamos discernir nossa atitude quando recebermos a resposta.
Lembrando sempre de dizer a seguinte frase: “Pai, faça sua vontade e não a minha”.
Uma segunda fonte de ajuda é a intuição, que nos envia uma mensagem ao coração e este, em seguida, ao cérebro.
Essa mensagem ou resposta ao nosso “problema” vem diretamente da Sabedoria Cósmica, do Mundo do Espírito de Vida.
E uma outra fonte seria o conhecimento aplicado e que já é sabido que quanto maior o conhecimento, maior é a responsabilidade quanto ao uso que fazemos desses conhecimentos.
Não devemos nos sentir abatidos ou enfraquecidos diante dos fatos desagradáveis que nos acontecem e nem achar que somos incapazes ou imperfeitos.
Essas dificuldades são naturais no caminho evolutivo, e se forem bem compreendidas aumentarão a nossa Luz Interna.
Devemos procurar compreender o nosso papel aqui neste mundo físico e dar graças por essas oportunidades, pois Cristo disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14:6).
Que as rosas floresçam em vossa cruz
A Origem do Pecado, como aprendemos com ele e como sublimá-lo
Deus é perfeito. Contudo, nós, individualmente, não somos perfeitos.
Devido ao processo de evolução nós estamos sujeitos a cometer erros. E a maioria desses erros nós cometemos por causa da nossa ignorância.
Em parte, isso é devido a irmos contra as leis da natureza. Na maioria das vezes deixamos nosso “eu inferior” dominar a situação.
Nosso “eu superior” sabe como não pecar, como obedecer às Leis da Natureza. Isso prova nossa imperfeição. Usamos nosso livre arbítrio de modo contrário às Leis de Deus. Cometemos mais pecados por omissão do que por comissão. São pequenos pecados a que, na sua maioria, nem damos importância. Entretanto, ao passar do tempo esses pecados começarão a atrapalhar o nosso progresso espiritual.
O pecado é “consequência natural das Religiões de Raça, as Religiões de Jeová”. Essas Religiões eram Religiões de Leis, originadoras do pecado como consequência à desobediência dessas leis. Sob essas leis todos pecavam. E chegou-se a tal ponto que a evolução teria demorado muito, e muitos de nós perderíamos a evolução de nossa onda de vida se não fossemos ajudados.
Isso porque não sabíamos agir com retidão e amor. Nossa natureza passional tornou-se tão forte que não sabíamos mais controlá-la. Pecávamos continuamente.
Na Época Lemúrica, a propagação da raça e o nascimento eram executados sob a direção dos Anjos, por sua vez enviados por Jeová, o Regente da Lua.
A função criadora era executada durante determinados períodos do ano, quando as configurações estelares eram favoráveis. Como a força criadora não encontrava obstáculo, o parto realizava-se sem dor.
A consciência do Lemuriano era igual à nossa hoje, quando estamos dormindo. Assim, ele era inconsciente do Mundo Físico e, portanto, inconsciente do nascimento e da morte. Ou seja, essas duas coisas não existiam para o lemuriano. Eles percebiam as coisas físicas de maneira espiritual, como quando as percebemos em sonhos, quando parece que tudo está dentro de nós.
Quando, nessa Época, havia o íntimo contato das relações sexuais entre o homem e a mulher, o espírito sentia a carne e, por um momento, o ser humano atravessava o véu da carne e observava uma ligeira consciência. A isso se referem várias passagens da Bíblia: “Adão conheceu a sua mulher”, ou seja: sentiu-a fisicamente. “Adão conheceu Eva e ela concebeu Seth”; “Elkanah conheceu Havah e ela concebeu Samuel”. Mesmo no Novo Testamento, quando o Anjo anuncia à Maria que será a mãe do Salvador, ela contesta: “Como pode ser isso possível se eu não conheço a nenhum homem?“. Essas coisas perduraram até aparecerem os Espíritos Lucíferos.
Como o ser humano via muito mais facilmente no Mundo do Desejo, os Espíritos Lucíferos manifestaram-se por aí, e chamaram-lhe a atenção para o mundo exterior. Ensinaram-lhe como podia deixar de ser manipulado por forças exteriores, como poderia converter-se em seu próprio dono e Senhor, parecendo-se aos Deuses, “conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5). Também lhe mostraram como podia construir outros corpos, sem a necessidade da ajuda dos Anjos.
O objetivo dos Espíritos Lucíferos era dirigir a consciência do ser humano para o exterior. Essas experiências proporcionaram a dor e o sofrimento, mas deram também a inestimável benção da emancipação das influências e direção alheias e o ser humano iniciou a evolução dos seus poderes espirituais.
A partir daí foram os seres humanos que dirigiram a propagação e não mais os Anjos. Eles passaram, então, a ignorar a operação das forças solares e lunares como melhor época para a propagação e abusaram da força sexual, empregando-a para a gratificação dos sentidos. Então, restou a dor que passou a acompanhar o processo de gestação e nascimento.
Passaram, também, a conhecer a morte, pois viam quando eles atravessavam do Mundo Físico para os mundos espirituais e vice-versa, quando voltavam, ao renascerem.
A partir daí, como diz a Bíblia: “conceberás teus filhos com dor”. Isso não foi uma maldição de Jeová, como normalmente se acha. Foi uma clara indicação do que iria ocorrer quando se utilizasse a força criadora na geração de um novo ser sem tomar em conta as forças astrais.
Então, é o emprego ignorante da força criadora que origina a dor, a enfermidade e a tristeza.
Esse é o pecado original. “A terra te produzirá espinhos e abrolhos, e tu terás por sustento as ervas da terra. Tu comerás o teu pão no suor do teu rosto, até que te tornes na terra, de que foste formado”. (Gn 3:18-19)
A partir daí o ser humano teve que trabalhar para obter o conhecimento. Através do cérebro, interioriza parte da força criadora para obter o conhecimento no Mundo Físico.
Isso é egoísmo.
Contudo, a partir da queda na geração, não há outro modo de se obter conhecimento.
Assim, uma parte da força sexual criadora do ser humano ama egoisticamente o outro ser, porque deseja a cooperação na procriação. A outra parte pensa, também, por razões egoístas, porque deseja conhecimento.
Como resultado cristalizou os seus veículos e esqueceu-se de Deus. Os corpos debilitados e as enfermidades que vemos ao nosso redor foram causados por séculos de abuso, e até que aprendamos a subjugar nossas paixões não poderá existir verdadeira saúde na humanidade.
Em resumo: o pecado original veio porque o ser humano usou o seu livre-arbítrio e quis obter a consciência cerebral e a do Mundo Físico. Transformou-se, de um autômato, guiado em tudo, num ser criador pensante.
Aos poucos, através do sábio uso da Força Criadora e da espiritualização dos seus corpos, o ser humano vai respondendo aos impactos espirituais e escapando do estigma do pecado original.
A partir do momento em que o ser humano tomou para si as rédeas de sua evolução, ele começou a experimentar, agindo bem ou mal, fazendo o certo e o errado.
Na Época Atlante, quando lhe foi dado a Mente, o Ego era excessivamente débil e a natureza de desejos muito forte, motivo por que a Mente uniu-se ao Corpo de Desejos, originando a astúcia; a partir daí, então, a tendência foi fazer mais o mal do que o bem, mais o errado do que o certo, desenvolvendo mais o vício do que a virtude.
Assim, devido à sua ignorância, foi lhe dada uma Religião que tinha como base o látego do medo, impelindo-o a temer a Deus.
Por causa desse medo, tentava-se fazer o bem, o certo. Mas a astúcia e a ignorância eram muito fortes e o ser humano fazia mais o mal do que o bem.
Após isso, foi lhe dada uma Religião que o levava a certa classe de desinteresse, coagindo-o a dar parte dos seus melhores bens como sacrifício: “Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar”(Gn 8:20).
Noé simboliza os Atlantes remanescentes, núcleo da quinta raça, a Raça Ária, e, portanto, nossos progenitores. Isso foi conseguido pelo Deus de Raça ou Tribo. Um Deus zeloso que exigia a mais estrita obediência e reverência. Contudo, era um poderoso amigo, ajudava o ser humano em suas batalhas e lhe desenvolvia multiplicados “os carneiros e cereais” que lhe eram sacrificados.
O ser humano não sabia que todas as criaturas eram semelhantes, mas o Deus de Raça ensinou-lhe a tratar benevolentemente seus irmãos de raça e fazer leis justas para os seres da mesma raça.
Entretanto, houve muitos fracassos e desobediências, pois o egoísmo estava – e ainda está – muito enraizado na natureza inferior.
No Antigo Testamento, encontramos inúmeros exemplos de como o ser humano se esqueceu dos seus deveres e de como o Deus de raça o encaminhou, persistentemente, uma e outra vez.
Só com os grandes sofrimentos ditados pelos Espíritos de Raça foi que os seres humanos caminharam dentro da lei. Isso porque o propósito da Religião de Raça é dominar o Corpo de Desejos, na maioria das vezes apegado à natureza inferior, de modo que o intelecto possa se desenvolver. Portanto, essas Religiões são baseadas na lei, originadoras do pecado, como consequência à desobediência a essas leis.
Exemplos dessa desobediência e de suas consequências vemos no Pentateuco Mosaico, os cinco primeiros livros do Antigo Testamento. O ser humano foi pecando – pois não sabia agir por amor – por desobediência a essas Leis, baseadas na Lei de Consequência, e acumulando uma quantidade tão grande de pecados que, se não houvesse uma intervenção externa, muitos teriam sucumbido e toda a evolução perdida.
E essa ajuda foi a vinda do Cristo. Por isso ele disse que veio para “buscar e salvar os que estavam perdidos“. Cristo não negou a Lei, nem a Moisés, nem aos profetas.
Disse que essas coisas já tinham servido aos seus propósitos e que, para o futuro, o AMOR deveria suceder a Lei.
Ele é: “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. E o tirou, mas não o pecado do indivíduo!
Purificou, e continua purificando todos os anos, o Mundo do Desejo de modo que tenhamos matéria de desejos, emoções e sentimentos mais pura para construir nossos Corpos de Desejos e desejos, emoções e sentimentos superiores, mais puros.
Assim, por inanição, vamos eliminando nossas tendências inferiores, nossos vícios, o egoísmo, etc.
Ele nos deu a doutrina do Perdão dos Pecados. Ela não vai contra a Lei de Consequência, como muitos pensam, mas a complementa.
Dá aos que se interessam pela vida espiritual forças para lutar, apesar de repetidos fracassos e para conseguir subjugar a natureza inferior.
Mediante o Perdão dos Pecados foi nos aberto o caminho do arrependimento e da reforma íntima.
Aplicando uma lei superior à Lei Mosaica, a lei do amor, conseguimos esse perdão. Se não o fazemos, teremos que esperar pela morte que nos obrigará a liquidar nossas contas.
Para conseguir o perdão dos nossos pecados temos que, quando cometermos um erro, ter um sincero arrependimento seguido de uma devida regeneração que pode ser um serviço prestado a quem injuriamos ou uma oração para essa pessoa – se for impossível o serviço – ou, ainda, um serviço prestado a outrem. Com esse sentimento e essa compreensão tão intensas quanto possível do erro cometido, a imagem desse ato se desvanece ao Átomo-semente, no qual foi gravado.
Lembremos que são as gravações desse Átomo-semente que formam a base da justa retribuição depois da morte e que é o livro dos Anjos do Destino. Com isso, no Purgatório esse registro não estará mais lá e não sofreremos por esse ato errado, pois já aprendemos que ele é errado, restituindo-o voluntariamente.
Lição aprendida, ensino suspenso!
Nesse ponto, muito nos ajuda o Exercício da Retrospecção. É ele que nos faz viver o nosso Purgatório diariamente e nos ajuda na compreensão e no discernimento em fazer o bem e o que é fazer o mal.
Portanto, não sigamos tanto “a carne”, o Mundo Físico, pois já é passado o tempo que precisávamos disso.
Não sejamos preguiçosos, gulosos, impudicos, voluptuosos, soberbos, avarentos. Pois no ponto em que nós pecamos seremos gravemente castigados.
Relembremos, agora, os nossos pecados para podermos aproveitar melhor o tempo após a morte para ajudarmos os nossos irmãos e para construirmos melhores corpos.
Sejamos sábios utilizando toda essa ajuda que os nossos irmãos mais evoluídos nos dão.
Se vivemos para Cristo, veremos que toda tribulação dará prazer, pois a sofreremos com paciência e que: “a iniquidade não abrirá a sua boca” (Sl 106:42).
E pela paciência e persistência estaremos entre os escolhidos no dia do Juízo, pois: “erguer-se-ão naqueles dias os justos com grande força contra aqueles que os oprimiram e desprezaram.” (Sb 5:1).
Que as rosas floresçam em vossa cruz